Estatística
Estatística
Estatística
Preventiva
Maitê Benati Dahdal | Pedro Eustáquio Urbano Teixeira | Raísa Dourado Almeida | Vitor Piquera
SUMÁRIO
Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
Bibliografia consultada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
Questões comentadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
2
MEDICINA BASEADA EM Capítulo
EVIDÊNCIAS E BIOESTATÍSTICA 1
importância/prevalência
u Medicina Baseada em Evidências significa o uso consciente da melhor evidência disponível para a tomada de decisão
no âmbito da medicina.
u As revisões sistemáticas de ensaios clínicos randomizados apresentam nível 1A de evidência.
u As revisões sistemáticas são investigações científicas, com metodologia definida por protocolo, que avaliam estudos
originais como seu objeto de estudo, sintetizando resultados de estudos primários.
u Para decidirmos se devemos confiar na conclusão apresentada por determinado estudo precisamos, sempre, avaliar
o intervalo de confiança.
u A média é muito afetada por valores extremos. A mediana não é afetada por valores extremos. Uma amostra pode ter
nenhuma, uma ou mais de uma moda.
DICA
1. I NTRODUÇÃO A intervenção analisada não precisa ser um medi-
camento. Podemos estar falando de uma vacina e do seu
poder em reduzir o risco de adoecimento, por exemplo.
u De forma abrangente, compreendemos a medicina
baseada em evidências (MBE) como o uso conscien-
te da melhor evidência disponível para a tomada de u A partir desses três conceitos, podemos compreen-
decisão no âmbito da medicina. A MBE representa der outros dois que, às vezes, aparecem em alguns
um novo paradigma da medicina, visto que põe, de enunciados:
forma objetiva, as evidências adquiridas por estudos W Validade interna: Extensão em que os resultados
científicos em um patamar diferente da experiência observados representam uma verdade para a po-
do médico em nível individual. pulação estudada e, portanto, não se devem a erros
metodológicos.
DICA W Validade externa: Refere-se à extensão em que os
A MBE não menospreza ou nega o valor da
resultados de um estudo são aplicáveis aos pacien-
experiência do médico. Seu objetivo é coibir práticas
tes em nossa prática diária.
que não estejam embasadas em dados e estimular
aquelas que estão.
2. H
IPÓTESE NULA X HIPÓTESE
u Vamos iniciar apresentando 3 conceitos a partir do exem-
ALTERNATIVA
plo de um medicamento novo que está sendo testado:
W Eficácia: Medicamento demonstrou resultados me- u Outros conceitos que, às vezes, são apresentados nas
lhores que o placebo no estudo, ou seja, dentro das questões são os seguintes:
condições ideais e controladas do ensaio clínico. W Hipótese nula: Hipótese de que não existe diferen-
W Efetividade: Medicamento manteve resultados positivos ça entre os grupos estudados. No exemplo do me-
na população mesmo fora dos “muros” de um ensaio dicamento, isso iria significar que o medicamento
clínico, provando que, no mundo real, longe do con- não melhorou em nada o desfecho.
trole dos pesquisadores, ele também traz benefícios. W Hipótese alternativa: Hipótese de que existe dife-
W Eficiência: Vale a pena, pelo custo do medicamento, rença no desfecho entre os dois grupos. Ou seja, o
utilizá-lo em vez de outros disponíveis. uso do medicamento interferiu no desfecho.
3
Medicina baseada em evidências e bioestatística Estatística
4
Medicina baseada em evidências e bioestatística Cap. 1
DICA DICA
Uma “nova pirâmide de evidências” está sendo Em um estudo epidemiológico primário, como
discutida, o que pode mudar um pouco a compreensão coorte ou ensaio clínico, nós estudamos pessoas e
dos níveis de evidência que apresentamos. Segundo populações. Em uma revisão sistemática, nós estu-
esse novo conceito, os limites entre os diferentes ní damos esses estudos. Compilamos vários estudos
veis de evidência deixam de ser tão rígidos e lineares, que analisam o mesmo tema, avaliando a “soma” dos
levando em consideração outras variáveis. O principal seus resultados.
é entender que a qualidade de um determinado tipo de
evidência pode variar com a pergunta que é feita no
estudo. Revisões sistemáticas de estudos de coorte
4.2. METANÁLISE
podem representar o melhor nível de evidência caso
o objetivo seja conhecer a história natural de uma
doença, enquanto ensaios clínicos randomizados u Definição: Síntese estatística de dados colhidos no
são melhores para determinar a eficácia de uma inter maior número possível de estudos, com o objetivo
venção. Se a prova perguntar, entretanto, apenas sobre de sumarizar a informação. Métodos estatísticos
os níveis de evidência, sem citar a “nova pirâmide”, é são utilizados para compilar os resultados de diver-
mais seguro que você atenha-se à divisão da Oxford. sos estudos em uma única medida. Os resultados da
metanálise podem ser vistos em uma representação
gráfica chamada forest plot.
4. R EVISÃO SISTEMÁTICA
E METANÁLISE DICA
Basicamente, uma metanálise realiza uma aná-
lise estatística complexa para tirar de vários estudos
4.1. REVISÃO SISTEMÁTICA uma conclusão uniforme. O que mais importa para
a sua prova é conseguir identificar essa conclusão a
u Definição: Investigações científicas, com metodologia
partir do forest plot.
definida por protocolo, que avaliam estudos originais
como seu objeto de estudo, sintetizando resultados
de estudos primários.
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Medicina baseada em evidências e bioestatística Estatística
6
Medicina baseada em evidências e bioestatística Cap. 1
W Quanto mais estreito o intervalo de confiança, mais u Para considerarmos que os valores em uma popula-
confiável é o estudo. Você confiaria mais em um ção estudada representam uma distribuição normal,
estudo que conclui que o risco de adquirir câncer alguns critérios devem ser preenchidos:
de pulmão é entre 8-50 vezes maior no fumante ou W a) A distribuição deve ser simétrica em torno da
um que conclui que é 18-22 vezes maior? média.
W b) Média = Mediana = Moda.
DICA
Sabemos que essa parte de metanálise, interpre- W c) σ = engloba 68% da amostra; 2σ = 95%; 3σ = 99,7%
tação de gráfico e intervalo de confiança é um pouco (σ = um desvio-padrão).
confusa. Não deixe de ver a aula, pois fica muito mais u A Curva de Gauss é a representação gráfica de uma
fácil de entender depois dela. distribuição normal. Observe, na figura a seguir (Figura
1), como os desvios-padrão representam determinada
porcentagem da amostra.
5. B IOESTATÍSTICA Figura 1. Curva de Gauss.
DICA
A média é muito afetada por valores extremos.
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Medicina baseada em evidências e bioestatística Estatística
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Medicina baseada em evidências e bioestatística Cap. 1
QUESTÕES COMENTADAS
9
Medicina baseada em evidências e bioestatística Estatística
⮨ II, III e IV, apenas. custo um pouco mais alto. Eficácia, efetividade e eficiên-
⮩ III e IV, apenas. cia são termos que podem passar por sinônimos para o
público leigo, mas possuem significados diferentes para
especialistas em pesquisas clínicas. Com base nesse
Questão 5
caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta os
(UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO – SP – 2021) Para verificar conceitos na ordem em que aparecem no texto.
se o fato de mulheres adultas terem sido amamentadas
⮦ eficiência, eficácia e efetividade.
pelas mães está associado ao câncer de mama, foi rea-
lizado um estudo do tipo coorte retrospectiva. Ao final ⮧ efetividade, eficácia e eficiência.
do estudo, observou-se que o risco relativo (RR) de de- ⮨ eficácia, efetividade e eficiência.
senvolver câncer de mama entre mulheres amamenta- ⮩ efetividade, eficiência e eficácia.
das pela mãe com referência às não amamentadas foi
⮪ eficiência, efetividade e eficácia.
de 0,69 (IC 95%: 0,53; 0,90). Com esse resultado, ao nível
de significância de 5%, pode-se concluir que:
Questão 8
⮦ houve associação significativa entre ter sido amamen-
tada e câncer de mama, sendo que ter sido amamen- (UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO – SP – 2021) Que teste es-
tada pela mãe diminuiu o risco de câncer de mama tatístico poderia ser utilizado em um estudo que obje-
em 69%. tivasse verificar a associação entre faixa etária e óbito
(sim ou não) pela covid-19?
⮧ não houve associação significativa entre ter sido ama-
mentada e câncer de mama, pois RR = 0,69 é menor ⮦ Teste t de student para amostras independentes.
que o valor limite 1,0. ⮧ Qui-quadrado de Pearson.
⮨ não houve associação significativa entre ter sido ama- ⮨ Teste t de student pareado.
mentada e câncer de mama, pois o valor RR = 1,0 não
está contido no IC95%. ⮩ Correlação de Pearson.
Questão 7
10
Medicina baseada em evidências e bioestatística Cap. 1
⮦ A não realização de tomografia foi mais associada à evolução para óbito e a associação apresentou significân-
cia estatística.
⮧ Ter idade menor que 60 anos foi associado a maior chance de evoluir para o óbito por covid-19, mas não teve
significância estatística.
⮨ Pacientes do sexo masculino morreram mais que do sexo feminino e esse achado teve significância estatística.
⮩ O uso de azitromicina foi mais prevalente entre os pacientes que evoluíram para óbito e um estudo transversal
é o mais adequado para respaldar a tomada de decisão para uma conduta clínica.
Questão 10
(UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – SP – 2021) Um estudo de coorte foi realizado no Brasil com o objetivo de investigar fatores
de risco associados à incidência de dengue sintomática confirmada laboratorialmente. Foi incluída uma amostra de
crianças e adolescentes de 2 a 16 anos de idade. Alguns resultados são apresentados na tabela a seguir:
Tabela X. Distribuição dos participantes segundo diagnóstico de dengue sintomática, laboratorialmente confirmado e
variáveis selecionadas, risco relativo (RR) e seu intervalo de 95% de confiança (IC95%), Estado de São Paulo, 2014-2018.
Assinale a alternativa CORRETA quanto aos fatores sig- ⮦ Morar em apartamento foi um fator de proteção.
nificativamente associados à incidência de dengue sin- ⮧ Sexo feminino foi um fator de risco.
tomática confirmada laboratorialmente:
⮨ Ter sorologia prévia reagente foi um fator de proteção.
⮩ Frequentar escola foi um fator de risco.
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Medicina baseada em evidências e bioestatística Estatística
GABARITO E COMENTÁRIOS
12
Medicina baseada em evidências e bioestatística Cap. 1
Alternativa B: INCORRETA. Houve associação significativa, Alternativa A: INCORRETA. Para ser teste T de student para
sim. O intervalo de confiança mostrou ser fator de prote- amostras independentes, teríamos que considerar idade
ção e o enunciado disse que havia nível de significância. como uma variável contínua. Quando a questão fala em
Alternativa C: INCORRETA. Ver a alternativa B. “faixa etária”, devemos considerar como extratos, e não
como idades contínuas, o que invalida essa alternativa
Alternativa D: CORRETA. Ver a alternativa A.
Alternativa B: CORRETA.
✔ resposta: D
Alternativa C: INCORRETA. Teste t pareado seria utilizado
para amostras relacionadas, e não para amostras inde-
Questão 6 dificuldade:
pendentes. Nesse caso, como estamos avaliando grupos
Y Dica do professor: Questão sobre bioestatística básica, distintos (diferentes faixas etárias e diferentes desfechos),
envolvendo os diferentes tipos de variáveis. Temos variá- não utilizamos esse teste estatístico.
veis quantitativas, que descrevem quantidades, ou seja, Alternativa D: INCORRETA. Correlação de Pearson compara
números. Essas podem ser discretas (apenas números duas variáveis contínuas, mas a questão está pedindo um
inteiros) ou contínuas (incluem valores fracionários). O teste que pode ser aplicado a duas variáveis categóricas.
número de filhos é uma variável discreta, ou descontínua, ✔ resposta: B
enquanto peso e idade podem ser descritos em frações,
sendo considerados variáveis contínuas.
Questão 9 dificuldade:
✔ resposta: D
Y Dica do professor: Questão sobre análise de resultados
dificuldade:
de estudos científicos. Vamos às alternativas.
Questão 7
Alternativa A: INCORRETA. O intervalo de confiança de-
Y Dica do professor: Primeiro, vamos definir cada um monstra que não há associação identificada entre a não
desses conceitos. realização da TC e a evolução para óbito.
Eficácia = Resultados demonstrados dentro de condições Alternativa B: INCORRETA. Pelo contrário, temos maior
ideais, como ensaios clínicos. mortalidade nos pacientes acima de 60 anos.
Efetividade = Resultados obtidos no mundo real, fora dos Alternativa C: CORRETA. Sim, temos maior número de óbi-
“muros” de um ensaio clínico. tos no grupo masculino. O intervalo de confiança está
Eficiência = Avaliação sobre o custo-benefício. todo acima do número 1 e o valor de p está descrito
No texto, vemos os efeitos colaterais atrapalhando o uso como 0,000.
de uma medicação. Portanto, observamos sua atuação Alternativa D: INCORRETA. Observe como temos um in-
no mundo real (efetividade). Depois, o médico fala dos tervalo de confiança amplo, o que provavelmente se dá
resultados de outra medicação em ensaios clínicos (efi- pelo valor baixo de pessoas avaliadas que não fizeram
cácia), mas aponta para o custo alto do medicamento uso do medicamento. De qualquer forma, o intervalo de
(eficiência). Portanto, a ordem correta é efetividade, confiança está todo acima do número 1 e o valor de p =
eficácia e eficiência. 0,000. Acontece que estudos transversais não determi-
nam causalidade, sendo inadequados para respaldar a
✔ resposta: B tomada de decisão.
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Medicina baseada em evidências e bioestatística Estatística
14
Capítulo
TESTES DIAGNÓSTICOS
2
importância/prevalência
Doença
Teste Total
Presente Ausente
Positivo Verdadeiro-positivo (a) Falso-positivo (b) Total de positivos
Negativo Falso-negativo (c) Verdadeiro-negativo (d) Total de negativos
Total Total de doentes Total de não doentes Total de pacientes
Fonte: Autor.
u Você precisa entender que, na vida real, não sabemos 2. S ENSIBILIDADE E ESPECIFICIDADE
quem é doente e quem não é. Na prova, esses valores
terão que ser “pescados” do enunciado. Por vezes, a
questão só diz que a prevalência da doença na popu-
u Sensibilidade e especificidade são características do
lação é de 40%. Com isso, você já é capaz de concluir teste. Se aplicarmos um teste com 80% de sensibili-
que a cada 100 pacientes, 40 serão doentes. É impor- dade a uma população em que todos são doentes, a
tante que você adquira a capacidade de entender, com sensibilidade será de 80%. Se aplicarmos a uma popu-
base no enunciado, quantos pacientes são verdadei- lação em que não há nenhum doente, a sensibilidade
ro-positivos, verdadeiro-negativos, falso-positivos e continuará sendo de 80%. Ou seja, a variação na pre-
falso-negativos. Esses valores raramente serão todos valência da doença não afeta os valores de sensibili-
entregues pela questão. Será preciso ir preenchendo dade e especificidade, visto que esses são inerentes
as lacunas a partir do conhecimento sobre conceitos ao teste diagnóstico.
de sensibilidade, especificidade e valores preditivos.
15
Testes diagnósticos Estatística
Tabela 2. Sensibilidade.
DICA
u Quando falamos em sensibilidade, olhamos apenas Sempre que falamos de sensibilidade, estamos
para os pacientes doentes. Quando o teste acerta avaliando apenas a população doente.
nesse grupo, temos os verdadeiro-positivos. Quando
o teste erra, temos os falso-negativos.
u Um teste muito sensível vai ter uma proporção alta 2.2. ESPECIFICIDADE
de verdadeiro-positivos e baixa de falso-negativos.
Só isso. Os outros valores (falso-positivo e verdadei- u Definição: Capacidade de detectar os verdadeiro-ne-
ro-negativo) não fazem parte da análise dos doentes. gativos entre os não doentes.
u Exemplo: Um teste com 90% de sensibilidade aplicado W Em outras palavras, especificidade é a proporção
em 100 pacientes doentes vai resultar em 90 verda- de acertos entre os não doentes. Ou seja, especifici-
deiro-positivos e 10 falso-negativos. dade significa a probabilidade de um indivíduo não
doente ter o teste negativo. Vamos analisar a tabela?
Tabela 3. Especificidade.
u Quando falamos em especificidade, olhamos apenas u Exemplo: Um teste com 90% de especificidade aplica-
para os pacientes não doentes. Quando o teste acerta do em 100 pacientes não doentes vai resultar em 90
nesse grupo, temos os verdadeiro-negativos. Quando verdadeiro-negativos e 10 falso-positivos.
o teste erra, temos os falso-positivos.
u Um teste muito específico vai ter uma proporção alta DICA
Sempre que falamos de especificidade, estamos
de verdadeiro-negativos e baixa de falso-positivos. Só
avaliando apenas a população não doente.
isso. Os outros valores (verdadeiro-positivo e falso-ne-
gativo) não fazem parte da análise dos não doentes.
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Testes diagnósticos Cap. 2
17
Testes diagnósticos Estatística
u Quando falamos em valor preditivo positivo, olhamos 4.2. VALOR PREDITIVO NEGATIVO (VPN)
apenas para os nossos resultados positivos. Quando
o teste acerta nesse grupo, temos os verdadeiro-posi- u Definição: Proporção de verdadeiro-negativos entre
tivos. Quando o teste erra, temos os falso-positivos. os negativos.
u Um teste com alto VPP vai ter uma proporção alta de W Em outras palavras, Valor Preditivo Negativo é a
verdadeiro-positivos e baixa de falso-positivos. proporção de acertos entre todos os resultados
negativos. Ou seja, VPN significa a probabilidade
DICA de um teste negativo realmente pertencer a um in-
Sempre que falamos de valor preditivo positivo,
divíduo não doente. Vamos analisar a tabela?
estamos avaliando apenas os resultados positivos.
u VPP = A / A+B
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Testes diagnósticos Cap. 2
DICA
Monte uma tabela 2x2 em um papel ofício, e
invente os valores de Sensibilidade, Especificidade e
Prevalência e preencha a tabela. Depois de a tabela
preenchida, altere a sensibilidade e veja o que acontece
com os valores preditivos. Faça o mesmo com a es- Fonte: Acervo Sanar.
pecificidade. Por fim, aumente e reduza a prevalência.
Esse exercício é importante para que você visualize u Sobre a Curva ROC:
os conceitos que apresentamos. u No eixo vertical, quanto mais alto, maior a sensibilidade.
u No eixo horizontal, quanto mais à esquerda, maior a
especificidade.
u Com a Curva ROC estabelecemos o ponto que nos
5. ACURÁCIA E CURVA ROC trará melhor relação sensibilidade × especificidade do
teste e, consequentemente, melhor acurácia.
u Esse ponto deverá ser o ponto de corte do teste diag-
5.1. ACURÁCIA
nóstico (Glicemia de 126, por exemplo).
19
Testes diagnósticos Estatística
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
Benseñor IM, Atta JÁ, Martins MA. Semiologia clínica. São Paulo:
Sarvier; 2002.
Ferreira JC, Patino CM. Entendendo os testes diagnósticos. Parte
3. J. bras. pneumol. [Internet]. 2018 [Acesso em 1 nov. 2020];
44(1): 4-4. Disponível em: [Link]
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[Link]
Gusso G, Lopes JMC. Tratado de medicina de família e comuni-
dade: princípios, formação e prática. Porto Alegre: Artmed;
2012.
Guyatt GH, Oxman AD, Ali M, Willan A, Mcllroy W, Patterson C.
Laboratory diagnosis of iron-deficiency anemia: an overview.
J Gen Intern Med. 1992; 7(2):145-53.
Manrahan EJ, Madupu G. Appleton & Lange’s review of epi-
demiology and biostatistics for the USMLE. East Norwalk:
Appleton & Lange; 1994.
Moraes SL. Instituto de Medicina Tropical, Universidade de São
Paulo; 2012.
20
Testes diagnósticos Cap. 2
QUESTÕES COMENTADAS
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Testes diagnósticos Estatística
Questão 5 Questão 8
(HOSPITAL MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS – SP – 2018) Uma (INSTITUTO DE ASSISTÊNCIA MÉDICA AO SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL
maneira de aumentar o valor preditivo positivo dos exa- DE SÃO PAULO – IAMSPE – SP – 2021) Com relação aos testes
mes é: utilizados no diagnóstico clínico de uma doença, assi-
nale a alternativa CORRETA.
⮦ Pedir vários ao mesmo tempo.
⮧ Repeti-los no mesmo tempo. ⮦ Os testes sensíveis são necessários para o diagnós-
tico de doenças leves.
⮨ Detalhar a anamnese e o exame físico.
⮧ Os testes sensíveis dão poucos resultados falso-po-
⮩ Associar métodos bioquímicos aos de medicina por
sitivos.
imagem.
⮨ Os testes específicos dão muitos resultados falso-
-positivos.
Questão 6
⮩ Os testes específicos dão poucos resultados falso-
(PROCESSO SELETIVO UNIFICADO – MG – 2020) Foi realizado um -positivos.
estudo para avaliar a capacidade dos clínicos em diag- ⮪ O valor preditivo negativo é mais útil para o resulta-
nosticar infecção estreptocócica, utilizando-se de 149 do positivo.
pacientes com “dor de garganta” que procuram o serviço
de emergência aos resultados de culturas orofaríngeas
Questão 9
para Streptococcus do grupo A. Dos 37 pacientes que
apresentaram cultura orofaríngea positiva, 27 foram (UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – RJ – 2021)
diagnosticados pelos médicos como tendo faringite es- Considere o mesmo teste para detecção de câncer de
treptocócica. Entre os 112 pacientes que apresentaram mama em dois grupos de mulheres. O grupo A é constituí-
cultura negativa, os médicos diagnosticaram que 35 de- do por pacientes acima de 40 anos e com história familiar
les apresentavam a doença. Em relação a esse estudo, de neoplasia maligna de mama. O grupo B é composto
assinale a alternativa CORRETA: por mulheres entre 20-40 anos, sem história familiar de
câncer de mama. Em relação ao desempenho do teste,
⮦ A prevalência da doença no grupo e a especificidade
espera-se encontrar no grupo A maior
do exame clínico são, respectivamente, 33% e 44%.
⮧ Ao afastar a doença entre os examinados, os médicos ⮦ sensibilidade.
acertaram em 73%. ⮧ valor preditivo positivo.
⮨ O diagnóstico clínico da faringite estreptocócica es- ⮨ valor preditivo negativo.
tava correto em 73% dos pacientes examinados.
⮩ especificidade.
⮩ O percentual de falso-positivos do exame clínico dos
⮪ frequência de falso positivo.
médicos é de 56%.
Questão 10
Questão 7
(UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – SP – 2021) Considere que um de-
(SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE BELO HORIZONTE – MG – 2021) Em
terminado teste diagnóstico de uma infecção está sendo
uma situação hipotética, um país desenvolveu um novo
utilizado em uma cidade onde sua prevalência é 10%.
teste para a covid-19 com sensibilidade de 100% e espe-
O que se espera dos valores preditivos positivo (VPP),
cificidade de 80%, e decidiu testar toda a sua população
negativo (VPN) e da especificidade (E) desse teste, se o
de dois milhões de habitantes. Supondo que a prevalên-
mesmo for aplicado em outra cidade onde a prevalência
cia da covid-19 nessa população seja de 0,5%, quantos
da infecção é 20%?
verdadeiramente positivos e falso-positivos espera-se
encontrar, respectivamente? ⮦ Diminuirá; aumentará; aumentará.
⮦ 20.000 e 398.000. ⮧ Diminuirá; aumentará; será mantida.
⮧ 10.000 e 398.000. ⮨ Aumentará; aumentará; diminuirá.
⮨ 20.000 e 40.000. ⮩ Aumentará; diminuirá; será mantida.
⮩ 10.000 e 400.000.
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Testes diagnósticos Cap. 2
GABARITO E COMENTÁRIOS
23
Testes diagnósticos Estatística
não doentes. Segundo o Caderno de Atenção Primária O mais importante nessa questão é identificar que o
do Ministério da Saúde que diz respeito ao programa de exame clínico é o teste diagnóstico sendo avaliado,
rastreamento, um exame de rastreamento deve ter óti- não a cultura de orofaringe. Vamos analisar todas as
mas sensibilidade e especificidade, para que se tenha alternativas.
pequenas taxas de falso-positivo e para que dê seguran- Alternativa A: INCORRETA. Prevalência = 37/149 = 25%.
ça de que a pessoa realmente não tem a doença quan- Especificidade = 77/112 = 69%.
do o resultado for negativo. Entretanto, a característica
Alternativa B: INCORRETA. Ao afastar (negativo), os médi-
mais importante deve ser a alta sensibilidade, a fim de
cos acertaram 77 vezes de 87 = 89%.
termos uma baixa taxa de falso-negativos, uma vez que a
confirmação da doença e a exclusão dos falso-positivos Alternativa C: INCORRETA. Diagnóstico correto são os ver-
virão por meio do exame confirmatório, passo seguinte dadeiro-positivos e negativos = 27 + 77 = 104. Total de
do processo de um programa de rastreamento que, ne- pacientes de 149. Acurácia = 104/149 = 70%.
cessariamente, precisa ser de alta especificidade. Alternativa D: CORRETA. Temos 35 falso-positivos em um
total de 62 positivos = 56%.
✔ resposta: D
✔ resposta: D
Questão 5 dificuldade:
Questão 7 dificuldade:
Y Dica do professor: Vamos analisar as alternativas.
Alternativa A: INCORRETA. Usar vários exames ao mesmo Y Dica do professor: A prevalência de 0,5% em uma popu-
tempo vai lhe dar mais probabilidade de ter um resultado lação de dois milhões de habitantes resulta em um total
positivo, mas não necessariamente de confiar mais no de 10 mil casos (e 1.990.000 sadios).
resultado positivo obtido. Geralmente testes em paralelo Sensibilidade = total de verdadeiros positivos/total de
levam a um aumento de sensibilidade, que exerce maior doentes; Para S = 100% e 10 mil doentes, teremos 10 mil
influência no valor preditivo negativo. verdadeiros positivos.
Alternativa B: INCORRETA. A mesma lógica se aplica à re- Especificidade = total de verdadeiros negativos/total de
petição do mesmo teste em paralelo. sadios. Para E = 80% e total de sadios = 1.990.000, te-
mos que os verdadeiros negativos somam 1.592.000 e
Alternativa C: CORRETA. Detalhando a anamnese e o exame
restam, portanto, 398.000 falso-positivos.
físico, é possível identificar o perfil do paciente e estimar
melhor sua probabilidade pré-teste (sua “prevalência”). ✔ resposta: B
Se a probabilidade pré-teste aumentar com a anamnese,
o VPP vai aumentar. Questão 8 dificuldade:
Alternativa D: INCORRETA. Os valores preditivos dependem Y Dica do professor: Sensibilidade é a capacidade de iden-
da prevalência da doença, da sensibilidade e da especi- tificar os verdadeiro-positivos. Ou seja, se um paciente for
ficidade dos testes aplicados. doente, a chance é grande de um teste muito sensível dar
✔ resposta: C positivo. Especificidade é a capacidade de detectar os ver-
dadeiro-negativos. Ou seja, se um paciente não for doente, a
Questão 6 dificuldade: chance é grande de um teste muito específico dar negativo.
Alternativa A: INCORRETA. A gravidade da doença não
Y Dica do professor: Vamos fazer a tabela de contingência interfere tanto no teste que deve ser realizado. O prin-
2x2 e analisar cada uma das alternativas: cipal é sabermos se queremos descartar a doença ou
confirmá-la.
Doente Não doente Total Alternativa B: INCORRETA. Os testes muito sensíveis dão
Positivo 27 35 62 muitos resultados verdadeiro-positivos e poucos falso-
Negativo 10 77 87 -negativos. Nada além disso. Como a alta sensibilidade
Total 37 112 149 muitas vezes vem acompanhada de baixa especificidade,
pode haver muitos falso-positivos.
Não entendeu a tabela? O teste diagnóstico que está Alternativa C: INCORRETA. Os testes muito específicos dão
sendo avaliado é o exame clínico. A cultura orofaríngea é o muitos resultados verdadeiro-negativos e poucos falso-
“padrão-ouro” que determina quem é doente e quem não é. -positivos. Nada além disso. Como a alta especificidade
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Testes diagnósticos Cap. 2
Questão 9 dificuldade:
Questão 10 dificuldade:
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Fixe seus conhecimentos!
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