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Introdução à Biologia e Seus Conceitos

O documento aborda a Biologia como a ciência que estuda os seres vivos e seus processos biológicos, destacando a importância da metodologia científica na pesquisa. Ele descreve as características gerais dos seres vivos, como composição química, níveis de organização e metabolismo, além de apresentar as etapas do método científico. O texto também discute a natureza do conhecimento científico, enfatizando a falseabilidade de hipóteses e a definição de teorias científicas.

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Introdução à Biologia e Seus Conceitos

O documento aborda a Biologia como a ciência que estuda os seres vivos e seus processos biológicos, destacando a importância da metodologia científica na pesquisa. Ele descreve as características gerais dos seres vivos, como composição química, níveis de organização e metabolismo, além de apresentar as etapas do método científico. O texto também discute a natureza do conhecimento científico, enfatizando a falseabilidade de hipóteses e a definição de teorias científicas.

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Questão 1

1
ACESSE TAMBÉM O GABARITO NO LIVRO
DIGITAL, NA PLATAFORMA POLIEDRO.
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dim
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ck.c
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Roberto Dziura
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Sumário
Aula 1
Introdução à Biologia
.........................................................................
......... 504
Aula 2
Composição química dos seres vivos
............................................. 5 1 1
Aula 3
Replicação, transcrição e síntese proteica
................................... 523
Aula 4
Biologia celular
.........................................................................
....................... 535
Aula 5
Metabolismo energético
.........................................................................
. 546

====PAGE 2====

Você já percebeu como o planeta em que vivemos tem uma grande variedade
de seres vivos, desde organismos microscó-
picos, como as bactérias e os protozoários, até verdadeiros gigantes,
como as baleias e as sequoias? A disciplina das Ciências da
Natureza que se preocupa em analisar os seres vivos e seus processos
biológicos é denominada Biologia. Os cientistas envolvi-
dos nesses estudos, os biólogos, realizam pesquisas utilizando a
metodologia científica, uma poderosa ferramenta utilizada na
construção de conhecimento científico.
C4 | H14, H15 e H16
AULA

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Questão 1

1
Biologia • Frente 1

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Questão 504

504
Você já percebeu como o planeta em que vivemos tem uma grande variedade
de seres vivos, desde organismos microscó-
picos, como as bactérias e os protozoários, até verdadeiros gigantes,
como as baleias e as sequoias? A disciplina das Ciências da
Natureza que se preocupa em analisar os seres vivos e seus processos
biológicos é denominada Biologia. Os cientistas envolvi-
dos nesses estudos, os biólogos, realizam pesquisas utilizando a
metodologia científica, uma poderosa ferramenta utilizada na
construção de conhecimento científico.
O que é Biologia?
Os primeiros cientistas não tinham uma visão unificada
dos seres vivos e dos processos biológicos, classificando os
elementos visíveis da natureza em três grandes reinos: mi-
neral, animal e vegetal. Nessa classificação, as plantas seriam
tão distantes dos animais quanto dos minerais. Avanços do
conhecimento científico, entretanto, indicaram que animais
e vegetais compartilham características únicas, não compar-
tilhadas com os minerais (matéria sem vida), e que também
estão presentes em todos os outros seres vivos do planeta,
como bactérias, fungos, protozoários e algas.
A Biologia (do grego bios, vida, e logos, estudo), por-
tanto, é uma disciplina das Ciências da Natureza que estuda
os seres vivos e os processos biológicos que ocorrem neles,
desde o nível microscópico (como a divisão celular) até a
Átomo
É a unidade
básica da matéria.
Molécula
É um conjunto de átomos ligados a uma
organização específica. Cada conjunto
corresponde a uma substância diferente,
com propriedades físicas e químicas distintas.
Organelas
São estruturas
internas das células
que executam
funções específicas.
Célula
É a unidade
morfológica e
funcional que
compõe os
organismos vivos.
Tecido
É um agrupamento de células
com características
comuns, de mesma
origem e que
desempenham
funções
específicas.
Órgão
É um conjunto de tecidos organizados
em estruturas especializadas.
Sistema
É um conjunto de órgãos
responsáveis por desempenhar
funções vitais.
Organismo
Também conhecido como
indivíduo ou espécime, é
um ser vivo formado
por uma célula ou por
um conjunto de células,
tecidos, órgãos e sistemas.
População
É um conjunto de
organismos de uma
mesma espécie que vivem
em uma área geográfica em
um mesmo intervalo de tempo.
Comunidade
É um conjunto de populações que
se relacionam de diversas maneiras,
principalmente no aspecto alimentar.
Também é conhecida como biocenose ou biota.
Ecossistema
É constituído de fatores abióticos e bióticos
que se encontram no mesmo local e que
interagem entre si por meio do fluxo da
matéria e da energia.
rgãos e sistemas.
ecidos, órgã
te
P
l
ã
a e
ue
ne
a
Biosfera
Inclui todos os ecossistemas
da Terra, a atmosfera, a
litosfera e a hidrosfera.
interação entre os seres vivos em escala global. Esse estudo
é organizado em áreas específicas, tais como:

Bioquímica ou química celular: dedica-se à compreen-
são da vida ao nível molecular;

Biologia celular: analisa as células e seus componentes;

Histologia: estuda os tecidos biológicos;

Anatomia e morfologia: examina de forma minuciosa os
sistemas e órgãos;

Fisiologia: compreende o funcionamento do organismo,
abrangendo desde as moléculas até os sistemas;

Ecologia: estuda as relações dos seres vivos entre si e
com o meio em que habitam.
Assim, cada uma dessas áreas estuda determinado
aspecto da vida em certo nível de organização, que é o “re-
corte” da área de conhecimento em questão.
Representação
esquemática dos
principais níveis
de organização
existentes nos
seres vivos.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Introdução à Biologia

====PAGE 3====

AULA 1: Introdução à Biologia


Biologia • Frente 1

=========================================================================
=======
Questão 505

505
Características gerais dos seres vivos
Muitos cientistas discutem uma definição precisa de
vida, porém nenhuma é considerada universal e satisfató-
ria para todas as áreas da Biologia. A vida pode se manifes-
tar de diferentes formas, o que aumenta a complexidade
do fenômeno e da tarefa de encontrar uma definição única.
Uma descrição bem simples, geral e bastante aceita por
muitos cientistas é a de que seres vivos são entidades que
apresentam a capacidade de reprodução, variabilidade
e hereditariedade.
Apesar de não existir uma definição precisa de vida, é
possível analisar características compartilhadas entre prati-
camente todos os seres vivos: composição química, níveis de
organização, metabolismo, nutrição, reprodução, homeostase,
hereditariedade e evolução.

Composição química: nos seres vivos, os elementos quí-
micos mais abundantes são: hidrogênio (H), oxigênio (O),
carbono (C), nitrogênio (N), fósforo (P) e enxofre (S). Esses
e outros elementos químicos se agrupam em dois grupos
principais de moléculas: orgânicas e inorgânicas.
Os principais exemplos de compostos orgânicos são os
carboidratos (amido e sacarose), os lipídios (óleos e
gorduras), as proteínas (enzimas e anticorpos), as vi-
taminas (moléculas reguladoras) e os ácidos nucleicos
(DNA e RNA). São exemplos de moléculas a água (H2O),
molécula mais abundante de todos os seres vivos; e os
minerais, como o Ca2+ e o Cl–, que também são funda-
mentais para o metabolismo celular.

Níveis de organização: além de toda diversidade e
complexidade de compostos químicos, os seres vi-
vos também podem ser arranjados em níveis de or-
ganização hierárquicos, que vão do microscópico ao
macroscópico. A ilustração vista anteriormente apre-
senta e define os principais níveis de organização dos
seres vivos.

Metabolismo: as reações químicas que ocorrem cons-
tantemente nos seres vivos promovem a síntese e a de-
gradação de moléculas fundamentais ao organismo. O
conjunto dessas reações representa o metabolismo, res-
ponsável pela transformação da matéria e essencial para
a manutenção da vida.

Nutrição: a atividade metabólica dos seres vivos requer
muita energia e matéria, obtidas principalmente por
meio da nutrição. Com base no tipo de nutrição, os seres
vivos podem ser classificados em dois grupos principais:
autótrofos e heterótrofos. Os primeiros produzem seu
próprio alimento; os segundos consomem matéria orgâ-
nica produzidas pelos primeiros.

Reprodução: a reprodução consiste na capacidade que
os seres vivos têm de gerar descendentes e perpetuar
a espécie. Os organismos podem realizar dois tipos de
reprodução: assexuada e sexuada. No primeiro tipo,
os seres vivos produzem descendência geneticamente
idêntica a eles; no segundo tipo, há formação de descen-
dentes com variabilidade genética.

Homeostase: mesmo diante das transformações pro-
movidas pelo metabolismo, os seres vivos mantêm uma
condição de relativa estabilidade interna, que é funda-
mental para a realização de suas funções vitais. Essa con-
dição, conhecida como homeostase, é a propriedade de
um sistema aberto, como o dos seres vivos, de regular
seu ambiente interno, de modo a manter uma condição
estável mediante ajustes controlados por mecanismos
de regulação.

Hereditariedade: os seres vivos herdam de seus pro-
genitores, por meio da reprodução, características es-
pecíficas que são fundamentais para a manutenção da
vida desses organismos. A capacidade de os seres vivos
transmitir as características entre gerações é denomi-
nada hereditariedade.

Evolução: as populações dos seres vivos podem se mo-
dificar ao longo do tempo. As modificações que ocor-
rem nas características hereditárias de uma população
ao longo das gerações constituem a evolução biológica.
Esse fenômeno ocorre porque os organismos de uma
população são ligeiramente diferentes entre si, ou seja,
há variabilidade genética, gerada pela reprodução sexu-
ada ou por meio de mutações. Assim, os descendentes
produzidos a cada geração têm diferentes chances de
sobrevivência no ambiente e, consequentemente,
de sucesso reprodutivo. Um dos mecanismos que im-
pulsionam a evolução das espécies é conhecido como
seleção natural.
Método científico
Durante a Revolução Científica, movimento que ocorreu
na Europa a partir do Renascimento, a forma de interpretar a
natureza passou por mudanças consideráveis que estabelece-
ram as bases das concepções científicas modernas.
A forma de obter conhecimento pela Ciência foi desen-
volvido principalmente da segunda metade do Renascimento
(séc. XIX a XVII) até a Revolução Industrial (XVIII). Nesse perío-
do, ocorreu a Evolução Científica. Nesse contexto, um dos
cientistas de destaque na divulgação e no aprimoramento da
metodologia científica foi o astrônomo, engenheiro e físico
italiano Galileu Galilei (1564-1642), considerado um dos pais
da ciência experimental.
O método científico, também conhecido como método
hipotético-dedutivo, é um conjunto de procedimentos rigo-
rosos executados para garantir a prática científica isenta e de
qualidade, de modo que se constituem caminhos bastante
comuns utilizados na produção de conhecimento científico
por todos os grupos de pesquisadores.

====PAGE 4====
AULA 1: Introdução à Biologia
Biologia • Frente 1

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Questão 506

506
De forma geral e resumida, o método científico pode ser
organizado nas etapas descritas a seguir.

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Questão 1

1. Observação de um fenômeno natural e generalizações


sobre a observação, raciocínio conhecido como indução
(do particular para o geral).

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Questão 2

2. Elaboração de perguntas sobre o fenômeno, de modo a


tentar explicar ou prever fatos relacionados a eles e às
generalizações dos fenômenos.

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Questão 3

3. Formulação de hipóteses para responder a perguntas, ba-


seadas nas generalizações, ou seja, dadas as generalizações,
hipóteses são feitas sobre aspectos particulares do fenôme-
no em questão, sejam hipóteses preditivas ou explicativas.

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=======
Questão 4

4. Hipóteses decorrentes de generalizações permitem


que deduções sejam feitas para sustentar as próprias
hipóteses, ou seja, de um contexto geral deduzem-se
particularidades (do geral para o particular).

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Questão 5

5. Teste das deduções, por meio de observações adicionais,


a fim de prever outros fenômenos com base nas hipóte-
ses dedutivas ou experimentos controlados.
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Questão 6

6. Análise dos resultados e conclusão com relação à validade


da hipótese.

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Questão 7

7. Replicação dos experimentos pela comunidade científica


e fortalecimento da validade das hipóteses. A reproduti-
bilidade é um importante aspecto do método científico,
pois os experimentos devem ser reprodutíveis por pes-
quisadores de grupos independentes.

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Questão 8

8. Hipóteses e teorias formuladas ficam disponíveis para a


comunidade científica repetir os experimentos e poder
falseá-las, ou seja, se algum aspecto da teoria ou do mo-
delo decorrente dela for falseado, mostrado incorreto
ou incompleto, a teoria e suas hipóteses devem ser re-
formuladas ou substituídas.
Experimento controlado
Em Biologia, é comum a realização de experimentos con-
trolados, em que são utilizados dois grupos: grupo controle
e grupo experimental. Um grupo experimental é aquele em
que se promove uma alteração em um fator a ser testado,
deixando todos os demais fatores sem alteração.
Um grupo controle é aquele submetido aos fatores sem
alteração. Dessa forma, é possível testar um fator por vez e
comparar os resultados obtidos nos dois grupos. Se ocorrer
uma diferença entre eles, essa diferença pode ser atribuída
ao fator testado. Caso contrário, pode-se concluir que o fator
testado não interfere no processo em estudo.
Para testar se determinado medicamento tem efeito na
cura de uma doença, por exemplo, os cientistas devem divi-
dir os voluntários em dois grupos: grupo experimental, que
recebe o medicamento correto a ser testado, e grupo contro-
le, que não recebe o medicamento. Os voluntários do grupo
controle recebem um comprimido, denominado placebo,
de material inerte, sem efeito no tratamento da doença. Esse
procedimento é realizado porque o simples fato de uma pes-
soa doente acreditar que está recebendo um medicamento
capaz de curá-la pode produzir um efeito psicológico que pro-
move melhoria nos sintomas da doença.
Ao analisar o resultado do experimento, pode-se encon-
trar pessoas que apresentam melhoria nos dois grupos, seja
pela reação do próprio organismo, por efeito placebo ou por
efeito do medicamento. Se o grupo experimental apresentar
um número significativamente maior de pessoas com me-
lhoria, em relação ao grupo controle, pode-se concluir que o
medicamento é eficaz. Caso contrário, pode-se concluir que
o medicamento não é eficaz nas condições testadas.
Natureza do conhecimento, teoria e modelo
O termo hipótese se refere a uma resposta possível para
uma pergunta sobre determinado fenômeno natural. Uma hi-
pótese é aceita apenas quando várias observações ou testes
científicos não conseguem mostrar que essa hipótese é falsa,
ou seja, os experimentos são realizados para tentar rejeitar
a hipótese, e não para confirmá-la. Hipóteses válidas cien-
tificamente são, portanto, falseáveis, ideia conhecida como
falseabilidade da hipótese. Ao contrário do conhecimento
científico, o conhecimento dogmático é baseado em verda-
des imutáveis e indiscutíveis. Assim, o conhecimento tem
duas naturezas distintas: científica e dogmática. A Biologia,
como ciência, deve ter como sustentação o conhecimento
científico, ou seja, deve prescindir de ideias imutáveis que
não possam ser questionadas.
Uma teoria científica representa uma ideia ampla que
explica, de forma coerente e racional, um conjunto de fenô-
menos abrangentes da natureza. As teorias científicas são
concisas, coerentes, sistemáticas, preditivas e amplamente
aplicáveis, muitas vezes integrando e generalizando muitas
hipóteses. No entanto, toda teoria deve ser falseável.
Para demonstrar a consistência de uma teoria, pode
ser produzido um modelo, ou seja, uma representação, na
forma de desenhos, maquetes ou fórmulas matemáticas,
de uma entidade estudada, buscando torná-la mais familiar e
compreensível, de modo a permitir predições válidas.
Modelos celulares
Uma célula representa a unidade estrutural e funcional
(morfofisiológica) mínima existente em todas as formas de
vida do planeta, com exceção dos vírus, que são acelulares.
O desenvolvimento da microscopia eletrônica revelou a exis-
tência de dois tipos celulares principais nos diferentes grupos
de seres vivos, cuja maior diferença está na organização do
DNA: células procarióticas e eucarióticas. Nas células pro-
carióticas, o DNA se encontra mais ou menos disperso no
próprio citoplasma, enquanto nas células eucarióticas ele se
concentra em uma região denominada núcleo celular.
Célula procariótica
A principal característica da célula procariótica é ausên-
cia de membrana interna que separe o DNA (material gené-
tico) do restante do citoplasma, ou seja, ela não apresenta
um núcleo celular definido por um envelope membranoso.

====PAGE 5====

AULA 1: Introdução à Biologia


Biologia • Frente 1
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Questão 507

507
As células procarióticas são encontradas nas bactérias e nas
cianobactérias, incluídas no domínio Bacteria, e das arqueas,
incluídas no domínio Archaea.
Citosol
Ribossomo
DNA
Fímbrias
Inclusão
Plasmídeo
Flagelo
Cápsula
Parede celular
Membrana plasmáƟca
Representação esquemática de uma célula procariótica bacteriana.
Toda célula bacteriana é revestida pela membrana plas-
mática, um envoltório lipoproteico responsável pelo controle
de entrada e saída de substâncias da bactéria. Praticamente
todas as bactérias têm um envoltório externo rígido denomi-
nado parede celular, responsável pela manutenção do formato
e pela proteção da célula contra agentes externos.
O DNA bacteriano é também conhecido como cromos-
somo bacteriano. O material genético da bactéria consiste
em uma única molécula de DNA circular, que fica em con-
tato direto com o citoplasma da célula. Nesse sentido, não
existe núcleo celular organizado.
Além do cromossomo bacteriano, a bactéria apresen-
ta anéis menores de DNA, denominados plasmídeos (com
apenas alguns genes), que podem ser transferidos entre as
bactérias, ampliando a variabilidade genética da população.
Célula eucariótica
A principal característica da célula eucariótica (do grego eu,
verdadeiro, e karyon, núcleo) é que nela existe carioteca ou en-
voltório nuclear, uma membrana lipídica que isola as moléculas
de ácido nucleico, o DNA, do restante do citoplasma da célula.
Dessa forma, pode-se dizer que esse tipo celular tem núcleo or-
ganizado, diferentemente do que ocorre nas bactérias, organis-
mos em que o DNA não é separado do restante do citoplasma.
Outra característica marcante da célula eucariótica é a
presença de um sistema complexo de endomembranas ou
organelas membranosas, que possuem organização estrutural e
desempenham funções específicas no metabolismo celular. Como
exemplos temos: retículo endoplasmático (granuloso e liso), com-
plexo golgiense, lisossomos, peroxissomos, mitocôndrias e plas-
tos, estruturas que serão estudadas em outro momento.
Atenção!
Os ribossomos das células eucarióticas são ligeira-
mente maiores que os das células procarióticas e podem
se associar ao retículo endoplasmático enquanto estão
produzindo determinados tipos de proteína.
A maioria dos grupos de seres vivos existentes no pla-
neta, como animais, plantas, protozoários, algas e fungos,
é constituída de células eucarióticas, compondo o domínio
Eukarya. Para ilustrar as características das células eucarióti-
cas, são escolhidas as células animal e vegetal.

Célula animal: é uma célula que não tem parede celu-
lar, sendo envolvida apenas pela membrana plasmática,
formada de um tipo de lipídio denominado fosfolipídio.
No citoplasma, são encontrados ribossomos, retículo en-
doplasmático, complexo golgiense, peroxissomo, mito-
côndrias e citoesqueleto, estruturas também existentes
nas células vegetais. Algumas células animais, como os
espermatozoides, são dotadas de flagelo para locomoção,
enquanto outras, como as células intestinais, apresentam
microvilosidades. Algumas organelas encontradas nas
células animais estão ausentes na maioria das células de
plantas com flores. Uma delas é o centrossomo, estrutura
formada por um par de centríolos que participa da divi-
são celular, e a outra é o lisossomo, vesícula com enzimas
digestivas responsáveis pela digestão intracelular.
Núcleo
Retículo
endoplasmático
granuloso
Peroxissomo
Membrana plasmática
Flagelo
Ribossomos
Centríolo
Microvilosidades
Citoesqueleto
Citosol
Lisossomos
Complexo
golgiense
Mitocôndria
Retículo
endoplasmático
não granuloso
Aldona/[Link]
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Representação esquemática de uma célula eucariótica animal.

Célula vegetal: além da membrana plasmática, de natu-
reza lipídica, tem parede celular, estrutura que confere
proteção e determina a forma. A principal molécula
constituinte da parede celular é a celulose, um tipo de
carboidrato (glicídio). No citoplasma, são encontrados ri-
bossomos, retículo endoplasmático, complexo golgiense,
peroxissomo, mitocôndrias e citoesqueleto, estruturas
também existentes nas células animais. Algumas organe-
las, entretanto, estão ausentes nas células animais. Uma
delas é o cloroplasto, que carrega o pigmento clorofila
e está relacionado com a fotossíntese. A outra organela
ausente nas células animais é o vacúolo central, vesícula
que pode armazenar diversas substâncias, como água,
pigmentos ou moléculas tóxicas.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO

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AULA 1: Introdução à Biologia


Biologia • Frente 1

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Questão 508

508
Núcleo
Retículo
endoplasmático
granuloso
Citoesqueleto
Cloroplasto
Complexo
golgiense
Membrana
plasmática
Parede celulósica
Citosol
Vacúolo
central
Peroxissomo
Mitocôndria
Ribossomos
Retículo endoplasmático
não granuloso
Aldona/[Link]
A tabela a seguir traz um resumo das principais funções e características
das organelas celulares. Algumas dessas caracte-
rísticas serão aprofundadas em aulas posteriores.
Organela
Características
Funções principais
Ribossomos
Estruturas com aspecto granular não delimitadas
por membrana. Formados de RNA e proteínas.
Síntese de proteínas.
Mitocôndrias
Formadas por duas membranas. Seu interior pos-
sui uma matriz gelatinosa, ribossomos e DNA.
Respiração celular.
Complexo golgiense
Constituído de sacos membranosos achatados,
empilhados e com extremidades dilatadas.
Concentração de substâncias,
empacotamento e secreção.
Retículo
endoplasmático
Agranular, ou liso
(sem ribossomos)
Constituído de canais membranosos ramificados
que não têm ribossomos aderidos à sua superfície.
Reações metabólicas,
transporte e síntese
de fosfolipídios e esteroides.
Agranular, ou rugoso
(com ribossomos)
Constituído de canais membranosos ramificados e
mais achatados cuja superfície adere aos ribossomos.
Transporte e síntese
de proteínas.
Lisossomos
Vesículas membranosas com enzimas digestivas;
são derivados do complexo golgiense.
Digestão no interior da célula
(intracelular).
Centríolos
Normalmente constituem pares dispostos
perpendicularmente entre si. Cada centríolo é
constituído de blocos de proteínas.
Formação de cílios e flagelos e
participação na divisão celular.
Peroxissomos
Vesículas membranosas com enzimas oxidativas.
Contêm enzimas, como a catala-
se, que degrada água oxigenada.
Representação esquemática de
uma célula eucariótica vegetal.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO

=========================================================================
=======
Questão 1

1 Unimontes-MG 2018 A campanha veiculada em rede na-


cional para a 29ª edição do Prêmio Jovem Cientista mostrou
a confecção de um jardim vertical por alguns estudantes. A
campanha começa com duas mãos de um estudante separan-
do material de cascas de vegetal seco. Em seguida, uma ou-
tra estudante recebe uma mensagem e diz: “Gente, o Mateus
está vindo pra cá com mais material!” Seu colega responde:
“Vai ficar incrível!” Ela confirma: “Vai ficar demais.” Em outra
mensagem, aparece: “Consegui mais 15 cascas.” Outra men-
sagem: “O muro verde vai refrescar a escola.” Outra mensa-
gem: “Show.” A estudante então fala: “Assim vai dar até para
participar do Prêmio Jovem Cientista.” Seu colega responde:
“É! Jovem a gente é, mas cientista?” A estudante aponta para
o jardim vertical (muro verde) e diz: “Tem alguma dúvida?”.
Nesse momento, uma professora aparece e afirma: “Eu não
tenho. Olha o que vocês fizeram?” Considerando os passos de
um método científico, assinale a alternativa que representa o
jardim vertical contemplado nessa campanha.
A
Hipótese.
B
Experimentação.
C
Observação.
D
Resultado.

====PAGE 7====

AULA 1: Introdução à Biologia


Biologia • Frente 1

=========================================================================
=======
Questão 509

509

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=======
Questão 2

2 Fuvest-SP 2019 Analise o esquema de uma célula adulta.


As estruturas I, II, III e IV caracterizam‐se pela presença, res-
pectivamente, de
A
glicídio, lipídio, água e ácido nucleico.
B
proteína, glicídio, água e ácido nucleico.
C
lipídio, proteína, glicídio, e ácido nucleico.
D
lipídio, glicídio, ácido nucleico e água.
E
glicídio, proteína, ácido nucleico e água.
=========================================================================
=======
Questão 3

3 Uece 2021 População é definida como o conjunto de


A
indivíduos da mesma espécie que convivem em uma
mesma área.
B
seres vivos que interagem entre si e com todos os indiví-
duos migrantes.
C
fatores bióticos e abióticos que compõem o ecossistema
dos seres vivos.
D
indivíduos da comunidade que interagem e convivem na
mesma área.

=========================================================================
=======
Questão 4

4 Enem PPL 2021 Em uma aula de métodos físicos de con-


trole do crescimento dos microrganismos, foi realizada
uma experiência para testar a ação do calor sobre duas
espécies bacterianas: Escherichia coli (ensaio A) e Bacillus
subtilis (ensaio B). Nesses ensaios, foram adicionadas duas
gotas de cultura pura de cada uma das espécies em tubos
de ensaio contendo meio nutritivo previamente esterili-
zado. Posteriormente, os tubos foram submetidos aos se-
guintes tratamentos:
Tubo 1: Tubo controle, sem tratamento.
Tubo 2: Fervura em banho-maria por 5 minutos.
Tubo 3: Fervura em banho-maria por 20 minutos.
Tubo 4: Autoclavação (processo de esterilização por calor úmido).
Após 48 horas de incubação, foi realizada a leitura dos
ensaios, obtendo-se os seguintes resultados de cresci-
mento microbiano:
Ensaio A
E. coli
Ensaio B
B. subtilis
Tubo 1
Positivo
Positivo
Tubo 2
Positivo
Positivo
Tubo 3
Negativo
Positivo
Tubo 4
Negativo
Negativo
A experiência para testar a ação do calor sobre as duas espé-
cies bacterianas demonstrou que
A
ambos os microrganismos são resistentes à autoclavação.
B
ambas as espécies têm resistência à fervura por

=========================================================================
=======
Questão 5

5 minutos.
C
a bactéria E. subtilis é sensível à fervura em banho-maria.
D
a bactéria E. coli é mais resistente ao calor do que
B. subtilis.
E
os dois microrganismos são eliminados pela fervura por

=========================================================================
=======
Questão 20

20 minutos.

=========================================================================
=======
Questão 5

5 UEMG 2023 A Citologia, também chamada de Biologia


Celular, é a área das Ciências Biológicas que estuda as célu-
las, sua formação, estruturação, composição e metabolismo.
Esta grande área é aplicada nos conhecimentos de células
Procariontes e Eucariontes, buscando facilitar a compreen-
são celular, qual é utilizada em tratamentos quimioterápicos,
no desenvolvimento de novos fármacos, na formulação de
dermatocosméticos, na compreensão de patologias, entre
outras. Qual das alternativas descreve, corretamente, o com-
ponente e sua função?
A
O citoplasma preenche boa parte da célula, tanto em
eucariontes quanto procariontes, tem como caracterís-
tica ser preenchido por citosol, ou hialoplasma, além de
possuir, dispersas em seu meio, as organelas celulares.
B
O retículo endoplasmático liso (REL) é responsável pela
síntese de proteínas, enquanto o retículo endoplasmá-
tico rugoso (RER) é responsável pela síntese de lipídios.
C
Os lisossomos são responsáveis pela oxidação dos ácidos
graxos para auxiliar a respiração celular.
D
As mitocôndrias são estruturas responsáveis pela diges-
tão intracelular, ou seja, digerem substâncias indesejá-
veis ao metabolismo adequado da célula.

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Questão 6

6 Uerj 2021 A mucolipidose II é uma condição hereditária


rara que ocasiona problemas ao crescimento. Ela é causada
pela deficiência de uma enzima envolvida no processo de
fosforilação das pré-enzimas a serem enviadas aos lisosso-
mos. Sem a fosforilação adequada, essas pré-enzimas são
encaminhadas para fora da célula, em vez de serem utilizadas

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AULA 1: Introdução à Biologia


Biologia • Frente 1

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Questão 510

510
nos processos de digestão intracelular. A disfunção provocada por essa
síndrome impede que os processos adequados de
fosforilação e de transporte das pré-enzimas ocorram na seguinte
organela:
A
ribossomo.
B
mitocôndria.
C
complexo de Golgi.
D
retículo endoplasmático liso.

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Questão 1

1 Unicamp-SP 2014 Considere os seguintes componentes


celulares:
I.
Parede celular
II. Membrana nuclear
III. Membrana plasmática
IV. DNA
É correto afirmar que as células de
A
fungos e protozoários possuem II e IV.
B
bactérias e animais possuem I e II.
C
bactérias e protozoários possuem II e IV.
D
animais e fungos possuem I e III.

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Questão 2

2 Unesp 2020 Diariamente somos inundados por inúmeras


promessas de curas milagrosas, métodos de leitura ultrar-
rápidos, dietas infalíveis, riqueza sem esforço. Basta abrir o
jornal, ver televisão, escutar o rádio, ou simplesmente abrir a
caixa de correio eletrônico. A grande maioria desses milagres
cotidianos é vestida com alguma roupagem científica: lin-
guagem um pouco mais rebuscada, aparente comprovação
experimental, depoimentos de “renomados” pesquisadores,
utilização em grandes universidades. São casos típicos do que
se costuma definir como “pseudociência”.
(KNOBEL, Marcelo. “Ciência e pseudociência”.
In: Física na escola, vol. 9, no 1, 2008.)
Pode-se elaborar a crítica filosófica aos conhecimentos pseu-
docientíficos por meio
A
da imposição de novos sistemas ideológicos.
B
da confiança em teorias fundamentadas no senso comum.
C
da ampla divulgação de ideias individuais.
D
da preservação de saberes populares.
E
da demonstração de ausência de evidências empíricas.

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Questão 3

3 UFJF/Pism-MG 2021 Todos os seres vivos são formados


por células. Apesar da enorme diversidade de tipos celulares
existentes, pode-se estabelecer um primeiro nível de classifi-
cação: células procarióticas e células eucarísticas. Sobre seus
aspectos morfofuncionais e/ou evolutivos, assinale a alterna-
tiva CORRETA:
A
Organismos multicelulares são compostos tanto por
células eucarióticas quanto procarióticas.
B
Os ribossomos encontram-se em células procarióticas
e eucarióticas, podendo estar associados, nos dois
casos, a um sistema membranoso conhecido como re-
tículo endoplasmático.
C
As mitocôndrias são encontradas apenas em células
eucarióticas, e há evidências de que sua origem evolu-
tiva tenha ocorrido a partir de organismos procariontes
fotossintetizantes.
D
A membrana plasmática pode estar presente tanto em
células eucarióticas como procarióticas, mas, em bacté-
rias, pode ser substituída pela parede celular.
E
Uma diferença entre os dois tipos celulares está na dis-
posição de seu material genético: disperso na matriz ci-
toplasmática em células procarióticas, e organizado em
um núcleo em células eucarióticas.

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Questão 4

4 Enem PPL 2019 A ciência ativa rompe com a separação


antiga entre a ciência (episteme), o saber teórico, e a técni-
ca (techné), o saber aplicado, integrando ciência e técnica.
Do ponto de vista da ideia de ciência, a valorização da ob-
servação e do método experimental opõe a ciência ativa à
ciência contemplativa dos antigos; assim também, a utiliza-
ção da matemática como linguagem da física, proposta por
Galileu sob inspiração platônica e pitagórica, e contrária à
concepção aristotélica.
MARCONDES, D. Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos a
Wittgenstein. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008 (Adapt.).
Nesse contexto, a ciência encontra seu novo fundamento na
A
utilização da prova para confirmação empírica.
B
apropriação do senso comum como inspiração.
C
reintrodução dos princípios da metafísica clássica.
D
construção do método em separado dos fenômenos.
E
consolidação da independência entre conhecimento
e prática.

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C5 | H15, H18 e
H20
AULA

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Questão 11

11
Biologia • Frente 1

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Questão 511

511
Introdução à bioquímica
O ramo das Ciências da Natureza que estuda as moléculas e os processos
químicos que ocorrem nos seres vivos é deno-
minado Bioquímica.
Com base em estudos bioquímicos, os cientistas já descobriram milhares de
moléculas biológicas diferentes que partici-
pam de inúmeras redes interligadas de reações metabólicas.
Os compostos químicos podem ser classificados em dois grupos: inorgânicos
e orgânicos. Os compostos inorgânicos são
aqueles que não possuem carbono e hidrogênio ligados, e são representados
pela água e pelos sais minerais, como cálcio
e ferro.
Os compostos orgânicos são aqueles que possuem átomos de carbono e
hidrogênio ligados, e abrangem uma grande di-
versidade de biomoléculas, que podem ser classificadas em cinco grupos
principais: carboidratos, lipídios, vitaminas, proteínas
e ácidos nucleicos.
HILLIS, D. M. et al. Life: the Science of Biology. 12. ed. New York: W.
H. Freeman and Company, 2020.
Tecidos vivos são
consƟtuídos de 70%
de água.
Água
Macromoléculas
Ácidos nucleicos
Carboidratos
(polissacarídeos)
Lipídios
Íons e
moléculas pequenas
Quatro Ɵpos de macromoléculas estão
presentes, aproximadamente, nas
mesmas proporções em todos os
organismos vivos.
Proteínas
(polipepơdeos)
Água
A molécula de água é relativamente simples, constituída por dois átomos
de hidrogênio unidos a um átomo de oxigênio.
O átomo de oxigênio é mais eletronegativo que os de hidrogênio, fato que
promove uma maior permanência dos elétrons com-
partilhados nas proximidades do oxigênio. Essa divisão desigual dos
elétrons compartilhados e o formato em “V” tornam a molé-
cula de água um dipolo elétrico, com carga levemente negativa no oxigênio
(δ–) e levemente positiva nos hidrogênios (δ+), fazendo
suas moléculas permanecerem unidas entre si por meio de ligações de
hidrogênio. No estado líquido, as ligações de hidrogênio
são quebradas e refeitas constantemente, o que faz as moléculas de água
permanecerem juntas e criarem um ambiente propício
para as reações químicas.
As moléculas orgânicas da matéria viva têm um arranjo tridimensional e
são compostas de grupos químicos que determi-
nam as funções biológicas desempenhadas por elas. Estudar as biomoléculas
proporciona aos cientistas, por exemplo, uma
melhor compreensão sobre os mecanismos bioquímicos envolvidos nas doenças
humanas, aperfeiçoando os seus tratamentos.
C4 | H15
AULA

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Questão 2

2
Composição química
dos seres vivos

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AULA 2: Composição química dos seres vivos


Biologia • Frente 1

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Questão 512

512
Polaridade da molécula de água
A polaridade dupla da molécula de água a torna um excelente solvente,
capaz de dissolver diversos grupos de substâncias.
As substâncias hidrofílicas (do grego hydor, água, e philos, afinidade),
como sal e açúcar, são solúveis em água, enquanto as
substâncias hidrofóbicas (do grego hydor, água, e phobos, medo), como os
lipídios, são insolúveis em água. A água também
possibilita o transporte de substâncias pelo corpo dos seres vivos, já
que é a molécula mais abundante no sangue dos animais
e na seiva das plantas, e atua como lubrificante, evitando atritos entre
tecidos e órgãos.
No metabolismo dos seres vivos a água pode participar das reações
químicas como reagente ou como produto. Em deter-
minadas reações químicas, denominadas reações de condensação ou de
desidratação, ocorre união de duas moléculas meno-
res e formação de uma molécula maior e água como produtos. Em outras
reações químicas, denominadas reações de hidrólise
(quebra da água), a água participa como reagente.
Representação esquemática da participação da água nas reações de
condensação e de hidrólise. Observe que, na reação de condensação,
a água é um dos produtos, enquanto é reagente na reação de hidrólise.
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Questão 1

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Questão 2

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Questão 3

3
H
HO
HO
H
Reação de hidrólise
Reação de condensação
+
Molécula menor

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Questão 1

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Questão 2

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Questão 3

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Questão 4

4
H2O
HO
H
+
Molécula maior
Monômero
A maioria dos seres vivos sobrevive em uma faixa de temperatura
específica, fora da qual o metabolismo fica comprometi-
do. Nesse aspecto, o alto calor específico da água é uma característica
fundamental para a regulação da temperatura dos seres
vivos, já que tal propriedade possibilita que ela absorva e perca calor
sem passar por grandes alterações estruturais. Além dis-
so, a água tem um elevado calor latente de vaporização, isto é, precisa
absorver grande quantidade de energia para evaporar; e
um alto calor latente de fusão, ou seja, precisa liberar muito calor para
se solidificar. Essas propriedades contribuem tanto para
diminuir a temperatura do corpo dos seres vivos, impedindo o
superaquecimento em temperaturas ambientes muito altas,
quanto para evitar que a água congele dentro deles em temperaturas
ambientes muito baixas.
As ligações de hidrogênio mantêm as moléculas de água unidas entre si,
propriedade conhecida como coesão, responsá-
vel pela alta tensão superficial da água, possibilitando que insetos
andem sobre ela, por exemplo. As ligações de hidrogênio
também propiciam a união das moléculas de água a outras moléculas,
propriedade conhecida como adesão. Essas duas pro-
priedades contribuem para que ocorra, por exemplo, o transporte de seiva
inorgânica (água e minerais) nas plantas contra a
ação da gravidade, da raiz até as folhas.
Sais minerais
Os sais minerais são substâncias químicas inorgânicas indispensáveis para
a manutenção do metabolismo celular. Como
não são produzidos pelos seres vivos, os minerais devem ser absorvidos do
solo, no caso das plantas, ou por meio da ingestão
de alimentos, no caso dos animais. Quantidades excessivas da maior parte
dos minerais são geralmente eliminadas pelas fezes
e pela urina, evitando problemas metabólicos.
No corpo dos seres vivos, os sais minerais podem aparecer de duas formas:
insolúveis, como parte integrante das molécu-
las; ou solúveis, na forma de íons dissolvidos na água. As funções
desempenhadas são bastante diversificadas nas células, como
pode ser observado no quadro a seguir.
Mineral
Funções
Fonte de alimento
Cálcio (Ca21)

Componente de ossos e dentes
(fosfato de cálcio ou hidroxiapatita).

Participação na coagulação sanguínea.

Contração muscular.

Transmissão dos impulsos nervosos.

Vegetais de coloração verde-escura (ex.: brócolis
e espinafre).

Leite e derivados (ex.: queijos e iogurtes).

Casca de ovo.
Ferro (Fe21)

Transporte de oxigênio pelo sangue
(componente da hemoglobina).

Armazenamento de oxigênio nos músculos
(componente da mioglobina).

Transporte de elétrons na respiração celular.

Carne vermelha.

Fígado.

Gema de ovo.

Frutas secas.

Leguminosas (ex.: feijão e ervilha).
Sódio (Na1)

Transmissão dos impulsos nervosos.

Equilíbrio osmótico das células.

Manutenção da pressão sanguínea.

Sal de cozinha.

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AULA 2: Composição química dos seres vivos


Biologia • Frente 1

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Questão 513

513
Mineral
Funções
Fonte de alimento
Iodo (I–)

Formação dos hormônios T3 e T4 da tireoide.

Frutos do mar.

Sal de cozinha iodado.
Fosfato (PO4
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Questão 32

32)

Componente de ossos e dentes (fosfato de cálcio
ou hidroxiapatita).

Componente dos ácidos nucleicos (DNA e RNA).

Componente de membranas biológicas.

Atuação nos processos energéticos (ATP).

Leite e derivados (ex.: queijos e iogurtes).

Leguminosas (ex.: feijão e ervilha).

Carne vermelha.

Peixes.
Potássio (K1)

Transmissão dos impulsos nervosos.

Participação na síntese de proteínas.

Frutas.

Carne vermelha.

Aves.

Peixes.

Moluscos.
Doenças hidroeletrolíticas
A escolha dos alimentos é fundamental para equi-
librar a quantidade de calorias e nutrientes ingeridos e
manter o bom funcionamento do organismo, evitando
doenças. Com relação aos minerais, existem alguns pro-
blemas relacionados ao excesso ou à carência deles na
alimentação. Se o organismo tiver algum desequilíbrio
relacionado a sais minerais e, paralelamente, ao controle
da eliminação da água (desidratação), ocorre uma condi-
ção denominada desequilíbrio hidroeletrolítico (os íons
ficam dissolvidos na água na forma de eletrólitos, íons
eletricamente carregados).

Osteoporose: degradação da matriz óssea causada, entre
outros fatores, pela carência de cálcio na alimentação.

Bócio simples não tóxico carencial: hipertrofia da tireoi-
de decorrente da carência de iodo na alimentação.

Anemia ferropriva: situação de fraqueza causada pela
carência de ferro na alimentação. Nessa condição, a
quantidade de hemácias no sangue diminui.

Hipertensão arterial: aumento da pressão sanguínea
decorrente, entre outros fatores, do excesso na in-
gestão de sódio e redução de sua excreção urinária,
pois a reabsorção de sódio no túbulo renal promove
retenção de água, aumentando o volume de água em
circulação e, portanto, provocando maior pressão na
parede das artérias.
Carboidratos
Os carboidratos, também conhecidos como hidratos
de carbono ou glicídios, são as biomoléculas mais abun-
dantes do planeta. Basta imaginar que, a cada ano, organis-
mos autótrofos de todo o mundo convertem, por meio da
fotossíntese, mais de 100 bilhões de toneladas de gás car-
bônico em glicose, celulose, amido e outros carboidratos.
As principais funções dos carboidratos nos seres vivos po-
dem ser resumidas em:

Fornecer energia para o metabolismo celular, como a
glicose sanguínea.

Servir como material de reserva nutritiva, como o amido
presente na batata.

Participar da formação da estrutura do corpo dos seres
vivos, como a quitina do exoesqueleto dos artrópodes.
Os carboidratos são formados por átomos de carbono
ligados a átomos de hidrogênio e grupos hidroxila (H–C–OH),
raramente apresentando átomos de nitrogênio, enxofre ou
fósforo. Muitos carboidratos têm a fórmula geral (CH2O)n,
mas veremos que há muita variação e que muitos não se
enquadram na fórmula geral. Para fins didáticos, serão
considerados três grupos de carboidratos: monossacarídeos,
dissacarídeos e polissacarídeos.
Monossacarídeos
Os monossacarídeos (do grego monos, um, e sacchar,
açúcar) são carboidratos pequenos, formados por aldeídos
ou cetonas com dois ou mais grupos hidroxila.
A classificação dessas moléculas tem como base o nú-
mero de carbonos, que pode variar de três a sete, mas as
pentoses (cinco carbonos) e hexoses (seis carbonos) de-
sempenham um papel de destaque.
Entre as pentoses, destacaremos a ribose e a desoxirri-
bose, ambas componentes dos ácidos nucleicos (função es-
trutural). A ribose (C5H10O5) é componente dos nucleotídeos
que formam o RNA, enquanto a desoxirribose (C5H10O4) é
encontrada apenas nas moléculas de DNA.
As hexoses (C6H12O6) são monossacarídeos de isome-
ria estrutural, já que são formados pelo mesmo número e
tipos de elementos químicos, mas com arranjos estrutu-
rais diferentes.

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AULA 2: Composição química dos seres vivos


Biologia • Frente 1

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Questão 514

514
Uma das principais funções das hexoses é fornecer ener-
gia para o metabolismo celular, mas essas moléculas tam-
bém são utilizadas como monômeros para a produção de
carboidratos maiores, como dissacarídeos e polissacarídeos.
As principais hexoses são a frutose, encontrada nos frutos
doces, a galactose, componente da lactose do leite, e a gli-
cose, presente no mel e transportada pelo sangue humano.
Note que esses compostos, quando em solução, geralmente
se apresentam em sua forma cíclica.
Dissacarídeos
Os dissacarídeos (do grego di, dois, e sacchar, açúcar) são
carboidratos formados pela união de dois monossacarídeos.
A ligação covalente entre os monossacarídeos, conhecida
como ligação glicosídica, ocorre por meio de uma reação de
síntese por desidratação.
H
H
H
H
H
OH
HO
OH
H2O
OH
Glicose
CH2OH
O
H
H
H
H
H
OH
HO
OH
OH
Glicose
CH2OH
O
H
H
H
H
H
OH
HO
O
OH
Maltose
CH2OH
O
H
H
H
H
H
OH
OH
OH
CH2OH
Ligação
glicosídica
Síntese por
desidratação
Degradação por
hidrólise
O
+
Representação esquemática da síntese de um dissacarídeo por
desidratação e de sua degradação por hidrólise.
A quebra dessa ligação, que ocorre por hidrólise e com
participação de enzimas, promove a liberação dos monossa-
carídeos constituintes da molécula. Os principais exemplos
de dissacarídeos formados pela combinação de hexoses são:
sacarose, lactose e maltose.
A sacarose representa o açúcar mais comum na seiva
orgânica das plantas, sendo transportada pelo floema. Esse
carboidrato é extraído da cana-de-açúcar, ou da beterraba,
e utilizado na produção do açúcar refinado. A sacarose é
formada pela união de uma molécula de glicose com uma
molécula de frutose.
A lactose é encontrada no leite, sendo uma excelente
fonte de energia aos filhotes de mamíferos. Essa molécula
é formada pela união de glicose e galactose. A maltose, por
sua vez, é encontrada no malte, usado para produzir cervejas
e destilados. Esse dissacarídeo é formado pela união de duas
moléculas de glicose.
Polissacarídeos
Os polissacarídeos (do grego poli, muitos, e sacchar, açúcar)
são macromoléculas formadas pela união de diversos monossa-
carídeos (mais de 20, mas normalmente são encontrados cente-
nas ou até mesmo milhares deles).
Por esse motivo, os polissacarídeos são exemplos de polí-
meros, denominação utilizada para moléculas formadas pela
repetição de unidades semelhantes, denominadas monôme-
ros. São exemplos de polissacarídeos a celulose, o amido, o
glicogênio e a quitina.
A celulose é o composto orgânico mais abundante do
planeta, já que é encontrada na parede celular das células
vegetais e de muitas algas. Esse polímero é formado pela
união de centenas de moléculas de b-glicose e não pos-
sui pontos de ramificação na cadeia. Ligações de hidro-
gênio mantêm moléculas de celulose adjacentes unidas,
formando estruturas denominadas microfibrilas. Apenas
organismos que têm a enzima celulase, como bactérias e
protozoários, conseguem realizar a digestão da celulose.
Diversos animais, como bois e cupins, têm esses micror-
ganismos no sistema digestório (estômago ou intestino), o
que possibilita uma dieta exclusivamente herbívora.
O amido é o carboidrato mais utilizado pelas plantas
como reserva energética. Essa molécula é formada pela
união de centenas de moléculas de a-glicose, com pou-
cos pontos de ramificação na cadeia. O estoque de amido
ocorre dentro de cloroplastos e em plastídios especiais,
denominados amiloplastos. Essa molécula é muito abun-
dante em vegetais como batata, mandioca, milho, arroz,
trigo e diversos outros consumidos por populações huma-
nas como fonte de alimento. É interessante notar que os
amiloplastos não servem apenas à reserva de amido, es-
tando envolvidos no crescimento das plantas em resposta
à gravidade (gravitropismo).
O glicogênio é encontrado nos animais e nos fungos,
sendo utilizado como material de reserva energética. Essa
macromolécula é formada pela união de centenas de mo-
nômeros de a-glicose, mas, diferentemente do amido, tem
muitos pontos de ramificação na cadeia.
Nos animais, o glicogênio pode ser encontrado no fígado
e nas células musculares, e é usado nos momentos em que
ocorre diminuição da glicemia. A quebra do glicogênio he-
pático (armazenado no fígado) gera moléculas de glicose,
que são transportadas pelo sangue e utilizadas pelas células
corporais como fonte de energia na respiração celular.
Celulose
Amido
Glicogênio
Sem ramificações
Poucas ramificações
Muitas ramificações
Representação esquemática da organização das moléculas de gli-
cose (hexágonos azuis) na composição da celulose, do amido e
do glicogênio.
A quitina é encontrada na parede celular dos fungos
e no exoesqueleto dos artrópodes. Esse polissacarídeo é
formado pela união de centenas de moléculas de n-acetil-
glicosamina, sendo um raro exemplo de carboidrato com
nitrogênio em sua composição. A quitina forma longas fi-
bras e, da mesma maneira que a celulose, não pode ser
digerida por vertebrados.

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AULA 2: Composição química dos seres vivos


Biologia • Frente 1

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Questão 515

515
Lipídios
Os lipídios formam um grande grupo de compostos
orgânicos de estrutura variada, e têm como característica
principal a insolubilidade em água. Essas moléculas pos-
suem extensas regiões apolares, que não têm afinidade com
as regiões polares das moléculas de água, sendo, portanto,
consideradas moléculas hidrofóbicas.
Os principais grupos de lipídios são os triacilgliceróis, os
fosfolipídios, os esteroides e os cerídeos. As propriedades
hidrofóbicas dessas moléculas podem ser utilizadas em be-
nefício do organismo em diversas atividades biológicas.
A seguir serão listadas as principais funções desempe-
nhadas pelos lipídios nos seres vivos.

Óleos e gorduras são utilizados como fonte de energia;

Em diversos animais, como focas e baleias, a gordura do
tecido adiposo age como isolante térmico;

Óleos e ceras garantem proteção contra perda de água
em plantas e animais;

O estrato mielínico dos neurônios é um revestimento
lipídico que serve como isolante elétrico e acelera a
transmissão dos impulsos nervosos;

Alguns lipídios têm função hormonal ou de regulação, já
que formam hormônios e vitaminas;

Os fosfolipídios são componentes estruturais das mem-
branas biológicas.
Triacilgliceróis
Antigamente eram denominados triglicerídeos, ou gli-
cerídeos, os triacilgliceróis são ésteres formados pela união
de uma molécula de glicerol (álcool) com três moléculas de
ácidos graxos.
Representação da produção de um triglicerídeo a partir de uma
molécula de glicerol e três moléculas de ácidos graxos.
Ácido graxo
Glicerol
OH + H
OH + H
OH + H
Saída de

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Questão 3

3 H2O – síntese por


desidratação
Entrada de

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Questão 3

3 H2O – quebra por


hidrólise
Triglicerídeo
Os ácidos graxos saturados não têm ligações duplas en-
tre os átomos de carbono das cadeias, que ficam saturadas
de átomos de hidrogênio e constituem uma estrutura linear.
Já os ácidos graxos insaturados são aqueles que possuem
uma ou mais ligações duplas na cadeia carbonada, o que cau-
sa dobras na molécula que influenciam a fluidez e o ponto de
fusão dos triacilgliceróis.
As gorduras são formadas por ácidos graxos saturados
que interagem fortemente, determinando o seu alto ponto de
fusão, enquanto os óleos possuem ácidos graxos insaturados
que interagem de forma menos compactada, determinando
o seu baixo ponto de fusão. Por isso, óleos e gorduras diferem
quanto ao ponto de fusão: os óleos são líquidos em tempera-
tura ambiente, enquanto as gorduras são sólidas.
Os seres vivos utilizam os triglicerídeos como fonte de
energia ou reserva energética para as atividades celulares.
Os óleos são geralmente encontrados nas sementes das
plantas, como soja, girassol e milho, e servem como fonte
de energia para o desenvolvimento dos embriões. Diversos
animais, como aves e mamíferos, armazenam gordura no in-
terior de células denominadas adipócitos, componentes do
tecido adiposo. Além de servir como fonte energética, a gor-
dura também é um excelente isolante térmico, e é bem de-
senvolvida nos animais que vivem nos locais mais frios, como
focas e ursos-polares.
Fosfolipídios
Os fosfolipídios são os principais componentes de todas
as membranas celulares, incluindo a membrana plasmática
e o sistema de endomembranas (organelas membranosas).
Uma molécula de fosfolipídio é formada pela união de uma
molécula de glicerol, duas moléculas de ácido graxo e um
grupo fosfato. Podem ser reconhecidas duas regiões em
um fosfolipídio: uma cabeça hidrofílica (região com o grupo
fosfato carregado negativamente) e duas caudas hidrofóbicas
(correspondentes aos ácidos graxos apolares).
Em meio aquoso, os fosfolipídios se organizam em uma
bicamada, isolando as caudas hidrofóbicas da água. Na mem-
brana plasmática, as cabeças hidrofílicas ficam em contato
com os ambientes extra e intracelular, ambos aquosos, en-
quanto as caudas hidrofóbicas apontam para o interior da
bicamada, sem contato com a água.
Cabeça
hidrofílica
Caudas
hidrofóbicas
Bicamada fosfolipídica
Achiichiii/
[Link]
CORES
FANTASIA
Representação da estrutura química de um fosfolipídio (A) e da
bicamada fosfolipídica (B), que forma as membranas biológicas.
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
A
B

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AULA 2: Composição química dos seres vivos


Biologia • Frente 1

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Questão 516

516
Esteroides
Os esteroides, diferentemente dos demais tipos de lipídios, não são
compostos de ácidos graxos. São moléculas complexas
compostas de átomos de carbono interligados, formando quatro anéis
carbônicos, aos quais estão ligados átomos de oxigê-
nio, grupos hidroxila e diferentes cadeias carbônicas. Nos seres humanos,
os esteroides mais importantes são o colesterol, os
hormônios sexuais (testosterona e progesterona), o cortisol e a vitamina
D.
O colesterol é um esteroide naturalmente produzido pelo fígado, mas pode
também ser adquirido por meio da alimenta-
ção. Da mesma forma que os fosfolipídios, o colesterol é componente das
membranas celulares animais, contribuindo para o
controle de sua fluidez. Além disso, essa molécula é precursora de outras
moléculas importantes do corpo humano, como os
hormônios sexuais e os sais biliares.
Cerídeos
Os cerídeos, ou ceras, são lipídios altamente hidrofóbicos, formados por
uma molécula de ácido graxo saturado e outra
de álcool saturado e de cadeia longa, ambas unidas por uma ligação éster.
As ceras são encontradas na cutícula das folhas das
plantas, protegendo-as contra a perda de água por evaporação e a infecção
por microrganismos. A cera da carnaúba, planta
abundante na Caatinga brasileira, tem alto valor comercial, já que é
utilizada como matéria-prima na produção de cosméticos
e medicamentos.
As aves aquáticas, como marrecos e gansos, têm glândulas na base da cauda
que produzem uma cera que é espalhada
sobre as penas, impermeabilizando-as e impedindo que o animal se
encharque ao entrar em contato com a água.
Em humanos, os cerídeos são produzidos na orelha, o que lubrifica o canal
auditivo e o protege contra microrganismos.
Além disso, nas glândulas sebáceas da pele, os cerídeos lubrificam os
pelos e os cabelos, mantendo-os flexíveis e soltos, ou
seja, sem que se agreguem e formem grumos. As ceras também são produzidas
pelas abelhas, que as utilizam na confecção
dos favos das colmeias.
Наталья Бойко/[Link]
Tomatito/[Link]
Ceras são utilizadas pelas aves aquáticas na impermeabilização das penas
(A) e pelas abelhas na construção das colmeias (B).
Vitaminas
As vitaminas são consideradas nutrientes essenciais e, por esse motivo,
devem ser ingeridas na alimentação. Essas molé-
culas orgânicas são necessárias em pequenas quantidades (0,01 mg a 100 mg
por dia, dependendo da vitamina), têm função
regulatória e são fundamentais para a manutenção da atividade metabólica,
já que agem como coenzimas. São aproxima-
damente 13 vitaminas necessárias ao organismo humano, não representando
um grupo homogêneo de substâncias, já que
variam na composição química e estrutural. No entanto, podemos
classificá-las em dois grupos, de acordo com a solubilidade:
hidrossolúveis e lipossolúveis.
As vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) são solúveis em lipídios e devem
ser consumidas com eles na alimentação. Essas
vitaminas são transportadas pela linfa e podem ser armazenadas no corpo,
especialmente nas células do fígado (hepatócitos).
Nesse sentido, a ingestão excessiva delas pode causar problemas de saúde,
conhecidos como hipervitaminoses.
As vitaminas hidrossolúveis (C e as do complexo B) são solúveis em água e
são facilmente transportadas pelo sangue para
as demais células corporais. A ingestão excessiva dessas vitaminas
geralmente não causa problemas de saúde, já que o excesso
pode ser eliminado pela urina. Observe o quadro a seguir.
A
B

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AULA 2: Composição química dos seres vivos


Biologia • Frente 1
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Questão 517

517
Vitamina
Funções
Fontes
Sintomas da deficiência
Lipossolúveis
A
(retinol)
Compõe pigmentos visuais da
retina e atua como antioxidante e
na manutenção dos epitélios.
Vegetais de cor laranja (ex.: cenoura),
verde e amarela, fígado e laticínios.
Cegueira noturna, queda da
imunidade e pele escamosa.
D
(calciferol)
Atua no metabolismo de cálcio
e fósforo do corpo. É produzida
na pele a partir de raios solares e
provitamina D.
Laticínios, peixes, ovos, cogumelos
e óleo de fígado do bacalhau.
Crianças: raquitismo
(deformidade óssea).
Adultos: osteomalácia (enfra-
quecimento ósseo).
E
(α-tocoferol)
Atua como antioxidante e parti-
cipa da formação de estruturas
celulares, como as membranas.
Fígado, carnes, óleos vegetais,
vegetais verdes folhosos
e nozes frescas.
Anemia, degeneração no
sistema nervoso, aborto e
esterilidade masculina.
K1
(filoquinona)
Atua na coagulação sanguínea.
Vegetais verdes (ex.: brócolis e
espinafre), óleos e laticínios,
além de ser produzida por
bactérias intestinais.
Dificuldade de coagulação
sanguínea e hemorragia.
Hidrossolúveis
B1
(tiamina)
Atua no metabolismo
de carboidratos.
Cereais integrais, leveduras,
castanha-de-caju, castanha-do-
-pará e carne de porco.
Beribéri (paralisia dos
músculos) e polineurite
(inflamação dos nervos).
B2
(riboflavina)
Atua na respiração celular e na
produção de hemácias.
Laticínios, ovos, fígado, carne
vermelha, leveduras e vegetais
verdes (ex.: espinafre e brócolis).
Fissuras na pele (boca, língua
e bochechas) e anemia.
B3
(niacina)
Atua no metabolismo de lipídios e
na respiração celular.
Carnes, leveduras, peixes,
cogumelos, amendoim, nozes,
cereais integrais e fígado.
Pelagra, dermatite (lesões na
pele), desinteria e distúrbios
psicológicos.
B5
(ácido
pantotênico)
Atua na síntese de esteroides
e compõe a coenzima A,
participando do
metabolismo energético.
Carnes, peixes, fígado, leveduras,
laticínios, cereais integrais,
cogumelos e frutas.
Fadiga, anemia, baixa produção
de cortisol e formigamento de
mãos e pés.
B6
(piridoxina)
Atua no metabolismo de lipídios
e aminoácidos.
Carnes, peixes, abacate, fígado, la-
ticínios, nozes, castanhas e cereais
integrais, além de ser produzida
por bactérias intestinais.
Dermatite (olhos, nariz e
boca), anemia e náusea.
B7 ou H
(biotina)
Participa da produção de ácidos
graxos, aminoácidos, glicogênio,
bases nitrogenadas e queratina.
Carnes, fígado, cogumelos,
abacates, amendoins, leveduras e
ovos, além de ser produzida pelas
bactérias intestinais.
Fadiga, dores musculares,
inflamações na pele e
distúrbios nervosos.
B9
(ácido fólico)
Participa da formação do tubo
neural e da produção de
aminoácidos, bases nitrogenadas
e células sanguíneas.
Pães, vegetais verdes, frutas
cítricas, fígado, leveduras,
cogumelos, leguminosas e grãos
integrais, além de ser produzida
pelas bactérias intestinais.
Má formação do tubo neural
em fetos, anemia e problemas
de concentração.
B12
(cobalamina)
Atua na maturação das
hemácias e na produção de
ácidos nucleicos e proteínas.
Carnes, fígado, frutos do mar,
peixes, ovos e laticínios.
Anemia perniciosa e
distúrbios nervosos.
C
(ácido
ascórbico)
Atua como antioxidante, na
produção de colágeno e
na cicatrização.
Frutas (ex.: acerola, goiaba,
caju e cítricas) e vegetais verdes
(ex.: salsa, couve e brócolis).
Escorbuto (sangramento
das gengivas); deficiência na
cicatrização, perda dos dentes,
fraqueza e lesões no intestino.
Proteínas
As proteínas (do grego proteios, primeiro) são moléculas que participam
de praticamente todas as atividades biológicas,
sendo fundamentais ao metabolismo dos seres vivos. Essas macromoléculas
são exemplos, assim como os polissacarídeos, de
polímeros biológicos, já que são formadas pela união de dezenas, centenas
ou até mesmo milhares de monômeros, denomi-
nados aminoácidos ou resíduos (aminoácido isolado).
Diversas proteínas têm função catalisadora, ou seja, aceleram as reações
químicas, uma vez que que são componentes
fundamentais das enzimas, que serão estudadas posteriormente. Outras
proteínas têm função estrutural, já que integram

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AULA 2: Composição química dos seres vivos


Biologia • Frente 1

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Questão 518

518
vários órgãos e tecidos. Como exemplo temos o colágeno, que
confere resistência e rigidez a ossos, pele e tendões.
Algumas proteínas realizam o transporte de substâncias para
diferentes partes do organismo, como a hemoglobina, que trans-
porta oxigênio dos pulmões para as demais células corporais.
No combate a organismos invasores, o sistema imunitário
produz proteínas denominadas anticorpos (imunoglobulinas).
Os anticorpos ligam-se a antígenos (moléculas estranhas ao
organismo; os antígenos que desencadeiam resposta imunitá-
ria são chamados de imunógenos) dos agentes invasores, inati-
vando-os ou facilitando a sua destruição. Há também proteínas
regulatórias, como a insulina, que controla a glicemia no sangue.
Existem proteínas que atuam na recepção de estímulos
pelas células, como as proteínas encontradas nas membranas
de neurônios sensoriais. Outras proteínas têm função motora,
como a actina e a miosina, envolvidas na contração muscular.
Como carboidratos e lipídios, proteínas também podem ser
reserva nutritiva, já que podem ser quebradas e liberar energia.
É o caso da caseína do leite e da ovoalbumina da clara do ovo.
Aminoácidos
Um aminoácido é uma molécula orgânica formada por um
átomo de carbono central assimétrico, denominado carbono
alfa, com quatro ligantes: hidrogênio, grupo carboxila, grupo
amina e radical. A figura a seguir ilustra a disposição espacial
desses componentes na estrutura de um aminoácido.
R
Grupo
amina
Grupo
carboxila
Radical
Carbono
Hidrogênio
Nitrogênio
Oxigênio
Carbono a
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Representação esquemática de uma molécula genérica
de aminoácido.
Existem ao todo 20 aminoácidos nos seres vivos, e a dife-
rença entre eles está no radical, também chamado de cadeia la-
teral. As propriedades químicas e físicas dos radicais possibilitam
que ocorram diferentes interações entre eles, o que contribui
para a manutenção da estrutura e da função de uma proteína.
Diferentemente das plantas, que produzem naturalmen-
te todos os aminoácidos, os animais produzem apenas uma
parcela deles, devendo adquirir a parcela restante por meio
da alimentação. Nesse sentido, os aminoácidos podem ser
divididos em dois grupos: naturais e essenciais.
Os aminoácidos naturais são aqueles produzidos normal-
mente pelo organismo e variam de acordo com cada espécie
animal. Nos seres humanos, os aminoácidos naturais são: glicina,
alanina, prolina, serina, cisteína, tirosina, asparagina, glutamina,
ácido aspártico, ácido glutâmico, arginina e histidina. Os ami-
noácidos essenciais são aqueles que não são produzidos pelo
organismo e precisam ser ingeridos com os alimentos. Nos seres
humanos, os aminoácidos essenciais são: triptofano, metionina,
valina, treonina, fenilalanina, leucina, isoleucina e lisina.
Todos os aminoácidos essenciais são encontrados na
carne, no leite, em ovos e na soja. Embora a maioria dos
vegetais não apresente todos esses aminoácidos, uma dieta
diversificada, com diferentes tipos de vegetais, supre todos eles.
Ligação peptídica
Nas proteínas, os aminoácidos permanecem unidos por
meio de ligações peptídicas. Uma ligação peptídica pode ocorrer
entre a carboxila de um aminoácido e o grupo amina do outro,
com formação de uma molécula de água (síntese por desidrata-
ção). Durante a digestão das proteínas, que ocorre por hidrólise,
as ligações peptídicas são quebradas e os aminoácidos liberados
podem ser aproveitados na síntese de novas proteínas.
água
Dipepơdeo
Ligação pepơdica
Aminoácido 1
Aminoácido 2
R
R
R
R
Átomo de hidrogênio
Átomo de nitrogênio
Átomo de carbono
Átomo de oxigênio
Representação molecular de uma ligação peptídica sendo
formada entre dois aminoácidos com produção de água.
A união química de dois aminoácidos forma um dipeptídeo.
A adição de mais um aminoácido forma um tripeptídeo. Quando
a molécula tem mais de 10 aminoácidos na cadeia, ela é denomi-
nada polipeptídeo, estrutura constituinte das proteínas.
Atenção!
A diferença entre as proteínas está na quantidade,
no tipo e na sequência de aminoácidos.
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA

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AULA 2: Composição química dos seres vivos


Biologia • Frente 1

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Questão 519

519
A estrutura secundária de uma proteína consiste em padrões regulares e
repetidos de ligações de hidrogênio em diferentes
regiões de uma cadeia polipeptídica, promovendo dobramentos ou
enovelamentos na molécula. Existem dois tipos básicos de
estrutura secundária: ɑ-hélice (enrolamento) e folha β-pregueada
(dobramento).
A estrutura terciária de uma proteína é a forma tridimensional final que
ela assume, que é determinante para a
função que ela desempenha. Essa estrutura resulta do dobramento na
estrutura secundária, decorrente de atração
e repulsão entre os radicais dos aminoácidos da cadeia polipeptídica.
Proteínas com estrutura quaternária são aquelas formadas por duas ou mais
cadeias polipeptídicas, chamadas su-
bunidades, cada uma com sua forma tridimensional específica. Essa
estrutura depende da maneira com a qual essas su-
bunidades interagem e contribuem para a forma final da proteína. A
hemoglobina do sangue, por exemplo, possui quatro
cadeias polipeptídicas: duas cadeias ɑ e duas β. Essa proteína só se
torna completa e funcional no transporte de oxigênio
após a interação completa entre as subunidades, o que configura a sua
estrutura quaternária.
Estrutura
primária
Estrutura
secundária
Estrutura
terciária
Estrutura
quaternária
Aminoácidos
α-hélice
Folha β-pregueada
ttsz/[Link]
Representação esquemática dos quatro níveis hierárquicos na estrutura das
proteínas.
Um exemplo de desnaturação proteica ocorre ao cozi-
nharmos um ovo. Nesse caso, a desnaturação é irreversível,
uma vez que a clara não volta jamais ao seu estado original.
Enzimas
As enzimas são macromoléculas, geralmente pro-
teínas, que atuam como catalisadores biológicos, isto é,
aceleram as reações químicas em milhares de vezes sem
serem consumidas nessas reações. As enzimas reduzem a
energia de ativação das reações químicas, ou seja, a ener-
gia mínima necessária para que ocorram.
Ea
Ea
Curso da reação
Reação sem a enzima
Reação com a enzima
Energia livre
HILLIS, D. M. et al. Life: the Science of Biology. 12. ed. New York:
W. H. Freeman and Company, 2020.
Energia de ativação de reações com e sem a ação da enzima.
Desnaturação proteica
Por ser mantida por interações químicas fracas, a estru-
tura tridimensional de uma proteína é sensível às alterações
ambientais. Fatores como temperatura, radiação ultravioleta,
pH e concentração de sais podem romper as interações quími-
cas e alterar a estrutura tridimensional (terciária e secundária),
promovendo desdobramento e desenrolamento da proteína,
mas sem afetar a estrutura primária.
A alteração na estrutura espacial de uma proteína é deno-
minada desnaturação. Esse fenômeno pode ser altamente pre-
judicial ao funcionamento celular, já que as proteínas desnatu-
radas perdem a sua função biológica.
A desnaturação (ou denaturação) é geralmente irre-
versível, mas em algumas situações especiais uma proteína
pode voltar à antiga configuração espacial, processo deno-
minado renaturação.
Proteína desnaturada
Renaturação
Proteína normal
Desnaturação
Aldona/[Link]
Representação esquemática dos processos de desnaturação e
renaturação de uma proteína.

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AULA 2: Composição química dos seres vivos


Biologia • Frente 1

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Questão 520

520
Note que nem todos os catalisadores biológicos são for-
mados de proteínas, pois alguns ácidos nucleicos têm tam-
bém essa capacidade; são as ribozimas, que serão estudadas
em outro momento.
Estrutura enzimática
Algumas enzimas são formadas apenas por aminoáci-
dos, enquanto outras precisam de grupos químicos adicio-
nais para se tornarem completas e ativas. Nesses casos, uma
enzima completa, denominada holoenzima, é constituída de
duas partes: apoenzima e cofator.
A apoenzima é formada por uma cadeia polipeptídica (par-
te proteica da enzima), geralmente de grande tamanho, com
dobras em torno de si mesma formando uma estrutura globular.
O cofator, também conhecido como grupo prostético, represen-
ta outro grupo químico ligado ao sítio ativo da enzima e pode
ser de dois tipos: íon mineral (Fe2+, Mg2+ e Zn2+) ou molécula
orgânica (vitamina), também conhecida como coenzima.
Mecanismo de ação enzimático
Apenas uma região específica da enzima, denominada
sítio ativo, participa ativamente da catálise. Geralmente o sí-
tio ativo engloba completamente o substrato, retirando-o da
solução. A interação entre a enzima e o substrato correspon-
dente forma o complexo enzima-substrato. Então, a enzima
converte o substrato em produto. Após a transformação quí-
mica, ocorre a liberação do produto formado e da enzima, que
permanece intacta e pode participar diversas outras vezes da
mesma reação química.
As enzimas são altamente específicas com relação aos
substratos. Atualmente, aceita-se o modelo de encaixe in-
duzido para o funcionamento enzimático, segundo o qual o
substrato se liga ao sítio ativo, alterando a forma tridimensio-
nal da enzima e possibilitando, assim, a associação completa
entre eles e a formação do complexo enzima-substrato.
Fatores que afetam a ação enzimática
A estrutura tridimensional das proteínas pode ser afeta-
da por diversos fatores, como a temperatura e o pH do meio.
Dessa forma, a velocidade das reações químicas catalisadas
por enzimas também é afetada por variações nas condições
em que essas reações acontecem.
Cada enzima atua melhor em uma determinada faixa
de temperatura. De forma geral, o aumento de temperatura
promove um aumento na velocidade de reação enzimática
até que se atinja a temperatura ótima, na qual a velocidade
de reação é máxima. Acima desse valor, a velocidade de rea-
ção começa a reduzir, pois o calor resulta em desnaturação
das enzimas, com perda de função.
Influência da temperatura na atividade enzimática.
Temperatura (°C)

=========================================================================
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Questão 0

0
=========================================================================
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Questão 20

20

=========================================================================
=======
Questão 40

40

=========================================================================
=======
Questão 60

60

=========================================================================
=======
Questão 80

80

=========================================================================
=======
Questão 100

100
Enzima
humana
Enzima de
procarioto termófilo
Velocidade de reação
CAMPBELL, N. A. et al. Biology: a global approach. 12. ed.
Harlow: Pearson, 2020.
Na maioria das enzimas, o pH ótimo fica no intervalo entre

=========================================================================
=======
Questão 6

6 e 8, mas existem diversas exceções. É o caso da enzima humana


pepsina, presente no suco gástrico, cujo pH ótimo é ácido (em
torno de 2). Já a enzima humana tripsina, que atua no intestino
delgado, tem pH ótimo de 8. Valores de pH acima ou abaixo des-
ses ideais para as enzimas resultam em diminuição na velocidade
de reação química, já que causam desnaturação das enzimas.
Influência do pH na atividade enzimática.
pH

=========================================================================
=======
Questão 0

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=======
Questão 1

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=======
Questão 2

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=======
Questão 3

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=======
Questão 4

=========================================================================
=======
Questão 10

10
Pepsina
Velocidade de reação
Tripsina

=========================================================================
=======
Questão 9

=========================================================================
=======
Questão 8

=========================================================================
=======
Questão 7

7
=========================================================================
=======
Questão 6

=========================================================================
=======
Questão 5

5
CAMPBELL, N. A. et al. Biology: a global approach. 12. ed.
Harlow: Pearson, 2020.
Tendo em vista que as enzimas precisam estar com os
sítios ativos livres para serem efetivas na catálise, a concen-
tração do substrato é outro fator que pode afetar a taxa de
reação enzimática. O aumento da concentração do substrato
pode promover aumento na velocidade de reação enzimática
até o ponto de saturação, no qual todas as enzimas já estão
com os sítios ativos ocupados pelos substratos. Concentra-
ções acima desse valor não alteram a velocidade da reação,
já que não há sítios ativos disponíveis.
Concentração do substrato
Ponto de saturação
Velocidade de reação
Influência da concentração de substrato na atividade enzimática.

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AULA 2: Composição química dos seres vivos


Biologia • Frente 1

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Questão 521

521

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Questão 1

1 UFRGS 2019 Assinale a alternativa que preenche corre-


tamente as lacunas do enunciado abaixo, na ordem em que
aparecem. O íon __________ integra as moléculas de DNA,
RNA e ATP. Já o íon sódio contribui para __________, enquanto
o íon __________ participa da composição da mioglobina.
A
fósforo – a formação de ossos e dentes – zinco.
B
ferro – a coagulação sanguínea – potássio.
C
cálcio – o equilíbrio hídrico – ferro.
D
cálcio – a composição de açucares de longas cadeias –
potássio.
E
fósforo – a transmissão do impulso nervoso – ferro.

=========================================================================
=======
Questão 2

2 FGV-SP 2021 Uma cobaia teve sua dieta controlada e privada


de três nutrientes essenciais para a manutenção da homeostase
biológica. Na tabela constam os efeitos observados na cobaia
decorrentes da carência nutricional a que foi submetida.
Nutriente subtraído
Efeitos observados

=========================================================================
=======
Questão 1

1
Redução de temperatura corpórea

=========================================================================
=======
Questão 2

2
Redução da produção de testosterona

=========================================================================
=======
Questão 3

3
Descalcificação óssea e dentária
Os números 1, 2 e 3 na tabela correspondem, respectiva-
mente, aos nutrientes
A
iodo, vitamina D e colesterol.
B
iodo, colesterol e vitamina D.
C
colesterol, vitamina D e iodo.
D
vitamina D, colesterol e iodo.
E
colesterol, iodo e vitamina D.

=========================================================================
=======
Questão 3
3 Enem PPL 2020 Há algumas décadas, surgiu no mercado um
medicamento que provocava perda de peso por inibir a ação da
lipase, enzima que atua no intestino na digestão de gorduras.
Um pesquisador, com o objetivo de avaliar a eficácia do medi-
camento, decidiu medir nos pacientes a quantidade de gordura
nas fezes e de triglicerídeos (um dos produtos da digestão das
gorduras) no sangue. Mantendo sempre a mesma dieta nos pa-
cientes, fez as medidas antes e depois da administração do me-
dicamento. A figura apresenta cinco resultados possíveis.
Gordura nas fezes antes
Gordura nas fezes depois
Triglicerídeos no sangue antes
Triglicerídeos no sangue depois

=========================================================================
=======
Questão 1

=========================================================================
=======
Questão 2

=========================================================================
=======
Questão 3

=========================================================================
=======
Questão 4

=========================================================================
=======
Questão 5

5
O efeito esperado do medicamento está representado
no resultado.
A

=========================================================================
=======
Questão 1

1.
B
=========================================================================
=======
Questão 2

2.
C

=========================================================================
=======
Questão 3

3.
D

=========================================================================
=======
Questão 4

4.
E

=========================================================================
=======
Questão 5

5.

=========================================================================
=======
Questão 4

4 Unesp 2021 A quitosana é um biopolímero obtido da qui-


tina e tem diversas atividades biológicas importantes, como
antioxidante, anti-inflamatória, anticoagulante, antitumoral
e antimicrobiana.
(Mariana Pezzo. [Link]

=========================================================================
=======
Questão 21

21.03.2020. Adaptado.)
Este biopolímero pode ser obtido a partir de macerados
A
da casca de eucaliptos.
B
de algas marrons.
C
do esqueleto de tubarões.
D
de chifres de bovinos.
E
da carapaça de caranguejos.
=========================================================================
=======
Questão 5

5 UFJF/Pism-MG 2021 O colesterol, um tipo importante de


lipídio encontrado nos organismos animais, pode ser obtido
na alimentação ou sintetizado pelo fígado. Embora possa
causar, quando em excesso no sangue, problemas cardiovas-
culares, o colesterol é muito importante para o organismo
humano. Sobre o colesterol, assinale a resposta CORRETA.
A
Faz parte da constituição do citoesqueleto celular.
B
Participa da síntese de DNA e de RNA.
C
É transformado em proteína pelo organismo.
D
Tem função enzimática, atuando em vários tipos
de substratos.
E
Faz parte da constituição das membranas plasmáticas e
é precursor na síntese da testosterona e progesterona.

=========================================================================
=======
Questão 6

6 UEM/PAS-PR 2020 O surgimento e a manutenção da vida


na Terra estão associados à água, que constitui cerca de 75%
a 85% do corpo dos animais e das plantas. Sobre as caracte-
rísticas da água e suas funções nesses grupos de seres vivos,
assinale o que for correto.

=========================================================================
=======
Questão 1

01 As moléculas de água são denominadas “apolares” devi-


do à disposição dos átomos de hidrogênio e de oxigênio.

=========================================================================
=======
Questão 2

02 Nos estados líquido e sólido, as moléculas de água estão


unidas por ligações de hidrogênio.

=========================================================================
=======
Questão 4

04 Nas células ocorre formação de água por meio de rea-


ções de hidrólise de moléculas orgânicas, como a fotos-
síntese e a respiração.

=========================================================================
=======
Questão 8

08 A coesão e a capacidade de adesão das moléculas de


água com substâncias apolares são responsáveis pela
capilaridade, relacionada com o transporte de água das
raízes até as folhas.

=========================================================================
=======
Questão 16

16 O alto calor específico e o calor de vaporização da água es-


tão relacionados com os mecanismos de redução da tem-
peratura do corpo de animais, inclusive dos seres humanos.
Soma:

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AULA 2: Composição química dos seres vivos


Biologia • Frente 1

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=======
Questão 522

522

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=======
Questão 1

1 FMP-RJ 2021 A vitamina K ganhou destaque recentemente,


depois da divulgação de um estudo holandês que apontou
uma relação entre os piores resultados de saúde dos pacien-
tes com COVID-19 e os níveis reduzidos de vitamina K.
Disponível em: <[Link]
noticia/2020/07/03/coronavirus-o-que-e-a-vitamina-k-e-oque-as- pesquisas-
[Link]>. Acesso em: 1 out. 2020.
A carência da vitamina lipossolúvel citada no texto ocasiona
A
deformidades no esqueleto de crianças.
B
sangramentos na gengiva decorrentes de escorbuto.
C
redução do número de glóbulos vermelhos decorrentes
de anemia perniciosa.
D
dificuldade no estancamento de hemorragias.
E
dificuldade de enxergar em ambientes pouco iluminados.

=========================================================================
=======
Questão 2

2 UEPG/PSS-PR 2022 A água é a substância mais abundan-


te em um ser vivo, constituindo cerca de 75% a 85% de sua
massa corporal. O restante se distribui entre proteínas (10%
a 15%), lipídios (2% a 3%), glicídios (1%) e ácidos nucleicos
(1%), além de 1% de sais minerais e de outras substâncias.
Em relação a esse assunto, assinale o que for correto.

=========================================================================
=======
Questão 1

01 O DNA e o RNA compõem os ácidos nucleicos. Enquanto


o DNA tem função de armazenar e transmitir as informa-
ções genéticas, os principais tipos de RNAs estão envol-
vidos na síntese dos polipeptídeos.

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=======
Questão 2

02 Na classe dos lipídios, os fosfolipídios contêm duas cau-


das de ácido graxo e uma cabeça com um grupo fosfato.
As membranas biológicas usualmente contêm duas ca-
madas de fosfolipídios.

=========================================================================
=======
Questão 4

04 A glicose faz parte do grupo das proteínas e está presen-


te na estrutura da fibra muscular.

=========================================================================
=======
Questão 8

08 A celulose faz parte do grupo dos glicídios com função de


reserva energética e é comumente encontrada nas célu-
las animais.
Soma:

=========================================================================
=======
Questão 3

3 UFSC 2020 Sobre os compostos orgânicos presentes nos


seres vivos, é correto afirmar que:
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=======
Questão 1

01 o HDL (do inglês High Density Lipoprotein, “lipoproteína de


alta densidade”), conhecido como o colesterol ruim, pode
dar início a alguns problemas de saúde, como as placas de
gordura, que podem obstruir artérias e levar ao infarto.

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=======
Questão 2

02 a hemoglobina, pigmento respiratório encontrado nas


hemácias humanas, é uma proteína conjugada que
contém ferro.

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=======
Questão 4

04 a glicose, a frutose, a maltose e a sacarose são classificadas


como carboidratos monossacarídeos; tais compostos parti-
cipam da produção de energia nas células dos seres vivos.

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=======
Questão 8

08 os cerídeos são exemplos de compostos lipídicos encon-


trados somente em animais, como a cera de abelha, a
lanolina obtida da lã de carneiro e ceras que impermea-
bilizam as penas de aves aquáticas.

=========================================================================
=======
Questão 16

16 as vitaminas estão envolvidas nos processos metabóli-


cos do organismo e são classificadas de acordo com o
solvente; pode-se citar as vitaminas do complexo B e a
vitamina C como hidrossolúveis e as vitaminas A, D, E e K
como lipossolúveis.

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=======
Questão 32

32 o colesterol pode ser utilizado como matéria-prima para


a produção de hormônios esteroides tanto nas células
procarióticas como nas eucarióticas.
Soma:
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=======
Questão 4

4 Unicamp-SP 2022 A água é essencial para a vida, não


apenas por compor a maior parte do corpo das plantas, mas
também pelas suas propriedades. Devido às pontes de hidro-
gênio formadas entre as moléculas, a água tem um alto calor
específico e também um alto calor latente de vaporização.
Essas propriedades são essenciais para a regulação térmica
das plantas em um ambiente em constante mudança, onde
temperatura e disponibilidade de água variam sazonalmente.
a) Tecidos hidratados possuem menor variação da sua tem-
peratura se comparados a tecidos desidratados. Consi-
derando o enunciado, defina a propriedade da água que
explica esse fenômeno.
b) Em uma situação de baixa disponibilidade de água no
solo, a temperatura das folhas aumenta. Com base
no enunciado, explique esse fenômeno.

====PAGE 21====

O modelo da dupla hélice foi proposto pelo geneticista estadunidense


James Watson (1928-) e pelo físico estaduni-
dense Francis Crick (1916-2004), com contribuições da química inglesa
Rosalind Franklin (1920-1958) e do fisiologista neo-
zelandês Maurice Wilkins (1916-2004). A molécula de DNA pode se
autorreplicar e armazenar instruções para a produção
de proteínas, moléculas que determinam as características biológicas de
todas as formas de vida. Nesse contexto, o DNA é
responsável também pela hereditariedade, ou seja, pela transmissão de
características entre as gerações.
Replicação, transcrição
e síntese proteica
C4 | H13, H14 e H15
AULA

=========================================================================
=======
Questão 3

3
Biologia • Frente 1

=========================================================================
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Questão 523

523
Ácido nucleico
Os ácidos nucleicos foram originalmente descobertos no final do século
XIX, quando o bioquímico suíço Johann Friedrich
Miescher (1844-1895) os visualizou no núcleo das células, chamando-os de
nucleína. Trabalhos posteriores do patologista
alemão Richard Altmann (1852-1900) demonstraram que se tratava de uma
molécula de caráter ácido, o que deu origem ao
termo ácido nucleico.
Essas macromoléculas são polímeros formados pela união de dezenas,
centenas, milhares e até mesmo milhões de molé-
culas menores (monômeros) denominadas nucleotídeos e, por esse motivo,
são também conhecidas como polinucleotídeos
Existem dois tipos de ácidos nucleicos: ácido desoxirribonucleico, ou
DNA, e ácido ribonucleico, ou RNA. Além de controlar a
síntese de proteínas, essas moléculas possibilitam aos seres vivos
armazenar e transmitir as características hereditárias de uma
geração para a outra.
Nucleotídeo
Os nucleotídeos têm função estrutural, já que são as unidades formadoras
dos ácidos nucleicos. Eles também desempe-
nham outras funções no metabolismo, como a energética (a molécula de ATP
é um exemplo de nucleotídeo) e a regulatória,
já que são componentes estruturais de vários cofatores enzimáticos. Cada
nucleotídeo é composto de três partes: pentose,
fosfato e base nitrogenada. A região que compreende a base nitrogenada e
a pentose é denominada nucleosídeo.
Nucleotídeo
Nucleosídeo
Fosfato
Pentose
Base
nitrogenada
Desoxirribose
Bases nitrogenadas
Pentoses
O
N
P
–O
O
O–
O
C
C
H
H
HOCH2

=========================================================================
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Questão 5

=========================================================================
=======
Questão 4
4

=========================================================================
=======
Questão 1

1
H
OH
OH
OH
C
C

=========================================================================
=======
Questão 3

=========================================================================
=======
Questão 2

2
O
C
C
H
H
OHCH2

=========================================================================
=======
Questão 5

=========================================================================
=======
Questão 4

=========================================================================
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Questão 1

1
H
OH
OH
H
C
C

=========================================================================
=======
Questão 3

=========================================================================
=======
Questão 2

2
Ribose
Citosina (C)
Pirimídicas
H3C
O
NH2
N
Uracila (U)
O
O
NH
Timina (T)
O
O
NH
Guanina (G)
Púricas
NH2
O
N
N
H
N
NH
Adenina (A)
NH2
N
N
N
O
H
H
N
H
N
H
N
H
N
H
Representação esquemática da estrutura de um nucleotídeo, das pentoses e
das bases nitrogenadas púricas e pirimídicas.

====PAGE 22====

AULA 3: Replicação, transcrição e síntese proteica


Biologia • Frente 1

=========================================================================
=======
Questão 524

524
A pentose é um monossacarídeo com cinco átomos de
carbono numerados de 1 a 5 em sentido horário a partir do
átomo de oxigênio do anel. Existem dois tipos de pentose:
ribose, componente dos nucleotídeos do RNA, e desoxirri-
bose, componente dos nucleotídeos do DNA. A diferença
entre elas é a ausência de um átomo de oxigênio ligado ao
carbono 2 na pentose do DNA.
Ligado ao carbono de número 5 encontra-se o grupo
fosfato, derivado do ácido fosfórico, com carga negativa.
Os nucleotídeos livres nas células, como a molécula de ATP,
possuem até três grupos fosfato ligados. Durante a polime-
rização dos ácidos nucleicos, dois fosfatos são eliminados,
restando apenas um grupo fosfato em cada nucleotídeo
componente do RNA e do DNA.
As bases nitrogenadas, ligadas ao carbono de número 1
da pentose, são moléculas orgânicas de caráter básico for-
madas por anéis de carbono e nitrogênio. Existem dois ti-
pos de bases nitrogenadas: púricas e pirimídicas. As bases
nitrogenadas púricas são semelhantes ao composto purina,
apresentando dois anéis de carbono e nitrogênio. Como
exemplo, temos a adenina (A) e a guanina (G). As bases
nitrogenadas pirimídicas são semelhantes ao composto pi-
rimidina, apresentando um anel de carbono e nitrogênio.
Os membros desse grupo são a citosina (C), a timina (T) e
a uracila (U).
Ácido ribonucleico
O ácido ribonucleico ou RNA (do inglês, ribonucleic acid)
é uma molécula que armazena informações genéticas e atua
com o DNA e as proteínas, como veremos adiante. Molecu-
larmente, o RNA é um polinucleotídeo semelhante ao DNA,
mas difere dele com relação a alguns aspectos:

É constituído por uma fita (com exceção de alguns vírus
que possuem RNA de fita dupla).

Sua pentose é denominada ribose, enquanto no DNA é
a desoxirribose.

Sua base nitrogenada exclusiva é a uracila (U), enquanto
no DNA é a timina.
Em uma cadeia de RNA, os nucleotídeos permanecem
unidos por ligações fosfodiéster, envolvendo um grupo fos-
fato de um nucleotídeo e a hidroxila da ribose do outro.
O arranjo dos nucleotídeos e a maneira pela qual estão uni-
dos confere uma polaridade química à fita de RNA.
Se considerarmos o açúcar como um bloco apresen-
tando uma cavidade na hidroxila, ligada ao carbono 3, e
uma protuberância no fosfato, ligado ao carbono 5, uma
cadeia nucleotídica apresenta suas unidades alinhadas na
mesma direção. Nesse caso, é possível distinguir as ex-
tremidades dessa cadeia, já que em uma delas terá uma
protuberância, a extremidade 5’, enquanto a outra apre-
sentará uma cavidade, denominada extremidade 3’.
Bases
nitrogenadas
Esqueleto
de ribose
e fosfato
Extremidade 5’
Extremidade 3’
P
R
R
R
R
R
R
P
P
P
P
P
A
A
U
G
C
U
Ligação
fosfodiéster
Ribose
HILLIS, D. M. et al. Life: the Science of Biology. 12. ed. New York:
W. H. Freeman and Company, 2020.
Representação esquemática de uma molécula de RNA.
Tipos de RNA
Moléculas de ácido ribonucleico são encontradas no
núcleo (onde são produzidas), no citosol e em algumas or-
ganelas celulares, como mitocôndrias, cloroplastos e retículo
endoplasmático granuloso. Os RNAs constituem o material
genético de muitos vírus, como o HIV e o coronavírus.
As cadeias de RNA podem realizar dobramentos sobre
si mesmas, formando estruturas tridimensionais comple-
xas que contribuem para a realização de diversas atividades
biológicas. Atualmente são reconhecidos inúmeros tipos de
RNA, mas daremos destaque a três deles: RNA mensagei-
ro, RNA transportador e RNA ribossômico.
O RNA mensageiro (RNAm) carrega instruções para a sín-
tese de uma proteína. Se o DNA representasse uma biblioteca
completa de instruções sobre as atividades celulares, de for-
ma análoga, o RNAm representaria uma fotocópia de um tre-
cho de um livro, produzida em determinado momento e que
serve de instruções para a síntese de uma proteína específi-
ca. Ele é produzido no núcleo, a partir da transcrição de um
gene, e depois se desloca para o citoplasma, onde será utili-
zado na síntese proteica. No RNAm encontram-se os códons,
que determinam a sequência de aminoácidos que compõem
a cadeia polipeptídica das proteínas.
O RNA transportador (RNAt), também conhecido como
RNA de transferência, carrega em uma extremidade um
aminoácido específico e na outra um anticódon, trinca de
bases nitrogenadas complementar a um determinado códon
do RNAm. Existem cerca de 100 tipos diferentes de RNAt,
moléculas curtas, com cerca de 80 nucleotídeos e estrutura

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AULA 3: Replicação, transcrição e síntese proteica


Biologia • Frente 1

=========================================================================
=======
Questão 525

525
tridimensional na forma de folha de trevo. O RNA ribossômi-
co (RNAr) se associa a algumas proteínas e forma os ribosso-
mos, organelas responsáveis pela produção de proteínas. O
RNAr compõe cerca de 60% da estrutura ribossômica e, com
proteínas associadas, é responsável pelo alinhamento correto
do RNAm e RNAt, catalisando a formação de uma ligação
peptídica entre aminoácidos adjacentes.
O RNA ribossômico (RNAr) se associa a algumas pro-
teínas e forma os ribossomos, organelas responsáveis pela
produção de proteínas. O RNAr compõe cerca de 60%
da estrutura ribossômica e, com proteínas associadas, é
responsável pelo alinhamento correto do RNAm e RNAt,
catalisando a formação de uma ligação peptídica entre
aminoácidos adjacentes.
Ácido desoxirribonucleico (DNA)
O ácido desoxirribonucleico, ou DNA (do inglês
deoxirribonucleic acid), é uma das moléculas mais importan-
tes dos seres vivos, já que armazena todas as informações
hereditárias e controla o metabolismo celular. O DNA é um
polinucleotídeo semelhante ao RNA, mas difere dele com re-
lação a determinadas características.

Possui duas fitas (apenas alguns vírus possuem DNA de
fita simples).

Sua pentose é denominada desoxirribose, enquanto no
RNA é a ribose.

Sua base nitrogenada exclusiva é a timina (T), substituin-
do a uracila do RNA.
Em algumas células que não têm núcleo, denominadas
procarióticas, o DNA fica disperso no citosol. Já nas células
que têm núcleo, denominadas eucarióticas, o DNA fica confi-
nado em seu interior. Algumas organelas, como mitocôndrias
e cloroplastos, também contêm moléculas de DNA.
Estrutura molecular do DNA
A molécula de DNA é uma dupla hélice, já que possui
formato helicoidal e é formada por duas fitas. Os esquele-
tos de desoxirribose e fosfato das cadeias polinucleotídicas
(fitas) ficam voltados para o lado de fora, enquanto as bases
nitrogenadas ficam voltadas para o centro.
As duas fitas permanecem unidas por meio de ligações
de hidrogênio existentes entre os pares de bases nitrogena-
das. Os nucleotídeos permanecem unidos entre si em uma
mesma fita por meio de ligações fosfodiéster, que ocorrem
entre o fosfato de um nucleotídeo e a desoxirribose do outro.
A descoberta da estrutura do DNA é bastante polêmica.
Uma pista importante para elucidar a estrutura do DNA veio
em 1950, com os resultados dos trabalhos do bioquímico aus-
tríaco Erwin Chargaff (1905-2002) e colaboradores. Chargaff
realizou pesquisas sobre a composição do DNA e descobriu
que espécies distintas exibiam certas regularidades com re-
lação ao número de bases nitrogenadas. A quantidade de
adenina (A) era sempre similar à de timina (T), enquanto a
de citosina (C) era similar à de guanina (G). Dessa forma, o
número de bases púricas (A + G) era sempre igual ao núme-
ro de bases pirimídicas (T + C), relação conhecida como regra
de Chargaff.
O DNA possui fitas complementares. Cada par de
bases é formado por uma base púrica (A ou G) e outra
pirimídica (T ou C). A adenina (A) pareia com a timina,
realizando duas ligações de hidrogênio entre elas. Já a
guanina (G) pareia com a citosina (C), formando três liga-
ções de hidrogênio entre elas. Dessa forma, o número de
adeninas é sempre igual ao número de timinas (A = T), da
mesma maneira que o número de citosinas sempre é igual
ao número de guaninas (C = G), em conformidade com a
regra de Chargaff.
As duas extremidades de uma mesma fita de DNA dife-
rem, sendo uma a extremidade 3’ (OH ligado ao carbono 3)
e a outra a extremidade 5’ (fosfato ligado ao carbono 5 da
pentose). Em uma molécula de DNA de dupla hélice a extre-
midade 3’ de uma fita apresenta-se pareada com a extremi-
dade 5’ da outra fita e vice-versa. Dessa forma, o DNA tem
fitas antiparalelas, já que apresentam sentidos opostos.
Todas as hélices têm uma direção, que no caso do DNA
é destra. A geometria das bases nitrogenadas e a torção das
fitas de DNA criam um sulco maior e outro menor que estão
dispostos ao longo do comprimento da molécula. Esses sul-
cos representam pontos de ligação de proteínas que mantêm
a estabilidade do DNA e regulam a atividade dos genes.
É interessante notar que, em alguns vírus, o DNA se apresenta
como fita simples, situação que não ocorre em seres celulares.
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Sulco
maior
Sulco
menor
Extremidade 5’
Extremidade 3’
Extremidade 3’
OH
OPO3

Extremidade 5’
G
C
A
T
A
T
A
T
A
T
A
T
A
T
G
C
G
C
G
C
G
C
G
C
G
C
G
C
P
D
D
D
D
D
D
P
P
P
P
P
A
A
T
G
C
T
P
D
D
D
D
D
D
P
P
P
P
P
A
T
G
C
T
A
Ligação
fosfodiéster
Ligação de
hidrogênio
Representação esquemática da estrutura molecular do DNA.

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AULA 3: Replicação, transcrição e síntese proteica


Biologia • Frente 1

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=======
Questão 526

526
Replicação
Após a descoberta da dupla hélice do DNA, uma
questão ainda precisava ser solucionada: como o DNA é
replicado? Naquela época existiam três hipóteses para a
repli cação do DNA:

Replicação semiconservativa: produziria moléculas
contendo uma fita antiga (preservada) e uma fita nova
(recém-sintetizada).

Replicação conservativa: preservaria a molécula ori-
ginal (duas fitas antigas) e produziria uma molécula
nova (duas fitas novas).

Replicação dispersiva: produziria moléculas contendo
pedaços do DNA antigo e novo em cada uma das fitas.
DNA
original
DNA
replicado
A
B
C
Representação esquemática das três hipóte-
ses para a replicação do DNA: semiconservati-
va (A), conservativa (B) e dispersiva (C).
Foi apenas no final da década de 1950 que cientistas es-
tadunidenses comprovaram que o DNA tem replicação semi-
conservativa. A duplicação do DNA envolve a participação do
complexo de replicação, formado por enzimas e outras pro-
teínas. A primeira etapa, controlada pela enzima DNA-helica-
se, é a desnaturação (desenrolamento) e separação das fitas
de DNA, que serão utilizadas como moldes para a produção
das fitas novas complementares. Em seguida, proteínas de
ligação específicas se ligam às fitas simples separadas pela
DNA-helicase, para evitar que elas se reorganizem em du-
pla-hélice. A região em que o DNA é desenrolado pela DNA-
-helicase é denominada forquilha de replicação.
Após a separação das fitas, a enzima DNA-polimerase ini-
cia a polimerização de novas fitas de DNA a partir das fitas se-
paradas, que servem como moldes. Novos nucleotídeos são
unidos entre si por meio de ligações fosfodiéster em cada
uma das fitas em crescimento, em uma sequência determi-
nada pelo pareamento complementar de bases tendo como
base as fitas moldes. O crescimento das novas fitas sempre
ocorre no sentido 5’ para 3’.
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Cromossomo
condensado
Nucleotídeos
Nucleotídeos
Fita antiga

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=======
Questão 5
5’

=========================================================================
=======
Questão 3

3’

=========================================================================
=======
Questão 5

5’

=========================================================================
=======
Questão 3

3’

=========================================================================
=======
Questão 3

3’
Fita antiga DNA-polimerase
DNA-polimerase
DNA-helicase
Fita nova
tardia

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=======
Questão 5

5’
Fita nova líder
Forquilha de
replicação
Representação esquemática da replicação semiconservativa
do DNA.
Síntese de proteínas
Francis Crick propôs o dogma central da biologia mole-
cular, que prevê que as informações existentes na molécula
de DNA são transferidas para a molécula de RNAm, processo
conhecido como transcrição, e depois as informações desse
RNA são passadas para o polipeptídeo (proteína), processo
conhecido como tradução.
De acordo com o dogma central, uma vez que a infor-
mação é transferida para a proteína, ela não pode retomar,
ou seja, um polipeptídeo não codifica a produção de outro
polipeptídeo, RNA ou DNA.
No entanto, os retrovírus, como o HIV, causador da aids,
são uma exceção à regra do dogma central, já que, neles, é
o RNA que é utilizado como molde para produção de uma
molécula de DNA viral.
Esse processo é conhecido como transcrição reversa e
conta com a participação da enzima transcriptase reversa,
presente nesses tipos de vírus.
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Representação esquemática do dogma central da biologia molecular.
Transcrição
Tradução
Proteína
DNA
RNA
Designua/[Link]
Código genético
Ao descobrir que as instruções para a síntese de pro-
teínas estavam armazenadas no DNA, os cientistas se
depararam com um dilema: como apenas quatro bases

====PAGE 25====

AULA 3: Replicação, transcrição e síntese proteica


Biologia • Frente 1

=========================================================================
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Questão 527

527
nitrogenadas podem determinar 20 tipos distintos de ami-
noácidos? Na década de 1950, foi proposta a hipótese do
tripleto, amplamente aceita, na qual os códigos estão dis-
postos em trincas de bases nitrogenadas. No entanto, foi
somente na década de 1960 que essa hipótese foi testada
e finalmente todo o código genético foi desvendado pe-
los cientistas.
O código genético relaciona os genes (DNA) ao RNAm e
aos aminoácidos que formam a proteína sintetizada.
Cada sequência de três bases nitrogenadas (trincas)
no RNAm é denominada códon, sequência complementar
a uma trinca presente no DNA do qual foi transcrito. Cada
Segunda base nitrogenada
Terceira base nitrogenada
Primeira base nitrogenada
U
U
C
A
G
C
A
G
U
C
A
G
U
C
A
G
U
C
A
G
U
C
A
G
UUU
UUC
UUA
UUG
CUU
CUC
CUA
CUG
AUU
AUC
AUA
GUU
GUC
GUA
GUG
AUG
Fenilalanina (Fen)
UCU
UCC
UCA
UCG
Serina (Ser)
CCU
CCC
CCA
CCG
Prolina (Pro)
ACU
ACC
ACA
ACG
Treonina (Tre)
GCU
GCC
GCA
GCG
Alanina (Ala)
GGU
GGC
GGA
GGG
Glicina (Gli)
CGU
CGC
CGA
CGG
Arginina (Arg)
Leucina (Leu)
UAU
UAC
UAA
UAG
Tirosina (Tir)
CAU
CAC
Histidina (His)
CAA
CAG
Glutamina (Gln)
AAU
AAC
Asparagina (Asn)
AAA
AAG
Lisina (Lis)
AGU
AGC
Serina (Ser)
AGA
AGG
Arginina (Arg)
GAU
GAC
Aspartato (Asp)
Glutamato (Glu)
GAA
GAG
Códon de
término
UGU
UGC
UGA
UGG
Cisteína (Cis)
Triptofano (Trp)
Códon de
término
Leucina (Leu)
Isoleucina (Ile)
Valina (Val)
Metionina (Met);
Códon de início
Tabela de códons com nome e abreviaturas padronizadas dos aminoácidos
sequenciados.
códon codifica um determinado aminoácido na proteína
que será produzida.
Nesse sentido, o código genético corresponde ao conjun-
to completo de trincas de bases nitrogenadas e aos comandos
codificados por elas (aminoácidos ou parada de produção).
Ao todo, existem 64 códons diferentes (43), resultan-
tes da combinação de quatro tipos diferentes de bases
nitrogenadas (A, C, G e U) em grupos de 3 (trincas). O có-
don AUG representa o códon de início, um sinal para que
ocorra o início da produção de uma proteína. Já os códons
UAA, UAG e UGA são códons de parada, indicando o tér-
mino da tradução.
Desconsiderando os códons de início e de parada, os

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=======
Questão 60

60 códons restantes são mais que suficientes para codifi-


car os 19 aminoácidos remanescentes (já que a metionina
é codificada pelo códon de início). Podemos dizer, então,
que o código genético é degenerado ou redundante,
já que diferentes códons codificam o mesmo aminoácido.
O aminoácido lisina, por exemplo, pode ser codificado pe-
los -códons AAA e AAG, enquanto o aminoácido arginina
pode ser codificado pelos códons CGU, CGC, CGA, CGG,
AGA e AGG. Embora redundante, o código genético não
é ambíguo, já que um mesmo códon não pode codificar
mais de um aminoácido. Assim, um aminoácido pode ser
codificado por mais de um códon, mas um códon codifica
somente um aminoácido.
Ao longo de todos os anos de estudos científicos re-
alizados em diferentes grupos de seres vivos, concluiu-se
que o código genético é universal, já que é utilizado da
mesma maneira por todas as espécies do planeta. O có-
don UUU, por exemplo, codifica o aminoácido fenilalanina
na síntese proteica de bactérias, fungos, animais e plantas.
Em resumo, os 64 códons codificam os mesmos comandos
(aminoácidos ou parada de leitura) em todos os seres vivos.
Para os cientistas, essa é uma grande evidência científica
do parentesco evolutivo entre todas as espécies viventes, já
que herdamos de um ancestral comum um mesmo código
genético para a síntese de proteínas.
Transcrição
A síntese de uma proteína se inicia com a transcrição
do gene (segmento de DNA que possui instruções para a
produção de um produto específico, que pode ser uma mo-
lécula de RNA ou uma proteína), o qual armazena instruções

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AULA 3: Replicação, transcrição e síntese proteica
Biologia • Frente 1

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Questão 528

528
para essa produção. Em cada gene, apenas uma das fitas de
DNA, denominada fita molde, é transcrita, enquanto a outra
fita permanece sem transcrição. Considerando diferentes ge-
nes de uma mesma molécula de DNA, diferentes fitas podem
ser transcritas, ou seja, a fita molde de um determinado gene
pode não ser a fita molde de outro gene.
A transcrição requer a presença de uma enzima deno-
minada RNA-polimerase, responsável pela produção de RNA
mensageiro a partir de uma molécula de DNA. Esse processo
ocorre em três fases: iniciação, alongamento e terminação.
A iniciação da transcrição ocorre quando a RNA-poli-
merase se liga ao promotor, uma região do gene que indica
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
RNAm
RNAm
Fita não molde
Desenrolamento de DNA
Iniciação
Fita molde
Fita molde

=========================================================================
=======
Questão 3

3’

=========================================================================
=======
Questão 3

3’

=========================================================================
=======
Questão 5

5’

=========================================================================
=======
Questão 5
5’
RNA-polimerase
Promotor
Sítio de início
Sítio de término
DNA
Nucleotídeos
Sentido de leitura
Alongamento
Terminação

=========================================================================
=======
Questão 3

3’

=========================================================================
=======
Questão 5

5’

=========================================================================
=======
Questão 3

3’

=========================================================================
=======
Questão 5

5’

=========================================================================
=======
Questão 3

3’

=========================================================================
=======
Questão 5

5’
RNA-polimerase

=========================================================================
=======
Questão 3

3’
=========================================================================
=======
Questão 3

3’

=========================================================================
=======
Questão 5

5’

=========================================================================
=======
Questão 5

5’

=========================================================================
=======
Questão 3

3’

=========================================================================
=======
Questão 5

5’
HILLIS, D. M. et al. Life: the science of Biology. 12. ed. New York: W.
H. Freeman and Company, 2020.
Representação esquemática das três etapas envolvidas na transcrição:
iniciação, alongamento e terminação.
Nas células eucarióticas, o DNA fica contido no núcleo
celular, local onde ocorre a transcrição. Antes de migrar para
o citoplasma, o pré-RNAm produzido passa por um proces-
samento. Nesse processo ocorre adição de uma molécula de
GTP (guanosina trifosfato) na extremidade 5’ do pré-RNAm,
o que facilita a ligação do RNAm maduro ao ribossomo e
evita que ele seja digerido por enzimas no citoplasma. À ex-
tremidade 3’ do pré-RNAm é adicionada uma cauda poli-A,
com 100 a 300 adeninas, que auxilia na exportação do RNAm
maduro do núcleo para o citoplasma.
Em seguida, ocorre a retirada de íntrons do pré-RNAm,
processo conhecido como splicing. Os íntrons são sequên-
cias de bases não codificantes do pré-RNAm. Entre os íntrons
onde começa a transcrição, que fita de DNA deve ser trans-
crita e qual direção deve ser tomada. A função inicial da
enzima é separar as duas fitas de DNA para que ocorra o
alongamento, momento em que a RNA-polimerase inicia
a produção de uma molécula de RNA complementar à fita
molde de DNA, que é lida no sentido 3’ para 5’. Já o cres-
cimento da molécula de RNA que está sendo sintetizada
sempre ocorre no sentido 5’ para 3’. A terminação da trans-
crição acontece quando a RNA-polimerase encontra uma
sequência específica de bases nitrogenadas denominada
sítio de término, que determina a liberação do RNAm e da
enzima RNA-polimerase.
encontram-se os éxons, que representam as sequências codi-
ficantes existentes no pré-RNAm.
O processamento do pré-RNAm envolve a retirada de ín-
trons e a união dos éxons, para formar o RNAm maduro. Até
o final do século XX, os cientistas estimavam a existência de

=========================================================================
=======
Questão 100

100 mil genes no genoma humano. Após a finalização do pro-


jeto genoma humano, no início do século XXI, descobriu-se
que existem aproximadamente 25 mil genes no DNA humano,
número muito menor que o de proteínas e moléculas de RNA
produzidas. A que se atribui essa diferença? Investigações re-
centes indicaram que ela está relacionada ao processamento
alternativo ou splicing alternativo do pré-RNAm.

====PAGE 27====

AULA 3: Replicação, transcrição e síntese proteica


Biologia • Frente 1

=========================================================================
=======
Questão 529

529
Pré-RNAm
DNA
Transcrição
Tradução
Processamento
do RNA
RNAm
Citosol
Núcleo
RNAm
Ribossomo
Polipeptídeo
CAMPBELL, N. A. et al. Biology: a global approach.

=========================================================================
=======
Questão 12

12. ed. Harlow: Pearson, 2020.


Representação esquemática da síntese proteica
com splicing em uma célula eucariótica.
O corte e a junção alternativos permitem gerar diferentes proteínas a
partir de um único gene. Em mamíferos, por exemplo,
um único pré-RNAm para a proteína tropomiosina passa por cortes e junções
diferenciadas em diferentes tecidos humanos,
originando cinco tipos diferentes de RNAm maduros. Após a tradução, são
produzidas cinco formas diferentes de tropomio-
sina, encontradas no músculo esquelético, músculo liso, fibroblasto,
fígado e cérebro. Esse é apenas um exemplo de como o
processamento alternativo do RNA pode contribuir para a variabilidade de
proteínas e fenótipos existentes nos seres vivos.
Representação esquemática do processamento alternativo de um pré-RNAm,
culminando na produção de três proteínas diferentes (A, B e C).
Éxon 1
Íntron
Íntron
Íntron
Processamento alternativo
Tradução
Proteína A
Proteína B
Proteína C

=========================================================================
=======
Questão 1

=========================================================================
=======
Questão 2

=========================================================================
=======
Questão 3

=========================================================================
=======
Questão 4

=========================================================================
=======
Questão 5

5
=========================================================================
=======
Questão 1

=========================================================================
=======
Questão 2

=========================================================================
=======
Questão 4

=========================================================================
=======
Questão 5

=========================================================================
=======
Questão 1

=========================================================================
=======
Questão 2

=========================================================================
=======
Questão 3

=========================================================================
=======
Questão 5

5
Íntron
Éxon 2
Transcrição
Éxon 3
Éxon 4
Éxon 5
DNA
Pré-RNAm
RNAm
Tradução
Tradução
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Tradução
Após o splicing, que ocorre no núcleo das células, o RNAm maduro migra
para o citoplasma, onde ocorre a tradução, que é
a síntese do polipeptídeo (proteína). Na tradução, os códons são lidos um
a um e os aminoácidos correspondentes são unidos
até ser formado o polipeptídeo.
A tradução ocorre com a participação do RNAm, do ribossomo, das moléculas
de RNAt carregadas com aminoácidos, entre
outras moléculas. O RNAm contém uma sequência de códons, ou seja, as
informações genéticas transcritas do DNA, enquanto
as moléculas de RNAt transportam aminoácidos específicos. Os ribossomos
(RNAr) atuam como um ambiente propício para a
interação entre as moléculas de RNAm e RNAt, já que aceleram as reações
químicas. São reconhecidas três etapas na tradução:
iniciação, alongamento e terminação.
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA

====PAGE 28====

AULA 3: Replicação, transcrição e síntese proteica


Biologia • Frente 1

=========================================================================
=======
Questão 530

530
Assim que o RNAm chega ao citoplasma, ocorre a iniciação da tradução.
Nessa etapa, a subunidade menor de um ribossomo
se liga à molécula de RNAm e, na sequência, uma molécula de RNAt com
aminoácido metionina se liga ao códon de início (AUG),
já que possui o anticódon complementar a ele (UAC), formando o complexo
de iniciação. Com o consumo de uma molécula de
GTP (semelhante à molécula de ATP), a subunidade maior junta-se ao
complexo e o RNAt passa a ocupar o sítio P do ribossomo.
O primeiro aminoácido nas cadeias polipeptídicas sempre é a metionina, já
que é codificada pelo códon de início. Entre-
tanto, nem todas as proteínas maduras possuem esse aminoácido em sua
extremidade, pois em muitos casos ele é removido
após a tradução.
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Representação esquemática das estruturas envolvidas na etapa de iniciação
da tradução.
Aminoácido
RNAt
Anticódon
Códon de início
Subunidade
menor
Sítio P
Subunidade
maior

=========================================================================
=======
Questão 3

3’
GTP
GDP + Pi
Síti P
Sítio P
E
R
P
ELEM
DE PR
P
Met
E
P
A
RNAm
Subunidade
menor

=========================================================================
=======
Questão 3

3’
Am
RNAt
ticódon
minoácido
RNAt
Met
RNAm
Rujirat Boonyong/[Link]
Na etapa de alongamento, os aminoácidos são adicionados um por um em uma
sequência determinada pelos códons do
RNAm, respeitando o sentido de leitura 5’ para 3’. O primeiro passo, que
consome uma molécula de GTP, consiste no parea-
mento de um RNAt com anticódon complementar ao códon do sítio A. Por
exemplo, se o códon no sítio A for UGG, o RNAt com
anticódon complementar ACC, carregado com o aminoácido treonina, se
ligará nesse sítio do ribossomo.
Em seguida, uma molécula de RNAr da subunidade maior do ribossomo
catalisa a formação de uma ligação peptídica entre
o último aminoácido do polipeptídeo em formação, no sítio P, e o novo
aminoácido, no sítio A (aminoacil-RNAt). Esse passo
remove a cadeia polipeptídica do RNAt do sítio P (peptidil-RNAt) e a
transfere ao aminoácido ligado ao RNAt do sítio A.
O ribossomo, agora com consumo de uma molécula de GTP, transloca o RNAt
do sítio A para o sítio P, enquanto o RNAt
sem aminoácido do sítio P é movido para o sítio E, de onde é liberado.
Esse movimento do RNAm mensageiro expõe um novo
códon no sítio A do ribossomo (por exemplo, GUA), ao qual um novo RNAt,
com anticódon complementar e transportando o
aminoácido correspondente (no caso, a valina), poderá se ligar e
reiniciar o ciclo.
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Representação esquemática das estruturas envolvidas na etapa de
alongamento da tradução.
Polipeptídeo com

=========================================================================
=======
Questão 4

4 aminoácidos
Polipeptídeo com

=========================================================================
=======
Questão 5

5 aminoácidos
Ribossomo
RNAm
RNAt
RNAt com o
próximo aminoácido
Anticódon
Códon
Ligação
peptídica
GTP
GDP + Pi
GTP
GDP + Pi
Rujirat Boonyong/[Link]
O ciclo de alongamento termina quando um códon de parada (UAA, UAG ou
UGA) entra no sítio A do ribossomo, fase
conhecida como terminação da tradução. Um códon de parada não codifica
aminoácido e não se liga a moléculas de RNAt.
Em vez disso, um fator de liberação proteico (semelhante ao RNAt) se liga
a ele, sendo responsável pela adição de água em vez
de aminoácido na cadeia polipeptídica.
A reação de hidrólise quebra a ligação entre a cadeia polipeptídica e o
RNAt no sítio P, liberando a cadeia polipeptídica
pelo túnel da subunidade maior. A partir da hidrólise de duas moléculas
de GTP inicia-se a dissociação das duas subunidades
ribossômicas e outros componentes do complexo de iniciação.

====PAGE 29====

AULA 3: Replicação, transcrição e síntese proteica


Biologia • Frente 1

=========================================================================
=======
Questão 531

531
Representação esquemática das estruturas envolvidas na etapa de
terminação da tradução.
Códon de parada
Ribossomo
Fator de liberação
RNAm
RNAt
Polipeptídeo
Subunidade maior
Subunidade menor
Rujirat Boonyong/[Link]
GTP
GDP + Pi
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Em alguns casos, ribossomos podem se associar sequencialmente na tradução
de uma única molécula de RNAm. Assim,
inúmeras cópias da sequência primária da proteína são produzidas
simultaneamente. Essa associação de ribossomos é deno-
minada polissomos ou polirribossomos.

=========================================================================
=======
Questão 1

1 FCMSCSP 2024 A hematoxilina (H&E) é um corante de cará-


ter básico que reage com substâncias ácidas ou estruturas que
tenham caráter ácido existentes nas células. O resultado dessa
reação cora a estrutura celular de azul-arroxeado. Uma lâmina
de microscopia com células da mucosa bucal, caso entre em
contato com a hematoxilina (H&E), irá corar de azul-arroxeado:
A
o citoesqueleto.
B
o núcleo.
C
as fibras elásticas.
D
o retículo endoplasmático agranular.
E
fibras colágenas.

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=======
Questão 2

2 UFPel-RS 2023 Muitas das atuais doenças conhecidas têm


como base a genética e, por conseguinte, a herança genética,
que são informações contidas em sequências de DNA (ácido
desoxirribonucleico), denominadas como genes, transmitidos
de pais para filhos. O DNA está contido no núcleo da célula e é
composto por milhões de nucleotídeos ligados uns aos outros
por uma ligação fosfodiéster formando a fita de DNA. Os nu-
cleotídeos são estruturas relativamente simples compostas
basicamente por um grupamento fosfato, uma pentose (um
açúcar) e por uma base nitrogenada.
Referência: adaptado de NOVAIS, Vera Lúcia Duarte de; ANTUNES, Murilo
Tissoni; Química: Volume 3: ensino médio, Curitiba: Positivo, 2016.
Figura: Estrutura geral de um nucleotídeo e as
quatro bases nitrogenadas que compõem o DNA.
Base
nitrogenada
O
O–
–O
P
O
O
NH2
CH3
N
N
H
O
O
NH
N
N
N
N
N
O
O
N
NH2
NH2
H
N
H
Citosina (C)
Guanina (G)
Adenina (A)
Timina (T)
N
H
N
H
OH
H
Pentose
Bases nitrogenadas
Grupo fosfato
C
H2
Sobre a herança genética e a estrutura química dos nucleotí-
deos, é correto afirmar que:
A
Todos os tipos de câncer têm origem apenas na genética.
B
A pentose apresenta um anel (na forma de um pentágo-
no) e a função orgânica éter.
C
A pentose é um aminoácido cíclico com 5 carbonos.
D
Todas as bases nitrogenadas apresentam a função orgâ-
nica amida.
E
A herança genética é herdada apenas da mãe.

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=======
Questão 3

3 Enem 2020 Considere um banco de dados (Quadro 1) que


apresenta sequências hipotéticas de DNA de duas áreas de
extrativismo permitido (A1 e A2) e duas áreas de conserva-
ção (B1 e B2). Um órgão de fiscalização ambiental recebeu
uma denúncia anônima de que cinco lojas moveleiras (1, 2,

=========================================================================
=======
Questão 3

3, 4 e 5) estariam comercializando produtos fabricados com


madeira oriunda de áreas onde a extração é proibida. As se-
quências de DNA das amostras dos lotes apreendidos nas lo-
jas moveleiras foram determinadas (Quadro 2).
====PAGE 30====

AULA 3: Replicação, transcrição e síntese proteica


Biologia • Frente 1

=========================================================================
=======
Questão 532

532
Quadro 1
Áreas
Sequências de DNA
A1 – Extrativismo
TCC TAA TTG AAA
TCC TAA CTG AGA
A2 – Extrativismo
TCC TAA TGT CAC
TCC AAA TTG CAC
B1 – Conservação
TCC AAA TTT CAC
TCC TAA TGT CAC
B2 – Conservação
TCC TAA CTG AGA
TCC AAA TTT CAC
Quadro 2
Amostras
Sequências de DNA

=========================================================================
=======
Questão 1

1
TCC TAA CTG AGA

=========================================================================
=======
Questão 2

2
TCC TAA TTG AAA

=========================================================================
=======
Questão 3

3
TCC TAA TGT CAC

=========================================================================
=======
Questão 4
4
TCC AAA TTG CAC

=========================================================================
=======
Questão 5

5
TCC AAA TTT CAC
MIRANDA, N.E.O.; ALMEIDA JÚNIOR, E. B. A.; COLLEVATTI, R. G. A genética
contra os crimes ambientais: identificação de maneira ilegal proveniente
de unidades de conservação utilizando marcador molecular. Genética na
Escola, v. 9, n. 2, 2014 (adaptado).
Qual loja moveleira comercializa madeira exclusivamente de
forma ilegal?
A

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=======
Questão 1

1.
B

=========================================================================
=======
Questão 2

2.
C

=========================================================================
=======
Questão 3

3.
D

=========================================================================
=======
Questão 4

4.
E

=========================================================================
=======
Questão 5

5.

=========================================================================
=======
Questão 4

4 UEPG-PR 2019 A representação esquemática abaixo ilus-


tra, simplificadamente, as etapas de transcrição e tradução
de uma célula eucariótica. Sobre estes importantes eventos,
assinale o que for correto.
IV
Citoplasma
DNA
Núcleo
V
RNA-m
III
II
I
Adaptado de: Linhares, S.; Gewandsznajder, F. Biologia hoje. 15a ed.
Volume 1. Editora Ática. São Paulo. 2010.

=========================================================================
=======
Questão 1

01 Na transcrição (I), apenas uma das fitas de determinado


trecho de DNA é usada como molde para a síntese do
RNA mensageiro (RNA-m) (II).

=========================================================================
=======
Questão 2

02 Em (III), está representado o evento de tradução que


ocorre nos ribossomos. Neste, uma sequência de ba-
ses no RNA mensageiro (RNA-m) é convertida em
uma sequência de aminoácidos. No RNA mensageiro
(RNA-m), cada códon corresponde a um aminoácido.

=========================================================================
=======
Questão 4

04 A organela citoplasmática mitocôndria (V) é a responsá-


vel pela síntese de proteínas, visto que suas cristas inter-
nas possibilitam a correta ligação de RNAs transportado-
res e consequente junção dos aminoácidos.

=========================================================================
=======
Questão 8

08 À medida que o ribossomo desliza pelo RNA mensa-


geiro (RNA-m), os aminoácidos (IV) se unem (ligação
peptídica) para formar uma molécula de proteína, ou
cadeia polipeptídica.
Soma:
=========================================================================
=======
Questão 5

5 UFGD-MS 2023 A estrutura tridimensional da molécu-


la de DNA foi descoberta em 1953, por Francis Crick, James
Watson e Maurice Wilkins, em Cambridge, no Reino Unido.
O estudo ganhou destaque em 1957, quando foi demonstra-
do que o DNA se autorreplica. O prêmio Nobel foi atribuído a
esses pesquisadores em 1962.
Revista Associação Médica Brasileira 2005. Disponível em: [Link]
[Link]/j/ramb/akMWr3VJcPHS8dNrqNnY5PWx/?format=pdf&lang=pt).
Acesso em: 8 set. 2022.
Considerando os estudos sobre o DNA e os eventos biológi-
cos relacionados aos ácidos nucleicos, é correto afirmar que
A
esses ácidos são formados por nucleosídeos, os quais são
constituídos por uma base nitrogenada (citosina, adeni-
na, guanina, timina ou uracila) e por uma pentose (ribose
ou desoxirribose) e um grupo fosfato.
B
a ligação entre a base nitrogenada e a pentose é feita co-
valentemente através de uma ligação N-glicosídica com
a hidroxila ligada ao carbono-5 da pentose.
C
os nucleotídeos são constituídos por uma molécula de
açúcar com cinco carbonos, por um ácido fosfórico e
de uma base nitrogenada.
D
a ligação peptídica é aquela que une dois nucleotídeos
presentes na mesma cadeia de DNA.
E
ligação fosfodiéster é o nome dado para a interação en-
tre dois ou mais aminoácidos, os quais formam uma mo-
lécula maior denominada de proteína.

=========================================================================
=======
Questão 6

6 Unesp 2021 Assim como a língua de um povo, os genes


são representados por um código de letras. No código gené-
tico, as letras referem-se às iniciais das bases nitrogenadas
que, combinadas em uma sequência específica, compreen-
dem um significado químico relativo a uma proteína. Analise
a sequência de letras na oração a seguir.
A tua gata Cuca ataca a cacatua Cacau.
Nessa oração, as palavras formadas integralmente por letras
que se referem a bases nitrogenadas encontradas no DNA
pertencem às seguintes classes gramaticais:
A
preposição, pronome e verbo.
B
artigo, pronome e substantivo.
C
artigo, substantivo e verbo.
D
preposição, substantivo e adjetivo.
E
artigo, adjetivo e verbo.

====PAGE 31====

AULA 3: Replicação, transcrição e síntese proteica


Biologia • Frente 1

=========================================================================
=======
Questão 533

533

=========================================================================
=======
Questão 1

1 Unicamp-SP 2019
ácido úrico
rosina
vidarabina
nucleo
deo
dAMP (com
base adenina)
Disponível em: [Link] Acessado em: 10/06/2018.
Considerando as semelhanças e diferenças entre as estrutu-
ras químicas dos compostos anteriores e seus conhecimentos
sobre os processos bioquímicos da célula, escolha a alternati-
va que preenche corretamente as lacunas no texto a seguir:
“O composto (I) __________ pode ser utilizado para inibir
(II) ____________, uma vez que tem estrutura química mui-
to semelhante à do (III) ______________, sendo, portanto,
erroneamente reconhecido (IV) __________________ .”
A
(I) tirosina; (II) a síntese de proteínas; (III) nucleotídeo dAMP;
(IV) pelo ribossomo como possível precursor na transcrição.
B
(I) vidarabina; (II) a replicação do DNA; (III) nucleotídeo
dAMP; (IV) pela polimerase como possível precursor na sín-
tese do DNA.
C
(I) vidarabina; (II) a síntese de proteínas; (III) ácido úrico; (IV)
pelo ribossomo como possível precursor na tradução.
D
(I) tirosina; (II) a replicação do DNA; (III) nucleotídeo dAMP;
(IV) pela transcriptase como possível precursor do DNA.

=========================================================================
=======
Questão 2

2 Fuvest-SP 2022 O quadrinho a seguir mostra uma pa-


ródia entre situações cotidianas e descobertas científicas.
Quais feitos científicos de Mendeleev, de Watson e Crick e de
Thomson estão relacionados com o quadrinho?
A
Proposição de um modelo atômico, descoberta da estru-
tura dos polímeros, descoberta da radioatividade.
B
Organização dos elementos químicos em uma Tabela Pe-
riódica, descoberta da estrutura do DNA, proposição de
um modelo atômico.
C
Compreensão da reatividade dos elementos químicos,
representação simbólica dos elementos, descoberta das
interações moleculares.
D
Definição de entalpia, representação simbólica dos ele-
mentos, caracterização e propriedades dos coloides.
E
Balanceamento de equações químicas, descoberta da
pilha, organização dos elementos químicos em uma
Tabela Periódica.
====PAGE 32====

AULA 3: Replicação, transcrição e síntese proteica


Biologia • Frente 1

=========================================================================
=======
Questão 534

534

=========================================================================
=======
Questão 3

3 UCS-RS 2021
Em abril de 2023, o mundo estará comemorando o 70º
aniversário alusivo à descoberta da estrutura em dupla
hélice do ácido desoxirribonucleico, o DNA. A importância
desse feito, talvez o mais relevante da história da Biologia
moderna, reside no fato de o DNA conter toda a informa-
ção genética responsável pelas características e funções de
cada célula.
A estrutura tridimensional desse ácido nucleico foi des-
vendada por James Watson, Francis Crick e Maurice Wilkins,
quando trabalhavam em Cambridge, no Reino Unido. Eles
construíram modelos de cartolina e arame para entender
e descrever a maior macromolécula celular dos seres vivos, e
os resultados desse estudo acabaram sendo publicados no
periódico científico Nature, em 25 de abril de 1953. O texto
de 900 palavras era acompanhado de um esboço simples da
famosa dupla hélice e atraiu pouca atenção da comunidade
científica. O estudo só ganhou destaque em 1957, quando
cientistas demonstraram que o DNA se autoduplicava.
Desde então, a “macromolécula da vida” tem sido peça
vital para a ciência moderna, permitindo incríveis avanços
nas áreas da medicina, criminalística, astrobiologia e ar-
queologia, para citar algumas. E, graças ao trabalho reali-
zado pela equipe, os três cientistas foram laureados com o
prêmio Nobel de Medicina em 1962.
Disponível em: [Link] 8541-dna-
[Link]; [Link] online/
qnesc17/[Link]; https:// [Link]/[Link]?script=sci_
arttext&pid=S0104-42302005000100001.
Acesso em: 28 jan. 2021. (Parcial e adaptado.)
Tomando por base os seus conhecimentos em Biologia, assi-
nale a alternativa correta.
A
Os nucleotídeos são as unidades básicas e repetitivas
formadoras do DNA, sendo cada um deles composto por
um grupo fosfato, uma hexose e uma base oxigenada.
B
As duas cadeias de uma dupla hélice de DNA possuem a
mesma orientação, e suas sequências de bases nitroge-
nadas são complementares.
C
Os pareamentos das bases nitrogenadas na dupla hélice
de DNA ocorrem por meio de ligações de hidrogênio.
D
A polimerização de uma fita simples de DNA é dita se-
miconservativa, pois independe da existência de uma
fita molde.
E
O DNA é traduzido em proteínas pelos ribossomos, me-
diante a ação da enzima RNA-polimerase.

=========================================================================
=======
Questão 4

4 FMABC-SP 2022 O esquema ilustra, de forma simplifica-


da, a síntese de proteínas que ocorre nos ribossomos.
([Link])
Aminoácido
RNAt
RNAm
Códon
Cadeia
polipeptídica
(proteína)
O mecanismo que garante a decodificação correta das infor-
mações contidas nas moléculas de RNA mensageiro é
A
a presença de duas subunidades nos ribossomos.
B
a correspondência entre os anticódons do DNA e os có-
dons dos ribossomos.
C
a ligação peptídica existente entre os aminoácidos.
D
a correspondência de 64 tipos de aminoácidos para os

=========================================================================
=======
Questão 64

64 tipos de códons possíveis.


E
o acoplamento do RNAt no RNAm.

====PAGE 33====

Biologia celular
C4 | H13, H14 e H15
AULA
=========================================================================
=======
Questão 4

4
Biologia • Frente 1

=========================================================================
=======
Questão 535

535
O desenvolvimento da microscopia possibilitou à humanidade a descoberta
das unidades microscópicas que formam os
seres vivos, desde as bactérias até os animais. Essas unidades são as
células. A descoberta das células inaugurou a Biologia
celular, ciência que estuda o funcionamento das células, unidades
fundamentais da vida.
Descoberta da célula
A invenção dos microscópios, há menos de 400 anos, pos-
sibilitou a descoberta de um mundo até então desconhecido:
o mundo microscópico. Isso possibilitou a visualização das cé-
lulas, inaugurando uma nova área de investigação científica
denominada Citologia (do grego kytos, célula, e logos, estudo),
atualmente mais conhecida como Biologia celular, área que
estuda a estrutura, a função e o comportamento das células.
O termo célula (do latim cellula, pequeno compartimen-
to) foi proposto em 1665 por Robert Hooke (1635-1703),
ao estudar cortiça, material extraído da casca do carvalho.
Hooke cortou lâminas finas de cortiça e as observou no mi-
croscópio, desenvolvido por ele, encontrando pequenas ca-
vidades que foram comparadas às celas (pequenos quartos)
de um convento.
Teoria celular
Em 1838, o botânico alemão Matthias Schleiden (1804-
-1881) concluiu em seus estudos microscópicos que todas
as plantas são compostas de células. Já em 1839, o biólogo
alemão Theodor Schwann (1810-1882) confirmou que os
animais também são formados por células. Surgia assim a
teoria celular, que propôs inicialmente que todos os seres
vivos são formados por células.
Em 1855, o patologista alemão Rudolph Virchow (1821-
-1902) afirmou que toda célula é proveniente de outra célula
preexistente, ou seja, a célula é capaz de se reproduzir. As
descobertas realizadas pelos cientistas ao longo do tempo
foram contribuindo, aprimorando e fortalecendo cada vez
mais a teoria celular, que atualmente se apoia em três prin-
cípios ou premissas:

Todos os seres vivos são formados por células, ou seja,
as células são as unidades morfológicas dos seres vivos.

Reações químicas ocorrem no interior das células, ou
seja, as células são as unidades funcionais e fisiológicas
dos seres vivos.

Toda célula se origina de outra célula, ou seja, a continui-
dade da vida depende da reprodução celular.
Origem da célula eucariótica
O surgimento da célula eucariótica ao longo do lento pro-
cesso evolutivo é um aspecto de difícil elucidação, principal-
mente pelo fato de não existirem células intermediárias entre
procariontes e eucariontes. Tudo indica que as células euca-
rióticas, com seus elaborados sistemas de endomembranas,
tenham se originado de células procarióticas ancestrais que
apresentavam invaginações da membrana plasmática.
A principal proposta que pode explicar o surgimento da
célula eucariótica é a de que procariontes predadores, que se
alimentavam de outras células, tinham um estilo de vida que
demandava uma célula grande com uma membrana plasmática
flexível, bem como um elaborado citoesqueleto para sustenta-
ção e movimento dessa membrana. Esse modo de vida também
deve ter possibilitado a formação do núcleo celular, local em
que a longa e frágil molécula de DNA é mais protegida dos danos
eventualmente causados pelos movimentos do citoesqueleto.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
J. Marini/[Link]
Citosol
DNA
Membrana
plasmática
Ribossomos
Invaginações da
membrana plasmática
Membrana
plasmática
Retículo
endoplasmático
DNA
Membrana
plasmática
Núcleo
Célula procariótica
Célula eucariótica
Representação esquemática da origem da célula eucariótica a partir de
invaginações da membrana plasmática de uma célula procariótica.

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AULA 4: Biologia celular


Biologia • Frente 1
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Questão 536

536
Teoria endossimbiôntica
Na década de 1960, a bióloga estadunidense Lynn Margulis (1938-2011)
descreveu, em um artigo intitulado On the origin
of mitosing cells, a teoria endossimbiôntica para explicar a origem das
mitocôndrias e dos cloroplastos, organelas com DNA
próprio. De acordo com essa teoria, procariontes ancestrais teriam sido
englobados por organismos eucariontes primitivos,
passando a viver dentro dos hospedeiros em endossimbiose (do grego endo,
dentro, syn, juntos, e bios, vida), processo que
veio a ser conhecido como simbiogênese. Antes dela, o botânico russo
Konstantin Mereschkowski (1855-1921) descreveu, em
dois trabalhos, um de 1905 e outro de 1910, achados que sugeriam que
cloroplastos eram organelas “diferentes”, e deviam ter
sua origem nas cianobactérias, resgatando uma observação feita como nota
de rodapé em um trabalho de 1883 do botânico
alemão Andreas Schimper (1856-1901).
Nesse contexto, Lynn Margulis reuniu argumentos consistentes sobre as
ideias de simbiogênese em um trabalho de 1981 deno-
minado Symbiosis in Cell Evolution. Para tanto, ela adotou a simbiogênese
dirigida por ideias darwinistas proposta em 1924 por outro
botânico russo, Boris Kozo-Polyansky (1890-1957).
Para Margulis, eucariotos heterótrofos ancestrais teriam englobado
bactérias aeróbias, que não foram digeridas e passa-
ram a estabelecer, depois de determinado tempo, uma relação de mutualismo
com as células eucarióticas hospedeiras. Ao
longo do tempo, as bactérias aeróbias se transformaram nas mitocôndrias,
organelas fundamentais ao metabolismo celular
(respiração celular) e sem as quais as células eucarióticas não conseguem
sobreviver.
Conforme previu Mereschkowski, os cloroplastos também teriam se originado
de procariotos. De acordo com a teoria,
cianobactérias (bactérias fotossintetizantes) que foram englobadas por
células eucarióticas primitivas, e não foram digeridas,
passaram a viver dentro delas em uma relação de mutualismo.
Representação esquemática da teoria endossimbiôntica, que indica a origem
de mitocôndrias e cloroplastos a partir de procariotos
englobados por células eucarióticas primitivas.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
J. Marini/[Link]
Núcleo
Retículo
endoplasmático
Bactéria aeróbica
(proteobactéria)
Endossimbiose
Mitocôndrias
Mitocôndrias
Eucarioto heterótrofo
aeróbico
Eucarioto heterótrofo
aeróbico
Eucarioto autótrofo
aeróbico
Eucarioto heterótrofo
anaeróbico
Cianobactéria
Endossimbiose
Cloroplastos
Apesar de ter sido rejeitada no início, hoje essa teoria
é amplamente aceita pela comunidade científica em todo o
mundo. Nas últimas décadas, os avanços na ciência permiti-
ram aos cientistas que encontrassem diversas evidências que
comprovam a origem endossimbiôntica das mitocôndrias e
dos cloroplastos. Dentre essas evidências, destacam-se:

presença de DNA circular e sem histonas nas organelas,
semelhante ao DNA encontrado nos procariotos;

capacidade de autoduplicação das organelas, indepen-
dentemente das células eucarióticas e com um processo
de divisão semelhante ao das células procarióticas;

ocorrência de ribossomos próprios, com tamanho e se-
quência de nucleotídeos semelhantes aos dos organis-
mos procariotos;

presença de dupla membrana nas organelas, sendo a
membrana externa derivada da membrana plasmática
da célula eucariótica hospedeira, e a membrana interna
derivada da membrana plasmática das células procarió-
ticas englobadas.
Citoplasma
O desenvolvimento da microscopia eletrônica revolucio-
nou o estudo das células, permitindo a visualização de es-
truturas que eram indistinguíveis no microscópio de luz. O
citoplasma das células, que antes parecia um líquido homo-
gêneo, na verdade é formado por um complexo labirinto de
endomembranas (tubos, bolsas e cisternas) e fibras proteicas
(citoesqueleto) banhadas por um fluido viscoso.

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AULA 4: Biologia celular


Biologia • Frente 1

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Questão 537
537
ao núcleo, denominada centrossomo. Nessa região, as fi-
bras podem aumentar ou diminuir de comprimento pela
liberação ou incorporação de moléculas de tubulina em
suas extremidades.
Algumas funções dos microtúbulos incluem formar um
esqueleto rígido nas células, garantindo a forma delas, e atu-
ar como via de sustentação sobre a qual proteínas motoras
podem mover estruturas celulares, como organelas e vesícu-
las. Os microtúbulos são componentes dos centríolos, corpos
basais, cílios e flagelos existentes em algumas células, e par-
ticipam da organização e separação dos cromossomos nas di-
visões celulares, já que são componentes das fibras do fuso.
Microfilamentos
Os microfilamentos são as fibras mais delgadas do cito-
esqueleto (entre 5 nm e 6 nm), sendo conhecidas como mi-
crofilamentos de actina, já que são formadas por unidades
da proteína globular actina. Cada microfilamento é consti-
tuído por duas cadeias formadas por diversas moléculas de
actina unidas entre si em dupla-hélice.
Essas fibras estão em contato direto com a membra-
na plasmática e ajudam a manter o formato da célula. Esse
fato pode ser observado nas microvilosidades encontra-
das nas células do epitélio intestinal humano, cujo formato
é sustentado por uma vasta rede de microfilamentos. As
microvilosidades são projeções da membrana plasmática,
semelhantes aos dedos de uma luva, que aumentam a área
de absorção de nutrientes.
A rede de microfilamentos de actina confere ao citoplas-
ma mais externo, denominado ectoplasma, uma consistência
de gel, que é diferente da consistência mais fluida encontra-
da no citoplasma mais interno, denominado endoplasma,
que apresenta subunidades de actina. Essa organização e a
transformação estrutural da proteína actina possibilitam a re-
alização de movimentos celulares, como o movimento ame-
boide e a ciclose.
Filamentos intermediários
Os filamentos intermediários recebem esse nome por
serem mais largos que os microfilamentos e mais finos que os
microtúbulos, com tamanho intermediário em relação a eles
(cerca de10 nm). Existem pelo menos 50 tipos de filamento
intermediário, compostos de proteínas fibrosas da classe da
queratina organizadas em estruturas resistentes a tensões. As
principais funções desempenhadas pelos filamentos interme-
diários são a de estabilizar a estrutura da célula e a de fixar
a posição de determinadas organelas celulares. Os filamentos
intermediários também ocorrem na lâmina nuclear, localizada
na parte interna do núcleo celular. Em muitas células epiteliais,
existem especializações da membrana plasmática, denomina-
das desmossomos, as quais são formadas por filamentos inter-
mediários que garantem a adesão entre as células adjacentes.
O termo citoplasma (do grego kytos, célula, e plassos,
molde) é utilizado para se referir, nas células eucarióticas, à
região existente entre o núcleo e a membrana plasmática,
enquanto nas células procarióticas corresponde a toda região
interna à membrana plasmática. Ele é formado pelo citosol,
também conhecido como hialoplasma ou matriz citoplasmá-
tica, e por diversas organelas citoplasmáticas.
Citoesqueleto
Os avanços na área da microscopia eletrônica e de flu-
orescência permitiram aos cientistas a descoberta de uma
extensa rede de fibras proteicas no citoplasma das células
eucarióticas, denominada citoesqueleto.
Existem três tipos diferentes de fibras componentes do
citoesqueleto: microtúbulos, microfilamentos e filamentos
intermediários. Cada tipo de fibra tem funções biológicas,
propriedades mecânicas e químicas distintas, porém atuam
coletivamente mantendo a forma, a resistência e a capacidade
de locomoção de determinada célula.
Representação esquemática dos três tipos principais de fibras
proteicas que formam o citoesqueleto.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Mitocôndria
Ribossomo
Membrana plasmática
Retículo endoplasmático
granuloso
Filamentos
intermediários
Microtúbulos
(tubulina)
Microfilamentos
(actina)
VectorMine/[Link]
A principal função do citoesqueleto é fornecer suporte
mecânico (sustentação) e atuar na manutenção da forma da
célula, especialmente em células animais, já que são despro-
vidas de parede celular. O citoesqueleto também possibilita a
adesão das células a suas vizinhas e a superfícies extracelula-
res, auxiliando na ancoragem das células.
As proteínas do citoesqueleto também estão relaciona-
das com diversos tipos de movimento celular. Como exem-
plos, temos: a ciclose, o movimento ameboide, a contração
muscular, o movimento dos cromossomos durante a divisão
celular e os movimentos de cílios e flagelos.
Microtúbulos
Os microtúbulos são as fibras mais espessas do cito-
esqueleto (cerca de 25 nm), sendo formadas por longos
cilindros ocos constituídos por unidades da proteína glo-
bular tubulina. A formação dos microtúbulos ocorre em
uma região específica da célula animal localizada próxima
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AULA 4: Biologia celular


Biologia • Frente 1

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Questão 538

538
Eletromicrografia de transmissão indicando retículo endoplas-
mático não granuloso (em amarelo) e uma gota de lipídio (em
marrom, no lado inferior esquerdo). Ampliação desconhecida.
Don W. Fawcett/Science Source/Fotoarena
Nas células do fígado, essa organela é bastante abun-
dante, já que está relacionada com a desintoxicação, ou seja,
metabolismo de drogas, como álcool e barbitúricos, inativan-
do-as. Sabe-se que o uso abusivo e frequente dessas drogas
estimula um maior desenvolvimento do retículo liso nas cé-
lulas hepáticas. Esse desenvolvimento, no entanto, aumenta
a tolerância às drogas, já que dosagens cada vez maiores são
necessárias para atingir os efeitos desejados.
Já nas células musculares, o retículo endoplasmático
liso, denominado retículo sarcoplasmático, atua como um
local de armazenamento de íons cálcio (Ca2+), fundamentais
para a contração muscular.
Retículo endoplasmático granuloso
O retículo endoplasmático granuloso, ou rugoso, tem
ribossomos aderidos em suas membranas, que apresentam
granulações visíveis em microscopia eletrônica. A principal
função dessa organela é a produção de proteínas, tanto as
que farão parte da membrana plasmática quanto as que se-
rão exportadas da célula, assim como as que se transformarão
em enzimas lisossômicas. Outra função desempenhada por
essa organela é a produção dos carboidratos que serão adi-
cionados à cadeia polipeptídica, processo conhecido como
glicosilação, para a formação das glicoproteínas.
Eletromicrografia de transmissão indicando retículo endoplas-
mático granuloso, com destaque para as cisternas (em lilás) e os
ribossomos (pontos verdes). Aumento de 30 mil vezes.
Dennis Kunkel Microscopy/
Science Photo Library/Fotoarena
Organelas citoplasmáticas
No citoplasma das células existem diversas estruturas
denominadas organelas citoplasmáticas ou organoides que
desempenham funções específicas no metabolismo celu-
lar. Essas organelas podem ser divididas em membranosas
(-presença de membrana lipoproteica) e não membranosas
(ausência de membrana lipoproteica). As principais organe-
las membranosas são: retículo endoplasmático, complexo
golgiense, lisossomos, peroxissomos, mitocôndrias, plastos e
vacúolos. Já as organelas não membranosas são representa-
das pelos ribossomos e centrossomos.
Retículo endoplasmático
O retículo endoplasmático (do latim reticulum, pequena
rede, endo, dentro, e plasos, molde) é encontrado em todos
os tipos de célula eucariótica. Essa organela é formada por
um conjunto de túbulos e bolsas achatadas, denominadas
cisternas, que são contínuas ao envoltório nuclear externo e
que se interconectam por meio de vesículas produzidas entre
elas. Na cavidade interna do retículo, denominada lúmen ou
espaço cisternal, ocorre o transporte de moléculas produzi-
das pela própria organela.
Dependendo da existência ou não de ribossomos aderi-
dos às suas membranas, podem ser reconhecidos dois tipos
de retículo endoplasmático: não granuloso e granuloso.
Representação esquemática de uma célula eucariótica com des-
taque para o retículo endoplasmático liso e granuloso.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Aldona/[Link]
Lúmen
Envoltório nuclear
Cisternas
Ribossomos
Vesículas de transporte
Retículo
endoplasmático
não granuloso
Retículo
endoplasmático
granuloso
Retículo endoplasmático não granuloso
O retículo endoplasmático não granuloso ou liso não
tem ribossomos aderidos em suas membranas, as quais se
estabelecem, então, lisas e sem granulações. Uma das fun-
ções dessa organela é a síntese de lipídios, como ácidos
graxos, fosfolipídios e esteroides. No interior do retículo não
granuloso, existem enzimas responsáveis pela produção de
colesterol e sua posterior modificação em hormônios sexu-
ais, como a testosterona.

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AULA 4: Biologia celular


Biologia • Frente 1

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Questão 539

539
Complexo golgiense
Após deixarem o retículo endoplasmático, muitas vesícu-
las de transporte são destinadas a uma organela especial de-
nominada complexo golgiense, ou complexo de Golgi. Nessa
organela, os produtos do retículo endoplasmático são recebi-
dos, alterados, empacotados e enviados aos destinos corretos.
O complexo golgiense é formado por um ou diversos con-
juntos de 4 a 20 sáculos membranosos achatados e empilha-
dos, denominados cisternas, que se assemelham a uma pilha
de panquecas. Cada sáculo achatado tem um lúmen, local por
onde as moléculas podem passar sem entrar em contato com o
citosol. Nas células vegetais, cada conjunto de cisternas achata-
das e empilhadas é denominado dictiossomo ou golgiossomo.
Eletromicrografia de transmissão de um complexo golgiense (sá-
culos achatados coloridos no centro). Aumento de 28 mil vezes.
Dennis Kunkel Microscopy/Science
Photo Library/Fotoarena
Essa organela tem dois lados, conhecidos como face cis
e face trans, que diferem quanto à espessura e à composição
molecular. A face cis está diretamente conectada ao retículo en-
doplasmático e recebe dele vesículas de transporte cheias de
conteúdo. Já a face trans está no lado oposto ao retículo e dela
brotam as vesículas de secreção, que armazenam temporaria-
mente produtos do retículo endoplasmático.
Produtos sintetizados pelo retículo endoplasmático são
usualmente modificados durante sua passagem pelas cister-
nas do complexo golgiense. As proteínas e os lipídios produ-
zidos entram pela face cis e saem pela face trans, já com as
modificações químicas, como glicosilação e hidrólise protei-
ca, realizadas nas cisternas ao longo desse percurso.
Representação esquemáti ca do complexo golgiense.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Vesículas de
transporte
Face cis
Vesículas de secreção
Face trans
Lúmen
Cisterna
Moléculas
Tefi/[Link]
Uma das principais funções do complexo golgiense é atu-
ar no processo de secreção celular, também conhecido como
exocitose, que consiste na eliminação de moléculas produzi-
das pelas células para o ambiente extracelular. Proteínas pro-
duzidas pelo retículo endoplasmático são transportadas no
interior de vesículas de transporte até a face cis do complexo
golgiense, onde serão despejadas no interior das cisternas.
Vesículas de
transporte
Retículo
endoplasmático
granuloso (REG)
Retículo
endoplasmático
liso (REL)
Vesículas
de transporte
Lisossomo
Vacúolo digestivo
Vacúolo alimentar
Membrana
plasmática
Alimento
Englobamento
Secreção
Vesículas
de secreção
Complexo
golgiense
Representação esquemática
do trânsito de vesículas do re-
tículo endoplasmático para o
complexo golgiense, saída do
conteúdo das vesículas para
fora da célula, formação do
lisossomo e englobamento
de macromoléculas.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO

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AULA 4: Biologia celular


Biologia • Frente 1

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Questão 540

540
Nas extremidades das cisternas, são formadas vesículas
de transição, responsáveis pelo transporte das moléculas
parcialmente alteradas para as cisternas seguintes voltadas
para a face trans. Dessa face é que brotam as vesículas de
secreção, repletas do conteúdo que deverá ser enviado para
fora da célula. Quando as vesículas de secreção se fundem
com a membrana plasmática da célula, ocorre liberação da
secreção no ambiente extracelular.
Nas células vegetais, uma das funções do complexo gol-
giense é a síntese de polissacarídeos, como a hemicelulose e
a pectina, componentes da parede celular e da lamela-média,
um tipo de “cimento” entre as células vegetais. Vesículas pro-
venientes do complexo constantemente se fundem ao vacúo-
lo central, levando até ele diversas moléculas, como enzimas
digestivas que atuam em processos de digestão intracelular.
Nos animais, essa organela também é responsável pela
formação do acrossomo (do grego acros, topo, e somatos,
corpo), uma bolsa cheia de enzimas na região apical do es-
permatozoide (gameta masculino). Durante a formação do
espermatozoide, vesículas cheias de enzimas digestivas pro-
venientes do complexo golgiense se unem nas proximidades
do núcleo formando a vesícula acrossômica, o acrossomo. As
enzimas digerem a zona pelúcida existente ao redor do ovó-
cito II, o que possibilita sua fecundação pelo espermatozoide.
Mitocôndrias
Núcleo
Centríolo
Espermátide
Complexo golgiense
Retículo endoplasmático
Crescimento
do centríolo
Vesícula
acrossômica
Citoplasma
eliminado
Espermatozoide
Acrossomo
Núcleo
Mitocôndrias
Flagelo
Representação esquemática da espermiogênese, processo que for-
ma os espermatozoides. Note que o complexo golgiense participa
da formação do acrossomo, e os centríolos, da formação do flagelo.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Lisossomo
O lisossomo (do grego lysis, destruição, e soma, corpo) é
uma bolsa membranosa cheia de enzimas digestivas que são
utilizadas pela célula para a digestão intracelular de macro-
moléculas. Dentre as mais de 40 enzimas digestivas, desta-
cam-se as proteases (digerem proteínas), nucleases (digerem
DNA e RNA), lipases (digerem lipídios), fosfatases (retiram
fosfatos de fosfolipídios e nucleotídeos), bem como as que
digerem polissacarídeos.
As enzimas lisossômicas, também conhecidas como hi-
drolases ácidas, apresentam atividade máxima em pH ácido
(entre 4,5 e 5), que é a condição presente no interior dos
lisossomos. Se eventualmente um lisossomo se romper, as
enzimas liberadas no citosol terão pouca atividade, devido
ao pH neutro dessa porção celular (cerca de 7,2). Já o rom-
pimento de diversos lisossomos ao mesmo tempo pode des-
truir a célula por autodigestão dos componentes celulares.
Steve Gschmeissner/
Science Photo Library/Fotoarena
Lisossomos
Núcleo
Mitocôndrias
Eletromicrografia de transmissão colorida de um macrófago, com
destaque para os lisossomos (bolsas vermelhas), núcleo (em azul-
-escuro) e mitocôndrias (azul-claro). Aumento de 3 mil vezes.
Os lisossomos podem atuar na digestão de moléculas
englobadas pelas células, função conhecida como heterofa-
gia (do grego hetero, diferente, e fagos, comer). O material
englobado pelas células, por fagocitose ou pinocitose, fica
inicialmente armazenado em uma bolsa membranosa deno-
minada vacúolo alimentar. Posteriormente, o lisossomo se
funde ao vacúolo alimentar liberando as enzimas digestivas
em seu interior, originando o vacúolo digestivo.
No interior do vacúolo digestivo, ocorre a digestão do
material englobado pelas enzimas lisossômicas. As molécu-
las que serão utilizadas pela célula passam pela membrana
do vacúolo digestivo e são aproveitadas como fonte de ener-
gia ou matéria-prima para a construção de novas estruturas
celulares. Os resíduos não digeridos ficam acumulados no
interior do vacúolo digestivo, que se torna inativo após um
tempo e passa a ser denominado vacúolo residual. Após se
fundir com a membrana plasmática da célula, o vacúolo resi-
dual libera o conteúdo no meio extracelular, processo conhe-
cido como clasmocitose ou defecação celular.
Membrana
plasmática
Alimento
Englobamento
Enzimas digestivas
Digestão e absorção
de nutrientes
Lisossomo
Vacúolo alimentar
Vacúolo digestivo
Representação esquemática da participação do lisossomo e de
outras estruturas celulares na heterofagia, processo de digestão
de partículas englobadas pela célula.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO

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AULA 4: Biologia celular


Biologia • Frente 1
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Questão 541

541
Vacúolos
Os vacúolos são largas vesículas membranosas derivadas
do retículo endoplasmático e do complexo golgiense, que fa-
zem parte do sistema de endomembranas celulares. A mem-
brana dos vacúolos, da mesma maneira que a membrana
plasmática, apresenta permeabilidade seletiva, o que contri-
bui para que o conteúdo interno tenha composição química
diferente do citosol.
Em muitas algas e protozoários de água doce são encon-
trados os vacúolos contráteis ou pulsáteis. Essas organelas são
responsáveis pela eliminação do excesso de água que entra
por osmose nas células desses organismos, já que estão em
um ambiente hipotônico. A contração frequente dos vacúolos
pulsáteis evita que ocorra lise celular nas algas e nos protozoá-
rios de água doce, já que eles não têm parede celular.
As células vegetais têm vacúolos de suco celular (um lí-
quido aquoso), organelas membranosas que apresentam di-
versas funções no metabolismo. Nas células meristemáticas,
existem vacúolos pequenos e numerosos, que se unem ao
longo da diferenciação celular originando um grande e único
vacúolo central, existente nas células maduras, cuja mem-
brana é denominada tonoplasto.
O vacúolo central pode armazenar água em seu interior.
A entrada de água no vacúolo promove aumento de volume
da organela, que passa a pressionar a parede celular, fenô-
meno conhecido como pressão de turgescência, o que esti-
mula o crescimento da célula e a manutenção de sua forma.
Eletromicrografia de transmissão (colorida artificialmente) indican-
do o vacúolo central e os cloroplastos. Ampliação desconhecida.
Biophoto Associates/
Science Source/Fotoarena
Vacúolo
Cloroplastos
A solução aquosa dentro do vacúolo contém íons inorgâ-
nicos, açúcares, aminoácidos, ácidos orgânicos e até proteí-
nas, como enzimas digestivas, responsáveis pela reciclagem
de organelas danificadas ou velhas. A concentração de sais
é regulada pelo vacúolo e pode se tornar tão alta que eles
podem formar cristais.
Os vacúolos podem ainda armazenar substâncias tóxicas
(como o látex), substâncias impalatáveis (como os taninos,
que protegem as plantas da herbivoria) ou pigmentos (como
as antocianinas).
Em determinados animais, como poríferos e protozoá-
rios, a heterofagia é um mecanismo utilizado para a alimenta-
ção, uma vez que a digestão neles é intracelular e ocorre com
a participação dos lisossomos. Já nos humanos, a heterofagia
está relacionada com a defesa imunitária: os lisossomos são
organelas abundantes nos neutrófilos, células responsáveis
pelo englobamento de patógenos invasores.
Os lisossomos também podem atuar na digestão
de componentes desgastados da própria célula, função
conhecida como autofagia (do grego auto, próprio, e
fagos, comer). Nesse processo, uma organela senil ou com
algum dano é envolvida por uma dupla membrana (de ori-
gem desconhecida), formando uma vesícula denominada
autofagossomo que se funde ao lisossomo, originando
o vacúolo autofágico. A autofagia é fundamental para a
renovação das estruturas celulares. Células nervosas, por
exemplo, têm todos os seus componentes reciclados a
cada mês, enquanto nas células do fígado esse processo
ocorre a cada semana.
Peroxissomo
O peroxissomo, também conhecido como microcorpo, é
uma bolsa membranosa especializada na oxidação de molé-
culas. Essa organela tem enzimas oxidativas que retiram áto-
mos de hidrogênio de moléculas orgânicas e os transferem
ao gás oxigênio, formando peróxido de hidrogênio (H2O2),
popularmente conhecido como água oxigenada.
As reações que ocorrem no interior dessa organela
apresentam diversas funções. Uma delas é o metabolismo
de lipídios, processo que produz moléculas menores que
são transportadas para as mitocôndrias e usadas como
fonte de energia na respiração celular. Nas células do fí-
gado, os peroxissomos fazem a desintoxicação, ou seja,
oxidam álcool e outras drogas transformando-as em mo-
léculas inofensivas.
Em determinadas células vegetais, como as dos tecidos
de reserva das sementes oleaginosas, existem peroxisso-
mos especializados, conhecidos como glioxissomos. Essas
organelas têm enzimas responsáveis pela conversão dos
lipídios, estocados nos tecidos de reserva (endosperma e/ou
cotilédone), em carboidratos durante a germinação das se-
mentes. Os carboidratos produzidos são utilizados para a
produção de energia e de estruturas celulares fundamen-
tais ao crescimento dos embriões e das plântulas.
As moléculas de peróxido de hidrogênio produzidas nes-
se processo são tóxicas para a célula. Porém, no interior dos
peroxissomos, existem enzimas denominadas peroxidases
ou catalases que degradam as moléculas de água oxigenada
transformando-as em moléculas de água (H2O) e gás oxigê-
nio (O2), fundamentais para o metabolismo celular.

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AULA 4: Biologia celular


Biologia • Frente 1

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Questão 542
542
Plastos
Os plastos, também conhecidos como plastídeos, são orga-
nelas existentes em células de algas e vegetais, ou seja, eucario-
tos fotossintetizantes.
Fotomicrografia de células de um musgo, com destaque para os
cloroplastos (estruturas verdes). Aumento de 590 vezes.
John Durham/
Science Photo Library/Fotoarena
Centrossomo e centríolos
Na maioria das células eucarióticas, com exceção de
fungos e plantas fanerógamas, os microtúbulos crescem em
uma região denominada centrossomo ou centro organizador
de microtúbulos, que fica nas proximidades do núcleo celu-
lar. Nas células animais, o centrossomo está relacionado com
a formação das fibras do fuso, que organizam e separam os
cromossomos durante a divisão celular.
No interior do centrossomo, existe um par de centríolos,
cada um deles formado por 9 grupos de 3 microtúbulos (tri-
pletes) dispostos em anel, arranjo “9 + 0”. Em muitas células,
os centríolos estão relacionados com a formação de cílios e
flagelos, estruturas filamentosas semelhantes a chicotes que
puxam ou empurram a célula em meio aquoso, ou movimen-
tam fluidos circulantes externos.
Centríolos
Microtúbulos
Triplete de
microtúbulos
Representação esquemática do centrossomo, com destaque para
o par de centríolos em seu interior.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
VectorMine/[Link]
Flagelos e cílios
Em uma secção transversal, cílios e flagelos têm a mes-
ma estrutura, pois são revestidos pela membrana plasmáti-
ca e apresentam microtúbulos em um arranjo “9 + 2”. Esse
arranjo consistente em 9 pares de microtúbulos periféricos
fusionados (dupletes), formando um cilindro externo, e 2 mi-
crotúbulos centrais não fusionados, preenchendo o interior
da estrutura. Da mesma maneira que em uma roda de bici-
cleta, um raio parte de cada duplete de microtúbulos perifé-
ricos, conectando-os ao centro da estrutura.
No citoplasma, na base de cada cílio ou flagelo, encontra-se
o corpo basal ou cinetossomo, cuja estrutura é muito similar
à de um centríolo, isto é, são 9 grupos de 3 microtúbulos (tri-
pletes) dispostos em anel, com arranjo “9 + 0”, já que não há
microtúbulos centrais. De fato, em muitos animais, incluindo
humanos, o corpo basal do espermatozoide penetra no óvulo
e origina o centríolo, que atuará na divisão celular do embrião.
Representação esquemática da estrutura do flagelo e do corpo basal.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Flagelo
Microtúbulos
centrais
Membrana
plasmática
Corpo
basal
Microtúbulos
periféricos
(dupletes)
Microtúbulos
periféricos
Célula eucariótica
Os flagelos são mais longos que os cílios e aparecem em
número reduzido em cada célula. O movimento dos flagelos
é formado por ondulações que se propagam da base para a
extremidade livre dos filamentos, semelhante ao movimento
de uma cobra. Essas estruturas são encontradas em deter-
minados protozoários, algas e gametas masculinos, como os
espermatozoides humanos. Os cílios são mais curtos e nume-
rosos que os flagelos, podendo existir centenas ou milhares
deles um uma única célula. O movimento dos cílios é seme-
lhante ao dos braços dos nadadores, batendo de forma rígida
em um sentido (remada de embalo) e voltando flexionados
no outro (remada de recuperação). Essas estruturas são en-
contradas em certos protozoários, como os paramécios, e
atuam na locomoção celular ou captura de alimento.
Nos humanos, os cílios são encontrados nas células da
traqueia e têm a função de varrer para fora do corpo o muco
que lubrifica as vias respiratórias, livrando o organismo de in-
vasores e partículas de poeira retidas neles. Na tuba uterina,
os cílios auxiliam na movimentação do embrião até o útero,
local onde ele se fixa e se desenvolve durante a gravidez.

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AULA 4: Biologia celular


Biologia • Frente 1

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Questão 543

543

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Questão 1
1 Ufla/PAS-MG 2023 Faça as associações corretas entre or-
ganelas celulares e suas funções:
COLUNA 1 –
Organelas celulares
COLUNA 2 –
Funções
I.
Mitocôndria
Secreção celular
II.
Retículo Endoplasmático
Liso
Síntese de lipídios e car-
boidratos
III.
Retículo Endoplasmático
Rugoso
Respiração celular
IV.
Complexo Golgiense
Síntese de proteínas
Assinale a alternativa que apresenta a associação CORRETA:
A
IV – II – I – III
B
I – III – IV – II
C
III – II – IV – I
D
IV – III – I – II

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Questão 2

2 Uema 2020 Em uma célula, na região entre a membrana


plasmática e o núcleo, chamada de citoplasma, há um ma-
terial gelatinoso, o citosol, também conhecido como hialo-
plasma ou matriz do citoplasma. Nesse material, ocorrem
diversas reações químicas do metabolismo. Há, também,
mergulhadas no citoplasma, várias organelas responsáveis
pelas atividades da célula. Analise o esquema de uma célula
animal, tendo indicadas diferentes organelas citoplasmáti-
cas, sendo “A” responsáveis pela liberação de energia e pela
respiração celular; “B”, as que realizam o empacotamento e a
secreção das substâncias produzidas pela célula e “C”, orga-
nelas que atuam na organização do fuso mitótico, da produ-
ção de cílios e de flagelos.
LINHARES, Sérgio; GEWANDSZNAJDER, Fernando. Biologia.
V. 3. São Paulo: Ática, 2014.
As organelas citoplasmáticas referentes aos esquemas A, B e
C correspondem, respectivamente, a
A
mitocôndrias, complexo golgiense, lisossomos.
B
ribossomos, retículo endoplasmático, mitocôndrias.
C
ribossomos, complexo golgiense, centríolos.
D
lisossomos, ribossomos e retículo endoplasmático.
E
mitocôndrias, complexo golgiense, centríolos.

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Questão 3

3 PUC-Rio 2020
Disponível em: <[Link]
Acesso em: 10 ago. 2019. Adaptado.
A Figura acima ilustra a teoria da endossimbiose. Tal teoria
explica a evolução de uma organela, presente em todas as
células eucarióticas, denominada
A
lisossomo.
B
mitocôndria.
C
retículo endoplasmático.
D
complexo de Golgi.
E
vacúolo.

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Questão 4

4 Unisc-RS 2021 A doença de Alzheimer foi descrita pela


primeira vez pelo médico alemão A. Alzheimer em um arti-
go publicado em 1907. Essa doença caracteriza-se pela de-
sestruturação da célula neuronal, tendo por consequên-
cia a perda devastadora das funções cerebrais no nível
do córtex cerebral, responsáveis também pela cognição.
Qual organela abaixo está diretamente relacionada à
doença de Alzheimer?
A
Peroxissomos.
B
Citoesqueleto.
C
Retículo endoplasmático liso.
D
Complexo de Golgi.
E
Mitocôndrias.
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AULA 4: Biologia celular


Biologia • Frente 1

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Questão 544

544

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Questão 5

5 FMP-RJ 2021 A figura abaixo ilustra a síntese de secreção


de hormônios peptídicos.

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Questão 1

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Questão 2

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Questão 3

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Questão 4

4
DNA
Transcrição
mRNA
Tradução
Ca++
cAMP
Estímulo
Síntese
Acondicionamento
Armazenamento
Secreção
Disponível em: <[Link]
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=======
Questão 167

[Link]>.
Acesso em: 6 out. 2020.
Os números 1, 2, 3 e 4 correspondem, respectivamente, a
A
ribossomo, núcleo, aparelho de Golgi e lisossomos
B
mesossomo, aparelho de Golgi, ribossomos e retículo
endoplasmático liso
C
núcleo, retículo endoplasmático rugoso, aparelho de
Golgi e vesículas secretoras
D
mitocôndria, lisossomo, retículo endoplasmático liso
e núcleo
E
retículo endoplasmático rugoso, vesículas secretoras, ri-
bossomo e mitocôndrias

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=======
Questão 6

6 Enem PPL 2019 A ação de uma nova droga antitumoral


sobre o citoesqueleto foi investigada. O pesquisador compa-
rou o efeito da droga na velocidade de deslocamento celular
e na integridade de filamentos do córtex celular e de flagelos,
conforme apresentado na figura.
Efeito sobre célula não flagelada
Efeito sobre célula flagelada
Adição da droga
Tempo
Núcleo (N)
Droga
Droga
Tempo
Velocidade de
deslocamento
Velocidade de
deslocamento
Adição da droga
Alteração da superfície celular
Alteração da superfície celular
O pesquisador concluiu que a droga age sobre os
A
microtúbulos apenas.
B
filamentos de actina apenas.
C
filamentos intermediários apenas.
D
filamentos de actina e microtúbulos.
E
filamentos de actina e filamentos intermediários.

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Questão 1

1 Unicap-PE 2023 O citoesqueleto das células eucarióti-


cas, cuja função principal é a organização das estruturas e
atividades da célula, é composto de três tipos de filamentos
moleculares: microtúbulos, microfilamentos e filamentos in-
termediários. Esses filamentos diferem entre si com relação
à sua estrutura e às suas funções desempenhadas no interior
da célula. Analise as afirmativas a seguir e assinale a alterna-
tiva que NÃO apresenta a relação apropriada do filamento
com suas características ou funções.
A
Os filamentos de actina, também conhecidos por micro-
filamentos, podem formar estruturas rígidas e estáveis,
como as microvilosidades nas células epiteliais que re-
vestem o intestino.
B
Os filamentos intermediários apresentam uma grande
resistência à tensão e sua função principal é permitir
que as células resistam ao estresse mecânico ocasionado
quando são distendidas. Eles estão presentes em gran-
de número, por exemplo, ao longo do comprimento dos
axônios das células nervosas.
C
Os microtúbulos são tubos ocos feitos de subunidades
de tubulina globular. São responsáveis pela formação
dos fusos meiótico e mitótico nas divisões celulares e
dos cílios e flagelos.
D
Os microtúbulos são bem conhecidos por seu papel na
motilidade celular. A interação dos filamentos de tubulina
com a miosina causa a contração das células musculares.
E
Especializados em suportar tensão (como os microfila-
mentos), os filamentos intermediários são formados por
grande variedade de proteínas fibrosas, entre as quais se
destaca a queratina presente em células epiteliais.
Para APRIMORAR

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AULA 4: Biologia celular


Biologia • Frente 1

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Questão 545

545

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Questão 2

2 Emescam-ES 2023 O processo é usado todos os dias da


vida da célula e permite a destruição de componentes intra-
celulares na presença de toxinas, ou possibilita que ela passe
a digerir partes de si mesma quando estiver em situações de
emergência, como em privação de nutrientes, além de de-
gradar organelas desgastadas e reaproveitar alguns de seus
componentes moleculares.
Disponível em: [Link]/eBKL2. Acesso em: 10 ago. 2022.
Como é conhecido o processo descrito no texto e qual é a
origem da organela responsável por ele?
A
Autofagia; peroxissomo.
B
Autofagia; complexo de golgi.
C
Heterofagia; peroxissomo.
D
Heterofagia; complexo de golgi.

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Questão 3

3 UFJF-MG 2023 Paramecium caudatum é uma espécie de


protozoário ciliado com organização celular semelhante àque-
la de uma célula animal. Em um experimento clássico realizado
em laboratório, esses protozoários são alimentados em cultivo
com fermento biológico na presença do reagente vermelho
neutro. O vermelho neutro possui coloração vermelha acen-
tuada quando em pH ácido (pH menor que 6,7) e amarela em
pH básico (pH em torno de 8). Quando expostos ao fermento
biológico na presença do vermelho neutro é possível visualizar
algumas esferas vermelhas (coloração acentuada) dentro do
citoplasma destes protozoários ciliados.
a) Qual organela citoplasmática está envolvida diretamente
no experimento, ou seja, na formação das esferas ver-
melhas dentro do citoplasma?
b) Explique o processo de digestão em células eucarióticas
de animais.

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Questão 4

4 UFJF/Pism-MG 2021 Nas células eucarióticas encon-


tramos as mitocôndrias e os cloroplastos. Segundo as
explicações mais aceitas, essas duas organelas surgiram
por meio de um processo chamado de endossimbiose.
Neste processo, células procarióticas fagocitaram bactérias
capazes de realizar respiração e fotossíntese, respectiva-
mente, mas não a degradaram. Em um tempo evolutivo,
as células bacterianas passaram a viver dentro da célula
que a fagocitou. Essa explicação é conhecida como a Teoria
da Endossimbiose.
a) O que diferencia as células procarióticas das eucarióticas?
b) Cite três evidências estruturais das mitocôndrias ou dos
cloroplastos que sustentam a Teoria da Endossimbiose.

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C5 | H15, H18 e H20


AULA

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Questão 5

5
Biologia • Frente 1

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Questão 546

546
Como visto na aula anterior, de acordo com a teoria endossimbiôntica, as
mitocôndrias e os cloroplastos são organelas
celulares que surgiram do englobamento de bactérias primitivas que
passaram a viver dentro de células eucarióticas, esta-
belecendo com elas uma relação de interdependência, conhecida como
mutualismo.
Metabolismo energético
C4 | H14 e H15
AULA

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Questão 5

5
ATP: energia do mundo vivo
A degradação de moléculas orgânicas, como carboidra-
tos e lipídios, libera grande quantidade de energia, que é ar-
mazenada em moléculas de trifosfato de adenosina, ou ATP
(do inglês adenosine triphosphate). Essa molécula é funda-
mental para todos os seres vivos, pois capta e armazena a
energia das reações químicas exergônicas e a transfere, pos-
teriormente, às reações químicas endergônicas.
Exotérmicas: reações químicas que liberam energia,
como a respiração celular.
Endotérmicas: reações químicas que consomem
energia, como a fotossíntese.
O ATP é um nucleotídeo formado pela base nitrogenada
adenina unida a uma molécula de ribose (carboidrato) que,
por sua vez, está ligada a uma cadeia constituída de três mo-
léculas de fosfato. O termo “adenosina” refere-se à adenina li-
gada à ribose. As ligações químicas entre os grupos fosfato são
altamente energéticas, especialmente a que une os dois últimos.
Representação esquemática da molécula de ATP.
Trifosfato de adenosina (ATP)
Fosfatos
Ribose
Ligação altamente
energética
Adenosina
Adenina
Designua/[Link]
Uma molécula de ATP é sintetizada a partir de ADP (difosfato
de adenosina), com apenas dois fosfatos. A adição de um íon
fosfato é chamada de fosforilação e é uma reação endergônica.
A energia consumida nessa reação é proveniente, na maioria
dos casos, do processo de respiração celular. A quebra da liga-
ção entre os dois últimos fosfatos, entretanto, libera a mesma
quantidade de energia, que pode ser utilizada em diversas ativi-
dades celulares, como o transporte ativo de substâncias através
da membrana, a síntese de proteínas e a contração muscular.
Representação esquemática da molécula de ATP.
Adenina
Adenina
denina
Adenina

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=======
Questão 1

1
E
E
Ribose
Ribose
ADP
Fosfatos
Fosfatos
Metabolismo celular
Respiração celular
ATP
Designua/[Link]
Respiração celular aeróbia
Um dos principais processos utilizados pelos seres vi-
vos para a liberação de energia dos alimentos é a respiração
celular aeróbia. Nesse processo, ocorre oxidação total de
moléculas orgânicas, com a participação do gás oxigênio (O2),
liberando energia na forma de moléculas de ATP. O principal
reagente oxidado na respiração celular é a glicose (C6H12O6),
formando moléculas de água (H2O) e gás carbônico (CO2).
C6H12O6 1 6 O2

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=======
Questão 6

6 CO2 1 6 H2O 1
E
Glicose
Água
Energia
Gás
oxigênio
Gás
carbônico
Equação química da respiração aeróbia.
Durante a respiração celular, boa parte da energia libera-
da é armazenada nas moléculas de ATP, mas também ocorre
perda de energia na forma de calor, já que o processo tem
cerca de 40% de eficiência.
A oxidação total da glicose ocorre em três etapas: glicólise,
ciclo de Krebs e cadeia respiratória. Nas células procarióticas,
como as das bactérias, a glicólise e o ciclo de Krebs ocorrem
no citosol, e a cadeia respiratória, na membrana plasmática. Já
nas células eucarióticas, a glicólise ocorre no citosol, e o ciclo
de Krebs e a cadeia respiratória, no interior das mitocôndrias.

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AULA 5: Metabolismo energético


Biologia • Frente 1

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Questão 547

547
Mitocôndria
As mitocôndrias são organelas celulares membranosas
que realizam a respiração celular. Dependendo do tipo e do
grau de atividade metabólica das células, o número de mito-
côndrias pode variar de algumas dezenas até centenas delas.
Cada mitocôndria tem uma membrana externa, que é lisa,
e uma membrana interna, com dobras, denominadas cristas
mitocondriais, que se projetam para o interior da organela. Na
membrana interna existem diversas proteínas específicas que
participam da cadeia transportadora de elétrons.
O espaço interno da mitocôndria é preenchido por um
líquido viscoso, semelhante ao citosol, denominado matriz
mitocondrial, onde são encontrados ribossomos semelhan-
tes aos bacterianos, enzimas e moléculas de DNA circular.
Representação esquemática de uma mitocôndria.
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
DNA
Matriz mitocondrial
Ribossomos
Crista mitocondrial
Espaço entre as membranas
Membrana externa
Membrana interna
Aldona Griskeviciene/[Link]
Novas mitocôndrias surgem apenas pela duplicação de
mitocôndrias preexistentes nas células. Isso significa que,
durante a divisão celular, as células-filhas precisam receber
mitocôndrias da célula-mãe, pois, caso contrário, não
conseguirão produzir essas organelas. À medida que as célu-
las-filhas crescem, suas mitocôndrias se multiplicam, estabe-
lecendo o número original existente na célula-mãe.
De acordo com a teoria endossimbiótica, as mitocôndrias
são organelas que surgiram a partir de bactérias, provavel-
mente do grupo das proteobactérias, que foram englobadas
por células eucarióticas primitivas, estabelecendo uma rela-
ção de mutualismo com elas.
Atenção!
Na maioria dos seres vivos de reprodução sexuada,
as mitocôndrias são transmitidas exclusivamente por he-
rança materna. Isso significa que apenas as mitocôndrias
existentes no óvulo farão parte do zigoto e, consequen-
temente, do descendente formado. As mitocôndrias do
espermatozoide são destruídas após a fecundação.

Glicólise
A glicólise (do grego glykos, açúcar, e lysis, quebra) con-
siste em uma sequência ordenada de dez reações químicas
que ocorrem no citosol. Ao final do processo, são produzi-
das duas moléculas de ácido pirúvico (C3H4O3), ou piruvato,
para cada molécula de glicose degradada. Essa é uma etapa
anaeróbia, uma vez que não utiliza gás oxigênio.
No início da glicólise, ocorre a fosforilação da glicose,
com a adição de dois fosfatos provenientes da hidrólise de
duas moléculas de ATP. Com isso, a molécula de glicose tor-
na-se instável e pode ser quebrada mais facilmente.
Em seguida, ocorre a desidrogenação das moléculas inter-
mediárias, processo em que hidrogênios são capturados por
uma molécula aceptora denominada nicotinamida adenina di-
nucleotídeo ou NAD. Moléculas de NAD+ (forma oxidada) são
convertidas em NADH (estado reduzido) ao capturarem elétrons
e íons H+ provenientes da quebra da glicose. Ao final da glicólise,
além do ácido pirúvico, são produzidas quatro moléculas de ATP
e duas de NADH para cada molécula de glicose degradada.
Representação esquemática da glicólise, primeira etapa da
respiração celular.
Glicose
Ácido pirúvico
Ácido pirúvico
ATP
ATP
ADP

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=======
Questão 2

2 ADP

=========================================================================
=======
Questão 2

2 ADP
ADP
Frutose 1,6 difosfato
P
P
P
P
P
P

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=======
Questão 2

2 Pi

=========================================================================
=======
Questão 2

2 NAD+

=========================================================================
=======
Questão 2

2
NADH
+ 2 H+
ATP

=========================================================================
=======
Questão 2
2
ATP

=========================================================================
=======
Questão 2

2
Ciclo de Krebs
As moléculas de ácido pirúvico produzidas na glicólise
entram na mitocôndria por meio de uma proteína transpor-
tadora e são transformadas em acetil-CoA. Essa fase, que an-
tecede o ciclo de Krebs, é conhecida como oxidação do ácido
pirúvico e depende de um complexo enzimático, a piruvato
desidrogenase, que catalisa três reações consecutivas:

o grupo carboxila do ácido pirúvico é oxidado e converti-
do em uma molécula de CO2;

a molécula de dois carbonos é oxidada e os elétrons são
transferidos ao NAD+, que é convertido em NADH;

====PAGE 46====

AULA 5: Metabolismo energético


Biologia • Frente 1

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Questão 548

548

a coenzima A (CoA) se liga à molécula intermediária de
dois carbonos e forma o acetil-CoA.
CAMPBELL, N. A. et al. Biology: a global approach.

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=======
Questão 12

12. ed. Harlow: Pearson, 2020.


Representação esquemática da oxidação do ácido pirúvico
Proteína
transportadora
Piruvato
Citosol
Mitocôndria
Acetil-CoA
NADH
CO2
Coenzima A
+ H+
NAD+
CoA
O acetil-CoA é fundamental ao ciclo de Krebs, cujo nome foi
dado em homenagem ao bioquímico alemão Hans Adolf Krebs
(1900-1981), que descreveu esse ciclo de reações químicas e foi
laureado pelo prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 1953.
O ciclo de Krebs começa com a reação entre o acetil-CoA
(com dois carbonos) e o ácido oxalacético (com quatro car-
bonos), ocorrendo liberação da coenzima A e formação do
ácido cítrico (seis carbonos). Como o ácido cítrico tem três
carboxilas e é o primeiro produto formado no ciclo de Krebs,
esse ciclo também é conhecido como ciclo do ácido cítrico ou
do ácido tricarboxílico. Durante o processo, o ácido cítrico e
as moléculas intermediárias sofrem desidrogenações e des-
carboxilações e, ao final, o ácido oxalacético é regenerado.
Ao longo das oito reações subsequentes à formação do
ácido cítrico, são produzidas moléculas de gás carbônico
(CO2), elétrons de alta energia e íons hidrogênio (H+). Os elé-
trons e os íons hidrogênio são capturados pelo NAD+, que se
transforma em NADH, e por outro aceptor, conhecido como
flavina-adenina dinucleotideo ou FAD, que se transforma em
FADH2. Ocorre também a produção de uma molécula de GTP
(guanosina trifosfato), que pode ser usada para regenerar
uma molécula de ATP.
Considerando que na glicólise são produzidas duas molé-
culas de ácido pirúvico, o rendimento total da oxidação dessas
moléculas em acetil-CoA e do ciclo de Krebs é de seis moléculas
de gás carbônico, dez de NADH, quatro de FADH2 e duas de ATP.
Representação esquemática das principais reações do ciclo de Krebs.
CAMPBELL, N. A. et al. Biology: a global approach. 12. [Link]:
Pearson, 2020.
CoA
CoA
Ácido cítrico
Ácido oxalacético
Ciclo de
Krebs
Molécula
intermediária
Acetil-CoA
Molécula
intermediária
Molécula
intermediária
Molécula
intermediária
NADH
CO2
CO2

=========================================================================
=======
Questão 1
1 H1
NADH
FADH2

=========================================================================
=======
Questão 1

1 H1
NADH

=========================================================================
=======
Questão 1

1 H1
ATP
NAD1
NAD1
ADP 1 Pi
NAD1
FAD1
Cadeia respiratória
A última etapa da respiração celular, conhecida como ca-
deia respiratória ou fosforilação oxidativa, ocorre nas cristas
mitocondriais. Nelas, moléculas de uma cadeia de transpor-
te de elétrons encontram-se ordenadas em uma sequência
crescente de afinidade por elétrons, provenientes do NADH e
FADH2. Muitas dessas moléculas são proteínas denominadas
citocromos, que formam complexos proteicos, numerados
de I a IV. Cada citocromo tem um grupo prostético, conheci-
do como grupo heme, formado por um átomo de ferro, que
recebe e transfere elétrons.
Cada complexo recebe os elétrons e os transfere com menos
energia para o complexo seguinte. As moléculas transportadoras
de elétrons passam do estado reduzido, quando recebem elé-
trons, para o estado oxidado, quando doam elétrons. O último ci-
tocromo da cadeia transfere os elétrons ao gás oxigênio (O2), que
atua como aceptor final. Cada oxigênio também se liga a um par
de íons hidrogênio (H+), formando uma molécula de água (H2O).
Nas cristas mitocondriais, encontra-se também a enzima ATP
sintase, que produz moléculas de ATP. Esse processo é conhecido
como fosforilação oxidativa, pois é adicionado um grupo fosfato
ao ADP, formando ATP em diversas reações sequenciais em que o
gás oxigênio é o último agente oxidante. A energia necessária para
a produção dessas moléculas surge da diferença de concentração
de íons H+ nos lados opostos da membrana interna da mitocôn-
dria, em um mecanismo chamado quimiosmose.
NADH
FADH₂
ADP 1 Pi
Cadeia transportadora de elétrons
Quimiosmose
Matriz
mitocondrial
Complexo
proteico
Espaço entre
as membranas
H₂O
FAD

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=======
Questão 1

1 ½ O₂

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=======
Questão 2

2
NAD1
ATP
sintase
Cit C
ATP
I
Q
II
III
IV
Representação da membrana interna da mitocôndria, des-
tacando a cadeia transportadora de elétrons e o mecanismo
de quimiosmose.
CAMPBELL, N. A. et al. Biology: a global approach. 12. ed. Harlow:
Pearson, 2020.
Saiba mais
Morte por cianetos
Os cianetos são compostos químicos que contêm o
grupo ciano. Essas moléculas se combinam de maneira
irreversível com o último citocromo da cadeia respirató-
ria, bloqueiam a passagem de elétrons pela cadeia e in-
terrompem a produção de energia, o que pode levar uma
pessoa à morte em apenas alguns minutos.

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AULA 5: Metabolismo energético


Biologia • Frente 1

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=======
Questão 549

549
Esses gases foram utilizados em campos de exter-
mínio durante a Segunda Guerra Mundial e em câmaras
de gás para a execução de condenados à pena de morte
nos Estados Unidos. No Brasil, a maioria das vítimas do
incêndio que ocorreu na boate Kiss, na cidade de Santa
Maria (RS), em 2013, intoxicou-se com cianetos libera-
dos pela queima da espuma do isolante acústico que re-
vestia as paredes da boate.
Ao longo da cadeia transportadora, a energia liberada
dos elétrons (provenientes do NADH e do FADH2), conhecida
como força eletromotiva, é utilizada para bombear íons H+
da matriz mitocondrial para o espaço entre as membranas
através dos complexos proteicos. O aumento da diferença de
concentração de H+ aumenta a tendência de esse íon retor-
nar à matriz mitocondrial por difusão, mas essa passagem
só acontece através da ATP sintase, um complexo proteico
que gira com a passagem de íons H+. Durante esse processo,
a energia potencial de difusão dos íons H+ é convertida em
energia mecânica e, na sequência, em energia química, ar-
mazenada na molécula de ATP. Nas bactérias aeróbicas, essa
força eletromotiva é criada em dobras da membrana plasmá-
tica ou entre citoplasma e espaço entre parede bacteriana e
membrana plasmática.
Atenção!
Alguns organismos procariontes realizam respiração
celular sem utilizar o gás oxigênio, processo conheci-
do como respiração anaeróbia. No lugar do gás oxigênio,
compostos inorgânicos retirados do ambiente, como
nitratos, sulfatos ou carbonatos, atuam como aceptores
finais de elétrons. As bactérias desnitrificantes, que
participam do ciclo do nitrogênio, são exemplos de
organismos que realizam esse processo.
Rendimento energético
Durante a respiração celular, a maior parte da energia
flui na sequência: glicose → NADH ou FADH2 → cadeia trans-
portadora de elétrons → ATP. Para cada molécula de glicose
oxidada, uma célula eucariótica consegue produzir cerca de

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Questão 32

32 moléculas de ATP.
Como vimos, a glicólise e o ciclo de Krebs resultam na
produção de duas moléculas de ATP em cada etapa. Já na ca-
deia transportadora de elétrons, cada molécula de NADH gera
energia suficiente para a produção de 2,5 ATP, enquanto cada
molécula de FADH2 gera energia para produzir 1,5 ATP.
Na respiração celular são produzidas, ao todo, dez molé-
culas de NADH, que geram energia para produzir 25 moléculas
de ATP, enquanto as duas moléculas de FADH2 geram energia
para produzir três moléculas de ATP. Portanto, o rendimento
da cadeia respiratória é de 28 ATP. Se somarmos essa quantia
às moléculas de ATP produzidas na glicólise e no ciclo de Krebs,
o rendimento total da respiração aeróbia é de 32 ATP.
Citosol
Mitocôndria

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=======
Questão 2

2 ATP

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=======
Questão 2

2 ATP

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=======
Questão 28

28 ATP
Ciclo de
Krebs
Cadeia
respiratória
Glicólise
Glicose Piruvato
Elétrons
carregados
via NADH e
FADH2
Elétrons
carregados
via NADH
Representação esquemática das três etapas da respiração aeróbia.
CAMPBELL, N. A. et al. Biology: a global approach. 12. ed. Harlow:
Pearson, 2020.
Fermentação
A fermentação é o processo bioquímico de produção de
energia de muitos organismos anaeróbios, como diversas
bactérias e fungos. Ela não usa oxigênio e não passa pelas
etapas do ciclo de Krebs e da cadeia transportadora de elé-
trons, como ocorre na respiração celular. Como a glicose não
é totalmente quebrada e oxidada, a fermentação não libera
toda a energia estocada nessa molécula.
Na fermentação, da mesma maneira que na respiração,
ocorre a glicólise, com formação de duas moléculas de áci-
do pirúvico, ATP e NADH. A diferença é que, na respiração,
os elétrons do NADH são transferidos para a cadeia
transportadora de elétrons, enquanto na fermentação esses
elétrons retornam ao ácido pirúvico ou a outras moléculas
formadas a partir dele. Esse mecanismo permite a recicla-
gem do NAD+, fundamental para a manutenção da glicólise.
Existem diversos tipos de fermentação, que diferem
quanto aos produtos formados a partir do ácido pirúvico.
Os dois tipos mais importantes e estudados são a
fermentação lática e a alcoólica, que apresentam grande
importância econômica, pois são utilizadas na produção
de alimentos e produtos industriais.
Fermentação lática
Na fermentação lática, o ácido pirúvico produzido na gli-
cólise é reduzido pelo NADH e forma uma molécula de áci-
do lático (ou lactato). Esse processo regenera o NAD+ sem
produzir gás carbônico (CO2) e é realizado por determinadas
bactérias, alguns fungos e pelas células musculares humanas.

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AULA 5: Metabolismo energético


Biologia • Frente 1

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Questão 550

550
C6H12O6

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Questão 2

2 C3H6O3 1
E
Glicose
Energia
Ácido lático
Equação química simplificada da fermentação lática.

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Questão 2

2 ácido
pirúvico

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=======
Questão 2

2 ácido
lático
Glicose
Glicólise

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=======
Questão 2

2 NADH

=========================================================================
=======
Questão 2

2 NAD1

=========================================================================
=======
Questão 2

2 ATP

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=======
Questão 1

1 2 H1

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=======
Questão 2

2 APD 1 2 Pi
Representação esquemática das reações químicas da
fermentação lática.
Desde a Antiguidade, a fermentação lática é largamente
utilizada para a produção de laticínios, como queijos, requei-
jões, coalhadas e iogurtes. Para a produção de iogurtes, por
exemplo, o leite desnatado é inoculado com uma mistura das
bactérias Streptococcus thermophilus e Lactobacillus delbrueckii.
Durante o processo, o estreptococo produz ácido lático a partir
da glicose e da galactose, promovendo a coagulação do leite.
Já os lactobacilos produzem substâncias que conferem cremo-
sidade, sabor e aroma característicos do iogurte.
As células musculares humanas também podem realizar a
fermentação lática para a produção de energia. No corpo hu-
mano, existem dois tipos de fibras musculares: as lentas e as
rápidas. As fibras musculares lentas têm muitas mitocôndrias e
obtêm energia principalmente por meio da respiração celular.
Já as fibras rápidas apresentam poucas mitocôndrias e realizam,
principalmente, fermentação lática para a produção de energia.
A atividade desses dois tipos de fibra depende da dispo-
nibilidade de oxigênio e da intensidade da atividade física. O
ácido lático produzido durante a atividade física é conduzido
para o fígado e transformado em ácido pirúvico, que é oxi-
dado e convertido em glicose, processo conhecido como gli-
coneogênese (do grego glykys, doce, e neo, novo; e do latim
genesis, origem).
Fermentação alcoólica
Na fermentação alcoólica, o ácido pirúvico é convertido
em acetaldeído, com liberação de gás carbônico (CO2). Na se-
quência, o acetaldeído é reduzido pelo NADH e forma uma
molécula de etanol (C2H5OH), regenerando o NAD+. Esse pro-
cesso é realizado por determinadas bactérias e pelas levedu-
ras (fungos unicelulares do gênero Saccharomyces).
C6H12O6

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=======
Questão 2

2 C2H5OH 1 2 CO2 1
E
Glicose
Etanol
Energia
Gás
carbônico
Equação química simplificada da fermentação alcoólica.

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=======
Questão 2

2 ácido
pirúvico

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=======
Questão 2

2 etanol

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=======
Questão 2

2 acetaldeído
Glicose
Glicólise

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=======
Questão 2

2 NADH

=========================================================================
=======
Questão 2

2 NAD1
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=======
Questão 2

2 ATP
+ 2 H1

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=======
Questão 2

2 CO2

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Questão 2

2 APD + 2 Pi
Representação esquemática das reações químicas da
fermentação alcoólica.
Há pelo menos 9 mil anos, a humanidade emprega leve-
duras na produção de pães, cervejas e vinhos. No caso dos
pães, a levedura Saccharomyces cerevisiae, também conhe-
cida como fermento biológico, transforma carboidratos da
massa em etanol e gás carbônico. Quando a massa é aque-
cida, as bolhas de gás em seu interior se dilatam, tornando a
massa leve e macia, e o etanol produzido pela fermentação
evapora durante o cozimento.
As leveduras da espécie Saccharomyces cerevisiae também
realizam a fermentação alcoólica dos açúcares produzidos pela
cana-de-açúcar. O etanol produzido pode ser utilizado como
combustível nos automóveis e para esterilização de ferimentos
e instrumentos cirúrgicos em ambiente hospitalar.
Muitas bebidas alcoólicas são produzidas pela fermen-
tação alcoólica dos açúcares de sementes e de frutos. Na
produção de vinho, leveduras são utilizadas para fermen-
tar o suco de uva; para a produção de cerveja, o substrato
utilizado é o malte, um germinado da semente de cevada;
e, na produção de saquê, um carboidrato da semente de
arroz sofre fermentação.
Atenção!
Leveduras são anaeróbias facultativas. Isso significa
que ambientes sem oxigênio oferecem a condição
fundamental para a produção de bebidas alcoólicas (como
cerveja e vinho). Na presença de oxigênio, as leveduras
realizam respiração celular, processo que produz água e
gás carbônico, sem que ocorra produção de etanol.

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AULA 5: Metabolismo energético


Biologia • Frente 1
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Questão 551

551
Fotossíntese
Um dos processos bioquímicos mais importantes para
a vida no planeta é a fotossíntese (do grego photos, luz, e
syntithenai, produzir). Nesse processo, ocorre a produção de
moléculas orgânicas a partir de moléculas inorgânicas, com a
conversão de energia luminosa em energia química, armaze-
nada nas moléculas produzidas.
A fotossíntese é realizada por diferentes grupos de seres
vivos, como cianobactérias, algas e plantas. A energia química
produzida pelo processo é utilizada pelos próprios organismos
fotossintetizantes e pelos outros seres vivos das teias alimentares.
Saiba mais
Experimento pioneiro sobre fotossíntese
Até o início do século XVII, acreditava-se que as
plantas retiravam do solo todos os nutrientes necessários
para a fotossíntese. Para testar essa hipótese, o químico
e médico belga Jan Baptist van Helmont (1580-1644)
cultivou uma muda de salgueiro de 2,3 kg em um vaso
com 90,8 kg de terra. Durante cinco anos, ele regou a
planta com água e, ao final do experimento, constatou
que ela estava com 77 kg, mas o solo havia sofrido pouca
alteração de massa. Van Helmont concluiu que o ganho de
massa da planta era devido apenas à absorção de água
do solo. Hoje, sabe-se que, além da água, esse ganho se
deve também ao gás carbônico, retirado da atmosfera.
Muda de salgueiro
com 2,3 kg

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Questão 90

90,8 kg
de terra

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Questão 77

77 kg

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Questão 90

90 kg
Planta adulta
Água
Representação esquemática do experimento pioneiro
de van Helmont sobre fotossíntese.
Na fotossíntese oxigênica, os reagentes utilizados são o
gás carbônico (CO2) e a água (H2O), enquanto os produtos
sintetizados são a glicose (C6H12O6) e o gás oxigênio (O2).

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Questão 6

6 CO2 1 6 H2O 1
E

C6H12O6 1 6 O2
Água
Glicose
Energia
luminosa
Gás
carbônico
Gás
oxigênio
Equação química da fotossíntese.
Origem do gás oxigênio na fotossíntese
Até o início do século passado, os cientistas acreditavam
que o gás oxigênio produzido na fotossíntese era derivado da
quebra do gás carbônico.
No entanto, em 1930, o bioquímico estadunidense
Cornelis Bernardus van Niel (1897-1985) verificou que sulfo-
bactérias, que realizam fotossíntese anoxigênica (ou seja, que
não produz oxigênio), consomem gás sulfídrico (H2S) em vez
de água e produzem glóbulos amarelos de enxofre no lugar de
gás oxigênio.

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Questão 6

6 CO2 1 12 H2S 1
E

C6H12O6 1 12 S 1 6
H2O
Gás
sulfídrico
Glicose
Enxofre
Água
Energia
luminosa
Gás
carbônico
Equação química da fotossíntese anoxigênica, realizada
pelas sulfobactérias.
Van Niel propôs que, no processo realizado pelas sulfobac-
térias, o gás sulfídrico fornece o hidrogênio utilizado na síntese
de açúcares e que a água desempenha esse papel no processo
realizado pelas plantas. No entanto, em vez de produzir enxo-
fre, como as sulfobactérias, as plantas produzem gás oxigênio
a partir da água. Isso fez cair a ideia, predominante na época,
de que o gás oxigênio origina-se do gás carbônico.
Em 1941, cientistas da Universidade de Berkeley
(Estados Unidos) realizaram experimentos que confirmaram
a hipótese de van Niel sobre a origem do gás oxigênio na fo-
tossíntese, utilizando um isótopo pesado do oxigênio (18O).
Os resultados demonstraram que, quando as plantas eram
regadas com água formada pelo isótopo, elas produziam gás
oxigênio contendo esse isótopo, o que não ocorria quando
era o gás carbônico que continha o isótopo.

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Questão 6

6 CO2 1 12 H2O 1
E

C6H12O6 1 6 O2 1 6 H2O

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=======
Questão 6

6 CO2 1 12 H2O 1
E

C6H12O6 1 6 O2 1 6 H2O
Água
Água
Glicose
Glicose
Água
Água
Energia
luminosa
Energia
luminosa
Gás
carbônico
Gás
carbônico
Gás
oxigênio
Gás
oxigênio
Experimento 2 (gás carbônico com 18O):
Experimento 1 (água com 18O):
Equações químicas da fotossíntese oxigênica utilizando isóto-
pos pesados do oxigênio para verificar a origem do gás oxigênio
na fotossíntese.
Cloroplastos
Nas plantas terrestres, a fotossíntese ocorre apenas
no interior dos cloroplastos, organelas exclusivas de algas e
plantas. Em algumas algas e nas briófitas, cada célula tem
apenas um ou poucos cloroplastos grandes, enquanto nas
demais algas e plantas os cloroplastos são pequenos e nume-
rosos (cerca de 40 por célula).

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AULA 5: Metabolismo energético


Biologia • Frente 1

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Questão 552

552
Cada cloroplasto é delimitado por um envoltório forma-
do por duas membranas lipoproteicas: uma externa e outra
interna. O interior do cloroplasto é preenchido por um fluido
semelhante ao citosol, denominado estroma, na qual são en-
contrados ribossomos semelhantes aos das cianobactérias,
vários tipos de enzima, RNA, grãos de amido e moléculas cir-
culares de DNA.
DNA
Membrana
externa
Membrana
interna
Ribossomos
Tilacoides
Granum
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Aldona Griskeviciene/[Link]
Estroma
Representação esquemática de um cloroplasto, organela
responsável pela fotossíntese.
Dentro do cloroplasto existe um complexo membranoso
lipoproteico formado por bolsas achatadas denominadas tila-
coides (do grego thylakos, saco), nas quais se concentram os
pigmentos fotossintéticos. Os tilacoides estão organizados em
estruturas semelhantes a pilhas de moedas. Cada pilha de tila-
coides é denominada granum (do latim, grão) e o conjunto de-
las é conhecido como grana. As membranas que comunicam
os grana são denominadas lamelas ou intergrana. As cavidades
internas dos tilacoides estão em comunicação direta, constituin-
do um compartimento único, denominado lúmen.
De acordo com a teoria endossimbiótica, os cloroplastos
são organelas que surgiram a partir de bactérias, provavel-
mente do grupo das cianobactérias, que foram englobadas
por células eucarióticas primitivas, estabelecendo com elas
uma relação de mutualismo.
Membranas
Granum
Tilacoides
Estroma
Lamelas
Eletromicrografia de transmissão (cores artificiais) de cloroplas-
to, com destaque para as membranas, lamelas, tilacoides
e estroma (as lamelas têm cerca de 10 nm de espessura).
Pigmentos fotossintéticos
Para haver fotossíntese, é necessário que ocorra a absorção
de luz solar pelos pigmentos fotossintéticos dos cloroplastos.
Esses pigmentos são capazes de absorver apenas alguns com-
primentos de onda da luz, refletindo os demais, e a cor do pig-
mento é determinada pela luz refletida por ele. Por exemplo,
a clorofila é verde porque reflete a luz verde e absorve os
comprimentos de onda de outras cores, como azul e verme-
lho, nos quais as taxas fotossintéticas são maiores.
O principal pigmento fotossintético presente em todos
os eucariontes fotossintetizantes, indispensável para a fotos-
síntese, é a clorofila (do grego chloros, verde). Existem vários
tipos de clorofila, com pequenas diferenças na estrutura mo-
lecular. Os principais são:

clorofila a: encontrada em todos os fotossintetizantes
oxigênicos;

clorofila b: encontrada em plantas, algas verdes e
euglenófitas;

clorofila c: encontrada em dinoflagelados, diatomáceas
e algas pardas;

clorofila d: encontrada apenas em algas vermelhas.
Além das clorofilas, há também pigmentos acessórios,
que estão envolvidos na absorção de luz durante a fotos-
síntese e na fotoproteção, pois essas moléculas dissipam o
excesso de energia luminosa que poderia danificar as molé-
culas de clorofila. Entre esses pigmentos, pode-se destacar
os carotenoides (como os carotenos e as xantofilas, encon-
trados na maioria dos eucariontes fotossintetizantes) e as fi-
cobilinas (como a ficocianina e a ficoeritrina, encontradas em
cianobactérias e algas vermelhas).
Os pigmentos absorvem melhor diferentes comprimen-
tos de onda da luz. O gráfico que indica a quantidade de luz
que um pigmento absorve em cada comprimento de onda é
denominado espectro de absorção.
No caso da clorofila a, os comprimentos de onda mais
absorvidos são o vermelho e o azul, indicando que a fotossín-
tese ocorre mais intensamente nessas faixas de luz. O gráfico
do espectro de ação demonstra essa relação.
Espectro de absorção dos pigmentos fotossintéticos
Quantidade de luz absorvida
Comprimento de onda da luz (nm)

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=======
Questão 400

400

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Questão 500

500

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Questão 600

600

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Questão 700

700
Clorofila a
Clorofila b
Carotenoides
HILLIS, D. M. et al. Life: the Science of Biology. 12. ed.
Nova York: W. H. Freeman and Company, 2020.

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AULA 5: Metabolismo energético


Biologia • Frente 1

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Questão 553

553
HILLIS, D. M. et al. Life: the Science of Biology. 12. ed.
Nova York: W. H. Freeman and Company, 2020.
Espectro de ação dos comprimentos de onda da luz
Taxa de fotossíntese
Comprimento de onda da luz (nm)

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Questão 400

400

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Questão 500

500

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Questão 600

600

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Questão 700

700
Saiba mais
Espectro de ação: experimento de Engelmann
O primeiro cientista a medir o espectro de ação na
fotossíntese foi o botânico e citologista alemão Theodor
Wilhelm Engelmann (1843-1909). Em 1883, ele realizou
um experimento para verificar em quais comprimentos
de onda da luz a fotossíntese é mais intensa. Ele utilizou
um prisma para desmembrar a luz solar em um espectro,
que incidia sobre uma alga verde filamentosa presa a uma
lâmina de microscopia. Em seguida, uma população de
bactérias aeróbias obrigatórias foi introduzida na lâmina.
A hipótese era que as bactérias se concentrariam nas re-
giões com maior taxa fotossintética, pois a produção e o
fornecimento de gás oxigênio seriam maiores.
Como resultado do experimento, Engelmann obser-
vou que as bactérias se agrupavam principalmente nas
regiões da alga iluminadas pelas luzes violeta e vermelha.
O cientista concluiu, assim, que nesses comprimentos de
onda a fotossíntese ocorria mais intensamente. O espec-
tro de ação de Engelmann forneceu as primeiras evidên-
cias sobre a eficiência da luz absorvida pelos pigmentos no
processo de fotossíntese.
Comprimento de onda da luz (nm)
karatay/[Link]
Representação esquemática do experimento que
investigou a eficiência dos diferentes comprimentos
da luz na fotossíntese.
Etapas da fotossíntese
Apesar de ser representado de maneira simplifica-
da por uma equação química única, o processo total da
fotossíntese pode ser dividido em duas etapas: a foto-
química e a química. Na etapa fotoquímica, que ocorre
nos tilacoides, a energia luminosa é necessária para as
reações químicas. A etapa química ocorre no estroma, e
a energia luminosa não é diretamente necessária para as
reações químicas.
Representação esquemática do cloroplasto, indicando reagentes
e produtos das etapas fotoquímica e química da fotossíntese.
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
H2O
Estroma
NADPH
Glicose
ATP
O2
Tilacoide
NADP1
ADP 1 P
CO2
Cloroplasto
Ciclo de
Calvin-
-Benson
Etapa
fotoquímica
Aldona Griskeviciene/[Link]
Etapa fotoquímica
Na etapa fotoquímica da fotossíntese, também co-
nhecida como etapa luminosa ou de claro, a energia
luminosa captada pelos pigmentos é transformada em
energia química, armazenada nas moléculas de ATP e
NADPH sintetizadas.
Nos cloroplastos das plantas, os pigmentos fotossintéti-
cos (clorofilas e carotenoides) encontram-se nos tilacoides
e estão associados a determinadas proteínas, formando um
fotossistema, no qual os pigmentos estão organizados em
um conjunto denominado complexo de antena, que capta
e canaliza a energia luminosa. Esse complexo se arranja ao
redor do centro de reações, uma estrutura composta de
um par especial de moléculas de clorofila a e um aceptor
primário de elétrons. Quando excitadas pela energia lumi-
nosa, as moléculas de clorofila a liberam elétrons, que são
captados pelo aceptor primário e depois passam por uma
cadeia de transporte, semelhante àquela encontrada nas
mitocôndrias. O aceptor final de elétrons dessa cadeia é a
nicotinamida adenina dinucleotideo fosfato, ou NADP+, que
se transforma em NADPH ao receber dois elétrons.
HILLIS, D. M. et al. Life: the Science of Biology. 12. ed. Nova York: W.
H.
Freeman and Company, 2020.

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AULA 5: Metabolismo energético
Biologia • Frente 1

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Questão 554

554
Existem dois tipos de fotossistemas (I e II), que dife-
rem na capacidade de absorção de luz pelas moléculas
de clorofila a.
Membrana
do tilacoide
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Luz solar
Complexo
de antena
Centro de
reações
Aceptor primário
de elétrons
Pigmentos
fotossintéticos
Transferência
de energia
Clorofila a
W.Y. Sunshine/[Link]
Representação esquemática de um fotossistema, estrutura
encontrada na membrana dos tilacoides.
No fotossistema I, cada clorofila a absorve melhor
os comprimentos de onda de 700 nm, situados na parte
vermelha do espectro. Por esse motivo, esse fotossiste-
ma também é conhecido como P700. Já no fotossistema II,
também chamado de P680, cada clorofila a absorve me-
lhor os comprimentos de onda de 680 nm, também situa-
dos na parte vermelha do espectro.
Na etapa fotoquímica, ocorre a fotólise da água, pro-
cesso em que uma molécula de água é quebrada em dois
íons hidrogênio (H1), dois elétrons e um átomo de oxigê-
nio. Os elétrons provenientes da água são captados pelas
moléculas de clorofila a do fotossistema II. O átomo de
oxigênio se liga a outro proveniente da quebra de outra
molécula de água e forma o gás oxigênio (O2). Os íons hi-
drogênio são captados pelo NADP1 e formam o NADPH,
que transporta o hidrogênio a ser utilizado na etapa quí-
mica para a produção de moléculas orgânicas.
Assim como ocorre nas mitocôndrias, a energia ele-
tromotiva é utilizada para bombear íons hidrogênio (H+)
do estroma para o interior do tilacoide. Com o aumento
da diferença de concentração, esses íons tendem a vol-
tar ao estroma por difusão. No entanto, essa passagem só
ocorre através da proteína ATP sintase, semelhante àquela
encontrada nas mitocôndrias.
Durante a passagem pela ATP sintase, a energia po-
tencial de difusão dos íons H1 é convertida em energia
mecânica (pela rotação da ATP sintase) e, em seguida, em
energia química, na ligação entre ADP e fosfato. Esse me-
canismo, que utiliza o gradiente de concentração de íons
hidrogênio para a produção de ATP, é conhecido como qui-
miosmose. Outro termo utilizado para se referir à produ-
ção de ATP é fotofosforilação, já que a fosforilação (adição
de fosfato ao ADP) depende da energia luminosa.
H₂O
Fotossistema I
ATP
NADPH
NADP1
Fotossistema II
Estroma
Luz
Luz
Lúmen do
tilacoide

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Questão 1

1 ½

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Questão 2

2
Cadeia transportadora de elétrons
Quimiosmose
ADP 1 P
ATP
sintase
P700
P680
Representação esquemática da cadeia transportadora de elétrons, dos
fotossistemas e da ATP sintase na membrana do tilacoides.
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
CAMPBELL, N. A. et al. Biology: a global approach. 12. ed. Harlow:
Pearson, 2020.
====PAGE 53====

AULA 5: Metabolismo energético


Biologia • Frente 1

=========================================================================
=======
Questão 555

555
Etapa química
Na etapa química da fotossíntese, também conhecida
como etapa de escuro, ocorre a fixação do carbono provenien-
te do CO2 atmosférico, com a utilização de moléculas produzi-
das na etapa fotoquímica (ATP e NADPH). A fixação do carbono
ocorre em uma série de reações químicas que constituem o ci-
clo das pentoses, mais conhecido como ciclo de Calvin-Benson,
uma homenagem ao bioquímico Melvin Calvin (1911-1997) e
ao biólogo Andrew Benson (1917-2015), ambos estaduniden-
ses. Esses cientistas utilizaram o carbono-14 como marcador
para descrever o percurso completo desse elemento químico
na fotossíntese, desde sua entrada como gás carbônico até sua
conversão em carboidratos e outros compostos orgânicos.
O ciclo de Calvin-Benson pode ser dividido em três fases:

=========================================================================
=======
Questão 1

1. Fixação do carbono (carboxilação): três moléculas de


CO2 reagem com três moléculas de ribulose-1,5-bifos-
fato, formando três moléculas de 3-fosfoglicerato. Essa
reação é catalisada pela enzima rubisco.
Rubisco
Ciclo de
Calvin-Benson

=========================================================================
=======
Questão 3

3
ATP
Entrada
Rendimento

=========================================================================
=======
Questão 6

6
ATP
=========================================================================
=======
Questão 3

3
NADPH

=========================================================================
=======
Questão 6

=========================================================================
=======
Questão 6

6 ADP

=========================================================================
=======
Questão 3

3 ADP

=========================================================================
=======
Questão 6

6 NADP+
P

=========================================================================
=======
Questão 6

6
i

=========================================================================
=======
Questão 1

1,3-Difosfoglicerato

=========================================================================
=======
Questão 3

3-Fosfoglicerato
Composto
intermediário
Ribulose-1,5-bifosfato
(RuBP)
Gliceraldeído-3-fosfato
(G3P)
Glicose e outros
compostos orgânicos
G3P
Gliceraldeído-3-fosfato
(G3P)
CO2

=========================================================================
=======
Questão 3

3
P
P

=========================================================================
=======
Questão 6

6
P

=========================================================================
=======
Questão 6

6
P
P
P

=========================================================================
=======
Questão 3

3
P
P

=========================================================================
=======
Questão 1

=========================================================================
=======
Questão 5

5
P
=========================================================================
=======
Questão 6

6
P

=========================================================================
=======
Questão 2

2. Redução: são utilizadas seis moléculas de ATP e seis mo-


léculas de NADPH para a redução das seis moléculas de

=========================================================================
=======
Questão 3

3-fosfoglicerato, que se transformam em seis moléculas


de gliceraldeído-3-fosfato (G3P). Dessas moléculas, cinco
serão utilizadas na fase de regeneração e uma sai do ciclo.

=========================================================================
=======
Questão 3

3. Regeneração: o ciclo é finalizado quando as cinco molé-


culas de G3P são utilizadas para a regeneração de três
moléculas de ribulose-1,5-bifosfato em uma série de re-
ações químicas que consomem três moléculas de ATP.
Se considerarmos a utilização de seis moléculas de gás
carbônico na equação química da fotossíntese, teremos de
considerar a duplicação desse ciclo. Dessa forma, na etapa
química são produzidas duas moléculas G3P e são consumi-
das seis moléculas de gás carbônico, 18 moléculas de ATP e

=========================================================================
=======
Questão 12

12 moléculas de NADPH. As moléculas de G3P produzidas no


ciclo de Calvin-Benson são utilizadas como matéria-prima de
rotas metabólicas que sintetizam outros compostos orgâni-
cos, incluindo glicose, sacarose e amido.
Representação esquemática do ciclo de Calvin-Benson, etapa química da
fotossíntese.
NELSON, D. L.; COX, M. M. Princípios de Bioquímica de Lehninger. 7. ed.
Porto Alegre: Artmed, 2019.
Atenção!
Apesar de ser indicada na equação química, a glicose não é o produto
final da fotossíntese. A molécula produzida no
ciclo de Calvin-Benson é o gliceraldeído-3-fosfato (G3P).
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AULA 5: Metabolismo energético


Biologia • Frente 1

=========================================================================
=======
Questão 556

556
Fisiologia da fotossíntese
Alguns fatores ambientais regulam a taxa de fotossíntese
e podem limitá-la caso não estejam disponíveis em quanti-
dades ideais para as plantas. Entre esses fatores, podem-se
citar a intensidade luminosa, a concentração de gás carbôni-
co, a temperatura ambiente, a quantidade de água e a dispo-
nibilidade de minerais.
Alguns desses fatores podem ser considerados limitan-
tes quando fornecidos em menor intensidade, impedindo o
desempenho completo da fotossíntese. Considere um exem-
plo no qual a intensidade de luz fornecida seja menor que a
ideal. Nesse caso, o aumento da intensidade luminosa pro-
moverá aumento na taxa de fotossíntese, mas o aumento dos
outros fatores não terá o mesmo efeito, tendo em vista que
já foram fornecidos em condições ideais.
A seguir serão estudados alguns dos fatores mais impor-
tantes na regulação do processo de fotossíntese nas plantas.
Influência da luz
A luz é essencial para a fotossíntese, pois é a fonte de
energia para a realização da etapa fotoquímica. Se uma planta
for mantida no escuro, a taxa de fotossíntese será nula, já que
a etapa química depende da ocorrência da etapa fotoquímica.
Se uma planta receber todos os outros fatores em in-
tensidades ideais, à medida que a intensidade luminosa au-
menta, ocorre um aumento na taxa de fotossíntese, até que
se atinja o chamado ponto de saturação luminosa. A partir
desse ponto, a taxa de fotossíntese fica constante, pois os
fotossistemas encontram-se sobrecarregados.
Influência da luz na taxa de fotossíntese
Taxa de fotossíntese
Ponto de saturação
luminosa
Intensidade luminosa
Influência do gás carbônico
O gás carbônico é um dos reagentes das reações do ciclo de
Calvin-Benson e, por isso, é essencial à ocorrência da fotossíntese.
Se uma planta receber todos os outros fatores em inten-
sidades ideais, o aumento na concentração de gás carbônico
na atmosfera promove elevação na taxa de fotossíntese até
atingir o ponto de saturação de gás carbônico.
A partir desse ponto, a taxa de fotossíntese não aumen-
ta, já que todas as enzimas, como a rubisco, estão sendo apli-
cadas na fixação desse gás.
Influência do gás carbônico na taxa de fotossíntese
Concentração de CO2
Ponto de saturação
de CO2
Taxa de fotossíntese
Influência da temperatura
A temperatura influencia a fase química da fotossín-
tese, já que afeta o desempenho das enzimas que parti-
cipam do ciclo de Calvin-Benson. Na fase fotoquímica, as
reações dependem da energia luminosa, e a temperatura
é pouco relevante.
Em temperaturas baixas, a taxa de fotossíntese é reduzi-
da devido ao baixo desempenho enzimático na fase química.
O aumento da temperatura promove aumento da atividade
das enzimas até atingir a temperatura ótima, na qual a taxa
da fotossíntese é máxima. Acima dessa temperatura, ocorre
a redução na taxa fotossintética, pois o calor excessivo pro-
move a desnaturação enzimática.
Influência da temperatura na taxa de fotossíntese
Temperatura
Temperatura ótima
Taxa de fotossíntese
Relação entre fotossíntese e
respiração vegetal
As plantas realizam dois processos bioquímicos antagôni-
cos e complementares: respiração aeróbica e fotossíntese. Na
respiração celular vegetal, que conta com a participação das
mitocôndrias, ocorre o consumo de carboidratos e gás oxigê-
nio, com produção de gás carbônico e água. Já na fotossíntese,
que ocorre nos cloroplastos, há consumo de gás carbônico e
água, e produção de oxigênio e moléculas orgânicas.

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AULA 5: Metabolismo energético


Biologia • Frente 1

=========================================================================
=======
Questão 557

557
Aldona Griskeviciene/[Link]
Cloroplasto
Mitocôndria
Fotossíntese
Respiraçã
aeróbia
ATP
CO2 1 H2O
C6H12O6 1 O2
Respiração
aeróbia
Representação esquemática da relação entre a fotossíntese e a
respiração, processos antagônicos e complementares realiza-
dos pelas plantas.
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Em intensidades luminosas muito baixas, a taxa de fo-
tossíntese é menor que a de respiração. Isso significa que o
consumo de matéria orgânica e oxigênio está maior do que
a sua produção. Se uma planta for mantida por muito tempo
nessas condições, ela consumirá todas as suas reservas ener-
géticas e poderá morrer.
Cada planta tem um determinado ponto de compensa-
ção luminosa (PCL), também conhecido como ponto de com-
pensação fótico, que representa a intensidade luminosa na
qual a taxa de fotossíntese é igual à de respiração. Se uma
planta for mantida nesse ponto por tempo indeterminado,
ela conseguirá sobreviver, mas não conseguirá crescer e se
reproduzir, já que toda a matéria orgânica produzida na fo-
tossíntese é consumida na respiração.
Relação entre taxas de fotossíntese e de respiração
Taxa dos processos
Intensidade luminosa
PCL
Fotossíntese
Respiração
Para que uma planta possa crescer e se reproduzir, ela
deve ser submetida a uma intensidade luminosa superior ao
seu ponto de compensação luminosa. Nessa condição, a taxa
de fotossíntese supera a de respiração. Assim, os carboidra-
tos que não são consumidos na respiração serão utilizados na
produção de novas folhas, ramos, flores, frutos e sementes.
A matéria orgânica excedente também poderá ser utilizada
para a produção de reservas de amido.
Com relação ao ponto de compensação luminosa, exis-
tem dois tipos de plantas: heliófilas e umbrófilas. As plantas
heliófilas (do grego helios, sol, e philos, afinidade) têm um
ponto de compensação luminosa alto e, por isso, precisam
de altas intensidades luminosas para se manter. Como exem-
plos, pode-se citar as árvores altas de uma floresta e as gra-
míneas. Já as plantas umbrófilas (do grego umbra, sombra,
e philos, afinidade) têm ponto de compensação luminosa
baixo e sobrevivem em baixas intensidades luminosas. Esse
é o caso de muitas orquídeas e diversas ervas que vivem no
interior de florestas densas.
Taxas de fotossíntese e respiração de
plantas umbrófilas e heliófilas
Taxa dos processos
Intensidade luminosa
Respiração
PCL
(umbrófila)
PCL
(heliófila)
Fotossíntese
(heliófila)
Fotossíntese
(umbrófila)
Quimiossíntese
Alguns organismos autótrofos, como certas bactérias e ar-
queas, obtêm energia para a produção de moléculas orgânicas
por meio de reações de oxidação de moléculas inorgânicas sim-
ples. Esse processo bioquímico é denominado quimiossíntese.
A quimiossíntese pode ser dividida em duas etapas. Na pri-
meira, ocorre a oxidação de uma molécula inorgânica (que contém
enxofre, ferro ou nitrogênio) e a produção de uma molécula oxi-
dada, liberando energia sob a forma de ATP. Na segunda etapa,
ocorre a fixação do carbono e a produção de compostos orgâni-
cos que serão utilizados no metabolismo dos organismos.
1a etapa
2a etapa
Molécula inorgânica
Molécula oxidada
CO2 1 H2O
Moléculas orgânicas
E
Representação das duas etapas envolvidas na quimiossíntese.

====PAGE 56====

AULA 5: Metabolismo energético


Biologia • Frente 1

=========================================================================
=======
Questão 558

558
Como exemplo de organismos quimiossintetizantes, des-
tacam-se as bactérias nitrificantes, que participam do ciclo
do nitrogênio. As bactérias nitrosas, como as do gênero Ni-
trosomonas, obtêm energia da oxidação do amônio a nitrito,
processo conhecido como nitrosação. Já as bactérias nítri-
cas, como as do gênero Nitrobacter, obtêm energia da oxida-
ção do nitrito a nitrato, processo conhecido como nitratação.
A energia liberada nessas reações químicas é utilizada pelas
bactérias para a produção de moléculas orgânicas.
NH +

=========================================================================
=======
Questão 4

4
NO –
=========================================================================
=======
Questão 2

2 1
E
NO –

=========================================================================
=======
Questão 2

2
NO –

=========================================================================
=======
Questão 3

3 1
E
Nitrito
Nitrato
Amônio
Nitrito
Equações químicas simplificadas da nitrosação (acima) e da
nitratação (abaixo).
Outro exemplo são as arqueas metanogênicas, que vivem
em ambientes anaeróbios, como camadas de gelo, fontes hi-
drotermais submarinas, pântanos, charcos, campos de cultivo
de arroz e no sistema digestório de herbívoros (bois, ovelhas e
cupins). Esses organismos obtêm energia da reação entre gás
hidrogênio e gás carbônico, produzindo água e gás metano.

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=======
Questão 4

4 H2 1 CO2

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=======
Questão 2

2 H2O 1 CH4 1
E

Água
Gás
hidrogênio
Gás
carbônico
Gás
metano
Equação química simplificada da produção de metano por
arqueas metanogênicas.
Saiba mais
As bactérias metanotróficas formam um grupo
fisiologicamente distinto, uma vez que são capazes de utilizar
o gás metano como fonte de energia e de carbono em seu
metabolismo. Esses organismos são fundamentais para o
ciclo do carbono e para a mitigação do aquecimento global,
pois diminuem a concentração de metano na atmosfera,
um potente gás de efeito estufa. A oxidação do gás
metano fornece tanto a energia quanto o carbono
utilizados na produção de compostos orgânicos.
CH4 1 2 O2
CO2 1 2 H2O 1
E

Água
Gás
metano
Gás
oxigênio
Gás
carbônico
Equação química simplificada do uso do gás metano para
fornecimento de energia no metabolismo de bactérias
metanotróficas.

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=======
Questão 1

1 Enem 2020 O cultivo de células animais transformou-


-se em uma tecnologia moderna com inúmeras aplicações,
dentre elas testes de fármacos visando o desenvolvimento
de medicamentos. Apesar de os primeiros estudos datarem de
1907, o cultivo de células animais alcançou sucesso na década
de 1950, quando Harry Eagle conseguiu definir os nutrientes
necessários para o crescimento celular.
Componentes básicos para manutenção
celular em meio de cultura
H2O
Fonte de carbono
Elementos inorgânicos
Aminoácidos
Vitaminas
Antibióticos
Indicadores de pH
Soro
CASTILHO, L. Tecnologia de biofármacos. São Paulo, 2010
Qual componente garante o suprimento energético para
essas células?
A
H2O.
B
Vitaminas.
C
Fonte de carbono.
D
Indicadores de pH.
E
Elementos inorgânicos.

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=======
Questão 2

2 UPF-RS 2020 O ATP (adenosina trifosfato) é a principal


fonte de energia química disponível para o metabolismo ce-
lular, uma vez que sua hidrólise é altamente exergônica. Em
células eucariotas, o ATP é produzido:
A
no núcleo e nos ribossomos.
B
nos cloroplastos e nos ribossomos.
C
nas mitocôndrias e nos ribossomos.
D
no núcleo e nas mitocôndrias.
E
nas mitocôndrias e nos cloroplastos.

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=======
Questão 3

3 Enem 2023 Há muito tempo são conhecidas espécies de


lesmas-do-mar com uma capacidade ímpar: guardar parte da
maquinaria das células das algas que consomem – os cloroplas-
tos – e mantê-los funcionais dentro das suas próprias células,
obtendo assim parte do seu alimento. Investigadores portugue-
ses descobriram que essas lesmas-do-mar podem ser mais efi-
cientes nesse processo do que as próprias algas que consomem.
Disponível em: [Link]. Acesso em: 10 fev. 2015 (adaptado).

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AULA 5: Metabolismo energético


Biologia • Frente 1

=========================================================================
=======
Questão 559

559
Essa adaptação confere a esse organismo a capacidade de
obter primariamente:
A
ácidos nucleicos.
B
carboidratos.
C
proteínas.
D
vitaminas.
E
lipídios.

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=======
Questão 4

4 UCS-RS 2021 Pesquisas recentes têm demonstrado que


alguns tipos de agroquímicos, utilizados contra certos inse-
tos, podem afetar a cadeia de transporte de elétrons na mito-
côndria, influenciando o processo de uso de substratos para
a geração de energia nas células, o que, consequentemente,
impediria a produção adequada de energia. Infelizmente, es-
ses agroquímicos não distinguem as mitocôndrias dos inse-
tos das mitocôndrias dos humanos. Em relação ao processo
de bioenergética celular, é correto afirmar que
A
a primeira etapa do processo de utilização de glicose
para a geração de energia é a quebra aeróbica da glicose
em duas moléculas de ácido pirúvico.
B
a respiração celular, a partir da quebra da glicose, gera a
energia que é armazenada como ATP e, como resíduos,
moléculas de água e de gás oxigênio.
C
a fase anaeróbica da glicólise é mais eficiente em termos
de geração de ATP do que a fase aeróbica da glicólise.
D
o ciclo do ácido cítrico tem esse nome devido ao início do
processo de quebra da glicose, ainda fora da mitocôndria,
onde ocorre a formação de ácido cítrico e de acetil-CoA.
E
a adição do fosfato na molécula de ADP para formar o
ATP é uma reação de fosforilação e, por isso, o processo
de produção de ATP na mitocôndria é chamado de fosfo-
rilação oxidativa.

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=======
Questão 5

5 UFJF/Pism-MG 2019 Um dos primeiros cientistas a se preo-


cupar com a luz no fenômeno da fotossíntese foi o alemão T. W.
Engelmann, o qual provou que a clorofila absorve determinados
comprimentos de onda da luz branca. Em 1881, utilizando-se de
uma alga (Cladophora) e de bactérias aeróbias que procuram
altas concentrações de oxigênio, Engelmann pôde constatar
que, através da decomposição da luz incidida em um peque-
no filamento da alga, havia maior ou menor concentração de
bactérias, dependendo das cores do espectro. Ele concluiu que,
em determinados comprimentos de onda, a fotossíntese era
mais intensa, pois onde havia maior quantidade de oxigênio,
havia maior concentração de bactérias. Isso mostra que a fotos-
síntese possui um “espectro de ação” dependente dos diferentes
comprimentos de onda da luz branca.
(ALMEIDA et al. Leitura e escrita em aulas de ciências: luz, calor
e fotossíntese nas mediações escolares. Florianópolis: Letras
Contemporâneas, 2008. p. 95-96.)
A partir do experimento descrito, em qual das cores do es-
pectro Engelmann identificou menor concentração de bac-
térias?
A
Violeta.
B
Azul-arroxeada.
C
Verde.
D
Laranja.
E
Vermelho.

=========================================================================
=======
Questão 6

6 PUC-RS 2020 Analise o gráfico em que x corresponde ao


ponto de compensação fótico.
Quantidade de CO2
A
B
X
Intensidade luminosa
Curva de absorção
de CO2
Curva de produção
de CO2
I.
a curva de absorção de CO2 corresponde à fotossíntese.
II.
a curva de produção de CO2 condiz com a respiração celular.
III. plantas acima do ponto de compensação fótico tendem
a incorporar biomassa.
Estão corretas as afirmativas
A
I e II, apenas.
B
I e III, apenas.
C
II e III, apenas.
D
I, II e III.

====PAGE 58====

AULA 5: Metabolismo energético


Biologia • Frente 1

=========================================================================
=======
Questão 560

560

=========================================================================
=======
Questão 1

1 UCS-RS 2020 As células eucarióticas possuem uma série


de organelas, entre elas, as mitocôndrias e os cloroplastos.
As funções dessas duas organelas estão relacionadas com
processos de obtenção e transformação de energia. Diante
disso, é correto afirmar que
A
ambas as organelas são delimitadas por uma bicamada
lipídica, com a mesma composição proteica e lipídica da
membrana plasmática da célula.
B
as mitocôndrias surgem exclusivamente por autoduplicação,
enquanto os cloroplastos se multiplicam por brotamento.
C
a função das mitocôndrias é a respiração anaeróbia, que
resulta na produção de ATP.
D
o pigmento mais abundante no interior dos cloroplastos
é a clorofila, responsável por captar a luz solar que será a
energia necessária para o processo de fotossíntese.
E
as mitocôndrias, assim como os cloroplastos, possuem
semelhanças com organismos bacterianos e, devido a es-
sas semelhanças, são consideradas peças-chave na teoria
abiogênica da origem da vida.

=========================================================================
=======
Questão 2

2 Unioeste-PR 2020 As mitocôndrias são organelas presen-


tes no citoplasma das células eucarióticas e estão envolvidas
no processo de síntese de ATP por meio da respiração ae-
róbica, processo este que pode ser dividido em três etapas:
glicólise, ciclo de Krebs e cadeia respiratória. Considerando a
estrutura das mitocôndrias e o processo de respiração aeró-
bica, assinale a alternativa CORRETA.
A
O DNA mitocondrial codifica todas as proteínas necessá-
rias para a manutenção e função da organela, possibilitan-
do assim total independência do genoma nuclear.
B
As cristas mitocondriais são projeções da membrana mi-
tocondrial interna nas quais estão localizados os compo-
nentes da cadeia respiratória e o complexo enzimático
responsável pela síntese de ATP.
C
A glicólise ocorre no interior da matriz mitocondrial e
consiste na degradação da molécula de glicose até a
formação de ácido pirúvico, com saldo líquido de duas
moléculas de ATP.
D
A quantidade de mitocôndrias nos diferentes tipos celula-
res é constante e a distribuição dessas organelas no cito-
plasma ocorre totalmente ao acaso.
E
A cadeia respiratória é a etapa de maior rendimento
energético, na qual o ácido pirúvico é oxidado até se for-
marem água e gás carbônico e é um processo exclusivo
dos eucariontes.

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=======
Questão 3

3 UCS-RS 2023 A respiração aeróbica é um processo que


ocorre na presença de oxigênio, em que moléculas orgânicas
são degradadas para a obtenção de energia às células.
Sobre esse processo, é correto afirmar que
A
o fato de a cadeia carbônica da molécula de glicose
ser completamente degradada durante a respira-
ção celular faz com que se produza mais energia que
na fermentação.
B
a glicólise é a fase final da degradação da molécula de
glicose que, nessa etapa, é quebrada em ácido pirúvico e
ácido láctico.
C
o ciclo de Krebs envolve um conjunto de reações cujo pro-
duto final são moléculas de ácido cítrico, seis moléculas de
NADH e seis moléculas de ATP.
D
a respiração celular tem como combustível moléculas de
glicose, enquanto a fermentação tem como combustível
moléculas de ácido láctico.
E
as duas primeiras etapas da respiração aeróbica (glicólise
e ciclo de Krebs) ocorrem no interior das mitocôndrias,
e a última etapa (fosforilação oxidativa), no citoplasma.
=========================================================================
=======
Questão 4

4 Fasm-SP 2019 Os índios Macuxi utilizam a mandioca para


obter o caxiri, uma bebida alcoólica milenar produzida arte-
sanalmente a partir do processo de fermentação. A bebida é
consumida após o término de trabalhos coletivos realizados
pelos próprios indígenas e servida aos visitantes como um
sinal de boas-vindas.
a) Quais microrganismos realizam o processo de fermenta-
ção alcoólica? Que molécula orgânica inicial é degradada
neste processo?
b) Qual a principal molécula transportadora de hidrogênio
presente nos processos de respiração e fermentação?
Compare, em relação ao rendimento, a produção de
energia nesses dois processos.

====PAGE 59====

Ciências da Natureza e suas Tecnologias


Biologia
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Mor
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tter
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Frente

=========================================================================
=======
Questão 2

2
Sumário
Aula 1
Classificação da vida
.........................................................................
........... 562
Aula 2
Origem da vida
.........................................................................
....................... 568
Aula 3
Evolução e especiação
.........................................................................
...... 578
Aula 4
Vírus e procariontes
.........................................................................
.............. 593
Aula 5
Algas e fungos
.........................................................................
......................... 606

====PAGE 60====

C5 | H15, H18 e H20


AULA

=========================================================================
=======
Questão 11

11
B iolog ia • Frente 2

=========================================================================
=======
Questão 562

562
X xxx
Classificaç ã o da v ida
I ntroduç ã o
A T axonomia (do grego tax i s, ordem, e nom
os, lei) é
a área da Biologia responsável pela classificação, identifi-
cação e nomenclatura dos seres vivos. Propostas de clas-
sificação dos seres vivos existem desde a G récia Antiga.
O filósofo Aristóteles (3 84 a.C.-3 22 a.C.), por exemplo,
sugeriu a organização dos seres vivos em dois grupos: os
animais e os vegetais. Contudo, a T axonomia passou a ser
mais profundamente estudada e detalhada somente no
século X VI I I , com destaque para os trabalhos do médico e
naturalista sueco Carolus Linnaeus (1707-1778), Carl von
Linné, ou Lineu, em português.
A classificação é uma prática importante, uma vez que
organiza os seres vivos de acordo com critérios definidos,
como semelhanças e diferenças anatômicas – critérios uti-
lizados por Lineu no século X VI I I – ou relações evolutivas entre
os seres vivos. A T axonomia possibilita a transmissão
entre pessoas de informações organizadas sobre os seres
vivos e facilita a comunicação entre os pesquisadores do
mundo todo.
Atualmente, os sistemas de classificação dos seres vivos ba-
seiam-se principalmente nas filogenias, ou seja, nas hipó teses
de histó ria ev olutiv a de grupos de seres vivos. A área da Bio-
logia chamada de S istemá tica é a responsável por investigar a
história evolutiva dos grupos de seres vivos, determinando suas
taxonomias e suas relações de parentesco evolutivo. Assim, po-
de-se dizer que a taxonomia reflete, na classificação dos seres
vivos, os resultados dos estudos de Sistemática.
As categorias taxonômicas
No século X VI I I , uma das contribuições de Lineu para a
classificação foi o agrupamento dos seres vivos em uma hie-
rarquia de categorias, chamadas de categorias taxonômicas.
Atualmente, as principais categorias taxonômicas são: reinos,
filos, classes, ordens, famílias, gêneros, espécies e, mais re-
centemente, os domínios.
Chamamos de táxon uma unidade taxonômica nomeada
em qualquer um dos níveis da hierarquia da classificação; por
exemplo, o reino Animalia corresponde a um táxon.
Os reinos tradicionais
Em 196 9, o ecólogo estadunidense Robert Whittaker
(1920-1980) propôs a organização de todos os seres vivos, à
exceção dos vírus, em cinco reinos: Monera, P rotista, F ungi,
P lantae e Animalia. A novidade dessa proposta foi a criação
de um reino exclusivo para os fungos, seres vivos antes classi-
ficados entre protistas e plantas. A classificação de Whitaker
para os fungos se baseou principalmente na organização ce-
lular e na forma de nutrição desses seres.
Reino Monera
O reino Monera inclui as bactérias e as arq ueas. Esses
seres vivos são unicelulares e procariontes, ou seja, cada ser
vivo é formado por apenas uma célula, desprovida de nú cleo.
A respeito da nutrição, podem ser autótrofos fotossintetizan-
tes, como as cianobactérias, quimiossintetizantes, como al-
gumas arqueas, ou, ainda, heterótrofos, como as bactérias
decompositoras e as bactérias parasitas.
Em bactérias e arqueas é comum a presença de parede
celular. No entanto, há uma diferença na composição des-
se envoltório – enquanto a parede celular das bactérias
é dotada de compostos conhecidos como peptidoglicanos, a
parede celular das arqueas não apresenta esse componente.
Natures G eometry/Alamy/Fotoarena
Eletromicrografia de varredura de bactérias E scheri chi a col i (colo-
rida artificialmente; aumento de 45 mil vezes).
Classificar é uma forma usada pela humanidade para organizar o mundo
conhecido. Em relação ao conhecimento dos
seres vivos, não é diferente. Existe uma grande diversidade de formas de
vida, e a classificação biológica organiza, com base
em critérios bem estabelecidos, toda essa diversidade, a fim de facilitar
seu estudo.
C4 | H14 e H16
C5 | H17
C6 | H28
AULA
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Questão 1

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AU L A 1 : Classif icação da vida


B iolog ia • Frente 2

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Questão 563

563
Reino P rotista
No reino Protista, também denominado Protoctista, es-
tão classificados as algas e os protozoá rios. Esses seres vivos
são eucariontes, ou seja, suas células são dotadas de nú cleo;
entretanto, apesar dessa semelhança, existem muitas dife-
renças entre eles. Os protozoários são unicelulares e heteró-
trofos, enquanto as algas são autótrofas fotossintetizantes e
seus representantes podem ser unicelulares ou pluricelula-
res. Mesmo havendo pluricelularidade em certas espécies,
não são observados tecidos diferenciados nas algas. Outra
diferença relevante entre algas e protozoários é que a maio-
ria das algas apresenta parede celular, enquanto os protozoá-
rios não possuem essa estrutura. Esse reino foi proposto em

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=======
Questão 186

186 6 pelo alemão Ernst Haeckel (183 4-1919).


Diante da grande diversidade de algas, a proposta de
classificação de Whittaker manteve as algas unicelulares no
reino Protista, enquanto as pluricelulares foram incluídas
no reino Plantae. Posteriormente, em 1982, as biólogas es-
tadunidenses Lynn Margulis (193 8-2011) e K arlene Schw artz
(193 6 -) publicaram um livro no qual reconheceram o sistema
proposto por Whittaker, mas reorganizaram o reino Protista,
considerando que todas as algas deveriam ser incluídas nele,
renomeando-o para reino P rotoctista, denominação que já
havia sido utilizada em outro contexto pelo naturalista britâ -
nico J ohn Hogg (1800-186 9), na década de 186 0.
Representação artística de T ryp anosom a cruz i (mede cerca de 15 µ m
de comprimento), espécie de protozoário causadora da doença de
Chagas, em meio a diversas hemácias (células sanguíneas).
K ateryna K on/[Link]
divedog/[Link]
Algas verdes pluricelulares. Seu tamanho varia dependendo
da espécie.
Reino F ungi
Os fungos são seres vivos eucariontes, heterótrofos, e po-
dem ser unicelulares ou pluricelulares. Cogumelos, orelhas-de-
-pau, bolores, mofos e leveduras são alguns dos representantes
desse reino. Os fungos pluricelulares, como os cogumelos, não
desenvolvem tecidos diferenciados. As células dos fungos têm
parede celular constituída de um polissacarídeo denominado
quitina. Esse carboidrato também é encontrado no exoesque-
leto dos artrópodes.
J olanda Aalbers/[Link]
G al eri na m arg i nata (mede até 7 cm de altura), espécie venenosa
de fungo.
Pow er And Syred/Science Photo Library/Fotoarena
Eletromicrografia de varredura de S accharom yces cerev i si ae,
espécie conhecida como levedura (colorida artificialmente; au-
mento de 3 400 vezes). Trata-se de um fungo unicelular com alta
relevâ ncia econômica, uma vez que é usado na produção de bebi-
das alcoólicas e na panificação.
Reino P lantae
As plantas, como musgos, samambaias, pinheiros, grama,
feijoeiro e limoeiro, são as representantes desse reino, que em
1956 fora designado como reino Metaphyta pelo biólogo ameri-
cano Herbert Copeland (1902-196 8). São organismos eucarion-
tes, pluricelulares e dotados de tecidos diferenciados. A respeito
da nutrição, as plantas são autótrofas fotossintetizantes.
A célula vegetal apresenta parede celulósica. Note, portan-
to, que existem muitos exemplos de seres vivos cujas células
possuem parede celular, mas nem todas têm celulose em sua
estrutura. Em linhas gerais, em todos eles, essa estrutura confe-
re proteção, sustentação e resistência.
H and roanthus al bus, espécie popularmente conhecida como ipê-
-amarelo (mede até 14 m de altura), é uma planta encontrada no
Cerrado brasileiro.
Pedro T urrini Neto/[Link]

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AU L A 1 : Classif icação da vida


B iolog ia • Frente 2

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Questão 564

564
atualmente, Archaea é considerado evolutivamente mais próxi-
mo de Eukarya do que de Bacteria. Como já foi mencionado, nas
bactérias a parede celular contém peptidoglicanos, composto
ausente na parede celular das arqueas. No domínio Archaea,
existem representantes que suportam condições ambientais
bastante extremas, como as arqueas termófilas, capazes de so-
breviver em ambientes com altas temperaturas.
Categorias taxonômicas
menos abrangentes
As categorias taxonômicas descritas até aqui abrangem pra-
ticamente todas as formas de vida. Entretanto, existem catego-
rias taxonômicas menos abrangentes a serem apresentadas.
A categoria taxonômica de espécie configura-se como a
unidade básica da classificação biológica. Pelo conceito biológi-
co de espécie, definido pelo biólogo alemão Ernst Mayr (1904-
-2005), espécie corresponde a um grupo de populações natu-
rais intercruzantes que geram descendentes viáveis e férteis e
que são reprodutivamente isolados de outros grupos. No entan-
to, essa definição pode apresentar certas limitações. Uma delas
está relacionada a seres vivos que se reproduzem assexuada-
mente, uma vez que, nesse caso, pode não existir cruzamento
entre os indivíduos para que a reprodução aconteça.
Em situações nas quais o parentesco evolutivo entre gru-
pos de espécies seja suficientemente próximo, elas podem
ser colocadas na categoria taxonômica de gênero. Os gêneros
evolutivamente mais próximos formam uma família e, nos
casos em que duas ou mais famílias são evolutivamente apa-
rentadas, elas podem ser reunidas em uma ordem. Ordens
evolutivamente relacionadas, quando agrupadas, formam
uma classe, e as classes com maiores afinidades evolutivas
constituem um filo. Filos aparentados compõem um reino
e, por fim, a reunião de reinos pode constituir um domínio.
Domínio
(ex. Eukarya)
Reino
(ex. Animalia)
Filo
(ex. Chordata)
Classe
(ex. Mammalia)
Redução da
diversidade e
aumento na relação
de parentesco
evolutivo
entre os seres
Aumento da
diversidade e
redução na relação
de parentesco
evolutivo
entre os seres
Ordem
(ex. Carnivora)
Família
(ex. Felidae)
Espécie
(ex. Panthera onca)
Gênero
(ex. Panthera)
Hierarquia das principais categorias taxonômicas, utilizando
como exemplo a onça-pintada (Panthera onca).
Reino Animalia
Os animais são organismos eucariontes, pluricelulares
com tecidos diferenciados e apresentam nutrição heterotró-
fica. Apesar de os tecidos diferenciados serem uma caracte-
rística dos animais, os poríferos são animais desprovidos des-
sa característica, configurando uma exceção. A célula animal,
ao contrário da célula vegetal, não possui parede celular. Na
proposta de Herbert Copeland, de 1957, o conjunto de todos
os animais formava o reino Metazoa.
Aleksei Verhovski/[Link]
Lobo-guará (Chrysocyon brachyurus, mede cerca de 1,2 m de com-
primento), espécie de mamífero típica do Cerrado brasileiro.
Os domínios
Os sistemas de classificação estão sujeitos a alterações e pas-
sam por atualizações conforme novos conhecimentos a respeito
dos seres vivos são adquiridos. Nesse sentido, em 1990, à
luz da Sistemática, o microbiologista estadunidense Carl Woese
(1928-2012) sugeriu que os seres vivos fossem agrupados em
categorias acima de reino, denominadas domínios, com base em
análise genética de ribossomos (especificamente RNA ribossômi-
co). Segundo essa proposta, os seres vivos estão distribuídos em
três domínios: Eukarya, Archaea e Bacteria.
Nela, todos os eucariontes estão classificados no domí-
nio Eukarya. Portanto, os reinos com representantes euca-
riontes (animais, plantas, fungos, algas e protozoários) são
agrupados nesse domínio.
Nessa proposta mais recente de classificação, baseada na
relação filogenética entre os seres vivos, os procariontes estão
divididos em dois domínios. No domínio Bacteria estão clas-
sificadas as bactérias, e no domínio Archaea são encontradas
as arqueas. Dessa forma, os seres procariontes que, com base
na proposta de Whittaker, formavam o reino Monera são se-
parados em dois domínios, com base na proposta de Woese.
Assim, o reino Monera, apesar de ainda ser bastante utilizado
para se referir aos seres procariontes, é considerado obsoleto
e artificial do ponto de vista da classificação sistemática.
Entre bactérias e arqueas, existem diferenças bioquímicas
marcantes que nortearam sua separação em dois grupos dis-
tintos. Por exemplo, há diferenças relevantes ligadas ao geno-
ma desses seres vivos, ao RNA ribossômico e à constituição da
parede celular. Os estudos em nível molecular também eviden-
ciaram similaridades entre Archaea e Eukarya, razão pela qual,

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AU L A 1 : Classif icação da vida


B iolog ia • Frente 2

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Questão 565

565
mais recente compartilhada pelos seres vivos em análise, e sua
representação é feita por meio de diagramas ramificados dico-
tomicamente conhecidos como cladogramas.
Na cladística, o agrupamento de táxons é feito com base
em um ancestral comum exclusivo ao grupo e todos os seus
descendentes. Esses grupos são chamados de clados ou gru-
pos monofiléticos. Esse método de classificação, assim como
a classificação de Lineu, obedece a uma hierarquia – clados
menores podem ser colocados em clados mais abrangentes.
Por exemplo, o gênero Cani s, no qual são classificados o lobo,
o cão e o coiote, corresponde a um clado inserido em um
clado maior, a família Canidae.
Nesse contexto, o cladograma a seguir representa rela-
ções evolutivas entre os três domínios.
Bacteria
Archaea
Eukarya
Representação das relações evolutivas entre os domínios, mos-
trando que as arqueas, mesmo sendo procariontes, são evolutiva-
mente mais próximas dos eucariontes do que das bactérias.
As características compartilhadas exclusivamente por um
grupo monofilético, chamadas sinapomorfias, refletem rela-
ções evolutivas e, por isso, podem ser usadas para inferir hi-
póteses filogenéticas. Essas características são denominadas
homologias. São monofiléticos os reinos Animalia e Plantae.
Diferentemente do grupo monofilético, um grupo parafilético
não inclui todos os descendentes de um ancestral, como o reino
Monera. Os grupos polifiléticos, por sua vez, são formados por
descendentes de diversos ancestrais, como os reinos Protista e
Fungi. Assim, os táxons parafiléticos e polifiléticos são conside-
rados grupos artificiais (os grupos artificiais podem ser denomi-
nados merofiléticos).
A
C
B
D
O grupo demarcado nes-
te cladograma é mono-
filético, pois é formado
pelos táxons A e B e pelo
ancestral comum a eles.
A
C
B
D
O grupo demarcado é pa-
rafilético porque não in-
clui todos os descenden-
tes do ancestral comum.
O grupo formado pelos táxons B e D é polifilético porque não
inclui o ancestral mais recente comum a esses táxons.
A
C
B
D
N omenclatura bioló gica
No século X VI I I , outra importante contribuição de Lineu
foi a elaboração de um sistema binomial, que padroniza a for-
ma como uma espécie deve ser cientificamente nomeada.
Nesse sistema, o nome de uma espécie deve ser escrito em
latim ou, ao menos, ser latinizado. Essa regra é importante
porque o latim não pode mais sofrer modificações com o
passar do tempo; portanto, os nomes científicos não estão
sujeitos a alterações em decorrência, por exemplo, de possí-
veis reformas ortográficas. Além disso, o nome que se refere
a uma espécie deve conter dois termos, daí a denominação
“ binomial” . Nesse sentido, a primeira parte do binômio, que
deve ser escrita com inicial maiú scula, faz referência ao gê-
nero ao qual a espécie pertence. O segundo termo, chamado
de epíteto específico, deve ser escrito com inicial minú scula.
Uma terceira regra importante para a construção do binômio
que nomeia uma espécie é que ambos os termos devem ser
destacados em relação ao restante do texto.
N ome popular
N ome científico
Chimpanzé
Pan trog l od ytes
Arroz
O ryz a sati v a
Paramécio
Param eci um caud atum
Bactéria da cólera
V i bri o chol erae
Exemplos de nomes populares e nomes científicos de alguns
seres vivos.
Ainda menos abrangente que espécie, existe a categoria
de subespécie. Essa categoria refere-se a uma população de
uma espécie em uma certa área geográfica que apresenta di-
ferenças em relação a outras populações, representando uma
subdivisão dessa espécie. Uma subespécie é identificada pelo
acréscimo de um terceiro termo. Um exemplo é a subespécie
da espécie Panthera ti g ri s à qual pertence o tigre-de-bengala,
chamada de Panthera ti g ri s ti g ri s.
Ev oluç ã o e classificaç ã o
Uma filogenia representa hipóteses de relação evolutiva
entre os seres vivos. Essas relações evolutivas são baseadas
em informações morfológicas, bioquímicas e, principalmente,
genéticas das espécies. Nas filogenias, um ancestral comum a
dois ou mais táxons corresponde a uma espécie pertencente a
uma linhagem ancestral que, ao longo da evolução, passou por
modificações, resultando em linhagens descendentes distintas
entre si.
Cladística
Para a reconstrução das filogenias pela S istemá tica F ilo-
genética, o método de análise mais utilizado é a Cladística, em
detrimento da F enética, que não será abordada. A abordagem
cladística é baseada principalmente na ancestralidade comum
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AU L A 1 : Classif icação da vida


B iolog ia • Frente 2

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Questão 566

566

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Questão 1

1
U ece 2 0 2 3 Em relação à nomenclatura dos seres vivos,
escreva V ou F conforme seja verdadeiro ou falso o que se
afirma nos itens a seguir.
Os nomes científicos podem conter o nome do cientis-
ta que descreveu a espécie, de uma característica que
apresenta, do lugar onde ocorre etc.
As subespécies têm um nome composto por quatro pala-
vras, sendo uma delas um adjetivo.
Cada espécie é identificada por dois nomes em latim: o
primeiro, em maiú scula, é o gênero; o segundo, em mi-
nú scula, é o epíteto específico.
O nome científico é aceito em todas as línguas e a cada
espécie atribui-se um ú nico nome.
Está correta, de cima para baixo, a seguinte sequência:
A
F, V, F, F
B
V, V, V, F
C
V, F, F, V
D
V, F, V, V

=========================================================================
=======
Questão 2

2
F CMS CS P 2 0 2 3 O quadro apresenta organismos da fauna
e da flora brasileira e informações sobre cada um deles.
N ome popular e informaç ã o
complementar
N ome científico
I nseto barbeiro
(hematófago)
T ri atom a brasi l i ensi s
Morceguinho-das-casas
(insetívoro)
T ad ari d a brasi l i ensi s
Á rvore leiteiro (frutífera)
S ebasti ani a brasi l i ensi s
De acordo com os dados fornecidos no quadro e conheci-
mentos sobre classificação biológica, esses organismos per-
tencem à mesma unidade taxonômica, denominada
A
espécie.
B
classe.
C
domínio.
D
reino.
E
ordem.

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=======
Questão 3

3
U F U - MG 2 0 1 9 O cladograma hipotético, a seguir, repre-
senta um diagrama que indica relações de parentesco entre

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=======
Questão 10

10 espécies recentes de seres vivos.


A
B
C
D
E
F G
H
I
J
SANT OS, C. M. D. Os dinossauros de Henning: sobre a importâ ncia do
monofiletismo para a sistemática biológica. S ci enti ae z ud i a, São
Paulo, v. 6 ,
n. 2, 2008. p. 179-200. (Adaptado).
Há quantos grupos monofiléticos supraespecíficos existentes
para esses táxons?
A

=========================================================================
=======
Questão 8

8
B
=========================================================================
=======
Questão 7

7
C

=========================================================================
=======
Questão 9

9
D

=========================================================================
=======
Questão 6

=========================================================================
=======
Questão 4

4 U erj 2 0 1 9 Pesquisas identificaram um potente antibióti-


co produzido pelo fungo S trep tom yces sp. 3 , mas que possui
elevado custo de comercialização. A partir de sequências ge-
néticas de espécies de S trep tom yces relacionadas à produ-
ção de antibióticos, foi elaborado o cladograma abaixo.

=========================================================================
=======
Questão 4

=========================================================================
=======
Questão 8

=========================================================================
=======
Questão 2

=========================================================================
=======
Questão 3

3
=========================================================================
=======
Questão 7

=========================================================================
=======
Questão 6

6
Espécies de Streptomyces

=========================================================================
=======
Questão 1

=========================================================================
=======
Questão 10

10

=========================================================================
=======
Questão 5

=========================================================================
=======
Questão 9

9
Com base no cladograma, identifique as duas outras espécies
de fungos que devem ser priorizadas nos estudos para a pro-
dução desse antibiótico.
Aponte, ainda, a vantagem da utilização do cladograma na
busca de espécies para a produção do medicamento.

=========================================================================
=======
Questão 5

5 U EP G - P R 2 0 2 1 Sobre a Sistemática dos seres vivos, descri-


ta no quadro abaixo, assinale o que for correto.
Monera Protista Fungi Plantae Animalia

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=======
Questão 0
0 1
No reino Monera estão agrupadas as arqueas e as bacté-
rias, seres vivos microscópicos unicelulares procariontes.

=========================================================================
=======
Questão 0

0 2
Liquens e micorrizas pertencem ao reino Fungi, enquan-
to musgos e samambaias pertencem ao reino Plantae.

=========================================================================
=======
Questão 0

0 4
No reino Protista estão agrupados os organismos euca-
riontes e multicelulares como as algas, as cianobactérias
e as hifas.

=========================================================================
=======
Questão 0

0 8
O reino Animalia agrupa organismos eucariontes multi-
celulares autotróficos e exclusivamente terrestres.
S oma:

=========================================================================
=======
Questão 6

6 Enem 2 0 2 0 Alterações no genoma podem ser ocasionadas


por falhas nos mecanismos de cópia e manutenção do DNA,
que ocorrem aleatoriamente. Assim, a cada ciclo de replicação
do DNA, existe uma taxa de erro mais ou menos constante de
troca de nucleotídeos, independente da espécie. Partindo-se
desses pressupostos, foi construída uma árvore filogenética de
alguns mamíferos, conforme a figura, na qual o comprimento
da linha horizontal é proporcional ao tempo de surgimento da
espécie a partir de seu ancestral mais próximo.

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AU L A 1 : Classif icação da vida


B iolog ia • Frente 2

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Questão 567
567

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=======
Questão 1

1
P U C- Rio 2 0 2 3 Considere as afirmativas abaixo acerca
dos animais.
I .
Os animais são seres aeróbios.
I I .
Os animais são seres heterótrofos por absorção.
I I I . Os animais possuem a molécula de glicogênio como re-
serva de energia.
I V. Os animais se reproduzem de forma sexuada e assexuada.
V.
Os animais apresentam célula eucarionte, com parede
celular de quitina.
Está correto apenas o que se afirma em
A
I , I I e I V
B
I , I I I e I V
C
I , I I I e V
D
I I , I I I e I V
E
I I , I I I e V

=========================================================================
=======
Questão 2

2
U ncisal 2 0 2 0 O si stem a d e cl assi f i caç ã o d e L i neu atri -
bui a tod o org ani sm o um rei no, f i l o, cl asse, ord em , f am
í l i a,
g ê nero e esp é ci e. E sse si stem a f oi cri ad o m ui to antes d e
os
ci enti stas entend erem com o os org ani sm os ev ol uí am . Com o
o si stem a d e L i neu nã o se basei a na ev ol uç ã o, g rand e p arte
d os bi ó l og os está m ud and o o entend i m ento d e cl assi f i caç
ã o,
ad otand o um si stem a q ue ref l i ta a hi stó ri a ev ol uti v a d os
or-
g ani sm os. D entro d esse contex to, o si stem a d e cl assi f i caç
ã o
d e seres v i v os p ossi bi l i tou a d escri ç ã o d e esp é ci es,
com o os
m i crorg ani sm os, e seus p ad rõ es d e com p ortam ento nos es-
tud os d a rel aç ã o p arasi to- hosp ed ei ro. E sse conheci m ento
troux e benef í ci os p ara p rev enç ã o e tratam ento d e d oenç as.
Disponível em: [Link] w w .[Link]/evosite/evo101/I I
DClassification.
shtml. Acesso em: nov. 2016 (adaptado).
O sistema de classificação fundamentado em dados evolutivos
A
baseia-se em grupos de organismos com hábitos em comum.
B
é definido com base na região ocupada pelos organismos.
C
é chamado de sistema de classificação filogenética.
D
é característico das cadeias alimentares.
E
baseia-se em um sistema artificial.

=========================================================================
=======
Questão 3

3
F amerp- S P 2 0 2 3 E m 1 9 9 4 , os p ri m ei ros f ó ssei s d e um
hom i -
ní d eo até entã o d esconheci d o f oram encontrad os na E ti ó p i a.
O s antrop ó l og os resp onsá v ei s p el a d escoberta d escrev eram
os restos m ortai s com o send o d e um a f ê m ea ad ul ta, e d eci d i
-
ram cham ar a esp é ci e d e A rd i p i thecus ram i d us, ap el i d ad
a d e
“ A rd i ” . A o l ong o d os d ez anos seg ui ntes, v á ri os f ó
ssei s d a es-
p é ci e d e A rd i f oram encontrad os e d atad os entre 4 , 2 m i l
hõ es
e 4 , 4 m i l hõ es d e anos. Q uand o os ci enti stas ex am i naram
essa
col eç ã o d e f ó ssei s, i d enti f i caram q ue o p é ti nha um a
estrutu-
ra q ue p erm i ti a d ar p assos com o i m p ul so d os d ed os, com o
f az em os hoj e, o q ue os sí m i os q ue cam i nham sobre q uatro
p atas nã o f az em .
(w w w .[Link]. Adaptado.)
Q uando se compara a espécie de Ardi com a espécie hu-
mana atual, a categoria taxonômica comum a essas duas
espécies e que revela um maior grau de parentesco evolu-
tivo entre elas é
A
o gênero Hominidae.
B
a classe mammalia.
C
a ordem primata.
D
o subfilo vertebrata.
E
o reino animal.

=========================================================================
=======
Questão 4

4 U nifesp 2 0 2 0 ( Adapt. ) A
K l ebsi el l a p neum oni ae é um a
bacté ri a op ortuni sta d e um g rup o q ue está entre os m i cror-
g ani sm os q ue m ai s causam i nf ecç õ es hosp i tal ares e q ue m ai
s
tê m d esenv ol v i d o resi stê nci a a anti bi ó ti cos nos ú l ti m
os anos.
O utro m i crorg ani sm o d esse g rup o é a K l ebsi el l a p neum oni
ae
carbap enem ase, um a sup erbacté ri a.
Pesq ui sad ores anal i saram K . p neum oni ae p resentes na
uri na d e 4 8 p essoas d i ag nosti cad as com i nf ecç ã o uri ná ri
a.
E m d uas p essoas as bacté ri as ap resentaram um f enó ti p o d e
v i rul ê nci a, conheci d o com o hi p erm ucov i scosi d ad e, em q
ue as
bacté ri as p rod uz em g rand e q uanti d ad e d e um bi of i l m e
es-
p esso e v i scoso, q ue ad ere as bacté ri as ao ep i té l i o d a bex
i g a
e as p roteg e, tornand o d i f i cí l i m a sua el i m i naç ã o.
(K arina T oledo. “ Bactérias multirresistentes são identificadas fora de
ambiente hospitalar” . [Link] 21.08.2019. Adaptado.)
A qual gênero pertence a superbactéria K l ebsi el l a p neum oni ae
carbap enem ase? Cite uma característica exclusiva das bacté-
rias que as integra ao Reino Monera.
Porco
Cavalo
Vaca
Ovelha
Veado
ALBERT S, B. et al . B i ol og i a m ol ecul ar d a cé l ul a.
Nova Y ork: G arland Publisher, 2008.
Q ual espécie é geneticamente mais semelhante ao seu an-
cestral mais próximo?
A
Cavalo.
B
Ovelha.
C
Veado.
D
Porco.
E
Vaca.
Para
APRIMORAR
====PAGE 66====

Origem da vida
C1 | H3
C4 | H14, H15 e H16
C5 | H17
AULA

=========================================================================
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Questão 2

2
Biologia • Frente 2

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Questão 568

568
Será que seres vivos podem surgir simplesmente por geração espontânea, a
partir da transformação da matéria sem
vida? No final do século XIX, a discussão que perdurava por séculos deu
lugar a uma teoria bem estabelecida. Com isso, mui-
tos cientistas passaram a admitir que os seres vivos atuais só podem
surgir pela reprodução de organismos, ideia conhecida
como biogênese. Contudo, ainda nos resta uma dúvida: como surgiram os
primeiros seres vivos?
larvas em determinados casos. Como era comum em sua
época, Redi aceitava, em geral, a geração espontânea, tendo
interesse em alguns casos particulares em que isso, segundo
ele, não ocorreria.
Nesse contexto, Redi observou que as moscas eram atraí-
das pelo cheiro de carne e nela colocavam ovos. Então, as lar-
vas eclodiam dos ovos e se alimentavam da carne, formando
depois casulos escuros denominados pupas, dos quais sur-
giam as moscas adultas. Assim, Redi concluiu que nem todos
os seres surgem por geração espontânea, como seria o caso
de ovos colocados por moscas em cadáveres. Para demons-
trar esse fato, Redi elaborou alguns experimentos.
Atenção!
O experimento de Redi apenas mostrou que as mos-
cas não eram geradas da carne em putrefação, mas de
ovos colocados sob ela por outras moscas. Francesco Redi
continuava a aceitar a geração espontânea para outros
casos, como a origem espontânea de vermes intestinais.
Esses experimentos de Redi foram publicados em
1668 em seu livro Experimentos sobre a geração de in-
setos. Em um deles, o médico colocou pedaços de car-
ne em frascos, deixando um aberto, um selado e outro
coberto por uma gaze. Após alguns dias, Redi percebeu
que as larvas surgiram apenas no interior do frasco que
permaneceu aberto, pois as moscas alcançavam a carne
e depositavam seus ovos. No frasco selado e no coberto
com gaze as moscas não conseguiram colocar seus ovos
nos pedaços de carne, não ocorrendo, dessa forma, o
surgimento das larvas. A ausência de seres vermiformes
nos frascos cobertos mostrou incoerência na ideia da
geração espontânea, e fortaleceu a ideia de biogênese
dos seres vivos.
Abiogênese e biogênese
A ideia de que alguns seres vivos podem surgir da matéria
sem vida foi aceita e difundida até o final do século XIX, sendo
conhecida como teoria da geração espontânea ou abiogênese
(do grego a, ausência, bios, vida, e genos, origem). Acredita-
va-se, por exemplo, que sapos e crocodilos poderiam surgir
da lama dos rios e que larvas de insetos poderiam surgir dos
cadáveres em decomposição. Também existia a crença de
que algumas espécies poderiam originar espécies diferentes,
como algodoeiros originando ovelhas ou até mesmo gansos
surgindo de crustáceos marinhos.
Vários filósofos gregos defendiam essa ideia, entre eles
Aristóteles (384-322 a.C.), que acreditava na existência de um
princípio ativo ou força vital, fundamental para transformar a
matéria bruta (sem vida) em um organismo vivo.
Muitos pensadores, influenciados pelo pensamento aris-
totélico, como o filósofo francês René Descartes (1596-1650),
o físico inglês Isaac Newton (1643-1727) e o naturalista fran-
cês Jean-Baptiste Lamarck (1744-1829), adotaram a abiogê-
nese para explicar a origem de alguns organismos vivos. O
médico belga Jan Baptist van Helmont (1580-1644), respon-
sável por grandes experimentos em Botânica, chegou a redi-
gir uma receita para produção espontânea de ratos. Segundo
Helmont, bastava colocar em um canto sossegado e pouco
iluminado camisas sujas (o suor das camisas teria o princípio
ativo) e grãos de trigo que, depois de 21 dias, ocorreria o sur-
gimento de ratos por geração espontânea.
A crença na geração espontânea foi quebrada com expe-
rimentos rigorosos realizados por vários cientistas. Esses expe-
rimentos produziram evidências de que os seres vivos surgem
apenas a partir da reprodução de seres vivos de sua própria es-
pécie, teoria conhecida como biogênese (do grego bios, vida,
e genos, origem).
Experimento de Redi
O médico e naturalista italiano Francesco Redi (1626-
-1697) realizou um experimento para investigar a origem de

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AULA 2: Origem da vida


Biologia • Frente 2

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Questão 569
569
Frasco
aberto
Frasco coberto
com gaze
Frasco selado
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Representação esquemática do experimento de Redi realizado
para determinar a origem dos seres vermiformes nos cadáveres.
J. Marini/[Link]
Gaze
Rolha
O experimento de Redi enfraqueceu a ideia da abiogêne-
se de seres vivos macroscópicos, mas, com a descoberta dos
microrganismos pelo holandês -Antonie van -Leeuwenhoek
(1632-1723) no século XVI, alguns cientistas voltaram a re-
correr à geração espontânea para explicar a origem desses
organismos expressivamente pequenos. De acordo com es-
ses cientistas, os microrganismos poderiam surgir esponta-
neamente em qualquer lugar a partir da matéria sem vida.
Para outros cientistas, entretanto, os microrganismos só po-
deriam surgir a partir de “sementes” presentes no ar, no solo
ou na água. Essas “sementes” se proliferariam em condições
ideais e originariam os microrganismos.
Diante da polêmica sobre a origem dos microrganismos,
em 1860 a Academia Francesa de Ciências resolveu oferecer
um prêmio em dinheiro, conhecido como prêmio Alhumbert,
para o cientista que conseguisse realizar um experimento
que explicasse com consistência a origem de microrganis-
mos. Esse prêmio foi conquistado por Pasteur com o seu
famoso experimento envolvendo frascos com gargalos alon-
gados similares aos pescoços dos cisnes.
É importante observar que mesmo que os experimentos
de Pasteur refutassem de modo consistente a geração espon-
tânea, a questão permaneceu não totalmente resolvida, pois,
na mesma época, outros experimentos, razoavelmente bem
concebidos, do naturalista francês Felix Pouchet (1800-1872)
trouxeram argumentos favoráveis à geração espontânea.
Além dele, um dos membros da Royal Society inglesa, Henry
Charlton Bastian (1837-1915), fisiologista inglês, continuou a
combater experimentalmente as hipóteses de -Pasteur.
No entanto, lentamente as hipóteses de Pasteur foram
se mostrando suficientemente embasadas, principalmente
com o fortalecimento da teoria dos germes como causadores
de doenças no século XIX. Quando Robert Koch (1843-1910),
bacteriologista alemão, publicou em 1884 seus postulados
sobre microrganismos e doenças, já não havia mais oposito-
res que conseguissem defender a ideia de abiogênese.
Experimento de Pasteur
Como vimos, o cientista francês Louis Pasteur refutou
experimentalmente, em 1864, a hipótese de geração espon-
tânea dos microrganismos. No experimento, Pasteur utilizou
frascos de vidro e adicionou dentro deles caldos nutritivos.
Em seguida, amoleceu os gargalos dos frascos no fogo, es-
ticando-os para formar tubos longos, finos e curvados, pa-
recidos com o formato de pescoços de cisnes. Os gargalos
alongados permaneceram abertos nas extremidades e fun-
cionavam como filtros, já que permitiam a passagem de ar
e promoviam a retenção de microrganismos na parede dos
tubos. Em seguida Pasteur ferveu os caldos nutritivos, para
matar os microrganismos já existentes, e deixou os frascos
resfriarem por bastante tempo.
Atenção!
A entrada de ar nos frascos era importante para dar
credibilidade ao experimento, pois os cientistas da épo-
ca acreditavam que o ar era necessário para que a “força
vital” atuasse sobre os caldos nutritivos e promovesse a
geração espontânea.

Mesmo após semanas, os caldos nutritivos mantiveram


seu aspecto original dentro dos frascos e permaneceram li-
vres de microrganismos. Pasteur acreditava que os micror-
ganismos presentes no ar não conseguiam chegar ao caldo
nutritivo, pois ficavam retidos nas gotículas de água – produ-
zidas no resfriamento dos frascos – presentes nos gargalos
alongados. A ausência de microrganismos nos frascos com
os gargalos indicava que esses seres não poderiam surgir
por geração espontânea. Ao quebrar os gargalos de alguns
frascos, Pasteur percebeu, após alguns dias, que os caldos
estavam turvos e repletos de microrganismos. A quebra dos
gargalos retirou os “filtros” e permitiu a entrada de microrga-
nismos do ar atmosférico, contaminando o caldo.
O experimento de Pasteur demonstrou que os microrga-
nismos surgem pela contaminação dos caldos nutritivos por
microrganismos presentes no ar, e refutou a ideia de que es-
tes seres surgem de maneira espontânea a partir da matéria
sem vida. Para Pasteur, a doutrina da geração espontânea não
tinha argumentos para invalidar seu experimento. Segundo o
cientista, não há circunstância conhecida em que se possa
confirmar que seres microscópicos cheguem ao mundo sem
outros microrganismos preexistentes. No entanto, Pasteur
continuou a enfrentar Pouchet e Charlton como opositores.

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AULA 2: Origem da vida


Biologia • Frente 2

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Questão 570

570
Representação esquemática do experimento de Pasteur realizado para
determinar a origem dos microrganismos nos caldos nutritivos.
A conclusão desse experimento foi que os microrganismos no caldo
nutritivo surgem de outros microrganismos presentes no ar.

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Questão 1

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Questão 2

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Questão 5

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Questão 4

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Questão 3

3
Adição de caldo nutritivo
no frasco de vidro
O gargalo do frasco é esticado
e curvado
Quebra do
gargalo
Caldo nutritivo é
fervido e esterilizado
Entrada de ar
Entrada de ar
Retenção de poeira
Caldo nutritivo sem
microrganismos
Caldo nutritivo
com microrganismos
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO.
CORES
FANTASIA.
As conclusões de Pasteur sobre a origem dos microrganismos tiveram
grandes consequências para a medicina e para a
indústria de alimentos. O médico inglês Joseph Lister (1827-1912),
influenciado pelas ideias de Pasteur e de Koch, passou
a esterilizar o ambiente, as ataduras e os instrumentos cirúrgicos
utilizados nos hospitais, pois acreditava que a mortalidade
de pessoas que passaram por cirurgias poderia ser causada pela
contaminação dos ferimentos ou cortes por microrganismos
presentes no ambiente. Com essa prática de esterilização, a mortalidade
dos pacientes operados caiu de forma significativa
nos hospitais.
Saiba mais
Pasteurização dos alimentos
Pasteur percebeu que o aquecimento do vinho por apenas alguns minutos, a
57 °C, era suficiente para matar os mi-
crorganismos indesejáveis, sem alterar o sabor da bebida. A partir de
então, o termo pasteurização, criado em homenagem
a Pasteur, foi utilizado para se referir ao processo de aquecimento
brando de um alimento para matar os microrganismos
existentes nele. Em diversos países, incluindo o Brasil, é obrigatório
pasteurizar o leite e seus derivados antes de comerciali-
zá-los. Essa técnica permite a eliminação da bactéria Mycobacterium
tuberculosis, causadora da tuberculose humana, e de
microrganismos responsáveis pela deterioração do leite. Atualmente,
outros procedimentos, como raios UV, vapor e pressão,
também são utilizados nos processos de pasteurização realizados para
conservar os alimentos por tempo prolongado.

Origem dos primeiros seres vivos


Sabemos que todos os seres vivos do planeta surgem da reprodução de
outros seres vivos de sua própria espécie, teoria
conhecida como biogênese. Com base nessa ideia surge uma das perguntas
mais intrigantes da Biologia: já que todos os seres
vivos surgem de outros organismos de sua espécie, como e quando surgiram
os primeiros seres vivos? De acordo com os cien-
tistas, atualmente existem duas hipóteses para explicar a origem da vida
na Terra: a da panspermia cósmica e a da evolução
gradual dos sistemas químicos.

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AULA 2: Origem da vida


Biologia • Frente 2

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Questão 571

571
Panspermia cósmica
Não há dúvida de que a matéria que forma as superfí-
cies planetárias é sempre trocada entre planetas rochosos e
luas do Sistema Solar. O impacto violento de asteroides e me-
teoritos na superfície do planeta faz com que fragmentos se
desprendam e sigam diferentes trajetórias orbitais, podendo
retornar ao próprio planeta ou atingir a superfície de outros
astros. Assim, muitos cientistas acreditam que seres vivos
-extremófilos e blocos construtores da vida, como aminoáci-
dos e outros compostos orgânicos, possam ter alcançado a
Terra a partir do espaço, hipótese conhecida como pansper-
mia (do grego pan, todo, e sperma, semente).
Extremófilos: organismos que conseguem viver em
ambientes com condições extremas, como temperaturas
acima de 60 °C, em geleiras e em ambientes hipersalinos
ou extremamente ácidos.
A hipótese da panspermia tem recebido apoio de muitos
cientistas, principalmente de uma área da Biologia que estu-
da a existência, a origem e a diversidade da vida no universo:
a Astrobiologia (ou Exobiologia). Sucessivos testes teóricos e
experimentais revelaram evidências que fortaleceram essa
hipótese. Em 1969, por exemplo, cientistas encontraram di-
versos aminoácidos, alguns em grandes quantidades, em um
fragmento de meteorito de 4,5 bilhões de anos que caiu na
Austrália. Isso indica que cometas e meteoros poderiam ter
carregado e introduzido diversos tipos de compostos orgâni-
cos na Terra primitiva que foram fundamentais para o surgi-
mento da vida por aqui.
Outra evidência que fortalece a hipótese da panspermia é
a descoberta de seres vivos extremófilos bastante resistentes
às condições desfavoráveis encontradas no espaço. Cientistas
observaram que bactérias e outros organismos, como fungos,
liquens e tardígrados, são capazes de sobreviver muito tempo
sem água, sem gravidade e com altas doses de raios ultravioleta.
Esses organismos extremófilos são suficientemente resistentes
para, em hipótese, suportar uma viagem espacial e colonizar os
ambientes habitáveis que encontrarem, como o planeta Terra.
Eletromicrografia de varredura de um tardígrado (Paramacro-
biotus tonolli, mede cerca de 0,3 mm de comprimento) em mus-
go (colorida artificialmente).
Eye Of Science/Science Photo Library/Fotoarena
Apesar de bastante provável, a hipótese da panspermia
cósmica ainda deixa um enigma no ar: como esses organismos
extremófilos ou blocos construtores da vida foram formados em
outros locais do Universo? Na prática, a panspermia cósmica
apenas muda o problema de lugar, da Terra para outro planeta.
Evolução química
Em 1920, o bioquímico russo Aleksandr -Ivanovich -Oparin
(1894-1980) e o geneticista inglês John Burdon Sanderson
Haldane (1892-1964) propuseram, de forma independente,
explicações semelhantes para a origem da vida no plane-
ta Terra. Segundo esses cientistas, os primeiros seres vivos
surgiram pela evolução gradual de moléculas e de reações
químicas, hipótese conhecida como evolução gradual dos sis-
temas químicos.
De acordo com os cientistas, a atmosfera primitiva era
favorável à formação de moléculas orgânicas a partir de
moléculas mais simples, como vapor de água (H2O) e outros
gases, entre eles o metano (CH4), a amônia (NH3) e o hidro-
gênio (H2).
Essas moléculas têm em sua constituição os elemen-
tos químicos carbono (C), hidrogênio (H), nitrogênio (N) e
oxigênio (O), necessários para a formação dos compostos
orgânicos encontrados em todos os seres vivos. As reações
químicas que ocorreram entre esses gases foram responsá-
veis pela formação de diversas moléculas orgânicas, entre
elas os aminoácidos. O calor extremo, os raios solares ultra-
violeta e os relâmpagos produzidos pelas tempestades for-
neceram a energia necessária para acelerar essas reações.
As moléculas orgânicas formadas pelas reações entre
os gases eram arrastadas pelas chuvas e se concentravam
nos oceanos primitivos. Haldane sugeriu que os oceanos
primitivos eram soluções de moléculas orgânicas, ou seja,
verdadeiras “sopas nutritivas” por meio das quais a vida
surgiu. A polimerização de moléculas orgânicas menores,
como os aminoácidos, gerou moléculas maiores e mais
complexas, como as proteínas. Hoje os cientistas acreditam
que as superfícies rochosas e as argilas, presentes no pla-
neta primitivo, provavelmente foram os locais ideais para
a ocorrência dessa polimerização, e não os oceanos, como
proposto inicialmente.
As moléculas orgânicas complexas, presentes no ocea-
no primitivo, se agruparam originando os coacervados (do
latim coacervare, reunir, formar grupos). Coacervatos, enti-
dades coacervadas, são agrupamentos de compostos orgâ-
nicos, como proteínas, envoltos por moléculas de água ou
lipídeos. Essas estruturas não são seres vivos, mas uma forma
primitiva de organização molecular na qual ocorrem reações
químicas específicas, crescimento e trocas com o ambiente.
Não se sabe exatamente como surgiu o primeiro ser
vivo na Terra, mas acredita-se que esse organismo, assim
como todos os seres vivos do planeta, apresentava uma
organização celular. O surgimento da membrana celular foi

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AULA 2: Origem da vida


Biologia • Frente 2

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Questão 572

572
fundamental para a origem da célula, pois essa estrutura
controla as trocas de íons e moléculas com o ambiente. Mo-
léculas lipídicas foram os ingredientes determinantes para
a composição dessa membrana, pois não são solúveis em
água e se agrupam formando vesículas esféricas que deli-
mitam um conteúdo químico específico.
H2
H2O
NH3
CH4
Mar
Atmosfera
primordial
Representação esquemática da composi-
ção da atmosfera primitiva com metano
(CH4), hidrogênio (H2), amônia (NH3) e
água (H2O) e o mar primitivo.
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Outro passo importante na origem da célula foi o surgi-
mento do material genético (ácidos nucleicos), que a tornou
capaz de se reproduzir e de controlar as próprias reações quí-
micas. Os primeiros organismos provavelmente eram unice-
lulares e procariontes, sendo muito parecidos com as atuais
bactérias. A partir desses primeiros seres vivos é que foram
formados, ao longo de bilhões de anos, todos os seres vivos
existentes na Terra.
Experimento de Miller-Urey
Em 1953 o estadunidense Stanley Lloyd Miller (1930-
‐2007), então estudante de Química da Universidade de
-Chicago (EUA), elaborou um experimento para testar a hipó-
tese de formação de moléculas orgânicas na atmosfera pri-
mitiva da Terra. Miller construiu, com o auxílio do professor e
químico estadunidense Harold Urey (1893-1981), um apare-
lho formado por tubos e balões de vidro interligados e inse-
riu neles água líquida e os gases componentes da atmosfera
primitiva da Terra (CH4, NH3 e H2).
A fervura da água produzia vapor de água, que se mis-
turava com os gases presentes no balão de vidro, ocorrendo
reações químicas. Descargas elétricas, produzidas por eletro-
dos instalados nos balões, simulavam os relâmpagos da Terra
primitiva e forneciam energia para acelerar as reações quí-
micas entre os gases. Abaixo do balão com gases, havia um
condensador, no qual a mistura de gases era resfriada e se
condensava, escorrendo para a base do aparelho com água
líquida. Dessa forma, Miller conseguiu simular as chuvas e
o acúmulo de água nos mares e lagos da Terra primitiva.
Após deixar o aparelho funcionando durante uma semana,
Miller percebeu que a cor da água havia mudado. Em seguida,
o cientista coletou uma amostra da água acumulada na parte
inferior do aparelho para análise da composição química e en-
controu várias substâncias orgânicas, como aminoácidos e
hidrocarbonetos. Esse resultado indica que seria possível a for-
mação de compostos orgânicos no planeta Terra por meio de rea-
ções químicas dos gases presentes na atmosfera primitiva, assim
como proposto por Oparin e Haldane no início do século XX.
Evaporação
Condensação
H2
NH3 CH4
Gases
Descargas
elétricas
Condensador
Aminoácidos
Eletrodo
Água
Representação esquemática do experimento de Miller-Urey,
realizado para verificar se moléculas orgânicas podem ser for-
madas em condições abióticas, semelhantes às do planeta
-Terra primitivo.
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO.
CORES
FANTASIA.
As visões dos cientistas sobre a composição química da at-
mosfera primitiva da Terra mudaram desde o experimento de
Miller-Urey. Evidências científicas sugerem que erupções vul-
cânicas que ocorreram há 4 bilhões de anos liberaram dióxido
de carbono (CO2), nitrogênio (N2), sulfeto de hidrogênio (H2S)
e dióxido de enxofre (SO2) na atmosfera, sendo essa a provável
composição da atmosfera primitiva. Experimentos mais recen-
tes, semelhantes aos de Miller-Urey, foram realizados utilizando
essa combinação de gases e os resultados também indicaram a
produção de diversas moléculas orgânicas.
Evolução do metabolismo
Todos os seres vivos do planeta são formados por células
que realizam diversas reações químicas necessárias para o
crescimento, a reprodução e a manutenção dos organismos.
Existe, atualmente, uma diversidade de processos metabóli-
cos responsáveis pela produção de alimento e de energia ne-
cessários para a sobrevivência dos seres vivos. Os -primeiros
seres vivos provavelmente realizavam processos bioquímicos
semelhantes aos atuais para a manutenção do metabolis-
mo. Como seria a nutrição desses primeiros organismos?
Para responder a isso, atualmente, existem duas hipóteses: a
hipótese heterotrófica e a autotrófica.

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AULA 2: Origem da vida


Biologia • Frente 2

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Questão 573

573
Hipótese heterotrófica
Durante muito tempo a hipótese heterotrófica foi a mais aceita pela
comunidade científica para explicar a nutrição
dos primeiros seres vivos que habitaram o planeta Terra. De acordo com
essa hipótese, os primeiros habitantes eram he-
terótrofos, ou seja, organismos que obtinham alimento do ambiente em que
viviam. O alimento disponível no ambiente
seria a matéria orgânica, como proteínas e carboidratos, presente nos
oceanos primitivos. Ela seria formada pelas reações
químicas dos gases da atmosfera primitiva e pela polimerização de
compostos orgânicos simples na formação de moléculas
orgânicas complexas.
De acordo com essa hipótese, os primeiros organismos heterótrofos eram
unicelulares e, provavelmente, tinham a fer-
mentação como processo bioquímico que metabolizava a energia presente nas
moléculas orgânicas. A fermentação é um pro-
cesso anaeróbio (sem a utilização do gás oxigênio) de degradação de
moléculas orgânicas. Nessa via metabólica, há liberação
de energia utilizada na produção de moléculas necessárias para o
metabolismo celular.
C6H12O6

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=======
Questão 2

2 C2H6O + 2 CO2 +
E

Glicose
Etanol
Gás

carbônico
Energia
Equação química da fermentação alcoólica, um dos tipos de fermentação.
Atenção!
A atmosfera primitiva não apresentava gás oxigê-
nio em sua composição, o que justifica a hipótese de um
processo anaeróbio (que não utiliza o gás oxigênio) como
produtor de energia nos primeiros organismos do planeta.

A diminuição na quantidade de alimento no planeta, causada pelo aumento


do consumo durante anos pelos organismos
heterótrofos, seria uma consequência esperada na hipótese heterotrófica.
Diante desse cenário, seria fundamental para a
manutenção da vida na Terra o surgimento de um processo metabólico
responsável pela produção de alimento, denominado
fotossíntese. De acordo com os cientistas, o surgimento desse processo
foi um dos eventos mais marcantes na história da vida
no planeta. Na fotossíntese, os organismos utilizam energia luminosa e
produzem moléculas orgânicas a partir de moléculas
inorgânicas presentes no ambiente.
Provavelmente, o primeiro tipo de fotossíntese que surgiu no planeta foi
a fotossíntese anoxigênica, ou seja, sem
produção de oxigênio. Esse tipo de fotossíntese é realizado atualmente
por sulfobactérias que vivem em locais com abun-
dância de enxofre. Os reagentes utilizados nesse processo são o gás
carbônico (fonte de carbono) e o sulfeto de hidrogênio
(fonte de hidrogênio), e os produtos são matéria orgânica e enxofre, como
observado na equação a seguir.

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=======
Questão 6

6 CO2 + 12 H2S +
E

C6H12O6 + 12 S + 6 H2O

Gás Sulfeto de

Glicose
Enxofre Água

carbônico hidrogênio Energia

luminosa
Equação química da fotossíntese anoxigênica.
A fotossíntese oxigênica, ou seja, capaz de gerar oxigênio, teria surgido
há pouco menos de 3 bilhões de anos. Provavel-
mente, os primeiros organismos capazes de realizar esse processo foram
bactérias ancestrais das atuais cianobactérias (bacté-
rias fotossintetizantes). Nesse tipo de fotossíntese, os seres vivos são
capazes de produzir matéria orgânica e gás oxigênio (O2)
a partir de gás carbônico, água e energia luminosa.

=========================================================================
=======
Questão 6

6 CO2 + 12 H2O +
E

C6H12O6 + 6 O2 + 6 H2O

Gás
Água
Glicose
Gás
Água

carbônico

Energia

oxigênio

luminosa
Equação química da fotossíntese oxigênica.
A ocorrência desse processo foi fundamental para a manutenção da vida na
Terra, pois sabemos que organismos fotossin-
tetizantes sempre ocupam a base das teias alimentares terrestres e
aquáticas. Porém, é importante destacar que, até então, o
gás oxigênio não estava presente no planeta (ao menos não em grandes
concentrações). A proliferação dos organismos fotos-
sintetizantes trouxe como consequência o aumento da concentração desse
gás na atmosfera.

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AULA 2: Origem da vida


Biologia • Frente 2

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Questão 574

574
Esse fenômeno tornou a atmosfera altamente oxidante e extremamente
perigosa para os seres vivos da época, causando
morte e extinção de diversas espécies. Muitos organismos, entretanto,
conseguiram sobreviver, já que tinham sistemas quími-
cos antioxidantes que diminuíam a toxicidade do gás oxigênio. Algum tempo
depois, surgiram seres vivos capazes de aproveitar
o poder reativo desse gás para a produção de energia pelas células. Dessa
forma, surgiu a respiração aeróbia.
Saiba mais
Fotossíntese, camada de ozônio e ocupação do ambiente terrestre
A fotossíntese mudou para sempre a evolução dos seres vivos na Terra.
Além da produção de matéria orgânica, res-
ponsável pela manutenção das teias alimentares, outra grande consequência
desse processo foi a liberação de gás oxigê-
nio, que foi se concentrando na atmosfera terrestre. O aumento da
concentração desse gás permitiu a formação de uma
camada de proteção, conhecida como camada de ozônio. Essa camada
localiza-se na estratosfera, entre 15 km e 50 km
de altitude, e é formada principalmente por gás ozônio (O3), originado a
partir do gás oxigênio. Ela bloqueia a entrada dos
raios UVB provenientes do Sol, que são altamente energéticos e letais
para a maioria dos seres vivos. Somente nos últimos

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Questão 800

800 milhões de anos é que a camada de ozônio possibilitou a ocupação do


ambiente terrestre pelos seres vivos, sem
que eles fossem prejudicados pelos efeitos nocivos dos raios UVB solares.
Até então, a vida estava restrita a locais muito
protegidos, como mares e lagos.

A respiração aeróbia é um processo bioquímico em que ocorre a oxidação


controlada de moléculas orgânicas, com a uti-
lização de gás oxigênio, para a produção de energia utilizada no
metabolismo celular. A célula utiliza matéria orgânica, como a
glicose, e gás oxigênio para a produção de gás carbônico, água e energia.
C6H12O6 + 6 O2

=========================================================================
=======
Questão 6

6 CO2 + 6 H2O +
E

Glicose
Gás
Gás
Água

oxigênio
carbônico

Energia
Equação química da respiração aeróbia.
Quando comparada à fermentação, a respiração aeróbia libera uma
quantidade muito maior de energia, o que permitiu o
crescimento e a diversificação dos organismos aeróbios na Terra. Além
disso, a equação da respiração aeróbia é praticamente
inversa à da fotossíntese, estabelecendo um equilíbrio dinâmico entre
esses dois processos que já devia ocorrer há cerca de
dois bilhões de anos.
Hipótese autotrófica
Como já foi mencionado, há bilhões de anos a superfície terrestre era
inóspita e imprópria para a sobrevivência dos pri-
meiros seres vivos. Diante dessas condições, segundo a hipótese
autotrófica, a vida deve ter surgido em locais extremamente
protegidos e isolados, como o assoalho dos oceanos primitivos. Nesses
ambientes não existia energia luminosa, pois a luz não
penetra no oceano além de 200 metros de profundidade. Dessa forma, os
primeiros organismos da Terra deveriam ter sido
autótrofos, ou seja, produziam seu próprio alimento, mas não realizavam
fotossíntese, visto que não existiria energia luminosa
capaz de sustentá-la nesses locais. O processo usado seria a
quimiossíntese, em que os seres vivos, dispondo de pouco ou
nenhum oxigênio, obtinham energia por meio de reações químicas entre
compostos inorgânicos e conseguiam, dessa maneira,
produzir seu alimento.
FeS + H2S
FeS2 + H2 +
E

Sulfeto
Sulfeto de
Dissulfeto
Gás

de ferro
hidrogênio
de ferro hidrogênio Energia
Equação química entre o sulfeto de ferro e o sulfeto de hidrogênio com
liberação de energia, um processo quimiossintético.
Uma evidência que fortalece essa hipótese é a presença de seres vivos
autótrofos quimiossintetizantes em ambientes
extremamente desfavoráveis e protegidos, como as fontes hidrotermais
submarinas. Em 1977, cientistas descobriram, nas
profundezas do oceano, comunidades de seres vivos nas proximidades das
fontes hidrotermais submarinas, locais onde ocorre
liberação de gases quentes e sulfurosos provenientes do interior do
planeta.

====PAGE 73====

AULA 2: Origem da vida


Biologia • Frente 2

=========================================================================
=======
Questão 575

575
As fontes hidrotermais submarinas apresentam ca-
racterísticas muito peculiares e, provavelmente, seme-
lhantes às que eram encontradas no planeta primitivo,
como abundância de compostos sulfurosos e compostos
contendo ferro, além de temperaturas extremamente
elevadas. Esse fato fortalece a hipótese de que o primeiro
organismo foi uma bactéria autótrofa quimiossintetizan-
te, semelhante a das fontes termais.

=========================================================================
=======
Questão 1

1 UPE 2022 Desde a Antiguidade, o ser humano procura


saber a origem da vida. O quarto do Cascão lembra uma “re-
ceita” antiga para produzir seres vivos, a qual mostrava como
produzir ratos a partir de uma camisa suada e suja, colocada
com grãos de trigo, em um local protegido.
Disponível em: [Link]
(Adaptado). Acesso em: jun. 2021.
Sabe-se atualmente que os ratos aparecem nos ambientes
por atração, em razão da mistura de sujeira e restos de ali-
mento, e não a partir dela. Assinale a alternativa que apre-
senta CORRETAMENTE o cientista criador da “receita” e
a teoria a ela relacionada.
A
Anton van Leeuwenhoek — teoria da geração
espontânea.
B
Francesco Redi — teoria da biogênese.
C
Jan van Helmont — teoria da abiogênese.
D
John Needham — teoria da abiogênese.
E
Lazzaro Spallanzani — teoria da biogênese.

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=======
Questão 2

2 UFT-TO 2024 Cientistas propuseram no passado receitas


para explicar a origem da vida. Considere o exemplo da recei-
ta a seguir para gerar bem-te-vis.
Juntem-se fios de hastes secas de capim dourado numa
bacia de cerâmica que contenha doce de buriti durante duas
semanas, e ao final desse período, surgirão na bacia as aves
adultas machos e fêmeas.
Assinale a alternativa que indica a teoria da origem da vida
que explica o princípio expresso no trecho.
A
Biogênese.
B
Fotossíntese.
C
Seleçã o natural.
D
Geraçã o espontânea.

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=======
Questão 3

3 Uece 2020 Evidências científicas apontam que a Terra se


originou há 4.5 bilhões de anos. Em relaçã o às teorias sobre
a origem da vida na Terra, é correto afirmar que
A
Louis Pasteur (1822-1895), médico francês, realizou
experimentos em frascos de vidro, do tipo pescoço
de cisne, para demonstrar que a abiogênese era uma
teoria equivocada.
B
Aristóteles, filósofo da antiguidade, acreditava que al-
guns seres vivos apareciam por geraçã o espontânea, se-
guindo o princípio da biogênese.
C
Francesco Redi (1926-1697), biólogo italiano, demons-
trou que larvas de moscas que surgiam em pedaços de
carne em decomposiçã o nasciam de ovos colocados por
organismos já existentes, corroborando a abiogênese.
D
Jean Baptist van Helmont (1577-1644), médico e quí-
mico belga, produziu uma receita para o nascimento de
camundongos por biogênese, misturando camisas sujas
e grãos de trigo.

=========================================================================
=======
Questão 4

4 UEM/PAS-PR 2020 Considerando as teorias da origem


da vida e as bases moleculares da vida, assinale o que
for correto.

=========================================================================
=======
Questão 1

01 A maioria dos seres vivos obtém energia por meio da


transformaçã o química da glicose.

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=======
Questão 2

02 A sequência lógica da composiçã o química e dos níveis


de organizaçã o dos seres vivos é: átomo ñ molécula ñ
célula ñ tecido ñ órgão ñ sistema ñ organismo ñ
populaçã o ñ comunidade ñ ecossistema.

=========================================================================
=======
Questão 4

04 A reaçã o a seguir é uma reaçã o de decomposiçã o e re-


presenta a teoria pela qual os organismos fermentadores
obtêm energia. FeS 1 H2S ñ FeS2 1 H2 1 energia

=========================================================================
=======
Questão 8

08 No experimento de Miller, foi constatado que a combina-


çã o de substâncias simples submetidas à energia lumino-
sa dá origem a substâncias compostas.

=========================================================================
=======
Questão 16

16 No organismo, todos os sais minerais estão dissolvidos


em água.
Soma:

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AULA 2: Origem da vida


Biologia • Frente 2

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Questão 576

576

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Questão 5

5 UPE 2023 “A vida que se desenvolveu na Terra reflete a


natureza do nosso planeta”, relatam os biólogos Sônia Lopes
e Sérgio Rosso (2013). Um conjunto de condições incrivel-
mente raras permitiu que a vida surgisse em nosso planeta
a partir de moléculas orgânicas e reações químicas. Todos os
organismos vivos que conhecemos são compostos de bio-
polímeros como proteínas, ácidos nucleicos, polissacarídeos
e lipídeos.
A teoria da origem da vida por evolução química foi elaborada
de maneira independente na década de 1920 por -Aleksandr
Ivanovich Oparin e John Burdon Sanderson Haldane. Entre-
tanto, a hipótese da evolução só foi testada em 1953 por
Stanley L. Miller e Harold C. Urey.
Para se chegar à hipótese da formação de moléculas orgâni-
cas, os cientistas criaram em laboratórios condições de uma
atmosfera primitiva e dos processos nela desencadeados.
Quais seriam as condições ideais, segundo esses cientistas?
A
Amônia, metano, hidrogênio e vapor d’água aquecidos
e resfriados, além de submetidos a descargas elétricas.
B
Grande quantidade de vapor d’água diluindo moléculas
orgânicas numa atmosfera aquecida e eletrificada.
C
Vapor d’água, gás carbônico e óxido nitroso reagindo e
precipitando-se sob forte pressão atmosférica.
D
Diferentes moléculas orgânicas se combinando catalisa-
das por descargas elétricas e temperaturas baixas.
E
Gases do efeito estufa e partículas submetidas à radia-
ção infravermelha, sob forte pressão atmosférica.

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=======
Questão 6

6 Uece 2022 Considerando as teorias sobre a origem da


vida, assinale a afirmação verdadeira.
A
Os experimentos de Louis Pasteur provaram a geração
espontânea da vida.
B
Francesco Redi afirmou que organismos complexos têm
origem a partir de matéria decomposta.
C
Stanley Miller e Harold Urey provaram que microrganis-
mos surgem apenas de outros microrganismos.
D
A teoria da biogênese admitia que a vida surgia através
de outra pré-existente.

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=======
Questão 1

1 Uema/Paes 2023 Um time de cientistas anunciou a desco-


berta de dois planetas, com características similares à Terra,
embora sejam bem maiores. Um deles pode apresentar con-
dições propícias ao desenvolvimento de formas de vida. Am-
bos orbitam a estrela anã LP890-9, a cem anos-luz da Terra.
Os corpos celestes foram localizados pela Nasa e pela Univer-
sidade de Liège, na Bélgica, por meio dos telescópios Search
for habitable Planets EClipsing ULtra-cOOl Stars (SPECULLOS),
instalados no Chile e no arquipélago de Tenerife, na -Espanha.
A liderança da missão coube à astrofísica Laetitia -Delrez, da
Universidade de Liège. O primeiro planeta encontrado não
revelou muitas surpresas. O segundo, no entanto, intrigou os
cientistas. O LP 890-9c ou SPECULOOS-2c, com uma órbita
de 8,5 dias ao redor da estrela anã, se encontra numa zona
potencialmente habitável. Sua órbita permite que ele receba
uma quantidade de radiação solar parecida com a da Terra.
Além disso, pode haver água em sua superfície.
[Link]
super-terra-e-ela-pode-ser-habitada/.

Há 4 bilhões de anos, aproximadamente, a vida na Terra sur-


giu, a partir de um conjunto de fatores que a transformou
física e quimicamente. Várias são as teorias científicas que
procuram explicar a origem dos primeiros seres vivos. As teo-
rias aceitas, hoje, são conhecidas como Teoria
A
da Abiogênese e Teoria da Panspermia.
B
da Panspermia e Teoria do Big Bang.
C
da Epigenética e Teoria da Panspermia.
D
da Evolução Química e Teoria do Big Bang.
E
da Evolução Química e Teoria da Panspermia.

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=======
Questão 2

2 UEPG-PR 2020 No intuito de determinar como a vida sur-


giu em nosso planeta, muitas hipóteses e teorias foram gera-
das. Sobre esse tema, assinale o que for correto.

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=======
Questão 1

01 A ideia de que a vida pode surgir regularmente da maté-


ria sem vida é conhecida como teoria da abiogênese ou
geração espontânea.

=========================================================================
=======
Questão 2

02 O pesquisador Stanley Miller simulou em laboratório


as condições que supostamente ocorriam na Terra pri-
mitiva, a fim de mostrar que as primeiras moléculas
orgânicas poderiam ser formadas a partir dos gases da
Terra primitiva.

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=======
Questão 4

04 Segundo a hipótese heterotrófica, os primeiros seres vi-


vos obtinham energia a partir da fermentação de molé-
culas orgânicas simples.

=========================================================================
=======
Questão 8

08 Segundo a hipótese autotrófica, a quimiossíntese –


processo autotrófico que permite a obtenção de ener-
gia a partir de substâncias inorgânicas – surgiu antes
da fermentação.
Para APRIMORAR

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AULA 2: Origem da vida


Biologia • Frente 2

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Questão 577

577

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=======
Questão 16

16 O experimento de Louis Pasteur deu apoio à teoria da


abiogênese, uma vez que evidenciou o crescimento
de microrganismos a partir de um caldo de carne man-
tido em frascos hermeticamente fechados.
Soma:

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=======
Questão 3

3 OBB 2020 Observe o gráfico abaixo que representa a va-


riação na porcentagem de oxigênio na atmosfera ao longo
do tempo:
Dias
de hoje
Nível de O2 na atmosfera (%)
Tempo (bilhões de anos)

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=======
Questão 20
20

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=======
Questão 10

10

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=======
Questão 4

4,6

=========================================================================
=======
Questão 3

3,6

=========================================================================
=======
Questão 2

2,6

=========================================================================
=======
Questão 1

1,6

=========================================================================
=======
Questão 0

0,6
Formação
de oceanos
e conƟnentes
Evento 1
Evento 2
De acordo com o gráfico e os seus conhecimentos prévios, os
eventos 1 e 2 devem se relacionar, respectivamente, a:
A
origem da vida / origem da fotossíntese.
B
origem da vida / origem da respiração aeróbica.
C
primeiro eucarionte / primeiro procarionte.
D
origem da fotossíntese / origem da respiração aeróbica.
E
origem da fotossíntese / primeiro eucarionte.
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=======
Questão 4

4 Unit-SE 2020 Diz-se muitas vezes que todas as condi-


ções para a formação de um ser vivo estão presentes agora
como sempre estiveram. Mas se (e como é grande esse se!)
-pudéssemos imaginar que, nos dias de hoje, em alguma
-poçazinha tépida, com todos os tipos de sais amoniacais
e fosfóricos, luz, calor, eletricidade etc., um composto
proteico estivesse formado e pronto para sofrer mudanças
mais complexas, tal composto seria instantaneamente
devorado ou absorvido, o que não teria acontecido antes
do aparecimento dos seres vivos.
(BSCS, p. 95).
Embora a origem da vida não tenha se constituído um tema
central de investigação de Charles Darwin, ele não deixou de
se preocupar com o problema, como consta no texto.
Com base em dados experimentais e em especulações sobre
a origem da vida, analise as afirmativas e marque com V as
verdadeiras e com F, as falsas.
Os primeiros seres vivos realizavam a síntese orgânica
utilizando sais amoniacais e fosfóricos e dispondo de
energia luminosa.
Uma atmosfera tempestuosa e com gases simples se-
ria uma suposta condição que propiciou o surgimento
da vida.
Os primeiros seres vivos teriam uma organização similar
à dos vírus atuais.
A origem da vida na Terra pode ser explicada pelas ideias
contidas na Teoria da Biogênese defendida por Pasteur.
Ácidos nucléicos simples deveriam fazer parte da com-
posição química dos primeiros seres vivos.
A alternativa que contém a sequência correta, de cima para
baixo, é a
A
F F V V F
B
F V F F V
C
F V V V F
D
V F V F V
E
V V F V F

====PAGE 76====

Você sabia que as baleias modernas fazem parte do grupo de animais


tetrápodes, ou seja, que apresentam quatro patas?
Os ancestrais das baleias, há cerca de 50 milhões anos, exploraram
ambientes aquáticos utilizando todos os quatro membros
para nadar. As baleias modernas, entretanto, nadam por meio de ondulações
que envolvem o corpo todo e utilizam suas nada-
deiras, membros anteriores modificados, apenas para direcionar o
movimento. Os membros posteriores são ausentes, mas, no
esqueleto de muitas delas, podem ser encontrados ossos pélvicos
atrofiados. A presença desses ossos é uma evidência cientí-
fica da evolução biológica das baleias ao longo das gerações, indicando
que elas fazem parte do grupo de animais tetrápodes.
Evolução e especiação
AULA

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Questão 3

3
Biologia • Frente 2

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Questão 578

578
Evolução biológica
Evolução biológica é o conjunto de modificações here-
ditárias que ocorrem nas características das populações ao
longo das gerações. Esse processo possibilita a contínua pro-
dução de diversidade de formas de vida no decorrer do tem-
po, conforme as espécies são selecionadas pelas condições
ambientais. De uma forma bem simples, podemos descrever
evolução como sobrevivência e descendência com modi-
ficações, uma das principais formulações de Charles Darwin
(1809-1882) sobre o processo evolutivo. Hoje, existem duas
perspectivas complementares sobre a evolução biológica: a
seleção natural, de Darwin, e a seleção neutra de polimorfis-
mos genéticos. No entanto, a segunda visão é estudada ape-
nas no Ensino Superior. É importante destacar que evolução
não significa melhora, aumento de complexidade ou algo
positivo, pois, em alguns casos, estruturas podem regredir e
se atrofiar ou mesmo haver simplificação em processos ou
estruturas biológicas. Evolução deve ser simplesmente enten-
dida no contexto do transformismo, ou seja, as espécies são
modificadas ao longo do tempo.
Contexto histórico do evolucionismo
A principal ideia que predominou por muito tempo entre
os naturalistas foi o fixismo. De acordo com ela, os seres vivos
seriam imutáveis, ou seja, não se alteram ao longo das gera-
ções e, como consequência, o número de espécies no planeta
seria fixo. Nesse sentido, a maior parte dos naturalistas adep-
tos ao fixismo também defendia a ideia do criacionismo como
o fenômeno que tornou possível, de uma só vez e de maneira
permanente, a criação das espécies por uma força divina.
Entretanto, várias evidências científicas, como os fósseis,
sugerem que o planeta em que vivemos foi habitado por orga-
nismos bem diferentes dos organismos atuais e que não exis-
tem mais, como os antigos dinossauros. Diante do acúmulo
de evidências científicas ao longo do século XVIII, a hipótese
de transformação das espécies, conhecida como transfor-
mismo ou transmutação, passou a ser defendida por alguns
cientistas para explicar a diversidade de espécies e a existên-
cia de fósseis de organismos diferentes dos organismos atuais.
No entanto, foi apenas no século XIX que foram publicados os
primeiros trabalhos científicos que buscavam explicar as modi-
ficações dos seres vivos ao longo das gerações e o surgimento
de novas espécies a partir de espécies ancestrais. Esses traba-
lhos começaram a estabelecer a base da teoria da evolução
das espécies, atualmente conhecida como evolucionismo.
Um dos primeiros cientistas que publicou trabalhos pro-
pondo hipóteses baseadas na transformação das espécies
ao longo do tempo foi o naturalista francês Jean-Baptiste
Lamarck (1744-1829). As ideias de Lamarck provocaram
muitas discussões no meio científico e permitiram que o co-
nhecimento sobre a transformação das espécies fosse gene-
ralizado. Todavia, a história do evolucionismo alavanca com
os trabalhos do naturalista britânico Charles Darwin. É impor-
tante notar que seu avô paterno, chamado Erasmus Darwin
(1731-1802), era da escola evolutiva transformista e anteci-
pou, de certo modo, uma ideia de seleção natural, propondo
que todos os animais de sangue quente teriam surgido e se
diferenciado a partir de uma única forma.
As ideias de Darwin sobre evolução tiveram um gran-
de impacto na comunidade científica da época, tornando
Darwin um dos cientistas mais influentes de todos os tem-
pos. Os avanços da Biologia Celular e da Genética, ao lon-
go do século XX, permitiram aos cientistas compreender os
mecanismos de hereditariedade, até então desconhecidos,
e as causas das diferenças genéticas entre os organismos de
uma mesma população. Surge então, na década de 1930, a
teoria sintética da evolução, que é a ideia atualmente mais
aceita pela comunidade científica para explicar a evolução
biológica de todas as espécies de seres vivos.
C1 | H3
C4 | H14, H15 e H16
C5 | H17
C6 | H28

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AULA 3: Evolução e especiação


Biologia • Frente 2

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=======
Questão 579

579
Saiba mais
Coevolução
O termo coevolução refere-se ao fenômeno em que
duas espécies evoluem juntas, uma selecionando carac-
terísticas fenotípicas da outra. É o caso dos beija-flores
e das flores polinizadas por eles. Os animais têm bico e
língua longos e finos, o que os possibilita acessar o néc-
tar que, em muitos casos, fica escondido na base de um
tubo longo e fino formado pelas pétalas das flores. A co-
evolução também pode ser obervada entre predadores
e suas presas, bem como entre parasitas e seus respec-
tivos hospedeiros.
Evidências da evolução biológica
Como mencionamos anteriormente, a descoberta de
fósseis foi uma das primeiras evidências que levou cientistas
a questionarem a ideia do fixismo. Porém, com o desenvol-
vimento científico e tecnológico, diversas outras característi-
cas dos seres vivos passaram a ser consideradas evidências
que podem ser estudadas para compreender e sustentar a
ideia de evolução biológica das espécies. Em nosso estudo,
estudaremos as seguintes evidências: fósseis, embriologia
comparada, estruturas vestigiais, estruturas homólogas, es-
truturas análogas e bioquímica comparada.
Fósseis
Chamamos de fósseis (do latim fossilis, extraído da terra)
os restos de seres vivos que viveram no passado ou vestí-
gios deixados por eles. Muitas vezes, podem ser encontradas
partes do corpo do organismo de difícil decomposição, como
ossos, dentes e conchas, ou apenas vestígios da presença
desses organismos, como fezes, pegadas, mordidas, túneis
ou trilhas.
Os fósseis são relativamente raros, pois são formados
apenas em condições específicas, como pH ácido, tempera-
turas baixas e ausência de oxigênio. Essas condições impe-
dem a degradação dos cadáveres ou dificultam o acesso de
consumidores e/ou decompositores. O processo de forma-
ção de fósseis é denominado fossilização.
Um exemplo de fossilização ocorre quando restos
de organismos são soterrados por sedimentos, como ar-
gila ou areia, em ambientes aquáticos. Com o passar do
tempo, os sedimentos depositados sobre os organismos
podem se compactar e formar uma rocha sedimentar. No
interior da rocha, sob determinadas condições de tempe-
ratura e pressão, o ambiente se torna desfavorável para a
decomposição. Assim, os restos do organismo podem ser
mineralizados, formando um fóssil.
Representação esquemática do processo de fossilização em um
ambiente aquático. (A) O peixe A morre e inicia-se a deposição
de sedimentos sobre ele. (B) Ocorre a formação do fóssil A, mais
antigo, e a morte do peixe B. (C) Ocorre a formação do fóssil B,
em uma camada de sedimentos mais recente.
A
B
C
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Fósseis intactos são muito raros, mas podem ser encon-
trados no gelo ou na resina endurecida de plantas. Nas geleiras
da Sibéria já foram encontrados diversos fósseis de mamute,
alguns com mais de 40 mil anos, com carne e pele relativa-
mente bem preservadas. Em resina fossilizada produzida por
pinheiros, denominada âmbar, é possível encontrar fósseis de
organismos que viveram há milhões de anos, como insetos.
Exemplos de fósseis. (A) Fóssil de filhote de mamute (cerca de

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=======
Questão 85

85 cm de altura) que viveu há cerca de 42 mil anos e foi encon-


trado em 2007. (B) Inseto bem preservado em resina petrifica-
da, conhecida como âmbar (cerca de 3 cm de comprimento).
A
B
AGEphotography/[Link]
Kirill Skorobogatko/[Link]
Para os cientistas determinarem a idade de um fóssil, é
possível analisar o decaimento de isótopos radioativos. Esse
tipo de datação é conhecido como datação radiométrica, ou
absoluta, pois permite estabelecer, com relativa precisão, há
quanto tempo um fóssil existe. O carbono-14 (14C) é um dos
isótopos mais usados para fazer datação.
Embriologia comparada
Quando se compara o desenvolvimento embrionário de
estruturas com organização anatômica semelhante em di-
fe ren tes espécies, observa-se que elas se originam e se
desenvolvem de maneira muito parecida. Isso ocorre porque
é nessa fase do desenvolvimento que é definido o plano bá-
sico da organização corporal dos organismos, herdado de um
ancestral comum. Nesse sentido, o estudo da embriologia
comparada pode revelar informações a respeito do paren-
tesco evolutivo entre as espécies estudadas, pois, quanto
maior a semelhança no desenvolvimento embrionário, maior
será a proximidade evolutiva entre elas.

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AULA 3: Evolução e especiação


Biologia • Frente 2

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=======
Questão 580

580
Essa semelhança pode ser observada, por exemplo, nos
embriões de répteis e mamíferos placentários. Os embriões
dos dois grupos têm saco vitelínico, âmnio e alantoide, anexos
embrionários que auxiliam o desenvolvimento do embrião em
ambiente terrestre, ou seja, fora do meio aquático. Isso é um
indício de que eles herdaram essas características de um an-
cestral comum, ou seja, que há uma relação filogenética próxi-
ma entre esses grupos. Já a placenta e o cordão umbilical são
estruturas especiais dos embriões de mamíferos placentários,
pois surgiram posteriormente na evolução dos tetrápodes. A
placenta não é considerada um anexo embrionário típico por-
que há contribuição de tecido materno em sua formação.
Representação esquemática dos embriões de répteis e de ma-
míferos placentários, com destaque para as estruturas compar-
tilhadas e para as estruturas exclusivas de cada um deles.
Mamíferos placentários
Répteis
Alantoide
Casca
Cordão
umbilical
Saco vitelínico
Vilosidades
coriônicas
Parede do útero
Placenta
Alantocório
Répteis
A
Saco
Sa
S
Répteis
Répteis
Répteis
p
Mamíferos placentários
e
C
u
nic
e
c
e
co
Mamíferos placentários
p
Embrião
Âmnio
Cório
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Atenção!
A placenta não é uma estrutura formada de modo
único, tampouco é exclusiva de mamíferos. A placenta
pode ser vitelínica (em tubarões), coriovitelínica (em
serpentes) e corioalantoidiana (em mamíferos, lagar-
tos e serpentes).
Estruturas vestigiais
As estruturas vestigiais, encontradas no corpo de diversos
seres vivos, são estruturas atrofiadas que perderam a sua fun-
ção original. Em outras espécies aparentadas, entretanto, estru-
turas equivalentes a essas podem continuar funcionais. Como
exemplo de estruturas vestigiais humanas temos o apêndice
cecal, o dente do siso, o cóccix e os músculos eretores da orelha.
As baleias são mamíferos que não têm membros poste-
riores, ou patas, ao contrário da grande maioria dos demais
componentes desse grupo. No entanto, a presença de ossos
pélvicos atrofiados no esqueleto de muitas delas indica que as
baleias descendem de ancestrais que tinham membros pos-
teriores desenvolvidos. Ao longo da evolução, ocorreu dimi-
nuição de tamanho dos membros posteriores, processo que
originou, milhões de anos depois, as baleias atuais.
Representação esquemática de estrutura vestigial: ossos pélvi-
cos atrofiados no esqueleto da baleia indicam que esses animais
tiveram um ancestral com membros posteriores desenvolvidos.
Ossos pélvicos
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Estruturas homólogas
Estruturas homólogas são estruturas que, em diferentes
organismos, apresentam semelhança estrutural e mesma
origem embrionária. Isso indica que as estruturas homólogas
derivam de outras já existentes em um ancestral comum ex-
clusivo do grupo estudado. Ou seja, a presença de homologia
supõe a existência de uma relação de parentesco evolutivo
entre os diferentes grupos que têm estruturas homólogas.
Apesar de apresentarem a mesma origem, estruturas
homólogas podem desempenhar diferentes funções nos
organismos. Isso acontece, por exemplo, com os membros
anteriores dos mamíferos, que podem ser adaptados para
natação nos leões-marinhos, para o voo nos morcegos ou
para a marcha nos cavalos. Apesar de apresentarem diferen-
tes funções, os membros anteriores desses mamíferos são
formados pelos mesmos grupos de ossos, indicando ances-
tralidade comum entre esses animais.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Byrdyak/
[Link]
GlobalP/
[Link]
Amadeu Blasco/[Link]
Eric Isselee/[Link]
Nadadeira
Asa
Pata
Ossos
Úmero
Rádio e ulna
Carpais
Metacarpais
Falanges
Representação esquemática dos ossos e dos membros anterio-
res de mamíferos placentários, como o leão marinho, o morcego
e o cavalo. Apesar de diferentes, os membros anteriores são for-
mados pelos mesmos ossos, o que indica forte relação de paren-
tesco evolutivo entre esses animais.

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AULA 3: Evolução e especiação


Biologia • Frente 2

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=======
Questão 581

581
Estruturas análogas
As estruturas que desempenham mesma função, mas
apresentam arranjos estruturais e origens embrionárias dis-
tintos. Essas estruturas exemplificam adaptações a modos
de vida semelhantes, mas não indicam parentesco evolutivo
entre os organismos.
Se compararmos as asas das aves, como a arara, e dos
insetos, como a abelha, fica evidente que ambas desempe-
nham a mesma função, que é possibilitar o voo. Essas es-
truturas, entretanto, têm diferentes origens embrionárias e
particularidades anatômicas dentro de cada grupo. As asas
das aves, por exemplo, são compostas de ossos e penas; já as
asas dos insetos são formadas apenas por quitina.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Asa de inseto
Asa de ave
Ossos
Penas
irin-k/[Link]
Passakorn_14/[Link]
Amadeu Blasco/
[Link]
enterphoto/[Link]
Representação esquemática da asa de um inseto, como a abe-
lha, e de uma ave, como a arara. Essas asas são exemplos de
estruturas análogas, pois têm a mesma função, mas apresentam
origem embrionária diferente.
Bioquímica comparada
Análises bioquímicas de compostos orgânicos dos se-
res vivos fornecem evidências do processo evolutivo e da
história da vida no planeta. Nesse sentido, quanto maior
for a semelhança bioquímica entre os organismos,
maior será o grau de parentesco evolutivo entre eles. Dois
grupos de compostos orgânicos comumente analisados e
comparados em estudos evolutivos são as proteínas e os
ácidos nucleicos.
O sequenciamento das bases nitrogenadas de determi-
nado gene existente em diferentes organismos pode forne-
cer indícios da proximidade filogenética entre eles: quanto
maior a semelhança entre as sequências de bases nitroge-
nadas, maior será o parentesco evolutivo entre as espécies
estudadas. Por meio de sequenciamento de DNA, sabemos
que o genoma humano apresenta maior grau de semelhan-
ça (98%) com o genoma do chimpanzé e do bonobo do que
com o de outros primatas vivos.
Evolução biológica de Lamarck
Jean-Baptiste Lamarck (1744-1829) foi um dos primeiros
naturalistas a propor uma teoria que explicasse a mudança
das espécies ao longo do tempo. Para ele, as espécies tende-
riam a um aumento de complexidade ao longo das gerações,
o que explicaria a origem de seres vivos mais complexos.
Lamarck defendia que a evolução é um processo teleológi-
co, ou seja, com um fim determinado, em que os organismos
se tornam mais perfeitos à medida que evoluem. Entre as
diversas obras em que Lamarck apresentou versões de sua
teoria evolutiva, a mais famosa é o livro Filosofia zoológica,
publicado em 1809. Ele reconheceu a influência ambiental
no papel evolutivo, indicando que o ambiente afeta a forma
e a organização corporal dos animais.
Para o naturalista, alterações ambientais criam a neces-
sidade do surgimento de modificações nos organismos. Ao
longo de muitas gerações, o acúmulo de modificações pode
determinar o surgimento de novos grupos de seres vivos.
Dessa forma, a transmutação das espécies – a evolução – se-
ria resultado do esforço dos organismos frente às alterações
ambientais, ocorrendo adaptação ativa nas espécies.
Apesar de não serem os pontos de destaque do seu pen-
samento sobre evolução das espécies, Lamarck ficou mais
conhecido por ter defendido, entre outras, duas leis que
explicavam a transformação dos seres vivos ao longo das
gerações: a lei do uso e desuso e a lei da transmissão dos ca-
racteres adquiridos.
Lei do uso e desuso
De acordo com a lei do uso e desuso, determinadas partes
do corpo podem se desenvolver, com o uso contínuo, ou atro-
fiar, no caso da falta de uso. Embora não tenha sido proposta
inicialmente por Lamarck, ele defendia amplamente a ideia de
uso e desuso. Para ilustrar essa lei, vamos ler um trecho do li-
vro Filosofia zoológica, no qual Lamarck explica o alongamento
dos membros anteriores e do pescoço nas girafas:
[...] A girafa vive em lugares onde o solo é quase invaria-
velmente seco e sem capim. Obrigada a comer folhas e bro-
tos no alto das árvores, ela é forçada, continuamente, a se
esticar para cima para alcançá-los. Este hábito, mantido por
longos períodos por todos os indivíduos da raça, resultou nas
pernas anteriores mais longas que as posteriores e o pescoço
tão alongado que a girafa pode levantar a cabeça a uma al-
tura de 6 metros, sem tirar as pernas anteriores do solo [...].
LAMARCK, J. B. P. A. M. Zoological Philosophy. Chicago: University of
Chicago, 1894. p. 122. Adaptado.
Outro exemplo utilizado por Lamarck para defender o
uso e desuso foi a cegueira e atrofia dos olhos de diversos
animais, como as toupeiras. Para o naturalista, a falta de uso
da visão nos ancestrais, que viviam em túneis sem luz, foi
responsável pela atrofia dos olhos e perda da visão nas tou-
peiras e em diversos outros animais subterrâneos.

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AULA 3: Evolução e especiação


Biologia • Frente 2

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Questão 582

582
Lei da transmissão dos caracteres adquiridos
De acordo com a lei da transmissão dos caracteres adquiridos, defendida
por Lamarck, todas as aquisições ou perdas de
órgãos impostas nos organismos por pressão das condições ambientais,
resultantes do uso e desuso, são preservadas na re-
produção, ou seja, transmitidas aos descendentes. Nesse sentido, Lamarck
supunha, por exemplo, que os ancestrais de girafas
que desenvolveram alguns centímetros a mais de pescoço, pelo uso
repetitivo do órgão ao longo da vida na busca de alimento
em ramos altos das árvores, transmitiriam essa característica a seus
descendentes.
Na época de Lamarck, pouco se sabia sobre a hereditariedade, fato que
facilitou a aceitação da lei de transmissão dos
caracteres adquiridos por vários naturalistas da época, inclusive por
Charles Darwin (1809-1882).
Representação do aumento do tamanho do pescoço nos ancestrais das
girafas, do ponto de vista de Lamarck.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
EreborMountain/[Link]
Ancestral com
pescoço curto
Esforço para comer
as folhas das árvores
Aumento do tamanho do
pescoço ao longo das gerações
Girafas atuais com
pescoço longo
Atenção!
A epigenética é uma área da genética que estuda as modificações no padrão
de atividade de genes ocasionadas pelo
estilo de vida dos organismos e transmitidas aos descendentes. Estudos de
genética molecular indicam que esse padrão
de atividade dos genes é modificado por meio da ativação de alguns deles
e da desativação de outros, mas sem que haja
modificação na sequência de bases do DNA. Esses resultados propiciaram a
retomada, na comunidade científica, de algo
próximo à herança dos caracteres adquiridos, defendida por Lamarck. No
caso, contudo, há herdabilidade de processos
genéticos regulatórios (regulação da expressão gênica) e não de
características adquiridas.

Evolução biológica de Darwin


No ano de 1831, Charles Darwin foi convidado para
uma viagem em um barco da Real Marinha Britânica, o HMS
-Beagle, comandado pelo capitão Robert FitzRoy (1805-1865).
A missão inicial era explorar a costa da América do Sul, indo
depois para a Nova Zelândia e a Austrália. A viagem durou
aproximadamente 5 anos.
Durante essa viagem, Darwin realizou escavações na Pa-
tagônia (Argentina), onde encontrou fósseis de mamíferos
já extintos, entre eles tatus e preguiças gigantes. Ele ficou
curioso com a presença desses fósseis em locais onde eram
encontrados organismos vivos semelhantes àqueles, porém
em escala reduzida. O naturalista esteve no Brasil por duas
vezes, nos trajetos de ida e volta, e ficou chocado com a es-
cravidão e, ao mesmo tempo, fascinado com a exuberância
da Floresta Tropical.
Darwin ficou quatro semanas em Galápagos, arquipéla-
go formado por ilhas pequenas e áridas no oceano Pacífico a
cerca de 970 km da costa ocidental da América do Sul. -Darwin
se impressionou com a fauna e a flora peculiares encontra-
das nas ilhas, como iguanas adaptadas ao mar, patolas-de-
-pés-azuis, jabutis gigantes e cactos arborescentes. Observou
que muitos organismos variavam ligeiramente de uma ilha
para outra, e diferiam bastante dos organismos encontrados
na América do Sul.

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AULA 3: Evolução e especiação
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Questão 583

583
Iguanas-marinhas (Amblyrhynchus cristatus, medem cerca de

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Questão 80

80 cm de comprimento) na ilha de Santa Cruz, uma das que


compõem o arquipélago de Galápagos.
Discover Marco/[Link]
Seleção natural
Em 1859, Darwin publicou a sua obra mais famosa, A
origem das espécies, em que expôs as suas principais ideias
sobre evolução biológica e origem das espécies. No seu
primeiro caderno de anotações sobre transmutação das es-
pécies, Darwin registrou, na forma de um esquema conhe-
cido como árvore da vida, a ideia de que todas as espécies
estão relacionadas evolutivamente em variados graus de
parentesco e compartilham um ancestral comum. Darwin
sugeriu que até mesmo a espécie humana teria relação de
ancestralidade e parentesco com outras espécies, como os
chimpanzés, ideia bastante criticada na época.
Árvore da vida: registro de
Charles Darwin indicando a
ideia de ancestralidade co-
mum entre os seres vivos.
Universidade de Cambridge,
Reino Unido
Saiba mais
Alfred Russel Wallace
Um dos principais incentivos para a publicação da
obra de Darwin foi uma carta de Alfred Russel -Wallace
(1823-1913), um naturalista britânico. Nessa carta,
Wallace expunha suas ideias sobre a evolução das espé-
cies e propunha um mecanismo que, embora menos ela-
borado, em essência, era igual à proposta de Darwin de
evolução por seleção natural. Darwin e Wallace chega-
ram a publicar juntos um artigo expondo suas ideias em
1858 e, atualmente, alguns cientistas preferem se referir
à teoria da evolução como teoria de Darwin-Wallace.

Ao se questionar sobre a diversidade de animais em ilhas


próximas, Darwin elaborou algumas respostas: descendência
com modificações e seleção natural. Para ele, as ilhas foram
colonizadas por espécies ancestrais submetidas a diferentes
pressões seletivas ao longo do tempo, dando origem a vá-
rias espécies.
Segundo a teoria darwinista, as espécies de tentilhões que
hoje habitam Galápagos originaram-se de uma única espécie
ancestral, vinda da América do Sul, que se diversificou e deu
origem a espécies distintas, adaptadas às condições particula-
res de cada uma das ilhas. Uma adaptação marcante é obser-
vada nos bicos dos pássaros, que variam na forma e tamanho.
Bicos mais fortes e robustos são encontrados em animais graní-
voros, adaptação que favorece a quebra de sementes grandes;
já bicos estreitos e afilados são encontrados em animais inse-
tívoros e facilitam a captura de insetos. Dessa forma, podemos
concluir que um dos principais fatores determinantes para a
diferença no tamanho e formato dos bicos desses pássaros foi
o tipo de alimento disponível em cada uma das ilhas.
Diferenças no bico dos tentilhões que habitam as ilhas Galápagos.
(A) O tentilhão terrícola da espécie Geospiza magnirostris tem
bico grande, adaptado para quebrar sementes grandes e duras
encontradas no solo. (B) O tentilhão da espécie Certhidea olivacea
tem bico pequeno e fino, adaptado para a captura de insetos
pousados nas plantas.
Agami Photo Agency/[Link]
MichaelStubblefield/[Link]
A
B
Saiba mais
Teoria malthusiana
Darwin foi amplamente influenciado pelas ideias do
livro Ensaio sobre o princípio da população, publi-cado em
1798 e escrito pelo economista inglês Thomas -Malthus
(1766-1834). Nesse livro, Malthus argumenta que o cres-
cimento sem controle da população humana poderia le-
var milhares de pessoas à morte por falta de alimento, pois,
enquanto a população humana crescia em escala geomé-
trica, a produção de alimentos crescia em escala aritmética.
Ele sugeriu, ainda, que esse princípio também faz parte das
mesmas leis que regem o crescimento das populações
de outras espécies de seres vivos. Alguns cientistas acre-
ditam que as conclusões de Malthus foram importantes
para as ideias de Darwin sobre “luta pela vida” e “sobre-
vivência dos mais aptos”, presentes em sua teoria sobre
evolução das espécies.

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AULA 3: Evolução e especiação


Biologia • Frente 2

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Questão 584

584
Darwin observou que as espécies de seres vivos, da mesma
maneira que a espécie humana, possuem um -grande -potencial
biótico, ou seja, uma ampla capacidade de crescimento popu-
lacional, mas que esse crescimento não é constatado na práti-
ca. Nesse sentido, ele concluiu que nem todos os organismos
que nascem conseguem sobreviver e se reproduzir, ou seja,
existe uma grande luta pela vida entre todas as espécies.
Outro fato observado pelo naturalista foi que as popula-
ções são formadas por indivíduos que se diferem em determi-
nadas características, as quais poderiam ser herdadas, ou seja,
passadas para gerações seguintes por meio da reprodução,
ideia que compõe uma das principais premissas de sua teoria.
O naturalista não conseguiu explicar, entretanto, como essa he-
rança acontecia, pois, naquela época, ainda não havia um co-
nhecimento robusto e/ou amplamente divulgado no campo da
Genética ou algum conhecimento sobre a existência do DNA.
Para Darwin, indivíduos de uma população que portam
características vantajosas em certo ambiente teriam mais
chances de sobreviver, de se reproduzir e, assim, transmitir
essas características aos descendentes em comparação aos
portadores de características menos vantajosas. Assim, es-
sas características passariam a predominar na população ao
longo do tempo, originando variedades e espécies novas, e
constituindo a ideia de descendência com modificação. O am-
biente, então, é que estabelece condições que favorecem ou
não a predominância de determinadas características.
Dessa forma, ocorre a seleção de organismos mais adap-
tados a determinada condição ambiental ao longo do tempo,
processo conhecido como seleção natural.
De uma forma geral, a expressão “mais adaptado” se refe-
re à maior probabilidade de um organismo sobreviver e gerar
descendentes em determinada condição ambiental, processo
conhecido como adaptação. Esse fato é evidente em diversos
seres vivos que apresentam modificações adaptativas condi-
zentes aos seus respectivos hábitats e condições ambientais.
Síntese moderna da evolução
Quando Charles Darwin propôs a seleção natural como
mecanismo condutor do processo evolutivo, reconheceu que
um dos pré-requisitos era a “descendência com modificações”.
No entanto, ele não conseguiu explicar as causas dessa varia-
bilidade herdável, já que naquela época não havia qualquer
conhecimento sobre material genético, DNA ou mutações.
A redescoberta das publicações de Mendel, no início
do século XX, e os avanços nas áreas da Biologia Celular e da
-Genética possibilitaram a descoberta das mutações e dos
mecanismos envolvidos na hereditariedade. Esse conjun-
to de conhecimentos fundamentou a explicação das causas
da descendência com modificações, condição fundamen-
tal para a evolução das espécies. Na década de 1930, os
resultados desses estudos culminaram no surgimento da
teoria moderna da evolução, também conhecida como
-neodarwinismo ou nova síntese. Essa nova proposta foi
-elaborada com base nas -contribuições de pesquisas realiza-
das por diversos -cientistas do mundo, -entre eles o britâni-
co Ronald Aylmer Fisher (1890-‐1962), o alemão -Ernst -Mayr
(1904-2005) e o ucraniano -Theodosius Dobzhansky (1900-
‐1975), autor da famosa frase: “Nada faz sentido na Biologia,
exceto à luz da evolução”.
Os estudos científicos indicaram que o processo evolu-
tivo pode ser descrito e verificado matematicamente – por
meio da alteração da frequência de genes nas populações ao
longo das gerações –, fato que trouxe maior credibilidade à
teoria da evolução proposta por Darwin no século XIX.
Fatores evolutivos
As populações de seres vivos apresentam determinado
conjunto de genes, que pode ser alterado pelos fatores evo-
lutivos. Alguns fatores evolutivos, como mutações e recombi-
nações gênicas, tendem a aumentar a variabilidade genética
das populações, enquanto outros, como seleção natural e
deriva gênica (mudança na frequência de uma variante gené-
tica devido ao acaso), tendem a diminuí-la.
Mutações
Mutações são alterações que ocorrem no material gené-
tico, geralmente no DNA, dos seres vivos. Elas sempre ocor-
rem ao acaso e representam a fonte primária de variabilidade
em todas as populações. De forma geral, essas alterações são
relativamente raras nas populações, uma vez que os seres vi-
vos possuem um eficiente mecanismo bioquímico de reparo
para corrigir erros que afetam o DNA. Elas podem ser espon-
tâneas, em decorrência de erros naturais do metabolismo
celular, ou induzidas por diferentes fatores mutagênicos (por
exemplo, raios UV solares, nicotina e vírus HPV).
As mutações cromossômicas são aquelas que afetam
a estrutura dos cromossomos ou a quantidade deles em
um organismo. Cromossomos são estruturas formadas por
DNA e proteínas que, nos organismos de uma mesma espé-
cie, apresentam tamanhos, formatos e número específicos.
Alterações na estrutura ou na quantidade de cromossomos
podem ocasionar doenças, como a trissomia do 13 (síndro-
me de Patau) em humanos, ou contribuir para a formação de
novas espécies ou raças de seres vivos.
As mutações gênicas são alterações que ocorrem na
sequência de bases nitrogenadas de um gene. Essas alte-
rações são responsáveis pelo surgimento de novas versões
do gene, denominadas alelos, que podem determinar novas
características nos organismos. Às vezes, essas característi-
cas melhoram a sobrevivência ou trazem alguma vantagem
reprodutiva, tendo o potencialde serem preservadas por se-
leção natural. Mas também há mutações gênicas que ocasio-
nam doenças ou diminuem a chance de reprodução. Há ain-
da mutações que, mesmo alterando alguma base do gene,
não afetam a sobrevivência ou a reprodução do indivíduo.
De qualquer forma, se essas novas mutações gênicas forem

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AULA 3: Evolução e especiação


Biologia • Frente 2

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Questão 585

585
transmitidas para as gerações seguintes, poderá ocorrer a
evolução da espécie.
Portanto, as mutações podem ser consideradas benéficas,
prejudiciais ou neutras. Um exemplo de mutação benéfica é a
que torna uma bactéria resistente a um antibiótico, aumentan-
do a capacidade de sobrevivência dela. Um exemplo de mutação
prejudicial é a que resulta no albinismo, que é a incapacidade do
organismo de produzir o pigmento melanina. E um exemplo de
mutação neutra é a alteração de uma base nitrogenada que não
resulte em mudança de aminoácido na proteína produzida.
Atenção!
Nos animais com reprodução sexuada, apenas
as mutações que ocorrem nas células germinativas
(precursoras dos gametas) têm efeito evolutivo, já
que podem ser transmitidas aos descendentes. Já as
mutações que ocorrem em células somáticas (não re-
produtivas), apesar de poder impactar a sobrevivência
deles, não apresentam nenhum efeito evolutivo, uma
vez que não são herdáveis.

A
B
Exemplos de animais albinos, considerados raros na natureza. (A)
Espécime albino da cobra-rato-do-Texas (Pantherophis obsoletus;
até 1,8 m de comprimento). (B) Espécime albino do esquilo-cinza
(Sciurus carolinensis; cerca de 25 cm de comprimento).
Murilo Gualda/[Link]
Tony Campbell/[Link]
Recombinações gênicas
As recombinações gênicas são as novas combinações
de genes que ocorrem nos descendentes. Nos organismos de
reprodução sexuada, a fecundação cruzada promove uma
mistura dos genes de diferentes indivíduos parentais na for-
mação dos descendentes, que nascem com uma combinação
genética única. Mas, além disso – antes mesmo da fecunda-
ção, ainda durante a meiose –, ocorrem outros dois fenôme-
nos responsáveis por recombinação gênica: a permutação e
a segregação independente dos cromossomos homólogos.
A permutação é a troca de segmentos entre cromosso-
mos homólogos que ocorre na meiose. Nesse processo, o
cromossomo de origem paterna troca segmentos com seu
homólogo de origem materna, originando -cromossomos
com novas combinações gênicas. Com essa permuta, é
-ampliada a variabilidade genética, fundamental para a di-
versidade dos descendentes.
A
B
a
b
Cromossomos
homólogos
Permutação
A
B
a
b
A
A
B
B
a
a
b
b
Novas combinações
gênicas nos cromossomos
Representação esquemática da permutação entre dois cromos-
somos homólogos. No caso, as novas combinações gênicas (Ab
e aB) resultam da permutação.
O outro momento da meiose que promove a variabili-
dade nos descendentes é a segregação independente dos
cromossomos homólogos. As células resultantes da meiose
(gametas ou esporos, dependendo do tipo de ciclo reprodu-
tivo) têm apenas metade dos cromossomos da célula-mãe.
Durante essa divisão celular, os cromossomos homólogos se
separam e, ao final, cada célula recebe apenas um cromos-
somo de cada par de homólogos. Essa separação ocorre de
forma aleatória e pode gerar uma infinidade de combinações
cromossômicas, contribuindo para a variabilidade genética.
Atenção!
O número de possíveis combinações de cromosso-
mos ao final da meiose pode ser calculado pela fórmula
2n, em que 2 indica que existe um par de cromossomos
homólogos (um cromossomo de origem paterna e ou-
tro de origem materna) e n indica o número de pares de
cromossomos presentes na espécie. De acordo com essa
fórmula, um humano (2n 5 46 cromossomos) é capaz de
produzir 223 combinações cromossômicas diferentes em
seus gametas. Nesse sentido, o encontro de gametas de
duas pessoas pode resultar em 246 combinações cromos-
sômicas diferentes (223 3 223). E isso sem contar a ocor-
rência de permutações!

Seleção natural
Seleção natural, conceito proposto por Wallace e Darwin
no século XIX, é um mecanismo evolutivo que resulta na re-
produção diferencial dos indivíduos de uma população em
certo ambiente. Nesse processo, organismos mais aptos ao
seu ambiente têm maior sucesso reprodutivo do que os me-
nos adaptados. Dessa forma, o ambiente atua como agente
de seleção, favorecendo organismos mais aptos a sobreviver
e se reproduzir naquelas determinadas condições.
A capacidade de sobrevivência dos seres vivos envolve
adaptações que os tornam mais bem-sucedidos em atividades

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AULA 3: Evolução e especiação


Biologia • Frente 2

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Questão 586

586
como conseguir alimento, defender-se de predadores ou até
mesmo resistir a condições adversas, como pH ácido e ausência
de oxigênio. Organismos mais aptos possuem maior chance de
sobrevivência até a idade reprodutiva, momento no qual pode-
rão transmitir essas adaptações aos seus descendentes.
Saiba mais
Seleção sexual
Um tipo especial de seleção natural é a seleção se-
xual, abordada por Charles Darwin em algumas páginas
de seu livro A origem das espécies, para explicar a sele-
ção de caracteres aparentemente não vantajosos e até
mesmo prejudiciais à sobrevivência, como cores chama-
tivas, caudas longas ou chifres enormes. De acordo com
Darwin, essas características teriam sido selecionadas
não por serem adaptações ao ambiente, mas por ajuda-
rem na obtenção de parceiros sexuais.
Exemplos de características favorecidas pela seleção sexual.
(A) Penas coloridas e marcantes no macho de pato-mandarim
(Aix galericulata, cerca de 45 cm de comprimento). (B) Chifres
grandes e desenvolvidos de um alce (Alces alces, até 2,1 m de
altura) macho.
A
B
Bebedi/[Link]
David Drake/[Link]
Tipos de seleção natural
Nos organismos, existem diversas características – como o
tamanho, o peso e a cor – cujo fenótipo varia continuamente,
dentro de certo intervalo, ou se apresenta em certo número
de classes ordenadas. Dependendo dos fenótipos que são fa-
vorecidos pelo ambiente, a seleção natural pode ser classifica-
da em três tipos: estabilizadora, direcional e disruptiva.
Fenótipo: características observáveis de um organis-
mo, resultantes da ação de fatores genéticos e ambien-
tais. Como exemplo, temos a altura, o tipo sanguíneo e
a capacidade de digerir lactose, entre diversas outras
características bioquímicas, morfológicas, fisiológicas e
comportamentais presentes nos seres vivos.
Para explicar os tipos de seleção natural, utilizaremos a
coloração da pelagem de uma espécie hipotética de roedor.
Nessa espécie, os organismos podem apresentar pelagem
das seguintes cores: branca (fenótipo extremo); cinza-claro;
cinza-médio (fenótipo intermediário); cinza-escuro; ou preta
(fenótipo extremo). A frequência desses fenótipos na popu-
lação original pode ser observada no gráfico abaixo.
População
original
Frequência de
organismos
Classes fenotípicas
REECE, J. B. et al. Biologia de Campbell. 10. ed. Porto Alegre: Artmed,
2015.
Gráfico indicando a frequência relativa das classes fenotípicas (cor
da pelagem) de uma população de roedores, sem atuação de se-
leção natural sobre essa característica.
Seleção estabilizadora
Esse processo de seleção favorece os indivíduos com fe-
nótipo intermediário. Podemos observar, no gráfico a seguir,
que há aumento no número de roedores com pelagem cin-
za-médio (fenótipo intermediário) e diminuição no número
dos que têm pelagem branca e pelagem preta (fenótipos ex-
tremos). Em humanos, por exemplo, a seleção estabilizadora
atua no peso dos recém-nascidos, desfavorecendo os que
nascem mais leves ou mais pesados do que a média ideal.
Frequência de organismos
Classes fenotípicas
População original
População modificada
REECE, J. B. et al. Biologia de Campbell. 10. ed. Porto Alegre: Artmed,
2015.
Gráfico indicando a frequência relativa das classes fenotípicas
(cor da pelagem) de uma população de roedores submetida à
seleção estabilizadora.
Seleção direcional
Quando a seleção favorece apenas determinado fe-
nótipo extremo, ocorre a seleção direcional. Podemos
observar, no gráfico da próxima página, que há aumento
no número de roedores com pelagem escura e diminuição
no número dos que possuem pelagem clara. Esse tipo de
seleção ocorre, por exemplo, quando se usam agrotóxicos
contra insetos, resultando no aumento do número de or-
ganismos resistentes aos inseticidas.

====PAGE 85====

AULA 3: Evolução e especiação


Biologia • Frente 2

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Questão 587
587
Frequência de organismos
Classes fenotípicas
População
original
População
modificada
REECE, J. B. et al. Biologia de Campbell. 10. ed. Porto Alegre: Artmed,
2015.
Gráfico indicando a frequência relativa das classes fenotípicas
(cor da pelagem) de uma população de roedores submetida à
seleção direcional.
Seleção disruptiva
Se os fenótipos extremos forem favorecidos, ocorre a se-
leção disruptiva. Podemos observar, no gráfico a seguir, que
há aumento no número de roedores com pelagem escura e
com pelagem clara, e há diminuição no número dos que pos-
suem pelagem cinza-médio (fenótipo intermediário). Esse
tipo de seleção ocorreu, por exemplo, em uma espécie de
tentilhão na África: aves com bico grande ou com bico pe-
queno (fenótipos extremos) têm maior sucesso reprodutivo
do que as com bico médio (fenótipo intermediário).
Frequência de
organismos
Classes fenotípicas
População
original
População
modificada
REECE, J. B. et al. Biologia de Campbell. 10. ed. Porto Alegre: Artmed,
2015.
Gráfico indicando a frequência relativa das classes fenotípicas
(cor da pelagem) de uma população de roedores submetida à
seleção disruptiva.
Conceito biológico de espécie
No século XVIII, o naturalista sueco Carolus Linnaeus
(1707-1778) empregou pioneiramente o termo “espécie” (do
latim species, tipo) em seu livro Sistema Natural para designar
um grupo de seres vivos que tem determinadas característi-
cas morfológicas típicas, ausentes em outros grupos, seme-
lhantes a um tipo ideal e imutável. Esse conceito é conhecido
como conceito morfológico de espécie e leva em conta ape-
nas aspectos físicos e morfológicos dos organismos. Ao lon-
go do tempo, o uso do termo foi sofrendo alterações e, na
atualidade, o conceito de espécie mais utilizado é o conceito
biológico de espécie, proposto pelo biólogo alemão-estadu-
nidense Ernst Mayr (1904-2005). De acordo com ele, espécie
representa um conjunto de populações cujos indivíduos são
capazes de cruzar entre si, em condições naturais, e gerar
descendentes viáveis e férteis, ao mesmo tempo que apre-
sentam interesterilidade, ou seja, estão reprodutivamente
isolados de organismos de outras espécies.
Atenção!
O conceito biológico de espécie não se aplica
para as espécies que se reproduzem apenas de forma
assexuada, como as bactérias, nem a fósseis, que não se
reproduzem mais. Nesses casos, as análises bioquímica
e morfológica são ferramentas frequentemente utiliza-
das para a identificação das espécies.
Contudo, as populações podem diferir quanto a deter-
minadas características, configurando grupos denominados
subespécies ou raças geográficas. Quando uma população
biológica cresce e passa a ocupar diferentes ambientes, as
subpopulações podem se modificar em decorrência de alte-
rações genéticas selecionadas e fixadas no grupo por meca-
nismos evolutivos, tais como a seleção natural, e se adaptar a
ambientes com condições distintas.
Isolamento de espécies
O isolamento reprodutivo surge como consequência do
processo de especiação e é um dos critérios utilizados para
distinguir as espécies. Esse processo ocorre quando existem
barreiras biológicas que impedem a reprodução, com forma-
ção de descendentes férteis, entre membros de diferentes
espécies. Os mecanismos de isolamento reprodutivo podem
ser agrupados em dois tipos: pré-zigóticos e pós-zigóticos.
Os mecanismos pré-zigóticos são aqueles que ocorrem antes
da fecundação, impedindo a formação do zigoto híbrido, isto
é, resultante do cruzamento de duas espécies. Esses meca-
nismos inviabilizam o encontro entre os indivíduos ou entre
os gametas deles. Existem diversos tipos de mecanismo pré-
-zigótico: ecológico, temporal, comportamental, mecânico e
gamético. Os mecanismos pós-zigóticos são aqueles que ocor-
rem depois da fecundação e da formação do zigoto híbrido.
Nesses casos, existem mecanismos que impedem o desenvol-
vimento completo do embrião ou (inviabilidade do híbrido),
ainda, que provocam a esterilidade dos descendentes (esteri-
lidade do híbrido).
Especiação
As mudanças evolutivas que ocorrem nas populações ao
longo das gerações podem ser responsáveis pela formação
de espécies distintas no decorrer do tempo. Se duas popu-
lações acumulam diferenças genéticas significativas a ponto

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AULA 3: Evolução e especiação


Biologia • Frente 2

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Questão 588

588
de não conseguirem mais manter um fluxo gênico, pode-se dizer que essas
populações já formam espécies diferentes. Dessa
forma, o processo de formação de novas espécies, também conhecido como
especiação, requer que o fluxo gênico entre as
populações seja interrompido para que ocorra o isolamento reprodutivo
entre elas.
Especiação alopátrica
Na especiação alopátrica (do grego allos, diferente, e patra, pátria ou
local de nascimento) ocorre isolamento geográfico,
no qual as populações são separadas por uma barreira física, como um rio
ou uma cadeia de montanhas. As barreiras físicas
podem ser formadas por terremotos, aumento do nível do mar, avanço ou
recuo de geleiras e até mesmo pelo processo res-
ponsável pela separação dos continentes, conhecido como deriva
continental. Esquilos que vivem no Grand Canyon (Estados
Unidos) são um exemplo de especiação alopátrica.
A população ancestral de esquilos, que vivia nas montanhas e no vale, foi
separada após o surgimento de uma barreira ge-
ográfica, o rio Colorado. Após a separação, passaram a existir duas
populações de esquilos, uma de cada lado do Grand Canyon.
Com o passar do tempo, fatores evolutivos, como mutações, recombinações
gênicas, seleção natural e deriva gênica,
atuaram nas populações, resultando no acúmulo de diferenças genéticas e
fenotípicas entre elas.
Após milhares de anos de separação, as diferenças entre as populações
foram tão significativas que houve isolamento
reprodutivo e, portanto, formação de duas espécies.
Representação esquemática do processo de especiação alopátrica que
ocorreu com esquilos no Grand Canyon,
nos Estados Unidos. (A) Isolamento geográfico. (B) Atuação de fatores
evolutivos. (C) Isolamento reprodutivo.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
População original
A
B
C
Populações diferentes
Raças diferentes
Espécies diferentes
Especiação simpátrica
Embora o isolamento geográfico seja fundamental na maioria dos casos de
especiação, em algumas situações pode ocorrer
a formação de novas espécies sem o surgimento de barreiras geográficas.
Nesses casos, o processo é denominado especiação
simpátrica (do grego syn, junto), na qual novas espécies surgem em uma
mesma área geográfica. No entanto, se a especiação é
um processo gradual, como o isolamento reprodutivo pode surgir em
populações cujos organismos são capazes de se encontrar?
A especiação simpática pode ocorrer, por exemplo, por meio da seleção
disruptiva associado a seleção sexual, processo
que favorece a seleção de organismos que apresentam os fenótipos extremos
de um caráter com diversidade fenotípica. Ao
longo do tempo, a seleção disruptiva pode promover a diferenciação de
conjuntos gênicos entre os organismos selecionados,
levando -os ao isolamento reprodutivo.
Saiba mais
Cladogênese e anagênese
Vimos que a evolução pode ser definida como a descendência com modifi-
cação de diferentes linhagens. Nesse sentido, a história evolutiva
envolve tanto
a ramificação de linhagens, chamada cladogênese, quanto as mudanças que
transcorrem dentro de cada linhagem, processo conhecido como anagênese.
A cladogênese é um processo por meio do qual duas ou mais linhagens
se originam de uma população ancestral, o que ocorre a partir do
rompimen-
to de fluxo gênico em uma população por meio, por exemplo, do surgimento
de uma barreira geográfica. Após a divisão da população inicial, as
populações
resultantes não trocam mais material genético, podendo ficar sujeitas a
pres-
sões evolutivas distintas, de acordo com as condições do ambiente, e
originar
linhagens diferentes entre si.
Anagênese
Tempo
Táxons
Cladogênese
A
B
C
Cladogênese
Cladograma mostrando o processo de anagê-
nese e a ocorrência de eventos de cladogênese.

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AULA 3: Evolução e especiação


Biologia • Frente 2

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Questão 589

589
Divergência e convergência adaptativa
A semelhança entre órgãos homólogos, como estuda-
mos no capítulo 1 desta frente, é explicada pela ancestralida-
de comum, mas as diferentes funções exercidas por eles em
diferentes espécies são explicadas pelo processo conhecido
como divergência adaptativa, ou irradiação adaptativa. Ao
longo da evolução de diferentes linhagens, ocorre a diver-
sificação dos órgãos homólogos, relacionados a diferentes
modos de vida e ambientes. A divergência adaptativa acon-
tece, por exemplo, quando uma população ancestral coloni-
za diversos hábitats, sendo submetida a diferentes pressões
seletivas. Como resultado, as populações se modificam,
apresentando diferenças fenotípicas.
Um exemplo clássico é o dos mamíferos placentários,
cujo ancestral comum exclusivo a esse grupo, semelhante
aos atuais roedores, deu origem a uma grande diversidade
de espécies com características diferentes. Uma delas pode
ser notada nos membros anteriores desses animais, que têm
mesma origem embrionária e são adaptados a diferentes ati-
vidades, como a natação, o voo ou a caminhada e a corrida.
Divergência adaptativa na for-
mação dos mamíferos placen-
tários. Os membros anteriores
desses animais estão adapta-
dos a diferentes funções, re-
lacionadas aos seus modos de
vida e hábitat.
Baleia
Morcego
Zebra
Mamífero placentário ancestral
Happy Whale/[Link]; CreativeNature_nl/
[Link]; Masato Hattori/Science Photo Library/
Fotoarena; anankkml/[Link]
A
B
A semelhança externa entre tubarões (A) e golfinhos (B), como o formato
hidrodinâmico do corpo e a presença de nadadeiras,
é resultado de um processo de convergência adaptativa.
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
bbevren/[Link]
O processo responsável pelo surgimento de estruturas
análogas, que apresentam diferentes origens embrionárias,
mas apresentam funções semelhantes, é conhecido como
convergência adaptativa ou evolução convergente. Por meio
desse processo, diferentes espécies podem apresentar se-
melhanças externas, morfológicas ou comportamentais
resultantes de uma mesma pressão seletiva exercida pelo
ambiente em que vivem.
Um exemplo de convergência adaptativa ocorre entre o
tubarão e o golfinho. Sabemos que características que con-
ferem semelhança externa a esses animais, como formato
hidrodinâmico e presença de nadadeiras, não podem ser
explicadas por ancestralidade comum, visto que o tubarão
pertence ao grupo dos condrictes (peixes cartilaginosos), e
o golfinho é um mamífero placentário. Nesse caso, a seme-
lhança externa é resultado da evolução dessas linhagens sub-
metidas à pressão seletiva exercida pelo ambiente aquático
em que vivem. O formato hidrodinâmico e a presença de na-
dadeiras são características que favorecem o rápido desloca-
mento na água.
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Já a anagênese é um processo evolutivo progressivo por meio do qual
características surgem e/ou se modificam em
uma linhagem, entretanto esse processo não resulta no surgimento de novas
linhagens. Em uma linhagem que passa por
anagênese, é observado o acúmulo de mudanças ao longo do tempo. Vale
salientar que o processo de anagênese pode
ocorrer concomitantemente a processos de cladogênese.

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AULA 3: Evolução e especiação


Biologia • Frente 2

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Questão 590

590

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Questão 1

1 Enem PPL 2022 Em muitos animais, machos e fêmeas da


mesma espécie apresentam diferenças morfológicas ou com-
portamentais evidentes. Um exemplo clássico de dimorfismo
sexual é o caso do pavão, em que o macho possui cauda vis-
tosa e penas coloridas, as quais estão ausentes nas fêmeas.
Em outras espécies, os machos possuem chifres, garras ou
dentes maiores do que as fêmeas, e utilizam essas estruturas
em combates físicos para defender territórios e ter acesso a
fêmeas coespecíficas e receptivas. Esse padrão de dimorfis-
mo evolui porque
A
desenvolve-se no processo direcional de deriva genética.
B
as fêmeas sofrem menor pressão seletiva total do am-
biente.
C
machos e fêmeas coespecíficos são fenotipicamente dis-
tintos.
D
a seleção sexual favorece o sucesso reprodutivo indivi-
dual de machos dimórficos.
E
o material genético de machos dimórficos é mais suscep-
tível a mutações gênicas.

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Questão 2
2 UFJF/Pism-MG 2021 Observe atentamente as duas figu-
ras abaixo:
Figura 1
Humano
Lagarto
Ave
Baleia
Figura 2
Borboleta
Águia
Fonte: Modificada de [Link]
Ambas as figuras colocam em destaque estruturas de diver-
sos grupos animais. Seu agrupamento foi realizado tomando
por base o campo da anatomia comparada.
a) Analise a seguinte frase: “Levando em conta os conceitos
da anatomia comparada, a figura 1 representa estruturas
_____ ”. Escreva uma palavra para substituir o espaço
em branco.
b) Analise a seguinte frase: “Levando em conta os conceitos
da anatomia comparada, a figura 2 representa estruturas
_____ ”. Escreva uma palavra para substituir o espaço
em branco.
c) Compare as estruturas respondidas no item (a) com as
estruturas respondidas no item (b), no que diz respeito
às suas origens embrionárias e funções.

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Questão 3

3 FMABC-SP 2022 A revista Science publicou um artigo descre-


vendo uma serpente dotada de quatro membros locomotores
que habitou a região onde hoje é o Araripe, no Ceará. O fóssil
encontrado confirma a hipótese de que as serpentes evoluíram
de uma linhagem de lagartos que, primeiramente, alongaram o
corpo para depois involuírem os membros locomotores.
Patas dianteiras
Patas traseiras
Conteúdo estomacal
fossilizado
A cobra inteira tinha 19,5 cm
([Link] Adaptado.)
Os fósseis exercem um importante papel para a compreen-
são dos processos evolutivos que originaram os diversos gru-
pos de seres vivos atuais, pois possibilitam
A
a comparação entre os genes das espécies ancestrais
e atuais.
B
a confirmação da necessidade constante de adaptação
das espécies.
C
a reconstrução parcial de espécies e de hábitat ancestrais.
D
a reconstituição completa dos eventos que originaram
cada táxon.
E
a previsão sobre o resultado dos processos evolutivos
atuais e futuros.

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Questão 4

4 UEPG/PSS-PR 2023 Jean-Baptiste Lamarck, Alfred Russel


Wallace e Charles Darwin foram naturalistas importantes
que, a partir de suas observações e estudos, propuseram teo-
rias evolutivas para destituir o conceito vigente na época de
que as espécies eram produções imutáveis e que foram cria-
das separadamente. Embora as propostas de Lamarck sejam
falhas, ele não deve ser reconhecido como o cientista que
errou. Lamarck foi um importante defensor das teorias evo-
lutivas, buscando quebrar o conceito do fixismo e deve ser
reconhecido como o primeiro a falar em adaptação. Segundo
Lamarck, o princípio evolutivo estaria baseado em duas leis
fundamentais: a lei do uso e desuso e a lei da transmissão dos
caracteres adquiridos. No que diz respeito às observações e
às leis propostas por Lamarck, assinale o que for correto.

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Questão 1

01 O uso e desuso sentencia que no processo de adaptação


dos organismos ao meio, o uso de determinadas partes
do corpo faz com que elas se desenvolvam, enquanto a
falta de uso (desuso) faz com que se atrofiem.

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AULA 3: Evolução e especiação


Biologia • Frente 2

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Questão 591

591

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Questão 2

02 Lamarck falhou em suas leis por não conhecer os tra-


balhos de Gregor Mendel, já existentes à época, e que
apresentavam um estudo comprobatório da herança por
mistura. Com as propostas de Mendel, a lei da transmis-
são dos caracteres adquiridos tem a sustentação de um
mecanismo hereditário.

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Questão 4

04 Lamarck foi o primeiro a afirmar que todas as mudan-


ças no mundo orgânico, assim como no inorgânico, são
produções divinas, e não podem ser contestadas por leis
da biologia.

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Questão 8

08 A lei da transmissão dos caracteres adquiridos sentencia


que alterações no corpo do organismo provocadas pelo
uso ou pelo desuso são transmitidas aos descendentes.
Soma:

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Questão 5

5 Uema 2019 A respeito das principais teorias evolucionistas,


a primeira tentativa de explicar a evolução biológica através
e uma teoria científica foi feita pelo naturalista francês Jean-
‐-Baptiste Lamarck (1744-1829). Segundo Lamarck, as trans-
formações das espécies dependeriam de dois fatores funda-
mentais, enunciados por ele como Lei do uso e desuso e Lei da
herança dos caracteres adquiridos. Embora o lamarckismo es-
tivesse certo em suas convicções, estava errado em suas expli-
cações. Para compreender o equívoco de Lamarck, é necessário
ter algumas noções de reprodução, genética e ácidos nucleicos.
Além disso, é necessário conhecer a teoria de Darwin para com-
preender como ela é capaz de explicar uma série de fenômenos
que não podem ser explicados pela teoria de -Lamarck.
Fonte: Soares, José Luís. Biologia: volume único.
São Paulo: Scipione, 2004. (Adaptado)
a) Por que as características adquiridas ao longo da vida
não podem ser transmitidas às gerações seguintes, como
sugeriu Lamarck?
b) Qual o mecanismo de evolução darwiniano pode explicar
o desenvolvimento ou atrofiamento deum órgão e/ou de
uma estrutura?

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Questão 6

6 UPE 2023 Leia o texto e observe a imagem a seguir.


Em 1862, Charles Darwin estudou uma espécie de orquí-
dea cujo canal de seu néctar media cerca de 30 centímetros.
Impressionado, ele teorizou a existência de uma mariposa
capaz de se alimentar desse canal. Em 1867, Alfred Russel
-Wallace relacionou a orquídea à alimentação de uma subes-
pécie da mariposa-falcão, confirmando a ideia de Darwin.
Tanto a planta como a mariposa são naturais de Madagascar.
Especialistas analisaram as diferenças genéticas e físicas da
mariposa, concluindo que a mariposa-falcão de Madagascar
é uma espécie própria, a qual agora passa a ser reconhecida
como Xanthopanpraedicta, e não uma subespécie relaciona-
da a outras variantes.
Disponível em: [Link] ciencia-e-espaco/
mariposa-teorizada-por-darwin-vira-sua-propria-especie/.
Acesso em: 22 jun. 2022. (Adaptado).
As mariposas-falcão se
alimentam das orquídeas-
-de-madagascar,
sugan-
do o néctar de seu longo
canal e contribuindo para
a polinização da planta.
Imagem:
EncyclopaediaBritannica/
Reprodução.
O caso apresentado é um exemplo de seleção do tipo
A
artificial.
B
direcional.
C
disruptiva.
D
diversificadora
E
estabilizadora.

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Questão 1

1 UPF-RS 2020 De acordo com evidências científicas, novas


espécies surgem normalmente por diversificação de uma es-
pécie ancestral, por meio de dois diferentes processos: a
-especiação alopátrica e a especiação simpátrica. Sobre espe-
ciação, analise os seguintes eventos:
I.
Acúmulo de diferenças genéticas entre as populações.
II. Estabelecimento de isolamento reprodutivo.
III. Surgimento de barreira geográfica.
A sequência correta em que esses eventos ocorrem no pro-
cesso de especiação alopátrica é:
A
III, I e II.
B
II, III e I.
C
I, II e III.
D
I, III e II.
E
III, II e I.

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Questão 2

2 UEL-PR 2023 Até o início do século XIX, para a maioria


dos naturalistas europeus, a doutrina que prevalecia era o
fixismo, ou seja, as espécies de seres vivos não se alterariam
ao longo do tempo. Com o desenvolvimento científico, a ex-
ploração de continentes e evidências de ordens geológica e
arqueológica, as ideias evolucionistas passaram a predomi-
nar. Para esta teoria, tanto o planeta quanto os organismos
que o habitam estão sujeitos a eventos que contribuem para
promover a diversidade de formas de vida.
Com base nos conhecimentos sobre o evolucionismo, assina-
le V (verdadeiro) ou F (falso) nas afirmativas a seguir.

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AULA 3: Evolução e especiação


Biologia • Frente 2

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Questão 592

592
A teoria evolucionista de Darwin tem por premissa a lei
do uso e desuso, que se apoia no fato de que o ambiente
pode acarretar mudanças de hábitos de um organismo,
tendo, por consequências, a hipertrofia de certas estru-
turas e a atrofia de outras, com transmissão para as pró-
ximas gerações.
O conceito darwiniano de seleção natural, em linhas ge-
rais, preconiza que indivíduos de espécies selvagens que
apresentam características vantajosas, em condições
ambientais ora vigentes, sobrevivem ou vivem melhor e
tendem a deixar, proporcionalmente, mais descendentes
na geração seguinte.
A divergência evolutiva tem seu fundamento em estudos
fósseis de estruturas biológicas análogas, que surgiram
de maneira independente em diferentes grupos de orga-
nismos pouco aparentados evolutivamente, mas que de-
senvolveram estruturas e formas corporais semelhantes.
A recombinação gênica, também conhecida como mu-
tação gênica, é o mecanismo mais frequentemente encon-
trado, tanto na reprodução sexuada quanto na assexuada,
pois, dela, surgem determinados conjuntos de genes típicos
de cada espécie, resultando no acúmulo de mutações van-
tajosas que se mantêm por ação da seleção natural.
A adaptação individual consiste no ajustamento do or-
ganismo a determinada mudança ambiental que tende
à homeostase, já a adaptação evolutiva refere-se ao
ajustamento da população ao ambiente, ao longo de
sucessivas gerações, por efeito da seleção natural.
Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a se-
quência correta.
A
V, V, F, V, F
B
V, F, V, F, V
C
F, V, F, F, V
D
F, V, F, V, F

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Questão 3

3 Enem 2020 Uma população (momento A) sofre isola-


mento em duas subpopulações (momento B) por um fator
de isolamento (I). Passado um tempo, essas subpopulações
apresentam características fenotípicas e genotípicas que as
distinguem (momento C), representadas na figura pelas to-
nalidades de cor. O posterior desaparecimento do fator de
isolamento I pode levar, no momento D, às situações D1 e D2.
A
B
C
I
D
D1
D2
Tempo
A representação indica que, no momento D, na situação
A
D1 ocorre um novo fator de isolamento geográfico.
B
D1 existe uma única população distribuída em gradiente.
C
D1 ocorrem duas populações separadas por isolamen-
to reprodutivo.
D D2 coexistem duas populações com características
fenotípicas distintas.
E
D2 foram preservadas as mesmas características fe-
notípicas da população original.

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Questão 4

4 Unicamp-SP 2020 (Adapt.) O fóssil de um vertebrado


quadrúpede, Peregocetus pacificus, foi descoberto na cos-
ta do Peru. O animal deve ter vivido há aproximadamente

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Questão 42

42 milhões de anos. A descoberta fornece novas infor-


mações sobre como os ancestrais das baleias fizeram a
transição da terra para o mar. Especialistas notaram que
os pés com cascos e a forma das pernas permitiam su-
portar o peso do animal, que apresentava uma grande
cauda, indicando um estilo de vida semiaquático.
ESPÉCIE: Peregocetus pacificus
ESPÉCIE: Balaenoptera musculus
(baleia azul)
(Fonte: O. Lambert e outros. An amphibious whale from the middle eocene
of Peru reveals early South Pacific of dispersal of quadrupedal
cetaceans.
Current Biology. Cambridge, v. 29, n.8, p. 1352-1359, abr. 2019.) Para
facilitar a visualização, as duas imagens não estão na mesma escala.
O espécime descoberto preenche uma lacuna crucial no
conhecimento sobre a forma como as baleias evoluíram
e se espalharam pelos oceanos, pois até então não havia
uma indicação clara sobre suas habilidades de caminhada
e de natação. Defina evolução divergente. Considerando
as imagens e as informações apresentadas, explique por
que podemos considerar o caso como um exemplo de
evolução divergente.

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Xxxx
AULA

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Questão 4

4
Biologia • Frente 2

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Questão 593

593
C4 | H14, H15 e H16
C6 | H29 e H30
Simplicidade nem sempre é sinônimo de desvantagem, ainda mais quando se
trata de um organismo vivo. Em dezem-
bro de 2019, por exemplo, a humanidade foi contaminada por um novo
coronavírus. Esse vírus se espalhou rapidamente por
todos os continentes, causando a doença chamada covid-19, que levou à
morte milhões de pessoas. Além da simplicidade
dos vírus, há os procariontes, como as bactérias, que têm uma estrutura
celular relativamente simples, sem núcleo organi-
zado, porém alta complexidade metabólica e grande importância médica e
ecológica.
Vírus
Diferentemente de todos os outros organismos exis-
tentes na Terra, os vírus são seres acelulares, já que não
apresentam estrutura celular. Dentro de uma classifica-
ção recentemente proposta, eles ocupariam um superdo-
mínio denominado Acytota (vida não celular) juntamente
com os obeliscos, organismos não celulares cuja estrutu-
ra é baseada em RNA circular, enquanto o restante dos
organismos estaria no superdomínio Cytota, dentro do
qual estão os domínios tradicionais. Os obeliscos são es-
tudados apenas no Ensino Superior.
Os vírus são extremamente pequenos, em geral com ta-
manho entre 15 nm e 300 nm, sendo ainda menores que as
menores bactérias conhecidas. Apenas nas últimas décadas
é que foram descobertos vírus gigantes, como os mimivírus
(com mais de 600 nm) e os pandoravírus (que podem atingir

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Questão 1

1 μm). Todos os vírus contêm ácido nucleico, que pode ser


DNA ou RNA. Dependendo do tipo de vírus, o DNA pode ter
fita simples ou dupla, e a mesma variação ocorre com os vírus
de RNA, que também pode ter fita simples ou dupla. Geral-
mente, um vírus tem uma única molécula linear ou circular de
ácido nucleico, embora múltiplas cópias possam estar presen-
tes em alguns vírus, como o causador da gripe.
Alguns vírus têm enzimas que são fundamentais na in-
fecção. Os bacteriófagos, por exemplo, apresentam a lisozi-
ma, que perfura a parede celular bacteriana e possibilita a
injeção do DNA viral. Já o vírus HIV tem a enzima transcrip-
tase reversa, que produz DNA a partir do RNA viral, que é
incorporado ao DNA da célula hospedeira, passando a pro-
duzir proteínas virais.
Fora das células hospedeiras, os vírus existem como
partículas individuais completas denominadas vírions,
unidades básicas dos vírus. Cada vírion tem um envoltório
denominado capsídeo (do latim capsa, caixa), formado por
proteínas conhecidas como capsômeros. O capsídeo prote-
ge o material genético do vírus e, em muitos casos, possi-
bilita a fixação dos vírus na superfície da célula parasitada.
O conjunto formado pelo capsídeo e pelo material genético
viral é denominado nucleocapsídeo.
Em alguns vírus, especialmente os que infectam ani-
mais, o nucleocapsídeo é envolvido por uma membrana
lipoproteica denominada envelope viral, que se origina do
complexo golgiense ou da membrana plasmática da célula
hospedeira. Além de ser uma camada extra de proteção
ao material genético, o envelope viral pode facilitar a en-
trada nas células, já que pode se fundir com a membrana
plasmática delas.
Dependendo da presença ou da ausência de envelope,
os vírus podem ser classificados em dois grupos: envelo-
pados e não envelopados. Além de proteínas e lipídios de
origem celular, o envelope viral apresenta proteínas espe-
cíficas do vírus, sintetizadas pela célula hospedeira e adi-
cionadas às membranas lipoproteicas antes da liberação do
vírus da célula.
DNA
Capsídeo
RNA
Capsídeo
Envelope
Espículas
Bainha
Cabeça
Cauda
Fibras
Bacteriófago
Influenzavírus
Representação esquemática de um bacteriófago, um vírus não
envelopado, e de um influenzavírus, um vírus envelopado.
Vírus e procariontes

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AULA 4: Vírus e procariontes


Biologia • Frente 2

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Questão 594

594
Características gerais dos vírus
Por serem acelulares, os vírus não têm metabolismo pró-
prio, ou seja, não sintetizam nenhuma molécula, não reali-
zam qualquer reação química nem se reproduzem de forma
independente. Assim, todos os vírus são parasitas intracelu-
lares obrigatórios. Alguns vírus podem ficar dormentes por
anos e, ao entrar em contato com uma célula hospedeira,
iniciar o processo de reprodução viral.
Diferentemente da matéria sem vida, com a qual são
costumeiramente comparados, os vírus passam por evolu-
ção biológica, já que eles se modificam ao longo do tem-
po. Mutações e recombinações gênicas são os fenômenos
responsáveis pela variabilidade genética viral. A seleção
natural promove o aumento na frequência de variantes
mais favoráveis.
Certamente uma das características mais importantes.
que aproxima os vírus das demais formas de vida do planeta
é a presença do mesmo código genético. Isso possibilita que
as células hospedeiras atuem como máquinas produtoras de
proteínas virais e indica que os vírus estão relacionados com
as demais formas de vida.
Reprodução viral
Todos os vírus se reproduzem apenas no interior das cé-
lulas hospedeiras e a reprodução acontece, geralmente, con-
forme as etapas ilustradas e descritas a seguir.
Representação esquemática das principais fases de reprodução de
um vírus em uma célula hospedeira. (1) Fixação do vírus na super-
fície da célula. (2) Penetração do vírus na célula. (3) Desnudamento
e liberação do DNA viral. (4) Biossíntese, produção de proteínas e
DNA viral. (5) Maturação (montagem dos nucleocapsídeos).
(6) Liberação das novas cópias virais para o meio extracelular.
Espículas
Capsídeo
Receptores virais
DNA
RNAm
DNA viral
Proteínas
virais
Envelope
DNA
Novo vírus

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Questão 1

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Questão 2

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Questão 3

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Questão 5

5
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Questão 6

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Questão 4

4
Nucleocapsídeos
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA

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Questão 1

1. Fixação ou adsorção: interação altamente específica en-


tre proteínas virais, denominadas ligantes ou espículas, e
determinadas moléculas da superfície das células hospe-
deiras, chamadas receptores virais.

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=======
Questão 2

2. Penetração: ocorre por meio de injeção do DNA (o capsí-


deo não entra na célula), por endocitose (a célula englo-
ba o vírus em um endossomo) ou por fusão do envelope
com a membrana plasmática.

=========================================================================
=======
Questão 3

3. Desnudamento: decomposição do capsídeo por enzimas


celulares e liberação do material genético no interior da
célula hospedeira.

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Questão 4

4. Biossíntese: produção de material genético (DNA ou


RNA) e proteínas virais utilizando o maquinário de re-
plicação da célula hospedeira (RNA ribossômico, RNA
transportador, nucleotídeos, aminoácidos e energia).
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Questão 5

5. Maturação: formação do nucleocapsídeo pela agregação


das proteínas que compõem o capsídeo, do material ge-
nético e das enzimas virais, no caso de alguns vírus.

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=======
Questão 6

6. Liberação: liberação de novas cópias virais por lise ce-


lular (rompimento da célula), exocitose (uma vesícula
contendo o vírus se funde à membrana plasmática e li-
bera a partícula viral para o exterior) ou brotamento (o
nucleocapsídeo sai da célula envolto por uma parte da
membrana plasmática, que se desprende da célula).
Importância dos vírus
Por sua capacidade de invadir células, os vírus podem
ter diversas aplicações biotecnológicas. Os bacteriófagos,
por exemplo, podem ser aliados importantes no combate
às bactérias. Os vírus também podem ser utilizados para o
controle biológico de pragas agrícolas ou de espécies in-
vasoras. O vírus Baculovirus anticarsia, por exemplo, é um
parasita da lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis), uma
praga que afeta a produtividade da soja. Muitos vírus são
utilizados na terapia gênica como vetores de genes para
o tratamento de doenças genéticas. Além disso, os vírus,
ou partes deles, podem ser utilizados para a produção de
vacinas contra doenças virais: vírus atenuados (enfraque-
cidos), inativados (destruídos) ou geneticamente modifi-
cados estimulam o sistema imunitário de pessoas vacinadas
a produzir e secretar anticorpos específicos e células de
memória contra esses agentes, nos dois casos as células
são linfócitos de diferentes tipos.
Diferentemente das bacterioses, as viroses não podem
ser tratadas com antibióticos, que servem, nesse contexto,
apenas para profilaxia da coinfecção por bactérias. Até o mo-
mento, poucas drogas terapêuticas se revelaram eficientes
no combate às doenças virais. Assim, a forma mais eficiente
de combate a diversas viroses é a vacinação.
Em caso de infecção viral, o organismo é capaz de
produzir anticorpos específicos que auxiliam no combate
aos vírus. Na maioria dos casos, após a exposição a de-
terminado vírus, o sistema imunitário produz células de
memória, os linfócitos B, capazes de reconhecer o invasor
e impedir a manifestação da doença em um novo contato.
Doenças causadas por vírus (viroses)
A tabela a seguir apresenta algumas doenças causadas
por vírus (viroses).

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AULA 4: Vírus e procariontes
Biologia • Frente 2

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Questão 595

595
Virose
Transmissão
Prevenção
Gripe A
H1N1, H3N2, H2N2
Secreções expelidas na fala ou na
tosse, que podem ficar em
superfícies ou em suspensão no ar.
Vacinação, redução de contato com
as pessoas, higiene das mãos,
uso de máscaras.
Covid-19
Secreções expelidas na fala ou na
tosse, que podem ficar em superfícies ou em suspensão no ar.
Vacinação, redução de contato com
as pessoas, higiene das mãos, uso
de máscaras.
Caxumba
Secreções na fala ou na tosse, que
podem ficar em superfícies.
Evitar contato com pessoas doentes
e vacinação.
Raiva
Mordida de animais contaminados, especialmente
morcegos, cães e gatos.
Vacinação, evitar mordida de animais
desconhecidos.
Rubéola
Contato com secreção de indivíduos doentes
Evitar contato com pessoas
doentes e vacinação.
Sarampo
Contato com secreção de indivíduos doentes
Evitar contato com pessoas
doentes e vacinação.
Dengue
Picada do mosquito Aedes aegypti
Combate ao mosquito e vacinação.
Zika
Picada do mosquito Aedes aegypti
Combate ao mosquito.
Chikyngunya
Picada do mosquito Aedes aegypti
Combate ao mosquito.
Poliomielite
Doença fecal-oral, evitar água e alimentos que
podem estar contaminados.
Vacinação, hábitos de higiene, evitar
contato com água suja.
Febre amarela
Picada do mosquito Aedes aegypti
Combate ao mosquito e vacinação.
Aids
Relações sexuais desprotegidas, transfusão de sangue
contaminado, aleitamento materno por mãe contaminada.
Controle da qualidade de sangue
doado e uso de preservativos.
Procariontes
Por ter o mesmo tipo celular, todos os procariontes es-
tão tradicionalmente classificados no reino Monera. Análises
com base em evidências moleculares revelaram, entretanto,
que esses organismos não formam um grupo monofilético.
As bactérias são encontradas em todos os ambientes
do planeta: ácidos e alcalinos, quentes e frios, aeróbios e
anaeróbios, e até mesmo em locais hipersalinos. Existem
bactérias nas profundezas dos oceanos, em rochas que ficam
a mais de 2 km de profundidade, nas nuvens, no solo e no
interior de outros seres vivos, incluindo seres humanos. Tam-
bém são procariontes também as arqueas.
Célula bacteriana
A principal característica da célula procariótica (do gre-
go pro, antes; e karyon, núcleo) é que ela não tem carioteca,
membrana que separa o DNA do restante do citoplasma. Além
disso, o citoplasma dessa célula não tem organelas membra-
nosas, como retículo endoplasmático e complexo golgiense.
O citosol é formado por água e diversas substâncias dissol-
vidas, como minerais, gases, carboidratos, proteínas e resíduos
metabólicos. Em algumas bactérias, são encontrados grânulos
de glicogênio, que servem como uma reserva nutritiva.
Os ribossomos são as únicas organelas existentes nas
bactérias e realizam a síntese de proteínas. Os ribossomos
bacterianos são menores e apresentam composição química
ligeiramente diferente dos encontrados nas células eucari-
óticas. Essas diferenças permitem que alguns antibióticos
se liguem aos ribossomos bacterianos, por exemplo, e blo-
queiem a síntese de proteínas das bactérias, sem afetar as
células humanas.
Praticamente todas as bactérias têm parede celular, um
envoltório externo rígido que mantém o formato da célula
e a protege de agentes externos. A parede celular bacteria-
na é composta de peptideoglicanos, moléculas presentes
exclusivamente em bactérias e formadas por uma rede de
polímeros de açúcares modificados, interligados por polipep-
tídeos pequenos. Internamente à parede celular, encontra-se
a membrana plasmática, que controla a entrada e a saída de
substâncias no interior das células.
Citosol
Ribossomo
DNA
Fímbrias
Inclusão
Plasmídeo
Flagelo
Cápsula
Parede celular
Membrana plasmática
Representação esquemática das principais estruturas de uma cé-
lula procariótica bacteriana.

====PAGE 94====

AULA 4: Vírus e procariontes


Biologia • Frente 2

=========================================================================
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Questão 596

596
Saiba mais
Bactérias gram-negativas e gram-positivas
Em 1884, o bacteriologista dinamarquês Hans Chris-
tian Gram (1853-1938) verificou que algumas bactérias,
quando tratadas com corantes específicos, apresentam
coloração azul-violeta (gram-positivas), enquanto outras
ficam rosadas (gram-negativas).
Nas bactérias gram-positivas, a parede celular é for-
mada apenas por uma camada espessa de peptideogli-
canos. Já a parede celular das bactérias gram-negativas
tem a camada de peptideoglicano envolta por membrana
externa, de composição semelhante à da membrana plas-
mática. Entretanto, diferentemente da membrana plasmá-
tica, essa membrana externa contém polissacarídeos, que
ficam ligados aos fosfolipídios e formam um complexo.

A parede celular de muitas bactérias é revestida por uma


cápsula, formada por polissacarídeo ou proteína, que pos-
sibilita a adesão ao substrato ou às outras bactérias de uma
colônia. Algumas cápsulas protegem contra a desidratação e
outras atuam como uma barreira contra o ataque do sistema
imune do hospedeiro. Algumas bactérias de linhagens mu-
tantes do gênero Streptococcus que apresentam cápsula, por
exemplo, são capazes de causar pneumonia, enquanto ou-
tras linhagens sem cápsula são incapazes de causar a doença,
já que são rapidamente atacadas pelos leucócitos (células de
defesa) ao invadir o corpo humano.
A região que o DNA ocupa na célula bacteriana é denomi-
nada nucleoide. O material genético consiste em uma única
molécula de DNA circular sem histonas. Além dessa molécula,
a bactéria também tem anéis menores de DNA denominados
plasmídeos. Eles contêm apenas alguns genes e podem ser
transferidos entre bactérias durante o processo de conjuga-
ção, ampliando a variabilidade genética das populações.
Algumas bactérias têm estruturas proteicas filamento-
sas, chamadas fímbrias, que auxiliam na adesão ao substrato
ou na formação de uma colônia. A bactéria que causa a go-
norreia (Neisseria gonorrhoeae), por exemplo, prende-se às
mucosas do hospedeiro por meio das fímbrias. Os pili asse-
melham-se às fímbrias, mas são maiores e pouco numerosos.
Eles são importantes na comunicação e atração de células
bacterianas durante a conjugação.
Diversas bactérias têm flagelos, estruturas relacionadas à
locomoção das células. Os flagelos bacterianos se estendem
sozinhos, em tufos (de um ou ambos os lados da célula) ou ao
redor de toda a célula. Os flagelos procarióticos são formados
pela proteína flagelina e, portanto, não têm a mesma origem
dos flagelos eucarióticos, que são compostos de tubulina.
Diversidade morfológica
As formas mais comuns de bactérias são: coco (forma
esférica), bacilo (forma de bastonete reto), vibrião (basto-
nete curvo com forma de vírgula), espirilo (forma espiralada
curta e rígida) e espiroqueta (forma espiralada longa e fle-
xível). Os cocos e os bacilos podem formar colônias, cujos
principais exemplos são: diplococos (formado por dois co-
cos unidos), tétrade (formada por quatro cocos unidos),
sarcina (formada por oito cocos unidos, resultando em um
cubo), estreptococos (formado por cocos alinhados como
um colar de contas) e estafilococos (formado por cocos uni-
dos como um cacho de uvas).
Diplococos
Estafilococos
Estreptococos
Sarcina
Tétrade
Bacilo
Espirilo
Estreptobacilo
Espiroqueta
Vibrião
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Designua/[Link]
Representação esquemática da diversidade morfológica de célu-
las e colônias bacterianas.
Diversidade metabólica
A longa história evolutiva das bactérias, que dura bilhões
de anos, permitiu a seleção de uma grande diversidade me-
tabólica entre esses organismos. Essa diversidade foi funda-
mental para a ocupação dos mais variados hábitats, inclusive
os que são inóspitos para a maioria dos seres vivos.
As bactérias heterótrofas se alimentam por absorção,
ou seja, retiram moléculas orgânicas já digeridas do am-
biente. Em muitos casos, ocorre digestão extracorpórea,
isto é, enzimas são secretadas diretamente na fonte ex-
terna de alimento e a digestão ocorre fora da célula. Essas
bactérias podem ser decompositoras, alimentando-se de
cadáveres, restos de alimentos ou fezes; ou simbiontes, vi-
vendo no corpo de outros seres vivos, sejam elas parasitas,
mutualistas ou comensais.
Entre as bactérias autótrofas, há aquelas que realizam
fotossíntese. Esse processo ocorre nas membranas fotossin-
téticas (etapa fotoquímica) e no citosol (etapa química) das
cianobactérias. Esses organismos contêm pigmentos fotos-
sintéticos, como clorofilas e ficobilinas, que ficam inseridos
nas membranas fotossintéticas, também conhecidas como
tilacoides. Na fotossíntese bacteriana, da mesma maneira
que em algas e plantas, ocorre produção de matéria orgânica
e gás oxigênio (O2) a partir de gás carbônico (CO2), água e
energia luminosa.

====PAGE 95====

AULA 4: Vírus e procariontes


Biologia • Frente 2

=========================================================================
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Questão 597

597
Membranas
fotossintéticas
Eletromicrografia de transmissão da cianobactéria filamentosa do
gênero Nostoc, com destaque para as membranas fotossintéticas
(estruturas esverdeadas). (Colorida artificialmente. Aumento de

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Questão 10

10 mil vezes.)
A fotossíntese realizada pelas sulfobactérias, presentes
em locais com abundância de enxofre, ocorre sem produção
de oxigênio (fotossíntese anoxigênica). Essas bactérias têm o
pigmento bacterioclorofila, que absorve a energia luminosa.
Os reagentes utilizados nesse processo são o gás carbônico e
o sulfeto de hidrogênio (H2S). Como resultado, há produção
de glicose, enxofre puro (S) e água.
As bactérias quimioautotróficas, também conhecidas
como quimiolitotróficas, realizam a quimiossíntese, processo
no qual parte da energia proveniente de reações químicas entre
moléculas inorgânicas é usada para fixar o carbono. Bactérias
nítricas do ciclo do nitrogênio, por exemplo, produzem nitrato
(NO3
–) a partir de nitrito (NO2
–) no processo de nitratação. Essa
reação química libera energia, que é estocada em moléculas de
ATP. Posteriormente essas moléculas serão utilizadas pelas bac-
térias na síntese de novas moléculas orgânicas. Outras bactérias
oxidam gás hidrogênio (H2), sulfeto de ferro (FeS), amônio (NH4
+)
ou outros compostos inorgânicos, que atuam como fontes de
energia em ambientes afóticos (sem luz).
Para retirar a energia estocada nas moléculas orgânicas, as
bactérias podem realizar dois tipos de processos bioquímicos:
fermentação ou respiração celular. A fermentação é um proces-
so anaeróbio (não consome oxigênio) que pode formar, além
do ATP, ácido lático (fermentação lática) ou etanol (fermentação
alcoólica). A fermentação tem baixo rendimento energético em
comparação à respiração celular, uma vez que a oxidação da gli-
cose é apenas parcial. A respiração celular é um processo em
que ocorre oxidação total da glicose. Esse processo é, normal-
mente, dividido em três fases: glicólise, ciclo de Krebs e cadeia
transportadora de elétrons. Muitas bactérias realizam a respira-
ção aeróbia, na qual o gás oxigênio é o aceptor final de elétrons.
Algumas bactérias, entretanto, realizam respiração anaeróbia,
na qual há diferentes aceptores finais de elétrons, como o íon ni-
trato (NO3
–) ou o sulfato (SO4
–). A respiração celular tem alto ren-
dimento energético, já que ocorre a oxidação total da glicose.
Para muitos microrganismos, o gás oxigênio (O2) é uma
molécula vital, enquanto para outros esse gás pode ser letal.
Assim, com relação ao uso do gás oxigênio no metabolismo,
as bactérias podem ser divididas nos três grupos a seguir.
Dennis Kunkel Microscopy/Science Photo
Library/Fotoarena

Aeróbias obrigatórias: realizam apenas respiração celular
aeróbia e não sobrevivem na ausência de gás oxigênio.
Como exemplo, pode-se citar a bactéria Micrococcus
luteus, que vive na pele humana.

Anaeróbias obrigatórias (ou estritas): realizam apenas fer-
mentação ou respiração anaeróbia e não sobrevivem na
presença de gás oxigênio. Essas bactérias vivem apenas
em ambientes anóxicos (sem O2), como pântanos, solos
encharcados, subsolos profundos e o sistema digestório
de animais. Como exemplo, pode-se citar as bactérias do
gênero Clostridium, causadoras do tétano e do botulismo.

Anaeróbias facultativas: usam o gás oxigênio na res-
piração celular aeróbia, mas também podem realizar
fermentação ou respiração anaeróbia para a produção
de energia, caso estejam em ambiente anóxico. Como
exemplo, pode-se citar a Escherichia coli, que habita na-
turalmente o intestino humano.
A
B
C
Concentração de O2
[Link]/[Link]
MADIGAN, T. D. et al. Microbiologia de Brock. 14. ed.
Porto Alegre: Artmed, 2016.
Representação esquemática da influência do gás oxigênio no
crescimento populacional de diferentes tipos de bactérias. (A)
Bactérias aeróbias obrigatórias proliferam apenas na região com
oxigênio. (B) Bactérias anaeróbias obrigatórias proliferam apenas
na região sem oxigênio. (C) Bactérias anaeróbias facultativas pro-
liferam por todo o meio de cultura.
Saiba mais
Por que o oxigênio pode ser letal para algu-
mas bactérias?
O gás oxigênio é uma molécula extremamente reativa
que forma muitos subprodutos tóxicos, como o superóxido
(O2
–), o peróxido de hidrogênio (H2O2) e o radical livre hidro-
xila (OH–). Organismos aeróbios têm enzimas que metaboli-
zam esses produtos tóxicos, como a catalase, que metaboli-
za a água oxigenada (H2O2), e a superóxido dismutase, que
metaboliza o superóxido. A ação combinada dessas enzimas
é fundamental, pois o radical livre hidroxila é extremamen-
te reativo e capaz de matar a célula ao danificar o DNA e as
enzimas celulares. Bactérias anaeróbias obrigatórias não pro-
duzem as enzimas catalase e superóxido dismutase, o que
explica a letalidade do gás oxigênio para esses organismos.

====PAGE 96====

AULA 4: Vírus e procariontes


Biologia • Frente 2

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Questão 598

598
Reprodução assexuada
Apesar de as bactérias terem tempo de vida limitado, as
populações são mantidas vivas por muito tempo, devido à
sua capacidade de se reproduzir rapidamente quando o am-
biente é favorável. A forma de reprodução mais comum entre
as bactérias é a bipartição, também conhecida como cissi-
paridade ou fissão binária. Ela consiste, basicamente, na du-
plicação do DNA bacteriano e na divisão da célula em duas.
Trata-se, portanto, de uma reprodução assexuada muito rá-
pida, capaz de produzir milhares de novas bactérias genetica-
mente iguais em apenas algumas horas.
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Bactéria-filha
Bactéria-filha
Septo
Cromossomo
duplicado
Plasmídeo
Parede
celular
Cromossomo bacteriano
Membrana
plasmática

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Questão 3

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Questão 2

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Questão 1

1
Representação esquemática da reprodução assexuada por bipar-
tição em bactérias. (1) Início da bipartição com a duplicação do
cromossomo da bactéria (DNA). (2) Invaginação da membrana
plasmática e da parede celular, formando um septo que individu-
aliza as células-filhas. (3) Término da bipartição com a separação
completa das duas bactérias-filhas, geneticamente iguais.
Em muitas bactérias, especialmente as que vivem no
solo, é comum a formação de estruturas de resistência, de-
nominadas esporos ou endósporos. Eles são formados quan-
do as condições ambientais são adversas, como em escassez
de nutrientes essenciais (carbono ou nitrogênio) e de água.
Os esporos bacterianos são células altamente diferencia-
das em estado de latência. Eles têm alta resistência a calor,
produtos químicos e radiação, e podem permanecer viáveis
por séculos.
Eletromicrografia de transmissão da bactéria Clostridium difficile
formando um endósporo, evidenciado pela estrutura oval aver-
melhada. (Colorida artificialmente. Aumento de 18 mil vezes.)
Variabilidade genética
Apesar de não se reproduzirem sexuadamente, as bacté-
rias têm grande variabilidade genética. As trocas de material
genético entre as bactérias, ou recombinações gênicas, e as
mutações são responsáveis por essa variabilidade. As muta-
ções são alterações herdáveis no material genético. Algumas
podem ser vantajosas, outras prejudiciais, mas a maioria das
mutações é neutra, ou seja, sem efeitos evolutivos ou adap-
tativos. Apesar de a taxa de mutação espontânea ser extre-
mamente baixa nas bactérias, a velocidade com que esses
organismos se dividem e o seu crescimento exponencial ga-
rantem um rápido acúmulo de mutações nas populações.
As recombinações gênicas são formadas pela mistura de
DNA de diferentes origens. A transferência horizontal de ge-
nes representa a troca de informações genéticas entre células
bacterianas que não têm relação direta de parentesco, pos-
sibilitando que as populações adquiram novas características.
Existem três mecanismos principais de recombinações gênicas
em bactérias: transdução, transformação e conjugação.
Na transdução, vírus bacteriófagos transportam genes
bacterianos de uma bactéria para outra. Durante a reprodução
dos bacteriófagos, especialmente na etapa de montagem dos
novos vírus, as enzimas responsáveis pelo empacotamento
do DNA viral podem, acidentalmente, empacotar DNA bacte-
riano no interior das cápsulas virais. Ao parasitar outras bac-
térias, os vírus formados injetam nelas esse DNA, que, após
recombinações, é incorporado ao DNA das bactérias recep-
toras, contribuindo para a variabilidade genética.
A transformação se dá quando uma bactéria morre e
seu citoplasma extravasa no meio externo, de modo que
a decomposição do seu DNA dá origem a fragmentos com
alguns genes dispersos no ambiente. Esses fragmentos po-
dem ser incorporados por bactérias próximas, promovendo
alterações em alguns de seus genes. A bactéria que incor-
pora DNA exógeno é, então, transformada.
Dr Kari Lounatmaa/Science Photo Library/Fotoarena

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AULA 4: Vírus e procariontes


Biologia • Frente 2

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Questão 599

599
Na conjugação ocorre transferência de DNA entre duas
bactérias, geralmente da mesma espécie. A transferência é
unidirecional, isto é, ocorre de uma bactéria doadora para
outra receptora, não no sentido inverso. Esse processo pro-
move aumento da variabilidade das populações sem produzir
novas bactérias-filhas.
Pilus
Fímbrias
Eletromicrografia de transmissão de duas bactérias Escherichia
coli realizando conjugação. O pilus conecta as duas células. (Colo-
rida artificialmente. Aumento de 3 mil vezes.)
Durante a conjugação, o pillus sexual permite que a bacté-
ria doadora estabeleça contato com uma bactéria receptora e
se aproxime dela. Em seguida, ocorre a formação de um tubo
de conjugação entre elas, por meio do qual a bactéria doa-
dora transfere seu DNA para a bactéria receptora. No final do
processo, as bactérias se afastam e a receptora passa a ter um
DNA novo, o que aumenta a sua variabilidade genética.
Importância das bactérias
As bactérias são muitas vezes lembradas como organis-
mos nocivos e perigosos, uma vez que causam várias do-
enças no ser humano. Entretanto, existem poucas espécies
patogênicas e, de modo geral, as bactérias são fundamen-
tais para a humanidade e para a manutenção da vida no
planeta em que vivemos.
Atenção!
No corpo humano existem mais bactérias do que
células humanas. Diversas bactérias fazem parte da
microbiota intestinal e são fundamentais para o fun-
cionamento do intestino. Muitas delas mantêm uma
relação de mutualismo com os seres humanos: produ-
zem vitaminas, como a B12 e a K, e recebem alimento e
abrigo. Além disso, essas bactérias regulam a atividade
intestinal e ajudam a proteger o organismo humano de
bactérias patogênicas.

Muitas bactérias atuam como decompositoras nos ecossis-


temas, contribuindo para a reciclagem da matéria. Outras es-
pécies, como as cianobactérias, realizam fotossíntese e atuam
como produtoras nas cadeias alimentares nos ambientes aquá-
ticos. No ambiente terrestre, elas podem se associar aos fungos
e formar liquens, nos quais as duas espécies vivem juntas, esta-
belecendo uma relação ecológica de mutualismo.
Bactérias também estão no ciclo do nitrogênio, por meio
do qual disponibilizam compostos nitrogenados para outros
seres vivos. Os rizóbios, por exemplo, convertem o nitrogênio
atmosférico (N2) em amônia (NH3). Esta, ao se dissolver na
água, forma o íon amônio (NH4
+), que pode ser incorporado
pelas plantas. Algumas espécies de bactérias podem ser uti-
lizadas no controle biológico de pragas agrícolas, técnica que
contribui para a diminuição do uso de pesticidas sintéticos.
A bactéria Bacillus thuringiensis kurstaki, por exemplo, é uti-
lizada como biopesticida no controle das lagartas da soja e do al-
godão. Outras bactérias podem ser usadas na biorremediação,
técnica que consiste no uso de seres vivos para descontaminar
um ambiente poluído. Esse é o caso das bactérias Pseudomo-
nas sp., utilizadas em ambientes contaminados por pesticidas
ou petróleo. Nas estações de tratamento de esgoto, as bactérias
auxiliam na decomposição do esgoto doméstico. São também
usadas em biodigestores, decompondo resíduos orgânicos.
As bactérias do gênero Lactobacillus realizam a fermentação
lática e podem ser utilizadas na produção de queijos, iogurtes,
requeijões e coalhadas. Na indústria farmacêutica, as bactérias
são utilizadas na produção de antibióticos e vitaminas. O anti-
biótico neomicina, por exemplo, é produzido por uma bactéria
do gênero Streptomyces. Na indústria química, diversas substân-
cias, como ácido acético, acetona, metanol e butanol são pro-
dutos de metabolismo bacteriano. Uma importante descoberta
da engenharia genética foi a possibilidade de aplicar bactérias
transgênicas na produção de proteínas humanas, como hormô-
nios ou enzimas. Atualmente, toda a insulina utilizada por seres
humanos é produzida por bactérias transgênicas.
Doenças bacterianas
As doenças causadas por bactérias são genericamen-
te chamadas de bacterioses. Apenas algumas bactérias são
patogênicas (do grego pathos, doença; e genos, origem),
entretanto elas causam doenças; e infecções que matam
milhões de pessoas anualmente em todo o planeta. Muitos
sintomas das bacterioses são causados por toxinas que as
bactérias produzem e liberam (exotoxinas) ou por molécu-
las presentes em suas paredes celulares (endotoxinas), que
são liberadas quando as bactérias são mortas.
Ao contrário das viroses, as bacterioses podem ser
tratadas com antibióticos, medicamentos específicos que
atacam as bactérias. Além dos antibióticos, algumas doen-
ças bacterianas podem ser tratadas com soros específicos,
como o soro antibotulínico (para o botulismo) e o soro anti-
tetânico (para o tétano). A prevenção de algumas bacterio-
ses, como tuberculose e tétano, pode ocorrer por meio de
vacinação. Outras, no entanto, podem ser evitadas com me-
didas de higiene pessoal, uso de preservativos, saneamento
básico, tratamento dos doentes ou controle dos vetores.

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AULA 4: Vírus e procariontes


Biologia • Frente 2

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Questão 600

600
A tabela a seguir apresenta algumas doenças bacterianas.
Doença
Agente causador e patologia
Transmissão
Botulismo
Clostridium botulinum
A bactéria produz toxinas que podem lesar
nervos e músculos. Ocorre paralisia muscular,
afetando o movimento dos olhos, o abaixamento
das pálpebras e provocando incapacidade de
respirar. Pode levar à morte.
Alimentos contaminados com esporos;
frequentemente alimentos em conserva sem a
higiene adequada.
Clamídia
Chlamydia sp.
Grande parte das pessoas infectadas não
apresenta sintomas, que são secreções vaginais
ou penianas e sensação de ardor ao urinar.
Pode levar à infertilidade.
Relações sexuais.
Cólera
Vibrio cholerae
Causa intensa diarreia, dores abdominais,
hipotensão e taquicardia. Pode levar à morte.
Água e alimentos contaminados.
Coqueluche ou tosse
comprida
Bordetella pertussis
Mais comum em crianças abaixo de quatro anos.
Afeta o epitélio da garganta e a traqueia, onde
ocorre aumento da secreção de muco, que se torna
espesso. A má oxigenação é um grande problema
decorrente das obstruções e acessos de tosse.
Fluidos corporais (saliva e secreções nasais).
Disenteria bacilar ou
shigelose
Shigella sp.
A bactéria afeta o revestimento do intestino
e pode produzir edema ou úlcera. Pode haver
febre; é comum a diarreia, podendo apresentar
muco e sangue (principalmente em crianças).
Ocorre perda de peso e há risco de desidratação.
Água e alimentos contaminados, hábitos
inadequados de higiene e moscas.
Difteria ou crupe
Corynebacterium diphtheriae
A bactéria ataca membranas da boca e da
garganta, provocando inflamação. A laringe pode
ser afetada, comprometendo a passagem de ar.
As bactérias liberam toxinas, que podem causar
lesões no cérebro e no coração.
Fluidos corporais (saliva) ou contato direto.
Febre maculosa
Rickettsia rickettsii
Febre, náuseas, vômitos, dores de cabeça, dor
abdominal e diarreia. Pode levar a complicações
nos sistemas respiratório, nervoso central e renal.
Picada do carrapato-estrela.
Febre tifoide
Salmonella typhi
Febre, fadiga, agitação durante o sono, manchas
na pele, diarreia, vômitos, delírios e septicemia.
Pode causar morte por choque séptico ou por
hemorragia no intestino.
Água, alimentos ou objetos contaminados e
contato direto.
Gonorreia ou
blenorragia
Neisseria gonorrhoeae
Infecção que geralmente atinge a vagina ou a
uretra, com típico corrimento amarelado e denso.
Os olhos, a garganta e o ânus podem ser atingidos.
Relações sexuais, transmissão da mãe infectada
para o filho durante o parto (pode afetar os
olhos do filho).
Hanseníase ou lepra
Mycobacterium leprae
A doença provoca lesões na pele, afeta olhos,
mucosas (nasal) e nervos periféricos, com perda
de sensibilidade à dor.
Fluidos corporais (saliva e secreção nasal), por
via respiratória.

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AULA 4: Vírus e procariontes


Biologia • Frente 2

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Questão 601

601
Doença
Agente causador e patologia
Transmissão
Leptospirose
Leptospira sp.
Os sintomas são muito variados; a maioria
dos infectados não apresenta quase nenhum
sintoma. Tosse, faringite, dor articular, manchas
pelo corpo, náuseas, vômitos e diarreia. Casos
graves podem apresentar insuficiência renal e
hepática, além de hemorragia.
Água, alimentos ou solo contaminados pela
urina de animais infectados.
Peste negra ou
bubônica
Yersinia pestis
Doença que afeta os pulmões e causa manchas
negras na pele. Dizimou grande parte da
população europeia na Idade Média.
Picada da pulga-do-rato ou fluidos corporais
(saliva e secreções nasais).
Sífilis
Treponema pallidum
Apresenta sintomas variados, como ulcerações
no pênis ou na vagina e erupções cutâneas. Pode
causar danos severos ao sistema nervoso central
e ao coração e levar à morte.
Relações sexuais ou transmissão congênita.
Tétano
Clostridium tetani
Rigidez e espasmos musculares, taquicardia e
suor excessivo.
Corte ou queimadura na pele, objetos
contaminados.
Tuberculose
Mycobacterium tuberculosis
Tosse com catarro, febre, suores noturnos,
falta de apetite, emagrecimento e cansaço.
Também causa eliminação de sangue pela tosse
e acúmulo de pus na pleura pulmonar.
Fluidos corporais (saliva e secreções nasais).
Arqueas
As arqueas apresentam paredes celulares compostas de
uma grande variedade de polissacarídeos e proteínas, mas
não têm peptideoglicanos, como ocorre nas bactérias. Na
membrana plasmática, são encontrados lipídios ramifica-
dos, diferentemente dos demais seres vivos. Quimiossíntese
e respiração anaeróbia são processos bioquímicos bastante
comuns entre as arqueas. A maioria vive em ambientes com
alta salinidade, baixa concentração de oxigênio, temperatu-
ras extremas, pH muito baixo (ácido) ou muito alto (alcalino),
em que poucos organismos conseguem sobreviver. Por isso,
muitas arqueas são denominadas extremófilas, como as ha-
lófilas e as termófilas extremas.
As arqueas termófilas (do grego thermos, calor; e phylos,
afinidade) vivem em ambientes extremamente quentes e
geralmente ácidos, como as fontes termais submarinas e as
fendas vulcânicas. A maioria das espécies é quimiossinteti-
zante e obtém energia a partir da oxidação de enxofre. Um
exemplo é a arquea do gênero Sulfolobus, que vive nas fon-
tes quentes e sulfurosas do Parque Nacional de Yellowstone
(Estados Unidos), ambiente onde, em média, a temperatura
é de 70°C, e o pH, de 2.
As arqueas halófilas (do grego halos, sal; e phylos, afi-
nidade) vivem em ambientes hipersalinos, com alta concen-
tração de sais (mínimo de 9%), como o Mar Morto (Oriente
Médio), o Grande Lago Salgado (Estados Unidos) e o Lago
Hillier (Austrália). Esses organismos também podem ser en-
contrados em salinas, onde a água do mar é represada para
se obter o sal de cozinha, e em alimentos altamente salga-
dos, como embutidos e peixes marinhos.
A
B
(A) Fonte termal do Parque Nacional de Yellowstone (Estados
Unidos), com a água quente e sulfurosa. (B) Arquea termófila
Sulfolobus sp. (Eletromicrografia de transmissão colorida artifi-
cialmente; aumento de 3 600 vezes.)
Há também as arqueas metanogênicas, que são anaeró-
bias obrigatórias e produtoras do gás metano (CH4). Muitas
vivem em condições extremas, como nas camadas de gelo da
Groenlândia e nas fontes hidrotermais submarinas. Outras vi-
vem em locais mais moderados, como pântanos, charcos, cam-
pos de cultivo de arroz ou no sistema digestório de herbívoros
(bois, ovelhas e cupins). Essas arqueas podem atuar como de-
compositores nas estações de tratamento de esgoto, nos ater-
ros sanitários e nos biodigestores, pois utilizam gás carbônico
Stefano73/[Link],
Eye Of Science/Science Photo Library/Fotoarena

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AULA 4: Vírus e procariontes


Biologia • Frente 2

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Questão 602

602

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Questão 1

1 Enem 2019 Na família Retroviridae encontram-se diversos


vírus que infectam aves e mamíferos, sendo caracterizada pela
produção de DNA a partir de uma molécula de RNA. Alguns re-
trovírus infectam exclusivamente humanos, não necessitando
de outros hospedeiros, reservatórios ou vetores biológicos. As
infecções ocasionadas por esses vírus vêm causando mortes
e grandes prejuízos ao desenvolvimento social e econômico.
Nesse contexto, pesquisadores têm produzido medicamentos
que contribuem para o tratamento dessas doenças.
Que avanços tecnológicos têm contribuído para o tratamen-
to dessas infecções virais?
A
Melhoria dos métodos de controle dos vetores desses vírus.
B
Fabricação de soros mutagênicos para combate des-
ses vírus.
C
Investimento da indústria em equipamentos de prote-
ção individual.
D
Produção de vacinas que evitam a infecção das células
hospedeiras.
E
Desenvolvimento de antirretrovirais que dificultam a re-
produção desses vírus.

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Questão 2

2 Uece 2024 Considerando os ambientes em que as arque-


as vivem, assinale a afirmação verdadeira.
A
Arqueas metanogênicas são encontradas em ambientes
com alta concentração salina.
B
Existem arqueas que vivem em fontes termais, onde a
temperatura da água é muito elevada, há pouco ou ne-
nhum teor de gás oxigênio e o nível de acidez é alto.
C
Arqueas halinas vivem em locais como pântanos, brejos,
sedimentos marinhos, esgotos e no intestino de animais
que digerem celulose.
D
Arqueas metanogênicas recebem esse nome por formarem
gás oxigênio como produto de seu metabolismo energético.

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Questão 3

3 UEPG-PR 2020 A palavra vírus deriva do latim e signi-


fica “veneno”. Há diversas variedades de vírus causadores
de doenças infecciosas humanas. Em dezembro de 2019,
uma doença denominada COVID-19, causada por uma nova
espécie de vírus, o coronavírus 2 (SARS-CoV-2), foi descri-
ta pela primeira vez na cidade de Wuhan, na China, e se
espalhou por todo o globo, caracterizando uma pandemia
mundial. Sobre os vírus, assinale o que for correto.
para oxidar o gás hidrogênio, liberando como produto o gás metano e a
água, como representado na equação a seguir.
CO2 1 4H2 CH4 1 2H2O
Equação química simplificada da produção de metano por arqueas
metanogênicas.
Gás
carbônico
Metano
Gás
hidrogênio
Água

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Questão 1

01 Os vírus são organismos intracelulares obrigatórios com


capacidade de invadir as células de diferentes seres vivos
como plantas, bactérias e animais.

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Questão 2

02 Os vírus bacteriófagos, também chamados de fagos, são


pluricelulares e apresentam capacidade de infectar seres
humanos, causando doenças graves como a malária.
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Questão 4

04 A transmissão de doenças causadas por vírus pode


ocorrer de diferentes maneiras, entre elas: o contato
direto, transmissão por gotículas respiratórias expeli-
das ao falar, tossir ou espirrar, além da ingestão de água
e alimentos contaminados.

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Questão 8

08 São exemplos de doenças causadas por vírus: AIDS, sa-


rampo, hepatite, gripe, esquistossomose e febre amarela.
Soma:

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Questão 4

4 Emescam-ES 2022
As superbactérias potencialmente fatais que podem ser
transmitidas de cachorros para os donos
Pesquisadores analisaram amostras de 102 cães e de 80
pessoas na capital portuguesa entre 2018-2020. Do total, 50
amostras apresentaram bactérias resistentes à colistina, um
antibiótico geralmente usado como último recurso no caso de
ineficácia de medicamentos. Em 26 dos 50 casos, o gene mcr-1
foi identificado tanto nos donos quanto nos cães. O temor dos
especialistas é que esse gene mcr-1 chegue a bactérias que já
são resistentes a outros tipos de antibióticos, criando bacté-
rias talvez intratáveis. A principal forma de obtenção do gene
mcr-1 está na aquisição de um material genético circular pro-
veniente de uma bactéria resistente à colistina.
Disponível em: [Link]
geral-57838934. Acesso em: 10 ago. 2021 (adaptado).
O número de bactérias resistentes a antibióticos tem aumen-
tado cada vez mais e preocupado as unidades de saúde.
De acordo com o texto, a preocupação é ainda maior quando
se fala da resistência à colistina, que pode ser adquirida, prin-
cipalmente, por meio da
A
transformação, que é a aquisição de ácido desoxirribo-
nucleico (DNA) circular presente no ambiente por uma
bactéria resistente à colistina.
B
transdução, que é a aquisição de material genético cro-
mossomal com o auxílio de um vírus replicante contendo
o gene mcr-1.
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AULA 4: Vírus e procariontes


Biologia • Frente 2

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Questão 603

603
C
conjugação, que é a aquisição de material genético plas-
midial presente em uma bactéria resistente à colistina
por meio do pilus sexual.
D
tradução, que é a aquisição de ácido desoxirribonucleico
(DNA) após o processo de transcrição realizado por uma
bactéria sensível à colistina.

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Questão 5

5 UFRGS 2018 A partir da década de 90, foi proposta a clas-


sificação dos seres vivos em 3 domínios: Archaea, Bacteria e
Eukarya. Sobre esses seres vivos, considere o quadro abaixo.
Característica
Domínios
Bacteria Archaea
Eukarya
Núcleo envolto
por membrana
(1)
Organelas envoltas
por membrana
(2)
Presença de peptidioglicano
na parede celular
(3)
Maioria vive em ambientes
de condições extremas
(4)
Assinale a alternativa que, completando o quadro, con-
tém a sequência de palavras que substitui corretamente os
-números de 1 a 4, de acordo com algumas das principais ca-
racterísticas de cada um desses grandes grupos.
A
ausente – ausentes – sim – sim.
B
ausente – presentes – sim – sim.
C
ausente – ausentes – sim – não.
D
presente – presentes – não – sim.
E
presente – ausentes – não – não.

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Questão 6

6 Famema-SP 2019 (Adapt.) Postos de saúde foram mon-


tados em shoppings e escolas em diversos municípios do país
para aumentar o percentual de crianças vacinadas contra a
poliomielite (ou paralisia infantil) e o sarampo, doenças que
podem levar a óbito. A vacinação é a única forma de impedir
a propagação do sarampo, que voltou a circular no país, e evi-
tar a reintrodução do agente causador da poliomielite. Mesmo
aqueles que já receberam as doses devem ser vacinados.
([Link] 11.08.2018. Adaptado.)
Os agentes causadores do sarampo e da poliomielite são
acelulares, ou seja, são formados por um agregado de mo-
léculas. A qual grupo de micro-organismos pertencem os
agentes causadores dessas doenças? Cite uma das prin-
cipais moléculas orgânicas que compõem minimamente
esses micro-organismos.

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Questão 1

1 UPE 2021 A degradação de florestas aumenta o risco de


os seres humanos entrarem em contato com animais hos-
pedeiros de agentes infecciosos, que podem causar doenças
ainda sem tratamento específico. No entanto, a recuperação
de áreas degradadas pode ajudar a diminuir o risco de trans-
missão de doenças. O estudo dos vírus também pode ajudar
a criar estratégias de restauração ambiental, sendo uma de-
las a de se antecipar ao surgimento dos novos vírus, tentar
localizá-los e estudá-los antes que se tornem um problema
de saúde pública. A bióloga Paula Prist afirma que “não é a
floresta que traz doenças, ao contrário, ela nos protege de
novos vírus, tais como o Sars-CoV-2”. Se houvesse a recupera-
ção de 6 milhões de hectares de Mata Atlântica, a redução de
populações de roedores que transmitem o hantavírus, agente
que causa a hantavirose, seria de até 90%, o que reduziria o
risco de até 2,8 milhões de pessoas serem infectadas.
Adaptado de: [Link]
restauracao- da-mata-atlantica-pode-reduzir-risco-de-
transmissao-do- hantavirus/; [Link]
da-floresta- para-as-cidades. Acesso em: 28 ago. 2020.
Além da hantavirose, que outras doenças virais foram as-
sociadas à degradação de áreas de florestas e quebra de
-barreiras entre espécies de mamíferos que são reservatórios
naturais de vírus?
A
Hepatite B, febre amarela e rubéola.
B
Toxoplasmose, gripe aviária e SARS.
C
Poliomielite, varíola e difteria.
D
Zika, dengue e influenza.
E
AIDS, raiva e ebola.

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Questão 2

2 UPE 2022 Leia o texto a seguir:


Movimentos antivacina usam argumentos do século 19.
Caricatura retrata um homem da classe trabalhadora, sendo vacina-
do à força por um oficial de saúde, enquanto é detido por um policial.
Foto: Hathitrust Digital Library.

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AULA 4: Vírus e procariontes


Biologia • Frente 2

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Questão 604

604
Manchete do panfleto do Dr. Ross de 1885 denunciava a vacina-
ção contra a varíola.
Um panfleto popular publicado em 1885, durante a
epidemia de varíola em Montreal, no Canadá, é um grande
exemplo do movimento antivacina. Doutor Ross lamentou o
“pânico sem sentido”, causado por funcionários da saúde e
médicos sobre a epidemia, alegando que a varíola não era
uma epidemia, e a cidade tinha “muito poucos casos”. Os
antivacinas do passado afirmavam que a vacinação causa-
va desde a VARÍOLA À SÍFILIS, FEBRE TIFOIDE, TUBERCULO-
SE, CÓLERA e “envenenamento do sangue”. Seus argumentos
ainda ecoam mais de um século depois, na atual pandemia.
Adaptado de: Paula Larsson, da Universidade de Oxford.

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Questão 24

24 out. 2020. Movimentos antivacina usam argumentos do


século 19 ([Link]). “The Conversation”.
Olhar para a história desses movimentos nos ajuda a compreen-
der a importância das vacinas na prevenção de doenças. Sobre
as doenças destacadas no texto, assinale a alternativa CORRETA.
A
A varíola é transmitida pelas gotículas de saliva, pelo uso
de objetos contaminados, a exemplo de toalhas, copos,
talheres, pela água contaminada bem como pelo conta-
to com a secreção e as crostas das lesões dos enfermos.
Provoca feridas pequenas e numerosas pelo corpo. A
única medida profilática eficiente é a vacinação.
B
A sífilis tem como agente etiológico o Treponema pallidum
ou bacilo de Koch, transmitido pelas relações sexuais ou
pela via congênita. Provoca inflamação na pele, nos rins e
nos ossos, doenças respiratórias, até a morte do feto. As
medidas profiláticas mais eficientes são o tratamento do
doente com antibióticos e a vacina HPV.
C
A
tuberculose
tem
como
agente
etiológico
o
Mycobacterium tuberculosis, transmitido pela inalação
de gotículas espalhadas pelo ar, fala, tosse ou espirro das
pessoas contaminadas. Atinge os pulmões. As medidas
profiláticas mais eficientes são o tratamento do doente e
a vacina tríplice viral.
D
A cólera tem como agente etiológico o Vibrio cholerae,
transmitido pela ingestão de água ou alimentos conta-
minados. Provoca diarreia acentuada, vômitos e cãibras,
podendo desidratar e levar à morte. As medidas profilá-
ticas mais eficientes são tratamento dos doentes, consu-
mo de água potável, fervida ou clorada, higienização de
frutas e verduras e saneamento básico.
Foto: Hathitrust Digital Library.
E
A febre tifoide é transmitida pela saliva através do uso
de objetos contaminados, a exemplo de copos e talhe-
res. O vírus penetra pela mucosa das vias respiratórias e
dissemina-se pelo corpo através da corrente sanguínea.
Provoca febre, dor no corpo e inflamação das parótidas.
A vacinação BCG e o tratamento dos doentes são as me-
didas profiláticas mais eficientes.

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Questão 3

3 Acafe-SC 2019
Antibiótico utilizado na União Soviética é a
nova esperança contra as superbactérias
Cientistas chineses conseguiram sintetizar em laborató-
rio uma complexa substância antimicrobiana produzida de
maneira natural por uma bactéria do solo, a albomicina del-
ta-2, uma molécula que chegaria num momento crítico. Um
relatório elaborado para o Governo britânico informa que as
superbactérias – imunes aos fármacos conhecidos, por causa
de mutações espontâneas – matarão 10 milhões de pesso-
as por ano a partir de 2050, quase dois milhões de mortes a
mais que as provocadas pelo câncer.
Fonte: El País, 05/09/2018. Disponível em: [Link]
A respeito do tema, analise as afirmações a seguir e marque
V para as verdadeiras e F para as falsas.
Algumas bactérias participam da biorremediação,
também chamada de remediação biológica, em que
removem ou neutralizam diversos poluentes tóxicos
(orgânicos e inorgânicos) do meio ambiente.
Superbactérias é o nome dado ao grupo de bactérias
que consegue resistir ao tratamento com o uso de uma
grande quantidade de antibióticos. Essa resistência sur-
ge a partir de mutações adaptativas induzidas pelo uso
incorreto ou desnecessário de antibióticos.
Através da engenharia genética é possível usar bactérias
geneticamente modificadas, nas quais foram inseridos
genes humanos para produzir proteínas humanas, como
por exemplo, hormônio do crescimento e insulina.
As bactérias podem se reproduzir sexuadamente atra-
vés da conjugação, da transdução e da trans- formação.
Nessa última, moléculas de DNA são transferidas de
uma bactéria para outra usando vírus como vetores, os
vírus bacteriófagos.
Doenças causadas por bactérias são denominadas de
bacterioses. Entre as doenças bacterianas podemos ci-
tar: botulismo, cólera, coqueluche, difteria, gonorreia,
hanseníase e leptospirose.
A sequência correta, de cima para baixo, é:
A
F – V – F – F – V.
B
V – F – F – V – V.
C
F – V – V – F – F.
D
V – F – V – F – V.

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AULA 4: Vírus e procariontes


Biologia • Frente 2

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Questão 605

605

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Questão 4

4 Uece 2020 Atente para o que se diz a seguir sobre a do-


ença Covid-19 e assinale com V o que for verdadeiro e com
F o que for falso.
É considerada uma pandemia, pois o vírus SARS-CoV-2,
que infecta seres humanos causando uma doença infec-
ciosa, consegue disseminar-se de forma fácil e susten-
tável entre um grande número de pessoas de todos os
continentes do planeta.
Os sintomas mais comuns da Covid-19, que afeta di-
ferentes pessoas de diferentes maneiras, são febre,
cansaço e tosse seca. Outros sintomas incluem con-
gestão nasal, dor de cabeça, dor de garganta, diarreia,
dificuldade de respirar, perda de paladar e/ou olfato.
As principais medidas de proteção contra a Covid-19
são lavar as mãos frequentemente com água e sabão ou
higienizá-las com álcool em gel, cobrir a boca quando
tossir ou espirrar, manter-se a pelo menos 1 metro de
distância das outras pessoas e usar máscara.
O vírus SARS-CoV-2, causador da Covid-19, por apresen-
tar metabolismo próprio e independer de outros seres
vivos para realizar suas funções vitais, é chamado de pa-
rasita intracelular.
Está correta, de cima para baixo, a seguinte sequência:
A
F, V, V, F.
B
V, V, V, F.
C
F, F, F, V.
D
V, F, F, V.

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Os fungos são como os “recicladores” da natureza. Eles podem ser pequenos


como o mofo que aparece no pão
velho ou grandes como os cogumelos que vemos na floresta. Eles não fazem
sua própria comida como as plantas; em
vez disso, eles se alimentam de matéria orgânica, como folhas caídas ou
madeira morta. Alguns fungos são úteis para
nós, como as leveduras que usamos para fazer pão. Os fungos estão por
toda parte e têm um papel importante no ciclo
da vida, ajudando a decompor e reciclar matéria orgânica. A palavra
“alga” é utilizada para se referir genericamente
a organismos eucariontes fotossintetizantes, mas que não são considerados
plantas. As algas têm grande relevância
ecológica, sendo as principais produtoras de oxigênio para a vida
aeróbia.
Algas e fungos
C1 | H4
C4 | H14, H15 e H16
C8 | H29 e H30
AULA

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Questão 5

5
Biologia • Frente 2

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Questão 606

606
Algas
A palavra “alga” não tem significado taxonômico, pois
abrange diversos grupos de organismos que não têm, ne-
cessariamente, relação de proximidade filogenética. Neste
livro, o termo “alga” é aplicado aos organismos eucariontes
(unicelulares ou pluricelulares) fotossintetizantes e que, dife-
rentemente das plantas, não têm embriões dependentes do
tecido materno. As algas podem ser encontradas em diversos
hábitats, incluindo água doce, mares e oceanos, rochas, tron-
cos de árvores, superfície de geleiras e fontes termais. Mui-
tas delas podem, ainda, viver associadas a fungos, formando
liquens, ou até mesmo com animais, como corais e moluscos.
Características gerais
As algas têm células eucarióticas, nas quais são encontradas
diversas organelas. Muitas algas unicelulares apresentam flage-
los, estruturas responsáveis pela locomoção em meio aquático.
A presença de cloroplastos com clorofila é característica
comum às células das algas e das plantas. Em todas as algas,
os cloroplastos têm clorofila a, pigmento essencial à fotossín-
tese. Além dela, podem estar presentes outros tipos de cloro-
fila, como b, c ou d, com estruturas moleculares ligeiramente
diferentes entre si. Os cloroplastos também podem ter outros
pigmentos fotossintetizantes, chamados de pigmentos acessó-
rios, como carotenoides e ficobilinas, que podem conferir às
algas as cores dourada, vermelha ou marrom.
A parede celular está presente nas células da maioria
das algas, com exceção das euglenófitas. Em geral, a parede
tem celulose combinada com outras substâncias como algi-
natos, carragenina, ágar ou carbonato de cálcio, dependendo
do grupo. Nas diatomáceas, a parede celular é formada por
sílica e não tem celulose. Já nos dinoflagelados, a parede
celular é interna e formada por placas de celulose confinadas
em estruturas denominadas alvéolos.
Flagelo
Corpo basal
Cloroplasto
Parede celular
Glóbulo
Membrana
plasmática
Mitocôndria
Amido
Complexo
golgiense
Núcleo
Vacúolo
contrátil
Representação esquemática dos componentes celulares da alga
verde Chlamydomonas.
A molécula utilizada como reserva energética varia mui-
to nos diferentes grupos de algas, que serão detalhados mais
adiante. As diatomáceas, por exemplo, armazenam óleos e
crisolaminarina (polissacarídeo específico desse grupo). Já
as algas verdes armazenam amido dentro dos cloroplastos,
uma característica compartilhada com as plantas.
As algas podem ser unicelulares, coloniais ou plurice-
lulares. As pluricelulares são talófitas, isto é, têm o corpo
formado por um talo simples, sem distinção de tecidos ou
de órgãos específicos. Em muitas algas pardas, entretanto, o
talo apresenta estruturas diferenciadas, como o apressório
(fixa a alga ao substrato), as lâminas (projeções semelhantes
a folhas), o estipe (estrutura cilíndrica que sustenta as lâmi-
nas) e o flutuador (estrutura oca com ar para flutuabilidade).

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AULA 5: Algas e fungos


Biologia • Frente 2

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Questão 607

607
Reprodução
Nas algas unicelulares, a reprodução assexuada mais comum é a fissão
binária. No caso das algas pluricelulares, uma for-
ma comum de reprodução assexuada é a fragmentação do talo, processo em
que o corpo da alga se quebra em pedaços que
podem se regenerar e formar novas algas.
As algas pluricelulares também podem se reproduzir por esporulação, isto
é, pela produção de esporos. De forma geral, esses
esporos, denominados zoósporos, têm flagelos e motilidade própria. Ao
serem liberados na água, os zoósporos nadam e se fixam a
locais favoráveis para formar novos organismos.
A reprodução sexuada das algas envolve fecundação, isto é, a união de
gametas haploides (n), formação de um zigoto
diploide (2n) e divisão meiótica, processo que produz células-filhas
haploides. Tendo em vista a grande diversidade de algas,
observa-se a presença de diversos tipos de ciclos sexuais, que serão
estudados mais adiante.
Importância ecológica
As algas formam a base das cadeias alimentares nos ambientes aquáticos.
As algas microscópicas e as cianobactérias (bactérias
fotossintetizantes) constituem o fitoplâncton, uma comunidade de seres
vivos fotossintetizantes da superfície do ambiente aquático.
Além de produzir matéria orgânica, a fotossíntese realizada pelo
fitoplâncton gera grande parte do gás oxigênio (O2) da
atmosfera. Estima-se que o fitoplâncton seja responsável por mais de 50%
da produção de oxigênio do planeta.
Existem dinoflagelados, conhecidos como zooxantelas, que vivem em
endossimbiose dentro do corpo de diversos ani-
mais marinhos, como esponjas, anêmonas, corais, vermes e moluscos. A
relação ecológica entre os animais e as zooxantelas
é um exemplo de mutualismo. As zooxantelas realizam fotossíntese e parte
da matéria orgânica produzida fica disponível
para os animais. E os dinoflagelados recebem abrigo e algumas moléculas
do metabolismo do animal, como gás carbônico
e compostos nitrogenados.
Saiba mais
Maré vermelha: proliferação de algas tóxicas
Algumas condições no ambiente marinho podem estimular a reprodução
descontrolada e acelerada de determinadas
espécies de dinoflagelados tóxicos. Esse fenômeno é conhecido como maré
vermelha, em função da formação característica
de manchas avermelhadas na superfície da água. Mais de 40 espécies de
dinoflagelados já foram identificadas como produ-
toras de toxinas capazes de afetar peixes, tartarugas, aves, golfinhos e
os seres humanos.
A principal causa da maré vermelha é o aumento na oferta de nutrientes no
ambiente marinho. A eutrofização pode
ocorrer de forma natural, pelo afloramento de nutrientes de águas mais
profundas (ressurgência), ou pela atividade humana,
como despejo de esgoto doméstico no mar ou lixiviação de fertilizantes
agrícolas. Os nutrientes são utilizados pelas algas na
fotossíntese, o que estimula a proliferação. Outros fatores, como o
aumento da temperatura dos oceanos e a variação da
salinidade e da luminosidade, também influenciam a sobre a proliferação
das algas e podem desencadear a maré vermelha.
(A) Maré vermelha em Shizuoka (Japão). (B) Eletrofotomicrografia de
varredura do dinoflagelado tóxico Karenia brevis (mede entre

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Questão 20

20 mm e 40 μm de comprimento). (C) Peixes mortos em uma praia de Fort


Myers (Estados Unidos), após evento de maré vermelha.
Jillian Cain Photography/[Link]
Dennis Kunkel Microscopy/ Science Photo Library/ Fotoarena
Princess_Anmitsu/[Link]
A
B
C
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AULA 5: Algas e fungos


Biologia • Frente 2

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Questão 608

608
Importância econômica
Em diversas culturas, especialmente nas asiáticas, as al-
gas fazem parte da alimentação humana, já que são ricas em
minerais, vitaminas, carboidratos e proteínas. A alga verme-
lha do gênero Porphyra, após secagem e prensagem, é trans-
formada em folhas de nori utilizadas no preparo de pratos
como o sushi.
Nas paredes celulares das algas pardas, são encontrados
os alginatos, usados como espessantes em muitos produtos
industrializados, como sorvetes, cremes dentais, cosméticos,
sabões e tintas. Já nas algas vermelhas, a parede celular con-
tém ágar e carragenina, moléculas utilizadas na indústria ali-
mentícia para dar consistência a pudins, cremes, gelatinas e
sorvetes. O ágar também é utilizado na produção de cápsulas
de medicamentos, preparação de gel para experimentos mo-
leculares e como meio de cultivo de microrganismos.
O diatomito, também conhecido como terra das diatomá-
ceas, é uma rocha sedimentar formada de frústulas (paredes
celulares) que se acumularam no fundo de lagos e oceanos ao
longo de milhares de anos. Ele pode ser utilizado na produção
de tijolos, abrasivos em polidores, filtros de água e como bio-
pesticida natural. No Brasil, a região Nordeste é rica em depósi-
tos de diatomito, locais onde ocorrem operações de mineração.
Classificação
A sistemática das algas é baseada em hipóteses evolutivas
que utilizam dados moleculares para tentar estabelecer rela-
ções filogenéticas entre os grupos dentro de uma visão cladísti-
ca. No entanto, em uma classificação tradicional, outros fatores
são considerados, tais como: a organização do corpo (unicelular
ou pluricelular); os tipos de clorofila (a, b, c ou d); os pigmentos
acessórios existentes nos cloroplastos; as substâncias de reserva
energética estocadas nas células; e os principais componentes
da parede celular. Apesar de parecer estranho, atualmente sa-
be-se que alguns grupos de algas têm maior relação de paren-
tesco evolutivo com protozoários do que entre si.
Divisão (filo)
Organização
do corpo
Tipos de
clorofila
Pigmentos
acessórios
Substância
de reserva
Componentes da
parede celular
Euglenophyta
(euglenófitas)
Unicelular
a e b
Carotenoides
Paramilo
Sem parede celular;
película proteica interna
Dinophyta
(dinoflagelados)
Unicelular
a e c
Carotenoides
(peridinina)
Amido
Placas internas de celulose
Bacillariophyta
(diatomáceas)
Unicelular
a e c
Carotenoides
(fucoxantina)
Crisolaminarina
e óleos
Sílica (SiO2)
Phaeophyta
(algas pardas)
Pluricelular
a e c
Carotenoides
(fucoxantina)
Laminarina
e manitol
Celulose e alginatos
Rhodophyta
(algas vermelhas)
Pluricelular
(maioria)
a e d
Carotenoides
e ficobilinas (ficoeritrina)
Amido
das florídeas
Celulose, ágar e carragenina
Coralináceas: CaCO3
Chlorophyta
(algas verdes)
Unicelular ou
pluricelular
a e b
Carotenoides
Amido dentro
dos cloroplastos
Celulose e glicoproteínas
Fontes: NABORS, M. W. Introdução à Botânica. São Paulo: Roca, 2012.
EVERT, R. F.; EICHHORN, S. E. Biology of Plants. 8. ed. Nova York: W. H.
Freeman and Company, 2013.
(A) Fotomicroscopia de três algas euglenófitas (Euglena spirogyra, mede
cerca de 100 μm). (B) Eletromicrografia de um dinoflagelado
planctônico (Ceratium sp., mede até 2 mm de comprimento). (C)
Fotomicrografia de diatomácea (Actinoptychus sp., aumento de 96
vezes). (D) Algas pardas (Sargassum sp.) em uma praia do Caribe. (E) Talo
da alga vermelha Gigartina pistillata. (F) Talo da alga verde
pluricelular Caulerpa lentillifera.
A
D
B
E
F
icosha/[Link]
Fernando Sanchez Cortes/
[Link]
lazyllama/[Link]
Science Photo Library/Fotoarena
Steve Gschmeissner/ Science Photo
Library/ Fotoarena
[Link]/[Link]
C

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AULA 5: Algas e fungos


Biologia • Frente 2

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Questão 609

609
Os fungos
Inicialmente, na classificação apresentada pelo naturalista sueco Carolus
Linnaeus (1707-1778) em 1735, os fungos
foram agrupados com as plantas e com as bactérias no reino Vegetal,
essencialmente pelo fato de serem sésseis. Posterior-
mente, em 1956, o biólogo estadunidense Herbert Copeland (1902-1968)
propôs que fungos integrassem o reino Protista.
Em 1969, o biólogo estadunidense Robert Whittaker (1920-1980) reuniu o
conhecimento sobre as características dos
fungos e articulou um conjunto robusto de evidências para propor que os
fungos formassem um grupo bem definido,
separado dos demais seres vivos: o reino Fungi.
Evidências moleculares, posteriores à classificação de Whittaker,
indicaram que os fungos são evolutivamente mais
próximos dos animais do que das plantas. Segundo essa hipótese, animais e
fungos provavelmente surgiram de protistas
flagelados ancestrais, semelhantes aos organismos atuais conhecidos como
coanoflagelados. Alguns fungos aquáticos do
grupo dos quitridiomicetos produzem esporos flagelados, condição
provavelmente presente no protista aquático ancestral.
Protista
ancestral
Coanoflagelados
Animais
Fungos
Parede celular
com quitina
HILLIS, D. M. et al. Life: the science of Biology. 12. ed.
Nova York: W. H. Freeman and Company, 2020.
Cladograma da relação de parentesco evolutivo entre animais,
coanoflagelados e fungos, descendentes de um protista flagelado
ancestral comum.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Denis508/
[Link]
Eric Isselee/[Link]
Célula fúngica
Todos os fungos são formados por células eucarióticas, ou seja, células
em que o DNA é separado do citosol pela carioteca
e confinado no núcleo celular. Uma característica que difere a célula dos
fungos e das plantas é a ausência de cloroplastos
nas células fúngicas. Além disso, diferentemente da parede celular das
plantas, que tem celulose, e a das bactérias, que tem
peptidoglicanos, a parede das células dos fungos é formada
predominantemente por quitina. Esse polissacarídeo nitroge-
nado é resistente e flexível. É também encontrado no exoesqueleto de
artrópodes (aranhas, insetos etc.).
Estrutura de um fungo pluricelular
Existem alguns fungos unicelulares, mas a maioria das espécies é
pluricelular. Nas espécies pluricelulares, não existem te-
cidos diferenciados, sendo o corpo constituído por filamentos tubulares
individuais de crescimento rápido, denominados hifas
(do grego hiphe, teia). Existem dois tipos de hifa: cenocíticas e
septadas. As hifas cenocíticas (do grego ceno, ramo; e cytos, cé-
lula) são formadas por uma massa citoplasmática contínua contendo
centenas ou milhares de núcleos, mas sem septos sepa-
rando as células. A formação dessas hifas acontece por meio de divisões
repetitivas dos núcleos, sem a divisão do citoplasma.
As hifas septadas têm septos, que representam as paredes internas que
delimitam as células. Os septos têm poros que
possibilitam a comunicação entre as células e o intercâmbio de moléculas,
organelas e até mesmo de núcleos entre elas. Nas
hifas monocarióticas, os septos delimitam células com apenas um núcleo,
enquanto nas hifas dicarióticas os septos delimitam
células com dois núcleos geneticamente diferentes, cada um proveniente de
um organismo diferente.

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AULA 5: Algas e fungos


Biologia • Frente 2

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Questão 610

610
O conjunto de hifas entrelaçadas forma o micélio, corpo
do fungo que penetra no material do qual ele se alimenta.
Em muitas espécies há dois tipos de micélio: vegetativo e re-
produtivo. O micélio vegetativo, responsável pela nutrição e
pelo crescimento dos fungos, é formado por hifas de organi-
zação menos compacta.
Já o micélio reprodutivo, também conhecido como cor-
po de frutificação, é formado por um conjunto de hifas dica-
rióticas compactas, responsáveis pela produção de esporos
(células reprodutivas dos fungos).
Nutrição
Todos os fungos são heterótrofos, já que se alimentam
da matéria orgânica do ambiente ou de outros seres vivos.
A maioria das espécies tem digestão extracelular, processo
em que as hifas liberam enzimas digestivas que atuam direta-
mente na fonte de alimento, fora do corpo dos fungos. Após
a digestão, as hifas absorvem os produtos, como monossaca-
rídeos e aminoácidos, utilizando-os como fonte de energia e
de matéria-prima para o crescimento e a sobrevivência. Os
fungos, portanto, se alimentam por absorção, e não por in-
gestão, como os animais.
O polissacarídeo de reserva energética dos fungos é o glico-
gênio, polímero de glicose estocado no citoplasma das células
fúngicas. Além de glicogênio, estão presentes gotas lipídicas,
que também servem como fonte de energia para os fungos.
Com relação ao modo de vida, muitos fungos são de-
compositores (sapróbios ou saprofágicos), isto é, se ali-
mentam de matéria orgânica proveniente, por exemplo,
de fezes dos animais e de cadáveres de seres vivos. Outras
espécies são simbiontes, ou seja, vivem em associação com
outros organismos.
Reprodução
A maioria dos fungos se reproduz assexuadamente por
esporulação, processo em que são produzidas, por mitose,
milhares de células especiais denominadas esporos. Nos
bolores, esporos são formados em estruturas denominadas
esporângios, que ficam nas extremidades de hifas especiais,
denominadas esporangióforos.
Muitos fungos pluricelulares também podem se repro-
duzir assexuadamente pela simples fragmentação do micé-
lio, processo em que os fragmentos se regeneram e formam
novos organismos.
Fungos unicelulares, como as leveduras, podem se re-
produzir por brotamento ou gemulação: uma divisão celular
mitótica assimétrica dá origem a uma pequena célula-filha
(broto), que se desprende e forma um novo organismo.
Eletromicrografia de varredura de Saccharomyces cerevisiae (de

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Questão 5

5 mm a 10 mm de diâmetro) se reproduzindo por brotamento.


Observe as cicatrizes do desprendimento de brotos anteriores.
(Cores artificiais.)
Ikelos Gmbh/ Dr. Christopher B. Jackson/
Science Photo Library/ Fotoarena
Cicatrizes
Broto
Representação esquemática da diferença entre hifas cenocíticas (sem
septo) e septadas (com septo).
Núcleo
Hifa
Hifa cenocítica
Septo
Hifa
Hifa septada
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Designua/[Link]

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AULA 5: Algas e fungos


Biologia • Frente 2

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Questão 611

611
Em relação à reprodução sexuada, de forma geral, os
fungos têm ciclo de vida haplobionte haplonte, já que apre-
sentam apenas uma fase adulta haploide, e a meiose é zigóti-
ca. O ciclo reprodutivo de um cogumelo, fungo que pertence
ao grupo dos basidiomicetos, será descrito a seguir para
exemplificar a reprodução sexuada dos fungos.
Em resumo, esporos haploides (n), em ambiente favorá-
vel, germinam e formam hifas monocarióticas haploides (n),
ou seja, hifas com apenas um núcleo haploide. Elas, então, se
espalham e se entrelaçam no ambiente, formando o micélio
monocariótico (n), estrutura responsável pelo crescimento e
pela nutrição do fungo.
Hifas monocarióticas de fungos da mesma espécie, mas
de tipos geneticamente distintos, liberam feromônios que
estimulam o crescimento de hifas em sua direção. Quando
elas se tocam, ocorre a plasmogamia, que inclui a união do
citoplasma sem a fusão dos núcleos. As hifas formadas são
denominadas dicarióticas (n + n), pois têm dois núcleos gene-
ticamente diferentes que coexistem em cada célula. O cres-
cimento dessas hifas forma o micélio dicariótico (n + n), que
tem um ciclo de vida longo.
Em condições ambientais propícias, como aumento das
chuvas ou mudanças de temperatura, o micélio dicariótico
inicia a formação de massas compactas de hifas que consti-
tuem o corpo de frutificação (cogumelo), também chamado
de basidiocarpo ou basidioma. Em suas lamelas, são encon-
trados os basídios, células nas extremidades das hifas dicari-
óticas e nas quais ocorre a cariogamia (fusão dos núcleos),
com formação de uma célula diploide (2n) denominada zigo-
to. Em seguida, o zigoto sofre meiose zigótica, e forma qua-
tro esporos haploides (n) denominados basidiósporos.
O ciclo finaliza com a liberação e dispersão dos basidiós-
poros para longas distâncias, o que possibilita que a espécie
alcance novos ambientes. Ao encontrar um ambiente ade-
quado, os esporos podem germinar e formar novos fungos.
Após a produção dos esporos, os cogumelos são de-
compostos, mas os micélios vegetativos dos fungos per-
manecem vivos e em crescimento na busca por novas
fontes de alimento.
Diversidade dos fungos
Estudos recentes baseados em dados moleculares aju-
dam a esclarecer as relações evolutivas entre os grupos de
fungos. Eles indicam a existência de, pelo menos, cinco
grupos (divisões) principais: quitridiomicetos, zigomicetos,
glomeromicetos, ascomicetos e basidiomicetos. O clado-
grama a seguir mostra as hipóteses de relação de parentesco
evolutivo entre os grupos do reino Fungi e as principais ca-
racterísticas de cada um.
Cladograma da provável relação de parentesco evolutivo entre os grupos do
reino Fungi.
Imagens: Science History Images / Alamy / Fotoarena, Rattiya Thongdumhyu/
[Link], Kristine Nichols/us Department Of Agriculture/ Science
Photo Library/
Fotoarena, Connie Pinson/[Link], SOMSAK 2503/[Link]
Arbúsculo
Esporangióforos
• Presença de hifas
• Parede com quitina
• Nutrição por absorção
Quitridiomicetos
• Hifas cenocíticas.
• Esporos flagelados.
Ex.: quitrídios (aquáticos).
Glomeromicetos
• Hifas cenocíticas.
• Formação de arbúsculos.
Ex.: fungos micorrízicos.
Ascomicetos
• Hifas septadas.
• Ascos com ascósporos.
Ex.: leveduras e morchelas.
Basidiomicetos
• Hifas septadas.
• Basídios com basidiósporos.
Ex.: cogumelos e orelhas-
-de-pau.
Zigomicetos
• Hifas cenocíticas.
• Formação de zigósporos.
Ex.: bolores.
Importância ecológica
Muitos fungos são decompositores de matéria orgânica do ambiente e
contribuem para a reciclagem de matéria nos ecossiste-
mas. Os fungos são importantes decompositores de celulose e lignina,
componentes abundantes da parede celular dos vegetais. Al-
gumas espécies de fungo podem ser utilizadas na biorremediação de
ambientes poluídos, já que produzem enzimas que decompõem
uma grande diversidade decompostos, entre eles plástico e petróleo,
transformando-os em substâncias menos tóxicas. Outros são
eficazes no controle biológico de pragas, e, assim, atuam como pesticidas
naturais. Um exemplo é o fungo Metarhizium anisopliae,
usado no controle das cigarrinhas de cana e até mesmo de baratas
domésticas nos centros urbanos.

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AULA 5: Algas e fungos


Biologia • Frente 2

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Questão 612

612
Liquens
Os fungos podem viver em relação simbiótica mutualística com organismos
autótrofos, na qual milhões de células fo-
tossintetizantes ficam envolvidas por um emaranhado de hifas fúngicas.
Essa associação forma uma estrutura denominada
líquen, capaz de sobreviver em locais em que poucos seres vivos conseguem
se estabelecer, como as superfícies de rochas e
os troncos das árvores.
(A) Líquen da espécie Parmelia sulcata no tronco de um pinheiro (pode
medir até 10 cm de diâmetro). (B) Rocha repleta de li-
quens crostosos.
A
B
Denis Gavrilov/[Link]
Angelito de Jesus/[Link]
O micobionte, componente fúngico do líquen, geralmente é um ascomiceto. O
fungo fornece um ambiente favorável para
o crescimento do simbionte fotossintetizante da relação. A organização
física das hifas, que correspondem à maior parte do
líquen, possibilita a absorção de água e minerais. Muitos fungos produzem
pigmentos, que protegem os organismos fotossinte-
tizantes dos efeitos danosos da radiação ultravioleta, e substâncias
tóxicas, que protegem os liquens da predação por animais.
O fotobionte, componente autótrofo da relação, pode ser uma alga verde
(unicelular ou filamentosa) ou uma cianobactéria
(bactéria fotossintetizante). Os autótrofos ocupam uma camada interna,
abaixo da superfície do líquen, e fornecem ao fungo parte da
matéria orgânica produzida por meio da fotossíntese. As cianobactérias
que participam dessa relação também fornecem compostos
nitrogenados aos fungos, pois são capazes de realizar a fixação biológica
do nitrogênio atmosférico.
A reprodução dos liquens pode ocorrer por meio da fragmentação do corpo e
pela formação de sorédios, pequenos gru-
pos de fotobiontes (algas ou cianobactérias) envolvidos pelo emaranhado
de hifas fúngicas. Os sorédios se destacam do líquen
e são transportados pelo vento para outros ambientes, onde podem se
desenvolver e formar novos liquens.
(A) Representação de um líquen, com destaque para hifas, algas e sorédios
(estruturas reprodutivas). (B) Eletromicrografia de varredura do
líquen Parmelia sulcata, com destaque para as hifas (estruturas
tubulares) e algas verdes (esferas esverdeadas). (Cores artificiais.
Aumento
de 600 vezes.)
Algas
Sorédios
Hifas fúngicas
A
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
B
Eye Of Science/ Science Photo Library/ Fotoarena
Liquens são produtores e ocupam a base das cadeias alimentares. Muitos
atuam como espécies pioneiras em sucessões
ecológicas, uma vez que podem se estabelecer em superfícies rochosas e
produzir os ácidos liquênicos, responsáveis pela
corrosão das rochas e pela formação inicial dos solos. Muitos liquens são
sensíveis à poluição atmosférica e, por esse motivo,
não são abundantes em ambientes poluídos, especialmente nos acometidos
por chuvas ácidas ou contaminados por metais
pesados e outros compostos tóxicos. A sensibilidade dos liquens aos
poluentes atmosféricos faz desses organismos bons bioin-
dicadores de poluição, já que a redução populacional deles pode revelar
aumento dos níveis de poluição local.
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AULA 5: Algas e fungos


Biologia • Frente 2

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Questão 613

613
Micorrizas
Muitas espécies de fungos, como diversos glomero-
micetos e basidiomicetos, estabelecem com as raízes das
plantas uma associação simbiótica denominada micorriza
(do grego myke, fungo; e rhyza, raiz). Essa relação ecológica
ocorre em mais de 90% das espécies de plantas, e foi funda-
mental para a ocupação e diversificação delas em ambiente
terrestre. As sementes de orquídeas, por exemplo, não ger-
minam se não estiverem infectadas pelo fungo que formará
suas micorrizas.
(A) Rede de micélio na raiz de uma planta de morango, e (B)
representação esquemática das células das raízes e das hifas
fúngicas, componentes da micorriza.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Células
da raiz
Hifas do
fungo
Dr Jeremy Burgess/ Science Photo Library/ Fotoarena
A
B
Raízes
Micélio
Importância econômica
Diversas espécies de fungos podem ser apreciadas como
fonte de alimento. Entre elas, destacam-se basidiomicetos
como o champignon (Agaricus bisporus), o shimeji (Pleurotus
ostreatus) e o shiitake (Lentinula edodes), ascomicetos como
a trufa negra (Tuber melanosporum) e a morchela (Morchella
esculenta). Muitos fungos, como os do gênero Penicillium, são
utilizados na produção de queijos, entre eles gorgonzola, ro-
quefort e camembert. Os sabores e aromas característicos de
cada um vêm de substâncias produzidas pelos fungos durante
a maturação do queijo.
Fungos ascomicetos do gênero Aspergillus são utilizados
para a produção do shoyu (molho de soja) e do saquê (bebi-
da alcoólica japonesa). Uma das espécies mais importantes da
atualidade é a Saccharomyces cerevisiae, um fermento
biológico. Na área farmacológica, os fungos podem ajudar na
produção de medicamentos, como antibióticos.
Fungos parasitas
Fungos que parasitam plantas podem causar sérios pro-
blemas para a agricultura. Entre as doenças vegetais causa-
das por fungos, destacam-se a vassoura-de-bruxa do cacau,
causada pelo fungo Moniliophthora perniciosa e o esporão-
-do-centeio, causado pelo fungo Claviceps purpurea. O termo
geral usado para uma doença causada por um fungo é micose.
Uma doença causada por duas espécies de quitridiomicetos
invasores (Batrachochytrium dendrobatidis e B. salamandrivo-
rans) são responsáveis atualmente pelo declínio populacional
ou extinção de mais de 500 espécies de anfíbios.
Doenças causadas por fungos
Um exemplo de micose humana é a frieira, também co-
nhecida como pé-de-atleta. Essa doença é causada por diver-
sos ascomicetos que, embora possam afetar qualquer parte
do corpo, são muito comuns nos pés. Já a histoplasmose é
causada pelo fungo Histoplasma capsulatum, que afeta os
pulmões, e é transmitida pela inalação de esporos presentes
na poeira em suspensão de solos contaminados. Esses fun-
gos vivem, principalmente, em fezes de animais cavernícolas,
como aves e morcegos. Muitos fungos são organismos opor-
tunistas, já que causam doenças apenas quando ocorrem
mudanças no corpo do hospedeiro, principalmente relacio-
nadas à imunidade. Outra doença pulmonar é a blastomico-
se, causada pelo fungo Blastomyces dermatitidis.
Um exemplo é o fungo Candida albicans, habitante
de epitélios úmidos, como a vagina, que estabelece uma
relação de comensalismo com o ser humano. Quando há
queda na imunidade, o fungo se desenvolve muito e se
torna patogênico, causando a candidíase. Outra micose
oportunista é um tipo de pneumonia, causada pelo fungo
Pneumocystis carinii, que se tornou mais comum nas últi-
mas décadas, especialmente em pacientes HIV positivos
com a imunidade comprometida.

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AULA 5: Algas e fungos


Biologia • Frente 2

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Questão 614

614

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Questão 1

1 IFPE 2019 Muitas algas, ou ervas marinhas, fazem parte


das PANCs (plantas alimentícias não convencionais) e quem
está habituado com a culinária japonesa já deve ter provado
pelo menos uma, dos 7 tipos de algas comestíveis, como a
Nori, aquela que envolve o sushi. Ela pode ser a mais famosa
para nós, mas não é a única em sabor e nutrientes. Ao contrá-
rio do que se imagina, as algas têm pouco sal, além de serem
pobres em calorias e gorduras. Menos de 6% do peso da alga
seca é gordura e 50% dessa gordura é ômega 3 e 6.
FRANZONI, Michele. Algas na alimentação: tipos, benefícios e como incluir
no cardápio. Disponível em: <[Link] br/2018/03/19/
algas-na-alimentacao-tipos-beneficios-e-como-incluir-no-cardapio/>.
Acesso em: 06 maio 2019 (adaptado).
O texto acima apresenta um equívoco ao classificar as algas
como plantas, pois as algas, apesar de apresentarem seme-
lhanças com as plantas, pertencem a um outro reino. Assi-
nale a alternativa que corresponde ao reino em que as algas
estão inseridas.
A
Fungi.
B
Protoctista.
C
Monera.
D
Archaea.
E
Animmalia.

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=======
Questão 2

2 Uema 2023 Bolores são encontrados em uma ampla gama


de ambientes. A grande maioria deles vive no solo fazendo
parte da decomposição de materiais na natureza, podendo ser
também encontrados na água, no ar, em plantas e em outros
locais. Quando o substrato proporciona a umidade necessária,
esporos presentes nessa estrutura germinam e possibilitam
sua proliferação, realizada através de estruturas especializadas
denominadas hifas, que crescem, penetram no substrato e
que, muitas vezes, são os alimentos. Os bolores revelam notá-
vel capacidade de adaptação e de crescimento sob condições
extremamente variáveis como a umidade e a temperatura.
Baseado nas informações do texto, os bolores são classifica-
dos como
A
bactérias.
B
protozoários.
C
algas.
D
animais.
E
fungos.

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=======
Questão 3

3 Uema 2020 A produção de bebidas alcoólicas é realizada


por meio da fermentação de diferentes ingredientes. O vinho,
por exemplo, é fabricado a partir da fermentação da uva; já a
cerveja é produzida pela fermentação da cevada. Tal proces-
so se dá devido ao fato de alguns organismos obterem ener-
gia pela quebra do açúcar, produzindo gás carbônico (CO2) e
álcool etílico (C2H5OH), na ausência de oxigênio (O2). Esses
seres vivos preferem se desenvolver em ambientes úmidos,
podem apresentar quitina em sua parede celular, glicogênio
como produto de reserva, são eucariontes, heterotróficos e
contêm o maior potencial enzimático encontrado no planeta.
AMABIS, José Mariano; MARTHO, Gilberto Rodrigues.
Biologia em contexto. 1. Ed. São Paulo: Moderna, 2013.
Pelas características descritas, conclui-se que esses organis-
mos são denominados
A
bactérias.
B
protozoários.
C leveduras.
D cianobactérias.
E dinoflagelados.

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=======
Questão 4

4 FMP-RJ 2020 As micorrizas desempenham um papel im-


portante na melhoria da textura do solo e são consideradas
importantes agentes biológicos para agregação de diversos
tipos de solo. O micélio do fungo desempenha uma relação
ecológica mutualística com as raízes vivas das plantas. Os
fungos interagem com o tecido da raiz e promovem a(o)
A
quimiossíntese de carboidratos para a árvore
B
conversão de nitratos do solo em nitrogênio molecular
C
aumento da capacidade de absorção da planta
D
fixação de nitrogênio atmosférico para o vegetal
E
decréscimo da ação decompositora de excretas nitrogenadas

=========================================================================
=======
Questão 5
5 UFJF/Pism-MG 2022 Liquens são bioindicadores da quali-
dade ambiental, uma vez que são sensíveis à poluição atmos-
férica. Os liquens são associações simbióticas entre algas e
fungos e, embora esses dois grupos de organismos compar-
tilhem algumas características, são facilmente distinguíveis
por determinados atributos. Abaixo são listadas característi-
cas que identificam representantes de cada um dos dois gru-
pos de organismos.

=========================================================================
=======
Questão 1

1. compreendem os micobiontes dos liquens.

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=======
Questão 2

2. são pluricelulares e unicelulares.

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=======
Questão 3

3. apresentam quitina na parede celular.

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Questão 4

4. fazem parte do plâncton em ambientes marinhos.

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Questão 5

5. são fotossintetizantes.

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Questão 6

6. compreendem as leveduras, usadas na indústria alimentícia.

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=======
Questão 7

7. são os decompositores na cadeia trófica.

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=======
Questão 8
8. alguns representantes apresentam alternância de gerações.

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Questão 9

9. em representantes multicelulares o corpo é denominado talo.

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=======
Questão 10

10. possuem ágar e carragenina, usadas na indústria alimentícia.


Analisando essas informações, marque a alternativa CORRE-
TA que apresenta a sequência de características que identifi-
quem respectivamente as ALGAS e os FUNGOS:
A
algas (2, 4, 5, 8, 9, 10) e fungos (1, 2, 3, 6, 7, 8)
B
algas (1, 2, 5, 6, 8, 10) e fungos (1, 3, 4, 7, 9, 10)
C
algas (3, 4, 5, 9, 10) e fungos (1, 2, 4, 6, 7, 8)
D
algas (1, 3, 4, 5, 7) e fungos (2, 3, 6, 8, 9, 10)
E
algas (2, 3, 5, 8, 10) e fungos (1, 4, 6, 7, 9)

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Questão 6

6 Acafe-SC 2019
Maré vermelha traz microalga incomum e com potencial
tóxico ao litoral de São Paulo
Pesquisadores do Centro de Biologia Marinha (Cebimar)
da USP identificaram uma floração de microalgas do gênero
Margalefidinium no Canal de São Sebastião no final deste verão.

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AULA 5: Algas e fungos


Biologia • Frente 2

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Questão 615

615

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Questão 1
1 UFJF/Pism-MG 2019 Os diversos grupos de algas podem
se reproduzir de diferentes formas. Conhecer essas diferentes
formas de reprodução é importante para análise de situações
que envolvam a aplicação de conhecimentos sobre a impor-
tância ecológica e econômica das algas. Sobre os processos
reprodutivos das algas, assinale a alternativa CORRETA:
A
A reprodução assexuada em algas multicelulares pode
ocorrer por bipartição, ou seja, a célula progenitora re-
plica o seu DNA e separa-se em duas células-filhas gene-
ticamente iguais e de dimensões semelhantes.
B
A reprodução assexuada em algas unicelulares pode
ocorrer por fragmentação, ou seja, um filamento de alga
se desprende e origina outro filamento geneticamente
semelhante, mas não idêntico.
C
A reprodução assexuada em algas unicelulares pode
ocorrer por esporulação, ou seja, há formação de espo-
ros que, ao serem liberados do corpo do indivíduo que os
produziu, têm capacidade de desenvolver diretamente
um novo indivíduo geneticamente idêntico.
D
A reprodução sexuada em algas multicelulares pode
ocorrer em algas de ciclo de vida com alternância de ge-
rações, produzindo variabilidade genética nas espécies.
E
A reprodução sexuada em algas unicelulares pode ocor-
rer em algas com ciclo de vida haplonte e não produz
variabilidade genética nas espécies.

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Questão 2

2 Uema 2018 Os fungos já foram classificados como vege-


tais e também como protistas. Atualmente são agrupados
num reino à parte, chamado reino Fungi. Este grupo inclui
organismos diversos, que vivem em quase todos os ambien-
tes terrestres e apresentam uma grande variação de formas e
tamanhos. Podem ser desde fungos microscópicos, formados
por uma única célula (unicelulares), como é o caso das le-
veduras, até formas pluricelulares que atingem um tamanho
considerável, como os bolores e os cogumelos.
Disponível em: [Link]/disciplinas/ciencias/fungos.
A floração de microalgas é um fenômeno conhecido como
maré vermelha e, nesse caso, surpreendeu os cientistas, por-
que as espécies desse gênero não são comuns no litoral de
São Paulo. Além disso, são potencialmente tóxicas para peixes
e outros organismos que compõem o ecossistema marinho.
Fonte: Jornal da USP, 11/04/2019. Disponível em: [Link]
Acerca das informações contidas no texto e nos conhecimen-
tos relacionados ao tema, assinale a alternativa incorreta.
A
A maré vermelha é um exemplo de amensalismo. Nesse
tipo de relação ecológica, um organismo libera substân-
cias tóxicas que inibem o crescimento ou a reprodução
de outros organismos.
B
O fenômeno maré vermelha é resultante da excessiva
proliferação da população de certas algas tóxicas, como,
por exemplo, as algas pirrófitas dinoflageladas.
C
Entre as causas relacionadas ao fenômeno da maré ver-
melha estão: alteração na salinidade, oscilação térmica
da água e excesso de compostos orgânicos decorrentes
do escoamento de esgoto doméstico.
D
O aumento do número de marés vermelhas em termos
de quantidade, intensidade e dispersão geográfica está
relacionado, exclusivamente, à ação humana, como, por
exemplo, escoamento de esgoto doméstico nas águas
marinhas, ocasionando a eutrofização.
Explique quatro características que fazem com que os fungos
sejam enquadrados num reino exclusivo.

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Questão 3

3 Uerj 2020 Os fungos contribuem para o aumento da produ-


ção agrícola de diferentes maneiras, como, por exemplo, por
meio de sua associação com as raízes de vegetais, formando
micorrizas. Indique duas vantagens da formação de micorrizas
para a produção agrícola. Aponte, ainda, outra ação desempe-
nhada pelos fungos que também favorece a agricultura.

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Questão 4

4 UCS-RS 2021 Leia o excerto da música de Jorge Ben Jor.


Spiro Giro é o Spyro Gyro
É um bichinho bonito e verdinho que dá na água
É um bichinho bonito e verdinho que dá na água
Que Plâncton é esse Que Plâncton é esse
É o Spiro Giro é o Spyro Gyro
O trecho da música, sucesso na voz de Jorge Ben Jor, lançado
na década de 1990, refere-se a um gênero de algas perten-
centes ao grupo das Clorofíceas (Chlorophyta). A partir des-
sas informações, assinale a alternativa que descreve, corre-
tamente, algumas características do grupo das Clorofíceas.
A
Algas unicelulares marinhas, possuindo dois flagelos,
e que podem ocorrer em associação com os corais,
formando as zooxantelas.
B
Algas uni ou multicelulares, podendo ocorrer em água
doce, salgada ou até em associação com fungos, sendo que
uma espécie comum do litoral brasileiro é a alface-do-mar.
C
Algas unicelulares de água doce, contendo um flagelo e
sem parede celular, podendo também ser classificadas
como protozoários.
D
Algas unicelulares contendo uma carapaça de sílica e óle-
os como substância de reserva energética.
E
Algas uni ou multicelulares, que contêm óleos e lamina-
rina como reserva energética, e algumas espécies estão
dotadas de estruturas cheias de gás, que auxiliam a flu-
tuação, como os sargaços e os kelps.

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Ciências da Natureza e suas Tecnologias


Biologia
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Questão 3

3
Sumário
Aula 1
Protozoários e protozooses
..................................................................... 617
Aula 2
Embriologia e estrutura dos animais
............................................. 627
Aula 3
Poríferos, cnidários e platelmintos
.................................................... 635
Aula 4
Nematódeos, anelídeos e moluscos
............................................... 644
Aula 5
Verminoses
.........................................................................
.................................. 653

====PAGE 115====

Nascido em 9 de julho de 1879, Carlos Chagas foi uma das figuras mais
importantes na história da saúde pública brasileira.
No final de 1908, ele identificou um novo vetor, conhecido como barbeiro,
e uma nova espécie de protozoário, Trypanosoma
cruzi, causadora da doença de Chagas, cujo nome foi atribuído em sua
homenagem. Avanços como os realizados por Chagas
permitem que doenças parasitárias sejam identificadas, tratadas e
prevenidas, resultando em melhorias na qualidade de vida
da população.
C4 | H14
C5 | H17
C6 | H30
AULA

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Questão 1

1
Biologia • Frente 3

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Questão 617

617
Protozoários e protozooses
Os protozoários
Os protozoários são seres vivos eucariontes, ou seja, suas
células são dotadas de núcleo. Além disso, são seres unicelula-
res, heterótrofos e vivem em diferentes tipos de meio, habitando
desde ambientes aquáticos até ambientes terrestres.
A sobrevivência de um protozoário depende das trocas que
a célula realiza com o meio em que se encontra. Essas trocas
envolvem tanto a entrada de substâncias, como água, oxigênio
(O2), sais minerais e partículas alimentares, quanto a elimina-
ção de resíduos da digestão intracelular e a excreção de amônia
(NH3) e gás carbônico (CO2). Nesse caso, o transporte de O2, NH3
e CO2 pela membrana plasmática da célula ocorre por difusão.
A maioria dos protozoários é de vida livre, mas existem
representantes que vivem em associação com outros seres
vivos. Há protozoários que participam de relações mutualísti-
cas e aqueles envolvidos em relações de comensalismo.
Diversidade
Uma forma didática de abordar os protozoários é orga-
nizar sua diversidade em quatro classes, definidas com base
nas formas de locomoção. Essa abordagem, embora não re-
flita a classificação mais recente dos protozoários, que é um
grupo formado de organismo com diversas origens evoluti-
vas, é um modo mais acessível de conhecer representantes
importantes do Reino Protista.
Sarcodíneos
Os protozoários desse grupo são aqueles que se locomo-
vem por meio da emissão de pseudópodes, por isso são tam-
bém chamados de rizópodes. Os pseudópodes são projeções
citoplasmáticas transitórias que, além de auxiliarem na loco-
moção, são importantes na obtenção de partículas alimenta-
res. O exemplo mais conhecido de protozoário rizópode, ou
sarcodíneo, é a ameba, que tem relevância na saúde coletiva
por causar uma forma de disenteria conhecida como disen-
teria amebiana. Atualmente, os sarcodíneos estão em um filo
denominado Plasmodroma.
[Link]/[Link]
Fotomicrografia de ameba emitindo pseudópodes. Mede
entre 200 μm e 500 μm.
Ciliados
Os protozoários pertencentes a esse grupo também são
conhecidos como cilióforos, sendo organismos unicelulares que
se locomovem por meio do movimento coordenado (batimen-
to) de cílios. Os cílios são estruturas celulares proteicas, curtas e
numerosas, que também atuam na alimentação. O paramécio
é um representante desse grupo. Atualmente, sabe-se que os
ciliados compõem um grupo evolutivamente próximo aos dino-
flagelados, algas que serão estudadas adiante.
Vacúolo contrátil
Macronúcleo
Micronúcleo
Citóstoma
Citopígeo
Vacúolo
alimentar
Sulco oral
Cílio
Representação esquemática de um paramécio, com destaque
para suas estruturas principais.
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA

====PAGE 116====

AULA 1: Protozoários e protozooses


Biologia • Frente 3
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=======
Questão 618

618
Na região do citóstoma ocorre a aquisição de partí-
culas alimentares. O alimento obtido fica armazenado no
vacúolo alimentar. Este funde-se ao lisossomo, orgânulo
citoplasmático que contém enzimas digestivas, e a digestão
do alimento acontece no interior de um vacúolo digestivo.
Os resíduos da digestão intracelular são eliminados pelo ci-
topígeo, ou citoprocto, região especializada da membrana
plasmática que funciona como um poro anal.
Uma característica exclusiva dos ciliados é a presença de
dois núcleos com tamanhos diferentes: o maior, chamado
de macronúcleo é responsável pelo controle das atividades
metabólicas do protozoário, e o menor, denominado micronú-
cleo, atua na conjugação, processo de troca de micronúcleos
entre células diferentes que promove variabilidade genética.
A água doce tem menor concentração de solutos, sendo,
portanto, um meio hipotônico em relação ao meio intracelular.
Entretanto, ao longo do processo evolutivo, uma característica
foi selecionada em todos os protozoários de água doce: a pre-
sença de vacúolo contrátil ou pulsátil. Essa organela elimina
o excesso de água que o protozoário absorve por osmose. O
vacúolo contrátil é, portanto, uma estrutura que atua na os-
morregulação dos protozoários de água doce.
O vacúolo contrátil não é encontrado em protozoários ma-
rinhos. Nestes, existem mecanismos que mantêm a concentra-
ção do meio intracelular semelhante à concentração da água
do mar. Nesse caso, a célula encontra-se em equilíbrio osmóti-
co com o ambiente e a quantidade de água que entra na célula
é proporcional à quantidade de água que sai dela.
Assim como no grupo das amebas. Existem parasitas hu-
manos que são ciliados, que geralmente provocam doenças
intestinais, como o Balantidium coli.
Flagelados
Também conhecidos como zoomastigóforos ou cineto-
plastídeos, os representantes desse grupo locomovem-se
por meio do batimento de flagelos. Assim como os cílios,
flagelos são estruturas celulares proteicas, porém mais lon-
gos e encontrados em menor número nas células. Entre os
membros desse grupo, destacam-se os protozoários dos gê-
neros Trypanosoma, Leishmania e Giardia. Espécies desses
gêneros também causam doenças em humanos, que serão
estudadas adiante. Esse grupo de protozoários tem proximi-
dade evolutiva com o grupo das euglenas, algas que serão
vistas na aula de algas.
Apicomplexos ou esporozoários
Os integrantes desse grupo não apresentam estruturas
locomotoras por isso seu deslocamento ocorre por meio de
outros mecanismos, como flexão do corpo e deslizamento. A
maioria é parasita de animais, incluindo os seres humanos.
Protozoários dos gêneros Plasmodium, com espécies causa-
doras da malária, e Toxoplasma, causador da toxoplasmose,
são representantes desse grupo. Os apicomplexas são próxi-
mos evolutivamente dos ciliados e dos dinoflagelados.
Reprodução
A reprodução assexuada é bastante comum entre os
protozoários, sendo também observada em vários animais.
Essa forma de reprodução, em comparação com a sexuada, é
mais rápida e demanda menor quantidade de energia. Ape-
sar dessas vantagens, a reprodução assexuada resulta em
descendentes geneticamente idênticos (clones), ou seja, não
promove variabilidade genética.
Fissão binária
Nessa forma de reprodução assexuada, quando a célula se
divide em duas células-filhas geneticamente idênticas à célula
que as originou, fala-se em bipartição. Esse modo de divisão é
também conhecido como cissiparidade. No entanto, nem toda
divisão em duas partes é uma cissiparidade, uma vez que a
fissão pode ser irregular (como nas amebas), oblíqua (como
em algumas algas), longitudinal (como no tripanossomo) ou,
na cissiparidade, transversa (como no paramécio), além de a
fissão poder originar células-filha com diferentes quantidades
e configurações de cromossomos.
Representação esquemática da bipartição em ameba.
Ameba
Células-filhas
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Fissão múltipla
Também denominada esquizogonia, essa forma de re-
produção assexuada pode ser observada ao longo do ciclo
de vida dos protozoários do gênero Plasmodium. Esse pro-
cesso tem início com sucessivas divisões do núcleo celular.
Posteriormente, ocorre a divisão do citoplasma, resultando
na formação de muitas células a partir de uma célula inicial.
Esquizogonia que origina esporos e gametas são denomina-
das, respectivamente, esporogonia e gametogonia.
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Divisão
do núcleo
Divisão do
citoplasma
Protozoário
Representação esquemática da esquizogonia.
Fusão de gametas
No ciclo de vida dos protozoários do gênero Plasmodium
ocorre uma etapa na qual há fusão de gametas, fenômeno
conhecido como fecundação, sendo característico da reprodu-
ção sexuada. Essa forma de reprodução aumenta a variabilidade
genética da população, apesar do dispêndio de energia.

====PAGE 117====

AULA 1: Protozoários e protozooses


Biologia • Frente 3

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Questão 619

619
Introdução à parasitologia
A parasitologia é a área da Biologia responsável pelo es-
tudo das relações entre parasita e hospedeiro. Um parasita,
ou parasito, é um ser vivo que obtém de outro organismo,
chamado hospedeiro, o alimento necessário à sua sobrevi-
vência. A atividade parasitária causa danos ao hospedeiro,
podendo, em certas circunstâncias, resultar em sua morte.
Existem protozoários que são parasitas da espécie humana.
Uma doença causada por um parasita é chamada de parasitose
e, neste momento, trataremos das principais doenças causadas
por protozoários, as protozooses. Para tanto, é necessário co-
nhecer certos conceitos básicos relacionados a esse tema.
Agente etiológico
Agente etiológico é o ser vivo causador de uma para-
sitose. Existem bactérias, vírus, fungos, protozoários e até
mesmo animais, como os platelmintos e os nematódeos,
que podem causar doenças à espécie humana. É importan-
te conhecer informações sobre os agentes etiológicos, como
morfologia, fisiologia e reprodução, para diagnosticar, tratar
e prevenir essas doenças de forma efetiva.
Relação entre parasita e hospedeiro
O estudo da parasitologia será focado nas consequências
do parasita para a espécie humana. A presença dos parasitas
no organismo geralmente resulta em sintomas característi-
cos da doença.
Enquanto organismo hospedeiro, a espécie humana
pode se comportar de duas formas distintas: como hospe-
deiro definitivo, em que o parasita se encontra em sua forma
madura (adulto) e/ou se reproduz sexuadamente; ou como
hospedeiro intermediário, em que o parasita se encontra em
sua forma imatura (por exemplo, em estágios larvais) e/ou se
reproduz assexuadamente.
A quantidade de hospedeiros que um parasita habita
para completar seu ciclo de vida é bastante relevante ao
estudo das doenças parasitárias. Essa informação pode con-
tribuir para o controle das parasitoses e permite classificar
os parasitas em dois tipos. Os parasitas que apresentam ci-
clo reprodutivo com apenas um hospedeiro são chamados
de monoxênicos. Portanto, nesse ciclo de vida há apenas o
hospedeiro definitivo. Já os parasitas que têm ciclo reprodu-
tivo com hospedeiros de espécies distintas são denominados
heteroxênicos e é possível, em certos casos, diferenciar os
hospedeiros definitivo e intermediário.
Transmissão
A transmissão de uma parasitose consiste na saída do
agente etiológico do hospedeiro em que está instalado e em
sua entrada em outro. Entre as vias de transmissão para os
seres humanos, podemos mencionar o consumo de -alimentos
contaminados com ovos ou larvas de vermes ou cistos de pro-
tozoários. Outras vias importantes de transmissão são a en-
trada ativa de uma larva no organismo humano, como através
da pele, e a transmissão por meio de vetores, organismos que
transmitem parasitas de um hospedeiro para outro.
Existem, ainda, parasitoses transmitidas por via sexual e
contato sanguíneo. O conhecimento sobre as vias de trans-
missão de um parasita é fundamental para que medidas pro-
filáticas possam ser adotadas.
Profilaxia e prevenção
Ao conjunto de medidas que têm como objetivo preve-
nir, controlar ou, até mesmo, erradicar uma doença denomi-
namos profilaxia. Para cada parasitose, há um conjunto de
medidas profiláticas específicas indicadas de acordo com as
características da doença.
Saiba mais

Surto: aumento repentino do número de casos de
uma doença em determinada região. Por exemplo,
em abril de 2019, houve um surto de sarampo na re-
gião metropolitana de São Paulo com 16 090 casos
confirmados da doença.

Epidemia: aumento acentuado do número de casos
de uma doença, que deixa de ser localizado, ocorrendo
surtos em diferentes regiões. No Brasil, é comum serem
notificadas epidemias de dengue, quando aumentos do
número de casos são relatados em diferentes estados.

Pandemia: quando uma epidemia aumenta muito em
proporção, atingindo países de diferentes continentes,
temos uma pandemia. Em 2009, a gripe causada pelo ví-
rus H1N1 passou a ser tratada como pandemia quando a
Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou casos da
doença em todos os continentes. A partir de março de
2020, a covid-19, doença causada pelo vírus SARS-CoV-2,
também passou a ser considerada uma pandemia.

Endemia: uma doença é endêmica quando está restri-
ta a determinada região e o número de casos é relati-
vamente constante ao longo do tempo. As endemias
não são caracterizadas sob o ponto de vista quanti-
tativo, ou seja, é possível serem notificados milhares
de casos todos os anos e a doença permanecer sendo
considerada endêmica. A malária, por exemplo, é con-
siderada uma doença endêmica da região amazônica
brasileira, uma vez que nessa região ocorrem cerca de
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Questão 99

99% dos casos de malária do país.

Protozooses humanas
Amebíase
Também chamada disenteria amebiana, a amebíase é
uma doença cujo agente etiológico é o protozoário Entamoeba
histolytica, popularmente conhecido como ameba. Trata-se de
um parasita monoxênico, uma vez que o único hospedeiro que
apresenta em seu ciclo de vida é o ser humano.

====PAGE 118====

AULA 1: Protozoários e protozooses


Biologia • Frente 3

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Questão 620

620
Dessa forma, cólicas abdominais e diarreia, às vezes san-
guinolenta, são sintomas característicos da amebíase. Exis-
tem casos nos quais o protozoário se instala em outras regi-
ões do corpo, como fígado, pulmões e cérebro.
A transmissão ocorre por meio da ingestão de cistos do
protozoário eliminados com as fezes de uma pessoa contami-
nada. Quando lançados no ambiente, os cistos podem con-
taminar água e alimentos, que, ao serem ingeridos, levam à
liberação da forma ativa (trofozoíto) da E. histolytica e à ins-
talação do parasita no intestino grosso.
Saiba mais
Encistamento
O trofozoíto, forma ativa da ameba, morre em con-
tato com o ambiente. Porém, alguns indivíduos formam
cistos. No processo de encistamento, as amebas secretam
um envoltório protetor e ocorre redução do citoplasma e
proliferação do núcleo. Devido à baixa taxa metabólica, os
cistos correspondem a formas de resistência que supor-
tam condições ambientais adversas. Em condições ade-
quadas, os cistos rompem e novas amebas são geradas.
Doença
extra-
intestinal
Doença
intestinal
Cisto e trofozoíto
presentes nas fezes.
Trofozoítos morrem
em contato com o meio
externo ao intestino.
Ingestão
do cisto
Cérebro
Pulmão
Fígado
Representação esquemática do ciclo de vida da
Entamoeba histolytica.
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
A profilaxia da amebíase consiste no tratamento das pes-
soas contaminadas pelo protozoário, no saneamento básico
adequado, com tratamento de esgoto e de água, e na higie-
ne pessoal e alimentar. A coleta e o tratamento de esgoto
evitam a contaminação de água e alimentos com cistos da
E. histolytica, e o tratamento de água elimina possíveis cis-
tos presentes na água distribuída à população. Lavar as mãos
após o uso de sanitários e antes das refeições, bem como a
higienização adequada dos alimentos, sobretudo frutas, ver-
duras e legumes, evita a ingestão de cistos.
Giardíase e balantidiose
O agente etiológico dessas protozooses é o protozoário
flagelado Giardia lamblia e o Balantidium coli. Ambos habi-
tam o intestino do ser humano, mas o B. coli prefere áreas do
intestino grosso. O único hospedeiro desses parasitas é o huma-
no, ou outro organismo, o que os classifica como monoxênico.
Os sintomas característicos dessas doenças são dores abdomi-
nais e diarreia. Pode ser observada esteatorreia, situação na
qual as fezes apresentam-se excessivamente gordurosas.
Eletromicrografia de varredura de Giardia
lamblia. Aumento de 2 500 vezes.
Media/Medical/UIG/Shutterstock
A transmissão de ambos os protozoários ocorre, assim
como na amebíase, por meio da ingestão de cistos do protozoá-
rio que são eliminados com as fezes de pessoas contaminadas.
Portanto, a profilaxia adotada para essa doença também con-
siste no tratamento das pessoas contaminadas, no saneamen-
to básico adequado e na higiene pessoal e alimentar.
Toxoplasmose
Causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, pertencen-
te ao filo Apicomplexa, a toxoplasmose pode ser transmitida
de maneiras distintas. Uma delas é a ingestão de oocistos do
T. gondii presentes nas fezes de felinos contaminados, como o
gato doméstico. Outra via de transmissão é o consumo de car-
nes cruas ou malcozidas de animais contaminados, a exemplo
do porco e do carneiro, com cistos do T. gondii. A transmissão
também pode ocorrer da mãe para o feto durante a gestação,
podendo resultar em malformações congênitas.
O T. gondii tem hospedeiros de espécies diferentes em
seu ciclo de vida, tratando-se, portanto, de um parasita he-
teroxênico. O gato, entre outros felídeos, é o hospedeiro de-
finitivo e o ser humano, o porco, as aves e o carneiro são
hospedeiros intermediários.
Estimativas indicam que, em certos países, infecções pelo
T. gondii podem atingir mais de 60% da população; no entanto,
as manifestações clínicas da toxoplasmose são menos frequen-
tes. A doença pode se manifestar agressivamente, sobretudo,
em indivíduos imunodeprimidos, como pessoas com aids. Os
sintomas podem ser febre, manchas e dores no corpo, linfono-
dos dilatados (ínguas), dificuldade visual e danos neurológicos.

====PAGE 119====

AULA 1: Protozoários e protozooses


Biologia • Frente 3

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Questão 621

621
A toxoplasmose cerebral é uma das infecções oportunistas
mais comuns em pessoas com aids.
Entre as medidas profiláticas para a toxoplasmose, podem
ser mencionadas: evitar contato com fezes de gatos domés-
ticos e outros felinos; não comer carne crua ou malcozida; e
higiene pessoal e alimentar. Gestantes devem evitar contato
com fezes de gatos e realizar acompanhamento pré-natal.
Tricomoníase
Doença causada pelo protozoário flagelado Trichomonas
vaginalis e considerada uma infecção sexualmente transmis-
sível (IST). A tricomoníase afeta a uretra e a vagina, causando
irritação, prurido e corrimento. Embora os sintomas sejam
mais comuns no organismo feminino, o protozoário pode
causar inflamações dos epidídimos e da próstata no organis-
mo masculino.
A principal forma de transmissão é a via sexual; assim, o
uso de preservativos caracteriza-se como uma medida profi-
lática, bem como o tratamento das pessoas contaminadas e
de seus parceiros sexuais.
Leishmaniose
Protozoários flagelados do gênero Leishmania são os
agentes etiológicos da leishmaniose. Essa protozoose apre-
senta duas formas: leishmaniose cutânea ou tegumentar (úl-
cera de Bauru) e leishmaniose visceral (calazar).
A leishmaniose cutânea é causada, entre outras espécies,
pela Leishmania braziliensis e caracteriza-se pelo surgimento
de lesões na pele e/ou mucosas, sendo mais frequentes no
nariz, na boca e na garganta. A leishmaniose visceral tem
como agentes etiológicos as espécies Leishmania chagasi e
Leishmania donovani. Essa forma da doença afeta estruturas
internas do corpo humano, como baço, fígado, medula óssea
e intestino, causando anemia, emagrecimento e aumento da
suscetibilidade a infecções.
Nas Américas, a transmissão de ambas as formas de
leishmaniose ocorre por meio da picada da fêmea do mosqui-
to-palha ou birigui, inseto pertencente ao gênero Lutzomyia.
A fêmea do mosquito, hospedeiro invertebrado do parasita,
adquire o protozoário ao se alimentar do sangue de uma pes-
soa ou animal infectado.
O Leishmania tem hospedeiros de espécies diferentes em
seu ciclo de vida, tratando-se, portanto, de um parasita hete-
roxênico. Existem vários hospedeiros vertebrados, como os
seres humanos, os roedores e os cães. Nesses hospedeiros, a
reprodução do protozoário ocorre no interior dos macrófagos.
James Gathany/CDC/Frank
Collins/Wikimedia Commons
Fêmea do mosquito-
-palha (Lutzomyia sp.),
que mede cerca de

=========================================================================
=======
Questão 3

3 mm de comprimento.
As medidas profiláticas são o combate ao mosquito ve-
tor, o uso de repelentes, a instalação de telas em janelas e de
mosquiteiros, o tratamento dos infectados, incluindo cães,
e o controle do desmatamento, que evita a domiciliação do
vetor, causada pela destruição do hábitat do inseto.
Tripanossomíase
Diversas espécies de tripanossomo infectam animais,
mas são especialmente importantes em questão de saúde co-
letiva duas espécies, o Trypanosoma brucei, e o Trypanosoma
cruzi, responsáveis por causar, respectivamente, a doença do
sono e a doença de Chagas.
O T. brucei ocorre na África, pelo que é denominada tripa-
nossomíase africana, e é transmitida principalmente pela picada
da mosca tsé-tsé (Glossina palpalis) infectada. Entre os sintomas
estão sonolência, alterações comportamentais, problemas para
caminhar e confusão mental. Se não tratada, essa protozoose
pode levar o indivíduo à morte. A profilaxia é realizada por meio
do combate ao vetor e do tratamento dos doentes. O T. cruzi é
uma espécie sul-americana e por isso é denominada tripanos-
somíase americana, tendo especial interesse médico no Brasil
Doença de Chagas
A doença de Chagas, tripanossomíase americana, causada
pelo protozoário flagelado Trypanosoma cruzi, foi descrita no
início do século XX pelo brasileiro Carlos Chagas (1879-1934).
A transmissão, descrita por Carlos Chagas, ocorre por meio das
fezes contaminadas de insetos hemípteros, conhecidos como
barbeiros ou chupanças. Existem algumas espécies de barbei-
ro que atuam como vetores da doença de Chagas. Dentre elas,
destaca-se para a espécie Triatoma infestans.
Barbeiro (Triatoma sp.), ve-
tor da doença de Chagas.
Mede entre 9 mm e 40 mm
de comprimento.
schlyx/[Link]
Geralmente, o barbeiro adquire o T. cruzi ao se alimentar
do sangue de animais contaminados, como gambás, macacos
ou seres humanos. Ao picar uma pessoa para se alimentar de
seu sangue, o inseto defeca sobre a pele e elimina a forma in-
fectante do protozoário com as suas fezes. A reação à picada
resulta em coceira. Ao coçar o local, a própria pessoa conduz as
fezes contaminadas até a lesão provocada pela picada do inseto,
o que faz com que o parasita, sob uma forma flagelada (tripo-
mastigota metacíclica), seja lançado na corrente sanguínea.
No organismo humano, o protozoário invade determina-
das células, como as musculares cardíacas, nas quais se dife-
rencia na forma sem flagelo (amastigota). No interior das célu-
las, o T. cruzi se reproduz assexuadamente. Com a proliferação
do protozoário, a célula hospedeira rompe e o T. cruzi, nova-
mente sob a forma flagelada, é liberado no sangue. A forma
flagelada invade outras células e continua se reproduzindo.

====PAGE 120====

AULA 1: Protozoários e protozooses


Biologia • Frente 3

=========================================================================
=======
Questão 622

622
Outras vias de transmissão da doença de Chagas incluem transfusão de
sangue, transplante de órgãos e transmissão da
mãe para o filho durante a gravidez ou por meio do leite materno.
Atualmente, a principal forma de contágio dessa protozoose
é por via alimentar, por meio do consumo de alimentos, como açaí e caldo
de cana (garapa), contaminados com fezes de bar-
beiro que contêm o protozoário.
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Estágios
no humano
Estágios
no barbeiro
Ao picar uma pessoa, o inseto contaminado expele fezes com o
protozoário na sua forma infectante (flagelada).
T. cruzi na forma flagelada
invadem as células e originam a
forma sem flagelo.
Os protozoários
realizam reprodução
assexuada por divisão
binária no interior
das células de tecidos
infectados.
A forma sem flagelo se
diferencia na forma flagelada.
Há o rompimento da célula
infectada e o protozoário atinge
a corrente sanguínea.
Ao se alimentar do
sangue da pessoa
contaminada, outro
barbeiro adquire os
protozoários.
Reprodução assexuada no
intestino do barbeiro.
Invasão
de novas
células.
Ao coçar o local
da picada, a pessoa
conduz o T. cruzi até a
corrente sanguínea.
Representação esquemática do ciclo de vida do Trypanosoma cruzi. É
importante salientar que nesse ciclo não é observada reprodução
sexuada. Assim, o ser humano é o hospedeiro vertebrado, e o inseto é o
hospedeiro invertebrado. Por ter hospedeiros de espécies
diferentes em seu ciclo de vida, o T. cruzi é um parasita heteroxênico.
Os sintomas da doença de Chagas podem ser divididos em duas fases. Na
fase aguda, que ocorre em até duas semanas
após a contaminação, a pessoa infectada pode apresentar febre, linfonodos
inflamados, inchaço do fígado e do baço, inflama-
ção do coração, meninges e cérebro, chegando, inclusive, a apresentar
risco de morte. Apesar disso, a fase aguda pode passar
despercebida por ser, em geral, assintomática. Os sintomas mais marcantes
da doença de Chagas são observados na fase crô-
nica e podem aparecer até 30 anos após a infecção. A fase crônica é
caracterizada, principalmente, por problemas cardíacos,
como aumento do tamanho do coração (cardiomegalia), arritmia e
insuficiência cardíaca. Também podem surgir problemas
digestivos como megaesôfago (esôfago aumentado) e megacólon (parte do
intestino grosso aumentada).
Fotomicrografia de Trypanosoma cruzi no sangue. Aumento de
mil vezes.
Centro de Controle e Prevenção de Doenças, Atlanta

====PAGE 121====

AULA 1: Protozoários e protozooses


Biologia • Frente 3

=========================================================================
=======
Questão 623
623
A profilaxia da doença de Chagas é feita por meio do
combate ao barbeiro e de melhorias nas condições de mo-
radia, substituindo casas de pau-a-pique e madeira por casas
de alvenaria. Historicamente, essas medidas mostraram-se
muito eficazes, pois em casas de madeira e pau-a-pique, o
barbeiro encontra um excelente esconderijo nas frestas das
paredes, ficando abrigado durante o dia e saindo à noite
para se alimentar do sangue dos moradores da casa. A me-
lhoria das condições de moradia fez com que a via vetorial
da doença de Chagas deixasse de ser a principal forma de
transmissão. Outras medidas importantes na prevenção
da doença de Chagas são: uso de telas em janelas, controle em
bancos de sangue, controle do desmatamento, higienização
do açaí e da cana-de-açúcar antes da moagem, para que bar-
beiros contaminados não sejam moídos junto com o alimento,
e consumo de alimentos pasteurizados. O tratamento dos in-
fectados pode ser eficaz durante a fase aguda da doença.
Malária
Também conhecida como febre palustre, febre terçã,
febre quartã, febre intermitente, maleita, impaludismo ou
sezão, a malária é uma doença que afeta milhões de pessoas
ao redor do mundo todos os anos. Os agentes etiológicos da
malária são protozoários do gênero Plasmodium. As quatro
principais espécies causadoras da malária são:

Plasmodium falciparum – causa a forma mais grave
de malária;

Plasmodium malariae;

Plasmodium vivax;

Plasmodium ovale.
A transmissão da malária pode acontecer por meio de
transfusões sanguíneas e de mãe para feto pela placenta du-
rante a gestação. Entretanto, a transmissão mais comum é a
vetorial, por meio da picada da fêmea do mosquito-prego,
pertencente ao gênero Anopheles.
Kletr/[Link]
Fêmea do mosquito Anopheles sp. (mede entre 6 mm e 15 mm
de comprimento). Assim como em muitas espécies de mosquito,
apenas a fêmea se alimenta de sangue, enquanto o macho se
alimenta de seiva vegetal.
Ao picar uma pessoa, a fêmea contaminada do Anopheles
elimina saliva, que contém um poderoso anticoagulante.
Com a saliva, a fêmea contaminada inocula o Plasmodium
spp. na circulação sanguínea. A forma infectante do pro-
tozoário inoculada é chamada esporozoíto; os esporozo-
ítos chegam ao fígado e, no interior das células hepáticas,
reproduzem-se assexuadamente por esquizogonia. A forma
gerada pela reprodução assexuada é chamada merozoíto. A
reprodução do Plasmodium spp. no fígado pode resultar em
lesões hepáticas.
Com a ruptura das células, os merozoítos produzidos
no fígado são liberados na corrente sanguínea e entram
nos glóbulos vermelhos (hemácias), onde se reproduzem
por esquizogonia, o que resulta em sua ruptura (lise), pro-
cesso denominado hemólise. Esse processo ocorre em
intervalos regulares cuja duração depende da espécie de
protozoário que está causando a doença. Há espécies que
promovem ruptura maciça de hemácias a cada 48 horas,
enquanto há casos em que o fenômeno ocorre a cada 72
horas. Em decorrência da destruição das hemácias, a pes-
soa com malária pode apresentar anemia. O principal sin-
toma da malária está ligado à ruptura das hemácias, pois
a hemólise libera no sangue toxinas que causam febre,
como as hemozoínas, e isso resulta em picos febris de até

=========================================================================
=======
Questão 41

41 0C, intensa sudorese e calafrios. A esse conjunto de sin-


tomas dá-se o nome de acesso malárico. Com a hemólise,
os merozoítos liberados na circulação invadem outras he-
mácias e a reprodução prossegue.
Entre os merozoítos formados, existem aqueles que
formam os gametócitos. Ao picar uma pessoa com ma-
lária, a fêmea do mosquito-prego ingere sangue com
gametócitos, células que originam os gametas masculino e
feminino do protozoário no tubo digestório do mosquito.
A fecundação acontece no estômago da fêmea e resulta
na formação de um zigoto (2n). O zigoto se diferencia em
oocineto, que se instala na parede estomacal do mosqui-
to. Durante o processo de meiose, são geradas células ha-
ploides (n) no oocineto, que se transforma em um oocisto.
Nas células resultantes da meiose ocorre um processo de
reprodução assexuada chamado esporogonia, resultando
na formação de esporozoítos. O oocisto libera milhares de
esporozoítos que migram para as glândulas salivares
do mosquito.
A reprodução sexuada do Plasmodium spp. ocorre na
fêmea do mosquito-prego, que é o hospedeiro definitivo do
parasita. O ser humano é o organismo no qual acontece a re-
produção assexuada, por isso é o hospedeiro intermediário.

====PAGE 122====

AULA 1: Protozoários e protozooses


Biologia • Frente 3

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=======
Questão 624
624
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Passagem pelo mosquito
Passagem pelo humano
Estágio
hepático
Estágio
sanguíneo
Esporozoítos
chegam ao fígado.
Ocorre a
esquizogonia.
Merozoítos liberados
no sangue entram nas
hemácias.
Rompimento das hemácias
e lançamento de merozoítos
no sangue.
Diferenciação de
merozoítos em
gametócitos.
Ingestão de
gametócitos
pela fêmea do
mosquito-prego.
Formação dos gametas
e fecundação no
estômago
do mosquito.
Zigoto
Oocisto
Ocorre a
esporogonia.
Oocisto
rompe-se.
Fêmea contaminada
do mosquito-prego
inocula saliva contendo
esporozoítos.
Esporozoítos liberados
migram para as glândulas
salivares do mosquito.
Representação esquemática do ciclo de vida do Plasmodium spp.
A profilaxia da malária é feita por meio do combate ao mosquito vetor, do
uso de repelentes, telas em janelas e mosquitei-
ros, do tratamento dos doentes, do uso de peixes larvófagos que se
alimentam das larvas do mosquito transmissor, do controle
em bancos de sangue e da redução do desmatamento.
=========================================================================
=======
Questão 1

1 Uece 2021 Assinale a opção que preenche corretamente a


lacuna do seguinte enunciado: “Entre as doenças humanas cau-
sadas por _________, é correto citar amebíase, tricomoníase,
toxoplasmose, leishmaniose, doença de Chagas e malária”.
A
protozoários (organismos acelulares que possuem cap-
sídeo proteico)
B
protozoários (organismos eucariontes, unicelulares
e heterotróficos)
C
vírus (material com capsídeo proteico envolvendo DNA
e/ou RNA)
D
vírus (organismos unicelulares com material genético de
DNA ou RNA)

=========================================================================
=======
Questão 2

2 UEPG/PSS-PR 2020 Em relação ao protozoário Giardia


intestinalis (G. lamblia), esquematizado abaixo, assinale o
que for correto.

=========================================================================
=======
Questão 1

01 É um representante do grupo dos flagelados (mastigóforos),


em que no 1 corresponde à estrutura dos núcleos e o no 2 cor-
responde aos flagelos (filamentos utilizados para locomoção).

=========================================================================
=======
Questão 2

02 A reprodução desse protozoário é do tipo assexuada, por


meio da fissão binária ou bipartição.

=========================================================================
=======
Questão 4

04 É um protozoário intestinal, agente etiológico da giardía-


se. A doença provoca um quadro intestinal com diarreia,
dores abdominais, náusea e vômitos.

=========================================================================
=======
Questão 8

08 A transmissão por esse protozoário ocorre por meio da in-


gestão de água ou alimentos contaminados com os cistos.
Soma:

=========================================================================
=======
Questão 3

3 UFSM-RS 2023 A médica Ruth Sonntag Nussenzweig


(1928-2018) é uma referência na área da parasitologia,
tendo se destacado em pesquisas sobre o combate à doença
de Chagas e sendo umas das pioneiras no desenvolvimen-
to de vacinas contra a malária.
Em relação à doença de Chagas, à malária e às características
comuns a elas, é correto afirmar que
A
ambas são causadas pela infecção por micro-organismos
metazoários que utilizam moluscos como vetores.
B
ambas são causadas pela infecção por protozoários
transmitidos às pessoas por insetos contaminados.
C
ambas são transmitidas por mosquitos contaminados do
gênero Anopheles.

====PAGE 123====

AULA 1: Protozoários e protozooses


Biologia • Frente 3

=========================================================================
=======
Questão 625

625
D
ambas são causadas pela ingestão de água e alimentos
contaminados com ovos dos parasitas.
E
ambas são causadas por vírus transmitidos às pessoas
pela picada de insetos.

=========================================================================
=======
Questão 4

4 CEFSA-SP 2022 O mosquito-palha (Lutzomyia longipalpis) e


o mosquito-prego (Anopheles sp.) são responsáveis pela trans-
missão de duas enfermidades que atingem milhares de pessoas.
As duas enfermidades transmitidas por essas duas espécies
de mosquitos são
A
tratadas com medicamentos antibióticos.
B
causadas por organismos protozoários.
C
prevenidas por meio de saneamento básico.
D
tratadas por meio de vacinação.
E
combatidas por meio de isolamento social.

=========================================================================
=======
Questão 5

5 FGV-SP 2021 Na figura, os círculos representam medidas


profiláticas contra doenças humanas parasitárias. As áreas nu-
meradas correspondem a doenças que podem ser adquiridas.

=========================================================================
=======
Questão 1

=========================================================================
=======
Questão 2

=========================================================================
=======
Questão 3

=========================================================================
=======
Questão 4

=========================================================================
=======
Questão 5

5
Telar portas
e janelas
Consumir
alimentos
pasteurizados
Garantir o
saneamento
básico
As áreas da figura que correspondem a todas as medidas profilá-
ticas contra os protozoários Entamoeba histolytica, Plasmodium
falciparum e Trypanosoma cruzi, respectivamente, são
A

=========================================================================
=======
Questão 5

5, 1 e 4.
B

=========================================================================
=======
Questão 3

3, 2 e 1.
C

=========================================================================
=======
Questão 4

4, 3 e 5.
D

=========================================================================
=======
Questão 4

4, 1 e 2.
E

=========================================================================
=======
Questão 3

3, 5 e 1.

=========================================================================
=======
Questão 6

6 Unisinos-RS 2022 Após várias décadas de pesquisa, em


outubro de corrente ano (2021), foi anunciada a descoberta
de uma vacina contra a malária.
“Este é um momento histórico. A tão esperada vacina con-
tra a malária para crianças é um avanço para a ciência, a saú-
de infantil e o controle da malária”, declarou o diretor-geral da
OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “Usar esta vacina além
das ferramentas existentes para prevenir a malária pode salvar
dezenas de milhares de jovens vidas a cada ano.” A malária
continua sendo a principal causa de doença infantil e morte
na África Subsaariana. Mais de 260 mil crianças africanas com
menos de cinco anos morrem por malária anualmente.
Disponível em: [Link] 6-10-2021-oms-
recomenda-vacina-inovadora-contra-malaria- para-criancas-em-risco.
Acesso em: 4 nov. 2021.
Sobre o tema abordado, indique a alternativa correta:
A
A vacina contra a malária atua contra o protozoário
Plasmodium falciparum, transmitido pela fêmea in-
fectada de mosquitos do gênero Anopheles. O agente
causal se multiplica na corrente sanguínea, destruindo
hemácias e provocando um quadro de anemia grave.
B
A vacina contra a malária atua contra o vírus Plasmodium
malariae, transmitido pela fêmea infectada de mosqui-
tos do gênero Anopheles. O agente causal se multiplica
na corrente sanguínea, destruindo hemácias e provocan-
do um quadro de anemia grave.
C
A vacina contra a malária atua contra o protozoário
Plasmodium falciparum, transmitido pela fêmea infec-
tada de mosquitos do gênero Aedes. O agente causal se
multiplica na corrente sanguínea, destruindo infecções.
D
A vacina contra a malária atua contra o protozoário
Plasmodium falciparum, transmitido pela fêmea in-
fectada de mosquitos do gênero Anopheles. O agente
causal se multiplica na corrente sanguínea, destruindo
leucócitos e provocando um quadro de bacteriografia.
E
A vacina contra a malária atua contra o ameba grave
Plasmodium falciparum, transmitido pela fêmea infec-
tada de mosquitos da espécie Aedes aegypti. O agente
causal se multiplica na corrente sanguínea, destruindo
hemácias e provocando um quadro de anemia grave.

=========================================================================
=======
Questão 1

1 UEG-GO 2019 A “ferida brava” ou “úlcera de Bauru” é uma zoonose de


manifestações clínicas variadas, em expansão no Brasil,
sendo o estado de Mato Grosso do Sul importante área endêmica. Avaliar a
clínica, a epidemiologia e laboratorialmente
pacientes é de extrema importância para o controle dessa doença.
Uma das características dessa doença é o aparecimento de feridas na pele
e nas mucosas, cuja cicatrização é bastante difícil,
podendo progredir para lesões mutilantes.
Essa doença é transmitida pela picada
A
do macho do mosquito birigui e conhecida como leishmaniose visceral
americana.
B
do macho do mosquito-prego e conhecida como febre quartã benigna.
C
da fêmea do flebótomo e conhecida como leishmaniose tegumentar americana.
D
da fêmea do mosquito Anopheles e conhecida como febre terçã benigna.
E
da fêmea do mosquito barbeiro e conhecida como doença de Chagas.

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AULA 1: Protozoários e protozooses


Biologia • Frente 3

=========================================================================
=======
Questão 626

626

=========================================================================
=======
Questão 2

2 UPF-RS 2019 “Quatro meses e meio após ter sido registra-


do o maior surto de toxoplasmose em Santa Maria, na Região
Central do Rio Grande do Sul, as causas ainda não foram to-
talmente esclarecidas. (...) De acordo com o último levanta-
mento divulgado pela Secretaria de Saúde da cidade, foram
registrados 703 casos.”
(Disponível em: [Link]
2018/09/01/apos-mais-de-quatro-meses-surto-de-toxoplasmose-
em-santa-maria-tem-mais-de-700-contaminados-e-causas-
[Link]. Acesso em: 1 set. 2018)
Em relação à toxoplasmose ou ao seu agente causador, assi-
nale a alternativa incorreta.
A
Quando o hospedeiro não está com seu sistema imuno-
lógico comprometido, a doença geralmente é assintomá-
tica e não causa nenhum dano.
B
A doença não é transmitida diretamente de uma pes-
soa para outra. No entanto, pode ser transmitida quan-
do há doação de órgãos de uma pessoa infectada para
outra não infectada.
C
A doença pode se tornar grave se ocorrer nos primeiros
meses de gravidez, podendo causar malformações fetais,
nascimento prematuro e aborto.
D
A reprodução sexuada do parasita causador da doença
ocorre no intestino do hospedeiro, dando origem aos
oocistos, que são eliminados no ambiente pelas fezes,
podendo infectar outros animais. Essa forma de repro-
dução ocorre, predominantemente, em humanos.
E
É causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, um pa-
rasita intracelular, principalmente de células do sistema
nervoso e muscular de animais endotérmicos, como ga-
tos, cães, aves, suínos, bovinos, incluindo os humanos.

=========================================================================
=======
Questão 3

3 UEPG-PR 2022 O reino Protista agrupa algumas espécies de


protozoários de relevância para a saúde humana. Sobre os pro-
tozoários causadores de doenças, assinale o que for correto.

=========================================================================
=======
Questão 1

01 O Toxoplasma gondii pertence ao grupo dos Apicomple-


xos, sendo considerado o agente etiológico da toxoplas-
mose. Em humanos, especialmente gestantes e indivíduos
em situações em que o sistema imunológico está compro-
metido, a doença pode se manifestar de forma grave.

=========================================================================
=======
Questão 2

02 O protozoário Trypanosoma cruzi, agente causador da


doença de Chagas, é transmitido ao homem exclusiva-
mente por meio da picada das fêmeas de triatomíneos,
popularmente conhecidos como barbeiros.

=========================================================================
=======
Questão 4

04 O protozoário flagelado Trichomonas vaginalis é o agente


causador da tricomoníase – Infecção Sexualmente Trans-
missível (IST) com ampla variedade de manifestações clí-
nicas (especialmente entre mulheres), como inflamação
e irritação da mucosa vaginal e presença de corrimento
amarelo de odor desagradável.

=========================================================================
=======
Questão 8

08 Protozoários pertencentes ao grupo Rhizopoda, como


Giardia lamblia e Entamoeba histolytica, são espécies
comensais que têm a capacidade de infectar apenas se-
res humanos, causando as infecções intestinais giardíase
e amebíase, respectivamente.
=========================================================================
=======
Questão 16

16 A malária, causada por todas as espécies do protozoário


Plasmodium sp., é considerada uma doença febril aguda,
com ampla prevalência e distribuição de casos nas re-
giões Nordeste e Sul do Brasil.
Soma:

=========================================================================
=======
Questão 4

4 UFJF/Pism-MG 2019 Os protozoários constituem um gru-


po de eucariotos unicelulares e heterótrofos com importan-
tes funções ecológicas, sendo mais conhecidos por causarem
doenças em humanos.
a) A figura a seguir representa a quantidade de diferentes
grupos de micro-organismos em relação à carga orgâ-
nica (carga de esgoto) em um tanque de aeração de
uma estação biológica de tratamento de esgoto (ETE).
As linhas no gráfico abaixo representam a distribuição
da quantidade dos seguintes grupos de organismos:
B 5 bactérias; A 5 protozoários flagelados; C 5 proto-
zoários ameboides; D 5 protozoários ciliados sésseis; e
E 5 esporozoários (oocistos).
Número relativo de micro-organismos
alta
carga
A
C
B
D
E
baixa
carga
carga
convencional
carga
orgânica

Observe o gráfico e responda:

Qual é a carga de esgoto no tanque de aeração que favo-


rece os protozoários flagelados? Qual é a carga de esgoto
mais favorável para os protozoários esporozoários e como
eles se distribuem na carga de esgoto convencional?
b) Cite DUAS doenças causadas por protozoários que po-
deriam contaminar os funcionários de uma estação de
tratamento de esgoto (ETE) que trabalham diretamente
na operação e vistoria do tanque de aeração. Como se
daria essa contaminação?
====PAGE 125====

A comparação entre embriões de diversas espécies de animais evidencia


que, apesar das diferenças existentes entre
os indivíduos adultos, há características compartilhadas por esses
embriões nos estágios iniciais do desenvolvimento. Por
exemplo, ao compararmos o embrião de uma galinha e o embrião humano,
muitas semelhanças podem ser identificadas.
Esse tipo de comparação é uma ferramenta para o estudo da evolução dos
animais, o qual pressupõe que quanto maiores
as semelhanças embrionárias, mais próximos evolutivamente estão os grupos
analisados. As características embriológicas
também contribuem para a classificação dos animais.
Embriologia e estrutura
dos animais
C4 | H14 e H15
AULA

=========================================================================
=======
Questão 2

2
Biologia • Frente 3

=========================================================================
=======
Questão 627

627
Introdução à Embriologia
A Embriologia é a área da Biologia responsável pelo es-
tudo do desenvolvimento embrionário dos seres vivos. Neste
capítulo, o foco será a embriologia dos animais.
De forma geral, nas diferentes espécies de animais, o
desenvolvimento embrionário envolve estágios comuns que
acontecem em uma ordem definida. Primeiramente, ocorre
a fecundação, também denominada fertilização. Em segui-
da, avança-se ao estágio de clivagem, que, após sucessivas
divisões celulares, resulta na formação de uma estrutura
chamada blástula. A seguir, por meio de um processo cha-
mado gastrulação, ocorrem modificações no arranjo da blás-
tula, chamadas movimentos morfogenéticos, resultando
em uma estrutura denominada gástrula. Posteriormente, os
movimentos morfogenéticos continuam durante um proces-
so denominado neurulação e, depois, organogênese, por
meio do qual são formados os tecidos e os órgãos do animal.
Fecundação
A fecundação, ou fertilização, consiste na união do ga-
meta masculino (espermatozoide) com o gameta feminino
(óvulo), seguida pela fusão de seus núcleos. Os gametas pro-
duzidos pelos animais são células haploides (n), ou seja, têm
metade do número de cromossomos característico da espécie.
A fecundação resulta na formação do zigoto ou célula-ovo,
uma célula diploide (2n), e restabelece a ploidia da espécie.
Nos seres humanos, assim como em outras espécies de
mamíferos, o gameta feminino é liberado no estágio de ovó-
cito II. O restante da meiose só ocorre quanto há fecundação.
Nos ouriços-do-mar, em contrapartida, o óvulo formado é li-
berado e sofre fecundação.
Representação esquemática da fecundação. No encontro
do espermatozoide com o gameta feminino, as membranas
se fundem e o núcleo carregado pelo espermatozoide, cha-
mado pronúcleo masculino, passa para o interior do gameta
feminino. Assim, no interior do óvulo, são observados dois
núcleos, o pronúcleo masculino e o pronúcleo feminino (nú-
cleo do óvulo). Em seguida, ocorre a fusão desses núcleos e
o zigoto diploide é formado.
Zigoto (2n)
Espermatozoide (n)
Pronúcleo
Pronúcleo
Óvulo (n)
Fusão dos
núcleos
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Clivagem
O zigoto é uma célula que passa por rápidas e suces-
sivas divisões celulares, resultando no aumento do núme-
ro de células do embrião. Esse fenômeno é denominado
clivagem, ou segmentação, e as células resultantes da di-
visão são chamadas de blastômeros. Ao menos no início
do desenvolvimento, a manutenção dos blastômeros e a
ocorrência das divisões celulares dependem de nutrientes
acumulados no gameta feminino. Essa reserva nutritiva,
denominada vitelo, é encontrada sob a forma de grânulos
distribuídos pelo citoplasma da célula e contém, principal-
mente, proteínas e lipídios.
A quantidade e a distribuição de vitelo podem variar en-
tre os animais. Dessa forma, é possível classificar os ovos em
quatro tipos diferentes, apresentados no quadro a seguir.

====PAGE 126====

AULA 2: Embriologia e estrutura dos animais

=========================================================================
=======
Questão 628

628
Biologia • Frente 3
Tipo de ovo
Características
Exemplos
Representação esquemática
Oligolécito (do
grego oligos,
pouco, e
lékithos, vitelo)
ou isolécito (do
grego isos, igual)
Ovo com pequena quantidade
de vitelo distribuída de forma
relativamente uniforme pelo cito-
plasma da célula.
Equinodermos; anfioxo;
maioria dos mamíferos.
Nos mamíferos placen-
tários, como a espécie
humana, a quantidade
de vitelo é bastante
reduzida, e algumas
referências classificam
esse ovo como alécito.
Núcleo
Grãos de
vitelo
Heterolécito (do
grego heteros,
diferente),
mediolécito ou
mesolécito (do
grego mesos,
intermediário)
Ovo com quantidade interme-
diária de vitelo distribuída de
forma heterogênea no citoplas-
ma da célula. A região onde há
maior quantidade de vitelo é
chamada de polo vegetal, e a
região com pouco ou nenhum
vitelo é chamada de polo ani-
mal. No polo animal encontra-se
o núcleo da célula.
Certos peixes; certos
moluscos; anfíbios.
Núcleo
Grãos de
vitelo
Polo vegetal
Polo animal
Megalécito
(do grego
megas, grande)
ou telolécito
(do grego telos,
extremidade)
Ovo com grande quantidade de vi-
telo, ocupando praticamente todo
o citoplasma da célula, sobretudo
o polo vegetal. O polo animal, no
qual está o núcleo, fica restrito
a uma reduzida região discoidal
(disco germinativo) próxima à
membrana plasmática.
Maioria dos peixes;
répteis (incluindo
as aves); mamíferos
monotremados, como
o ornitorrinco.
Polo animal
Grãos de
vitelo
Núcleo
Polo vegetal
Disco germinativo
Centrolécito
Ovo com bastante vitelo concen-
trado na parte central da célula,
em volta do núcleo.
Artrópodes.
Núcleo
Grãos de vitelo
É possível diferenciar as segmentações em dois tipos principais: a
holoblástica (do grego holos, todo) ou total, e a mero-
blástica (do grego meris, parcial) ou parcial. Na clivagem holoblástica
todo o ovo sofre clivagem, enquanto na segmentação
meroblástica a clivagem ocorre em apenas uma região do ovo.
Clivagem holoblástica
A segmentação holoblástica pode ser subdividida em igual
e desigual. A segmentação holoblástica igual é aquela na qual
todos os blastômeros gerados são do mesmo tamanho. Essa é
a clivagem observada no ovo oligolécito. Como a distribuição
do vitelo nesse tipo de ovo é homogênea, as células resultan-
tes da clivagem têm a mesma quantidade de reserva nutritiva.
Representação esquemática da segmentação holoblástica igual.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO

=========================================================================
=======
Questão 8

8 blastômeros
iguais
Apesar de o ovo do anfioxo ser oligolécito, sua clivagem
resulta em blastômeros ligeiramente maiores do que outros.

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=======
Questão 4

4 blastômeros menores

=========================================================================
=======
Questão 4

4 blastômeros maiores
Representação esquemática da segmentação holoblástica no anfioxo.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
Na clivagem holoblástica desigual, todo o ovo sofre cliva-
gem. Contudo, os blastômeros formados são de tamanhos
acentuadamente distintos. Esse tipo de segmentação é carac-
terístico do ovo mesolécito. Nesse ovo, há maior quantidade de
vitelo no polo vegetal e por isso as células formadas nessa região
são maiores em relação àquelas formadas no polo animal.

====PAGE 127====

AULA 2: Embriologia e estrutura dos animais

=========================================================================
=======
Questão 629

629
Biologia • Frente 3
Os blastômeros maiores, denominados macrômeros,
contêm mais vitelo do que os blastômeros menores, chama-
dos micrômeros.
Núcleo
Citoplasma
Micrômeros
Macrômeros
Polo animal
Polo vegetal
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Representação esquemática da segmentação holoblástica desigual.
Clivagem meroblástica
A clivagem meroblástica é subdividida em discoidal e
superficial. A clivagem meroblástica discoidal é típica do
ovo megalécito. Nesse ovo, a quantidade de vitelo no polo
vegetal é grande o suficiente para impedir a clivagem nes-
sa região. Dessa forma, a segmentação ocorre apenas no
polo animal (disco germinativo), região com pouco ou
nenhum vitelo (também chamada de cicatrícula), resul-
tando na formação de um disco de células denominado
blastodisco, que fica apoiado sobre a grande quantidade
de vitelo.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
Núcleo do
polo animal
Blastodisco
Grande quantidade
de vitelo
Representação esquemática da segmentação meroblástica discoidal.
A segmentação meroblástica superficial é observada no
ovo centrolécito. Nesse caso, os blastômeros são formados
na periferia da célula. A princípio, ocorrem apenas sucessivas
divisões do núcleo. Posteriormente, os núcleos migram em
direção à periferia da célula, e a citocinese (divisão do cito-
plasma) acontece, resultando na formação de muitos blastô-
meros superficiais.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Representação esquemática da segmentação
meroblástica superficial.
Saiba mais
Planos de corte
O estudo das características anatômicas dos se-
res vivos envolve a padronização de sua posição e dos
planos de corte. Para isso, são definidos três tipos de
corte principais:

Corte sagital mediano: divisão em lado esquerdo
e direito.

Corte transversal: divisão em parte cranial (região
superior) e caudal (região inferior).

Corte frontal: divisão em plano dorsal e ventral.
Gastrulação
Um animal cefalocordado chamado anfioxo costuma ser
usado como modelo para o estudo desenvolvimento embrio-
nário dos animais cordados. Apesar das diferenças entre a
embriologia do anfioxo e a dos demais cordados, os estágios
principais são comuns.
Ao longo da clivagem no anfioxo, quando existem entre
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=======
Questão 16

16 e 32 blastômeros, forma-se uma estrutura compacta,


ou seja, desprovida de cavidade, denominada mórula. A
clivagem resulta em células cada vez menores, assim a
mórula tem número maior de células, mas mantém o vo-
lume do zigoto.
Representação esquemática da formação da mórula em anfioxo.
Segmentações
Mórula
(vista externa)
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
A clivagem prossegue até que seja atingido o estágio
de blástula. Nos humanos, corresponde à estrutura deno-
minada blastocisto. Esta corresponde a uma esfera oca de
células com uma cavidade cheia de líquido, a blastocele.
Ao conjunto das células que delimitam a blastocele dá-se
o nome de blastoderme. Nos humanos, o blastocisto se
organiza de modo que a blastocele esteja delimitada por
uma camada de células denominada trofoblasto. As cé-
lulas que dão origem ao embrião humano se concentram
em um dos polos do blastocisto, em um aglomerado celu-
lar denominado embrioblasto.

====PAGE 128====

AULA 2: Embriologia e estrutura dos animais

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=======
Questão 630

630
Biologia • Frente 3
Blastoderme
Micrômeros
Macrômeros
Blastocele
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Representação esquemática de blástula de anfioxo em corte
mediano.
O desenvolvimento embrionário avança ao processo de
gastrulação, fenômeno que resulta na formação da gástrula. A
região da blástula onde estão os macrômeros sofre invaginação,
comprimido a blastocele, de modo que essa cavidade desapare-
ce, resultando em uma estrutura também oca, mas agora com
duas camadas de células. Esse processo resulta na formação de
duas camadas de tecidos (folhetos) embrionários: a camada ex-
terna (ectoderme) e a camada interna (endoderme).
Na estrutura oca de camada celular dupla, as células da
endoderme delimitam o arquêntero, uma cavidade que corres-
ponde ao intestino primitivo do animal. Essa cavidade abre-se
para o meio externo por um orifício denominado blastóporo.
Representação esquemática da gastrulação no anfioxo. Os even-
tos marcantes observados na gastrulação são a formação dos
primeiros folhetos embrionários e o surgimento do arquêntero,
o intestino primitivo.
Micrômeros
Macrômeros
Invaginação
Blastóporo
Ectoderme
Endoderme
Arquêntero
Blastocele
Blástula
(em corte sagital)
Gástrula
(em corte sagital)
Neurulação
O próximo processo observado no desenvolvimento do anfioxo é a
neurulação, fenômeno que resulta na nêurula. Durante
a neurulação, células da camada ectodérmica dorsal formam um tubo neural.
Inicialmente, na formação desse tubo, a porção
dorsal da ectoderme sofre um achatamento, resultando na formação da placa
neural. Posteriormente, das porções laterais da
placa neural, surgem as dobras neurais. O desenvolvimento das dobras
neurais culmina na formação de tubo neural, ou tubo
nervoso dorsal, estrutura que dá origem ao sistema nervoso do animal.
Concomitantemente aos fenômenos observados na ectoderme dorsal, ocorrem
mudanças relevantes na porção superior
da endoderme: células dessa região diferenciam-se no terceiro folheto
embrionário, a mesoderme, que passa por evaginação
central e forma a notocorda, estrutura exclusiva dos cordados que atua
como eixo de sustentação do embrião.
Placa
neural
Dobra neural
Tubo neural
Celoma
Notocorda
Ectoderme
Ectoderme
Endoderme
Endoderme
Intestino
Mesoderme
Gástrula
(em corte transversal)
Nêurula
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
Representação esquemática da formação da nêurula em anfioxo.
Na porção superior da mesoderme são encontrados os somitos, blocos de
células mesodérmicas que se dispõem ao longo
do embrião. Dos somitos derivam as células que formarão, entre outras
estruturas, vértebras e costelas.
Substâncias liberadas pelas células da notocorda estimulam a
diferenciação do tubo neural. Ao longo do desenvolvimento
da maioria dos vertebrados, a notocorda é substituída por outro eixo de
sustentação, a coluna vertebral. Os dobramentos la-
terais da mesoderme originam bolsas mesodérmicas que delimitam uma
cavidade, o celoma. O surgimento do celoma trouxe
uma série de vantagens aos animais, como a melhor acomodação das
estruturas internas e a diminuição do atrito entre elas;
além disso, em certos animais, o celoma pode facilitar a circulação de
substâncias e a eliminação de excretas e funcionar como
esqueleto hidrostático.

====PAGE 129====

AULA 2: Embriologia e estrutura dos animais

=========================================================================
=======
Questão 631

631
Biologia • Frente 3
Cavidades celomáticas humanas
O corpo humano adulto contém cavidades celomáticas.
Algumas delas são as cavidades abdominal e pélvica, onde os
órgãos internos estão devidamente alojados; a cavidade peri-
cárdica, encontrada ao redor do coração; e a cavidade pleural,
delimitada pela pleura, membrana que reveste os pulmões.
Organogênese
A organogênese consiste na formação dos tecidos, dos
órgãos e dos sistemas do animal a partir da diferenciação das
células dos folhetos embrionários (ectoderme, mesoderme e
endoderme). Observe a seguir algumas estruturas formadas
a partir de cada folheto.
y Derme
y Coração, vasos sanguíneos e sangue
y Músculos, ossos e cartilagens
y Rins, ureteres e gônadas
Mesoderme
Ectoderme
y Sistema nervoso (formado a partir do
tubo neural)
y Epiderme e seus anexos (pelos, unhas, garras,
certas glândulas etc.)
y Epitélio de revestimento anal, bucal e nasal
y Esmalte dentário
y Fígado e pâncreas
y Tireoide e paratireoides
y Revestimentos: bexiga urinária, sistema
respiratório e tubo digestório (exceto os
revestimentos anal, bucal e nasal, que são de
origem ectodérmica)
Endoderme
Exemplos de estruturas observadas em animais adultos e o fo-
lheto embrionário a partir do qual são formadas.
Embora a origem das estruturas e dos órgãos possa ser
generalizada para fins didáticos, nem sempre eles têm ori-
gem única, a exemplo dos epitélios de revestimento, dos os-
sos e da glândula suprarrenal.
Estruturas embriológicas dos animais
O estudo do desenvolvimento embrionário dos ani-
mais é amplamente aplicado à evolução, auxiliando na
classificação desses seres vivos. Os critérios que utili-
zaremos na classificação embriológica dos animais são
presença ou ausência de cavidade digestória e tecidos
diferenciados, quantidade de folhetos embrionários for-
mados ao longo do desenvolvimento, cavidade corporal e
desenvolvimento do blastóporo.
Cavidade digestória
De acordo com a presença de cavidade digestória com
secreção de enzimas, é possível dividir os principais filos ani-
mais em dois grandes grupos: parazoários e eumetazoários
ou enterozoários.
Os animais parazoários, representados pelos porífe-
ros, não têm cavidade digestória nem tecidos diferencia-
dos, dependendo inteiramente da digestão intracelular.
Os eumetazoários correspondem aos demais animais, que
apresentam cavidade digestória, tecidos diferenciados e
digestão extracelular.
Filogenia dos animais baseada no desenvolvimento de cavida-
de digestória e tecidos diferenciados.
Poríferos
Demais animais
Ancestral dos
animais
Metazoa
Eumetazoa
Folhetos embrionários
Os eumetazoários são divididos em dois grupos, de acordo
com o número de folhetos embrionários que desenvolvem. Os
animais que formam dois folhetos embrionários, ectoderme
e endoderme, são denominados diblásticos ou diploblásticos.
Dos nove principais filos animais que estudaremos, apenas
os cnidários são diblásticos. Os demais filos têm três folhetos
embrionários (ectoderme, mesoderme e endoderme), por
isso são designados animais triblásticos ou triploblásticos.
Celoma
Entre os animais triblásticos, existem aqueles que não
têm cavidade celomática, conhecidos como acelomados (do
grego a, negação), que é a condição observada nos platel-
mintos (vermes chatos).
Em alguns animais triblásticos, a cavidade corporal é re-
vestida pela mesoderme e pela endoderme. Essa cavidade
é considerada um celoma falso, por isso recebe o nome de
blastoceloma, ou pseudoceloma (do grego pseudo, falso).

====PAGE 130====

AULA 2: Embriologia e estrutura dos animais

=========================================================================
=======
Questão 632

632
Biologia • Frente 3
Os animais que apresentam essa organização são chamados blastocelomados,
ou pseudocelomados. Entre os diversos filos
blastocelomados, estudaremos apenas os nematódeos.
Os animais triblásticos, em sua maioria, têm uma cavidade corporal, o
celoma (do grego koilos, oco), totalmente revestida
por tecidos de origem mesodérmica. Nesses casos, os animais são chamados
de celomados, a exemplo dos moluscos, anelíde-
os, artrópodes, equinodermos e cordados.
Representação esquemática das cavidades corporais nos animais
triblásticos.
Acelomado
Pseudocelomado
Celomado
Mesoderme
Mesoderme
Mesoderme
Ectoderme
Ectoderme
Endoderme
Endoderme
Pseudoceloma
Celoma
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
Destino do blastóporo
No desenvolvimento dos animais, o blastóporo, orifício que surge na
gastrulação, pode ter dois destinos. Os animais
nos quais o blastóporo origina a boca são designados protostômios (do
grego protos, primeiro, e stoma, boca), a exemplo
de nematódeos, moluscos, anelídeos e artrópodes. Em alguns animais, o
blastóporo não origina a boca nem o ânus e, ainda
assim, são protostômios.
O blastóporo também pode originar o ânus, tendo a boca como origem
secundária. Nesse caso, os animais são chamados
deuterostômios (do grego deuteros, segundo), como os equinodermos e os
cordados.
Blastóporo
Classificação dos animais de acordo com as aberturas do tubo digestório
formadas a partir do blastóporo.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Parazoários
Poríferos
Eumetazoários
Diblásticos
Cnidários
Triblásticos
Acelomados
Platelmintos
Pseudocelomados
Nematódeos
Celomados
Moluscos
Anelídeos
Artrópodes
Equinodermos
Cordados
Classificação embrionária dos animais. É importante mencionar que existem
classificações mais antigas que colocam como protostômios
também os platelmintos e os cnidários. De fato, nesses animais, o
blastóporo origina a boca. Contudo, para a classificação embriológica,
é redundante classificá-los como protostômios, uma vez que, neles, a boca
é a única abertura do tubo digestório.
Protostômios
Deuterostômios
Animais deuterostômios
Formação do ânus
Equinodermos, cordados
Formação da boca
Animais protostômios
Nematódeos, moluscos,
anelídeos, artrópodes

====PAGE 131====

AULA 2: Embriologia e estrutura dos animais

=========================================================================
=======
Questão 633

633
Biologia • Frente 3

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=======
Questão 1

1 FPS-PE 2019 De acordo com a quantidade e distribuição


do vitelo, as células-ovo (zigotos) são classificadas em quatro
tipos. Observe as imagens a seguir.
Disco
germinativo
Núcleo
Vitelo
Núcleo
Polo animal
Polo vegetativo
I
II
Grãos
de vitelo
Vitelo
Adaptado de: [Link]
[Link].
As figuras I e II correspondem, respectivamente, aos tipos de
células-ovo:
A
telolécitos e centrolécitos.
B
isolécitos e telolécitos.
C
isolécitos e heterolécitos.
D
centrolécitos e isolécitos.
E
telolécitos e heterolécitos.

=========================================================================
=======
Questão 2

2 UPF-RS 2021 Suponha que uma mulher com três semanas


de gestação sofra uma irradiação com raios X e que somente
as células da ectoderme do embrião sejam atingidas. Assi-
nale a alternativa que indica a fase em que o embrião dessa
gestante se encontrava e os tecidos que poderão sofrer alte-
rações devido a essa radiação.
A
Blástula/tecido nervoso e os tecidos musculares
B
Segmentação/todos os tecidos conjuntivos e a epiderme
C
Gástrula/tecido nervoso e epiderme
D
Nêurula/tecido nervoso e os tecidos conjuntivos
E
Mórula/tecido ósseo, tecido cartilaginoso e a pele

=========================================================================
=======
Questão 3

3 FPS-PE 2019 Durante o desenvolvimento embrionário,


após a fecundação, ocorre uma série de divisões celulares na
célula-ovo. A imagem a seguir representa que etapa do de-
senvolvimento embrionário?
Adaptado de: [Link]
A
Neurulação
B
Gástrula
C
Mórula
D
Blástula
E
Zigoto

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=======
Questão 4

4 UFU-MG 2019 Considerando-se os processos básicos do


desenvolvimento embrionário dos animais, analise as afirma-
tivas a seguir.
I.
Os tecidos muscular, ósseo e adiposo originam-se das cé-
lulas da endoderme.
II. No embrião de ratos, a fase de flexão captura uma parte
do saco vitelínico que fica incorporada ao corpo embrio-
nário. Essa porção originará a notocorda que induzirá a
formação do sistema neural central e periférico.
III. Uma bióloga marcou um grupo de células em um em-
brião de coelho. Ao observar o animal na fase adulta,
encontrou marcadas as células neurais. O tecido embrio-
nário, que foi marcado pela pesquisadora, refere-se à ec-
toderma na fase de gástrula.
IV. Répteis e aves representam exemplos de animais que
possuem ovos ricos em vitelo e com segmentação mero-
blástica discoidal.
Assinale a alternativa que contém somente afirmativas corretas.
A
III e IV.
B
II e IV.
C
I e III.
D
II e III.

=========================================================================
=======
Questão 5

5 Uece 2023 Em relação aos animais cordados, escreva V


ou F conforme seja verdadeiro ou falso o que se afirma nos
itens a seguir.
A notocorda é uma estrutura embrionária e em verte-
brados (exceto peixes da classe Myxini), ela é substituída
pela coluna vertebral óssea ou cartilaginosa.
A notocorda se desenvolve durante a gastrulação do em-
brião, a partir da endoderme.
A notocorda desempenha um papel primário para o desenvol-
vimento dos cordados, pois origina o esqueleto apendicular.
Nos urocordados ou tunicados como as ascídias, a noto-
corda está presente na fase larval.
Está correta, de cima para baixo, a seguinte sequência:
A
F, F, F, V
B
V, V, V, F
C
V, F, F, V
D
F, V, V, F

=========================================================================
=======
Questão 6

6 UPE 2021 Leia a letra da música a seguir:


Quén! Quen! Quén! Quen!
Lá vem o PATO
Pata aqui, pata acolá
Lá vem o pato
Para ver o que é que há...
... Pulou do poleiro
No pé do CAVALO
Levou um coice
Criou um galo
Caiu no poço
Quebrou a tigela
Tantas fez, o moço
Que foi pra panela
Fonte: Musixmatch.
Compositores: Vinícius de Moraes / Sérgio Bardotti / Antônio Pecci Filho.
Letra de O Pato © Universal Music Publishing Mgb Spain S.a, Fonit Cetra
Music Publishing Srl (Adaptado).
====PAGE 132====

AULA 2: Embriologia e estrutura dos animais

=========================================================================
=======
Questão 634

634
Biologia • Frente 3
Assinale o tipo de ovo quanto à distribuição do vitelo no pato e no
cavalo, respectivamente, destacados na música.
A
Centrolécito e oligolécito
B
Heterolécito e centrolécito
C
Oligocécito e isolécito
D
Telolécito e isolécito
E
Telolécito e telolécito

=========================================================================
=======
Questão 1

1 PUC-Campinas 2021 As figuras abaixo representam cortes


transversais de animais triblásticos.
Figura I
luz do tubo
digestório
Figura III
Figura II
luz do tubo
digestório
luz do tubo
digestório
As Figuras I, II e III representam, respectivamente, cortes de
A
Drosophila melanogaster − Taenia solium − Ancylostoma
duodenale
B
Necator americanus − Planaria torva − Giardia lamblia
C
Taenia saginata − Musca domestica − Canis lupus
D
Oxyurus vermicularis − Escherichia coli − Apis mellifera
E
Schistosoma mansoni − Aedes aegypti – Ascaris lumbricoides

=========================================================================
=======
Questão 2
2 UFRGS 2023 Em um artigo publicado na revista eLife
(2020), pesquisadores marcaram células embrionárias com
diferentes sondas fluorescentes, a fim de rastrear o processo
de diferenciação celular. As células do endoderma embrioná-
rio foram marcadas com uma sonda fluorescente vermelha;
já as células do mesoderma e do ectoderma foram marcadas
com sondas azul e verde, respectivamente. Com relação aos
resultados observados nos animais adultos, assinale a alter-
nativa correta.
A
As células do sistema nervoso estavam marcadas com a
sonda verde.
B
As células musculares estavam marcadas com a son-
da vermelha.
C
As células do epitélio do sistema digestório estavam mar-
cadas com a sonda azul.
D
As células ósseas estavam marcadas com a sonda verde.
E
As células do sangue estavam marcadas com a son-
da vermelha.

=========================================================================
=======
Questão 3

3 UFRGS 2022 O processo de desenvolvimento embrionário


apresenta mecanismos complexos, os quais são muitas vezes
conservados em diferentes espécies.
Considere as seguintes informações sobre o desenvolvimen-
to embrionário de mamíferos.
I.
O acúmulo de fluidos na blástula está associado ao bom-
beamento de íons Na+, para o interior da blastocele.
II. As células da ectoderme da placa neural diminuem a ade-
são célula-célula, permitindo a formação do tubo neural.
III. A formação dos somitos, a partir da endoderme, resulta
em um eixo de sustentação laterolateral no embrião.
Quais estão corretas?
A
Apenas I.
B
Apenas II.
C
Apenas III.
D
Apenas I e II.
E
I, II e III.
=========================================================================
=======
Questão 4

4 UEPG-PR 2020 De acordo com o esquema abaixo, que re-


presenta o desenvolvimento inicial de mamíferos, assinale o
que for correto.
Glóbulo
polar
Blastômeros
Embrioblasto
B
II
III
III em corte
I
C
I
III
Adaptado de AMABIS, J. M.; MARTHO, G. R. Biologia das Células.

=========================================================================
=======
Questão 2

2. ed. São Paulo: Moderna, 2004. v. 1.

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=======
Questão 1

01 I representa a fase de clivagens.

=========================================================================
=======
Questão 2

02 II representa o estágio embrionário de mórula.

=========================================================================
=======
Questão 4

04 III representa o estágio embrionário de gástrula.

=========================================================================
=======
Questão 8

08 A estrutura B é o trofoblasto e a C é a blastocela.


Soma:

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Os recifes de corais constituem ecossistemas que abrigam cerca de 25% das
espécies marinhas, tendo grande importância
ecológica. A maior extensão de recifes do mundo forma a Grande Barreira
de Corais, na costa da Austrália, com mais de dois mil
quilômetros de comprimento. Atualmente, esses ecossistemas estão
ameaçados por um fenômeno chamado branqueamento de
corais, que pode levar à morte desses animais. Os diversos corais que
formam os recifes são animais invertebrados do filo
dos cnidários. Nesses recifes de corais, vivem também esponjas e vermes
achatados denominados platelmintos.
Poríferos, cnidários e platelmintos
C4 | H14
C8 | H28
AULA
Biologia • Frente 3

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=======
Questão 635

635

=========================================================================
=======
Questão 3

3
Poríferos
Os representantes do filo Porifera (do latim poros, pas-
sagem, e ferre, o portador de) são popularmente chamados
de esponjas. São animais de vida livre que habitam exclu-
sivamente o meio aquático. A maioria dos representantes
do filo é marinha. Esses animais são desprovidos de cavida-
de digestória e tecidos verdadeiros (diferenciados). Na fase
adulta, todos os poríferos são sésseis, ou seja, vivem fixos a
um substrato.
O corpo de um porífero é repleto de poros por meio dos
quais a água entra no animal. Os poríferos removem partí-
culas alimentares da água à medida que ela passa por seu
corpo, por isso são classificados como filtradores. A maioria
das esponjas é assimétrica, mas existem representantes com
simetria radial.
Organização corporal e fisiologia
A organização básica do corpo de um porífero apresenta
parede corporal com poros, uma cavidade chamada átrio,
ou espongiocele, e uma abertura maior chamada ósculo.
A água entra pelos poros, banha a espongiocele e flui para
fora do organismo por meio do ósculo. Existem espécies de
esponjas nas quais pode haver mais de um ósculo.
Apesar da ausência de tecidos diferenciados, o corpo das
esponjas contém tipos celulares especializados em determi-
nadas funções. Os pinacócitos são células de revestimento
presentes na camada corporal mais externa. Os porócitos,
células em forma de tubo, formam os poros que se esten-
dem pela parede corporal. Os coanócitos, células flageladas
dotadas de projeções ao redor do flagelo (“colar”), revestem
a espongiocele. O batimento dos flagelos dos coanócitos
mantém o fluxo de água nos poríferos. Essas células retêm
partículas de alimento presentes na água, as fagocitam e as
digerem em seu interior.
As camadas celulares são separadas por uma região ge-
latinosa conhecida como meso-hilo. Nessa região, existem
células denominadas amebócitos, que podem receber partí-
culas alimentares dos coanócitos e digerí-las. Além disso, es-
sas células se deslocam pelo meso-hilo usando pseudópodes
e são totipotentes, ou seja, possuem grande capacidade de
diferenciação celular e podem originar qualquer tipo de célula
do corpo de uma esponja. Os amebócitos estão relacionados à
formação dos gametas e de células que produzem os elemen-
tos de sustentação, os espongioblastos e os escleroblastos.
Os espongioblastos produzem fibras mais flexíveis cons-
tituídas pela proteína espongina, encontradas, por exemplo,
nas esponjas-de-banho. Os escleroblastos produzem elemen-
tos mais rígidos, as espículas, que podem ser calcárias ou
silicosas, a exemplo das encontradas nas esponjas-de-vidro.
Amebócito
Amebócito
Coanócito
Colar
Pinacócito
Espículas
Flagelo
Partículas de alimento
Fagocitose das partículas
de alimento
Fluxo de água
Átrio
Ósculo
Representação esquemática da organização corporal de uma
esponja e detalhes dos coanócitos.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
Meso-hilo
Poros
A nutrição dos poríferos ocorre por meio da digestão
intracelular realizada pelos coanócitos e amebócitos. A dis-
tribuição de substâncias, como os nutrientes provenientes da
digestão, é feita com o deslocamento dos amebócitos pelo
meso-hilo e por difusão entre as células. A difusão através
da superfície corporal é a responsável pela obtenção do
O2 e pela eliminação de resíduos metabólicos, como CO2 e
NH3 (amônia).

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AULA 3: Poríferos, cnidários e platelmintos
Biologia • Frente 3

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Questão 636

636
Saiba mais
De acordo com a complexidade corporal, os porífe-
ros podem ser classificados em três tipos morfológicos.
As esponjas asconoides têm a estrutura mais simples:
a parede corporal é relativamente fina, e o átrio, bas-
tante amplo. No tipo siconoide, forma de complexida-
de intermediária, a parede corporal possui dobras que
aumentam a área de sua superfície e a quantidade de
coanócitos, resultando em intensificação do fluxo de água
na esponja. Nos poríferos leuconoides, esponjas de es-
trutura mais complexa, a parede do corpo é bastante
espessa e o átrio é reduzido, podendo até mesmo es-
tar ausente; a parede é dotada de câmaras repletas de
coanócitos, resultando em um fluxo de água ainda mais
intenso. Esse é o tipo morfológico mais frequente.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Asconoide
Siconoide
Leuconoide
Coanócitos
H2O
H2O
H2O
H2O
Representação esquemática dos tipos morfológicos nos poríferos.
Reprodução assexuada
Os poríferos exibem alto potencial de regeneração. Isso
se deve ao reduzido grau de complexidade desses animais e à
presença dos amebócitos, já que são células totipotentes. Na
regeneração, fragmentos do corpo de uma esponja podem
originar animais completos, geneticamente idênticos entre si.
Outra forma de reprodução assexuada realizada por po-
ríferos é o brotamento, em que uma esponja materna exibe
intensa proliferação e diferenciação celular em uma área do
corpo, gerando um broto. O broto pode se desprender do or-
ganismo que o originou, resultando em esponjas que vivem
isoladas. Caso não ocorra a separação do broto do organismo
materno, forma-se uma colônia de poríferos.
Representação esquemática do processo de brota-
mento em poríferos.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Indivíduos isolados
Colônia
Com
desprendimento
do broto
Sem
desprendimento
do broto
Broto
Existem esponjas dulcícolas, ou seja, que vivem na água
doce, capazes de produzir gêmulas, estruturas de resistência
à seca e ao frio.
As gêmulas são formadas por um envoltório protetor e
em seu interior são encontrados os arqueócitos, um tipo de
amebócito. Em condições favoráveis, ocorre liberação dos
arqueócitos e, a partir deles, poríferos completos, genetica-
mente idênticos, são formados.
Reprodução sexuada
A maioria das espécies é hermafrodita ou monoica, isto
é, um indivíduo produz tanto gametas masculinos (esperma-
tozoides) quanto femininos (óvulos). Também há espécies
dioicas, nas quais os sexos são separados.
Em quase todas as esponjas monoicas, o hermafrodi-
tismo é sequencial: atuam primeiro como um sexo e depois
como outro. Esse fenômeno evita a autofecundação, aumen-
tando a variabilidade genética nas populações.
Os gametas são gerados a partir de amebócitos. Os
espermatozoides são liberados no átrio, saem pelo ósculo
e, quando entram pelos poros de uma esponja que gerou
um óvulo, pode haver fecundação interna no meso-hilo.
Também pode haver fecundação externa, na água, fora
do animal.
O zigoto resultante da fecundação origina uma larva
(ou seja, há desenvolvimento indireto). A larva é flagelada,
o que favorece a dispersão, e quando ela se estabelece no
substrato, desenvolve-se em um adulto séssil.
Estabelecimento da
larva no substrato
Desenvolvimento
do adulto séssil
Esponjas
adultas
Óvulo
Larva
Espermatozoides
Liberação de larva
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Representação esquemática da reprodução sexuada nos poríferos.
Cnidários
O filo Cnidaria (antigamente conhecido como filo dos ce-
lenterados) corresponde a uma das linhagens mais antigas
dos animais eumetazoários. Com base em análises de DNA,
estima-se que surgiram há aproximadamente 680 milhões de
anos. Os representantes desse filo são aquáticos de maioria
marinha, isolados ou coloniais, diblásticos e apresentam si-
metria radial. Nos cnidários, além do sistema digestório, tam-
bém é encontrado um sistema nervoso difuso.

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AULA 3: Poríferos, cnidários e platelmintos


Biologia • Frente 3

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Questão 637

637
Organização corporal e fisiologia
Há dois tipos morfológicos: polipoide, os pólipos, e
medusoide, as medusas. Os pólipos são formas cilíndricas,
sésseis ou com capacidade de locomoção limitada. Hidras,
corais e anêmonas têm essa forma.
As medusas, forma típica das águas-vivas, exibem as-
pecto similar a um sino, com a boca voltada para baixo. Elas
nadam livremente, muitas vezes por meio da jatopropulsão:
o animal contrai o corpo e expulsa água pela boca, deslocan-
do-se na direção oposta.
Cavidade
gastrovascular
Cavidade gastrovascular
Epiderme
Gastroderme
Mesogleia
Boca
Boca
Tentáculo
Tentáculo
Medusa
Pólipo
B
A
Representação esquemática das formas de pólipo (A) e medusa (B)
vistas em corte, evidenciando as camadas do corpo dos cnidários.
A boca é a única abertura do tubo digestório dos cnidá-
rios; portanto, trata-se de um tubo digestório incompleto.
A parede do corpo dos cnidários possui duas camadas
celulares: a epiderme, mais externa, e a gastroderme, mais
interna. Entre elas, existe uma camada gelatinosa, chamada
mesogleia, que contém células dispersas.
A epiderme possui diferentes tipos de células que desem-
penham funções específicas, como as células mioepiteliais,
ligadas à movimentação, as células sensoriais, responsáveis
pela captação de estímulos ambientais, entre outras. Além
dessas, os cnidócitos são as células típicas dos cnidários e
merecem maior destaque.
Presentes majoritariamente na epiderme dos tentáculos,
os cnidócitos são importantes para a defesa do animal e a
captura de presas. Derivados do cnidoblasto, eles apresentam
uma cnida: uma cápsula contendo um filamento enrolado e
substâncias urticantes. O tipo mais comum de cnida é o nema-
tocisto. Uma projeção chamada cnidocílio, ao ser estimulada
pelo toque ou por certas substâncias, dispara o nematocisto.
Esse disparo leva à liberação do filamento, frequentemente
penetrante, e da substância urticante, que pode paralisar ou
matar a presa. Em seres humanos, pode causar lesões seme-
lhantes a queimaduras. Essa característica está ligada ao nome
do filo, pois, em grego, knide significa “urtiga”.
Representação esquemática da estrutura e do funcionamen-
to de um cnidócito. Uma vez disparado, o cnidócito dege-
nera, e novos cnidócitos são formados por diferenciação de
células intersticiais.
Filamento (enrolado)
Hidra
Filamento
Corpo da presa
Descarga do
filamento
Cnidócito
Cnidocílio
Nematocisto
Tentáculo
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
A gastroderme é a camada que reveste a cavidade
gastrovascular. Os cnidários são principalmente preda-
dores e usam seus tentáculos na captura de presas e na
condução do alimento ao interior da cavidade digestória,
onde a digestão começa por meio da ação de enzimas di-
gestivas liberadas pelas células glandulares da gastroder-
me. As células do revestimento da cavidade absorvem os
produtos dessa digestão e completam o processo digesti-
vo em seu interior; dessa forma, a digestão dos cnidários
é extracelular e intracelular.
Não há um sistema circulatório nos cnidários, mas
ocorre distribuição de substâncias por meio da cavidade
gastrovascular e por difusão entre as células. Também não
existem estruturas especializadas na excreção; dessa for-
ma, a eliminação de resíduos metabólicos, como a amônia,
ocorre por difusão através da superfície do corpo. Também
por difusão são feitas as trocas gasosas, uma vez que nos
cnidários não há um sistema respiratório. Esse processo
pode ser denominado respiração cutânea.
O sistema nervoso observado nos cnidários é difuso,
e consiste em uma rede de células nervosas que se espa-
lham pela mesogleia. Nesse sistema nervoso não existem
centros de controle das atividades, como um cérebro, mas
a rede difusa de células nervosas está ligada a receptores
sensoriais distribuídos por todo o corpo, permitindo ao
cnidário detectar e responder a estímulos vindos de todas
as direções.

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AULA 3: Poríferos, cnidários e platelmintos


Biologia • Frente 3

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Questão 638

638
Rede difusa de
neurônios
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Representação esquemática do sistema nervoso difuso
dos cnidários.
Hidrozoários
Um dos representantes do táxon Hydrozoa é a hidra, um cnidário polipoide
de água doce. As hidras são animais monoicos
com desenvolvimento direto e podem se reproduzir assexuadamente, por
brotamento.
Outro representante dessa classe é a caravela-portuguesa (Physalia
physalis). Esses hidrozoários são tradicionalmente
definidos como uma colônia de pólipos especializados. Nela, há um grande
pólipo que armazena gases, responsável pela flutu-
ação. Há pólipos com outras funções, como aqueles que atuam na obtenção
de alimento e os que produzem gametas. Por fim,
há os pólipos que formam longos tentáculos, importantes para a defesa da
colônia.
A maioria dos hidrozoários alterna entre as formas polipoide e medusoide
ao longo de seu ciclo de vida, como pode ser
observado nos representantes do gênero Obelia sp. Esse ciclo é chamado de
alternância de gerações (ou metagênese), embora
seja bastante diferente da alternância de gerações das plantas. Nele, a
fase polipoide realiza reprodução assexuada, originando
medusas. A forma medusoide se reproduz sexuadamente, resultando na forma
polipoide do ciclo.
Reprodução
sexuada
Zigoto
Larva plânula
(ciliada)
Fixação da larva ao substrato.
Óvulo
Reprodução
assexuada
(brotamento)
Brotamento
de medusa
Pólipo
reprodutivo
Pólipo em
desenvolvimento
Fecundação
Meiose
Colônia de
pólipos
Pólipo maduro
Pólipo alimentar
Gônada
Espermatozoides
Medusa
Representação esquemática
do ciclo de vida da Obelia sp.
Nesse ciclo, a fecundação é
externa e, em razão da pre-
sença de um estágio larval, o
desenvolvimento é indireto.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Cifozoários
No táxon Scyphozoa, a maioria dos animais passa grande parte da vida sob
a forma medusoide, ao contrário dos
hidrozoários, nos quais a forma polipoide é predominante. Nesse grupo,
também ocorre ciclo com alternância de
gerações. O estágio polipoide origina a fase de medusa por meio de um
tipo de reprodução assexuada chamado estrobilização,
que consiste na divisão transversal do pólipo, resultando na liberação de
formas medusoides. No ciclo com metagênese da
Aurelia sp., por exemplo, o desenvolvimento é indireto, já que ocorre
formação da larva plânula, e a fecundação é interna,
uma vez que o encontro dos gametas acontece no interior do corpo da
medusa fêmea.

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AULA 3: Poríferos, cnidários e platelmintos


Biologia • Frente 3
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Questão 639

639
Águas-vivas do gênero Aurelia (medem cerca de

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Questão 10

10 cm de diâmetro).
aabeele/[Link]
Cubozoários
O corpo dos animais do táxon Cubozoa apresenta o es-
tágio medusoide com formato semelhante ao de um cubo. A
vespa-do-mar (Chironex fleckeri), cubozoário encontrado na
costa australiana, é considerada um dos animais mais mor-
tais, pois sua toxina pode levar um humano adulto à morte
em alguns minutos. O ciclo de vida envolve alternância de
gerações, com a forma medusoide predominante, e o desen-
volvimento é indireto.
Auscape/UIG/Shutterstock
Vespa-do-mar (Chironex fleckeri, chega a medir 3 m de
comprimento), cubozoário extremamente venenoso.
Antozoários
Os corais e as anêmonas-do-mar são os principais re-
presentantes do táxon Anthozoa. Nos antozoários, ocorre
apenas a forma polipoide. Existem representantes que vivem
isolados e aqueles que podem formar colônias, a exemplo de
muitos corais. É bastante comum os corais se reproduzirem
assexuadamente por brotamento.
David Havel/[Link]
Anêmona-do-mar (Bunodosoma caissarum, mede cerca de

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Questão 10

10 cm de diâmetro), um representante dos antozoários.


Em geral, os corais vivem em associação simbiótica com
algas unicelulares conhecidas como zooxantelas. A presen-
ça dessas algas é o que confere a exuberante diversidade de
cores dos corais. Além disso, os corais usam os nutrientes
orgânicos produzidos pela fotossíntese realizada por essas
algas como alimento. Em troca, as algas recebem dos corais
proteção e nutrientes minerais.
Ao longo da vida, os corais podem secretar um exoes-
queleto rígido constituído de carbonato de cálcio. Quando
uma geração de pólipos morre, a geração seguinte se desen-
volve sobre os esqueletos deixados pela geração anterior, e
assim sucessivamente. Com o passar do tempo, em condi-
ções adequadas, o resultado é a formação de paredões cal-
cários chamados de barreiras ou recifes de corais.
Recifes de corais abrigam diversas formas de vida, como peixes
e pequenos crustáceos.
Rubia Cezar/[Link]
Saiba mais
O branqueamento dos corais
O processo de branqueamento dos corais ocorre
por causa da expulsão das zooxantelas do corpo do
animal. Vários fatores podem influenciar o fenômeno
de branqueamento, mas a elevação da temperatura da
água é apontada como a principal causa. Entre as con-
sequências do branqueamento estão: diminuição da
capacidade reprodutiva e morte em massa das colô-
nias. Por conta dessa resposta ao aumento da tempera-
tura da água, os corais são potenciais bioindicadores da
intensificação do efeito estufa.
Destruição dos recifes
O aumento da concentração de CO2 atmosférico
está entre as principais causas da intensificação do efeito
estufa. Parte do CO2 lançado na atmosfera se dissolve na
água do mar, resultando na acidificação dos oceanos por
conta da formação de ácido carbônico (H2CO3). A presen-
ça desse ácido nos oceanos resulta na corrosão dos recifes
de corais, que são formados por carbonato de cálcio.

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AULA 3: Poríferos, cnidários e platelmintos


Biologia • Frente 3

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Questão 640

640
Platelmintos
Entre os animais que vamos estudar, com exceção dos
poríferos e cnidários, todos pertencem ao táxon monofilético
Bilateria, isto é, animais que apresentam simetria bilateral.
Essa característica define nos animais dois eixos corpóreos:
anteroposterior e dorsoventral. Além disso, nos animais bi-
latérios é possível verificar, como regra geral, a concentração
de órgãos sensoriais na região anterior do corpo, caracteri-
zando a cefalização.
Essa novidade evolutiva permite ao organismo captar
grande quantidade de informações do ambiente e responder
rapidamente aos estímulos recebidos, ações que podem ser
bastante vantajosas no deslocamento ativo do animal na ex-
ploração ambiente.
Os representantes do filo Platyhelminthes (do grego
platys, achatado, e helminthós, verme) apresentam corpo
achatado dorsoventralmente. Por isso, são, em geral, de-
signados como vermes achatados. Podem ser de vida livre,
como as planárias, encontradas em ambientes aquáticos e
terrestres úmidos. Também existem platelmintos parasitas,
como a tênia e o esquistossomo.
Atenção!
A palavra “verme” não possui valor taxonômico.
Trata-se de um termo que se refere a animais com cor-
pos alongados e relativamente finos.

Os platelmintos têm três folhetos embrionários, mas são


acelomados. São animais com estruturas especializadas na
excreção e não têm sistema circulatório nem respiratório.
Organização corporal e fisiologia
Tomaremos a planária como modelo para a análise da
morfofisiologia dos platelmintos. Na região ventral do corpo
desse animal, encontram-se o poro genital, estrutura que
permite a troca de gametas na reprodução, cílios ligados ao
deslocamento do animal e a boca, única abertura do tubo
digestório – tratando-se, portanto, de um tubo digestório
incompleto. Para se alimentar, a planária everte sua farin-
ge, despejando sucos digestivos sobre o alimento. A faringe
suga pedaços de alimentos para a cavidade digestória, onde
a digestão continua. As partículas alimentares parcialmen-
te digeridas são absorvidas e a digestão termina no interior
das células que revestem a cavidade digestória; por isso, a
digestão é extracelular e intracelular. As tênias, platelmintos
parasitas, não apresentam sistema digestório. Nesse caso, o
verme absorve, pela superfície corporal, o alimento que foi
digerido pelo hospedeiro.
As ramificações da cavidade digestória distribuem os nu-
trientes às células do animal. Por esse motivo, essa cavidade
pode ser chamada de cavidade gastrovascular. A distribuição
de substâncias também ocorre por difusão entre as células.
As trocas gasosas ocorrem por difusão através da su-
perfície corporal. A forma achatada do corpo faz com que
a maior parte de suas células fiquem próximas ao ambiente
circundante, o que facilita as trocas com o meio por difusão
pela superfície corporal.
Região
ventral
Poro
genital
Região dorsal
Cavidade gastrovascular
Faringe evertida
Ocelo
Boca
Al
do
na
G
ris
ke
vic
ien
e/S
hutt
erst
ock.
com
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Representação esquemática de uma planária. Na cabeça desse
animal existe um par de ocelos, estruturas sensíveis à luz.
As excretas nitrogenadas (amônia) produzidas pelos pla-
telmintos podem ser eliminadas por difusão através da su-
perfície corporal. Todavia, nesses animais existe um aparelho
excretor, que consiste em protonefrídeos. Os protonefrídeos
são redes de túbulos ligados a células flageladas, os solenóci-
tos (com 1 flagelo) ou as células-flama (com alguns flagelos).
O excedente de água e os resíduos nitrogenados dos te-
cidos adjacentes aos protonefrídeos são recolhidos e o bati-
mento dos flagelos das células gera um fluxo contínuo que
conduz os resíduos até poros que se abrem para o exterior.
Ao eliminar o excedente de água do organismo, os protone-
frídeos contribuem para a osmorregulação dos platelmintos.
O sistema nervoso dos platelmintos, assim como de
todos os animais bilatérios, é chamado de ganglionar. Esse
tipo de sistema nervoso apresenta gânglios nervosos, con-
juntos de corpos celulares de neurônios que podem formar
centros de controle das atividades.
Representação esquemática do sistema nervoso de uma planá-
ria, que possui um par de gânglios cerebrais ligados a cordões
nervosos dispostos longitudinalmente no corpo do animal. Ner-
vos, que são conjuntos de prolongamentos neuronais, interligam
os cordões nervosos, resultando em um formato semelhante ao
de uma escada.
Ocelos
Nervos
Cordões nervosos
Gânglios cerebrais
Turbelários
No táxon Turbellaria, estão incluídos platelmintos de
vida livre, como a planária. A reprodução nas planárias pode
acontecer de forma assexuada por bipartição, também cha-

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AULA 3: Poríferos, cnidários e platelmintos


Biologia • Frente 3

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Questão 641
641
mada de fissão binária. Nesse processo, um indivíduo sofre
constrição próxima à região mediana do corpo, separando
as extremidades anterior e posterior. Em decorrência da alta
capacidade de regeneração, cada extremidade regenera a
parte faltante, resultando na formação de planárias geneti-
camente iguais.
CORES FANTASIA
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
Representação esquemática da reprodução assexuada em planárias.
As planárias são monoicas ou hermafroditas. No ato de re-
produção, uma planária encosta o seu poro genital no poro ge-

=========================================================================
=======
Questão 1

1 UFRR 2024 Segundo o texto retirado do Portal Amazônia


“Se você já frequentou um rio da bacia amazônica em perío-
do de vazante, que ocorre entre junho e novembro, provavel-
mente já deve ter entrado em contato com algum organismo
que causou uma irritação muito forte na pele. Esse organis-
mo é chamado de cauxi, comumente presente no período de
seca. Ao cair na água se dissolve em farpas minúsculas que,
em proximidade com a pele, provoca coceiras, irritações e até
reações alérgicas”. Esses animais são sésseis e filtradores e
essas farpas minúsculas são espículas produzidas por células
denominadas de amebócitos.
Fonte: [Link]
portal-amazoniaresponde-o-que-e-o-cauxi, acesso 24/09/2023.
O texto se refere aos
A
artrópodes
B
poríferos.
C
platelmintos.
D
anelídeos.
E
moluscos.

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=======
Questão 2

2 FGV-SP 2021 Um mergulhador profissional pretende mon-


tar um grande aquário em sua casa contendo apenas uma
espécie de cnidário do gênero Obelia. Nessa espécie, o ciclo re-
produtivo ocorre com alternância de gerações (metagênese).
O mergulhador tem a intenção de formar uma população
de cnidários com indivíduos geneticamente uniformes em
seu aquário. Para garantir essa uniformidade genética, o
mergulha- dor deve coletar em mar aberto
A
apenas duas medusas de sexos opostos.
B
um único pólipo adulto.
C
uma única éfira.
D
vários óvulos e espermatozoides.
E
diversas larvas plânulas.

=========================================================================
=======
Questão 3

3 UEPG-PR 2021 O filo Cnidaria (cnidários) é representado


por hidras, águas-vivas e anêmonas-do-mar, que são indivídu-
os isolados; e pelas caravelas e corais, que são coloniais. Em
relação a esse grupo de animais, assinale o que for correto.

=========================================================================
=======
Questão 1

01 São animais diblásticos e apresentam basicamente dois


tipos morfológicos: as medusas, geralmente natantes; e
os pólipos, que podem viver fixos ao substrato ou apoia-
dos nele, podendo se deslocar.

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=======
Questão 2

02 Tanto o pólipo como a medusa apresentam boca, mas


não têm ânus. O alimento ingerido passa para a cavida-
de gastrovascular, onde é parcialmente digerido. Depois,
é absorvido pelas células que revestem essa cavidade,
onde se completa a digestão. Os restos não aproveitados
são eliminados pela boca.

=========================================================================
=======
Questão 4

04 Nos cnidários, existe um tipo especial de célula denomi-


nada cnidócito, que aparece em maior quantidade nos
tentáculos. Os cnidócitos são responsáveis pela defesa
e pela captura de presas. O cnidócito possui um nema-
tocisto, estrutura que contém um filamento geralmente
penetrante e um líquido urticante.
nital de outro indivíduo e ocorre a troca de gametas. Assim, a
fecundação é interna e cruzada, com desenvolvimento direto.
Cestódeos
Uma parte dos platelmintos parasitas está agrupada no
táxon Cestoda. As tênias são exemplos de grande importân-
cia médica de platelmintos cestódeos. As tênias são animais
monoicos que realizam autofecundação. No ciclo reprodutivo
das tênias há estágios larvais, caracterizando um desenvolvi-
mento indireto. Vale lembrar que, em relação à fecundação
cruzada, a autofecundação resulta em menor variabilidade
genética na descendência.
Trematódeos
Esquistossomos são os principais exemplos de platel-
mintos agrupados no táxon Trematoda. Esses animais são
dioicos com dimorfismo sexual, ou seja, macho e fêmea
são visualmente distintos. Eles realizam fecundação interna
e apresentam desenvolvimento indireto.

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AULA 3: Poríferos, cnidários e platelmintos


Biologia • Frente 3

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=======
Questão 642

642

=========================================================================
=======
Questão 1

1 Uece 2023 Sobre os poríferos, é correto afirmar que são


animais invertebrados
A
de corpo mole encontrados nos ambientes marinhos, de
água doce e terrestres.
B
diblásticos que possuem duas formas de vida: pólipos
e medusas.
C
exclusivamente marinhos que possuem espinhos
pelo corpo.
D
sésseis que podem ser encontrados vivendo sozinhos ou
em colônias.

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=======
Questão 8

08 Entre a epiderme e a gastroderme existe uma camada


gelatinosa chamada de mesogleia, mais abundante nos
corais. A região do corpo dos corais rica em mesogleia
denomina-se umbrela.
Soma:

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=======
Questão 4

4 UEPG-PR 2022 Sobre o filo Platelminto, assinale o que


for correto.

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=======
Questão 1

01 Nesse filo, as espécies de vida livre e de vida parasitária


agrupadas nas classes Turbellaria, Trematoda e Cestoda
apresentam como principal característica morfológica cor-
po achatado dorso-ventralmente com simetria bilateral.

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=======
Questão 2

02 De modo geral, espécies pertencentes às classes Tur-


bellaria e Cestoda são hermafroditas; enquanto algumas
espécies pertencentes à classe Trematoda, como por
exemplo a espécie Schistosoma mansoni, são dioicas.

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=======
Questão 4

04 Representantes da classe Cestoda, como as espécies


Taenia solium e Taenia saginata, apresentam corpo cons-
tituído por uma série de elementos, como escólex (cabe-
ça), pescoço (colo) e proglótides (anéis).

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=======
Questão 8

08 Entre as principais características morfológicas da clas-


se Trematoda, destaca-se a presença de ventosas (oral e
acetabular), estruturas que servem de fixação no corpo
do hospedeiro.
Soma:

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=======
Questão 5

5 UFGD-MS 2022 O Filo Porifera é representado pelas espon-


jas, que possuem uma organização corporal considerada muito
simples; a maioria de suas espécies vive no ambiente marinho,
aderida a diferentes substratos. O Filo Cnidaria apresenta ani-
mais aquáticos de maioria marinha e que possuem como alguns
de seus representantes a águaviva, caravela e corais.
No que se refere à estrutura corporal dos filos citados, assina-
le a alternativa correta.
A
No pólipo, é possível encontrar uma cavidade gastrovas-
cular com células flageladas denominadas coanócitos; os
cnidários possuem células totipotentes, capazes de gerar
outros tipos de células do animal.
B
Os poríferos possuem canais aferentes por onde a água
é conduzida por um conjunto de células denominadas
pinacócitos. Os cnidários possuem cnidoblastos, que são
células urticantes.
C
As células intersticiais são células totipotentes pre-
sentes nos cnidários. Os poríferos também possuem
células totipotentes.
D
Os poríferos possuem sistema nervoso com a capacida-
de de perceber alguns estímulos ambientais. Já os cnidá-
rios possuem células nervosas dispersas na mesogleia,
com uma capacidade superior de percepção dos estímu-
los ambientais.
E
As células intersticiais estão para os poríferos, assim
como os amebócitos estão para os cnidários.

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=======
Questão 6

6 Mackenzie-SP 2021 Analise a figura a seguir.


(fonte: [Link]
[Link]?pagina=especies_ver&id_categoria=28&id_
subcategoria=0&com=1&id=124&local=2)
Em relação ao desenvolvimento embrionário, o animal re-
presentado acima, pertence ao filo dos
A
nematoides e é triblástico e pseudocelomado.
B
platelmintos e é triblástico e acelomado.
C
moluscos e é triblástico e celomado.
D
platelmintos e é diblástico.
E
moluscos e é diblástico.

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=======
Questão 2
2 UFJF/Pism-MG 2022 “As alterações provocadas pelo aque-
cimento global comprometem diversos ecossistemas naturais.
Dentre os mais severamente atingidos estão os recifes de corais,
pois o aumento da concentração de gás carbônico eleva a (X) e
a temperatura da água. Isto ocasiona a morte das (Y) associadas
aos pólipos dos corais, que sem essa associação perdem gran-
de parte do seu suprimento nutritivo e tendem à morte. Este
fenômeno, denominado (Z) dos corais, afeta negativamente as
relações ecológicas e reduz drasticamente a biodiversidade nos
recifesde corais em diversas partes do planeta.”

====PAGE 141====

AULA 3: Poríferos, cnidários e platelmintos


Biologia • Frente 3

=========================================================================
=======
Questão 643

643
Assinale a alternativa CORRETA que se refere às letras X, Y e
Z destacadas no texto.
A
Acidez, esponjas, escurecimento.
B
Turbidez, esponjas, branqueamento.
C
Acidez, algas, branqueamento.
D
Turbidez, algas, branqueamento.
E
Acidez, algas, escurecimento

=========================================================================
=======
Questão 3

3 UFMS 2023 A maioria dos organismos do filo Porifera (es-


ponjas) apresenta tamanho corporal de poucos centímetros,
porém algumas espécies podem chegar a atingir de 1 m a

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=======
Questão 2

2 m de altura.
O átrio ou espongiocele é uma cavidade interna presente
no corpo das esponjas, que é delimitada por células flage-
ladas chamadas:
A
pinacócitos.
B
cnidócitos
C
coanócitos.
D
umbrelas
E
plânulas.

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=======
Questão 4

4 PUC-Rio 2023 Considere o texto abaixo.


Os recifes de corais são considerados um dos ambientes
mais biodiversos do planeta e, apesar de representarem
menos de 1% do fundo marinho, concentram grande parte
da biomassa de peixes e outros animais do mar. Os recifes
são formados a partir do crescimento do esqueleto calcário
de organismos coloniais, os corais. Essas estruturas calcá-
rias servem de abrigo e alimentação para muitas das espé-
cies que vivem nesses ambientes, sendo fundamentais para
a manutenção do ecossistema recifal. Contudo, a sobrevi-
vência dos corais está ameaçada. Se a temperatura da água
do mar aumenta e permanece alta por muito tempo, ocorre
o fenômeno de branqueamento dos corais.
Nesse contexto, desenvolva os itens a seguir.
a) Os corais são animais de qual filo? Cite dois outros ani-
mais que pertencem ao mesmo filo.
b) Explique como as ações humanas impactam o ecossistema
e podem causar o branqueamento de corais e cite duas
medidas que poderiam evitar ou minimizar esse processo.

====PAGE 142====

Xxxx
C5 | H15, H18 e H20
AULA

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Questão 11

11
Biologia • Frente 3

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=======
Questão 644

644
Os animais de corpo vermiforme são muito importantes nos ecossistemas em
que vivem, pois na decomposição da
matéria orgânica, contribuindo para a reciclagem de nutrientes no solo.
Além disso, eles também são importantes na cadeia
alimentar, servindo de alimento para outros animais, como pássaros e
peixes. Diversos animais de corpo vermiforme tam-
bém causam doenças em humanos, mas estudaremos isso em outra
oportunidade.
C4 | H14
C8 | H28 e H29
AULA

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=======
Questão 4

4
Nematódeos
Os nematódeos (do grego nema, fio), antigamente de-
nominados nematelmintos, são os representantes do filo
Nematoda, animais dotados de corpo alongado e cilíndrico.
Possuem ampla distribuição, sendo a maioria das espé-
cies de vida livre encontradas tanto no ambiente aquático
quanto no meio terrestre.
Nesse grupo, há representantes parasitas, como a lom-
briga e o ancilóstomo, cujo hospedeiro é a espécie humana.
São triblásticos, blastocelomados, protostômios e apresen-
tam simetria bilateral. Esses vermes possuem sistemas ner-
voso, digestório e excretor. Os sistemas circulatório e respira-
tório estão ausentes.
Organização corporal e fisiologia
Os nematódeos apresentam tubo digestório completo,
isto é, com duas aberturas: a boca, responsável pela obten-
ção de alimento, e o ânus, que atua na eliminação dos resí-
duos da digestão. Trata-se de uma característica vantajosa,
pois a passagem unidirecional dos alimentos favorece o
fornecimento de nutrientes de maneira contínua quando
comparado ao tubo digestório incompleto. A digestão do ali-
mento ocorre apenas fora das células do animal, caracteri-
zando uma digestão extracelular.
A distribuição de nutrientes e de outras substâncias
pode ocorrer por difusão entre as células do corpo ou por
meio da movimentação do líquido que preenche o blasto-
celoma, ou pseudoceloma. Além disso, o líquido blastocelo-
mático é um elemento de sustentação, pois funciona como
um esqueleto hidrostático. As trocas gasosas ocorrem por
difusão através da superfície do corpo, caracterizando uma
respiração cutânea.
É comum os nematódeos parasitas apresentarem ao
redor do corpo um envoltório, chamado cutícula, mais es-
pesso que nos demais representantes do filo. A presença
dessa estrutura confere a esses animais proteção contra
as defesas do hospedeiro. Entretanto, essa cutícula mais
espessa configura-se como um obstáculo à ocorrência das
trocas gasosas pela superfície corporal. Nessa situação, os
vermes parasitas realizam fermentação lática como pro-
cesso de obtenção de energia.
A presença de cutícula coloca os nematódeos no grupo
chamado Ecdysozoa (ecdisozoários). Esse grupo inclui oito
filos de animais que trocam seu revestimento externo à me-
dida que crescem, processo chamado de muda ou ecdise. Os
dois mais diversos filos de animais ecdisozoários são os ne-
matódeos e os artrópodes.
A eliminação de resíduos nitrogenados (amônia) pode
ocorrer por difusão através da superfície corporal. Todavia,
existem células especializadas na excreção, chamadas de re-
netes, que formam dois canais dispostos longitudinalmente
no corpo do animal. Na região anterior do corpo, esses canais
podem se unir por meio de um canal transversal associado
a um poro excretor. Essa organização do sistema excretor é
chamada de tubos em H.
O sistema nervoso
consiste em um gânglio
nervoso em forma de
anel que circunda o tubo
digestório na altura da fa-
ringe. Desse anel partem
dois cordões nervosos,
um dorsal e outro ventral,
longitudinalmente dispos-
tos no corpo no animal. Em
geral, os nematódeos são
dioicos com dimorfismo
sexual, realizam fecunda-
ção interna e apresentam
desenvolvimento indireto.
Representação esquemática do
sistema excretor nos nematódeos.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Poro
excretor
Tubos
em H
Nematódeos, anelídeos e moluscos

====PAGE 143====

AULA 4: Nematódeos, anelídeos e moluscos


Biologia • Frente 3

=========================================================================
=======
Questão 645

645
Anelídeos
O filo Annelida (do latim annelus, anel) contém repre-
sentantes vermiformes, cujo corpo cilíndrico é formado por
anéis unidos ao longo do eixo anteroposterior. Cada anel re-
presenta um segmento, ou metâmero, por isso os anelídeos
são chamados de animais segmentados ou metamerizados.
Uma das principais vantagens da metameria é a segmenta-
ção da musculatura, que permite ao animal realizar grande
variedade de movimentos. A metameria também é observa-
da nos artrópodes e nos cordados.
Os anelídeos são majoritariamente animais de vida li-
vre que habitam os meios aquático (tanto marinho quanto
dulcícola) e terrestre úmido. Também há representantes
parasitas. São animais triblásticos, celomados, protostô-
mios e de simetria bilateral. Eles têm sistemas digestório,
nervoso, excretor e circulatório, além de especializações
ligadas às trocas gasosas.
Organização corporal e fisiologia
A minhoca é o animal geralmente utilizado como modelo
no estudo dos anelídeos, por ser um animal comum e bas-
tante conhecido.
O tubo digestório dos anelídeos é completo e a diges-
tão é extracelular. O sistema digestório apresenta regiões
diferenciadas, como faringe, esôfago, papo, moela e in-
testino com tiflossole. No papo, o alimento é armazenado
e amolecido; a moela é uma região musculosa importante
para a trituração do alimento; e o tiflossole corresponde a
uma dobra da parede intestinal que aumenta a superfície
de absorção dos nutrientes.
O sistema circulatório é fechado e dotado de dois vasos
sanguíneos principais, um dorsal e um ventral, ligados pelos
corações. No sangue dos anelídeos pode ser encontrado o
pigmento respiratório hemoglobina.
As trocas gasosas nas minhocas, assim como nas san-
guessugas, são feitas por respiração cutânea. A epiderme
secreta uma cutícula muito fina e permeável que permite
a troca de gases. Além disso, o revestimento corporal dos
anelídeos é ricamente vascularizado e úmido. Existem cé-
lulas especializadas na epiderme que produzem um muco
que contribui para a manutenção dessa umidade. Em ane-
lídeos do grupo dos poliquetos, a respiração pode ocorrer
por meio de brânquias.
A excreção ocorre por meio dos metanefrídios (nefrí-
dios). Nos anelídeos, é encontrado um par de metanefrídios
por segmento corporal. Essas estruturas têm uma abertura
ciliada, chamada nefróstoma, voltada para o celoma do ani-
mal. O líquido celomático com excretas é recolhido e, ao lon-
go dos metanefrídios, substâncias são reabsorvidas e voltam
para o sangue. Os resíduos metabólicos são eliminados por
meio de um orifício chamado nefridióporo.
Nos anelídeos é observado um sistema nervoso ganglionar
ventral, dotado de gânglios cerebrais e de um anel nervoso que
circunda o tubo digestório na região anteriordo corpo. Dessa
região, partem cordões nervosos ventrais, com um par de gân-
glios por segmento. Dos gânglios, partem nervos que se co-
nectam a outras estruturas do organismo, como os músculos.
e corr
p
d
g
necta
responde a
Vaso sanguíneo
dorsal
Vaso sanguíneo
ventral
Nefridióporo
Tiflossole
Nefróstoma
Faringe
Gânglio
Gânglios
cerebrais
Esôfago
Papo
Metanefrídio
Ânus
IntesƟno
Moela
Cordão nervoso
Corações
Anel nervoso
Boca
Representação da anatomia
interna de uma minhoca,
mostrando órgãos dos sis-
temas nervoso, circulatório,
digestório e excretor.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO

====PAGE 144====

AULA 4: Nematódeos, anelídeos e moluscos


Biologia • Frente 3

=========================================================================
=======
Questão 646

646
Tradicionalmente, o filo dos anelídeos é dividido
em três táxons: Oligochaeta (oligoquetos), Hirudinea ou
Achaeta (hirudíneos ou aquetos) e Polychaeta (poliquetos).
O principal critério utilizado nessa classificação é a presença
e a quantidade de cerdas quitinosas na superfície do corpo
do animal. Essas cerdas, quando presentes, podem ser em-
pregadas na locomoção e no acasalamento.
Oliquetos
A minhoca é um representante dos oligoquetos. Trata-se
um anelídeo de vida livre que habita o meio terrestre úmido.
Esses animais apresentam poucas cerdas no corpo, carac-
terística da qual deriva o nome do grupo (do grego oligos,
pouco, e chaité, pelo longo, cerda). Outro exemplo de oligo-
queto é o minhocuçu, animal que pode atingir três metros
de comprimento.
As minhocas são importantes para a aeração e a
fertilização do solo. Esses animais são detritívoros e abrem
túneis no solo, o que facilita a entrada e a circulação de ar
e a infiltração de água. As fezes das minhocas são ricas em
nutrientes, adubam o solo e constituem parte do húmus, ma-
téria rica em sais minerais importantes para as plantas.
Minhoca (Eisenia fetida,
mede cerca de 5 cm de
comprimento), um ane-
lídeo oligoqueto.
galitsin/[Link]
Quanto à reprodução, as minhocas são animais monoi-
cos que realizam fecundação cruzada e externa. Na época
reprodutiva, as minhocas encontram um parceiro sexual,
emparelham o corpo e trocam espermatozoides. Próximo
à região anterior do corpo, há uma estrutura glandular
chamada clitelo, que produz o casulo, um envoltório mucoso
que recebe os óvulos.
O casulo desliza em direção à extremidade anterior do cor-
po e, no caminho, recebe os espermatozoides fornecidos pela
outra minhoca. Nele ocorre a fecundação e a formação dos
ovos. O casulo com ovos é liberado e de cada ovo eclode uma
pequena minhoca, caracterizando o desenvolvimento direto.
Clitelo
Casulo
Liberação de óvulos
União de óvulos e espermatozoides
Liberação do casulo já com ovos
Troca de espermatozoides
Representação esquemática da reprodução de minhocas.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
Hirudíneos
As sanguessugas são os representantes mais conhecidos de hirudíneos.
Encontrados principalmente na água doce, esses
anelídeos não apresentam cerdas sobre o corpo, recebendo também, por
isso, o nome aqueta (do grego a, ausência, e chaité,
pelo longo, cerda).

====PAGE 145====
AULA 4: Nematódeos, anelídeos e moluscos
Biologia • Frente 3

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Questão 647

647
As sanguessugas são ectoparasitas e se alimentam do
sangue de vertebrados, incluindo seres humanos. Apresen-
tam uma ventosa oral e uma ventosa anal, estruturas que
atuam na locomoção do animal e na fixação em hospedeiros.
Além da ventosa, a boca desses animais apresenta lâ-
minas que cortam a pele dos hospedeiros. Contudo, o
hospedeiro geralmente não sente dor, porque a saliva das
sanguessugas contém um poderoso anestésico, além de um
anticoagulante, a hirudina, que permite ao animal se alimen-
tar de grandes volumes de sangue – às vezes, mais de dez
vezes seu peso corporal.
Até meados do século XIX, as sanguessugas eram utiliza-
das em uma prática médica chamada sangria, aplicada, por
exemplo, em pacientes hipertensos. Acreditava-se que as do-
enças seriam removidas do organismo por meio da retirada
do sangue. Atualmente, esses animais são usados no trata-
mento de hematomas e inchaços pós-cirúrgicos, e é possível
produzir hirudina por meio da técnica do DNA recombinante,
com a finalidade de usar o composto em pacientes nos quais
se deseja evitar ou controlar a coagulação sanguínea.
Sanguessuga (Hirudo medicinalis, mede cerca de 10 cm
de comprimento).
Martin Pelanek/[Link]
Quanto à reprodução, as sanguessugas são monoicas,
realizam fecundação cruzada e externa e apresentam desen-
volvimento direto.
Poliquetos
Os poliquetos são anelídeos majoritariamente aquáticos,
sobretudo marinhos, e correspondem à classe mais diversa
dos anelídeos. Esses animais possuem muitas cerdas (do grego
polys, muitos, e chaité, pelo longo, cerda) associadas a expan-
sões laterais que partem de cada segmento corporal, os pa-
rapódios, que podem auxiliar a locomoção dos poliquetos e,
devido à grande quantidade de vasos sanguíneos, atuar como
superfície de trocas gasosas (respiração branquial).
A região da cabeça é diferenciada e dotada de estruturas
sensoriais, como olhos, tentáculos, palpos etc. Há poliquetos
que se deslocam no ambiente, chamados de errantes, e exis-
tem também os poliquetos sésseis, denominados tubícolas,
que vivem em tubos construídos por eles mesmos.
Vojce/[Link]
Branchiomma luctuosum (mede até 10 cm de compri-
mento), um poliqueto tubícula.
Verme-de-fogo (Hermodice carunculata, mede cerca
de 30 cm de comprimento), um poliqueto errante.
Allexxandar/[Link]
Com relação à reprodução, a maioria dos poliquetos é
dioica, com fecundação externa e desenvolvimento indireto
devido à presença de larva trocófora. A presença da larva
trocófora é uma das características que marcam o próximo
parentesco evolutivo entre moluscos e anelídeos.
Moluscos
O filo Mollusca (do latim mollis, mole), com mais de

=========================================================================
=======
Questão 100

100 mil espécies viventes conhecidas, é o segundo filo mais


diversificado do reino animal, atrás apenas do filo dos artró-
podes. Os moluscos são animais de corpo mole, não segmen-
tado e, em certos casos, dotados de uma concha calcária.
A maioria é marinha e de vida livre, como o polvo e a lula,
mas existem muitas espécies de água doce (cerca de 8 mil),
como alguns caramujos, e terrestres (cerca de 28 mil), como
lesmas e caracóis. São triblásticos, celomados, protostômios
e exibem simetria bilateral. Os moluscos, além de terem sis-
temas nervoso, digestório e excretor – presentes também
nos platelmintos e nos nematódeos –, apresentam os siste-
mas circulatório e respiratório.

====PAGE 146====

AULA 4: Nematódeos, anelídeos e moluscos


Biologia • Frente 3

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Questão 648

648
Organização do corpo e fisiologia
O corpo de um molusco é tipicamente organizado em
três regiões: a cabeça, geralmente dotada de estruturas sen-
soriais, como tentáculos e olhos; o pé muscular, importante
para a locomoção; e a massa visceral, região em que se loca-
liza a maioria dos órgãos internos.
A concha é secretada pelo manto, uma dobra especiali-
zada do epitélio dorsal, que pode formar uma câmara cha-
mada cavidade do manto ou cavidade palial. Nessa cavidade,
podem ser encontradas as estruturas respiratórias, o ânus e
os poros excretores. Os moluscos têm tubo digestório com-
pleto e realizam digestão extracelular. Na massa visceral, é
encontrado o hepatopâncreas, ou glândula digestiva, que
desemboca no estômago responsável pela secreção de en-
zimas digestivas. Todos os moluscos apresentam sistema
circulatório, que pode ser aberto (como em gastrópodes e
bivalves) ou fechado (como em cefalópodes).
Em animais de circulação aberta, também chamada
de lacunar, um fluido denominado hemolinfa é bombea-
do pelo coração por meio de vasos até atingir cavidades
localizadas entre os órgãos. Nessas cavidades, chamadas
lacunas ou hemoceles, acontecem as trocas entre a hemo-
linfa e as células do corpo. A pressão e a velocidade da cir-
culação são relativamente baixas, o que explica, em parte,
o menor porte e a menor taxa metabólica de animais com
sistema circulatório aberto, em comparação com animais
de sistema circulatório fechado.
No sistema circulatório fechado, o fluido, denomina-
do sangue, está confinado no interior de vasos, que se in-
filtram nos órgãos, permitindo trocas com os tecidos. Na
circulação fechada, a pressão e a velocidade da circulação
são maiores em comparação à circulação aberta, o que
resulta em maior aporte de O2 e nutrientes às células. As-
sim, o porte e a taxa metabólica do organismo podem ser
maiores quando o animal tem circulação fechada.
Em certos moluscos, o fluido circulatório contém pro-
teínas chamadas pigmentos respiratórios, que aumentam
a quantidade de O2 transportada na circulação. Um exem-
plo é a hemocianina, pigmento azulado associado a áto-
mos de cobre encontrado nos cefalópodes.
Coração
Coração
Lacunas ou
hemoceles
Vasos de
menor calibre
Hemolinfa
circulante
Sangue
circulante
Representação
esquemática
comparativa
da circulação
aberta (A) e
da circulação
fechada (B).
As estruturas respiratórias variam de acordo com o hábitat
do animal. Nos moluscos terrestres, a cavidade do manto é bas-
tante vascularizada, úmida e permeável, e funciona como um pul-
mão rudimentar. Alguns moluscos terrestres, como determinadas
espécies de lesmas, realizam também a respiração cutânea. No
meio aquático, existem moluscos que têm respiração pulmonar e
outros que apresentam brânquias na cavidade do manto.
As estruturas especializadas na excreção são os meta-
nefrídios ou, simplesmente, nefrídios. Essas estruturas re-
colhem os resíduos metabólicos diretamente do celoma e
os eliminam por um poro excretor, geralmente localizado na
cavidade do manto.
O sistema nervoso dos moluscos é constituído de gânglios
cerebrais, localizados na região anterior, que se conectam por
meio de cordões nervosos a outros gânglios em outras regiões
do organismo, como o pé e a massa visceral. O sistema nervoso
é especialmente desenvolvido nos polvos e nas lulas.
Representação esquemática da organização corporal (em corte)
de um molusco, usando um caramujo aquático como modelo.
Nos moluscos terrestres, a cavidade do manto funciona como
um pulmão rudimentar.
Massa visceral

Cabeça
Metanefrídio
Ânus
Coração
Gânglios
cerebrais
Brânquia
Boca
Concha
Manto
Estômago
Glândula
digesƟva
Gônada
Gastrópodes
Lesmas, caracóis e caramujos pertencem ao táxon Gas-
tropoda. Podem apresentar uma concha única espiralada ou
não apresentar concha. Na boca desses moluscos existe uma
estrutura raspadora conhecida como rádula.
Lesma terrestre, molusco gastrópode desprovido de concha.
MMCez/[Link]
A
B
B

====PAGE 147====

AULA 4: Nematódeos, anelídeos e moluscos


Biologia • Frente 3

=========================================================================
=======
Questão 649

649
Boca
Rádula
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Amadeu Blasco/[Link]
Representação da rádula em detalhes. A rádula é formada de
dezenas de dentículos constituídos por quitina.
Em geral, os gastrópodes são monoicos (hermafroditas)
e realizam fecundação cruzada e interna. A troca de gametas
ocorre por meio do poro genital. Os gastrópodes terres-
tres apresentam desenvolvimento direto, enquanto os ma-
rinhos exibem majoritariamente desenvolvimento indireto,
com formação da larva trocófora.
Bivalves
Os bivalves, do táxon Bivalvia, antigamente chamados de
pelecípodes, são representados por ostras, mexilhões, maris-
cos e vieiras. A concha desses moluscos é composta de duas
peças (valvas) articuladas, que podem abrir e fechar. São ex-
clusivamente aquáticos, geralmente sedentários, a cabeça é
reduzida ou ausente, e a boca não tem rádula.
Os bivalves são animais filtradores e se alimentam principal-
mente de microalgas do fitoplâncton. A cavidade do manto dos
bivalves apresenta brânquias que atuam nas trocas gasosas e na
retenção de partículas alimentares que, posteriormente, são en-
caminhadas à boca. A água entra na cavidade do manto pelo sifão
inalante, passa sobre as brânquias, que retêm o alimento em sus-
pensão, e sai da cavidade pelo sifão exalante, levando fezes, excre-
tas e, eventualmente, gametas. Por serem filtradores, os bivalves
podem acumular poluentes do ambiente aquático e transmiti-los
ao restante da cadeia alimentar.
Em geral, os bivalves são dioicos e lançam seus gametas
na água. A fecundação pode ocorrer na água ou na cavidade
do manto da fêmea. Exibem desenvolvimento indireto, no qual
há a formação de uma larva ciliada, chamada de trocófora, que
nada ativamente e pode se desenvolver em outra forma larval,
chamada véliger, na qual há formação do pé e da concha.
produção é decorrente de um mecanismo de defesa do
bivalve: quando uma partícula estranha, como um grão
de areia, se instala entre a concha e o manto, o animal
mobiliza seu manto e envolve a partícula com camadas
de nácar (substância brilhante usada na produção da
concha), resultando na formação das pérolas.
Ostra com pérolas. Note que há algumas pérolas expostas e
outras ainda cobertas pelo manto.
Snow At Night/[Link]

Cefalópodes
Os animais do táxon Cephalopoda são moluscos aquá-
ticos, exclusivamente marinhos, predadores e bastante
ativos, podendo ou não apresentar concha. As lulas têm
concha reduzida e interna, enquanto os náutilos têm concha
externa. Já os polvos são cefalópodes desprovidos de con-
cha. O pé dos cefalópodes parte da cabeça e é modificado
em tentáculos com ventosas, que atuam na locomoção e na
captura de presas. Mesmo nos representantes sem concha,
a massa visceral dos cefalópodes é coberta pelo manto.
A locomoção ativa e rápida dos cefalópodes envolve
um mecanismo propulsor, por meio do qual a água que
entra na cavidade do manto é expulsa fortemente pelo si-
fão exalante.
No final do intestino, podem apresentar uma glândula
de tinta que libera um líquido escuro na água quando o ce-
falópode se sente ameaçado, despistando um possível pre-
dador. A boca é dotada de bico córneo, usado para morder
as presas, e de rádula, usada na raspagem da carne.
Os cefalópodes têm órgãos sensoriais e cérebro de-
senvolvidos, que conferem a eles capacidade de aprendi-
zagem e grande complexidade comportamental. Quanto à
reprodução, são animais dioicos; o macho deposita seus
espermatozoides na cavidade do manto da fêmea, onde a
fecundação em geral ocorre. Não são observados estágios
larvais; dessa forma, exibem desenvolvimento direto.
Saiba mais
Produção de pérolas
Algumas espécies de bivalves têm grande importân-
cia comercial por serem capazes de produzir pérolas. Essa

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AULA 4: Nematódeos, anelídeos e moluscos


Biologia • Frente 3

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Questão 650

650

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Questão 1

1 UEA-AM 2023 Os vermes são animais invertebrados classificados em


três filos diferentes: os platelmintos, os nematelmin-
tos e os anelídeos.
Apesar de o termo “verme” usualmente nos remeter a diversas enfermidades,
nem todas as espécies de vermes causam do-
enças, alguns desses animais são úteis à população humana, por exemplo:
A
na filtração de poluentes marinhos realizada por ostras e mariscos.
B
na produção de seda secretada por lagartas de mariposa.
C
na fixação do gás nitrogênio pelos microcrustáceos do zooplâncton.
D
na compostagem doméstica realizada pelas minhocas vermelhas.
E
na retenção de cálcio presente nos esqueletos dos corais.

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Questão 2
2 UEG-GO 2024 Leia e analise o recorte da história em quadrinhos a
seguir.
Compreende-se que a anisaquíase é
A
prevenida mediante o não consumo de produtos do mar, visto que a inspeção
visual de parasitas é um método ineficaz.
B
uma zoonose emergente por não ser viável a obtenção de produtos do mar,
principalmente para consumo cru, sem risco
à saúde.
C
de difícil profilaxia pela inexistência de um método diagnóstico
aplicável a seres humanos aparentemente saudáveis.
D
motivo de recente declínio na internacionalização da culinária baseada no
consumo de peixes crus ou malcozidos.
E
combatida por meio da popularização da culinária baseada no consumo de
produtos do mar crus ou malcozidos.

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=======
Questão 3

3 UEL-PR Leia o texto a seguir.


No Reino Animalia existe um grupo de organismos invertebrados, aquáticos
ou terrestres, com corpo coberto por cutícula, e
não metamerizados. Sobre os organismos desse grupo, assinale o que for
correto.

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Questão 1

01 Seus representantes não possuem cílios ou flagelos nas células.

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Questão 2

02 Possuem uma cavidade interna denominada celoma.

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=======
Questão 4

04 Possuem sistema digestório incompleto e sistema circulatório


fechado.

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=======
Questão 8

08 Apresentam três folhetos germinativos.


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=======
Questão 16

16 O crescimento das larvas é acompanhado por mudas da cutícula.


Soma:

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=======
Questão 4

4 Uerj 2017 Os moluscos são animais de corpo mole que, em sua


maioria, possuem sistema circulatório aberto e concha
calcária, movimentam-se lentamente e se restringem a ambientes aquáticos.
Entretanto, modificações nesse padrão são en-
contradas em cefalópodos, como as lulas, e em alguns gastrópodos, como o
caramujo, conforme se observa na tabela.
Moluscos
Hábitat
Preferência alimentar
Modificações
Cefalópodos
marinhos
peixes
• concha interna reduzida ou ausente
• sistema circulatório fechado
Gastrópodos
terrestres
vegetais
• desenvolvimento sem passagem pela etapa de larva
• maior produção de muco
Indique uma contribuição de cada uma das modificações apresentadas na
última coluna da tabela, para que os respectivos
grupos de moluscos sobrevivam em seus ambientes.

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AULA 4: Nematódeos, anelídeos e moluscos


Biologia • Frente 3

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Questão 651

651

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Questão 5

5 UEPG-PR 2023 O filo Annelida (anelídeos) tem como representantes


as minhocas e as sanguessugas. Com relação a esse
filo, assinale o que for correto.

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=======
Questão 1

01 Os anelídeos apresentam o corpo dividido em segmentos, condição


denominada metameria.

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Questão 2

02 Nas minhocas, a excreção é realizada por um par de nefrídios


(metanefrídios), que se repete ao longo de cada segmento do corpo.

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Questão 4

04 Minhocas apresentam sistema circulatório fechado.

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=======
Questão 8

08 As minhocas pertencem à classe Oligochaeta.

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=======
Questão 16

16 As sanguessugas são normalmente marinhas e pertencem à classe


Polychaeta.
Soma:

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Questão 6

6 Unicamp-SP 2019 Organismos vivos são classificados em grupos


taxonômicos, que devem preferencialmente refletir as
relações de parentesco evolutivo entre as espécies.
a) A tabela apresentada abaixo contém características presentes em
anelídeos, platelmintos e moluscos. Preencha correta-
mente todos os espaços em cinza na tabela, referentes às características
listadas na primeira coluna, de acordo com as
opções indicadas na segunda coluna. Atenção: há duas colunas denominadas
X e Y; uma representa moluscos e a outra
representa platelmintos.
Característica
Opções
X
Anelídeos
Y
Celoma
Acelomados, pseudocelomados
ou celomados
Celomados
Acelomados
Simetria
Radia, pentarradial
ou bilateral
Bilateral
Bilateral
Larva
Trocófora
Trocófora
Tipo varia com
a espécie
Sistema circulatório
Ausente ou presente
Presente
Sistema digestório
Incompleto ou completo
(com boca e ânus)
Completo
(com boca e ânus)
Incompleto
Carapaça calcária
Ausente ou presente
Presente
(algumas espécies)
Ausente
Ausente
Eixo ântero-posterior
Indefinido, definido
ou variável
Variável
Definido
Segmentação
Ausente ou presente
Ausente
Ausente
Exemplo de organismo
(nome comum)
b) Um dos critérios para a construção do diagrama ao lado é o número
de característi-
cas compartilhadas entre pares de grupos taxonômicos. Preencha os
retângulos em
branco do diagrama com o nome de um dos dois grupos – moluscos ou
platelmintos.
Utilize as linhas em branco para explicar o que representa esse tipo de
diagrama.
Anelídeos

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=======
Questão 1

1 UFT-TO 2023 Os animais invertebrados são organismos


eucariotos, muito diversos e apresentam adaptação aos
diferentes habitats. Assinale a alternativa CORRETA de
acordo com as características dos moluscos.
A
A rádula é uma língua denteada na cavidade bucal de
muitos moluscos.
B
A digestão dos alimentos é intracelular e acontece por
fagocitose por meio dos coanócitos.
C
Possuem dois folhetos embrionários, o ectoderma e
o endoderma
D
Não apresentam sistema cardiovascular e a cavidade di-
gestória é ramificada.

====PAGE 150====

AULA 4: Nematódeos, anelídeos e moluscos


Biologia • Frente 3

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Questão 652

652

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Questão 2

2 OBB 2021 Leia o texto abaixo e responda a questão


O isolamento social continua sendo uma das principais
recomendações dos especialistas de saúde para a prevenção
ao coronavírus. Entretanto, ficar em casa, sem poder seguir a
rotina habitual, não é uma tarefa fácil, causando em alguns
casos sintomas de estresse, ansiedade e depressão. Uma for-
ma de lidar com esses impactos é realizar atividades que cau-
sem relaxamento e ajudem a mente descansar. Uma opção
que tem ganhado bastante adeptos é a jardinagem. É o caso
da fisioterapeuta Thais Vignola, que há quatro meses passou
a dedicar-se a esse hobby. Ela conta que por ser asmática e
fazer parte do grupo de risco, tem cumprido o isolamento so-
cial rigorosamente. “Minha família mora em outro Estado e
o fato de estar longe, aliado ao medo que todos têm em rela-
ção a essa doença, aumenta a angústia”, destacou.
Fonte: [Link]
isolamento-social-em-tempos-de-pandemia/.
Uma das formas de garantir que os vasos de plantas se man-
tenham sempre férteis é a construção de uma composteira ca-
seira. Observe o esquema abaixo que descreve seu mecanismo:
Composteiras podem contribuir com a diminuição da produ-
ção de lixo residencial bem como garantir a produção de um
composto eficaz à fertilização de jardins. Diversas espécies de
minhocas podem ser usadas em composteiras.
Do ponto de vista zoológico minhocas são anelídeos e por
isso apresentam como características:
A
metameria e circulação fechada.
B
metameria e circulação aberta.
C
tubo digestivo incompleto e circulação fechada.
D
tubo digestivo incompleto e circulação aberta.
E
tubo digestivo incompleto e metameria.

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Questão 3

3 UEPG-PR 2018 Os anelídeos são animais que pertencem


à linhagem dos celomados com metameria. A segmentação
do corpo é a característica que deu nome ao filo Annelida.
Sobre esse grupo, assinale o que for correto.

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Questão 1

01 Os anelídeos têm sistema digestório com boca e ânus e


sistema excretor formado por metanefrídios. O sistema
circulatório é do tipo fechado e a respiração pode ser
cutânea ou ocorrer por meio de projeções especiais do
corpo que formam brânquias modificadas.

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=======
Questão 2

02 As minhocas e as sanguessugas são exemplos de re-


presentantes do grupo. Apresentam clitelo, uma estru-
tura relacionada com a reprodução sexuada presente
nestes animais.

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=======
Questão 4

04 Todos os representantes do grupo são hermafroditas,


apresentam fecundação externa e desenvolvimento em-
brionário indireto, com fase larval dependente de am-
biente aquático.
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=======
Questão 8

08 Os representantes do grupo apresentam sistema ner-


voso bem desenvolvido, com gânglios concentrados
apenas na região cefálica do corpo, onde podemos en-
contrar também um par de olhos bem desenvolvidos.
Soma:

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Questão 4

4 Uema 2024 Molusco é fonte de alimento e de renda nos


vilarejos de Travosa, no extremo norte do Parque dos Lençóis
Maranhenses. As marisqueiras ficam animadas com a comer-
cialização dos sarnambis, já que a temporada dos mariscos
é de grande valia no Maranhão. Os mariscos normalmen-
te são extraídos pelas mulheres, que ajudam no sustento
das famílias. A rotina árdua e longa depende da variação das
marés e, quando elas vazam, revelam-se os bancos de sar-
nambis que estavam submersos. A maioria das mulheres
ajuda no sustento da família, revirando a lama, à beira dos
igarapés, em busca dos mariscos. O manguezal em Travosa
é como se fosse um armazém natural, com imensos esto-
ques de sarnambi.
[Link]
animadas-com-a-temporada-de-sarnambis-e-esperam-
[Link].
Analise as três afirmativas que tratam, de forma geral, sobre
os moluscos.
I.
O sarnambi é um molusco bivalve, de corpo achatado la-
teralmente, assim como as ostras.
II. Os gastrópodes diferem dos bivalves por apresentarem,
apenas, uma concha.
III. As brânquias dos bivalves são ciliadas e responsáveis
pela circulação da água.
Está correto o que se afirma em
A
Apenas I.
B
Apenas I e II.
C
I, II e III.
D
Apenas II e III.
E
Apenas III.

====PAGE 151====
As parasitoses helmínticas são infecções causadas por vermes que
geralmente vivem no intestino. Esses vermes podem
ser de diferentes tipos, como lombrigas, ancilostomídeos, tricurídeos e
tênias. Esses parasitas entram no nosso corpo de
várias maneiras, como por meio de alimentos e água contaminados ou até
mesmo pelo contato com solo infectado. Uma
vez dentro do corpo, eles podem causar uma série de sintomas, desde dores
abdominais e diarreia até anemia e desnutrição
As parasitoses helmínticas são um problema de saúde pública, mas com
cuidados simples e tratamento adequado, é
possível evitá-las e tratá-las de forma eficaz.
Verminoses
C3 | H12
C4 | H14
C8 | H30
AULA

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=======
Questão 5

5
Biologia • Frente 3

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Questão 653

653
Verminoses causadas por platelmintos
As doenças causadas por vermes são denominadas verminoses. No Brasil,
elas têm grande importância, por atingirem uma
parcela considerável da população. Dados de 2018 dão conta de que,
naquele ano, 36% da população era afetada por vermi-
noses. Entre as crianças, esse número era de 55%.
Teníase
Os agentes etiológicos da teníase são a Taenia solium e a Taenia
saginata. Os adultos das tênias vivem, sobretudo, no
intestino de vertebrados, como os seres humanos. As tênias são
popularmente denominadas solitárias, uma vez que, normal-
mente, é observado apenas um indivíduo no intestino da pessoa infectada,
pois uma tênia pode liberar substâncias que inibem
o desenvolvimento de outros indivíduos.
Nesses vermes, a região anterior do corpo, chamada de escólex, tem
ventosas que o parasita usa para se prender à parede intes-
tinal do hospedeiro. Além de ventosas, a T. solium apresenta fileiras de
ganchos, que também contribuem com a fixação do parasita
no hospedeiro. Após o escólex, encontra-se o colo, região muito ativa
responsável pela formação de unidades chamadas proglótides
ou proglotes. O surgimento das proglótides ocorre por meio de uma forma
de reprodução assexuada chamada estrobilização.
As proglótides recém-formadas são pequenas e imaturas. Com o
desenvolvimento dessas unidades, seu tamanho aumen-
ta e as estruturas reprodutoras, tanto masculinas quanto femininas,
amadurecem, originando proglótides maduras. Dessa for-
ma, as tênias são monoicas. A reprodução ocorre por autofecundação e as
unidades repletas de ovos embrionados (o embrião
das tênias é conhecido como hexacanto) são chamadas de proglótides
grávidas. As proglótides com ovos se desprendem do
corpo da tênia e são eliminadas para o ambiente junto com as fezes do
indivíduo contaminado. Por dia, uma tênia pode liberar
até dez proglótides, cada uma contendo cerca de 80 mil ovos.
Escólex
Ganchos
Autofecundação nas
proglótides maduras
Proglótides
grávidas
Proglótides
imaturas
Ventosas
Taenia saginata
Taenia solium
Colo
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Representação esquemática da
organização corporal das tênias.
No ambiente, os ovos embrionados podem ser ingeridos pelos hospedeiros
intermediários (abrigam a forma larval do parasita)
das tênias. No ciclo da teníase, os suínos são os hospedeiros
intermediários da T. solium e os bovinos são os hospedeiros interme-
diários da T. saginata, enquanto o ser humano é o hospedeiro definitivo
(onde ocorre a reprodução sexuada do parasita) de ambas

====PAGE 152====

AULA 5: Verminoses
Biologia • Frente 3

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Questão 654

654
as espécies. Por apresentarem hospedeiros de espécies diferentes em seu
ciclo de vida, as tênias são parasitas heteroxênicos. Esses
vermes são desprovidos de sistema digestório e absorvem nutrientes de
seus hospedeiros diretamente pela superfície corporal.
No intestino do hospedeiro intermediário, a larva oncosfera é liberada
dos ovos ingeridos, perfura a parede intestinal,
atinge a circulação sanguínea e se aloja em tecidos bastante oxigenados,
sobretudo tecidos musculares, onde se desenvolve
em larva cisticerco, popularmente conhecida como “canjiquinha” por causa
de seu aspecto esférico e esbranquiçado.
A transmissão da teníase à espécie humana ocorre por meio da ingestão de
carne de boi ou de porco crua ou malcozida e
contaminada com cisticercos ativos. Uma vez no intestino delgado, o
cisticerco libera o escólex, que se fixa na parede intestinal,
dando início ao desenvolvimento do novo verme.
Representação esquemática do ci-
clo da teníase causada pela Taenia
solium. No ciclo da teníase causada
pela Taenia saginata, o hospedeiro
intermediário é um bovino.
Hospedeiro
intermediário
(porco)
Hospedeiro
definitivo
(ser humano)
Cisticercos na
musculatura
Ingestão de carne contaminada
por cisticercos
Tênia adulta
Cisticerco everte
o escólex e inicia
a formação de
uma nova tênia
Ingestão
de alimento
contaminado por
ovos de tênia
Ovo liberado
pela proglótide
Proglótide grávida
liberada com
as fezes
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Existem casos de teníase nos quais nenhum sintoma é
apresentado pelo indivíduo infectado, porém existem situa-
ções nas quais a pessoa pode ter dores abdominais, náuseas,
diarreia, perda de peso, aumento do apetite, fraqueza, defi-
ciências nutricionais e insônia.
A profilaxia da teníase é feita por meio das seguintes
medidas: saneamento básico, tratamentos dos doentes, co-
zimento adequado das carnes bovina e suína (o cozimento
adequado mata os cisticercos), inspeção sanitária em frigo-
ríficos e açougues e cuidados com a alimentação fornecida a
bovinos e suínos.
Cisticercose
A cisticercose acomete o ser humano quando ovos pro-
duzidos pela Taenia solium são ingeridos por um indivíduo
e as larvas cisticerco se instalam nos tecidos do organismo.
Nessa doença, a espécie humana atua como hospedeiro in-
termediário acidental da T. solium, uma vez que a tendência
é de que o ciclo do verme seja interrompido. Os ovos podem
ser ingeridos por meio do consumo de água ou de alimentos
contaminados. É comum ocorrer autoinfestação em pesso-
as contaminadas com a T. solium.
Os sintomas apresentados dependem do tecido no qual
os cisticercos se instalaram. Caso as larvas se instalem em te-
cidos musculares, podem surgir dores nos músculos. O cisti-
cerco pode se instalar no músculo cardíaco, causando lesões
no coração. Olhos também podem ser afetados, podendo
resultar em cegueira. O caso mais grave é chamado de neu-
rocisticercose, no qual os cisticercos se alojam em estruturas
do sistema nervoso central, como o cérebro, resultando em
dores de cabeça, desmaios e convulsões.
As medidas profiláticas que devem ser adotadas para evi-
tarmos a transmissão da cisticercose humana são: saneamen-
to básico, tratamento das pessoas infectadas pela T. solium,
higiene pessoal, higiene alimentar e consumo de água tratada.
Esquistossomíase
A esquistossomíase, ou esquistossomose, conhecida popu-
larmente como barriga d’água, é causada pelo verme platelmin-
to Schistosoma mansoni. Como visto anteriormente, trata-se de
uma espécie dioica com dimorfismo sexual. O macho apresenta o
canal ginecóforo, no qual a fêmea se aloja durante a reprodução.
No ciclo da esquistossomíase, a espécie humana atua
como hospedeiro definitivo do S. mansoni. Os esquistossomos
adultos alojam-se, sobretudo, no sistema porta-hepático (va-
sos sanguíneos localizados entre fígado e intestino), causan-
do náuseas, vômitos, diarreias, lesões no fígado, hemorragias
intestinais e, principalmente, acúmulo de líquido na cavidade
abdominal (ascite). Desse sintoma decorre o nome popular da
doença, barriga-d’água.
O acasalamento no sistema porta-hepático resulta na for-
mação de ovos que a fêmea deposita em vasos sanguíneos. Es-
ses vasos rompem e os ovos atingem a cavidade intestinal e são
eliminados para o ambiente por meio das fezes. Uma fêmea do
verme pode produzir em torno de 300 ovos por dia.
Os ovos do esquistossomo eclodem ao atingir o meio aquá-
tico, liberando uma larva ciliada chamada miracídio. Essa larva
infecta o hospedeiro intermediário do esquistossomo, um ca-
ramujo de água doce, pertencente à família dos planorbídeos
e ao gênero Biomphalaria. No caramujo, a larva miracídio, por
meio de reprodução assexuada, origina um tipo de larva dotada
de cauda, a cercária. Uma única larva miracídio pode gerar em

====PAGE 153====

AULA 5: Verminoses
Biologia • Frente 3
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Questão 655

655
torno de 200 mil cercárias. Essas larvas deixam o caramujo e nadam até
entrarem em contato com uma pessoa, penetrando-a ativa-
mente pela pele ou por mucosas, resultando em intensa coceira.
Popularmente, os corpos de água conhecidos por possuírem grande
quantidade de cercárias são chamados de “lagoas de coceira”.
Representação esquemática do ciclo do Schistosoma mansoni. Por apresentar
hospedeiros
de espécies diferentes em seu ciclo de vida, os esquistossomos são
parasitas heteroxênicos.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Hospedeiro
definitivo
(ser humano)
Fezes contaminadas
Hospedeiro intermediário
(caramujo planorbídeo)
Larvas
cercárias
Penetração ativa
na pele humana,
provocando coceira
Larva ciliada
(miracídio)
Ovos na água
Ovos lançados
no intestino
Reprodução no sistema
porta-hepático
No organismo humano, as cercárias perdem a cauda, originam vermes jovens
que migram para o sistema porta-hepáti-
co e se desenvolvem em indivíduos adultos, completando o ciclo.
A profilaxia adotada para a esquistossomíase consiste, principalmente, no
tratamento das pessoas contaminadas, sanea-
mento básico, controle da população do hospedeiro intermediário e não
nadar em águas suspeitas.
Saiba mais
Ao longo da evolução, características que favorecem a vida parasitária
foram selecionadas nos parasitas. Os esquistos-
somos, por exemplo, contêm proteínas semelhantes às presentes no
hospedeiro. Assim, evitam seu reconhecimento pelos
sistemas de defesa dos seres humanos e dos caramujos. Os esquistossomos
também liberam substâncias que manipulam
as defesas dos hospedeiros, estratégia que permite a sobrevivência dos
vermes no corpo humano por mais de 40 anos.
Verminoses causadas por nematódeos
Ascaridíase
Os seres humanos são hospedeiros de pelo menos 50 espécies de nematódeos
parasitas. Entre essas espécies, o agente
etiológico da ascaridíase, pertencente à espécie Ascaris lumbricoides
(lombriga), é aquele que acomete o maior número de
pessoas. As estimativas indicam que por volta de um bilhão de pessoas ao
redor do mundo sejam afetadas por esse verme.
Nos humanos, as lombrigas adultas alojam-se no intestino delgado, onde
ocorre a reprodução. Uma fêmea coloca até
mil ovos por dia, que são lançados no ambiente por meio das fezes da
pessoa doente. Os ovos podem contaminar água, solo,
alimentos, mãos e utensílios. O Ascaris lumbricoides tem apenas o ser
humano como hospedeiro ao longo do seu ciclo de vida.
Portanto, é um parasita monoxênico.
A transmissão ocorre por meio da ingestão dos ovos do verme, sobretudo
por meio do consumo de água e de alimentos conta-
minados. É comum acontecer a autoinfestação, quando uma pessoa infectada
ingere ovos produzidos pelas lombrigas que habitam o
próprio intestino. No tubo digestório, a casca do ovo é digerida e uma
larva é liberada. As larvas perfuram a parede intestinal, chegam
à circulação sanguínea e então passam pelo fígado e pelo coração, até que
atingem os pulmões. Após alguns dias, elas rompem os
alvéolos e percorrem, então, bronquíolos, brônquios, traqueia, laringe e
chegam à faringe, onde são deglutidas. Todo esse processo é
importante para a maturação das larvas, que, quando alcançam o intestino
delgado, se desenvolvem em vermes adultos. Por conta
da passagem das larvas da lombriga pelo coração e pelo pulmão, seu ciclo
pode ser chamado de ciclo cardiopulmonar.

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AULA 5: Verminoses
Biologia • Frente 3

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Questão 656

656
Ascaris lumbricoides
adultos no
intestino delgado
Fezes
Larvas liberadas no
intestino delgado que
perfuram a parede
intestinal, atingindo
o sangue.
No ambiente,
os ovos fertilizados, sob
condições adequadas
(ambiente úmido,
quente e sombreado),
tornam-se embrionados.
Larvas migram
até os pulmões.
Deglutição dos ovos
embrionados
Representação esquemática do ci-
clo de vida do Ascaris lumbricoides,
verme causador da ascaridíase.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Em decorrência da passagem das larvas pelo sistema
respiratório, a pessoa contaminada pode apresentar tosse,
expectoração com larvas, pneumonia larval, bronquite, le-
sões pulmonares e asfixia. A presença da lombriga adulta no
intestino delgado pode resultar em sintomas como dor ab-
dominal, diarreia, náusea, vômito, deficiências nutricionais e,
em casos mais graves, obstrução intestinal em razão da gran-
de quantidade de indivíduos parasitando o órgão. Apesar dos
sintomas apresentados, existem muitos casos nos quais a
ascaridíase é assintomática.
As medidas profiláticas para a ascaridíase envolvem sa-
neamento básico, tratamento dos doentes, higiene pessoal e
alimentar e consumo de água tratada.
Ancilostomíase
Duas espécies de nematódeos podem atuar como agen-
tes etiológicos da ancilostomose: Ancylostoma duodenale e
Necator americanus. Essa verminose também é conhecida
como ancilostomose, amarelão, mal da terra, opilação ou do-
ença do Jeca Tatu; quando causada pelo Necator americanus,
pode ser chamada de necatoríase.
Os agentes causadores da ancilostomose têm apenas o
ser humano como hospedeiro ao longo do seu ciclo de vida,
portanto são parasitas monoxênicos. No corpo humano, os
vermes adultos habitam o intestino delgado, provocando le-
sões na parede intestinal e, consequentemente, hemorragias.
Esses parasitas são hematófagos e se alimentam do sangue de
seu hospedeiro. A boca desses animais está adaptada à hema-
tofagia, uma vez que apresenta estruturas (dentes ou placas)
usadas na fixação à parede intestinal e na retirada de sangue.
O acasalamento acontece no intestino delgado da pes-
soa contaminada e os ovos colocados pela fêmea são lan-
çados no ambiente por meio das fezes. Os ovos eclodem, e
as larvas são liberadas no solo. Em condições favoráveis, as
larvas podem permanecer até um mês no ambiente. Quando
entram em contato com um hospedeiro, as larvas o pene-
tram ativamente através da pele, mais frequentemente pela
sola dos pés.
Elas são levadas pela corrente sanguínea ao coração e
depois aos pulmões, onde rompem os alvéolos, chegam aos
brônquios, passam pela traqueia, atingem a laringe, chegam.
à faringe e são deglutidas. Ao chegarem ao intestino delgado,
desenvolvem-se em vermes adultos. Esse ciclo, assim como o
ciclo da espécie Ascaris lumbricoides, também pode ser cha-
mado de cardiopulmonar.
No intestino delgado,
as larvas se desenvolvem
em indivíduos adultos.
Ovo eliminado
nas fezes
Eclosão
Pela circulação
sanguínea, as larvas
chegam ao coração e
depois aos pulmões, onde
rompem os alvéolos.
As larvas são deglutidas
ao chegar à faringe.
Larva
no
solo
Penetração da larva
através da pele
CORES FANTASIA
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO

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AULA 5: Verminoses
Biologia • Frente 3

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Questão 657

657
A ancilostomíase, assim como a ascaridíase, pode resul-
tar em problemas respiratórios em decorrência da passagem
das larvas pelos pulmões. Pelo fato de os vermes adultos vi-
verem no intestino delgado, podem também ocorrer sintomas
intestinais, como dor abdominal, náusea e vômito. Por causa
do hábito hematófago dos agentes causadores, a ancilostomo-
se pode levar ao surgimento de sintomas mais característicos,
como diarreia sanguinolenta, anemia, fraqueza e palidez.
A profilaxia para a ancilostomíase consiste, basicamente,
no tratamento dos doentes, no saneamento básico e na
proteção da pele, principalmente na região dos pés por
meio do uso de calçados.
Filaríase
Também chamada filariose ou, em estágios mais avan-
çados, de elefantíase, essa verminose tem como agente
etiológico o nematódeo da espécie Wuchereria bancrofti,
conhecido como filária. O macho adulto atinge até 4 cm de
comprimento enquanto a fêmea adulta mede até 10 cm
de comprimento. Apesar dessas medidas, ambos são bastan-
te delgados, tendo entre 0,24 mm e 0,30 mm de diâmetro.
Os vermes adultos (filárias) alojam-se nos vasos linfáticos
dos braços, das mamas, da bolsa escrotal e, sobretudo, das
pernas. A presença de filárias leva à obstrução dos vasos lin-
fáticos, o que prejudica o recolhimento do excesso de fluido
intersticial e a circulação da linfa, provocando edema (incha-
ço) da região afetada.
A reprodução sexuada das filárias ocorre no interior dos
vasos linfáticos e resulta na formação de ovos que, quando
eclodem, liberam as microfilárias, formas com aproximada-
mente, 0,25 milímetro de comprimento. As microfilárias pas-
sam para a circulação sanguínea e podem ser sugadas pelas
fêmeas hematófagas do mosquito pertencente ao gênero
Culex. No ciclo da Wuchereria bancrofti, o ser humano é o hos-
pedeiro definitivo e o mosquito é o hospedeiro intermediário.
Por apresentar hospedeiros de espécies distintas em seu
ciclo de vida, Wuchereria bancrofti é um parasita heteroxê-
nico. No organismo do mosquito, as microfilárias originam
larvas infectantes que são transmitidas ao ser humano por
meio da picada do inseto. No corpo humano, as larvas mi-
gram para os vasos linfáticos e se desenvolvem em adultos.
A profilaxia para a filariose envolve o tratamento dos in-
fectados, o combate ao mosquito transmissor, o uso de repe-
lentes e de mosquiteiros, a instalação de telas em janelas e
o controle do desmatamento. O tratamento dos doentes no
início da infecção previne o surgimento de lesões mais graves
e, até mesmo, de possíveis amputações.
Oxiuríase
O agente etiológico dessa doença, também chamada
de enterobíase ou enterobiose, é o nematódeo da espécie
Enterobius vermicularis. As fêmeas adultas atingem aproxi-
madamente 1 cm de comprimento, e os machos, cerca de

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Questão 0

0,5 cm. Os vermes adultos alojam-se principalmente no in-


testino grosso do ser humano. Como a espécie humana é o
único hospedeiro desse parasita, o Enterobius vermicularis é
classificado como um parasita monoxênico.
Após o acasalamento com os machos, as fêmeas migram
para o reto, passam pelo ânus e a postura do sovos é feita
nessa região. Em decorrência disso, o principal sintoma da
enterobiose é o prurido (coceira) anal. Coceiras mais inten-
sas acontecem no período noturno, prejudicando o sono da
pessoa infectada e causando irritabilidade. No sexo feminino,
pode ocorrer prurido e corrimento vaginal, pois as fêmeas do
oxiúro podem atingir estruturas do sistema urogenital femi-
nino, como a vagina e a bexiga urinária.
A transmissão ocorre por meio da ingestão de alimen-
tos e água contaminados com ovos do verme. É bastante co-
mum, especialmente em crianças, a autoinfestação, quando
uma pessoa infectada coça a região anal e perianal e, poste-
riormente, leva a mão contaminada com ovos até alimentos
que serão consumidos ou, até mesmo, diretamente à boca.
Uma vez ingeridos, os ovos eclodem no intestino delgado e
liberam as larvas, que chegam ao intestino grosso, desenvol-
vendo-se em indivíduos adultos.
As medidas profiláticas da enterobiose envolvem o tra-
tamento dos doentes e de seus familiares, saneamento bási-
co, higiene pessoal e alimentar, consumo de água tratada e
limpeza cuidadosa das roupas de cama, de banho e íntimas
usadas por pessoas contaminadas.
Bicho-geográfico, ou larva migrans
Existem duas espécies de nematódeos que atuam
como agentes etiológicos dessa parasitose: o Ancylostoma
-braziliensis e o Ancylostoma caninum. Os adultos desses ver-
mes parasitam o intestino de cães e de gatos, e os animais in-
fectados eliminam ovos do parasita nas suas fezes. No solo,
acontece a eclosão dos ovos e as larvas são liberadas. Para que
adultos sejam formados a partir dessas larvas, elas devem pe-
netrar a pele de um cão ou de um gato e atingir o intestino.
Nesse processo, é possível ocorrer um erro de percurso, uma
vez que as larvas podem penetrar a pele do organismo huma-
no e começar a se deslocar pelo tecido subcutâneo, resultan-
do em intensa coceira e lesões que deixam marcas similares
a mapas, chamadas de lesões serpiginosas. Nesse contexto, a
espécie humana é um hospedeiro acidental desses vermes e
o ciclo de vida da espécie não se completa.
As medidas profiláticas para o bicho-geográfico são: tra-
tamento de cães e gatos com vermífugos, evitar que cães e
gatos acessem a areia de parques e praias, descartar adequa-
damente os dejetos desses animais e usar calçados.

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AULA 5: Verminoses
Biologia • Frente 3

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Questão 658

658

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Questão 1

1 Famerp -SP 2022 A Taenia solium, o Ascaris lumbricoides


e o Ancylostoma duodenale são algumas espécies de hel-
mintos parasitas que provocam doenças nos seres humanos.
Esses animais helmintos apresentam adaptações ao parasi-
tismo, dentre elas,
A
autofecundação.
B
cobertura dérmica impermeável.
C
ausência de substâncias antigênicas.
D
ausência de um tubo digestório.
E
alta produção de ovos.

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Questão 2

2 FICSAE- SP 2020 Tênia ou solitária são nomes populares


dos vermes parasitas do gênero Taenia. A Taenia solium,
adquirida quando uma pessoa ingere carne de porco com
cisticercos crua ou malcozida, pode atingir até 5 metros de
comprimento no intestino humano. Como normalmente só
há um exemplar adulto no intestino, é chamada de solitária.
Sobre a Taenia solium, é correto afirmar que se reproduzem
de forma
A
sexuada, podem ser machos ou fêmeas e quando ambos
parasitam um mesmo hospedeiro realizam reprodução
cruzada, originando ovos com variabilidade genética.
B
assexuada, são sempre fêmeas e geram, por fragmenta-
ção, indivíduos geneticamente idênticos entre si.
C
assexuada, são hermafroditas e realizam autofecunda-
ção, razão de seus ovos serem geneticamente iguais.
D
assexuada, são sempre fêmeas e produzem ovos
diploides, por partenogênese, entre os quais não há va-
riabilidade genética.
E
sexuada, são hermafroditas, realizam autofecundação e
entre seus ovos há variabilidade genética.

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Questão 3

3 FGV-SP 2019 Determinados materiais didáticos citam o


caramujo planorbídeo, Biomphalaria glabrata, como o trans-
missor da esquistossomose, doença conhecida popularmente
como barriga d’água. Trata-se de uma imprecisão conceitual,
uma vez que, no ciclo dessa parasitose, o caramujo atua como
A
hospedeiro definitivo, assim como o ser humano, uma
vez que ambos são contaminados pelo platelminto.
B
vetor do parasita, tendo em vista que, em seu interior,
ocorre reprodução sexuada do nematelminto.
C
hospedeiro intermediário, pois, em seu interior, ocorre a
multiplicação das formas infestantes do verme.
D
agente etiológico, no qual o combate eficiente consiste
em uma importante medida profilática.
E
hospedeiro definitivo ou intermediário, dependendo do
nível da contaminação com relação ao protozoário.

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Questão 4

4 Enem PPL 2016


Almanaque do Biotônico, 1935. Disponível em: [Link].
Acesso em: 22 abr. 2011 (adaptado).
O rótulo do produto descreve características de uma doença
que pode ser prevenida com o(a)
A
uso de calçados.
B
aplicação de inseticida.
C
utilização de mosquiteiros.
D
eliminação de água parada.
E
substituição de casas de barro por de alvenaria.

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Questão 5

5 FCMSCSP 2019 Na figura, um verme realiza o seu ciclo de


vida tendo animais de diferentes espécies como hospedei-
ros, que são afetados em diferentes órgãos.
Larva rabditoide
Ovos nas fezes
Vermes adultos
Larva filarioide
([Link] Adaptado.)
Quando o hospedeiro é o homem, o órgão afetado pelo verme é
A
a pele.
B
o coração.
C
o cérebro.
D
o intestino delgado.
E
o fígado.
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AULA 5: Verminoses
Biologia • Frente 3

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Questão 659

659

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Questão 6

6 UEPG--PR 2020 Na figura abaixo estão representadas diferen-


tes espécies de parasitos pertencentes aos filos Platyhelminthes e
Nematelminthes. Sobre essas espécies, assinale o que for correto.
Ventosas
Ganchos
Ventosas
Boca
Dentes

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Questão 1

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Questão 2

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Questão 3

3
Adaptado de: AMABIS, José Mariano; MARTHO, Gilberto Rodrigues. Biologia
dos organismos. 2 a ed. Volume 2. Editora Moderna: São Paulo, 2004.

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Questão 1

01 Taenia solium, T. saginata e Ancylostoma duodenale são


as espécies de Platyhelminthes e Nematelminthes repre-
sentadas pelos respectivos números 1, 2 e 3.
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Questão 2

02 As espécies representadas pelos números 1 e 2 são co-


nhecidas popularmente como solitárias. Ambas causam
a teníase; mas apenas a espécie representada pelo nú-
mero 1 causa a cisticercose.

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Questão 4

04 São consideradas medidas de prevenção contra as res-


pectivas espécies de parasitos: cozinhar bem a carne suí-
na e bovina, ferver bem o leite, realizar higiene pessoal e
alimentar, saneamento básico e andar descalço.

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Questão 8

08 Ancylostoma duodenale, representado pelo número 3, são


vermes cilíndricos com estruturas cortantes na região da
boca, utilizadas para perfurar a mucosa intestinal do ho-
mem. A infecção por essa espécie resulta na ancilostomose,
conhecida popularmente como “opilação” ou “amarelão”.

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Questão 16

16 Adquire-se a teníase após a ingestão de carne suína ou bovi-


na, crua ou malpassada, contaminada com os cisticercos. Já
a cisticercose pode ser adquirida pela ingestão de água ou
alimentos contaminados com os ovos da espécie T. solium.
Soma:

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Questão 1

1 UEA-AM 2023 Uma criança eliminou nas fezes alguns or-


ganismos cujo corpo era cilíndrico e alongado e apresentava
boca e ânus. Tais organismos são considerados triblásticos
e pseudocelomados.
Os organismos liberados nas fezes da criança pertencem ao
grupo dos
A
poríferos.
B
cnidários.
C
equinodermos.
D
protocordados.
E
nematódeos.

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Questão 699

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Questão 2

2 CPS-SP 2018 As verminoses são doenças causadas por


vermes parasitas que se instalam no organismo do hospe-
deiro. Uma dessas verminoses que afeta milhões de pessoas
em todo o mundo caracteriza-se pelo fato de os vermes, no
estágio de larvas, penetrarem através da pele, geralmen-
te quando caminhamos descalços em solos contaminados.
Dentro do ser humano, os vermes ficam adultos e se fixam à
mucosa do intestino delgado. Com suas placas dentárias cor-
tantes, rasgam as paredes intestinais e sugam sangue, provo-
cando hemorragias, anemia, fraqueza, tonturas, desânimo e
dores musculares no hospedeiro.
A doença parasitária descrita é conhecida como
A
doença de Chagas.
B
esquistossomose.
C
leptospirose.
D
amarelão.
E
teníase.

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Questão 701

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Questão 3

3 Unifesp 2022 Em 1866, o médico Otto Edward Henry


-Wucherer (1820--1873), nascido em Portugal e formado na
Alemanha, descobriu numerosas microfilárias do parasito
hoje conhecido como Wuchereria bancrofti em pacientes com
hematúria e quilúria na Bahia, nordeste do Brasil. O parasito
é amplamente distribuído na África subsaariana e, até recen-
temente, encontrado também em focos urbanos no Brasil, es-
pecialmente na costa do Nordeste. O tratamento da doença
causada pelo W. bancrofti geralmente é feito com alguns anti-
helmínticos e, também, com alguns antibióticos.
(Marcelo Urbano Ferreira. Parasitologia contemporânea, 2021. Adaptado.)
a) Qual é o hospedeiro definitivo do W. bancrofti? Na na-
tureza, qual a principal forma de transmissão da doença
causada pelo W. bancrofti aos seres humanos?
b) Os antibióticos têm a função de eliminar alguns micror-
ganismos endossimbióticos presentes no W. bancrofti.
Cite o tipo de interação ecológica interespecífica que há
entre esse parasito e os tais microrganismos endossimbi-
óticos. Por que o uso de antibióticos auxilia no tratamen-
to da parasitose causada pelo W. bancrofti?

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Questão 4

4 SLMandic-SP 2024 Sobre o ciclo de vida do Schistosoma


mansoni, parasita causador da esquistossomose, são feitas
três afirmações:
I.
O ser humano é o hospedeiro definitivo do ciclo e adquire a
doença ao ingerir água contaminada com ovos do parasita.
II. Caramujos são hospedeiros intermediários do ciclo e são
infectados por vermes no estágio de miracídio.
III. As cercárias, larvas que se desenvolvem no sistema porta-
-hepático do ser humano, são eliminadas através das fezes.
São verdadeiras as afirmativas
A
I, apenas.
B
II, apenas.
C
III, apenas.
D
I e II, apenas.
E
II e III, apenas.

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