Unidade Curricular
Modelos Psicodinâmicos, Aula 4
Comportamentalistas e
Cognitivistas Modelos
Psicodinâmicos: Para
LICENCIATURA EM PSICOLOGIA
1º Ano, 1º Semestre além de Freud: Anna
2025/26 Freud
Vai mais à frente
Profª Maria Rita Albergaria
Anna Freud
O EGO e ... Mecanismos de Defesa
O Ego é o conjunto das funções psíquicas que permitem a
relação do indivíduo com o seu meio (i.e., com a realidade);
O Ego como “gestor mental”: procura um equilíbrio entre a
satisfação dos impulsos gerados pelo ID sem gerar conflito com a
moralidade do Superego e com a realidade;
Os mecanismos de defesa (MD) são como ferramentas de auto-
regulação do Ego, de forma a proteger-se de angústia;
Segundo Freud os MD têm 3 funções: inibir ou bloquear os
conteúdos mentais, distorcê-los, ou disfarçar os conteúdos
mentais através dos seus opostos (Freud, 1915/1916-1966).
Mecanismos de Defesa - o que são?
● Processos inconscientes;
● Têm como função a proteção do Ego contra: exigências
pulsionais (ou impulsos instintivos) (Roudinesco, 1997); o que
possa suscitar angústia (Mijolla & Mijolla-Mellor, 2002);
● Os mecanismos de defesa influenciam comportamentos,
atitudes, desenvolvimento, personalidade e afetos (Plutchick,
1995);
● Qualquer mecaniscmo de defesa pode ser notado em
indivíduos saudáveis, contudo a sua presença excessiva pode
indicar sintomas neuróticos ou psicóticos;
Todos os mecanismos de defesa têm como objetivo salvaguardar a
integridade do Ego e manter a coesão psiquíca.
Negação
● Consiste em negar qualquer situação externa que possa
suscitar desprazer;
● O indivíduo age como se o facto/situação não existisse;
● É um processo tipicamente psicótico (porque rompe com a
realidade) - tem como objetivo preservar o Ego narcísico, o
sentimento de omnipotência através da aniquilação da
realidade externa que o ameaça.
Exemplo: O senhor João refere estar perfeitamente saudável, apesar de
todos os exames médicos confirmarem que tem um diagnóstico
oncológico; Pais que perante evidentes dificuldades de aprendizagem do
filho continuam a referir: “ele é apenas distraído, não tem qualquer
problema”.
Inconsciente (ID) Ego
Recalcamento
● A negação consiste em negar uma situação externa, já o
recalcamento consiste em expulsar do ego (consciência)
impulsos considerados inaceitáveis para o ID (inconsciente);
● É responsável pelo esquecimento de acontecimentos
traumáticos e angustiantes, sendo considerado uma espécie
de “esquecimento” seletivo - É frequente em acidentes
graves as pessoas esquecerem-se do que aconteceu;
● Os conteúdos recalcados podem surgir na consciência sob a
forma de sintomas, sonhos, lapsos linguísticos e atos falhados.
Exemplo: A amnésia da sexualidade infantil na idade adulta é um
exemplo de recalcamento, se temos dificuldade em admitir a
existência de desejos sexuais na criança, é porque recalcamos os
nossos desejos quando éramos crianças.
Projeção
● O indivíduo desloca de si próprio um afeto e/ou uma ideia
inconsciente negativa atribuindo-a ao mundo exterior (i.e., a
outra pessoa, animal ou objeto);
● A projeção comporta a rejeição para fora de si próprio,
passando a reconhecer estas características no outro;
● Operação na qual o indivíduo expulsa pensamentos, afetos,
desejos que desconhece/rejeita nele próprio e atribui a outros
ou coisas do seu meio circundante;
Exemplo: A Francisca não gosta do cão do seu namorado. Mas
inconscientemente é incapaz de tolerar a angústia deste seu
sentimento e refere “O Kiko não gosta mesmo de mim”.
Introjeção
Introjeção
● O indivíduo incorpora ideias, atitudes, modos de agir e pensar do
mundo exterior e atribuí-las a si próprio - ou seja, é o oposto da
Projeção;
● Trata-se de uma incorporação psíquica originária do mundo
exterior;
● Através da introjeção um objecto externo torna-se efectivamente
interno para o sujeito e começa a fazer parte dos seus valores.
Exemplo: Um jovem que cresceu numa família solidária e, mesmo sem
pensar, age de forma solidária porque introjetou esse valor.
Anulação
● Tentativa de “anular” pensamentos, sentimentos ou comportamentos
inaceitáveis através de outro ato mais positivo;
● A anulação surge quando existe culpa moral;
● Frequentemente utilizado em perturbações obsessivas;
Exemplo: Uma criança bate no irmão e depois, como forma de redimir-se,
oferece-lhe o seu brinquedo favorito. Alguém tem um pensamento hostil
em relação ao parceiro, mas depois enche-lhe de carinho.
Reparação
Mecanismo que consiste na reestruturação do objecto
“danificado”.
Compensação
● O sujeito procura neutralizar uma fragilidade sua (real ou percebida) através de
compensações noutras áreas - normalmente tenta compensar inadequações,
imperfeições, defeitos do próprio;
● Mecanismo que pretende preservar a auto-estima, desviando a energia para
áreas onde possa ter êxito;
Exemplo: A Joana sente insegurança social. Como forma de compensação investe
significativamente na sua imagem, exibindo uma excelente forma e apresentando-
se de forma cuidada.
Deslocamento
● O afeto/ impulso é transferido de um objeto considerado
ameaçador/inaceitável para outro mais seguro/ menos ameaçador;
● Troca de alvo sem alterar a natureza da descarga (continua negativa ou
agressiva).
Exemplo: A Francisca discutiu com um homem no trânsito e sentiu o impulso de
o agredir fisicamente. Acabou por deslocar esse impulso apitando com
persistência.
Eu Outro
Retorno contra o Eu
● Impulso agressivo originalmente dirigido a um objeto externo, contudo a pessoa
redireciona a agressão para si própria;
● Superego pode ter um papel central: a raiva contra figuras de autoridade pode ser
redirecionada contra o próprio Eu, originado culpa e auto-punição Exemplo:
comportamentos de auto-mutilação.
Regressão
● O sujeito perante situações ansiogénicas retorna um nível de
desenvolvimento anterior ou a um modo de expressão mais simples
ou infantil.
● Pretende a proteção do ego;
● É um modo de defesa primitivo que, embora reduza a tensão,
frequentemente deixa sem solução a fonte de ansiedade original.
Exemplo: Quando uma pessoa está com medo, segura-se ao cobertor
como quando era bebé
FormNegação
Formação reativa
ação reativa
● O ego considera o impulso ameaçador/ incompatível com os
valores morais (superego);
● Para lidar com a ansiedade que isto gera, o sujeito substitui o
desejo real por comportamentos/sentimentos totalmente
opostos;
● Inversão clara, e na maior parte das vezes inconsciente, do
desejo real.
Exemplo: Uma sogra que odeia o genro, mas trata-o
maravilhosamente bem; uma criança com impulsos agressivos em
relação à sua mãe, desenvolve uma ternura excessiva em
relação a esta.
Isolamento
Sublimação
● Separação entre o conteúdo emocional e a representação
cognitiva (i.e., recordação, pensamento, memória ou ideia)
conflitual:
○ O conteúdo emocional desaparece, enquanto a
representação em causa permanece consciente;
○ O ego permite que o conteúdo surja na consciência, mas
desprovido da carga afetiva que seria dolorosa ou
geradora de ansiedade.
Exemplo: Um pai que experienciou a morte de um filho. Este pai descreve
o processo de doença do filho (todos os detalhes técnicos da doença e
do tratamento), bem como dia em que o filho morreu mas sem qualquer
emoção, como se tivesse acontecido a outra pessoa.
Formação reativa
Clivagem
● Sujeito divide pessoas, situações ou até a si próprio em “tudo
bom” ou “tudo mau”, sem conseguir associar partes
contraditórias numa visão mais integrativa, realista e complexa;
● Forma de reduzir a ansiedade: manter separados os aspectos
“bons” (que dão segurança) dos aspectos “maus” (que geram
medo ou frustração) - isto permite que a pessoa não sinta culpa
por ter pensamentos negativos sobre algo que considera
também como positivo.
Exemplo: O bebé que vê o mesmo seio materno como “bom”
quando o alimenta e “mau” quando não está disponível, sem
conseguir integrar que é o mesmo objeto.
Idealização
● O indivíduo hipervaloriza a pessoa, objeto, desejo ou relação de forma a
proteger o ego da angústia que poderia surgir caso a realidade fosse
percecionada de forma mais completa.
Exemplo: Seguir cegamente uma figura política ou religiosa acreditando que a
mesma é incorruptível ou superior.
Identificação
● Adotar características de alguém ou de um grupo para diminuir angústias e
reforçar autoestima;
● Permite que o indivíduo se sinta acolhido por pessoas e/ou grupo;
O indivíduo identifica-se com uma personagem ou grupo, de forma a partilhar triunfos
e glórias, minimizando angústias.
É frequente identificarmo-nos com um Herói de um filme, encontrando semelhanças
nas suas ações.
Sublimação
● Deslocamento do objetivo instintivo para algo que esteja em
conformidade com valores sociais;
● Este mecanismo de defesa obedece ao princípio da
realidade e nunca é patológico;
● A sublimação apenas é possível para as pulsões pré-genitais,
a pulsão genital não pode ser sublimada. Os instintos pré-
genitais são satisfeitos ao serem dirigidos para objetivos
socioculturais aceitáveis.
Exemplo: o Fábio sente-se atraído pelo fogo e torna-se
bombeiro. Um artista cria uma obra que representa os seus
desejos mais condenáveis, porém é uma obra aceite e
valorizada socialmente.
Racionalização
• Utilização de uma justificação lógica – apesar de artificial -
que “esconda” os verdadeiros motivos (irracionais e
inconscientes) de um comportamento/ sentimento. Pois os
verdadeiros motivos não poderiam ser reconhecidos sem
ansiedade.
Exemplo: O João terminou o namoro com a Maria justificando-
se com o facto da Maria estar “desligada” e com vontade de
discutir. Contudo o João aguardava uma razão plausível para
terminar o namoro desde que a traiu.
2ª Aula
Unidade Curricular
Modelos Psicodinâmicos,
Comportamentalistas e
Cognitivistas 1. Modelos Psicodinâmicos:
LICENCIATURA EM PSICOLOGIA Condições históricas e científicas
1º Ano, 1º Semestre
2025/26 da emergência do paradigma
Vai mais à frente psicodinâmico: a Psicanálise
Marcos importantes
Influências
Pioneiros Fundador Promotores
antecedentes
Johann Freid Sigmund
G.W. Leibniz Alfred Adler
Herbart (1776- Freud (1856-
(1646-1716) (1870-1937)
1841) 1939)
Johann W. Arthur
Carls [Link]
Goethe (1749- Schopenhauer
(1875-1961)
1832) (1788-1860)
Gustav Jean Mattin
Otto Rank
Fechner Charcot
(1884-1939)
(1809-1887) (1842-1925)
Charles Joseph Breuer Karen Horney
Darwin (1809 (1842-1925) (1885-1952
– 1882)
Figuras importantes da Psicanálise
Antecedentes Gottfried Wilhelm Leibniz
Filósofo e matemático alemão
1646 - 1716
[Link]
[Link]
“Muito antes de Freud, Leibniz já falava de perceções
inconscientes, pequenas impressões que sentimos sem nos
darmos conta. Essa ideia foi fundamental para que Freud pudesse
desenvolver o conceito de inconsciente como base da
psicanálise.”
Figuras importantes da Psicanálise
Johann Wolfgang von Goethe
Poeta, romancista, dramaturgo, diretor de teatro, filósofo, teórico de
arte, diplomata, funcionário do governo, polímata
1749 - 1832
Teria das cores [Link]
Fausto [Link]
• Freud era um grande leitor de Goethe e inspirou-se na sua forma de explorar a natureza
humana.
• Goethe falava dos conflitos internos, das emoções reprimidas e da complexidade da
alma — temas que depois a psicanálise iria aprofundar.
“Goethe ajudou a abrir caminho para a psicanálise porque mostrou, através da literatura e
da filosofia, que o ser humano é movido por forças internas, desejos e conflitos que nem
sempre são conscientes. Freud admirava Goethe e bebeu dessa visão profunda da
4 condição humana para construir a psicanálise.
Figuras importantes da Psicanálise
Gustav Fechner
Filósofo alemão, matemático e
físico brilhante. Em 1839
começou a ficar cego e iniciou o
seu interesse pelas questões
psicológicas e religiosas.
1801 - 1887
Documentário [Link]
Psicofisiologia [Link]
Contributos [Link]
“Fechner ajudou Freud porque foi o primeiro a pensar a mente como tendo camadas –
consciente e inconsciente – e usou a famosa imagem do iceberg. Além disso, trouxe a
ideia de que a energia mental funciona como a energia física: não desaparece, apenas se
5 transforma. Freud aproveitou estas ideias para criar a teoria psicanalítica.”
Figuras importantes da Psicanálise
Charles Darwin
naturalista, geólogo e biólogo
1809 - 1882
Documentário
[Link]
Psicofisiologia
[Link]
Contributos
[Link]
“Darwin foi importante para Freud porque mostrou que o homem é também um ser
instintivo, parte do mundo animal. Ele estudou como as emoções e expressões acontecem
de forma automática e inconsciente, o que deu a Freud base para pensar nas pulsões e no
inconsciente como forças que orientam o nosso comportamento.” No livro A Expressão
das Emoções no Homem e nos Animais (1872), estudou as expressões faciais e corporais
6 como universais, revelando que muitas emoções surgem fora do controlo consciente.
Sintese de Figuras importantes da Psicanálise
Pensador Contributo para a Psicanálise
Johann Wolfgang von Goethe (1749–1832) Explorou os conflitos internos e a complexidade da alma
humana; inspiração literária e filosófica para Freud.
Gottfried Wilhelm Leibniz (1646–1716) Introduziu a ideia de perceções inconscientes com as
experiências que influenciam a mente sem chegar à
consciência.
Gustav Fechner (1801–1887) Pai da psicofísica; metáfora do
iceberg; noção de energia psíquica e camadas da mente
(consciente/inconsciente).
Charles Darwin (1809–1882) Mostrou o ser humano como parte do continuum
animal; instintos e emoções inconscientes com
bases evolutivas.
Arthur Schopenhauer (1788–1860) Destacou o papel da vontade e forças irracionais como mot
or da vida, antecipando a ideia de pulsões.
Friedrich Nietzsche (1844–1900) Refletiu sobre o inconsciente, os instintos e
o conflito entre forças vitais e repressão moral/cultural.
7
Marcos importantes
Influências
Pioneiros Fundador Promotores
antecedentes
Johann Freid Sigmund
G.W. Leibniz Alfred Adler
Herbart (1776- Freud (1856-
(1646-1716) (1870-1937)
1841) 1939)
Johann W. Arthur
Carls [Link]
Goethe (1749- Schopenhauer
(1875-1961)
1832) (1788-1860)
Gustav Jean Mattin
Otto Rank
Fechner Charcot
(1884-1939)
(1809-1887) (1825-1893)
Charles Joseph Breuer Karen Horney
Darwin (1809 (1842-1925) (1885-1952
– 1882)
Pioneiros Jean Mattin Charcot
(1825-1893)
médico neurologista e cientista francês; muito reconhecido no
mundo da psiquiatria e neurologia na segunda metade do
século XIX.
Foi um dos maiores clínicos e professores de medicina da França
e o fundador da neurologia moderna.
No ano de 1862, criou uma clínica de neurologia no hospital La Salpêtrière, onde
Sigmund Freud foi seu aluno.
Charcot introduziu grandes modificações no estudo das patologias de fundo
nervoso. Foi o primeiro a descrever os sintomas da histeria, que procurou curar por
meio da hipnose. Foram esses estudos que aguçaram o interesse de Freud em
9
investigar as causas psicológicas da histeria
Contributos para a Psicanálise
• Histeria sem causa anatómica - Charcot mostrou que a histeria não tinha origem física
(não era simulada nem exclusiva das mulheres).
• Abriu espaço para pensar que havia uma origem psíquica dos sintomas.
• Hipnose como ferramenta clínica - Uso da hipnose para reproduzir e eliminar sintomas
histéricos.
• Freud aprendeu com ele a utilizar a hipnose.
• Freud estudou com Charcot em 1885–1886 e ficou fascinado com a ideia de que
sintomas poderiam ter uma causa psicológica inconsciente.
Jean Mattin Charcot (1842-1925)
[Link]
Filme Freud Além da Alma - Filme 1962
[Link]
10
Pioneiros
Josef Breuer (1842-1925)
Médico e fisiologista austríaco. Judeu
Em 1880, Breuer começou a estudar o desenvolvimento de algumas doenças mental, entre eles,
ficou famoso o caso de Anna O (de nome verdadeiro Bertha Pappenheim), uma jovem de 21 anos
que revelava vários sintomas de histeria.
- Recorreu à hipnose para facilitar as sessões com a doente.
- Breuer concluiu que os sintomas neuróticos resultavam de processos inconscientes e que
desapareciam quando se tornavam conscientes, processo que foi designado por catarse ou
terapia da conversa.
- Em 1893, Breuer e Freud publicaram um artigo sobre este método e, dois anos depois,
escreveram o livro Studien über Hysterie (trad. livre: Estudos sobre histeria) que se tornaria o
marco do inicio da teoria psicanalítica.
11
Contributos para a Psicanálise
• Caso Anna O. (1880–1882)
- Paciente histérica com paralisias, alucinações e distúrbios do sono.
- Durante a hipnose, ao relatar memórias traumáticas com expressão emocional, apresentava alívio dos
sintomas.
- Anna chamou a este processo talking cure (cura pela fala).
• Método Catártico
- Desenvolvido por Breuer e depois por Freud.
- Baseava-se na ideia de que os sintomas histéricos resultavam de traumas reprimidos.
- A Catarse (descarga emocional ao recordar o trauma) tinha efeito terapêutico → dissipava os sintomas.
• Estudos sobre a Histeria (1895)
- Publicado em coautoria com Freud.
- Obra fundadora da psicanálise.
- Reuniu casos clínicos que mostravam a ligação entre trauma, recalcamento e sintomas neuróticos.
• Limites da colaboração
- Breuer afastou-se
da psicanálise porque não acompanhou Freud na ênfase sobre asexualidade como base
de todos os sintomas.
- Ainda assim, o seu trabalho foi a ponte essencial entre medicina e psicanálise.
“Josef Breuer foi o médico que tratou
Anna O., descobrindo que falar sobre
memórias traumáticas em hipnose
aliviava os sintomas da histeria. Com isso,
criou o método catártico, a base da futura
psicanálise. Mais tarde, publicou com
Freud os Estudos sobre a Histeria, obra
fundadora da disciplina.”
Pioneiros
- Posteriormente, os dois austríacos retomaram caminhos independentes de
investigação, dado que Breuer não concordava com a opinião de Freud que
considerava que os seus doentes tinham recordações infantis de sedução, por
terem sido verdadeiramente seduzidos quando eram crianças.
FILME - Quando Nietzsche Chorou [Link]
Histeria y Método Catártico I - [Link]
Histeria y Método Catártico II - [Link]
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Marcos importantes
Influências
Pioneiros Fundador Promotores
antecedentes
Johann Freid Sigmund
G.W. Leibniz Alfred Adler
Herbart (1776- Freud (1856-
(1646-1716) (1870-1937)
1841) 1939)
Johann W. Arthur
Carls [Link]
Goethe (1749- Schopenhauer
(1875-1961)
1832) (1788-1860)
Gustav Jean Mattin
Otto Rank
Fechner Charcot
(1884-1939)
(1809-1887) (1825-1893)
Charles Joseph Breuer Karen Horney
Darwin (1809 (1842-1925) (1885-1952
– 1882)
Em 1907, Sigmund Freud (Viggo Mortensen)
e Carl Jung (Michael Fassbender) iniciam uma
parceria que iria mudar o rumo das ciências da
mente assim como o das suas próprias vidas.
Seis anos depois, tudo isso se altera e eles
tornam-se antagónicos, tanto no que diz
respeito às suas considerações científicas como
no que se refere às questões de foro íntimo.
Entre os dois, para além das divergências de
pensamento, surge Sabina Spielrein (Keira
Knightley), uma jovem russa de 18 anos
internada no Hospital Psiquiátrico de Burgholzli.
Com diagnóstico de psicose histérica e tratada
através dos recentes métodos psicanalíticos, ela
torna-se paciente e amante de Jung e, mais
tarde, em colega e confidente de Freud. Isto,
antes de se tornar numa psicanalista de
renome.
© Copyright Universidade Eur opeia. Todos os direitos reservados
[Link]
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Marcos importantes
Influências
Pioneiros Fundador Promotores
antecedentes
Johann Freid Sigmund
G.W. Leibniz Alfred Adler
Herbart (1776- Freud (1856-
(1646-1716) (1870-1937)
1841) 1939)
Johann W. Arthur
Carls [Link]
Goethe (1749- Schopenhauer
(1875-1961)
1832) (1788-1860)
Gustav Jean Mattin
Otto Rank
Fechner Charcot
(1884-1939)
(1809-1887) (1825-1893)
Charles Joseph Breuer Karen Horney
Darwin (1809 (1842-1925) (1885-1952
– 1882)
Alfred Adler “Adler foi um dos primeiros discípulos de Freud, mas rompeu
com ele porque acreditava que o motor da vida não era a
(1870-1937) sexualidade, mas a luta para superar a inferioridade. Criou a
Psicologia Individual, onde destacou o papel do estilo de vida e
do interesse social.”
• Médico austríaco, inicialmente próximo de Freud.
• Um dos primeiros membros da Sociedade
• ADLER saíra da psicanalise em 1911 para
estabelecer a sua própria escola de psicoterapia,
que realçava a agressividade e o «complexo de
inferioridade», em vez da líbido e do Édipo de
FREUD, como determinantes centrais do carácter.
video net - [Link]
[Link]
Contributos para a Psicanálise
•Sentimento de inferioridade
•Todos nascemos com um sentimento de insuficiência.
•O desenvolvimento humano é marcado pela luta para superar essa inferioridade.
•Complexo de inferioridade e de superioridade
•Se o sentimento de inferioridade não é compensado de forma saudável, surge o complexo de
inferioridade.
•A compensação exagerada pode levar ao complexo de superioridade.
•Estilo de vida
•Cada pessoa cria um padrão único de viver e interpretar o mundo, já na infância.
•Este “estilo de vida” orienta as metas, escolhas e formas de lidar com dificuldades.
•Importância social
•Ao contrário de Freud, que enfatizava a sexualidade, Adler destacou a vontade de poder e a
dimensão social do ser humano.
•Conceito de interesse social (Gemeinschaftsgefühl): a verdadeira saúde psicológica depende da
ligação cooperativa com os outros
Diferenças entre Psicanálise e Psicologia Individual
Dimensão Freud – Psicanálise Adler – Psicologia Individual
Motor Psíquico Pulsões sexuais (libido) Superação da inferioridade
Inconsciente Determinante central da vida psíquica Menos ênfase, foco no estilo de vida c
onsciente
Foco Conflito intrapsíquico (Id, Ego, Superego) Relações sociais e sentimento de comu
nidade
Desenvolvimento Sexualidade infantil e fases psicosexuais Estilo de vida formado na infância
Saúde Psicológica Equilíbrio entre instâncias psíquicas Interesse social e cooperação
Carls [Link]
(1875-1961)
• Psiquiatra suíço.
• Inicialmente o “herdeiro” escolhido por
Freud para liderar o movimento psicanalítico.
• Rompeu com Freud em 1913 por
divergências teóricas.
• Criador da Psicologia Analítica.
“Jung começou como discípulo de Freud, mas rompeu com ele
porque acreditava que o inconsciente não era apenas pessoal,
mas também coletivo, cheio de imagens e símbolos universais
chamados arquétipos. Criou a Psicologia Analítica, destacando o
processo de individuação como caminho de crescimento
humano.”
Carls [Link]
(1875-1961)
Segundo a psicanálise, a psique humana é composta pelo
consciente e pelo inconsciente.
Jung complementou essa ideia ao afirmar que o inconsciente
também é dividido em duas camadas; uma pessoal e outra
coletiva.
Ele acreditava que o inconsciente pessoal armazena informações
esquecidas e memórias reprimidas de um sujeito.
Com relação ao inconsciente coletivo, Jung acreditava que o
homem não nasce uma tábula rasa. Para ele, as pessoas nascem
munidas de padrões de comportamentos que foram formados a
partir de repetições de experiências vividas por várias gerações e
que ficaram guardadas no nosso inconsciente coletivo.
O inconsciente coletivo era uma camada mais profunda da psique humana,
contendo elementos que são herdados ancestralmente e que influenciam a nossa
forma de perceber e interpretar o mundo. Os arquétipos surgem como imagens
primordiais, símbolos e padrões arcaicos que moldam a psicologia humana e
influenciam nossos comportamentos, emoções e pensamentos.
Contributos para a Psicanálise
1. Inconsciente coletivo
• Além do inconsciente pessoal de Freud, Jung propôs que existe um inconsciente coletivo, partilhado por
toda a humanidade.
• Este contém os arquétipos: imagens universais herdadas (ex.: mãe, herói, sombra).
[Link]étipos
• Modelos simbólicos que estruturam o modo como interpretamos a vida.
• Presentes em mitos, religiões, sonhos, literatura e cultura em geral.
3. Sonhos
• Para Freud: realização disfarçada de desejos reprimidos.
• Para Jung: mensagens do inconsciente coletivo e pessoal, que ajudam na individuação (crescimento
psicológico).
[Link]ção
• Processo central da vida psíquica: tornar-se quem se é, integrando as diferentes partes da personalidade
(consciente, inconsciente, sombra, anima/animus).
[Link] e simbolismo
• Jung valorizava religião, espiritualidade e mitologia como caminhos para compreender a psique.
• Distanciando-se fortemente do racionalismo freudiano.
Alguns dos arquétipos mais conhecidos propostos por Jung incluem:
O Self: É o arquétipo central e representa a totalidade da psique. É a
busca de integração e autorrealização.
A Persona: É a máscara social que usamos para nos apresentar ao
mundo e ocultar aspetos mais profundos de nós mesmos.
A Sombra: Representa os aspetos ocultos, reprimidos e menos
desejados de nossa personalidade.
O Anima (no inconsciente masculino) e o Animus (no inconsciente
feminino): São os arquétipos do feminino e masculino dentro de cada
indivíduo, independentemente do gênero, e desempenham um papel
importante na interação entre homens e mulheres.
A Criança Divina: Representa a inocência, a pureza e a criatividade inata
do ser humano.
O Velho Sábio: Personifica a sabedoria, a orientação e o conhecimento
acumulado.
A Grande Mãe: Simboliza a maternidade, a nutrição e o aspeto protetor
da feminilidade.
O Herói: Representa a jornada de busca, superação de desafios e a
conquista de algo significativo.
Diferenças entre Psicanálise e Psicologia Individual
Dimensão Freud – Psicanálise Jung – Psicologia Analítica
Pessoal, formado por desejos reprimidos, Dupla dimensão: pessoal e coletivo, com
Inconsciente
sobretudo de natureza sexual. arquétipos universais.
Self, Persona, Sombra, Anima/Animus
Arquitetura psíquica Id, Ego e Superego (modelo estrutural).
(estruturas simbólicas).
Linguagem simbólica do inconsciente
Realização disfarçada de desejos
Sonhos (pessoal e coletivo); mensagens de
reprimidos.
crescimento.
Pulsões de vida (Eros) e de morte Busca pela individuação: integração de
Motivação humana
(Thanatos). todas as partes da psique.
Vistas como ilusões/expressões do desejo Fenómenos legítimos da psique;
Religião e espiritualidade
inconsciente. expressões dos arquétipos.
Central na explicação da neurose e Importante, mas não central; mais
Sexualidade
desenvolvimento humano. ênfase em símbolos e mitos.
Tornar consciente o inconsciente; aliviar
Meta da terapia Promover
sintomas neuróticos.
:;:lì:t:'.i=:i::
desaparece com os movimentos intencionais e costumâ ser acompanhado por outros slntomâs
caracteÍísticos desta síndrome (por exemplo, acatisia' rigidez).
.srs*s.*\*:#r.*1ffiÊ{s!;!*i
DE |NVESTIGAçÃO PARA 333.1 TREMOR POSTURAL
TNDUZIDO
A. Aparecìmento
B. o tremor (isto é, oscilação regular e rítmica dos membros, cabeça, boca ou língua) tem uma
Írequência entre B e 12 ciclos/s
de tremor postural Íino relacionado com o consumo de um fármaco (por exem-
plo, lítio, antìdepressivos, ácido valproìco)'
C. Os sintomas não são devidos a um tremor preexistente não induzido por medicamentos. Entre
as provas que confirmam que os sintomas se devem a um tremor preexistênte incluem-se
as
seguintes: o tremor aparece antes de iniciada a toma do medicamento, a sua intensidade não
esiá relacionada com os níveis séricos e persiste depois de se descontinuar o tratamento.
Os sintomas não são melhor explicados pela presença de Parkinsonismo lnduzido
por Neuro-
D.
lépticos.
333.90 PERTT'RBAçÃO DOS MCV!MENTOS INDUZIDA
POR MEDICAMENTOS SEM OLJTRA ESPECIFICAÇÃO IG25.9]
Esta categoria reserva-se para as Perturbações dos N4ovimentos Induzidas por Ì\4edica-
menros q,1. ,ião preenchem oi critérios de investigação atrás expostos. Os exemplos incluem:
1)parkinsonisrÌo, âcâtisia aguda, distonra aguda ou movimentos discinétrcos associados a
medicação não ne uroléptica;2) apresentação similar à Síndrome Ìr4aligna dos Neur:oÌépti-
cos associada a fármacos não neurolépticos e 3) distonia tatdra'
ESCALA DE MECANISMOS E}E DEFESÂ
Os ntecalisltos de defesa (ou estratégias de adaptação) são processcls psicológicos atÌto-
máticos que protegem o sujeito perante a ansiedade e as ameaças ou factores de s/ress de
origem int.r.,a o., .",.rr-rn. Os suleitos são frequenternente all-reios a estes processos quando
eles se encontram em acção. Os mecanismos de defesa medeiam as reacções pessoais aos
conflitos ernocionais . Íactores de s/re-.-ç internos e externos. Estes mecanismos de defesa
foram divididos conceprlÌal e empiricamente em grupos denominados Níueis de Defesa.
Para poder utilizar esta Escala de Mecanismos de Defesa. o clínico deve reconltecer num
mesmo sujeito âté sete destes mecanismos de defesa ou estilos de adaptação (começando
pelo mais proeminente), para em seguida estabelecer o nír'ei de defesa que predominâ nesse
sujeito. Estes devem reflãctir os mecanismos de defesa oìi estilos de adaptação empregues
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Unidade Curricular
Modelos Psicodinâmicos,
Comportamentalistas e
Cognitivistas 1. Modelos
Psicodinâmicos:
LICENCIATURA EM PSICOLOGIA
1º Ano, 1º Semestre Para além de Freud:
2023/24 Anna Freud
Vai mais à frente
Profª Teresa Santos e Profª Patrícia César
[Link]@[Link]
[Link]@[Link]
Anna Freud
EGO e seus Mecanismos de Defesa
Ego diz respeito ao conjunto de
funções psíquicas que têm como
ponto comum a relação do
indivíduo com o seu meio.
O ego é aquela parte da psique
que se relaciona com o meio
ambiente tentando alcançar o
máximo de gratificação ou
descarga para o id. O ego é o
executor dos impulsos.
Alguns mecanismos de defesa do Ego
Refere-se a todas as técnicas a que o ego recorre nos
seus conflitos.
Assim, as defesas podem conduzir a uma reação
normal, a uma neurose ou a uma psicose.
A defesa designa todas as técnicas a que o ego recorre
para se proteger contra as exigências pulsionais,
quando apreende uma situação de perigo.
Pontos importantes sobre os mecanismos de defesa:
1 - Os Mecanismos de defesa apresentam-se em todas as
pessoas. E só se tornam anormais quando aparecem
excessivamente.
2 - Não são escolhidos conscientemente pelo indivíduo.
3 - O Mecanismos de defesa que vai atuar num dado
momento depende da natureza da situação específica e das
características da pessoa.
4 - As mesmas situações podem ter Mecanismos de defesa
diferentes em pessoas diferentes.
5 - Os Mecanismos de defesa mais eficazes em conflitos
anteriores tendem a ser usados para resolver novos
conflitos.
6 – O seu uso prolongado e excessivo pode ter
consequências graves no ajustamento à vida. Nesse sentido,
alguns são piores que outros, como a repressão, que é cega
para a natureza dos problemas.
7 - Os Mecanismos de defesa podem ser frustrados: a
racionalização pode ser desmentida; a repressão, revelada
etc. Tornando, assim, o conflito ainda mais intensificado.
8 - Quando os Mecanismos de defesa falham, podem
ocorrer transformações mais agressivas no comportamento;
como perturbações psicológicas graves, sendo um efeito da
psicose. Nestes casos pode existir uma fixação numa das
fases de desenvolvimento da personalidade, pois não
ocorreu um processo de desenvolvimento harmonioso da
mesma.
Mecanismos de Defesa – DSM IV
Termos são idênticos aos usados pelos psicanalistas,
mas com diferenças.
Escala de Funcionamento Defensivo do DSM-IV:
• Identificar a lista com os 7 mecanismos de defesa
específicos do sujeito e indicar o nível defensivo
predominante.
Nível de desequilíbrio Nível adaptativo
defensivo: elevado:
• Projecção delirante • Antecipação
• Negação psicótica • Auto-observação
• Distorção psicótica • Humor
• Auto-afirmação
• Supressão
• Sublimação
• Capacidade em recorrer ao outro
2:50 / 23:51
Sigmund Freud - Compilação rara narrada por Anna Freud
[Link]
Anna Freud | Child Psychoanalysis | Defense Mechanisms
[Link]
7 Freudian Defence Mechanisms Explained -
[Link]
FREUD (03) – ANSIEDADE E MECANISMOS DE DEFESA DO EGO
[Link]
Vídeos:
PSYCHOTHERAPY - Anna Freud
[Link]
Unidade Curricular Modelos
Psicodinâmicos,
Comportamentalistas e
Cognitivistas
2ª Aula
LICENCIATURA EM PSICOLOGIA
1º Ano, 1º Semestre
2025/26
Vai mais à frente
Professora Maria Rita Albergaria ([Link]@[Link]);
1. Modelos psicanalíticos ou psicodinâmicos em psicoterapia
1.1 Breve história da psicanálise freudiana
Fase pré-analítica - Freud defronta-se com limitações na hipnose:
• I) nem todos os pacientes eram susceptíveis à hipnose (aula
anterior);
• II) constatou desvantagens quanto à ideia de “sugestão” hipnótica
(eliminação de sintomas histéricos, não da causa);
• III) postura do terapeuta comprometia a autonomia do paciente;
• IV) observou o fenómeno da transferência: quando a paciente de
BREUER, já vigil, lançou-se apaixonadamente para os braços do seu
médico - Estado de “amor transferência”. 3
1. Modelos psicanalíticos ou psicodinâmicos em psicoterapia
1.1 Breve história da psicanálise freudiana
1897-1908: a psicanálise em si - Os anos de solidão de Freud
IV) Observou o fenômeno da transferência, quando Anna O., após hipnose, lançou-se
apaixonadamente para os braços de Breuer - Estado de “amor transferência”
• Implícita no conflito estava a resistência às tentativas do analista de
entrar nas estruturas defensivas da neurose, como um primeiro passo
com vista à mudança. FREUD viu inicialmente a transferência como
uma resistência, que impedia o fluir livre da associação, mas à
medida que se foi apercebendo que as fantasias de transferência
eram uma reactuação in vivo das dificuldades nucleares do paciente,
a transferência tornou-se uma peça central do método psicanalítico.
4
1. Modelos psicanalíticos ou psicodinâmicos em psicoterapia
1.1 Breve história da psicanálise freudiana
IV) Observou o fenômeno da transferência, quando Anna O., após hipnose, lançou-se
apaixonadamente para os braços de Breuer - Estado de “amor transferência”
O que é a Transferência? Quando o paciente projeta sentimentos, expectativas e
padrões de relacionamento no terapeuta;
Primeiramente Freud viu na transferência uma desvantagem, mas
rapidamente percebeu que a TRANSFERÊNCIA se tratava de um elemento
fundamental para a cura psicanalítica:
• Os conflitos inconscientes do paciente emergem no contexto seguro da
relação terapêutica;
• Através da análise da transferência, o terapeuta facilita que o paciente
consciencialize esses conflitos, interpretando.
5
1. Modelos psicanalíticos ou psicodinâmicos em psicoterapia
1.1 Breve história da psicanálise freudiana
1885-1897: a fase pré-analítica
REVOLUÇÃO: Freud estabelece a ligação entre sintomatologia histérica e sexualidade
• Repressão de um desejo sexual pode levar à paralisia;
• Episódio traumático infantil pode determinar alguns dos nossos comportamentos
adultos.
Finalmente, ao procurar uma explicação traumática para as dificuldades do paciente
descobriu, ou pensou ter descoberto, que elas advinham de um trauma sexual na
infância - Teoria da Sedução:
- Visão que foi repugnante para o mais púdico e temeroso BREUER.
6
1. Modelos psicanalíticos ou psicodinâmicos em psicoterapia
1.1 Breve história da psicanálise freudiana
1897-1908: A psicanálise em si.
Os anos seguintes foram de crise emocional para FREUD: apoiou-se no seu amigo FLIESS e nos “congressos
científicos privados”, tendo estabelecido alguns dos fundamentos práticos e teóricos da psicanálise que se
mantiveram até hoje.
Abandonou a hipnose e debruçou-se sob o método de ASSOCIAÇÃO LIVRE:
O terapeuta encontrava-se atrás do paciente, fora do ângulo de visão do paciente “para que o paciente não
fosse influenciado pela presença do terapeuta”. O paciente encontrava-se deitado.
– Imperativo da sinceridade - O paciente assumia “o compromisso de comunicar
verdadeiramente tudo o que a sua percepção interior lhe dita e não ceder às objeções
críticas que o queiram fazer descartar algumas ideias como não sendo suficientemente
importantes, não tendo cabimento, sendo completamente desprovidas de sentido”
– Técnica da interpretação - utilizada pelo terapeuta “consiste em interpretar as ligações
que o paciente faz entre uma palavra e uma memória, a passagem de uma ideia para
outra, de uma situação para uma pessoa ou mesmo durante um sonho”:
» Estas associações não são fruto da casualidade - não há acaso no inconsciente:
todos os comportamentos, sintomas têm uma causa que os justifica;
– Determinismo Psíquico: Posicionamento de Freud: “acreditamos que somos livres, mas
ignoramos as verdadeiras causas que nos determinam, e estas verdadeiras causas estão
7
ocultas no inconsciente”
1. Modelos psicanalíticos ou psicodinâmicos em psicoterapia
1.1 Breve história da psicanálise freudiana
1899-1900: a psicanálise em si - Os anos de solidão de Freud
O culminar deste período deu-se com o livro A Interpretação dos Sonhos,
considerado por FREUD como o seu melhor trabalho:
Baseou-se nas suas dificuldades pessoais: a rivalidade fraterna, as reações
ambivalentes à morte do pai em 1896, o sentimento de ser o favorito da sua mãe, o
orgulho e a humilhação pelo facto de ser judeu e o isolamento profissional - para
desenvolver uma teoria não só dos sonhos mas da própria mente.
- O sonho enquanto fenómeno universal: Mudança do foco de pessoas com
psicopatologia também para pessoas sem doença mental.
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1. Modelos psicanalíticos ou psicodinâmicos em psicoterapia
1.1 Breve história da psicanálise freudiana
1907/8-1920 - Os princípios do movimento psicanalítico
• Progressivamente as ideias de FREUD ganhavam terreno num grupo de
médicos e intelectuais progressistas que se tornaram no primeiro círculo
psicanalítico: JUNG, ADLER, STEKEL, ABRAHAM, FERENCZI, JONES e RANK;
• Em 1908 teve lugar o primeiro congresso psicanalítico em Salzburgo e foi
inaugurado um jornal
– JUNG, o primeiro não judeu a juntar-se à psicanálise, cedo se
tornou no «príncipe herdeiro» da Psicanálise, e com a influência de
BLEULER , seu chefe na Burgholzli, formar o núcleo psicanalítico na
Suíça. FREUD e JUNG foram convidados para os EUA em 1910, onde
FREUD deu as prestigiadas conferências de CLARK.
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1. Modelos psicanalíticos ou psicodinâmicos em psicoterapia
1.1 Breve história da psicanálise freudiana
1907/8-1920: Os princípios do movimento psicanalítico
• Em 1913 JUNG afasta-se de FREUD, protestando contra a insistência de FREUD no papel
central da sexualidade.
• Também ADLER saíra em 1911 para estabelecer a sua própria escola de psicoterapia,
que realçava a agressividade e o «complexo de inferioridade», em vez da líbido e do
Édipo de FREUD, como determinantes centrais do carácter.
• As deserções de JUNG e ADLER não foram de forma alguma as únicas que a psicanálise
iria sofrer (STEKEL saíra também em 1911), mas o movimento psicanalítico continuou a
crescer, com clínicos a exercer em Budapeste, Berlim e Londres, nesta última cidade
graças à combinação de energia, dotes intelectuais e absoluta devoção de Ernest
JONES a FREUD.
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1. Modelos psicanalíticos ou psicodinâmicos em psicoterapia
1.1 Breve história da psicanálise freudiana
1907/8-1920: Os princípios do movimento psicanalítico
• A guerra de 1914-18 impactou na evolução da psicanálise na Europa.
FREUD continuou a trabalhar de forma prodigiosa, produzindo os
grandes artigos acerca da metapsicologia Sobre o Narcisismo e Luto e
Melancolia, assim como as Conferências Introdutórias sobre a Psicanálise
(feitas de improviso como era tradição psicanalítica).
• Os acontecimentos da Guerra remeteram Freud para o lado mais
sombrio da psicologia humana, dando ênfase à agressão, ideias estas
que iriam culminar com a noção de Tanatos, o instinto de morte.
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1. Modelos psicanalíticos ou psicodinâmicos em psicoterapia
1.1 Breve história da psicanálise freudiana
1907/8-1920: Os princípios do movimento psicanalítico
• Em Inglaterra, os métodos e ideias psicanalíticas expandiram-se devido aos
soldados da guerra: fadiga de batalha ou shell schock (precursores do
diagnóstico contemporâneo de Perturbação de Stress Pós Traumático).
• A psiquiatria convencional tinha pouco a oferecer, deixando o caminho aberto
para os métodos psicanalíticos em centros como a Brunswick Square Clinic
dirigida por James GLOVER. Este centro tornou-se num solo fértil para a
psicanálise britânica e Edward GLOVER, Sylvia PAYNE, Ella SHARPE, Susan ISAACS
e Marjorie BRIELY que viriam a ser, todos eles, psicanalistas proeminentes. O
Cassel Hospital foi fundado no período de rescaldo da guerra como uma
unidade de internamento para tratamento psicanalítico de pessoas afectadas
pela guerra.
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1. Modelos psicanalíticos ou psicodinâmicos em psicoterapia
1.1 Breve história da psicanálise freudiana
De 1920 à morte de Freud em 1939
• Em 1923 foi publicado o The Ego and The Id, a sua maior revisão do
modelo «topográfico» (que dividia a mente em inconsciente,
pré-consciente e consciente), propondo em alternativa o modelo
«estrutural» ou tripartido do Id, Ego e Superego.
• Em 1926 apresentou uma teoria revista da ansiedade, que ele agora
via como uma ameaça para o Self, em vez de ser uma
manifestação de energia erótica ou «líbido» em excesso. Um artigo
de 1927 introduziu a ideia da clivagem do Ego, que se mantém
central para a psicanálise contemporânea.
13
1. Modelos psicanalíticos ou psicodinâmicos em psicoterapia
1.1 Breve história da psicanálise freudiana
De 1920 à morte de Freud em 1939
• A filha de FREUD, Anna, foi pioneira no tratamento psicanalítico de
crianças e, após a morte da sua mãe, cuidou do pai;
• Quando os Alemães anexaram a Áustria, em 1938, FREUD conseguiu
partir para Inglaterra;
• FREUD instalou-se com Anna em Maresfield Gardens, Hampstead.
Morreu um ano depois em 1939, mesmo antes do início da guerra.
14
1. Modelos psicanalíticos ou psicodinâmicos em psicoterapia
1.1 Breve história da psicanálise freudiana
O que é a psicanálise?
• Para FREUD, o aspecto que definia a psicanálise como tratamento era a
importância central da transferência e da resistência.
• A psicanálise pode ser definida como o ramo da psicologia iniciado por FREUD
que se ocupa de três áreas distintas de estudo:
a) o desenvolvimento da mente e a influência da experiência
precoce nos estados mentais do adulto;
b) a natureza e o papel de fenómenos mentais inconscientes;
c) e a teoria e prática do tratamento psicanalítico, particularmente
da transferência e da contra-transferência.
15
Modelos Psicanalíticos
Os Modelos Psicanalíticos assentam na ideia de
que a consciência constitui apenas uma parte
(mínima) do funcionamento psíquico, cujo centro
deve ser procurado no inconsciente;
Método científico - Psicanálise.
Freud e o Modelo Psicanalítico: 1ª Tópica
Funcionamento do Aparelho Mental - Modelo Topográfico
A 1ª tópica: Inconsciente, Pré-consciente e Consciente
Freud elabora a sua conceção do aparelho psíquico formado
por 3 instâncias, são elas:
- inconsciente;
- pré-consciente;
- consciente.
1ª Tópica … Modelo Topográfico Ou Modelo do Icebergue
Funcionamento do Aparelho Mental
CONSCIENTE
Sinónimo daquilo que a pessoa está consciente num dado momento. É o
que apreendemos imediatamente;
É um estado altamente fugaz, um elemento psíquico apenas fica em
estado consciente momentaneamente, porque os pensamentos podem
rapidamente desaparecer da consciência. Podem passar para um
estado latente em que vão alternando entre o pré-consciente e o
consciente.
Funcionamento do Aparelho Mental
PRÉ-CONSCIENTE
É capaz de se tornar consciente porque não está ativamente obstruído
da consciência;
Encontra-se mais próximo do consciente do que do inconsciente;
O pensamento pré-consciente torna-se consciente formando imagens
mentais ou ligações com a linguagem;
O pré-consciente compreende vestígios mnésicos, lembranças, vestígios
de linguagem, de saber adquirido, …
Funcionamento do Aparelho Mental
INCONSCIENTE
Desejos, vontades e impulsos;
Refere-se aos pensamentos e sentimentos que são reprimidos e, por isto,
desconhecidos;
Este material pode surgir na consciência através de atos falhados,
sonhos, lapsos linguísticos ou através a técnica psicanalítica.
Funcionamento do Aparelho Mental
Metáfora do aeroporto
Inconsciente Pré-consciente Consciência
Conteúdos
recalcados Se despertarem atenção
da consciência emergem
para o consciente
Freud e o Modelo Psicanalítico: 2ª Tópica
A viragem do modelo Psicanalítico em 1920
Funcionamento do Aparelho Mental
A 2ª tópica: ID, EGO, SUPER-EGO
ID: Estrutura orientada pelo princípio do prazer, é a primeira estrutura, caótica;
EGO: Estrutura que está em contacto com a realidade (princípio da realidade);
SUPER-EGO: Estrutura orientada pelo princípio da moralidade (i.e., conjunto de
regras que regem a sociedade e que o indivíduo tem de interiorizar)
Freud e o Modelo Psicanalítico: 2ª Tópica
“Um velho provérbio avisa-nos que não
devemos servir dois senhores ao mesmo tempo.
A situação do ego é ainda pior: serve três
senhores e faz o que pode para harmonizar as
suas afirmações e exigências (...) Os seus três
tiranos são o mundo exterior, o superego e o id”
Freud (1936)
ID
Quando? É a mais antiga das instâncias psíquicas (ao nascimento);
O que é? Conjunto de impulsos instintivos inatos, que motivam a relação do indivíduo
com o mundo, não obedecendo a leis lógicas do pensamento - inconsciente;
- Ignora juízos de valor: o bem vs. mal, a moral;
- Composto por instintos, particularmente o instinto de vida - Eros e
instinto de morte - Thanatos.
EROS - instinto de conservação de si e da espécie, o amor de si e o
amor objetal; THANATOS – instinto de destruição, o estado que precedeu
o aparecimento da vida - “ O fim para o qual tende qualquer vida é a
morte”.
Objetivo? Satisfação das necessidades pulsionais regidas pelo princípio do prazer.
Exemplo de pulsão agressiva
“Estamos ao volante do nosso carro e, sem
que nada o fizesse prever, um condutor rude
passa-nos à frente. Insultamos o condutor pelo
medo que tivemos - esta é a expressão de
uma pulsão agressiva … Depois
arrependemo-nos de ter perdido a calma ..
Mas foi pulsional, foi mais forte do que nós”
EGO
ID Ego Super-Ego
Realidade
Quando?: Origina-se progressivamente a partir do ID;
Objetivo?: Organiza as energias livres e móveis do ID tendo em conta os imperativos
e os limites impostos pelo real.
O que é?: É a interface entre o ID, a realidade e o Super-Ego, apesar de se orientar,
também, pela procura do prazer, detém preocupação pela auto-conservação no
seio do real :o que obriga o EGO a travar as pulsões do ID;
- A relação entre a realidade e o ID pulsional é uma relação conflitual.
- O EGO representa a “razão e a ponderação”, já o ID é dominado
pelas “paixões”, esforça-se por estender sobre o ID a influência do
mundo exterior.
SUPER-EGO
Quando? A modificação do EGO prepara o nascimento do SUPER-EGO - no
estádio do complexo de Édipo;
O que é? Atividade é pré–consciente ou inconsciente (sobretudo
inconsciente);
Objetivo? Comporta-se como representante das forças de coação e de
repressão parentais. Após isto, continua a evoluir, interiorizando a autoridade
dos sucessores ou substitutos dos pais;
A consciência moral à qual se ligam os fenómenos de
auto-observação, de auto-crítica, os sentimentos de remorso, de
culpabilidade, masoquismo moral, etc.
O ID, o EGO e o SUPER-EGO constituem-se sucessivamente nas
diferentes épocas de evolução da criança e determinam os
diferentes estádios do seu desenvolvimento:
As mudanças desenvolvimentais também ocorrem no tamanho
relativo do inconsciente, pré-consciente e consciente.
A mente da criança é quase exclusivamente inconsciente. Com o
avanço da idade, o pré-consciente e o consciente ocupam mais
e mais território mental.
Estes três aspetos do funcionamento operam juntos de uma forma
holística para produzir o comportamento.
Será ID, EGO ou SUPEREGO?
“A Maria queria muito usar o colar da sua mãe, mas sabia que ela
ficaria zangada se o fizesse sem pedir, então perguntou à mãe se o
poderia usar”.
“Na escola, duas crianças estavam a chatear o Joaquim porque ele usava
óculos. O João ficou tentado a juntar-se ao grupo, mas quando pensou sobre
o quão mal o Joaquim se sentiria, ele percebeu que não podia fazer aquilo”.
“A mãe do Manuel tinha dado 50€ para o Manuel ir às compras no
supermercado. No centro comercial o Manuel viu uns ténis que gostou e
esteve tentado a usar o dinheiro que a mãe lhe deu para fazer esta
compra. No entanto, se usasse o dinheiro para os ténis não teria o
suficiente para as compras do supermercado, por isso decidiu que era
melhor não comprar os ténis”.
Será ID, EGO ou SUPEREGO?
“A Maria tem sede. Ao invés de esperar para se servir na
cantina, no reservatório de água, dirige-se à mesa mais
próxima e bebe água directamente do copo de uma colega,
para surpresa desta”.
“Um bebé faminto chora até ser alimentado”.
“Apesar de estar a precisar de dinheiro, o João opta por não
tirar dinheiro da caixa registadora do café onde trabalha para
não ter problemas”.
Os modelos psicodinâmicos incluem as seguintes 3 dimensões:
Dimensão tópica: refere-se aos lugares do aparelho psíquico.
Divide a mente em lugares, ou seja, Inconsciente, Pré-consciente e
Consciente; e estabelece instâncias ou estruturas: Id, Ego e
Superego
Dimensão econômica: refere-se às quantidades e à circulação da
energia psíquica em todas as suas instâncias.
Dimensão dinâmica: refere-se às forças a operar na psique, revela
a apresentação do aparelho psíquico, é essencialmente
“relacional”. Estuda os conflitos endógenos frente à realidade
externa estimuladora que quando esbarra nos valores do Ego
exige uma postura repressora.
Aula 3 Modelos Psicodinâmicos:
LICENCIATURA EM PSICOLOGIA Psicanálise (conceitos,
1º Ano, 1º Semestre pressupostos e implicações
2025/26 para a prática):
Vai mais à frente - Fases do desenvolvimento
psicoafectivo.
Freud e o Modelo Psicanalítico:
Fases do Desenvolvimento Psico-afectivo
A gênese do aparelho mental.
O desenvolvimento psicossexual e o sistema de estádios de Freud:
Freud formulou sistematicamente os estádios do
desenvolvimento da sexualidade na criança e no
adolescente;
Cada estádio corresponde ao desenvolvimento afetivo e
psíquico global da pessoa:
● Para Freud, o desenvolvimento psíquico global da
pessoa acompanha o desenvolvimento da sexualidade
— são indissociáveis.
Freud e o Modelo Psicanalítico:
Fases do Desenvolvimento Psico-afectivo
● A sexualidade humana desenvolve-se à nascença - porque
nascemos com líbido (a pulsão sexual básica);
● De acordo com Freud os humanos nascem com disposição
perversa polimorfa, ou seja, a capacidade de obter prazer
a partir de várias partes do corpo:
■ Porque a criança ainda não foi sujeita ao processo
de socialização.
● Importa estabelecer a distinção entre “genital” e “sexual”
○ O termo sexual refere-se à líbido e manifesta-se em
inúmeras atividades sem relação com orgãos sexuais/
reprodução.
Freud e o Modelo Psicanalítico:
Fases do Desenvolvimento Psico-afectivo
Freud delineou um modelo de 5 estádios, em que
diferentes zonas erógenas vão-se tornando o
ponto focal do prazer sexual;
Os estádios psicossexuais estão envolvidos tanto
no desenvolvimento da sexualidade como no
desenvolvimento da personalidade:
● Um “fracasso” em alguns dos estádios pode levar
a uma fixação nesta zona específica em idade
adulta.
Conceitos-Chave
Líbido
Pulsão sexual básica
Zona Erógena
Ponto focal do prazer
sexual (libido)
Cada fase tem a sua zona
privilegiada Alvo pulsional
É o objetivo final da pulsão,
ou seja, a satisfação que a
pulsão procura atingir para
Objeto pulsional aliviar a tensão
Aquilo que possibilita a
satisfação de uma pulsão
O objeto não é fixo: é
substituído ao longo da vida
Fases do desenvolvimento Psico-afectivo:
O Nascimento
A teoria do traumatismo do nascimento (Rank, n.d)
considerava que o nascimento era o trauma
primordial e universal de todo ser humano;
● Freud sublinha que o nascimento é uma etapa
significativa devido ao fluxo brutal de excitações
sensoriais e do fenómeno de separação biológica
mãe-criança.
As fases pré-genitais
Antecedem a organização do complexo de
Édipo, ou seja, são as fases que se situam antes da
centralização das diferentes pulsões parciais sob o
primado da zona genital;
Distinguem-se: fase oral, fase anal e fase uretral ou
fálica.
Fase Oral (do nascimento até aos 12 meses)
Fase Oral (do nascimento até 1 ano)
Quando? 1° ano de vida;
A zona erógena é a zona bucolabial;
O objecto pulsional é representado pelo seio ou o seu substituto. A
função alimentar serve de mediador na relação simbiótica mãe-
criança; sendo que o prazer oral apoia-se na alimentação;
O alvo pulsional é duplo: por um lado um prazer auto-erótico por
estimulação da zona erógena oral e por outro lado um desejo de
incorporação dos objectos na zona oral;
Criança dominada pelo ID, o EGO desenvolve-se à medida que a
criança se apercebe que tem um corpo próprio, distinto do mundo
que a rodeia.
Fase Anal (entre 1 e os 3 anos)
Fase Anal (entre 1 e os 3 anos)
É um ano consagrado ao controlo ou ao domínio (pulsão de
domínio).
A zona erógena é a mucosa anorrectal, ou mesmo todas as
funções digestivas. Nesta fase, trata-se de conservar os
objetos passados para o interior de si quer de os expulsar
após destruição.
O objeto pulsional não pode ser reduzido ao bolo fecal,
funcionando a mãe e, nesta altura, igualmente o meio
envolvente em geral, como um objeto parcial a dominar e
a manipular.
O alvo pulsional é duplo: por um lado, um prazer auto-erótico
por estimulação desta zona erógena, por outro, uma
procura de pressão relacional sobre os objectos e as
pessoas que começam a diferenciar-se.
Desenvolvimento das instâncias do aparelho mental no
transcurso do desenvolvimento psicossexual
Ao nascimento o bebé é quase exclusivamente ID:
preocupa-se com o conforto do corpo e em descarregar
todas as tensões o mais rapidamente possível;
A formação do EGO faz-se progressivamente a partir do ID
e está ligada ao desenvolvimento pulsional que lhe
condiciona os estádios;
Na fase anal, o EGO começa a consolidar-se devido ao seu
envolvimento com o meio: a criança conseguiu estabelecer
activamente relações diferenciadas. No que respeita ao ID,
tornou-se capaz de atrasar a satisfação das pulsões e de
afastar algumas.
Como as resistências à satisfação pulsional não existem na
fase oral, o ego esboçou-se na espera e graças ao
contraste satisfação-privação.
• Video time: The terrible Twos
[Link]
Fase Uretral ou Fálica (3 aos 5 anos)
Fase Uretral ou Fálica (3 aos 5 anos)
Centra-se na temática ausência vs. presença do pénis;
É um período de afirmação de si próprio;
A zona erógena é a uretra com o duplo prazer da micção e da
retenção;
É nesta fase que se manifesta a curiosidade sexual infantil: a
tomada de consciência da diferença anatómica dos sexos,
ou seja, da presença ou da ausência de pénis - A rapariga
vai manifestar a sua inveja do pénis;
As angústias específicas desta fase são evidentemente
angústias de castração ou, mais exactamente, “mutilação
peniana”.
Fase Uretral ou Fálica - Complexo de Édipo
As crianças no estádio fálico têm um desejo sexual
inconsciente pelo progenitor do sexo oposto, além do
desejo de afastar o progenitor do mesmo sexo:
Complexo de Édipo é: “O conjunto organizado de
desejos amorosos e hostis que a criança sente
relativamente aos pais. Sob uma forma positiva, o
complexo de édipo apresenta-se como a história de Édipo
Rei, desejo da morte desse rival que é a personagem do
mesmo sexo, desejo sexual pela personagem do sexo
oposto. Sob a forma negativa, apresenta-se ao inverso:
amor pelo progenitor do mesmo sexo e ódio ciumento
pelo progenitor do sexo oposto”.
O Complexo de Édipo e a angústia de castração são
vividos durante a fase fálica.
ÉDIPO - Édipo era filho do rei Laio e da rainha Jocasta, do reino de Tebas.
Laio dirigiu-se ao famoso Oráculo de Delfos para saber se seria abençoado com um filho. O
Oráculo profetizou que teriam um filho, mas que o filho mataria Laio e se casaria com Jocasta.
Quando Jocasta deu à luz um menino, Laio mandou furar os tornozelos ao bebé e pediu a um
pastor que o abandonasse nas montanhas. Contudo o pastor não conseguiu concretizar a tarefa.
Édipo acabou por ser adotado pela corte do Corinto, rei Polibio e da raínha Mérope, de Corinto
(um casal sem filhos). Anos depois, consultando o oráculo de Delfos para esclarecer uma dúvida
sobre a sua origem, o Oráculo profetizou novamente que Édipo mataria o seu pai e a sua mãe, e
Édipo decidiu não voltar a Corinto e partiu para Tebas.
A caminho de Tebas desentendeu-se com um cocheiro e acabou por matar o cocheiro e o seu
senhor, Laio (só um homem desta comitiva conseguiu escapar). Tinha-se, assim, realizado a 1º parte
da profecia.
Seguindo sem rumo, chega às portas de Tebas, onde a Esfinge propõe-lhe um enigma. Se errar,
morrerá. Se acertasse salvava a sua vida e a cidade. Como dupla recompensa, recebe de
Creonte – irmão da rainha – o título de rei e a mão de Jocasta, viúva de Laio.
Passados muitos anos, uma peste terrível assola a cidade. Após consulta ao oráculo de Delfos, para
livrar a cidade do flagelo, é preciso encontrar e punir o assassino de Laio. Édipo diz aos tebanos que
o criminoso, banido. Aparece o homem que compunha a comitiva de Laio no dia em que este foi
morto. Trata-se do mesmo pastor que abandonou o bebé. Aquela criança está agora diante dele:
é o rei de Tebas. Tudo se revela: Édipo matara seu verdadeiro pai (Laio) e desposara sua mãe
(Jocasta). A rainha suicida-se e Édipo fura os próprios olhos. Cego, Édipo decide abandonar a
cidade.
ÉDIPO
Fase Uretral ou Fálica - Complexo de Édipo
No Complexo de édipo não é o instinto sexual, mas o amor
que ocupa o primeiro plano.
Os elementos sensuais ou corporais da líbido são, mais ou
menos, recalcados (o menino está apaixonado pela mãe e,
por ciúme, detesta o pai). O rapaz não manifesta os mesmos
sentimentos de ternura em relação ao pai.
Por vezes, os rapazes mostram muita ternura em relação ao
pai, Freud designa este fenómeno de ambivalência (ou seja a
coexistência de atitudes sentimentais opostas, amigáveis e
hostis (amor/ ódio, ternura/antipatia) para com a mesma
pessoa).
A atitude da rapariga é, com algumas alterações (afasta-se
menos da mãe do que o rapaz do pai), absolutamente
idêntica.
O complexo de Édipo e o modo como ele é
recalcado determinam a evolução sentimental e
moral do homem normal, bem como os
sentimentos de culpa e os remorsos de uma parte
dos neuróticos.
“O complexo de édipo pode ser considerado
como o centro das neuroses”.
Nas suas escolhas amorosas da idade adulta, o
indivíduo procurará, mais ou menos, reencontrar
a relação amorosa infantil com o pai ou com a
mãe.
Desenvolvimento das instâncias do aparelho mental no
transcurso do desenvolvimento psicossexual
O Super-Ego é a terceira instância do aparelho
psíquico, cujo aparecimento é o mais tardio.
A modificação do EGO prepara o nascimento do
Super-Ego, que se produz no estádio do complexo de
Édipo.
No conjunto, a criança desenvolve-se passando do
princípio do prazer para o princípio de um prazer
moderado devido à realidade; a sua personalidade
forma-se em direção a uma socialização progressiva.
O período de latência
(dos 6 anos ao início da puberdade)
O período de latência
(dos 6 anos até ao início da puberdade)
Inicia-se com o recalcamento do Complexo de
Édipo;
Pulsões sexuais ficam “adormecidas”;
Assiste-se a uma dessexualização progressiva dos
pensamentos e dos comportamentos da criança
(graças ao recalcamento) que permite sublimações
(Mecanismo de Sublimação);
Estas, deslocando os alvos pulsionais para objectos
mais socializados, dão lugar a uma disponibilidade
das crianças para as aprendizagens pedagógicas.
• Vídeo: Mecanismo de Sublimação
“PSYCHOTHERAPY - Sigmund Freud, on Sublimation”
[Link]
Desenvolvimento das instâncias do aparelho mental no
transcurso do desenvolvimento psicossexual
A partir da fase de latência, o homem encontra-se
confrontado com a tarefa de desligar-se dos pais:
Deve desligar-se da mãe para fazer incidir os seus
desejos sobre objetos exteriores e reconciliar-se com o pai;
Os neuróticos são aqueles que falham nesta missão: o filho
que não consegue libertar-se da autoridade do pai; a
rapariga ligada à família durante demasiado tempo.
Do complexo de édipo vai resultar, ainda, um facto de
extrema importância: a criação do eu ideal (super ego),
isto é, a consciência moral.
Para Freud, o eu ideal só é possível em consequência
do recalcamento do complexo de édipo.
Libertando-se desse complexo a criança identifica-se
com os pais e integra em si as leis morais que os pais
anteriormente a obrigaram a seguir.
Primitivamente amoral, a criança capta primeiramente
a moralidade, as normas de conduta, como ligadas às
recompensas e castigos, que para a criança
equivalem a uma dádiva ou recusa de afeto.
Fase Genital (da puberdade à vida adulta)
Genital (adolescência)
Designa-se por ser uma crise que vem encerrar
subitamente o período de latência.
Assiste-se a uma emergência pulsional maciça que
vem desequilibrar as relações entre as instâncias
intrapsíquicas. O Ego sente-se invadido por uma
angústia pulsional face à qual terá que se defender.
É no final da adolescência que a escolha do objecto
sexual se vai encontrar definitivamente fixada.
• Fases do Desenvolvimento psicossexual e fixações
Psychosexual Development by Sigmund Freud
[Link]
theory-freud/
Aula 3-5
Unidade Curricular
Modelos Psicodinâmicos, • Modelos Psicodinâmicos:
Comportamentalistas e Psicanálise (conceitos,
Cognitivistas pressupostos e
implicações para a
LICENCIATURA EM PSICOLOGIA
prática):
1º Ano, 1º Semestre
2023/24
- 1º e 2º Tópicas
Vai mais à frente
- Fases do
desenvolvimento
psicoafectivo
Modelos Psicanalíticos
Os Modelos Psicanalíticos assentam na ideia de que a
consciência constitui apenas uma parte mínima da vida
psíquica, cujo centro deve ser procurado no inconsciente.
FREUD (1) – O INCONSCIENTE | PSICANÁLISE (SEGUNDA TEMPORADA)
[Link]
Freud e o Modelo Psicanalítico: 2ª Tópica
A viragem do modelo Psicanalítico em 1920
Freud’s Theory of Personality: Id, Ego, and Superego Id, Ego, & Superego |
Freud & Examples ([Link])
FREUD (02) – ESTRUTURA DA PERSONALIDADE (ID, EGO, SUPEREGO)
[Link]
FREUD (2) – O ID | PSICANÁLISE (SEGUNDA TEMPORADA)
[Link]
FREUD (3) – O EGO | PSICANÁLISE (SEGUNDA TEMPORADA)
[Link]
FREUD (4) – O SUPEREGO | PSICANÁLISE (SEGUNDA TEMPORADA)
[Link]
FREUD (01) – PULSÃO DE VIDA, PULSÃO DE MORTE E INCONSCIENTE
[Link]
Id Ego Super ego
Realidade
A sua função essencial é organizar as energias livres e móveis do id
tendo em conta os imperativos e os limites impostos pelo real.
A orientação da sua actividade também é a procura do prazer, mas
ao mesmo tempo representa a preocupação da auto-conservação
no seio do real, o que obriga o ego a travar as pulsões.
A relação entre a realidade e o id pulsional é uma relação
conflitual.
Os modelos psicodinâmicos incluem as seguintes 3 dimensões:
Dimensão tópica: diz respeito aos lugares do aparelho psíquico.
Divide a mente em lugares: Inconsciente, Pré-consciente e
Consciente; e estabelece instâncias ou estruturas: Id, Ego e
Superego
Dimensão económica: refere-se às quantidades e à circulação
da energia psíquica em todas as suas instâncias.
Dimensão dinâmica: refere-se às forças a operar na psique,
revela a apresentação do aparelho psíquico, é essencialmente
“relacional”. Estuda os conflitos endógenos frente à realidade
externa estimuladora que quando esbarra nos valores do Ego
exige uma postura repressora.
• Vídeo:
“PSYCHOTHERAPY - Sigmund Freud” (até 2,32’)
[Link]
Freud e o Modelo Psicanalítico: Fases
Desenvolvimento Psico-afectivo
A génese do aparelho mental.
O desenvolvimento psicossexual e o sistema de estádios de
Freud.
Os estádios do desenvolvimento psicossexual e as suas
características
Freud apenas formulou sistematicamente os estádios do
desenvolvimento da sexualidade na criança e no adolescente, aos
quais no entanto correspondem, segundo ele, aos do
desenvolvimento afetivo e mesmo os do desenvolvimento psíquico
global.
O desenvolvimento da personalidade pode ser
entendido em função do instinto sexual, ou seja, da
libido.
Os estádios de desenvolvimento da libido são então
entendidos como estádios psicossexuais, ou seja,
estádios envolvidos tanto no desenvolvimento da
sexualidade como no desenvolvimento da
personalidade.
Fases do desenvolvimento Psico-afectivo
O Nascimento
A teoria do traumatismo do nascimento está
associada ao nome de Rank, que considerava ser esse
o momento de constituição de todas as angústias
ulteriores.
Freud é o primeiro a sublinhar o perigo desta situação
inicial (o nascimento) devido a um afluxo brutal de
excitações sensoriais e do fenómeno de separação
biológica da mãe e da criança.
As fases pré-genitais
São as fases que precedem a organização do
complexo de Édipo, ou seja, as fases que se situam
antes da reunificação das diferentes pulsões
parciais sob o primado da zona genital.
Distinguem-se classicamente: a fase oral, a fase anal
e a fase uretral ou fálica.
Fase Oral (do nascimento até 1 ano)
Fase Oral (do nascimento até 1 ano)
Abrange aproximadamente o primeiro ano de vida e
normalmente é um ano consagrado à preensão: tomada
de alimentos mas também tomada de conhecimentos em
sentido lato.
A zona erógena prevalente ou fonte pulsional é a zona bucolabial.
O objecto pulsional é representado pelo seio ou o seu substituto.
Nesta época, a função alimentar serve de mediador principal da
relação simbiótica mãe-criança e muito rapidamente o prazer oral
vem apoiar-se sobre a alimentação.
O alvo pulsional é duplo: por um lado um prazer auto-erótico por
estimulação da zona erógena oral e por outro lado um desejo de
incorporação dos objectos.
Fase Anal (entre 1 e 3 anos)
Fase Anal (entre 1 e 3 anos)
É um ano consagrado ao controlo ou ao domínio (pulsão de
domínio).
A zona erógena prevalente ou fonte pulsional é a mucosa
anorrectal, ou mesmo todas as funções digestivas. Nesta
fase, trata-se quer de conservar os objetos passados para o
interior de si quer de os expulsar após destruição.
O objecto pulsional, todavia, é relativamente complexo, porque
não pode ser reduzido ao bolo fecal, funcionando a mãe e,
nesta altura, igualmente o meio envolvente em geral, como
um objeto parcial a dominar e a manipular.
O alvo pulsional é duplo: por um lado, um prazer auto-erótico
por estimulação desta zona erógena, por outro, uma procura
de pressão relacional sobre os objectos e as pessoas que
começam a diferenciar-se.
Desenvolvimento das instâncias do aparelho mental no
transcurso do desenvolvimento psicossexual
No início, o bebé é quase exclusivamente id. Os bebés
preocupam-se com o conforto do corpo, e tentam descarregar
todas as tensões o mais rapidamente possível.
A génese do ego faz-se progressivamente a partir do id e está
ligada ao desenvolvimento pulsional que lhe condiciona os
estádios.
Na fase anal, o ego está definitivamente formado e começa a
consolidar-se. Face ao envolvimento humano, conseguiu
estabelecer activamente relações diferenciadas. Face ao id,
tornou-se capaz de atrasar a satisfação das pulsões e de afastar
algumas.
Como as resistências à satisfação pulsional não existem na fase
oral, o ego esboçou-se na espera e graças ao contraste satisfação-
privação.
Fase uretral ou fálica (3 aos 5 anos)
Fase uretral ou fálica (3 aos 5 anos)
Centra-se em torno de uma temática ligada à ausência ou à
presença do pénis. Abrange aproximadamente o terceiro ano de
vida e é de alguma forma um período de afirmação de si próprio.
A zona erógena prevalecente ou fonte pulsional é a uretra com o
duplo prazer da micção e da retenção.
É nesta fase que se manifesta a curiosidade sexual infantil. A
criança toma consciência da diferença anatómica dos sexos, ou
seja, da presença ou da ausência de pénis. A rapariga vai
manifestar a sua inveja do pénis.
As angústias específicas desta fase são evidentemente angústias de
castração ou mais exactamente, de “mutilação peniana”.
ÉDIPO
O complexo de Édipo ocupa um lugar de relevo na teoria
psicanalítica.
O complexo de Édipo é: “O conjunto organizado de desejos
amorosos e hostis que a criança sente relativamente aos pais.
Sob uma forma positiva, o complexo de édipo apresenta-se
como a história de Édipo Rei, desejo da morte desse rival que é a
personagem do mesmo sexo, desejo sexual pela personagem do
sexo oposto. Sob a forma negativa, apresenta-se ao inverso:
amor pelo progenitor do mesmo sexo e ódio ciumento pelo
progenitor do sexo oposto”.
O complexo de Édipo e a angustia de castração são vividos no
seu auge entre os 3 e os 5 anos, durante a fase fálica.
ÉDIPO
Ópera Stravinsky
ÉDIPO - Sófocles
•Monte Citerão, entre Tebas e Corinto. Com os pés amarrados, um bebê tebano deve ser deixado ali
para morrer. Por piedade, um pastor coríntio consegue levá-lo para sua cidade, onde será adotado
pelo rei Pólibo. Muitos anos depois, consultando o oráculo de Delfos para esclarecer uma dúvida
sobre sua origem, o jovem, de nome Édipo, é atingido por uma terrível profecia: seu destino é matar
o pai e desposar a própria mãe. A fim de evitar o desastre, Édipo abandona Corinto. Em suas
andanças, encontra um velho homem, com quem discute em uma encruzilhada. Encolerizado, mata o
viajante e quase toda sua comitiva (um só homem escapa). Seguindo sem rumo, chega às portas de
Tebas, onde a Esfinge propõe-lhe um enigma. Se errar, morrerá. A resposta de Édipo salva a sua vida
e a da cidade. Como dupla recompensa, recebe de Creonte – irmão da rainha e até então regente de
Tebas – o título de rei e a mão de Jocasta, viúva de Laio, o rei assassinado misteriosamente.
•Passam-se mais de quinze anos. Uma peste terrível assola a cidade. Após consulta ao oráculo de
Delfos, Creonte diz ao rei que, para livrar a cidade do flagelo, é preciso encontrar e punir o assassino
de Laio. Édipo diz aos tebanos que o criminoso, banido, será maldito para sempre. O cego Tirésias,
chamado para ajudar nas investigações, diz a Édipo que o assassino está mais perto do que ele
imagina. O rei se lembra então da antiga profecia que o fez sair de Corinto e teme ter fracassado na
tentativa de se opor ao seu destino. Nesse ínterim, chega um mensageiro de Corinto noticiando a
morte de Políbio, de quem Édipo não era filho legítimo, conforme se vem a saber. Quase ao mesmo
tempo, aparece o homem que compunha a comitiva de Laio no dia em que este foi morto. Trata-se
do mesmo pastor que abandonou o bebê no monte Citerão. Aquela criança está agora diante dele: é
o rei de Tebas. Tudo se revela: Édipo matara seu verdadeiro pai (Laio) e desposara sua mãe (Jocasta).
•A rainha suicida-se e Édipo fura os próprios olhos. Cego, Édipo decide abandonar a cidade. Seguindo
a sugestão de Creonte, porém, permanece por mais algum tempo em Tebas. Testemunhando a luta
de seus dois filhos pelo poder, amaldiçoa-os e torna-se novamente andarilho; sua filha Antígona guia-
o. Ao aproximar-se dos bosques de Colono, pressente que logo morrerá. A terra que o acolhe se
torna sagrada.
No complexo de édipo, não é o instinto sexual mas o amor que
ocupa o primeiro plano. Os elementos sensuais ou corporais da
líbido são mais ou menos recalcados (o menino está apaixonado
pela mãe e por ciúme detesta o pai). O rapaz não manifesta os
mesmos sentimentos de ternura em relação ao pai.
Por vezes, os rapazes mostram muita ternura em relação ao pai. É
o que Freud chama ambivalência, ou seja a coexistência de
atitudes sentimentais opostas, amigáveis e hostis (amor/ ódio,
ternura/antipatia) para com a mesma pessoa.
A atitude da rapariga é, com algumas alterações (afasta-se menos
da mãe do que o rapaz do pai), absolutamente idêntica.
O complexo de Édipo e o modo como ele é recalcado
determinam a evolução sentimental e moral do homem
normal, bem como os sentimentos de culpa e os
remorsos de uma parte dos neuróticos.
“O complexo de édipo pode ser considerado como o
centro das neuroses”.
Nas suas escolhas amorosas da idade adulta, o
indivíduo procurará, mais ou menos, reencontrar a
relação amorosa infantil com o pai ou com a mãe.
O super-ego é a terceira instância do aparelho
psíquico, cujo aparecimento é o mais tardio.
A modificação do ego prepara o nascimento do super-
ego, produz-se no estádio do complexo de Édipo.
No conjunto, a criança desenvolve-se passando do
princípio do prazer para o princípio de um prazer
moderado pelo da realidade; a sua personalidade
forma-se em direção a uma socialização progressiva,
cujo mecanismo essencial consiste num jogo de
múltiplas e sucessivas identificações.
O período de latência
(dos 5 anos até ao início da puberdade)
O período de latência
(dos 5 anos até ao início da puberdade)
Assiste-se também a uma dessexualização progressiva
dos pensamentos e dos comportamentos graças a todo
um trabalho de recalcamento que permite sublimações
(Mecanismo de Sublimação).
Estas, deslocando os alvos pulsionais para objectos mais
socializados, dão lugar a uma disponibilidade das crianças
para as aprendizagens pedagógicas.
Exemplo:
H. R. Giger
• At the age of 6, the young Hans Rudolf Giger (H. R. to his fans,
Hans Ruedi to his friends) was dragging a skull through the
streets of his native Zurich. His fascination and fixation with
what lies beneath the skin became a formative component
into his evolution as arguably the last great surrealist master.
• Giger's "biomechanical" style was born out of his experience
of night terrors and the art therapy in which he partook to
combat this sleeping disorder. It is fair to say that he has been
responsible in his own way for disrupting the sleep of others.
• Other boys played with toy cars but Giger could usually be
seen dragging a skull on wheels behind him; he constructed
ghost trains in the back garden.
A partir da fase de latência, o homem encontra-se confrontado
com a tarefa de desligar-se dos pais. O filho deve desligar-se da
mãe, para fazer incidir os seus desejos sobre objetos exteriores e
reconciliar-se com o pai.
Os neuróticos são aqueles que falham nesta missão: o filho que
não consegue libertar-se da autoridade do pai; a rapariga ligada à
família durante demasiado tempo.
Do complexo de édipo vai resultar, ainda, um facto de extrema
importância: a criação do eu ideal (super ego), isto é, a
consciência moral.
Para além do eu real, existe em cada um de nós o eu ideal, que
julga a impõe obrigações.
Primeiramente, a criança receia o castigo e mais tarde
o seu eu ideal terá medo da falta.
O processo que permite a passagem à moralidade está,
portanto, ligado à identificação com os pais (a criança
interioriza a lei dos pais).
De um modo geral, a vida sexual das crianças está cheia
de deceções e frustrações: a sua ligação à mãe ou ao
pai está sempre comprometida pelo ciúme, quer em
relação a um deles quer em relação a um irmão.
Ao crescer, a criança descobre que há outros ídolos
para além dos pais, o professor ou um amigo.
Para Freud, o eu ideal só é possível em consequência
do recalcamento do complexo de édipo.
Libertando-se desse complexo a criança identifica-se
com os pais e integra em si as leis morais que os pais
anteriormente a obrigaram a seguir.
Primitivamente amoral, a criança capta primeiramente
a moralidade, as normas de conduta, como ligadas às
recompensas e castigos, que para a criança equivalem
a uma dádiva ou recusa de afeto.
FREUD começou a ver a neurose não apenas em termos do
trauma em si, mas como resultado de conflito inconsciente.
No cerne deste conflito estavam fantasias derivadas dos
instintos relacionados com a sexualidade: o desejo edipiano
do rapaz de possuir a sua mãe, em conflito com o medo da
retaliação possessiva do seu pai.
O livro Três Ensaios sabre a Teoria da Sexualidade (The Three
Essays on the Theory of Sexuality, 1905) destaca a
importância central da sexualidade infantil e o papel da
experiência corporal no início do desenvolvimento da
personalidade, o que se tornou num dos pilares do
pensamento psicanalítico.
Genital (adolescência)
Genital (adolescência)
Não se pode falar de fase ou período, mas antes de uma
crise que vem encerrar subitamente o período de
latência.
Assiste-se a uma emergência pulsional maciça que vem
desequilibrar as relações entre as instâncias
intrapsiquicas. O Ego sente-se invadido por uma
angustia pulsional face à qual terá que se defender.
É no final da adolescência que a escolha do objecto
sexual se vai encontrar definitivamente fixada.
Freud’s Psychosexual Theory and 5 Stages of Human Development
Freud's Stages of Human Development: 5 Psychosexual Stages
([Link])
Fases do Desenvolvimento Psicossexual (Sigmund Freud) - LEGENDADO
– PT [Link]
PSICANÁLISE - Complexo de Édipo e as Fases Psicossexuais
[Link]
Avaliação crítica da teoria psicanalítica de Freud
Principais contributos:
A observação detalhada de todos os aspetos do comportamento humano
(sobretudo os aspetos não conscientes), tentando abarcar toda a sua
complexidade, nomeadamente, ao valorizar o facto de vários
comportamentos poderem ter diferentes causas e as mesmas motivações
poderem conduzir a diferentes comportamentos.
O uso de novas técnicas, tais como a associação livre o a interpretação de
sonhos, bem como o desenvolvimento de novos métodos de avaliação, as
Técnicas Projectivas.
Principais limitações:
Ambiguidade de alguns conceitos propostos por esta teoria:
- uns são demasiado metafóricos;
- outros foram retirados de observações clínicas, pelo que são demasiado
específicos,
- outros são meramente descritivos, dificultando a sua aplicação prática.
• Vídeo:
Psicoanálise: História da Psicoanálise (13’’)
• [Link]
• [Link]
• Documentary on Sigmund Freud (Part 1 of 3)
• [Link]
• [Link]
• [Link]
Unidade Curricular Modelos
Psicodinâmicos,
Comportamentalistas e
Cognitivistas 1ª Aula
LICENCIATURA EM PSICOLOGIA
1º Ano, 1º Semestre
2025/26
Vai mais à frente
Professora Maria Rita Albergaria ([Link]@[Link]);
Professora Patrícia César ([Link]@[Link]);
Professora Marta Reis
Faculdade de Ciências da Saúde
1º ANO - 7ª SEMANA (ou seja, semana de 27 DE OUT) - PBL da UC de Neurociências ou de Psic. Cognitiva
15ª SEMANA (ou seja, semana de 15 DE DEZ) - PBL
3
4
Formato da Unidade Curricular:
• Ano lectivo: 2025/2026
• 1º Semestre
• Carga lectiva semanal:
- 2h de aulas teóricas
- 2h de aulas teórico-práticas
• 3 Docentes:
Maria Rita Albergaria & Patrícia César & Marta Reis
Avaliação:
Avaliação Contínua:
- 2 testes (30%+30%);
- CBL – Challenge-Based Learning (30%)
- Atitudes (10%)
• Requisitos: Assiduidade mínima 70%
Avaliação Final:
• Exame Final escrito avaliando o conhecimento
acerca da totalidade da matéria e aplicação da
mesma (100% prova escrita).
Data de testes:
TESTE I
• Conteúdos Programáticos relativos aos Modelos Psicodinâmicos
Turma D01 - 13.10.2025 (2F);
Turma D02 - 14.10.2025 (3F);
Turma D03 e D04 - 15.10.2025 (4F).
8
Objetivos gerais e específicos da Unidade Curricular:
• Objetivos gerais:
– Desenvolver competências e conhecimentos nos domínios dos
modelos conceptuais da Psicologia, pesquisa bibliográfica, leitura e
análise crítica de documentos.
• Objetivos específicos:
– Permitir a aquisição de conceitos relativamente aos modelos
psicodinâmicos, comportamentalistas e cognitivistas;
– Possibilitar a confrontação do estudante com a pluralidade de
discursos no âmbito dos modelos teóricos considerados;
– Explorar e compreender as implicações das diferentes abordagens
teóricas na análise e intervenção psicológica;
– Desenvolver atitudes e competências favoráveis à reflexão crítica de
diferentes conceptualizações da prática da Psicologia.
Conteúdos Programáticos da UC:
• 1. Modelos Psicodinâmicos:
- Condições históricas e científicas da emergência do
paradigma psicodinâmico;
- Psicanálise (conceitos, pressupostos e implicações
para a prática);
- Críticas ao modelo.
Bibliografia:
Modelos Psicodinâmicos:
• Berzoff, J., Flanagan, L.M., & Hertz, P. (2011). Inside Out and
Outside In: Psychodynamic Clinical Theory, Practice, and
Psychopathology in Multicultural Contexts (2nd edition). Lanham,
MD: Jason Aronson.
• Brenner, C. (1973). Noções Básicas de Psicanálise de Introdução à
Psicologia Psicanalítica (5ª Edição). Imago Editora Limitada.
• Freud, S. (2000, 2001). Textos Essenciais de Psicanálise, Vol. I, II e
III. Lisboa: Biblioteca Universitária, Publicações Europa-América.
• Matos, A.C. (2016). Psicanálise e Psicoterapia Psicanalítica (2ª
Edição). Lisboa: Climepsi Editores.
• Greenberg, J.R., & Mitchell, S.A. (2003). Relações de Objecto na
Teoria Psicanalítica. Lisboa: Climepsi Editores.
Conteúdos Programáticos da UC:
• 2. Modelo comportamentalista:
- Condições históricas e científicas da emergência do
paradigma behaviorista;
- Condicionamento clássico e condicionamento
operante (conceitos, pressupostos e implicações para
a prática);
- Modelo da aprendizagem social (conceitos,
pressupostos e implicações para a prática);
- Críticas ao modelo.
Conteúdos Programáticos da UC:
• 3. Modelo cognitivista (1ª, 2ª e 3ª geração):
- Condições históricas e científicas da emergência do
paradigma cognitivista;
- Conceitos básicos (tríade cognitiva, esquemas, crenças e
pensamentos; pensamentos automáticos e distorções
cognitivas);
- Principais técnicas cognitivistas tradicionais (relação entre
pensamentos e emoções; identificação de distorções
cognitivas; diálogo socrático, reestruturação cognitiva);
- Terapia focada nos esquemas, técnicas de
processamento emocional e ACT.
Bibliografia:
Modelos Comportamentalistas e Cognitivos:
•Beck, J.S. (1997). Terapia Cognitiva: Teoria e Prática. S. Paulo: Artmed Editora, S.A.
•Beck, A., Rush, A., Shaw, B., & Emery, G. (1997). Terapia Cognitiva da Depressão. S. Paulo: Artmed
Editora, S.A.
•Branch, R. & R. Willson (2010). Cognitive Behavioural Therapy For Dummies. John Wiley & Sons.
•Dobson, K. S. (2010). Handbook of Cognitive-Behavioral Therapies (3nd edition). New York: The
Guilford Press
•Gonçalves, O. (1993). Terapias cognitivas: teoria e prática. Porto: Edições Afrontamento.
•Gonçalves, O. (1999). Introdução às psicoterapias comportamentais. Coimbra: Quarteto Editora.
•Hayes, S., Follette, V., & Linehan, M. (2004). Mindfulness and acceptance: expanding the
cognitive-behavioral tradition. New York: Guilford Press
•Leahy, R. (Ed.). (2004). Contemporary cognitive therapy: Theory, research and practice. New York:
Guilford Press.
•Moniz-Joyce, L. (2005). A modificação do Comportamento: Teoria e Prática da Psicoterapia e
Psicopedagogia Comportamentais (5ª Edição). Lisboa: Livros Horizonte.
Reflexão
• Motivação para Psicologia? (breve descrição)
• Quem teve Psicologia no Ensino Secundário?
Modelos Psicodinâmicos?
Freud?
My first wordcloud - Mentimeter
Modelos Psicodinâmicos?
Freud? Hipnose? Psicanálise?
“Freud foi o primeiro a libertar a palavra, a permitir que se falasse
desassombradamente de amor ou de sexualidade, de angústia ou de desejo” (Godart,
2021) através da “cura pela palavra”
“Também foi responsável por uma mudança (...) nas atitudes para com as doenças
mentais. Às pessoas que, em tempos, teriam sido ostracizadas e vistas como indivíduos
fisicamente danificados, moralmente degenerados ou até agentes do demónio, Freud
ofereceu a possibilidade de encontrarem as causas das suas perturbações psicológicas e de
as tratarem” (Smith, 2017)
Psicanálise
VIDA E OBRA DE SIGMUND FREUD
Sigismund Schlomo Freud
(6 de maio de 1856 — 23 de setembro de 1939)
- Nasceu numa família judaica, em Freiburg
(Moravia), atual República Checa;
- Mudou-se para Viena quando Freud tinha 4 anos;
- Ingressou na Universidade de Medicina, em Viena
em 1873, aos 17 anos;
- Nas décadas de 1880/1890 Freud fixa-se como
neurologista de renome.
Psicanálise - “genealogia de Freud”
“a minha professora no que diz
Jakob Amália respeito à sexualidade, que me
ralhava porque eu era desajeitado,
não sabia fazer nada … além disto,
lavava-me com uma água
avermelhada em que se tinha
lavado antes”.
Ama
Philip Anna
Freud Martha
1856-19398 1861-1951
Anna
Freud suspeita que a sua irmã foi “implantada no útero
de Amália” por Philip - meio-irmão de Freud
Breve história da psicanálise freudiana
Fase pré-analítica: Freud
• Reconhecido neurologista e neuroanatomista;
– Dificuldades de expansão na vertente universitária - devido ao
anti-semitismo;
• Conhecimento de muitos pacientes com sintomas de neurose
histérica (e.g., paralisias sem causa fisiológica clara), que enchiam
as salas dos consultórios médicos.
– Na comunidade médica Vienense a histeria era como concebida algo
simulado e/ou associado apenas às mulheres;
20
Breve história da psicanálise freudiana
Fase pré-analítica: Amizades que contribuíram para o nascimento da
Psicanálise
NEUROSE HISTÉRICA
JEAN-MARTIN CHARCOT JOSEF BREUER
Histeria sem causa anatómica - MÉTODO CATÁRTICO
contudo não era algo simulado nem
exclusivo ao sexo feminino; Hipnose como forma de
Introduziu a hipnose a Freud porém: tratamento da histeria
Utilizava a hipnose para examinar
sintomas da histeria, não para tratá-la.
Sob hipnose, ao falar sobre o
Sugestão hipnótica como forma de acontecimento traumático,
eliminar sintomas e induzi-los.
Breve história da psicanálise freudiana
Fase pré-analítica: Amizades que contribuíram para o nascimento da Psicanálise
BREUER
Paciente “Anna O.” (cuidadora do pai com tuberculose)
Anna O. com perturbação histérica (sintomas: paralisia, episódios de confusão
mental, alucinações e perturbações do sono)
DESCOBERTA - Método Catártico
• Histeria era resultado do “recalcamento” de acontecimentos penosos da vida
da pessoa
Anna O., sob hipnose, descrevia o acontecimento associado ao sintoma (por
exemplo, às alucinações) “com todo o detalhe possível, verbalizando o afeto associado” e
expressava alívio emocional e os sintomas histéricos dissipavam-se.
Ou seja, através desta expressão verbal o sofrimento da paciente era atenuado
(ab-reação)
• Ab-reação = descarga emocional - ocorre quando a pessoa revive a
experiência traumática reprimida, muitas vezes acompanhada de emoções
como choro, raiva, etc. - efeito terapêutico
• Método catártico tinha como resultado o alívio dos sintomas histéricos, pois
estes eram entendidos como resultado de afetos não descarregados no
momento do trauma.
• 22
FREUD começou a colaborar com BREUER (Studies in Hysteria,OBREUER e FREUD, 1895),
baseado em treze casos deste tipo.
1. Modelos psicanalíticos ou
psicodinâmicos em psicoterapia
1.1 Breve história da psicanálise freudiana
Fase pré-analítica
• Freud defrontou-se com uma série de problemas com
a hipnose:
• I) nem todos os pacientes eram susceptíveis de
hipnotizar;
• II) constatou desvantagens quanto à ideia de
“sugestão” hipnótica, sentindo que acentuava
excessivamente o papel do médico e comprometia a
autonomia do paciente;
• III) observou, em primeira mão, o fenómeno da
transferência, quando a paciente de BREUER, ao
acordar de um transe, lançou-se apaixonadamente
para os braços do seu médico.
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