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Cap 1

O documento aborda o dimensionamento de pilares em concreto armado, enfatizando a importância das solicitações normais, como compressão axial e flexão composta. Ele discute a não linearidade física e geométrica, conforme as diretrizes da NBR 6118:2014, e apresenta diferentes tipos de solicitações que os pilares podem sofrer. Além disso, o texto explora as implicações dessas solicitações na segurança e desempenho das estruturas.

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Cap 1

O documento aborda o dimensionamento de pilares em concreto armado, enfatizando a importância das solicitações normais, como compressão axial e flexão composta. Ele discute a não linearidade física e geométrica, conforme as diretrizes da NBR 6118:2014, e apresenta diferentes tipos de solicitações que os pilares podem sofrer. Além disso, o texto explora as implicações dessas solicitações na segurança e desempenho das estruturas.

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CONCRETO

ARMADO
APLICADO EM
PILARES, VIGAS
PAREDE E
RESERVATÓRIOS
Introdução
aos pilares
Jaqueline Ramos Grabasck

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

>> Relacionar as solicitações normais.


>> Reconhecer a não linearidade física e geométrica.
>> Identificar a compressão axial.

Introdução
Os pilares são elementos lineares de eixo reto, dispostos na vertical, sujeitos
a forças normais de compressão. Para o dimensionamento desses elementos,
é necessário conhecer todos os esforços atuantes na estrutura, como forças
normais, momentos fletores e forças cortantes.
A NBR 6118:2014 apresenta definições e cálculos a serem utilizados no dimen-
sionamento dos elementos estruturais e ressalta a importância da segurança
dos elementos. Tais elementos são diretamente influenciados por durabilidade
das peças, cobrimento do concreto, índice de esbeltez e momento fletor mínimo,
sendo este último essencial para auxiliar na absorção de problemas advindos
das cargas atuantes nas estruturas.
Neste capítulo, você irá estudar cada uma das solicitações normais que
atuam sobre os pilares, vendo a influência que essas cargas apresentam no
desempenho dos elementos estruturais. Você irá ver também a diferença entre
a não linearidade física e a não linearidade geométrica, além de ler sobre como
identificar a compressão axial, à qual os pilares estão sujeitos.
2 Introdução aos pilares

Solicitações normais em pilares


Os elementos estruturais devem ser desenvolvidos com o intuito de garantir
segurança aos usuários, principalmente, com relação aos estados limites,
que impossibilitam a estrutura de manter a sua finalidade (ALVA, 2007).
Segundo Alva (2007), para o lançamento estrutural é imprescindível levar
em consideração o comportamento primário dos elementos estruturais;
no caso dos pilares, esses elementos estruturais são os elementos de barra,
que recebem as cargas das vigas e as transferem às fundações. Os pilares
estão sujeitos à flexo-compressão e aos carregamentos horizontais, advindos
das ações dos ventos.
A Figura 1 apresenta o direcionamento das cargas, por meio dos elementos
estruturais, em uma edificação. Ela identifica os carregamentos verticais,
advindos da própria estrutura e demais elementos que compõem a edificação,
e os carregamentos horizontais, resultantes da ação dos ventos.

Carregamento
vertical

Laje
Carregamento Viga
horizontal

Pilar

Fundação

Solo

Figura 1. Fluxo de direcionamento das cargas através dos elementos estruturais.


Fonte: Alva (2007, documento on-line).
Introdução aos pilares 3

De acordo com Borges (1999), as solicitações normais são o momento e a


força axial, que podem atuar em conjunto ou individualmente, acarretando
seguintes solicitações (BORGES, 1999):

„„ compressão axial;
„„ flexão normal simples;
„„ flexão normal composta;
„„ flexão oblíqua simples;
„„ flexão oblíqua composta.

O momento fletor é a combinação de esforços de tração e compressão


que atuam sobre um elemento estrutural, resultando na sua curvatura; é a
“[...] força que age a certa distância de um ponto de uma estrutura” (ALLEN;
IANO, 2013, p. 977). Já a força axial, é uma força aplicada na direção paralela
ao eixo principal de um elemento estrutural.
De acordo com Bastos (2015), os pilares podem ser submetidos a forças
normais e momentos fletores, resultando nas solicitações de compressão
simples e flexão composta. A compressão simples ocorre mediante a aplicação
da força normal no centro geométrico da seção transversal do pilar, onde as
tensões serão uniformes, como mostra a Figura 2. Essa compressão é também
denominada compressão centrada e compressão uniforme. Velois ([2018])
indica que a compressão simples ocorre em pilares de centro.

Figura 2. Compressão simples ou uniforme.


Fonte: Bastos (2015, documento on-line).
4 Introdução aos pilares

Os pilares de centro são também denominados de pilares intermediários,


pois as vigas e as lajes são contínuas sobre esse tipo de pilar, resultando em
momentos fletores pequenos e desprezíveis a serem transmitidos aos pilares
(BASTOS, 2020; VELOIS, [2018]). A Figura 3 apresenta a situação em projeto,
as possibilidades de aplicação em planta e a representação volumétrica dos
pilares de centro.

x
Nd

Planta
Situação de projeto

Figura 3. Situação de projeto, em planta e em 3D de um pilar de centro.


Fonte: Bastos (2020, documento on-line).

Já na flexão composta, conforme Bastos (2015), a força normal e o mo-


mento fletor atuam simultaneamente sobre o pilar. Isso pode ocorrer de
duas formas, gerando flexão composta normal e flexão composta oblíqua,
apresentadas na Figura 4. Na flexão composta normal, a força normal e o
Introdução aos pilares 5

momento fletor ocorrerão em uma única direção, ou seja, em x ou em y. Velois


([2018]) complementa que o momento fletor irá gerar uma excentricidade na
carga, ocorrendo apenas nos pilares de extremidade. Já na flexão composta
oblíqua haverá dois momentos fletores e uma força normal, atuando nas duas
principais direções do pilar, ou seja, em x e em y (BASTOS, 2015). Os momentos
fletores serão responsáveis por gerar uma excentricidade na carga, sendo
que a flexão composta oblíqua ocorre nos pilares de canto (VELOIS, [2018]).

y y

Nd

Nd e1y

e
x x
e1x e1x

(a) (b)

Figura 4. Flexões compostas: (a) normal e (b) oblíqua.


Fonte: Bastos (2015, documento on-line).

Os pilares de extremidades são chamados também de pilares de borda


ou de face; são posicionados nas bordas da edificação e recebem as cargas
advindas de vigas e lajes que não apresentam continuidade sobre esse pilar
(BASTOS, 2020; VELOIS, [2018]). Veja, na Figura 5, um pilar de extremidade em
situação de projeto, em planta e volumetricamente. Na situação em projeto
ocorrem os momentos fletores de primeira ordem em uma direção do pilar
(BASTOS, 2020).
6 Introdução aos pilares

e1
x
Nd

Situação de projeto Planta

Figura 5. Pilar de extremidade em situação de projeto, em planta e em 3D.


Fonte: Bastos (2020, documento on-line).

Já os pilares de canto são dispostos nos cantos da edificação, atuando


como apoio extremo para duas vigas. Isso resulta em momentos fletores de
primeira ordem nas duas principais direções do pilar, ocorrendo também,
simultaneamente, excentricidades de primeira ordem (BASTOS, 2020). A Figura 6
representa a situação em projeto, em planta e em volumetria de um pilar
de canto.
De acordo com Borges (1999), a flexão oblíqua é aquela que ocorre na
maioria dos pilares e vigas submetidos a cargas laterais junto com cargas
verticais. Esse é considerado um caso geral de solicitação normal, muito
pesquisado para dimensionamento e verificação de pilares. Esse tipo de so-
licitação pode ocorrer “[...] em seções que não apresentam plano de simetria,
em seções simétricas quanto à forma, mas com armaduras assimétricas ou
em seções simétricas quanto à forma e distribuição da armadura, mas com
plano de atuação do momento fletor não coincidente com o plano de simetria
da seção” (BORGES, 1999, documento on-line).
Introdução aos pilares 7

Planta

x
Nd
e1y

e1x

Situação de projeto

Figura 6. Pilar de canto em situação de projeto, em planta e em 3D.


Fonte: Bastos (2020, documento on-line).

Borges (1999) completa que a flexão oblíqua envolve um trabalho mais


complexo, pois é necessário considerar dois momentos fletores e um número
maior de parâmetros. Para verificar a estabilidade das configurações de
equilíbrio, pode-se aplicar o método geral com o processo do pilar padrão.
A NBR 6118:2014, Projetos de estruturas de concreto — Procedimentos
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2014) define o método geral
com uma análise não linear de segunda ordem, na qual é realizada a trans-
ferência de funções da barra, considerando, em cada seção, o momento-
-curvatura real e a não linearidade geométrica, sendo obrigatório um índice
de esbeltez maior do que 140. A normativa salienta que os esforços locais de
segunda ordem podem ser determinados por métodos aproximados, mediante
o uso do pilar padrão e do pilar padrão melhorado, que abrangem o pilar
8 Introdução aos pilares

padrão com curvatura aproximada, o pilar padrão com rigidez κ aproximada,


o pilar padrão acoplado a diagramas M, N e 1/r específicos para cada caso e o
pilar padrão para pilares de seção retangular submetidos à flexão composta
oblíqua (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2014).

A excentricidade corresponde às distâncias na qual as forças normais


atuam com relação ao centro de gravidade da seção transversal do
pilar e sobre um dos eixos de simetria, no caso da flexão composta normal,
e sobre um ponto da seção, no caso da flexão oblíqua (Figura 7) (VELOIS, [2018]).

Nd

Nd Nd

e1y
e1x e1x

(a) (b) (c)

Figura 7. Excentricidades em (a) compressão centrada, (b) flexão composta normal e (c) flexão
composta oblíqua.
Fonte: Bastos (2017 apud VELOIS, [2018], documento on-line).

Essas excentricidades são consideradas de primeira ordem e são divididas


em excentricidade inicial; excentricidade acidental; excentricidade de forma;
excentricidade suplementar ou fluência; e momento fletor mínimo (VELOIS, [2018]).

Não linearidade física e não linearidade


geométrica
A linearidade interfere diretamente no comportamento das estruturas, sendo
observada por meio da relação entre momento e curvatura. Os conceitos de
linearidade e elasticidade são comumente confundidos, porém a elasticidade
define o material apenas quando ele sofre alguma deformação ao ser sub-
metido a uma ação de carregamento; cessando a ação, o material retorna ao
ponto inicial, sem apresentar deformação residual (BORGES, 1999).
Introdução aos pilares 9

Conforme a NBR 6118:2014, a análise linear é utilizada para verificar os


estados limites de serviço, de maneira que seus esforços solicitantes podem
atuar como embasamento no dimensionamento dos elementos estruturais no
estado limite último (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2014).
A legislação complementa que, sendo garantida a ductilidade mínima das
peças, pode-se admitir, no dimensionamento, a plastificação dos materiais.

A NBR 6118:2014 apresenta os seguintes conceitos (ASSOCIAÇÃO


BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2014):
„„ Estado limite último (ELU): estado limite que inviabiliza o uso da estrutura,
devido a um colapso ou alguma outra forma de ruína desses elementos.
„„ Estado limite de serviço (ELS): estado limite que se relaciona diretamente
ao conforto do usuário, à durabilidade, à aparência e à utilização adequada
das estruturas.

Já para a realização da análise não linear, deve-se conhecer toda a es-


trutura, que apresentará um resultado conforme a sua armadura e como foi
desenvolvida, considerando o comportamento não linear geométrico, assim
como o comportamento dos materiais. Sua utilização é aceita para verificar
os estados limites últimos e de serviço (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
TÉCNICAS, 2014).
Os elementos lineares compreendem as vigas, os pilares, os tirantes,
os arcos, os pórticos, as grelhas e as treliças. Eles podem ser analisados
completos ou em partes, mediante as seguintes hipóteses (ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2014, p. 87):

„„ manutenção da seção plana após a deformação;


„„ representação dos elementos por seus eixos longitudinais;
„„ comprimento limitado pelos centros de apoios ou pelo cruzamento
com o eixo de outro elemento estrutural.

Conforme Bastos (2020, documento on-line), “[...] o conceito de linearidade


ou não linearidade consiste em existir, ou não, proporcionalidade entre duas
variáveis”. Isso apresenta aplicabilidade em estruturas, elementos estruturais
e materiais.
10 Introdução aos pilares

A não linearidade é definida por Bastos (2020) como a inexistência de


proporcionalidade, podendo ser observada na relação entre uma força e o
deslocamento, quando se trata de elementos estruturais, ou na relação entre
tensão e deformação, no caso da análise de materiais. A não linearidade deve
ser considerada de duas maneiras para o dimensionamento de pilares — uma
relacionada ao material (neste caso, o concreto armado), que é denominada
não linearidade física; e a outra relacionada à geometria do pilar, que se
denomina não linearidade geométrica. De acordo com Borges (1999), a rela-
ção momento e curvatura está diretamente relacionada à não linearidade.
Ao relacionarmos o momento interno com a curvatura, a importância será
direcionada à não linearidade física. Já ao relacionarmos o momento externo
e a curvatura, será dada relevância à não linearidade geométrica.

Não linearidade física


Quando tratamos de material, a não linearidade será física, ou seja, quando o
elemento em análise for o concreto armado, não será observada a proporcio-
nalidade entre a tensão e a deformação. Para fins de exemplificação, Bastos
(2020) apresenta um diagrama comparando um material elástico linear, que
se enquadra na Lei de Hooke, e um material não linear, mostrado na Figura 8.

σ σ σ (Concreto)
fc
a
σ=εE rg Ruptura
Ca
Descarga ε
ε ε

(a) (b) (c)

Figura 8. Diagrama σ × ε de um material: (a) elástico linear; (b) não linear; (c) elastoplástico
(concreto).
Fonte: Bastos (2020, documento on-line).
Introdução aos pilares 11

A Lei de Hooke indica que o comportamento do material é linear,


devido à tensão ser proporcional à deformação, conforme apresen-
tado na Figura 8a (BASTOS, 2020).

Ao submeter um pilar em concreto armado a um carregamento axial, haverá


inicialmente um comportamento elástico linear. O concreto simples apresenta
comportamento elastoplástico em ensaios de compressão simples, com um
trecho inicial linear até, aproximadamente, 0,3fc. Com o passar do tempo,
em estágios mais avançados, o comportamento dos materiais se tornará não
linear, podendo atingir a resistência máxima à compressão, que apresenta
deformação de 2 a 3% (BASTOS, 2020).
De acordo com Scadelai (2004), a não linearidade física indica que não há
proporção entre a causa e o efeito, pois trata-se de uma propriedade intrínseca
do material. Assim, em estruturas de concreto armado, haverá uma resposta
não linear tanto do aço quanto do concreto.
Complementando, em particular referência ao concreto armado, Borges
(1999) ressalta que a proporcionalidade entre tensão e deformação é inexis-
tente, de maneira que o momento interno é obtido mediante o cálculo direto da
resultante das tensões correspondentes ao momento. Isso gera um diagrama
curvo, pois a não linearidade física do material interfere diretamente na não
linearidade entre o momento interno e a curvatura.
De acordo com Pinto (1997), no concreto armado, os efeitos advindos da
fissuração, da fluência, do escoamento das armaduras e demais comporta-
mentos do material configuram um comportamento não linear, o que configura
a não linearidade física.

Não linearidade geométrica


Segundo Pinto (1997), a não linearidade geométrica se relaciona-se ao deslo-
camento inicial do elemento, devido à ocorrência de esforços adicionais de
segunda ordem, que acarretam a deformação do elemento. Esses desloca-
mentos se devem às ações verticais e horizontais, que podem vir a acarretar
um problema de estabilidade global e conduzir a estrutura ao colapso.
12 Introdução aos pilares

A Figura 9 apresenta um comparativo do posicionamento inicial e do


posicionamento final do elemento.

(a) F (b) a F
y

ℓ ℓ y
r

Figura 9. Não linearidade geométrica: (a) posição inicial;


(b) posição final.
Fonte: Bastos (2015, documento on-line).

Caso a força aplicada ultrapasse a força crítica (Pcr), o deslocamento irá


aumentar rapidamente. Assim, é necessário realizar a análise do elemento
em seu novo posicionamento, ou seja, perante a sua deformação, devido aos
momentos fletores adicionais (nomeados “de segunda ordem”), identificando
o momento fletor máximo, que ocorre na base do elemento (BASTOS, 2020).
Essas deformações, resultantes dos esforços de segunda ordem, são represen-
tadas pelo momento fletor, utilizando-se a seguinte equação (BASTOS, 2015).

M=F·a

onde:

„„ M: momento fletor.
„„ F: força aplicada.
„„ a: deformação gerada.
Introdução aos pilares 13

Para determinar os esforços locais de segunda ordem, podemos utilizar


o método do pilar padrão com curvatura aproximada. Para a sua utilização,
devemos considerar alguns critérios que os pilares devem apresentar, que
são os seguintes (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2014):

„„ λ ≤ 90;
„„ seção constante;
„„ armadura simétrica e constante no decorrer do eixo.

O momento total máximo no pilar é calculado pela seguinte equação:

2
1
, = 1 , + ≥ 1 ,
10

A curvatura na seção crítica (1/r) pode ser avaliada por meio da equação
a seguir:

1 0,005 0,005
= ≤
ℎ ( + 0,5) ℎ

De forma que:

=
( )

onde:

„„ h: altura da seção na direção considerada.


„„ v: força normal adimensional.

Para pilares biapoiados sem cargas transversais, deve-se utilizar a se-


guinte equação:

= 0,60 + 0,40 ≤ 0,40


14 Introdução aos pilares

sendo 1,0 ≥ αb ≥ 0,4, onde:


MA e MB: momentos de primeira ordem nos extremos do pilar, obtidos na
análise de primeira ordem, no caso de estruturas de nós fixos e momentos
totais (primeira ordem + segunda ordem global). No caso de estruturas de
nós móveis, deve ser adotado para MA o maior valor absoluto ao longo do
pilar biapoiado. Para MB, deve ser adotado o sinal positivo, se tracionar a
mesma face que MA, e negativo, em caso contrário (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA
DE NORMAS TÉCNICAS, 2014).
Para pilares biapoiados com cargas transversais significativas ao longo
da altura, deve-se utilizar αb = 1,0.
Para pilares em balanços, deve-se utilizar a seguinte equação:

= 0,80 + 0,20 ≥ 0,85

sendo 1,0 ≥ αb ≥ 0,85, onde:

„„ MA: momento de primeira ordem no engaste.


„„ MC: momento de primeira ordem no meio do pilar em balanço.

Para pilares biapoiados ou em balanço com momentos menores que o


momento mínimo estabelecido na seção [Link].3 da NBR 6118:2014, deve-se
utilizar αb = 1,0 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2014).

Compressão axial
A aplicação de forças externas sob o eixo longitudinal gera o esforço normal no
interior do elemento, apesar de encontrar-se em equilíbrio. Caso seja realizado
o corte desse elemento, a força equivalente à normal será observada nas
partes seccionadas, mantendo o equilíbrio desses elementos, como mostra
a Figura 10 (LEGGERINI, [20--?]).
Introdução aos pilares 15

P P

Eixo da
barra a

P P = σA
b

a P P
b σ=
A A

P P

Figura 10. Análise da atuação do esforço normal sobre o elemento.


Fonte: Leggerini ([20--?], documento on-line).

O esforço normal é distribuído uniformemente na área de atuação, de


forma que a tensão pode ser definida pela seguinte equação:

onde:

„„ σ: tensão.
„„ N: esforço normal.
„„ A: área da seção transversal.
16 Introdução aos pilares

Vanderlei (1999) ressalta que a relação tensão versus deformação do con-


creto é obtida por meio da compressão axial em corpos de prova, controlando
o nível de deformação dos elementos. Essa relação se diferencia do concreto
simples, apresentando importância significativa nos projetos estruturais de
concreto armado.
Segundo Allen e Iano (2013), o aço e o concreto atuam de maneira conjunta
nos sistemas estruturais. A armadura é carregada normalmente por tração
ou compressão axial e, ocasionalmente, por cisalhamento, porém nunca
por flexão.
Os pilares são compostos por dois tipos de armaduras: as barras verticais
e os estribos. As barras verticais são dispostas longitudinalmente, além de
apresentarem grandes diâmetros, a fim de absorver os esforços de compres-
são, junto com o concreto, e resistir aos esforços de tração advindos de forças
de ventos e terremotos. Os estribos são desenvolvidos com barras de aço de
pequeno diâmetro, dispostos em torno das barras verticais, auxiliando na
resistência a flambagem (ALLEN; IANO, 2013).
Ching, Onouye e Zuberbuhle (2015) define os pilares como componentes
estruturais rígidos, desenvolvidos para suportar, nas suas extremidades,
os esforços de compressão axiais. Pilares grossos e relativamente curtos
podem sofrer ruptura por esmagamento, enquanto pilares longos e esbeltos
apresentam a possibilidade de sofrerem flambagem. O autor salienta que o
processo de ruptura resulta dos esforços diretos advindos das cargas axiais,
que irão sobrecarregar a resistência à compressão na seção transversal da
peça. A Figura 11 apresenta um pilar grosso e curto, no qual as linhas tracejadas
indicam a conformação por esmagamento, e um pilar esbelto, que apresenta
alteração por flambagem.
A flambagem consiste na deflexão lateral do pilar, de forma que os es-
forços internos não são suficientes para retornar à condição linear original.
Ela é considerada uma “[...] súbita instabilidade lateral ou de torção de um
componente estrutural esbelto” (CHING; ONOUYE; ZUBERBUHLE, 2015, p. 158),
que advém de uma carga axial antes de o material atingir o seu limite elástico.
Introdução aos pilares 17

Figura 11. Exemplo de esmagamento (esquerda) e


flambagem (direita).
Fonte: Adaptada de Ching, Onouye e Zuberbuhle (2015).

Conforme o formato da seção transversal do pilar, há variação no número


de eixos de flambagem (Figura 12). Assim, um pilar com seção circular apre-
sentará ilimitados eixos de flambagem, porém todos serão iguais. Já um pilar
com seção em formato quadrado poderá apresentar flambagem em qualquer
um dos eixos, pois o raio de giração e o índice de esbeltez são os mesmos,
tanto no eixo x, como no eixo y. Um pilar com seção em formato retangular
apresenta dois raios de giração, de forma que o menor raio em relação ao
seu eixo irá apresentar um índice de esbeltez maior, porém sua capacidade
de carregamento axial será menor (CHING; ONOUYE; ZUBERBUHLE, 2015).
18 Introdução aos pilares

Figura 12. Eixos de flambagem em pilares com diferentes formatos de seção transversal.
Fonte: Ching, Onouye e Zuberbuhle (2015, p. 159).

O índice de esbeltez é definido pela seguinte equação:

onde:

„„ λ: índice de esbeltez.
„„ le: comprimento equivalente de flambagem.
„„ i: raio de giração da seção geométrica.

Para se obter o raio de giração a ser aplicado na equação anterior, deve-se


utilizar a seguinte equação:

onde:

„„ i: raio de giração da seção geométrica.


„„ I: momento de inércia da seção em relação aos eixos baricêntricos.
„„ A: área da seção transversal de concreto.

A Figura 13 apresenta a disposição das barras verticais contidas pelos


estribos, a fim de garantir que esses elementos não serão deslocados durante
a concretagem e durante o carregamento dos esforços.
Introdução aos pilares 19

Figura 13. Armadura de um pilar: barras verticais e estribos.


Fonte: Allen e Iano (2013, p. 543).

O correto dimensionamento e a escolha dos materiais adequados são


condições essenciais para desenvolver uma edificação que irá proporcionar
segurança e conforto aos seus usuários. Em um projeto estrutural, não de-
vemos nem economizar nem desperdiçar materiais — para que o orçamento
não seja comprometido e, também, para não haver o risco de algum elemento
estrutural entrar em colapso e se romper.
Para um dimensionamento adequado é imprescindível conhecer as solicita-
ções e os esforços que atuam e carregam cada um dos elementos estruturais,
a fim de definir os componentes adequados para constituir a edificação a ser
executada. Os pilares são elementos importantes no desempenho estrutural
de uma edificação, sendo os responsáveis por receber as cargas das vigas e
das lajes e transmiti-las às fundações, para que sejam descarregadas no solo.
20 Introdução aos pilares

A determinação dos efeitos locais de segunda ordem pode ser


calculada com o método geral, que é uma simplificação do mé-
todo do pilar padrão. O método geral é uma análise não linear realizada com
discretização adequada da barra, considerando, em cada seção transversal,
a relação momento–curvatura real e a não linearidade geométrica de maneira
não aproximada. A utilização do método geral é obrigatória quando o λ > 140
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2014).

Referências
ALLEN, E.; IANO, J. Fundamentos de engenharia de edificações: materiais e métodos.
5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2013.
ALVA, G. M. S. Concepção estrutural de edifícios em concreto armado. Material de aula
da disciplina Estruturas de Concreto, Centro de Tecnologia, Universidade Federal
de Santa Maria. Santa Maria: UFSM, 2007. Disponível em: [Link]
ECC1008/Downloads/Concep_Estrut_2007.pdf. Acesso em: 30 dez. 2020.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 6118: projeto de estruturas
de concreto: procedimentos. Rio de Janeiro: ABNT, 2014.
BASTOS, P. S. Flexão composta e pilares de concreto armado. Material de aula da dis-
ciplina Estruturas de Concreto II, Universidade Estadual Paulista. Bauru, SP: UNESP,
2020. Disponível em: [Link] Acesso
em: 30 dez. 2020.
BASTOS, P. S. Pilares de concreto armado. Material de aula da disciplina Estruturas de
Concreto II, Universidade Estadual Paulista. Bauru, SP: UNESP, 2015. Disponível em:
[Link]
pdf Acesso em: 30 dez. 2020.
BORGES, A. C. L. Análise de pilares esbeltos de concreto armado solicitados a flexo-
-compressão oblíqua. 1999. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Estruturas)-
Universidade de São Paulo, São Carlos, 1999. Disponível em: [Link]
teses/disponiveis/18/18134/tde-06122017-144257/publico/Dissert_Borges_AnaCL.pdf.
Acesso em: 30 dez. 2020.
CHING, F. D. K.; ONOUYE, B. S.; ZUBERBUHLE, D. Sistemas estruturais: padrões, sistemas
e projeto. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2015.
LEGGERINI, M. R. C. Capítulo VIII: tração ou compressão axial (simples). Material de aula
da disciplina Mecânica dos Sólidos, Faculdade de Engenharia, PUCRS. Porto Alegre:
PUCRS, [20--?]. Disponível em: [Link]
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Introdução aos pilares 21

SCADELAI, M. A. Dimensionamento de pilares de acordo com a NBR 6118:2003. 2004.


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Leituras recomendadas
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GIL, A. M. et al. Análise experimental do fenômeno de desplacamento em pilares de
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RODRIGUES, R. L.; ROCHA, L. B.; SILVA, R. J. C. Análise de pilares de concreto armado
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