UNIDADE 6
6.1. DA ORDEM DOS PROCESSOS NOS TRIBUNAIS (art. 929 a 946 CPC)
Registro e distribuição – art. 929 e 931 de acordo com o Regimento Interno,
alternatividade, sorteio eletrônico e publicidade.
Distribuídos, os autos serão imediatamente conclusos ao relator, que, em 30
(trinta) dias, depois de elaborar o voto, restituí-los-á, com relatório, à secretaria.
Deveres do Relator - art. 932. Incumbe ao relator:
I - dirigir e ordenar o processo no tribunal, inclusive em relação à produção de
prova, bem como, quando for o caso, homologar autocomposição das partes;
II - apreciar o pedido de tutela provisória nos recursos e nos processos de
competência originária do tribunal;
III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha
impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida;
IV - negar provimento a recurso que for contrário a:
a) súmula do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça ou do
próprio tribunal;
b) acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de
Justiça em julgamento de recursos repetitivos;
c) entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou
de assunção de competência;
V - depois de facultada a apresentação de contrarrazões, dar provimento ao
recurso se a decisão recorrida for contrária a:
a) súmula do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça ou do
próprio tribunal;
b) acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de
Justiça em julgamento de recursos repetitivos;
c) entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou
de assunção de competência;
VI - decidir o incidente de desconsideração da personalidade jurídica, quando
este for instaurado originariamente perante o tribunal;
VII - determinar a intimação do Ministério Público, quando for o caso;
VIII - exercer outras atribuições estabelecidas no regimento interno do tribunal.
Prazo para regularização: Parágrafo único art. 932. Antes de considerar
inadmissível o recurso, o relator concederá o prazo de 5 (cinco) dias ao recorrente
para que seja sanado vício ou complementada a documentação exigível.
Fato superveniente: Art. 933. Se o relator constatar a ocorrência de fato
superveniente à decisão recorrida ou a existência de questão apreciável de ofício
ainda não examinada que devam ser considerados no julgamento do recurso,
intimará as partes para que se manifestem no prazo de 5 (cinco) dias.
§ 1º Se a constatação ocorrer durante a sessão de julgamento, esse será
imediatamente suspenso a fim de que as partes se manifestem especificamente.
§ 2º Se a constatação se der em vista dos autos, deverá o juiz que a solicitou
encaminhá-los ao relator, que tomará as providências previstas no caput e, em
seguida, solicitará a inclusão do feito em pauta para prosseguimento do
julgamento, com submissão integral da nova questão aos julgadores.
Julgamento - Art. 934 e 935 - Em seguida, os autos serão apresentados ao
presidente, que designará dia para julgamento, ordenando, em todas as hipóteses
previstas neste Livro, a publicação da pauta no órgão oficial. Entre a data de
publicação da pauta e a da sessão de julgamento decorrerá, pelo menos, o prazo
de 5 (cinco) dias, incluindo-se em nova pauta os processos que não tenham sido
julgados, salvo aqueles cujo julgamento tiver sido expressamente adiado para a
primeira sessão seguinte.
Ordem de julgamento: art 936 a 937 Ressalvadas as preferências legais e
regimentais, os recursos, a remessa necessária e os processos de competência
originária serão julgados na seguinte ordem: aqueles nos quais houver
sustentação oral, observada a ordem dos requerimentos; os requerimentos de
preferência apresentados até o início da sessão de julgamento; aqueles cujo
julgamento tenha iniciado em sessão anterior; e os demais casos.
Na sessão de julgamento, depois da exposição da causa pelo relator, o presidente
dará a palavra, sucessivamente, ao recorrente, ao recorrido e, nos casos de sua
intervenção, ao membro do Ministério Público, pelo prazo improrrogável de 15
(quinze) minutos para cada um, a fim de sustentarem suas razões, nas seguintes
hipóteses, no recurso de apelação; no recurso ordinário; no recurso especial; no
recurso extraordinário; nos embargos de divergência; na ação rescisória, no
mandado de segurança e na reclamação; no agravo de instrumento interposto
contra decisões interlocutórias que versem sobre tutelas provisórias de urgência
ou da evidência; em outras hipóteses previstas em lei ou no regimento interno do
tribunal.
É permitido ao advogado com domicílio profissional em cidade diversa daquela
onde está sediado o tribunal realizar sustentação oral por meio de
videoconferência ou outro recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens
em tempo real, desde que o requeira até o dia anterior ao da sessão.
Julgamento de questão preliminar – art. 938 e 939 . A questão preliminar suscitada
no julgamento será decidida antes do mérito, deste não se conhecendo caso seja
incompatível com a decisão.
Vista - art. 940. O relator ou outro juiz que não se considerar habilitado a proferir
imediatamente seu voto poderá solicitar vista pelo prazo máximo de 10 (dez) dias,
após o qual o recurso será reincluído em pauta para julgamento na sessão
seguinte à data da devolução. Se os autos não forem devolvidos tempestivamente
ou se não for solicitada pelo juiz prorrogação de prazo de no máximo mais 10 (dez)
dias, o presidente do órgão fracionário os requisitará para julgamento do recurso
na sessão ordinária subsequente, com publicação da pauta em que for incluído.
Quando requisitar os autos na forma do § 1º, se aquele que fez o pedido de vista
ainda não se sentir habilitado a votar, o presidente convocará substituto para
proferir voto, na forma estabelecida no regimento interno do tribunal.
Resultado do julgamento - Art. 941. Proferidos os votos, o presidente anunciará o
resultado do julgamento, designando para redigir o acórdão o relator ou, se
vencido este, o autor do primeiro voto vencedor. O voto poderá ser alterado até o
momento da proclamação do resultado pelo presidente, salvo aquele já proferido
por juiz afastado ou substituído. No julgamento de apelação ou de agravo de
instrumento, a decisão será tomada, no órgão colegiado, pelo voto de 3 (três)
juízes. O voto vencido será necessariamente declarado e considerado parte
integrante do acórdão para todos os fins legais, inclusive de pré-questionamento.
Julgamento agravo e apelação - art. 946. O agravo de instrumento será julgado
antes da apelação interposta no mesmo processo. Se ambos os recursos de que
trata o caput houverem de ser julgados na mesma sessão, terá precedência o
agravo de instrumento.
DOS MEIOS DE IMPUGNAÇÃO DAS DECISÕES JUDICIAIS
6.2. DO INCIDENTE DE ASSUNÇÃO DE COMPETÊNCIA (artigo 947 do CPC)
CONCEITO: é o meio através do qual se busca a produção de efeito vinculante a
todos os juízes e órgãos fracionários, enfatizando a importância dos precedentes
judiciais, especialmente com fundamento nos princípios da segurança jurídica e
da isonomia, exceto se houver revisão de tese.
OBJETO: se refere à questão de direito e matéria que tenha relevante repercussão
social.
Art. 947. É admissível a assunção de competência quando o julgamento de
recurso, de remessa necessária ou de processo de competência originária
envolver relevante questão de direito, com grande repercussão social, sem
repetição em múltiplos processos.
CABIMENTO: no curso de julgamento de:
• Recurso
• Remessa necessária; ou
• Processo de competência originária dos tribunais.
LEGITIMIDADE: é do Poder Judiciário, através da figura do Relator, atuando de
ofício ou a requerimento da parte, do Ministério Público ou da Defensoria Pública
(§1º do art. 947).
MOMENTO PARA ASSUNÇÃO DE COMPETÊNCIA: até o julgamento da demanda
no Tribunal, pois após o julgamento do feito nada mais haverá a ser decidido.
PROCEDIMENTO: está regulado no § 2º do art. 947 do NCPC, cabendo ao órgão
colegiado a ser designado pelo Regimento Interno julgar o recurso/remessa
necessária/ação originária, se reconhecer presente o interesse público.
EFEITO VINCULANTE: o acórdão proferido em assunção de competência vinculará
todos os juízes e órgãos fracionários, exceto se houver revisão de tese.
6.3. DO INCIDENTE DE ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE (art. 948 a 950
CPC)
CONCEITO: É um incidente arguido no julgamento do recurso ou em causa
originária dos tribunais, com o objetivo de verificar a constitucionalidade de lei ou
de ato normativo.
MOMENTO: A arguição pode se dar a qualquer tempo, pois inexiste preclusão,
tendo como termo final o julgamento do processo ou do recurso.
FORMA Por se tratar de um “incidente” à arguição de inconstitucionalidade
poderá ser feita de qualquer forma. Pode-se apresentar nos autos através de
petição avulsa, nas razões de recurso, na manifestação do MP etc
LEGITIMIDADE Qualquer sujeito da relação processual possui a legitimidade
necessária para arguição, permitindo que tal arguição possa ser feita tanto pelas
partes principais, como por terceiros interessados e que intervenham de alguma
forma na lide, Ministério Público e os magistrados.
OITIVA DO MP O Ministério Público caso não seja parte continua sendo ouvido
como fiscal da ordem jurídica neste incidente.
COMPETÊNCIA O incidente de arguição de inconstitucionalidade deverá ser
arguido perante o órgão colegiado e por este decidido (turma ou câmara).
JULGAMENTO: Se a arguição for rejeitada, o julgamento da ação tomará seu curso
no órgão de origem. Se ela for acolhida a questão será posta ao órgão pleno ou ao
órgão especial, onde houver.
PROCEDIMENTO:
• Acolhimento da provocação de inconstitucionalidade pelo órgão
fracionário,
• Lavratura do acórdão que será remetido ao plenário do tribunal ou ao seu
órgão especial
• Designação pelo presidente do tribunal ou órgão especial de data de
sessão de julgamento, comunicando por ofício a todos os juízes que integram o
colegiado, com cópia do acórdão que acolheu a sua instalação, designando
relator para conduzir o feito
• Julgamento
VOTAÇÃO: Não se exige no quorum de votação para julgamento do incidente, mas
deve haver a presença da maioria absoluta do órgão especial ou do pleno,
conforme artigo 97 da Constituição (somente pelo voto da maioria absoluta de
seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais
declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público).
6.4. DO CONFLITO DE COMPETÊNCIA (art. 951 a 959)
ANTECEDENTES: No CPC 73 estava previsto nos artigo 115 a 119, no capitulo “Da
Competência” No NCPC está previsto no Título I do Livro III, sendo um capitulo
desse título (capítulo V).
CONCEITO: ocorre quando dois ou mais juízes se consideram competentes
(conflito positivo) ou incompetentes (conflito negativo) para o julgamento da
mesma causa ou de mais de uma causa.
LEGITIMIDADE:
• pode ser suscitado por qualquer das partes, pelo Ministério Público ou pelo
juiz, não podendo suscitar o conflito a parte que, no processo, arguiu
incompetência relativa.
O conflito será suscitado ao tribunal: pelo juiz, por ofício; pela parte e pelo
Ministério Público, por petição.
INTERVENÇÃO DO MP Parágrafo único. O Ministério Público somente será ouvido
nos conflitos de competência relativos aos processos em que for fiscal da ordem
jurídica (previstos no art. 178 do CPC), mas terá qualidade de parte nos conflitos
que suscitar.
PROCEDIMENTO
• Instauração
• Distribuição
• Oitiva dos juízes em conflito
• Decisão do relator determinando sobrestamento ou designando um dos
juízes para a análise das medidas urgentes
• Oitiva do MP em 5 dias
• Julgamento, declarando qual o juízo competente e sobre a validade dos
atos do juízo incompetente.
Julgamento de plano do Conflito de Competência pelo Relator: poderá fazê-lo se
sua decisão se fundamentar em súmula do STF, do STJ ou do próprio tribunal; ou
em tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em IAC (art. 955, parágrafo
único)
6.5. AÇÃO RESCISÓRIA
Conceito: é um meio de impugnação das decisões judiciais, que tem por fim a
desconstituição da decisão judicial transitada em julgado e, em alguns casos, o
novo julgamento da causa.
Natureza jurídica: ação. É uma ação autônoma de desconstituição da decisão
judicial
Abrangência de decisão de mérito: decisão interlocutória de mérito (art. 356 CPC),
sentença (§ 1º do art. 203 CPC) e acórdão (art. 204 CPC).
FORUM PERMANENTE DE PROCESSUALISTAS CIVIS
336. (art. 966) Cabe ação rescisória contra decisão interlocutória de mérito.
(Grupo Sentença, Coisa Julgada e Ação Rescisória)
Pedidos cabíveis: de desconstituição e de desconstituição e novo julgamento.
Tipos: total ou parcial, pois pode atacar a decisão toda ou parte dela (capítulo da
decisão - parágrafo 3º do artigo 966).
Eficácia: ex tunc (retroativa)
Hipóteses de Cabimento (art. 966):
• Se a sentença foi dada por Prevaricação (art. 319 CP - retardar ou deixar de
praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de
lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal)
• Se a sentença foi dada por Concussão (art. 316 CP - exigir para si ou para
outrem, dinheiro ou vantagem em razão da função, ainda que fora da função ou
antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida)
• Se a sentença foi dada por Corrupção do juiz (art. 317 CP - Solicitar ou
receber, para si ou para outrem, ainda que fora da função ou antes de assumi-la,
mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem)
• Se a decisão foi proferida por juiz impedido (art. 144 CPC) ou
absolutamente incompetente (art. 62 e 64 CPC)
• Se a decisão resultar de dolo ou coação da parte vencedora em detrimento
da parte vencida, ou de colusão entre as partes, a fim de fraudar a lei (simulação);
• Se a decisão ofender a coisa julgada;
• violar manifestamente norma jurídica;
• se fundar em prova, cuja falsidade tenha sido apurada em processo
criminal ou seja provada na própria ação rescisória;
• obtiver o autor, posteriormente ao trânsito em julgado, prova nova, cuja
existência ignorava, ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de Ilhe
assegurar pronunciamento favorável;
• for fundada em erro de fato verificável do exame dos autos.
Cabimento em decisões de natureza processual e não de mérito (outros casos de
cabimento - §2º do art. 966 CPC): decisão transitada em julgado que não seja de
mérito e que impeça:
a) nova propositura da demanda; ou
Exemplos (ver art. 486, parágrafo 1º e art. 485 do CPC):
• litispendência
• indeferimento da petição inicial
• ausência de pressupostos processuais
• ausência e condições da ação
• existência de convenção de arbitragem ou reconhecimento de
competência pelo juízo arbitral
b) admissibilidade do recurso correspondente – ex. negativa de seguimento à
apelação interposta por ente público por ausência de pagamento de custas
Requisitos específicos:
• em regra decisão de mérito (art. 966 CPC) – exceção no § 2 desse artigo
• decisão transitada em julgado (art. 966 CPC)
• depósito da importância de cinco por cento sobre o valor da causa, que se
converterá em multa caso a ação seja por unanimidade de votos, declarada
inadmissível ou improcedente.
• propositura em até dois anos do trânsito em julgado da última decisão
proferida no processo (art. 975 CPC)
Prazo decadencial (art. 975 CPC):
• o direito à rescisão se extingue em 2 (dois) anos contados do trânsito em
julgado da última decisão proferida no processo. Este prazo deverá prorrogado até
o primeiro dia útil imediatamente subsequente quando expirar durante férias
forenses, recesso, feriados ou em dia em que não houver expediente forense.
• Se a ação rescisória tiver como fundamento prova nova, o termo inicial do
prazo será a data de descoberta da prova nova, observado o prazo máximo de 5
(cinco) anos, contado do trânsito em julgado da última decisão proferida no
processo.
• Nos casos de simulação ou de colusão das partes, o prazo começa a
contar para o terceiro prejudicado e para o Ministério Público, que não interveio no
processo, a partir do momento em que têm ciência da simulação ou da colusão.
FORUM PERMANENTE DE PROCESSUALISTAS CIVIS
341. (arts. 975, §§ 2 º e 3º, e 1.046) O prazo para ajuizamento de ação rescisória é
estabelecido pela data do trânsito em julgado da decisão rescindenda, de modo
que não se aplicam as regras dos §§ 2 º e 3º do art. 975 do CPC à coisa julgada
constituída antes de sua vigência. (Grupo: Direito intertemporal e disposições
finais e transitórias)
Legitimidade ativa (art. 967 CPC):
• quem foi parte no processo ou o seu sucessor a título universal ou singular;
• o terceiro juridicamente interessado;
• o Ministério Público nos casos de não ter sido ouvido como fiscal da ordem
jurídica (art. 178 CPC ), com fundamento em simulação ou colusão das partes ou
outros casos previstos em lei;
• aquele que não foi ouvido no processo em que lhe era obrigatória a
intervenção (como cônjuge , agência reguladora etc )
FORUM PERMANENTE DE PROCESSUALISTAS CIVIS
339. (art. 967, IV; art. 118, Lei n. 12.529/2011; art. 31, Lei n. 6.385/1976) O CADE e
a CVM, caso não tenham sido intimados, quando obrigatório, para participar do
processo (art. 118, Lei n. 12.529/2011; art. 31, Lei n. 6.385/1976), têm legitimidade
para propor ação rescisória contra a decisão ali proferida, nos termos do inciso IV
do art. 967. (Grupo Sentença, Coisa Julgada e Ação Rescisória)
Legitimidade Passiva: todo aquele que foi parte no processo original e não figura
como autor na ação rescisória.
Participação do MP: como parte ou como fiscal da ordem jurídica quando não for
parte.
Requisitos da Petição inicial (art. 319 e 968 do CPC):
• Requisitos formais, estruturais e extrínsecos;
• Pedido de rescisão e se for o caso de novo julgamento; e
• Depósito da multa de 5% sobre o valor da causa (a Fazenda Pública, MP, DP
e beneficiários da gratuidade de justiça estão dispensados e o depósito não
poderá ser superior a mil salários mínimos)
Competência: O juízo competente para apreciar a ação rescisória será sempre
um tribunal . Caso seja rescisória de uma sentença de primeiro grau, o colegiado
será competente para julgar a questão. Se for rescisória de acórdão, o órgão
imediatamente superior será o apto a apreciar o debate.
Enunciado 337 Forum Permanente dos Processualistas Civis
337. (art. 966, § 3º) A competência para processar a ação rescisória contra
capítulo de decisão deverá considerar o órgão jurisdicional que proferiu o capítulo
rescindendo. (Grupo Sentença, Coisa Julgada e Ação Rescisória)
Hipóteses para o indeferimento da inicial:
• Não depósito de 5%
• For inepta;
• A parte for manifestamente ilegítima;
• O autor carecer de interesse processual;
• Não atendidas as prescrições dos arts. 106 e 321;
• Na hipótese do § 5º do art. 966 quando não for demonstrado
fundamentadamente sua pertinência.
Indeferimento liminar (§ 4º do art. CPC): cabe na forma do artigo 332 do CPC
Efeito suspensivo (art. 969 do CPC): a regra é não ter efeito suspensivo. Em casos
excepcionais, admite-se o requerimento de concessão de tutela provisória para
suspensão da execução do julgado rescindendo, pois a presunção decorrente da
coisa julgada é relativa (iuris tantum), até que seja ultrapassado o prazo do CPC
975. Neste caso devem ser observados os requisitos específicos para a
concessão da tutela provisória.
Defesa do réu (art. 970 do CPC): O relator ordenará a citação do réu, designando-
lhe prazo nunca inferior a 15 (quinze) dias nem superior a 30 (trinta) dias para,
querendo, apresentar resposta.
Prosseguimento (parte final do art. 970 e 972 do CPC): pelo procedimento
comum, no que couber. Se houver necessidade de produção de provas, o relator
poderá delegar ao órgão que prolatou a decisão rescindenda competência para
sua produção.
FORUM PERMANENTE DE PROCESSUALISTAS CIVIS
340. (art. 972) Observadas as regras de distribuição, o relator pode delegar a
colheita de provas para juízo distinto do que proferiu a decisão rescindenda.
(Grupo Sentença, Coisa Julgada e Ação Rescisória)
Fase decisória (art. 973 CPC): após a instrução será dada vista as partes (prazo
sucessivo de 10 dias) e seguirá para julgamento.
Reversão da multa: se, por unanimidade, for considerada a ação inadmissível ou
improcedente o pedido, o tribunal determinará a reversão, em favor do réu, da
importância do depósito realizado par ao ajuizamento da ação rescisória.
AÇÃO ANULATÓRIA COMO MEIO DE IMPUGNAÇÃO DE DECISÃO JUDICIAL
Previsão legal: § 4º do art. 966 do CPC
Objeto: anulação de decisões judiciais vinculadas a atos de disposição de
direitos, praticados pelas partes ou por outros participantes do processo e
homologados pelo juízo, e de atos homologatórios praticados no curso da
execução.
Natureza jurídica: ação declaratória
Procedimento: comum
6.6. EMBARGOS DE TERCEIRO
Conceito - São ações judiciais opostas por pessoa que, não sendo parte de um
processo, sofre constrição ou ameaça de constrição de bens sobre os quais tenha
direito ou posse.
Os embargos de terceiro são o mecanismo processual adequado àquele que, não
sendo parte no processo, tenha por propósito afastar a contrição judicial que
recaia sobre o bem do qual seja titular ou que exerça posse
No Novo CPC, eles são disciplinados pelos arts. 674 a 681.
CABIMENTO
Quando (Art. 674) Quem, não sendo parte no processo, sofrer constrição ou
ameaça de constrição sobre bens que possua ou sobre os quais tenha direito
incompatível com o ato constritivo, poderá requerer seu desfazimento ou sua
inibição por meio de embargos de terceiro.
LEGITIMIDADE ATIVA (terceiro)
Os embargos podem ser de terceiro proprietário, inclusive fiduciário, ou
possuidor.
Cônjuge ou companheiro, quando defende a posse de bens próprios ou de sua
meação;
Adquirente de bens cuja constrição decorreu de decisão que declara a ineficácia
da alienação realizada em fraude à execução;
Quem sofre constrição judicial de seus bens por força de desconsideração da
personalidade jurídica, de cujo incidente não fez parte;
O credor com garantia real para obstar expropriação judicial do objeto de direito
real de garantia, caso não tenha sido intimado, nos termos legais dos atos
expropriatórios respectivos.
LEGITIMIDADE PASSIVA
Do sujeito a quem o ato de constrição aproveita.
Art. 677 - § 4º Será legitimado passivo o sujeito a quem o ato de constrição
aproveita, assim como o será seu adversário no processo principal quando for sua
a indicação do bem para a constrição judicial.
MOMENTO (Art. 675 do CPC)
A qualquer tempo no processo de conhecimento enquanto não transitada em
julgado a sentença e, no cumprimento de sentença; ou Até 5 dias depois da da
adjudicação, da alienação por iniciativa particular ou da arrematação, mas
sempre antes da assinatura da respectiva carta, no Processo de Execução.
Distribuição dos embargos de terceiro
Art. 676 - Os embargos serão distribuídos por dependência ao juízo que ordenou a
constrição e autuados em apartado.
Parágrafo único. Nos casos de ato de constrição realizado por carta, os embargos
serão oferecidos no juízo deprecado, salvo se indicado pelo juízo deprecante o
bem constrito ou se já devolvida a carta.
PETIÇÃO INICIAL
Requisitos formais, estruturais e extrínsecos;
Prova sumária de sua posse ou de seu domínio;
Prova da qualidade de terceiro;
Rol de testemunhas.
Art. 677. Na petição inicial, o embargante fará a prova sumária de sua posse ou de
seu domínio e da qualidade de terceiro, oferecendo documentos e rol de
testemunhas.
§ 1º É facultada a prova da posse em audiência preliminar designada pelo juiz.
§ 2º O possuidor direto pode alegar, além da sua posse, o domínio alheio.
DECISÃO LIMINAR
O juiz poderá condicionar a ordem de manutenção ou de reintegração provisória
de posse à prestação de caução pelo requerente, ressalvada a impossibilidade da
parte economicamente hipossuficiente.
Necessária para o recebimento dos bens. Em caso de improcedência, os bens
deverão ser devolvidos com seus rendimentos.
Art. 678 - Parágrafo único. O juiz poderá condicionar a ordem de manutenção ou
de reintegração provisória de posse à prestação de caução pelo requerente,
ressalvada a impossibilidade da parte economicamente hipossuficiente.
Respostado Réu: Apresentada no prazo de 15 dias
Prazo através do advogado
Art. 679. Os embargos poderão ser contestados no prazo de 15 (quinze) dias, findo
o qual se seguirá o procedimento comum.
RESPOSTA DO RÉU NO NOVO CPC
Art. 679. Os embargos poderão ser contestados no prazo de 15 (quinze) dias,
findo o qual se seguirá o procedimento comum.
Art. 680. Contra os embargos do credor com garantia real, o embargado somente
poderá alegar que:
I - o devedor comum é insolvente;
II - o título é nulo ou não obriga a terceiro;
III - outra é a coisa dada em garantia.
O prosseguimento do feito seguirá o procedimento comum.
[Link] RECLAMAÇÃO
Conceito: é um instrumento de proteção da competência e da autoridade das
decisões, sendo um processo de competência originária dos tribunais, que tem
por fim a preservação de sua competência ou da autoridade de suas decisões.
Natureza jurídica: ação por ser um processo de competência originária dos
tribunais.
Fundamento legal: art. 988 a 993 do CPC; § 3do art. 103-A da CRFB (STF); e letra f)
do inciso I do art. 105 da CRFB (STJ)
Finalidade/Objetivo da Reclamação: preservação de competência de um tribunal
ou de garantir autoridade de suas decisões.
Cabimento (art. 988 CPC):
• preservar a competência do tribunal;
• garantir a autoridade das decisões do tribunal;
• garantir a observância de enunciado de súmula vinculante e de decisão do
Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade;
• garantir a observância de acórdão proferido em julgamento de incidente de
resolução de demandas repetitivas ou de incidente de assunção de competência;
Competência: pode ser proposta perante qualquer tribunal, e seu julgamento
compete ao órgão jurisdicional cuja competência se busca preservar ou cuja
autoridade se pretenda garantir (art. 988, § 1o).
Legitimidade ativa (art. 988 CPC): parte interessada (aquele que sofreu prejuízo
com o ato objeto da reclamação – pode ser uma das partes ou 3º interessado) e
MP (como parte ou como fiscal da ordem jurídica)
Legitimidade passiva: aquele que praticou o ato objeto da reclamação
Inadmissibilidade (Art. 988 § 5º que foi modificado pela lei 13.256/16)
– proposta após o trânsito em julgado da decisão reclamada;
– proposta para garantir a observância de acórdão de recurso extraordinário com
repercussão geral reconhecida ou de acórdão proferido em julgamento de
recursos extraordinário ou especial repetitivos, quando não esgotadas as
instâncias ordinárias.
Petição Inicial: requisitos formais, estruturais e extrínsecos, prova documental e
dirigida ao presidente do tribunal (§ 2º do art. 988 CPC)
Impugnação (art. 990 CPC): Qualquer interessado poderá impugnar o pedido do
reclamante.
Participação do MP (art. 991): obrigatória, ou como parte ou como fiscal da ordem
jurídica
Procedimento:
- dirigida ao presidente do tribunal, autuada e distribuída ao relator (do processo
principal se houver (§ 3º do art. 988). O relator poderá (Art. 989 do CPC) ao
despachar a reclamação:
- requisitará informações da autoridade a quem for imputada a prática do ato
impugnado, que as prestará no prazo de 10 dias;
- determinará a citação do beneficiário da decisão impugnada, que terá prazo de
15 dias para apresentar a sua contestação.
- caso o MP não seja parte, deverá ser ouvido no prazo de 5 dias (art. 991 CPC);
- irá em seguida para julgamento.
Suspensão do processo (inciso II do art. 989 CPC): a parte autora poderá requerer
a suspensão do processo principal, demonstrando a necessidade de sua
suspensão e o relator se entender necessário ordenará a suspensão do processo
ou do ato impugnado para evitar dano irreparável.
Julgamento de procedência (art. 992 CPC): o tribunal cassará a decisão
exorbitante de seu julgado ou determinará medida adequada à solução da
controvérsia.
Cumprimento da decisão (art. 993 CPC): O presidente do tribunal determinará o
imediato cumprimento da decisão, lavrando-se o acórdão posteriormente.
Processamento pelo rito dos recursos repetitivos: possível
6.8. DO INCIDENTE DE RESOLUÇÃO DE DEMANDAS REPETITIVAS
ORIGEM NO DIREITO COMPARADO:
- EUA – “class actions”
- Alemanha – “Musterverfahren”
- Portugal (2006) – sistema de agregação de causas
CONCEITO: incidente processual destinado à através do julgamento de um caso
piloto estabelecer um precedente dotado de eficácia vinculante capaz de fazer
com que casos idênticos tenham decisões idênticas
NATUREZA JURÍDICA: incidente processual e não ação (ocorre dentro de um
processo já existente)
OBJETIVO: Trata-se de procedimento que objetiva a produção de decisões
judiciais para a fixação de teses jurídicas quanto a questões de direito que
envolvem demandas idênticas por terem o mesmo objeto e causa de pedir.
ANTECEDENTES BRASILEIROS
a) Ações coletivas (Lei n. 7347/85)
b) Sentença liminar de improcedência (art. 285-A, CPC/73)
c) Incidente de uniformização de jurisprudência (art. 555, CPC/73)
d) STJ – Recursos representativos de controvérsia (art. 543-C, CPC/73)
e) STF - Súmula vinculante (EC 45)
f) STF – Repercussão geral (art. 543-B, CPC/73)
CABIMENTO (art. 976)
Art. 976. É cabível a instauração do incidente de resolução de demandas
repetitivas quando houver, simultaneamente:
• efetiva repetição de processos que contenham controvérsia sobre a
mesma questão unicamente de direito; e
II - risco de ofensa à isonomia e à segurança jurídica. (existência de decisões
conflitantes)
Não tem caráter preventivo, ou seja, antes mesmo de haver repetição de ações.
NÃO CABIMENTO requisito negativo de cabimento
§ 4o É incabível o incidente de resolução de demandas repetitivas quando um dos
tribunais superiores, no âmbito de sua respectiva competência, já tiver afetado
recurso para definição de tese sobre questão de direito material ou processual
repetitiva.
DESISTÊNCIA OU ABANDONO
§ 1o A desistência ou o abandono do processo não impede o exame de mérito do
incidente.
NOVA SUSCITAÇÃO
§ 3o A inadmissão do incidente de resolução de demandas repetitivas por
ausência de qualquer de seus pressupostos de admissibilidade não impede que,
uma vez satisfeito o requisito, seja o incidente novamente suscitado.
INTERVENÇÃO DO MP
§ 2o Se não for o requerente, o Ministério Público intervirá obrigatoriamente no
incidente e deverá assumir sua titularidade em caso de desistência ou de
abandono.
CUSTAS
§ 5o Não serão exigidas custas processuais no incidente de resolução de
demandas repetitivas.
LEGITIMAÇÃO ATIVA E FORMA
Art. 977. O pedido de instauração do incidente será dirigido ao presidente de
tribunal:
I - pelo juiz ou relator, por ofício;
II - pelas partes, por petição;
III - pelo Ministério Público ou pela Defensoria Pública, por petição.
Parágrafo único. O ofício ou a petição será instruído com os documentos
necessários à demonstração do preenchimento dos pressupostos para a
instauração do incidente.
ÓRGÃO JULGADOR
Art. 978. O julgamento do incidente caberá ao órgão indicado pelo regimento
interno dentre aqueles responsáveis pela uniformização de jurisprudência do
tribunal.
TRF 2ª REGIÃO – Seções Especializadas (art. 14, VIII)
TJRJ – SEÇÃO CÍVEL (art. 5º A)
TJMG – Seção Cível
TJSP - Turma Especial de Direito Privado
PUBLICIDADE
Art. 979. A instauração e o julgamento do incidente serão sucedidos da mais
ampla e específica divulgação e publicidade, por meio de registro eletrônico no
Conselho Nacional de Justiça.
PRAZO PARA JULGAMENTO
Art. 980. O incidente será julgado no prazo de 1 (um) ano e terá preferência sobre
os demais feitos, ressalvados os que envolvam réu preso e os pedidos de habeas
corpus.
Parágrafo único. Superado o prazo previsto no caput, cessa a suspensão dos
processos prevista no art. 982, salvo decisão fundamentada do relator em sentido
contrário.
JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE
Art. 981. Após a distribuição, o órgão colegiado competente para julgar o incidente
procederá ao seu juízo de admissibilidade, considerando a presença dos
pressupostos do art. 976.
COMPETÊNCIA
A competência para processar e julgar o incidente é do tribunal local. Entretanto,
conforme prevê o artigo 982, o tribunal competente para conhecer de eventual
recurso especial ou extraordinário poderá determinar a suspensão de todas as
ações em curso no território nacional.
PROCEDIMENTO
O relator do incidente deverá suspender todos os processos pendentes (art. 982,
I); requisitar informações no prazo de 15 dias (art. 982, II); intimará o MP para se
manifestar (art. 982, III); ouvirá as partes e demais interessados no prazo de 15
dias (art. 983) poderão requerer a juntada de documentos, bem como as
diligências necessárias para a elucidação da questão de direito controvertida, ;em
seguida, manifestar-se-á o Ministério Público, no prazo também de 15 dias (art.
983); poderá ser designada audiência pública, ouvir depoimentos de pessoas com
experiência e conhecimento na matéria (§ 1º do art. 983) ; após a conclusão das
diligências solicitará dia para julgamento (§ 2º do art. 983)
JULGAMENTO
Art. 984. No julgamento do incidente, observar-se-á a seguinte ordem:
I - o relator fará a exposição do objeto do incidente;
II - poderão sustentar suas razões, sucessivamente:
a) o autor e o réu do processo originário e o Ministério Público, pelo prazo de 30
(trinta) minutos;
b) os demais interessados, no prazo de 30 (trinta) minutos, divididos entre Todos,
sendo exigida inscrição com 2 (dois) dias de antecedência.
TUTELA DE URGÊNCIA DURANTE A SUSPENSÃO
Dirigido ao juízo de origem do feito suspenso e não ao relator do IRDR (Art 982, § 2º
CPC)
EXTENSÃO DA SUSPENSÃO DOS PROCESSOS (Art 982, § 3º e 4º CPC): objetiva a
suspensão de todos os processos (individuais ou coletivos) em curso em todo
território nacional. Deve ser feito através de requerimento do interessado mesmo
que seja de outro processo e de outro estado (Art 982, § 4º CPC)e direcionado ao
tribunal superior (questão infraconstitucional STJ, questão constitucional STF)
CESSA A SUSPENSÃO (Art 982, § 5º CPC)
se não for interposto RE ou REsp, a suspensão pelo STJ e STF determinada cessa.
CONSEQUENCIAS DO JULGAMENTO:
- Aplicação da tese jurídica (art. 985) nos:
• processos individuais ou coletivos em curso que versem sobre idêntica
questão de direito e que tramitem na área de jurisdição do respectivo tribunal,
inclusive àqueles que tramitem nos juizados especiais do respectivo Estado ou
região; firmou a tese para os casos em curso;
• casos futuros que versem idêntica questão de direito e que venham a
tramitar no território de competência do tribunal, salvo revisão na forma do art.
986. Os processos futuros deverão seguir esta tese que foi firmada pelo IRDR
– Comunicação aos órgãos reguladores (§ 2º do art. 985)
DESREPEITO A TESE JURÍDICA
Não observada a tese adotada no incidente, caberá reclamação (§ 1º do art. 985)
RECURSO DO IRDR
Art. 987. Do julgamento do mérito do incidente caberá recurso extraordinário ou
especial, conforme o caso.
§ 1o O recurso tem efeito suspensivo, presumindo-se a repercussão geral de
questão constitucional eventualmente discutida.
§ 2o Apreciado o mérito do recurso, a tese jurídica adotada pelo Supremo Tribunal
Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça será aplicada no território nacional a
todos os processos individuais ou coletivos que versem sobre idêntica questão de
direito.