TEPT
TEPT
Estresse
Pós-traumático
Juliane Matos de Moraes Nogueira – CPR: 11/02690 – Mestre em Psicologia (UFC), Especialista em
Terapia Cognitivo-Comportamental (UniChristus), Especialista em Psicologia Organizacional e do
Trabalho (UECE), Formação em Terapia do Esquema (CETCC-SP), Formação em Terapia EMDR (EMDR
Treinamentos-SP), Formação em Terapia Cognitivo-Comportamental na Infância e Adolescência (IEMB).
Site: [Link]
Livros
(DSM-5, 2014)
88.2 % ou mais das pessoas que
passam por traumas não A resiliência é a regra quando
desenvolvem patologias relacionamos exposição a um fator
relacionadas estressor e TEPT
Estima-se que a prevalência ao longo da vida para a ocorrência de eventos
potencialmente traumáticos pode alcançar de 50 a 90%, enquanto a
prevalência do TEPT na população geral é estimada entre 8 a 10%.
Fonte: Julio Peres, no livro Trauma e Superação: o que a psicologia, a neurociência e a espiritualidade ensinam.
Transtorno de Apego Reativo
Transtorno de Interação Social Desinibida
DSM-V Transtorno de Estresse Pós-traumático
Transtornos Transtorno de Estresse Agudo
Relacionados Transtornos de Adaptação
a Trauma e a Outro Transtorno Relacionado a Trauma e a
Estressores Especificado
Estressores Transtorno Relacionado a Trauma e a Estressores
Não Especificado
O que é o trauma?
De forma geral, traumas psicológicos são sequelas emocionais, deixadas por uma
experiência que causou imensa dor e sofrimento ao traumatizado.
A maioria reage de maneira saudável, recuperando-se após um curto período de intensa ativação
emocional. Outros passam pelo que os pesquisadores chamam de crescimento pós-traumático, ou
seja, fortificam-se e passam a valorizar mais a vida.
Contudo cerca de 10% das pessoas que passam por esse tipo de situação desenvolvem sintomas
de transtorno de estres pós-traumático (TEPT), que podem surgir imediatamente após o trauma ou
após um período depois do acontecimento.
TEPT
Um visão geral do TEPT
• Há certos fatores que predispõem a ele: genética, histórico familiar, experiência anterior com o
trauma, habilidade para enfrentamento, a rede de apoio do indivíduo, sensibilidade à ansiedade,
problemas psicológicos anteriores ao trauma, etc.
• Os eventos traumáticos incluem todo evento que ameaça sua vida (ou a vida de alguém), ou a
sua integridade como ser humano (por exemplo, tortura, estupro).
Prevalência
• Nos Estados Unidos, o risco ao longo da vida projetado para TEPT usando critérios do DSM-IV
aos 75 anos de idade é de 8,7%.
• Estimativas menores são vistas na Europa e na maioria dos países da Ásia, da África e da América
Latina, agrupando-se em torno de 0,5 a 1,0%.
• As taxas de TEPT são maiores entre veteranos de guerra e outros cuja ocupação aumente o risco
de exposição traumática (p. ex., policiais, bombeiros, socorristas).
• As taxas mais altas (desde um terço a mais da metade dos expostos) são encontradas entre
sobreviventes de estupro, combate e captura militar, em sobreviventes de campo de concentração
e genocídio com motivação étnica ou política.
Prevalência
• A prevalência de TEPT completo também parece ser menor entre adultos mais velhos comparados à
população em geral; há evidências de que apresentações subclínicas são mais comuns do que TEPT
completo na velhice e de que esses sintomas estão associados a um prejuízo clínico substancial.
• Comparados a brancos norte-americanos não latinos, taxas maiores do transtorno foram relatadas
entre latinos norte-americanos, afro-americanos e nativos americanos, e taxas menores relatadas
entre americanos, asiáticos, depois de ajustes por exposição traumática e variáveis demográficas.
Etiologia
Ao longo da vida, estima-se que 51,2% das mulheres e 60,7% dos homens tenham vivenciado pelo menos um
evento potencialmente traumático.
A prevalência do TEPT foi variável em grupos de risco submetidos a diferentes tipos de traumas, quando
indivíduos expostos a um evento traumático foram avaliados.
Agressões físicas entre as mulheres levaram a uma prevalência de 29%, e a experiência de combate entre os
homens a uma prevalência de 39%.
• Eventos traumáticos, como abuso infantil, aumentam o risco de suicídio de uma pessoa.
• O TEPT está associado a ideação suicida e tentativas de suicídio, e a presença do transtorno pode
indicar quais indivíduos com essa ideação acabam elaborando um plano de suicídio ou de fato
tentam cometer suicídio.
Fatores de risco e Prognóstico
Os fatores de risco (e de proteção) geralmente são divididos em:
fatores pré-traumáticos, peritraumáticos e pós-traumáticos.
Fatores pré-traumáticos
• Temperamentais. Incluem problemas emocionais na infância até os 6 anos de idade (p. ex.,
exposição traumática pregressa, problemas de ansiedade ou externalizações) e transtornos mentais
prévios (p. ex., transtorno de pânico, transtorno depressivo, TEPT ou transtorno obsessivo-
compulsivo [TOC]).
• Ambientais. Incluem status socioeconômico mais baixo; grau de instrução inferior; exposição
anterior a trauma (especialmente durante a infância); adversidades na infância (p. ex., privação
econômica, disfunção familiar, separação ou morte dos pais); características culturais (p. ex.,
estratégias de enfrentamento pessimistas ou de autoacusação); inteligência inferior; status de
minoria racial/étnica; e história psiquiátrica familiar. O apoio social antes da exposição ao evento é
protetor.
• Genéticos e fisiológicos. Incluem gênero feminino e idade mais jovem no momento da exposição
ao trauma (para adultos). Alguns genótipos podem ser ou protetores, ou promotores do risco de
desenvolver TEPT depois da exposição a eventos traumáticos.
Fatores de risco e Prognóstico
Fatores peritraumáticos
• Ambientais. Incluem gravidade (dose) do trauma (quanto maior a magnitude do trauma, maior
a probabilidade de TEPT), ameaça percebida à vida, lesão pessoal, violência interpessoal
(particularmente trauma perpetrado por um cuidador ou envolvendo uma ameaça presenciada
a um cuidador em crianças) e, para pessoal militar, ser um perpetrador, testemunhar
atrocidades ou matar o inimigo. Por fim, a dissociação que ocorre durante o trauma e persiste
subsequentemente é um fator de risco.
Fatores de risco e Prognóstico
Fatores pós-traumáticos
• Os transtornos por uso de substância e o transtorno da conduta comórbidos são mais comuns no
sexo masculino do que no feminino.
• Embora a maioria das crianças pequenas com TEPT também apresente pelo menos um outro
diagnóstico, os padrões de comorbidade são diferentes dos de adultos, com transtorno de oposição
desafiante e transtorno de ansiedade de separação predominando.
• Por fim, existe comorbidade considerável entre TEPT e transtorno neurocognitivo maior e alguns
sintomas sobrepostos entre esses transtornos.
Consequências Funcionais do Transtorno de Estresse
Pós-traumático
• O TEPT está associado a níveis elevados de incapacidades sociais, profissionais e físicas, bem
como a custos econômicos consideráveis e altos níveis de utilização de serviços médicos.
• O TEPT é mais prevalente no sexo feminino do que no masculino ao longo da vida. Mulheres na
população em geral sofrem TEPT de duração maior do que os homens.
• Pelo menos parte do risco maior de TEPT no sexo feminino parece ser atribuível a uma probabilidade
maior de exposição a eventos traumáticos, como estupro e outras formas de violência interpessoal.
• O risco do surgimento e da gravidade do TEPT pode diferir entre grupos culturais em função da
variação no tipo de exposição traumática (p. ex., genocídio), do impacto do significado atribuído ao
evento traumático na gravidade do transtorno (p. ex., incapacidade de fazer os ritos funerários
depois um evento com mortes em massa), do contexto sociocultural vigente (p. ex., morar entre
criminosos não punidos em contextos pós-conflito) e de outros fatores culturais (p. ex., estresse de
aculturação em imigrantes).
• O risco relativo de TEPT de exposições específicas (p. ex., perseguição religiosa) pode variar entre
grupos culturais. A expressão clínica dos sintomas ou conjuntos de sintomas de TEPT pode variar
em termos culturais, particularmente com relação a sintomas de evitação e torpor, sonhos
angustiantes e sintomas somáticos (p. ex., tontura, falta de ar, sensações de calor).
Questões Diagnósticas Relativas à Cultura
• Por exemplo, sintomas de ataque de pânico podem estar salientados no TEPT entre cambojanos e
latino-americanos em virtude da associação de exposição traumática com ataques de khyâl
semelhantes ao pânico e ataque de nervios. A avaliação abrangente das expressões locais de
TEPT deverá incluir a análise de conceitos culturais de sofrimento
Como é ter um TEPT? (Sugestão de texto para psicoeducação de pacientes)
• Pense no TEPT como uma incapacidade de processar imagens, emoções e pensamentos difíceis. É
como uma falha na "digestão psicológica". Quando se é exposto a um Evento traumático, tal como o
de ver um prédio cair, a pessoa tem imagens e sensações.
• Quando se tem TEPT, sua memória é desarticulada, confusa. Às vezes, a pessoa não consegue
lembrar claramente do aconteceu primeiro. As imagens tentam chegar à sua consciência, mas se
tem tanto medo delas que tenta suprimi-las. A pessoa tenta afastá-las.
• Toda vez que as afasta, se sente que está lutando par sua sobrevivência mental e reforçando a ideia
de que se e aterrorizador.
• Então a pessoa tenta não experimentar qualquer lembrança dos eventos. Não consegue ver
imagens na TV ou ouvir as pessoas falarem sobre isso.
• Pelo fato da mente não ter processado ou "digerido" a experiência, é difícil reconhecer que tudo
ocorreu no passado, que nada está acontecendo agora.
• Na verdade, às vezes sente que tudo "Está acontecendo agora!". A mente tem um ataque de pânico
sobre algo que aconteceu no passado - mas que parece estar acontecendo de novo. Sua sensação
de que a ameaça se repete "no agora" pode ser acionada por um som, ou mesmo um cheiro.
• Além das imagens e pensamentos intrusivos que a pessoa tem, poderá constatar que suas crenças
sobre si mesmo e sobre o mundo mudaram. Você pode agora acreditar em coisas como "Estou mal",
"Nāo posso confiar em ninguém", "O mundo está cheio de perigos", "Estou enlouquecendo".
• O Dr. Ronnie Jannoff-Bultmann descreveu essas crenças como "pressupostos perturbados". Além de
sua visão depressiva da vida, há suas crenças negativas globais sobre si mesmo, sua "derrota
mental": "Sou uma pessoa vazia", "Não tenho vida".
• Uma característica do transtorno é uma tendência maior a se preocupar. Você se preocupa com suas
sensações, pensamentos, emoções e com o perigo externo. Como muitas pessoas que se
preocupam, você acredita que sua preocupação o deixará preparado, impedirá que algo ruim
aconteça - que a sua preocupação é realista.
Um psicólogo falou dos pressupostos perturbados que muitas vezes acompanham o da TEPT. Esses
pressupostos podem ser variados, dependendo do estado mental estão principalmente associados:
• Não é preciso dizer que essas atitudes são fatores que contribuem para a depressão. Quando um
evento traumático tem esses efeitos perturbadores, quando a pessoa enfrenta suas
consequências sem sucesso aparente e quando nenhum alívio parece disponível, é fácil acreditar
que se sofreu uma mudança desesperadamente devastadora.
• Um ponto de partida importante para curar o TEPT e compreender que esses pensamentos
negativos e atitudes negativas são somente isto: pensamentos e atitudes. Eles vêm de dentro.
Não são a realidade. Distanciar-se deles e o primeiro passo para cura.
Trauma e o Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT)
[Link]
Formação do TEPT
O modelo de Jones e Barlow (1990) possibilita uma compreensão da formação de TEPT, incluindo-se no
processo, dessa vez, a vulnerabilidade biológica. Segundo os autores, algumas pessoas teriam uma
predisponibilidade a responder ao estresse com hiperexcitabilidade autonômica (relativa ao sistema nervoso
central autônomo, envolvendo, portanto, respostas simpáticas). Conforme o modelo, é necessário que haja:
Quanto maior a “plasticidade social” de um sujeito, maior sua condição de reparar os efeitos de
estresses ambientais circunstanciais.
A afirmação é válida tanto para os efeitos da violência doméstica sofrida por crianças e adolescentes
quanto para uma doença psiquiátrica como a depressão na vida adulta. Pacientes em tratamento
psicológico por transtornos do humor ou de ansiedade apresentam melhores resultados em terapia
quando têm amparo social do que quando não o têm, ou o têm num nível pouco amplo. Amparo
social, conforme Caminha (2002), não é apenas significativo para a remissão dos sintomas de
estresse, como também preventivo, ou seja, quanto maior a plasticidade e as habilidades sociais do
sujeito, menor a probabilidade de sofrer os impactos do estresse.
Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT)
Você tem transtorno de estresse pós-traumático?
• Você passou por um evento (ou testemunhou) que envolveu morte ou ameaça de morte ou grave dano físico,
Exposição ao
ou de uma ameaça a Exposição ao trauma você mesmo.
trauma • Já sentiu medo, desamparo ou horror.
• Lembranças incômodas do evento.
• Sonhos incômodos sobre o evento.
• Agir ou sentir como se o evento traumático fosse recorrente - por exemplo, uma sensação de reviver a
Memória experiência, ilusões, alucinações e episódios em flashback.
Intrusiva • Sofrimento quando experimenta sinais internos ou externos que simbolizam ou lembram um aspecto do evento
traumático.
• Reatividade fisiológica depois de exposição a sinais internos ou externos que simbolizam ou lembram um
aspecto do evento traumático.
• Esforço para evitar pensamentos, sentimentos ou conversas associadas ao trauma.
• Esforço para evitar atividades, locais ou pessoas que suscitem lembranças do trauma.
• Incapacidade de se lembrar de um aspecto importante do trauma
Evitação ou • Interesse ou participação marcadamente diminuídos em atividades significativas.
“anestesia” • Sensação de afastamento ou estranhamento em relação aos outros.
• Gama restrita de afeto (por exemplo, ser incapaz de sentir amor por alguém).
• Sensação de um futuro restrito (por exemplo, não espera ter uma carreira, se casar, ter filhos ou ter uma
expectativa normal do tempo de vida).
• Dificuldade para dormir ou para continuar a dormir.
• Irritabilidade ou acessos de raiva.
Hiperexcitação • Dificuldade para se concentrar.
• Hipervigilância.
• Resposta exagerada a situações inusitadas.
Critérios diagnósticos para TEPT
A. Exposição a episódio concreto ou ameaça de morte, lesão grave ou violência sexual em uma (ou
mais) das seguintes formas (TRAUMA):
1. Vivenciar diretamente o evento traumático.
2. Testemunhar pessoalmente o evento traumático ocorrido com outras pessoas.
3. Saber que o evento traumático ocorreu com familiar ou amigo próximo. Nos casos de episódio
concreto ou ameaça de morte envolvendo um familiar ou amigo, é preciso que o evento
tenha sido violento ou acidental.
[Link] exposto de forma repetida ou extrema a detalhes aversivos do evento traumático (p. ex.,
socorristas que recolhem restos de corpos humanos; policiais repetidamente expostos a
detalhes de abuso infantil).
Nota: O Critério A4 não se aplica à exposição por meio de mídia eletrônica, televisão, filmes
ou fotografias, a menos que tal exposição esteja relacionada ao trabalho.
Critérios diagnósticos para TEPT
B. Presença de um (ou mais) dos seguintes sintomas intrusivos associados ao evento traumático,
começando depois de sua ocorrência (INTRUSÃO):
H.A perturbação não se deve aos efeitos fisiológicos de uma substância (p. ex.,
medicamento, álcool) ou a outra condição médica.
Determinar o subtipo
Determinar o subtipo:
Com sintomas dissociativos: Os sintomas do indivíduo satisfazem os critérios de transtorno
de estresse pós-traumático, e, além disso, em resposta ao estressor, o indivíduo tem sintomas
persistentes ou recorrentes de:
Especificar se:
Com expressão tardia: Se todos os critérios diagnósticos não forem atendidos até pelo menos
seis meses depois do evento (embora a manifestação inicial e a expressão de alguns sintomas
possam ser imediatas).
Critérios Diagnósticos
Especificar se:
COM INÍCIO TARDIO: se o início dos sintomas ocorre pelo menos seis meses após o
estressor
Transtorno de Estresse Agudo x Transtorno de Estresse Pós Traumático
• A piora dos sintomas durante o mês inicial pode ocorrer, com frequência em virtude de
estressores de vida presentes ou outros eventos traumáticos subsequentes.
TEA
O que é Transtorno do Estresse Agudo (TEA)
16
Transtorno do Estresse Agudo (TEA)
17
Critérios diagnósticos (TEA)
A. Exposição a episódio concreto ou ameaça de morte, lesão grave ou violação sexual em uma
(ou mais) das seguintes formas:
[Link] exposto de forma repetida ou extrema a detalhes aversivos do evento traumático (p. ex.,
socorristas que recolhem restos de corpos humanos, policiais repetidamente expostos a detalhes de
abuso infantil).
Nota: Isso não se aplica à exposição por intermédio de mídia eletrônica, televisão, filmes ou fotografias,
a menos que tal exposição esteja relacionada ao trabalho.
(DSM-5, 2014) 18
Critérios diagnósticos (TEA)
B. Presença de nove (ou mais) dos seguintes sintomas de qualquer uma das cinco
categorias, começando ou piorando depois da ocorrência do evento traumático:
Categorias
• Sintomas de intrusão
• Humor Negativo
• Sintomas dissociativos
• Sintomas de evitação
• Sintomas de excitação
(DSM-5, 2014) 19
Critérios diagnósticos (TEA)
Sintomas de intrusão
[Link] angustiantes recorrentes nos quais o conteúdo e/ou o afeto do sonho estão relacionados
ao evento.
Nota: Em crianças, pode haver pesadelos sem conteúdo identificável.
[Link]ções dissociativas (p. ex., flashbacks) nas quais o indivíduo sente ou age como se o evento
traumático estivesse acontecendo novamente. (Essas reações podem ocorrer em um continuum,
com a expressão mais extrema sendo uma perda completa de percepção do ambiente ao redor.)
Nota: Em crianças, a reencenação específica do trauma pode ocorrer nas brincadeiras.
(DSM-5, 2014) 20
Critérios diagnósticos (TEA)
Humor negativo
Sintomas dissociativos
[Link] de realidade alterado acerca de si mesmo ou do ambiente ao redor (p. ex., ver-se a
partir da perspectiva de outra pessoa, estar entorpecido, sentir-se como se estivesse em
câmera lenta).
(DSM-5, 2014) 21
Critérios diagnósticos (TEA)
Sintomas de evitação
8. Esforços para evitar recordações, pensamentos ou sentimentos angustiantes acerca do, ou fortemente
relacionados ao, evento traumático.
[Link]ços para evitar lembranças (pessoas, lugares, conversas, atividades, objetos, situações) que
despertem recordações, pensamentos ou sentimentos angustiantes acerca do, ou fortemente relacionados ao,
evento traumático.
(DSM-5, 2014) 22
Critérios diagnósticos (TEA)
Sintomas de excitação
10. Perturbação do sono (p. ex., dificuldade de iniciar ou manter o sono, sono agitado).
[Link] irritadiço e surtos de raiva (com pouca ou nenhuma provocação) geralmente
expressos como agressão verbal ou física em relação a pessoas ou objetos.
12. Hipervigilância.
13. Problemas de concentração.
14. Resposta de sobressalto exagerada.
C.A duração da perturbação (sintomas do Critério B) é de três dias a um mês depois do trauma.
Nota: Os sintomas começam geralmente logo após o trauma, mas é preciso que persistam no
mínimo três dias e até um mês para satisfazerem os critérios do transtorno.
D.A perturbação causa sofrimento clinicamente significativo e prejuízo no funcionamento social,
profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
E.A perturbação não se deve aos efeitos fisiológicos de uma substância (p. ex., medicamento ou
álcool) ou a outra condição médica (p. ex., lesão cerebral traumática leve) e não é mais bem explicada
por um transtorno psicótico breve.
(DSM-5, 2014) 23
MODELO COGNITIVO-COMPORTAMENTAL DO TEPT
Modelo cognitivo do TEPT
Avaliação negativa
de si
Aumento dos
sintomas de Aumento da
reexperimentação ansiedade
e hiperativação
Estratégias de
evitação
Ou seja, não aprende uma melhor forma de lidar com a ansiedade. Evitar pensar no trauma, ao invés
de fazer com que você se esqueça do trauma, tem o efeito contrário, garante que você se mantenha
com TEPT.
É importante saber que a ansiedade não aumenta para sempre, ela chega ao seu
máximo e, a partir disso, se estabiliza e começa a diminuir.
O livro de regras do TEPT
Este é o livro de regras que se tem na mente, ao qual reporta, que faz com que a pessoa pense que o trauma
jamais desaparecerá e que está em perigo constante. É o livro de regras do paciente, para pensar, sentir e evitar
Predisposição genética
Evento traumático
Crenças Crenças
sobre o sobre os
TEPT outros
Crenças
Crenças
Crenças
sobre o
sobre o
mundo e
trauma
o futuro
107
Crenças sobre si mesmo
• “Por eu ser uma pessoa fraca, tenho maior probabilidade
• De ser fraco e vulnerável a dano
de ser prejudicado(a) no futuro.”
futuro
• “Eu não posso mais confiar em mim porque faço maus
• Não poder confiar nas próprias
julgamentos.”
percepções e julgamentos
• “Eu não sou tão forte e habilidoso(a) quanto as outras
• De ser inferior aos outros
pessoas.”
• De ser uma pessoa má por deixar
• “Eu deveria ser punido(a) por deixar isso acontecer
isso acontecer
comigo.”
• De não ter controle ou não ser
• “Eu sou incapaz de controlar o que me acontece,
efetivo
portanto sou incapaz de me proteger.”
• Perda de autonomia ou do senso de
• “Eu fui corrompido(a); perdi toda dignidade e respeito
ser humano (isto é, derrota mental)
como ser humano. Sou apenas um objeto.”
Crenças sobre os outros
• De que os outros culpam a vítima pelo • “As pessoas me culpam pelo que aconteceu. Eles acham que
que aconteceu ou por não superar estou exagerando e deveria ser capaz de deixar tudo isso
para trás.”
• As pessoas são basicamente más • “A natureza humana é basicamente ruim e portanto capaz
ou maliciosas de grande crueldade.”
• As pessoas o(a) prejudicarão e, • “As pessoas são cruéis e o prejudicarão, portanto você
portanto, não são de confiança não pode confiar nelas.”
• A vida humana é inútil, prescindível • “Não há nenhum valor ou significado especial à vida
humana.”
Crenças sobre o mundo e o futuro
• O mundo é um lugar perigoso • “Eu nunca posso estar seguro nesse mundo perigoso.”
• O dano é aleatório e imprevisível • “Quando menos espera você está em grande perigo.”
• Interpretação negativa de respostas • “Eu não deveria ter congelado durante o ataque.”
durante o trauma
• Fracasso em ser mais efetivo em • “Eu deveria ter lutado com o agressor. Se o tivesse
proteger-se feito, não estaria sofrendo tanto quanto estou agora.”
• Sobre causar o trauma • “Eu deveria saber que não era para sair sozinho.”
• Sobre os efeitos negativos de longo • “Eu nunca serei o mesmo depois do que me
prazo do trauma aconteceu.”
Crenças sobre o Transtorno de Estresse Pós Traumático
• Que o transtorno tem consequências • “Eu nunca vou superar o TEPT. Ele arruinou minha vida.”
negativas duradouras
• “Eu devo estar ficando louco(a) porque continuo tendo esses
• A interpretação catastrófica errônea de flashbacks incontroláveis.”
determinados sintomas do TEPT
• “Eu nunca vou melhorar enquanto ficar pensando sobre o
• A necessidade de exercer maior autocontrole trauma.”
sobre sintomas relacionados ao trauma
• “Eu tenho TEPT porque sou uma pessoa fraca, impotente.”
• Culpa-se por ter transtorno de estresse pós-
traumático • “Eu nunca vou alcançar minhas metas de vida ou ter uma
vida produtiva e satisfatória.”
• Metas e propósito de vida frustrados
• “Eu preciso manter controle firme sobre minhas emoções ou
• Sobre a importância de controlar emoções vou ser esmagado(a) por elas.”
negativas
• “É melhor evitar qualquer coisa que seja potencialmente
• Os efeitos benéficos da esquiva perturbadora ou que lembre o trauma.’
TERAPIAS PARA TRATAMENTO DO TEPT
• TCC
• EMDR
TCC E O TEPT
Terapia Cognitivo Comportamental
Estratégia: Tornar os pacientes capazes de identificar suas próprias crenças disfuncionais, avaliá-las e
adotar pensamentos mais realistas que produzirão emoções mais equilibradas
Envolve ajudar o indivíduo a identificar padrões de pensamentos distorcidos sobre si mesmo, sua
relação com o entorno e sobre o incidente traumático.
Tratamento do TEPT
Psicoeducação sobre a terapia, sobre o TEPT, sobre o modelo cognitivo, sobre as emoções
Reestruturação
Regulação emocional Terapia de Exposição
cognitiva
• Aliança terapêutica
Acessar informações precisas sobre a maneira como o paciente lida com a memória do trauma é
condição necessária para o tratamento eficaz.
Investigar como o paciente vem tentando deixar trauma no passado (que estratégias de
enfrentamento vem utilizando), o que tem evitado, o que faz quando os sintomas de revivescência
aparecem, compreender onde estão os lapsos de memória, o que ele acha que acontecerá se
entrar em contato com a memória do trauma e se há pensamentos ruminativos.
Psicoeducação
Objetivo: Criar um ambiente seguro no qual o trauma possa ser revelado e compartilhado,
tranquilizando o paciente para prosseguir o tratamento
Estratégia: Informar o paciente (e às vezes sua família) sobre os sintomas do TEPT, deixando claro que
se trata de uma reação normal diante de um evento estressor, a qual pode ser superada com tempo e
tratamento adequados.
Psicoeducação
Além disso, compreender que os sintomas que têm experimentado são previstos e estudados pode
levar os pacientes a modificar ideias distorcidas sobre o quadro de TEPT, como, por exemplo, a ideia
de estar ficando maluco, e promover um senso de acolhimento. Para isso, é interessante discutir
sobre as reações comuns a um evento traumático e por que elas ocorrem.
METÁFORA SOBRE O EFEITO TERAPÊUTICO DE
FALAR SOBRE O TRAUMA EM AMBIENTE
TERAPÊUTICO.
O pressuposto básico da TCC envolve a ideia de que maneira pela qual enxergamos dada situação
(nossas interpretações) influencia o modo como nos sentimos e como nos comportamos.
Instruções: Use este formulário para elaborar a contestação dos pensamentos e crenças inúteis sobre o significado pessoal dos pensamentos,
imagens ou recordações intrusivos relacionados ao trauma e suas consequências. Tente completar o formulário aproximadamente no mesmo
momento que você revivenciou os sintomas relacionados ao trauma a fim de aumentar a efetividade da terapia.
Data e Descreva Nomeie e avalie Avaliação inicial da intrusão Reavaliação inicial dos Avaliação alternativa
Hora resumidamente a gravidade (O que torna esse pensamentos e crenças mais útil
o pensamento, a das emoções pensamento/ recordação sobre a intrusão (Qual é a (Qual é a forma mais útil
imagem ou a associadas ameaçador, perturbador para evidência, quais são as de pensar sobre essas
recordação (0 a 100) você? O que o torna consequências dessa intrusões relacionadas
intrusivo pessoalmente significativo ou intrusão, estou ao trauma?)
importante para você? catastofrizando a intrusão?)
Superando o TEPT
Passos para superar o TEPT:
Exemplos dos gatilhos, dos pensamentos negativos e dos pensamentos realistas que pode ter.
Sensações e Imagens
Gatilhos Pensamentos Negativos Pensamentos realistas
Coração batendo rapidamente. Estou tendo um ataque cardíaco. Estou Isso aconteceu muitas vezes antes e eu superei. Estou
perdendo o controle. simplesmente me sentindo ansioso e minha crise está
um pouco mais forte do que o normal.
Sentindo-se fora da realidade, como se Estou ficando louco. Você está tendo uma experiência de desrealização ou
o mundo não fosse real ou como se Estou completamente fora de controle. despersonalização. Isso é um pouco como se sua mente
você mesmo não se sentisse real. Isso durará para sempre. entrasse em um "curto circuito" que desligasse sua
ansiedade. Você não está ficando louco - você está
simplesmente se afastando brevemente do que o cerca.
O corpo está tremendo ou os dedos Algo está terrivelmente errado comigo. Isso é simplesmente um sintoma de minha ansiedade.
estão frios. Estou morrendo? Tremer e sentir os dedos frios é algo que vai passar em
Estou tendo um ataque do coração? pouco tempo.
Avalie os
pensamentos Pensamentos negativos ("pressupostos perturbados") e os pensamentos
negativos realistas que o paciente pode usar para questioná-los.
Sempre ficarei mal. Pense sobre todas as boas qualidades que você tem e em todas as coisas que ainda
pode fazer. Muito embora tenha sido uma experiência terrível, você ainda tem todo seu
futuro diante de você. Todas as pessoas tiveram ou terão perdas e decepções, mas
devemos dar continuidade às nossas vidas.
Jamais poderei confiar em alguém O que aconteceu a você foi tão incomum que ficou "grudado" em sua mente. Tem
novamente. sentido generalizar a partir de um incidente ou de uma pessoa para toda a raça
humana? Talvez você possa analisar a confiança em termos de "graus de confiança".
Talvez possa demorar um tempo, para você conhecer alguém em quem confiar.
Como acontece com qualquer transtorno de ansiedade, uma série de crenças profundas e
Examine as poderosas sustentam suas ansiedades. Deve-se fazer uma lista sincera daquilo que a
crenças pessoa realmente acredita estar, profundamente, ligado a ao TEPT.
O diálogo resultante pode tornar uma forma como as que seguem:
Por exemplo, se foi traumatizado por um incêndio, acidente ou explosão, lembrar do quanto a situação atual é segura.
Se foi agredido ou violentado, lembrar que a pessoa não está mais com ele. Perguntar a ele mesmo se a maior parte
das pessoas se sente segura onde o paciente está.
Reconhecer consciente e racionalmente que o perigo está no passado e que está seguro agora é um primeiro passo para
finalmente mudar o modo como o paciente se sente.
pensar Por exemplo, um motorista de ônibus que se sentia muito culpado por ter atropelado uma
mulher, a qual veio a falecer. Ele acreditava que poderia ter evitado o incidente. Mas, na
verdade, a mulher se suicidou se jogando na frente do ônibus, de modo que o ônibus
passasse por cima dela para que ela pudesse morrer. O pensamento do motorista foi
modificado, de modo que ele conseguiu perceber que qualquer um que estivesse
dirigindo o ônibus naquele momento acabaria por atropelar a mulher.
Gráfico em Forma de Torta
Gráfico desejado
• Usados no dia-a-dia para lidar com emoções desconfortáveis e manejar níveis elevados de
emoção durante o tratamento (por exemplo, antes/depois da exposição).
Treino de regulação emocional
• Relaxamento muscular.
• Mindfulness.
• Mentalização do Lugar Seguro ou da Bolha (além de regulação, prepara para técnicas com imagens).
Atenção!!! Cuidado para paciente não empregar exercícios como mecanismo de evitação.
Treino de regulação emocional
Ser capaz de diminuir por conta própria a ansiedade diante de uma lembrança incômoda do trauma tem
impacto na autoeficácia do indivíduo acometido pele transtorno.
As técnicas de manejo da ansiedade são ensinadas aos pacientes a fim de que possam utilizá-las em
situações em que sentirem aumento do desconforto emocional. Essas técnicas têm o papel de
regularizar aspectos fisiológicos, o que impacta diretamente a ansiedade. São especialmente úteis
durante o enfrentamento de estímulos associados ao trauma, o que ocorre durante o emprego das
técnicas de exposição.
• A respiração diafragmática é uma técnica muito utilizada na TCC para os transtornos de ansiedade
e tem mostrado eficácia para os pacientes com TEPT. Esse método de relaxamento pare da
observação de que as pessoas respiram superficialmente quando estão ansiosas, o que leva a um
desequilíbrio entre oxigênio e gás carbônico no organismo (Greenher ger & Padesky, 1999). Esse
desequilíbrio se correlaciona com os sintomas físicos da ansiedade, como tonteira, boca seca,
taquicardia, sudorese etc. O objetivo da respiração diafragmática é, portanto, restabelecer o
equilíbrio reduzindo esses sintomas e controlando a ansiedade.
• Relaxamento Muscular Progressivo (RMP) – Jacobson. Contrações dos vários grupos musculares
seguido de relaxamento.
Calm
Sons para dormir
Lo
long
Lo
jong
1. Leitura indicada
3. Ajustar rotina (atividades prazerosas, recompensas, descanso, busca por suporte emocional
na rede de apoio social / familiar)
Exposição
Terapia de exposição in vivo e imaginaria
A exposição tem como objetivo a habituação do organismo às situações que são vividas
como ameaçadoras pelo sujeito, mas que na verdade não representam perigo.
• A exposição deve ser prolongada e deve-se permanecer em determinada situação por 90 minutos,
ou até que a ansiedade reduza pelo menos 50%.
Terapia de exposição in vivo e imaginaria
De acordo com Mowrer (1960), estímulos presentes no momento do trauma se conectam por
condicionamento clássico. Estímulos que anteriormente não provocavam ansiedade, mas uma reação
neutra, passam a provocar medo quando são associados a estímulos realmente perigosos. Por exemplo,
uma situação que envolva risco de morte (estímulo incondicionado) pode começar a ser lembrada quando
se passa na rua onde ocorreu a situação. Quando se depara com determinado tipo físico que lembre
algum agressor presente naquele contexto, determinadas roupas, sons, cheiros, clima ambiental, reação
corporal (estímulos condicionados) ficam ligados à ideia de morte, como peças de um quebra-cabeça.
Não se sabe quais estímulos serão ligados ao trauma, e eles podem ser os mais diversos e específicos
possíveis. Uma estratégia comum em pacientes com TEPT é tentar suprimir os pensamento relacionados
ao trauma. Contudo, essa estratégia se mostra ineficaz, visto que, quando suprimidos, esses pensamentos
retornam de forma mais intensa.
O objetivo é que estímulos que ativem lembranças do trauma não evoquem mais a intensa reação
emocional que é sentida pelos pacientes
(Falcone e Oliveira, 2013)
Terapia de exposição in vivo e imaginaria
Dessa forma, esse novo condicionamento inibe o anterior (do medo), fazendo com que não haja ativação da
ansiedade. Ocorre, portanto, a extinção do medo condicionado (LeDoux, 1998). Contudo, algumas condições
são necessárias para que o enfrentamento leve à habituação do medo:
• Ativação da ansiedade
• Repetições consistentes da exposição
• Diminuição da ansiedade antes da interrupção da exposição
• Manejo da evitação.
Terapia de exposição in vivo e imaginaria
A exposição mostra-se bastante eficaz para o tratamento do TEPT e geralmente é feita de maneira
gradual. Dois tipos de exposição gradual são utilizados:
• Exposição in vivo: Nesse tipo de exposição, faz-se o enfrentamento de situações específicas que
provocam ansiedade no paciente por serem consideradas perigosas, mas que na realidade não são.
Para tal, é construída uma hierarquia das situações que passaram a ser evitadas após o evento
traumático. Os primeiros itens da hierarquia são que provocam menos ansiedade no paciente, e
gradualmente vão sendo listados itens que provoquem maior nível de ansiedade. A hierarquia é
montada como auxílio da escala SUDS (Subjective Unidt of Distress/ Desconfort- Unidade subjetiva de
desconforto), na qual pergunta-se ao paciente, de 0% a 100%, quanto de ansiedade ele sente em cada
item relatado por ele.
Exposições in vivo
e imaginária
O enfrentamento deve ser realizado item por item, de modo que o que determina se o próximo passo da
hierarquia será enfrentado é habituação ao item anterior. A exposição não precisa necessariamente seguir
a hierarquia montada no início do tratamento. Em alguns casos, deve-se flexibilizá-la de modo a adaptá-la
melhor às necessidades do paciente.
A exposição in vivo termina quando todos os itens da hierarquia tiverem sido enfrentados e devidamente
habituados.
• Exposição imaginária: É um dos principais elementos do tratamento do TEPT. Consiste no relato oral
ou escrito do evento traumático, respeitando-se as condições essenciais de ativação da ansiedade,
repetição consistente do relato, diminuição da ansiedade antes da interrupção da exposição e manejo
da evitação.
O relato verbal deve ser realizado em ambiente seguro, o paciente deve manter os olhos fechados e
falar no tempo presente, para que a memória seja intensamente ativada.
Já que relembrar trauma é o maior medo do portador de TEPT o relato é feito gradualmente, iniciando-
se com poucos detalhes, dependendo da tolerância do paciente.
O terapeuta deve estimular o maior número possível de detalhes durante o relato, respeitando sempre o
limite do paciente. O grau de imersão, ou seja, de vivência completa da situação, pode ser graduado.
Pacientes que tenham muita facilidade de imersão poderão iniciar o relato de olhos abertos, por exemplo,
e aos poucos fecharão os olhos, à medida que a ansiedade diminuir.
Edna Foa, em sua Teoria do Processamento Informacional (1998), enfatiza que, para que haja
habituação, é necessário haver ativação da memória traumática e incorporação de elementos
seguros a ela. Essas informações ajudarão o paciente a diminuir o impacto emocional ocasionado pela
ativação da memória do trauma.
• A exposição repetida tende a tornar a recordação do trauma mais integrada com outras
recordações autobiográficas.
Superando o TEPT
Passos para superar o TEPT:
As imagens perturbadoras têm um grande poder quando a pessoa sente que elas estão
Reestruturar as fora de seu controle. Uma maneira de dispersar esse sentimento é conscientemente
imagens mudar as imagens que o paciente tem na mente.
Essa técnica pode ser particularmente eficaz em casos de abuso. Frequentemente, as vítimas de abuso têm um
sentimento forte de impotência.
Incentivar essas vítimas a construir frases que dizem respeito diretamente ao abusador e que afirmam o poder das
próprias vítimas.
A vontade do paciente de afirmar seu próprio poder, mesmo que para si próprio, é um passo importante para exigi-lo.
Recontar a Um dos exercícios específicos para superar o TEPT. É a pessoa contar a história do trauma
história de modo tão detalhado quanto possível.
A pessoa provavelmente notará, quando contar a história do trauma pela primeira vez, que os eventos estão
desarticulados, fora de sequência e que alguns detalhes estão ausentes. Isso ocorre porque a reação para tentar
bloquear o trauma o impediu de processar a memória e os eventos; a pessoa tem parte da memória, mas não toda ela
no início.
Conforme reconta a história e enfrenta medos, talvez constate que os detalhes ficam mais claros, que a sequência de
eventos tem mais sentido e que a história se torna menos assustadora.
Alguns pacientes reagem a tais "pontos quentes" desconectando-se de seus sentimentos, recontando os fatos,
mas, emocionalmente, tergiversando. É isso que chamamos de dissociação: o paciente observa que a história está
ocorrendo, mas não está realmente presente.
Valorizar-se por ter a coragem de fazer o que é difícil do paciente fazer agora, de
Recompensar a si modo que que seja mais fácil no futuro. Dar créditos a si próprio por progredir por um
mesmo caminho difícil, mas verdadeiro.
Toda vez que o paciente faz alguma coisa para se ajudar, deve se recompensar.
Parte da manutenção do TEPT tem haver com o paciente evitar lugares, situações, pessoas,
objetos e memórias associadas ao trauma.
Exposições in vivo devem se manter. E constantes avaliações devem ser feitas sobre os
resultados e reações.
Terapia de exposição in vivo
Exposição in vivo.
• – “você falou sobre uma terceira pessoa... De onde ela vinha? como parecia? como agia? O que
você pensou dela naquele momento?
• Constante encorajamento a dar mais detalhes (nessa fase já é possível ser mais direto
nas solicitações).
Exposições in vivo devem se manter. E constantes avaliações devem ser feitas sobre
os resultados e reações.
Modificar estratégias de evitação cognitiva
Olhar para figuras A pessoa provavelmente notou que evita certos filmes ou imagens, porque fazem
que fazem com que lembrar do trauma. Agora, vamos usar essas imagens a seu favor.
se lembre do trauma
Uma fonte comum de imagens aterrorizadoras é a prevalência de material violento em todos os principais meios
de comunicação: cinema, TV, jornais, revistas, internet.
A boa notícia imagens é que, pelo fato de estarem em todo lugar, podem ser facilmente acessadas e aplicadas
com fins terapêuticos.
O importantíssimo primeiro passo é o paciente se tornar consciente desses comportamentos. Começar fazendo uma
lista. Há coisas que ele vem evitando, pessoas, lugares, atividades? Há pequenos gestos supersticiosos que faz quando
está ansioso: deixar seu corpo tenso, caminhar próximo às paredes dos prédios, repetir uma oração, cantar para si
mesmo (com a boca fechada, emitindo um som murmurante)? Há sentimentos que evita, mergulhando em distrações:
comida, entretenimento, sexo, até mesmo trabalho - apagando tudo da consciência deliberadamente ou dormindo a
maior parte do dia? Se afasta de certas imagens de revistas, da TV ou de anúncios?
Quando desiste de um comportamento de segurança, muito provavelmente se sentirá mais ansioso. Não se deixar
levar por isso. A mente vem dizendo que o comportamento adotado propicia segurança; é natural se sentir um pouco
alarmado quando se abandona esse comportamento.
Não se forçar a fazer coisas que sejam verdadeiramente inseguras como caminhar em bairros perigosos, por
exemplo. A prudência é ainda uma virtude. Assim como o é a capacidade de tolerar o desconforto,
especialmente quando ela acaba por reduzir tal desconforto.
(Robert Leahy, 2011)
Modificar estratégias de comportamentos de segurança
Comportamentos de segurança Exemplos de meus próprios Como eu penso que esses
típicos comportamentos de comportamentos de segurança me
segurança protegem
Relembrar o trauma.
Sessões de follow-up.
• Traumatização secundária.