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ATUALIDADE

O documento aborda a pirataria como crime no Brasil, destacando as penas previstas no Código Penal. Além disso, apresenta atualidades políticas e sociais, como a presidência do Brasil no BRICS em 2025, a reeleição de Donald Trump e suas políticas, incêndios florestais na Califórnia e a prisão do presidente sul-coreano Yoon Suk-yeol, refletindo sobre suas implicações geopolíticas e ambientais.

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Rozenir Pereira
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O documento aborda a pirataria como crime no Brasil, destacando as penas previstas no Código Penal. Além disso, apresenta atualidades políticas e sociais, como a presidência do Brasil no BRICS em 2025, a reeleição de Donald Trump e suas políticas, incêndios florestais na Califórnia e a prisão do presidente sul-coreano Yoon Suk-yeol, refletindo sobre suas implicações geopolíticas e ambientais.

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TJ-SP

Tribunal de Justiça de São Paulo

Escrevente Técnico Judiciário

Atualidades
PIRATARIA
É CRIME!
Todos os direitos autorais deste material são reservados e
protegidos pela Lei nº 9.610/1998. É proibida a reprodução parcial
ou total, por qualquer meio, sem autorização prévia expressa por
escrito da Nova Concursos.

Pirataria é crime e está previsto no art. 184 do Código Penal,


com pena de até quatro anos de prisão, além do pagamento
de multa. Já para aquele que compra o produto pirateado
sabendo desta qualidade, pratica o delito de receptação, punido
com pena de até um ano de prisão, além de multa (art. 180 do CP).

Não seja prejudicado com essa prática.


Denuncie aqui: sac@[Link]
SUMÁRIO

ATUALIDADES.........................................................................................................................5
QUESTÕES RELACIONADAS A FATOS POLÍTICOS, ECONÔMICOS, SOCIAIS E CULTURAIS,
NACIONAIS E INTERNACIONAIS, OCORRIDOS A PARTIR DO 1° SEMESTRE DE 2025,
DIVULGADOS NA MÍDIA LOCAL E/OU NACIONAL............................................................................. 5

ARTIGOS 1º AO 13; 34 AO 38 DA LEI N.º 13.146/2015.................................................................226

ESTATUTO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, COM AS ALTERAÇÕES VIGENTES ATÉ A PUBLICAÇÃO


DESTE EDITAL..................................................................................................................................................227
ATUALIDADES

QUESTÕES RELACIONADAS A FATOS POLÍTICOS, ECONÔMICOS,


SOCIAIS E CULTURAIS, NACIONAIS E INTERNACIONAIS, OCORRIDOS
A PARTIR DO 1° SEMESTRE DE 2025, DIVULGADOS NA MÍDIA LOCAL
E/OU NACIONAL

JANEIRO DE 2025

Mundo

z Brasil lidera o BRICS em 2025: uma agenda global de cooperação e desenvolvimento


sustentável1

A partir de 1º de janeiro de 2025, o Brasil assume a presidência do BRICS, um bloco que se


consolida como um dos principais atores da geopolítica mundial.
Com a recente expansão do grupo, que agora inclui Arábia Saudita, Egito, Emirados Ára-
bes Unidos, Etiópia e Irã, o BRICS se fortalece como um fórum de diálogo e cooperação entre
os países do Sul Global.
Sob o lema “fortalecendo a cooperação do Sul Global para uma governança mais inclusi-
va e sustentável”, a presidência brasileira se concentrará em duas prioridades principais: a
cooperação do Sul Global e as Parcerias BRICS para o Desenvolvimento Social, Econômico e
Ambiental.
Dentro desses eixos, o Brasil propõe seis áreas de foco:

„ Cooperação em saúde global: fortalecer a colaboração entre os países do BRICS para


garantir o acesso a medicamentos e vacinas, além de lançar a Parceria BRICS para a Eli-
minação das Doenças Socialmente Determinadas e Doenças Tropicais Negligenciadas;
„ Comércio, investimentos e finanças: promover a reforma dos mercados financeiros,
explorar o uso de moedas locais e plataformas de pagamento alternativas e avançar na
Parceria para a Nova Revolução Industrial;
„ Mudança climática: liderar a adoção de uma agenda climática ambiciosa, com foco no
financiamento para a transição para uma economia de baixo carbono;
„ Governança da inteligência artificial: promover uma governança internacional
ATUALIDADES

inclusiva e responsável da IA, garantindo que seus benefícios sejam compartilhados


por todos;
„ Arquitetura multilateral de paz e segurança: defender a reforma do sistema multila-
teral de paz e segurança, com ênfase na resolução pacífica de conflitos;
„ Desenvolvimento institucional: aprimorar a estrutura e a coesão do BRICS.

1. BRASIL lança portal do BRICS 2025. Planalto, 2025. Disponível em: [Link] Acesso em: 1º
abr. 2025. 5
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A presidência brasileira prevê uma agenda intensa de reuniões, com mais de 100 encon-
tros de grupos de trabalho programados para os primeiros meses do ano. A Cúpula do BRICS,
que reunirá os líderes dos países membros, está prevista para julho, no Rio de Janeiro.

„ Panorama geopolítico: o BRICS no cenário global

A presidência brasileira do BRICS ocorre em um momento de grandes transformações no


cenário geopolítico global. A multipolaridade se fortalece, com o surgimento de novos polos
de poder e a crescente influência dos países do Sul Global.
O BRICS se destaca como um ator importante nesse contexto, defendendo uma ordem
internacional mais justa e equitativa. A expansão do grupo demonstra o crescente interesse
dos países em fortalecer a cooperação Sul-Sul e buscar alternativas aos modelos tradicionais
de governança global.
No entanto, o BRICS também enfrenta desafios, como a necessidade de conciliar os dife-
rentes interesses de seus membros e a crescente competição entre as grandes potências. A
capacidade do Brasil de liderar o grupo e promover uma agenda de cooperação e desenvol-
vimento sustentável será fundamental para o futuro do BRICS e para a construção de um
mundo mais justo e multipolar.

z O retorno de Trump e suas primeiras medidas: reflexos históricos e geopolíticos2

No dia 20 de janeiro de 2025, Donald Trump assumiu pela segunda vez a presidência dos
Estados Unidos, iniciando seu mandato com a assinatura de uma série de decretos que sina-
lizam uma guinada nas políticas internas e externas do país.
Entre as principais ações, destacam-se a saída dos EUA da Organização Mundial da Saúde
(OMS), o endurecimento das medidas contra a imigração ilegal, o perdão aos envolvidos na
invasão ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021 e a retomada da influência norte-americana
sobre o Canal do Panamá.

„ A reconfiguração da política externa e os paralelos históricos

A decisão de retirar os EUA da OMS reforça um movimento de afastamento de instituições


multilaterais, algo que já marcou a primeira administração Trump (2017–2021).
Historicamente, os EUA desempenharam um papel central na criação e no financiamento
de organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU), o Fundo Mone-
tário Internacional (FMI) e a própria OMS. No entanto, essa política começou a mudar com a
ascensão de uma visão mais nacionalista, em que o governo prioriza interesses internos em
detrimento de compromissos globais.
Esse isolamento estratégico não é novidade na história americana. No início do século XX,
por exemplo, os EUA se recusaram a aderir à Liga das Nações após a Primeira Guerra Mun-
dial, refletindo o sentimento isolacionista da época. Agora, a saída da OMS pode comprome-
ter a cooperação internacional no combate a pandemias e enfraquecer a liderança global dos
EUA no setor de saúde.

2. SANCHES, M. As primeiras medidas de Trump e os planos prioritários anunciados na posse. BBC News Brasil,
6 2025. Disponível em: [Link] Acesso em: 1º abr. 2025.
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„ Imigração: um tema central na política americana

A intensificação do combate à imigração ilegal reforça uma das principais bandeiras da


base eleitoral trumpista. Desde a sua primeira campanha, Trump fez da construção do muro
na fronteira com o México um símbolo de sua política migratória. Agora, sua nova administra-
ção retoma esse discurso, buscando ampliar restrições e endurecer medidas de deportação.
A questão migratória tem sido um dos grandes desafios da história americana. No século
XIX, a chegada massiva de imigrantes europeus gerou debates sobre identidade nacional e
competitividade no mercado de trabalho. No século XXI, a imigração latino-americana se
tornou um dos temas mais polarizadores da política dos EUA, refletindo tensões sociais e
desafios econômicos.

„ O perdão aos envolvidos na invasão ao Capitólio e seu impacto político

O perdão concedido aos presos envolvidos na invasão ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021


simboliza um dos momentos mais controversos da democracia americana.
A invasão do Congresso por apoiadores de Trump marcou a maior crise institucional do
país desde a Guerra Civil. A decisão de conceder anistia a esses indivíduos pode aprofundar a
divisão política e alimentar debates sobre o papel da Justiça e da segurança nacional.
Historicamente, a concessão de perdão presidencial tem sido usada para promover recon-
ciliação nacional. Após a Guerra Civil, por exemplo, o presidente Andrew Johnson concedeu
anistia a ex-confederados. No entanto, no caso de Trump, a medida pode ser interpretada
como um reforço ao discurso de que a invasão ao Capitólio foi uma reação legítima a supos-
tas fraudes eleitorais — uma narrativa rejeitada por diversas instituições dos EUA.

„ O Canal do Panamá e o jogo geopolítico

A retomada do controle estratégico sobre o Canal do Panamá representa uma mudança


significativa na política externa americana.
A via interoceânica foi construída pelos EUA no início do século XX e permaneceu sob
administração americana até 1999, quando foi oficialmente transferida ao governo paname-
nho, após o cumprimento do Tratado Torrijos-Carter, assinado em 1977.
Nos últimos anos, a China tem ampliado sua influência na América Latina, investindo
pesadamente em infraestrutura e portos estratégicos. O Canal do Panamá, por sua importân-
cia comercial, tornou-se alvo de disputas geopolíticas.
Ao buscar recuperar influência sobre o canal, Trump não apenas reafirma o interesse dos
EUA na região, mas também sinaliza um movimento para conter a crescente presença chine-
sa no hemisfério ocidental.
ATUALIDADES

„ O novo mandato e seus desafios

As primeiras medidas do segundo governo Trump demonstram uma postura de enfrenta-


mento tanto no cenário interno quanto no externo.
O afastamento de organismos internacionais, o endurecimento da política migratória,
o perdão aos envolvidos na invasão ao Capitólio e a retomada do interesse pelo Canal do 7
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Panamá refletem um projeto de governo que busca consolidar a influência americana sob
uma perspectiva nacionalista e de confrontação.
Os próximos anos indicarão se essas estratégias reforçarão a posição dos EUA como potên-
cia global ou se levarão a um maior isolamento e instabilidade política interna. O impacto
dessas decisões pode ressoar não apenas dentro dos Estados Unidos, mas em todo o tabuleiro
geopolítico internacional.

„ Fogo na Califórnia: incêndios florestais e seus impactos históricos e geopolíticos3

No dia 8 de janeiro, vastos incêndios florestais atingiram Los Angeles, na Califórnia, desen-
cadeando uma crise de grandes proporções.
Os ventos intensos dificultaram o combate às chamas, tornando o céu da cidade um cená-
rio sombrio, encoberto pela fumaça densa.
O desastre resultou em vítimas fatais, destruição de infraestrutura e interrupções no abas-
tecimento de água, levando as autoridades locais a classificarem-no como um dos eventos
mais graves da história recente da região.

„ O histórico de incêndios na Califórnia e seus fatores agravantes

Os incêndios florestais não são novidade na Califórnia, uma região que combina altas
temperaturas, vegetação seca e ventos sazonais, criando condições ideais para a propagação
do fogo.
A história do estado é marcada por eventos similares, como o incêndio de Camp Fire, em
2018, que devastou a cidade de Paradise, deixando 85 mortos e se tornando o mais letal da
história da Califórnia.
Entretanto, a frequência e a intensidade dos incêndios vêm aumentando nas últimas déca-
das, impulsionadas por fatores climáticos e humanos.
O fenômeno do El Niño, que aquece as águas do Pacífico e altera padrões meteorológicos,
contribui para períodos de seca mais severos. Além disso, o crescimento urbano desorde-
nado em áreas de risco e a má gestão de recursos naturais ampliam a vulnerabilidade das
cidades californianas.

„ Mudanças climáticas e a crise ambiental global

Os incêndios na Califórnia não são apenas um problema local, mas um reflexo das mudan-
ças climáticas globais. O aumento das temperaturas médias no planeta intensifica eventos
extremos, tornando incêndios mais frequentes e destrutivos. A relação entre desmatamento,
aquecimento global e secas prolongadas é um dos principais desafios ambientais do século
XXI.

3. YANG, A. O que causou os incêndios em Los Angeles? National Geographic mostra fotos apocalípticas do fogo
na cidade. National Geographic, 2025. Disponível em: [Link]
te/2025/01/o-que-causou-os-incendios-em- los-angeles-national-geographic-mostra-fotos-apocalipticas-do-fogo-
8 -na-cidade. Acesso em: 1º abr. 2025.
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Países ao redor do mundo enfrentam crises semelhantes. O Brasil, por exemplo, tem regis-
trado incêndios devastadores na Amazônia e no Pantanal, enquanto a Austrália lida regular-
mente com megaincêndios que destroem milhões de hectares de floresta.
A dificuldade em conter essas catástrofes reforça a necessidade de políticas ambien-
tais mais rigorosas e de cooperação internacional para mitigar os impactos das mudanças
climáticas.

„ Impactos econômicos e geopolíticos dos incêndios

Além das perdas humanas e ambientais, os incêndios na Califórnia geram impactos eco-
nômicos significativos.
O estado, que abriga o Vale do Silício e uma das maiores economias do mundo, sofre com
prejuízos bilionários em infraestrutura, agricultura e turismo. Empresas precisam interrom-
per suas atividades, e a reconstrução das áreas afetadas exige grandes investimentos públi-
cos e privados.
Do ponto de vista geopolítico, a recorrência desses desastres coloca os Estados Unidos sob
pressão internacional para adotar medidas mais agressivas de combate às mudanças climá-
ticas. O país já enfrentou críticas por seu posicionamento em relação ao Acordo de Paris e à
transição para uma economia de baixo carbono.
O aumento dos desastres naturais reforça o debate sobre a necessidade de investimentos
em energias renováveis e em políticas de adaptação às novas realidades climáticas.

„ O futuro da Califórnia e as soluções possíveis

A crise dos incêndios florestais na Califórnia exige uma abordagem multidimensional.


Investimentos em tecnologia, como satélites para monitoramento climático e sistemas de
alerta antecipado, podem ajudar na prevenção. Além disso, a implementação de políticas de
reflorestamento e manejo sustentável das florestas pode reduzir a intensidade dos incêndios.
No entanto, sem um compromisso global para reduzir as emissões de gases do efeito estufa
e conter o avanço das mudanças climáticas, eventos como os incêndios na Califórnia con-
tinuarão a se repetir, colocando em risco não apenas a população local, mas o equilíbrio
ambiental do planeta.

z A queda de um líder: a prisão de Yoon Suk-yeol e o impacto da lei marcial na


geopolítica4

No dia 15 de janeiro de 2025, a política sul-coreana sofreu um grande abalo com a prisão
ATUALIDADES

do presidente Yoon Suk-yeol.


O líder foi detido sob acusações de ter imposto a lei marcial no país em dezembro de 2024,
uma medida extrema que suspendeu temporariamente os direitos civis e colocou o controle
da administração nas mãos dos militares.

4. PRESIDENTE conservador Coreia do Sul é preso após crise causada por decreto de lei marcial. Brasil de Fato,
2025. Disponível em: [Link] coreia-do-sul-e-
-preso-apos-crise-causada-por-decreto-de-lei-marcial/. Acesso em: 1º abr. 2025. 9
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O episódio levanta questões não apenas sobre a democracia sul-coreana, mas também
sobre o impacto dessa decisão na estabilidade regional e nas relações internacionais.
Para entender o significado desse evento, é essencial analisar o histórico da lei marcial na
Coreia do Sul e o contexto geopolítico mais amplo.

„ Lei marcial: um instrumento de poder em momentos de crise

A lei marcial é uma medida adotada por diversos países em momentos de crise, sendo,
geralmente, caracterizada por instabilidade política, revoltas populares ou ameaças à segu-
rança nacional. Quando decretada, as autoridades militares assumem o controle do governo,
e os direitos civis podem ser limitados ou suspensos.
Historicamente, a lei marcial tem sido usada tanto para restaurar a ordem quanto para
justificar regimes autoritários. Casos notáveis incluem a China durante os protestos da Praça
da Paz Celestial em 1989, as Filipinas sob Ferdinand Marcos na década de 1970 e o próprio
passado da Coreia do Sul, quando líderes militares governaram o país sob regimes duros até
a redemocratização na década de 1980.
No caso de Yoon Suk-yeol, a decisão de impor a lei marcial em dezembro de 2024 gerou
grande controvérsia. Embora o governo tenha argumentado que a medida era necessária
para conter distúrbios e ameaças à segurança nacional, críticos acusaram o presidente de
tentar se manter no poder à força diante de uma crise política crescente.

„ A história da lei marcial na Coreia do Sul

A Coreia do Sul tem um histórico turbulento em relação à lei marcial. Durante a ditadura
de Park Chung-hee (1961–1979) e posteriormente sob Chun Doo-hwan (1979–1988), o país
viveu longos períodos de repressão militar.
Um dos episódios mais marcantes ocorreu em 1980, quando Chun Doo-hwan declarou lei
marcial para conter manifestações pró-democracia na cidade de Gwangju. O resultado foi um
massacre brutal, no qual centenas de civis foram mortos pelas forças militares. Esse evento
se tornou um símbolo da luta sul-coreana pela democracia e ainda repercute na memória
coletiva do país.
Desde a transição democrática nos anos 1990, a Coreia do Sul tem se consolidado como
uma das nações mais desenvolvidas e democráticas da Ásia. No entanto, a decisão de Yoon
Suk-yeol de recorrer à lei marcial reacendeu temores de um possível retrocesso autoritário.

„ Impactos da prisão de Yoon Suk-yeol na política sul-coreana

A prisão de um presidente em exercício é um evento raro e significativo, com implicações


profundas para a política interna da Coreia do Sul.
Além de representar um desafio à estabilidade do governo, a detenção de Yoon pode gerar
uma crise institucional, à medida que diferentes facções políticas tentam ocupar o vácuo de
poder deixado por sua queda.
Outro aspecto fundamental é a reação popular. Protestos contra e a favor de Yoon têm
se espalhado pelo país, refletindo a polarização política da sociedade sul-coreana. A forma
como o governo interino lidará com essa tensão determinará se a democracia sul-coreana
10 sairá fortalecida ou fragilizada desse episódio.
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„ O reflexo na geopolítica: tensões na Ásia e o papel dos EUA

A instabilidade política na Coreia do Sul também pode ter repercussões internacionais,


especialmente no delicado equilíbrio de forças na Ásia. O país é um dos principais aliados dos
Estados Unidos na região e um ator-chave na contenção da influência da China e da Coreia
do Norte.
A turbulência interna pode enfraquecer a posição da Coreia do Sul nas negociações diplo-
máticas e abrir espaço para a intensificação das tensões com Pyongyang.
A Coreia do Norte, sob o regime de Kim Jong-un, pode interpretar a crise como um sinal
de fragilidade de seu vizinho e adotar uma postura mais agressiva, seja por meio de testes
militares, seja por ações provocativas na fronteira.
Além disso, a China e os Estados Unidos acompanharão de perto os desdobramentos, pois
qualquer instabilidade em Seul pode afetar a segurança regional e a economia global, consi-
derando o papel central da Coreia do Sul na tecnologia e na indústria.

„ O futuro da Coreia do Sul após a queda de Yoon Suk-yeol

A prisão de Yoon Suk-yeol não apenas marca um ponto de virada na política sul-coreana,
como também levanta questões cruciais sobre os desafios da democracia no país.
A história mostra que medidas autoritárias, como a imposição da lei marcial, frequen-
temente levam a crises políticas e à queda de líderes que tentam usá-las para se manter no
poder.
O desfecho dessa crise ainda é incerto. O que está em jogo não é apenas o destino de um
presidente, mas a própria solidez das instituições democráticas da Coreia do Sul e seu papel
na geopolítica global. O mundo, agora, observa atentamente para ver se o país conseguirá
superar esse momento conturbado sem comprometer as conquistas democráticas alcança-
das nas últimas décadas.

z O terceiro mandato de Nicolás Maduro: reformas, poder e o impacto na geopolítica


latino-americana5

No dia 10 de janeiro de 2025, Nicolás Maduro assumiu seu terceiro mandato como presi-
dente da Venezuela, consolidando sua permanência no poder até 2031.
A cerimônia de posse contou com a presença de aliados estratégicos, mas notavelmente
sem a participação do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que foi convidado, mas
optou por não comparecer.
A nova fase do governo Maduro promete ser marcada por mudanças estruturais significa-
tivas, especialmente com a proposta de uma reforma constitucional que visa à implementa-
ção do chamado “Estado comunal”.
ATUALIDADES

O projeto, inspirado na visão de Hugo Chávez, propõe um modelo descentralizado de


governança, com maior participação de conselhos populares, mas gera preocupações entre
críticos que veem nele uma tentativa de consolidar o poder do regime chavista.

5. LEÓN, L. P. Venezuela: Maduro assume 3º mandato e promete reforma na Constituição. Agência Brasil, 2025. Dis-
ponível em: [Link] man-
dato-e-promete-reforma-na-constituicao. Acesso em: 1º abr. 2025. 11
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Para compreender os impactos dessa nova configuração política, é essencial analisar a
trajetória de Maduro, o contexto da reforma constitucional e os efeitos que essa nova fase do
governo pode ter sobre a Venezuela e a América Latina.

„ O Estado comunal: continuidade ou consolidação do poder?

O conceito de “Estado comunal” foi inicialmente idealizado pelo ex-presidente Hugo Chá-
vez como uma forma de governança baseada na participação direta da população em conse-
lhos e comunas locais.
Na teoria, essa estrutura teria o objetivo de transferir mais poder para o povo, diminuindo
a influência de instituições tradicionais como parlamentos e governos regionais.
Na prática, porém, críticos apontam que esse modelo pode resultar no enfraquecimento
da oposição e no aumento do controle estatal sobre a sociedade. Ao substituir ou esvaziar as
instituições tradicionais, Maduro poderia reforçar ainda mais seu domínio político, reduzin-
do os mecanismos de alternância no poder e tornando a oposição ainda menos influente no
cenário político venezuelano.
A proposta de reforma constitucional para oficializar o Estado comunal se alinha com o
histórico de Maduro de concentrar poderes e deslegitimar instituições democráticas.
Desde sua ascensão ao poder em 2013, após a morte de Chávez, o líder venezuelano tem
enfrentado duras críticas internacionais por reprimir adversários políticos, sufocar a liber-
dade de imprensa e promover eleições com credibilidade questionada.

z Paralelos históricos: outras reformas constitucionais na América Latina

Ao longo da história, mudanças constitucionais têm sido uma ferramenta frequentemen-


te usada por líderes latino-americanos para se perpetuarem no poder. Casos emblemáticos
incluem:

„ Fidel Castro, em Cuba: a Revolução Cubana levou a uma profunda restruturação da


política e da economia, com o Partido Comunista consolidando o controle absoluto do
Estado;
„ Evo Morales, na Bolívia: em 2009, Morales promoveu uma nova Constituição, que
ampliou o papel do Estado na economia e permitiu sua reeleição contínua;
„ Daniel Ortega, na Nicarágua: reformas constitucionais foram utilizadas para enfra-
quecer a oposição e garantir sua permanência no poder.

A Venezuela parece seguir um caminho semelhante, com a proposta de Maduro reforçan-


do as suspeitas de que sua intenção é eliminar qualquer possibilidade de alternância política.

z Geopolítica e relações exteriores: o papel da Venezuela no cenário internacional

O terceiro mandato de Maduro não é apenas uma questão interna, tendo, também, impli-
cações significativas na geopolítica latino-americana e global.

12
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„ Relação com os EUA e a União Europeia: a Venezuela continua sendo alvo de sanções
internacionais devido a alegações de violações de direitos humanos e eleições fraudu-
lentas. Os Estados Unidos, sob diferentes administrações, têm mantido uma política de
pressão sobre Caracas, enquanto a União Europeia adota uma postura crítica, mas mais
diplomática;
„ Apoio de China, Rússia e Irã: por outro lado, Maduro fortaleceu alianças estratégicas
com potências como China, Rússia e Irã. Esses países veem a Venezuela como um aliado
importante na disputa geopolítica contra os EUA e fornecem apoio econômico e militar
ao governo chavista;
„ Impacto no Brasil e na América Latina: a relação entre Brasil e Venezuela sempre
foi um termômetro das mudanças políticas na região. A ausência de Lula na posse de
Maduro sugere um distanciamento estratégico, ainda que o governo brasileiro mante-
nha relações diplomáticas com Caracas. Outros países da América Latina, como Argen-
tina, Colômbia e Chile, adotam posturas diversas, variando entre cooperação e forte
oposição ao regime de Maduro.

z O futuro da Venezuela sob o terceiro mandato de Maduro

A continuidade de Nicolás Maduro no poder e sua intenção de reformar a Constituição para


consolidar o Estado comunal levantam questões sobre o futuro da democracia na Venezuela.
Enquanto seus apoiadores veem a proposta como uma forma de aprofundar a participa-
ção popular, críticos alertam para o risco de um sistema que centraliza ainda mais o poder
nas mãos do governo.
O impacto dessas mudanças será sentido não apenas na política interna, mas também nas
relações internacionais da Venezuela e na estabilidade da América Latina. O que está em jogo
é a definição do caminho que o país seguirá nos próximos anos: uma renovação do chavismo
com novas estratégias de governança ou um endurecimento ainda maior do regime autori-
tário de Maduro.

z O desafio demográfico da China: declínio populacional e seus impactos econômicos


e geopolíticos6

Pelo terceiro ano consecutivo, a população da China registrou uma queda significativa. Ao
final de 2024, o número total de habitantes caiu para 1,408 bilhão, representando uma redu-
ção de 1,39 milhão de pessoas.
Esse declínio populacional sinaliza um desafio crescente para o governo chinês, com
implicações profundas para sua economia, força de trabalho e influência geopolítica no lon-
go prazo.
O fenômeno demográfico que atinge a China não é um caso isolado, mas, sim, o resultado
ATUALIDADES

de décadas de políticas de controle populacional e mudanças nos padrões sociais.

6. HE, L. Entenda os problemas que a China enfrenta na economia. CNN Brasil, 2025. Disponível em: [Link]
[Link]/economia/macroeconomia/entenda-os-problemas-que-a-china- enfrenta-na-economia/. Acesso
em: 1º abr. 2025. 13
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Para compreender a gravidade desse cenário, é essencial analisar o contexto histórico, as
razões por trás da queda populacional e como isso pode afetar o posicionamento da China no
cenário global.

z As raízes da crise demográfica: o legado da política do filho único

Durante grande parte do século XX, a China enfrentou um rápido crescimento popula-
cional. Com o objetivo de conter essa expansão e evitar uma crise de recursos, o governo
implementou, em 1979, a política do filho único, restringindo o número de nascimentos por
família.
Embora a medida tenha conseguido reduzir a taxa de crescimento populacional, ela trou-
xe consequências graves a longo prazo. Entre os principais efeitos, destacam-se:

„ Envelhecimento acelerado da população: com menos nascimentos ao longo das déca-


das, o percentual de pessoas idosas cresceu rapidamente, aumentando a pressão sobre
a previdência e os sistemas de saúde;
„ Desequilíbrio de gênero: a preferência cultural por filhos homens levou a uma dispa-
ridade populacional entre os sexos, dificultando a formação de famílias e contribuindo
para a queda da taxa de natalidade;
„ Redução da força de trabalho: com menos jovens ingressando no mercado de traba-
lho, o crescimento econômico pode ser comprometido no futuro.

Para tentar reverter esse quadro, o governo chinês aboliu a política do filho único em 2015,
permitindo dois filhos por família. Em 2021, essa limitação foi ampliada para três filhos.
No entanto, as taxas de natalidade continuaram em declínio, pois muitos casais optam por
ter menos filhos devido ao alto custo de vida, às longas jornadas de trabalho e às mudanças
nas aspirações individuais.

z O impacto econômico: o fim do “bônus demográfico” chinês

A economia chinesa se beneficiou, por décadas, de um enorme contingente de trabalha-


dores jovens e produtivos, fenômeno conhecido como “bônus demográfico”. Esse fator foi
essencial para transformar a China em uma potência industrial e econômica global.
Contudo, com a queda da população e o envelhecimento da força de trabalho, surgem
desafios significativos:

„ Menos trabalhadores, menos crescimento: com menos pessoas em idade produtiva,


a capacidade de inovação e expansão industrial pode ser afetada, reduzindo a compe-
titividade do país;
„ Aumento dos custos de mão de obra: com menos trabalhadores disponíveis, os salá-
rios tendem a subir, tornando a produção chinesa mais cara e potencialmente menos
atraente para investidores estrangeiros;
„ Pressão sobre a previdência social: um número maior de aposentados, combinado
com menos jovens contribuindo para o sistema previdenciário, pode comprometer a
sustentabilidade financeira do país.
14
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Diante desse cenário, o governo chinês tem adotado políticas para estimular a natalidade,
como incentivos financeiros para famílias, ampliação da licença-maternidade e subsídios
para educação infantil. No entanto, reverter essa tendência demográfica será um desafio de
longo prazo.

z Paralelos históricos: o que a China pode aprender com outros países?

A crise demográfica não é um fenômeno exclusivo da China. Outros países já enfrentaram


desafios semelhantes e adotaram diferentes estratégias para mitigar os impactos.

„ Japão: enfrentando um rápido envelhecimento populacional desde os anos 1990, o


Japão adotou políticas de automação e robótica para compensar a escassez de trabalha-
dores. No entanto, o país ainda sofre com crescimento econômico estagnado e desafios
na previdência;
„ Rússia: após um declínio populacional acentuado nos anos 1990, o governo russo
implementou incentivos financeiros para estimular a natalidade. Apesar de algumas
melhorias, o crescimento populacional ainda é modesto;
„ Alemanha: para enfrentar a falta de jovens trabalhadores, a Alemanha optou por abrir
suas fronteiras para a imigração qualificada, ajudando a manter sua força de trabalho
ativa.

A grande questão para a China é se seu modelo político e econômico permitirá soluções
como as adotadas por esses países. A imigração, por exemplo, tem um papel limitado na
sociedade chinesa devido a restrições rígidas sobre estrangeiros.

z Impactos geopolíticos: como a queda populacional pode afetar o poder da China?

Além das implicações econômicas, o declínio populacional pode afetar o papel da China no
cenário global. Alguns dos impactos mais relevantes incluem:

„ Diminuição do poder militar: com menos jovens para compor as forças armadas, o
recrutamento pode se tornar um desafio no futuro, enfraquecendo a capacidade militar
chinesa;
„ Perda de influência global: um país com menos habitantes e menor crescimento eco-
nômico pode ter dificuldades para manter sua posição de liderança mundial;
„ Mudança na rivalidade com os EUA: enquanto os Estados Unidos continuam a crescer
populacionalmente, em parte devido à imigração, a China pode perder vantagem estra-
tégica na disputa por influência global.
ATUALIDADES

Apesar desses desafios, a China ainda conta com um grande poder econômico e tecnoló-
gico, o que pode ajudá-la a mitigar os impactos do declínio populacional. O governo pode
investir mais em inteligência artificial, automação e inovação para compensar a redução da
força de trabalho.

15
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z O futuro da China em um cenário de encolhimento populacional

A queda populacional da China representa um dos maiores desafios do país nas próximas
décadas. O modelo de crescimento que levou a nação ao topo da economia global pode preci-
sar de uma reformulação para se adaptar a uma realidade com menos jovens e mais pessoas
idosas.
A grande questão é se Pequim conseguirá reverter essa tendência demográfica ou se pre-
cisará ajustar sua economia e políticas sociais para um futuro em que o crescimento popula-
cional já não será um fator impulsionador.
O que está claro é que as decisões tomadas hoje terão impactos duradouros, não apenas
para a China, mas para toda a economia global.

z Acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas: implicações e perspectivas geopolíticas7

No início de janeiro, Israel e o Hamas chegaram a um acordo para um cessar-fogo na Faixa


de Gaza, incluindo também a liberação de reféns. Esse entendimento momentâneo marcou
um raro alívio em um conflito de longa duração, mas levantou questionamentos sobre sua
durabilidade e seus impactos na geopolítica do Oriente Médio.
O cessar-fogo, embora celebrado como um avanço diplomático, ocorre em um contexto de
tensões profundas e repetidas hostilidades entre as partes. Para entender melhor as implica-
ções desse acordo, é fundamental analisar os antecedentes históricos, os interesses estratégi-
cos envolvidos e os possíveis desdobramentos regionais e internacionais.

„ Histórico do conflito: décadas de tensões e acordos fragilizados

O conflito entre Israel e o Hamas é apenas um capítulo de uma disputa maior entre israelen-
ses e palestinos, que remonta à criação do Estado de Israel em 1948.
A Faixa de Gaza, uma das áreas mais densamente povoadas do mundo, foi ocupada por
Israel após a Guerra dos Seis Dias (1967) e permaneceu sob controle israelense até a retirada
unilateral em 2005.
Desde então, o Hamas, grupo que assumiu o controle de Gaza em 2007, tem protagonizado
confrontos frequentes com Israel. A relação entre ambos tem sido marcada por ciclos de vio-
lência seguidos por curtos períodos de trégua, geralmente mediados por potências regionais
como Egito e Catar.
Cessar-fogos anteriores demonstraram ser frágeis, frequentemente rompidos por novos
ataques ou mudanças estratégicas das partes envolvidas. Esse histórico levanta dúvidas
sobre a durabilidade do atual acordo.

z Motivações e pressões para o acordo

O entendimento entre Israel e Hamas não ocorreu isoladamente, mas foi impulsionado
por diversos fatores estratégicos:

7. SQUEFF, T. C. O acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas. Jota, 2025. Disponível em: [Link]
16 gos/o-acordo-de-cessar-fogo-entre-israel-e-hamas. Acesso em: 1º abr. 2025.
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„ Pressão internacional: organizações internacionais e países aliados de Israel, como
os Estados Unidos e a União Europeia, frequentemente pressionam por trégua quando
o conflito atinge picos de violência, especialmente diante de crises humanitárias em
Gaza;
„ Interesses internos de Israel: o governo israelense pode ter buscado o cessar-fogo
como uma forma de evitar pressões diplomáticas e militares prolongadas, bem como de
garantir a segurança de civis e soldados sequestrados;
„ Cálculo estratégico do Hamas: o grupo pode ter aceitado o acordo para reorganizar
suas forças, obter concessões políticas ou aliviar a pressão militar israelense sobre Gaza.

A liberação de reféns, por sua vez, tornou-se um elemento central nas negociações. Trocas
de prisioneiros e reféns são uma prática recorrente entre Israel e facções palestinas, frequen-
temente mediadas por terceiros, como o Egito e o Catar.

z Paralelos com outros acordos de cessar-fogo no Oriente Médio

A história do Oriente Médio é marcada por tentativas de trégua que, na maioria das vezes,
não resultaram em uma paz duradoura. Alguns exemplos incluem:

„ Os acordos de Camp David (1978): um dos poucos exemplos bem-sucedidos de um


acordo de paz, levou à normalização das relações entre Egito e Israel, mas não resolveu
a questão palestina;
„ O acordo de Oslo (1993–1995): inicialmente visto como um marco na busca pela paz
entre israelenses e palestinos, o acordo acabou enfraquecido pela falta de implementa-
ção e pelo aumento das tensões;
„ Cessar-fogos anteriores entre Israel e Hamas: desde 2008, vários acordos foram fir-
mados, mas nenhum levou a uma solução definitiva do conflito.

Esses precedentes sugerem que o cessar-fogo atual pode ser temporário, a menos que
venha acompanhado de esforços diplomáticos mais amplos para resolver as questões subja-
centes ao conflito.

z Impactos geopolíticos e o futuro das relações no Oriente Médio

O cessar-fogo e a liberação de reféns não afetam apenas Israel e Gaza, mas também têm
implicações mais amplas para a região:

„ Papel do Egito e do Catar: ambos os países frequentemente atuam como mediadores


entre Israel e o Hamas. O sucesso ou fracasso do cessar-fogo pode fortalecer ou enfra-
ATUALIDADES

quecer sua influência diplomática;


„ Relações de Israel com o mundo árabe: enquanto países como Emirados Árabes Unidos
e Bahrein assinaram acordos de normalização com Israel (acordos de Abraão), outros
Estados árabes ainda condicionam relações plenas à resolução da questão palestina;
„ Posição dos Estados Unidos: o governo norte-americano mantém uma relação estraté-
gica com Israel, mas também busca estabilidade na região. Washington pode pressionar
17
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por mais avanços diplomáticos, especialmente considerando o impacto do conflito na
política externa dos EUA;
„ Ameaça de novos confrontos: a questão central permanece sem solução — Israel e
Hamas continuam em lados opostos, e o conflito pode ser reativado a qualquer momen-
to caso novos ataques ocorram.

z Um passo para a paz ou apenas uma pausa na violência?

Embora o acordo de cessar-fogo e a liberação de reféns sejam medidas importantes para


aliviar a crise humanitária e reduzir a violência, o histórico do conflito sugere que a paz
duradoura ainda está distante.
Sem uma solução política mais abrangente que aborde as demandas tanto de israelenses
quanto de palestinos, o risco de um novo ciclo de confrontos continua elevado. O cessar-fogo
pode representar um momento de alívio, mas, se não for acompanhado de negociações estru-
turais, pode acabar sendo, também, apenas mais uma pausa temporária no conflito que há
décadas define a geopolítica do Oriente Médio.

z China entra na corrida da inteligência artificial: DeepSeek e o desafio à hegemonia


tecnológica8

A DeepSeek, uma promissora startup chinesa de inteligência artificial, atraiu os olhares do


mundo ao lançar um chatbot gratuito, semelhante ao amplamente conhecido ChatGPT.
Esse movimento marca um novo capítulo na disputa global pelo domínio da inteligência
artificial, gerando intensos debates sobre investimentos no setor, o monopólio das grandes
corporações tecnológicas e o crescente papel da China na inovação digital.
O avanço da DeepSeek não é um evento isolado, mas, sim, parte de uma tendência mais
ampla que reflete a ascensão da China como uma potência tecnológica, desafiando a hegemo-
nia de gigantes do Vale do Silício.
Esse cenário reconfigura a geopolítica da tecnologia, levantando questões sobre soberania
digital, regulamentação e o impacto da IA no futuro das economias globais.

z A nova fronteira da inteligência artificial: o papel da China na disputa tecnológica

O lançamento do chatbot da DeepSeek evidencia o esforço contínuo da China para con-


solidar sua posição como líder em inteligência artificial. O país já havia demonstrado sua
ambição no setor com empresas como Baidu, Alibaba e Tencent, que vêm investindo bilhões
no desenvolvimento de modelos de IA.
Historicamente, a IA tem sido dominada por empresas norte-americanas, como OpenAI
(criadora do ChatGPT), Google (com seu Gemini) e Meta (desenvolvedora de modelos avan-
çados de aprendizado de máquina). No entanto, a China tem acelerado sua participação nes-
se mercado, impulsionada por investimentos governamentais massivos e uma abordagem
estratégica que busca integrar a IA em setores como segurança, saúde, finanças e defesa.

8. SILVA, D. L. S. A China, os Estados Unidos e a corrida pela inteligência artificial. InfoNet, 2025. Disponível em:
[Link] inteligencia-artificial/. Acesso
18 em: 1º abr. 2025.
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A ascensão da DeepSeek sugere que Pequim pretende reduzir sua dependência de tecno-
logias ocidentais e fortalecer sua autonomia digital. Essa tendência é reforçada pelo contexto
de crescente rivalidade entre China e Estados Unidos, que tem se manifestado em restrições
comerciais, sanções contra empresas chinesas e disputas pelo controle das cadeias de supri-
mentos de semicondutores.

z Paralelos históricos: a tecnologia como campo de batalha geopolítica

A corrida pelo domínio da inteligência artificial tem semelhanças com disputas tecnológi-
cas do passado. Durante a Guerra Fria, por exemplo, Estados Unidos e União Soviética com-
petiram pelo avanço em setores estratégicos, como a exploração espacial e a computação.
Hoje, a rivalidade entre China e EUA assume contornos semelhantes, com a IA sendo um dos
principais pontos de disputa.
Outro paralelo pode ser traçado com a ascensão do Japão nos anos 1980 como uma potên-
cia tecnológica, desafiando o domínio das empresas norte-americanas no setor de eletrôni-
cos e semicondutores. Naquela época, os EUA responderam com políticas protecionistas, um
cenário que se repete agora com restrições à exportação de chips avançados para a China.
A grande questão é se a China conseguirá superar as barreiras impostas pelo Ocidente e
consolidar sua posição como potência global em IA. O lançamento da DeepSeek mostra que o
país está disposto a investir pesado para alcançar esse objetivo.

z Impactos da IA no mercado global e na economia digital

A entrada da DeepSeek na corrida da IA pode provocar mudanças significativas na indús-


tria global de tecnologia. Alguns dos principais impactos incluem:

„ Aumento da concorrência: o domínio de empresas como OpenAI e Google pode ser


desafiado pelo avanço das startups chinesas, tornando o mercado mais competitivo e
impulsionando inovações;
„ Redução da dependência tecnológica da China: com o desenvolvimento de modelos
de IA próprios, Pequim diminui sua vulnerabilidade a sanções e restrições impostas
pelos Estados Unidos;
„ Mudanças no cenário regulatório: à medida que a IA se torna mais difundida, gover-
nos ao redor do mundo devem intensificar os debates sobre regulamentação e seguran-
ça digital;
„ Expansão da IA no mercado asiático: com soluções locais, a China pode dominar o
mercado de IA na Ásia, dificultando a entrada de empresas ocidentais na região.

Além disso, o avanço da IA gera questionamentos sobre o impacto no mercado de traba-


ATUALIDADES

lho, ética no uso da tecnologia e riscos de vigilância digital, especialmente em países com
governos autoritários.

z O futuro da inteligência artificial: quem liderará a próxima revolução digital?

19
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A inteligência artificial está moldando o futuro da economia e da geopolítica global. O
lançamento do chatbot da DeepSeek não é apenas um avanço tecnológico, mas um reflexo de
uma disputa muito maior pelo controle do conhecimento e da inovação.
Enquanto os Estados Unidos ainda dominam muitos aspectos da IA, a China tem demons-
trado sua capacidade de inovação e adaptação rápida. A questão central não é apenas quem
criará os modelos mais poderosos, mas quem estabelecerá os padrões globais para a inteli-
gência artificial nas próximas décadas.
O mundo está diante de uma nova revolução tecnológica, e a corrida pelo domínio da IA
pode definir não apenas o futuro da economia digital, mas também o equilíbrio de poder
global no século XXI.

z 80 anos do fim do Holocausto: a memória como baluarte contra a intolerância9

No dia 27 de janeiro de 2025, o mundo marcou um momento de profunda reflexão his-


tórica: os 80 anos da libertação dos campos de extermínio nazistas e do fim do Holocausto.
Instituído pela Resolução nº 60/7, da Assembleia Geral da ONU, em 2005, o Dia Internacio-
nal em Memória das Vítimas do Holocausto reforça o compromisso global com a lembran-
ça dos seis milhões de judeus assassinados pelo regime nazista e seus colaboradores.
A data, que coincide com a libertação do campo de Auschwitz-Birkenau em 27 de janeiro
de 1945, não é apenas um tributo às vítimas, mas um alerta sobre os perigos do extremismo,
da desinformação e do ódio. O Holocausto não começou com câmaras de gás, mas com dis-
cursos de intolerância, exclusão e desumanização do outro — uma lição fundamental para
os tempos atuais.
O tema escolhido para as comemorações de 2025, “A memória do Holocausto e a educa-
ção para a dignidade e os direitos humanos”, destaca a necessidade de preservar a verda-
de histórica para que tragédias semelhantes nunca mais se repitam.
O marco dos 80 anos reforça a importância da educação sobre genocídios e a luta contra o
antissemitismo, a intolerância e as ameaças à democracia no mundo atual.

z 80 anos depois: o Holocausto e o impacto na construção dos direitos humanos

O Holocausto representou uma virada na maneira como o mundo enxerga os direitos


humanos e a Justiça internacional. A brutalidade revelada nos julgamentos de Nuremberg
(1945–1946) levou à criação de mecanismos jurídicos para evitar novos genocídios, como:

„ a Convenção para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio (1948), estabele-


cendo a definição legal de genocídio;
„ a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), um marco na luta por dignida-
de e liberdade para todos os povos;
„ o Tribunal Penal Internacional, que hoje julga crimes de guerra e contra a humanidade.

9. LÍDERES internacionais lembram os 80 anos da libertação de Auschwitz. SBT News, 2025. Disponível em: https://
[Link]/noticia/mundo/80-anos-da-libertacao-de-auschwitz-lula-e-autoridades- internacionais-cele-
20 bram-memoria-do-holocausto. Acesso em: 1º abr. 2025.
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O marco dos 80 anos nos lembra que esses avanços não podem ser tomados como garanti-
dos. Com a ascensão de movimentos extremistas e revisionistas, o risco de que a história seja
distorcida ou esquecida é real. Manter viva a memória do Holocausto é um compromisso não
apenas com o passado, mas com o presente e o futuro.

z O Holocausto e os riscos do esquecimento

Os 80 anos do fim do Holocausto não são apenas uma efeméride histórica; são um lembre-
te da fragilidade da civilização diante da intolerância.
O genocídio perpetrado pelo regime nazista começou com a marginalização e desumani-
zação de grupos específicos, um processo que se repetiu em outros genocídios do século XX,
como:

„ o Genocídio Armênio (1915–1917), promovido pelo Império Otomano;


„ os crimes do Khmer Vermelho no Camboja (1975–1979), resultando na morte de cerca
de dois milhões de pessoas;
„ o genocídio em Ruanda (1994), em que aproximadamente 800 mil pessoas foram assas-
sinadas em 100 dias.

Esses exemplos demonstram que o Holocausto não foi um evento isolado, mas, sim, um
alerta sobre o que pode acontecer quando sociedades aceitam o ódio e a exclusão como
normais.
O compromisso com a memória deve ser constante. Em um mundo onde discursos de
intolerância voltam a ganhar força, é essencial lembrar que a paz e a liberdade não são per-
manentes, mas devem ser defendidas todos os dias.

z O futuro da memória: educação e responsabilidade global

Ao completar 80 anos do fim do Holocausto, o mundo enfrenta desafios novos e comple-


xos. A ascensão do negacionismo, a banalização de discursos extremistas e o aumento da
violência contra minorias exigem que a memória do passado seja um instrumento ativo de
educação e conscientização.
Ações educativas sobre o Holocausto devem ser reforçadas, garantindo que as novas gera-
ções compreendam os perigos da intolerância. Além disso, governos e instituições devem
combater a desinformação e criminalizar a negação do Holocausto. Do mesmo modo, o
compromisso com os direitos humanos deve ser fortalecido, evitando que novas tragédias
ocorram.
Os 80 anos da libertação de Auschwitz não são apenas um momento de luto, mas um cha-
mado à responsabilidade coletiva. A memória do Holocausto não pode ser uma lembrança
ATUALIDADES

distante, mas um pilar para um futuro mais justo e humano.


Que essa efeméride não seja apenas um ato simbólico, mas um compromisso renovado
para que o “nunca mais” não se torne apenas palavras, e sim uma realidade permanente.

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Brasil

z Novos líderes locais assumem o comando: um panorama da posse de prefeitos e


vereadores em 202510

No primeiro dia de 2025, o Brasil testemunhou a posse de milhares de prefeitos e vereado-


res eleitos em outubro de 2024. A cerimônia, que se repete a cada quatro anos, marca o início
de um novo ciclo administrativo nos municípios brasileiros.
De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 5.543 prefeitos e seus respec-
tivos vices, juntamente com 58.072 vereadores, assumem seus cargos para um mandato de
quatro anos. Entre os prefeitos, 2.466 foram reeleitos, enquanto 3.077 iniciam seu primeiro
mandato como chefes do Executivo local.

Importante!
Vale destacar que o Distrito Federal não realiza eleições municipais, conforme previsto na
Constituição Federal, de 1988.

„ Calendário eleitoral e mudanças na posse

As cerimônias de diplomação dos eleitos ocorreram até 19 de dezembro de 2024, encer-


rando o processo eleitoral. A posse dos prefeitos e vereadores aconteceu em 1º de janeiro,
conforme previsto na Constituição Federal.
No entanto, a partir de 2027 a posse de presidente, vice-presidente, governadores e vices
será alterada, passando para os dias 5 e 6 de janeiro, respectivamente, conforme a Emenda
Constitucional nº 111, de 2021. Essa mudança não se aplica aos prefeitos.

z Fim da polêmica: governo revoga fiscalização do Pix e garante gratuidade11

Em resposta à crescente onda de desinformação e fake news que se espalhou pelas redes
sociais, o governo federal anunciou a revogação da instrução normativa que previa a amplia-
ção da fiscalização do Pix.
A medida, que havia gerado preocupação entre usuários e instituições financeiras, foi
substituída pela edição de uma medida provisória (MP) com o objetivo de reforçar a segu-
rança e a gratuidade do sistema de pagamentos instantâneos.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o secretário especial da Receita Federal,
Robinson Barreirinhas, explicaram que a decisão visa eliminar a disseminação de informa-
ções falsas e assegurar a proteção dos direitos dos cidadãos.

10. ALMEIDA, D. Prefeitos e vereadores tomam posse neste primeiro dia do ano. Brasil de Fato, 2025. Disponível
em: [Link] neste-primeiro-dia-do-a-
no/. Acesso em: 1º abr. 2025.
11. MARQUES, E. Governo revoga fiscalização do Pix: entenda o que está acontecendo. Valor, 2025. Disponível em:
[Link] [Link]-
22 ml. Acesso em: 1º abr. 2025.
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A nova MP proíbe a cobrança diferenciada para pagamentos via Pix e em dinheiro, garan-
tindo a igualdade de tratamento entre as duas modalidades. Além disso, a medida reafirma
o sigilo bancário e a não incidência de impostos sobre as transferências via Pix para pessoas
físicas.
“Essa revogação se dá por dois motivos: tirar isso que tristemente virou uma arma nas mãos
desses criminosos e inescrupulosos. A segunda razão é não prejudicar a tramitação do ato que
será anunciado [a medida provisória]”, explicou Barreirinhas.
A medida provisória também busca coibir a prática de comerciantes que cobram valo-
res adicionais para pagamentos via Pix, uma prática que se intensificou nos últimos dias.
Haddad ressaltou que a MP reforça princípios já existentes, apenas esclarecendo pontos que
foram distorcidos por disseminadores de fake news.
Explicou Haddad:

O Pix estará protegido pelo sigilo, como sempre foi. [O que estamos fazendo] é só a ampliação,
o reforço da legislação, para tornar mais claro esses princípios já estão resguardados pela
medida provisória. Para evitar a má interpretação, a tentativa de distorcer o intuito da Recei-
ta Federal, ela está tomando a medida que o Barreirinhas já anunciou.

O ministro negou que a revogação da instrução normativa represente uma derrota para as
fake news, afirmando que a medida visa garantir a aprovação da MP no Congresso Nacional.
“Pelo contrário. Isso é impedir que esse ato [a instrução normativa] seja usado como justifica-
tiva para não votar a MP. Estamos lançando uma medida provisória e queremos que ela seja
discutida com sobriedade pelo Congresso Nacional”, justificou.

„ Panorama geopolítico e o impacto das fake news

A polêmica em torno da fiscalização do Pix evidencia o poder das fake news na era digital.
Em um contexto global marcado por polarização política e desconfiança nas instituições, a
desinformação se tornou uma arma poderosa, capaz de influenciar a opinião pública e gerar
instabilidade.
A guerra na Ucrânia, por exemplo, tem sido palco de uma intensa batalha informacional,
com ambos os lados utilizando fake news para manipular a opinião pública e deslegitimar o
adversário.
A disputa entre Estados Unidos e China pela hegemonia global também se manifesta no
campo da informação, com acusações mútuas de disseminação de fake news e propaganda.
No Brasil, a disseminação de fake news tem sido utilizada para atacar instituições demo-
cráticas e gerar instabilidade política. A polêmica em torno do Pix é apenas um exemplo de
como a desinformação pode ser utilizada para manipular a opinião pública e gerar crises.
ATUALIDADES

z Democracia resiliente: ato solene marca dois anos dos ataques em Brasília12

12. ANDRADE, J. C. Solenidade marca dois anos dos ataques à Praça dos Três Poderes. Agência Brasil, 2025. Dis-
ponível em: [Link] 01/solenidade-marca-dois-
-anos-dos-ataques-praca-dos-tres-poderes. Acesso em: 1º abr. 2025. 23
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Em um gesto de união e resiliência, autoridades dos três Poderes se reuniram em Brasília
para marcar o segundo aniversário dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.
O evento, realizado na Praça dos Três Poderes, teve como ponto alto um abraço simbólico
em torno da palavra “democracia”, formada por vasos de flores, simbolizando a força e a
vitalidade do regime democrático.
A cerimônia teve início no Palácio do Planalto, com a entrega de 21 peças restauradas que
foram danificadas durante os ataques. Entre elas, o icônico relógio trazido por dom João VI,
um presente da corte francesa, que foi meticulosamente restaurado com a colaboração do
governo suíço.
Outro momento marcante foi o retorno da obra As Mulatas, de Di Cavalcanti, ao patrimô-
nio do Palácio do Planalto, após um cuidadoso processo de restauração. O presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, acompanhado da primeira-dama Janja da Silva, participou da cerimônia
de descerramento da obra, avaliada em R$ 8 milhões.
Em seus discursos, as autoridades presentes, incluindo o presidente Lula e o ministro
Edson Fachin, representando o Supremo Tribunal Federal (STF), reafirmaram o compromis-
so com a democracia e o Estado de direito.
Lula enfatizou que “a democracia venceu” e que os responsáveis pelos ataques serão devi-
damente punidos. Fachin, por sua vez, ressaltou a importância de preservar a memória dos
eventos para evitar que se repitam.

„ Democracia sob ameaça

O segundo aniversário dos ataques em Brasília ocorre em um contexto global de crescen-


te polarização política e ascensão de movimentos extremistas. A democracia, como regime
político, enfrenta desafios em diversas partes do mundo, com o aumento da desconfiança nas
instituições e a disseminação de fake news.
A guerra na Ucrânia, por exemplo, expôs a fragilidade das democracias diante de regimes
autoritários. A polarização política nos Estados Unidos e em outros países europeus também
representa uma ameaça à estabilidade democrática.
No Brasil, os ataques de 8 de janeiro representaram um ataque direto à democracia e às
instituições. A resposta firme e unificada das autoridades e da sociedade civil demonstrou a
resiliência do regime democrático brasileiro.

z Alerta de saúde: Brasil enfrenta surto de febre do Oropouche em 202513

Nas primeiras quatro semanas de 2025, o Brasil registrou um aumento significativo nos
casos de febre do Oropouche, com um total de 2.791 ocorrências.
O estado do Espírito Santo foi o epicentro do surto, concentrando 2.652 casos, seguido pelo
Rio de Janeiro (99) e Minas Gerais (30). Casos isolados também foram notificados em outros
estados, como Paraíba, Ceará, Paraná e Roraima.

13. LABOISSIÈRE, P. Brasil registra quase 3 mil casos de Oropouche em 2025. Agência Brasil, 2025. Disponível
em: [Link] casos-de-oropouche-em-
2025#:~:text=Ao%20longo%20das%20quatro%20primeiras,e%2030%20em%20Minas%20Gerais. Acesso em: 1º
24 abr. 2025.
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O secretário-adjunto de Vigilância em Saúde e Ambiente, Rivaldo Venâncio, expressou
preocupação com o aumento dos casos, destacando que a situação representa um desafio
adicional para o sistema de saúde brasileiro.

„ Entendendo a febre do Oropouche

A febre do Oropouche é uma doença causada por um arbovírus do gênero Orthobunya-


virus, transmitido principalmente pela picada do mosquito Culicoides paraensis, conhecido
como maruim. A doença foi identificada pela primeira vez no Brasil em 1960, na região ama-
zônica, considerada endêmica para a enfermidade.
Em 2024, a doença se espalhou para outras regiões do país, gerando alerta entre as auto-
ridades de saúde. No ciclo urbano, o mosquito Culex quinquefasciatus, o pernilongo comum,
também pode transmitir o vírus.

„ Sintomas e complicações

Os sintomas da febre do Oropouche são semelhantes aos da dengue, incluindo dor de


cabeça intensa, dor muscular, náusea e diarreia. Em casos mais graves, a doença pode causar
meningite asséptica e meningoencefalite, especialmente em pacientes com sistema imunoló-
gico comprometido.
Em 2024, a Bahia registrou as primeiras mortes por febre do Oropouche, ambas em mulhe-
res jovens e sem comorbidades.

„ Doenças tropicais negligenciadas

O surto de febre do Oropouche no Brasil destaca a importância de investir em pesquisa


e controle de doenças tropicais negligenciadas. Essas doenças, que afetam principalmente
países em desenvolvimento, representam um desafio global de saúde pública.
As mudanças climáticas, o desmatamento e a urbanização desordenada contribuem para
a proliferação de vetores de doenças, como o mosquito maruim. A cooperação internacional
e o fortalecimento dos sistemas de saúde são essenciais para prevenir e controlar surtos
como o de febre do Oropouche.

z Alívio no bolso dos mais pobres: inflação desacelera em janeiro, aponta Ipea14

Apesar do aumento persistente nos preços dos alimentos, o início de 2025 trouxe um res-
piro para os brasileiros, com a inflação desacelerando em todas as faixas de renda, segundo
o Indicador Ipea15 de Inflação por Faixa de Renda. O alívio foi particularmente sentido pelas
famílias de menor renda, que experimentaram uma queda significativa nos preços.
ATUALIDADES

14. MESMO com alta de preços dos alimentos, inflação desacelera para todas as faixas de renda em janeiro. Ipea,
2025. Disponível em: [Link] noticias/noticias/15609-mesmo-
-com-alta-de-precos-dos-alimentos-inflacao-desacelera-para-todas-as- faixas-de-renda-em-janeiro. Acesso em: 1º
abr. 2025.
15. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. 25
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O principal fator por trás dessa desaceleração foi a redução nas tarifas de energia elétrica,
que teve um impacto maior nas famílias de baixa renda devido ao peso desse item em seus
orçamentos. Por outro lado, as famílias de alta renda enfrentaram uma pressão inflacionária
adicional devido ao aumento nos preços das passagens aéreas e combustíveis, o que limitou
a desaceleração da inflação nesse segmento.
Em números, a inflação para a faixa de renda muito baixa caiu de 0,48% em dezembro
para –0,17% em janeiro, enquanto a inflação para a faixa de renda alta se manteve pratica-
mente estável, passando de 0,55% para 0,54%. No acumulado de 12 meses, a faixa de renda
muito baixa registrou a menor alta inflacionária (4%), enquanto a faixa de renda alta apre-
sentou a maior alta (5%).

„ Inflação e desigualdade no mundo

A desaceleração da inflação no Brasil ocorre em um contexto global de desafios econô-


micos e desigualdade crescente. A guerra na Ucrânia e as mudanças climáticas têm gera-
do pressões inflacionárias em diversos países, afetando principalmente as populações mais
vulneráveis.
A desigualdade de renda e riqueza se aprofunda em muitos países, com os mais ricos acu-
mulando cada vez mais riqueza e os mais pobres lutando para sobreviver. A inflação, espe-
cialmente quando concentrada em bens essenciais como alimentos e energia, agrava essa
desigualdade, prejudicando o acesso das famílias de baixa renda a bens e serviços básicos.
No Brasil, a desaceleração da inflação em janeiro é um sinal positivo, mas a persistência
da alta dos preços dos alimentos e a desigualdade de renda continuam sendo desafios impor-
tantes para o país.
Políticas públicas que visem ao aumento da renda dos mais pobres, ao controle da inflação
e à promoção do desenvolvimento sustentável são essenciais para garantir um futuro mais
justo e próspero para todos os brasileiros.
A inflação geral medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mos-
trou uma desaceleração significativa em janeiro de 2025, com um aumento de apenas 0,16%,
em comparação com 0,52% em dezembro de 2024.
Em janeiro de 2025, observa-se que as faixas de renda mais baixas (muito baixa, baixa e
média-baixa) experimentaram uma inflação menor em comparação com as faixas de renda
mais altas. Notavelmente, a faixa de renda muito baixa teve deflação de –0,17% em janeiro.
A variação acumulada no ano (até janeiro de 2025) mostra que o IPCA geral e todas as fai-
xas de renda tiveram um aumento de preços, embora em diferentes magnitudes. A faixa de
renda muito baixa teve a menor variação acumulada no ano (–0,17%), enquanto a faixa de
renda alta teve a maior variação (0,54%).
Ao longo dos últimos 12 meses, todas as faixas de renda também experimentaram infla-
ção, com a faixa de renda muito baixa tendo a menor taxa (4,04%) e a faixa de renda alta
tendo a maior taxa (4,96%).

z Janeiro alagado: Brasil enfrenta onda de enchentes e desalojamentos16

16. AGUIAR, C.; LOOSE, E. B. A cobertura que é mais do mesmo: 2025 começa com chuvas acima da média em
diversas cidades brasileiras. Observatório da Imprensa, 2025. Disponível em: [Link]
[Link]/observatorio-de-jornalismo-ambiental/a-cobertura-que- e-mais-do-mesmo-2025-comeca-com-chuvas-a-
26 cima-da-media-em-diversas-cidades-brasileiras/. Acesso em: 1º abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Janeiro de 2025 foi marcado por intensas chuvas em diversas regiões do Brasil, resultando
em enchentes e alagamentos que causaram grande transtorno e desalojaram milhares de
pessoas.
Em Minas Gerais, a cidade de Dom Silvério registrou a pior enchente dos últimos quatro
anos. O alagamento causou estragos significativos e afetou a vida de muitos moradores. Santa
Catarina também sofreu com as chuvas, que deixaram mais de 700 pessoas desabrigadas em
várias cidades do estado.
Na região metropolitana de São Paulo, a cidade de Carapicuíba foi uma das mais afeta-
das, com mais de 400 pessoas desalojadas devido aos alagamentos. No Rio Grande do Sul, as
chuvas intensas paralisaram o transporte público, com ônibus e trens interrompendo suas
operações.

„ Mudanças climáticas e eventos extremos

As enchentes que atingiram o Brasil em janeiro de 2025 são um lembrete dos crescen-
tes desafios impostos pelas mudanças climáticas. O aumento da frequência e intensidade de
eventos climáticos extremos, como chuvas torrenciais, é uma das consequências do aqueci-
mento global.
Em todo o mundo, países enfrentam eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes
e intensos. Inundações, secas, ondas de calor e tempestades estão se tornando mais comuns,
causando perdas humanas e econômicas significativas.
A comunidade internacional tem se mobilizado para enfrentar as mudanças climáticas,
com acordos como o Acordo de Paris, que busca limitar o aumento da temperatura global. No
entanto, a implementação desses acordos e a adoção de medidas de adaptação são fundamen-
tais para reduzir os impactos das mudanças climáticas e proteger as populações vulneráveis.
No Brasil, a necessidade de investir em infraestrutura resiliente e em sistemas de alerta
precoce é cada vez mais urgente. Além disso, a proteção de áreas de preservação ambiental e
a redução do desmatamento são medidas importantes para mitigar os efeitos das mudanças
climáticas e prevenir desastres naturais.

z Diagnóstico precoce: lei torna obrigatório exame para fibrodisplasia ossificante pro-
gressiva em recém-nascidos17

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº 15.094, que determina a obriga-
toriedade do exame clínico para identificação de malformações nos dedos grandes dos pés,
um indicativo da fibrodisplasia ossificante progressiva (FOP), em recém-nascidos.
A medida, publicada no Diário Oficial da União em 9 de janeiro, visa garantir o diagnóstico
precoce da doença rara, permitindo um acompanhamento e tratamento mais eficazes.
A FOP, também conhecida como miosite ossificante progressiva, é uma condição genética
ATUALIDADES

rara que afeta aproximadamente uma em cada dois milhões de pessoas. Caracterizada pela
formação de ossos fora do esqueleto, a doença limita progressivamente os movimentos, afe-
tando tendões, ligamentos e outras partes do corpo.

17. LEI inclui teste para detectar fibrodisplasia ossificante na triagem neonatal. Câmara dos Deputados, 2025.
Disponível em: [Link] fibrodisplasia-ossifican-
te-na-triagem- neonatal/#:~:text=As%20redes%20p%C3%BAblica%20e%20privada,quinta%2Dfeira%20(9). Acesso
em: 1º abr. 2025. 27
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O diagnóstico precoce é essencial, uma vez que a FOP não tem cura. A identificação de
malformações nos dedos grandes dos pés, um sinal comum em recém-nascidos com a doen-
ça, permite iniciar o acompanhamento médico e o tratamento para minimizar os sintomas e
melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
A nova lei determina que o exame clínico seja realizado nas consultas de rotina das redes
pública e privada de saúde, com cobertura do Sistema Único de Saúde (SUS). O SUS também
oferece assistência especializada para crianças e adolescentes com FOP, incluindo tratamen-
to terapêutico e reabilitador, além de medicamentos para aliviar os sintomas e inflamações.

„ Doenças raras e o acesso à saúde

A sanção da lei que torna obrigatório o exame para FOP em recém-nascidos destaca a
importância do diagnóstico precoce e do acesso à saúde para pessoas com doenças raras.
Estima-se que existam entre seis mil e oito mil doenças raras no mundo, afetando milhões de
pessoas.
O diagnóstico e o tratamento de doenças raras representam um desafio global devido à
falta de informação, à dificuldade de acesso a especialistas e aos custos elevados de medica-
mentos e terapias.
A Organização Mundial da Saúde tem incentivado os países a desenvolverem políticas
públicas para garantir o acesso à saúde e o apoio às pessoas com doenças raras e suas famílias.
No Brasil, a Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doenças Raras, instituída
em 2014, busca garantir o acesso ao diagnóstico, tratamento e acompanhamento das doenças
raras no SUS. A nova lei que torna obrigatório o exame para FOP em recém-nascidos é um
passo importante para fortalecer essa política e garantir o acesso à saúde para pessoas com
doenças raras.

z Dengue: o avanço do DENV-3 e os desafios geopolíticos na luta contra arboviroses18

A dengue é uma doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que representa
um dos maiores desafios sanitários para países tropicais, como o Brasil. O vírus pertence à
família Flaviviridae e apresenta quatro sorotipos distintos: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-
4. Cada um deles pode causar desde infecções assintomáticas até quadros graves da doença,
sendo que infecções repetidas elevam os riscos de complicações severas.
A ausência de imunidade cruzada entre os sorotipos é um dos principais agravantes da
dengue. O Ministério da Saúde alerta que, enquanto a primeira infecção gera proteção vita-
lícia contra o sorotipo específico, a exposição a um segundo sorotipo aumenta significati-
vamente a probabilidade de desenvolver formas mais severas da enfermidade. Esse fator
é fundamental para compreender surtos epidêmicos que ocorrem em ciclos ao longo das
décadas.

„ O retorno do DENV-3: um alerta epidemiológico

18. PEIXOTO, R. Dengue: sorotipo 3 registra aumento no país e preocupa especialistas; entenda impactos. G1, 2025.
Disponível em: [Link] registra-aumento-no-
28 -[Link]. Acesso em: 1º abr. 2025.
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A circulação do sorotipo DENV-3 voltou a ganhar destaque, especialmente em estados
como São Paulo, Minas Gerais, Amapá e Paraná. A preocupação das autoridades sanitárias
se justifica pelo fato de que esse sorotipo não predominava no Brasil desde 2008, tornando
grande parte da população vulnerável.
Historicamente, a introdução de um novo sorotipo está associada a surtos expressivos.
Entre 2000 e 2002, a chegada do DENV-3 desencadeou uma epidemia de grandes proporções,
elevando os números de casos e mortes. Estudos indicam que os sorotipos DENV-2 e DENV-3
são mais frequentemente associados a manifestações severas da doença, tornando essencial
um monitoramento epidemiológico contínuo.

„ Dengue e geopolítica: uma epidemia além das fronteiras

A dengue não é apenas um problema de saúde pública, mas também um desafio geopolí-
tico. A alta incidência da doença em países tropicais está diretamente relacionada a fatores
como mudanças climáticas, urbanização desordenada e desigualdades socioeconômicas.
O aumento das temperaturas globais e os períodos mais longos de chuvas favorecem a
proliferação do Aedes aegypti, ampliando o risco de surtos. Além disso, a globalização inten-
sificou a circulação de pessoas e mercadorias entre regiões endêmicas e não endêmicas, faci-
litando a disseminação do vírus.
Em países vizinhos como Argentina, Paraguai e Bolívia, surtos recentes reforçam a neces-
sidade de estratégias integradas de combate à dengue no âmbito do MERCOSUL (Mercado
Comum do Sul) e de outras cooperações regionais.
No cenário global, a luta contra arboviroses também tem implicações econômicas. A
dengue gera impactos significativos nos sistemas de saúde e na produtividade dos países
afetados. Estimativas indicam que epidemias de dengue podem custar bilhões de dólares
anualmente em tratamentos médicos e afastamentos laborais, tornando essencial o investi-
mento em prevenção e pesquisa.

z Estratégias de prevenção e controle

Com a circulação simultânea dos quatro sorotipos no Brasil, torna-se fundamental intensi-
ficar medidas de prevenção. O combate ao vetor da dengue deve incluir:

„ Eliminação de criadouros: redução de locais com água parada para impedir a repro-
dução do mosquito;
„ Proteção individual: uso de repelentes e instalação de telas protetoras em janelas e
portas;
„ Monitoramento epidemiológico: identificação precoce de surtos e campanhas de
conscientização;
ATUALIDADES

„ Ampliação da vacinação: embora a vacina Qdenga esteja disponível no SUS para


crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, sua expansão para outros públicos pode ser
uma ferramenta essencial para reduzir a incidência da doença.

z Ações emergenciais e campanhas de conscientização

29
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Diante do crescimento expressivo dos casos de dengue, o Ministério da Saúde ativou o
Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública para Dengue e outras Arboviroses
(COE Dengue). O objetivo é articular estados, municípios e instituições científicas para forta-
lecer a resposta às epidemias e antecipar medidas preventivas.
Em paralelo, uma campanha nacional foi lançada para estimular a população a reconhe-
cer os sintomas da doença — febre alta, dores musculares, manchas na pele e dor atrás dos
olhos — e buscar atendimento médico imediato em casos suspeitos. A iniciativa tem como
foco estados com alta incidência, como São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Tocantins,
Mato Grosso do Sul e Paraná.
A dengue, mais do que uma ameaça biológica, é um fenômeno que reflete desafios estrutu-
rais e geopolíticos. O combate à doença exige esforços coordenados entre diferentes níveis de
governo e cooperação internacional, além do compromisso da sociedade em adotar práticas
preventivas.
A história mostra que surtos podem ser cíclicos, mas, com planejamento estratégico, ino-
vação científica e políticas públicas eficazes, é possível mitigar seus impactos e proteger a
população.

z A Revolta dos Malês: resistência, liberdade e impactos na história brasileira19

No dia 24 de janeiro de 2025, completaram-se 190 anos da Revolta dos Malês, o maior
levante de escravizados da história do Brasil.
O episódio, ocorrido em 1835 na cidade de Salvador, mobilizou cerca de 600 africanos
escravizados e libertos, majoritariamente de origem nagô (iorubá) e haussá, grupos étnicos
muçulmanos que se organizaram contra a opressão da escravização e a restrição à sua liber-
dade religiosa.
O movimento, que tinha como objetivo tomar o controle da capital baiana, abolir a escra-
vização e instituir um governo baseado nos preceitos islâmicos, foi duramente reprimido
pelas forças coloniais.
Apesar da derrota, a revolta representou um marco na luta dos povos africanos escraviza-
dos no Brasil e influenciou debates sobre a continuidade do regime escravista.

„ A revolta no contexto global: onda revolucionária e resistência afrodescendente

A Revolta dos Malês não aconteceu isoladamente. O início do século XIX foi um período
de intensa contestação ao colonialismo e à escravização. Na mesma época, diversas revoltas
e insurreições protagonizadas por afrodescendentes marcaram a história das Américas. O
caso mais emblemático foi a Revolução Haitiana (1791–1804), que resultou na independên-
cia do Haiti e na primeira república governada por ex-escravizados.
Na América Latina, levantes similares ocorreram, como a insurreição de José Anto-
nio Aponte em Cuba (1812) e diversas revoltas de escravizados nos Estados Unidos, como
a liderada por Nat Turner (1831). Esses movimentos reforçavam a crescente resistência

19. LEÓN, L. P. Revolta dos Malês: 190 anos da maior rebelião escrava urbana do Brasil. Agência Brasil, 2025. Dis-
ponível em: [Link] anos-da-maior-rebe-
30 liao-escrava-urbana-do-brasil. Acesso em: 1º abr. 2025.
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contra a exploração colonial e o sistema escravista, colocando pressão sobre governos e eli-
tes escravocratas.

„ Consequências da Revolta dos Malês e o caminho para a abolição

A repressão à Revolta dos Malês foi severa. Muitos insurgentes foram executados ou depor-
tados para a África ou receberam punições exemplares. As autoridades passaram a monito-
rar e reprimir ainda mais os africanos muçulmanos, temendo novas rebeliões.
No entanto, o levante foi um dos muitos episódios que evidenciaram a insustentabilida-
de da escravização, contribuindo para a formação de discursos abolicionistas e políticas de
controle da população africana no Brasil. Décadas depois, essas tensões culminariam na Lei
Eusébio de Queirós (1850), que proibiu o tráfico transatlântico de escravizados, e na Abolição
da Escravatura, em 1888.

„ Legado e memória da Revolta dos Malês

A Revolta dos Malês permanece como um símbolo da luta por liberdade e resistência negra
no Brasil. Seu legado é lembrado não apenas na historiografia, mas também nas manifesta-
ções culturais e na luta contemporânea contra o racismo estrutural.
Além disso, o episódio destaca a influência africana na formação da identidade brasileira,
especialmente na Bahia, onde a presença islâmica e iorubá deixaram marcas profundas na
cultura local.
Hoje, ao revisitar a história dos Malês, resgatamos um capítulo de coragem e insubmissão,
reafirmando a importância de valorizar a memória dos que lutaram pela liberdade em meio
à opressão do regime escravista.

z Reconhecimento oficial e memória histórica: a retificação das certidões de óbito das


vítimas da ditadura no Brasil20

Em um marco significativo para a justiça de transição no Brasil, os familiares das 434


vítimas mortas e desaparecidas durante a Ditadura Militar (1964–1985), conforme levan-
tamento da Comissão Nacional da Verdade (CNV), receberão certidões de óbito atualizadas.
A medida, determinada pela Resolução nº 601, de 2024, do Conselho Nacional de Justiça
(CNJ), visa corrigir os registros anteriores, reconhecendo oficialmente que as mortes ocor-
reram de forma violenta e por responsabilidade do Estado, e não por causas naturais, como
anteriormente registrado.
Os documentos serão emitidos sem custos para os familiares e interessados, com previsão
de entrega a partir de fevereiro, após a finalização dos trâmites nos cartórios e o encaminha-
mento das certidões ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC).
ATUALIDADES

A decisão simboliza um passo fundamental na reparação histórica e no direito à memória


e à verdade, pilares essenciais para a consolidação da democracia.

20. DITADURA: CNJ aprova reconhecimento de causa da morte e permite emissão de certidões e óbito. CNJ, 2025.
Disponível em: [Link] morte-e-permite-emissao-
-de-certidoes-de- obito/#:~:text=No%20dia%20em%20que%20se,Nacional%20da%20Verdade%20(CNV). Acesso
em: 1º abr. 2025. 31
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„ O processo de reconhecimento e o papel do CNJ

A retificação das certidões de óbito responde a uma antiga recomendação da Comissão


Nacional da Verdade, publicada em 2014, e segue diretrizes da Comissão Interamericana de
Direitos Humanos (CIDH).
O processo ganhou força com a aprovação da Resolução nº 601, de 2024, ocorrida em 10 de
dezembro de 2024, data que marca os 76 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
O presidente do CNJ, ministro Luís Roberto Barroso, ao relatar o ato normativo aprovado
por unanimidade, destacou a importância da medida:

Embora nunca tenha havido um pedido formal de desculpas, como deveria ter havido, pelo
menos nós, do CNJ, tomamos as providências possíveis de reparação moral dessas pessoas
que foram perseguidas e sofreram o desaparecimento forçado.

O levantamento mais recente do Operador Nacional de Registro Civil de Pessoas Naturais


(ONRCPN) identificou 202 certidões que precisam ser retificadas e 232 novos registros de
óbito a serem emitidos.
Os cartórios terão 30 dias para concluir os procedimentos, garantindo que os novos docu-
mentos cheguem aos familiares sem necessidade de solicitação individual.

„ O Brasil no contexto das comissões da verdade pelo mundo

A retificação dos registros de óbito das vítimas da Ditadura Militar no Brasil insere o país
em um movimento global de justiça de transição, similar ao ocorrido em outras nações que
enfrentaram regimes autoritários.
Na Argentina, a ditadura (1976–1983) deixou um saldo de aproximadamente 30 mil desa-
parecidos. O país foi um dos primeiros a adotar medidas concretas de reparação, incluindo
a condenação de militares envolvidos em crimes contra a humanidade e a busca ativa por
crianças sequestradas.
No Chile, onde o regime de Augusto Pinochet (1973–1990) promoveu assassinatos e desa-
parecimentos forçados, a Comissão Nacional da Verdade e Reconciliação (1991) resultou na
retificação oficial de documentos e no reconhecimento da responsabilidade estatal. Além dis-
so, o país avançou na condenação de ex-agentes da repressão e na construção de memoriais
em homenagem às vítimas.
Outras nações da América Latina, como Uruguai e Peru, também criaram comissões de
verdade e implementaram políticas de reparação. No entanto, o Brasil demorou mais para
tomar medidas semelhantes. Diferentemente da Argentina e do Chile, onde os culpados
foram julgados e presos, no Brasil a Lei da Anistia (1979) ainda impede a responsabilização
criminal dos agentes da ditadura.

„ Memória, justiça e o debate contemporâneo

A retificação das certidões de óbito das vítimas da Ditadura Militar representa mais do
que um ato burocrático: trata-se do reconhecimento oficial de um passado de violações de
direitos humanos e da necessidade de preservar a memória histórica.
32
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O Brasil ainda enfrenta desafios para consolidar sua justiça de transição, principalmen-
te no que diz respeito à responsabilização dos agentes do regime e à educação sobre o
período ditatorial. Países que enfrentaram regimes autoritários semelhantes mostraram
que o caminho para a verdadeira reconciliação passa pelo reconhecimento da verdade, pela
justiça e pela preservação da memória.
A iniciativa do CNJ, embora tardia, é um passo importante para fortalecer o compromisso
com os direitos humanos e a democracia. No entanto, especialistas apontam que a ausência
de punições aos responsáveis pelos crimes da ditadura ainda mantém feridas abertas na his-
tória brasileira, tornando o debate sobre justiça e reparação mais necessário do que nunca.

z Arte, memória e reconhecimento internacional: o impacto de “Ainda Estou Aqui” no


cinema e na história21

No dia 5 de janeiro de 2025, a atriz Fernanda Torres conquistou o Globo de Ouro de Melhor
Atriz em Filme de Drama por sua atuação no longa Ainda Estou Aqui, que retrata a luta de
Eunice Paiva na busca incansável por seu marido, Rubens Paiva, desaparecido durante a
Ditadura Militar brasileira (1964–1985).
A vitória da atriz não apenas destaca o reconhecimento do cinema brasileiro no cenário
global, mas também coloca em evidência um dos períodos mais sombrios da história nacio-
nal. Ao dar visibilidade a um drama real, o filme reforça a importância da memória histórica
e do direito à verdade, temas que ainda ecoam em diversos países que passaram por regimes
autoritários.

„ O Brasil no Oscar: reconhecimento e desafios

No Oscar 2025, em cerimônia realizada no dia 2 de março, o Brasil levou a estatueta de


Melhor Filme Internacional, desbancando os longas Emilia Pérez (França), A Garota da Agu-
lha (Dinamarca), A Semente do Fruto Sagrado (Alemanha) e Flow (Letônia).
O país já teve indicações notáveis, como Central do Brasil (1998), de Walter Salles (mes-
mo diretor de Ainda Estou Aqui), que rendeu uma nomeação ao Oscar de Melhor Atriz para
Fernanda Montenegro, e Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles e Kátia Lund, que se
tornou um fenômeno global.
Além do impacto cultural, uma vitória no Oscar pode representar um avanço no debate
internacional sobre justiça de transição no Brasil. O filme traz a discussão sobre os desapa-
recidos políticos para um público ainda maior, reforçando a necessidade de políticas que
garantam a preservação da memória e a não repetição de regimes autoritários.

„ Cinema e justiça de transição: o papel da arte na preservação da memória


ATUALIDADES

O reconhecimento de Ainda Estou Aqui no circuito internacional reforça o poder do cine-


ma como ferramenta de denúncia e reflexão sobre violências de Estado. Produções cine-
matográficas têm sido fundamentais para resgatar histórias de vítimas do autoritarismo

21. LIMA, G.; MOREIRA, S. S. Ainda Estou Aqui: educar através do cinema. Revista Ensino Superior, 2025. Dispo-
nível em: [Link] cinema/. Acesso
em: 1º abr. 2025. 33
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e promover a conscientização sobre a importância da justiça de transição — conceito que
engloba a responsabilização dos agentes da repressão, a reparação às vítimas e a preserva-
ção da memória.
Em um contexto mais amplo, filmes que abordam períodos ditatoriais e violações dos
direitos humanos ganharam notoriedade em diversas cinematografias. Na Argentina, o filme
Argentina, 1985 (2022), que narra o julgamento dos militares responsáveis pelo terrorismo de
Estado no país, foi indicado ao Oscar e venceu o Globo de Ouro de Melhor Filme Internacio-
nal. No Chile, longas como No (2012), sobre o plebiscito que encerrou a ditadura de Augusto
Pinochet, também tiveram grande impacto global.
No Brasil, a Ditadura Militar ainda é tema de debates e controvérsias, sobretudo no que se
refere à punição dos responsáveis pelos crimes cometidos no período. Ao levar a história de
Eunice Paiva ao cinema, Ainda Estou Aqui se soma a outras produções que buscam lançar luz
sobre um passado que, para muitos, ainda não foi totalmente esclarecido.

„ Arte, política e a construção da memória coletiva

A consagração de Fernanda Torres no Globo de Ouro e a vitória de Ainda Estou Aqui no


Oscar simbolizam mais do que uma conquista artística; representam a força da arte na
reconstrução da memória coletiva.
Em tempos de desinformação e revisionismo histórico, produções como Ainda Estou Aqui
cumprem um papel essencial: dar voz às vítimas, denunciar as violações dos direitos huma-
nos e garantir que a história não seja esquecida.

z Educação e tecnologia: o Brasil segue tendência global ao regulamentar o uso de celu-


lares nas escolas22

No dia 13 de janeiro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o Projeto de
Lei nº 104, de 2015, que restringe o uso de dispositivos eletrônicos portáteis, especialmente
celulares, nas salas de aula do ensino básico em escolas públicas e privadas de todo o país.
A decisão insere o Brasil em um movimento global de restrição ao uso indiscriminado de
celulares no ambiente escolar, seguindo o exemplo de países como França, Espanha, Grécia,
Dinamarca, Itália e Holanda, que já implementaram políticas semelhantes.
Especialistas apontam que a nova lei pode contribuir para a melhoria da atenção dos estu-
dantes, para o fortalecimento da interação social e para a redução da dependência digital
precoce.

„ O desafio da concentração e a busca pelo equilíbrio entre tecnologia e educação

Ao justificar a sanção, o presidente Lula destacou a necessidade de recuperar o foco na


aprendizagem, argumentando que o uso excessivo do celular em sala de aula prejudica a
concentração dos alunos e enfraquece a relação entre professor e estudante.

22. CELULAR nas escolas: Brasil segue tendência global e restringe uso. Matéria 1, 2025. Disponível em: https://
[Link]/2024/12/23/celular-nas-escolas-brasil-segue-tendencia-global-e-restringe- uso/#:~:text=O%20
Projeto%20de%20Lei%20n%C2%BA,e%20segue%20para%20san%C3%A7%C3%A3o% 20presidencial. Acesso em:
34 1º abr. 2025.
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“Imagina uma professora ensinando e, quando olha para os alunos, cada um está olhando
para o celular, um na China, outro na Suécia, outro no Japão. Precisamos evitar que o humanis-
mo seja trocado por algoritmos”, afirmou Lula, enfatizando que a regulamentação não é uma
oposição à tecnologia, mas, sim, uma forma de garantir que sua utilização ocorra de maneira
pedagógica e controlada.
O autor do projeto na Câmara, o deputado federal licenciado Renan Ferreirinha, classifi-
cou a lei como “uma das maiores vitórias da educação brasileira neste século”, ressaltando
que o objetivo é impedir que a hiperconectividade prejudique o aprendizado. Segundo ele,
“toda vez que um aluno recebe uma notificação, é como se ele saísse da sala de aula”, destacan-
do o impacto negativo da dispersão digital durante as aulas.

z O que diz a lei e como será aplicada

Segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, a nova legislação não proíbe completa-
mente o uso de celulares nas escolas, mas restringe sua utilização em sala de aula e durante
os intervalos quando para fins pessoais. Há exceções previstas, como:

„ uso pedagógico, desde que supervisionado por professores;


„ necessidade de acessibilidade tecnológica para alunos com deficiência;
„ situações médicas que exijam o uso do dispositivo.

O ministro reforçou que a lei não busca demonizar a tecnologia, mas regular seu uso para
garantir que ela seja um instrumento de aprendizado, e não de distração. Ele também alertou
sobre o uso cada vez mais precoce e prolongado de telas por crianças, fenômeno que tem sido
debatido globalmente devido a seus impactos no desenvolvimento cognitivo e na socializa-
ção dos jovens.
Além disso, o governo federal anunciou que o Ministério da Educação (MEC) e o Conselho
Nacional de Educação (CNE) publicarão diretrizes para a implementação da norma. Segundo
a secretária nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Maria do Pilar Lacerda Almei-
da e Silva, o objetivo é evitar que a lei seja interpretada como um ato punitivo, permitindo
que seja vista como uma ferramenta educativa.
“O Conselho Nacional de Educação vai publicar uma resolução orientando as escolas sobre
como aplicar essa medida sem que pareça uma opressão”, afirmou a secretária.
Além disso, o MEC fornecerá guias e materiais para apoiar as instituições na adaptação às
novas regras.

z Educação X tecnologia: o Brasil no contexto global

A discussão sobre a presença de celulares nas salas de aula não é exclusiva do Brasil. Nos
ATUALIDADES

últimos anos, diversos países adotaram legislações para regulamentar ou restringir o uso
de dispositivos móveis nas escolas, baseando-se em estudos que apontam seus impactos na
aprendizagem, na saúde mental e na socialização dos alunos.

„ França: desde 2018, proíbe o uso de celulares no ensino fundamental e médio, exceto
para fins pedagógicos ou necessidades especiais;
35
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„ Espanha: algumas regiões, como Madri e Catalunha, adotaram regras que restringem o
uso de dispositivos móveis em escolas públicas;
„ Holanda: em 2023, o governo anunciou uma proibição parcial do uso de celulares no
ensino básico para melhorar a concentração dos alunos;
„ China: desde 2021, há uma diretriz para limitar o uso de smartphones nas escolas visan-
do reduzir a dependência digital e promover hábitos saudáveis.

Essas medidas refletem um movimento global de regulamentação da tecnologia na


educação, buscando equilibrar seus benefícios e desafios. A adoção dessa política pelo Brasil
coloca o país em sintonia com essas iniciativas, demonstrando preocupação com a qualidade
do ensino e o desenvolvimento dos estudantes.

z O papel das famílias e da sociedade na aplicação da lei

Embora a regulamentação restrinja o uso de celulares dentro do ambiente escolar, espe-


cialistas alertam que a educação digital deve começar em casa.
O ministro Camilo Santana enfatizou que pais e responsáveis precisam participar ativa-
mente desse processo, ajudando a estabelecer limites saudáveis para o uso de telas fora da
escola.
“Estamos fazendo uma ação na escola, mas é fundamental conscientizar as famílias sobre a
necessidade de controlar o uso desses dispositivos em casa”, afirmou Santana.
Pesquisas indicam que o uso excessivo de telas pode impactar o desenvolvimento neu-
rológico de crianças e adolescentes, afetando habilidades como concentração, memória e
capacidade de interação social.
Dessa forma, a nova legislação deve ser acompanhada de campanhas de conscientização,
incentivando um uso mais equilibrado da tecnologia tanto no ambiente escolar quanto na
rotina familiar.

z Um novo caminho para a educação brasileira

A sanção da Lei nº 104, de 2015, marca um divisor de águas no debate sobre tecnologia
e educação no Brasil. Ao adotar uma regulamentação alinhada às práticas internacionais, o
país busca fortalecer a aprendizagem, melhorar a atenção dos estudantes e promover um
uso mais consciente das telas.
A implementação da nova norma exigirá diálogo entre professores, alunos, pais e res-
ponsáveis e gestores educacionais, garantindo que a medida seja aplicada de forma eficaz e
didática. O desafio será encontrar um equilíbrio entre a inovação tecnológica e a necessidade
de manter a sala de aula como um espaço de aprendizado e interação humana.
Se bem conduzida, essa política pode representar um avanço significativo para a educação
brasileira, ajudando a preparar as novas gerações para um futuro em que a tecnologia seja
ferramenta de conhecimento, e não de distração.

36
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z O polêmico uso do PMMA: regulamentação, riscos e o debate global sobre procedi-
mentos estéticos23

O Conselho Federal de Medicina (CFM) formalizou um pedido à Agência Nacional de Vigi-


lância Sanitária (Anvisa) para que o polimetilmetacrilato (PMMA) seja proibido como subs-
tância de preenchimento em procedimentos estéticos no Brasil.
A solicitação, entregue em 21 de janeiro de 2025, exige a suspensão imediata da produção
e comercialização de preenchedores à base desse material no país, alegando riscos graves à
saúde dos pacientes.
O debate sobre a segurança do PMMA não é recente. Em 2024, tanto a Sociedade Brasileira
de Cirurgia Plástica quanto a Sociedade Brasileira de Dermatologia já haviam emitido alertas
sobre os perigos associados ao uso da substância.
Entre as complicações mais frequentes, estão infecções, inflamações persistentes, necroses
e, em casos mais severos, insuficiência renal e até óbito. Além disso, o PMMA é notoriamente
difícil de ser removido do organismo, o que pode resultar em sequelas definitivas.

z O PMMA e seu uso no setor de saúde

O polimetilmetacrilato é um polímero amplamente utilizado em diversas áreas da medi-


cina e da indústria. Em aplicações médicas, aparece em lentes de contato, em cimento ósseo
ortopédico e até em implantes esofágicos. No setor estético, no entanto, seu uso tem sido alvo
de intensos questionamentos devido aos riscos envolvidos, especialmente em procedimentos
de aumento de volume corporal, como preenchimento de glúteos e lábios.
Casos de complicações associadas ao PMMA têm se multiplicado no Brasil. Em 2020, uma
influenciadora digital perdeu parte do lábio e do queixo após um preenchimento malsucedi-
do. No ano passado, outro caso trágico chamou a atenção do país: uma mulher faleceu após
se submeter a um procedimento para aumentar os glúteos utilizando a substância.

z O Brasil no cenário internacional

A regulamentação de substâncias preenchedoras varia significativamente entre os países.


Em nações como Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, o uso do PMMA em procedimentos
estéticos é altamente restrito e, em alguns casos, proibido. Na Europa, a União Europeia vem
revisando a legislação sobre biopolímeros, exigindo maior rigor nas aprovações de produtos
médicos e estéticos.
No Brasil, a Anvisa ainda autoriza o PMMA para fins corretivos, como no tratamento de
deformidades faciais decorrentes de doenças como poliomielite e lipodistrofia (alteração na
distribuição de gordura no corpo, comum em pacientes com HIV/aids).
A agência enfatiza que sua aplicação deve ser realizada exclusivamente por médicos e
ATUALIDADES

odontólogos capacitados. Entretanto, na prática, a fiscalização tem sido falha, e procedimen-


tos clandestinos continuam ocorrendo.

23. LABOISSIÈRRE, P. Entenda o que é PMMA e os riscos do uso em procedimentos estéticos. Agência Brasil, 2025.
Disponível em: [Link] pmma-e-os-riscos-em-
-procedimentos-esteticos. Acesso em: 1º abr. 2025. 37
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z O crescimento do mercado estético e a falta de regulação

A popularização dos procedimentos estéticos tem gerado um crescimento expressivo da


oferta de cursos voltados para a área.
Segundo levantamento do CFM divulgado em setembro, o Brasil tem 3.532 cursos de esté-
tica cadastrados no Ministério da Educação, sendo que 98% não exigem formação em medi-
cina. Ainda mais preocupante: 81% dessas formações são oferecidas no formato de ensino a
distância, muitas vezes sem a devida supervisão técnica.
Diante desse cenário, o CFM vem defendendo um controle mais rigoroso sobre quem pode
realizar procedimentos invasivos. Em 2024, um pacto foi firmado entre representantes dos
três Poderes e do ministério público, entidades médicas e órgãos de defesa do consumidor
para reforçar a segurança do paciente e combater o exercício ilegal da medicina. A entidade
argumenta que há um “quadro de descontrole” no setor, com a necessidade urgente de medi-
das que garantam o cumprimento da Lei do Ato Médico.

z O futuro da regulamentação

A decisão sobre a proibição do PMMA no Brasil agora está nas mãos da Anvisa, que pre-
cisará equilibrar os benefícios do uso médico da substância com os riscos associados à sua
aplicação em procedimentos estéticos.
O desfecho desse debate poderá redefinir o mercado de estética no país, colocando o Brasil
em um novo patamar de regulação, alinhado às melhores práticas internacionais ou manten-
do brechas que permitem o uso indiscriminado do produto.
A questão vai além da medicina e se insere em um contexto mais amplo de governança
sanitária e proteção ao consumidor. A crescente busca por intervenções estéticas, aliada à
influência das redes sociais e à pressão por padrões de beleza, levanta um dilema que não
é apenas técnico, mas também ético e social: até que ponto a estética pode justificar riscos
severos à saúde?

z O ano mais quente da história do Brasil e o impacto global do clima: uma perspectiva
histórica e geopolítica24

O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) confirmou que 2024 foi o ano mais quente
registrado no Brasil desde o início das medições em 1961.
De acordo com o órgão, a temperatura média do país superou em 0,79 °C a média dos últi-
mos 20 anos, consolidando uma tendência alarmante de aquecimento global.
A análise do INMET apontou que esse recorde de calor foi influenciado, em grande parte,
pelos efeitos do fenômeno El Niño, que intensificou padrões climáticos extremos em diversas
partes do mundo.
O El Niño consiste no aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico Equatorial,
impactando a circulação atmosférica global e alterando padrões de umidade e temperatura,
sobretudo em regiões tropicais.

24. MARIN, J. O que significa 2024 ser o ano mais quente da história? Entenda impactos. CNN Brasil, 2025. Dispo-
nível em: [Link] quente-da-historia-enten-
38 da-impactos/. Acesso em: 1º abr. 2025.
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„ Clima, história e a transformação da geopolítica

Eventos climáticos extremos, como os desencadeados pelo El Niño, não são apenas fenô-
menos naturais; eles moldam sociedades, economias e a geopolítica mundial.
Ao longo da história, variações climáticas já foram responsáveis por crises agrícolas, des-
locamentos populacionais e até mesmo colapsos de civilizações.
O Império Maia, por exemplo, sofreu com períodos prolongados de seca que contribuíram
para seu declínio. Já a Pequena Era do Gelo (entre os séculos XIV e XIX) afetou profundamen-
te a Europa, causando fome e impulsionando mudanças políticas e sociais.
No contexto contemporâneo, as mudanças climáticas se tornaram um fator crucial na geo-
política global. O aquecimento do planeta tem intensificado disputas por recursos hídricos,
ampliado crises migratórias e desafiado políticas energéticas.
O Brasil, como um dos países mais afetados por eventos climáticos extremos, enfrenta
desafios não apenas ambientais, mas também econômicos e sociais. O aumento da tempera-
tura impacta a produção agrícola, eleva os riscos de queimadas e pressiona o sistema energé-
tico, que depende fortemente da geração hidrelétrica.
Além disso, a posição brasileira nas negociações climáticas internacionais tem se tornado
cada vez mais estratégica. O país desempenha um papel fundamental em fóruns como a COP
(Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática), em que se discute o financiamen-
to de ações climáticas, a preservação da Amazônia e o compromisso global com a redução de
emissões de gases de efeito estufa.

„ O futuro do clima e os próximos desafios

Diante do agravamento das mudanças climáticas, especialistas alertam que novos recor-
des de temperatura podem se tornar cada vez mais frequentes, principalmente devido ao
aumento contínuo das emissões de carbono.
O combate ao aquecimento global exige medidas imediatas, como o fortalecimento de
políticas ambientais, investimentos em energia limpa e ações para reduzir a vulnerabilidade
de populações expostas a eventos extremos.
O recorde de calor registrado em 2024 é mais do que um dado meteorológico; é um alerta
sobre os impactos profundos das mudanças climáticas no Brasil e no mundo. A resposta a
esse desafio será determinante para o futuro ambiental, econômico e geopolítico do planeta.

ATUALIDADES — FEVEREIRO DE 2025

Mundo

z China busca fortalecer presença na América Latina em meio a tensões com os EUA25
ATUALIDADES

Em meio à crescente disputa geopolítica com os Estados Unidos, a China tem intensificado
esforços para ampliar sua presença e influência na América Latina.

25 CHINA quer ampliar parceria na América Latina em meio a exigências de Trump. CNN Brasil, 2025. Disponível
em: [Link] na-america-latina-em-
-meio-a-exigencias-de-trump/. Acesso em: 1º abr. 2025. 39
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Durante um encontro com a ministra das Relações Exteriores da Bolívia, Celinda Sosa, o
chanceler chinês Wang Yi reafirmou o compromisso do país asiático com a região, enfatizan-
do que a China será sempre uma “parceira confiável” dos países latino-americanos.
A declaração foi feita em reunião paralela à Assembleia Geral das Nações Unidas e veio
acompanhada de críticas implícitas aos EUA. “A América Latina é o lar do povo latino-ameri-
cano e não é o ‘quintal’ de nenhum país”, destacou Wang, numa clara referência ao histórico
de influência norte-americana sobre o continente.

„ Investimentos e parcerias estratégicas: o avanço da China

A Bolívia é um dos principais exemplos do avanço chinês na América do Sul. Desde o


estabelecimento de relações diplomáticas em 1985, o país andino se tornou um receptor
importante de investimentos chineses, principalmente nos setores de mineração, energia e
transporte.
Segundo dados do Banco Mundial, a Bolívia já acumula uma dívida de mais de US$ 1,7
bilhão com a China, que é o maior credor bilateral do mundo.
Além disso, de acordo com o American Enterprise Institute, as empresas chinesas investi-
ram cerca de US$ 6 bilhões na Bolívia, concentrando-se em áreas estratégicas como a explo-
ração de metais raros, essenciais para a indústria global de tecnologia.
Por outro lado, o investimento direto dos Estados Unidos na Bolívia é relativamente modes-
to, em torno de US$ 430 milhões, com foco nos setores de petróleo, gás e manufatura, segundo
o Departamento de Estado norte-americano. Esse cenário expõe o crescimento vertiginoso da
presença econômica da China, o que tem gerado preocupação em Washington.

„ Disputa por influência regional: a “nova guerra fria” na América Latina

A movimentação chinesa acontece em um momento em que o presidente dos EUA, Donald


Trump, em seu segundo mandato, tem adotado posturas mais duras em relação ao comércio
e à política externa, inclusive pressionando países latino-americanos a reverem suas rela-
ções com Pequim.
A América Latina, historicamente considerada uma zona de influência norte-americana
desde a Doutrina Monroe, volta a ser um ponto central de disputa geopolítica entre as duas
maiores potências do mundo.
Com investimentos robustos em infraestrutura, energia e tecnologia, a China busca conso-
lidar sua posição de parceira preferencial para vários países da região, ao mesmo tempo em
que oferece alternativas ao tradicional alinhamento com os EUA.
Por outro lado, os americanos têm tentado conter esse avanço por meio de pressões diplo-
máticas e econômicas, especialmente sobre governos mais alinhados a Washington.

„ A importância estratégica da América Latina

Para a China, a América Latina representa não apenas um mercado em expansão, mas
também uma fonte crucial de recursos naturais (como lítio, cobre e gás), fundamentais para
sustentar sua economia e suas cadeias de produção tecnológica.
Além disso, a região oferece posições geoestratégicas relevantes, com portos e infraestru-
40 tura logística que podem apoiar o comércio chinês global.
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A disputa entre China e EUA na América Latina revela, assim, um cenário de crescen-
te polarização internacional, no qual países como a Bolívia, Argentina, Brasil e Chile, entre
outros, veem-se diante do desafio de equilibrar suas parcerias econômicas com as pressões
políticas e estratégicas das grandes potências.
Ao afirmar que a América Latina “não é o quintal de ninguém”, a China sinaliza sua inten-
ção de atuar com autonomia e profundidade na região, desafiando diretamente a supremacia
histórica dos Estados Unidos, num movimento que deve continuar a remodelar o equilíbrio
de forças no continente nos próximos anos.

z Trump e Gaza: uma análise geopolítica e histórica26

O recente pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a pos-
sibilidade de Washington assumir o controle da Faixa de Gaza gerou reações intensas no
cenário internacional.
Sua proposta inclui a reconstrução do território devastado e a realocação de palestinos
para países vizinhos. Esse plano, que lembra abordagens históricas de colonização e realoca-
ção forçada, levanta questões sobre sua viabilidade política, legal e humanitária.

„ O contexto atual da Faixa de Gaza

A Faixa de Gaza, historicamente marcada por conflitos entre Israel e grupos militantes
palestinos, vive uma crise humanitária sem precedentes após os recentes embates entre o
Hamas e Israel.
Desde a ofensiva israelense de outubro de 2023, a região enfrenta escassez de alimentos,
colapso na infraestrutura e deslocamento em massa da população.
A ideia de Trump de transformar Gaza na “Riviera do Oriente Médio” reflete uma visão
ambiciosa e potencialmente irrealista, dada a complexidade política e social da região. Além
disso, a sugestão de realocar palestinos para outros países remete a crises históricas de des-
locamento forçado, como o êxodo palestino de 1948 (Nakba).

„ Implicações históricas e comparativos geopolíticos

A proposta de Trump ecoa momentos críticos da história global. Durante a Nakba, cer-
ca de 700 mil palestinos foram expulsos ou fugiram de suas terras, levando a um conflito
prolongado.
Em paralelo, situações como a divisão da Índia em 1947, que forçou o deslocamento de
milhões entre a Índia e o Paquistão, mostram os desafios humanitários e as consequências
sociais de realocações em larga escala.
Geopoliticamente, a ideia de uma presença militar americana em Gaza também levanta
ATUALIDADES

questões sobre precedentes históricos. Ocupações como a do Iraque após 2003 e a presença
prolongada no Afeganistão mostraram os desafios de intervenções estrangeiras em regiões
instáveis.

26 FAYYAD, S. Existem motivos econômicos por trás do plano de Trump para controlar Gaza? BBC News Brasil,
2025. Disponível em: [Link] Acesso em: 1º abr. 2025. 41
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z Reações internacionais

A proposta de Trump gerou reações diversas:

„ Lideranças palestinas: rejeitaram categoricamente qualquer tentativa de realoca-


ção da população, afirmando que se trata de uma tentativa de apagamento histórico e
étnico;
„ Egito e Jordânia: demonstraram oposição à ideia de receber refugiados palestinos,
temendo desestabilização interna;
„ União Europeia e ONU: alertaram sobre as violações ao direito internacional humani-
tário e sobre os riscos de uma escalada regional do conflito;
„ Israel: Netanyahu, embora aliado de Trump, não manifestou apoio claro à ideia de uma
gestão americana em Gaza, mantendo a posição de Israel como um Estado que busca
sua própria segurança e controle territorial.

z Possíveis consequências geopolíticas

Caso a proposta de Trump avance, diversos cenários podem emergir:

„ Resistência palestina: o Hamas e outros grupos poderiam intensificar sua oposição,


desencadeando novos conflitos;
„ Intervenção regional: o Irã e grupos aliados, como o Hezbollah, poderiam reagir,
ampliando a instabilidade;
„ Impacto na relação EUA–Oriente Médio: aliados dos EUA, como a Arábia Saudita,
podem reconsiderar suas parcerias caso percebam a proposta como uma afronta à
soberania palestina;
„ Conflito prolongado: a gestão americana poderia se tornar um impasse similar ao Afe-
ganistão, levando os EUA a uma presença militar prolongada sem solução definitiva.

Portanto, a proposta de Trump para a Faixa de Gaza representa um dos planos mais con-
troversos de sua política externa. Envolvendo realocação populacional, intervenção mili-
tar e reconstrução sob um modelo ocidental, a ideia enfrenta resistências profundas tanto
históricas quanto geopolíticas. Seu sucesso ou fracasso pode redefinir o papel dos EUA no
Oriente Médio, mas também carrega riscos significativos de desestabilização regional e crise
humanitária.

z Saída da Argentina da OMS: implicações geopolíticas e históricas27

No dia 5 de fevereiro de 2025, o presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou a retirada


do país da Organização Mundial da Saúde (OMS). A decisão foi justificada por “divergências
profundas” sobre a gestão da pandemia de covid-19 e em nome da soberania nacional.

27 ARGENTINA anuncia saída da OMS por “divergências profundas”. Agência Brasil, 2025. Disponível em: https://
[Link]/internacional/noticia/2025-02/argentina-anuncia-saida-da-oms-por- divergencias-pro-
42 fundas. Acesso em: 1º abr. 2025.
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A medida reflete uma postura crescente de governos que contestam a influência de orga-
nismos multilaterais na formulação de políticas públicas.

„ Contexto da saída

A relação entre a Argentina e a OMS se tornou tensa desde a pandemia, quando Milei e
seus aliados criticaram fortemente as diretrizes globais sobre lockdowns e vacinação. A deci-
são de deixar a organização marca um momento histórico, pois a Argentina sempre foi um
participante ativo em debates globais sobre saúde.
Historicamente, saídas de organizações multilaterais costumam indicar um reposiciona-
mento estratégico. Um caso similar ocorreu quando os Estados Unidos, sob a presidência
de Donald Trump, deixaram a OMS em 2020, alegando falhas na gestão da pandemia e uma
suposta influência excessiva da China.

z Impactos internacionais

A decisão de Milei teve repercussão global:

„ OMS: lamentou a decisão, enfatizando a importância da cooperação internacional em


crises sanitárias;
„ União Europeia: manifestou preocupação com a possibilidade de impactos negativos
na saúde pública argentina;
„ Mercosul: países vizinhos como Brasil e Uruguai demonstraram inquietação quanto às
consequências regionais da medida.

z Consequências para a Argentina

A saída da OMS pode ter implicações significativas:

„ Acesso a medicamentos e vacinas: a Argentina pode enfrentar dificuldades na aquisi-


ção de vacinas e insumos médicos distribuídos por meio da OMS;
„ Financiamento internacional: programas de saúde financiados por organismos inter-
nacionais podem ser comprometidos;
„ Isolamento diplomático: a medida pode afastar a Argentina de parceiros estratégicos
na saúde global;
„ Autonomia política: para Milei, a decisão reforça a soberania nacional e reduz a
influência de organismos multilaterais sobre políticas internas.

A retirada da Argentina da OMS é um marco na política externa do país e reflete a visão


ATUALIDADES

de Milei sobre soberania e governança global. No entanto, a medida gera incertezas quanto
à capacidade da Argentina de enfrentar futuras crises sanitárias sem o suporte da OMS. O
impacto dessa decisão será observado nos próximos anos, tanto no âmbito da saúde pública
quanto nas relações internacionais do país.

43
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z Israel anuncia saída do Conselho de Direitos Humanos da ONU em meio a crescentes
tensões internacionais28

Em mais um capítulo da crise diplomática envolvendo Israel e a comunidade interna-


cional, o governo israelense anunciou, no dia 6 de fevereiro de 2025, sua retirada oficial do
Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU).
A decisão foi confirmada pelo ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, por
meio de uma carta enviada ao presidente do conselho, Jorg Lauber, e publicada em sua conta
na rede social X (antigo Twitter).
Segundo Saar, o país abandona o órgão por considerar que sofre um “preconceito institu-
cional contínuo e implacável”, o que, segundo ele, compromete a imparcialidade do conselho
desde a sua criação, em 2006.

„ Alinhamento com os Estados Unidos de Trump

A saída de Israel ocorre apenas dois dias depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald
Trump, assinar um decreto oficializando a retirada norte-americana do mesmo conselho.
Trump, que desde seu retorno ao governo adota uma política ainda mais alinhada a Israel,
também decidiu manter a suspensão do financiamento à UNRWA (Agência da ONU para
Refugiados Palestinos), aprofundando a crise humanitária na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.
O alinhamento entre Israel e Estados Unidos reflete não apenas a aliança política entre os
dois países, mas também uma tentativa conjunta de enfraquecer as instituições multilaterais
que, segundo eles, estariam adotando posturas parciais contra Israel no tratamento do con-
flito com os palestinos.

„ Reação internacional: fortes críticas do relator da ONU

A decisão israelense gerou forte reação internacional. Francesca Albanese, relatora espe-
cial das Nações Unidas para os Territórios Palestinos Ocupados, classificou o ato como “extre-
mamente sério” e um sinal de que Israel “não reconhece nenhuma responsabilidade pelos
seus atos”.
Em entrevista, Albanese afirmou:

Isso mostra a arrogância e a falta de percepção do que eles [Israel] fizeram. Eles insistem na
autojustiça, que não têm nada pelo que serem responsabilizados, e estão provando isso para
toda a comunidade internacional.

Albanese foi ainda mais longe ao alertar sobre o agravamento do que descreveu como um
possível “genocídio de Israel contra os palestinos”, destacando que a violência na Cisjordânia
tem aumentado de forma alarmante, com o norte do território sendo alvo de operações mili-
tares intensas e o sul, vítima de ataques de colonos armados.

28 UM dia após EUA, Israel anuncia saída do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Brasil de Fato, 2025. Disponí-
vel em: [Link] conselho-de-direi-
44 tos-humanos-da-onu/. Acesso em: 1º abr. 2025.
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„ Silêncio europeu e a erosão dos direitos humanos no cenário internacional

Outro ponto criticado por Francesca Albanese foi o silêncio das potências europeias diante
do movimento de Israel e dos Estados Unidos. Para ela, o momento exige uma resposta firme
da comunidade internacional: “Estou surpresa que os Estados europeus estejam se mantendo
em silêncio em vez de se levantarem e dizerem: ‘Isso é um absurdo total, e não toleraremos
isso’”.
Segundo Albanese, a retirada do Conselho de Direitos Humanos e o bloqueio ao financia-
mento da UNRWA representam um ataque direto ao sistema internacional de proteção dos
direitos humanos, afetando não apenas a questão palestina, mas o equilíbrio das instituições
criadas para garantir os direitos fundamentais em todo o mundo.

„ Consequências para a causa palestina e para a ONU

A saída de Israel e dos Estados Unidos do Conselho de Direitos Humanos enfraquece ain-
da mais as possibilidades de resolução pacífica do conflito israelo-palestino no âmbito das
Nações Unidas, justamente em um momento em que o mundo acompanha, com preocupa-
ção, o agravamento da violência na Cisjordânia e em Gaza.
Além disso, o esvaziamento do conselho por essas potências coloca em xeque a capacidade
da ONU de atuar em crises humanitárias que envolvem grandes aliados dos Estados Unidos,
revelando as limitações da diplomacia multilateral frente a governos que desafiam aberta-
mente o sistema internacional.

„ Um cenário de incertezas e tensões crescentes

Com essa decisão, Israel reforça seu isolamento diplomático em setores da comunidade
internacional, ao mesmo tempo em que aumenta sua dependência do apoio norte-america-
no. Por outro lado, o gesto é um duro golpe para a diplomacia multilateral e para os esforços
da ONU em buscar uma solução negociada para o conflito.
O futuro da causa palestina se torna ainda mais incerto, em um cenário marcado por vio-
lência crescente, ausência de diálogo e risco iminente de um colapso humanitário generaliza-
do, especialmente após o avanço de tropas e tanques israelenses na Cisjordânia.
Diante desse cenário, cresce a expectativa por respostas mais contundentes de outros ato-
res globais, especialmente a União Europeia e potências regionais, para frear a escalada do
conflito.

z Mês mais quente da história: impactos e implicações globais29

Janeiro de 2025 entrou para a história como o mês mais quente já registrado no planeta,
ATUALIDADES

com uma temperatura global 1,75 °C acima dos níveis pré-industriais. Esse recorde foi docu-
mentado pelo Serviço Copernicus para Mudanças Climáticas da União Europeia e reflete uma
tendência preocupante de aquecimento global acelerado.

29 JANEIRO mais quente da história: como altas temperaturas afetam a saúde? CNN Brasil, 2025. Disponível em:
[Link] temperaturas-afetam-a-saude/.
Acesso em: 1º abr. 2025. 45
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Os efeitos desse aumento foram sentidos de maneira desigual ao redor do mundo, com
regiões como sudeste da Europa, nordeste e noroeste do Canadá, Alasca, Sibéria, sul da Amé-
rica do Sul, África, grande parte da Austrália e Antártida enfrentando condições climáticas
extremas.

z Causas e tendências do aquecimento

O recorde de janeiro de 2025 é resultado de uma combinação de fatores:

„ Emissões de gases de efeito estufa: o aumento contínuo de CO₂ e outros gases agrava
o efeito estufa, intensificando o aquecimento global;
„ Fenômeno El Niño: em 2024, o Pacífico equatorial experimentou um forte El Niño, um
fenômeno climático que contribui para temperaturas mais altas em escala global;
„ Retroalimentação climática: o derretimento do gelo no Ártico e na Antártida reduz a
reflexividade da superfície terrestre, absorvendo mais calor e acelerando o aquecimento.

z Impactos globais

Os efeitos desse aquecimento recorde já estão sendo sentidos em várias partes do mundo:

„ Eventos extremos: ondas de calor atingiram regiões como a Europa, a Austrália e a


América do Sul, batendo recordes de temperatura e aumentando riscos de incêndios
florestais;
„ Desafios para a agricultura: o calor extremo e a seca afetaram plantações na Argenti-
na, no Brasil e no Sahel africano, colocando em risco a segurança alimentar global;
„ Crise na Antártida: o degelo na região foi um dos mais rápidos da história, ameaçando
os ecossistemas locais e contribuindo para a elevação do nível do mar;
„ Aumento de doenças relacionadas ao clima: regiões tropicais registraram surtos de
doenças como dengue e malária devido ao calor e às chuvas irregulares.

z Respostas e medidas mitigadoras

A comunidade internacional tem buscado formas de conter a crise climática, mas desafios
políticos e econômicos dificultam a implementação de medidas eficazes:

„ Acordos climáticos: a COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Cli-
máticas de 2025), marcada para novembro de 2025, será um momento fundamental
para revisar metas de emissões e reforçar compromissos de descarbonização;
„ Investimentos em energia limpa: países como a China e a União Europeia estão inten-
sificando investimentos em energia solar e eólica, enquanto os EUA buscam um equilí-
brio entre sustentabilidade e pressões da indústria de combustíveis fósseis;
„ Adaptação urbana: cidades ao redor do mundo estão implementando planos de adap-
tação climática, como infraestrutura verde e resfriamento urbano, para minimizar os
impactos do calor extremo.

46
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O recorde de temperatura global em janeiro de 2025 representa um alerta urgente para a
necessidade de ação climática imediata. O aquecimento global continua a impactar comuni-
dades, ecossistemas e economias em todo o planeta. Sem medidas drásticas para reduzir as
emissões de gases de efeito estufa e mitigar os impactos climáticos, eventos extremos como
esse se tornarão cada vez mais frequentes, ameaçando a estabilidade global a longo prazo.

z Doenças misteriosas no Congo: alerta sanitário e desafios para a OMS30

Nas últimas semanas, mais de 50 pessoas morreram devido a doenças de origem desco-
nhecida na região noroeste da República Democrática do Congo, de acordo com a Organiza-
ção Mundial da Saúde.
Os surtos foram detectados em comunidades remotas na província de Equateur, uma área
historicamente afetada por doenças infecciosas como Ebola e febre de Marburg.

z Possíveis causas e investigação epidemiológica

As autoridades sanitárias locais, com apoio da OMS e de organizações humanitárias, estão


conduzindo investigações para identificar a origem do surto. Algumas das hipóteses conside-
radas incluem:

„ Doenças zoonóticas: regiões tropicais como Equateur são suscetíveis a doenças trans-
mitidas por animais, como febres hemorrágicas;
„ Novas variantes de patógenos conhecidos: a possibilidade de mutações em vírus
conhecidos pode representar um desafio para identificação e tratamento;
„ Condições sanitárias precárias: a falta de acesso a água potável e saneamento ade-
quado pode contribuir para a propagação de doenças infecciosas.

z Impactos locais e internacionais

A crise sanitária na República Democrática do Congo ocorre em um contexto de desafios


políticos e econômicos. A falta de infraestrutura médica e a presença de grupos armados difi-
cultam a resposta das equipes de saúde.
No âmbito internacional, a OMS alertou para o risco de propagação da doença para países
vizinhos, destacando a necessidade de monitoramento rigoroso nas fronteiras.

z Medidas de controle e resposta global

Diante da incerteza sobre a causa da doença, estão sendo implementadas medidas


emergenciais:
ATUALIDADES

„ envio de equipes médicas para coleta de amostras e rastreamento de contatos;


„ reforço da vigilância epidemiológica em áreas afetadas;

30 DOENÇA desconhecida mata mais de 50 pessoas em parte do Congo em poucas horas. G1, 2025. Disponível
em: [Link] 50-pessoas-em-parte-
-[Link]. Acesso em: 1º abr. 2025. 47
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„ parcerias com instituições de pesquisa para acelerar o diagnóstico;
„ campanhas de conscientização junto às comunidades locais.

A emergência de doenças de origem desconhecida na província de Equateur reforça a


importância de investimentos em saúde global e resposta rápida a crises epidemiológicas. A
situação continua em evolução, exigindo monitoramento constante e colaboração interna-
cional para evitar que novos surtos se tornem pandemias.

z Itália propõe cúpula EUA–Europa: lições históricas e o risco de fragmentação do


Ocidente31

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, anunciou em 28 de fevereiro de 2025 que o


governo italiano pretende articular com seus parceiros uma cúpula emergencial reunindo os
Estados Unidos, os principais países europeus e aliados estratégicos. O objetivo será discutir
medidas coordenadas para enfrentar os desafios globais contemporâneos, com ênfase na
crise da Ucrânia e seus desdobramentos.
Em uma declaração oficial, Meloni alertou sobre as consequências da falta de coesão entre
os países ocidentais: “Toda divisão no Ocidente nos torna mais vulneráveis e beneficia aqueles
que desejam ver o declínio da nossa civilização”, afirmou.
Sua manifestação veio após uma reunião tensa entre o presidente da Ucrânia, Volodymyr
Zelensky, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que resultou em um impasse
diplomático.
A proposta italiana ecoa momentos críticos da história, como a Conferência de Yalta (1945),
quando os Aliados se uniram para definir a ordem mundial do pós-guerra, e a Crise dos Mís-
seis de 1962, em que a unidade entre Washington e seus aliados europeus foi essencial para
evitar um conflito nuclear. No entanto, diferentemente dessas ocasiões, o atual momento geo-
político é marcado por divisões internas e um declínio da confiança mútua dentro do bloco
ocidental.
A fragmentação política na Europa e nos Estados Unidos, alimentada por crises econô-
micas, disputas sobre políticas de defesa e o ressurgimento de narrativas nacionalistas, tem
enfraquecido a capacidade de resposta conjunta do Ocidente. A guerra na Ucrânia, que conti-
nua a impactar a segurança global e as relações energéticas, é apenas um dos reflexos desse
descompasso.
Nesse contexto, a iniciativa de Meloni busca resgatar o espírito de cooperação estratégica
que definiu o Ocidente nas décadas passadas. O desafio será conciliar as diferentes visões
sobre temas como apoio militar a Kiev, relações com a China e um possível redesenho das
alianças internacionais diante da ascensão de potências emergentes.
A história demonstra que a unidade ocidental sempre foi fundamental para a estabilidade
global. Resta saber se os líderes atuais conseguirão superar suas diferenças e atuar em prol
de um objetivo comum ou se o Ocidente continuará seu caminho de fragmentação, abrindo
espaço para novos equilíbrios de poder no cenário internacional.

31 PRIMEIRA-MINISTRA italiana pede cúpula ‘sem demora’ entre EUA, Europa e aliados. UOL, 2025. Disponível em:
[Link] pede-cupula-sem-demora-
48 -[Link]. Acesso em: 1º abr. 2025.
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z ONU adota resolução dos EUA sobre guerra na Ucrânia: um marco geopolítico entre
pressão e diplomacia32

O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou em 24 de fevereiro de 2025 uma


resolução proposta pelos Estados Unidos para marcar o terceiro aniversário da invasão russa
à Ucrânia. O texto, que busca adotar uma posição moderada no conflito, reflete os esforços da
administração do presidente americano, Donald Trump, em mediar um acordo de paz.
Composto por 15 membros, o Conselho de Segurança tem enfrentado dificuldades para
tomar decisões efetivas sobre a guerra na Ucrânia devido ao poder de veto da Rússia. A reso-
lução americana obteve 10 votos favoráveis, enquanto França, Reino Unido, Dinamarca, Gré-
cia e Eslovênia optaram pela abstenção.
“Essa resolução nos coloca no caminho da paz. É um primeiro passo, mas um passo crucial,
do qual todos deveríamos nos orgulhar”, declarou a embaixadora interina dos EUA na ONU,
Dorothy Shea. Ela destacou que o documento representa uma oportunidade para a constru-
ção de um futuro pacífico para Ucrânia, Rússia e a comunidade internacional.
O texto lamenta a perda de vidas no conflito, reafirma o compromisso da ONU com a
manutenção da paz internacional e exorta por uma resolução rápida e sustentável para o
impasse. No entanto, a tentativa de Trump de conduzir as negociações gerou desconfiança
entre aliados europeus e autoridades ucranianas, que temem um acordo desvantajoso para
Kiev.
A embaixadora britânica na ONU, Barbara Woodward, criticou a falta de clareza sobre as
responsabilidades no conflito: “os termos de paz para a Ucrânia são fundamentais e devem
enviar uma mensagem de que a agressão não pode ser recompensada. Não podemos tratar
Ucrânia e Rússia como equivalentes nesse contexto”.

z Assembleia Geral da ONU e a pressão diplomática

Antes da votação no Conselho de Segurança, a Assembleia Geral da ONU, composta por


193 Estados-Membros, rejeitou uma tentativa dos EUA de suavizar a posição histórica da
organização, que reforça a soberania, independência e integridade territorial da Ucrânia. No
lugar, foram aprovadas duas resoluções paralelas: uma liderada pela Ucrânia e seus aliados
europeus e outra formulada pelos EUA, posteriormente emendada para incluir uma lingua-
gem mais favorável à Ucrânia.
A resolução dos EUA recebeu 93 votos a favor, oito contra e 73 abstenções. A Rússia tentou
modificar o texto para incluir menções às “caixas fundamentais” do conflito, mas suas pro-
postas foram rejeitadas.
Paralelamente, a resolução apresentada pela Ucrânia e seus aliados europeus obteve 93
votos favoráveis, 65 abstenções e 18 votos contrários, entre eles os dos EUA, Rússia, Coreia do
Norte e Israel.
ATUALIDADES

A vice-ministra das Relações Exteriores da Ucrânia, Mariana Betsa, enfatizou a relevância


global do conflito: “essa guerra nunca foi apenas sobre a Ucrânia. Trata-se do direito funda-
mental de qualquer nação existir, escolher seu próprio caminho e viver livre de agressões”.

32 CONSELHO de Segurança da ONU adota posição dos EUA sobre guerra na Ucrânia. CNN Brasil, 2025. Disponí-
vel em: [Link] posicao-dos-eua-sobre-
-guerra-na-ucrania/. Acesso em: 1º abr. 2025. 49
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O embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, respondeu de maneira desafiadora: “hoje,
nossos colegas americanos viram que o caminho para a paz na Ucrânia não será fácil. Muitos
tentarão garantir que esse conflito se prolongue o máximo possível, mas isso não nos impedirá
de buscar uma solução justa”.

z Contexto histórico e geopolítico

A guerra na Ucrânia, que começou em 2014 com a anexação da Crimeia pela Rússia e se
intensificou com a invasão em larga escala em 2022, tornou-se um dos conflitos mais emble-
máticos do século XXI.
Em um contexto histórico mais amplo, o embate entre Rússia e Ocidente remonta à Guerra
Fria, quando alianças como a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e o Pacto de
Varsóvia definiam o equilíbrio de poder global. A atual divisão geopolítica reflete disputas de
longa data sobre segurança, soberania e influência na Eurásia.
Com Washington buscando um meio-termo diplomático e Kiev pressionando por um posi-
cionamento mais firme contra Moscou, o destino da Ucrânia dependerá do equilíbrio entre
pressão internacional e negociação. Enquanto isso, a fragmentação de opiniões dentro do
Conselho de Segurança e da Assembleia Geral demonstra que a unidade ocidental está longe
de ser garantida.

z Crise diplomática entre Trump e Zelensky e o impacto global nas negociações de


minerais estratégicos33

No dia 28 de fevereiro de 2025, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, deixou pre-


cocemente a Casa Branca após um bate-boca tenso com o presidente dos Estados Unidos,
Donald Trump, e seu vice, J. D. Vance.
A reunião, que inicialmente deveria resultar em um acordo estratégico sobre minerais
essenciais, terminou sem assinatura e em meio a um clima de ruptura diplomática.

z Contexto e principais pontos do embate

Durante a reunião, Zelensky criticou os governos americanos por não terem tomado medi-
das mais duras para impedir a Rússia de anexar territórios ucranianos entre 2014 e 2022.
A resposta de Trump foi agressiva, acusando Zelensky de arriscar a vida de milhões e de
apostar na Terceira Guerra Mundial, além de afirmar que o ucraniano “não tem cartas para
negociar”.
O vice-presidente J. D. Vance reforçou a linha dura, exigindo que Zelensky “demonstrasse
mais gratidão” ao governo americano em uma fala considerada hostil e desrespeitosa por
analistas internacionais.
A discussão acabou levando ao cancelamento da coletiva de imprensa, algo inédito em
encontros oficiais de alto nível na Casa Branca.

33 APÓS discussão de Trump e Zelensky, países não assinam acordo de minerais. CNN Brasil, 2025. Disponível
em: [Link] paises-nao-assinam-acor-
50 do-de-minerais/. Acesso em: 1º abr. 2025.
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z Consequências imediatas

„ Acordo não assinado: o acordo sobre minerais estratégicos (erroneamente chamado


de “acordo de terras raras”), que seria uma peça central da cooperação econômica entre
Ucrânia e EUA, não foi formalizado;
„ Isolamento diplomático: a crise agrava o isolamento da Ucrânia num momento em
que o país ainda enfrenta a ameaça russa, e pode impactar o fornecimento de apoio
militar e econômico dos EUA;
„ Fragilidade na coalizão ocidental: o episódio exibe publicamente o enfraquecimento
das alianças ocidentais em torno da questão ucraniana, o que pode fortalecer a posição
de Putin e da Rússia no cenário internacional.

z Importância do acordo de minerais estratégicos

Embora apelidado de “acordo de terras raras”, o foco principal era o acesso dos EUA a
minerais estratégicos e essenciais para a indústria de alta tecnologia, como grafite, lítio, titâ-
nio, berílio e urânio. Esses minerais são fundamentais para:

„ tecnologias de energia limpa (baterias de carros elétricos, painéis solares);


„ equipamentos de defesa (aeronaves, mísseis, drones);
„ eletrônicos avançados (chips, semicondutores).

Os Estados Unidos dependem de importações para muitos desses minerais, especialmente


da China, que é seu principal rival estratégico. Segundo o United States Geological Survey
(USGS):

„ dependência total de importações para 12 minerais críticos;


„ mais de 50% de dependência para outros 16 minerais essenciais.

Assim, o acordo com a Ucrânia era visto como uma forma de reduzir a vulnerabilidade
americana frente à China.

z Repercussão internacional

Aliados europeus e asiáticos ficaram preocupados com a possibilidade de ruptura na fren-


te ocidental contra a Rússia. Além disso, especialistas em diplomacia destacaram o tom agres-
sivo da reunião como um retrocesso nas relações bilaterais EUA–Ucrânia em um momento
fundamental para o equilíbrio geopolítico no leste europeu.
Ademais, a reação de Trump e Vance, vista como “diplomacia coercitiva”, levantou ques-
ATUALIDADES

tionamentos sobre o compromisso dos EUA com a Ucrânia e a estabilidade da Otan.

z Implicações geopolíticas mais amplas

„ Fortalecimento da Rússia: a crise pode dar margem à Rússia para continuar a agres-
são contra a Ucrânia, acreditando numa possível retirada americana do conflito;
51
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„ Aumento da dependência da China: sem o acordo com a Ucrânia, os EUA continua-
rão altamente dependentes da China para minerais estratégicos, afetando a segurança
nacional e industrial americana;
„ Divisão do Ocidente: a tensão pública entre Trump e Zelensky fragiliza a coesão oci-
dental, enfraquecendo o apoio internacional à Ucrânia e afetando negociações futuras
com países europeus.

z Israel envia tanques para a Cisjordânia: a escalada do conflito e o risco de nova crise
humanitária34

Pela primeira vez em duas décadas, Israel enviou tanques para a Cisjordânia ocupada, no
final de fevereiro de 2025, intensificando de forma inédita a pressão militar sobre o território
palestino.
A ação acontece em meio a um cessar-fogo temporário em Gaza, mas a violência e as
incursões israelenses na Cisjordânia têm aumentado de forma significativa, resultando em
dezenas de mortos e no deslocamento forçado de milhares de palestinos.

z Cisjordânia: território ocupado desde 1967

A Cisjordânia é um território localizado a oeste do Rio Jordão, capturado por Israel duran-
te a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Desde então, o exército israelense mantém o controle da
região, onde vivem cerca de 3,3 milhões de palestinos. Além disso, cerca de meio milhão de
israelenses vivem em assentamentos construídos ilegalmente no território, segundo o direito
internacional.
Apesar de condenados pela ONU e pela maioria da comunidade internacional, esses assen-
tamentos seguem crescendo, com o apoio do governo israelense, o que dificulta ainda mais
qualquer perspectiva de criação de um Estado palestino independente.

z Processo de paz e o fracasso dos Acordos de Oslo

Na década de 1990, os Acordos de Oslo representaram uma tentativa de resolver o conflito,


criando a Autoridade Palestina e estabelecendo o princípio de dois Estados. Contudo, a con-
tínua expansão dos assentamentos e a ausência de negociações efetivas fizeram com que o
processo de paz estagnasse.
Hoje, a realidade é de maior militarização, repressão e violência, afastando ainda mais a
possibilidade de um entendimento duradouro.

z O agravamento da situação após 7 de outubro de 2024

Desde o ataque do Hamas a Israel, em outubro de 2024, a situação na Cisjordânia deterio-


rou rapidamente:

34 MARINS, L. G. Israel envia tanques à Cisjordânia pela primeira vez em duas décadas. InfoMoney, 2025. Dispo-
nível em: [Link] primeira-vez-em-duas-de-
52 cadas/. Acesso em: 1º abr. 2025.
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„ aumento das incursões militares israelenses, com uso de blindados, tanques e escava-
deiras que destroem ruas, casas e infraestruturas básicas;
„ restrições severas à mobilidade palestina, com novos postos de controle e bloqueios que
limitam o acesso a trabalho, escolas e hospitais;
„ crescimento dos ataques de colonos armados contra comunidades palestinas, resultan-
do em mortes e destruição de propriedades;
„ crise humanitária crescente, com cortes de água e energia elétrica e destruição de cam-
pos de cultivo.

Em cidades como Jenin e Tulkarem, operações militares, conhecidas como “Operação


Acampamentos de Verão”, devastaram bairros inteiros, deixando milhares de pessoas sem
acesso a serviços essenciais.

z O posicionamento do governo israelense

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou publicamente que o objetivo das tro-
pas é permanecer na Cisjordânia por pelo menos um ano. O intuito é “impedir o retorno dos
moradores” — o que levanta sérias denúncias sobre possíveis práticas de limpeza étnica.
Essas ações são vistas como um passo além das já duras políticas de ocupação, pois não
apenas atacam supostos militantes, como também afetam deliberadamente a população civil.

z Reações internacionais e o silêncio diante da crise

Em julho de 2024, o Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), órgão máximo da ONU, emitiu
uma opinião consultiva histórica, declarando a ocupação israelense da Cisjordânia e Jeru-
salém Oriental ilegal e exigindo o fim imediato dessa ocupação. Apesar disso, Israel segue
desafiando a decisão, ampliando sua presença militar no território.
Nos Estados Unidos, o governo de Donald Trump, que já enfrenta críticas internacionais
por propor a expulsão de mais de dois milhões de palestinos de Gaza, permanece aliado de
Israel, gerando ainda mais indignação. Jornais como o Haaretz afirmam que o que o mundo
teme em Gaza já está acontecendo silenciosamente na Cisjordânia, com a expulsão de milha-
res de palestinos.

z Ataques à UNRWA e o impacto na população civil

Além da violência direta, o parlamento israelense aprovou recentemente leis que difi-
cultam a atuação da UNRWA (Agência da ONU para Refugiados Palestinos), responsável por
atender milhares de palestinos com educação, saúde e assistência humanitária.
Com a agência ameaçada, cerca de 45 mil estudantes palestinos podem ficar sem aulas, e
ATUALIDADES

um milhão de atendimentos médicos anuais podem deixar de ser realizados, agravando ain-
da mais o sofrimento da população.

53
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z O risco de um colapso humanitário e o futuro incerto da Cisjordânia

A entrada de tanques em território palestino marca uma escalada sem precedentes do


conflito. A combinação de ocupação militar, expansão de assentamentos e deslocamento for-
çado cria um cenário cada vez mais distante de uma solução pacífica.
Com a intensificação das ações israelenses e o silêncio de boa parte da comunidade inter-
nacional, o risco de um colapso humanitário na Cisjordânia é iminente, enquanto o sonho de
um Estado palestino soberano parece mais distante do que nunca.

z OMC realiza diálogo “construtivo” sobre tensões comerciais em meio a políticas tari-
fárias de Trump35

Em meio a um cenário global marcado por incertezas econômicas e disputas comerciais,


a Organização Mundial do Comércio (OMC) anunciou, no dia 19 de fevereiro de 2025, que as
negociações realizadas em Genebra com foco nas tensões comerciais foram “construtivas”.
Apesar do tom diplomático adotado pela entidade, as discussões foram fortemente influen-
ciadas pelas políticas tarifárias recentes do governo dos Estados Unidos, sob o comando de
Donald Trump, que vem adotando medidas protecionistas e elevando tarifas sobre uma série
de produtos importados.

z Preocupação internacional com o aumento das tensões

A reunião, que contou com a participação de seis países — Estados Unidos, Nicarágua,
Namíbia, Malásia, Trinidad e Tobago e Rússia —, evidenciou o mal-estar causado pelo aumen-
to das barreiras tarifárias e a escalada de políticas unilaterais que ameaçam o sistema mul-
tilateral de comércio.
Segundo Ismaila Dieng, porta-voz da OMC, “a maioria dos países presentes expressou preo-
cupação com o agravamento das tensões comerciais e apelou por moderação e diálogo para
evitar danos maiores à economia global”.
Entre os participantes, ficou claro o receio de que o aumento de tarifas e as disputas comer-
ciais, especialmente envolvendo grandes potências, possam desencadear uma nova onda de
protecionismo, prejudicando países em desenvolvimento e minando as regras do comércio
internacional.

z Tarifas de Trump no centro das discussões

As recentes medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos voltaram a ser o centro do
debate. Desde que reassumiu a presidência, Donald Trump intensificou sua agenda econômi-
ca nacionalista, reeditando políticas que privilegiam a indústria e o agronegócio americanos
em detrimento de acordos multilaterais e da abertura comercial.

35 OMC REALIZA conversas “construtivas” sobre tensões comerciais globais. CNN Brasil, 2025. Disponível em:
[Link] sobre-tensoes-
54 -comerciais-globais/. Acesso em: 1º abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Entre as principais críticas, os países apontaram que a elevação de tarifas por Washington
não apenas ameaça fluxos de comércio global, como também prejudica cadeias produtivas
interligadas e compromete os esforços para a recuperação econômica pós-crise.

z Riscos para o sistema multilateral de comércio

As tensões crescentes levantam questionamentos sobre o papel e a eficácia da OMC na


mediação de disputas comerciais em um ambiente em que potências ignoram as regras
estabelecidas.
A saída de alguns países de mecanismos multilaterais, como já ocorreu em outros fóruns
internacionais, e o bloqueio de nomeações para o Órgão de Apelação da OMC pelos Estados
Unidos em anos anteriores enfraquecem ainda mais a entidade.
Especialistas temem que, diante dessa conjuntura, o mundo caminhe para um cenário de
“guerra comercial” prolongada, com efeitos negativos para o crescimento global, o investi-
mento estrangeiro e o comércio internacional.

z O papel da OMC e os desafios à frente

Apesar de ter classificado as discussões como “construtivas”, a OMC enfrenta o desafio de


resgatar a confiança no sistema multilateral e convencer as grandes economias a respeita-
rem as normas acordadas.
A busca por soluções diplomáticas e consensuais é urgente para evitar que o comércio
global sofra novos choques que possam afetar principalmente os países mais vulneráveis.
Em um contexto de aumento de nacionalismos econômicos, a necessidade de fortalecer o
diálogo e a cooperação internacional nunca foi tão evidente. O encontro em Genebra é um
passo, ainda que modesto, na tentativa de conter o avanço de políticas unilaterais que amea-
çam o equilíbrio do comércio mundial.

Brasil

z Calor extremo em fevereiro de 2025: impactos internos e conexões geopolíticas36

O mês de fevereiro de 2025 foi marcado por um episódio severo de calor em várias regiões
brasileiras, revelando não apenas os efeitos diretos das mudanças climáticas, mas também
as implicações para a geopolítica internacional. Estados como Mato Grosso do Sul, São Paulo,
Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná, Goiás e Bahia enfrentaram temperaturas muito acima
da média histórica.
De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), uma onda de calor ocorre
quando a temperatura se eleva em ao menos 5 °C em relação à média climatológica local.
ATUALIDADES

Um dos episódios mais alarmantes foi registrado no Rio de Janeiro, que, no dia 17 de feve-
reiro, atingiu 44 °C, o maior valor nos últimos 10 anos, conforme dados do Sistema Alerta Rio,
órgão ligado à prefeitura municipal.

36 CARVALHO, J. Previsão indica nova onda de calor no Centro-Sul com duração até março; veja tendências para
o mês. G1, 2025. Disponível em: [Link] ambiente/noticia/2025/02/25/previsao-indica-nova-
-onda-de-calor-no-centro-sul-com-duracao-ate- [Link]. Acesso em: 1º abr. 2025. 55
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„ Crise climática e os desafios para o Brasil na agenda internacional

A intensificação de eventos extremos, como a onda de calor de fevereiro, insere o Brasil


em um cenário global de crescente preocupação com as mudanças climáticas. Esse fenômeno
dialoga diretamente com as discussões diplomáticas que antecedem a COP30, prevista para
ocorrer em novembro na cidade de Belém (PA).
A escolha do Brasil como sede da conferência traz ainda mais responsabilidade ao gover-
no brasileiro, especialmente diante das pressões por compromissos efetivos na redução das
emissões de carbono e no combate ao desmatamento, particularmente na Amazônia.
Além disso, o calor extremo impacta setores fundamentais da economia nacional, como o
agronegócio, afetando a produtividade de grãos no Centro-Oeste e pressionando o setor elé-
trico diante do aumento do consumo de energia.
Diante disso, as negociações internacionais por acordos de cooperação ambiental e ener-
gética, como os tratados firmados em fevereiro com a União Europeia para o desenvolvimen-
to de projetos de hidrogênio verde e energias renováveis, ganham relevância.
Assim, a crise climática se revela não apenas um desafio ambiental, mas também um pro-
blema de governança global, que exige do Brasil um papel ativo na construção de soluções
conjuntas.

z Alertas sísmicos falsos e o papel do Brasil na geopolítica da segurança digital e


ambiental37

No dia 14 de fevereiro de 2025, um episódio inusitado chamou a atenção de moradores de


São Paulo e Rio de Janeiro: alertas de terremoto emitidos por celulares Android informando
a ocorrência de um suposto abalo sísmico no mar, a cerca de 55 km de Ubatuba, no litoral
norte paulista.
O aviso, gerado automaticamente pelo sistema do Google, causou apreensão momentânea.
Contudo, a Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), coordenada pelo Observatório Nacional (ON/
MCTI), confirmou que não houve qualquer registro de atividade sísmica na costa brasileira
naquele período.
Segundo o dr. Sergio Fontes, coordenador da RSBR, um terremoto com a magnitude men-
cionada pelos alertas seria facilmente detectado pelas estações sismográficas nacionais e por
redes internacionais, o que não ocorreu, caracterizando o alerta como falso.

„ A geopolítica dos dados, segurança digital e o histórico de vulnerabilidades globais

Embora o episódio tenha se revelado um erro técnico, ele expõe uma questão geopolítica
contemporânea: a crescente dependência de sistemas automatizados de alerta global e os
desafios que isso impõe à soberania dos Estados na gestão de suas informações sensíveis.
A emissão de alertas automáticos por empresas estrangeiras, como o Google, sem valida-
ção prévia de redes sismográficas oficiais reacende o debate sobre a autonomia digital do
Brasil e de outros países em desenvolvimento diante das grandes corporações tecnológicas

37 MORADORES de SP, RJ e MG recebem alerta do Google de terremoto em Ubatuba; Defesa Civil diz que não houve
tremor. G1, 2025. Disponível em: [Link] regiao/noticia/2025/02/14/alerta-terre-
56 [Link]. Acesso em: 1º abr. 2025.
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transnacionais, cujo poder de mobilizar populações inteiras cresce com o avanço da inteli-
gência artificial e do big data.
Historicamente, o Brasil se encontra fora das principais rotas de terremotos globais, loca-
lizadas nas bordas das placas tectônicas, como o Anel de Fogo do Pacífico. No entanto, o epi-
sódio revela como a interdependência tecnológica internacional conecta o Brasil a dinâmicas
globais de segurança e risco.
Países como Japão, Chile e Estados Unidos, situados em áreas de intensa atividade sísmica,
vêm investindo em sistemas robustos de alerta e monitoramento há décadas — um processo
que está agora no centro da diplomacia tecnológica e das disputas por infraestruturas de
dados globais.
Além disso, o caso do alerta falso deve ser interpretado à luz das tensões recentes no cená-
rio internacional sobre cibersegurança e controle de informações críticas. Em fevereiro de
2025, enquanto o Brasil lidava com esse incidente, reuniões do G20 e fóruns especializa-
dos em inteligência artificial debatiam a necessidade de criar mecanismos internacionais
de regulação e transparência para sistemas de alerta de risco, incluindo aqueles voltados a
desastres naturais.
Esse movimento também dialoga com as discussões previstas para a COP30, que, embora
focada em clima, também abordará aspectos relacionados a resiliência tecnológica e respos-
ta a emergências ambientais.
Portanto, o episódio do falso terremoto ultrapassa o erro casual e se conecta a temas estru-
turantes da geopolítica contemporânea: a quem pertencem os dados? Quem tem o direito
de emitir alertas em território soberano? Como equilibrar inovação tecnológica e segurança
nacional?
Essas são questões que o Brasil precisará enfrentar com clareza, sobretudo por sua cres-
cente relevância no cenário internacional como país-sede de grandes eventos e ator impor-
tante no debate sobre o clima e a segurança global.

„ Redução no desmatamento do Cerrado em 2024: desafios históricos e implicações


geopolíticas38

O mês de fevereiro de 2025 trouxe um dado importante para o debate ambiental brasilei-
ro e internacional: o desmatamento no bioma Cerrado apresentou uma redução de 33% em
2024, em comparação com o ano anterior.
A informação foi divulgada pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam),
com base no Sistema de Alerta de Desmatamento do Cerrado (SAD Cerrado). De acordo com
o levantamento, 712 mil hectares foram desmatados em 2024 (contra um milhão de hectares
em 2023).
Apesar da queda, especialistas alertam que o número ainda é extremamente elevado,
especialmente se considerado o papel estratégico do Cerrado como berço das águas brasilei-
ATUALIDADES

ras, fonte de importantes bacias hidrográficas e sustentáculo para o agronegócio.

„ O Cerrado na história do desenvolvimento brasileiro e seu papel nas negociações


internacionais

38 VILELA, P. R. Desmatamento no Cerrado caiu 33% em 2024, mas ainda é elevado. Agência Brasil, 2025. Disponí-
vel em: [Link] no-cerrado-caiu-33-em-
-2024-mas-ainda-e-elevado. Acesso em: 1º abr. 2025. 57
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O Cerrado, conhecido como a “caixa d’água do Brasil”, sempre ocupou uma posição
ambígua na história econômica nacional.
Desde a década de 1970, com o avanço do agronegócio, a região foi intensamente transfor-
mada em área de produção de soja, milho e pecuária, reforçando a lógica de integração do
Brasil como fornecedor global de commodities.
A expansão agrícola, impulsionada pelo Programa de Desenvolvimento dos Cerrados (Polo-
centro), alterou profundamente o equilíbrio ecológico do bioma, cuja importância ambiental
nem sempre foi reconhecida com o mesmo peso atribuído à Amazônia.
Contudo, o cenário internacional de 2025, marcado por acordos climáticos e por uma pres-
são crescente por cadeias produtivas livres de desmatamento, impõe ao Brasil o desafio de
compatibilizar crescimento econômico e preservação ambiental.
A União Europeia, por exemplo, ao longo de 2024, aprovou regras rigorosas que restrin-
gem a importação de produtos agrícolas associados ao desmatamento, o que afeta direta-
mente o Cerrado.
Além disso, o anúncio da realização da COP30 no Brasil, em Belém, em novembro de 2025,
reforça a responsabilidade internacional do país em apresentar avanços reais na proteção
de seus biomas.
Assim, a redução no desmatamento do Cerrado, embora relevante, precisa ser vista em
um contexto histórico de exploração sistemática do bioma e dentro das exigências geopolíti-
cas que vinculam preservação ambiental à inserção do Brasil no comércio global.
O desafio permanece: como manter o papel do Brasil como potência agroexportadora sem
comprometer a biodiversidade e os recursos hídricos do Cerrado?
Além disso, a questão do Cerrado se conecta a outras crises ambientais observadas em
fevereiro de 2025, como as ondas de calor extremo e as discussões globais sobre segurança
alimentar e mudanças climáticas, demonstrando que o problema do desmatamento não é
isolado, mas parte de uma agenda ambiental, econômica e diplomática interligada.

z Desigualdade na saúde: mortalidade por câncer é mais alta entre crianças indígenas
no Brasil39

Um relatório conjunto do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional de Câncer (Inca)


divulgado no início de 2025 revelou um dado alarmante sobre a desigualdade na saúde públi-
ca brasileira: a taxa de mortalidade por câncer em crianças e adolescentes indígenas é quase
o dobro da registrada entre brancos e negros.
Enquanto entre crianças brancas o índice é de 42,6 mortes por milhão, e, entre negras, 38,9
por milhão, a taxa entre indígenas atinge 76 óbitos a cada milhão.
Esse cenário evidencia o profundo descompasso no acesso à saúde de qualidade por parte
das populações indígenas, mesmo em um momento em que o Brasil busca avançar nas polí-
ticas de inclusão social e de direitos humanos.

„ Uma questão histórica de exclusão social e invisibilidade no sistema de saúde

39 NO Brasil, crianças indígenas morrem mais de câncer do que brancas, negras e amarelas. Oncoguia, 2025. Dis-
ponível em: [Link] mais-de-cancer-do-que-
58 -brancas-negras-e-amarelas/17615/7/. Acesso em: 1º abr. 2025.
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O índice elevado de mortalidade por câncer entre indígenas não é um fenômeno isolado,
mas fruto de décadas de negligência histórica, que remonta ao processo de colonização e
marginalização desses povos.
Desde o século XVI, os indígenas brasileiros foram vítimas de extermínio físico, cultu-
ral e territorial, e, embora a Constituição Federal, de 1988, tenha reconhecido seus direitos
originários às terras e à saúde diferenciada, a implementação desses direitos ainda enfrenta
graves lacunas.
A ausência de diagnóstico precoce, tratamentos específicos e acesso a centros especializa-
dos é agravada pela distância geográfica de muitas aldeias em relação aos grandes centros
urbanos, o que retarda o início do tratamento oncológico.
Além disso, barreiras culturais e linguísticas dificultam o atendimento, pois o sistema de
saúde, majoritariamente estruturado segundo parâmetros não indígenas, muitas vezes igno-
ra as especificidades culturais e sociais dessas populações.

„ Impactos internacionais e o papel do Brasil na defesa de direitos indígenas

Do ponto de vista geopolítico, essa situação coloca o Brasil em uma posição delicada dian-
te dos compromissos assumidos em acordos internacionais, como a Declaração das Nações
Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas (2007), e diante da pressão internacional por
respeito aos direitos humanos.
A crescente visibilidade da causa indígena no exterior, inclusive com lideranças indígenas
participando ativamente de fóruns internacionais (como a COP30), faz com que dados como
esses repercutam negativamente na imagem do país, especialmente quando se busca con-
solidar o Brasil como ator relevante nas agendas globais de direitos humanos e ambientais.
Além disso, a questão se conecta a debates internos e externos sobre o direito à terra, já
que a perda de territórios e a degradação ambiental impactam diretamente a saúde dos povos
indígenas, havendo, inclusive, o aumento de doenças associadas à contaminação ambiental e
ao acesso precário à água potável.

„ Atualidades e o cenário político de 2025: o desafio de reverter a desigualdade

Em 2025, o Brasil enfrenta o desafio de fortalecer o Subsistema de Atenção à Saúde Indí-


gena (SasiSUS), que integra o Sistema Único de Saúde (SUS), e de ampliar políticas públicas
voltadas especificamente às populações tradicionais.
A retomada do Ministério dos Povos Indígenas, criado em 2023, representa um passo
importante, mas que ainda precisa ser traduzido em ações concretas na área da saúde, com
infraestrutura, profissionais capacitados e respeito à cultura indígena.
Diante de um mundo cada vez mais atento às causas sociais e ambientais, corrigir essas
desigualdades históricas é essencial do ponto de vista humanitário e fundamental para que
ATUALIDADES

o Brasil possa se afirmar como um líder global coerente com os princípios que defende nos
fóruns internacionais.

59
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z Brasil define metas de biodiversidade até 2030: compromisso nacional e desafio
geopolítico40

Em fevereiro de 2025, a Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) oficializou um


conjunto de metas nacionais de preservação ambiental para o período 2025–2030, reforçan-
do o compromisso do Brasil com a proteção de seus ecossistemas.
As propostas buscam integrar as diretrizes da Estratégia e Plano de Ação Nacionais para
a Biodiversidade, alinhando o país ao Marco Global de Biodiversidade Kunming-Montreal
(GBF), assinado em 2022.
Com mais de 23 metas estabelecidas, o Brasil se compromete, entre outros pontos, a eli-
minar o desmatamento, restaurar áreas degradadas e conservar e manejar ecossistemas
de forma sustentável, além de incentivar o comércio responsável de produtos oriundos da
biodiversidade.
Um dos focos centrais é garantir planejamento territorial integrado e gestão participativa
nos processos de conservação, envolvendo comunidades locais, povos tradicionais e agentes
públicos.

„ A biodiversidade como ativo geopolítico e histórico brasileiro

A preocupação com a biodiversidade vai além da esfera ambiental: ela se conecta direta-
mente à posição geopolítica do Brasil no cenário global.
O país abriga cerca de 20% da biodiversidade mundial, com destaque para biomas como
a Amazônia, o Cerrado (que sozinho concentra 5% de toda a biodiversidade global), a Mata
Atlântica, o Pantanal e a Caatinga.
Historicamente, a riqueza natural brasileira foi alvo de exploração predatória — desde o
período colonial com o extrativismo até o recente avanço do agronegócio e da mineração em
áreas sensíveis.
No contexto atual, o desafio da preservação se torna ainda mais crucial para que o Brasil
possa se consolidar como líder nas negociações climáticas e ambientais globais, especial-
mente com a aproximação da COP30, que será sediada em Belém do Pará em 2025, conforme
destacado anteriormente.
O cumprimento dessas metas é um dos principais critérios de credibilidade internacional,
impactando acordos comerciais, investimentos estrangeiros e a inserção do país em cadeias
produtivas “verdes”.
Além disso, o compromisso com o Marco de Kunming-Montreal coloca o Brasil em diálo-
go direto com outras potências preocupadas com a sustentabilidade, como União Europeia,
China e Estados Unidos, especialmente em um momento em que o comércio global passa a
exigir certificações ambientais rigorosas e cadeias produtivas livres de desmatamento ilegal.

„ Biodiversidade, economia e o papel dos povos tradicionais

40 CONABIO propõe Metas Nacionais de Biodiversidade até 2030. Secom, 2025. Disponível em: [Link]
br/secom/pt-br/assuntos/noticias/2025/02/conabio-propoe- metas-nacionais-de- biodiversidade-ate-2030. Aces-
60 so em: 1º abr. 2025.
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Outro aspecto fundamental dessas metas é o reconhecimento do papel de comunidades
indígenas e tradicionais na conservação ambiental.
Esses povos, historicamente marginalizados, são os principais guardiões de áreas preser-
vadas, como demonstra o fato de que as terras indígenas no Brasil são as áreas com menores
índices de desmatamento.
Valorizar a biodiversidade passa, portanto, por promover o uso sustentável dos recursos
naturais, incluindo o comércio de produtos da sociobiodiversidade, como mel, castanhas,
óleos e plantas medicinais, garantindo geração de renda com preservação ambiental.
Isso está diretamente ligado às metas de comércio sustentável previstas na Conabio e aten-
de a exigências globais de produtos com “pegada ecológica” reduzida.
Por outro lado, a pressão internacional por preservação também coloca o Brasil sob cons-
tante observação, especialmente quando há denúncias de avanço de atividades ilegais, como
garimpo, grilagem de terras e desmatamento clandestino, que comprometem a imagem do
país como parceiro comercial confiável.

„ Conexão com a atualidade: Brasil no centro dos debates globais

Em um momento em que a crise climática se agrava — com ondas de calor, incêndios flo-
restais e perda de biodiversidade em várias partes do mundo (incluindo o próprio Cerrado
e Amazônia), o sucesso ou fracasso dessas metas pode definir o papel do Brasil no enfrenta-
mento das mudanças climáticas.
Além disso, o cumprimento ou não dessas metas impactará diretamente o posicionamen-
to do Brasil nas próximas rodadas de negociações internacionais, incluindo o G20 (o Brasil,
atualmente, tem buscado liderar a agenda verde), e em acordos comerciais, como o Mer-
cosul–União Europeia, cuja assinatura definitiva depende, entre outras coisas, de garantias
ambientais sólidas.
Assim, as metas de biodiversidade representam mais do que uma pauta ambiental: são
uma estratégia nacional de soberania, economia e diplomacia internacional, cujo sucesso
dependerá do equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental.

z As 23 metas de biodiversidade e seus impactos para o Brasil no cenário geopolítico


global (2025–2030)

O Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal (GBF), assinado por mais de 190


países em 2022, incluindo o Brasil, estabelece 23 metas até 2030 que buscam reverter a perda
de biodiversidade e garantir o uso sustentável dos recursos naturais.
Observe, a seguir, uma síntese dessas metas e como elas se conectam à realidade brasilei-
ra, especialmente diante do agronegócio, do comércio exterior e do protagonismo ambiental
do país.
ATUALIDADES

„ 1 — Preservar pelo menos 30% de todas as áreas terrestres e aquáticas

O Brasil precisará expandir áreas de preservação, tanto públicas quanto privadas (como
reservas legais e áreas de preservação permanente — APPs). Impacta o agronegócio, pois
exigirá maior rigor contra o desmatamento em áreas produtivas. Atender essa meta é vital
61
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para o Brasil manter acordos comerciais com Europa e Ásia, que demandam “commodities
verdes” (soja, carne sem desmatamento).

„ 2 — Restauração de pelo menos 30% das áreas degradadas

O desafio da segunda meta reside na recuperação de pastagens, matas ciliares e florestas.


Ela reduz a pressão internacional sobre o Brasil em fóruns como G20, COP30 e negociações
do Acordo Mercosul–UE.

„ 3 — Eliminar ou reduzir subsídios prejudiciais à biodiversidade em pelo menos


US$ 500 bilhões por ano globalmente

Como desafio nacional, está a revisão de incentivos ao desmatamento, à mineração e ao


uso intensivo de agrotóxicos. Essa metra demonstra comprometimento do Brasil com uma
economia sustentável, atraindo investimentos “verdes”.

„ 4 — Garantir o uso sustentável dos recursos naturais

É prática necessária conciliar agropecuária, mineração e extrativismo com a preservação.


Essa meta alinha o Brasil ao movimento global de “economia da biodiversidade”, fortalecen-
do sua imagem como fornecedor ético.

„ 5 — Prevenir a extinção de espécies ameaçadas e recuperar populações em declínio

Como exigência nacional, tem-se a proteção de espécies do Cerrado, Amazônia e Mata


Atlântica, impactadas pelo desmatamento e queimadas. Aqui, há a valorização do Brasil
como “potência ambiental”, com reflexos positivos em negociações multilaterais.

„ 6 — Controle e erradicação de espécies exóticas invasoras

Como exemplos brasileiros de espécies exóticas invasoras, temos o jacaré-açu, javalis e


espécies aquáticas invasoras.

„ 7 — Redução da poluição, incluindo plásticos

Aqui, os desafios para o Brasil residem nos setores industriais e agropecuário (por exem-
plo, embalagens e resíduos de agrotóxicos). Além disso, há a pressão da Europa para produ-
tos livres de resíduos tóxicos.

„ 8 — Mitigar os impactos das mudanças climáticas sobre a biodiversidade

Podemos destacar, como aspecto de relevância nacional, a conservação de biomas como


a Amazônia para manter o regime de chuvas e a estabilidade climática do continente. Sob
o aspecto geopolítico, vale destacar que clima e biodiversidade se interligam em tratados
internacionais.
62
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„ 9 — Gerir de forma sustentável áreas de agricultura, aquicultura e silvicultura

O agronegócio precisa adotar práticas mais sustentáveis, como a integração


lavoura–pecuária–floresta.

„ 10 — Garantir que o uso da biodiversidade seja sustentável, especialmente para


povos indígenas

Para os povos indígenas, o objetivo é garantir acesso a recursos e autonomia na gestão dos
territórios. Sob o aspecto do comércio, podemos destacar produtos florestais não-madeirei-
ros (mel, castanhas, fitoterápicos).

„ 11 — Incentivar práticas de gestão sustentável em empresas, incluindo cadeias


produtivas

Aqui, vale destacar a pressão para que frigoríficos, exportadores de soja e mineradoras
garantam cadeias livres de desmatamento. Essa meta é essencial para a imagem do Brasil
junto à União Europeia, à China e aos EUA.

„ 12 — Aumentar a conectividade ecológica entre hábitats

Como exemplo prático, podemos citar os corredores de biodiversidade entre áreas


preservadas.

„ 13 — Salvaguardar conhecimentos tradicionais e a participação dos povos indígenas

A importância dessa meta reside no reconhecimento do papel central dos indígenas e das
comunidades locais como guardiões da floresta.

„ 14 — Integrar a biodiversidade nos processos de planejamento nacional

Na prática: estabelecer políticas públicas que harmonizem desenvolvimento e conservação.

„ 15 — Reduzir o impacto negativo das cadeias de valor globais sobre a biodiversidade

Aqui, os setores envolvidos são o agronegócio, a mineração e a infraestrutura. Sob o ponto


de vista internacional, a ideia é atender a exigências de importadores europeus e asiáticos.
ATUALIDADES

„ 16 — Mobilizar recursos financeiros públicos e privados para a biodiversidade

Como fonte, temos os fundos internacionais, os investimentos privados e mecanismos


como “pagamentos por serviços ambientais” (PSAs).

„ 17 — Aumentar a capacitação para implementar as metas

63
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Aqui, vemos a necessidade da formação de técnicos, fiscais ambientais e gestores públicos.

„ 18 — Incentivar a pesquisa e a inovação em biodiversidade

Como exemplo, podemos citar a bioeconomia e a farmacêutica (medicamentos a partir da


floresta).

„ 19 — Assegurar acesso justo e equitativo aos recursos genéticos e aos benefícios


derivados

Aqui, temos aplicação efetiva nas regras sobre exploração de plantas medicinais e conhe-
cimento indígena.

„ 20 — Promover o acesso à informação e educação ambiental

Nesse aspecto, o público-alvo são escolas, universidades e comunidades locais.

„ 21 — Monitorar e avaliar a implementação das metas

A exemplo de ferramentas para a efetivação dessa meta, podemos citar os sistemas como
o PRODES (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite), o
DETER e o SAD41 Cerrado.

„ 22 — Reforçar o papel das mulheres e juventudes na conservação

Para a efetivação dessa meta, é necessário haver a participação feminina e jovem em pro-
jetos ambientais.

„ 23 — Fortalecer a cooperação internacional para atingir os objetivos

Sob o ponto de vista geopolítico, busca-se o estreitamento de laços com países amazônicos
(OTCA — Organização do Tratado de Cooperação Amazônica), Europa, China e EUA.

z Aumento dos casos de covid-19 e o cenário brasileiro atual (2024–2025)42

Passados cinco anos do primeiro caso oficial de covid-19 no Brasil (fevereiro de 2020), a
doença ainda representa um desafio de saúde pública, especialmente em algumas regiões do
país.

41 Sistema de Alerta de Desmatamento.


42 HONORATO, L. Com 100 mil casos e 500 mortes, devemos voltar a nos preocupar com a covid? UOL, 2025. Dis-
ponível em: [Link] [Link]. Acesso
64 em: 1º abr. 2025.
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z Cenário nacional

De acordo com dados do Painel Coronavírus do Ministério da Saúde, até 15 de fevereiro


de 2025 o Brasil já registrou:

„ mais de 100 mil casos confirmados apenas neste ano; e


„ pelo menos 500 mortes associadas à covid-19, demonstrando que, embora o número
seja significativamente menor do que o pico da pandemia, o vírus continua circulando
e afetando populações vulneráveis.

z Região Norte: epicentro de novas preocupações

A Região Norte do Brasil apresenta uma tendência preocupante de aumento dos casos,
especialmente relacionados à síndrome respiratória aguda grave (SRAG), condição frequen-
temente associada a casos mais graves de covid-19.
Os estados com tendência de alta são:

„ Amapá;
„ Amazonas;
„ Pará;
„ Rondônia; e
„ Tocantins.

Vejamos os principais fatores para o aumento dos casos na Região Norte:

„ Baixa cobertura vacinal atualizada: muitos moradores ainda não tomaram as doses
de reforço, incluindo as vacinas adaptadas para variantes recentes;
„ Dificuldade de acesso à saúde: grandes distâncias, comunidades ribeirinhas e indíge-
nas com acesso limitado aos serviços;
„ Alta circulação de novas variantes: mutações do vírus que conseguem escapar par-
cialmente da imunidade anterior;
„ Impacto das desigualdades sociais e sanitárias: falta de infraestrutura hospitalar
adequada em algumas regiões.

z Vacinação: principal arma contra a covid-19

O Brasil iniciou a vacinação em massa contra a covid-19 em 2021, sendo um dos países
com maior número absoluto de doses aplicadas. Contudo, atualmente:
ATUALIDADES

„ a adoção de novas doses de reforço e vacinas atualizadas enfrenta resistência ou queda


na busca pela população;
„ campanhas específicas precisam ser reforçadas, principalmente para grupos vulnerá-
veis, como pessoas idosas, indígenas, pessoas imunossuprimidas e moradores de áreas
remotas.

65
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z Reflexões importantes para o debate público e acadêmico

„ Memória coletiva e saúde pública: o Brasil precisa continuar lidando com as conse-
quências sociais, econômicas e psicológicas da pandemia;
„ Vacinação e políticas públicas: como garantir campanhas permanentes de vacinação
e atualização das vacinas?
„ Acesso equitativo à saúde: como superar os desafios históricos de desigualdade, espe-
cialmente em regiões como o Norte?
„ Desinformação e confiança nas vacinas: o combate às fake news sobre a covid-19 e a
importância da educação sanitária são aspectos essenciais.

z Avanço da dengue em São Paulo: emergência sanitária e o desafio nacional diante das
arboviroses43

O estado de São Paulo viveu, em fevereiro de 2025, um dos piores surtos de dengue da
década, com 300 casos por 100 mil habitantes registrados até o dia 21 de fevereiro.
A gravidade da situação levou o governo paulista a decretar estado de emergência sanitá-
ria no dia 19 de fevereiro, buscando acelerar ações de combate ao mosquito Aedes aegypti e
otimizar o atendimento nas unidades de saúde.

z Panorama alarmante da dengue em São Paulo e no Brasil

Segundo dados do Painel de Arboviroses da Secretaria Estadual de Saúde, o estado conta-


biliza em média 2.976 novos casos diários de dengue em 2025, totalizando mais de 157 mil
registros só neste ano. Os números já superam índices de anos anteriores e colocam o estado
em alerta máximo.
Em âmbito nacional, o Ministério da Saúde se mobilizou para conter o avanço da doença,
destacando o anúncio da produção nacional de vacinas contra a dengue, uma estratégia fun-
damental para frear o aumento exponencial dos casos.

z Vacinação: o novo passo na luta contra a dengue

A presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), Mônica Levi, ressaltou que


o novo esquema vacinal contará com dose única, o que facilitará a logística de aplicação e
adesão.
Há, ainda, a expectativa de que novos grupos sejam incluídos no público-alvo, ampliando
o alcance da imunização, especialmente em áreas urbanas densamente povoadas e regiões
com histórico de alta transmissão.

z Contextualização histórica e geopolítica: o Brasil e o cenário global das arboviroses

43 ROSÁRIO, M. Dengue: governo de São Paulo anuncia emergência em saúde pública. O Globo, 2025. Disponível
em: [Link] anuncia-emergencia-em-
-[Link]. Acesso em: 1º abr. 2025.
66
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O problema da dengue no Brasil não é novo. Desde o retorno do Aedes aegypti ao país, na
década de 1980, após sua erradicação parcial na primeira metade do século XX, o mosquito
voltou a se estabelecer em praticamente todas as regiões, com impactos crescentes devido a:

„ urbanização desordenada;
„ falta de saneamento básico; e
„ mudanças climáticas, com verões mais longos e chuvosos, ampliando o hábitat do
mosquito.

Além disso, o aumento da dengue no Brasil não ocorre isoladamente, mas está inserido
em um contexto global: países da Ásia, América Latina e Caribe também vêm enfrentando
epidemias de arboviroses, o que reforça a importância de cooperação internacional para o
enfrentamento de doenças tropicais negligenciadas.

z Geopolítica das vacinas e autonomia sanitária

A produção nacional da vacina contra a dengue, anunciada pelo Ministério da Saúde, tam-
bém está inserida em um movimento global mais amplo: a busca dos países em desenvolvi-
mento por autonomia na produção de imunizantes.
Durante a pandemia de covid-19, o Brasil e outras nações periféricas enfrentaram dificul-
dades para adquirir vacinas devido à concentração da produção em países desenvolvidos.
Assim, a capacidade de produzir vacinas localmente se torna não apenas uma questão de
saúde pública, mas também um elemento estratégico de soberania nacional e geopolítica
internacional.
Esse cenário conecta o combate à dengue a debates sobre:

„ independência tecnológica em saúde;


„ diplomacia das vacinas, especialmente em tempos de crise;
„ transferência de tecnologia e cooperação internacional em saúde pública.

Vejamos alguns dados relevantes para contextualização:

„ 300 casos por 100 mil habitantes em SP (fevereiro de 2025);


„ mais de 157 mil casos no estado em 2025;
„ vacina contra a dengue com dose única em fase de implementação; e
„ média de quase três mil novos casos por dia só em São Paulo.

z BYD e o avanço estratégico sobre o lítio brasileiro: desafios e oportunidades


geopolíticas44
ATUALIDADES

Em 2023, a gigante chinesa BYD, fabricante de carros elétricos, deu um passo estratégico
crucial ao adquirir direitos minerários sobre dois lotes de lítio na cidade de Coronel Murta,

44 LIMA, C. T. BYD surpreende o mundo: Gigante chinesa garante direitos de mineração no vale do lítio do Brasil!
Click Petróleo e Gás, 2025. Disponível em: [Link] o-mundo-gigante-chi-
nesa-garante-direitos-de-mineracao-no-vale-do-litio-do-brasil/. Acesso em: 1º abr. 2025. 67
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em Minas Gerais, no chamado Vale do Lítio — uma das regiões mais promissoras do Brasil
para a exploração desse mineral estratégico.
A movimentação representa o primeiro investimento direto da BYD em mineração no
Hemisfério Ocidental, destacando a importância do Brasil na corrida global pelo lítio, essen-
cial para a transição energética e a indústria de veículos elétricos.

„ A conexão entre mineração e indústria automotiva

A aquisição dos 852 hectares no Vale do Jequitinhonha aproxima a BYD das fontes primá-
rias do lítio, mineral fundamental para a fabricação de baterias de carros elétricos.
Além disso, a localização dos lotes, a cerca de 825 km da nova fábrica da BYD na Bahia,
revela uma estratégia de integração vertical, unindo a extração da matéria-prima à produção
industrial.
Essa fábrica, instalada no antigo complexo da Ford, prevê a produção de 150 mil carros
elétricos por ano, reforçando o compromisso da empresa com o mercado latino-americano.

„ Geopolítica do lítio e o papel do Brasil

O interesse da BYD pelo lítio brasileiro insere o Brasil em um contexto geopolítico mais
amplo, marcado pela disputa internacional por minerais críticos.
Nos últimos anos, Estados Unidos, China, União Europeia e Arábia Saudita intensificaram
a busca por acesso estável a fontes de lítio, dado o crescimento acelerado das indústrias de
energia limpa e mobilidade elétrica.
Enquanto países como Chile, Bolívia e Argentina controlam o lítio extraído de salinas (com
desafios ambientais e tecnológicos), o Brasil possui depósitos de rocha de espodumênio, mais
acessíveis à mineração tradicional.
Diferentemente dos vizinhos sul-americanos, o Brasil não impôs barreiras rígidas à explo-
ração do lítio, e, em 2022, flexibilizou as regras de exportação, aumentando sua atratividade
para o capital estrangeiro.
Além disso, a criação da subsidiária BYD Exploração Mineral do Brasil, com capital social
de R$ 4 milhões, sinaliza o interesse da empresa em controlar toda a cadeia produtiva, da
extração ao produto final.

z Aspectos econômicos, trabalhistas e ambientais

Apesar do potencial econômico, o projeto da BYD também levanta questões críticas:

„ Demora na produção: a exploração de lítio no Brasil pode levar entre oito e 15 anos
para ter início, dependendo da viabilidade econômica e do licenciamento ambiental,
segundo especialistas;
„ Impactos socioambientais: a mineração em áreas sensíveis, como o Vale do Jequiti-
nhonha, exige atenção aos impactos sobre comunidades locais e o meio ambiente, em
uma região historicamente marcada por desigualdade social; e
„ Riscos trabalhistas: a BYD já enfrentou denúncias de abusos trabalhistas no Brasil, o
que pode afetar sua imagem e a aceitação social de novos empreendimentos.
68
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z Corrida global pelo lítio: Brasil como peça-chave

O movimento da BYD reflete um fenômeno global conhecido como “corrida pelo lítio”, em
que empresas e governos disputam o controle sobre fontes do “ouro branco” do século XXI.
O Brasil, com grandes reservas ainda pouco exploradas, torna-se um dos últimos grandes
territórios com potencial de exploração privada fora do eixo China–EUA.

z Crescimento da produção industrial brasileira: perspectivas e desafios45

De acordo com os dados da Pesquisa Industrial Mensal divulgados pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial brasileira teve um crescimento de
3,1% em 2024 em comparação a 2023. Esse resultado posiciona o Brasil como um dos paí-
ses com o maior crescimento industrial dos últimos 15 anos, o que reflete um momento de
expansão econômica, ainda que com desafios e particularidades.

z Análise do crescimento

O aumento de 3,1% na produção industrial foi o terceiro maior crescimento registrado nos
últimos 15 anos, destacando-se como um dado relevante no contexto da recuperação econô-
mica pós-pandemia.
Esse crescimento ocorreu em meio a um cenário de instabilidade política e econômica,
com pressões internas e externas, como a inflação e os desequilíbrios nas cadeias de produ-
ção globais.
Esse resultado pode ser atribuído a diversos fatores, como:

„ a retomada da demanda interna, com a melhora da confiança do consumidor e o aumen-


to das vendas no mercado interno;
„ investimentos no setor de infraestrutura, que estimulam a produção de bens de capital
e produtos básicos;
„ aumento nas exportações, especialmente para países da América Latina, Ásia e Europa,
que demandaram produtos como automóveis, máquinas e equipamentos; e
„ a modernização do setor industrial por meio de investimentos em tecnologia e inova-
ção, ajudando na competitividade das indústrias brasileiras.

z Setores que impulsionaram o crescimento

Entre os setores que impulsionaram esse desempenho industrial, destacam-se:

„ Indústria automobilística: com a produção de veículos, peças e autopeças em cresci-


ATUALIDADES

mento, beneficiada pela demanda interna e pela exportação;


„ Bens de consumo duráveis: produtos como eletrodomésticos e móveis também regis-
traram aumento na produção, impulsionados pelo consumo das famílias;

45 MOURA, B. F. Produção industrial brasileira fecha 2024 com crescimento de 3,1%. Agência Brasil, 2025. Dis-
ponível em: [Link] brasileira-fecha-
-2024-com-crescimento-de-31. Acesso em: 1º abr. 2025. 69
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„ Indústria de máquinas e equipamentos: a retomada de obras e de investimentos em
infraestrutura ajudou a aumentar a demanda por equipamentos pesados e maquinário.

z Desafios para a sustentabilidade do crescimento

Apesar do crescimento significativo, o Brasil ainda enfrenta diversos desafios estruturais


para consolidar e sustentar o crescimento industrial a longo prazo:

„ Custo Brasil: a elevada carga tributária, a burocracia e a deficiência em infraestrutura


logística ainda são obstáculos ao desenvolvimento do setor industrial;
„ Custo energético: o aumento no custo de energia e as flutuações no preço de insumos
ainda podem impactar a rentabilidade das indústrias; e
„ Desigualdade regional: as disparidades entre as regiões do Brasil ainda geram um
descompasso no crescimento industrial, com estados do Sul e Sudeste mais industriali-
zados do que as regiões Norte e Nordeste.

z Perspectivas para 2025 e além

Em 2025, espera-se que a produção industrial brasileira continue sua trajetória de expan-
são, ainda que com a necessidade de superar desafios econômicos como a inflação e a taxa
de juros elevada.
O setor automotivo e a indústria de transformação têm grande potencial de crescimento,
especialmente com o avanço da transição energética, a crescente demanda por veículos elé-
tricos e a modernização das indústrias de base.
Além disso, o Brasil pode ter uma oportunidade tática com o crescente interesse global por
minerais estratégicos, como lítio, níquel e cobre, essenciais para baterias de veículos elétricos
e tecnologias sustentáveis. Isso pode abrir portas para um aumento na produção industrial
voltada para tecnologia limpa e inovadora.

z Cinema brasileiro é destaque na Berlinale 2025 com prêmio internacional46

O Festival Internacional de Cinema de Berlim (Berlinale), um dos mais importantes e pres-


tigiados festivais de cinema do mundo, trouxe neste ano de 2025 um reconhecimento espe-
cial ao cinema brasileiro. Durante a cerimônia, o filme O Último Azul, dirigido por Gabriel
Mascaro, conquistou o Grande Prêmio do Júri, uma das premiações mais relevantes do even-
to, consagrando a obra como um dos grandes destaques da mostra competitiva.

„ Reconhecimento internacional ao cinema nacional

A vitória de O Último Azul representa mais uma conquista importante para o cinema brasi-
leiro no cenário internacional, reforçando a tradição de obras nacionais que abordam temas
profundos e universais.

46 FERNANDES, S. Festival de Berlim destaca diversidade do cinema brasileiro. DW, 2025. Disponível em: https://
[Link]/pt-br/festival-de-berlim-destaca-diversidade-do-cinema-brasileiro/a-71579752. Acesso em: 1º abr.
70 2025.
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O filme de Mascaro foi amplamente elogiado pela crítica especializada, que destacou tanto
a sua estética apurada quanto a sensibilidade ao tratar de questões urgentes, como os desa-
fios ambientais e sociais que afetam o planeta.

„ Temática contemporânea: meio ambiente e impactos humanos

O Último Azul apresenta uma narrativa que discute de forma poética e impactante a degra-
dação ambiental e os efeitos das ações humanas sobre a natureza, abordando, também, os
reflexos sociais dessa crise.
Com uma direção precisa e fotografia marcante, o longa reflete sobre o esgotamento dos
recursos naturais e convida o espectador a pensar sobre o futuro do planeta.

„ Importância do prêmio e projeção global

Receber o Grande Prêmio do Júri na Berlinale significa uma projeção internacional sig-
nificativa, abrindo portas para o filme circular em outros festivais e mercados. A premiação
também reafirma a capacidade do cinema brasileiro de dialogar com o mundo, levando para
o centro do debate global temas como meio ambiente, desigualdade e sustentabilidade.

„ Gabriel Mascaro e o prestígio internacional

Com esse reconhecimento, Gabriel Mascaro, já conhecido por obras anteriores que explo-
ram questões sociais brasileiras, consolida sua carreira como um dos principais diretores
contemporâneos do país. A aclamação em Berlim reforça o valor artístico e político do seu
cinema, que combina reflexão social profunda com linguagem estética sofisticada.
A presença e o prêmio de O Último Azul na Berlinale 2025 mostram que, mesmo diante de
desafios, o cinema brasileiro continua vivo, potente e relevante no cenário mundial, capaz de
emocionar e provocar o debate em plateias internacionais.

MARÇO DE 2025

Mundo

z Oscar 2025: vencedores47

A 97ª edição do Oscar ocorreu no domingo, 2 de março de 2025, no icônico Dolby Theatre,
em Los Angeles, nos Estados Unidos. Considerada a premiação mais importante do cinema
mundial, a cerimônia organizada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas reve-
lou os grandes vencedores da noite.
ATUALIDADES

Os indicados foram anunciados em 23 de janeiro, e a expectativa se concentrou na histó-


rica participação do filme brasileiro Ainda Estou Aqui, de Walter Salles. O longa não apenas
obteve uma nomeação inédita para Melhor Filme, como também concorreu em Melhor Filme

47 ROSA, J. Oscar 2025: Conheça os lugares onde a cerimônia já ocorreu. Valor, 2025. Disponível em: [Link]
[Link]/eu- e/noticia/2025/03/01/os car-2025-co nheca-os-luga res-onde-a-cerimonia-ja-oc [Link]. Aces-
so em: 10 abr. 2025. 71
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Internacional e Melhor Atriz, com Fernanda Torres. O Brasil, após quatro tentativas, final-
mente conquistou o prêmio de Melhor Filme Internacional, marcando um momento históri-
co para o cinema nacional.
O líder de indicações foi Emilia Pérez, com 13 nomeações, seguido de O Brutalista e Wic-
ked, com 10 cada. No entanto, o grande vencedor da noite foi Anora, que levou os prêmios de
Melhor Filme, Melhor Direção (Sean Baker) e Melhor Atriz (Mikey Madison).
Acompanhe a lista completa dos vencedores do Oscar 2025:

z Melhor filme: Anora;


z Melhor direção: Sean Baker, por Anora;
z Melhor ator: Adrien Brody, por O Brutalista;
z Melhor atriz: Mikey Madison, por Anora;
z Melhor ator coadjuvante: Kieran Culkin, por A Verdadeira Dor;
z Melhor atriz coadjuvante: Zoe Saldaña, por Emilia Pérez;
z Melhor filme internacional: Ainda Estou Aqui;
z Melhor roteiro original: Anora;
z Melhor roteiro adaptado: Conclave;
z Melhor animação: Flow;
z Melhor fotografia: O Brutalista;
z Melhor trilha sonora original: O Brutalista;
z Melhor canção original: “El Mal”, de Emilia Pérez;
z Melhor edição: Anora;
z Melhor som: Duna: Parte 2;
z Melhor design de produção: Wicked;
z Melhor figurino: Wicked;
z Melhor cabelo e maquiagem: A Substância;
z Melhores efeitos visuais: Duna: Parte 2;
z Melhor documentário: No Other Land;
z Melhor documentário de curta-metragem: The Only Girl in the Orchestra;
z Melhor curta-metragem em live-action: I’m Not a Robot;
z Melhor animação em curta-metragem: In the Shadow of the Cypress.

Importante!
A 97ª edição do Oscar demonstrou a diversidade e a força do cinema mundial, com des-
taque para produções inovadoras e representativas de diferentes culturas. O Brasil, com
Ainda Estou Aqui, consolidou-se como uma força emergente no cenário internacional,
enquanto Anora se consagrou como o grande nome da noite.

z Crise climática global: um alerta ignorado pelos líderes mundiais48

48 JUNQUEIRA, P. 2024 quebra recordes climáticos e acende alerta, mostra relatório da ONU. UOL, 2025. Dispo-
nível em: [Link] .br/ecoa/ultimas-noticias/2025/ 03/18/estado-d o-clima-global- [Link]. Acesso
72 em: 10 abr. 2025.
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Um novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), considerado a mais
confiável atualização sobre o clima global, revela um cenário alarmante: o planeta atingiu
seus anos mais quentes na última década.
Embora os dados sejam suficientes para exigir ações drásticas e imediatas, cientistas aler-
tam que a resposta dos governos tem sido marcada por letargia e falta de comprometimento.
O relatório destaca que a concentração de gases de efeito estufa — dióxido de carbono, meta-
no e óxido nitroso — está nos níveis mais altos dos últimos 800 mil anos.

„ 2024: o ano mais quente já registrado

O relatório confirma que 2024 bateu o recorde histórico de temperatura, superando


2023. Além disso, este foi provavelmente o primeiro ano em que as temperaturas globais
excederam 1,5°C acima da média pré-industrial (1850–1900), um limite crucial definido pelo
Acordo de Paris.
Embora esse número não signifique um rompimento definitivo com o pacto climático, a
humanidade está perigosamente próxima do ponto de não retorno.
Os principais responsáveis pelo aquecimento global são os gases de efeito estufa, intensi-
ficados pelo fenômeno climático El Niño, que aquece as águas do Pacífico oriental.
Segundo a OMM, o aquecimento global de longo prazo já se encontra entre 1,34°C e 1,41°C
acima da era pré-industrial. O secretário-geral da ONU, António Guterres, reforça que ainda
é possível limitar o aumento a 1,5°C, mas exige esforço e compromisso político imediato.

„ Oceano em alerta: recorde de calor e impactos devastadores

Os oceanos absorvem 90% do excesso de calor do planeta, e os últimos oito anos registra-
ram temperaturas oceânicas sem precedentes. O aquecimento acelerado dos mares desen-
cadeia o branqueamento de corais, prejudicando ecossistemas marinhos, o aumento da
frequência e intensidade de tempestades tropicais e a perda acelerada de gelo marinho, com-
prometendo o equilíbrio climático global.
A taxa de aquecimento do oceano nos últimos 20 anos já é mais que o dobro do registrado
entre 1950 e 2005, um sinal crítico de desequilíbrio ambiental.

„ Elevação do nível do mar: ameaça para populações costeiras

Desde que os satélites começaram a monitorar o nível do mar, sua elevação dobrou, atin-
gindo um novo recorde em 2024. O ritmo aumentou de 2,1 mm por ano (1993–2002) para 4,7
mm por ano (2015–2024).
Isso representa um risco direto para milhões de pessoas em áreas costeiras, gerando inun-
dações e erosão de territórios, salinização de fontes de água doce, impactando a segurança
ATUALIDADES

hídrica global, e aceleração da crise migratória climática.


A perda de massa glaciar também atingiu um recorde: os últimos três anos foram os piores
já registrados para as geleiras. Regiões como Noruega, Suécia, Svalbard e os Andes tropicais
sofreram derretimentos sem precedentes.

73
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z Crise humanitária: migrações e insegurança alimentar em alta

Em 2024, os desastres climáticos deslocaram mais pessoas do que qualquer outro ano des-
de 2008. Ciclones, inundações e secas forçaram milhões a abandonar seus lares.
Eventos extremos registrados incluem:

„ ondas de calor inéditas, como na Arábia Saudita, onde as temperaturas atingiram 50°C
durante a peregrinação do Hajj;
„ incêndios florestais e secas severas, que destruíram plantações e interromperam o for-
necimento de alimentos;
„ aumento da insegurança alimentar — em pelo menos oito países, um milhão de pessoas
a mais enfrentaram fome severa em comparação com 2023.

Especialistas afirmam que parte dessa crise poderia ter sido minimizada com sistemas de
alerta precoce, mas apenas metade dos países do mundo possui mecanismos adequados para
prever desastres.
Segundo Celeste Saulo, secretário-geral da OMM: “Isso precisa mudar. Não podemos mais
tratar os eventos climáticos extremos como incidentes isolados. Eles são sintomas de um colap-
so sistêmico”.

„ Ciência versus inação política: o futuro da humanidade em jogo

Especialistas alertam que a transição para emissões líquidas zero já não é suficiente: é
preciso acelerar drasticamente as ações climáticas.
A professora Sarah Perkins-Kirkpatrick, da Australian National University, critica a inér-
cia dos governos: “Estamos apertando o botão soneca para um alarme global. Os recordes
climáticos estão acontecendo ano após ano — e continuamos adiando as soluções”.
A cientista Linden Ashcroft, da Universidade de Melbourne, destaca a frustração da comu-
nidade científica:

Sinceramente, não sei mais o que fazer. Deveríamos gritar essas descobertas do alto dos pré-
dios? Dançar no TikTok? A menos que vejamos uma liderança climática real, estarei repetindo
essa mesma mensagem no próximo ano.

„ Conclusão: geopolítica e a falta de liderança climática

A crise climática não é apenas uma questão ambiental, mas um desafio geopolítico de pri-
meira ordem.
Ações climáticas dependem de cooperação internacional, mas interesses econômicos e
políticos ainda bloqueiam compromissos mais ambiciosos. O enfraquecimento de acordos
como o Acordo de Paris — impulsionado por decisões como a retirada dos EUA durante a ges-
tão Trump — demonstram como a política pode acelerar ou retardar o combate às mudanças
climáticas.

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z A ascensão do Brasil no ranking da felicidade e o declínio histórico dos Estados
Unidos49

O Brasil deu um salto significativo no Ranking Mundial da Felicidade de 2025, publicado


anualmente pela Organização das Nações Unidas. O país avançou oito posições em relação
ao ano anterior, alcançando o 36º lugar. Esse progresso contrasta com o declínio dos Estados
Unidos, que caíram para a 24ª posição, atingindo seu pior desempenho desde a criação do
ranking em 2012. No topo da lista, a Finlândia reafirmou sua liderança pelo oitavo ano con-
secutivo, mantendo-se como a nação mais feliz do mundo.

z Critérios e mudanças no ranking

O ranking da felicidade é baseado em seis fatores-chave:

„ PIB per capita;


„ expectativa de vida saudável;
„ apoio social;
„ liberdade para fazer escolhas;
„ generosidade; e
„ percepção de corrupção.

O estudo, divulgado em parceria com o instituto de pesquisa Gallup e a Universidade de


Oxford, analisa dados de diferentes países para medir o bem-estar subjetivo da população.
No contexto sul-americano, o Brasil ultrapassou o Chile, que despencou do 38º para o 45º
lugar, tornando-se o segundo país mais bem posicionado da região, ficando atrás apenas
do Uruguai, que ocupa a 29ª colocação. A Argentina também superou os chilenos, ficando em
42º lugar.

z Hegemonia nórdica e novas dinâmicas regionais

Os países nórdicos continuam dominando o topo do ranking. Finlândia, Dinamarca, Islân-


dia e Suécia figuram nas primeiras posições, refletindo o sucesso de seus modelos socioe-
conômicos baseados em políticas públicas de bem-estar, equilíbrio entre trabalho e vida
pessoal e baixa desigualdade social. A Holanda completa o top 5, seguida pela Costa Rica, que
se destaca como o país latino-americano mais bem classificado, alcançando pela primeira vez
o seleto grupo dos 10 mais felizes.
No entanto, a situação é alarmante para o Afeganistão, que ocupa a última posição (147ª)
pelo segundo ano consecutivo. O país continua sendo um dos mais instáveis do mundo,
especialmente após o retorno do Talibã ao poder, que intensificou a violência e a repressão,
ATUALIDADES

impactando severamente a qualidade de vida da população, em especial das mulheres.

z O declínio dos EUA: um reflexo da fragmentação social?

49 BRASIL sobe 8 posições no ranking da felicidade da ONU, e EUA nunca foram tão infelizes; Finlândia é líder. G1,
2025. Disponível em: [Link] [Link]/mundo/noticia/2 025/03/19/brasil-sobe-8-posicoes-n o-ranking-da-fe-
licidade -da-onu-e-eua-nunca-foram-tao-infelizes-finlandia -[Link]. Acesso em: 10 abr. 2025. 75
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O recuo histórico dos Estados Unidos no ranking pode ser explicado por mudanças nos
hábitos sociais e pelo aumento das tensões internas. A ONU apontou que o número de refei-
ções feitas sozinho cresceu 53% nas últimas duas décadas, refletindo um declínio na intera-
ção social e na coesão familiar. Além disso, fatores como polarização política, aumento da
desigualdade e crises de saúde mental impactaram a percepção de bem-estar da população.
Em contrapartida, a ONU identificou que países com maior convivência social apresentam
índices mais elevados de felicidade. Lares com quatro ou cinco pessoas são mais comuns no
México e na Europa, e essa configuração está diretamente ligada a uma maior satisfação com
a vida.

z Panorama geral sobre o ranking da felicidade

O TOP 20 DA FELICIDADE EM 2025


Classificação País
1 Finlândia
2 Dinamarca
3 Islândia
4 Suécia
5 Holanda
6 Costa Rica
7 Noruega
8 Israel
9 Luxemburgo
10 México
11 Austrália
12 Nova Zelândia
13 Suíça
14 Bélgica
15 Irlanda
16 Lituânia
17 Áustria
18 Canadá
19 Eslovênia
20 Tchéquia

O ranking da felicidade de 2025 reflete mudanças geopolíticas e sociais em todo o mundo.


O Brasil demonstrou avanços, enquanto os Estados Unidos enfrentam uma queda preocu-
pante em sua percepção de bem-estar. Os países nórdicos mantêm sua supremacia, enquanto
a Costa Rica emerge como um destaque na América Latina.

76
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Os dados evidenciam a importância de políticas públicas eficazes, redes de apoio social
e equilíbrio entre vida pessoal e profissional para garantir um alto índice de felicidade em
qualquer nação.

z G7 pressiona Rússia com possibilidade de novas sanções em caso de impasse no


cessar-fogo50

Em meio às tensões persistentes entre Rússia e Ucrânia, os países que compõem o Grupo
dos Sete (G7) reforçaram, em 14 de março de 2025, a necessidade de estabelecer mecanis-
mos de segurança sólidos para garantir um cessar-fogo efetivo na região. O bloco, formado
por Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Estados Unidos, alertou Moscou
sobre possíveis novas sanções econômicas e diplomáticas caso não siga os termos da trégua
já aceitos por Kiev.

„ A condição do cessar-fogo e o posicionamento russo

Em um documento preliminar elaborado por diplomatas do G7, que ainda precisa da


aprovação ministerial, os países reforçaram a importância de uma reciprocidade russa na
aceitação e implementação da trégua. A posição do bloco enfatiza que qualquer cessar-fogo
só será eficaz se ambos os lados aderirem aos mesmos termos e compromissos.

„ Implicações sociopolíticas e o futuro da estabilidade europeia

Do ponto de vista sociológico e geopolítico, o apelo do G7 revela não apenas a preocupação


com a estabilidade na Europa Oriental, mas também com os impactos globais da guerra,
como a insegurança alimentar, o deslocamento forçado de populações e o aumento das ten-
sões militares.
A imposição de sanções se configura como um instrumento estratégico de pressão, que
pode afetar diretamente a economia russa e reconfigurar alianças internacionais.

„ A necessidade de garantias de segurança

Os líderes do G7 enfatizaram que qualquer acordo precisa ser acompanhado de garantias


de segurança concretas para que a Ucrânia tenha capacidade de defesa contra futuras amea-
ças militares. Esse ponto reflete um reposicionamento estratégico do Ocidente, que busca
evitar repetições de ciclos de agressão e garantir maior equilíbrio de poder na região.
O cenário geopolítico permanece volátil, e o desenrolar das negociações entre a Rússia e
a Ucrânia será determinante para o futuro da ordem internacional e das dinâmicas de segu-
rança global.
ATUALIDADES

50 G7 ameaça impor mais sanções à Rússia, incluindo petróleo, se não houver cessar-fogo. InfoMoney, 2025. Dis-
ponível em: https:// [Link] /mundo/g7-a meaca-impor-mais-san coes-a-russia-incluindo- petroleo-
-se-nao-houv er-cessar-fogo/. Acesso em: 10 abr. 2025. 77
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z Reconfiguração geopolítica e desafios comerciais: o impacto das tarifas americanas
na Europa51

A escalada das tensões comerciais promovida pelos Estados Unidos não apenas compro-
mete a economia global, mas também impulsiona a Europa a fortalecer sua coesão política e
econômica.
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, alertou que uma guerra
comercial de grande escala teria repercussões severas, especialmente para os norte-ameri-
canos, ao mesmo tempo em que poderia catalisar uma nova fase de unidade entre os países
europeus.

„ O protecionismo dos EUA e seus efeitos sistêmicos

Nos últimos anos, os Estados Unidos adotaram uma política comercial agressiva, impondo
tarifas a diversos parceiros comerciais, independentemente de serem aliados históricos ou
concorrentes estratégicos. Essa postura gerou retaliações internacionais e aumentou a incer-
teza sobre o crescimento da economia mundial.
Segundo Lagarde, uma restrição substancial no comércio global pode resultar em impac-
tos negativos no crescimento econômico e na estabilidade de preços, com reflexos mais agu-
dos sobre os Estados Unidos devido à interdependência de sua economia.

„ Um novo impulso para a União Europeia?

Paradoxalmente, essa conjuntura desfavorável pode servir como um catalisador para a


União Europeia reforçar sua integração e buscar maior autonomia estratégica. Lagarde des-
tacou que as disputas comerciais internacionais funcionam como um “sinal de alerta” para a
Europa, estimulando uma reação conjunta dos Estados-Membros.
A resposta europeia já começa a se materializar com iniciativas de aumento nos investi-
mentos em defesa e infraestrutura, particularmente por parte da Alemanha, que, por anos,
manteve uma postura cautelosa em relação aos gastos públicos.

„ O papel do Reino Unido e a nova configuração do bloco

Embora tenha se desligado da União Europeia, o Reino Unido também se vê envolvido


nesse processo de reorganização geopolítica. Lagarde aponta que Londres, apesar do Brexit,
participa ativamente dos esforços de segurança europeia, demonstrando que os desafios glo-
bais exigem colaboração múltipla, independentemente de arranjos institucionais.

„ Desafios estruturais e a necessidade de reformas

Apesar do impulso recente, a União Europeia enfrenta desafios internos significativos. Nos
últimos anos, diversas propostas para fortalecer a unidade do bloco ficaram estagnadas. Em

51 GUERRA comercial de Trump é um alerta para a Europa, diz presidente do BCE. CNN Brasil, 2025. Disponível em:
[Link] [Link]/economia/macroeco nomia/guerra-comercial-de-trump-e-um-a lerta-para-a-europa-
78 -diz-president e-do-bce/. Acesso em: 10 abr. 2025.
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um relatório recente, Mario Draghi, ex-presidente do BCE, expôs as fragilidades do projeto
europeu e a necessidade de reformas profundas.
Até o momento, no entanto, os líderes europeus adotaram poucas medidas concretas para
implementar essas mudanças estruturais, mesmo diante de um cenário de crescimento
estagnado e da recessão alemã. A conjuntura global adversa pode ser um estímulo para
a revisão de estratégias e para a busca de uma posição mais coesa e autônoma no sistema
internacional.

z Crise de segurança no Peru: governo mobiliza forças armadas para conter violência52

Em 17 de março de 2025, o governo peruano decretou estado de emergência em Lima


e na província de Callao, mobilizando as Forças Armadas para reforçar a segurança diante
do aumento alarmante da criminalidade. A medida reflete a preocupação crescente com a
escalada da violência urbana, marcada pelo avanço de esquemas de extorsão e crimes orga-
nizados que desafiam o controle estatal.
A indignação popular atingiu seu ápice após o assassinato do renomado músico Paul Flo-
res, morto a tiros dentro de um ônibus durante um assalto na madrugada de 16 de março. O
episódio intensificou o debate sobre segurança pública e levou a presidente Dina Boluarte
a defender penas mais severas para criminosos, chegando a mencionar a pena de morte,
atualmente restrita no país aos casos de traição nacional.
Nos últimos anos, o Peru tem recorrido a estados de emergência como resposta a crises de
segurança e instabilidade social. A atual decisão surge em meio a uma série de ações contra
grupos criminosos que exploram setores estratégicos, incluindo empresas de transporte.
A presença militar nas ruas é vista como uma tentativa de restaurar a ordem, mas também
levanta questionamentos sobre a eficácia e os impactos a longo prazo da militarização da
segurança pública.

z Reconfiguração da cidadania italiana: impactos e perspectivas geopolíticas53

A recente decisão do governo italiano de restringir a concessão de cidadania por des-


cendência representa uma mudança significativa na política migratória do país. As novas
diretrizes estabelecem que apenas descendentes de pais ou avós italianos terão direito ao
reconhecimento, alterando um sistema anteriormente mais inclusivo. Essa medida afeta
diretamente milhares de brasileiros que buscavam a nacionalidade italiana como forma de
conexão com suas origens e oportunidade de mobilidade global.

„ Origens e motivação da mudança


ATUALIDADES

52 GOVERNO do Peru anuncia estado de emergência em Lima e convoca Forças Armadas para combater o crime
organizado. O Globo, 2025. Disponível em: [Link] a/2025/03/17/governo-do-p
eru-anuncia- estado-de-emergencia-em-lima-e-convoca-f orcas-armadas-para-combater -[Link]-
ml. Acesso em: 10 abr. 2025.
53 MUDANÇA na cidadania italiana: quem já iniciou o processo não será afetado. CNN Brasil, 2025. Disponível
em: [Link] [Link]/inte rnacional/mudança -na-cidadania-italiana-quem-ja-iniciou-o-processo-não
-sera-afetado/. Acesso em: 10 abr. 2025 79
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Historicamente, a cidadania italiana foi concedida por jus sanguinis (direito de sangue),
permitindo que descendentes de italianos, independentemente do grau de parentesco, reivin-
dicassem a nacionalidade. No entanto, o governo italiano endureceu essa política, limitan-
do-a apenas a filhos e netos de cidadãos italianos. Essa decisão está alinhada a um contexto
político global de endurecimento das leis de imigração, especialmente em países europeus
que enfrentam pressões migratórias e desafios econômicos.
A medida também reflete um discurso nacionalista crescente, que busca restringir o
acesso à cidadania como forma de controle populacional e preservação de recursos estatais.
O fato de a decisão ter sido implementada por decreto, sem ampla discussão no Parlamento
ou na sociedade civil, também levanta questões sobre transparência e participação democrá-
tica no processo.

„ Implicações sociológicas e geopolíticas

A restrição da cidadania italiana impacta diretamente a dinâmica migratória de descen-


dentes de italianos espalhados pelo mundo, especialmente no Brasil, que abriga uma das
maiores comunidades de origem italiana fora da Europa. Para muitos, a cidadania europeia
representa não apenas um vínculo cultural e histórico, mas também uma oportunidade de
inserção no mercado de trabalho europeu.
Do ponto de vista geopolítico, essa decisão se alinha a uma tendência global de endureci-
mento das políticas de imigração e nacionalidade. Observa-se um fenômeno semelhante em
outros países ocidentais, como os Estados Unidos, que adotaram medidas mais restritivas na
concessão de vistos e cidadania sob administrações recentes. A postura italiana pode gerar
reflexos nas relações diplomáticas com países que tradicionalmente enviam imigrantes para
a Europa, como o Brasil e a Argentina.

„ O futuro da cidadania italiana e seus reflexos

Com essa mudança, espera-se que haja uma redução significativa no número de solici-
tações de cidadania, o que pode desafogar a burocracia italiana, mas também gerar descon-
tentamento entre descendentes que perderam o direito ao reconhecimento.
A longo prazo, essa medida pode impulsionar debates sobre identidade nacional, pertenci-
mento e direito à dupla cidadania, especialmente em um mundo cada vez mais globalizado,
no qual a mobilidade internacional se torna um elemento essencial para o desenvolvimento
econômico e social.

z Israel lança primeira ofensiva terrestre após quebrar cessar-fogo em Gaza54

O Exército de Israel disse na quarta-feira, 19 de março de 2025, que havia lançado “ati-
vidades terrestres direcionadas” em Gaza, recapturando parcialmente uma área-chave no
território, um dia após lançar um bombardeio aéreo no enclave que quebrou o cessar-fogo
de dois meses com o Hamas.

54 ISRAEL lança primeira ofensiva terrestre em Gaza desde o fim do cessar-fogo. Exame, 2025. Disponível em:
[Link] cias/mundo/israel-lanca- primeira-ofensiva-terrestre-em-ga za-desde-o-fim-do-
80 -cessa r-fogo/. Acesso em: 10 abr. 2025.
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Israel acusou o Hamas de se recusar “repetidamente” a libertar reféns e rejeitar ofertas
de mediadores. O Hamas, por sua vez, culpou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netan-
yahu, de derrubar unilateralmente a trégua e colocar os reféns “em risco de um destino
desconhecido”.
As Forças de Defesa de Israel (IDF) disseram que suas tropas:

[...] iniciaram atividades terrestres direcionadas no centro e sul da Faixa de Gaza para expan-
dir a zona de segurança e criar uma proteção parcial entre o norte e o sul de Gaza.

“Como parte das atividades terrestres, as tropas expandiram seu controle ainda mais para o
centro do Corredor Netzarim”, disseram os militares.
O Hamas chamou a mais recente ofensiva de uma “nova e perigosa violação” do acordo de
cessar-fogo. O grupo militante, em uma declaração, disse que continuava comprometido com
o acordo de cessar-fogo que assinou com Israel em janeiro.
Sob o acordo de cessar-fogo de janeiro, Israel se retirou do Corredor Netzarim, uma faixa
de terra importante que divide Gaza ao meio, separando o centro da cidade de Gaza e a sua
região norte das partes do sul da faixa que fazem fronteira com o Egito.
Embora Israel tenha se retirado do corredor, contratados militares estrangeiros continua-
ram a operar em postos de controle entre o norte e o sul de Gaza.
Depois que a trégua entrou em vigor, centenas de milhares de palestinos passaram pelo
corredor a pé, de carro e, em alguns casos, de burros, com muitos deles retornando para
casas que haviam sido destruídas após 15 meses de bombardeio israelense.
Os ataques aéreos israelenses na terça-feira mataram mais de 400 pessoas em Gaza, de
acordo com o Ministério da Saúde do enclave, tornando-se um dos dias mais mortais da
guerra.

„ Funcionário da ONU morto

A Organização das Nações Unidas afirmou que um de seus trabalhadores humanitários


internacionais foi morto por uma “munição explosiva” na casa de hóspedes da ONU no cen-
tro de Gaza, e outros cinco ficaram feridos.
O Ministério da Saúde Palestino, em Gaza, atribuiu o ataque ao exército israelense, o que
a IDF negou, dizendo que não havia conduzido nenhum ataque aéreo nas proximidades da
casa de hóspedes.
Jorge Moreira da Silva, chefe do Escritório de Serviços de Projetos da ONU (UNOPS), disse
a repórteres que o ataque aconteceu em uma casa de hóspedes da ONU em Deir al-Balah,
frequentemente usada por funcionários da entidade.
O local era conhecido pela IDF e ficava em uma área isolada sem outros edifícios por per-
to, ele disse. Silva afirmou que a casa de hóspedes foi atacada várias vezes na semana em
ATUALIDADES

questão.
Ele relatou:

Dois dias atrás, houve um quase acidente com essas instalações, e ontem as instalações foram
atingidas, e hoje houve outro ataque, infelizmente com essas vítimas.

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“Não pode ser categorizado como um acidente”, ele acrescentou, enfatizando que “ataques
a instalações humanitárias são uma violação do direito internacional”.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel disse na quarta-feira à noite
que um cidadão búlgaro que trabalhava para a ONU morreu em Gaza, mas não ficou imedia-
tamente claro se o búlgaro era a mesma pessoa mencionada na declaração da ONU.

„ Novo protesto

Enquanto isso, a guerra renovada atraiu milhares de manifestantes ao parlamento


israelense, o Knesset, em Jerusalém. Críticos do governo de Netanyahu acusam o primeiro-
-ministro de usar a guerra para reforçar sua coalizão instável.
A declaração militar israelense veio depois que o ministro da Defesa, Israel Katz, alertou
que os moradores de Gaza “pagarão o preço total” se os reféns israelenses não forem devol-
vidos e o Hamas continuar a governar na faixa.
Uma autoridade israelense disse na terça-feira que os ataques aéreos em Gaza foram a
primeira fase de uma série de ações militares de escalada destinadas a pressionar o Hamas a
libertar mais reféns, marcando um retorno à visão de Netanyahu de que a pressão militar é
a maneira mais eficaz de garantir a libertação de reféns.
Atenção! Até agora, o exército israelense trouxe apenas oito reféns vivos de volta a Israel,
dos 251 feitos pelo Hamas e seus aliados em 7 de outubro de 2023. A grande maioria foi liber-
tada como parte de acordos de cessar-fogo em troca de prisioneiros palestinos.

z Terremoto devastador atinge Mianmar e Tailândia, agravando crises humanitárias e


políticas na região55

Na sexta-feira, 28 de março de 2025, um terremoto de 7,7° de magnitude atingiu a região


central de Mianmar. Dois dias depois, no domingo, 30 de março, um tremor secundário de
5,1° foi registrado na cidade de Mandalay. De acordo com a junta militar no poder, o desastre
causou cerca de 1,7 mil mortes, deixando ainda 3,4 mil feridos e 300 desaparecidos.

„ Guerra civil em Mianmar agrava a resposta ao desastre

Desde o golpe militar de 2021, Mianmar enfrenta um intenso conflito interno, o que limi-
ta o acesso à informação e dificulta os esforços humanitários. Com a infraestrutura já fragi-
lizada pela guerra, a destruição causada pelo terremoto representa um desafio ainda maior
para as equipes de resgate.

„ Crise humanitária e falta de recursos

A ONU alerta para uma escassez severa de suprimentos médicos, enquanto a OMS solici-
tou US$ 8 milhões para auxiliar nas operações emergenciais. Organizações humanitárias
denunciam que o isolamento político de Mianmar dificulta a chegada de ajuda internacional.

55 A DIFICULDADE de se ter notícias de Mianmar, país em guerra civil onde terremoto deixou milhares de mortos.
82 BBC, 2025. Disponível em: [Link] ticles/cz6dxx1gv5 0o. Acesso em: 10 abr. 2025.
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„ Tailândia também é atingida: colapso de arranha-céu em Bangkok

Na Tailândia, o tremor causou o desabamento de um edifício de 30 andares em construção


na capital, Bangkok, soterrando 76 operários. Até o momento, 18 mortes foram confirma-
das, e os trabalhos de resgate continuam. Além disso, rachaduras em prédios e casas levaram
o governo tailandês a emitir ordens de evacuação em diversas áreas.

„ Epicentro e risco geológico

O epicentro do terremoto foi localizado a apenas 16 km da cidade de Sagaing, a uma pro-


fundidade de 10 km, o que intensificou seus efeitos destrutivos. Segundo o USGS (United Sta-
tes Geological Survey), há alto risco de liquefação do solo, fenômeno que pode comprometer
ainda mais a infraestrutura e causar novos colapsos.

„ Impacto geopolítico e desafios regionais

A catástrofe expôs a fragilidade das infraestruturas na região e destacou desafios geo-


políticos importantes. Em Mianmar, a resposta ao desastre está sendo conduzida por um
governo militar sob sanções internacionais, dificultando a chegada de auxílio externo. Por
outro lado, a Tailândia pode desempenhar um papel crucial na mediação da ajuda humani-
tária, aproveitando suas relações diplomáticas com o regime birmanês.

„ Perspectivas e necessidade de cooperação internacional

Especialistas alertam que, além da tragédia imediata, o terremoto pode aprofundar a


crise humanitária na região e levar a um aumento do deslocamento populacional. Diante
disso, cresce a necessidade de uma resposta internacional coordenada, tanto para o socorro
imediato quanto para a reconstrução das áreas afetadas.

z O papel estratégico da Suécia no conflito Ucrânia–Rússia: apoio militar e cenário


geopolítico56

A Suécia anunciou um novo pacote de assistência militar à Ucrânia, totalizando 16 bilhões


de coroas suecas (US$ 1,59 bilhão), tornando-se o maior repasse do país à nação em conflito
até o momento. Essa decisão reforça não apenas o suporte militar, mas também a posição
geopolítica da Suécia no contexto europeu e global.

z Ajuda militar e seu impacto na defesa ucraniana


ATUALIDADES

A maior parte desse montante, cerca de nove bilhões de coroas, será destinada à aquisi-
ção de novos equipamentos, coordenada pela Administração Sueca de Material de Defesa.

56 SUÉCIA anuncia ajuda militar à Ucrânia no valor de quase US$ 1,6 bilhão. CNN Brasil, 2025. Disponível em:
[Link] [Link]/internacional/ suecia-anuncia- ajuda-militar-a-ucrania-no-valor-de-qua se-us-16-bi-
lhao/. Acesso em: 10 abr. 2025. 83
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Outros cinco bilhões de coroas serão repassados diretamente como doação financeira para
fortalecer a estrutura de defesa da Ucrânia.
Segundo o ministro da Defesa sueco, Pal Jonson, o momento atual do conflito é crítico, e a
intenção é garantir que a Ucrânia tenha condições de negociar um eventual acordo de paz a
partir de uma posição mais vantajosa. “Nosso foco agora é apoiar a Ucrânia o máximo possí-
vel para que ela possa fortalecer sua posição nessas negociações”, declarou Jonson.

„ A resposta europeia e os desafios na produção militar

O ministro também enfatizou a necessidade de um envolvimento mais ativo de outros


países europeus no apoio à Ucrânia, alertando que “mais países precisam fazer mais”. Essa
declaração vem em um momento em que a Europa se depara com o desafio de ampliar sua
capacidade de produção de armamentos e suprimentos bélicos, já que sua indústria de defe-
sa foi moldada para tempos de paz.
Com a entrada de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos, em janeiro de 2025,
e suas tentativas de intermediar um cessar-fogo, cresce a incerteza sobre o nível de apoio
norte-americano ao conflito. Diante desse cenário, surge o questionamento sobre se a Europa
tem condições financeiras e industriais para assumir um papel mais expressivo na manuten-
ção da defesa ucraniana.
Jonson destacou que, enquanto os recursos financeiros europeus são robustos, a verdadei-
ra limitação está na capacidade produtiva do setor militar.
O ministro analisou:

A União Europeia tem uma economia oito vezes maior que a da Rússia. Se houver vontade
política, é possível mobilizar um suporte amplo. No entanto, a indústria de defesa da Europa
ainda opera em um modelo adaptado para períodos de paz.

„ Reconfiguração das alianças e impactos na segurança global

A iniciativa sueca reforça a tendência de maior envolvimento dos países europeus na


segurança continental, sinalizando um possível reaquecimento da indústria de defesa e uma
nova reconfiguração das alianças geopolíticas. A decisão também reflete a pressão para que
a Europa reduza sua dependência dos Estados Unidos nesse campo, especialmente diante da
imprevisibilidade das políticas externas da nova administração americana.
O conflito na Ucrânia, portanto, não se restringe apenas ao embate territorial entre Kiev
e Moscou, mas se desdobra em um xadrez político e econômico mais amplo, no qual a capa-
cidade de mobilização e produção da Europa pode redefinir os equilíbrios globais de poder.

z Groenlândia entre a autonomia e a independência: desafios geopolíticos e


sociopolíticos57

57 GROENLÂNDIA fortalece laços com a Dinamarca enquanto busca independência. CNN Brasil, 2025. Disponível
em: [Link] [Link]/internacional/groenlandia-f ortalece-lacos-com-a-dinamarca- enquanto-busca-
84 -inde pendencia/. Acesso em: 10 abr. 2025.
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A relação entre a Groenlândia e a Dinamarca atravessa um momento crucial, no qual o
território semiautônomo busca reforçar seus vínculos com a metrópole enquanto pavimenta
o caminho para a independência. O primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen,
reafirmou que a ilha deseja, em última instância, consolidar sua soberania, sem renunciar
as parcerias estratégicas no cenário global.

„ O fortalecimento dos laços com a Dinamarca como estratégia política

Desde sua posse, em 28 de março de 2025, Nielsen tem enfatizado a necessidade de apro-
fundar os laços políticos e econômicos com a Dinamarca visando a uma transição estrutura-
da para a independência. Segundo ele:

Enquanto a Groenlândia fizer parte do Reino da Dinamarca, é essencial consolidar essa parce-
ria para que, no momento adequado, possamos nos tornar soberanos.

Dica
Essa estratégia reflete uma abordagem pragmática, reconhecendo a dependência finan-
ceira e institucional da Groenlândia em relação à Dinamarca, ao mesmo tempo que forta-
lece a identidade nacional e a autonomia política.

„ Pressão geopolítica: interesses dos Estados Unidos na região

O avanço das aspirações soberanistas da Groenlândia ocorre em um contexto de crescente


disputa geopolítica pelo controle do Ártico. A região, rica em recursos naturais e com posição
estratégica para o equilíbrio militar global, tem atraído o interesse dos Estados Unidos, que
buscam ampliar sua influência sobre o território groenlandês.
Em visita a uma base militar norte-americana no norte da Groenlândia, o vice-presidente
dos EUA, JD Vance, criticou a gestão dinamarquesa, alegando que os Estados Unidos seriam
mais eficazes na proteção da ilha. Essa declaração reflete uma estratégia histórica dos EUA
de ampliar sua presença no Ártico, algo que remonta à proposta de compra da ilha feita pelo
ex-presidente Donald Trump em 2019.

„ Soberania e identidade: a posição groenlandesa

Apesar da crescente pressão externa, o governo groenlandês se posiciona de forma firme


contra qualquer tentativa de ingerência internacional. Segundo Nielsen, “a Groenlândia nun-
ca fará parte da América”, destacando que qualquer relação com os Estados Unidos deve ser
pautada pelo respeito mútuo e pela cooperação em segurança nacional.
ATUALIDADES

O primeiro-ministro também reforçou que o futuro da ilha não está vinculado à perma-
nência sob a administração dinamarquesa, deixando claro o objetivo final de tornar a Groen-
lândia uma nação independente.

„ O futuro da Groenlândia no tabuleiro global

85
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A busca pela independência da Groenlândia ocorre em um cenário de crescente comple-
xidade política e geoestratégica. Enquanto a ilha equilibra sua relação com a Dinamarca e
resiste às pressões dos Estados Unidos, também precisa lidar com desafios internos, como
desenvolvimento econômico, infraestrutura e sustentabilidade ambiental.
O desfecho desse processo dependerá não apenas da habilidade diplomática de seus líde-
res, mas também da capacidade da Groenlândia de consolidar uma identidade nacional que
a permita se firmar como um ator soberano no sistema internacional.

Brasil

z Crise de saúde mental no Brasil: impactos e medidas governamentais58

O Brasil enfrenta uma grave crise de saúde mental, com impactos diretos na vida dos tra-
balhadores e das empresas. Dados exclusivos do Ministério da Previdência Social revelam
que, em 2024, quase meio milhão de trabalhadores foram afastados por transtornos psico-
lógicos, o maior número registrado em pelo menos 10 anos.

z Aumento expressivo de afastamentos

Os dados indicam que os transtornos mentais atingiram um nível incapacitante sem pre-
cedentes. Em comparação com 2023, houve um crescimento de 68% no número de licenças
médicas concedidas, totalizando 472.328 mil afastamentos.
De acordo com psiquiatras e psicólogos, esse aumento está relacionado a:

„ condições precárias no mercado de trabalho;

58 CASEMIRO, P.; MOURA, R. Crise de saúde mental: Brasil tem maior número de afastamentos por ansiedade e
depressão em 10 anos. G1, 2025. Disponível em: [Link] co m/trabalho-e-carreira/no ticia/2025/03/1 0/
crise-de-saude-mental-brasil-te m -maior-num ero-de-afastamentos-po r -ansiedade-e-dep ressao-em-10- [Link]-
86 ml. Acesso em: 10 abr. 2025.
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„ cicatrizes emocionais da pandemia; e
„ pressões e cobranças excessivas no ambiente profissional.

z Medidas do governo para conter a crise

Diante desse cenário alarmante, o governo federal adotou medidas mais rigorosas. O
Ministério do Trabalho e Emprego anunciou a atualização da NR-1, norma que define as
diretrizes de saúde no ambiente de trabalho. A nova regulamentação prevê fiscalizações e
multas para empresas que não garantirem um ambiente saudável para os seus funcionários.

z Perfil dos trabalhadores afastados

Os dados do INSS permitem traçar um raio X da crise. Vejamos:

„ o benefício por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença) foi concedido em 3,5


milhões de casos em 2024;
„ 472 mil afastamentos foram motivados por problemas de saúde mental;
„ mulheres são a maioria entre os afastados (64%);
„ a idade média dos afastados é 41 anos;
„ os principais transtornos são ansiedade e depressão; e
„ o tempo médio de afastamento é de até três meses.

ATUALIDADES

87
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Dica
O burnout, apesar de amplamente discutido, não figura entre os principais motivos de afas-
tamento. Em 2024, apenas quatro mil licenças foram concedidas por essa razão. Segun-
do especialistas, a dificuldade no diagnóstico impacta diretamente a notificação desses
casos.

z Distribuição geográfica dos afastamentos

Os estados com maior número de afastamentos absolutos são São Paulo, Minas Gerais
e Rio de Janeiro.
Contudo, quando analisado proporcionalmente, os estados com os maiores índices de
afastamento são:

„ Distrito Federal;
„ Santa Catarina; e
„ Rio Grande do Sul.

Atenção! O caso do Rio Grande do Sul se destaca devido às enchentes devastadoras, que
impactaram diretamente a saúde mental da população.

z Brasil faz história no Oscar 2025 com “Ainda Estou Aqui” e reforça sua presença no
cenário cinematográfico global59

A premiação do Oscar 2025 marcou um momento histórico para o cinema brasileiro. No


dia 2 de março, em Los Angeles (EUA), o filme Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles,
conquistou o prêmio de Melhor Filme Internacional, tornando-se a primeira produção brasi-
leira a vencer esta categoria.

„ A conquista e os concorrentes

O longa-metragem superou fortes concorrentes na disputa, como A Garota da Agulha


(Dinamarca), Emilia Pérez (França), A Semente do Fruto Sagrado (Alemanha) e Flow (Letônia).
A estatueta foi entregue pela atriz Penélope Cruz, consagrando um momento de reconheci-
mento global para a produção nacional.
Ao receber o prêmio, Walter Salles destacou a importância da resistência e da memória
histórica. Em seu discurso, dedicou a vitória a Eunice Paiva, mulher que enfrentou o autori-
tarismo em busca de justiça. O cineasta também homenageou as atrizes Fernanda Torres e
Fernanda Montenegro, responsáveis por dar vida à protagonista da trama.

„ O impacto geopolítico do prêmio para o Brasil

59 Vitória de ‘Ainda estou aqui’ gera repercussão na mídia internacional: ‘Um momento histórico para o Brasil
no Oscar’. O Globo, 2025. Disponível em: [Link] /03/vitoria-de-ainda-
-e stou-aqui-gera-repercussao-internacional -um-momento-historico-para-o-brasil-no-oscar.g html. Acesso em: 10
88 abr. 2025.
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A vitória de Ainda Estou Aqui no Oscar não representa apenas um feito cinematográfico,
mas também um avanço estratégico para o soft power brasileiro. O cinema é uma ferramenta
essencial de diplomacia cultural, capaz de projetar valores, narrativas e a identidade nacio-
nal para o mundo.
Além disso, essa conquista fortalece a presença do Brasil na indústria audiovisual global,
atraindo mais investimentos e consolidando o país como um importante polo de produção
cinematográfica na América Latina. A vitória também ressalta o papel da arte na reconstru-
ção da memória histórica ao tratar de um dos períodos mais sombrios da política brasileira:
a ditadura militar.

„ A produção e o reconhecimento internacional

Baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, o filme foi produzido pelo Glo-
boplay, sendo seu primeiro original a alcançar uma estatueta da Academia. Manuel Belmar,
diretor de produtos digitais da Globo, celebrou a conquista:

Receber nosso primeiro Oscar no ano em que celebramos 100 anos de Globo é emblemático.
“Ainda Estou Aqui” é um filme brilhante, com atuações excepcionais. Esse reconhecimento
reforça nosso compromisso em investir no talento brasileiro e ampliá-lo para o mundo.

O longa narra a história real de Eunice Paiva, advogada e ativista que dedicou quatro
décadas de sua vida na busca pela verdade sobre o desaparecimento de seu marido, Rubens
Paiva, ex-deputado federal assassinado pela ditadura militar. O elenco conta com nomes
de peso, como Fernanda Torres, Selton Mello e Fernanda Montenegro.

„ Outras indicações e reconhecimento da Academia

Além de vencer como Melhor Filme Internacional, Ainda Estou Aqui também concorreu
em outras duas categorias: Melhor Atriz (Fernanda Torres) e Melhor Filme, mas perdeu para
Anora em ambas.
Mesmo assim, a premiação consolida o Brasil como um player relevante no mercado cine-
matográfico internacional e evidencia a força do audiovisual nacional como um instrumento
de reflexão social, cultural e política.
Com essa vitória, o Brasil amplia sua projeção global e reforça a importância de sua produ-
ção cinematográfica como símbolo de resistência, memória e identidade nacional.

z Dia Internacional da Mulher: entre conquistas e desafios na luta global por igualdade60

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é um marco para reflexões sobre


ATUALIDADES

os avanços e desafios na busca pela equidade de gênero. Em 2025, o tema Para TODAS as
mulheres e meninas: Direitos. Igualdade. Empoderamento reforça o compromisso global com a
ampliação dos direitos e oportunidades para mulheres e meninas, mirando um futuro femi-
nista, inclusivo e transformador.

60 O DIA Internacional da Mulher e a Luta por Igualdade: Reflexões e Compromissos. GovBR, 2025. Disponível em:
h ttps://tiny [Link]/ymc pt95h. Acesso em: 10 abr. 2025. 89
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Entretanto, apesar dos progressos, a realidade da violência de gênero segue alarmante. No
Brasil, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, classificou a
violência doméstica como uma “grande epidemia”.
Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam que, em apenas quatro anos, o
número de feminicídios julgados aumentou 225%, refletindo a persistência da violência con-
tra mulheres, mesmo diante de avanços legislativos.
O ano de 2025 marca também os 30 anos da Declaração e Plataforma de Ação de Pequim,
um dos marcos mais progressistas para os direitos das mulheres. Desde sua adoção, o mundo
testemunhou avanços significativos, como o fortalecimento das legislações contra a violência
doméstica, a ampliação do acesso a serviços de apoio e o crescente engajamento juvenil na
luta por igualdade.
Hoje, 193 países têm medidas legislativas voltadas à proteção das mulheres, e mais de 112
implementaram planos nacionais para garantir sua participação na construção da paz e na
prevenção de conflitos.
No entanto, os desafios contemporâneos, como o aumento de conflitos armados, a erosão
da democracia e a crise climática, impõem novas barreiras à equidade de gênero. Só no últi-
mo ano, 612 milhões de mulheres e meninas viveram em territórios afetados por guerras,
um aumento de 50% em uma década. A urgência da causa exige mobilização global para for-
talecer políticas públicas, ampliar a participação feminina nos espaços de decisão e garantir
que nenhuma mulher ou menina seja deixada para trás.
Neste Dia Internacional da Mulher, a ONU Mulheres convoca governos, empresas, socie-
dade civil e juventude para impulsionar ações concretas em três eixos fundamentais:

z defesa dos direitos das mulheres e meninas, combatendo todas as formas de violência,
discriminação e exploração;
z promoção da igualdade de gênero, desmantelando barreiras sistêmicas e assegurando
inclusão para todas;
z empoderamento feminino, garantindo acesso igualitário à educação, ao mercado de tra-
balho e à liderança política.

O mundo está em um ponto de inflexão: ou avançamos na luta pela equidade de gênero,


ou retrocedemos diante de desafios crescentes. O Dia Internacional da Mulher não é apenas
uma celebração — é um chamado para a ação.

z Obesidade no Brasil: um desafio de saúde pública que exige ação urgente61

A obesidade tem se consolidado como um dos maiores desafios de saúde pública no Bra-
sil. De acordo com o Atlas Mundial da Obesidade 2025, divulgado pela Federação Mundial
da Obesidade (WOF), aproximadamente 31% da população brasileira vivem com obesidade,
enquanto 68% apresentam excesso de peso, incluindo aqueles com sobrepeso.
Os dados revelam uma tendência alarmante: até 2030, o número de homens com obesida-
de pode crescer 33,4%, e, entre as mulheres, esse aumento pode atingir 46,2%. Além disso, a

61 OBESIDADE no Brasil cresce e se torna desafio para a saúde pública. Acidadeon, 2025. Disponível em: https://
[Link] [Link]/araraquara/ cotidiano/obesidade-no-br asil-cresce-e-se-torna-desafio-pa ra-a-saude-publi-
90 ca/. Acesso em : 10 abr. 2025.
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inatividade física é um fator agravante — entre 40% e 50% da população adulta não pratica
exercícios na frequência e intensidade recomendadas.

„ Impactos na saúde e na sociedade

O sobrepeso e a obesidade não são apenas questões estéticas, mas fatores determinantes
para o surgimento de diversas doenças crônicas. De acordo com o relatório, mais de 60 mil
mortes prematuras no Brasil são associadas a enfermidades como diabetes tipo 2, doenças
cardiovasculares e acidente vascular cerebral (AVC).
Diante desse cenário, o endocrinologista Marcio Mancini, especialista em obesidade, res-
salta que tratar o problema como uma responsabilidade individual é um equívoco. Segundo
ele, a obesidade deve ser encarada como uma questão de saúde pública, exigindo políticas
eficazes para sua prevenção e tratamento.

z Políticas públicas e medidas necessárias

Para reverter essa crise, especialistas apontam diversas estratégias que devem ser imple-
mentadas em nível governamental e comunitário, incluindo:

„ Regulamentação alimentar: adoção de impostos sobre bebidas açucaradas e rotula-


gem clara de produtos ultraprocessados;
„ Acesso facilitado a alimentos saudáveis: redução dos preços de frutas, legumes e pro-
teínas magras;
„ Educação nutricional contínua: campanhas permanentes em escolas, promovendo
hábitos saudáveis desde a infância;
„ Infraestrutura urbana: investimentos em segurança pública, iluminação, parques e
calçadas adequadas para incentivar a prática de atividades físicas;
„ Melhoria no transporte público: um sistema eficiente e seguro pode estimular o des-
locamento a pé e a redução do sedentarismo.

Para Mancini, mudanças estruturais são essenciais para que a população tenha condições
reais de adotar hábitos mais saudáveis. Ele enfatiza que uma única ação anual nas escolas
sobre alimentação saudável é insuficiente e que são necessárias campanhas permanentes.

„ O cenário global da obesidade

A obesidade não é um problema exclusivo do Brasil. O Atlas Mundial da Obesidade aponta


que mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo vivem com a condição, e esse número pode
ultrapassar 1,5 bilhão até 2030 se nenhuma medida for adotada.
ATUALIDADES

Atualmente, dois terços dos países não estão preparados para lidar com essa crise, sendo
que apenas 7% possuem sistemas de saúde estruturados para enfrentar o aumento da obesi-
dade. O problema já está associado a 1,6 milhão de mortes prematuras anuais, superando até
mesmo o número de vítimas de acidentes de trânsito.
Em comparação internacional, o Brasil apresenta índices melhores que os dos Estados Uni-
dos, no qual 75% da população têm excesso de peso e 44% vivem com obesidade. A China, em
91
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contrapartida, apresenta situação menos grave, registrando 41% da população com excesso
de peso e apenas 9% com obesidade.

„ Movimento global: “Mudar o Mundo pela Saúde”

Diante desse cenário preocupante, iniciativas globais têm surgido para mobilizar gover-
nos e sociedade. No Brasil, a campanha “Mudar o Mundo pela Saúde”, liderada pela Associa-
ção Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e pela Sociedade
Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), busca estimular mudanças efetivas na
forma como a obesidade é tratada.
Como parte das ações, foi lançado um e-book gratuito que propõe melhorias em políticas
públicas e iniciativas privadas para a prevenção e tratamento da obesidade.
Neste Dia Mundial da Obesidade, o chamado é claro: precisamos agir agora para evitar
uma crise de saúde ainda maior. A obesidade não é apenas uma questão individual, mas um
desafio coletivo que exige a colaboração de todos os setores da sociedade.

z Crise hídrica na Amazônia: impactos e desafios geopolíticos62

Em 2024, a Amazônia perdeu 3,6% da sua superfície de água em relação à média histórica
do bioma. O longo período de estiagem manteve os níveis de água abaixo do esperado por
sete meses consecutivos, conforme apontam dados do MapBiomas divulgados em março de
2025.
Com 61% da superfície de água do Brasil, a região amazônica viu 63% das suas sub-bacias
hidrográficas sofrerem perdas significativas. Os impactos foram mais severos no Rio Negro,
onde a redução ultrapassou 50 mil hectares comparados à média histórica.

„ Tendência de redução hídrica: a crise nacional

O problema da seca não se limita à Amazônia. Em 2024, o Brasil perdeu 2% da sua superfí-
cie de água, continuando a tendência de redução iniciada na década passada. Os dados indi-
cam que os últimos dez anos registraram oito dos 10 períodos mais secos desde 1985.
O Pantanal foi o bioma mais afetado, com uma redução de 61% da superfície de água em
relação à média histórica, passando o ano inteiro abaixo dos níveis normais.
No Cerrado, observou-se uma mudança estrutural na distribuição hídrica: em 1985, 63%
da água do bioma era composta por rios e lagos naturais; em 2024, esse percentual caiu para
40%, enquanto a água em reservatórios artificiais subiu para 60%.

„ Reservatórios cheios, rios secos: a contradição da gestão hídrica

Apesar do aumento de 54% na superfície de água em reservatórios artificiais desde 1985,


a tendência de seca persiste. A maior parte dessa água artificial está concentrada em biomas

62 GAMA, G. Amazônia perdeu 3,6% da água de rios e lagos em 2024, aponta relatório. CNN Brasil, 2025. Disponível
em: [Link] [Link]/nacional/brasil/am azonia-perdeu-36-da-agua-de-rios- e-lagos-em-2024-aponta-
92 -relat orio/. Acesso em: 10 abr. 2025.
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densamente habitados, como a Mata Atlântica, enquanto a perda de água em rios e lagos
naturais atingiu 15% em relação à série histórica.
“O crescimento de reservatórios não compensa a perda hídrica nos biomas dependentes de
água natural, como a Amazônia e o Pantanal”, explica Juliano Schirmbeck, coordenador téc-
nico do MapBiomas Água.

„ A dimensão geopolítica e sociológica da crise

A crise hídrica na Amazônia tem implicações globais, pois afeta tanto a biodiversidade
quanto o equilíbrio climático do planeta. A região é um dos principais reguladores do ciclo
da água, e sua redução impacta diretamente a segurança alimentar, a geração de energia e a
disponibilidade de recursos hídricos para comunidades locais e nações vizinhas.
Do ponto de vista sociológico, a seca reforça desigualdades regionais, prejudicando popula-
ções ribeirinhas, indígenas e pequenos agricultores, que dependem dos rios para subsistência.
Além disso, a competição por recursos hídricos pode intensificar conflitos socioambientais,
ampliando a pressão sobre políticas de gestão da água.
Diante desse cenário, a gestão hídrica se torna um desafio político e econômico central,
exigindo respostas eficazes para conter a degradação dos ecossistemas aquáticos e garantir a
segurança hídrica do Brasil.

z Taxa Selic é elevada novamente pelo Copom63

O ambiente externo continua desafiador, com destaque para a conjuntura econômica


dos Estados Unidos, marcada pela incerteza sobre a política comercial do país e seus efei-
tos. Essa situação tem gerado incertezas quanto ao ritmo de desaceleração, à desinflação e à
postura do Fed (Federal Reserve System), além de afetar o crescimento das outras economias.
Os bancos centrais das principais economias permanecem focados na convergência das
taxas de inflação para suas metas, em meio a pressões nos mercados de trabalho. O comitê
observa que os países emergentes precisam manter cautela diante do cenário externo.
Em relação ao cenário doméstico, os indicadores de atividade econômica e mercado de
trabalho continuam dinâmicos, embora surjam sinais de moderação no crescimento. A infla-
ção cheia e as medidas subjacentes seguem acima da meta e tiveram elevação nas divulga-
ções mais recentes.
As expectativas de inflação para 2025 e 2026, de acordo com a pesquisa Focus, aumenta-
ram substancialmente, passando para 5,7% e 4,5%, respectivamente. A projeção do Copom
para o terceiro trimestre de 2026 é de 3,9%, no cenário de referência.
Riscos de alta para o cenário inflacionário incluem:

„ desancoragem das expectativas de inflação por um período mais longo;


ATUALIDADES

„ maior resiliência na inflação de serviços devido a um hiato do produto mais positivo;


„ políticas econômicas externas e internas com impacto inflacionário maior que o espe-
rado, como uma taxa de câmbio mais depreciada.

63 PATI, C. Copom sobe juros pela quinta vez seguida e Selic vai a 14,25% ao ano. Veja, 2025. Disponível em:
[Link] /economia/copom-sobe-juros-pel a-quinta-vez-seguida-e-selic-vai-a-14 25-ao-ano/. Aces-
so em: 10 abr. 2025. 93
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Riscos de baixa envolvem:

„ uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica doméstica;


„ um cenário inflacionário mais baixo para economias emergentes devido a choques no
comércio internacional e nas condições financeiras globais.

O comitê continua acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal impac-


tam a política monetária e os ativos financeiros. A percepção dos agentes econômicos sobre
o regime fiscal e a sustentabilidade da dívida ainda influenciam os preços de ativos e as
expectativas.

„ Decisão do Copom

O comitê decidiu elevar a taxa básica de juros em 1,00 ponto percentual, para 14,25% a.a.,
entendendo que essa medida está alinhada à estratégia de convergência da inflação para a
meta ao longo do horizonte relevante. A decisão visa garantir a estabilidade de preços, suavi-
zar as flutuações da atividade econômica e fomentar o pleno emprego.
Atenção! Diante do cenário adverso para a convergência da inflação e das incertezas do
ciclo de aperto monetário em andamento, o comitê antecipa que a próxima elevação será
de menor magnitude. O comitê reforça que a magnitude total do ciclo de aperto será deter-
minada pelo compromisso de convergência da inflação à meta e dependerá da evolução da
dinâmica da inflação, das projeções de inflação, das expectativas e do hiato do produto.

z Membros do comitê

Votaram a favor dessa decisão os seguintes membros:

„ Gabriel Muricca Galípolo (presidente);


„ Ailton de Aquino Santos;
„ Diogo Abry Guillen;
„ Gilneu Francisco Astolfi Vivan;
„ Izabela Moreira Correa;
„ Nilton José Schneider David;
„ Paulo Picchetti;
„ Renato Dias de Brito Gomes; e
„ Rodrigo Alves Teixeira.

z Projeções inflacionárias futuras

A análise das projeções de inflação no cenário de referência, conforme apresentada na


tabela a seguir, reflete uma desaceleração gradual da inflação ao longo dos próximos anos.
Em 2025, a projeção do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é de 5,1%, mas a expec-
tativa é que este índice diminua para 3,9% no terceiro trimestre de 2026, sinalizando uma
tendência de redução da pressão inflacionária.

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ÍNDICE DE PREÇOS 2025 3º TRIMESTRE DE 2026
IPCA 5,1 3,9
IPCA livres 5,4 3,8
IPCA administrados 4,3 4,2

Projeções de inflação no cenário de referência.

No entanto, é importante observar que a inflação não é homogênea para todos os com-
ponentes do IPCA. O índice “IPCA livres”, que exclui itens com preços mais voláteis, como
alimentos e combustíveis, apresenta uma projeção de 5,4% para 2025, caindo para 3,8% em
2026, o que sugere que a inflação subjacente poderá ser ligeiramente mais resistente à queda.
Já os “IPCA administrados”, que incluem preços controlados por políticas públicas, como
energia e combustíveis, apresentam uma trajetória mais moderada, com projeções de 4,3%
em 2025 e 4,2% em 2026, indicando uma inflação relativamente mais estável nesse segmento.
Essas projeções são moldadas por variáveis externas e internas, como a evolução da taxa
de juros, que segue as projeções da pesquisa Focus, e a taxa de câmbio, que parte de R$5,80/
US$ e se ajusta conforme a paridade do poder de compra (PPC).
O preço do petróleo, que afeta diretamente a inflação dos combustíveis, segue a curva
futura para os próximos seis meses, com um aumento estimado de 2% ao ano após esse
período. Além disso, a implementação da bandeira tarifária “verde” em dezembro de 2025
também poderá contribuir para a moderação das pressões inflacionárias.
Essas variáveis combinadas apontam para um cenário em que, apesar da redução projeta-
da da inflação, desafios permanecem, exigindo políticas econômicas cuidadosas para garan-
tir a convergência das taxas para as metas estabelecidas.

z Crise hídrica no Brasil: chuvas de verão insuficientes e os desafios para a segurança


ambiental e econômica64

O verão de 2024–2025 no Brasil chegou ao fim no dia 20 de março, trazendo volumes


expressivos de precipitação em diversas regiões do país. Estados como Amazonas, sudoeste
do Pará, Maranhão e Piauí registraram altos índices pluviométricos.
No entanto, esse aumento das chuvas não foi suficiente para reverter o déficit hídrico acu-
mulado nos últimos anos devido a secas severas e incêndios florestais que castigaram biomas
estratégicos como a Amazônia, o Cerrado e o Pantanal.
Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), entre dezembro de 2024 e
fevereiro de 2025, a porção norte do Pantanal, norte de Mato Grosso, Rondônia, leste do Acre
e sudoeste do Pará enfrentaram um déficit de precipitação de 200 mm, enquanto a média cli-
matológica para o período varia entre 500 mm e 700 mm. Somente em janeiro, a redução das
ATUALIDADES

chuvas chegou a 75 mm abaixo da média histórica, agravando a crise hídrica e prolongando


os impactos ambientais e econômicos.
O esgotamento dos recursos hídricos não apenas compromete a resiliência dos ecossis-
temas, levando à perda de folhas em áreas florestais do oeste do Pará, leste do Amazonas,

64 VERÃO 2024/2025 foi um dos mais quentes da história no Brasil desde 1961. GovBR, 2025. Disponível em:
[Link] br/assuntos/noticias/2025/03/vera o-2024-2025-foi-um-dos-mais -quentes-da-his-
toria-no-brasil-desd e-1961. Acesso em: 10 abr. 2025. 95
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Rondônia e Pantanal mato-grossense, mas também impacta diretamente a produção agríco-
la. A baixa umidade do solo, no período essencial da semeadura entre o final de 2024 e início
de 2025, reduziu a produtividade de grãos e pode desencadear perdas econômicas severas
para o setor agropecuário, um dos pilares da economia brasileira.
Além dos prejuízos à agricultura, o déficit hídrico compromete a segurança hídrica da
população e pode agravar tensões geopolíticas internas relacionadas ao uso da água, espe-
cialmente em áreas onde a escassez já gera disputas por recursos.
O fenômeno também repercute na capacidade do Brasil de cumprir compromissos inter-
nacionais de preservação ambiental e combate às mudanças climáticas, uma vez que biomas
estratégicos, como a Amazônia, desempenham papel fundamental na regulação do clima
global.
Para os próximos meses, a previsão do INMET aponta que, embora a oferta de água no solo
no oeste da Amazônia possa favorecer algumas culturas agrícolas, o Brasil Central, Minas
Gerais, o Pantanal e extensas áreas do Sudeste e Sul continuarão enfrentando restrição hídri-
ca. Essa limitação pode intensificar os desafios da recuperação ambiental e reforçar a urgên-
cia de políticas públicas que garantam a sustentabilidade dos recursos hídricos, equilibrando
demandas ambientais e econômicas.
Diante desse cenário, a crise hídrica no Brasil não pode mais ser encarada como um pro-
blema sazonal, mas como uma questão estrutural que exige planejamento estratégico, inves-
timentos em infraestrutura hídrica e uma governança climática mais eficiente para evitar
colapsos ambientais e socioeconômicos no futuro.

z Distribuição das chuvas no verão 2024–2025

„ Regiões com maiores volumes de chuva: Norte do Brasil (Amazonas, sudoeste do


Pará, Maranhão e Piauí);
„ Regiões com déficit de chuvas: Pantanal, norte do Mato Grosso, Rondônia, leste do
Acre e sudoeste do Pará;
„ Déficit de precipitação: até 200 mm abaixo da média, sendo que a média climatológica
varia entre 500 mm e 700 mm.

z Impactos ambientais e agrícolas

„ Perda de folhas em áreas florestais no oeste do Pará, leste do Amazonas, Rondônia e


Pantanal;
„ Redução da produtividade agrícola devido à baixa umidade do solo;
„ Possíveis perdas econômicas e dificuldades para populações rurais.

z Classificação da seca e previsão climática

„ Seca moderada em regiões como o sul da Região Norte, Pantanal, oeste do Rio Grande
do Sul, centro do Nordeste, Espírito Santo e norte de Minas Gerais;
„ Preocupação para o segundo semestre, devido ao período de estiagem que tende a se
intensificar, impactando a recuperação hídrica;
„ Oferta limitada de água no solo no Brasil Central, Minas Gerais, oeste de São Paulo e Rio
96 Grande do Sul, dificultando a recuperação dos reservatórios.
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Brasil amplia domínio marítimo e reforça sua posição estratégica no Atlântico Sul65

O Brasil alcançou uma importante vitória geopolítica com a aprovação de sua reivindica-
ção para expandir sua plataforma continental na Margem Equatorial.
A decisão, anunciada pela Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC) da
ONU em 26 de março de 2025, concede ao país o direito de explorar uma área marítima de
aproximadamente 360 mil km² — uma extensão comparável ao território da Alemanha. Essa
conquista consolida a estratégia brasileira de fortalecimento da soberania sobre recursos
naturais e amplia seu peso geopolítico no Atlântico Sul.

z A expansão da plataforma continental e a estratégia marítima brasileira

Desde a ratificação da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM)
em 1994, o Brasil vem conduzindo uma política ativa para a ampliação de sua plataforma
continental. Por meio do Plano de Levantamento da Plataforma Continental Brasileira
(LEPLAC), lançado em 1989, a Marinha do Brasil coordena estudos científicos e diplomáticos
para fundamentar reivindicações territoriais sobre áreas marítimas estratégicas.
A expansão segue um planejamento dividido em três frentes principais:

„ Região Sul: reivindicação aprovada pela CLPC em 2019;


„ Margem Equatorial: reconhecida em 2025;
„ Margem Oriental/Meridional: próxima fase do projeto, ainda em análise.

Com essa decisão, o Brasil fortalece sua Zona Econômica Exclusiva (ZEE), que tradicional-
mente se estende até 200 milhas náuticas da costa, garantindo, agora, o direito de explora-
ção de recursos naturais em algumas áreas que chegam a 350 milhas náuticas. Esse avanço
amplia significativamente a capacidade do país de gerir seu patrimônio marítimo, tanto em
termos de segurança energética quanto de biodiversidade.

z O Atlântico Sul como cenário geopolítico

A ampliação da plataforma continental brasileira ocorre em um contexto global marcado


pela crescente valorização das áreas marítimas. Oceanos são fontes fundamentais de recur-
sos estratégicos, como petróleo, gás, minerais raros e biodiversidade, além de servirem como
rotas comerciais essenciais para a economia mundial.
No caso do Brasil, a relevância do Atlântico Sul tem se intensificado devido a três fatores
mais relevantes:

„ Presença de recursos naturais: a Margem Equatorial abriga potenciais reservas de


ATUALIDADES

petróleo e gás, o que pode aumentar a competitividade do Brasil no mercado energético


global;

65 CATTO, A. Brasil ‘ganha’ uma Alemanha em área marítima após decisão da ONU; entenda. G1, 2025. Disponível
em: [Link] economia/noticia/2025/03/27/b rasil-area-maritima-decisao -[Link]. Acesso em: 10
abr. 2025. 97
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„ Segurança e defesa: a ampliação da jurisdição marítima reforça a necessidade de
investimentos na Amazônia Azul, conceito estratégico da Marinha do Brasil que desta-
ca a importância do litoral brasileiro para a soberania nacional;
„ Disputa geopolítica por áreas oceânicas: em um cenário de crescente militarização
dos oceanos, especialmente no Indo-Pacífico e no Ártico, o Brasil busca consolidar sua
liderança regional e garantir que potências externas respeitem sua zona de influência.

z Implicações para a exploração de recursos

Embora a expansão da plataforma continental assegure a soberania sobre a área, isso não
significa a imediata exploração de petróleo na região. A Petrobras, por exemplo, já buscava
autorização para realizar estudos dentro dos limites da Zona Econômica Exclusiva, sem rela-
ção direta com essa nova área reconhecida pela CLPC.
No entanto, a decisão fortalece a posição do Brasil no setor energético global, abrindo
novas possibilidades para investimentos na exploração sustentável de recursos do subsolo
marinho. Além disso, pode impulsionar novas parcerias internacionais para o desenvolvi-
mento de tecnologias voltadas à mineração em águas profundas e à conservação ambiental.

z Próximos passos: a consolidação da presença brasileira no Atlântico

Com a aprovação da Margem Equatorial, o Brasil avança na consolidação de sua presença


marítima. O próximo desafio será a análise da reivindicação sobre a Margem Oriental/Meri-
dional, que, se aprovada, fortalecerá ainda mais o domínio do país sobre sua plataforma
continental estendida.
Essa conquista não apenas amplia o potencial econômico do Brasil, mas também reforça
sua posição como um ator estratégico no Atlântico Sul, capaz de definir políticas próprias
para a exploração e preservação de seus recursos marítimos. Com isso, o país se insere de
forma mais assertiva no cenário global, equilibrando interesses econômicos, ambientais e de
segurança nacional.

z Brasil sob escrutínio comercial: o embate com os EUA e as acusações de protecionismo66

O governo dos Estados Unidos publicou seu relatório anual sobre barreiras comerciais,
apontando o Brasil como um dos países que dificultam o acesso de produtos e serviços estran-
geiros ao seu mercado interno.
Segundo o 2025 National Trade Estimate Report on Foreign Trade Barriers (NTE), divul-
gado pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), oito principais entraves
estariam prejudicando os exportadores norte-americanos, justificando possíveis retaliações
tarifárias.
O documento, que abrange 47 países e a União Europeia, critica medidas do governo bra-
sileiro que afetam setores como etanol, bebidas alcoólicas e produtos eletrônicos. A crítica
principal é de que o Brasil estaria adotando práticas comerciais protecionistas em detrimento

66 NOBERTO, C. EUA acusam Brasil de protecionismo e listam 8 barreiras comerciais. G1, 2025. Disponível em:
[Link] conomia/noticia/2025/03/27/b rasil-are a-maritima-decisao- [Link]. Acesso em: 10
98 abr. 2025.
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da concorrência internacional, algo que os EUA buscam contestar por meio de negociações
diplomáticas e, se necessário, sanções econômicas.

z A geopolítica do protecionismo e os interesses comerciais globais

O embate comercial entre Brasil e EUA deve ser analisado dentro de um contexto geopolí-
tico maior. Os Estados Unidos têm historicamente utilizado relatórios como o NTE para pres-
sionar nações a adotar medidas favoráveis aos seus interesses comerciais, frequentemente
em nome da “justiça e reciprocidade” no mercado global. Contudo, tais acusações ignoram o
papel que políticas protecionistas desempenham no fortalecimento da economia interna dos
países em desenvolvimento.
A estratégia brasileira de proteção de setores estratégicos não é isolada. China, União
Europeia e Índia também foram alvos do relatório, sendo citados por subsídios industriais,
barreiras digitais e regulações sanitárias rigorosas. A disputa ilustra a tensão entre potências
econômicas e países emergentes, que buscam equilibrar abertura comercial com políticas
que fomentem o desenvolvimento interno.
Entre os principais pontos de crítica ao Brasil, destacam-se:

z Acordos comerciais

„ O Acordo de Cooperação Econômica e Comercial EUA-Brasil (ATEC), assinado em


2011 e atualizado em 2022, enfrenta dificuldades na sua implementação;
„ O Brasil ainda não ratificou o Código Aduaneiro Comum do MERCOSUL, o que gera
insegurança para parceiros comerciais.

z Políticas de importação

„ Tarifas elevadas: a tarifa média do Brasil é de 11,2%, impactando setores como auto-
móveis, eletrônicos e produtos químicos;
„ Taxa sobre etanol: o Brasil reintroduziu uma tarifa de 18% sobre o etanol importado,
reduzindo as exportações norte-americanas em 32%;
„ Discriminação fiscal: produtos importados, como uísque, enfrentam tributação mais
alta do que a cachaça nacional.

z Barreiras não tarifárias

„ Restrição a produtos remanufaturados, como equipamentos médicos e eletrônicos, sob


justificativa ambiental;
„ Demora na emissão de licenças de importação, prejudicando exportadores
ATUALIDADES

norte-americanos;
„ Burocracia alfandegária inconsistente, especialmente para bens temporários.

z Barreiras técnicas e sanitárias

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„ O programa RenovaBio exclui produtores estrangeiros do mercado de créditos de
carbono;
„ A proibição da importação de carne suína dos EUA é considerada “não científica” pelo
governo americano;
„ Regulamentação rigorosa sobre vinhos importados.

z Compras governamentais

„ Preferência por empresas nacionais em setores estratégicos;


„ Exigência de transferência de tecnologia em contratos acima de US$ 50 milhões.

z Propriedade intelectual

„ O Brasil é criticado por atrasos de até nove anos no registro de patentes;


„ Falta de proteção adequada para dados de testes clínicos.

z Barreiras a serviços

„ Restrições a conteúdo audiovisual estrangeiro, favorecendo produções nacionais;


„ Taxa de 60% em entregas expressas, dificultando o e-commerce internacional.

z Comércio digital

„ Proposta de taxar plataformas digitais pode impactar serviços como streaming e


marketplaces;
„ Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) cria incertezas sobre transferência de dados
internacionais.

z Brasil entre os países mais criticados

O Brasil aparece como um dos sete países mais citados no relatório do USTR, ao lado
de China, União Europeia, Índia, México, Canadá e Japão. Em termos de impacto financeiro
sobre exportações norte-americanas, as barreiras brasileiras são estimadas em US$ 8 bilhões,
especialmente em setores como etanol, bebidas alcoólicas e produtos remanufaturados.

z O dilema entre soberania e integração econômica

O Brasil enfrenta um dilema complexo: ao mesmo tempo em que busca fortalecer sua eco-
nomia e proteger indústrias nacionais, precisa equilibrar essa estratégia com a pressão por
maior abertura comercial.
Em um mundo marcado por disputas geopolíticas e acordos comerciais voláteis, o desafio
está em conciliar desenvolvimento soberano com as dinâmicas do comércio global, evitando
tanto o isolamento quanto a dependência excessiva de potências econômicas como os EUA.

100
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z Inteligência artificial e o mapeamento territorial no Brasil67

A integração entre tecnologia e meio ambiente tem sido cada vez mais relevante no debate
geopolítico global, especialmente diante das mudanças climáticas e da necessidade de ges-
tão sustentável dos recursos naturais. No Brasil, a utilização da inteligência artificial (IA) no
mapeamento territorial representa um avanço significativo na monitorização do uso da ter-
ra, permitindo maior precisão na análise dos impactos ambientais e nas estratégias de gestão
agrícola.

„ Avanço tecnológico na análise territorial

Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em colaboração com o Instituto


Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), desenvolveram uma metodologia que combina geo-
monitoramento por satélite e inteligência artificial para ampliar a capacidade de análise
do uso da terra no Brasil.
Essa ferramenta inovadora permite identificar com maior precisão mudanças ambientais,
expansão agrícola, desmatamento e queimadas, elementos que influenciam diretamente nas
políticas de desenvolvimento sustentável.

„ Monitoramento em tempo real e tomada de decisões

Com uma taxa de precisão que chega a 95%, a tecnologia foi testada inicialmente no esta-
do de Mato Grosso, uma região central para a produção agrícola e para as discussões sobre
preservação ambiental.
Essa abordagem permite não apenas acompanhar em tempo real as transformações na
paisagem, mas também fornece subsídios para a formulação de estratégias mais eficazes no
controle do desmatamento e na previsão de safras.
O impacto dessa tecnologia na agricultura é substancial, pois possibilita aos produtores
tomarem decisões mais embasadas\. Diante de incertezas climáticas e desafios logísticos, o
acesso a informações detalhadas permite um planejamento mais eficiente, reduzindo perdas
e otimizando a produção.

„ Relevância sociológica e geopolítica

Do ponto de vista sociológico, o monitoramento territorial com IA reflete um avanço na


democratização da informação, possibilitando que pequenos e grandes produtores tenham
acesso a dados de alta precisão, anteriormente restritos a setores específicos. Essa inclusão
tecnológica pode favorecer a redução de desigualdades no campo e contribuir para práti-
cas mais sustentáveis.
ATUALIDADES

No contexto geopolítico, a capacidade de monitoramento em larga escala fortalece a posi-


ção do Brasil em debates internacionais sobre mudanças climáticas e preservação ambien-
tal. O país, frequentemente pressionado por acordos ambientais globais, pode utilizar essa

67 COP30: Uso de terras é mapeado com inteligência artificial. CNN Brasil, 2025. Disponível em: [Link]
[Link]/nac ional/sudeste/sp/cop30-uso-d e-terras-e-mapeado-com-inteligencia- artificial/. Acesso em:
10 abr. 2025. 101
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tecnologia como um instrumento de gestão transparente de seus recursos naturais, equili-
brando o desenvolvimento econômico com compromissos sustentáveis.

„ Desafios e perspectivas futuras

Apesar dos avanços, a expansão do uso dessa tecnologia enfrenta desafios, como a neces-
sidade de políticas públicas que incentivem sua implementação em larga escala e o comba-
te a práticas ilegais que degradam o meio ambiente. Ademais, garantir a transparência e
acessibilidade dos dados é essencial para que diferentes setores da sociedade possam se
beneficiar dessa ferramenta.
Com a aproximação da COP30, que será sediada no Brasil, a discussão sobre monitoramen-
to territorial por IA ganha ainda mais relevância. Essa tecnologia pode ser um diferencial na
elaboração de propostas para um desenvolvimento mais equitativo e ambientalmente res-
ponsável, consolidando o Brasil como um ator estratégico nas discussões climáticas globais.

ATUALIDADES — ABRIL DE 2025

Mundo

z Reeleição de Daniel Noboa aprofunda tensões políticas no Equador em cenário de


instabilidade e denúncias contestadas68

Daniel Noboa garantiu sua permanência na presidência do Equador ao vencer o segundo


turno das eleições com 55,63% dos votos válidos, superando a candidata da oposição, Luisa
González, que obteve 44,37%.
A votação ocorreu em um contexto nacional de grave crise de segurança, escalada da vio-
lência ligada ao narcotráfico e desconfiança generalizada nas instituições democráticas.
Logo após o anúncio oficial do resultado, González e o movimento Revolução Cidadã, lide-
rado pelo ex-presidente Rafael Correa, questionaram a lisura do pleito, apontando supostas
inconsistências nas atas eleitorais e divergências entre os números oficiais e as pesquisas
de boca de urna. Ainda assim, missões de observação da União Europeia e da Organização
dos Estados Americanos (OEA) afirmaram que o processo foi transparente, seguro e livre de
fraudes sistemáticas.
O Tribunal Contencioso Eleitoral (TCE) rejeitou os pedidos de anulação, encerrando as vias
jurídicas para reverter o resultado, o que consolidou o novo mandato de Noboa, agora com
quatro anos completos pela frente. Em seu discurso de vitória, o presidente prometeu endu-
recer o combate às organizações criminosas, além de aprovar reformas econômicas voltadas
à atração de investimentos e ao controle fiscal.
Apesar da reeleição, a polarização política no país se intensificou. O embate entre os apoia-
dores do atual presidente e os correístas — como são conhecidos os seguidores de Rafael Cor-
rea — tem alimentado divisões sociais profundas e dificultado a construção de consensos no
Legislativo.

68 BARROS, P. Noboa é reeleito no Equador com promessa de endurecer combate ao crime. InfoMoney, 2025. Dis-
ponível em: https: //[Link]/mercados/noboa-e-reeleito-no-equador-com-promessa-de-endurecer-
102 -combate-ao-crime/. Acesso em: 4 jun. 2025.
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A governabilidade de Noboa dependerá da capacidade de articulação política diante de um
Congresso fragmentado e de uma população cada vez mais desconfiada do sistema político.

„ Análise geopolítica: crise institucional e redes criminais transnacionais como


ameaça à democracia andina

A vitória de Daniel Noboa se insere em um cenário regional marcado por retrocessos


democráticos, ascensão de líderes polarizadores e crescimento das economias ilícitas. O
Equador, historicamente posicionado entre as duas maiores potências de produção de cocaí-
na do mundo — Colômbia e Peru —, passou de país de trânsito a epicentro do narcotráfico na
costa pacífica sul-americana, com portos como o de Guayaquil sendo disputados por cartéis
internacionais.
Essa “mexicanização” do crime organizado equatoriano desafia não só o governo local,
mas também a segurança regional e hemisférica, afetando diretamente os fluxos migrató-
rios, a estabilidade econômica e a confiança nas democracias latino-americanas. Organiza-
ções como o DEA (dos EUA) e a Europol vêm acompanhando de perto a atuação de grupos
armados como “Los Choneros” e “Los Lobos”, cuja influência ultrapassa fronteiras nacionais.
Em termos políticos, o processo eleitoral equatoriano revela uma tendência crescente de
judicialização da política e questionamento da legitimidade institucional, fenômeno que já se
observou em outros países da região, como Peru, Bolívia e Guatemala.
A tentativa de descredibilizar os resultados eleitorais, ainda que infundada, fragiliza as
estruturas democráticas e pode abrir margem para tensões institucionais mais graves no
futuro.
Sob essa ótica, a permanência de Noboa no poder pode representar uma tentativa de esta-
bilização, mas está longe de ser garantia de governabilidade. O presidente precisará equi-
librar o enfrentamento ao crime com o respeito às garantias democráticas, negociar com
forças políticas diversas e assegurar apoio internacional para frear o avanço das redes crimi-
nosas e preservar a ordem constitucional.

z Nova ofensiva tarifária dos EUA redefine as bases do comércio internacional e acirra
tensões globais69

A mais recente política tarifária implementada pelo ex-presidente norte-americano Donald


Trump provocou o que muitos analistas consideram a maior disrupção no sistema comercial
global desde o período entre guerras no século XX.
O plano incluiu uma tarifa mínima de 10% sobre todas as importações e alíquotas especí-
ficas que variam entre 11% e 50% para produtos provenientes de 57 países. O foco principal
da medida foi a China, que teve tarifas impostas de até 145%, resultando em uma retaliação
imediata com tarifas chinesas de até 125% sobre produtos americanos.
ATUALIDADES

Essas ações geraram um forte impacto nas estruturas comerciais e industriais dos EUA e
do mundo. Multinacionais e pequenas empresas revisaram suas projeções de lucros, sinali-
zaram potenciais demissões e começaram a reposicionar suas cadeias de suprimentos. No

69 OLIVEIRA, M. Entenda a guerra comercial que afeta a economia mundial. CNN Brasil, 2025. Disponível em: https:
//[Link]/economia/macroeconomia/entenda-a-guerra-comercial-que-afeta-a-economia-mundial/.
Acesso em: 4 jun. 2025. 103
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mercado interno, os consumidores norte-americanos enfrentaram aumentos significativos
de preços, especialmente em produtos eletrônicos, brinquedos, eletrodomésticos e roupas,
devido ao repasse dos custos de importação.
A resposta internacional foi de forte apreensão. A União Europeia cogitou contramedi-
das comerciais, enquanto México e Canadá optaram por renegociar termos para evitar uma
escalada prolongada. Organismos multilaterais como o FMI e a OMC alertaram para risco
de desaceleração do crescimento global, diante da erosão da confiança mútua entre grandes
economias e da possível fragmentação das cadeias de suprimentos internacionais.

„ Panorama geopolítico: protecionismo, rivalidade sino-americana e o enfraqueci-


mento da ordem multilateral

As tarifas impostas por Trump marcam um retorno do protecionismo como ferramenta


estratégica na disputa pela hegemonia global, especialmente no contexto da guerra comer-
cial entre Estados Unidos e China, que passou a ser um dos principais eixos de tensão geoeco-
nômica do século XXI. Essa estratégia rompe com a tradição americana pós-Segunda Guerra
Mundial, baseada na liderança do comércio multilateral sob as regras da OMC, e inaugura
um modelo de bilateralismo agressivo.
O alvo central das tarifas — a China — não é coincidência. A ascensão chinesa como potên-
cia industrial, tecnológica e militar tem sido vista por Washington como ameaça direta à
supremacia norte-americana, particularmente após o lançamento do programa “Made in
China 2025”, que objetiva tornar o país líder em setores estratégicos como inteligência artifi-
cial, semicondutores e biotecnologia.
Nesse cenário, as tarifas não são apenas uma medida econômica, mas um instrumento
geopolítico de contenção, que visa reconfigurar o fluxo de capitais, investimentos e produção
industrial mundial, transferindo-o para países aliados ou mais neutros.
No entanto, esse movimento também fragiliza alianças históricas dos EUA ao gerar des-
confiança em parceiros comerciais tradicionais e enfraquecer o sistema multilateral de solu-
ção de controvérsias.
Além disso, o isolamento tarifário pode reduzir a influência econômica dos EUA em
regiões-chave, como Sudeste Asiático, América Latina e África, abrindo espaço para a atua-
ção geoestratégica da China por meio de iniciativas como a Nova Rota da Seda.

„ Reflexões finais: rumo a uma nova ordem comercial multipolar?

A política tarifária de Donald Trump representa mais do que uma guinada econômica —
ela é a expressão de uma nova lógica de poder no sistema internacional.
Em vez da cooperação e interdependência que marcaram o pós-Guerra Fria, emerge uma
ordem baseada em competição entre blocos econômicos, regionalização de cadeias de valor
e disputas tecnológicas. Resta saber se os Estados Unidos conseguirão sustentar sua posição
global com uma estratégia de confronto tarifário e redução da integração econômica, ou se
a aposta protecionista resultará em perda de competitividade e influência no longo prazo.

104
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z Escalada tarifária entre EUA e China abala mercados globais e aprofunda tensões
sistêmicas70

A intensificação da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China atingiu um novo


patamar com o detalhamento das tarifas impostas por Washington sobre produtos chineses,
totalizando impressionantes 145% — resultado da combinação de uma tarifa-base de 20%
com um acréscimo extraordinário de 125%.
Em retaliação direta, Pequim ampliou suas próprias tarifas sobre produtos americanos
de 84% para 125%, sinalizando a disposição de travar um confronto prolongado no campo
comercial.
Os mercados financeiros globais reagiram de forma aguda a essa escalada. Em apenas
dois dias, entre 3 e 4 de abril, o índice Nasdaq despencou 1.600 pontos, enquanto o Dow Jones
registrou uma queda histórica superior a 4.000 pontos, marcando uma das maiores retrações
em curto prazo da história do mercado norte-americano.
A volatilidade se intensificou a ponto de levar o governo dos EUA a suspender por 90 dias
a aplicação de tarifas adicionais a países aliados — com exceção da China, em uma tentativa
de estabilizar parcialmente o sistema financeiro internacional.
No entanto, a trégua parcial não foi suficiente para dissipar as incertezas. As tarifas chine-
sas de 125% entraram em vigor no dia 12 de abril, atingindo duramente exportações estra-
tégicas norte-americanas, como produtos agrícolas, automóveis e componentes tecnológicos.
Como resultado, as cadeias globais de suprimentos sofreram novos abalos, afetando desde a
produção industrial até a logística e o comércio varejista internacional.

„ Impactos econômicos e sociais nas duas maiores potências

Na China, os efeitos das sanções comerciais se manifestaram por meio da contração na


atividade industrial e no surgimento de protestos de trabalhadores afetados pelas demissões
em massa e pela queda na produção.
Esse cenário levanta preocupações quanto à estabilidade social interna do país, principal-
mente nas regiões costeiras altamente industrializadas e dependentes do comércio exterior.
Nos Estados Unidos, as empresas enfrentam custos crescentes de importação, pressionan-
do a cadeia de preços ao consumidor e gerando sinais de aceleração inflacionária, o que pode
comprometer os esforços do Federal Reserve em manter a estabilidade macroeconômica.
Além disso, setores como o de tecnologia, manufatura e agroexportação estão entre os mais
afetados, pressionando o governo por medidas compensatórias e subsídios emergenciais.

„ Contexto geopolítico: rivalidade estratégica e fragmentação da ordem global

A disputa comercial entre Washington e Pequim transcende os números tarifários: trata-


ATUALIDADES

-se de uma disputa hegemônica por liderança global em áreas estratégicas como inteligência
artificial, semicondutores, telecomunicações e energia verde.

70 ESCALADA de tarifas entre EUA e China afeta mercados globais. R7, 2025. Disponível em: https: //[Link]/
fala-brasil/escalada-de-tarifas-entre-eua-e-china-afeta-mercados-globais-11042025/. Acesso em: 4 jun. 2025. 105
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Essa guerra comercial, que começou sob a justificativa de correção de desequilíbrios na
balança comercial, tornou-se um instrumento geopolítico explícito de contenção da influên-
cia chinesa e de reconfiguração das relações econômicas internacionais.
Ao confrontar a China com medidas comerciais agressivas, os Estados Unidos buscam rea-
firmar sua primazia econômica global e preservar sua autonomia tecnológica e industrial,
especialmente diante do avanço chinês em setores-chave. Contudo, o custo dessa estratégia
é alto: erosão da confiança entre parceiros comerciais, perda de previsibilidade jurídica no
comércio internacional e debilitação das instituições multilaterais como a OMC.
Além disso, a fragmentação das cadeias produtivas globais e o reposicionamento de cen-
tros industriais para países alternativos, como Vietnã, Índia e México, indicam uma possível
regionalização da economia mundial, em substituição ao modelo de globalização integrada
dominante desde os anos 1990.

„ Considerações finais: entre a multipolaridade econômica e o risco de desglobalização

A guerra tarifária entre EUA e China representa um marco na transição da ordem econômi-
ca internacional para um sistema mais multipolar, competitivo e instável. As consequências
não se restringem às duas potências, mas repercutem globalmente, afetando investidores,
consumidores, trabalhadores e governos em todo o planeta.
A depender da continuidade dessas políticas, o mundo poderá entrar em uma nova era de
protecionismo, nacionalismo econômico e disputas tecnológicas — um cenário que coloca à
prova a capacidade de adaptação das instituições internacionais e a resiliência das econo-
mias emergentes, especialmente aquelas inseridas nas cadeias globais de valor.

z Isenção da Rússia em nova ofensiva tarifária dos EUA gera debate sobre cálculo
geopolítico71

A decisão dos Estados Unidos de isentar a Rússia da mais recente rodada de tarifas comer-
ciais — considerada uma das maiores intervenções protecionistas do século — gerou intenso
debate sobre as motivações estratégicas por trás da medida.
Enquanto países de menor expressão no comércio bilateral, como Síria e Venezuela, foram
incluídos na lista de alvos, a ausência de Moscou suscitou questionamentos sobre critérios e
prioridades do governo norte-americano.
A justificativa oficial da Casa Branca é que as sanções econômicas já vigentes contra a
Rússia teriam reduzido significativamente o fluxo comercial entre os dois países, tornando
supérflua a imposição de novas tarifas.
No entanto, analistas geopolíticos contestam essa explicação, apontando para o interesse
dos EUA em manter abertos canais diplomáticos com Moscou, sobretudo no contexto das
negociações internacionais em torno do conflito na Ucrânia.

„ Cálculo diplomático e a contenção do eixo Rússia–China

71 CHADE, J. Putin sem taxa de Trump gera debate sobre comércio como moeda geopolítica. Uol, 2025. Dispo-
nível em: https: //[Link]/colunas/jamil-chade/2025/04/03/trump-putin-sem-taxa-gera-debate-de-uso-
106 -[Link]. Acesso em: 4 jun. 2025.
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Evitar o agravamento das tensões com a Rússia pode ser interpretado como uma tentativa
dos EUA de impedir uma aproximação ainda mais profunda entre Moscou e Pequim, que,
diante da guerra comercial sino-americana, já vêm estreitando laços econômicos e militares.
Para Washington, manter a Rússia em uma posição de relativa ambiguidade estratégi-
ca pode ser mais vantajoso do que empurrá-la definitivamente para a esfera de influência
chinesa.
Essa lógica se alinha com uma visão geopolítica realista, na qual decisões econômicas são
instrumentalizadas em função de interesses diplomáticos e militares mais amplos. Ao poupar
a Rússia, o governo Biden (ou Trump, dependendo do contexto temporal da medida) sinaliza
que o comércio pode ser utilizado como ferramenta de barganha, mesmo entre adversários
estratégicos.

„ Repercussões internas e pressão de aliados

A exclusão da Rússia, entretanto, não passou despercebida no Congresso dos Estados Uni-
dos, onde legisladores de ambos os partidos expressaram preocupação com o aparente duplo
padrão da política tarifária. Críticos argumentam que, ao ser brando com a Rússia enquanto
impõe sanções severas a aliados e parceiros menores, os EUA correm o risco de enviar sinais
contraditórios à comunidade internacional.
Aliados europeus, especialmente Polônia, Alemanha e os países bálticos, também demons-
traram desconforto com a decisão. A União Europeia, que tem adotado uma postura dura
contra Moscou desde 2022, viu a isenção como uma possível brecha na frente ocidental de
contenção ao expansionismo russo.

„ Considerações geopolíticas e os limites do protecionismo seletivo

A isenção da Rússia ilustra os dilemas contemporâneos da geopolítica comercial, em que


tarifas e sanções deixaram de ser apenas mecanismos econômicos e passaram a operar como
instrumentos táticos de poder.
A decisão norte-americana revela uma visão pragmática e flexível de sua estratégia exter-
na, na qual a coerência ideológica é, por vezes, sacrificada em nome de conveniências geoes-
tratégicas momentâneas.
Além disso, esse episódio evidencia a crescente complexidade da ordem internacional
multipolar, em que alianças são mais fluídas e as esferas de influência se sobrepõem de for-
ma instável. A Rússia, mesmo sob sanções severas, continua desempenhando papel-chave no
equilíbrio de poder global — seja como fornecedor de energia, ator diplomático na Eurásia
ou parceiro militar de regimes autoritários.

z Trump anuncia isenção de tarifas para dispositivos eletrônicos, buscando mitigar


ATUALIDADES

impactos econômicos e fortalecer a produção nacional72

72 TRUMP exclui celulares, computadores e outros eletrônicos de ‘tarifas recíprocas’. G1, 2025. Disponível em:
https: //[Link]/economia/noticia/2025/04/12/trump-isenta-celulares-e-computadores-de-tarifas-recipro-
[Link]. Acesso em: 4 jun. 2025. 107
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou recentemente a isenção de tari-
fas sobre smartphones, computadores e outros dispositivos eletrônicos, que anteriormente
estavam sujeitos a tarifas de até 145% sobre produtos chineses, além de uma tarifa global de
10% aplicada à maioria dos países.
A decisão, comunicada pela Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA, exclui
uma série de produtos — como laptops, semicondutores, células solares, cartões de memó-
ria e unidades de estado sólido (SSDs) — das taxas adicionais impostas pela administração
Trump.
A medida visa aliviar os efeitos negativos das tarifas sobre os consumidores americanos,
bem como beneficiar grandes empresas de tecnologia como Apple, Samsung e outras multi-
nacionais, que têm cadeias de suprimentos amplamente dependentes da Ásia, especialmente
da China.

„ Objetivo econômico: proteger consumidores e fortalecer o setor tecnológico

O alívio proporcionado pela isenção das tarifas parece ser uma estratégia para mitigar os
impactos da guerra comercial em produtos eletrônicos de consumo de massa, os quais são
componentes centrais no cotidiano dos norte-americanos.
Para empresas como Apple e Samsung, que dependem da produção e importação de com-
ponentes tecnológicos da China, a isenção pode significar uma redução significativa nos cus-
tos operacionais, permitindo-lhes manter a competitividade no mercado interno e global.
Entretanto, a decisão não é isenta de complexidade geopolítica. O secretário de Comércio
dos EUA, Howard Lutnick, indicou que, embora a isenção de tarifas atenda a uma necessida-
de imediata, esses produtos podem ser sujeitos a tarifas separadas no futuro, como parte de
uma estratégia mais ampla de impulsionar a produção doméstica de componentes eletrôni-
cos críticos, como semicondutores e baterias, que atualmente são em grande parte importa-
dos de países asiáticos.

„ Geopolítica e a dinâmica das cadeias de suprimentos globais

O movimento de Trump também pode ser entendido no contexto das tensões geopolí-
ticas entre EUA e China, em que a guerra comercial tem causado distúrbios significativos
nas cadeias de suprimentos globais. A isenção temporária de produtos estratégicos pode ser
interpretada como uma tentativa de desacelerar o impacto negativo das tarifas sobre setores
cruciais para a economia americana, ao mesmo tempo que preserva os objetivos protecionis-
tas de longo prazo.
Essa flexibilidade nas tarifas reflete uma aproximação pragmática, em que Washington
ajusta suas políticas conforme a situação econômica interna exige, sem abrir mão de sua
agenda de autossuficiência tecnológica.
O fortalecimento da produção interna de semicondutores, por exemplo, seria um passo
importante para diminuir a dependência dos EUA em relação à Ásia, especialmente em um
cenário de crescente rivalidade com a China no campo da tecnologia e inovação.

„ Impactos na economia global e em mercados emergentes

108
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Além dos efeitos no mercado interno dos EUA, a isenção das tarifas também tem reper-
cussões mais amplas nas cadeias de suprimentos globais. Para países como Taiwan, Japão e
Coreia do Sul, que fabricam componentes essenciais para dispositivos eletrônicos, a medida
pode representar um alívio temporário, embora as incertezas sobre futuras tarifas conti-
nuem a pairar sobre o setor.
Por outro lado, a China, como maior fornecedora de produtos eletrônicos, observa aten-
tamente essas mudanças, já que as tarifas em produtos específicos podem gerar distorções
nos preços globais e afetar a competitividade de seus produtos no mercado americano. Para
Pequim, a guerra comercial representa não apenas uma disputa econômica, mas uma bata-
lha pelo domínio de indústrias-chave do futuro, como inteligência artificial e 5G.

z Conflito entre Trump e Powell gera volatilidade nos mercados e perdas bilionárias73

A recente troca de acusações entre o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o
presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, resultou em uma onda de instabilidade
financeira global, provocando perdas superiores a US$ 1,4 trilhões em valor de mercado,
especialmente em empresas de tecnologia e do setor financeiro.
A tensão surgiu após Trump acusar Powell, por meio de suas redes sociais e declarações
públicas, de manter os juros altos deliberadamente para prejudicar sua campanha eleitoral
e beneficiar os adversários democratas.

„ Impactos econômicos: quedas acentuadas e incerteza nos mercados

As declarações de Trump geraram uma forte reação nos mercados financeiros, com bolsas
de valores norte-americanas enfrentando quedas acentuadas no dia seguinte.
Empresas de tecnologia, em particular, sofreram perdas significativas, refletindo a preo-
cupação dos investidores com a possível instabilidade política que poderia afetar a credibili-
dade do Fed e as expectativas sobre o comportamento das taxas de juros nos Estados Unidos.
Tecnologia e finanças, setores muito dependentes de um ambiente econômico estável, viram
suas avaliações despencarem.
O ataque de Trump também sugeriu que, caso retornasse à presidência, ele interviria
politicamente no Fed, defendendo mudanças na legislação monetária para facilitar a subs-
tituição de Powell. Economistas e analistas financeiros alertaram para o risco de uma inter-
ferência política na autonomia do banco central, uma medida que poderia comprometer a
credibilidade do sistema financeiro dos EUA e gerar instabilidade global.

„ Perspectiva geopolítica: o impacto da instabilidade política interna nos EUA

A disputa pública entre Trump e Powell reflete um cenário geopolítico delicado, em que
ATUALIDADES

a credibilidade das instituições financeiras dos EUA é colocada à prova em um momento de


instabilidade política interna.

73 ATAQUE de Trump a Powell derruba bolsas e reforça ‘vender América’. O Globo, 2025. Disponível em: https: //
[Link]/economia/financas/noticia/2025/04/21/bolsas-de-ny-fecham-em-queda-apos-trump-voltar-a-
-[Link]. Acesso em: 4 jun. 2025. 109
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A autonomia do Federal Reserve é considerada um pilar da credibilidade econômica glo-
bal, pois a instituição tem um papel central na estabilidade financeira mundial, dado o peso
do dólar como moeda de reserva internacional e sua influência em mercados emergentes.
A pressão política sobre o Fed, caso Trump volte ao cargo, pode causar uma repercussão
negativa nos mercados internacionais, levando a disputas comerciais e políticas com outras
potências econômicas.
China, União Europeia e outros blocos comerciais poderiam ver a desestabilização da polí-
tica monetária dos EUA como uma oportunidade para reforçar suas próprias estratégias eco-
nômicas, além de provocar desconfiança nas relações financeiras internacionais.
A independência do Fed sempre foi vista como um fator que assegura a confiança no sis-
tema financeiro global, e qualquer sinal de que Trump possa minar essa autonomia pode
agravar ainda mais as tensões comerciais e econômicas com outros países, particularmente
com a China, que já observa atentamente as políticas monetárias dos EUA devido à competi-
ção pelo domínio econômico.

„ Reação do Fed e a resposta do mercado

Jerome Powell, por sua vez, manteve uma postura séria e institucional ao não responder
diretamente aos ataques de Trump, mas reforçou, em uma audiência no Senado, o compro-
misso do Fed com a estabilidade monetária e com o combate à inflação, destacando que a
instituição agirá com independência política.
O mercado, no entanto, continua a refletir a incerteza sobre o futuro da política monetária
dos EUA e os riscos geopolíticos associados à polarização interna.

z Trump e o confronto com universidades de elite: um desafio à autonomia acadêmica


e ao financiamento federal74

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou sua ofensiva contra uni-
versidades de prestígio, como Harvard, Columbia e Princeton, com cortes significativos de
financiamento federal e ameaças de revogar o status de isenção fiscal dessas instituições.
O governo justifica essas ações como uma tentativa de combater o que considera uma
“ideologia woke” e o que percebe como uma tolerância excessiva ao antissemitismo nos cam-
pi universitários.

„ Cortes de financiamento e congelamento de subsídios: as medidas contra Harvard


e outras universidades

O Departamento de Educação dos EUA decidiu congelar mais de US$ 2,3 bilhões em subsí-
dios e contratos federais destinados à Universidade de Harvard, após a instituição se recusar
a adotar uma série de exigências impostas pelo governo.
Entre as demandas, estavam a eliminação de programas de diversidade, equidade e inclu-
são (DEI), a implementação de auditorias externas para garantir a “diversidade de pontos de

74 ROSA, L. Universidades sob pressão: Trump impõe novas barreiras a financiamento e políticas de inclusão. Rfi,
2025. Disponível em: https: //[Link]/br/am%C3%A9ricas/20250424-universidades-sob-press%C3%A3o-trum-
110 p-imp%C3%B5e-novas-barreiras-a-financiamento-e-pol%C3%ADticas-de-inclus%C3%A3o. Acesso em: 4 jun. 2025.
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vista” e uma maior cooperação com as autoridades de imigração para monitorar estudantes
internacionais.
Harvard reagiu com uma ação judicial, argumentando que as exigências infringem sua
autonomia institucional e os direitos garantidos pela Primeira Emenda da Constituição dos
EUA, que assegura a liberdade de expressão e acadêmica. Além disso, a universidade defen-
deu que as medidas propostas comprometem a independência das decisões acadêmicas e da
gestão institucional.

„ Universidades e protestos: impacto nas relações com o governo federal

Outras universidades, como Columbia, também enfrentaram cortes de financiamento


após protestos estudantis a favor da Palestina e acusações de não combaterem adequada-
mente o antissemitismo.
A Universidade de Columbia, por exemplo, foi forçada a demitir cerca de 180 pesquisa-
dores devido à perda de US$ 400 milhões em subsídios federais. Esses episódios refletem
uma crescente tensão entre as universidades e o governo federal sobre questões políticas e
ideológicas.

„ Proposta de aumento de impostos: impacto nos fundos patrimoniais das


universidades

Além dos cortes de financiamento, a administração Trump propôs um aumento significa-


tivo nos impostos sobre os fundos patrimoniais das universidades.
A proposta visa elevar a atual alíquota de 1,4% para até 21%, equiparando-a à alíquota do
imposto corporativo. Essa medida afetaria diretamente instituições com grandes endow-
ments, como a Harvard University, cujo fundo ultrapassa US$ 50 bilhões.
Se implementada, a nova taxa de impostos teria um impacto substancial na gestão finan-
ceira dessas universidades e na capacidade de oferecer assistência financeira aos alunos.

„ Implicações políticas e geopolíticas: ameaças à liberdade acadêmica e à autono-


mia institucional

Essas medidas geraram fortes críticas de entidades acadêmicas e civis, que veem as ações
de Trump como uma ameaça à liberdade acadêmica e à autonomia das universidades.
Mais de 150 presidentes de universidades assinaram uma carta aberta condenando a
“interferência política sem precedentes” do governo federal nas universidades. Esse movi-
mento coloca em questão o papel do governo dos EUA na regulação das instituições educacio-
nais e levanta um debate sobre os limites da intervenção estatal na educação superior.
Do ponto de vista geopolítico, as ações de Trump podem ser vistas como uma tentativa de
ATUALIDADES

controle político sobre um dos principais centros de poder intelectual e cultural do mundo,
as universidades de elite dos EUA. Isso também pode afetar relações diplomáticas com países
estrangeiros, especialmente com aqueles cujos estudantes internacionais representam uma
fonte vital de receita para essas universidades.
A autonomia acadêmica é frequentemente vista como um símbolo da liberdade intelectual
de uma nação, e qualquer ameaça a essa liberdade pode gerar preocupações internacionais
sobre a direção do sistema educacional dos EUA. 111
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z Apagão de grandes proporções atinge Portugal e Espanha, gerando caos nos trans-
portes e serviços essenciais75

Na manhã de segunda-feira, 28 de abril de 2025, um apagão de grandes proporções atin-


giu Portugal e Espanha, deixando milhões de cidadãos sem eletricidade e causando severos
transtornos nos transportes e serviços essenciais.
O blecaute, que começou por volta das 12h (horário local), também afetou outros países
europeus, como França, Alemanha, Países Baixos e Suécia, ampliando a crise para uma esca-
la transnacional.

„ Impactos em Portugal: colapso nos transportes e serviços públicos

Em Portugal, a falha no fornecimento de eletricidade causou o colapso de sistemas essen-


ciais. Semáforos e iluminação pública pararam de funcionar, o que levou as autoridades
de trânsito a alertar motoristas para reduzirem a velocidade e evitarem deslocamentos
desnecessários.
O sistema de transporte ferroviário foi totalmente interrompido, e o metrô de Lisboa e
Porto paralisou suas atividades, afetando milhares de passageiros. No aeroporto Humberto
Delgado, em Lisboa, passageiros enfrentaram longas filas no escuro, sem ar-condicionado ou
sistemas de pagamento funcionando, exacerbando o caos.
A crise também afetou a infraestrutura de saúde e outros serviços públicos. Hospitais,
embora com geradores de emergência, sofreram com a redução no fornecimento de energia
para equipamentos essenciais, como aparelhos de monitoramento e sistemas de comunicação.

„ Espanha: suspensão das operações ferroviárias e caos nos aeroportos

Na Espanha, o impacto foi igualmente significativo. A Renfe, empresa ferroviária nacional,


suspendeu todas as operações, causando transtornos em milhares de passageiros. O metrô de
Madri também foi fechado, dificultando ainda mais o transporte urbano.
A operadora de aeroportos Aena informou atrasos consideráveis, apesar da ativação de
geradores para tentar manter os serviços. Nos aeroportos de Barajas (Madri) e El Prat (Barce-
lona), a falta de energia elétrica afetou os sistemas de check-in e embarque, gerando longas
filas e frustração entre os passageiros.
O trânsito em grandes cidades como Madri se tornou caótico, com a falha nos semáforos
e a ausência de coordenação viária. O incidente gerou uma crise de mobilidade urbana, afe-
tando tanto os cidadãos como os turistas, e levantou questões sobre a resiliência da infraes-
trutura crítica da Europa.

„ Investigações sobre as causas e esforços para restabelecimento

As autoridades portuguesas e espanholas investigam as causas do apagão, mas descarta-


ram a possibilidade de um ataque cibernético. A principal hipótese levantada é que a oscila-
ção forte na rede elétrica tenha causado o colapso.

75 ESPANHA e Portugal enfrentam apagão de energia elétrica. G1, 2025. Disponível em: https: //[Link]/
112 mundo/noticia/2025/04/28/[Link]. Acesso em: 4 jun. 2025.
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A operadora de rede elétrica espanhola Red Eléctrica informou que está trabalhando
intensamente com outras empresas de energia para restaurar o fornecimento de energia de
forma gradual.
Até a manhã de terça-feira, 29 de abril, cerca de 87% do fornecimento elétrico havia sido
restabelecido na Espanha, e aproximadamente 6,2 milhões de clientes em Portugal esta-
vam novamente com energia, sinalizando uma recuperação gradual, mas ainda longe da
normalidade.

„ Desafios geopolíticos e a vulnerabilidade da infraestrutura europeia

O apagão de grandes proporções gerou uma discussão sobre a vulnerabilidade da infraes-


trutura energética europeia e sobre a interdependência entre os países da União Europeia
em termos de redes elétricas.
A forte oscilação na rede elétrica que afetou Portugal e Espanha também evidenciou os
desafios geopolíticos da região, especialmente no que tange à segurança energética e à resi-
liência das infraestruturas essenciais. O evento deixou clara a necessidade de maior coope-
ração intercontinental e reforço nas políticas de infraestrutura para garantir a estabilidade
frente a crises transnacionais.
As investigações e as repercussões políticas do apagão ainda devem se desenrolar nas
próximas semanas, enquanto as autoridades locais trabalham para garantir a recuperação
completa dos sistemas afetados.

z Putin inicia maior convocação militar da Rússia em mais de uma década76

O presidente russo Vladimir Putin assinou um decreto que convoca 160 mil homens, com
idades entre 18 e 30 anos, para o serviço militar obrigatório, marcando a maior mobilização
desde 2011. A medida ocorre em meio ao conflito contínuo com a Ucrânia e ao aumento das
tensões geopolíticas com a OTAN, que recentemente incorporou Finlândia e Suécia.

„ Objetivos da mobilização e expansão do efetivo militar

O recrutamento, que ocorrerá entre 1º de abril e 15 de julho de 2025, tem como objetivo
expandir o efetivo militar russo para 2,4 milhões de soldados, sendo 1,5 milhão em serviço
ativo.
Apesar das declarações do Kremlin de que os novos recrutas não serão enviados direta-
mente ao front na Ucrânia, há relatos de conscritos participando de combates nas regiões de
fronteira. Essa mobilização, portanto, reforça o papel central da Rússia em um cenário de
intensificação de sua guerra híbrida na Ucrânia e do aumento das ameaças externas, espe-
cialmente com a crescente expansão da OTAN.
ATUALIDADES

A convocação também coincide com a elevação da idade máxima para o alistamento, que
passou de 27 para 30 anos, como parte de um esforço para suprir as necessidades do exército
russo, especialmente em resposta aos desafios militares impostos pela guerra na Ucrânia e a
diplomacia de contenção das potências ocidentais.

76 KIRBY, P. Putin dá início à maior convocação militar da Rússia em mais de uma década. BBC News Brasil, 2025.
Disponível em: https: //[Link]/portuguese/articles/c985y019200o. Acesso em: 4 jun. 2025. 113
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„ Pressões sobre recrutas e denúncias de direitos humanos

Embora o governo russo tenha afirmado que os novos recrutas não participarão direta-
mente dos combates, organizações de direitos humanos denunciam que muitos desses jovens
são pressionados a assinar contratos profissionais e atuar na linha de frente.
Há relatos de jovens russos sendo enviados à Ucrânia nos primeiros meses da guerra,
como parte de uma estratégia de mobilização forçada em regiões-chave do conflito.
Além disso, a mobilização crescente reflete um ambiente geopolítico instável, em que
a Rússia busca reforçar sua capacidade militar enquanto enfrenta uma pressão interna e
externa para encerrar o conflito.
As demandas por recrutas indicam uma estratégia de desgaste que visa prolongar a guer-
ra, com um impacto significativo sobre a sociedade russa.

„ A resposta internacional e o impacto nas relações com os EUA

A convocação de Putin ocorre em um momento particularmente delicado, com os Estados


Unidos reforçando seus apelos por um cessar-fogo imediato na Ucrânia. Contudo, os ataques
continuam intensos, e a Rússia segue mobilizando recursos para fortalecer sua posição no
conflito.
A ausência da Rússia na lista de países atingidos pelas novas tarifas comerciais impostas
pelos Estados Unidos gerou discussões sobre as motivações políticas e geoestratégicas por
trás dessa decisão.
A Casa Branca argumenta que as sanções econômicas já existentes contra a Rússia reduzi-
ram o comércio bilateral a níveis insignificantes, tornando as novas tarifas redundantes. No
entanto, analistas geopolíticos sugerem que esse gesto pode ser uma tentativa de preservar
canais diplomáticos abertos entre Washington e Moscou, especialmente durante as negocia-
ções de paz para a guerra na Ucrânia.

„ Implicações geopolíticas e reações no congresso dos EUA

O gesto de isentar a Rússia das tarifas gerou reações mistas no Congresso dos EUA, com
críticos acusando a Casa Branca de adotar uma postura ambígua frente à expansão militar
da Rússia.
Para muitos aliados europeus, a decisão de não aplicar novas tarifas à Rússia poderia sina-
lizar uma discrepância nas prioridades dos EUA no contexto de conflitos globais, particular-
mente em relação à estratégia em Ucrânia e Rússia.
A situação também levanta questões sobre a unidade da OTAN e a postura dos Estados Uni-
dos em relação ao seu compromisso com a defesa coletiva e ao balanceamento entre pressão
econômica e diplomacia.

z ONU registra a morte de 322 crianças em Gaza após retomada dos bombardeios de
Israel77

77 PELO menos 322 crianças teriam morrido em Gaza desde a quebra do cessar-fogo. Unicef Brasil, 2025. Disponí-
vel em: [Link]
114 za-desde-quebra-do-cessar-fogo. Acesso em: 4 jun. 2025.
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A Unicef informou que, desde a retomada dos bombardeios israelenses em Gaza, iniciada
em 18 de março de 2025, 322 crianças foram mortas e outras 609 ficaram feridas nos 10 dias
subsequentes aos ataques.
A agência das Nações Unidas alertou para uma média diária de vítimas infantis superior
a 100, incluindo mortos e feridos, muitas das quais são crianças deslocadas que vivem em
tendas improvisadas ou em casas danificadas.

„ Ciclo mortal de violência e privações

A diretora executiva da Unicef, Catherine Russell, expressou profunda preocupação com a


retomada da violência, que interrompeu a leve esperança gerada pelo cessar-fogo anterior, o
qual havia dado uma breve oportunidade de recuperação para as crianças de Gaza.
Russell destacou que, após o fim do cessar-fogo, as crianças se viram novamente mergu-
lhadas em um ciclo mortal de privações, em que a violência e a destruição são constantes.

„ Crise humanitária e bloqueio de ajuda internacional

A situação humanitária em Gaza foi fortemente agravada pelo bloqueio prolongado da


ajuda internacional, resultando no fechamento de importantes instalações de distribuição de
alimentos, como as padarias do Programa Mundial de Alimentos da ONU.
A falta de suprimentos essenciais resultou no aumento dos preços dos alimentos básicos,
exacerbando a desnutrição e a escassez de cuidados médicos.
A Unicef alertou que a falta de alimentos e recursos médicos poderá acelerar o aumen-
to de doenças evitáveis, o que deve resultar em um número crescente de mortes infantis
evitáveis.

„ Uso da fome como arma de guerra e violações dos direitos das crianças

A comunidade internacional tem manifestado crescente preocupação com o uso da fome


como arma de guerra e com as graves violações dos direitos das crianças em Gaza.
Organizações internacionais, como a Unicef e outras agências humanitárias, continuam a
pedir cessar-fogo imediato e o acesso irrestrito à ajuda humanitária, com o objetivo de prote-
ger as crianças e outros civis afetados diretamente pelo conflito.

„ Apelo internacional por ação e cessação da violência

Com o número de vítimas infantis aumentando diariamente, a pressão internacional sobre


os atores envolvidos no conflito tem se intensificado.
A Unicef e outras organizações humanitárias exigem uma intervenção urgente para pre-
ATUALIDADES

servar a vida de crianças e civis, assim como para permitir o acesso à assistência humanitá-
ria essencial para a sobrevivência da população afetada.

115
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z Indignação internacional após ataque mortal de Israel a trabalhadores humanitá-
rios em Gaza78

A comunidade internacional expressou profunda indignação após um ataque das Forças


de Defesa de Israel (IDF) que resultou na morte de 15 trabalhadores humanitários na cida-
de de Rafah, no sul da Faixa de Gaza.
Entre as vítimas, estavam paramédicos do Crescente Vermelho Palestino, membros da
Defesa Civil e um funcionário da ONU, todos alvejados enquanto estavam em veículos de
resgate claramente identificados como veículos humanitários.

„ Relatos e evidências contrariam alegações de Israel

Segundo relatórios e imagens de satélite recuperadas, os veículos de resgate foram ataca-


dos individualmente, refutando as alegações iniciais do governo israelense de que os veícu-
los não estavam devidamente sinalizados.
As autópsias realizadas nas vítimas revelaram que várias delas apresentavam ferimentos
de disparos à queima-roupa, o que indica a possibilidade de execuções sumárias em vez de
danos colaterais de um ataque.

„ Reações da ONU e da Cruz Vermelha: pressão por investigação independente

A ONU e a Cruz Vermelha Internacional condenaram veementemente o ataque, classifi-


cando-o como uma grave violação do direito internacional humanitário.
A ONU exigiu uma investigação independente e a responsabilização dos que realizaram
o ataque, destacando a proteção de trabalhadores humanitários como um princípio funda-
mental do direito internacional.

„ Resposta de Israel: reconhecimento de erros operacionais e reações de organiza-


ções humanitárias

Em resposta ao incidente, Israel reconheceu que houve “erros operacionais” e destituiu


um oficial da IDF. No entanto, organizações humanitárias e direitos humanos consideram a
resposta israelense insuficiente, argumentando que o reconhecimento de erro não aborda a
gravidade da situação nem a responsabilidade plena pelos assassinatos.
A pressão por uma justiça real e por uma investigação imparcial continua a crescer, com
apelos por medidas mais rigorosas para proteger trabalhadores humanitários em zonas de
conflito.

„ Ameaças à segurança dos trabalhadores humanitários em áreas de conflito

78 ISRAEL admite ‘erro grave’ no ataque que matou sete trabalhadores humanitários em Gaza. O Globo, 2024. Dis-
ponível em: https: //[Link]/mundo/noticia/2024/04/03/apos-dura-reacao-internacional-israel-admite-
116 -[Link]. Acesos em: 4 jun. 2025.
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Esse incidente coloca em evidência os riscos crescentes enfrentados por trabalhadores
humanitários em zonas de conflito armado, ressaltando a necessidade urgente de uma pro-
teção eficaz para aqueles que prestam assistência em áreas devastadas pela guerra.
O ataque não apenas violou o direito internacional, mas também prejudicou a capacidade
de muitas organizações humanitárias de continuar suas operações em Gaza, afetando direta-
mente a assistência a civis em uma das regiões mais afetadas pela violência.

„ A necessidade de garantir a proteção das missões humanitárias

Esse ataque sublinha a urgência de reforçar a proteção das missões humanitárias e dos
trabalhadores da saúde que atuam em regiões de conflito.
A comunidade internacional tem pressionado por mecanismos de proteção mais robustos,
a fim de evitar que tais incidentes se repitam e garantir que os trabalhadores humanitários
possam continuar suas operações sem o medo constante de se tornarem alvos de ataques.

z BRICS critica o “ressurgimento do protecionismo comercial” em encontro no Rio de


Janeiro79

Durante a recente reunião dos ministros das Relações Exteriores do BRICS — composta
por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul —, foi expressa uma preocupação crescente
com o aumento das práticas protecionistas no comércio internacional.
Embora o bloco não tenha mencionado diretamente o presidente dos EUA, Donald Trump,
as críticas coincidem com o anúncio de novas tarifas unilaterais implementadas recentemen-
te pelo governo norte-americano.

„ Preocupação com o impacto do protecionismo nas economias emergentes

Apesar da ausência de uma declaração oficial durante o encontro, o chanceler brasileiro,


Mauro Vieira, destacou em coletiva de imprensa que havia um consenso entre os países do
BRICS sobre a necessidade de resistir a medidas unilaterais que possam prejudicar o comér-
cio global.
Para os ministros, a ascensão do protecionismo representa uma ameaça ao crescimento
das economias emergentes e tende a agravar as desigualdades já existentes entre os países
desenvolvidos e em desenvolvimento.

„ A defesa de um sistema multilateral justo e previsível

Representantes da China e da Índia reforçaram a necessidade de um sistema multilateral


de comércio mais justo e previsível, com base na Organização Mundial do Comércio (OMC),
ATUALIDADES

que se mostre capaz de enfrentar o crescente nacionalismo econômico. O impacto direto das
tensões comerciais entre os EUA e a China, incluindo suas tarifas recíprocas, tem afetado as
cadeias globais de suprimentos e alimentado as incertezas econômicas.

79 BRICS criticam o “ressurgimento do protecionismo comercial”. Dw, 2025. Disponível em: https: //[Link]/
pt-br/representantes-do-brics-criticam-o-ressurgimento-do-protecionismo-comercial/a-72381368. Acesso em: 4
jun. 2025. 117
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„ Análise: divergências internas ou tentativa de evitar confrontos diretos?

A ausência de uma declaração formal foi interpretada por analistas como um possível
reflexo de divergências internas dentro do bloco, ou como uma tentativa de evitar confrontos
diretos com os EUA, dado o contexto tenso das relações comerciais globais.
No entanto, o posicionamento verbal dos países do BRICS indica uma preocupação cres-
cente com o cenário de retração comercial e com a ascensão do nacionalismo econômico no
palco internacional.

„ A necessidade de cooperação para evitar desafios econômicos globais

O crescente protecionismo comercial reflete uma dinâmica global complexa em que a


colaboração multilateral se torna essencial para enfrentar os desafios econômicos globais.
Para o BRICS, um comércio global mais aberto e justo é crucial para o fortalecimento das
economias emergentes e para o desenvolvimento sustentável a longo prazo.

z Hungria anuncia retirada do tribunal penal internacional durante visita de


Netanyahu80

Em 3 de abril de 2025, o governo da Hungria anunciou sua intenção de se retirar do Tribu-


nal Penal Internacional (TPI) em um movimento que coincide com a visita oficial do primei-
ro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, a Budapeste.
Netanyahu, que é alvo de um mandado de prisão emitido pelo TPI por supostos crimes
de guerra e crimes contra a humanidade relacionados à ofensiva de Israel na Faixa de Gaza,
encontrou apoio no governo húngaro.

„ A reação do governo húngaro

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, classificou o mandado de prisão contra


Netanyahu como “descarado, cínico e completamente inaceitável”. Orbán afirmou que o TPI
havia se transformado em um órgão político, sugerindo que o tribunal estava sendo utili-
zado de maneira ideológica, em vez de ser uma instituição imparcial voltada para a justiça
internacional.
O governo húngaro já havia demonstrado apoio a Israel e à visita de Netanyahu logo após
a emissão do mandado, deixando claro que não cumpriria a ordem de prisão.

„ A situação jurídica da Hungria em relação ao TPI

Embora a Hungria tenha ratificado o Estatuto de Roma em 2001, que estabelece o TPI, o
governo húngaro argumenta que o tratado nunca foi efetivamente incorporado à legislação
nacional.

80 TASCH, B.; HOLLIGAN, A. Hungary withdraws from International Criminal Court during Netanyahu visit. BBC,
118 2025. Disponível em: https: //[Link]/news/articles/c807lm2003zo. Acesso em: 6 jun. 2025
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De acordo com o governo, isso impede a execução de decisões do TPI dentro do país. Com
isso, a retirada formal será comunicada ao secretário-geral da ONU, com a decisão tornando-
-se efetiva um ano após o depósito do instrumento de retirada.

„ Reações à retirada da Hungria

A visita de Netanyahu à Hungria marca sua primeira viagem a um país membro do TPI
desde a emissão do mandado.
Durante a visita, Netanyahu elogiou a decisão da Hungria, chamando-a de “corajosa e
baseada em princípios”, e criticou o TPI como uma “organização corrupta”. Sua posição refle-
te a crescente tensão entre Israel e o tribunal, que, por sua vez, tem sido alvo de críticas por
sua atuação em relação a líderes israelenses.
A decisão da Hungria de se retirar do TPI faz com que o país seja o primeiro da União
Europeia a tomar tal medida, o que gerou críticas por parte de organizações internacionais e
outros membros da União Europeia.
Para essas entidades, a saída de um membro da UE do TPI é vista como um retrocesso na
luta contra a impunidade por crimes internacionais graves, como crimes de guerra e crimes
contra a humanidade.

„ Análise internacional

Este episódio evidencia as tensões políticas no cenário internacional e pode agudizar ain-
da mais as relações entre os Estados Unidos, os países da União Europeia e Israel.
A retirada da Hungria do TPI representa um movimento significativo, não apenas pela
violação de princípios de justiça internacional, mas também pela potencial mudança de dinâ-
mica na política externa da União Europeia.
Por outro lado, a decisão reforça o apelo crescente de algumas nações por uma reforma
do sistema internacional de justiça, especialmente no que diz respeito à imparcialidade do
Tribunal Penal Internacional.
Esse movimento pode ainda gerar reações dentro da própria Hungria e de outros mem-
bros do bloco europeu, que seguem defendendo a integridade e a eficácia do TPI como um
pilar do direito internacional.

z EUA e Ucrânia firmam acordo histórico sobre terras raras e minerais estratégicos81

Em 30 de abril de 2025, Estados Unidos e Ucrânia assinaram um acordo histórico que


estabelece um fundo conjunto de investimento para a reconstrução da Ucrânia, financiado
por receitas futuras da exploração de minerais críticos, incluindo terras raras, titânio, lítio,
urânio e grafite.
ATUALIDADES

O acordo, que resulta de meses de negociações, garante aos EUA acesso preferencial a
novas licenças de exploração desses recursos naturais na Ucrânia, enquanto Kiev mantém a
propriedade total sobre seus recursos e infraestrutura.

81 ACORDO de minerais: EUA e Ucrânia assinam documentos. CNN Brasil, 2025. Disponível em: https: //www.
[Link]/internacional/acordo-de-minerais-eua-e-ucrania-assinam-documentos-diz-fonte/. Acesso em: 6
jun. 2025. 119
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„ Estrutura do acordo

O fundo será gerido de forma igualitária pelos dois países, com os lucros de novos projetos
sendo reinvestidos na reconstrução da Ucrânia pelos próximos 10 anos. Essa estrutura visa
não apenas garantir o financiamento da recuperação do país após os danos causados pelo
conflito, mas também fortalecer os laços econômicos entre os Estados Unidos e a Ucrânia.
É importante destacar que o acordo não impõe obrigações de dívida para a Ucrânia e está
alinhado com seus esforços de adesão à União Europeia, o que pode ser visto como um passo
significativo para a integração do país ao bloco europeu, especialmente em termos de recu-
peração econômica.
Contudo, não há garantias explícitas de segurança por parte dos EUA, um ponto de discus-
são relevante em meio ao contexto de conflitos contínuos no território ucraniano.

„ Impactos estratégicos

Esse pacto ocorre em um contexto de crescente dependência global da China no forneci-


mento de minerais críticos, especialmente após as restrições impostas por Pequim à expor-
tação de terras raras.
Os EUA veem o acordo como uma resposta estratégica para garantir o acesso a esses recur-
sos essenciais, não apenas para a indústria de alta tecnologia, mas também para os esforços
globais de transição energética.

„ Desafios de implementação

O contexto de segurança na Ucrânia continua sendo um desafio crucial para a implemen-


tação do pacto. Mesmo com a parceria estratégica com os EUA, a Ucrânia segue enfrentando
ataques contínuos de forças russas, incluindo bombardeios em Odesa e outras regiões. Isso
pode afetar a estabilidade necessária para que a exploração mineral e a reconstrução acon-
teçam de forma eficiente e segura.

„ Reações internacionais e análise

Analistas observam que o acordo pode reforçar a posição geopolítica dos EUA na Europa
Oriental, ao mesmo tempo em que garante à Ucrânia recursos essenciais para a recuperação
econômica e sua integração ao mercado global de minerais estratégicos.
A ausência de garantias de segurança explícitas, no entanto, levanta questionamentos
sobre o papel dos EUA em termos de apoio militar à Ucrânia, especialmente considerando o
enfrentamento contínuo com a Rússia.
Além disso, o acordo pode gerar implicações para as dinâmicas do mercado global de
minerais, com maior controle ocidental sobre recursos essenciais, o que pode afetar os preços
e a disponibilidade desses materiais. Este movimento pode ter um impacto significativo na
supply chain global, especialmente em setores como tecnologia, energia renovável e defesa.

120
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z EUA e China disputam supremacia global na produção de microchips82

A disputa entre os Estados Unidos e a China pela supremacia na produção de microchips


se intensificou, refletindo a importância estratégica desses componentes no contexto econô-
mico e tecnológico global.
No século XXI, os semicondutores são essenciais não apenas para o desenvolvimento de
tecnologias avançadas, como inteligência artificial, defesa e telecomunicações, mas também
para a manutenção da soberania econômica e tecnológica.

„ Medidas dos EUA

Os EUA têm adotado uma série de sanções econômicas para restringir o acesso da China a
chips avançados e equipamentos de fabricação de última geração.
Entre as principais ações, destaca-se o “CHIPS and Science Act”, uma legislação assina-
da pelo presidente Biden, que liberou mais de US$ 52 bilhões para incentivar a produção
doméstica de semicondutores. O objetivo é reduzir a dependência dos EUA de fornecedores
estrangeiros e garantir que o país continue líder no desenvolvimento e fabricação de chips
de ponta.
Essas sanções e incentivos foram projetados para enfraquecer a indústria tecnológica chi-
nesa, dificultando a capacidade do país de fabricar microchips avançados, que são essenciais
para a indústria de defesa, inteligência artificial e tecnologia de consumo.

„ Respostas da China

Em resposta, a China tem investido pesadamente no desenvolvimento de sua própria


indústria de semicondutores, buscando reduzir a dependência de fornecedores ocidentais.
O país tem subsidiado empresas locais como a SMIC (Semiconductor Manufacturing Inter-
national Corporation), promovendo inovações para tentar superar o bloqueio de tecnologia
avançada.
No entanto, a China enfrenta sérios obstáculos técnicos e políticos. Um dos maiores desa-
fios é o bloqueio ao acesso às máquinas de litografia ultravioleta extrema (EUV), essenciais
para a produção de chips avançados.
Empresas como a ASML, na Holanda, que dominam essa tecnologia, não estão permitindo
que a China acesse essas máquinas devido a pressões políticas dos EUA e da União Europeia.

„ O papel de Taiwan e da Coreia do Sul

A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), localizada em Taiwan, desem-


penha um papel crucial na cadeia global de produção de microchips.
ATUALIDADES

A TSMC é uma das principais fornecedoras de chips avançados do mundo e, como tal, está
no centro da disputa entre os EUA e a China. A pressão para Taiwan escolher entre os dois

82 TEWARI, S. A “guerra” entre EUA e China pela supremacia em microchips. Terra, 2025. Disponível em: https: //
[Link]/economia/a-guerra-entre-eua-e-china-pela-supremacia-em-microchips,6861ed86348373043c-
[Link]. Acesso em: 6 jun. 2025. 121
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blocos se intensifica, dado o apoio estratégico dos EUA a Taiwan e as tensões crescentes com
a China sobre o status da ilha.
A Coreia do Sul, que abriga empresas como Samsung e SK Hynix, também está em uma
posição delicada. Ambas as empresas são fundamentais para a produção global de chips, e o
país precisa equilibrar seus laços com Washington e Pequim, dada a sua importância estra-
tégica para ambos os lados.

„ A nova Guerra Fria tecnológica

Esse confronto, que envolve sanções, subsídios e alianças geopolíticas, é frequentemente


comparado a uma nova Guerra Fria tecnológica. A disputa por microchips tem implicações
de longo prazo para comércio global, alianças geopolíticas e a estrutura de poder entre as
principais potências.
O controle da cadeia de fornecimento de chips é essencial para garantir uma vantagem
competitiva nas tecnologias emergentes, como inteligência artificial, 5G e defesa cibernética.

„ Impactos globais

A disputa também pode ter consequências significativas para o comércio global, já que os
microchips são um componente central em uma vasta gama de produtos, desde automóveis
e eletrônicos de consumo até armamentos e tecnologia de ponta.
O impacto de uma falta de chips poderia afetar indústrias globais, além de ter efeitos eco-
nômicos profundos, especialmente em países dependentes de tecnologia de semicondutores.
À medida que essa disputa se intensifica, países e empresas ao redor do mundo serão
forçados a tomar decisões estratégicas sobre onde investir, com quem fazer negócios e como
equilibrar suas relações com as grandes potências.

z Vietnã comemora 50 anos de vitória sobre os EUA com desfile militar83

Em abril de 2025, o Vietnã comemorou os 50 anos do fim da Guerra do Vietnã, um marco


histórico que simboliza a reunificação do país após a queda de Saigon, em 30 de abril de 1975.
Para celebrar essa data significativa, Hanói foi palco de um grandioso desfile militar, com
a participação de mais de 13 mil pessoas. Entre as personalidades presentes, pela primeira
vez, soldados da China, do Laos e do Camboja também se uniram às celebrações, destacando
o simbolismo da união regional no contexto histórico e político do Vietnã.

„ “Espírito imortal da primavera de 1975”

Durante a cerimônia, o ministro da Segurança Pública, To Lam, que também é considerado


um potencial sucessor da presidência do Vietnã, destacou a importância do “espírito imortal
da Primavera de 1975”, um termo que se refere ao triunfo do Vietnã sobre os Estados Unidos
e à vitória na luta pela reunificação nacional.

83 VIETNÃ celebra 50 anos de vitória na guerra com desfile. Folha de S. Paulo, 2025. Disponível em: https: //www1.
[Link]/mundo/2025/04/[Link]. Acesso em: 6
122 jun. 2025.
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To Lam reafirmou o compromisso do Partido Comunista do Vietnã com a soberania nacio-
nal, a unidade e o desenvolvimento econômico, defendendo que o país deve continuar a tri-
lhar o caminho de autossuficiência e resistência frente às pressões externas.

„ Avanços tecnológicos e militares

O desfile também teve a intenção de destacar os avanços tecnológicos e militares do Viet-


nã. Foram exibidos tanques, veículos blindados e armamentos produzidos internamente
como parte de uma mensagem de autossuficiência.
O país tem se empenhado em fortalecer suas capacidades de defesa nos últimos anos, o
que foi evidente na exibição das forças armadas. A intenção foi não apenas comemorar a
vitória de 1975, mas também demonstrar o poderio militar do Vietnã, especialmente em um
contexto de crescentes tensões no Mar do Sul da China.

„ Reflexões sobre o passado e o futuro

Embora as relações entre Vietnã e Estados Unidos tenham se normalizado ao longo das
últimas décadas, o governo vietnamita usou o aniversário para reforçar a luta histórica con-
tra o colonialismo e as intervenções estrangeiras, lembrando os desafios enfrentados pelo
país durante a guerra e sua luta pela independência.
Líderes de partidos comunistas aliados, incluindo o Partido Comunista Chinês, enviaram
mensagens de apoio ao Vietnã, destacando a importância da amizade sino-vietnamita. A Chi-
na, em particular, reconheceu a relevância histórica da luta do Vietnã e do legado da guerra,
considerando-a um exemplo de resistência ao imperialismo.

„ Tensões no mar do Sul da China

Observadores internacionais perceberam o evento como uma demonstração de força polí-


tica e militar do Vietnã, especialmente com o contexto das crescentes tensões no Mar do Sul
da China.
A disputa por áreas marítimas ricas em recursos naturais na região continua a ser uma
questão importante nas relações entre os países asiáticos, e o Vietnã tem se posicionado como
uma das nações mais assertivas em suas reivindicações territoriais.
Comemorando 50 anos de sua vitória histórica, o Vietnã parece focado em preservar sua
autonomia e sua identidade nacional, ao mesmo tempo em que se posiciona estrategicamen-
te em um cenário geopolítico dinâmico e competitivo.

z Morre Papa Francisco, o “Papa dos Pobres”, e começa a disputa por sua sucessão84
ATUALIDADES

O Papa Francisco faleceu aos 88 anos no Vaticano, após mais de 12 anos de pontificado
que marcaram uma nova era para a Igreja Católica. Seu falecimento encerra um período

84 ALCADI, S. O legado de Francisco, o “papa do povo”. National geographic Portugal, 2025. Disponível em: https:
//[Link]/historia/francisco-o-papa-do-povo-morre-aos-88-anos-legado-mudanca-igreja-catoli-
ca-criticas_5989. Acesso em: 6 jun. 2025. 123
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caracterizado por posicionamentos progressistas e uma defesa constante dos mais vulnerá-
veis, razão pela qual ficou conhecido como o “Papa dos Pobres”.

„ Legado progressista e atuação humanitária

Ele foi eleito Papa em 2013 e desde então buscou aproximar a Igreja dos temas contempo-
râneos, abordando questões como desigualdade social, migração, meio ambiente e inclusão
social. Sua gestão no Vaticano foi marcada por diversas reformas, com ênfase em transparên-
cia financeira e uma abertura maior ao diálogo, especialmente com grupos marginalizados,
como a comunidade LGBTQIA+.
O pontificado de Francisco também foi notável por sua crítica ao capitalismo selvagem e
por sua atuação em defesa do meio ambiente, sendo o primeiro papa a publicar uma encícli-
ca ambiental, a “Laudato Si’”, que chamou a atenção para os efeitos das mudanças climáticas
e a necessidade urgente de um compromisso global para a preservação da Terra.

„ O desafio da sucessão papal

A morte do Papa Francisco abre um novo capítulo na história da Igreja, iniciando um


período de grande expectativa e incertezas com relação à sua sucessão.
O conclave será convocado para escolher o novo papa, reunindo 122 cardeais eleitores
nas próximas semanas. A disputa pela sucessão promete ser acirrada, com embates previstos
entre alas conservadoras e progressistas dentro da Igreja.
O impacto político da escolha do próximo papa é significativo, pois acontece em um
momento crucial para o catolicismo, que enfrenta perdas de fiéis na Europa e uma crescente
pressão por reformas nas questões internas da Igreja, como a abordagem em relação ao celi-
bato, ao papel das mulheres e ao envolvimento com questões sociais contemporâneas.

„ Homenagens e legado internacional

Governos e líderes religiosos de todo o mundo prestaram suas homenagens a Francisco,


destacando suas atuações humanitárias e seu papel fundamental em iniciativas diplomáti-
cas. Entre suas contribuições mais notáveis está o restabelecimento das relações diplomáticas
entre Cuba e os Estados Unidos, um gesto que consolidou sua imagem de pacificador global.
A cerimônia fúnebre do Papa Francisco será realizada na Praça de São Pedro, com chefes
de Estado e multidões aguardadas para prestar suas últimas homenagens. Espera-se que o
evento se torne um dos maiores acontecimentos públicos da década, dada a importância de
seu pontificado e seu impacto no mundo contemporâneo.
A morte do Papa Francisco deixa um vazio considerável não apenas na Igreja Católica,
mas também no cenário internacional, onde sua voz em defesa dos direitos humanos, dos
pobres e da paz mundial foi fundamental.

z Projeto Kuiper: Amazon lança satélites e entra na disputa com a Starlink85

85 AMAZON lança 27 satélites e entra na disputa com Starlink por internet espacial. O Tempo, 2025. Disponível em:
https: //[Link]/tecnologia-e-games/2025/4/29/amazon-lanca-27-satelites-e-entra-na-disputa-com-
124 -starlink-por-internet-espacial. Acesso em: 6 jun. 2025.
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A Amazon deu um passo significativo no mercado de conectividade global com o lança-
mento de 27 satélites como parte do Projeto Kuiper, uma iniciativa voltada para fornecer
internet de alta velocidade em regiões remotas e pouco atendidas do planeta. Este movimen-
to coloca a gigante de Jeff Bezos em competição direta com o Starlink, o sistema de satélites
de internet da SpaceX de Elon Musk.

„ A primeira fase do Projeto Kuiper

O lançamento dos 27 satélites representa a primeira fase do Projeto Kuiper, que, nos pró-
ximos anos, prevê a operação de mais de 3.200 satélites. Esses satélites foram colocados em
órbita a partir de uma base nos Estados Unidos e têm como objetivo inicial expandir a cober-
tura de internet de alta velocidade para áreas isoladas e regiões com pouco acesso à conecti-
vidade, como partes da América Latina, África e áreas rurais dos EUA.
O projeto está sendo considerado um marco importante para a Amazon, que já investiu
mais de US$ 10 bilhões até o momento, visando ampliar a inclusão digital global. A empresa
anunciou que os primeiros testes com clientes devem começar ainda em 2025.

„ Objetivo e parcerias estratégicas

O Projeto Kuiper tem como objetivo reduzir o chamado “deserto digital”, termo utilizado
para se referir às regiões que, devido à sua localização geográfica, têm dificuldades em aces-
sar internet de qualidade.
Além disso, a Amazon firmou parcerias com governos e empresas de tecnologia para
garantir que a infraestrutura necessária seja viabilizada e distribuída em larga escala, possi-
bilitando a oferta de internet acessível para milhões de pessoas ao redor do mundo.

„ Concorrência com a Starlink e implicações geopolíticas

A chegada da Amazon ao mercado de conectividade por satélite coloca a empresa direta-


mente em competição com a SpaceX e sua rede Starlink, que já conta com milhares de saté-
lites em operação.
Especialistas apontam que a disputa entre essas duas gigantes devem não apenas acele-
rar a inovação no setor, mas também gerar desafios regulatórios e geopolíticos. O controle
de dados e infraestrutura de internet se tornou um ativo estratégico de primeira linha, com
governos e corporações disputando influência nesse novo campo.
A competição entre o Projeto Kuiper e o Starlink deverá aumentar as discussões sobre
soberania digital e o controle da informação em diferentes regiões, além de influenciar dire-
tamente a geopolítica global à medida que as empresas buscam expandir seus serviços para
diversas áreas.
ATUALIDADES

„ Futuro da conectividade global

O avanço de ambos os projetos de satélites aponta para uma revolução na conectividade


global, com potencial para transformar a maneira como bilhões de pessoas têm acesso à
internet.
125
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Além disso, é provável que a disputa entre Amazon e SpaceX seja acompanhada de perto
por investidores, governos e especialistas em tecnologia, dado seu impacto em várias frentes
— desde a inclusão digital até a segurança de dados.

z Suprema Corte do Reino Unido decide que definição legal de mulher é baseada no
sexo biológico86

A Suprema Corte do Reino Unido proferiu uma decisão que estabelece que, para efeitos
legais em certos contextos, o termo “mulher” deve ser interpretado com base no sexo bioló-
gico, e não na identidade de gênero.
A decisão foi tomada após um recurso envolvendo o projeto de lei Scottish Parliament Gen-
der Recognition Reform Bill, que já havia sido bloqueado pelo governo britânico.

„ Detalhes da decisão

O tribunal afirmou que, embora as pessoas trans tenham o direito de mudar legalmente
seu gênero por meio de um certificado de reconhecimento de gênero, em legislações especí-
ficas — como aquelas que tratam de cotas, segurança em prisões femininas e esportes — o
sexo biológico pode ser considerado um critério legítimo para definir o acesso a direitos ou
espaços exclusivos para mulheres.
A decisão destaca que, em contextos em que o sexo biológico é legalmente relevante,
ele pode prevalecer como critério para determinar a elegibilidade para certos direitos ou
serviços.
Isso tem implicações significativas para áreas como políticas de igualdade, acesso a espa-
ços protegidos e esportes femininos, nos quais a definição de “mulher” pode afetar direta-
mente a participação de mulheres trans.

z Reações à decisão

A decisão gerou forte repercussão no Reino Unido. Grupos feministas celebraram a medi-
da, vendo-a como uma proteção necessária para os direitos das mulheres cisgênero, espe-
cialmente no que se refere a espaços exclusivos para mulheres e políticas de igualdade de
gênero.
Para esses grupos, a definição biológica de mulher serve como uma salvaguarda contra o
que consideram uma possível diluição das proteções específicas destinadas às mulheres.
Por outro lado, organizações LGBTQIA+ expressaram sua oposição à decisão, conside-
rando-a um retrocesso. Para essas entidades, a medida representa uma discriminação ins-
titucionalizada contra as pessoas trans e reflete um tratamento desigual em relação a uma
comunidade já vulnerável. Elas argumentam que a identidade de gênero deve ser respeitada
e reconhecida legalmente em todas as esferas.
Além disso, o governo escocês também se opôs à decisão, afirmando que a sentença com-
promete a autonomia legislativa da Escócia. A Escócia havia aprovado anteriormente um

86 WELLE, D. Definição legal de ‘mulher’ se baseia em sexo biológico, decide Supremo britânico. G1, 2025. Dispo-
nível em: https: //[Link]/saude/sexualidade/noticia/2025/04/16/definicao-legal-de-mulher-se-baseia-em-
126 -[Link]. Acesso em: 6 jun. 2025.
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projeto de lei que permitiria um reconhecimento mais fácil da identidade de gênero, mas a
nova decisão judicial coloca limites sobre o escopo dessa legislação.

„ Implicações jurídicas e sociais

Especialistas jurídicos ressaltam que a decisão não anula a possibilidade de reconheci-


mento de gênero por meio de vias legais, mas reforça o entendimento de que, em determina-
das circunstâncias, a diferenciação biológica pode ser aplicada como critério para o acesso a
direitos ou espaços definidos por sexo. No entanto, essa interpretação pode variar dependen-
do do contexto legal, social e político de cada área específica.
Essa decisão é mais um capítulo em um debate contínuo sobre os direitos das pessoas
trans e a definição de gênero no âmbito legal. A discussão sobre o equilíbrio entre os direitos
das mulheres cisgênero e das pessoas trans permanece um tema sensível e polarizador em
muitos países ao redor do mundo.

z Paciente com ELA volta a se comunicar graças a chip cerebral87

Um avanço notável na interface entre cérebro e máquina foi anunciado recentemente


por cientistas que conseguiram restaurar a capacidade de comunicação de um paciente com
esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma condição neurodegenerativa que impede a fala e o
movimento. Esse progresso ocorreu por meio de um chip cerebral implantado, uma conquis-
ta pioneira na medicina e na neuroengenharia.

„ O experimento e seus resultados

O experimento foi realizado por uma equipe internacional de neuroengenharia e resultou


na primeira vez que um paciente com ELA foi capaz de se comunicar com clareza utilizando
tecnologia de interface cérebro-computador.
Por meio de um sistema de tradução neural, os sinais elétricos gerados pelo cérebro do
paciente foram convertidos em texto escrito. Este método permite que o paciente forme pala-
vras e frases completas apenas com o pensamento, sem a necessidade de movimento ou fala.

z Potencial futuro e expansão da tecnologia

Embora a tecnologia ainda esteja em fase experimental, o sucesso do experimento abre


portas para possibilidades revolucionárias para pessoas com deficiências motoras severas,
incluindo aquelas causadas por ELA ou outras condições neurológicas.
Os pesquisadores acreditam que, no futuro, o chip cerebral poderá ser adaptado para per-
mitir comandos mais complexos, como:
ATUALIDADES

„ controle de dispositivos eletrônicos;


„ movimentação de cadeiras de rodas inteligentes;

87 PACIENTE com chip cerebral da Neuralink consegue digitar por pensamento usando IA de Musk. Isto é Dinheiro,
2025. Disponível em: https:// [Link]/paciente-com-chip-cerebral-da-neuralink-consegue-digitar-por-
-pensamento-usando-ia-de-musk. Acesso em: 6 jun. 2025. 127
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„ uso de assistentes de voz, o que melhoraria a autonomia e a qualidade de vida dos
pacientes.

z Questões éticas e implicações sociais

O caso também levantou importantes questões sobre ética, privacidade neural e os limites
da integração homem-máquina. A capacidade de ler e interpretar os sinais elétricos do cére-
bro pode ser vista como um avanço médico significativo, mas também provoca debates sobre
os direitos de privacidade das pessoas em relação aos seus próprios pensamentos.
Além disso, a ideia de uma interação mais direta entre o ser humano e as máquinas levan-
ta questões sobre o controle de dados neurais e os possíveis impactos sociais e psicológicos
dessa tecnologia.
Este é um exemplo impressionante do impacto que a tecnologia de interface cérebro-com-
putador pode ter na vida das pessoas, especialmente para aqueles com doenças debilitantes
como a ELA.
À medida que os testes avançam, será interessante acompanhar como esses avanços cien-
tíficos podem transformar a medicina e a vida cotidiana de milhões de pessoas com deficiên-
cias físicas graves.

z Mario Vargas Llosa, Nobel de Literatura e ícone do “boom” latino-americano, morre


aos 89 anos88

O escritor peruano Mario Vargas Llosa faleceu no dia 13 de abril de 2025, aos 89 anos, em
sua residência em Lima, cercado por sua família. Conforme seu desejo, não houve cerimô-
nias públicas, e seus restos foram cremados em uma cerimônia privada, respeitando a sua
vontade de manter a intimidade neste momento.

„ Figura central do “boom” latino-americano

Vargas Llosa foi uma das principais figuras do movimento literário conhecido como
“boom” latino-americano, que, nos anos 1960 e 1970, projetou internacionalmente nomes
como Gabriel García Márquez, Julio Cortázar e Carlos Fuentes.
Sua obra, amplamente reconhecida, é marcada por críticas ao autoritarismo, à corrupção
e pela exploração de questões sociais e políticas da América Latina. Dentre seus principais
romances, destaca-se “A Cidade e os Cachorros”, “Conversa na Catedral”, “A Guerra do Fim do
Mundo” e “A Festa do Bode”.

„ Carreira política e mudanças ideológicas

Além de sua carreira literária, Vargas Llosa teve uma trajetória política significativa.
Embora inicialmente alinhado ao marxismo, o autor se tornou um fervoroso defensor da
democracia liberal.

88 MORRE Mario Vargas Llosa, vencedor do Nobel de Literatura e ícone da literatura latino-americana. Memorial,
2025. Disponível em: https: //[Link]/morre-mario-vargas-llosa-vencedor-do-nobel-de-literatura-e-icone-da-
128 -literatura-latino-americana/. Acesso em: 9 jun. 2025.
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Em 1990, ele se candidatou à presidência do Peru, mas foi derrotado por Alberto Fujimo-
ri. Ao longo dos anos, suas posições políticas evoluíram, refletindo seu compromisso com a
liberdade individual e a democracia.
Sua contribuição para a literatura foi reconhecida mundialmente quando, em 2010, ele foi
laureado com o Prêmio Nobel de Literatura, sendo destacado por sua “cartografia das estru-
turas de poder” e pela forma como retratava a resistência, rebelião e a derrota do indivíduo
nas suas narrativas.

„ Últimos anos e homenagens póstumas

Nos últimos anos, Vargas Llosa enfrentou complicações de saúde, incluindo uma pneu-
monia decorrente de pós-covid-19, que comprometeu suas defesas, tornando-o vulnerável a
infecções.
Após o seu falecimento, homenagens a ele foram prestadas por governos e instituições
culturais ao redor do mundo. O governo peruano decretou luto nacional no dia 14 de abril,
enquanto na Espanha, país no qual o autor possuía cidadania, a Comunidade de Madrid con-
cedeu-lhe postumamente a Medalha Internacional das Artes.

„ Legado literário

A morte de Mario Vargas Llosa marca o fim de uma era na literatura latino-americana,
mas sua obra continuará sendo um testemunho poderoso das complexidades sociais, políti-
cas e culturais da América Latina. Seu legado permanece vivo por meio de suas narrativas
intensas, que não apenas enriqueceram a literatura mundial, mas também desafiaram as
estruturas de poder em sua busca por liberdade e justiça.

z Retrato de menino palestino mutilado em Gaza vence prêmio da World Press Photo89

O retrato de Mahmoud Ajjour, um menino palestino de nove anos que perdeu ambos os
braços em um ataque israelense na Faixa de Gaza, foi reconhecido como a Fotografia do Ano
no concurso World Press Photo de 2025. A imagem, capturada pela fotógrafa palestina Samar
Abu Elouf, foi publicada no jornal The New York Times e ganhou destaque mundial.

„ A trágica história de Mahmoud Ajjour

Mahmoud foi ferido em março de 2024, enquanto tentava fugir com sua família de um
bombardeio em Gaza. No momento do ataque, ele se virou para incentivar os outros a seguir
em frente, quando uma explosão atingiu o menino, cortando-lhe um dos braços e mutilando
o outro. Após o incidente, Mahmoud foi evacuado para Doha, no Catar, onde recebeu trata-
ATUALIDADES

mento médico, e atualmente vive com sua família.


A fotógrafa Samar Abu Elouf também foi evacuada de Gaza em dezembro de 2023 e pas-
sou a residir no mesmo complexo de apartamentos em Doha onde Mahmoud está, tendo

89 SALBERT, S. Retrato de menino palestino amputado vence principal prêmio da World Press Photo 2025. Veja,
2025. Leia mais em: https: //[Link]/4skx99sj. Disponível em: 9 jun. 2025. 129
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documentado a vida dos palestinos gravemente feridos que conseguiram escapar da região
para receber atendimento médico.

„ Reconhecimento da World Press Photo

A imagem vencedora foi escolhida entre mais de 59 mil inscrições de fotógrafos de 141 paí-
ses. Joumana El Zein Khoury, diretora executiva da World Press Photo, descreveu a fotografia
como “uma foto silenciosa que fala alto”, destacando que a imagem narra não só a história de
um menino, mas também de uma guerra mais ampla que afetará gerações.

„ Adaptação de Mahmoud e seu sonho de superação

Atualmente, Mahmoud está aprendendo a se adaptar à sua nova realidade, utilizando os


pés para realizar tarefas cotidianas, como escrever e abrir portas. Seu sonho é simples, mas
profundo: conseguir próteses e viver sua vida da maneira mais normal possível, como qual-
quer outra criança.

„ Exposição global da imagem

A fotografia vencedora será parte da exposição itinerante da World Press Photo, que pas-
sará por mais de 60 cidades em todo o mundo, levando a história de Mahmoud e a realidade
da guerra para um público global.
Essa imagem não apenas ilustra a tragédia pessoal de um menino, mas também serve
como um testemunho visual dos horrores vividos por muitos em Gaza e em outras regiões
afetadas por conflitos. Ela desperta uma reflexão sobre os impactos humanos das guerras,
suas consequências e o que permanece após as explosões e o caos.

Brasil

z Escândalo de desvios previdenciários expõe fragilidade institucional no Brasil90

Uma ação conjunta da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) des-
vendou um esquema de fraudes que pode ter desviado até R$ 8 bilhões dos cofres da Previ-
dência Social brasileira. As irregularidades atingiram milhões de aposentados e pensionistas,
que foram vítimas de cobranças indevidas por serviços nunca contratados.
O golpe consistia na inclusão automática de descontos nos benefícios previdenciários para
o pagamento de seguros, clubes de vantagens e associações fictícias, frequentemente sem o
consentimento dos segurados. Essas cobranças eram viabilizadas por convênios entre o INSS
e entidades privadas, firmados sem a devida transparência e fiscalização, o que fragilizou a
proteção dos direitos dos beneficiários.
Diante da gravidade do caso, o governo federal suspendeu novos convênios e determinou
a revisão completa dos contratos vigentes. A Polícia Federal já indiciou servidores públicos

90 FERNANDES, L. Fraudes no INSS: entenda o escândalo que pode levar à abertura de uma CPI no Congresso
Nacional. Brasil de Fato, 2025. Disponível em: https: //[Link]/2025/04/30/fraudes-no-inss-en-
130 tenda-o-escandalo-que-pode-levar-a-abertura-de-uma-cpi-no-congresso-nacional/. Acesso em: 9 jun. 2025
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e representantes das entidades envolvidas. O episódio também gerou uma forte reação do
Congresso Nacional e de órgãos de defesa do consumidor, que exigem punição exemplar e
ressarcimento às vítimas.
Em resposta, o Ministério da Previdência Social anunciou a criação de um canal direto
para denúncias e o início de uma auditoria interna para responsabilizar os envolvidos.

„ Contexto geopolítico e implicações institucionais

A crise envolvendo o INSS ocorre em um momento em que o Brasil enfrenta pressões


internas por reformas estruturais e cobranças externas por maior transparência institucio-
nal. O episódio evidencia uma crise de governança pública, especialmente no setor previden-
ciário, considerado um dos pilares do Estado de bem-estar social brasileiro.
Do ponto de vista geopolítico, fraudes em larga escala como essa enfraquecem a credibili-
dade do país perante organismos multilaterais, como o Banco Mundial e o FMI, que frequen-
temente condicionam linhas de crédito e cooperação técnica à eficiência e integridade das
instituições públicas. Além disso, o escândalo pode comprometer a atração de investimentos
internacionais, sobretudo em setores estratégicos relacionados à gestão pública e segurança
social.
Internamente, a situação gera desconfiança da população quanto à eficácia do Estado, ali-
mentando discursos de descrença institucional que podem ser explorados por movimentos
populistas ou antissistêmicos.
Esse contexto torna urgente a modernização dos mecanismos de controle, com o uso de
tecnologia, inteligência artificial e maior transparência na gestão de dados públicos.

z Crise política no governo Lula: ministro das Comunicações deixa o cargo após denún-
cia de corrupção91

No dia 8 de abril de 2025, o então ministro das Comunicações, Juscelino Filho (União Bra-
sil-MA), renunciou ao cargo após ter seu nome formalmente denunciado pela Procurado-
ria-Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF), sob suspeita de corrupção
passiva e outros crimes relacionados ao período em que atuava como deputado federal.
A acusação da PGR é baseada em investigações da Polícia Federal, que identificaram o
envolvimento de Juscelino em um esquema de desvio de recursos públicos por meio de
emendas parlamentares destinadas a obras em Vitorino Freire (MA) — cidade governada por
sua irmã, Luanna Rezende, prefeita local. O esquema teria movimentado recursos de forma
ilícita com favorecimento político e pessoal.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou o ministro a se afastar do cargo a fim de
que pudesse apresentar sua defesa fora do governo, buscando preservar a imagem da gestão.
Em carta aberta, Juscelino declarou que sua saída representa um gesto de respeito ao gover-
ATUALIDADES

no e ao povo brasileiro, reafirmando sua inocência e confiança nas instituições democráticas.


A saída de Juscelino representa a primeira baixa no primeiro escalão do governo Lula
por suspeitas de corrupção desde o início do mandato em 2023. Apesar da crise, o Ministério

91 A DENÚNCIA de corrupção que derrubou ministro das Comunicações de Lula. BBC News Brasil, 2025. Disponí-
vel em: https: //[Link]/portuguese/articles/ckg1zrzgmexo. Acesso em: 9 jun. 2025. 131
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das Comunicações deve continuar sob o comando do União Brasil, com o nome do deputado
Pedro Lucas Fernandes (MA) sendo cogitado para assumir a titularidade da pasta.

„ Contexto geopolítico e institucional da crise

A renúncia de Juscelino Filho ocorre em um momento de recomposição de forças políticas


dentro do governo federal, marcado pela busca de equilíbrio entre governabilidade e integri-
dade institucional. O episódio expõe os desafios enfrentados pelo Executivo na formação de
coalizões partidárias com legendas que, apesar de fornecerem apoio no Congresso, carregam
históricos de envolvimento em escândalos de corrupção.
No plano geopolítico interno, o caso reflete a persistência de práticas patrimonialistas no
uso de emendas parlamentares, que frequentemente servem como moeda de troca no pre-
sidencialismo de coalizão brasileiro. Tais práticas dificultam o avanço de políticas públicas
eficazes e transparentes, minando a confiança da população na classe política.
Externamente, a denúncia gera impacto na percepção internacional sobre a estabilidade e
o compromisso do Brasil com o combate à corrupção, especialmente em um cenário pós-pan-
demia, em que o país tenta se reposicionar como líder regional na América Latina e atrair
investimentos estrangeiros. A capacidade do governo de agir com rapidez e firmeza diante
de escândalos é observada por organismos internacionais, agências de risco e investidores
globais.
Por fim, o episódio reaquece o debate sobre a reforma do sistema de emendas parlamen-
tares e a necessidade de mecanismos mais rígidos de controle e transparência na execução
orçamentária, algo crucial para o fortalecimento do Estado democrático de direito.

z STF decreta prisão de Fernando Collor: um marco no enfrentamento à corrupção


política no Brasil92

Em abril de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a prisão do ex-presidente


e ex-senador Fernando Collor de Mello, após a condenação definitiva a oito anos e 10 meses
de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A decisão foi assinada
pelo ministro Edson Fachin, relator da Ação Penal 1025, que teve origem nas investigações da
Operação Lava Jato e tramitava desde 2015.
De acordo com a acusação da Procuradoria-Geral da República, entre os anos de 2010 e
2014, Collor teria recebido mais de R$ 20 milhões em propinas através de contratos fraudu-
lentos firmados com a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras. Em contrapartida, ele teria
atuado politicamente para favorecer empresas privadas, utilizando sua influência junto à
estatal.
A defesa de Collor tentou evitar o cumprimento imediato da pena, alegando idade avan-
çada e problemas de saúde, mas o plenário do STF rejeitou os argumentos, decidindo que
não havia mais recursos com efeito suspensivo cabíveis. O ex-presidente se entregou volun-
tariamente à Polícia Federal em Alagoas e deverá iniciar o cumprimento da pena em regime
fechado.

92 ALEXANDRE determina prisão de Collor por caso da ‘lava jato’. Consultor jurídico, 2025. Disponível em: https:
//[Link]/2025-abr-25/alexandre-determina-prisao-de-collor-por-caso-da-lava-jato/ Acesso em: 9 jun.
132 2025.
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Esse episódio representa a primeira prisão definitiva de um ex-presidente brasileiro por
crimes ligados à Operação Lava Jato, consolidando um marco na história recente do país.
A trajetória de Collor é marcada por altos e baixos: após renunciar à presidência em 1992
em meio a um processo de impeachment, conseguiu reeleger-se senador por dois mandatos,
até enfrentar nova queda, agora pela via judicial.

„ Análise geopolítica e institucional: o peso simbólico da prisão de Collor

A prisão de Fernando Collor carrega relevância geopolítica no cenário interno e inter-


nacional, pois simboliza uma mudança no padrão de responsabilização das elites políticas
brasileiras, frequentemente associadas à impunidade histórica.
A decisão do STF reforça o papel das instituições judiciais no combate à corrupção sistêmi-
ca, especialmente em um contexto de fragilidade democrática e polarização política.
No plano interno, o episódio aprofunda o debate sobre os limites e os efeitos da Operação
Lava Jato, que, embora tenha revelado esquemas bilionários de corrupção, também foi alvo
de críticas por abusos processuais e interferência política.
A condenação definitiva de um ex-presidente, com provas robustas e trâmite dentro da
legalidade, fortalece a imagem do Judiciário como poder autônomo e responsável por fazer
valer o Estado de direito.
Do ponto de vista internacional, o caso contribui para a percepção de que o Brasil avança
— ainda que com dificuldades — no cumprimento das normas anticorrupção exigidas por
organismos multilaterais, como a OCDE, o GAFI e a Transparência Internacional.
A responsabilização de líderes políticos é uma exigência para ampliar a confiança de
investidores estrangeiros, sobretudo em setores estratégicos como energia e infraestrutura.
Ademais, o processo evidencia a centralidade das estatais brasileiras no jogo político-eco-
nômico, algo que remonta ao processo de industrialização do país e à constituição de um Esta-
do desenvolvimentista, cuja máquina pública foi frequentemente aparelhada por interesses
privados e políticos, como já apontavam autores como Raymundo Faoro e Celso Furtado.

z Mercado de trabalho brasileiro registra menor desemprego em mais de uma década,


mas informalidade ainda preocupa93

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a taxa de desemprego


no Brasil caiu para 7% no primeiro trimestre de 2025, representando o menor índice para o
período desde 2012. O dado reflete uma recuperação gradual do mercado de trabalho, com
avanço da formalização em setores específicos e retomada da economia em áreas estratégicas.
Segundo o levantamento, o país ainda contabiliza cerca de 7,5 milhões de pessoas desocu-
padas, número que, apesar da melhora, é considerado alto por especialistas, especialmente
se comparado a países de economias emergentes semelhantes. O setor de serviços foi o prin-
ATUALIDADES

cipal motor na geração de empregos, seguido pela construção civil e pelo comércio.
Contudo, a informalidade segue elevada, atingindo aproximadamente 39% dos trabalha-
dores. Esse índice inclui pessoas sem carteira assinada, autônomos não registrados e outros

93 MOURA, B. F. Desemprego de 7% no 1º tri é o menor já registrado para o período. Agência Brasil, 2025. Disponí-
vel em: https: //[Link]/economia/noticia/2025-04/desemprego-de-7-no-1o-trimestre-e-o-menor-
-ja-registrado-desde-2012. Acesso em: 9 jun. 2025 133
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vínculos precários. A alta informalidade compromete a proteção social, a arrecadação previ-
denciária e a qualidade dos empregos no país, revelando uma distorção estrutural no mer-
cado de trabalho brasileiro.
O governo federal comemorou a queda na taxa de desemprego, comprometendo-se a
incentivar o emprego formal, com apoio a micro e pequenas empresas e investimentos em
qualificação profissional. No entanto, economistas alertam que a sustentabilidade dessa
melhora depende de variáveis macroeconômicas, como a redução da taxa de juros, o contro-
le da inflação e o aumento da confiança empresarial.

„ Análise geopolítica e estrutural: trabalho, informalidade e desenvolvimento

A queda na taxa de desemprego em 2025 deve ser interpretada com cautela dentro de um
contexto geopolítico mais amplo, marcado por transformações tecnológicas, reconfiguração
do trabalho global e disputas econômicas regionais.
O Brasil, como potência de médio porte, enfrenta o desafio de conciliar crescimento eco-
nômico com inclusão produtiva, especialmente num cenário de alta volatilidade global e
pressões por transição ecológica e digital.
A elevada informalidade revela a fragilidade estrutural do mercado de trabalho brasileiro,
ainda fortemente marcado por desigualdades regionais, baixa escolarização e carência de
políticas industriais robustas. Tal cenário remete a análises clássicas da economia brasileira,
como as de Celso Furtado, que alertava para os limites de um crescimento desassociado da
inclusão social e produtiva.
Na arena internacional, a recuperação do emprego é observada com atenção por organis-
mos como OCDE, FMI e Banco Mundial, que frequentemente monitoram indicadores sociais
como pré-requisitos para melhoria da governança econômica e acesso a financiamentos
internacionais.
Além disso, uma força de trabalho mais formalizada contribui para aumentar a produtivi-
dade, atrair investimentos estrangeiros diretos e reforçar a segurança jurídica nas relações
de trabalho.
O Brasil se encontra em um momento crucial para consolidar um modelo de desenvol-
vimento sustentável e socialmente justo, em que o trabalho digno e a inclusão produtiva
deixem de ser metas abstratas e passem a compor o centro das políticas públicas de médio e
longo prazo.

z Projeto de anistia aos atos de 8 de janeiro intensifica embate institucional entre Con-
gresso e STF94

A apresentação de um projeto de lei que propõe a anistia parcial aos envolvidos nos atos
antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília, gerou forte repercussão e tensão entre
o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF). A medida reacende o debate sobre
os limites da liberdade de manifestação e os instrumentos de proteção ao Estado democrático
de direito.

94 GUEDES, O. Congresso e STF analisam alternativa à proposta de anistia que reduz pena de réus de menor impor-
134 tância do 8/1. G1, 2025. Disponível em: https: //[Link]/37y43n2j. Acesso em: 9 jun. 2025.
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O texto, defendido por parlamentares da ala conservadora e por aliados do ex-presidente
Jair Bolsonaro, prevê penas mais leves para manifestantes considerados de “baixa periculo-
sidade”, ao mesmo tempo em que mantém punições rigorosas para organizadores, líderes e
financiadores dos ataques às sedes dos Três Poderes. O argumento central da proposta é que
parte dos participantes foi induzida ao erro, sem plena consciência do teor golpista das ações.
A reação no STF foi imediata. Ministros da Corte, como Alexandre de Moraes, condenaram
duramente a iniciativa, classificando-a como uma ameaça à democracia e um incentivo à
impunidade. O magistrado ressaltou que não se pode tolerar retrocessos na responsabiliza-
ção de crimes que atacam a ordem constitucional.
Setores do governo federal e da base parlamentar aliada também se manifestaram contra
o projeto, alertando que a anistia poderia abrir margem para novos episódios de violência
política e desestabilização institucional. Para eles, conceder perdão jurídico a envolvidos nos
atos de 8 de janeiro significaria normalizar a ruptura democrática.
Além da divisão entre os Poderes, o projeto tem mobilizado juristas, organizações da socie-
dade civil e entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que veem na proposta
um risco ao fortalecimento das instituições democráticas. A medida ainda não tem data defi-
nida para votação no plenário da Câmara dos Deputados, mas o debate público em torno de
sua legitimidade já está em curso.

„ Análise geopolítica: institucionalidade democrática e o risco de normalização da


violência política

A discussão sobre a anistia aos participantes dos atos golpistas de 2023 deve ser compreen-
dida dentro de um contexto mais amplo de erosão democrática observada em diversas partes
do mundo. Casos semelhantes ocorreram em países como Estados Unidos, Hungria, Polônia
e Filipinas, onde movimentos autoritários, populistas e negacionistas têm tensionado as ins-
tituições e buscado redefinir os marcos do regime democrático.
No caso brasileiro, a tentativa de anistiar os envolvidos nos atos de 8 de janeiro representa
não apenas um debate jurídico, mas também uma disputa simbólica sobre os rumos do país.
Ao propor um perdão legal a quem participou de um ataque direto à ordem democrática, o
Congresso desafia os limites da independência entre os Poderes e sinaliza para uma reinter-
pretação perigosa da impunidade política.
Autores como Norberto Bobbio já alertavam que a democracia depende não apenas do
voto, mas da vigência de normas que preservem a legalidade e a pluralidade institucional.
Nesse sentido, a impunidade de atos que ferem o pacto democrático pode gerar um ciclo de
instabilidade, tornando o ambiente político mais propenso a radicalizações e rupturas.
Além disso, do ponto de vista da geopolítica regional, o Brasil, como principal liderança
sul-americana, tem sua imagem internacional profundamente afetada por episódios de vio-
lência institucional.
ATUALIDADES

Organizações multilaterais, investidores e organismos internacionais de direitos humanos


acompanham de perto como o país lida com os seus desafios internos, especialmente aqueles
relacionados à democracia, justiça e estabilidade institucional.
O desenrolar dessa proposta poderá definir não apenas o destino dos envolvidos nos atos
de 2023, mas também o grau de resiliência democrática do Brasil diante de ameaças autori-
tárias que têm crescido em todo o mundo.
135
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z Funai registra imagens de povo indígena isolado em Rondônia e Mato Grosso95

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) divulgou, recentemente, imagens de um


povo indígena isolado na Terra Indígena Massaco, localizada em Rondônia.
Esse monitoramento visa reafirmar a presença de povos indígenas isolados e a importân-
cia da proteção territorial para garantir a sobrevivência e a autodeterminação desses povos,
sem o contato direto com a sociedade envolvente.
Além da Terra Indígena Massaco, o trabalho de monitoramento também registrou a pre-
sença de outro povo isolado na Terra Indígena Kawahiva do Rio Prado, situada em Mato
Grosso. Esses registros são realizados por meio de expedições, sobrevoos e a presença contí-
nua das Bases de Proteção Etnoambiental (Bapes), instaladas para monitorar e proteger esses
povos.
A Funai, por meio de suas Frentes de Proteção Etnoambiental, trabalha para garantir a
autodeterminação dos povos isolados, adotando medidas rigorosas para evitar o contato
direto com eles, a fim de preservar seus modos de vida tradicionais e minimizar os riscos de
contaminação por doenças e impactos externos.
Essas ações têm como objetivo central a proteção territorial, essencial para a sobrevivên-
cia e autonomia dos povos indígenas isolados, que vivem em total ou quase total isolamento,
preservando suas culturas e línguas sem a interferência de atores externos.
O monitoramento contínuo e a fiscalização da Funai são essenciais para garantir que os
territórios indígenas permaneçam protegidos, fortalecendo a luta pela proteção dos povos
originários e a valorização de sua integridade cultural.

z Governo brasileiro e organizações indígenas criam comissão internacional para


representar povos indígenas na COP30 em Belém96

O governo federal, em parceria com organizações indígenas, anunciou a criação de uma


Comissão Internacional Indígena, que terá como principal missão representar os povos indí-
genas brasileiros na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30),
marcada para novembro de 2025, na cidade de Belém, no estado do Pará.
O anúncio ocorreu durante o Acampamento Terra Livre (ATL), realizado em Brasília, em
que líderes e representantes das comunidades indígenas se reuniram para discutir temas
relevantes, como a proteção ambiental e a autodeterminação dos povos originários.
A Comissão Internacional Indígena será presidida pela ministra dos Povos Indígenas,
Sônia Guajajara, e contará com a participação de sete entidades indígenas de peso, entre elas
a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o G9 da Amazônia Indígena e a Aliança
Global de Comunidades Territoriais (GATC), além de outras importantes representações.
A comissão se insere dentro do novo conceito apresentado pela presidência brasileira da
COP30: o Círculo dos Povos. Esse espaço busca ampliar o protagonismo da sociedade civil e de
movimentos sociais, permitindo que as vozes dos povos indígenas, que tradicionalmente são

95 O QUE uma câmera automática mostrou de um povo indígena isolado no Brasil. G1, 2025. Disponível em: https:
//[Link]/mr2zy34d. Acesso em: 9 jun. 2025.
96 VILELA, P. R. Comissão internacional vai participar de negociações da COP30. Agência Brasil, 2025. Disponível
136 em: https: //[Link]/yfss44n2. Acesso em: 9 jun. 2025.
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as mais afetadas pelas mudanças climáticas, sejam ouvidas com mais força nas discussões
internacionais sobre o meio ambiente e a sustentabilidade.

„ Construção geopolítica

A COP30 em Belém representa uma oportunidade única para ampliar a participação indí-
gena nas negociações climáticas, considerando o papel central dos povos indígenas na pre-
servação ambiental, especialmente na Amazônia, uma região fundamental para o equilíbrio
climático global.
A Amazônia brasileira é não só um dos maiores reservatórios de biodiversidade do pla-
neta, mas também uma das maiores fontes de carbono do mundo, com os povos indígenas
sendo seus maiores guardiões. O reconhecimento de seu papel como sócios indispensáveis
na mitigação das mudanças climáticas vem ganhando relevância na geopolítica ambiental
internacional.
A criação da Comissão Internacional Indígena fortalece a luta indígena por territórios e
direitos na luta contra o desmatamento e as políticas ambientais que afetam diretamente
suas terras. Esse movimento reflete uma tendência crescente de empoderamento indígena
no cenário global, com lideranças como Sônia Guajajara sendo reconhecidas como referên-
cias nas discussões sobre mudanças climáticas e sustentabilidade.
Além disso, a inclusão do Círculo dos Povos representa uma descentralização do poder nas
conferências internacionais, promovendo maior representatividade e fortalecendo a demo-
cracia ambiental. Isso reflete uma mudança de paradigma no campo da diplomacia climá-
tica, em que os povos originários são cada vez mais reconhecidos como agentes-chave na
proteção ambiental e na promoção de soluções sustentáveis.
Dessa forma, a COP30 em Belém não é apenas um evento sobre mudanças climáticas, mas
também um palco de suma importância para que as questões territoriais e a autonomia indí-
gena sejam discutidas com destaque global, configurando um novo momento na geopolítica
ambiental internacional.

z Universidade Federal Fluminense inova com bateria de polímeros como alternativa


sustentável ao íon-lítio97

A Universidade Federal Fluminense (UFF) fez um importante avanço no campo da tecnolo-


gia de armazenamento de energia com o desenvolvimento de uma bateria de polímeros com
teflon, que promete ser uma alternativa mais econômica e sustentável à tradicional bateria
de íon-lítio.
O projeto, conduzido pelo Instituto de Física da UFF, se destaca por oferecer custos de pro-
dução significativamente mais baixos, superando um dos principais obstáculos das baterias
convencionais, que são o alto custo e os impactos ambientais associados à sua fabricação e
ATUALIDADES

descarte.
Uma das grandes inovações dessa nova tecnologia é a capacidade de armazenamento de
energia. Enquanto as baterias de íon-lítio, comumente usadas em dispositivos eletrônicos e

97 BRASIL. Ministério da Educação. UFF cria bateria que pode transformar mercado de energia. [Brasília]: Ministé-
rio da Educação, 23 abr. 2025. Disponível em: https: //[Link]/mec/pt-br/assuntos/noticias/2025/abril/uff-cria-
-bateria-que-pode-transformar-mercado-de-energia. Acesso em: 9 jun. 2025. 137
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veículos elétricos, têm uma capacidade de cerca de 140 miliampere-hora por grama (mAh-
/g), a bateria de polímeros com teflon da UFF ultrapassa 1000 mAh/g, marcando um avanço
expressivo em termos de eficiência e desempenho.
Essa maior capacidade de armazenamento permite que os dispositivos alimentados por
essas baterias funcionem por mais tempo, exigindo menos recargas e promovendo uma
maior autonomia.
Além do baixo custo de produção, que pode viabilizar uma adoção mais ampla dessa tec-
nologia, a bateria de polímeros com teflon apresenta uma vantagem ambiental considerável
em comparação com as baterias de íon-lítio.
O processo de fabricação da bateria de polímeros utiliza materiais menos poluentes e, por-
tanto, pode resultar em menor impacto ambiental, especialmente no que se refere à extração
de matérias-primas raras e ao descarte inadequado de baterias tradicionais.
Esse projeto da UFF não apenas representa uma inovação tecnológica, mas também uma
resposta aos desafios globais de sustentabilidade e tecnologia limpa, alinhando-se com as
metas ambientais de reduzir a pegada ecológica da indústria de baterias e promover solu-
ções mais acessíveis para a energia renovável.

„ Geopolítica tecnológica

Em um contexto mais amplo, o desenvolvimento de baterias mais sustentáveis e econô-


micas representa um movimento estratégico dentro da geopolítica da inovação tecnológica.
Países e instituições que dominam essa tecnologia têm o potencial de transformar merca-
dos globais e competir com grandes potências tecnológicas como os Estados Unidos e a China,
que dominam a produção de baterias de íon-lítio.
Além disso, tecnologias como a desenvolvida pela UFF podem contribuir significativamen-
te para a transição energética e para a redução das emissões de carbono, essenciais em um
cenário de mudanças climáticas e crescente demanda por soluções energéticas sustentáveis.
Dessa forma, a bateria de polímeros com teflon não só coloca o Brasil na vanguarda das
inovações tecnológicas no setor de armazenamento de energia, como também pode contri-
buir para o desenvolvimento de políticas públicas que incentivem a pesquisa e inovação
sustentável, gerando novos empregos e fortalecendo a economia verde.

z Anvisa aprova Kisunla: novo medicamento para tratamento de comprometimento


cognitivo e demência leve associados ao Alzheimer98

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Kisunla (dona-


nemabe), um novo medicamento indicado para o tratamento de comprometimento cognitivo
leve e demência leve associada ao Alzheimer. A aprovação foi um marco importante no avan-
ço do tratamento para uma das doenças neurodegenerativas mais desafiadoras e prevalentes
no mundo.
O Kisunla é um anticorpo monoclonal que age especificamente contra a proteína beta-
-amiloide, uma das principais características do Alzheimer. Essa proteína se aglomera no
cérebro, formando placas amiloides, que são associadas ao dano celular e à degeneração

98 LABOISSIÈRE, P. Anvisa aprova medicamento para retardar avanço do Alzheimer. Agência Brasil, 2025. Disponí-
138 vel em: https: //[Link]/4fdx2rm2. Acesso em: 9 jun. 2025.
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neuronal. O donanemabe, ao se ligar a essas placas, visa reduzir sua formação e, assim, atra-
sar a progressão da doença.
A eficácia do Kisunla tem sido destacada em estudos clínicos, que mostraram que o medi-
camento pode diminuir a carga de placas amiloides no cérebro e melhorar algumas funções
cognitivas em pacientes com os primeiros estágios do Alzheimer.
Isso representa uma esperança significativa para os pacientes, pois, embora não seja uma
cura, o medicamento oferece a possibilidade de retardar o avanço da doença e melhorar a
qualidade de vida dos indivíduos afetados.
Essa aprovação da Anvisa também reflete os avanços da ciência no tratamento de doenças
neurológicas complexas, como o Alzheimer, e reforça a importância da pesquisa e inovação
no setor da saúde pública.

„ Geopolítica do avanço científico

No contexto geopolítico, a aprovação do Kisunla reforça o Brasil como um mercado emer-


gente em saúde, com grande capacidade para acessar tratamentos inovadores e, ao mesmo
tempo, participar do debate global sobre o enfrentamento do Alzheimer, doença que afeta
milhões de pessoas ao redor do mundo.
Países com políticas mais ágeis para aprovação de novos tratamentos têm um potencial
significativo para atrair investimentos em pesquisa e tecnologia farmacêutica, influenciando
positivamente o desenvolvimento econômico e científico.

z Avanço na criação de vacina contra Gripe Aviária: esperança para evitar pandemia
global99

A Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm) destacou a importância do avanço nas pes-


quisas para o desenvolvimento de uma vacina contra a gripe aviária, uma medida que pode
ser fundamental para evitar uma pandemia global.
Mônica Levi, presidente da SBIm, afirmou que existem estoques de emergência dessa vaci-
na em cerca de 20 países, oferecendo uma rede de segurança para o controle da doença.
No Brasil, o Instituto Butantan, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), está
à frente da criação de um imunizante. Após a fase de testes em animais, com resultados pro-
missores, os pesquisadores agora buscam voluntários para a fase de testes em humanos, um
passo fundamental para garantir a eficácia e segurança da vacina.
O Brasil registrou o primeiro caso de gripe aviária em maio de 2023, e, desde então, foram
confirmados 166 focos da doença em diversas regiões do país. Como medida preventiva, o
Ministério da Agricultura e Pecuária manteve o estado de emergência zoossanitária por mais
180 dias, com o objetivo de controlar a disseminação do vírus entre as aves e evitar o risco de
transmissão para humanos.
ATUALIDADES

Essa situação levou as autoridades de saúde a redobrar a atenção sobre o impacto de


uma possível pandemia de gripe aviária, que poderia ter efeitos devastadores, como o que

99 ENTENDA como a nova vacina contra gripe pode prevenir uma pandemia. Laboratório Garavelo, 2025. Dispo-
nível em: https: //[Link]/noticias/157-entenda-como-a-nova-vacina-contra-gripe-pode-
-prevenir-uma-pandemia. Acesso em: 9 jun. 2025. 139
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ocorreu com outras doenças respiratórias de alto potencial de transmissão, como a gripe suí-
na (H1N1) e a gripe aviária de 2009.

„ Geopolítica da imunização global

O desenvolvimento e distribuição de vacinas contra a gripe aviária têm uma dimensão


geopolítica significativa, já que as doenças zoonóticas (aquelas que saltam de animais para
humanos) não respeitam fronteiras.
O avanço no Brasil, com o apoio de instituições renomadas como o Butantan e a Fiocruz,
pode ser um pivô importante na luta global contra epidemias zoonóticas, garantindo que o
país esteja preparado para mitigar os impactos de surtos que possam se espalhar rapidamente.
Além disso, a colaboração entre países e instituições de pesquisa mostra que, ao enfren-
tar doenças como a gripe aviária, solidariedade e investimentos globais em ciência e saúde
são essenciais para proteger a população mundial, especialmente em tempos de crescente
mobilidade internacional e mudança climática, que aumentam os riscos de transmissão de
doenças.

z Trump impõe tarifas de 10% sobre produtos exportados para o Brasil em ação
recíproca100

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma série de tarifas recíprocas
sobre produtos exportados para os Estados Unidos, no contexto de sua política de “tarifaço”.
A medida, que afeta o Brasil com uma tarifa de 10%, é uma tentativa de reverter o que
Trump chama de “desigualdade comercial” entre os países. A decisão foi comunicada pela
Casa Branca e visa fortalecer a economia americana, ajudando a cumprir sua promessa de
tornar os Estados Unidos grandes novamente.
Entre os países afetados, o Brasil enfrentará uma tarifa de 10% sobre suas exportações,
um valor considerado moderado em comparação com outras nações. A União Europeia, por
exemplo, foi atingida com tarifas ainda mais altas, chegando a 20%, enquanto o Vietnã teve
a imposição mais severa, com 46% de tarifas.
Esses aumentos nas tarifas podem impactar diretamente o comércio internacional, alte-
rando fluxos de mercadorias e afetando as relações comerciais em diversas regiões do mundo.

„ Geopolítica econômica e impactos no comércio global

Essa medida de Trump é mais um exemplo de sua abordagem protecionista, que visa for-
talecer as indústrias dos Estados Unidos ao diminuir a concorrência de importações.
A imposição de tarifas recíprocas segue uma lógica de “olho por olho” nas relações comer-
ciais, em que países aplicam tarifas semelhantes em resposta às políticas de tarifas impostas
por outros. Este tipo de abordagem pode resultar em uma guerra comercial mais intensa,
com efeitos negativos para a economia global, especialmente para economias dependentes
de exportações como o Brasil.

100 NAKAMURA, J.; MATOS, M. C. Trump anuncia tarifa recíproca de 10% para o Brasil. CNN Brasil, 2025. Dispo-
nível em: https: //[Link]/economia/macroeconomia/trump-confirma-tarifa-reciproca-de-10-para-o-
140 -brasil/. Acesso em: 9 jun. 2025.
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Do ponto de vista geopolítico, a decisão de Trump pode tensionar as relações bilaterais
com países que dependem do mercado americano para exportar suas mercadorias, gerando
desafios para a negociação internacional. Além disso, a estratégia de tarifas pode complicar a
cooperação global em outras áreas econômicas, já que ela pode minar os esforços para libe-
ralizar o comércio e criar mais restrições ao livre comércio internacional.
Esse movimento de Trump é também um reflexo das tensões comerciais em um mundo
em que os Estados Unidos buscam reafirmar sua liderança econômica enquanto adotam uma
postura mais agressiva em relação a seus parceiros comerciais.
As consequências dessa política tarifária podem não ser limitadas apenas ao comércio,
mas afetar também estratégias geopolíticas e alianças econômicas, com outros países bus-
cando alternativas para contornar as tarifas, como ao fortalecer acordos comerciais regio-
nais ou buscar novos parceiros comerciais.

z MapBiomas revela mapeamento inédito de sítios arqueológicos no Brasil e seus desa-


fios de conservação101

Uma iniciativa inédita reuniu dados sobre os sítios arqueológicos brasileiros, proporcio-
nando informações detalhadas sobre os resquícios das antigas populações que habitaram o
país.
Com o mapeamento de 27.974 sítios em todo o território nacional, o projeto MapBiomas
— Cobertura e Uso da Terra nos Sítios Arqueológicos no Brasil (1985–2023) — tornou esses
dados georreferenciados e públicos, permitindo análises comparativas de imagens entre
1985 e 2023.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por meio do Projeto Map-
Biomas, facilitou o acesso público e gratuito a esses dados.
Thiago Berlanga Trindade, chefe do Serviço de Registro e Cadastro de Dados do Iphan,
ressalta que a disponibilização dessas informações permite não apenas entender onde os
sítios arqueológicos estão localizados, mas também identificar possíveis impactos de ativida-
des humanas em suas proximidades, o que pode servir como um alerta para a preservação
desses locais históricos.

„ Mudança na cobertura e uso da Terra

O levantamento revelou que, nas últimas décadas, houve uma inversão na cobertura do
solo em áreas próximas aos sítios arqueológicos.
Em 2023, mais da metade desses espaços históricos estão em áreas antropizadas, marca-
das por intervenções humanas como agricultura, pastagem e urbanização. Esse percentual
subiu de 41,5% em 1985 para 49,6% em 2023, enquanto as áreas de vegetação nativa, como
florestas e savanas, diminuíram de 53,5% para 43,1%.
ATUALIDADES

Esse processo de ocupação humana ao redor dos sítios arqueológicos não é novo, mas
a análise recente permite identificar a intensificação dessas atividades. O desmatamen-
to e a expansão da agropecuária são apontados como principais fatores que afetam esses

101 AMAZÔNIA e Caatinga concentram maior número de sítios arqueológicos do Brasil. MapBiomas, 2025. Dispo-
nível em: https: //[Link]/2025/04/29/amazonia-e-caatinga-concentram-maior-numero-de-sitios-ar-
queologicos-do-brasil/. Acesso em: 9 jun. 2025. 141
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locais, aumentando os riscos à preservação e conservação de patrimônios arqueológicos
importantes.

„ Impactos por bioma

O estudo também revelou como a ocupação humana impacta diferentes biomas no Brasil.
A Amazônia é o bioma com o maior número de sítios arqueológicos, com 10.197 localizações,
representando mais de um terço do total nacional.
Outros biomas significativos incluem a Caatinga, com 7.004 sítios, e o Cerrado, com 4.914.
Embora a Mata Atlântica tenha 4.832 sítios, ela se destaca por apresentar uma proporção
maior de áreas antropizadas, com 63% dos sítios situados em áreas impactadas por ativida-
des humanas.
Em termos de mudanças no uso da terra, a Amazônia passou de 19% de áreas antropiza-
das em 1985 para 47,5% em 2023. Isso ilustra o crescente impacto das atividades humanas
na região amazônica, que, historicamente, abrigou grande parte dos sítios arqueológicos do
país.

„ A necessidade de monitoramento e prioridades para preservação

A coordenadora científica do MapBiomas, Julia Shimbo, ressalta que a ocupação humana


histórica desses sítios foi, muitas vezes, a causa da descoberta de novos locais arqueológicos.
Contudo, é fundamental que sejam feitas análises contínuas para entender como as interven-
ções mais recentes afetam a preservação dessas áreas.
De acordo com Thiago Berlanga Trindade, a disponibilização de dados geoespaciais sobre
o uso da terra próximo aos sítios arqueológicos pode priorizar esforços de preservação, aju-
dando a direcionar ações de proteção e conservação.
Essa abertura de dados e o mapeamento geoespacial representam uma ferramenta pode-
rosa para identificar riscos e guiar políticas de preservação ambiental. O projeto também
serve como uma alerta para as autoridades e a sociedade sobre a necessidade de proteger
os sítios arqueológicos e garantir que as atividades humanas não comprometam a memória
histórica do país.
Com esse mapeamento e a disponibilização dos dados, espera-se que o Brasil consiga pre-
servar e valorizar seus sítios arqueológicos, assegurando que esses patrimônios históricos
possam ser preservados para futuras gerações.

z Aumento no desmatamento da Amazônia e sinais de alerta102

De acordo com um levantamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia


(Imazon), o desmatamento na Amazônia aumentou em 18% entre agosto de 2024 e março de
2025, alcançando uma área de 2.296 km².
Em comparação com o mesmo período do ano anterior (agosto de 2023 a março de 2024),
quando o desmatamento foi de 1.948 km², o aumento é significativo, embora ainda seja quase

102 DESMATAMENTO aumenta 18% de agosto a março na Amazônia. Imazon, 2025. Disponível em: https: //ima-
142 [Link]/imprensa/desmatamento-aumenta-18-de-agosto-a-marco-na-amazonia/. Acesso em: 9 jun. 2025.
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60% menor do que o registrado entre agosto de 2020 e março de 2021, quando 5.552 km² de
floresta foram derrubados, o maior número desde 2008.
A análise, que segue o chamado “calendário do desmatamento”, que vai de agosto de um
ano a julho do ano seguinte, reflete o regime de chuvas típico da região amazônica.
Embora o aumento no desmatamento seja preocupante, o índice registrado no período de
2024–2025 ainda está abaixo dos picos mais elevados das últimas décadas.
Larissa Amorim, pesquisadora do Imazon, alerta que, apesar de os números estarem em
um patamar inferior aos picos mais altos, o aumento observado em 2025 representa um sinal
de alerta, especialmente considerando que a janela de tempo entre os períodos de maior
precipitação na região pode permitir a reversão desse cenário se forem tomadas medidas
urgentes.

„ Degradação florestal e desmatamento por estado

Em relação à degradação florestal, que é impulsionada por queimadas e extração madei-


reira, houve uma redução de 90% em março de 2025, com 206 km² de áreas degradadas,
comparado aos 2.120 km² registrados em março de 2024, que representou o maior índice de
degradação para esse mês.
Contudo, o total de degradação florestal entre agosto de 2024 e março de 2025 saltou para
34.013 km², um aumento de 329% em relação ao mesmo período de 2023–2024, quando esse
total foi de 7.925 km².

„ Desmatamento por região

O desmatamento de março de 2025 atingiu 167 km², o que representa um aumento de


35% em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando 124 km² foram desmatados. Entre os
estados mais afetados, Mato Grosso liderou, com 65 km² de floresta perdida (39% do total),
seguido por Amazonas, com 39 km² (23%), e Pará, com 29 km² (17%).
O assentamento Rio Juma, no Amazonas, foi um dos locais de destaque negativo, com 14
km² de desmatamento, o equivalente a 1.400 campos de futebol. Essa área é sete vezes maior
do que a registrada no PDS Realidade, outro assentamento em solo amazonense, que teve 2
km² desmatados.

„ Sinal de alerta e urgência nas ações de conservação

A alta nos índices de desmatamento e degradação florestal, mesmo após uma redução
acentuada nos últimos anos, reforça a necessidade de ações imediatas para evitar que a
situação piore.
A Amazônia, sendo um dos maiores biomas do planeta, exerce um papel importante no
ATUALIDADES

equilíbrio climático global, e qualquer aumento na taxa de desmatamento comprometerá


ainda mais sua capacidade de absorver carbono e contribuir para a regulação do clima.
Especialistas como Larissa Amorim destacam que a região está em uma janela crítica, com
a possibilidade de reversão do cenário, especialmente devido à frequência das chuvas, que
diminuem os impactos mais severos durante o período seco.
Portanto, é urgente que ações de fiscalização, combate a queimadas ilegais e proteção de
áreas de preservação sejam intensificadas, com o apoio de políticas públicas e iniciativas de 143
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sustentabilidade para garantir a preservação desse patrimônio natural de valor inestimável
para o planeta.

z Cresce a população sob sanções penais no Brasil: dados do SISDEPEN para o 2º semes-
tre de 2024103

De acordo com o 17º ciclo do Sistema de Informações Penitenciárias (SISDEPEN), o Brasil


registrava, até 31 de dezembro de 2024, um total de 905.316 pessoas sob sanção penal.
O levantamento, com período de referência entre julho e dezembro de 2024, confirma
uma tendência de crescimento contínuo da população penal, fenômeno já observado nos
ciclos anteriores.
Vejamos, a seguir, a composição da população penal:

z Total sob sanção penal: 905.316 pessoas;


z Em celas físicas: 670.265 (74% do total);

„ Homens: 641.128;
„ Mulheres: 29.137.

z Prisões domiciliares:

„ Com monitoramento eletrônico: 122.102;


„ Sem monitoramento eletrônico: 112.949.

A maior parte dos apenados está em regime fechado ou semiaberto com reclusão em uni-
dades prisionais. A população masculina representa mais de 95% dos encarcerados em celas
físicas, o que reforça o perfil de gênero predominante no sistema penitenciário.

z Destaques regionais

Maior população prisional masculina e feminina:

„ São Paulo: Homens — 196.839; Mulheres — 9.145.

Menor população:

„ Masculina: Roraima (3.098);


„ Feminina: Amapá (109).

z Evolução nos últimos ciclos

Comparando os dados atuais com levantamentos anteriores, observa-se:

103 QUASE 1 milhão de pessoas cumpriam pena no Brasil em 2024. CNN Brasil, 2025. Disponível em: https: //www.
[Link]/nacional/brasil/quase-1-milhao-de-pessoas-cumpriam-pena-no-brasil-em-2024/. Acesso em: 9
144 jun. 2025.
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DOMICILIAR DOMICILIAR
TOTAL SOB EM CELAS
PERÍODO COM MONITO- SEM MONITO-
SANÇÃO PENAL FÍSICAS
RAMENTO RAMENTO
Jan–Jun 2023 855.472 665.392 92.894 97.186
Jan–Jun 2024 907.985 687.764 105.104 115.117
Jul–Dez 2024 905.316 670.265 122.102 112.949

Entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024, a população sob sanção penal cresceu 5,8%, o
que representa um aumento de quase 50 mil pessoas. Mesmo com uma leve queda entre os
dois semestres de 2024 (de 907.985 para 905.316), o número continua elevado e expressivo.

z Análise e implicações

Esse crescimento reflete diversos fatores estruturais e conjunturais do sistema de justiça


penal brasileiro:

„ forte dependência do encarceramento como punição primária, mesmo diante de políti-


cas de alternativas penais e medidas cautelares diversas da prisão;
„ desafios na implementação de penas alternativas, como trabalho comunitário, restri-
ção de direitos ou comparecimento periódico em juízo;
„ déficits estruturais no sistema carcerário, como superlotação, precariedade das condi-
ções de higiene e saúde e baixa eficácia na reinserção social.

Além disso, o aumento expressivo do uso de monitoramento eletrônico (de 92.894 para
122.102 em dois anos) aponta para um esforço de desafogar o sistema prisional tradicional,
embora ainda limitado frente à dimensão do problema.

z Brasil registra recorde de conflitos por terra em 2024: mais de 1.700 casos e quase 1
milhão de pessoas envolvidas104

Segundo relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Brasil atingiu, em 2024, o maior
número de conflitos por terra em uma década, com 1.768 ocorrências — um crescimento de
mais de 93% em relação a 2015 (quando foram registrados 868 casos).

z Natureza dos conflitos

„ 95% das ocorrências (1.680) são violências contra a ocupação e posse da terra;
„ Tipos: despejos, ameaças, destruição de casas e roças, pistolagem, grilagem, invasões,
ATUALIDADES

entre outros;
„ O total de pessoas envolvidas chegou a 904.532, revelando a dimensão coletiva e estru-
tural do problema.

104 NASCIMENTO, L. Número de envolvidos em conflitos por terra salta para 900 mil em 2024. Agência Brasil,
2025. Disponível em: https: //[Link]/3mpsmbpj. Acesso em: 9 jun. 2025. 145
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z Evolução das ocorrências por ano (2015–2024)

ANO OCORRÊNCIAS DE VIOLÊNCIA CONTRA A OCUPAÇÃO E POSSE


2015 868
2016 1.136
2017 1.047
2018 1.016
2019 1.313
2020 1.632
2021 1.306
2022 1.530
2023 1.624
2024 1.680

Estados com mais conflitos em 2024:

„ Maranhão: 363;
„ Pará: 234;
„ Bahia: 135;
„ Rondônia: 119;
„ Amazonas: 117.

Importante!
São Paulo aparece em 17º lugar, mostrando concentração no Norte e
Nordeste.

Atores envolvidos e principais vítimas:

„ Causadores da violência: fazendeiros (44%); grileiros, empresários e madeireiros.


Fazendeiros lideram nos casos de incêndios (47%) e desmatamento ilegal (38%);
„ Principais vítimas: povos indígenas (29% dos registros) — 481 casos; posseiros — 425;
quilombolas — 221.

Tendências e mudanças em 2024:

„ redução em algumas formas de violência direta (expulsões, pistolagem, grilagem, des-


truição de pertences);
„ aumento expressivo em ameaças de expulsão — de 98 para 245 (+150%); desmatamento
ilegal — de 150 para 209 (+39%); incêndios — de 91 para 194 (+113%); contaminações
por agrotóxicos.

146
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z Análise crítica

A elevação recorde de conflitos agrários em 2024 indica um agravamento das disputas


fundiárias no Brasil, com clara concentração na Amazônia Legal e entre os povos tradicio-
nais (indígenas, quilombolas, ribeirinhos e posseiros).
A violência se dá majoritariamente na forma de destruição de modos de vida e ameaça às
posses consolidadas, muitas vezes sob a égide de interesses econômicos ligados à expansão
do agronegócio, extração ilegal e grilagem.
O uso sistemático de violência simbólica e estrutural (como ameaças e incêndios) revela
uma fragilidade na aplicação dos direitos territoriais previstos na Constituição de 1988, espe-
cialmente os artigos:

„ Art. 231: proteção aos povos indígenas e seus territórios;


„ Art. 68 do ADCT: reconhecimento das terras ocupadas por quilombolas;
„ Inciso XXIII do art. 5º: função social da propriedade.

z Uma em cada três cidades brasileiras não tem sistema de drenagem urbana105

De acordo com estudo divulgado em abril de 2025 pelo Instituto Trata Brasil, com base
em dados da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental (SNSA), quase 33% das cidades
brasileiras não têm qualquer tipo de sistema de drenagem urbana — infraestrutura essen-
cial para o controle do escoamento das chuvas, prevenção de alagamentos, deslizamentos e
erosão.

z Panorama da drenagem no Brasil

„ 40,44% das cidades têm sistema exclusivo de drenagem de águas pluviais;


„ 12,59% operam com sistemas unitários, combinando esgoto e água da chuva na mesma
rede;
„ 14,48% usam sistemas combinados (parte exclusiva + parte unitária);
„ Apenas 3,2% têm tratamento das águas pluviais;
„ 33,5% das vias urbanas têm redes/canais subterrâneos de drenagem;
„ 5,3% das cidades têm Plano Diretor de Drenagem e Manejo de Águas Pluviais (PDD).

Os PDDs são ferramentas estratégicas de planejamento que ajudam a mapear áreas de


risco, projetar intervenções e integrar políticas urbanas e ambientais.

z Pavimentação x drenagem
ATUALIDADES

Apesar de 78,2% das vias públicas urbanas possuírem pavimentação e meio-fio, isso não
garante escoamento eficiente de águas pluviais, já que a infraestrutura subterrânea de dre-
nagem está ausente em grande parte das cidades.

105
1 EM cada 3 municípios brasileiros não tem nenhum sistema de drenagem urbana de água da chuva, mostra
levantamento inédito. G1, 2025. Disponível em: https: //[Link]/meio-ambiente/noticia/2025/04/23/brasil-
-[Link]. Acesso em: 9 jun. 2025. 147
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z Consequências dos eventos hidrológicos (1991–2023)

„ 25.940 desastres registrados, sendo 74% causados por chuvas intensas;


„ 3.464 mortes e mais de R$ 151 bilhões em prejuízos econômicos;

z Descompasso entre necessidade e investimento

„ Investimento médio anual (2017–2023): R$ 10 bilhões;


„ Necessidade estimada: R$ 223,3 bilhões (ou R$ 22,3 bi/ano) — o dobro do que se aplica
hoje.

z Cidades em risco

„ 94 das 100 cidades mais populosas apresentam algum tipo de risco associado à drenagem.
„ Exceções (sem classificação de risco): Maringá (PR), Ponta Grossa (PR), Cascavel (PR),
Uberaba (MG), Taubaté (SP), Palmas (TO).

Atenção! Essas cidades podem servir de exemplos positivos de planejamento urbano efi-
ciente, inclusive em provas discursivas ou redações.

z Análise crítica

A precariedade da drenagem urbana brasileira revela:

„ falta de planejamento territorial integrado;


„ descontinuidade das políticas públicas de saneamento;
„ vulnerabilidade acentuada em tempos de mudanças climáticas e aumento da intensida-
de de eventos extremos.

A ausência de sistemas eficazes agrava a injustiça ambiental: as populações mais pobres,


que vivem em áreas de risco, são as mais atingidas por alagamentos e deslizamentos.

ATUALIDADES — MAIO DE 2025

Mundo

z Alemanha rompe silêncio e critica Israel por ofensiva em Gaza: o início de um novo
posicionamento diplomático?106

Em maio de 2025, a Alemanha surpreendeu o cenário internacional ao emitir uma crítica


contundente ao governo de Israel em razão de sua nova ofensiva militar contra a Faixa de
Gaza.

106 EM quebra de posição histórica, Alemanha critica abertamente Israel em meio a nova ofensiva em Gaza. O Glo-
bo, 2025. Disponível em: https: //[Link]/mundo/noticia/2025/05/28/em-quebra-de-posicao-historica-
148 -[Link]. Acesso em 13 de jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
A declaração marca uma ruptura simbólica e diplomática com a tradicional postura alemã
de apoio quase irrestrito ao Estado israelense, frequentemente justificada por seu passado
histórico ligado ao Holocausto.

„ A crítica alemã e seu impacto

Durante o pronunciamento oficial, o chanceler Friedrich Merz declarou: “O direito à legí-


tima defesa não pode justificar ações desproporcionais. Israel deve respeitar o direito interna-
cional humanitário”.
A fala veio após relatos de centenas de mortos, entre eles mulheres e crianças palestinas, o
que intensificou pressões internas da opinião pública, organizações civis e setores da esquer-
da democrática alemã. O posicionamento alemão ecoou fortemente na União Europeia, divi-
dindo opiniões:

„ apoio de grupos progressistas, entidades de direitos humanos e jovens eleitores; e


„ críticas de setores conservadores e pró-Israel, que apontam para o “risco de abandono
de um aliado histórico”.

z O peso do passado e a mudança do presente

Desde a fundação do Estado de Israel, em 1948, a Alemanha tem adotado uma postura
diplomática marcada por cautela extrema e suporte político-financeiro ao país. Essa postura
está relacionada com sua responsabilidade histórica pelos crimes nazistas, em especial o
genocídio de seis milhões de judeus durante o Holocausto.
Por isso, a crítica atual representa um “ponto de inflexão” nas relações bilaterais e tam-
bém uma possível inflexão na política externa da União Europeia, que há anos se divide
entre apoiar Israel e denunciar abusos em Gaza.

z Realinhamento europeu?

A resposta fria do governo israelense — que classificou a crítica como “infeliz” — eviden-
cia o desgaste do apoio incondicional do Ocidente diante do prolongamento e da brutalidade
do conflito israelo-palestino. Além disso:

„ a crítica da Alemanha quebra um tabu diplomático;


„ exibe fissuras na aliança ocidental, especialmente no equilíbrio entre segurança e
direitos humanos; e
„ pode incentivar um novo eixo europeu mais voltado à diplomacia humanitária no
Oriente Médio.
ATUALIDADES

z José Mujica morre aos 89 anos: adeus ao presidente mais humilde da América Latina107

107 MORRE José Mujica: o ousado político uruguaio que foi o ‘presidente mais pobre do mundo’. BBC News Brasil,
2025. Disponível em: https: //[Link]/portuguese/articles/cx2x7gldle8o. Acesso em 13 de jun. 2025.
149
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O ex-presidente do Uruguai, José “Pepe” Mujica, morreu aos 89 anos, deixando um legado
político marcado pela coerência, simplicidade e compromisso social.
Considerado um dos líderes mais admirados da América Latina, Mujica ficou mundial-
mente conhecido como “o presidente mais pobre do mundo” por abrir mão de luxos, morar
numa chácara nos arredores de Montevidéu e doar a maior parte do seu salário presidencial
para causas sociais.

„ Da guerrilha à presidência: uma vida marcada por resistência

Mujica teve uma trajetória incomum: foi guerrilheiro do grupo Tupamaros nos anos 1960
e 1970, combatendo a repressão e a desigualdade social no Uruguai. Durante a ditadura mili-
tar, passou 14 anos preso, muitos deles em regime de solitária e sob tortura.
Com a redemocratização, construiu sua carreira política institucional: foi deputado, sena-
dor, ministro da Agricultura e, em 2010, eleito presidente da República — cargo que ocupou
até 2015.

„ Política com valores: redistribuição, legalização e ética

Durante seu mandato, Mujica promoveu políticas sociais ousadas, como a legalização da
maconha, a descriminalização do aborto e programas de redistribuição de renda, que dimi-
nuíram a pobreza no país.
Seu governo enfrentou críticas da direita, mas também foi amplamente elogiado por sua
coerência ética: rejeitou palácios, carros oficiais e escoltas, usava seu Fusca azul e vivia com
sua companheira, Lucía Topolansky, também figura política relevante.

„ Referência mundial em humanismo político

Fora do Uruguai, Mujica virou ícone internacional do progressismo, principalmente entre


jovens, ambientalistas e movimentos de esquerda. Seus discursos filosóficos e humanistas,
especialmente na ONU e outros fóruns internacionais, denunciavam o consumismo desen-
freado, a desigualdade global e a destruição ambiental.
“Não sou pobre, sou sóbrio”, disse certa vez, rejeitando o apego material como forma de
liberdade.

„ Repercussão global: um símbolo que transcendeu fronteiras

A morte de Mujica causou comoção internacional. Líderes como Lula (Brasil), Gabriel Boric
(Chile) e até adversários ideológicos, como Mauricio Macri (Argentina), prestaram homena-
gens ao uruguaio. Todos destacaram sua autenticidade rara na política contemporânea e na
defesa intransigente dos mais pobres.

„ Fim de uma era

Com a partida de Mujica, encerra-se um capítulo singular da história política latino-ame-


ricana, em que ética, humildade e compromisso social ainda guiavam os passos de um chefe
150
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de Estado. Sua figura continuará sendo lembrada como exemplo de integridade e resistência,
num tempo em que tais virtudes parecem cada vez mais raras no cenário público global.

z Trump acolhe brancos sul-africanos e reacende polêmica sobre “genocídio branco”108

Sob forte controvérsia internacional, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump deu
início a um programa emergencial de acolhimento de famílias brancas da África do Sul, jus-
tificando a medida com alegações de um suposto “genocídio branco” no país africano.
A ação, amplamente criticada por órgãos internacionais, reacende debates sobre seletivi-
dade migratória, manipulação étnico-racial e o uso político da imigração.

„ Uma narrativa contestada por organismos internacionais

Trump alegou que agricultores brancos estariam em risco por conta de reformas agrárias
e violência no campo sul-africano, mas especialistas em direitos humanos e entidades como
a Anistia Internacional apontam que não há evidências suficientes para classificar o cenário
como genocídio — termo que tem implicações jurídicas graves no direito internacional.
A ONU e a União Africana foram categóricas — classificaram a ação dos EUA como “distor-
ção deliberada” da realidade sul-africana, alertando para os perigos de se alimentar narrati-
vas raciais infundadas em um contexto geopolítico já polarizado.

„ Racismo, seletividade migratória e cálculo eleitoral

A decisão gerou divisões dentro do próprio Congresso dos EUA: republicanos da ala ultra-
conservadora saudaram a medida como “humanitária”, enquanto democratas denunciaram
o que consideram ser um uso político da imigração para reforçar apelos a grupos suprema-
cistas brancos, uma base eleitoral ativa de Trump.
Críticos veem a medida como um exemplo de seletividade racial nas políticas migratórias
dos Estados Unidos: brancos sul-africanos são acolhidos rapidamente, enquanto refugiados
negros, latinos ou muçulmanos enfrentam barreiras sistemáticas e processos prolongados.

„ Reação sul-africana e danos diplomáticos

O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, respondeu duramente. Em pronuncia-


mento oficial, chamou a iniciativa de Trump de “provocação internacional” e exigiu retrata-
ção formal.
O governo sul-africano acusa Washington de interferência indevida e alerta para o risco
de danos diplomáticos duradouros entre os dois países.
Segundo Ramaphosa, a violência rural afeta comunidades de todas as raças e deve ser
ATUALIDADES

enfrentada com políticas públicas, não com discursos raciais seletivos que desestabilizam o
país.

108 TRUMP arma discussão no Salão Oval com presidente da África do Sul. Gauchazh, 2025. Disponível em: https:
//[Link]/mundo/noticia/2025/05/trump-arma-discussao-no-salao-oval-com-presidente-da-afri-
[Link]. Acesso em: 13 de jun. 2025. 151
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„ A exploração política da questão racial

Nos bastidores, analistas consideram o gesto de Trump como parte de uma estratégia elei-
toral calculada, visando mobilizar eleitores conservadores e reforçar sua imagem de prote-
tor do “ocidente branco”, narrativa comum em movimentos nacionalistas e xenófobos.
A medida evidencia como questões étnico-raciais continuam sendo instrumentalizadas
geopoliticamente, acirrando tensões internacionais e reforçando divisões ideológicas globais
em um mundo cada vez mais polarizado.

z Escudo estratégico: a nova aposta geopolítica de defesa proposta por Trump109

Em meio à corrida presidencial americana, o atual presidente Donald Trump apresentou


um ousado plano de defesa nacional: o chamado “Golden Dome”, um sistema de escudo anti-
mísseis que promete proteger os Estados Unidos contra ataques nucleares e hipersônicos,
principalmente de rivais estratégicos como China, Rússia e Coreia do Norte. Inspirado no
Domo de Ferro israelense, o projeto busca consolidar uma nova era na doutrina militar dos
EUA.
Trump descreveu o plano como “a maior revolução militar desde a criação da bomba
atômica”, destacando que o sistema contará com tecnologia de inteligência artificial, radares
de longo alcance e mísseis interceptadores de altíssima velocidade. Empresas privadas como
Raytheon, Lockheed Martin e SpaceX estariam envolvidas no desenvolvimento de sensores
baseados em satélite e outros componentes tecnológicos de ponta.
No entanto, o projeto já enfrenta críticas técnicas e orçamentárias. Especialistas em defesa
apontam que o custo da iniciativa pode superar US$ 1 trilhão, além de levantarem dúvidas
sobre sua eficácia real diante de ataques em massa e de mísseis com capacidades evasivas.

„ Reações internacionais e riscos geopolíticos

A proposta foi rapidamente vista com preocupação no cenário internacional. China e Rús-
sia denunciaram o plano como uma provocação direta, alertando para o risco de uma nova
corrida armamentista, similar à lógica da Guerra Fria. Para essas potências, o escudo repre-
senta uma tentativa dos EUA de quebrar o equilíbrio estratégico global baseado na dissuasão
mútua.
Internamente, democratas e movimentos pacifistas criticaram a proposta, argumentando
que ela pode aumentar as tensões globais e representar um desperdício de recursos públicos
diante de prioridades sociais mais urgentes.
Apesar da resistência, o projeto teve forte apelo entre os eleitores mais conservadores,
sobretudo aqueles que defendem uma postura mais firme dos EUA no cenário internacional.
Trump já declarou que a construção do escudo será uma prioridade “desde o primeiro dia de
seu novo mandato”, embora ainda não existam prazos ou detalhes técnicos definidos.
Do ponto de vista geopolítico, o Golden Dome sinaliza uma intensificação da riva-
lidade entre grandes potências, com os EUA buscando reafirmar sua superioridade

109 LUCENA, L. Trump seleciona projeto de US$ 175 bilhões para escudo de defesa Golden Dome. Brasil247, 2025.
Disponível em: https: //[Link]/mundo/trump-seleciona-projeto-de-us-175-bilhoes-para-escudo-de-
152 -defesa-golden-dome. Acesso em: 13 de jun. 2025.
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tecnológica e capacidade de defesa diante de um mundo multipolar e marcado por novas
ameaças estratégicas.
Caso implementado, o escudo poderá alterar profundamente os fundamentos da seguran-
ça internacional e acelerar uma nova era de militarização global.

z Confronto na Casa Branca expõe uso político do racismo e provoca reação do grupo
BRICS110

Um encontro oficial entre o presidente Donald Trump e o presidente sul-africano Cyril


Ramaphosa se transformou em um dos episódios diplomáticos mais delicados entre os dois
países em décadas.
Durante a visita à Casa Branca, Trump surpreendeu Ramaphosa ao apresentar acusações
sobre suposta perseguição a agricultores brancos na África do Sul, alegando haver um “geno-
cídio branco” em curso — narrativa sem respaldo em dados oficiais e associada a teorias
conspiratórias de grupos de extrema direita.
Fontes próximas ao governo sul-africano afirmaram que o presidente Ramaphosa reagiu
com indignação, interrompendo a reunião e acusando Trump de atacar a soberania de seu
país. A delegação classificou o encontro como uma “emboscada premeditada”, com o pre-
sidente norte-americano utilizando imagens e documentos distorcidos para sustentar seu
argumento.
A ofensiva de Trump foi vista por analistas como um aceno estratégico à sua base supre-
macista branca, especialmente após sua iniciativa de abrir um programa de acolhimento
específico para sul-africanos brancos nos Estados Unidos.
A medida foi amplamente criticada por democratas, que denunciaram o gesto como racis-
ta, irresponsável e prejudicial à imagem internacional dos EUA. Até mesmo dentro do Partido
Republicano, setores mais moderados demonstraram desconforto com a abordagem.

„ Reação internacional e impacto geopolítico

O incidente teve repercussões imediatas no cenário global. O governo sul-africano con-


vocou seu embaixador para consultas e considerou impor sanções comerciais em resposta
à postura americana. Além disso, países-membros do BRICS — como China, Rússia e Brasil
— criticaram publicamente Trump, manifestando solidariedade a Ramaphosa e alertando
sobre os perigos do uso político do racismo nas relações internacionais.
O episódio expôs com clareza a crescente interconexão entre tensões raciais internas nos
EUA e seus reflexos na diplomacia global. Em um cenário pré-eleitoral, Trump tem intensi-
ficado o uso de pautas racializadas para mobilizar sua base, mesmo enquanto enfrenta múl-
tiplas ações judiciais e investigações federais.
Para a geopolítica contemporânea, esse tipo de confronto não apenas fragiliza alianças
ATUALIDADES

bilaterais, como também reforça o papel de blocos alternativos como o BRICS, que buscam
contrabalançar a hegemonia ocidental com discursos baseados em soberania, multipolarida-
de e resistência ao neocolonialismo.

110 TRUMP arma ‘emboscada’ para presidente sul-africano na Casa Branca com alegação de ‘perseguição a bran-
cos’. BBC News, 2025. Disponível em: https: //[Link]/portuguese/articles/c20nn0gdvx4o. Acesso em 16 de
jun. 2025. 153
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z Decisão fortalece autonomia universitária e reabre debate global sobre ciência, imi-
gração e soberania tecnológica111

Em maio de 2025, a Justiça dos Estados Unidos anulou uma medida imposta por Donald
Trump que proibia a Universidade de Harvard de aceitar estudantes estrangeiros em
determinados cursos, sob o argumento de “proteger a segurança nacional”. A liminar, con-
cedida por um juiz federal de Massachusetts, classificou a medida como inconstitucional,
discriminatória e ofensiva à liberdade acadêmica.
A restrição havia sido implementada pelo ex-presidente como parte de sua agenda de imi-
gração ultrarrestritiva, com foco em universidades que mantêm vínculos com empresas de
tecnologia ou recebem recursos públicos.
Trump alegava que instituições como Harvard estariam vulneráveis à espionagem, sobre-
tudo de origem chinesa, e que estariam favorecendo estudantes internacionais em detrimen-
to de norte-americanos.
A decisão judicial foi recebida com alívio e celebração por movimentos estudantis, pro-
fessores, instituições de ensino e organizações de direitos civis, que destacaram o papel da
diversidade acadêmica como motor de inovação científica e ponte diplomática entre nações.
Harvard chegou a declarar que recorreria à Suprema Corte caso a liminar fosse negada,
demonstrando a seriedade da ameaça à sua autonomia.

„ Educação, geopolítica e soberania tecnológica

O episódio revelou uma disputa estratégica entre nacionalismo político e globalismo aca-
dêmico ao tentar restringir o acesso de estrangeiros a centros de excelência em áreas sen-
síveis, como inteligência artificial, cibersegurança e engenharia.
Trump expôs uma visão de educação como instrumento de controle geopolítico, em que a
ciência e o conhecimento se tornam ativos estratégicos de soberania.
Especialistas veem a decisão judicial como uma reafirmação da independência do Judi-
ciário e da autonomia das universidades diante de pressões do Executivo. Ao mesmo tempo,
o caso reacende um debate central: qual o papel dos estudantes e pesquisadores estrangeiros
em uma era de rivalidade tecnológica entre potências como Estados Unidos e China?
A repercussão internacional foi imediata. Governos e acadêmicos de diversos países
denunciaram a medida de Trump como xenofóbica e anticientífica, ressaltando que a exclu-
são de talentos estrangeiros enfraquece o próprio ecossistema de inovação dos EUA.
Outras universidades de prestígio, como Yale, Stanford e MIT, também se manifestaram
em defesa da inclusão internacional e criticaram o uso da retórica securitária como justifica-
tiva para políticas discriminatórias.
Para além da questão migratória, o caso marca mais um capítulo na instrumentalização da
educação como arena de disputa geopolítica, em que universidades se tornam tanto palcos
quanto alvos de confrontos estratégicos, tecnológicos e ideológicos entre as grandes potên-
cias do século XXI.

111 Trump pede intervenção da Suprema Corte dos EUA para deportar migrantes. CNN Brasil, 2025. Disponível em:
https: //[Link]/internacional/trump-pede-intervencao-da-suprema-corte-dos-eua-para-deportar-mi-
154 grantes/. Acesso em: 16 de jun. 2025.
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z Elon Musk rompe com Trump: tecnologia, geopolítica e os limites da lealdade
empresarial112

Em maio de 2025, Elon Musk anunciou sua saída oficial do grupo consultivo de inovação
ligado à campanha de Donald Trump, encerrando uma aliança que vinha sendo observada
com atenção por analistas políticos e econômicos.
A decisão foi atribuída a “diferenças irreconciliáveis” entre os dois, que incluem disputas
em torno de inteligência artificial, liberdade de expressão, política ambiental e soberania
tecnológica.
O ponto de ruptura teria sido a pressão do governo Trump para que Musk interviesse em
plataformas como o X (antigo Twitter), silenciando cientistas e ativistas contrários às políti-
cas ambientais do presidente.
Além disso, o uso militar dos satélites da Starlink e as tentativas de restringir o acesso à
tecnologia espacial por países classificados como “hostis” também geraram tensões. Musk
teria defendido uma postura de neutralidade tecnológica global e maior transparência, algo
que colidiu com o discurso nacionalista e intervencionista do trumpismo.

„ Bilionários, poder estatal e a arena tecnológica global

Fontes próximas a Musk revelaram desconforto crescente com o tom autoritário e cons-
piratório adotado por Trump, sobretudo após episódios relacionados à imigração, ataques à
mídia e teorias de manipulação eleitoral.
Apesar de seus posicionamentos muitas vezes imprevisíveis, Musk busca sustentar a ima-
gem de “líder tecnológico independente de ideologias partidárias”, uma narrativa que tenta
blindá-lo de críticas tanto da direita quanto da esquerda.
A saída do empresário foi celebrada por setores democratas, universidades e defen-
sores da liberdade acadêmica, que viam sua associação com Trump como um risco para a
credibilidade das instituições de ciência e inovação.
Por outro lado, vozes conservadoras acusaram Musk de oportunismo, sugerindo que ele
estaria abandonando a parceria com Trump por cálculo político e pressões externas.
A ruptura evidencia os limites do alinhamento entre bilionários da tecnologia e proje-
tos políticos com forte carga ideológica, especialmente quando os interesses corporativos
entram em conflito com agendas nacionalistas.
Mais do que uma questão pessoal, a saída de Musk simboliza a tensão crescente entre
autonomia tecnológica e controle estatal em um mundo multipolar, em que empresas pri-
vadas atuam como atores geopolíticos capazes de influenciar diretamente conflitos, alianças
e regimes de informação.
Nesse contexto, a figura de Musk continua desafiando classificações simples: ao mesmo
tempo em que flerta com a disrupção política, também se esquiva de compromissos partidá-
ATUALIDADES

rios duradouros, preservando sua capacidade de transitar entre polos rivais — nos Estados
Unidos e no cenário global.

112 TRUMP formaliza saída de Elon Musk do governo. Valor, 2025. Disponível em: https: //[Link]/mundo/
noticia/2025/05/30/[Link]. Acesso em 16 de jun. 2025. 155
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z Europa endurece políticas migratórias: como Itália, Reino Unido e Portugal estão
restringindo cidadania e imigração113

Nas últimas décadas, muitos países europeus adotaram legislações mais inclusivas em
relação à imigração e ao reconhecimento da cidadania para descendentes de estrangeiros.
Esse cenário, no entanto, tem se alterado rapidamente. Sob a pressão de governos conser-
vadores e do avanço de pautas nacionalistas, Itália, Reino Unido e Portugal protagonizam
uma onda de restrições sem precedentes nas políticas migratórias e de naturalização.

„ Itália: a cidadania por sangue sob cerco

Desde a ascensão de Giorgia Meloni, líder do partido de direita Irmãos da Itália, o gover-
no tem promovido uma agenda voltada ao resgate da identidade nacional e ao controle
migratório.
Um dos alvos principais é a cidadania jure sanguinis, que permite o reconhecimento da
nacionalidade italiana a descendentes de imigrantes — como milhares de brasileiros.
As mudanças incluem:

„ burocratização de processos consulares;


„ prazo indefinido para resposta de requerimentos;
„ restrição à cidadania por via judicial, especialmente na Itália; e
„ foco em “italianidade cultural”, exigindo vínculos mais próximos com o país.

Críticos afirmam que o objetivo é frear a concessão de cidadania automática a descen-


dentes que não vivem na Europa, o que representa um retrocesso diante da tradição italiana
de reconhecimento da diáspora.

z Reino Unido: deportações e limites severos a vistos

Desde o Brexit, o Reino Unido tem adotado medidas duras contra a imigração. Sob o
comando do primeiro-ministro Rishi Sunak, o país aprovou um plano polêmico que prevê a
deportação de imigrantes ilegais para Ruanda, mesmo sem histórico de crimes.
Outras medidas incluem:

„ redução drástica de concessão de vistos de trabalho e estudo;


„ taxas mais altas para famílias que buscam reunificação;
„ imposição de renda mínima para trabalhadores estrangeiros; e
„ endurecimento no acesso à saúde pública (NHS) para imigrantes.

A justificativa do governo é conter a “crise dos pequenos barcos” — o aumento de migran-


tes que atravessam o Canal da Mancha —, mas organizações de direitos humanos alertam
para violações do direito de asilo e do princípio da não devolução (non-refoulement).

113 COMO Itália, Reino Unido e Portugal estão restringindo nacionalidade, cidadania e imigração. G1, 2025. Dispo-
nível em: https: //[Link]/mundo/noticia/2025/05/15/como-italia-reino-unido-e-portugal-estao-restringindo-
156 -[Link]. Acesso em: 16 de jun. 2025.
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z Portugal: fim da “lei do tempo” e novos entraves para regularização

Por anos, Portugal foi considerado um dos países mais abertos à imigração na Europa,
especialmente pela chamada “lei do tempo”, que permitia regularização de imigrantes após
cinco anos de residência no país, mesmo que em situação irregular.
Em 2024, o governo português revogou essa política e anunciou:

„ exigência de contratos de trabalho formais para regularização;


„ criação de cotas para entrada de novos imigrantes; e
„ atraso na análise de pedidos de nacionalidade por laços históricos (como descendência
de judeus sefarditas e lusodescendentes).

A comunidade brasileira — a maior entre os imigrantes em Portugal — já sente os efeitos:


milhares de processos travados, dificuldade de acesso à saúde e aumento na rejeição social.

z Contexto: segurança social, identidade nacional e xenofobia

O endurecimento das regras migratórias ocorre num ambiente marcado por: medo da
sobrecarga nos sistemas de saúde, habitação e previdência; narrativas de perda de identida-
de cultural; discurso político que associa imigração a criminalidade ou terrorismo.
No entanto, dados econômicos e demográficos mostram que, em muitos casos, os imigran-
tes preenchem lacunas de mão de obra e sustentam o envelhecido mercado de trabalho euro-
peu. A retórica política, porém, tem prevalecido sobre a evidência técnica.

z Impactos sociais e diplomáticos

Comunidades de brasileiros, cabo-verdianos, angolanos e indianos relatam aumento da


hostilidade e da exclusão; organizações internacionais questionam a compatibilidade das
novas leis com tratados de direitos humanos; e a relação diplomática com países latino-a-
mericanos e africanos tende a se tensionar, especialmente diante da revogação de acordos
históricos de mobilidade.
O que se observa na Europa é mais do que uma simples reforma migratória: trata-se de
uma tentativa de redefinir os critérios de pertencimento nacional em tempos de crise eco-
nômica, populismo e globalização. O desafio, agora, é equilibrar soberania e segurança com
inclusão, responsabilidade humanitária e diálogo internacional.

z Friederich Merz e os três grandes desafios da nova Alemanha114

A chegada de Friederich Merz ao comando da Alemanha marca uma mudança significati-


ATUALIDADES

va no eixo político do país. Líder da União Democrata-Cristã (CDU), Merz sucede Olaf Scholz
em um cenário repleto de incertezas internas e externas.

114 FRIEDERICH Merz na Alemanha: as 3 crises à espera do novo chanceler. BBC News, 2025. Disponível em: https:
//[Link]/portuguese/articles/c0m9dmr7mpdo. Acesso em: 16 de jun. 2025. 157
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A posse de Merz representa não apenas uma guinada conservadora, mas também o início
de um ciclo marcado por três crises interconectadas: a ascensão da extrema-direita, a desa-
celeração econômica e o reposicionamento geopolítico da Alemanha.

z O avanço da extrema-direita e a fragmentação política interna

Merz assume o governo em meio a uma crescente polarização. O partido Alternativa


para a Alemanha (AfD), classificado como extremista e investigado por tendências antide-
mocráticas, vem ganhando força em eleições regionais e entre o eleitorado jovem e operário.
O desafio de Merz é duplo:

„ conter o avanço da AfD sem adotar pautas que reforcem o discurso radical;
„ preservar o eleitorado moderado, tradicional da CDU, evitando a erosão do centro
político.

Essa fragmentação compromete a governabilidade e coloca em xeque a coesão democráti-


ca do país, que há décadas tem sido referência de estabilidade na Europa.

z Crise econômica e perda de competitividade

A Alemanha, motor da economia europeia, enfrenta uma conjuntura preocupante:

„ alta nos custos de energia após o rompimento com o gás russo;


„ estagnação da indústria, afetada por cadeias globais de produção instáveis; e
„ inflação persistente, que desgasta o poder de compra e gera descontentamento social.

Merz promete reformas estruturais para reaquecer a economia, com foco em desburo-
cratização e inovação tecnológica. No entanto, enfrenta forte resistência sindical e social,
especialmente em temas como flexibilização de leis trabalhistas, aposentadoria e subsídios.
A imagem de eficiência econômica da Alemanha está em jogo — e, com ela, sua liderança
na União Europeia.

z Reposicionamento geopolítico e o dilema da liderança global

No cenário internacional, Merz herda uma Alemanha com protagonismo enfraquecido.


Com a guerra na Ucrânia em curso, as tensões entre EUA e China e a exigência de maior
envolvimento militar da OTAN, o novo chanceler deverá adotar uma postura mais firme e
alinhada ao Ocidente.
Os principais desafios incluem:

„ redefinir a política energética, acelerando a transição para fontes renováveis com


apoio europeu;
„ reforçar o compromisso com a OTAN diante da pressão americana por mais gastos
em defesa; e

158
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„ reequilibrar relações comerciais, com maior desconfiança em relação à China e à
Rússia.

Merz já sinalizou que pretende adotar uma linha mais assertiva, abandonando o prag-
matismo cauteloso de antecessores como Angela Merkel. A questão é saber até que ponto
essa virada será sustentável em um continente pressionado por interesses divergentes.

z Entre estabilidade e ruptura: a encruzilhada alemã

A Alemanha de Merz se encontra diante de uma encruzilhada histórica. Ou lidera a Euro-


pa na direção de um novo pacto econômico, social e ambiental, ou corre o risco de se fechar
em pautas nacionalistas e de curto prazo.
Especialistas apontam que os primeiros 100 dias de governo serão decisivos: é nesse
período que Merz precisará provar sua capacidade de equilibrar modernização econômica,
estabilidade democrática e firmeza diplomática — sem abrir mão do pacto social que susten-
ta a Alemanha desde a reunificação.

z Reino Unido e União Europeia firmam novo acordo Pós-Brexit: pragmatismo supera
impasses ideológicos115

Após quase uma década de incertezas, Reino Unido e União Europeia anunciaram, em
maio de 2025, um novo acordo para redefinir suas relações, marcando uma fase de coopera-
ção mais estável e menos beligerante no cenário Pós-Brexit.
O pacto cobre pontos centrais, como comércio, controle de fronteiras, ciência e mobilidade
acadêmica, sinalizando uma transição do conflito para o pragmatismo.

z Principais pontos do acordo

„ Irlanda do Norte: o acordo soluciona parte do impasse alfandegário entre a Irlanda


do Norte (território britânico) e a República da Irlanda (membro da UE); e preserva os
termos do Acordo de Paz de Belfast (1998), evitando o retorno de uma fronteira física
rígida — o que poderia reativar tensões históricas;
„ Ciência e Educação: o Reino Unido retorna parcialmente ao programa europeu Hori-
zon, fortalecendo laços na pesquisa científica; e há, também, facilitação de vistos para
estudantes, o que beneficia universidades e centros de pesquisa dos dois lados;
„ Comércio e previsibilidade regulatória: novas regras reduzem barreiras não-tarifá-
rias e promovem estabilidade para empresas europeias e britânicas; e o acordo busca
alinhar certos padrões regulatórios, ainda que o tema permaneça sensível entre setores
nacionalistas;
ATUALIDADES

„ Repercussões políticas: o primeiro-ministro britânico celebrou o tratado afirman-


do que ele “respeita a soberania do Reino Unido e fortalece os vínculos europeus”. No
entanto, conservadores eurocéticos o acusaram de “traição velada” ao ideal do Brexit, o

115 UNIÃO Europeia e Reino Unido firmam maior acordo pós-Brexit. DW, 2025. Disponível em: https: //[Link].
com/pt-br/uni%C3%A3o-europeia-e-reino-unido-firmam-maior-acordo-comercial-e-de-defesa-p%C3%B3s-brexi-
t/a-72602548. Acesso em 16 de jun. 2025. 159
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que reacendeu disputas internas no partido conservador. Já a União Europeia saudou o
acordo como sinal de “maturidade institucional e responsabilidade geopolítica”.

z Contexto internacional e relevância geopolítica

A assinatura ocorre num momento estratégico:

„ a guerra na Ucrânia exige unidade ocidental;


„ cresce a influência de blocos rivais, como o BRICS e a aliança sino-russa; e
„ uma UE mais integrada com o Reino Unido pode representar estabilidade para a ordem
liberal ocidental.

Analistas apontam que o acordo representa um “Brexit 2.0”: mais realista, menos ideoló-
gico, e voltado à reconstrução de pontes diplomáticas, comerciais e científicas — sem rever-
ter o divórcio formal, mas reduzindo seus efeitos negativos.

z Alemanha declara AfD como partido de extrema-direita: um marco no combate ao


radicalismo116

Em um movimento considerado inédito desde a redemocratização alemã, o Escritório


Federal para a Proteção da Constituição — órgão de inteligência interna da Alemanha — clas-
sificou oficialmente o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) como uma organização de
extrema-direita. A decisão acirra o debate sobre os limites da democracia diante da ascensão
de discursos radicais em todo o continente europeu.

z O que significa essa classificação?

A medida coloca o AfD sob vigilância permanente por parte dos serviços de inteligência,
o que implica:

„ monitoramento de reuniões, comunicações e financiamento;


„ restrições ao acesso a recursos públicos e a certos cargos institucionais; e
„ maior pressão judicial e política sobre seus representantes.

A classificação baseia-se em provas documentadas de ligações entre membros do partido


e grupos neonazistas, declarações xenofóbicas, revisionismo histórico — incluindo relativi-
zações do Holocausto — e ataques à ordem democrática.

z Da crítica ao euro à radicalização

O AfD surgiu em 2013 como uma legenda eurocética, com foco em críticas à zona do euro
e ao Banco Central Europeu. Porém, a partir da crise migratória de 2015, migrou para um

116 AZEVEDO, R. Alemanha define partido AfD como “extremista de direita”. Euronews, 2025. Disponível em: https:
//[Link]/my-europe/2025/05/02/alemanha-define-partido-afd-como-extremista-de-direita. Acesso em:
160 16 jun. 2025.
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discurso abertamente anti-imigração, islamofóbico e ultranacionalista, ganhando força
especialmente em estados do leste alemão.
O crescimento eleitoral veio na esteira de:

„ descontentamento com partidos tradicionais;


„ crises econômicas locais e globalização desigual; e
„ medo cultural alimentado por teorias conspiratórias e desinformação.
„ tensão entre liberdade de expressão e defesa da democracia

O AfD reagiu de imediato, acusando o governo de “perseguição política” e prometendo


recorrer judicialmente. Líderes do partido denunciaram uma suposta tentativa de silenciar
a oposição, ecoando táticas populistas comuns em outros contextos autoritários.
Entidades democráticas, por sua vez, defenderam a medida como necessária e constitucio-
nal, à luz do art. 21 da Lei Fundamental da Alemanha, que prevê a proibição de partidos que
atentem contra a ordem democrática e aos direitos fundamentais.
Essa tensão reflete um dilema atual das democracias ocidentais: como conter o extremis-
mo sem comprometer os próprios valores democráticos?

z Uma resposta alemã à onda de ultradireita na Europa

A decisão ocorre em meio a um contexto europeu de fortalecimento da extrema-direita:

„ França: Marine Le Pen ganha protagonismo nas eleições;


„ Itália: Giorgia Meloni lidera um governo de viés ultraconservador; e
„ Hungria e Polônia: governos com histórico de erosão institucional.

A história alemã — marcada pelos horrores do nazismo — exige vigilância redobrada. A


atuação do AfD e sua influência sobre a juventude e setores precarizados acendem um alerta
sobre os riscos de normalização do discurso radical.

z Índia e Paquistão: a Caxemira no centro de uma das disputas mais delicadas da geo-
política mundial117

A disputa entre Índia e Paquistão pela região da Caxemira continua sendo um dos confli-
tos territoriais mais antigos e sensíveis da política internacional, mesclando tensões históri-
cas, religiosas e estratégicas.
Em maio de 2025, o conflito voltou a ganhar destaque com a intensificação de operações
militares na Linha de Controle, que divide a Caxemira indiana da área sob administração
paquistanesa.
ATUALIDADES

„ Entenda o conflito em três frentes principais

117 LÉON, P. L. Caxemira: entenda guerra entre Paquistão e Índia que assustou o mundo. Agência Brasil, 2025.
Disponível em: https: //[Link]/internacional/noticia/2025-05/caxemira-entenda-guerra-entre-pa-
quistao-e-india-que-assustou-o-mundo. Acesso em: 16 de jun. 2025. 161
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A origem do conflito e a partilha de 194 aconteceram após o fim do domínio britânico. A
partilha do subcontinente indiano deu origem à Índia (de maioria hindu) e ao Paquistão (de
maioria muçulmana).
A Caxemira, com população majoritariamente muçulmana, foi incorporada à Índia por
decisão de seu marajá, o que gerou contestações paquistanesas imediatas. Desde então,
os países travaram três guerras diretas (1947, 1965, 1999) e inúmeros confrontos de baixa
intensidade.
A militarização e o risco nuclear são outra frente dessa discussão. Em 2025, denúncias de
apoio paquistanês a grupos separatistas e repressão indiana contra civis reacenderam os
atritos.
Posto isso, ambos os países são potências nucleares, o que torna qualquer escalada uma
ameaça à estabilidade regional e global. Estados Unidos, China e Rússia acompanham a situa-
ção com preocupação, temendo efeitos desestabilizadores no Sul da Ásia.
Existem, por fim, fatores religiosos, separatismo e violações de direitos humanos. A popu-
lação caxemira é majoritariamente muçulmana, o que alimenta movimentos separatistas
que desejam independência ou união com o Paquistão.
A Índia tem sido alvo de críticas por abusos militares, imposição de toques de recolher,
bloqueios de internet e controle intenso sobre a vida civil. Organizações internacionais de
direitos humanos denunciam a situação como uma grave violação do direito internacional.

z O maior ataque aéreo russo desde 2022: implicações estratégicas e riscos geopolíticos118

No final de maio de 2025, a Rússia lançou o maior ataque aéreo contra a Ucrânia desde o
início da guerra, em fevereiro de 2022. Foram utilizados mais de 120 mísseis e drones, dire-
cionados a infraestruturas estratégicas em Kiev, Kharkiv, Odessa e Dnipro, resultando em
dezenas de mortes e centenas de feridos e na destruição de hospitais, ferrovias e estações
elétricas.

z Objetivos estratégicos do ataque

De acordo com o governo ucraniano, a ofensiva teve como finalidade:

„ enfraquecer a moral da população civil;


„ desorganizar a retaguarda logística; e
„ prevenir uma possível contraofensiva ucraniana no verão europeu.

O presidente Volodymyr Zelensky classificou o ataque como crime de guerra e reforçou o


apelo por mais sistemas de defesa aérea ocidentais diante da limitação da atual cobertura
antiaérea da Ucrânia diante de ataques em larga escala.

z Reações internacionais e risco de regionalização

118 RÚSSIA lança maior ataque aéreo contra Ucrânia e mata pelo menos 12 pessoas. CNN Brasil, 2025. Dispo-
nível em: https: //[Link]/internacional/russia-lanca-maior-ataque-aereo-na-ucrania-matando-pelo-
162 -menos-pessoas/. Acesso em 16 de jun. 2025.
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A ofensiva gerou respostas imediatas da OTAN, que acelerou o envio de armamentos como
mísseis Patriot e baterias antiaéreas. Estados Unidos e União Europeia também anunciaram
novos pacotes de ajuda financeira e militar.
Por outro lado, a China manteve postura neutra, pedindo “moderação e diálogo”, reafir-
mando seu papel de mediador estratégico, embora sem resultados concretos até o momento.
O episódio também intensificou o temor de regionalização do conflito:

„ a Moldávia relatou sobrevoo de artefatos russos em áreas próximas à Transnístria; e


„ a Polônia, membro da OTAN, detectou sinais de mísseis cruzando o espaço aéreo pró-
ximo à fronteira ucraniana.

z Putin, política interna e demonstração de força

O ataque em larga escala também foi lido por analistas como uma tentativa do presidente
Vladimir Putin de:

„ reafirmar controle político interno;


„ reforçar sua autoridade diante das críticas derivadas das sanções econômicas ociden-
tais; e
„ demonstrar que, apesar do desgaste, a Rússia ainda tem capacidade de projeção de
poder militar.

z “Putin ficou louco”: a reação contundente de Donald Trump ao ataque russo à Ucrâ-
nia em maio de 2025119

Após o intenso e massivo ataque aéreo da Rússia contra a Ucrânia em maio de 2025, o pre-
sidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou-se publicamente com críticas severas
a Vladimir Putin, classificando-o como “louco” e “fora de controle”.
Em entrevista à emissora Fox News, Trump qualificou a ofensiva russa como despropor-
cional, covarde e um “erro estratégico”, alertando para o risco de escalada do conflito para
uma guerra global.
Essa postura surpreendeu parte da base aliada republicana, dado que Trump historica-
mente mantinha um tom mais ambíguo e, em certas ocasiões, até condescendente em relação
ao presidente russo.
Analistas políticos sugerem que essa mudança de discurso esteja vinculada ao contex-
to eleitoral norte-americano, no qual Trump busca projetar uma imagem de liderança fir-
me e autoridade internacional, distanciando-se de figuras percebidas como instáveis ou
vulneráveis.
Ao mesmo tempo, críticos destacam o caráter calculado da fala, lembrando que Trump já
ATUALIDADES

minimizou agressões russas em momentos anteriores. Frente à gravidade do ataque e à pres-


são da opinião pública internacional, o presidente opta por uma retórica mais dura, visando
reconquistar apoio entre eleitores moderados e indecisos.

119 Ucrânia acusa Rússia de realizar maior ataque de drones da guerra; Trump diz que Putin ‘ficou louco’. Vision
News, 2025. Disponível em: https: //[Link]/noticia/75903/ucrania-acusa-russia-de-realizar-maior-ata-
[Link]. Acesso em: 16 de jun. 2025. 163
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z A reação institucional e o cenário político interno

A Casa Branca, então sob a liderança do ex-presidente Joe Biden, adotou uma postura mais
cautelosa, ressaltando a importância da coordenação com aliados da OTAN e enfatizando
que todas as ações diplomáticas e militares estão sendo conduzidas com responsabilidade e
pragmatismo.
Entretanto, as declarações de Trump provocaram um acirramento do debate político inter-
no, reforçando a polarização entre republicanos e democratas, sobretudo sobre a condução
da política externa dos EUA diante da crise no Leste Europeu.

z Repercussão internacional e guerra de narrativas

No âmbito internacional, a reação ao posicionamento de Trump foi dividida:

„ países europeus valorizaram a denúncia clara contra as atitudes agressivas de Putin,


vendo no discurso um sinal de maior firmeza por parte de uma figura influente; e
„ por outro lado, representantes diplomáticos russos qualificaram as declarações como
“teatrais e irresponsáveis”, evidenciando o fortalecimento da guerra de narrativas que
acompanha o conflito.

z Alerta de Macron: EUA arriscam perder credibilidade ao reduzir apoio à Ucrânia120

Em maio de 2025, durante o Fórum de Segurança de Paris, o presidente francês Emmanuel


Macron fez um alerta contundente sobre a possível perda de credibilidade global dos Esta-
dos Unidos caso estes abandonem o apoio à Ucrânia para focar suas atenções na região do
Indo-Pacífico.
Segundo Macron, tal mudança estratégica enviaria uma mensagem preocupante tanto
para aliados quanto para rivais, em especial para a China, que acompanha de perto a atua-
ção ocidental no conflito ucraniano.
Embora defenda insistentemente uma maior autonomia europeia em segurança e defesa,
Macron reconhece que o suporte americano permanece essencial para a resistência ucrania-
na contra a agressão russa. Ele enfatizou que um recuo dos EUA nesse momento comprome-
teria sua capacidade de dissuasão em outros pontos geopolíticos sensíveis, como Taiwan e o
Mar do Sul da China.
O alerta de Macron ocorreu em um contexto marcado por declarações de parlamenta-
res norte-americanos que sugerem cortes no orçamento militar destinado à Ucrânia, o que
aumenta a preocupação dos líderes europeus. Para eles, a Rússia continua sendo uma amea-
ça concreta e imediata ao continente, dificultando a aceitação de um reposicionamento estra-
tégico americano em favor da Ásia.
Além disso, o presidente francês criticou a ideia de que seria possível confrontar a China
sem antes resolver a questão russa, ressaltando a interligação entre os regimes autoritários
de Moscou e Pequim, que compartilham ambições de desestabilizar a ordem internacional

120 MACRON avisa EUA e o Indo-Pacífico para não abandonarem a Ucrânia em detrimento da China. Euronews,
2025. Disponível em: [Link]
164 narem-a-ucrania-em-detrimento-da-china. Acesso em: 16 de jun. 2025.
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baseada em regras. Seu discurso foi interpretado como um apelo direto ao então governo
Biden e ao Congresso dos EUA.
Macron também ressaltou a necessidade de acelerar a integração da defesa comum euro-
peia, reforçando sua imagem como a principal voz da autonomia estratégica da União Euro-
peia. Seu posicionamento expõe o impasse geopolítico que caracteriza o Ocidente em 2025,
dividido entre os desafios no Leste Europeu e as tensões no Indo-Pacífico.

z Robert Prevost, o primeiro pontífice norte-americano e herdeiro do legado progres-


sista de Francisco121

Robert Prevost nasceu nos Estados Unidos e iniciou sua trajetória eclesiástica como sacer-
dote em Chicago, onde rapidamente se destacou por sua atuação pastoral voltada para as
comunidades urbanas e periféricas.
Em seguida, foi nomeado bispo de Chicago, posição em que consolidou seu compromisso
com a justiça social, o diálogo inter-religioso e a defesa dos mais vulneráveis.
Posteriormente, Prevost assumiu o cargo de prefeito do Dicastério para os Bispos, no Vati-
cano, onde ganhou notoriedade pela sua visão progressista e pela promoção de uma Igre-
ja mais descentralizada, que valorize as realidades locais e esteja aberta às transformações
sociais. Durante esse período, aproximou-se das pautas ambientais, sociais e dos direitos
humanos, alinhando-se ao pontificado do papa Francisco.
Sua eleição como papa Leão XIV, primeiro pontífice dos Estados Unidos, representa uma
guinada simbólica para a Igreja Católica, marcada pelo desejo de continuidade nas reformas
iniciadas por Francisco, sobretudo em temas como meio ambiente, justiça social e inclusão.

z Papa Leão XIV

A eleição de Robert Prevost como papa Leão XIV marca uma mudança simbólica e históri-
ca na liderança da Igreja Católica. Natural dos Estados Unidos e defensor das diretrizes pro-
gressistas do papa Francisco, Prevost é o primeiro pontífice norte-americano, representando
uma ruptura com a tradicional predominância europeia no comando do Vaticano.
A eleição de Leão XIV foi interpretada como um esforço para preservar e aprofundar o
impulso reformista iniciado por Francisco, com ênfase em justiça social, proteção ambiental
e diálogo com os desafios do mundo contemporâneo.
Conforme destacado, antes de ser escolhido papa, Prevost atuou como bispo em Chicago
e, posteriormente, como prefeito do Dicastério para os Bispos, onde consolidou uma postura
pastoral voltada para uma Igreja menos centralizada no poder romano e mais sensível às
realidades locais.
O pontificado de Leão XIV já revela uma continuidade em temas como a defesa do meio
ambiente, o apoio aos migrantes e o combate às desigualdades, sobretudo em regiões peri-
ATUALIDADES

féricas do planeta.
O novo papa também tem se destacado por posicionamentos firmes contra o negacio-
nismo climático, reafirmando a importância da ciência como aliada da fé. Além disso, tem

121 BARROS, L; DURÃES, M. Leão 14: quem é Robert Prevost, primeiro papa norte-americano e peruano. UOL, 2025.
Disponível em: https: //[Link]/internacional/ultimas-noticias/2025/05/08/quem-e-francis-prevost-no-
[Link]#:~:text=Robert%20Francis%20Prevost%2C%2069%20anos,no%20Vaticano%2C%20ap%C3%B3s%20
quatro%20escrut%C3%ADnios. Acesso em: 16 de jun. 2025. 165
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promovido maior participação das mulheres na Igreja, ainda que sem propor alterações
profundas na doutrina, e aberto espaços de escuta para padres casados e membros da comu-
nidade LGBTQIAPN+.
A escolha de um papa estadunidense gerou tensões diplomáticas e teológicas, principal-
mente entre setores conservadores da Igreja e grupos críticos à crescente influência dos Esta-
dos Unidos na política global.
Em algumas regiões da Europa, há receios quanto a uma possível “americanização” do
Vaticano. Mesmo diante dessas resistências, Leão XIV busca afirmar sua identidade com um
forte compromisso pela justiça social global e pela descentralização do poder eclesiástico.
Especialistas apontam que o pontificado de Prevost enfrentará desafios significativos,
como a continuidade das investigações e reparações relacionadas com os escândalos de
abuso sexual ainda não totalmente resolvidos, além da diminuição do número de fiéis em
áreas tradicionalmente católicas.
Contudo, sua chegada ao papado reacendeu as expectativas daqueles que defendem uma
Igreja mais engajada nas causas contemporâneas e aberta ao diálogo.

z Como o Ártico se transformou numa das regiões mais disputadas por potências
globais122

O Ártico, antes considerado uma região remota e de difícil acesso, tornou-se nos últimos
anos um foco estratégico de disputa entre potências globais como Estados Unidos, Rússia,
China, Canadá e Noruega.
O derretimento acelerado das calotas polares, impulsionado pelas mudanças climáticas,
abriu novas rotas comerciais e expôs reservas gigantescas de petróleo, gás natural e minerais
raros que antes eram inacessíveis. Estima-se que a região contenha cerca de 13% das reser-
vas de petróleo ainda não descobertas do planeta.
A Rússia tem intensificado sua presença militar no Ártico, reativando bases da era soviéti-
ca, instalando sistemas de mísseis e promovendo manobras navais na região.
Por outro lado, os Estados Unidos reforçaram sua aliança com o Canadá e anunciaram
investimentos bilionários em infraestrutura de monitoramento. A China, que não tem terri-
tório na região, declarou-se “nação próxima do Ártico” e tem investido em pesquisas científi-
cas e rotas comerciais via Passagem do Norte.
A nova corrida polar também levanta preocupações ambientais e geopolíticas. Grupos
ambientalistas alertam para os danos irreversíveis que a exploração econômica pode causar
ao ecossistema ártico, enquanto analistas políticos temem a eclosão de novos conflitos terri-
toriais e diplomáticos.
A governança da região é motivo de debate entre os países do Conselho Ártico, que bus-
cam um equilíbrio entre soberania, cooperação e sustentabilidade.
Para o Brasil, embora distante da região, as tensões no Ártico podem ter impactos indi-
retos, como o aumento no preço de combustíveis, alterações em cadeias logísticas globais e
mudanças na agenda climática internacional.
O Ártico deixou de ser um “fim do mundo gelado” para se tornar o novo centro das ambi-
ções geoestratégicas do século XXI.

122 ADLER, K. Como o Ártico se transformou numa das regiões mais disputadas por potências globais. O Povo,
2025. Disponível em: https: //[Link]/agencia/bbc/2025/05/26/amp/como-o-artico-se-transformou-
166 -[Link]. Acesso em: 16 de jun. 2025.
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z Desinformação como risco global: alerta da UNESCO123

Em um relatório publicado em maio de 2025, a UNESCO declarou que a desinformação


é o principal risco global para os próximos anos, superando até as crises econômicas e as
mudanças climáticas.
O documento aponta que a proliferação de conteúdos falsos, manipulados ou enganosos
está minando a confiança nas instituições democráticas, interferindo em eleições e promo-
vendo polarizações sociais extremas.
Segundo a entidade, o avanço da inteligência artificial generativa e o uso de deepfakes têm
tornado cada vez mais difícil identificar o que é verdadeiro ou falso, especialmente nas redes
sociais.
Essa falta de percepção do que é verdadeiro tem gerado um ambiente propício para o sur-
gimento de teorias conspiratórias, campanhas de ódio e manipulação da opinião pública em
escala massiva.
O relatório alerta que a desinformação não afeta apenas a política, mas também compro-
mete a saúde pública, a educação e a segurança. Durante a pandemia da covid-19, por exem-
plo, conteúdos falsos sobre vacinas contribuíram para mortes evitáveis. Em 2024 e 2025,
casos semelhantes foram observados em campanhas de vacinação contra outras doenças e
em conflitos internacionais.
A UNESCO propõe uma série de medidas, incluindo a regulação das plataformas digitais,
o fortalecimento da educação midiática nas escolas e o apoio ao jornalismo profissional. A
entidade pede que governos atuem com urgência para conter o avanço do problema antes
que ele se torne irreversível.
Organizações da sociedade civil apoiaram o relatório, mas alertaram para o risco de cen-
sura caso as medidas não sejam acompanhadas de transparência e proteção à liberdade de
expressão. O relatório reacendeu o debate sobre os limites da regulação digital e o papel das
big techs no cenário político e informacional atual.

Brasil

z Morre Sebastião Salgado, o fotógrafo que retratou o Brasil para o mundo124

O Brasil e o mundo se despediram, em maio de 2025, de um dos maiores nomes da fotogra-


fia contemporânea — Sebastião Salgado. Aos 80 anos, o artista morreu em Paris, onde vivia
com sua esposa e colaboradora de longa data, Lélia Wanick Salgado.
Reconhecido internacionalmente por suas imagens em preto e branco de forte carga
humanista, Salgado retratou com sensibilidade as realidades dos trabalhadores rurais, indí-
genas, refugiados e povos esquecidos.
Formado em economia, Salgado abandonou a carreira promissora em instituições inter-
ATUALIDADES

nacionais para se dedicar à fotografia a partir dos anos 1970. Seus projetos icônicos incluem

123 ANTUNES, L. Desinformação é o maior risco global de 2025, alerta diretor da Unesco. Expresso Carioca, 2025.
Disponível em: https: //[Link]/desinformacao-e-o-maior-risco-global-de-2025-alerta-dire-
tor-da-unesco/. Acesso em: 16 de jun. 2025.
124 SALDANHA, R. Morre o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, aos 81 anos. CNN Brasil, 2025. Disponível em:
https: //[Link]/nacional/brasil/morre-o-fotografo-brasileiro-sebastiao-salgado-aos-81-anos/. Aces-
so em: 16 de jun. 2025. 167
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“Trabalhadores”, “Êxodos” e “Gênesis”, este último focado na natureza intocada e na relação
entre humanidade e meio ambiente.
No Brasil, também ficou conhecido pelo projeto de reflorestamento do Instituto Terra, fun-
dado com Lélia em Aimorés (MG), sua cidade natal. A iniciativa regenerou milhares de hecta-
res de Mata Atlântica e serviu de exemplo global de restauração ambiental.
Salgado foi agraciado com os mais importantes prêmios da fotografia mundial, além de
honrarias da ONU, UNESCO e universidades internacionais.
A morte de Salgado gerou comoção entre artistas, jornalistas e ambientalistas. O presiden-
te Lula declarou luto oficial de três dias e destacou que o fotógrafo “fez do olhar uma forma
de justiça social”. A imprensa estrangeira o homenageou como “poeta da imagem” e “cronista
visual da humanidade”.
Seu legado vai além da arte: suas fotos ajudaram a pautar políticas de direitos humanos
e preservação ambiental. A morte de Sebastião Salgado deixa um vazio profundo na cultura
brasileira, mas seu trabalho segue vivo, inspirando novas gerações a enxergar o mundo com
empatia e profundidade.

z Precarização do trabalho e enfraquecimento sindical: impactos geopolíticos da flexi-


bilização trabalhista no Brasil125

Uma análise recente, publicada em maio de 2025 por pesquisadores da UFRJ e da Uni-
camp, trouxe novas luzes sobre os desdobramentos da reforma trabalhista implementada
em 2017 no Brasil.
A partir do cruzamento de dados do IBGE e da RAIS entre 2015 e 2024, o estudo aponta que
a flexibilização das normas laborais não resultou na prometida modernização do mercado,
mas contribuiu decisivamente para o avanço da informalidade e da instabilidade nas rela-
ções de trabalho.
O enfraquecimento estrutural das entidades sindicais se apresenta como um dos efeitos
mais críticos da reforma. Com menor capacidade de articulação e pressão, as organizações
trabalhistas perderam protagonismo nas negociações coletivas.
A queda no número de convenções firmadas e na arrecadação sindical evidencia uma
retração institucional que favoreceu a proliferação de modalidades contratuais mais vulne-
ráveis, como o trabalho intermitente e o de tempo parcial.

„ Inserção subordinada e fragilização social no contexto global

No plano geopolítico, essa reconfiguração do mercado de trabalho brasileiro insere o país


em uma tendência de desregulamentação, observada em economias periféricas que, sob o
argumento de atrair investimentos e aumentar a competitividade, acabam por fragilizar pro-
teções sociais historicamente conquistadas.
O Brasil, ao adotar esse modelo, alinha-se a uma lógica de inserção subordinada nas
cadeias globais de produção, baseada em mão de obra barata e flexível.

125 ABDALA, V. Mais de 32 milhões são autônomos informais ou trabalham sem carteira. Agência Brasil, 2025.
Disponível em: https: //[Link]/economia/noticia/2025-04/mais-de-32-milhoes-sao-autonomos-
168 -informais-ou-trabalham-sem-carteira. Acesso em: 16 de jun. 2025.
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A promessa de aumento da formalização e do dinamismo econômico não se cumpriu:
os dados apontam crescimento expressivo da informalidade, especialmente entre mulheres,
jovens e pessoas negras — grupos historicamente mais expostos às desigualdades estruturais.
Além disso, os salários médios permaneceram estagnados e a rotatividade no mercado de
trabalho aumentou, indicando uma precarização generalizada.
Diante desse cenário, diversos projetos de lei tramitam no Congresso Nacional com o obje-
tivo de revisar pontos centrais da reforma. Há uma crescente mobilização por parte de cen-
trais sindicais e movimentos sociais — como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a
Força Sindical — que defendem uma legislação trabalhista equilibrada, capaz de garantir
direitos e, ao mesmo tempo, dialogar com as exigências de um mercado global em constante
transformação.
O estudo deve embasar audiências públicas e discussões na Comissão de Trabalho da
Câmara dos Deputados no segundo semestre, reacendendo um debate essencial: qual deve
ser o papel do Estado na regulação do trabalho em uma era marcada pela fragmentação pro-
dutiva, pela globalização financeira e pela ascensão de modelos ultraliberais?

z Corrupção sistêmica na Previdência e o desafio institucional do Estado brasileiro126

Em maio de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu exonerar o então presi-
dente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) após revelações de um esquema bilioná-
rio de fraudes na concessão de aposentadorias e benefícios assistenciais.
A exoneração do presidente do INSS foi tomada após uma operação conjunta da Polícia
Federal, da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Ministério da Previdência, que identifi-
cou a atuação de uma rede criminosa infiltrada no INSS, sobretudo em estados do Nordeste.
As investigações apontam que servidores públicos e agentes externos estavam envolvidos
na falsificação de documentos, manipulação de dados e liberação de benefícios irregulares
mediante pagamento de propina.
O uso indevido dos sistemas internos do órgão permitia fraudes relacionadas com crité-
rios essenciais como tempo de contribuição e idade mínima. O prejuízo estimado ultrapassa
R$ 2,6 bilhões, afetando diretamente o tempo de espera de cidadãos com direito legítimo aos
benefícios.

„ Crise institucional, resposta governamental e pressões políticas

O escândalo ganhou grande repercussão política e institucional, desafiando a imagem de


um governo que tenta se consolidar como ético e defensor da justiça social.
Em resposta, Lula determinou a realização de uma auditoria abrangente nos sistemas de
concessão de benefícios e nomeou uma nova presidente para o INSS, com a missão de rees-
truturar a autarquia e recuperar sua credibilidade.
ATUALIDADES

O governo também anunciou que mais de 1 milhão de processos previdenciários —


incluindo aposentadorias e auxílios-doença — passarão por revisão. Como parte da estraté-
gia de contenção e reforma, o Executivo pretende enviar ao Congresso um pacote legislativo

126 CRISE no INSS: entenda escândalo que derrubou ministro da Previdência. Congresso em Foco, 2025. Disponí-
vel em: https: //[Link]/noticia/108221/crise-no-inss-entenda-escandalo-que-derrubou-mi-
nistro-da-previdencia. Acesso em 16 de jun. 2025. 169
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com medidas voltadas ao reforço da transparência, do controle digital e do rastreamento de
concessões.
Paralelamente, setores da oposição pressionam pela instalação de uma comissão parla-
mentar de inquérito (CPI) com o objetivo de aprofundar as apurações e ampliar a responsa-
bilização dos envolvidos.
Para além da disputa partidária, o caso escancara a fragilidade institucional dos sistemas
de fiscalização, especialmente em um contexto de digitalização crescente da administração
pública, mas sem infraestrutura de governança e controle robustos.

„ Um sintoma geopolítico de fragilidade estrutural do Estado

Do ponto de vista geopolítico, o episódio revela mais do que um desvio pontual: trata-se de
um sintoma de disfuncionalidade sistêmica do Estado brasileiro, que, mesmo com avanços
tecnológicos, ainda falha em garantir os direitos básicos da população mais vulnerável.
A corrupção institucionalizada em setores estratégicos, como a previdência, compromete
a sustentabilidade das políticas sociais e a confiança pública nas instituições democráticas.
Em um cenário global em que o Brasil busca fortalecer sua imagem como liderança regio-
nal comprometida com desenvolvimento social e transparência institucional, episódios como
esse fragilizam o país diante de organismos multilaterais e investidores estrangeiros.
O desafio que se impõe é, portanto, reconstruir a capacidade do Estado de proteger direitos
e assegurar justiça distributiva, sem abrir brechas para novas formas de captura institucional.

z Gripe aviária no Brasil: entre o risco sanitário e os impactos econômicos globais127

O registro de casos de gripe aviária (H5N1) em diferentes regiões do Brasil ao longo de


2025 acendeu sinais de alerta nos setores sanitário, econômico e ambiental.
O Ministério da Agricultura confirmou focos do vírus em aves silvestres e domésticas em
pelo menos seis estados, incluindo São Paulo e Paraná, dois dos mais importantes polos de
produção avícola do país.
Um caso suspeito em humanos no interior de Santa Catarina chegou a elevar o nível de
preocupação, mas foi posteriormente descartado pelas autoridades de saúde.

„ Vulnerabilidade do setor e impacto nas exportações brasileiras

O Brasil ocupa o posto de maior exportador global de carne de frango, e a identificação do


vírus em granjas comerciais acende um alerta estratégico: um eventual embargo sanitário
internacional pode abalroar um dos pilares da balança comercial brasileira.
China, Japão e União Europeia — principais mercados compradores — já manifestaram
preocupação diplomática e solicitaram garantias sanitárias imediatas ao governo brasileiro.
Diante do cenário, o governo federal anunciou um plano emergencial que inclui:

„ restrições à circulação de aves;

127 GRIPE aviária no Brasil: o impacto nas exportações e a reação do mercado. Exame, 2025. Disponível em: https:
//[Link]/agro/gripe-aviaria-no-brasil-o-impacto-nas-exportacoes-e-a-reacao-do-mercado/. Acesso em: 16 de
170 jun. 2025.
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„ monitoramento reforçado nas zonas de risco;
„ testagem de trabalhadores rurais; e
„ vacinação emergencial de rebanhos específicos.

z Risco de mutação viral e pressão sobre os sistemas de saúde

Segundo especialistas da Fiocruz e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o


vírus H5N1 apresenta alta taxa de letalidade em aves e pode, eventualmente, sofrer muta-
ções que permitam transmissão entre humanos — o que configuraria um cenário de emer-
gência epidemiológica global.
Até o momento, os casos humanos relatados em outros países estão associados à exposição
direta a aves contaminadas, sem evidência de transmissão comunitária.
Por isso, a vigilância epidemiológica contínua, o rastreamento de novos casos e o inves-
timento em biossegurança são considerados pilares estratégicos na prevenção de uma crise
sanitária ampliada.

„ Disputa política e pressões econômicas em jogo

No plano interno, o avanço do H5N1 reacende tensões entre diferentes setores políticos e
econômicos. Parlamentares ligados ao agronegócio pressionam por apoio técnico e financei-
ro imediato aos produtores, sob o risco de uma quebra econômica no campo.
Por outro lado, ambientalistas e organizações de saúde pública cobram ações mais enérgi-
cas contra criações ilegais de aves, além de maior fiscalização do tráfico de animais silvestres,
apontado como possível vetor de disseminação do vírus.

„ Geopolítica das zoonoses: desafios para o Brasil no cenário internacional

O surto evidencia a fragilidade dos sistemas produtivos intensivos frente a ameaças sani-
tárias globais. A gripe aviária, assim como outras zoonoses emergentes, desafia a capacida-
de dos Estados nacionais de equilibrar produção em larga escala, preservação ambiental e
segurança sanitária.
Do ponto de vista geopolítico, o Brasil enfrenta um teste importante: como manter sua
posição de liderança nas exportações agropecuárias, enquanto demonstra resiliência institu-
cional, compromisso com a saúde pública e transparência nos protocolos de contenção.
O caso reforça a necessidade de uma política integrada de saúde única (one health)
que articule os eixos ambiental, humano e animal como partes de um mesmo sistema
interdependente.

z Margem Equatorial: entre a aposta energética e o impasse ambiental128


ATUALIDADES

Em maio de 2025, o Ibama autorizou a Petrobras a realizar simulações operacionais


na Margem Equatorial, faixa marítima que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte,

128 GOLDBERG, S. O dilema da Margem Equatorial: entre o petróleo e a preservação ambiental. Valor, 2025. Dis-
ponível em: https: //[Link]/publicacoes/especiais/revista-energia/noticia/2025/05/30/o-dilema-da-mar-
[Link]. Acesso em: 16 de jun. 2025. 171
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marcando um avanço significativo no processo de licenciamento ambiental de um dos proje-
tos mais delicados e polêmicos da agenda energética brasileira.

z Simulações: o que está autorizado e qual o próximo passo

A decisão do Ibama não autoriza ainda a perfuração de poços, mas permite a realização
de testes logísticos e exercícios de segurança para avaliar os protocolos em situações de risco.
Esses procedimentos são pré-requisitos para que a Petrobras avance no pedido de licença
definitiva para exploração real, possivelmente ainda em 2025, caso os relatórios técnicos
atendam às exigências ambientais.

z Conflito entre desenvolvimento e conservação

A Margem Equatorial tornou-se o epicentro de uma disputa que opõe agendas econômicas
e socioambientais:

„ de um lado, o governo federal e o setor energético defendem que a exploração dessa


nova fronteira é estratégica para garantir a autossuficiência em petróleo, gerar empre-
gos e aumentar a arrecadação pública;
„ do outro, ambientalistas, cientistas e povos indígenas alertam para os riscos de desas-
tres ambientais, impacto sobre a biodiversidade marinha e ameaças a territórios indí-
genas e ao bioma amazônico.

Organizações como Greenpeace e o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) criticam a


decisão do Ibama, apontando que o aval teria sido influenciado por pressões políticas da
ala desenvolvimentista do governo Lula, em detrimento de critérios técnicos mais rigorosos.

z Potencial energético e riscos ambientais

A região é considerada promissora pela Petrobras, com potencial de reservas comparável


ao pré-sal. No entanto, um eventual acidente ambiental na Margem Equatorial — uma zona
de alta sensibilidade ecológica — poderia comprometer ecossistemas marinhos, comunida-
des pesqueiras e populações ribeirinhas.
Além disso, a proximidade com a Amazônia amplia os riscos de contaminação de águas,
solos e cadeias alimentares, o que transforma a exploração em um dilema nacional de gran-
des proporções.

z O jogo político e o papel das instituições de controle

A liberação das simulações ocorre em meio a debates intensos no Congresso Nacional, com
pressão de parlamentares da base governista e da oposição.
O Ministério do Meio Ambiente, a Casa Civil e o Tribunal de Contas da União (TCU) acom-
panham o processo, atentos aos investimentos públicos e à conformidade com tratados inter-
nacionais de proteção ambiental.

172
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A decisão também reverbera internacionalmente: o Brasil tem compromissos firmados
no Acordo de Paris e busca se projetar como líder em transição energética verde. A Margem
Equatorial, portanto, torna-se um teste decisivo para a credibilidade da política ambiental
brasileira.

z Sustentabilidade ou expansão energética: um termômetro do Brasil contemporâneo

Mais do que uma disputa sobre petróleo, a controvérsia da Margem Equatorial simboliza
um embate estrutural: como conciliar soberania energética, proteção ambiental e responsa-
bilidade intergeracional?
O que está em jogo não é apenas o futuro de um bloco de exploração, mas o modelo de
desenvolvimento que o Brasil quer seguir nas próximas décadas.

z Censo 2022 revela dados inéditos sobre autistas e pessoas com deficiência no Brasil129

Pela primeira vez na história, o Censo Demográfico 2022, divulgado em maio de 2025,
apresentou informações detalhadas sobre o transtorno do espectro autista (TEA) no Brasil.
A inclusão de dados sobre autismo foi viabilizada por uma lei de 2019, que determinou ao
IBGE a obrigatoriedade de incluir perguntas específicas sobre o transtorno em seus levanta-
mentos censitários.

„ Autismo no Brasil: 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas

Segundo o IBGE, 2,4 milhões de brasileiros — ou 1,2% da população — declararam diag-


nóstico de autismo. O dado representa um marco na visibilidade estatística da neurodiversi-
dade, com maior prevalência entre homens (1,5%) do que entre mulheres (0,9%).
Destaca-se, também, a concentração entre crianças de cinco a nove anos, nas quais o diag-
nóstico atinge 3,8% dos meninos, o que sugere avanços na identificação precoce por parte
de famílias e profissionais da saúde.

„ Educação e inclusão: dados promissores e desafios

Na área educacional, o Censo mostra que 2% dos alunos do ensino fundamental estão no
espectro autista, com maior incidência nos anos iniciais, quando a obrigatoriedade escolar
coincide com a idade média de diagnóstico.
A taxa de escolarização de autistas é superior à média nacional, o que pode refletir tan-
to o efeito de políticas de inclusão escolar quanto o impacto de laudos como passaporte para
acesso a direitos.
Contudo, especialistas alertam para a medicalização excessiva da infância, advertindo que
ATUALIDADES

a convivência e a adaptação pedagógica devem prevalecer sobre a rotulação clínica como


critério de inclusão.

129 SIQUEIRA, B. Censo 2022 identifica 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com autismo no Brasil. Agência de
Notícias IBGE, 2025. Disponível em: [Link]
cias/noticias/43464-censo-2022-identifica-2-4-milhoes-de-pessoas-diagnosticadas-com-autismo-no-brasil. Aces-
so em: 16 de jun. 2025. 173
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„ Recorte racial e regional: onde estão os autistas no Brasil?

A análise geográfica e racial dos dados revelou que os estados mais populosos — São Paulo
e Minas Gerais — concentram a maioria dos diagnósticos.
Em termos étnico-raciais, a prevalência é de 1,3% entre pessoas brancas, acima dos 1,1%
entre pretos e pardos, o que levanta questões sobre desigualdades de acesso ao diagnóstico e
aos serviços de saúde mental.

„ Direitos garantidos e barreiras persistentes

O levantamento reforça que pessoas com autismo têm direito aos mesmos benefícios
legais das pessoas com deficiência, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), desde
que comprovem a condição e atendam aos critérios socioeconômicos.
Esse reconhecimento jurídico fortalece a luta por inclusão plena e equidade no acesso a
políticas públicas, embora barreiras burocráticas e sociais ainda persistam.

„ Pessoas com deficiência: 7,3% da população e múltiplas desigualdades

Além do TEA, o Censo revelou que 7,3% dos brasileiros têm algum tipo de deficiência per-
manente — seja visual, auditiva, motora ou intelectual. A taxa é mais alta entre mulheres
e pessoas com mais de 70 anos, refletindo tanto o envelhecimento populacional quanto desi-
gualdades de gênero no cuidado e diagnóstico.
O Nordeste concentra a maior proporção de pessoas com deficiência, e a taxa de analfa-
betismo nesse grupo é quatro vezes superior à da população sem deficiência, escancarando
barreiras históricas de acesso à educação formal e à cidadania plena.

„ Implicações para políticas públicas e cidadania

A disponibilização desses dados é considerada um avanço para o planejamento de políti-


cas públicas mais inclusivas nas áreas de educação, saúde, transporte, urbanismo e assistên-
cia social.
Contudo, especialistas reforçam que a produção de dados deve vir acompanhada de ações
estruturantes, como formação de professores, acessibilidade urbana, atenção psicossocial e
combate à exclusão escolar.
O desafio, portanto, é transformar as estatísticas em direitos efetivos, promovendo justiça
social e respeito à diversidade humana.

z PIB brasileiro surpreende e cresce 1,4% no primeiro trimestre de 2025: serviços e


indústria lideram retomada130

O produto interno bruto (PIB) do Brasil registrou um crescimento de 1,4% no primeiro


trimestre de 2025, em comparação com os três meses anteriores, segundo dados do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

130 PIB cresce 1,4% no primeiro trimestre de 2025. Agência de Notícias IBGE, 2025. Disponível em: [Link]
174 com/448ryndw. Acesso em: 16 jun. 2025.
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O resultado surpreendeu analistas econômicos e posicionou o Brasil entre as cinco econo-
mias com maior expansão entre 49 países acompanhados por organismos internacionais
de estatísticas econômicas.

„ Setores dinâmicos impulsionam a economia

O avanço da atividade econômica teve como principal motor o setor de serviços, que
continua a ser o pilar da economia nacional, e a indústria de transformação, que apresentou
reação positiva diante da queda na taxa básica de juros (Selic).
Já a agropecuária, normalmente protagonista do crescimento brasileiro, teve uma con-
tribuição modesta neste início de ano, devido às condições climáticas adversas em algumas
regiões produtoras e ao recuo em exportações de commodities agrícolas.
Por outro lado, setores como tecnologia, energia e transporte tiveram crescimento
expressivo, demonstrando capacidade de adaptação a um cenário externo ainda instável.

„ Consumo das famílias e mercado de trabalho ganham força

Com a inflação sob controle e a continuidade do ciclo de queda da Selic, houve um estí-
mulo ao crédito e ao consumo das famílias, contribuindo para a retomada de investimentos
internos.
O mercado de trabalho formal também mostrou sinais positivos: houve aumento na gera-
ção de empregos com carteira assinada e uma redução na taxa de informalidade, o que for-
taleceu a massa salarial e o poder de compra da população.

„ Cenário externo: riscos e incertezas

Apesar do bom desempenho, desafios internacionais permanecem no radar. A desacelera-


ção da economia chinesa, importante parceira comercial do Brasil, pode reduzir a demanda
por minérios e produtos agrícolas, afetando a balança comercial.
Além disso, conflitos geopolíticos no Leste Europeu e no Oriente Médio seguem como
fontes de instabilidade para os fluxos de exportação, combustíveis e insumos industriais.

„ Perspectivas para 2025: confiança renovada, mas cautela mantida

O crescimento acima do esperado reacendeu o otimismo do mercado, favorecendo a atra-


ção de investimentos e o equilíbrio das contas públicas. Segundo projeções atualizadas por
economistas do setor financeiro e de bancos públicos, o Brasil poderá ultrapassar a meta de
crescimento de 2,5% prevista pelo governo Lula para o ano, desde que se mantenham as con-
dições internas favoráveis e não haja choques externos significativos.
ATUALIDADES

175
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z O que é a Lei Global Magnitsky e por que Marco Rubio ameaçou aplicá-la contra Ale-
xandre de Moraes131

Em maio de 2025, o senador norte-americano Marco Rubio causou polêmica internacional


ao sugerir que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, Alexandre de Moraes,
poderia ser alvo de sanções pela Lei Global Magnitsky.
A declaração provocou ampla repercussão no Brasil e foi encarada por autoridades como
um ato de ingerência nos assuntos internos do país.

z O que é a Lei Global Magnitsky?

Aprovada em 2016 pelo Congresso dos EUA, a Global Magnitsky Act autoriza o governo
norte-americano a aplicar sanções unilaterais contra indivíduos estrangeiros acusados de:

„ violações graves de direitos humanos; e


„ atos significativos de corrupção.

As penalidades incluem congelamento de bens, restrições financeiras e proibição de entra-


da em território americano.
Inspirada pelo caso do advogado russo Sergei Magnitsky, morto após denunciar corrupção
em seu país, a lei tem sido usada contra figuras de regimes autoritários, como em Mianmar,
Venezuela, China e Arábia Saudita.

z Por que Marco Rubio mencionou a lei

Rubio, senador republicano pela Flórida e figura próxima de grupos conservadores brasi-
leiros no exterior, acusou Alexandre de Moraes de:

„ restringir liberdades civis;


„ perseguir opositores políticos; e
„ tomar decisões autoritárias no combate aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de
2023.

Rubio não apresentou provas concretas para justificar sanções, mas citou medidas como
bloqueio de redes sociais, prisões preventivas e investigações contra militantes da extrema
direita como base para suas alegações.

z Reações e implicações diplomáticas

„ A Embaixada dos EUA no Brasil emitiu nota reafirmando o respeito às instituições bra-
sileiras e não endossou as declarações de Rubio;

131 O que é a Lei Global Magnitsky, que Marco Rubio ameaçou usar contra Alexandre de Moraes. BBC News, 2025.
176 Disponível em: https: //[Link]/portuguese/articles/ckg4d2n6exyo. Acesso em: 16 de jun. 2025.
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„ O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, tratou o episódio com cautela, embora
diplomatas tenham sinalizado preocupação com a retórica externa sobre decisões do
Judiciário;
„ Parlamentares de diferentes espectros políticos criticaram a fala de Rubio como desres-
peitosa à soberania nacional; e
„ Assessores próximos a Moraes classificaram a ameaça como “improcedente e
desinformada”.

z Especialistas comentam

Juristas e analistas internacionais apontam que nunca houve precedente de aplicação da


Lei Magnitsky contra membros do Judiciário de um país democrático e aliado dos EUA, o que
tornaria a medida juridicamente frágil e politicamente explosiva.
Além disso, a fala de Rubio levanta preocupações sobre:

„ a instrumentalização política de leis de direitos humanos;


„ o uso de sanções unilaterais como arma ideológica; e
„ a erosão do diálogo diplomático em ambientes polarizados.

A ameaça de Marco Rubio evidencia como questões domésticas brasileiras podem ser extra-
poladas ao cenário internacional, especialmente em um contexto global de tensões ideológi-
cas, desinformação e polarização. Embora sem efeitos práticos imediatos, o episódio reforça
a necessidade de prudência diplomática e respeito mútuo entre instituições soberanas.

z “Portugal, colônia do Brasil?”: como influência brasileira gera tensão no país132

Um debate inusitado ganhou força em Portugal em maio de 2025: estaria o país europeu
sob uma espécie de “colonização cultural” do Brasil? A provocação, feita inicialmente em
tom jocoso por colunistas e influenciadores lusitanos, virou tema sério após a constatação do
domínio crescente da cultura brasileira em setores como música, televisão, redes sociais e até
mesmo na linguagem informal usada por jovens portugueses.
O fenômeno não é novo, mas ganhou intensidade nos últimos anos. Artistas brasileiros
lideram as paradas de sucesso em Portugal, influenciadores digitais brasileiros acumulam
milhões de seguidores portugueses e expressões como “top”, “balada” e “crush” têm sido
incorporadas ao vocabulário cotidiano.
O português europeu tem passado por mudanças fonéticas e lexicais, principalmente entre
adolescentes e jovens adultos.
A situação gerou reação entre setores mais conservadores e linguistas lusos, que enxer-
gam risco de perda da identidade cultural e linguística. Um editorial do jornal público chegou
ATUALIDADES

a classificar o momento como uma “nova forma de dependência simbólica”, invertendo os


papéis históricos da colonização.
O governo português evitou entrar diretamente na polêmica, mas o ministro da Cultura
defendeu a diversidade e o intercâmbio como riquezas do espaço lusófono.

132 BRAUN, J. ‘Portugal colônia do Brasil?’: como influência brasileira gera tensão no país. BBC News Brasil, 2025.
Disponível em: https: //[Link]/portuguese/articles/czellpzll66o. Acesso em: 16 de jun. 2025. 177
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No Brasil, intelectuais reagiram com ironia: para muitos, trata-se de uma resistência eli-
tista ao protagonismo da cultura periférica e popular brasileira, que finalmente ganha reco-
nhecimento internacional.
A tensão revela também a força do “soft power” brasileiro, que se projeta por meio de
novelas, músicas e plataformas digitais. Mais do que uma disputa de vocabulário ou costu-
mes, o caso reflete desequilíbrios históricos e novos contornos da globalização cultural.

„ Histórico do fenômeno

A influência cultural brasileira em Portugal vem crescendo desde o início do século XXI,
impulsionada por laços históricos e linguísticos compartilhados, mas também pelo grande
fluxo migratório e pela presença massiva de conteúdos midiáticos brasileiros.
Nos anos 2000, novelas brasileiras conquistaram espaço em canais portugueses, abrindo
caminho para o reconhecimento da música popular, do cinema e das expressões culturais
brasileiras.
Nos últimos anos, com a expansão das redes sociais e plataformas de streaming, essa
influência se intensificou de forma exponencial, especialmente entre as gerações mais jovens.
O brasileiro tornou-se um modelo de expressão informal e de produção cultural, enquan-
to o português europeu passa por mudanças aceleradas, que geram desconforto em setores
tradicionais.
Essa dinâmica cultural tem desafiado a ideia clássica de hegemonia cultural europeia
sobre o Brasil, invertendo temporariamente papéis e levantando debates sobre identidade e
poder simbólico.

z Show de Lady Gaga em Copacabana bate recorde de público133

A cantora norte-americana Lady Gaga realizou um show gratuito na Praia de Copacabana,


Rio de Janeiro, em maio de 2025, reunindo cerca de 2,1 milhões de pessoas — o maior públi-
co de sua carreira e um dos maiores da história dos shows ao ar livre no Brasil. O evento foi
organizado em parceria com a prefeitura do Rio como parte de um festival internacional de
música e diversidade.
O espetáculo contou com uma estrutura grandiosa, incluindo drones, fogos de artifício e
um repertório que mesclou sucessos antigos com lançamentos recentes. Lady Gaga também
usou o palco para falar sobre saúde mental, diversidade e direitos LGBTQIAPN+, temas que
mobilizam sua base de fãs e se conectam com movimentos sociais brasileiros.
O impacto do evento foi sentido além da música: a rede hoteleira da cidade registrou ocu-
pação de 95%, o comércio da região teve aumento significativo nas vendas, e o setor de turis-
mo viu um impulso considerável. A prefeitura estima que o evento gerou cerca de R$ 200
milhões em movimentação econômica direta e indireta.
O show foi marcado por um forte esquema de segurança e uma estrutura de saúde montada
na orla, com mais de 200 atendimentos médicos, porém sem incidentes graves.

133 VALBÃO, M. Guinness Book confirma recorde de show de Lady Gaga em Copacabana. CNN Brasil, 2025. Dispo-
nível em: https: //[Link]/entretenimento/guinness-book-confirma-recorde-de-show-de-lady-gaga-
178 -em-copacabana/. Acesso em: 16 de jun. 2025.
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A presença de Lady Gaga no Brasil reacendeu o debate sobre o uso de grandes eventos
como estratégia de promoção turística, especialmente em tempos de crise econômica.

z Pesquisa revela o Brasil como a nação mais miscigenada do planeta e expõe os refle-
xos históricos e geopolíticos da colonização e da escravidão na constituição genética
da população134

Uma pesquisa inédita publicada na prestigiosa revista científica Science revelou, por meio
da análise do genoma de 2,7 mil brasileiros de diferentes regiões, que o Brasil é o país mais
miscigenado do mundo.
O estudo traçou um panorama genético que traduz, com exatidão científica, os caminhos
históricos, sociais e geopolíticos que moldaram a nação brasileira ao longo de mais de cinco
séculos de colonização, escravidão e mobilidade populacional.
De acordo com os dados, o chamado “genoma brasileiro” é composto por cerca de 60%
de ancestralidade europeia, 27% africana e 13% indígena. A distribuição desses traços varia
conforme a região do país:

„ o Sul e o Sudeste apresentam predominância de ascendência europeia, reflexo direto


das ondas migratórias de colonizadores portugueses e, posteriormente, de imigrantes
italianos, alemães e espanhóis;
„ o Nordeste concentra maior herança genética africana, consequência da intensa pre-
sença de escravizados trazidos da África durante o período colonial;
„ o Norte e o Centro-Oeste mantêm proporções mais elevadas de ancestralidade indíge-
na em razão da presença continuada de povos originários e da ocupação tardia e mais
dispersa dessas áreas.

z A miscigenação como fenômeno histórico violento

Embora a miscigenação seja frequentemente celebrada como traço distintivo da identi-


dade nacional, a pesquisa também confirma o caráter violento e desigual desse processo
histórico no Brasil.
O estudo mostrou que 71% da contribuição genética masculina são de origem europeia,
enquanto 77% da contribuição genética feminina são de origem africana ou indígena. Esse
dado revela uma dinâmica de dominação colonial em que homens europeus se relaciona-
ram, muitas vezes de forma coercitiva, com mulheres negras e indígenas, consolidando um
padrão de assimetria de poder que marcou profundamente a formação social e étnica do
país.

z Uma leitura geopolítica da genética


ATUALIDADES

A partir de uma perspectiva geopolítica, esses dados genéticos não apenas revelam a
diversidade do povo brasileiro, mas também evidenciam as marcas duradouras de processos

134 ESTUDO diz que Brasil é um dos países mais miscigenados do planeta. Poder360, 2025. Disponível em: https://
[Link]/poder-saude/estudo-diz-que-brasil-e-um-dos-paises-mais-miscigenados-do-planeta/. Aces-
so em: 16 de jun. 2025. 179
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históricos globais, como a colonização europeia, o tráfico transatlântico de escravizados e a
marginalização dos povos indígenas.
A composição do genoma brasileiro é, portanto, um espelho das hierarquias geopolíticas
impostas durante a era moderna, em que o Brasil se posicionava como periferia do sistema
colonial europeu e palco de um dos maiores experimentos forçados de mestiçagem do mun-
do ocidental.
Além disso, ao expor o impacto genético da violência colonial, o estudo oferece uma base
científica que fortalece os debates contemporâneos sobre desigualdade racial, reparações
históricas e reconhecimento dos direitos das populações negras e indígenas no Brasil.
A genética, nesse contexto, torna-se ferramenta de análise crítica da história e das relações
de poder que ainda hoje moldam o espaço social e político brasileiro.

z Nova política de EaD no Brasil redefine o futuro do Ensino Superior135

A Educação a Distância (EaD) no Brasil passou por uma profunda reformulação com a assi-
natura de um novo decreto presidencial pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A medida, que estabelece a Nova Política Nacional de Educação a Distância, impõe novas
regras para a oferta de cursos superiores online, com o objetivo de garantir maior qualidade
de formação e integridade acadêmica.
A principal mudança é a proibição da modalidade EaD para cursos de alta complexidade e
responsabilidade social, como medicina, direito, odontologia, enfermagem e psicologia. Esses
cursos deverão, obrigatoriamente, ser ofertados exclusivamente no modelo presencial, aten-
dendo a uma antiga demanda de conselhos profissionais e especialistas da área da saúde e
do direito.
A medida representa um marco no reposicionamento do Brasil diante das práticas globais
de formação acadêmica, especialmente em um cenário em que o avanço tecnológico vinha
sendo explorado de forma intensa, porém muitas vezes sem o devido controle de qualidade.
Ao reforçar a obrigatoriedade da presencialidade em áreas críticas, o governo busca rea-
firmar a soberania do Estado sobre a formação profissional de setores essenciais, além de
evitar a mercantilização do ensino superior.

„ O novo modelo híbrido e o controle pedagógico

O Ministério da Educação (MEC) foi responsável por detalhar a nova regulamentação.


A pasta instituiu o modelo semipresencial de forma estruturada e controlada, permitin-
do que parte das atividades ocorra virtualmente, mas com regras claras para a mediação
pedagógica.
As aulas on-line deverão ser síncronas, ou seja, ocorrer em tempo real, com a participa-
ção ativa dos estudantes e mediação docente qualificada.
Esse novo modelo visa equilibrar inovação tecnológica e qualidade pedagógica, garantin-
do que o uso da internet como ferramenta de ensino não signifique a precarização da forma-
ção acadêmica.

135 ASSINADO decreto que institui a Nova Política de EaD. GOV, 2025. Disponível em: https: //[Link]/mec/
pt-br/assuntos/noticias/2025/maio/assinado-decreto-que-institui-a-nova-politica-de-ead. Acesso em: 16 de jun.
180 2025.
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A interação entre aluno e professor se torna central, e o ambiente virtual deve garantir
acompanhamento, avaliação contínua e engajamento efetivo.

„ Uma visão geopolítica da reforma educacional

Sob uma ótica geopolítica, essa mudança na política de EaD pode ser interpretada como
uma resposta estratégica do Brasil diante da globalização do ensino superior, que nos últimos
anos foi marcada por expansão desenfreada, desregulamentação e influência de conglome-
rados educacionais transnacionais.
O decreto de Lula marca uma tentativa de reconstruir a autonomia do país sobre sua políti-
ca educacional, em consonância com uma agenda de soberania e desenvolvimento nacional.
Ao proteger a formação de profissionais em áreas-chave, o Estado brasileiro evita a for-
mação massiva e desqualificada que poderia comprometer a segurança sanitária, jurídica e
social da população. Além disso, o fortalecimento do ensino presencial representa um inves-
timento nas instituições públicas e comunitárias, reafirmando o papel da educação como
bem público e estratégico para o desenvolvimento.

z Dilma Rousseff é anistiada pelo Estado Brasileiro136

No dia 22 de maio de 2025, a ex-presidente Dilma Rousseff foi oficialmente anistiada pela
Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania em uma cerimônia
marcada por forte simbolismo político e histórico.
Dilma recebeu, além do reconhecimento formal da perseguição e tortura que sofreu
durante a Ditadura Militar, um pedido público de desculpas do Estado brasileiro e uma inde-
nização de R$ 100 mil referente à sua demissão da Fundação de Economia e Estatística do Rio
Grande do Sul, em 1977.
A anistia é o resultado de um processo iniciado há mais de duas décadas: o pedido original
foi protocolado por Dilma em 2002, mas foi suspenso por decisão da própria ex-presiden-
te, que optou por não dar seguimento enquanto exerceu cargos públicos — primeiro como
ministra e depois como presidente da República (2011–2016).
Em 2022, o pedido foi negado, o que motivou um recurso apresentado por Dilma. Agora,
em 2025, a comissão reviu a decisão anterior e reconheceu oficialmente os abusos cometidos
contra ela pelo regime militar.

„ Reparação e justiça de transição: um marco político e geopolítico

A concessão da anistia à ex-presidente marca um importante avanço no processo de justi-


ça de transição no Brasil, que visa reparar as violações cometidas por regimes autoritários e
consolidar o Estado democrático de direito.
ATUALIDADES

Essa decisão tem implicações geopolíticas relevantes, pois reposiciona o Brasil no cenário
internacional como um país comprometido com os direitos humanos, a memória histórica
e a responsabilização institucional.

136 VERDÉLIO, A. Comissão aprova anistia para ex-presidente Dilma Rousseff. Agência Brasil, 2025. Disponível em:
[Link]
-dilma-rousseff. Acesso em: 16 de jun. 2025. 181
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Além disso, o gesto tem valor simbólico elevado: trata-se de uma mulher que foi presa,
torturada e perseguida por lutar contra a ditadura e que chegou à presidência da República,
sendo, agora, reconhecida como vítima de graves violações.
O pedido de desculpas oficial representa um ato de responsabilidade do Estado, que rom-
pe com décadas de omissão e silêncio institucional.

„ Um reencontro com a verdade

A reanálise do caso de Dilma Rousseff insere-se em um movimento mais amplo de revisão


de decisões tomadas durante o período recente em que houve esvaziamento da Comissão de
Anistia e retrocessos nas políticas de memória e verdade.
Com a atual gestão federal, há uma tentativa clara de retomar o compromisso com a justi-
ça histórica e de fortalecer mecanismos de reparação e reconhecimento de vítimas do regime
militar (1964—1985).
Essa reorientação também dialoga com experiências internacionais de países latino-ame-
ricanos, como Argentina e Chile, que construíram políticas sólidas de memória e justiça.
O reconhecimento da anistia à ex-presidente fortalece, assim, a posição do Brasil como
ator regional na defesa da democracia, dos direitos humanos e da não repetição de violações
autoritárias.

z Massa de ar polar derruba temperaturas em várias regiões, provoca neve no Sul do


país e reacende discussões sobre os efeitos das mudanças climáticas no Cone Sul137

No dia 27 de maio, uma intensa onda polar — massa de ar extremamente fria proveniente
de regiões próximas ao Círculo Polar Antártico — atingiu o território brasileiro, provocando
uma queda brusca nas temperaturas e fenômenos raros para o país.
Neve foi registrada nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, um evento cli-
mático que, embora não inédito, é considerado incomum, especialmente diante das tempera-
turas médias típicas do outono tropical brasileiro.
A previsão meteorológica indica que o frio deverá persistir até a primeira semana de
junho, com o dia mais gelado previsto para 30 de maio, uma sexta-feira, quando os termôme-
tros devem atingir marcas mínimas históricas em diversas localidades.

„ Geopolítica climática: frentes frias, América do Sul e o clima global

Embora eventos como esse sejam parte do regime natural de frentes frias que atingem o
Cone Sul da América Latina durante o outono e o inverno, a intensidade e a frequência com
que ondas polares têm chegado ao Brasil e países vizinhos levantam preocupações sobre as
consequências das mudanças climáticas globais.
A Antártida — de onde essas massas de ar frio costumam se originar — tem sofrido com
degelo acelerado e instabilidade atmosférica, que alteram os padrões de circulação dos ven-
tos e das correntes oceânicas. Isso provoca uma maior oscilação entre extremos climáticos:

137 ONDA de ar polar: entenda fenômeno que deve causar neve no Sul do Brasil. InfoMoney, 2025. Disponível em:
https: //[Link]/brasil/onda-de-ar-polar-entenda-fenomeno-que-deve-causar-neve-no-sul-do-bra-
182 sil/. Acesso em: 16 de jun. 2025.
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ondas de calor intensas em pleno inverno e ondas de frio abruptas fora de época, fenôme-
nos que desafiam tanto o setor agrícola quanto as infraestruturas urbanas e energéticas da
região.
Além disso, o Brasil, por sua localização estratégica e tamanho continental, ocupa papel
relevante na geopolítica do clima. Seus biomas — como a Amazônia e o Cerrado — funcio-
nam como reguladores climáticos naturais, e a crescente instabilidade atmosférica reforça a
necessidade de políticas públicas integradas de adaptação climática, segurança energética e
monitoramento meteorológico.

„ Impactos regionais e sociais

A chegada da onda polar afeta especialmente as populações vulneráveis no Sul e Sudeste,


que enfrentam maior exposição ao frio sem infraestrutura adequada.
Também pode prejudicar culturas agrícolas sensíveis às baixas temperaturas e pressionar
o sistema de saúde pública diante de um possível aumento nos casos de doenças respiratórias.
As ocorrências de neve no Brasil — por mais que encantem o imaginário popular — são
também um sinal de alerta sobre a instabilidade climática e sua crescente imprevisibilidade.
Monitorar essas mudanças e integrá-las às políticas de desenvolvimento é fundamental para
garantir resiliência climática e justiça ambiental no país.

z Após visita oficial de Lula a Pequim, China anuncia isenção de vistos para brasileiros
e promete até US$ 27 bilhões em investimentos, consolidando sua influência geopolí-
tica na América do Sul138

Em mais um movimento que fortalece a relação entre Brasil e China, a embaixada chine-
sa anunciou a isenção de vistos para cidadãos brasileiros que viajarem ao país asiático por
motivos de negócios, turismo, visitas familiares, intercâmbio ou trânsito, desde que a estadia
não ultrapasse 30 dias.
A nova política entrará em vigor no dia 1º de junho de 2025 , representando um avanço
diplomático significativo nas relações bilaterais, fruto direto da visita oficial do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva à China.
A medida facilita o trânsito de pessoas e amplia as oportunidades de cooperação em diver-
sas áreas, incluindo educação, comércio e inovação. Brasileiros não precisarão mais de visto
para viagens de curta duração, o que deve estimular o aumento do fluxo turístico e de negó-
cios entre as duas maiores economias dos hemisférios Sul e Oriental, respectivamente.

„ Expansão econômica e geopolítica da China no Brasil

Durante o encontro bilateral, o presidente Xi Jinping anunciou uma linha de crédito de US$
ATUALIDADES

9 bilhões ao Brasil voltada para projetos de infraestrutura e desenvolvimento produtivo.

138 NA véspera de encontro com Xi Jinping, Lula anuncia R$ 27 bilhões de investimentos chineses no Brasil. Uol,
2025. Disponível em: https: //[Link]/ultimas-noticias/rfi/2025/05/12/na-vespera-de-encontro-com-xi-
-[Link]. Acesso em: 16 de jun. 2025. 183
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Além disso, os investimentos totais chineses no Brasil podem alcançar US$ 27 bilhões,
distribuídos entre áreas estratégicas como energia, transportes, logística, tecnologia e
agronegócio.
Esse aporte robusto reforça o papel da China como principal parceiro comercial do Bra-
sil, além de evidenciar a estratégia de Pequim de ampliar sua influência na América Latina
por meio de parcerias econômicas e diplomáticas de longo prazo.
A expansão desses vínculos está inserida na Iniciativa do Cinturão e Rota (BRI), um ambi-
cioso projeto geopolítico chinês que busca conectar países da Ásia, África e América Latina
por meio de investimentos em infraestrutura e integração econômica.

„ Brasil entre gigantes: um ator-chave no Sul Global

Do ponto de vista geopolítico, a aproximação entre Brasil e China reconfigura o posiciona-


mento internacional brasileiro. O país busca fortalecer sua atuação no chamado Sul Global,
equilibrando sua relação com potências ocidentais e asiáticas.
Ao mesmo tempo, Lula retoma uma política externa ativa e altiva, baseada na diversifica-
ção de parcerias e na busca por autonomia diante das disputas entre Estados Unidos e China.
A isenção de vistos também simboliza um gesto de confiança diplomática mútua, além de
se alinhar com a estratégia brasileira de atrair investimentos estrangeiros e fomentar a inter-
nacionalização de empresas nacionais.

z Com o registro do primeiro caso em granja comercial no Rio Grande do Sul, dezenas
de países impõem restrições à carne de frango brasileira139

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) divulgou, em 21 de maio, uma atualização


sobre os embargos internacionais à carne de frango do Brasil após a confirmação do primei-
ro caso de gripe aviária (H5N1) em uma granja comercial, localizada no município de Monte-
negro (RS), no dia 15 de maio.
A nova lista inclui Jordânia e Filipinas entre os países que suspenderam totalmente as
importações de carne de frango brasileira.
O Brasil, que é o maior exportador de carne de frango do mundo, agora enfrenta restrições
de ao menos 30 países e blocos econômicos. Os embargos variam entre proibições nacionais,
estaduais e locais, dependendo do grau de risco que cada país avalia.
Embora o consumo de carne de frango e ovos não represente risco à saúde humana, con-
forme reforça o Mapa, as medidas têm caráter preventivo, com o objetivo de proteger os
plantéis comerciais dos países importadores e evitar a disseminação da doença.

z Lista de países e blocos com restrições

„ Embargo total à carne de aves de todo o Brasil: África do Sul, Argentina, Bolívia, Cana-
dá, Chile, China, Coreia do Sul, Filipinas, Iraque, Jordânia, Malásia, Marrocos, Méxi-
co, Paquistão, Peru, República Dominicana, Sri Lanka, Timor-Leste, União Europeia,

139 VEJA os países com embargos à carne de frango do Brasil após gripe aviária. G1, 2025. Disponível em: https:
//[Link]/economia/agronegocios/noticia/2025/05/28/governo-atualiza-lista-de-embargos-ao-frango-brasi-
184 [Link]. Acesso em: 16 de jun. 2025.
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União Eurasiática (Rússia, Bielorrússia, Armênia e Quirguistão — exceto Cazaquistão),
Uruguai;
„ Embargo regional (somente à carne de aves do Rio Grande do Sul): Bahrein, Bósnia
e Herzegovina, Cazaquistão, Cuba, Macedônia, Montenegro, Reino Unido, Tajiquistão,
Ucrânia;
„ Embargo local (apenas à cidade de Montenegro, RS — sem impacto comercial dire-
to): Arábia Saudita e Japão — não há frigoríficos exportadores nessa cidade, segundo o
governo brasileiro.

z Geopolítica sanitária e comercial: o peso do Brasil na cadeia global de alimentos

O impacto dessas restrições vai além do setor agropecuário e revela como questões sani-
tárias estão diretamente ligadas à geopolítica e à segurança alimentar global. O frango bra-
sileiro abastece cerca de 160 mercados internacionais, o que torna o país um ator central na
cadeia global de proteínas animais.
A gripe aviária é uma das doenças com maior potencial disruptivo no comércio interna-
cional de alimentos. Mesmo sem risco ao consumo, o simples registro da infecção em uma
granja comercial acende alertas sanitários e econômicos, exigindo do Brasil transparência,
rastreabilidade e diplomacia sanitária para reverter os embargos.
Essa situação também evidencia a vulnerabilidade de países altamente dependentes de
exportações agropecuárias, como o Brasil, e reforça a importância da diversificação de mer-
cados, investimentos em biossegurança e fortalecimento da vigilância sanitária.

z Próximos passos e desafios

O Ministério da Agricultura e Pecuária informou que tem dialogado com os países impor-
tadores para esclarecer que o foco é pontual e isolado, e que as medidas de contenção foram
imediatamente adotadas.
A meta é recuperar a confiança dos mercados e reverter os embargos o mais rápido possí-
vel, especialmente entre os parceiros comerciais mais estratégicos, como China, União Euro-
peia e Japão.
Essa crise reforça a necessidade de o Brasil investir em diplomacia sanitária, acelerar a
modernização da defesa agropecuária e desenvolver planos de resposta rápida para manter
sua posição de liderança global no agronegócio.

ATUALIDADES — JUNHO DE 2025

Mundo
ATUALIDADES

z O hoque dos titãs: Trump versus Musk e as consequências para a geopolítica e a eco-
nomia global140

140 ZURCHER, A. Trump x Musk: o que acontece quando homem mais rico do mundo enfrenta o mais poderoso?
BBC. 2025. Disponível em: https: //[Link]/portuguese/articles/c4g7yxz0832o. Acesso em: jun. 2025. 185
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A recente efervescência na relação entre Donald Trump e Elon Musk transcende uma mera
disputa pessoal, revelando-se um episódio marcante com profundas implicações geográficas,
históricas e geopolíticas.
O embate, iniciado pela crítica de Musk a um projeto de lei republicano que visava elimi-
nar subsídios a veículos elétricos, escalou rapidamente, com Trump ameaçando cortar con-
tratos federais bilionários com empresas como Tesla, SpaceX e Starlink.
A resposta de Musk foi igualmente contundente, sugerindo uma ligação de Trump com
Jeffrey Epstein e chegando a pedir seu impeachment.

„ Um olhar histórico: precedentes e rupturas

Historicamente, a relação entre o governo e grandes corporações nos Estados Unidos sem-
pre foi complexa e, muitas vezes, ambivalente. Desde os “barões ladrões” do século XIX, que
acumularam vastas fortunas e influência, até as gigantes de tecnologia da atualidade, a dinâ-
mica de poder oscilou entre a colaboração e o confronto.
O que torna o embate Trump-Musk particularmente notável é o rompimento de uma alian-
ça tácita entre duas figuras de imenso poder e visibilidade.
Anteriormente, Musk, embora excêntrico, era visto com certa simpatia por setores conser-
vadores, especialmente por suas críticas à regulação excessiva e seu foco em inovação.
A virada demonstra a fragilidade das alianças políticas e a disposição de Trump em utili-
zar o peso do governo para retaliar oponentes, mesmo que estes sejam peças-chave da eco-
nomia americana.
O pedido de impeachment por parte de Musk e a insinuação de envolvimento com Jeffrey
Epstein também evocam um passado de escândalos políticos e figuras controversas na his-
tória americana. A sombra de Epstein, com sua rede de contatos influentes e acusações de
tráfico sexual, adiciona uma camada sombria e explosiva a esta já volátil disputa.

„ A perspectiva geográfica: o Vale do Silício e Washington em colisão

Geograficamente, o conflito acentua a tensão crescente entre Washington D.C. e o Vale do


Silício. Tradicionalmente, o centro político dos EUA e o polo de inovação tecnológica operam
em esferas distintas, embora interdependentes.
O Vale do Silício, com seu espírito de disrupção e busca por autonomia, frequentemente
colide com a burocracia e as regulamentações governamentais.
A ameaça de Trump de cortar contratos federais atinge o coração das operações de empre-
sas como SpaceX e Starlink, que dependem fortemente de acordos governamentais para seus
projetos espaciais e de conectividade.
A Starlink, por exemplo, tem sido crucial na provisão de internet em áreas remotas e
zonas de conflito, como na Ucrânia, demonstrando a intersecção entre tecnologia e geopolíti-
ca. A possibilidade de interrupção desses serviços não é apenas uma questão econômica para
Musk, mas pode ter ramificações significativas para a infraestrutura digital e a segurança
global.
A mobilidade elétrica, impulsionada pela Tesla, também é um componente chave na tran-
sição energética global, e a retirada de subsídios pode impactar a velocidade e a escala dessa
transição nos EUA.
186
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„ Implicações geopolíticas: o efeito dominó global

No campo geopolítico, a disputa entre Trump e Musk expõe a vulnerabilidade de empresas


estratégicas a pressões políticas internas. Embora o conflito seja doméstico, suas repercus-
sões podem ser sentidas globalmente. Empresas como Tesla e SpaceX não são apenas corpo-
rações americanas; elas são atores globais com influência em setores como espaço, energia e
inteligência artificial.
A instabilidade gerada por essa disputa pode ser interpretada por rivais estratégicos
como China e Rússia como um sinal de fragilidade na governança americana e na relação
público-privada.
Além disso, a dependência de países aliados de tecnologias americanas, como a Starlink,
pode ser questionada se a continuidade dos serviços for vista como suscetível a caprichos
políticos.
A queda das ações da Tesla, que gerou perdas bilionárias, é um termômetro imediato des-
sa instabilidade e um alerta para os investidores globais sobre os riscos de atritos entre o
governo e o setor privado nos EUA.
Em um cenário em que a influência tecnológica se traduz diretamente em poder geopo-
lítico, o embate Trump-Musk não é apenas um espetáculo midiático, mas um prenúncio de
como as tensões internas em grandes potências podem reverberar e redefinir o equilíbrio de
poder global.
A questão dos limites éticos no uso de influência política sobre contratos públicos ganha
centralidade, questionando a integridade do sistema e o papel do Estado na economia de
mercado.

z Cristina Kirchner condenada: cinco pontos que explicam o impacto da decisão histó-
rica da Suprema Corte argentina141

Em 10 de junho de 2025, a Suprema Corte da Argentina confirmou a condenação da ex-pre-


sidente Cristina Kirchner, impondo oito anos de prisão em regime fechado e a inabilitação
para exercer cargos públicos.
A decisão unânime da Corte trata de um dos casos de corrupção mais emblemáticos da
política argentina, conhecido como “Vialidad”, relacionado a contratos superfaturados de
obras rodoviárias durante o governo Kirchner.

„ A essência da condenação: corrupção e lavagem de dinheiro

Cristina Kirchner foi condenada por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em contra-
tos que envolveram a empresa estatal de obras públicas.
A acusação sustenta que houve desvio de verbas públicas por meio de superfaturamento
ATUALIDADES

e favorecimento irregular de empresas ligadas a seus aliados políticos durante sua gestão
(2007–2015).

141 ENTENDA condenação de Cristina Kirchner por corrupção na Argentina. CNN Brasil, 2025. Disponível em:
https: //[Link]/internacional/entenda-condenacao-de-cristina-kirchner-por-corrupcao-na-argenti-
na/. Acesso em: jun. 2025. 187
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„ Reação política: acusação de perseguição e tentativa de interdição

A ex-presidente e seus seguidores alegam que a condenação é fruto de perseguição políti-


ca, um instrumento para excluir Kirchner do cenário político argentino.
Seu partido, o Frente de Todos, e movimentos aliados classificaram o julgamento como
uma tentativa de “interdição política”, buscando enfraquecer a maior liderança peronista e
seu poder eleitoral.

„ O impacto na correlação de forças internas do peronismo

A decisão marca um ponto de ruptura no histórico peronismo, dividido entre correntes


que apoiam Cristina Kirchner e outras que buscam afastá-la do poder. A sentença altera o
equilíbrio interno, favorecendo setores que querem renovar a liderança e moldar a agenda
política para as eleições presidenciais de 2025.

„ Geopolítica regional: repercussões na América do Sul

O desfecho do caso Kirchner tem efeitos além das fronteiras argentinas, impactando as
relações políticas e econômicas da Argentina com seus vizinhos e parceiros sul-americanos.
O país é peça-chave no MERCOSUL e em blocos regionais, e a polarização política pode
influenciar alianças estratégicas e negociações comerciais em um momento de instabilidade
global.

„ Cenário eleitoral e futuro político

Com a ex-presidente condenada e impedida de concorrer a cargos públicos, as eleições de


2025 ganham um novo contorno, com a possibilidade de fortalecimento de candidatos mais
moderados ou opositores tradicionais.
O processo judicial alimenta um debate sobre transparência, impunidade e a luta contra a
corrupção na América Latina, temas centrais para o eleitorado.
A condenação de Cristina Kirchner representa uma mudança profunda na política argen-
tina, que pode redefinir o rumo do peronismo e das dinâmicas políticas da região.
O julgamento expõe as tensões entre justiça e política, refletindo os desafios enfrentados por
democracias latino-americanas na busca por governança ética e estabilidade institucional.

z Trump reacende tensão migratória com bloqueio total a 12 países e restrições par-
ciais na América Latina142

No dia 4 de junho de 2025, o presidente Donald Trump assinou uma nova proclamação
presidencial que determinou o banimento absoluto da entrada de cidadãos de 12 países:

„ Afeganistão;

142 TRUMP proíbe entrada nos EUA de 12 nacionalidades em 2025. Mundial Vistos, 2025. Disponível em: https:
//[Link]/noticias/trump-proibe-entrada-nos-eua-de-12-nacionalidades-em-2025/. Acesso em: jun.
188 2025.
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„ Mianmar;
„ Chade;
„ República do Congo;
„ Guiné Equatorial;
„ Eritreia;
„ Haiti;
„ Irã;
„ Líbia;
„ Somália;
„ Sudão; e
„ Iêmen.

Além disso, outros sete países — Cuba, Venezuela, Burundi, Laos, Serra Leoa, Togo e Tur-
comenistão — passam a enfrentar restrições parciais, limitadas a categorias específicas de
vistos de turismo, de estudo e de trabalho.
Sob a justificativa de proteger a segurança nacional, a Casa Branca argumentou que esses
países apresentam falhas estruturais em seus sistemas de verificação de antecedentes, coope-
ração diplomática insuficiente e risco elevado de entrada de indivíduos considerados ameaça
à ordem interna dos Estados Unidos.
Os vistos emitidos anteriormente seguem válidos, mas novos pedidos foram suspensos por
tempo indeterminado, o que já afeta estudantes, trabalhadores temporários e turistas.
Do ponto de vista histórico, essa política retoma práticas polêmicas já vistas durante o
primeiro mandato de Trump (2017–2021), quando medidas semelhantes ficaram conhecidas
como “Muslim Ban”, por banirem majoritariamente nações de maioria islâmica e gerarem
forte contestação judicial.
Agora, a nova lista expande o alcance geográfico do bloqueio, atingindo também países da
África Subsaariana, Sudeste Asiático e América Latina, o que amplia o escopo geopolítico da
medida.
Geograficamente, observa-se que a maioria dos países alvo enfrenta instabilidade política
crônica, conflitos civis ou regimes autoritários. Muitos também sofrem com fragilidade insti-
tucional, o que dificulta acordos de cooperação migratória.
Na América Latina, o impacto é ainda mais simbólico: Cuba e Venezuela, já sob sanções
econômicas severas dos EUA, agora veem sua população ainda mais isolada, alimentando
tensões regionais e a retórica antiamericana de governos aliados.
A reação internacional foi imediata. O Chade, por exemplo, suspendeu a emissão de vistos
para cidadãos norte-americanos em retaliação direta, enquanto organizações multilaterais,
como a ONU e a União Africana, condenaram o ato como discriminatório e como potencial
violação de acordos internacionais de direitos humanos.
Internamente, o decreto reacendeu protestos em diversas cidades americanas e aprofun-
ATUALIDADES

dou a polarização sobre os poderes presidenciais em matéria de imigração, um tema que


deve ter peso decisivo na disputa eleitoral de 2026.
Do ponto de vista geopolítico, a decisão de Trump reforça o discurso de política exter-
na unilateralista, voltada para o endurecimento das fronteiras e o nacionalismo econômico,
marcas registradas de sua gestão.
Ao tensionar relações com países estratégicos na Ásia, Oriente Médio e África, os Esta-
dos Unidos podem abrir brechas para maior influência de potências rivais, como China e
189
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Rússia, que já têm expandido sua presença diplomática e econômica em várias dessas nações
banidas.
Em síntese, o banimento migratório anunciado por Trump não é apenas uma questão de
controle de fronteiras, mas um movimento com impactos profundos para a dinâmica das
migrações globais, para o debate sobre direitos civis e para os equilíbrios geopolíticos, sobre-
tudo em regiões frágeis em que disputas de influência se intensificam.

z Gavin Newsom: o governador da Califórnia que se torna símbolo de resistência a


Trump143

O cenário político americano está cada vez mais polarizado, e a figura de Gavin Newsom,
atual governador da Califórnia, emergiu como um desafiador proeminente de Donald Trump.
O recente embate durante os protestos migratórios em Los Angeles, no qual Newsom acio-
nou judicialmente o governo federal para impedir o envio de tropas e acusou Trump de auto-
ritarismo, catapultou sua popularidade e o consolidou como uma voz importante no Partido
Democrata.

„ A ascensão de um político progressista

Newsom não é um nome novo na política californiana. Com uma trajetória que inclui os
cargos de ex-prefeito de São Francisco e vice-governador, ele construiu uma reputação de
político com posições progressistas firmes. Sua gestão tem sido marcada por políticas ambi-
ciosas em diversas frentes, refletindo os valores liberais que caracterizam a Califórnia.
No contexto ambiental, Newsom tem sido um defensor ferrenho de energias limpas,
impulsionando iniciativas para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e combater as
mudanças climáticas.
Em direitos civis, sua administração tem se destacado pela legalização da maconha para
uso recreativo e pela proteção a imigrantes, desafiando abertamente as políticas restritivas
do governo federal.
Na saúde pública, ele tem defendido a expansão do acesso a serviços e a proteção de direi-
tos reprodutivos, alinhando-se com a ala mais progressista de seu partido.

„ Geopolítica doméstica e o confronto com o trumpismo

O confronto direto com Donald Trump, especialmente em um tema tão sensível como a
imigração, posicionou Newsom como um símbolo de resistência ao “trumpismo”.
A Califórnia, com sua grande população imigrante e sua forte economia, tem sido um con-
traponto constante às políticas da administração de Trump, que muitas vezes buscou centra-
lizar o poder federal e impor suas visões sobre os estados.
A ação judicial de Newsom contra o envio de tropas federais a Los Angeles ilustra a tensão
federativa nos Estados Unidos. A Califórnia, muitas vezes, atua como um “laboratório” de
políticas progressistas que podem, eventualmente, influenciar o cenário nacional.

4 SÍMBOLO da resistência a Trump, governador da Califórnia é única esperança de democratas. RFI, 2025. Disponí-
vel em: https: //[Link]/br/am%C3%A9ricas/20250612-s%C3%ADmbolo-da-resist%C3%AAncia-a-trump-governa-
190 dor-da-calif%C3%B3rnia-%C3%A9-%C3%BAnica-esperan%C3%A7a-de-democratas. Acesso em: jun. 2025.
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A popularidade de Newsom após esses episódios, confirmada por pesquisas recentes,
demonstra que há um eleitorado considerável que busca uma alternativa forte e assertiva às
narrativas de Trump.

„ Olhando para o futuro: um potencial presidenciável

A atuação de Gavin Newsom o coloca, sem dúvida, entre os principais nomes da ala demo-
crata para os próximos ciclos eleitorais. Com Joe Biden possivelmente não disputando a ree-
leição em 2028, Newsom emerge como um potencial presidenciável, com uma plataforma
sólida e uma base de apoio crescente.
A experiência de Newsom em gerir a maior economia estadual dos EUA, combinada com
sua capacidade de enfrentar diretamente as políticas conservadoras, o torna um candidato
atraente para o eleitorado democrata.
A Califórnia, além de sua relevância econômica e cultural, desempenha um papel signi-
ficativo na política nacional. A capacidade de Newsom de galvanizar o apoio e de se opor a
figuras como Trump não apenas fortalece sua posição dentro do partido, mas também molda
o discurso e as estratégias futuras dos democratas.

z Atentado contra Miguel Uribe abala eleições e escancara tensões históricas na


Colômbia144

Em 7 de junho de 2025, a Colômbia foi surpreendida por um violento atentado político:


Miguel Uribe Turbay, jovem senador e pré-candidato à presidência pelo Centro Democrático,
foi baleado durante um comício em Bogotá.
O ataque, executado por um adolescente de apenas 14 anos armado com uma pistola, dei-
xou Uribe em estado crítico, exigindo cirurgia de emergência e vários dias de internação em
unidade de terapia intensiva.
Miguel Uribe, neto do ex-presidente Julio César Turbay, simbolizava a renovação da direi-
ta colombiana e era uma das principais vozes de oposição ao governo de Gustavo Petro. Seu
crescimento nas pesquisas entre o eleitorado conservador indicava uma disputa polarizada
para as eleições de 2026. O atentado, classificado por Petro como “um ataque direto à demo-
cracia”, levou o presidente a suspender compromissos internacionais para coordenar a res-
posta institucional.
Do ponto de vista histórico, a Colômbia carrega um longo histórico de violência política,
que remonta à década de 1940 com o assassinato de Jorge Eliécer Gaitán, evento que defla-
grou o período conhecido como “La Violencia”. Desde então, o país tem vivido com uma espi-
ral de conflitos envolvendo grupos guerrilheiros, paramilitares, cartéis de drogas e milícias
urbanas — estas, inclusive, são suspeitas de ligação com o atentado contra Uribe.
No olhar geográfico, a escolha de Bogotá como palco do crime evidencia a vulnerabilidade
ATUALIDADES

até mesmo de áreas urbanas centrais, que tradicionalmente concentram os atos de campa-
nha eleitoral e instituições do Estado.
A presença de grupos armados urbanos, incluindo gangues juvenis cooptadas por redes
criminosas maiores, reflete a persistente dificuldade do Estado colombiano em garantir

144 CUETO, J. C. A crise política que culminou no atentado contra Miguel Uribe na Colômbia. BBC News Brasil,
2025. Disponível em: https: //[Link]/portuguese/articles/c5y8mkd8rplo. Acesso em: jun. 2025. 191
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segurança plena nas cidades, mesmo após acordos de paz com as Forças Armadas Revolucio-
nárias da Colômbia (FARC).
Sob a lente geopolítica, o episódio revelou as fragilidades da democracia colombiana em
um contexto de disputas entre forças progressistas, representadas por Petro, e a direita con-
servadora, personificada por Uribe
O atentado ocorreu em um momento de forte pressão internacional para que a Colômbia
consolidasse os processos de paz e avançasse na estabilização institucional. Uma escalada de
violência política poderia afetar relações externas, sobretudo com os Estados Unidos, tradi-
cional parceiro em temas de segurança e combate ao narcotráfico.
O agressor — um adolescente — expõe, ainda, uma questão social alarmante: o recruta-
mento de menores por grupos armados, um desafio histórico para as autoridades colombia-
nas, que enfrentam a convergência de pobreza urbana, violência e fragilidade educacional
como terreno fértil para a criminalidade organizada.
Em síntese, o atentado contra Miguel Uribe não é apenas um episódio isolado de violência,
mas um sinal de alerta sobre a persistência de estruturas de poder paralelas, a vulnerabilida-
de das instituições democráticas e os riscos de radicalização que podem marcar as próximas
eleições.
O caso amplia a urgência de políticas públicas que combatam a criminalidade juvenil,
fortaleçam a segurança eleitoral e restabeleçam a confiança na estabilidade política do país.

z Portugal: a nova era da imigração e o impacto em milhares de vidas145

Portugal, país historicamente conhecido por sua abertura à imigração e laços com a comu-
nidade lusófona, está passando por uma revisão significativa de sua política migratória.
Em junho, o governo iniciou um processo de reavaliação de quase 34 mil pedidos de resi-
dência temporária que estavam pendentes há mais de dois anos. Essa medida, que pode levar
à expulsão de imigrantes, afeta particularmente brasileiros, bengaleses, indianos e cidadãos
da África lusófona, com uma projeção oficial de cerca de cinco mil brasileiros impactados.

„ Contexto histórico e geográfico: o influxo migratório e seus desafios

Historicamente, Portugal tem sido um destino popular para imigrantes, especialmente


aqueles de países de língua portuguesa, devido à facilidade da língua e aos laços culturais.
A recente crise econômica e a busca por melhores oportunidades impulsionaram um
aumento considerável no número de imigrantes no país. Esse fluxo, embora vital para seto-
res como a construção civil e o turismo, também gerou pressões sobre os serviços públicos e
a capacidade de integração.
Geograficamente, a localização de Portugal na Península Ibérica, porta de entrada para a
Europa, torna-o um ponto estratégico para migrantes que buscam acesso ao continente.
A capital, Lisboa, e outras cidades maiores concentram grande parte da população imi-
grante, o que, por vezes, sobrecarrega a infraestrutura local e os serviços sociais.

145 MARTINS, M. Imigração em Portugal fica mais rígida: saiba quais são as novas regras para brasileiros em
2025. Eurodicas, 2025. Disponível em: https //[Link]/portugal-ajusta-politica-migratoria/. Acesso
192 em: jun. 2025.
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z As razões do governo português: “insustentabilidade” e mudanças legais

O governo português justificou a revisão dos pedidos, alegando que a regularização de


um volume tão grande de processos antigos se tornou insustentável. Essa decisão vem na
esteira de mudanças na lei de imigração aprovadas em maio de 2025, que visam simplificar
o sistema, mas também tornar mais rigorosos os critérios para a obtenção de residência e
cidadania.
Entre as principais alterações, destacam-se:

„ Aumento do tempo de residência legal para cidadania: para a maioria das nacio-
nalidades, o período passou de cinco para 10 anos. Para cidadãos da Comunidade dos
Países de Língua Portuguesa (CPLP), incluindo brasileiros, o tempo aumentou de cinco
para sete anos;
„ Contagem do tempo de residência: agora, o período de residência é contado a partir
da emissão da primeira autorização de residência, e não da data da solicitação, o que
pode atrasar o processo de cidadania para muitos;
„ Novos requisitos de integração: será exigida proficiência na língua portuguesa (nível
A2) e conhecimento da cultura e dos valores cívicos portugueses, a ser comprovado por
meio de testes oficiais;
„ Restrições à reunificação familiar: agora, o residente deve ter, no mínimo, dois anos
de residência legal em Portugal antes de solicitar a reunificação, e apenas filhos meno-
res podem solicitá-la a partir de Portugal, os demais devem fazê-lo do exterior;
„ Fim da “manifestação de interesse”: este mecanismo popular, que permitia que imi-
grantes em Portugal solicitassem a regularização de sua situação mesmo sem um visto
inicial, tem sido gradualmente descontinuado, direcionando as solicitações para cami-
nhos legais mais formais;
„ Reforço do controle de fronteiras: o país busca implementar os sistemas europeus de
controle de entrada e saída (EES) e de informação e autorização de viagem (ETIAS) para
modernizar e tornar mais eficientes as fronteiras.

Essas mudanças, embora apresentadas como um esforço para organizar o sistema e pro-
mover uma melhor integração, são vistas por muitos como um movimento para reduzir o
número de imigrantes no país.

„ Críticas e acusações: “limpeza administrativa” e prejuízo social

Organizações da sociedade civil e setores da oposição têm criticado duramente a deci-


são, acusando o governo de promover uma “limpeza administrativa”. Além disso, argumen-
tam que a medida não apenas dificultará a integração de imigrantes já estabelecidos, mas
ATUALIDADES

também prejudicará setores essenciais da economia portuguesa, como a construção civil e o


turismo, que dependem fortemente da mão de obra estrangeira.
Há também preocupações com o impacto social e humanitário dessas expulsões. Muitos
imigrantes já têm suas vidas estabelecidas em Portugal, com empregos, moradia e famílias. A
incerteza e a possibilidade de deportação geram um ambiente de ansiedade e vulnerabilida-
de para essas comunidades.
193
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
„ Implicações geopolíticas: relações bilaterais e o papel de Portugal na União
Europeia

As novas políticas migratórias de Portugal podem ter implicações geopolíticas, especial-


mente nas relações com os países de origem dos imigrantes afetados. No caso do Brasil, a
expulsão de cinco mil cidadãos pode tensionar as relações bilaterais, tradicionalmente fortes.
O Brasil já se manifestou sobre a necessidade de reciprocidade nas regras migratórias,
indicando que o país tomará suas próprias decisões com base nesse princípio.
Além disso, a postura de Portugal reflete uma tendência mais ampla na União Europeia,
em que muitos países membros têm endurecido suas políticas de imigração em resposta a
desafios internos e pressões políticas.
Portugal busca alinhar suas políticas com as expectativas da União Europeia (UE) em ter-
mos de integração, proficiência linguística e residência legal, o que pode ser visto como um
esforço para fortalecer sua posição dentro do bloco.
Em suma, a decisão do país de revisar e, potencialmente, expulsar milhares de imigrantes
é um reflexo complexo de desafios internos de sustentabilidade, mudanças legislativas e de
uma tendência global de endurecimento das políticas migratórias. As consequências, tanto
econômicas quanto sociais e geopolíticas, ainda estão por se desdobrar.

z Ucrânia desafia Rússia com ataque de drones de longo alcance: um “golpe significa-
tivo” na guerra146

No início de junho, a Ucrânia executou uma das operações mais audaciosas e impactantes
da guerra contra a Rússia. Utilizando drones de longo alcance que viajaram mais de 500 km
da fronteira, os ataques atingiram duas bases aéreas russas cruciais nas regiões de Voronej
e Saratov.
Essa ofensiva, que marcou a primeira vez que o exército ucraniano empregou drones
kamikaze com alcance superior a 1.000 km, representa um avanço tecnológico e estratégico
notável para Kiev.

„ Um olhar geográfico e histórico sobre o conflito

Historicamente, o conflito entre Ucrânia e Rússia remonta a séculos de relações comple-


xas, que incluem períodos de domínio russo, independência e, mais recentemente, a anexa-
ção da Crimeia em 2014 e a invasão em grande escala em 2022.
O recente conflito tem sido caracterizado por uma combinação de táticas de guerra de
atrito e ataques de precisão. O uso de drones de longo alcance pela Ucrânia adiciona uma
nova dimensão à guerra, demonstrando a capacidade de Kiev de atingir alvos estratégicos
em território russo, algo que antes parecia improvável.
Geograficamente, as bases aéreas de Voronej e Saratov estão localizadas a uma distância
considerável da fronteira ucraniana. A capacidade de atingir esses alvos a mais de 500 km

146 UCRÂNIA lança ataque maciço de drones contra bases russas e atinge dezenas de bombardeiros. Poderae-
reo, 2025. Disponível em: https: //[Link]/2025/06/01/ucrania-lanca-ataque-massivo-de-drones-contra-
194 -bases-russas-e-atinge-mais-de-40-bombardeiros/. Acesso em: jun. 2025.
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demonstra não apenas o avanço da tecnologia de drones ucraniana, mas também a vulnera-
bilidade do território russo a ataques de retaguarda.
Essa nova capacidade de ataque pode forçar a Rússia a realocar recursos de defesa aérea
para proteger áreas mais profundas de seu território, potencialmente enfraquecendo suas
defesas nas linhas de frente.

z O “golpe significativo” e as implicações geopolíticas

Analistas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e do Reino Unido classifi-


caram a operação como um “golpe significativo” à força aérea russa. Atingir ao menos nove
bombardeiros estratégicos e incapacitar pistas de pouso afeta diretamente o poder de dissua-
são nuclear da Rússia.
Esses bombardeiros são cruciais para o lançamento de mísseis de longo alcance, e sua des-
truição ou incapacitação representa uma perda considerável de ativos militares estratégicos.
Embora o Ministério da Defesa russo tenha confirmado os ataques, ele minimizou os
danos, uma tática comum para controlar a narrativa interna e externa.
As implicações geopolíticas dessa ofensiva são vastas:

„ Escalada da guerra: especialistas alertam que este ataque pode escalar a guerra, levan-
do Moscou a revidar com ainda mais intensidade. A Rússia, que já se sente provocada
pela assistência ocidental à Ucrânia, pode ver esses ataques em seu território como uma
linha vermelha cruzada, aumentando o risco de uma resposta desproporcional;
„ Capacidade de dissuasão nuclear: o fato de os bombardeiros estratégicos estarem
ligados ao poder de dissuasão nuclear russo adiciona uma camada de perigo à situação.
Embora seja improvável um uso imediato de armas nucleares, qualquer ameaça perce-
bida à capacidade nuclear russa é vista com extrema seriedade por Moscou;
„ Apoio ocidental: Kiev comemorou a ação como um símbolo de resistência e avanço
tecnológico, especialmente após novos acordos militares com aliados europeus. Esse
sucesso pode incentivar um maior apoio militar e financeiro do Ocidente à Ucrânia, já
que demonstra a eficácia do armamento e da estratégia ucraniana;
„ Internacionalização do conflito: a Rússia, por sua vez, reforçou a defesa de suas bases
e acusou países da Otan de fornecer armamento avançado à Ucrânia. Essa retórica
agrava o risco de internacionalização do conflito, transformando-o cada vez mais em
um embate entre a Rússia e a Otan, em vez de apenas Rússia e Ucrânia;
„ Guerra de drones: o avanço da Ucrânia no uso de drones de longo alcance redefine as
táticas de guerra modernas. Essa “guerra de drones” está provando ser uma ferramenta
eficaz para ataques assimétricos, permitindo que nações com menos recursos militares
convencionais causem danos significativos a adversários maiores.
ATUALIDADES

Esse audacioso ataque não é apenas um incidente isolado, mas um indicador claro da
evolução da guerra na Ucrânia e do impacto crescente da tecnologia no campo de batalha.
A capacidade da Ucrânia de atingir alvos estratégicos em território russo sem a necessidade
de aeronaves tripuladas representa uma nova fase do conflito, com implicações sérias para a
segurança regional e global.

195
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z Polônia vira à direita: Karol Nawrocki vence eleições com apoio de Trump e gera
temor na UE147

A Polônia acaba de eleger seu novo presidente, e o resultado promete remodelar a dinâmi-
ca política do país e suas relações com a União Europeia.
O conservador Karol Nawrocki, ex-presidente do Instituto da Memória Nacional, emergiu
vitorioso de uma disputa acirrada contra o liberal Rafał Trzaskowski, prefeito de Varsóvia,
obtendo 50,89% dos votos contra 49,11% de seu oponente.
Esse pleito, marcado por uma intensa polarização ideológica, focou em temas cruciais
como imigração, soberania nacional, políticas da União Europeia e direitos civis.

„ Um olhar histórico e geopolítico: o crescimento do nacionalismo na Europa Central

A vitória de Nawrocki não é um evento isolado, mas, sim, um reflexo de uma onda crescen-
te de nacionalismo e conservadorismo na Europa Central e Oriental.
Historicamente, a Polônia tem uma rica e complexa trajetória, marcada por longos perío-
dos de ocupação estrangeira e lutas por soberania, o que moldou uma forte identidade
nacionalista.
Após a queda do comunismo, o país abraçou o ocidente, tornando-se membro da Otan e
da União Europeia. No entanto, nos últimos anos, o sentimento nacionalista tem ressurgido,
impulsionado por questões como a crise migratória e a percepção de uma perda de soberania
para Bruxelas.
Geopoliticamente, a Polônia ocupa uma posição estratégica no leste europeu, fazendo fron-
teira com a Ucrânia e a Rússia. Isso confere ao país um papel crucial na segurança regional
e nas relações com a Otan. A ascensão de um líder conservador e cético em relação à União
Europeia pode impactar a coerência do bloco em temas-chave, especialmente em relação à
Rússia e à Aliança Atlântica.

„ A plataforma de Nawrocki: soberania, família tradicional e “identidade cristã”

Durante sua campanha, Karol Nawrocki prometeu ampliar políticas conservadoras e limi-
tar a influência da União Europeia sobre decisões domésticas
O discurso de Nawrocki focou intensamente na defesa da família tradicional e na manu-
tenção da “identidade cristã” da Polônia, ecoando sentimentos de parte da população que se
sente ameaçada por valores liberais e globalizantes.
A promessa de endurecer medidas contra ONGs estrangeiras também sinaliza um desejo
de controlar narrativas e atividades que o governo possa considerar contrárias aos interesses
nacionais.
A vitória de Nawrocki foi publicamente comemorada pelo presidente dos EUA, Donald
Trump, que mantém uma proximidade ideológica com o novo líder polonês. Essa aliança
entre líderes conservadores e nacionalistas globais, frequentemente caracterizada por um

147 ALIADO de Trump, conservador Karol Nawrocki vence eleições presidenciais na Polônia. G1, 2025. Disponí-
vel em: https: //[Link]/mundo/noticia/2025/06/02/conservador-karol-nawrocki-eleicoes-presidenciais-po-
196 [Link]. Acesso em: jun. 2025.
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ceticismo em relação a instituições supranacionais e uma ênfase na soberania nacional, tem
implicações para a geopolítica global.

„ Tensões com Bruxelas e desafios domésticos

Especialistas afirmam que a eleição de Nawrocki poderá tensionar ainda mais as relações
entre Varsóvia e Bruxelas. A União Europeia tem demonstrado preocupação com o Estado de
direito na Polônia, especialmente em temas como a independência do Judiciário, a liberdade
de imprensa e os direitos das minorias.
O governo anterior, liderado pelo partido Lei e Justiça (PiS), do qual Nawrocki faz parte, já
havia entrado em rota de colisão com a União Europeia em várias dessas questões, levando a
multas e bloqueio de fundos.
A oposição polonesa, liderada por Rafał Trzaskowski, já prometeu mobilizar manifesta-
ções e questionar judicialmente aspectos da votação, indicando que a polarização no país
persistirá e poderá se intensificar.
A Polônia se prepara, assim, para um período de turbulência política interna e redefinição
de seu papel no cenário europeu e global.

z Oriente Médio em crise: Israel ataca Irã e escalada ameaça guerra total e reconfigura
poder regional148

A já volátil situação no Oriente Médio atingiu um novo e perigoso patamar com o ataque
de Israel a alvos estratégicos no Irã, incluindo supostas instalações nucleares subterrâneas.
O governo israelense justificou a ação alegando que Teerã estava à beira de construir uma
bomba atômica, um “risco inaceitável” para sua segurança nacional.
A operação, realizada com mísseis de longo alcance, causou destruição significativa em
complexos militares iranianos, intensificando drasticamente o conflito na região.

„ O contexto histórico e geográfico do conflito nuclear e regional

Historicamente, a tensão entre Israel e Irã é profunda e complexa, enraizada em décadas


de desconfiança e interesses geopolíticos divergentes. Israel vê o programa nuclear iraniano
como uma ameaça existencial, citando a retórica Anti-Israel de Teerã e seu apoio a grupos
como o Hezbollah e o Hamas.
O Irã, por sua vez, acusa Israel de ser uma potência agressora e um braço dos interesses
ocidentais na região.
A busca do Irã por tecnologia nuclear, mesmo que alegadamente para fins pacíficos, é vista
por Israel como uma tentativa de alcançar a capacidade de produzir armas atômicas, alte-
rando o equilíbrio de poder no Oriente Médio.
ATUALIDADES

Geograficamente, a distância entre Israel e as instalações iranianas, incluindo as subter-


râneas, impõe desafios logísticos para ataques aéreos. O uso de mísseis de longo alcance por

148 ANÁLISE: Ataque de Israel ao Irã era uma crise já desenhada. CNN Brasil, 2025. Disponível em: https: //www.
[Link]/internacional/analise-ataque-de-israel-ao-ira-era-uma-crise-ja-desenhada/. Acesso em: jun. de
2025. 197
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Israel demonstra uma capacidade militar sofisticada, capaz de atingir alvos profundos no
território iraniano.
A localização do Irã, no cruzamento entre o Oriente Médio, Ásia Central e Sul da Ásia, con-
fere-lhe uma importância estratégica, controlando rotas de energia vitais.

„ Reações e consequências geopolíticas imediatas

A resposta iraniana ao ataque israelense foi imediata e alarmante: Teerã atacou bases dos
EUA no Iraque e ameaçou bombardear instalações militares da França e do Reino Unido caso
esses países apoiassem Israel. Essa escalada direta, que envolveu ataques a bases de uma
superpotência e ameaças a outras, demonstra a periculosidade da situação e o risco de um
conflito regional se transformar em algo muito maior.
A retórica inflamada de ambos os lados incendiou os ânimos no Oriente Médio. Milhares
de iranianos foram às ruas em protesto, muitos deles temendo que Teerã se tornasse uma
“nova Gaza”, aludindo à devastação sofrida pela faixa palestina. O cenário é de alerta máxi-
mo, com o risco de guerra aberta pairando sobre a região.

z Além do medo nuclear: o jogo de poder regional

Especialistas apontam que a motivação de Israel para o ataque vai além do mero medo
nuclear. Embora a ameaça de um Irã nuclear seja uma preocupação central, a ofensiva tam-
bém é vista como um movimento estratégico para reafirmar sua influência regional em um
contexto de crescente presença de potências rivais como China e Rússia.

„ Rivalidade geopolítica: a China tem expandido sua influência econômica na região


por meio da Iniciativa do Cinturão e da Rota, enquanto a Rússia tem solidificado sua
presença militar e diplomática, especialmente na Síria. Essa dinâmica regional desafia
a hegemonia tradicional dos EUA e a influência de Israel;
„ Posicionamento de Israel: ao atacar o Irã, Israel envia uma mensagem clara de que
está disposto a agir unilateralmente para proteger seus interesses de segurança, inde-
pendentemente das pressões externas. Essa postura visa consolidar sua posição como
uma potência regional dominante;
„ Aliados ocidentais: a ameaça iraniana contra França e Reino Unido, que são aliados
estratégicos de Israel e dos EUA, testa a solidariedade e a capacidade de resposta dos
países ocidentais. Isso eleva o risco de uma internacionalização do conflito, transfor-
mando-o de uma disputa regional em um confronto de potências globais.

A crise atual no Oriente Médio é um lembrete sombrio da interconexão das tensões regio-
nais com a geopolítica global. A balança de poder está em constante redefinição, e a busca
por segurança e influência pode levar a ações com consequências imprevisíveis.

198
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z Crise no Oriente Médio: ataques dos EUA ao Irã desencadeiam reações regionais e
ameaçam economia global149

A recente escalada de tensões no Oriente Médio atingiu um ponto crítico com os ataques
diretos contra alvos subterrâneos no Irã, autorizados por Donald Trump.
Essa ofensiva, apresentada como resposta a mísseis lançados contra soldados americanos
e com o objetivo de “destruir de vez” o programa nuclear de Teerã, desencadeou uma série
de reações que reverberam em todo o mundo.

„ Alianças e movimentações geopolíticas regionais

Com o Irã sob ataque, seus aliados regionais rapidamente intensificaram suas ações. O
grupo Hezbollah, no Líbano, aumentou seus ataques ao norte de Israel, sinalizando solidarie-
dade e ampliando o front de conflito.
Simultaneamente, milícias ligadas a Teerã no Iraque e na Síria também intensificaram
suas operações, demonstrando a capacidade do Irã de mobilizar proxies em diversas frentes,
criando um cenário de instabilidade generalizada.
A Rússia, embora mantendo uma posição cautelosa, reforçou seu apoio diplomático a Tee-
rã, sublinhando a complexidade das alianças globais.
Já a China, com seus vastos interesses energéticos e comerciais na região, posicionou-se
como uma potencial mediadora, buscando evitar a interrupção das cruciais rotas comerciais
de petróleo.
Nos bastidores, o Irã intensificou suas conversas com Moscou, buscando garantias milita-
res e econômicas em um momento de grande vulnerabilidade.

„ A ameaça de Ormuz e o impacto na economia global

A pressão sobre os Estados Unidos aumentou drasticamente com a ameaça iraniana de


fechar o Estreito de Ormuz, um ponto estratégico por onde passa quase 20% do petróleo
mundial.
Essa ameaça não é nova, mas em um cenário de ataque direto, ela assume um peso geo-
político e econômico sem precedentes. O temor global de uma interrupção no fornecimento
de petróleo fez com que os preços do barril disparassem, gerando apreensão nos mercados e
elevando a tensão geopolítica em fóruns como o G7.
A interrupção, mesmo que parcial, do Estreito de Ormuz teria reflexos imediatos e graves
nos mercados europeus e asiáticos, que dependem fortemente dessa rota para seu suprimen-
to energético.

„ A ofensiva americana e seus resultados controversos


ATUALIDADES

A decisão de Trump de autorizar ataques diretos contra alvos subterrâneos no Irã utili-
zando bombas antibunker foi recebida com divisão na opinião pública americana e gerou

149 ATAQUE dos Estados Unidos ao Irã gera repercussão internacional: ‘Inimigo de longa data’. O Globo, 2025. Dis-
ponível em: https: //[Link]/mundo/noticia/2025/06/21/ataque-dos-estados-unidos-ao-ira-gera-reper-
[Link]. Acesso em: jun. de 2025. 199
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críticas até mesmo entre aliados republicanos. A justificativa de “destruir de vez” o programa
nuclear iraniano, embora ambiciosa, provou ser mais complexa na prática.
O Pentágono, posteriormente, divulgou que os ataques não conseguiram eliminar as prin-
cipais estruturas do programa nuclear iraniano. A ofensiva, que causou centenas de mor-
tes, foi amplamente considerada desproporcional por entidades internacionais, levantando
questões sobre a eficácia da estratégia e o custo humano da intervenção.
A resposta iraniana, incluindo o fechamento parcial do Estreito de Ormuz, demonstra a
capacidade de retaliação de Teerã e a complexidade de se engajar militarmente em uma
região tão volátil.
Essa crise no Oriente Médio sublinha a fragilidade do equilíbrio de poder na região e o
potencial de escalada global quando grandes potências se envolvem diretamente.

„ Trégua no Oriente Médio: ações de Trump, pressão chinesa e negociações nos bas-
tidores freiam a crise

Após 12 dias de intensa escalada, o Oriente Médio presenciou um respiro com o anúncio
de Donald Trump da suspensão das ofensivas americanas contra o Irã.
Essa decisão, que marcou um ponto de inflexão no conflito, foi resultado de uma comple-
xa rede de pressões geopolíticas e considerações internas, com a China emergindo como um
ator fundamental nos bastidores.

„ O papel crucial da diplomacia e a pressão global

A forte pressão global foi determinante para a desescalada. Fontes diplomáticas revelaram
que a China exerceu um papel fundamental, pressionando tanto os Estados Unidos quanto o
Irã a recuarem.
A posição chinesa, motivada pelo interesse em proteger suas rotas comerciais de petróleo
e garantir a estabilidade econômica global, demonstra o crescente peso de Pequim nas crises
internacionais.
Internamente, a administração Trump enfrentou desafios significativos. O impacto econô-
mico de uma guerra prolongada, evidenciado pela disparada dos preços do petróleo e pela
instabilidade nos mercados, somado aos alertas do Pentágono sobre uma “guerra sem fim”,
levou Washington a optar por um cessar-fogo informal.
Essa decisão sublinha a complexidade de se sustentar uma escalada militar sem um custo
proibitivo para a economia e a opinião pública.

„ As consequências e a reabertura de Ormuz

Israel também recuou, após ser alertado de que a permanência do conflito desgastaria sua
posição internacional.
A reputação de Israel, que já enfrenta escrutínio por suas ações em outros conflitos regio-
nais, poderia ser ainda mais comprometida por uma guerra prolongada com o Irã. Esse recuo
estratégico reflete a preocupação com a imagem global e o apoio de aliados.
O Irã, por sua vez, embora tenha afirmado que seu programa nuclear continua apenas
para fins civis, deixou claro que não aceitará mais ataques sem resposta.
200
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A declaração iraniana, ainda que busque acalmar as preocupações internacionais sobre
sua intenção nuclear, também serve como um aviso sobre a linha vermelha de sua soberania.
Uma das consequências mais imediatas e cruciais da trégua foi a reabertura parcial do
Estreito de Ormuz. Esse vital gargalo marítimo, que esteve sob ameaça de fechamento total,
é essencial para o fluxo global de petróleo. Sua reabertura aliviou imediatamente as preocu-
pações sobre a segurança energética e estabilizou os preços do barril.

„ Negociações nos bastidores e o futuro incerto

Com a suspensão das hostilidades, as potências envolvidas retomaram conversas indire-


tas via ONU. Esse movimento diplomático, embora incipiente, é um sinal de que os canais de
comunicação estão sendo reativados para buscar uma solução mais duradoura para a crise.
No entanto, o caminho para uma paz duradoura é longo e repleto de desafios.
Apesar do cessar-fogo, o conflito subjacente entre EUA, Israel e Irã permanece. As questões
fundamentais do programa nuclear iraniano, o papel das milícias apoiadas pelo Irã na região
e as dinâmicas de poder no Oriente Médio continuam sem solução. A trégua atual pode ser
vista mais como uma pausa estratégica do que como o fim das tensões.

z Coreia do Norte inaugura resort de Wonsan-Kalma: a aposta de Kim Jong-un no turis-


mo interno150

A Coreia do Norte deu um passo audacioso em seus esforços para estimular a economia
com a inauguração oficial do resort costeiro de Wonsan-Kalma em 24 de junho de 2025.
Localizado no litoral leste do país, o complexo turístico, desenvolvido ao longo de seis
anos, é uma aposta pessoal do líder Kim Jong-un, que o apresentou como o marco de uma
“nova era” para o turismo doméstico na cerimônia de abertura.

„ Ambição e inspiração global: o sonho de Wonsan-Kalma

Com uma capacidade impressionante para acolher até 20 mil visitantes, o resort Wonsan-
-Kalma é uma estrutura ambiciosa para os padrões norte-coreanos. Ele ostenta uma gama de
instalações modernas, incluindo hotéis, restaurantes, um shopping, um parque aquático e
uma praia de quatro quilômetros. O design do complexo, que buscou inspiração em destinos
turísticos espanhóis como Benidorm, revela a tentativa de Kim Jong-un de criar uma expe-
riência de lazer que, embora voltada para o público interno, tem um toque de modernidade
e atração internacional.
A localização geográfica de Wonsan, cidade portuária e capital da província de Kangwon,
no Mar do Japão (também conhecido como Mar do Leste da Coreia), a torna um ponto estra-
tégico para o desenvolvimento do turismo costeiro. A escolha de uma região com potencial
ATUALIDADES

natural para o lazer revela uma visão de longo prazo voltada à diversificação da economia,
tradicionalmente focada na indústria e na agricultura.

150 NG, K. O resort de praia que é aposta de Kim Jong-un para estimular turismo na Coreia do Norte. Epocane-
gócios, 2025. Disponível em: https: //[Link]/mundo/noticia/2025/06/o-resort-de-praia-que-e-
-[Link]. Acesso em: jun. 2025. 201
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„ Desafios e restrições: o calcanhar de Aquiles do turismo externo

Apesar da grandiosidade do projeto e do otimismo do regime, o resort de Wonsan-Kal-


ma enfrenta limitações significativas que comprometem seu potencial de desenvolvimento
econômico.
Embora os cidadãos norte-coreanos possam visitar o local a partir de primeiro de julho, o
turismo estrangeiro permanece rigidamente restrito. A única exceção notável é a previsão de
um pequeno grupo de turistas russos em julho, um reflexo da crescente proximidade entre
Pyongyang e Moscou.
Historicamente, a Coreia do Norte sempre manteve um controle férreo sobre suas frontei-
ras e o acesso de estrangeiros. Mesmo com uma reabertura parcial desde 2022, a política de
controle rígido continua a ser um grande obstáculo para a atração de visitantes ocidentais e
chineses, que representam a maior parte do contingente turístico global.
Analistas são unânimes em apontar que, sem um fluxo consistente de turistas estrangeiros,
o complexo terá pouca chance de sustentabilidade financeira. A escassez de moeda estrangei-
ra, a infraestrutura limitada de transporte e a imagem internacional de um regime isolado e
hermético são barreiras difíceis de transpor.

„ Implicações geopolíticas: isolamento e busca por receita

Geopoliticamente, o projeto Wonsan-Kalma reflete a constante busca da Coreia do Norte


por fontes de receita em meio às pesadas sanções internacionais impostas por seu programa
nuclear.
Ao focar inicialmente no turismo doméstico, Kim Jong-un tenta criar uma alternativa eco-
nômica que dependa menos do comércio exterior e mais da circulação interna de capital.
No entanto, a dificuldade em atrair turistas ocidentais e chineses reforça o isolamento
persistente do regime. Enquanto países vizinhos como a Coreia do Sul e a China prosperam
com indústrias de turismo vibrantes, a Coreia do Norte continua a lutar para se integrar à
economia global.
A aposta em Wonsan-Kalma, embora audaciosa, pode se revelar mais como um símbolo de
ambição do que de transformação econômica genuína se as restrições de acesso para visitan-
tes internacionais não forem aliviadas.
A questão que permanece é se o regime estará disposto a flexibilizar suas políticas de con-
trole de fronteiras e segurança em prol do desenvolvimento econômico de longo prazo.

z Recessão global à vista? Banco Mundial alerta para desaceleração de EUA e China151

O Banco Mundial lançou um alerta preocupante para a economia global: há um risco imi-
nente de recessão, impulsionado principalmente pela desaceleração econômica das duas
maiores potências mundiais — Estados Unidos e China.
O relatório divulgado pela instituição destaca que, se o ritmo atual de queda no crescimen-
to se mantiver, as consequências poderão ser sentidas em todo o planeta.

151 ZANOBIA, L. Banco Mundial alerta para década de estagnação. Veja, 2025. Disponível em: https: //[Link].
202 [Link]/economia/banco-mundial-alerta-para-decada-de-estagnacao/#google_vignette. Acesso em: jun. 2025.
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z Os motores da desaceleração: EUA e China

Nos Estados Unidos, o crescimento do PIB caiu para 0,9% no segundo trimestre, um núme-
ro que acende um sinal de alerta sobre a saúde da economia americana. Tradicionalmen-
te um motor de crescimento global, qualquer enfraquecimento significativo nos EUA tem
um efeito cascata em cadeias de suprimentos e demanda por produtos e serviços em todo o
mundo.
A China, por sua vez, reportou uma queda nas exportações e no consumo interno. A
segunda maior economia do mundo, com sua vasta capacidade produtiva e papel central nas
cadeias de suprimentos globais, é particularmente vulnerável a choques internos e externos.
A desaceleração chinesa não apenas afeta seus parceiros comerciais diretos, mas também
reduz a demanda por commodities, impactando países produtores.

z Riscos sistêmicos e fatores de agravamento

O documento do Banco Mundial não se limita a apontar a desaceleração das duas potên-
cias. Ele também destaca riscos sistêmicos que podem agravar ainda mais o cenário:

„ Cadeias de suprimentos: as interrupções e fragilidades nas cadeias de suprimentos


globais, já evidenciadas nos últimos anos, podem ser exacerbadas por uma recessão,
dificultando a produção e a distribuição de bens essenciais;
„ Alta do petróleo: o aumento dos preços do petróleo, impulsionado por tensões geopo-
líticas e restrições de oferta, eleva os custos de produção e transporte para empresas,
além de reduzir o poder de compra dos consumidores;
„ Instabilidade geopolítica: conflitos e incertezas políticas em diversas regiões do mun-
do, como o Oriente Médio e a Europa Oriental, criam um ambiente de imprevisibilidade
que desestimula investimentos e afeta o comércio internacional.

Diante desse cenário, o Banco Mundial reforça a necessidade de políticas econômicas


coordenadas e ações multilaterais eficazes para mitigar os riscos e preservar a estabilidade
global.

„ Repercussões globais e o impacto nos países emergentes

O alerta do Banco Mundial repercutiu fortemente entre investidores e governos do G20, o


grupo das maiores economias do mundo. A preocupação é palpável, especialmente para os
países emergentes, que temem uma fuga de capitais em busca de mercados mais seguros e
uma consequente contração fiscal.
Sem acesso a capital, os países do G20 podem enfrentar dificuldades para financiar proje-
ATUALIDADES

tos de infraestrutura e programas sociais.


No Brasil, a notícia teve um impacto imediato: o dólar subiu 4% após a divulgação do rela-
tório, refletindo a busca por segurança e a percepção de risco. Em resposta, o Banco Central
reforçou que poderá rever sua política monetária, indicando uma possível necessidade de
ajustar as taxas de juros ou outras medidas para conter a inflação e estabilizar a moeda.

203
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A previsão do Banco Mundial para o crescimento global em 2025 caiu para 1,8%, um
número que representa um crescimento muito modesto e que acende o sinal de alerta para a
necessidade de coordenação internacional para evitar um cenário de recessão global.

z Greta Thunberg deportada e brasileiro detido: a tensão no mar de Gaza152

A ativista sueca Greta Thunberg e o ativista brasileiro Thiago Ávila foram protagonistas de
um incidente que reacendeu o debate sobre o bloqueio à Faixa de Gaza e a liberdade de atua-
ção de grupos humanitários. Durante uma ação humanitária não autorizada com destino a
Gaza, o barco em que estavam foi interceptado pela marinha israelense em águas próximas
a Tel Aviv.

„ A interceptação e as alegações de segurança

O barco, que transportava alimentos e medicamentos para a população palestina em Gaza,


foi abordado por forças israelenses sob a alegação de risco à segurança. Esta é uma justificati-
va padrão usada por Israel para impor seu bloqueio naval à Faixa de Gaza, que visa impedir o
contrabando de armas e materiais que poderiam ser utilizados contra o território israelense.
No entanto, grupos de direitos humanos e a comunidade internacional frequentemente
criticam o bloqueio por suas severas consequências humanitárias para os palestinos.
Greta Thunberg foi detida e posteriormente deportada no mesmo dia, acusada de violar
leis marítimas. Em nota, a ativista sueca declarou que “Israel reprime a solidariedade e impe-
de o socorro aos palestinos”, uma crítica direta à política israelense na região.
O brasileiro Thiago Ávila também foi detido e interrogado por mais de 12 horas, gerando
uma reação do governo brasileiro, que pediu explicações diplomáticas a Israel.

„ Um olhar geopolítico e histórico: o bloqueio a Gaza

Historicamente, o bloqueio à Faixa de Gaza tem sido uma questão central no conflito israe-
lo-palestino. Imposto por Israel e Egito após a tomada de Gaza pelo Hamas em 2007, o blo-
queio visa isolar o grupo islâmico e impedir ataques contra Israel.
Diante disso, contudo, críticos argumentam que a medida afeta desproporcionalmente
a população civil, limitando severamente o fluxo de bens essenciais, o que agrava a crise
humanitária na já densamente povoada e empobrecida faixa de terra.
Geograficamente, a Faixa de Gaza é um enclave costeiro no Mediterrâneo, isolado por ter-
ra por Israel e Egito, e por mar por Israel. A única forma de acesso e saída controlada é por
meio de passagens terrestres rigidamente fiscalizadas ou pela via marítima, que é patrulha-
da pela Marinha israelense.
Essa característica geográfica intensifica a dependência de Gaza de ajuda externa, tornan-
do as tentativas de quebrar o bloqueio por mar um ato de alta visibilidade e simbolismo.

„ Reações e polarização de opiniões

152 YOSEF, E.; LILIEHOLM, L. Greta Thunberg é deportada de Israel após tentar chegar a Gaza de barco. CNN
Brasil, 2025. Disponível em: https: //[Link]/internacional/greta-thunberg-e-deportada-de-israel-
204 apos-tentar-chegar-em-gaza-de-barco/. Acesso em: jun. 2025.
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A ação da Marinha israelense e a detenção dos ativistas dividiram opiniões globalmente.
Para alguns, a iniciativa dos ativistas foi vista como uma provocação política, buscando
visibilidade para a causa palestina e desafiando a soberania e as medidas de segurança de
Israel.
Para outros, foi uma tentativa legítima de pressionar o governo israelense a aliviar o blo-
queio e permitir a entrada de ajuda humanitária vital, sublinhando a urgência da situação
em Gaza.
O incidente também destaca o papel crescente de ativistas e organizações da sociedade
civil em conflitos geopolíticos. Ao usar plataformas globais e ações diretas, eles buscam cha-
mar a atenção para questões humanitárias e políticas que, de outra forma, poderiam ser
marginalizadas.
No entanto, essas ações muitas vezes colocam os ativistas em rota de colisão com gover-
nos, que as veem como violações de suas leis e ameaças à segurança nacional.
A deportação de Greta Thunberg e a detenção de Thiago Ávila, assim, tornaram-se mais
um capítulo na complexa e sensível narrativa do conflito israelo-palestino, evidenciando as
profundas divisões e as dificuldades em encontrar soluções humanitárias em meio a tensões
políticas e de segurança.

z Morte assistida: Reino Unido aprova legalização em decisão histórica153

Em um movimento que redefine os limites do debate sobre o fim da vida, o Parlamento


britânico aprovou a legalização da morte assistida para pacientes com doenças terminais.
A proposta, votada na Câmara dos Comuns, representa um avanço significativo em uma
das questões éticas mais controversas da atualidade e coloca o Reino Unido em um grupo
crescente de nações que buscam dar mais autonomia a indivíduos em seus momentos finais.

„ O contexto da decisão: dignidade, sofrimento e autonomia

A aprovação dessa legislação histórica não ocorreu sem intensos debates que ecoaram em
esferas éticas, jurídicas e religiosas. Parlamentares favoráveis à medida enfatizaram o direi-
to à dignidade no fim da vida e a necessidade premente de evitar o sofrimento prolongado de
pacientes com doenças incuráveis.
A autonomia individual, a capacidade de tomar decisões sobre o próprio corpo e o próprio
destino, foi um dos pilares argumentativos centrais.
Para mitigar os riscos e atender às preocupações dos críticos, a proposta prevê critérios
rigorosos de avaliação e consentimento. Pacientes devem ter menos de seis meses de expec-
tativa de vida e a solicitação de auxílio médico para encerrar suas vidas deve ser avaliada por
dois médicos independentes, além de exigir autorização judicial. Essas salvaguardas visam
proteger pacientes vulneráveis de pressões indevidas e garantir que a decisão seja genuína
ATUALIDADES

e informada.

153 PARLAMENTO britânico aprova legalização do suicídio assistido. Uol, 2025. Disponível em: https: //noticias.
[Link]/ultimas-noticias/deutschewelle/2025/06/20/parlamento-britanico-aprova-legalizacao-do-suicidio-as-
[Link]. Acesso em: jun. 2025. 205
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Críticos, por sua vez, alertaram para o risco de abusos e para a possibilidade de que pacien-
tes em situações de fragilidade possam ser influenciados ou se sintam um fardo para suas
famílias.
A discussão também tocou na importância dos cuidados paliativos, argumentando que um
investimento maior nessa área poderia aliviar o sofrimento sem a necessidade de recorrer à
morte assistida.

„ Um olhar geográfico e geopolítico: o Reino Unido e a tendência global

Com essa decisão, o Reino Unido se junta a um grupo seleto, mas crescente, de países euro-
peus que avançaram em legislações sobre o fim da vida. Nações como a Bélgica e a Suíça já
têm leis de morte assistida ou eutanásia em vigor, e o debate continua ativo em outras partes
do continente.
Essa tendência reflete uma mudança de paradigma em muitas democracias ocidentais, nas
quais a secularização, o foco nos direitos individuais e os avanços da medicina têm impulsio-
nado a discussão sobre o controle pessoal sobre a morte.
Geopoliticamente, a aprovação britânica terá um impacto significativo. O Reino Unido,
sendo uma das maiores economias e potências culturais do mundo, serve como um prece-
dente importante. Especialistas apontam que a decisão deve reverberar em outras demo-
cracias ocidentais, reacendendo e intensificando discussões sobre autonomia individual e
cuidados paliativos em países nos quais o tema ainda é tabu ou legalmente proibido.
A legislação britânica pode, portanto, atuar como um catalisador para movimentos seme-
lhantes em outras jurisdições, influenciando futuras políticas de saúde e direitos humanos
em escala global.
A proposta ainda precisa passar pela Câmara dos Lordes antes de se tornar lei, o que indi-
ca que, embora um passo monumental tenha sido dado, o caminho para a implementação
final ainda pode apresentar desafios.

Brasil

z Congresso barra aumento do IOF e expõe fragilidade fiscal do governo154

Em 25 de junho de 2025, o Congresso Nacional impôs uma derrota expressiva ao Executivo


ao rejeitar, em sessão conjunta da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, o decreto que
previa o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
A medida, que buscava ampliar a arrecadação diante do desafio fiscal do governo, foi
derrubada antes mesmo de entrar em vigor, revelando não apenas resistência política, mas
também limitações na capacidade de articulação da equipe econômica.
A decisão foi construída a partir de uma aliança entre parlamentares da oposição e setores
da própria base governista, que alegaram falta de transparência e ausência de planejamento
estratégico. Entre os argumentos centrais da crítica ao aumento do IOF, destacaram-se:

154 CONGRESSO barra aumento de IOF e impõe derrota ao governo. DW, 2025. Disponível em: https: //[Link].
206 com/pt-br/congresso-barra-aumento-de-iof-e-impõe-derrota-ao-governo/a-73043230. Acesso em: jun. 2025.
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„ o risco de desestímulo ao consumo interno, especialmente em um cenário de recupera-
ção econômica desigual entre regiões do país;
„ o impacto negativo sobre o crédito e os pequenos negócios, que dependem fortemente
de operações financeiras para manter suas atividades;
„ a falta de alternativas estruturadas por parte do governo para equilibrar o orçamento
sem penalizar a população ou desestimular o setor produtivo.
„ Uma leitura geográfica, histórica e geopolítica da medida

Sob o ponto de vista geográfico, o aumento do IOF afetaria desigualmente as regiões do


Brasil. Norte e Nordeste, com maior presença de microempreendedores individuais e peque-
nas empresas, sentiriam com mais intensidade os efeitos sobre o crédito e o consumo.
Já os centros financeiros do Sudeste, como São Paulo e Rio de Janeiro, sofreriam com ins-
tabilidades no mercado de capitais e nas operações bancárias.
Do ponto de vista histórico, o IOF foi instituído no regime militar, em 1966, com o objetivo
de regular o mercado de crédito e controlar a inflação. Ao longo das décadas, tornou-se tam-
bém um instrumento de arrecadação emergencial.
Recentemente, a tentativa do governo, em 2025, de recorrer novamente a esse tributo
como resposta a um cenário fiscal delicado repete padrões de outros momentos de instabi-
lidade econômica no Brasil, em que soluções pontuais substituíram reformas estruturantes.
No plano geopolítico, a decisão do Congresso repercute negativamente na percepção
externa sobre a estabilidade e a previsibilidade econômica do Brasil. Investidores interna-
cionais observam com atenção a capacidade do governo brasileiro de implementar medidas
de ajuste fiscal, e a rejeição do aumento do IOF pode reforçar a imagem de um país em que
as incertezas políticas comprometem a condução econômica.
Além disso, a pressão por equilíbrio fiscal não está apenas relacionada ao cenário interno.
Em um contexto de aumento das taxas de juros globais, especialmente nos Estados Unidos e
na Europa, países emergentes como o Brasil enfrentam maior dificuldade para atrair inves-
timentos. A falta de sinalizações claras sobre o compromisso com a responsabilidade fiscal
pode enfraquecer ainda mais a posição brasileira no mercado internacional.

z Desdobramentos possíveis

A derrubada da medida obriga o governo a repensar suas estratégias fiscais para o segun-
do semestre de 2025. Entre as alternativas debatidas nos bastidores estão:

„ a revisão de subsídios setoriais;


„ a aceleração da reforma tributária infraconstitucional;
„ o fortalecimento do combate à sonegação e à evasão fiscal.
ATUALIDADES

Mais do que uma questão econômica, o episódio se tornou um indicador de força (ou fra-
queza) política. A falta de alinhamento entre o Executivo e o Congresso dificulta a aprovação
de medidas estruturantes e amplia o risco de instabilidade institucional em um ano marcado
por tensões sociais, estagnação econômica em algumas regiões e desafios no cumprimento
da meta fiscal.

207
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z Depoimento de Bolsonaro ao STF: negações, tensões institucionais e reflexos
geopolíticos155

Em 10 de junho de 2025, o ex-presidente Jair Bolsonaro prestou depoimento à Primeira


Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito das investigações que apuram uma
suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
O depoimento trouxe quatro momentos-chave, marcados por uma tentativa de despoliti-
zação do episódio e por uma retórica de defesa ancorada na legalidade constitucional.

„ Negação da tentativa de golpe

Bolsonaro rechaçou veementemente a existência de qualquer plano para deslegitimar o


resultado eleitoral de 2022, alegando que jamais cogitou a possibilidade de ruptura institu-
cional. Segundo ele, todas as discussões se deram “dentro dos limites constitucionais”, sobre-
tudo no que diz respeito ao uso do estado de sítio e da Garantia da Lei e da Ordem (GLO)
— instrumentos previstos na Constituição para situações excepcionais.
No entanto, do ponto de vista histórico-institucional, o Brasil já enfrentou episódios em
que a invocação da legalidade serviu de pretexto para autoritarismos, como em 1964, quando
o golpe militar foi formalizado a partir de discursos de “preservação da ordem”.

„ Minuta como “considerando”, e não como plano de ação

O ex-presidente admitiu ter tido contato com uma minuta que sugeria medidas de exceção
— documento que circulou nos bastidores do Palácio da Alvorada. Segundo ele, o texto não
foi redigido por sua equipe, tampouco alterado por ele, e foi rapidamente descartado.
Geopoliticamente, esse tipo de documento chama atenção internacional por demonstrar
fragilidade institucional em uma das maiores democracias da América Latina.
Países observadores da estabilidade democrática brasileira — como Estados Unidos, União
Europeia e vizinhos do MERCOSUL — acompanham de perto tais episódios, pois afetam dire-
tamente a imagem e a previsibilidade política do Brasil no cenário internacional.

„ GLO e conversas com militares: limites e legalidade

Durante o depoimento, Bolsonaro alegou ter mantido diálogos com militares e juristas a
respeito de alternativas para contestar judicialmente o resultado das urnas, mas reforçou
que todas as iniciativas respeitaram os “quatro limites constitucionais” — sem qualquer exe-
cução de medidas golpistas ou planejamento de intervenção militar.
Esse ponto revela uma tentativa de afastar-se da retórica golpista, que por meses mobi-
lizou parte da população, especialmente em áreas como Centro-Oeste e Sul, locais em que o
apoio ao ex-presidente é mais concentrado. Geograficamente, a adesão ao bolsonarismo foi
mais intensa em regiões interioranas, com forte presença agropecuária, setores tradicional-
mente mais conservadores.

155 BOECHAT, G.; VITTORAZZI, D. Entenda em 8 pontos o depoimento de Bolsonaro ao STF, CNN Brasil, 2025.
Disponível em: https ://[Link]/politica/entenda-em-8-pontos-o-depoimento-de-bolsonaro-ao-stf/.
208 Acesso em: jun. 2025.
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„ Tom de reconciliação e desculpas públicas

O tom do depoimento surpreendeu parte da opinião pública: Bolsonaro adotou uma pos-
tura conciliatória, pediu desculpas diretamente ao ministro Alexandre de Moraes, negou
acusações de incitação e fez até uma brincadeira, convidando o próprio Moraes a ser seu
vice em 2026.
Ainda que pareça estratégica, essa mudança de retórica pode estar relacionada à pressão
jurídica e ao isolamento político crescente do ex-presidente, que busca evitar sanções penais
mais severas.
Em um ambiente político polarizado, a tentativa de “desarmar” os discursos tensionais
pode ser interpretada tanto como tática jurídica quanto como sinal de enfraquecimento da
base ideológica mais radicalizada.

„ Reflexos institucionais e geopolíticos do episódio

O depoimento de Jair Bolsonaro ocorre em meio a um cenário de recomposição institu-


cional do Brasil, após anos marcados por conflitos entre os poderes Executivo e Judiciário. A
tentativa de se dissociar de uma narrativa golpista surge também como reação aos inquéritos
que se desdobram no STF e ao cerco legal que envolve aliados próximos.
Historicamente, o Brasil já enfrentou momentos de ruptura democrática, como em 1937 e
1964. Os ecos desses períodos ainda repercutem no imaginário político brasileiro e são fre-
quentemente instrumentalizados em discursos polarizantes.
Geopoliticamente, o episódio levanta questionamentos sobre a solidez democrática do
país e afeta sua posição como liderança regional na América do Sul. Para investidores estran-
geiros e organismos multilaterais, a estabilidade institucional é fundamental para a atração
de investimentos e a manutenção de parcerias internacionais — como o acordo MERCOSUL–
União Europeia e a atuação do Brasil em fóruns como o G20 e os BRICS.

z Condenação definitiva de Carla Zambelli expõe embate entre Judiciário e bolsonaris-


mo e repercute internacionalmente156

Em 7 de junho de 2025, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal,


determinou a prisão definitiva da deputada federal Carla Zambelli, após converter em cará-
ter irrevogável a sentença de 10 anos de reclusão.
A parlamentar foi condenada por crimes de invasão de sistemas do Conselho Nacional de
Justiça (CNJ) e falsidade ideológica digital, em um caso que vem sendo interpretado como
símbolo do acirramento entre bolsonarismo e instituições democráticas.
Zambelli, que deixou o Brasil em maio sem comunicar formalmente sua ausência, encon-
tra-se atualmente na Itália, o que levou o STF a solicitar à Polícia Federal o início do processo
ATUALIDADES

de extradição, com o apoio da Interpol, que incluiu seu nome na lista de Difusão Vermelha
— mecanismo usado para capturar foragidos internacionais.
Além disso, Moraes determinou:

156 RODRIGUES, A. Condenação definitiva de Carla Zambelli expõe embate entre Ju-diciário e bolsonarismo e
repercute internacionalmente. AgenciaBrasil, 2025. Disponível em: https: //[Link]/politica/noti-
cia/2025-06/deputada-carla-zambelli-condenada-pelo-stf-deixa-o-brasil. Acesso em: jun. 2025. 209
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„ bloqueio de bens, contas bancárias e do passaporte diplomático da parlamentar;
„ notificação às redes sociais para bloqueio de seus perfis, como forma de impedir a pro-
pagação de conteúdos considerados criminosos;
„ multa diária de R$ 50 mil caso ela ou terceiros publiquem novas mensagens que repli-
quem os delitos já julgados;
„ comunicação oficial à Câmara dos Deputados para que seja concretizada a cassação do
mandato parlamentar, o que tornará Zambelli inelegível por oito anos, conforme pre-
visto na Lei da Ficha Limpa.

Zambelli alega perseguição política, afirma estar fora do país por questões médicas e pro-
mete se entregar, embora até o momento não tenha retornado voluntariamente ao Brasil.

„ Histórico: confronto institucional e autoritarismo digital

O episódio se insere em uma linha histórica marcada pela radicalização do discurso políti-
co no Brasil, intensificada desde as eleições de 2018. Parlamentares como Carla Zambelli têm
se notabilizado por atacar instituições, especialmente o STF e o TSE, o que levou a um clima
de tensão entre Poderes, especialmente durante e após o governo Bolsonaro.
A condenação da deputada também reflete um novo campo de disputa judicial: o espaço
digital. Ao invadir sistemas e divulgar informações falsas, Zambelli se inseriu no fenômeno
da desinformação como arma política, algo que já foi amplamente observado em outros paí-
ses, como nos EUA (caso Capitol Hill, 2021) e Hungria.

„ Geografia do bolsonarismo e polarização regional

O caso de Zambelli evidencia uma geografia política peculiar. Sua base de apoio está forte-
mente enraizada em regiões do Sul e Sudeste, com destaque para áreas urbanas nas quais o
bolsonarismo conquistou influência entre as classes médias conservadoras.
A reação popular ao caso é desigual: enquanto grupos progressistas celebram a decisão
como sinal de fortalecimento institucional, apoiadores da deputada denunciam “judicializa-
ção da política”.
Essa polarização territorial e ideológica continua sendo um desafio para a unidade demo-
crática do Brasil, cujos efeitos se refletem em ações parlamentares, manifestações de rua e
ambientes digitais.

„ Geopolítica: imagem internacional do Brasil e cooperação jurídica


No plano geopolítico, a determinação de extradição via Interpol insere o caso no contexto
das relações diplomáticas e do combate internacional ao cibercrime e à desinformação.
A Itália, destino escolhido por Zambelli, é signatária de acordos com o Brasil que facilitam
a extradição em crimes digitais, mas a análise política local pode influenciar na celeridade
do processo.
O caso, que tem sido acompanhado por veículos internacionais, como The Guardian, El
País e Le Monde, afeta diretamente a imagem do Brasil no exterior: ao mesmo tempo em que
reforça um compromisso com a responsabilização legal de agentes públicos, também projeta

210
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ao mundo os efeitos duradouros da radicalização política e da deterioração do debate demo-
crático em território brasileiro.

„ Cenário político: reflexos para o Legislativo e o futuro eleitoral

A possível cassação de Carla Zambelli agrava a fragmentação do campo bolsonarista e


poderá ter impactos eleitorais significativos nas eleições de 2026 tanto para o Legislativo
quanto para a formação de alianças à direita.
A retomada da força institucional pelo STF, ao punir exemplarmente parlamentares
envolvidos em ataques às instituições, representa uma tentativa de reorganização da ordem
democrática e de reafirmação do Estado de Direito. Contudo, a continuidade desse processo
depende do apoio do Congresso, que, nesse caso, será responsável por confirmar a perda do
mandato da parlamentar, dando legitimidade política à decisão judicial.

z STF impõe regras mais rígidas às big techs e redefine a responsabilidade digital no
Brasil157

Em junho de 2025, o Supremo Tribunal Federal proferiu uma decisão histórica que altera
profundamente a forma como as plataformas digitais — como Google, Meta, X (antigo Twit-
ter) e outras — devem lidar com conteúdos ilícitos publicados por terceiros.
A partir do novo entendimento, essas empresas poderão ser responsabilizadas civilmente
mesmo sem decisão judicial, desde que tenham sido notificadas extrajudicialmente e se omi-
tam quanto à remoção de conteúdos ilegais.
A decisão, que reinterpreta o art. 19 do Marco Civil da Internet, representa uma mudança
de paradigma na responsabilização de provedores digitais no Brasil e está sendo vista como
um marco regulatório provisório até que o Congresso Nacional aprove uma lei específica
sobre o tema.
Dessa forma, é possível elencar quatro pontos centrais da decisão:

z Responsabilidade sem decisão judicial: a partir de agora, plataformas que forem notifi-
cadas extrajudicialmente sobre conteúdos ilícitos — como incitação à violência, discurso
de ódio, racismo, pornografia infantil, entre outros — devem agir de forma célere para
removê-los. Caso contrário, podem ser responsabilizadas civil e financeiramente, mesmo
sem ordem judicial formal;
z Proteção aos direitos fundamentais: o STF justificou sua decisão afirmando que a medi-
da visa proteger a integridade, a dignidade humana e a democracia brasileira. Conteú-
dos com potencial de violar direitos fundamentais devem ser tratados com urgência pelas
empresas, que não podem mais alegar neutralidade tecnológica diante de notificações cla-
ras e específicas;
ATUALIDADES

z Limites à censura e ao equilíbrio jurídico: críticos da decisão, especialmente represen-


tantes do setor de tecnologia, alertaram para riscos de censura prévia e para a criação de
um ambiente de insegurança jurídica, no qual empresas privadas teriam que decidir, sem
mediação judicial, o que pode ou não permanecer online. No entanto, o STF ressaltou que

157 SCHREIBER, M. Regras mais duras sobre ‘big techs’: 4 pontos para entender o que muda com decisão do STF.
BBC, 2025. Disponível em: https: //[Link]/portuguese/articles/cm2lxnnly88o. Acesso em: jun. 2025. 211
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não se trata de censura, mas de responsabilização proporcional e temporária até que o
Legislativo aprove um marco regulatório atualizado;
z Pressão sobre o Congresso Nacional: o Supremo Tribunal Federal foi claro ao afirmar
que a decisão não substitui uma legislação clara e moderna. O julgamento funciona como
uma norma provisória, estabelecendo diretrizes mínimas de conduta para as platafor-
mas digitais, enquanto o Congresso não finaliza uma lei específica de regulação das redes
sociais e dos provedores de conteúdo.

� Análise geográfica, histórica e geopolítica da decisão

Geograficamente, a decisão tem maior impacto nos países em desenvolvimento, como o


Brasil, nos quais o acesso à informação digital cresceu mais rapidamente do que a capacida-
de institucional de regulação.
Regiões periféricas e populações mais vulneráveis, que já sofrem com desinformação e
discursos de ódio, poderão ser mais protegidas com a remoção de conteúdos nocivos que se
espalham sem controle nas plataformas.
Historicamente, o Brasil foi um dos pioneiros na criação de um marco legal da internet
com a aprovação do Marco Civil em 2014. À época, o art. 19 buscava equilibrar liberdade
de expressão e proteção de dados. No entanto, o avanço das tecnologias de comunicação, a
ascensão das fake news e a radicalização política criaram lacunas jurídicas graves, especial-
mente no enfrentamento de conteúdos perigosos e de difícil controle em tempo real.
Geopoliticamente, a decisão do STF aproxima o Brasil de debates que já ocorrem em outras
democracias, como a Digital Services Act da União Europeia e a legislação da Austrália e da
Alemanha, que também preveem responsabilidade proativa das plataformas.
Ao adotar uma postura mais rigorosa, o Brasil envia um sinal claro à comunidade inter-
nacional sobre o compromisso com a defesa da democracia digital e dos direitos humanos,
ao mesmo tempo em que desafia as big techs a se adaptarem às especificidades locais de
regulação.
A decisão também fortalece o papel do Judiciário brasileiro como ator global em debates
sobre soberania digital e regulação de plataformas transnacionais.
Diante desses acontecimentos, é possível perceber reflexos políticos e sociais imediatos,
como:

„ empresas de tecnologia estão sob alerta para rever suas políticas internas de modera-
ção de conteúdo e criar canais mais ágeis de resposta a notificações extrajudiciais;
„ parlamentares terão de acelerar a tramitação de projetos como o Projeto de Lei (PL) das
Fake News, que se encontra travado no Congresso desde 2020;
„ a sociedade civil, especialmente instituições de proteção aos direitos humanos, consi-
dera a decisão uma vitória contra o caos informacional que fragiliza o debate público e
ameaça o pacto democrático.

z Lula e Macron: sorrisos em público, tensões em silêncio158

158 AQUINO, Y. Lula pede a Macron que ‘abra o coração’ para concluir acordo Mercosul-EU. Agência GOV, 2025.
Disponível em: https: //[Link]/noticias/202506/lula-pede-a-macron-que-201cabra-o-coracao201d-
212 para-a-conclusao-do-acordo-mercosul-e-uniao-europeia. Acesso em: jun. 2025.
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A visita do presidente Emmanuel Macron ao Brasil, em 2025, foi marcada por discursos
diplomáticos e gestos simbólicos de cordialidade, mas ocultou fissuras profundas em temas
geopolíticos e comerciais sensíveis.
Ainda que os chefes de Estado tenham declarado alinhamento em pautas ambientais,
como a preservação da Amazônia e a necessidade de reformar o Conselho de Segurança da
ONU, os bastidores revelaram divergências que funcionam como o “calcanhar de Aquiles” da
relação bilateral.

„ O impasse sobre o acordo MERCOSUL–União Europeia

A principal fonte de tensão foi o acordo comercial entre MERCOSUL e União Europeia,
que há mais de 20 anos está em negociação. Macron mantém uma postura crítica e exige
contrapartidas ambientais mais rígidas, especialmente no controle do desmatamento e nas
garantias de sustentabilidade na produção agropecuária brasileira.
Do lado brasileiro, essas exigências são vistas como ingerência sobre a soberania nacional
e barreiras disfarçadas de preocupações ecológicas. O governo Lula busca reabilitar a ima-
gem ambiental do Brasil, mas recusa-se a aceitar condicionalidades consideradas excessiva-
mente punitivas para o setor produtivo nacional — especialmente o agronegócio.

„ Olhar geográfico

O embate entre Brasil e França também reflete interesses territoriais e econômicos espe-
cíficos. Enquanto o Brasil defende o direito ao desenvolvimento sustentável da Amazônia
Legal, a França, por meio da Guiana Francesa, mantém uma posição estratégica na fronteira
amazônica, com interesses diretos na região. A Amazônia, portanto, não é apenas uma pauta
ambiental, mas um ativo geopolítico de peso.

„ O veto francês à entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvol-


vimento Econômico (OCDE)

Outro ponto sensível que emergiu discretamente foi o veto da França à adesão do Brasil
à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A negativa, tratada
com discrição nos meios oficiais, foi classificada por interlocutores do Planalto como “golpe
diplomático”, visto que o Brasil já havia cumprido diversas exigências técnicas e regulatórias
para o ingresso.
Esse gesto francês é interpretado como uma tentativa de manter o Brasil fora de fóruns
decisórios internacionais de alto nível, enfraquecendo sua influência global e, indiretamen-
te, preservando o protagonismo europeu no cenário multilateral.
ATUALIDADES

„ Olhar histórico e geopolítico

Historicamente, as relações entre Brasil e França têm oscilado entre cooperação cultu-
ral e embates geopolíticos, especialmente em áreas como defesa, meio ambiente e comércio
internacional.

213
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A negativa à entrada na OCDE e a rigidez nas negociações do acordo com o Mercosul reve-
lam uma França mais protecionista, cautelosa quanto à ascensão dos BRICS (Brasil, Rússia,
Índia, China, África do Sul) e de países emergentes em espaços de poder global.

„ Entre gestos e realidades: o jogo da diplomacia estratégica

Apesar de fotos sorridentes, compromissos conjuntos e falas afinadas diante das câme-
ras, os líderes saíram da visita sem acordos concretos em temas-chave. Para observadores
da política internacional, a visita de Macron foi um gesto de presença geopolítica, e não um
gesto de confiança mútua.
No atual contexto de reconfiguração das alianças globais — com a ascensão de uma nova
ordem multipolar, o fortalecimento da China, a guerra na Ucrânia e a crise climática —, a
relação entre Brasil e França se tornou ainda mais estratégica, mas também mais conflituosa.
Ambos os países disputam narrativas sobre soberania, meio ambiente e integração econômi-
ca, em um jogo que exige equilíbrio entre interesses internos e compromissos multilaterais.
Dessa forma, o relacionamento entre Lula e Macron ilustra o dilema do Brasil no cenário
internacional: ser uma potência ambiental respeitada sem abrir mão de seu crescimento
econômico. A visita mostrou que, embora o diálogo diplomático exista, as divergências estru-
turais continuam a impedir uma aliança sólida e sem reservas.

z O avanço evangélico no Brasil: Censo 2022 projeta nova maioria religiosa até 2049159

Os dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e


Estatística (IBGE), trouxeram uma radiografia detalhada da transformação religiosa no Bra-
sil. Pela primeira vez, o crescimento da população evangélica — que saltou de 21,6% em 2010
para 26,9% em 2022 — consolida uma mudança estrutural no cenário religioso nacional,
desafiando a hegemonia histórica do catolicismo.
Enquanto isso, os católicos registraram nova queda: passaram de 65,1% para 56,7% da
população, confirmando uma tendência de erosão lenta e contínua da Igreja Católica no país.
Também chamou atenção o crescimento do grupo de pessoas sem religião, que agora repre-
senta 9,3% dos brasileiros.

z Projeções e debate sobre o futuro religioso

Se mantida a trajetória observada entre 2010 e 2022, os evangélicos podem se tornar maio-
ria religiosa até 2049. Entretanto, especialistas alertam para um possível “teto de crescimen-
to”: o dinamismo observado nas últimas décadas parece estar se desacelerando, o que pode
adiar ou até impedir a ultrapassagem definitiva do catolicismo.
Além disso, há grandes variações regionais. Em estados da Região Norte, como Acre e
Rondônia, os evangélicos já ultrapassaram os católicos, tornando-se o grupo religioso predo-
minante. A expansão é particularmente intensa nas Regiões Norte e Nordeste, locais histori-
camente associados à força do catolicismo popular.

159 ALVES, J. E. D. A transição religiosa no Brasil: 1872-2049. Instituto Humanitas Unisinos, 2025. Disponível em:
https: //[Link]/categorias/653160-a-transicao-religiosa-no-brasil-1872-2049-artigo-de-jose-eustaquio-
214 diniz-alves. Acesso em: jun. 2025.
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Esse crescimento está ligado a mudanças urbanas, maior penetração midiática das igrejas
evangélicas e atuação social em comunidades vulneráveis.
Uma análise geográfica destaca onde e como cresce o movimento evangélico. Do ponto de
vista geográfico, o crescimento evangélico tem sido mais acentuado:

„ nas periferias urbanas das grandes metrópoles (como Rio de Janeiro, São Paulo, Recife
e Salvador);
„ no interior do Norte e do Centro-Oeste, em que a presença institucional do Estado é mais
frágil e as igrejas suprem serviços sociais, apoio emocional e redes de pertencimento;
„ nas cidades médias em crescimento acelerado, nas quais os evangélicos têm sido prota-
gonistas de projetos sociais e culturais.

A mobilidade urbana, a fragmentação familiar e a busca por acolhimento espiritual perso-


nalizado têm favorecido a ascensão de igrejas pentecostais e neopentecostais, com destaque
para denominações como Assembleia de Deus, Universal do Reino de Deus, Deus é Amor e
igrejas independentes.

z Análise histórica: do catolicismo hegemônico à pluralidade religiosa

Historicamente, o Brasil foi considerado o maior país católico do mundo, fruto da coloni-
zação portuguesa e da forte ligação entre Igreja e Estado até o século XIX. A partir da Procla-
mação da República (1889) e da separação entre Igreja e Estado, novas religiões começaram
a emergir com mais liberdade, mas foi apenas a partir da segunda metade do século XX que
o movimento evangélico ganhou força.
O boom evangélico das últimas décadas se alimentou de estratégias como:

„ evangelização em massa via rádio, TV e redes sociais;


„ ação direta em comunidades carentes;
„ linguagem acessível e envolvente;
„ lideranças carismáticas e estruturas descentralizadas.

z Geopolítica religiosa: fé, poder e eleições

O crescimento evangélico no Brasil não se restringe à espiritualidade — ele está cada vez
mais presente na política, na economia e na cultura.
Nas últimas eleições gerais, o segmento evangélico foi cortejado por diversos candidatos
e consolidou uma bancada no Congresso Nacional que atua com agenda própria, a chamada
Bancada Evangélica.
Essa bancada tem influência direta em:
ATUALIDADES

„ debates sobre costumes, educação e direitos civis;


„ distribuição de emendas parlamentares;
„ alianças entre igrejas e partidos políticos, em especial nas eleições municipais e
legislativas.

215
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No plano internacional, a ascensão dos evangélicos no Brasil tem despertado o interesse
de grupos religiosos transnacionais, especialmente dos Estados Unidos, que mantêm redes
missionárias, financeiras e políticas com lideranças evangélicas brasileiras.
O fluxo georreligioso reforça uma aliança ideológica conservadora no Sul Global, com
impacto nas relações exteriores e na cooperação internacional em temas de direitos huma-
nos e diversidade.

z O que esperar para as próximas décadas

A possível transformação dos evangélicos em maioria religiosa no Brasil não é apenas uma
estatística demográfica: trata-se de uma mudança cultural, política e institucional com efeitos
profundos na esfera pública, no sistema eleitoral e na formulação de políticas públicas.
A pluralização religiosa do país exige também respostas estatais e sociais mais inclusivas,
capazes de garantir a laicidade do Estado e o direito à diversidade religiosa, como assegura o
art. 5º da Constituição Federal, de 1988.

z Separatismo no Sul: fala de governador reacende debate sobre identidade regional e


centralismo federal160

Em junho de 2025, uma frase dita em tom jocoso pelo governador de Santa Catarina, Jorgi-
nho Mello (PL), durante um evento em Curitiba, reacendeu um debate sensível e recorrente
na política brasileira: o separatismo regional.
Ao afirmar que, “se não funcionar lá pra cima [Brasília], passamos uma trena para cá e
fazemos do Sul o nosso país”, o governador fez alusão ao movimento “O Sul é o Meu País”,
que propõe a independência dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Embora a fala tenha sido tratada como brincadeira política, ela resgata questões históricas
mal resolvidas sobre o equilíbrio federativo, a autonomia regional e a identidade cultural do
Sul.

z Raízes históricas do separatismo sulista

O movimento separatista não é novidade. Tem raízes históricas profundas, especialmente


em dois eventos marcantes do século XIX e XX:

„ a Revolução Farroupilha (1835–1845), quando líderes gaúchos, insatisfeitos com os altos


impostos e a centralização imperial, proclamaram a República Rio-Grandense, resistin-
do por uma década ao Império; e
„ a Guerra do Contestado (1912–1916), conflito que envolveu comunidades camponesas
no interior de Santa Catarina e Paraná, em reação à exploração econômica da região e
ao abandono estatal.

160 GOVERNADOR de Santa Catarina fala em fazer o ‘país do Sul’: de onde vem o separatismo sulista?. G1, 2025.
Disponível em: https: //[Link]/sc/santa-catarina/noticia/2025/06/18/governador-de-santa-catarina-fala-
216 -[Link]. Acesso em: jun. 2025.
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Esses episódios, embora distintos, alimentaram um imaginário de resistência regional,
frequentemente invocado por defensores da autonomia do Sul frente ao governo central.

z Marco contemporâneo: “O Sul é o Meu País”

Criado em 1992, o movimento “O Sul é o Meu País” ganhou força como resposta ao que
seus membros chamam de “injustiça fiscal”. Os argumentos centrais são:

„ o Sul contribuiria mais em tributos do que recebe em investimentos federais;


„ a centralização das decisões em Brasília sufocaria as demandas regionais;
„ o Sul teria maior eficiência econômica, educacional e institucional, se autônomo.

Apesar das reivindicações, o apoio efetivo é limitado. Dados apontam cerca de 30 mil filia-
dos, e plebiscitos informais realizados nos últimos anos reuniram cerca de 300 mil votos, o
que representa menos de 2% do eleitorado regional.

z Análise geográfica: identidade, desigualdade e regionalismo

O Sul do Brasil tem características geográficas e socioeconômicas específicas:

„ clima subtropical, com produção agrícola mecanizada (soja, trigo, milho), pecuária de
precisão e forte presença da indústria têxtil, metalúrgica e alimentícia;
„ alto IDH em relação à média nacional e maior taxa de escolarização, o que contribui
para um sentimento de “eficiência regional”;
„ forte identidade cultural, com elementos europeus preservados (alemães, italianos,
poloneses), especialmente em cidades do interior.

Esses fatores alimentam a ideia de “exceção regional”, mas não significam autossuficiên-
cia plena, como mostraram as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024 e 2025, que exigiram
apoio emergencial da União.

z Implicações jurídicas e constitucionais

O separatismo regional é inconstitucional no Brasil. A Constituição Federal, de 1988, em


seu art. 1º, define o país como uma “República Federativa formada pela união indissolúvel
dos Estados”. Qualquer tentativa de secessão:

„ viola o pacto federativo;


„ não tem respaldo legal;
ATUALIDADES

„ pode ser criminalmente tipificada como atentado contra a ordem constitucional e a


integridade do território nacional.

Assim, ainda que o discurso separatista seja mobilizado como crítica simbólica à centrali-
zação de poder, não há base jurídica ou política real para sua concretização.

217
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z Geopolítica interna: federalismo, ressentimento e autonomia

A fala de Jorginho Mello está inserida em uma tensão mais ampla sobre o modelo fede-
rativo brasileiro, que concentra muitos recursos e competências em Brasília, gerando res-
sentimentos regionais — não apenas no Sul, mas também no Norte e Nordeste, em sentido
inverso, por conta da dependência estrutural de repasses federais.
Do ponto de vista geopolítico, o Brasil enfrenta o desafio de construir uma coesão nacional
baseada em diversidade, reconhecendo as particularidades locais sem romper com a unida-
de nacional.

z Conclusão: entre o desabafo e a inviabilidade

As declarações do governador de Santa Catarina reacenderam um discurso crítico ao cen-


tralismo federativo, mas também revelaram os limites práticos e legais do separatismo no
Brasil.
Com baixa adesão popular, barreiras constitucionais sólidas e dependência intergoverna-
mental, a ideia de um “país do Sul” segue restrita ao campo simbólico, servindo mais como
instrumento político de pressão do que como projeto factível de ruptura.

z Humor ou crime? Condenação de Leo Lins reacende debate sobre liberdade de


expressão e discurso de ódio no Brasil161

Em 3 de junho de 2025, a Justiça Federal de São Paulo condenou o humorista Leo Lins a
oito anos, três meses e nove dias de prisão em regime fechado, além do pagamento de multa
e indenização por danos morais coletivos.
A decisão foi proferida pela 3ª Vara Criminal Federal de São Paulo, que considerou que
as piadas feitas durante o show “Perturbador”, veiculado em 2022, configuraram discurso
de ódio disfarçado de humor, atingindo grupos vulneráveis como pessoas com deficiência,
indígenas, negros e populações periféricas.
A sentença se apoia em normas legais de proteção à dignidade humana, incluindo a Lei
nº 7.716, de 1989 (Lei do Racismo), e o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146, de
2015), reconhecendo que a liberdade de expressão não é um salvo-conduto para incitar o
preconceito e a exclusão social.

z O que motivou a condenação?

A juíza responsável destacou três elementos fundamentais para a condenação:

„ Gravidade das ofensas: as falas não apenas reproduziam estereótipos, mas incitavam
a desumanização de grupos historicamente marginalizados;

161 CONDENAÇÃO de Léo Lins reacende debate sobre limites do humor e da liberdade de expressão; veja o que
dizem juristas. G1, 2025. Disponível em: https: //[Link]/sp/sao-paulo/noticia/2025/06/04/condenacao-
-[Link].
218 Acesso em: jun. 2025.
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„ Alcance massivo: o show teve mais de três milhões de visualizações, o que amplificou
o impacto social negativo das declarações;
„ Reiteração de conduta: o humorista foi advertido por órgãos de fiscalização anterior-
mente, mas manteve práticas discriminatórias em nome da “liberdade artística”.

z Humor sob julgamento: quais são os limites?

A condenação de Leo Lins se tornou um divisor de águas no entendimento jurídico brasi-


leiro sobre os limites do humor. Juristas destacam que, embora o humor seja um instrumento
legítimo de crítica social, ele não pode violar princípios constitucionais, como:

„ a dignidade da pessoa humana (inciso III, do art. 1º, da Constituição Federal, de 1988);
„ o direito à igualdade e à não discriminação (art. 5º da Constituição Federal, de 1988);
„ o respeito aos direitos das pessoas com deficiência e das minorias étnico-raciais.

Segundo o Ministério Público, piadas com teor capacitista, racista ou xenofóbico não con-
figuram liberdade artística, mas ofensa sistemática aos direitos humanos.

„ Geografia e sociologia do riso: quando o humor vira violência simbólica

O caso Leo Lins evidencia como o uso do humor pode variar de instrumento de denúncia
social para veículo de violência simbólica, dependendo do contexto, da intenção e do alvo
das piadas.

„ Análise geográfica

As piadas de Leo Lins foram especialmente direcionadas a pessoas com deficiência, comu-
nidades indígenas e moradores de regiões periféricas, atingindo grupos concentrados, em
sua maioria, nas Regiões Norte e Nordeste e em zonas urbanas marginalizadas.
O fato destacado reforça a desigualdade espacial da representação social no Brasil, em que
humoristas de grandes centros urbanos — geralmente brancos e de classe média — utilizam
do riso para reforçar estigmas sobre populações que vivem em contextos de vulnerabilidade
extrema.

„ Histórico: liberdade de expressão e responsabilidade no Brasil

A discussão sobre liberdade de expressão no país remonta à redemocratização pós-ditadu-


ra militar (1964–1985), quando a Constituição, de 1988, garantiu esse direito como cláusula
pétrea. No entanto, a Carta também prevê que não há liberdade absoluta: ela deve ser exer-
ATUALIDADES

cida dentro dos limites legais e dos direitos de terceiros.


Ao longo das últimas décadas, casos envolvendo racismo em programas de TV, misoginia
em rádio e homofobia em redes sociais colocaram à prova a linha tênue entre opinião e inci-
tação ao ódio. A condenação de Leo Lins, portanto, marca um novo patamar judicial: o da
criminalização formal da violência simbólica travestida de humor.

219
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„ Geopolítica da informação: discurso de ódio nas redes e regulação de plataformas

A difusão do show nas redes sociais amplia o debate para o campo da geopolítica da infor-
mação. Plataformas digitais como YouTube e Instagram têm sido territórios de disputa entre
liberdade e regulação, especialmente diante do avanço global de discurso de ódio, desinfor-
mação e ataques à dignidade humana.
O Brasil segue uma tendência internacional, observada em países como Alemanha, França
e Austrália, que vêm punindo conteúdos considerados ofensivos, mesmo quando apresenta-
dos com tom humorístico.
A responsabilização penal de influenciadores e artistas é vista como necessária para pre-
servar os valores democráticos e os direitos das minorias.

„ Repercussão e polarização: entre aplausos e críticas

A sentença provocou forte polarização nas redes sociais. De um lado, juristas, ativistas e
entidades de defesa dos direitos humanos celebraram a decisão como um avanço na respon-
sabilização de quem usa a arte para reforçar opressões. De outro, influenciadores e defenso-
res do humor “sem limites” acusaram a justiça de praticar censura e perseguição ideológica.
A pena em regime fechado também chamou atenção, sendo interpretada por especialistas
como exemplar, no sentido de desestimular comportamentos semelhantes e reforçar o papel
do Judiciário na defesa da diversidade e da dignidade.

„ Liberdade não é impunidade

A condenação de Leo Lins representa um marco jurídico e simbólico na trajetória demo-


crática brasileira. O humor continuará sendo uma ferramenta potente de crítica e reflexão,
mas não poderá mais ser escudo para práticas discriminatórias.

z Zika, pobreza e negligência: 10 anos da epidemia que revelou o mapa da desigualda-


de no Brasil162

10 anos após a epidemia de zika vírus que assolou o Brasil em 2015, pesquisadores e auto-
ridades de saúde reforçam um alerta essencial: a crise sanitária não foi apenas viral, mas
também ambiental, social e geográfica.
O surgimento de “bolsões de microcefalia”, com alta concentração de casos em determina-
das regiões, especialmente no Nordeste brasileiro, expôs um padrão alarmante de vulnera-
bilidade estrutural.
Estudos recentes revelam que a infecção pelo zika vírus se somou a fatores agravantes
como exposição a agrotóxicos, toxinas na água, desnutrição, ausência de saneamento básico
e acesso precário à saúde. O resultado foi uma incidência desproporcional de malformações
congênitas em comunidades periféricas e rurais, nas quais o impacto do vírus foi mais severo
e persistente.

162 ZIKA: 10 anos do surto que mudou a história da saúde materno e infantil no País. Agência Gov, 2025. Disponível
em: https: //[Link]/noticias/202506/zika-10-anos-do-surto-que-mudou-a-historia-da-saude-mater-
220 no-e-infantil-no-brasil. Acesso em: jun. 2025.
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z Como surgiram os “bolsões de microcefalia”?

Embora o zika vírus seja o agente etiológico da síndrome congênita do zika, os cientistas
demonstraram que condições socioambientais adversas amplificaram o risco e a gravidade
da doença. Os principais fatores associados foram:

„ saneamento precário, que facilita a proliferação do Aedes Aegypti;


„ uso intensivo de agrotóxicos em áreas rurais, com potenciais efeitos teratogênicos (que
causam malformações fetais);
„ água contaminada com metais pesados ou toxinas orgânicas, como cianobactérias;
„ desnutrição crônica em gestantes, que compromete a defesa imunológica e o desenvol-
vimento fetal.

Esses fatores criaram zonas de altíssimo risco, especialmente em municípios do interior do


Nordeste, como na Zona da Mata, no Sertão e em partes do Agreste, locais em que a infraes-
trutura urbana e os serviços de saúde são historicamente negligenciados pelo poder público.

z Geografia da epidemia: um mapa da desigualdade brasileira

A geografia da microcefalia no Brasil não foi aleatória: ela espelhou um padrão de desi-
gualdade histórica e regional. Enquanto capitais do Sul e Sudeste tiveram números baixos e
bem controlados de casos, cidades nordestinas pequenas e sem estrutura de saúde pública
adequada concentraram milhares de nascimentos com sequelas neurológicas.
Destaques territoriais:

„ Pernambuco foi o epicentro inicial, com centenas de casos confirmados logo após o
surto;
„ Paraíba, Rio Grande do Norte e Bahia também apresentaram elevadas taxas de
incidência;
„ as áreas rurais foram desproporcionalmente afetadas, com acesso limitado a pré-natal,
saneamento e água potável.

Esses dados reforçam a interseção entre saúde pública, exclusão social e território, confir-
mando que as epidemias no Brasil seguem fronteiras geográficas da desigualdade.

z Histórico: da emergência sanitária ao apagamento social

Em 2015 e 2016, o Brasil foi o epicentro mundial da epidemia de zika, o que levou a decla-
rações de emergência internacional por parte da Organização Mundial da Saúde (OMS).
ATUALIDADES

O país registrou milhares de casos de microcefalia associados ao vírus, especialmente em


recém-nascidos de mulheres infectadas durante a gravidez.
Contudo, após o controle da crise epidêmica, muitas famílias ficaram esquecidas, depen-
dendo de programas de apoio locais ou ações pontuais de organizações sociais. Faltou uma
política nacional integrada de acompanhamento e inclusão dessas crianças, que, hoje, com
cerca de nove a 10 anos, enfrentam desafios cognitivos, motores e sociais profundos.
221
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z Geopolítica da saúde: o caso brasileiro como alerta global

O caso brasileiro da zika com microcefalia tornou-se referência internacional sobre como
crises sanitárias impactam mais intensamente populações empobrecidas e negligenciadas.
Diante disso, a epidemia evidenciou:

„ a ausência de vigilância ambiental adequada;


„ o uso indiscriminado de agrotóxicos, que ainda segue em níveis alarmantes no país;
„ a fragilidade do SUS em regiões interioranas; e
„ a inércia política diante de populações invisibilizadas.

O Brasil foi alvo de críticas, mas também serviu como estudo de caso para políticas futuras
de enfrentamento a arboviroses em países do Sul Global, em que há confluência entre pobre-
za estrutural e vulnerabilidade ambiental.

z Impactos duradouros e a omissão continuada

As crianças afetadas pela síndrome congênita do zika enfrentam múltiplos desafios até
hoje:

„ necessitam de acompanhamento médico, terapias multidisciplinares e escolas


inclusivas;
„ suas famílias, em geral, vivem em situação de vulnerabilidade socioeconômica;
„ o acesso a benefícios sociais ou suporte público é limitado e frequentemente judicializado.

A epidemia revelou mais do que uma falha na resposta sanitária: evidenciou também um
modelo de sociedade que normaliza a desigualdade e ignora os efeitos de longo prazo da
negligência ambiental sobre a saúde humana.

z A microcefalia como expressão da crise civilizatória brasileira

10 anos após o surto, os “bolsões de microcefalia” permanecem como cicatrizes abertas


em um país que não protege suas gestantes, suas crianças, nem seu ambiente. O caso da
zika no Brasil se tornou símbolo da interseção entre pobreza, degradação ambiental, racismo
estrutural e omissão institucional. Ele impõe um desafio urgente: pensar políticas públicas
que não apenas tratem os efeitos, mas enfrentem as causas profundas da desigualdade sani-
tária e ambiental no Brasil.

z Tragédia nos céus da Serra Catarinense reacende debate sobre segurança no turismo
de aventura163

163 ACIDENTE com balão em Santa Catarina deixa oito mortos. BBC News, 2025. Disponível em: https: //[Link].
222 com/portuguese/articles/c335eg8x340o. Acesso em: jun. 2025.
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Um acidente fatal com balão de ar quente ocorrido na região serrana de Santa Catarina
deixou oito mortos, entre eles o piloto e integrantes de uma mesma família que realizavam
um passeio turístico nos arredores da cidade de São Joaquim.
A tragédia ocorreu durante um voo realizado em condições climáticas instáveis, com
neblina densa, ventos cruzados e baixa visibilidade, fatores que dificultaram tanto o pouso
de emergência quanto o trabalho das equipes de resgate.
O episódio comoveu o país e reacendeu o debate sobre a regulamentação e fiscalização do
turismo de aventura, especialmente em ambientes naturais de risco elevado, como é o caso
das regiões montanhosas e climáticas instáveis do Sul do Brasil.

„ O que se sabe sobre o acidente

As investigações preliminares, conduzidas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e


pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), apontaram que
o balão teria perdido sustentação após ser atingido por uma corrente de vento cruzada, um
fenômeno comum em áreas de relevo elevado, como a Serra Catarinense.
Testemunhas relataram que o piloto tentou realizar um pouso de emergência, mas o balão
acabou caindo em uma área de difícil acesso. As condições geográficas e climáticas adversas
comprometeram o tempo de resposta das equipes de socorro.

„ Geografia do risco: o desafio dos voos em áreas montanhosas

A Serra Catarinense, onde o acidente ocorreu, é conhecida pelas paisagens deslumbrantes,


clima frio e altitudes que superam 1.800 m, como no Morro da Igreja. Essa região atrai turis-
tas em busca de experiências únicas — como voos panorâmicos de balão, cavalgadas e trilhas
—, mas também apresenta risco elevado à navegação aérea de pequeno porte.
A topografia acidentada, a formação de nevoeiros densos e as mudanças bruscas de ven-
tos tornam o espaço aéreo local particularmente instável para voos não motorizados ou com
baixa dirigibilidade, como é o caso dos balões.

z Turismo de aventura e regulação no Brasil: lacunas e desafios

O Brasil tem vivido, na última década, um crescimento expressivo no turismo de nature-


za e aventura, especialmente em estados como Santa Catarina, Minas Gerais, Goiás e Mato
Grosso, com atividades que envolvem voos livres, balonismo, rapel, rafting e escalada. No
entanto, a regulação desse tipo de turismo ainda é fragmentada e, muitas vezes, falha.
Especialistas apontam três pontos críticos:

„ falta de exigência legal padronizada para operadores turísticos, que podem atuar com
ATUALIDADES

diferentes graus de qualificação e sem fiscalização adequada;


„ ausência de regulamentação meteorológica específica para atividades de balonismo, o
que deixa a decisão de voar muitas vezes a critério do piloto;
„ carência de protocolos de emergência e planos de contingência integrados entre muni-
cípios, estado e União, especialmente em áreas remotas.

223
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z Acidentes anteriores e lições não aprendidas

Apesar de parecerem raros, acidentes com balões já ocorreram em outras regiões do Brasil
e do mundo. Em 2013, no Egito, um acidente similar causou a morte de 19 turistas, levando o
país a endurecer a regulação da atividade.
No Brasil, há registros de acidentes pontuais em estados como São Paulo e Goiás, mas
nenhum com a letalidade observada agora em Santa Catarina.
A repetição desses eventos reforça a necessidade de uma agenda nacional de segurança em turismo de aven-
tura, sob responsabilidade conjunta da Agência Nacional de Aviação Civil, Ministério do Turismo, Defesa
Civil e governos estaduais.

z Impactos sociais e debate público

A tragédia em São Joaquim gerou profunda comoção regional e nacional, especialmente


porque as vítimas pertenciam a uma mesma família, celebrando um momento de lazer. A
repercussão foi ampliada pelas redes sociais e levou parlamentares e entidades de turismo a
cobrarem respostas imediatas do governo federal.
A sociedade civil também se dividiu entre:

„ quem defende a liberdade do turista de escolher aventuras com riscos calculados; e


„ quem aponta a omissão do Estado diante de uma atividade de alto risco sem normas
rígidas de segurança operacional.

z Tragédia que exige respostas institucionais

O acidente com o balão em Santa Catarina representa mais do que uma tragédia isolada.
Ele expõe falhas sistêmicas na regulamentação de atividades turísticas radicais e evidencia a
urgência de criar políticas públicas de turismo seguro, que conciliem liberdade econômica,
desenvolvimento local e proteção à vida humana.

z Tragédia na Indonésia: brasileira Juliana Marins morre após queda em vulcão ativo164

A comunidade brasileira e o mundo do turismo de aventura foram abalados pela triste


notícia da morte de Juliana Marins, uma jovem brasileira de 26 anos que faleceu após uma
queda de aproximadamente 300 metros durante uma trilha no Monte Rinjani, um vulcão
ativo na ilha de Lombok, Indonésia.
Juliana, natural de Niterói (RJ) e conhecida por documentar suas viagens pela Ásia nas
redes sociais, estava desaparecida desde 20 de junho e foi encontrada morta em 24 de junho.

„ O desaparecimento e o desafiador resgate

164 PIERRE, E.; NASCIMENTO, R. Juliana Marins, brasileira que caiu em trilha de vulcão na Indonésia, é encontra-
da morta. G1, 2025. Disponível em: https: //[Link]/rj/rio-de-janeiro/noticia/2025/06/24/[Link]-
224 ml. Acesso em: jun. 2025.
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Os rascunhos iniciais da operação de resgate indicaram que Juliana foi localizada por meio
de drones, antes de ser finalmente alcançada por equipes que enfrentaram neblina intensa,
terreno instável e extrema dificuldade de acesso.
A operação de salvamento durou quatro dias, com resgatistas utilizando drones térmicos,
cordas e deslocamento terrestre. O mau tempo foi um fator crucial, impedindo o uso de heli-
cópteros e dificultando os esforços.
Em um primeiro momento, Juliana foi avistada consciente, mas, tragicamente, após escor-
regar ainda mais, perdeu contato com as equipes. Quando finalmente encontrada, ela apre-
sentava fraturas múltiplas causadas pela queda. A remoção do corpo ocorreu no dia seguinte,
após uma melhora nas condições climáticas.

„ Um olhar geográfico: o perigo dos vulcões ativos

O Monte Rinjani, onde a tragédia ocorreu, é um dos vulcões mais proeminentes da Indo-
nésia e um destino popular para trekking, apesar de sua natureza ativa. Localizado na ilha
de Lombok, a leste de Bali, faz parte do “Anel de Fogo do Pacífico”, uma região conhecida por
sua intensa atividade sísmica e vulcânica.
A beleza cênica de Rinjani, com seu lago de cratera e vistas panorâmicas, atrai milhares de
aventureiros anualmente. No entanto, sua natureza vulcânica e o terreno desafiador, espe-
cialmente em condições climáticas adversas, o tornam um local de risco para trilhas.
Esse incidente reforça a necessidade de conscientização sobre os perigos associados ao
turismo de aventura em áreas naturais instáveis.

„ Comoção no Brasil e a busca por segurança em trilhas

No Brasil, a notícia gerou uma onda de comoção. O Itamaraty confirmou o caso e enviou
dois diplomatas para prestar assistência à família. A prefeitura de Niterói e o governo federal
tramitaram um decreto para custear o translado do corpo de Juliana.
Em um gesto significativo, o senador Romário protocolou o projeto de lei “Lei Juliana
Marins”, visando garantir a repatriação de vítimas brasileiras no exterior, abordando uma
lacuna legal que frequentemente impõe um grande fardo financeiro e emocional às famílias.
O trágico episódio reacendeu debates importantes sobre diversos temas:

„ Segurança em trilhas: a necessidade de equipamentos adequados, guias experientes e


avaliações de risco mais rigorosas;
„ Regulamentação do turismo de aventura: a exigência de licenças, seguros e padrões
de segurança para operadores turísticos que atuam em regiões de alto risco;
„ Protocolos de urgência em regiões remotas: a melhoria da capacidade de resposta
a acidentes em áreas de difícil acesso, com investimento em tecnologias de resgate e
ATUALIDADES

treinamento de equipes.

A morte de Juliana Marins serve como um lembrete doloroso dos riscos inerentes ao turis-
mo de aventura e da importância da prudência e da preparação ao explorar ambientes natu-
rais desafiadores.

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ARTIGOS 1º AO 13; 34 AO 38 DA LEI N.º 13.146/2015

A proteção dos direitos das pessoas com deficiência, tanto no Brasil quanto no mundo, é
algo bem recente. Na realidade, a preocupação da sociedade com essa parcela da popula-
ção faz parte de um discurso atual, resultado da forma como essas pessoas passaram a ser
percebidas.
É importante ressaltar que, de acordo com a lei em comento, considera-se pessoa com defi-
ciência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual
ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação
plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.
É possível visualizar, ao longo da história, que as pessoas com deficiência foram encaradas
de quatro modos diferentes, conforme cada período temporal. A primeira fase foi a de into-
lerância em relação às pessoas com deficiência, pois, segundo acreditava-se, simbolizavam a
impureza, o pecado, ou, até mesmo, o castigo divino. A segunda foi a fase marcada pela invi-
sibilidade das pessoas com deficiência. Dela, decorreu a terceira fase, marcada pelo assisten-
cialismo e pautada na perspectiva médica e biológica de que a deficiência era uma patologia
e, como tal, deveria ser curada. Por fim, a quarta fase voltou-se para os direitos humanos,
promovendo a inclusão social, com ênfase na relação da pessoa com deficiência e do meio
em que ela está inserida.
Até mesmo a forma de referir-se a essas pessoas é fruto de uma construção histórica. A
partir de 1993, a nomenclatura mudou para “portadores de necessidades especiais”, “pessoas
com necessidades especiais”, “pessoas especiais”, “portadores de direitos especiais”. Atual-
mente, utiliza-se “pessoa com deficiência”.
Como consequência dessas mudanças no modo de ver/encarar a pessoa com deficiência,
surgiu o dever de eliminar os obstáculos que pudessem impedir o pleno exercício de seus
direitos, de modo a possibilitar o desenvolvimento de suas potencialidades, com autonomia
e participação.
Nesse contexto, iniciou-se um sistema de proteção internacional, exigindo dos Estados um
tratamento especializado para a proteção aos direitos das pessoas com deficiência. Entre os
instrumentos de proteção realizados, encontra-se a Convenção sobre os Direitos das Pessoas
com Deficiência, de 2006. O texto dessa convenção foi assinado no ano de 2007 e incorporado
ao ordenamento jurídico brasileiro no ano de 2009 pelo Decreto nº 6.949.
A importância do Decreto nº 6.949, de 2009, é imensa, uma vez que ele foi o primeiro
tratado internacional de direitos humanos a adotar a norma do § 3º, art. 5º, da Constituição
Federal, ou seja, a seguir o mesmo rito de aprovação cabível para as emendas constitucionais
(aprovação em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos
dos respectivos membros).
Como resultado, tal decreto passou a ter status de norma constitucional (mesmo valor
normativo das leis dispostas na Constituição Federal, mesmo sem fazer parte dela). Por essa
razão, o Brasil precisou promover alterações legislativas para “assegurar e promover o pleno
exercício de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais por todas as pessoas com
deficiência”, em conformidade com o item 1 da Convenção.
Assim, foi editada, em 6 de julho de 2015, a Lei nº 13.146, com o objetivo de dar cumpri-
mento à Convenção.

226
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Antes de iniciar nosso estudo, é preciso ter em mente que, para melhor compreender a Lei
nº 13.146, de 2015, é primordial entender sua estrutura e identificar as ideias mais importan-
tes da legislação, uma vez que as bancas tendem a cobrar o que se denomina “literalidade das
ideias”, ou seja, os pontos principais de cada artigo com base em sua estrutura, não havendo,
para tanto, a necessidade de decorá-los. O estudo deve ter atenção especial à parte relati-
va aos crimes e infrações administrativas, por ser esse o ponto mais cobrado pelas bancas
examinadoras.
Feitas essas considerações iniciais, bons estudos!

ESTATUTO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA, COM AS ALTERAÇÕES VIGENTES ATÉ A


PUBLICAÇÃO DESTE EDITAL

A Lei nº 13.146, de 2015, é dividida em duas partes: geral e especial. A parte geral tem,
como base, os princípios da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, disci-
plinando, além desses, os direitos fundamentais das pessoas com deficiência. Já a parte espe-
cial é composta pelos meios de proteção, quais sejam: o acesso à justiça e reconhecimento
igual perante a lei e aos crimes e infrações administrativas.

LEI Nº 13.146, DE 2015

Parte geral: princípios e Parte especial: meios de


direitos fundamentais proteção

Iniciando pela parte geral, os arts. 1º a 3º da mencionada lei introduzem o tema, estabele-
cendo suas disposições gerais.

Art. 1º É instituída a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa
com Deficiência), destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício
dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão
social e cidadania.
Parágrafo único. Esta Lei tem como base a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Defi-
ciência e seu Protocolo Facultativo, ratificados pelo Congresso Nacional por meio do Decreto
Legislativo nº 186, de 9 de julho de 2008 , em conformidade com o procedimento previsto no
§ 3º do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil , em vigor para o Brasil, no
plano jurídico externo, desde 31 de agosto de 2008, e promulgados pelo Decreto nº 6.949, de 25
de agosto de 2009 , data de início de sua vigência no plano interno.

De acordo com o art. 1º, o objetivo da legislação é assegurar e promover o exercício dos
direitos e das liberdades fundamentais da pessoa com deficiência em iguais condições com
ATUALIDADES

os demais, de modo a garantir sua inclusão social e cidadania. Seu parágrafo único deixa
claro que a Lei nº 13.146, de 2015, decorre da Convenção (juntamente com seus protocolos),
sendo incorporada no ordenamento jurídico brasileiro com status de emenda constitucional,
conforme explanado.
O art. 2º preocupou-se em dar o conceito de pessoa com deficiência. Em termos gerais,
considera-se pessoa com deficiência aquela que possui impedimento de longo prazo, sen-
do este de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, que pode, de alguma forma,
227
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causar barreiras ou obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades
de condições com as demais pessoas.

z Pessoa com deficiência:

„ impedimento de longo prazo;


„ natureza física, mental, intelectual ou sensorial;
„ causar barreiras ou obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualda-
des de condições com as demais pessoas.

Além de conceituar pessoas com deficiência, o art. 2º trouxe, em seus parágrafos, a manei-
ra como deve ser procedida a avaliação para caracterizar essas pessoas. O § 1º estabele-
ce que a avaliação será realizada por uma equipe multiprofissional e interdisciplinar, de
modo a considerar os aspectos que permeiam o indivíduo (todo o contexto social). Para deter-
minar ou não a deficiência, a equipe analisará três enfoques: biológico, psicológico e social.
Vejamos:

Art. 2º Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de
natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais bar-
reiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições
com as demais pessoas.
§ 1º A avaliação da deficiência, quando necessária, será biopsicossocial, realizada por equipe
multiprofissional e interdisciplinar e considerará:
I - os impedimentos nas funções e nas estruturas do corpo;
II - os fatores socioambientais, psicológicos e pessoais;
III - a limitação no desempenho de atividades;
IV - a restrição de participação.
§ 2º O Poder Executivo criará instrumentos para avaliação da deficiência.

O § 2º, por sua vez, estabelece que compete ao Poder Executivo a criação dos instrumentos
normativos para a verificação da deficiência.

Importante!
A competência é do Poder Executivo, e não do Poder Legislativo.

Art. 2º […]
§ 3º O exame médico-pericial componente da avaliação biopsicossocial da deficiência de que
trata o § 1º deste artigo poderá ser realizado com o uso de tecnologia de telemedicina ou por
análise documental conforme situações e requisitos definidos em regulamento.

Conforme visto, foi incluído pela Lei nº 14.724, de 2023, o § 3º ao art. 2º, da Lei nº 13.146,
de 2015, que tem como principal objetivo a redução de gastos e a celeridade no processo de
avaliação e diagnóstico de pessoas com deficiência.
Portanto, a Lei nº 14.724, de 2023, buscou facilitar o acesso da pessoa com deficiência aos
228 seus direitos e garantias, razão pela qual ela não precisará mais se deslocar até um local
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específico para fazer o exame médico-pericial, podendo fazê-lo pela internet ou por meio de
documentos que comprovem a sua condição.
O art. 2º-A trata da instituição do cordão de fita com desenhos de girassóis como símbolo
nacional de identificação de pessoas com deficiências ocultas. Essas deficiências são aquelas
que não são percebidas de imediato, como é o caso da surdez e do autismo.
O § 1º ressalta que o uso do símbolo é opcional e que a sua ausência não prejudica o exer-
cício de leis e direitos já previstos.
Por fim, o § 2º dispõe que a utilização do símbolo não dispensa a apresentação de docu-
mento que comprove a deficiência, caso ele venha a ser solicitado por atendente ou autori-
dade competente.

Art. 2º-A É instituído o cordão de fita com desenhos de girassóis como símbolo nacional de
identificação de pessoas com deficiências ocultas.
§ 1º O uso do símbolo de que trata o caput deste artigo é opcional, e sua ausência não prejudi-
ca o exercício de direitos e garantias previstos em lei.
§ 2º A utilização do símbolo de que trata o caput deste artigo não dispensa a apresentação de
documento comprobatório da deficiência, caso seja solicitado pelo atendente ou pela autori-
dade competente.

O art. 3º apresenta outros conceitos para aplicação e entendimento da legislação. São eles:

z acessibilidade;
z desenho universal;
z tecnologia assistiva ou ajuda técnica;
z barreiras;
z comunicação;
z adaptações razoáveis;
z elemento de urbanização;
z mobiliário urbano;
z pessoa com mobilidade reduzida;
z residências inclusivas;
z moradia para a vida independente da pessoa com deficiência;
z atendente pessoal;
z profissional de apoio escolar;
z acompanhante.

Art. 3º [...]
I - acessibilidade: possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e auto-
nomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação
ATUALIDADES

e comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias, bem como de outros serviços e insta-
lações abertos ao público, de uso público ou privados de uso coletivo, tanto na zona urbana
como na rural, por pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida.

Observe que a palavra-chave para entender o conceito de acessibilidade é autonomia


(direito de circular com autonomia em espaços públicos e privados de uso coletivo, bem
como o direito de ter autonomia para utilizar a tecnologia).
229
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Art. 3º [...]
II - desenho universal: concepção de produtos, ambientes, programas e serviços a serem usa-
dos por todas as pessoas, sem necessidade de adaptação ou de projeto específico, incluindo os
recursos de tecnologia assistiva.

Refere-se ao fato de que o produto ou serviço deve ser utilizado por todas as pessoas, inde-
pendentemente de elas terem ou não alguma deficiência.

Art. 3º [...]
III - tecnologia assistiva ou ajuda técnica: produtos, equipamentos, dispositivos, recursos,
metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivem promover a funcionalidade, rela-
cionada à atividade e à participação da pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida,
visando à sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social.

Trata-se, aqui, da possibilidade de adaptar determinado produto ou serviço às necessida-


des da pessoa com deficiência, para que ela possa utilizá-lo de forma autônoma.

Art. 3º [...]
IV - barreiras: qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que limite ou impeça a
participação social da pessoa, bem como o gozo, a fruição e o exercício de seus direitos à aces-
sibilidade, à liberdade de movimento e de expressão, à comunicação, ao acesso à informação,
à compreensão, à circulação com segurança, entre outros, classificadas em:
a) barreiras urbanísticas: as existentes nas vias e nos espaços públicos e privados abertos ao
público ou de uso coletivo;
b) barreiras arquitetônicas: as existentes nos edifícios públicos e privados;
c) barreiras nos transportes: as existentes nos sistemas e meios de transportes;
d) barreiras nas comunicações e na informação: qualquer entrave, obstáculo, atitude ou com-
portamento que dificulte ou impossibilite a expressão ou o recebimento de mensagens e de
informações por intermédio de sistemas de comunicação e de tecnologia da informação;
e) barreiras atitudinais: atitudes ou comportamentos que impeçam ou prejudiquem a parti-
cipação social da pessoa com deficiência em igualdade de condições e oportunidades com as
demais pessoas;
f) barreiras tecnológicas: as que dificultam ou impedem o acesso da pessoa com deficiência às
tecnologias.

Por barreiras, entende-se qualquer obstáculo que impeça ou limite a participação social
da pessoa com deficiência. As barreiras podem estar nos espaços públicos e privados de uso
coletivo (urbanísticas), nas edificações (arquitetônicas), nos transportes, nas comunicações,
nas atitudes (atitudinais) e na dificuldade de acesso às tecnologias (tecnológicas).
Nesse sentido, vejamos o fluxograma que segue:

230
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Urbanísticas
Arquitetônicas
Nos transportes
BARREIRAS
Tecnológicas

Atitudinais
Nas comunicações e na informação

Art. 3º [...]
V - comunicação: forma de interação dos cidadãos que abrange, entre outras opções, as
línguas, inclusive a Língua Brasileira de Sinais (Libras), a visualização de textos, o Braille, o
sistema de sinalização ou de comunicação tátil, os caracteres ampliados, os dispositivos mul-
timídia, assim como a linguagem simples, escrita e oral, os sistemas auditivos e os meios de
voz digitalizados e os modos, meios e formatos aumentativos e alternativos de comunicação,
incluindo as tecnologias da informação e das comunicações;
VI - adaptações razoáveis: adaptações, modificações e ajustes necessários e adequados que
não acarretem ônus desproporcional e indevido, quando requeridos em cada caso, a fim de
assegurar que a pessoa com deficiência possa gozar ou exercer, em igualdade de condições e
oportunidades com as demais pessoas, todos os direitos e liberdades fundamentais;
VII - elemento de urbanização: quaisquer componentes de obras de urbanização, tais como
os referentes a pavimentação, saneamento, encanamento para esgotos, distribuição de ener-
gia elétrica e de gás, iluminação pública, serviços de comunicação, abastecimento e distribui-
ção de água, paisagismo e os que materializam as indicações do planejamento urbanístico;
VIII - mobiliário urbano: conjunto de objetos existentes nas vias e nos espaços públicos,
superpostos ou adicionados aos elementos de urbanização ou de edificação, de forma que
sua modificação ou seu traslado não provoque alterações substanciais nesses elementos, tais
como semáforos, postes de sinalização e similares, terminais e pontos de acesso coletivo às
telecomunicações, fontes de água, lixeiras, toldos, marquises, bancos, quiosques e quaisquer
outros de natureza análoga;
IX - pessoa com mobilidade reduzida: aquela que tenha, por qualquer motivo, dificulda-
de de movimentação, permanente ou temporária, gerando redução efetiva da mobilidade, da
flexibilidade, da coordenação motora ou da percepção, incluindo idoso, gestante, lactante,
pessoa com criança de colo e obeso;
X - residências inclusivas: unidades de oferta do Serviço de Acolhimento do Sistema Único
de Assistência Social (SUAS) localizadas em áreas residenciais da comunidade, com estruturas
adequadas, que possam contar com apoio psicossocial para o atendimento das necessidades
da pessoa acolhida, destinadas a jovens e adultos com deficiência, em situação de dependên-
cia, que não dispõem de condições de autossustentabilidade e com vínculos familiares fragili-
zados ou rompidos.
ATUALIDADES

As residências inclusivas têm caráter de assistência para aquelas pessoas com deficiência
que são dependentes, porém não possuem vínculos familiares capazes de lhes dar suporte.

231
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Art. 3º [...]
XI - moradia para a vida independente da pessoa com deficiência: moradia com estruturas
adequadas capazes de proporcionar serviços de apoio coletivos e individualizados que respei-
tem e ampliem o grau de autonomia de jovens e adultos com deficiência.

Diferentemente da residência inclusiva, a moradia proporciona serviços de apoio à pessoa


com deficiência, os quais ampliarão o seu grau de autonomia.

Art. 3º [...]
XII - atendente pessoal: pessoa, membro ou não da família, que, com ou sem remuneração,
assiste ou presta cuidados básicos e essenciais à pessoa com deficiência no exercício de suas
atividades diárias, excluídas as técnicas ou os procedimentos identificados com profissões
legalmente estabelecidas;
XIII - profissional de apoio escolar: pessoa que exerce atividades de alimentação, higiene e
locomoção do estudante com deficiência e atua em todas as atividades escolares nas quais
se fizer necessária, em todos os níveis e modalidades de ensino, em instituições públicas e
privadas, excluídas as técnicas ou os procedimentos identificados com profissões legalmente
estabelecidas;
XIV - acompanhante: aquele que acompanha a pessoa com deficiência, podendo ou não desem-
penhar as funções de atendente pessoal.

DA IGUALDADE E DA NÃO DISCRIMINAÇÃO

Os arts. 4º a 9º tratam do tema igualdade e não discriminação, consubstanciados no


princípio da promoção da igualdade presente na Convenção sobre Direitos das Pessoas com
Deficiência. Para tanto, o § 1º, do art. 4º, preocupou-se em definir a discriminação em razão
da deficiência como:

Art. 4º Toda pessoa com deficiência tem direito à igualdade de oportunidades com as demais
pessoas e não sofrerá nenhuma espécie de discriminação.
§ 1º Considera-se discriminação em razão da deficiência toda forma de distinção, restrição
ou exclusão, por ação ou omissão, que tenha o propósito ou o efeito de prejudicar, impedir ou
anular o reconhecimento ou o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais de pessoa
com deficiência, incluindo a recusa de adaptações razoáveis e de fornecimento de tecnologias
assistivas.
§ 2º A pessoa com deficiência não está obrigada à fruição de benefícios decorrentes de ação
afirmativa.

Inclui-se, ainda, como forma de discriminação a recusa de adaptações razoáveis e de for-


necimento de tecnologias assistivas, tanto pelo próprio Estado como pelo particular.
Para facilitar na fixação desse conceito, vamos esquematizá-lo:

232
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Ação Impedir, prejudicar ou anular o
DISTINÇÃO Distinção reconhecimento ou o exercício
EM RAZÃO DA Restrição dos direitos e das liberdades
DEFICIÊNCIA Exclusão fundamentais de pessoas com
Omissão deficiência

É importante esclarecer que a igualdade trazida pela Lei nº 13.146, de 2015, não é impo-
sitiva, ou seja, as ações afirmativas constantes da lei não são obrigatórias às pessoas com
deficiência, pois, se elas não quiserem se beneficiar dos direitos elencados, não serão obriga-
das a isso. Por exemplo: a pessoa com deficiência não é obrigada a inscrever-se para vagas
reservadas, podendo concorrer às vagas de ampla concorrência se assim desejar.

Art. 5º A pessoa com deficiência será protegida de toda forma de negligência, discriminação,
exploração, violência, tortura, crueldade, opressão e tratamento desumano ou degradante.
Parágrafo único. Para os fins da proteção mencionada no caput deste artigo, são considerados
especialmente vulneráveis a criança, o adolescente, a mulher e o idoso, com deficiência.

O art. 5º, por sua vez, trata da proteção da pessoa com deficiência, de modo a afastar toda
forma de tortura ou outro mecanismo de redução da dignidade da pessoa humana ao assegu-
rar a proteção contra negligência, discriminação, exploração, violência, tortura, crueldade,
opressão e tratamento desumano ou degradante.
Seu parágrafo único traz um conceito importante: especialmente vulneráveis. Conside-
rando que a pessoa com deficiência já é vulnerável e, por essa razão, merece a proteção espe-
cial, maior deve ser a proteção de crianças, adolescentes, mulheres e idosos quando estes
possuem deficiência.

Art. 6º A deficiência não afeta a plena capacidade civil da pessoa, inclusive para:
I - casar-se e constituir união estável;
II - exercer direitos sexuais e reprodutivos;
III - exercer o direito de decidir sobre o número de filhos e de ter acesso a informações adequa-
das sobre reprodução e planejamento familiar;
IV - conservar sua fertilidade, sendo vedada a esterilização compulsória;
V - exercer o direito à família e à convivência familiar e comunitária; e
VI - exercer o direito à guarda, à tutela, à curatela e à adoção, como adotante ou adotando, em
igualdade de oportunidades com as demais pessoas.

Vale considerar, também, o art. 6º da lei, que concedeu às pessoas com deficiência a plena
capacidade para o exercício de seus direitos, inclusive para:
ATUALIDADES

z casar ou constituir união estável;


z exercer direitos sexuais e reprodutivos;
z exercer o direito de decidir sobre o número de filhos e de ter acesso a informações adequa-
das sobre reprodução e planejamento familiar;
z conservar sua fertilidade, sendo proibida a esterilização compulsória;
z exercer o direito à família e à convivência familiar e comunitária;
233
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z exercer o direito à guarda, à tutela, à curatela e à adoção, como adotante ou adotando, em
igualdade de oportunidades com as demais pessoas.

Dica
Até a entrada em vigor da Lei nº 13.146, de 2015, as pessoas com deficiência eram tidas,
em regra, de forma absoluta ou relativamente incapazes pelo Código Civil. Atualmente, a
regra é que elas são plenamente capazes, só sendo consideradas relativamente incapazes
se, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade.

Art. 7º É dever de todos comunicar à autoridade competente qualquer forma de ameaça ou de


violação aos direitos da pessoa com deficiência.
Parágrafo único. Se, no exercício de suas funções, os juízes e os tribunais tiverem conhecimen-
to de fatos que caracterizem as violações previstas nesta Lei, devem remeter peças ao Minis-
tério Público para as providências cabíveis.

O art. 7º trouxe o dever de vigilância geral aplicável a todas as pessoas. Em decorrência


dele, todos podem comunicar às autoridades qualquer tipo de ameaça ou violação aos direi-
tos da pessoa com deficiência. Ressalta-se: seu parágrafo único dispõe que, uma vez verifica-
da ofensa à lei pelos juízes e tribunais, o Ministério Público deve ser informado para que as
providências para o devido cumprimento da lei sejam adotadas, inclusive na forma penal.

Art. 8º É dever do Estado, da sociedade e da família assegurar à pessoa com deficiência, com
prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à sexualidade, à paternidade
e à maternidade, à alimentação, à habitação, à educação, à profissionalização, ao trabalho,
à previdência social, à habilitação e à reabilitação, ao transporte, à acessibilidade, à cultura,
ao desporto, ao turismo, ao lazer, à informação, à comunicação, aos avanços científicos e tec-
nológicos, à dignidade, ao respeito, à liberdade, à convivência familiar e comunitária, entre
outros decorrentes da Constituição Federal, da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência e seu Protocolo Facultativo e das leis e de outras normas que garantam seu bem-
-estar pessoal, social e econômico.

O art. 8º estabelece que é dever do Estado, da sociedade e da família assegurar a efetiva-


ção dos direitos das pessoas com deficiência.

Do Atendimento Prioritário

Art. 9º A pessoa com deficiência tem direito a receber atendimento prioritário, sobretudo com
a finalidade de:
I - proteção e socorro em quaisquer circunstâncias;
II - atendimento em todas as instituições e serviços de atendimento ao público;
III - disponibilização de recursos, tanto humanos quanto tecnológicos, que garantam atendi-
mento em igualdade de condições com as demais pessoas;
IV - disponibilização de pontos de parada, estações e terminais acessíveis de transporte coleti-
vo de passageiros e garantia de segurança no embarque e no desembarque;
V - acesso a informações e disponibilização de recursos de comunicação acessíveis;
234
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VI - recebimento de restituição de imposto de renda;
VII - tramitação processual e procedimentos judiciais e administrativos em que for parte ou
interessada, em todos os atos e diligências.
§ 1º Os direitos previstos neste artigo são extensivos ao acompanhante da pessoa com defi-
ciência ou ao seu atendente pessoal, exceto quanto ao disposto nos incisos VI e VII deste artigo.
§ 2º Nos serviços de emergência públicos e privados, a prioridade conferida por esta Lei é con-
dicionada aos protocolos de atendimento médico.

Encerrando a parte relativa à igualdade, o art. 9º dispõe sobre o atendimento prioritário,


com as finalidades de:

z proteção e socorro em quaisquer circunstâncias;


z atendimento em todas as instituições e serviços de atendimento ao público;
z disponibilização de recursos, tanto humanos quanto tecnológicos, que garantam atendi-
mento em igualdade de condições com as demais pessoas;
z disponibilização de pontos de parada, estações e terminais acessíveis de transporte coleti-
vo de passageiros e garantia de segurança no embarque e no desembarque;
z acesso a informações e disponibilização de recursos de comunicação acessíveis;
z recebimento de restituição de imposto de renda;
z tramitação processual e procedimentos judiciais e administrativos em que for parte ou
interessada, em todos os atos e diligências.

Com exceção da restituição de imposto de renda e da tramitação processual prioritária,


todos os demais itens relativos ao atendimento prioritário são extensivos ao acompanhante
da pessoa com deficiência ou ao seu atendente pessoal. Como consequência, o acompanhan-
te tem direito à preferência de atendimento, ao socorro, entre outros.

DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS

Os arts. 10 ao 78 traçam os direitos das pessoas com deficiência. São eles os que estudare-
mos neste momento. Veja-os a seguir:

z vida;
z habitação e reabilitação;
z saúde;
z educação;
z moradia;
z trabalho;
z assistente social;
ATUALIDADES

z previdência social;
z cultura, esporte, turismo e lazer;
z transporte;
z mobilidade;
z acessibilidade.

235
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Do Direito à Vida

O direito à vida encontra-se previsto nos arts. 10 ao 13, da Lei nº 13.146, de 2015, e dele
decorrem os demais direitos, pois sem a vida não existiria nenhum outro. Vejamos separada-
mente cada dispositivo:

Art. 10 Compete ao poder público garantir a dignidade da pessoa com deficiência ao longo de
toda a vida.
Parágrafo único. Em situações de risco, emergência ou estado de calamidade pública, a pessoa
com deficiência será considerada vulnerável, devendo o poder público adotar medidas para
sua proteção e segurança.

O direito à vida é inviolável, sendo, inclusive, garantido constitucionalmente a todas


as pessoas. Por conseguinte, a pessoa com deficiência tem o direito de lutar pela sua vida,
competindo ao Estado o dever de adotar toda e qualquer medida para assegurar seu pleno
exercício.

Art. 11 A pessoa com deficiência não poderá ser obrigada a se submeter a intervenção clínica
ou cirúrgica, a tratamento ou a institucionalização forçada.
Parágrafo único. O consentimento da pessoa com deficiência em situação de curatela poderá
ser suprido, na forma da lei.

Ademais, a pessoa com deficiência poderá exercer os atos da vida civil, sem discrimina-
ção de qualquer natureza; nos casos em que a pessoa com deficiência tiver um curador, este
deverá respeitar sua autonomia, vontade e preferências.

Art. 12 O consentimento prévio, livre e esclarecido da pessoa com deficiência é indispensável


para a realização de tratamento, procedimento, hospitalização e pesquisa científica.
§ 1º Em caso de pessoa com deficiência em situação de curatela, deve ser assegurada sua par-
ticipação, no maior grau possível, para a obtenção de consentimento.
§ 2º A pesquisa científica envolvendo pessoa com deficiência em situação de tutela ou de cura-
tela deve ser realizada, em caráter excepcional, apenas quando houver indícios de benefí-
cio direto para sua saúde ou para a saúde de outras pessoas com deficiência e desde que
não haja outra opção de pesquisa de eficácia comparável com participantes não tutelados ou
curatelados.
Art. 13 A pessoa com deficiência somente será atendida sem seu consentimento prévio, livre e
esclarecido em casos de risco de morte e de emergência em saúde, resguardado seu superior
interesse e adotadas as salvaguardas legais cabíveis.

Importante assinalar que a pessoa com deficiência não é obrigada a ser submetida a qual-
quer espécie de tratamento ou intervenção forçada, haja vista que é indispensável seu livre
consentimento para a realização de qualquer procedimento, exceto nos casos de atendimen-
to de emergência em saúde e risco de morte, e nos casos em que ela se encontra impossibilita-
da de manifestar a sua vontade. Se possuir curador, este supre o seu consentimento (aplica-se
apenas às pessoas submetidas ao instituto da curatela).

236
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Verifica-se, ainda, que compete ao poder público a proteção das pessoas com deficiência
em situações de vulnerabilidade, em especial aquelas em situações de risco, como nos casos
de estado de emergência ou calamidade pública; somente nos casos de risco de morte a pes-
soa com deficiência será atendida sem seu prévio consentimento.

Do Direito ao Trabalho

O direito ao trabalho, disciplinado nos arts. 34 e 35, tem como característica o fato de ser
incluso. Como consequência, permite-se que a pessoa com deficiência tenha efetiva liberda-
de de escolha quanto à profissão ou ao trabalho que deseja desempenhar.

Disposições Gerais

Art. 34 A pessoa com deficiência tem direito ao trabalho de sua livre escolha e aceitação, em
ambiente acessível e inclusivo, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas.
§ 1º As pessoas jurídicas de direito público, privado ou de qualquer natureza são obrigadas a
garantir ambientes de trabalho acessíveis e inclusivos.
§ 2º A pessoa com deficiência tem direito, em igualdade de oportunidades com as demais pes-
soas, a condições justas e favoráveis de trabalho, incluindo igual remuneração por trabalho
de igual valor.
§ 3º É vedada restrição ao trabalho da pessoa com deficiência e qualquer discriminação em
razão de sua condição, inclusive nas etapas de recrutamento, seleção, contratação, admissão,
exames admissional e periódico, permanência no emprego, ascensão profissional e reabilita-
ção profissional, bem como exigência de aptidão plena.
§ 4º A pessoa com deficiência tem direito à participação e ao acesso a cursos, treinamentos,
educação continuada, planos de carreira, promoções, bonificações e incentivos profissionais
oferecidos pelo empregador, em igualdade de oportunidades com os demais empregados.
§ 5º É garantida aos trabalhadores com deficiência acessibilidade em cursos de formação e de
capacitação.

Portanto, trata-se de um dos direitos fundamentais da pessoa com deficiência o de exercer


o seu trabalho em ambiente inclusivo e acessível, com oportunidades iguais às das demais
pessoas, livre de qualquer preconceito no ambiente de trabalho. Assim, o trabalho a ser
desempenhado pela pessoa com deficiência será de sua livre escolha, desde que se garanta
sua segurança e possa auxiliar no seu desenvolvimento pessoal e profissional.
Ademais, caberá também às empresas garantir locais de trabalho com acessibilidade para
pessoas com deficiência, com total respeito ao direito de inclusão, fazendo para tanto as
adaptações que forem necessárias para assegurar o ambiente de trabalho seguro e respeito-
so a todos.
ATUALIDADES

Art. 35 É finalidade primordial das políticas públicas de trabalho e emprego promover e garan-
tir condições de acesso e de permanência da pessoa com deficiência no campo de trabalho.
Parágrafo único. Os programas de estímulo ao empreendedorismo e ao trabalho autônomo,
incluídos o cooperativismo e o associativismo, devem prever a participação da pessoa com
deficiência e a disponibilização de linhas de crédito, quando necessárias.

237
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Assim, a função principal das políticas públicas elencadas no artigo citado é garantir tanto
a isonomia do acesso ao trabalho como também a sua permanência pelas pessoas com defi-
ciência, visando, portanto, facilitar sua entrada e adaptação para permanência no ambiente
de trabalho, com a finalidade de contribuir para sua inclusão social, dignidade e melhoria da
qualidade de vida.
Importa destacar que evoluímos na consagração dos direitos trabalhistas, em especial com
a CF, de 1988, mais precisamente com o inciso XXXI, do art. 7º, que proíbe discriminação para
admissão e remuneração em razão de deficiência, e com o inciso VIII, do art. 37, que garante
reserva de vagas na Administração direta e indireta.
Em seguida, a Lei nº 7.853, de 1989, estipulou, no art. 2º, política pública de acesso ao
emprego público e privado. A Lei nº 8.112, de 1990, por sua vez, estabeleceu a reserva de 5%
a 20% dos cargos da Administração direta e indireta a pessoas com deficiência.
Já a Lei nº 8.213, de 1991, no art. 93, conforme mencionamos antes, estabeleceu as cotas de
2% até 5% de emprego para pessoas com deficiência ou reabilitadas nas empresas com mais
de 100 empregados.
No mesmo sentido estão o Decreto nº 3.298, de 1999, e, por fim, o Decreto nº 5.296, de 2004,
que regulamentaram as Leis nº 10.048 e nº 10.098, ambas de 2000, para o transporte público
adaptado e para a remoção de barreiras arquitetônicas.

Art. 36 O poder público deve implementar serviços e programas completos de habilitação


profissional e de reabilitação profissional para que a pessoa com deficiência possa ingressar,
continuar ou retornar ao campo do trabalho, respeitados sua livre escolha, sua vocação e seu
interesse.
§ 1º Equipe multidisciplinar indicará, com base em critérios previstos no § 1º do art. 2º desta
Lei, programa de habilitação ou de reabilitação que possibilite à pessoa com deficiência res-
taurar sua capacidade e habilidade profissional ou adquirir novas capacidades e habilidades
de trabalho.
§ 2º A habilitação profissional corresponde ao processo destinado a propiciar à pessoa com
deficiência aquisição de conhecimentos, habilidades e aptidões para exercício de profissão ou
de ocupação, permitindo nível suficiente de desenvolvimento profissional para ingresso no
campo de trabalho.
§ 3º Os serviços de habilitação profissional, de reabilitação profissional e de educação profis-
sional devem ser dotados de recursos necessários para atender a toda pessoa com deficiência,
independentemente de sua característica específica, a fim de que ela possa ser capacitada para
trabalho que lhe seja adequado e ter perspectivas de obtê-lo, de conservá-lo e de nele progredir.
§ 4º Os serviços de habilitação profissional, de reabilitação profissional e de educação profis-
sional deverão ser oferecidos em ambientes acessíveis e inclusivos.
§ 5º A habilitação profissional e a reabilitação profissional devem ocorrer articuladas com
as redes públicas e privadas, especialmente de saúde, de ensino e de assistência social, em
todos os níveis e modalidades, em entidades de formação profissional ou diretamente com o
empregador.
§ 6º A habilitação profissional pode ocorrer em empresas por meio de prévia formalização do
contrato de emprego da pessoa com deficiência, que será considerada para o cumprimento
da reserva de vagas prevista em lei, desde que por tempo determinado e concomitante com a
inclusão profissional na empresa, observado o disposto em regulamento.
§ 7º A habilitação profissional e a reabilitação profissional atenderão à pessoa com deficiência.
238
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Assim, a preocupação do legislador não se limita somente à entrada da pessoa com defi-
ciência no ambiente de trabalho, mas também busca garantir a sua adaptação, continuidade
e reabilitação, assegurando à pessoa com deficiência o direito ao trabalho que possa ser com-
patível com suas habilidades, contribuindo para seu desenvolvimento profissional.

Art. 37 Constitui modo de inclusão da pessoa com deficiência no trabalho a colocação com-
petitiva, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, nos termos da legislação
trabalhista e previdenciária, na qual devem ser atendidas as regras de acessibilidade, o forne-
cimento de recursos de tecnologia assistiva e a adaptação razoável no ambiente de trabalho.
Parágrafo único. A colocação competitiva da pessoa com deficiência pode ocorrer por meio de
trabalho com apoio, observadas as seguintes diretrizes:
I - prioridade no atendimento à pessoa com deficiência com maior dificuldade de inserção no
campo de trabalho;
II - provisão de suportes individualizados que atendam a necessidades específicas da pessoa
com deficiência, inclusive a disponibilização de recursos de tecnologia assistiva, de agente
facilitador e de apoio no ambiente de trabalho;
III - respeito ao perfil vocacional e ao interesse da pessoa com deficiência apoiada;
IV - oferta de aconselhamento e de apoio aos empregadores, com vistas à definição de estraté-
gias de inclusão e de superação de barreiras, inclusive atitudinais;
V - realização de avaliações periódicas;
VI - articulação intersetorial das políticas públicas;
VII - possibilidade de participação de organizações da sociedade civil.
Art. 38 A entidade contratada para a realização de processo seletivo público ou privado para
cargo, função ou emprego está obrigada à observância do disposto nesta Lei e em outras nor-
mas de acessibilidade vigentes.

Neste sentido, as pessoas com deficiência possuem o direito de concorrer às vagas de tra-
balho em iguais condições com as demais pessoas, sendo dever da empresa organizadora do
processo seletivo garantir que as pessoas com deficiência não sofram preconceitos de qual-
quer natureza.

HORA DE PRATICAR!
1. (VUNESP – 2023) A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência no 13.146/2015 define
tecnologia assistiva ou ajuda técnica como:

a) atitudes ou comportamentos que possibilitem ou favoreçam a participação social da pessoa


com deficiência em igualdade de condições e oportunidades com as demais pessoas.
b) produtos, equipamentos, dispositivos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços
ATUALIDADES

que objetivem promover a funcionalidade, relacionada à atividade e à participação da pessoa


com deficiência ou com mobilidade reduzida, visando à sua autonomia, independência, qualida-
de de vida e inclusão social.
c) concepção de produtos, ambientes, programas e serviços a serem usados por todas as pessoas,
sem necessidade de adaptação ou de projeto específico.

239
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d) produtos, equipamentos, dispositivos e recursos que incrementam qualquer entrave, obstáculo,
atitude ou comportamento que limite ou impeça a participação social da pessoa, bem como o
gozo, a fruição e o exercício de seus direitos à acessibilidade, à liberdade de movimento e de
expressão, à comunicação, ao acesso à informação, à compreensão, à circulação com seguran-
ça, entre outros.
e) produtos, equipamentos, dispositivos e recursos que propiciem qualquer entrave, obstácu-
lo, atitude ou comportamento que dificulte ou impossibilite a expressão ou o recebimento de
mensagens e de informações por intermédio de sistemas de comunicação e de tecnologia da
informação.

2. (VUNESP – 2023) Em 2015, é instituído o Estatuto da Pessoa com Deficiência, visando assegurar
sua inclusão social e cidadania. Em se tratando do Sistema Único de Assistência Social (SUAS),
as unidades de oferta do Serviço de Acolhimento são destinadas também a jovens e adultos com
deficiência, em situação de dependência, que não dispõem de condições de autossustentabilida-
de e com vínculos familiares fragilizados ou rompidos. Estão localizadas em áreas residenciais
da comunidade, com estruturas adequadas e com apoio psicossocial para o atendimento das
necessidades da pessoa acolhida. Para fins de aplicação dessa Lei, o artigo 3º (X) considera
essas unidades como

a) residências inclusivas.
b) centros de referência.
c) espaços de apoio.
d) serviços de convivência.
e) casas transitórias.

3. (VUNESP – 2023) De acordo com o artigo 3o, XIII, do Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei
no 13.146/2015), a pessoa que exerce atividades de alimentação, higiene e locomoção do estu-
dante com deficiência e atua em todas as atividades escolares nas quais se fizer necessária, em
todos os níveis e modalidades de ensino, em instituições públicas e privadas, excluídas as técni-
cas ou os procedimentos identificados com profissões legalmente estabelecidas é o

a) atendente pessoal.
b) acompanhante.
c) professor.
d) profissional de apoio escolar.
e) coordenador pedagógico.

4. (VUNESP – 2023) A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015)
destina-se a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das
liberdades fundamentais desse segmento. Determina essa Lei que a pessoa com deficiência
será protegida de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, tortura, cruel-
dade, opressão e tratamento desumano ou degradante. Conforme o artigo 5o (parágrafo único),
para os fins da proteção mencionada, a criança, o adolescente, a mulher e o idoso, com deficiên-
cia, são considerados especialmente

240 a) aptos.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
b) sensíveis.
c) interessados.
d) potentes.
e) vulneráveis.

5. (VUNESP – 2022) Suponha que João é uma pessoa com deficiência e que Maria é sua atendente
pessoal. Considerando a situação hipotética e o disposto na Lei no 13.146/2015 (Estatuto da
Pessoa com Deficiência), é correto afirmar que

a) Maria, por ser atendente pessoal de João, tem direi□to a receber atendimento prioritário na resti-
tuição de imposto de renda.
b) João apenas terá direito a receber atendimento prio□ritário na restituição de imposto de renda se
a sua deficiência for intelectual ou mental.
c) Maria tem direito a receber atendimento prioritário na tramitação processual em que for parte ou
interessa□da, em todos os atos e diligências.
d) Maria apenas teria direito a receber atendimento prioritário na tramitação processual se fosse
acom□panhante de João, e não atendente pessoal.
e) Maria tem direito a receber atendimento prioritário em todas as instituições e serviços de atendi-
mento ao público.

6. (VUNESP – 2024) Sobre os direitos descritos na Lei no 13.146/15 (Estatuto da pessoa com defi-
ciência), assinale a alternativa correta.

a) Residências inclusivas são moradias com estruturas adequadas capazes de proporcionar ser-
viços de apoio coletivos e individualizados que respeitem e ampliem o grau de autonomia de
jovens e adultos com deficiência.
b) A pessoa com deficiência somente será atendida sem seu consentimento prévio, livre e esclare-
cido em casos de risco de morte e de emergência em saúde, resguardado seu superior interesse
e adotadas as salvaguardas legais cabíveis.
c) Caberá exclusivamente ao poder público promover a capacitação de tradutores e intérpretes da
Libras, de guias intérpretes e de profissionais habilitados em Braille, audiodescrição, estenotipia
e legendagem.
d) O conceito de elemento de urbanização se refere a moradia com estruturas adequadas capazes
de proporcionar serviços de apoio coletivos e individualizados que respeitem e ampliem o grau
de autonomia de jovens e adultos com deficiência.
e) Nos programas habitacionais, públicos ou subsidiados com recursos públicos, a pessoa com
deficiência ou o seu responsável goza de prioridade na aquisição de imóvel para moradia própria,
devendo ser garantida reserva de, no mínimo, 5% (cinco por cento) das unidades habitacionais
para pessoas com deficiência.
ATUALIDADES

7. (VUNESP – 2024) A Lei nº 13.146/2015 determina que a pessoa com deficiência não poderá ser
obrigada a se submeter à intervenção clínica ou cirúrgica, a tratamento ou a institucionalização
forçada. O seu consentimento é indispensável para a realização de tratamento, procedimento,
hospitalização e pesquisa científica. Ainda de acordo com a referida Lei (artigo 13), a pessoa
com deficiência somente será atendida sem seu consentimento prévio, livre e esclarecido em
casos de risco de morte e de 241
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a) calamidade pública.
b) autorização familiar.
c) decisão judicial.
d) morosidade de atendimento.
e) emergência em saúde

8. (VUNESP – 2023) A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência destina-se a assegurar
e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais
da pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania. De acordo com o artigo
10 da referida lei, compete ao poder público garantir a dignidade da pessoa com deficiência ao
longo de toda a vida. Ainda está previsto, em seu parágrafo único, que em situações de risco,
emergência ou estado de calamidade pública, deve o poder público adotar medidas para a prote-
ção e segurança da pessoa com deficiência, na medida em que é considerada:

a) vulnerável.
b) dependente.
c) cidadã.
d) necessitada.
e) negligenciada.

9. (VUNESP – 2023) No exame médico admissional, de acordo com a legislação vigente, a exigên-
cia de aptidão plena é

a) necessária quando a atividade do trabalhador puder colocar em risco outras pessoas ou


instalações.
b) necessária para trabalhadores com deficiência.
c) necessária para trabalhadores de organizações de graus de risco 3 e 4.
d) vedada.
e) necessária para postos de trabalho em plataformas marítimas (offshore).

10. (VUNESP – 2022) A reflexão sobre o lugar social das pessoas com deficiência evidencia a atual
mudança de paradigma da qual o princípio da inclusão é portador. O tema ganha relevância nas
diversas instâncias da sociedade como no Judiciário, com as leis específicas para esse público;
na educação, com significativo aumento da matrícula de crianças com deficiência nas escolas
comuns, e também no mundo do trabalho, principalmente após a criação, pelo Estado, de políti-
cas afirmativas. Assim é que, de acordo com a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiên-
cia (artigo 34, § 2o), tais pessoas têm direito, em igualdade de oportunidades com as demais, a
condições justas e favoráveis de trabalho, incluindo igual remuneração por trabalho

a) específico.
b) de igual valor.
c) intelectual.
d) de menor esforço.
e) noturno.

242 9 GABARITO
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1 B

2 A

3 D

4 E

5 E

6 B

7 E

8 A

9 D

10 B

ATUALIDADES

243
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