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Revista JRG de Estudos Acadêmicos: Cibercrimes Na Legislação Brasileira: Reflexos Atuais Da Lei N 14.811/24

O artigo discute a evolução dos cibercrimes na legislação brasileira, destacando a Lei nº 14.811/24 e suas implicações. Com o crescimento da tecnologia e da internet, surgiram novas modalidades de crimes, exigindo uma atualização nas leis para proteger os usuários. O texto também aborda a vulnerabilidade social diante da falta de regulamentação e os tipos mais comuns de cibercrimes, como hacking e phishing.

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Revista JRG de Estudos Acadêmicos: Cibercrimes Na Legislação Brasileira: Reflexos Atuais Da Lei N 14.811/24

O artigo discute a evolução dos cibercrimes na legislação brasileira, destacando a Lei nº 14.811/24 e suas implicações. Com o crescimento da tecnologia e da internet, surgiram novas modalidades de crimes, exigindo uma atualização nas leis para proteger os usuários. O texto também aborda a vulnerabilidade social diante da falta de regulamentação e os tipos mais comuns de cibercrimes, como hacking e phishing.

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Revista JRG de Estudos Acadêmicos, Ano 8, Vol. VIII, n.18, jan.-jun.

, 2025

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Revista JRG de Estudos Acadêmicos


B1 ISSN: 2595-1661
Página da revista:
ARTIGO [Link]

Cibercrimes na legislação brasileira: reflexos atuais da lei n 14.811/24

Cybercrimes in brazilian legislation: current reflections of law n 14.811/24

DOI: 10.55892/jrg.v8i18.2242
ARK: 57118/JRG.v8i18.2242

Recebido: 05/06/2025 | Aceito: 10/06/2025 | Publicado on-line: 11/06/2025

Eduarda Nasser Siqueira1


[Link]
[Link]
Centro de Ensino Superior de Palmas, TO, Brasil
E-mail: eduardasiqueiranasser@[Link]

Iara Carolina Lima Gonçalves2


[Link]
[Link]
Centro de Ensino Superior de Palmas, TO, Brasil
E-mail: iara.carolina130@[Link]

Resumo
Com o advento da tecnologia, tivemos uma mudança significativa no modo de
interação e convivência humana, visto que, com a globalização, não existem mais
restrições geográficas, possibilitando que os laços afetivos se permaneçam firmes e
sólidos, mesmo diante da distância dos continentes e nações. Apesar da humanidade
ter demonstrado um avanço acelerado com o auxílio da tecnologia, também surgiram
novas modalidades de crimes, porém, adaptadas dentro meio digital, ora
denominados por: cibercrimes. Os crimes virtuais consistem em condutas antijurídicas
que são praticadas valendo-se dos meios da tecnologia e da informação para
consumação do delito. Neste contexto, com a avanço na modernização dos meios de
comunicação, foi possível observar um aumento exponencial na quantidade de
usuários que ingressaram no ciberespaço, e por consequência direta, uma extrema
vulnerabilidade social ante a falta de regulamentação legislativa sobre as redes.

Palavras-chave: Internet; Cibercrime; Lei nº 14.811/24.

Abstract
With the advent of technology, there has been a significant change in the way humans
interact and live together, since globalization means that there are no longer any
geographical restrictions, making it possible for emotional ties to remain firm and solid,
even when continents and nations are far apart. Although humanity has made rapid
progress with the help of technology, new types of crime have also emerged, but

1
Graduação em andamento em DIREITO pelo Centro de Ensino Superior de Palmas
2
Advogada e Servidora Pública. Mestre em Desenvolvimento Regional pela Universidade Federal do Tocantins (UFT),
Professora Universitária desde 2015, leciona as disciplinas de Ética Geral e Profissional, Direito Ambiental, Direito Civil, Direito
do Consumidor, Direito Previdenciário, Direito Tributário e Direito Constitucional.

[Link]
1 Revista JRG de Estudos Acadêmicos · 2025;18:e082242
Cibercrimes na legislação brasileira: reflexos atuais da lei n 14.811/24

adapted to the digital environment, now known as cybercrime. Cybercrime consists of


unlawful conduct that is carried out using the means of technology and information to
commit the crime. In this context, with the advance in the modernization of the means
of communication, it has been possible to observe an exponential increase in the
number of users who have entered cyberspace, and as a direct consequence, extreme
social vulnerability in the face of the lack of legislative regulation on the networks.

Keywords: Internet; Cybercrime; Law nº. 14.811/24.

1. Introdução
Um dos maiores obstáculos enfrentados pela humanidade desde sempre
residiu na ideia de conseguir unir as nações e os povos, independente da sua religião,
crença pessoal, distância ou idioma, esse desejo foi almejado e tentado por muitos.
Sendo que, a internet foi a única que conseguiu.
A união antes inalcançável dos povos, hoje é uma realidade graças a
globalização, com o surgimento da internet tornou-se possível a interação entre as
pessoas de localidades diferentes, e com o advento da tecnologia, nossa forma de
viver foi totalmente transformada. Contudo, toda mudança vem acompanhada de
efeitos positivos e negativos.
Por muitos anos as interações humanas somente eram possíveis através de
diálogos pessoalmente, conversas por cartas, jornais, rádios e outros. Todavia, a
internet trouxe uma nova forma de socialização, possibilitando a comunicação entre
indivíduos do mundo todo, e por consequência direta, essa modernidade pode implicar
em possíveis riscos aos usuários dos meios digitais.
A possibilidade do anonimato e a ausência de legislação que coibisse esse tipo
de atividade serviu como combustível para criminosos por muito tempo, havendo
discussões sobre a temática, principalmente em âmbito penal, onde não é permitida
a interpretação “in pejus” em respeito ao princípio da legalidade, por expressa
vedação legal do Código Penal Brasileiro:

“Art. 1º - Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia
cominação legal”.

Assim como resta também disciplinado em nosso art. 5º, inciso XXXIX da
Constituição Federal da República do Brasil de 1988, “Não havendo crime sem lei
anterior que o defina”.
Torna-se trivial afirmar que, nas relações de convívio no mundo real já existiam
desavenças, contravenções e crimes, contudo, tais vivências também foram levadas
para o âmbito digital, dando origem ao que denominamos de cibercrime ou crimes
cibernéticos.
O termo “cibercrime” foi adotado da língua inglesa, sendo recepcionado pelo
Brasil para conceituar todo e qualquer delito cometido valendo-se da tecnologia. O
cibercrime é aquele que se utiliza dos meios digitais como forma de executar o crime,
pouco importando a natureza do bem jurídico tutelado (podendo ser físico ou virtual).
E quando mencionamos os crimes digitais a maioria das pessoas,
erroneamente, podem acreditar que não estejam correndo riscos pelo fato de que
utilizam seus computadores apenas com fins domésticos, fazendo trabalhos
escolares, guardando arquivos pessoais, tais como: fotos de familiares e para se
comunicar com algum amigo distante.
Contudo, é exatamente por isso que os usuários comuns são os maiores alvos
desses criminosos, visto que são esses indivíduos que guardam seus arquivos
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2 Revista JRG de Estudos Acadêmicos · 2025;18:e082242
Cibercrimes na legislação brasileira: reflexos atuais da lei n 14.811/24

pessoais, senhas bancárias, informações sigilosas e não possuem uma grande


proteção de software, demonstrando sua vulnerabilidade e facilidade para ocuparem
o papel de vítima.
Ainda que você tenha um bom sistema de segurança que proteja seus
documentos pessoais, nada impede que os agentes cometam crimes acessando seu
dispositivo e enganando terceiros em seu nome, afim de eliminar a responsabilidade
dele. Outro exemplo de cibercrime seria você tornar-se um alvo de difamação, injúria
ou calúnia nas redes, comumente conhecido como “cyberbullying”, não havendo
necessidade da invasão ao seu dispositivo para consumar o delito.
Observe que nas relações reais já lidávamos diariamente com a figura de
criminosos que se valiam da força ou destreza para conseguirem alcançar alguma
vantagem ilícita com a vítima. Nesse diapasão, após o advento da internet,
precisamos lidar com os mesmos delitos no ambiente virtual, onde se encontram cada
vez mais camuflados pelo véu do anonimato, porém reais para efeitos de danos.
Esse artigo visa realizar uma pesquisa afim de iniciar um debate sobre essa
nova modalidade de crimes, na intenção de demonstrar as possibilidades de sanções
penais existentes e indenizações para vítimas dessa natureza delituosa, mencionando
um pouco sobre seus conceitos e “modus operandi”.

2. CIBERCRIME: CONCEITO E LEGISLAÇÃO


O cibercrime ou crimes cibernéticos tratam-se de condutas tipificadas como
antijurídicas cometidas no âmbito digital, ou valendo-se do acesso a computadores e
internet.
Apesar de não ser unânime, a doutrina majoritária adere como conceito de
crimes cibernéticos toda e qualquer conduta criminosa cometida através de
computadores e dispositivos tecnológicos, bem como, atos que utilizem os meios
digitais como forma de concretização.
Significa dizer que, em amplo sentido, o cibercrime engloba toda atividade
criminosa que é exercida por meios informáticos para ser consumada, ou seja, todo
ato que envolve tecnologia de modo independente ao que a lei está protegendo.
De acordo com Rossini (2004):

[…] o conceito de “delito informático” poderia ser talhado como aquela


conduta típica e ilícita, constitutiva de crime ou contravenção, dolosa ou
culposa, comissiva ou omissiva, praticada pela própria pessoa física ou
jurídica, com o uso da informática, em ambiente de rede ou fora dele, e que
ofenda, direta ou indiretamente, a segurança informática, que tem por
elementos a integridade, disponibilidade a confidencialidade (ROSSINI, 2004,
p. 110).

Os primeiros casos de ataques no ciberespaço foram registrados no início de


1960, em meio a guerra fria, sendo que esses casos estavam ligados à espionagem
e sabotagem das tropas inimigas. Contudo, a conscientização e estudos sobre o tema
só tiveram início na década seguinte, e com os passar dos anos as ações criminosas
virtuais escalonaram, fazendo com que finalmente o assunto fosse tratado com a
importância que merecia.
A Convenção de Budapeste, ou Convenção de Crimes Cibernéticos adotada
pelo Brasil em 16 de dezembro de 2021 definiu alguns comportamentos como crimes
cibernéticos, por exemplo o acesso ilegal de dados, interceptação ilícita, violação de
dados pessoais, invasão e interferência de sistema, uso indevido de aparelhagem e
similares.

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Cibercrimes na legislação brasileira: reflexos atuais da lei n 14.811/24

Apesar da tecnologia e seus ambientes digitais fazerem parte do dia a dia das
pessoas, o legislador somente passou a adotar medidas que coibissem as condutas
ilícitas, após a promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil em
1988, época em que foram surgindo outras normas que versavam sobre questões
informática, pois finalmente o ciberespaço começou a ser verdadeiramente notado.
Segundo Lévy (2000) o conceito de ciberespaço se caracteriza como:

O ciberespaço (que também chamarei de “rede”) é o novo meio de


comunicação que surge da interconexão mundial de computadores. O termo
especifica não apenas a infraestrutura material da comunicação digital, mas
também o universo oceânico de informações que ele abriga, assim como os
seres humanos que navega me alimentam este universo. Quanto ao
neologismo “cibercultura”, especifica aqui o conjunto de técnicas (materiais e
intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores
que se desenvolvem conjuntamente com o crescimento do ciberespaço. O
ciberespaço tem sua existência virtualmente, que logo após o surgimento da
Internet passou a existir, passando a ser um meio de comunicação, sendo
assim onde as pessoas podem interagir com outros usuários, até mesmo de
longa distância, possibilitando o começo de amizades virtuais, a criação de
comunidades, lives, dentre outros (Lévy, 200, p. 17).

Bem como nos demais delitos, os virtuais também se consumam com uma
conduta em inobservância aos limites legais, classificando-se como um ato
antijurídico, ilícito e culpável, podendo ser com dolo ou culpa. Contudo, a diferença
entre os crimes comuns para os digitais reside no fato de que os cibercrimes são
cometidos dentro do ciberespaço, ou seja, nos ambientes virtuais, o que dificulta a
identificação dos agressores, mas não impossibilita o rastreamento desses indivíduos
(Gentil, et al., 2018)
Um estudo publicado no ano de 2024 pela Universidade de Oxford foi responsável por
classificar os 10 países que mais enfrentam ataques cibernéticos no mundo, sendo
que, o Brasil ocupou o 9º lugar dentro do ranking mundial. O coautor do estudo,
professor Federico Varese informou que a pesquisa realizada é o primeiro passo para
traçar planos estratégicos de combate e prevenção, afim de repelir as condutas de
modo mais certeiro.
Segundo Varese:

"Esperamos expandir o estudo para que possamos determinar se


características nacionais como nível educacional, penetração da internet, PIB
ou níveis de corrupção estão associadas ao crime cibernético. Muitas
pessoas pensam que o crime cibernético é global e fluido, mas este estudo
corrobora a visão de que, assim como as formas de crime organizado, ele
está inserido em contextos específicos",

Com a realização do mencionado estudo, foi possível identificar que cada país
presente no ranking precisa lidar com cibercrimes diferentes, e que o comportamento
dos criminosos varia conforme a realidade específica da nação. O Brasil, maior
economia da América Latina, tem testemunhado um aumento em ataques
direcionados aos setores financeiros e instituições governamentais.

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Cibercrimes na legislação brasileira: reflexos atuais da lei n 14.811/24

2.1 TIPOS DE CRIMES CIBERNÉTICOS


Conforme explorado, o cibercrime será consumado quando o agente se valida
de um meio tecnológico para atingir ou causar dano à vítima. Imperioso destacar que
dentre as infinitas possibilidades de comportamentos dentro do ciberespaço, podemos
rastrear e mencionar as condutas mais frequentes no Brasil.
Dentre os comportamentos mais frequente conforme registros, são:

1) Hacking (ocorre quando o indivíduo consegue acesso não autorizado


aos sistemas e as informações do alvo, com a intenção de roubar, alterar
ou destruir dados);
2) Phishing (técnica utilizada para conseguir acesso as informações
financeiras e números de cartões da vítima, ocorrem por meio de e-mails e
mensagens falsas se passando por entidades confiáveis, com intuito de
ludibriar o usuário a fornecer seus dados;
3) Fraude ou Roubo (Os cibercriminosos obtêm informações através do
vazamento de dados online, e se passam pela vítima com intuito de
realizarem empréstimos ou aplicarem golpes em terceiros utilizando os
dados adquiridos ilegalmente);
4) Cyberbullying e Assédio (Consiste na utilização do ciberespaço para
disseminar discursos de ódio ou intimidações e ameaças à vítima).
Conforme mencionado, dentro do âmbito digital podemos encontrar uma
infinidade de comportamentos que se configuram como cibercrimes,
contudo, os quatro mencionados são os mais comuns.

3. LEGISLAÇÃO BRASILEIRA: BASES LEGAIS E REGULAMENTAÇÃO DOS


CRIMES VIRTUAIS
Este tópico será responsável por apresentar as legislações vigentes mais
importantes no Brasil a fim de demonstrar quais foram as normas responsáveis por
alterarem o formato de combate aos crimes virtuais.
Principalmente por que apenas no final da década de 90 que surgiram as discussões
sobre o Bullying, pois antes desse período, não existia nenhum dispositivo legal que
coibisse esse tipo de intimidação.
Insta mencionar que essas leis foram as primeiras que versaram exclusivamente
sobre essa modalidade de cybercrime, demonstrando um evidente avanço legislativo.

3.1 LEI DOS CRIMES CIBERNÉTICOS Nº 12.737/2012 OU LEI CAROLINA


DIECKMANN
No ano de 2011 a atriz brasileira Caroline Dieckmann foi alvo de um crime
digital, após o seu computador de uso doméstico ter sido invadido, os responsáveis
conseguiram acesso à 36 fotos intimas da atriz, oportunidade em que, usaram essas
imagens para extorquir a brasileira.
Apesar da tentativa de chantagem, a atriz se negou a realizar o pagamento que os
cibercriminosos estavam pedindo, ocasião em que suas fotos foram divulgadas na
internet, gerando uma repercussão nacional sobre o caso. Veja o que disse a atriz em
sua rede social após 10 anos do ocorrido:

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Cibercrimes na legislação brasileira: reflexos atuais da lei n 14.811/24

“Em 2011 eu passei por um processo doloroso. A minha intimidade foi


invadida e isso gerou uma grande discussão pública. Eu tive fotos roubadas
e fui extorquida: ou eu pagava ou as minhas fotos seriam publicadas. Eu me
recusei a pagar o dinheiro pedido pelos criminosos e eu tive essas fotos
íntimas divulgadas na internet. Tudo isso gerou tanta discussão, que se fez
urgente a criação de uma lei que protegesse as pessoas, principalmente as
mulheres porque são as principais vítimas de crimes na internet”.
Importante destacar que até o ano de 2011 não existia nenhum dispositivo legal
que regulamentasse sobre os crimes de informática, contudo, após o caso da atriz
brasileira, o assunto ganhou uma maior notoriedade. Ocasião em que no mesmo ano
do ocorrido, 6 deputados federais apresentaram um projeto de lei que versava sobre
a invasão de dispositivos eletrônicos e o uso das informações obtidas ilegalmente.
Os responsáveis por invadirem o dispositivo da atriz foram localizados e
indiciados por furto, extorsão qualificada (exigir dinheiro em troca de não divulgar as
fotos) e difamação, sendo que não houve condenação pela invasão, isso por que não
existia nenhum dispositivo legal que definisse a conduta como criminosa. Conforme
já mencionado, nossa Constituição veda sanção por ato criminoso sem lei anterior que
o defina, “não há crime sem lei anterior que o defina”, localizado em seu art. 5º, inciso
XXXIX.
A Lei Nº 12.737 foi responsável por definir invasão de dispositivo como crime,
previsto no art. 154-A e 154–B do Código Penal, e apesar dos criminosos terem
respondido pelo furto, hoje já existe diferenciação entre os dois dispositivos legais.
Os artigos 154-A e 154-B são responsáveis por tipificar como crime a conduta
de invasão, pouco importando se houve subtração, adulteração ou destruição de
dados, bastando a mera invasão ao dispositivo eletrônico (computador, smartphone e
outros) para consumar a conduta. Enquanto o furto qualificado será consumado com
o ato de obter vantagem ilícita, ou subtração da informação desejada, pouco
importando para esse dispositivo se houve invasão ao computador ou smartphone,
pois o intuito é punir a transferência de dados ilegalmente.
Insta salienta que a criação da Lei Carolina Dieckmann foi um marco nacional
e hoje serve de parâmetro para proteção de milhares de usuários, contribuindo com o
avanço na criação de dispositivos legais sobre cibercrimes.
3.2 MARCO CIVIL DA INTERNET OU LEI Nº 12.965/2014
Posteriormente a promulgação da lei nº 12.737/2012 tivemos a promulgação
do Marco Civil da Internet, lei nº 12.965/2015 sendo a primeira lei no país que versava
especificamente sobre o meio digital, com o pleno intuito de definir princípios, direitos
e obrigações para o uso nas redes de internet do Brasil.
Antes do Marco Civil da Internet existir os temas eram tratados em observância à
Constituição Federal de 1988, referentes à invasão de privacidade, proteção de dados
pessoais e liberdade de expressão, mas com o advento do Marco Civil, tais temas
finalmente estavam definidos.
No artigo 2º, apresenta seus fundamentos (respeito à liberdade de expressão,
a pluralidade e a diversidade, a finalidade social da rede, entre outros); no
artigo 3º, a Lei elenca um rol exemplificativo de princípios (proteção da
privacidade, responsabilização dos agentes de acordo com suas atividades,
e mais alguns); no artigo 4º, explica os objetivos da Lei (promoção do direito
de acesso à internet a todos, do acesso à informação, ao conhecimento, e
outros); e no artigo 5º, que discorre sobre alguns conceitos (por exemplo,
explica que internet é o sistema constituído do conjunto de protocolos lógicos,
estruturado em escala mundial para uso público e irrestrito, com a finalidade
de possibilitar a comunicação de dados entre terminais por meio de diferentes
redes) (BRASIL, 2014).

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Vale destacar que uma das maiores importâncias do Marco Civil foi a o
reconhecimento do direito de acesso à internet para todos, previsto no Art. 4º da
referida lei. Apesar de parecer um mero detalhe, esse direito reconhecido gerou
grandes impactos em políticas públicas que foram posteriormente desenvolvidas.
Assim, “O Marco Civil da Internet é uma resposta do Poder Legislativo Brasileiro
aos conflitos inerentes à sociabilidade humana, surgidos com a disseminação da
sociedade da informação”, mencionaram Barreto Júnior e César (2017, p. 84).
No art. 4º do Marco Civil, restou definido o uso da internet no Brasil como sendo
direito de acesso a todos, tratando-se de uma determinação extremamente importante
quando restou definido outro aspecto basilar dessa lei, a neutralidade da rede, que foi
consagrada em seu art. 9º, da seguinte forma:

“Art. 9º - O responsável pela transmissão, comutação ou roteamento tem o


dever de tratar de forma isonômica quaisquer pacotes de dados, sem
distinção por conteúdo, origem e destino, serviço, terminal ou aplicação”.

O princípio versa sobre o dever do provedor do sinal de internet tratar de


maneira igualitária todos os seus contratantes. Sendo vedado o privilégio de
determinados dados ou empresas.
A neutralidade de rede possui finalidade de impedir práticas abusivas e
discriminatórias por parte dos provedores. Pois fundamenta-se no princípio isonômico
supramencionado. Por exemplo, imagine um cenário em que um provedor de
streaming forneça dois pacotes para o consumidor com preços diferentes, mas de
maneira deliberada, prejudique a entrega de conexão para os assinantes do plano
mais barato, afim de deixar os vídeos mais lentos e travando, com objetivo de induzir
uma migração para o pacote mais caro.
Esse princípio demonstra extrema importância para garantir a livre escolha do
acesso à internet, sem que haja manipulações comerciais.
Na definição do professor Pedro Henrique Soares Ramos:

“A neutralidade da rede é um princípio de arquitetura de rede que endereça


aos provedores de acesso o dever de tratar os pacotes de dados que
trafegam em suas redes de maneira isonômica, não os discriminando em
razão do seu conteúdo ou origem”.

O Marco Civil da Internet é tido como um grande exemplo para todos,


principalmente ao analisarmos o procedimento adotado para a sua redação, o projeto
não inovou apenas sobre o tema abordado, mas no processo da própria criação
também.
Em outubro de 2009 foi realizada a primeira consulta pública de elaboração do
Marco Civil, que consistia na participação ativa de vários setores para a criação do
projeto. No ano de 2011 foi proposta a primeira versão do texto, após inúmeras
participações na plataforma online de consulta pública, chegando a ter mais de 1.200
comentários sobre o que deveria ser abordado na lei regulamentadora.
Ainda no ano de 2011 o texto do projeto foi apresentado à Câmara dos Deputados e
a proposta novamente passou por diversas audiências públicas, ouvindo todos os
segmentos da sociedade, sendo eles: sociedade civil, empresariados e
representantes governamentais.
Não obstante aos segmentos ouvidos, pela primeira vez na história, um
projeto de lei também recebeu contribuições pela internet, mais especificamente pelo
aplicativo Twitter, atual “X”.

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O Marco Civil da Internet demonstrou inovação no tema discutido e na sua


forma de procedibilidade, garantindo a participação ampla e popular, indo em
consonância com o que a própria lei 12.965/2014 define em seu art. 4º, inciso I:
Art. 4º A disciplina do uso da internet no Brasil tem por objetivo
a promoção:
I - do direito de acesso à internet a todos;

3.3 CONVENÇÃO DE BUDAPESTE


A Convenção de Budapeste, ou Convenção de Crimes Cibernéticos foi firmada
no ano de 2001, mas foi adotada pelo Brasil somente em 16 de dezembro de 2021.
A presente convenção visa conceituar alguns comportamentos dentro do meio digital,
tais como: o que são crimes cibernéticos, acesso ilegal de dados, interceptação ilícita,
violação de dados, interferência de sistema, uso indevido de aparelhagem e outros.
Assim, aduz Júlio César Alexandre Júnior:
“O principal destaque do Tratado é a definição de cibercrime (Capítulo I),
tipificando-os como infrações contra sistemas e dados de tecnologias da
informação (Capítulo II, Título I), infrações relacionadas com computadores
(Capítulo II, Título II), infrações relacionadas com o conteúdo, pornografia
infantil (Capítulo II, Título III), infrações relacionadas com a violação e direitos
autorais (Capítulo II, Título IV), cujas proposituras estão adentradas em
Direito Penal Material. (ISSN 1983-4225 – V.14, 2019, pág. 6)”.

A Convenção de Budapeste consiste na criação de uma rede de cooperação


digital com efeitos entre os participantes do tratado, os quais se comprometem a
prestar assistência mútua no combate aos crimes cibernéticos e com o constante
avanço da tecnologia, a adesão desse acordo torna-se imprescindível.
Um dos principais benefícios da Convenção Budapeste consiste na facilitação
e celeridade na obtenção de dados pessoais de determinados usuários em
investigações transnacionais. Isso por que, na ausência desse tratado, quando um
país necessita de informações que estão armazenadas em bancos de dados de outra
nação, torna-se necessário o envio de uma carta rogatória. Documento que não
garante uma resposta, muito menos efetiva ou rápida.
Ponto em que manifesta o diferencial desse tratado, pois impõe o dever de
cooperação entre os Estados signatários da Convenção de Budapeste, assegurando
a disponibilização de dados de maneira eficaz e tempestiva. Justamente pela
internacionalização da Internet, a tomada de decisões rápidas é extremamente
importante, pois se a informação não for combatida rapidamente, poderá alcançar
escala mundial em questão de minutos, dificultando sobremaneira seu combatimento
e responsabilização.
Importante destacar que embora a Convenção aborde sobre o conceito de
cibercrime e na forma como os seus signatários irão realizar sua colaboração, ela não
se responsabiliza por aplicar ou quantificar a pena, possibilitando que cada país legisle
e aplique sanções de acordo com sua soberania. Não havendo uma
internacionalização da pena.
Convenção de Budapeste em seu Art. 2º:

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Cibercrimes na legislação brasileira: reflexos atuais da lei n 14.811/24

Cada Parte adotará medidas legislativas e outras providências necessárias


para tipificar como crime, em sua legislação interna, o acesso doloso e não
autorizado à totalidade de um sistema de computador ou a parte dele.
Qualquer Parte pode exigir para a tipificação do crime o seu cometimento
mediante a violação de medidas de segurança; com o fim de obter dados de
computador ou com outro objetivo fraudulento; ou contra um sistema de
computador que esteja conectado a outro sistema de computador.

4. CYBERBULLYING: MODALIDADES E EFEITOS.


O cyberbullying trata-se da mais nova modalidade de bullying cometida dentro
do meio virtual, importante mencionar que essa atividade criminosa é uma das formas
mais famosas de cibercrimes.
Com o crescimento exponencial, avanço da tecnologia e democratização do
acesso a internet os comportamentos mais conhecidos do bullying virtual são aqueles
cometidos contra a honra, sendo eles: injúria, difamação e até mesmo a calúnia.
O que mais espanta os pesquisadores é que os praticantes desse tipo de delito
são em sua grande maioria adolescentes, jovens que se escondem por baixo do véu
do anonimato proporcionado pela internet, “os praticantes de cyberbullying em sua
maioria são adolescentes, não sendo possível traçar o seu perfil, pois os seus ataques
ficam no ambiente virtual uma vez que as vítimas não os denunciam” (SILVA, 2010
apud REIS; GOING, 2024).
Neste contexto, as famílias desenvolvem um papel essencial no combate ao
comportamento punível desses jovens. O Estatuto da Criança e do Adolescente em
seu art. 4º dispõe que é dever da família, da sociedade e de toda a comunidade zelar
e preservar pela saúde, vida e educação desses jovens.

Há uma relação direta entre as interações no contexto virtual, o cyberbullying


e o bullying. A forma como a família e a escola fazem a mediação contribuem
para a resolução do problema ou não, em alguns casos até pioram a agressão
entre as crianças e adolescentes. Mas se a escola e os pais tratam o tema
punindo as práticas agressivas e promovem orientações seguras, nota-se a
redução do bullying (MANDIRA, 2017 apud REIS; GOING, 2024).

É nítida a importância da parceria entre familiares e entidades de ensino para coibirem


as agressões cometidas entre os adolescentes, tais como o cyberbullying, pois
havendo inércia das partes, os resultados alcançados podem ser depressão, crise de
pânico, fobia social, medo, baixa autoestima, irritabilidade e sentimento de frustação.

Um adolescente de 13 anos, morador de Guarujá, no litoral de São Paulo,


lembrou os momentos de tristeza de quando enfrentava o cyberbullying e o
bullying no ambiente escolar. “Eu postava fotos e me xingavam de gordo, bolo
fofo, saco de areia, baleia, entre outras coisas”, desabafou o garoto. Ele os
demais alunos da rede municipal de ensino receberam palestras sobre o tema
para orientar os problemas causados pela prática e como se proteger. (Portal
G1, Santos, 2022).

Por trata-se de um crime virtual a vítima fica refém dos agressores independentemente
de onde esteja podendo ser na escola, na sua casa, durante as férias. Em
contrariedade ao que ocorria antigamente, com a possibilidade da vítima se afastar
do seu agressor.
Outro tipo de cyberbullying que está cada vez mais popular chama-se “cancelamento”,
consistindo na prática de um grupo de pessoas se juntarem para cometerem uma
espécie de linchamento virtual sob a vítima.

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Cibercrimes na legislação brasileira: reflexos atuais da lei n 14.811/24

É o caso de Larissa Ribeiro*, uma influenciadora digital do noroeste do Rio


Grande do Sul. A influencer conta que foi alvo da prática do cancelamento ao
postar seus treinos de academia no Instagram. Na época do ocorrido, um de
seus vídeos viralizou na rede e foi motivo de diversas mensagens e
comentários de cunho pejorativo, de homens e mulheres. Ela explica que
depois do episódio desenvolveu uma grande insegurança ao se expor e
postar em suas redes sociais. “Depois desse evento, virei outra pessoa.
Antes, eu postava bastante, não ligava, era bem tranquila. Agora, sou super
insegura de postar qualquer coisa”, explica. Ela notou diversos prejuízos na
sua saúde mental e começou a fazer psicoterapia. “Fiquei bem ansiosa, tive
crise de ansiedade naqueles dias, foi bem difícil”, relata.

É incontestável que atualmente o cyberbullying demonstra um poder danoso


muito maior do que aqueles comportamentos que conhecíamos, pois a internet
possibilita que a agressão ocorra em massa, independente do lugar e horário.
Sem mencionarmos o fato de que com o avanço da tecnologia, as agressões se
tornam cada vez piores, não obstante a esta realidade, tivemos uma recente alteração
em nosso Código Penal, ainda no ano deste artigo, em 2025, a Lei nº 15.123 foi
sancionada, criando uma circunstância agravante na pena em caso de crimes de
violência psicológica contra a mulher praticada com o uso das Inteligências Artificiais
(IA).
Esse tipo de crime psicológico pode ocorrer através de manipulação,
humilhação, chantagem, constrangimento, ridicularização ou de qualquer outra
maneira que cause prejuízos psíquicos à vítima.
Um dos crimes mais conhecidos nesta modalidade, são denominados por Deepfakes:
consistindo na prática de se valer das novas IA ’s para manipularem imagens e vídeos
com a voz ou rosto da vítima, a fim de constrangê-la, sendo um crime comumente
associado à criação de falso conteúdo pornográfico, simulando nudez, no intuito de
amedrontar e ameaçar a vítima.

4. LEI FEDERAL Nº 14.811/2024 – LEI DO CYBERBULLYING


Em 12 de janeiro de 2024 foi sancionada a Lei n 14.811/2024, responsável por
instituir medidas de proteção à criança e ao adolescente nos estabelecimentos
educacionais e similares, com o intuito de prevenir e combater aos crimes digitais.
A lei foi responsável por modificar vários dispositivos legais, sendo eles: o Código
Penal, Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Lei dos Crimes Hediondos,
isso porque, a presente norma trata-se de uma resposta à crescente preocupação
social quanto aos impactos do cyberbullying e da violência digital ante a ausência de
dispositivos legais que versassem sobre a temática.
A lei supracitada foi responsável por acrescentar ao Código Penal o art. 146 -
A, e 146 – A, parágrafo único, tipificando em nosso ordenamento jurídico, como
criminosa, a prática do bullying. (BRASIL, 2024). Vultus:

Art. 146 - A - Intimidar sistematicamente, individualmente ou em grupo,


mediante violência física ou psicológica, uma ou mais pessoas, de modo
intencional e repetitivo, sem motivação evidente, por meio de atos de
intimidação, de humilhação ou de discriminação ou de ações verbais, morais,
sexuais, sociais, psicológicas, físicas, materiais ou virtuais:
Pena - multa, se a conduta não constituir crime mais grave.

Ressalta-se que, o bullying e o cyberbullying consistem em condutas de


intimidação, cujo o objetivo principal reside em humilhar, diminuir ou insultar a vítima.

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Contudo, para que restem configurados os crimes em questão, a conduta


deverá ser sistemática, ou seja, não pode ser executada de modo eventual.
Neste viés, vejamos o que disse a Ana Maria Cavalier Simonato:
“Pela leitura do novo dispositivo legal, percebe-se que no crime de bullying e
cyberbullying a conduta de intimidação exercitada contra a vítima (que pode
ser uma violência física ou psicológica) deve ser sistemática, ou seja, não
pode ser uma conduta eventual (apenas um ato), podendo, ainda, ser
praticada, individualmente ou em grupo.
Para a prática do crime de bullying e cyberbullying também não é necessária
uma motivação evidente a prática da conduta delituosa, podendo o ilícito se
dar por atos de intimidação, de humilhação ou de discriminação ou de ações
verbais, morais, sexuais, sociais, psicológicas, físicas, materiais ou virtuais”.

Importante mencionar que a Lei nº 13.185/2015, conhecida como Lei


Antibullying também disserta sobre as escolas precisarem adotar medidas de
conscientização, prevenção e combate ao bullying, além de também abordar sobre o
conceito de bullying. Vejamos:

“Toda ação repetitiva ou intencional, que ocorre sem motivação evidente,


praticada por indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo
de intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia à vítima, em uma relação
de desequilíbrio de poder entre as pessoas envolvidas”. (BRASIL, 2015)

Conforme exposto ao longo do artigo em baila, o cyberbullying trata-se da


modalidade virtual da conduta do bullying, razão pela qual, a Lei Federal também
abordou sobre essa forma de execução, determinando de maneira assertiva, uma
punição mais grave quando o agente se valida dos dispositivos virtuais para cometer
o ato criminoso.
Vejamos o que diz o art. 146, § único da Lei nº 14.811/24:

Intimidação sistemática virtual (cyberbullying)


Parágrafo único. Se a conduta é realizada por meio da rede de computadores,
de rede social, de aplicativos, de jogos on-line ou por qualquer outro meio ou
ambiente digital, ou transmitida em tempo real:
Pena - reclusão, de 2 (dois) anos a 4 (quatro) anos, e multa, se a conduta não
constituir crime mais grave”.

É nítido que estamos presenciando um momento histórico no ordenamento


brasileiro, pois, cada vez mais, o legislador tem se preocupado com a proteção dos
bens jurídicos dentro do ambiente virtual. Sendo que, com a promulgação da Lei nº
14.811/24 reconhecendo o bullying e o cyberbullying como conduta criminosa, por
consequência direta, proporciona uma maior segurança aos usuários e vítimas,
principalmente, às crianças e adolescentes.
Cumpre destacar que, além da preocupação do ordenamento criar um
ambiente mais seguro, a aplicação de medidas pedagógicas e políticas de prevenção
evidencia que, além da intenção de punir, o Estado tem buscado maneiras de
conscientizar, prevenir e educar sobre os efeitos desses atos criminosos.
Outras modificações significativas da referida normativa federal encontram-se
no interior da Lei nº 8.072/90, comumente conhecida por Lei de Crimes Hediondos.
Isto pois, as condutas de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio e/ou
automutilação tornaram-se inafiançáveis, impossíveis de anistia, graça ou indulto
quando cometidas por meio de rede de computadores, art. 122, caput e § 4º da Lei nº
8.072/90. Bem como, no Estatuto da Criança e do Adolescente onde restou positivado
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como criminosa a conduta de intermediar, ou facilitar a pornografia infantil, previstos


no art. 240, inciso I e II do ECA.
Vale mencionar que a tomada de decisões, bem como, a implementação de
políticas públicas que se preocupem com essa temática depende de modo direto da
cobrança da sociedade, não devendo ser visto apenas como obrigação das escolas,
pais e professores. A sociedade, como um todo, precisa estar vigilante, devendo
procurar maneiras de coibir e conscientizar sobre as possíveis problemáticas deste
tema.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conclui-se que, um dos maiores obstáculos da humanidade resta superado, a
globalização já é uma realidade, independente da sua religião, crença pessoal,
distância ou idioma, esse desejo foi almejado e resta definitivamente alcançado.
As interações não possuem mais restrição geográfica e os laços afetivos hoje
possuem a possibilidade de permanecerem firmes e sólidos, mesmo diante da
distância dos continentes e nações.
Com o advento da tecnologia, houveram mudanças, e assim como com toda
mudança essa também veio acompanhada de efeitos positivos e negativos. Com base
integralmente no que fora demonstrado no artigo em baila, constata-se que os
avanços da tecnologia têm refletido diretamente na nossa forma de estabelecer,
manter, comandar, conscientizar e encerrar laços uns com os outros.
Embora a modernização e globalização mundial estejam proporcionando
incontáveis benefícios à população moderna, incumbiram a nós, de maneira indireta,
o ônus de adotar comportamentos preventivos que visem zelar pela integridade física
e psíquica dos usuários, principalmente quanto aos grupos mais vulneráveis.
A proteção digital hoje tem se tornado uma necessidade, tal qual, qualquer
outra forma de segurança já conhecida. Antigamente, os alvos mais almejados eram
as figuras públicas e personas que demonstravam relevante poder econômico,
contudo, atualmente, os crimes digitais atingem preferencialmente pessoas comuns,
pois são esses indivíduos que não possuem poder aquisitivo e, intelectual, para
buscarem os meios de combate equiparados aos ataques virtuais.
Visto que, são os usuários comuns que guardam arquivos pessoais, senhas
bancárias, informações sigilosas em seus respetivos aparelhos eletrônicos, mas não
possuem uma proteção de software. Portanto, conclui-se que, o combate aos crimes
virtuais não deve se limitar apenas à esfera repressiva, como deve, se estender para
as ações preventivas, no intuito de conscientizar a população e apresentar
mecanismos de como se proteger virtualmente.
Já dizia Albert Einstein: “Se tornou aparentemente óbvio que nossa tecnologia
excedeu nossa humanidade”.
Incontestavelmente a tecnologia veio para ficar, contudo, a empatia humana
tem sido superada pela falsa sensação de liberdade irrestrita, bem como, pelo suposto
anonimato que as redes proporcionam. Razão pela qual, regras são necessárias, pois
sem elas, voltaríamos a viver como selvagens.

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6. REFERÊNCIAS

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