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SUMÁRIO

O documento aborda a evolução da educação escolar desde as comunidades primitivas até as sociedades pré-capitalistas e o capitalismo. Destaca como a educação se transformou em uma ferramenta de controle social, refletindo as divisões de classe e as desigualdades econômicas ao longo da história. A análise inclui a educação no Egito Antigo, na Grécia e em Roma, enfatizando a distinção entre o ensino das classes dominantes e o das classes subalternas.
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SUMÁRIO

O documento aborda a evolução da educação escolar desde as comunidades primitivas até as sociedades pré-capitalistas e o capitalismo. Destaca como a educação se transformou em uma ferramenta de controle social, refletindo as divisões de classe e as desigualdades econômicas ao longo da história. A análise inclui a educação no Egito Antigo, na Grécia e em Roma, enfatizando a distinção entre o ensino das classes dominantes e o das classes subalternas.
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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

1- A HISTÓRIA DA ESCOLA
1.1 A educação nas Escolas Primitivas .............................................................

2- A EDUCAÇÃO ESCOLAR EM DIFERENTES ORGANIZAÇÕES


SOCIETÁRIAS PRÉ-CAPITALISTAS

2.1 A educação no Egito Antigo........................................................................

2.2 A educação na Grécia Escravagista.............................................................

2.3 A educação em Roma...................................................................................

2.4 A educação no Feudalismo ........................................................................

3- A ESCOLA SOB O CAPITALISMO


3.1 O sistema doméstico de produção, os primeiros passos do sistema capitalista

3.2 Caracterização da sociedade Burguesa........................................................

3.3 As propostas dos Liberais para a Educação ................................................

3.4 A Revolução Industrial no séc. XIX e a expansão da educação escolar entre as


massas trabalhadoras..................................................................................................

3.5 Cooperativismo no Mundo e no Brasil ........................................................ 69

3.6 O Agribusiness ............................................................................................. 83

4.7 Conclusões do Capítulo ............................................................................... 85

4.1 ..................................................................................................................

5.1 ...................................................................................

CONCLUSÃO ........................................................................................
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..................................................................
1- A HISTÓRIA DA ESCOLA

1.1 A educação nas comunidades primitivas

É pelo trabalho que o homem relaciona-se com a natureza. O trabalho é a ação


intencional do homem sobre a natureza para satisfazer suas necessidades, produzindo
valores de uso. Por ele, o homem transforma a natureza e transformando-a se transforma,
uma vez que o homem também faz parte da natureza. Nas comunidades primitivas os
rudimentares instrumentos de produção e a precária utilização destes dificultava o trabalho
e impedia que se produzisse mais que o necessário a subsistência. A comum repartição da
produção e o consumo imediato dela, ou seja, a ausência de produtos excedentes, não
permitia a acumulação de bens materiais.
Nestas comunidades a divisão sexual do trabalho não provocava o submetimento da
mulher e das crianças. A economia doméstica, função feminina, era tão pública e
necessária quanto a de fornecer alimentos, sob responsabilidade dos homens.
A origem histórica dos povos conhecidos encontrasse nas comunidades comunistas
tribais, que se caracterizavam pelo trabalho coletivo, propriedade comum da terra, ligação
pelos laços sanguíneos, matriarcado. Havia liberdade entre as pessoas e igualdade de
direitos. Um conselho democrático, formado por todos os adultos (homens e mulheres),
inexistência de hierarquias e graus.
A educação das crianças realizava-se no coletivo, sem ter alguém especificamente
responsável por ela. Mesmo sem ter escola, havia educação. O aprendizado dava-se pela
convivência entre os membros da tribo. Participando da vida na tribo, do trabalho, das
festas, das cerimônias as crianças introduziam-se nas crenças, práticas e padrões requeridos
pelo grupo social do qual faziam parte. Quando necessário, os adultos explicavam às
crianças como deviam se comportar em determinadas situações, porém o processo de
aprendizagem não envolvia castigos. Por meio da imitação das gerações anteriores, as
crianças tornavam-se adultos ajustados ao grupo social. A educação nestas comunidades
dava-se de modo espontâneo, sem a existência de uma instituição homogeneizante e
inculcadora de valores. A aprendiza dava-se por meio da convivência entre membros do
grupo, na participação social.
Nas sociedades sem classe sociais, os fins da educação, voltam-se para o coletivo e
realizam-se de maneira igualitárias, espontânea e integral.
Nas comunidades primitivas, a educação pode ser definida como “função
espontânea da sociedade, mediante a qual as novas gerações se assemelhavam às mais
velhas”.(Ponce, 2003, p.22).
À medida que a sociedade se divide em classe este conceito não se ajusta mais a
ela. O aparecimento das classes origina-se, provavelmente, do escasso rendimento do
trabalho e da substituição da propriedade comum pela propriedade privada.
Com os rudimentares instrumentos de trabalho, a produção era tão exaustiva que
quem realizava o trabalho manual não conseguia desempenhar, simultaneamente, nenhuma
outra tarefa da vida tribal. Surge, então, um grupo de pessoas isentas do trabalho manual.
Este grupo, que depois tornou-se a classe privilegiada, no princípio, ficou responsável por
determinados interesses sociais, realizando funções úteis. Porém, a relativa supremacia
inicial deles (a princípio aceita voluntariamente), com o tempo, foi transformando-se em
hegemonia. Aparece assim, a divisão da sociedade entre quem pensa e quem executa.
(Ponce, 2003).
Paralelamente a essa divisão social, o aperfeiçoamento dos instrumentos e técnicas
de trabalho possibilitou que a comunidade começasse a produzir excedentes, permitindo a
acumulação de bens. Os produtores puderam suprir as próprias necessidades, fazer trocas
com as tribos vizinhas e dedicar-se ao ócio, ou seja, à produção de conhecimento, à
ciência.
Os prisioneiros de Guerra passaram a ser tomados como escravos, devido a
necessidade de gente para cuidar dos crescentes rebanhos. O trabalho escravdo também
aumentou a produção de excedentes na comunidade. Os produtos excedentes eram
comercializados com as tribos vizinhas pelos representantes da comunidade, os
administradores, até que as funções destes passaram a ser hereditárias e a propriedade
comum, tornou-se propriedade privada das famílias administradoras.
Com a divisão da sociedade entre possuidores e despossuídos e a divisão entre
trabalho manual e trabalho intelectual, dividiu-se também a educação. A desigualdade
econômica tornou necessária a sistematização do processo educacional, que passou a ser
oferecido a cada pessoa de acordo com o lugar que ela ocuparia na sociedade de classes. O
saber não é mais comum, adquire hierarquias distribuídas desigualmente de acordo com a
educação para a classe dominante e outra para a classe dominada.
Segundo Ponce (2003, p.28),
“Uma vez constituídas as classes sociais passa a ser um dogma pedagógico a sua
conservação, e quanto mais a educação conserva o status quo, mas ela é julgada
adequada. Já nem tudo o que a educação inculca nos educandos tem por finalidade
o bem comum, a não ser na medida que “esse bem comum” pode ser uma premissa
necessária para manter e reforçar as classes dominantes. Para estas a riqueza e o
saber, para as outras, o trabalho e a ignorância.”

A educação que até então acontecia de forma espontânea, passou a ser sistematizada:
é, na sociedade de classes, que surge a escola.
Para falar da escola é preciso falar da totalidade em que ela se situa. Isso porque,
diferindo o modo como os homens se organizam em sociedade, difere também o modo como
a escola se cria, se organiza e cumpre sua função. Como as demais instituições sociais, a
escola é criação histórica, situada e datada. Sem compreender isso, corremos o risco de não
compreender o funcionamento da escola.

2- A EDUCAÇÃO ESCOLAR EM DIFERENTES ORGANIZAÇÕES


SOCIETÁRIAS PRÉ-CAPITALISTA

2.1 – A Educação no Egito antigo.

Segundo Manacorda (2006), a escola nasce nos primeiros estados


mesopotâmicos e do vale do Rio Nilo.
No período do antigo império egípcio, a educação das classes dominantes,
privilegiadas era feito por meio de ensinamentos passados do pai para o seu discípulo e do
escriba para o seu discípulo. Tais ensinamentos consistiam em conselhos sobre o modo de se
comportar das castas dominantes e os padrões morais estabelecidos por elas. A oratória,
enquanto arte política para dominar o povo, consistia no conteúdo e objetivo desses
ensinamentos. A arte de bem falar estava intimamente ligada ao ato de governar e é por este
motivo que o ensino voltava-se para o falar bem e não para o escrever bem. A escrita é uma
técnica material usada por peritos, que não eram necessariamente do meio dominante, já o
falar era uma forma de comando.
Durante a idade Feudal do Antigo Egito, a educação das classes dominantes
realizava-se tanto no aspecto intelectual (oratória), quanto físico (natação).
Para aqueles que não pertenciam à nobreza existia uma escola especial, o Kap
ou esconderijo, que tinha como modelo a escola palácio.
A utilização da arte da palavra por pessoas do povo era proibida e é por causa do uso
da fala pelo charlatão (pessoa não-nobre que fala ao povo com objetivos políticos), que
surge a escola propriamente dita, destinada, é claro, aos dominantes. A institucionalização
do ensino tinha o objetivo político de impedir o uso público da palavra por quem não
pertencia às castas dominantes.
A escola era organizada com os alunos ao redor do mestre sentado na esteira
e o ensino dava-se por meio da repetição mnemônica.
No Médio Império Egípcio, a profissão de escriba representava para os jovens
nobres uma perspectiva de ascensão social. O domínio das letras úteis era a preparação para
as funções administrativas de governo.
Conforme a estrutura social vai tornando-se mais complexa, surgem funções,
para cujo exercício é exigido o domínio de conhecimentos específicos.
Como diz Manacorda (2006, p.24-25),

“Para estas funções- em que “o indivíduo não se veste com roupa de trabalho” -, o
candidato se prepara, não como uma aprendizagem em que se observam e imitam,
num processo espontâneo, os adultos que as exercem, como acontece com os
outros ofícios, mas somente através de um processo institucionalizado que se
realiza num local isolado, onde as crianças não imitam diretamente os adultos que
trabalham, mas aprendem a imitá-los; este é o lugar que chamamos escola”.

Assim, para exercer a função de escriba, que representava prestígio e autoridade, era
necessário dominar conhecimentos transmitidos pela escola, ou seja, era necessário
escolarizar-se.
Durante o Segundo Período Intermediário do Egito, a importância da instrução, dos
livros, das bibliotecas e da escola tornou-se cada vez maior.
Na primeira infância, a criança recebia os cuidados maternos referentes à
amamentação e às necessidades fisiológicas. Em seguida, era separada da mãe para
frequentar a escola.
Para os membros da classe dominante, existia também a educação física, realizada
em um conjunto de atividades chamado dogma real. O Dogma real consistia em : natação,
tiro com arco, corrida, caça às feras e pesca. Além disto, era praticada dança.
A oratória e a educação física (preparação para a guerra) eram exclusividade da
classe dominante.
No novo Império Egípcio, a tradição literária foi considerada um patrimônio,
generalizou-se a escola e houve uma qualidade considerável de textos e cadernos de
exercício com hinos, orações, sentenças morais, sátiras de ofícios e exaltação aos escribas e
sua função.
Aos alunos indisciplinados eram aplicadas punições corporais como surras, a
reclusão e os grilhões.
Houve, neste período, uma ênfase no aspecto técnico do ofício de escribas, sendo o
raciocínio, a teoria e a justificativa lógica privilégios dos níveis superiores de estudo.
No período demótico Egípcio, houve a preocupação de ensinar aos jovens das classes
desprestigiadas a lidar com os nobres. Os ensinamentos envolviam a assimilação de
costumes e a preparação para a obediência e a submissão.
Às pessoas do povo que exerciam algum ofício, aprendido com os pais e parentes,
era ensinado a ler e escrever um pouco. Para as pessoas do povo que não realizavam alguma
atividade produtiva não havia instrução formal.

2.2 – A educação na Grécia Escravagista

A educação na Grécia escravagista tinha nitidamente um caráter classista. Para as


classes dominantes, um saber para governar (a política e as armas), para as classes
dominadas, o saber voltado para o trabalho manual. Assim, estava marcada a oposição
techné X teoria.
Durante o período Homérico, os nobres eram educados nas artes da guerra e da
palavra, mas os dominados não tinham acesso a nenhum desses conhecimentos.
No período clássico da Grécia, a educação em Esparta assumiu um aspecto militar,
de preparação para a guerra. A educação formal, sob responsabilidade do Estado, começava
aos sete anos de idade; até os quarenta e cinco o jovem ficava ligado ao exército ativo e até
os sessenta, à reserva. A educação militar era compartilhada por homens e mulheres. Aos
dominados não era permitido o exercício ginástico, a fim de mantê-los submissos e de
reforçar o poder dominante.
Em Atenas, a educação dos nobres também envolvia a ginástica e a música. O jovem
precisava ter destreza tanto no manejo das armas quanto no exercício de seu papel de
cidadão, membro da classe dominante.
Tanto em Esparta quanto em Atena, havia desprezo pelo trabalho manual por partes
dos membros da classe dirigente. As atividades práticas, mecânicas, eram tidas como
prerrogativas dos oprimidos, enquanto a dedicação ao ócio era característica das classes
superiores.
Por volta de 600 a.C. é fundada, em Atenas, a escola elementar dirigida e custeada
por particulares, embora antes disso existissem algumas escolas onde metecos e rapsodistas
ensinavam a fixar os negócios em símbolos e cantos.
Embora o Estado (instituição a serviço da classe dominante) até este momento não
impusessem às escolas de primeira letra um programa oficial, controlava a educação que ali
era oferecida, zelando pela manutenção do status quo.
Aos dezesseis anos, o jovem ingressava no ginásio, mas esse ingresso era proibido
pelo estado caso o jovem não estivesse frequentando a escola elementar. Os que não tinham
como custear o ensino na escola de primeiras letras, ficavam excluídos do ginásio e como só
podiam ser elegíveis para os cargos estatais os jovens que haviam frequentado o ginásio,
mantinha-se a concentração do poder nas famílias nobres.
Os instrumentos didáticos da escola incluíam o chicote e o rolo de papiro. A criança
era conduzida por um escravo pedagogo, estrangeiro cativo. A metodologia de ensino partia
do menor para o maior: primeiro se aprendia o nome das letras, depois a escrevê-las, em
seguida as sílabas e, por fim, as palavras. Às crianças que ainda não conseguiam escrever era
entregue um exercício de cobrir pontilhados para formar letras.
Os sofistas tornam o ensino superior aberto a todos que pudessem pagar por ele. A
educação oferecida pelos sofistas consistia no domínio da arte da palavra, na oratória e na
retórica.
A partir do século V a.C, começa-se a discutir a estatização da educação grega que,
tempos depois, já era fato consolidado. A instrução passou a ser oferecida não só aos nobres,
mas também aos pobres, às mulheres e aos escravos. Porém, a separação entre techné e
teoria manteve-se. Os que estavam nas classes subalternas eram dirigidos para a agricultura
e o comércio; alguns patrões ensinavam determinadas profissões aos escravos por meio das
escolas; aos privilegiados socialmente, a filosofia e a ginástica.

2.3 – A educação em Roma

Primeiramente, a educação romana visava a conservação das tradições e valores dos


antepassados e constituía-se numa tarefa doméstica. O adjetivo da educação era a formação
para o trabalho e o devotamento à comunidade.
Na medida em que se estabelece uma nobreza enriquecida que despreza o trabalho
manual da terra em favor da política e cria regras imperiais, a educação sofre uma cisão,
sendo uma para a nobreza e outra para o povo, marcando a oposição entre trabalho manual e
trabalho intelectual das sociedades de classes.
O nobre jovem romano, aos vinte anos, já deveria ter sido educado nos segredos da
agricultura, da guerra e da política, para além disto, um escravo mandado pelo pai já deveria
ter-lhe ensinado as primeiras letras.
A primeira escola de primeiras letras surgiu em 449 a.C. Tratava-se de uma escola
particular onde o professor primário (ludimagister), que era ou um antigo escravo, ou um
velho soldado ou um proprietário falido, ensinava por meio da repetição, tendo como
materiais didáticos alguns cubos, esferas e mapas.
Aos sete anos, a criança, nobre ingressava na escola elementar (loja de ensino), aos
12 anos frequentava a escola do gramático e, aos 16 anos, a do retor, do lector. A escola
livresca tinha o objetivo de preparar seus alunos, principalmente, para ocupar os cargos da
burocracia estatal.
Por outro lado, os filhos dos escravos e dos servos trabalhistas, aprendiam no próprio
trabalho para o trabalho. A eles era ensinado um oficio de acordo com a posição que
ocupava na estrutura social.

2.4 – A educação no Feudalismo

Feudalismo foi o sistema econômico, político e social da Europa na Idade Média. O


nome feudalismo origina-se de feudo, que significa terra. A sociedade feudal baseava-se na
economia agrária, autossuficiente. A posse da terra representava a riqueza da época.
A sociedade medieval era dividida, basicamente, em dois estamentos, ou seja, em
duas camadas sociais fixas em que a posição social do indivíduo dependia do seu lugar de
nascimento, sem a possibilidade de mobilidade social. Os estamentos da sociedade feudal
eram: senhores e servos.
O senhor era o possuidor de terras e do poder político, militar, jurídico e religioso
(em se tratando de um membro do clero). Eram senhores feudais a nobreza e o clero,
grandes proprietários de terra e, portanto, detentores de riquezas.
Os servos não eram proprietários de terras, mas encontravam-se presos a ela por
meio do trabalho nas lavouras. Estavam presos aos senhores feudais por meio de varias
obrigações como o pagamento de impostos, feito em troca do uso da terra para si em dias
determinados e de proteção militar ou, em se tratando da igreja, de auxílio espiritual.
As relações de trabalho na Idade Média estavam baseadas em obrigações servis. Os
servos eram menos dispendidos a seus senhores que os escravos. Enquanto estes precisavam
ser comprados e mantidos (alimentados, por exemplo), para se conseguir um servo não era
preciso gastar dinheiro comprando-o e os próprios servos tinham que assumir os custos de
sua própria sobrevivência.
Durante o período feudal, a igreja tomou para si a responsabilidade pela educação
pública. Os monastérios, existentes desde o século VII, no Império Romano, foram as
primeiras escolas medievais. Havia dois tipos de escolas monásticas: um era o das escolas
para oblatas, para a instrução dos futuros monges, e o outro, era o das verdadeiras escolas
monásticas, destinadas à instrução da plebe.
As escolas destinadas à instrução do povo não ensinavam a ler nem a escrever. A
preocupação delas era ensinar a doutrina cristã e também conformar e aplacar as massas.
Com o tempo, os monastérios foram construindo, ao lado das escolas para oblatas,
escolas fora dos conventos, destinadas ao ensino dos nobres que queriam estudar, mas não
seguir a vida religiosa. Essas escolas funcionavam no regime de internato e possuíam rígida
disciplina. O currículo era composto de gramática, retórica e dialética.

“Juristas doutores, secretários práticos e dialéticos, hábeis, capazes de aconselhar


imperadores e de fazer-se pagar regiamente pelos seus serviços eis o produto das
escolas “externas” dos monastérios.” (Ponce, 2003, p.91)

A formação dos nobres cavaleiros, cuja principal característica era a fidelidade ao


senhor, iniciava-se aos sete anos, quando o jovem tornava-se pajem de um cavaleiro amigo;
aos quatorze anos tornava-se escudeiro e acompanhava o cavaleiro nas guerras, torneios e
caçadas e mais ou menos aos vinte e um anos, era cavaleiro.
A partir do século XI, por consequência da invenção de instrumentos agrícolas como
a foice, a enxada e o arado de ferro e o aproveitamento da água e do vento como força
motriz, a produção agrícola tornou-se mais abundante.
No século XII, iniciou-se o aproveitamento de áreas que até então não eram
utilizadas para a agricultura o que, aliado ao aperfeiçoamento dos instrumentos de trabalho,
provocou a produção de excedentes agrícolas, causando o Renascimento Comercial.
No entroncamento das rotas comerciais entre o Ocidente e o Oriente surgiram feiras
que, a princípio, eram realizadas sob a proteção dos senhores feudais da região em troca de
impostos pagos pelos feirantes que eram os servos e artesãos medievais.
Mas cidades comerciais, existiam escolas de contabilidade para comerciantes e
banqueiros, onde o ensino da Aritmética e da Geografia tinha fundamental importância.
A partir do século XI, com o surgimento do comércio nas cidades, as escolas
monásticas, localizadas nas áreas rurais, não serviam mais de sustentação para a hegemonia
da igreja. Tornaram-se então mais necessárias as escolas das catedrais, já existentes há
alguns séculos.
As escolas das catedrais estavam divididas em externas e internas, sendo as primeiras
destinadas aos leigos e as últimas ao clero. A preocupação central do ensino era a Teologia.
Entre os séculos XII e XIV, as feiras atingiram seu apogeu. Conforme o comércio foi
se desenvolvendo, elas deixaram de ser periódicas e tornaram-se fixas, originando os burgos
(cidades). Com o aumento do comércio as moedas voltaram a ser utilizadas a fim de facilitar
as trocas. O reaparecimento da moeda modificou a noção de riqueza predominante na época.
O acúmulo de renda em dinheiro e o renascimento comercial deram origem a uma
nova classe social denominada burguesia (habitantes dos burgos).
A princípio a burguesia desempenhou um papel revolucionário, uma vez que
representava os interesses das camadas desprivilegiadas do sistema feudal, mas ao torna-se
classe dominante, passou a agir de acordo com os próprios interesses.
Das ruinas da sociedade feudal começou a surgir outro tipo de sociedade: a sociedade
burguesa ou capitalista.
A origem da universidade está na escola da catedral do século XI. As Universidades
estavam organizadas em graus e o ensino era pago, tornando o acesso possível somente para
os ricos. O controle das universidades era feito pela igreja e o acesso a ela proporcionou à
grande burguesia desfrutar de vantagens que, até então, eram exclusivas do clero e da
nobreza.
A pequena burguesia ingressou nas escolas primárias custeadas e administradas pelas
cidades, que passaram a ser exigidas em meados do século XII.
Nessas escolas, ensinava-se o idioma nacional, noções de Geografia, História e de
Ciências Naturais, além da Aritméticas. As escolas primárias eram privilégios dos ricos, pois
os alunos tinham que pagar aos professores proporcionalmente às dificuldades das matérias
ensinadas.
“A ruína do mundo feudal libertara os servos, da mesma forma que a queda do
mundo antigo havia emancipado os escravos. O empobrecimento dos senhores
feudais obrigou-os a dissolver suas hostes e a liquidar as suas cortes, ao mesmo
tempo que o enriquecimento da burguesia expulsou os pequenos proprietários das
suas terras, para converte-las em campos de criação.” (Ponce, 2003, p.135)

3- A ESCOLA SOB O CAPITALISMO

3.1 O sistema doméstico de produção, os primeiros passos do sistema capitalista

Na idade moderna, as formas de produção dos bens materiais se modificaram


gradativamente. Os laços servis foram desfeitos, estabeleceu-se a produção artesanal
individual, “que se realizava nas oficinas associadas às respectivas corporações de artes e
ofícios” (Manacorda, 2001, p.270)
As corporações ou sistemas domésticos de produção, formados pelos artesãos,
surgiram com a economia urbana e possuíam uma estrutura que atendia apenas a um
mercado local, pequeno e estável. Tais Artesãos decidiam as questões relativas a produção e
à distribuição das mercadorias, entre outros.
Um mestre artesão não se restringia apenas aos simples fabricante de produtos, mas
sua figura evidenciava as relações de trabalho que marcaram os primeiros passos do modo
de produção capitalista. Humberman (1986, p.109) exemplifica a importância do papel de tal
trabalhador da seguinte forma:

“O mestre artesão (...) tinha também quatro outras funções. Era cinco pessoas numa
só. Quando procurava e negociava matéria prima que utilizava, era negociante ou
mercador; tendo jornaleiros e aprendizes sob seu mando, era empregador; ao
supervisionar o trabalho deles, era capataz; e como vendia ao consumidor, no
balcão, o produto acabado, era também um comerciante lojista”.

Nesse período os trabalhadores eram independentes, possuíam a matéria-prima e os


meios necessários à produção de suas mercadorias, não vendiam o trabalho, mas o produto
de trabalho, este sistema de produção denominou-se sistema doméstico.
Com as mudanças ocorridas no processo de trabalho, as atribuições do mestre artesão
foram diminuindo e aos poucos foram assumindo por outros. Inicialmente surge o
intermediário, que começa a exercer a função de mercador, ou seja, entrega a matéria-prima
ao artesão para que ele a trabalhe e devolva a mercadoria acabada.
A partir de então, resta a ele apenas a tarefa de confeccionar os produtos, não
possuindo mais a independência anterior, pois precisava da matéria-prima do mercador,
possuindo apenas a propriedade dos instrumentos de trabalho. O surgimento do
intermediário como negociante alterara as relações na produção, mesmo que a forma como
essa produção se realizasse permanecesse a mesma.
O que a figura do intermediário inicia, e que posteriormente se intensifica, foi a
divisão do trabalho. A partir do momento em que o burguês percebe que é mais vantajoso
que uns fiem, outros teçam, outros alinhem, outros passem e outros empacotem, a existência
do mestre artesão ficou com seus dias contados.
Diante destas transformações que se processam ao longo do tempo, a produção
começou a incorporar um número significativo de trabalhadores para confeccionar um
determinado produto, dividindo-se as etapas produtivas entre eles, isso pouparia tempo e
aceleraria a produção e introduz a necessidade e as vantagens da especialização. Com a
implantação da divisão do trabalho originam-se novas relações de trabalho, inicialmente
baseados na cooperação simples, estabelecendo-se de fato formas de gerenciar a produção
propriamente capitalista.
O regime de cooperação simples concentra os artesãos – que antes trabalhavam
isolados em suas oficinas – em uma única oficina, realizando o mesmo tipo de tarefa que
desempenhavam anteriormente, seja num único e mesmo processo ou em processos
diferentes, mas relacionados. A produção de mercadorias permanece a mesma, cada um
desses artífices, talvez com um ou dois aprendizes, produz a mercadoria por inteiro e leva a
cabo, portanto, as diferentes operações exigidas para a sua fabricação, de acordo com as
sequências delas.
Marx explicita que o método de trabalho inaugurado pela cooperação de vários
trabalhadores, na confecção de um produto, se constitui em uma “revolução nas condições
materiais do processo de trabalho” (2002, p.377). Porém, ao descrever esse processo como
revolucionário, não o atribui ao fato dele ampliar a produtividade individual através da
cooperação, mas de inaugurar uma força produtiva nova, através do trabalho coletivo. A esse
respeito, Marx (2002, p.380) menciona um exemplo esclarecedor:

“Se pedreiros, por exemplo, formam uma fila para levantar tijolos do pé ao alto do
andaime, cada um deles faz a mesma coisa, mas seus atos individuais constituem
partes integrantes de uma operação conjunta, fases especiais que cada tijolo tem de
percorrer no processo de trabalho, e os 24 braços do trabalhador coletivo, supondo-
se que sejam 12 trabalhadores, se cada um isoladamente, com seus dois braços,
subisse e descesse o andaime. O objeto de trabalho percorre, assim, o mesmo espaço
em menos tempo”.

Um aspecto importante a elucidar sobre a cooperação no modo de produção


capitalista é que este se opõe significativamente a formas de cooperação encontradas no
mundo antigo ou na Idade Média, por exemplo. Esta oposição reside no fato da produção
capitalista basear-se na existência de uma classe que detém a propriedade privada dos meios
de produção e uma outra classe destituída destes meios e que possui apenas a força de
trabalho para vender e garantir sua sobrevivência. O processo de desapropriação desta
parcela da população se deu através do movimento de fechamento das terras, da eliminação
dos campos abertos e das terras comunais, entre outros.
Enfim, esses sujeitos trabalhadores, que anteriormente possuíam tanto os “meios de
trabalho”, como os “objetos de trabalho”, foram expropriados e passam a ter que não mais
vender o produto de seu trabalho, mas a sua capacidade de trabalho, sendo considerados
agora trabalhadores assalariados livres. A cooperação constituiu-se na forma primeira da
divisão do trabalho e posteriormente resultou na estruturação da manufatura.

3.2 Caracterização da sociedade Burguesa

O modo de produção capitalista baseia-se na indústria e na cidade. Para entendermos


a organização social sob este modo de produção é preciso entender as relações de produção
capitalista, pois são estas que, em última instância a determinam.
Segundo John Locke (1978), um dos representantes clássicos do liberalismo, todos
os homens estariam naturalmente em estado de natureza. Nesse estado, cuja lei é a razão,
portanto subjetiva, os homens viveriam em igualdade, independentes e livres para
usufruírem de si mesmos e de suas posses.
Segundo a lei do estado de natureza, a razão, nenhum homem deve prejudicar outro
no que diz respeito a propriedade, o que também inclui a vida, pois, de acordo com o
Liberalismo, cada pessoa possui em seu próprio corpo uma propriedade.
A tentativa de escravizar alguém é também considerada uma transgressão no estado
de natureza por caracterizar-se em um ataque à propriedade.
Caso alguém transgrida a lei da razão e prejudique outra pessoa, executa-se a lei da
natureza, segundo a qual qualquer pessoa pode castigar o transgressor, prevenindo nova
ofensa e a pessoa prejudicada tem o direito de reivindicar a reparação do dano sofrido. Não
há neste estado uma autoridade para julgar as controvérsias.
Assim, no estado de natureza, os homens estariam expostos a perigo como o ataque à
propriedade, motivo pelo qual poderiam entrar em estado de guerra. É justamente para evitar
os perigos do estado de natureza que os homens decidem unir-se em sociedade a fim de
garantir a preservação da propriedade.
Para estabelecer a sociedade civil, os homens fazem, por livre consentimento, um
pacto social e passam a viver sob uma lei comum, baseada no direito positivo, que protege a
todos.
Estabelecem então um juiz a quem poderão recorrer para que tenham suas causas
julgadas. Cabe ao juiz a avaliação das situações apresentadas e aplicação da justiça, segundo
a lei da sociedade, cujo fim é a defesa da propriedade, a paz, a segurança e o bem de todos.
A sociedade liberal baseia-se em cinco princípios: Liberdade, igualdade,
propriedade, individualismo e democracia.
Segundo defensores do liberalismo, na sociedade burguesa, todos os homens são
iguais perante a lei e livres para escolherem seus governantes, garantindo a vontade e a
decisão da maioria.
Todos os homens, segundo estes princípios, são livres para se apossarem da
propriedade (que é um direito) por meio do trabalho. A propriedade é considerada o
resultado do trabalho e a extensão desta depende do talento de cada um, pois o princípio do
individualismo afirma que cada indivíduo possui características próprias que devem ser
respeitadas. Desse modo, o sucesso ou o fracasso de cada pessoa só depende dela mesma,
dos seus próprios méritos.
Para Locke, “o trabalho é a origem e o fundamento da propriedade” (Locke, 1978,
[Link]). Segundo esta perspectiva, o trabalho é o meio que o homem utiliza para se apropriar
dos bens da natureza. Ele funda a propriedade, que é um direito, mas só pode ser apropriada
por meio do trabalho.
É também o trabalho que estabelece o valor das coisas. Quanto maior o trabalho
empregado em uma propriedade, mais valor ela terá.
O trabalho para o Liberalismo é, portanto, um meio de produzir riquezas, é uma
atividade de apropriação do que está na natureza.
A sociedade liberal está dividida em duas classes sociais antagônicas: burgueses e
proletários. A burguesia é a classe que surgiu dos servos do período medieval, é a classe
dominante, detentora dos meios de produção (matéria-prima e meios de trabalho). O
proletariado, classe trabalhadora e explorada, só possui sua força de trabalho, que precisa
vender para manter sua sobrevivência.
No capitalismo, a relação patrão-empregado se dá por meio de contrato de trabalho.
Os trabalhadores são livres para vender sua força de trabalho e por ela recebem um salário.

3.3 As propostas dos Liberais para a educação

Para a burguesia em ascensão a educação deveria diferir da educação feudal,


ensinando coisas práticas e úteis à vida cotidiana (urbana e comercial). Surge um
preocupação em considerar as características pessoais do educando no processo educacional,
preocupação esta inspirada no princípio burguês do individualismo.
O educador italiano Vittorino Rambaldoni da Feltre (1378-1446) inaugurou uma
escola perto do Palácio Ducal denominada A Casa Giocosa, onde educava seus pupilos,
assim como os filhos da aristocracia italiana e estrangeira. Seu trabalho pedagógico estava
centrado na preocupação com a liberdade de expressão da personalidade de cada aluno (a
expressão das individualidades), a abolição dos castigos corporais, a formação do raciocínio
autônomo, a graduação de ensino, um plano enciclopédico de estudos e a relação entre os
exercícios dos corpo e dos exercícios dos espírito.
Fato interessante é que ao lado da casa Giocosa, Vittorino da Feltre criou uma escola
gratuita para os pobres. Esta situação exemplifica de forma bastante clara a realidade de eu
em uma sociedade onde há pobres e ricos a ducação não é igual para todos, há escolas para a
formação da elite e a escolas para o povo.
O racionalismo empirista, justamente com pensamento liberal, onde o individualismo
e a dessacralização vigoraram, modificando o senso comum da sociedade da época. A
mudança de concepção na formação do indivíduo possibilitou a construção de novas
propostas para a educação, que passou a centra-se no ideal de “educar humanamente todos
os homens (...) de varias maneiras, com diferentes iniciativas” (Manacorda, 2001, p.236) e
junto com ela a força social que clamou pela escola estatal e obrigatória, sobretudo na
França. Colégios religiosos foram fechados e transformados em instituições estatais. Nesse
movimento, no Brasil, havia apenas as reformas pombalinas e o movimento de expulsão dos
Jesuítas.
A Revolução Francesa foi o marco que consolidou não só o poder político nas mãos
dos burgueses, mas modificou toda a mentalidade da época em relação a educaçãi, sobretudo
por iniciar um processo que desencadearia a obrigatoriedade, a publicidade e a laicidade dos
ensino para todas as camadas sociais.
Pode-se perceber a modificação das concepções de cidadania aliada à aquisição dos
saber sistematizado, colocando o Estado como responsável. Sendo assim, veio a necessidade
da criação de um sistema de ensino que englobasse diversos níveis. A escola elementar seria
para todos, com objetivo de alfabetizar. A elevação social foi vinculada de vez ao ensino
superior. Os currículos abriram espaço para as ciências juntamente com o ensino simultâneo
da leitura e da escrita. Contudo, o termo “todos” não abrangia a maioria da população,
restringindo o ensino público para aqueles que tivessem tempo e condições materiais de
estudar, o que diz respeito, diretamente, a não trabalhar o tempo todo para sobreviver. Sobre
as condições sociais que determinavam a trajetória educacional dos indivíduos, Ponce (1985,
p. 152) explicita:

“O caminho que leva às universidades e, por isso mesmo, às altas posições


governamentais impõe um tipo de instrução tão distante do trabalho produtivo que
apenas se diferenciam da que ministravam os jesuítas no tempo de Rei Sol, uma
instrução tão inacessível às grandes massas que só podem beneficiar-se dela aqueles
que absolutamente não têm de se incomodar com seu próprio sustento”.

Enfim, quem se beneficiava diretamente eram os filhos dos burgueses, mas essa fase
foi fundamental para expandir, no séc. XIX, a escolarização das massas trabalhadoras.

3.4 – A Revolução Industrial no séc. XIX e a expansão da educação escolar entre as


massas trabalhadoras

Esse período foi fundamental para a consolidação do saber sistematizado e ofertado


pela escola pública como valor universal e necessidade fundamental, sobretudo para as
massas trabalhadoras. O trabalho industrial atraiu as pessoas para as cidades e subordinou
esses trabalhadores a uma longa jornada de trabalho em condições precárias. O resultado
disso foi uma verdadeira disseminação da pobreza. Uma das consequências mais greves foi a
força de trabalho com baixíssima remuneração, ou seja , mão de obra barata, sendo
constituída de milhares de mulheres e crianças, em jornadas que duravam até 18h.
A sociedade burguesa não podia prescindir da educação para os trabalhadores, o que
fez surgir a necessidade de inserir o proletariado no mundo da leitura e da escrita, para lidar
com a maquinaria introduzida pela indústria moderna. Ponce afirmava que o trabalhador
assalariado já não poderia satisfazer o seu padrão se não dispusesse ao menos de uma
educação elementar. Mas as reivindicações do capital de expansão do ensino popular para
todos, correspondia na realidade, ao objetivo de ampliar a capacidade técnica dos
trabalhadores a fim de aumentar a competitividade de seus produtos e as suas taxas de lucro.
O tecnicismo na educação concebia o homem como máquina, só que humana.
Disciplinar, higienizar, organizar comportamentos, ideias etc eram o objetivo principal. A
fábrica era reproduzida na escola: horários, uniformes, disciplina etc. O ensino se baseou no
método mútuo, utilizando o sistema de monitoria com alunos mais adiantados ensinando aos
menos adiantados, além de dar exemplo pelo brilhante comportamento e dedicação tal como
um gerente; os professores eram homens, remunerados e reproduziam o ensino de acordo
com a função/cargo que o trabalhador devesse ocupar segundo sua origem social. O
surgimento do jardim da infância na Inglaterra, que só se concretizou mesmo na Alemanha,
foi uma iniciativa de tirar as crianças pequenas do trabalho, principalmente das minas de
carvão, já que a maioria estava lá para acompanhar os pais.
Então, se pode dizer que a escola pública, para a classe trabalhadora surgiu da via
econômica e demandas de trabalho, sobretudo o braçal ou que exigia o uso das faculdades
mentais de forma minimalistas. Já a escola pública para a burguesia foi construída via
necessidade de aquisição de poder político e cultural, como ascensão social e meio de
manter as relações de patrão para empregado.
Conclui-se então, que para a classe operária se disponibilizaria um saber elementar:
ler, escrever e contar. E o objetivo escolar para essa parcela da população era preparar mão
de obra para o trabalho num período pequeno de escolaridade, sem capacitá-los, no entanto,
para compreender criticamente sua condição social, pois isso os faria rebelar contra a ordem
burguesa. Marx descreveu o relato de [Link] que recomendava que aos trabalhadores
fosse um mal a maior dose de educação, perigoso porque os tornava independentes. Adam
Smith recomendava que para evitar a degeneração completa do povo em geral, produzida
pela divisão social do trabalho, o ensino popular, deveria ser oferecido pelo Estado, embora
em doses prudentemente homeopáticas. Quanto ao ensino das elites, a centralidade estava
em formar a classe dirigente, dando-lhe conhecimentos científicos, um longo período escolar
e a chance de progressão profissional.

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