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Parte 3

Alicia revela a Mari que está grávida de um homem casado, o governador, que se tornou violento ao saber da gravidez. Apesar da pressão, Alicia decide que quer criar a criança, mas teme a ameaça do governador de forçar um aborto. Mari, chocada com a situação, se sente revoltada e apoia Alicia em sua decisão de ter o bebê.

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Alicia revela a Mari que está grávida de um homem casado, o governador, que se tornou violento ao saber da gravidez. Apesar da pressão, Alicia decide que quer criar a criança, mas teme a ameaça do governador de forçar um aborto. Mari, chocada com a situação, se sente revoltada e apoia Alicia em sua decisão de ter o bebê.

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Mari, você lembra que eu sempre lhe

contava que andava com um homem charmoso, elegante

e de dinheiro?

– Claro que lembro! Você falava com muita

animação.

– Sim, odiosa animação que me levou ao atual

estado em que estou. Pois este homem tão maravilhoso

não é ninguém menos do que O governador...

– Quê! – eu não sabia mais o que pensar de

tão surpresa que fiquei ao ouvir estas palavras – Mas

como assim o governador, ele é casado!

– Eu sei... mas me deixei envolver e por fim,

estou grávida, grávida de dois meses...

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– Mas Alicia como você se deixou seduzir por

um homem casado?!

– Quando o conheci num clube da alta

sociedade fiquei impressionada com seu charme,

elegância e modos. Ele fazia sentir-me única. Era uma

sensação agradável e desejável. Não pude evitar que esse

romance florescesse dentro de mim. Mas tudo desabou

assim que lhe contei que estava grávida.

– E como foi?

– Como foi? – sua voz soava como um choro,

um lamento profundo – Foi uma guerra mundial! Aquele

homem belíssimo, fino e bondoso se tornou o demônio!

Gritava comigo em minha própria casa como se eu fosse

um cão sarnento... foi horrível! Muito humilhante.

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– Ele não tem esse direito! Ainda mais na sua

casa. E o que ficou resolvido?


Alicia olhou de canto de olho para a parede e

se abraçou encolhendo-se mais ao sofá. Depois da minha

insistência no olhar ela continuou.

– Resolvido?... Qual a forma melhor de se

resolver uma gravidez indesejada?

– Não Alicia! Você não esta pensando em

matar essa criança, ela não tem culpa da imprudência de

adultos!

– Não Mari! Eu não seria capaz. Você bem

sabe disso!

– Então? Como fica?

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– Eu quero criar essa criança, mesmo que seja

sozinha... mas...

– Mas...?

– Dr. Lauro Prophiro, ou melhor, conhecido

como: “O governador” disse que se eu não tirasse esse

bebê, ele mesmo o faria!

Um grande nojo e aversão me vieram contra

este homem, maldito seja! Como pode pensar em fazer

algo medonho e horrendo como isso? Matar um bebê e

sua mãe? Monstro cretino! Eu sentia vontade de ir lá e

matá-lo primeiro. Mas vontade não é coragem, nem

poder... Apenas me sentei com o sangue fervendo e fixei

os olhos em Alicia. Sentia minhas bochechas arderem, minutos. Quieta com respiração leve.
Me sentia muito

melhor.

Levantei-me e desci as escadas com a leveza

de uma borboleta, não queria acordá-lo, já bastasse tê-lo

incomodado na noite passada e o feito vir correndo me

acolher. O mínimo que eu poderia fazer era deixá-lo


dormir um pouco mais e fazer um café.

Passado cerca de uma hora eu ouvi passos

apressados na escada e enfim vi o rosto de Renan expirar

alívio quando me viu.

– Ufa... você esta bem – disse ele.

– Sim. Graças a você. Por favor, sente-se e

tome um café.

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– Preparou tudo isso para mim? – perguntou

olhando a mesa que eu havia posto, estava caprichada

com frutas, cereal, pão sovado, geléia, café e suco.

– Sim – sorri – É o mínimo que posso oferecer

a alguém tão bem disposto como você. Agradeço muito

ter atendido meu pedido de socorro, mesmo sem ouvir

nenhuma palavra. Como soube que era eu?

– Como soube? – Ele ficou surpreso com a

pergunta e embaraçado. – Bom, quando você fez a ficha

do B.O escreveu seu numero, então salvei na memória do

meu celular. Caso acontecesse algo, seria mais fácil

saber... – antes de terminar o interrompi.

– Puxa! Você é realmente muito atencioso!

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