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Lei 8112

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INTRODUÇÃO

Olá amigos!

Na aula de hoje iremos nos debruçar sobre as regras legais acerca do vínculo dos servidores
públicos civis federais, estudando as disposições da Lei 8.112/1990.

A Lei 8.112 é extensa e cheia de detalhes, exigindo um esforço de memorização adicional. Minha
dica é já se imaginar como servidor público, em exercício na carreira que você almeja, e, ao estudar
cada normal legal, visualizar como aquela regra seria aplicada a você!

Além disso, sobretudo para este conteúdo, é essencial a “leitura seca” da Lei 8.112 no estudo
deste conteúdo. Muitas questões irão exigir detalhes da literalidade dos dispositivos da Lei 8.112.

Ao final da aula estamos inserindo um resumo para facilitar a revisão das principais regras legais.

Prontos? Vamos lá!


DISPOSIÇÕES PRELIMINARES. PROVIMENTO, VACÂNCIA,
REMOÇÃO, REDISTRIBUIÇÃO E SUBSTITUIÇÃO.

Noções Introdutórias
INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA

Antes, porém, de passarmos ao detalhamento das regras legais aplicáveis aos servidores públicos
civis da União (Lei 8.112/1990), é importante destacar que a expressão “servidores públicos”
consiste em uma espécie do grande gênero “agentes públicos”, normalmente categoriza dentro
dos “agentes administrativos” do Estado, a saber:

Elaboram políticas públicas e dirigem a


Administração Pública.
Agentes POLÍTICOS
Ex: Chefes do Executivo e membros do
Legislativo
Desempenham atividades administrativas
Agentes
ADMINISTRATIVOS Ex: servidores públicos, empregados públicos
e agentes temporários

Agentes Prestam serviços relevantes ao Estado


Agentes HONORÍFICOS
Públicos Ex: mesários e jurados

Particulares em colaboração com o Estado


Agentes DELEGADOS
Ex: concessionários de serv. público, tabeliães

Representam a Administração em ocasiões


Agentes específicas
CREDENCIADOS Ex: artista que vai representar o Brasil em um
Congresso no exterior

Dito isto, passemos a diferenciar também os termos “cargo”, “emprego” e “função”, tendo em
vista as atuais disposições constitucionais.

Cargo público

Segundo Bandeira de Mello1, cargo público representa a mais simples e indivisível unidade de
competência a ser expressada por um agente vinculado, em geral, a uma pessoa jurídica de direito
público (isto é, administração direta, autarquias e fundações públicas de direito público).

1
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. Ed. Malheiros. 26ª ed. P. 251
Segundo o autor, o cargo consiste no lugar jurídico a ser ocupado pelo agente público
pertencente a estas pessoas.

Os servidores ocupantes de cargos públicos estão submetidos a um regime estatutário (ou


institucional). Isto quer dizer que existe um conjunto de normas jurídicas especialmente criadas
para reger aquelas relações e que estas normas estarão previstas em um Estatuto, na forma de
uma lei. Daí se diz que o regime aplicável aos ocupantes de cargos públicos é estatutário. Seu
vínculo, portanto, não tem natureza contratual (mas legal).

No plano federal, os ocupantes de cargos públicos, não sendo militares, são regidos pela Lei
8.112/1990, que “dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das
autarquias e das fundações públicas federais”.

Neste estatuto, podemos encontrar a seguinte definição para “cargo público”:

Lei 8.112/1990, art. 3o Cargo público é o conjunto de atribuições e responsabilidades


previstas na estrutura organizacional que devem ser cometidas a um servidor.

Cargos públicos são ocupados por servidores públicos de pessoas jurídicas de direito
público. Seu vínculo é estatutário.

A depender da forma de provimento do cargo, eles poderão ser efetivos (preenchidos mediante
concurso público) ou em comissão (de livre nomeação e exoneração).

Emprego público

O emprego público também consiste na menor unidade de atribuições de um agente público.

Distingue-se do cargo público pelo tipo de vínculo que liga o servidor ao Estado: enquanto o
ocupante de cargo público tem um vínculo estatutário, o ocupante de emprego público tem
vínculo contratual (contrato de trabalho), regido pela CLT.

Quanto à natureza do vínculo, portanto, podemos traçar o seguinte paralelo:

Cargo público → vínculo legal (estatutário)

Emprego público → vínculo contratual


Por este motivo, Bandeira de Mello2 define “emprego público” como sendo um núcleo de encargo
de trabalho permanente a ser preenchido por agentes contratados para desempenhá-lo, sob
relação trabalhista.

Aproveito para lembrar que, apesar de serem regidos pela CLT, o vínculo do empregado público
também sofre a incidência de normas de direito público, a exemplo da exigência do concurso
público, como regra geral.

Outra diferença entre cargo e emprego é que os cargos públicos são exclusivos das pessoas
jurídicas de direito público (administração direta, autarquia e fundações de direito público). Já os
empregos, embora sejam mais comuns nas pessoas de direito privado, eles poderão se fazer
presentes em pessoas de direito privado ou público, como ocorre em alguns municípios
brasileiros.

Como cada cargo e cada emprego público possuem um conjunto de atribuições


(atividades) definidas, dizemos que todo cargo ou emprego possui uma função.

Mas o contrário não verdadeiro!

Conforme veremos adiante, uma função pública não corresponde a um cargo ou emprego.
Diferentemente do cargo e do emprego, a função designa um conjunto de atribuições às
quais não corresponde um cargo ou emprego.

Função pública

Como ensina Di Pietro, existem atribuições exercidas por agentes públicos, “mas sem que lhes
corresponda um cargo ou emprego”. Assim, fala-se em função pública, à qual é dada um conceito
residual, ou seja: é o conjunto de atribuições às quais não corresponde um cargo ou emprego.

Para se exercer uma função pública, a Constituição não exige prévio concurso público,
diferentemente da regra para cargos ou empregos públicos. Por este motivo, o dispositivo
constitucional abaixo menciona apenas ‘cargo’ e ‘emprego’, propositalmente omitindo a ‘função’
pública:

CF, art. 37, II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia
em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a

2
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. Ed. Malheiros. 26ª ed. P. 251
complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações
para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração;

No atual plano normativo, fala-se em função pública em duas situações:

de natureza permanente, exercida


exclusivamente por servidores
ocupantes de cargo efetivo
Função de confiança
(chefia, direção ou criação depende de lei
assessoramento)
Ex: função de confiança de assessor
de Ministro do TCU
Funções públicas
contratação temporária por
excepcional interesse público
Agente temporário,
contratado por
criação não depende de lei
excepcional interesse
público
Ex: professor estrangeiro em
universidade brasileira

No primeiro caso, trata-se de funções de natureza permanente, que correspondem a atividades


de chefia, direção, assessoramento, sendo, em geral, funções de confiança, de livre provimento e
exoneração.

Apesar de não se exigir concurso público específico para seu preenchimento, as funções de
confiança somente podem ser exercidas por servidores efetivos (isto é, concursados). Não se
admite o exercício de função de confiança por servidores em comissão:

CF, art. 37, V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes
de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira
nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às
atribuições de direção, chefia e assessoramento;

A criação de funções de confiança depende de lei, assim como ocorre com os cargos e empregos
públicos.
Já no segundo caso, a função tem caráter temporário, destinando-se a remediar situação em que
há interesse público premente. Esta segunda modalidade está assim prevista no texto
constitucional:

CF, art. 37, IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para
atender a necessidade temporária de excepcional interesse público;

O regime jurídico destes agentes públicos não será nem estatutário, nem celetista. Eles estão
submetidos a um regime jurídico especial, previsto em lei por cada ente federativo. No plano
federal, por exemplo, o regime destes agentes temporários de excepcional interesse público está
previsto na Lei 8.745/1993.

Adiante colocamos lado a lado as principais características de cargo, emprego e função pública,
estudadas nesta seção:

Cargo público Emprego público Função pública


função de confiança ou
ocupado por empregado
ocupado por servidor público contratação temporária de
público
excepcional interesse público
todo emprego possui uma não designa nem cargo, nem
todo cargo possui uma função
função emprego
regime jurídico celetista
regime jurídico estatutário
regime jurídico especial
(predominantemente de
(de direito público)
direito privado)

Regimes Jurídicos

Continuando a tratar dos agentes administrativos, lembro da existência dos regimes jurídicos a
eles aplicáveis: (i) regime estatutário – foco desta aula –, o (ii) regime celetista e o (iii) regime
especial aplicável aos contratados temporariamente por excepcional interesse público.

Feita toda esta contextualização, agora sim passemos ao estudo do regime estatutário previsto na
Lei 8.112/1990.
REGIME JURÍDICO PREVISTO NA LEI 8.112: NOÇÕES GERAIS
INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA

O regime estatutário consiste no conjunto de regras que disciplina a relação jurídica existente
entre os servidores públicos (ocupantes de cargo público) e as pessoas jurídicas de direito público
(administração direta, autarquias e fundações de direito público).

A principal característica do regime estatutário é que suas regras são provenientes de lei, editada
por cada ente da federação.

No nível federal, os ocupantes de cargos públicos, não sendo militares, são regidos pela Lei
8.112/1990, que “dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das
autarquias e das fundações públicas federais”.

A Lei 8.112/1990 foi editada pelo Congresso Nacional nos termos do art. 39 da Constituição
Federal:

CF, art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no âmbito de
sua competência, regime jurídico único e planos de carreira para os servidores da
administração pública direta, das autarquias e das fundações públicas3.

Vejam que tais regras alcançam os servidores da União (administração direta), das autarquias
federais e das fundações federais de direito público no âmbito federal.

Reparem, portanto, que a Lei 8.112 é norma de âmbito federal, a qual não se aplica aos estados,
Distrito Federal ou municípios.

Além disso, como suas disposições são dirigidas aos servidores públicos estatutários (efetivos ou
comissionados), tais regras não se aplicam aos empregados públicos, cuja relação jurídica se
submete à CLT - Consolidação das Leis do Trabalho. Portanto, as regras que estudaremos adiante
não se aplicam às empresas públicas ou sociedades de economia mista.

A não aplicação das regras da Lei 8.112 aos empregados públicos foi cobrada na seguinte questão:

CEBRASPE/TRE-PE (adaptada)
Tanto os servidores estatutários quanto os celetistas submetem-se ao regime jurídico único da Lei n.º
8.112/1990.
Gabarito (E)

3
Redação anterior à EC 19/98, consoante decidido na ADIN nº 2.135 do STF
CARGOS PÚBLICOS
Como vimos acima, cargo público representa a mais simples e indivisível unidade de competência
a ser expressada por um agente vinculado a uma pessoa jurídica de direito público (isto é,
administração direta, autarquias e fundações públicas de direito público).

Como havíamos comentado, os servidores ocupantes de cargos públicos estão submetidos a um


regime estatutário (ou institucional). Isto quer dizer que existe um conjunto de normas jurídicas
especialmente criadas para reger aquelas relações e que estas normas estarão previstas em um
Estatuto, na forma de uma lei. Daí se diz que o regime aplicável aos ocupantes de cargos públicos
é estatutário. Seu vínculo, portanto, não tem natureza contratual (mas legal).

PROVIMENTO

incidência deste assunto em prova:

Para Carvalho Filho, provimento é o “fato administrativo que traduz o preenchimento de um cargo
público”.

De forma ainda mais clara, Di Pietro4 ensina que provimento é o ato do poder público que designa
a pessoa física para ocupar cargo, emprego ou função pública.

Adiante veremos as sete formas de provimento de cargo público previstas no art. 8º da Lei
8.112/1990, as quais podem ser agrupadas5 em formas de provimento originário
(independentemente de a pessoa ter ou não vínculo anterior com o cargo público) ou derivado
(derivam de situações em que o servidor possui vínculo anterior com o cargo público):

4
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. eBook. Item
13.5
5
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. Ed. Malheiros. 26ª ed. P. 304-306
Originário Nomeação
Promoção
Provimento
de cargos Readaptação
Reversão
Derivado
Aproveitamento
Reintegração
Recondução

Reparem que não estão entre este rol a “ascensão” e a “transferência”, inicialmente previstas nos
incisos III e IV do referido art. 8º da Lei 8.112, os quais foram posteriormente revogados, dado que
haviam sido consideradas, pelo STF, formas inconstitucionais de provimento. Adiante vamos
detalhar estas duas expressões, mas já é importante destacar que são situações não aceitas no
atual plano jurídico.

Vamos passar ao estudo de cada uma destas formas de provimento de cargo, iniciando pela
nomeação.

Nomeação

O vínculo do servidor público com a Administração tem início com sua nomeação. Trata-se da
única forma de provimento originário de cargo público. A nomeação é condição para a investidura
do servidor (posse e exercício).

Por se tratar de provimento de caráter originário, a nomeação independe de vínculo anterior do


nomeado com o cargo. No entanto, é possível que uma pessoa que já é servidor público seja
posteriormente nomeada para um novo cargo. Mesmo nesta situação, estaremos diante de um
provimento de caráter originário, já que o vínculo anterior não tem relação com o novo
provimento6.

Exemplo: José Henrique é Analista da Receita Federal do Brasil e foi aprovado no concurso
para Auditor Fiscal do mesmo órgão, sendo posteriormente nomeado.
Apesar do vínculo anterior de José Henrique com o mesmo órgão, a nomeação continua
sendo considerada provimento originário, na medida em que não guarda nenhuma
relação com o vínculo anterior. Em outras palavras, a causa do provimento consiste na
aprovação em um novo concurso público (e não no vínculo anterior).

6
ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo Descomplicado. 26ª ed. p. 437
A nomeação pode se referir a um cargo efetivo (o qual requer prévia aprovação em concurso
público) ou a um cargo em comissão (não se exigindo concurso público):

Caráter efetivo
Provimento
Nomeação
originário
Em comissão

Quanto à natureza do provimento, a nomeação não depende da manifestação do nomeado, sendo


considerada “ato administrativo unilateral”. A nomeação gera para o nomeado direito subjetivo à
posse, a partir de quando se torna servidor público.

Reparem que, embora seja necessária, a nomeação não aperfeiçoa o vínculo de determinada
pessoa com a administração pública. O provimento é só o primeiro passo, dependendo ainda da
posse, para que possamos falar efetivamente em “servidor público”.

O nomeado para cargo efetivo tem 30 dias para tomar posse (art. 13, §1º). Caso não tome posse
no prazo legal, a nomeação será tornada sem efeito. Ou seja, como o vínculo não chegou a se
aperfeiçoar, não se trata de exoneração ou demissão do servidor. Além disso, não havendo
ilegalidade, não há que se falar em anulação do ato de nomeação – mas de mera não produção
de efeitos.

Por fim, é importante destacar que o servidor efetivo que passa a exercer uma função de confiança
(direção, chefia a assessoramento) não estabelece um novo vínculo com o cargo. Dessa forma, se
diz que ele foi “designado” para uma função de confiança – e não “nomeado”.

Estudada acima a única forma de provimento originário existente na legislação, passemos às


demais formas de provimento, todas de caráter derivado.

Promoção

Segundo Celso Antônio Bandeira de Mello7, a promoção consiste em forma de provimento


derivado vertical, na qual o servidor passa a ocupar um cargo mais elevado dentro da mesma
carreira8.

Exemplo: João foi nomeado para o cargo de analista do Tribunal X, ingressou na carreira
no nível A. Passado algum tempo, João recebeu promoção, por antiguidade, passando a

7
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. Ed. Malheiros. 26ª ed. P. 306-307
8
Em alguns outros estatutos funcionais – diversos da Lei 8.112 - a “promoção” é chamada de “acesso”.
ocupar cargo de nível B e, após algum tempo, recebe nova promoção para cargo de nível
especial (todos dentro da mesma carreira).

A questão abaixo comparou os provimentos mediante nomeação e promoção da seguinte forma:

CEBRASPE/ TC-DF – Procurador


A promoção constitui investidura derivada, enquanto a nomeação traduz investidura originária do servidor
público.
Gabarito (C)

A ascensão funcional materializada pela “ascensão” e “transferência”, que mencionamos pouco


acima, consistiam em formas de provimento em que o servidor passaria de uma carreira para outra,
contrariando a Constituição Federal, consoante entendeu o STF por meio da Súmula Vinculante
43:

É inconstitucional toda modalidade de provimento que propicie ao servidor investir-se, sem


prévia aprovação em concurso público destinado ao seu provimento, em cargo que não
integra a carreira na qual anteriormente investido.

Para deixar clara a diferença veja o exemplo abaixo:

Exemplo: João foi nomeado para o cargo de técnico do Tribunal X, tendo ingressado na
carreira pelo nível A. Após ter sido promovido ao último nível da carreira (nível S), João
recebeu ascensão funcional para o nível A da carreira de analista daquele tribunal.
Esta “ascensão funcional” não é admitida por permitir a transmutação de carreira, sem
prévia aprovação em concurso público específico desta outra carreira.

Portanto, no atual plano constitucional não há espaço para provimento mediante ascensão e
transferência, de modo que a promoção é considerada a única forma de provimento derivado
vertical constitucionalmente aceita, já que ocorre dentro da mesma carreira para a qual o servidor
prestou o concurso.

Além disso, é interessante observar que a promoção não interrompe (isto é, não “zera”) a
contagem do tempo de exercício no cargo:

Art. 17. A promoção não interrompe o tempo de exercício, que é contado no novo
posicionamento na carreira a partir da data de publicação do ato que promover o servidor.
Por fim, reparem que, ao mesmo tempo em que o servidor é guindado a um cargo mais elevado,
logicamente ele é retirado do cargo inferior, em relação ao qual ocorrerá a vacância. Portanto,
adiante veremos que a promoção é, ao mesmo tempo, forma de provimento e de vacância de
cargos públicos.

Readaptação

Na readaptação, o servidor sofreu uma limitação em sua capacidade física ou mental (atestada por
inspeção médica). Assim, ele deverá ser readaptado em um novo cargo, com atribuições e
responsabilidades compatíveis com a limitação sofrida (art. 24). Segundo Celso Antônio Bandeira
de Mello9, a readaptação consiste na única forma de provimento derivado horizontal, na qual o
servidor nem é rebaixado e nem ascende em sua posição funcional.

A readaptação deve ser realizada entre cargos de atribuições afins, respeitada a habilitação
exigida, nível de escolaridade e equivalência de vencimentos (respeitando-se a ‘horizontalidade’
desta forma de provimento).

No entanto, se não houver cargo vago, o servidor readaptado exercerá suas atribuições como
excedente, até a ocorrência de vaga.

Em outro giro, se a limitação for tão severa ao ponto de o servidor ser considerado incapaz para
o serviço público, o servidor será aposentado por invalidez.

Assim como comentamos quanto à promoção, a readaptação também é forma de vacância, em


relação ao cargo ocupado pelo servidor anteriormente à readaptação.

----

Adiante iremos abordar as 4 formas de provimento derivado mediante reingresso.

Vamos lá!

Reversão

A reversão consiste no retorno à atividade do servidor que estava aposentado (art. 25). Nesta
situação, o servidor deixa de perceber os proventos de sua aposentadoria e passa a receber a
remuneração pelo exercício do cargo, inclusive com as vantagens de natureza pessoal que
percebia anteriormente à aposentadoria.

9
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. Ed. Malheiros. 26ª ed. P. 306-307
A questão a seguir buscou confundir os candidatos quanto à reversão e outras formas de
provimento:

FCC/ DPE-RS – Defensor Público (adaptada)


Readaptação é o retorno do servidor inativo à atividade quando for constatada por perícia médica a
insubsistência dos motivos da aposentadoria.
Gabarito (E)

A doutrina classifica as hipóteses de reversão da Lei 8.112 nas seguintes modalidades:

Junta médica oficial declarar


DE OFÍCIO insubsistentes os motivos da
aposentadoria por invalidez
Reversão
O servidor estável que havia se
A PEDIDO aposentado (de forma voluntária)
solicita o retorno ao exercício.

A reversão de ofício ocorre nas situações em que um servidor é aposentado por invalidez e,
posteriormente, constata-se que os motivos da aposentadoria deixaram de existir. Nesta situação,
estamos diante de um ato vinculado da administração, na medida em que não há espaço para
juízo de mérito do administrador. Além disso, pouco importa se o servidor era ou não estável antes
de se aposentar, ele será obrigado a retornar à atividade.

A questão a seguir exemplifica esta possibilidade:

CEBRASPE/IFF-RJ
João, servidor público civil federal, ainda em período de estágio probatório, sofreu um acidente vascular
cerebral que o deixou com sequelas que o levaram à aposentadoria por invalidez. Três anos depois, a
administração pública, por meio da junta médica oficial, constatou que João teria se reabilitado e que suas
sequelas haviam sido extintas, fatos que ocasionaram a declaração de insubsistência dos motivos da sua
aposentadoria.
Nessa situação hipotética, a determinação do retorno ao cargo anteriormente ocupado por João configura
o(a)
a) reintegração.
b) recondução.
c) reversão.
d) reaproveitamento.
Gabarito (C)
Já reversão a pedido depende do atendimento aos seguintes requisitos:

1) o servidor tenha solicitado

2) a aposentadoria tenha sido voluntária

3) o servidor era estável, quando na atividade

4) a aposentadoria tenha ocorrido nos 5 anos anteriores à solicitação

5) exista cargo vago (ou seja, diferentemente da readaptação e da reversão de ofício,


aqui não há o ‘excedente’)

Além disso, nesta segunda hipótese, a reversão é solicitada pelo servidor e concedida “no
interesse da administração”, ou seja, é ato discricionário da autoridade legalmente competente.
Dessa forma, mesmo atendendo aos requisitos mencionados, a solicitação do servidor aposentado
poderá ser negada.

Em qualquer dos casos, não ocorrerá a reversão se o aposentado já tiver completado 70 anos de
idade (art. 27).

Aproveitamento

O aproveitamento, espécie de provimento derivado previsto na Constituição Federal (art. 41, §3º)
e regulamentado na Lei 8.112/1990, consiste no retorno do servidor que havia ficado em
disponibilidade.

Ou seja, um servidor estável ocupava determinado cargo público, o qual foi posteriormente
extinto por lei ou declarado desnecessário. Em razão deste fato, ele havia sido colocado em
disponibilidade (com remuneração proporcional ao tempo de serviço).

Vejam adiante uma questão que cobrou tal definição:

FCC/ DPE-RS – Defensor Público (adaptada)


Aproveitamento é o retorno de servidor estável, que se encontrava em disponibilidade, ao mesmo cargo que
ocupava ou equivalente em atribuições e vencimentos.
Gabarito (C)

Pois bem, com esta forma de provimento, o servidor é aproveitado em cargo de atribuições e
vencimentos compatíveis com o anteriormente ocupado (art. 30).

Quando a Administração determina o aproveitamento do servidor que estava em disponibilidade,


este ato tem conteúdo obrigatório. Assim, determina o legislador que, não entrando em exercício
o servidor no prazo legal10, será tornado sem efeito o aproveitamento e será cassada a
disponibilidade do servidor (na forma do art. 127, IV), salvo doença comprovada por junta médica
oficial.

Reintegração

A reintegração também possui assento constitucional (art. 41, §2º), encontrando-se regulada no
art. 28 da Lei 8.112.

Trata-se do retorno à atividade do servidor estável que havia sido demitido, na hipótese de ter
sido invalidada a demissão.

Vejam a questão abaixo a respeito:

FCC/ DPE-RS – Defensor Público (adaptada)


Reintegração é o retorno do servidor estável ao cargo que ocupava e do qual foi ilegalmente desligado.
Gabarito (C)

Nas palavras do legislador, a reinvestidura do servidor estável no cargo anteriormente ocupado


(ou no cargo resultante de sua transformação) ocorre quando invalidada a sua demissão por
decisão administrativa ou judicial, com ressarcimento de todas as vantagens.

Caso o cargo tenha sido extinto após a demissão do empregado, após a invalidação do seu
desligamento este será posto em disponibilidade (CF, art. 41, § 3º).

Reparem que, a invalidação do ato de demissão do servidor opera efeitos retroativos (ex tunc).
Assim, restabelecendo-se o status quo anterior à demissão, o servidor reintegrado fará jus a todos
os direitos e vantagens relativos ao cargo, inclusive quanto aos vencimentos que seriam pagos no
período em que foi indevidamente desligado do serviço público11.

10
A despeito da previsão contida no art. 32, não há definição de quanto seria o referido “prazo legal”.
11
STJ - AgRg no REsp: 779194 SP 2005/0146222-7, Relator: Ministro GILSON DIPP, Data de Julgamento:
15/08/2006, T5 - QUINTA TURMA, Data de Publicação: DJ 04/09/2006 p. 322
Recondução

A recondução também possui assento constitucional no art. 41, §2º, estando prevista no art. 29
da Lei 8.112.

A Lei 8.112 prevê duas hipóteses em que terá lugar a recondução do servidor estável:

I) reintegração do servidor que ocupava aquele cargo anteriormente12

II) inabilitação em estágio probatório relativo a um novo cargo

A primeira hipótese pode ser visualizada por meio do seguinte quadro:

Este quadro ilustra a situação em que um ‘servidor A’ é demitido e seu cargo passa a ser ocupado
pelo ‘servidor B’. Posteriormente, a demissão é invalidada e o ‘servidor A’ é reintegrado ao cargo.
O ‘servidor B’, por sua vez, se já era servidor público estável, será reconduzido ao cargo
anteriormente ocupado.

----

Já na segunda hipótese, um servidor ocupante do ‘cargo X’, já estável, é aprovado no concurso


para o ‘cargo Y’. No entanto, ao longo do estágio probatório, ele se mostra inapto para o novo
cargo. Como a estabilidade se dá no serviço público (e não no cargo), aquele servidor poderá ser
reconduzido ao ‘cargo X’,

12
Hipótese também prevista na Constituição Federal, art. 41, §2º.
Esta hipótese é, portanto, a recondução decorrente da inabilitação no estágio probatório, exigida
na questão a seguir:

FCC/ DPE-RS – Defensor Público (adaptada)


Recondução é o retorno do servidor estável ao cargo que ocupava por inabilitação em estágio probatório
relativo a outro cargo público para o qual foi nomeado.
Gabarito (C)

Uma terceira hipótese acabou sendo criada pela jurisprudência13: a recondução a pedido do
servidor. Neste último caso, se o servidor estável, submetido a estágio probatório em novo cargo
público, desiste de exercer o novo cargo, terá o direito a ser reconduzido ao cargo ocupado
anteriormente no serviço público.

Portanto, atualmente temos as seguintes possibilidades para recondução do servidor estável:

I) reintegração do servidor que ocupava aquele cargo anteriormente

II) inabilitação em estágio probatório relativo a um novo cargo

II) a pedido do servidor, no curso de estágio probatório relativo a novo cargo

É importante percebermos que, em qualquer caso, a recondução somente será cabível em relação
a servidores estáveis.

Além disso, quanto ao recebimento ou não de indenização, percebam que, diferentemente da


reintegração, a recondução ocorre sem que o servidor faça jus à indenização.

Esta diferença foi exigida na seguinte questão:

FGV/ PGM – Niterói – Procurador do Município (adaptada)


Jorge, diretor municipal concursado com mais de 20 anos de serviço público, foi demitido por suposto
abandono de cargo. O processo administrativo disciplinar foi instaurado regularmente, mas não lhe foi
facultada a ampla defesa, tampouco o contraditório. Assim, Jorge obteve judicialmente a anulação da
demissão com a consequente reinvestidura no cargo que ocupava anteriormente. Ocorre, porém, que seu
cargo estava agora ocupado por Maria, também professora da rede municipal concursada, que deixara de
dar aulas em outra escola pública para assumir esse cargo de diretora.
Jorge será reintegrado e Maria será reconduzida ao cargo que ocupava anteriormente, com direito a
indenização.

13
STF - RMS 22.933-DF, rel. Min. Octavio Gallotti, 26/6/1998
Gabarito (E)

Sintetizando os principais aspectos quanto às formas de provimento que acabamos de estudar,


temos o seguinte quadro-resumo:
POSSE
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA

Vimos, no tópico anterior, que a porta de entrada inicial para o regime estatutário se dá com a
nomeação (única forma aceita de provimento originário). No entanto, a nomeação consiste apenas
na primeira etapa do processo de ingresso da pessoa no serviço público. É necessária a
manifestação do servidor para que o vínculo funcional se aperfeiçoe.

A propósito, notem que só há que se falar em posse no provimento mediante nomeação (nos
demais casos não se requer a tomada de posse).

Dentro do prazo legal, é necessário que a pessoa nomeada tome posse no cargo público e, só
então, passe a ser considerada “servidor público”. Neste momento é que ocorrerá o
aperfeiçoamento do vínculo jurídico funcional entre o nomeado e a Administração.

Com a posse ocorre a investidura da pessoa no cargo, definido por Celso Antônio Bandeira de
Mello14 como o “travamento da relação funcional”.

Desta observação é possível perceber a natureza bilateral do ato de posse. Ou seja, enquanto a
nomeação é ato unilateral, a posse é ato bilateral, na medida em que depende da manifestação
do nomeado.

Vou abrir um parêntese para distinguirmos o provimento (a exemplo da nomeação) da investidura.

Enquanto o provimento simplesmente designa a pessoa física para o cargo, a investidura é o ato
pelo qual o servidor público é investido no exercício do cargo, emprego ou função, abrangendo
a posse e o exercício.

Segundo Di Pietro15, o provimento constitui ato do Poder Público, enquanto a investidura constitui
ato do servidor.

Celso de Melo chega a dizer que o provimento (e.g., nomeação) diz respeito ao cargo, enquanto
a posse diz respeito à pessoa. Por este motivo é que se diz que o “cargo é provido” e “alguém é
investido”.

Em síntese:

14
Op. cit. P. 305
15
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. eBook. Item
13.5
Diz respeito ao cargo.
Forma de
Nomeação »» »» Caráter unilateral.
provimento
Condição para a posse.

Diz respeito à pessoa.


Investidura no
Posse »» »» Caráter bilateral.
cargo
Aperfeiçoa o vínculo funcional.

----

Fechando o parêntese, e lembrando do caráter bilateral da posse (investidura), destaco que esta
se dá com a assinatura do “termo de posse”, no qual deverão constar as atribuições, os deveres,
as responsabilidades e os direitos inerentes ao cargo ocupado. Estes elementos do cargo não
poderão ser alterados unilateralmente, por qualquer das partes, ressalvados os atos de ofício
previstos em lei (art. 13).

Além de outras exigências específicas de cada carreira (previstas em outras leis), são requisitos
básicos para a posse (art. 5º):

mas, Universidades e Professores


Instituições de pesquisa
nacionalidade
poderão prover os técnicos
brasileira seguintes cargos com
estrangeiros cientistas
gozo dos direitos
investidura em cargo público

políticos
Requisitos básicos para

militares
quitação com
obrigações
eleitorais
nível de escolaridade
exigido para o cargo

18 anos

aptidão física e
mental
Em relação à aptidão física e mental (última ‘caixinha’ acima), esta será aferida por meio de uma
inspeção médica oficial, a qual irá atestar a capacidade física e mental do nomeado para o
exercício do cargo (art. 14).

No que se refere ao nível de escolaridade (quarta ‘caixinha’ acima), é importante lembrar que a
apresentação de diplomas deve ser exigida justamente no momento da posse, vedando-se exigi-
los quando da inscrição do concurso.

No ato da posse o nomeado deverá ainda apresentar (i) declaração de bens e rendas e (ii)
declaração quanto ao exercício ou não de outro cargo, emprego ou função pública (§5º).

O nomeado tem 30 dias para tomar posse (improrrogáveis), contados a partir da nomeação. No
entanto, se o nomeado estiver licenciado16 (como no caso de férias, licença maternidade,
paternidade etc) o prazo de 30 dias será contado a partir do término do impedimento.

Caso não tome posse no prazo legal, a nomeação é tornada sem efeito.

Antes de concluir este tópico, é importante destacar que é possível que a posse ocorra sem a
presença do nomeado, isto é, posse mediante procuração específica (art. 13, §3º).

16 Art. 81. Conceder-se-á ao servidor licença:


I - por motivo de doença em pessoa da família;
III - para o serviço militar;
V - para capacitação;
Art. 102. [...]: I - férias;
IV - participação em programa de treinamento regularmente instituído ou em programa de pós-graduação stricto
sensu no País, conforme dispuser o regulamento;
VI - júri e outros serviços obrigatórios por lei;
VIII - licença:
a) à gestante, à adotante e à paternidade;
b) para tratamento da própria saúde, até o limite de vinte e quatro meses, cumulativo ao longo do tempo de serviço
público prestado à União, em cargo de provimento efetivo;
d) por motivo de acidente em serviço ou doença profissional;
e) para capacitação, conforme dispuser o regulamento;
f) por convocação para o serviço militar;
IX - deslocamento para a nova sede de que trata o art. 18 [remoção, redistribuição, requisição etc];
X - participação em competição desportiva nacional ou convocação para integrar representação desportiva nacional,
no País ou no exterior, conforme disposto em lei específica;
EXERCÍCIO
INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXA

Vimos que o vínculo funcional se aperfeiçoa com a investidura da pessoa no cargo provido, a partir
de quando passa a ser considerada “servidor público”. Há, ainda, um terceiro momento, que é o
exercício propriamente dito do cargo.

O exercício diz respeito ao efetivo desempenho das atribuições do cargo ou da função de


confiança (art. 15). Reparem que para aquele que está ingressando nos quadros da administração
pública, teremos a sucessão de três atos: Nomeação, Posse e entrada em Exercício (de onde surge
o mnemônico sequencial N-P-E).

Apenas com o exercício inicia-se a contagem do tempo de serviço, o qual é tomado por base para
cálculo de diversos direitos do servidor, como sua remuneração, férias, estabilidade (no caso do
servidor efetivo), entre outros.

A partir da posse, o servidor tem 15 dias para entrar em exercício, sob pena de ser exonerado do
cargo (§§1º e 2º). Isto é, como a pessoa já havia se tornado um servidor público, não basta tornar
sem efeitos o ato de posse ou de nomeação. Aqui será necessário deflagrar um procedimento
administrativo para promover a exoneração do servidor que não entrou em exercício no prazo
legal.

Tal regra foi cobrada na seguinte questão:

CEBRASPE/STM – Analista Judiciário


Após ser empossado, o servidor que não entrar em exercício no prazo legal será exonerado.
Gabarito (C)

Comparando o prazo e os efeitos do não ingresso em exercício com o que vimos no tópico
anterior, temos o seguinte quadro esquemático:
Caso o servidor deva entrar em exercício em outro município (em razão de ter sido removido,
redistribuído, requisitado, cedido ou posto em exercício provisório), o prazo será de, no mínimo,
10 dias e, no máximo, 30 dias de prazo, já incluído o tempo necessário para o deslocamento para
a nova sede (art. 18). Caso o servidor esteja licenciado ou legalmente afastado, estes prazos são
contados a partir do término do impedimento.

Vimos acima as circunstâncias e prazos para o efetivo exercício de um cargo. Caso, no entanto,
estejamos diante da designação de um servidor para uma função de confiança, a posse deverá
ocorrer de imediato, na mesma data da publicação do ato, salvo se o servidor estiver licenciado
ou afastado (art. 15, §4º). Nesta mesma situação, se o servidor é designado para uma função de
confiança e não entra em exercício, não se requer uma exoneração, mas simples perda de efeitos
do ato de designação.

Em síntese:

Cargo Função de confiança


Ato de
provimento Nomeação Designação
originário
Prazo para Na data da publicação da
entrar em 15 dias a partir da posse designação – salvo se
exercício licença/afastado
Se não entrar em
exercício no Exoneração Ato é tornado sem efeito
prazo

Tempo de Serviço

O tempo de serviço começa a ser computado a partir do momento em que o servidor entra em
exercício.
Aproveito para lembrar que o tempo de serviço é utilizado como parâmetro para cálculo da
remuneração do servidor colocado em disponibilidade. No entanto, tratando-se de benefício
previdenciário (aposentadorias e pensões), considera-se o tempo de contribuição.

Além disso, relembro que:

Art. 17. A promoção não interrompe o tempo de exercício, que é contado no novo
posicionamento na carreira a partir da data de publicação do ato que promover o servidor.

Por fim, é importante destacar que, atualmente, os servidores não fazem mais jus ao pagamento
de adicional por tempo de serviço (anuênios e quinquênios). Foi revogado o art. 67 que previa tal
vantagem, de sorte que apenas os servidores mais antigos, que haviam adquirido tal direito antes
da referida alteração continuam fazendo jus à parcela. No entanto, não há aquisição de novos
anuênios ou quinquênios desde então.

Jornada de Trabalho

A jornada normal de trabalho dos servidores regidos pela Lei 8.112 é diferente dos empregados
em geral17, sendo de, no máximo, 8 horas diárias e 40 horas semanais (art. 19).

Esta é a jornada normal de trabalho, mas há diversas situações nas quais o servidor se obriga a
cumprir jornada diversa. Assim, podem ser previstas jornadas diversas por meio de leis especiais
(como para servidores médicos que laboram em regime de plantão).

Além disso, aquele que ocupa cargo em comissão ou exerce função de confiança submete-se ao
regime de dedicação integral ao serviço, podendo ser convocado sempre que houver interesse
da administração (§1º).

Outra situação que foge da regra geral diz respeito ao servidor estudante, que terá direito a
horário especial, quando houver incompatibilidade entre o horário escolar e o da repartição. Não
havendo prejuízo ao exercício do cargo, o estudante fará jus a horário especial, exigida a
compensação de horário, para que se possa manter o cumprimento da carga horária (art. 98). O
mesmo direito é assegurado ao servidor que participa de banca examinadora de concurso público,
devendo realizar a compensação de horários em até 1 ano (§4º).

Também será concedido horário especial ao servidor portador de deficiência, quando


comprovada a necessidade por junta médica oficial, sem a necessidade de compensação de

17
Para os empregados em geral a jornada constitucional é de 8hs diárias e 44hs semanais (CF, art. 7º,
XIII)
horário (§2º). O mesmo direito é assegurado àquele servidor que tenha cônjuge, filho ou
dependente com deficiência (§3º).

Em síntese:
ESTÁGIO PROBATÓRIO
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA

Após entrar em exercício, o ocupante de cargo efetivo é submetido a estágio probatório, no qual
é permanentemente avaliado quanto à sua aptidão e capacidade para o exercício daquele cargo
específico.

O estágio probatório encontra-se assim previsto na Lei 8.112:

Lei 8.112/1990, art. 20. Ao entrar em exercício, o servidor nomeado para cargo de
provimento efetivo ficará sujeito a estágio probatório por período de 24 (vinte e quatro)
meses [3 anos a partir da EC 19/98], durante o qual a sua aptidão e capacidade serão objeto
de avaliação para o desempenho do cargo, observados os seguintes fatores:

I - assiduidade;

II - disciplina;

III - capacidade de iniciativa;

IV - produtividade;

V- responsabilidade.

Os cinco fatores avaliados durante o estágio probatório podem ser memorizados pelo
mnemônico R-A-P-I-D:

Responsabilidade

Assiduidade

Produtividade

capacidade de Iniciativa

Disciplina
Outra observação importante diz respeito ao prazo do estágio probatório. Até 1998, o prazo do
estágio probatório era de 24 meses, como mencionado no art. 20 acima. Ocorre que a EC 19/98
ampliou este prazo para 3 anos, alterando a redação do art. 41 da CF18. Assim, apesar de não ter
havido revogação expressa da Lei 8.112 (ante a tentativa de modificação promovida pela MP
431/2008), o próprio STF já firmou entendimento de a duração é de 3 anos19, tendo afirmado que:

(...) a EC 19/1998, que alterou o art. 41 da CF, elevou para três anos o prazo para a aquisição
da estabilidade no serviço público e, por interpretação lógica, o prazo do estágio
probatório.

Vou abrir aqui um parêntese, para não confundirmos o estágio probatório com a estabilidade,
como havíamos alertado anteriormente neste curso.

O estágio probatório avalia a aptidão do servidor em relação às atividades de determinado cargo


efetivo, verificando se ele está apto para o cargo. A cada cargo efetivo exercido, portanto, terá
lugar um novo estágio probatório.

Já a estabilidade guarda relação com o serviço público (e não com aquele cargo específico). Em
razão disso, a estabilidade é adquirida uma única vez pelo servidor na administração pública
daquele ente federado.

Portanto, se um servidor já estável no serviço público federal, por exemplo, é aprovado e toma
posse em um outro cargo, terá início um novo estágio probatório (muito embora ele já seja
considerado estável no serviço público).

Fechado o parêntese, precisamos estudar as consequências da inabilitação no estágio probatório


(art. 20, §4º).

18
Para aqueles que já eram servidores na data da promulgação da EC 19, foi mantido o direito à
estabilidade no prazo de 2 anos (EC 19/98, art. 28).
19
STA 263 AgR, rel. min. Gilmar Mendes, 4/2/2010
Se o servidor estável é reprovado no estágio probatório referente ao novo cargo, ele será
reconduzido ao cargo anteriormente ocupado, como vimos acima.

Tratando-se de servidor não estável, a reprovação no estágio probatório resultará na sua


exoneração.

Aqui é importante destacarmos que a exoneração, apesar de acusar o servidor de inaptidão para
aquele cargo, não tem caráter de penalidade20. Diferentemente seria se o servidor, no curso do
estágio probatório, tivesse praticado uma falta disciplinar grave. Nesta situação, ele poderia
receber uma demissão, como penalidade pela prática daquele ato.

Como saber se o servidor está apto ou não para o estágio probatório?

A Lei 8.112 prevê que, 4 meses antes de fim do estágio probatório, será submetida à homologação
da autoridade competente a avaliação do desempenho do servidor, realizada por comissão
constituída para essa finalidade (§1º). A avaliação será realizada com base nos cinco fatores
mencionados acima (assiduidade, disciplina, iniciativa, produtividade e responsabilidade).

Como fica a contagem do estágio probatório quando o servidor se licencia?

Em várias hipóteses de afastamento e licença do servidor, ficará suspensa o cômputo do estágio


probatório:

Lei 8.112, art. 20, § 5º O estágio probatório ficará suspenso durante as licenças e os
afastamentos previstos nos arts. 83 [Licença por Motivo de Doença em Pessoa da Família],
84, § 1º [licença por motivo de afastamento do cônjuge], 86 [licença para atividade política]
e 96 [servir em organismo internacional de que o Brasil participe/coopere], bem assim na
hipótese de participação em curso de formação, e será retomado a partir do término do
impedimento.

Por falar em licenças, destaco que o §4º do art. 20 prevê as licenças e afastamentos que podem
ser concedidos ao servidor em estágio probatório e, a seu turno, o § 5º lista aquelas que não
podem ser deferidas durante o estágio probatório:

20
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. eBook. Item
13.6
Licenças / Afastamentos permitidos Licenças / Afastamentos vedados
- Licença maternidade e licença paternidade

- Licença para tratamento de saúde

- Licença por acidente do trabalho

- Licença por motivo de doença em pessoa da


família

- Licença por motivo de afastamento do


- Licença para capacitação
cônjuge ou companheiro
- Licença para tratar de interesses particulares
- Licença para o serviço militar
- Licença para desempenho de mandato
- Licença para atividade política
classista
- Afastamento para exercício de mandato
- Licença para participar em curso ou
eletivo
programa de pós-graduação
- Afastamento para estudo ou missão no
exterior

- Afastamento para servir em organismo


internacional de que o Brasil participe

- Afastamento para participar de curso de


formação para ingresso em outro órgão da
administração pública federal

É importante destacar, ainda, que, apesar de estar sob avaliação, o servidor em estágio probatório
poderá exercer função de confiança ou cargos em comissão (§3º).
1) Apesar de não ser considerada uma sanção, a jurisprudência do STF e do STJ tem entendido
que a exoneração do servidor em decorrência da inabilitação no estágio probatório deve observar
o devido processo legal. Assim, deve ser precedida de sindicância, em que se assegure os
princípios da ampla defesa e do contraditório. Como exemplo temos a Súmula 21 do STF:

funcionário em estágio probatório não pode ser exonerado nem demitido sem inquérito
ou sem as formalidades legais de apuração de sua capacidade.

2) Outro entendimento importante do STF se refere à realização de greve por servidor que está
no curso do estágio probatório. O STF21 entende que, mesmo sem estar regulamentado em lei o
direito de greve dos servidores públicos (CF, art. 37, VII) e mesmo se o servidor estiver no período
probatório, a participação na greve não caracteriza inassiduidade para efeitos de reprovação no
estágio probatório. O raciocínio que fundamenta este entendimento consiste em não discriminar
o servidor pelo simples fato de estar em estágio probatório, como forma de prestigiar o princípio
da isonomia.

3) A jurisprudência do STF tem afirmado que, durante o estágio probatório, se é extinto o cargo
que o servidor ocupa, ele também deverá ser exonerado. Nesta situação, se o servidor não for
estável no serviço público (decorrente do exercício de outro cargo), não haveria nem mesmo sua
colocação em disponibilidade.

21
RE 226.966/RS, rel. Min. Cármen Lúcia, 11/11/2008
VACÂNCIA
INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA

Vimos, pouco acima, as diversas formas de provimento de um cargo público. Aqui teremos a
situação inversa, resultado do desprovimento do cargo público. Como o cargo deixa de ser
ocupado por um titular, ele ficará vago.

Consoante leciona Alexandrino, a vacância representa o “rompimento definitivo do vínculo


jurídico entre o servidor e a administração” 22.

O art. 33 da Lei 8.112 prevê as seguintes hipóteses de vacância:

Exoneração não é uma penalidade, podendo ocorrer a pedido ou de ofício

Demissão penalidade ao servidor que cometeu falta grave

Promoção servidor promovido deixa vago o cargo inferior

Readaptação servidor readaptado deixa vago o cargo anterior

Aposentadoria em qualquer situação, podendo haver posterior reversão

Posse em cargo o servidor solicita a vacância por ter tomado posse em cargo não
inacumulável acumulável

Falecimento causa natural de rompimento do vínculo funcional

A doutrina ressalta que a vacância pode decorrer de um ato da Administração (como no caso da
exoneração) ou de um fato (como no caso de falecimento do servidor).

Além disso, reparem que, em alguns destes casos, a vacância representa, ao mesmo tempo, o
provimento em outro cargo. É o que ocorre com a promoção, a readaptação e a posse em outro
cargo inacumulável.

Outra observação importante é que remoção e redistribuição, estudadas mais a frente, não são
formas de vacância do cargo – são meras formas de deslocamento funcional.

Em razão da importância em provas, adiante vamos detalhar a exoneração e a demissão. Ambas


representam maneiras de destituição do servidor do cargo público, pelo que são consideradas
formas de desinvestidura.

22
ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo Descomplicado. 26ª ed. p. 454
Exoneração

A exoneração não é penalidade e, nos termos dos arts. 34 e 35 da Lei 8.112/1990, pode ocorrer
nas seguintes hipóteses:

A PEDIDO do reprovação no estágio


do ocupante de servidor probatório de servidor
CARGO EFETIVO não estável
DE OFÍCIO
após a posse, servidor
EXONERAÇÃO não entra em exercício
A PEDIDO do
do ocupante de no prazo legal
servidor
CARGO EM
COMISSÃO a juízo da autoridade
DE OFÍCIO
competente

Além destes casos previstos na Lei 8.112, é possível perceber a existência de outras possibilidades
de exoneração, duas das quais permitem a exoneração de servidor estável:

I) insuficiência de desempenho, na forma de lei complementar (exoneração de servidor


estável - CF, art. 41, § 1º, III)

II) excesso de despesa com pessoal (exoneração de servidor estável - CF, art. 169, § 4º)

III) extinção de cargo ocupado por servidor não estável (extrapolação do disposto no art.
41, §3º)

IV) quando não estável, decorrente da reintegração de outro servidor que ocupava o cargo
anteriormente (CF, art. 41, § 2º)

Reparem que a exoneração de cargo em comissão é ato discricionário que, inclusive, dispensa
motivação. Diferentemente, tratando-se de exoneração de cargo efetivo, motivada pela
reprovação em estágio probatório, tem-se entendido essencial a condução por meio de processo
administrativo, em que se assegure ao servidor o exercício do contraditório.

Demissão

A demissão, consoante leciona Di Pietro, constitui penalidade decorrente da prática de ilícito


administrativo e tem por efeito “desligar o servidor dos quadros do funcionalismo”. A “demissão”
propriamente dita é endereçada aos ocupantes de cargos efetivos, que tiverem praticado
infrações graves previstas na Lei 8.112. Adiante veremos que a prática de infrações graves por
servidores comissionados é punida com a destituição do cargo em comissão.

Estudaremos a demissão com maior profundidade mais à frente, quando tratarmos do regime
disciplinar dos servidores públicos. De toda forma, é importante já a distinguirmos da exoneração:

Pode recair tanto sobre


Exoneração »» Não é sanção »» servidores efetivos como
servidores em comissão.

Recai apenas sobre servidores


efetivos.
É sanção
Demissão »» »» Decorre da prática de infrações
administrativa
funcionais tipificadas na Lei
8.112

DESLOCAMENTO
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTÍSSIMA

Antes de detalhar as duas formas de deslocamento funcional (remoção e a redistribuição), é


importante destacarmos que estas não são formas de provimento nem de vacância. Ou seja, em
nenhum destes dois casos o servidor será investido ou desinvestido no cargo público. Ele
permanecerá no mesmo cargo, porém haverá um deslocamento.

Remoção

A remoção consiste no deslocamento do servidor para exercer suas atividades em outra unidade
do mesmo quadro de pessoal, com ou sem mudança da sede, a pedido ou de ofício (art. 36).

Exemplo 1 (remoção sem mudança de sede): um Auditor Federal do TCU é removido da


Secretaria de Fiscalização de Pessoal para a Secretaria de Fiscalização de Obras, ambas
em Brasília/DF.

Exemplo 2 (remoção com mudança de sede): um Analista do Ministério Público Federal


é removido da Procuradoria da República em São Paulo/SP para a Procuradoria da
República em Goiânia/GO.
Vejam que, diferentemente das formas de provimento e vacância, a remoção não implica alteração
do vínculo funcional estabelecido entre a pessoa e a administração. Há apenas um deslocamento
do servidor para exercer suas atividades em outra unidade (do mesmo quadro), no mesmo
município ou em localidade distinta.

A remoção pode ocorrer de ofício ou a pedido, da seguinte forma (art. 36, parágrafo único):

no interesse da
DE OFÍCIO
Administração

a critério da
REMOÇÃO

Administração
para acompanhar cônjuge ou companheiro, também servidor
público (civil ou militar), de qualquer esfera, deslocado no
para outra interesse da Administração
A PEDIDO por motivo de saúde do servidor, cônjuge, companheiro ou
localidade,
dependente que viva às suas expensas e conste do seu
independenteme
assentamento funcional, condicionada à comprovação por
nte do interesse junta médica oficial
da Administração em virtude de processo seletivo (concurso de remoção), na
hipótese em que o número de interessados for superior ao
número de vagas

Reparem que nos casos em que independe do interesse da administração, ela estará obrigada a
conceder a remoção ao servidor que “pedir” (ato administrativo vinculado). Reparem, também,
que, nestes casos:

- a remoção sempre implicará mudança de sede.

- tratando-se da remoção para acompanhamento de cônjuge ou companheiro, este não


necessita ser servidor federal regido pela Lei 8.112. O cônjuge poderá ser servidor público de
qualquer esfera da federação, seja civil ou militar.

Nos demais casos, a remoção será ato discricionário e poderá se dar com ou sem mudança de
sede.

Uma das hipóteses de remoção foi cobrada na questão abaixo:

CEBRASPE/TRE-BA – Analista Judiciário (adaptada)


Carlos, servidor do TRE/BA, foi removido de ofício, no interesse da administração pública, para exercer suas
funções em nova sede, razão por que teve de mudar de domicílio em caráter permanente. Carlos é casado
com Maria, também servidora do TRE/BA.
Nessa situação hipotética, conforme disposição da Lei nº 8.112/1990, a remoção de Maria deverá ser
concedida pela administração se Maria a solicitar.
Gabarito (C)

Quanto à ajuda de custo23, o legislador deixa claro que o servidor removido a pedido não fará jus
à ajuda de custo (art. 53, §3º), mas apenas aquele removido de ofício.

Além disso, consoante alerta Alexandrino, “remoção” não é sinônimo de “transferência”. A


transferência era uma forma de provimento derivado prevista inicialmente na Lei 8.112, que
permitia a passagem do servidor de um cargo para outro cargo de carreira diversa. Como permitia
a transmudação de carreira sem concurso público, a “transferência” foi declarada inconstitucional
pelo STF e, posteriormente, expressamente revogada pela Lei 9.527/1997.

Quanto ao tempo de trânsito, no caso da remoção com mudança de sede, o servidor terá, em
regra, entre 10 e 30 dias para se reapresentar na nova sede, contados da publicação do ato que
determinar sua remoção:

Art. 18. O servidor que deva ter exercício em outro município em razão de ter sido
removido, redistribuído, requisitado, cedido ou posto em exercício provisório terá, no
mínimo, dez e, no máximo, trinta dias de prazo, contados da publicação do ato, para a
retomada do efetivo desempenho das atribuições do cargo, incluído nesse prazo o tempo
necessário para o deslocamento para a nova sede.

§ 1º Na hipótese de o servidor encontrar-se em licença ou afastado legalmente, o prazo


a que se refere este artigo será contado a partir do término do impedimento.

§ 2º É facultado ao servidor declinar dos prazos estabelecidos no caput.

23
Destinada a compensar despesas de instalação do servidor que for deslocado para nova sede por
interesse da Administração (em caráter permanente).
A chamada ‘Lei Maria da Penha’, Lei 11.340/2006, prevê o acesso prioritário à remoção para a
mulher em situação de violência doméstica e familiar, desde que determinado pelo juiz
responsável (art. 9º, §2º, I).

Imaginem a situação em que um servidor, residente no município X, é casado com uma pessoa
que é aprovada no concurso público para entrar em exercício no município Y.

A este respeito, o STF tem entendido que a nomeação de cônjuge ou companheiro para iniciar o
exercício de cargo público em município diverso da que reside o servidor não enseja direito à
remoção “para acompanhar cônjuge deslocado no interesse da administração”.

Adiante passemos ao estudo da “redistribuição”, sutilmente diferente da “remoção”.

Redistribuição

A redistribuição consiste no deslocamento de cargo efetivo, ocupado ou vago, no âmbito do


quadro geral de pessoal, para outro órgão ou entidade do mesmo Poder.

Percebam o seguinte: diferentemente da remoção (em que o servidor é deslocado), aqui temos
um deslocamento do cargo (que nem mesmo precisa estar ocupado).

Além disso, cargos em comissão não podem ser objeto de redistribuição, apenas cargos efetivos.
Vejam a dicção do art. 37 da Lei 8.112:

Lei 8.112, art. 37. Redistribuição é o deslocamento de cargo de provimento efetivo,


ocupado ou vago no âmbito do quadro geral de pessoal, para outro órgão ou entidade do
mesmo Poder, com prévia apreciação do órgão central do SIPEC, (..)

Outra diferença importante é que a redistribuição sempre ocorrerá de ofício (nunca a pedido), até
porque não incide sobre o servidor, mas sim sobre o cargo.

A questão a seguir versou sobre as características da redistribuição:


FCC/ DPE-RS – Defensor Público (adaptada)
Redistribuição é o deslocamento de cargo de provimento efetivo, vago ou ocupado, para outro órgão ou
ente vinculado a um mesmo Poder.
Gabarito (C)

Por envolver mais de um órgão, o legislador exige que a redistribuição seja previamente aprovada
por uma instância coordenadora do funcionalismo público – o órgão central do Sipec (Sistema de
Pessoal Civil) –, além do atendimento aos seguintes requisitos:

Art. 37, I - interesse da administração;

II - equivalência de vencimentos;

III - manutenção da essência das atribuições do cargo;

IV - vinculação entre os graus de responsabilidade e complexidade das atividades;

V - mesmo nível de escolaridade, especialidade ou habilitação profissional;

VI - compatibilidade entre as atribuições do cargo e as finalidades institucionais do órgão


ou entidade.

- De ofício ou a pedido do servidor.


Deslocamento do
Remoção »» »»
servidor - Para o mesmo quadro de pessoal.

- Sempre de ofício.

Deslocamento do - Para quadro diverso, do mesmo


Redistribuição »» »» Poder.
cargo
- Apenas para cargos efetivos.
SUBSTITUIÇÃO
INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXÍSSIMA

Os servidores investidos em cargo ou função de direção ou chefia e os ocupantes de cargo de


Natureza Especial24 terão substitutos indicados no regimento interno ou previamente designados
pelo dirigente máximo da organização pública (art. 38)

O servidor substituto assumirá automática e cumulativamente (isto é, sem prejuízo das atividades
do cargo que ocupa), o exercício do cargo ou função de direção ou chefia e os de Natureza
Especial, nos afastamentos, impedimentos legais ou regulamentares do titular e na vacância do
cargo. Nestas situações, segundo a literalidade do §1º do art. 38, o substituto poderá optar entre
a remuneração que já percebia e aquela relativa ao cargo do substituído (§ 1o).

Por outro lado, se a substituição perdurar por mais de 30 dias consecutivos, o substituto deixará
de acumular as duas atribuições, bem como fará jus à retribuição pelo exercício do cargo ou função
de direção ou chefia ou de cargo de Natureza Especial - paga na proporção dos dias de efetiva
substituição (§ 2o).

O mesmo vale para os titulares de unidades administrativas organizadas em nível de assessoria


(art. 39).

24
São cargos de assessoramento de nível mais elevado. Na Câmara dos Deputados, por exemplo, são
destinados exclusivamente ao assessoramento de da Mesa, Lideranças, Comissões e a órgãos específicos.
DIREITOS E VANTAGENS
A Lei 8.112 proíbe a prestação de serviços gratuitos, salvo nos casos previstos em lei (art. 4º). Diante disso,
na presente seção iremos estudar as importâncias pagas ao servidor público pela Administração, tratadas
no Título III da Lei 8.112.

Vencimento e Remuneração
INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA

Utilizando a terminologia adotada pela Lei 8.1121, a remuneração consiste na soma do “vencimento” com
as “vantagens pecuniárias permanentes estabelecidas em lei” (art. 41). Deste modo, a relação entre
“remuneração” e “vencimento” pode ser visualizada da seguinte forma:

REMUNERAÇÃO = VENCIMENTO + VANTAGENS PERMANENTES

O vencimento consiste no “valor base” da remuneração do servidor público. Na dicção do legislador,


corresponde à retribuição pecuniária pelo efetivo exercício do cargo, correspondente ao padrão fixado em
lei (art. 40).

Em relação às “vantagens pecuniárias permanentes”, embora não haja definição precisa de seus contornos,
a doutrina2 defende que se referem ao “exercício ordinário das atribuições do cargo”. Assim, ficam excluídos
da remuneração as vantagens transitórias3 (ou não ordinárias), que o servidor recebe de forma pontual,
como diárias para viajar a serviço (vantagem indenizatória).

Estas vantagens não permanentes (como as diárias para viagem), portanto, não integram a remuneração.

Em síntese:

1
Por outro lado, de acordo com terminologia adotada pela Lei 8.852/1994 (que dispõe sobre a fixação
de vencimentos para a administração federal direta, autárquica e fundacional), teríamos “vencimentos”
(plural) e “vencimento básico” (singular).
Neste prisma, os “vencimentos” seriam a soma do “vencimento básico” com as “vantagens pecuniárias
permanentes”. Já a “remuneração” seria a soma de tudo isto com os “adicionais de caráter individual e
demais vantagens”, mas excluindo uma série de vantagens (como diárias, ajuda de custo etc).
2
ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo Descomplicado. 26ª ed. p. 464
3
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro, 35ª edição, p. 596.
vencimento valor básico fixado em lei

remuneração
vantagens de
vantagens referentes ao exercício
caráter ordinário do cargo
permanente

A distinção entre “vencimento” e “remuneração” foi exigida na questão a seguir:

FCC/ TRF - 5ª REGIÃO – Analista Judiciário (adaptada)


Os servidores efetivos, cujo regime jurídico é disciplinado pela Lei n° 8.112/90, têm previstos os conceitos de
vencimento e remuneração, que se distinguem porque os vencimentos abrangem a remuneração e
vantagens de caráter não indenizatório.
Gabarito (E)

Vou abrir um parêntese para lembrar que provento consiste na importância recebida pelo aposentado e que
pensão representa o benefício pago aos dependentes do servidor falecido.

----

Fechado o parêntese, há uma série de regras legais atinentes à remuneração do servidor, tratadas a seguir.

Primeiramente, é importante destacar que o valor da remuneração não pode ser inferior ao do salário
mínimo legal (art. 41, §5º), embora o vencimento básico possa.

Além disso, a remuneração possui caráter alimentício, de sorte que são vedados descontos indevidos.
Assim, o art. 45 inicia asseverando que:

Lei 8.112, art. 45. Salvo por imposição legal, ou mandado judicial, nenhum desconto
incidirá sobre a remuneração ou provento.

Além dos descontos por imposição legal (a exemplo da contribuição previdenciária) e por mandado judicial,
o legislador autorizou o desconto para consignação em folha de pagamento, em favor de terceiros,
mediante autorização do servidor (§1º).

O grande exemplo são os “empréstimos consignados”, em que a instituição financeira concede certo valor
ao servidor e, posteriormente, recebe o pagamento dos juros e da amortização mediante “desconto do
contracheque” do servidor. Neste caso, o total das consignações não poderá exceder 35% da remuneração
mensal.
Se o servidor causa um dano à Administração ou, simplesmente, deve repor um valor recebido
indevidamente, devem ser observadas as seguintes regras quanto às reposições ou indenizações ao erário
(art. 46):

➢ pagamento integral:
o no máximo em 30 dias
o pagamento integral será obrigatório se o pagamento indevido tiver ocorrido no mês anterior
➢ pagamento parcelado:
o o valor da parcela será de, no mínimo, 10% da remuneração

A respeito da devolução de valores recebidos indevidamente pelo servidor, importa destacar o


entendimento de que, se o recebimento foi de boa-fé e decorreu de erro perdoável de interpretação da
legislação, o servidor não tem obrigação legal de devolvê-los. Esta é a dicção da SUM-249 do TCU4:

Súmula TCU 249

É dispensada a reposição de importâncias indevidamente percebidas, de boa-fé, por


servidores ativos e inativos, e pensionistas, em virtude de erro escusável de interpretação
de lei por parte do órgão/entidade, ou por parte de autoridade legalmente investida em
função de orientação e supervisão, à vista da presunção de legalidade do ato administrativo
e do caráter alimentar das parcelas salariais.

Por fim, o vencimento, a remuneração e o provento não serão objeto de arresto, sequestro ou penhora,
exceto nos casos de prestação de alimentos resultante de decisão judicial. Ou seja, admite-se a penhora
(arresto e sequestro) para garantir o pagamento, por exemplo, de Pensão Alimentícia, caso determinada
judicialmente.

Vantagens Pecuniárias

As vantagens pecuniárias (ou simplesmente “vantagens”) representam todas as importâncias recebidas


pelo servidor que não estejam enquadradas como “vencimento”. Nos termos do art. 49 da Lei 8.112, foram
agrupadas em 3 conjuntos (de onde surge o mnemônico V-I-G-A):

4
Em sentido semelhante a jurisprudência do STF, a exemplo do MS 26.085/DF, rel. Min. Cármen Lúcia,
7/4/2008
não se incorporam ao
Indenizações vencimento para qualquer
efeito

Vantagens Gratificações
– Lei 8.112 incorporam-se nos casos e
condições previstos em lei

Adicionais

Como já havíamos adiantado acima, as indenizações nunca integram a remuneração (vencimento +


vantagens legais permanentes). Já as gratificações e adicionais poderão integrar nos casos previstos em lei
(lembrando que as vantagens permanentes integrarão a remuneração).

As vantagens legais são assim classificadas:

- ajuda de custo
- diárias
Indenizações
- transporte
- auxílio-moradia

Vantagens - função de confiança


– Lei 8.112 - gratificação natalina (13º sal.)
- adicional insalubridade,
periculosidade ou penosidade
- adicional de serv. extraordinário
Gratificações e (hora extra)
Adicionais - adicional noturno
- adicional de férias
- gratificação por encargo de curso
ou concurso
- outros, relativos ao local/natureza
do trabalho

Adiante iremos detalhar cada uma das vantagens, tomando por base as disposições dos arts. 51 a 76-A,
começando pelas indenizações.

Indenizações
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA
As indenizações destinam-se a ressarcir o servidor por gastos incorridos no exercício da função pública.
Dessa forma, não compõem a remuneração do servidor, tampouco refletem no cálculo de parcelas
remuneratórias ou previdenciárias.

O art. 51 prevê quatro espécies de indenizações:

Indenizações
Indenização de
Ajuda de custo Diárias Auxílio-moradia
transporte

Adiante iremos examinar cada uma delas, mas é importante já conhecer esta enumeração, cobrada na
seguinte questão:

CEBRASPE/ FUB
Ajuda de custo, diárias, transporte e auxílio-moradia constituem indenizações ao servidor.
Gabarito (C)

Vamos lá!

➢ Ajuda de custo
A ajusta de custo destina-se a compensar despesas de instalação do servidor que, no interesse do serviço,
passar a ter exercício em nova sede, com mudança de domicílio em caráter permanente (art. 53).

Também será concedida ajuda de custo àquele que não era servidor da União e é nomeado para cargo em
comissão, com mudança de domicílio (art. 56).

A ajuda de custo somente tem lugar na alteração de lotação que ocorre de oficio, no interesse da
administração (art. 53, § 3o).

Em outras palavras:

Não será devida ajuda de custo em nenhuma das hipóteses de remoção a pedido.

Também não será concedida ajuda de custo ao servidor que se afasta do cargo (ou o reassume), em virtude
de mandato eletivo (art. 55).

Se o cônjuge ou companheiro de servidor que se mudou também é servidor público e também se mudou,
apenas um deles deverá receber a ajuda, vedando-se o duplo pagamento de indenização.
Além da ajuda de custo decorrente da mudança para nova localidade, correm por conta da administração as
despesas de transporte do servidor e de sua família – compreendendo passagem, bagagem e bens pessoais
(art. 53, § 1o).

Este detalhe foi cobrado na seguinte questão:

FCC/ TRT - 2ª REGIÃO (SP) – Analista Judiciário (adaptada)


Lara, servidora pública federal, no interesse do serviço, passou a ter exercício em nova sede, ocorrendo
mudança de domicílio em caráter permanente.
Neste caso, dispõe a Lei nº 8.112/1990, que a ajuda de custo será devida, correndo por conta da
Administração as despesas de transporte do servidor e de sua família, não compreendendo bagagem e bens
pessoais.
Gabarito (E)

Quanto ao valor, a ajuda de custo é calculada sobre a remuneração do servidor, não podendo exceder a
importância correspondente a 3 meses (art. 54).

Além disso, se o servidor deslocado no interesse da administração falece, sua família fará jus à ajuda de custo
e transporte para a localidade de origem, dentro do prazo de 1 ano do óbito (art. 53, § 2o).

Por fim, caso receba a ajuda e não se apresente, o servidor deverá restituir a importância recebida no prazo
de 30 dias (art. 57).

➢ Diárias
No tópico anterior estudamos a repercussão do deslocamento do servidor em caráter permanente (por
necessidade do serviço). As diárias, por sua vez, terão lugar quando o servidor, a serviço, afastar-se da sede
em caráter eventual ou transitório, seja para outro ponto do território nacional ou para o exterior (art. 58).

Nesta situação, fará o servidor jus a passagens e diárias destinadas a indenizar as parcelas de despesas
extraordinária com pousada, alimentação e locomoção urbana.

Se o deslocamento ocorre de forma não eventual, não há que se falar em diárias. Assim, o legislador
preceitua que, nos casos em que os deslocamentos constituem exigência permanente do cargo, o servidor
não fará jus a diárias (§ 2º).

Outra situação que não dá azo ao pagamento de diárias é o deslocamento dentro da mesma região
metropolitana, aglomeração urbana ou microrregião, salvo se houver pernoite fora da sede (§ 3º).
É o que ocorre, por exemplo, na “grande São Paulo”: se o servidor, com sede em São Paulo (capital), se
desloca durante o dia para um município daquela região metropolitana (como Santo André/SP), não haveria
que se falar em percepção de diárias – exceto se lá pernoitar.

Quanto ao valor, a diária será concedida por dia de afastamento, sendo devida pela metade quando o
deslocamento não exigir pernoite fora da sede, ou quando a União custear, por meio diverso, as despesas
extraordinárias cobertas por diárias (§ 1º).

O servidor que receber diárias e não se afastar da sede, por qualquer motivo, fica obrigado a restituí-las
integralmente, no prazo de 5 dias (art. 59) – diferentemente da devolução da ajuda de custo (prazo de 30
dias).

Quanto à principal diferença entre ajuda de custo e diária, temos o seguinte:

Ajuda de custo → mudança de domicílio em caráter permanente

Diária → deslocamento em caráter eventual ou transitório

➢ Indenização de transporte
A indenização de transporte é concedida ao servidor que, por opção, e condicionada ao interesse da
administração realizar despesas com a utilização de meio próprio de locomoção para a execução de serviços
externos, por força das atribuições próprias do cargo (art. 60).

Nos termos da regulamentação contida no Decreto 3.184/1999, a indenização consiste em um valor por dia
de deslocamento (valor diário). Além disso, este valor é devido ao servidor apenas no desempenho efetivo
das atribuições do cargo, vedado, por óbvio, o pagamento da referida indenização sobre ausências e
afastamentos, ainda que considerados em lei como de efetivo exercício.

➢ Auxílio-moradia
O auxílio-moradia consiste no ressarcimento das despesas com aluguel de moradia ou com meio de
hospedagem administrado por empresa hoteleira, no prazo de 1 mês após a comprovação da despesa pelo
servidor (art. 60-A).

O legislador inseriu uma série de requisitos para a concessão do auxílio-moradia, como a inexistência de
imóvel funcional disponível, que o servidor não seja proprietário de imóvel naquele município e a mudança
de residência se destine a ocupação de cargo em comissão ou função de confiança do Grupo-Direção e
Assessoramento Superiores - DAS, níveis 4, 5 e 6, de Natureza Especial, de Ministro de Estado ou equivalentes
(art. 60-B).

O valor mensal do auxílio-moradia é limitado a 25% do valor do cargo em comissão, função comissionada ou
cargo de Ministro de Estado ocupado (art. 60-D), não superando 25% do subsídio do Ministro de Estado
(§1º).

Por fim, no caso de falecimento do servidor, exoneração, colocação de imóvel funcional à sua disposição ou
caso o servidor adquira imóvel próprio, o auxílio-moradia continuará sendo pago por 1 mês (art. 60-E).

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Sintetizando as principais regras quanto às indenizações:


Gratificações, Adicionais e Retribuições
INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXA

Estudadas as indenizações (que não fazem parte da remuneração), as demais vantagens são indistintamente
enquadradas como “retribuições5, gratificações e adicionais” pelo art. 61 da Lei 8.112.

Antes de examinar cada uma delas, é importante lembrar que as gratificações e adicionais permanentes
farão parte da remuneração do servidor.

Passemos à análise de cada uma destas parcelas!

➢ Retribuição pelo exercício de função de direção, chefia e


assessoramento

O art. 62 prevê esta importância como retribuição ao servidor efetivo que exerce função de confiança
(função de direção, chefia ou assessoramento) ou àquele que ocupa cargo de provimento em comissão ou
de Natureza Especial.

Atualmente não há mais que se falar em incorporação desta retribuição ao patrimônio jurídico do servidor,
de sorte que ele só receberá tal retribuição quando em exercício de tais funções.

Anteriormente, era possível a incorporação desta importância (nominada de “gratificação”, à época). Assim,
para os servidores que adquiriram o direito à incorporação antes da mencionada alteração, tal importância
recebeu o título de VPNI - Vantagem Pessoal Nominalmente Identificada (art. 62-A).

➢ Gratificação natalina
A gratificação natalina corresponde ao 13º salário dos servidores estatutários. A quantia devida corresponde
a 1/12 da remuneração a que o servidor fizer jus no mês de dezembro, por mês de exercício no respectivo
ano (art. 63). Além disso, a fração de mês trabalhada, caso seja igual ou superior a 15 dias, será considerada
como mês integral.

Exemplo: após sua aprovação em concurso público, Teresa foi nomeada, tomou posse e,
em 1º de julho de 2018, entrou em exercício no cargo. No mês de dezembro, sua
remuneração será de R$ 10 mil.

5
A categoria das “retribuições” foi inserida por meio da Lei 9.527/1997, que alterou a denominação da
“gratificação pelo exercício de função de direção, chefia e assessoramento” para “retribuição pelo
exercício de função de direção, chefia e assessoramento”.
Como ela exerceu o cargo por 6 meses em 2018 (julho a dezembro), naquele ano, terá
direito a 6/12 da remuneração de dezembro, a título de gratificação natalina, o que
corresponde a R$ 5 mil (6/12 * R$10.000).

O servidor exonerado perceberá sua gratificação natalina, proporcionalmente aos meses de exercício,
calculada sobre a remuneração do mês da exoneração (art. 65).

Quanto ao prazo para pagamento da gratificação, a administração tem até o dia 20 de dezembro de cada
ano para efetuar aos servidores (art. 64).

Por fim, é importante destacar que a gratificação natalina não será considerada para cálculo de qualquer
vantagem pecuniária (art. 66). Em outras palavras, quando forem calculadas outras vantagens, como
adicional de horas extras, férias etc, não devem ser computados os valores pagos a título de gratificação
natalina.

➢ Adicional pelo exercício de atividades insalubres, perigosas ou


penosas

Aqui temos a previsão de três diferentes parcelas: adicional de insalubridade, adicional de periculosidade e
adicional de penosidade.

O adicional de insalubridade é devido àqueles servidores que trabalhem, com habitualidade, em locais que
coloquem em risco sua saúde, a exemplo de servidores médicos que laboram dentro dos hospitais, expostos
a agentes nocivos à saúde.

Segundo o art. 12, inciso I, da Lei 8.270/1991, este adicional será de 5%, 10% ou 20% sobre o vencimento do
cargo efetivo, conforme o grau da insalubridade (grau mínimo, médio ou máximo).

O adicional de periculosidade, por sua vez, é devido aos servidores que exerçam suas funções em contato
permanente com elementos ou substâncias que coloquem sua vida em risco, como aqueles expostos à
eletricidade.

O adicional de periculosidade será de 10% sobre o vencimento do cargo efetivo.

Um mesmo servidor não pode receber os adicionais de insalubridade e periculosidade cumulativamente,


devendo optar por um deles (art. 68, §1º).

Além disso, não há direito adquirido à continuidade do pagamento destes adicionais. Em outras palavras, o
direito ao adicional de insalubridade ou periculosidade cessa com a eliminação das condições ou dos riscos
que deram causa a sua concessão (§2º).
Situação interessante diz respeito à servidora gestante ou lactante: esta deverá ser afastada, enquanto
durar a gestação e a lactação, das operações e locais previstos perigosos, insalubres ou penosos. Durante tal
período, a servidora deverá exercer suas atividades em local salubre e em serviço não penoso e não perigoso
(art. 69, parágrafo único).

Por fim, o adicional de penosidade guarda relação com o exercício do cargo “em zonas de fronteira ou em
localidades cujas condições de vida o justifiquem” (art. 71). Parte expressiva da doutrina entende que,
atualmente, não há mais que se falar em tal adicional, porquanto teria sido tacitamente revogado pelo art.
17 da Lei 8.270/1991, o qual foi, por sua vez, posteriormente revogado pelo art. 2º da Lei 9.527/1997. Assim,
somente haveria que se falar em pagamento de importâncias relacionadas ao exercício do cargo em zonas
fronteiriças ou em “localidades estratégicas” nas situações em que houver previsão legal específica, como
ocorre para os policiais federais, servidores da receita federal, entre outros (Lei 12.855/2013, art. 1º).

➢ Adicional de horas extras


O serviço extraordinário (isto é, a prestação de horas extras) será remunerado com acréscimo de 50% em
relação à hora normal de trabalho (art. 73).

Para não onerar permanentemente os cofres públicos, somente será permitido serviço extraordinário para
atender a situações excepcionais e temporárias, respeitado o limite máximo de 2 horas por jornada (art.
74).

➢ Adicional noturno
É considerado noturno o serviço prestado em horário compreendido entre 22 hs de um dia e 5 hs do dia
seguinte (art. 75). O adicional noturno é de 25% sobre o valor da hora diurna. Outro benefício concedido
aos estatutários consiste na redução fictícia da hora noturna, que é computada como tendo 52 minutos e 30
segundos.

Exemplo: suponha que o valor da hora diurna é de R$ 20,00. Se o serviço ocorrer em


período noturno (22hs-5hs), deverá haver o acréscimo de R$ 5,00 sobre cada hora
noturna trabalhada.

Além disso, se estivermos diante de hora extra em período noturno, o adicional noturno incidirá também
sobre o adicional de horas extras.

Exemplo: suponha que o valor da hora normal diurna é de R$ 20,00. Se, em determinado
dia, o servidor laborar 1 hora extra, haverá o pagamento das seguintes vantagens:
- hora normal de trabalho ....................... R$ 20,00
- adicional por serviço extraordinário ..... R$ 10,00 (50% x R$ 20,00)
- adicional noturno .................................. R$ 7,50 (25% x R$ 30,00)

➢ Adicional de férias
Por ocasião das férias do servidor, independentemente de solicitação, será pago um adicional
correspondente a 1/3 da remuneração do período das férias.

Caso o servidor exerça função de confiança ou ocupe cargo em comissão, a respectiva retribuição será
computada no cálculo do adicional de férias.

➢ Gratificação por Encargo de Curso ou Concurso - GECC


Em algumas situações, além das atribuições normais do servidor, ele ministra cursos ou auxilia na realização
de concursos públicos ou exames vestibulares.

Nestas situações, se tais atividades não estiverem incluídas entre as suas atribuições permanentes, o servidor
poderá fazer jus à GECC – Gratificação por Encargo de Curso ou Concurso, assim prevista na Lei 8.112:

Art. 76-A. A Gratificação por Encargo de Curso ou Concurso é devida ao servidor que, em
caráter eventual:

I - atuar como instrutor em curso de formação, de desenvolvimento ou de treinamento


regularmente instituído no âmbito da administração pública federal;

II - participar de banca examinadora ou de comissão para exames orais, para análise


curricular, para correção de provas discursivas, para elaboração de questões de provas ou
para julgamento de recursos intentados por candidatos;

III - participar da logística de preparação e de realização de concurso público envolvendo


atividades de planejamento, coordenação, supervisão, execução e avaliação de resultado,
quando tais atividades não estiverem incluídas entre as suas atribuições permanentes;

IV - participar da aplicação, fiscalizar ou avaliar provas de exame vestibular ou de concurso


público ou supervisionar essas atividades.

É o caso, por exemplo, do servidor do Tribunal de Contas da União que se tornou especialista em
determinado assunto e, a partir daí, é selecionado para ministrar cursos para seus colegas de trabalho.

Mas reparem que o servidor poderá optar entre:

a) receber a GECC: quando o encargo de curso ou concurso deve ser exercido sem prejuízo de suas
atribuições ordinárias
Exemplo: um Auditor do TCU deixa de exercer suas atribuições durante determinado
período, para ministrar o curso, durante o horário de expediente.
Como o encargo ocorreu sem prejuízo das atribuições, ele deverá trabalhar uma carga
horária adicional, durante outros dias, para compensar o período do curso.

b) não receber a GECC e exercer o encargo com prejuízo de suas atribuições ordinárias: aqui não será
necessário compensar, já que ele optou por não receber a vantagem pecuniária.

Além disso, a legislação estabelece parâmetros para pagamento da GECC:

- o valor da gratificação será calculado em horas, observadas a natureza e a complexidade da


atividade exercida;

- a retribuição não poderá ser superior ao equivalente a 120 horas de trabalho anuais, ressalvada
situação de excepcionalidade, devidamente justificada e previamente aprovada pela autoridade máxima do
órgão ou entidade.

De toda forma, como se trata de vantagem eventual, a Gratificação por Encargo de Curso ou Concurso não
se incorpora ao vencimento ou salário do servidor para qualquer efeito e não poderá ser utilizada como base
de cálculo para quaisquer outras vantagens, inclusive para fins de cálculo dos proventos da aposentadoria e
das pensões (§3º).
Férias
INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA

O constituinte assegurou o direito às férias remuneradas aos empregados em geral (CF, art. 7º, XVII) e
estendeu tal benefício aos servidores estatutários (CF, art. 39, §3º).

Nesse sentido, a Lei 8.112 regulamentou este direito, prevendo 30 dias de férias, as quais podem ser
acumuladas até, no máximo, dois períodos – desde que haja necessidade do serviço (art. 77, caput).

Após ter tomado posse, exige-se que o servidor tenha 12 meses de exercício para que faça jus ao primeiro
período de férias6 - é o chamado “período aquisitivo de férias”.

Exemplo: o servidor entro em exercício no início de 2015. Assim, terá que laborar por 12
meses para só então pegar férias pela primeira vez (1º período aquisitivo de férias).
Caso o servidor não consiga pegar aquelas férias em 2016 e também não consiga pegar
férias em 2017, as férias referentes ao ano de 2015 poderão ser usufruídas no máximo
em 2017 – isto é, quando tiver acumulado 2 períodos de férias.

A remuneração de férias compreende o valor normal da remuneração com um terço a mais – chamado de
“adicional de férias” pela Lei 8.112.

O pagamento da remuneração das férias será efetuado até 2 dias antes do início do respectivo período de
férias (art. 78). Se o servidor exercer uma função comissionada, o valor da respectiva gratificação deverá ser
incluído no cálculo da remuneração de férias.

Quanto à concessão das férias, é possível o parcelamento em até 3 etapas, desde que o servidor assim
requeira, no interesse da administração (art. 77, §3º). Portanto, o parcelamento é ato discricionário da
administração. Havendo o parcelamento, o adicional de férias deverá ser pago integralmente no primeiro
período de férias (§5º).

Quanto a este assusto, vejam a questão a seguir:

FCC/TRT - 24ª REGIÃO (MS) – Analista Judiciário (adaptada)


As férias não poderão ser parceladas, sendo obrigatório o gozo do período inteiro das férias sob pena de
responsabilidade do servidor.
Gabarito (E)

6
Lei 8.112/1990, art. 77, § 1º Para o primeiro período aquisitivo de férias serão exigidos 12 (doze)
meses de exercício.
Concedidas as férias, estas somente poderão ser interrompidas por motivo de calamidade pública, comoção
interna, convocação para júri, serviço militar ou eleitoral, ou por necessidade do serviço declarada pela
autoridade máxima do órgão ou entidade (art. 80).

Caso o servidor falte ao serviço, a lei proíbe que qualquer falta seja levada à conta das férias do servidor
(art. 77, §2º). Então, por exemplo, se o servidor faltou durante 5 dias, de maneira injustificada, não poderiam
ser automaticamente deduzidos estes 5 dias do seu período de férias.

Por fim, havendo exoneração do servidor (efetivo ou comissionado) com saldo de férias a usufruir ou no
curso do período aquisitivo das férias, este perceberá indenização, na proporção de 1/12 avos por mês de
efetivo exercício - ou fração trabalhada superior a 14 dias (art. 78, §3º). A indenização será calculada com
base na remuneração do mês em que for publicado o ato exoneratório (§ 4º).

1) O STJ7 tem extrapolado a literalidade do art. 77 da Lei 8.112, entendendo que, diante da acumulação de
mais de 2 períodos de férias, não se poderia admitir que o servidor perdesse seu direito a férias. Assim, a
Superior Tribunal de Justiça tem consignado que “o acúmulo de dois períodos de férias não gozadas pelo
servidor não implica a perda do direito”, dada a proteção à saúde do servidor.

2) O STF8 tem entendido que o servidor que se aposenta também faz jus à indenização pecuniária referente
à conversão das férias não usufruídas, apesar da falta de previsão legal expressa.

7
MS 13.391/DF, rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, 27/4/2011
8
ARE 721.001/RJ, rel. Min. Gilmar Mendes, 28/2/2013 (repercussão geral)
Licenças
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA

O artigo 81 da Lei 8.112 enumera as licenças concessíveis ao servidor civil federal:

maternidade e paternidade

tratamento de saúde

acidente em serviço

doença em pessoa da família

afastamento de cônjuge ou companheiro


Licenças
serviço militar

atividade política

capacitação

interesses particulares

desempenho de mandato classista

Adiante vamos passar a examinar cada uma delas.

Licença maternidade e licença paternidade

A servidora que gestar ou adotar uma criança terá direito a um afastamento remunerado com duração de
120 dias consecutivos, como regra geral.

Tal direito, de sede constitucional (art. 7º, XVIII), encontra-se regulamentado nos arts. 207 e 210 da Lei 8.112.

Quanto à duração da licença, ambas terão duração inicial de 120 dias, tanto para a gestante como para a
adotante.

Em relação à adotante, percebam que o texto da Lei 8.112, inicialmente, faz menção a 90 dias de licença
para a adoção de crianças de até um ano de idade e de 30 dias para crianças com mais de um ano. No
entanto, o Supremo9 considerou inconstitucional (i) a diferenciação entre a servidora que tenha filhos
biológicos e aquela que adota uma criança e (ii) a fixação de prazos diferenciados em função da idade
adotada:

Os prazos da licença adotante não podem ser inferiores aos prazos da licença gestante, o
mesmo valendo para as respectivas prorrogações. Em relação à licença adotante, não é
possível fixar prazos diversos em função da idade da criança adotada.

Portanto, em razão desta decisão tem-se entendido que a duração de ambas as licenças, gestante e
adotante, devem ter a mesma duração de 120 dias, como regra geral (independentemente da idade criança
adotada).

Ainda quanto à duração, a legislação autorização que tal licença seja prorrogada por mais 60 dias, na dicção
do Decreto 6.690/200810, nos termos da autorização conferida pela Lei 11.770/200811.

Havendo tal prorrogação, portanto, a licença maternidade alcançaria a duração total de 180 dias.

Reparem que, como o afastamento é remunerado, ele ocorre “sem prejuízo da remuneração” da servidora.
Além disso, a concessão destas licenças consiste em ato vinculado: uma vez preenchidos os requisitos legais,
não há espaço para juízo de mérito do administrador público.

Quanto ao início da licença gestante, esta poderá se iniciar a partir do primeiro dia do nono mês de
gestação, salvo antecipação por prescrição médica (art. 209, §1º). Havendo nascimento prematuro, no
entanto, a licença terá início a partir do parto (§2º).

Por outro lado, no caso de natimorto, decorridos 30 dias do evento, a servidora será submetida a exame
médico, e se julgada apta, reassumirá o exercício (§3º).

Por fim, se a gestação não for bem-sucedida e ocorrer um aborto, atestado por médico oficial, a servidora
terá direito a 30 dias de repouso remunerado (§4º).

A respeito da gestação, faz-se oportuno comentar que a servidora lactante fará jus, a 1 hora de descanso,
para amamentar o próprio filho, até seis meses de idade (art. 209). No entanto, com a prorrogação da licença
maternidade, tal dispositivo goza de pouca aplicação prática.

9
RE 778889/PE, rel. Min. Roberto Barroso, 10/3/2016 (tema 782)
10
Decreto 6.690/2008, art. 2º. Serão beneficiadas pelo Programa de Prorrogação da Licença à
Gestante e à Adotante as servidoras públicas federais lotadas ou em exercício nos órgãos e entidades
integrantes da Administração Pública federal direta, autárquica e fundacional.
§ 1º A prorrogação será garantida à servidora pública que requeira o benefício até o final do primeiro
mês após o parto e terá duração de sessenta dias.
11
Lei 11.770/2008, art. 2º É a administração pública, direta, indireta e fundacional, autorizada a instituir
programa que garanta prorrogação da licença-maternidade para suas servidoras, nos termos do que
prevê o art. 1o desta Lei.
Já quanto à licença paternidade, o art. 208 da Lei 8.112 regulamenta tal direito constitucional (art. 7º, XIX),
conferindo o direito a 5 dias consecutivos, inicialmente, pelo nascimento ou adoção de filhos.

Esta duração inicial pode ser prorrogada por mais 15 dias, nos termos do Decreto 8.737/201612. Assim, a
duração da licença paternidade pode alcançar o total de 20 dias.

Tal período é considerado como de efetivo exercício, assim como ocorre em relação às licenças gestante e
adotante (art. 102, VIII, ‘a’).

Além disso, durante a prorrogação da licença, os servidores não podem exercer qualquer atividade
remunerada.

Licença para tratamento de saúde

Será concedida ao servidor licença para tratamento de saúde, a pedido ou de ofício, com base em perícia
médica, sem prejuízo da remuneração a que fizer jus (art. 202).

Para que seja concedida, a licença para tratamento de saúde depende da realização de perícia oficial (art.
203).

A perícia médica poderá ser dispensada quando inexistir médico no órgão ou entidade no local onde se
encontra ou tenha exercício em caráter permanente o servidor, atendidas determinadas condições. Neste
caso, será aceito atestado passado por médico particular, o qual somente produzirá efeitos depois de
recepcionado pela unidade de recursos humanos do órgão ou entidade (§§2º e 3º).

Outra situação em que pode se dispensar a realização de perícia oficial diz respeito à licença para tratamento
de saúde inferior a 15 dias, dentro de um ano. Neste caso, o ente público pode regulamentar os casos em
que ficará dispensada a realização da perícia.

Por outro lado, a licença que exceder o prazo de 120 dias no período de 12 meses, a contar do primeiro dia
de afastamento, será concedida mediante avaliação por junta médica oficial (§4º) – e não por um único
médico.

Em síntese:

12
Decreto 8.737/2016, art. 2º A prorrogação da licença-paternidade será concedida ao servidor público
que requeira o benefício no prazo de dois dias úteis após o nascimento ou a adoção e terá duração de
quinze dias, além dos cinco dias concedidos pelo art. 208 da Lei nº 8.112, de 1990.
§ 1º A prorrogação se iniciará no dia subsequente ao término da licença de que trata o art. 208 da Lei
nº 8.112, de 1990.
Licença inferior a
Perícia pode ser
15 dias – dentro de dispensada
1 ano

Se não houver médico do


órgão no local e não
Exigência de Até 120 dias de Perícia médica, houver a celebração de
perícia médica licença em 12 sem exigência de convênio para este fim:
meses junta médica aceita-se atestado
passado por médico
particular
Mais de 120 dias de
Perícia realizada
licença em 12 por junta médica
meses

E, sempre que necessário, a inspeção médica será realizada na residência do servidor ou no estabelecimento
hospitalar onde se encontrar internado (§1º).

A duração máxima da licença por motivos de saúde do servidor será de 24 meses (art. 188, §1º). Ao final
deste período, se o servidor não estiver em condições de reassumir o cargo, será aposentado por invalidez
permanente.

A licença para tratamento de saúde é considerada como de efetivo exercício até o limite de 24 meses,
cumulativo ao longo do tempo de serviço público prestado à União, em cargo de provimento efetivo (art.
102, VIII, ‘b’). A partir daí, os afastamentos por motivos de saúde do servidor passam a ser considerados
como tempo de serviço apenas para efeitos de aposentadoria e disponibilidade (art. 103, VII).

Além disso, a critério da Administração, o servidor em licença para tratamento de saúde ou aposentado por
invalidez poderá ser convocado a qualquer momento, para reavaliação das condições que ensejaram o
afastamento ou a aposentadoria (art. 188, §5º).

É oportuno comentar que o servidor está submetido a exames periódicos de saúde (EPS), nos termos do art.
206-A e da regulamentação constante do Decreto 6.856/2009.

Licença por acidente em serviço

A licença ao servidor que se acidenta em serviço em muito se assemelha com a licença para tratamento de
saúde, estudada logo acima.

Configura acidente em serviço o dano físico ou mental sofrido pelo servidor, que se relacione, mediata ou
imediatamente, com as atribuições do cargo exercido (art. 212).

Além disso, equipara-se ao acidente em serviço o dano: (i) decorrente de agressão sofrida e não provocada
pelo servidor no exercício do cargo ou (ii) sofrido no percurso da residência para o trabalho e vice-versa.

A prova do acidente será feita no prazo de 10 dias, prorrogável quando as circunstâncias o exigirem (art.
214).
O afastamento por motivo de acidente em serviço também é considerado como de efetivo exercício para
todos os efeitos legais (art. 211 e art. 102, VIII, ‘d’).

Licença por motivo de doença em pessoa da família

Poderá ser concedida licença ao servidor por motivo de doença do cônjuge ou companheiro, dos pais, dos
filhos, do padrasto ou madrasta e enteado, ou dependente que viva a suas expensas e conste do seu
assentamento funcional, mediante comprovação por perícia médica oficial (art. 83).

Mas nem sempre que alguém de sua família adoece será concedida tal licença. A lei impõe dois requisitos
para a concessão desta licença:

➢ a assistência direta do servidor for indispensável e


➢ a assistência não puder ser prestada simultaneamente com o exercício do cargo ou mediante
compensação de horário (§1º)

A licença e suas prorrogações serão concedidas mediante perícia médica oficial, sendo dispensada quando
for inferior a 15 dias (dentro de um ano), na forma de regulamentação própria.

A licença por motivo de doença em pessoa da família será concedida, a cada período de 12 meses, nas
seguintes condições:

a) por até 60 dias (consecutivos ou não): mantida a remuneração do servidor

b) por até 90 dias (consecutivos ou não): sem remuneração

Assim, em um período de 12 meses, o servidor solicitar tal licença por mais de 60 dias, tais períodos passam
a ser considerados afastamentos não remunerados.

Sendo remunerada e desde que limitada a 30 dias, a licença será considerada como de efetivo exercício. Por
outro lado, o que exceder tal período passa a ser considerado apenas para fins de aposentadoria e
disponibilidade (art. 103, II). Por fim, caso o afastamento se dê sem remuneração, tal período não é
computado para nenhum efeito.

Em síntese, a cada 12 meses:

- até 30 dias: período é computado como de efetivo


exercício
licença
Até 60 dias »» »»
remunerada - mais de 30 dias e até 60 dias: período é considerado
apenas para fins de aposentadoria e disponibilidade

licença não Período não é computado para qualquer efeito


Até 90 dias »» »»
remunerada
Por fim, durante esta licença, o servidor fica proibido de exercer atividade remunerada:

Art. 81, § 3º É vedado o exercício de atividade remunerada durante o período da licença


prevista no inciso I deste artigo [motivo de doença em pessoa da família].

Licença por motivo de afastamento do cônjuge ou companheiro

Poderá ser concedida licença ao servidor para acompanhar cônjuge ou companheiro que foi deslocado para
outro ponto do território nacional, para o exterior ou para o exercício de mandato eletivo dos Poderes
Executivo e Legislativo (art. 84).

Diferentemente dos casos anteriores, a licença por motivo de afastamento de cônjuge ou companheiro é
por prazo indeterminado e sem remuneração. Além disso, tal período não é computado para nenhum
efeito.

O STJ tem entendido13 que a concessão desta licença é ato vinculado, a despeito de a lei mencionar que esta
“poderá ser concedida”. Assim, a jurisprudência do STJ é no sentido de que a licença para acompanhamento
de cônjuge ou companheiro é “direito assegurado ao servidor público, de sorte que, preenchidos os
requisitos legais, não há falar em discricionariedade da Administração quanto à sua concessão”.

O §2º do art. 84 prevê o chamado exercício provisório de servidor público cujo cônjuge ou companheiro seja
servidor e tenha sido deslocado. Assim, no deslocamento de servidor cujo cônjuge ou companheiro também
seja servidor público, civil ou militar, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios, poderá haver exercício provisório em órgão ou entidade da Administração Federal direta,
autárquica ou fundacional, desde que para o exercício de atividade compatível com o seu cargo.

Licença para o serviço militar

Ao servidor convocado para o serviço militar será concedida licença, na forma e condições previstas na
legislação específica (art. 85). Concluído o serviço militar, o servidor terá até 30 dias, também sem
remuneração, para reassumir o exercício do cargo.

Tal licença é considerada como de efetivo exercício (art. 102, VIII, ‘f’).

Licença para atividade política

Para que possa exercer sua capacidade eleitoral passiva, o servidor terá direito a licença em duas situações
(art. 86):

a) sem remuneração: durante o período que mediar entre a sua escolha em convenção partidária,
como candidato a cargo eletivo, e a véspera do registro de sua candidatura perante a Justiça Eleitoral.

13
AgRg no REsp: 1243276/PR 2011/0037315-3, Relator: Ministro Benedito Gonçalves, 5/2/2013
b) com remuneração: a partir do registro da candidatura e até o décimo dia seguinte ao da eleição.
Nesta situação, a licença terá a duração máxima de 3 meses. Excedendo disto, o servidor continuará de
licença, mas sem direito à sua remuneração.

Em síntese:

No primeiro momento, como a licença ocorre sem remuneração, o período não é computado para qualquer
efeito. Na sequência, o período remunerado da licença será computado apenas para fins de aposentadoria
e disponibilidade (art. 103, III).

Em qualquer dos casos, o servidor que se candidatar a cargo eletivo, será afastado de suas atribuições, a
partir do dia imediato ao do registro da candidatura perante a Justiça Eleitoral, até o 10º dia seguinte ao do
pleito (§ 1º).

Caso seja eleito, terá lugar o afastamento para exercício de mandato eletivo, estudado mais à frente.

Licença para capacitação

Após cada 5 anos de efetivo exercício do cargo (quinquênio), o servidor poderá, no interesse da
Administração, afastar-se do exercício do cargo efetivo, com a respectiva remuneração, por até 3 meses,
para participar de curso de capacitação profissional (art. 87).

É importante destacar que tais períodos não são acumuláveis. Então um servidor que exerceu o cargo por
20 anos, por exemplo, e nunca pegou licença capacitação, não poderia se ausentar posteriormente por 12
meses. Além disso, o servidor em estágio probatório não faz jus à licença para capacitação (art. 20, §4º).

Diferentemente das anteriores, aqui estamos diante de ato discricionário, o qual dependerá do juízo de
conveniência e oportunidade do gestor público.

Tal licença é considerada como de efetivo exercício (art. 102, VIII, ‘e’).

Em síntese:
Licença para Tratar de Interesses Particulares - LTIP

Aqui temos outra licença que não pode ser concedida a servidor que esteja em estágio probatório.

Nesse sentido, o art. 91 da Lei 8.112 prevê que, a critério da Administração, poderão ser concedidas ao
servidor ocupante de cargo efetivo, desde que não esteja em estágio probatório, licenças para o trato de
assuntos particulares (LTIP) pelo prazo de até 3 anos consecutivos, sem remuneração.

A LTIP também dependerá de juízo de mérito do gestor público, de sorte que sua concessão é ato
discricionário. Tal discricionariedade autoriza, até mesmo, que a licença seja interrompida, a qualquer
tempo, no interesse do serviço – bem como a pedido do servidor.

De toda forma, não sendo remunerada, a licença para interesses particulares não é computada como tempo
de serviço.

A questão adiante exigiu os principais requisitos da LTIP:

FCC/ TRT - 2ª REGIÃO (SP) – Técnico Judiciário


Suponha que determinado servidor público federal tenha solicitado licença para tratar de interesses
particulares, a qual, contudo, restou negada pela Administração. Entre os possíveis motivos legalmente
previstos para negativa, nos termos disciplinados pela Lei n° 8.112/1990, se insere(m):
I. Estar o servidor no curso de estágio probatório.
II. Ser o servidor ocupante exclusivamente de cargo em comissão.
III. Razões de conveniência da Administração.
Está correto o que se afirma em
a) I, II e III.
b) II, apenas.
c) II e III, apenas.
d) I e III, apenas.
e) I e II, apenas.
Gabarito (A)

Licença para desempenho de mandato classista

É assegurado ao servidor o direito à licença sem remuneração para o desempenho de mandato em


confederação, federação, associação de classe de âmbito nacional, sindicato representativo da categoria ou
entidade fiscalizadora da profissão ou, ainda, para participar de gerência ou administração em sociedade
cooperativa constituída por servidores públicos para prestar serviços a seus membros (art. 92).

Somente poderão ser licenciados os servidores eleitos para cargos de direção ou de representação nas
referidas entidades, desde que cadastradas no órgão competente (§1º).
A licença terá duração igual à do mandato, podendo ser renovada, no caso de reeleição (§2º).

O período de licenciamento é computado como tempo de serviço, exceto para promoção por merecimento
(art. 102, VIII, ‘c’).

Além disso, tal licença também não pode ser concedida ao servidor que estiver em estágio probatório (art.
20, §4º).

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Sintetizando os principais aspectos estudados nesta seção, temos o seguinte mapa mental:
Adiante uma outra forma de visualizar as principais características das licenças estudadas até aqui!

Exige estabilidade ou
Licença Prazo Máximo É remunerada? estar fora do Estágio Concessão
Probatório?
maternidade 120 + 60 dias sim não vinculada
paternidade 5 + 15 dias sim não vinculada
tratamento de saúde 24 meses sim não vinculada
acidente em serviço - sim não vinculada
60 + 90 dias (a
doença em pessoa da família sim (60 dias), não (90 dias) não vinculada
cada 12 meses)
afastamento do cônjuge ou
indefinido não não vinculada
companheiro
retorna em 30
serviço militar - não vinculada
dias após o serviço
não (convenção até véspera do
da convenção
registro no TSE)
atividade política partidária até 10º não vinculada
sim (do registro até 10º dia pós
dia pós eleição
eleição)
não pode estar em
capacitação 3 meses sim discricionária
Eprob
não pode estar em
interesses particulares 3 anos não discricionária
Eprob
desempenho de mandato duração do não pode estar em
não vinculada
classista mandato sindical Eprob
Afastamentos e Concessões
INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA

Além das licenças, estudadas no tópico anterior, a Lei 8.112 prevê, ainda, hipóteses de afastamentos e de
concessões.

Iniciando pelos afastamentos!

Cessão para outro órgão ou entidade

Nesta hipótese, o servidor se afasta do seu órgão/entidade (deixando de exercer as atribuições do seu cargo)
e é cedido a outro órgão/entidade.

O destino da cessão poderá ser (i) uma organização federal de outro Poder ou, até mesmo, (ii)
órgãos/entidades de outras esferas da federação (Estados/DF e municípios).

A cessão somente poderá ocorrer para o servidor exercer cargo em comissão ou função de confiança, além
de outros casos previstos em leis específicas:

Lei 8.112, art. 93. O servidor [federal] poderá ser cedido para ter exercício em outro órgão
ou entidade dos Poderes da União, dos Estados, ou do Distrito Federal e dos Municípios,
nas seguintes hipóteses:

I - para exercício de cargo em comissão ou função de confiança;

II - em casos previstos em leis específicas.

Quanto ao pagamento da remuneração ao servidor, temos a seguinte regra geral:

Lei 8.112, art. 93, § 1º Na hipótese do inciso I, sendo a cessão para órgãos ou entidades
dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, o ônus da remuneração será do órgão
ou entidade cessionária, mantido o ônus para o cedente nos demais casos.

Apesar da redação pouco didática, percebam que o ônus quanto à remuneração do servidor cedido
dependerá do destino da cessão.

Se a cessão se der para outro ente da federação, o ônus de pagamento da remuneração do servidor não
será mais da administração federal (chamada de ‘cedente’). Nesta situação, o ente federativo que solicitou
o servidor (chamado de “cessionário”) irá se incumbir do ônus da sua remuneração. Em síntese:
p/ Estados, DF ou
ônus do cessionário
municípios
CESSÃO
p/ ente federal ônus do cedente

Por fim, se o destino da cessão for uma empresa pública ou sociedade de economia mista, o servidor federal
poderá optar entre (i) remuneração do seu cargo efetivo e (ii) a remuneração do cargo efetivo acrescida de
percentual da retribuição do cargo em comissão. Neste caso, a estatal (cessionária) efetuará o reembolso
das despesas realizadas pelo órgão ou entidade de origem (art. 93, § 2º).

Exercício de mandato eletivo

Pouco acima estudamos a licença para atividade política, em que o servidor se afasta do exercício do cargo
para se candidatar e participar das eleições. Caso seja eleito e decida exercer o mandato, terá lugar o
afastamento para exercício do mandato eletivo, aqui estudado.

Nos termos do art. 94 da Lei 8.112, em consonância com o do art. 38 da CF:

Art. 94. Ao servidor investido em mandato eletivo aplicam-se as seguintes disposições:

I - tratando-se de mandato federal, estadual ou distrital, ficará afastado do cargo;

II - investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo, sendo-lhe facultado optar


pela sua remuneração;

III - investido no mandato de vereador:

a) havendo compatibilidade de horário, perceberá as vantagens de seu cargo, sem prejuízo


da remuneração do cargo eletivo;

b) não havendo compatibilidade de horário, será afastado do cargo, sendo-lhe facultado


optar pela sua remuneração.

§ 1o No caso de afastamento do cargo, o servidor contribuirá para a seguridade social


como se em exercício estivesse. (regra constitucional alterada após a EC 103/2019)

§ 2o O servidor investido em mandato eletivo ou classista não poderá ser removido ou


redistribuído de ofício para localidade diversa daquela onde exerce o mandato.

Em síntese:
servidor deve ser afastado do seu cargo
anterior
regra geral
recebe a remuneração do cargo
eletivo

servidor deve ser afastado do seu cargo


Exercício de
Prefeito
mandato eletivo
por servidor pode optar pela remuneração de Prefeito
ou do cargo afastado

acumula os 2 cargos e ambas


COM compatibilidade de
horários remunerações
(não se afasta)
Vereador
afastado do seu cargo, mas pode optar
SEM compatibilidade de
horários pela remuneração
(mesma regra do prefeito)

Por fim, é importante destacar que, nos termos da Lei 8.112/1990, caso se afaste, o tempo de afastamento
será considerado como de efetivo exercício do cargo, exceto para promoção por merecimento (art. 102, V).

Estudo ou missão oficial no exterior

A critério da Administração, o servidor poderá se afastar do exercício do cargo para estudar ou realizar
missão no exterior. Vejam a literalidade das regras legais:

Art. 95. O servidor não poderá ausentar-se do País para estudo ou missão oficial, sem
autorização do Presidente da República, Presidente dos Órgãos do Poder Legislativo e
Presidente do Supremo Tribunal Federal.

§ 1º A ausência não excederá a 4 (quatro) anos, e finda a missão ou estudo, somente


decorrido igual período, será permitida nova ausência.

§ 2º Ao servidor beneficiado pelo disposto neste artigo não será concedida exoneração ou
licença para tratar de interesse particular antes de decorrido período igual ao do
afastamento, ressalvada a hipótese de ressarcimento da despesa havida com seu
afastamento.

§ 3º O disposto neste artigo não se aplica aos servidores da carreira diplomática.

§ 4º As hipóteses, condições e formas para a autorização de que trata este artigo, inclusive
no que se refere à remuneração do servidor, serão disciplinadas em regulamento.

Reparem que tal afastamento terá duração máxima de 4 anos e, segundo o texto legal, dependerá da
autorização do respectivo dirigente máximo (Presidente da República, Presidente do Tribunal ou de casa
legislativa).
Se o servidor for beneficiado com tal afastamento, ele deverá cumprir um ‘pedágio’ com duração igual à do
afastamento. Durante este período, não poderá ser exonerado ou pegar uma LTIP, salvo se ressarcir a
Administração com as despesas incorridas com o afastamento.

Quanto à remuneração, implicitamente a Lei 8.112 delega a um ato infralegal sua normatização (§4º). No
entanto, se a missão no exterior consistir em servir organismo internacional de que o Brasil participe ou
coopere, o afastamento se dará com perda total da remuneração:

Lei 8.112, art. 96. O afastamento de servidor para servir em organismo internacional de
que o Brasil participe ou com o qual coopere dar-se-á com perda total da remuneração.

A este respeito, vejam a questão a seguir:

FCC/ TRT - 24ª REGIÃO (MS) – Analista Judiciário (adaptada)


Considere a seguinte situação hipotética: Julia, servidora pública federal, pretende afastar-se de seu cargo
para servir em organismo internacional de que o Brasil participa.
Nos termos da Lei n°8.112/1990, o aludido afastamento dar-se-á com perda parcial da remuneração.
Gabarito (E), já que a servidora perderá integralmente sua remuneração.

Por fim, se o estudo no exterior consistir em pós-graduação, serão aplicadas as regras estudadas a seguir.

Pós-graduação stricto sensu em instituição no País ou no exterior

No tópico anterior estudamos o servidor que vai estudar no exterior ou realizar uma missão. Neste tópico
iremos examinar as regras aplicáveis ao servidor que se afastar para cursar um mestrado, doutorado ou pós-
doutorado. Tal afastamento encontra-se assim regulamentado no texto legal:

Lei 8.112, art. 96-A. O servidor poderá, no interesse da Administração, e desde que a
participação não possa ocorrer simultaneamente com o exercício do cargo ou mediante
compensação de horário, afastar-se do exercício do cargo efetivo, com a respectiva
remuneração, para participar em programa de pós-graduação stricto sensu em instituição
de ensino superior no País.

§ 1º Ato do dirigente máximo do órgão ou entidade definirá, em conformidade com a


legislação vigente, os programas de capacitação e os critérios para participação em
programas de pós-graduação no País, com ou sem afastamento do servidor, que serão
avaliados por um comitê constituído para este fim.

Art. 96-A, § 2º Os afastamentos para realização de programas de mestrado e doutorado


somente serão concedidos aos servidores titulares de cargos efetivos no respectivo órgão
ou entidade há pelo menos 3 (três) anos para mestrado e 4 (quatro) anos para doutorado,
incluído o período de estágio probatório, que não tenham se afastado por licença para
tratar de assuntos particulares para gozo de licença capacitação ou com fundamento neste
artigo nos 2 (dois) anos anteriores à data da solicitação de afastamento.

§ 3o Os afastamentos para realização de programas de pós-doutorado somente serão


concedidos aos servidores titulares de cargos efetivo no respectivo órgão ou entidade há
pelo menos quatro anos, incluído o período de estágio probatório, e que não tenham se
afastado por licença para tratar de assuntos particulares ou com fundamento neste artigo,
nos quatro anos anteriores à data da solicitação de afastamento.

§ 4º Os servidores beneficiados pelos afastamentos previstos nos §§ 1º, 2º e 3º deste artigo


terão que permanecer no exercício de suas funções após o seu retorno por um período
igual ao do afastamento concedido.

§ 5º Caso o servidor venha a solicitar exoneração do cargo ou aposentadoria, antes de


cumprido o período de permanência previsto no § 4º deste artigo, deverá ressarcir o órgão
ou entidade, na forma do art. 47 da Lei no 8.112, de 11 de dezembro de 1990, dos gastos
com seu aperfeiçoamento.

Reparem o seguinte:

- o afastamento é concedido somente diante da impossibilidade de se conciliar com o


exercício do cargo, inclusive mediante compensação de horário

- é concedida no interesse da Administração

- a lei não prevê a duração do afastamento

- a remuneração continua sendo paga

- exige-se prévio exercício do cargo por pelo menos:

i) 3 anos, no caso de mestrado

ii) 4 anos, no caso de doutorado e pós-doutorado

- o servidor não pode ter tirado LITP ou licença capacitação 2 anos antes
(mestrado/doutorado) ou 4 anos antes (pós-doutorado)

- após retornar ao exercício do cargo, o servidor deverá cumprir um ‘pedágio’ com duração
igual à do afastamento. Durante este período, não poderá ser exonerado ou se aposentar,
sob pena de ter que ressarcir a Administração

Por fim, embora o caput do art. 96-A restrinja estas regras à pós-graduação no país, é importante destacar
que o § 7º determina a aplicação destas mesmas regras quando estivermos diante de pós-graduação no
Exterior.
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Sintetizando as principais regras quanto aos afastamentos:

Vistos os afastamentos, agora iremos nos debruçar sobre as concessões.

A doutrina em geral classifica como concessões três grupos de situações: (i) os afastamentos remunerados
do servidor em situações pontuais, (ii) o direito à horário especial e (iii) direito à matrícula em instituição de
ensino quando for removido ou redistribuído para outra localidade no interesse da administração.

O primeiro grupo encontra-se previsto no art. 97 da Lei 8.112 e diz respeito a ausências do serviço sem
qualquer prejuízo:
Ausência do serviço sem qualquer prejuízo
doação de sangue 1 dia
alistamento ou pelo período comprovadamente necessário,
recadastramento eleitoral limitado, em qualquer caso, a 2 dias
casamento 8 dias consecutivos
falecimento do cônjuge,
companheiro, pais, madrasta
ou padrasto, filhos, enteados, 8 dias consecutivos
menor sob guarda ou tutela e
irmãos

O segundo grupo se refere à concessão de horário especial (art. 98), sem prejuízo do exercício do cargo:

Horário especial
servidor estudante - exigida a compensação de horário
servidor portador de deficiência - comprovada a necessidade por junta
médica oficial
servidor que tenha cônjuge, filho ou
dependente com deficiência - independentemente de compensação de
horário
servidor que atue como instrutor ou
participe de banca examinadora nas
hipóteses de percepção da GECC – - exigida a compensação de horário
gratificação por encargo de curso ou
concurso

Por fim, o terceiro grupo se refere ao direito do servidor estudante que mudar de sede no interesse da
administração a se matricular em instituição de ensino congênere, em qualquer época,
independentemente de vaga:

Art. 99. Ao servidor estudante que mudar de sede no interesse da administração é


assegurada, na localidade da nova residência ou na mais próxima, matrícula em instituição
de ensino congênere, em qualquer época, independentemente de vaga.

Parágrafo único. O disposto neste artigo estende-se ao cônjuge ou companheiro, aos


filhos, ou enteados do servidor que vivam na sua companhia, bem como aos menores sob
sua guarda, com autorização judicial.

Tal dispositivo foi disciplinado pela Lei 9.536/1997, da seguinte forma:


Art. 1º A transferência ex officio a que se refere o parágrafo único do art. 49 da Lei nº 9.394,
de 20 de dezembro de 1996, será efetivada, entre instituições vinculadas a qualquer
sistema de ensino, em qualquer época do ano e independente da existência de vaga,
quando se tratar de servidor público federal civil ou militar estudante, ou seu dependente
estudante, se requerida em razão de comprovada remoção ou transferência de ofício, que
acarrete mudança de domicílio para o município onde se situe a instituição recebedora, ou
para localidade mais próxima desta.

Parágrafo único. A regra do caput não se aplica quando o interessado na transferência se


deslocar para assumir cargo efetivo em razão de concurso público, cargo comissionado ou
função de confiança.

A menção a instituição de ensino “congênere”, no art. 99 da Lei 8.112, indica que as instituições de origem
e de destino tenham a mesma natureza (pública ou privada).

Dessa forma, como regra geral, se o servidor se encontrava matriculado em instituição pública na localidade
anterior, fará jus à matrícula em outra instituição pública (seja federal, estadual ou municipal). Por outro
lado, se o servidor encontrava-se matriculado em instituição privada, terá assegurado a matrícula apenas em
instituição privada.

No entanto, no julgamento do RE 60158014, o STF passou a permitir a troca da natureza da instituição em


uma única situação: se inexistir instituição congênere no destino. Assim, o Supremo fixou a seguinte tese
com repercussão geral:

É constitucional a previsão legal que assegure, na hipótese de transferência ex officio de


servidor, a matrícula em instituição pública, se inexistir instituição congênere à de origem.

Portanto, em regra, não pode haver alteração da natureza da instituição. No entanto, se no destino não
houver instituição congênere, o servidor terá direito a ser matriculado em instituição de ensino de outra
natureza. Vejam os dois exemplos a seguir:

Exemplo 1 (matrícula em instituição congênere): suponha que um servidor público, que


também é estudante, reside em Brasília/DF. Nesta localidade, ele está matriculado em
instituição pública de ensino (como a Unb – Universidade de Brasília).
Na sequência, o servidor é removido, no interesse da Administração, para exercer as
mesmas funções no município de São Paulo.

14
RE 601.580/RS, rel. Min. Edson Facchin, 19/9/2018 (tema 57)
Como a remoção não se deu a pedido, mas no interesse da administração, o legislador
garante o direito de o servidor ser matriculado em instituição de ensino congênere na
localidade da nova residência (ou mais próxima).
Assim, o servidor teria o direito a ser matriculado em outra instituição pública de ensino
(como por exemplo a Unifesp – Universidade Federal de São Paulo – ou a USP –
Universidade de São Paulo – instituição pública estadual).

Exemplo 2 (matrícula em instituição de outra natureza): o mesmo servidor público,


residente em Brasília/DF e matriculado em instituição privada de ensino é removido, no
interesse da Administração, para o interior de Minas Gerais.
Se, naquela localidade, não houver instituição de ensino privada, o servidor terá direito a
ser matriculado em instituição pública de ensino, nos termos da decisão do STF.

Tudo bem até aqui?! =)


Tome um fôlego! Adiante iremos para o trecho mais importante da aula.
REGIME DISCIPLINAR
Neste tópico estudaremos o regime disciplinar a que está submetido o servidor público regido pela Lei 8.112.
Discutiremos os deveres, proibições, penalidades e responsabilidades legalmente aplicáveis, nos termos
dos arts. 116 a 142 do referido diploma legal.

Deveres
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA

Os deveres impostos aos servidores federais encontram-se arrolados no art. 116, a seguir transcrito:

Lei 8.112, art. 116. São deveres do servidor:

I - exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo;

II - ser leal às instituições a que servir;

III - observar as normas legais e regulamentares;

IV - cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais;

V - atender com presteza:

a) ao público em geral, prestando as informações requeridas, ressalvadas as protegidas


por sigilo;

b) à expedição de certidões requeridas para defesa de direito ou esclarecimento de


situações de interesse pessoal;

c) às requisições para a defesa da Fazenda Pública.

VI - levar as irregularidades de que tiver ciência em razão do cargo ao conhecimento da


autoridade superior ou, quando houver suspeita de envolvimento desta, ao conhecimento
de outra autoridade competente para apuração;

VII - zelar pela economia do material e a conservação do patrimônio público;

VIII - guardar sigilo sobre assunto da repartição;

IX - manter conduta compatível com a moralidade administrativa;

X - ser assíduo e pontual ao serviço;

XI - tratar com urbanidade as pessoas;

1
XII - representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder.

Parágrafo único. A representação de que trata o inciso XII será encaminhada pela via
hierárquica e apreciada pela autoridade superior àquela contra a qual é formulada,
assegurando-se ao representando ampla defesa.

Quanto ao inciso IV, que prevê o dever de obediência, é importante destacar que o servidor, como regra
geral, deve obediência às ordens emanadas pelo seu superior, como decorrência do poder hierárquico. No
entanto, a parte final do inciso IV estabelece uma exceção, qual seja, a ordem manifestamente ilegal.

Quando a ordem for notoriamente ilegal (ou flagrantemente ilegal), o servidor não deverá cumpri-la. Nesta
situação, além de abster-se de dar cumprimento à ordem manifestamente ilegal, o servidor tem o dever de
representar contra seu superior, em razão da ilegalidade da ordem.

Isto nos leva ao inciso XII, que prevê o dever de representar. Aqui, “representar” pode ser genericamente
compreendido como “denunciar”, “comunicar”, uma ilegalidade da qual teve ciência em razão do cargo. Esta
comunicação, em regra, é endereçada ao seu superior hierárquico, fazendo-se uso da chamada “via
hierárquica” (art. 116, parágrafo único).

No entanto, a partir da interpretação conjunta com o inciso VI, quando houver suspeita de que o superior
hierárquico está envolvido na ilegalidade, como no caso da ordem manifestamente ilegal, deve-se dar
conhecimento do fato a outra autoridade competente para apuração.

Quanto ao inciso VI, que prevê o dever de levar ao conhecimento superior as irregularidades de que tenha
ciência em razão do cargo, é importante destacar o art. 126-A, inserido pela Lei 12.527/2011, deixando claro
que nenhum servidor poderá ser responsabilizado por dar ciência quanto à prática de crimes ou
improbidade de que tenha conhecimento.

Qual a consequência do descumprimento de um dever?

Diferentemente do que ocorre em relação às proibições (estudadas a seguir), a lei não prevê penalidades
específicas para o descumprimento de um dever legal. No art. 129, menciona-se genericamente que a
“inobservância de dever funcional previsto em lei” acarreta a imposição de advertência, desde que “não
justifique imposição de penalidade mais grave”.

Podemos concluir que, genericamente, o descumprimento de um dever legal, a exemplo daqueles impostos
por meio do art. 116, acarretará a imposição de advertência. No entanto, se determinada conduta
representar o descumprimento de uma proibição, por exemplo, poderá haver a imposição de penalidade
mais grave (como suspensão ou demissão).

Além disso, veremos mais adiante que a reincidência das faltas punidas com advertência será punida com
suspensão (art. 130).

2
----

Acabamos de estudar os deveres impostos aos servidores públicos, que se referem a diretrizes “positivas”
da atuação, de conteúdo bastante abrangente.

Na próxima seção, comentaremos proibições impostas aos servidores, que consistem em diretrizes
“negativas” de atuação, isto é, um ‘não fazer’.

3
Proibições
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA

O art. 117 impõe uma série de proibições ao servidor público. Diferentemente dos deveres gerais, estudados
acima, ao descumprimento das proibições foi estatuída uma penalidade disciplinar aplicável.

Adiante vamos ler atentamente as proibições impostas ao servidor1:

Lei 8.112/1990, art. 117. Ao servidor é proibido:

I - ausentar-se do serviço durante o expediente, sem prévia autorização do chefe imediato;

II - retirar, sem prévia anuência da autoridade competente, qualquer documento ou objeto


da repartição;

III - recusar fé a documentos públicos;

IV - opor resistência injustificada ao andamento de documento e processo ou execução de


serviço;

V - promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição;

VI - cometer a pessoa estranha à repartição, fora dos casos previstos em lei, o desempenho
de atribuição que seja de sua responsabilidade ou de seu subordinado;

VII - coagir ou aliciar subordinados no sentido de filiarem-se a associação profissional ou


sindical, ou a partido político;

VIII - manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge,
companheiro ou parente até o segundo grau civil;

IX - valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da


dignidade da função pública;

X - participar de gerência ou administração de sociedade privada, personificada ou não


personificada, exercer o comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista ou
comanditário; [ver parágrafo único]

XI - atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas, salvo quando


se tratar de benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes até o segundo grau, e
de cônjuge ou companheiro;

1
No próximo tópico iremos conhecer as penalidades cominadas pelo descumprimento de cada uma delas.

4
XII - receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquer espécie, em razão de
suas atribuições;

XIII - aceitar comissão, emprego ou pensão de estado estrangeiro;

XIV - praticar usura sob qualquer de suas formas;

XV - proceder de forma desidiosa;

XVI - utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou atividades


particulares;

XVII - cometer a outro servidor atribuições estranhas ao cargo que ocupa, exceto em
situações de emergência e transitórias;

XVIII - exercer quaisquer atividades que sejam incompatíveis com o exercício do cargo ou
função e com o horário de trabalho;

XIX - recusar-se a atualizar seus dados cadastrais quando solicitado.

Parágrafo único. A vedação de que trata o inciso X do caput deste artigo não se aplica nos
seguintes casos:

I - participação nos conselhos de administração e fiscal de empresas ou entidades em que


a União detenha, direta ou indiretamente, participação no capital social ou em sociedade
cooperativa constituída para prestar serviços a seus membros; e

II - gozo de licença para o trato de interesses particulares, na forma do art. 91 desta Lei,
observada a legislação sobre conflito de interesses.

Acerca desta listagem, faz-se oportuno compararmos as proibições dos incisos VI e XVII:

cometer a pessoa estranha à


repartição o desempenho de Nesta hipótese, um servidor “delega” a
atribuição que seja de sua alguém de fora da repartição a realização de
»» Advertência »» uma atividade própria de sua função ou de
responsabilidade ou de seu
subordinado – menos grave
subordinado – exceto casos
previstos em lei

cometer a outro servidor Neste caso um servidor determinar a outro


atribuições estranhas ao cargo servidor daquela repartição a realização de
que ocupa – exceto em »» Suspensão atividades que não se relacionam ao cargo –
situações de emergência e mais grave
transitórias

5
Penalidades
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTÍSSIMA

De acordo com o art. 127 da Lei 8.112/1990, o detentor de cargo público federal pode receber as seguintes
penalidades:

Penalidades
• advertência
• suspensão
• demissão
• cassação de aposentadoria ou disponibilidade
• destituição de cargo em comissão ou função de confiança

Vejam que a multa não é uma penalidade autônoma prevista na Lei 8.112. A multa somente tem lugar em
substituição à suspensão, como veremos mais adiante.

Além disso, apesar de mencionar a “destituição de função comissionada” no rol do art. 127, a Lei 8.112 nada
dispõe a seu respeito, não possuindo grande relevância para concurso público.

Adiante vamos analisar as principais características de cada penalidade administrativa aplicável, além das
condutas ensejadoras.

Mas, antes de avançar, é importante lembrar que a imposição de qualquer penalidade deve ser precedida
de contraditório e ampla defesa ao servidor.

Além disso, a aplicação de penalidades aos servidores decorre do poder disciplinar (e não do poder de
polícia) e do poder discricionário. Muita confusão é gerada em relação à discricionariedade da aplicação de
sanções, na medida em que o exercício do poder disciplinar tem uma faceta discricionária e outra vinculada.

A faceta vinculada pode ser observada quanto ao fato de a administração pública não gozar de nenhuma
liberdade de escolha entre punir e não punir. Ao tomar ciência de irregularidade no serviço público, a
autoridade competente é obrigada a instaurar o procedimento administrativo com vistas a apurar a infração
- atuação vinculada (art. 143).

Portanto, não há qualquer discricionariedade quanto ao dever de punir o servidor infrator.

Já faceta discricionária do poder disciplinar, a que se refere a doutrina, repousa na gradação da penalidade,
ou seja, na liberdade para definir a duração da sanção e, muitas vezes, até a penalidade que será aplicada.
Por exemplo: se será aplicada ao servidor uma suspensão de 15 ou de 25 dias; se a suspensão será convertida
em multa.

6
Assim, após examinar a natureza, a gravidade da infração e os eventuais danos para o serviço, em geral há
uma dose de discricionariedade para a Administração realizar juízo de conveniência e oportunidade e, assim,
determinar a penalidade a ser aplicada e sua duração.

Nesse sentido, a Lei 8.112 dispõe que, no exercício da discricionariedade quanto à sanção a ser aplicada e a
sua extensão, devem ser consideradas (art. 128):

natureza da infração cometida


penalidades serão
Na aplicação das

consideradas

sua gravidade

danos que dela provierem para o serviço público

circunstâncias agravantes ou atenuantes

antecedentes funcionais

Apesar de a autoridade possuir certa discricionariedade para dosar a sanção a ser aplicada,
o STJ firmou seu entendimento, por meio da Súmula 650, de setembro de 2021, no sentido
de que a autoridade administrativa não dispõe de discricionariedade para aplicar ao
servidor pena diversa de demissão quando caraterizadas as hipóteses previstas no artigo
132 da Lei 8.112/1990 (comentadas pouco acima).

Dito isto, passemos a cada uma das sanções aplicáveis.

Advertência

A advertência é aplicada por escrito (art. 129) em razão das seguintes circunstâncias:

7
Advertência
• ausentar-se do serviço durante o expediente, sem prévia autorização do chefe
imediato;
• retirar, sem prévia anuência da autoridade competente, qualquer documento
ou objeto da repartição;
• recusar fé a documentos públicos;
• opor resistência injustificada ao andamento de documento e processo ou
execução de serviço;
• promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição;
• cometer a pessoa estranha à repartição, fora dos casos previstos em lei, o
desempenho de atribuição que seja de sua responsabilidade ou de seu
subordinado;
• coagir ou aliciar subordinados no sentido de filiarem-se a associação
profissional ou sindical, ou a partido político;
• manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge,
companheiro ou parente até o segundo grau civil;
• recusar-se a atualizar seus dados cadastrais quando solicitado;
• inobservância de dever funcional previsto em lei, regulamentação ou norma
interna, que não justifique imposição de penalidade mais grave.

Para fins de antecedentes funcionais, a penalidade de advertência terá seu registro cancelado após o
decurso de 3 anos se o servidor não houver, nesse período, praticado nova infração disciplinar (art. 131).

Suspensão

Antes de detalhar as regras relacionadas a esta penalidade, anotem que a suspensão possui um caráter
residual, como regra geral. Isto significa dizer que ela será aplicada nas situações em que não couber
advertência ou demissão.

Nesse sentido, a suspensão é aplicada em caso de violação das demais proibições que não tipifiquem
infração sujeita a penalidade de demissão e na reincidência das faltas punidas com advertência, não
podendo exceder de 90 dias (art. 130).

Examinando atentamente o texto da Lei 8.112, podemos perceber que houve duas infrações para as quais o
examinador não previu penalidade específica de advertência ou de demissão, de sorte que caberia a
aplicação da suspensão, ante seu caráter residual, a saber:

➢ cometer a outro servidor atribuições estranhas ao cargo que ocupa, exceto em situações de
emergência e transitórias (desvio de função ilegal - art. 117, XVII)

8
➢ exercer quaisquer atividades que sejam incompatíveis com o exercício do cargo ou função e com o
horário de trabalho (art. 117, XVIII)

Além destes dois casos, será punido com suspensão de até 15 dias o servidor que, injustificadamente,
recusar-se a ser submetido a inspeção médica determinada pela autoridade competente, cessando os
efeitos da penalidade uma vez cumprida a determinação (§1º).

Para não confundirmos as penalidades impostas quanto à recusa à submissão à inspeção médica (suspensão)
e à recusa à atualização cadastral (estudada pouco acima), temos o seguinte:

recusar-se a atualizar seus


dados cadastrais quando »» Advertência »» - menor gravidade
solicitado

- de até 15 dias
recusar-se a ser submetido a
- desde que seja de forma injustificada
inspeção médica
»» Suspensão
determinada pela autoridade - efeitos da penalidade são cessados
competente quando o servidor se submeter à
inspeção médica

Seguindo adiante, destaco que uma alternativa à imposição de suspensão consiste na sua conversão em
multa, na base de 50% por dia da remuneração, ficando o servidor obrigado a permanecer em serviço (§2º).

A doutrina destaca que a multa não é uma penalidade autônoma, pois somente é aplicada, no âmbito
funcional, pela conversão da penalidade de suspensão.

Por fim, a penalidade de suspensão terá seu registro cancelado após o decurso de 5 anos se o servidor não
houver, nesse período, praticado nova infração disciplinar (art. 131).

9
Demissão

O art. 132 da Lei 8.112 lista as hipóteses ensejadoras da demissão. Para o nosso estudo, tal lista será dividida
em dois grupos: (i) condutas previstas expressamente no art. 132 e (ii) demissão decorrente do
descumprimento de proibição do art. 117.

10
Demissão

• crime contra a administração pública;


• abandono de cargo (mais de 30 dias consecutivos);
• inassiduidade habitual (60 dias, interpoladamente, durante 12 meses);
• improbidade administrativa;
• incontinência pública e conduta escandalosa, na repartição;
• insubordinação grave em serviço;
• ofensa física, em serviço, a servidor ou a particular, salvo em legítima defesa
própria ou de outrem;
• aplicação irregular de dinheiros públicos;
• revelação de segredo do qual se apropriou em razão do cargo;
• lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional;
• corrupção;
• acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas.

Em relação à lista acima, é importante não confundirmos as condutas de abandono de cargo com a
inassiduidade habitual.

De acordo com o art. 138, o abandono decorre da ausência intencional do servidor ao serviço por mais de
30 dias consecutivos.

Por outro lado, a inassiduidade habitual tem lugar quando o servidor falta ao serviço, sem causa justificada,
por 60 dias, interpoladamente, durante o período de 12 meses.

Em síntese:

abandono de cargo »» 30 dias consecutivos »» - ausência intencional

60 dias,
inassiduidade
»» interpoladamente »» - faltas sem causa justificada
habitual (durante 12 meses)

Em qualquer destes casos, a penalidade imposta será a de demissão, mediante adoção do procedimento
sumário (art. 140).

Outra observação importante diz respeito à demissão decorrente da prática de improbidade administrativa.

11
Sabemos da existência da Lei 8.429/1992, posterior à Lei 8.112/1990, que lista os atos de improbidade
administrativa. Nesse sentido, é importante adiantar que todas as sanções decorrentes dos atos de
improbidade administrativa da Lei 8.429/1992 somente podem ser aplicadas por um magistrado, no curso
de um processo judicial.

Por outro lado, a sanção de demissão por prática de improbidade administrativa da Lei 8.112 é aplicada fora
da esfera judicial, no âmbito de um processo administrativo.

A respeito deste aparente conflito, a jurisprudência tem confirmado a possibilidade de termos o


reconhecimento, na esfera administrativa, da prática de ato de improbidade administrativa para fins de
demissão do servidor público. Nesse sentido, após regular Processo Administrativo Disciplinar (PAD), pode
ser aplicada a penalidade prevista na Lei 8.112 – não na Lei 8.429.

Além disso, se o servidor estiver respondendo, ao mesmo tempo, a um processo administrativo disciplinar
(PAD) e a uma ação judicial por improbidade pelo mesmo ato, em regra tais apurações ocorrem de maneira
independente. Assim, o servidor poderá ser condenado no bojo do PAD, mesmo antes da decisão na ação
judicial por improbidade, não se exigindo que a autoridade administrativa aguarde a decisão judicial.

Este é o teor da SUM-651 do STJ, editada em outubro de 2021:

Compete à autoridade administrativa aplicar a servidor público a pena de demissão em


razão da prática de improbidade administrativa, independentemente de prévia
condenação, por autoridade judicial, à perda da função pública.

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Adiante o segundo grupo de condutas ensejadoras da demissão, isto é, as proibições cujo descumprimento
também enseja a aplicação de demissão:

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Demissão - descumprimento de proibições
• valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento
da dignidade da função pública;
• atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas, salvo
quando se tratar de benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes
até o segundo grau, e de cônjuge ou companheiro;
• receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquer espécie, em
razão de suas atribuições;
• aceitar comissão, emprego ou pensão de estado estrangeiro;
• praticar usura sob qualquer de suas formas;
• proceder de forma desidiosa;
• utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou atividades
particulares;
• participar de gerência ou administração de sociedade privada, personificada
ou não personificada, exercer o comércio, exceto:
• na qualidade de acionista, cotista ou comanditário.

De todas as condutas acima listadas capazes de dar azo à demissão do servidor, há ainda dois subconjuntos
considerados mais graves pela Lei 8.112, para os quais, além da demissão, o servidor ficará também (i)
impedido para nova investidura em cargo público federal ou (ii) incompatibilizado par exercer cargo público
federal por 5 anos.

Estes são casos de “demissão qualificada”, em que o servidor demitido ainda teria ‘dificuldades’ de retornar
ao serviço público federal.

A demissão cumulada com o impedimento para nova investidura em cargo federal se dá em razão das
seguintes condutas (de onde surgirá o mnemônico Le-A-P-Im-Co) – art. 137, p.ú.:

➢ Lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional


➢ Aplicação irregular de dinheiros públicos
➢ Crime contra a administração Pública
➢ Improbidade
➢ Corrupção

13
Até pouco tempo atrás, entendia-se que, como a lei não fixou prazo, o impedimento teria
caráter perpétuo. Ou seja, nunca mais aquela pessoa poderia se tornar novamente um
servidor público federal.

Ocorre que, a partir do julgamento da ADI 2975, em dezembro de 2020, o STF passou a
entender inconstitucional a perpetuidade do impedimento, uma vez que a Constituição
veda sanções perpétuas (CF, art. 5º, XLVII). Sendo assim, como nenhum prazo foi fixado a
partir da decisão do STF, atualmente, após a aprovação em um novo concurso público ou
uma nova nomeação para cargo em comissão, o servidor que praticar tais condutas (Le-A-
P-Im-Co) poderia retornar ao serviço público federal. Em outras palavras, a partir desta
decisão do STF, retirou-se a eficácia do "impedimento".

Seguindo adiante, no segundo subconjunto, temos as condutas que geram a incompatibilização para nova
investidura em cargo público federal por 5 anos (de onde surgirá o mnemônico procura-valer):

➢ atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas, salvo quando se tratar de
benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes até o segundo grau, e de cônjuge ou
companheiro;
➢ valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da
função pública

14
- Lesão aos cofres públicos e dilapidação do
patrimônio nacional
- Aplicação irregular de dinheiros públicos
IMPEDIMENTO
- Crime contra a administração Pública
- Improbidade administrativa
- Corrupção

Demissão
- Atuar, como procurador ou intermediário,
junto a repartições públicas, salvo:
-benefícios previdenciários/assistenciais de
INCOMPATIBILIZAÇÃO
parentes até o 2º grau e
por 5 anos cônjuge/companheiro;
- valer-se do cargo para lograr proveito pessoal
ou de outrem

Cassação da aposentadoria

Será cassada a aposentadoria ou a disponibilidade do inativo que, quando na atividade, houver praticado
falta punível com a demissão (art. 134).

Exemplo: quando estava em atividade, o servidor X recebia propina em razão de suas


atribuições. No entanto, tal irregularidade somente foi descoberta pela Administração
após a aposentadoria do servidor.
Nesta situação, como ele não pode mais ser demitido, terá sua aposentadoria cassada.

Destituição de cargo em comissão

A destituição de cargo em comissão é aplicada àquele que não é ocupante de cargo efetivo e comete
infração sujeita às penalidades de suspensão ou de demissão (art. 135).

Comparando esta penalidade com a “cassação da aposentadoria”, temos o seguinte:

15
Por fim, aproveito para lembrar que a penalidade de “destituição de cargo em comissão”, aqui examinada,
não se confunde com a “exoneração de cargo em comissão”, a qual é simples hipótese de vacância do cargo
público, não revestida de caráter punitivo.

Tal diferenciação foi exigida na seguinte questão:

CEBRASPE/ TCU – Auditor Federal de Controle Externo


A exoneração dos ocupantes de cargos em comissão deve ser motivada, respeitando-se o contraditório e a
ampla defesa.
Gabarito (E)

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Apesar de mencionar a “destituição de função comissionada” no rol do art. 127, a Lei 8.112 nada dispõe a
seu respeito, não havendo relevância prática para concursos públicos.

➢ Autoridade competente para aplicar a sanção


Como regra geral, quanto mais grave é a penalidade, maior é o nível hierárquico exigido pelo legislador.
Então, por exemplo, as penalidades de demissão e de cassação de aposentadoria são aplicadas pelas
autoridades respectivas máximas do órgão a que pertença o servidor ou, no caso do Executivo, pelo
Presidente da República (embora tal competência possa ser delegada).

Assim, sintetizando as disposições do art. 141, chegamos ao seguinte quadro:

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Autoridade Penalidade
Presidente da República, Presidentes do Senado e Demissão
da Câmara, Presidente do Tribunal e Procurador-
Geral da República Cassação de aposentadoria/disponibilidade
Autoridades administrativas de hierarquia
imediatamente inferior às anteriores (Ministro de Suspensão superior a 30 dias
Estado, Diretor-Geral do Tribunal etc)
Suspensão de até 30 dias
Chefe da repartição ou outra autoridade
legitimada pelo regimento interno
Advertência
Autoridade que houver feito a nomeação Destituição de cargo em comissão

Por fim, lembro que o Decreto 3.035/1999 delegou aos Ministros de Estado a competência para aplicar as
penalidades de demissão e cassação de aposentadoria ou disponibilidade no âmbito do Poder Executivo
federal.

➢ Prescrição
Com a prescrição da ação disciplinar, a Administração não poderá mais aplicar a respectiva penalidade ao
servidor.

De acordo com o art. 142 da Lei 8.112, a prescrição da ação disciplinar é contada a partir da data em que o
fato se tornou conhecido e obedece aos seguintes prazos:

Prazo Penalidade
180 dias Advertência
2 anos Suspensão
5 anos demais penalidades
Infrações disciplinares também
Prazos da lei penal
tipificadas como crime

Reparem que, se a infração funcional for também tipificada como crime (como é o caso do recebimento de
propina, por exemplo), prevalecerá o prazo prescricional estatuído nas leis penais.

Os prazos acima são bastante exigidos em prova, como indica a questão a seguir:

FCC/ TRE-PR – Analista Judiciário (adaptada)

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Prescreve em 2 anos a ação disciplinar quanto às infrações puníveis com suspensão e advertência.
Gabarito (E)

Além disso, percebam que os prazos acima (180 dias, 2 anos e 5 anos) são contados a partir do conhecimento
do fato pela Administração:

Lei 8.112/1990, art. 142, § 1o O prazo de prescrição começa a correr da data em que o fato
se tornou conhecido.

Nesse sentido, é irrelevante a data em que foi praticada a conduta, sendo necessário perquirir a data em que
tal fato chegou ao conhecimento da Administração. Vejam a questão abaixo a este respeito:

FCC/ TRE-PR – Analista Judiciário (adaptada)


O prazo prescricional começa a correr da data da ocorrência do fato.
Gabarito (E)

Ainda em relação ao prazo, é oportuno destacar que a abertura de sindicância ou de PAD - processo
administrativo disciplinar – interrompe a fluência do prazo prescricional, recomeçando, do zero, a contagem:

Lei 8.112/1990, art. 142, § 3o A abertura de sindicância ou a instauração de processo


disciplinar interrompe a prescrição, até a decisão final proferida por autoridade
competente.

§ 4o Interrompido o curso da prescrição, o prazo começará a correr a partir do dia em que


cessar a interrupção.

Interpretando o dispositivo acima, o STF tem entendido que, após interrompido o prazo pela instauração do
PAD, o prazo recomeça a ser computado (do zero) a partir do fim do prazo legal para conclusão e
julgamento do PAD, isto é, 140 dias após sua instauração2.

A questão a seguir cobrou a respectiva regra legal:

FCC/ TRE-PR – Analista Judiciário (adaptada)


A instauração de processo disciplinar interrompe a prescrição, até a decisão final proferida por autoridade
competente.

2
O prazo de 140 dias constante da jurisprudência do STF é resultado da soma do prazo para “conclusão
do PAD” – 60 dias prorrogáveis por mais 60 – com o prazo de 20 dias para a autoridade julgadora emitir
sua decisão a respeito.

18
Gabarito (C)

Associando tal entendimento do STF com as regras legais de interrupção da prescrição (mediante autuação
do PAD/sindicância) e o fato de a prescrição ser computada somente com o conhecimento do fato, o STJ
editou a Súmula 635 abaixo:

Os prazos prescricionais previstos no artigo 142 da Lei 8.112/1990 iniciam-se na data em


que a autoridade competente para a abertura do procedimento administrativo toma
conhecimento do fato, interrompem-se com o primeiro ato de instauração válido –
sindicância de caráter punitivo ou processo disciplinar – e voltam a fluir por inteiro, após
decorridos 140 dias desde a interrupção.

Vejam um detalhe interessante: não basta que qualquer autoridade administrativa tenha conhecimento do
fato para se iniciar a contagem. O STJ tem exigido que o conhecimento se dê pela autoridade competente
para abertura de PAD.

Quais os efeitos da prescrição da pretensão punitiva?

Já vimos que, uma vez operados os efeitos prescricionais, a penalidade administrativa não poderá ser
imposta ao servidor.

No entanto, o art. 170 preceituava que:

Art. 170. Extinta a punibilidade pela prescrição, a autoridade julgadora determinará o


registro do fato nos assentamentos individuais do servidor.

Diante dos efeitos punitivos de uma anotação com tal conteúdo nos assentamentos funcionais do servidor,
sem que tenha sua conduta tenha sido objeto do devido processo de apuração, o STF 3 reconheceu a
inconstitucionalidade do art. 170, dada a violação ao princípio da presunção de inocência.

De acordo com tal entendimento, portanto, o servidor cuja infração tenha sido atingida pelo instituto da
prescrição, não poderia ter qualquer registro do fato em seus assentamentos funcionais.

3
MS 23.262/DF, rel. Min. Dias Toffoli, 23/4/2014.

19
É essencial sabermos qual a penalidade atribuída a cada uma das violações previstas na Lei 8.112.

Por este motivo, compilei a tabela a seguir, a fim de que possamos comparar e associar cada uma das infrações
administrativas tipificadas na Lei.

ADVERTÊNCIA SUSPENSÃO DEMISSÃO


• crime contra a administração pública;
• ausentar-se do serviço durante o expediente, sem • abandono de cargo (mais de 30 dias consecutivos);
autorização; • inassiduidade habitual (60 dias, interpoladamente,
• retirar, sem anuência, documento ou objeto da durante 12 meses);
repartição; • improbidade administrativa;
• recusar fé a documentos públicos; • incontinência pública e conduta escandalosa, na
• opor resistência injustificada ao andamento de repartição;
processo; • cometer a outro servidor atribuições estranhas ao • insubordinação grave em serviço;
• manifestação de apreço/desapreço na repartição; cargo que ocupa, exceto em situações de • ofensa física, em serviço, a servidor ou a particular,
• cometer a pessoa estranha à repartição, fora dos emergência e transitórias; salvo em legítima defesa própria ou de outrem;
casos previstos em lei, o desempenho de atribuição • exercer quaisquer atividades que sejam • aplicação irregular de dinheiros públicos;
que seja de sua responsabilidade ou de seu incompatíveis com o exercício do cargo ou função e • revelação de segredo do qual se apropriou em
subordinado; com o horário de trabalho; razão do cargo;
• aliciar subordinados a filiarem-se a associação • violação das demais proibições que não tipifiquem • lesão aos cofres públicos e dilapidação do
profissional ou sindical, ou a partido político; infração sujeita a penalidade de demissão; patrimônio nacional;
• manter sob sua chefia imediata cônjuge, • reincidência das faltas punidas com advertência. • corrupção;
companheiro ou parente até o segundo grau; • acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções
• recusar-se a atualizar seus dados cadastrais quando públicas.
solicitado; • valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou
• inobservância de dever funcional previsto em lei, de outrem, em detrimento da dignidade da função
regulamentação ou norma interna, que não pública;
justifique imposição de penalidade mais grave. • atuar, como procurador ou intermediário, junto a
repartições públicas, salvo quando se tratar de
benefícios previdenciários ou assistenciais de
parentes até o segundo grau, e de cônjuge ou
companheiro;
• receber propina, comissão, presente ou vantagem
de qualquer espécie, em razão de suas atribuições;
• aceitar comissão, emprego ou pensão de estado
estrangeiro;
• praticar usura sob qualquer de suas formas;
• proceder de forma desidiosa;
• utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição
em serviços ou atividades particulares;
• participar de gerência ou administração de
sociedade privada, personificada ou não
personificada, exercer o comércio, exceto na
qualidade de acionista, cotista ou comanditário.
Responsabilidades
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTÍSSIMA

O servidor público responde pelos seus atos nas esferas civil, penal e administrativa (art. 121).

Nas seções anteriores, estudamos as condutas funcionais tipificadas como infrações administrativas. Neste
tópico, veremos diretrizes quanto às repercussões civis e penais da conduta do servidor público.

No que diz respeito à responsabilidade civil, o art. 122 prevê que esta decorre de (i) ato omissivo ou
comissivo, (ii) doloso ou culposo, que resulte em prejuízo ao erário ou a terceiros.

Vejam que, diferentemente da responsabilidade do Estado, que é objetiva (como regra geral), a
responsabilidade do servidor público perante o Estado é do tipo subjetiva (pois depende da ocorrência de
dolo ou culpa).

Além disso, se o dano houver sido causado à Administração, o servidor é diretamente responsável perante
a Administração4.

Por outro lado, caso o dano tenha sido causado a terceiro, a ação do Estado contra o servidor público é
chamada de ação regressiva. Neste caso, em um primeiro momento, o terceiro reclama o dano perante o
Estado. Caso seja condenado, em um segundo momento, o poder público irá se voltar contra o servidor com
o objetivo de chamá-lo a responder por aquele dano (§2º).

Imaginem a situação em que um servidor público que, no exercício de suas atribuições,


provocou um dano a um particular.
Em um primeiro momento, o particular aciona o poder público para responder por aquele
dano. Assim, o particular ajuíza uma ação judicial, no foro civil, para reparação de danos
em face da União, por exemplo.
Caso a União seja condenada a reparar o dano, em um segundo momento, poderia haver
a ação regressiva da União contra o servidor público autor daquele dano.
No entanto, como a responsabilidade do servidor é subjetiva, ele somente será
condenado a indenizar o Estado, caso reste comprovada a existência de culpa ou dolo na
sua conduta.

A questão a seguir cobrou os aspectos que acabamos de comentar:

FCC/ TRT - 6ª Região (PE) – Analista Judiciário (adaptada)


De acordo com a Lei n° 8.112/1990, a responsabilidade civil do servidor público é objetiva e solidária com o
ente público cujo quadro integra, admitidas, no entanto, as excludentes de responsabilidade.

4
FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 801
Gabarito (E)

A indenização cobrada do servidor pode ser satisfeita de uma só vez ou de forma parcelada, podendo ser
descontadas as parcelas em seus vencimentos. Todavia, consoante leciona Carvalho Filho5, não pode haver
desconto em folha de pagamento efetuado de modo coercitivo, mas apenas se o servidor concordar, do
contrário haveria penhora de ofício nos seus vencimentos, o que é expressamente vedado pelo art. 833, IV,
do Código de Processo Civil.

Apesar de subjetiva e depender de ação regressiva, a obrigação de reparar o dano estende-se aos sucessores
e contra eles será executada, até o limite do valor da herança recebida (§3º).

----

Já quanto à responsabilidade penal, esta abrangerá os crimes e contravenções imputadas ao servidor, nessa
qualidade (art. 123).

Administrativa infrações administrativas

- dano causado à Administração ou a


Responsabilidade do terceiros.
Civil
servidor
- natureza subjetiva (dolo ou culpa).

crimes e contravenções imputadas ao


Penal
servidor, nessa qualidade

Uma mesma conduta pode gerar punição em todas estas esferas?

A resposta é SIM!

5
FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 801
Uma mesma conduta funcional poderá ensejar a aplicação de sanção administrativa ao servidor – como a
advertência, suspensão ou demissão –, a obrigação de indenizar o dano por ele causado (responsabilidade
na esfera civil) e até mesmo uma sanção penal – a exemplo da pena privativa liberdade, de forma cumulativa.

Assim, a infração administrativa é apurada por meio de um processo administrativo e poderá acarretar a
aplicação de determinada sanção.

Pelo mesmo fato, o servidor pode ser chamado a responder para indenizar o Estado por um dano provocado
pelo servidor (responsabilidade civil).

E, dada a independência das esferas, o servidor pode ser processado e julgado na seara criminal, quando a
conduta for também tipificada como crime ou contravenção.

Por isto se diz que as sanções administrativas, civis e penais poderão cumular-se, sem que isto caracterize
um bis in idem.

Além disso, como regra geral, as apurações em cada uma destas esferas são independentes entre si (art.
125), o que a doutrina chama de incomunicabilidade das esferas. Isto é, como regra geral, cada um dos
processos em que se apura a conduta do servidor pode ter desfechos diversos, já que a regra é a não
comunicação de uma decisão com outra.

Exemplo: como regra geral, a apuração administrativa pode resultar na aplicação de


sanção administrativa, enquanto o processo penal pode resultar na absolvição do
servidor naquela esfera.

Reparem que tais processos apuratórios poderão, inclusive, correr simultaneamente, dada a simultaneidade
das instâncias. Não é necessário que a esfera administrativa aguarde o desfecho da esfera penal ou vice-
versa.

Mas esta é a regra geral. Existem algumas situações excepcionais, importantíssimas em prova, em que a
decisão da esfera penal irá gerar reflexos nas esferas administrativa e civil (vinculação entre as esferas).

Reparem que, em todas estas exceções, estaremos diante dos reflexos da esfera penal sobre as demais. Isto
porque o processo penal naturalmente requer a produção de provas mais aprofundadas, daí o entendimento
de que sua decisão deverá prevalecer sobre a esfera administrativa em algumas circunstâncias.

A exceção mais emblemática é a seguinte:

absolvição criminal por inexistência de fato ou negativa de autoria


Se, após um processo penal, o juiz criminal conclui que não houve crime (inexistência do fato) ou que aquele
servidor que havia sido acusado não foi o autor do crime (negativa de autoria), o servidor será “inocentado”
na esfera administrativa.

Este é o teor do art. 126:

Art. 126. A responsabilidade administrativa do servidor será afastada no caso de


absolvição criminal que negue a existência do fato ou sua autoria.

Nestas duas situações de absolvição, a instância penal obriga a instância administrativa. Assim, se a sanção
administrativa já tiver sido aplicada, esta deverá ser anulada em razão da decisão proveniente da esfera
penal.

Reparem que não é toda e qualquer absolvição criminal que afasta a responsabilidade
administrativa do servidor, mas apenas aquelas que:

- neguem a autoria do crime, em que o juiz conclui expressamente que aquele servidor
não foi o autor do crime, ou

- declarem a inexistência do fato, em que ficou provado que o fato imputado ao servidor
não existiu.

Todas as demais causas de absolvição do servidor na esfera penal não interferem na esfera administrativa.

Então, por exemplo, se o servidor deixa de ser condenado no processo penal por mera insuficiência de
provas, tal decisão não tem o condão de afastar sua responsabilidade na esfera administrativa. O mesmo
vale para a absolvição decorrente de ausência de tipicidade (isto é, a conduta praticada não é crime), por
ausência de culpabilidade penal etc.

----

Outra exceção apontada por parte da doutrina é a seguinte:

condenação criminal do servidor por crime funcional


Parte da doutrina6 tem entendido que a condenação criminal do servidor por crime conexo à função pública,
após seu trânsito em julgado, também gera reflexo nas esferas administrativa e civil em relação àquele
mesmo fato, a exemplo do disposto no art. 935 do Código Civil7 e no art. 92 do Código Penal8.

Exemplo: se uma servidora é condenada criminalmente pela prática de corrupção passiva


(CP, art. 317), estará implícita a prática de um ilícito administrativo, previsto no art. 117,
XII9, da Lei 8.112.
Neste caso, a instância penal terá vinculado a instância administrativa.

Nesta situação (condenação criminal por crime conexo à função pública), consoante leciona Carvalho Filho10,
a “Administração não tem outra alternativa senão a de considerar a conduta como ilícito também
administrativo”.

Para não deixar dúvidas, Maria Sylvia Zanella Di Pietro11 assim leciona:

Quando o funcionário for condenado na esfera criminal, o juízo cível e a autoridade


administrativa não podem decidir de forma contrária, uma vez que, nessa hipótese, houve
decisão definitiva quanto ao fato e à autoria, aplicando-se o artigo 935 do Código Civil de
2002.

E, encerrando o presente tópico, Hely Lopes Meirelles12 assim contextualiza a condenação criminal frente à
responsabilidade administrativa:

a mesma infração pode dar ensejo a punição administrativa (disciplinar) e a punição penal
(criminal), porque aquela é sempre um minus em relação a esta. Daí resulta que toda

6
A exemplo de Maria Sylvia Zanella di Pietro, Carvalho Filho e Hely Lopes Meirelles.
7
CCB, art. 935. A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais
sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas
no juízo criminal.
8
CP, art. 92 - São também efeitos da condenação: I - a perda de cargo, função pública ou mandato
eletivo:
a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano, nos crimes
praticados com abuso de poder ou violação de dever para com a Administração Pública;
b) quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo superior a 4 (quatro) anos nos demais
casos.
9
Lei 8.112, art. 117. Ao servidor é proibido: (..) XII - receber propina, comissão, presente ou vantagem
de qualquer espécie, em razão de suas atribuições;
10
FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 805
11
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. eBook. Item
13.8.4
12
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro, 35ª edição, p. 146.
condenação criminal por delito funcional acarreta a punição disciplinar, mas nem toda
falta administrativa exige sanção penal.

Considerando a existência desta segunda exceção, temos a seguinte síntese:

A questão a seguir nos permitirá revisar o que acabamos de estudar:

CEBRASPE/TRT – 7ª Região (CE) – Analista Judiciário


As esferas penal e administrativa são independentes para apurar a responsabilidade de servidor público.
Contudo, o procedimento criminal vincula o procedimento administrativo quando conclui que
a) há insuficiência de provas quanto à existência do fato imputado ao servidor.
b) o servidor não foi o autor da conduta a ele imputada.
c) há insuficiência de provas quanto à autoria do fato.
d) o fato não constitui infração penal.
Gabarito (B), ao mencionar a negativa de autoria. Reparem que a letra (D) está incorreta pois se refere à
atipicidade da conduta – isto é, reconheceu-se a prática de uma conduta, mas esta não é tipificada como
crime.
Diante disso imaginem a conduta do servidor que, ao mesmo tempo, caracteriza uma infração
administrativa, mas não acarreta condenação penal. É o que a jurisprudência chama de falta residual, a qual
permite a aplicação de sanção administrativa. A este respeito, temos a Súmula 18 do STF:

Pela falta residual, não compreendida na absolvição pelo juízo criminal, é admissível a
punição administrativa do servidor público.

Por oportuno, é importante destacar que o simples ajuizamento de uma ação penal contra um servidor que
responde a um PAD, por exemplo, não gera efeitos condenatórios.

Quanto aos reflexos da decisão penal na esfera civil do servidor, vamos estudá-los a partir de um exemplo13:

Suponha que o servidor tenha destruído deliberadamente bens públicos, sendo


condenado pela prática do crime de dano (Código Penal, art. 163), que pressupõe conduta
dolosa (isto é, intencionalmente).
A decisão criminal provocará reflexo na esfera civil, atribuindo responsabilidade civil ao
servidor e estabelecendo sua obrigação de reparar o dano causado à Administração.
Por outro lado, se houve a absolvição daquele servidor na esfera penal (decisão
absolutória), a decisão poderá ou não vincular a esfera civil.
Nesta situação, a absolvição poderia decorrer:
- da ausência de dano à Administração: se não houve dano à Administração, não há
que se falar em responsabilidade civil do servidor perante a Administração.
- da comprovação de dano, mas sem a presença de dolo: como o tipo penal em
questão (dano – art. 163) exige a presença de dolo na conduta do agente e, por outro
lado, a responsabilidade civil pode decorrer tanto de conduta dolosa como culposa (não

13
Adaptado a partir de FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas.
P. 803-804
intencional – decorrente de imprudência, imperícia ou negligência), nesta situação
poderia se comprovar a conduta culposa do servidor em questão, atraindo sua
responsabilidade civil.

Veja, portanto, que a decisão na esfera penal não obriga, como regra geral, a esfera civil, segundo o
entendimento de Carvalho Filho.

HORA DO
INTERVALO!

Amigos, acabamos de comentar um grande volume de informação. Sugiro que, antes de


prosseguir, tire um pequeno tempo e retome a leitura com energias renovadas -)
PROCESSO ADMINISTRATIVO
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA

Há pouco estudamos o regime disciplinar, inclusive as penalidades administrativas a que se sujeita o servidor
pela prática de infrações funcionais. No entanto, a apuração destas infrações e a respectiva aplicação de
penalidades pela Administração deve seguir determinado rito, legalmente previsto.

Nesse sentido, a lei estabelece dois instrumentos para apuração de responsabilidades: (i) a sindicância e (ii)
o PAD – processo administrativo disciplinar, este último nas modalidades ordinária e sumária.

A sindicância não é uma etapa do PAD. Trata-se de procedimento simplificado, mais célere, aplicável quando
estivermos diante de infrações menos graves. Nesse sentido, a apuração conduzida por meio de sindicância
permitirá a aplicação de advertência e de suspensão de até 30 dias (art. 146).

A apuração conduzida por meio de um PAD, por sua vez, se debruça sobre infrações graves, permitindo a
imposição das demais penalidades, incluindo a demissão.

Em qualquer dos casos, havendo a imputação de uma conduta ao servidor e a aplicação de qualquer
penalidade, será assegurado ao servidor o exercício do contraditório e da ampla defesa.

Em síntese:

- Advertência
SINDICÂNCIA
- Suspensão por até 30 dias
Apuração de
responsabilidade
funcional - Suspensão superior a 30 dias
PAD – Processo - Demissão
Administrativo
Disciplinar - Cassação de aposentadoria/disponibilidade
- Destituição de cargo em comissão

Feita esta breve distinção entre os dois instrumentos, passemos ao detalhamento de cada um deles.
Sindicância

De acordo com Cretella Júnior1, o termo ‘sindicância’ consiste na “operação cuja finalidade é trazer à tona,
fazer ver, revelar ou mostrar algo, que se acha oculto”.

No âmbito funcional, como vimos, a sindicância consiste no instrumento de apuração de infrações funcionais
menos graves, sujeitas a penalidade de advertência ou suspensão de até 30 dias.

Por este motivo, tem um rito mais célere do que aquele aplicável ao PAD. O prazo para conclusão da
sindicância não excederá 30 dias, podendo ser prorrogado por igual período, a critério da autoridade
superior (art. 145, parágrafo único)2.

Nos termos do art. 145, percebemos que há três possíveis resultados para uma sindicância:

não se comprovou a suposta infração


arquivamento funcional

comprovou-se a infração, aplicando-se


resultados da aplicação de penalidades de:
SINDICÂNCIA penalidades - advertência ou
- suspensão de até 30 dias

a infração apurada requer a aplicação


instauração de PAD de penalidade mais grave

Neste último caso, restou confirmada a infração, mas esta irá ensejar a aplicação de penalidade mais grave
que uma advertência ou suspensão de 30 dias: a conclusão da sindicância é pela instauração de um PAD.
Nesta situação, embora a sindicância continue não sendo uma etapa preliminar ou formal do PAD, os autos
da sindicância integrarão o PAD3, como peça informativa da instrução (art. 154).

É importante ressaltar, ainda, que, em alguns casos, a sindicância se limita a investigar determinados fatos,
sem imputar uma acusação ao servidor público. É o que ocorre quando não se tem elementos suficientes
para instaurar o PAD. Nesta situação, a sindicância é marcada por ser um processo de natureza inquisitória,
mas não acusatória. Assim, não havendo acusação ou aplicação de sanção ao servidor, não há que se falar
em necessidade de se observar o contraditório ou a ampla defesa.

1
Mencionado por DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018.
eBook. Item 14.8.1
2
Adiante veremos que o “prazo para conclusão” do PAD será de 60 dias, prorrogável por mais 60.
3
Os “autos” da sindicância consistem na sua parte física, ou seja, seus documentos, relatórios e todos
os expedientes que compõem aquele processo.
Consoante registra Di Pietro, a Lei 8.112 não estabelece procedimento para a sindicância, que pode ser
executada por um único servidor ou por uma comissão.

Processo Administrativo Disciplinar – PAD

O processo administrativo disciplinar – PAD – é, nos termos do art. 148, “o instrumento destinado a apurar
responsabilidade de servidor por infração praticada no exercício de suas atribuições, ou que tenha relação
com as atribuições do cargo em que se encontre investido”.

Como o PAD destina-se a aplicar penalidades mais graves ao servidor, inclusive sua demissão, o legislador
lhe impôs um rito rigoroso. Nesse sentido, o PAD é realizado por comissões disciplinares – e não por um
único servidor –, com o intuito de assegurar maior imparcialidade à apuração.

Tamanha é a preocupação com a imparcialidade da apuração que a legislação exigiu que os integrantes da
comissão disciplinar sejam servidores estáveis – e não exoneráveis ad nutum.

A depender da situação que objetiva apurar, o PAD pode seguir dois ritos diferentes: rito ordinário e rito
sumário:

Casos de:
- Acumulação de cargos
RITO SUMÁRIO
- Abandono de cargo
- Inassiduidade habitual
PAD

RITO ORDINÁRIO Demais hipóteses

Em ambos os casos, haverá a participação de uma “autoridade competente” e de uma “comissão disciplinar”.
A “autoridade competente” é responsável por designar a comissão e, ao final dos trabalhos desta, decidir
pela aplicação ou não da penalidade ao servidor, com base no relatório elaborado pela comissão.

Adiante vamos estudar os detalhes envolvendo o PAD sob o rito ordinário e, na sequência, o rito sumário.

Rito ordinário - etapas

O PAD ordinário segue 3 etapas distintas: instauração, inquérito administrativo (subdividida em instrução,
defesa, relatório) e julgamento:

Inquérito
Instauração Julgamento
instrução → defesa → relatório
1) Instauração

O PAD tem início com a publicação do ato que constitui a comissão (art. 151, I). Assim, é publicado um ato
administrativo, como uma Portaria, designando alguns servidores para comporem a comissão disciplinar
para apurar determinada falta disciplinar.

Vejam que o PAD é conduzido por comissão, composta de 3 servidores estáveis, designados pela autoridade
competente. Um destes membros é indicado como o presidente da comissão, que deverá ser ocupante de
cargo efetivo superior ou de mesmo nível, ou ter nível de escolaridade igual ou superior ao do indiciado (art.
149). Outro membro poderá ser escolhido para atuar como secretário da comissão disciplinar (§1º).

Para preservar a objetividade da apuração, não poderão ser membros da comissão: cônjuge, companheiro
ou parente do acusado, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o 3º grau (§ 2º).

A partir da instauração, a comissão deverá concluir o PAD em até 60 dias, prorrogáveis por igual período
(art. 152).

Outro efeito relacionado à instauração do PAD consiste na impossibilidade de o servidor que responder ao
processo ser exonerado a pedido ou aposentado voluntariamente. Mesmo que reúna os requisitos
necessários, o desligamento de tal servidor somente poderá ocorrer, voluntariamente, após a conclusão do
processo e o cumprimento da penalidade, acaso aplicada (art. 172).

Adiante alguns entendimentos jurisprudenciais importantes quanto à instauração e condução do PAD!

1) Ainda comentando sobre a instauração do PAD, é importante destacar que este pode se originar em
denúncia anônima.

Embora o art. 144 da Lei 8.112 preveja que as denúncias serão apuradas desde que contenham a
identificação do denunciante, atualmente a jurisprudência4 tem admitido a apuração de fatos noticiados por
meio de denúncia anônima. Este entendimento encontra-se cristalizado em súmula do STJ:

Súmula 611 - Desde que devidamente motivada e com amparo em investigação ou


sindicância, é permitida a instauração de processo administrativo disciplinar com base em
denúncia anônima, em face do poder-dever de autotutela imposto à Administração.

4
STF MS 24.369/DF, Rel. Min. Celso Mello, 13/11/2003
Assim, não há ilegalidade na instauração de PAD com fundamento em denúncia anônima, em razão do
poder-dever de autotutela imposto à Administração. É lógico que a autoridade competente deve se pautar
pela prudência no exame da denúncia, abstendo-se de apurar aquelas com intuito notoriamente
difamatório, desacompanhadas de elementos comprobatórios mínimos. Assim, a autoridade poderá
instaurar uma investigação prévia, com objetivo de buscar elementos que corroborem os fatos denunciados.

2) Outro destaque especial vai para a Súmula 641 do STJ, aprovada em fevereiro de 2020, que afirma que:

A portaria de instauração do processo administrativo disciplinar prescinde da exposição


detalhada dos fatos a serem apurados.

Em outras palavras, não há ilegalidade em se instaurar PAD sem detalhada motivação do ato que determinar
sua instauração. A exposição detalhada dos fatos será um dos produtos do PAD, não seu insumo.

3) O STF5 e o STJ tem entendido que os integrantes da comissão do PAD devem ser estáveis no serviço
público, ainda que estejam estágio probatório (estabilidade adquirida no exercício de outro cargo). Isto
porque a legislação6 exige estabilidade destes membros, a qual não se confunde com estágio probatório, de
sorte que não necessariamente representa uma irregularidade o PAD conduzido por servidor estável em
estágio probatório.

----

Destacados os entendimentos jurisprudenciais, passemos à principal etapa do PAD, chamada de ‘inquérito’.

2) Inquérito

O inquérito consiste na principal etapa do PAD e é composto por três etapas: instrução, defesa e relatório.

2.1) Instrução

O vocábulo “instrução” tem sentido de pôr um processo em estado de ser julgado. Portanto, é nesta subfase
que a comissão disciplinar irá juntar provas e elementos necessários à formação da convicção quanto à
ocorrência da infração, sua autoria e demais circunstâncias que envolvem o caso.

Como a instrução é parte da fase do inquérito, o art. 155 prevê que:

5
STF RMS 32357/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, 17/3/2020
6
Lei 8.112, art. 149. O processo disciplinar será conduzido por comissão composta de três servidores
estáveis designados pela autoridade competente, (..).
Art. 155. Na fase do inquérito, a comissão promoverá a tomada de depoimentos,
acareações, investigações e diligências cabíveis, objetivando a coleta de prova,
recorrendo, quando necessário, a técnicos e peritos, de modo a permitir a completa
elucidação dos fatos.

Na instrução, a comissão irá tomar depoimentos, examinar documentos e transações eletrônicas, irá solicitar
informações a autoridades públicas, podendo, até mesmo, buscar o apoio de um perito, o qual é especialista
em determinado assunto.

Para dar efetividade ao exercício do contraditório e ampla defesa em benefício do servidor investigado, toda
esta produção de provas poderá ser acompanhada pelo servidor ou seu procurador:

Art. 156. É assegurado ao servidor o direito de acompanhar o processo pessoalmente ou


por intermédio de procurador, arrolar e reinquirir testemunhas, produzir provas e
contraprovas e formular quesitos, quando se tratar de prova pericial.

Quanto à obrigatoriedade de constituição de procurador para defesa do servidor no bojo de um PAD, é


importante destacar a Súmula Vinculante 5 do STF, na qual cristalizou-se o entendimento de que a falta de
defesa técnica, por advogado, não tem o condão de macular o PAD:

Súmula Vinculante 5

A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende
a Constituição.

Tal entendimento foi cobrado na questão a seguir:

CEBRASPE/ TC-DF – Analista de Administração Pública – Sistemas de TI


A ausência de advogado para auxiliar o servidor em sua defesa não é causa de nulidade do processo
administrativo disciplinar.
Gabarito (C)

Nos artigos 157 a 160 da Lei 8.112 são previstas regras detalhadas quanto à produção de provas, a partir dos
quais podemos observar regras quanto ao depoimento de testemunhas, interrogatório do acusado e
realização de perícias.

Muitas vezes as provas utilizadas em um PAD são oriundas de outro processo, tendo lugar a chamada prova
emprestada. Isto é, em outro processo (de natureza administrativa ou judicial), foi produzida uma
determinada prova que terá utilidade na apuração conduzida no bojo de um PAD.

Nesse sentido, a jurisprudência entende perfeitamente possível o aproveitamento de provas no bojo do PAD,
inclusive provas oriundas de processos criminais. Uma escuta telefônica, licitamente obtida em um processo
criminal, pode ser utilizada para fazer prova dentro do PAD. A este respeito temos a jurisprudência do STF,
além da Súmula 591 do STJ:

Súmula STJ 591

É permitida a “prova emprestada” no processo administrativo disciplinar, desde que


devidamente autorizada pelo juízo competente e respeitados o contraditório e a ampla
defesa.

Quanto às testemunhas ouvidas pela comissão, os depoimentos serão colhidos separadamente, podendo
haver a “acareação” quando os depoimentos se mostrarem contraditórios:

Art. 157. As testemunhas serão intimadas a depor mediante mandado expedido pelo
presidente da comissão, devendo a segunda via, com o ciente do interessado, ser anexado
aos autos.

Parágrafo único. Se a testemunha for servidor público, a expedição do mandado será


imediatamente comunicada ao chefe da repartição onde serve, com a indicação do dia e
hora marcados para inquirição.

Art. 158. O depoimento será prestado oralmente e reduzido a termo, não sendo lícito à
testemunha trazê-lo por escrito.

§ 1º As testemunhas serão inquiridas separadamente.

§ 2º Na hipótese de depoimentos contraditórios ou que se infirmem, proceder-se-á à


acareação entre os depoentes.

Após a coleta de provas e depoimentos das testemunhas, o acusado será interrogado:

Art. 159. Concluída a inquirição das testemunhas, a comissão promoverá o interrogatório


do acusado, observados os procedimentos previstos nos arts. 157 e 158.

§ 1º No caso de mais de um acusado, cada um deles será ouvido separadamente, e sempre


que divergirem em suas declarações sobre fatos ou circunstâncias, será promovida a
acareação entre eles.

A ordem dos trabalhos da comissão foi cobrada na seguinte questão:

FCC/ TRT - 24ª REGIÃO (MS) – Oficial de Justiça Avaliador Federal (adaptada)
As testemunhas serão sempre ouvidas antes do interrogatório do acusado.
Gabarito (C)
Em ambos os casos (depoimentos das testemunhas e interrogatório do acusado), é o presidente da comissão
quem formula as perguntas e conduz a audiência. O defensor do servidor, se houver, não poderá interferir
nas perguntas formuladas pelo presidente da comissão, tampouco nas respostas prestadas pelas
testemunhas. No entanto, poderá reinquirir as testemunhas, por intermédio do presidente da comissão:

Art. 159, § 2º O procurador do acusado poderá assistir ao interrogatório, bem como à


inquirição das testemunhas, sendo-lhe vedado interferir nas perguntas e respostas,
facultando-se-lhe, porém, reinquiri-las, por intermédio do presidente da comissão.

É oportuno também lembrar que todos estes interrogatórios e depoimentos são colhidos em reuniões e
audiências de caráter reservado. Ou seja, não são públicas as reuniões da comissão de PAD.

Quanto ao apoio de técnicos e de peritos, a Lei 8.112 registra que a prova pericial somente será autorizada
quando de fato for necessária à comprovação do fato, devendo ser indeferida aquela que independa de
conhecimento especial de perito:

Art. 156, § 2o Será indeferido o pedido de prova pericial, quando a comprovação do fato
independer de conhecimento especial de perito.

Uma vez colhidas diversas provas, a comissão irá decidir se o servidor será ou não indiciado. Caso seja, o
servidor passará da condição de “acusado” para “indiciado”. Neste caso, após determinada a infração
disciplinar cometida, será formulada a indiciação do servidor, com a especificação dos fatos a ele imputados
e das respectivas provas, a qual irá permitir a citação do servidor.

A citação consiste na comunicação formal ao servidor para que ele possa se defender. Assim, a expedição
da citação marca o fim da etapa de instrução. Após a citação do servidor indiciado, tem início o prazo para
apresentação de defesa, estudada a seguir.

2.2) Defesa

Aqui iremos examinar os prazos para apresentação da defesa e os efeitos da ausência de manifestação do
servidor – a chamada ‘revelia’.

Havendo um único indiciado, o prazo será de 10 dias, contados do recebimento da citação, para
apresentação da defesa escrita (art. 161, § 1º). Se, por outro lado, houver mais de um indiciado, terá lugar
um único prazo (comum) de 20 dias, contados da ciência da última citação (§ 2º). Tais prazos podem ser
prorrogados pelo dobro, para diligências reputadas indispensáveis (§ 3º).

Caso o servidor opte por não se defender perante a comissão, ele será considerado revel (art. 164). A revelia,
no entanto, não tem efeito de confissão, não autorizando que os fatos imputados ao servidor sejam
verdadeiros ou que ele seja considerado “culpado”. No processo administrativo, de forma geral, vigora o
princípio da verdade material, o qual impõe que os fatos sejam elucidados da melhor forma possível.
Nesta situação, a autoridade que instaurou o PAD designará um outro servidor, como defensor dativo do
servidor revel. Tal defensor deverá ser ocupante de cargo efetivo superior ou de mesmo nível, ou ter nível
de escolaridade igual ou superior ao do indiciado (§2º).

Reparem, portanto, que sempre haverá a apresentação de defesa escrita, seja pelo próprio indiciado, seja
por um defensor dativo (quando o indiciado se quedar inerte).

Uma vez apresentada e analisada a defesa escrita, terá lugar a fase de relatório.

2.3) Relatório

Apreciada a defesa, a comissão elaborará relatório minucioso, onde resumirá as peças principais dos autos
e mencionará as provas em que se baseou para formar a sua convicção (art. 165).

O relatório será sempre conclusivo quanto à inocência ou à responsabilidade do servidor (§1º). Caso conclua
pela responsabilidade do servidor, a comissão indicará o dispositivo legal ou regulamentar transgredido, bem
como as circunstâncias agravantes ou atenuantes (§ 2º).

Findo o relatório conclusivo, a comissão o encaminha à autoridade que determinou a instauração do PAD, a
qual será responsável pelo julgamento do caso (art. 166).

Percebam, portanto, que a comissão elabora o relatório conclusivo, propondo que o servidor seja
considerado inocente ou responsável, mas a competência para julgar o servidor indiciado é de uma outra
autoridade:

Relatório conclusivo »» Comissão disciplinar

Julgar o caso »» Autoridade

3) Julgamento

A autoridade que determinou a instauração do PAD terá 20 dias para proferir sua decisão, quanto à inocência
ou responsabilidade do servidor (art. 167). No entanto, o julgamento fora do prazo legal não implica nulidade
do processo (art. 169, §1º), sendo, por este motivo, chamado de ‘prazo impróprio’.

Se somarmos estes 20 dias com os 60 dias da fase de inquérito, prorrogáveis por igual período, percebemos
que o PAD idealmente tem a duração de 140 dias.

Apesar de impróprio, é importante conheceremos o referido prazo, exigido na seguinte questão:

CEBRASPE/EBSERH – Assistente Administrativo


No caso de processo disciplinar, a autoridade julgadora deverá proferir sua decisão a respeito da
responsabilidade de servidor no prazo de vinte dias, contados do recebimento do processo.
Gabarito (C)

O julgador se vincula à conclusão da comissão?

Em regra, sim! Mas existe uma situação em que a autoridade competente não é obrigada a acatar a
conclusão da comissão: trata-se do caso em que a conclusão da comissão contraria as provas dos autos.
Este é o teor do art. 168 da Lei 8.112:

Art. 168. O julgamento acatará o relatório da comissão, salvo quando contrário às provas
dos autos.

Nesta situação, desde que de forma motivada, a autoridade competente para julgar o PAD poderá deixar de
seguir a conclusão da comissão, podendo agravar a penalidade proposta, abrandá-la ou isentar o servidor de
responsabilidade (art. 168, parágrafo único).

No mesmo sentido, o art. 167, §4º:

Art. 167, § 4º Reconhecida pela comissão a inocência do servidor, a autoridade


instauradora do processo determinará o seu arquivamento, salvo se flagrantemente
contrária à prova dos autos.

E quem é a autoridade competente para julgar o PAD?

É a mesma autoridade que detém a competência para aplicar a sanção, estudada pouco acima, nos termos
do art. 141, adiante sintetizado:

Autoridade Penalidade
Presidente da República, Presidentes do Senado e Demissão
da Câmara, Presidente do Tribunal e Procurador-
Geral da República Cassação de aposentadoria/disponibilidade
Autoridades administrativas de hierarquia
imediatamente inferior às anteriores (Ministro de Suspensão superior a 30 dias
Estado, Diretor-Geral do Tribunal etc)
Suspensão de até 30 dias
Chefe da repartição ou outra autoridade
legitimada pelo regimento interno
Advertência
Autoridade que houver feito a nomeação Destituição de cargo em comissão
Tal competência pode ser delegada, segundo tem entendido do STF7. Então, por exemplo, o Presidente da
República pode delegar aos Ministros de Estado a competência para aplicar a pena de demissão, como foi
feito por meio do Decreto 3.035. O raciocínio do STF é de que, por razões de simetria, como pode ser
delegada a competência para prover cargos, é também possível a delegação da competência para desprovê-
los.

E se houver algum vício no PAD?

Havendo vícios no PAD, e sendo estes insanáveis, a autoridade que o instaurou poderá constituir uma nova
comissão e determinar a realização de um novo processo disciplinar.

É possível rever a decisão que aplicou a sanção ao servidor?

Tem-se entendido que o julgamento põe fim ao PAD. Dessa forma, em regra, não poderia haver um novo
julgamento, com a finalidade de agravar a penalidade imposta pelo julgamento anterior.

A jurisprudência tem entendido que, no âmbito administrativo, somente se admite a chamada “revisão do
PAD”, nos termos estudados mais adiante, a qual consiste em um novo processo e tem lugar diante do
surgimento de fato novo ou da constatação da inadequação da penalidade aplicada (art. 174).

Não se admite, no entanto, que um mesmo processo tenha dois julgamentos válidos, sendo o segundo
proferido com o objetivo de agravar a penalidade.

Nesse sentido, o STJ tem reafirmado sua jurisprudência8 no sentido de que é “impossível o agravamento da
penalidade imposta a servidor público após o encerramento do respectivo processo disciplinar, ainda que a
sanção anteriormente aplicada não esteja em conformidade com a lei ou orientação normativa interna. O
PAD somente pode ser anulado quando constatada a ocorrência de vício insanável (art. 169, caput, da Lei n.
8.112/1990), ou revisto quando apresentados fatos novos ou circunstâncias suscetíveis de justificar a
inocência do servidor punido ou a inadequação da penalidade aplicada”.

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Sintetizando as fases, competências e prazos aplicáveis ao PAD, chegamos ao seguinte quadro-esquemático:

7
ARE-AgR 748.456/GO, rel. Min. Cármen Lúcia, 17/12/2013
8
MS 13.341-DF, DJe 4/8/2011; MS 13.523-DF, DJe 4/6/2009. MS 10.950-DF, Rel. Min. Og Fernandes,
julgado em 23/5/2012.
➢ Afastamento preventivo

Com o objetivo de evitar a interferência do servidor acusado na apuração dos fatos, o legislador previu a
possibilidade de ele ser preventivamente afastado de suas funções:

Lei 8.112, art. 147. Como medida cautelar e a fim de que o servidor não venha a influir na
apuração da irregularidade, a autoridade instauradora do processo disciplinar poderá
determinar o seu afastamento do exercício do cargo, pelo prazo de até 60 (sessenta) dias,
sem prejuízo da remuneração.

Parágrafo único. O afastamento poderá ser prorrogado por igual prazo, findo o qual
cessarão os seus efeitos, ainda que não concluído o processo.

A partir deste dispositivo, extraímos as seguintes conclusões quanto ao afastamento:

✓ Pode ocorrer a partir da instauração do PAD


✓ Determinado pela mesma autoridade que instaurou o PAD
✓ Como o servidor ainda não foi condenado, o afastamento se dá com remuneração
✓ Tem caráter temporário
✓ Prazo de até 60 dias, prorrogável por igual período
✓ Após o fim da prorrogação, o afastamento cessará seus efeitos, mesmo que o PAD não tenha sido
concluído
A possibilidade de prorrogação por igual período foi exigida na questão abaixo:

FCC/ TRT - 2ª REGIÃO (SP) – Técnico Judiciário (adaptada)


De acordo com a Lei nº 8.112/1990, como medida cautelar e a fim de que o servidor não venha a influir na
apuração da irregularidade, a autoridade instauradora do processo disciplinar poderá determinar o seu
afastamento do exercício do cargo, pelo prazo de até 60 dias, sem prejuízo da remuneração.
Ocorrendo o término desses 60 dias, deverá o servidor retornar ao serviço imediatamente, ainda que não
concluído o processo.
Gabarito (E)

Resumindo as principais regras do afastamento temporário:

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Estudadas as características do rito ordinário, passemos ao PAD sob rito sumário.

Rito Sumário

O PAD sob rito sumário encontra-se regulamentado no art. 133 da Lei 8.112, aplicando-se a ele as disposições
sobre o rito ordinário do PAD, em caráter subsidiário (§ 8º).

O PAD em rito sumário terá lugar nas hipóteses de acumulação ilegal de cargos/empregos públicos,
abandono de cargo ou inassiduidade habitual. Percebam que, nestes três casos, a natureza da infração
funcional perpetrada é menos subjetiva, podendo ser apurada mais facilmente.
O PAD sob rito sumário tem prazo de 30 dias (contados da data de publicação do ato que constituir a
comissão), prorrogáveis por mais 15 dias, quando as circunstâncias assim exigirem (§7º).

O rito sumário é composto pelas seguintes etapas:

Instrução sumária
Instauração Julgamento
indiciação → defesa → relatório

1) A instauração ocorre mediante a publicação do ato assinado pela autoridade competente,


declarando a abertura do PAD e designando a comissão responsável pela sua execução – como ocorre no
rito ordinário. No entanto, a comissão do rito sumário é composta por apenas 2 servidores estáveis (art.
133, I).

2) Após sua constituição, a comissão terá 3 dias para lavrar o termo de indiciação, em que constarão
as informações identificadoras do servidor e da infração sob apuração.

3) Reparem que, diferentemente do rito ordinário, aqui fala-se em “indiciação” – não em “instrução”
– dada a maior facilidade de produção de provas nas hipóteses ensejadoras do rito sumário.

4) O servidor indiciado será citado para se defender. A citação será ou pessoal ou por intermédio de
sua chefia imediata.

5) O servidor terá 5 dias para apresentar defesa escrita, sendo assegurado ao servidor a vista do
processo de sindicância na repartição em que trabalha.

6) Apresentada a defesa, a comissão elaborará relatório conclusivo quanto à inocência ou à


responsabilidade do servidor, em que resumirá as peças principais dos autos, opinará sobre a licitude da
acumulação em exame, indicará o respectivo dispositivo legal e remeterá o processo à autoridade
instauradora, para julgamento (§3º).

7) No prazo de 5 dias, contados do recebimento do processo, a autoridade julgadora proferirá a sua


decisão.

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Além disso, no caso da acumulação ilegal de cargos, o servidor terá duas oportunidades para manifestar
uma opção por um dos cargos:

a) antes da instauração do PAD, o servidor será notificado para apresentar sua opção em 10 dias
improrrogáveis (art. 133, caput).

b) outra oportunidade é dada após instaurado o PAD: após ser citado, até o último dia para
apresentação de sua defesa (ou seja, no prazo de 5 dias), é possível que o servidor manifeste sua opção por
um dos cargos. Tal opção configurará sua boa-fé, hipótese em que a sindicância ficará convertida
automaticamente em pedido de exoneração do outro cargo – não de demissão (§5º).

A oportunidade de optar por um dos cargos, nesta situação, foi exigida na questão a seguir:

CEBRASPE/STM – Cargos de Nível Superior


No caso de acumulação ilegal de cargos públicos, o servidor será notificado para apresentar opção e, se ele
permanecer omisso, será instaurado procedimento administrativo disciplinar sumário conduzido por
comissão composta por dois servidores estáveis.
Gabarito (C)

Por outro lado, caracterizada a acumulação ilegal e provada a má-fé, aplicar-se-á a pena de demissão,
destituição ou cassação de aposentadoria ou disponibilidade em relação aos cargos, empregos ou funções
públicas em regime de acumulação ilegal, hipótese em que os órgãos ou entidades de vinculação serão
comunicados (§6º).

Percebam, quanto à acumulação de cargos, as diferentes situações a depender da manifestação ou não da


opção pelo servidor:

Servidor que manifesta sua Não representa uma sanção ao


»» EXONERAÇÃO »»
opção tempestivamente servidor.

Como resultado do PAD –


servidor que não manifesta »» DEMISSÃO »» Possui caráter de punição.
opção

Sintetizando as principais características da sindicância e dos dois ritos de PAD, temos a seguinte tabela-
comparativa:

Sindicância PAD – rito sumário PAD – rito ordinário


Situações de:
Apuração e aplicação de
penalidades de advertência e - Acumulação ilegal de Demais casos
suspensão de até 30 dias cargos/empregos públicos
- Abandono de cargo

- Inassiduidade habitual
30 + 15 dias 60 + 60 dias
30 + 30 dias
5 dias para julgamento 20 dias para julgamento
Apresentação de defesa em 5 Apresentação de defesa em 10
-
dias ou 20 dias
servidor único ou comissão comissão de 2 servidores estáveis comissão de 3 servidores estáveis

Revisão do PAD

A revisão do Processo Administrativo Disciplinar (PAD) consiste em um novo processo, com novo inquérito
e novo julgamento. Não se trata de mero recurso, no qual haveria a reapreciação dos mesmos fatos e
elementos já examinados na decisão anterior.

O fato ensejador da revisão do PAD é o surgimento de novos elementos, não apreciados no processo
originário, capazes de indicar a inadequação da penalidade aplicada ou, até mesmo, a inocência do servidor
punido (art. 174), de sorte que a simples alegação de injustiça da penalidade não constitui fundamento para
a revisão (art. 176).

Nesse sentido, o art. 174 da Lei 8.112 prevê que a revisão do processo disciplinar poderá se dar, a qualquer
tempo, a pedido ou de ofício.

Admitida a revisão, será autuado um novo processo, o qual correrá apenso9 ao original (art. 178).

À semelhança do que ocorreu no processo originário, deverá haver a designação de uma comissão revisora,
a qual terá 60 dias para a conclusão dos trabalhos, neste caso, improrrogáveis (art. 179).

Ao final deste período, o relatório da comissão é encaminhado à mesma autoridade que aplicou a
penalidade, a qual terá 20 dias para julgar o caso (art. 181), podendo determinar diligências.

No entanto, a decisão em sede de revisão não poderá agravar a penalidade ao servidor.

9
“Apensar” é sinônimo de juntar, prender. Nesta situação, “apensar” consiste no ato de anexar um
processo aos autos de outro.
A qualquer tempo

A pedido ou de ofício Fatos novos

REVISÃO
Surgimento de Circunstâncias que
indiquem a inadequação da
não poderá resultar sanção aplicada
agravamento da sanção

DIREITO DE PETIÇÃO
INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXÍSSIMA

A própria Constituição Federal assegura a todos o direito de petição (art. 5º, XXXIV, ‘a’), o qual é
regulamentado, no âmbito do funcionalismo público federal, por meio dos arts. 104 a 115 da Lei 8.112.

No âmbito funcional tal direito consiste em formas de o servidor público requerer a concessão de direitos
ou solicitar providências por parte da Administração.

Reparem que o “direito de petição” não se confunde com o “dever de representação” (art. 166, XII), estudado
ao longo desta aula:

PETIÇÃO »» direito do servidor »» defesa de direitos e solicitação de providências

comunicação à autoridade superior de


REPRESENTAÇÃO »» dever do servidor »»
ilegalidade que teve ciência em razão do cargo

Quanto ao direito de petição, são previstas 3 formas de o servidor público exercê-lo:

Requerimento defesa de direito ou interesse legítimo

Pedido de à autoridade que houver expedido o


Direito de petição Reconsideração ato ou proferido a primeira decisão

dirigido à autoridade imediatamente


Recurso superior à que tiver expedido o ato ou
proferido a decisão
Requerimento

O requerimento consiste na primeira tentativa do servidor de defender seu direito:

Art. 104. É assegurado ao servidor o direito de requerer aos Poderes Públicos, em defesa
de direito ou interesse legítimo.

O expediente deverá ser endereçado (dirigido) à autoridade competente para decidir sobre aquele assunto,
mas encaminhado por intermédio da autoridade a que está subordinado o servidor - via hierárquica (art.
105):

à autoridade competente para decidi-


dirigido lo
Requerimento pela via hierárquica – ou seja, por
intermédio daquela autoridade a que
encaminhado estiver imediatamente subordinado o
requerente

Apesar de simplório, o exemplo a seguir poderá elucidar a diferença entre o destinatário final do
requerimento e a forma de encaminhamento:

Imaginem um servidor que está lotado no órgão X, na Secretaria de Fiscalização de


contribuintes empresariais. Ele deseja peticionar para postular direito funcional que
entende lhe ser devido. O assunto é da competência do Secretário de Recursos Humanos
daquele órgão.
Nesta situação, ele deverá redigir seu requerimento e colocar como destinatário final o
Secretário de Recursos Humanos (que é a autoridade competente para decidir a
respeito).
No entanto, em homenagem à hierarquia que rege o serviço público, deve entregar a
“correspondência”, primeiramente, ao Secretário de Fiscalização - autoridade a qual está
subordinado. Este secretário, por sua vez, ficará responsável por encaminhar o
requerimento à autoridade competente, por meio da estrutura administrativa do órgão
X.

A autoridade a que o servidor está subordinado terá 5 dias para “despachar” o requerimento e a autoridade
competente terá 30 dias para decidir.
Pedido de Reconsideração

Após o requerimento ter chegado à autoridade competente e esta ter decidido, imaginem que o servidor
não concordou com o deslinde do feito e decide apresentar, àquela mesma autoridade, um pedido de
reconsideração:

Art. 106. Cabe pedido de reconsideração à autoridade que houver expedido o ato ou
proferido a primeira decisão, não podendo ser renovado.

Parágrafo único. O requerimento e o pedido de reconsideração de que tratam os artigos


anteriores deverão ser despachados no prazo de 5 (cinco) dias e decididos dentro de 30
(trinta) dias.

A principal diferença entre o pedido de reconsideração e o recurso, estudado a seguir, consiste no


destinatário do pedido. O pedido de reconsideração consiste em uma oportunidade para a mesma
autoridade que decidiu o requerimento reavaliar seu posicionamento inicial e, se for o caso, se retratar.

O prazo para interposição de pedido de reconsideração é de 30 dias, a contar da publicação ou da ciência,


pelo interessado, da decisão a ser reconsiderada (art. 180).

Além disso, se for acatado o pedido de reconsideração, os efeitos serão retroativos. Em outras palavras, os
efeitos da decisão de prover o pedido de reconsideração retroagirão à data do ato impugnado (art. 109,
parágrafo único).

Os efeitos do provimento do pedido foram cobrados na seguinte questão:

FCC/ TRT - 11ª Região - Analista Judiciário (adaptada)


Apolo, Analista do Tribunal, exerceu seu direito de petição em defesa de interesse legítimo, observando os
comandos da Lei n° 8.112/1990. Seu requerimento foi indeferido, razão pela qual ingressou com pedido de
reconsideração.
Sendo provido o pedido de reconsideração, os efeitos dessa decisão retroagirão à data do ato impugnado.
Gabarito (C)

Recurso

Já o recurso representa o acesso do servidor à segunda instância decisória. Nos termos do art. 107, caberá
recurso em duas situações: caso seja indeferido o pedido de reconsideração ou da decisão de um outro
recurso, para uma autoridade hierarquicamente superior:
dirigido à autoridade imediatamente
indeferimento do pedido de
superior à que tiver expedido o ato ou
reconsideração proferido a decisão
Cabimento do
recurso
decisões sobre os recursos dirigido, sucessivamente, em escala
sucessivamente interpostos ascendente, às demais autoridades

A interposição do recurso, seguirá regra análoga à da apresentação do requerimento:

1) dirigido à autoridade imediatamente superior à que tiver expedido o ato ou proferido a decisão,
e, sucessivamente, em escala ascendente, às demais autoridades;

2) encaminhado por intermédio da autoridade a que estiver imediatamente subordinado o


requerente.

Assim como ocorre com o pedido de reconsideração, o prazo para interposição de recurso é de 30 dias, a
contar da publicação ou da ciência, pelo interessado, da decisão recorrida (art. 180).

O recurso poderá ser recebido com efeito suspensivo, a juízo da autoridade competente (art. 109).

Prescrição aplicável ao direito de petição

Nos termos do art. 110, o direito de requerer prescreve:

I - em 5 anos, quanto aos atos de demissão e de cassação de aposentadoria ou disponibilidade, ou


que afetem interesse patrimonial e créditos resultantes das relações de trabalho;

II - em 120 dias, nos demais casos, salvo quando outro prazo for fixado em lei.

Além disso, o pedido de reconsideração e o recurso, quando cabíveis, interrompem a prescrição (art. 111).
SEGURIDADE SOCIAL E DISPOSIÇÕES GERAIS
INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXÍSSIMA

A par dos benefícios comentados ao longo da aula (licença gestante, adotante, paternidade etc),
é importante conhecermos algumas regras previstas a partir do art. 183 da Lei 8.112/1990.

Nesse sentido, o legislador previu que a União deverá manter um “Plano de Seguridade Social”
para o servidor e sua família (art. 183).

O mencionado Plano deverá cobrir os seguintes benefícios:

aposentadoria

auxílio-natalidade

salário-família

licença para tratamento de saúde

ao servidor licença à gestante / adotante

licença-paternidade

licença por acidente em serviço


benefícios

assistência à saúde

garantia de condições individuais e


ambientais de trabalho satisfatórias

pensão vitalícia e temporária

auxílio-funeral
ao dependente
auxílio-reclusão

assistência à saúde

No que diz respeito aos benefícios “aposentadoria” e “pensão”, falaremos com maior
detalhamento mais à frente, considerando principalmente o regramento constitucional aplicável.
Além destes, já havíamos detalhado anteriormente os benefícios de licença-maternidade e
paternidade, licença por motivos de saúde e por acidente em serviço.

Quanto aos demais benefícios, vamos sintetizar suas principais características por meio da
seguinte tabela:

Benefício Características Valor


Valor = menor vencimento do
auxílio-natalidade devido à servidora por motivo
serviço público
de nascimento de filho,
(art. 196) inclusive natimorto
Gêmeos: + 50% por nascituro
salário-família
- p/ servidor de baixa renda
valor por dependente
(ativo ou inativo)
(arts. 197-201)
auxílio-funeral - devido à família do servidor
Valor = 1 mês da
falecido (ativo ou
remuneração ou provento
(art. 226-228) aposentado)
2/3 da remuneração: prisão
em flagrante ou preventiva

- devido à família do servidor


auxílio-reclusão
ativo
1/2 da remuneração:
(art. 229)
condenação por sentença
definitiva (apenas pena que
não determine a perda de
cargo)
APOSENTADORIA E PENSÃO
INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXA

Primeiramente, lembro que nossa Constituição estabelece duas espécies de regimes


previdenciários: o regime geral e o regime próprio (ou especial).

O regime geral de previdência social (RGPS) diz respeito às regras (quanto às contribuições, ao
custeio, aos benefícios etc) aplicáveis aos trabalhadores em geral do setor privado, aos
empregados públicos, aos ocupantes de cargos em comissão e àqueles que ocupam uma função
temporária por excepcional interesse público.

As normas do regime geral estão delineadas no art. 201 e seguintes da Constituição Federal e nas
Leis 8.212 e 8.213/1991. Neste regime, a concessão dos benefícios é realizada pelo INSS – Instituto
Nacional do Seguro Social.

Já o regime próprio de previdência social (RPPS), também chamado de regime especial, será
aplicado apenas aos ocupantes de cargos públicos efetivos (ou seja, aos servidores efetivos). Há
um outro conjunto de regras aplicáveis ao regime próprio. As regras constitucionais diretamente
aplicáveis ao regime próprio dos servidores estão traçadas nos vários parágrafos do art. 40, que
assim inicia:

CF, art. 40. O regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargos
efetivos terá caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente
federativo, de servidores ativos, de aposentados e de pensionistas, observados critérios
que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial (EC 103/2019)

Podemos extrair diversas conclusões a partir do dispositivo acima:

1) Este regime é destinado aos titulares de cargos efetivos.


Assim, o STF já considerou inconstitucional1 lei do estado de Minas Gerais que estendeu
o regime próprio aos ocupantes de cargos em comissão.
O STF também já considerou inconstitucional2 a extensão do regime próprio a
serventuários da Justiça que não eram remunerados pelos cofres públicos da mesma
maneira que os servidores públicos (art. 40, caput, da CF).

1
ADI 3106 MG, rel. Min. Nelson Jobim, 8/1/2004
2
ADI 2.791, rel. min. Gilmar Mendes, 16/8/2006
2) O regime tem caráter contributivo e solidário. Dessa sorte, é necessário que os
servidores tenham efetivamente contribuído para que façam jus à aposentadoria do
regime próprio. Não basta o cômputo do tempo de serviço.
Em razão da contributividade, é vedada a contagem fictícia de tempo de contribuição.
Em razão da solidariedade, o regime próprio é de repartição simples (e não de
capitalização individual3). Assim, todos os valores recolhidos aos cofres da previdência
são “socializados” para o pagamento das obrigações do sistema.
3) O regime próprio possui 3 fontes de contribuição: (i) ente público, (ii) servidores ativos
e (iii) inativos/pensionistas. Reparem, portanto, que mesmo depois de se aposentar, o
servidor público continua recolhendo contribuições para o regime próprio.
4) As contribuições devem preservar o equilíbrio financeiro e atuarial4 do regime próprio.

É preciso ter em mente que o regime previdenciário próprio, tratado nesta aula, sofreu duas
grandes desde a promulgação da Constituição Federal/88.

Adiante vamos passar a tratar das principais regras constitucionais aplicáveis ao regime de
previdência próprio dos servidores efetivos ou, simplesmente, do “regime próprio de previdência
social” - RPPS.

Na sequência, veremos as espécies de benefícios concedidos à conta do regime próprio de


previdência social e, por fim, as regras relacionadas à “previdência complementar” dos servidores,
no âmbito federal gerida pela Funpresp.

Vamos lá!

➢ Regras específicas

3
O regime de capitação individual é aquele em que as contribuições são depositadas em uma conta
específica do segurado, sendo que tais valores são capitalizados individualmente e são destinados
exclusivamente ao pagamento do benefício daquele segurado. Não há “socialização” das contribuições.
4
O equilíbrio atuarial, de modo simples, consiste na relação entre o valor do benefício a ser pago e as
contribuições realizadas, segundo cálculos fornecidos pelas ciências atuariais.
Como vimos acima, o regime de previdência dos servidores efetivos possui regras próprias. No
entanto, não existem regras detalhadas para todas as questões. Assim, no que couber, poderão
ser utilizadas regras do regime geral da previdência social:

CF, art. 40, § 12 - Além do disposto neste artigo, serão observados, em regime próprio de
previdência social, no que couber, os requisitos e critérios fixados para o Regime Geral de
Previdência Social.

➢ Um único regime próprio para cada ente federativo


Cada ente federado poderá ter um único regime próprio dos servidores efetivos. Assim, o Estado
do Rio de Janeiro poderá criar um único regime próprio, o Município do Rio de Janeiro apenas
um e assim por diante.

CF, art. 40, § 20. É vedada a existência de mais de um regime próprio de previdência social
e de mais de um órgão ou entidade gestora desse regime em cada ente federativo,
abrangidos todos os poderes, órgãos e entidades autárquicas e fundacionais, que serão
responsáveis pelo seu financiamento, observados os critérios, os parâmetros e a natureza
jurídica definidos na lei complementar de que trata o § 22.

Além disso, para os regimes já existentes, lei complementar da União irá estabelecer uma série de
regras de funcionamento e gestão:

§ 22. Vedada a instituição de novos regimes próprios de previdência social, lei


complementar federal estabelecerá, para os que já existam, normas gerais de organização,
de funcionamento e de responsabilidade em sua gestão, dispondo, entre outros aspectos,
sobre: (..)

➢ Não aplicação do regime próprio a servidores em comissão


É importante reforçar que a Constituição veda a extensão do regime próprio aos ocupantes de
cargos em comissão, ocupantes de cargo temporário e empregados públicos:

CF, art. 40, § 13 - Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado


em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de
emprego público, aplica-se o regime geral de previdência social.

A questão a seguir versou sobre esta regra:


CEBRASPE/ FUNPRESP-JUD – Analista – Direito
As pessoas que exercem cargo em comissão em órgão do Poder Judiciário devem ser vinculadas ao regime
próprio de previdência dos servidores públicos, o qual é mantido pelos entes públicos da Federação e
assegurado tanto aos servidores titulares de cargo efetivo quanto aos detentores de cargo em comissão.
Gabarito (E)

Reparem que, após a reforma promovida pela EC 103/2019, o texto constitucional passou a deixar
claro que os ocupantes exclusivamente de cargo eletivo (prefeitos, governadores, deputados,
vereadores etc) farão jus ao regime geral – não a regime próprio.

Vale destacar que o STF já considerou inconstitucional a extensão deste regime aos servidores em
comissão que foram beneficiários de estabilidade excepcionalmente concedida por meio de
regras previstas no texto constitucional (chamadas por alguns de “trem da alegria”):

Servidores públicos detentores da estabilidade excepcional do art. 19 do ADCT. Inclusão no


regime próprio de previdência social. Impossibilidade. (...) Os servidores abrangidos pela
estabilidade excepcional prevista no art. 19 do ADCT5 não se equiparam aos servidores
efetivos, os quais foram aprovados em concurso público. Aqueles possuem somente o
direito de permanecer no serviço público nos cargos em que foram admitidos, não tendo
direito aos benefícios privativos dos servidores efetivos. Conforme consta do art. 40 da CF,
com a redação dada pela EC 42/2003, pertencem ao regime próprio de previdência social
tão somente os servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações. ARE 1.069.876 AgR, rel.
min. Dias Toffoli, j. 27-10-2017, 2ª T, DJE de 13-11-2017

Feita esta breve introdução das regras constitucionais atualmente aplicáveis, adiante estudaremos
as três modalidades de aposentadoria concedidas pelo regime próprio (voluntária, por invalidez e
compulsória), além de regras relacionadas à pensão.

Aposentadoria voluntária

No inciso III do §1º, temos a previsão da aposentadoria voluntária, que passou a ter os seguintes
requisitos de idade (EC 103/2019):

CF, art. 40, §1º, III - no âmbito da União, aos 62 (sessenta e dois) anos de idade, se mulher,
e aos 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se homem, e, no âmbito dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios, na idade mínima estabelecida mediante emenda às respectivas

5 ADCT, art. 19. Os servidores públicos civis da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, da

administração direta, autárquica e das fundações públicas, em exercício na data da promulgação da Constituição,
há pelo menos cinco anos continuados, e que não tenham sido admitidos na forma regulada no art. 37, da
Constituição, são considerados estáveis no serviço público.
Constituições e Leis Orgânicas, observados o tempo de contribuição e os demais requisitos
estabelecidos em lei complementar do respectivo ente federativo.

Além da idade (definida acima para os servidores federais), deverá ser atendido o requisito do
tempo mínimo de contribuição, que será definido por lei ordinária da União. Até que esta lei seja
editada, o art. 19 da EC 06/2019 previu os seguintes tempos: 15 anos para a mulher e 20 anos
para o homem.

Comparando com a regra anterior, quanto à idade (antiga “aposentadoria por idade”), temos o
seguinte:

Antes da EC 103/2019 Após a EC 103/2019


União Demais entes União Demais entes
Mulher = 60 anos Mulher = 60 anos Mulher = 62 anos Regras a serem
definidas por cada
Homem = 65 anos Homem = 65 anos Homem = 65 anos
ente

Como já havíamos adiantado, tratando-se de professor (ensino infantil, fundamental e médio),


poderá haver a redução em 5 anos nestes requisitos.

A este respeito, o STF entende que este benefício alcança apenas aqueles servidores que possuem
tempo de contribuição relativo exclusivamente às atividades de magistério. Assim, se uma pessoa
atua como professor durante alguns anos e, posteriormente, é aprovada em um concurso para
Analista da Receita Federal, por exemplo, não há que se falar em redução de 5 anos, na medida
em que não seria possível “fundir normas que regem a contagem do tempo de serviço para as
aposentadorias normal e especial, contando proporcionalmente o tempo de serviço exercido em
funções diversas”6.

Aposentadoria por incapacidade permanente

Nesta situação, o servidor sofreu uma limitação em sua capacidade física ou mental, tornando-o
permanentemente incapaz para o trabalho. Em geral, o servidor nesta situação passa por uma
perícia médica, a qual confirma a situação de invalidez do servidor e fundamenta a concessão do
benefício.

Vejam adiante a previsão constitucional a respeito:

6
RE-AgR 288.640/PR, rel Min. Joaquim Barbosa, 6/12/2011
CF, art. 40, §1º, I - por incapacidade permanente para o trabalho, no cargo em que estiver
investido, quando insuscetível de readaptação, hipótese em que será obrigatória a
realização de avaliações periódicas para verificação da continuidade das condições que
ensejaram a concessão da aposentadoria, na forma de lei do respectivo ente federativo

Aposentadoria compulsória

A aposentadoria compulsória, chamada carinhosamente de “expulsória”, é aquele em que o


servidor atinge a idade máxima para estar em exercício no serviço público, na forma do inciso II:

CF, art. 40, §1º, II - compulsoriamente, com proventos proporcionais ao tempo de


contribuição, aos 70 (setenta) anos de idade, ou aos 75 (setenta e cinco) anos de idade,
na forma de lei complementar;

Até a promulgação da EC 88, de maio de 2015 (chamada de “PEC da bengala”), o limite era de
70 anos para todos os cargos. Com a alteração constitucional promovida, criou-se a possibilidade
de a “expulsória” ocorrer apenas aos 75 anos, desde que houvesse a regulamentação por meio
de lei complementar.

Até a edição da LC 152, de dezembro de 2015, no entanto, o adiamento da aposentadoria


compulsória para os 75 anos ocorreu apenas os cargos mencionados no art. 100 do ADCT 7:
ministros do STF, dos tribunais superiores (TST, STJ, TSE e STM) e do TCU. Portanto, para estes
cargos, a alteração promovida pela EC 88 teve eficácia imediata, não requerendo regulamentação
por meio de lei complementar.

Apenas em dezembro de 2015 surgiu a LC 152, é que foi regulamentada a compulsória de 75 anos
para os cargos efetivos, a saber:

LC 152/2015, art. 2º Serão aposentados compulsoriamente, com proventos proporcionais


ao tempo de contribuição, aos 75 (setenta e cinco) anos de idade:

I - os servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e


dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações;

II - os membros do Poder Judiciário;

III - os membros do Ministério Público;

7
CF, art. 100. Até que entre em vigor a lei complementar de que trata o inciso II do § 1º do art. 40 da
Constituição Federal, os Ministros do Supremo Tribunal Federal, dos Tribunais Superiores e do Tribunal
de Contas da União aposentar-se-ão, compulsoriamente, aos 75 (setenta e cinco) anos de idade, nas
condições do art. 52 da Constituição Federal. (EC 88/2015)
IV - os membros das Defensorias Públicas;

V - os membros dos Tribunais e dos Conselhos de Contas.

Parágrafo único. Aos servidores do Serviço Exterior Brasileiro, regidos pela Lei nº 11.440,
de 29 de dezembro de 2006, o disposto neste artigo será aplicado progressivamente à
razão de 1 (um) ano adicional de limite para aposentadoria compulsória ao fim de cada 2
(dois) anos, a partir da vigência desta Lei Complementar, até o limite de 75 (setenta e cinco)
anos previsto no caput.

Dessa forma, apenas com a LC 152 é que a aposentadoria compulsória aos 75 anos começou a
vigorar para todo o funcionalismo.

Entre maio de 2015 (data de promulgação da EC 88) e dezembro daquele ano (data da LC 152),
muito se discutiu sobre a extensão do limite de 75 anos para outras categorias não mencionadas
no art. 100 do ADCT, tendo o STF confirmado8 a exigência de lei complementar e considerado
inconstitucional a parte final do art. 100 do ADCT que exigia uma nova sabatina para permanência
no cargo.

Além disso, após a EC 103/2019, o limite da aposentadoria compulsória passou a valer também
para os empregados públicos (CF, art. 201, §16).

O STJ e o STF entendem9 que a aposentadoria compulsória fixada no art. 40 da CF não atinge os
ocupantes de cargo em comissão. Assim, não há qualquer limite para fins de nomeação a cargo
em comissão. Neste sentido, se um servidor efetivo se aposentar, inclusive compulsoriamente, ele
poderia ocupar um cargo em comissão (de livre nomeação e exoneração).

Este entendimento foi cobrado na seguinte questão:

FCC/ DPE-PR – Defensor Público (adaptada)


É aplicável a regra da aposentadoria compulsória por idade também aos servidores públicos que ocupem
exclusivamente cargo em comissão, segundo o Superior Tribunal de Justiça.
Gabarito (E)

8
ADI 5316/DF, rel. Min. Luiz Fux, 21/5/2015
9
RE 786.540/DF, rel Min. Dias Toffoli, 15/12/2016 (repercussão geral)
O STF tem entendido também que não se aplica a aposentadoria compulsória prevista no art. 40,
§ 1º, II, da CF aos titulares de serventias extrajudiciais (Adi 2602/MG) e aos titulares de serventias
judiciais não estatizadas que não sejam ocupantes de cargo público efetivo e não recebam
remuneração proveniente dos cofres públicos (RE 647.827, rel. min. Gilmar Mendes, j. 15-2-2017,
P, DJE de 1º-2-2018, Tema 571).

Pensão por morte

A pensão consiste no benefício devido a familiares do servidor falecido. O valor da pensão passou
a ser determinado da seguinte forma:

CF, art. 40, § 7º Observado o disposto no § 2º do art. 201, quando se tratar da única fonte
de renda formal auferida pelo dependente, o benefício de pensão por morte será
concedido nos termos de lei do respectivo ente federativo, a qual tratará de forma
diferenciada a hipótese de morte dos servidores de que trata o § 4º-B [agente
penitenciário, agente socioeducativo e policial] decorrente de agressão sofrida no
exercício ou em razão da função.

Notem que, antes da EC 103, não havia tal requisito de ser a única fonte de renda formal do
dependente, bem como o próprio texto constitucional estabelecia as regras dos valores (havia um
redutor para aquilo que superasse 70% do valor da aposentadoria).

Nesse sentido, a Lei 8.112 prevê que podem ser beneficiários das pensões (art. 217):

a) o cônjuge

b) o cônjuge divorciado ou separado judicialmente ou de fato, com percepção de pensão


alimentícia estabelecida judicialmente;

c) o companheiro ou companheira que comprove união estável como entidade familiar;

d) filho ou irmão dependente economicamente, sendo que ambos devem atender a um dos
seguintes requisitos:

- seja menor de 21 anos;

- seja inválido;

- tenha deficiência - intelectual ou mental

e) a mãe e o pai que comprovem dependência econômica do servidor


Nos termos do art. 221 da Lei 8.112, a pensão por morte será concedida em caráter provisório
nos seguintes casos (morte presumida do servidor):

a) declaração de ausência (pelo juiz)

b) desaparecimento em desabamento, inundação, incêndio ou acidente não caracterizado


como em serviço

c) desaparecimento no desempenho das atribuições do cargo ou em missão de segurança

No entanto, decorridos 5 anos da vigência da pensão provisória, ela será transformada em vitalícia
ou temporária. No entanto, se o servidor reaparecer, logicamente o benefício será
automaticamente cancelado.
CONCLUSÃO
Bem, pessoal,

O assunto da aula de hoje não apresenta grandes dificuldades de compreensão, mas apresenta
um desafio para a memorização de toda esta miríade de detalhes.

Por este motivo, após a sistematização apresentada nesta aula, sugiro fortemente a leitura da ‘lei
seca’. Vocês perceberão que a grande maioria das questões sobre este assunto versa sobre a
literalidade dos dispositivos legais.

Para facilitar a tarefa de memorização, apresentamos a seguir nosso resumo e as questões


comentadas relacionadas ao tema da aula de hoje!

Um abraço e bons estudos,

Prof. Antonio Daud

@professordaud

[Link]/professordaud
RESUMO

Cargo público → conjunto de atribuições e responsabilidades previstas na estrutura organizacional


que devem ser cometidas a um servidor

Servidor público → ocupante de “cargo público”, regidos por um estatuto (vínculo com natureza
legal)

Lei 8.112 → aplicável aos servidores públicos federais, efetivos ou comissionados

PROVIMENTO
✓ Única forma de provimento originário (independe de vínculo anterior com
o cargo público)
Nomeação ✓ Pode se referir a cargo efetivo ou em comissão
✓ Ato administrativo unilateral, que gera direito subjetivo à posse
(investidura no cargo)
✓ Provimento derivado vertical
Promoção
✓ Ocorre na mesma carreira
✓ Provimento derivado horizontal, decorrente de limitação na capacidade
laborativa do servidor – não há rebaixamento, nem promoção
Readaptação
✓ Cargo de atribuições afins – equivalência de habilitação, nível de
escolaridade e vencimentos
✓ Retorno à atividade do servidor que estava aposentado
✓ DE OFÍCIO → junta médica oficial declarar insubsistentes os motivos da
aposentadoria por invalidez:
o ato vinculado
✓ A PEDIDO → servidor estável que havia se aposentado (de forma
Reversão voluntária) solicita o retorno ao exercício:
o ato discricionário
o aposentadoria deve ter sido voluntária
o ocorrido no máximo 5 anos antes
o servidor era estável
o exista cargo vago
Aproveitamento ✓ retorno do servidor que havia ficado em disponibilidade
✓ cargo com atribuições e vencimentos compatíveis
✓ retorno do servidor estável que havia sido demitido, quando foi
Reintegração invalidado o ato de demissão
✓ decorrente da reintegração do servidor que ocupava aquele cargo
Recondução anteriormente ou
✓ decorrente da inabilitação em estágio probatório relativo a outro cargo
✓ “ascensão” e “transferência” não são formas de provimento válidas → vedado o provimento em
cargo de carreira diversa, sem prévia aprovação em concurso público

POSSE
✓ Investidura no cargo público. Aperfeiçoa o vínculo entre aquela pessoa e a Administração
✓ A partir deste momento, aquela pessoa é considerada “servidor público”
✓ Tem natureza bilateral, pois depende da manifestação do nomeado
✓ nacionalidade brasileira
✓ gozo dos direitos políticos
✓ quitação com as obrigações militares e eleitorais
Requisitos
✓ nível de escolaridade exigido para o exercício do cargo
✓ 18 anos no mínimo
✓ aptidão física e mental
Prazo de 30 dias após
✓ sob pena de a nomeação ser tornada sem efeito
a nomeação

EXERCÍCIO
✓ Efetivo desempenho das atribuições do cargo
✓ Início da contagem do tempo de serviço
Prazo de 15 dias após
✓ sob pena de haver a exoneração do servidor
a posse
ESTÁGIO PROBATÓRIO
✓ Avaliação da aptidão do servidor para o exercício daquele cargo específico
✓ Responsabilidade
✓ Assiduidade
Fatores de avaliação ✓ Produtividade
✓ capacidade de Iniciativa
✓ Disciplina
✓ prazo de 3 anos
✓ inabilitação no EProb não tem caráter de penalidade e gera a exoneração do servidor naquele cargo.
Apesar disso, deve-se assegurar o contraditório ao servidor declarado inapto para o cargo.
✓ Não se confunde com a “estabilidade”, que se relaciona com o serviço público – não com o cargo
específico
✓ 4 meses antes de fim do estágio probatório → submete à homologação da autoridade competente
a avaliação do desempenho do servidor (realizada por comissão especial)
✓ Licença para capacitação
Servidor em EProb ✓ Licença para tratar de interesses particulares
não faz jus a ✓ Licença para desempenho de mandato classista
✓ Licença para participar em curso ou programa de pós-graduação

Desinvestidura

✓ Demissão → É sanção administrativa → Recai apenas sobre servidores efetivos e


decorre da prática de infrações funcionais.
✓ Exoneração → Não é sanção → Pode recair tanto sobre servidores efetivos como
servidores em comissão.

A PEDIDO do servidor
reprovação no estágio
do ocupante de
probatório de servidor
CARGO EFETIVO não estável
DE OFÍCIO, mediante
após a posse, não
EXONERAÇÃO entrar em exercício no
prazo legal
A PEDIDO do servidor
do ocupante de
CARGO EM COMISSÃO
a juízo da autoridade
DE OFÍCIO
competente
REMOÇÃO e REDISTRIBUIÇÃO
✓ Não são formas de vacância!
✓ Deslocamento do cargo, para quadro diverso
Redistribuição
✓ Sempre de ofício
✓ Deslocamento do servidor, para o mesmo quadro de pessoal
Remoção
✓ Com ou sem mudança de sede
Remoção de ofício ✓ No interesse da Administração
✓ A critério da Administração
✓ para outra localidade, independentemente do interesse da Administração
o para acompanhar cônjuge ou companheiro, também servidor
público (civil ou militar), de qualquer esfera, deslocado no
interesse da Administração
Remoção a pedido o por motivo de saúde do servidor, cônjuge, companheiro ou
dependente que viva às suas expensas e conste do seu
assentamento funcional, condicionada à comprovação por
junta médica oficial
o em virtude de processo seletivo (concurso de remoção), na
hipótese em que o número de interessados for superior ao
número de vagas
FÉRIAS
✓ Descanso anual remunerado, com 1/3 a mais
✓ Acumuladas até, no máximo, 2 períodos – desde que haja necessidade do serviço
✓ Após ter tomado posse, exige-se que o servidor tenha 12 meses de exercício para que faça jus ao
primeiro período de férias.
✓ Admite-se parcelamento em até 3 etapas - ato discricionário

REGIME DISCIPLINAR
✓ Advertência escrita
o Prescreve em 180 dias
o Registro cancelado após o decurso de 3 anos se não praticar
nova infração
✓ Suspensão (máx. 90 dias)
o Prescreve em 2 anos
o Registro cancelado após o decurso de 5 anos se não praticar
Penalidades nova infração
o Conversão em multa: 50% por dia da remuneração + servidor
permanece em serviço
✓ Demissão e demais penalidades
o Prescrevem em 5 anos
✓ Cassação de aposentadoria: prática de condutas puníveis com demissão
✓ Destituição de cargo em comissão: prática de condutas puníveis com
demissão ou suspensão
✓ Civil, penal e administrativa
✓ Regra geral: independência entre as instâncias
Responsabilidades do ✓ Exceções:
servidor o condenação na esfera penal
o absolvição na esfera penal, por inexistência de fato ou negativa
de autoria
SINDICÂNCIA
✓ Destinado à apuração de infrações e aplicação de sanções de advertência ou suspensão de até 30
dias
✓ Não é uma etapa do PAD
✓ arquivamento
Possíveis resultados ✓ aplicação de penalidades
✓ instauração de PAD
✓ prazo: 30 + 30 dias
✓ se for apenas inquisitório (sem natureza de acusação ou de sanção): não requer contraditório e
ampla defesa
✓ se a conclusão for a instauração de PAD: os autos da sindicância integrarão o PAD

PAD
✓ instaurado pela autoridade competente
✓ conduzido por comissão de 3 servidores estáveis (rito ordinário) ou 2 servidores estáveis (rito
sumário)
✓ autoridade competente pode determinar o afastamento preventivo do servidor (60+60 dias), com
remuneração
✓ prazo total 140 dias: inquérito (60 + 60 dias) e julgamento (20 dias)
✓ Após análise das provas produzidas, a comissão decide por indiciar ou não o servidor
✓ Servidor é citado para apresentar sua defesa escrita (prazo de 10 dias)
✓ Se o indiciado não se defende (revelia), é designado defensor dativo
✓ Em regra: o julgamento pela autoridade competente se vincula à conclusão do relatório
✓ Exceção: conclusão contrária às provas dos autos
✓ Revisão do PAD: fatos novos ou circunstâncias suscetíveis de justificar a inocência do punido ou a
inadequação da penalidade aplicada
✓ A qualquer tempo, a pedido ou de ofício
✓ Não pode agravar a penalidade
✓ Casos de:
o Acumulação de cargos
Rito sumário o Abandono de cargo
o Inassiduidade habitual
✓ Prazo: 30 + 15
MAPAS

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