Uma visita perturbadora
Era uma noite calma, um pouco fria, mas
confortável. Como de costume eu estava deitada em
minha cama lendo um de meus livros favoritos enquanto
tomava, aos pequenos goles, um chá saboroso de erva
doce qual espalhava seu delicado aroma pelo ar. Ao virar
delicadamente a próxima página do livro sob a
tranquilidade que me cercava, ouço uma batida forte na
porta, uma batida insistente que por um momento me
assustou de modo que eu senti o coração palpitar com
grande velocidade. Fixei os olhos na porta do quarto.
Mesmo que de forma bem evidente, a batida não vinha
desta porta, mas da porta da sala no andar de baixo.
As batidas se intensificavam, assim sendo,
decidi me apressar para descer e ver quem chamava tão
decididamente. Coloquei sobre a camisola de algodão
branca que usava, um roupão felpudo num roxo escuro e
misterioso, não tanto quanto a surpresa que tive ao abrir
a porta e me deparar com um rosto familiar, mas
descorado, perturbado por alguma causa que era de total
desconhecida por mim. Mal abri a porta e Alicia
precipitou-se para dentro como se fugisse de algo
assombroso, sentou-se no sofá e olhava em volta como
que sendo observada, com terror absoluto e corpo
trêmulo. Fiquei nervosa com a situação, mas não fui
capaz de abrir minha boca em nenhuma frase ou palavra
se quer, estava perplexa. Nunca antes eu havia visto Alicia
desta forma, assumo que não sabia o que perguntar e que
o medo dela vinha sobre mim assim como um vento forte
de chuva.
Assustada, fechei a porta e todas as trancas
quantas tinha. Mordia os lábios de aflição, fiquei por
alguns segundos paralisada me apoiando com as costas
na porta. Aos poucos voltei a mim, voltei a sentir a
respiração que parecia ter cessado. Pensei comigo: “Que
besteira! Ficar tão nervosa sem nem saber o motivo!” –
mesmo assim de forma instintiva me levei à janela e abri
uma pequena fresta da cortina pela qual observei se lá
fora alguém nos vigiava ou se havia algum prenúncio de
problemas. Olhei em cada canto do jardim, passei os
olhos lentamente em todo o parâmetro possível de ser
visto pela janela. Mas nada, nem uma alma sequer.
Suspirei aliviada, no entanto eu não sei dizer o que
esperava
encontrar
quando
aturdida
olhei
detalhadamente o jardim, não sei mesmo. Felizmente
nada de anormal se encontrava lá fora, parecia que a paz
havia voltado à minha casa se não fosse a face
desfigurada e trêmula da criatura que eu nem sei dizer se
realmente conhecia.
Decidi me acalmar e tentar fazer com que
Alicia se acalmasse também. “Eu não vou perguntar nada
por agora, não vou deixá-la pior do que já está” – pensava
comigo mesma ao subir para meu quarto. Em pouco
tempo voltei à sala com uma coberta de um lado do braço
enquanto segurava a xícara de chá frio do outro. Coloquei
a coberta sobre Alicia que estava tão gelada quanto uma