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NotaTec RedeflorFinal

A nota técnica do Ministério do Meio Ambiente aborda a regulamentação de parâmetros técnicos para Planos de Manejo Florestal Sustentável (PMFS) na Amazônia, enfatizando a importância da gestão florestal compartilhada e a necessidade de diretrizes comuns para os estados. A proposta inclui limites de intensidade de corte e produtividade florestal, visando garantir a sustentabilidade da produção madeireira e minimizar impactos ambientais. A nota também discute os desafios e impactos da exploração florestal, destacando a importância de técnicas de exploração de impacto reduzido para preservar a qualidade das florestas remanescentes.

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NotaTec RedeflorFinal

A nota técnica do Ministério do Meio Ambiente aborda a regulamentação de parâmetros técnicos para Planos de Manejo Florestal Sustentável (PMFS) na Amazônia, enfatizando a importância da gestão florestal compartilhada e a necessidade de diretrizes comuns para os estados. A proposta inclui limites de intensidade de corte e produtividade florestal, visando garantir a sustentabilidade da produção madeireira e minimizar impactos ambientais. A nota também discute os desafios e impactos da exploração florestal, destacando a importância de técnicas de exploração de impacto reduzido para preservar a qualidade das florestas remanescentes.

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Ministério do Meio Ambiente

Nota Técnica

Assunto : Regulamentação de parâmetros técnicos em PMFS no âmbito do CONA M A


Interessados : Conselheiros do CONA M A
Elaboração : Joberto Freitas (Serviço Florestal Brasileiro), Hildemberg Cruz (IBAM A/DBFLO),
Paulo L. Contentede Barros (colaborador da REDEFLOR 1)

Introdução

A implementação da gestão florestal compartilhada, a partir da promulgação da Lei 11.284, de 2 de


março de 2006, delegou explicitamente ao estado a responsabilidade sobre a gestão dos recursos
florestais, incluindo o controle e monitoramento de Planos de Manejo Florestal Sustentável.

A descentralização de responsabilidades para uma gestão florestal compartilhada levou à necessidade de


estabelecimento de parâmetros e procedimentos comuns ou orientadores para os estados, de modo a
propiciar a produção florestal sustentável e o seu controle. No caso de sistemas de informações para o
controle do transporte florestal, por exemplo, estabeleceu-se um conjunto mínimo de informações para a
integração de sistemas, facilidade de controle e transparência, por meio da Resolução 379/06 do
CONA M A (Conselho Nacional de Meio Ambiente). Esta definição foi importante para orientar os
estados que, para atender às suas necessidades, desenvolveram sistemas de informações próprios.

Um processo similar de orientação aos estados está sendo conduzido no âmbito do CONA M A, para
orientar a elaboração de normas estaduais para a elaboração, avaliação técnica e execução de Planos de
Manejo Florestal Sustentável com fins madeireiros, para as florestas nativas da Amazônia.

A proposta a ser submetida ao CONA M A foi elaborada tendo como base a norma federal e contou com a
participação de representantes de vários segmentos envolvidos, em reuniões realizadas entre junho e
agosto de 2008.

Em nível federal, a Instrução Normativa No. 5 (MMA), de dezembro 2006, é o referencial técnico para a
elaboração, apresentação e execução de PMFS. A norma federal estabelece que a intensidade de corte
máxima autorizável em PMFS da Amazônia deve ser de 30 m3ha-1, para um ciclo de corte inicial de 35
anos.

Esses parâmetros técnicos foram incluídos na proposta de resolução do CONA M A como principais
referências de limitação da intensidade do manejo para garantir a produção sustentada nas Unidades de
Manejo Florestal (UMF). Decidiu-se incluir também, uma estimativa inicial (explícita) para a
produtividade anual da floresta, de 0,86 m3ha-1ano-1, a fim de orientar a definição da intensidade de corte
em PMFS que utilizam máquinas para o arraste de toras (Artigo 4º, Inciso I).

O objetivo desta nota técnica é apresentar os argumentos que foram considerados no estabelecimento de
parâmetros de limitação da produção florestal, como base nos conceitos e princípios do manejo de
florestas tropicais naturais e em resultados de pesquisa sobre o assunto.

Especificamente, pretende-se mostrar que valor de referência proposto para a produtividade florestal na
Amazônia, quando não houver estudos locais, é coerente com os princípios do manejo e aceitável para a
região.

Considerações sobre a definição de parâmetros técnicos relacionados à produtividade das


florestas
1
REDEFLOR: Rede de Monitoramento da Dinâmica de Florestas da Amazônia Brasileira.

1/10 Versão: Joberto Freitas


O manejo florestal na Amazônia adota um sistema policíclico, em que apenas uma parte do estoque de
madeira comercial é retirada em ciclos pequenos (<50 anos), por meio de corte seletivo, com base em
atributos tais como espécie, diâmetro mínimo de corte, etc. Portanto, a cada colheita, o estoque futuro já
está na floresta que é explorada e, desta forma, a redução dos danos (impactos) ganha enorme importância
para garantir a produção sustentada. Os fundamentos e principais atividades do sistema de manejo
preconizado para a região são descritos por e .

Para que a produção florestal seja sustentada, é necessário haver um equilíbrio (regulação) entre a
intensidade de corte e o tempo necessário para o restabelecimento do volume extraído da floresta, de
modo a garantir a produção florestal contínua. Na prática, é preciso retirar da floresta tão somente o que
ela é capaz de produzir, ao longo de um determinado período de tempo, sem comprometer a sua estrutura
natural e o seu capital inicial .

Isto implica em estabelecer um equilíbrio entre três elementos, que se relacionam da seguinte forma:

Isto é, o tempo entre duas colheitas sucessivas (Ciclo de Corte) depende do volume aproveitado
(Intensidade de Corte) e da produtividade da floresta (crescimento) para repor o que foi removido, tendo
em vista que a produção florestal deve ser contínua e sustentada.

Um aspecto importante é que, diferentemente do que muitas vezes é erroneamente considerado, o tempo
necessário (ciclo de corte) para a recomposição da floresta não deve ser apenas aquele necessário para
recompor o estoque comercial aproveitado (Intensidade de Corte), pois o estoque remanescente é
resultantetambém da perda ocasionada com os impactos causados pela exploração florestal:

A equação acima mostra que o estoque a ser recuperado para reposição do estoque em crescimento é a
soma do que foi explorado mais o que foi perdido com a exploração. Um exemplo ilustrativo é
apresentado na Figura 1.

Figura 1: Exemplo hipotético do balanço de uma exploração florestal, onde o estoque inicial em
crescimento era de 100 m3/ha (A), houve o aproveitamento de 30 m3/ha (B), cuja exploração
ocasionou impactos que levaram à perda de 15 m3/ha (C). Portanto, a redução total foi de 45

2/10 Versão: Joberto Freitas


m3/há (B+C), sendo o estoque remanescente de 55 m3/há. A perda neste caso é de ½ m3 de
madeira para cada 1 m3 de madeira explorada, e o tempo necessário de recuperação da floresta
(ciclo de corte) neste caso deveria ser aquele suficiente para recuperar os 45 m3/há (B+C).

Desta forma, o incremento da floresta, tal com é obtido de parcelas permanentes, deve ser corrigido para
comportar as perdas e danos ocorridos com a exploração florestal, e representar a produtividade
necessária para determinar o tempo de recuperação da floresta. propôs essa correção da seguinte forma:

Seja o IMA (Incremento Médio Anual) o incremento em volume, a partir da última colheita2,

IMA = Vt/T
Onde,
Vt: Volume no tempo t;
T: Tempo desde a última colheita;

A produtividade florestal corrigida, que representará a recomposição da floresta para garantir uma
produção sustentada da quantidade madeira retirada (Corte Anual Permitido) é definida por

CAP=(1-D%).IMA

Onde,

CAP = Corte Anual Permitido, ou produtividade a ser considerada para reposição do estoque inicial
D%=D/(P+D), o que representa a contribuição dos impactos da exploração sobre a redução total do
estoque;

e,

D = Volume de madeira perdida ou severamentedanificada durante a exploração florestal;


P = Produção (volume de madeira removida ou intensidade de corte autorizada);

Pesquisa florestal na Amazônia

1.1 Crescimento e Produção

O estudo do crescimento e produção florestal na Amazônia tem sido conduzido há pouco mais de duas
décadas, a partir de experiências da Embrapa (Tapajós) e do Inpa (ZF-2), com a medição de parcelas
permanentes instaladas em áreas submetidas à exploração florestal. A partir da década de 90, outras
instituições da região iniciaram trabalhos semelhantes de monitoramento da dinâmica da floresta e, no
início dos anos 2000 (2002) criaram uma rede de parcelas permanentes (REDEFLOR) apoiada pelo
MM A (IBAMA, PNF, SFB). As parcelas mais antigas da rede são as da Embrapa (PA), Inpa (AM) e da
Embrapa (AC), esta última direcionada para projetos de manejo comunitário (pouco mais de 10 anos de
medições). Um dos grandes avanços até o momento foi a padronização da metodologia de instalação e
medição de parcelas para facilitar a comparação e aplicação regional dos dados.

A Tabela 1 apresenta alguns resultados de incremento em volume para florestas da Amazônia submetidas
à exploração.

Tabela 1: Resultados de pesquisas de monitoramento do crescimento e produção de florestas manejadas na


Amazônia, resultados para espécies comerciais (adaptado de .

Incremento DAP min Periodo observado


Fonte Área de estudo
(m3/há/ano_ (cm) (anos)
Silva et al. (1995) Flona Tapajós-PA, KM67/RP12 0,8-2,0 20 11

2
IMA considerado como equivalente ao IPA (Incremento Médio Anual), medido para o período desde a última
exploração florestal (zero) até uma ocasião qualquer de medição ao longo do ciclo de corte .

3/10 Versão: Joberto Freitas


Silva et al. (1995) Flona Tapajós-PA, RP11 1,2-1,9 20 6
Higuchi et AL. (1997) ZF2- AM 1,1-1,4 10 9
Oliveira (2000) CPAF e [Link]-AC 1,0-1,4 20 7
Vidal (2004) Fazenda Sete-PA 0,1-2,5 10 e 30 10
Oliveira (2005) Flona Tapajós-PA, KM114 0,5-2,0 20 20

Os dados da Tabela 1 mostram que o incremento volumétrico de espécies comerciais em florestas


manejadas na Amazônia pode variar de 0,1 a 1,9 m3/ha/ano. Esses valores de incremento periódico anual
(IPA 3) foram obtidos de florestas em diversos sítios da Amazônia, portanto com suas peculiaridades, e
submetidos a intervenções silviculturais (exploração) sob condições específicas de intensidades de corte e
métodos de extração da madeira.
O incremento volumétrico em florestas tropicais naturais manejadas podem também sofrer influência dos
seguintes fatores:

• Diâmetro mínimo de medição: Diferentes resultados são obtidos quando os dados são
processados para diferentes diâmetros mínimos de medição, com maiores incrementos
reportados para diâmetros mínimos menores ; ;

• Período e tempo de monitoramento: Diferentes resultados são obtidos de acordo com o período
reportado. Por exemplo, nos primeiros anos após a exploração o incremento pode variar de zero
a negativo, pode se tornar acelerado alguns anos após a exploração devido à aceleração do
crescimento e redução da mortalidade devido à exploração, e se tornar próximo ao de uma
floresta não explorada a partir de 10-15 anos da exploração. No caso da ZF-2/Inpa, somente a
partir do quarto ano após a intervenção é que o incremento se tornou positivo . O número de
anos considerados no cálculo do incremento também pode interferir nos resultados de
incremento (ver ), podendo gerar tendenciosidades em certas aplicações;

• Grupo de espécies considerado: Diferentes resultados podem ser obtidos, dependendo do


número de espécies incluídas no grupo das comerciais, assim como o grupo ecológico a que
pertencem podem influenciar no resultado para a floresta. Este aspecto foi demonstrado por ,
quando reportou que o aumento do número de espécies, de 32 para 61 por conta da evolução do
mercado, resultou no aumento do incremento de 0,8 para 1,8 m3/ha, respectivamente,
considerando a mesma base de dados;

• Outros fatores, tais como equações de volume e a inclusão ou exclusão de árvores de árvores
defeituosas no cálculo podem influenciar os resultados de incremento volumétrico em florestas
manejadas;

Além das considerações acima, certamente a mais importante para esta nota técnica é que os resultados
que são geralmente reportados sobre a medição de parcelas permanentes têm maior foco sobre a dinâmica
da floresta, isto é, à produção acumulada anualmente (m3/há/ano). Para serem considerados na regulação
da produção de florestas manejadas, é importante partir do estoque remanescente que considera as perdas
com a exploração florestal ou efetuar a correção do incremento para comportar estas perdas e, sendo
assim, considerar uma produtividade (CAP) compatível com a produção florestal sustentada como
sugerido por .

1.2 Impactos da exploração florestal

Em florestas tropicais naturais manejadas para a produção de madeira, os impactos causados pela
exploração florestal influenciam a qualidade da floresta remanescente, a ser manejada para os ciclos de
corte futuros . Tais impactos podem causar a mortalidade e danos nas árvores remanescentes, distúrbios
no solo, abertura do dossel e a composição da regeneração natural que, combinados, podem determinar a
qualidade da floresta e o tempo para a recuperação do estoque comercial de madeira. Os impactos da

3
Em geral são resultados de incremento líquido, isto é, que contabilizam perdas e ganhos com
mortalidade e recrutamento,respectivamente.

4/10 Versão: Joberto Freitas


exploração florestal são relacionados à intensidade de corte e aos métodos empregados para a extração da
madeira.

As técnicas de Exploração de Impacto Reduzido (EIR) ganharam importância a partir de meados da


década de 1990 , apesar de que a importância e técnicas de exploração planejada são mais antigas na
Amazônia . A EIR compreende um conjunto de atividades para aumentar a eficiência da exploração e
reduzir danos à vegetação remanescente em até 50%, comparado com os métodos convencionais.
Compreende a adoção de inventário a 100%, corte de cipós, queda direcionada, planejamento de estradas
e trilhas de arraste, uso de máquinas e equipamentos adequados e, sobretudo, emprego de equipes
treinadas. Diretrizes estão disponíveis para a região , mas a capacidade de disseminação das técnicas
ainda é reduzida pela existência de poucos centros de treinamento, de modo que a adoção das técnicas de
EIR na Amazônia ainda é limitada a algumas empresas .

Para o contexto desta nota técnica, um importante indicativo sobre a exploração é a relação entre o
volume produzido e as perdas decorrentes de sua extração. As pesquisas sobre os danos causados pela
exploração ainda são escassas na Amazônia e, quase sempre, utilizam metodologias diferentes
dificultando a comparação. reportaram que para cada 1 m3 de madeira perdida, 0,7 m3 pode ser
danificado (DAP>10 cm) (Manaus, ZF-2), enquanto que encontrou valores de 10 m3 de madeira de
espécies comerciais danificados por cada árvore extraída sem planejamento e de 6 m3 danificados por
árvore extraída com exploração planejada na região de Paragominas (PA). Já , encontrou valores de 4,3
árvores danificadas por cada árvore extraída e de 0,3 m3 de volume danificado por cada m3 de madeira
extraída na FLONA Tapajós. Na região de Manicoré (AM), para cada árvore explorada 1,6 foram
danificadas e 11,5 foram mortas, assim como para cada metro cúbico explorado, 0,95 m3 foi de espécies
comerciais foi danificado ou perdido devido à exploração florestal (Freitas & Oliveira, 2003).

Esses resultados, apesar de preliminares e terem sido feitos com metodologias muitas diferentes,
confirmam que sempre há perdas de volume comercial em decorrência da exploração florestal para
remoção do volume produzido, podendo em alguns casos chegar a 50%.

Por outro lado, tem sido amplamente reconhecido na literatura que os fatores importantes relacionados
com a exploração são a intensidade de corte e os métodos utilizados para a extração das árvores
removidas e que o aumento da intensidade para além de certo número de árvores pode tornar sem efeito
o emprego de técnicas de exploração de impacto reduzido .

1.3 Modelagem do crescimento e produção

Um último elemento a ser considerado para subsidiar a adoção de parâmetros técnicos do manejo florestal
é a modelagem do comportamento da floresta, a partir de modelos ajustados com dados de parcelas
permanentes da região. Os modelos são importantes para simular possíveis cenários, decorrentes do
emprego de técnicas silviculturais, de exploração, e os seus possíveis impactos sobre a produção florestal
ao longo do tempo. São importantes para subsidiar os manejadores, assim como para guiar a formulação
de políticas florestais , mostrando extremos a serem evitados por exemplo.

A Embrapa tem se destacado no desenvolvimento de modelos de crescimento e produção para florestas


manejadas na Amazônia. Nos últimos anos dois modelos foram desenvolvidos, o CAFOGROM e o
SYMFLORA . Resultados preliminares do primeiro modelo, com dados de parcelas permanentes da
Embrapa-PA sugerem que explorações pesadas (75 m3/há) em ciclos de corte de curtos 30 anos levam a
uma situação de insustentabilidade a partir do terceiro ciclo, e que, um cenário onde o corte é limitado a
seis árvores por há, ou um volume explorado de 27-28 m3/há, a produção mostra ser sustentável por um
período analisado de 200 anos . Resultados do segundo modelo (SYMFLOR), utilizando também uma
base de dados de parcelas permanentes da Embrapa-PA, sugerem que o tempo necessário para a
recuperação do estoque comercial (máximo de 40m3 há; DAP>45 cm) é de 35-40 anos quando a EIR é
empregada e de cerca de 60 anos quando a exploração não é planejada, sendo que em ambos os casos
pode haver uma redução do estoque comercial explorada em sucessivas colheitas .

Apesar de estes serem resultados preliminares, tanto porque a base de dados ainda não contempla um
período completo de um ciclo de corte de medições, e porque ambos os modelos podem ser aprimorados
e serem submetidos à simulações mais direcionados com as estratégias atuais de manejo, tanto técnicas
como políticas, certamente uma indicação fica evidente: explorações pesadas (>40 m3/há) em ciclos de

5/10 Versão: Joberto Freitas


corte curtos (<30 anos) podem levar à não sustentabilidade do manejo florestal, causado pela redução do
estoque disponíveis a cada colheita (ciclo de corte), que por sua vez é ocasionado pelo empobrecimento
gradual da floresta.

Justificativas para a adoção de parâmetros de limitação da produção florestal

1.4 Aspectos importante na elaboração de normas para o manejo florestal

A introdução de parâmetros que limitam a produção florestal nas normas do manejo se deu,
principalmente nos últimos anos, na Instrução Normativa (MMA) No. 5, de 2006. Esta norma substituiu a
IN-04, de 2002, a partir de uma demanda de vários segmentos, tanto do governo como da sociedade.

É importante notar, que a formulação de normas técnicas de abrangência regional como é o caso, não é
tarefa fácil pela diversidade de interesses em jogo (ambientais, sociais, econômicos), e algumas
considerações são importantes:

• Devem servir para orientar a elaboração de PMFS, mas principalmente precisam servir de referência e
suporte para a análise por técnicos do órgão ambiental. Por exemplo, a não definição de uma intensidade
máxima de corte em normas anteriores, significou que 25% das autorizações de explorações (AUTEX)
(N=2445) em PMFS empresariais fossem emitidas autorizando volumes acima de 40 m3/há (23%) ou
acima de 65 m3/há (2%) (Fonte: SISPROF/IBAM A, outubro de 2004);

• Não precisam, necessariamente, corresponder exatamente a resultados de pesquisas específicas, mas sim
refletir o contexto atual de todas as pesquisas em andamento. Resultados apresentados acima mostraram,
por exemplo, que o incremento volumétrico de florestas manejadas na Amazônia varia amplamente e está
sujeito a especificidades de várias ordens. São resultados fundamentais para o manejo florestal mas que,
sozinhos, não servem para estabelecer os parâmetros de regulação da produção (ciclo de corte e intensidade
de corte,por exemplo);

• Os parâmetros técnicos devem ser compatíveis com a realidade, denotada por um conjunto de situações
observadas, tanto em publicações científicas, como conhecimento de especialistas e experiências de
profissionais do setor privado;

• O Estado, como responsável pela gestão das florestas (bem comum), deve buscar alternativas que sejam
cautelosas, ainda que comporte flexibilidade nas normas com base no avanço do conhecimento e
disponibilidade de informações locais;

• O manejo florestal deve ser encarado como atividade de longo prazo, não sendo possível
maximizar a produção da primeira colheita em detrimento das colheitas futuras. O argumento da
viabilidade econômica deve ser analisado com cautela, uma vez que na Amazônia há exemplos
de empreendimentos de manejo, certificados, funcionando com base em intensidades de corte
variando entre 20-25 m3/ha;

1.5 Origem dos parâmetros de limitação da produção

A definição dos parâmetros de intensidade máxima permitida e ciclos de corte para diferentes categorias
de manejo (Pleno e Baixa Intensidade), na norma federal (IN05), foi amplamente discutida com
especialistas em manejo florestal da região, sendo que muitos dos aspectos acima expostos serviram
como base para os valores assumidos na norma.

Resultados recentes de parcelas permanentes submetidas à exploração não mecanizada, de baixa


intensidade, monitoradas pela Embrapa Acre, mostram que nessas condições o incremento volumétrico
das espécies comerciais é de aproximadamente 1 m3/há/ano e os danos causados à floresta residual
desprezíveis . Um ciclo de corte de 10 anos foi considerado aceitável para tal situação, representativa de
grande parte do manejo florestal comunitário da região à época.

Para o manejo que utiliza máquinas para o arraste de toras, um importante aspecto considerado foi a
intensidade máxima permissível, no caso 30 m3/ha,grosso modo equivalente à remoção (moderada) de 4-

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6 árvores por hectare, e compatível com a intensidade praticada em projetos sob rígida condução técnica
na região.

Diferentemente do PMFS de baixa intensidade, entretanto, o uso de máquinas no arraste implica na


redução adicional do estoque inicial pelos danos causados, não sendo aceitável, portanto, considerar
unicamente o incremento volumétrico de 1m3/há/ano como sendo a produtividade da floresta, e daí
resultar um ciclo de corte de 30 anos. Apesar deste valor de incremento volumétrico de espécies
comerciais ser coerente o dados encontrados para a região (Tabela 1), neste caso, para haver a produção
sustentada é necessário prever uma correção do incremento para as perdas e a definição de um ciclo de
corte compatível com a recuperação do estoque comercial nos casos em que a intensidade máxima for
autorizada.

Optou-se por arbitrar um ciclo de corte máximo inicial de 35 anos, como forma de evitar ciclos longos
para justificar para aumentos na intensidade de corte na primeira colheita. Ciclos de corte muito longos
resultam em longos períodos sem que a floresta tenha qualquer atividade econômica, o que encoraja o seu
uso ilegal. Além disso, limitações ambientais não permitem explorações de alta intensidade que
justifiquem os ciclos de corte longos, já que os danos são pesados a ponto de alterar significativamente a
estrutura da floresta e sua capacidade em suprir serviços como a proteção da fauna e o funcionamento do
ecossistema duranteo tempo de pousio.

Desta forma, para valores extremos adotados para a regulação da produção (Ciclo de Corte de 35 anos
para intensidades de 30 m3/há) tem-se na prática uma produtividade associada, de 0,86 m3/ha/ano. Esse
valor é aceitável para a região, em função de resultados e considerações feitas neste documento, e até
otimista segundo alguns autores ;.

O conjunto desses parâmetros máximos, e um ciclo de corte mínimo inicial arbitrado em 25 anos, deveria
ser suficiente para permitir flexibilidade de regulação da produção pelo manejador, para a definição de
novas combinações adequadas à UMF, por exemplo, para comportar intensidades de corte menores do
que 30 m3/há/anoa ciclos de corte intermediários (25 a 35 anos).

Entretanto, na prática, a não declaração explícita de uma produtividade ocasionou uma série de
interpretações equivocadas por parte dos proponentes em alguns estados. A solicitação da intensidade
máxima de corte (30 m3/há) para um ciclo de corte mínimo (25 anos) é a mais simples, mas tem sido
comum a solicitação de intensidades de corte de 35-40 m3/há com ciclos de corte de 25 anos. Esses
eventos têm sido observados pelo IBAM A, por meio de atividades conjuntas com áreas técnicas de alguns
estados e vistorias de campo.

Tais solicitações assumem produtividades demasiadamente otimistas e não consideram os danos e perdas
ocasionados pela exploração florestal no ponto de partida de recuperação da florestal. Os trabalhos de
Alder com modelagem do crescimento e produção utilizando dados de parcelas permanentes da Costa
Rica, Guyana, Brasil, Gana e Papua Nova Guiné por diferentes modelos mostram que a produtividade de
0,7-0,8 m3ha-1 seria um parâmetro adequado para considerar no planejamento para uma produção
sustentável ao longo do tempo nessas florestas, e sugerem ainda que o conhecido parâmetro pan-tropical
de 1 m3/há/ano,proposto por , pode ser um parâmetro demasiadamenteotimista.

Considerações finais

Com base nos argumentos e informações expostos acima, é justificável e necessária a inclusão de uma
produtividade de referência, como proposto na minuta de resolução em discussão no CONA M A:

• O valor assumido é realístico como ponto de partida para um manejo florestal que objetiva a
produção contínua e sustentável de madeira na Amazônia. Além disso, é importante notar que,
com resultados obtidos na UMF ao longo da execução do manejo florestal, é possível justificar a
alteração de quaisquer parâmetros propostos na norma;

• A consideração de uma produtividade de referência única (0,86 m3/há/ano), para diferentes


intensidades de corte previstas na UMF, como base para a definição de ciclo de corte uma
amplitude possível (25 a 35 anos) pode ser questionada. Entretanto, é importante notar que esse

7/10 Versão: Joberto Freitas


valor é aceitável como ponto de partida para qualquer combinação de intensidades e ciclos. A
Tabela 2 apresenta possíveis ciclos de corte para diferentes intensidades de corte propostas no
PMFS, considerando a produtividade única de referência, quando não há estudos locais;

• No caso das florestas tropicais naturais, não há ciclo de corte ótimo definido para uma UMF,
dado a heterogeneidade que pode haver e da falta de informações locais por ocasião da
elaboração do PMFS. Desta forma, o ciclo de corte pode ser definido com base em aspectos
administrativos, econômicos e legais, podendo ser alterado ao longo do tempo de recuperação da
floresta para obter a produção sustentada, diferenciando inclusive de entre UPA e até mesmo
entre UT. Tais acomodações sim, devem estar previstas na norma, como é o caso da resolução
proposta.

Tabela 2: Ciclos de corte aceitáveis para diferentes intensidades de corte


propostas em PMFS, seus valores máximos e mínimos, considerando uma
produtividade de 0,86 m3/há/ano.

Intensidade Ciclo de corte


proposta autorizado Observações
m3/há anos
30 35 Valores máximos permitidos
29 34
28 33
27 31
26 30
25 29
24 28
23 27
22 26
21 25 Ciclo de Corte mínimo
20 25
19 25
18 25
17 25
16 25
15 25

Parecer

Somos favoráveis à inclusão do valor de referência de 0,86 m3/há/ano para a produtividade considerada
na elaboração e análise de parâmetros técnicos de PMFS propostos para as florestas da Amazônia.

Joberto Veloso de Freitas


Hildemberg da Silva Cruz
Paulo Luiz Contentede Barros (Colaborador)

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10/10 Versão: Joberto Freitas

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