DEFICIÊNCIA,
INCLUSÃO E
ACESSIBILIDADE
Módulo 2 - Inclusão, barreiras
e capacitismo
DEFICIÊNCIA, INCLUSÃO E ACESSIBILIDADE
DEFICIÊNCIA,
INCLUSÃO E
ACESSIBILIDADE
Módulo 2
Inclusão, barreiras e capacitismo
Créditos
Laboratório de Ensino, Pesquisa e Extensão em Mídia e Acessibilidade Biblio-
teca Falada
Produção: Guilherme Ferreira de Oliveira e Bárbara Viotto do Carmo
Design Gráfico: Rebeca Alice Neris de Oliveira
Revisão e Coordenação Geral: Suely Maciel
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DEFICIÊNCIA, INCLUSÃO E ACESSIBILIDADE
CURSO
DEFICIÊNCIA, INCLUSÃO E ACESSIBILIDADE
Reitora
Maysa Furlan
Vice-reitor
Cesar Martins
Coordenadoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade - CAADI
Leonardo Lemos de Souza
Ana Maria Klein
Elaboração do conteúdo
Laboratório de Ensino, Pesquisa e Extensão em Mídia e Acessibilidade Biblio-
teca Falada
Guilherme Ferreira de Oliveira
Bárbara Viotto do Carmo
Revisão
Suely Maciel
Coordenação geral
Suely Maciel
Design Gráfico e diagramação
Rebeca Alice Neris de Oliveira
Gravação
Estúdio CDeP3 Bauru
Diego Mulati Bittencourt
Lucas Camargo
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DEFICIÊNCIA, INCLUSÃO E ACESSIBILIDADE
Produção e edição de videoaulas
Bill Bernardino da Luz
Estúdio CDeP3 Bauru
Diego Mulati Bittencourt
Lucas Camargo
Implementação e Hospedagem dos cursos no Ambiente Virtual de Apren-
dizagem (AVA)
CDeP3 - Coordenadoria de Desenvolvimento Profissional e Práticas Peda-
gógicas - Unesp
Apoio
Coordenadoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade - CAADI
Agradecimentos
Coordenadoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade - CAADI
Estúdio CDeP3 Bauru
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DEFICIÊNCIA, INCLUSÃO E ACESSIBILIDADE
Súmario - Módulo 2
Inclusão, barreiras e capacitismo 3
INCLUSÃO 3
BARREIRAS 5
ELIMINAÇÃO DE BARREIRAS 7
CAPACITISMO 7
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DEFICIÊNCIA, INCLUSÃO E ACESSIBILIDADE
Módulo 2
Inclusão, barreiras e capacitismo
INCLUSÃO
Você sabe definir “inclusão”? Saberia explicar a diferença entre inclu-
são e integração? Um ambiente ser diverso significa ser inclusivo? Essas e
outras perguntas podem surgir quando o assunto em pauta é inclusão e
acessibilidade. Afinal, o tema da inclusão envolve diversos conceitos-chave
com sentidos semelhantes, mas não sinônimos, o que leva à necessidade
de diferenciá-los mais detidamente.
A seguir, confira as definições:
• Diversidade
Variedade de características e diferenças entre os indivíduos de um
grupo, como raça, etnia, gênero, orientação sexual, idade, crenças religiosas,
deficiência e outros. A diversidade é reconhecida como um fator positivo que
ressalta diferentes perspectivas, ideias e experiências nas relações humanas,
nas vivências em sociedade e na própria experiência dos sujeitos.
• Exclusão
Marginalização de indivíduos ou grupos em determinadas atividades,
oportunidades, espaços ou recursos, devido a preconceitos, discriminação
ou barreiras sistêmicas. A exclusão pode levar a desvantagens sociais, eco-
nômicas e culturais, perpetuando a desigualdade.
• Segregação
Separação ou isolamento de grupos com base em determinada carac-
terística, como raça, etnia, religião, gênero, classe social ou deficiência. A
segregação envolve ações para manter a desigualdade e o controle sobre
o grupo excluído, resultando em discriminação e privação de direitos. Em
contextos de segregação, o grupo visto como ‘diferente’ é posto à parte dos
demais.
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DEFICIÊNCIA, INCLUSÃO E ACESSIBILIDADE
• Integração
Processo de unir indivíduos ou grupos distintos em um todo. Embora
seja uma forma de garantir que indivíduos anteriormente excluídos entrem
em determinado ambiente, a interação entre os grupos pode ser limitada,
fazendo com que eles permaneçam separados ou isolados em subgrupos
e/ou suas características e necessidades são ignoradas.
• Inclusão
Processo de garantia de que todas as pessoas, independentemente
de suas diferenças e características, tenham as mesmas oportunidades de
participação e acesso a recursos, experiências e serviços. A inclusão envolve
criar ambientes que promovam a participação de todos, graças a uma inte-
ração e a um diálogo plenos e mútuos, com valorização da diversidade.
• Igualdade
Princípio de dar a todas as pessoas as oportunidades e tratamentos,
independentemente de suas características e diferenças. O objetivo é eliminar
a discriminação e a desigualdade estruturais. No entanto, a igualdade pode
ser limitada porque não se consideram medidas específicas para corrigir
desigualdades históricas, sistêmicas e situacionais.
• Equidade
Princípio de corrigir desequilíbrios e remover barreiras que impedem a
plena participação de todos na sociedade. A equidade reconhece que dife-
rentes pessoas podem precisar de diferentes níveis de apoio para alcançar
um fim igual. Difere-se da igualdade por partir do pressuposto de que a
‘igualdade’ está no objetivo final, não na forma que a oportunidade é dada.
Assim, reconhece o uso de instrumentos e o desenvolvimento de ações que
promovam de forma ‘desnivelada’ o acesso, para que todos, no fim, alcancem
o acesso pleno à informação, ambientes, instrumentos etc.
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DEFICIÊNCIA, INCLUSÃO E ACESSIBILIDADE
BARREIRAS
Imagine duas estradas: a primeira é repleta de curvas, subidas e descidas,
além de trechos em pista de terra esburacada e outros em obras; a segunda
é completamente pavimentada e reta. Certamente, a segunda proporcionará
um acesso muito mais fácil e seguro ao destino do que a primeira, correto?
Assim são as barreiras, no contexto da deficiência: obstáculos de diversas
naturezas, inclusive comportamentais e atitudinais, que impedem ou dificul-
tam a participação social das pessoas com deficiência, que as impede de
acessar e usufruírem de espaços, serviços, vivências e oportunidades, em
igualdade de condições com as pessoas sem deficiência.
Mas o que são barreiras? Segundo a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa
com Deficiência (LBI), elas são “qualquer entrave, obstáculo, atitude ou com-
portamento que limite ou impeça a participação social da pessoa, bem como
o gozo, a fruição e o exercício de seus direitos à acessibilidade, à liberdade
de movimento e de expressão, à comunicação, ao acesso à informação, à
compreensão, à circulação com segurança, entre outros”.
Os principais tipos de barreira estão listados a seguir.
• Barreiras Urbanísticas e Arquitetônicas
Impedimentos estruturais que dificultam ou impossibilitam a mobili-
dade e o acesso físico de pessoas com deficiência a edifícios, transportes,
vias públicas e outros espaços.
Exemplo: Espaços com escadas, mas sem rampas ou elevadores; por-
tas estreitas que não permitem a passagem de cadeiras de rodas; calçadas
esburacadas e sem piso tátil.
• Barreiras nas comunicações e na informação
Impedimentos, obstáculos, atitudes ou comportamentos que dificul-
tem ou impossibilitem a expressão ou o recebimento de mensagens e de
informações por intermédio de sistemas de comunicação e de tecnologia
da informação, que afetam especialmente pessoas com deficiência visual,
auditiva ou intelectual.
Exemplo: Ausência de material escolar em braille; apresentação teatral
sem intérprete de Libras; filmes sem audiodescrição.
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DEFICIÊNCIA, INCLUSÃO E ACESSIBILIDADE
• Barreiras Atitudinais
Preconceitos, estigmas e atitudes discriminatórias que podem resultar
em exclusão social.
Exemplo: Suposições de incapacidade e subestimação das habilida-
des de pessoas com deficiência; infantilização de pessoas com deficiência;
referir-se à pessoa com deficiência por intermédio de seu acompanhante.
• Barreiras Tecnológicas
Falta de acessibilidade em dispositivos tecnológicos e plataformas
digitais.
Exemplo: Sistema operacional de celular sem leitor de tela; TV sem
opções de controle de canais alternativos de áudio e legenda.
• Barreiras Instrumentais
Barreiras na utilização de equipamentos ou ferramentas, como no uso
de utensílios e ferramentas que são necessárias no desenvolvimento de
atividades escolares, profissionais, de recreação e até mesmo de lazer.
Exemplo: Canetas, lápis e materiais de ensino não adaptados; teclados
não adaptados.
• Barreiras programáticas
Políticas que não levam em conta as demandas das pessoas com
deficiência.
Exemplo: Políticas públicas para o audiovisual que não consideram a
necessidade da acessibilidade, como inclusão de audiodescrição e legenda,
em vídeos; barreiras presentes em textos normativos da política, do direito
e em textos institucionais.
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DEFICIÊNCIA, INCLUSÃO E ACESSIBILIDADE
ELIMINAÇÃO DE BARREIRAS
Embora muitas barreiras tenham se tornado sistêmicas em determi-
nados ambientes ou segmentos sociais, é possível eliminá-las. Cada tipo
demanda uma solução diferente, mas, de forma geral, algumas condutas
relevantes para o combate às barreiras são:
1. Desenvolvimento de ajudas técnicas e/ou tecnologias assistivas;
2. Desenvolvimento de novas metodologias e/ou adaptações;
3. Reformulação e/ou criação de estruturas arquitetônicas e urbanís-
ticas adequadas;
4. Conscientização sobre diversidade e mudança de comportamento;
5. Desenvolvimento de políticas públicas para a inclusão;
6. Promoção da acessibilidade.
De forma geral, um fator específico está presente no centro da exis-
tência de qualquer barreira para as pessoas com deficiência: o capacitismo.
CAPACITISMO
De acordo com Fiona Campbell (2001, p. 44), o capacitismo é “uma
rede de crenças, processos e práticas que produz um determinado tipo de
corpo (o padrão corporal), que é projetado como perfeito, típico da espécie
e, portanto, essencial e totalmente humano”.
Esse olhar do capacitismo filtra o que seria o ideal, o padrão, o normativo.
Isso afeta diretamente as pessoas com deficiência. Existe, ainda, uma relação
entre capacitismo e eugenia: o pressuposto de uma corponormatividade, o
qual, ao longo da história da humanidade, justificou práticas abusivas, dis-
criminatórias e de eliminação das pessoas com deficiência.
“O capacitismo é estrutural e estruturante, ou seja, ele condiciona, atravessa
e constitui sujeitos, organizações e instituições, produzindo formas de se rela-
cionar baseadas em um ideal de sujeito que é performativamente produzido
pela reiteração compulsória de capacidades normativas que consideram
corpos de mulheres, pessoas negras, indígenas, idosas, LBGTI e com defici-
ência como ontológica e materialmente deficientes”
Gesser, Block e Mello (2020, p. 18)
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DEFICIÊNCIA, INCLUSÃO E ACESSIBILIDADE
A lente do capacitismo determina como a sociedade se organiza e,
por consequência, cria, amplia e promove a existência das barreiras já men-
cionadas. Um caminho para o enfrentamento dessas barreiras está em um
termo já mencionado aqui: a acessibilidade!
No próximo módulo, serão apresentadas as principais definições para
este conceito e também o que são Tecnologias Assistivas e recursos de
acessibilidade, essenciais para a promoção da autonomia, da independência
e da liberdade da pessoa com deficiência.
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DEFICIÊNCIA, INCLUSÃO E ACESSIBILIDADE
FONTES:
BRASIL, Lei no 13.146, de 06 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de
Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência).
Brasília, DF: 2015.
CAMPBELL, F. A. K. Inciting Legal Fictions: Disability’s Date with Ontology
and the Ableist Body of the Law. Griffith Law Review, v. 10, n. 1, p. 42-62, 2001.
DIAS, A. Por uma genealogia do capacitismo: da eugenia estatal à nar-
rativa capacitista social. In: SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE ESTUDOS
SOBRE A DEFICIÊNCIA, 1., 2013, São Paulo. Anais [...]. São Paulo: SEDPcD/
Diversitas/ USP Legal – São Paulo, 2013. Disponível em: [Link]
br/145111795-Por-uma-genealogia-do-capacitismo-da-eugenia-estatal-a-narra-
[Link].
GESSER, M.; BLOCK, P.; MELLO, A. G. Estudos da deficiência: interseccionali-
dade, anticapacitismo e emancipação social. In: GESSER, M.; BÖCK, G. L. K.;
LOPES, P. H. (Orgs.). Estudos da deficiência: anticapacitismo e emancipação
social. Curitiba: CRV, 2020, p. 17-35.
SASSAKI, R. K. Inclusão: acessibilidade no lazer, trabalho e educação.
Revista Nacional de Reabilitação, São Paulo, Ano XII, mar./abr., p. 10-16, 2009.
SASSAKI, R. K. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. Rio de
Janeiro: WVA, 1999.
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