Alimentar-se é estabelecer
relação de prazer com a
comida
Para se iniciar e manter uma vida saudável é indispensável
desenvolver a autonomia, fazendo as escolhas mais agradáveis
de modo a sentir-se realizado com os novos hábitos criados
Franciele Santana
12/01/2017 às 16:10
5 min
Imagem ilustrativa
Alimentação é muito mais do que a simples ingestão de
nutrientes. Se por um lado existe o valor nutritivo do alimento e
elementos que o caracterizam do ponto de vista biológico
(carboidratos, proteínas, vitaminas e minerais) existe por outro
lado o valor simbólico do alimento, portanto é necessário que
todos esses fatores sejam considerados.
A escolha alimentar de um indivíduo está relacionada a fatores do
meio ambiente, da sua história individual e da sua personalidade.
No processo de escolha são analisadas a maneira como é
preparado o alimento, a montagem do prato e os rituais das
refeições, contribuindo para que o homem se identifique com o
alimento e também por sua representação simbólica1.É importante
que além de respeitar as preferências individuais a alimentação
seja saudável, garantindo benefícios físicos e psicológicos.
O método mais eficiente para se conseguir uma alimentação
saudável é a partir da alimentação consciente sendo necessário
para isso um processo educativo, levando o sujeito comum a
realizar suas escolhas alimentares de forma que garanta uma
alimentação saudável e prazerosa, satisfazendo suas
necessidades fisiológicas, psicológicas e sociais2.
A alimentação consciente (Mindful Eating) consiste em
estabelecer uma relação agradável com a comida, buscando
apreciar, sem julgamentos, cada sensação, sabor, aroma,
texturas, etc.
Existem vários princípios que constituem uma alimentação
consciente, dentre eles destacam-se os 5 principais:
1) Reduzir a velocidade alimentar: Ao se reduzir a velocidade
da ingestão alimentar reduz-se também a ingestão de energia,
pois a ingestão de alimentos mais lenta permite dar tempo para os
sinais de saciedade se registrarem no cérebro (tempo estimado
de aproximadamente 20min)3,4, portanto criar o hábito de realizar
uma refeição com pausa entre as mordidas, mastigando bem os
alimentos antes de engolir, garante um menor consumo durante a
refeição.
2) Avaliar sinais de fome e saciedade: Deve-se comer quando
se está com fome e antes de estar “morrendo de fome” e parar de
comer assim que começar a sentir-se satisfeito (De acordo com a
figura 1 o tempo ideal para início e o término de uma refeição se
dão entre os números 3 e 6).O término da refeição é determinado
pela distensão do estômago e vários hormônios intestinais4,5. É
importante também que se controlem as emoções, evitando
ingerir alimentos em resposta a essas emoções.
3) Reduzir tamanho das porções: Um estudo mostrou que em
situações de “self service” as pessoas valorizaram mais a
observação do quanto deixavam no prato do que a constatação
da sua saciedade usando sinais internos de fome e plenitude6. Ou
seja, você comerá tanto quanto colocar no prato, uma pequena
porção pode ser suficiente para sua completa satisfação.
4) Reduzir distrações ao comer: Estar distraído ao comer reduz
a capacidade de avaliar sugestões sensoriais como a percepção
do paladar e saciedade, o que pode levar a excessos7, 8 , por isso
é importante, no momento da refeição, concentrar-se apenas em
desfrutar o alimento e todas as sensações associadas a ele.
5) Saborear a comida: Usando-se todos os sentidos (visão,
olfato, paladar e tato) pode-se escolher os alimentos mais
agradáveis e assim apreciar totalmente a comida.
Para se iniciar e manter uma vida saudável é indispensável
desenvolver a autonomia, fazendo as escolhas mais agradáveis
de modo a sentir-se realizado com os novos hábitos criados e,
sobretudo, aproveitando sem culpa os prazeres associados à
alimentação, tendo a certeza de que para alimentar-se bem o
principal elemento não é a obstinação para se fazer restrições
mas sabedoria para selecionar as melhores opções.
Referências
1) COURBEAU. J. P; POULAIN. J. In: COURBEAU. J. P,
POULAIN. J. P. edits. Penserl’ alimentation: entre imaginaire et
rationalité. Toulouse: Éditions Privat, 2002,p. 137 – 56.
2) LIMA, K. Análise do processo de construção de conhecimento
de dietoterápico de pacientes diabéticos atendidos no programa
saúde da família do município de Araras. 71 f. Dissertação –
(Mestrado) – Faculdade Ciências Farmacêuticas da Araquara:
Universidade do Estado de São Paulo, 2004.
3) Stuart RB, Davis B. Slim Chance in a Fat World: Behavioral
Control of Obesity. Champaign, IL: Research Press; 1972.
4) Cummings DE, Overduin J. Gastrointestinal regulation of food
intake. J Clin Invest. 2007;117:13-23.
5) de Graaf C, Blom WA, Smeets PA, Stafleu A, Hendriks HF.
Biomarkers of satiationand satiety. Am J Clin Nutr. 2004;79:946-
961.
6) Wansink B, Painter JE, North J. Bottomless bowls: why visual
cues of portion size may influence intake. Obes Res. 2005;13:93-
100.
7) van der Wal RC, van Dillen LF. Leaving a flat taste in your
mouth: task load reduces taste perception. Psychol Sci.
2013;124:1277-1284.
8) Wallis DJ, Hetherington MM. Stress and eating: the effects of
ego-threat and cognitive demand on food intake in restrained and
emotional eaters. Appetite.2004;43:39-4.
[Link]
relacao-de-prazer-com-a-comida/
acesso em 03/10/2023 15:53