HENRIQUE NERY: Ô, meu Deus do céu!
Naquela época os macacões que a gente utilizava eram de
tecido comum mesmo, linho, uma agrociência. você tinha que colocar uma jaqueta por baixo, uma calça
15, entendeu? E o macacão, a máscara era separada, o macacão vai trabalhar com a beira, né? Era
separada, você tinha que dar um nó que, aquele nó que você dá em sapato. Eu fui pro apiário com o seu
Júlio. Organizei todo bacaninho, antes de entrar no apiário, ele me levou no apiário dele, foi bem
malvado. O apiário tinha umas 40 colmeias, e os enxames eram muito fortes, com uma melgueira, com
duas. Então a população de cada enxame ali, os menores tinham 50 mil abelhas, os maiores eram 100
mil abelhas, mais ou menos. E aí fomos no primeiro apiário, recolhemos as melgueiras, colocamos em
cima do carro.
HENRIQUE NERY: Uma primeira experiência, foi um choque, né? A princípio, quando as abelhas
vinham aos montes, assim, pra cima de mim, eu lembro daquela cena, sabe? Eu nunca tinha tirado
abelha assim. Eu era meio filhinho de papai ali né !? E aí quando aquele monte abelha, veio, com aquele
“zun zun” sabe? Meu Deus! Onde eu fui amarrar meu jumento!?Me lasquei. Aí tudo bem, fomos pro
primeiro apiário, recolhemos a melgueira no primeiro, segundo, e o terceiro apiário entrou um galho de
umbuzeiro aqui que abriu meu macacão, e as abelhas entraram aqui pra dentro, né? E eu levei 30 e
poucas ferroadas, acho que com os 36 mais ou menos, saí correndo desesperado no meio da caatinga,
e seu Julho me zoando né? Pra ele, foi uma diversão . Aí eu com minha C 10, até hoje eu tenho a
mesma C 10 . Aí eu dentro da C10 calado com aquele monte de ferroado, eu tinha levado, né? Aí
quando chega um lá, pra descarregar as melgueiras eu falei, “eu vou buscar as melgueiras pra
descarregar” que vai se lascar . Aí eu fui, fui pra casa da minha mãe, né? Esse pouco o popular, mas eu
sou assim mesmo . Aí fui pra casa da minha mãe, minha mãe começou a tirar os ferrões e contar um,
dois, pra você, quando eu apontou, 36. Aí eu fiquei em casa “meu filho, e quer ir no hospital não?Tá com
o febre não?” Não, tô na paz, tô de boa aqui. No outro dia eu não tava sentindo nada, né? Sabe o que é
nada, nada, nada. Só os pontos em preto, assim. A sorte tem que trabalhar com esse negócio. Eu vou
entender, tanto que foi a hora desse, eu sabia de que gente que trabalha tinha a alergia, levar uma
ferroada e faltar a morrer, né? Porque eu levar esse tanto não sentir nada, eu sou durão, eu sou caramba
isso aqui. E aí foi quando eu tomaria a decisão de trabalhar com a apicultura. E meu pai percebeu meu
interesse, né? Naquela época tava tendo um projeto na região, Bruno. O nome do projeto era Samel
Convin, que era um convênio do Banco do Brasil com a Samel, que era a empresa de exportação, e
tinha sede aqui em São Raimundo, era a maior exportadora de Banco do Brasil com sede aqui em São
Raimundo na época.
BERNARDO: Era esse povo que pegava, pra levar pra Picos, né? Não, não. Neste tempo, já era aqui.
HENRIQUE NERY: Já era aqui a exportação era daqui já. Aí, beleza, meu pai, no certo dia, conversando
com o dono la da empresa, que falou que tava liberando os financiamentos e tudo mais, meu pai foi
chegou, ele conseguiu dois empréstimos, um pra você e outro pro seu cunhado, pro Neno, né? O Edson,
que é o hoje é um dos apicultores modelos que a gente tem na comunidade, e aí cada um de nós
pegamos 50 colmeias pra atividade, então começou na atividade, e aí eu esqueci a universidade, aí
comecei a focar na apicultura né?
BERNARDO: Nascido quando e onde?
HENRIQUE NERY: Sou de 83, nascido em São Raimundo mas sou de São Vito, e nasci lá no Senador
Cândido Ferraz, mas morei a vida toda em São Vito. Então, essa foi a minha história até 2003, né?
Tirando a parte das quedas de cavalo, dessas coisas, né?
BERNARDO : Então, aí tem algumas questões meio, parece meio profórmico, mas são uma coisa que
a gente tem o perfil, porque a gente não está entrevistando só você, vamos entrevista Gean, APASPI,
com Julinho, com o mesinho, e com o passar do tempo a gente vai ver se a gente vai desenvolver um
projeto para começar a fazer um mapeamento né? Então tem algumas coisas que eu quero te
perguntar, esse é um processo muito simples, depois vai ficando um pouco mais de volta, para as coisas
que você não é mais narrativa, né? Mas você é casado hoje, né?
HENRIQUE NERY: Sou casado e tenho quatro filhos
BERNARDO: Tem quatro filhos, tá? Então a sua formação escolar, ela, você já contou para a gente,
né? E aí, no momento, o determinado momento, você vai para a apicultura, e dentro da apicultura?
Você chegou a fazer formação técnica, algo mais empírico?
HENRIQUE NERY: para a apicultura? Quer dizer a formação, né, por universidade eu não fiz, eu fiz
esses cursos básicos que sempre tiveram na atividade, porque você pega em muitos seminários fora,
né? Quando, de fato, é consumível no currículo, educacional na área da apicultura, já fiz. curso de
apicultura, hoje se junta meus sete certificados, a gente tem uma caixa imensa, né? E continuo
fazendo, hoje eu faço muito, muito curso on-line, e hoje eu tô fazendo um tecnólogo, na gestão de
cooperativo. É isso, né?
BERNARDO: É isso, eu soube. Eu tenho meus informantes.
HENRIQUE NERY: Então, eu comecei agora, né? Pessoal sempre cobrando, mas as oportunidades
chega pra mim, é as instituições, não enxergam, Sebrae, “Henrique tem que administrar palestra, é
Henrique se esteve aqui na instituição, sistema OCD e tal”, eu não você querer ir, pelo fato de, não ter
uma formação a essas coisas, então eu vou ficar mais na minha, quando eu for, de fato, um caso de
sucesso dentro dessa atividade, eu vou, pode ser que eu me interesse em administrar palestra, pode
ser ou não, depende também de vários fatores.
BERNARDO: E do ponto de vista etnorracial como você se identifica?
HENRIQUE NERY: Negro
BERNARDO: você quer fazer alguma fala?
BRUNO: . É sim, Henrique quando você começou com a apicultura, você trabalhava nas terras que
eram suas, ou essas terras eram cedidas a você para o trabalho apicultura?
HENRIQUE NERY: É do meu pai,
BRUNO:Ah seu pai
HENRIQUE NERY:Era de família seu pai, o meu pai tem uma propriedade, lá em São Vito, é o sítio Boa
Esperança. E aí, a gente trabalhava lá, ficava um, os 1500 metros, bem pertinho. a comissão da
propriedade nossa, lá. Quando eu falava assim, que eu me identifico como negro, porque de fato, aí eu
tenho traços, meu pai negão, meu pai teve Viti Ligo, você conheceu já com Viti Ligo, já com o pai, super
negros, cara de me 1,75 de altura. Minha mãe já pele clara, mas filha de negro também, eu sou negro e
acabou, ele ainda investa.
BERNARDO: Eu queria começar a entrar numa assunto que a gente começou conversar na
cooperativa, que é um pouco sobre esse desenho fundiário. E o que eu quero dizer com isso? Como é
que são divididos os espaços de apicultura? Ou seja, as terras, como é que os apicultores se
arranjam, se cada um só coloca caixa nelas ou na suas próprias terras, ou se tem outro arranjo, como
é que as coisas são a partir.
HENRIQUE NERY: Rapaz tem várias formas, por exemplo, a questão de regularização fundiária, não é
um problema que se tem no território, muitas propriedades têm, escritura ou outras não. E outros, a
pessoa chegou lá, começou a morar, ao longo dos anos, e lá ficou, e é o dono e todo mundo respeita
isso. Por fronteira, sabe? É assim, tipo, eu quero entrar na atividade, eu não tenho terra, mas um
parente meu tem terra, para plantar e não criar abelha , aí ele cede um espaço, lá no final da
propriedade para você colocar e o cara vai lá e coloca, outros casos, assim, a pessoa tem a propriedade
pequena, às vezes 10, 15 hectares, não é o suficiente para criar abelha , só que a abelha, ela não tem
fronteira, sabe? Ela vai por cima, então se ponha ali um apiário e a abelha vai pegar o néctar, o pólen,
nas propriedades dos outros, entendeu? E aquelas propriedades, que às vezes as pessoas, meio que
não utilizam, tem uma estrutura da terra, do lago, para lá, as pessoas chegam e conversam: “então eu
quero colocar uma apiário ai” ai se marca sobre a propriedade, aí só sede, né? Porque tem um fator
positivo de uma polonização né? Então, a caatinga por si, ela se regenera de uma forma muito natural,
quando a apicultura está trabalhando. Em 2012, para 2013, nós tivemos uma seca extrema, você estava
aqui Bernardo?
BERNARDO: Não, mas eu soube
HENRIQUE: Uma seca extrema, parte da caatinga morreu, sabe? Morreu o marmeleiro, morreu o angico
e tudo mais, e assim, os apicultores perderam quase que 95% das suas abelhas ai acabou a atividade,
aí 2014 começou a chover regular novamente, sabe? E parecia milagre, sabe? Uma coisa em mês
multiplicaram, os cara colocava melgueiras no meio no campo, e foi uma enxameação coisa de maluco,
sabe? Tipo, assim, coisa de dois meses nós reestruturamos a apicultura que estava lá embaixo para
uma das maiores do país, no território, na Serra de Capivara, que veio muito enxame, era só colocar
caixa que capturava, colocar caixa com a cera, e os enxames chegando. E a natureza começou a brotar
de novo, do jeito que está aí hoje, um processo muito legal.
BERNARDO: Mas esses arranjos, de utilizar a terra de parentes, de vizinhos, de conhecidos, etc. Esse
arranjo é um arranjo que é feito comercialmente, é um arranjo feito…!?
HENRIQUE: Não, ninguém coloca abelha. Ainda temos esse costume. Uma coisa que o pessoal tem
muito costume, fora que a gente tem receio de começar aqui na nossa região, é
a questão da migração, né? Apicultores de outros estados, de outras regiões, trazer a abelha para cá.
Mas a nossa apicultura que é tão forte, que acabam que os melhores espaços, os apicultores ocupam,
né? Então, o pessoal coloca meio que essa barreira. E alguns que já tentaram trazer a apicultura para
cá, não deu certo, por incrível que pareça, parece que a nossa caatinga, ela é feita com a apicultura fixa.
O cara que está ali, não tem conflito, não Bernardo.
BERNARDO: É, mas... a forma que você está me descrevendo, ela não aparece radicalmente
simples, não me parece diferente da capim cultura
HENRIQUE: É mesmo a coisa. É mesmo a coisa. Você chegou no cara, você colocou um apiário ali,as
pessoas respeita, né? Uma coisa que a gente tá trabalhando, já a concentração, é que as entradas para
apiários sejam identificadas para evitar acidentes, sabe? Com o crescimento da apicultura o risco é
grande, né? Às vezes a pessoa entra no lugar e se depara com o apiário com caixas, vai deparar com
um absurdo de abelha, né?
LENARA: É, assim, a cooperativa, eu não sei se é trabalho da cooperativa, o trabalho de captação de
exames?
HENRIQUE: Ai é com o apicultor, quando ele... Pronto, você quer começar na atividade hoje? Tenho 20
cachos de abelha. Aí bateu as primeiras chuvas, começou a florescer, aí você é bom você conhecer e
estar em contato com os apicultores mais experientes, eles vão dizer o período da enxameação. Aí
quando tá próximo o período da enxameação, né? Que começa a dar sinais, porque elas vão começar a
migrar e dividir os enxames, né? As famílias, as rainhas, ai as rainhas eles precisam de outras áreas
para a ir, elas pegam metade do enxame, e leva embora e vai para a outra parte.
BERNARDO: A gente começa antes da chuva ou depois da chuva ?
HENRIQUE: A gente geralmente começa 45 dias depois da primeira chuva, depois da primeira chuva. É,
quando dá tudo certo, hein? Bateu aquela primeira chuva, aí começa a brotar aquela olhinho, saca ele
babuzinho ali, começa a brotar um olho ali na caatinga, 45 dias depois, se a chuva regular e não deixar
a murchar e secar, quando é de 5 dias depois, já é propenso ter examação. A primeira, né? Aí tem a
primeira enxameação que é na... a gente chama a primeira perna da safra, né? A minha parte da safra,
é a safra da catinha grande, que pega marmeleiro, a angico de bezerro, sabe, essas árvores maiores,
como essas daí ... Passou essa daí, aí é a segunda perna da safra, que é um marco rasteiro, bamburral,
a malva, sabe? A gitirana, aí é aqueles matinhos pequenininhos, e seria aquele molde de flor, a
amarelinha, azulzinha . Ali é a florada do final, que é a segunda parte da safra, que já dá outra
enxameação. São duas enxameação que a gente tem aqui no ano.
LENARA: Achava que era só essas árvores do maiores.
HENRIQUE: Ah, ainda aqui. Só mais de 150 tipos de floradas que tem no território
BERNARDO: Então... Tá, é uma... O que é que mais uma pergunta pronta? querem fazer?
BRUNO: Eu quero... Então Henrique, como você define o impacto da cooperativa na vida dos
associados?
HENRIQUE: Impacto na vida dos associados
BERNARDO: Aí eu quero pegar isto, quero voltar numa pergunta que já foi feita e perguntar de outro
jeito, porque perguntaram como é que define a atividade da Mel do Sertão, né? Eu quero na verdade,
perguntar quais são hoje as atividades de meu certão, né? Como é que você define elas por parte?
Isso não precisa ser... Fala tudo o que você faz, porque eu sei que... Se eu que... Se eu que tenho um
trabalho pequenininho de extensão, eu não sei dizer o que ele faz, na ponta de cabeça, né? Eu queria
te perguntar isso, né? É muito com essa história de definição muito impacto, né? Eu queria que você
avaliasse o impacto com as atividades concretas, melhor a gente faz tal coisa, e aí a gente vê que isso
tem tais efeitos, a gente faz essa outra atividade, a gente vê que isso teve estais efeitos, queria que a
gente fizesse uma espécie de mapeamento da atividade da cooperativa, a melhor forma é a resumir da
responder o que o Bruno perguntou
HENRIQUE:o impacto na vida do produtor, o impacto direto é que ele já entende que não está só, né?
Ele já tem esse processo mental, que é fundamental de compreender, eu não estou sozinho, eu estou
dentro de um negócio, que eu tenho uma série de parceiros aqui na minha comunidade, que também
são associados, a gente está junto no processo, se der certo nós vamos crescer juntos se der errado,
também estamos juntos, né? Então, é o espírito coletivo, que fortalecesse um ao outro, né?
Principalmente, em um momento da dificuldade, como caras vezes pensa em desistir, a gente
converse, diálogo, e tudo mais, e a gente oportuniza para o produtor, ele ter acesso a certo benefícios,
como associado, como cooperativo a gente vive numa busca constante, pelo desenvolvimento, pela
estruturação, da cadeia produtiva da apicultura da região. Por exemplo, bem simples, no ano passado
a gente conseguiu um recurso, uma emenda parlamentar, que a gente contemplou, 86 famílias do
território quilombola, né? Com caixa de abelha, macacão, luva, bota, fumigador, cera de abelha, e
também conseguimos uma máquina industrial, de alvelação cera, né? A cera de abelhas, era um dos
insumos mais importantes para você trabalhar na apicultura profissional. Sem cera você não
consegue, nem capturar em exames, e muito menos produzir mel, porque a cera é um insumo
essencial para você colocar nos ninhos e nas melgueiras, para que as abelhas possam construir .Os
produtores estavam comprando muito caro, sabe Bruno. Quando a gente conseguiu esse
equipamento, a gente quebrou o preço da cera em uma média de uns 25%. Tiramos o monopólio da
mão, das grandes empresas de exportação, e colocamos essa força direta para o produtor, que foi
uma vantagem muito boa. Outra vantagem que também o produtor tem, era um momento da aquisição
dos outros insumos, que é comprar macacão, a gente fornece por preço de revenda, sabe, que é
comparar para ilhós, que é um negócio que você usa ali na colmeia, para colocar o arame, que é
comprar arame, para colocar nos quadros, sabe. Uma série de coisas que são utilizadas na apicultura,
que a gente também fornece, porque é um preço mais barato para os associados. É, a gente sempre
tem esse negócio, o preço do associado é x, e do nosso associado é y. Na parte da comercialização,
também a gente, quando a gente vai fazer um pacote de negócios, hoje nós temos que passar ir com
duas grandes empresas de exportação, no momento, o que a gente tem, uma de Bebedouro - SP, né,
que é a pidoro, e uma de Timóteo - Minas Gerais, que é a melbraia, são duas empresas muito sérias
dentro do setor, que compreenderam a nossa forma de trabalho, e hoje são parceiros nossos, que de
certa forma a gente faz uma agregação de valor, aumenta a competitividade do produto, e não deixa
que qualquer empresa chega na região, e levar o mel aqui a preço de banana, isso a cooperativa já
não deixa mais.
BERNARDO: Então essas parcerias, isso significa que são compradores preferenciais, que têm um
acordo comercial, de não trabalhar baixo no setor preço, exatamente, né, de tentar praticar o preço
justo, ou coisa parecida.
BERNARDO: É, também a segunda relação em formação, sabe, na verdade, o produtor de antigamente
não sabia como eram feitos contratos, para exportação. Hoje tem uma ferramenta bem simples, que eu
utilizo, sabe mensalmente, eu vejo no comet estate, o preço das commodities no Brasil, é a gente
consegue visualizar o preço que algodão, o preço do milho, o trigo, do mel, entendeu? Depois eu posso
até te passar o link. Então você vai lá e consegue ver qual preço que cada empresa está vendendo o
mel. Então você é empresa, vem de um mel, por 2.700 dólares, aí você vai lá 2.700 dólares, ver a
cotação média do dólar durante aquele mês, multiplique, para chegou a preço X, né, da tonelada, divide,
e vê o preço do quilo, então você foi lá, ve o preço do quilo é X, e aí, é só empresa, está pagando um
preço, que não é satisfatório pra gente, a gente vai desculpas, por exemplo, você está vendendo o mel à
X, ou a fora, me mostra e qual é a tua planilha de despesa que você está tendo, e o teu lucro, para ver
se vai bater com o nosso aqui da cooperativa para a gente chegar no acordo legal, para ficar bom, para
você, e bom pra gente, então a gente colocou transparência no negócio para o produtor. e essas
informações a gente joga lá no grupo da cooperativa: “- ó, pessoal, o preço do mel hoje na Comod
internacional para X, a empresa passei da nossa vender o X, a outra vendeu para o X, o preço que dá
para pagar para aqui é isso” Então não tem mais essa discussão, a gente está sendo enganados ou nós
estamos sendo lesados. Então estamos de olho.
Então se a gente fosse resumir, ver se eu estou certo, tem duas atividades, dois tipos de atividade que
vocês estão desenvolvendo muito bem, que é tornar um investimento, um material acessível, ou seja,
que o cooperado passar a poder ser um produtor na medida que tem acesso a bens que de outra forma
não teria acesso, macacão megador, e tudo mais, e por outro lado, vocês estão fazendo trabalho de
acessibilidade de informação, para que todo mundo possa entender, as perdas e os ganhos,
transparência de contratos e como eles funcionam, faz sentido no que estou falando?
LENARA: Quais eram os perfis dos cooperados antes da cooperativa? Você consegue visualizar?
HENRIQUE: Consigo, histórico diverso, sabe? Porque tipo, Bonfim do Piauí nós temos uma associação
que já trabalha a conscientização do associativismo desde 2014, né? O presidente lá até o Raimundo
Fillho, cara show de bola e os associados vestiram a camisa do negócio. E aí todos eles da associação
são sócios também, da cooperativa. Então, um pessoal que já vem com uma consciência sobre a
importância do trabalho coletivo, mas nós temos sócios de regiões dispersas, né? O cara mora numa
região, numa comunidade de São Raimundo Nonato e lá tem 10 produtores, mas só ele teve a visão de
querer ser sócio da cooperativa, ele vem sozinho e se filiou . Aí ele faz o trabalho dele como um
associado, os demais lá não. Aí às vezes acontece o que aconteceu esse ano em Dom Inocêncio.
Começou a safra do Mel, aí os atravessadores partem para cima, sabe? Pra tentar comprar o Mel os
produtores naquele negócio, cada ano os anos foi estratégia. E eu já fui atravessador, eu já sei como é
que é a visão de como eles trabalham, né? E aí começamos um trabalho forte com uma cooperativa
junto com essas empresas, jogamos o preço do Mel com uma margem que é bem diferente, vamos
valor mais caro, né? Pra os apicultores, para os associados. E a notícia chegou lá em Dom Inocêncio. Aí
lá na região da Lagoa dos Currais nós só temos dois sócios, né? Que é o Marilson e o Mailson. E aí um
dia o Mailson entrou em contato comigo: -“Nery rapaz tem um cara vizinho meu, tem que tão tudo cheio
do Mel” (Lagoa dos Currais maior produtor de mel de Dom Inocêncio).
“Só que o pessoal não é sócio da cooperativo não, eu queria saber se você tem interesse de adquirir o
Mel do pessoal?”
Olha mas se o pessoal ai do Dom Inocêncio não esquentar muito a gente pode fazer o mesmo preço que
gente faz pro cooperado. Só uma motivação de esse pessoal, para eles ver que cooperativa estar
fazendo trabalho legal. E aí o Mailson foi e conversou com o pessoal, o Ramiro, que é o coordenador do
núcleo, o Jalvan, também representante da comunidade vazante. Vamos adquirir o mel todo do pessoal.
Descemos para comunidades e recolhemos 100% do Mel daquelas pessoas que não eram nem da
cooperativa, eles entenderam que é importante a força do trabalho coletivo. E eles todos fazem
forneceram Mel pra gente, só entregaram o Mel e fomos pagar no dia seguinte. O produto, né, com
recurso das empresas de importação, né, que financiou.
HENRIQUE: Importante porque é dinheiro na hora entendeu? É dinheiro à vista. Pode ser 2 milhões e
10 milhões do dinheiro tá aqui, entendeu? E aí a gente conseguiu adquirir o Mel do pessoal. Qual a
estratégia agora? Agora, passou a eleição, não faz trabalho de reunião época de eleição, sempre da
confusão. Passou a eleição, mas vamos descer lá para Dom Inocêncio, vamos até lá a Lagoa dos
Currais, né? Aí vamos reunir todos esses produtores que forneceram mel pra gente, eles vão se filiar na
cooperativa. Mas assim, a valorização do Mel faz as contas. Quanto é uma centrífuga? A mais barata é 4
mil. Quanto é uma mesa da operadora? a mais barata é 3, já dá 7 mil. Os garfos operador pra um grupo
de produtos trabalhados, 3, 4, cada garfo custa 70 reais, né? Uma peneira inóxia é 600 contos.
Entendeu? Uma casa de Mel, por simples que seja, o seu cara vai só adaptar um quartinho pra poder
tirar a Mel, tá? O cara vai gastar 15 mil e 20 mil hoje, o material de construção está lá em cima. Você
organiza os produtores da comunidade, se filiou na cooperativa, começa a fornecer o Mel para a
cooperativa. A cooperativa faz um projeto, juntar um instituição governamental, um onde, um onde,
qualquer, um edital e aí consegue pra lá todos esses benefícios. Construir uma casa de Mel, 150 mil,
coloca 450 mil em equipamento e ainda dá caixa de abelhas pros produtores, pra você não fazer aquele
investimento de base inicial. Aí quando chega a época da venda do Mel pra mercado, uns pouquinhos
mel tá 12 reais o dia que tá todo mundo pagando, a cooperativa paga só os 12, mas nós tá pagando
mais caro. Você sabia? Porque nós desoneramos o investimento de base do produtor, ele não comprou
a centrifuga, ele não comprou as mesas operculadas, ele não construiu a casa do Mel.
BERNARDO: Então ele não tem que fazer o que, ele não tem que recompilar de investimento.
HENRIQUE: Exatamente, e os outros que não estão na cooperativa, eles fazem esse investimento.
Entendeu? Ali às vezes o cara que não é cooperado, eles vendem no mesmo preço, ele tá se quebrando
na atividade e não sabe. Entendeu? Ele tá lá atrás, quando for colocar esse de um mundo
(PAUSA PRA ÁGUA)
Então quando você pega isso, aquele cara ele diz, não, eu também não é no Mel por 12 reais. Aí o
cooperado olha pra ele assim, né? Muito bem, seu vacilão você comprou uma mesa grande, gastou um
absurdo, você comprou um centrífuga cara, você investiu nisso, nisso e nisso, e a cooperativa
conseguiu de projetos, já deu aqui pra gente tudo que você gastou. Aí o cara, é, realmente, ele não
coloca no bigo da caneta, o investimento que eu ele está fazendo de base.
LENARA: Acho que vai do conhecimento da pessoa sobre investimento
HENRIQUE: Aí assim, eu vou uma vez por ano na rádio Serra da Capivara falar sobre a apicultura. Uma
vez por ano, antes eu ia 6, 6, eu ia todo mês que tinha, tinha ano que eu ia. No começo, sabe? Hoje eu
vou uma vez por ano. E toda vez que eu vou pra dar uma entrevista de meia hora e falar um pouco
sobre a atividade, meses depois o nosso quadro social aumenta muito, porque muitas pessoas vão
procurar o cooperativa para filiar por causa da rádio Serra da Capivara que é o conhecimento, a falta de
conhecimento e outros fatores, questões políticas dentro da região, tipo, assim, hoje, a pelos menos na
prática, né? Eu tenho um candidato a prefeito. E aí, o fulano de tal comunidade volta no outro. Se eu
quiser fazer um trabalho na comunidade, a gente vai com intenção política e não é isso. Aí às vezes ele
trava a comunidade: “não, não, não, não, não, não, não vai ter palestra aqui de fulano não, não pode vir
aqui não”. A gente nem faz isso. Porque até contra a lei do cooperativismo, mas a gente não mistura as
pessoas, tipo, eu, pessoa física, tenho um posicionamento político. Mas eu, Henrique, articulador,
gerente da Mel do Sertão, cara, eu sou, tô aqui fazendo negócio, entendeu?
LENARA: Eu que seria um atravessador?
SPEAKER_04: É aquela pessoa que tem um capital de giro, às vezes razoável, às vezes uma grana
boa, às vezes um pouquinho. Aí, tipo, o Bruno é pro... como é que é seu nome mesmo?
LENARA: Lenara.
HENRIQUE: Lenara? Lenara.
HENRIQUE: Ai, a Anne e Lenara.
HENRIQUE: O Bruno
HENRIQUE: A Lenara é produtora, né? Aí o Bruno comerciante na comunidade. Você também
produtora. E aí, começou a safra do mel, o Bruno está bem aqui na comunidade, ele soube que você
tirou 20 baldes de mel. Aí o preço do mel está em trezentos reais o balde. Aí você vai lá no comércio do
Bruno, pra comprar um cuscuz, um negócio. Aí o Bruno fica sabendo que você tem esse mel, ai ele vem
e diz: “ei vende mel aí por 280 contas lá. O dinheiro aqui na hora, tá aqui, ó, tô aqui” . Já mostra logo o
pacote de dinheiro pra você. Aí você vai dizer isso, facilidade que o dinheiro na hora, aí você entrega
esses 20 baldes de mel. Aí o Bruno pega seu mel e vende por trezentos reais. Aí ele ganha 20 reias
assim, então ele atravessou seu negócio. Por isso que esse é o nome, atravessador. Compreendeu? É
um comerciante que tira a aproveita a situação. Aí ele é uma pessoa ilegal no mercado, não. Não, ele
está ali sobrevivendo, entendeu? Compre e pagou uma mercadoria. Não é? Mas quem compra de
atravessador tem uma preocupação. Porque você perde o fio da rastreabilidade do produto. Do mel.
Porque assim hoje, por exemplo, você vai ter a certificação orgânica, fugindo aqui das perguntas, né? É
bom, não sei se vocês têm as perguntas voltadas pra isso, mas a questão da certificação orgânica, você
precisa demonstrar a rastreabilidade do produto. Você mostrou a rastreabilidade do produto, você
certifica como orgânico. Como é que começa o processo? A Anne é a apicultora. Aí ela tem 10 apiários,
cada apiário da Anne tem uma média de 400 colmeias. Então, ela tem 400 colmeias. Como é que faz?
Primeira coisa, faz um cadastro, claro. Aí pega o nome completo dela, pauta do direitinho. Quantas
colmeias você tem? Então, tantos. Tem quantos apiários? Não fica lá na propriedade tal. Como é que é o
nome do apiário? Ela vai dizer, não, não é lá na aroeira. É bom, o apiário da aroeira. Um é lá no campo
cercado, o campo cercado. Um é lá no pé de perreira. O outro é lá no angico de bezerro, e relaciona
cada apiário da um nomezinho. Começa o processo de rastreabilidade. Depois a gente manda um
técnico e lá da cooperativa fazer o georreferenciamento em cada apiário. Aí ele tinha uma coordenada
geográfica de cada apiário. E, de preferência naquele grau minuto de segundo. Porque a gente usa mais.
Aí tirou a coordenada geográfica, de altura de latitude, a longe de altitude. Aí ele tirou a coordenada
geográfica. A gente pega as coordenadas geográficas desses apiários, lança no burroefo. E aí com
aquela coordenada geográfica, a gente vai e faz um raio no entorno do apiário. Aqui, um raio de seis ou
quatro quilômetros. No entorno do apiário. Nesse raio, a gente observa, se tem o lavoura, se tem
mineradora, se tem lixão, se tem indústria, entendeu? E aí não tendo nenhum desses potenciais fontes
de contaminação, aquela área, considerada uma área verde, uma área limpa. Aí a área fica certificada.
Aí aconteceu o primeiro processo de certificação orgânica . Ah, mas quem valida isso? Aí vem uma
certificadora que tem reconhecimento nacional e internacional. Porque essa certificadora tem que ter,
no ramo internacional, se não não exporta o mel, como orgânico. Aí ela vem mandando uma auditoria,
ela estava na área, na parte de casa, e eu foto os aí, o pack na internet para divulgar. Deu certo?
Graças a Deus. Sem custo. Mas foi a base de um mês para para arrumar a documentação
BRUNO: E como você avalia o impacto ambiental da cooperativa que você viu, a mudança ocorrer e se
ocorreu?
HENRIQUE: Ah, as mudanças são grandes demais, rapaz. É simplesmente essencial a apicultura no
território Serra da Capivara.O ICMBIO, costuma fiscalizar, 1% não seja terra. Não dava com isso. Não
tem a menor condição. Ao todo, você pega em ação 400 mil hectares de terra. É muita terra. Para você
controlar a queimada. Sabe? Então a melhor forma de controle de queimada não é contratar brigadistas,
essas coisas, é só não queimar. Então quando o apicultor entra na comunidade, ele protege a área que
as abelhas alcançam, né? Se tiver queimada na área de 200 hectares, você terá que esperar 3, 4 anos
para a caatinga regenerar. Você põe a apicultura como algo novo. Então é muito melhor preservar. É
para você ter noção no ano 2000, como essa área aqui, quando eu ia para São Vítor mesmo, eu não
contava de tanto queimada que tinha. Começava aqui e do IFPI pra lá. Você via vários focos de incêndio.
E assim mesmo não tem noção do que eu ia fazer no futuro, aquilo era coisa que eu ia fazer no futuro,
eu avaliava muita queimada, meu Deus do céu, queimada de mais, loucura, loucura, loucura, sem limite.
Então hoje, a cooperativa tem esse trabalho de conscientização natural. Não precisa nem a gente expor.
Antes, chega aqui, tem um grupo de 50 pessoas, são 50 propriedades, nem uma é queimada.
BERNARDO: Deixa eu fazer uma pergunta mais casada. Como é a conversa de vocês com o povo da
agroecologia? E o ponto de vocês terem conversas com a agroecologia, é importante, por exemplo,
para a certificação orgânica?.
HENRIQUE: De um modo geral, para o pessoal da agroecologia. Nós já somos né? Sim. Do setor, mas
somos da agroecologia, porque a gente em certa forma sobrevive do ecossistema. Então nós estamos
inseridos no processo. O diálogo tem que ser contínuo sobre isso, nunca esquecer quem somos. É
fundamental. Então se você está ali para trabalhar com a apicultura e quer ser um pequeno produtor,
um agricultor que é plantar um negócio, com ela na propriedade identifica a área de capoeira que você
tem, a área da terra não faz nem um tipo de queimada. E se for fazer, faz aqui mais controlada. Já há
muito gente ali para fazer aquela pequena queimada, mas que ela fique localizado e ela não ganha
proporções maiores. Depois, tem que ter esse cuidado.
BERNARDO: Porque a minha pergunta é uma arada, um roçado que alguém utiliza defensivo
químico. Isso inviabiliza a certificação?
HENRIQUE: Tudo inviabiliza tudo. Aqui nós estamos tendo um problema para a cabacinha, que é uma
região de São Brás, para a Jurema do Piauí, nós temos alguns denúncias que vê um pessoal de fora,
com as fazendas, começou a plantar milho e estão usando defensivos. E aí essa cultura de usar
defensivo acaba se espalhando para os moradores, locais, um dos venenos mais comuns utilizados, é o
glifosato, que é justamente o pior de todos. Entendeu? Porque ele mata determinadas culturas e outras
ele não mata. Entendeu? E para abelha, ele é um problema, porque não é aquele mata a abelha de
imediato, é porque abelha vai lá e coleta a florada contaminada, traz para dentro da colméia, entendeu?
Tem um índice de mortalidade da abelha, mas é ele quem traz aquele néctar contaminado e aí quando
esse mel vai viajar, ele passa por uma análise prévia de glifosato, antes de viajar. Você reúne aqui um
contêiner de mel, são 70 e poucos tambores, e ali vai para um tanque para fazer o processo de
homogeneização do mel. Aí é retirado uma amostra e aquela amostra é enviada por cliente. Quando o
cliente recebe no Estados Unidos, Canadá e na Europa, ele pega aquela amostra e manda por
laboratório. Se naquela amostra o índice de PPBs, partículas por bilhão de glifosato tiver acima do
aceito, tiver acima de 10, 15, 15 ml por litro, acabou. O cliente não quer mais como orgânico, tem o mel
tem problema de glifosato, então ele vai ser rebaixado da categoria de convencional . Aí o preço do mel
orgânico é 2,7, e o comercial é 1,700, onde é a diferença de mil dólares, as vezes. E aí quebra a
atividade. Então assim, hoje, no seminário de piauí, onde eu estive em Piracuruca, a Adriana Barreto,
que é do Ministério da Agricultura, sei se conhece ela, Adriana estava ministrando uma palestra sobre a
redução das áreas de produção de mel orgânico no Piauí. E a única região que não teve
redução foi a região da Serra da Capivara. Na região norte houve uma redução muito brusca. Na região
de Picos também, na região de Simplício Mendes também teve, e aqui na Serra da Capivara não teve, o
maior cinturão verde que a gente tem hoje, se procurar na produção de mel orgânico é aqui, até o
presente momento. Então, para nós, essa briga com a mineradora, com fazendas do agronegócio, ela é
vital, não está aqui preparado para mim. É muito importante ter essa união de forças, porque a
cooperativa fala o trabalho prático de preservação, porque precisa da caatinga, mas esse trabalho que
hoje é, por exemplo, a UNIVASF faz, ele é essencial, e ele é um trabalho reconhecido pelos apicultores,
entendeu? Porque é um pessoal que está, de certa forma, na linha de frente. Muita vez, não está do lado
da gente aqui, mas está atuando na linha de frente, o tempo inteiro. No caso da ameaça, da fazenda,
apesar da linha, você vê como é que foi o movimento. Todo mundo se uniu, veio a FUNDAM, veio a
UNIVASF, veio o ICMBIO, veio a Mel do Sertão, veio a associação territorial, todo mundo se uniu.
Fizemos uma carta aberta, essa carta aberta, teve aí a assinatura de diversas instituições, a pressão em
cima da Secretária de Meio Ambiente, do Estado, foi gigante, entendeu? Inclusive já estávamos
organizando uma milícia virtual para o Instagram lá da Semar. O Daniel ficou sabendo que ia ter esse
problema. É que a gente tem que ir, né? Chegar mesmo, que fiz 1.000 comentários, aí denunciando
choca qualquer um desses que ver, governo não gosta de exposição na caatinga, governo gosta de
estar meio que no popular, sabe? E aí quando as pessoas compreenderam que a tecnologia é muito boa,
que hoje todo mundo tem Instagram, né? Então vão ter um WhatsApp, mas as pessoas às vezes não
sabem a força que tem com essas ferramentas. Você pode fazer o bem, às vezes você pode também
comprar uma briguinha coletiva ali muito legal. Eu já vi muitos grupos de professores, né? O deputado
fulano de tal, votou contra uma lei que desfavorece a classe. Aí se organizam por um meio que todo
poste que ele fizer na comunidade, comentar que ele votou contra tal lei. Aí eu vejo lá no Instagram, o
deputado só tem poder nessa rede, o deputado para até de postar porque estão acabando com ele. Aí
força ele... É para dizer que depende de voto e as pessoas estão me queimando aqui? Aí o cara fica
com medo, pra ser um medo, uma pressão.
BERNARDO: É, a gente que sabe que tem esse material, é apiários e como vocês fazem isso, poder
compartilhar essa informação?
HENRIQUE: Na realidade, é um documento sigiloso, sim, porque é um projeto caro. Você entendeu? É
um projeto caro, porque... eu imagino, você colocar um técnico pra poder fazer tudo, levantamento de
coordenadas geográficas num campo, entendeu Bernardo? É uma coisa bem demorada, você paga um
salário pro cara, tem um salário base dele, tudo mais. Mas, dependendo como você vê o projeto possa
ser desse modelo
BERNARDO: Não, mas o que eu acho que seria interessante. O passo seguinte da nossas entrevistas,
seria começar a fazer uma pesquisa sobre a vida dos apiários, que eu acho que seria... entender a vida
dos apiários e conseguir fazer todo esse trabalho de entender e conseguir fazer todo esse trabalho né?
Do mel rastreável
Porque eu acho que isso seria uma coisa bonita de fazer, entendeu?
HENRIQUE: Legal eu topo seria ... Porque começa assim, né? Tem esse trabalho de campo. Aí depois
tem o trabalho do produtor, que é o mais difícil, E sabe o que é o trabalho do produtor? O dia que ele for
lá no campo, aí ele chega na casa do Mel, aí ele vai anotar. Aí ele vai dizer, hoje dia 10 fevereiro de
2025, eu trouxe 30 melgueiras e colhi tantos quilos de mel. Sei lá, anota isso. Aí no dia que ele vendeu,
aí ele pega aquele recibo para colocar numa pasta e anotar. Hoje dia tal, vendi tantos quilos de mel, que
é outra forma de rastreabilidade que é a certificadora. E aí ela chega aqui, aí ela vai no produtor, né?:
“Eu vi aqui no relatório aqui do sistema de controle interno, da cooperativa, que você tem 10 apiários, o
apiário tal, tal, tal. Eu quero visitar 3?” A ela visita 3. A ela checa as coordenadas, né? Bateu as
coordenadas do apiário aprovado. Aí ela observa no entorno da apiário. É uma
sacola, algum lixo, uma sacola de lixo,uma sacola de solta é não conformidade. Uma garrafinha pet é
não conformidade. Se tiver no chão, uma garrafinha pet é não conformidade. Então assim, aí pronto
apiário aprovado. Onde é que você guarda suas caixas? Eu guardo as caixas ali no fundo do quintal.
Aí vai lá observar. Se as caixas estão limpas e organizadas, se estão suspensas, se as galinhas estão
fazendo cocô em cima ou dormem em cima, cachorro ou porco, ou de repente, o cara está um
quartinho específico, né? Que guarda, ou quer dizer, recomenda às pessoas guardarem dentro de
casa, né? Que ele é um negócio que vale a grana, vale o dinheiro. Aí beleza, ele mostrou o depósito,
está todo direitinho. Então, às vezes, o cara guarda dentro de casa. Aí deixa uma garrafa de
querosene bem do lado. Também está errado, não pode. Então tem que ser um local específico para
armazenar. Então, a rastreabilidade é isso, georreferenciamento, cadastro de produtor, apiários
organizados, casa de mel dentro da legislação, equipamentos ok, e as anotações por parte do do
produtor. Hoje nós temos um sistema que é o melhor. Negoceia teu mel, pesa ele, paga e pega sua
nota fiscal no mundo do produtor. Aí, eu pego, já mando o comprovante de pagamento, mando a nota
fiscal para ele. Quando você quiser se aposentar com o produtor rural, tem a nota fiscal para
comprovar. Então, quando o auditor chega para inspecionar, ele vai no sistema de controle interno, ele
vê todas as vendas do produtor. Ele vai checar e as vendas têm que bater. A notação dele tem que
bater com o que ele vendeu. Entender para não caracterizar, que você pega o mel convencional e bota
em um nome pra vender como orgânico. Entendeu?
A máfia que as grandes empresas fazem. E hoje nós temos uma parte da legislação que está
favorecendo as cooperativas. A Europa descobriu essa fraude. E a Europa já determinou até junho de
2025, só entra-me, na Europa, se fosse certificado por cooperativa. Então, para nós a uma vantagem
BERNARDO: Você tem vontade de se transformar em um certificador?
HENRIQUE: Não, não queremos ser certificador, mas queríamos ter vínculo com um certificador
participativo para a certificação BRO que é o Brasil orgânico, como é o caso da APASPI por exemplo, a
gente tem interesse de fazer a certificação participativo com a APASPI. A gente já vem discutindo isso
há dois anos, mas assim o pensamento empresarial roda a gente não tem pressa. O próximo ano, o que
é que tem para o próximo ano? A construção do entreposto de mel. Já tem 1 milhão e 200 mil garantidos
na emenda parlamentar. Estamos buscando isso a tempos Mas o terreno é 50 mil porém vamos procurar
formas, vamos fazer o dinheiro. Mas, ano que vem vamos construir o entreposto da cooperativa. Aí com
o entreposto já muda de figura. O que se constrói na cooperativa, ele fica de bem para a cooperativa.
Entendeu? Aí, nós vamos ter capital de giro e comprar o mel dos produtores e vamos fazer negociação
direta. Aí, os nossos atuais parceiros comerciais vão pegar uma parte da produção, porque
teoricamente, a gente não tem perna nos primeiros anos para pegar todo o mel e exportar. A gente
continua vendendo uma parte para as empresas de exportação dos parceiros. Tem que ter sempre as
válvulas de escape, mas a gente também vai exportar direto, que é o caminho. E principalmente, vender
o mel com o registro da salvespeção federal, fazer todo esse processo com a caminhada, colocar a mel
na merenda escolar, nas universidades, com uma ideia de fornecer mel, para jogar a merda em tudo
quanto é canto, para aumentar o consumo de mel no Brasil. O brasileiro está consumindo 65 km de
merda por ano.
(CURIOSIDADE SOBRE MEL)
BERNARDO: Aí, acho que fica faltando aqui duas coisas que eu queria perguntar para ti. Acho que a
primeira pergunta... E você já começou a responder, mas isso vale a parte do que acontece nas futuras.
Você avalia cooperativa, com parte de um movimento mais abrangente , que movimento seria esse
movimento?
HENRIQUE: Eu avalio o trabalho da Mel do Sertão como um trabalho nacional hoje. Estamos em um
processo de certificação de educação geográfica, que vai ser a primeira educação geográfica do
Nordeste no território Serra da Capivara. E a gente tem um pensamento de trabalhar o fornecimento
do nosso mel em todos os cantos do Brasil. Porque tem produção para isso. O trabalho...