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Processo - Parte 2

O documento aborda garantias e princípios constitucionais do processo, destacando o devido processo legal, contraditório, ampla defesa, publicidade processual e duração razoável do processo. Também discute a boa-fé processual, efetividade e adequação do processo, além de apresentar os sistemas processuais, como o dispositivo e o inquisitivo, e a proposta de um modelo cooperativo. O texto enfatiza a importância da participação das partes e do juiz na condução do processo, visando a proteção dos direitos fundamentais.

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daniel
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Processo - Parte 2

O documento aborda garantias e princípios constitucionais do processo, destacando o devido processo legal, contraditório, ampla defesa, publicidade processual e duração razoável do processo. Também discute a boa-fé processual, efetividade e adequação do processo, além de apresentar os sistemas processuais, como o dispositivo e o inquisitivo, e a proposta de um modelo cooperativo. O texto enfatiza a importância da participação das partes e do juiz na condução do processo, visando a proteção dos direitos fundamentais.

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PROCESSO – CONTINUAÇÃO

GARANTIAS E PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO PROCESSO

NORMA JURÍDICA (gênero) → espécies:

PRINCÍPIOS REGRAS JURÍDICAS


+ alto grau de generalidade e abstração + baixo grau de generalidade e abstração
+ aplicados sob regime de ponderação + aplicadas pelo sistema do “tudo ou
de interesses = valores preponderantes nada” = ou regem a situação, ou são
in concreto inaplicáveis ao caso

DEVIDO PROCESSO LEGAL

- due process of law → a expressão existe desde o século XIV (1354), e a ideia existe
desde o século XIX (1037).
+ Na Magna Charta (1215) usava a expressão law of the land.
+ Nos EUA é comum o uso de fair trial.

* cláusula de proteção contra a tirania!

+ devido = tutela dos direitos em um certo momento histórico → hoje demanda juiz imparcial,
contraditório e ampla defesa, decisão motivada, não se admite prova ilícita, deve haver
publicidade, as partes hão de ser tratadas com igualdade (acúmulo histórico) → conteúdo aberto
= altera no decorrer dos tempos.
+ processo = meio de criação da norma jurídica.
* devido processo legal privado → no âmbito privado (relação entre particulares) também pode
haver processo, sem exercício de jurisdição, sequer arbitragem, decorrendo do direito de
autorregramento da vontade. Ex: a aplicação de multa condominial exige processo privado com
contraditório e ampla defesa.
+ legal = constante do direito (não necessariamente na lei, que faz parte do direito).

- Dimensões do devido processo legal:


FORMAL ou PROCESSUAL MATERIAL ou SUBSTANCIAL
+ fonte de uma série de direitos que diz respeito + fonte constitucional dos deveres de
à validade do processo → garantias processuais proporcionalidade e razoabilidade → ideia
= direito a um processo hígido (ex: importada dos EUA e, uma vez aqui modificada,
contraditório, juiz natural, publicidade, deu gênese a uma doutrina brasileira do devido
motivação...). processo legal.¹
* parte da doutrina critica essa teoria, pois (1) diferente da americana, na qual a
dimensão material do devido processo legal é a fonte de proteção dos direitos
fundamentais implícitos; além disso (2) a proporcionalidade e a razoabilidade podem
ser extraídas de outros princípios constitucionais, como o da igualdade e do estado de
direito.

- os demais PRINCÍPIOS derivam todos do devido processo legal


- explícitos = estão expressos no texto constitucional
- implícitos = são princípios constitucionais sem texto expresso

CONTRADITÓRIO
Informação¹ + possibilidade de manifestação² = contraditório
¹ informação = ciência dos atos e termos do processo
² manifestação = facultativa, querendo o interessados manifestar-se
- informação necessária e reação possível = ciência-resistência ou informação-reação
* medida inaudita altera parte = princípio proporcionalidade ou razoabilidade
(ponderação de interesses) → contraditório postergado ou diferido

FORMAL SUBSTANCIAL = AMPLA DEFESA


+ direito de ser ouvido, de participar da + direito de participar do processo com poder
produção da norma. de influência¹
¹ dessa dimensão decorre o direito à produção de provas, de recorrer, etc. → é preciso
dar à parte instrumentos que lhe permitam influenciar na decisão.

AMPLA DEFESA
- possibilidade de exercer a manifestação (do contraditório) pelos mais amplos meios
possíveis (desde que lícitos)
* existência de instrumentos que garantam a participação, colaboração dos
interessados na formação da convicção do magistrado

- vedação das provas ilícitas


- provais ilegais:
+ ilícitas = ferimento a direito material
+ ilegítimas = mácula a direito processual

- questões conhecíveis de ofício pelo juiz (ex: nulidades absolutas,


inconstitucionalidade das leis, prescrição...) → deve haver contraditório = o juiz deve
abrir prazo para que as partes se manifestem sobre essas questões, caso não haja
anterior manifestação sobre o tema, mesmo que de ordem pública (Freitas Câmara e
Didier) – art. 9º e 10º do CPC.

PUBLICIDADE PROCESSUAL
- atos judiciais, a rigor, são públicos, acessíveis a qualquer pessoa
* possível limitar o acesso:
+ às partes e advogados
+ somente aos advogados
* preservação intimidade interessado sem prejuízo ao interesse público à informação.
Ex: ações de direito de família (CPC, art. 189)
* restrição = (1) defesa intimidade (dignidade humana) ou (2) interesse social
(prevalência interesse público sobre o particular)

- publicidade:
INTERNA EXTERNA
+ em relação às partes → não há + em relação a terceiros que não fazem parte do processo
restrições legais = em última = permite o controle público do exercício da jurisdição
instância, a parte acessará o ato + pode ser mitigada para (1) a proteção da intimidade e
processual por seu advogado. (2) a tutela do interesse público.
* Resolução CNJ nº 121/2010 (regula o processo eletrônico).
* televisionamento das sessões do STF = populismo judicial?

DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO


- não é o mesmo que celeridade → o processo não há de ser rápido = tem de demorar
o tempo necessário para a garantia dos demais princípios (contraditório, recurso...)
→ “cada garantia é um quebra mola”

- Tempestividade da tutela jurisdicional = EC nº 45/2004 → crise da justiça = CF, art. 5º,


LXXVIII (internalização do Pacto San José da Costa Rica).

* não existe duração razoável em abstrato → deve-se verificar caso a caso, considerando
o número de partes, a complexidade da instrução probatória e da própria causa sub
judice...

- critérios para verificar a razoável duração:


a) complexidade da causa
b) infraestrutura do judiciário
c) comportamento do juiz (ex: o juiz abre sucessivas vistas ao MP, sem razões
evidentes)
d) comportamento das partes (ex: a parte indica testemunhas a serem intimadas por
carta precatória, com endereço incompleto)

- na seara eleitoral reputa-se razoável o prazo de até um ano para a resolução do processo que
possa levar à perda do mandato eleitoral (art. 97-A da Lei nº 9.504/97 - lei das eleições).

* representação por excesso de prazo → a parte pode representar contra o juiz no


Tribunal ou no CNJ = constada a demora irrazoável, a causa será redistribuída
(incompetência em razão do tempo).

BOA-FÉ PROCESSUAL

- não se encontra expresso na CF, mas sim no CPC, art. 77.


* o processo desleal não pode ser considerado devido → DEVIDO PROCESSO LEAL.¹
¹ dirigido a todos os sujeitos processuais (advogados, partes, promotor, juiz, auxiliares
da justiça).

OBJETIVA SUBJETIVA
+ norma de conduta (princípio) que impõe + fato → crença de se estar agindo
condutas que estejam em conformidade com corretamente = estado psíquico.
um padrão ético, de lealdade, em determinado * a má-fé subjetiva é a consciência da
contexto. deslealdade.

- conteúdo da boa-fé objetiva processual:


a) veda comportamentos de má-fé subjetiva ou objetiva = o sujeito pode agir com boa-fé
subjetiva, mas se seu ato contrariar a boa-fé objetiva, o comportamento é considerado ilícito.
b) impede-se o abuso do direito = o réu não pode, por exemplo, caprichosamente ser contrário
à desistência processual apresentada pelo autor.
c) nemo potest venire contra factum proprium = ninguém pode agir contra as próprias atitudes
(proibição de ato contraditório) → ex: é ilícito indicar imóvel a penhora e depois aduzir sua
impenhorabilidade; a rigor, o juiz não pode julgar antecipadamente o feito (CPC, art. 330, II)
alegando falta de provas.
d) deveres de cooperação¹ = entre todas as partes, inclusive entre autor e réu, ensejando, por
exemplo, a necessidade de clareza nas alegações, de maneira que se possibilite o próprio
contraditório.
¹ o princípio da cooperação é um subprincípio da boa-fé.

EFETIVIDADE
- Princípio que garante que os direitos sejam efetivados → direito fundamental à
efetividade (ex: credor em execução → análise no caso concreto = impenhorabilidade x
efetividade = penhora de parte de alto salário).

ADEQUAÇÃO
- o direito a um processo devido não é um direito a qualquer processo, mas a um
processo adequado.
- critérios cumulativos para verificação da adequação do processo:
a) objetivamente = o processo deve ser adequado ao direito (material) que se busca
tutelar (ex: peculiaridades da execução de alimentos, JECs para causas de pouca
complexidade, ações possessórias).
b) subjetiva = o processo deve ser adequado aos sujeitos processuais (ex: vara da
fazenda pública, presença de incapaz e necessária intervenção do MP, prioridade de
tramitação a idosos).
c) teleológica = adequação do processo a seus fins (ex: o processo de conhecimento,
que visa a conferir certeza, deve possibilitar ampla instrução probatória,
diferentemente da execução, que pretende o adimplemento da obrigação,
restringindo os debates).

- o princípio dirige-se tanto ao legislador como ao juiz


+ dimensão legislativa = o legislador deve criar normas processuais adequadas
+ dimensão jurisdicional = o juiz deve adequar o procedimento ao caso concreto? (1)
não, pois isso feriria a tripartição das funções estatais e macularia a segurança jurídica;
(2) sim, pois existem situações que demandam atuação procedimental diferenciada
(ex: prazo para resposta de 15 dias em ação que ao autor juntou 10.000 documentos
e interposição de agravo de instrumento em que é impossível juntar as cópias
necessárias porque o processo desapareceu) = flexibilidade do procedimento →
muito controverso.

SISTEMAS PROCESSUAIS

DISPOSITIVO ou ACUSATÓRIO INQUISITIVO


+ a condução do processo, basicamente, cabe + o protagonismo do processo é do juiz, que
às partes, competindo ao juiz a tarefa exclusiva tem poderes de condução e decisão.
de julgar. + modelo ligado ao estado social,
+ modelo de influência liberal normalmente ordinariamente adotado nos países de civil law.
adotado nos países de common law. * recebe críticas de autoritarismo¹
* sempre que uma norma outorgar direito às partes (ex: desistir da causa a qualquer
tempo), está ela concretizando o princípio dispositivo; ao contrário, quando a norma
permite a intervenção do magistrado na condução do processo (ex: determinar a
produção de provas de ofício), há concretização do princípio inquisitivo.
* nenhum processo é puro, havendo, isso sim, predominância de um ou outro sistema.
Vide art. 139 do CPC.

¹ garantismo processual = levantam-se contra o agigantamento do Estado (Ferrajoli).

- Ativismo judicial (?!?!?!?):


MATERIAL PROCESSUAL
+ princípios, cláusulas gerais, criatividade + processo inquisitivo sob a ótica da adequação
jurídica → permitem que o juiz crie soluções jurisdicional, com a flexibilização do
para os problemas que não foram discernidos procedimento para se adequar ao caso
na via legislativa. concreto.

- MODELO DE PROCESSO COOPERATIVO → a condução do processo se dá sem


protagonismo = cooperação pelas partes e juiz.
* novo sistema que vem sendo defendido como mais adequado aos Estados de índole
democrática.
* muitos autores vêm defendendo que o sistema adotado no Brasil não é o inquisitivo,
mas o cooperativo → princípio democrático, devido processo legal e boa-fé (Didier).

- DEVERES de cooperação atinentes ao juiz:


a) esclarecimento = dever de esclarecer suas manifestações e de pedir esclarecimentos (ex: sendo
a petição obscura, deve o magistrado requisitar que a parte esclareça os termos de seus pedido).
b) consulta = dever de consultar as partes previamente acerca de qualquer questão de fato e de
direito relevante para a solução da causa → não pode haver “decisão de terceira via” = questão
sobre a qual as partes não puderam manifestar-se.
c) prevenção = dever de apontar os defeitos processuais que possam prejudicar o andamento
processual, bem assim a obrigação de indicar a maneira de saneá-los (ex: o juiz não pode indeferir
a inicial sem antes franquear o seu aditamento).

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