ATUALIDADE
ATUALIDADE
Atualidades
PIRATARIA
É CRIME!
Todos os direitos autorais deste material são reservados e
protegidos pela Lei nº 9.610/1998. É proibida a reprodução parcial
ou total, por qualquer meio, sem autorização prévia expressa por
escrito da Nova Concursos.
ATUALIDADES.........................................................................................................................5
QUESTÕES RELACIONADAS A FATOS POLÍTICOS, ECONÔMICOS, SOCIAIS E CULTURAIS,
NACIONAIS E INTERNACIONAIS, OCORRIDOS A PARTIR DO 1° SEMESTRE DE 2025,
DIVULGADOS NA MÍDIA LOCAL E/OU NACIONAL............................................................................. 5
JANEIRO DE 2025
Mundo
1. BRASIL lança portal do BRICS 2025. Planalto, 2025. Disponível em: [Link] Acesso em: 1º
abr. 2025. 5
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
A presidência brasileira prevê uma agenda intensa de reuniões, com mais de 100 encon-
tros de grupos de trabalho programados para os primeiros meses do ano. A Cúpula do BRICS,
que reunirá os líderes dos países membros, está prevista para julho, no Rio de Janeiro.
No dia 20 de janeiro de 2025, Donald Trump assumiu pela segunda vez a presidência dos
Estados Unidos, iniciando seu mandato com a assinatura de uma série de decretos que sina-
lizam uma guinada nas políticas internas e externas do país.
Entre as principais ações, destacam-se a saída dos EUA da Organização Mundial da Saúde
(OMS), o endurecimento das medidas contra a imigração ilegal, o perdão aos envolvidos na
invasão ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021 e a retomada da influência norte-americana
sobre o Canal do Panamá.
2. SANCHES, M. As primeiras medidas de Trump e os planos prioritários anunciados na posse. BBC News Brasil,
6 2025. Disponível em: [Link] Acesso em: 1º abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Imigração: um tema central na política americana
No dia 8 de janeiro, vastos incêndios florestais atingiram Los Angeles, na Califórnia, desen-
cadeando uma crise de grandes proporções.
Os ventos intensos dificultaram o combate às chamas, tornando o céu da cidade um cená-
rio sombrio, encoberto pela fumaça densa.
O desastre resultou em vítimas fatais, destruição de infraestrutura e interrupções no abas-
tecimento de água, levando as autoridades locais a classificarem-no como um dos eventos
mais graves da história recente da região.
Os incêndios florestais não são novidade na Califórnia, uma região que combina altas
temperaturas, vegetação seca e ventos sazonais, criando condições ideais para a propagação
do fogo.
A história do estado é marcada por eventos similares, como o incêndio de Camp Fire, em
2018, que devastou a cidade de Paradise, deixando 85 mortos e se tornando o mais letal da
história da Califórnia.
Entretanto, a frequência e a intensidade dos incêndios vêm aumentando nas últimas déca-
das, impulsionadas por fatores climáticos e humanos.
O fenômeno do El Niño, que aquece as águas do Pacífico e altera padrões meteorológicos,
contribui para períodos de seca mais severos. Além disso, o crescimento urbano desorde-
nado em áreas de risco e a má gestão de recursos naturais ampliam a vulnerabilidade das
cidades californianas.
Os incêndios na Califórnia não são apenas um problema local, mas um reflexo das mudan-
ças climáticas globais. O aumento das temperaturas médias no planeta intensifica eventos
extremos, tornando incêndios mais frequentes e destrutivos. A relação entre desmatamento,
aquecimento global e secas prolongadas é um dos principais desafios ambientais do século
XXI.
3. YANG, A. O que causou os incêndios em Los Angeles? National Geographic mostra fotos apocalípticas do fogo
na cidade. National Geographic, 2025. Disponível em: [Link]
te/2025/01/o-que-causou-os-incendios-em- los-angeles-national-geographic-mostra-fotos-apocalipticas-do-fogo-
8 -na-cidade. Acesso em: 1º abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Países ao redor do mundo enfrentam crises semelhantes. O Brasil, por exemplo, tem regis-
trado incêndios devastadores na Amazônia e no Pantanal, enquanto a Austrália lida regular-
mente com megaincêndios que destroem milhões de hectares de floresta.
A dificuldade em conter essas catástrofes reforça a necessidade de políticas ambien-
tais mais rigorosas e de cooperação internacional para mitigar os impactos das mudanças
climáticas.
Além das perdas humanas e ambientais, os incêndios na Califórnia geram impactos eco-
nômicos significativos.
O estado, que abriga o Vale do Silício e uma das maiores economias do mundo, sofre com
prejuízos bilionários em infraestrutura, agricultura e turismo. Empresas precisam interrom-
per suas atividades, e a reconstrução das áreas afetadas exige grandes investimentos públi-
cos e privados.
Do ponto de vista geopolítico, a recorrência desses desastres coloca os Estados Unidos sob
pressão internacional para adotar medidas mais agressivas de combate às mudanças climá-
ticas. O país já enfrentou críticas por seu posicionamento em relação ao Acordo de Paris e à
transição para uma economia de baixo carbono.
O aumento dos desastres naturais reforça o debate sobre a necessidade de investimentos
em energias renováveis e em políticas de adaptação às novas realidades climáticas.
No dia 15 de janeiro de 2025, a política sul-coreana sofreu um grande abalo com a prisão
ATUALIDADES
4. PRESIDENTE conservador Coreia do Sul é preso após crise causada por decreto de lei marcial. Brasil de Fato,
2025. Disponível em: [Link] coreia-do-sul-e-
-preso-apos-crise-causada-por-decreto-de-lei-marcial/. Acesso em: 1º abr. 2025. 9
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
O episódio levanta questões não apenas sobre a democracia sul-coreana, mas também
sobre o impacto dessa decisão na estabilidade regional e nas relações internacionais.
Para entender o significado desse evento, é essencial analisar o histórico da lei marcial na
Coreia do Sul e o contexto geopolítico mais amplo.
A lei marcial é uma medida adotada por diversos países em momentos de crise, sendo,
geralmente, caracterizada por instabilidade política, revoltas populares ou ameaças à segu-
rança nacional. Quando decretada, as autoridades militares assumem o controle do governo,
e os direitos civis podem ser limitados ou suspensos.
Historicamente, a lei marcial tem sido usada tanto para restaurar a ordem quanto para
justificar regimes autoritários. Casos notáveis incluem a China durante os protestos da Praça
da Paz Celestial em 1989, as Filipinas sob Ferdinand Marcos na década de 1970 e o próprio
passado da Coreia do Sul, quando líderes militares governaram o país sob regimes duros até
a redemocratização na década de 1980.
No caso de Yoon Suk-yeol, a decisão de impor a lei marcial em dezembro de 2024 gerou
grande controvérsia. Embora o governo tenha argumentado que a medida era necessária
para conter distúrbios e ameaças à segurança nacional, críticos acusaram o presidente de
tentar se manter no poder à força diante de uma crise política crescente.
A Coreia do Sul tem um histórico turbulento em relação à lei marcial. Durante a ditadura
de Park Chung-hee (1961–1979) e posteriormente sob Chun Doo-hwan (1979–1988), o país
viveu longos períodos de repressão militar.
Um dos episódios mais marcantes ocorreu em 1980, quando Chun Doo-hwan declarou lei
marcial para conter manifestações pró-democracia na cidade de Gwangju. O resultado foi um
massacre brutal, no qual centenas de civis foram mortos pelas forças militares. Esse evento
se tornou um símbolo da luta sul-coreana pela democracia e ainda repercute na memória
coletiva do país.
Desde a transição democrática nos anos 1990, a Coreia do Sul tem se consolidado como
uma das nações mais desenvolvidas e democráticas da Ásia. No entanto, a decisão de Yoon
Suk-yeol de recorrer à lei marcial reacendeu temores de um possível retrocesso autoritário.
A prisão de Yoon Suk-yeol não apenas marca um ponto de virada na política sul-coreana,
como também levanta questões cruciais sobre os desafios da democracia no país.
A história mostra que medidas autoritárias, como a imposição da lei marcial, frequen-
temente levam a crises políticas e à queda de líderes que tentam usá-las para se manter no
poder.
O desfecho dessa crise ainda é incerto. O que está em jogo não é apenas o destino de um
presidente, mas a própria solidez das instituições democráticas da Coreia do Sul e seu papel
na geopolítica global. O mundo, agora, observa atentamente para ver se o país conseguirá
superar esse momento conturbado sem comprometer as conquistas democráticas alcança-
das nas últimas décadas.
No dia 10 de janeiro de 2025, Nicolás Maduro assumiu seu terceiro mandato como presi-
dente da Venezuela, consolidando sua permanência no poder até 2031.
A cerimônia de posse contou com a presença de aliados estratégicos, mas notavelmente
sem a participação do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que foi convidado, mas
optou por não comparecer.
A nova fase do governo Maduro promete ser marcada por mudanças estruturais significa-
tivas, especialmente com a proposta de uma reforma constitucional que visa à implementa-
ção do chamado “Estado comunal”.
ATUALIDADES
5. LEÓN, L. P. Venezuela: Maduro assume 3º mandato e promete reforma na Constituição. Agência Brasil, 2025. Dis-
ponível em: [Link] man-
dato-e-promete-reforma-na-constituicao. Acesso em: 1º abr. 2025. 11
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Para compreender os impactos dessa nova configuração política, é essencial analisar a
trajetória de Maduro, o contexto da reforma constitucional e os efeitos que essa nova fase do
governo pode ter sobre a Venezuela e a América Latina.
O conceito de “Estado comunal” foi inicialmente idealizado pelo ex-presidente Hugo Chá-
vez como uma forma de governança baseada na participação direta da população em conse-
lhos e comunas locais.
Na teoria, essa estrutura teria o objetivo de transferir mais poder para o povo, diminuindo
a influência de instituições tradicionais como parlamentos e governos regionais.
Na prática, porém, críticos apontam que esse modelo pode resultar no enfraquecimento
da oposição e no aumento do controle estatal sobre a sociedade. Ao substituir ou esvaziar as
instituições tradicionais, Maduro poderia reforçar ainda mais seu domínio político, reduzin-
do os mecanismos de alternância no poder e tornando a oposição ainda menos influente no
cenário político venezuelano.
A proposta de reforma constitucional para oficializar o Estado comunal se alinha com o
histórico de Maduro de concentrar poderes e deslegitimar instituições democráticas.
Desde sua ascensão ao poder em 2013, após a morte de Chávez, o líder venezuelano tem
enfrentado duras críticas internacionais por reprimir adversários políticos, sufocar a liber-
dade de imprensa e promover eleições com credibilidade questionada.
O terceiro mandato de Maduro não é apenas uma questão interna, tendo, também, impli-
cações significativas na geopolítica latino-americana e global.
12
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Relação com os EUA e a União Europeia: a Venezuela continua sendo alvo de sanções
internacionais devido a alegações de violações de direitos humanos e eleições fraudu-
lentas. Os Estados Unidos, sob diferentes administrações, têm mantido uma política de
pressão sobre Caracas, enquanto a União Europeia adota uma postura crítica, mas mais
diplomática;
Apoio de China, Rússia e Irã: por outro lado, Maduro fortaleceu alianças estratégicas
com potências como China, Rússia e Irã. Esses países veem a Venezuela como um aliado
importante na disputa geopolítica contra os EUA e fornecem apoio econômico e militar
ao governo chavista;
Impacto no Brasil e na América Latina: a relação entre Brasil e Venezuela sempre
foi um termômetro das mudanças políticas na região. A ausência de Lula na posse de
Maduro sugere um distanciamento estratégico, ainda que o governo brasileiro mante-
nha relações diplomáticas com Caracas. Outros países da América Latina, como Argen-
tina, Colômbia e Chile, adotam posturas diversas, variando entre cooperação e forte
oposição ao regime de Maduro.
Pelo terceiro ano consecutivo, a população da China registrou uma queda significativa. Ao
final de 2024, o número total de habitantes caiu para 1,408 bilhão, representando uma redu-
ção de 1,39 milhão de pessoas.
Esse declínio populacional sinaliza um desafio crescente para o governo chinês, com
implicações profundas para sua economia, força de trabalho e influência geopolítica no lon-
go prazo.
O fenômeno demográfico que atinge a China não é um caso isolado, mas, sim, o resultado
ATUALIDADES
6. HE, L. Entenda os problemas que a China enfrenta na economia. CNN Brasil, 2025. Disponível em: [Link]
[Link]/economia/macroeconomia/entenda-os-problemas-que-a-china- enfrenta-na-economia/. Acesso
em: 1º abr. 2025. 13
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Para compreender a gravidade desse cenário, é essencial analisar o contexto histórico, as
razões por trás da queda populacional e como isso pode afetar o posicionamento da China no
cenário global.
Durante grande parte do século XX, a China enfrentou um rápido crescimento popula-
cional. Com o objetivo de conter essa expansão e evitar uma crise de recursos, o governo
implementou, em 1979, a política do filho único, restringindo o número de nascimentos por
família.
Embora a medida tenha conseguido reduzir a taxa de crescimento populacional, ela trou-
xe consequências graves a longo prazo. Entre os principais efeitos, destacam-se:
Para tentar reverter esse quadro, o governo chinês aboliu a política do filho único em 2015,
permitindo dois filhos por família. Em 2021, essa limitação foi ampliada para três filhos.
No entanto, as taxas de natalidade continuaram em declínio, pois muitos casais optam por
ter menos filhos devido ao alto custo de vida, às longas jornadas de trabalho e às mudanças
nas aspirações individuais.
A grande questão para a China é se seu modelo político e econômico permitirá soluções
como as adotadas por esses países. A imigração, por exemplo, tem um papel limitado na
sociedade chinesa devido a restrições rígidas sobre estrangeiros.
Além das implicações econômicas, o declínio populacional pode afetar o papel da China no
cenário global. Alguns dos impactos mais relevantes incluem:
Diminuição do poder militar: com menos jovens para compor as forças armadas, o
recrutamento pode se tornar um desafio no futuro, enfraquecendo a capacidade militar
chinesa;
Perda de influência global: um país com menos habitantes e menor crescimento eco-
nômico pode ter dificuldades para manter sua posição de liderança mundial;
Mudança na rivalidade com os EUA: enquanto os Estados Unidos continuam a crescer
populacionalmente, em parte devido à imigração, a China pode perder vantagem estra-
tégica na disputa por influência global.
ATUALIDADES
Apesar desses desafios, a China ainda conta com um grande poder econômico e tecnoló-
gico, o que pode ajudá-la a mitigar os impactos do declínio populacional. O governo pode
investir mais em inteligência artificial, automação e inovação para compensar a redução da
força de trabalho.
15
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z O futuro da China em um cenário de encolhimento populacional
A queda populacional da China representa um dos maiores desafios do país nas próximas
décadas. O modelo de crescimento que levou a nação ao topo da economia global pode preci-
sar de uma reformulação para se adaptar a uma realidade com menos jovens e mais pessoas
idosas.
A grande questão é se Pequim conseguirá reverter essa tendência demográfica ou se pre-
cisará ajustar sua economia e políticas sociais para um futuro em que o crescimento popula-
cional já não será um fator impulsionador.
O que está claro é que as decisões tomadas hoje terão impactos duradouros, não apenas
para a China, mas para toda a economia global.
O conflito entre Israel e o Hamas é apenas um capítulo de uma disputa maior entre israelen-
ses e palestinos, que remonta à criação do Estado de Israel em 1948.
A Faixa de Gaza, uma das áreas mais densamente povoadas do mundo, foi ocupada por
Israel após a Guerra dos Seis Dias (1967) e permaneceu sob controle israelense até a retirada
unilateral em 2005.
Desde então, o Hamas, grupo que assumiu o controle de Gaza em 2007, tem protagonizado
confrontos frequentes com Israel. A relação entre ambos tem sido marcada por ciclos de vio-
lência seguidos por curtos períodos de trégua, geralmente mediados por potências regionais
como Egito e Catar.
Cessar-fogos anteriores demonstraram ser frágeis, frequentemente rompidos por novos
ataques ou mudanças estratégicas das partes envolvidas. Esse histórico levanta dúvidas
sobre a durabilidade do atual acordo.
O entendimento entre Israel e Hamas não ocorreu isoladamente, mas foi impulsionado
por diversos fatores estratégicos:
7. SQUEFF, T. C. O acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas. Jota, 2025. Disponível em: [Link]
16 gos/o-acordo-de-cessar-fogo-entre-israel-e-hamas. Acesso em: 1º abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Pressão internacional: organizações internacionais e países aliados de Israel, como
os Estados Unidos e a União Europeia, frequentemente pressionam por trégua quando
o conflito atinge picos de violência, especialmente diante de crises humanitárias em
Gaza;
Interesses internos de Israel: o governo israelense pode ter buscado o cessar-fogo
como uma forma de evitar pressões diplomáticas e militares prolongadas, bem como de
garantir a segurança de civis e soldados sequestrados;
Cálculo estratégico do Hamas: o grupo pode ter aceitado o acordo para reorganizar
suas forças, obter concessões políticas ou aliviar a pressão militar israelense sobre Gaza.
A liberação de reféns, por sua vez, tornou-se um elemento central nas negociações. Trocas
de prisioneiros e reféns são uma prática recorrente entre Israel e facções palestinas, frequen-
temente mediadas por terceiros, como o Egito e o Catar.
A história do Oriente Médio é marcada por tentativas de trégua que, na maioria das vezes,
não resultaram em uma paz duradoura. Alguns exemplos incluem:
Esses precedentes sugerem que o cessar-fogo atual pode ser temporário, a menos que
venha acompanhado de esforços diplomáticos mais amplos para resolver as questões subja-
centes ao conflito.
O cessar-fogo e a liberação de reféns não afetam apenas Israel e Gaza, mas também têm
implicações mais amplas para a região:
8. SILVA, D. L. S. A China, os Estados Unidos e a corrida pela inteligência artificial. InfoNet, 2025. Disponível em:
[Link] inteligencia-artificial/. Acesso
18 em: 1º abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
A ascensão da DeepSeek sugere que Pequim pretende reduzir sua dependência de tecno-
logias ocidentais e fortalecer sua autonomia digital. Essa tendência é reforçada pelo contexto
de crescente rivalidade entre China e Estados Unidos, que tem se manifestado em restrições
comerciais, sanções contra empresas chinesas e disputas pelo controle das cadeias de supri-
mentos de semicondutores.
A corrida pelo domínio da inteligência artificial tem semelhanças com disputas tecnológi-
cas do passado. Durante a Guerra Fria, por exemplo, Estados Unidos e União Soviética com-
petiram pelo avanço em setores estratégicos, como a exploração espacial e a computação.
Hoje, a rivalidade entre China e EUA assume contornos semelhantes, com a IA sendo um dos
principais pontos de disputa.
Outro paralelo pode ser traçado com a ascensão do Japão nos anos 1980 como uma potên-
cia tecnológica, desafiando o domínio das empresas norte-americanas no setor de eletrôni-
cos e semicondutores. Naquela época, os EUA responderam com políticas protecionistas, um
cenário que se repete agora com restrições à exportação de chips avançados para a China.
A grande questão é se a China conseguirá superar as barreiras impostas pelo Ocidente e
consolidar sua posição como potência global em IA. O lançamento da DeepSeek mostra que o
país está disposto a investir pesado para alcançar esse objetivo.
lho, ética no uso da tecnologia e riscos de vigilância digital, especialmente em países com
governos autoritários.
19
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
A inteligência artificial está moldando o futuro da economia e da geopolítica global. O
lançamento do chatbot da DeepSeek não é apenas um avanço tecnológico, mas um reflexo de
uma disputa muito maior pelo controle do conhecimento e da inovação.
Enquanto os Estados Unidos ainda dominam muitos aspectos da IA, a China tem demons-
trado sua capacidade de inovação e adaptação rápida. A questão central não é apenas quem
criará os modelos mais poderosos, mas quem estabelecerá os padrões globais para a inteli-
gência artificial nas próximas décadas.
O mundo está diante de uma nova revolução tecnológica, e a corrida pelo domínio da IA
pode definir não apenas o futuro da economia digital, mas também o equilíbrio de poder
global no século XXI.
9. LÍDERES internacionais lembram os 80 anos da libertação de Auschwitz. SBT News, 2025. Disponível em: https://
[Link]/noticia/mundo/80-anos-da-libertacao-de-auschwitz-lula-e-autoridades- internacionais-cele-
20 bram-memoria-do-holocausto. Acesso em: 1º abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
O marco dos 80 anos nos lembra que esses avanços não podem ser tomados como garanti-
dos. Com a ascensão de movimentos extremistas e revisionistas, o risco de que a história seja
distorcida ou esquecida é real. Manter viva a memória do Holocausto é um compromisso não
apenas com o passado, mas com o presente e o futuro.
Os 80 anos do fim do Holocausto não são apenas uma efeméride histórica; são um lembre-
te da fragilidade da civilização diante da intolerância.
O genocídio perpetrado pelo regime nazista começou com a marginalização e desumani-
zação de grupos específicos, um processo que se repetiu em outros genocídios do século XX,
como:
Esses exemplos demonstram que o Holocausto não foi um evento isolado, mas, sim, um
alerta sobre o que pode acontecer quando sociedades aceitam o ódio e a exclusão como
normais.
O compromisso com a memória deve ser constante. Em um mundo onde discursos de
intolerância voltam a ganhar força, é essencial lembrar que a paz e a liberdade não são per-
manentes, mas devem ser defendidas todos os dias.
21
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Brasil
Importante!
Vale destacar que o Distrito Federal não realiza eleições municipais, conforme previsto na
Constituição Federal, de 1988.
Em resposta à crescente onda de desinformação e fake news que se espalhou pelas redes
sociais, o governo federal anunciou a revogação da instrução normativa que previa a amplia-
ção da fiscalização do Pix.
A medida, que havia gerado preocupação entre usuários e instituições financeiras, foi
substituída pela edição de uma medida provisória (MP) com o objetivo de reforçar a segu-
rança e a gratuidade do sistema de pagamentos instantâneos.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o secretário especial da Receita Federal,
Robinson Barreirinhas, explicaram que a decisão visa eliminar a disseminação de informa-
ções falsas e assegurar a proteção dos direitos dos cidadãos.
10. ALMEIDA, D. Prefeitos e vereadores tomam posse neste primeiro dia do ano. Brasil de Fato, 2025. Disponível
em: [Link] neste-primeiro-dia-do-a-
no/. Acesso em: 1º abr. 2025.
11. MARQUES, E. Governo revoga fiscalização do Pix: entenda o que está acontecendo. Valor, 2025. Disponível em:
[Link] [Link]-
22 ml. Acesso em: 1º abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
A nova MP proíbe a cobrança diferenciada para pagamentos via Pix e em dinheiro, garan-
tindo a igualdade de tratamento entre as duas modalidades. Além disso, a medida reafirma
o sigilo bancário e a não incidência de impostos sobre as transferências via Pix para pessoas
físicas.
“Essa revogação se dá por dois motivos: tirar isso que tristemente virou uma arma nas mãos
desses criminosos e inescrupulosos. A segunda razão é não prejudicar a tramitação do ato que
será anunciado [a medida provisória]”, explicou Barreirinhas.
A medida provisória também busca coibir a prática de comerciantes que cobram valo-
res adicionais para pagamentos via Pix, uma prática que se intensificou nos últimos dias.
Haddad ressaltou que a MP reforça princípios já existentes, apenas esclarecendo pontos que
foram distorcidos por disseminadores de fake news.
Explicou Haddad:
O Pix estará protegido pelo sigilo, como sempre foi. [O que estamos fazendo] é só a ampliação,
o reforço da legislação, para tornar mais claro esses princípios já estão resguardados pela
medida provisória. Para evitar a má interpretação, a tentativa de distorcer o intuito da Recei-
ta Federal, ela está tomando a medida que o Barreirinhas já anunciou.
O ministro negou que a revogação da instrução normativa represente uma derrota para as
fake news, afirmando que a medida visa garantir a aprovação da MP no Congresso Nacional.
“Pelo contrário. Isso é impedir que esse ato [a instrução normativa] seja usado como justifica-
tiva para não votar a MP. Estamos lançando uma medida provisória e queremos que ela seja
discutida com sobriedade pelo Congresso Nacional”, justificou.
A polêmica em torno da fiscalização do Pix evidencia o poder das fake news na era digital.
Em um contexto global marcado por polarização política e desconfiança nas instituições, a
desinformação se tornou uma arma poderosa, capaz de influenciar a opinião pública e gerar
instabilidade.
A guerra na Ucrânia, por exemplo, tem sido palco de uma intensa batalha informacional,
com ambos os lados utilizando fake news para manipular a opinião pública e deslegitimar o
adversário.
A disputa entre Estados Unidos e China pela hegemonia global também se manifesta no
campo da informação, com acusações mútuas de disseminação de fake news e propaganda.
No Brasil, a disseminação de fake news tem sido utilizada para atacar instituições demo-
cráticas e gerar instabilidade política. A polêmica em torno do Pix é apenas um exemplo de
como a desinformação pode ser utilizada para manipular a opinião pública e gerar crises.
ATUALIDADES
z Democracia resiliente: ato solene marca dois anos dos ataques em Brasília12
12. ANDRADE, J. C. Solenidade marca dois anos dos ataques à Praça dos Três Poderes. Agência Brasil, 2025. Dis-
ponível em: [Link] 01/solenidade-marca-dois-
-anos-dos-ataques-praca-dos-tres-poderes. Acesso em: 1º abr. 2025. 23
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Em um gesto de união e resiliência, autoridades dos três Poderes se reuniram em Brasília
para marcar o segundo aniversário dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.
O evento, realizado na Praça dos Três Poderes, teve como ponto alto um abraço simbólico
em torno da palavra “democracia”, formada por vasos de flores, simbolizando a força e a
vitalidade do regime democrático.
A cerimônia teve início no Palácio do Planalto, com a entrega de 21 peças restauradas que
foram danificadas durante os ataques. Entre elas, o icônico relógio trazido por dom João VI,
um presente da corte francesa, que foi meticulosamente restaurado com a colaboração do
governo suíço.
Outro momento marcante foi o retorno da obra As Mulatas, de Di Cavalcanti, ao patrimô-
nio do Palácio do Planalto, após um cuidadoso processo de restauração. O presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, acompanhado da primeira-dama Janja da Silva, participou da cerimônia
de descerramento da obra, avaliada em R$ 8 milhões.
Em seus discursos, as autoridades presentes, incluindo o presidente Lula e o ministro
Edson Fachin, representando o Supremo Tribunal Federal (STF), reafirmaram o compromis-
so com a democracia e o Estado de direito.
Lula enfatizou que “a democracia venceu” e que os responsáveis pelos ataques serão devi-
damente punidos. Fachin, por sua vez, ressaltou a importância de preservar a memória dos
eventos para evitar que se repitam.
Nas primeiras quatro semanas de 2025, o Brasil registrou um aumento significativo nos
casos de febre do Oropouche, com um total de 2.791 ocorrências.
O estado do Espírito Santo foi o epicentro do surto, concentrando 2.652 casos, seguido pelo
Rio de Janeiro (99) e Minas Gerais (30). Casos isolados também foram notificados em outros
estados, como Paraíba, Ceará, Paraná e Roraima.
13. LABOISSIÈRE, P. Brasil registra quase 3 mil casos de Oropouche em 2025. Agência Brasil, 2025. Disponível
em: [Link] casos-de-oropouche-em-
2025#:~:text=Ao%20longo%20das%20quatro%20primeiras,e%2030%20em%20Minas%20Gerais. Acesso em: 1º
24 abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
O secretário-adjunto de Vigilância em Saúde e Ambiente, Rivaldo Venâncio, expressou
preocupação com o aumento dos casos, destacando que a situação representa um desafio
adicional para o sistema de saúde brasileiro.
Sintomas e complicações
z Alívio no bolso dos mais pobres: inflação desacelera em janeiro, aponta Ipea14
Apesar do aumento persistente nos preços dos alimentos, o início de 2025 trouxe um res-
piro para os brasileiros, com a inflação desacelerando em todas as faixas de renda, segundo
o Indicador Ipea15 de Inflação por Faixa de Renda. O alívio foi particularmente sentido pelas
famílias de menor renda, que experimentaram uma queda significativa nos preços.
ATUALIDADES
14. MESMO com alta de preços dos alimentos, inflação desacelera para todas as faixas de renda em janeiro. Ipea,
2025. Disponível em: [Link] noticias/noticias/15609-mesmo-
-com-alta-de-precos-dos-alimentos-inflacao-desacelera-para-todas-as- faixas-de-renda-em-janeiro. Acesso em: 1º
abr. 2025.
15. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. 25
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
O principal fator por trás dessa desaceleração foi a redução nas tarifas de energia elétrica,
que teve um impacto maior nas famílias de baixa renda devido ao peso desse item em seus
orçamentos. Por outro lado, as famílias de alta renda enfrentaram uma pressão inflacionária
adicional devido ao aumento nos preços das passagens aéreas e combustíveis, o que limitou
a desaceleração da inflação nesse segmento.
Em números, a inflação para a faixa de renda muito baixa caiu de 0,48% em dezembro
para –0,17% em janeiro, enquanto a inflação para a faixa de renda alta se manteve pratica-
mente estável, passando de 0,55% para 0,54%. No acumulado de 12 meses, a faixa de renda
muito baixa registrou a menor alta inflacionária (4%), enquanto a faixa de renda alta apre-
sentou a maior alta (5%).
16. AGUIAR, C.; LOOSE, E. B. A cobertura que é mais do mesmo: 2025 começa com chuvas acima da média em
diversas cidades brasileiras. Observatório da Imprensa, 2025. Disponível em: [Link]
[Link]/observatorio-de-jornalismo-ambiental/a-cobertura-que- e-mais-do-mesmo-2025-comeca-com-chuvas-a-
26 cima-da-media-em-diversas-cidades-brasileiras/. Acesso em: 1º abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Janeiro de 2025 foi marcado por intensas chuvas em diversas regiões do Brasil, resultando
em enchentes e alagamentos que causaram grande transtorno e desalojaram milhares de
pessoas.
Em Minas Gerais, a cidade de Dom Silvério registrou a pior enchente dos últimos quatro
anos. O alagamento causou estragos significativos e afetou a vida de muitos moradores. Santa
Catarina também sofreu com as chuvas, que deixaram mais de 700 pessoas desabrigadas em
várias cidades do estado.
Na região metropolitana de São Paulo, a cidade de Carapicuíba foi uma das mais afeta-
das, com mais de 400 pessoas desalojadas devido aos alagamentos. No Rio Grande do Sul, as
chuvas intensas paralisaram o transporte público, com ônibus e trens interrompendo suas
operações.
As enchentes que atingiram o Brasil em janeiro de 2025 são um lembrete dos crescen-
tes desafios impostos pelas mudanças climáticas. O aumento da frequência e intensidade de
eventos climáticos extremos, como chuvas torrenciais, é uma das consequências do aqueci-
mento global.
Em todo o mundo, países enfrentam eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes
e intensos. Inundações, secas, ondas de calor e tempestades estão se tornando mais comuns,
causando perdas humanas e econômicas significativas.
A comunidade internacional tem se mobilizado para enfrentar as mudanças climáticas,
com acordos como o Acordo de Paris, que busca limitar o aumento da temperatura global. No
entanto, a implementação desses acordos e a adoção de medidas de adaptação são fundamen-
tais para reduzir os impactos das mudanças climáticas e proteger as populações vulneráveis.
No Brasil, a necessidade de investir em infraestrutura resiliente e em sistemas de alerta
precoce é cada vez mais urgente. Além disso, a proteção de áreas de preservação ambiental e
a redução do desmatamento são medidas importantes para mitigar os efeitos das mudanças
climáticas e prevenir desastres naturais.
z Diagnóstico precoce: lei torna obrigatório exame para fibrodisplasia ossificante pro-
gressiva em recém-nascidos17
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº 15.094, que determina a obriga-
toriedade do exame clínico para identificação de malformações nos dedos grandes dos pés,
um indicativo da fibrodisplasia ossificante progressiva (FOP), em recém-nascidos.
A medida, publicada no Diário Oficial da União em 9 de janeiro, visa garantir o diagnóstico
precoce da doença rara, permitindo um acompanhamento e tratamento mais eficazes.
A FOP, também conhecida como miosite ossificante progressiva, é uma condição genética
ATUALIDADES
rara que afeta aproximadamente uma em cada dois milhões de pessoas. Caracterizada pela
formação de ossos fora do esqueleto, a doença limita progressivamente os movimentos, afe-
tando tendões, ligamentos e outras partes do corpo.
17. LEI inclui teste para detectar fibrodisplasia ossificante na triagem neonatal. Câmara dos Deputados, 2025.
Disponível em: [Link] fibrodisplasia-ossifican-
te-na-triagem- neonatal/#:~:text=As%20redes%20p%C3%BAblica%20e%20privada,quinta%2Dfeira%20(9). Acesso
em: 1º abr. 2025. 27
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
O diagnóstico precoce é essencial, uma vez que a FOP não tem cura. A identificação de
malformações nos dedos grandes dos pés, um sinal comum em recém-nascidos com a doen-
ça, permite iniciar o acompanhamento médico e o tratamento para minimizar os sintomas e
melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
A nova lei determina que o exame clínico seja realizado nas consultas de rotina das redes
pública e privada de saúde, com cobertura do Sistema Único de Saúde (SUS). O SUS também
oferece assistência especializada para crianças e adolescentes com FOP, incluindo tratamen-
to terapêutico e reabilitador, além de medicamentos para aliviar os sintomas e inflamações.
A sanção da lei que torna obrigatório o exame para FOP em recém-nascidos destaca a
importância do diagnóstico precoce e do acesso à saúde para pessoas com doenças raras.
Estima-se que existam entre seis mil e oito mil doenças raras no mundo, afetando milhões de
pessoas.
O diagnóstico e o tratamento de doenças raras representam um desafio global devido à
falta de informação, à dificuldade de acesso a especialistas e aos custos elevados de medica-
mentos e terapias.
A Organização Mundial da Saúde tem incentivado os países a desenvolverem políticas
públicas para garantir o acesso à saúde e o apoio às pessoas com doenças raras e suas famílias.
No Brasil, a Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doenças Raras, instituída
em 2014, busca garantir o acesso ao diagnóstico, tratamento e acompanhamento das doenças
raras no SUS. A nova lei que torna obrigatório o exame para FOP em recém-nascidos é um
passo importante para fortalecer essa política e garantir o acesso à saúde para pessoas com
doenças raras.
A dengue é uma doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que representa
um dos maiores desafios sanitários para países tropicais, como o Brasil. O vírus pertence à
família Flaviviridae e apresenta quatro sorotipos distintos: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-
4. Cada um deles pode causar desde infecções assintomáticas até quadros graves da doença,
sendo que infecções repetidas elevam os riscos de complicações severas.
A ausência de imunidade cruzada entre os sorotipos é um dos principais agravantes da
dengue. O Ministério da Saúde alerta que, enquanto a primeira infecção gera proteção vita-
lícia contra o sorotipo específico, a exposição a um segundo sorotipo aumenta significati-
vamente a probabilidade de desenvolver formas mais severas da enfermidade. Esse fator
é fundamental para compreender surtos epidêmicos que ocorrem em ciclos ao longo das
décadas.
18. PEIXOTO, R. Dengue: sorotipo 3 registra aumento no país e preocupa especialistas; entenda impactos. G1, 2025.
Disponível em: [Link] registra-aumento-no-
28 -[Link]. Acesso em: 1º abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
A circulação do sorotipo DENV-3 voltou a ganhar destaque, especialmente em estados
como São Paulo, Minas Gerais, Amapá e Paraná. A preocupação das autoridades sanitárias
se justifica pelo fato de que esse sorotipo não predominava no Brasil desde 2008, tornando
grande parte da população vulnerável.
Historicamente, a introdução de um novo sorotipo está associada a surtos expressivos.
Entre 2000 e 2002, a chegada do DENV-3 desencadeou uma epidemia de grandes proporções,
elevando os números de casos e mortes. Estudos indicam que os sorotipos DENV-2 e DENV-3
são mais frequentemente associados a manifestações severas da doença, tornando essencial
um monitoramento epidemiológico contínuo.
A dengue não é apenas um problema de saúde pública, mas também um desafio geopolí-
tico. A alta incidência da doença em países tropicais está diretamente relacionada a fatores
como mudanças climáticas, urbanização desordenada e desigualdades socioeconômicas.
O aumento das temperaturas globais e os períodos mais longos de chuvas favorecem a
proliferação do Aedes aegypti, ampliando o risco de surtos. Além disso, a globalização inten-
sificou a circulação de pessoas e mercadorias entre regiões endêmicas e não endêmicas, faci-
litando a disseminação do vírus.
Em países vizinhos como Argentina, Paraguai e Bolívia, surtos recentes reforçam a neces-
sidade de estratégias integradas de combate à dengue no âmbito do MERCOSUL (Mercado
Comum do Sul) e de outras cooperações regionais.
No cenário global, a luta contra arboviroses também tem implicações econômicas. A
dengue gera impactos significativos nos sistemas de saúde e na produtividade dos países
afetados. Estimativas indicam que epidemias de dengue podem custar bilhões de dólares
anualmente em tratamentos médicos e afastamentos laborais, tornando essencial o investi-
mento em prevenção e pesquisa.
Com a circulação simultânea dos quatro sorotipos no Brasil, torna-se fundamental intensi-
ficar medidas de prevenção. O combate ao vetor da dengue deve incluir:
Eliminação de criadouros: redução de locais com água parada para impedir a repro-
dução do mosquito;
Proteção individual: uso de repelentes e instalação de telas protetoras em janelas e
portas;
Monitoramento epidemiológico: identificação precoce de surtos e campanhas de
conscientização;
ATUALIDADES
29
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Diante do crescimento expressivo dos casos de dengue, o Ministério da Saúde ativou o
Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública para Dengue e outras Arboviroses
(COE Dengue). O objetivo é articular estados, municípios e instituições científicas para forta-
lecer a resposta às epidemias e antecipar medidas preventivas.
Em paralelo, uma campanha nacional foi lançada para estimular a população a reconhe-
cer os sintomas da doença — febre alta, dores musculares, manchas na pele e dor atrás dos
olhos — e buscar atendimento médico imediato em casos suspeitos. A iniciativa tem como
foco estados com alta incidência, como São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Tocantins,
Mato Grosso do Sul e Paraná.
A dengue, mais do que uma ameaça biológica, é um fenômeno que reflete desafios estrutu-
rais e geopolíticos. O combate à doença exige esforços coordenados entre diferentes níveis de
governo e cooperação internacional, além do compromisso da sociedade em adotar práticas
preventivas.
A história mostra que surtos podem ser cíclicos, mas, com planejamento estratégico, ino-
vação científica e políticas públicas eficazes, é possível mitigar seus impactos e proteger a
população.
No dia 24 de janeiro de 2025, completaram-se 190 anos da Revolta dos Malês, o maior
levante de escravizados da história do Brasil.
O episódio, ocorrido em 1835 na cidade de Salvador, mobilizou cerca de 600 africanos
escravizados e libertos, majoritariamente de origem nagô (iorubá) e haussá, grupos étnicos
muçulmanos que se organizaram contra a opressão da escravização e a restrição à sua liber-
dade religiosa.
O movimento, que tinha como objetivo tomar o controle da capital baiana, abolir a escra-
vização e instituir um governo baseado nos preceitos islâmicos, foi duramente reprimido
pelas forças coloniais.
Apesar da derrota, a revolta representou um marco na luta dos povos africanos escraviza-
dos no Brasil e influenciou debates sobre a continuidade do regime escravista.
A Revolta dos Malês não aconteceu isoladamente. O início do século XIX foi um período
de intensa contestação ao colonialismo e à escravização. Na mesma época, diversas revoltas
e insurreições protagonizadas por afrodescendentes marcaram a história das Américas. O
caso mais emblemático foi a Revolução Haitiana (1791–1804), que resultou na independên-
cia do Haiti e na primeira república governada por ex-escravizados.
Na América Latina, levantes similares ocorreram, como a insurreição de José Anto-
nio Aponte em Cuba (1812) e diversas revoltas de escravizados nos Estados Unidos, como
a liderada por Nat Turner (1831). Esses movimentos reforçavam a crescente resistência
19. LEÓN, L. P. Revolta dos Malês: 190 anos da maior rebelião escrava urbana do Brasil. Agência Brasil, 2025. Dis-
ponível em: [Link] anos-da-maior-rebe-
30 liao-escrava-urbana-do-brasil. Acesso em: 1º abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
contra a exploração colonial e o sistema escravista, colocando pressão sobre governos e eli-
tes escravocratas.
A repressão à Revolta dos Malês foi severa. Muitos insurgentes foram executados ou depor-
tados para a África ou receberam punições exemplares. As autoridades passaram a monito-
rar e reprimir ainda mais os africanos muçulmanos, temendo novas rebeliões.
No entanto, o levante foi um dos muitos episódios que evidenciaram a insustentabilida-
de da escravização, contribuindo para a formação de discursos abolicionistas e políticas de
controle da população africana no Brasil. Décadas depois, essas tensões culminariam na Lei
Eusébio de Queirós (1850), que proibiu o tráfico transatlântico de escravizados, e na Abolição
da Escravatura, em 1888.
A Revolta dos Malês permanece como um símbolo da luta por liberdade e resistência negra
no Brasil. Seu legado é lembrado não apenas na historiografia, mas também nas manifesta-
ções culturais e na luta contemporânea contra o racismo estrutural.
Além disso, o episódio destaca a influência africana na formação da identidade brasileira,
especialmente na Bahia, onde a presença islâmica e iorubá deixaram marcas profundas na
cultura local.
Hoje, ao revisitar a história dos Malês, resgatamos um capítulo de coragem e insubmissão,
reafirmando a importância de valorizar a memória dos que lutaram pela liberdade em meio
à opressão do regime escravista.
20. DITADURA: CNJ aprova reconhecimento de causa da morte e permite emissão de certidões e óbito. CNJ, 2025.
Disponível em: [Link] morte-e-permite-emissao-
-de-certidoes-de- obito/#:~:text=No%20dia%20em%20que%20se,Nacional%20da%20Verdade%20(CNV). Acesso
em: 1º abr. 2025. 31
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
O processo de reconhecimento e o papel do CNJ
Embora nunca tenha havido um pedido formal de desculpas, como deveria ter havido, pelo
menos nós, do CNJ, tomamos as providências possíveis de reparação moral dessas pessoas
que foram perseguidas e sofreram o desaparecimento forçado.
A retificação dos registros de óbito das vítimas da Ditadura Militar no Brasil insere o país
em um movimento global de justiça de transição, similar ao ocorrido em outras nações que
enfrentaram regimes autoritários.
Na Argentina, a ditadura (1976–1983) deixou um saldo de aproximadamente 30 mil desa-
parecidos. O país foi um dos primeiros a adotar medidas concretas de reparação, incluindo
a condenação de militares envolvidos em crimes contra a humanidade e a busca ativa por
crianças sequestradas.
No Chile, onde o regime de Augusto Pinochet (1973–1990) promoveu assassinatos e desa-
parecimentos forçados, a Comissão Nacional da Verdade e Reconciliação (1991) resultou na
retificação oficial de documentos e no reconhecimento da responsabilidade estatal. Além dis-
so, o país avançou na condenação de ex-agentes da repressão e na construção de memoriais
em homenagem às vítimas.
Outras nações da América Latina, como Uruguai e Peru, também criaram comissões de
verdade e implementaram políticas de reparação. No entanto, o Brasil demorou mais para
tomar medidas semelhantes. Diferentemente da Argentina e do Chile, onde os culpados
foram julgados e presos, no Brasil a Lei da Anistia (1979) ainda impede a responsabilização
criminal dos agentes da ditadura.
A retificação das certidões de óbito das vítimas da Ditadura Militar representa mais do
que um ato burocrático: trata-se do reconhecimento oficial de um passado de violações de
direitos humanos e da necessidade de preservar a memória histórica.
32
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
O Brasil ainda enfrenta desafios para consolidar sua justiça de transição, principalmen-
te no que diz respeito à responsabilização dos agentes do regime e à educação sobre o
período ditatorial. Países que enfrentaram regimes autoritários semelhantes mostraram
que o caminho para a verdadeira reconciliação passa pelo reconhecimento da verdade, pela
justiça e pela preservação da memória.
A iniciativa do CNJ, embora tardia, é um passo importante para fortalecer o compromisso
com os direitos humanos e a democracia. No entanto, especialistas apontam que a ausência
de punições aos responsáveis pelos crimes da ditadura ainda mantém feridas abertas na his-
tória brasileira, tornando o debate sobre justiça e reparação mais necessário do que nunca.
No dia 5 de janeiro de 2025, a atriz Fernanda Torres conquistou o Globo de Ouro de Melhor
Atriz em Filme de Drama por sua atuação no longa Ainda Estou Aqui, que retrata a luta de
Eunice Paiva na busca incansável por seu marido, Rubens Paiva, desaparecido durante a
Ditadura Militar brasileira (1964–1985).
A vitória da atriz não apenas destaca o reconhecimento do cinema brasileiro no cenário
global, mas também coloca em evidência um dos períodos mais sombrios da história nacio-
nal. Ao dar visibilidade a um drama real, o filme reforça a importância da memória histórica
e do direito à verdade, temas que ainda ecoam em diversos países que passaram por regimes
autoritários.
21. LIMA, G.; MOREIRA, S. S. Ainda Estou Aqui: educar através do cinema. Revista Ensino Superior, 2025. Dispo-
nível em: [Link] cinema/. Acesso
em: 1º abr. 2025. 33
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
e promover a conscientização sobre a importância da justiça de transição — conceito que
engloba a responsabilização dos agentes da repressão, a reparação às vítimas e a preserva-
ção da memória.
Em um contexto mais amplo, filmes que abordam períodos ditatoriais e violações dos
direitos humanos ganharam notoriedade em diversas cinematografias. Na Argentina, o filme
Argentina, 1985 (2022), que narra o julgamento dos militares responsáveis pelo terrorismo de
Estado no país, foi indicado ao Oscar e venceu o Globo de Ouro de Melhor Filme Internacio-
nal. No Chile, longas como No (2012), sobre o plebiscito que encerrou a ditadura de Augusto
Pinochet, também tiveram grande impacto global.
No Brasil, a Ditadura Militar ainda é tema de debates e controvérsias, sobretudo no que se
refere à punição dos responsáveis pelos crimes cometidos no período. Ao levar a história de
Eunice Paiva ao cinema, Ainda Estou Aqui se soma a outras produções que buscam lançar luz
sobre um passado que, para muitos, ainda não foi totalmente esclarecido.
No dia 13 de janeiro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o Projeto de
Lei nº 104, de 2015, que restringe o uso de dispositivos eletrônicos portáteis, especialmente
celulares, nas salas de aula do ensino básico em escolas públicas e privadas de todo o país.
A decisão insere o Brasil em um movimento global de restrição ao uso indiscriminado de
celulares no ambiente escolar, seguindo o exemplo de países como França, Espanha, Grécia,
Dinamarca, Itália e Holanda, que já implementaram políticas semelhantes.
Especialistas apontam que a nova lei pode contribuir para a melhoria da atenção dos estu-
dantes, para o fortalecimento da interação social e para a redução da dependência digital
precoce.
22. CELULAR nas escolas: Brasil segue tendência global e restringe uso. Matéria 1, 2025. Disponível em: https://
[Link]/2024/12/23/celular-nas-escolas-brasil-segue-tendencia-global-e-restringe- uso/#:~:text=O%20
Projeto%20de%20Lei%20n%C2%BA,e%20segue%20para%20san%C3%A7%C3%A3o% 20presidencial. Acesso em:
34 1º abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
“Imagina uma professora ensinando e, quando olha para os alunos, cada um está olhando
para o celular, um na China, outro na Suécia, outro no Japão. Precisamos evitar que o humanis-
mo seja trocado por algoritmos”, afirmou Lula, enfatizando que a regulamentação não é uma
oposição à tecnologia, mas, sim, uma forma de garantir que sua utilização ocorra de maneira
pedagógica e controlada.
O autor do projeto na Câmara, o deputado federal licenciado Renan Ferreirinha, classifi-
cou a lei como “uma das maiores vitórias da educação brasileira neste século”, ressaltando
que o objetivo é impedir que a hiperconectividade prejudique o aprendizado. Segundo ele,
“toda vez que um aluno recebe uma notificação, é como se ele saísse da sala de aula”, destacan-
do o impacto negativo da dispersão digital durante as aulas.
Segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, a nova legislação não proíbe completa-
mente o uso de celulares nas escolas, mas restringe sua utilização em sala de aula e durante
os intervalos quando para fins pessoais. Há exceções previstas, como:
O ministro reforçou que a lei não busca demonizar a tecnologia, mas regular seu uso para
garantir que ela seja um instrumento de aprendizado, e não de distração. Ele também alertou
sobre o uso cada vez mais precoce e prolongado de telas por crianças, fenômeno que tem sido
debatido globalmente devido a seus impactos no desenvolvimento cognitivo e na socializa-
ção dos jovens.
Além disso, o governo federal anunciou que o Ministério da Educação (MEC) e o Conselho
Nacional de Educação (CNE) publicarão diretrizes para a implementação da norma. Segundo
a secretária nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Maria do Pilar Lacerda Almei-
da e Silva, o objetivo é evitar que a lei seja interpretada como um ato punitivo, permitindo
que seja vista como uma ferramenta educativa.
“O Conselho Nacional de Educação vai publicar uma resolução orientando as escolas sobre
como aplicar essa medida sem que pareça uma opressão”, afirmou a secretária.
Além disso, o MEC fornecerá guias e materiais para apoiar as instituições na adaptação às
novas regras.
A discussão sobre a presença de celulares nas salas de aula não é exclusiva do Brasil. Nos
ATUALIDADES
últimos anos, diversos países adotaram legislações para regulamentar ou restringir o uso
de dispositivos móveis nas escolas, baseando-se em estudos que apontam seus impactos na
aprendizagem, na saúde mental e na socialização dos alunos.
França: desde 2018, proíbe o uso de celulares no ensino fundamental e médio, exceto
para fins pedagógicos ou necessidades especiais;
35
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Espanha: algumas regiões, como Madri e Catalunha, adotaram regras que restringem o
uso de dispositivos móveis em escolas públicas;
Holanda: em 2023, o governo anunciou uma proibição parcial do uso de celulares no
ensino básico para melhorar a concentração dos alunos;
China: desde 2021, há uma diretriz para limitar o uso de smartphones nas escolas visan-
do reduzir a dependência digital e promover hábitos saudáveis.
A sanção da Lei nº 104, de 2015, marca um divisor de águas no debate sobre tecnologia
e educação no Brasil. Ao adotar uma regulamentação alinhada às práticas internacionais, o
país busca fortalecer a aprendizagem, melhorar a atenção dos estudantes e promover um
uso mais consciente das telas.
A implementação da nova norma exigirá diálogo entre professores, alunos, pais e res-
ponsáveis e gestores educacionais, garantindo que a medida seja aplicada de forma eficaz e
didática. O desafio será encontrar um equilíbrio entre a inovação tecnológica e a necessidade
de manter a sala de aula como um espaço de aprendizado e interação humana.
Se bem conduzida, essa política pode representar um avanço significativo para a educação
brasileira, ajudando a preparar as novas gerações para um futuro em que a tecnologia seja
ferramenta de conhecimento, e não de distração.
36
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z O polêmico uso do PMMA: regulamentação, riscos e o debate global sobre procedi-
mentos estéticos23
23. LABOISSIÈRRE, P. Entenda o que é PMMA e os riscos do uso em procedimentos estéticos. Agência Brasil, 2025.
Disponível em: [Link] pmma-e-os-riscos-em-
-procedimentos-esteticos. Acesso em: 1º abr. 2025. 37
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z O crescimento do mercado estético e a falta de regulação
z O futuro da regulamentação
A decisão sobre a proibição do PMMA no Brasil agora está nas mãos da Anvisa, que pre-
cisará equilibrar os benefícios do uso médico da substância com os riscos associados à sua
aplicação em procedimentos estéticos.
O desfecho desse debate poderá redefinir o mercado de estética no país, colocando o Brasil
em um novo patamar de regulação, alinhado às melhores práticas internacionais ou manten-
do brechas que permitem o uso indiscriminado do produto.
A questão vai além da medicina e se insere em um contexto mais amplo de governança
sanitária e proteção ao consumidor. A crescente busca por intervenções estéticas, aliada à
influência das redes sociais e à pressão por padrões de beleza, levanta um dilema que não
é apenas técnico, mas também ético e social: até que ponto a estética pode justificar riscos
severos à saúde?
z O ano mais quente da história do Brasil e o impacto global do clima: uma perspectiva
histórica e geopolítica24
O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) confirmou que 2024 foi o ano mais quente
registrado no Brasil desde o início das medições em 1961.
De acordo com o órgão, a temperatura média do país superou em 0,79 °C a média dos últi-
mos 20 anos, consolidando uma tendência alarmante de aquecimento global.
A análise do INMET apontou que esse recorde de calor foi influenciado, em grande parte,
pelos efeitos do fenômeno El Niño, que intensificou padrões climáticos extremos em diversas
partes do mundo.
O El Niño consiste no aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico Equatorial,
impactando a circulação atmosférica global e alterando padrões de umidade e temperatura,
sobretudo em regiões tropicais.
24. MARIN, J. O que significa 2024 ser o ano mais quente da história? Entenda impactos. CNN Brasil, 2025. Dispo-
nível em: [Link] quente-da-historia-enten-
38 da-impactos/. Acesso em: 1º abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Clima, história e a transformação da geopolítica
Eventos climáticos extremos, como os desencadeados pelo El Niño, não são apenas fenô-
menos naturais; eles moldam sociedades, economias e a geopolítica mundial.
Ao longo da história, variações climáticas já foram responsáveis por crises agrícolas, des-
locamentos populacionais e até mesmo colapsos de civilizações.
O Império Maia, por exemplo, sofreu com períodos prolongados de seca que contribuíram
para seu declínio. Já a Pequena Era do Gelo (entre os séculos XIV e XIX) afetou profundamen-
te a Europa, causando fome e impulsionando mudanças políticas e sociais.
No contexto contemporâneo, as mudanças climáticas se tornaram um fator crucial na geo-
política global. O aquecimento do planeta tem intensificado disputas por recursos hídricos,
ampliado crises migratórias e desafiado políticas energéticas.
O Brasil, como um dos países mais afetados por eventos climáticos extremos, enfrenta
desafios não apenas ambientais, mas também econômicos e sociais. O aumento da tempera-
tura impacta a produção agrícola, eleva os riscos de queimadas e pressiona o sistema energé-
tico, que depende fortemente da geração hidrelétrica.
Além disso, a posição brasileira nas negociações climáticas internacionais tem se tornado
cada vez mais estratégica. O país desempenha um papel fundamental em fóruns como a COP
(Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática), em que se discute o financiamen-
to de ações climáticas, a preservação da Amazônia e o compromisso global com a redução de
emissões de gases de efeito estufa.
Diante do agravamento das mudanças climáticas, especialistas alertam que novos recor-
des de temperatura podem se tornar cada vez mais frequentes, principalmente devido ao
aumento contínuo das emissões de carbono.
O combate ao aquecimento global exige medidas imediatas, como o fortalecimento de
políticas ambientais, investimentos em energia limpa e ações para reduzir a vulnerabilidade
de populações expostas a eventos extremos.
O recorde de calor registrado em 2024 é mais do que um dado meteorológico; é um alerta
sobre os impactos profundos das mudanças climáticas no Brasil e no mundo. A resposta a
esse desafio será determinante para o futuro ambiental, econômico e geopolítico do planeta.
Mundo
z China busca fortalecer presença na América Latina em meio a tensões com os EUA25
ATUALIDADES
Em meio à crescente disputa geopolítica com os Estados Unidos, a China tem intensificado
esforços para ampliar sua presença e influência na América Latina.
25 CHINA quer ampliar parceria na América Latina em meio a exigências de Trump. CNN Brasil, 2025. Disponível
em: [Link] na-america-latina-em-
-meio-a-exigencias-de-trump/. Acesso em: 1º abr. 2025. 39
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Durante um encontro com a ministra das Relações Exteriores da Bolívia, Celinda Sosa, o
chanceler chinês Wang Yi reafirmou o compromisso do país asiático com a região, enfatizan-
do que a China será sempre uma “parceira confiável” dos países latino-americanos.
A declaração foi feita em reunião paralela à Assembleia Geral das Nações Unidas e veio
acompanhada de críticas implícitas aos EUA. “A América Latina é o lar do povo latino-ameri-
cano e não é o ‘quintal’ de nenhum país”, destacou Wang, numa clara referência ao histórico
de influência norte-americana sobre o continente.
Para a China, a América Latina representa não apenas um mercado em expansão, mas
também uma fonte crucial de recursos naturais (como lítio, cobre e gás), fundamentais para
sustentar sua economia e suas cadeias de produção tecnológica.
Além disso, a região oferece posições geoestratégicas relevantes, com portos e infraestru-
40 tura logística que podem apoiar o comércio chinês global.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
A disputa entre China e EUA na América Latina revela, assim, um cenário de crescen-
te polarização internacional, no qual países como a Bolívia, Argentina, Brasil e Chile, entre
outros, veem-se diante do desafio de equilibrar suas parcerias econômicas com as pressões
políticas e estratégicas das grandes potências.
Ao afirmar que a América Latina “não é o quintal de ninguém”, a China sinaliza sua inten-
ção de atuar com autonomia e profundidade na região, desafiando diretamente a supremacia
histórica dos Estados Unidos, num movimento que deve continuar a remodelar o equilíbrio
de forças no continente nos próximos anos.
O recente pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a pos-
sibilidade de Washington assumir o controle da Faixa de Gaza gerou reações intensas no
cenário internacional.
Sua proposta inclui a reconstrução do território devastado e a realocação de palestinos
para países vizinhos. Esse plano, que lembra abordagens históricas de colonização e realoca-
ção forçada, levanta questões sobre sua viabilidade política, legal e humanitária.
A Faixa de Gaza, historicamente marcada por conflitos entre Israel e grupos militantes
palestinos, vive uma crise humanitária sem precedentes após os recentes embates entre o
Hamas e Israel.
Desde a ofensiva israelense de outubro de 2023, a região enfrenta escassez de alimentos,
colapso na infraestrutura e deslocamento em massa da população.
A ideia de Trump de transformar Gaza na “Riviera do Oriente Médio” reflete uma visão
ambiciosa e potencialmente irrealista, dada a complexidade política e social da região. Além
disso, a sugestão de realocar palestinos para outros países remete a crises históricas de des-
locamento forçado, como o êxodo palestino de 1948 (Nakba).
A proposta de Trump ecoa momentos críticos da história global. Durante a Nakba, cer-
ca de 700 mil palestinos foram expulsos ou fugiram de suas terras, levando a um conflito
prolongado.
Em paralelo, situações como a divisão da Índia em 1947, que forçou o deslocamento de
milhões entre a Índia e o Paquistão, mostram os desafios humanitários e as consequências
sociais de realocações em larga escala.
Geopoliticamente, a ideia de uma presença militar americana em Gaza também levanta
ATUALIDADES
questões sobre precedentes históricos. Ocupações como a do Iraque após 2003 e a presença
prolongada no Afeganistão mostraram os desafios de intervenções estrangeiras em regiões
instáveis.
26 FAYYAD, S. Existem motivos econômicos por trás do plano de Trump para controlar Gaza? BBC News Brasil,
2025. Disponível em: [Link] Acesso em: 1º abr. 2025. 41
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z Reações internacionais
Portanto, a proposta de Trump para a Faixa de Gaza representa um dos planos mais con-
troversos de sua política externa. Envolvendo realocação populacional, intervenção mili-
tar e reconstrução sob um modelo ocidental, a ideia enfrenta resistências profundas tanto
históricas quanto geopolíticas. Seu sucesso ou fracasso pode redefinir o papel dos EUA no
Oriente Médio, mas também carrega riscos significativos de desestabilização regional e crise
humanitária.
27 ARGENTINA anuncia saída da OMS por “divergências profundas”. Agência Brasil, 2025. Disponível em: https://
[Link]/internacional/noticia/2025-02/argentina-anuncia-saida-da-oms-por- divergencias-pro-
42 fundas. Acesso em: 1º abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
A medida reflete uma postura crescente de governos que contestam a influência de orga-
nismos multilaterais na formulação de políticas públicas.
Contexto da saída
A relação entre a Argentina e a OMS se tornou tensa desde a pandemia, quando Milei e
seus aliados criticaram fortemente as diretrizes globais sobre lockdowns e vacinação. A deci-
são de deixar a organização marca um momento histórico, pois a Argentina sempre foi um
participante ativo em debates globais sobre saúde.
Historicamente, saídas de organizações multilaterais costumam indicar um reposiciona-
mento estratégico. Um caso similar ocorreu quando os Estados Unidos, sob a presidência
de Donald Trump, deixaram a OMS em 2020, alegando falhas na gestão da pandemia e uma
suposta influência excessiva da China.
z Impactos internacionais
de Milei sobre soberania e governança global. No entanto, a medida gera incertezas quanto
à capacidade da Argentina de enfrentar futuras crises sanitárias sem o suporte da OMS. O
impacto dessa decisão será observado nos próximos anos, tanto no âmbito da saúde pública
quanto nas relações internacionais do país.
43
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z Israel anuncia saída do Conselho de Direitos Humanos da ONU em meio a crescentes
tensões internacionais28
A saída de Israel ocorre apenas dois dias depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald
Trump, assinar um decreto oficializando a retirada norte-americana do mesmo conselho.
Trump, que desde seu retorno ao governo adota uma política ainda mais alinhada a Israel,
também decidiu manter a suspensão do financiamento à UNRWA (Agência da ONU para
Refugiados Palestinos), aprofundando a crise humanitária na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.
O alinhamento entre Israel e Estados Unidos reflete não apenas a aliança política entre os
dois países, mas também uma tentativa conjunta de enfraquecer as instituições multilaterais
que, segundo eles, estariam adotando posturas parciais contra Israel no tratamento do con-
flito com os palestinos.
A decisão israelense gerou forte reação internacional. Francesca Albanese, relatora espe-
cial das Nações Unidas para os Territórios Palestinos Ocupados, classificou o ato como “extre-
mamente sério” e um sinal de que Israel “não reconhece nenhuma responsabilidade pelos
seus atos”.
Em entrevista, Albanese afirmou:
Isso mostra a arrogância e a falta de percepção do que eles [Israel] fizeram. Eles insistem na
autojustiça, que não têm nada pelo que serem responsabilizados, e estão provando isso para
toda a comunidade internacional.
Albanese foi ainda mais longe ao alertar sobre o agravamento do que descreveu como um
possível “genocídio de Israel contra os palestinos”, destacando que a violência na Cisjordânia
tem aumentado de forma alarmante, com o norte do território sendo alvo de operações mili-
tares intensas e o sul, vítima de ataques de colonos armados.
28 UM dia após EUA, Israel anuncia saída do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Brasil de Fato, 2025. Disponí-
vel em: [Link] conselho-de-direi-
44 tos-humanos-da-onu/. Acesso em: 1º abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Silêncio europeu e a erosão dos direitos humanos no cenário internacional
Outro ponto criticado por Francesca Albanese foi o silêncio das potências europeias diante
do movimento de Israel e dos Estados Unidos. Para ela, o momento exige uma resposta firme
da comunidade internacional: “Estou surpresa que os Estados europeus estejam se mantendo
em silêncio em vez de se levantarem e dizerem: ‘Isso é um absurdo total, e não toleraremos
isso’”.
Segundo Albanese, a retirada do Conselho de Direitos Humanos e o bloqueio ao financia-
mento da UNRWA representam um ataque direto ao sistema internacional de proteção dos
direitos humanos, afetando não apenas a questão palestina, mas o equilíbrio das instituições
criadas para garantir os direitos fundamentais em todo o mundo.
A saída de Israel e dos Estados Unidos do Conselho de Direitos Humanos enfraquece ain-
da mais as possibilidades de resolução pacífica do conflito israelo-palestino no âmbito das
Nações Unidas, justamente em um momento em que o mundo acompanha, com preocupa-
ção, o agravamento da violência na Cisjordânia e em Gaza.
Além disso, o esvaziamento do conselho por essas potências coloca em xeque a capacidade
da ONU de atuar em crises humanitárias que envolvem grandes aliados dos Estados Unidos,
revelando as limitações da diplomacia multilateral frente a governos que desafiam aberta-
mente o sistema internacional.
Com essa decisão, Israel reforça seu isolamento diplomático em setores da comunidade
internacional, ao mesmo tempo em que aumenta sua dependência do apoio norte-america-
no. Por outro lado, o gesto é um duro golpe para a diplomacia multilateral e para os esforços
da ONU em buscar uma solução negociada para o conflito.
O futuro da causa palestina se torna ainda mais incerto, em um cenário marcado por vio-
lência crescente, ausência de diálogo e risco iminente de um colapso humanitário generaliza-
do, especialmente após o avanço de tropas e tanques israelenses na Cisjordânia.
Diante desse cenário, cresce a expectativa por respostas mais contundentes de outros ato-
res globais, especialmente a União Europeia e potências regionais, para frear a escalada do
conflito.
Janeiro de 2025 entrou para a história como o mês mais quente já registrado no planeta,
ATUALIDADES
com uma temperatura global 1,75 °C acima dos níveis pré-industriais. Esse recorde foi docu-
mentado pelo Serviço Copernicus para Mudanças Climáticas da União Europeia e reflete uma
tendência preocupante de aquecimento global acelerado.
29 JANEIRO mais quente da história: como altas temperaturas afetam a saúde? CNN Brasil, 2025. Disponível em:
[Link] temperaturas-afetam-a-saude/.
Acesso em: 1º abr. 2025. 45
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Os efeitos desse aumento foram sentidos de maneira desigual ao redor do mundo, com
regiões como sudeste da Europa, nordeste e noroeste do Canadá, Alasca, Sibéria, sul da Amé-
rica do Sul, África, grande parte da Austrália e Antártida enfrentando condições climáticas
extremas.
Emissões de gases de efeito estufa: o aumento contínuo de CO₂ e outros gases agrava
o efeito estufa, intensificando o aquecimento global;
Fenômeno El Niño: em 2024, o Pacífico equatorial experimentou um forte El Niño, um
fenômeno climático que contribui para temperaturas mais altas em escala global;
Retroalimentação climática: o derretimento do gelo no Ártico e na Antártida reduz a
reflexividade da superfície terrestre, absorvendo mais calor e acelerando o aquecimento.
z Impactos globais
Os efeitos desse aquecimento recorde já estão sendo sentidos em várias partes do mundo:
A comunidade internacional tem buscado formas de conter a crise climática, mas desafios
políticos e econômicos dificultam a implementação de medidas eficazes:
Acordos climáticos: a COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Cli-
máticas de 2025), marcada para novembro de 2025, será um momento fundamental
para revisar metas de emissões e reforçar compromissos de descarbonização;
Investimentos em energia limpa: países como a China e a União Europeia estão inten-
sificando investimentos em energia solar e eólica, enquanto os EUA buscam um equilí-
brio entre sustentabilidade e pressões da indústria de combustíveis fósseis;
Adaptação urbana: cidades ao redor do mundo estão implementando planos de adap-
tação climática, como infraestrutura verde e resfriamento urbano, para minimizar os
impactos do calor extremo.
46
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
O recorde de temperatura global em janeiro de 2025 representa um alerta urgente para a
necessidade de ação climática imediata. O aquecimento global continua a impactar comuni-
dades, ecossistemas e economias em todo o planeta. Sem medidas drásticas para reduzir as
emissões de gases de efeito estufa e mitigar os impactos climáticos, eventos extremos como
esse se tornarão cada vez mais frequentes, ameaçando a estabilidade global a longo prazo.
Nas últimas semanas, mais de 50 pessoas morreram devido a doenças de origem desco-
nhecida na região noroeste da República Democrática do Congo, de acordo com a Organiza-
ção Mundial da Saúde.
Os surtos foram detectados em comunidades remotas na província de Equateur, uma área
historicamente afetada por doenças infecciosas como Ebola e febre de Marburg.
Doenças zoonóticas: regiões tropicais como Equateur são suscetíveis a doenças trans-
mitidas por animais, como febres hemorrágicas;
Novas variantes de patógenos conhecidos: a possibilidade de mutações em vírus
conhecidos pode representar um desafio para identificação e tratamento;
Condições sanitárias precárias: a falta de acesso a água potável e saneamento ade-
quado pode contribuir para a propagação de doenças infecciosas.
30 DOENÇA desconhecida mata mais de 50 pessoas em parte do Congo em poucas horas. G1, 2025. Disponível
em: [Link] 50-pessoas-em-parte-
-[Link]. Acesso em: 1º abr. 2025. 47
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
parcerias com instituições de pesquisa para acelerar o diagnóstico;
campanhas de conscientização junto às comunidades locais.
31 PRIMEIRA-MINISTRA italiana pede cúpula ‘sem demora’ entre EUA, Europa e aliados. UOL, 2025. Disponível em:
[Link] pede-cupula-sem-demora-
48 -[Link]. Acesso em: 1º abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z ONU adota resolução dos EUA sobre guerra na Ucrânia: um marco geopolítico entre
pressão e diplomacia32
32 CONSELHO de Segurança da ONU adota posição dos EUA sobre guerra na Ucrânia. CNN Brasil, 2025. Disponí-
vel em: [Link] posicao-dos-eua-sobre-
-guerra-na-ucrania/. Acesso em: 1º abr. 2025. 49
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
O embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, respondeu de maneira desafiadora: “hoje,
nossos colegas americanos viram que o caminho para a paz na Ucrânia não será fácil. Muitos
tentarão garantir que esse conflito se prolongue o máximo possível, mas isso não nos impedirá
de buscar uma solução justa”.
A guerra na Ucrânia, que começou em 2014 com a anexação da Crimeia pela Rússia e se
intensificou com a invasão em larga escala em 2022, tornou-se um dos conflitos mais emble-
máticos do século XXI.
Em um contexto histórico mais amplo, o embate entre Rússia e Ocidente remonta à Guerra
Fria, quando alianças como a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e o Pacto de
Varsóvia definiam o equilíbrio de poder global. A atual divisão geopolítica reflete disputas de
longa data sobre segurança, soberania e influência na Eurásia.
Com Washington buscando um meio-termo diplomático e Kiev pressionando por um posi-
cionamento mais firme contra Moscou, o destino da Ucrânia dependerá do equilíbrio entre
pressão internacional e negociação. Enquanto isso, a fragmentação de opiniões dentro do
Conselho de Segurança e da Assembleia Geral demonstra que a unidade ocidental está longe
de ser garantida.
Durante a reunião, Zelensky criticou os governos americanos por não terem tomado medi-
das mais duras para impedir a Rússia de anexar territórios ucranianos entre 2014 e 2022.
A resposta de Trump foi agressiva, acusando Zelensky de arriscar a vida de milhões e de
apostar na Terceira Guerra Mundial, além de afirmar que o ucraniano “não tem cartas para
negociar”.
O vice-presidente J. D. Vance reforçou a linha dura, exigindo que Zelensky “demonstrasse
mais gratidão” ao governo americano em uma fala considerada hostil e desrespeitosa por
analistas internacionais.
A discussão acabou levando ao cancelamento da coletiva de imprensa, algo inédito em
encontros oficiais de alto nível na Casa Branca.
33 APÓS discussão de Trump e Zelensky, países não assinam acordo de minerais. CNN Brasil, 2025. Disponível
em: [Link] paises-nao-assinam-acor-
50 do-de-minerais/. Acesso em: 1º abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z Consequências imediatas
Embora apelidado de “acordo de terras raras”, o foco principal era o acesso dos EUA a
minerais estratégicos e essenciais para a indústria de alta tecnologia, como grafite, lítio, titâ-
nio, berílio e urânio. Esses minerais são fundamentais para:
Assim, o acordo com a Ucrânia era visto como uma forma de reduzir a vulnerabilidade
americana frente à China.
z Repercussão internacional
Fortalecimento da Rússia: a crise pode dar margem à Rússia para continuar a agres-
são contra a Ucrânia, acreditando numa possível retirada americana do conflito;
51
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Aumento da dependência da China: sem o acordo com a Ucrânia, os EUA continua-
rão altamente dependentes da China para minerais estratégicos, afetando a segurança
nacional e industrial americana;
Divisão do Ocidente: a tensão pública entre Trump e Zelensky fragiliza a coesão oci-
dental, enfraquecendo o apoio internacional à Ucrânia e afetando negociações futuras
com países europeus.
z Israel envia tanques para a Cisjordânia: a escalada do conflito e o risco de nova crise
humanitária34
Pela primeira vez em duas décadas, Israel enviou tanques para a Cisjordânia ocupada, no
final de fevereiro de 2025, intensificando de forma inédita a pressão militar sobre o território
palestino.
A ação acontece em meio a um cessar-fogo temporário em Gaza, mas a violência e as
incursões israelenses na Cisjordânia têm aumentado de forma significativa, resultando em
dezenas de mortos e no deslocamento forçado de milhares de palestinos.
A Cisjordânia é um território localizado a oeste do Rio Jordão, capturado por Israel duran-
te a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Desde então, o exército israelense mantém o controle da
região, onde vivem cerca de 3,3 milhões de palestinos. Além disso, cerca de meio milhão de
israelenses vivem em assentamentos construídos ilegalmente no território, segundo o direito
internacional.
Apesar de condenados pela ONU e pela maioria da comunidade internacional, esses assen-
tamentos seguem crescendo, com o apoio do governo israelense, o que dificulta ainda mais
qualquer perspectiva de criação de um Estado palestino independente.
34 MARINS, L. G. Israel envia tanques à Cisjordânia pela primeira vez em duas décadas. InfoMoney, 2025. Dispo-
nível em: [Link] primeira-vez-em-duas-de-
52 cadas/. Acesso em: 1º abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
aumento das incursões militares israelenses, com uso de blindados, tanques e escava-
deiras que destroem ruas, casas e infraestruturas básicas;
restrições severas à mobilidade palestina, com novos postos de controle e bloqueios que
limitam o acesso a trabalho, escolas e hospitais;
crescimento dos ataques de colonos armados contra comunidades palestinas, resultan-
do em mortes e destruição de propriedades;
crise humanitária crescente, com cortes de água e energia elétrica e destruição de cam-
pos de cultivo.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou publicamente que o objetivo das tro-
pas é permanecer na Cisjordânia por pelo menos um ano. O intuito é “impedir o retorno dos
moradores” — o que levanta sérias denúncias sobre possíveis práticas de limpeza étnica.
Essas ações são vistas como um passo além das já duras políticas de ocupação, pois não
apenas atacam supostos militantes, como também afetam deliberadamente a população civil.
Em julho de 2024, o Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), órgão máximo da ONU, emitiu
uma opinião consultiva histórica, declarando a ocupação israelense da Cisjordânia e Jeru-
salém Oriental ilegal e exigindo o fim imediato dessa ocupação. Apesar disso, Israel segue
desafiando a decisão, ampliando sua presença militar no território.
Nos Estados Unidos, o governo de Donald Trump, que já enfrenta críticas internacionais
por propor a expulsão de mais de dois milhões de palestinos de Gaza, permanece aliado de
Israel, gerando ainda mais indignação. Jornais como o Haaretz afirmam que o que o mundo
teme em Gaza já está acontecendo silenciosamente na Cisjordânia, com a expulsão de milha-
res de palestinos.
Além da violência direta, o parlamento israelense aprovou recentemente leis que difi-
cultam a atuação da UNRWA (Agência da ONU para Refugiados Palestinos), responsável por
atender milhares de palestinos com educação, saúde e assistência humanitária.
Com a agência ameaçada, cerca de 45 mil estudantes palestinos podem ficar sem aulas, e
ATUALIDADES
um milhão de atendimentos médicos anuais podem deixar de ser realizados, agravando ain-
da mais o sofrimento da população.
53
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z O risco de um colapso humanitário e o futuro incerto da Cisjordânia
z OMC realiza diálogo “construtivo” sobre tensões comerciais em meio a políticas tari-
fárias de Trump35
A reunião, que contou com a participação de seis países — Estados Unidos, Nicarágua,
Namíbia, Malásia, Trinidad e Tobago e Rússia —, evidenciou o mal-estar causado pelo aumen-
to das barreiras tarifárias e a escalada de políticas unilaterais que ameaçam o sistema mul-
tilateral de comércio.
Segundo Ismaila Dieng, porta-voz da OMC, “a maioria dos países presentes expressou preo-
cupação com o agravamento das tensões comerciais e apelou por moderação e diálogo para
evitar danos maiores à economia global”.
Entre os participantes, ficou claro o receio de que o aumento de tarifas e as disputas comer-
ciais, especialmente envolvendo grandes potências, possam desencadear uma nova onda de
protecionismo, prejudicando países em desenvolvimento e minando as regras do comércio
internacional.
As recentes medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos voltaram a ser o centro do
debate. Desde que reassumiu a presidência, Donald Trump intensificou sua agenda econômi-
ca nacionalista, reeditando políticas que privilegiam a indústria e o agronegócio americanos
em detrimento de acordos multilaterais e da abertura comercial.
35 OMC REALIZA conversas “construtivas” sobre tensões comerciais globais. CNN Brasil, 2025. Disponível em:
[Link] sobre-tensoes-
54 -comerciais-globais/. Acesso em: 1º abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Entre as principais críticas, os países apontaram que a elevação de tarifas por Washington
não apenas ameaça fluxos de comércio global, como também prejudica cadeias produtivas
interligadas e compromete os esforços para a recuperação econômica pós-crise.
Brasil
O mês de fevereiro de 2025 foi marcado por um episódio severo de calor em várias regiões
brasileiras, revelando não apenas os efeitos diretos das mudanças climáticas, mas também
as implicações para a geopolítica internacional. Estados como Mato Grosso do Sul, São Paulo,
Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná, Goiás e Bahia enfrentaram temperaturas muito acima
da média histórica.
De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), uma onda de calor ocorre
quando a temperatura se eleva em ao menos 5 °C em relação à média climatológica local.
ATUALIDADES
Um dos episódios mais alarmantes foi registrado no Rio de Janeiro, que, no dia 17 de feve-
reiro, atingiu 44 °C, o maior valor nos últimos 10 anos, conforme dados do Sistema Alerta Rio,
órgão ligado à prefeitura municipal.
36 CARVALHO, J. Previsão indica nova onda de calor no Centro-Sul com duração até março; veja tendências para
o mês. G1, 2025. Disponível em: [Link] ambiente/noticia/2025/02/25/previsao-indica-nova-
-onda-de-calor-no-centro-sul-com-duracao-ate- [Link]. Acesso em: 1º abr. 2025. 55
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Crise climática e os desafios para o Brasil na agenda internacional
Embora o episódio tenha se revelado um erro técnico, ele expõe uma questão geopolítica
contemporânea: a crescente dependência de sistemas automatizados de alerta global e os
desafios que isso impõe à soberania dos Estados na gestão de suas informações sensíveis.
A emissão de alertas automáticos por empresas estrangeiras, como o Google, sem valida-
ção prévia de redes sismográficas oficiais reacende o debate sobre a autonomia digital do
Brasil e de outros países em desenvolvimento diante das grandes corporações tecnológicas
37 MORADORES de SP, RJ e MG recebem alerta do Google de terremoto em Ubatuba; Defesa Civil diz que não houve
tremor. G1, 2025. Disponível em: [Link] regiao/noticia/2025/02/14/alerta-terre-
56 [Link]. Acesso em: 1º abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
transnacionais, cujo poder de mobilizar populações inteiras cresce com o avanço da inteli-
gência artificial e do big data.
Historicamente, o Brasil se encontra fora das principais rotas de terremotos globais, loca-
lizadas nas bordas das placas tectônicas, como o Anel de Fogo do Pacífico. No entanto, o epi-
sódio revela como a interdependência tecnológica internacional conecta o Brasil a dinâmicas
globais de segurança e risco.
Países como Japão, Chile e Estados Unidos, situados em áreas de intensa atividade sísmica,
vêm investindo em sistemas robustos de alerta e monitoramento há décadas — um processo
que está agora no centro da diplomacia tecnológica e das disputas por infraestruturas de
dados globais.
Além disso, o caso do alerta falso deve ser interpretado à luz das tensões recentes no cená-
rio internacional sobre cibersegurança e controle de informações críticas. Em fevereiro de
2025, enquanto o Brasil lidava com esse incidente, reuniões do G20 e fóruns especializa-
dos em inteligência artificial debatiam a necessidade de criar mecanismos internacionais
de regulação e transparência para sistemas de alerta de risco, incluindo aqueles voltados a
desastres naturais.
Esse movimento também dialoga com as discussões previstas para a COP30, que, embora
focada em clima, também abordará aspectos relacionados a resiliência tecnológica e respos-
ta a emergências ambientais.
Portanto, o episódio do falso terremoto ultrapassa o erro casual e se conecta a temas estru-
turantes da geopolítica contemporânea: a quem pertencem os dados? Quem tem o direito
de emitir alertas em território soberano? Como equilibrar inovação tecnológica e segurança
nacional?
Essas são questões que o Brasil precisará enfrentar com clareza, sobretudo por sua cres-
cente relevância no cenário internacional como país-sede de grandes eventos e ator impor-
tante no debate sobre o clima e a segurança global.
O mês de fevereiro de 2025 trouxe um dado importante para o debate ambiental brasilei-
ro e internacional: o desmatamento no bioma Cerrado apresentou uma redução de 33% em
2024, em comparação com o ano anterior.
A informação foi divulgada pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam),
com base no Sistema de Alerta de Desmatamento do Cerrado (SAD Cerrado). De acordo com
o levantamento, 712 mil hectares foram desmatados em 2024 (contra um milhão de hectares
em 2023).
Apesar da queda, especialistas alertam que o número ainda é extremamente elevado,
especialmente se considerado o papel estratégico do Cerrado como berço das águas brasilei-
ATUALIDADES
38 VILELA, P. R. Desmatamento no Cerrado caiu 33% em 2024, mas ainda é elevado. Agência Brasil, 2025. Disponí-
vel em: [Link] no-cerrado-caiu-33-em-
-2024-mas-ainda-e-elevado. Acesso em: 1º abr. 2025. 57
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
O Cerrado, conhecido como a “caixa d’água do Brasil”, sempre ocupou uma posição
ambígua na história econômica nacional.
Desde a década de 1970, com o avanço do agronegócio, a região foi intensamente transfor-
mada em área de produção de soja, milho e pecuária, reforçando a lógica de integração do
Brasil como fornecedor global de commodities.
A expansão agrícola, impulsionada pelo Programa de Desenvolvimento dos Cerrados (Polo-
centro), alterou profundamente o equilíbrio ecológico do bioma, cuja importância ambiental
nem sempre foi reconhecida com o mesmo peso atribuído à Amazônia.
Contudo, o cenário internacional de 2025, marcado por acordos climáticos e por uma pres-
são crescente por cadeias produtivas livres de desmatamento, impõe ao Brasil o desafio de
compatibilizar crescimento econômico e preservação ambiental.
A União Europeia, por exemplo, ao longo de 2024, aprovou regras rigorosas que restrin-
gem a importação de produtos agrícolas associados ao desmatamento, o que afeta direta-
mente o Cerrado.
Além disso, o anúncio da realização da COP30 no Brasil, em Belém, em novembro de 2025,
reforça a responsabilidade internacional do país em apresentar avanços reais na proteção
de seus biomas.
Assim, a redução no desmatamento do Cerrado, embora relevante, precisa ser vista em
um contexto histórico de exploração sistemática do bioma e dentro das exigências geopolíti-
cas que vinculam preservação ambiental à inserção do Brasil no comércio global.
O desafio permanece: como manter o papel do Brasil como potência agroexportadora sem
comprometer a biodiversidade e os recursos hídricos do Cerrado?
Além disso, a questão do Cerrado se conecta a outras crises ambientais observadas em
fevereiro de 2025, como as ondas de calor extremo e as discussões globais sobre segurança
alimentar e mudanças climáticas, demonstrando que o problema do desmatamento não é
isolado, mas parte de uma agenda ambiental, econômica e diplomática interligada.
z Desigualdade na saúde: mortalidade por câncer é mais alta entre crianças indígenas
no Brasil39
39 NO Brasil, crianças indígenas morrem mais de câncer do que brancas, negras e amarelas. Oncoguia, 2025. Dis-
ponível em: [Link] mais-de-cancer-do-que-
58 -brancas-negras-e-amarelas/17615/7/. Acesso em: 1º abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
O índice elevado de mortalidade por câncer entre indígenas não é um fenômeno isolado,
mas fruto de décadas de negligência histórica, que remonta ao processo de colonização e
marginalização desses povos.
Desde o século XVI, os indígenas brasileiros foram vítimas de extermínio físico, cultu-
ral e territorial, e, embora a Constituição Federal, de 1988, tenha reconhecido seus direitos
originários às terras e à saúde diferenciada, a implementação desses direitos ainda enfrenta
graves lacunas.
A ausência de diagnóstico precoce, tratamentos específicos e acesso a centros especializa-
dos é agravada pela distância geográfica de muitas aldeias em relação aos grandes centros
urbanos, o que retarda o início do tratamento oncológico.
Além disso, barreiras culturais e linguísticas dificultam o atendimento, pois o sistema de
saúde, majoritariamente estruturado segundo parâmetros não indígenas, muitas vezes igno-
ra as especificidades culturais e sociais dessas populações.
Do ponto de vista geopolítico, essa situação coloca o Brasil em uma posição delicada dian-
te dos compromissos assumidos em acordos internacionais, como a Declaração das Nações
Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas (2007), e diante da pressão internacional por
respeito aos direitos humanos.
A crescente visibilidade da causa indígena no exterior, inclusive com lideranças indígenas
participando ativamente de fóruns internacionais (como a COP30), faz com que dados como
esses repercutam negativamente na imagem do país, especialmente quando se busca con-
solidar o Brasil como ator relevante nas agendas globais de direitos humanos e ambientais.
Além disso, a questão se conecta a debates internos e externos sobre o direito à terra, já
que a perda de territórios e a degradação ambiental impactam diretamente a saúde dos povos
indígenas, havendo, inclusive, o aumento de doenças associadas à contaminação ambiental e
ao acesso precário à água potável.
o Brasil possa se afirmar como um líder global coerente com os princípios que defende nos
fóruns internacionais.
59
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z Brasil define metas de biodiversidade até 2030: compromisso nacional e desafio
geopolítico40
A preocupação com a biodiversidade vai além da esfera ambiental: ela se conecta direta-
mente à posição geopolítica do Brasil no cenário global.
O país abriga cerca de 20% da biodiversidade mundial, com destaque para biomas como
a Amazônia, o Cerrado (que sozinho concentra 5% de toda a biodiversidade global), a Mata
Atlântica, o Pantanal e a Caatinga.
Historicamente, a riqueza natural brasileira foi alvo de exploração predatória — desde o
período colonial com o extrativismo até o recente avanço do agronegócio e da mineração em
áreas sensíveis.
No contexto atual, o desafio da preservação se torna ainda mais crucial para que o Brasil
possa se consolidar como líder nas negociações climáticas e ambientais globais, especial-
mente com a aproximação da COP30, que será sediada em Belém do Pará em 2025, conforme
destacado anteriormente.
O cumprimento dessas metas é um dos principais critérios de credibilidade internacional,
impactando acordos comerciais, investimentos estrangeiros e a inserção do país em cadeias
produtivas “verdes”.
Além disso, o compromisso com o Marco de Kunming-Montreal coloca o Brasil em diálo-
go direto com outras potências preocupadas com a sustentabilidade, como União Europeia,
China e Estados Unidos, especialmente em um momento em que o comércio global passa a
exigir certificações ambientais rigorosas e cadeias produtivas livres de desmatamento ilegal.
40 CONABIO propõe Metas Nacionais de Biodiversidade até 2030. Secom, 2025. Disponível em: [Link]
br/secom/pt-br/assuntos/noticias/2025/02/conabio-propoe- metas-nacionais-de- biodiversidade-ate-2030. Aces-
60 so em: 1º abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Outro aspecto fundamental dessas metas é o reconhecimento do papel de comunidades
indígenas e tradicionais na conservação ambiental.
Esses povos, historicamente marginalizados, são os principais guardiões de áreas preser-
vadas, como demonstra o fato de que as terras indígenas no Brasil são as áreas com menores
índices de desmatamento.
Valorizar a biodiversidade passa, portanto, por promover o uso sustentável dos recursos
naturais, incluindo o comércio de produtos da sociobiodiversidade, como mel, castanhas,
óleos e plantas medicinais, garantindo geração de renda com preservação ambiental.
Isso está diretamente ligado às metas de comércio sustentável previstas na Conabio e aten-
de a exigências globais de produtos com “pegada ecológica” reduzida.
Por outro lado, a pressão internacional por preservação também coloca o Brasil sob cons-
tante observação, especialmente quando há denúncias de avanço de atividades ilegais, como
garimpo, grilagem de terras e desmatamento clandestino, que comprometem a imagem do
país como parceiro comercial confiável.
Em um momento em que a crise climática se agrava — com ondas de calor, incêndios flo-
restais e perda de biodiversidade em várias partes do mundo (incluindo o próprio Cerrado
e Amazônia), o sucesso ou fracasso dessas metas pode definir o papel do Brasil no enfrenta-
mento das mudanças climáticas.
Além disso, o cumprimento ou não dessas metas impactará diretamente o posicionamen-
to do Brasil nas próximas rodadas de negociações internacionais, incluindo o G20 (o Brasil,
atualmente, tem buscado liderar a agenda verde), e em acordos comerciais, como o Mer-
cosul–União Europeia, cuja assinatura definitiva depende, entre outras coisas, de garantias
ambientais sólidas.
Assim, as metas de biodiversidade representam mais do que uma pauta ambiental: são
uma estratégia nacional de soberania, economia e diplomacia internacional, cujo sucesso
dependerá do equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental.
O Brasil precisará expandir áreas de preservação, tanto públicas quanto privadas (como
reservas legais e áreas de preservação permanente — APPs). Impacta o agronegócio, pois
exigirá maior rigor contra o desmatamento em áreas produtivas. Atender essa meta é vital
61
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
para o Brasil manter acordos comerciais com Europa e Ásia, que demandam “commodities
verdes” (soja, carne sem desmatamento).
Aqui, os desafios para o Brasil residem nos setores industriais e agropecuário (por exem-
plo, embalagens e resíduos de agrotóxicos). Além disso, há a pressão da Europa para produ-
tos livres de resíduos tóxicos.
Para os povos indígenas, o objetivo é garantir acesso a recursos e autonomia na gestão dos
territórios. Sob o aspecto do comércio, podemos destacar produtos florestais não-madeirei-
ros (mel, castanhas, fitoterápicos).
Aqui, vale destacar a pressão para que frigoríficos, exportadores de soja e mineradoras
garantam cadeias livres de desmatamento. Essa meta é essencial para a imagem do Brasil
junto à União Europeia, à China e aos EUA.
A importância dessa meta reside no reconhecimento do papel central dos indígenas e das
comunidades locais como guardiões da floresta.
63
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Aqui, vemos a necessidade da formação de técnicos, fiscais ambientais e gestores públicos.
Aqui, temos aplicação efetiva nas regras sobre exploração de plantas medicinais e conhe-
cimento indígena.
A exemplo de ferramentas para a efetivação dessa meta, podemos citar os sistemas como
o PRODES (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite), o
DETER e o SAD41 Cerrado.
Para a efetivação dessa meta, é necessário haver a participação feminina e jovem em pro-
jetos ambientais.
Sob o ponto de vista geopolítico, busca-se o estreitamento de laços com países amazônicos
(OTCA — Organização do Tratado de Cooperação Amazônica), Europa, China e EUA.
Passados cinco anos do primeiro caso oficial de covid-19 no Brasil (fevereiro de 2020), a
doença ainda representa um desafio de saúde pública, especialmente em algumas regiões do
país.
A Região Norte do Brasil apresenta uma tendência preocupante de aumento dos casos,
especialmente relacionados à síndrome respiratória aguda grave (SRAG), condição frequen-
temente associada a casos mais graves de covid-19.
Os estados com tendência de alta são:
Amapá;
Amazonas;
Pará;
Rondônia; e
Tocantins.
Baixa cobertura vacinal atualizada: muitos moradores ainda não tomaram as doses
de reforço, incluindo as vacinas adaptadas para variantes recentes;
Dificuldade de acesso à saúde: grandes distâncias, comunidades ribeirinhas e indíge-
nas com acesso limitado aos serviços;
Alta circulação de novas variantes: mutações do vírus que conseguem escapar par-
cialmente da imunidade anterior;
Impacto das desigualdades sociais e sanitárias: falta de infraestrutura hospitalar
adequada em algumas regiões.
O Brasil iniciou a vacinação em massa contra a covid-19 em 2021, sendo um dos países
com maior número absoluto de doses aplicadas. Contudo, atualmente:
ATUALIDADES
65
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z Reflexões importantes para o debate público e acadêmico
Memória coletiva e saúde pública: o Brasil precisa continuar lidando com as conse-
quências sociais, econômicas e psicológicas da pandemia;
Vacinação e políticas públicas: como garantir campanhas permanentes de vacinação
e atualização das vacinas?
Acesso equitativo à saúde: como superar os desafios históricos de desigualdade, espe-
cialmente em regiões como o Norte?
Desinformação e confiança nas vacinas: o combate às fake news sobre a covid-19 e a
importância da educação sanitária são aspectos essenciais.
z Avanço da dengue em São Paulo: emergência sanitária e o desafio nacional diante das
arboviroses43
O estado de São Paulo viveu, em fevereiro de 2025, um dos piores surtos de dengue da
década, com 300 casos por 100 mil habitantes registrados até o dia 21 de fevereiro.
A gravidade da situação levou o governo paulista a decretar estado de emergência sanitá-
ria no dia 19 de fevereiro, buscando acelerar ações de combate ao mosquito Aedes aegypti e
otimizar o atendimento nas unidades de saúde.
43 ROSÁRIO, M. Dengue: governo de São Paulo anuncia emergência em saúde pública. O Globo, 2025. Disponível
em: [Link] anuncia-emergencia-em-
-[Link]. Acesso em: 1º abr. 2025.
66
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
O problema da dengue no Brasil não é novo. Desde o retorno do Aedes aegypti ao país, na
década de 1980, após sua erradicação parcial na primeira metade do século XX, o mosquito
voltou a se estabelecer em praticamente todas as regiões, com impactos crescentes devido a:
urbanização desordenada;
falta de saneamento básico; e
mudanças climáticas, com verões mais longos e chuvosos, ampliando o hábitat do
mosquito.
Além disso, o aumento da dengue no Brasil não ocorre isoladamente, mas está inserido
em um contexto global: países da Ásia, América Latina e Caribe também vêm enfrentando
epidemias de arboviroses, o que reforça a importância de cooperação internacional para o
enfrentamento de doenças tropicais negligenciadas.
A produção nacional da vacina contra a dengue, anunciada pelo Ministério da Saúde, tam-
bém está inserida em um movimento global mais amplo: a busca dos países em desenvolvi-
mento por autonomia na produção de imunizantes.
Durante a pandemia de covid-19, o Brasil e outras nações periféricas enfrentaram dificul-
dades para adquirir vacinas devido à concentração da produção em países desenvolvidos.
Assim, a capacidade de produzir vacinas localmente se torna não apenas uma questão de
saúde pública, mas também um elemento estratégico de soberania nacional e geopolítica
internacional.
Esse cenário conecta o combate à dengue a debates sobre:
Em 2023, a gigante chinesa BYD, fabricante de carros elétricos, deu um passo estratégico
crucial ao adquirir direitos minerários sobre dois lotes de lítio na cidade de Coronel Murta,
44 LIMA, C. T. BYD surpreende o mundo: Gigante chinesa garante direitos de mineração no vale do lítio do Brasil!
Click Petróleo e Gás, 2025. Disponível em: [Link] o-mundo-gigante-chi-
nesa-garante-direitos-de-mineracao-no-vale-do-litio-do-brasil/. Acesso em: 1º abr. 2025. 67
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
em Minas Gerais, no chamado Vale do Lítio — uma das regiões mais promissoras do Brasil
para a exploração desse mineral estratégico.
A movimentação representa o primeiro investimento direto da BYD em mineração no
Hemisfério Ocidental, destacando a importância do Brasil na corrida global pelo lítio, essen-
cial para a transição energética e a indústria de veículos elétricos.
A aquisição dos 852 hectares no Vale do Jequitinhonha aproxima a BYD das fontes primá-
rias do lítio, mineral fundamental para a fabricação de baterias de carros elétricos.
Além disso, a localização dos lotes, a cerca de 825 km da nova fábrica da BYD na Bahia,
revela uma estratégia de integração vertical, unindo a extração da matéria-prima à produção
industrial.
Essa fábrica, instalada no antigo complexo da Ford, prevê a produção de 150 mil carros
elétricos por ano, reforçando o compromisso da empresa com o mercado latino-americano.
O interesse da BYD pelo lítio brasileiro insere o Brasil em um contexto geopolítico mais
amplo, marcado pela disputa internacional por minerais críticos.
Nos últimos anos, Estados Unidos, China, União Europeia e Arábia Saudita intensificaram
a busca por acesso estável a fontes de lítio, dado o crescimento acelerado das indústrias de
energia limpa e mobilidade elétrica.
Enquanto países como Chile, Bolívia e Argentina controlam o lítio extraído de salinas (com
desafios ambientais e tecnológicos), o Brasil possui depósitos de rocha de espodumênio, mais
acessíveis à mineração tradicional.
Diferentemente dos vizinhos sul-americanos, o Brasil não impôs barreiras rígidas à explo-
ração do lítio, e, em 2022, flexibilizou as regras de exportação, aumentando sua atratividade
para o capital estrangeiro.
Além disso, a criação da subsidiária BYD Exploração Mineral do Brasil, com capital social
de R$ 4 milhões, sinaliza o interesse da empresa em controlar toda a cadeia produtiva, da
extração ao produto final.
Demora na produção: a exploração de lítio no Brasil pode levar entre oito e 15 anos
para ter início, dependendo da viabilidade econômica e do licenciamento ambiental,
segundo especialistas;
Impactos socioambientais: a mineração em áreas sensíveis, como o Vale do Jequiti-
nhonha, exige atenção aos impactos sobre comunidades locais e o meio ambiente, em
uma região historicamente marcada por desigualdade social; e
Riscos trabalhistas: a BYD já enfrentou denúncias de abusos trabalhistas no Brasil, o
que pode afetar sua imagem e a aceitação social de novos empreendimentos.
68
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z Corrida global pelo lítio: Brasil como peça-chave
O movimento da BYD reflete um fenômeno global conhecido como “corrida pelo lítio”, em
que empresas e governos disputam o controle sobre fontes do “ouro branco” do século XXI.
O Brasil, com grandes reservas ainda pouco exploradas, torna-se um dos últimos grandes
territórios com potencial de exploração privada fora do eixo China–EUA.
De acordo com os dados da Pesquisa Industrial Mensal divulgados pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial brasileira teve um crescimento de
3,1% em 2024 em comparação a 2023. Esse resultado posiciona o Brasil como um dos paí-
ses com o maior crescimento industrial dos últimos 15 anos, o que reflete um momento de
expansão econômica, ainda que com desafios e particularidades.
z Análise do crescimento
O aumento de 3,1% na produção industrial foi o terceiro maior crescimento registrado nos
últimos 15 anos, destacando-se como um dado relevante no contexto da recuperação econô-
mica pós-pandemia.
Esse crescimento ocorreu em meio a um cenário de instabilidade política e econômica,
com pressões internas e externas, como a inflação e os desequilíbrios nas cadeias de produ-
ção globais.
Esse resultado pode ser atribuído a diversos fatores, como:
45 MOURA, B. F. Produção industrial brasileira fecha 2024 com crescimento de 3,1%. Agência Brasil, 2025. Dis-
ponível em: [Link] brasileira-fecha-
-2024-com-crescimento-de-31. Acesso em: 1º abr. 2025. 69
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Indústria de máquinas e equipamentos: a retomada de obras e de investimentos em
infraestrutura ajudou a aumentar a demanda por equipamentos pesados e maquinário.
Em 2025, espera-se que a produção industrial brasileira continue sua trajetória de expan-
são, ainda que com a necessidade de superar desafios econômicos como a inflação e a taxa
de juros elevada.
O setor automotivo e a indústria de transformação têm grande potencial de crescimento,
especialmente com o avanço da transição energética, a crescente demanda por veículos elé-
tricos e a modernização das indústrias de base.
Além disso, o Brasil pode ter uma oportunidade tática com o crescente interesse global por
minerais estratégicos, como lítio, níquel e cobre, essenciais para baterias de veículos elétricos
e tecnologias sustentáveis. Isso pode abrir portas para um aumento na produção industrial
voltada para tecnologia limpa e inovadora.
A vitória de O Último Azul representa mais uma conquista importante para o cinema brasi-
leiro no cenário internacional, reforçando a tradição de obras nacionais que abordam temas
profundos e universais.
46 FERNANDES, S. Festival de Berlim destaca diversidade do cinema brasileiro. DW, 2025. Disponível em: https://
[Link]/pt-br/festival-de-berlim-destaca-diversidade-do-cinema-brasileiro/a-71579752. Acesso em: 1º abr.
70 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
O filme de Mascaro foi amplamente elogiado pela crítica especializada, que destacou tanto
a sua estética apurada quanto a sensibilidade ao tratar de questões urgentes, como os desa-
fios ambientais e sociais que afetam o planeta.
O Último Azul apresenta uma narrativa que discute de forma poética e impactante a degra-
dação ambiental e os efeitos das ações humanas sobre a natureza, abordando, também, os
reflexos sociais dessa crise.
Com uma direção precisa e fotografia marcante, o longa reflete sobre o esgotamento dos
recursos naturais e convida o espectador a pensar sobre o futuro do planeta.
Receber o Grande Prêmio do Júri na Berlinale significa uma projeção internacional sig-
nificativa, abrindo portas para o filme circular em outros festivais e mercados. A premiação
também reafirma a capacidade do cinema brasileiro de dialogar com o mundo, levando para
o centro do debate global temas como meio ambiente, desigualdade e sustentabilidade.
Com esse reconhecimento, Gabriel Mascaro, já conhecido por obras anteriores que explo-
ram questões sociais brasileiras, consolida sua carreira como um dos principais diretores
contemporâneos do país. A aclamação em Berlim reforça o valor artístico e político do seu
cinema, que combina reflexão social profunda com linguagem estética sofisticada.
A presença e o prêmio de O Último Azul na Berlinale 2025 mostram que, mesmo diante de
desafios, o cinema brasileiro continua vivo, potente e relevante no cenário mundial, capaz de
emocionar e provocar o debate em plateias internacionais.
MARÇO DE 2025
Mundo
A 97ª edição do Oscar ocorreu no domingo, 2 de março de 2025, no icônico Dolby Theatre,
em Los Angeles, nos Estados Unidos. Considerada a premiação mais importante do cinema
mundial, a cerimônia organizada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas reve-
lou os grandes vencedores da noite.
ATUALIDADES
47 ROSA, J. Oscar 2025: Conheça os lugares onde a cerimônia já ocorreu. Valor, 2025. Disponível em: [Link]
[Link]/eu- e/noticia/2025/03/01/os car-2025-co nheca-os-luga res-onde-a-cerimonia-ja-oc [Link]. Aces-
so em: 10 abr. 2025. 71
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Internacional e Melhor Atriz, com Fernanda Torres. O Brasil, após quatro tentativas, final-
mente conquistou o prêmio de Melhor Filme Internacional, marcando um momento históri-
co para o cinema nacional.
O líder de indicações foi Emilia Pérez, com 13 nomeações, seguido de O Brutalista e Wic-
ked, com 10 cada. No entanto, o grande vencedor da noite foi Anora, que levou os prêmios de
Melhor Filme, Melhor Direção (Sean Baker) e Melhor Atriz (Mikey Madison).
Acompanhe a lista completa dos vencedores do Oscar 2025:
Importante!
A 97ª edição do Oscar demonstrou a diversidade e a força do cinema mundial, com des-
taque para produções inovadoras e representativas de diferentes culturas. O Brasil, com
Ainda Estou Aqui, consolidou-se como uma força emergente no cenário internacional,
enquanto Anora se consagrou como o grande nome da noite.
48 JUNQUEIRA, P. 2024 quebra recordes climáticos e acende alerta, mostra relatório da ONU. UOL, 2025. Dispo-
nível em: [Link] .br/ecoa/ultimas-noticias/2025/ 03/18/estado-d o-clima-global- [Link]. Acesso
72 em: 10 abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Um novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), considerado a mais
confiável atualização sobre o clima global, revela um cenário alarmante: o planeta atingiu
seus anos mais quentes na última década.
Embora os dados sejam suficientes para exigir ações drásticas e imediatas, cientistas aler-
tam que a resposta dos governos tem sido marcada por letargia e falta de comprometimento.
O relatório destaca que a concentração de gases de efeito estufa — dióxido de carbono, meta-
no e óxido nitroso — está nos níveis mais altos dos últimos 800 mil anos.
Os oceanos absorvem 90% do excesso de calor do planeta, e os últimos oito anos registra-
ram temperaturas oceânicas sem precedentes. O aquecimento acelerado dos mares desen-
cadeia o branqueamento de corais, prejudicando ecossistemas marinhos, o aumento da
frequência e intensidade de tempestades tropicais e a perda acelerada de gelo marinho, com-
prometendo o equilíbrio climático global.
A taxa de aquecimento do oceano nos últimos 20 anos já é mais que o dobro do registrado
entre 1950 e 2005, um sinal crítico de desequilíbrio ambiental.
Desde que os satélites começaram a monitorar o nível do mar, sua elevação dobrou, atin-
gindo um novo recorde em 2024. O ritmo aumentou de 2,1 mm por ano (1993–2002) para 4,7
mm por ano (2015–2024).
Isso representa um risco direto para milhões de pessoas em áreas costeiras, gerando inun-
dações e erosão de territórios, salinização de fontes de água doce, impactando a segurança
ATUALIDADES
73
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z Crise humanitária: migrações e insegurança alimentar em alta
Em 2024, os desastres climáticos deslocaram mais pessoas do que qualquer outro ano des-
de 2008. Ciclones, inundações e secas forçaram milhões a abandonar seus lares.
Eventos extremos registrados incluem:
ondas de calor inéditas, como na Arábia Saudita, onde as temperaturas atingiram 50°C
durante a peregrinação do Hajj;
incêndios florestais e secas severas, que destruíram plantações e interromperam o for-
necimento de alimentos;
aumento da insegurança alimentar — em pelo menos oito países, um milhão de pessoas
a mais enfrentaram fome severa em comparação com 2023.
Especialistas afirmam que parte dessa crise poderia ter sido minimizada com sistemas de
alerta precoce, mas apenas metade dos países do mundo possui mecanismos adequados para
prever desastres.
Segundo Celeste Saulo, secretário-geral da OMM: “Isso precisa mudar. Não podemos mais
tratar os eventos climáticos extremos como incidentes isolados. Eles são sintomas de um colap-
so sistêmico”.
Especialistas alertam que a transição para emissões líquidas zero já não é suficiente: é
preciso acelerar drasticamente as ações climáticas.
A professora Sarah Perkins-Kirkpatrick, da Australian National University, critica a inér-
cia dos governos: “Estamos apertando o botão soneca para um alarme global. Os recordes
climáticos estão acontecendo ano após ano — e continuamos adiando as soluções”.
A cientista Linden Ashcroft, da Universidade de Melbourne, destaca a frustração da comu-
nidade científica:
Sinceramente, não sei mais o que fazer. Deveríamos gritar essas descobertas do alto dos pré-
dios? Dançar no TikTok? A menos que vejamos uma liderança climática real, estarei repetindo
essa mesma mensagem no próximo ano.
A crise climática não é apenas uma questão ambiental, mas um desafio geopolítico de pri-
meira ordem.
Ações climáticas dependem de cooperação internacional, mas interesses econômicos e
políticos ainda bloqueiam compromissos mais ambiciosos. O enfraquecimento de acordos
como o Acordo de Paris — impulsionado por decisões como a retirada dos EUA durante a ges-
tão Trump — demonstram como a política pode acelerar ou retardar o combate às mudanças
climáticas.
74
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z A ascensão do Brasil no ranking da felicidade e o declínio histórico dos Estados
Unidos49
49 BRASIL sobe 8 posições no ranking da felicidade da ONU, e EUA nunca foram tão infelizes; Finlândia é líder. G1,
2025. Disponível em: [Link] [Link]/mundo/noticia/2 025/03/19/brasil-sobe-8-posicoes-n o-ranking-da-fe-
licidade -da-onu-e-eua-nunca-foram-tao-infelizes-finlandia -[Link]. Acesso em: 10 abr. 2025. 75
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
O recuo histórico dos Estados Unidos no ranking pode ser explicado por mudanças nos
hábitos sociais e pelo aumento das tensões internas. A ONU apontou que o número de refei-
ções feitas sozinho cresceu 53% nas últimas duas décadas, refletindo um declínio na intera-
ção social e na coesão familiar. Além disso, fatores como polarização política, aumento da
desigualdade e crises de saúde mental impactaram a percepção de bem-estar da população.
Em contrapartida, a ONU identificou que países com maior convivência social apresentam
índices mais elevados de felicidade. Lares com quatro ou cinco pessoas são mais comuns no
México e na Europa, e essa configuração está diretamente ligada a uma maior satisfação com
a vida.
76
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Os dados evidenciam a importância de políticas públicas eficazes, redes de apoio social
e equilíbrio entre vida pessoal e profissional para garantir um alto índice de felicidade em
qualquer nação.
Em meio às tensões persistentes entre Rússia e Ucrânia, os países que compõem o Grupo
dos Sete (G7) reforçaram, em 14 de março de 2025, a necessidade de estabelecer mecanis-
mos de segurança sólidos para garantir um cessar-fogo efetivo na região. O bloco, formado
por Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Estados Unidos, alertou Moscou
sobre possíveis novas sanções econômicas e diplomáticas caso não siga os termos da trégua
já aceitos por Kiev.
50 G7 ameaça impor mais sanções à Rússia, incluindo petróleo, se não houver cessar-fogo. InfoMoney, 2025. Dis-
ponível em: https:// [Link] /mundo/g7-a meaca-impor-mais-san coes-a-russia-incluindo- petroleo-
-se-nao-houv er-cessar-fogo/. Acesso em: 10 abr. 2025. 77
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z Reconfiguração geopolítica e desafios comerciais: o impacto das tarifas americanas
na Europa51
A escalada das tensões comerciais promovida pelos Estados Unidos não apenas compro-
mete a economia global, mas também impulsiona a Europa a fortalecer sua coesão política e
econômica.
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, alertou que uma guerra
comercial de grande escala teria repercussões severas, especialmente para os norte-ameri-
canos, ao mesmo tempo em que poderia catalisar uma nova fase de unidade entre os países
europeus.
Nos últimos anos, os Estados Unidos adotaram uma política comercial agressiva, impondo
tarifas a diversos parceiros comerciais, independentemente de serem aliados históricos ou
concorrentes estratégicos. Essa postura gerou retaliações internacionais e aumentou a incer-
teza sobre o crescimento da economia mundial.
Segundo Lagarde, uma restrição substancial no comércio global pode resultar em impac-
tos negativos no crescimento econômico e na estabilidade de preços, com reflexos mais agu-
dos sobre os Estados Unidos devido à interdependência de sua economia.
Apesar do impulso recente, a União Europeia enfrenta desafios internos significativos. Nos
últimos anos, diversas propostas para fortalecer a unidade do bloco ficaram estagnadas. Em
51 GUERRA comercial de Trump é um alerta para a Europa, diz presidente do BCE. CNN Brasil, 2025. Disponível em:
[Link] [Link]/economia/macroeco nomia/guerra-comercial-de-trump-e-um-a lerta-para-a-europa-
78 -diz-president e-do-bce/. Acesso em: 10 abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
um relatório recente, Mario Draghi, ex-presidente do BCE, expôs as fragilidades do projeto
europeu e a necessidade de reformas profundas.
Até o momento, no entanto, os líderes europeus adotaram poucas medidas concretas para
implementar essas mudanças estruturais, mesmo diante de um cenário de crescimento
estagnado e da recessão alemã. A conjuntura global adversa pode ser um estímulo para
a revisão de estratégias e para a busca de uma posição mais coesa e autônoma no sistema
internacional.
z Crise de segurança no Peru: governo mobiliza forças armadas para conter violência52
52 GOVERNO do Peru anuncia estado de emergência em Lima e convoca Forças Armadas para combater o crime
organizado. O Globo, 2025. Disponível em: [Link] a/2025/03/17/governo-do-p
eru-anuncia- estado-de-emergencia-em-lima-e-convoca-f orcas-armadas-para-combater -[Link]-
ml. Acesso em: 10 abr. 2025.
53 MUDANÇA na cidadania italiana: quem já iniciou o processo não será afetado. CNN Brasil, 2025. Disponível
em: [Link] [Link]/inte rnacional/mudança -na-cidadania-italiana-quem-ja-iniciou-o-processo-não
-sera-afetado/. Acesso em: 10 abr. 2025 79
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Historicamente, a cidadania italiana foi concedida por jus sanguinis (direito de sangue),
permitindo que descendentes de italianos, independentemente do grau de parentesco, reivin-
dicassem a nacionalidade. No entanto, o governo italiano endureceu essa política, limitan-
do-a apenas a filhos e netos de cidadãos italianos. Essa decisão está alinhada a um contexto
político global de endurecimento das leis de imigração, especialmente em países europeus
que enfrentam pressões migratórias e desafios econômicos.
A medida também reflete um discurso nacionalista crescente, que busca restringir o
acesso à cidadania como forma de controle populacional e preservação de recursos estatais.
O fato de a decisão ter sido implementada por decreto, sem ampla discussão no Parlamento
ou na sociedade civil, também levanta questões sobre transparência e participação democrá-
tica no processo.
Com essa mudança, espera-se que haja uma redução significativa no número de solici-
tações de cidadania, o que pode desafogar a burocracia italiana, mas também gerar descon-
tentamento entre descendentes que perderam o direito ao reconhecimento.
A longo prazo, essa medida pode impulsionar debates sobre identidade nacional, pertenci-
mento e direito à dupla cidadania, especialmente em um mundo cada vez mais globalizado,
no qual a mobilidade internacional se torna um elemento essencial para o desenvolvimento
econômico e social.
O Exército de Israel disse na quarta-feira, 19 de março de 2025, que havia lançado “ati-
vidades terrestres direcionadas” em Gaza, recapturando parcialmente uma área-chave no
território, um dia após lançar um bombardeio aéreo no enclave que quebrou o cessar-fogo
de dois meses com o Hamas.
54 ISRAEL lança primeira ofensiva terrestre em Gaza desde o fim do cessar-fogo. Exame, 2025. Disponível em:
[Link] cias/mundo/israel-lanca- primeira-ofensiva-terrestre-em-ga za-desde-o-fim-do-
80 -cessa r-fogo/. Acesso em: 10 abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Israel acusou o Hamas de se recusar “repetidamente” a libertar reféns e rejeitar ofertas
de mediadores. O Hamas, por sua vez, culpou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netan-
yahu, de derrubar unilateralmente a trégua e colocar os reféns “em risco de um destino
desconhecido”.
As Forças de Defesa de Israel (IDF) disseram que suas tropas:
[...] iniciaram atividades terrestres direcionadas no centro e sul da Faixa de Gaza para expan-
dir a zona de segurança e criar uma proteção parcial entre o norte e o sul de Gaza.
“Como parte das atividades terrestres, as tropas expandiram seu controle ainda mais para o
centro do Corredor Netzarim”, disseram os militares.
O Hamas chamou a mais recente ofensiva de uma “nova e perigosa violação” do acordo de
cessar-fogo. O grupo militante, em uma declaração, disse que continuava comprometido com
o acordo de cessar-fogo que assinou com Israel em janeiro.
Sob o acordo de cessar-fogo de janeiro, Israel se retirou do Corredor Netzarim, uma faixa
de terra importante que divide Gaza ao meio, separando o centro da cidade de Gaza e a sua
região norte das partes do sul da faixa que fazem fronteira com o Egito.
Embora Israel tenha se retirado do corredor, contratados militares estrangeiros continua-
ram a operar em postos de controle entre o norte e o sul de Gaza.
Depois que a trégua entrou em vigor, centenas de milhares de palestinos passaram pelo
corredor a pé, de carro e, em alguns casos, de burros, com muitos deles retornando para
casas que haviam sido destruídas após 15 meses de bombardeio israelense.
Os ataques aéreos israelenses na terça-feira mataram mais de 400 pessoas em Gaza, de
acordo com o Ministério da Saúde do enclave, tornando-se um dos dias mais mortais da
guerra.
questão.
Ele relatou:
Dois dias atrás, houve um quase acidente com essas instalações, e ontem as instalações foram
atingidas, e hoje houve outro ataque, infelizmente com essas vítimas.
81
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
“Não pode ser categorizado como um acidente”, ele acrescentou, enfatizando que “ataques
a instalações humanitárias são uma violação do direito internacional”.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel disse na quarta-feira à noite
que um cidadão búlgaro que trabalhava para a ONU morreu em Gaza, mas não ficou imedia-
tamente claro se o búlgaro era a mesma pessoa mencionada na declaração da ONU.
Novo protesto
Desde o golpe militar de 2021, Mianmar enfrenta um intenso conflito interno, o que limi-
ta o acesso à informação e dificulta os esforços humanitários. Com a infraestrutura já fragi-
lizada pela guerra, a destruição causada pelo terremoto representa um desafio ainda maior
para as equipes de resgate.
A ONU alerta para uma escassez severa de suprimentos médicos, enquanto a OMS solici-
tou US$ 8 milhões para auxiliar nas operações emergenciais. Organizações humanitárias
denunciam que o isolamento político de Mianmar dificulta a chegada de ajuda internacional.
55 A DIFICULDADE de se ter notícias de Mianmar, país em guerra civil onde terremoto deixou milhares de mortos.
82 BBC, 2025. Disponível em: [Link] ticles/cz6dxx1gv5 0o. Acesso em: 10 abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Tailândia também é atingida: colapso de arranha-céu em Bangkok
A maior parte desse montante, cerca de nove bilhões de coroas, será destinada à aquisi-
ção de novos equipamentos, coordenada pela Administração Sueca de Material de Defesa.
56 SUÉCIA anuncia ajuda militar à Ucrânia no valor de quase US$ 1,6 bilhão. CNN Brasil, 2025. Disponível em:
[Link] [Link]/internacional/ suecia-anuncia- ajuda-militar-a-ucrania-no-valor-de-qua se-us-16-bi-
lhao/. Acesso em: 10 abr. 2025. 83
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Outros cinco bilhões de coroas serão repassados diretamente como doação financeira para
fortalecer a estrutura de defesa da Ucrânia.
Segundo o ministro da Defesa sueco, Pal Jonson, o momento atual do conflito é crítico, e a
intenção é garantir que a Ucrânia tenha condições de negociar um eventual acordo de paz a
partir de uma posição mais vantajosa. “Nosso foco agora é apoiar a Ucrânia o máximo possí-
vel para que ela possa fortalecer sua posição nessas negociações”, declarou Jonson.
A União Europeia tem uma economia oito vezes maior que a da Rússia. Se houver vontade
política, é possível mobilizar um suporte amplo. No entanto, a indústria de defesa da Europa
ainda opera em um modelo adaptado para períodos de paz.
57 GROENLÂNDIA fortalece laços com a Dinamarca enquanto busca independência. CNN Brasil, 2025. Disponível
em: [Link] [Link]/internacional/groenlandia-f ortalece-lacos-com-a-dinamarca- enquanto-busca-
84 -inde pendencia/. Acesso em: 10 abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
A relação entre a Groenlândia e a Dinamarca atravessa um momento crucial, no qual o
território semiautônomo busca reforçar seus vínculos com a metrópole enquanto pavimenta
o caminho para a independência. O primeiro-ministro groenlandês, Jens-Frederik Nielsen,
reafirmou que a ilha deseja, em última instância, consolidar sua soberania, sem renunciar
as parcerias estratégicas no cenário global.
Desde sua posse, em 28 de março de 2025, Nielsen tem enfatizado a necessidade de apro-
fundar os laços políticos e econômicos com a Dinamarca visando a uma transição estrutura-
da para a independência. Segundo ele:
Enquanto a Groenlândia fizer parte do Reino da Dinamarca, é essencial consolidar essa parce-
ria para que, no momento adequado, possamos nos tornar soberanos.
Dica
Essa estratégia reflete uma abordagem pragmática, reconhecendo a dependência finan-
ceira e institucional da Groenlândia em relação à Dinamarca, ao mesmo tempo que forta-
lece a identidade nacional e a autonomia política.
O primeiro-ministro também reforçou que o futuro da ilha não está vinculado à perma-
nência sob a administração dinamarquesa, deixando claro o objetivo final de tornar a Groen-
lândia uma nação independente.
85
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
A busca pela independência da Groenlândia ocorre em um cenário de crescente comple-
xidade política e geoestratégica. Enquanto a ilha equilibra sua relação com a Dinamarca e
resiste às pressões dos Estados Unidos, também precisa lidar com desafios internos, como
desenvolvimento econômico, infraestrutura e sustentabilidade ambiental.
O desfecho desse processo dependerá não apenas da habilidade diplomática de seus líde-
res, mas também da capacidade da Groenlândia de consolidar uma identidade nacional que
a permita se firmar como um ator soberano no sistema internacional.
Brasil
O Brasil enfrenta uma grave crise de saúde mental, com impactos diretos na vida dos tra-
balhadores e das empresas. Dados exclusivos do Ministério da Previdência Social revelam
que, em 2024, quase meio milhão de trabalhadores foram afastados por transtornos psico-
lógicos, o maior número registrado em pelo menos 10 anos.
Os dados indicam que os transtornos mentais atingiram um nível incapacitante sem pre-
cedentes. Em comparação com 2023, houve um crescimento de 68% no número de licenças
médicas concedidas, totalizando 472.328 mil afastamentos.
De acordo com psiquiatras e psicólogos, esse aumento está relacionado a:
58 CASEMIRO, P.; MOURA, R. Crise de saúde mental: Brasil tem maior número de afastamentos por ansiedade e
depressão em 10 anos. G1, 2025. Disponível em: [Link] co m/trabalho-e-carreira/no ticia/2025/03/1 0/
crise-de-saude-mental-brasil-te m -maior-num ero-de-afastamentos-po r -ansiedade-e-dep ressao-em-10- [Link]-
86 ml. Acesso em: 10 abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
cicatrizes emocionais da pandemia; e
pressões e cobranças excessivas no ambiente profissional.
Diante desse cenário alarmante, o governo federal adotou medidas mais rigorosas. O
Ministério do Trabalho e Emprego anunciou a atualização da NR-1, norma que define as
diretrizes de saúde no ambiente de trabalho. A nova regulamentação prevê fiscalizações e
multas para empresas que não garantirem um ambiente saudável para os seus funcionários.
ATUALIDADES
87
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Dica
O burnout, apesar de amplamente discutido, não figura entre os principais motivos de afas-
tamento. Em 2024, apenas quatro mil licenças foram concedidas por essa razão. Segun-
do especialistas, a dificuldade no diagnóstico impacta diretamente a notificação desses
casos.
Os estados com maior número de afastamentos absolutos são São Paulo, Minas Gerais
e Rio de Janeiro.
Contudo, quando analisado proporcionalmente, os estados com os maiores índices de
afastamento são:
Distrito Federal;
Santa Catarina; e
Rio Grande do Sul.
Atenção! O caso do Rio Grande do Sul se destaca devido às enchentes devastadoras, que
impactaram diretamente a saúde mental da população.
z Brasil faz história no Oscar 2025 com “Ainda Estou Aqui” e reforça sua presença no
cenário cinematográfico global59
A conquista e os concorrentes
59 Vitória de ‘Ainda estou aqui’ gera repercussão na mídia internacional: ‘Um momento histórico para o Brasil
no Oscar’. O Globo, 2025. Disponível em: [Link] /03/vitoria-de-ainda-
-e stou-aqui-gera-repercussao-internacional -um-momento-historico-para-o-brasil-no-oscar.g html. Acesso em: 10
88 abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
A vitória de Ainda Estou Aqui no Oscar não representa apenas um feito cinematográfico,
mas também um avanço estratégico para o soft power brasileiro. O cinema é uma ferramenta
essencial de diplomacia cultural, capaz de projetar valores, narrativas e a identidade nacio-
nal para o mundo.
Além disso, essa conquista fortalece a presença do Brasil na indústria audiovisual global,
atraindo mais investimentos e consolidando o país como um importante polo de produção
cinematográfica na América Latina. A vitória também ressalta o papel da arte na reconstru-
ção da memória histórica ao tratar de um dos períodos mais sombrios da política brasileira:
a ditadura militar.
Baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, o filme foi produzido pelo Glo-
boplay, sendo seu primeiro original a alcançar uma estatueta da Academia. Manuel Belmar,
diretor de produtos digitais da Globo, celebrou a conquista:
Receber nosso primeiro Oscar no ano em que celebramos 100 anos de Globo é emblemático.
“Ainda Estou Aqui” é um filme brilhante, com atuações excepcionais. Esse reconhecimento
reforça nosso compromisso em investir no talento brasileiro e ampliá-lo para o mundo.
O longa narra a história real de Eunice Paiva, advogada e ativista que dedicou quatro
décadas de sua vida na busca pela verdade sobre o desaparecimento de seu marido, Rubens
Paiva, ex-deputado federal assassinado pela ditadura militar. O elenco conta com nomes
de peso, como Fernanda Torres, Selton Mello e Fernanda Montenegro.
Além de vencer como Melhor Filme Internacional, Ainda Estou Aqui também concorreu
em outras duas categorias: Melhor Atriz (Fernanda Torres) e Melhor Filme, mas perdeu para
Anora em ambas.
Mesmo assim, a premiação consolida o Brasil como um player relevante no mercado cine-
matográfico internacional e evidencia a força do audiovisual nacional como um instrumento
de reflexão social, cultural e política.
Com essa vitória, o Brasil amplia sua projeção global e reforça a importância de sua produ-
ção cinematográfica como símbolo de resistência, memória e identidade nacional.
z Dia Internacional da Mulher: entre conquistas e desafios na luta global por igualdade60
os avanços e desafios na busca pela equidade de gênero. Em 2025, o tema Para TODAS as
mulheres e meninas: Direitos. Igualdade. Empoderamento reforça o compromisso global com a
ampliação dos direitos e oportunidades para mulheres e meninas, mirando um futuro femi-
nista, inclusivo e transformador.
60 O DIA Internacional da Mulher e a Luta por Igualdade: Reflexões e Compromissos. GovBR, 2025. Disponível em:
h ttps://tiny [Link]/ymc pt95h. Acesso em: 10 abr. 2025. 89
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Entretanto, apesar dos progressos, a realidade da violência de gênero segue alarmante. No
Brasil, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, classificou a
violência doméstica como uma “grande epidemia”.
Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam que, em apenas quatro anos, o
número de feminicídios julgados aumentou 225%, refletindo a persistência da violência con-
tra mulheres, mesmo diante de avanços legislativos.
O ano de 2025 marca também os 30 anos da Declaração e Plataforma de Ação de Pequim,
um dos marcos mais progressistas para os direitos das mulheres. Desde sua adoção, o mundo
testemunhou avanços significativos, como o fortalecimento das legislações contra a violência
doméstica, a ampliação do acesso a serviços de apoio e o crescente engajamento juvenil na
luta por igualdade.
Hoje, 193 países têm medidas legislativas voltadas à proteção das mulheres, e mais de 112
implementaram planos nacionais para garantir sua participação na construção da paz e na
prevenção de conflitos.
No entanto, os desafios contemporâneos, como o aumento de conflitos armados, a erosão
da democracia e a crise climática, impõem novas barreiras à equidade de gênero. Só no últi-
mo ano, 612 milhões de mulheres e meninas viveram em territórios afetados por guerras,
um aumento de 50% em uma década. A urgência da causa exige mobilização global para for-
talecer políticas públicas, ampliar a participação feminina nos espaços de decisão e garantir
que nenhuma mulher ou menina seja deixada para trás.
Neste Dia Internacional da Mulher, a ONU Mulheres convoca governos, empresas, socie-
dade civil e juventude para impulsionar ações concretas em três eixos fundamentais:
z defesa dos direitos das mulheres e meninas, combatendo todas as formas de violência,
discriminação e exploração;
z promoção da igualdade de gênero, desmantelando barreiras sistêmicas e assegurando
inclusão para todas;
z empoderamento feminino, garantindo acesso igualitário à educação, ao mercado de tra-
balho e à liderança política.
A obesidade tem se consolidado como um dos maiores desafios de saúde pública no Bra-
sil. De acordo com o Atlas Mundial da Obesidade 2025, divulgado pela Federação Mundial
da Obesidade (WOF), aproximadamente 31% da população brasileira vivem com obesidade,
enquanto 68% apresentam excesso de peso, incluindo aqueles com sobrepeso.
Os dados revelam uma tendência alarmante: até 2030, o número de homens com obesida-
de pode crescer 33,4%, e, entre as mulheres, esse aumento pode atingir 46,2%. Além disso, a
61 OBESIDADE no Brasil cresce e se torna desafio para a saúde pública. Acidadeon, 2025. Disponível em: https://
[Link] [Link]/araraquara/ cotidiano/obesidade-no-br asil-cresce-e-se-torna-desafio-pa ra-a-saude-publi-
90 ca/. Acesso em : 10 abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
inatividade física é um fator agravante — entre 40% e 50% da população adulta não pratica
exercícios na frequência e intensidade recomendadas.
O sobrepeso e a obesidade não são apenas questões estéticas, mas fatores determinantes
para o surgimento de diversas doenças crônicas. De acordo com o relatório, mais de 60 mil
mortes prematuras no Brasil são associadas a enfermidades como diabetes tipo 2, doenças
cardiovasculares e acidente vascular cerebral (AVC).
Diante desse cenário, o endocrinologista Marcio Mancini, especialista em obesidade, res-
salta que tratar o problema como uma responsabilidade individual é um equívoco. Segundo
ele, a obesidade deve ser encarada como uma questão de saúde pública, exigindo políticas
eficazes para sua prevenção e tratamento.
Para reverter essa crise, especialistas apontam diversas estratégias que devem ser imple-
mentadas em nível governamental e comunitário, incluindo:
Para Mancini, mudanças estruturais são essenciais para que a população tenha condições
reais de adotar hábitos mais saudáveis. Ele enfatiza que uma única ação anual nas escolas
sobre alimentação saudável é insuficiente e que são necessárias campanhas permanentes.
Atualmente, dois terços dos países não estão preparados para lidar com essa crise, sendo
que apenas 7% possuem sistemas de saúde estruturados para enfrentar o aumento da obesi-
dade. O problema já está associado a 1,6 milhão de mortes prematuras anuais, superando até
mesmo o número de vítimas de acidentes de trânsito.
Em comparação internacional, o Brasil apresenta índices melhores que os dos Estados Uni-
dos, no qual 75% da população têm excesso de peso e 44% vivem com obesidade. A China, em
91
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
contrapartida, apresenta situação menos grave, registrando 41% da população com excesso
de peso e apenas 9% com obesidade.
Diante desse cenário preocupante, iniciativas globais têm surgido para mobilizar gover-
nos e sociedade. No Brasil, a campanha “Mudar o Mundo pela Saúde”, liderada pela Associa-
ção Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e pela Sociedade
Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), busca estimular mudanças efetivas na
forma como a obesidade é tratada.
Como parte das ações, foi lançado um e-book gratuito que propõe melhorias em políticas
públicas e iniciativas privadas para a prevenção e tratamento da obesidade.
Neste Dia Mundial da Obesidade, o chamado é claro: precisamos agir agora para evitar
uma crise de saúde ainda maior. A obesidade não é apenas uma questão individual, mas um
desafio coletivo que exige a colaboração de todos os setores da sociedade.
Em 2024, a Amazônia perdeu 3,6% da sua superfície de água em relação à média histórica
do bioma. O longo período de estiagem manteve os níveis de água abaixo do esperado por
sete meses consecutivos, conforme apontam dados do MapBiomas divulgados em março de
2025.
Com 61% da superfície de água do Brasil, a região amazônica viu 63% das suas sub-bacias
hidrográficas sofrerem perdas significativas. Os impactos foram mais severos no Rio Negro,
onde a redução ultrapassou 50 mil hectares comparados à média histórica.
O problema da seca não se limita à Amazônia. Em 2024, o Brasil perdeu 2% da sua superfí-
cie de água, continuando a tendência de redução iniciada na década passada. Os dados indi-
cam que os últimos dez anos registraram oito dos 10 períodos mais secos desde 1985.
O Pantanal foi o bioma mais afetado, com uma redução de 61% da superfície de água em
relação à média histórica, passando o ano inteiro abaixo dos níveis normais.
No Cerrado, observou-se uma mudança estrutural na distribuição hídrica: em 1985, 63%
da água do bioma era composta por rios e lagos naturais; em 2024, esse percentual caiu para
40%, enquanto a água em reservatórios artificiais subiu para 60%.
62 GAMA, G. Amazônia perdeu 3,6% da água de rios e lagos em 2024, aponta relatório. CNN Brasil, 2025. Disponível
em: [Link] [Link]/nacional/brasil/am azonia-perdeu-36-da-agua-de-rios- e-lagos-em-2024-aponta-
92 -relat orio/. Acesso em: 10 abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
densamente habitados, como a Mata Atlântica, enquanto a perda de água em rios e lagos
naturais atingiu 15% em relação à série histórica.
“O crescimento de reservatórios não compensa a perda hídrica nos biomas dependentes de
água natural, como a Amazônia e o Pantanal”, explica Juliano Schirmbeck, coordenador téc-
nico do MapBiomas Água.
A crise hídrica na Amazônia tem implicações globais, pois afeta tanto a biodiversidade
quanto o equilíbrio climático do planeta. A região é um dos principais reguladores do ciclo
da água, e sua redução impacta diretamente a segurança alimentar, a geração de energia e a
disponibilidade de recursos hídricos para comunidades locais e nações vizinhas.
Do ponto de vista sociológico, a seca reforça desigualdades regionais, prejudicando popula-
ções ribeirinhas, indígenas e pequenos agricultores, que dependem dos rios para subsistência.
Além disso, a competição por recursos hídricos pode intensificar conflitos socioambientais,
ampliando a pressão sobre políticas de gestão da água.
Diante desse cenário, a gestão hídrica se torna um desafio político e econômico central,
exigindo respostas eficazes para conter a degradação dos ecossistemas aquáticos e garantir a
segurança hídrica do Brasil.
63 PATI, C. Copom sobe juros pela quinta vez seguida e Selic vai a 14,25% ao ano. Veja, 2025. Disponível em:
[Link] /economia/copom-sobe-juros-pel a-quinta-vez-seguida-e-selic-vai-a-14 25-ao-ano/. Aces-
so em: 10 abr. 2025. 93
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Riscos de baixa envolvem:
Decisão do Copom
O comitê decidiu elevar a taxa básica de juros em 1,00 ponto percentual, para 14,25% a.a.,
entendendo que essa medida está alinhada à estratégia de convergência da inflação para a
meta ao longo do horizonte relevante. A decisão visa garantir a estabilidade de preços, suavi-
zar as flutuações da atividade econômica e fomentar o pleno emprego.
Atenção! Diante do cenário adverso para a convergência da inflação e das incertezas do
ciclo de aperto monetário em andamento, o comitê antecipa que a próxima elevação será
de menor magnitude. O comitê reforça que a magnitude total do ciclo de aperto será deter-
minada pelo compromisso de convergência da inflação à meta e dependerá da evolução da
dinâmica da inflação, das projeções de inflação, das expectativas e do hiato do produto.
z Membros do comitê
94
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
ÍNDICE DE PREÇOS 2025 3º TRIMESTRE DE 2026
IPCA 5,1 3,9
IPCA livres 5,4 3,8
IPCA administrados 4,3 4,2
No entanto, é importante observar que a inflação não é homogênea para todos os com-
ponentes do IPCA. O índice “IPCA livres”, que exclui itens com preços mais voláteis, como
alimentos e combustíveis, apresenta uma projeção de 5,4% para 2025, caindo para 3,8% em
2026, o que sugere que a inflação subjacente poderá ser ligeiramente mais resistente à queda.
Já os “IPCA administrados”, que incluem preços controlados por políticas públicas, como
energia e combustíveis, apresentam uma trajetória mais moderada, com projeções de 4,3%
em 2025 e 4,2% em 2026, indicando uma inflação relativamente mais estável nesse segmento.
Essas projeções são moldadas por variáveis externas e internas, como a evolução da taxa
de juros, que segue as projeções da pesquisa Focus, e a taxa de câmbio, que parte de R$5,80/
US$ e se ajusta conforme a paridade do poder de compra (PPC).
O preço do petróleo, que afeta diretamente a inflação dos combustíveis, segue a curva
futura para os próximos seis meses, com um aumento estimado de 2% ao ano após esse
período. Além disso, a implementação da bandeira tarifária “verde” em dezembro de 2025
também poderá contribuir para a moderação das pressões inflacionárias.
Essas variáveis combinadas apontam para um cenário em que, apesar da redução projeta-
da da inflação, desafios permanecem, exigindo políticas econômicas cuidadosas para garan-
tir a convergência das taxas para as metas estabelecidas.
64 VERÃO 2024/2025 foi um dos mais quentes da história no Brasil desde 1961. GovBR, 2025. Disponível em:
[Link] br/assuntos/noticias/2025/03/vera o-2024-2025-foi-um-dos-mais -quentes-da-his-
toria-no-brasil-desd e-1961. Acesso em: 10 abr. 2025. 95
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Rondônia e Pantanal mato-grossense, mas também impacta diretamente a produção agríco-
la. A baixa umidade do solo, no período essencial da semeadura entre o final de 2024 e início
de 2025, reduziu a produtividade de grãos e pode desencadear perdas econômicas severas
para o setor agropecuário, um dos pilares da economia brasileira.
Além dos prejuízos à agricultura, o déficit hídrico compromete a segurança hídrica da
população e pode agravar tensões geopolíticas internas relacionadas ao uso da água, espe-
cialmente em áreas onde a escassez já gera disputas por recursos.
O fenômeno também repercute na capacidade do Brasil de cumprir compromissos inter-
nacionais de preservação ambiental e combate às mudanças climáticas, uma vez que biomas
estratégicos, como a Amazônia, desempenham papel fundamental na regulação do clima
global.
Para os próximos meses, a previsão do INMET aponta que, embora a oferta de água no solo
no oeste da Amazônia possa favorecer algumas culturas agrícolas, o Brasil Central, Minas
Gerais, o Pantanal e extensas áreas do Sudeste e Sul continuarão enfrentando restrição hídri-
ca. Essa limitação pode intensificar os desafios da recuperação ambiental e reforçar a urgên-
cia de políticas públicas que garantam a sustentabilidade dos recursos hídricos, equilibrando
demandas ambientais e econômicas.
Diante desse cenário, a crise hídrica no Brasil não pode mais ser encarada como um pro-
blema sazonal, mas como uma questão estrutural que exige planejamento estratégico, inves-
timentos em infraestrutura hídrica e uma governança climática mais eficiente para evitar
colapsos ambientais e socioeconômicos no futuro.
Seca moderada em regiões como o sul da Região Norte, Pantanal, oeste do Rio Grande
do Sul, centro do Nordeste, Espírito Santo e norte de Minas Gerais;
Preocupação para o segundo semestre, devido ao período de estiagem que tende a se
intensificar, impactando a recuperação hídrica;
Oferta limitada de água no solo no Brasil Central, Minas Gerais, oeste de São Paulo e Rio
96 Grande do Sul, dificultando a recuperação dos reservatórios.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Brasil amplia domínio marítimo e reforça sua posição estratégica no Atlântico Sul65
O Brasil alcançou uma importante vitória geopolítica com a aprovação de sua reivindica-
ção para expandir sua plataforma continental na Margem Equatorial.
A decisão, anunciada pela Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC) da
ONU em 26 de março de 2025, concede ao país o direito de explorar uma área marítima de
aproximadamente 360 mil km² — uma extensão comparável ao território da Alemanha. Essa
conquista consolida a estratégia brasileira de fortalecimento da soberania sobre recursos
naturais e amplia seu peso geopolítico no Atlântico Sul.
Desde a ratificação da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM)
em 1994, o Brasil vem conduzindo uma política ativa para a ampliação de sua plataforma
continental. Por meio do Plano de Levantamento da Plataforma Continental Brasileira
(LEPLAC), lançado em 1989, a Marinha do Brasil coordena estudos científicos e diplomáticos
para fundamentar reivindicações territoriais sobre áreas marítimas estratégicas.
A expansão segue um planejamento dividido em três frentes principais:
Com essa decisão, o Brasil fortalece sua Zona Econômica Exclusiva (ZEE), que tradicional-
mente se estende até 200 milhas náuticas da costa, garantindo, agora, o direito de explora-
ção de recursos naturais em algumas áreas que chegam a 350 milhas náuticas. Esse avanço
amplia significativamente a capacidade do país de gerir seu patrimônio marítimo, tanto em
termos de segurança energética quanto de biodiversidade.
65 CATTO, A. Brasil ‘ganha’ uma Alemanha em área marítima após decisão da ONU; entenda. G1, 2025. Disponível
em: [Link] economia/noticia/2025/03/27/b rasil-area-maritima-decisao -[Link]. Acesso em: 10
abr. 2025. 97
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Segurança e defesa: a ampliação da jurisdição marítima reforça a necessidade de
investimentos na Amazônia Azul, conceito estratégico da Marinha do Brasil que desta-
ca a importância do litoral brasileiro para a soberania nacional;
Disputa geopolítica por áreas oceânicas: em um cenário de crescente militarização
dos oceanos, especialmente no Indo-Pacífico e no Ártico, o Brasil busca consolidar sua
liderança regional e garantir que potências externas respeitem sua zona de influência.
Embora a expansão da plataforma continental assegure a soberania sobre a área, isso não
significa a imediata exploração de petróleo na região. A Petrobras, por exemplo, já buscava
autorização para realizar estudos dentro dos limites da Zona Econômica Exclusiva, sem rela-
ção direta com essa nova área reconhecida pela CLPC.
No entanto, a decisão fortalece a posição do Brasil no setor energético global, abrindo
novas possibilidades para investimentos na exploração sustentável de recursos do subsolo
marinho. Além disso, pode impulsionar novas parcerias internacionais para o desenvolvi-
mento de tecnologias voltadas à mineração em águas profundas e à conservação ambiental.
O governo dos Estados Unidos publicou seu relatório anual sobre barreiras comerciais,
apontando o Brasil como um dos países que dificultam o acesso de produtos e serviços estran-
geiros ao seu mercado interno.
Segundo o 2025 National Trade Estimate Report on Foreign Trade Barriers (NTE), divul-
gado pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), oito principais entraves
estariam prejudicando os exportadores norte-americanos, justificando possíveis retaliações
tarifárias.
O documento, que abrange 47 países e a União Europeia, critica medidas do governo bra-
sileiro que afetam setores como etanol, bebidas alcoólicas e produtos eletrônicos. A crítica
principal é de que o Brasil estaria adotando práticas comerciais protecionistas em detrimento
66 NOBERTO, C. EUA acusam Brasil de protecionismo e listam 8 barreiras comerciais. G1, 2025. Disponível em:
[Link] conomia/noticia/2025/03/27/b rasil-are a-maritima-decisao- [Link]. Acesso em: 10
98 abr. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
da concorrência internacional, algo que os EUA buscam contestar por meio de negociações
diplomáticas e, se necessário, sanções econômicas.
O embate comercial entre Brasil e EUA deve ser analisado dentro de um contexto geopolí-
tico maior. Os Estados Unidos têm historicamente utilizado relatórios como o NTE para pres-
sionar nações a adotar medidas favoráveis aos seus interesses comerciais, frequentemente
em nome da “justiça e reciprocidade” no mercado global. Contudo, tais acusações ignoram o
papel que políticas protecionistas desempenham no fortalecimento da economia interna dos
países em desenvolvimento.
A estratégia brasileira de proteção de setores estratégicos não é isolada. China, União
Europeia e Índia também foram alvos do relatório, sendo citados por subsídios industriais,
barreiras digitais e regulações sanitárias rigorosas. A disputa ilustra a tensão entre potências
econômicas e países emergentes, que buscam equilibrar abertura comercial com políticas
que fomentem o desenvolvimento interno.
Entre os principais pontos de crítica ao Brasil, destacam-se:
z Acordos comerciais
z Políticas de importação
Tarifas elevadas: a tarifa média do Brasil é de 11,2%, impactando setores como auto-
móveis, eletrônicos e produtos químicos;
Taxa sobre etanol: o Brasil reintroduziu uma tarifa de 18% sobre o etanol importado,
reduzindo as exportações norte-americanas em 32%;
Discriminação fiscal: produtos importados, como uísque, enfrentam tributação mais
alta do que a cachaça nacional.
norte-americanos;
Burocracia alfandegária inconsistente, especialmente para bens temporários.
99
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
O programa RenovaBio exclui produtores estrangeiros do mercado de créditos de
carbono;
A proibição da importação de carne suína dos EUA é considerada “não científica” pelo
governo americano;
Regulamentação rigorosa sobre vinhos importados.
z Compras governamentais
z Propriedade intelectual
z Barreiras a serviços
z Comércio digital
O Brasil aparece como um dos sete países mais citados no relatório do USTR, ao lado
de China, União Europeia, Índia, México, Canadá e Japão. Em termos de impacto financeiro
sobre exportações norte-americanas, as barreiras brasileiras são estimadas em US$ 8 bilhões,
especialmente em setores como etanol, bebidas alcoólicas e produtos remanufaturados.
O Brasil enfrenta um dilema complexo: ao mesmo tempo em que busca fortalecer sua eco-
nomia e proteger indústrias nacionais, precisa equilibrar essa estratégia com a pressão por
maior abertura comercial.
Em um mundo marcado por disputas geopolíticas e acordos comerciais voláteis, o desafio
está em conciliar desenvolvimento soberano com as dinâmicas do comércio global, evitando
tanto o isolamento quanto a dependência excessiva de potências econômicas como os EUA.
100
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z Inteligência artificial e o mapeamento territorial no Brasil67
A integração entre tecnologia e meio ambiente tem sido cada vez mais relevante no debate
geopolítico global, especialmente diante das mudanças climáticas e da necessidade de ges-
tão sustentável dos recursos naturais. No Brasil, a utilização da inteligência artificial (IA) no
mapeamento territorial representa um avanço significativo na monitorização do uso da ter-
ra, permitindo maior precisão na análise dos impactos ambientais e nas estratégias de gestão
agrícola.
Com uma taxa de precisão que chega a 95%, a tecnologia foi testada inicialmente no esta-
do de Mato Grosso, uma região central para a produção agrícola e para as discussões sobre
preservação ambiental.
Essa abordagem permite não apenas acompanhar em tempo real as transformações na
paisagem, mas também fornece subsídios para a formulação de estratégias mais eficazes no
controle do desmatamento e na previsão de safras.
O impacto dessa tecnologia na agricultura é substancial, pois possibilita aos produtores
tomarem decisões mais embasadas\. Diante de incertezas climáticas e desafios logísticos, o
acesso a informações detalhadas permite um planejamento mais eficiente, reduzindo perdas
e otimizando a produção.
67 COP30: Uso de terras é mapeado com inteligência artificial. CNN Brasil, 2025. Disponível em: [Link]
[Link]/nac ional/sudeste/sp/cop30-uso-d e-terras-e-mapeado-com-inteligencia- artificial/. Acesso em:
10 abr. 2025. 101
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
tecnologia como um instrumento de gestão transparente de seus recursos naturais, equili-
brando o desenvolvimento econômico com compromissos sustentáveis.
Apesar dos avanços, a expansão do uso dessa tecnologia enfrenta desafios, como a neces-
sidade de políticas públicas que incentivem sua implementação em larga escala e o comba-
te a práticas ilegais que degradam o meio ambiente. Ademais, garantir a transparência e
acessibilidade dos dados é essencial para que diferentes setores da sociedade possam se
beneficiar dessa ferramenta.
Com a aproximação da COP30, que será sediada no Brasil, a discussão sobre monitoramen-
to territorial por IA ganha ainda mais relevância. Essa tecnologia pode ser um diferencial na
elaboração de propostas para um desenvolvimento mais equitativo e ambientalmente res-
ponsável, consolidando o Brasil como um ator estratégico nas discussões climáticas globais.
Mundo
68 BARROS, P. Noboa é reeleito no Equador com promessa de endurecer combate ao crime. InfoMoney, 2025. Dis-
ponível em: https: //[Link]/mercados/noboa-e-reeleito-no-equador-com-promessa-de-endurecer-
102 -combate-ao-crime/. Acesso em: 4 jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
A governabilidade de Noboa dependerá da capacidade de articulação política diante de um
Congresso fragmentado e de uma população cada vez mais desconfiada do sistema político.
z Nova ofensiva tarifária dos EUA redefine as bases do comércio internacional e acirra
tensões globais69
Essas ações geraram um forte impacto nas estruturas comerciais e industriais dos EUA e
do mundo. Multinacionais e pequenas empresas revisaram suas projeções de lucros, sinali-
zaram potenciais demissões e começaram a reposicionar suas cadeias de suprimentos. No
69 OLIVEIRA, M. Entenda a guerra comercial que afeta a economia mundial. CNN Brasil, 2025. Disponível em: https:
//[Link]/economia/macroeconomia/entenda-a-guerra-comercial-que-afeta-a-economia-mundial/.
Acesso em: 4 jun. 2025. 103
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
mercado interno, os consumidores norte-americanos enfrentaram aumentos significativos
de preços, especialmente em produtos eletrônicos, brinquedos, eletrodomésticos e roupas,
devido ao repasse dos custos de importação.
A resposta internacional foi de forte apreensão. A União Europeia cogitou contramedi-
das comerciais, enquanto México e Canadá optaram por renegociar termos para evitar uma
escalada prolongada. Organismos multilaterais como o FMI e a OMC alertaram para risco
de desaceleração do crescimento global, diante da erosão da confiança mútua entre grandes
economias e da possível fragmentação das cadeias de suprimentos internacionais.
A política tarifária de Donald Trump representa mais do que uma guinada econômica —
ela é a expressão de uma nova lógica de poder no sistema internacional.
Em vez da cooperação e interdependência que marcaram o pós-Guerra Fria, emerge uma
ordem baseada em competição entre blocos econômicos, regionalização de cadeias de valor
e disputas tecnológicas. Resta saber se os Estados Unidos conseguirão sustentar sua posição
global com uma estratégia de confronto tarifário e redução da integração econômica, ou se
a aposta protecionista resultará em perda de competitividade e influência no longo prazo.
104
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z Escalada tarifária entre EUA e China abala mercados globais e aprofunda tensões
sistêmicas70
-se de uma disputa hegemônica por liderança global em áreas estratégicas como inteligência
artificial, semicondutores, telecomunicações e energia verde.
70 ESCALADA de tarifas entre EUA e China afeta mercados globais. R7, 2025. Disponível em: https: //[Link]/
fala-brasil/escalada-de-tarifas-entre-eua-e-china-afeta-mercados-globais-11042025/. Acesso em: 4 jun. 2025. 105
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Essa guerra comercial, que começou sob a justificativa de correção de desequilíbrios na
balança comercial, tornou-se um instrumento geopolítico explícito de contenção da influên-
cia chinesa e de reconfiguração das relações econômicas internacionais.
Ao confrontar a China com medidas comerciais agressivas, os Estados Unidos buscam rea-
firmar sua primazia econômica global e preservar sua autonomia tecnológica e industrial,
especialmente diante do avanço chinês em setores-chave. Contudo, o custo dessa estratégia
é alto: erosão da confiança entre parceiros comerciais, perda de previsibilidade jurídica no
comércio internacional e debilitação das instituições multilaterais como a OMC.
Além disso, a fragmentação das cadeias produtivas globais e o reposicionamento de cen-
tros industriais para países alternativos, como Vietnã, Índia e México, indicam uma possível
regionalização da economia mundial, em substituição ao modelo de globalização integrada
dominante desde os anos 1990.
A guerra tarifária entre EUA e China representa um marco na transição da ordem econômi-
ca internacional para um sistema mais multipolar, competitivo e instável. As consequências
não se restringem às duas potências, mas repercutem globalmente, afetando investidores,
consumidores, trabalhadores e governos em todo o planeta.
A depender da continuidade dessas políticas, o mundo poderá entrar em uma nova era de
protecionismo, nacionalismo econômico e disputas tecnológicas — um cenário que coloca à
prova a capacidade de adaptação das instituições internacionais e a resiliência das econo-
mias emergentes, especialmente aquelas inseridas nas cadeias globais de valor.
z Isenção da Rússia em nova ofensiva tarifária dos EUA gera debate sobre cálculo
geopolítico71
A decisão dos Estados Unidos de isentar a Rússia da mais recente rodada de tarifas comer-
ciais — considerada uma das maiores intervenções protecionistas do século — gerou intenso
debate sobre as motivações estratégicas por trás da medida.
Enquanto países de menor expressão no comércio bilateral, como Síria e Venezuela, foram
incluídos na lista de alvos, a ausência de Moscou suscitou questionamentos sobre critérios e
prioridades do governo norte-americano.
A justificativa oficial da Casa Branca é que as sanções econômicas já vigentes contra a
Rússia teriam reduzido significativamente o fluxo comercial entre os dois países, tornando
supérflua a imposição de novas tarifas.
No entanto, analistas geopolíticos contestam essa explicação, apontando para o interesse
dos EUA em manter abertos canais diplomáticos com Moscou, sobretudo no contexto das
negociações internacionais em torno do conflito na Ucrânia.
71 CHADE, J. Putin sem taxa de Trump gera debate sobre comércio como moeda geopolítica. Uol, 2025. Dispo-
nível em: https: //[Link]/colunas/jamil-chade/2025/04/03/trump-putin-sem-taxa-gera-debate-de-uso-
106 -[Link]. Acesso em: 4 jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Evitar o agravamento das tensões com a Rússia pode ser interpretado como uma tentativa
dos EUA de impedir uma aproximação ainda mais profunda entre Moscou e Pequim, que,
diante da guerra comercial sino-americana, já vêm estreitando laços econômicos e militares.
Para Washington, manter a Rússia em uma posição de relativa ambiguidade estratégi-
ca pode ser mais vantajoso do que empurrá-la definitivamente para a esfera de influência
chinesa.
Essa lógica se alinha com uma visão geopolítica realista, na qual decisões econômicas são
instrumentalizadas em função de interesses diplomáticos e militares mais amplos. Ao poupar
a Rússia, o governo Biden (ou Trump, dependendo do contexto temporal da medida) sinaliza
que o comércio pode ser utilizado como ferramenta de barganha, mesmo entre adversários
estratégicos.
A exclusão da Rússia, entretanto, não passou despercebida no Congresso dos Estados Uni-
dos, onde legisladores de ambos os partidos expressaram preocupação com o aparente duplo
padrão da política tarifária. Críticos argumentam que, ao ser brando com a Rússia enquanto
impõe sanções severas a aliados e parceiros menores, os EUA correm o risco de enviar sinais
contraditórios à comunidade internacional.
Aliados europeus, especialmente Polônia, Alemanha e os países bálticos, também demons-
traram desconforto com a decisão. A União Europeia, que tem adotado uma postura dura
contra Moscou desde 2022, viu a isenção como uma possível brecha na frente ocidental de
contenção ao expansionismo russo.
72 TRUMP exclui celulares, computadores e outros eletrônicos de ‘tarifas recíprocas’. G1, 2025. Disponível em:
https: //[Link]/economia/noticia/2025/04/12/trump-isenta-celulares-e-computadores-de-tarifas-recipro-
[Link]. Acesso em: 4 jun. 2025. 107
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou recentemente a isenção de tari-
fas sobre smartphones, computadores e outros dispositivos eletrônicos, que anteriormente
estavam sujeitos a tarifas de até 145% sobre produtos chineses, além de uma tarifa global de
10% aplicada à maioria dos países.
A decisão, comunicada pela Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA, exclui
uma série de produtos — como laptops, semicondutores, células solares, cartões de memó-
ria e unidades de estado sólido (SSDs) — das taxas adicionais impostas pela administração
Trump.
A medida visa aliviar os efeitos negativos das tarifas sobre os consumidores americanos,
bem como beneficiar grandes empresas de tecnologia como Apple, Samsung e outras multi-
nacionais, que têm cadeias de suprimentos amplamente dependentes da Ásia, especialmente
da China.
O alívio proporcionado pela isenção das tarifas parece ser uma estratégia para mitigar os
impactos da guerra comercial em produtos eletrônicos de consumo de massa, os quais são
componentes centrais no cotidiano dos norte-americanos.
Para empresas como Apple e Samsung, que dependem da produção e importação de com-
ponentes tecnológicos da China, a isenção pode significar uma redução significativa nos cus-
tos operacionais, permitindo-lhes manter a competitividade no mercado interno e global.
Entretanto, a decisão não é isenta de complexidade geopolítica. O secretário de Comércio
dos EUA, Howard Lutnick, indicou que, embora a isenção de tarifas atenda a uma necessida-
de imediata, esses produtos podem ser sujeitos a tarifas separadas no futuro, como parte de
uma estratégia mais ampla de impulsionar a produção doméstica de componentes eletrôni-
cos críticos, como semicondutores e baterias, que atualmente são em grande parte importa-
dos de países asiáticos.
O movimento de Trump também pode ser entendido no contexto das tensões geopolí-
ticas entre EUA e China, em que a guerra comercial tem causado distúrbios significativos
nas cadeias de suprimentos globais. A isenção temporária de produtos estratégicos pode ser
interpretada como uma tentativa de desacelerar o impacto negativo das tarifas sobre setores
cruciais para a economia americana, ao mesmo tempo que preserva os objetivos protecionis-
tas de longo prazo.
Essa flexibilidade nas tarifas reflete uma aproximação pragmática, em que Washington
ajusta suas políticas conforme a situação econômica interna exige, sem abrir mão de sua
agenda de autossuficiência tecnológica.
O fortalecimento da produção interna de semicondutores, por exemplo, seria um passo
importante para diminuir a dependência dos EUA em relação à Ásia, especialmente em um
cenário de crescente rivalidade com a China no campo da tecnologia e inovação.
108
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Além dos efeitos no mercado interno dos EUA, a isenção das tarifas também tem reper-
cussões mais amplas nas cadeias de suprimentos globais. Para países como Taiwan, Japão e
Coreia do Sul, que fabricam componentes essenciais para dispositivos eletrônicos, a medida
pode representar um alívio temporário, embora as incertezas sobre futuras tarifas conti-
nuem a pairar sobre o setor.
Por outro lado, a China, como maior fornecedora de produtos eletrônicos, observa aten-
tamente essas mudanças, já que as tarifas em produtos específicos podem gerar distorções
nos preços globais e afetar a competitividade de seus produtos no mercado americano. Para
Pequim, a guerra comercial representa não apenas uma disputa econômica, mas uma bata-
lha pelo domínio de indústrias-chave do futuro, como inteligência artificial e 5G.
z Conflito entre Trump e Powell gera volatilidade nos mercados e perdas bilionárias73
A recente troca de acusações entre o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o
presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, resultou em uma onda de instabilidade
financeira global, provocando perdas superiores a US$ 1,4 trilhões em valor de mercado,
especialmente em empresas de tecnologia e do setor financeiro.
A tensão surgiu após Trump acusar Powell, por meio de suas redes sociais e declarações
públicas, de manter os juros altos deliberadamente para prejudicar sua campanha eleitoral
e beneficiar os adversários democratas.
As declarações de Trump geraram uma forte reação nos mercados financeiros, com bolsas
de valores norte-americanas enfrentando quedas acentuadas no dia seguinte.
Empresas de tecnologia, em particular, sofreram perdas significativas, refletindo a preo-
cupação dos investidores com a possível instabilidade política que poderia afetar a credibili-
dade do Fed e as expectativas sobre o comportamento das taxas de juros nos Estados Unidos.
Tecnologia e finanças, setores muito dependentes de um ambiente econômico estável, viram
suas avaliações despencarem.
O ataque de Trump também sugeriu que, caso retornasse à presidência, ele interviria
politicamente no Fed, defendendo mudanças na legislação monetária para facilitar a subs-
tituição de Powell. Economistas e analistas financeiros alertaram para o risco de uma inter-
ferência política na autonomia do banco central, uma medida que poderia comprometer a
credibilidade do sistema financeiro dos EUA e gerar instabilidade global.
A disputa pública entre Trump e Powell reflete um cenário geopolítico delicado, em que
ATUALIDADES
73 ATAQUE de Trump a Powell derruba bolsas e reforça ‘vender América’. O Globo, 2025. Disponível em: https: //
[Link]/economia/financas/noticia/2025/04/21/bolsas-de-ny-fecham-em-queda-apos-trump-voltar-a-
-[Link]. Acesso em: 4 jun. 2025. 109
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
A autonomia do Federal Reserve é considerada um pilar da credibilidade econômica glo-
bal, pois a instituição tem um papel central na estabilidade financeira mundial, dado o peso
do dólar como moeda de reserva internacional e sua influência em mercados emergentes.
A pressão política sobre o Fed, caso Trump volte ao cargo, pode causar uma repercussão
negativa nos mercados internacionais, levando a disputas comerciais e políticas com outras
potências econômicas.
China, União Europeia e outros blocos comerciais poderiam ver a desestabilização da polí-
tica monetária dos EUA como uma oportunidade para reforçar suas próprias estratégias eco-
nômicas, além de provocar desconfiança nas relações financeiras internacionais.
A independência do Fed sempre foi vista como um fator que assegura a confiança no sis-
tema financeiro global, e qualquer sinal de que Trump possa minar essa autonomia pode
agravar ainda mais as tensões comerciais e econômicas com outros países, particularmente
com a China, que já observa atentamente as políticas monetárias dos EUA devido à competi-
ção pelo domínio econômico.
Jerome Powell, por sua vez, manteve uma postura séria e institucional ao não responder
diretamente aos ataques de Trump, mas reforçou, em uma audiência no Senado, o compro-
misso do Fed com a estabilidade monetária e com o combate à inflação, destacando que a
instituição agirá com independência política.
O mercado, no entanto, continua a refletir a incerteza sobre o futuro da política monetária
dos EUA e os riscos geopolíticos associados à polarização interna.
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou sua ofensiva contra uni-
versidades de prestígio, como Harvard, Columbia e Princeton, com cortes significativos de
financiamento federal e ameaças de revogar o status de isenção fiscal dessas instituições.
O governo justifica essas ações como uma tentativa de combater o que considera uma
“ideologia woke” e o que percebe como uma tolerância excessiva ao antissemitismo nos cam-
pi universitários.
O Departamento de Educação dos EUA decidiu congelar mais de US$ 2,3 bilhões em subsí-
dios e contratos federais destinados à Universidade de Harvard, após a instituição se recusar
a adotar uma série de exigências impostas pelo governo.
Entre as demandas, estavam a eliminação de programas de diversidade, equidade e inclu-
são (DEI), a implementação de auditorias externas para garantir a “diversidade de pontos de
74 ROSA, L. Universidades sob pressão: Trump impõe novas barreiras a financiamento e políticas de inclusão. Rfi,
2025. Disponível em: https: //[Link]/br/am%C3%A9ricas/20250424-universidades-sob-press%C3%A3o-trum-
110 p-imp%C3%B5e-novas-barreiras-a-financiamento-e-pol%C3%ADticas-de-inclus%C3%A3o. Acesso em: 4 jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
vista” e uma maior cooperação com as autoridades de imigração para monitorar estudantes
internacionais.
Harvard reagiu com uma ação judicial, argumentando que as exigências infringem sua
autonomia institucional e os direitos garantidos pela Primeira Emenda da Constituição dos
EUA, que assegura a liberdade de expressão e acadêmica. Além disso, a universidade defen-
deu que as medidas propostas comprometem a independência das decisões acadêmicas e da
gestão institucional.
Essas medidas geraram fortes críticas de entidades acadêmicas e civis, que veem as ações
de Trump como uma ameaça à liberdade acadêmica e à autonomia das universidades.
Mais de 150 presidentes de universidades assinaram uma carta aberta condenando a
“interferência política sem precedentes” do governo federal nas universidades. Esse movi-
mento coloca em questão o papel do governo dos EUA na regulação das instituições educacio-
nais e levanta um debate sobre os limites da intervenção estatal na educação superior.
Do ponto de vista geopolítico, as ações de Trump podem ser vistas como uma tentativa de
ATUALIDADES
controle político sobre um dos principais centros de poder intelectual e cultural do mundo,
as universidades de elite dos EUA. Isso também pode afetar relações diplomáticas com países
estrangeiros, especialmente com aqueles cujos estudantes internacionais representam uma
fonte vital de receita para essas universidades.
A autonomia acadêmica é frequentemente vista como um símbolo da liberdade intelectual
de uma nação, e qualquer ameaça a essa liberdade pode gerar preocupações internacionais
sobre a direção do sistema educacional dos EUA. 111
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z Apagão de grandes proporções atinge Portugal e Espanha, gerando caos nos trans-
portes e serviços essenciais75
75 ESPANHA e Portugal enfrentam apagão de energia elétrica. G1, 2025. Disponível em: https: //[Link]/
112 mundo/noticia/2025/04/28/[Link]. Acesso em: 4 jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
A operadora de rede elétrica espanhola Red Eléctrica informou que está trabalhando
intensamente com outras empresas de energia para restaurar o fornecimento de energia de
forma gradual.
Até a manhã de terça-feira, 29 de abril, cerca de 87% do fornecimento elétrico havia sido
restabelecido na Espanha, e aproximadamente 6,2 milhões de clientes em Portugal esta-
vam novamente com energia, sinalizando uma recuperação gradual, mas ainda longe da
normalidade.
O presidente russo Vladimir Putin assinou um decreto que convoca 160 mil homens, com
idades entre 18 e 30 anos, para o serviço militar obrigatório, marcando a maior mobilização
desde 2011. A medida ocorre em meio ao conflito contínuo com a Ucrânia e ao aumento das
tensões geopolíticas com a OTAN, que recentemente incorporou Finlândia e Suécia.
O recrutamento, que ocorrerá entre 1º de abril e 15 de julho de 2025, tem como objetivo
expandir o efetivo militar russo para 2,4 milhões de soldados, sendo 1,5 milhão em serviço
ativo.
Apesar das declarações do Kremlin de que os novos recrutas não serão enviados direta-
mente ao front na Ucrânia, há relatos de conscritos participando de combates nas regiões de
fronteira. Essa mobilização, portanto, reforça o papel central da Rússia em um cenário de
intensificação de sua guerra híbrida na Ucrânia e do aumento das ameaças externas, espe-
cialmente com a crescente expansão da OTAN.
ATUALIDADES
A convocação também coincide com a elevação da idade máxima para o alistamento, que
passou de 27 para 30 anos, como parte de um esforço para suprir as necessidades do exército
russo, especialmente em resposta aos desafios militares impostos pela guerra na Ucrânia e a
diplomacia de contenção das potências ocidentais.
76 KIRBY, P. Putin dá início à maior convocação militar da Rússia em mais de uma década. BBC News Brasil, 2025.
Disponível em: https: //[Link]/portuguese/articles/c985y019200o. Acesso em: 4 jun. 2025. 113
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Pressões sobre recrutas e denúncias de direitos humanos
Embora o governo russo tenha afirmado que os novos recrutas não participarão direta-
mente dos combates, organizações de direitos humanos denunciam que muitos desses jovens
são pressionados a assinar contratos profissionais e atuar na linha de frente.
Há relatos de jovens russos sendo enviados à Ucrânia nos primeiros meses da guerra,
como parte de uma estratégia de mobilização forçada em regiões-chave do conflito.
Além disso, a mobilização crescente reflete um ambiente geopolítico instável, em que
a Rússia busca reforçar sua capacidade militar enquanto enfrenta uma pressão interna e
externa para encerrar o conflito.
As demandas por recrutas indicam uma estratégia de desgaste que visa prolongar a guer-
ra, com um impacto significativo sobre a sociedade russa.
O gesto de isentar a Rússia das tarifas gerou reações mistas no Congresso dos EUA, com
críticos acusando a Casa Branca de adotar uma postura ambígua frente à expansão militar
da Rússia.
Para muitos aliados europeus, a decisão de não aplicar novas tarifas à Rússia poderia sina-
lizar uma discrepância nas prioridades dos EUA no contexto de conflitos globais, particular-
mente em relação à estratégia em Ucrânia e Rússia.
A situação também levanta questões sobre a unidade da OTAN e a postura dos Estados Uni-
dos em relação ao seu compromisso com a defesa coletiva e ao balanceamento entre pressão
econômica e diplomacia.
z ONU registra a morte de 322 crianças em Gaza após retomada dos bombardeios de
Israel77
77 PELO menos 322 crianças teriam morrido em Gaza desde a quebra do cessar-fogo. Unicef Brasil, 2025. Disponí-
vel em: [Link]
114 za-desde-quebra-do-cessar-fogo. Acesso em: 4 jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
A Unicef informou que, desde a retomada dos bombardeios israelenses em Gaza, iniciada
em 18 de março de 2025, 322 crianças foram mortas e outras 609 ficaram feridas nos 10 dias
subsequentes aos ataques.
A agência das Nações Unidas alertou para uma média diária de vítimas infantis superior
a 100, incluindo mortos e feridos, muitas das quais são crianças deslocadas que vivem em
tendas improvisadas ou em casas danificadas.
Uso da fome como arma de guerra e violações dos direitos das crianças
servar a vida de crianças e civis, assim como para permitir o acesso à assistência humanitá-
ria essencial para a sobrevivência da população afetada.
115
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z Indignação internacional após ataque mortal de Israel a trabalhadores humanitá-
rios em Gaza78
78 ISRAEL admite ‘erro grave’ no ataque que matou sete trabalhadores humanitários em Gaza. O Globo, 2024. Dis-
ponível em: https: //[Link]/mundo/noticia/2024/04/03/apos-dura-reacao-internacional-israel-admite-
116 -[Link]. Acesos em: 4 jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Esse incidente coloca em evidência os riscos crescentes enfrentados por trabalhadores
humanitários em zonas de conflito armado, ressaltando a necessidade urgente de uma pro-
teção eficaz para aqueles que prestam assistência em áreas devastadas pela guerra.
O ataque não apenas violou o direito internacional, mas também prejudicou a capacidade
de muitas organizações humanitárias de continuar suas operações em Gaza, afetando direta-
mente a assistência a civis em uma das regiões mais afetadas pela violência.
Esse ataque sublinha a urgência de reforçar a proteção das missões humanitárias e dos
trabalhadores da saúde que atuam em regiões de conflito.
A comunidade internacional tem pressionado por mecanismos de proteção mais robustos,
a fim de evitar que tais incidentes se repitam e garantir que os trabalhadores humanitários
possam continuar suas operações sem o medo constante de se tornarem alvos de ataques.
Durante a recente reunião dos ministros das Relações Exteriores do BRICS — composta
por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul —, foi expressa uma preocupação crescente
com o aumento das práticas protecionistas no comércio internacional.
Embora o bloco não tenha mencionado diretamente o presidente dos EUA, Donald Trump,
as críticas coincidem com o anúncio de novas tarifas unilaterais implementadas recentemen-
te pelo governo norte-americano.
que se mostre capaz de enfrentar o crescente nacionalismo econômico. O impacto direto das
tensões comerciais entre os EUA e a China, incluindo suas tarifas recíprocas, tem afetado as
cadeias globais de suprimentos e alimentado as incertezas econômicas.
79 BRICS criticam o “ressurgimento do protecionismo comercial”. Dw, 2025. Disponível em: https: //[Link]/
pt-br/representantes-do-brics-criticam-o-ressurgimento-do-protecionismo-comercial/a-72381368. Acesso em: 4
jun. 2025. 117
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Análise: divergências internas ou tentativa de evitar confrontos diretos?
A ausência de uma declaração formal foi interpretada por analistas como um possível
reflexo de divergências internas dentro do bloco, ou como uma tentativa de evitar confrontos
diretos com os EUA, dado o contexto tenso das relações comerciais globais.
No entanto, o posicionamento verbal dos países do BRICS indica uma preocupação cres-
cente com o cenário de retração comercial e com a ascensão do nacionalismo econômico no
palco internacional.
Embora a Hungria tenha ratificado o Estatuto de Roma em 2001, que estabelece o TPI, o
governo húngaro argumenta que o tratado nunca foi efetivamente incorporado à legislação
nacional.
80 TASCH, B.; HOLLIGAN, A. Hungary withdraws from International Criminal Court during Netanyahu visit. BBC,
118 2025. Disponível em: https: //[Link]/news/articles/c807lm2003zo. Acesso em: 6 jun. 2025
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
De acordo com o governo, isso impede a execução de decisões do TPI dentro do país. Com
isso, a retirada formal será comunicada ao secretário-geral da ONU, com a decisão tornando-
-se efetiva um ano após o depósito do instrumento de retirada.
A visita de Netanyahu à Hungria marca sua primeira viagem a um país membro do TPI
desde a emissão do mandado.
Durante a visita, Netanyahu elogiou a decisão da Hungria, chamando-a de “corajosa e
baseada em princípios”, e criticou o TPI como uma “organização corrupta”. Sua posição refle-
te a crescente tensão entre Israel e o tribunal, que, por sua vez, tem sido alvo de críticas por
sua atuação em relação a líderes israelenses.
A decisão da Hungria de se retirar do TPI faz com que o país seja o primeiro da União
Europeia a tomar tal medida, o que gerou críticas por parte de organizações internacionais e
outros membros da União Europeia.
Para essas entidades, a saída de um membro da UE do TPI é vista como um retrocesso na
luta contra a impunidade por crimes internacionais graves, como crimes de guerra e crimes
contra a humanidade.
Análise internacional
Este episódio evidencia as tensões políticas no cenário internacional e pode agudizar ain-
da mais as relações entre os Estados Unidos, os países da União Europeia e Israel.
A retirada da Hungria do TPI representa um movimento significativo, não apenas pela
violação de princípios de justiça internacional, mas também pela potencial mudança de dinâ-
mica na política externa da União Europeia.
Por outro lado, a decisão reforça o apelo crescente de algumas nações por uma reforma
do sistema internacional de justiça, especialmente no que diz respeito à imparcialidade do
Tribunal Penal Internacional.
Esse movimento pode ainda gerar reações dentro da própria Hungria e de outros mem-
bros do bloco europeu, que seguem defendendo a integridade e a eficácia do TPI como um
pilar do direito internacional.
z EUA e Ucrânia firmam acordo histórico sobre terras raras e minerais estratégicos81
O acordo, que resulta de meses de negociações, garante aos EUA acesso preferencial a
novas licenças de exploração desses recursos naturais na Ucrânia, enquanto Kiev mantém a
propriedade total sobre seus recursos e infraestrutura.
81 ACORDO de minerais: EUA e Ucrânia assinam documentos. CNN Brasil, 2025. Disponível em: https: //www.
[Link]/internacional/acordo-de-minerais-eua-e-ucrania-assinam-documentos-diz-fonte/. Acesso em: 6
jun. 2025. 119
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Estrutura do acordo
O fundo será gerido de forma igualitária pelos dois países, com os lucros de novos projetos
sendo reinvestidos na reconstrução da Ucrânia pelos próximos 10 anos. Essa estrutura visa
não apenas garantir o financiamento da recuperação do país após os danos causados pelo
conflito, mas também fortalecer os laços econômicos entre os Estados Unidos e a Ucrânia.
É importante destacar que o acordo não impõe obrigações de dívida para a Ucrânia e está
alinhado com seus esforços de adesão à União Europeia, o que pode ser visto como um passo
significativo para a integração do país ao bloco europeu, especialmente em termos de recu-
peração econômica.
Contudo, não há garantias explícitas de segurança por parte dos EUA, um ponto de discus-
são relevante em meio ao contexto de conflitos contínuos no território ucraniano.
Impactos estratégicos
Desafios de implementação
Analistas observam que o acordo pode reforçar a posição geopolítica dos EUA na Europa
Oriental, ao mesmo tempo em que garante à Ucrânia recursos essenciais para a recuperação
econômica e sua integração ao mercado global de minerais estratégicos.
A ausência de garantias de segurança explícitas, no entanto, levanta questionamentos
sobre o papel dos EUA em termos de apoio militar à Ucrânia, especialmente considerando o
enfrentamento contínuo com a Rússia.
Além disso, o acordo pode gerar implicações para as dinâmicas do mercado global de
minerais, com maior controle ocidental sobre recursos essenciais, o que pode afetar os preços
e a disponibilidade desses materiais. Este movimento pode ter um impacto significativo na
supply chain global, especialmente em setores como tecnologia, energia renovável e defesa.
120
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z EUA e China disputam supremacia global na produção de microchips82
Os EUA têm adotado uma série de sanções econômicas para restringir o acesso da China a
chips avançados e equipamentos de fabricação de última geração.
Entre as principais ações, destaca-se o “CHIPS and Science Act”, uma legislação assina-
da pelo presidente Biden, que liberou mais de US$ 52 bilhões para incentivar a produção
doméstica de semicondutores. O objetivo é reduzir a dependência dos EUA de fornecedores
estrangeiros e garantir que o país continue líder no desenvolvimento e fabricação de chips
de ponta.
Essas sanções e incentivos foram projetados para enfraquecer a indústria tecnológica chi-
nesa, dificultando a capacidade do país de fabricar microchips avançados, que são essenciais
para a indústria de defesa, inteligência artificial e tecnologia de consumo.
Respostas da China
A TSMC é uma das principais fornecedoras de chips avançados do mundo e, como tal, está
no centro da disputa entre os EUA e a China. A pressão para Taiwan escolher entre os dois
82 TEWARI, S. A “guerra” entre EUA e China pela supremacia em microchips. Terra, 2025. Disponível em: https: //
[Link]/economia/a-guerra-entre-eua-e-china-pela-supremacia-em-microchips,6861ed86348373043c-
[Link]. Acesso em: 6 jun. 2025. 121
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
blocos se intensifica, dado o apoio estratégico dos EUA a Taiwan e as tensões crescentes com
a China sobre o status da ilha.
A Coreia do Sul, que abriga empresas como Samsung e SK Hynix, também está em uma
posição delicada. Ambas as empresas são fundamentais para a produção global de chips, e o
país precisa equilibrar seus laços com Washington e Pequim, dada a sua importância estra-
tégica para ambos os lados.
Impactos globais
A disputa também pode ter consequências significativas para o comércio global, já que os
microchips são um componente central em uma vasta gama de produtos, desde automóveis
e eletrônicos de consumo até armamentos e tecnologia de ponta.
O impacto de uma falta de chips poderia afetar indústrias globais, além de ter efeitos eco-
nômicos profundos, especialmente em países dependentes de tecnologia de semicondutores.
À medida que essa disputa se intensifica, países e empresas ao redor do mundo serão
forçados a tomar decisões estratégicas sobre onde investir, com quem fazer negócios e como
equilibrar suas relações com as grandes potências.
83 VIETNÃ celebra 50 anos de vitória na guerra com desfile. Folha de S. Paulo, 2025. Disponível em: https: //www1.
[Link]/mundo/2025/04/[Link]. Acesso em: 6
122 jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
To Lam reafirmou o compromisso do Partido Comunista do Vietnã com a soberania nacio-
nal, a unidade e o desenvolvimento econômico, defendendo que o país deve continuar a tri-
lhar o caminho de autossuficiência e resistência frente às pressões externas.
Embora as relações entre Vietnã e Estados Unidos tenham se normalizado ao longo das
últimas décadas, o governo vietnamita usou o aniversário para reforçar a luta histórica con-
tra o colonialismo e as intervenções estrangeiras, lembrando os desafios enfrentados pelo
país durante a guerra e sua luta pela independência.
Líderes de partidos comunistas aliados, incluindo o Partido Comunista Chinês, enviaram
mensagens de apoio ao Vietnã, destacando a importância da amizade sino-vietnamita. A Chi-
na, em particular, reconheceu a relevância histórica da luta do Vietnã e do legado da guerra,
considerando-a um exemplo de resistência ao imperialismo.
z Morre Papa Francisco, o “Papa dos Pobres”, e começa a disputa por sua sucessão84
ATUALIDADES
O Papa Francisco faleceu aos 88 anos no Vaticano, após mais de 12 anos de pontificado
que marcaram uma nova era para a Igreja Católica. Seu falecimento encerra um período
84 ALCADI, S. O legado de Francisco, o “papa do povo”. National geographic Portugal, 2025. Disponível em: https:
//[Link]/historia/francisco-o-papa-do-povo-morre-aos-88-anos-legado-mudanca-igreja-catoli-
ca-criticas_5989. Acesso em: 6 jun. 2025. 123
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
caracterizado por posicionamentos progressistas e uma defesa constante dos mais vulnerá-
veis, razão pela qual ficou conhecido como o “Papa dos Pobres”.
Ele foi eleito Papa em 2013 e desde então buscou aproximar a Igreja dos temas contempo-
râneos, abordando questões como desigualdade social, migração, meio ambiente e inclusão
social. Sua gestão no Vaticano foi marcada por diversas reformas, com ênfase em transparên-
cia financeira e uma abertura maior ao diálogo, especialmente com grupos marginalizados,
como a comunidade LGBTQIA+.
O pontificado de Francisco também foi notável por sua crítica ao capitalismo selvagem e
por sua atuação em defesa do meio ambiente, sendo o primeiro papa a publicar uma encícli-
ca ambiental, a “Laudato Si’”, que chamou a atenção para os efeitos das mudanças climáticas
e a necessidade urgente de um compromisso global para a preservação da Terra.
85 AMAZON lança 27 satélites e entra na disputa com Starlink por internet espacial. O Tempo, 2025. Disponível em:
https: //[Link]/tecnologia-e-games/2025/4/29/amazon-lanca-27-satelites-e-entra-na-disputa-com-
124 -starlink-por-internet-espacial. Acesso em: 6 jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
A Amazon deu um passo significativo no mercado de conectividade global com o lança-
mento de 27 satélites como parte do Projeto Kuiper, uma iniciativa voltada para fornecer
internet de alta velocidade em regiões remotas e pouco atendidas do planeta. Este movimen-
to coloca a gigante de Jeff Bezos em competição direta com o Starlink, o sistema de satélites
de internet da SpaceX de Elon Musk.
O lançamento dos 27 satélites representa a primeira fase do Projeto Kuiper, que, nos pró-
ximos anos, prevê a operação de mais de 3.200 satélites. Esses satélites foram colocados em
órbita a partir de uma base nos Estados Unidos e têm como objetivo inicial expandir a cober-
tura de internet de alta velocidade para áreas isoladas e regiões com pouco acesso à conecti-
vidade, como partes da América Latina, África e áreas rurais dos EUA.
O projeto está sendo considerado um marco importante para a Amazon, que já investiu
mais de US$ 10 bilhões até o momento, visando ampliar a inclusão digital global. A empresa
anunciou que os primeiros testes com clientes devem começar ainda em 2025.
O Projeto Kuiper tem como objetivo reduzir o chamado “deserto digital”, termo utilizado
para se referir às regiões que, devido à sua localização geográfica, têm dificuldades em aces-
sar internet de qualidade.
Além disso, a Amazon firmou parcerias com governos e empresas de tecnologia para
garantir que a infraestrutura necessária seja viabilizada e distribuída em larga escala, possi-
bilitando a oferta de internet acessível para milhões de pessoas ao redor do mundo.
z Suprema Corte do Reino Unido decide que definição legal de mulher é baseada no
sexo biológico86
A Suprema Corte do Reino Unido proferiu uma decisão que estabelece que, para efeitos
legais em certos contextos, o termo “mulher” deve ser interpretado com base no sexo bioló-
gico, e não na identidade de gênero.
A decisão foi tomada após um recurso envolvendo o projeto de lei Scottish Parliament Gen-
der Recognition Reform Bill, que já havia sido bloqueado pelo governo britânico.
Detalhes da decisão
O tribunal afirmou que, embora as pessoas trans tenham o direito de mudar legalmente
seu gênero por meio de um certificado de reconhecimento de gênero, em legislações especí-
ficas — como aquelas que tratam de cotas, segurança em prisões femininas e esportes — o
sexo biológico pode ser considerado um critério legítimo para definir o acesso a direitos ou
espaços exclusivos para mulheres.
A decisão destaca que, em contextos em que o sexo biológico é legalmente relevante,
ele pode prevalecer como critério para determinar a elegibilidade para certos direitos ou
serviços.
Isso tem implicações significativas para áreas como políticas de igualdade, acesso a espa-
ços protegidos e esportes femininos, nos quais a definição de “mulher” pode afetar direta-
mente a participação de mulheres trans.
z Reações à decisão
A decisão gerou forte repercussão no Reino Unido. Grupos feministas celebraram a medi-
da, vendo-a como uma proteção necessária para os direitos das mulheres cisgênero, espe-
cialmente no que se refere a espaços exclusivos para mulheres e políticas de igualdade de
gênero.
Para esses grupos, a definição biológica de mulher serve como uma salvaguarda contra o
que consideram uma possível diluição das proteções específicas destinadas às mulheres.
Por outro lado, organizações LGBTQIA+ expressaram sua oposição à decisão, conside-
rando-a um retrocesso. Para essas entidades, a medida representa uma discriminação ins-
titucionalizada contra as pessoas trans e reflete um tratamento desigual em relação a uma
comunidade já vulnerável. Elas argumentam que a identidade de gênero deve ser respeitada
e reconhecida legalmente em todas as esferas.
Além disso, o governo escocês também se opôs à decisão, afirmando que a sentença com-
promete a autonomia legislativa da Escócia. A Escócia havia aprovado anteriormente um
86 WELLE, D. Definição legal de ‘mulher’ se baseia em sexo biológico, decide Supremo britânico. G1, 2025. Dispo-
nível em: https: //[Link]/saude/sexualidade/noticia/2025/04/16/definicao-legal-de-mulher-se-baseia-em-
126 -[Link]. Acesso em: 6 jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
projeto de lei que permitiria um reconhecimento mais fácil da identidade de gênero, mas a
nova decisão judicial coloca limites sobre o escopo dessa legislação.
87 PACIENTE com chip cerebral da Neuralink consegue digitar por pensamento usando IA de Musk. Isto é Dinheiro,
2025. Disponível em: https:// [Link]/paciente-com-chip-cerebral-da-neuralink-consegue-digitar-por-
-pensamento-usando-ia-de-musk. Acesso em: 6 jun. 2025. 127
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
uso de assistentes de voz, o que melhoraria a autonomia e a qualidade de vida dos
pacientes.
O caso também levantou importantes questões sobre ética, privacidade neural e os limites
da integração homem-máquina. A capacidade de ler e interpretar os sinais elétricos do cére-
bro pode ser vista como um avanço médico significativo, mas também provoca debates sobre
os direitos de privacidade das pessoas em relação aos seus próprios pensamentos.
Além disso, a ideia de uma interação mais direta entre o ser humano e as máquinas levan-
ta questões sobre o controle de dados neurais e os possíveis impactos sociais e psicológicos
dessa tecnologia.
Este é um exemplo impressionante do impacto que a tecnologia de interface cérebro-com-
putador pode ter na vida das pessoas, especialmente para aqueles com doenças debilitantes
como a ELA.
À medida que os testes avançam, será interessante acompanhar como esses avanços cien-
tíficos podem transformar a medicina e a vida cotidiana de milhões de pessoas com deficiên-
cias físicas graves.
O escritor peruano Mario Vargas Llosa faleceu no dia 13 de abril de 2025, aos 89 anos, em
sua residência em Lima, cercado por sua família. Conforme seu desejo, não houve cerimô-
nias públicas, e seus restos foram cremados em uma cerimônia privada, respeitando a sua
vontade de manter a intimidade neste momento.
Vargas Llosa foi uma das principais figuras do movimento literário conhecido como
“boom” latino-americano, que, nos anos 1960 e 1970, projetou internacionalmente nomes
como Gabriel García Márquez, Julio Cortázar e Carlos Fuentes.
Sua obra, amplamente reconhecida, é marcada por críticas ao autoritarismo, à corrupção
e pela exploração de questões sociais e políticas da América Latina. Dentre seus principais
romances, destaca-se “A Cidade e os Cachorros”, “Conversa na Catedral”, “A Guerra do Fim do
Mundo” e “A Festa do Bode”.
Além de sua carreira literária, Vargas Llosa teve uma trajetória política significativa.
Embora inicialmente alinhado ao marxismo, o autor se tornou um fervoroso defensor da
democracia liberal.
88 MORRE Mario Vargas Llosa, vencedor do Nobel de Literatura e ícone da literatura latino-americana. Memorial,
2025. Disponível em: https: //[Link]/morre-mario-vargas-llosa-vencedor-do-nobel-de-literatura-e-icone-da-
128 -literatura-latino-americana/. Acesso em: 9 jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Em 1990, ele se candidatou à presidência do Peru, mas foi derrotado por Alberto Fujimo-
ri. Ao longo dos anos, suas posições políticas evoluíram, refletindo seu compromisso com a
liberdade individual e a democracia.
Sua contribuição para a literatura foi reconhecida mundialmente quando, em 2010, ele foi
laureado com o Prêmio Nobel de Literatura, sendo destacado por sua “cartografia das estru-
turas de poder” e pela forma como retratava a resistência, rebelião e a derrota do indivíduo
nas suas narrativas.
Nos últimos anos, Vargas Llosa enfrentou complicações de saúde, incluindo uma pneu-
monia decorrente de pós-covid-19, que comprometeu suas defesas, tornando-o vulnerável a
infecções.
Após o seu falecimento, homenagens a ele foram prestadas por governos e instituições
culturais ao redor do mundo. O governo peruano decretou luto nacional no dia 14 de abril,
enquanto na Espanha, país no qual o autor possuía cidadania, a Comunidade de Madrid con-
cedeu-lhe postumamente a Medalha Internacional das Artes.
Legado literário
A morte de Mario Vargas Llosa marca o fim de uma era na literatura latino-americana,
mas sua obra continuará sendo um testemunho poderoso das complexidades sociais, políti-
cas e culturais da América Latina. Seu legado permanece vivo por meio de suas narrativas
intensas, que não apenas enriqueceram a literatura mundial, mas também desafiaram as
estruturas de poder em sua busca por liberdade e justiça.
z Retrato de menino palestino mutilado em Gaza vence prêmio da World Press Photo89
O retrato de Mahmoud Ajjour, um menino palestino de nove anos que perdeu ambos os
braços em um ataque israelense na Faixa de Gaza, foi reconhecido como a Fotografia do Ano
no concurso World Press Photo de 2025. A imagem, capturada pela fotógrafa palestina Samar
Abu Elouf, foi publicada no jornal The New York Times e ganhou destaque mundial.
Mahmoud foi ferido em março de 2024, enquanto tentava fugir com sua família de um
bombardeio em Gaza. No momento do ataque, ele se virou para incentivar os outros a seguir
em frente, quando uma explosão atingiu o menino, cortando-lhe um dos braços e mutilando
o outro. Após o incidente, Mahmoud foi evacuado para Doha, no Catar, onde recebeu trata-
ATUALIDADES
89 SALBERT, S. Retrato de menino palestino amputado vence principal prêmio da World Press Photo 2025. Veja,
2025. Leia mais em: https: //[Link]/4skx99sj. Disponível em: 9 jun. 2025. 129
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
documentado a vida dos palestinos gravemente feridos que conseguiram escapar da região
para receber atendimento médico.
A imagem vencedora foi escolhida entre mais de 59 mil inscrições de fotógrafos de 141 paí-
ses. Joumana El Zein Khoury, diretora executiva da World Press Photo, descreveu a fotografia
como “uma foto silenciosa que fala alto”, destacando que a imagem narra não só a história de
um menino, mas também de uma guerra mais ampla que afetará gerações.
A fotografia vencedora será parte da exposição itinerante da World Press Photo, que pas-
sará por mais de 60 cidades em todo o mundo, levando a história de Mahmoud e a realidade
da guerra para um público global.
Essa imagem não apenas ilustra a tragédia pessoal de um menino, mas também serve
como um testemunho visual dos horrores vividos por muitos em Gaza e em outras regiões
afetadas por conflitos. Ela desperta uma reflexão sobre os impactos humanos das guerras,
suas consequências e o que permanece após as explosões e o caos.
Brasil
Uma ação conjunta da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) des-
vendou um esquema de fraudes que pode ter desviado até R$ 8 bilhões dos cofres da Previ-
dência Social brasileira. As irregularidades atingiram milhões de aposentados e pensionistas,
que foram vítimas de cobranças indevidas por serviços nunca contratados.
O golpe consistia na inclusão automática de descontos nos benefícios previdenciários para
o pagamento de seguros, clubes de vantagens e associações fictícias, frequentemente sem o
consentimento dos segurados. Essas cobranças eram viabilizadas por convênios entre o INSS
e entidades privadas, firmados sem a devida transparência e fiscalização, o que fragilizou a
proteção dos direitos dos beneficiários.
Diante da gravidade do caso, o governo federal suspendeu novos convênios e determinou
a revisão completa dos contratos vigentes. A Polícia Federal já indiciou servidores públicos
90 FERNANDES, L. Fraudes no INSS: entenda o escândalo que pode levar à abertura de uma CPI no Congresso
Nacional. Brasil de Fato, 2025. Disponível em: https: //[Link]/2025/04/30/fraudes-no-inss-en-
130 tenda-o-escandalo-que-pode-levar-a-abertura-de-uma-cpi-no-congresso-nacional/. Acesso em: 9 jun. 2025
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
e representantes das entidades envolvidas. O episódio também gerou uma forte reação do
Congresso Nacional e de órgãos de defesa do consumidor, que exigem punição exemplar e
ressarcimento às vítimas.
Em resposta, o Ministério da Previdência Social anunciou a criação de um canal direto
para denúncias e o início de uma auditoria interna para responsabilizar os envolvidos.
z Crise política no governo Lula: ministro das Comunicações deixa o cargo após denún-
cia de corrupção91
No dia 8 de abril de 2025, o então ministro das Comunicações, Juscelino Filho (União Bra-
sil-MA), renunciou ao cargo após ter seu nome formalmente denunciado pela Procurado-
ria-Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF), sob suspeita de corrupção
passiva e outros crimes relacionados ao período em que atuava como deputado federal.
A acusação da PGR é baseada em investigações da Polícia Federal, que identificaram o
envolvimento de Juscelino em um esquema de desvio de recursos públicos por meio de
emendas parlamentares destinadas a obras em Vitorino Freire (MA) — cidade governada por
sua irmã, Luanna Rezende, prefeita local. O esquema teria movimentado recursos de forma
ilícita com favorecimento político e pessoal.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou o ministro a se afastar do cargo a fim de
que pudesse apresentar sua defesa fora do governo, buscando preservar a imagem da gestão.
Em carta aberta, Juscelino declarou que sua saída representa um gesto de respeito ao gover-
ATUALIDADES
91 A DENÚNCIA de corrupção que derrubou ministro das Comunicações de Lula. BBC News Brasil, 2025. Disponí-
vel em: https: //[Link]/portuguese/articles/ckg1zrzgmexo. Acesso em: 9 jun. 2025. 131
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
das Comunicações deve continuar sob o comando do União Brasil, com o nome do deputado
Pedro Lucas Fernandes (MA) sendo cogitado para assumir a titularidade da pasta.
92 ALEXANDRE determina prisão de Collor por caso da ‘lava jato’. Consultor jurídico, 2025. Disponível em: https:
//[Link]/2025-abr-25/alexandre-determina-prisao-de-collor-por-caso-da-lava-jato/ Acesso em: 9 jun.
132 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Esse episódio representa a primeira prisão definitiva de um ex-presidente brasileiro por
crimes ligados à Operação Lava Jato, consolidando um marco na história recente do país.
A trajetória de Collor é marcada por altos e baixos: após renunciar à presidência em 1992
em meio a um processo de impeachment, conseguiu reeleger-se senador por dois mandatos,
até enfrentar nova queda, agora pela via judicial.
cipal motor na geração de empregos, seguido pela construção civil e pelo comércio.
Contudo, a informalidade segue elevada, atingindo aproximadamente 39% dos trabalha-
dores. Esse índice inclui pessoas sem carteira assinada, autônomos não registrados e outros
93 MOURA, B. F. Desemprego de 7% no 1º tri é o menor já registrado para o período. Agência Brasil, 2025. Disponí-
vel em: https: //[Link]/economia/noticia/2025-04/desemprego-de-7-no-1o-trimestre-e-o-menor-
-ja-registrado-desde-2012. Acesso em: 9 jun. 2025 133
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
vínculos precários. A alta informalidade compromete a proteção social, a arrecadação previ-
denciária e a qualidade dos empregos no país, revelando uma distorção estrutural no mer-
cado de trabalho brasileiro.
O governo federal comemorou a queda na taxa de desemprego, comprometendo-se a
incentivar o emprego formal, com apoio a micro e pequenas empresas e investimentos em
qualificação profissional. No entanto, economistas alertam que a sustentabilidade dessa
melhora depende de variáveis macroeconômicas, como a redução da taxa de juros, o contro-
le da inflação e o aumento da confiança empresarial.
A queda na taxa de desemprego em 2025 deve ser interpretada com cautela dentro de um
contexto geopolítico mais amplo, marcado por transformações tecnológicas, reconfiguração
do trabalho global e disputas econômicas regionais.
O Brasil, como potência de médio porte, enfrenta o desafio de conciliar crescimento eco-
nômico com inclusão produtiva, especialmente num cenário de alta volatilidade global e
pressões por transição ecológica e digital.
A elevada informalidade revela a fragilidade estrutural do mercado de trabalho brasileiro,
ainda fortemente marcado por desigualdades regionais, baixa escolarização e carência de
políticas industriais robustas. Tal cenário remete a análises clássicas da economia brasileira,
como as de Celso Furtado, que alertava para os limites de um crescimento desassociado da
inclusão social e produtiva.
Na arena internacional, a recuperação do emprego é observada com atenção por organis-
mos como OCDE, FMI e Banco Mundial, que frequentemente monitoram indicadores sociais
como pré-requisitos para melhoria da governança econômica e acesso a financiamentos
internacionais.
Além disso, uma força de trabalho mais formalizada contribui para aumentar a produtivi-
dade, atrair investimentos estrangeiros diretos e reforçar a segurança jurídica nas relações
de trabalho.
O Brasil se encontra em um momento crucial para consolidar um modelo de desenvol-
vimento sustentável e socialmente justo, em que o trabalho digno e a inclusão produtiva
deixem de ser metas abstratas e passem a compor o centro das políticas públicas de médio e
longo prazo.
z Projeto de anistia aos atos de 8 de janeiro intensifica embate institucional entre Con-
gresso e STF94
A apresentação de um projeto de lei que propõe a anistia parcial aos envolvidos nos atos
antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília, gerou forte repercussão e tensão entre
o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF). A medida reacende o debate sobre
os limites da liberdade de manifestação e os instrumentos de proteção ao Estado democrático
de direito.
94 GUEDES, O. Congresso e STF analisam alternativa à proposta de anistia que reduz pena de réus de menor impor-
134 tância do 8/1. G1, 2025. Disponível em: https: //[Link]/37y43n2j. Acesso em: 9 jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
O texto, defendido por parlamentares da ala conservadora e por aliados do ex-presidente
Jair Bolsonaro, prevê penas mais leves para manifestantes considerados de “baixa periculo-
sidade”, ao mesmo tempo em que mantém punições rigorosas para organizadores, líderes e
financiadores dos ataques às sedes dos Três Poderes. O argumento central da proposta é que
parte dos participantes foi induzida ao erro, sem plena consciência do teor golpista das ações.
A reação no STF foi imediata. Ministros da Corte, como Alexandre de Moraes, condenaram
duramente a iniciativa, classificando-a como uma ameaça à democracia e um incentivo à
impunidade. O magistrado ressaltou que não se pode tolerar retrocessos na responsabiliza-
ção de crimes que atacam a ordem constitucional.
Setores do governo federal e da base parlamentar aliada também se manifestaram contra
o projeto, alertando que a anistia poderia abrir margem para novos episódios de violência
política e desestabilização institucional. Para eles, conceder perdão jurídico a envolvidos nos
atos de 8 de janeiro significaria normalizar a ruptura democrática.
Além da divisão entre os Poderes, o projeto tem mobilizado juristas, organizações da socie-
dade civil e entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que veem na proposta
um risco ao fortalecimento das instituições democráticas. A medida ainda não tem data defi-
nida para votação no plenário da Câmara dos Deputados, mas o debate público em torno de
sua legitimidade já está em curso.
A discussão sobre a anistia aos participantes dos atos golpistas de 2023 deve ser compreen-
dida dentro de um contexto mais amplo de erosão democrática observada em diversas partes
do mundo. Casos semelhantes ocorreram em países como Estados Unidos, Hungria, Polônia
e Filipinas, onde movimentos autoritários, populistas e negacionistas têm tensionado as ins-
tituições e buscado redefinir os marcos do regime democrático.
No caso brasileiro, a tentativa de anistiar os envolvidos nos atos de 8 de janeiro representa
não apenas um debate jurídico, mas também uma disputa simbólica sobre os rumos do país.
Ao propor um perdão legal a quem participou de um ataque direto à ordem democrática, o
Congresso desafia os limites da independência entre os Poderes e sinaliza para uma reinter-
pretação perigosa da impunidade política.
Autores como Norberto Bobbio já alertavam que a democracia depende não apenas do
voto, mas da vigência de normas que preservem a legalidade e a pluralidade institucional.
Nesse sentido, a impunidade de atos que ferem o pacto democrático pode gerar um ciclo de
instabilidade, tornando o ambiente político mais propenso a radicalizações e rupturas.
Além disso, do ponto de vista da geopolítica regional, o Brasil, como principal liderança
sul-americana, tem sua imagem internacional profundamente afetada por episódios de vio-
lência institucional.
ATUALIDADES
95 O QUE uma câmera automática mostrou de um povo indígena isolado no Brasil. G1, 2025. Disponível em: https:
//[Link]/mr2zy34d. Acesso em: 9 jun. 2025.
96 VILELA, P. R. Comissão internacional vai participar de negociações da COP30. Agência Brasil, 2025. Disponível
136 em: https: //[Link]/yfss44n2. Acesso em: 9 jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
as mais afetadas pelas mudanças climáticas, sejam ouvidas com mais força nas discussões
internacionais sobre o meio ambiente e a sustentabilidade.
Construção geopolítica
A COP30 em Belém representa uma oportunidade única para ampliar a participação indí-
gena nas negociações climáticas, considerando o papel central dos povos indígenas na pre-
servação ambiental, especialmente na Amazônia, uma região fundamental para o equilíbrio
climático global.
A Amazônia brasileira é não só um dos maiores reservatórios de biodiversidade do pla-
neta, mas também uma das maiores fontes de carbono do mundo, com os povos indígenas
sendo seus maiores guardiões. O reconhecimento de seu papel como sócios indispensáveis
na mitigação das mudanças climáticas vem ganhando relevância na geopolítica ambiental
internacional.
A criação da Comissão Internacional Indígena fortalece a luta indígena por territórios e
direitos na luta contra o desmatamento e as políticas ambientais que afetam diretamente
suas terras. Esse movimento reflete uma tendência crescente de empoderamento indígena
no cenário global, com lideranças como Sônia Guajajara sendo reconhecidas como referên-
cias nas discussões sobre mudanças climáticas e sustentabilidade.
Além disso, a inclusão do Círculo dos Povos representa uma descentralização do poder nas
conferências internacionais, promovendo maior representatividade e fortalecendo a demo-
cracia ambiental. Isso reflete uma mudança de paradigma no campo da diplomacia climá-
tica, em que os povos originários são cada vez mais reconhecidos como agentes-chave na
proteção ambiental e na promoção de soluções sustentáveis.
Dessa forma, a COP30 em Belém não é apenas um evento sobre mudanças climáticas, mas
também um palco de suma importância para que as questões territoriais e a autonomia indí-
gena sejam discutidas com destaque global, configurando um novo momento na geopolítica
ambiental internacional.
descarte.
Uma das grandes inovações dessa nova tecnologia é a capacidade de armazenamento de
energia. Enquanto as baterias de íon-lítio, comumente usadas em dispositivos eletrônicos e
97 BRASIL. Ministério da Educação. UFF cria bateria que pode transformar mercado de energia. [Brasília]: Ministé-
rio da Educação, 23 abr. 2025. Disponível em: https: //[Link]/mec/pt-br/assuntos/noticias/2025/abril/uff-cria-
-bateria-que-pode-transformar-mercado-de-energia. Acesso em: 9 jun. 2025. 137
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
veículos elétricos, têm uma capacidade de cerca de 140 miliampere-hora por grama (mAh-
/g), a bateria de polímeros com teflon da UFF ultrapassa 1000 mAh/g, marcando um avanço
expressivo em termos de eficiência e desempenho.
Essa maior capacidade de armazenamento permite que os dispositivos alimentados por
essas baterias funcionem por mais tempo, exigindo menos recargas e promovendo uma
maior autonomia.
Além do baixo custo de produção, que pode viabilizar uma adoção mais ampla dessa tec-
nologia, a bateria de polímeros com teflon apresenta uma vantagem ambiental considerável
em comparação com as baterias de íon-lítio.
O processo de fabricação da bateria de polímeros utiliza materiais menos poluentes e, por-
tanto, pode resultar em menor impacto ambiental, especialmente no que se refere à extração
de matérias-primas raras e ao descarte inadequado de baterias tradicionais.
Esse projeto da UFF não apenas representa uma inovação tecnológica, mas também uma
resposta aos desafios globais de sustentabilidade e tecnologia limpa, alinhando-se com as
metas ambientais de reduzir a pegada ecológica da indústria de baterias e promover solu-
ções mais acessíveis para a energia renovável.
Geopolítica tecnológica
98 LABOISSIÈRE, P. Anvisa aprova medicamento para retardar avanço do Alzheimer. Agência Brasil, 2025. Disponí-
138 vel em: https: //[Link]/4fdx2rm2. Acesso em: 9 jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
neuronal. O donanemabe, ao se ligar a essas placas, visa reduzir sua formação e, assim, atra-
sar a progressão da doença.
A eficácia do Kisunla tem sido destacada em estudos clínicos, que mostraram que o medi-
camento pode diminuir a carga de placas amiloides no cérebro e melhorar algumas funções
cognitivas em pacientes com os primeiros estágios do Alzheimer.
Isso representa uma esperança significativa para os pacientes, pois, embora não seja uma
cura, o medicamento oferece a possibilidade de retardar o avanço da doença e melhorar a
qualidade de vida dos indivíduos afetados.
Essa aprovação da Anvisa também reflete os avanços da ciência no tratamento de doenças
neurológicas complexas, como o Alzheimer, e reforça a importância da pesquisa e inovação
no setor da saúde pública.
z Avanço na criação de vacina contra Gripe Aviária: esperança para evitar pandemia
global99
99 ENTENDA como a nova vacina contra gripe pode prevenir uma pandemia. Laboratório Garavelo, 2025. Dispo-
nível em: https: //[Link]/noticias/157-entenda-como-a-nova-vacina-contra-gripe-pode-
-prevenir-uma-pandemia. Acesso em: 9 jun. 2025. 139
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
ocorreu com outras doenças respiratórias de alto potencial de transmissão, como a gripe suí-
na (H1N1) e a gripe aviária de 2009.
z Trump impõe tarifas de 10% sobre produtos exportados para o Brasil em ação
recíproca100
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma série de tarifas recíprocas
sobre produtos exportados para os Estados Unidos, no contexto de sua política de “tarifaço”.
A medida, que afeta o Brasil com uma tarifa de 10%, é uma tentativa de reverter o que
Trump chama de “desigualdade comercial” entre os países. A decisão foi comunicada pela
Casa Branca e visa fortalecer a economia americana, ajudando a cumprir sua promessa de
tornar os Estados Unidos grandes novamente.
Entre os países afetados, o Brasil enfrentará uma tarifa de 10% sobre suas exportações,
um valor considerado moderado em comparação com outras nações. A União Europeia, por
exemplo, foi atingida com tarifas ainda mais altas, chegando a 20%, enquanto o Vietnã teve
a imposição mais severa, com 46% de tarifas.
Esses aumentos nas tarifas podem impactar diretamente o comércio internacional, alte-
rando fluxos de mercadorias e afetando as relações comerciais em diversas regiões do mundo.
Essa medida de Trump é mais um exemplo de sua abordagem protecionista, que visa for-
talecer as indústrias dos Estados Unidos ao diminuir a concorrência de importações.
A imposição de tarifas recíprocas segue uma lógica de “olho por olho” nas relações comer-
ciais, em que países aplicam tarifas semelhantes em resposta às políticas de tarifas impostas
por outros. Este tipo de abordagem pode resultar em uma guerra comercial mais intensa,
com efeitos negativos para a economia global, especialmente para economias dependentes
de exportações como o Brasil.
100 NAKAMURA, J.; MATOS, M. C. Trump anuncia tarifa recíproca de 10% para o Brasil. CNN Brasil, 2025. Dispo-
nível em: https: //[Link]/economia/macroeconomia/trump-confirma-tarifa-reciproca-de-10-para-o-
140 -brasil/. Acesso em: 9 jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Do ponto de vista geopolítico, a decisão de Trump pode tensionar as relações bilaterais
com países que dependem do mercado americano para exportar suas mercadorias, gerando
desafios para a negociação internacional. Além disso, a estratégia de tarifas pode complicar a
cooperação global em outras áreas econômicas, já que ela pode minar os esforços para libe-
ralizar o comércio e criar mais restrições ao livre comércio internacional.
Esse movimento de Trump é também um reflexo das tensões comerciais em um mundo
em que os Estados Unidos buscam reafirmar sua liderança econômica enquanto adotam uma
postura mais agressiva em relação a seus parceiros comerciais.
As consequências dessa política tarifária podem não ser limitadas apenas ao comércio,
mas afetar também estratégias geopolíticas e alianças econômicas, com outros países bus-
cando alternativas para contornar as tarifas, como ao fortalecer acordos comerciais regio-
nais ou buscar novos parceiros comerciais.
Uma iniciativa inédita reuniu dados sobre os sítios arqueológicos brasileiros, proporcio-
nando informações detalhadas sobre os resquícios das antigas populações que habitaram o
país.
Com o mapeamento de 27.974 sítios em todo o território nacional, o projeto MapBiomas
— Cobertura e Uso da Terra nos Sítios Arqueológicos no Brasil (1985–2023) — tornou esses
dados georreferenciados e públicos, permitindo análises comparativas de imagens entre
1985 e 2023.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por meio do Projeto Map-
Biomas, facilitou o acesso público e gratuito a esses dados.
Thiago Berlanga Trindade, chefe do Serviço de Registro e Cadastro de Dados do Iphan,
ressalta que a disponibilização dessas informações permite não apenas entender onde os
sítios arqueológicos estão localizados, mas também identificar possíveis impactos de ativida-
des humanas em suas proximidades, o que pode servir como um alerta para a preservação
desses locais históricos.
O levantamento revelou que, nas últimas décadas, houve uma inversão na cobertura do
solo em áreas próximas aos sítios arqueológicos.
Em 2023, mais da metade desses espaços históricos estão em áreas antropizadas, marca-
das por intervenções humanas como agricultura, pastagem e urbanização. Esse percentual
subiu de 41,5% em 1985 para 49,6% em 2023, enquanto as áreas de vegetação nativa, como
florestas e savanas, diminuíram de 53,5% para 43,1%.
ATUALIDADES
Esse processo de ocupação humana ao redor dos sítios arqueológicos não é novo, mas
a análise recente permite identificar a intensificação dessas atividades. O desmatamen-
to e a expansão da agropecuária são apontados como principais fatores que afetam esses
101 AMAZÔNIA e Caatinga concentram maior número de sítios arqueológicos do Brasil. MapBiomas, 2025. Dispo-
nível em: https: //[Link]/2025/04/29/amazonia-e-caatinga-concentram-maior-numero-de-sitios-ar-
queologicos-do-brasil/. Acesso em: 9 jun. 2025. 141
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
locais, aumentando os riscos à preservação e conservação de patrimônios arqueológicos
importantes.
O estudo também revelou como a ocupação humana impacta diferentes biomas no Brasil.
A Amazônia é o bioma com o maior número de sítios arqueológicos, com 10.197 localizações,
representando mais de um terço do total nacional.
Outros biomas significativos incluem a Caatinga, com 7.004 sítios, e o Cerrado, com 4.914.
Embora a Mata Atlântica tenha 4.832 sítios, ela se destaca por apresentar uma proporção
maior de áreas antropizadas, com 63% dos sítios situados em áreas impactadas por ativida-
des humanas.
Em termos de mudanças no uso da terra, a Amazônia passou de 19% de áreas antropiza-
das em 1985 para 47,5% em 2023. Isso ilustra o crescente impacto das atividades humanas
na região amazônica, que, historicamente, abrigou grande parte dos sítios arqueológicos do
país.
102 DESMATAMENTO aumenta 18% de agosto a março na Amazônia. Imazon, 2025. Disponível em: https: //ima-
142 [Link]/imprensa/desmatamento-aumenta-18-de-agosto-a-marco-na-amazonia/. Acesso em: 9 jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
60% menor do que o registrado entre agosto de 2020 e março de 2021, quando 5.552 km² de
floresta foram derrubados, o maior número desde 2008.
A análise, que segue o chamado “calendário do desmatamento”, que vai de agosto de um
ano a julho do ano seguinte, reflete o regime de chuvas típico da região amazônica.
Embora o aumento no desmatamento seja preocupante, o índice registrado no período de
2024–2025 ainda está abaixo dos picos mais elevados das últimas décadas.
Larissa Amorim, pesquisadora do Imazon, alerta que, apesar de os números estarem em
um patamar inferior aos picos mais altos, o aumento observado em 2025 representa um sinal
de alerta, especialmente considerando que a janela de tempo entre os períodos de maior
precipitação na região pode permitir a reversão desse cenário se forem tomadas medidas
urgentes.
A alta nos índices de desmatamento e degradação florestal, mesmo após uma redução
acentuada nos últimos anos, reforça a necessidade de ações imediatas para evitar que a
situação piore.
A Amazônia, sendo um dos maiores biomas do planeta, exerce um papel importante no
ATUALIDADES
z Cresce a população sob sanções penais no Brasil: dados do SISDEPEN para o 2º semes-
tre de 2024103
Homens: 641.128;
Mulheres: 29.137.
z Prisões domiciliares:
A maior parte dos apenados está em regime fechado ou semiaberto com reclusão em uni-
dades prisionais. A população masculina representa mais de 95% dos encarcerados em celas
físicas, o que reforça o perfil de gênero predominante no sistema penitenciário.
z Destaques regionais
Menor população:
103 QUASE 1 milhão de pessoas cumpriam pena no Brasil em 2024. CNN Brasil, 2025. Disponível em: https: //www.
[Link]/nacional/brasil/quase-1-milhao-de-pessoas-cumpriam-pena-no-brasil-em-2024/. Acesso em: 9
144 jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
DOMICILIAR DOMICILIAR
TOTAL SOB EM CELAS
PERÍODO COM MONITO- SEM MONITO-
SANÇÃO PENAL FÍSICAS
RAMENTO RAMENTO
Jan–Jun 2023 855.472 665.392 92.894 97.186
Jan–Jun 2024 907.985 687.764 105.104 115.117
Jul–Dez 2024 905.316 670.265 122.102 112.949
Entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024, a população sob sanção penal cresceu 5,8%, o
que representa um aumento de quase 50 mil pessoas. Mesmo com uma leve queda entre os
dois semestres de 2024 (de 907.985 para 905.316), o número continua elevado e expressivo.
z Análise e implicações
Além disso, o aumento expressivo do uso de monitoramento eletrônico (de 92.894 para
122.102 em dois anos) aponta para um esforço de desafogar o sistema prisional tradicional,
embora ainda limitado frente à dimensão do problema.
z Brasil registra recorde de conflitos por terra em 2024: mais de 1.700 casos e quase 1
milhão de pessoas envolvidas104
Segundo relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Brasil atingiu, em 2024, o maior
número de conflitos por terra em uma década, com 1.768 ocorrências — um crescimento de
mais de 93% em relação a 2015 (quando foram registrados 868 casos).
95% das ocorrências (1.680) são violências contra a ocupação e posse da terra;
Tipos: despejos, ameaças, destruição de casas e roças, pistolagem, grilagem, invasões,
ATUALIDADES
entre outros;
O total de pessoas envolvidas chegou a 904.532, revelando a dimensão coletiva e estru-
tural do problema.
104 NASCIMENTO, L. Número de envolvidos em conflitos por terra salta para 900 mil em 2024. Agência Brasil,
2025. Disponível em: https: //[Link]/3mpsmbpj. Acesso em: 9 jun. 2025. 145
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z Evolução das ocorrências por ano (2015–2024)
Maranhão: 363;
Pará: 234;
Bahia: 135;
Rondônia: 119;
Amazonas: 117.
Importante!
São Paulo aparece em 17º lugar, mostrando concentração no Norte e
Nordeste.
146
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z Análise crítica
z Uma em cada três cidades brasileiras não tem sistema de drenagem urbana105
De acordo com estudo divulgado em abril de 2025 pelo Instituto Trata Brasil, com base
em dados da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental (SNSA), quase 33% das cidades
brasileiras não têm qualquer tipo de sistema de drenagem urbana — infraestrutura essen-
cial para o controle do escoamento das chuvas, prevenção de alagamentos, deslizamentos e
erosão.
z Pavimentação x drenagem
ATUALIDADES
Apesar de 78,2% das vias públicas urbanas possuírem pavimentação e meio-fio, isso não
garante escoamento eficiente de águas pluviais, já que a infraestrutura subterrânea de dre-
nagem está ausente em grande parte das cidades.
105
1 EM cada 3 municípios brasileiros não tem nenhum sistema de drenagem urbana de água da chuva, mostra
levantamento inédito. G1, 2025. Disponível em: https: //[Link]/meio-ambiente/noticia/2025/04/23/brasil-
-[Link]. Acesso em: 9 jun. 2025. 147
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z Consequências dos eventos hidrológicos (1991–2023)
z Cidades em risco
94 das 100 cidades mais populosas apresentam algum tipo de risco associado à drenagem.
Exceções (sem classificação de risco): Maringá (PR), Ponta Grossa (PR), Cascavel (PR),
Uberaba (MG), Taubaté (SP), Palmas (TO).
Atenção! Essas cidades podem servir de exemplos positivos de planejamento urbano efi-
ciente, inclusive em provas discursivas ou redações.
z Análise crítica
Mundo
z Alemanha rompe silêncio e critica Israel por ofensiva em Gaza: o início de um novo
posicionamento diplomático?106
106 EM quebra de posição histórica, Alemanha critica abertamente Israel em meio a nova ofensiva em Gaza. O Glo-
bo, 2025. Disponível em: https: //[Link]/mundo/noticia/2025/05/28/em-quebra-de-posicao-historica-
148 -[Link]. Acesso em 13 de jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
A declaração marca uma ruptura simbólica e diplomática com a tradicional postura alemã
de apoio quase irrestrito ao Estado israelense, frequentemente justificada por seu passado
histórico ligado ao Holocausto.
Desde a fundação do Estado de Israel, em 1948, a Alemanha tem adotado uma postura
diplomática marcada por cautela extrema e suporte político-financeiro ao país. Essa postura
está relacionada com sua responsabilidade histórica pelos crimes nazistas, em especial o
genocídio de seis milhões de judeus durante o Holocausto.
Por isso, a crítica atual representa um “ponto de inflexão” nas relações bilaterais e tam-
bém uma possível inflexão na política externa da União Europeia, que há anos se divide
entre apoiar Israel e denunciar abusos em Gaza.
z Realinhamento europeu?
A resposta fria do governo israelense — que classificou a crítica como “infeliz” — eviden-
cia o desgaste do apoio incondicional do Ocidente diante do prolongamento e da brutalidade
do conflito israelo-palestino. Além disso:
z José Mujica morre aos 89 anos: adeus ao presidente mais humilde da América Latina107
107 MORRE José Mujica: o ousado político uruguaio que foi o ‘presidente mais pobre do mundo’. BBC News Brasil,
2025. Disponível em: https: //[Link]/portuguese/articles/cx2x7gldle8o. Acesso em 13 de jun. 2025.
149
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
O ex-presidente do Uruguai, José “Pepe” Mujica, morreu aos 89 anos, deixando um legado
político marcado pela coerência, simplicidade e compromisso social.
Considerado um dos líderes mais admirados da América Latina, Mujica ficou mundial-
mente conhecido como “o presidente mais pobre do mundo” por abrir mão de luxos, morar
numa chácara nos arredores de Montevidéu e doar a maior parte do seu salário presidencial
para causas sociais.
Mujica teve uma trajetória incomum: foi guerrilheiro do grupo Tupamaros nos anos 1960
e 1970, combatendo a repressão e a desigualdade social no Uruguai. Durante a ditadura mili-
tar, passou 14 anos preso, muitos deles em regime de solitária e sob tortura.
Com a redemocratização, construiu sua carreira política institucional: foi deputado, sena-
dor, ministro da Agricultura e, em 2010, eleito presidente da República — cargo que ocupou
até 2015.
Durante seu mandato, Mujica promoveu políticas sociais ousadas, como a legalização da
maconha, a descriminalização do aborto e programas de redistribuição de renda, que dimi-
nuíram a pobreza no país.
Seu governo enfrentou críticas da direita, mas também foi amplamente elogiado por sua
coerência ética: rejeitou palácios, carros oficiais e escoltas, usava seu Fusca azul e vivia com
sua companheira, Lucía Topolansky, também figura política relevante.
A morte de Mujica causou comoção internacional. Líderes como Lula (Brasil), Gabriel Boric
(Chile) e até adversários ideológicos, como Mauricio Macri (Argentina), prestaram homena-
gens ao uruguaio. Todos destacaram sua autenticidade rara na política contemporânea e na
defesa intransigente dos mais pobres.
Sob forte controvérsia internacional, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump deu
início a um programa emergencial de acolhimento de famílias brancas da África do Sul, jus-
tificando a medida com alegações de um suposto “genocídio branco” no país africano.
A ação, amplamente criticada por órgãos internacionais, reacende debates sobre seletivi-
dade migratória, manipulação étnico-racial e o uso político da imigração.
Trump alegou que agricultores brancos estariam em risco por conta de reformas agrárias
e violência no campo sul-africano, mas especialistas em direitos humanos e entidades como
a Anistia Internacional apontam que não há evidências suficientes para classificar o cenário
como genocídio — termo que tem implicações jurídicas graves no direito internacional.
A ONU e a União Africana foram categóricas — classificaram a ação dos EUA como “distor-
ção deliberada” da realidade sul-africana, alertando para os perigos de se alimentar narrati-
vas raciais infundadas em um contexto geopolítico já polarizado.
A decisão gerou divisões dentro do próprio Congresso dos EUA: republicanos da ala ultra-
conservadora saudaram a medida como “humanitária”, enquanto democratas denunciaram
o que consideram ser um uso político da imigração para reforçar apelos a grupos suprema-
cistas brancos, uma base eleitoral ativa de Trump.
Críticos veem a medida como um exemplo de seletividade racial nas políticas migratórias
dos Estados Unidos: brancos sul-africanos são acolhidos rapidamente, enquanto refugiados
negros, latinos ou muçulmanos enfrentam barreiras sistemáticas e processos prolongados.
enfrentada com políticas públicas, não com discursos raciais seletivos que desestabilizam o
país.
108 TRUMP arma discussão no Salão Oval com presidente da África do Sul. Gauchazh, 2025. Disponível em: https:
//[Link]/mundo/noticia/2025/05/trump-arma-discussao-no-salao-oval-com-presidente-da-afri-
[Link]. Acesso em: 13 de jun. 2025. 151
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
A exploração política da questão racial
Nos bastidores, analistas consideram o gesto de Trump como parte de uma estratégia elei-
toral calculada, visando mobilizar eleitores conservadores e reforçar sua imagem de prote-
tor do “ocidente branco”, narrativa comum em movimentos nacionalistas e xenófobos.
A medida evidencia como questões étnico-raciais continuam sendo instrumentalizadas
geopoliticamente, acirrando tensões internacionais e reforçando divisões ideológicas globais
em um mundo cada vez mais polarizado.
A proposta foi rapidamente vista com preocupação no cenário internacional. China e Rús-
sia denunciaram o plano como uma provocação direta, alertando para o risco de uma nova
corrida armamentista, similar à lógica da Guerra Fria. Para essas potências, o escudo repre-
senta uma tentativa dos EUA de quebrar o equilíbrio estratégico global baseado na dissuasão
mútua.
Internamente, democratas e movimentos pacifistas criticaram a proposta, argumentando
que ela pode aumentar as tensões globais e representar um desperdício de recursos públicos
diante de prioridades sociais mais urgentes.
Apesar da resistência, o projeto teve forte apelo entre os eleitores mais conservadores,
sobretudo aqueles que defendem uma postura mais firme dos EUA no cenário internacional.
Trump já declarou que a construção do escudo será uma prioridade “desde o primeiro dia de
seu novo mandato”, embora ainda não existam prazos ou detalhes técnicos definidos.
Do ponto de vista geopolítico, o Golden Dome sinaliza uma intensificação da riva-
lidade entre grandes potências, com os EUA buscando reafirmar sua superioridade
109 LUCENA, L. Trump seleciona projeto de US$ 175 bilhões para escudo de defesa Golden Dome. Brasil247, 2025.
Disponível em: https: //[Link]/mundo/trump-seleciona-projeto-de-us-175-bilhoes-para-escudo-de-
152 -defesa-golden-dome. Acesso em: 13 de jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
tecnológica e capacidade de defesa diante de um mundo multipolar e marcado por novas
ameaças estratégicas.
Caso implementado, o escudo poderá alterar profundamente os fundamentos da seguran-
ça internacional e acelerar uma nova era de militarização global.
z Confronto na Casa Branca expõe uso político do racismo e provoca reação do grupo
BRICS110
bilaterais, como também reforça o papel de blocos alternativos como o BRICS, que buscam
contrabalançar a hegemonia ocidental com discursos baseados em soberania, multipolarida-
de e resistência ao neocolonialismo.
110 TRUMP arma ‘emboscada’ para presidente sul-africano na Casa Branca com alegação de ‘perseguição a bran-
cos’. BBC News, 2025. Disponível em: https: //[Link]/portuguese/articles/c20nn0gdvx4o. Acesso em 16 de
jun. 2025. 153
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z Decisão fortalece autonomia universitária e reabre debate global sobre ciência, imi-
gração e soberania tecnológica111
Em maio de 2025, a Justiça dos Estados Unidos anulou uma medida imposta por Donald
Trump que proibia a Universidade de Harvard de aceitar estudantes estrangeiros em
determinados cursos, sob o argumento de “proteger a segurança nacional”. A liminar, con-
cedida por um juiz federal de Massachusetts, classificou a medida como inconstitucional,
discriminatória e ofensiva à liberdade acadêmica.
A restrição havia sido implementada pelo ex-presidente como parte de sua agenda de imi-
gração ultrarrestritiva, com foco em universidades que mantêm vínculos com empresas de
tecnologia ou recebem recursos públicos.
Trump alegava que instituições como Harvard estariam vulneráveis à espionagem, sobre-
tudo de origem chinesa, e que estariam favorecendo estudantes internacionais em detrimen-
to de norte-americanos.
A decisão judicial foi recebida com alívio e celebração por movimentos estudantis, pro-
fessores, instituições de ensino e organizações de direitos civis, que destacaram o papel da
diversidade acadêmica como motor de inovação científica e ponte diplomática entre nações.
Harvard chegou a declarar que recorreria à Suprema Corte caso a liminar fosse negada,
demonstrando a seriedade da ameaça à sua autonomia.
O episódio revelou uma disputa estratégica entre nacionalismo político e globalismo aca-
dêmico ao tentar restringir o acesso de estrangeiros a centros de excelência em áreas sen-
síveis, como inteligência artificial, cibersegurança e engenharia.
Trump expôs uma visão de educação como instrumento de controle geopolítico, em que a
ciência e o conhecimento se tornam ativos estratégicos de soberania.
Especialistas veem a decisão judicial como uma reafirmação da independência do Judi-
ciário e da autonomia das universidades diante de pressões do Executivo. Ao mesmo tempo,
o caso reacende um debate central: qual o papel dos estudantes e pesquisadores estrangeiros
em uma era de rivalidade tecnológica entre potências como Estados Unidos e China?
A repercussão internacional foi imediata. Governos e acadêmicos de diversos países
denunciaram a medida de Trump como xenofóbica e anticientífica, ressaltando que a exclu-
são de talentos estrangeiros enfraquece o próprio ecossistema de inovação dos EUA.
Outras universidades de prestígio, como Yale, Stanford e MIT, também se manifestaram
em defesa da inclusão internacional e criticaram o uso da retórica securitária como justifica-
tiva para políticas discriminatórias.
Para além da questão migratória, o caso marca mais um capítulo na instrumentalização da
educação como arena de disputa geopolítica, em que universidades se tornam tanto palcos
quanto alvos de confrontos estratégicos, tecnológicos e ideológicos entre as grandes potên-
cias do século XXI.
111 Trump pede intervenção da Suprema Corte dos EUA para deportar migrantes. CNN Brasil, 2025. Disponível em:
https: //[Link]/internacional/trump-pede-intervencao-da-suprema-corte-dos-eua-para-deportar-mi-
154 grantes/. Acesso em: 16 de jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z Elon Musk rompe com Trump: tecnologia, geopolítica e os limites da lealdade
empresarial112
Em maio de 2025, Elon Musk anunciou sua saída oficial do grupo consultivo de inovação
ligado à campanha de Donald Trump, encerrando uma aliança que vinha sendo observada
com atenção por analistas políticos e econômicos.
A decisão foi atribuída a “diferenças irreconciliáveis” entre os dois, que incluem disputas
em torno de inteligência artificial, liberdade de expressão, política ambiental e soberania
tecnológica.
O ponto de ruptura teria sido a pressão do governo Trump para que Musk interviesse em
plataformas como o X (antigo Twitter), silenciando cientistas e ativistas contrários às políti-
cas ambientais do presidente.
Além disso, o uso militar dos satélites da Starlink e as tentativas de restringir o acesso à
tecnologia espacial por países classificados como “hostis” também geraram tensões. Musk
teria defendido uma postura de neutralidade tecnológica global e maior transparência, algo
que colidiu com o discurso nacionalista e intervencionista do trumpismo.
Fontes próximas a Musk revelaram desconforto crescente com o tom autoritário e cons-
piratório adotado por Trump, sobretudo após episódios relacionados à imigração, ataques à
mídia e teorias de manipulação eleitoral.
Apesar de seus posicionamentos muitas vezes imprevisíveis, Musk busca sustentar a ima-
gem de “líder tecnológico independente de ideologias partidárias”, uma narrativa que tenta
blindá-lo de críticas tanto da direita quanto da esquerda.
A saída do empresário foi celebrada por setores democratas, universidades e defen-
sores da liberdade acadêmica, que viam sua associação com Trump como um risco para a
credibilidade das instituições de ciência e inovação.
Por outro lado, vozes conservadoras acusaram Musk de oportunismo, sugerindo que ele
estaria abandonando a parceria com Trump por cálculo político e pressões externas.
A ruptura evidencia os limites do alinhamento entre bilionários da tecnologia e proje-
tos políticos com forte carga ideológica, especialmente quando os interesses corporativos
entram em conflito com agendas nacionalistas.
Mais do que uma questão pessoal, a saída de Musk simboliza a tensão crescente entre
autonomia tecnológica e controle estatal em um mundo multipolar, em que empresas pri-
vadas atuam como atores geopolíticos capazes de influenciar diretamente conflitos, alianças
e regimes de informação.
Nesse contexto, a figura de Musk continua desafiando classificações simples: ao mesmo
tempo em que flerta com a disrupção política, também se esquiva de compromissos partidá-
ATUALIDADES
rios duradouros, preservando sua capacidade de transitar entre polos rivais — nos Estados
Unidos e no cenário global.
112 TRUMP formaliza saída de Elon Musk do governo. Valor, 2025. Disponível em: https: //[Link]/mundo/
noticia/2025/05/30/[Link]. Acesso em 16 de jun. 2025. 155
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z Europa endurece políticas migratórias: como Itália, Reino Unido e Portugal estão
restringindo cidadania e imigração113
Nas últimas décadas, muitos países europeus adotaram legislações mais inclusivas em
relação à imigração e ao reconhecimento da cidadania para descendentes de estrangeiros.
Esse cenário, no entanto, tem se alterado rapidamente. Sob a pressão de governos conser-
vadores e do avanço de pautas nacionalistas, Itália, Reino Unido e Portugal protagonizam
uma onda de restrições sem precedentes nas políticas migratórias e de naturalização.
Desde a ascensão de Giorgia Meloni, líder do partido de direita Irmãos da Itália, o gover-
no tem promovido uma agenda voltada ao resgate da identidade nacional e ao controle
migratório.
Um dos alvos principais é a cidadania jure sanguinis, que permite o reconhecimento da
nacionalidade italiana a descendentes de imigrantes — como milhares de brasileiros.
As mudanças incluem:
Desde o Brexit, o Reino Unido tem adotado medidas duras contra a imigração. Sob o
comando do primeiro-ministro Rishi Sunak, o país aprovou um plano polêmico que prevê a
deportação de imigrantes ilegais para Ruanda, mesmo sem histórico de crimes.
Outras medidas incluem:
113 COMO Itália, Reino Unido e Portugal estão restringindo nacionalidade, cidadania e imigração. G1, 2025. Dispo-
nível em: https: //[Link]/mundo/noticia/2025/05/15/como-italia-reino-unido-e-portugal-estao-restringindo-
156 -[Link]. Acesso em: 16 de jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z Portugal: fim da “lei do tempo” e novos entraves para regularização
Por anos, Portugal foi considerado um dos países mais abertos à imigração na Europa,
especialmente pela chamada “lei do tempo”, que permitia regularização de imigrantes após
cinco anos de residência no país, mesmo que em situação irregular.
Em 2024, o governo português revogou essa política e anunciou:
O endurecimento das regras migratórias ocorre num ambiente marcado por: medo da
sobrecarga nos sistemas de saúde, habitação e previdência; narrativas de perda de identida-
de cultural; discurso político que associa imigração a criminalidade ou terrorismo.
No entanto, dados econômicos e demográficos mostram que, em muitos casos, os imigran-
tes preenchem lacunas de mão de obra e sustentam o envelhecido mercado de trabalho euro-
peu. A retórica política, porém, tem prevalecido sobre a evidência técnica.
va no eixo político do país. Líder da União Democrata-Cristã (CDU), Merz sucede Olaf Scholz
em um cenário repleto de incertezas internas e externas.
114 FRIEDERICH Merz na Alemanha: as 3 crises à espera do novo chanceler. BBC News, 2025. Disponível em: https:
//[Link]/portuguese/articles/c0m9dmr7mpdo. Acesso em: 16 de jun. 2025. 157
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
A posse de Merz representa não apenas uma guinada conservadora, mas também o início
de um ciclo marcado por três crises interconectadas: a ascensão da extrema-direita, a desa-
celeração econômica e o reposicionamento geopolítico da Alemanha.
conter o avanço da AfD sem adotar pautas que reforcem o discurso radical;
preservar o eleitorado moderado, tradicional da CDU, evitando a erosão do centro
político.
Merz promete reformas estruturais para reaquecer a economia, com foco em desburo-
cratização e inovação tecnológica. No entanto, enfrenta forte resistência sindical e social,
especialmente em temas como flexibilização de leis trabalhistas, aposentadoria e subsídios.
A imagem de eficiência econômica da Alemanha está em jogo — e, com ela, sua liderança
na União Europeia.
158
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
reequilibrar relações comerciais, com maior desconfiança em relação à China e à
Rússia.
Merz já sinalizou que pretende adotar uma linha mais assertiva, abandonando o prag-
matismo cauteloso de antecessores como Angela Merkel. A questão é saber até que ponto
essa virada será sustentável em um continente pressionado por interesses divergentes.
z Reino Unido e União Europeia firmam novo acordo Pós-Brexit: pragmatismo supera
impasses ideológicos115
Após quase uma década de incertezas, Reino Unido e União Europeia anunciaram, em
maio de 2025, um novo acordo para redefinir suas relações, marcando uma fase de coopera-
ção mais estável e menos beligerante no cenário Pós-Brexit.
O pacto cobre pontos centrais, como comércio, controle de fronteiras, ciência e mobilidade
acadêmica, sinalizando uma transição do conflito para o pragmatismo.
115 UNIÃO Europeia e Reino Unido firmam maior acordo pós-Brexit. DW, 2025. Disponível em: https: //[Link].
com/pt-br/uni%C3%A3o-europeia-e-reino-unido-firmam-maior-acordo-comercial-e-de-defesa-p%C3%B3s-brexi-
t/a-72602548. Acesso em 16 de jun. 2025. 159
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
que reacendeu disputas internas no partido conservador. Já a União Europeia saudou o
acordo como sinal de “maturidade institucional e responsabilidade geopolítica”.
Analistas apontam que o acordo representa um “Brexit 2.0”: mais realista, menos ideoló-
gico, e voltado à reconstrução de pontes diplomáticas, comerciais e científicas — sem rever-
ter o divórcio formal, mas reduzindo seus efeitos negativos.
A medida coloca o AfD sob vigilância permanente por parte dos serviços de inteligência,
o que implica:
O AfD surgiu em 2013 como uma legenda eurocética, com foco em críticas à zona do euro
e ao Banco Central Europeu. Porém, a partir da crise migratória de 2015, migrou para um
116 AZEVEDO, R. Alemanha define partido AfD como “extremista de direita”. Euronews, 2025. Disponível em: https:
//[Link]/my-europe/2025/05/02/alemanha-define-partido-afd-como-extremista-de-direita. Acesso em:
160 16 jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
discurso abertamente anti-imigração, islamofóbico e ultranacionalista, ganhando força
especialmente em estados do leste alemão.
O crescimento eleitoral veio na esteira de:
z Índia e Paquistão: a Caxemira no centro de uma das disputas mais delicadas da geo-
política mundial117
A disputa entre Índia e Paquistão pela região da Caxemira continua sendo um dos confli-
tos territoriais mais antigos e sensíveis da política internacional, mesclando tensões históri-
cas, religiosas e estratégicas.
Em maio de 2025, o conflito voltou a ganhar destaque com a intensificação de operações
militares na Linha de Controle, que divide a Caxemira indiana da área sob administração
paquistanesa.
ATUALIDADES
117 LÉON, P. L. Caxemira: entenda guerra entre Paquistão e Índia que assustou o mundo. Agência Brasil, 2025.
Disponível em: https: //[Link]/internacional/noticia/2025-05/caxemira-entenda-guerra-entre-pa-
quistao-e-india-que-assustou-o-mundo. Acesso em: 16 de jun. 2025. 161
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
A origem do conflito e a partilha de 194 aconteceram após o fim do domínio britânico. A
partilha do subcontinente indiano deu origem à Índia (de maioria hindu) e ao Paquistão (de
maioria muçulmana).
A Caxemira, com população majoritariamente muçulmana, foi incorporada à Índia por
decisão de seu marajá, o que gerou contestações paquistanesas imediatas. Desde então,
os países travaram três guerras diretas (1947, 1965, 1999) e inúmeros confrontos de baixa
intensidade.
A militarização e o risco nuclear são outra frente dessa discussão. Em 2025, denúncias de
apoio paquistanês a grupos separatistas e repressão indiana contra civis reacenderam os
atritos.
Posto isso, ambos os países são potências nucleares, o que torna qualquer escalada uma
ameaça à estabilidade regional e global. Estados Unidos, China e Rússia acompanham a situa-
ção com preocupação, temendo efeitos desestabilizadores no Sul da Ásia.
Existem, por fim, fatores religiosos, separatismo e violações de direitos humanos. A popu-
lação caxemira é majoritariamente muçulmana, o que alimenta movimentos separatistas
que desejam independência ou união com o Paquistão.
A Índia tem sido alvo de críticas por abusos militares, imposição de toques de recolher,
bloqueios de internet e controle intenso sobre a vida civil. Organizações internacionais de
direitos humanos denunciam a situação como uma grave violação do direito internacional.
z O maior ataque aéreo russo desde 2022: implicações estratégicas e riscos geopolíticos118
No final de maio de 2025, a Rússia lançou o maior ataque aéreo contra a Ucrânia desde o
início da guerra, em fevereiro de 2022. Foram utilizados mais de 120 mísseis e drones, dire-
cionados a infraestruturas estratégicas em Kiev, Kharkiv, Odessa e Dnipro, resultando em
dezenas de mortes e centenas de feridos e na destruição de hospitais, ferrovias e estações
elétricas.
118 RÚSSIA lança maior ataque aéreo contra Ucrânia e mata pelo menos 12 pessoas. CNN Brasil, 2025. Dispo-
nível em: https: //[Link]/internacional/russia-lanca-maior-ataque-aereo-na-ucrania-matando-pelo-
162 -menos-pessoas/. Acesso em 16 de jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
A ofensiva gerou respostas imediatas da OTAN, que acelerou o envio de armamentos como
mísseis Patriot e baterias antiaéreas. Estados Unidos e União Europeia também anunciaram
novos pacotes de ajuda financeira e militar.
Por outro lado, a China manteve postura neutra, pedindo “moderação e diálogo”, reafir-
mando seu papel de mediador estratégico, embora sem resultados concretos até o momento.
O episódio também intensificou o temor de regionalização do conflito:
O ataque em larga escala também foi lido por analistas como uma tentativa do presidente
Vladimir Putin de:
z “Putin ficou louco”: a reação contundente de Donald Trump ao ataque russo à Ucrâ-
nia em maio de 2025119
Após o intenso e massivo ataque aéreo da Rússia contra a Ucrânia em maio de 2025, o pre-
sidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou-se publicamente com críticas severas
a Vladimir Putin, classificando-o como “louco” e “fora de controle”.
Em entrevista à emissora Fox News, Trump qualificou a ofensiva russa como despropor-
cional, covarde e um “erro estratégico”, alertando para o risco de escalada do conflito para
uma guerra global.
Essa postura surpreendeu parte da base aliada republicana, dado que Trump historica-
mente mantinha um tom mais ambíguo e, em certas ocasiões, até condescendente em relação
ao presidente russo.
Analistas políticos sugerem que essa mudança de discurso esteja vinculada ao contex-
to eleitoral norte-americano, no qual Trump busca projetar uma imagem de liderança fir-
me e autoridade internacional, distanciando-se de figuras percebidas como instáveis ou
vulneráveis.
Ao mesmo tempo, críticos destacam o caráter calculado da fala, lembrando que Trump já
ATUALIDADES
119 Ucrânia acusa Rússia de realizar maior ataque de drones da guerra; Trump diz que Putin ‘ficou louco’. Vision
News, 2025. Disponível em: https: //[Link]/noticia/75903/ucrania-acusa-russia-de-realizar-maior-ata-
[Link]. Acesso em: 16 de jun. 2025. 163
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z A reação institucional e o cenário político interno
A Casa Branca, então sob a liderança do ex-presidente Joe Biden, adotou uma postura mais
cautelosa, ressaltando a importância da coordenação com aliados da OTAN e enfatizando
que todas as ações diplomáticas e militares estão sendo conduzidas com responsabilidade e
pragmatismo.
Entretanto, as declarações de Trump provocaram um acirramento do debate político inter-
no, reforçando a polarização entre republicanos e democratas, sobretudo sobre a condução
da política externa dos EUA diante da crise no Leste Europeu.
120 MACRON avisa EUA e o Indo-Pacífico para não abandonarem a Ucrânia em detrimento da China. Euronews,
2025. Disponível em: [Link]
164 narem-a-ucrania-em-detrimento-da-china. Acesso em: 16 de jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
baseada em regras. Seu discurso foi interpretado como um apelo direto ao então governo
Biden e ao Congresso dos EUA.
Macron também ressaltou a necessidade de acelerar a integração da defesa comum euro-
peia, reforçando sua imagem como a principal voz da autonomia estratégica da União Euro-
peia. Seu posicionamento expõe o impasse geopolítico que caracteriza o Ocidente em 2025,
dividido entre os desafios no Leste Europeu e as tensões no Indo-Pacífico.
Robert Prevost nasceu nos Estados Unidos e iniciou sua trajetória eclesiástica como sacer-
dote em Chicago, onde rapidamente se destacou por sua atuação pastoral voltada para as
comunidades urbanas e periféricas.
Em seguida, foi nomeado bispo de Chicago, posição em que consolidou seu compromisso
com a justiça social, o diálogo inter-religioso e a defesa dos mais vulneráveis.
Posteriormente, Prevost assumiu o cargo de prefeito do Dicastério para os Bispos, no Vati-
cano, onde ganhou notoriedade pela sua visão progressista e pela promoção de uma Igre-
ja mais descentralizada, que valorize as realidades locais e esteja aberta às transformações
sociais. Durante esse período, aproximou-se das pautas ambientais, sociais e dos direitos
humanos, alinhando-se ao pontificado do papa Francisco.
Sua eleição como papa Leão XIV, primeiro pontífice dos Estados Unidos, representa uma
guinada simbólica para a Igreja Católica, marcada pelo desejo de continuidade nas reformas
iniciadas por Francisco, sobretudo em temas como meio ambiente, justiça social e inclusão.
A eleição de Robert Prevost como papa Leão XIV marca uma mudança simbólica e históri-
ca na liderança da Igreja Católica. Natural dos Estados Unidos e defensor das diretrizes pro-
gressistas do papa Francisco, Prevost é o primeiro pontífice norte-americano, representando
uma ruptura com a tradicional predominância europeia no comando do Vaticano.
A eleição de Leão XIV foi interpretada como um esforço para preservar e aprofundar o
impulso reformista iniciado por Francisco, com ênfase em justiça social, proteção ambiental
e diálogo com os desafios do mundo contemporâneo.
Conforme destacado, antes de ser escolhido papa, Prevost atuou como bispo em Chicago
e, posteriormente, como prefeito do Dicastério para os Bispos, onde consolidou uma postura
pastoral voltada para uma Igreja menos centralizada no poder romano e mais sensível às
realidades locais.
O pontificado de Leão XIV já revela uma continuidade em temas como a defesa do meio
ambiente, o apoio aos migrantes e o combate às desigualdades, sobretudo em regiões peri-
ATUALIDADES
féricas do planeta.
O novo papa também tem se destacado por posicionamentos firmes contra o negacio-
nismo climático, reafirmando a importância da ciência como aliada da fé. Além disso, tem
121 BARROS, L; DURÃES, M. Leão 14: quem é Robert Prevost, primeiro papa norte-americano e peruano. UOL, 2025.
Disponível em: https: //[Link]/internacional/ultimas-noticias/2025/05/08/quem-e-francis-prevost-no-
[Link]#:~:text=Robert%20Francis%20Prevost%2C%2069%20anos,no%20Vaticano%2C%20ap%C3%B3s%20
quatro%20escrut%C3%ADnios. Acesso em: 16 de jun. 2025. 165
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
promovido maior participação das mulheres na Igreja, ainda que sem propor alterações
profundas na doutrina, e aberto espaços de escuta para padres casados e membros da comu-
nidade LGBTQIAPN+.
A escolha de um papa estadunidense gerou tensões diplomáticas e teológicas, principal-
mente entre setores conservadores da Igreja e grupos críticos à crescente influência dos Esta-
dos Unidos na política global.
Em algumas regiões da Europa, há receios quanto a uma possível “americanização” do
Vaticano. Mesmo diante dessas resistências, Leão XIV busca afirmar sua identidade com um
forte compromisso pela justiça social global e pela descentralização do poder eclesiástico.
Especialistas apontam que o pontificado de Prevost enfrentará desafios significativos,
como a continuidade das investigações e reparações relacionadas com os escândalos de
abuso sexual ainda não totalmente resolvidos, além da diminuição do número de fiéis em
áreas tradicionalmente católicas.
Contudo, sua chegada ao papado reacendeu as expectativas daqueles que defendem uma
Igreja mais engajada nas causas contemporâneas e aberta ao diálogo.
z Como o Ártico se transformou numa das regiões mais disputadas por potências
globais122
O Ártico, antes considerado uma região remota e de difícil acesso, tornou-se nos últimos
anos um foco estratégico de disputa entre potências globais como Estados Unidos, Rússia,
China, Canadá e Noruega.
O derretimento acelerado das calotas polares, impulsionado pelas mudanças climáticas,
abriu novas rotas comerciais e expôs reservas gigantescas de petróleo, gás natural e minerais
raros que antes eram inacessíveis. Estima-se que a região contenha cerca de 13% das reser-
vas de petróleo ainda não descobertas do planeta.
A Rússia tem intensificado sua presença militar no Ártico, reativando bases da era soviéti-
ca, instalando sistemas de mísseis e promovendo manobras navais na região.
Por outro lado, os Estados Unidos reforçaram sua aliança com o Canadá e anunciaram
investimentos bilionários em infraestrutura de monitoramento. A China, que não tem terri-
tório na região, declarou-se “nação próxima do Ártico” e tem investido em pesquisas científi-
cas e rotas comerciais via Passagem do Norte.
A nova corrida polar também levanta preocupações ambientais e geopolíticas. Grupos
ambientalistas alertam para os danos irreversíveis que a exploração econômica pode causar
ao ecossistema ártico, enquanto analistas políticos temem a eclosão de novos conflitos terri-
toriais e diplomáticos.
A governança da região é motivo de debate entre os países do Conselho Ártico, que bus-
cam um equilíbrio entre soberania, cooperação e sustentabilidade.
Para o Brasil, embora distante da região, as tensões no Ártico podem ter impactos indi-
retos, como o aumento no preço de combustíveis, alterações em cadeias logísticas globais e
mudanças na agenda climática internacional.
O Ártico deixou de ser um “fim do mundo gelado” para se tornar o novo centro das ambi-
ções geoestratégicas do século XXI.
122 ADLER, K. Como o Ártico se transformou numa das regiões mais disputadas por potências globais. O Povo,
2025. Disponível em: https: //[Link]/agencia/bbc/2025/05/26/amp/como-o-artico-se-transformou-
166 -[Link]. Acesso em: 16 de jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z Desinformação como risco global: alerta da UNESCO123
Brasil
nacionais para se dedicar à fotografia a partir dos anos 1970. Seus projetos icônicos incluem
123 ANTUNES, L. Desinformação é o maior risco global de 2025, alerta diretor da Unesco. Expresso Carioca, 2025.
Disponível em: https: //[Link]/desinformacao-e-o-maior-risco-global-de-2025-alerta-dire-
tor-da-unesco/. Acesso em: 16 de jun. 2025.
124 SALDANHA, R. Morre o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, aos 81 anos. CNN Brasil, 2025. Disponível em:
https: //[Link]/nacional/brasil/morre-o-fotografo-brasileiro-sebastiao-salgado-aos-81-anos/. Aces-
so em: 16 de jun. 2025. 167
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
“Trabalhadores”, “Êxodos” e “Gênesis”, este último focado na natureza intocada e na relação
entre humanidade e meio ambiente.
No Brasil, também ficou conhecido pelo projeto de reflorestamento do Instituto Terra, fun-
dado com Lélia em Aimorés (MG), sua cidade natal. A iniciativa regenerou milhares de hecta-
res de Mata Atlântica e serviu de exemplo global de restauração ambiental.
Salgado foi agraciado com os mais importantes prêmios da fotografia mundial, além de
honrarias da ONU, UNESCO e universidades internacionais.
A morte de Salgado gerou comoção entre artistas, jornalistas e ambientalistas. O presiden-
te Lula declarou luto oficial de três dias e destacou que o fotógrafo “fez do olhar uma forma
de justiça social”. A imprensa estrangeira o homenageou como “poeta da imagem” e “cronista
visual da humanidade”.
Seu legado vai além da arte: suas fotos ajudaram a pautar políticas de direitos humanos
e preservação ambiental. A morte de Sebastião Salgado deixa um vazio profundo na cultura
brasileira, mas seu trabalho segue vivo, inspirando novas gerações a enxergar o mundo com
empatia e profundidade.
Uma análise recente, publicada em maio de 2025 por pesquisadores da UFRJ e da Uni-
camp, trouxe novas luzes sobre os desdobramentos da reforma trabalhista implementada
em 2017 no Brasil.
A partir do cruzamento de dados do IBGE e da RAIS entre 2015 e 2024, o estudo aponta que
a flexibilização das normas laborais não resultou na prometida modernização do mercado,
mas contribuiu decisivamente para o avanço da informalidade e da instabilidade nas rela-
ções de trabalho.
O enfraquecimento estrutural das entidades sindicais se apresenta como um dos efeitos
mais críticos da reforma. Com menor capacidade de articulação e pressão, as organizações
trabalhistas perderam protagonismo nas negociações coletivas.
A queda no número de convenções firmadas e na arrecadação sindical evidencia uma
retração institucional que favoreceu a proliferação de modalidades contratuais mais vulne-
ráveis, como o trabalho intermitente e o de tempo parcial.
125 ABDALA, V. Mais de 32 milhões são autônomos informais ou trabalham sem carteira. Agência Brasil, 2025.
Disponível em: https: //[Link]/economia/noticia/2025-04/mais-de-32-milhoes-sao-autonomos-
168 -informais-ou-trabalham-sem-carteira. Acesso em: 16 de jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
A promessa de aumento da formalização e do dinamismo econômico não se cumpriu:
os dados apontam crescimento expressivo da informalidade, especialmente entre mulheres,
jovens e pessoas negras — grupos historicamente mais expostos às desigualdades estruturais.
Além disso, os salários médios permaneceram estagnados e a rotatividade no mercado de
trabalho aumentou, indicando uma precarização generalizada.
Diante desse cenário, diversos projetos de lei tramitam no Congresso Nacional com o obje-
tivo de revisar pontos centrais da reforma. Há uma crescente mobilização por parte de cen-
trais sindicais e movimentos sociais — como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a
Força Sindical — que defendem uma legislação trabalhista equilibrada, capaz de garantir
direitos e, ao mesmo tempo, dialogar com as exigências de um mercado global em constante
transformação.
O estudo deve embasar audiências públicas e discussões na Comissão de Trabalho da
Câmara dos Deputados no segundo semestre, reacendendo um debate essencial: qual deve
ser o papel do Estado na regulação do trabalho em uma era marcada pela fragmentação pro-
dutiva, pela globalização financeira e pela ascensão de modelos ultraliberais?
Em maio de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu exonerar o então presi-
dente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) após revelações de um esquema bilioná-
rio de fraudes na concessão de aposentadorias e benefícios assistenciais.
A exoneração do presidente do INSS foi tomada após uma operação conjunta da Polícia
Federal, da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Ministério da Previdência, que identifi-
cou a atuação de uma rede criminosa infiltrada no INSS, sobretudo em estados do Nordeste.
As investigações apontam que servidores públicos e agentes externos estavam envolvidos
na falsificação de documentos, manipulação de dados e liberação de benefícios irregulares
mediante pagamento de propina.
O uso indevido dos sistemas internos do órgão permitia fraudes relacionadas com crité-
rios essenciais como tempo de contribuição e idade mínima. O prejuízo estimado ultrapassa
R$ 2,6 bilhões, afetando diretamente o tempo de espera de cidadãos com direito legítimo aos
benefícios.
126 CRISE no INSS: entenda escândalo que derrubou ministro da Previdência. Congresso em Foco, 2025. Disponí-
vel em: https: //[Link]/noticia/108221/crise-no-inss-entenda-escandalo-que-derrubou-mi-
nistro-da-previdencia. Acesso em 16 de jun. 2025. 169
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
com medidas voltadas ao reforço da transparência, do controle digital e do rastreamento de
concessões.
Paralelamente, setores da oposição pressionam pela instalação de uma comissão parla-
mentar de inquérito (CPI) com o objetivo de aprofundar as apurações e ampliar a responsa-
bilização dos envolvidos.
Para além da disputa partidária, o caso escancara a fragilidade institucional dos sistemas
de fiscalização, especialmente em um contexto de digitalização crescente da administração
pública, mas sem infraestrutura de governança e controle robustos.
Do ponto de vista geopolítico, o episódio revela mais do que um desvio pontual: trata-se de
um sintoma de disfuncionalidade sistêmica do Estado brasileiro, que, mesmo com avanços
tecnológicos, ainda falha em garantir os direitos básicos da população mais vulnerável.
A corrupção institucionalizada em setores estratégicos, como a previdência, compromete
a sustentabilidade das políticas sociais e a confiança pública nas instituições democráticas.
Em um cenário global em que o Brasil busca fortalecer sua imagem como liderança regio-
nal comprometida com desenvolvimento social e transparência institucional, episódios como
esse fragilizam o país diante de organismos multilaterais e investidores estrangeiros.
O desafio que se impõe é, portanto, reconstruir a capacidade do Estado de proteger direitos
e assegurar justiça distributiva, sem abrir brechas para novas formas de captura institucional.
127 GRIPE aviária no Brasil: o impacto nas exportações e a reação do mercado. Exame, 2025. Disponível em: https:
//[Link]/agro/gripe-aviaria-no-brasil-o-impacto-nas-exportacoes-e-a-reacao-do-mercado/. Acesso em: 16 de
170 jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
monitoramento reforçado nas zonas de risco;
testagem de trabalhadores rurais; e
vacinação emergencial de rebanhos específicos.
No plano interno, o avanço do H5N1 reacende tensões entre diferentes setores políticos e
econômicos. Parlamentares ligados ao agronegócio pressionam por apoio técnico e financei-
ro imediato aos produtores, sob o risco de uma quebra econômica no campo.
Por outro lado, ambientalistas e organizações de saúde pública cobram ações mais enérgi-
cas contra criações ilegais de aves, além de maior fiscalização do tráfico de animais silvestres,
apontado como possível vetor de disseminação do vírus.
O surto evidencia a fragilidade dos sistemas produtivos intensivos frente a ameaças sani-
tárias globais. A gripe aviária, assim como outras zoonoses emergentes, desafia a capacida-
de dos Estados nacionais de equilibrar produção em larga escala, preservação ambiental e
segurança sanitária.
Do ponto de vista geopolítico, o Brasil enfrenta um teste importante: como manter sua
posição de liderança nas exportações agropecuárias, enquanto demonstra resiliência institu-
cional, compromisso com a saúde pública e transparência nos protocolos de contenção.
O caso reforça a necessidade de uma política integrada de saúde única (one health)
que articule os eixos ambiental, humano e animal como partes de um mesmo sistema
interdependente.
128 GOLDBERG, S. O dilema da Margem Equatorial: entre o petróleo e a preservação ambiental. Valor, 2025. Dis-
ponível em: https: //[Link]/publicacoes/especiais/revista-energia/noticia/2025/05/30/o-dilema-da-mar-
[Link]. Acesso em: 16 de jun. 2025. 171
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
marcando um avanço significativo no processo de licenciamento ambiental de um dos proje-
tos mais delicados e polêmicos da agenda energética brasileira.
A decisão do Ibama não autoriza ainda a perfuração de poços, mas permite a realização
de testes logísticos e exercícios de segurança para avaliar os protocolos em situações de risco.
Esses procedimentos são pré-requisitos para que a Petrobras avance no pedido de licença
definitiva para exploração real, possivelmente ainda em 2025, caso os relatórios técnicos
atendam às exigências ambientais.
A Margem Equatorial tornou-se o epicentro de uma disputa que opõe agendas econômicas
e socioambientais:
A liberação das simulações ocorre em meio a debates intensos no Congresso Nacional, com
pressão de parlamentares da base governista e da oposição.
O Ministério do Meio Ambiente, a Casa Civil e o Tribunal de Contas da União (TCU) acom-
panham o processo, atentos aos investimentos públicos e à conformidade com tratados inter-
nacionais de proteção ambiental.
172
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
A decisão também reverbera internacionalmente: o Brasil tem compromissos firmados
no Acordo de Paris e busca se projetar como líder em transição energética verde. A Margem
Equatorial, portanto, torna-se um teste decisivo para a credibilidade da política ambiental
brasileira.
Mais do que uma disputa sobre petróleo, a controvérsia da Margem Equatorial simboliza
um embate estrutural: como conciliar soberania energética, proteção ambiental e responsa-
bilidade intergeracional?
O que está em jogo não é apenas o futuro de um bloco de exploração, mas o modelo de
desenvolvimento que o Brasil quer seguir nas próximas décadas.
z Censo 2022 revela dados inéditos sobre autistas e pessoas com deficiência no Brasil129
Pela primeira vez na história, o Censo Demográfico 2022, divulgado em maio de 2025,
apresentou informações detalhadas sobre o transtorno do espectro autista (TEA) no Brasil.
A inclusão de dados sobre autismo foi viabilizada por uma lei de 2019, que determinou ao
IBGE a obrigatoriedade de incluir perguntas específicas sobre o transtorno em seus levanta-
mentos censitários.
Na área educacional, o Censo mostra que 2% dos alunos do ensino fundamental estão no
espectro autista, com maior incidência nos anos iniciais, quando a obrigatoriedade escolar
coincide com a idade média de diagnóstico.
A taxa de escolarização de autistas é superior à média nacional, o que pode refletir tan-
to o efeito de políticas de inclusão escolar quanto o impacto de laudos como passaporte para
acesso a direitos.
Contudo, especialistas alertam para a medicalização excessiva da infância, advertindo que
ATUALIDADES
129 SIQUEIRA, B. Censo 2022 identifica 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com autismo no Brasil. Agência de
Notícias IBGE, 2025. Disponível em: [Link]
cias/noticias/43464-censo-2022-identifica-2-4-milhoes-de-pessoas-diagnosticadas-com-autismo-no-brasil. Aces-
so em: 16 de jun. 2025. 173
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Recorte racial e regional: onde estão os autistas no Brasil?
A análise geográfica e racial dos dados revelou que os estados mais populosos — São Paulo
e Minas Gerais — concentram a maioria dos diagnósticos.
Em termos étnico-raciais, a prevalência é de 1,3% entre pessoas brancas, acima dos 1,1%
entre pretos e pardos, o que levanta questões sobre desigualdades de acesso ao diagnóstico e
aos serviços de saúde mental.
O levantamento reforça que pessoas com autismo têm direito aos mesmos benefícios
legais das pessoas com deficiência, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), desde
que comprovem a condição e atendam aos critérios socioeconômicos.
Esse reconhecimento jurídico fortalece a luta por inclusão plena e equidade no acesso a
políticas públicas, embora barreiras burocráticas e sociais ainda persistam.
Além do TEA, o Censo revelou que 7,3% dos brasileiros têm algum tipo de deficiência per-
manente — seja visual, auditiva, motora ou intelectual. A taxa é mais alta entre mulheres
e pessoas com mais de 70 anos, refletindo tanto o envelhecimento populacional quanto desi-
gualdades de gênero no cuidado e diagnóstico.
O Nordeste concentra a maior proporção de pessoas com deficiência, e a taxa de analfa-
betismo nesse grupo é quatro vezes superior à da população sem deficiência, escancarando
barreiras históricas de acesso à educação formal e à cidadania plena.
130 PIB cresce 1,4% no primeiro trimestre de 2025. Agência de Notícias IBGE, 2025. Disponível em: [Link]
174 com/448ryndw. Acesso em: 16 jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
O resultado surpreendeu analistas econômicos e posicionou o Brasil entre as cinco econo-
mias com maior expansão entre 49 países acompanhados por organismos internacionais
de estatísticas econômicas.
O avanço da atividade econômica teve como principal motor o setor de serviços, que
continua a ser o pilar da economia nacional, e a indústria de transformação, que apresentou
reação positiva diante da queda na taxa básica de juros (Selic).
Já a agropecuária, normalmente protagonista do crescimento brasileiro, teve uma con-
tribuição modesta neste início de ano, devido às condições climáticas adversas em algumas
regiões produtoras e ao recuo em exportações de commodities agrícolas.
Por outro lado, setores como tecnologia, energia e transporte tiveram crescimento
expressivo, demonstrando capacidade de adaptação a um cenário externo ainda instável.
Com a inflação sob controle e a continuidade do ciclo de queda da Selic, houve um estí-
mulo ao crédito e ao consumo das famílias, contribuindo para a retomada de investimentos
internos.
O mercado de trabalho formal também mostrou sinais positivos: houve aumento na gera-
ção de empregos com carteira assinada e uma redução na taxa de informalidade, o que for-
taleceu a massa salarial e o poder de compra da população.
175
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z O que é a Lei Global Magnitsky e por que Marco Rubio ameaçou aplicá-la contra Ale-
xandre de Moraes131
Aprovada em 2016 pelo Congresso dos EUA, a Global Magnitsky Act autoriza o governo
norte-americano a aplicar sanções unilaterais contra indivíduos estrangeiros acusados de:
Rubio, senador republicano pela Flórida e figura próxima de grupos conservadores brasi-
leiros no exterior, acusou Alexandre de Moraes de:
Rubio não apresentou provas concretas para justificar sanções, mas citou medidas como
bloqueio de redes sociais, prisões preventivas e investigações contra militantes da extrema
direita como base para suas alegações.
A Embaixada dos EUA no Brasil emitiu nota reafirmando o respeito às instituições bra-
sileiras e não endossou as declarações de Rubio;
131 O que é a Lei Global Magnitsky, que Marco Rubio ameaçou usar contra Alexandre de Moraes. BBC News, 2025.
176 Disponível em: https: //[Link]/portuguese/articles/ckg4d2n6exyo. Acesso em: 16 de jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, tratou o episódio com cautela, embora
diplomatas tenham sinalizado preocupação com a retórica externa sobre decisões do
Judiciário;
Parlamentares de diferentes espectros políticos criticaram a fala de Rubio como desres-
peitosa à soberania nacional; e
Assessores próximos a Moraes classificaram a ameaça como “improcedente e
desinformada”.
z Especialistas comentam
A ameaça de Marco Rubio evidencia como questões domésticas brasileiras podem ser extra-
poladas ao cenário internacional, especialmente em um contexto global de tensões ideológi-
cas, desinformação e polarização. Embora sem efeitos práticos imediatos, o episódio reforça
a necessidade de prudência diplomática e respeito mútuo entre instituições soberanas.
Um debate inusitado ganhou força em Portugal em maio de 2025: estaria o país europeu
sob uma espécie de “colonização cultural” do Brasil? A provocação, feita inicialmente em
tom jocoso por colunistas e influenciadores lusitanos, virou tema sério após a constatação do
domínio crescente da cultura brasileira em setores como música, televisão, redes sociais e até
mesmo na linguagem informal usada por jovens portugueses.
O fenômeno não é novo, mas ganhou intensidade nos últimos anos. Artistas brasileiros
lideram as paradas de sucesso em Portugal, influenciadores digitais brasileiros acumulam
milhões de seguidores portugueses e expressões como “top”, “balada” e “crush” têm sido
incorporadas ao vocabulário cotidiano.
O português europeu tem passado por mudanças fonéticas e lexicais, principalmente entre
adolescentes e jovens adultos.
A situação gerou reação entre setores mais conservadores e linguistas lusos, que enxer-
gam risco de perda da identidade cultural e linguística. Um editorial do jornal público chegou
ATUALIDADES
132 BRAUN, J. ‘Portugal colônia do Brasil?’: como influência brasileira gera tensão no país. BBC News Brasil, 2025.
Disponível em: https: //[Link]/portuguese/articles/czellpzll66o. Acesso em: 16 de jun. 2025. 177
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
No Brasil, intelectuais reagiram com ironia: para muitos, trata-se de uma resistência eli-
tista ao protagonismo da cultura periférica e popular brasileira, que finalmente ganha reco-
nhecimento internacional.
A tensão revela também a força do “soft power” brasileiro, que se projeta por meio de
novelas, músicas e plataformas digitais. Mais do que uma disputa de vocabulário ou costu-
mes, o caso reflete desequilíbrios históricos e novos contornos da globalização cultural.
Histórico do fenômeno
A influência cultural brasileira em Portugal vem crescendo desde o início do século XXI,
impulsionada por laços históricos e linguísticos compartilhados, mas também pelo grande
fluxo migratório e pela presença massiva de conteúdos midiáticos brasileiros.
Nos anos 2000, novelas brasileiras conquistaram espaço em canais portugueses, abrindo
caminho para o reconhecimento da música popular, do cinema e das expressões culturais
brasileiras.
Nos últimos anos, com a expansão das redes sociais e plataformas de streaming, essa
influência se intensificou de forma exponencial, especialmente entre as gerações mais jovens.
O brasileiro tornou-se um modelo de expressão informal e de produção cultural, enquan-
to o português europeu passa por mudanças aceleradas, que geram desconforto em setores
tradicionais.
Essa dinâmica cultural tem desafiado a ideia clássica de hegemonia cultural europeia
sobre o Brasil, invertendo temporariamente papéis e levantando debates sobre identidade e
poder simbólico.
133 VALBÃO, M. Guinness Book confirma recorde de show de Lady Gaga em Copacabana. CNN Brasil, 2025. Dispo-
nível em: https: //[Link]/entretenimento/guinness-book-confirma-recorde-de-show-de-lady-gaga-
178 -em-copacabana/. Acesso em: 16 de jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
A presença de Lady Gaga no Brasil reacendeu o debate sobre o uso de grandes eventos
como estratégia de promoção turística, especialmente em tempos de crise econômica.
z Pesquisa revela o Brasil como a nação mais miscigenada do planeta e expõe os refle-
xos históricos e geopolíticos da colonização e da escravidão na constituição genética
da população134
Uma pesquisa inédita publicada na prestigiosa revista científica Science revelou, por meio
da análise do genoma de 2,7 mil brasileiros de diferentes regiões, que o Brasil é o país mais
miscigenado do mundo.
O estudo traçou um panorama genético que traduz, com exatidão científica, os caminhos
históricos, sociais e geopolíticos que moldaram a nação brasileira ao longo de mais de cinco
séculos de colonização, escravidão e mobilidade populacional.
De acordo com os dados, o chamado “genoma brasileiro” é composto por cerca de 60%
de ancestralidade europeia, 27% africana e 13% indígena. A distribuição desses traços varia
conforme a região do país:
A partir de uma perspectiva geopolítica, esses dados genéticos não apenas revelam a
diversidade do povo brasileiro, mas também evidenciam as marcas duradouras de processos
134 ESTUDO diz que Brasil é um dos países mais miscigenados do planeta. Poder360, 2025. Disponível em: https://
[Link]/poder-saude/estudo-diz-que-brasil-e-um-dos-paises-mais-miscigenados-do-planeta/. Aces-
so em: 16 de jun. 2025. 179
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
históricos globais, como a colonização europeia, o tráfico transatlântico de escravizados e a
marginalização dos povos indígenas.
A composição do genoma brasileiro é, portanto, um espelho das hierarquias geopolíticas
impostas durante a era moderna, em que o Brasil se posicionava como periferia do sistema
colonial europeu e palco de um dos maiores experimentos forçados de mestiçagem do mun-
do ocidental.
Além disso, ao expor o impacto genético da violência colonial, o estudo oferece uma base
científica que fortalece os debates contemporâneos sobre desigualdade racial, reparações
históricas e reconhecimento dos direitos das populações negras e indígenas no Brasil.
A genética, nesse contexto, torna-se ferramenta de análise crítica da história e das relações
de poder que ainda hoje moldam o espaço social e político brasileiro.
A Educação a Distância (EaD) no Brasil passou por uma profunda reformulação com a assi-
natura de um novo decreto presidencial pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A medida, que estabelece a Nova Política Nacional de Educação a Distância, impõe novas
regras para a oferta de cursos superiores online, com o objetivo de garantir maior qualidade
de formação e integridade acadêmica.
A principal mudança é a proibição da modalidade EaD para cursos de alta complexidade e
responsabilidade social, como medicina, direito, odontologia, enfermagem e psicologia. Esses
cursos deverão, obrigatoriamente, ser ofertados exclusivamente no modelo presencial, aten-
dendo a uma antiga demanda de conselhos profissionais e especialistas da área da saúde e
do direito.
A medida representa um marco no reposicionamento do Brasil diante das práticas globais
de formação acadêmica, especialmente em um cenário em que o avanço tecnológico vinha
sendo explorado de forma intensa, porém muitas vezes sem o devido controle de qualidade.
Ao reforçar a obrigatoriedade da presencialidade em áreas críticas, o governo busca rea-
firmar a soberania do Estado sobre a formação profissional de setores essenciais, além de
evitar a mercantilização do ensino superior.
135 ASSINADO decreto que institui a Nova Política de EaD. GOV, 2025. Disponível em: https: //[Link]/mec/
pt-br/assuntos/noticias/2025/maio/assinado-decreto-que-institui-a-nova-politica-de-ead. Acesso em: 16 de jun.
180 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
A interação entre aluno e professor se torna central, e o ambiente virtual deve garantir
acompanhamento, avaliação contínua e engajamento efetivo.
Sob uma ótica geopolítica, essa mudança na política de EaD pode ser interpretada como
uma resposta estratégica do Brasil diante da globalização do ensino superior, que nos últimos
anos foi marcada por expansão desenfreada, desregulamentação e influência de conglome-
rados educacionais transnacionais.
O decreto de Lula marca uma tentativa de reconstruir a autonomia do país sobre sua políti-
ca educacional, em consonância com uma agenda de soberania e desenvolvimento nacional.
Ao proteger a formação de profissionais em áreas-chave, o Estado brasileiro evita a for-
mação massiva e desqualificada que poderia comprometer a segurança sanitária, jurídica e
social da população. Além disso, o fortalecimento do ensino presencial representa um inves-
timento nas instituições públicas e comunitárias, reafirmando o papel da educação como
bem público e estratégico para o desenvolvimento.
No dia 22 de maio de 2025, a ex-presidente Dilma Rousseff foi oficialmente anistiada pela
Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania em uma cerimônia
marcada por forte simbolismo político e histórico.
Dilma recebeu, além do reconhecimento formal da perseguição e tortura que sofreu
durante a Ditadura Militar, um pedido público de desculpas do Estado brasileiro e uma inde-
nização de R$ 100 mil referente à sua demissão da Fundação de Economia e Estatística do Rio
Grande do Sul, em 1977.
A anistia é o resultado de um processo iniciado há mais de duas décadas: o pedido original
foi protocolado por Dilma em 2002, mas foi suspenso por decisão da própria ex-presiden-
te, que optou por não dar seguimento enquanto exerceu cargos públicos — primeiro como
ministra e depois como presidente da República (2011–2016).
Em 2022, o pedido foi negado, o que motivou um recurso apresentado por Dilma. Agora,
em 2025, a comissão reviu a decisão anterior e reconheceu oficialmente os abusos cometidos
contra ela pelo regime militar.
Essa decisão tem implicações geopolíticas relevantes, pois reposiciona o Brasil no cenário
internacional como um país comprometido com os direitos humanos, a memória histórica
e a responsabilização institucional.
136 VERDÉLIO, A. Comissão aprova anistia para ex-presidente Dilma Rousseff. Agência Brasil, 2025. Disponível em:
[Link]
-dilma-rousseff. Acesso em: 16 de jun. 2025. 181
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Além disso, o gesto tem valor simbólico elevado: trata-se de uma mulher que foi presa,
torturada e perseguida por lutar contra a ditadura e que chegou à presidência da República,
sendo, agora, reconhecida como vítima de graves violações.
O pedido de desculpas oficial representa um ato de responsabilidade do Estado, que rom-
pe com décadas de omissão e silêncio institucional.
No dia 27 de maio, uma intensa onda polar — massa de ar extremamente fria proveniente
de regiões próximas ao Círculo Polar Antártico — atingiu o território brasileiro, provocando
uma queda brusca nas temperaturas e fenômenos raros para o país.
Neve foi registrada nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, um evento cli-
mático que, embora não inédito, é considerado incomum, especialmente diante das tempera-
turas médias típicas do outono tropical brasileiro.
A previsão meteorológica indica que o frio deverá persistir até a primeira semana de
junho, com o dia mais gelado previsto para 30 de maio, uma sexta-feira, quando os termôme-
tros devem atingir marcas mínimas históricas em diversas localidades.
Embora eventos como esse sejam parte do regime natural de frentes frias que atingem o
Cone Sul da América Latina durante o outono e o inverno, a intensidade e a frequência com
que ondas polares têm chegado ao Brasil e países vizinhos levantam preocupações sobre as
consequências das mudanças climáticas globais.
A Antártida — de onde essas massas de ar frio costumam se originar — tem sofrido com
degelo acelerado e instabilidade atmosférica, que alteram os padrões de circulação dos ven-
tos e das correntes oceânicas. Isso provoca uma maior oscilação entre extremos climáticos:
137 ONDA de ar polar: entenda fenômeno que deve causar neve no Sul do Brasil. InfoMoney, 2025. Disponível em:
https: //[Link]/brasil/onda-de-ar-polar-entenda-fenomeno-que-deve-causar-neve-no-sul-do-bra-
182 sil/. Acesso em: 16 de jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
ondas de calor intensas em pleno inverno e ondas de frio abruptas fora de época, fenôme-
nos que desafiam tanto o setor agrícola quanto as infraestruturas urbanas e energéticas da
região.
Além disso, o Brasil, por sua localização estratégica e tamanho continental, ocupa papel
relevante na geopolítica do clima. Seus biomas — como a Amazônia e o Cerrado — funcio-
nam como reguladores climáticos naturais, e a crescente instabilidade atmosférica reforça a
necessidade de políticas públicas integradas de adaptação climática, segurança energética e
monitoramento meteorológico.
z Após visita oficial de Lula a Pequim, China anuncia isenção de vistos para brasileiros
e promete até US$ 27 bilhões em investimentos, consolidando sua influência geopolí-
tica na América do Sul138
Em mais um movimento que fortalece a relação entre Brasil e China, a embaixada chine-
sa anunciou a isenção de vistos para cidadãos brasileiros que viajarem ao país asiático por
motivos de negócios, turismo, visitas familiares, intercâmbio ou trânsito, desde que a estadia
não ultrapasse 30 dias.
A nova política entrará em vigor no dia 1º de junho de 2025 , representando um avanço
diplomático significativo nas relações bilaterais, fruto direto da visita oficial do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva à China.
A medida facilita o trânsito de pessoas e amplia as oportunidades de cooperação em diver-
sas áreas, incluindo educação, comércio e inovação. Brasileiros não precisarão mais de visto
para viagens de curta duração, o que deve estimular o aumento do fluxo turístico e de negó-
cios entre as duas maiores economias dos hemisférios Sul e Oriental, respectivamente.
Durante o encontro bilateral, o presidente Xi Jinping anunciou uma linha de crédito de US$
ATUALIDADES
138 NA véspera de encontro com Xi Jinping, Lula anuncia R$ 27 bilhões de investimentos chineses no Brasil. Uol,
2025. Disponível em: https: //[Link]/ultimas-noticias/rfi/2025/05/12/na-vespera-de-encontro-com-xi-
-[Link]. Acesso em: 16 de jun. 2025. 183
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Além disso, os investimentos totais chineses no Brasil podem alcançar US$ 27 bilhões,
distribuídos entre áreas estratégicas como energia, transportes, logística, tecnologia e
agronegócio.
Esse aporte robusto reforça o papel da China como principal parceiro comercial do Bra-
sil, além de evidenciar a estratégia de Pequim de ampliar sua influência na América Latina
por meio de parcerias econômicas e diplomáticas de longo prazo.
A expansão desses vínculos está inserida na Iniciativa do Cinturão e Rota (BRI), um ambi-
cioso projeto geopolítico chinês que busca conectar países da Ásia, África e América Latina
por meio de investimentos em infraestrutura e integração econômica.
z Com o registro do primeiro caso em granja comercial no Rio Grande do Sul, dezenas
de países impõem restrições à carne de frango brasileira139
Embargo total à carne de aves de todo o Brasil: África do Sul, Argentina, Bolívia, Cana-
dá, Chile, China, Coreia do Sul, Filipinas, Iraque, Jordânia, Malásia, Marrocos, Méxi-
co, Paquistão, Peru, República Dominicana, Sri Lanka, Timor-Leste, União Europeia,
139 VEJA os países com embargos à carne de frango do Brasil após gripe aviária. G1, 2025. Disponível em: https:
//[Link]/economia/agronegocios/noticia/2025/05/28/governo-atualiza-lista-de-embargos-ao-frango-brasi-
184 [Link]. Acesso em: 16 de jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
União Eurasiática (Rússia, Bielorrússia, Armênia e Quirguistão — exceto Cazaquistão),
Uruguai;
Embargo regional (somente à carne de aves do Rio Grande do Sul): Bahrein, Bósnia
e Herzegovina, Cazaquistão, Cuba, Macedônia, Montenegro, Reino Unido, Tajiquistão,
Ucrânia;
Embargo local (apenas à cidade de Montenegro, RS — sem impacto comercial dire-
to): Arábia Saudita e Japão — não há frigoríficos exportadores nessa cidade, segundo o
governo brasileiro.
O impacto dessas restrições vai além do setor agropecuário e revela como questões sani-
tárias estão diretamente ligadas à geopolítica e à segurança alimentar global. O frango bra-
sileiro abastece cerca de 160 mercados internacionais, o que torna o país um ator central na
cadeia global de proteínas animais.
A gripe aviária é uma das doenças com maior potencial disruptivo no comércio interna-
cional de alimentos. Mesmo sem risco ao consumo, o simples registro da infecção em uma
granja comercial acende alertas sanitários e econômicos, exigindo do Brasil transparência,
rastreabilidade e diplomacia sanitária para reverter os embargos.
Essa situação também evidencia a vulnerabilidade de países altamente dependentes de
exportações agropecuárias, como o Brasil, e reforça a importância da diversificação de mer-
cados, investimentos em biossegurança e fortalecimento da vigilância sanitária.
O Ministério da Agricultura e Pecuária informou que tem dialogado com os países impor-
tadores para esclarecer que o foco é pontual e isolado, e que as medidas de contenção foram
imediatamente adotadas.
A meta é recuperar a confiança dos mercados e reverter os embargos o mais rápido possí-
vel, especialmente entre os parceiros comerciais mais estratégicos, como China, União Euro-
peia e Japão.
Essa crise reforça a necessidade de o Brasil investir em diplomacia sanitária, acelerar a
modernização da defesa agropecuária e desenvolver planos de resposta rápida para manter
sua posição de liderança global no agronegócio.
Mundo
ATUALIDADES
z O hoque dos titãs: Trump versus Musk e as consequências para a geopolítica e a eco-
nomia global140
140 ZURCHER, A. Trump x Musk: o que acontece quando homem mais rico do mundo enfrenta o mais poderoso?
BBC. 2025. Disponível em: https: //[Link]/portuguese/articles/c4g7yxz0832o. Acesso em: jun. 2025. 185
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
A recente efervescência na relação entre Donald Trump e Elon Musk transcende uma mera
disputa pessoal, revelando-se um episódio marcante com profundas implicações geográficas,
históricas e geopolíticas.
O embate, iniciado pela crítica de Musk a um projeto de lei republicano que visava elimi-
nar subsídios a veículos elétricos, escalou rapidamente, com Trump ameaçando cortar con-
tratos federais bilionários com empresas como Tesla, SpaceX e Starlink.
A resposta de Musk foi igualmente contundente, sugerindo uma ligação de Trump com
Jeffrey Epstein e chegando a pedir seu impeachment.
Historicamente, a relação entre o governo e grandes corporações nos Estados Unidos sem-
pre foi complexa e, muitas vezes, ambivalente. Desde os “barões ladrões” do século XIX, que
acumularam vastas fortunas e influência, até as gigantes de tecnologia da atualidade, a dinâ-
mica de poder oscilou entre a colaboração e o confronto.
O que torna o embate Trump-Musk particularmente notável é o rompimento de uma alian-
ça tácita entre duas figuras de imenso poder e visibilidade.
Anteriormente, Musk, embora excêntrico, era visto com certa simpatia por setores conser-
vadores, especialmente por suas críticas à regulação excessiva e seu foco em inovação.
A virada demonstra a fragilidade das alianças políticas e a disposição de Trump em utili-
zar o peso do governo para retaliar oponentes, mesmo que estes sejam peças-chave da eco-
nomia americana.
O pedido de impeachment por parte de Musk e a insinuação de envolvimento com Jeffrey
Epstein também evocam um passado de escândalos políticos e figuras controversas na his-
tória americana. A sombra de Epstein, com sua rede de contatos influentes e acusações de
tráfico sexual, adiciona uma camada sombria e explosiva a esta já volátil disputa.
z Cristina Kirchner condenada: cinco pontos que explicam o impacto da decisão histó-
rica da Suprema Corte argentina141
Cristina Kirchner foi condenada por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em contra-
tos que envolveram a empresa estatal de obras públicas.
A acusação sustenta que houve desvio de verbas públicas por meio de superfaturamento
ATUALIDADES
e favorecimento irregular de empresas ligadas a seus aliados políticos durante sua gestão
(2007–2015).
141 ENTENDA condenação de Cristina Kirchner por corrupção na Argentina. CNN Brasil, 2025. Disponível em:
https: //[Link]/internacional/entenda-condenacao-de-cristina-kirchner-por-corrupcao-na-argenti-
na/. Acesso em: jun. 2025. 187
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Reação política: acusação de perseguição e tentativa de interdição
O desfecho do caso Kirchner tem efeitos além das fronteiras argentinas, impactando as
relações políticas e econômicas da Argentina com seus vizinhos e parceiros sul-americanos.
O país é peça-chave no MERCOSUL e em blocos regionais, e a polarização política pode
influenciar alianças estratégicas e negociações comerciais em um momento de instabilidade
global.
z Trump reacende tensão migratória com bloqueio total a 12 países e restrições par-
ciais na América Latina142
No dia 4 de junho de 2025, o presidente Donald Trump assinou uma nova proclamação
presidencial que determinou o banimento absoluto da entrada de cidadãos de 12 países:
Afeganistão;
142 TRUMP proíbe entrada nos EUA de 12 nacionalidades em 2025. Mundial Vistos, 2025. Disponível em: https:
//[Link]/noticias/trump-proibe-entrada-nos-eua-de-12-nacionalidades-em-2025/. Acesso em: jun.
188 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Mianmar;
Chade;
República do Congo;
Guiné Equatorial;
Eritreia;
Haiti;
Irã;
Líbia;
Somália;
Sudão; e
Iêmen.
Além disso, outros sete países — Cuba, Venezuela, Burundi, Laos, Serra Leoa, Togo e Tur-
comenistão — passam a enfrentar restrições parciais, limitadas a categorias específicas de
vistos de turismo, de estudo e de trabalho.
Sob a justificativa de proteger a segurança nacional, a Casa Branca argumentou que esses
países apresentam falhas estruturais em seus sistemas de verificação de antecedentes, coope-
ração diplomática insuficiente e risco elevado de entrada de indivíduos considerados ameaça
à ordem interna dos Estados Unidos.
Os vistos emitidos anteriormente seguem válidos, mas novos pedidos foram suspensos por
tempo indeterminado, o que já afeta estudantes, trabalhadores temporários e turistas.
Do ponto de vista histórico, essa política retoma práticas polêmicas já vistas durante o
primeiro mandato de Trump (2017–2021), quando medidas semelhantes ficaram conhecidas
como “Muslim Ban”, por banirem majoritariamente nações de maioria islâmica e gerarem
forte contestação judicial.
Agora, a nova lista expande o alcance geográfico do bloqueio, atingindo também países da
África Subsaariana, Sudeste Asiático e América Latina, o que amplia o escopo geopolítico da
medida.
Geograficamente, observa-se que a maioria dos países alvo enfrenta instabilidade política
crônica, conflitos civis ou regimes autoritários. Muitos também sofrem com fragilidade insti-
tucional, o que dificulta acordos de cooperação migratória.
Na América Latina, o impacto é ainda mais simbólico: Cuba e Venezuela, já sob sanções
econômicas severas dos EUA, agora veem sua população ainda mais isolada, alimentando
tensões regionais e a retórica antiamericana de governos aliados.
A reação internacional foi imediata. O Chade, por exemplo, suspendeu a emissão de vistos
para cidadãos norte-americanos em retaliação direta, enquanto organizações multilaterais,
como a ONU e a União Africana, condenaram o ato como discriminatório e como potencial
violação de acordos internacionais de direitos humanos.
Internamente, o decreto reacendeu protestos em diversas cidades americanas e aprofun-
ATUALIDADES
O cenário político americano está cada vez mais polarizado, e a figura de Gavin Newsom,
atual governador da Califórnia, emergiu como um desafiador proeminente de Donald Trump.
O recente embate durante os protestos migratórios em Los Angeles, no qual Newsom acio-
nou judicialmente o governo federal para impedir o envio de tropas e acusou Trump de auto-
ritarismo, catapultou sua popularidade e o consolidou como uma voz importante no Partido
Democrata.
Newsom não é um nome novo na política californiana. Com uma trajetória que inclui os
cargos de ex-prefeito de São Francisco e vice-governador, ele construiu uma reputação de
político com posições progressistas firmes. Sua gestão tem sido marcada por políticas ambi-
ciosas em diversas frentes, refletindo os valores liberais que caracterizam a Califórnia.
No contexto ambiental, Newsom tem sido um defensor ferrenho de energias limpas,
impulsionando iniciativas para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e combater as
mudanças climáticas.
Em direitos civis, sua administração tem se destacado pela legalização da maconha para
uso recreativo e pela proteção a imigrantes, desafiando abertamente as políticas restritivas
do governo federal.
Na saúde pública, ele tem defendido a expansão do acesso a serviços e a proteção de direi-
tos reprodutivos, alinhando-se com a ala mais progressista de seu partido.
O confronto direto com Donald Trump, especialmente em um tema tão sensível como a
imigração, posicionou Newsom como um símbolo de resistência ao “trumpismo”.
A Califórnia, com sua grande população imigrante e sua forte economia, tem sido um con-
traponto constante às políticas da administração de Trump, que muitas vezes buscou centra-
lizar o poder federal e impor suas visões sobre os estados.
A ação judicial de Newsom contra o envio de tropas federais a Los Angeles ilustra a tensão
federativa nos Estados Unidos. A Califórnia, muitas vezes, atua como um “laboratório” de
políticas progressistas que podem, eventualmente, influenciar o cenário nacional.
4 SÍMBOLO da resistência a Trump, governador da Califórnia é única esperança de democratas. RFI, 2025. Disponí-
vel em: https: //[Link]/br/am%C3%A9ricas/20250612-s%C3%ADmbolo-da-resist%C3%AAncia-a-trump-governa-
190 dor-da-calif%C3%B3rnia-%C3%A9-%C3%BAnica-esperan%C3%A7a-de-democratas. Acesso em: jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
A popularidade de Newsom após esses episódios, confirmada por pesquisas recentes,
demonstra que há um eleitorado considerável que busca uma alternativa forte e assertiva às
narrativas de Trump.
A atuação de Gavin Newsom o coloca, sem dúvida, entre os principais nomes da ala demo-
crata para os próximos ciclos eleitorais. Com Joe Biden possivelmente não disputando a ree-
leição em 2028, Newsom emerge como um potencial presidenciável, com uma plataforma
sólida e uma base de apoio crescente.
A experiência de Newsom em gerir a maior economia estadual dos EUA, combinada com
sua capacidade de enfrentar diretamente as políticas conservadoras, o torna um candidato
atraente para o eleitorado democrata.
A Califórnia, além de sua relevância econômica e cultural, desempenha um papel signi-
ficativo na política nacional. A capacidade de Newsom de galvanizar o apoio e de se opor a
figuras como Trump não apenas fortalece sua posição dentro do partido, mas também molda
o discurso e as estratégias futuras dos democratas.
até mesmo de áreas urbanas centrais, que tradicionalmente concentram os atos de campa-
nha eleitoral e instituições do Estado.
A presença de grupos armados urbanos, incluindo gangues juvenis cooptadas por redes
criminosas maiores, reflete a persistente dificuldade do Estado colombiano em garantir
144 CUETO, J. C. A crise política que culminou no atentado contra Miguel Uribe na Colômbia. BBC News Brasil,
2025. Disponível em: https: //[Link]/portuguese/articles/c5y8mkd8rplo. Acesso em: jun. 2025. 191
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
segurança plena nas cidades, mesmo após acordos de paz com as Forças Armadas Revolucio-
nárias da Colômbia (FARC).
Sob a lente geopolítica, o episódio revelou as fragilidades da democracia colombiana em
um contexto de disputas entre forças progressistas, representadas por Petro, e a direita con-
servadora, personificada por Uribe
O atentado ocorreu em um momento de forte pressão internacional para que a Colômbia
consolidasse os processos de paz e avançasse na estabilização institucional. Uma escalada de
violência política poderia afetar relações externas, sobretudo com os Estados Unidos, tradi-
cional parceiro em temas de segurança e combate ao narcotráfico.
O agressor — um adolescente — expõe, ainda, uma questão social alarmante: o recruta-
mento de menores por grupos armados, um desafio histórico para as autoridades colombia-
nas, que enfrentam a convergência de pobreza urbana, violência e fragilidade educacional
como terreno fértil para a criminalidade organizada.
Em síntese, o atentado contra Miguel Uribe não é apenas um episódio isolado de violência,
mas um sinal de alerta sobre a persistência de estruturas de poder paralelas, a vulnerabilida-
de das instituições democráticas e os riscos de radicalização que podem marcar as próximas
eleições.
O caso amplia a urgência de políticas públicas que combatam a criminalidade juvenil,
fortaleçam a segurança eleitoral e restabeleçam a confiança na estabilidade política do país.
Portugal, país historicamente conhecido por sua abertura à imigração e laços com a comu-
nidade lusófona, está passando por uma revisão significativa de sua política migratória.
Em junho, o governo iniciou um processo de reavaliação de quase 34 mil pedidos de resi-
dência temporária que estavam pendentes há mais de dois anos. Essa medida, que pode levar
à expulsão de imigrantes, afeta particularmente brasileiros, bengaleses, indianos e cidadãos
da África lusófona, com uma projeção oficial de cerca de cinco mil brasileiros impactados.
145 MARTINS, M. Imigração em Portugal fica mais rígida: saiba quais são as novas regras para brasileiros em
2025. Eurodicas, 2025. Disponível em: https //[Link]/portugal-ajusta-politica-migratoria/. Acesso
192 em: jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z As razões do governo português: “insustentabilidade” e mudanças legais
Aumento do tempo de residência legal para cidadania: para a maioria das nacio-
nalidades, o período passou de cinco para 10 anos. Para cidadãos da Comunidade dos
Países de Língua Portuguesa (CPLP), incluindo brasileiros, o tempo aumentou de cinco
para sete anos;
Contagem do tempo de residência: agora, o período de residência é contado a partir
da emissão da primeira autorização de residência, e não da data da solicitação, o que
pode atrasar o processo de cidadania para muitos;
Novos requisitos de integração: será exigida proficiência na língua portuguesa (nível
A2) e conhecimento da cultura e dos valores cívicos portugueses, a ser comprovado por
meio de testes oficiais;
Restrições à reunificação familiar: agora, o residente deve ter, no mínimo, dois anos
de residência legal em Portugal antes de solicitar a reunificação, e apenas filhos meno-
res podem solicitá-la a partir de Portugal, os demais devem fazê-lo do exterior;
Fim da “manifestação de interesse”: este mecanismo popular, que permitia que imi-
grantes em Portugal solicitassem a regularização de sua situação mesmo sem um visto
inicial, tem sido gradualmente descontinuado, direcionando as solicitações para cami-
nhos legais mais formais;
Reforço do controle de fronteiras: o país busca implementar os sistemas europeus de
controle de entrada e saída (EES) e de informação e autorização de viagem (ETIAS) para
modernizar e tornar mais eficientes as fronteiras.
Essas mudanças, embora apresentadas como um esforço para organizar o sistema e pro-
mover uma melhor integração, são vistas por muitos como um movimento para reduzir o
número de imigrantes no país.
z Ucrânia desafia Rússia com ataque de drones de longo alcance: um “golpe significa-
tivo” na guerra146
No início de junho, a Ucrânia executou uma das operações mais audaciosas e impactantes
da guerra contra a Rússia. Utilizando drones de longo alcance que viajaram mais de 500 km
da fronteira, os ataques atingiram duas bases aéreas russas cruciais nas regiões de Voronej
e Saratov.
Essa ofensiva, que marcou a primeira vez que o exército ucraniano empregou drones
kamikaze com alcance superior a 1.000 km, representa um avanço tecnológico e estratégico
notável para Kiev.
146 UCRÂNIA lança ataque maciço de drones contra bases russas e atinge dezenas de bombardeiros. Poderae-
reo, 2025. Disponível em: https: //[Link]/2025/06/01/ucrania-lanca-ataque-massivo-de-drones-contra-
194 -bases-russas-e-atinge-mais-de-40-bombardeiros/. Acesso em: jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
demonstra não apenas o avanço da tecnologia de drones ucraniana, mas também a vulnera-
bilidade do território russo a ataques de retaguarda.
Essa nova capacidade de ataque pode forçar a Rússia a realocar recursos de defesa aérea
para proteger áreas mais profundas de seu território, potencialmente enfraquecendo suas
defesas nas linhas de frente.
Escalada da guerra: especialistas alertam que este ataque pode escalar a guerra, levan-
do Moscou a revidar com ainda mais intensidade. A Rússia, que já se sente provocada
pela assistência ocidental à Ucrânia, pode ver esses ataques em seu território como uma
linha vermelha cruzada, aumentando o risco de uma resposta desproporcional;
Capacidade de dissuasão nuclear: o fato de os bombardeiros estratégicos estarem
ligados ao poder de dissuasão nuclear russo adiciona uma camada de perigo à situação.
Embora seja improvável um uso imediato de armas nucleares, qualquer ameaça perce-
bida à capacidade nuclear russa é vista com extrema seriedade por Moscou;
Apoio ocidental: Kiev comemorou a ação como um símbolo de resistência e avanço
tecnológico, especialmente após novos acordos militares com aliados europeus. Esse
sucesso pode incentivar um maior apoio militar e financeiro do Ocidente à Ucrânia, já
que demonstra a eficácia do armamento e da estratégia ucraniana;
Internacionalização do conflito: a Rússia, por sua vez, reforçou a defesa de suas bases
e acusou países da Otan de fornecer armamento avançado à Ucrânia. Essa retórica
agrava o risco de internacionalização do conflito, transformando-o cada vez mais em
um embate entre a Rússia e a Otan, em vez de apenas Rússia e Ucrânia;
Guerra de drones: o avanço da Ucrânia no uso de drones de longo alcance redefine as
táticas de guerra modernas. Essa “guerra de drones” está provando ser uma ferramenta
eficaz para ataques assimétricos, permitindo que nações com menos recursos militares
convencionais causem danos significativos a adversários maiores.
ATUALIDADES
Esse audacioso ataque não é apenas um incidente isolado, mas um indicador claro da
evolução da guerra na Ucrânia e do impacto crescente da tecnologia no campo de batalha.
A capacidade da Ucrânia de atingir alvos estratégicos em território russo sem a necessidade
de aeronaves tripuladas representa uma nova fase do conflito, com implicações sérias para a
segurança regional e global.
195
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z Polônia vira à direita: Karol Nawrocki vence eleições com apoio de Trump e gera
temor na UE147
A Polônia acaba de eleger seu novo presidente, e o resultado promete remodelar a dinâmi-
ca política do país e suas relações com a União Europeia.
O conservador Karol Nawrocki, ex-presidente do Instituto da Memória Nacional, emergiu
vitorioso de uma disputa acirrada contra o liberal Rafał Trzaskowski, prefeito de Varsóvia,
obtendo 50,89% dos votos contra 49,11% de seu oponente.
Esse pleito, marcado por uma intensa polarização ideológica, focou em temas cruciais
como imigração, soberania nacional, políticas da União Europeia e direitos civis.
A vitória de Nawrocki não é um evento isolado, mas, sim, um reflexo de uma onda crescen-
te de nacionalismo e conservadorismo na Europa Central e Oriental.
Historicamente, a Polônia tem uma rica e complexa trajetória, marcada por longos perío-
dos de ocupação estrangeira e lutas por soberania, o que moldou uma forte identidade
nacionalista.
Após a queda do comunismo, o país abraçou o ocidente, tornando-se membro da Otan e
da União Europeia. No entanto, nos últimos anos, o sentimento nacionalista tem ressurgido,
impulsionado por questões como a crise migratória e a percepção de uma perda de soberania
para Bruxelas.
Geopoliticamente, a Polônia ocupa uma posição estratégica no leste europeu, fazendo fron-
teira com a Ucrânia e a Rússia. Isso confere ao país um papel crucial na segurança regional
e nas relações com a Otan. A ascensão de um líder conservador e cético em relação à União
Europeia pode impactar a coerência do bloco em temas-chave, especialmente em relação à
Rússia e à Aliança Atlântica.
Durante sua campanha, Karol Nawrocki prometeu ampliar políticas conservadoras e limi-
tar a influência da União Europeia sobre decisões domésticas
O discurso de Nawrocki focou intensamente na defesa da família tradicional e na manu-
tenção da “identidade cristã” da Polônia, ecoando sentimentos de parte da população que se
sente ameaçada por valores liberais e globalizantes.
A promessa de endurecer medidas contra ONGs estrangeiras também sinaliza um desejo
de controlar narrativas e atividades que o governo possa considerar contrárias aos interesses
nacionais.
A vitória de Nawrocki foi publicamente comemorada pelo presidente dos EUA, Donald
Trump, que mantém uma proximidade ideológica com o novo líder polonês. Essa aliança
entre líderes conservadores e nacionalistas globais, frequentemente caracterizada por um
147 ALIADO de Trump, conservador Karol Nawrocki vence eleições presidenciais na Polônia. G1, 2025. Disponí-
vel em: https: //[Link]/mundo/noticia/2025/06/02/conservador-karol-nawrocki-eleicoes-presidenciais-po-
196 [Link]. Acesso em: jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
ceticismo em relação a instituições supranacionais e uma ênfase na soberania nacional, tem
implicações para a geopolítica global.
Especialistas afirmam que a eleição de Nawrocki poderá tensionar ainda mais as relações
entre Varsóvia e Bruxelas. A União Europeia tem demonstrado preocupação com o Estado de
direito na Polônia, especialmente em temas como a independência do Judiciário, a liberdade
de imprensa e os direitos das minorias.
O governo anterior, liderado pelo partido Lei e Justiça (PiS), do qual Nawrocki faz parte, já
havia entrado em rota de colisão com a União Europeia em várias dessas questões, levando a
multas e bloqueio de fundos.
A oposição polonesa, liderada por Rafał Trzaskowski, já prometeu mobilizar manifesta-
ções e questionar judicialmente aspectos da votação, indicando que a polarização no país
persistirá e poderá se intensificar.
A Polônia se prepara, assim, para um período de turbulência política interna e redefinição
de seu papel no cenário europeu e global.
z Oriente Médio em crise: Israel ataca Irã e escalada ameaça guerra total e reconfigura
poder regional148
A já volátil situação no Oriente Médio atingiu um novo e perigoso patamar com o ataque
de Israel a alvos estratégicos no Irã, incluindo supostas instalações nucleares subterrâneas.
O governo israelense justificou a ação alegando que Teerã estava à beira de construir uma
bomba atômica, um “risco inaceitável” para sua segurança nacional.
A operação, realizada com mísseis de longo alcance, causou destruição significativa em
complexos militares iranianos, intensificando drasticamente o conflito na região.
148 ANÁLISE: Ataque de Israel ao Irã era uma crise já desenhada. CNN Brasil, 2025. Disponível em: https: //www.
[Link]/internacional/analise-ataque-de-israel-ao-ira-era-uma-crise-ja-desenhada/. Acesso em: jun. de
2025. 197
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Israel demonstra uma capacidade militar sofisticada, capaz de atingir alvos profundos no
território iraniano.
A localização do Irã, no cruzamento entre o Oriente Médio, Ásia Central e Sul da Ásia, con-
fere-lhe uma importância estratégica, controlando rotas de energia vitais.
A resposta iraniana ao ataque israelense foi imediata e alarmante: Teerã atacou bases dos
EUA no Iraque e ameaçou bombardear instalações militares da França e do Reino Unido caso
esses países apoiassem Israel. Essa escalada direta, que envolveu ataques a bases de uma
superpotência e ameaças a outras, demonstra a periculosidade da situação e o risco de um
conflito regional se transformar em algo muito maior.
A retórica inflamada de ambos os lados incendiou os ânimos no Oriente Médio. Milhares
de iranianos foram às ruas em protesto, muitos deles temendo que Teerã se tornasse uma
“nova Gaza”, aludindo à devastação sofrida pela faixa palestina. O cenário é de alerta máxi-
mo, com o risco de guerra aberta pairando sobre a região.
Especialistas apontam que a motivação de Israel para o ataque vai além do mero medo
nuclear. Embora a ameaça de um Irã nuclear seja uma preocupação central, a ofensiva tam-
bém é vista como um movimento estratégico para reafirmar sua influência regional em um
contexto de crescente presença de potências rivais como China e Rússia.
A crise atual no Oriente Médio é um lembrete sombrio da interconexão das tensões regio-
nais com a geopolítica global. A balança de poder está em constante redefinição, e a busca
por segurança e influência pode levar a ações com consequências imprevisíveis.
198
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z Crise no Oriente Médio: ataques dos EUA ao Irã desencadeiam reações regionais e
ameaçam economia global149
A recente escalada de tensões no Oriente Médio atingiu um ponto crítico com os ataques
diretos contra alvos subterrâneos no Irã, autorizados por Donald Trump.
Essa ofensiva, apresentada como resposta a mísseis lançados contra soldados americanos
e com o objetivo de “destruir de vez” o programa nuclear de Teerã, desencadeou uma série
de reações que reverberam em todo o mundo.
Com o Irã sob ataque, seus aliados regionais rapidamente intensificaram suas ações. O
grupo Hezbollah, no Líbano, aumentou seus ataques ao norte de Israel, sinalizando solidarie-
dade e ampliando o front de conflito.
Simultaneamente, milícias ligadas a Teerã no Iraque e na Síria também intensificaram
suas operações, demonstrando a capacidade do Irã de mobilizar proxies em diversas frentes,
criando um cenário de instabilidade generalizada.
A Rússia, embora mantendo uma posição cautelosa, reforçou seu apoio diplomático a Tee-
rã, sublinhando a complexidade das alianças globais.
Já a China, com seus vastos interesses energéticos e comerciais na região, posicionou-se
como uma potencial mediadora, buscando evitar a interrupção das cruciais rotas comerciais
de petróleo.
Nos bastidores, o Irã intensificou suas conversas com Moscou, buscando garantias milita-
res e econômicas em um momento de grande vulnerabilidade.
A decisão de Trump de autorizar ataques diretos contra alvos subterrâneos no Irã utili-
zando bombas antibunker foi recebida com divisão na opinião pública americana e gerou
149 ATAQUE dos Estados Unidos ao Irã gera repercussão internacional: ‘Inimigo de longa data’. O Globo, 2025. Dis-
ponível em: https: //[Link]/mundo/noticia/2025/06/21/ataque-dos-estados-unidos-ao-ira-gera-reper-
[Link]. Acesso em: jun. de 2025. 199
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
críticas até mesmo entre aliados republicanos. A justificativa de “destruir de vez” o programa
nuclear iraniano, embora ambiciosa, provou ser mais complexa na prática.
O Pentágono, posteriormente, divulgou que os ataques não conseguiram eliminar as prin-
cipais estruturas do programa nuclear iraniano. A ofensiva, que causou centenas de mor-
tes, foi amplamente considerada desproporcional por entidades internacionais, levantando
questões sobre a eficácia da estratégia e o custo humano da intervenção.
A resposta iraniana, incluindo o fechamento parcial do Estreito de Ormuz, demonstra a
capacidade de retaliação de Teerã e a complexidade de se engajar militarmente em uma
região tão volátil.
Essa crise no Oriente Médio sublinha a fragilidade do equilíbrio de poder na região e o
potencial de escalada global quando grandes potências se envolvem diretamente.
Trégua no Oriente Médio: ações de Trump, pressão chinesa e negociações nos bas-
tidores freiam a crise
Após 12 dias de intensa escalada, o Oriente Médio presenciou um respiro com o anúncio
de Donald Trump da suspensão das ofensivas americanas contra o Irã.
Essa decisão, que marcou um ponto de inflexão no conflito, foi resultado de uma comple-
xa rede de pressões geopolíticas e considerações internas, com a China emergindo como um
ator fundamental nos bastidores.
A forte pressão global foi determinante para a desescalada. Fontes diplomáticas revelaram
que a China exerceu um papel fundamental, pressionando tanto os Estados Unidos quanto o
Irã a recuarem.
A posição chinesa, motivada pelo interesse em proteger suas rotas comerciais de petróleo
e garantir a estabilidade econômica global, demonstra o crescente peso de Pequim nas crises
internacionais.
Internamente, a administração Trump enfrentou desafios significativos. O impacto econô-
mico de uma guerra prolongada, evidenciado pela disparada dos preços do petróleo e pela
instabilidade nos mercados, somado aos alertas do Pentágono sobre uma “guerra sem fim”,
levou Washington a optar por um cessar-fogo informal.
Essa decisão sublinha a complexidade de se sustentar uma escalada militar sem um custo
proibitivo para a economia e a opinião pública.
Israel também recuou, após ser alertado de que a permanência do conflito desgastaria sua
posição internacional.
A reputação de Israel, que já enfrenta escrutínio por suas ações em outros conflitos regio-
nais, poderia ser ainda mais comprometida por uma guerra prolongada com o Irã. Esse recuo
estratégico reflete a preocupação com a imagem global e o apoio de aliados.
O Irã, por sua vez, embora tenha afirmado que seu programa nuclear continua apenas
para fins civis, deixou claro que não aceitará mais ataques sem resposta.
200
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
A declaração iraniana, ainda que busque acalmar as preocupações internacionais sobre
sua intenção nuclear, também serve como um aviso sobre a linha vermelha de sua soberania.
Uma das consequências mais imediatas e cruciais da trégua foi a reabertura parcial do
Estreito de Ormuz. Esse vital gargalo marítimo, que esteve sob ameaça de fechamento total,
é essencial para o fluxo global de petróleo. Sua reabertura aliviou imediatamente as preocu-
pações sobre a segurança energética e estabilizou os preços do barril.
A Coreia do Norte deu um passo audacioso em seus esforços para estimular a economia
com a inauguração oficial do resort costeiro de Wonsan-Kalma em 24 de junho de 2025.
Localizado no litoral leste do país, o complexo turístico, desenvolvido ao longo de seis
anos, é uma aposta pessoal do líder Kim Jong-un, que o apresentou como o marco de uma
“nova era” para o turismo doméstico na cerimônia de abertura.
Com uma capacidade impressionante para acolher até 20 mil visitantes, o resort Wonsan-
-Kalma é uma estrutura ambiciosa para os padrões norte-coreanos. Ele ostenta uma gama de
instalações modernas, incluindo hotéis, restaurantes, um shopping, um parque aquático e
uma praia de quatro quilômetros. O design do complexo, que buscou inspiração em destinos
turísticos espanhóis como Benidorm, revela a tentativa de Kim Jong-un de criar uma expe-
riência de lazer que, embora voltada para o público interno, tem um toque de modernidade
e atração internacional.
A localização geográfica de Wonsan, cidade portuária e capital da província de Kangwon,
no Mar do Japão (também conhecido como Mar do Leste da Coreia), a torna um ponto estra-
tégico para o desenvolvimento do turismo costeiro. A escolha de uma região com potencial
ATUALIDADES
natural para o lazer revela uma visão de longo prazo voltada à diversificação da economia,
tradicionalmente focada na indústria e na agricultura.
150 NG, K. O resort de praia que é aposta de Kim Jong-un para estimular turismo na Coreia do Norte. Epocane-
gócios, 2025. Disponível em: https: //[Link]/mundo/noticia/2025/06/o-resort-de-praia-que-e-
-[Link]. Acesso em: jun. 2025. 201
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Desafios e restrições: o calcanhar de Aquiles do turismo externo
z Recessão global à vista? Banco Mundial alerta para desaceleração de EUA e China151
O Banco Mundial lançou um alerta preocupante para a economia global: há um risco imi-
nente de recessão, impulsionado principalmente pela desaceleração econômica das duas
maiores potências mundiais — Estados Unidos e China.
O relatório divulgado pela instituição destaca que, se o ritmo atual de queda no crescimen-
to se mantiver, as consequências poderão ser sentidas em todo o planeta.
151 ZANOBIA, L. Banco Mundial alerta para década de estagnação. Veja, 2025. Disponível em: https: //[Link].
202 [Link]/economia/banco-mundial-alerta-para-decada-de-estagnacao/#google_vignette. Acesso em: jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z Os motores da desaceleração: EUA e China
Nos Estados Unidos, o crescimento do PIB caiu para 0,9% no segundo trimestre, um núme-
ro que acende um sinal de alerta sobre a saúde da economia americana. Tradicionalmen-
te um motor de crescimento global, qualquer enfraquecimento significativo nos EUA tem
um efeito cascata em cadeias de suprimentos e demanda por produtos e serviços em todo o
mundo.
A China, por sua vez, reportou uma queda nas exportações e no consumo interno. A
segunda maior economia do mundo, com sua vasta capacidade produtiva e papel central nas
cadeias de suprimentos globais, é particularmente vulnerável a choques internos e externos.
A desaceleração chinesa não apenas afeta seus parceiros comerciais diretos, mas também
reduz a demanda por commodities, impactando países produtores.
O documento do Banco Mundial não se limita a apontar a desaceleração das duas potên-
cias. Ele também destaca riscos sistêmicos que podem agravar ainda mais o cenário:
203
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
A previsão do Banco Mundial para o crescimento global em 2025 caiu para 1,8%, um
número que representa um crescimento muito modesto e que acende o sinal de alerta para a
necessidade de coordenação internacional para evitar um cenário de recessão global.
A ativista sueca Greta Thunberg e o ativista brasileiro Thiago Ávila foram protagonistas de
um incidente que reacendeu o debate sobre o bloqueio à Faixa de Gaza e a liberdade de atua-
ção de grupos humanitários. Durante uma ação humanitária não autorizada com destino a
Gaza, o barco em que estavam foi interceptado pela marinha israelense em águas próximas
a Tel Aviv.
Historicamente, o bloqueio à Faixa de Gaza tem sido uma questão central no conflito israe-
lo-palestino. Imposto por Israel e Egito após a tomada de Gaza pelo Hamas em 2007, o blo-
queio visa isolar o grupo islâmico e impedir ataques contra Israel.
Diante disso, contudo, críticos argumentam que a medida afeta desproporcionalmente
a população civil, limitando severamente o fluxo de bens essenciais, o que agrava a crise
humanitária na já densamente povoada e empobrecida faixa de terra.
Geograficamente, a Faixa de Gaza é um enclave costeiro no Mediterrâneo, isolado por ter-
ra por Israel e Egito, e por mar por Israel. A única forma de acesso e saída controlada é por
meio de passagens terrestres rigidamente fiscalizadas ou pela via marítima, que é patrulha-
da pela Marinha israelense.
Essa característica geográfica intensifica a dependência de Gaza de ajuda externa, tornan-
do as tentativas de quebrar o bloqueio por mar um ato de alta visibilidade e simbolismo.
152 YOSEF, E.; LILIEHOLM, L. Greta Thunberg é deportada de Israel após tentar chegar a Gaza de barco. CNN
Brasil, 2025. Disponível em: https: //[Link]/internacional/greta-thunberg-e-deportada-de-israel-
204 apos-tentar-chegar-em-gaza-de-barco/. Acesso em: jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
A ação da Marinha israelense e a detenção dos ativistas dividiram opiniões globalmente.
Para alguns, a iniciativa dos ativistas foi vista como uma provocação política, buscando
visibilidade para a causa palestina e desafiando a soberania e as medidas de segurança de
Israel.
Para outros, foi uma tentativa legítima de pressionar o governo israelense a aliviar o blo-
queio e permitir a entrada de ajuda humanitária vital, sublinhando a urgência da situação
em Gaza.
O incidente também destaca o papel crescente de ativistas e organizações da sociedade
civil em conflitos geopolíticos. Ao usar plataformas globais e ações diretas, eles buscam cha-
mar a atenção para questões humanitárias e políticas que, de outra forma, poderiam ser
marginalizadas.
No entanto, essas ações muitas vezes colocam os ativistas em rota de colisão com gover-
nos, que as veem como violações de suas leis e ameaças à segurança nacional.
A deportação de Greta Thunberg e a detenção de Thiago Ávila, assim, tornaram-se mais
um capítulo na complexa e sensível narrativa do conflito israelo-palestino, evidenciando as
profundas divisões e as dificuldades em encontrar soluções humanitárias em meio a tensões
políticas e de segurança.
A aprovação dessa legislação histórica não ocorreu sem intensos debates que ecoaram em
esferas éticas, jurídicas e religiosas. Parlamentares favoráveis à medida enfatizaram o direi-
to à dignidade no fim da vida e a necessidade premente de evitar o sofrimento prolongado de
pacientes com doenças incuráveis.
A autonomia individual, a capacidade de tomar decisões sobre o próprio corpo e o próprio
destino, foi um dos pilares argumentativos centrais.
Para mitigar os riscos e atender às preocupações dos críticos, a proposta prevê critérios
rigorosos de avaliação e consentimento. Pacientes devem ter menos de seis meses de expec-
tativa de vida e a solicitação de auxílio médico para encerrar suas vidas deve ser avaliada por
dois médicos independentes, além de exigir autorização judicial. Essas salvaguardas visam
proteger pacientes vulneráveis de pressões indevidas e garantir que a decisão seja genuína
ATUALIDADES
e informada.
153 PARLAMENTO britânico aprova legalização do suicídio assistido. Uol, 2025. Disponível em: https: //noticias.
[Link]/ultimas-noticias/deutschewelle/2025/06/20/parlamento-britanico-aprova-legalizacao-do-suicidio-as-
[Link]. Acesso em: jun. 2025. 205
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Críticos, por sua vez, alertaram para o risco de abusos e para a possibilidade de que pacien-
tes em situações de fragilidade possam ser influenciados ou se sintam um fardo para suas
famílias.
A discussão também tocou na importância dos cuidados paliativos, argumentando que um
investimento maior nessa área poderia aliviar o sofrimento sem a necessidade de recorrer à
morte assistida.
Com essa decisão, o Reino Unido se junta a um grupo seleto, mas crescente, de países euro-
peus que avançaram em legislações sobre o fim da vida. Nações como a Bélgica e a Suíça já
têm leis de morte assistida ou eutanásia em vigor, e o debate continua ativo em outras partes
do continente.
Essa tendência reflete uma mudança de paradigma em muitas democracias ocidentais, nas
quais a secularização, o foco nos direitos individuais e os avanços da medicina têm impulsio-
nado a discussão sobre o controle pessoal sobre a morte.
Geopoliticamente, a aprovação britânica terá um impacto significativo. O Reino Unido,
sendo uma das maiores economias e potências culturais do mundo, serve como um prece-
dente importante. Especialistas apontam que a decisão deve reverberar em outras demo-
cracias ocidentais, reacendendo e intensificando discussões sobre autonomia individual e
cuidados paliativos em países nos quais o tema ainda é tabu ou legalmente proibido.
A legislação britânica pode, portanto, atuar como um catalisador para movimentos seme-
lhantes em outras jurisdições, influenciando futuras políticas de saúde e direitos humanos
em escala global.
A proposta ainda precisa passar pela Câmara dos Lordes antes de se tornar lei, o que indi-
ca que, embora um passo monumental tenha sido dado, o caminho para a implementação
final ainda pode apresentar desafios.
Brasil
154 CONGRESSO barra aumento de IOF e impõe derrota ao governo. DW, 2025. Disponível em: https: //[Link].
206 com/pt-br/congresso-barra-aumento-de-iof-e-impõe-derrota-ao-governo/a-73043230. Acesso em: jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
o risco de desestímulo ao consumo interno, especialmente em um cenário de recupera-
ção econômica desigual entre regiões do país;
o impacto negativo sobre o crédito e os pequenos negócios, que dependem fortemente
de operações financeiras para manter suas atividades;
a falta de alternativas estruturadas por parte do governo para equilibrar o orçamento
sem penalizar a população ou desestimular o setor produtivo.
Uma leitura geográfica, histórica e geopolítica da medida
z Desdobramentos possíveis
A derrubada da medida obriga o governo a repensar suas estratégias fiscais para o segun-
do semestre de 2025. Entre as alternativas debatidas nos bastidores estão:
Mais do que uma questão econômica, o episódio se tornou um indicador de força (ou fra-
queza) política. A falta de alinhamento entre o Executivo e o Congresso dificulta a aprovação
de medidas estruturantes e amplia o risco de instabilidade institucional em um ano marcado
por tensões sociais, estagnação econômica em algumas regiões e desafios no cumprimento
da meta fiscal.
207
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z Depoimento de Bolsonaro ao STF: negações, tensões institucionais e reflexos
geopolíticos155
O ex-presidente admitiu ter tido contato com uma minuta que sugeria medidas de exceção
— documento que circulou nos bastidores do Palácio da Alvorada. Segundo ele, o texto não
foi redigido por sua equipe, tampouco alterado por ele, e foi rapidamente descartado.
Geopoliticamente, esse tipo de documento chama atenção internacional por demonstrar
fragilidade institucional em uma das maiores democracias da América Latina.
Países observadores da estabilidade democrática brasileira — como Estados Unidos, União
Europeia e vizinhos do MERCOSUL — acompanham de perto tais episódios, pois afetam dire-
tamente a imagem e a previsibilidade política do Brasil no cenário internacional.
Durante o depoimento, Bolsonaro alegou ter mantido diálogos com militares e juristas a
respeito de alternativas para contestar judicialmente o resultado das urnas, mas reforçou
que todas as iniciativas respeitaram os “quatro limites constitucionais” — sem qualquer exe-
cução de medidas golpistas ou planejamento de intervenção militar.
Esse ponto revela uma tentativa de afastar-se da retórica golpista, que por meses mobi-
lizou parte da população, especialmente em áreas como Centro-Oeste e Sul, locais em que o
apoio ao ex-presidente é mais concentrado. Geograficamente, a adesão ao bolsonarismo foi
mais intensa em regiões interioranas, com forte presença agropecuária, setores tradicional-
mente mais conservadores.
155 BOECHAT, G.; VITTORAZZI, D. Entenda em 8 pontos o depoimento de Bolsonaro ao STF, CNN Brasil, 2025.
Disponível em: https ://[Link]/politica/entenda-em-8-pontos-o-depoimento-de-bolsonaro-ao-stf/.
208 Acesso em: jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Tom de reconciliação e desculpas públicas
O tom do depoimento surpreendeu parte da opinião pública: Bolsonaro adotou uma pos-
tura conciliatória, pediu desculpas diretamente ao ministro Alexandre de Moraes, negou
acusações de incitação e fez até uma brincadeira, convidando o próprio Moraes a ser seu
vice em 2026.
Ainda que pareça estratégica, essa mudança de retórica pode estar relacionada à pressão
jurídica e ao isolamento político crescente do ex-presidente, que busca evitar sanções penais
mais severas.
Em um ambiente político polarizado, a tentativa de “desarmar” os discursos tensionais
pode ser interpretada tanto como tática jurídica quanto como sinal de enfraquecimento da
base ideológica mais radicalizada.
de extradição, com o apoio da Interpol, que incluiu seu nome na lista de Difusão Vermelha
— mecanismo usado para capturar foragidos internacionais.
Além disso, Moraes determinou:
156 RODRIGUES, A. Condenação definitiva de Carla Zambelli expõe embate entre Ju-diciário e bolsonarismo e
repercute internacionalmente. AgenciaBrasil, 2025. Disponível em: https: //[Link]/politica/noti-
cia/2025-06/deputada-carla-zambelli-condenada-pelo-stf-deixa-o-brasil. Acesso em: jun. 2025. 209
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
bloqueio de bens, contas bancárias e do passaporte diplomático da parlamentar;
notificação às redes sociais para bloqueio de seus perfis, como forma de impedir a pro-
pagação de conteúdos considerados criminosos;
multa diária de R$ 50 mil caso ela ou terceiros publiquem novas mensagens que repli-
quem os delitos já julgados;
comunicação oficial à Câmara dos Deputados para que seja concretizada a cassação do
mandato parlamentar, o que tornará Zambelli inelegível por oito anos, conforme pre-
visto na Lei da Ficha Limpa.
Zambelli alega perseguição política, afirma estar fora do país por questões médicas e pro-
mete se entregar, embora até o momento não tenha retornado voluntariamente ao Brasil.
O episódio se insere em uma linha histórica marcada pela radicalização do discurso políti-
co no Brasil, intensificada desde as eleições de 2018. Parlamentares como Carla Zambelli têm
se notabilizado por atacar instituições, especialmente o STF e o TSE, o que levou a um clima
de tensão entre Poderes, especialmente durante e após o governo Bolsonaro.
A condenação da deputada também reflete um novo campo de disputa judicial: o espaço
digital. Ao invadir sistemas e divulgar informações falsas, Zambelli se inseriu no fenômeno
da desinformação como arma política, algo que já foi amplamente observado em outros paí-
ses, como nos EUA (caso Capitol Hill, 2021) e Hungria.
O caso de Zambelli evidencia uma geografia política peculiar. Sua base de apoio está forte-
mente enraizada em regiões do Sul e Sudeste, com destaque para áreas urbanas nas quais o
bolsonarismo conquistou influência entre as classes médias conservadoras.
A reação popular ao caso é desigual: enquanto grupos progressistas celebram a decisão
como sinal de fortalecimento institucional, apoiadores da deputada denunciam “judicializa-
ção da política”.
Essa polarização territorial e ideológica continua sendo um desafio para a unidade demo-
crática do Brasil, cujos efeitos se refletem em ações parlamentares, manifestações de rua e
ambientes digitais.
210
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
ao mundo os efeitos duradouros da radicalização política e da deterioração do debate demo-
crático em território brasileiro.
z STF impõe regras mais rígidas às big techs e redefine a responsabilidade digital no
Brasil157
Em junho de 2025, o Supremo Tribunal Federal proferiu uma decisão histórica que altera
profundamente a forma como as plataformas digitais — como Google, Meta, X (antigo Twit-
ter) e outras — devem lidar com conteúdos ilícitos publicados por terceiros.
A partir do novo entendimento, essas empresas poderão ser responsabilizadas civilmente
mesmo sem decisão judicial, desde que tenham sido notificadas extrajudicialmente e se omi-
tam quanto à remoção de conteúdos ilegais.
A decisão, que reinterpreta o art. 19 do Marco Civil da Internet, representa uma mudança
de paradigma na responsabilização de provedores digitais no Brasil e está sendo vista como
um marco regulatório provisório até que o Congresso Nacional aprove uma lei específica
sobre o tema.
Dessa forma, é possível elencar quatro pontos centrais da decisão:
z Responsabilidade sem decisão judicial: a partir de agora, plataformas que forem notifi-
cadas extrajudicialmente sobre conteúdos ilícitos — como incitação à violência, discurso
de ódio, racismo, pornografia infantil, entre outros — devem agir de forma célere para
removê-los. Caso contrário, podem ser responsabilizadas civil e financeiramente, mesmo
sem ordem judicial formal;
z Proteção aos direitos fundamentais: o STF justificou sua decisão afirmando que a medi-
da visa proteger a integridade, a dignidade humana e a democracia brasileira. Conteú-
dos com potencial de violar direitos fundamentais devem ser tratados com urgência pelas
empresas, que não podem mais alegar neutralidade tecnológica diante de notificações cla-
ras e específicas;
ATUALIDADES
157 SCHREIBER, M. Regras mais duras sobre ‘big techs’: 4 pontos para entender o que muda com decisão do STF.
BBC, 2025. Disponível em: https: //[Link]/portuguese/articles/cm2lxnnly88o. Acesso em: jun. 2025. 211
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
não se trata de censura, mas de responsabilização proporcional e temporária até que o
Legislativo aprove um marco regulatório atualizado;
z Pressão sobre o Congresso Nacional: o Supremo Tribunal Federal foi claro ao afirmar
que a decisão não substitui uma legislação clara e moderna. O julgamento funciona como
uma norma provisória, estabelecendo diretrizes mínimas de conduta para as platafor-
mas digitais, enquanto o Congresso não finaliza uma lei específica de regulação das redes
sociais e dos provedores de conteúdo.
empresas de tecnologia estão sob alerta para rever suas políticas internas de modera-
ção de conteúdo e criar canais mais ágeis de resposta a notificações extrajudiciais;
parlamentares terão de acelerar a tramitação de projetos como o Projeto de Lei (PL) das
Fake News, que se encontra travado no Congresso desde 2020;
a sociedade civil, especialmente instituições de proteção aos direitos humanos, consi-
dera a decisão uma vitória contra o caos informacional que fragiliza o debate público e
ameaça o pacto democrático.
158 AQUINO, Y. Lula pede a Macron que ‘abra o coração’ para concluir acordo Mercosul-EU. Agência GOV, 2025.
Disponível em: https: //[Link]/noticias/202506/lula-pede-a-macron-que-201cabra-o-coracao201d-
212 para-a-conclusao-do-acordo-mercosul-e-uniao-europeia. Acesso em: jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
A visita do presidente Emmanuel Macron ao Brasil, em 2025, foi marcada por discursos
diplomáticos e gestos simbólicos de cordialidade, mas ocultou fissuras profundas em temas
geopolíticos e comerciais sensíveis.
Ainda que os chefes de Estado tenham declarado alinhamento em pautas ambientais,
como a preservação da Amazônia e a necessidade de reformar o Conselho de Segurança da
ONU, os bastidores revelaram divergências que funcionam como o “calcanhar de Aquiles” da
relação bilateral.
A principal fonte de tensão foi o acordo comercial entre MERCOSUL e União Europeia,
que há mais de 20 anos está em negociação. Macron mantém uma postura crítica e exige
contrapartidas ambientais mais rígidas, especialmente no controle do desmatamento e nas
garantias de sustentabilidade na produção agropecuária brasileira.
Do lado brasileiro, essas exigências são vistas como ingerência sobre a soberania nacional
e barreiras disfarçadas de preocupações ecológicas. O governo Lula busca reabilitar a ima-
gem ambiental do Brasil, mas recusa-se a aceitar condicionalidades consideradas excessiva-
mente punitivas para o setor produtivo nacional — especialmente o agronegócio.
Olhar geográfico
O embate entre Brasil e França também reflete interesses territoriais e econômicos espe-
cíficos. Enquanto o Brasil defende o direito ao desenvolvimento sustentável da Amazônia
Legal, a França, por meio da Guiana Francesa, mantém uma posição estratégica na fronteira
amazônica, com interesses diretos na região. A Amazônia, portanto, não é apenas uma pauta
ambiental, mas um ativo geopolítico de peso.
Outro ponto sensível que emergiu discretamente foi o veto da França à adesão do Brasil
à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A negativa, tratada
com discrição nos meios oficiais, foi classificada por interlocutores do Planalto como “golpe
diplomático”, visto que o Brasil já havia cumprido diversas exigências técnicas e regulatórias
para o ingresso.
Esse gesto francês é interpretado como uma tentativa de manter o Brasil fora de fóruns
decisórios internacionais de alto nível, enfraquecendo sua influência global e, indiretamen-
te, preservando o protagonismo europeu no cenário multilateral.
ATUALIDADES
Historicamente, as relações entre Brasil e França têm oscilado entre cooperação cultu-
ral e embates geopolíticos, especialmente em áreas como defesa, meio ambiente e comércio
internacional.
213
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
A negativa à entrada na OCDE e a rigidez nas negociações do acordo com o Mercosul reve-
lam uma França mais protecionista, cautelosa quanto à ascensão dos BRICS (Brasil, Rússia,
Índia, China, África do Sul) e de países emergentes em espaços de poder global.
Apesar de fotos sorridentes, compromissos conjuntos e falas afinadas diante das câme-
ras, os líderes saíram da visita sem acordos concretos em temas-chave. Para observadores
da política internacional, a visita de Macron foi um gesto de presença geopolítica, e não um
gesto de confiança mútua.
No atual contexto de reconfiguração das alianças globais — com a ascensão de uma nova
ordem multipolar, o fortalecimento da China, a guerra na Ucrânia e a crise climática —, a
relação entre Brasil e França se tornou ainda mais estratégica, mas também mais conflituosa.
Ambos os países disputam narrativas sobre soberania, meio ambiente e integração econômi-
ca, em um jogo que exige equilíbrio entre interesses internos e compromissos multilaterais.
Dessa forma, o relacionamento entre Lula e Macron ilustra o dilema do Brasil no cenário
internacional: ser uma potência ambiental respeitada sem abrir mão de seu crescimento
econômico. A visita mostrou que, embora o diálogo diplomático exista, as divergências estru-
turais continuam a impedir uma aliança sólida e sem reservas.
z O avanço evangélico no Brasil: Censo 2022 projeta nova maioria religiosa até 2049159
Se mantida a trajetória observada entre 2010 e 2022, os evangélicos podem se tornar maio-
ria religiosa até 2049. Entretanto, especialistas alertam para um possível “teto de crescimen-
to”: o dinamismo observado nas últimas décadas parece estar se desacelerando, o que pode
adiar ou até impedir a ultrapassagem definitiva do catolicismo.
Além disso, há grandes variações regionais. Em estados da Região Norte, como Acre e
Rondônia, os evangélicos já ultrapassaram os católicos, tornando-se o grupo religioso predo-
minante. A expansão é particularmente intensa nas Regiões Norte e Nordeste, locais histori-
camente associados à força do catolicismo popular.
159 ALVES, J. E. D. A transição religiosa no Brasil: 1872-2049. Instituto Humanitas Unisinos, 2025. Disponível em:
https: //[Link]/categorias/653160-a-transicao-religiosa-no-brasil-1872-2049-artigo-de-jose-eustaquio-
214 diniz-alves. Acesso em: jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Esse crescimento está ligado a mudanças urbanas, maior penetração midiática das igrejas
evangélicas e atuação social em comunidades vulneráveis.
Uma análise geográfica destaca onde e como cresce o movimento evangélico. Do ponto de
vista geográfico, o crescimento evangélico tem sido mais acentuado:
nas periferias urbanas das grandes metrópoles (como Rio de Janeiro, São Paulo, Recife
e Salvador);
no interior do Norte e do Centro-Oeste, em que a presença institucional do Estado é mais
frágil e as igrejas suprem serviços sociais, apoio emocional e redes de pertencimento;
nas cidades médias em crescimento acelerado, nas quais os evangélicos têm sido prota-
gonistas de projetos sociais e culturais.
Historicamente, o Brasil foi considerado o maior país católico do mundo, fruto da coloni-
zação portuguesa e da forte ligação entre Igreja e Estado até o século XIX. A partir da Procla-
mação da República (1889) e da separação entre Igreja e Estado, novas religiões começaram
a emergir com mais liberdade, mas foi apenas a partir da segunda metade do século XX que
o movimento evangélico ganhou força.
O boom evangélico das últimas décadas se alimentou de estratégias como:
O crescimento evangélico no Brasil não se restringe à espiritualidade — ele está cada vez
mais presente na política, na economia e na cultura.
Nas últimas eleições gerais, o segmento evangélico foi cortejado por diversos candidatos
e consolidou uma bancada no Congresso Nacional que atua com agenda própria, a chamada
Bancada Evangélica.
Essa bancada tem influência direta em:
ATUALIDADES
215
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
No plano internacional, a ascensão dos evangélicos no Brasil tem despertado o interesse
de grupos religiosos transnacionais, especialmente dos Estados Unidos, que mantêm redes
missionárias, financeiras e políticas com lideranças evangélicas brasileiras.
O fluxo georreligioso reforça uma aliança ideológica conservadora no Sul Global, com
impacto nas relações exteriores e na cooperação internacional em temas de direitos huma-
nos e diversidade.
A possível transformação dos evangélicos em maioria religiosa no Brasil não é apenas uma
estatística demográfica: trata-se de uma mudança cultural, política e institucional com efeitos
profundos na esfera pública, no sistema eleitoral e na formulação de políticas públicas.
A pluralização religiosa do país exige também respostas estatais e sociais mais inclusivas,
capazes de garantir a laicidade do Estado e o direito à diversidade religiosa, como assegura o
art. 5º da Constituição Federal, de 1988.
Em junho de 2025, uma frase dita em tom jocoso pelo governador de Santa Catarina, Jorgi-
nho Mello (PL), durante um evento em Curitiba, reacendeu um debate sensível e recorrente
na política brasileira: o separatismo regional.
Ao afirmar que, “se não funcionar lá pra cima [Brasília], passamos uma trena para cá e
fazemos do Sul o nosso país”, o governador fez alusão ao movimento “O Sul é o Meu País”,
que propõe a independência dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Embora a fala tenha sido tratada como brincadeira política, ela resgata questões históricas
mal resolvidas sobre o equilíbrio federativo, a autonomia regional e a identidade cultural do
Sul.
160 GOVERNADOR de Santa Catarina fala em fazer o ‘país do Sul’: de onde vem o separatismo sulista?. G1, 2025.
Disponível em: https: //[Link]/sc/santa-catarina/noticia/2025/06/18/governador-de-santa-catarina-fala-
216 -[Link]. Acesso em: jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Esses episódios, embora distintos, alimentaram um imaginário de resistência regional,
frequentemente invocado por defensores da autonomia do Sul frente ao governo central.
Criado em 1992, o movimento “O Sul é o Meu País” ganhou força como resposta ao que
seus membros chamam de “injustiça fiscal”. Os argumentos centrais são:
Apesar das reivindicações, o apoio efetivo é limitado. Dados apontam cerca de 30 mil filia-
dos, e plebiscitos informais realizados nos últimos anos reuniram cerca de 300 mil votos, o
que representa menos de 2% do eleitorado regional.
clima subtropical, com produção agrícola mecanizada (soja, trigo, milho), pecuária de
precisão e forte presença da indústria têxtil, metalúrgica e alimentícia;
alto IDH em relação à média nacional e maior taxa de escolarização, o que contribui
para um sentimento de “eficiência regional”;
forte identidade cultural, com elementos europeus preservados (alemães, italianos,
poloneses), especialmente em cidades do interior.
Esses fatores alimentam a ideia de “exceção regional”, mas não significam autossuficiên-
cia plena, como mostraram as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024 e 2025, que exigiram
apoio emergencial da União.
Assim, ainda que o discurso separatista seja mobilizado como crítica simbólica à centrali-
zação de poder, não há base jurídica ou política real para sua concretização.
217
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z Geopolítica interna: federalismo, ressentimento e autonomia
A fala de Jorginho Mello está inserida em uma tensão mais ampla sobre o modelo fede-
rativo brasileiro, que concentra muitos recursos e competências em Brasília, gerando res-
sentimentos regionais — não apenas no Sul, mas também no Norte e Nordeste, em sentido
inverso, por conta da dependência estrutural de repasses federais.
Do ponto de vista geopolítico, o Brasil enfrenta o desafio de construir uma coesão nacional
baseada em diversidade, reconhecendo as particularidades locais sem romper com a unida-
de nacional.
Em 3 de junho de 2025, a Justiça Federal de São Paulo condenou o humorista Leo Lins a
oito anos, três meses e nove dias de prisão em regime fechado, além do pagamento de multa
e indenização por danos morais coletivos.
A decisão foi proferida pela 3ª Vara Criminal Federal de São Paulo, que considerou que
as piadas feitas durante o show “Perturbador”, veiculado em 2022, configuraram discurso
de ódio disfarçado de humor, atingindo grupos vulneráveis como pessoas com deficiência,
indígenas, negros e populações periféricas.
A sentença se apoia em normas legais de proteção à dignidade humana, incluindo a Lei
nº 7.716, de 1989 (Lei do Racismo), e o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146, de
2015), reconhecendo que a liberdade de expressão não é um salvo-conduto para incitar o
preconceito e a exclusão social.
Gravidade das ofensas: as falas não apenas reproduziam estereótipos, mas incitavam
a desumanização de grupos historicamente marginalizados;
161 CONDENAÇÃO de Léo Lins reacende debate sobre limites do humor e da liberdade de expressão; veja o que
dizem juristas. G1, 2025. Disponível em: https: //[Link]/sp/sao-paulo/noticia/2025/06/04/condenacao-
-[Link].
218 Acesso em: jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Alcance massivo: o show teve mais de três milhões de visualizações, o que amplificou
o impacto social negativo das declarações;
Reiteração de conduta: o humorista foi advertido por órgãos de fiscalização anterior-
mente, mas manteve práticas discriminatórias em nome da “liberdade artística”.
a dignidade da pessoa humana (inciso III, do art. 1º, da Constituição Federal, de 1988);
o direito à igualdade e à não discriminação (art. 5º da Constituição Federal, de 1988);
o respeito aos direitos das pessoas com deficiência e das minorias étnico-raciais.
Segundo o Ministério Público, piadas com teor capacitista, racista ou xenofóbico não con-
figuram liberdade artística, mas ofensa sistemática aos direitos humanos.
O caso Leo Lins evidencia como o uso do humor pode variar de instrumento de denúncia
social para veículo de violência simbólica, dependendo do contexto, da intenção e do alvo
das piadas.
Análise geográfica
As piadas de Leo Lins foram especialmente direcionadas a pessoas com deficiência, comu-
nidades indígenas e moradores de regiões periféricas, atingindo grupos concentrados, em
sua maioria, nas Regiões Norte e Nordeste e em zonas urbanas marginalizadas.
O fato destacado reforça a desigualdade espacial da representação social no Brasil, em que
humoristas de grandes centros urbanos — geralmente brancos e de classe média — utilizam
do riso para reforçar estigmas sobre populações que vivem em contextos de vulnerabilidade
extrema.
219
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Geopolítica da informação: discurso de ódio nas redes e regulação de plataformas
A difusão do show nas redes sociais amplia o debate para o campo da geopolítica da infor-
mação. Plataformas digitais como YouTube e Instagram têm sido territórios de disputa entre
liberdade e regulação, especialmente diante do avanço global de discurso de ódio, desinfor-
mação e ataques à dignidade humana.
O Brasil segue uma tendência internacional, observada em países como Alemanha, França
e Austrália, que vêm punindo conteúdos considerados ofensivos, mesmo quando apresenta-
dos com tom humorístico.
A responsabilização penal de influenciadores e artistas é vista como necessária para pre-
servar os valores democráticos e os direitos das minorias.
A sentença provocou forte polarização nas redes sociais. De um lado, juristas, ativistas e
entidades de defesa dos direitos humanos celebraram a decisão como um avanço na respon-
sabilização de quem usa a arte para reforçar opressões. De outro, influenciadores e defenso-
res do humor “sem limites” acusaram a justiça de praticar censura e perseguição ideológica.
A pena em regime fechado também chamou atenção, sendo interpretada por especialistas
como exemplar, no sentido de desestimular comportamentos semelhantes e reforçar o papel
do Judiciário na defesa da diversidade e da dignidade.
10 anos após a epidemia de zika vírus que assolou o Brasil em 2015, pesquisadores e auto-
ridades de saúde reforçam um alerta essencial: a crise sanitária não foi apenas viral, mas
também ambiental, social e geográfica.
O surgimento de “bolsões de microcefalia”, com alta concentração de casos em determina-
das regiões, especialmente no Nordeste brasileiro, expôs um padrão alarmante de vulnera-
bilidade estrutural.
Estudos recentes revelam que a infecção pelo zika vírus se somou a fatores agravantes
como exposição a agrotóxicos, toxinas na água, desnutrição, ausência de saneamento básico
e acesso precário à saúde. O resultado foi uma incidência desproporcional de malformações
congênitas em comunidades periféricas e rurais, nas quais o impacto do vírus foi mais severo
e persistente.
162 ZIKA: 10 anos do surto que mudou a história da saúde materno e infantil no País. Agência Gov, 2025. Disponível
em: https: //[Link]/noticias/202506/zika-10-anos-do-surto-que-mudou-a-historia-da-saude-mater-
220 no-e-infantil-no-brasil. Acesso em: jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z Como surgiram os “bolsões de microcefalia”?
Embora o zika vírus seja o agente etiológico da síndrome congênita do zika, os cientistas
demonstraram que condições socioambientais adversas amplificaram o risco e a gravidade
da doença. Os principais fatores associados foram:
A geografia da microcefalia no Brasil não foi aleatória: ela espelhou um padrão de desi-
gualdade histórica e regional. Enquanto capitais do Sul e Sudeste tiveram números baixos e
bem controlados de casos, cidades nordestinas pequenas e sem estrutura de saúde pública
adequada concentraram milhares de nascimentos com sequelas neurológicas.
Destaques territoriais:
Pernambuco foi o epicentro inicial, com centenas de casos confirmados logo após o
surto;
Paraíba, Rio Grande do Norte e Bahia também apresentaram elevadas taxas de
incidência;
as áreas rurais foram desproporcionalmente afetadas, com acesso limitado a pré-natal,
saneamento e água potável.
Esses dados reforçam a interseção entre saúde pública, exclusão social e território, confir-
mando que as epidemias no Brasil seguem fronteiras geográficas da desigualdade.
Em 2015 e 2016, o Brasil foi o epicentro mundial da epidemia de zika, o que levou a decla-
rações de emergência internacional por parte da Organização Mundial da Saúde (OMS).
ATUALIDADES
O caso brasileiro da zika com microcefalia tornou-se referência internacional sobre como
crises sanitárias impactam mais intensamente populações empobrecidas e negligenciadas.
Diante disso, a epidemia evidenciou:
O Brasil foi alvo de críticas, mas também serviu como estudo de caso para políticas futuras
de enfrentamento a arboviroses em países do Sul Global, em que há confluência entre pobre-
za estrutural e vulnerabilidade ambiental.
As crianças afetadas pela síndrome congênita do zika enfrentam múltiplos desafios até
hoje:
A epidemia revelou mais do que uma falha na resposta sanitária: evidenciou também um
modelo de sociedade que normaliza a desigualdade e ignora os efeitos de longo prazo da
negligência ambiental sobre a saúde humana.
z Tragédia nos céus da Serra Catarinense reacende debate sobre segurança no turismo
de aventura163
163 ACIDENTE com balão em Santa Catarina deixa oito mortos. BBC News, 2025. Disponível em: https: //[Link].
222 com/portuguese/articles/c335eg8x340o. Acesso em: jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Um acidente fatal com balão de ar quente ocorrido na região serrana de Santa Catarina
deixou oito mortos, entre eles o piloto e integrantes de uma mesma família que realizavam
um passeio turístico nos arredores da cidade de São Joaquim.
A tragédia ocorreu durante um voo realizado em condições climáticas instáveis, com
neblina densa, ventos cruzados e baixa visibilidade, fatores que dificultaram tanto o pouso
de emergência quanto o trabalho das equipes de resgate.
O episódio comoveu o país e reacendeu o debate sobre a regulamentação e fiscalização do
turismo de aventura, especialmente em ambientes naturais de risco elevado, como é o caso
das regiões montanhosas e climáticas instáveis do Sul do Brasil.
falta de exigência legal padronizada para operadores turísticos, que podem atuar com
ATUALIDADES
223
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
z Acidentes anteriores e lições não aprendidas
Apesar de parecerem raros, acidentes com balões já ocorreram em outras regiões do Brasil
e do mundo. Em 2013, no Egito, um acidente similar causou a morte de 19 turistas, levando o
país a endurecer a regulação da atividade.
No Brasil, há registros de acidentes pontuais em estados como São Paulo e Goiás, mas
nenhum com a letalidade observada agora em Santa Catarina.
A repetição desses eventos reforça a necessidade de uma agenda nacional de segurança em turismo de aven-
tura, sob responsabilidade conjunta da Agência Nacional de Aviação Civil, Ministério do Turismo, Defesa
Civil e governos estaduais.
O acidente com o balão em Santa Catarina representa mais do que uma tragédia isolada.
Ele expõe falhas sistêmicas na regulamentação de atividades turísticas radicais e evidencia a
urgência de criar políticas públicas de turismo seguro, que conciliem liberdade econômica,
desenvolvimento local e proteção à vida humana.
z Tragédia na Indonésia: brasileira Juliana Marins morre após queda em vulcão ativo164
164 PIERRE, E.; NASCIMENTO, R. Juliana Marins, brasileira que caiu em trilha de vulcão na Indonésia, é encontra-
da morta. G1, 2025. Disponível em: https: //[Link]/rj/rio-de-janeiro/noticia/2025/06/24/[Link]-
224 ml. Acesso em: jun. 2025.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Os rascunhos iniciais da operação de resgate indicaram que Juliana foi localizada por meio
de drones, antes de ser finalmente alcançada por equipes que enfrentaram neblina intensa,
terreno instável e extrema dificuldade de acesso.
A operação de salvamento durou quatro dias, com resgatistas utilizando drones térmicos,
cordas e deslocamento terrestre. O mau tempo foi um fator crucial, impedindo o uso de heli-
cópteros e dificultando os esforços.
Em um primeiro momento, Juliana foi avistada consciente, mas, tragicamente, após escor-
regar ainda mais, perdeu contato com as equipes. Quando finalmente encontrada, ela apre-
sentava fraturas múltiplas causadas pela queda. A remoção do corpo ocorreu no dia seguinte,
após uma melhora nas condições climáticas.
O Monte Rinjani, onde a tragédia ocorreu, é um dos vulcões mais proeminentes da Indo-
nésia e um destino popular para trekking, apesar de sua natureza ativa. Localizado na ilha
de Lombok, a leste de Bali, faz parte do “Anel de Fogo do Pacífico”, uma região conhecida por
sua intensa atividade sísmica e vulcânica.
A beleza cênica de Rinjani, com seu lago de cratera e vistas panorâmicas, atrai milhares de
aventureiros anualmente. No entanto, sua natureza vulcânica e o terreno desafiador, espe-
cialmente em condições climáticas adversas, o tornam um local de risco para trilhas.
Esse incidente reforça a necessidade de conscientização sobre os perigos associados ao
turismo de aventura em áreas naturais instáveis.
No Brasil, a notícia gerou uma onda de comoção. O Itamaraty confirmou o caso e enviou
dois diplomatas para prestar assistência à família. A prefeitura de Niterói e o governo federal
tramitaram um decreto para custear o translado do corpo de Juliana.
Em um gesto significativo, o senador Romário protocolou o projeto de lei “Lei Juliana
Marins”, visando garantir a repatriação de vítimas brasileiras no exterior, abordando uma
lacuna legal que frequentemente impõe um grande fardo financeiro e emocional às famílias.
O trágico episódio reacendeu debates importantes sobre diversos temas:
treinamento de equipes.
A morte de Juliana Marins serve como um lembrete doloroso dos riscos inerentes ao turis-
mo de aventura e da importância da prudência e da preparação ao explorar ambientes natu-
rais desafiadores.
225
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
ARTIGOS 1º AO 13; 34 AO 38 DA LEI N.º 13.146/2015
A proteção dos direitos das pessoas com deficiência, tanto no Brasil quanto no mundo, é
algo bem recente. Na realidade, a preocupação da sociedade com essa parcela da popula-
ção faz parte de um discurso atual, resultado da forma como essas pessoas passaram a ser
percebidas.
É importante ressaltar que, de acordo com a lei em comento, considera-se pessoa com defi-
ciência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual
ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação
plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.
É possível visualizar, ao longo da história, que as pessoas com deficiência foram encaradas
de quatro modos diferentes, conforme cada período temporal. A primeira fase foi a de into-
lerância em relação às pessoas com deficiência, pois, segundo acreditava-se, simbolizavam a
impureza, o pecado, ou, até mesmo, o castigo divino. A segunda foi a fase marcada pela invi-
sibilidade das pessoas com deficiência. Dela, decorreu a terceira fase, marcada pelo assisten-
cialismo e pautada na perspectiva médica e biológica de que a deficiência era uma patologia
e, como tal, deveria ser curada. Por fim, a quarta fase voltou-se para os direitos humanos,
promovendo a inclusão social, com ênfase na relação da pessoa com deficiência e do meio
em que ela está inserida.
Até mesmo a forma de referir-se a essas pessoas é fruto de uma construção histórica. A
partir de 1993, a nomenclatura mudou para “portadores de necessidades especiais”, “pessoas
com necessidades especiais”, “pessoas especiais”, “portadores de direitos especiais”. Atual-
mente, utiliza-se “pessoa com deficiência”.
Como consequência dessas mudanças no modo de ver/encarar a pessoa com deficiência,
surgiu o dever de eliminar os obstáculos que pudessem impedir o pleno exercício de seus
direitos, de modo a possibilitar o desenvolvimento de suas potencialidades, com autonomia
e participação.
Nesse contexto, iniciou-se um sistema de proteção internacional, exigindo dos Estados um
tratamento especializado para a proteção aos direitos das pessoas com deficiência. Entre os
instrumentos de proteção realizados, encontra-se a Convenção sobre os Direitos das Pessoas
com Deficiência, de 2006. O texto dessa convenção foi assinado no ano de 2007 e incorporado
ao ordenamento jurídico brasileiro no ano de 2009 pelo Decreto nº 6.949.
A importância do Decreto nº 6.949, de 2009, é imensa, uma vez que ele foi o primeiro
tratado internacional de direitos humanos a adotar a norma do § 3º, art. 5º, da Constituição
Federal, ou seja, a seguir o mesmo rito de aprovação cabível para as emendas constitucionais
(aprovação em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos
dos respectivos membros).
Como resultado, tal decreto passou a ter status de norma constitucional (mesmo valor
normativo das leis dispostas na Constituição Federal, mesmo sem fazer parte dela). Por essa
razão, o Brasil precisou promover alterações legislativas para “assegurar e promover o pleno
exercício de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais por todas as pessoas com
deficiência”, em conformidade com o item 1 da Convenção.
Assim, foi editada, em 6 de julho de 2015, a Lei nº 13.146, com o objetivo de dar cumpri-
mento à Convenção.
226
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Antes de iniciar nosso estudo, é preciso ter em mente que, para melhor compreender a Lei
nº 13.146, de 2015, é primordial entender sua estrutura e identificar as ideias mais importan-
tes da legislação, uma vez que as bancas tendem a cobrar o que se denomina “literalidade das
ideias”, ou seja, os pontos principais de cada artigo com base em sua estrutura, não havendo,
para tanto, a necessidade de decorá-los. O estudo deve ter atenção especial à parte relati-
va aos crimes e infrações administrativas, por ser esse o ponto mais cobrado pelas bancas
examinadoras.
Feitas essas considerações iniciais, bons estudos!
A Lei nº 13.146, de 2015, é dividida em duas partes: geral e especial. A parte geral tem,
como base, os princípios da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, disci-
plinando, além desses, os direitos fundamentais das pessoas com deficiência. Já a parte espe-
cial é composta pelos meios de proteção, quais sejam: o acesso à justiça e reconhecimento
igual perante a lei e aos crimes e infrações administrativas.
Iniciando pela parte geral, os arts. 1º a 3º da mencionada lei introduzem o tema, estabele-
cendo suas disposições gerais.
Art. 1º É instituída a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa
com Deficiência), destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício
dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão
social e cidadania.
Parágrafo único. Esta Lei tem como base a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Defi-
ciência e seu Protocolo Facultativo, ratificados pelo Congresso Nacional por meio do Decreto
Legislativo nº 186, de 9 de julho de 2008 , em conformidade com o procedimento previsto no
§ 3º do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil , em vigor para o Brasil, no
plano jurídico externo, desde 31 de agosto de 2008, e promulgados pelo Decreto nº 6.949, de 25
de agosto de 2009 , data de início de sua vigência no plano interno.
De acordo com o art. 1º, o objetivo da legislação é assegurar e promover o exercício dos
direitos e das liberdades fundamentais da pessoa com deficiência em iguais condições com
ATUALIDADES
os demais, de modo a garantir sua inclusão social e cidadania. Seu parágrafo único deixa
claro que a Lei nº 13.146, de 2015, decorre da Convenção (juntamente com seus protocolos),
sendo incorporada no ordenamento jurídico brasileiro com status de emenda constitucional,
conforme explanado.
O art. 2º preocupou-se em dar o conceito de pessoa com deficiência. Em termos gerais,
considera-se pessoa com deficiência aquela que possui impedimento de longo prazo, sen-
do este de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, que pode, de alguma forma,
227
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
causar barreiras ou obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades
de condições com as demais pessoas.
Além de conceituar pessoas com deficiência, o art. 2º trouxe, em seus parágrafos, a manei-
ra como deve ser procedida a avaliação para caracterizar essas pessoas. O § 1º estabele-
ce que a avaliação será realizada por uma equipe multiprofissional e interdisciplinar, de
modo a considerar os aspectos que permeiam o indivíduo (todo o contexto social). Para deter-
minar ou não a deficiência, a equipe analisará três enfoques: biológico, psicológico e social.
Vejamos:
Art. 2º Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de
natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais bar-
reiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições
com as demais pessoas.
§ 1º A avaliação da deficiência, quando necessária, será biopsicossocial, realizada por equipe
multiprofissional e interdisciplinar e considerará:
I - os impedimentos nas funções e nas estruturas do corpo;
II - os fatores socioambientais, psicológicos e pessoais;
III - a limitação no desempenho de atividades;
IV - a restrição de participação.
§ 2º O Poder Executivo criará instrumentos para avaliação da deficiência.
O § 2º, por sua vez, estabelece que compete ao Poder Executivo a criação dos instrumentos
normativos para a verificação da deficiência.
Importante!
A competência é do Poder Executivo, e não do Poder Legislativo.
Art. 2º […]
§ 3º O exame médico-pericial componente da avaliação biopsicossocial da deficiência de que
trata o § 1º deste artigo poderá ser realizado com o uso de tecnologia de telemedicina ou por
análise documental conforme situações e requisitos definidos em regulamento.
Conforme visto, foi incluído pela Lei nº 14.724, de 2023, o § 3º ao art. 2º, da Lei nº 13.146,
de 2015, que tem como principal objetivo a redução de gastos e a celeridade no processo de
avaliação e diagnóstico de pessoas com deficiência.
Portanto, a Lei nº 14.724, de 2023, buscou facilitar o acesso da pessoa com deficiência aos
228 seus direitos e garantias, razão pela qual ela não precisará mais se deslocar até um local
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
específico para fazer o exame médico-pericial, podendo fazê-lo pela internet ou por meio de
documentos que comprovem a sua condição.
O art. 2º-A trata da instituição do cordão de fita com desenhos de girassóis como símbolo
nacional de identificação de pessoas com deficiências ocultas. Essas deficiências são aquelas
que não são percebidas de imediato, como é o caso da surdez e do autismo.
O § 1º ressalta que o uso do símbolo é opcional e que a sua ausência não prejudica o exer-
cício de leis e direitos já previstos.
Por fim, o § 2º dispõe que a utilização do símbolo não dispensa a apresentação de docu-
mento que comprove a deficiência, caso ele venha a ser solicitado por atendente ou autori-
dade competente.
Art. 2º-A É instituído o cordão de fita com desenhos de girassóis como símbolo nacional de
identificação de pessoas com deficiências ocultas.
§ 1º O uso do símbolo de que trata o caput deste artigo é opcional, e sua ausência não prejudi-
ca o exercício de direitos e garantias previstos em lei.
§ 2º A utilização do símbolo de que trata o caput deste artigo não dispensa a apresentação de
documento comprobatório da deficiência, caso seja solicitado pelo atendente ou pela autori-
dade competente.
O art. 3º apresenta outros conceitos para aplicação e entendimento da legislação. São eles:
z acessibilidade;
z desenho universal;
z tecnologia assistiva ou ajuda técnica;
z barreiras;
z comunicação;
z adaptações razoáveis;
z elemento de urbanização;
z mobiliário urbano;
z pessoa com mobilidade reduzida;
z residências inclusivas;
z moradia para a vida independente da pessoa com deficiência;
z atendente pessoal;
z profissional de apoio escolar;
z acompanhante.
Art. 3º [...]
I - acessibilidade: possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e auto-
nomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação
ATUALIDADES
e comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias, bem como de outros serviços e insta-
lações abertos ao público, de uso público ou privados de uso coletivo, tanto na zona urbana
como na rural, por pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida.
Refere-se ao fato de que o produto ou serviço deve ser utilizado por todas as pessoas, inde-
pendentemente de elas terem ou não alguma deficiência.
Art. 3º [...]
III - tecnologia assistiva ou ajuda técnica: produtos, equipamentos, dispositivos, recursos,
metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivem promover a funcionalidade, rela-
cionada à atividade e à participação da pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida,
visando à sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social.
Art. 3º [...]
IV - barreiras: qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que limite ou impeça a
participação social da pessoa, bem como o gozo, a fruição e o exercício de seus direitos à aces-
sibilidade, à liberdade de movimento e de expressão, à comunicação, ao acesso à informação,
à compreensão, à circulação com segurança, entre outros, classificadas em:
a) barreiras urbanísticas: as existentes nas vias e nos espaços públicos e privados abertos ao
público ou de uso coletivo;
b) barreiras arquitetônicas: as existentes nos edifícios públicos e privados;
c) barreiras nos transportes: as existentes nos sistemas e meios de transportes;
d) barreiras nas comunicações e na informação: qualquer entrave, obstáculo, atitude ou com-
portamento que dificulte ou impossibilite a expressão ou o recebimento de mensagens e de
informações por intermédio de sistemas de comunicação e de tecnologia da informação;
e) barreiras atitudinais: atitudes ou comportamentos que impeçam ou prejudiquem a parti-
cipação social da pessoa com deficiência em igualdade de condições e oportunidades com as
demais pessoas;
f) barreiras tecnológicas: as que dificultam ou impedem o acesso da pessoa com deficiência às
tecnologias.
Por barreiras, entende-se qualquer obstáculo que impeça ou limite a participação social
da pessoa com deficiência. As barreiras podem estar nos espaços públicos e privados de uso
coletivo (urbanísticas), nas edificações (arquitetônicas), nos transportes, nas comunicações,
nas atitudes (atitudinais) e na dificuldade de acesso às tecnologias (tecnológicas).
Nesse sentido, vejamos o fluxograma que segue:
230
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Urbanísticas
Arquitetônicas
Nos transportes
BARREIRAS
Tecnológicas
Atitudinais
Nas comunicações e na informação
Art. 3º [...]
V - comunicação: forma de interação dos cidadãos que abrange, entre outras opções, as
línguas, inclusive a Língua Brasileira de Sinais (Libras), a visualização de textos, o Braille, o
sistema de sinalização ou de comunicação tátil, os caracteres ampliados, os dispositivos mul-
timídia, assim como a linguagem simples, escrita e oral, os sistemas auditivos e os meios de
voz digitalizados e os modos, meios e formatos aumentativos e alternativos de comunicação,
incluindo as tecnologias da informação e das comunicações;
VI - adaptações razoáveis: adaptações, modificações e ajustes necessários e adequados que
não acarretem ônus desproporcional e indevido, quando requeridos em cada caso, a fim de
assegurar que a pessoa com deficiência possa gozar ou exercer, em igualdade de condições e
oportunidades com as demais pessoas, todos os direitos e liberdades fundamentais;
VII - elemento de urbanização: quaisquer componentes de obras de urbanização, tais como
os referentes a pavimentação, saneamento, encanamento para esgotos, distribuição de ener-
gia elétrica e de gás, iluminação pública, serviços de comunicação, abastecimento e distribui-
ção de água, paisagismo e os que materializam as indicações do planejamento urbanístico;
VIII - mobiliário urbano: conjunto de objetos existentes nas vias e nos espaços públicos,
superpostos ou adicionados aos elementos de urbanização ou de edificação, de forma que
sua modificação ou seu traslado não provoque alterações substanciais nesses elementos, tais
como semáforos, postes de sinalização e similares, terminais e pontos de acesso coletivo às
telecomunicações, fontes de água, lixeiras, toldos, marquises, bancos, quiosques e quaisquer
outros de natureza análoga;
IX - pessoa com mobilidade reduzida: aquela que tenha, por qualquer motivo, dificulda-
de de movimentação, permanente ou temporária, gerando redução efetiva da mobilidade, da
flexibilidade, da coordenação motora ou da percepção, incluindo idoso, gestante, lactante,
pessoa com criança de colo e obeso;
X - residências inclusivas: unidades de oferta do Serviço de Acolhimento do Sistema Único
de Assistência Social (SUAS) localizadas em áreas residenciais da comunidade, com estruturas
adequadas, que possam contar com apoio psicossocial para o atendimento das necessidades
da pessoa acolhida, destinadas a jovens e adultos com deficiência, em situação de dependên-
cia, que não dispõem de condições de autossustentabilidade e com vínculos familiares fragili-
zados ou rompidos.
ATUALIDADES
As residências inclusivas têm caráter de assistência para aquelas pessoas com deficiência
que são dependentes, porém não possuem vínculos familiares capazes de lhes dar suporte.
231
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Art. 3º [...]
XI - moradia para a vida independente da pessoa com deficiência: moradia com estruturas
adequadas capazes de proporcionar serviços de apoio coletivos e individualizados que respei-
tem e ampliem o grau de autonomia de jovens e adultos com deficiência.
Art. 3º [...]
XII - atendente pessoal: pessoa, membro ou não da família, que, com ou sem remuneração,
assiste ou presta cuidados básicos e essenciais à pessoa com deficiência no exercício de suas
atividades diárias, excluídas as técnicas ou os procedimentos identificados com profissões
legalmente estabelecidas;
XIII - profissional de apoio escolar: pessoa que exerce atividades de alimentação, higiene e
locomoção do estudante com deficiência e atua em todas as atividades escolares nas quais
se fizer necessária, em todos os níveis e modalidades de ensino, em instituições públicas e
privadas, excluídas as técnicas ou os procedimentos identificados com profissões legalmente
estabelecidas;
XIV - acompanhante: aquele que acompanha a pessoa com deficiência, podendo ou não desem-
penhar as funções de atendente pessoal.
Art. 4º Toda pessoa com deficiência tem direito à igualdade de oportunidades com as demais
pessoas e não sofrerá nenhuma espécie de discriminação.
§ 1º Considera-se discriminação em razão da deficiência toda forma de distinção, restrição
ou exclusão, por ação ou omissão, que tenha o propósito ou o efeito de prejudicar, impedir ou
anular o reconhecimento ou o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais de pessoa
com deficiência, incluindo a recusa de adaptações razoáveis e de fornecimento de tecnologias
assistivas.
§ 2º A pessoa com deficiência não está obrigada à fruição de benefícios decorrentes de ação
afirmativa.
232
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Ação Impedir, prejudicar ou anular o
DISTINÇÃO Distinção reconhecimento ou o exercício
EM RAZÃO DA Restrição dos direitos e das liberdades
DEFICIÊNCIA Exclusão fundamentais de pessoas com
Omissão deficiência
É importante esclarecer que a igualdade trazida pela Lei nº 13.146, de 2015, não é impo-
sitiva, ou seja, as ações afirmativas constantes da lei não são obrigatórias às pessoas com
deficiência, pois, se elas não quiserem se beneficiar dos direitos elencados, não serão obriga-
das a isso. Por exemplo: a pessoa com deficiência não é obrigada a inscrever-se para vagas
reservadas, podendo concorrer às vagas de ampla concorrência se assim desejar.
Art. 5º A pessoa com deficiência será protegida de toda forma de negligência, discriminação,
exploração, violência, tortura, crueldade, opressão e tratamento desumano ou degradante.
Parágrafo único. Para os fins da proteção mencionada no caput deste artigo, são considerados
especialmente vulneráveis a criança, o adolescente, a mulher e o idoso, com deficiência.
O art. 5º, por sua vez, trata da proteção da pessoa com deficiência, de modo a afastar toda
forma de tortura ou outro mecanismo de redução da dignidade da pessoa humana ao assegu-
rar a proteção contra negligência, discriminação, exploração, violência, tortura, crueldade,
opressão e tratamento desumano ou degradante.
Seu parágrafo único traz um conceito importante: especialmente vulneráveis. Conside-
rando que a pessoa com deficiência já é vulnerável e, por essa razão, merece a proteção espe-
cial, maior deve ser a proteção de crianças, adolescentes, mulheres e idosos quando estes
possuem deficiência.
Art. 6º A deficiência não afeta a plena capacidade civil da pessoa, inclusive para:
I - casar-se e constituir união estável;
II - exercer direitos sexuais e reprodutivos;
III - exercer o direito de decidir sobre o número de filhos e de ter acesso a informações adequa-
das sobre reprodução e planejamento familiar;
IV - conservar sua fertilidade, sendo vedada a esterilização compulsória;
V - exercer o direito à família e à convivência familiar e comunitária; e
VI - exercer o direito à guarda, à tutela, à curatela e à adoção, como adotante ou adotando, em
igualdade de oportunidades com as demais pessoas.
Vale considerar, também, o art. 6º da lei, que concedeu às pessoas com deficiência a plena
capacidade para o exercício de seus direitos, inclusive para:
ATUALIDADES
Dica
Até a entrada em vigor da Lei nº 13.146, de 2015, as pessoas com deficiência eram tidas,
em regra, de forma absoluta ou relativamente incapazes pelo Código Civil. Atualmente, a
regra é que elas são plenamente capazes, só sendo consideradas relativamente incapazes
se, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade.
Art. 8º É dever do Estado, da sociedade e da família assegurar à pessoa com deficiência, com
prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à sexualidade, à paternidade
e à maternidade, à alimentação, à habitação, à educação, à profissionalização, ao trabalho,
à previdência social, à habilitação e à reabilitação, ao transporte, à acessibilidade, à cultura,
ao desporto, ao turismo, ao lazer, à informação, à comunicação, aos avanços científicos e tec-
nológicos, à dignidade, ao respeito, à liberdade, à convivência familiar e comunitária, entre
outros decorrentes da Constituição Federal, da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência e seu Protocolo Facultativo e das leis e de outras normas que garantam seu bem-
-estar pessoal, social e econômico.
Do Atendimento Prioritário
Art. 9º A pessoa com deficiência tem direito a receber atendimento prioritário, sobretudo com
a finalidade de:
I - proteção e socorro em quaisquer circunstâncias;
II - atendimento em todas as instituições e serviços de atendimento ao público;
III - disponibilização de recursos, tanto humanos quanto tecnológicos, que garantam atendi-
mento em igualdade de condições com as demais pessoas;
IV - disponibilização de pontos de parada, estações e terminais acessíveis de transporte coleti-
vo de passageiros e garantia de segurança no embarque e no desembarque;
V - acesso a informações e disponibilização de recursos de comunicação acessíveis;
234
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
VI - recebimento de restituição de imposto de renda;
VII - tramitação processual e procedimentos judiciais e administrativos em que for parte ou
interessada, em todos os atos e diligências.
§ 1º Os direitos previstos neste artigo são extensivos ao acompanhante da pessoa com defi-
ciência ou ao seu atendente pessoal, exceto quanto ao disposto nos incisos VI e VII deste artigo.
§ 2º Nos serviços de emergência públicos e privados, a prioridade conferida por esta Lei é con-
dicionada aos protocolos de atendimento médico.
Os arts. 10 ao 78 traçam os direitos das pessoas com deficiência. São eles os que estudare-
mos neste momento. Veja-os a seguir:
z vida;
z habitação e reabilitação;
z saúde;
z educação;
z moradia;
z trabalho;
z assistente social;
ATUALIDADES
z previdência social;
z cultura, esporte, turismo e lazer;
z transporte;
z mobilidade;
z acessibilidade.
235
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Do Direito à Vida
O direito à vida encontra-se previsto nos arts. 10 ao 13, da Lei nº 13.146, de 2015, e dele
decorrem os demais direitos, pois sem a vida não existiria nenhum outro. Vejamos separada-
mente cada dispositivo:
Art. 10 Compete ao poder público garantir a dignidade da pessoa com deficiência ao longo de
toda a vida.
Parágrafo único. Em situações de risco, emergência ou estado de calamidade pública, a pessoa
com deficiência será considerada vulnerável, devendo o poder público adotar medidas para
sua proteção e segurança.
Art. 11 A pessoa com deficiência não poderá ser obrigada a se submeter a intervenção clínica
ou cirúrgica, a tratamento ou a institucionalização forçada.
Parágrafo único. O consentimento da pessoa com deficiência em situação de curatela poderá
ser suprido, na forma da lei.
Ademais, a pessoa com deficiência poderá exercer os atos da vida civil, sem discrimina-
ção de qualquer natureza; nos casos em que a pessoa com deficiência tiver um curador, este
deverá respeitar sua autonomia, vontade e preferências.
Importante assinalar que a pessoa com deficiência não é obrigada a ser submetida a qual-
quer espécie de tratamento ou intervenção forçada, haja vista que é indispensável seu livre
consentimento para a realização de qualquer procedimento, exceto nos casos de atendimen-
to de emergência em saúde e risco de morte, e nos casos em que ela se encontra impossibilita-
da de manifestar a sua vontade. Se possuir curador, este supre o seu consentimento (aplica-se
apenas às pessoas submetidas ao instituto da curatela).
236
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Verifica-se, ainda, que compete ao poder público a proteção das pessoas com deficiência
em situações de vulnerabilidade, em especial aquelas em situações de risco, como nos casos
de estado de emergência ou calamidade pública; somente nos casos de risco de morte a pes-
soa com deficiência será atendida sem seu prévio consentimento.
Do Direito ao Trabalho
O direito ao trabalho, disciplinado nos arts. 34 e 35, tem como característica o fato de ser
incluso. Como consequência, permite-se que a pessoa com deficiência tenha efetiva liberda-
de de escolha quanto à profissão ou ao trabalho que deseja desempenhar.
Disposições Gerais
Art. 34 A pessoa com deficiência tem direito ao trabalho de sua livre escolha e aceitação, em
ambiente acessível e inclusivo, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas.
§ 1º As pessoas jurídicas de direito público, privado ou de qualquer natureza são obrigadas a
garantir ambientes de trabalho acessíveis e inclusivos.
§ 2º A pessoa com deficiência tem direito, em igualdade de oportunidades com as demais pes-
soas, a condições justas e favoráveis de trabalho, incluindo igual remuneração por trabalho
de igual valor.
§ 3º É vedada restrição ao trabalho da pessoa com deficiência e qualquer discriminação em
razão de sua condição, inclusive nas etapas de recrutamento, seleção, contratação, admissão,
exames admissional e periódico, permanência no emprego, ascensão profissional e reabilita-
ção profissional, bem como exigência de aptidão plena.
§ 4º A pessoa com deficiência tem direito à participação e ao acesso a cursos, treinamentos,
educação continuada, planos de carreira, promoções, bonificações e incentivos profissionais
oferecidos pelo empregador, em igualdade de oportunidades com os demais empregados.
§ 5º É garantida aos trabalhadores com deficiência acessibilidade em cursos de formação e de
capacitação.
Art. 35 É finalidade primordial das políticas públicas de trabalho e emprego promover e garan-
tir condições de acesso e de permanência da pessoa com deficiência no campo de trabalho.
Parágrafo único. Os programas de estímulo ao empreendedorismo e ao trabalho autônomo,
incluídos o cooperativismo e o associativismo, devem prever a participação da pessoa com
deficiência e a disponibilização de linhas de crédito, quando necessárias.
237
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
Assim, a função principal das políticas públicas elencadas no artigo citado é garantir tanto
a isonomia do acesso ao trabalho como também a sua permanência pelas pessoas com defi-
ciência, visando, portanto, facilitar sua entrada e adaptação para permanência no ambiente
de trabalho, com a finalidade de contribuir para sua inclusão social, dignidade e melhoria da
qualidade de vida.
Importa destacar que evoluímos na consagração dos direitos trabalhistas, em especial com
a CF, de 1988, mais precisamente com o inciso XXXI, do art. 7º, que proíbe discriminação para
admissão e remuneração em razão de deficiência, e com o inciso VIII, do art. 37, que garante
reserva de vagas na Administração direta e indireta.
Em seguida, a Lei nº 7.853, de 1989, estipulou, no art. 2º, política pública de acesso ao
emprego público e privado. A Lei nº 8.112, de 1990, por sua vez, estabeleceu a reserva de 5%
a 20% dos cargos da Administração direta e indireta a pessoas com deficiência.
Já a Lei nº 8.213, de 1991, no art. 93, conforme mencionamos antes, estabeleceu as cotas de
2% até 5% de emprego para pessoas com deficiência ou reabilitadas nas empresas com mais
de 100 empregados.
No mesmo sentido estão o Decreto nº 3.298, de 1999, e, por fim, o Decreto nº 5.296, de 2004,
que regulamentaram as Leis nº 10.048 e nº 10.098, ambas de 2000, para o transporte público
adaptado e para a remoção de barreiras arquitetônicas.
Art. 37 Constitui modo de inclusão da pessoa com deficiência no trabalho a colocação com-
petitiva, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, nos termos da legislação
trabalhista e previdenciária, na qual devem ser atendidas as regras de acessibilidade, o forne-
cimento de recursos de tecnologia assistiva e a adaptação razoável no ambiente de trabalho.
Parágrafo único. A colocação competitiva da pessoa com deficiência pode ocorrer por meio de
trabalho com apoio, observadas as seguintes diretrizes:
I - prioridade no atendimento à pessoa com deficiência com maior dificuldade de inserção no
campo de trabalho;
II - provisão de suportes individualizados que atendam a necessidades específicas da pessoa
com deficiência, inclusive a disponibilização de recursos de tecnologia assistiva, de agente
facilitador e de apoio no ambiente de trabalho;
III - respeito ao perfil vocacional e ao interesse da pessoa com deficiência apoiada;
IV - oferta de aconselhamento e de apoio aos empregadores, com vistas à definição de estraté-
gias de inclusão e de superação de barreiras, inclusive atitudinais;
V - realização de avaliações periódicas;
VI - articulação intersetorial das políticas públicas;
VII - possibilidade de participação de organizações da sociedade civil.
Art. 38 A entidade contratada para a realização de processo seletivo público ou privado para
cargo, função ou emprego está obrigada à observância do disposto nesta Lei e em outras nor-
mas de acessibilidade vigentes.
Neste sentido, as pessoas com deficiência possuem o direito de concorrer às vagas de tra-
balho em iguais condições com as demais pessoas, sendo dever da empresa organizadora do
processo seletivo garantir que as pessoas com deficiência não sofram preconceitos de qual-
quer natureza.
HORA DE PRATICAR!
1. (VUNESP – 2023) A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência no 13.146/2015 define
tecnologia assistiva ou ajuda técnica como:
239
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
d) produtos, equipamentos, dispositivos e recursos que incrementam qualquer entrave, obstáculo,
atitude ou comportamento que limite ou impeça a participação social da pessoa, bem como o
gozo, a fruição e o exercício de seus direitos à acessibilidade, à liberdade de movimento e de
expressão, à comunicação, ao acesso à informação, à compreensão, à circulação com seguran-
ça, entre outros.
e) produtos, equipamentos, dispositivos e recursos que propiciem qualquer entrave, obstácu-
lo, atitude ou comportamento que dificulte ou impossibilite a expressão ou o recebimento de
mensagens e de informações por intermédio de sistemas de comunicação e de tecnologia da
informação.
2. (VUNESP – 2023) Em 2015, é instituído o Estatuto da Pessoa com Deficiência, visando assegurar
sua inclusão social e cidadania. Em se tratando do Sistema Único de Assistência Social (SUAS),
as unidades de oferta do Serviço de Acolhimento são destinadas também a jovens e adultos com
deficiência, em situação de dependência, que não dispõem de condições de autossustentabilida-
de e com vínculos familiares fragilizados ou rompidos. Estão localizadas em áreas residenciais
da comunidade, com estruturas adequadas e com apoio psicossocial para o atendimento das
necessidades da pessoa acolhida. Para fins de aplicação dessa Lei, o artigo 3º (X) considera
essas unidades como
a) residências inclusivas.
b) centros de referência.
c) espaços de apoio.
d) serviços de convivência.
e) casas transitórias.
3. (VUNESP – 2023) De acordo com o artigo 3o, XIII, do Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei
no 13.146/2015), a pessoa que exerce atividades de alimentação, higiene e locomoção do estu-
dante com deficiência e atua em todas as atividades escolares nas quais se fizer necessária, em
todos os níveis e modalidades de ensino, em instituições públicas e privadas, excluídas as técni-
cas ou os procedimentos identificados com profissões legalmente estabelecidas é o
a) atendente pessoal.
b) acompanhante.
c) professor.
d) profissional de apoio escolar.
e) coordenador pedagógico.
4. (VUNESP – 2023) A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015)
destina-se a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das
liberdades fundamentais desse segmento. Determina essa Lei que a pessoa com deficiência
será protegida de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, tortura, cruel-
dade, opressão e tratamento desumano ou degradante. Conforme o artigo 5o (parágrafo único),
para os fins da proteção mencionada, a criança, o adolescente, a mulher e o idoso, com deficiên-
cia, são considerados especialmente
240 a) aptos.
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
b) sensíveis.
c) interessados.
d) potentes.
e) vulneráveis.
5. (VUNESP – 2022) Suponha que João é uma pessoa com deficiência e que Maria é sua atendente
pessoal. Considerando a situação hipotética e o disposto na Lei no 13.146/2015 (Estatuto da
Pessoa com Deficiência), é correto afirmar que
a) Maria, por ser atendente pessoal de João, tem direi□to a receber atendimento prioritário na resti-
tuição de imposto de renda.
b) João apenas terá direito a receber atendimento prio□ritário na restituição de imposto de renda se
a sua deficiência for intelectual ou mental.
c) Maria tem direito a receber atendimento prioritário na tramitação processual em que for parte ou
interessa□da, em todos os atos e diligências.
d) Maria apenas teria direito a receber atendimento prioritário na tramitação processual se fosse
acom□panhante de João, e não atendente pessoal.
e) Maria tem direito a receber atendimento prioritário em todas as instituições e serviços de atendi-
mento ao público.
6. (VUNESP – 2024) Sobre os direitos descritos na Lei no 13.146/15 (Estatuto da pessoa com defi-
ciência), assinale a alternativa correta.
a) Residências inclusivas são moradias com estruturas adequadas capazes de proporcionar ser-
viços de apoio coletivos e individualizados que respeitem e ampliem o grau de autonomia de
jovens e adultos com deficiência.
b) A pessoa com deficiência somente será atendida sem seu consentimento prévio, livre e esclare-
cido em casos de risco de morte e de emergência em saúde, resguardado seu superior interesse
e adotadas as salvaguardas legais cabíveis.
c) Caberá exclusivamente ao poder público promover a capacitação de tradutores e intérpretes da
Libras, de guias intérpretes e de profissionais habilitados em Braille, audiodescrição, estenotipia
e legendagem.
d) O conceito de elemento de urbanização se refere a moradia com estruturas adequadas capazes
de proporcionar serviços de apoio coletivos e individualizados que respeitem e ampliem o grau
de autonomia de jovens e adultos com deficiência.
e) Nos programas habitacionais, públicos ou subsidiados com recursos públicos, a pessoa com
deficiência ou o seu responsável goza de prioridade na aquisição de imóvel para moradia própria,
devendo ser garantida reserva de, no mínimo, 5% (cinco por cento) das unidades habitacionais
para pessoas com deficiência.
ATUALIDADES
7. (VUNESP – 2024) A Lei nº 13.146/2015 determina que a pessoa com deficiência não poderá ser
obrigada a se submeter à intervenção clínica ou cirúrgica, a tratamento ou a institucionalização
forçada. O seu consentimento é indispensável para a realização de tratamento, procedimento,
hospitalização e pesquisa científica. Ainda de acordo com a referida Lei (artigo 13), a pessoa
com deficiência somente será atendida sem seu consentimento prévio, livre e esclarecido em
casos de risco de morte e de 241
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
a) calamidade pública.
b) autorização familiar.
c) decisão judicial.
d) morosidade de atendimento.
e) emergência em saúde
8. (VUNESP – 2023) A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência destina-se a assegurar
e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais
da pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania. De acordo com o artigo
10 da referida lei, compete ao poder público garantir a dignidade da pessoa com deficiência ao
longo de toda a vida. Ainda está previsto, em seu parágrafo único, que em situações de risco,
emergência ou estado de calamidade pública, deve o poder público adotar medidas para a prote-
ção e segurança da pessoa com deficiência, na medida em que é considerada:
a) vulnerável.
b) dependente.
c) cidadã.
d) necessitada.
e) negligenciada.
9. (VUNESP – 2023) No exame médico admissional, de acordo com a legislação vigente, a exigên-
cia de aptidão plena é
10. (VUNESP – 2022) A reflexão sobre o lugar social das pessoas com deficiência evidencia a atual
mudança de paradigma da qual o princípio da inclusão é portador. O tema ganha relevância nas
diversas instâncias da sociedade como no Judiciário, com as leis específicas para esse público;
na educação, com significativo aumento da matrícula de crianças com deficiência nas escolas
comuns, e também no mundo do trabalho, principalmente após a criação, pelo Estado, de políti-
cas afirmativas. Assim é que, de acordo com a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiên-
cia (artigo 34, § 2o), tais pessoas têm direito, em igualdade de oportunidades com as demais, a
condições justas e favoráveis de trabalho, incluindo igual remuneração por trabalho
a) específico.
b) de igual valor.
c) intelectual.
d) de menor esforço.
e) noturno.
242 9 GABARITO
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.
1 B
2 A
3 D
4 E
5 E
6 B
7 E
8 A
9 D
10 B
ATUALIDADES
243
Todos os direitos são reservados à Nova Concursos.