CENTRO UNIVERSITÁRIO SALESIANO SÃO PAULO ENGENHARIA
MECÂNICA
JOAO MARKOS ALVES DA SILVA
CÔNICAS
LORENA-SP 2020
Introdução
As cônicas são curvas obtidas pela intersecção de um plano com um cone duplo de
revolução. Um sólido de revolução é obtido a partir da rotação de uma figura geométrica
sobre um eixo de rotação. O cone de revolução é resultado do giro de um triângulo
retângulo, tendo um de seus catetos como eixo. Existe três tipos de curvas, são elas:
Elipses, Parábolas e Hipérboles. Descoberto por Apolônio (±262 – 190 a.C.), que
forneceu importantes contribuições sobre o assunto.
Segundo Lopes (2011) interesse por esse estudo, surgiu por volta do século IV, onde
muitos matemáticos se empregaram durante a história.
1. Elipse
“lugar geométrico dos pontos de um plano cujas distâncias a dois pontos fixos desse
plano têm soma constante [...].” (ELIPSE, 2020).
1.1. Simetria da elipse
Toda elipse tem dois eixos: a reta suporte do segmento focal e a mediatriz
do segmento focal.
Considere F1 e F2 os focos da elipse. Seja h a reta suporte e v mediatriz.
Dado um ponto qualquer (P) pertencente a elipse pretende – se mostrar
que seu simétrico (P’) também pertence a elipse.
Como dito no tópico 1., a soma 𝑃𝐹1 + 𝑃𝐹2 = 𝑘, onde 𝑘 é uma constante maior
que F1 e F2.
Seja P’ o ponto simétrico de P em relação ao eixo h, entende-se que 𝑃′ 𝐹1 +
𝑃′ 𝐹2 = 𝑃𝐹1 + 𝑃𝐹2
1.2. Elemento da elipse
Com base no que foi apresentado sobre simetria, podemos designar
algumas nomenclaturas para alguns elementos da elipse. Os quatro
pontos de intersecção entre a elipse e seus eixos, são chamados de
vértice. Os eixos interligando os vértices podem ser chamados de eixo
maior e eixo menor. Faça-se 𝐴1 𝑒 𝐴2 os vértices da elipse, sobre o eixo
h, e 𝑎 = 𝑐𝑜𝑛𝑠𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒, 𝐴1 pertence a elipse, logo 𝐴1𝐹1 + 𝐴1𝐹2 = 2𝑎. E
como 𝐴1, 𝐹1, 𝐴2, 𝐹2 são simétricos em relação a origem 𝑂 tende que
𝐴2𝐹2 + 𝐴1𝐹2 = 2𝑎. Logo 𝐴1𝐴2 = 2𝑎
. Faça-se 𝐵1 𝑒 𝐵2, os vértices da elipse, sobre o eixo v, e como v é mediatriz do
segmento 𝐹1𝐹2, logo 𝐵1𝐹1 = 𝐵1𝐹2. Como 𝐵1 pertence a elipse, logo 𝐵1𝐹1 + 𝐵1𝐹2 =
2𝑎, e assim sendo 𝐵1𝐹1 = 𝑎. Mas o triangulo retângulo em 𝑂 é formado por ∆𝐵1𝐹1 tem
a hipotenusa 𝑎.
Definindo 𝑂𝐵1 = 𝑏 e 𝑂𝐹2 = 𝑐, pelo teorema pitagórico 𝑎2 + 𝑏 2 = 𝑐 2 .
Sendo assim 𝑎 > 𝑏, e como efeito, 𝐴1𝐴2 > 𝐵1𝐵2. Nomeamos 𝐴1𝐴2 o eixo maior e 𝐵1𝐵2
o eixo menor.
1.3. Equação reduzida
Faça-se 𝐹1 𝑒 𝐹2 pontos distintos no plano σ, e seja 2𝑐 > 0 a distância
entre eles. Faça-se 𝑎 um número real, tal que 𝑎 > 𝑐. O lugar geométrico
Ԑ definido pelo ponto 𝐽 (𝑥, 𝑦) de coordenadas cartesianas tais que
𝑑 (𝐽, 𝐹1) + 𝑑(𝐽, 𝐹2) = 2𝑎, determina-se elipse, onde 𝑑 retrata a distância
euclidiana entre os pontos do plano. 𝐹1 𝑒 𝐹2 são chamados de focos. O
segmento 𝐹1𝐹2, intitulado de segmento focal e seu ponto médio é
nomeado de centro da elipse. O valor 2𝑐 é a distância focal.
A equação reduzida da elipse Ԑ será deduzida sobre um sistema
ortogonal onde os focos pertençam ao eixo 𝑂ℎ. Deste modo 𝐹1 = (−𝑐, 0)
e 𝐹2 = (𝑐, 0).
O ponto 𝐽 = (𝑥, 𝑦) pertence a elipse, se e somente se 𝑑 (𝐽, 𝐹1) +
𝑑 (𝐽, 𝐹2) = 2𝑎, isto é,
√(𝑥 + 𝑐 )2 + 𝑦² + √(𝑥 − 𝑐 )2 + 𝑦² = 2𝑎 .
Elevando os membros da equação ao quadrado, tem se
(𝑥 + 𝑐 )2 + 𝑦 2 = 4𝑎2 + (𝑥 − 𝑐 )2 + 𝑦 2 = −4𝑎√(𝑥 − 𝑐 )2 + 𝑦²
Expandindo os quadrados e simplificando
𝑎√(𝑥 − 𝑐 )2 + 𝑦² = 𝑎2 − 𝑐𝑥
Elevando ao quadrado e expandindo novamente ambos os membros
𝑎2 (𝑥 2 − 2𝑐𝑥 + 𝑐 2 + 𝑦 2 ) = 𝑎4 − 2𝑎2 𝑐𝑥 + 𝑐 2 𝑥 2
Assim, agrupando 𝑥² e 𝑦²
(𝑎2 − 𝑐 2 )𝑥 2 + 𝑎2 𝑦 2 = 𝑎²(𝑎2 − 𝑐 2 )
Estabelecendo que 𝑎2 − 𝑐 2 = 𝑏², podemos reescrever a equação
𝑏2 𝑥 2 + 𝑎2 𝑦 2 = 𝑎²𝑏²
Dividindo ambos os membros por 𝑎²𝑏²
𝑏²𝑥² 𝑎²𝑦² 𝑎²𝑏²
+ =
𝑎²𝑏² 𝑎2 𝑏² 𝑎²𝑏²
𝑥² 𝑦²
+ =1
𝑎² 𝑏²
2. Hipérbole
Hipérbole é o lugar geométrico dos pontos para os quais a diferença da
distância a dois pontos distintos fixados é em valor absoluto igual a uma
constante, menor que a distância entre os pontos fixados.
2.1. Simetria da hipérbole
Assim como a elipse, a hipérbole também se compõe de dois eixos com
os mesmos nomes.
Sejam 𝐹1 𝑒 𝐹2 os focos da hipérbole. Seja h a reta suporte e v mediatriz.
Dado um ponto qualquer (P) pertencente a elipse pretende – se mostrar
que seu simétrico (P’) também pertence a elipse.
2.2. Elementos da hipérbole
Denomina-se vértice os pontos de intersecção entre a hipérbole e o eixo
h denotado por 𝐴1 𝑒 𝐴2, onde o segmento 𝐴1𝐴2 é chamado de eixo
transversal ou eixo real. Como 𝐴1 𝑒 𝐴2 pertencem a hipérbole
|𝐴1𝐹1 − 𝐴1𝐹2| = 2𝑎. Onde 2𝑎 é uma constante menor que 𝐹1𝐹2
Assim 𝐴1𝑂 = 𝐴2𝑂 𝑒 𝐹1𝑂 = 𝐹2𝑂
Observe o comprimento do segmento focal 𝐹1𝐹2 por 2𝑐. Note que a
medida 𝑐 pode ser outro parâmetro para determinar os pontos de uma
hipérbole, pois para todo ponto P pertencente a curva tem a expressão
|𝑃𝐹1 − 𝑃𝐹2| = 𝑘, com 𝑘 < 𝐹1𝐹2.
Seja a reta 𝑠 uma reta perpendicular ao eixo transverso (h) e que passa
pelo vértice 𝐴1. Considere uma circunferência de centro 𝑂 e de raio 𝑗.
Note que 𝐵 𝑒 𝐵′ as intersecções da circunferência com a reta 𝑠.
Chame 𝑏 o comprimento 𝐴1𝐵, e como 𝑂𝐵 = 𝑐 𝑒 𝐴1𝑂 = 𝑎, e pelo teorema
de Pitágoras 𝑎2 + 𝑏2 = 𝑐².
Denote por 𝐵1 𝑒 𝐵2 as projeções ortogonais de 𝐵 𝑒 𝐵′, respectivamente
sobre o eixo v. O segmento 𝐵1𝐵2 é denominado eixo conjugado ou eixo
imaginário
.
2.3. Equação reduzida
Faça-se 𝐹1 𝑒 𝐹2 pontos distintos no plano θ, e seja 2𝑐 > 0 a distância
entre eles. Faça-se 𝑎 um número real, tal que 0 < 𝑎 < 𝑐. O lugar
geométrico Ԋ definido pelo ponto 𝐿 (𝑥, 𝑦) de coordenadas cartesianas tais
que |𝑑(𝐿, 𝐹1)| − |𝑑(𝐿, 𝐹2)| = 2𝑎, determina-se hipérbole, onde 𝑑 retrata
a distância euclidiana entre os pontos do plano. 𝐹1 𝑒 𝐹2 são chamados de
focos. O segmento 𝐹1𝐹2, intitulado de segmento focal e seu ponto médio
é nomeado de centro da hipérbole. O valor 2𝑐 é a distância focal.
A equação reduzida de uma hipérbole Ԋ será deduzida sobre um sistema
ortogonal onde os focos pertençam ao eixo 𝑂ℎ. Deste modo 𝐹1 = (−𝑐, 0)
e 𝐹2 = (𝑐, 0).
O ponto 𝐿 = (𝑥, 𝑦) pertence a hipérbole, se e somente se 𝑑(𝐿, 𝐹1) −
𝑑 (𝐿, 𝐹2) = ±2𝑎 + 𝑑(𝐿, 𝐹2), isto é,
√(𝑥 + 𝑐 )2 + 𝑦² = √(𝑥 − 𝑐 )2 + 𝑦 2 ± 2𝑎
Elevando os membros da equação ao quadrado, tem se
(𝑥 + 𝑐 )2 + 𝑦 2 = (𝑥 − 𝑐 )2 + 𝑦 2 + 4𝑎2 ± 4𝑎√(𝑥 − 𝑐 )2 + 𝑦²
Expandindo os quadrados e simplificando
𝑥𝑐 − 𝑎² = ±𝑎√(𝑥 − 𝑐 )2 + 𝑦²
Elevando ao quadrado e expandindo novamente ambos os membros
𝑐 2 𝑥 2 − 2𝑎2 𝑐𝑥 + 𝑎4 = 𝑎2 𝑥 2 − 2𝑎2 𝑐𝑥 + 𝑎2 𝑐 2 + 𝑎²𝑦²
Assim,
(𝑐 2 − 𝑎2 )𝑥 2 + 𝑎2 𝑦 2 = 𝑎²(𝑐 2 − 𝑎2 )
Estabelecendo que 𝑐 2 − 𝑎2 = 𝑏², podemos reescrever a equação
𝑥² 𝑦²
− =1
𝑎² 𝑏²
3. Parábola
Fixado uma reta e um ponto não pertencentes a ela denomina se parábola o
lugar geométrico dos pontos que são equidistantes da reta e dos pontos
fixados.
3.1. Simetria da parábola
Faça-se v a reta diretriz da parábola, e h a reta perpendicular a v, que
passa pelo foco F. Seja P um ponto pertencente a parábola e P’ o
simétrico de P em ralação a h, tem se que h é a mediatriz do segmento
PP’. E como F pertence a h, tem-se:
𝐹𝑃 = 𝐹𝑃′
Considere 𝐼 a projeção ortogonal de 𝑃 e 𝐼′ a projeção ortogonal de 𝑃′,
ambos sobre a reta h.
𝑃𝐼 = 𝑃′𝐼′
Em consideração que 𝑃 pertence a parábola, então 𝐹𝑃 = 𝑃𝐼, e por
consequência 𝐹𝑃′ = 𝑃′𝐼′
Em outras palavras, 𝑃′ é equidistante a reta v e do foco 𝐹. Em vista disso,
𝑃′ pertence a parábola.
3.2. Equação reduzida
Para obter a equação da parábola Р, considera-se o sistema ortogonal,
cuja origem é o vértice de P, tal que o foco pertença ao semieixo positivo
das abscissas. Relativamente a esse sistema o foco é 𝐹(𝑝, 0) e a diretriz
é a reta h: 𝑥 = −𝑝.
Faça-se 𝑈 um ponto de coordenadas cartesianas, conclui-se
que 𝑑 (𝑈, 𝑟) = |𝑥 + 𝑝|. Sabe-se que 𝑑 (𝑈, 𝐹 ) = √(𝑥 − 𝑝)2 + 𝑦².
𝑈 só pertence a parábola, se e somente se |𝑥 + 𝑝| = √(𝑥 − 𝑝)2 + 𝑦².
Elevando ao quadrado, tem se |𝑥 + 𝑝|2 = (𝑥 − 𝑝)2 + 𝑦².
Que é correspondente a 𝑥 2 + 2𝑝𝑥 + 𝑝2 = 𝑥 2 − 2𝑝𝑥 + 𝑝2 + 𝑦².
Simplificando 𝑦 2 = 4𝑝𝑥
4. Aplicações
As cônicas aparecem com bastante em nosso cotidiano. Veremos que eles
estão mais presentes no nosso dia-a-dia do que poderíamos imaginar.
4.1. Propriedade da Elipse
Segundo Gaspar (2014), o estudo do movimento dos planetas começou
com os gregos. Claudio Ptolomeu propôs um sistema onde a Terra seria
o centro do Universo, o chamado Geocentrismo. Este sistema foi aceito
por muitos séculos, quando o polonês Nicolau Copérnico, propôs o
Heliocentrismo, onde o Sol era o centro e os planetas os orbitavam.
Johannes Kepler (1571-1630), descobriu que o movimento dos planetas
no nosso Sistema Solar diz que todos os planetas se movem em orbitas
elípticas em que o sol ocupa um dos focos.
Os antigos romanos, utilizavam arcos semielípticos, nas construções de
pontes. Ainda hoje a elipse de inércia é muito empregada na teoria de
resistência de materiais na Engenharia Civil. Em Engenharia Mecânica
engrenagens elípticas (excêntricos) só o usadas.
4.2. Propriedade Hiperbólica
Na Engenharia Civil utiliza o formato do hiperboloide de uma folha na
construção de usinas atômicas.
Esteticamente o hiperboloide foi utilizado pelo arquiteto Oscar Niemayer
no projeto da construção da Catedral de Brasília
4.3. Propriedade Parabólica
A parábola ´e muito aplicada na construção de pontes. A ponte suspensa
é um tipo de ponte sustentada por cabos ou tirantes de suspensão.
Atualmente a maior ponte suspensa do mundo é a ponte Akashi Kaikyo.
Em estudos balísticos, quando um projetil é lançado, sob a ação apenas
da força gravitacional, descreve uma trajetória parabólica.
5. Referencias
GASPAR, Antonio Simoes. As cônicas, quádricas e suas aplicações. 2014.
LOPES, Juracélio Ferreira. Cônicas e aplicações. 2011.