D.
Sebastião
Era neto do rei João III, tornando-se herdeiro do trono
depois da morte do seu pai, o príncipe João de
Portugal, duas semanas antes do seu nascimento, e rei
com apenas três anos, em 1557. Em virtude de ser um
herdeiro tão esperado para dar continuidade à Dinastia
de Avis, ficou conhecido como O Desejado;
alternativamente, é também lembrado como O
Encoberto ou O Adormecido, devido à lenda que se
refere ao seu regresso numa manhã de nevoeiro, para
salvar a Nação.
Durante a sua menoridade, a regência foi assegurada
primeiro pela sua avó, a rainha Catarina da Áustria,
viúva de D. João III, e depois pelo tio-avô, o Cardeal Henrique de Évora (1562-1568).
Neste período, para além da aquisição de Macau em 1557 e Damão em 1559, a
expansão colonial foi interrompida. A premência era a conjugação de esforços para
preservar, fortalecer e defender os territórios conquistados.
Durante a regência de D. Catarina e do cardeal D. Henrique e o curto reinado de
D. Sebastião, a Igreja continuou a sua ascensão ao poder. A actividade legislativa
centrou-se em assuntos do foro religioso, como por exemplo a consolidação da
Inquisição e sua expansão até à Índia, a criação de novos bispados na metrópole e nas
colónias. A única realização cultural importante foi o estabelecimento de uma nova
universidade em Évora – e também aqui a influência religiosa na corte se fez sentir, pois
foi entregue aos Jesuítas. O jovem rei cresceu educado por Jesuítas e tornou-se num
adolescente de grande fervor religioso, embora a sua falta de experiência militar e
política viesse a conduzir o exército português a grandes perdas no Norte de África e à
própria morte ou desaparecimento do rei.
Lenda e desaparecimento do rei
Na batalha de Alcácer-Quibir, o campo dos três reis, os portugueses sofreram
uma derrota às mãos do sultão Abd al-Malik (Mulei Moluco) e perderam uma boa parte
do seu exército. Quanto a Sebastião, morreu na batalha ou foi morto depois desta
terminar. Mas para o povo português de então o rei havia apenas desaparecido. Este
desastre teria as piores consequências para o país, colocando em perigo a sua
independência. O resgate dos sobreviventes ainda mais agravou as dificuldades
financeiras do país.
Tornou-se então numa lenda do grande patriota português - o "rei dormente" (ou
um Messias) que iria regressar para ajudar Portugal nas suas horas mais sombrias.