Mari, você lembra que eu sempre lhe
contava que andava com um homem charmoso, elegante
e de dinheiro?
– Claro que lembro! Você falava com muita
animação.
– Sim, odiosa animação que me levou ao atual
estado em que estou. Pois este homem tão maravilhoso
não é ninguém menos do que O governador...
– Quê! – eu não sabia mais o que pensar de
tão surpresa que fiquei ao ouvir estas palavras – Mas
como assim o governador, ele é casado!
– Eu sei... mas me deixei envolver e por fim,
estou grávida, grávida de dois meses...
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– Mas Alicia como você se deixou seduzir por
um homem casado?!
– Quando o conheci num clube da alta
sociedade fiquei impressionada com seu charme,
elegância e modos. Ele fazia sentir-me única. Era uma
sensação agradável e desejável. Não pude evitar que esse
romance florescesse dentro de mim. Mas tudo desabou
assim que lhe contei que estava grávida.
– E como foi?
– Como foi? – sua voz soava como um choro,
um lamento profundo – Foi uma guerra mundial! Aquele
homem belíssimo, fino e bondoso se tornou o demônio!
Gritava comigo em minha própria casa como se eu fosse
um cão sarnento... foi horrível! Muito humilhante.
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– Ele não tem esse direito! Ainda mais na sua
casa. E o que ficou resolvido?
Alicia olhou de canto de olho para a parede e
se abraçou encolhendo-se mais ao sofá. Depois da minha
insistência no olhar ela continuou.
– Resolvido?... Qual a forma melhor de se
resolver uma gravidez indesejada?
– Não Alicia! Você não esta pensando em
matar essa criança, ela não tem culpa da imprudência de
adultos!
– Não Mari! Eu não seria capaz. Você bem
sabe disso!
– Então? Como fica?
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– Eu quero criar essa criança, mesmo que seja
sozinha... mas...
– Mas...?
– Dr. Lauro Prophiro, ou melhor, conhecido
como: “O governador” disse que se eu não tirasse esse
bebê, ele mesmo o faria!
Um grande nojo e aversão me vieram contra
este homem, maldito seja! Como pode pensar em fazer
algo medonho e horrendo como isso? Matar um bebê e
sua mãe? Monstro cretino! Eu sentia vontade de ir lá e
matá-lo primeiro. Mas vontade não é coragem, nem
poder... Apenas me sentei com o sangue fervendo e fixei
os olhos em Alicia. Sentia minhas bochechas arderem, minutos. Quieta com respiração leve.
Me sentia muito
melhor.
Levantei-me e desci as escadas com a leveza
de uma borboleta, não queria acordá-lo, já bastasse tê-lo
incomodado na noite passada e o feito vir correndo me
acolher. O mínimo que eu poderia fazer era deixá-lo
dormir um pouco mais e fazer um café.
Passado cerca de uma hora eu ouvi passos
apressados na escada e enfim vi o rosto de Renan expirar
alívio quando me viu.
– Ufa... você esta bem – disse ele.
– Sim. Graças a você. Por favor, sente-se e
tome um café.
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– Preparou tudo isso para mim? – perguntou
olhando a mesa que eu havia posto, estava caprichada
com frutas, cereal, pão sovado, geléia, café e suco.
– Sim – sorri – É o mínimo que posso oferecer
a alguém tão bem disposto como você. Agradeço muito
ter atendido meu pedido de socorro, mesmo sem ouvir
nenhuma palavra. Como soube que era eu?
– Como soube? – Ele ficou surpreso com a
pergunta e embaraçado. – Bom, quando você fez a ficha
do B.O escreveu seu numero, então salvei na memória do
meu celular. Caso acontecesse algo, seria mais fácil
saber... – antes de terminar o interrompi.
– Puxa! Você é realmente muito atencioso!