UNIVERSIDADE DE PASSO FUNDO
FACULDADE DE ENGENHARIA E ARQUITETURA
CURSO DE ENGENHARIA AMBIENTAL
ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL DA INSTALAÇÃO DE
UM ATERRO SANITÁRIO COM CENTRAL DE TRIAGEM
PARA RESÍDUOS SÓLIDOS UBANOS
Disciplina: EIA-RIMA e Licenciamento Ambiental
Professora: Anelise Sertoli Lopes Gil
Acadêmicos: Alana P. da Silva, Mauricio Fochi e Patrícia Guadagnin
Passo Fundo, 2016
1
APRESENTAÇÃO
O presente projeto é referente ao Estudo de Impacto Ambiental (EIA), desenvolvido
pela empresa Gaia construções ambientais, objetivando o licenciamento ambiental junto à
FEPAM, de um aterro sanitário com central de triagem para resíduos sólidos urbanos, a ser
instalado na comunidade de Cachoeira Alta, no interior do município de Tapejara/ RS.
A primeira fase do licenciamento é a elaboração do Estudo de Impacto Ambiental-
EIA, no qual se analisa a região que se pretende instalar o empreendimento, verificando quais
impactos o mesmo vai produzir.
As informações são apresentadas de forma acessível, contendo as principais
conclusões referentes aos resultados do EIA, considerando os elementos necessários para a
análise ambiental do empreendimento.
O desenvolvimento e conteúdo do estudo foram realizados por uma equipe
multidisciplinar, e a responsabilidade técnica foi atribuída à Empresa Destaque- engenharia e
consultoria ambiental.
2
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1- Mapa com a localização do Município ....................................................................... 8
Figura 2- Área selecionada para o aterro sanitário (área A) ..................................................... 11
Figura 3- Área selecionada para o aterro sanitário (área B) ..................................................... 11
Figura 4- Croqui da área do aterro............................................................................................ 14
Figura 5- Detalhe da Área Diretamente Afetada e a Área de Influência Direta ....................... 16
Figura 6- Detalhe da Área de Influência Indireta do aterro ...................................................... 17
Figura 7- Geomorfologia de tapejara........................................................................................ 18
Figura 8- Pedologia de Tapejara ............................................................................................... 19
Figura 9- Caracterização do relevo de Tapejara ....................................................................... 20
Figura 10- Bacia Hidrográfica Apuê-Inhandava ...................................................................... 21
Figura 11- Rede hidrográfica do Município ............................................................................. 22
Figura 12- Classificação do clima de acordo com Koppen (1931) .......................................... 23
Figura 13- Início das obras do aterro sanitário ......................................................................... 41
Figura 14- Operação do aterro .................................................................................................. 41
Figura 15- Aterro encerrado ..................................................................................................... 42
3
LISTA DE TABELAS
Tabela 1- Características dos locais escolhidos para o empreendimento ................................. 12
Tabela 2- Estudo Florístico do fragmento de mata na cidade de Tapejara/RS......................... 26
Tabela 3- CAP das espécies encontradas na avaliação fitossociológica em Tapejara- RS ...... 27
Tabela 4- Altura das espécies encontradas no estudo fitossociológico em Tapejara / RS ....... 27
Tabela 5- Sanidades das espécies encontradas no fragmento de mata nativa em Tapejara / RS
.................................................................................................................................................. 27
Tabela 6- Magnitude dos impactos ........................................................................................... 29
Tabela 7- Importância dos impactos......................................................................................... 29
4
LISTA DE QUADROS
Quadro 1- Classificação dos impactos...................................................................................... 29
Quadro 2- Medidas mitigadoras e compensatórias................................................................... 30
Quadro 3- Planos de gestão ...................................................................................................... 31
Quadro 4- Execução e cronograma dos planos de gestão ........................................................ 37
Quadro 5- Cronograma das atividades ..................................................................................... 43
5
SUMÁRIO
1 CARACTERÍSTICAS DO EMPREENDEDOR ................................................................. 7
1.1 Identificação do responsável ........................................................................................ 7
1.2 Identificação da responsabilidade técnica .................................................................... 7
2 CARACTERÍSTICAS DO EMPREENDIMENTO ............................................................ 8
2.1 Identificação e localização ........................................................................................... 8
2.1.1 A cidade de Tapejara ............................................................................................ 8
2.1.2 A área do empreendimento ................................................................................... 9
[Link] Seleção da Área ........................................................................................... 10
2.2 Objetivos .................................................................................................................... 12
2.2.1 Objetivo geral ..................................................................................................... 12
2.2.2 Objetivos específicos .......................................................................................... 12
2.3 Justificativa ................................................................................................................ 13
2.4 Esboço de projeto ....................................................................................................... 14
2.5 Etapas de implantação ............................................................................................... 15
3 ÁREA DE INFLUÊNCIA DO EMPREENDIMENTO .................................................... 16
3.1 Área de influência direta (AID) ................................................................................. 16
3.2 Área de influência indireta (AII) ............................................................................... 17
4 DIAGNÓSTICO AMBIENTAL DA ÁREA DE INFLUÊNCIA ...................................... 18
4.1 Meio físico ................................................................................................................. 18
4.1.1 Solo ..................................................................................................................... 18
[Link] Geologia e geomorfologia ........................................................................... 18
[Link] Pedologia do solo ........................................................................................ 19
[Link] Relevo.......................................................................................................... 19
4.1.2 Recursos hídricos ................................................................................................ 20
4.1.3 Ar ........................................................................................................................ 22
4.1.4 Ruídos ................................................................................................................. 22
4.1.5 Clima e condições meteorológicas ..................................................................... 22
4.2 Meio biológico ........................................................................................................... 23
4.2.1 Fauna .................................................................................................................. 23
4.2.2 Flora .................................................................................................................... 24
4.3 Meio sócio econômico ............................................................................................... 27
5 AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS DO EMPREENDIMENTO ......................................... 29
5.1 Medidas mitigadoras e compensatórias ..................................................................... 30
6 PROGNÓSTICO ............................................................................................................... 31
6.1 Planos de gestão ......................................................................................................... 31
6.1.1 Programa de controle de erosão.......................................................................... 31
6.1.2 Programa de educação ambiental ....................................................................... 32
6.1.3 Programa de comunicação social ....................................................................... 33
6.1.4 Programa de controle de resíduos ....................................................................... 33
6.1.5 Programa de tratamento e controle de efluentes ................................................. 34
6.1.6 Programa de controle das águas ......................................................................... 34
6.1.7 Programa de qualidade do ar .............................................................................. 35
6.1.8 Programa de supressão da vegetação.................................................................. 35
6.1.9 Programa de recuperação ambiental ................................................................... 36
6.1.10 Programa de controle de vetores ........................................................................ 36
6
6.2 Plano de monitoramento ambiental ........................................................................... 37
6.2.1 Monitoramento das águas ................................................................................... 38
6.2.2 Monitoramento dos efluentes ............................................................................. 38
6.2.3 Monitoramento geotécnico ................................................................................. 38
6.2.4 Monitoramento dos gases ................................................................................... 39
6.2.5 Monitoramento da Fauna e Flora........................................................................ 40
6.2.6 Acompanhamento da recomposição vegetal ...................................................... 40
6.2.7 Acompanhamento fotográfico ............................................................................ 40
7 CRONOGRAMA............................................................................................................... 43
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 44
ANEXO A ................................................................................................................................ 45
7
1 CARACTERÍSTICAS DO EMPREENDEDOR
O empreendedor do aterro sanitário, localizado no município de Tapejara, é a Gaia
construções ambientais. É uma empresa de caráter privado que atua na implantação e
operação de obras de engenharia, entre elas, aterros sanitários.
Criada em 1998, a empresa trabalha para oferecer soluções em engenharia e descarte
de resíduos poluentes para empresas públicas e privadas do Rio Grande do Sul. Seu objetivo é
ser sempre a melhor escolha para o cliente e proporcionar técnicas diferenciadas que
aperfeiçoem recursos e tragam benefícios para a sociedade e o meio ambiente.
Partindo deste princípio, a empresa vem incluindo na sua estratégia de negócios a
promoção de programas que têm por objetivo execução de atividades menos impactantes ao
meio ambiente e tecnologias mais sustentáveis.
1.1 Identificação do responsável
Razão Social: Gaia construções ambientais
CNPJ: 09.294.105/0001-60
Inscrição Estadual: 611.190.458
Endereço: Rua Júlio de Castilhos nº 1422 - Tapejara/RS
Tel.: (54) 3344-8271
1.2 Identificação da responsabilidade técnica
Destaque- Engenharia e Consultoria Ambiental
Responsáveis técnicos:
Alana P. da Silva – Bióloga - CRBio/RS: 122436/D
Júlio César Schmidt – Geólogo – CREA/RS: 178354/D
Mauricio Fochi – Engenheiro Ambiental - CREA/RS: 12-8636/D
Patrícia Guadagnin – Engenheira Ambiental - CREA/RS: 12-5480/D
8
2 CARACTERÍSTICAS DO EMPREENDIMENTO
2.1 Identificação e localização
2.1.1 A cidade de Tapejara
O Município de Tapejara localiza-se na região nordeste do Estado do Rio Grande do
Sul, na zona de relevo do planalto médio e microrregião geográfica de Passo Fundo. É
distante 336 km da capital do Estado e tem como vias de acesso a BR-116, ERS-240, ERS-
122, ERS-446, BR-470, ERS-324, ERS-135e ERS-463 (PREFEITURA MUNICIPAL DE
TAPEJARA, 2016).
É um município de médio-pequeno porte, com área de 240 km² e população de 19.250
habitantes (IBGE CIDADES, 2010). Possui latitude de -28,068 Sul e longitude -52,014 Oeste,
com altitude média de 658 m. A Figura 1 demostra a localização do Município.
Figura 1- Mapa com a localização do Município
.
Fonte: Arquidiocese de Passo Fundo, 2016.
9
2.1.2 A área do empreendimento
Vale ressaltar que um local adequado para a implantação de um aterro sanitário deve
levar em consideração alguns aspectos importantes, detalhados a seguir:
a) Segurança e Saúde Pública
O local deve contar com boas condições de acesso, por estrada pavimentada de boa
capacidade de tráfego e desprovida de rampas íngremes.
O subsolo deve possuir características geo-hidrológicas que minimizem a dispersão de
eventuais contaminantes a jusante do local do aterro e que dificultem a contaminação dos
recursos hídricos superficiais e subterrâneos. Dessa forma, o ideal é que o solo do local do
aterro tenha permeabilidade inferior a 10-6 cm/s, com uma zona não saturada com espessura
maior que 1,5 metros, conforme dispõe a NBR-13.896/97 da ABNT.
b) Meio Ambiente
O local a selecionar deve ser pouco explorado, dando-se preferência a terrenos sem
matas nativas e/ou nascentes e sem uso econômico definido, ou então, em áreas já degradadas
que permitam a recomposição da área.
As características bióticas devem ser adequadas, priorizando-se áreas desprovidas de
recursos naturais importantes, fauna e flora incipientes e/ou de pouca expressão e dotados de
baixo índice pluviométrico e alto índice de evapotranspiração. Também, devem ser evitadas
as áreas onde a direção predominante dos ventos afete núcleos urbanos próximos.
Se possível, deve ser priorizada a utilização de áreas já ambientalmente impactadas,
recuperando-as e ampliando-as adequadamente, evitando, assim, que novas áreas venham a
ser impactadas.
c) Aspectos Sociais
Devem ser evitadas áreas localizadas próximas a aglomerações urbanas, devido aos
problemas de odor, barulho e impacto visual que o aterro poderá causar, quando não bem
operado. Também, devem ser evitados locais próximos a aeroportos, pois os resíduos
depositados podem atrair aves e animais, criando riscos de acidentes com aeronaves.
10
d) Aspectos Culturais
Devem ser evitadas áreas localizadas junto a locais de expressivo patrimônio cultural
e/ou arqueológico.
e) Custos
Devem ser priorizadas áreas com titulação pública, quer em nível federal, estadual ou
municipal e de propriedade privada, pois, geralmente, quando públicas, são áreas onde se
obtém maior facilidade de compra e menor preço de aquisição.
Deve ser dada preferência a áreas que, por suas características geomorfológicas,
possibilitem a obtenção interna de solo adequado para cobertura dos resíduos, bem como
áreas localizadas não muito distantes do centro gerador de resíduos.
Devem ser evitadas áreas cujo tamanho só viabilize a disposição dos resíduos por um
curto período de tempo, dando-se prioridade a locais que possibilitem a implantação de
aterros com uma vida útil de, no mínimo, 10 anos.
[Link] Seleção da Área
Tendo por base os aspectos discutidos anteriormente, a empresa Gaia desenvolveu
pesquisa de áreas adequadas para a implantação do aterro sanitário, com a escolha de 2 (dois)
locais para análise, sendo codificadas como área A e área B para melhor comparação e
facilidade de identificação.
Inicialmente, foi utilizado o programa Google Earth Pro para identificação das áreas
fisicamente favoráveis. Procurou-se visualizar trechos com áreas favoráveis em razão de
contarem com boas condições de acesso, estarem fora de locais densamente urbanizados e não
apresentarem restrições de ordem legal para implantação do empreendimento.
Após definidas as duas áreas, realizou-se as vistorias de campo para conhecer os locais
e ter as informações necessárias para sequência do estudo.
As Figuras 2 e 3 abaixo mostram as duas áreas selecionadas para a implantação do
empreendimento. Já a Tabela 1 compara as duas áreas quanto algumas características
analisadas.
11
Figura 2- Área selecionada para o aterro sanitário (área A)
Fonte: Adaptado do Google Earth.
Figura 3- Área selecionada para o aterro sanitário (área B)
Fonte: Adaptado do Google Earth.
12
Tabela 1- Características dos locais escolhidos para o empreendimento
Parâmetros Área A Área B
Tamanho da área (ha) 23 28
Hidrologia Possuem locais Inexistem locais
úmidos e, em úmidos e tem bom
épocas chuvosas, escoamento
algumas superficial e
nascentes subterrâneo.
aparecem.
Profundidade do Lençol Freático (km) 0,02 0,02
Acessos Bom Bom
Vegetação a ser suprimida Pouca Pouca
Solo Solo argiloso, Solo argiloso, bem
porém menos compacto e baixa
compacto e mais permeabilidade.
permeável.
Maior distância do centro gerador (km) 25 35
Fauna e flora Mesmo meio biótico.
Titularidade Particular Particular
Uso futuro da área Mesmas possibilidades.
Proximidade de habitações (km) 3 2
Distância de córregos (km) 0,100 0,200
Fonte: Elaborado pelos autores, 2016.
Com base nas características da tabela acima, nas vistorias realizadas e nas pesquisas
desenvolvidas, decidiu-se a área B como sendo a melhor para a implantação do aterro
sanitário com central de triagem de resíduos sólidos urbanos para o município de Tapejara.
Dessa forma, a área escolhida se localiza nas coordenadas de latitude – 28.0285460 e
longitude -52.0029600, conforme dados do Google Earth Pro 2016 na comunidade de
Cachoeira Alta.
2.2 Objetivos
2.2.1 Objetivo geral
Elaborar o estudo do impacto ambiental da instalação de um aterro sanitário,
localizado no Município de Tapejara- RS.
2.2.2 Objetivos específicos
Os objetivos específicos compreendem:
a. Caracterizar a área de implantação do empreendimento;
13
b. Identificar as áreas de influência direta e indireta;
c. Realizar diagnóstico ambiental da área de influência;
d. Avaliar os impactos produzidos devido à instalação do aterro sanitário;
e. Definir as medidas mitigadoras e compensatórias;
f. Realizar os planos de gestão ambiental;
g. Realizar monitoramento dos planos de gestão;
h. Definir o cronograma das etapas de instalação dos planos.
2.3 Justificativa
O desenvolvimento econômico e o grande crescimento populacional vêm ocasionando
um aumento na produção de resíduos sólidos, tanto em quantidade como em diversidade,
principalmente nos grandes centros urbanos. Além do acréscimo na quantidade, os resíduos
produzidos atualmente passaram a abrigar em sua composição elementos sintéticos e
perigosos aos ecossistemas e à saúde humana.
Os resíduos, quando não manejados e dispostos de forma adequada, representam um
risco para o ambiente, pela possibilidade de poluição do solo, dos lençóis de água
subterrâneos e do ar (AZEVEDO; XAVIER, 2011).
Devido a esta grande problemática, foi instituída a lei federal da Política Nacional de
Resíduos Sólidos (PNRS), nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, que prevê a destinação correta
de resíduos sólidos, sendo que segundo o artigo 54 da Lei 12.305/2010, só é destinado para o
aterro o que não pode ser reciclado (PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, 2010).
Os resíduos sólidos produzidos poluem o meio ambiente e agravam consideravelmente
a situação dos aterros sanitários do país, isso quando as cidades possuem um aterro sanitário,
pois muitas possuem apenas um depósito a céu aberto onde as pessoas, que do lixo retiram
seu sustento, podem se contaminar com doenças.
Logo, o aterro sanitário não deve ser considerado como uma técnica ultrapassada
dentro dos processos de proteção ambiental, mas como uma saída atualmente empregada para
o descarte disciplinado de resíduos no solo (CETESB, 2014).
Dessa forma se faz cada vez mais necessário a implantação de um aterro sanitário,
evitando a disposição inadequada dos resíduos sólidos gerados. A cidade de Tapejara,
considerada de médio porte, possuí vários problemas relacionados a esse tema, como por
exemplo, a disposição final dos resíduos, que se dá na cidade de Serafina Corrêa, sendo
distante de Tapejara, aumentando o custo do transporte dos RSU.
14
Assim sendo, a construção do aterro pela empresa Gaia no Município de Tapejara
apresenta vantagens principalmente para o próprio Município, diminuindo os custos reais de
destinação de resíduos, em função dos altos custos de transporte e ainda ganhos ambientais
em função da diminuição do consumo de combustíveis fósseis que geram emissões
atmosféricas.
2.4 Esboço de projeto
Após estudos e análises, decidiu-se escolher a área B como o melhor local para
implantação do aterro sanitário no município de Tapejara. Dessa maneira, elaborou-se um
croqui com detalhamento de como será construído o empreendimento, o qual pode ser
observado na Figura 4.
A área do empreendimento contará com as seguintes estruturas: tanque de equalização,
sistema de tratamento de lixiviado, unidade de triagem e classificação, reservatório, unidade
de recebimento e pesagem, administração, vestiários e refeitório, cortina vegetal e parque de
máquinas. Além disso, quando em operação contará com um sistema de coleta de gases por
drenos verticais ao longo das células de disposição dos resíduos.
Figura 4- Croqui da área do aterro.
1 Tanque de Equalização
2 Sistema de Tratamento de Lixiviado
3 Unidade de triagem e classificação
4 Reservatório
5 Unidade de recebimento e pesagem
6 Administração, vestiários e refeitório
7 Cortina vegetal
8 Parque de máquinas
Fonte: Adaptado de Google Earth.
15
2.5 Etapas de implantação
O empreendimento será desenvolvido e construído em etapas. Essas etapas englobam
a licença prévia, a licença de instalação e a licença de operação. As três licenças citadas
anteriormente são fundamentais e imprescindíveis para a implantação do empreendimento;
sem elas, nada acontece.
Primeiramente é necessário desenvolver o planejamento do projeto, sendo
indispensável a licença prévia juntamente com o estudo de impacto ambiental, nos quais irão
constar as informações referentes à área, às estruturas externas e internas, possíveis impactos
negativos, positivos, regionais e locais. Também nesta etapa, será enviado processo ao
departamento de recursos hídricos para solicitação de outorga de direito de uso da água.
A segunda etapa se baseia na licença de instalação, a qual apenas poderá ser realizada
após aprovação da licença prévia, possibilitando a construção do empreendimento, sendo que
é liberada apenas nesta etapa a construção das estruturas e do empreendimento, não sendo
possível realizá-la na licença prévia.
A terceira etapa é a licença de operação, a qual possibilita a inicialização da operação
e andamento das atividades do empreendimento.
16
3 ÁREA DE INFLUÊNCIA DO EMPREENDIMENTO
Para a definição das áreas de influência do empreendimento foram consideradas as
especificidades do mesmo, as tipologias dos impactos, os raios de alcance das suas
consequências sob esses diferentes pontos de vista, suas fases de desenvolvimento e as ações
envolvidas em cada uma dessas fases.
Como Área Diretamente Afetada (ADA), considerou-se o perímetro do aterro.
3.1 Área de influência direta (AID)
No caso da AID, consideraram-se os meios físico e biótico e os principais elementos
ambientais a serem afetadas – a água superficial e subterrânea, o relevo, a cobertura vegetal e
a fauna associada- onde os impactos repercutirão com maior intensidade. Para o meio
antrópico, a repercussão mais imediata abrange trechos além dessa área, incluindo as
localidades do entorno do empreendimento.
Ainda, a AID é representada por um espaço geográfico ampliado, definido pela
empresa Destaque como suficiente para representar os efeitos das alterações ambientais
decorrentes dos impactos previsíveis para o aterro. Na figura 5 abaixo, é possível verificar a
Área Diretamente Afetada e a Área de Influência Direta.
Figura 5- Detalhe da Área Diretamente Afetada e a Área de Influência Direta
Legenda:
ADA
AID
Fonte: Adaptado de Google Earth.
17
3.2 Área de influência indireta (AII)
A AII é definida como a área potencialmente ameaçada pelos impactos ambientais
indiretos da implantação e operação, incluindo os ecossistemas e o sistema socioeconômico,
os quais podem ser impactados por alterações ocorridas na área de influência direta.
Para a AII foi considerado os Municípios de Tapejara, Água Santa e Charrua levando-
se em conta os aspectos socioeconômicos, sendo esses municípios atingidos pelo
empreendimento a implantar. Na Figura 6 abaixo, é possível observar a AII do
empreendimento.
Figura 6- Detalhe da Área de Influência Indireta do aterro
Fonte: Adaptado de Arquidiocese de Passo Fundo, 2016.
18
4 DIAGNÓSTICO AMBIENTAL DA ÁREA DE INFLUÊNCIA
4.1 Meio físico
4.1.1 Solo
[Link] Geologia e geomorfologia
A deposição de lavas, de origem mesozoica, constitui a geologia da Formação Serra
Geral. Essa formação é constituída tanto por rochas efusivas, como o basalto e fenobasaltos,
quanto por rochas vulcânicas ácidas, como os riodacitos, riolitos e dacitos félsicos. A essa
formação estão associados diques e corpos tabulares de diabásio, bem como intercalações de
arenitos interderrames caracterizados por sua origem eólica e de granulação fina à média
(BRASIL, 1986).
Devido à sua posição geográfica, isto é, em área de planalto, Tapejara está enquadrada
nas regiões geomorfológicas Planalto das Araucárias e Planalto das Missões, ambas
compreendidas no Domínio Morfoestrutural das Bacias e Coberturas Sedimentares, conforme
observado na Carta Temática de Geomorfologia, desenvolvida pelo IBGE (2003).
Na Figura 7 podemos observar a geomorfologia do Município.
Figura 7- Geomorfologia de tapejara
Fonte: PMSB Tapejara, 2011.
19
[Link] Pedologia do solo
Os solos são derivados de derrame basáltico, profundos e bem drenados, pertencentes m
sua grande maioria ao grupo Latossolo Bruno intermediário para Latossolo Roxo álico. Esses
tipos de solos compreendem os solos minerais não hidromórficos de textura geralmente muito
argilosa, e se desenvolvem a partir de rochas efusivas da Formação Serra Geral, bem como de
sedimentos finos do Paleozoico (PMSB de Tapejara, 2011).
Possuem coloração mais brunada, menor profundidade dos perfis, maior variação de
espessura de local para local, maior desenvolvimento da estrutura em blocos, principalmente
no horizonte B e menor susceptibilidade magnética.
Os baixos teores de bases trocáveis conferem a estes solos uma baixa fertilidade
natural e os teores de alumínio ocorrem em níveis prejudiciais ao desenvolvimento da maioria
das culturas, havendo necessidade de aplicação de corretivos.
A Figura 8 demonstra a pedologia de Tapejara/RS.
Figura 8- Pedologia de Tapejara
Fonte: PMSB de Tapejara, 2011.
[Link] Relevo
20
O seu relevo é modelado com rochas basálticas entre os períodos jurássico e cretáceo,
da formação Serra-geral. Possui um relevo em patamares que corresponde a derrames
basálticos sucessivos, e desta forma apresentando topografia suavemente ondulada.
Possui relevo com formas onduladas e bastante homogêneas sob a forma de colinas
suaves, bem arredondadas, conhecidas por coxilhas.
A caracterização do relevo apresenta-se na Figura 9.
Figura 9- Caracterização do relevo de Tapejara
Fonte: PMSB de Tapejara, 2012.
4.1.2 Recursos hídricos
A hidrografia do Município é classificada compreendendo a grande Região
Hidrográfica do Uruguai, sendo hidrografia com densidade concentrada, mas apresentando
rios de pequena extensão. A configuração dos leitos dos rios do município, em sua grande
maioria estreitos, favorece um rápido aumento do nível das águas por ocasião das chuvas
(SEMA, 2010).
O município está inserido na Bacia Hidrográfica Apuaê Inhandava, situada à norte-
nordeste do Estado do Rio Grande do Sul. A bacia reúne todos os rios e arroios que cruzam o
Município, mas antes a isso, a cidade está compreendida na Bacia do Arroio Boneto, pois este
21
arroio recebe as águas dos demais arroios que passam pelo perímetro urbano do município
(SEMA, 2010).
A rede hidrográfica do município é formada pelos rios: Apuaê (Ligeiro) e Tapejara
(Carreteiro), e sendo ainda completado por rios e arroios, sobressaindo os rios, Índio e Santo
Antonio, e os arroios: Coroado, Benedito, Nicofé, Machado, Caragatá, Erval, Cachoeira e
Abaticarú. O principal uso de água na bacia se destina ao abastecimento público.
Nas Figuras 10 e 11, podemos observar a Bacia hidrográfica Apuê-Inhandava e a rede
hidrográfica do Município, respectivamente.
Figura 10- Bacia Hidrográfica Apuê-Inhandava
Fonte: SEMA, 2010.
22
Figura 11- Rede hidrográfica do Município
Fonte: PMSB de Tapejara, 2011.
4.1.3 Ar
A maior evapotranspiração no Município de Tapejara ocorre nos meses mais quentes
do ano, períodos marcados pelos meses de janeiro e dezembro.
Os ventos são regulares e frequentes, tendo direções predominantes de Norte para Sul.
No inverno é marcante a presença de ventos vindos do quadrante Sul, junto com temperaturas
muito baixas, de intensidade média, conhecido como "Vento Minuano". A velocidade média
dos ventos nos 12 meses do ano não passa de 4,5m/s, sendo maior nos meses de agosto e
setembro (PMSB DE TAPEJARA, 2011).
4.1.4 Ruídos
O Aterro Sanitário construído poderá gerar ruídos tanto nas etapas de instalação
quanto de operação, sendo os mesmos provocados pelo tráfego de máquinas pesadas no local.
Em caso de ruídos elevados, produzindo incômodos à população circundante, deverão
ser tomadas medidas para amenizar a geração de ruídos. Através do monitoramento no local
será possível identificar os níveis de ruídos gerados e as providências a serem tomadas.
4.1.5 Clima e condições meteorológicas
23
Segundo informações da Prefeitura de Tapejara, por estar localizado entre o território
do Trópico de Capricórnio e Círculo Polar Antártico, o clima de Tapejara é temperado, sendo
ainda mesotérmico e superúmido. De acordo com a classificação de Koppen (1931), o clima
está na transição entre os grupos Cfa e Cfb, indicando um clima subtropical com verão quente
e clima temperado com chuvas distribuídas ao longo do ano, conforme observado pela Figura
12.
A temperatura média anual fica em torno de 18ºC. O verão é instável, mas a
temperatura varia entre 28ºC e 35ºC. O inverno é bastante frio com temperaturas mínimas
variando entre 7ºC e 9°C, podendo ainda ser registrado temperaturas inferiores a 0ºC. Situado
em latitudes médias, Tapejara sofre constantes invasões de frentes frias de origem polar
implicando em bruscas mudanças de tempo. E com isso o Município apresenta a ocorrência
de geadas, sendo em sua maior frequência no inverno. O índice pluviométrico anual é
elevado, geralmente entre 1.800 a 2.000 mm.
Figura 12- Classificação do clima de acordo com Koppen (1931)
Fonte: PMSB de Tapejara, 2011.
4.2 Meio biológico
4.2.1 Fauna
24
O município de Tapejara encontra se no bioma caracterizado como Floresta Ombrófila
Mista. A fauna da floresta possui uma grande diversidade de animais, podendo ser
encontrados pequenos roedores até cutias (Dasyprocta azarae) e pacas (Cuniculus paca),
assim como aves ameaçadas de extinção como a gralha-azul (Cyanocorax caeruleus) e o
papagaio-de-peito-rocho (Amazona vinacea), e o papagaio charão (Amazona pretrei), além de
grande diversidade de invertebrados (PREFEITURA MUNICIPAL DE TAPEJARA, 2011).
As principais espécies encontradas na Floresta Ombrófila Mista, citadas em estudos
realizados na região são: Mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia), Bugio (Alouatta
caraya), Jaguatirica (Leopardus pardalis), Capivara (Hydrochoerus hydrochaeris), Graxaim
(Lycalopex gymnocercus), além de uma grande diversidade de anfíbios, répteis e aves
(PREFEITURA MUNICIPAL DE TAPEJARA, 2011).
A grande diversidade presente na floresta está associada a semente da araucária, o
pinhão, que é muito apreciada pela fauna em geral e se constitui numa fonte de alimento
essencial para o seu sustento.
4.2.2 Flora
O município de Tapejara está localizado na área pertencente a floresta ombrófila
mista, que é caracterizada pela presença de Araucaria angustifolia (Bertol.). Em sua
composição florísticas encontram- se espécies de lauráceas como a Imbuia (Ocotea porosa), o
Sassafrás (Ocotea odorifera), a Canela-lageana (Ocotea pulchella), além de diversas espécies
conhecidas popularmente como canelas. Também podemos destacar a presença da Erva-mate
(Ilex paraguariensis) e a Caúna (Ilex theezans) nativa da America do Sul. Fazem parte da
composição florística da mata ombrófila mista diversas espécies de leguminosas como
Jacarandá (Jacaranda mimosifolia, D. Don), Caviúna (Machaerium scleroxylon) e monjoleiro
(Senegalia polyphylla). Também encontram –se abundantemente espécies de mirtáceas como
Sete-capotes (Campomanesia guazumaefolia), Guabiroba (Campomanesia xanthocarpa
Berg), Pitanga (Myrcia palustres), associadas também à coníferas como o Pinheiro-bravo
(Podocarpus lambertii).
Segundo Brack et al. , a Floresta Ombrófila Mista, quando em estádio maduro, pode
atingir mais de 20m de altura, no estrato superior, destacando-se além da Araucaria
angustifolia (araucária), Cedrela fissilis (cedro-rosa), Quillaja brasiliensis (sabão-de-
soldado), Mimosa scabrella (bracatinga), Myrcianthes gigantea (araçá-do-mato), Matayba
elaegnoides (camboatá-branco), Capsicodendron dinisii (pimenteira-do-mato), Oreopanax
25
fulvum (tamanqueira-da-serra), Vernonia discolor (pau-toucinho). Também na sub mata é
comum a presença de Allophylus edulis (chal-chal), Cupania vernalis (camboatá-vermelho),
Siphoneugena reitzii (camboim), Myrsine lorentziana (capororoca), Merostachys skvortzovii
(taquaruçu).
A área a ser realizado o empreendimento apresenta pouca heterogeneidade quanto à
formação e distribuição da vegetação. Contém um pequeno fragmento de vegetação nativa na
porção central da área utilizada na instalação do empreendimento, sendo a maior parte de
áreas de plantio e pastagem apresentando somente espécies herbáceas reduzindo assim
gradativamente a área de vegetação arbórea nativa, contendo somente em torno da área de
instalação do empreendimento fragmentos florestais nativos mais abrangentes e melhor
conservados.
Para o levantamento de vegetação presente na área buscou-se caracterizar a vegetação.
Foram alocadas três parcelas, cada uma medindo 75 metros de comprimento por 15 metros de
largura distribuídas no fragmento central (Talão 1) e outras duas de igual tamanho na região
em torno da área de atividade para levantamento qualitativo da vegetação (Talão 2 e 3). Em
cada parcela, foram selecionadas as árvores com mais de 30 cm de CAP, que foram as que
entraram na avaliação. Foram avaliados circunferência e diâmetro do tronco, diâmetro da
copa, altura total e do fuste, fitossanidade dos indivíduos, estrato vegetal em que se encontram
e estágio sucessional das espécies. Após a coleta de dados, foram identificados nome
científico, nome comum e família.
Nesta etapa buscou-se caracterizar a cobertura vegetal ao longo da área presente no
terreno e também na área de preservação permanente junto ao córrego que faz divisa a oeste
dos lotes. Já nas áreas onde serão implantadas as estruturas do empreendimento houve
levantamento quali-quantitativo, a fim de identificação das espécies vegetais para futura
supressão, com intuito de tornar o levantamento mais abrangente e minucioso.
Os levantamentos consistiram de identificação in loco e registro das espécies
ocorrentes nas parcelas amostrais e coleta de material vegetal para posterior identificação
junto ao Herbário RSPF - MUZAR da Universidade de Passo Fundo. Dessa maneira foram
utilizados materiais para medição das parcelas, câmera fotográfica, material para coleta assim
como prensa para armazenamento adequado das amostras, com posterior registro de espécies,
bem como trena e hipsômetro para mensuração das características dendrométricas.
Também foram registradas, quando ocorriam deslocamentos pela área, espécies
visualmente identificáveis fora das parcelas amostrais. Assim foi possível a caracterização da
cobertura vegetal da área total do empreendimento e também da vegetação a ser suprimida.
26
Após a avaliação fitossociológica foram obtidos os seguintes resultados, conforme
Tabela 2 estão representados e classificados em relação à família, nome cientifico e nome
comum.
Tabela 2- Estudo Florístico do fragmento de mata na cidade de Tapejara/RS
FAMÍLIA ESPÉCIE NOME COMUM
Araucariaceae Araucaria angustifolia Araucária
Araliaceae Dendropanax cuneatus Pau-de-tamanco
Arecaceae Syagrus romanzoffiana Jerivá
Calastraceae Maytenus boaria (cf) Coração-de-bugre
Fabaceae Apuleia leiocarpa Grapia
Myrocarpus frondosus Cabreúva
Parapiptadenia rigida Angico-vermelho
Anadenanthera macrocarpa Angico
Machaerium paraguariense Farinha-seca
Lauraceae Nectandra lanceolata Canela-amarela
Endlicheria paniculata Canela-sebo
Ocotea pulchella Canela-do-brejo
Nectandra megapotamica Canela-preta
Ocotea puberula Canela- guaiaca
Ocotea mandioccana Canela-garuva
Cryptocarya moschata Canela-noz-moscada
Ocotea acutifolia Canela-branca
Malvaceae Luehea divaricata Açoita-cavalo
Meliaceae Cabralea canjerana Canjerana
Myrtaceae Eugenia uniflora Pitanga
Campomanesia xanthocarpa Guabiroba
Campomanesia guazumaefolia Sete-capotes
Myrcia multiflora Guamirim
Sapindaceae Allophylus edulis Vacúm
Cupania vernalis Camboatá-vermelho
Na Tabela 3, estão classificadas conforme diâmetro do CAP.
27
Tabela 3- CAP das espécies encontradas na avaliação fitossociológica em Tapejara- RS
Talhão 1 Talhão 2 Talhão 3
Classes de CAP N° % N° % N° %
0,31m até 1m 22 68,75 34 75,55 22 64,71
1,01m até 2m 10 31,25 9 20 11 32,35
Acima de 2m - - 2 4,44 1 2,94
Na Tabela 4, foram avaliadas quanto à altura da vegetação encontrada na área a ser
instalado o empreendimento.
Tabela 4- Altura das espécies encontradas no estudo fitossociológico em Tapejara / RS
Talhão 1 Talhão 2 Talhão 3
Classes de altura N° % N° % N° %
Menor ou igual a 0,2m - - - - - -
0,21m até 1m - - - - - -
1,1m até 5m - - 3 6,66 - -
5,1m até 10m 11 34,37 10 22,22 2 5,88
Acima de 10m 21 65,62 32 71,11 32 94,11
Na tabela 5, apresentam resultados sobre a avaliação fitossanitária da vegetação
encontrada na área.
Tabela 5- Sanidades das espécies encontradas no fragmento de mata nativa em Tapejara / RS
Talhão 1 Talhão 2 Talhão 3
Classes de sanidade N° % N° % N° %
1 9 28,12 20 44,44 23 67,65
2 9 28,12 13 28,88 6 17,65
3 8 25 9 20 4 11,76
4 5 15,62 3 6,66 1 2,94
5 1 3,12 - - - -
4.3 Meio sócio econômico
28
A economia do Município de Tapejara é baseada na agricultura, pecuária, indústria e
comércio, contando com um PIB de R$ 627.529 e PIB per capita de R$ 30.018,14, sendo que
as exportações totais são de U$ FOB 26.062.912.
Tapejara tem densidade demográfica de 85,4 hab/km², taxa de analfabetismo de
pessoas com 15 anos ou mais de 3,69 % e expectativa de vida da população de 75,23 anos. O
coeficiente de mortalidade infantil é de 3,75 por mil nascidos (FEE, 2013).
29
5 AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS DO EMPREENDIMENTO
A avaliação de impactos do empreendimento foi realizada através da matriz de
interação (Matriz de Leopold), onde são apresentadas as atividades que causam os impactos,
desde a etapa de planejamento até a etapa de desativação do aterro, juntamente com o
elemento que sofrerá o impacto. Para isso, os impactos foram classificados em positivos ou
negativos, conforme apresentado no Quadro 1.
Quadro 1- Classificação dos impactos
Impacto Positivo
Impacto Negativo
Os impactos também foram classificados quanto a sua magnitude e importância. As
Tabelas 6 e 7 apresentam os valores atribuídos para magnitude de impacto e importância,
respectivamente.
Tabela 6- Magnitude dos impactos
Magnitude dos impactos
5 Extremamente Prejudicial
3 Moderadamente Prejudicial
1 Pouco Prejudicial
Inexistência de Impacto
1 Pouco Benéfico
3 Moderadamente Benéfico
5 Extremamente Benéfico
Tabela 7- Importância dos impactos
Importância dos impactos
1 Importância Muito Baixa
3 Importância Média
5 Importância Muito Alta
Através disso, pode-se elaborar a matriz de interação, que está apresentada no
ANEXO A. Nela podem-se observar quais são os impactos mais significativos, que merecem
maior atenção na hora de elaborar os planos de gestão, descritos no item 6.1.
30
5.1 Medidas mitigadoras e compensatórias
Depois de realizada a avaliação dos impactos ambientais do empreendimento, propôs-
se para cada impacto identificado, uma medida mitigadora ou compensatória, com o propósito
de amenizar as consequências dos impactos ou compensá-los de alguma maneira.
O Quadro 2 abaixo apresenta as medidas mitigadoras e compensatórias para cada
impacto ambiental significativo. Neste quadro também são apresentado os códigos referentes
aos planos de gestão que deverão ser implantados. Estes serão mais bem explicados no item 6
abaixo.
Quadro 2- Medidas mitigadoras e compensatórias
IMPACTO AÇÃO MEDIDA* PLANO
Construção de canaletas em torno
Compactação do Solo M PCE
da área
Cobertura vegetal M PRA
Modificação do Relevo
Controle de erosão M PCE
Movimentação do solo Controle de erosão e proteção C PCE
Desestabilização de taludes Compactação do solo M PCE
Controle de erosão M PCE
Erosão
Drenagem das águas superficiais M PCA
Deslizamento e recalque dos
Compactação dos resíduos M PCR
resíduos
Geração e emissão de Gases Construção de drenos verticais M PQA
Revestimento das células de
Contaminação do lençol freático disposição e tratamento do M PTE
lixiviado
Contaminação das águas Bom escoamento superficial e
M PCA
superficiais controle de erosão
Supressão da vegetação Criação e manutenção da APP C PSV
Reduzir a alteração ao mínimo
Alteração da paisagem M PEA
possível
Perdas de espécies e habitat Proteção da biodiversidade e APP C PRA
Geração de empregos Necessidade de mão-de-obra M PCS
Desenvolvimento de vetores
Cobertura diária e final M PCV
transmissores de doenças
*Medida: M: medida mitigadora. C: medida compensatória.
31
6 PROGNÓSTICO
6.1 Planos de gestão
Para cada medida mitigadora ou compensatória estabelecida, determinou-se um plano
de gestão, totalizando 10 planos. O Quadro 3 apresenta os planos que serão desenvolvidos no
empreendimento, sendo que abaixo serão descritos cada um deles.
Quadro 3- Planos de gestão
PLANO CÓDIGO
Programa de controle de erosão PCE
Programa de educação ambiental PEA
Programa de comunicação social PCS
Programa de controle de resíduos PCR
Programa de tratamento e controle de efluentes PTE
Programa de controle das águas PCA
Programa de qualidade do ar PQA
Programa de supressão da vegetação PSV
Programa de recuperação ambiental PRA
Programa de controle de vetores PCV
6.1.1 Programa de controle de erosão
O programa de controle da erosão do solo é conseguido por meio de medidas a serem
adotadas nas ações de supressão da vegetação e dos movimentos de terra. Este controle está
associado à cobertura vegetal dos terrenos e ao escoamento das águas superficiais.
A cobertura vegetal é o principal fator para a proteção do solo contra a erosão. Assim,
o desmatamento só deverá ocorrer onde for realmente necessário, de modo a expor o mínimo
de área descoberta possível.
As ações que deverão ser adotadas para prevenção dos processos erosivos incluem:
A área do aterro deve ter sua superfície protegida de intempéries, do tráfego de
pessoas, equipamentos e de veículos;
Ter suas estruturas de drenagem executadas (canaletas);
As superfícies não deverão conter saliências que propiciem caminho preferencial da
percolação e regiões de acúmulo de água;
32
Sempre que possível, deve-se cobrir temporariamente, as áreas sem vegetação, com
palhas, restos das podas e materiais similares;
Em função do tipo do solo, da inclinação dos taludes e das condições climáticas, deve-
se escolher um revestimento vegetal adequado, para obter-se uma adequada fixação do
material, usando preferencialmente espécies nativas da região;
Os taludes do aterro devem ser protegidos por meio do plantio de grama;
Quando houver risco de transporte de sedimentos, deverão ser executadas caixas de
sedimentação, evitando-se sua percolação para os corpos d’água.
6.1.2 Programa de educação ambiental
O objetivo principal deste programa deverá ser a conscientização do público-alvo
sobre os variados aspectos do meio ambiente e a importância da preservação dos recursos
naturais, especialmente a flora e fauna, através da abordagem de valores que os sensibilizem
para estas questões. Para este programa deverão ser propostas ações que busquem refletir o
modo ambientalmente correto para com o meio ambiente, em prol da sustentabilidade.
A população deverá ser informada sobre as características ambientais e
socioeconômicas da região e sobre os benefícios ambientais do projeto. Este programa deverá
privilegiar a disseminação de informações sobre as medidas de preservação da qualidade
ambiental relacionadas ao empreendimento. Também, a população deverá ser mobilizada para
participação efetiva e consequente, identificando as potencialidades e fragilidades ambientais
da região.
Algumas metas devem ser seguidas na fase de operação do empreendimento:
a) Realizar campanhas educativas de conscientização quanto às questões ambientais
locais e o novo empreendimento;
b) Promover visitas abertas para a comunidade, principalmente escolas, universidades
e órgãos ambientais da região;
c) Promover oficinas pedagógicas ambientais;
d) Envolver a comunidade escolar nas campanhas educativas.
A empresa empreendedora também deverá promover programas destinados à
capacitação dos trabalhadores, visando à melhoria e ao controle efetivo sobre ambiente de
trabalho, bem como sobre as repercussões do processo produtivo no meio ambiente.
33
6.1.3 Programa de comunicação social
Este programa visa informar ao público sobre o empreendimento, esclarecendo os
reais objetivos, nas diferentes etapas do empreendimento (planejamento, implantação e
operação), estabelecendo uma ligação permanente entre o empreendedor e as comunidades do
município impactado pelo empreendimento, visando reduzir possíveis conflitos e problemas.
A implantação de empreendimentos de grande porte demanda procedimentos especiais
no que se refere à comunicação entre empreendedor e sociedade local.
Para isso, o empreendedor deve fazer investimentos no sentido de uma maior
divulgação e esclarecimentos às populações que vivem nas áreas próximas ao aterro e cidades
vizinhas. Esse procedimento evitará futuros boatos que possam interferir negativamente no
processo de implantação e operação do empreendimento.
Isso pode se dar através de palestras, vídeos ou folders explicativos.
6.1.4 Programa de controle de resíduos
Este plano tem por finalidade oferecer instruções para gerenciamento e amenização da
geração de resíduos nas atividades e obras do empreendimento, garantindo a adequada coleta
e destinação dos resíduos, seguindo as diretrizes da Política Nacional de Resíduos Sólidos
(PGRS).
Deverá ser realizada inventário/documento com as principais informações dos
resíduos gerados na implantação e operação do aterro, visando um maior controle sobre este,
evitando poluições ambientais e consequências para a saúde pública.
Deverão também ser adotadas medidas de redução de volume dos resíduos destinados,
e ainda dar prioridade à reciclagem quando possível, aproveitando aqueles resíduos com
potencial de valorização. Em pontos estratégicos deverão ser instaladas lixeiras com
diferentes cores para facilitar a segregação, promovendo a separação adequada dos materiais
gerados e, podendo fazer um reaproveitamento dos resíduos recicláveis.
Para que esta meta tenha uma boa eficiência, deverão ser realizadas atividades de
educação ambiental junto aos funcionários que realizam atividade no local, orientando sobre a
separação adequada dos resíduos gerados, ressaltando sobre a importância da não geração ou
minimização dos resíduos.
34
Os resíduos gerados deverão ser encaminhados corretamente para os locais de
destinação, a fim de evitar problemas ambientais. Pode-se também verificar a logística reversa
dos resíduos gerados para viabilizar a coleta e restituição dos mesmos.
6.1.5 Programa de tratamento e controle de efluentes
O sistema de tratamento e controle de efluentes terá como objetivo coletar e
encaminhar para a estação de tratamento, os líquidos percolados através da massa de resíduos
mais o chorume produzido, evitando o comprometimento do aquífero e corpos hídricos
superficiais, devido à elevada carga poluidora presente no mesmo. Tais serviços são
fundamentais para permitir uma eficiente operação do aterro.
Os dispositivos de drenagem serão basicamente dos seguintes tipos:
Drenos de lixiviado na fundação (base);
Drenos horizontais em forma espinha de peixe para coleta.
O sistema de tratamento de lixiviado do aterro sanitário será composto por uma lagoa
de tratamento biológico e outra físico-química juntamente com o tanque de equalização com o
objetivo de garantir um efluente com características que permitam o seu lançamento em corpo
receptor, atendendo ao disposto na RESOLUÇÃO CONSEMA 128/2006.
A impermeabilização do fundo do aterro, com a implantação de uma camada de argila
compactada e com mantas sintéticas impermeáveis (geomembranas), tem por finalidade evitar
a contaminação das águas subterrâneas. As mantas em PEAD terão espessura de 2,5 mm e
recobrirão toda a superfície definida pelo projeto com base na espessura da zona vadosa
efetiva dos solos.
6.1.6 Programa de controle das águas
A proteção das águas superficiais e subterrâneas será alcançada adotando-se várias
medidas de controle visando impedir que as águas que escoem sobre o aterro ou se infiltrem
na massa de resíduos, ou alcancem os recursos hídricos superficiais ou os aquíferos.
Essa proteção será obtida por meio de algumas medidas:
Implantação de sistema adequado de drenagem de águas pluviais;
Execução de sistema de drenagem e tratamento de lixiviado;
Impermeabilização do fundo do aterro e;
Definição de faixas de proteção para os recursos hídricos superficiais.
35
Esse programa terá a função de recolher e desviar as águas para fora do aterro
sanitário, reduzir o volume de percolado gerado, melhorar as condições de operação durante
chuvas intensas e evitar eventuais erosões e deteriorações nos taludes e acessos.
6.1.7 Programa de qualidade do ar
Este programa tem como objetivo estabelecer diretrizes para controle de emissões de
gases e geração de ruídos, mantendo-se assim a qualidade do ar na região da obra e seu
entorno, minimizando os impactos adversos gerados, durante a fase de instalação e operação.
Isso se dá através da retirada dos gases gerados, de forma a aliviar as pressões internas
que ocorrem no aterro. Esse sistema possibilitará a queima dos gases nos níveis superiores do
aterro, controlando a emissão dos mesmos à atmosfera.
A concepção desse sistema consiste na implantação de drenos verticais permitindo a
drenagem dos gases e sua combustão em queimadores instalados nos drenos. Os gases
emitidos poderão ser aproveitados futuramente, dentro de um programa de crédito carbono.
Para a qualidade do ar deverá ser observada a Resolução Conama nº 03/90.
Neste programa, também será controlado os ruídos. Os motores, máquinas, veículos e
equipamentos a serem usados na obra deverão ser mantidos em boas condições de regulagem,
incluindo a verificação do nível de ruídos e a manutenção das características originais de
escapamento.
A execução de serviços com emissão de ruídos, principalmente em áreas próximas à
residências, deverá observar os padrões de emissões de ruídos estabelecidos pela Resolução
Conama nº 001/90. Os trabalhadores deverão usar equipamentos de proteção contra ruídos, de
acordo com a NR 6.
6.1.8 Programa de supressão da vegetação
Um aterro sanitário bem projetado e operado deve contar com ações visando
minimizar os impactos negativos do aspecto desagradável inerente a essa atividade. Para isso,
devem ser adotadas medidas para supressão da vegetação na área do aterro ou compensar em
outro local do aterro a fim de reduzir esse impacto.
O programa de supressão de vegetação do aterro prevê a execução de uma cortina
vegetal verde que circundará todo o empreendimento com largura de 10 metros, reduzindo a
ação direta do vento na sua operação. Esta faixa de proteção terá um efeito localizado, porém
36
significativo, minimizando os impactos do aterro, como a poluição visual, a emanação de
odores, poeiras e ruídos. Também, contribuirá para reduzir os processos erosivos.
Também, será compensada uma área de preservação permanente de 50 m de largura
por 30 m de comprimento como mostrado na Figura 4 do item Esboço de Projeto.
6.1.9 Programa de recuperação ambiental
Este programa deverá conter as ações necessárias para promover a recomposição e a
recuperação das áreas alteradas ou afetadas pela atividade antrópica. Isso se dará através da
revegetação que deverá ser realizada com o plantio de espécies nativas, priorizando espécies
raras e ameaçadas de extinção.
No entorno das edificações do aterro deverão ser executados jardins, com gramado,
arbustos e árvores, de modo que seja proporcionado um ambiente agradável, em contraste
com a área de disposição de resíduos. Essas ações restabelecem as características e a
composição da microbiota do solo, que foram reduzidas com todas as obras do aterro.
Após o encerramento das atividades, sugere-se uma camada de cobertura final de
aproximadamente 70 cm de espessura e a área poderá ser recuperada com o plantio de
gramíneas e árvores de pequeno e médio porte. Algumas espécies que podem ser plantadas
para este plano, típicas da região de Tapejara, são: canela, cedro-rosa e o pinheiro-bravo.
6.1.10 Programa de controle de vetores
É importante se ter um controle de vetores, pois pode haver a presença de insetos, aves
e roedores em aterros mal operados. Um aterro bem operado, observando as recomendações
pertinentes a este tipo de resíduos sólidos, não oferece condições para a proliferação desses
animais.
A cobertura diária é uma ação de grande importância para a proteção do ambiente, na
medida em que impede a exposição dos resíduos às intempéries, evitando uma maior
formação de lixiviado e a dispersão do odor característico dos aterros, servindo também para
reduzir a presença de aves, insetos e roedores, vetores de disseminação de doenças.
No aterro sanitário do município de Tapejara, a cobertura dos resíduos será feita
diariamente, utilizando o solo armazenado das escavações e das obras de instalação.
37
6.2 Plano de monitoramento ambiental
O plano de monitoramento é implantado para que se possa acompanhar o bom
andamento ou não dos planos de gestão propostos, durante as fases de implantação e
operação, estabelecendo os responsáveis para cada um, conforme pode ser visto no Quadro 4
abaixo.
Quadro 4- Execução e cronograma dos planos de gestão
PLANO PLANO RESPONSÁVEL CRONOGRAMA
Programa de controle de Implantação: semanalmente
PCE Geólogo
erosão Operação: mensalmente
Programa de educação Reuniões mensais e participação em
PEA Empreendedor
ambiental eventos referentes ao M.A.
Programa de comunicação
PCS Empreendedor Divulgações mensais
social
Programa de controle de Engenheiro Implantação: semanalmente
PCR
resíduos Ambiental Operação: diariamente
Programa de tratamento e Engenheiro
PTE Somente na operação: semanalmente
controle de efluentes Ambiental
Programa de controle das Engenheiro Implantação: semanalmente
PCA
águas Ambiental Operação: mensalmente
Engenheiro Implantação: a cada 3 dias
Programa de qualidade do ar PQA Ambiental Operação: semanalmente
Programa de supressão da Implantação: mensalmente
PSV Biólogo
vegetação Operação: mensalmente
Programa de recuperação Implantação: semanalmente
PRA Biólogo
ambiental Operação: a cada 15 dias
Programa de controle de Implantação: a cada 15 dias
PCV Biólogo
vetores Operação: a cada 3 dias
Por outro lado, o monitoramento ambiental envolve o conhecimento e
acompanhamento sistemático da situação dos recursos ambientais dos meios físico e biótico,
visando a recuperação, melhoria ou manutenção da qualidade ambiental. A qualidade
ambiental está relacionada ao controle de variáveis ambientais, que se alteram, seja em função
das ações antrópicas, seja em função de transformações naturais.
No projeto do aterro sanitário do município de Tapejara, o monitoramento será
dividido por fases conforme os programas acima descritos e englobará o monitoramento das
águas subterrâneas e superficiais, do sistema de tratamento dos efluentes, dos gases, da fauna,
além do monitoramento geotécnico. Também, haverá acompanhamento da recomposição
vegetal e acompanhamento fotográfico das diferentes fases do empreendimento.
38
6.2.1 Monitoramento das águas
O monitoramento das águas subterrâneas e superficiais será desenvolvido a partir da
coleta de amostras das águas para a realização de análises físico-químicas e microbiológicas,
para verificação da qualidade. Em relação às águas subterrâneas, serão realizadas coletas
trimestrais em 3 poços de monitoramento localizados a montante e jusante do aterro.
Ressalta-se que o poço a montante será implantado com a finalidade de se obter dados
reais, pois nesse local os parâmetros da água ainda estão inalterados. Assim, os outros 2 poços
serão instalados a jusante do aterro no sentido preferencial do fluxo de escoamento do lençol
freático, pois, assim, será possível detectar a influência do sistema de disposição. Esses poços
serão executados conforme norma NBR 15847 (ABNT, 2010).
Quanto ao monitoramento das águas superficiais, deverá ser realizada coleta mensal da
água do rio Alecrim em três pontos distintos conforme orientações da norma NBR 9898
(ABNT, 1987).
As análises são importantes, pois se avalia os seguintes parâmetros, tanto para águas
superficiais com subterrâneas: Turbidez, Cor, Temperatura, PH, Alcalinidade, Nitrogênio
Amoniacal, Fósforo, Oxigênio Dissolvido (OD), Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO),
Demanda Química de Oxigênio (DQO), Sólidos Totais, Coliformes Totais e Presença de
Metais pesados (Ferro, Zinco, Manganês, Chumbo e Cromo).
6.2.2 Monitoramento dos efluentes
O sistema de tratamento dos efluentes será monitorado mensalmente, por meio de
coletas simples na entrada da lagoa físico-química e na entrada e saída da lagoa aeróbia,
devendo a técnica de coleta basear-se nas técnicas da NBR 9898 (ABNT, 1987).
O plano de monitoramento proposto consiste na determinação dos parâmetros a serem
analisados in situ e em laboratório. Os parâmetros analisados serão: Turbidez, Temperatura,
PH, Alcalinidade, Nitrogênio Amoniacal, Fósforo, Oxigênio Dissolvido (OD), Demanda
Bioquímica de Oxigênio (DBO), Demanda Química de Oxigênio (DQO), Sólidos Totais,
Coliformes Termotolerantes e Presença de Metais.
6.2.3 Monitoramento geotécnico
39
O monitoramento do comportamento geotécnico do aterro sanitário do município de
Tapejara será efetuado por meio de inspeção visual e da leitura de instrumentos nele
instalados. Esse monitoramento deverá ser mensal após iniciada a sua operação.
Os principais parâmetros avaliados serão os recalques, as pressões neutras, a
resistência, as características do solo e a temperatura no interior da massa de resíduos.
Os aterros de resíduos sofrem recalques que podem chegar a 30% da altura inicial;
com isto, o seu volume diminui e sua capacidade de armazenamento aumenta. As principais
causas de recalques em aterros de resíduos sólidos urbanos são influenciadas pelos seguintes
fatores: compactação, deformação devido ao carregamento estático ou dinâmico, degradação
biológica da matéria orgânica, drenagem dos líquidos e gases, além da composição e idade
dos resíduos.
Para a garantia de estabilidade de um aterro é importante que não existam pressões
neutras de grande magnitude, pois elas diminuem as tensões efetivas e favorecem os
mecanismos de escorregamento. Serão instalados piezômetros ao longo do aterro para medir
essas pressões e garantir a estabilidade dos taludes.
Serão realizadas sondagens SPT para avaliar de modo qualitativo a variação da
resistência do aterro em relação ao tempo, bem como coletar amostras de solo e de resíduos
para ensaios de laboratório (umidade, teor de sólidos voláteis e pH). Os furos da sondagem
também servirão para a instalação dos piezômetros e dos medidores de temperatura. As
amostras de solo e de resíduos serão coletadas mensalmente para posterior análise.
A temperatura é importante na decomposição dos resíduos, pois atua na cinética das
reações bioquímicas responsáveis pela conversão de resíduos em gases, líquidos e compostos
bioestabilizados. Será medida por meio de termopares instalados em profundidades diferentes.
6.2.4 Monitoramento dos gases
O monitoramento dos gases permitirá, através da medida da sua pressão e temperatura,
avaliar o estágio de decomposição dos resíduos no aterro. Dessa maneira, serão feitos ensaios
mensais nas saídas dos principais drenos verticais de gases e na camada de cobertura, para
análise de uma possível fuga de gás. É importante que o monitoramento seja realizado desde o
início da operação, haja vista o interesse em observar as variações de concentração dos
principais gases gerados na decomposição dos resíduos (metano, dióxido de carbono e
oxigênio).
40
6.2.5 Monitoramento da Fauna e Flora
Este programa se destina a orientar as ações que devem ser realizadas para proteger ou
atenuar, do ponto de vista ambiental, os efeitos negativos gerados pela construção do
empreendimento. Estes efeitos estão ligados, principalmente, à supressão da vegetação nativa
e dos habitats associados, existentes na faixa de domínio do projeto.
Será dada uma maior orientação às ações definidas no Programa de Controle de
Erosão, Programa de Supressão de Vegetação e Programa de Recuperação Ambiental,
descritos acima, respectivamente, nos itens 6.1.1, 6.1.8 e 6.1.9.
6.2.6 Acompanhamento da recomposição vegetal
A recomposição vegetal deverá ser feita observando as recomendações do Programa
de Supressão de Vegetação e do Programa de Recuperação Ambiental descritos acima nos
itens 6.1.8 e 6.1.9.
O acompanhamento envolverá as atividades de preparação ou aquisição das mudas
para reflorestamento, o plantio das mesmas e o acompanhamento do seu desenvolvimento. Se
for necessário, deve-se fazer o replantio de mudas que não obtiverem bom desenvolvimento.
Após o encerramento das células, deve-se fazer a revegetação da área aterrada bem
como o acompanhamento do desenvolvimento das plantas.
6.2.7 Acompanhamento fotográfico
Deverá ser efetuado o acompanhamento periódico fotográfico do empreendimento, em
todas as suas fases. Na Figura 13 abaixo, tem-se uma ideia de como será o início das obras do
aterro sanitário do município de Tapejara.
41
Figura 13- Início das obras do aterro sanitário
Fonte: Prefeitura de Anápolis, 2015.
Já na Figura 14, pode-se ter uma ideia de como será a operação do aterro e a
disposição dos resíduos nas células. Observa-se, também, que ao encerrar uma célula já é
iniciada a disposição em outra e feito a revegetação da encerrada.
Figura 14- Operação do aterro
Fonte: Cianorte agora, 2013.
42
A Figura 15 mostra como ficará o aterro após o encerramento de todas as atividades e
concluída a revegetação de toda área.
Figura 15- Aterro encerrado
Fonte: Engeo, 2016.
43
7 CRONOGRAMA
O Quadro 5 abaixo apresenta o cronograma de atividades do EIA.
Quadro 5- Cronograma das atividades
2016 2018 2019 2021 2022 2023
ETAPAS
2º semestre 1º semestre 2º semestre 1º semestre 2º semestre 1º semestre 2º semestre 1º semestre 2º semestre 1º semestre 2º semestre
Escolha da cidade para implantação do empreendimento
Escolha da área para implantação do empreendimento
Diagnóstico ambiental da área
Obtenção de LP
Projetos
Obtenção de LI
Supressão da vegetação
Terraplanagem
Construção do empreendimento
Obtenção de LO
Avaliação dos impactos do empreendimento
Proposta de medidas mitigadoras ou compensatórias
Implantação dos planos de gestão
Monitoramento ambiental
44
REFERÊNCIAS
ARQUIDIOCESE DE PASSO FUNDO. Paróquias. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 12 out. 2016.
AZEVEDO, A. K. N; XAVIER, L. L. Os resíduos sólidos de saúde e as farmácias:
diagnóstico da destinação final dos resíduos na cidade de natal – RN. v. 8, n. 2, p. 065-073,
2011.
CETESB. Aterro Sanitário. Disponível em: <[Link]
climaticas/biogas/Aterro%20Sanit%C3%A1rio/21-Aterro%20Sanit%C3%A1rio>. Acesso
em: 22 out. 2014.
CIANORTE AGORA. Aterro sanitário de Cianorte. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 11 nov. 2016.
ENGEO. Projetos e obras. Disponível em: <[Link]
Acesso em: 11 nov. 2016.
FEE. Fundação de economia e estatística. Disponível em: <[Link]
socioeconomico/municipios/detalhe/?municipio=Tapejara>. Acesso em: 17 out. 2016.
IBGE CIDADES. Tapejara. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 14
out. 2016.
KÖPPEN,[Link]. México, Fundo de Cultura Econômica.
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Disponível em:
<[Link]
df> acesso em 02 de novembro de 2016.
PLANO MUNICIPAL DE SANEAMENTO BÁSICO DE TAPEJARA. Prefeitura Municipal
de Tapejara, Tapejara/RS, 2011.
PREFEITURA DE ANÁPOLIS. Aterro sanitário. Disponível em:
<[Link]
obras-do-aterro-sanitairio>. Acesso em: 11 nov. 2016.
PREFEITURA MUNICIPAL DE TAPEJARA. Informações geográficas. Disponível em:
<[Link] Acesso
em: 15 out. 2016.
PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. LEI Nº 12.305, DE 2 DE AGOSTO DE 2010.
Disponível em: < [Link]
Acesso em: 06 out. 2016.
SEMA. Secretaria Estadual de Meio Ambiente. Disponível em:
<[Link] Acesso em:
06 out. 2016.
45
ANEXO A
Atividades causadoras dos impactos ambientais
Etapa de Planejamento Etapa de Implantação Etapa de Operação Etapa de desativação
Melhoramento das vias de acesso
Obras de infraestrutura em geral
Monitoramento Ambiental
Recebimento dos resíduos
Compactação dos resíduos
Construção das células de
Limpeza e Preparação do
Construção dos drenos
Cobertura dos resíduos
Fechamento do aterro
Recuperação da área
Parque de máquinas
Área de bota espera
Elaboração Projeto
Dreno dos gases
Visitas a campo
Terraplanagem
Sondagens
disposição
Terreno
Elementos e impactos ambientais
Contaminação do solo pelo lixiviado 5 5 5 5 5 5
Compactação do Solo 3 5 3 5 3 5 3 5 3 5 1 1 3 5 3 5 3 1 3 3 5 5 5 5 3 1 3 1
Movimentação do solo 1 3 5 5 5 5 5 5 5 5 1 1 5 5 5 5 5 5 5 5
Solos Modificação do Relevo 3 5 3 5 3 5 3 5 3 5 3 5 3 5 1 1 3 3
Desestabilização de taludes 5 5 5 5
Deslizamento e recalque dos resíduos 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5
Erosão 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1
Ruídos 3 5 3 5 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 5 5 3 5 3 5 1 1
Geração e emissão de Gases 1 1 3 5 5 5 5 5 5 5
Meio Físico e Químico Atmosfera
Emissão de odores característicos 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5
Formação de nuvens de poeira 3 5 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 3 5 5
Modificação do Escoamento Superficial
1 3 1 3 1 3 1 3 1 3 1 3 1 3
Assoreamento e obstrução dos cursos d'água
superficiais 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 3 1 3 3 5
Recursos Hidricos Contaminação do lençol freático 5 5 5 5
Contaminação das águas superficiais 1 1 5 5 5 5
Aumento da turbidez da água 1 1 5 5 3 5
Alteração da qualidade água 5 5 1 1 5 5
Supressão da vegetação 3 5 3 5 3 5 3 5 3 5 3 5 1 1
Destoque 3 5 3 5 3 5 3 5 3 5 3 5 1 1
Alteração da paisagem 1 1 3 5 3 5 3 5 3 5 3 5 1 1 3 5 5 5
Flora
Alteração do habitat 3 1 3 5 3 1 3 1 3 1 3 1 3 5
Redução da biodiversidade genética nativa 1 5 1 5 3 1 3 1 3 1 3 1 1 1 3 5 1 1
Meio Biótico
Remoção de cobertura vegetal 3 5 3 5 3 5 3 5 3 5 3 5 3 5 1 1 3 5
Migração de Espécies 1 1 3 5 3 5 3 5 3 3
Perda de espécies e habitat 3 1 3 1 3 1 3 1 3 5 3 5
Fauna
Colisão de aeronaves com pássaros 3 3 3 3 3 5 1 1
Redução da microbiota do solo 3 5 3 5 3 5 3 1 3 1 3 1 1 1
Agricultura
Geração de empregos 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 1 1 1 1 5 5 5 5 5 5 3 5 1 1 1 1
Desvalorização de propriedades 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 3 5
Migração da população atraída pela
expectativa da oferta de emprego 1 3 3 3 3 3 3 3 1 1 3 3 1 3 3 1 3 1 3 1 3 5
Meio antrópico Socioeconômico
Aumento do flluxo de pedestres 3 3 3 3 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 3 1 3 1 3
Poluição de áreas circunvizinhas 3 3
Aumento da economia local 3 3 1 3 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 5 5 1 3 1 3
Desenvolvimento de vetores
transmissores de doenças 5 5 5 5 3 5 5 5