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Parte 2

A protagonista sente um arrepio ao tocar em sua amiga Alicia, que parece estar em um estado de desespero. Após um acidente com uma xícara de chá, Alicia expressa sua gratidão, mas também revela uma preocupação sombria sobre sua vida. A protagonista insiste em entender o que está acontecendo, buscando ajudar sua amiga em meio ao seu sofrimento.

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Parte 2

A protagonista sente um arrepio ao tocar em sua amiga Alicia, que parece estar em um estado de desespero. Após um acidente com uma xícara de chá, Alicia expressa sua gratidão, mas também revela uma preocupação sombria sobre sua vida. A protagonista insiste em entender o que está acontecendo, buscando ajudar sua amiga em meio ao seu sofrimento.

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defunta, ao tocar em seu braço me arrepiou a coluna.

Segui andando até a cozinha tendo pequenas tremuras

gélidas pelo corpo. Parecia a premonição de algo

realmente horrendo. Voltei a esquentar no fogão o bule

com o restante do chá, coloquei um pouco na minha

xícara e um outro tanto numa outra xícara destinada a

minha amiga ausente de espírito.

Voltando à sala me abaixei e olhei Alicia nos

olhos esticando-lhe a xícara de chá, o vapor passava-lhe

no rosto o que provavelmente deve tê-la acordado de

seus devaneios sombrios. Ela apenas esticou a mão e

pegou a xícara levando-a lentamente até a boca de forma

tão automática que acabou por se queimar. Soltou no

mesmo instante a xícara no chão espatifando-a em vários

pedaços e causando grande barulho. Finalmente Alicia

começou a falar palavras trêmulas, falhadas e rouca com

uma pressa e desorganização de pensamentos que

atropelavam a lógica e compreensão.

– Mari, desculpa! Quebrei sua xícara,

desculpa... – um mar de lágrimas escorreu por seu rosto

e soluços acompanhavam o desespero, eu abracei-a e

encostei meu rosto no dela, senti que pelo menos as

lágrimas eram quentes, algo ainda vivia naquela alma

pálida. Alicia chorava muito, soltei-lhe os cabelos loiros

longos e encaracolados que caiam sobre suas costas

como um manto dourado. Passei as mãos neste cabelo

macio como a mãe que acalenta um filho, assim ela foi se

acalmando até que as lágrimas cessaram, seu corpo

estava novamente aquecido e em sua face um rosa

desbotado. Suspiros seguiram-se de suspiros.


10

– Amiga, obrigada por me acolher – Alicia

finalmente conseguia falar mais firme e presente –

desculpa por vir a esta hora da noite, pelo susto, pelo

escândalo e pela sua xícara quebrada...

– Imagina Alicia que eu vou me apegar a uma

xícara. Fico feliz de que esteja melhor. Realmente fiquei

preocupada.

– Só não sei se vou ficar bem por muito

tempo. Não sei quanto me sobra de vida.

Levantei-me como se tivesse visto a morte e

seu punhal ao lado da moça e com olhos arregalados de

boca aberta fitei-a, me espantava a sua fala que possuía

grande certeza e conformidade.

11

– Não fale assim! Por que morreria? – a

indaguei.

– É melhor você não saber Mari. Não seria

bom pra você.

– Mas é claro que eu devo saber! Como é que

eu posso te ajudar se ficar me escondendo o seu

problema, não é assim que a amizade funciona.

– Você já me ajudou muito abrindo a porta da

sua casa e me acalmando, não quero que tenha o mesmo

destino miserável que terei.

– Pare de falar em códigos! Me explique o que

esta acontecendo. Por favor, eu preciso saber... – com

grande suspiro Alicia decide contar seus medos.

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