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Apostila

O documento aborda os déficits sociais e habilidades sociais em pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), destacando a importância da Teoria da Mente no desenvolvimento dessas habilidades. Ele explora como fatores comportamentais, emocionais e culturais influenciam a capacidade de interação social e a resolução de problemas interpessoais. Além disso, discute a relevância do aprendizado social na infância e as dificuldades enfrentadas por indivíduos com autismo na compreensão das intenções e crenças dos outros.

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Caroline Lima
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Apostila

O documento aborda os déficits sociais e habilidades sociais em pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), destacando a importância da Teoria da Mente no desenvolvimento dessas habilidades. Ele explora como fatores comportamentais, emocionais e culturais influenciam a capacidade de interação social e a resolução de problemas interpessoais. Além disso, discute a relevância do aprendizado social na infância e as dificuldades enfrentadas por indivíduos com autismo na compreensão das intenções e crenças dos outros.

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CBI of Miami

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Aspectos Sociais da Terapia do Espectro Autista
Catula Maia

Déficits Sociais no autismo são atenuados por problemas


Comportamentais e emocionais que podem se expressar como dificuldades
interpessoais:
• Problemas externalizantes.
• Problemas internalizantes.

Pessoas com TEA tem Repertório pobre de habilidades sociais,


principalmente em termos de empatia, expressão de sentimentos e resolução de
problemas.
As deficiências cognitivas, afetivas, perceptivas e motoras incidem sobre
a capacidade de identificar as demandas do contexto social bem como sobre o
planejamento e/ou emissão dos desempenhos esperados sob tais demandas,
reduzindo assim o nível de proficiência desses desempenhos.
• Elementos que contribuem para estilos não habilidosos
• Falhas em estabelecer limites.
• Relação conflitiva com os filhos.
• Modelos inadequados.
• Uso indiscriminado da punição.
• Filmes e videogames em que a violência é bem-sucedida.

Habilidades Sociais
● Raízes históricas – estudo do comportamento social em crianças.
● Utilização dos termos “assertividade” (WOLPE,1958) e “competência
social” (ZIGLER e PHILLIPIS, 1961).
● O termo “habilidades Sociais” ganha força em 1970 (R. EISLER, M.
HERSEN, R.M. MCFALL E A. GOLDSTEIN) – elaboração de programas de
treinamento para reduzir déficits em habilidades sociais.

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A habilidade social deve ser considerada dentro de um contexto cultural
determinado.
Os Padrões de comunicação variam de forma ampla entre culturas e
dentro de uma mesma cultura. Um comportamento considerado apropriado em
uma situação pode ser impróprio em outra situação.
● Resposta competente é aquela em que as pessoas consideram
apropriada para um indivíduo em uma situação específica. O comportamento
considerado socialmente hábil envolve tanto o conteúdo quantos as
consequências dos comportamentos.
● Podem ser identificados três tipos de consequências:
• Eficácia nos objetivos.
• Eficácia na relação.
• Eficácia no respeito próprio.

O comportamento socialmente hábil é um conjunto de comportamentos


emitidos por um indivíduo em um contexto interpessoal que expressa
sentimentos, atitudes, desejos, opiniões ou direitos desse indivíduo de
modo adequado á situação, respeitando esses comportamentos nos
demais, e que geralmente resolve os problemas imediatos da situação
enquanto minimiza a probabilidade de futuros problemas (CABALLO,
1986).

● Conduta interpessoal – conjunto de capacidades aprendidas de atuação.


● Modelo comportamental:
• A capacidade de resposta deve ser adquirida.
• Conjunto identificável de capacidades específicas.
● Componentes da Habilidade Social:
• Comportamental.
• Dimensão pessoal.
• Dimensão situacional.
● Diferentes situações requerem condutas diversas.
● Coerência entre sentimentos, pensamentos e ações.
● A criança precisa aprender os desempenhos socialmente esperados e
valorizados para sua idade e sexo, em diferentes contextos dependendo dos
papéis que assume e que vão progressivamente se tornando mais diferenciados.

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● Principais respostas comportamentais que abrangem as habilidades
sociais:

• Fazer elogios;
• Aceitar elogios;
• Fazer pedidos;
• Expressar amor, agrado e afeto;
• Iniciar e manter conversações;
• Defender os próprios direitos;
• Recusar pedidos;
• Expressar opiniões pessoais, inclusive o desacordo;
• Expressar incômodo, desagrado ou enfado justificados;
• Pedir a mudança de conduta do outro;
• Desculpar-se ou admitir ignorância;
• Enfrentar as críticas.

Em resumo, Habilidade Social é:


● Característica do comportamento, não das pessoas;
● Não é universal, mas sim específica à pessoa e à situação;
● Depende do contexto cultural do indivíduo e outras variáveis situacionais;
● Envolve a capacidade do indivíduo escolher sua ação;
● Característica da conduta socialmente eficaz, não danosa.

Elementos Básicos
• As HS são específicas às situações;
• A efetividade interpessoal é julgada segundo as condutas verbais e não
verbais praticadas pelo indivíduo;
• O papel da outra pessoa é importante.
• A infância é o período do ciclo vital onde o aprendizado das habilidades
sociais é mais evidente.
• Acredita-se que, na maioria das pessoas, o desenvolvimento das HS
dependa principalmente da maturidade e das experiências de aprendizagem.

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• Competência social = fatores temperamentais + experiências situacionais
• “Quanto mais experiência em uma situação, mais o comportamento social
dependerá do que tenha aprendido a fazer nessa situação e menor será a
contribuição do temperamento.”
• Aprendizagem precoce da conduta social – Teoria da Aprendizagem
Social (Bandura) – Modelação – observação do comportamento – Modelo.
(Modelação, instrução e consequência).
• Sistema de Reforçamento e Punição.
• A família é importante nesse processo, assim como os pares, pois são
importantes referências comportamentais e situacionais.
• A expressividade espontânea está relacionada com a capacidade do
indivíduo para adaptar-se a novas situações, para enfrentar o novo e o
inesperado.
• Modelos interativos – pessoa + ambiente + comportamento

Resposta Socialmente Hábil – resultado de uma cadeia de condutas


que começaria com uma recepção correta de estímulos interpessoais
relevantes, continuaria com o processo flexível desses estímulos para
gerar e avaliar as possíveis opções de resposta, das quais se
selecionaria a melhor, e terminaria com a emissão apropriada ou
expressão manifesta da opção escolhida. (ROBINSON e CALHOUN,
1984).

Estágios
• Estágio de decodificação.
• Estágio de tomada de decisão.
• Estágio de codificação.

“Pessoas socialmente hábeis ou com competência social tendem a


apresentar relações pessoais e profissionais mais produtivas, satisfatórias e
duradouras, além de maior bem-estar físico e mental.” Del Prette e Del Prette,
2004.
Déficits em HS geram dificuldades e conflitos interpessoais, pioram a
qualidade de vida, e podem causar transtornos psicológicos.

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A Teoria da Mente e sua Importância no Desenvolvimento das Habilidades
Sociais
Teoria da mente significa a capacidade para atribuir estados mentais a
outras pessoas e predizer o comportamento das mesmas em função destas
atribuições (PREMACK & WOODRUFF, 1978).
● Sistema de inferências sobre estados que não são diretamente
observáveis e que podem ser usados para predizer o comportamento de outros.
● O impulso inicial para essa habilidade seria inato, porém o processo em
si seria aprendido, através da interação com os cuidadores e com outras
pessoas, durante o qual a criança vai incorporando informações da psicologia
popular disponível na sua cultura.
● Teoria da mente se refletiria na capacidade da criança em atribuir a si
própria ou a outrem, estados mentais como desejos, crenças e intenções –
habilidade já presente ao redor dos três anos de idade.
● Aos 3 anos a criança estaria apta a distinguir estados mentais de físicos,
bem como aparência (e ‘faz-de-conta’) de realidade.
● Habilidade para imaginar o que os outros pensam, desejam, acreditam,
duvidam.
● TM está ligada a condição de fazer representações mentais.
● Representação – expressão de um objeto ou evento através de categorias
alheias a esses mesmos objetos/eventos (PERNER, 1991). Capacidade
cognitiva que habilita o ser humano a interpretar o mundo exterior e interior,
podendo atuar de forma social.
● Teoria – sistema de inferências de estados não observáveis diretamente
– gera possibilidade de previsões.
● Estágios do desenvolvimento relacionados à capacidade de representar:
• 1 ano – representação do objeto presente (sensorial) – Relacionado à
situação real, ao objeto.
• 2 anos – diferencia real do “faz de conta” – não necessita da presença do
objeto para representá-lo (meta representação) – o faz de conta emerge
quando já se torna capaz de teorizar a respeito da mente dos outros –
Habilidade interpretativa (representação da imagem no espelho).

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• 3/4 anos - uma representação interna a respeito das coisas mais a
capacidade de refletir sobre essas representações (perspectiva do outro
– as pessoas podem ter perspectivas diferentes sobre o mesmo objeto).

OBS: A maioria dos autores acreditam que apenas entre os 4 e 6 anos a criança
sedimenta a habilidade de representar a relação entre os estados mentais de
duas ou mais pessoas.

● Autismo – déficit na capacidade de meta-representar, ou mais


especificamente, na habilidade de desenvolver uma teoria da mente.
● Meta Representação – possibilidade de manipular mentalmente e refletir
sobre as representações.
● Dificuldades na Teoria da Mente
1. Cognição – atribuir intenções – meta representação.
2. Clínica – dificuldade de interagir de forma apropriada com o ambiente social.
3. Neurofisiologia – danos no córtex frontal / pré-frontal.

Dificuldade em fazer corretas leituras mentais dos outros


● Baron-Cohen e equipe (Baron-Cohen, Leslie & Frith, 1985) adaptaram um
experimento, criando o teste da Sally-Ann para investigar o possível
comprometimento de crianças com autismo na habilidade de usar o contexto
social para compreender o que outras pessoas pensam e acreditam. Para os
autores, um dos aspectos fundamentais da teoria da mente é a compreensão do
papel da crença na determinação de uma ação, ou seja, aquilo que a pessoa
acredita pode ser mais relevante no desencadeamento de um dado
comportamento do que quaisquer circunstâncias reais. Dessa forma, a
consideração de falsas crenças seria tão importante na determinação de um
comportamento quanto as reais.
● Tarefa: uma boneca (Sally) coloca o seu brinquedo numa caixa e sai da
sala. Enquanto isso, outra boneca (Ann) tira o brinquedo da caixa em que Sally
o havia colocado e deposita-o em outra caixa. Pergunta-se à criança em qual
das caixas Sally provavelmente vai procurar o brinquedo quando retornar à sala.

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As crianças com autismo, ao contrário das crianças com desenvolvimento normal
e com deficiência mental, mostraram dificuldades em perceber que Sally não
tinha nenhuma informação a respeito da mudança de caixa, e tenderam a
responder que Sally procuraria o brinquedo na caixa em que Ann o havia
colocado.
● Crianças com autismo apresentam um atraso ou desvio no
desenvolvimento da capacidade de desenvolver uma teoria da mente (BARON-
COHEN, 1991).
● Déficit na habilidade de regular a atenção compartilhada.
● Déficits no comportamento social como um todo e na linguagem.
● Dificuldade em dar um sentido ao que as pessoas pensam e ao modo
como se comportam.
● A intensidade da falta de “tato social” traz a noção do grau de
comprometimento da Teoria da mente.
● Psicologia Cognitiva – quatro módulos cerebrais interagem:
1. Módulo detetor de intencionalidade – percepção dos estímulos.
2. Módulo detetor de direção do olhar.
3. Mecanismo de atenção compartilhada.
4. Mecanismo da Teoria da mente.

Prever Ideias – Antecipar – manipular mentalmente e refletir essas


representações.
• Pontos importantes
1. Contato Ocular.
2. Atenção compartilhada (9 meses).
3. Uso de verbos mentais (2 anos e meio).
4. Brincadeiras de faz-de-conta (3/4 anos).
5. Representações verbais (5/6 anos).

• Etapas
1. Capacidade de atuar e predizer comportamentos.
2. Levar em consideração as próprias crenças.

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3. Considerar as crenças do outro e diferenciar das suas
(metarepresentação).

A habilidade do Jogo Social depende do arrolamento, sistematização e


hierarquização de pistas fornecidas no contexto social.

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