Ele não vai te matar, não vai mesmo!
Não
em minha casa! – prometi a Alicia. Ela por um instante
deu um leve sorriso esperançoso ao ver meu interesse em
seu bem estar, mas esse sorriso logo descaiu em
seriedade e descontentamento.
– Mari... eu bem que queria acreditar nisso,
mas receio não ser possível. Creio que irei morrer tão
cedo quando penso.
Eu não conseguia aceitar essa idéia, era
odiosa!
– Pare de falar assim, Alicia! Você vai passar a
noite aqui comigo e amanhã iremos a policia pedir
proteção contra essa praga de homem.
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Alicia apenas balançava a cabeça de um lado
para o outro com completa incredibilidade na policia ou
em minha proteção. Ali no sofá ela deitou e adormeceu,
com uma expressão triste e cansada. Também achei que
era hora de dormir, depois poderíamos resolver isso de
manhã numa delegacia. Acabei por adormecer na
poltrona ao lado do sofá.
Lembro-me que no meio da noite acordei
com um barulho que vinha do quarto no andar superior.
Pés se arrastando. Levantei-me silenciosamente e fui à
cozinha pegar uma faca. Eu estava certa de que se era
alguém com intenções mortais que este se daria muito
mal porque eu estava munida de um objeto cortante.
Como às vezes somos ingênuos, achamos ser imortais e
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todo-poderosos... Que nada! Não passamos de pó e
cinzas.
Verifiquei se Alicia estava bem e pude ver que
dormia calmamente, aparentemente esquecida da
tormenta que a perturbava e nem de longe ciente do
perigo que a cercava. “Como em alguns momentos a
ignorância nos faz feliz” – pensei comigo mesma. Passei a
subir as escadas cautelosamente com a faca bem segura
na mão e determinada a enfiá-la no peito do primeiro
infeliz que me aparecesse à frente.
Quando cheguei a meu quarto percebi que a
janela estava completamente aberta, as cortinas
esvoaçavam pelo quarto, mas não havia ninguém. Olhei
atrás da porta, por debaixo da cama e no guarda-roupas.
Não, certamente se havia alguém, este fugiu em
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disparada. Ou talvez tenha sido apenas minha
imaginação. Me aproximei da janela e pus minha cabeça
para fora, a noite parecia calma mas o vento era forte, a
lua estava tímida e clareava fracamente. Vi apenas
sombras disformes onde eram casas, árvores e carros.
Continuei a contemplar por mais alguns instantes até que
fui acordada num susto.
Um grito aflito de socorro! A paz se quebra
com a facilidade de uma vidraça. Foi quando me dei conta
de que Alicia ficara sozinha na sala e que este grito não
poderia ser de outrem. Sai correndo possessa de aflição,
angustia e medo do pior. Ao descer as escadas
escorreguei e, no que cai, deslizei de nádegas uns três ou
quatro degraus. Por sorte, desta vez a faca estava longe
do corpo e no tombo a mesma foi arremessada para trás