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Tromboembolismo Pulmonar: 1. Risco de Morte

Tromboembolismo pulmonar

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Tromboembolismo Pulmonar

TEP = obstrução da artéria pulmonar ou seus ramos por material que se originou em outra parte
do corpo.
Geralmente é um trombo vindo das veias profundas de membros inferiores. Pode ser de veias
proximais dos membros inferiores, ilíaca, femoral, poplíteas, e outras.

O TEP é classificado por:

1. Risco de morte

●​ Baixo
●​ Intermediário (baixo / alto)
●​ Alto

2. Padrão temporal

●​ Agudo
●​ Subagudo
●​ Crônico

3. Localização anatômica

●​ Em sela
●​ Principal
●​ Lobar
●​ Segmentar ou subsegmentar​

FATORES DE RISCO

ADQUIRIDOS:

●​ cirurgia
●​ imobilizações
●​ traumas
●​ idade >65 anos
●​ tabagismo
●​ obesidade
●​ doenças cardiovasculares
●​ neoplasias
●​ terapias hormonais
●​ doença renal, covid-19
●​ SOP
●​ gravidez

HEREDITÁRIAS:

●​ Fator V Leiden
●​ deficiência de proteína C, S, E ANTITROMBINA

Resposta fisiopatológica ao tromboembolismo pulmonar (TEP)

Quando um trombo (geralmente originado do sistema venoso profundo) chega às artérias


pulmonares, desencadeia uma série de alterações estruturais, hemodinâmicas e inflamatórias.

1.​ Ocorre redução do fluxo sanguíneo por obstrução:


-​ não há perfusão →espaço morto → dispneia
2.​ Inflamação pulmonar:
-​ o trombo desencadeia isso, ativa macrofagos e neutrófilos
-​ mediadores inflamatórios
-​ aumento da permeabilidade vascular → edema
3.​ Inflamação Pleural
-​ inflamação, que gera dor pleurítica: dor ventilatório dependente, aguda e localizada.
4.​ Hipoxemia - devido a vasoconstrição , alteração V/Q
5.​ Atelectasia - alvéolos colapsados, sem funcionar, perde função, e não participa da troca
gasosa. Geralmente ocorre por bloqueio, muco, tumor ,etc.
-​ O ar que está dentro dos alvéolos é gradualmente reabsorvido pelo sangue, mas como não
há reposição porque a via aérea está bloqueada, o alvéolo murcha e colapsa.

→ Compressão (atelectasia compressiva)


Acontece quando algo ocupa espaço no tórax e comprime o pulmão, como:

●​ Derrame pleural (líquido)


●​ Pneumotórax (ar)
●​ Hemotórax (sangue)
●​ Tumores volumosos

🔍 Mecanismo:​
A pressão externa empurra os alvéolos, impedindo a sua expansão.
O QUE TEP RESULTA NO CORAÇÃO

→ artéria pulmonar obstruída → aumenta resistência → VD faz força → dilata →


falha

SOBRECARGA DO VD NO TEP

1. Tudo começa com a obstrução da artéria pulmonar

Quando o trombo chega ao pulmão, ele tampa parte da circulação pulmonar.​


Isso causa:

●​ Menos área para o sangue passar


●​ Aumento brusco da pressão na artéria pulmonar
●​ “Estrangulamento” da via de saída do ventrículo direito

resulta: Aumento da resistência vascular pulmonar

2) O VD cardíaco não foi feito para trabalhar com pressão alta

O ventrículo direito é uma câmara “frágil”:

●​ Parede fina
●​ Baixa força
●​ Foi feito para bombear sangue a baixa pressão

Quando a artéria pulmonar fica “fechada”, o VD tem que bombear contra uma parede
— e ele começa a falhar.

resulta: Sobrecarga de VD→ Retificação do septo interventricular. VD > VE

Isso significa:

●​ O VD dilata
●​ Pressiona o septo interventricular
●​ O septo “entorta” para dentro do VE
●​ O Ventrículo Esquerdo fica comprimido

3) O que acontece a seguir? Consequências em cadeia


Redução da pré-carga do VE​
Redução do débito cardíaco​
Hipotensão e choque (obstrutivo)

✨ Tradução:​
Quando o VD dilata e empurra o septo, o ventrículo esquerdo recebe menos sangue →
bombeia menos → pressão cai → choque. Por isso o TEP é uma emergência.

Isso leva a:

1.​ Sobrecarga do VD
2.​ Dilatação do VD
3.​ Retificação do septo
4.​ Menos enchimento do VE
5.​ Queda do débito cardíaco
6.​ Hipotensão / choque

DIAGNÓSTICO PARA TEP

O diagnóstico de TEP é probabilístico: primeiro estima-se a probabilidade clínica, depois


confirmam-se exames.

A. Probabilidade clínica

Os escores mais usados:

●​ Wells
●​ Genebra revisado

Eles classificam o paciente em baixa / intermediária / alta probabilidade.

B. D-dímero: Indicado quando a probabilidade clínica é baixa ou intermediária.

●​ Normal → praticamente exclui TEP (alto VPN).


●​ Elevado → não confirma; exige exame de imagem. Angio-TC

Exames de imagem

●​ Angiotomografia Computadorizada de Artérias Pulmonares (Angio-TC) → exame


mais utilizado.
-​ OBS: A arteriografia pulmonar foi historicamente o padrão-ouro, mas é
extremamente invasiva e raramente utilizada. Na prática clínica, a Angio-TC é o
exame padrão.
●​ Cintilografia ventilação/perfusão (V/Q) → opção quando o paciente não pode receber
contraste.
●​ USG Doppler de membros inferiores → útil se suspeita de TVP.

PASSOS PARA DIAGNÓSTICO DE TE


🔹 Paciente ESTÁVEL:
1.​ Aplica Wells ou Genebra
2.​ Se baixa/intermediária probabilidade → pedir D-dímero
3.​ Se alta probabilidade → ir direto para Angio-TC

🔹 Paciente INSTÁVEL:
❌ Não usa Wells nem Genebra​
➡️ Avaliação e tratamento simultâneos
1.​PASSO 1 : ESCOLHA OPÇÃO DOS SCORES

●​ Escore de Wells (clássico na Escore de Genebra Revisado


prática clínica)
Pontuação:
●​ TVP SINTOMAS - Inchaço, dor à palpação→ 3
pontos ●​ Idade 60–79 anos: 1 ponto | ≥ 80 anos: **2
●​ Embolia pulmonar→ 3 pontos ●​ Cirurgia/fratura ≤ 1 mês: 2
●​ FC > 100 bpm → 1,5 ponto ●​ TVP/TEP prévia: 3
●​ Imobilização ≥ 3 dias ou cirurgia recente (≤ 4 ●​ Hemoptise: 2
semanas)1,5 ponto ●​ Câncer ativo: 2
●​ História prévia de TVP/TEP → 1,5 ponto ●​ FC 75–94: 3 | ≥ 95: 5
●​ Hemoptise → 1 ponto ●​ Dor unilateral de panturrilha: 3
●​ Câncer ativo → 1 ponto ●​ Dor à palpação/edema unilateral: 4

Interpretação (versão 3 categorias): Categorias:

●​ Baixa probabilidade: ≤ 1 ponto ●​ Baixa: 0–3


●​ Moderado: 2–6 pontos ●​ Intermediária: 4–10
●​ Alta: ≥ 6 pontos ●​ Alta: ≥ 11

Interpretação (versão 2 categorias):

●​ TEP improvável: ≤ 4
●​ TEP provável: > 4

PASSO 2: O que fazer após definir a probabilidade clínica?


-​ verificar pelo score
1.​ Probabilidade BAIXA
-​ PERC = Pulmonary Embolism Rule-Out Criteria
-​ É uma regra clínica para descartar TEP sem precisar de NENHUM exame, mas
somente quando a probabilidade pré-teste é baixa.

O objetivo do PERC é dizer:​


“Se o paciente é de baixo risco E preenche TODOS os critérios, o risco de TEP é tão
baixo que podemos encerrar a investigação.”

-​ não usar PERC em gestantes, paciente hospitalizado

✔️ Sem D-dímero​
Ou seja:​

✔️ Sem angio-TC​
✔️ Sem radiação​
✔️ Sem contraste
TABELA PERC

O paciente precisa ser PERC-negativo (ou seja, cumprir


TODOS os critérios) para descartar TEP.

Os 8 critérios são:

1️⃣ Idade < 50 anos​


2️⃣ FC < 100 bpm​
3️⃣ Saturação ≥ 95% em ar ambiente​
4️⃣ sem hemoptise​
5️⃣ Nenhuma cirurgia ou trauma significativo nas últimas 4
semanas​
6️⃣ Nenhuma trombose venosa profunda ou TEP anterior​
7️⃣ sem uso de estrogênio (pílula combinada, reposição
hormonal)​
8️⃣ sem sinal clínico de TVP no exame físico

📌
→ Se todos forem negativos → TEP descartado.
Se qualquer um for positivo → precisa fazer D-dímero.

2.​ INTERMEDIÁRIA ou moderado

➡ ️Solicitar. D-dímero.

RESULTADO: D-dímero normal → exclui TEP

positivo ? não significa que é TEP. significar que tem chance de ter trombo! solicita
ANGIO-TC específica TEP!

3. Probabilidade ALTA → Angio-TC direto

📌
-​ D-dímero positivo → Angio-TC do tórax
-​ D-dímero negativo → descarta TEP (em pacientes estáveis)

Por quê?​
Porque no paciente que tem vários sinais, sintomas e fatores de risco, a chance pré-teste já
é tão grande que:

●​ O D-dímero não ajuda, pois ele frequentemente dá positivo por outras causas.
●​ O risco de perder o diagnóstico é maior que o benefício de testes anteriores.

TRATAMENTO PARA TEP


Quando o TEP é confirmado, o tratamento depende principalmente de duas coisas:

-​ O tratamento depende do RISCO DE MORTE, que é determinado basicamente


por:

1️⃣ Instabilidade hemodinâmica​


2️⃣ Disfunção do ventrículo direito (VD)​
3️⃣ Biomarcadores positivos (troponina e BNP)
1.​ TEP DE ALTO RISCO
-​ paciente instável
-​ PA < 90 mmHg baixa, devido a sobrecarga do VD
-​ ocorre choque, pele fria, rebaixamento, oligúria

TRATAMENTO DO TEP DE ALTO RISCO


1. TROMBÓLISE SISTÊMICA (tratamento padrão)

Exemplos:

●​ Alteplase (tPA) 100 mg em 2 h


●​ Tenecteplase
●​ Estreptoquinase
●​ Heparina logo após para evitar coagulacao

Por que trombolisar? Porque o risco de morte é alto e só a trombólise dissolve rapidamente o
trombo.

Exemplo clínico:

Paciente 55 anos, Angio-TC positiva para TEP em artéria principal, PA 80×40,


sudorese fria, confusão mental.​
Conduta: iniciar trombólise imediatamente.

2) TEP DE RISCO INTERMEDIÁRIO (SUBMASSIVO)

Situação: paciente estável, porém VD está sofrendo.

Características:

●​ PA normal
●​ MAS:
○​ BNP alto ou Troponina alta
○​ Eco com VD dilatado
○​ Sinal de McConnell
○​ TAC mostrando aumento do VD

📌 Aqui o paciente não está em choque, mas tem risco de piorar.


TRATAMENTO DO TEP INTERMEDIÁRIO

1. Anticoagulação plena (base do tratamento)

●​ Enoxaparina
●​ Heparina não fracionada
●​ DOACs (rivaroxabana/apixabana/dabigatrana)

2. Monitorização em unidade intermediária

Porque ele pode descompensar e virar "alto risco".

3. Trombólise NÃO é rotina! Só fazer se houver:

●​ Piora hemodinâmica
●​ Choque iminente

Exemplo clínico:

Homem de 45 anos, dispneia súbita, TAC mostra TEP lobar, eco com VD dilatado, PA
120×70.​
Conduta: anticoagular + monitorizar.​
Sem trombólise por enquanto.

3) TEP DE BAIXO RISCO - o que mais ocorre!


Situação: paciente estável e sem sofrimento do VD.

Critérios:

●​ PA normal
●​ Troponina normal
●​ BNP normal
●​ Eco normal

TRATAMENTO DO TEP DE BAIXO RISCO

1. Anticoagulação (único tratamento necessário)

Opções: Heparinas

●​ Enoxaparina (1 mg/kg 12/12h)


●​ Heparina não fracionada (preferida se risco de sangramento)

Anticoagulantes Orais Diretos (DOACs)

●​ Rivaroxabana
●​ Apixabana
●​ Dabigatrana

2. Alta precoce / tratamento ambulatorial

Alguns pacientes podem até ser tratados em casa.

Exemplo:

Mulher 30 anos, TEP segmentar, estável, exames normais.​


→ Anticoagulação com rivaroxabana​
→ Alta com retorno ambulatorial

4) TEMPO DO TRATAMENTO

Depende da causa:

✔️ TEP provocado por causa transitória


(ex.: cirurgia, imobilização, trauma)​
→ 3 meses

✔️ TEP sem causa identificada (idiopático)


→ ≥ 6 meses​
(alguns casos → anticoagulação prolongada)

✔️ TEP recorrente ou trombofilia grave


→ tratamento indefinido

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