Introdução à Biologia e Seus Conceitos
Introdução à Biologia e Seus Conceitos
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Questão 1
1
ACESSE TAMBÉM O GABARITO NO LIVRO
DIGITAL, NA PLATAFORMA POLIEDRO.
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Roberto Dziura
Junior/Shutte
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Sumário
Aula 1
Introdução à Biologia
.........................................................................
......... 504
Aula 2
Composição química dos seres vivos
............................................. 5 1 1
Aula 3
Replicação, transcrição e síntese proteica
................................... 523
Aula 4
Biologia celular
.........................................................................
....................... 535
Aula 5
Metabolismo energético
.........................................................................
. 546
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Você já percebeu como o planeta em que vivemos tem uma grande variedade
de seres vivos, desde organismos microscó-
picos, como as bactérias e os protozoários, até verdadeiros gigantes,
como as baleias e as sequoias? A disciplina das Ciências da
Natureza que se preocupa em analisar os seres vivos e seus processos
biológicos é denominada Biologia. Os cientistas envolvi-
dos nesses estudos, os biólogos, realizam pesquisas utilizando a
metodologia científica, uma poderosa ferramenta utilizada na
construção de conhecimento científico.
C4 | H14, H15 e H16
AULA
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Questão 1
1
Biologia • Frente 1
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Questão 504
504
Você já percebeu como o planeta em que vivemos tem uma grande variedade
de seres vivos, desde organismos microscó-
picos, como as bactérias e os protozoários, até verdadeiros gigantes,
como as baleias e as sequoias? A disciplina das Ciências da
Natureza que se preocupa em analisar os seres vivos e seus processos
biológicos é denominada Biologia. Os cientistas envolvi-
dos nesses estudos, os biólogos, realizam pesquisas utilizando a
metodologia científica, uma poderosa ferramenta utilizada na
construção de conhecimento científico.
O que é Biologia?
Os primeiros cientistas não tinham uma visão unificada
dos seres vivos e dos processos biológicos, classificando os
elementos visíveis da natureza em três grandes reinos: mi-
neral, animal e vegetal. Nessa classificação, as plantas seriam
tão distantes dos animais quanto dos minerais. Avanços do
conhecimento científico, entretanto, indicaram que animais
e vegetais compartilham características únicas, não compar-
tilhadas com os minerais (matéria sem vida), e que também
estão presentes em todos os outros seres vivos do planeta,
como bactérias, fungos, protozoários e algas.
A Biologia (do grego bios, vida, e logos, estudo), por-
tanto, é uma disciplina das Ciências da Natureza que estuda
os seres vivos e os processos biológicos que ocorrem neles,
desde o nível microscópico (como a divisão celular) até a
Átomo
É a unidade
básica da matéria.
Molécula
É um conjunto de átomos ligados a uma
organização específica. Cada conjunto
corresponde a uma substância diferente,
com propriedades físicas e químicas distintas.
Organelas
São estruturas
internas das células
que executam
funções específicas.
Célula
É a unidade
morfológica e
funcional que
compõe os
organismos vivos.
Tecido
É um agrupamento de células
com características
comuns, de mesma
origem e que
desempenham
funções
específicas.
Órgão
É um conjunto de tecidos organizados
em estruturas especializadas.
Sistema
É um conjunto de órgãos
responsáveis por desempenhar
funções vitais.
Organismo
Também conhecido como
indivíduo ou espécime, é
um ser vivo formado
por uma célula ou por
um conjunto de células,
tecidos, órgãos e sistemas.
População
É um conjunto de
organismos de uma
mesma espécie que vivem
em uma área geográfica em
um mesmo intervalo de tempo.
Comunidade
É um conjunto de populações que
se relacionam de diversas maneiras,
principalmente no aspecto alimentar.
Também é conhecida como biocenose ou biota.
Ecossistema
É constituído de fatores abióticos e bióticos
que se encontram no mesmo local e que
interagem entre si por meio do fluxo da
matéria e da energia.
rgãos e sistemas.
ecidos, órgã
te
P
l
ã
a e
ue
ne
a
Biosfera
Inclui todos os ecossistemas
da Terra, a atmosfera, a
litosfera e a hidrosfera.
interação entre os seres vivos em escala global. Esse estudo
é organizado em áreas específicas, tais como:
•
Bioquímica ou química celular: dedica-se à compreen-
são da vida ao nível molecular;
•
Biologia celular: analisa as células e seus componentes;
•
Histologia: estuda os tecidos biológicos;
•
Anatomia e morfologia: examina de forma minuciosa os
sistemas e órgãos;
•
Fisiologia: compreende o funcionamento do organismo,
abrangendo desde as moléculas até os sistemas;
•
Ecologia: estuda as relações dos seres vivos entre si e
com o meio em que habitam.
Assim, cada uma dessas áreas estuda determinado
aspecto da vida em certo nível de organização, que é o “re-
corte” da área de conhecimento em questão.
Representação
esquemática dos
principais níveis
de organização
existentes nos
seres vivos.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Introdução à Biologia
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Questão 505
505
Características gerais dos seres vivos
Muitos cientistas discutem uma definição precisa de
vida, porém nenhuma é considerada universal e satisfató-
ria para todas as áreas da Biologia. A vida pode se manifes-
tar de diferentes formas, o que aumenta a complexidade
do fenômeno e da tarefa de encontrar uma definição única.
Uma descrição bem simples, geral e bastante aceita por
muitos cientistas é a de que seres vivos são entidades que
apresentam a capacidade de reprodução, variabilidade
e hereditariedade.
Apesar de não existir uma definição precisa de vida, é
possível analisar características compartilhadas entre prati-
camente todos os seres vivos: composição química, níveis de
organização, metabolismo, nutrição, reprodução, homeostase,
hereditariedade e evolução.
•
Composição química: nos seres vivos, os elementos quí-
micos mais abundantes são: hidrogênio (H), oxigênio (O),
carbono (C), nitrogênio (N), fósforo (P) e enxofre (S). Esses
e outros elementos químicos se agrupam em dois grupos
principais de moléculas: orgânicas e inorgânicas.
Os principais exemplos de compostos orgânicos são os
carboidratos (amido e sacarose), os lipídios (óleos e
gorduras), as proteínas (enzimas e anticorpos), as vi-
taminas (moléculas reguladoras) e os ácidos nucleicos
(DNA e RNA). São exemplos de moléculas a água (H2O),
molécula mais abundante de todos os seres vivos; e os
minerais, como o Ca2+ e o Cl–, que também são funda-
mentais para o metabolismo celular.
•
Níveis de organização: além de toda diversidade e
complexidade de compostos químicos, os seres vi-
vos também podem ser arranjados em níveis de or-
ganização hierárquicos, que vão do microscópico ao
macroscópico. A ilustração vista anteriormente apre-
senta e define os principais níveis de organização dos
seres vivos.
•
Metabolismo: as reações químicas que ocorrem cons-
tantemente nos seres vivos promovem a síntese e a de-
gradação de moléculas fundamentais ao organismo. O
conjunto dessas reações representa o metabolismo, res-
ponsável pela transformação da matéria e essencial para
a manutenção da vida.
•
Nutrição: a atividade metabólica dos seres vivos requer
muita energia e matéria, obtidas principalmente por
meio da nutrição. Com base no tipo de nutrição, os seres
vivos podem ser classificados em dois grupos principais:
autótrofos e heterótrofos. Os primeiros produzem seu
próprio alimento; os segundos consomem matéria orgâ-
nica produzidas pelos primeiros.
•
Reprodução: a reprodução consiste na capacidade que
os seres vivos têm de gerar descendentes e perpetuar
a espécie. Os organismos podem realizar dois tipos de
reprodução: assexuada e sexuada. No primeiro tipo,
os seres vivos produzem descendência geneticamente
idêntica a eles; no segundo tipo, há formação de descen-
dentes com variabilidade genética.
•
Homeostase: mesmo diante das transformações pro-
movidas pelo metabolismo, os seres vivos mantêm uma
condição de relativa estabilidade interna, que é funda-
mental para a realização de suas funções vitais. Essa con-
dição, conhecida como homeostase, é a propriedade de
um sistema aberto, como o dos seres vivos, de regular
seu ambiente interno, de modo a manter uma condição
estável mediante ajustes controlados por mecanismos
de regulação.
•
Hereditariedade: os seres vivos herdam de seus pro-
genitores, por meio da reprodução, características es-
pecíficas que são fundamentais para a manutenção da
vida desses organismos. A capacidade de os seres vivos
transmitir as características entre gerações é denomi-
nada hereditariedade.
•
Evolução: as populações dos seres vivos podem se mo-
dificar ao longo do tempo. As modificações que ocor-
rem nas características hereditárias de uma população
ao longo das gerações constituem a evolução biológica.
Esse fenômeno ocorre porque os organismos de uma
população são ligeiramente diferentes entre si, ou seja,
há variabilidade genética, gerada pela reprodução sexu-
ada ou por meio de mutações. Assim, os descendentes
produzidos a cada geração têm diferentes chances de
sobrevivência no ambiente e, consequentemente,
de sucesso reprodutivo. Um dos mecanismos que im-
pulsionam a evolução das espécies é conhecido como
seleção natural.
Método científico
Durante a Revolução Científica, movimento que ocorreu
na Europa a partir do Renascimento, a forma de interpretar a
natureza passou por mudanças consideráveis que estabelece-
ram as bases das concepções científicas modernas.
A forma de obter conhecimento pela Ciência foi desen-
volvido principalmente da segunda metade do Renascimento
(séc. XIX a XVII) até a Revolução Industrial (XVIII). Nesse perío-
do, ocorreu a Evolução Científica. Nesse contexto, um dos
cientistas de destaque na divulgação e no aprimoramento da
metodologia científica foi o astrônomo, engenheiro e físico
italiano Galileu Galilei (1564-1642), considerado um dos pais
da ciência experimental.
O método científico, também conhecido como método
hipotético-dedutivo, é um conjunto de procedimentos rigo-
rosos executados para garantir a prática científica isenta e de
qualidade, de modo que se constituem caminhos bastante
comuns utilizados na produção de conhecimento científico
por todos os grupos de pesquisadores.
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AULA 1: Introdução à Biologia
Biologia • Frente 1
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Questão 506
506
De forma geral e resumida, o método científico pode ser
organizado nas etapas descritas a seguir.
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Questão 1
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Questão 2
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Questão 3
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Questão 4
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Questão 5
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Questão 7
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Questão 8
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507
As células procarióticas são encontradas nas bactérias e nas
cianobactérias, incluídas no domínio Bacteria, e das arqueas,
incluídas no domínio Archaea.
Citosol
Ribossomo
DNA
Fímbrias
Inclusão
Plasmídeo
Flagelo
Cápsula
Parede celular
Membrana plasmáƟca
Representação esquemática de uma célula procariótica bacteriana.
Toda célula bacteriana é revestida pela membrana plas-
mática, um envoltório lipoproteico responsável pelo controle
de entrada e saída de substâncias da bactéria. Praticamente
todas as bactérias têm um envoltório externo rígido denomi-
nado parede celular, responsável pela manutenção do formato
e pela proteção da célula contra agentes externos.
O DNA bacteriano é também conhecido como cromos-
somo bacteriano. O material genético da bactéria consiste
em uma única molécula de DNA circular, que fica em con-
tato direto com o citoplasma da célula. Nesse sentido, não
existe núcleo celular organizado.
Além do cromossomo bacteriano, a bactéria apresen-
ta anéis menores de DNA, denominados plasmídeos (com
apenas alguns genes), que podem ser transferidos entre as
bactérias, ampliando a variabilidade genética da população.
Célula eucariótica
A principal característica da célula eucariótica (do grego eu,
verdadeiro, e karyon, núcleo) é que nela existe carioteca ou en-
voltório nuclear, uma membrana lipídica que isola as moléculas
de ácido nucleico, o DNA, do restante do citoplasma da célula.
Dessa forma, pode-se dizer que esse tipo celular tem núcleo or-
ganizado, diferentemente do que ocorre nas bactérias, organis-
mos em que o DNA não é separado do restante do citoplasma.
Outra característica marcante da célula eucariótica é a
presença de um sistema complexo de endomembranas ou
organelas membranosas, que possuem organização estrutural e
desempenham funções específicas no metabolismo celular. Como
exemplos temos: retículo endoplasmático (granuloso e liso), com-
plexo golgiense, lisossomos, peroxissomos, mitocôndrias e plas-
tos, estruturas que serão estudadas em outro momento.
Atenção!
Os ribossomos das células eucarióticas são ligeira-
mente maiores que os das células procarióticas e podem
se associar ao retículo endoplasmático enquanto estão
produzindo determinados tipos de proteína.
A maioria dos grupos de seres vivos existentes no pla-
neta, como animais, plantas, protozoários, algas e fungos,
é constituída de células eucarióticas, compondo o domínio
Eukarya. Para ilustrar as características das células eucarióti-
cas, são escolhidas as células animal e vegetal.
•
Célula animal: é uma célula que não tem parede celu-
lar, sendo envolvida apenas pela membrana plasmática,
formada de um tipo de lipídio denominado fosfolipídio.
No citoplasma, são encontrados ribossomos, retículo en-
doplasmático, complexo golgiense, peroxissomo, mito-
côndrias e citoesqueleto, estruturas também existentes
nas células vegetais. Algumas células animais, como os
espermatozoides, são dotadas de flagelo para locomoção,
enquanto outras, como as células intestinais, apresentam
microvilosidades. Algumas organelas encontradas nas
células animais estão ausentes na maioria das células de
plantas com flores. Uma delas é o centrossomo, estrutura
formada por um par de centríolos que participa da divi-
são celular, e a outra é o lisossomo, vesícula com enzimas
digestivas responsáveis pela digestão intracelular.
Núcleo
Retículo
endoplasmático
granuloso
Peroxissomo
Membrana plasmática
Flagelo
Ribossomos
Centríolo
Microvilosidades
Citoesqueleto
Citosol
Lisossomos
Complexo
golgiense
Mitocôndria
Retículo
endoplasmático
não granuloso
Aldona/[Link]
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Representação esquemática de uma célula eucariótica animal.
•
Célula vegetal: além da membrana plasmática, de natu-
reza lipídica, tem parede celular, estrutura que confere
proteção e determina a forma. A principal molécula
constituinte da parede celular é a celulose, um tipo de
carboidrato (glicídio). No citoplasma, são encontrados ri-
bossomos, retículo endoplasmático, complexo golgiense,
peroxissomo, mitocôndrias e citoesqueleto, estruturas
também existentes nas células animais. Algumas organe-
las, entretanto, estão ausentes nas células animais. Uma
delas é o cloroplasto, que carrega o pigmento clorofila
e está relacionado com a fotossíntese. A outra organela
ausente nas células animais é o vacúolo central, vesícula
que pode armazenar diversas substâncias, como água,
pigmentos ou moléculas tóxicas.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
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Questão 508
508
Núcleo
Retículo
endoplasmático
granuloso
Citoesqueleto
Cloroplasto
Complexo
golgiense
Membrana
plasmática
Parede celulósica
Citosol
Vacúolo
central
Peroxissomo
Mitocôndria
Ribossomos
Retículo endoplasmático
não granuloso
Aldona/[Link]
A tabela a seguir traz um resumo das principais funções e características
das organelas celulares. Algumas dessas caracte-
rísticas serão aprofundadas em aulas posteriores.
Organela
Características
Funções principais
Ribossomos
Estruturas com aspecto granular não delimitadas
por membrana. Formados de RNA e proteínas.
Síntese de proteínas.
Mitocôndrias
Formadas por duas membranas. Seu interior pos-
sui uma matriz gelatinosa, ribossomos e DNA.
Respiração celular.
Complexo golgiense
Constituído de sacos membranosos achatados,
empilhados e com extremidades dilatadas.
Concentração de substâncias,
empacotamento e secreção.
Retículo
endoplasmático
Agranular, ou liso
(sem ribossomos)
Constituído de canais membranosos ramificados
que não têm ribossomos aderidos à sua superfície.
Reações metabólicas,
transporte e síntese
de fosfolipídios e esteroides.
Agranular, ou rugoso
(com ribossomos)
Constituído de canais membranosos ramificados e
mais achatados cuja superfície adere aos ribossomos.
Transporte e síntese
de proteínas.
Lisossomos
Vesículas membranosas com enzimas digestivas;
são derivados do complexo golgiense.
Digestão no interior da célula
(intracelular).
Centríolos
Normalmente constituem pares dispostos
perpendicularmente entre si. Cada centríolo é
constituído de blocos de proteínas.
Formação de cílios e flagelos e
participação na divisão celular.
Peroxissomos
Vesículas membranosas com enzimas oxidativas.
Contêm enzimas, como a catala-
se, que degrada água oxigenada.
Representação esquemática de
uma célula eucariótica vegetal.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
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Questão 1
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Questão 509
509
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Questão 2
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Questão 4
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Questão 5
5 minutos.
C
a bactéria E. subtilis é sensível à fervura em banho-maria.
D
a bactéria E. coli é mais resistente ao calor do que
B. subtilis.
E
os dois microrganismos são eliminados pela fervura por
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Questão 20
20 minutos.
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Questão 5
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Questão 6
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Questão 510
510
nos processos de digestão intracelular. A disfunção provocada por essa
síndrome impede que os processos adequados de
fosforilação e de transporte das pré-enzimas ocorram na seguinte
organela:
A
ribossomo.
B
mitocôndria.
C
complexo de Golgi.
D
retículo endoplasmático liso.
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Questão 1
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Questão 2
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Questão 3
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Questão 4
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C5 | H15, H18 e
H20
AULA
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Questão 11
11
Biologia • Frente 1
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Questão 511
511
Introdução à bioquímica
O ramo das Ciências da Natureza que estuda as moléculas e os processos
químicos que ocorrem nos seres vivos é deno-
minado Bioquímica.
Com base em estudos bioquímicos, os cientistas já descobriram milhares de
moléculas biológicas diferentes que partici-
pam de inúmeras redes interligadas de reações metabólicas.
Os compostos químicos podem ser classificados em dois grupos: inorgânicos
e orgânicos. Os compostos inorgânicos são
aqueles que não possuem carbono e hidrogênio ligados, e são representados
pela água e pelos sais minerais, como cálcio
e ferro.
Os compostos orgânicos são aqueles que possuem átomos de carbono e
hidrogênio ligados, e abrangem uma grande di-
versidade de biomoléculas, que podem ser classificadas em cinco grupos
principais: carboidratos, lipídios, vitaminas, proteínas
e ácidos nucleicos.
HILLIS, D. M. et al. Life: the Science of Biology. 12. ed. New York: W.
H. Freeman and Company, 2020.
Tecidos vivos são
consƟtuídos de 70%
de água.
Água
Macromoléculas
Ácidos nucleicos
Carboidratos
(polissacarídeos)
Lipídios
Íons e
moléculas pequenas
Quatro Ɵpos de macromoléculas estão
presentes, aproximadamente, nas
mesmas proporções em todos os
organismos vivos.
Proteínas
(polipepơdeos)
Água
A molécula de água é relativamente simples, constituída por dois átomos
de hidrogênio unidos a um átomo de oxigênio.
O átomo de oxigênio é mais eletronegativo que os de hidrogênio, fato que
promove uma maior permanência dos elétrons com-
partilhados nas proximidades do oxigênio. Essa divisão desigual dos
elétrons compartilhados e o formato em “V” tornam a molé-
cula de água um dipolo elétrico, com carga levemente negativa no oxigênio
(δ–) e levemente positiva nos hidrogênios (δ+), fazendo
suas moléculas permanecerem unidas entre si por meio de ligações de
hidrogênio. No estado líquido, as ligações de hidrogênio
são quebradas e refeitas constantemente, o que faz as moléculas de água
permanecerem juntas e criarem um ambiente propício
para as reações químicas.
As moléculas orgânicas da matéria viva têm um arranjo tridimensional e
são compostas de grupos químicos que determi-
nam as funções biológicas desempenhadas por elas. Estudar as biomoléculas
proporciona aos cientistas, por exemplo, uma
melhor compreensão sobre os mecanismos bioquímicos envolvidos nas doenças
humanas, aperfeiçoando os seus tratamentos.
C4 | H15
AULA
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Questão 2
2
Composição química
dos seres vivos
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Questão 512
512
Polaridade da molécula de água
A polaridade dupla da molécula de água a torna um excelente solvente,
capaz de dissolver diversos grupos de substâncias.
As substâncias hidrofílicas (do grego hydor, água, e philos, afinidade),
como sal e açúcar, são solúveis em água, enquanto as
substâncias hidrofóbicas (do grego hydor, água, e phobos, medo), como os
lipídios, são insolúveis em água. A água também
possibilita o transporte de substâncias pelo corpo dos seres vivos, já
que é a molécula mais abundante no sangue dos animais
e na seiva das plantas, e atua como lubrificante, evitando atritos entre
tecidos e órgãos.
No metabolismo dos seres vivos a água pode participar das reações
químicas como reagente ou como produto. Em deter-
minadas reações químicas, denominadas reações de condensação ou de
desidratação, ocorre união de duas moléculas meno-
res e formação de uma molécula maior e água como produtos. Em outras
reações químicas, denominadas reações de hidrólise
(quebra da água), a água participa como reagente.
Representação esquemática da participação da água nas reações de
condensação e de hidrólise. Observe que, na reação de condensação,
a água é um dos produtos, enquanto é reagente na reação de hidrólise.
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Questão 1
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Questão 2
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Questão 3
3
H
HO
HO
H
Reação de hidrólise
Reação de condensação
+
Molécula menor
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Questão 1
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Questão 2
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Questão 3
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Questão 4
4
H2O
HO
H
+
Molécula maior
Monômero
A maioria dos seres vivos sobrevive em uma faixa de temperatura
específica, fora da qual o metabolismo fica comprometi-
do. Nesse aspecto, o alto calor específico da água é uma característica
fundamental para a regulação da temperatura dos seres
vivos, já que tal propriedade possibilita que ela absorva e perca calor
sem passar por grandes alterações estruturais. Além dis-
so, a água tem um elevado calor latente de vaporização, isto é, precisa
absorver grande quantidade de energia para evaporar; e
um alto calor latente de fusão, ou seja, precisa liberar muito calor para
se solidificar. Essas propriedades contribuem tanto para
diminuir a temperatura do corpo dos seres vivos, impedindo o
superaquecimento em temperaturas ambientes muito altas,
quanto para evitar que a água congele dentro deles em temperaturas
ambientes muito baixas.
As ligações de hidrogênio mantêm as moléculas de água unidas entre si,
propriedade conhecida como coesão, responsá-
vel pela alta tensão superficial da água, possibilitando que insetos
andem sobre ela, por exemplo. As ligações de hidrogênio
também propiciam a união das moléculas de água a outras moléculas,
propriedade conhecida como adesão. Essas duas pro-
priedades contribuem para que ocorra, por exemplo, o transporte de seiva
inorgânica (água e minerais) nas plantas contra a
ação da gravidade, da raiz até as folhas.
Sais minerais
Os sais minerais são substâncias químicas inorgânicas indispensáveis para
a manutenção do metabolismo celular. Como
não são produzidos pelos seres vivos, os minerais devem ser absorvidos do
solo, no caso das plantas, ou por meio da ingestão
de alimentos, no caso dos animais. Quantidades excessivas da maior parte
dos minerais são geralmente eliminadas pelas fezes
e pela urina, evitando problemas metabólicos.
No corpo dos seres vivos, os sais minerais podem aparecer de duas formas:
insolúveis, como parte integrante das molécu-
las; ou solúveis, na forma de íons dissolvidos na água. As funções
desempenhadas são bastante diversificadas nas células, como
pode ser observado no quadro a seguir.
Mineral
Funções
Fonte de alimento
Cálcio (Ca21)
•
Componente de ossos e dentes
(fosfato de cálcio ou hidroxiapatita).
•
Participação na coagulação sanguínea.
•
Contração muscular.
•
Transmissão dos impulsos nervosos.
•
Vegetais de coloração verde-escura (ex.: brócolis
e espinafre).
•
Leite e derivados (ex.: queijos e iogurtes).
•
Casca de ovo.
Ferro (Fe21)
•
Transporte de oxigênio pelo sangue
(componente da hemoglobina).
•
Armazenamento de oxigênio nos músculos
(componente da mioglobina).
•
Transporte de elétrons na respiração celular.
•
Carne vermelha.
•
Fígado.
•
Gema de ovo.
•
Frutas secas.
•
Leguminosas (ex.: feijão e ervilha).
Sódio (Na1)
•
Transmissão dos impulsos nervosos.
•
Equilíbrio osmótico das células.
•
Manutenção da pressão sanguínea.
•
Sal de cozinha.
====PAGE 11====
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Questão 513
513
Mineral
Funções
Fonte de alimento
Iodo (I–)
•
Formação dos hormônios T3 e T4 da tireoide.
•
Frutos do mar.
•
Sal de cozinha iodado.
Fosfato (PO4
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Questão 32
32)
•
Componente de ossos e dentes (fosfato de cálcio
ou hidroxiapatita).
•
Componente dos ácidos nucleicos (DNA e RNA).
•
Componente de membranas biológicas.
•
Atuação nos processos energéticos (ATP).
•
Leite e derivados (ex.: queijos e iogurtes).
•
Leguminosas (ex.: feijão e ervilha).
•
Carne vermelha.
•
Peixes.
Potássio (K1)
•
Transmissão dos impulsos nervosos.
•
Participação na síntese de proteínas.
•
Frutas.
•
Carne vermelha.
•
Aves.
•
Peixes.
•
Moluscos.
Doenças hidroeletrolíticas
A escolha dos alimentos é fundamental para equi-
librar a quantidade de calorias e nutrientes ingeridos e
manter o bom funcionamento do organismo, evitando
doenças. Com relação aos minerais, existem alguns pro-
blemas relacionados ao excesso ou à carência deles na
alimentação. Se o organismo tiver algum desequilíbrio
relacionado a sais minerais e, paralelamente, ao controle
da eliminação da água (desidratação), ocorre uma condi-
ção denominada desequilíbrio hidroeletrolítico (os íons
ficam dissolvidos na água na forma de eletrólitos, íons
eletricamente carregados).
•
Osteoporose: degradação da matriz óssea causada, entre
outros fatores, pela carência de cálcio na alimentação.
•
Bócio simples não tóxico carencial: hipertrofia da tireoi-
de decorrente da carência de iodo na alimentação.
•
Anemia ferropriva: situação de fraqueza causada pela
carência de ferro na alimentação. Nessa condição, a
quantidade de hemácias no sangue diminui.
•
Hipertensão arterial: aumento da pressão sanguínea
decorrente, entre outros fatores, do excesso na in-
gestão de sódio e redução de sua excreção urinária,
pois a reabsorção de sódio no túbulo renal promove
retenção de água, aumentando o volume de água em
circulação e, portanto, provocando maior pressão na
parede das artérias.
Carboidratos
Os carboidratos, também conhecidos como hidratos
de carbono ou glicídios, são as biomoléculas mais abun-
dantes do planeta. Basta imaginar que, a cada ano, organis-
mos autótrofos de todo o mundo convertem, por meio da
fotossíntese, mais de 100 bilhões de toneladas de gás car-
bônico em glicose, celulose, amido e outros carboidratos.
As principais funções dos carboidratos nos seres vivos po-
dem ser resumidas em:
•
Fornecer energia para o metabolismo celular, como a
glicose sanguínea.
•
Servir como material de reserva nutritiva, como o amido
presente na batata.
•
Participar da formação da estrutura do corpo dos seres
vivos, como a quitina do exoesqueleto dos artrópodes.
Os carboidratos são formados por átomos de carbono
ligados a átomos de hidrogênio e grupos hidroxila (H–C–OH),
raramente apresentando átomos de nitrogênio, enxofre ou
fósforo. Muitos carboidratos têm a fórmula geral (CH2O)n,
mas veremos que há muita variação e que muitos não se
enquadram na fórmula geral. Para fins didáticos, serão
considerados três grupos de carboidratos: monossacarídeos,
dissacarídeos e polissacarídeos.
Monossacarídeos
Os monossacarídeos (do grego monos, um, e sacchar,
açúcar) são carboidratos pequenos, formados por aldeídos
ou cetonas com dois ou mais grupos hidroxila.
A classificação dessas moléculas tem como base o nú-
mero de carbonos, que pode variar de três a sete, mas as
pentoses (cinco carbonos) e hexoses (seis carbonos) de-
sempenham um papel de destaque.
Entre as pentoses, destacaremos a ribose e a desoxirri-
bose, ambas componentes dos ácidos nucleicos (função es-
trutural). A ribose (C5H10O5) é componente dos nucleotídeos
que formam o RNA, enquanto a desoxirribose (C5H10O4) é
encontrada apenas nas moléculas de DNA.
As hexoses (C6H12O6) são monossacarídeos de isome-
ria estrutural, já que são formados pelo mesmo número e
tipos de elementos químicos, mas com arranjos estrutu-
rais diferentes.
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Questão 514
514
Uma das principais funções das hexoses é fornecer ener-
gia para o metabolismo celular, mas essas moléculas tam-
bém são utilizadas como monômeros para a produção de
carboidratos maiores, como dissacarídeos e polissacarídeos.
As principais hexoses são a frutose, encontrada nos frutos
doces, a galactose, componente da lactose do leite, e a gli-
cose, presente no mel e transportada pelo sangue humano.
Note que esses compostos, quando em solução, geralmente
se apresentam em sua forma cíclica.
Dissacarídeos
Os dissacarídeos (do grego di, dois, e sacchar, açúcar) são
carboidratos formados pela união de dois monossacarídeos.
A ligação covalente entre os monossacarídeos, conhecida
como ligação glicosídica, ocorre por meio de uma reação de
síntese por desidratação.
H
H
H
H
H
OH
HO
OH
H2O
OH
Glicose
CH2OH
O
H
H
H
H
H
OH
HO
OH
OH
Glicose
CH2OH
O
H
H
H
H
H
OH
HO
O
OH
Maltose
CH2OH
O
H
H
H
H
H
OH
OH
OH
CH2OH
Ligação
glicosídica
Síntese por
desidratação
Degradação por
hidrólise
O
+
Representação esquemática da síntese de um dissacarídeo por
desidratação e de sua degradação por hidrólise.
A quebra dessa ligação, que ocorre por hidrólise e com
participação de enzimas, promove a liberação dos monossa-
carídeos constituintes da molécula. Os principais exemplos
de dissacarídeos formados pela combinação de hexoses são:
sacarose, lactose e maltose.
A sacarose representa o açúcar mais comum na seiva
orgânica das plantas, sendo transportada pelo floema. Esse
carboidrato é extraído da cana-de-açúcar, ou da beterraba,
e utilizado na produção do açúcar refinado. A sacarose é
formada pela união de uma molécula de glicose com uma
molécula de frutose.
A lactose é encontrada no leite, sendo uma excelente
fonte de energia aos filhotes de mamíferos. Essa molécula
é formada pela união de glicose e galactose. A maltose, por
sua vez, é encontrada no malte, usado para produzir cervejas
e destilados. Esse dissacarídeo é formado pela união de duas
moléculas de glicose.
Polissacarídeos
Os polissacarídeos (do grego poli, muitos, e sacchar, açúcar)
são macromoléculas formadas pela união de diversos monossa-
carídeos (mais de 20, mas normalmente são encontrados cente-
nas ou até mesmo milhares deles).
Por esse motivo, os polissacarídeos são exemplos de polí-
meros, denominação utilizada para moléculas formadas pela
repetição de unidades semelhantes, denominadas monôme-
ros. São exemplos de polissacarídeos a celulose, o amido, o
glicogênio e a quitina.
A celulose é o composto orgânico mais abundante do
planeta, já que é encontrada na parede celular das células
vegetais e de muitas algas. Esse polímero é formado pela
união de centenas de moléculas de b-glicose e não pos-
sui pontos de ramificação na cadeia. Ligações de hidro-
gênio mantêm moléculas de celulose adjacentes unidas,
formando estruturas denominadas microfibrilas. Apenas
organismos que têm a enzima celulase, como bactérias e
protozoários, conseguem realizar a digestão da celulose.
Diversos animais, como bois e cupins, têm esses micror-
ganismos no sistema digestório (estômago ou intestino), o
que possibilita uma dieta exclusivamente herbívora.
O amido é o carboidrato mais utilizado pelas plantas
como reserva energética. Essa molécula é formada pela
união de centenas de moléculas de a-glicose, com pou-
cos pontos de ramificação na cadeia. O estoque de amido
ocorre dentro de cloroplastos e em plastídios especiais,
denominados amiloplastos. Essa molécula é muito abun-
dante em vegetais como batata, mandioca, milho, arroz,
trigo e diversos outros consumidos por populações huma-
nas como fonte de alimento. É interessante notar que os
amiloplastos não servem apenas à reserva de amido, es-
tando envolvidos no crescimento das plantas em resposta
à gravidade (gravitropismo).
O glicogênio é encontrado nos animais e nos fungos,
sendo utilizado como material de reserva energética. Essa
macromolécula é formada pela união de centenas de mo-
nômeros de a-glicose, mas, diferentemente do amido, tem
muitos pontos de ramificação na cadeia.
Nos animais, o glicogênio pode ser encontrado no fígado
e nas células musculares, e é usado nos momentos em que
ocorre diminuição da glicemia. A quebra do glicogênio he-
pático (armazenado no fígado) gera moléculas de glicose,
que são transportadas pelo sangue e utilizadas pelas células
corporais como fonte de energia na respiração celular.
Celulose
Amido
Glicogênio
Sem ramificações
Poucas ramificações
Muitas ramificações
Representação esquemática da organização das moléculas de gli-
cose (hexágonos azuis) na composição da celulose, do amido e
do glicogênio.
A quitina é encontrada na parede celular dos fungos
e no exoesqueleto dos artrópodes. Esse polissacarídeo é
formado pela união de centenas de moléculas de n-acetil-
glicosamina, sendo um raro exemplo de carboidrato com
nitrogênio em sua composição. A quitina forma longas fi-
bras e, da mesma maneira que a celulose, não pode ser
digerida por vertebrados.
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Questão 515
515
Lipídios
Os lipídios formam um grande grupo de compostos
orgânicos de estrutura variada, e têm como característica
principal a insolubilidade em água. Essas moléculas pos-
suem extensas regiões apolares, que não têm afinidade com
as regiões polares das moléculas de água, sendo, portanto,
consideradas moléculas hidrofóbicas.
Os principais grupos de lipídios são os triacilgliceróis, os
fosfolipídios, os esteroides e os cerídeos. As propriedades
hidrofóbicas dessas moléculas podem ser utilizadas em be-
nefício do organismo em diversas atividades biológicas.
A seguir serão listadas as principais funções desempe-
nhadas pelos lipídios nos seres vivos.
•
Óleos e gorduras são utilizados como fonte de energia;
•
Em diversos animais, como focas e baleias, a gordura do
tecido adiposo age como isolante térmico;
•
Óleos e ceras garantem proteção contra perda de água
em plantas e animais;
•
O estrato mielínico dos neurônios é um revestimento
lipídico que serve como isolante elétrico e acelera a
transmissão dos impulsos nervosos;
•
Alguns lipídios têm função hormonal ou de regulação, já
que formam hormônios e vitaminas;
•
Os fosfolipídios são componentes estruturais das mem-
branas biológicas.
Triacilgliceróis
Antigamente eram denominados triglicerídeos, ou gli-
cerídeos, os triacilgliceróis são ésteres formados pela união
de uma molécula de glicerol (álcool) com três moléculas de
ácidos graxos.
Representação da produção de um triglicerídeo a partir de uma
molécula de glicerol e três moléculas de ácidos graxos.
Ácido graxo
Glicerol
OH + H
OH + H
OH + H
Saída de
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Questão 3
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Questão 3
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Questão 516
516
Esteroides
Os esteroides, diferentemente dos demais tipos de lipídios, não são
compostos de ácidos graxos. São moléculas complexas
compostas de átomos de carbono interligados, formando quatro anéis
carbônicos, aos quais estão ligados átomos de oxigê-
nio, grupos hidroxila e diferentes cadeias carbônicas. Nos seres humanos,
os esteroides mais importantes são o colesterol, os
hormônios sexuais (testosterona e progesterona), o cortisol e a vitamina
D.
O colesterol é um esteroide naturalmente produzido pelo fígado, mas pode
também ser adquirido por meio da alimenta-
ção. Da mesma forma que os fosfolipídios, o colesterol é componente das
membranas celulares animais, contribuindo para o
controle de sua fluidez. Além disso, essa molécula é precursora de outras
moléculas importantes do corpo humano, como os
hormônios sexuais e os sais biliares.
Cerídeos
Os cerídeos, ou ceras, são lipídios altamente hidrofóbicos, formados por
uma molécula de ácido graxo saturado e outra
de álcool saturado e de cadeia longa, ambas unidas por uma ligação éster.
As ceras são encontradas na cutícula das folhas das
plantas, protegendo-as contra a perda de água por evaporação e a infecção
por microrganismos. A cera da carnaúba, planta
abundante na Caatinga brasileira, tem alto valor comercial, já que é
utilizada como matéria-prima na produção de cosméticos
e medicamentos.
As aves aquáticas, como marrecos e gansos, têm glândulas na base da cauda
que produzem uma cera que é espalhada
sobre as penas, impermeabilizando-as e impedindo que o animal se
encharque ao entrar em contato com a água.
Em humanos, os cerídeos são produzidos na orelha, o que lubrifica o canal
auditivo e o protege contra microrganismos.
Além disso, nas glândulas sebáceas da pele, os cerídeos lubrificam os
pelos e os cabelos, mantendo-os flexíveis e soltos, ou
seja, sem que se agreguem e formem grumos. As ceras também são produzidas
pelas abelhas, que as utilizam na confecção
dos favos das colmeias.
Наталья Бойко/[Link]
Tomatito/[Link]
Ceras são utilizadas pelas aves aquáticas na impermeabilização das penas
(A) e pelas abelhas na construção das colmeias (B).
Vitaminas
As vitaminas são consideradas nutrientes essenciais e, por esse motivo,
devem ser ingeridas na alimentação. Essas molé-
culas orgânicas são necessárias em pequenas quantidades (0,01 mg a 100 mg
por dia, dependendo da vitamina), têm função
regulatória e são fundamentais para a manutenção da atividade metabólica,
já que agem como coenzimas. São aproxima-
damente 13 vitaminas necessárias ao organismo humano, não representando
um grupo homogêneo de substâncias, já que
variam na composição química e estrutural. No entanto, podemos
classificá-las em dois grupos, de acordo com a solubilidade:
hidrossolúveis e lipossolúveis.
As vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) são solúveis em lipídios e devem
ser consumidas com eles na alimentação. Essas
vitaminas são transportadas pela linfa e podem ser armazenadas no corpo,
especialmente nas células do fígado (hepatócitos).
Nesse sentido, a ingestão excessiva delas pode causar problemas de saúde,
conhecidos como hipervitaminoses.
As vitaminas hidrossolúveis (C e as do complexo B) são solúveis em água e
são facilmente transportadas pelo sangue para
as demais células corporais. A ingestão excessiva dessas vitaminas
geralmente não causa problemas de saúde, já que o excesso
pode ser eliminado pela urina. Observe o quadro a seguir.
A
B
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517
Vitamina
Funções
Fontes
Sintomas da deficiência
Lipossolúveis
A
(retinol)
Compõe pigmentos visuais da
retina e atua como antioxidante e
na manutenção dos epitélios.
Vegetais de cor laranja (ex.: cenoura),
verde e amarela, fígado e laticínios.
Cegueira noturna, queda da
imunidade e pele escamosa.
D
(calciferol)
Atua no metabolismo de cálcio
e fósforo do corpo. É produzida
na pele a partir de raios solares e
provitamina D.
Laticínios, peixes, ovos, cogumelos
e óleo de fígado do bacalhau.
Crianças: raquitismo
(deformidade óssea).
Adultos: osteomalácia (enfra-
quecimento ósseo).
E
(α-tocoferol)
Atua como antioxidante e parti-
cipa da formação de estruturas
celulares, como as membranas.
Fígado, carnes, óleos vegetais,
vegetais verdes folhosos
e nozes frescas.
Anemia, degeneração no
sistema nervoso, aborto e
esterilidade masculina.
K1
(filoquinona)
Atua na coagulação sanguínea.
Vegetais verdes (ex.: brócolis e
espinafre), óleos e laticínios,
além de ser produzida por
bactérias intestinais.
Dificuldade de coagulação
sanguínea e hemorragia.
Hidrossolúveis
B1
(tiamina)
Atua no metabolismo
de carboidratos.
Cereais integrais, leveduras,
castanha-de-caju, castanha-do-
-pará e carne de porco.
Beribéri (paralisia dos
músculos) e polineurite
(inflamação dos nervos).
B2
(riboflavina)
Atua na respiração celular e na
produção de hemácias.
Laticínios, ovos, fígado, carne
vermelha, leveduras e vegetais
verdes (ex.: espinafre e brócolis).
Fissuras na pele (boca, língua
e bochechas) e anemia.
B3
(niacina)
Atua no metabolismo de lipídios e
na respiração celular.
Carnes, leveduras, peixes,
cogumelos, amendoim, nozes,
cereais integrais e fígado.
Pelagra, dermatite (lesões na
pele), desinteria e distúrbios
psicológicos.
B5
(ácido
pantotênico)
Atua na síntese de esteroides
e compõe a coenzima A,
participando do
metabolismo energético.
Carnes, peixes, fígado, leveduras,
laticínios, cereais integrais,
cogumelos e frutas.
Fadiga, anemia, baixa produção
de cortisol e formigamento de
mãos e pés.
B6
(piridoxina)
Atua no metabolismo de lipídios
e aminoácidos.
Carnes, peixes, abacate, fígado, la-
ticínios, nozes, castanhas e cereais
integrais, além de ser produzida
por bactérias intestinais.
Dermatite (olhos, nariz e
boca), anemia e náusea.
B7 ou H
(biotina)
Participa da produção de ácidos
graxos, aminoácidos, glicogênio,
bases nitrogenadas e queratina.
Carnes, fígado, cogumelos,
abacates, amendoins, leveduras e
ovos, além de ser produzida pelas
bactérias intestinais.
Fadiga, dores musculares,
inflamações na pele e
distúrbios nervosos.
B9
(ácido fólico)
Participa da formação do tubo
neural e da produção de
aminoácidos, bases nitrogenadas
e células sanguíneas.
Pães, vegetais verdes, frutas
cítricas, fígado, leveduras,
cogumelos, leguminosas e grãos
integrais, além de ser produzida
pelas bactérias intestinais.
Má formação do tubo neural
em fetos, anemia e problemas
de concentração.
B12
(cobalamina)
Atua na maturação das
hemácias e na produção de
ácidos nucleicos e proteínas.
Carnes, fígado, frutos do mar,
peixes, ovos e laticínios.
Anemia perniciosa e
distúrbios nervosos.
C
(ácido
ascórbico)
Atua como antioxidante, na
produção de colágeno e
na cicatrização.
Frutas (ex.: acerola, goiaba,
caju e cítricas) e vegetais verdes
(ex.: salsa, couve e brócolis).
Escorbuto (sangramento
das gengivas); deficiência na
cicatrização, perda dos dentes,
fraqueza e lesões no intestino.
Proteínas
As proteínas (do grego proteios, primeiro) são moléculas que participam
de praticamente todas as atividades biológicas,
sendo fundamentais ao metabolismo dos seres vivos. Essas macromoléculas
são exemplos, assim como os polissacarídeos, de
polímeros biológicos, já que são formadas pela união de dezenas, centenas
ou até mesmo milhares de monômeros, denomi-
nados aminoácidos ou resíduos (aminoácido isolado).
Diversas proteínas têm função catalisadora, ou seja, aceleram as reações
químicas, uma vez que que são componentes
fundamentais das enzimas, que serão estudadas posteriormente. Outras
proteínas têm função estrutural, já que integram
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Questão 518
518
vários órgãos e tecidos. Como exemplo temos o colágeno, que
confere resistência e rigidez a ossos, pele e tendões.
Algumas proteínas realizam o transporte de substâncias para
diferentes partes do organismo, como a hemoglobina, que trans-
porta oxigênio dos pulmões para as demais células corporais.
No combate a organismos invasores, o sistema imunitário
produz proteínas denominadas anticorpos (imunoglobulinas).
Os anticorpos ligam-se a antígenos (moléculas estranhas ao
organismo; os antígenos que desencadeiam resposta imunitá-
ria são chamados de imunógenos) dos agentes invasores, inati-
vando-os ou facilitando a sua destruição. Há também proteínas
regulatórias, como a insulina, que controla a glicemia no sangue.
Existem proteínas que atuam na recepção de estímulos
pelas células, como as proteínas encontradas nas membranas
de neurônios sensoriais. Outras proteínas têm função motora,
como a actina e a miosina, envolvidas na contração muscular.
Como carboidratos e lipídios, proteínas também podem ser
reserva nutritiva, já que podem ser quebradas e liberar energia.
É o caso da caseína do leite e da ovoalbumina da clara do ovo.
Aminoácidos
Um aminoácido é uma molécula orgânica formada por um
átomo de carbono central assimétrico, denominado carbono
alfa, com quatro ligantes: hidrogênio, grupo carboxila, grupo
amina e radical. A figura a seguir ilustra a disposição espacial
desses componentes na estrutura de um aminoácido.
R
Grupo
amina
Grupo
carboxila
Radical
Carbono
Hidrogênio
Nitrogênio
Oxigênio
Carbono a
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Representação esquemática de uma molécula genérica
de aminoácido.
Existem ao todo 20 aminoácidos nos seres vivos, e a dife-
rença entre eles está no radical, também chamado de cadeia la-
teral. As propriedades químicas e físicas dos radicais possibilitam
que ocorram diferentes interações entre eles, o que contribui
para a manutenção da estrutura e da função de uma proteína.
Diferentemente das plantas, que produzem naturalmen-
te todos os aminoácidos, os animais produzem apenas uma
parcela deles, devendo adquirir a parcela restante por meio
da alimentação. Nesse sentido, os aminoácidos podem ser
divididos em dois grupos: naturais e essenciais.
Os aminoácidos naturais são aqueles produzidos normal-
mente pelo organismo e variam de acordo com cada espécie
animal. Nos seres humanos, os aminoácidos naturais são: glicina,
alanina, prolina, serina, cisteína, tirosina, asparagina, glutamina,
ácido aspártico, ácido glutâmico, arginina e histidina. Os ami-
noácidos essenciais são aqueles que não são produzidos pelo
organismo e precisam ser ingeridos com os alimentos. Nos seres
humanos, os aminoácidos essenciais são: triptofano, metionina,
valina, treonina, fenilalanina, leucina, isoleucina e lisina.
Todos os aminoácidos essenciais são encontrados na
carne, no leite, em ovos e na soja. Embora a maioria dos
vegetais não apresente todos esses aminoácidos, uma dieta
diversificada, com diferentes tipos de vegetais, supre todos eles.
Ligação peptídica
Nas proteínas, os aminoácidos permanecem unidos por
meio de ligações peptídicas. Uma ligação peptídica pode ocorrer
entre a carboxila de um aminoácido e o grupo amina do outro,
com formação de uma molécula de água (síntese por desidrata-
ção). Durante a digestão das proteínas, que ocorre por hidrólise,
as ligações peptídicas são quebradas e os aminoácidos liberados
podem ser aproveitados na síntese de novas proteínas.
água
Dipepơdeo
Ligação pepơdica
Aminoácido 1
Aminoácido 2
R
R
R
R
Átomo de hidrogênio
Átomo de nitrogênio
Átomo de carbono
Átomo de oxigênio
Representação molecular de uma ligação peptídica sendo
formada entre dois aminoácidos com produção de água.
A união química de dois aminoácidos forma um dipeptídeo.
A adição de mais um aminoácido forma um tripeptídeo. Quando
a molécula tem mais de 10 aminoácidos na cadeia, ela é denomi-
nada polipeptídeo, estrutura constituinte das proteínas.
Atenção!
A diferença entre as proteínas está na quantidade,
no tipo e na sequência de aminoácidos.
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
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=======
Questão 519
519
A estrutura secundária de uma proteína consiste em padrões regulares e
repetidos de ligações de hidrogênio em diferentes
regiões de uma cadeia polipeptídica, promovendo dobramentos ou
enovelamentos na molécula. Existem dois tipos básicos de
estrutura secundária: ɑ-hélice (enrolamento) e folha β-pregueada
(dobramento).
A estrutura terciária de uma proteína é a forma tridimensional final que
ela assume, que é determinante para a
função que ela desempenha. Essa estrutura resulta do dobramento na
estrutura secundária, decorrente de atração
e repulsão entre os radicais dos aminoácidos da cadeia polipeptídica.
Proteínas com estrutura quaternária são aquelas formadas por duas ou mais
cadeias polipeptídicas, chamadas su-
bunidades, cada uma com sua forma tridimensional específica. Essa
estrutura depende da maneira com a qual essas su-
bunidades interagem e contribuem para a forma final da proteína. A
hemoglobina do sangue, por exemplo, possui quatro
cadeias polipeptídicas: duas cadeias ɑ e duas β. Essa proteína só se
torna completa e funcional no transporte de oxigênio
após a interação completa entre as subunidades, o que configura a sua
estrutura quaternária.
Estrutura
primária
Estrutura
secundária
Estrutura
terciária
Estrutura
quaternária
Aminoácidos
α-hélice
Folha β-pregueada
ttsz/[Link]
Representação esquemática dos quatro níveis hierárquicos na estrutura das
proteínas.
Um exemplo de desnaturação proteica ocorre ao cozi-
nharmos um ovo. Nesse caso, a desnaturação é irreversível,
uma vez que a clara não volta jamais ao seu estado original.
Enzimas
As enzimas são macromoléculas, geralmente pro-
teínas, que atuam como catalisadores biológicos, isto é,
aceleram as reações químicas em milhares de vezes sem
serem consumidas nessas reações. As enzimas reduzem a
energia de ativação das reações químicas, ou seja, a ener-
gia mínima necessária para que ocorram.
Ea
Ea
Curso da reação
Reação sem a enzima
Reação com a enzima
Energia livre
HILLIS, D. M. et al. Life: the Science of Biology. 12. ed. New York:
W. H. Freeman and Company, 2020.
Energia de ativação de reações com e sem a ação da enzima.
Desnaturação proteica
Por ser mantida por interações químicas fracas, a estru-
tura tridimensional de uma proteína é sensível às alterações
ambientais. Fatores como temperatura, radiação ultravioleta,
pH e concentração de sais podem romper as interações quími-
cas e alterar a estrutura tridimensional (terciária e secundária),
promovendo desdobramento e desenrolamento da proteína,
mas sem afetar a estrutura primária.
A alteração na estrutura espacial de uma proteína é deno-
minada desnaturação. Esse fenômeno pode ser altamente pre-
judicial ao funcionamento celular, já que as proteínas desnatu-
radas perdem a sua função biológica.
A desnaturação (ou denaturação) é geralmente irre-
versível, mas em algumas situações especiais uma proteína
pode voltar à antiga configuração espacial, processo deno-
minado renaturação.
Proteína desnaturada
Renaturação
Proteína normal
Desnaturação
Aldona/[Link]
Representação esquemática dos processos de desnaturação e
renaturação de uma proteína.
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Questão 520
520
Note que nem todos os catalisadores biológicos são for-
mados de proteínas, pois alguns ácidos nucleicos têm tam-
bém essa capacidade; são as ribozimas, que serão estudadas
em outro momento.
Estrutura enzimática
Algumas enzimas são formadas apenas por aminoáci-
dos, enquanto outras precisam de grupos químicos adicio-
nais para se tornarem completas e ativas. Nesses casos, uma
enzima completa, denominada holoenzima, é constituída de
duas partes: apoenzima e cofator.
A apoenzima é formada por uma cadeia polipeptídica (par-
te proteica da enzima), geralmente de grande tamanho, com
dobras em torno de si mesma formando uma estrutura globular.
O cofator, também conhecido como grupo prostético, represen-
ta outro grupo químico ligado ao sítio ativo da enzima e pode
ser de dois tipos: íon mineral (Fe2+, Mg2+ e Zn2+) ou molécula
orgânica (vitamina), também conhecida como coenzima.
Mecanismo de ação enzimático
Apenas uma região específica da enzima, denominada
sítio ativo, participa ativamente da catálise. Geralmente o sí-
tio ativo engloba completamente o substrato, retirando-o da
solução. A interação entre a enzima e o substrato correspon-
dente forma o complexo enzima-substrato. Então, a enzima
converte o substrato em produto. Após a transformação quí-
mica, ocorre a liberação do produto formado e da enzima, que
permanece intacta e pode participar diversas outras vezes da
mesma reação química.
As enzimas são altamente específicas com relação aos
substratos. Atualmente, aceita-se o modelo de encaixe in-
duzido para o funcionamento enzimático, segundo o qual o
substrato se liga ao sítio ativo, alterando a forma tridimensio-
nal da enzima e possibilitando, assim, a associação completa
entre eles e a formação do complexo enzima-substrato.
Fatores que afetam a ação enzimática
A estrutura tridimensional das proteínas pode ser afeta-
da por diversos fatores, como a temperatura e o pH do meio.
Dessa forma, a velocidade das reações químicas catalisadas
por enzimas também é afetada por variações nas condições
em que essas reações acontecem.
Cada enzima atua melhor em uma determinada faixa
de temperatura. De forma geral, o aumento de temperatura
promove um aumento na velocidade de reação enzimática
até que se atinja a temperatura ótima, na qual a velocidade
de reação é máxima. Acima desse valor, a velocidade de rea-
ção começa a reduzir, pois o calor resulta em desnaturação
das enzimas, com perda de função.
Influência da temperatura na atividade enzimática.
Temperatura (°C)
=========================================================================
=======
Questão 0
0
=========================================================================
=======
Questão 20
20
=========================================================================
=======
Questão 40
40
=========================================================================
=======
Questão 60
60
=========================================================================
=======
Questão 80
80
=========================================================================
=======
Questão 100
100
Enzima
humana
Enzima de
procarioto termófilo
Velocidade de reação
CAMPBELL, N. A. et al. Biology: a global approach. 12. ed.
Harlow: Pearson, 2020.
Na maioria das enzimas, o pH ótimo fica no intervalo entre
=========================================================================
=======
Questão 6
=========================================================================
=======
Questão 0
=========================================================================
=======
Questão 1
=========================================================================
=======
Questão 2
=========================================================================
=======
Questão 3
=========================================================================
=======
Questão 4
=========================================================================
=======
Questão 10
10
Pepsina
Velocidade de reação
Tripsina
=========================================================================
=======
Questão 9
=========================================================================
=======
Questão 8
=========================================================================
=======
Questão 7
7
=========================================================================
=======
Questão 6
=========================================================================
=======
Questão 5
5
CAMPBELL, N. A. et al. Biology: a global approach. 12. ed.
Harlow: Pearson, 2020.
Tendo em vista que as enzimas precisam estar com os
sítios ativos livres para serem efetivas na catálise, a concen-
tração do substrato é outro fator que pode afetar a taxa de
reação enzimática. O aumento da concentração do substrato
pode promover aumento na velocidade de reação enzimática
até o ponto de saturação, no qual todas as enzimas já estão
com os sítios ativos ocupados pelos substratos. Concentra-
ções acima desse valor não alteram a velocidade da reação,
já que não há sítios ativos disponíveis.
Concentração do substrato
Ponto de saturação
Velocidade de reação
Influência da concentração de substrato na atividade enzimática.
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=========================================================================
=======
Questão 521
521
=========================================================================
=======
Questão 1
=========================================================================
=======
Questão 2
=========================================================================
=======
Questão 1
1
Redução de temperatura corpórea
=========================================================================
=======
Questão 2
2
Redução da produção de testosterona
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=======
Questão 3
3
Descalcificação óssea e dentária
Os números 1, 2 e 3 na tabela correspondem, respectiva-
mente, aos nutrientes
A
iodo, vitamina D e colesterol.
B
iodo, colesterol e vitamina D.
C
colesterol, vitamina D e iodo.
D
vitamina D, colesterol e iodo.
E
colesterol, iodo e vitamina D.
=========================================================================
=======
Questão 3
3 Enem PPL 2020 Há algumas décadas, surgiu no mercado um
medicamento que provocava perda de peso por inibir a ação da
lipase, enzima que atua no intestino na digestão de gorduras.
Um pesquisador, com o objetivo de avaliar a eficácia do medi-
camento, decidiu medir nos pacientes a quantidade de gordura
nas fezes e de triglicerídeos (um dos produtos da digestão das
gorduras) no sangue. Mantendo sempre a mesma dieta nos pa-
cientes, fez as medidas antes e depois da administração do me-
dicamento. A figura apresenta cinco resultados possíveis.
Gordura nas fezes antes
Gordura nas fezes depois
Triglicerídeos no sangue antes
Triglicerídeos no sangue depois
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=======
Questão 1
=========================================================================
=======
Questão 2
=========================================================================
=======
Questão 3
=========================================================================
=======
Questão 4
=========================================================================
=======
Questão 5
5
O efeito esperado do medicamento está representado
no resultado.
A
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=======
Questão 1
1.
B
=========================================================================
=======
Questão 2
2.
C
=========================================================================
=======
Questão 3
3.
D
=========================================================================
=======
Questão 4
4.
E
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=======
Questão 5
5.
=========================================================================
=======
Questão 4
=========================================================================
=======
Questão 21
21.03.2020. Adaptado.)
Este biopolímero pode ser obtido a partir de macerados
A
da casca de eucaliptos.
B
de algas marrons.
C
do esqueleto de tubarões.
D
de chifres de bovinos.
E
da carapaça de caranguejos.
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=======
Questão 5
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=======
Questão 6
=========================================================================
=======
Questão 1
=========================================================================
=======
Questão 2
=========================================================================
=======
Questão 4
=========================================================================
=======
Questão 8
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=======
Questão 16
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=======
Questão 522
522
=========================================================================
=======
Questão 1
=========================================================================
=======
Questão 2
=========================================================================
=======
Questão 1
=========================================================================
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Questão 2
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=======
Questão 4
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Questão 8
=========================================================================
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Questão 3
=========================================================================
=======
Questão 2
=========================================================================
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Questão 4
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=======
Questão 8
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Questão 16
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=======
Questão 32
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=======
Questão 3
3
Biologia • Frente 1
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=======
Questão 523
523
Ácido nucleico
Os ácidos nucleicos foram originalmente descobertos no final do século
XIX, quando o bioquímico suíço Johann Friedrich
Miescher (1844-1895) os visualizou no núcleo das células, chamando-os de
nucleína. Trabalhos posteriores do patologista
alemão Richard Altmann (1852-1900) demonstraram que se tratava de uma
molécula de caráter ácido, o que deu origem ao
termo ácido nucleico.
Essas macromoléculas são polímeros formados pela união de dezenas,
centenas, milhares e até mesmo milhões de molé-
culas menores (monômeros) denominadas nucleotídeos e, por esse motivo,
são também conhecidas como polinucleotídeos
Existem dois tipos de ácidos nucleicos: ácido desoxirribonucleico, ou
DNA, e ácido ribonucleico, ou RNA. Além de controlar a
síntese de proteínas, essas moléculas possibilitam aos seres vivos
armazenar e transmitir as características hereditárias de uma
geração para a outra.
Nucleotídeo
Os nucleotídeos têm função estrutural, já que são as unidades formadoras
dos ácidos nucleicos. Eles também desempe-
nham outras funções no metabolismo, como a energética (a molécula de ATP
é um exemplo de nucleotídeo) e a regulatória,
já que são componentes estruturais de vários cofatores enzimáticos. Cada
nucleotídeo é composto de três partes: pentose,
fosfato e base nitrogenada. A região que compreende a base nitrogenada e
a pentose é denominada nucleosídeo.
Nucleotídeo
Nucleosídeo
Fosfato
Pentose
Base
nitrogenada
Desoxirribose
Bases nitrogenadas
Pentoses
O
N
P
–O
O
O–
O
C
C
H
H
HOCH2
=========================================================================
=======
Questão 5
=========================================================================
=======
Questão 4
4
=========================================================================
=======
Questão 1
1
H
OH
OH
OH
C
C
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=======
Questão 3
=========================================================================
=======
Questão 2
2
O
C
C
H
H
OHCH2
=========================================================================
=======
Questão 5
=========================================================================
=======
Questão 4
=========================================================================
=======
Questão 1
1
H
OH
OH
H
C
C
=========================================================================
=======
Questão 3
=========================================================================
=======
Questão 2
2
Ribose
Citosina (C)
Pirimídicas
H3C
O
NH2
N
Uracila (U)
O
O
NH
Timina (T)
O
O
NH
Guanina (G)
Púricas
NH2
O
N
N
H
N
NH
Adenina (A)
NH2
N
N
N
O
H
H
N
H
N
H
N
H
N
H
Representação esquemática da estrutura de um nucleotídeo, das pentoses e
das bases nitrogenadas púricas e pirimídicas.
====PAGE 22====
=========================================================================
=======
Questão 524
524
A pentose é um monossacarídeo com cinco átomos de
carbono numerados de 1 a 5 em sentido horário a partir do
átomo de oxigênio do anel. Existem dois tipos de pentose:
ribose, componente dos nucleotídeos do RNA, e desoxirri-
bose, componente dos nucleotídeos do DNA. A diferença
entre elas é a ausência de um átomo de oxigênio ligado ao
carbono 2 na pentose do DNA.
Ligado ao carbono de número 5 encontra-se o grupo
fosfato, derivado do ácido fosfórico, com carga negativa.
Os nucleotídeos livres nas células, como a molécula de ATP,
possuem até três grupos fosfato ligados. Durante a polime-
rização dos ácidos nucleicos, dois fosfatos são eliminados,
restando apenas um grupo fosfato em cada nucleotídeo
componente do RNA e do DNA.
As bases nitrogenadas, ligadas ao carbono de número 1
da pentose, são moléculas orgânicas de caráter básico for-
madas por anéis de carbono e nitrogênio. Existem dois ti-
pos de bases nitrogenadas: púricas e pirimídicas. As bases
nitrogenadas púricas são semelhantes ao composto purina,
apresentando dois anéis de carbono e nitrogênio. Como
exemplo, temos a adenina (A) e a guanina (G). As bases
nitrogenadas pirimídicas são semelhantes ao composto pi-
rimidina, apresentando um anel de carbono e nitrogênio.
Os membros desse grupo são a citosina (C), a timina (T) e
a uracila (U).
Ácido ribonucleico
O ácido ribonucleico ou RNA (do inglês, ribonucleic acid)
é uma molécula que armazena informações genéticas e atua
com o DNA e as proteínas, como veremos adiante. Molecu-
larmente, o RNA é um polinucleotídeo semelhante ao DNA,
mas difere dele com relação a alguns aspectos:
•
É constituído por uma fita (com exceção de alguns vírus
que possuem RNA de fita dupla).
•
Sua pentose é denominada ribose, enquanto no DNA é
a desoxirribose.
•
Sua base nitrogenada exclusiva é a uracila (U), enquanto
no DNA é a timina.
Em uma cadeia de RNA, os nucleotídeos permanecem
unidos por ligações fosfodiéster, envolvendo um grupo fos-
fato de um nucleotídeo e a hidroxila da ribose do outro.
O arranjo dos nucleotídeos e a maneira pela qual estão uni-
dos confere uma polaridade química à fita de RNA.
Se considerarmos o açúcar como um bloco apresen-
tando uma cavidade na hidroxila, ligada ao carbono 3, e
uma protuberância no fosfato, ligado ao carbono 5, uma
cadeia nucleotídica apresenta suas unidades alinhadas na
mesma direção. Nesse caso, é possível distinguir as ex-
tremidades dessa cadeia, já que em uma delas terá uma
protuberância, a extremidade 5’, enquanto a outra apre-
sentará uma cavidade, denominada extremidade 3’.
Bases
nitrogenadas
Esqueleto
de ribose
e fosfato
Extremidade 5’
Extremidade 3’
P
R
R
R
R
R
R
P
P
P
P
P
A
A
U
G
C
U
Ligação
fosfodiéster
Ribose
HILLIS, D. M. et al. Life: the Science of Biology. 12. ed. New York:
W. H. Freeman and Company, 2020.
Representação esquemática de uma molécula de RNA.
Tipos de RNA
Moléculas de ácido ribonucleico são encontradas no
núcleo (onde são produzidas), no citosol e em algumas or-
ganelas celulares, como mitocôndrias, cloroplastos e retículo
endoplasmático granuloso. Os RNAs constituem o material
genético de muitos vírus, como o HIV e o coronavírus.
As cadeias de RNA podem realizar dobramentos sobre
si mesmas, formando estruturas tridimensionais comple-
xas que contribuem para a realização de diversas atividades
biológicas. Atualmente são reconhecidos inúmeros tipos de
RNA, mas daremos destaque a três deles: RNA mensagei-
ro, RNA transportador e RNA ribossômico.
O RNA mensageiro (RNAm) carrega instruções para a sín-
tese de uma proteína. Se o DNA representasse uma biblioteca
completa de instruções sobre as atividades celulares, de for-
ma análoga, o RNAm representaria uma fotocópia de um tre-
cho de um livro, produzida em determinado momento e que
serve de instruções para a síntese de uma proteína específi-
ca. Ele é produzido no núcleo, a partir da transcrição de um
gene, e depois se desloca para o citoplasma, onde será utili-
zado na síntese proteica. No RNAm encontram-se os códons,
que determinam a sequência de aminoácidos que compõem
a cadeia polipeptídica das proteínas.
O RNA transportador (RNAt), também conhecido como
RNA de transferência, carrega em uma extremidade um
aminoácido específico e na outra um anticódon, trinca de
bases nitrogenadas complementar a um determinado códon
do RNAm. Existem cerca de 100 tipos diferentes de RNAt,
moléculas curtas, com cerca de 80 nucleotídeos e estrutura
====PAGE 23====
=========================================================================
=======
Questão 525
525
tridimensional na forma de folha de trevo. O RNA ribossômi-
co (RNAr) se associa a algumas proteínas e forma os ribosso-
mos, organelas responsáveis pela produção de proteínas. O
RNAr compõe cerca de 60% da estrutura ribossômica e, com
proteínas associadas, é responsável pelo alinhamento correto
do RNAm e RNAt, catalisando a formação de uma ligação
peptídica entre aminoácidos adjacentes.
O RNA ribossômico (RNAr) se associa a algumas pro-
teínas e forma os ribossomos, organelas responsáveis pela
produção de proteínas. O RNAr compõe cerca de 60%
da estrutura ribossômica e, com proteínas associadas, é
responsável pelo alinhamento correto do RNAm e RNAt,
catalisando a formação de uma ligação peptídica entre
aminoácidos adjacentes.
Ácido desoxirribonucleico (DNA)
O ácido desoxirribonucleico, ou DNA (do inglês
deoxirribonucleic acid), é uma das moléculas mais importan-
tes dos seres vivos, já que armazena todas as informações
hereditárias e controla o metabolismo celular. O DNA é um
polinucleotídeo semelhante ao RNA, mas difere dele com re-
lação a determinadas características.
•
Possui duas fitas (apenas alguns vírus possuem DNA de
fita simples).
•
Sua pentose é denominada desoxirribose, enquanto no
RNA é a ribose.
•
Sua base nitrogenada exclusiva é a timina (T), substituin-
do a uracila do RNA.
Em algumas células que não têm núcleo, denominadas
procarióticas, o DNA fica disperso no citosol. Já nas células
que têm núcleo, denominadas eucarióticas, o DNA fica confi-
nado em seu interior. Algumas organelas, como mitocôndrias
e cloroplastos, também contêm moléculas de DNA.
Estrutura molecular do DNA
A molécula de DNA é uma dupla hélice, já que possui
formato helicoidal e é formada por duas fitas. Os esquele-
tos de desoxirribose e fosfato das cadeias polinucleotídicas
(fitas) ficam voltados para o lado de fora, enquanto as bases
nitrogenadas ficam voltadas para o centro.
As duas fitas permanecem unidas por meio de ligações
de hidrogênio existentes entre os pares de bases nitrogena-
das. Os nucleotídeos permanecem unidos entre si em uma
mesma fita por meio de ligações fosfodiéster, que ocorrem
entre o fosfato de um nucleotídeo e a desoxirribose do outro.
A descoberta da estrutura do DNA é bastante polêmica.
Uma pista importante para elucidar a estrutura do DNA veio
em 1950, com os resultados dos trabalhos do bioquímico aus-
tríaco Erwin Chargaff (1905-2002) e colaboradores. Chargaff
realizou pesquisas sobre a composição do DNA e descobriu
que espécies distintas exibiam certas regularidades com re-
lação ao número de bases nitrogenadas. A quantidade de
adenina (A) era sempre similar à de timina (T), enquanto a
de citosina (C) era similar à de guanina (G). Dessa forma, o
número de bases púricas (A + G) era sempre igual ao núme-
ro de bases pirimídicas (T + C), relação conhecida como regra
de Chargaff.
O DNA possui fitas complementares. Cada par de
bases é formado por uma base púrica (A ou G) e outra
pirimídica (T ou C). A adenina (A) pareia com a timina,
realizando duas ligações de hidrogênio entre elas. Já a
guanina (G) pareia com a citosina (C), formando três liga-
ções de hidrogênio entre elas. Dessa forma, o número de
adeninas é sempre igual ao número de timinas (A = T), da
mesma maneira que o número de citosinas sempre é igual
ao número de guaninas (C = G), em conformidade com a
regra de Chargaff.
As duas extremidades de uma mesma fita de DNA dife-
rem, sendo uma a extremidade 3’ (OH ligado ao carbono 3)
e a outra a extremidade 5’ (fosfato ligado ao carbono 5 da
pentose). Em uma molécula de DNA de dupla hélice a extre-
midade 3’ de uma fita apresenta-se pareada com a extremi-
dade 5’ da outra fita e vice-versa. Dessa forma, o DNA tem
fitas antiparalelas, já que apresentam sentidos opostos.
Todas as hélices têm uma direção, que no caso do DNA
é destra. A geometria das bases nitrogenadas e a torção das
fitas de DNA criam um sulco maior e outro menor que estão
dispostos ao longo do comprimento da molécula. Esses sul-
cos representam pontos de ligação de proteínas que mantêm
a estabilidade do DNA e regulam a atividade dos genes.
É interessante notar que, em alguns vírus, o DNA se apresenta
como fita simples, situação que não ocorre em seres celulares.
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Sulco
maior
Sulco
menor
Extremidade 5’
Extremidade 3’
Extremidade 3’
OH
OPO3
–
Extremidade 5’
G
C
A
T
A
T
A
T
A
T
A
T
A
T
G
C
G
C
G
C
G
C
G
C
G
C
G
C
P
D
D
D
D
D
D
P
P
P
P
P
A
A
T
G
C
T
P
D
D
D
D
D
D
P
P
P
P
P
A
T
G
C
T
A
Ligação
fosfodiéster
Ligação de
hidrogênio
Representação esquemática da estrutura molecular do DNA.
====PAGE 24====
=========================================================================
=======
Questão 526
526
Replicação
Após a descoberta da dupla hélice do DNA, uma
questão ainda precisava ser solucionada: como o DNA é
replicado? Naquela época existiam três hipóteses para a
repli cação do DNA:
•
Replicação semiconservativa: produziria moléculas
contendo uma fita antiga (preservada) e uma fita nova
(recém-sintetizada).
•
Replicação conservativa: preservaria a molécula ori-
ginal (duas fitas antigas) e produziria uma molécula
nova (duas fitas novas).
•
Replicação dispersiva: produziria moléculas contendo
pedaços do DNA antigo e novo em cada uma das fitas.
DNA
original
DNA
replicado
A
B
C
Representação esquemática das três hipóte-
ses para a replicação do DNA: semiconservati-
va (A), conservativa (B) e dispersiva (C).
Foi apenas no final da década de 1950 que cientistas es-
tadunidenses comprovaram que o DNA tem replicação semi-
conservativa. A duplicação do DNA envolve a participação do
complexo de replicação, formado por enzimas e outras pro-
teínas. A primeira etapa, controlada pela enzima DNA-helica-
se, é a desnaturação (desenrolamento) e separação das fitas
de DNA, que serão utilizadas como moldes para a produção
das fitas novas complementares. Em seguida, proteínas de
ligação específicas se ligam às fitas simples separadas pela
DNA-helicase, para evitar que elas se reorganizem em du-
pla-hélice. A região em que o DNA é desenrolado pela DNA-
-helicase é denominada forquilha de replicação.
Após a separação das fitas, a enzima DNA-polimerase ini-
cia a polimerização de novas fitas de DNA a partir das fitas se-
paradas, que servem como moldes. Novos nucleotídeos são
unidos entre si por meio de ligações fosfodiéster em cada
uma das fitas em crescimento, em uma sequência determi-
nada pelo pareamento complementar de bases tendo como
base as fitas moldes. O crescimento das novas fitas sempre
ocorre no sentido 5’ para 3’.
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Cromossomo
condensado
Nucleotídeos
Nucleotídeos
Fita antiga
=========================================================================
=======
Questão 5
5’
=========================================================================
=======
Questão 3
3’
=========================================================================
=======
Questão 5
5’
=========================================================================
=======
Questão 3
3’
=========================================================================
=======
Questão 3
3’
Fita antiga DNA-polimerase
DNA-polimerase
DNA-helicase
Fita nova
tardia
=========================================================================
=======
Questão 5
5’
Fita nova líder
Forquilha de
replicação
Representação esquemática da replicação semiconservativa
do DNA.
Síntese de proteínas
Francis Crick propôs o dogma central da biologia mole-
cular, que prevê que as informações existentes na molécula
de DNA são transferidas para a molécula de RNAm, processo
conhecido como transcrição, e depois as informações desse
RNA são passadas para o polipeptídeo (proteína), processo
conhecido como tradução.
De acordo com o dogma central, uma vez que a infor-
mação é transferida para a proteína, ela não pode retomar,
ou seja, um polipeptídeo não codifica a produção de outro
polipeptídeo, RNA ou DNA.
No entanto, os retrovírus, como o HIV, causador da aids,
são uma exceção à regra do dogma central, já que, neles, é
o RNA que é utilizado como molde para produção de uma
molécula de DNA viral.
Esse processo é conhecido como transcrição reversa e
conta com a participação da enzima transcriptase reversa,
presente nesses tipos de vírus.
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Representação esquemática do dogma central da biologia molecular.
Transcrição
Tradução
Proteína
DNA
RNA
Designua/[Link]
Código genético
Ao descobrir que as instruções para a síntese de pro-
teínas estavam armazenadas no DNA, os cientistas se
depararam com um dilema: como apenas quatro bases
====PAGE 25====
=========================================================================
=======
Questão 527
527
nitrogenadas podem determinar 20 tipos distintos de ami-
noácidos? Na década de 1950, foi proposta a hipótese do
tripleto, amplamente aceita, na qual os códigos estão dis-
postos em trincas de bases nitrogenadas. No entanto, foi
somente na década de 1960 que essa hipótese foi testada
e finalmente todo o código genético foi desvendado pe-
los cientistas.
O código genético relaciona os genes (DNA) ao RNAm e
aos aminoácidos que formam a proteína sintetizada.
Cada sequência de três bases nitrogenadas (trincas)
no RNAm é denominada códon, sequência complementar
a uma trinca presente no DNA do qual foi transcrito. Cada
Segunda base nitrogenada
Terceira base nitrogenada
Primeira base nitrogenada
U
U
C
A
G
C
A
G
U
C
A
G
U
C
A
G
U
C
A
G
U
C
A
G
UUU
UUC
UUA
UUG
CUU
CUC
CUA
CUG
AUU
AUC
AUA
GUU
GUC
GUA
GUG
AUG
Fenilalanina (Fen)
UCU
UCC
UCA
UCG
Serina (Ser)
CCU
CCC
CCA
CCG
Prolina (Pro)
ACU
ACC
ACA
ACG
Treonina (Tre)
GCU
GCC
GCA
GCG
Alanina (Ala)
GGU
GGC
GGA
GGG
Glicina (Gli)
CGU
CGC
CGA
CGG
Arginina (Arg)
Leucina (Leu)
UAU
UAC
UAA
UAG
Tirosina (Tir)
CAU
CAC
Histidina (His)
CAA
CAG
Glutamina (Gln)
AAU
AAC
Asparagina (Asn)
AAA
AAG
Lisina (Lis)
AGU
AGC
Serina (Ser)
AGA
AGG
Arginina (Arg)
GAU
GAC
Aspartato (Asp)
Glutamato (Glu)
GAA
GAG
Códon de
término
UGU
UGC
UGA
UGG
Cisteína (Cis)
Triptofano (Trp)
Códon de
término
Leucina (Leu)
Isoleucina (Ile)
Valina (Val)
Metionina (Met);
Códon de início
Tabela de códons com nome e abreviaturas padronizadas dos aminoácidos
sequenciados.
códon codifica um determinado aminoácido na proteína
que será produzida.
Nesse sentido, o código genético corresponde ao conjun-
to completo de trincas de bases nitrogenadas e aos comandos
codificados por elas (aminoácidos ou parada de produção).
Ao todo, existem 64 códons diferentes (43), resultan-
tes da combinação de quatro tipos diferentes de bases
nitrogenadas (A, C, G e U) em grupos de 3 (trincas). O có-
don AUG representa o códon de início, um sinal para que
ocorra o início da produção de uma proteína. Já os códons
UAA, UAG e UGA são códons de parada, indicando o tér-
mino da tradução.
Desconsiderando os códons de início e de parada, os
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=======
Questão 60
====PAGE 26====
AULA 3: Replicação, transcrição e síntese proteica
Biologia • Frente 1
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Questão 528
528
para essa produção. Em cada gene, apenas uma das fitas de
DNA, denominada fita molde, é transcrita, enquanto a outra
fita permanece sem transcrição. Considerando diferentes ge-
nes de uma mesma molécula de DNA, diferentes fitas podem
ser transcritas, ou seja, a fita molde de um determinado gene
pode não ser a fita molde de outro gene.
A transcrição requer a presença de uma enzima deno-
minada RNA-polimerase, responsável pela produção de RNA
mensageiro a partir de uma molécula de DNA. Esse processo
ocorre em três fases: iniciação, alongamento e terminação.
A iniciação da transcrição ocorre quando a RNA-poli-
merase se liga ao promotor, uma região do gene que indica
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
RNAm
RNAm
Fita não molde
Desenrolamento de DNA
Iniciação
Fita molde
Fita molde
=========================================================================
=======
Questão 3
3’
=========================================================================
=======
Questão 3
3’
=========================================================================
=======
Questão 5
5’
=========================================================================
=======
Questão 5
5’
RNA-polimerase
Promotor
Sítio de início
Sítio de término
DNA
Nucleotídeos
Sentido de leitura
Alongamento
Terminação
=========================================================================
=======
Questão 3
3’
=========================================================================
=======
Questão 5
5’
=========================================================================
=======
Questão 3
3’
=========================================================================
=======
Questão 5
5’
=========================================================================
=======
Questão 3
3’
=========================================================================
=======
Questão 5
5’
RNA-polimerase
=========================================================================
=======
Questão 3
3’
=========================================================================
=======
Questão 3
3’
=========================================================================
=======
Questão 5
5’
=========================================================================
=======
Questão 5
5’
=========================================================================
=======
Questão 3
3’
=========================================================================
=======
Questão 5
5’
HILLIS, D. M. et al. Life: the science of Biology. 12. ed. New York: W.
H. Freeman and Company, 2020.
Representação esquemática das três etapas envolvidas na transcrição:
iniciação, alongamento e terminação.
Nas células eucarióticas, o DNA fica contido no núcleo
celular, local onde ocorre a transcrição. Antes de migrar para
o citoplasma, o pré-RNAm produzido passa por um proces-
samento. Nesse processo ocorre adição de uma molécula de
GTP (guanosina trifosfato) na extremidade 5’ do pré-RNAm,
o que facilita a ligação do RNAm maduro ao ribossomo e
evita que ele seja digerido por enzimas no citoplasma. À ex-
tremidade 3’ do pré-RNAm é adicionada uma cauda poli-A,
com 100 a 300 adeninas, que auxilia na exportação do RNAm
maduro do núcleo para o citoplasma.
Em seguida, ocorre a retirada de íntrons do pré-RNAm,
processo conhecido como splicing. Os íntrons são sequên-
cias de bases não codificantes do pré-RNAm. Entre os íntrons
onde começa a transcrição, que fita de DNA deve ser trans-
crita e qual direção deve ser tomada. A função inicial da
enzima é separar as duas fitas de DNA para que ocorra o
alongamento, momento em que a RNA-polimerase inicia
a produção de uma molécula de RNA complementar à fita
molde de DNA, que é lida no sentido 3’ para 5’. Já o cres-
cimento da molécula de RNA que está sendo sintetizada
sempre ocorre no sentido 5’ para 3’. A terminação da trans-
crição acontece quando a RNA-polimerase encontra uma
sequência específica de bases nitrogenadas denominada
sítio de término, que determina a liberação do RNAm e da
enzima RNA-polimerase.
encontram-se os éxons, que representam as sequências codi-
ficantes existentes no pré-RNAm.
O processamento do pré-RNAm envolve a retirada de ín-
trons e a união dos éxons, para formar o RNAm maduro. Até
o final do século XX, os cientistas estimavam a existência de
=========================================================================
=======
Questão 100
====PAGE 27====
=========================================================================
=======
Questão 529
529
Pré-RNAm
DNA
Transcrição
Tradução
Processamento
do RNA
RNAm
Citosol
Núcleo
RNAm
Ribossomo
Polipeptídeo
CAMPBELL, N. A. et al. Biology: a global approach.
=========================================================================
=======
Questão 12
=========================================================================
=======
Questão 1
=========================================================================
=======
Questão 2
=========================================================================
=======
Questão 3
=========================================================================
=======
Questão 4
=========================================================================
=======
Questão 5
5
=========================================================================
=======
Questão 1
=========================================================================
=======
Questão 2
=========================================================================
=======
Questão 4
=========================================================================
=======
Questão 5
=========================================================================
=======
Questão 1
=========================================================================
=======
Questão 2
=========================================================================
=======
Questão 3
=========================================================================
=======
Questão 5
5
Íntron
Éxon 2
Transcrição
Éxon 3
Éxon 4
Éxon 5
DNA
Pré-RNAm
RNAm
Tradução
Tradução
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Tradução
Após o splicing, que ocorre no núcleo das células, o RNAm maduro migra
para o citoplasma, onde ocorre a tradução, que é
a síntese do polipeptídeo (proteína). Na tradução, os códons são lidos um
a um e os aminoácidos correspondentes são unidos
até ser formado o polipeptídeo.
A tradução ocorre com a participação do RNAm, do ribossomo, das moléculas
de RNAt carregadas com aminoácidos, entre
outras moléculas. O RNAm contém uma sequência de códons, ou seja, as
informações genéticas transcritas do DNA, enquanto
as moléculas de RNAt transportam aminoácidos específicos. Os ribossomos
(RNAr) atuam como um ambiente propício para a
interação entre as moléculas de RNAm e RNAt, já que aceleram as reações
químicas. São reconhecidas três etapas na tradução:
iniciação, alongamento e terminação.
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
====PAGE 28====
=========================================================================
=======
Questão 530
530
Assim que o RNAm chega ao citoplasma, ocorre a iniciação da tradução.
Nessa etapa, a subunidade menor de um ribossomo
se liga à molécula de RNAm e, na sequência, uma molécula de RNAt com
aminoácido metionina se liga ao códon de início (AUG),
já que possui o anticódon complementar a ele (UAC), formando o complexo
de iniciação. Com o consumo de uma molécula de
GTP (semelhante à molécula de ATP), a subunidade maior junta-se ao
complexo e o RNAt passa a ocupar o sítio P do ribossomo.
O primeiro aminoácido nas cadeias polipeptídicas sempre é a metionina, já
que é codificada pelo códon de início. Entre-
tanto, nem todas as proteínas maduras possuem esse aminoácido em sua
extremidade, pois em muitos casos ele é removido
após a tradução.
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Representação esquemática das estruturas envolvidas na etapa de iniciação
da tradução.
Aminoácido
RNAt
Anticódon
Códon de início
Subunidade
menor
Sítio P
Subunidade
maior
=========================================================================
=======
Questão 3
3’
GTP
GDP + Pi
Síti P
Sítio P
E
R
P
ELEM
DE PR
P
Met
E
P
A
RNAm
Subunidade
menor
=========================================================================
=======
Questão 3
3’
Am
RNAt
ticódon
minoácido
RNAt
Met
RNAm
Rujirat Boonyong/[Link]
Na etapa de alongamento, os aminoácidos são adicionados um por um em uma
sequência determinada pelos códons do
RNAm, respeitando o sentido de leitura 5’ para 3’. O primeiro passo, que
consome uma molécula de GTP, consiste no parea-
mento de um RNAt com anticódon complementar ao códon do sítio A. Por
exemplo, se o códon no sítio A for UGG, o RNAt com
anticódon complementar ACC, carregado com o aminoácido treonina, se
ligará nesse sítio do ribossomo.
Em seguida, uma molécula de RNAr da subunidade maior do ribossomo
catalisa a formação de uma ligação peptídica entre
o último aminoácido do polipeptídeo em formação, no sítio P, e o novo
aminoácido, no sítio A (aminoacil-RNAt). Esse passo
remove a cadeia polipeptídica do RNAt do sítio P (peptidil-RNAt) e a
transfere ao aminoácido ligado ao RNAt do sítio A.
O ribossomo, agora com consumo de uma molécula de GTP, transloca o RNAt
do sítio A para o sítio P, enquanto o RNAt
sem aminoácido do sítio P é movido para o sítio E, de onde é liberado.
Esse movimento do RNAm mensageiro expõe um novo
códon no sítio A do ribossomo (por exemplo, GUA), ao qual um novo RNAt,
com anticódon complementar e transportando o
aminoácido correspondente (no caso, a valina), poderá se ligar e
reiniciar o ciclo.
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Representação esquemática das estruturas envolvidas na etapa de
alongamento da tradução.
Polipeptídeo com
=========================================================================
=======
Questão 4
4 aminoácidos
Polipeptídeo com
=========================================================================
=======
Questão 5
5 aminoácidos
Ribossomo
RNAm
RNAt
RNAt com o
próximo aminoácido
Anticódon
Códon
Ligação
peptídica
GTP
GDP + Pi
GTP
GDP + Pi
Rujirat Boonyong/[Link]
O ciclo de alongamento termina quando um códon de parada (UAA, UAG ou
UGA) entra no sítio A do ribossomo, fase
conhecida como terminação da tradução. Um códon de parada não codifica
aminoácido e não se liga a moléculas de RNAt.
Em vez disso, um fator de liberação proteico (semelhante ao RNAt) se liga
a ele, sendo responsável pela adição de água em vez
de aminoácido na cadeia polipeptídica.
A reação de hidrólise quebra a ligação entre a cadeia polipeptídica e o
RNAt no sítio P, liberando a cadeia polipeptídica
pelo túnel da subunidade maior. A partir da hidrólise de duas moléculas
de GTP inicia-se a dissociação das duas subunidades
ribossômicas e outros componentes do complexo de iniciação.
====PAGE 29====
=========================================================================
=======
Questão 531
531
Representação esquemática das estruturas envolvidas na etapa de
terminação da tradução.
Códon de parada
Ribossomo
Fator de liberação
RNAm
RNAt
Polipeptídeo
Subunidade maior
Subunidade menor
Rujirat Boonyong/[Link]
GTP
GDP + Pi
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Em alguns casos, ribossomos podem se associar sequencialmente na tradução
de uma única molécula de RNAm. Assim,
inúmeras cópias da sequência primária da proteína são produzidas
simultaneamente. Essa associação de ribossomos é deno-
minada polissomos ou polirribossomos.
=========================================================================
=======
Questão 1
=========================================================================
=======
Questão 2
=========================================================================
=======
Questão 3
=========================================================================
=======
Questão 3
=========================================================================
=======
Questão 532
532
Quadro 1
Áreas
Sequências de DNA
A1 – Extrativismo
TCC TAA TTG AAA
TCC TAA CTG AGA
A2 – Extrativismo
TCC TAA TGT CAC
TCC AAA TTG CAC
B1 – Conservação
TCC AAA TTT CAC
TCC TAA TGT CAC
B2 – Conservação
TCC TAA CTG AGA
TCC AAA TTT CAC
Quadro 2
Amostras
Sequências de DNA
=========================================================================
=======
Questão 1
1
TCC TAA CTG AGA
=========================================================================
=======
Questão 2
2
TCC TAA TTG AAA
=========================================================================
=======
Questão 3
3
TCC TAA TGT CAC
=========================================================================
=======
Questão 4
4
TCC AAA TTG CAC
=========================================================================
=======
Questão 5
5
TCC AAA TTT CAC
MIRANDA, N.E.O.; ALMEIDA JÚNIOR, E. B. A.; COLLEVATTI, R. G. A genética
contra os crimes ambientais: identificação de maneira ilegal proveniente
de unidades de conservação utilizando marcador molecular. Genética na
Escola, v. 9, n. 2, 2014 (adaptado).
Qual loja moveleira comercializa madeira exclusivamente de
forma ilegal?
A
=========================================================================
=======
Questão 1
1.
B
=========================================================================
=======
Questão 2
2.
C
=========================================================================
=======
Questão 3
3.
D
=========================================================================
=======
Questão 4
4.
E
=========================================================================
=======
Questão 5
5.
=========================================================================
=======
Questão 4
=========================================================================
=======
Questão 1
=========================================================================
=======
Questão 2
=========================================================================
=======
Questão 4
=========================================================================
=======
Questão 8
=========================================================================
=======
Questão 6
====PAGE 31====
=========================================================================
=======
Questão 533
533
=========================================================================
=======
Questão 1
1 Unicamp-SP 2019
ácido úrico
rosina
vidarabina
nucleo
deo
dAMP (com
base adenina)
Disponível em: [Link] Acessado em: 10/06/2018.
Considerando as semelhanças e diferenças entre as estrutu-
ras químicas dos compostos anteriores e seus conhecimentos
sobre os processos bioquímicos da célula, escolha a alternati-
va que preenche corretamente as lacunas no texto a seguir:
“O composto (I) __________ pode ser utilizado para inibir
(II) ____________, uma vez que tem estrutura química mui-
to semelhante à do (III) ______________, sendo, portanto,
erroneamente reconhecido (IV) __________________ .”
A
(I) tirosina; (II) a síntese de proteínas; (III) nucleotídeo dAMP;
(IV) pelo ribossomo como possível precursor na transcrição.
B
(I) vidarabina; (II) a replicação do DNA; (III) nucleotídeo
dAMP; (IV) pela polimerase como possível precursor na sín-
tese do DNA.
C
(I) vidarabina; (II) a síntese de proteínas; (III) ácido úrico; (IV)
pelo ribossomo como possível precursor na tradução.
D
(I) tirosina; (II) a replicação do DNA; (III) nucleotídeo dAMP;
(IV) pela transcriptase como possível precursor do DNA.
=========================================================================
=======
Questão 2
=========================================================================
=======
Questão 534
534
=========================================================================
=======
Questão 3
3 UCS-RS 2021
Em abril de 2023, o mundo estará comemorando o 70º
aniversário alusivo à descoberta da estrutura em dupla
hélice do ácido desoxirribonucleico, o DNA. A importância
desse feito, talvez o mais relevante da história da Biologia
moderna, reside no fato de o DNA conter toda a informa-
ção genética responsável pelas características e funções de
cada célula.
A estrutura tridimensional desse ácido nucleico foi des-
vendada por James Watson, Francis Crick e Maurice Wilkins,
quando trabalhavam em Cambridge, no Reino Unido. Eles
construíram modelos de cartolina e arame para entender
e descrever a maior macromolécula celular dos seres vivos, e
os resultados desse estudo acabaram sendo publicados no
periódico científico Nature, em 25 de abril de 1953. O texto
de 900 palavras era acompanhado de um esboço simples da
famosa dupla hélice e atraiu pouca atenção da comunidade
científica. O estudo só ganhou destaque em 1957, quando
cientistas demonstraram que o DNA se autoduplicava.
Desde então, a “macromolécula da vida” tem sido peça
vital para a ciência moderna, permitindo incríveis avanços
nas áreas da medicina, criminalística, astrobiologia e ar-
queologia, para citar algumas. E, graças ao trabalho reali-
zado pela equipe, os três cientistas foram laureados com o
prêmio Nobel de Medicina em 1962.
Disponível em: [Link] 8541-dna-
[Link]; [Link] online/
qnesc17/[Link]; https:// [Link]/[Link]?script=sci_
arttext&pid=S0104-42302005000100001.
Acesso em: 28 jan. 2021. (Parcial e adaptado.)
Tomando por base os seus conhecimentos em Biologia, assi-
nale a alternativa correta.
A
Os nucleotídeos são as unidades básicas e repetitivas
formadoras do DNA, sendo cada um deles composto por
um grupo fosfato, uma hexose e uma base oxigenada.
B
As duas cadeias de uma dupla hélice de DNA possuem a
mesma orientação, e suas sequências de bases nitroge-
nadas são complementares.
C
Os pareamentos das bases nitrogenadas na dupla hélice
de DNA ocorrem por meio de ligações de hidrogênio.
D
A polimerização de uma fita simples de DNA é dita se-
miconservativa, pois independe da existência de uma
fita molde.
E
O DNA é traduzido em proteínas pelos ribossomos, me-
diante a ação da enzima RNA-polimerase.
=========================================================================
=======
Questão 4
=========================================================================
=======
Questão 64
====PAGE 33====
Biologia celular
C4 | H13, H14 e H15
AULA
=========================================================================
=======
Questão 4
4
Biologia • Frente 1
=========================================================================
=======
Questão 535
535
O desenvolvimento da microscopia possibilitou à humanidade a descoberta
das unidades microscópicas que formam os
seres vivos, desde as bactérias até os animais. Essas unidades são as
células. A descoberta das células inaugurou a Biologia
celular, ciência que estuda o funcionamento das células, unidades
fundamentais da vida.
Descoberta da célula
A invenção dos microscópios, há menos de 400 anos, pos-
sibilitou a descoberta de um mundo até então desconhecido:
o mundo microscópico. Isso possibilitou a visualização das cé-
lulas, inaugurando uma nova área de investigação científica
denominada Citologia (do grego kytos, célula, e logos, estudo),
atualmente mais conhecida como Biologia celular, área que
estuda a estrutura, a função e o comportamento das células.
O termo célula (do latim cellula, pequeno compartimen-
to) foi proposto em 1665 por Robert Hooke (1635-1703),
ao estudar cortiça, material extraído da casca do carvalho.
Hooke cortou lâminas finas de cortiça e as observou no mi-
croscópio, desenvolvido por ele, encontrando pequenas ca-
vidades que foram comparadas às celas (pequenos quartos)
de um convento.
Teoria celular
Em 1838, o botânico alemão Matthias Schleiden (1804-
-1881) concluiu em seus estudos microscópicos que todas
as plantas são compostas de células. Já em 1839, o biólogo
alemão Theodor Schwann (1810-1882) confirmou que os
animais também são formados por células. Surgia assim a
teoria celular, que propôs inicialmente que todos os seres
vivos são formados por células.
Em 1855, o patologista alemão Rudolph Virchow (1821-
-1902) afirmou que toda célula é proveniente de outra célula
preexistente, ou seja, a célula é capaz de se reproduzir. As
descobertas realizadas pelos cientistas ao longo do tempo
foram contribuindo, aprimorando e fortalecendo cada vez
mais a teoria celular, que atualmente se apoia em três prin-
cípios ou premissas:
•
Todos os seres vivos são formados por células, ou seja,
as células são as unidades morfológicas dos seres vivos.
•
Reações químicas ocorrem no interior das células, ou
seja, as células são as unidades funcionais e fisiológicas
dos seres vivos.
•
Toda célula se origina de outra célula, ou seja, a continui-
dade da vida depende da reprodução celular.
Origem da célula eucariótica
O surgimento da célula eucariótica ao longo do lento pro-
cesso evolutivo é um aspecto de difícil elucidação, principal-
mente pelo fato de não existirem células intermediárias entre
procariontes e eucariontes. Tudo indica que as células euca-
rióticas, com seus elaborados sistemas de endomembranas,
tenham se originado de células procarióticas ancestrais que
apresentavam invaginações da membrana plasmática.
A principal proposta que pode explicar o surgimento da
célula eucariótica é a de que procariontes predadores, que se
alimentavam de outras células, tinham um estilo de vida que
demandava uma célula grande com uma membrana plasmática
flexível, bem como um elaborado citoesqueleto para sustenta-
ção e movimento dessa membrana. Esse modo de vida também
deve ter possibilitado a formação do núcleo celular, local em
que a longa e frágil molécula de DNA é mais protegida dos danos
eventualmente causados pelos movimentos do citoesqueleto.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
J. Marini/[Link]
Citosol
DNA
Membrana
plasmática
Ribossomos
Invaginações da
membrana plasmática
Membrana
plasmática
Retículo
endoplasmático
DNA
Membrana
plasmática
Núcleo
Célula procariótica
Célula eucariótica
Representação esquemática da origem da célula eucariótica a partir de
invaginações da membrana plasmática de uma célula procariótica.
====PAGE 34====
536
Teoria endossimbiôntica
Na década de 1960, a bióloga estadunidense Lynn Margulis (1938-2011)
descreveu, em um artigo intitulado On the origin
of mitosing cells, a teoria endossimbiôntica para explicar a origem das
mitocôndrias e dos cloroplastos, organelas com DNA
próprio. De acordo com essa teoria, procariontes ancestrais teriam sido
englobados por organismos eucariontes primitivos,
passando a viver dentro dos hospedeiros em endossimbiose (do grego endo,
dentro, syn, juntos, e bios, vida), processo que
veio a ser conhecido como simbiogênese. Antes dela, o botânico russo
Konstantin Mereschkowski (1855-1921) descreveu, em
dois trabalhos, um de 1905 e outro de 1910, achados que sugeriam que
cloroplastos eram organelas “diferentes”, e deviam ter
sua origem nas cianobactérias, resgatando uma observação feita como nota
de rodapé em um trabalho de 1883 do botânico
alemão Andreas Schimper (1856-1901).
Nesse contexto, Lynn Margulis reuniu argumentos consistentes sobre as
ideias de simbiogênese em um trabalho de 1981 deno-
minado Symbiosis in Cell Evolution. Para tanto, ela adotou a simbiogênese
dirigida por ideias darwinistas proposta em 1924 por outro
botânico russo, Boris Kozo-Polyansky (1890-1957).
Para Margulis, eucariotos heterótrofos ancestrais teriam englobado
bactérias aeróbias, que não foram digeridas e passa-
ram a estabelecer, depois de determinado tempo, uma relação de mutualismo
com as células eucarióticas hospedeiras. Ao
longo do tempo, as bactérias aeróbias se transformaram nas mitocôndrias,
organelas fundamentais ao metabolismo celular
(respiração celular) e sem as quais as células eucarióticas não conseguem
sobreviver.
Conforme previu Mereschkowski, os cloroplastos também teriam se originado
de procariotos. De acordo com a teoria,
cianobactérias (bactérias fotossintetizantes) que foram englobadas por
células eucarióticas primitivas, e não foram digeridas,
passaram a viver dentro delas em uma relação de mutualismo.
Representação esquemática da teoria endossimbiôntica, que indica a origem
de mitocôndrias e cloroplastos a partir de procariotos
englobados por células eucarióticas primitivas.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
J. Marini/[Link]
Núcleo
Retículo
endoplasmático
Bactéria aeróbica
(proteobactéria)
Endossimbiose
Mitocôndrias
Mitocôndrias
Eucarioto heterótrofo
aeróbico
Eucarioto heterótrofo
aeróbico
Eucarioto autótrofo
aeróbico
Eucarioto heterótrofo
anaeróbico
Cianobactéria
Endossimbiose
Cloroplastos
Apesar de ter sido rejeitada no início, hoje essa teoria
é amplamente aceita pela comunidade científica em todo o
mundo. Nas últimas décadas, os avanços na ciência permiti-
ram aos cientistas que encontrassem diversas evidências que
comprovam a origem endossimbiôntica das mitocôndrias e
dos cloroplastos. Dentre essas evidências, destacam-se:
•
presença de DNA circular e sem histonas nas organelas,
semelhante ao DNA encontrado nos procariotos;
•
capacidade de autoduplicação das organelas, indepen-
dentemente das células eucarióticas e com um processo
de divisão semelhante ao das células procarióticas;
•
ocorrência de ribossomos próprios, com tamanho e se-
quência de nucleotídeos semelhantes aos dos organis-
mos procariotos;
•
presença de dupla membrana nas organelas, sendo a
membrana externa derivada da membrana plasmática
da célula eucariótica hospedeira, e a membrana interna
derivada da membrana plasmática das células procarió-
ticas englobadas.
Citoplasma
O desenvolvimento da microscopia eletrônica revolucio-
nou o estudo das células, permitindo a visualização de es-
truturas que eram indistinguíveis no microscópio de luz. O
citoplasma das células, que antes parecia um líquido homo-
gêneo, na verdade é formado por um complexo labirinto de
endomembranas (tubos, bolsas e cisternas) e fibras proteicas
(citoesqueleto) banhadas por um fluido viscoso.
====PAGE 35====
=========================================================================
=======
Questão 537
537
ao núcleo, denominada centrossomo. Nessa região, as fi-
bras podem aumentar ou diminuir de comprimento pela
liberação ou incorporação de moléculas de tubulina em
suas extremidades.
Algumas funções dos microtúbulos incluem formar um
esqueleto rígido nas células, garantindo a forma delas, e atu-
ar como via de sustentação sobre a qual proteínas motoras
podem mover estruturas celulares, como organelas e vesícu-
las. Os microtúbulos são componentes dos centríolos, corpos
basais, cílios e flagelos existentes em algumas células, e par-
ticipam da organização e separação dos cromossomos nas di-
visões celulares, já que são componentes das fibras do fuso.
Microfilamentos
Os microfilamentos são as fibras mais delgadas do cito-
esqueleto (entre 5 nm e 6 nm), sendo conhecidas como mi-
crofilamentos de actina, já que são formadas por unidades
da proteína globular actina. Cada microfilamento é consti-
tuído por duas cadeias formadas por diversas moléculas de
actina unidas entre si em dupla-hélice.
Essas fibras estão em contato direto com a membra-
na plasmática e ajudam a manter o formato da célula. Esse
fato pode ser observado nas microvilosidades encontra-
das nas células do epitélio intestinal humano, cujo formato
é sustentado por uma vasta rede de microfilamentos. As
microvilosidades são projeções da membrana plasmática,
semelhantes aos dedos de uma luva, que aumentam a área
de absorção de nutrientes.
A rede de microfilamentos de actina confere ao citoplas-
ma mais externo, denominado ectoplasma, uma consistência
de gel, que é diferente da consistência mais fluida encontra-
da no citoplasma mais interno, denominado endoplasma,
que apresenta subunidades de actina. Essa organização e a
transformação estrutural da proteína actina possibilitam a re-
alização de movimentos celulares, como o movimento ame-
boide e a ciclose.
Filamentos intermediários
Os filamentos intermediários recebem esse nome por
serem mais largos que os microfilamentos e mais finos que os
microtúbulos, com tamanho intermediário em relação a eles
(cerca de10 nm). Existem pelo menos 50 tipos de filamento
intermediário, compostos de proteínas fibrosas da classe da
queratina organizadas em estruturas resistentes a tensões. As
principais funções desempenhadas pelos filamentos interme-
diários são a de estabilizar a estrutura da célula e a de fixar
a posição de determinadas organelas celulares. Os filamentos
intermediários também ocorrem na lâmina nuclear, localizada
na parte interna do núcleo celular. Em muitas células epiteliais,
existem especializações da membrana plasmática, denomina-
das desmossomos, as quais são formadas por filamentos inter-
mediários que garantem a adesão entre as células adjacentes.
O termo citoplasma (do grego kytos, célula, e plassos,
molde) é utilizado para se referir, nas células eucarióticas, à
região existente entre o núcleo e a membrana plasmática,
enquanto nas células procarióticas corresponde a toda região
interna à membrana plasmática. Ele é formado pelo citosol,
também conhecido como hialoplasma ou matriz citoplasmá-
tica, e por diversas organelas citoplasmáticas.
Citoesqueleto
Os avanços na área da microscopia eletrônica e de flu-
orescência permitiram aos cientistas a descoberta de uma
extensa rede de fibras proteicas no citoplasma das células
eucarióticas, denominada citoesqueleto.
Existem três tipos diferentes de fibras componentes do
citoesqueleto: microtúbulos, microfilamentos e filamentos
intermediários. Cada tipo de fibra tem funções biológicas,
propriedades mecânicas e químicas distintas, porém atuam
coletivamente mantendo a forma, a resistência e a capacidade
de locomoção de determinada célula.
Representação esquemática dos três tipos principais de fibras
proteicas que formam o citoesqueleto.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Mitocôndria
Ribossomo
Membrana plasmática
Retículo endoplasmático
granuloso
Filamentos
intermediários
Microtúbulos
(tubulina)
Microfilamentos
(actina)
VectorMine/[Link]
A principal função do citoesqueleto é fornecer suporte
mecânico (sustentação) e atuar na manutenção da forma da
célula, especialmente em células animais, já que são despro-
vidas de parede celular. O citoesqueleto também possibilita a
adesão das células a suas vizinhas e a superfícies extracelula-
res, auxiliando na ancoragem das células.
As proteínas do citoesqueleto também estão relaciona-
das com diversos tipos de movimento celular. Como exem-
plos, temos: a ciclose, o movimento ameboide, a contração
muscular, o movimento dos cromossomos durante a divisão
celular e os movimentos de cílios e flagelos.
Microtúbulos
Os microtúbulos são as fibras mais espessas do cito-
esqueleto (cerca de 25 nm), sendo formadas por longos
cilindros ocos constituídos por unidades da proteína glo-
bular tubulina. A formação dos microtúbulos ocorre em
uma região específica da célula animal localizada próxima
====PAGE 36====
=========================================================================
=======
Questão 538
538
Eletromicrografia de transmissão indicando retículo endoplas-
mático não granuloso (em amarelo) e uma gota de lipídio (em
marrom, no lado inferior esquerdo). Ampliação desconhecida.
Don W. Fawcett/Science Source/Fotoarena
Nas células do fígado, essa organela é bastante abun-
dante, já que está relacionada com a desintoxicação, ou seja,
metabolismo de drogas, como álcool e barbitúricos, inativan-
do-as. Sabe-se que o uso abusivo e frequente dessas drogas
estimula um maior desenvolvimento do retículo liso nas cé-
lulas hepáticas. Esse desenvolvimento, no entanto, aumenta
a tolerância às drogas, já que dosagens cada vez maiores são
necessárias para atingir os efeitos desejados.
Já nas células musculares, o retículo endoplasmático
liso, denominado retículo sarcoplasmático, atua como um
local de armazenamento de íons cálcio (Ca2+), fundamentais
para a contração muscular.
Retículo endoplasmático granuloso
O retículo endoplasmático granuloso, ou rugoso, tem
ribossomos aderidos em suas membranas, que apresentam
granulações visíveis em microscopia eletrônica. A principal
função dessa organela é a produção de proteínas, tanto as
que farão parte da membrana plasmática quanto as que se-
rão exportadas da célula, assim como as que se transformarão
em enzimas lisossômicas. Outra função desempenhada por
essa organela é a produção dos carboidratos que serão adi-
cionados à cadeia polipeptídica, processo conhecido como
glicosilação, para a formação das glicoproteínas.
Eletromicrografia de transmissão indicando retículo endoplas-
mático granuloso, com destaque para as cisternas (em lilás) e os
ribossomos (pontos verdes). Aumento de 30 mil vezes.
Dennis Kunkel Microscopy/
Science Photo Library/Fotoarena
Organelas citoplasmáticas
No citoplasma das células existem diversas estruturas
denominadas organelas citoplasmáticas ou organoides que
desempenham funções específicas no metabolismo celu-
lar. Essas organelas podem ser divididas em membranosas
(-presença de membrana lipoproteica) e não membranosas
(ausência de membrana lipoproteica). As principais organe-
las membranosas são: retículo endoplasmático, complexo
golgiense, lisossomos, peroxissomos, mitocôndrias, plastos e
vacúolos. Já as organelas não membranosas são representa-
das pelos ribossomos e centrossomos.
Retículo endoplasmático
O retículo endoplasmático (do latim reticulum, pequena
rede, endo, dentro, e plasos, molde) é encontrado em todos
os tipos de célula eucariótica. Essa organela é formada por
um conjunto de túbulos e bolsas achatadas, denominadas
cisternas, que são contínuas ao envoltório nuclear externo e
que se interconectam por meio de vesículas produzidas entre
elas. Na cavidade interna do retículo, denominada lúmen ou
espaço cisternal, ocorre o transporte de moléculas produzi-
das pela própria organela.
Dependendo da existência ou não de ribossomos aderi-
dos às suas membranas, podem ser reconhecidos dois tipos
de retículo endoplasmático: não granuloso e granuloso.
Representação esquemática de uma célula eucariótica com des-
taque para o retículo endoplasmático liso e granuloso.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Aldona/[Link]
Lúmen
Envoltório nuclear
Cisternas
Ribossomos
Vesículas de transporte
Retículo
endoplasmático
não granuloso
Retículo
endoplasmático
granuloso
Retículo endoplasmático não granuloso
O retículo endoplasmático não granuloso ou liso não
tem ribossomos aderidos em suas membranas, as quais se
estabelecem, então, lisas e sem granulações. Uma das fun-
ções dessa organela é a síntese de lipídios, como ácidos
graxos, fosfolipídios e esteroides. No interior do retículo não
granuloso, existem enzimas responsáveis pela produção de
colesterol e sua posterior modificação em hormônios sexu-
ais, como a testosterona.
====PAGE 37====
=========================================================================
=======
Questão 539
539
Complexo golgiense
Após deixarem o retículo endoplasmático, muitas vesícu-
las de transporte são destinadas a uma organela especial de-
nominada complexo golgiense, ou complexo de Golgi. Nessa
organela, os produtos do retículo endoplasmático são recebi-
dos, alterados, empacotados e enviados aos destinos corretos.
O complexo golgiense é formado por um ou diversos con-
juntos de 4 a 20 sáculos membranosos achatados e empilha-
dos, denominados cisternas, que se assemelham a uma pilha
de panquecas. Cada sáculo achatado tem um lúmen, local por
onde as moléculas podem passar sem entrar em contato com o
citosol. Nas células vegetais, cada conjunto de cisternas achata-
das e empilhadas é denominado dictiossomo ou golgiossomo.
Eletromicrografia de transmissão de um complexo golgiense (sá-
culos achatados coloridos no centro). Aumento de 28 mil vezes.
Dennis Kunkel Microscopy/Science
Photo Library/Fotoarena
Essa organela tem dois lados, conhecidos como face cis
e face trans, que diferem quanto à espessura e à composição
molecular. A face cis está diretamente conectada ao retículo en-
doplasmático e recebe dele vesículas de transporte cheias de
conteúdo. Já a face trans está no lado oposto ao retículo e dela
brotam as vesículas de secreção, que armazenam temporaria-
mente produtos do retículo endoplasmático.
Produtos sintetizados pelo retículo endoplasmático são
usualmente modificados durante sua passagem pelas cister-
nas do complexo golgiense. As proteínas e os lipídios produ-
zidos entram pela face cis e saem pela face trans, já com as
modificações químicas, como glicosilação e hidrólise protei-
ca, realizadas nas cisternas ao longo desse percurso.
Representação esquemáti ca do complexo golgiense.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Vesículas de
transporte
Face cis
Vesículas de secreção
Face trans
Lúmen
Cisterna
Moléculas
Tefi/[Link]
Uma das principais funções do complexo golgiense é atu-
ar no processo de secreção celular, também conhecido como
exocitose, que consiste na eliminação de moléculas produzi-
das pelas células para o ambiente extracelular. Proteínas pro-
duzidas pelo retículo endoplasmático são transportadas no
interior de vesículas de transporte até a face cis do complexo
golgiense, onde serão despejadas no interior das cisternas.
Vesículas de
transporte
Retículo
endoplasmático
granuloso (REG)
Retículo
endoplasmático
liso (REL)
Vesículas
de transporte
Lisossomo
Vacúolo digestivo
Vacúolo alimentar
Membrana
plasmática
Alimento
Englobamento
Secreção
Vesículas
de secreção
Complexo
golgiense
Representação esquemática
do trânsito de vesículas do re-
tículo endoplasmático para o
complexo golgiense, saída do
conteúdo das vesículas para
fora da célula, formação do
lisossomo e englobamento
de macromoléculas.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
====PAGE 38====
=========================================================================
=======
Questão 540
540
Nas extremidades das cisternas, são formadas vesículas
de transição, responsáveis pelo transporte das moléculas
parcialmente alteradas para as cisternas seguintes voltadas
para a face trans. Dessa face é que brotam as vesículas de
secreção, repletas do conteúdo que deverá ser enviado para
fora da célula. Quando as vesículas de secreção se fundem
com a membrana plasmática da célula, ocorre liberação da
secreção no ambiente extracelular.
Nas células vegetais, uma das funções do complexo gol-
giense é a síntese de polissacarídeos, como a hemicelulose e
a pectina, componentes da parede celular e da lamela-média,
um tipo de “cimento” entre as células vegetais. Vesículas pro-
venientes do complexo constantemente se fundem ao vacúo-
lo central, levando até ele diversas moléculas, como enzimas
digestivas que atuam em processos de digestão intracelular.
Nos animais, essa organela também é responsável pela
formação do acrossomo (do grego acros, topo, e somatos,
corpo), uma bolsa cheia de enzimas na região apical do es-
permatozoide (gameta masculino). Durante a formação do
espermatozoide, vesículas cheias de enzimas digestivas pro-
venientes do complexo golgiense se unem nas proximidades
do núcleo formando a vesícula acrossômica, o acrossomo. As
enzimas digerem a zona pelúcida existente ao redor do ovó-
cito II, o que possibilita sua fecundação pelo espermatozoide.
Mitocôndrias
Núcleo
Centríolo
Espermátide
Complexo golgiense
Retículo endoplasmático
Crescimento
do centríolo
Vesícula
acrossômica
Citoplasma
eliminado
Espermatozoide
Acrossomo
Núcleo
Mitocôndrias
Flagelo
Representação esquemática da espermiogênese, processo que for-
ma os espermatozoides. Note que o complexo golgiense participa
da formação do acrossomo, e os centríolos, da formação do flagelo.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Lisossomo
O lisossomo (do grego lysis, destruição, e soma, corpo) é
uma bolsa membranosa cheia de enzimas digestivas que são
utilizadas pela célula para a digestão intracelular de macro-
moléculas. Dentre as mais de 40 enzimas digestivas, desta-
cam-se as proteases (digerem proteínas), nucleases (digerem
DNA e RNA), lipases (digerem lipídios), fosfatases (retiram
fosfatos de fosfolipídios e nucleotídeos), bem como as que
digerem polissacarídeos.
As enzimas lisossômicas, também conhecidas como hi-
drolases ácidas, apresentam atividade máxima em pH ácido
(entre 4,5 e 5), que é a condição presente no interior dos
lisossomos. Se eventualmente um lisossomo se romper, as
enzimas liberadas no citosol terão pouca atividade, devido
ao pH neutro dessa porção celular (cerca de 7,2). Já o rom-
pimento de diversos lisossomos ao mesmo tempo pode des-
truir a célula por autodigestão dos componentes celulares.
Steve Gschmeissner/
Science Photo Library/Fotoarena
Lisossomos
Núcleo
Mitocôndrias
Eletromicrografia de transmissão colorida de um macrófago, com
destaque para os lisossomos (bolsas vermelhas), núcleo (em azul-
-escuro) e mitocôndrias (azul-claro). Aumento de 3 mil vezes.
Os lisossomos podem atuar na digestão de moléculas
englobadas pelas células, função conhecida como heterofa-
gia (do grego hetero, diferente, e fagos, comer). O material
englobado pelas células, por fagocitose ou pinocitose, fica
inicialmente armazenado em uma bolsa membranosa deno-
minada vacúolo alimentar. Posteriormente, o lisossomo se
funde ao vacúolo alimentar liberando as enzimas digestivas
em seu interior, originando o vacúolo digestivo.
No interior do vacúolo digestivo, ocorre a digestão do
material englobado pelas enzimas lisossômicas. As molécu-
las que serão utilizadas pela célula passam pela membrana
do vacúolo digestivo e são aproveitadas como fonte de ener-
gia ou matéria-prima para a construção de novas estruturas
celulares. Os resíduos não digeridos ficam acumulados no
interior do vacúolo digestivo, que se torna inativo após um
tempo e passa a ser denominado vacúolo residual. Após se
fundir com a membrana plasmática da célula, o vacúolo resi-
dual libera o conteúdo no meio extracelular, processo conhe-
cido como clasmocitose ou defecação celular.
Membrana
plasmática
Alimento
Englobamento
Enzimas digestivas
Digestão e absorção
de nutrientes
Lisossomo
Vacúolo alimentar
Vacúolo digestivo
Representação esquemática da participação do lisossomo e de
outras estruturas celulares na heterofagia, processo de digestão
de partículas englobadas pela célula.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
====PAGE 39====
541
Vacúolos
Os vacúolos são largas vesículas membranosas derivadas
do retículo endoplasmático e do complexo golgiense, que fa-
zem parte do sistema de endomembranas celulares. A mem-
brana dos vacúolos, da mesma maneira que a membrana
plasmática, apresenta permeabilidade seletiva, o que contri-
bui para que o conteúdo interno tenha composição química
diferente do citosol.
Em muitas algas e protozoários de água doce são encon-
trados os vacúolos contráteis ou pulsáteis. Essas organelas são
responsáveis pela eliminação do excesso de água que entra
por osmose nas células desses organismos, já que estão em
um ambiente hipotônico. A contração frequente dos vacúolos
pulsáteis evita que ocorra lise celular nas algas e nos protozoá-
rios de água doce, já que eles não têm parede celular.
As células vegetais têm vacúolos de suco celular (um lí-
quido aquoso), organelas membranosas que apresentam di-
versas funções no metabolismo. Nas células meristemáticas,
existem vacúolos pequenos e numerosos, que se unem ao
longo da diferenciação celular originando um grande e único
vacúolo central, existente nas células maduras, cuja mem-
brana é denominada tonoplasto.
O vacúolo central pode armazenar água em seu interior.
A entrada de água no vacúolo promove aumento de volume
da organela, que passa a pressionar a parede celular, fenô-
meno conhecido como pressão de turgescência, o que esti-
mula o crescimento da célula e a manutenção de sua forma.
Eletromicrografia de transmissão (colorida artificialmente) indican-
do o vacúolo central e os cloroplastos. Ampliação desconhecida.
Biophoto Associates/
Science Source/Fotoarena
Vacúolo
Cloroplastos
A solução aquosa dentro do vacúolo contém íons inorgâ-
nicos, açúcares, aminoácidos, ácidos orgânicos e até proteí-
nas, como enzimas digestivas, responsáveis pela reciclagem
de organelas danificadas ou velhas. A concentração de sais
é regulada pelo vacúolo e pode se tornar tão alta que eles
podem formar cristais.
Os vacúolos podem ainda armazenar substâncias tóxicas
(como o látex), substâncias impalatáveis (como os taninos,
que protegem as plantas da herbivoria) ou pigmentos (como
as antocianinas).
Em determinados animais, como poríferos e protozoá-
rios, a heterofagia é um mecanismo utilizado para a alimenta-
ção, uma vez que a digestão neles é intracelular e ocorre com
a participação dos lisossomos. Já nos humanos, a heterofagia
está relacionada com a defesa imunitária: os lisossomos são
organelas abundantes nos neutrófilos, células responsáveis
pelo englobamento de patógenos invasores.
Os lisossomos também podem atuar na digestão
de componentes desgastados da própria célula, função
conhecida como autofagia (do grego auto, próprio, e
fagos, comer). Nesse processo, uma organela senil ou com
algum dano é envolvida por uma dupla membrana (de ori-
gem desconhecida), formando uma vesícula denominada
autofagossomo que se funde ao lisossomo, originando
o vacúolo autofágico. A autofagia é fundamental para a
renovação das estruturas celulares. Células nervosas, por
exemplo, têm todos os seus componentes reciclados a
cada mês, enquanto nas células do fígado esse processo
ocorre a cada semana.
Peroxissomo
O peroxissomo, também conhecido como microcorpo, é
uma bolsa membranosa especializada na oxidação de molé-
culas. Essa organela tem enzimas oxidativas que retiram áto-
mos de hidrogênio de moléculas orgânicas e os transferem
ao gás oxigênio, formando peróxido de hidrogênio (H2O2),
popularmente conhecido como água oxigenada.
As reações que ocorrem no interior dessa organela
apresentam diversas funções. Uma delas é o metabolismo
de lipídios, processo que produz moléculas menores que
são transportadas para as mitocôndrias e usadas como
fonte de energia na respiração celular. Nas células do fí-
gado, os peroxissomos fazem a desintoxicação, ou seja,
oxidam álcool e outras drogas transformando-as em mo-
léculas inofensivas.
Em determinadas células vegetais, como as dos tecidos
de reserva das sementes oleaginosas, existem peroxisso-
mos especializados, conhecidos como glioxissomos. Essas
organelas têm enzimas responsáveis pela conversão dos
lipídios, estocados nos tecidos de reserva (endosperma e/ou
cotilédone), em carboidratos durante a germinação das se-
mentes. Os carboidratos produzidos são utilizados para a
produção de energia e de estruturas celulares fundamen-
tais ao crescimento dos embriões e das plântulas.
As moléculas de peróxido de hidrogênio produzidas nes-
se processo são tóxicas para a célula. Porém, no interior dos
peroxissomos, existem enzimas denominadas peroxidases
ou catalases que degradam as moléculas de água oxigenada
transformando-as em moléculas de água (H2O) e gás oxigê-
nio (O2), fundamentais para o metabolismo celular.
====PAGE 40====
=========================================================================
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Questão 542
542
Plastos
Os plastos, também conhecidos como plastídeos, são orga-
nelas existentes em células de algas e vegetais, ou seja, eucario-
tos fotossintetizantes.
Fotomicrografia de células de um musgo, com destaque para os
cloroplastos (estruturas verdes). Aumento de 590 vezes.
John Durham/
Science Photo Library/Fotoarena
Centrossomo e centríolos
Na maioria das células eucarióticas, com exceção de
fungos e plantas fanerógamas, os microtúbulos crescem em
uma região denominada centrossomo ou centro organizador
de microtúbulos, que fica nas proximidades do núcleo celu-
lar. Nas células animais, o centrossomo está relacionado com
a formação das fibras do fuso, que organizam e separam os
cromossomos durante a divisão celular.
No interior do centrossomo, existe um par de centríolos,
cada um deles formado por 9 grupos de 3 microtúbulos (tri-
pletes) dispostos em anel, arranjo “9 + 0”. Em muitas células,
os centríolos estão relacionados com a formação de cílios e
flagelos, estruturas filamentosas semelhantes a chicotes que
puxam ou empurram a célula em meio aquoso, ou movimen-
tam fluidos circulantes externos.
Centríolos
Microtúbulos
Triplete de
microtúbulos
Representação esquemática do centrossomo, com destaque para
o par de centríolos em seu interior.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
VectorMine/[Link]
Flagelos e cílios
Em uma secção transversal, cílios e flagelos têm a mes-
ma estrutura, pois são revestidos pela membrana plasmáti-
ca e apresentam microtúbulos em um arranjo “9 + 2”. Esse
arranjo consistente em 9 pares de microtúbulos periféricos
fusionados (dupletes), formando um cilindro externo, e 2 mi-
crotúbulos centrais não fusionados, preenchendo o interior
da estrutura. Da mesma maneira que em uma roda de bici-
cleta, um raio parte de cada duplete de microtúbulos perifé-
ricos, conectando-os ao centro da estrutura.
No citoplasma, na base de cada cílio ou flagelo, encontra-se
o corpo basal ou cinetossomo, cuja estrutura é muito similar
à de um centríolo, isto é, são 9 grupos de 3 microtúbulos (tri-
pletes) dispostos em anel, com arranjo “9 + 0”, já que não há
microtúbulos centrais. De fato, em muitos animais, incluindo
humanos, o corpo basal do espermatozoide penetra no óvulo
e origina o centríolo, que atuará na divisão celular do embrião.
Representação esquemática da estrutura do flagelo e do corpo basal.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Flagelo
Microtúbulos
centrais
Membrana
plasmática
Corpo
basal
Microtúbulos
periféricos
(dupletes)
Microtúbulos
periféricos
Célula eucariótica
Os flagelos são mais longos que os cílios e aparecem em
número reduzido em cada célula. O movimento dos flagelos
é formado por ondulações que se propagam da base para a
extremidade livre dos filamentos, semelhante ao movimento
de uma cobra. Essas estruturas são encontradas em deter-
minados protozoários, algas e gametas masculinos, como os
espermatozoides humanos. Os cílios são mais curtos e nume-
rosos que os flagelos, podendo existir centenas ou milhares
deles um uma única célula. O movimento dos cílios é seme-
lhante ao dos braços dos nadadores, batendo de forma rígida
em um sentido (remada de embalo) e voltando flexionados
no outro (remada de recuperação). Essas estruturas são en-
contradas em certos protozoários, como os paramécios, e
atuam na locomoção celular ou captura de alimento.
Nos humanos, os cílios são encontrados nas células da
traqueia e têm a função de varrer para fora do corpo o muco
que lubrifica as vias respiratórias, livrando o organismo de in-
vasores e partículas de poeira retidas neles. Na tuba uterina,
os cílios auxiliam na movimentação do embrião até o útero,
local onde ele se fixa e se desenvolve durante a gravidez.
====PAGE 41====
=========================================================================
=======
Questão 543
543
=========================================================================
=======
Questão 1
1 Ufla/PAS-MG 2023 Faça as associações corretas entre or-
ganelas celulares e suas funções:
COLUNA 1 –
Organelas celulares
COLUNA 2 –
Funções
I.
Mitocôndria
Secreção celular
II.
Retículo Endoplasmático
Liso
Síntese de lipídios e car-
boidratos
III.
Retículo Endoplasmático
Rugoso
Respiração celular
IV.
Complexo Golgiense
Síntese de proteínas
Assinale a alternativa que apresenta a associação CORRETA:
A
IV – II – I – III
B
I – III – IV – II
C
III – II – IV – I
D
IV – III – I – II
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=======
Questão 2
=========================================================================
=======
Questão 3
3 PUC-Rio 2020
Disponível em: <[Link]
Acesso em: 10 ago. 2019. Adaptado.
A Figura acima ilustra a teoria da endossimbiose. Tal teoria
explica a evolução de uma organela, presente em todas as
células eucarióticas, denominada
A
lisossomo.
B
mitocôndria.
C
retículo endoplasmático.
D
complexo de Golgi.
E
vacúolo.
=========================================================================
=======
Questão 4
=========================================================================
=======
Questão 544
544
=========================================================================
=======
Questão 5
=========================================================================
=======
Questão 1
=========================================================================
=======
Questão 2
=========================================================================
=======
Questão 3
=========================================================================
=======
Questão 4
4
DNA
Transcrição
mRNA
Tradução
Ca++
cAMP
Estímulo
Síntese
Acondicionamento
Armazenamento
Secreção
Disponível em: <[Link]
=========================================================================
=======
Questão 167
[Link]>.
Acesso em: 6 out. 2020.
Os números 1, 2, 3 e 4 correspondem, respectivamente, a
A
ribossomo, núcleo, aparelho de Golgi e lisossomos
B
mesossomo, aparelho de Golgi, ribossomos e retículo
endoplasmático liso
C
núcleo, retículo endoplasmático rugoso, aparelho de
Golgi e vesículas secretoras
D
mitocôndria, lisossomo, retículo endoplasmático liso
e núcleo
E
retículo endoplasmático rugoso, vesículas secretoras, ri-
bossomo e mitocôndrias
=========================================================================
=======
Questão 6
=========================================================================
=======
Questão 1
====PAGE 43====
=========================================================================
=======
Questão 545
545
=========================================================================
=======
Questão 2
=========================================================================
=======
Questão 3
=========================================================================
=======
Questão 4
====PAGE 44====
=========================================================================
=======
Questão 5
5
Biologia • Frente 1
=========================================================================
=======
Questão 546
546
Como visto na aula anterior, de acordo com a teoria endossimbiôntica, as
mitocôndrias e os cloroplastos são organelas
celulares que surgiram do englobamento de bactérias primitivas que
passaram a viver dentro de células eucarióticas, esta-
belecendo com elas uma relação de interdependência, conhecida como
mutualismo.
Metabolismo energético
C4 | H14 e H15
AULA
=========================================================================
=======
Questão 5
5
ATP: energia do mundo vivo
A degradação de moléculas orgânicas, como carboidra-
tos e lipídios, libera grande quantidade de energia, que é ar-
mazenada em moléculas de trifosfato de adenosina, ou ATP
(do inglês adenosine triphosphate). Essa molécula é funda-
mental para todos os seres vivos, pois capta e armazena a
energia das reações químicas exergônicas e a transfere, pos-
teriormente, às reações químicas endergônicas.
Exotérmicas: reações químicas que liberam energia,
como a respiração celular.
Endotérmicas: reações químicas que consomem
energia, como a fotossíntese.
O ATP é um nucleotídeo formado pela base nitrogenada
adenina unida a uma molécula de ribose (carboidrato) que,
por sua vez, está ligada a uma cadeia constituída de três mo-
léculas de fosfato. O termo “adenosina” refere-se à adenina li-
gada à ribose. As ligações químicas entre os grupos fosfato são
altamente energéticas, especialmente a que une os dois últimos.
Representação esquemática da molécula de ATP.
Trifosfato de adenosina (ATP)
Fosfatos
Ribose
Ligação altamente
energética
Adenosina
Adenina
Designua/[Link]
Uma molécula de ATP é sintetizada a partir de ADP (difosfato
de adenosina), com apenas dois fosfatos. A adição de um íon
fosfato é chamada de fosforilação e é uma reação endergônica.
A energia consumida nessa reação é proveniente, na maioria
dos casos, do processo de respiração celular. A quebra da liga-
ção entre os dois últimos fosfatos, entretanto, libera a mesma
quantidade de energia, que pode ser utilizada em diversas ativi-
dades celulares, como o transporte ativo de substâncias através
da membrana, a síntese de proteínas e a contração muscular.
Representação esquemática da molécula de ATP.
Adenina
Adenina
denina
Adenina
=========================================================================
=======
Questão 1
1
E
E
Ribose
Ribose
ADP
Fosfatos
Fosfatos
Metabolismo celular
Respiração celular
ATP
Designua/[Link]
Respiração celular aeróbia
Um dos principais processos utilizados pelos seres vi-
vos para a liberação de energia dos alimentos é a respiração
celular aeróbia. Nesse processo, ocorre oxidação total de
moléculas orgânicas, com a participação do gás oxigênio (O2),
liberando energia na forma de moléculas de ATP. O principal
reagente oxidado na respiração celular é a glicose (C6H12O6),
formando moléculas de água (H2O) e gás carbônico (CO2).
C6H12O6 1 6 O2
=========================================================================
=======
Questão 6
6 CO2 1 6 H2O 1
E
Glicose
Água
Energia
Gás
oxigênio
Gás
carbônico
Equação química da respiração aeróbia.
Durante a respiração celular, boa parte da energia libera-
da é armazenada nas moléculas de ATP, mas também ocorre
perda de energia na forma de calor, já que o processo tem
cerca de 40% de eficiência.
A oxidação total da glicose ocorre em três etapas: glicólise,
ciclo de Krebs e cadeia respiratória. Nas células procarióticas,
como as das bactérias, a glicólise e o ciclo de Krebs ocorrem
no citosol, e a cadeia respiratória, na membrana plasmática. Já
nas células eucarióticas, a glicólise ocorre no citosol, e o ciclo
de Krebs e a cadeia respiratória, no interior das mitocôndrias.
====PAGE 45====
=========================================================================
=======
Questão 547
547
Mitocôndria
As mitocôndrias são organelas celulares membranosas
que realizam a respiração celular. Dependendo do tipo e do
grau de atividade metabólica das células, o número de mito-
côndrias pode variar de algumas dezenas até centenas delas.
Cada mitocôndria tem uma membrana externa, que é lisa,
e uma membrana interna, com dobras, denominadas cristas
mitocondriais, que se projetam para o interior da organela. Na
membrana interna existem diversas proteínas específicas que
participam da cadeia transportadora de elétrons.
O espaço interno da mitocôndria é preenchido por um
líquido viscoso, semelhante ao citosol, denominado matriz
mitocondrial, onde são encontrados ribossomos semelhan-
tes aos bacterianos, enzimas e moléculas de DNA circular.
Representação esquemática de uma mitocôndria.
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
DNA
Matriz mitocondrial
Ribossomos
Crista mitocondrial
Espaço entre as membranas
Membrana externa
Membrana interna
Aldona Griskeviciene/[Link]
Novas mitocôndrias surgem apenas pela duplicação de
mitocôndrias preexistentes nas células. Isso significa que,
durante a divisão celular, as células-filhas precisam receber
mitocôndrias da célula-mãe, pois, caso contrário, não
conseguirão produzir essas organelas. À medida que as célu-
las-filhas crescem, suas mitocôndrias se multiplicam, estabe-
lecendo o número original existente na célula-mãe.
De acordo com a teoria endossimbiótica, as mitocôndrias
são organelas que surgiram a partir de bactérias, provavel-
mente do grupo das proteobactérias, que foram englobadas
por células eucarióticas primitivas, estabelecendo uma rela-
ção de mutualismo com elas.
Atenção!
Na maioria dos seres vivos de reprodução sexuada,
as mitocôndrias são transmitidas exclusivamente por he-
rança materna. Isso significa que apenas as mitocôndrias
existentes no óvulo farão parte do zigoto e, consequen-
temente, do descendente formado. As mitocôndrias do
espermatozoide são destruídas após a fecundação.
Glicólise
A glicólise (do grego glykos, açúcar, e lysis, quebra) con-
siste em uma sequência ordenada de dez reações químicas
que ocorrem no citosol. Ao final do processo, são produzi-
das duas moléculas de ácido pirúvico (C3H4O3), ou piruvato,
para cada molécula de glicose degradada. Essa é uma etapa
anaeróbia, uma vez que não utiliza gás oxigênio.
No início da glicólise, ocorre a fosforilação da glicose,
com a adição de dois fosfatos provenientes da hidrólise de
duas moléculas de ATP. Com isso, a molécula de glicose tor-
na-se instável e pode ser quebrada mais facilmente.
Em seguida, ocorre a desidrogenação das moléculas inter-
mediárias, processo em que hidrogênios são capturados por
uma molécula aceptora denominada nicotinamida adenina di-
nucleotídeo ou NAD. Moléculas de NAD+ (forma oxidada) são
convertidas em NADH (estado reduzido) ao capturarem elétrons
e íons H+ provenientes da quebra da glicose. Ao final da glicólise,
além do ácido pirúvico, são produzidas quatro moléculas de ATP
e duas de NADH para cada molécula de glicose degradada.
Representação esquemática da glicólise, primeira etapa da
respiração celular.
Glicose
Ácido pirúvico
Ácido pirúvico
ATP
ATP
ADP
=========================================================================
=======
Questão 2
2 ADP
=========================================================================
=======
Questão 2
2 ADP
ADP
Frutose 1,6 difosfato
P
P
P
P
P
P
=========================================================================
=======
Questão 2
2 Pi
=========================================================================
=======
Questão 2
2 NAD+
=========================================================================
=======
Questão 2
2
NADH
+ 2 H+
ATP
=========================================================================
=======
Questão 2
2
ATP
=========================================================================
=======
Questão 2
2
Ciclo de Krebs
As moléculas de ácido pirúvico produzidas na glicólise
entram na mitocôndria por meio de uma proteína transpor-
tadora e são transformadas em acetil-CoA. Essa fase, que an-
tecede o ciclo de Krebs, é conhecida como oxidação do ácido
pirúvico e depende de um complexo enzimático, a piruvato
desidrogenase, que catalisa três reações consecutivas:
•
o grupo carboxila do ácido pirúvico é oxidado e converti-
do em uma molécula de CO2;
•
a molécula de dois carbonos é oxidada e os elétrons são
transferidos ao NAD+, que é convertido em NADH;
====PAGE 46====
=========================================================================
=======
Questão 548
548
•
a coenzima A (CoA) se liga à molécula intermediária de
dois carbonos e forma o acetil-CoA.
CAMPBELL, N. A. et al. Biology: a global approach.
=========================================================================
=======
Questão 12
=========================================================================
=======
Questão 1
1 H1
NADH
FADH2
=========================================================================
=======
Questão 1
1 H1
NADH
=========================================================================
=======
Questão 1
1 H1
ATP
NAD1
NAD1
ADP 1 Pi
NAD1
FAD1
Cadeia respiratória
A última etapa da respiração celular, conhecida como ca-
deia respiratória ou fosforilação oxidativa, ocorre nas cristas
mitocondriais. Nelas, moléculas de uma cadeia de transpor-
te de elétrons encontram-se ordenadas em uma sequência
crescente de afinidade por elétrons, provenientes do NADH e
FADH2. Muitas dessas moléculas são proteínas denominadas
citocromos, que formam complexos proteicos, numerados
de I a IV. Cada citocromo tem um grupo prostético, conheci-
do como grupo heme, formado por um átomo de ferro, que
recebe e transfere elétrons.
Cada complexo recebe os elétrons e os transfere com menos
energia para o complexo seguinte. As moléculas transportadoras
de elétrons passam do estado reduzido, quando recebem elé-
trons, para o estado oxidado, quando doam elétrons. O último ci-
tocromo da cadeia transfere os elétrons ao gás oxigênio (O2), que
atua como aceptor final. Cada oxigênio também se liga a um par
de íons hidrogênio (H+), formando uma molécula de água (H2O).
Nas cristas mitocondriais, encontra-se também a enzima ATP
sintase, que produz moléculas de ATP. Esse processo é conhecido
como fosforilação oxidativa, pois é adicionado um grupo fosfato
ao ADP, formando ATP em diversas reações sequenciais em que o
gás oxigênio é o último agente oxidante. A energia necessária para
a produção dessas moléculas surge da diferença de concentração
de íons H+ nos lados opostos da membrana interna da mitocôn-
dria, em um mecanismo chamado quimiosmose.
NADH
FADH₂
ADP 1 Pi
Cadeia transportadora de elétrons
Quimiosmose
Matriz
mitocondrial
Complexo
proteico
Espaço entre
as membranas
H₂O
FAD
=========================================================================
=======
Questão 1
1 ½ O₂
=========================================================================
=======
Questão 2
2
NAD1
ATP
sintase
Cit C
ATP
I
Q
II
III
IV
Representação da membrana interna da mitocôndria, des-
tacando a cadeia transportadora de elétrons e o mecanismo
de quimiosmose.
CAMPBELL, N. A. et al. Biology: a global approach. 12. ed. Harlow:
Pearson, 2020.
Saiba mais
Morte por cianetos
Os cianetos são compostos químicos que contêm o
grupo ciano. Essas moléculas se combinam de maneira
irreversível com o último citocromo da cadeia respirató-
ria, bloqueiam a passagem de elétrons pela cadeia e in-
terrompem a produção de energia, o que pode levar uma
pessoa à morte em apenas alguns minutos.
====PAGE 47====
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=======
Questão 549
549
Esses gases foram utilizados em campos de exter-
mínio durante a Segunda Guerra Mundial e em câmaras
de gás para a execução de condenados à pena de morte
nos Estados Unidos. No Brasil, a maioria das vítimas do
incêndio que ocorreu na boate Kiss, na cidade de Santa
Maria (RS), em 2013, intoxicou-se com cianetos libera-
dos pela queima da espuma do isolante acústico que re-
vestia as paredes da boate.
Ao longo da cadeia transportadora, a energia liberada
dos elétrons (provenientes do NADH e do FADH2), conhecida
como força eletromotiva, é utilizada para bombear íons H+
da matriz mitocondrial para o espaço entre as membranas
através dos complexos proteicos. O aumento da diferença de
concentração de H+ aumenta a tendência de esse íon retor-
nar à matriz mitocondrial por difusão, mas essa passagem
só acontece através da ATP sintase, um complexo proteico
que gira com a passagem de íons H+. Durante esse processo,
a energia potencial de difusão dos íons H+ é convertida em
energia mecânica e, na sequência, em energia química, ar-
mazenada na molécula de ATP. Nas bactérias aeróbicas, essa
força eletromotiva é criada em dobras da membrana plasmá-
tica ou entre citoplasma e espaço entre parede bacteriana e
membrana plasmática.
Atenção!
Alguns organismos procariontes realizam respiração
celular sem utilizar o gás oxigênio, processo conheci-
do como respiração anaeróbia. No lugar do gás oxigênio,
compostos inorgânicos retirados do ambiente, como
nitratos, sulfatos ou carbonatos, atuam como aceptores
finais de elétrons. As bactérias desnitrificantes, que
participam do ciclo do nitrogênio, são exemplos de
organismos que realizam esse processo.
Rendimento energético
Durante a respiração celular, a maior parte da energia
flui na sequência: glicose → NADH ou FADH2 → cadeia trans-
portadora de elétrons → ATP. Para cada molécula de glicose
oxidada, uma célula eucariótica consegue produzir cerca de
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=======
Questão 32
32 moléculas de ATP.
Como vimos, a glicólise e o ciclo de Krebs resultam na
produção de duas moléculas de ATP em cada etapa. Já na ca-
deia transportadora de elétrons, cada molécula de NADH gera
energia suficiente para a produção de 2,5 ATP, enquanto cada
molécula de FADH2 gera energia para produzir 1,5 ATP.
Na respiração celular são produzidas, ao todo, dez molé-
culas de NADH, que geram energia para produzir 25 moléculas
de ATP, enquanto as duas moléculas de FADH2 geram energia
para produzir três moléculas de ATP. Portanto, o rendimento
da cadeia respiratória é de 28 ATP. Se somarmos essa quantia
às moléculas de ATP produzidas na glicólise e no ciclo de Krebs,
o rendimento total da respiração aeróbia é de 32 ATP.
Citosol
Mitocôndria
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=======
Questão 2
2 ATP
=========================================================================
=======
Questão 2
2 ATP
=========================================================================
=======
Questão 28
28 ATP
Ciclo de
Krebs
Cadeia
respiratória
Glicólise
Glicose Piruvato
Elétrons
carregados
via NADH e
FADH2
Elétrons
carregados
via NADH
Representação esquemática das três etapas da respiração aeróbia.
CAMPBELL, N. A. et al. Biology: a global approach. 12. ed. Harlow:
Pearson, 2020.
Fermentação
A fermentação é o processo bioquímico de produção de
energia de muitos organismos anaeróbios, como diversas
bactérias e fungos. Ela não usa oxigênio e não passa pelas
etapas do ciclo de Krebs e da cadeia transportadora de elé-
trons, como ocorre na respiração celular. Como a glicose não
é totalmente quebrada e oxidada, a fermentação não libera
toda a energia estocada nessa molécula.
Na fermentação, da mesma maneira que na respiração,
ocorre a glicólise, com formação de duas moléculas de áci-
do pirúvico, ATP e NADH. A diferença é que, na respiração,
os elétrons do NADH são transferidos para a cadeia
transportadora de elétrons, enquanto na fermentação esses
elétrons retornam ao ácido pirúvico ou a outras moléculas
formadas a partir dele. Esse mecanismo permite a recicla-
gem do NAD+, fundamental para a manutenção da glicólise.
Existem diversos tipos de fermentação, que diferem
quanto aos produtos formados a partir do ácido pirúvico.
Os dois tipos mais importantes e estudados são a
fermentação lática e a alcoólica, que apresentam grande
importância econômica, pois são utilizadas na produção
de alimentos e produtos industriais.
Fermentação lática
Na fermentação lática, o ácido pirúvico produzido na gli-
cólise é reduzido pelo NADH e forma uma molécula de áci-
do lático (ou lactato). Esse processo regenera o NAD+ sem
produzir gás carbônico (CO2) e é realizado por determinadas
bactérias, alguns fungos e pelas células musculares humanas.
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=========================================================================
=======
Questão 550
550
C6H12O6
=========================================================================
=======
Questão 2
2 C3H6O3 1
E
Glicose
Energia
Ácido lático
Equação química simplificada da fermentação lática.
=========================================================================
=======
Questão 2
2 ácido
pirúvico
=========================================================================
=======
Questão 2
2 ácido
lático
Glicose
Glicólise
=========================================================================
=======
Questão 2
2 NADH
=========================================================================
=======
Questão 2
2 NAD1
=========================================================================
=======
Questão 2
2 ATP
=========================================================================
=======
Questão 1
1 2 H1
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=======
Questão 2
2 APD 1 2 Pi
Representação esquemática das reações químicas da
fermentação lática.
Desde a Antiguidade, a fermentação lática é largamente
utilizada para a produção de laticínios, como queijos, requei-
jões, coalhadas e iogurtes. Para a produção de iogurtes, por
exemplo, o leite desnatado é inoculado com uma mistura das
bactérias Streptococcus thermophilus e Lactobacillus delbrueckii.
Durante o processo, o estreptococo produz ácido lático a partir
da glicose e da galactose, promovendo a coagulação do leite.
Já os lactobacilos produzem substâncias que conferem cremo-
sidade, sabor e aroma característicos do iogurte.
As células musculares humanas também podem realizar a
fermentação lática para a produção de energia. No corpo hu-
mano, existem dois tipos de fibras musculares: as lentas e as
rápidas. As fibras musculares lentas têm muitas mitocôndrias e
obtêm energia principalmente por meio da respiração celular.
Já as fibras rápidas apresentam poucas mitocôndrias e realizam,
principalmente, fermentação lática para a produção de energia.
A atividade desses dois tipos de fibra depende da dispo-
nibilidade de oxigênio e da intensidade da atividade física. O
ácido lático produzido durante a atividade física é conduzido
para o fígado e transformado em ácido pirúvico, que é oxi-
dado e convertido em glicose, processo conhecido como gli-
coneogênese (do grego glykys, doce, e neo, novo; e do latim
genesis, origem).
Fermentação alcoólica
Na fermentação alcoólica, o ácido pirúvico é convertido
em acetaldeído, com liberação de gás carbônico (CO2). Na se-
quência, o acetaldeído é reduzido pelo NADH e forma uma
molécula de etanol (C2H5OH), regenerando o NAD+. Esse pro-
cesso é realizado por determinadas bactérias e pelas levedu-
ras (fungos unicelulares do gênero Saccharomyces).
C6H12O6
=========================================================================
=======
Questão 2
2 C2H5OH 1 2 CO2 1
E
Glicose
Etanol
Energia
Gás
carbônico
Equação química simplificada da fermentação alcoólica.
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=======
Questão 2
2 ácido
pirúvico
=========================================================================
=======
Questão 2
2 etanol
=========================================================================
=======
Questão 2
2 acetaldeído
Glicose
Glicólise
=========================================================================
=======
Questão 2
2 NADH
=========================================================================
=======
Questão 2
2 NAD1
=========================================================================
=======
Questão 2
2 ATP
+ 2 H1
=========================================================================
=======
Questão 2
2 CO2
=========================================================================
=======
Questão 2
2 APD + 2 Pi
Representação esquemática das reações químicas da
fermentação alcoólica.
Há pelo menos 9 mil anos, a humanidade emprega leve-
duras na produção de pães, cervejas e vinhos. No caso dos
pães, a levedura Saccharomyces cerevisiae, também conhe-
cida como fermento biológico, transforma carboidratos da
massa em etanol e gás carbônico. Quando a massa é aque-
cida, as bolhas de gás em seu interior se dilatam, tornando a
massa leve e macia, e o etanol produzido pela fermentação
evapora durante o cozimento.
As leveduras da espécie Saccharomyces cerevisiae também
realizam a fermentação alcoólica dos açúcares produzidos pela
cana-de-açúcar. O etanol produzido pode ser utilizado como
combustível nos automóveis e para esterilização de ferimentos
e instrumentos cirúrgicos em ambiente hospitalar.
Muitas bebidas alcoólicas são produzidas pela fermen-
tação alcoólica dos açúcares de sementes e de frutos. Na
produção de vinho, leveduras são utilizadas para fermen-
tar o suco de uva; para a produção de cerveja, o substrato
utilizado é o malte, um germinado da semente de cevada;
e, na produção de saquê, um carboidrato da semente de
arroz sofre fermentação.
Atenção!
Leveduras são anaeróbias facultativas. Isso significa
que ambientes sem oxigênio oferecem a condição
fundamental para a produção de bebidas alcoólicas (como
cerveja e vinho). Na presença de oxigênio, as leveduras
realizam respiração celular, processo que produz água e
gás carbônico, sem que ocorra produção de etanol.
====PAGE 49====
551
Fotossíntese
Um dos processos bioquímicos mais importantes para
a vida no planeta é a fotossíntese (do grego photos, luz, e
syntithenai, produzir). Nesse processo, ocorre a produção de
moléculas orgânicas a partir de moléculas inorgânicas, com a
conversão de energia luminosa em energia química, armaze-
nada nas moléculas produzidas.
A fotossíntese é realizada por diferentes grupos de seres
vivos, como cianobactérias, algas e plantas. A energia química
produzida pelo processo é utilizada pelos próprios organismos
fotossintetizantes e pelos outros seres vivos das teias alimentares.
Saiba mais
Experimento pioneiro sobre fotossíntese
Até o início do século XVII, acreditava-se que as
plantas retiravam do solo todos os nutrientes necessários
para a fotossíntese. Para testar essa hipótese, o químico
e médico belga Jan Baptist van Helmont (1580-1644)
cultivou uma muda de salgueiro de 2,3 kg em um vaso
com 90,8 kg de terra. Durante cinco anos, ele regou a
planta com água e, ao final do experimento, constatou
que ela estava com 77 kg, mas o solo havia sofrido pouca
alteração de massa. Van Helmont concluiu que o ganho de
massa da planta era devido apenas à absorção de água
do solo. Hoje, sabe-se que, além da água, esse ganho se
deve também ao gás carbônico, retirado da atmosfera.
Muda de salgueiro
com 2,3 kg
=========================================================================
=======
Questão 90
90,8 kg
de terra
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=======
Questão 77
77 kg
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=======
Questão 90
90 kg
Planta adulta
Água
Representação esquemática do experimento pioneiro
de van Helmont sobre fotossíntese.
Na fotossíntese oxigênica, os reagentes utilizados são o
gás carbônico (CO2) e a água (H2O), enquanto os produtos
sintetizados são a glicose (C6H12O6) e o gás oxigênio (O2).
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=======
Questão 6
6 CO2 1 6 H2O 1
E
C6H12O6 1 6 O2
Água
Glicose
Energia
luminosa
Gás
carbônico
Gás
oxigênio
Equação química da fotossíntese.
Origem do gás oxigênio na fotossíntese
Até o início do século passado, os cientistas acreditavam
que o gás oxigênio produzido na fotossíntese era derivado da
quebra do gás carbônico.
No entanto, em 1930, o bioquímico estadunidense
Cornelis Bernardus van Niel (1897-1985) verificou que sulfo-
bactérias, que realizam fotossíntese anoxigênica (ou seja, que
não produz oxigênio), consomem gás sulfídrico (H2S) em vez
de água e produzem glóbulos amarelos de enxofre no lugar de
gás oxigênio.
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=======
Questão 6
6 CO2 1 12 H2S 1
E
C6H12O6 1 12 S 1 6
H2O
Gás
sulfídrico
Glicose
Enxofre
Água
Energia
luminosa
Gás
carbônico
Equação química da fotossíntese anoxigênica, realizada
pelas sulfobactérias.
Van Niel propôs que, no processo realizado pelas sulfobac-
térias, o gás sulfídrico fornece o hidrogênio utilizado na síntese
de açúcares e que a água desempenha esse papel no processo
realizado pelas plantas. No entanto, em vez de produzir enxo-
fre, como as sulfobactérias, as plantas produzem gás oxigênio
a partir da água. Isso fez cair a ideia, predominante na época,
de que o gás oxigênio origina-se do gás carbônico.
Em 1941, cientistas da Universidade de Berkeley
(Estados Unidos) realizaram experimentos que confirmaram
a hipótese de van Niel sobre a origem do gás oxigênio na fo-
tossíntese, utilizando um isótopo pesado do oxigênio (18O).
Os resultados demonstraram que, quando as plantas eram
regadas com água formada pelo isótopo, elas produziam gás
oxigênio contendo esse isótopo, o que não ocorria quando
era o gás carbônico que continha o isótopo.
=========================================================================
=======
Questão 6
6 CO2 1 12 H2O 1
E
C6H12O6 1 6 O2 1 6 H2O
=========================================================================
=======
Questão 6
6 CO2 1 12 H2O 1
E
C6H12O6 1 6 O2 1 6 H2O
Água
Água
Glicose
Glicose
Água
Água
Energia
luminosa
Energia
luminosa
Gás
carbônico
Gás
carbônico
Gás
oxigênio
Gás
oxigênio
Experimento 2 (gás carbônico com 18O):
Experimento 1 (água com 18O):
Equações químicas da fotossíntese oxigênica utilizando isóto-
pos pesados do oxigênio para verificar a origem do gás oxigênio
na fotossíntese.
Cloroplastos
Nas plantas terrestres, a fotossíntese ocorre apenas
no interior dos cloroplastos, organelas exclusivas de algas e
plantas. Em algumas algas e nas briófitas, cada célula tem
apenas um ou poucos cloroplastos grandes, enquanto nas
demais algas e plantas os cloroplastos são pequenos e nume-
rosos (cerca de 40 por célula).
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=======
Questão 552
552
Cada cloroplasto é delimitado por um envoltório forma-
do por duas membranas lipoproteicas: uma externa e outra
interna. O interior do cloroplasto é preenchido por um fluido
semelhante ao citosol, denominado estroma, na qual são en-
contrados ribossomos semelhantes aos das cianobactérias,
vários tipos de enzima, RNA, grãos de amido e moléculas cir-
culares de DNA.
DNA
Membrana
externa
Membrana
interna
Ribossomos
Tilacoides
Granum
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Aldona Griskeviciene/[Link]
Estroma
Representação esquemática de um cloroplasto, organela
responsável pela fotossíntese.
Dentro do cloroplasto existe um complexo membranoso
lipoproteico formado por bolsas achatadas denominadas tila-
coides (do grego thylakos, saco), nas quais se concentram os
pigmentos fotossintéticos. Os tilacoides estão organizados em
estruturas semelhantes a pilhas de moedas. Cada pilha de tila-
coides é denominada granum (do latim, grão) e o conjunto de-
las é conhecido como grana. As membranas que comunicam
os grana são denominadas lamelas ou intergrana. As cavidades
internas dos tilacoides estão em comunicação direta, constituin-
do um compartimento único, denominado lúmen.
De acordo com a teoria endossimbiótica, os cloroplastos
são organelas que surgiram a partir de bactérias, provavel-
mente do grupo das cianobactérias, que foram englobadas
por células eucarióticas primitivas, estabelecendo com elas
uma relação de mutualismo.
Membranas
Granum
Tilacoides
Estroma
Lamelas
Eletromicrografia de transmissão (cores artificiais) de cloroplas-
to, com destaque para as membranas, lamelas, tilacoides
e estroma (as lamelas têm cerca de 10 nm de espessura).
Pigmentos fotossintéticos
Para haver fotossíntese, é necessário que ocorra a absorção
de luz solar pelos pigmentos fotossintéticos dos cloroplastos.
Esses pigmentos são capazes de absorver apenas alguns com-
primentos de onda da luz, refletindo os demais, e a cor do pig-
mento é determinada pela luz refletida por ele. Por exemplo,
a clorofila é verde porque reflete a luz verde e absorve os
comprimentos de onda de outras cores, como azul e verme-
lho, nos quais as taxas fotossintéticas são maiores.
O principal pigmento fotossintético presente em todos
os eucariontes fotossintetizantes, indispensável para a fotos-
síntese, é a clorofila (do grego chloros, verde). Existem vários
tipos de clorofila, com pequenas diferenças na estrutura mo-
lecular. Os principais são:
•
clorofila a: encontrada em todos os fotossintetizantes
oxigênicos;
•
clorofila b: encontrada em plantas, algas verdes e
euglenófitas;
•
clorofila c: encontrada em dinoflagelados, diatomáceas
e algas pardas;
•
clorofila d: encontrada apenas em algas vermelhas.
Além das clorofilas, há também pigmentos acessórios,
que estão envolvidos na absorção de luz durante a fotos-
síntese e na fotoproteção, pois essas moléculas dissipam o
excesso de energia luminosa que poderia danificar as molé-
culas de clorofila. Entre esses pigmentos, pode-se destacar
os carotenoides (como os carotenos e as xantofilas, encon-
trados na maioria dos eucariontes fotossintetizantes) e as fi-
cobilinas (como a ficocianina e a ficoeritrina, encontradas em
cianobactérias e algas vermelhas).
Os pigmentos absorvem melhor diferentes comprimen-
tos de onda da luz. O gráfico que indica a quantidade de luz
que um pigmento absorve em cada comprimento de onda é
denominado espectro de absorção.
No caso da clorofila a, os comprimentos de onda mais
absorvidos são o vermelho e o azul, indicando que a fotossín-
tese ocorre mais intensamente nessas faixas de luz. O gráfico
do espectro de ação demonstra essa relação.
Espectro de absorção dos pigmentos fotossintéticos
Quantidade de luz absorvida
Comprimento de onda da luz (nm)
=========================================================================
=======
Questão 400
400
=========================================================================
=======
Questão 500
500
=========================================================================
=======
Questão 600
600
=========================================================================
=======
Questão 700
700
Clorofila a
Clorofila b
Carotenoides
HILLIS, D. M. et al. Life: the Science of Biology. 12. ed.
Nova York: W. H. Freeman and Company, 2020.
====PAGE 51====
=========================================================================
=======
Questão 553
553
HILLIS, D. M. et al. Life: the Science of Biology. 12. ed.
Nova York: W. H. Freeman and Company, 2020.
Espectro de ação dos comprimentos de onda da luz
Taxa de fotossíntese
Comprimento de onda da luz (nm)
=========================================================================
=======
Questão 400
400
=========================================================================
=======
Questão 500
500
=========================================================================
=======
Questão 600
600
=========================================================================
=======
Questão 700
700
Saiba mais
Espectro de ação: experimento de Engelmann
O primeiro cientista a medir o espectro de ação na
fotossíntese foi o botânico e citologista alemão Theodor
Wilhelm Engelmann (1843-1909). Em 1883, ele realizou
um experimento para verificar em quais comprimentos
de onda da luz a fotossíntese é mais intensa. Ele utilizou
um prisma para desmembrar a luz solar em um espectro,
que incidia sobre uma alga verde filamentosa presa a uma
lâmina de microscopia. Em seguida, uma população de
bactérias aeróbias obrigatórias foi introduzida na lâmina.
A hipótese era que as bactérias se concentrariam nas re-
giões com maior taxa fotossintética, pois a produção e o
fornecimento de gás oxigênio seriam maiores.
Como resultado do experimento, Engelmann obser-
vou que as bactérias se agrupavam principalmente nas
regiões da alga iluminadas pelas luzes violeta e vermelha.
O cientista concluiu, assim, que nesses comprimentos de
onda a fotossíntese ocorria mais intensamente. O espec-
tro de ação de Engelmann forneceu as primeiras evidên-
cias sobre a eficiência da luz absorvida pelos pigmentos no
processo de fotossíntese.
Comprimento de onda da luz (nm)
karatay/[Link]
Representação esquemática do experimento que
investigou a eficiência dos diferentes comprimentos
da luz na fotossíntese.
Etapas da fotossíntese
Apesar de ser representado de maneira simplifica-
da por uma equação química única, o processo total da
fotossíntese pode ser dividido em duas etapas: a foto-
química e a química. Na etapa fotoquímica, que ocorre
nos tilacoides, a energia luminosa é necessária para as
reações químicas. A etapa química ocorre no estroma, e
a energia luminosa não é diretamente necessária para as
reações químicas.
Representação esquemática do cloroplasto, indicando reagentes
e produtos das etapas fotoquímica e química da fotossíntese.
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
H2O
Estroma
NADPH
Glicose
ATP
O2
Tilacoide
NADP1
ADP 1 P
CO2
Cloroplasto
Ciclo de
Calvin-
-Benson
Etapa
fotoquímica
Aldona Griskeviciene/[Link]
Etapa fotoquímica
Na etapa fotoquímica da fotossíntese, também co-
nhecida como etapa luminosa ou de claro, a energia
luminosa captada pelos pigmentos é transformada em
energia química, armazenada nas moléculas de ATP e
NADPH sintetizadas.
Nos cloroplastos das plantas, os pigmentos fotossintéti-
cos (clorofilas e carotenoides) encontram-se nos tilacoides
e estão associados a determinadas proteínas, formando um
fotossistema, no qual os pigmentos estão organizados em
um conjunto denominado complexo de antena, que capta
e canaliza a energia luminosa. Esse complexo se arranja ao
redor do centro de reações, uma estrutura composta de
um par especial de moléculas de clorofila a e um aceptor
primário de elétrons. Quando excitadas pela energia lumi-
nosa, as moléculas de clorofila a liberam elétrons, que são
captados pelo aceptor primário e depois passam por uma
cadeia de transporte, semelhante àquela encontrada nas
mitocôndrias. O aceptor final de elétrons dessa cadeia é a
nicotinamida adenina dinucleotideo fosfato, ou NADP+, que
se transforma em NADPH ao receber dois elétrons.
HILLIS, D. M. et al. Life: the Science of Biology. 12. ed. Nova York: W.
H.
Freeman and Company, 2020.
====PAGE 52====
AULA 5: Metabolismo energético
Biologia • Frente 1
=========================================================================
=======
Questão 554
554
Existem dois tipos de fotossistemas (I e II), que dife-
rem na capacidade de absorção de luz pelas moléculas
de clorofila a.
Membrana
do tilacoide
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Luz solar
Complexo
de antena
Centro de
reações
Aceptor primário
de elétrons
Pigmentos
fotossintéticos
Transferência
de energia
Clorofila a
W.Y. Sunshine/[Link]
Representação esquemática de um fotossistema, estrutura
encontrada na membrana dos tilacoides.
No fotossistema I, cada clorofila a absorve melhor
os comprimentos de onda de 700 nm, situados na parte
vermelha do espectro. Por esse motivo, esse fotossiste-
ma também é conhecido como P700. Já no fotossistema II,
também chamado de P680, cada clorofila a absorve me-
lhor os comprimentos de onda de 680 nm, também situa-
dos na parte vermelha do espectro.
Na etapa fotoquímica, ocorre a fotólise da água, pro-
cesso em que uma molécula de água é quebrada em dois
íons hidrogênio (H1), dois elétrons e um átomo de oxigê-
nio. Os elétrons provenientes da água são captados pelas
moléculas de clorofila a do fotossistema II. O átomo de
oxigênio se liga a outro proveniente da quebra de outra
molécula de água e forma o gás oxigênio (O2). Os íons hi-
drogênio são captados pelo NADP1 e formam o NADPH,
que transporta o hidrogênio a ser utilizado na etapa quí-
mica para a produção de moléculas orgânicas.
Assim como ocorre nas mitocôndrias, a energia ele-
tromotiva é utilizada para bombear íons hidrogênio (H+)
do estroma para o interior do tilacoide. Com o aumento
da diferença de concentração, esses íons tendem a vol-
tar ao estroma por difusão. No entanto, essa passagem só
ocorre através da proteína ATP sintase, semelhante àquela
encontrada nas mitocôndrias.
Durante a passagem pela ATP sintase, a energia po-
tencial de difusão dos íons H1 é convertida em energia
mecânica (pela rotação da ATP sintase) e, em seguida, em
energia química, na ligação entre ADP e fosfato. Esse me-
canismo, que utiliza o gradiente de concentração de íons
hidrogênio para a produção de ATP, é conhecido como qui-
miosmose. Outro termo utilizado para se referir à produ-
ção de ATP é fotofosforilação, já que a fosforilação (adição
de fosfato ao ADP) depende da energia luminosa.
H₂O
Fotossistema I
ATP
NADPH
NADP1
Fotossistema II
Estroma
Luz
Luz
Lúmen do
tilacoide
=========================================================================
=======
Questão 1
1 ½
=========================================================================
=======
Questão 2
2
Cadeia transportadora de elétrons
Quimiosmose
ADP 1 P
ATP
sintase
P700
P680
Representação esquemática da cadeia transportadora de elétrons, dos
fotossistemas e da ATP sintase na membrana do tilacoides.
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
CAMPBELL, N. A. et al. Biology: a global approach. 12. ed. Harlow:
Pearson, 2020.
====PAGE 53====
=========================================================================
=======
Questão 555
555
Etapa química
Na etapa química da fotossíntese, também conhecida
como etapa de escuro, ocorre a fixação do carbono provenien-
te do CO2 atmosférico, com a utilização de moléculas produzi-
das na etapa fotoquímica (ATP e NADPH). A fixação do carbono
ocorre em uma série de reações químicas que constituem o ci-
clo das pentoses, mais conhecido como ciclo de Calvin-Benson,
uma homenagem ao bioquímico Melvin Calvin (1911-1997) e
ao biólogo Andrew Benson (1917-2015), ambos estaduniden-
ses. Esses cientistas utilizaram o carbono-14 como marcador
para descrever o percurso completo desse elemento químico
na fotossíntese, desde sua entrada como gás carbônico até sua
conversão em carboidratos e outros compostos orgânicos.
O ciclo de Calvin-Benson pode ser dividido em três fases:
=========================================================================
=======
Questão 1
=========================================================================
=======
Questão 3
3
ATP
Entrada
Rendimento
=========================================================================
=======
Questão 6
6
ATP
=========================================================================
=======
Questão 3
3
NADPH
=========================================================================
=======
Questão 6
=========================================================================
=======
Questão 6
6 ADP
=========================================================================
=======
Questão 3
3 ADP
=========================================================================
=======
Questão 6
6 NADP+
P
=========================================================================
=======
Questão 6
6
i
=========================================================================
=======
Questão 1
1,3-Difosfoglicerato
=========================================================================
=======
Questão 3
3-Fosfoglicerato
Composto
intermediário
Ribulose-1,5-bifosfato
(RuBP)
Gliceraldeído-3-fosfato
(G3P)
Glicose e outros
compostos orgânicos
G3P
Gliceraldeído-3-fosfato
(G3P)
CO2
=========================================================================
=======
Questão 3
3
P
P
=========================================================================
=======
Questão 6
6
P
=========================================================================
=======
Questão 6
6
P
P
P
=========================================================================
=======
Questão 3
3
P
P
=========================================================================
=======
Questão 1
=========================================================================
=======
Questão 5
5
P
=========================================================================
=======
Questão 6
6
P
=========================================================================
=======
Questão 2
=========================================================================
=======
Questão 3
=========================================================================
=======
Questão 3
=========================================================================
=======
Questão 12
=========================================================================
=======
Questão 556
556
Fisiologia da fotossíntese
Alguns fatores ambientais regulam a taxa de fotossíntese
e podem limitá-la caso não estejam disponíveis em quanti-
dades ideais para as plantas. Entre esses fatores, podem-se
citar a intensidade luminosa, a concentração de gás carbôni-
co, a temperatura ambiente, a quantidade de água e a dispo-
nibilidade de minerais.
Alguns desses fatores podem ser considerados limitan-
tes quando fornecidos em menor intensidade, impedindo o
desempenho completo da fotossíntese. Considere um exem-
plo no qual a intensidade de luz fornecida seja menor que a
ideal. Nesse caso, o aumento da intensidade luminosa pro-
moverá aumento na taxa de fotossíntese, mas o aumento dos
outros fatores não terá o mesmo efeito, tendo em vista que
já foram fornecidos em condições ideais.
A seguir serão estudados alguns dos fatores mais impor-
tantes na regulação do processo de fotossíntese nas plantas.
Influência da luz
A luz é essencial para a fotossíntese, pois é a fonte de
energia para a realização da etapa fotoquímica. Se uma planta
for mantida no escuro, a taxa de fotossíntese será nula, já que
a etapa química depende da ocorrência da etapa fotoquímica.
Se uma planta receber todos os outros fatores em in-
tensidades ideais, à medida que a intensidade luminosa au-
menta, ocorre um aumento na taxa de fotossíntese, até que
se atinja o chamado ponto de saturação luminosa. A partir
desse ponto, a taxa de fotossíntese fica constante, pois os
fotossistemas encontram-se sobrecarregados.
Influência da luz na taxa de fotossíntese
Taxa de fotossíntese
Ponto de saturação
luminosa
Intensidade luminosa
Influência do gás carbônico
O gás carbônico é um dos reagentes das reações do ciclo de
Calvin-Benson e, por isso, é essencial à ocorrência da fotossíntese.
Se uma planta receber todos os outros fatores em inten-
sidades ideais, o aumento na concentração de gás carbônico
na atmosfera promove elevação na taxa de fotossíntese até
atingir o ponto de saturação de gás carbônico.
A partir desse ponto, a taxa de fotossíntese não aumen-
ta, já que todas as enzimas, como a rubisco, estão sendo apli-
cadas na fixação desse gás.
Influência do gás carbônico na taxa de fotossíntese
Concentração de CO2
Ponto de saturação
de CO2
Taxa de fotossíntese
Influência da temperatura
A temperatura influencia a fase química da fotossín-
tese, já que afeta o desempenho das enzimas que parti-
cipam do ciclo de Calvin-Benson. Na fase fotoquímica, as
reações dependem da energia luminosa, e a temperatura
é pouco relevante.
Em temperaturas baixas, a taxa de fotossíntese é reduzi-
da devido ao baixo desempenho enzimático na fase química.
O aumento da temperatura promove aumento da atividade
das enzimas até atingir a temperatura ótima, na qual a taxa
da fotossíntese é máxima. Acima dessa temperatura, ocorre
a redução na taxa fotossintética, pois o calor excessivo pro-
move a desnaturação enzimática.
Influência da temperatura na taxa de fotossíntese
Temperatura
Temperatura ótima
Taxa de fotossíntese
Relação entre fotossíntese e
respiração vegetal
As plantas realizam dois processos bioquímicos antagôni-
cos e complementares: respiração aeróbica e fotossíntese. Na
respiração celular vegetal, que conta com a participação das
mitocôndrias, ocorre o consumo de carboidratos e gás oxigê-
nio, com produção de gás carbônico e água. Já na fotossíntese,
que ocorre nos cloroplastos, há consumo de gás carbônico e
água, e produção de oxigênio e moléculas orgânicas.
====PAGE 55====
=========================================================================
=======
Questão 557
557
Aldona Griskeviciene/[Link]
Cloroplasto
Mitocôndria
Fotossíntese
Respiraçã
aeróbia
ATP
CO2 1 H2O
C6H12O6 1 O2
Respiração
aeróbia
Representação esquemática da relação entre a fotossíntese e a
respiração, processos antagônicos e complementares realiza-
dos pelas plantas.
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Em intensidades luminosas muito baixas, a taxa de fo-
tossíntese é menor que a de respiração. Isso significa que o
consumo de matéria orgânica e oxigênio está maior do que
a sua produção. Se uma planta for mantida por muito tempo
nessas condições, ela consumirá todas as suas reservas ener-
géticas e poderá morrer.
Cada planta tem um determinado ponto de compensa-
ção luminosa (PCL), também conhecido como ponto de com-
pensação fótico, que representa a intensidade luminosa na
qual a taxa de fotossíntese é igual à de respiração. Se uma
planta for mantida nesse ponto por tempo indeterminado,
ela conseguirá sobreviver, mas não conseguirá crescer e se
reproduzir, já que toda a matéria orgânica produzida na fo-
tossíntese é consumida na respiração.
Relação entre taxas de fotossíntese e de respiração
Taxa dos processos
Intensidade luminosa
PCL
Fotossíntese
Respiração
Para que uma planta possa crescer e se reproduzir, ela
deve ser submetida a uma intensidade luminosa superior ao
seu ponto de compensação luminosa. Nessa condição, a taxa
de fotossíntese supera a de respiração. Assim, os carboidra-
tos que não são consumidos na respiração serão utilizados na
produção de novas folhas, ramos, flores, frutos e sementes.
A matéria orgânica excedente também poderá ser utilizada
para a produção de reservas de amido.
Com relação ao ponto de compensação luminosa, exis-
tem dois tipos de plantas: heliófilas e umbrófilas. As plantas
heliófilas (do grego helios, sol, e philos, afinidade) têm um
ponto de compensação luminosa alto e, por isso, precisam
de altas intensidades luminosas para se manter. Como exem-
plos, pode-se citar as árvores altas de uma floresta e as gra-
míneas. Já as plantas umbrófilas (do grego umbra, sombra,
e philos, afinidade) têm ponto de compensação luminosa
baixo e sobrevivem em baixas intensidades luminosas. Esse
é o caso de muitas orquídeas e diversas ervas que vivem no
interior de florestas densas.
Taxas de fotossíntese e respiração de
plantas umbrófilas e heliófilas
Taxa dos processos
Intensidade luminosa
Respiração
PCL
(umbrófila)
PCL
(heliófila)
Fotossíntese
(heliófila)
Fotossíntese
(umbrófila)
Quimiossíntese
Alguns organismos autótrofos, como certas bactérias e ar-
queas, obtêm energia para a produção de moléculas orgânicas
por meio de reações de oxidação de moléculas inorgânicas sim-
ples. Esse processo bioquímico é denominado quimiossíntese.
A quimiossíntese pode ser dividida em duas etapas. Na pri-
meira, ocorre a oxidação de uma molécula inorgânica (que contém
enxofre, ferro ou nitrogênio) e a produção de uma molécula oxi-
dada, liberando energia sob a forma de ATP. Na segunda etapa,
ocorre a fixação do carbono e a produção de compostos orgâni-
cos que serão utilizados no metabolismo dos organismos.
1a etapa
2a etapa
Molécula inorgânica
Molécula oxidada
CO2 1 H2O
Moléculas orgânicas
E
Representação das duas etapas envolvidas na quimiossíntese.
====PAGE 56====
=========================================================================
=======
Questão 558
558
Como exemplo de organismos quimiossintetizantes, des-
tacam-se as bactérias nitrificantes, que participam do ciclo
do nitrogênio. As bactérias nitrosas, como as do gênero Ni-
trosomonas, obtêm energia da oxidação do amônio a nitrito,
processo conhecido como nitrosação. Já as bactérias nítri-
cas, como as do gênero Nitrobacter, obtêm energia da oxida-
ção do nitrito a nitrato, processo conhecido como nitratação.
A energia liberada nessas reações químicas é utilizada pelas
bactérias para a produção de moléculas orgânicas.
NH +
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=======
Questão 4
4
NO –
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=======
Questão 2
2 1
E
NO –
=========================================================================
=======
Questão 2
2
NO –
=========================================================================
=======
Questão 3
3 1
E
Nitrito
Nitrato
Amônio
Nitrito
Equações químicas simplificadas da nitrosação (acima) e da
nitratação (abaixo).
Outro exemplo são as arqueas metanogênicas, que vivem
em ambientes anaeróbios, como camadas de gelo, fontes hi-
drotermais submarinas, pântanos, charcos, campos de cultivo
de arroz e no sistema digestório de herbívoros (bois, ovelhas e
cupins). Esses organismos obtêm energia da reação entre gás
hidrogênio e gás carbônico, produzindo água e gás metano.
=========================================================================
=======
Questão 4
4 H2 1 CO2
=========================================================================
=======
Questão 2
2 H2O 1 CH4 1
E
Água
Gás
hidrogênio
Gás
carbônico
Gás
metano
Equação química simplificada da produção de metano por
arqueas metanogênicas.
Saiba mais
As bactérias metanotróficas formam um grupo
fisiologicamente distinto, uma vez que são capazes de utilizar
o gás metano como fonte de energia e de carbono em seu
metabolismo. Esses organismos são fundamentais para o
ciclo do carbono e para a mitigação do aquecimento global,
pois diminuem a concentração de metano na atmosfera,
um potente gás de efeito estufa. A oxidação do gás
metano fornece tanto a energia quanto o carbono
utilizados na produção de compostos orgânicos.
CH4 1 2 O2
CO2 1 2 H2O 1
E
Água
Gás
metano
Gás
oxigênio
Gás
carbônico
Equação química simplificada do uso do gás metano para
fornecimento de energia no metabolismo de bactérias
metanotróficas.
=========================================================================
=======
Questão 1
=========================================================================
=======
Questão 2
=========================================================================
=======
Questão 3
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=======
Questão 559
559
Essa adaptação confere a esse organismo a capacidade de
obter primariamente:
A
ácidos nucleicos.
B
carboidratos.
C
proteínas.
D
vitaminas.
E
lipídios.
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=======
Questão 4
=========================================================================
=======
Questão 5
=========================================================================
=======
Questão 6
====PAGE 58====
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=======
Questão 560
560
=========================================================================
=======
Questão 1
=========================================================================
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Questão 2
=========================================================================
=======
Questão 3
====PAGE 59====
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=======
Questão 2
2
Sumário
Aula 1
Classificação da vida
.........................................................................
........... 562
Aula 2
Origem da vida
.........................................................................
....................... 568
Aula 3
Evolução e especiação
.........................................................................
...... 578
Aula 4
Vírus e procariontes
.........................................................................
.............. 593
Aula 5
Algas e fungos
.........................................................................
......................... 606
====PAGE 60====
=========================================================================
=======
Questão 11
11
B iolog ia • Frente 2
=========================================================================
=======
Questão 562
562
X xxx
Classificaç ã o da v ida
I ntroduç ã o
A T axonomia (do grego tax i s, ordem, e nom
os, lei) é
a área da Biologia responsável pela classificação, identifi-
cação e nomenclatura dos seres vivos. Propostas de clas-
sificação dos seres vivos existem desde a G récia Antiga.
O filósofo Aristóteles (3 84 a.C.-3 22 a.C.), por exemplo,
sugeriu a organização dos seres vivos em dois grupos: os
animais e os vegetais. Contudo, a T axonomia passou a ser
mais profundamente estudada e detalhada somente no
século X VI I I , com destaque para os trabalhos do médico e
naturalista sueco Carolus Linnaeus (1707-1778), Carl von
Linné, ou Lineu, em português.
A classificação é uma prática importante, uma vez que
organiza os seres vivos de acordo com critérios definidos,
como semelhanças e diferenças anatômicas – critérios uti-
lizados por Lineu no século X VI I I – ou relações evolutivas entre
os seres vivos. A T axonomia possibilita a transmissão
entre pessoas de informações organizadas sobre os seres
vivos e facilita a comunicação entre os pesquisadores do
mundo todo.
Atualmente, os sistemas de classificação dos seres vivos ba-
seiam-se principalmente nas filogenias, ou seja, nas hipó teses
de histó ria ev olutiv a de grupos de seres vivos. A área da Bio-
logia chamada de S istemá tica é a responsável por investigar a
história evolutiva dos grupos de seres vivos, determinando suas
taxonomias e suas relações de parentesco evolutivo. Assim, po-
de-se dizer que a taxonomia reflete, na classificação dos seres
vivos, os resultados dos estudos de Sistemática.
As categorias taxonômicas
No século X VI I I , uma das contribuições de Lineu para a
classificação foi o agrupamento dos seres vivos em uma hie-
rarquia de categorias, chamadas de categorias taxonômicas.
Atualmente, as principais categorias taxonômicas são: reinos,
filos, classes, ordens, famílias, gêneros, espécies e, mais re-
centemente, os domínios.
Chamamos de táxon uma unidade taxonômica nomeada
em qualquer um dos níveis da hierarquia da classificação; por
exemplo, o reino Animalia corresponde a um táxon.
Os reinos tradicionais
Em 196 9, o ecólogo estadunidense Robert Whittaker
(1920-1980) propôs a organização de todos os seres vivos, à
exceção dos vírus, em cinco reinos: Monera, P rotista, F ungi,
P lantae e Animalia. A novidade dessa proposta foi a criação
de um reino exclusivo para os fungos, seres vivos antes classi-
ficados entre protistas e plantas. A classificação de Whitaker
para os fungos se baseou principalmente na organização ce-
lular e na forma de nutrição desses seres.
Reino Monera
O reino Monera inclui as bactérias e as arq ueas. Esses
seres vivos são unicelulares e procariontes, ou seja, cada ser
vivo é formado por apenas uma célula, desprovida de nú cleo.
A respeito da nutrição, podem ser autótrofos fotossintetizan-
tes, como as cianobactérias, quimiossintetizantes, como al-
gumas arqueas, ou, ainda, heterótrofos, como as bactérias
decompositoras e as bactérias parasitas.
Em bactérias e arqueas é comum a presença de parede
celular. No entanto, há uma diferença na composição des-
se envoltório – enquanto a parede celular das bactérias
é dotada de compostos conhecidos como peptidoglicanos, a
parede celular das arqueas não apresenta esse componente.
Natures G eometry/Alamy/Fotoarena
Eletromicrografia de varredura de bactérias E scheri chi a col i (colo-
rida artificialmente; aumento de 45 mil vezes).
Classificar é uma forma usada pela humanidade para organizar o mundo
conhecido. Em relação ao conhecimento dos
seres vivos, não é diferente. Existe uma grande diversidade de formas de
vida, e a classificação biológica organiza, com base
em critérios bem estabelecidos, toda essa diversidade, a fim de facilitar
seu estudo.
C4 | H14 e H16
C5 | H17
C6 | H28
AULA
=========================================================================
=======
Questão 1
====PAGE 61====
=========================================================================
=======
Questão 563
563
Reino P rotista
No reino Protista, também denominado Protoctista, es-
tão classificados as algas e os protozoá rios. Esses seres vivos
são eucariontes, ou seja, suas células são dotadas de nú cleo;
entretanto, apesar dessa semelhança, existem muitas dife-
renças entre eles. Os protozoários são unicelulares e heteró-
trofos, enquanto as algas são autótrofas fotossintetizantes e
seus representantes podem ser unicelulares ou pluricelula-
res. Mesmo havendo pluricelularidade em certas espécies,
não são observados tecidos diferenciados nas algas. Outra
diferença relevante entre algas e protozoários é que a maio-
ria das algas apresenta parede celular, enquanto os protozoá-
rios não possuem essa estrutura. Esse reino foi proposto em
=========================================================================
=======
Questão 186
====PAGE 62====
=========================================================================
=======
Questão 564
564
atualmente, Archaea é considerado evolutivamente mais próxi-
mo de Eukarya do que de Bacteria. Como já foi mencionado, nas
bactérias a parede celular contém peptidoglicanos, composto
ausente na parede celular das arqueas. No domínio Archaea,
existem representantes que suportam condições ambientais
bastante extremas, como as arqueas termófilas, capazes de so-
breviver em ambientes com altas temperaturas.
Categorias taxonômicas
menos abrangentes
As categorias taxonômicas descritas até aqui abrangem pra-
ticamente todas as formas de vida. Entretanto, existem catego-
rias taxonômicas menos abrangentes a serem apresentadas.
A categoria taxonômica de espécie configura-se como a
unidade básica da classificação biológica. Pelo conceito biológi-
co de espécie, definido pelo biólogo alemão Ernst Mayr (1904-
-2005), espécie corresponde a um grupo de populações natu-
rais intercruzantes que geram descendentes viáveis e férteis e
que são reprodutivamente isolados de outros grupos. No entan-
to, essa definição pode apresentar certas limitações. Uma delas
está relacionada a seres vivos que se reproduzem assexuada-
mente, uma vez que, nesse caso, pode não existir cruzamento
entre os indivíduos para que a reprodução aconteça.
Em situações nas quais o parentesco evolutivo entre gru-
pos de espécies seja suficientemente próximo, elas podem
ser colocadas na categoria taxonômica de gênero. Os gêneros
evolutivamente mais próximos formam uma família e, nos
casos em que duas ou mais famílias são evolutivamente apa-
rentadas, elas podem ser reunidas em uma ordem. Ordens
evolutivamente relacionadas, quando agrupadas, formam
uma classe, e as classes com maiores afinidades evolutivas
constituem um filo. Filos aparentados compõem um reino
e, por fim, a reunião de reinos pode constituir um domínio.
Domínio
(ex. Eukarya)
Reino
(ex. Animalia)
Filo
(ex. Chordata)
Classe
(ex. Mammalia)
Redução da
diversidade e
aumento na relação
de parentesco
evolutivo
entre os seres
Aumento da
diversidade e
redução na relação
de parentesco
evolutivo
entre os seres
Ordem
(ex. Carnivora)
Família
(ex. Felidae)
Espécie
(ex. Panthera onca)
Gênero
(ex. Panthera)
Hierarquia das principais categorias taxonômicas, utilizando
como exemplo a onça-pintada (Panthera onca).
Reino Animalia
Os animais são organismos eucariontes, pluricelulares
com tecidos diferenciados e apresentam nutrição heterotró-
fica. Apesar de os tecidos diferenciados serem uma caracte-
rística dos animais, os poríferos são animais desprovidos des-
sa característica, configurando uma exceção. A célula animal,
ao contrário da célula vegetal, não possui parede celular. Na
proposta de Herbert Copeland, de 1957, o conjunto de todos
os animais formava o reino Metazoa.
Aleksei Verhovski/[Link]
Lobo-guará (Chrysocyon brachyurus, mede cerca de 1,2 m de com-
primento), espécie de mamífero típica do Cerrado brasileiro.
Os domínios
Os sistemas de classificação estão sujeitos a alterações e pas-
sam por atualizações conforme novos conhecimentos a respeito
dos seres vivos são adquiridos. Nesse sentido, em 1990, à
luz da Sistemática, o microbiologista estadunidense Carl Woese
(1928-2012) sugeriu que os seres vivos fossem agrupados em
categorias acima de reino, denominadas domínios, com base em
análise genética de ribossomos (especificamente RNA ribossômi-
co). Segundo essa proposta, os seres vivos estão distribuídos em
três domínios: Eukarya, Archaea e Bacteria.
Nela, todos os eucariontes estão classificados no domí-
nio Eukarya. Portanto, os reinos com representantes euca-
riontes (animais, plantas, fungos, algas e protozoários) são
agrupados nesse domínio.
Nessa proposta mais recente de classificação, baseada na
relação filogenética entre os seres vivos, os procariontes estão
divididos em dois domínios. No domínio Bacteria estão clas-
sificadas as bactérias, e no domínio Archaea são encontradas
as arqueas. Dessa forma, os seres procariontes que, com base
na proposta de Whittaker, formavam o reino Monera são se-
parados em dois domínios, com base na proposta de Woese.
Assim, o reino Monera, apesar de ainda ser bastante utilizado
para se referir aos seres procariontes, é considerado obsoleto
e artificial do ponto de vista da classificação sistemática.
Entre bactérias e arqueas, existem diferenças bioquímicas
marcantes que nortearam sua separação em dois grupos dis-
tintos. Por exemplo, há diferenças relevantes ligadas ao geno-
ma desses seres vivos, ao RNA ribossômico e à constituição da
parede celular. Os estudos em nível molecular também eviden-
ciaram similaridades entre Archaea e Eukarya, razão pela qual,
====PAGE 63====
=========================================================================
=======
Questão 565
565
mais recente compartilhada pelos seres vivos em análise, e sua
representação é feita por meio de diagramas ramificados dico-
tomicamente conhecidos como cladogramas.
Na cladística, o agrupamento de táxons é feito com base
em um ancestral comum exclusivo ao grupo e todos os seus
descendentes. Esses grupos são chamados de clados ou gru-
pos monofiléticos. Esse método de classificação, assim como
a classificação de Lineu, obedece a uma hierarquia – clados
menores podem ser colocados em clados mais abrangentes.
Por exemplo, o gênero Cani s, no qual são classificados o lobo,
o cão e o coiote, corresponde a um clado inserido em um
clado maior, a família Canidae.
Nesse contexto, o cladograma a seguir representa rela-
ções evolutivas entre os três domínios.
Bacteria
Archaea
Eukarya
Representação das relações evolutivas entre os domínios, mos-
trando que as arqueas, mesmo sendo procariontes, são evolutiva-
mente mais próximas dos eucariontes do que das bactérias.
As características compartilhadas exclusivamente por um
grupo monofilético, chamadas sinapomorfias, refletem rela-
ções evolutivas e, por isso, podem ser usadas para inferir hi-
póteses filogenéticas. Essas características são denominadas
homologias. São monofiléticos os reinos Animalia e Plantae.
Diferentemente do grupo monofilético, um grupo parafilético
não inclui todos os descendentes de um ancestral, como o reino
Monera. Os grupos polifiléticos, por sua vez, são formados por
descendentes de diversos ancestrais, como os reinos Protista e
Fungi. Assim, os táxons parafiléticos e polifiléticos são conside-
rados grupos artificiais (os grupos artificiais podem ser denomi-
nados merofiléticos).
A
C
B
D
O grupo demarcado nes-
te cladograma é mono-
filético, pois é formado
pelos táxons A e B e pelo
ancestral comum a eles.
A
C
B
D
O grupo demarcado é pa-
rafilético porque não in-
clui todos os descenden-
tes do ancestral comum.
O grupo formado pelos táxons B e D é polifilético porque não
inclui o ancestral mais recente comum a esses táxons.
A
C
B
D
N omenclatura bioló gica
No século X VI I I , outra importante contribuição de Lineu
foi a elaboração de um sistema binomial, que padroniza a for-
ma como uma espécie deve ser cientificamente nomeada.
Nesse sistema, o nome de uma espécie deve ser escrito em
latim ou, ao menos, ser latinizado. Essa regra é importante
porque o latim não pode mais sofrer modificações com o
passar do tempo; portanto, os nomes científicos não estão
sujeitos a alterações em decorrência, por exemplo, de possí-
veis reformas ortográficas. Além disso, o nome que se refere
a uma espécie deve conter dois termos, daí a denominação
“ binomial” . Nesse sentido, a primeira parte do binômio, que
deve ser escrita com inicial maiú scula, faz referência ao gê-
nero ao qual a espécie pertence. O segundo termo, chamado
de epíteto específico, deve ser escrito com inicial minú scula.
Uma terceira regra importante para a construção do binômio
que nomeia uma espécie é que ambos os termos devem ser
destacados em relação ao restante do texto.
N ome popular
N ome científico
Chimpanzé
Pan trog l od ytes
Arroz
O ryz a sati v a
Paramécio
Param eci um caud atum
Bactéria da cólera
V i bri o chol erae
Exemplos de nomes populares e nomes científicos de alguns
seres vivos.
Ainda menos abrangente que espécie, existe a categoria
de subespécie. Essa categoria refere-se a uma população de
uma espécie em uma certa área geográfica que apresenta di-
ferenças em relação a outras populações, representando uma
subdivisão dessa espécie. Uma subespécie é identificada pelo
acréscimo de um terceiro termo. Um exemplo é a subespécie
da espécie Panthera ti g ri s à qual pertence o tigre-de-bengala,
chamada de Panthera ti g ri s ti g ri s.
Ev oluç ã o e classificaç ã o
Uma filogenia representa hipóteses de relação evolutiva
entre os seres vivos. Essas relações evolutivas são baseadas
em informações morfológicas, bioquímicas e, principalmente,
genéticas das espécies. Nas filogenias, um ancestral comum a
dois ou mais táxons corresponde a uma espécie pertencente a
uma linhagem ancestral que, ao longo da evolução, passou por
modificações, resultando em linhagens descendentes distintas
entre si.
Cladística
Para a reconstrução das filogenias pela S istemá tica F ilo-
genética, o método de análise mais utilizado é a Cladística, em
detrimento da F enética, que não será abordada. A abordagem
cladística é baseada principalmente na ancestralidade comum
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=========================================================================
=======
Questão 566
566
=========================================================================
=======
Questão 1
1
U ece 2 0 2 3 Em relação à nomenclatura dos seres vivos,
escreva V ou F conforme seja verdadeiro ou falso o que se
afirma nos itens a seguir.
Os nomes científicos podem conter o nome do cientis-
ta que descreveu a espécie, de uma característica que
apresenta, do lugar onde ocorre etc.
As subespécies têm um nome composto por quatro pala-
vras, sendo uma delas um adjetivo.
Cada espécie é identificada por dois nomes em latim: o
primeiro, em maiú scula, é o gênero; o segundo, em mi-
nú scula, é o epíteto específico.
O nome científico é aceito em todas as línguas e a cada
espécie atribui-se um ú nico nome.
Está correta, de cima para baixo, a seguinte sequência:
A
F, V, F, F
B
V, V, V, F
C
V, F, F, V
D
V, F, V, V
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=======
Questão 2
2
F CMS CS P 2 0 2 3 O quadro apresenta organismos da fauna
e da flora brasileira e informações sobre cada um deles.
N ome popular e informaç ã o
complementar
N ome científico
I nseto barbeiro
(hematófago)
T ri atom a brasi l i ensi s
Morceguinho-das-casas
(insetívoro)
T ad ari d a brasi l i ensi s
Á rvore leiteiro (frutífera)
S ebasti ani a brasi l i ensi s
De acordo com os dados fornecidos no quadro e conheci-
mentos sobre classificação biológica, esses organismos per-
tencem à mesma unidade taxonômica, denominada
A
espécie.
B
classe.
C
domínio.
D
reino.
E
ordem.
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=======
Questão 3
3
U F U - MG 2 0 1 9 O cladograma hipotético, a seguir, repre-
senta um diagrama que indica relações de parentesco entre
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=======
Questão 10
=========================================================================
=======
Questão 8
8
B
=========================================================================
=======
Questão 7
7
C
=========================================================================
=======
Questão 9
9
D
=========================================================================
=======
Questão 6
=========================================================================
=======
Questão 4
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=======
Questão 4
=========================================================================
=======
Questão 8
=========================================================================
=======
Questão 2
=========================================================================
=======
Questão 3
3
=========================================================================
=======
Questão 7
=========================================================================
=======
Questão 6
6
Espécies de Streptomyces
=========================================================================
=======
Questão 1
=========================================================================
=======
Questão 10
10
=========================================================================
=======
Questão 5
=========================================================================
=======
Questão 9
9
Com base no cladograma, identifique as duas outras espécies
de fungos que devem ser priorizadas nos estudos para a pro-
dução desse antibiótico.
Aponte, ainda, a vantagem da utilização do cladograma na
busca de espécies para a produção do medicamento.
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=======
Questão 5
=========================================================================
=======
Questão 0
0 1
No reino Monera estão agrupadas as arqueas e as bacté-
rias, seres vivos microscópicos unicelulares procariontes.
=========================================================================
=======
Questão 0
0 2
Liquens e micorrizas pertencem ao reino Fungi, enquan-
to musgos e samambaias pertencem ao reino Plantae.
=========================================================================
=======
Questão 0
0 4
No reino Protista estão agrupados os organismos euca-
riontes e multicelulares como as algas, as cianobactérias
e as hifas.
=========================================================================
=======
Questão 0
0 8
O reino Animalia agrupa organismos eucariontes multi-
celulares autotróficos e exclusivamente terrestres.
S oma:
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=======
Questão 6
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=======
Questão 567
567
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=======
Questão 1
1
P U C- Rio 2 0 2 3 Considere as afirmativas abaixo acerca
dos animais.
I .
Os animais são seres aeróbios.
I I .
Os animais são seres heterótrofos por absorção.
I I I . Os animais possuem a molécula de glicogênio como re-
serva de energia.
I V. Os animais se reproduzem de forma sexuada e assexuada.
V.
Os animais apresentam célula eucarionte, com parede
celular de quitina.
Está correto apenas o que se afirma em
A
I , I I e I V
B
I , I I I e I V
C
I , I I I e V
D
I I , I I I e I V
E
I I , I I I e V
=========================================================================
=======
Questão 2
2
U ncisal 2 0 2 0 O si stem a d e cl assi f i caç ã o d e L i neu atri -
bui a tod o org ani sm o um rei no, f i l o, cl asse, ord em , f am
í l i a,
g ê nero e esp é ci e. E sse si stem a f oi cri ad o m ui to antes d e
os
ci enti stas entend erem com o os org ani sm os ev ol uí am . Com o
o si stem a d e L i neu nã o se basei a na ev ol uç ã o, g rand e p arte
d os bi ó l og os está m ud and o o entend i m ento d e cl assi f i caç
ã o,
ad otand o um si stem a q ue ref l i ta a hi stó ri a ev ol uti v a d os
or-
g ani sm os. D entro d esse contex to, o si stem a d e cl assi f i caç
ã o
d e seres v i v os p ossi bi l i tou a d escri ç ã o d e esp é ci es,
com o os
m i crorg ani sm os, e seus p ad rõ es d e com p ortam ento nos es-
tud os d a rel aç ã o p arasi to- hosp ed ei ro. E sse conheci m ento
troux e benef í ci os p ara p rev enç ã o e tratam ento d e d oenç as.
Disponível em: [Link] w w .[Link]/evosite/evo101/I I
DClassification.
shtml. Acesso em: nov. 2016 (adaptado).
O sistema de classificação fundamentado em dados evolutivos
A
baseia-se em grupos de organismos com hábitos em comum.
B
é definido com base na região ocupada pelos organismos.
C
é chamado de sistema de classificação filogenética.
D
é característico das cadeias alimentares.
E
baseia-se em um sistema artificial.
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=======
Questão 3
3
F amerp- S P 2 0 2 3 E m 1 9 9 4 , os p ri m ei ros f ó ssei s d e um
hom i -
ní d eo até entã o d esconheci d o f oram encontrad os na E ti ó p i a.
O s antrop ó l og os resp onsá v ei s p el a d escoberta d escrev eram
os restos m ortai s com o send o d e um a f ê m ea ad ul ta, e d eci d i
-
ram cham ar a esp é ci e d e A rd i p i thecus ram i d us, ap el i d ad
a d e
“ A rd i ” . A o l ong o d os d ez anos seg ui ntes, v á ri os f ó
ssei s d a es-
p é ci e d e A rd i f oram encontrad os e d atad os entre 4 , 2 m i l
hõ es
e 4 , 4 m i l hõ es d e anos. Q uand o os ci enti stas ex am i naram
essa
col eç ã o d e f ó ssei s, i d enti f i caram q ue o p é ti nha um a
estrutu-
ra q ue p erm i ti a d ar p assos com o i m p ul so d os d ed os, com o
f az em os hoj e, o q ue os sí m i os q ue cam i nham sobre q uatro
p atas nã o f az em .
(w w w .[Link]. Adaptado.)
Q uando se compara a espécie de Ardi com a espécie hu-
mana atual, a categoria taxonômica comum a essas duas
espécies e que revela um maior grau de parentesco evolu-
tivo entre elas é
A
o gênero Hominidae.
B
a classe mammalia.
C
a ordem primata.
D
o subfilo vertebrata.
E
o reino animal.
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=======
Questão 4
4 U nifesp 2 0 2 0 ( Adapt. ) A
K l ebsi el l a p neum oni ae é um a
bacté ri a op ortuni sta d e um g rup o q ue está entre os m i cror-
g ani sm os q ue m ai s causam i nf ecç õ es hosp i tal ares e q ue m ai
s
tê m d esenv ol v i d o resi stê nci a a anti bi ó ti cos nos ú l ti m
os anos.
O utro m i crorg ani sm o d esse g rup o é a K l ebsi el l a p neum oni
ae
carbap enem ase, um a sup erbacté ri a.
Pesq ui sad ores anal i saram K . p neum oni ae p resentes na
uri na d e 4 8 p essoas d i ag nosti cad as com i nf ecç ã o uri ná ri
a.
E m d uas p essoas as bacté ri as ap resentaram um f enó ti p o d e
v i rul ê nci a, conheci d o com o hi p erm ucov i scosi d ad e, em q
ue as
bacté ri as p rod uz em g rand e q uanti d ad e d e um bi of i l m e
es-
p esso e v i scoso, q ue ad ere as bacté ri as ao ep i té l i o d a bex
i g a
e as p roteg e, tornand o d i f i cí l i m a sua el i m i naç ã o.
(K arina T oledo. “ Bactérias multirresistentes são identificadas fora de
ambiente hospitalar” . [Link] 21.08.2019. Adaptado.)
A qual gênero pertence a superbactéria K l ebsi el l a p neum oni ae
carbap enem ase? Cite uma característica exclusiva das bacté-
rias que as integra ao Reino Monera.
Porco
Cavalo
Vaca
Ovelha
Veado
ALBERT S, B. et al . B i ol og i a m ol ecul ar d a cé l ul a.
Nova Y ork: G arland Publisher, 2008.
Q ual espécie é geneticamente mais semelhante ao seu an-
cestral mais próximo?
A
Cavalo.
B
Ovelha.
C
Veado.
D
Porco.
E
Vaca.
Para
APRIMORAR
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Origem da vida
C1 | H3
C4 | H14, H15 e H16
C5 | H17
AULA
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Questão 2
2
Biologia • Frente 2
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Questão 568
568
Será que seres vivos podem surgir simplesmente por geração espontânea, a
partir da transformação da matéria sem
vida? No final do século XIX, a discussão que perdurava por séculos deu
lugar a uma teoria bem estabelecida. Com isso, mui-
tos cientistas passaram a admitir que os seres vivos atuais só podem
surgir pela reprodução de organismos, ideia conhecida
como biogênese. Contudo, ainda nos resta uma dúvida: como surgiram os
primeiros seres vivos?
larvas em determinados casos. Como era comum em sua
época, Redi aceitava, em geral, a geração espontânea, tendo
interesse em alguns casos particulares em que isso, segundo
ele, não ocorreria.
Nesse contexto, Redi observou que as moscas eram atraí-
das pelo cheiro de carne e nela colocavam ovos. Então, as lar-
vas eclodiam dos ovos e se alimentavam da carne, formando
depois casulos escuros denominados pupas, dos quais sur-
giam as moscas adultas. Assim, Redi concluiu que nem todos
os seres surgem por geração espontânea, como seria o caso
de ovos colocados por moscas em cadáveres. Para demons-
trar esse fato, Redi elaborou alguns experimentos.
Atenção!
O experimento de Redi apenas mostrou que as mos-
cas não eram geradas da carne em putrefação, mas de
ovos colocados sob ela por outras moscas. Francesco Redi
continuava a aceitar a geração espontânea para outros
casos, como a origem espontânea de vermes intestinais.
Esses experimentos de Redi foram publicados em
1668 em seu livro Experimentos sobre a geração de in-
setos. Em um deles, o médico colocou pedaços de car-
ne em frascos, deixando um aberto, um selado e outro
coberto por uma gaze. Após alguns dias, Redi percebeu
que as larvas surgiram apenas no interior do frasco que
permaneceu aberto, pois as moscas alcançavam a carne
e depositavam seus ovos. No frasco selado e no coberto
com gaze as moscas não conseguiram colocar seus ovos
nos pedaços de carne, não ocorrendo, dessa forma, o
surgimento das larvas. A ausência de seres vermiformes
nos frascos cobertos mostrou incoerência na ideia da
geração espontânea, e fortaleceu a ideia de biogênese
dos seres vivos.
Abiogênese e biogênese
A ideia de que alguns seres vivos podem surgir da matéria
sem vida foi aceita e difundida até o final do século XIX, sendo
conhecida como teoria da geração espontânea ou abiogênese
(do grego a, ausência, bios, vida, e genos, origem). Acredita-
va-se, por exemplo, que sapos e crocodilos poderiam surgir
da lama dos rios e que larvas de insetos poderiam surgir dos
cadáveres em decomposição. Também existia a crença de
que algumas espécies poderiam originar espécies diferentes,
como algodoeiros originando ovelhas ou até mesmo gansos
surgindo de crustáceos marinhos.
Vários filósofos gregos defendiam essa ideia, entre eles
Aristóteles (384-322 a.C.), que acreditava na existência de um
princípio ativo ou força vital, fundamental para transformar a
matéria bruta (sem vida) em um organismo vivo.
Muitos pensadores, influenciados pelo pensamento aris-
totélico, como o filósofo francês René Descartes (1596-1650),
o físico inglês Isaac Newton (1643-1727) e o naturalista fran-
cês Jean-Baptiste Lamarck (1744-1829), adotaram a abiogê-
nese para explicar a origem de alguns organismos vivos. O
médico belga Jan Baptist van Helmont (1580-1644), respon-
sável por grandes experimentos em Botânica, chegou a redi-
gir uma receita para produção espontânea de ratos. Segundo
Helmont, bastava colocar em um canto sossegado e pouco
iluminado camisas sujas (o suor das camisas teria o princípio
ativo) e grãos de trigo que, depois de 21 dias, ocorreria o sur-
gimento de ratos por geração espontânea.
A crença na geração espontânea foi quebrada com expe-
rimentos rigorosos realizados por vários cientistas. Esses expe-
rimentos produziram evidências de que os seres vivos surgem
apenas a partir da reprodução de seres vivos de sua própria es-
pécie, teoria conhecida como biogênese (do grego bios, vida,
e genos, origem).
Experimento de Redi
O médico e naturalista italiano Francesco Redi (1626-
-1697) realizou um experimento para investigar a origem de
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=======
Questão 569
569
Frasco
aberto
Frasco coberto
com gaze
Frasco selado
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Representação esquemática do experimento de Redi realizado
para determinar a origem dos seres vermiformes nos cadáveres.
J. Marini/[Link]
Gaze
Rolha
O experimento de Redi enfraqueceu a ideia da abiogêne-
se de seres vivos macroscópicos, mas, com a descoberta dos
microrganismos pelo holandês -Antonie van -Leeuwenhoek
(1632-1723) no século XVI, alguns cientistas voltaram a re-
correr à geração espontânea para explicar a origem desses
organismos expressivamente pequenos. De acordo com es-
ses cientistas, os microrganismos poderiam surgir esponta-
neamente em qualquer lugar a partir da matéria sem vida.
Para outros cientistas, entretanto, os microrganismos só po-
deriam surgir a partir de “sementes” presentes no ar, no solo
ou na água. Essas “sementes” se proliferariam em condições
ideais e originariam os microrganismos.
Diante da polêmica sobre a origem dos microrganismos,
em 1860 a Academia Francesa de Ciências resolveu oferecer
um prêmio em dinheiro, conhecido como prêmio Alhumbert,
para o cientista que conseguisse realizar um experimento
que explicasse com consistência a origem de microrganis-
mos. Esse prêmio foi conquistado por Pasteur com o seu
famoso experimento envolvendo frascos com gargalos alon-
gados similares aos pescoços dos cisnes.
É importante observar que mesmo que os experimentos
de Pasteur refutassem de modo consistente a geração espon-
tânea, a questão permaneceu não totalmente resolvida, pois,
na mesma época, outros experimentos, razoavelmente bem
concebidos, do naturalista francês Felix Pouchet (1800-1872)
trouxeram argumentos favoráveis à geração espontânea.
Além dele, um dos membros da Royal Society inglesa, Henry
Charlton Bastian (1837-1915), fisiologista inglês, continuou a
combater experimentalmente as hipóteses de -Pasteur.
No entanto, lentamente as hipóteses de Pasteur foram
se mostrando suficientemente embasadas, principalmente
com o fortalecimento da teoria dos germes como causadores
de doenças no século XIX. Quando Robert Koch (1843-1910),
bacteriologista alemão, publicou em 1884 seus postulados
sobre microrganismos e doenças, já não havia mais oposito-
res que conseguissem defender a ideia de abiogênese.
Experimento de Pasteur
Como vimos, o cientista francês Louis Pasteur refutou
experimentalmente, em 1864, a hipótese de geração espon-
tânea dos microrganismos. No experimento, Pasteur utilizou
frascos de vidro e adicionou dentro deles caldos nutritivos.
Em seguida, amoleceu os gargalos dos frascos no fogo, es-
ticando-os para formar tubos longos, finos e curvados, pa-
recidos com o formato de pescoços de cisnes. Os gargalos
alongados permaneceram abertos nas extremidades e fun-
cionavam como filtros, já que permitiam a passagem de ar
e promoviam a retenção de microrganismos na parede dos
tubos. Em seguida Pasteur ferveu os caldos nutritivos, para
matar os microrganismos já existentes, e deixou os frascos
resfriarem por bastante tempo.
Atenção!
A entrada de ar nos frascos era importante para dar
credibilidade ao experimento, pois os cientistas da épo-
ca acreditavam que o ar era necessário para que a “força
vital” atuasse sobre os caldos nutritivos e promovesse a
geração espontânea.
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=======
Questão 570
570
Representação esquemática do experimento de Pasteur realizado para
determinar a origem dos microrganismos nos caldos nutritivos.
A conclusão desse experimento foi que os microrganismos no caldo
nutritivo surgem de outros microrganismos presentes no ar.
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Questão 1
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Questão 2
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Questão 5
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Questão 4
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=======
Questão 3
3
Adição de caldo nutritivo
no frasco de vidro
O gargalo do frasco é esticado
e curvado
Quebra do
gargalo
Caldo nutritivo é
fervido e esterilizado
Entrada de ar
Entrada de ar
Retenção de poeira
Caldo nutritivo sem
microrganismos
Caldo nutritivo
com microrganismos
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO.
CORES
FANTASIA.
As conclusões de Pasteur sobre a origem dos microrganismos tiveram
grandes consequências para a medicina e para a
indústria de alimentos. O médico inglês Joseph Lister (1827-1912),
influenciado pelas ideias de Pasteur e de Koch, passou
a esterilizar o ambiente, as ataduras e os instrumentos cirúrgicos
utilizados nos hospitais, pois acreditava que a mortalidade
de pessoas que passaram por cirurgias poderia ser causada pela
contaminação dos ferimentos ou cortes por microrganismos
presentes no ambiente. Com essa prática de esterilização, a mortalidade
dos pacientes operados caiu de forma significativa
nos hospitais.
Saiba mais
Pasteurização dos alimentos
Pasteur percebeu que o aquecimento do vinho por apenas alguns minutos, a
57 °C, era suficiente para matar os mi-
crorganismos indesejáveis, sem alterar o sabor da bebida. A partir de
então, o termo pasteurização, criado em homenagem
a Pasteur, foi utilizado para se referir ao processo de aquecimento
brando de um alimento para matar os microrganismos
existentes nele. Em diversos países, incluindo o Brasil, é obrigatório
pasteurizar o leite e seus derivados antes de comerciali-
zá-los. Essa técnica permite a eliminação da bactéria Mycobacterium
tuberculosis, causadora da tuberculose humana, e de
microrganismos responsáveis pela deterioração do leite. Atualmente,
outros procedimentos, como raios UV, vapor e pressão,
também são utilizados nos processos de pasteurização realizados para
conservar os alimentos por tempo prolongado.
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Questão 571
571
Panspermia cósmica
Não há dúvida de que a matéria que forma as superfí-
cies planetárias é sempre trocada entre planetas rochosos e
luas do Sistema Solar. O impacto violento de asteroides e me-
teoritos na superfície do planeta faz com que fragmentos se
desprendam e sigam diferentes trajetórias orbitais, podendo
retornar ao próprio planeta ou atingir a superfície de outros
astros. Assim, muitos cientistas acreditam que seres vivos
-extremófilos e blocos construtores da vida, como aminoáci-
dos e outros compostos orgânicos, possam ter alcançado a
Terra a partir do espaço, hipótese conhecida como pansper-
mia (do grego pan, todo, e sperma, semente).
Extremófilos: organismos que conseguem viver em
ambientes com condições extremas, como temperaturas
acima de 60 °C, em geleiras e em ambientes hipersalinos
ou extremamente ácidos.
A hipótese da panspermia tem recebido apoio de muitos
cientistas, principalmente de uma área da Biologia que estu-
da a existência, a origem e a diversidade da vida no universo:
a Astrobiologia (ou Exobiologia). Sucessivos testes teóricos e
experimentais revelaram evidências que fortaleceram essa
hipótese. Em 1969, por exemplo, cientistas encontraram di-
versos aminoácidos, alguns em grandes quantidades, em um
fragmento de meteorito de 4,5 bilhões de anos que caiu na
Austrália. Isso indica que cometas e meteoros poderiam ter
carregado e introduzido diversos tipos de compostos orgâni-
cos na Terra primitiva que foram fundamentais para o surgi-
mento da vida por aqui.
Outra evidência que fortalece a hipótese da panspermia é
a descoberta de seres vivos extremófilos bastante resistentes
às condições desfavoráveis encontradas no espaço. Cientistas
observaram que bactérias e outros organismos, como fungos,
liquens e tardígrados, são capazes de sobreviver muito tempo
sem água, sem gravidade e com altas doses de raios ultravioleta.
Esses organismos extremófilos são suficientemente resistentes
para, em hipótese, suportar uma viagem espacial e colonizar os
ambientes habitáveis que encontrarem, como o planeta Terra.
Eletromicrografia de varredura de um tardígrado (Paramacro-
biotus tonolli, mede cerca de 0,3 mm de comprimento) em mus-
go (colorida artificialmente).
Eye Of Science/Science Photo Library/Fotoarena
Apesar de bastante provável, a hipótese da panspermia
cósmica ainda deixa um enigma no ar: como esses organismos
extremófilos ou blocos construtores da vida foram formados em
outros locais do Universo? Na prática, a panspermia cósmica
apenas muda o problema de lugar, da Terra para outro planeta.
Evolução química
Em 1920, o bioquímico russo Aleksandr -Ivanovich -Oparin
(1894-1980) e o geneticista inglês John Burdon Sanderson
Haldane (1892-1964) propuseram, de forma independente,
explicações semelhantes para a origem da vida no plane-
ta Terra. Segundo esses cientistas, os primeiros seres vivos
surgiram pela evolução gradual de moléculas e de reações
químicas, hipótese conhecida como evolução gradual dos sis-
temas químicos.
De acordo com os cientistas, a atmosfera primitiva era
favorável à formação de moléculas orgânicas a partir de
moléculas mais simples, como vapor de água (H2O) e outros
gases, entre eles o metano (CH4), a amônia (NH3) e o hidro-
gênio (H2).
Essas moléculas têm em sua constituição os elemen-
tos químicos carbono (C), hidrogênio (H), nitrogênio (N) e
oxigênio (O), necessários para a formação dos compostos
orgânicos encontrados em todos os seres vivos. As reações
químicas que ocorreram entre esses gases foram responsá-
veis pela formação de diversas moléculas orgânicas, entre
elas os aminoácidos. O calor extremo, os raios solares ultra-
violeta e os relâmpagos produzidos pelas tempestades for-
neceram a energia necessária para acelerar essas reações.
As moléculas orgânicas formadas pelas reações entre
os gases eram arrastadas pelas chuvas e se concentravam
nos oceanos primitivos. Haldane sugeriu que os oceanos
primitivos eram soluções de moléculas orgânicas, ou seja,
verdadeiras “sopas nutritivas” por meio das quais a vida
surgiu. A polimerização de moléculas orgânicas menores,
como os aminoácidos, gerou moléculas maiores e mais
complexas, como as proteínas. Hoje os cientistas acreditam
que as superfícies rochosas e as argilas, presentes no pla-
neta primitivo, provavelmente foram os locais ideais para
a ocorrência dessa polimerização, e não os oceanos, como
proposto inicialmente.
As moléculas orgânicas complexas, presentes no ocea-
no primitivo, se agruparam originando os coacervados (do
latim coacervare, reunir, formar grupos). Coacervatos, enti-
dades coacervadas, são agrupamentos de compostos orgâ-
nicos, como proteínas, envoltos por moléculas de água ou
lipídeos. Essas estruturas não são seres vivos, mas uma forma
primitiva de organização molecular na qual ocorrem reações
químicas específicas, crescimento e trocas com o ambiente.
Não se sabe exatamente como surgiu o primeiro ser
vivo na Terra, mas acredita-se que esse organismo, assim
como todos os seres vivos do planeta, apresentava uma
organização celular. O surgimento da membrana celular foi
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Questão 572
572
fundamental para a origem da célula, pois essa estrutura
controla as trocas de íons e moléculas com o ambiente. Mo-
léculas lipídicas foram os ingredientes determinantes para
a composição dessa membrana, pois não são solúveis em
água e se agrupam formando vesículas esféricas que deli-
mitam um conteúdo químico específico.
H2
H2O
NH3
CH4
Mar
Atmosfera
primordial
Representação esquemática da composi-
ção da atmosfera primitiva com metano
(CH4), hidrogênio (H2), amônia (NH3) e
água (H2O) e o mar primitivo.
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Outro passo importante na origem da célula foi o surgi-
mento do material genético (ácidos nucleicos), que a tornou
capaz de se reproduzir e de controlar as próprias reações quí-
micas. Os primeiros organismos provavelmente eram unice-
lulares e procariontes, sendo muito parecidos com as atuais
bactérias. A partir desses primeiros seres vivos é que foram
formados, ao longo de bilhões de anos, todos os seres vivos
existentes na Terra.
Experimento de Miller-Urey
Em 1953 o estadunidense Stanley Lloyd Miller (1930-
‐2007), então estudante de Química da Universidade de
-Chicago (EUA), elaborou um experimento para testar a hipó-
tese de formação de moléculas orgânicas na atmosfera pri-
mitiva da Terra. Miller construiu, com o auxílio do professor e
químico estadunidense Harold Urey (1893-1981), um apare-
lho formado por tubos e balões de vidro interligados e inse-
riu neles água líquida e os gases componentes da atmosfera
primitiva da Terra (CH4, NH3 e H2).
A fervura da água produzia vapor de água, que se mis-
turava com os gases presentes no balão de vidro, ocorrendo
reações químicas. Descargas elétricas, produzidas por eletro-
dos instalados nos balões, simulavam os relâmpagos da Terra
primitiva e forneciam energia para acelerar as reações quí-
micas entre os gases. Abaixo do balão com gases, havia um
condensador, no qual a mistura de gases era resfriada e se
condensava, escorrendo para a base do aparelho com água
líquida. Dessa forma, Miller conseguiu simular as chuvas e
o acúmulo de água nos mares e lagos da Terra primitiva.
Após deixar o aparelho funcionando durante uma semana,
Miller percebeu que a cor da água havia mudado. Em seguida,
o cientista coletou uma amostra da água acumulada na parte
inferior do aparelho para análise da composição química e en-
controu várias substâncias orgânicas, como aminoácidos e
hidrocarbonetos. Esse resultado indica que seria possível a for-
mação de compostos orgânicos no planeta Terra por meio de rea-
ções químicas dos gases presentes na atmosfera primitiva, assim
como proposto por Oparin e Haldane no início do século XX.
Evaporação
Condensação
H2
NH3 CH4
Gases
Descargas
elétricas
Condensador
Aminoácidos
Eletrodo
Água
Representação esquemática do experimento de Miller-Urey,
realizado para verificar se moléculas orgânicas podem ser for-
madas em condições abióticas, semelhantes às do planeta
-Terra primitivo.
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO.
CORES
FANTASIA.
As visões dos cientistas sobre a composição química da at-
mosfera primitiva da Terra mudaram desde o experimento de
Miller-Urey. Evidências científicas sugerem que erupções vul-
cânicas que ocorreram há 4 bilhões de anos liberaram dióxido
de carbono (CO2), nitrogênio (N2), sulfeto de hidrogênio (H2S)
e dióxido de enxofre (SO2) na atmosfera, sendo essa a provável
composição da atmosfera primitiva. Experimentos mais recen-
tes, semelhantes aos de Miller-Urey, foram realizados utilizando
essa combinação de gases e os resultados também indicaram a
produção de diversas moléculas orgânicas.
Evolução do metabolismo
Todos os seres vivos do planeta são formados por células
que realizam diversas reações químicas necessárias para o
crescimento, a reprodução e a manutenção dos organismos.
Existe, atualmente, uma diversidade de processos metabóli-
cos responsáveis pela produção de alimento e de energia ne-
cessários para a sobrevivência dos seres vivos. Os -primeiros
seres vivos provavelmente realizavam processos bioquímicos
semelhantes aos atuais para a manutenção do metabolis-
mo. Como seria a nutrição desses primeiros organismos?
Para responder a isso, atualmente, existem duas hipóteses: a
hipótese heterotrófica e a autotrófica.
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Questão 573
573
Hipótese heterotrófica
Durante muito tempo a hipótese heterotrófica foi a mais aceita pela
comunidade científica para explicar a nutrição
dos primeiros seres vivos que habitaram o planeta Terra. De acordo com
essa hipótese, os primeiros habitantes eram he-
terótrofos, ou seja, organismos que obtinham alimento do ambiente em que
viviam. O alimento disponível no ambiente
seria a matéria orgânica, como proteínas e carboidratos, presente nos
oceanos primitivos. Ela seria formada pelas reações
químicas dos gases da atmosfera primitiva e pela polimerização de
compostos orgânicos simples na formação de moléculas
orgânicas complexas.
De acordo com essa hipótese, os primeiros organismos heterótrofos eram
unicelulares e, provavelmente, tinham a fer-
mentação como processo bioquímico que metabolizava a energia presente nas
moléculas orgânicas. A fermentação é um pro-
cesso anaeróbio (sem a utilização do gás oxigênio) de degradação de
moléculas orgânicas. Nessa via metabólica, há liberação
de energia utilizada na produção de moléculas necessárias para o
metabolismo celular.
C6H12O6
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Questão 2
2 C2H6O + 2 CO2 +
E
Glicose
Etanol
Gás
carbônico
Energia
Equação química da fermentação alcoólica, um dos tipos de fermentação.
Atenção!
A atmosfera primitiva não apresentava gás oxigê-
nio em sua composição, o que justifica a hipótese de um
processo anaeróbio (que não utiliza o gás oxigênio) como
produtor de energia nos primeiros organismos do planeta.
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Questão 6
6 CO2 + 12 H2S +
E
C6H12O6 + 12 S + 6 H2O
Gás Sulfeto de
Glicose
Enxofre Água
luminosa
Equação química da fotossíntese anoxigênica.
A fotossíntese oxigênica, ou seja, capaz de gerar oxigênio, teria surgido
há pouco menos de 3 bilhões de anos. Provavel-
mente, os primeiros organismos capazes de realizar esse processo foram
bactérias ancestrais das atuais cianobactérias (bacté-
rias fotossintetizantes). Nesse tipo de fotossíntese, os seres vivos são
capazes de produzir matéria orgânica e gás oxigênio (O2)
a partir de gás carbônico, água e energia luminosa.
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Questão 6
6 CO2 + 12 H2O +
E
C6H12O6 + 6 O2 + 6 H2O
Gás
Água
Glicose
Gás
Água
carbônico
Energia
oxigênio
luminosa
Equação química da fotossíntese oxigênica.
A ocorrência desse processo foi fundamental para a manutenção da vida na
Terra, pois sabemos que organismos fotossin-
tetizantes sempre ocupam a base das teias alimentares terrestres e
aquáticas. Porém, é importante destacar que, até então, o
gás oxigênio não estava presente no planeta (ao menos não em grandes
concentrações). A proliferação dos organismos fotos-
sintetizantes trouxe como consequência o aumento da concentração desse
gás na atmosfera.
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Questão 574
574
Esse fenômeno tornou a atmosfera altamente oxidante e extremamente
perigosa para os seres vivos da época, causando
morte e extinção de diversas espécies. Muitos organismos, entretanto,
conseguiram sobreviver, já que tinham sistemas quími-
cos antioxidantes que diminuíam a toxicidade do gás oxigênio. Algum tempo
depois, surgiram seres vivos capazes de aproveitar
o poder reativo desse gás para a produção de energia pelas células. Dessa
forma, surgiu a respiração aeróbia.
Saiba mais
Fotossíntese, camada de ozônio e ocupação do ambiente terrestre
A fotossíntese mudou para sempre a evolução dos seres vivos na Terra.
Além da produção de matéria orgânica, res-
ponsável pela manutenção das teias alimentares, outra grande consequência
desse processo foi a liberação de gás oxigê-
nio, que foi se concentrando na atmosfera terrestre. O aumento da
concentração desse gás permitiu a formação de uma
camada de proteção, conhecida como camada de ozônio. Essa camada
localiza-se na estratosfera, entre 15 km e 50 km
de altitude, e é formada principalmente por gás ozônio (O3), originado a
partir do gás oxigênio. Ela bloqueia a entrada dos
raios UVB provenientes do Sol, que são altamente energéticos e letais
para a maioria dos seres vivos. Somente nos últimos
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Questão 800
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Questão 6
6 CO2 + 6 H2O +
E
Glicose
Gás
Gás
Água
oxigênio
carbônico
Energia
Equação química da respiração aeróbia.
Quando comparada à fermentação, a respiração aeróbia libera uma
quantidade muito maior de energia, o que permitiu o
crescimento e a diversificação dos organismos aeróbios na Terra. Além
disso, a equação da respiração aeróbia é praticamente
inversa à da fotossíntese, estabelecendo um equilíbrio dinâmico entre
esses dois processos que já devia ocorrer há cerca de
dois bilhões de anos.
Hipótese autotrófica
Como já foi mencionado, há bilhões de anos a superfície terrestre era
inóspita e imprópria para a sobrevivência dos pri-
meiros seres vivos. Diante dessas condições, segundo a hipótese
autotrófica, a vida deve ter surgido em locais extremamente
protegidos e isolados, como o assoalho dos oceanos primitivos. Nesses
ambientes não existia energia luminosa, pois a luz não
penetra no oceano além de 200 metros de profundidade. Dessa forma, os
primeiros organismos da Terra deveriam ter sido
autótrofos, ou seja, produziam seu próprio alimento, mas não realizavam
fotossíntese, visto que não existiria energia luminosa
capaz de sustentá-la nesses locais. O processo usado seria a
quimiossíntese, em que os seres vivos, dispondo de pouco ou
nenhum oxigênio, obtinham energia por meio de reações químicas entre
compostos inorgânicos e conseguiam, dessa maneira,
produzir seu alimento.
FeS + H2S
FeS2 + H2 +
E
Sulfeto
Sulfeto de
Dissulfeto
Gás
de ferro
hidrogênio
de ferro hidrogênio Energia
Equação química entre o sulfeto de ferro e o sulfeto de hidrogênio com
liberação de energia, um processo quimiossintético.
Uma evidência que fortalece essa hipótese é a presença de seres vivos
autótrofos quimiossintetizantes em ambientes
extremamente desfavoráveis e protegidos, como as fontes hidrotermais
submarinas. Em 1977, cientistas descobriram, nas
profundezas do oceano, comunidades de seres vivos nas proximidades das
fontes hidrotermais submarinas, locais onde ocorre
liberação de gases quentes e sulfurosos provenientes do interior do
planeta.
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Questão 575
575
As fontes hidrotermais submarinas apresentam ca-
racterísticas muito peculiares e, provavelmente, seme-
lhantes às que eram encontradas no planeta primitivo,
como abundância de compostos sulfurosos e compostos
contendo ferro, além de temperaturas extremamente
elevadas. Esse fato fortalece a hipótese de que o primeiro
organismo foi uma bactéria autótrofa quimiossintetizan-
te, semelhante a das fontes termais.
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Questão 1
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Questão 2
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Questão 3
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Questão 4
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Questão 1
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Questão 2
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Questão 4
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Questão 8
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Questão 16
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Questão 576
576
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Questão 5
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Questão 6
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Questão 1
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Questão 2
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Questão 1
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Questão 2
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Questão 4
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Questão 8
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Questão 577
577
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Questão 16
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Questão 3
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Questão 20
20
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Questão 10
10
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Questão 4
4,6
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Questão 3
3,6
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Questão 2
2,6
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Questão 1
1,6
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=======
Questão 0
0,6
Formação
de oceanos
e conƟnentes
Evento 1
Evento 2
De acordo com o gráfico e os seus conhecimentos prévios, os
eventos 1 e 2 devem se relacionar, respectivamente, a:
A
origem da vida / origem da fotossíntese.
B
origem da vida / origem da respiração aeróbica.
C
primeiro eucarionte / primeiro procarionte.
D
origem da fotossíntese / origem da respiração aeróbica.
E
origem da fotossíntese / primeiro eucarionte.
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Questão 4
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Questão 3
3
Biologia • Frente 2
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Questão 578
578
Evolução biológica
Evolução biológica é o conjunto de modificações here-
ditárias que ocorrem nas características das populações ao
longo das gerações. Esse processo possibilita a contínua pro-
dução de diversidade de formas de vida no decorrer do tem-
po, conforme as espécies são selecionadas pelas condições
ambientais. De uma forma bem simples, podemos descrever
evolução como sobrevivência e descendência com modi-
ficações, uma das principais formulações de Charles Darwin
(1809-1882) sobre o processo evolutivo. Hoje, existem duas
perspectivas complementares sobre a evolução biológica: a
seleção natural, de Darwin, e a seleção neutra de polimorfis-
mos genéticos. No entanto, a segunda visão é estudada ape-
nas no Ensino Superior. É importante destacar que evolução
não significa melhora, aumento de complexidade ou algo
positivo, pois, em alguns casos, estruturas podem regredir e
se atrofiar ou mesmo haver simplificação em processos ou
estruturas biológicas. Evolução deve ser simplesmente enten-
dida no contexto do transformismo, ou seja, as espécies são
modificadas ao longo do tempo.
Contexto histórico do evolucionismo
A principal ideia que predominou por muito tempo entre
os naturalistas foi o fixismo. De acordo com ela, os seres vivos
seriam imutáveis, ou seja, não se alteram ao longo das gera-
ções e, como consequência, o número de espécies no planeta
seria fixo. Nesse sentido, a maior parte dos naturalistas adep-
tos ao fixismo também defendia a ideia do criacionismo como
o fenômeno que tornou possível, de uma só vez e de maneira
permanente, a criação das espécies por uma força divina.
Entretanto, várias evidências científicas, como os fósseis,
sugerem que o planeta em que vivemos foi habitado por orga-
nismos bem diferentes dos organismos atuais e que não exis-
tem mais, como os antigos dinossauros. Diante do acúmulo
de evidências científicas ao longo do século XVIII, a hipótese
de transformação das espécies, conhecida como transfor-
mismo ou transmutação, passou a ser defendida por alguns
cientistas para explicar a diversidade de espécies e a existên-
cia de fósseis de organismos diferentes dos organismos atuais.
No entanto, foi apenas no século XIX que foram publicados os
primeiros trabalhos científicos que buscavam explicar as modi-
ficações dos seres vivos ao longo das gerações e o surgimento
de novas espécies a partir de espécies ancestrais. Esses traba-
lhos começaram a estabelecer a base da teoria da evolução
das espécies, atualmente conhecida como evolucionismo.
Um dos primeiros cientistas que publicou trabalhos pro-
pondo hipóteses baseadas na transformação das espécies
ao longo do tempo foi o naturalista francês Jean-Baptiste
Lamarck (1744-1829). As ideias de Lamarck provocaram
muitas discussões no meio científico e permitiram que o co-
nhecimento sobre a transformação das espécies fosse gene-
ralizado. Todavia, a história do evolucionismo alavanca com
os trabalhos do naturalista britânico Charles Darwin. É impor-
tante notar que seu avô paterno, chamado Erasmus Darwin
(1731-1802), era da escola evolutiva transformista e anteci-
pou, de certo modo, uma ideia de seleção natural, propondo
que todos os animais de sangue quente teriam surgido e se
diferenciado a partir de uma única forma.
As ideias de Darwin sobre evolução tiveram um gran-
de impacto na comunidade científica da época, tornando
Darwin um dos cientistas mais influentes de todos os tem-
pos. Os avanços da Biologia Celular e da Genética, ao lon-
go do século XX, permitiram aos cientistas compreender os
mecanismos de hereditariedade, até então desconhecidos,
e as causas das diferenças genéticas entre os organismos de
uma mesma população. Surge então, na década de 1930, a
teoria sintética da evolução, que é a ideia atualmente mais
aceita pela comunidade científica para explicar a evolução
biológica de todas as espécies de seres vivos.
C1 | H3
C4 | H14, H15 e H16
C5 | H17
C6 | H28
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Questão 579
579
Saiba mais
Coevolução
O termo coevolução refere-se ao fenômeno em que
duas espécies evoluem juntas, uma selecionando carac-
terísticas fenotípicas da outra. É o caso dos beija-flores
e das flores polinizadas por eles. Os animais têm bico e
língua longos e finos, o que os possibilita acessar o néc-
tar que, em muitos casos, fica escondido na base de um
tubo longo e fino formado pelas pétalas das flores. A co-
evolução também pode ser obervada entre predadores
e suas presas, bem como entre parasitas e seus respec-
tivos hospedeiros.
Evidências da evolução biológica
Como mencionamos anteriormente, a descoberta de
fósseis foi uma das primeiras evidências que levou cientistas
a questionarem a ideia do fixismo. Porém, com o desenvol-
vimento científico e tecnológico, diversas outras característi-
cas dos seres vivos passaram a ser consideradas evidências
que podem ser estudadas para compreender e sustentar a
ideia de evolução biológica das espécies. Em nosso estudo,
estudaremos as seguintes evidências: fósseis, embriologia
comparada, estruturas vestigiais, estruturas homólogas, es-
truturas análogas e bioquímica comparada.
Fósseis
Chamamos de fósseis (do latim fossilis, extraído da terra)
os restos de seres vivos que viveram no passado ou vestí-
gios deixados por eles. Muitas vezes, podem ser encontradas
partes do corpo do organismo de difícil decomposição, como
ossos, dentes e conchas, ou apenas vestígios da presença
desses organismos, como fezes, pegadas, mordidas, túneis
ou trilhas.
Os fósseis são relativamente raros, pois são formados
apenas em condições específicas, como pH ácido, tempera-
turas baixas e ausência de oxigênio. Essas condições impe-
dem a degradação dos cadáveres ou dificultam o acesso de
consumidores e/ou decompositores. O processo de forma-
ção de fósseis é denominado fossilização.
Um exemplo de fossilização ocorre quando restos
de organismos são soterrados por sedimentos, como ar-
gila ou areia, em ambientes aquáticos. Com o passar do
tempo, os sedimentos depositados sobre os organismos
podem se compactar e formar uma rocha sedimentar. No
interior da rocha, sob determinadas condições de tempe-
ratura e pressão, o ambiente se torna desfavorável para a
decomposição. Assim, os restos do organismo podem ser
mineralizados, formando um fóssil.
Representação esquemática do processo de fossilização em um
ambiente aquático. (A) O peixe A morre e inicia-se a deposição
de sedimentos sobre ele. (B) Ocorre a formação do fóssil A, mais
antigo, e a morte do peixe B. (C) Ocorre a formação do fóssil B,
em uma camada de sedimentos mais recente.
A
B
C
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Fósseis intactos são muito raros, mas podem ser encon-
trados no gelo ou na resina endurecida de plantas. Nas geleiras
da Sibéria já foram encontrados diversos fósseis de mamute,
alguns com mais de 40 mil anos, com carne e pele relativa-
mente bem preservadas. Em resina fossilizada produzida por
pinheiros, denominada âmbar, é possível encontrar fósseis de
organismos que viveram há milhões de anos, como insetos.
Exemplos de fósseis. (A) Fóssil de filhote de mamute (cerca de
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Questão 85
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Questão 580
580
Essa semelhança pode ser observada, por exemplo, nos
embriões de répteis e mamíferos placentários. Os embriões
dos dois grupos têm saco vitelínico, âmnio e alantoide, anexos
embrionários que auxiliam o desenvolvimento do embrião em
ambiente terrestre, ou seja, fora do meio aquático. Isso é um
indício de que eles herdaram essas características de um an-
cestral comum, ou seja, que há uma relação filogenética próxi-
ma entre esses grupos. Já a placenta e o cordão umbilical são
estruturas especiais dos embriões de mamíferos placentários,
pois surgiram posteriormente na evolução dos tetrápodes. A
placenta não é considerada um anexo embrionário típico por-
que há contribuição de tecido materno em sua formação.
Representação esquemática dos embriões de répteis e de ma-
míferos placentários, com destaque para as estruturas compar-
tilhadas e para as estruturas exclusivas de cada um deles.
Mamíferos placentários
Répteis
Alantoide
Casca
Cordão
umbilical
Saco vitelínico
Vilosidades
coriônicas
Parede do útero
Placenta
Alantocório
Répteis
A
Saco
Sa
S
Répteis
Répteis
Répteis
p
Mamíferos placentários
e
C
u
nic
e
c
e
co
Mamíferos placentários
p
Embrião
Âmnio
Cório
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Atenção!
A placenta não é uma estrutura formada de modo
único, tampouco é exclusiva de mamíferos. A placenta
pode ser vitelínica (em tubarões), coriovitelínica (em
serpentes) e corioalantoidiana (em mamíferos, lagar-
tos e serpentes).
Estruturas vestigiais
As estruturas vestigiais, encontradas no corpo de diversos
seres vivos, são estruturas atrofiadas que perderam a sua fun-
ção original. Em outras espécies aparentadas, entretanto, estru-
turas equivalentes a essas podem continuar funcionais. Como
exemplo de estruturas vestigiais humanas temos o apêndice
cecal, o dente do siso, o cóccix e os músculos eretores da orelha.
As baleias são mamíferos que não têm membros poste-
riores, ou patas, ao contrário da grande maioria dos demais
componentes desse grupo. No entanto, a presença de ossos
pélvicos atrofiados no esqueleto de muitas delas indica que as
baleias descendem de ancestrais que tinham membros pos-
teriores desenvolvidos. Ao longo da evolução, ocorreu dimi-
nuição de tamanho dos membros posteriores, processo que
originou, milhões de anos depois, as baleias atuais.
Representação esquemática de estrutura vestigial: ossos pélvi-
cos atrofiados no esqueleto da baleia indicam que esses animais
tiveram um ancestral com membros posteriores desenvolvidos.
Ossos pélvicos
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Estruturas homólogas
Estruturas homólogas são estruturas que, em diferentes
organismos, apresentam semelhança estrutural e mesma
origem embrionária. Isso indica que as estruturas homólogas
derivam de outras já existentes em um ancestral comum ex-
clusivo do grupo estudado. Ou seja, a presença de homologia
supõe a existência de uma relação de parentesco evolutivo
entre os diferentes grupos que têm estruturas homólogas.
Apesar de apresentarem a mesma origem, estruturas
homólogas podem desempenhar diferentes funções nos
organismos. Isso acontece, por exemplo, com os membros
anteriores dos mamíferos, que podem ser adaptados para
natação nos leões-marinhos, para o voo nos morcegos ou
para a marcha nos cavalos. Apesar de apresentarem diferen-
tes funções, os membros anteriores desses mamíferos são
formados pelos mesmos grupos de ossos, indicando ances-
tralidade comum entre esses animais.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Byrdyak/
[Link]
GlobalP/
[Link]
Amadeu Blasco/[Link]
Eric Isselee/[Link]
Nadadeira
Asa
Pata
Ossos
Úmero
Rádio e ulna
Carpais
Metacarpais
Falanges
Representação esquemática dos ossos e dos membros anterio-
res de mamíferos placentários, como o leão marinho, o morcego
e o cavalo. Apesar de diferentes, os membros anteriores são for-
mados pelos mesmos ossos, o que indica forte relação de paren-
tesco evolutivo entre esses animais.
====PAGE 79====
=========================================================================
=======
Questão 581
581
Estruturas análogas
As estruturas que desempenham mesma função, mas
apresentam arranjos estruturais e origens embrionárias dis-
tintos. Essas estruturas exemplificam adaptações a modos
de vida semelhantes, mas não indicam parentesco evolutivo
entre os organismos.
Se compararmos as asas das aves, como a arara, e dos
insetos, como a abelha, fica evidente que ambas desempe-
nham a mesma função, que é possibilitar o voo. Essas es-
truturas, entretanto, têm diferentes origens embrionárias e
particularidades anatômicas dentro de cada grupo. As asas
das aves, por exemplo, são compostas de ossos e penas; já as
asas dos insetos são formadas apenas por quitina.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Asa de inseto
Asa de ave
Ossos
Penas
irin-k/[Link]
Passakorn_14/[Link]
Amadeu Blasco/
[Link]
enterphoto/[Link]
Representação esquemática da asa de um inseto, como a abe-
lha, e de uma ave, como a arara. Essas asas são exemplos de
estruturas análogas, pois têm a mesma função, mas apresentam
origem embrionária diferente.
Bioquímica comparada
Análises bioquímicas de compostos orgânicos dos se-
res vivos fornecem evidências do processo evolutivo e da
história da vida no planeta. Nesse sentido, quanto maior
for a semelhança bioquímica entre os organismos,
maior será o grau de parentesco evolutivo entre eles. Dois
grupos de compostos orgânicos comumente analisados e
comparados em estudos evolutivos são as proteínas e os
ácidos nucleicos.
O sequenciamento das bases nitrogenadas de determi-
nado gene existente em diferentes organismos pode forne-
cer indícios da proximidade filogenética entre eles: quanto
maior a semelhança entre as sequências de bases nitroge-
nadas, maior será o parentesco evolutivo entre as espécies
estudadas. Por meio de sequenciamento de DNA, sabemos
que o genoma humano apresenta maior grau de semelhan-
ça (98%) com o genoma do chimpanzé e do bonobo do que
com o de outros primatas vivos.
Evolução biológica de Lamarck
Jean-Baptiste Lamarck (1744-1829) foi um dos primeiros
naturalistas a propor uma teoria que explicasse a mudança
das espécies ao longo do tempo. Para ele, as espécies tende-
riam a um aumento de complexidade ao longo das gerações,
o que explicaria a origem de seres vivos mais complexos.
Lamarck defendia que a evolução é um processo teleológi-
co, ou seja, com um fim determinado, em que os organismos
se tornam mais perfeitos à medida que evoluem. Entre as
diversas obras em que Lamarck apresentou versões de sua
teoria evolutiva, a mais famosa é o livro Filosofia zoológica,
publicado em 1809. Ele reconheceu a influência ambiental
no papel evolutivo, indicando que o ambiente afeta a forma
e a organização corporal dos animais.
Para o naturalista, alterações ambientais criam a neces-
sidade do surgimento de modificações nos organismos. Ao
longo de muitas gerações, o acúmulo de modificações pode
determinar o surgimento de novos grupos de seres vivos.
Dessa forma, a transmutação das espécies – a evolução – se-
ria resultado do esforço dos organismos frente às alterações
ambientais, ocorrendo adaptação ativa nas espécies.
Apesar de não serem os pontos de destaque do seu pen-
samento sobre evolução das espécies, Lamarck ficou mais
conhecido por ter defendido, entre outras, duas leis que
explicavam a transformação dos seres vivos ao longo das
gerações: a lei do uso e desuso e a lei da transmissão dos ca-
racteres adquiridos.
Lei do uso e desuso
De acordo com a lei do uso e desuso, determinadas partes
do corpo podem se desenvolver, com o uso contínuo, ou atro-
fiar, no caso da falta de uso. Embora não tenha sido proposta
inicialmente por Lamarck, ele defendia amplamente a ideia de
uso e desuso. Para ilustrar essa lei, vamos ler um trecho do li-
vro Filosofia zoológica, no qual Lamarck explica o alongamento
dos membros anteriores e do pescoço nas girafas:
[...] A girafa vive em lugares onde o solo é quase invaria-
velmente seco e sem capim. Obrigada a comer folhas e bro-
tos no alto das árvores, ela é forçada, continuamente, a se
esticar para cima para alcançá-los. Este hábito, mantido por
longos períodos por todos os indivíduos da raça, resultou nas
pernas anteriores mais longas que as posteriores e o pescoço
tão alongado que a girafa pode levantar a cabeça a uma al-
tura de 6 metros, sem tirar as pernas anteriores do solo [...].
LAMARCK, J. B. P. A. M. Zoological Philosophy. Chicago: University of
Chicago, 1894. p. 122. Adaptado.
Outro exemplo utilizado por Lamarck para defender o
uso e desuso foi a cegueira e atrofia dos olhos de diversos
animais, como as toupeiras. Para o naturalista, a falta de uso
da visão nos ancestrais, que viviam em túneis sem luz, foi
responsável pela atrofia dos olhos e perda da visão nas tou-
peiras e em diversos outros animais subterrâneos.
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=======
Questão 582
582
Lei da transmissão dos caracteres adquiridos
De acordo com a lei da transmissão dos caracteres adquiridos, defendida
por Lamarck, todas as aquisições ou perdas de
órgãos impostas nos organismos por pressão das condições ambientais,
resultantes do uso e desuso, são preservadas na re-
produção, ou seja, transmitidas aos descendentes. Nesse sentido, Lamarck
supunha, por exemplo, que os ancestrais de girafas
que desenvolveram alguns centímetros a mais de pescoço, pelo uso
repetitivo do órgão ao longo da vida na busca de alimento
em ramos altos das árvores, transmitiriam essa característica a seus
descendentes.
Na época de Lamarck, pouco se sabia sobre a hereditariedade, fato que
facilitou a aceitação da lei de transmissão dos
caracteres adquiridos por vários naturalistas da época, inclusive por
Charles Darwin (1809-1882).
Representação do aumento do tamanho do pescoço nos ancestrais das
girafas, do ponto de vista de Lamarck.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
EreborMountain/[Link]
Ancestral com
pescoço curto
Esforço para comer
as folhas das árvores
Aumento do tamanho do
pescoço ao longo das gerações
Girafas atuais com
pescoço longo
Atenção!
A epigenética é uma área da genética que estuda as modificações no padrão
de atividade de genes ocasionadas pelo
estilo de vida dos organismos e transmitidas aos descendentes. Estudos de
genética molecular indicam que esse padrão
de atividade dos genes é modificado por meio da ativação de alguns deles
e da desativação de outros, mas sem que haja
modificação na sequência de bases do DNA. Esses resultados propiciaram a
retomada, na comunidade científica, de algo
próximo à herança dos caracteres adquiridos, defendida por Lamarck. No
caso, contudo, há herdabilidade de processos
genéticos regulatórios (regulação da expressão gênica) e não de
características adquiridas.
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AULA 3: Evolução e especiação
Biologia • Frente 2
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Questão 583
583
Iguanas-marinhas (Amblyrhynchus cristatus, medem cerca de
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Questão 80
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=======
Questão 584
584
Darwin observou que as espécies de seres vivos, da mesma
maneira que a espécie humana, possuem um -grande -potencial
biótico, ou seja, uma ampla capacidade de crescimento popu-
lacional, mas que esse crescimento não é constatado na práti-
ca. Nesse sentido, ele concluiu que nem todos os organismos
que nascem conseguem sobreviver e se reproduzir, ou seja,
existe uma grande luta pela vida entre todas as espécies.
Outro fato observado pelo naturalista foi que as popula-
ções são formadas por indivíduos que se diferem em determi-
nadas características, as quais poderiam ser herdadas, ou seja,
passadas para gerações seguintes por meio da reprodução,
ideia que compõe uma das principais premissas de sua teoria.
O naturalista não conseguiu explicar, entretanto, como essa he-
rança acontecia, pois, naquela época, ainda não havia um co-
nhecimento robusto e/ou amplamente divulgado no campo da
Genética ou algum conhecimento sobre a existência do DNA.
Para Darwin, indivíduos de uma população que portam
características vantajosas em certo ambiente teriam mais
chances de sobreviver, de se reproduzir e, assim, transmitir
essas características aos descendentes em comparação aos
portadores de características menos vantajosas. Assim, es-
sas características passariam a predominar na população ao
longo do tempo, originando variedades e espécies novas, e
constituindo a ideia de descendência com modificação. O am-
biente, então, é que estabelece condições que favorecem ou
não a predominância de determinadas características.
Dessa forma, ocorre a seleção de organismos mais adap-
tados a determinada condição ambiental ao longo do tempo,
processo conhecido como seleção natural.
De uma forma geral, a expressão “mais adaptado” se refe-
re à maior probabilidade de um organismo sobreviver e gerar
descendentes em determinada condição ambiental, processo
conhecido como adaptação. Esse fato é evidente em diversos
seres vivos que apresentam modificações adaptativas condi-
zentes aos seus respectivos hábitats e condições ambientais.
Síntese moderna da evolução
Quando Charles Darwin propôs a seleção natural como
mecanismo condutor do processo evolutivo, reconheceu que
um dos pré-requisitos era a “descendência com modificações”.
No entanto, ele não conseguiu explicar as causas dessa varia-
bilidade herdável, já que naquela época não havia qualquer
conhecimento sobre material genético, DNA ou mutações.
A redescoberta das publicações de Mendel, no início
do século XX, e os avanços nas áreas da Biologia Celular e da
-Genética possibilitaram a descoberta das mutações e dos
mecanismos envolvidos na hereditariedade. Esse conjun-
to de conhecimentos fundamentou a explicação das causas
da descendência com modificações, condição fundamen-
tal para a evolução das espécies. Na década de 1930, os
resultados desses estudos culminaram no surgimento da
teoria moderna da evolução, também conhecida como
-neodarwinismo ou nova síntese. Essa nova proposta foi
-elaborada com base nas -contribuições de pesquisas realiza-
das por diversos -cientistas do mundo, -entre eles o britâni-
co Ronald Aylmer Fisher (1890-‐1962), o alemão -Ernst -Mayr
(1904-2005) e o ucraniano -Theodosius Dobzhansky (1900-
‐1975), autor da famosa frase: “Nada faz sentido na Biologia,
exceto à luz da evolução”.
Os estudos científicos indicaram que o processo evolu-
tivo pode ser descrito e verificado matematicamente – por
meio da alteração da frequência de genes nas populações ao
longo das gerações –, fato que trouxe maior credibilidade à
teoria da evolução proposta por Darwin no século XIX.
Fatores evolutivos
As populações de seres vivos apresentam determinado
conjunto de genes, que pode ser alterado pelos fatores evo-
lutivos. Alguns fatores evolutivos, como mutações e recombi-
nações gênicas, tendem a aumentar a variabilidade genética
das populações, enquanto outros, como seleção natural e
deriva gênica (mudança na frequência de uma variante gené-
tica devido ao acaso), tendem a diminuí-la.
Mutações
Mutações são alterações que ocorrem no material gené-
tico, geralmente no DNA, dos seres vivos. Elas sempre ocor-
rem ao acaso e representam a fonte primária de variabilidade
em todas as populações. De forma geral, essas alterações são
relativamente raras nas populações, uma vez que os seres vi-
vos possuem um eficiente mecanismo bioquímico de reparo
para corrigir erros que afetam o DNA. Elas podem ser espon-
tâneas, em decorrência de erros naturais do metabolismo
celular, ou induzidas por diferentes fatores mutagênicos (por
exemplo, raios UV solares, nicotina e vírus HPV).
As mutações cromossômicas são aquelas que afetam
a estrutura dos cromossomos ou a quantidade deles em
um organismo. Cromossomos são estruturas formadas por
DNA e proteínas que, nos organismos de uma mesma espé-
cie, apresentam tamanhos, formatos e número específicos.
Alterações na estrutura ou na quantidade de cromossomos
podem ocasionar doenças, como a trissomia do 13 (síndro-
me de Patau) em humanos, ou contribuir para a formação de
novas espécies ou raças de seres vivos.
As mutações gênicas são alterações que ocorrem na
sequência de bases nitrogenadas de um gene. Essas alte-
rações são responsáveis pelo surgimento de novas versões
do gene, denominadas alelos, que podem determinar novas
características nos organismos. Às vezes, essas característi-
cas melhoram a sobrevivência ou trazem alguma vantagem
reprodutiva, tendo o potencialde serem preservadas por se-
leção natural. Mas também há mutações gênicas que ocasio-
nam doenças ou diminuem a chance de reprodução. Há ain-
da mutações que, mesmo alterando alguma base do gene,
não afetam a sobrevivência ou a reprodução do indivíduo.
De qualquer forma, se essas novas mutações gênicas forem
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=======
Questão 585
585
transmitidas para as gerações seguintes, poderá ocorrer a
evolução da espécie.
Portanto, as mutações podem ser consideradas benéficas,
prejudiciais ou neutras. Um exemplo de mutação benéfica é a
que torna uma bactéria resistente a um antibiótico, aumentan-
do a capacidade de sobrevivência dela. Um exemplo de mutação
prejudicial é a que resulta no albinismo, que é a incapacidade do
organismo de produzir o pigmento melanina. E um exemplo de
mutação neutra é a alteração de uma base nitrogenada que não
resulte em mudança de aminoácido na proteína produzida.
Atenção!
Nos animais com reprodução sexuada, apenas
as mutações que ocorrem nas células germinativas
(precursoras dos gametas) têm efeito evolutivo, já
que podem ser transmitidas aos descendentes. Já as
mutações que ocorrem em células somáticas (não re-
produtivas), apesar de poder impactar a sobrevivência
deles, não apresentam nenhum efeito evolutivo, uma
vez que não são herdáveis.
A
B
Exemplos de animais albinos, considerados raros na natureza. (A)
Espécime albino da cobra-rato-do-Texas (Pantherophis obsoletus;
até 1,8 m de comprimento). (B) Espécime albino do esquilo-cinza
(Sciurus carolinensis; cerca de 25 cm de comprimento).
Murilo Gualda/[Link]
Tony Campbell/[Link]
Recombinações gênicas
As recombinações gênicas são as novas combinações
de genes que ocorrem nos descendentes. Nos organismos de
reprodução sexuada, a fecundação cruzada promove uma
mistura dos genes de diferentes indivíduos parentais na for-
mação dos descendentes, que nascem com uma combinação
genética única. Mas, além disso – antes mesmo da fecunda-
ção, ainda durante a meiose –, ocorrem outros dois fenôme-
nos responsáveis por recombinação gênica: a permutação e
a segregação independente dos cromossomos homólogos.
A permutação é a troca de segmentos entre cromosso-
mos homólogos que ocorre na meiose. Nesse processo, o
cromossomo de origem paterna troca segmentos com seu
homólogo de origem materna, originando -cromossomos
com novas combinações gênicas. Com essa permuta, é
-ampliada a variabilidade genética, fundamental para a di-
versidade dos descendentes.
A
B
a
b
Cromossomos
homólogos
Permutação
A
B
a
b
A
A
B
B
a
a
b
b
Novas combinações
gênicas nos cromossomos
Representação esquemática da permutação entre dois cromos-
somos homólogos. No caso, as novas combinações gênicas (Ab
e aB) resultam da permutação.
O outro momento da meiose que promove a variabili-
dade nos descendentes é a segregação independente dos
cromossomos homólogos. As células resultantes da meiose
(gametas ou esporos, dependendo do tipo de ciclo reprodu-
tivo) têm apenas metade dos cromossomos da célula-mãe.
Durante essa divisão celular, os cromossomos homólogos se
separam e, ao final, cada célula recebe apenas um cromos-
somo de cada par de homólogos. Essa separação ocorre de
forma aleatória e pode gerar uma infinidade de combinações
cromossômicas, contribuindo para a variabilidade genética.
Atenção!
O número de possíveis combinações de cromosso-
mos ao final da meiose pode ser calculado pela fórmula
2n, em que 2 indica que existe um par de cromossomos
homólogos (um cromossomo de origem paterna e ou-
tro de origem materna) e n indica o número de pares de
cromossomos presentes na espécie. De acordo com essa
fórmula, um humano (2n 5 46 cromossomos) é capaz de
produzir 223 combinações cromossômicas diferentes em
seus gametas. Nesse sentido, o encontro de gametas de
duas pessoas pode resultar em 246 combinações cromos-
sômicas diferentes (223 3 223). E isso sem contar a ocor-
rência de permutações!
Seleção natural
Seleção natural, conceito proposto por Wallace e Darwin
no século XIX, é um mecanismo evolutivo que resulta na re-
produção diferencial dos indivíduos de uma população em
certo ambiente. Nesse processo, organismos mais aptos ao
seu ambiente têm maior sucesso reprodutivo do que os me-
nos adaptados. Dessa forma, o ambiente atua como agente
de seleção, favorecendo organismos mais aptos a sobreviver
e se reproduzir naquelas determinadas condições.
A capacidade de sobrevivência dos seres vivos envolve
adaptações que os tornam mais bem-sucedidos em atividades
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Questão 586
586
como conseguir alimento, defender-se de predadores ou até
mesmo resistir a condições adversas, como pH ácido e ausência
de oxigênio. Organismos mais aptos possuem maior chance de
sobrevivência até a idade reprodutiva, momento no qual pode-
rão transmitir essas adaptações aos seus descendentes.
Saiba mais
Seleção sexual
Um tipo especial de seleção natural é a seleção se-
xual, abordada por Charles Darwin em algumas páginas
de seu livro A origem das espécies, para explicar a sele-
ção de caracteres aparentemente não vantajosos e até
mesmo prejudiciais à sobrevivência, como cores chama-
tivas, caudas longas ou chifres enormes. De acordo com
Darwin, essas características teriam sido selecionadas
não por serem adaptações ao ambiente, mas por ajuda-
rem na obtenção de parceiros sexuais.
Exemplos de características favorecidas pela seleção sexual.
(A) Penas coloridas e marcantes no macho de pato-mandarim
(Aix galericulata, cerca de 45 cm de comprimento). (B) Chifres
grandes e desenvolvidos de um alce (Alces alces, até 2,1 m de
altura) macho.
A
B
Bebedi/[Link]
David Drake/[Link]
Tipos de seleção natural
Nos organismos, existem diversas características – como o
tamanho, o peso e a cor – cujo fenótipo varia continuamente,
dentro de certo intervalo, ou se apresenta em certo número
de classes ordenadas. Dependendo dos fenótipos que são fa-
vorecidos pelo ambiente, a seleção natural pode ser classifica-
da em três tipos: estabilizadora, direcional e disruptiva.
Fenótipo: características observáveis de um organis-
mo, resultantes da ação de fatores genéticos e ambien-
tais. Como exemplo, temos a altura, o tipo sanguíneo e
a capacidade de digerir lactose, entre diversas outras
características bioquímicas, morfológicas, fisiológicas e
comportamentais presentes nos seres vivos.
Para explicar os tipos de seleção natural, utilizaremos a
coloração da pelagem de uma espécie hipotética de roedor.
Nessa espécie, os organismos podem apresentar pelagem
das seguintes cores: branca (fenótipo extremo); cinza-claro;
cinza-médio (fenótipo intermediário); cinza-escuro; ou preta
(fenótipo extremo). A frequência desses fenótipos na popu-
lação original pode ser observada no gráfico abaixo.
População
original
Frequência de
organismos
Classes fenotípicas
REECE, J. B. et al. Biologia de Campbell. 10. ed. Porto Alegre: Artmed,
2015.
Gráfico indicando a frequência relativa das classes fenotípicas (cor
da pelagem) de uma população de roedores, sem atuação de se-
leção natural sobre essa característica.
Seleção estabilizadora
Esse processo de seleção favorece os indivíduos com fe-
nótipo intermediário. Podemos observar, no gráfico a seguir,
que há aumento no número de roedores com pelagem cin-
za-médio (fenótipo intermediário) e diminuição no número
dos que têm pelagem branca e pelagem preta (fenótipos ex-
tremos). Em humanos, por exemplo, a seleção estabilizadora
atua no peso dos recém-nascidos, desfavorecendo os que
nascem mais leves ou mais pesados do que a média ideal.
Frequência de organismos
Classes fenotípicas
População original
População modificada
REECE, J. B. et al. Biologia de Campbell. 10. ed. Porto Alegre: Artmed,
2015.
Gráfico indicando a frequência relativa das classes fenotípicas
(cor da pelagem) de uma população de roedores submetida à
seleção estabilizadora.
Seleção direcional
Quando a seleção favorece apenas determinado fe-
nótipo extremo, ocorre a seleção direcional. Podemos
observar, no gráfico da próxima página, que há aumento
no número de roedores com pelagem escura e diminuição
no número dos que possuem pelagem clara. Esse tipo de
seleção ocorre, por exemplo, quando se usam agrotóxicos
contra insetos, resultando no aumento do número de or-
ganismos resistentes aos inseticidas.
====PAGE 85====
=========================================================================
=======
Questão 587
587
Frequência de organismos
Classes fenotípicas
População
original
População
modificada
REECE, J. B. et al. Biologia de Campbell. 10. ed. Porto Alegre: Artmed,
2015.
Gráfico indicando a frequência relativa das classes fenotípicas
(cor da pelagem) de uma população de roedores submetida à
seleção direcional.
Seleção disruptiva
Se os fenótipos extremos forem favorecidos, ocorre a se-
leção disruptiva. Podemos observar, no gráfico a seguir, que
há aumento no número de roedores com pelagem escura e
com pelagem clara, e há diminuição no número dos que pos-
suem pelagem cinza-médio (fenótipo intermediário). Esse
tipo de seleção ocorreu, por exemplo, em uma espécie de
tentilhão na África: aves com bico grande ou com bico pe-
queno (fenótipos extremos) têm maior sucesso reprodutivo
do que as com bico médio (fenótipo intermediário).
Frequência de
organismos
Classes fenotípicas
População
original
População
modificada
REECE, J. B. et al. Biologia de Campbell. 10. ed. Porto Alegre: Artmed,
2015.
Gráfico indicando a frequência relativa das classes fenotípicas
(cor da pelagem) de uma população de roedores submetida à
seleção disruptiva.
Conceito biológico de espécie
No século XVIII, o naturalista sueco Carolus Linnaeus
(1707-1778) empregou pioneiramente o termo “espécie” (do
latim species, tipo) em seu livro Sistema Natural para designar
um grupo de seres vivos que tem determinadas característi-
cas morfológicas típicas, ausentes em outros grupos, seme-
lhantes a um tipo ideal e imutável. Esse conceito é conhecido
como conceito morfológico de espécie e leva em conta ape-
nas aspectos físicos e morfológicos dos organismos. Ao lon-
go do tempo, o uso do termo foi sofrendo alterações e, na
atualidade, o conceito de espécie mais utilizado é o conceito
biológico de espécie, proposto pelo biólogo alemão-estadu-
nidense Ernst Mayr (1904-2005). De acordo com ele, espécie
representa um conjunto de populações cujos indivíduos são
capazes de cruzar entre si, em condições naturais, e gerar
descendentes viáveis e férteis, ao mesmo tempo que apre-
sentam interesterilidade, ou seja, estão reprodutivamente
isolados de organismos de outras espécies.
Atenção!
O conceito biológico de espécie não se aplica
para as espécies que se reproduzem apenas de forma
assexuada, como as bactérias, nem a fósseis, que não se
reproduzem mais. Nesses casos, as análises bioquímica
e morfológica são ferramentas frequentemente utiliza-
das para a identificação das espécies.
Contudo, as populações podem diferir quanto a deter-
minadas características, configurando grupos denominados
subespécies ou raças geográficas. Quando uma população
biológica cresce e passa a ocupar diferentes ambientes, as
subpopulações podem se modificar em decorrência de alte-
rações genéticas selecionadas e fixadas no grupo por meca-
nismos evolutivos, tais como a seleção natural, e se adaptar a
ambientes com condições distintas.
Isolamento de espécies
O isolamento reprodutivo surge como consequência do
processo de especiação e é um dos critérios utilizados para
distinguir as espécies. Esse processo ocorre quando existem
barreiras biológicas que impedem a reprodução, com forma-
ção de descendentes férteis, entre membros de diferentes
espécies. Os mecanismos de isolamento reprodutivo podem
ser agrupados em dois tipos: pré-zigóticos e pós-zigóticos.
Os mecanismos pré-zigóticos são aqueles que ocorrem antes
da fecundação, impedindo a formação do zigoto híbrido, isto
é, resultante do cruzamento de duas espécies. Esses meca-
nismos inviabilizam o encontro entre os indivíduos ou entre
os gametas deles. Existem diversos tipos de mecanismo pré-
-zigótico: ecológico, temporal, comportamental, mecânico e
gamético. Os mecanismos pós-zigóticos são aqueles que ocor-
rem depois da fecundação e da formação do zigoto híbrido.
Nesses casos, existem mecanismos que impedem o desenvol-
vimento completo do embrião ou (inviabilidade do híbrido),
ainda, que provocam a esterilidade dos descendentes (esteri-
lidade do híbrido).
Especiação
As mudanças evolutivas que ocorrem nas populações ao
longo das gerações podem ser responsáveis pela formação
de espécies distintas no decorrer do tempo. Se duas popu-
lações acumulam diferenças genéticas significativas a ponto
====PAGE 86====
=========================================================================
=======
Questão 588
588
de não conseguirem mais manter um fluxo gênico, pode-se dizer que essas
populações já formam espécies diferentes. Dessa
forma, o processo de formação de novas espécies, também conhecido como
especiação, requer que o fluxo gênico entre as
populações seja interrompido para que ocorra o isolamento reprodutivo
entre elas.
Especiação alopátrica
Na especiação alopátrica (do grego allos, diferente, e patra, pátria ou
local de nascimento) ocorre isolamento geográfico,
no qual as populações são separadas por uma barreira física, como um rio
ou uma cadeia de montanhas. As barreiras físicas
podem ser formadas por terremotos, aumento do nível do mar, avanço ou
recuo de geleiras e até mesmo pelo processo res-
ponsável pela separação dos continentes, conhecido como deriva
continental. Esquilos que vivem no Grand Canyon (Estados
Unidos) são um exemplo de especiação alopátrica.
A população ancestral de esquilos, que vivia nas montanhas e no vale, foi
separada após o surgimento de uma barreira ge-
ográfica, o rio Colorado. Após a separação, passaram a existir duas
populações de esquilos, uma de cada lado do Grand Canyon.
Com o passar do tempo, fatores evolutivos, como mutações, recombinações
gênicas, seleção natural e deriva gênica,
atuaram nas populações, resultando no acúmulo de diferenças genéticas e
fenotípicas entre elas.
Após milhares de anos de separação, as diferenças entre as populações
foram tão significativas que houve isolamento
reprodutivo e, portanto, formação de duas espécies.
Representação esquemática do processo de especiação alopátrica que
ocorreu com esquilos no Grand Canyon,
nos Estados Unidos. (A) Isolamento geográfico. (B) Atuação de fatores
evolutivos. (C) Isolamento reprodutivo.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
População original
A
B
C
Populações diferentes
Raças diferentes
Espécies diferentes
Especiação simpátrica
Embora o isolamento geográfico seja fundamental na maioria dos casos de
especiação, em algumas situações pode ocorrer
a formação de novas espécies sem o surgimento de barreiras geográficas.
Nesses casos, o processo é denominado especiação
simpátrica (do grego syn, junto), na qual novas espécies surgem em uma
mesma área geográfica. No entanto, se a especiação é
um processo gradual, como o isolamento reprodutivo pode surgir em
populações cujos organismos são capazes de se encontrar?
A especiação simpática pode ocorrer, por exemplo, por meio da seleção
disruptiva associado a seleção sexual, processo
que favorece a seleção de organismos que apresentam os fenótipos extremos
de um caráter com diversidade fenotípica. Ao
longo do tempo, a seleção disruptiva pode promover a diferenciação de
conjuntos gênicos entre os organismos selecionados,
levando -os ao isolamento reprodutivo.
Saiba mais
Cladogênese e anagênese
Vimos que a evolução pode ser definida como a descendência com modifi-
cação de diferentes linhagens. Nesse sentido, a história evolutiva
envolve tanto
a ramificação de linhagens, chamada cladogênese, quanto as mudanças que
transcorrem dentro de cada linhagem, processo conhecido como anagênese.
A cladogênese é um processo por meio do qual duas ou mais linhagens
se originam de uma população ancestral, o que ocorre a partir do
rompimen-
to de fluxo gênico em uma população por meio, por exemplo, do surgimento
de uma barreira geográfica. Após a divisão da população inicial, as
populações
resultantes não trocam mais material genético, podendo ficar sujeitas a
pres-
sões evolutivas distintas, de acordo com as condições do ambiente, e
originar
linhagens diferentes entre si.
Anagênese
Tempo
Táxons
Cladogênese
A
B
C
Cladogênese
Cladograma mostrando o processo de anagê-
nese e a ocorrência de eventos de cladogênese.
====PAGE 87====
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Questão 589
589
Divergência e convergência adaptativa
A semelhança entre órgãos homólogos, como estuda-
mos no capítulo 1 desta frente, é explicada pela ancestralida-
de comum, mas as diferentes funções exercidas por eles em
diferentes espécies são explicadas pelo processo conhecido
como divergência adaptativa, ou irradiação adaptativa. Ao
longo da evolução de diferentes linhagens, ocorre a diver-
sificação dos órgãos homólogos, relacionados a diferentes
modos de vida e ambientes. A divergência adaptativa acon-
tece, por exemplo, quando uma população ancestral coloni-
za diversos hábitats, sendo submetida a diferentes pressões
seletivas. Como resultado, as populações se modificam,
apresentando diferenças fenotípicas.
Um exemplo clássico é o dos mamíferos placentários,
cujo ancestral comum exclusivo a esse grupo, semelhante
aos atuais roedores, deu origem a uma grande diversidade
de espécies com características diferentes. Uma delas pode
ser notada nos membros anteriores desses animais, que têm
mesma origem embrionária e são adaptados a diferentes ati-
vidades, como a natação, o voo ou a caminhada e a corrida.
Divergência adaptativa na for-
mação dos mamíferos placen-
tários. Os membros anteriores
desses animais estão adapta-
dos a diferentes funções, re-
lacionadas aos seus modos de
vida e hábitat.
Baleia
Morcego
Zebra
Mamífero placentário ancestral
Happy Whale/[Link]; CreativeNature_nl/
[Link]; Masato Hattori/Science Photo Library/
Fotoarena; anankkml/[Link]
A
B
A semelhança externa entre tubarões (A) e golfinhos (B), como o formato
hidrodinâmico do corpo e a presença de nadadeiras,
é resultado de um processo de convergência adaptativa.
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
bbevren/[Link]
O processo responsável pelo surgimento de estruturas
análogas, que apresentam diferentes origens embrionárias,
mas apresentam funções semelhantes, é conhecido como
convergência adaptativa ou evolução convergente. Por meio
desse processo, diferentes espécies podem apresentar se-
melhanças externas, morfológicas ou comportamentais
resultantes de uma mesma pressão seletiva exercida pelo
ambiente em que vivem.
Um exemplo de convergência adaptativa ocorre entre o
tubarão e o golfinho. Sabemos que características que con-
ferem semelhança externa a esses animais, como formato
hidrodinâmico e presença de nadadeiras, não podem ser
explicadas por ancestralidade comum, visto que o tubarão
pertence ao grupo dos condrictes (peixes cartilaginosos), e
o golfinho é um mamífero placentário. Nesse caso, a seme-
lhança externa é resultado da evolução dessas linhagens sub-
metidas à pressão seletiva exercida pelo ambiente aquático
em que vivem. O formato hidrodinâmico e a presença de na-
dadeiras são características que favorecem o rápido desloca-
mento na água.
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Já a anagênese é um processo evolutivo progressivo por meio do qual
características surgem e/ou se modificam em
uma linhagem, entretanto esse processo não resulta no surgimento de novas
linhagens. Em uma linhagem que passa por
anagênese, é observado o acúmulo de mudanças ao longo do tempo. Vale
salientar que o processo de anagênese pode
ocorrer concomitantemente a processos de cladogênese.
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Questão 590
590
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Questão 1
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Questão 2
2 UFJF/Pism-MG 2021 Observe atentamente as duas figu-
ras abaixo:
Figura 1
Humano
Lagarto
Ave
Baleia
Figura 2
Borboleta
Águia
Fonte: Modificada de [Link]
Ambas as figuras colocam em destaque estruturas de diver-
sos grupos animais. Seu agrupamento foi realizado tomando
por base o campo da anatomia comparada.
a) Analise a seguinte frase: “Levando em conta os conceitos
da anatomia comparada, a figura 1 representa estruturas
_____ ”. Escreva uma palavra para substituir o espaço
em branco.
b) Analise a seguinte frase: “Levando em conta os conceitos
da anatomia comparada, a figura 2 representa estruturas
_____ ”. Escreva uma palavra para substituir o espaço
em branco.
c) Compare as estruturas respondidas no item (a) com as
estruturas respondidas no item (b), no que diz respeito
às suas origens embrionárias e funções.
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Questão 3
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Questão 4
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Questão 1
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Questão 591
591
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Questão 2
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Questão 4
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Questão 8
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Questão 5
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Questão 6
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Questão 1
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Questão 2
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Questão 592
592
A teoria evolucionista de Darwin tem por premissa a lei
do uso e desuso, que se apoia no fato de que o ambiente
pode acarretar mudanças de hábitos de um organismo,
tendo, por consequências, a hipertrofia de certas estru-
turas e a atrofia de outras, com transmissão para as pró-
ximas gerações.
O conceito darwiniano de seleção natural, em linhas ge-
rais, preconiza que indivíduos de espécies selvagens que
apresentam características vantajosas, em condições
ambientais ora vigentes, sobrevivem ou vivem melhor e
tendem a deixar, proporcionalmente, mais descendentes
na geração seguinte.
A divergência evolutiva tem seu fundamento em estudos
fósseis de estruturas biológicas análogas, que surgiram
de maneira independente em diferentes grupos de orga-
nismos pouco aparentados evolutivamente, mas que de-
senvolveram estruturas e formas corporais semelhantes.
A recombinação gênica, também conhecida como mu-
tação gênica, é o mecanismo mais frequentemente encon-
trado, tanto na reprodução sexuada quanto na assexuada,
pois, dela, surgem determinados conjuntos de genes típicos
de cada espécie, resultando no acúmulo de mutações van-
tajosas que se mantêm por ação da seleção natural.
A adaptação individual consiste no ajustamento do or-
ganismo a determinada mudança ambiental que tende
à homeostase, já a adaptação evolutiva refere-se ao
ajustamento da população ao ambiente, ao longo de
sucessivas gerações, por efeito da seleção natural.
Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a se-
quência correta.
A
V, V, F, V, F
B
V, F, V, F, V
C
F, V, F, F, V
D
F, V, F, V, F
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Questão 3
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Questão 4
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Questão 42
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Xxxx
AULA
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Questão 4
4
Biologia • Frente 2
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Questão 593
593
C4 | H14, H15 e H16
C6 | H29 e H30
Simplicidade nem sempre é sinônimo de desvantagem, ainda mais quando se
trata de um organismo vivo. Em dezem-
bro de 2019, por exemplo, a humanidade foi contaminada por um novo
coronavírus. Esse vírus se espalhou rapidamente por
todos os continentes, causando a doença chamada covid-19, que levou à
morte milhões de pessoas. Além da simplicidade
dos vírus, há os procariontes, como as bactérias, que têm uma estrutura
celular relativamente simples, sem núcleo organi-
zado, porém alta complexidade metabólica e grande importância médica e
ecológica.
Vírus
Diferentemente de todos os outros organismos exis-
tentes na Terra, os vírus são seres acelulares, já que não
apresentam estrutura celular. Dentro de uma classifica-
ção recentemente proposta, eles ocupariam um superdo-
mínio denominado Acytota (vida não celular) juntamente
com os obeliscos, organismos não celulares cuja estrutu-
ra é baseada em RNA circular, enquanto o restante dos
organismos estaria no superdomínio Cytota, dentro do
qual estão os domínios tradicionais. Os obeliscos são es-
tudados apenas no Ensino Superior.
Os vírus são extremamente pequenos, em geral com ta-
manho entre 15 nm e 300 nm, sendo ainda menores que as
menores bactérias conhecidas. Apenas nas últimas décadas
é que foram descobertos vírus gigantes, como os mimivírus
(com mais de 600 nm) e os pandoravírus (que podem atingir
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Questão 1
====PAGE 92====
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Questão 594
594
Características gerais dos vírus
Por serem acelulares, os vírus não têm metabolismo pró-
prio, ou seja, não sintetizam nenhuma molécula, não reali-
zam qualquer reação química nem se reproduzem de forma
independente. Assim, todos os vírus são parasitas intracelu-
lares obrigatórios. Alguns vírus podem ficar dormentes por
anos e, ao entrar em contato com uma célula hospedeira,
iniciar o processo de reprodução viral.
Diferentemente da matéria sem vida, com a qual são
costumeiramente comparados, os vírus passam por evolu-
ção biológica, já que eles se modificam ao longo do tem-
po. Mutações e recombinações gênicas são os fenômenos
responsáveis pela variabilidade genética viral. A seleção
natural promove o aumento na frequência de variantes
mais favoráveis.
Certamente uma das características mais importantes.
que aproxima os vírus das demais formas de vida do planeta
é a presença do mesmo código genético. Isso possibilita que
as células hospedeiras atuem como máquinas produtoras de
proteínas virais e indica que os vírus estão relacionados com
as demais formas de vida.
Reprodução viral
Todos os vírus se reproduzem apenas no interior das cé-
lulas hospedeiras e a reprodução acontece, geralmente, con-
forme as etapas ilustradas e descritas a seguir.
Representação esquemática das principais fases de reprodução de
um vírus em uma célula hospedeira. (1) Fixação do vírus na super-
fície da célula. (2) Penetração do vírus na célula. (3) Desnudamento
e liberação do DNA viral. (4) Biossíntese, produção de proteínas e
DNA viral. (5) Maturação (montagem dos nucleocapsídeos).
(6) Liberação das novas cópias virais para o meio extracelular.
Espículas
Capsídeo
Receptores virais
DNA
RNAm
DNA viral
Proteínas
virais
Envelope
DNA
Novo vírus
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Questão 1
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Questão 2
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Questão 3
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Questão 5
5
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Questão 6
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Questão 4
4
Nucleocapsídeos
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
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Questão 1
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Questão 2
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Questão 3
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Questão 4
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Questão 6
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AULA 4: Vírus e procariontes
Biologia • Frente 2
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Questão 595
595
Virose
Transmissão
Prevenção
Gripe A
H1N1, H3N2, H2N2
Secreções expelidas na fala ou na
tosse, que podem ficar em
superfícies ou em suspensão no ar.
Vacinação, redução de contato com
as pessoas, higiene das mãos,
uso de máscaras.
Covid-19
Secreções expelidas na fala ou na
tosse, que podem ficar em superfícies ou em suspensão no ar.
Vacinação, redução de contato com
as pessoas, higiene das mãos, uso
de máscaras.
Caxumba
Secreções na fala ou na tosse, que
podem ficar em superfícies.
Evitar contato com pessoas doentes
e vacinação.
Raiva
Mordida de animais contaminados, especialmente
morcegos, cães e gatos.
Vacinação, evitar mordida de animais
desconhecidos.
Rubéola
Contato com secreção de indivíduos doentes
Evitar contato com pessoas
doentes e vacinação.
Sarampo
Contato com secreção de indivíduos doentes
Evitar contato com pessoas
doentes e vacinação.
Dengue
Picada do mosquito Aedes aegypti
Combate ao mosquito e vacinação.
Zika
Picada do mosquito Aedes aegypti
Combate ao mosquito.
Chikyngunya
Picada do mosquito Aedes aegypti
Combate ao mosquito.
Poliomielite
Doença fecal-oral, evitar água e alimentos que
podem estar contaminados.
Vacinação, hábitos de higiene, evitar
contato com água suja.
Febre amarela
Picada do mosquito Aedes aegypti
Combate ao mosquito e vacinação.
Aids
Relações sexuais desprotegidas, transfusão de sangue
contaminado, aleitamento materno por mãe contaminada.
Controle da qualidade de sangue
doado e uso de preservativos.
Procariontes
Por ter o mesmo tipo celular, todos os procariontes es-
tão tradicionalmente classificados no reino Monera. Análises
com base em evidências moleculares revelaram, entretanto,
que esses organismos não formam um grupo monofilético.
As bactérias são encontradas em todos os ambientes
do planeta: ácidos e alcalinos, quentes e frios, aeróbios e
anaeróbios, e até mesmo em locais hipersalinos. Existem
bactérias nas profundezas dos oceanos, em rochas que ficam
a mais de 2 km de profundidade, nas nuvens, no solo e no
interior de outros seres vivos, incluindo seres humanos. Tam-
bém são procariontes também as arqueas.
Célula bacteriana
A principal característica da célula procariótica (do gre-
go pro, antes; e karyon, núcleo) é que ela não tem carioteca,
membrana que separa o DNA do restante do citoplasma. Além
disso, o citoplasma dessa célula não tem organelas membra-
nosas, como retículo endoplasmático e complexo golgiense.
O citosol é formado por água e diversas substâncias dissol-
vidas, como minerais, gases, carboidratos, proteínas e resíduos
metabólicos. Em algumas bactérias, são encontrados grânulos
de glicogênio, que servem como uma reserva nutritiva.
Os ribossomos são as únicas organelas existentes nas
bactérias e realizam a síntese de proteínas. Os ribossomos
bacterianos são menores e apresentam composição química
ligeiramente diferente dos encontrados nas células eucari-
óticas. Essas diferenças permitem que alguns antibióticos
se liguem aos ribossomos bacterianos, por exemplo, e blo-
queiem a síntese de proteínas das bactérias, sem afetar as
células humanas.
Praticamente todas as bactérias têm parede celular, um
envoltório externo rígido que mantém o formato da célula
e a protege de agentes externos. A parede celular bacteria-
na é composta de peptideoglicanos, moléculas presentes
exclusivamente em bactérias e formadas por uma rede de
polímeros de açúcares modificados, interligados por polipep-
tídeos pequenos. Internamente à parede celular, encontra-se
a membrana plasmática, que controla a entrada e a saída de
substâncias no interior das células.
Citosol
Ribossomo
DNA
Fímbrias
Inclusão
Plasmídeo
Flagelo
Cápsula
Parede celular
Membrana plasmática
Representação esquemática das principais estruturas de uma cé-
lula procariótica bacteriana.
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Questão 596
596
Saiba mais
Bactérias gram-negativas e gram-positivas
Em 1884, o bacteriologista dinamarquês Hans Chris-
tian Gram (1853-1938) verificou que algumas bactérias,
quando tratadas com corantes específicos, apresentam
coloração azul-violeta (gram-positivas), enquanto outras
ficam rosadas (gram-negativas).
Nas bactérias gram-positivas, a parede celular é for-
mada apenas por uma camada espessa de peptideogli-
canos. Já a parede celular das bactérias gram-negativas
tem a camada de peptideoglicano envolta por membrana
externa, de composição semelhante à da membrana plas-
mática. Entretanto, diferentemente da membrana plasmá-
tica, essa membrana externa contém polissacarídeos, que
ficam ligados aos fosfolipídios e formam um complexo.
====PAGE 95====
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Questão 597
597
Membranas
fotossintéticas
Eletromicrografia de transmissão da cianobactéria filamentosa do
gênero Nostoc, com destaque para as membranas fotossintéticas
(estruturas esverdeadas). (Colorida artificialmente. Aumento de
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Questão 10
10 mil vezes.)
A fotossíntese realizada pelas sulfobactérias, presentes
em locais com abundância de enxofre, ocorre sem produção
de oxigênio (fotossíntese anoxigênica). Essas bactérias têm o
pigmento bacterioclorofila, que absorve a energia luminosa.
Os reagentes utilizados nesse processo são o gás carbônico e
o sulfeto de hidrogênio (H2S). Como resultado, há produção
de glicose, enxofre puro (S) e água.
As bactérias quimioautotróficas, também conhecidas
como quimiolitotróficas, realizam a quimiossíntese, processo
no qual parte da energia proveniente de reações químicas entre
moléculas inorgânicas é usada para fixar o carbono. Bactérias
nítricas do ciclo do nitrogênio, por exemplo, produzem nitrato
(NO3
–) a partir de nitrito (NO2
–) no processo de nitratação. Essa
reação química libera energia, que é estocada em moléculas de
ATP. Posteriormente essas moléculas serão utilizadas pelas bac-
térias na síntese de novas moléculas orgânicas. Outras bactérias
oxidam gás hidrogênio (H2), sulfeto de ferro (FeS), amônio (NH4
+)
ou outros compostos inorgânicos, que atuam como fontes de
energia em ambientes afóticos (sem luz).
Para retirar a energia estocada nas moléculas orgânicas, as
bactérias podem realizar dois tipos de processos bioquímicos:
fermentação ou respiração celular. A fermentação é um proces-
so anaeróbio (não consome oxigênio) que pode formar, além
do ATP, ácido lático (fermentação lática) ou etanol (fermentação
alcoólica). A fermentação tem baixo rendimento energético em
comparação à respiração celular, uma vez que a oxidação da gli-
cose é apenas parcial. A respiração celular é um processo em
que ocorre oxidação total da glicose. Esse processo é, normal-
mente, dividido em três fases: glicólise, ciclo de Krebs e cadeia
transportadora de elétrons. Muitas bactérias realizam a respira-
ção aeróbia, na qual o gás oxigênio é o aceptor final de elétrons.
Algumas bactérias, entretanto, realizam respiração anaeróbia,
na qual há diferentes aceptores finais de elétrons, como o íon ni-
trato (NO3
–) ou o sulfato (SO4
–). A respiração celular tem alto ren-
dimento energético, já que ocorre a oxidação total da glicose.
Para muitos microrganismos, o gás oxigênio (O2) é uma
molécula vital, enquanto para outros esse gás pode ser letal.
Assim, com relação ao uso do gás oxigênio no metabolismo,
as bactérias podem ser divididas nos três grupos a seguir.
Dennis Kunkel Microscopy/Science Photo
Library/Fotoarena
•
Aeróbias obrigatórias: realizam apenas respiração celular
aeróbia e não sobrevivem na ausência de gás oxigênio.
Como exemplo, pode-se citar a bactéria Micrococcus
luteus, que vive na pele humana.
•
Anaeróbias obrigatórias (ou estritas): realizam apenas fer-
mentação ou respiração anaeróbia e não sobrevivem na
presença de gás oxigênio. Essas bactérias vivem apenas
em ambientes anóxicos (sem O2), como pântanos, solos
encharcados, subsolos profundos e o sistema digestório
de animais. Como exemplo, pode-se citar as bactérias do
gênero Clostridium, causadoras do tétano e do botulismo.
•
Anaeróbias facultativas: usam o gás oxigênio na res-
piração celular aeróbia, mas também podem realizar
fermentação ou respiração anaeróbia para a produção
de energia, caso estejam em ambiente anóxico. Como
exemplo, pode-se citar a Escherichia coli, que habita na-
turalmente o intestino humano.
A
B
C
Concentração de O2
[Link]/[Link]
MADIGAN, T. D. et al. Microbiologia de Brock. 14. ed.
Porto Alegre: Artmed, 2016.
Representação esquemática da influência do gás oxigênio no
crescimento populacional de diferentes tipos de bactérias. (A)
Bactérias aeróbias obrigatórias proliferam apenas na região com
oxigênio. (B) Bactérias anaeróbias obrigatórias proliferam apenas
na região sem oxigênio. (C) Bactérias anaeróbias facultativas pro-
liferam por todo o meio de cultura.
Saiba mais
Por que o oxigênio pode ser letal para algu-
mas bactérias?
O gás oxigênio é uma molécula extremamente reativa
que forma muitos subprodutos tóxicos, como o superóxido
(O2
–), o peróxido de hidrogênio (H2O2) e o radical livre hidro-
xila (OH–). Organismos aeróbios têm enzimas que metaboli-
zam esses produtos tóxicos, como a catalase, que metaboli-
za a água oxigenada (H2O2), e a superóxido dismutase, que
metaboliza o superóxido. A ação combinada dessas enzimas
é fundamental, pois o radical livre hidroxila é extremamen-
te reativo e capaz de matar a célula ao danificar o DNA e as
enzimas celulares. Bactérias anaeróbias obrigatórias não pro-
duzem as enzimas catalase e superóxido dismutase, o que
explica a letalidade do gás oxigênio para esses organismos.
====PAGE 96====
=========================================================================
=======
Questão 598
598
Reprodução assexuada
Apesar de as bactérias terem tempo de vida limitado, as
populações são mantidas vivas por muito tempo, devido à
sua capacidade de se reproduzir rapidamente quando o am-
biente é favorável. A forma de reprodução mais comum entre
as bactérias é a bipartição, também conhecida como cissi-
paridade ou fissão binária. Ela consiste, basicamente, na du-
plicação do DNA bacteriano e na divisão da célula em duas.
Trata-se, portanto, de uma reprodução assexuada muito rá-
pida, capaz de produzir milhares de novas bactérias genetica-
mente iguais em apenas algumas horas.
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Bactéria-filha
Bactéria-filha
Septo
Cromossomo
duplicado
Plasmídeo
Parede
celular
Cromossomo bacteriano
Membrana
plasmática
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Questão 3
=========================================================================
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Questão 2
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=======
Questão 1
1
Representação esquemática da reprodução assexuada por bipar-
tição em bactérias. (1) Início da bipartição com a duplicação do
cromossomo da bactéria (DNA). (2) Invaginação da membrana
plasmática e da parede celular, formando um septo que individu-
aliza as células-filhas. (3) Término da bipartição com a separação
completa das duas bactérias-filhas, geneticamente iguais.
Em muitas bactérias, especialmente as que vivem no
solo, é comum a formação de estruturas de resistência, de-
nominadas esporos ou endósporos. Eles são formados quan-
do as condições ambientais são adversas, como em escassez
de nutrientes essenciais (carbono ou nitrogênio) e de água.
Os esporos bacterianos são células altamente diferencia-
das em estado de latência. Eles têm alta resistência a calor,
produtos químicos e radiação, e podem permanecer viáveis
por séculos.
Eletromicrografia de transmissão da bactéria Clostridium difficile
formando um endósporo, evidenciado pela estrutura oval aver-
melhada. (Colorida artificialmente. Aumento de 18 mil vezes.)
Variabilidade genética
Apesar de não se reproduzirem sexuadamente, as bacté-
rias têm grande variabilidade genética. As trocas de material
genético entre as bactérias, ou recombinações gênicas, e as
mutações são responsáveis por essa variabilidade. As muta-
ções são alterações herdáveis no material genético. Algumas
podem ser vantajosas, outras prejudiciais, mas a maioria das
mutações é neutra, ou seja, sem efeitos evolutivos ou adap-
tativos. Apesar de a taxa de mutação espontânea ser extre-
mamente baixa nas bactérias, a velocidade com que esses
organismos se dividem e o seu crescimento exponencial ga-
rantem um rápido acúmulo de mutações nas populações.
As recombinações gênicas são formadas pela mistura de
DNA de diferentes origens. A transferência horizontal de ge-
nes representa a troca de informações genéticas entre células
bacterianas que não têm relação direta de parentesco, pos-
sibilitando que as populações adquiram novas características.
Existem três mecanismos principais de recombinações gênicas
em bactérias: transdução, transformação e conjugação.
Na transdução, vírus bacteriófagos transportam genes
bacterianos de uma bactéria para outra. Durante a reprodução
dos bacteriófagos, especialmente na etapa de montagem dos
novos vírus, as enzimas responsáveis pelo empacotamento
do DNA viral podem, acidentalmente, empacotar DNA bacte-
riano no interior das cápsulas virais. Ao parasitar outras bac-
térias, os vírus formados injetam nelas esse DNA, que, após
recombinações, é incorporado ao DNA das bactérias recep-
toras, contribuindo para a variabilidade genética.
A transformação se dá quando uma bactéria morre e
seu citoplasma extravasa no meio externo, de modo que
a decomposição do seu DNA dá origem a fragmentos com
alguns genes dispersos no ambiente. Esses fragmentos po-
dem ser incorporados por bactérias próximas, promovendo
alterações em alguns de seus genes. A bactéria que incor-
pora DNA exógeno é, então, transformada.
Dr Kari Lounatmaa/Science Photo Library/Fotoarena
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Questão 599
599
Na conjugação ocorre transferência de DNA entre duas
bactérias, geralmente da mesma espécie. A transferência é
unidirecional, isto é, ocorre de uma bactéria doadora para
outra receptora, não no sentido inverso. Esse processo pro-
move aumento da variabilidade das populações sem produzir
novas bactérias-filhas.
Pilus
Fímbrias
Eletromicrografia de transmissão de duas bactérias Escherichia
coli realizando conjugação. O pilus conecta as duas células. (Colo-
rida artificialmente. Aumento de 3 mil vezes.)
Durante a conjugação, o pillus sexual permite que a bacté-
ria doadora estabeleça contato com uma bactéria receptora e
se aproxime dela. Em seguida, ocorre a formação de um tubo
de conjugação entre elas, por meio do qual a bactéria doa-
dora transfere seu DNA para a bactéria receptora. No final do
processo, as bactérias se afastam e a receptora passa a ter um
DNA novo, o que aumenta a sua variabilidade genética.
Importância das bactérias
As bactérias são muitas vezes lembradas como organis-
mos nocivos e perigosos, uma vez que causam várias do-
enças no ser humano. Entretanto, existem poucas espécies
patogênicas e, de modo geral, as bactérias são fundamen-
tais para a humanidade e para a manutenção da vida no
planeta em que vivemos.
Atenção!
No corpo humano existem mais bactérias do que
células humanas. Diversas bactérias fazem parte da
microbiota intestinal e são fundamentais para o fun-
cionamento do intestino. Muitas delas mantêm uma
relação de mutualismo com os seres humanos: produ-
zem vitaminas, como a B12 e a K, e recebem alimento e
abrigo. Além disso, essas bactérias regulam a atividade
intestinal e ajudam a proteger o organismo humano de
bactérias patogênicas.
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Questão 600
600
A tabela a seguir apresenta algumas doenças bacterianas.
Doença
Agente causador e patologia
Transmissão
Botulismo
Clostridium botulinum
A bactéria produz toxinas que podem lesar
nervos e músculos. Ocorre paralisia muscular,
afetando o movimento dos olhos, o abaixamento
das pálpebras e provocando incapacidade de
respirar. Pode levar à morte.
Alimentos contaminados com esporos;
frequentemente alimentos em conserva sem a
higiene adequada.
Clamídia
Chlamydia sp.
Grande parte das pessoas infectadas não
apresenta sintomas, que são secreções vaginais
ou penianas e sensação de ardor ao urinar.
Pode levar à infertilidade.
Relações sexuais.
Cólera
Vibrio cholerae
Causa intensa diarreia, dores abdominais,
hipotensão e taquicardia. Pode levar à morte.
Água e alimentos contaminados.
Coqueluche ou tosse
comprida
Bordetella pertussis
Mais comum em crianças abaixo de quatro anos.
Afeta o epitélio da garganta e a traqueia, onde
ocorre aumento da secreção de muco, que se torna
espesso. A má oxigenação é um grande problema
decorrente das obstruções e acessos de tosse.
Fluidos corporais (saliva e secreções nasais).
Disenteria bacilar ou
shigelose
Shigella sp.
A bactéria afeta o revestimento do intestino
e pode produzir edema ou úlcera. Pode haver
febre; é comum a diarreia, podendo apresentar
muco e sangue (principalmente em crianças).
Ocorre perda de peso e há risco de desidratação.
Água e alimentos contaminados, hábitos
inadequados de higiene e moscas.
Difteria ou crupe
Corynebacterium diphtheriae
A bactéria ataca membranas da boca e da
garganta, provocando inflamação. A laringe pode
ser afetada, comprometendo a passagem de ar.
As bactérias liberam toxinas, que podem causar
lesões no cérebro e no coração.
Fluidos corporais (saliva) ou contato direto.
Febre maculosa
Rickettsia rickettsii
Febre, náuseas, vômitos, dores de cabeça, dor
abdominal e diarreia. Pode levar a complicações
nos sistemas respiratório, nervoso central e renal.
Picada do carrapato-estrela.
Febre tifoide
Salmonella typhi
Febre, fadiga, agitação durante o sono, manchas
na pele, diarreia, vômitos, delírios e septicemia.
Pode causar morte por choque séptico ou por
hemorragia no intestino.
Água, alimentos ou objetos contaminados e
contato direto.
Gonorreia ou
blenorragia
Neisseria gonorrhoeae
Infecção que geralmente atinge a vagina ou a
uretra, com típico corrimento amarelado e denso.
Os olhos, a garganta e o ânus podem ser atingidos.
Relações sexuais, transmissão da mãe infectada
para o filho durante o parto (pode afetar os
olhos do filho).
Hanseníase ou lepra
Mycobacterium leprae
A doença provoca lesões na pele, afeta olhos,
mucosas (nasal) e nervos periféricos, com perda
de sensibilidade à dor.
Fluidos corporais (saliva e secreção nasal), por
via respiratória.
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Questão 601
601
Doença
Agente causador e patologia
Transmissão
Leptospirose
Leptospira sp.
Os sintomas são muito variados; a maioria
dos infectados não apresenta quase nenhum
sintoma. Tosse, faringite, dor articular, manchas
pelo corpo, náuseas, vômitos e diarreia. Casos
graves podem apresentar insuficiência renal e
hepática, além de hemorragia.
Água, alimentos ou solo contaminados pela
urina de animais infectados.
Peste negra ou
bubônica
Yersinia pestis
Doença que afeta os pulmões e causa manchas
negras na pele. Dizimou grande parte da
população europeia na Idade Média.
Picada da pulga-do-rato ou fluidos corporais
(saliva e secreções nasais).
Sífilis
Treponema pallidum
Apresenta sintomas variados, como ulcerações
no pênis ou na vagina e erupções cutâneas. Pode
causar danos severos ao sistema nervoso central
e ao coração e levar à morte.
Relações sexuais ou transmissão congênita.
Tétano
Clostridium tetani
Rigidez e espasmos musculares, taquicardia e
suor excessivo.
Corte ou queimadura na pele, objetos
contaminados.
Tuberculose
Mycobacterium tuberculosis
Tosse com catarro, febre, suores noturnos,
falta de apetite, emagrecimento e cansaço.
Também causa eliminação de sangue pela tosse
e acúmulo de pus na pleura pulmonar.
Fluidos corporais (saliva e secreções nasais).
Arqueas
As arqueas apresentam paredes celulares compostas de
uma grande variedade de polissacarídeos e proteínas, mas
não têm peptideoglicanos, como ocorre nas bactérias. Na
membrana plasmática, são encontrados lipídios ramifica-
dos, diferentemente dos demais seres vivos. Quimiossíntese
e respiração anaeróbia são processos bioquímicos bastante
comuns entre as arqueas. A maioria vive em ambientes com
alta salinidade, baixa concentração de oxigênio, temperatu-
ras extremas, pH muito baixo (ácido) ou muito alto (alcalino),
em que poucos organismos conseguem sobreviver. Por isso,
muitas arqueas são denominadas extremófilas, como as ha-
lófilas e as termófilas extremas.
As arqueas termófilas (do grego thermos, calor; e phylos,
afinidade) vivem em ambientes extremamente quentes e
geralmente ácidos, como as fontes termais submarinas e as
fendas vulcânicas. A maioria das espécies é quimiossinteti-
zante e obtém energia a partir da oxidação de enxofre. Um
exemplo é a arquea do gênero Sulfolobus, que vive nas fon-
tes quentes e sulfurosas do Parque Nacional de Yellowstone
(Estados Unidos), ambiente onde, em média, a temperatura
é de 70°C, e o pH, de 2.
As arqueas halófilas (do grego halos, sal; e phylos, afi-
nidade) vivem em ambientes hipersalinos, com alta concen-
tração de sais (mínimo de 9%), como o Mar Morto (Oriente
Médio), o Grande Lago Salgado (Estados Unidos) e o Lago
Hillier (Austrália). Esses organismos também podem ser en-
contrados em salinas, onde a água do mar é represada para
se obter o sal de cozinha, e em alimentos altamente salga-
dos, como embutidos e peixes marinhos.
A
B
(A) Fonte termal do Parque Nacional de Yellowstone (Estados
Unidos), com a água quente e sulfurosa. (B) Arquea termófila
Sulfolobus sp. (Eletromicrografia de transmissão colorida artifi-
cialmente; aumento de 3 600 vezes.)
Há também as arqueas metanogênicas, que são anaeró-
bias obrigatórias e produtoras do gás metano (CH4). Muitas
vivem em condições extremas, como nas camadas de gelo da
Groenlândia e nas fontes hidrotermais submarinas. Outras vi-
vem em locais mais moderados, como pântanos, charcos, cam-
pos de cultivo de arroz ou no sistema digestório de herbívoros
(bois, ovelhas e cupins). Essas arqueas podem atuar como de-
compositores nas estações de tratamento de esgoto, nos ater-
ros sanitários e nos biodigestores, pois utilizam gás carbônico
Stefano73/[Link],
Eye Of Science/Science Photo Library/Fotoarena
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Questão 602
602
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Questão 1
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Questão 2
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Questão 3
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Questão 1
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Questão 2
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Questão 8
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Questão 4
4 Emescam-ES 2022
As superbactérias potencialmente fatais que podem ser
transmitidas de cachorros para os donos
Pesquisadores analisaram amostras de 102 cães e de 80
pessoas na capital portuguesa entre 2018-2020. Do total, 50
amostras apresentaram bactérias resistentes à colistina, um
antibiótico geralmente usado como último recurso no caso de
ineficácia de medicamentos. Em 26 dos 50 casos, o gene mcr-1
foi identificado tanto nos donos quanto nos cães. O temor dos
especialistas é que esse gene mcr-1 chegue a bactérias que já
são resistentes a outros tipos de antibióticos, criando bacté-
rias talvez intratáveis. A principal forma de obtenção do gene
mcr-1 está na aquisição de um material genético circular pro-
veniente de uma bactéria resistente à colistina.
Disponível em: [Link]
geral-57838934. Acesso em: 10 ago. 2021 (adaptado).
O número de bactérias resistentes a antibióticos tem aumen-
tado cada vez mais e preocupado as unidades de saúde.
De acordo com o texto, a preocupação é ainda maior quando
se fala da resistência à colistina, que pode ser adquirida, prin-
cipalmente, por meio da
A
transformação, que é a aquisição de ácido desoxirribo-
nucleico (DNA) circular presente no ambiente por uma
bactéria resistente à colistina.
B
transdução, que é a aquisição de material genético cro-
mossomal com o auxílio de um vírus replicante contendo
o gene mcr-1.
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Questão 603
603
C
conjugação, que é a aquisição de material genético plas-
midial presente em uma bactéria resistente à colistina
por meio do pilus sexual.
D
tradução, que é a aquisição de ácido desoxirribonucleico
(DNA) após o processo de transcrição realizado por uma
bactéria sensível à colistina.
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Questão 5
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Questão 6
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Questão 1
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Questão 2
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Questão 604
604
Manchete do panfleto do Dr. Ross de 1885 denunciava a vacina-
ção contra a varíola.
Um panfleto popular publicado em 1885, durante a
epidemia de varíola em Montreal, no Canadá, é um grande
exemplo do movimento antivacina. Doutor Ross lamentou o
“pânico sem sentido”, causado por funcionários da saúde e
médicos sobre a epidemia, alegando que a varíola não era
uma epidemia, e a cidade tinha “muito poucos casos”. Os
antivacinas do passado afirmavam que a vacinação causa-
va desde a VARÍOLA À SÍFILIS, FEBRE TIFOIDE, TUBERCULO-
SE, CÓLERA e “envenenamento do sangue”. Seus argumentos
ainda ecoam mais de um século depois, na atual pandemia.
Adaptado de: Paula Larsson, da Universidade de Oxford.
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Questão 24
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Questão 3
3 Acafe-SC 2019
Antibiótico utilizado na União Soviética é a
nova esperança contra as superbactérias
Cientistas chineses conseguiram sintetizar em laborató-
rio uma complexa substância antimicrobiana produzida de
maneira natural por uma bactéria do solo, a albomicina del-
ta-2, uma molécula que chegaria num momento crítico. Um
relatório elaborado para o Governo britânico informa que as
superbactérias – imunes aos fármacos conhecidos, por causa
de mutações espontâneas – matarão 10 milhões de pesso-
as por ano a partir de 2050, quase dois milhões de mortes a
mais que as provocadas pelo câncer.
Fonte: El País, 05/09/2018. Disponível em: [Link]
A respeito do tema, analise as afirmações a seguir e marque
V para as verdadeiras e F para as falsas.
Algumas bactérias participam da biorremediação,
também chamada de remediação biológica, em que
removem ou neutralizam diversos poluentes tóxicos
(orgânicos e inorgânicos) do meio ambiente.
Superbactérias é o nome dado ao grupo de bactérias
que consegue resistir ao tratamento com o uso de uma
grande quantidade de antibióticos. Essa resistência sur-
ge a partir de mutações adaptativas induzidas pelo uso
incorreto ou desnecessário de antibióticos.
Através da engenharia genética é possível usar bactérias
geneticamente modificadas, nas quais foram inseridos
genes humanos para produzir proteínas humanas, como
por exemplo, hormônio do crescimento e insulina.
As bactérias podem se reproduzir sexuadamente atra-
vés da conjugação, da transdução e da trans- formação.
Nessa última, moléculas de DNA são transferidas de
uma bactéria para outra usando vírus como vetores, os
vírus bacteriófagos.
Doenças causadas por bactérias são denominadas de
bacterioses. Entre as doenças bacterianas podemos ci-
tar: botulismo, cólera, coqueluche, difteria, gonorreia,
hanseníase e leptospirose.
A sequência correta, de cima para baixo, é:
A
F – V – F – F – V.
B
V – F – F – V – V.
C
F – V – V – F – F.
D
V – F – V – F – V.
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Questão 605
605
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Questão 4
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Questão 5
5
Biologia • Frente 2
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Questão 606
606
Algas
A palavra “alga” não tem significado taxonômico, pois
abrange diversos grupos de organismos que não têm, ne-
cessariamente, relação de proximidade filogenética. Neste
livro, o termo “alga” é aplicado aos organismos eucariontes
(unicelulares ou pluricelulares) fotossintetizantes e que, dife-
rentemente das plantas, não têm embriões dependentes do
tecido materno. As algas podem ser encontradas em diversos
hábitats, incluindo água doce, mares e oceanos, rochas, tron-
cos de árvores, superfície de geleiras e fontes termais. Mui-
tas delas podem, ainda, viver associadas a fungos, formando
liquens, ou até mesmo com animais, como corais e moluscos.
Características gerais
As algas têm células eucarióticas, nas quais são encontradas
diversas organelas. Muitas algas unicelulares apresentam flage-
los, estruturas responsáveis pela locomoção em meio aquático.
A presença de cloroplastos com clorofila é característica
comum às células das algas e das plantas. Em todas as algas,
os cloroplastos têm clorofila a, pigmento essencial à fotossín-
tese. Além dela, podem estar presentes outros tipos de cloro-
fila, como b, c ou d, com estruturas moleculares ligeiramente
diferentes entre si. Os cloroplastos também podem ter outros
pigmentos fotossintetizantes, chamados de pigmentos acessó-
rios, como carotenoides e ficobilinas, que podem conferir às
algas as cores dourada, vermelha ou marrom.
A parede celular está presente nas células da maioria
das algas, com exceção das euglenófitas. Em geral, a parede
tem celulose combinada com outras substâncias como algi-
natos, carragenina, ágar ou carbonato de cálcio, dependendo
do grupo. Nas diatomáceas, a parede celular é formada por
sílica e não tem celulose. Já nos dinoflagelados, a parede
celular é interna e formada por placas de celulose confinadas
em estruturas denominadas alvéolos.
Flagelo
Corpo basal
Cloroplasto
Parede celular
Glóbulo
Membrana
plasmática
Mitocôndria
Amido
Complexo
golgiense
Núcleo
Vacúolo
contrátil
Representação esquemática dos componentes celulares da alga
verde Chlamydomonas.
A molécula utilizada como reserva energética varia mui-
to nos diferentes grupos de algas, que serão detalhados mais
adiante. As diatomáceas, por exemplo, armazenam óleos e
crisolaminarina (polissacarídeo específico desse grupo). Já
as algas verdes armazenam amido dentro dos cloroplastos,
uma característica compartilhada com as plantas.
As algas podem ser unicelulares, coloniais ou plurice-
lulares. As pluricelulares são talófitas, isto é, têm o corpo
formado por um talo simples, sem distinção de tecidos ou
de órgãos específicos. Em muitas algas pardas, entretanto, o
talo apresenta estruturas diferenciadas, como o apressório
(fixa a alga ao substrato), as lâminas (projeções semelhantes
a folhas), o estipe (estrutura cilíndrica que sustenta as lâmi-
nas) e o flutuador (estrutura oca com ar para flutuabilidade).
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Questão 607
607
Reprodução
Nas algas unicelulares, a reprodução assexuada mais comum é a fissão
binária. No caso das algas pluricelulares, uma for-
ma comum de reprodução assexuada é a fragmentação do talo, processo em
que o corpo da alga se quebra em pedaços que
podem se regenerar e formar novas algas.
As algas pluricelulares também podem se reproduzir por esporulação, isto
é, pela produção de esporos. De forma geral, esses
esporos, denominados zoósporos, têm flagelos e motilidade própria. Ao
serem liberados na água, os zoósporos nadam e se fixam a
locais favoráveis para formar novos organismos.
A reprodução sexuada das algas envolve fecundação, isto é, a união de
gametas haploides (n), formação de um zigoto
diploide (2n) e divisão meiótica, processo que produz células-filhas
haploides. Tendo em vista a grande diversidade de algas,
observa-se a presença de diversos tipos de ciclos sexuais, que serão
estudados mais adiante.
Importância ecológica
As algas formam a base das cadeias alimentares nos ambientes aquáticos.
As algas microscópicas e as cianobactérias (bactérias
fotossintetizantes) constituem o fitoplâncton, uma comunidade de seres
vivos fotossintetizantes da superfície do ambiente aquático.
Além de produzir matéria orgânica, a fotossíntese realizada pelo
fitoplâncton gera grande parte do gás oxigênio (O2) da
atmosfera. Estima-se que o fitoplâncton seja responsável por mais de 50%
da produção de oxigênio do planeta.
Existem dinoflagelados, conhecidos como zooxantelas, que vivem em
endossimbiose dentro do corpo de diversos ani-
mais marinhos, como esponjas, anêmonas, corais, vermes e moluscos. A
relação ecológica entre os animais e as zooxantelas
é um exemplo de mutualismo. As zooxantelas realizam fotossíntese e parte
da matéria orgânica produzida fica disponível
para os animais. E os dinoflagelados recebem abrigo e algumas moléculas
do metabolismo do animal, como gás carbônico
e compostos nitrogenados.
Saiba mais
Maré vermelha: proliferação de algas tóxicas
Algumas condições no ambiente marinho podem estimular a reprodução
descontrolada e acelerada de determinadas
espécies de dinoflagelados tóxicos. Esse fenômeno é conhecido como maré
vermelha, em função da formação característica
de manchas avermelhadas na superfície da água. Mais de 40 espécies de
dinoflagelados já foram identificadas como produ-
toras de toxinas capazes de afetar peixes, tartarugas, aves, golfinhos e
os seres humanos.
A principal causa da maré vermelha é o aumento na oferta de nutrientes no
ambiente marinho. A eutrofização pode
ocorrer de forma natural, pelo afloramento de nutrientes de águas mais
profundas (ressurgência), ou pela atividade humana,
como despejo de esgoto doméstico no mar ou lixiviação de fertilizantes
agrícolas. Os nutrientes são utilizados pelas algas na
fotossíntese, o que estimula a proliferação. Outros fatores, como o
aumento da temperatura dos oceanos e a variação da
salinidade e da luminosidade, também influenciam a sobre a proliferação
das algas e podem desencadear a maré vermelha.
(A) Maré vermelha em Shizuoka (Japão). (B) Eletrofotomicrografia de
varredura do dinoflagelado tóxico Karenia brevis (mede entre
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Questão 20
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Questão 608
608
Importância econômica
Em diversas culturas, especialmente nas asiáticas, as al-
gas fazem parte da alimentação humana, já que são ricas em
minerais, vitaminas, carboidratos e proteínas. A alga verme-
lha do gênero Porphyra, após secagem e prensagem, é trans-
formada em folhas de nori utilizadas no preparo de pratos
como o sushi.
Nas paredes celulares das algas pardas, são encontrados
os alginatos, usados como espessantes em muitos produtos
industrializados, como sorvetes, cremes dentais, cosméticos,
sabões e tintas. Já nas algas vermelhas, a parede celular con-
tém ágar e carragenina, moléculas utilizadas na indústria ali-
mentícia para dar consistência a pudins, cremes, gelatinas e
sorvetes. O ágar também é utilizado na produção de cápsulas
de medicamentos, preparação de gel para experimentos mo-
leculares e como meio de cultivo de microrganismos.
O diatomito, também conhecido como terra das diatomá-
ceas, é uma rocha sedimentar formada de frústulas (paredes
celulares) que se acumularam no fundo de lagos e oceanos ao
longo de milhares de anos. Ele pode ser utilizado na produção
de tijolos, abrasivos em polidores, filtros de água e como bio-
pesticida natural. No Brasil, a região Nordeste é rica em depósi-
tos de diatomito, locais onde ocorrem operações de mineração.
Classificação
A sistemática das algas é baseada em hipóteses evolutivas
que utilizam dados moleculares para tentar estabelecer rela-
ções filogenéticas entre os grupos dentro de uma visão cladísti-
ca. No entanto, em uma classificação tradicional, outros fatores
são considerados, tais como: a organização do corpo (unicelular
ou pluricelular); os tipos de clorofila (a, b, c ou d); os pigmentos
acessórios existentes nos cloroplastos; as substâncias de reserva
energética estocadas nas células; e os principais componentes
da parede celular. Apesar de parecer estranho, atualmente sa-
be-se que alguns grupos de algas têm maior relação de paren-
tesco evolutivo com protozoários do que entre si.
Divisão (filo)
Organização
do corpo
Tipos de
clorofila
Pigmentos
acessórios
Substância
de reserva
Componentes da
parede celular
Euglenophyta
(euglenófitas)
Unicelular
a e b
Carotenoides
Paramilo
Sem parede celular;
película proteica interna
Dinophyta
(dinoflagelados)
Unicelular
a e c
Carotenoides
(peridinina)
Amido
Placas internas de celulose
Bacillariophyta
(diatomáceas)
Unicelular
a e c
Carotenoides
(fucoxantina)
Crisolaminarina
e óleos
Sílica (SiO2)
Phaeophyta
(algas pardas)
Pluricelular
a e c
Carotenoides
(fucoxantina)
Laminarina
e manitol
Celulose e alginatos
Rhodophyta
(algas vermelhas)
Pluricelular
(maioria)
a e d
Carotenoides
e ficobilinas (ficoeritrina)
Amido
das florídeas
Celulose, ágar e carragenina
Coralináceas: CaCO3
Chlorophyta
(algas verdes)
Unicelular ou
pluricelular
a e b
Carotenoides
Amido dentro
dos cloroplastos
Celulose e glicoproteínas
Fontes: NABORS, M. W. Introdução à Botânica. São Paulo: Roca, 2012.
EVERT, R. F.; EICHHORN, S. E. Biology of Plants. 8. ed. Nova York: W. H.
Freeman and Company, 2013.
(A) Fotomicroscopia de três algas euglenófitas (Euglena spirogyra, mede
cerca de 100 μm). (B) Eletromicrografia de um dinoflagelado
planctônico (Ceratium sp., mede até 2 mm de comprimento). (C)
Fotomicrografia de diatomácea (Actinoptychus sp., aumento de 96
vezes). (D) Algas pardas (Sargassum sp.) em uma praia do Caribe. (E) Talo
da alga vermelha Gigartina pistillata. (F) Talo da alga verde
pluricelular Caulerpa lentillifera.
A
D
B
E
F
icosha/[Link]
Fernando Sanchez Cortes/
[Link]
lazyllama/[Link]
Science Photo Library/Fotoarena
Steve Gschmeissner/ Science Photo
Library/ Fotoarena
[Link]/[Link]
C
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Questão 609
609
Os fungos
Inicialmente, na classificação apresentada pelo naturalista sueco Carolus
Linnaeus (1707-1778) em 1735, os fungos
foram agrupados com as plantas e com as bactérias no reino Vegetal,
essencialmente pelo fato de serem sésseis. Posterior-
mente, em 1956, o biólogo estadunidense Herbert Copeland (1902-1968)
propôs que fungos integrassem o reino Protista.
Em 1969, o biólogo estadunidense Robert Whittaker (1920-1980) reuniu o
conhecimento sobre as características dos
fungos e articulou um conjunto robusto de evidências para propor que os
fungos formassem um grupo bem definido,
separado dos demais seres vivos: o reino Fungi.
Evidências moleculares, posteriores à classificação de Whittaker,
indicaram que os fungos são evolutivamente mais
próximos dos animais do que das plantas. Segundo essa hipótese, animais e
fungos provavelmente surgiram de protistas
flagelados ancestrais, semelhantes aos organismos atuais conhecidos como
coanoflagelados. Alguns fungos aquáticos do
grupo dos quitridiomicetos produzem esporos flagelados, condição
provavelmente presente no protista aquático ancestral.
Protista
ancestral
Coanoflagelados
Animais
Fungos
Parede celular
com quitina
HILLIS, D. M. et al. Life: the science of Biology. 12. ed.
Nova York: W. H. Freeman and Company, 2020.
Cladograma da relação de parentesco evolutivo entre animais,
coanoflagelados e fungos, descendentes de um protista flagelado
ancestral comum.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Denis508/
[Link]
Eric Isselee/[Link]
Célula fúngica
Todos os fungos são formados por células eucarióticas, ou seja, células
em que o DNA é separado do citosol pela carioteca
e confinado no núcleo celular. Uma característica que difere a célula dos
fungos e das plantas é a ausência de cloroplastos
nas células fúngicas. Além disso, diferentemente da parede celular das
plantas, que tem celulose, e a das bactérias, que tem
peptidoglicanos, a parede das células dos fungos é formada
predominantemente por quitina. Esse polissacarídeo nitroge-
nado é resistente e flexível. É também encontrado no exoesqueleto de
artrópodes (aranhas, insetos etc.).
Estrutura de um fungo pluricelular
Existem alguns fungos unicelulares, mas a maioria das espécies é
pluricelular. Nas espécies pluricelulares, não existem te-
cidos diferenciados, sendo o corpo constituído por filamentos tubulares
individuais de crescimento rápido, denominados hifas
(do grego hiphe, teia). Existem dois tipos de hifa: cenocíticas e
septadas. As hifas cenocíticas (do grego ceno, ramo; e cytos, cé-
lula) são formadas por uma massa citoplasmática contínua contendo
centenas ou milhares de núcleos, mas sem septos sepa-
rando as células. A formação dessas hifas acontece por meio de divisões
repetitivas dos núcleos, sem a divisão do citoplasma.
As hifas septadas têm septos, que representam as paredes internas que
delimitam as células. Os septos têm poros que
possibilitam a comunicação entre as células e o intercâmbio de moléculas,
organelas e até mesmo de núcleos entre elas. Nas
hifas monocarióticas, os septos delimitam células com apenas um núcleo,
enquanto nas hifas dicarióticas os septos delimitam
células com dois núcleos geneticamente diferentes, cada um proveniente de
um organismo diferente.
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Questão 610
610
O conjunto de hifas entrelaçadas forma o micélio, corpo
do fungo que penetra no material do qual ele se alimenta.
Em muitas espécies há dois tipos de micélio: vegetativo e re-
produtivo. O micélio vegetativo, responsável pela nutrição e
pelo crescimento dos fungos, é formado por hifas de organi-
zação menos compacta.
Já o micélio reprodutivo, também conhecido como cor-
po de frutificação, é formado por um conjunto de hifas dica-
rióticas compactas, responsáveis pela produção de esporos
(células reprodutivas dos fungos).
Nutrição
Todos os fungos são heterótrofos, já que se alimentam
da matéria orgânica do ambiente ou de outros seres vivos.
A maioria das espécies tem digestão extracelular, processo
em que as hifas liberam enzimas digestivas que atuam direta-
mente na fonte de alimento, fora do corpo dos fungos. Após
a digestão, as hifas absorvem os produtos, como monossaca-
rídeos e aminoácidos, utilizando-os como fonte de energia e
de matéria-prima para o crescimento e a sobrevivência. Os
fungos, portanto, se alimentam por absorção, e não por in-
gestão, como os animais.
O polissacarídeo de reserva energética dos fungos é o glico-
gênio, polímero de glicose estocado no citoplasma das células
fúngicas. Além de glicogênio, estão presentes gotas lipídicas,
que também servem como fonte de energia para os fungos.
Com relação ao modo de vida, muitos fungos são de-
compositores (sapróbios ou saprofágicos), isto é, se ali-
mentam de matéria orgânica proveniente, por exemplo,
de fezes dos animais e de cadáveres de seres vivos. Outras
espécies são simbiontes, ou seja, vivem em associação com
outros organismos.
Reprodução
A maioria dos fungos se reproduz assexuadamente por
esporulação, processo em que são produzidas, por mitose,
milhares de células especiais denominadas esporos. Nos
bolores, esporos são formados em estruturas denominadas
esporângios, que ficam nas extremidades de hifas especiais,
denominadas esporangióforos.
Muitos fungos pluricelulares também podem se repro-
duzir assexuadamente pela simples fragmentação do micé-
lio, processo em que os fragmentos se regeneram e formam
novos organismos.
Fungos unicelulares, como as leveduras, podem se re-
produzir por brotamento ou gemulação: uma divisão celular
mitótica assimétrica dá origem a uma pequena célula-filha
(broto), que se desprende e forma um novo organismo.
Eletromicrografia de varredura de Saccharomyces cerevisiae (de
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Questão 5
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Questão 611
611
Em relação à reprodução sexuada, de forma geral, os
fungos têm ciclo de vida haplobionte haplonte, já que apre-
sentam apenas uma fase adulta haploide, e a meiose é zigóti-
ca. O ciclo reprodutivo de um cogumelo, fungo que pertence
ao grupo dos basidiomicetos, será descrito a seguir para
exemplificar a reprodução sexuada dos fungos.
Em resumo, esporos haploides (n), em ambiente favorá-
vel, germinam e formam hifas monocarióticas haploides (n),
ou seja, hifas com apenas um núcleo haploide. Elas, então, se
espalham e se entrelaçam no ambiente, formando o micélio
monocariótico (n), estrutura responsável pelo crescimento e
pela nutrição do fungo.
Hifas monocarióticas de fungos da mesma espécie, mas
de tipos geneticamente distintos, liberam feromônios que
estimulam o crescimento de hifas em sua direção. Quando
elas se tocam, ocorre a plasmogamia, que inclui a união do
citoplasma sem a fusão dos núcleos. As hifas formadas são
denominadas dicarióticas (n + n), pois têm dois núcleos gene-
ticamente diferentes que coexistem em cada célula. O cres-
cimento dessas hifas forma o micélio dicariótico (n + n), que
tem um ciclo de vida longo.
Em condições ambientais propícias, como aumento das
chuvas ou mudanças de temperatura, o micélio dicariótico
inicia a formação de massas compactas de hifas que consti-
tuem o corpo de frutificação (cogumelo), também chamado
de basidiocarpo ou basidioma. Em suas lamelas, são encon-
trados os basídios, células nas extremidades das hifas dicari-
óticas e nas quais ocorre a cariogamia (fusão dos núcleos),
com formação de uma célula diploide (2n) denominada zigo-
to. Em seguida, o zigoto sofre meiose zigótica, e forma qua-
tro esporos haploides (n) denominados basidiósporos.
O ciclo finaliza com a liberação e dispersão dos basidiós-
poros para longas distâncias, o que possibilita que a espécie
alcance novos ambientes. Ao encontrar um ambiente ade-
quado, os esporos podem germinar e formar novos fungos.
Após a produção dos esporos, os cogumelos são de-
compostos, mas os micélios vegetativos dos fungos per-
manecem vivos e em crescimento na busca por novas
fontes de alimento.
Diversidade dos fungos
Estudos recentes baseados em dados moleculares aju-
dam a esclarecer as relações evolutivas entre os grupos de
fungos. Eles indicam a existência de, pelo menos, cinco
grupos (divisões) principais: quitridiomicetos, zigomicetos,
glomeromicetos, ascomicetos e basidiomicetos. O clado-
grama a seguir mostra as hipóteses de relação de parentesco
evolutivo entre os grupos do reino Fungi e as principais ca-
racterísticas de cada um.
Cladograma da provável relação de parentesco evolutivo entre os grupos do
reino Fungi.
Imagens: Science History Images / Alamy / Fotoarena, Rattiya Thongdumhyu/
[Link], Kristine Nichols/us Department Of Agriculture/ Science
Photo Library/
Fotoarena, Connie Pinson/[Link], SOMSAK 2503/[Link]
Arbúsculo
Esporangióforos
• Presença de hifas
• Parede com quitina
• Nutrição por absorção
Quitridiomicetos
• Hifas cenocíticas.
• Esporos flagelados.
Ex.: quitrídios (aquáticos).
Glomeromicetos
• Hifas cenocíticas.
• Formação de arbúsculos.
Ex.: fungos micorrízicos.
Ascomicetos
• Hifas septadas.
• Ascos com ascósporos.
Ex.: leveduras e morchelas.
Basidiomicetos
• Hifas septadas.
• Basídios com basidiósporos.
Ex.: cogumelos e orelhas-
-de-pau.
Zigomicetos
• Hifas cenocíticas.
• Formação de zigósporos.
Ex.: bolores.
Importância ecológica
Muitos fungos são decompositores de matéria orgânica do ambiente e
contribuem para a reciclagem de matéria nos ecossiste-
mas. Os fungos são importantes decompositores de celulose e lignina,
componentes abundantes da parede celular dos vegetais. Al-
gumas espécies de fungo podem ser utilizadas na biorremediação de
ambientes poluídos, já que produzem enzimas que decompõem
uma grande diversidade decompostos, entre eles plástico e petróleo,
transformando-os em substâncias menos tóxicas. Outros são
eficazes no controle biológico de pragas, e, assim, atuam como pesticidas
naturais. Um exemplo é o fungo Metarhizium anisopliae,
usado no controle das cigarrinhas de cana e até mesmo de baratas
domésticas nos centros urbanos.
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Questão 612
612
Liquens
Os fungos podem viver em relação simbiótica mutualística com organismos
autótrofos, na qual milhões de células fo-
tossintetizantes ficam envolvidas por um emaranhado de hifas fúngicas.
Essa associação forma uma estrutura denominada
líquen, capaz de sobreviver em locais em que poucos seres vivos conseguem
se estabelecer, como as superfícies de rochas e
os troncos das árvores.
(A) Líquen da espécie Parmelia sulcata no tronco de um pinheiro (pode
medir até 10 cm de diâmetro). (B) Rocha repleta de li-
quens crostosos.
A
B
Denis Gavrilov/[Link]
Angelito de Jesus/[Link]
O micobionte, componente fúngico do líquen, geralmente é um ascomiceto. O
fungo fornece um ambiente favorável para
o crescimento do simbionte fotossintetizante da relação. A organização
física das hifas, que correspondem à maior parte do
líquen, possibilita a absorção de água e minerais. Muitos fungos produzem
pigmentos, que protegem os organismos fotossinte-
tizantes dos efeitos danosos da radiação ultravioleta, e substâncias
tóxicas, que protegem os liquens da predação por animais.
O fotobionte, componente autótrofo da relação, pode ser uma alga verde
(unicelular ou filamentosa) ou uma cianobactéria
(bactéria fotossintetizante). Os autótrofos ocupam uma camada interna,
abaixo da superfície do líquen, e fornecem ao fungo parte da
matéria orgânica produzida por meio da fotossíntese. As cianobactérias
que participam dessa relação também fornecem compostos
nitrogenados aos fungos, pois são capazes de realizar a fixação biológica
do nitrogênio atmosférico.
A reprodução dos liquens pode ocorrer por meio da fragmentação do corpo e
pela formação de sorédios, pequenos gru-
pos de fotobiontes (algas ou cianobactérias) envolvidos pelo emaranhado
de hifas fúngicas. Os sorédios se destacam do líquen
e são transportados pelo vento para outros ambientes, onde podem se
desenvolver e formar novos liquens.
(A) Representação de um líquen, com destaque para hifas, algas e sorédios
(estruturas reprodutivas). (B) Eletromicrografia de varredura do
líquen Parmelia sulcata, com destaque para as hifas (estruturas
tubulares) e algas verdes (esferas esverdeadas). (Cores artificiais.
Aumento
de 600 vezes.)
Algas
Sorédios
Hifas fúngicas
A
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
B
Eye Of Science/ Science Photo Library/ Fotoarena
Liquens são produtores e ocupam a base das cadeias alimentares. Muitos
atuam como espécies pioneiras em sucessões
ecológicas, uma vez que podem se estabelecer em superfícies rochosas e
produzir os ácidos liquênicos, responsáveis pela
corrosão das rochas e pela formação inicial dos solos. Muitos liquens são
sensíveis à poluição atmosférica e, por esse motivo,
não são abundantes em ambientes poluídos, especialmente nos acometidos
por chuvas ácidas ou contaminados por metais
pesados e outros compostos tóxicos. A sensibilidade dos liquens aos
poluentes atmosféricos faz desses organismos bons bioin-
dicadores de poluição, já que a redução populacional deles pode revelar
aumento dos níveis de poluição local.
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Questão 613
613
Micorrizas
Muitas espécies de fungos, como diversos glomero-
micetos e basidiomicetos, estabelecem com as raízes das
plantas uma associação simbiótica denominada micorriza
(do grego myke, fungo; e rhyza, raiz). Essa relação ecológica
ocorre em mais de 90% das espécies de plantas, e foi funda-
mental para a ocupação e diversificação delas em ambiente
terrestre. As sementes de orquídeas, por exemplo, não ger-
minam se não estiverem infectadas pelo fungo que formará
suas micorrizas.
(A) Rede de micélio na raiz de uma planta de morango, e (B)
representação esquemática das células das raízes e das hifas
fúngicas, componentes da micorriza.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Células
da raiz
Hifas do
fungo
Dr Jeremy Burgess/ Science Photo Library/ Fotoarena
A
B
Raízes
Micélio
Importância econômica
Diversas espécies de fungos podem ser apreciadas como
fonte de alimento. Entre elas, destacam-se basidiomicetos
como o champignon (Agaricus bisporus), o shimeji (Pleurotus
ostreatus) e o shiitake (Lentinula edodes), ascomicetos como
a trufa negra (Tuber melanosporum) e a morchela (Morchella
esculenta). Muitos fungos, como os do gênero Penicillium, são
utilizados na produção de queijos, entre eles gorgonzola, ro-
quefort e camembert. Os sabores e aromas característicos de
cada um vêm de substâncias produzidas pelos fungos durante
a maturação do queijo.
Fungos ascomicetos do gênero Aspergillus são utilizados
para a produção do shoyu (molho de soja) e do saquê (bebi-
da alcoólica japonesa). Uma das espécies mais importantes da
atualidade é a Saccharomyces cerevisiae, um fermento
biológico. Na área farmacológica, os fungos podem ajudar na
produção de medicamentos, como antibióticos.
Fungos parasitas
Fungos que parasitam plantas podem causar sérios pro-
blemas para a agricultura. Entre as doenças vegetais causa-
das por fungos, destacam-se a vassoura-de-bruxa do cacau,
causada pelo fungo Moniliophthora perniciosa e o esporão-
-do-centeio, causado pelo fungo Claviceps purpurea. O termo
geral usado para uma doença causada por um fungo é micose.
Uma doença causada por duas espécies de quitridiomicetos
invasores (Batrachochytrium dendrobatidis e B. salamandrivo-
rans) são responsáveis atualmente pelo declínio populacional
ou extinção de mais de 500 espécies de anfíbios.
Doenças causadas por fungos
Um exemplo de micose humana é a frieira, também co-
nhecida como pé-de-atleta. Essa doença é causada por diver-
sos ascomicetos que, embora possam afetar qualquer parte
do corpo, são muito comuns nos pés. Já a histoplasmose é
causada pelo fungo Histoplasma capsulatum, que afeta os
pulmões, e é transmitida pela inalação de esporos presentes
na poeira em suspensão de solos contaminados. Esses fun-
gos vivem, principalmente, em fezes de animais cavernícolas,
como aves e morcegos. Muitos fungos são organismos opor-
tunistas, já que causam doenças apenas quando ocorrem
mudanças no corpo do hospedeiro, principalmente relacio-
nadas à imunidade. Outra doença pulmonar é a blastomico-
se, causada pelo fungo Blastomyces dermatitidis.
Um exemplo é o fungo Candida albicans, habitante
de epitélios úmidos, como a vagina, que estabelece uma
relação de comensalismo com o ser humano. Quando há
queda na imunidade, o fungo se desenvolve muito e se
torna patogênico, causando a candidíase. Outra micose
oportunista é um tipo de pneumonia, causada pelo fungo
Pneumocystis carinii, que se tornou mais comum nas últi-
mas décadas, especialmente em pacientes HIV positivos
com a imunidade comprometida.
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Questão 614
614
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Questão 1
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Questão 2
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Questão 3
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Questão 4
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Questão 5
5 UFJF/Pism-MG 2022 Liquens são bioindicadores da quali-
dade ambiental, uma vez que são sensíveis à poluição atmos-
férica. Os liquens são associações simbióticas entre algas e
fungos e, embora esses dois grupos de organismos compar-
tilhem algumas características, são facilmente distinguíveis
por determinados atributos. Abaixo são listadas característi-
cas que identificam representantes de cada um dos dois gru-
pos de organismos.
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Questão 1
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Questão 2
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Questão 3
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Questão 4
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Questão 5
5. são fotossintetizantes.
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Questão 6
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Questão 7
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Questão 8
8. alguns representantes apresentam alternância de gerações.
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Questão 9
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Questão 10
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Questão 6
6 Acafe-SC 2019
Maré vermelha traz microalga incomum e com potencial
tóxico ao litoral de São Paulo
Pesquisadores do Centro de Biologia Marinha (Cebimar)
da USP identificaram uma floração de microalgas do gênero
Margalefidinium no Canal de São Sebastião no final deste verão.
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Questão 615
615
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Questão 1
1 UFJF/Pism-MG 2019 Os diversos grupos de algas podem
se reproduzir de diferentes formas. Conhecer essas diferentes
formas de reprodução é importante para análise de situações
que envolvam a aplicação de conhecimentos sobre a impor-
tância ecológica e econômica das algas. Sobre os processos
reprodutivos das algas, assinale a alternativa CORRETA:
A
A reprodução assexuada em algas multicelulares pode
ocorrer por bipartição, ou seja, a célula progenitora re-
plica o seu DNA e separa-se em duas células-filhas gene-
ticamente iguais e de dimensões semelhantes.
B
A reprodução assexuada em algas unicelulares pode
ocorrer por fragmentação, ou seja, um filamento de alga
se desprende e origina outro filamento geneticamente
semelhante, mas não idêntico.
C
A reprodução assexuada em algas unicelulares pode
ocorrer por esporulação, ou seja, há formação de espo-
ros que, ao serem liberados do corpo do indivíduo que os
produziu, têm capacidade de desenvolver diretamente
um novo indivíduo geneticamente idêntico.
D
A reprodução sexuada em algas multicelulares pode
ocorrer em algas de ciclo de vida com alternância de ge-
rações, produzindo variabilidade genética nas espécies.
E
A reprodução sexuada em algas unicelulares pode ocor-
rer em algas com ciclo de vida haplonte e não produz
variabilidade genética nas espécies.
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Questão 2
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Questão 3
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Questão 4
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Questão 3
3
Sumário
Aula 1
Protozoários e protozooses
..................................................................... 617
Aula 2
Embriologia e estrutura dos animais
............................................. 627
Aula 3
Poríferos, cnidários e platelmintos
.................................................... 635
Aula 4
Nematódeos, anelídeos e moluscos
............................................... 644
Aula 5
Verminoses
.........................................................................
.................................. 653
====PAGE 115====
Nascido em 9 de julho de 1879, Carlos Chagas foi uma das figuras mais
importantes na história da saúde pública brasileira.
No final de 1908, ele identificou um novo vetor, conhecido como barbeiro,
e uma nova espécie de protozoário, Trypanosoma
cruzi, causadora da doença de Chagas, cujo nome foi atribuído em sua
homenagem. Avanços como os realizados por Chagas
permitem que doenças parasitárias sejam identificadas, tratadas e
prevenidas, resultando em melhorias na qualidade de vida
da população.
C4 | H14
C5 | H17
C6 | H30
AULA
=========================================================================
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Questão 1
1
Biologia • Frente 3
=========================================================================
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Questão 617
617
Protozoários e protozooses
Os protozoários
Os protozoários são seres vivos eucariontes, ou seja, suas
células são dotadas de núcleo. Além disso, são seres unicelula-
res, heterótrofos e vivem em diferentes tipos de meio, habitando
desde ambientes aquáticos até ambientes terrestres.
A sobrevivência de um protozoário depende das trocas que
a célula realiza com o meio em que se encontra. Essas trocas
envolvem tanto a entrada de substâncias, como água, oxigênio
(O2), sais minerais e partículas alimentares, quanto a elimina-
ção de resíduos da digestão intracelular e a excreção de amônia
(NH3) e gás carbônico (CO2). Nesse caso, o transporte de O2, NH3
e CO2 pela membrana plasmática da célula ocorre por difusão.
A maioria dos protozoários é de vida livre, mas existem
representantes que vivem em associação com outros seres
vivos. Há protozoários que participam de relações mutualísti-
cas e aqueles envolvidos em relações de comensalismo.
Diversidade
Uma forma didática de abordar os protozoários é orga-
nizar sua diversidade em quatro classes, definidas com base
nas formas de locomoção. Essa abordagem, embora não re-
flita a classificação mais recente dos protozoários, que é um
grupo formado de organismo com diversas origens evoluti-
vas, é um modo mais acessível de conhecer representantes
importantes do Reino Protista.
Sarcodíneos
Os protozoários desse grupo são aqueles que se locomo-
vem por meio da emissão de pseudópodes, por isso são tam-
bém chamados de rizópodes. Os pseudópodes são projeções
citoplasmáticas transitórias que, além de auxiliarem na loco-
moção, são importantes na obtenção de partículas alimenta-
res. O exemplo mais conhecido de protozoário rizópode, ou
sarcodíneo, é a ameba, que tem relevância na saúde coletiva
por causar uma forma de disenteria conhecida como disen-
teria amebiana. Atualmente, os sarcodíneos estão em um filo
denominado Plasmodroma.
[Link]/[Link]
Fotomicrografia de ameba emitindo pseudópodes. Mede
entre 200 μm e 500 μm.
Ciliados
Os protozoários pertencentes a esse grupo também são
conhecidos como cilióforos, sendo organismos unicelulares que
se locomovem por meio do movimento coordenado (batimen-
to) de cílios. Os cílios são estruturas celulares proteicas, curtas e
numerosas, que também atuam na alimentação. O paramécio
é um representante desse grupo. Atualmente, sabe-se que os
ciliados compõem um grupo evolutivamente próximo aos dino-
flagelados, algas que serão estudadas adiante.
Vacúolo contrátil
Macronúcleo
Micronúcleo
Citóstoma
Citopígeo
Vacúolo
alimentar
Sulco oral
Cílio
Representação esquemática de um paramécio, com destaque
para suas estruturas principais.
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
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618
Na região do citóstoma ocorre a aquisição de partí-
culas alimentares. O alimento obtido fica armazenado no
vacúolo alimentar. Este funde-se ao lisossomo, orgânulo
citoplasmático que contém enzimas digestivas, e a digestão
do alimento acontece no interior de um vacúolo digestivo.
Os resíduos da digestão intracelular são eliminados pelo ci-
topígeo, ou citoprocto, região especializada da membrana
plasmática que funciona como um poro anal.
Uma característica exclusiva dos ciliados é a presença de
dois núcleos com tamanhos diferentes: o maior, chamado
de macronúcleo é responsável pelo controle das atividades
metabólicas do protozoário, e o menor, denominado micronú-
cleo, atua na conjugação, processo de troca de micronúcleos
entre células diferentes que promove variabilidade genética.
A água doce tem menor concentração de solutos, sendo,
portanto, um meio hipotônico em relação ao meio intracelular.
Entretanto, ao longo do processo evolutivo, uma característica
foi selecionada em todos os protozoários de água doce: a pre-
sença de vacúolo contrátil ou pulsátil. Essa organela elimina
o excesso de água que o protozoário absorve por osmose. O
vacúolo contrátil é, portanto, uma estrutura que atua na os-
morregulação dos protozoários de água doce.
O vacúolo contrátil não é encontrado em protozoários ma-
rinhos. Nestes, existem mecanismos que mantêm a concentra-
ção do meio intracelular semelhante à concentração da água
do mar. Nesse caso, a célula encontra-se em equilíbrio osmóti-
co com o ambiente e a quantidade de água que entra na célula
é proporcional à quantidade de água que sai dela.
Assim como no grupo das amebas. Existem parasitas hu-
manos que são ciliados, que geralmente provocam doenças
intestinais, como o Balantidium coli.
Flagelados
Também conhecidos como zoomastigóforos ou cineto-
plastídeos, os representantes desse grupo locomovem-se
por meio do batimento de flagelos. Assim como os cílios,
flagelos são estruturas celulares proteicas, porém mais lon-
gos e encontrados em menor número nas células. Entre os
membros desse grupo, destacam-se os protozoários dos gê-
neros Trypanosoma, Leishmania e Giardia. Espécies desses
gêneros também causam doenças em humanos, que serão
estudadas adiante. Esse grupo de protozoários tem proximi-
dade evolutiva com o grupo das euglenas, algas que serão
vistas na aula de algas.
Apicomplexos ou esporozoários
Os integrantes desse grupo não apresentam estruturas
locomotoras por isso seu deslocamento ocorre por meio de
outros mecanismos, como flexão do corpo e deslizamento. A
maioria é parasita de animais, incluindo os seres humanos.
Protozoários dos gêneros Plasmodium, com espécies causa-
doras da malária, e Toxoplasma, causador da toxoplasmose,
são representantes desse grupo. Os apicomplexas são próxi-
mos evolutivamente dos ciliados e dos dinoflagelados.
Reprodução
A reprodução assexuada é bastante comum entre os
protozoários, sendo também observada em vários animais.
Essa forma de reprodução, em comparação com a sexuada, é
mais rápida e demanda menor quantidade de energia. Ape-
sar dessas vantagens, a reprodução assexuada resulta em
descendentes geneticamente idênticos (clones), ou seja, não
promove variabilidade genética.
Fissão binária
Nessa forma de reprodução assexuada, quando a célula se
divide em duas células-filhas geneticamente idênticas à célula
que as originou, fala-se em bipartição. Esse modo de divisão é
também conhecido como cissiparidade. No entanto, nem toda
divisão em duas partes é uma cissiparidade, uma vez que a
fissão pode ser irregular (como nas amebas), oblíqua (como
em algumas algas), longitudinal (como no tripanossomo) ou,
na cissiparidade, transversa (como no paramécio), além de a
fissão poder originar células-filha com diferentes quantidades
e configurações de cromossomos.
Representação esquemática da bipartição em ameba.
Ameba
Células-filhas
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Fissão múltipla
Também denominada esquizogonia, essa forma de re-
produção assexuada pode ser observada ao longo do ciclo
de vida dos protozoários do gênero Plasmodium. Esse pro-
cesso tem início com sucessivas divisões do núcleo celular.
Posteriormente, ocorre a divisão do citoplasma, resultando
na formação de muitas células a partir de uma célula inicial.
Esquizogonia que origina esporos e gametas são denomina-
das, respectivamente, esporogonia e gametogonia.
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Divisão
do núcleo
Divisão do
citoplasma
Protozoário
Representação esquemática da esquizogonia.
Fusão de gametas
No ciclo de vida dos protozoários do gênero Plasmodium
ocorre uma etapa na qual há fusão de gametas, fenômeno
conhecido como fecundação, sendo característico da reprodu-
ção sexuada. Essa forma de reprodução aumenta a variabilidade
genética da população, apesar do dispêndio de energia.
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Questão 619
619
Introdução à parasitologia
A parasitologia é a área da Biologia responsável pelo es-
tudo das relações entre parasita e hospedeiro. Um parasita,
ou parasito, é um ser vivo que obtém de outro organismo,
chamado hospedeiro, o alimento necessário à sua sobrevi-
vência. A atividade parasitária causa danos ao hospedeiro,
podendo, em certas circunstâncias, resultar em sua morte.
Existem protozoários que são parasitas da espécie humana.
Uma doença causada por um parasita é chamada de parasitose
e, neste momento, trataremos das principais doenças causadas
por protozoários, as protozooses. Para tanto, é necessário co-
nhecer certos conceitos básicos relacionados a esse tema.
Agente etiológico
Agente etiológico é o ser vivo causador de uma para-
sitose. Existem bactérias, vírus, fungos, protozoários e até
mesmo animais, como os platelmintos e os nematódeos,
que podem causar doenças à espécie humana. É importan-
te conhecer informações sobre os agentes etiológicos, como
morfologia, fisiologia e reprodução, para diagnosticar, tratar
e prevenir essas doenças de forma efetiva.
Relação entre parasita e hospedeiro
O estudo da parasitologia será focado nas consequências
do parasita para a espécie humana. A presença dos parasitas
no organismo geralmente resulta em sintomas característi-
cos da doença.
Enquanto organismo hospedeiro, a espécie humana
pode se comportar de duas formas distintas: como hospe-
deiro definitivo, em que o parasita se encontra em sua forma
madura (adulto) e/ou se reproduz sexuadamente; ou como
hospedeiro intermediário, em que o parasita se encontra em
sua forma imatura (por exemplo, em estágios larvais) e/ou se
reproduz assexuadamente.
A quantidade de hospedeiros que um parasita habita
para completar seu ciclo de vida é bastante relevante ao
estudo das doenças parasitárias. Essa informação pode con-
tribuir para o controle das parasitoses e permite classificar
os parasitas em dois tipos. Os parasitas que apresentam ci-
clo reprodutivo com apenas um hospedeiro são chamados
de monoxênicos. Portanto, nesse ciclo de vida há apenas o
hospedeiro definitivo. Já os parasitas que têm ciclo reprodu-
tivo com hospedeiros de espécies distintas são denominados
heteroxênicos e é possível, em certos casos, diferenciar os
hospedeiros definitivo e intermediário.
Transmissão
A transmissão de uma parasitose consiste na saída do
agente etiológico do hospedeiro em que está instalado e em
sua entrada em outro. Entre as vias de transmissão para os
seres humanos, podemos mencionar o consumo de -alimentos
contaminados com ovos ou larvas de vermes ou cistos de pro-
tozoários. Outras vias importantes de transmissão são a en-
trada ativa de uma larva no organismo humano, como através
da pele, e a transmissão por meio de vetores, organismos que
transmitem parasitas de um hospedeiro para outro.
Existem, ainda, parasitoses transmitidas por via sexual e
contato sanguíneo. O conhecimento sobre as vias de trans-
missão de um parasita é fundamental para que medidas pro-
filáticas possam ser adotadas.
Profilaxia e prevenção
Ao conjunto de medidas que têm como objetivo preve-
nir, controlar ou, até mesmo, erradicar uma doença denomi-
namos profilaxia. Para cada parasitose, há um conjunto de
medidas profiláticas específicas indicadas de acordo com as
características da doença.
Saiba mais
•
Surto: aumento repentino do número de casos de
uma doença em determinada região. Por exemplo,
em abril de 2019, houve um surto de sarampo na re-
gião metropolitana de São Paulo com 16 090 casos
confirmados da doença.
•
Epidemia: aumento acentuado do número de casos
de uma doença, que deixa de ser localizado, ocorrendo
surtos em diferentes regiões. No Brasil, é comum serem
notificadas epidemias de dengue, quando aumentos do
número de casos são relatados em diferentes estados.
•
Pandemia: quando uma epidemia aumenta muito em
proporção, atingindo países de diferentes continentes,
temos uma pandemia. Em 2009, a gripe causada pelo ví-
rus H1N1 passou a ser tratada como pandemia quando a
Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou casos da
doença em todos os continentes. A partir de março de
2020, a covid-19, doença causada pelo vírus SARS-CoV-2,
também passou a ser considerada uma pandemia.
•
Endemia: uma doença é endêmica quando está restri-
ta a determinada região e o número de casos é relati-
vamente constante ao longo do tempo. As endemias
não são caracterizadas sob o ponto de vista quanti-
tativo, ou seja, é possível serem notificados milhares
de casos todos os anos e a doença permanecer sendo
considerada endêmica. A malária, por exemplo, é con-
siderada uma doença endêmica da região amazônica
brasileira, uma vez que nessa região ocorrem cerca de
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Questão 99
Protozooses humanas
Amebíase
Também chamada disenteria amebiana, a amebíase é
uma doença cujo agente etiológico é o protozoário Entamoeba
histolytica, popularmente conhecido como ameba. Trata-se de
um parasita monoxênico, uma vez que o único hospedeiro que
apresenta em seu ciclo de vida é o ser humano.
====PAGE 118====
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Questão 620
620
Dessa forma, cólicas abdominais e diarreia, às vezes san-
guinolenta, são sintomas característicos da amebíase. Exis-
tem casos nos quais o protozoário se instala em outras regi-
ões do corpo, como fígado, pulmões e cérebro.
A transmissão ocorre por meio da ingestão de cistos do
protozoário eliminados com as fezes de uma pessoa contami-
nada. Quando lançados no ambiente, os cistos podem con-
taminar água e alimentos, que, ao serem ingeridos, levam à
liberação da forma ativa (trofozoíto) da E. histolytica e à ins-
talação do parasita no intestino grosso.
Saiba mais
Encistamento
O trofozoíto, forma ativa da ameba, morre em con-
tato com o ambiente. Porém, alguns indivíduos formam
cistos. No processo de encistamento, as amebas secretam
um envoltório protetor e ocorre redução do citoplasma e
proliferação do núcleo. Devido à baixa taxa metabólica, os
cistos correspondem a formas de resistência que supor-
tam condições ambientais adversas. Em condições ade-
quadas, os cistos rompem e novas amebas são geradas.
Doença
extra-
intestinal
Doença
intestinal
Cisto e trofozoíto
presentes nas fezes.
Trofozoítos morrem
em contato com o meio
externo ao intestino.
Ingestão
do cisto
Cérebro
Pulmão
Fígado
Representação esquemática do ciclo de vida da
Entamoeba histolytica.
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
A profilaxia da amebíase consiste no tratamento das pes-
soas contaminadas pelo protozoário, no saneamento básico
adequado, com tratamento de esgoto e de água, e na higie-
ne pessoal e alimentar. A coleta e o tratamento de esgoto
evitam a contaminação de água e alimentos com cistos da
E. histolytica, e o tratamento de água elimina possíveis cis-
tos presentes na água distribuída à população. Lavar as mãos
após o uso de sanitários e antes das refeições, bem como a
higienização adequada dos alimentos, sobretudo frutas, ver-
duras e legumes, evita a ingestão de cistos.
Giardíase e balantidiose
O agente etiológico dessas protozooses é o protozoário
flagelado Giardia lamblia e o Balantidium coli. Ambos habi-
tam o intestino do ser humano, mas o B. coli prefere áreas do
intestino grosso. O único hospedeiro desses parasitas é o huma-
no, ou outro organismo, o que os classifica como monoxênico.
Os sintomas característicos dessas doenças são dores abdomi-
nais e diarreia. Pode ser observada esteatorreia, situação na
qual as fezes apresentam-se excessivamente gordurosas.
Eletromicrografia de varredura de Giardia
lamblia. Aumento de 2 500 vezes.
Media/Medical/UIG/Shutterstock
A transmissão de ambos os protozoários ocorre, assim
como na amebíase, por meio da ingestão de cistos do protozoá-
rio que são eliminados com as fezes de pessoas contaminadas.
Portanto, a profilaxia adotada para essa doença também con-
siste no tratamento das pessoas contaminadas, no saneamen-
to básico adequado e na higiene pessoal e alimentar.
Toxoplasmose
Causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, pertencen-
te ao filo Apicomplexa, a toxoplasmose pode ser transmitida
de maneiras distintas. Uma delas é a ingestão de oocistos do
T. gondii presentes nas fezes de felinos contaminados, como o
gato doméstico. Outra via de transmissão é o consumo de car-
nes cruas ou malcozidas de animais contaminados, a exemplo
do porco e do carneiro, com cistos do T. gondii. A transmissão
também pode ocorrer da mãe para o feto durante a gestação,
podendo resultar em malformações congênitas.
O T. gondii tem hospedeiros de espécies diferentes em
seu ciclo de vida, tratando-se, portanto, de um parasita he-
teroxênico. O gato, entre outros felídeos, é o hospedeiro de-
finitivo e o ser humano, o porco, as aves e o carneiro são
hospedeiros intermediários.
Estimativas indicam que, em certos países, infecções pelo
T. gondii podem atingir mais de 60% da população; no entanto,
as manifestações clínicas da toxoplasmose são menos frequen-
tes. A doença pode se manifestar agressivamente, sobretudo,
em indivíduos imunodeprimidos, como pessoas com aids. Os
sintomas podem ser febre, manchas e dores no corpo, linfono-
dos dilatados (ínguas), dificuldade visual e danos neurológicos.
====PAGE 119====
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Questão 621
621
A toxoplasmose cerebral é uma das infecções oportunistas
mais comuns em pessoas com aids.
Entre as medidas profiláticas para a toxoplasmose, podem
ser mencionadas: evitar contato com fezes de gatos domés-
ticos e outros felinos; não comer carne crua ou malcozida; e
higiene pessoal e alimentar. Gestantes devem evitar contato
com fezes de gatos e realizar acompanhamento pré-natal.
Tricomoníase
Doença causada pelo protozoário flagelado Trichomonas
vaginalis e considerada uma infecção sexualmente transmis-
sível (IST). A tricomoníase afeta a uretra e a vagina, causando
irritação, prurido e corrimento. Embora os sintomas sejam
mais comuns no organismo feminino, o protozoário pode
causar inflamações dos epidídimos e da próstata no organis-
mo masculino.
A principal forma de transmissão é a via sexual; assim, o
uso de preservativos caracteriza-se como uma medida profi-
lática, bem como o tratamento das pessoas contaminadas e
de seus parceiros sexuais.
Leishmaniose
Protozoários flagelados do gênero Leishmania são os
agentes etiológicos da leishmaniose. Essa protozoose apre-
senta duas formas: leishmaniose cutânea ou tegumentar (úl-
cera de Bauru) e leishmaniose visceral (calazar).
A leishmaniose cutânea é causada, entre outras espécies,
pela Leishmania braziliensis e caracteriza-se pelo surgimento
de lesões na pele e/ou mucosas, sendo mais frequentes no
nariz, na boca e na garganta. A leishmaniose visceral tem
como agentes etiológicos as espécies Leishmania chagasi e
Leishmania donovani. Essa forma da doença afeta estruturas
internas do corpo humano, como baço, fígado, medula óssea
e intestino, causando anemia, emagrecimento e aumento da
suscetibilidade a infecções.
Nas Américas, a transmissão de ambas as formas de
leishmaniose ocorre por meio da picada da fêmea do mosqui-
to-palha ou birigui, inseto pertencente ao gênero Lutzomyia.
A fêmea do mosquito, hospedeiro invertebrado do parasita,
adquire o protozoário ao se alimentar do sangue de uma pes-
soa ou animal infectado.
O Leishmania tem hospedeiros de espécies diferentes em
seu ciclo de vida, tratando-se, portanto, de um parasita hete-
roxênico. Existem vários hospedeiros vertebrados, como os
seres humanos, os roedores e os cães. Nesses hospedeiros, a
reprodução do protozoário ocorre no interior dos macrófagos.
James Gathany/CDC/Frank
Collins/Wikimedia Commons
Fêmea do mosquito-
-palha (Lutzomyia sp.),
que mede cerca de
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=======
Questão 3
3 mm de comprimento.
As medidas profiláticas são o combate ao mosquito ve-
tor, o uso de repelentes, a instalação de telas em janelas e de
mosquiteiros, o tratamento dos infectados, incluindo cães,
e o controle do desmatamento, que evita a domiciliação do
vetor, causada pela destruição do hábitat do inseto.
Tripanossomíase
Diversas espécies de tripanossomo infectam animais,
mas são especialmente importantes em questão de saúde co-
letiva duas espécies, o Trypanosoma brucei, e o Trypanosoma
cruzi, responsáveis por causar, respectivamente, a doença do
sono e a doença de Chagas.
O T. brucei ocorre na África, pelo que é denominada tripa-
nossomíase africana, e é transmitida principalmente pela picada
da mosca tsé-tsé (Glossina palpalis) infectada. Entre os sintomas
estão sonolência, alterações comportamentais, problemas para
caminhar e confusão mental. Se não tratada, essa protozoose
pode levar o indivíduo à morte. A profilaxia é realizada por meio
do combate ao vetor e do tratamento dos doentes. O T. cruzi é
uma espécie sul-americana e por isso é denominada tripanos-
somíase americana, tendo especial interesse médico no Brasil
Doença de Chagas
A doença de Chagas, tripanossomíase americana, causada
pelo protozoário flagelado Trypanosoma cruzi, foi descrita no
início do século XX pelo brasileiro Carlos Chagas (1879-1934).
A transmissão, descrita por Carlos Chagas, ocorre por meio das
fezes contaminadas de insetos hemípteros, conhecidos como
barbeiros ou chupanças. Existem algumas espécies de barbei-
ro que atuam como vetores da doença de Chagas. Dentre elas,
destaca-se para a espécie Triatoma infestans.
Barbeiro (Triatoma sp.), ve-
tor da doença de Chagas.
Mede entre 9 mm e 40 mm
de comprimento.
schlyx/[Link]
Geralmente, o barbeiro adquire o T. cruzi ao se alimentar
do sangue de animais contaminados, como gambás, macacos
ou seres humanos. Ao picar uma pessoa para se alimentar de
seu sangue, o inseto defeca sobre a pele e elimina a forma in-
fectante do protozoário com as suas fezes. A reação à picada
resulta em coceira. Ao coçar o local, a própria pessoa conduz as
fezes contaminadas até a lesão provocada pela picada do inseto,
o que faz com que o parasita, sob uma forma flagelada (tripo-
mastigota metacíclica), seja lançado na corrente sanguínea.
No organismo humano, o protozoário invade determina-
das células, como as musculares cardíacas, nas quais se dife-
rencia na forma sem flagelo (amastigota). No interior das célu-
las, o T. cruzi se reproduz assexuadamente. Com a proliferação
do protozoário, a célula hospedeira rompe e o T. cruzi, nova-
mente sob a forma flagelada, é liberado no sangue. A forma
flagelada invade outras células e continua se reproduzindo.
====PAGE 120====
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Questão 622
622
Outras vias de transmissão da doença de Chagas incluem transfusão de
sangue, transplante de órgãos e transmissão da
mãe para o filho durante a gravidez ou por meio do leite materno.
Atualmente, a principal forma de contágio dessa protozoose
é por via alimentar, por meio do consumo de alimentos, como açaí e caldo
de cana (garapa), contaminados com fezes de bar-
beiro que contêm o protozoário.
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Estágios
no humano
Estágios
no barbeiro
Ao picar uma pessoa, o inseto contaminado expele fezes com o
protozoário na sua forma infectante (flagelada).
T. cruzi na forma flagelada
invadem as células e originam a
forma sem flagelo.
Os protozoários
realizam reprodução
assexuada por divisão
binária no interior
das células de tecidos
infectados.
A forma sem flagelo se
diferencia na forma flagelada.
Há o rompimento da célula
infectada e o protozoário atinge
a corrente sanguínea.
Ao se alimentar do
sangue da pessoa
contaminada, outro
barbeiro adquire os
protozoários.
Reprodução assexuada no
intestino do barbeiro.
Invasão
de novas
células.
Ao coçar o local
da picada, a pessoa
conduz o T. cruzi até a
corrente sanguínea.
Representação esquemática do ciclo de vida do Trypanosoma cruzi. É
importante salientar que nesse ciclo não é observada reprodução
sexuada. Assim, o ser humano é o hospedeiro vertebrado, e o inseto é o
hospedeiro invertebrado. Por ter hospedeiros de espécies
diferentes em seu ciclo de vida, o T. cruzi é um parasita heteroxênico.
Os sintomas da doença de Chagas podem ser divididos em duas fases. Na
fase aguda, que ocorre em até duas semanas
após a contaminação, a pessoa infectada pode apresentar febre, linfonodos
inflamados, inchaço do fígado e do baço, inflama-
ção do coração, meninges e cérebro, chegando, inclusive, a apresentar
risco de morte. Apesar disso, a fase aguda pode passar
despercebida por ser, em geral, assintomática. Os sintomas mais marcantes
da doença de Chagas são observados na fase crô-
nica e podem aparecer até 30 anos após a infecção. A fase crônica é
caracterizada, principalmente, por problemas cardíacos,
como aumento do tamanho do coração (cardiomegalia), arritmia e
insuficiência cardíaca. Também podem surgir problemas
digestivos como megaesôfago (esôfago aumentado) e megacólon (parte do
intestino grosso aumentada).
Fotomicrografia de Trypanosoma cruzi no sangue. Aumento de
mil vezes.
Centro de Controle e Prevenção de Doenças, Atlanta
====PAGE 121====
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=======
Questão 623
623
A profilaxia da doença de Chagas é feita por meio do
combate ao barbeiro e de melhorias nas condições de mo-
radia, substituindo casas de pau-a-pique e madeira por casas
de alvenaria. Historicamente, essas medidas mostraram-se
muito eficazes, pois em casas de madeira e pau-a-pique, o
barbeiro encontra um excelente esconderijo nas frestas das
paredes, ficando abrigado durante o dia e saindo à noite
para se alimentar do sangue dos moradores da casa. A me-
lhoria das condições de moradia fez com que a via vetorial
da doença de Chagas deixasse de ser a principal forma de
transmissão. Outras medidas importantes na prevenção
da doença de Chagas são: uso de telas em janelas, controle em
bancos de sangue, controle do desmatamento, higienização
do açaí e da cana-de-açúcar antes da moagem, para que bar-
beiros contaminados não sejam moídos junto com o alimento,
e consumo de alimentos pasteurizados. O tratamento dos in-
fectados pode ser eficaz durante a fase aguda da doença.
Malária
Também conhecida como febre palustre, febre terçã,
febre quartã, febre intermitente, maleita, impaludismo ou
sezão, a malária é uma doença que afeta milhões de pessoas
ao redor do mundo todos os anos. Os agentes etiológicos da
malária são protozoários do gênero Plasmodium. As quatro
principais espécies causadoras da malária são:
•
Plasmodium falciparum – causa a forma mais grave
de malária;
•
Plasmodium malariae;
•
Plasmodium vivax;
•
Plasmodium ovale.
A transmissão da malária pode acontecer por meio de
transfusões sanguíneas e de mãe para feto pela placenta du-
rante a gestação. Entretanto, a transmissão mais comum é a
vetorial, por meio da picada da fêmea do mosquito-prego,
pertencente ao gênero Anopheles.
Kletr/[Link]
Fêmea do mosquito Anopheles sp. (mede entre 6 mm e 15 mm
de comprimento). Assim como em muitas espécies de mosquito,
apenas a fêmea se alimenta de sangue, enquanto o macho se
alimenta de seiva vegetal.
Ao picar uma pessoa, a fêmea contaminada do Anopheles
elimina saliva, que contém um poderoso anticoagulante.
Com a saliva, a fêmea contaminada inocula o Plasmodium
spp. na circulação sanguínea. A forma infectante do pro-
tozoário inoculada é chamada esporozoíto; os esporozo-
ítos chegam ao fígado e, no interior das células hepáticas,
reproduzem-se assexuadamente por esquizogonia. A forma
gerada pela reprodução assexuada é chamada merozoíto. A
reprodução do Plasmodium spp. no fígado pode resultar em
lesões hepáticas.
Com a ruptura das células, os merozoítos produzidos
no fígado são liberados na corrente sanguínea e entram
nos glóbulos vermelhos (hemácias), onde se reproduzem
por esquizogonia, o que resulta em sua ruptura (lise), pro-
cesso denominado hemólise. Esse processo ocorre em
intervalos regulares cuja duração depende da espécie de
protozoário que está causando a doença. Há espécies que
promovem ruptura maciça de hemácias a cada 48 horas,
enquanto há casos em que o fenômeno ocorre a cada 72
horas. Em decorrência da destruição das hemácias, a pes-
soa com malária pode apresentar anemia. O principal sin-
toma da malária está ligado à ruptura das hemácias, pois
a hemólise libera no sangue toxinas que causam febre,
como as hemozoínas, e isso resulta em picos febris de até
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Questão 41
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=======
Questão 624
624
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
CORES
FANTASIA
Passagem pelo mosquito
Passagem pelo humano
Estágio
hepático
Estágio
sanguíneo
Esporozoítos
chegam ao fígado.
Ocorre a
esquizogonia.
Merozoítos liberados
no sangue entram nas
hemácias.
Rompimento das hemácias
e lançamento de merozoítos
no sangue.
Diferenciação de
merozoítos em
gametócitos.
Ingestão de
gametócitos
pela fêmea do
mosquito-prego.
Formação dos gametas
e fecundação no
estômago
do mosquito.
Zigoto
Oocisto
Ocorre a
esporogonia.
Oocisto
rompe-se.
Fêmea contaminada
do mosquito-prego
inocula saliva contendo
esporozoítos.
Esporozoítos liberados
migram para as glândulas
salivares do mosquito.
Representação esquemática do ciclo de vida do Plasmodium spp.
A profilaxia da malária é feita por meio do combate ao mosquito vetor, do
uso de repelentes, telas em janelas e mosquitei-
ros, do tratamento dos doentes, do uso de peixes larvófagos que se
alimentam das larvas do mosquito transmissor, do controle
em bancos de sangue e da redução do desmatamento.
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Questão 1
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Questão 2
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=======
Questão 1
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=======
Questão 2
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=======
Questão 4
=========================================================================
=======
Questão 8
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=======
Questão 3
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=======
Questão 625
625
D
ambas são causadas pela ingestão de água e alimentos
contaminados com ovos dos parasitas.
E
ambas são causadas por vírus transmitidos às pessoas
pela picada de insetos.
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Questão 4
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Questão 5
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Questão 1
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Questão 2
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=======
Questão 3
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=======
Questão 4
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=======
Questão 5
5
Telar portas
e janelas
Consumir
alimentos
pasteurizados
Garantir o
saneamento
básico
As áreas da figura que correspondem a todas as medidas profilá-
ticas contra os protozoários Entamoeba histolytica, Plasmodium
falciparum e Trypanosoma cruzi, respectivamente, são
A
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Questão 5
5, 1 e 4.
B
=========================================================================
=======
Questão 3
3, 2 e 1.
C
=========================================================================
=======
Questão 4
4, 3 e 5.
D
=========================================================================
=======
Questão 4
4, 1 e 2.
E
=========================================================================
=======
Questão 3
3, 5 e 1.
=========================================================================
=======
Questão 6
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=======
Questão 1
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Questão 626
626
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Questão 2
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Questão 3
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=======
Questão 1
=========================================================================
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Questão 2
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=======
Questão 4
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=======
Questão 8
=========================================================================
=======
Questão 4
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=======
Questão 2
2
Biologia • Frente 3
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Questão 627
627
Introdução à Embriologia
A Embriologia é a área da Biologia responsável pelo es-
tudo do desenvolvimento embrionário dos seres vivos. Neste
capítulo, o foco será a embriologia dos animais.
De forma geral, nas diferentes espécies de animais, o
desenvolvimento embrionário envolve estágios comuns que
acontecem em uma ordem definida. Primeiramente, ocorre
a fecundação, também denominada fertilização. Em segui-
da, avança-se ao estágio de clivagem, que, após sucessivas
divisões celulares, resulta na formação de uma estrutura
chamada blástula. A seguir, por meio de um processo cha-
mado gastrulação, ocorrem modificações no arranjo da blás-
tula, chamadas movimentos morfogenéticos, resultando
em uma estrutura denominada gástrula. Posteriormente, os
movimentos morfogenéticos continuam durante um proces-
so denominado neurulação e, depois, organogênese, por
meio do qual são formados os tecidos e os órgãos do animal.
Fecundação
A fecundação, ou fertilização, consiste na união do ga-
meta masculino (espermatozoide) com o gameta feminino
(óvulo), seguida pela fusão de seus núcleos. Os gametas pro-
duzidos pelos animais são células haploides (n), ou seja, têm
metade do número de cromossomos característico da espécie.
A fecundação resulta na formação do zigoto ou célula-ovo,
uma célula diploide (2n), e restabelece a ploidia da espécie.
Nos seres humanos, assim como em outras espécies de
mamíferos, o gameta feminino é liberado no estágio de ovó-
cito II. O restante da meiose só ocorre quanto há fecundação.
Nos ouriços-do-mar, em contrapartida, o óvulo formado é li-
berado e sofre fecundação.
Representação esquemática da fecundação. No encontro
do espermatozoide com o gameta feminino, as membranas
se fundem e o núcleo carregado pelo espermatozoide, cha-
mado pronúcleo masculino, passa para o interior do gameta
feminino. Assim, no interior do óvulo, são observados dois
núcleos, o pronúcleo masculino e o pronúcleo feminino (nú-
cleo do óvulo). Em seguida, ocorre a fusão desses núcleos e
o zigoto diploide é formado.
Zigoto (2n)
Espermatozoide (n)
Pronúcleo
Pronúcleo
Óvulo (n)
Fusão dos
núcleos
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Clivagem
O zigoto é uma célula que passa por rápidas e suces-
sivas divisões celulares, resultando no aumento do núme-
ro de células do embrião. Esse fenômeno é denominado
clivagem, ou segmentação, e as células resultantes da di-
visão são chamadas de blastômeros. Ao menos no início
do desenvolvimento, a manutenção dos blastômeros e a
ocorrência das divisões celulares dependem de nutrientes
acumulados no gameta feminino. Essa reserva nutritiva,
denominada vitelo, é encontrada sob a forma de grânulos
distribuídos pelo citoplasma da célula e contém, principal-
mente, proteínas e lipídios.
A quantidade e a distribuição de vitelo podem variar en-
tre os animais. Dessa forma, é possível classificar os ovos em
quatro tipos diferentes, apresentados no quadro a seguir.
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Questão 628
628
Biologia • Frente 3
Tipo de ovo
Características
Exemplos
Representação esquemática
Oligolécito (do
grego oligos,
pouco, e
lékithos, vitelo)
ou isolécito (do
grego isos, igual)
Ovo com pequena quantidade
de vitelo distribuída de forma
relativamente uniforme pelo cito-
plasma da célula.
Equinodermos; anfioxo;
maioria dos mamíferos.
Nos mamíferos placen-
tários, como a espécie
humana, a quantidade
de vitelo é bastante
reduzida, e algumas
referências classificam
esse ovo como alécito.
Núcleo
Grãos de
vitelo
Heterolécito (do
grego heteros,
diferente),
mediolécito ou
mesolécito (do
grego mesos,
intermediário)
Ovo com quantidade interme-
diária de vitelo distribuída de
forma heterogênea no citoplas-
ma da célula. A região onde há
maior quantidade de vitelo é
chamada de polo vegetal, e a
região com pouco ou nenhum
vitelo é chamada de polo ani-
mal. No polo animal encontra-se
o núcleo da célula.
Certos peixes; certos
moluscos; anfíbios.
Núcleo
Grãos de
vitelo
Polo vegetal
Polo animal
Megalécito
(do grego
megas, grande)
ou telolécito
(do grego telos,
extremidade)
Ovo com grande quantidade de vi-
telo, ocupando praticamente todo
o citoplasma da célula, sobretudo
o polo vegetal. O polo animal, no
qual está o núcleo, fica restrito
a uma reduzida região discoidal
(disco germinativo) próxima à
membrana plasmática.
Maioria dos peixes;
répteis (incluindo
as aves); mamíferos
monotremados, como
o ornitorrinco.
Polo animal
Grãos de
vitelo
Núcleo
Polo vegetal
Disco germinativo
Centrolécito
Ovo com bastante vitelo concen-
trado na parte central da célula,
em volta do núcleo.
Artrópodes.
Núcleo
Grãos de vitelo
É possível diferenciar as segmentações em dois tipos principais: a
holoblástica (do grego holos, todo) ou total, e a mero-
blástica (do grego meris, parcial) ou parcial. Na clivagem holoblástica
todo o ovo sofre clivagem, enquanto na segmentação
meroblástica a clivagem ocorre em apenas uma região do ovo.
Clivagem holoblástica
A segmentação holoblástica pode ser subdividida em igual
e desigual. A segmentação holoblástica igual é aquela na qual
todos os blastômeros gerados são do mesmo tamanho. Essa é
a clivagem observada no ovo oligolécito. Como a distribuição
do vitelo nesse tipo de ovo é homogênea, as células resultan-
tes da clivagem têm a mesma quantidade de reserva nutritiva.
Representação esquemática da segmentação holoblástica igual.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
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Questão 8
8 blastômeros
iguais
Apesar de o ovo do anfioxo ser oligolécito, sua clivagem
resulta em blastômeros ligeiramente maiores do que outros.
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Questão 4
4 blastômeros menores
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=======
Questão 4
4 blastômeros maiores
Representação esquemática da segmentação holoblástica no anfioxo.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
Na clivagem holoblástica desigual, todo o ovo sofre cliva-
gem. Contudo, os blastômeros formados são de tamanhos
acentuadamente distintos. Esse tipo de segmentação é carac-
terístico do ovo mesolécito. Nesse ovo, há maior quantidade de
vitelo no polo vegetal e por isso as células formadas nessa região
são maiores em relação àquelas formadas no polo animal.
====PAGE 127====
=========================================================================
=======
Questão 629
629
Biologia • Frente 3
Os blastômeros maiores, denominados macrômeros,
contêm mais vitelo do que os blastômeros menores, chama-
dos micrômeros.
Núcleo
Citoplasma
Micrômeros
Macrômeros
Polo animal
Polo vegetal
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Representação esquemática da segmentação holoblástica desigual.
Clivagem meroblástica
A clivagem meroblástica é subdividida em discoidal e
superficial. A clivagem meroblástica discoidal é típica do
ovo megalécito. Nesse ovo, a quantidade de vitelo no polo
vegetal é grande o suficiente para impedir a clivagem nes-
sa região. Dessa forma, a segmentação ocorre apenas no
polo animal (disco germinativo), região com pouco ou
nenhum vitelo (também chamada de cicatrícula), resul-
tando na formação de um disco de células denominado
blastodisco, que fica apoiado sobre a grande quantidade
de vitelo.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
Núcleo do
polo animal
Blastodisco
Grande quantidade
de vitelo
Representação esquemática da segmentação meroblástica discoidal.
A segmentação meroblástica superficial é observada no
ovo centrolécito. Nesse caso, os blastômeros são formados
na periferia da célula. A princípio, ocorrem apenas sucessivas
divisões do núcleo. Posteriormente, os núcleos migram em
direção à periferia da célula, e a citocinese (divisão do cito-
plasma) acontece, resultando na formação de muitos blastô-
meros superficiais.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Representação esquemática da segmentação
meroblástica superficial.
Saiba mais
Planos de corte
O estudo das características anatômicas dos se-
res vivos envolve a padronização de sua posição e dos
planos de corte. Para isso, são definidos três tipos de
corte principais:
•
Corte sagital mediano: divisão em lado esquerdo
e direito.
•
Corte transversal: divisão em parte cranial (região
superior) e caudal (região inferior).
•
Corte frontal: divisão em plano dorsal e ventral.
Gastrulação
Um animal cefalocordado chamado anfioxo costuma ser
usado como modelo para o estudo desenvolvimento embrio-
nário dos animais cordados. Apesar das diferenças entre a
embriologia do anfioxo e a dos demais cordados, os estágios
principais são comuns.
Ao longo da clivagem no anfioxo, quando existem entre
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Questão 16
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Questão 630
630
Biologia • Frente 3
Blastoderme
Micrômeros
Macrômeros
Blastocele
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Representação esquemática de blástula de anfioxo em corte
mediano.
O desenvolvimento embrionário avança ao processo de
gastrulação, fenômeno que resulta na formação da gástrula. A
região da blástula onde estão os macrômeros sofre invaginação,
comprimido a blastocele, de modo que essa cavidade desapare-
ce, resultando em uma estrutura também oca, mas agora com
duas camadas de células. Esse processo resulta na formação de
duas camadas de tecidos (folhetos) embrionários: a camada ex-
terna (ectoderme) e a camada interna (endoderme).
Na estrutura oca de camada celular dupla, as células da
endoderme delimitam o arquêntero, uma cavidade que corres-
ponde ao intestino primitivo do animal. Essa cavidade abre-se
para o meio externo por um orifício denominado blastóporo.
Representação esquemática da gastrulação no anfioxo. Os even-
tos marcantes observados na gastrulação são a formação dos
primeiros folhetos embrionários e o surgimento do arquêntero,
o intestino primitivo.
Micrômeros
Macrômeros
Invaginação
Blastóporo
Ectoderme
Endoderme
Arquêntero
Blastocele
Blástula
(em corte sagital)
Gástrula
(em corte sagital)
Neurulação
O próximo processo observado no desenvolvimento do anfioxo é a
neurulação, fenômeno que resulta na nêurula. Durante
a neurulação, células da camada ectodérmica dorsal formam um tubo neural.
Inicialmente, na formação desse tubo, a porção
dorsal da ectoderme sofre um achatamento, resultando na formação da placa
neural. Posteriormente, das porções laterais da
placa neural, surgem as dobras neurais. O desenvolvimento das dobras
neurais culmina na formação de tubo neural, ou tubo
nervoso dorsal, estrutura que dá origem ao sistema nervoso do animal.
Concomitantemente aos fenômenos observados na ectoderme dorsal, ocorrem
mudanças relevantes na porção superior
da endoderme: células dessa região diferenciam-se no terceiro folheto
embrionário, a mesoderme, que passa por evaginação
central e forma a notocorda, estrutura exclusiva dos cordados que atua
como eixo de sustentação do embrião.
Placa
neural
Dobra neural
Tubo neural
Celoma
Notocorda
Ectoderme
Ectoderme
Endoderme
Endoderme
Intestino
Mesoderme
Gástrula
(em corte transversal)
Nêurula
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
Representação esquemática da formação da nêurula em anfioxo.
Na porção superior da mesoderme são encontrados os somitos, blocos de
células mesodérmicas que se dispõem ao longo
do embrião. Dos somitos derivam as células que formarão, entre outras
estruturas, vértebras e costelas.
Substâncias liberadas pelas células da notocorda estimulam a
diferenciação do tubo neural. Ao longo do desenvolvimento
da maioria dos vertebrados, a notocorda é substituída por outro eixo de
sustentação, a coluna vertebral. Os dobramentos la-
terais da mesoderme originam bolsas mesodérmicas que delimitam uma
cavidade, o celoma. O surgimento do celoma trouxe
uma série de vantagens aos animais, como a melhor acomodação das
estruturas internas e a diminuição do atrito entre elas;
além disso, em certos animais, o celoma pode facilitar a circulação de
substâncias e a eliminação de excretas e funcionar como
esqueleto hidrostático.
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Questão 631
631
Biologia • Frente 3
Cavidades celomáticas humanas
O corpo humano adulto contém cavidades celomáticas.
Algumas delas são as cavidades abdominal e pélvica, onde os
órgãos internos estão devidamente alojados; a cavidade peri-
cárdica, encontrada ao redor do coração; e a cavidade pleural,
delimitada pela pleura, membrana que reveste os pulmões.
Organogênese
A organogênese consiste na formação dos tecidos, dos
órgãos e dos sistemas do animal a partir da diferenciação das
células dos folhetos embrionários (ectoderme, mesoderme e
endoderme). Observe a seguir algumas estruturas formadas
a partir de cada folheto.
y Derme
y Coração, vasos sanguíneos e sangue
y Músculos, ossos e cartilagens
y Rins, ureteres e gônadas
Mesoderme
Ectoderme
y Sistema nervoso (formado a partir do
tubo neural)
y Epiderme e seus anexos (pelos, unhas, garras,
certas glândulas etc.)
y Epitélio de revestimento anal, bucal e nasal
y Esmalte dentário
y Fígado e pâncreas
y Tireoide e paratireoides
y Revestimentos: bexiga urinária, sistema
respiratório e tubo digestório (exceto os
revestimentos anal, bucal e nasal, que são de
origem ectodérmica)
Endoderme
Exemplos de estruturas observadas em animais adultos e o fo-
lheto embrionário a partir do qual são formadas.
Embora a origem das estruturas e dos órgãos possa ser
generalizada para fins didáticos, nem sempre eles têm ori-
gem única, a exemplo dos epitélios de revestimento, dos os-
sos e da glândula suprarrenal.
Estruturas embriológicas dos animais
O estudo do desenvolvimento embrionário dos ani-
mais é amplamente aplicado à evolução, auxiliando na
classificação desses seres vivos. Os critérios que utili-
zaremos na classificação embriológica dos animais são
presença ou ausência de cavidade digestória e tecidos
diferenciados, quantidade de folhetos embrionários for-
mados ao longo do desenvolvimento, cavidade corporal e
desenvolvimento do blastóporo.
Cavidade digestória
De acordo com a presença de cavidade digestória com
secreção de enzimas, é possível dividir os principais filos ani-
mais em dois grandes grupos: parazoários e eumetazoários
ou enterozoários.
Os animais parazoários, representados pelos porífe-
ros, não têm cavidade digestória nem tecidos diferencia-
dos, dependendo inteiramente da digestão intracelular.
Os eumetazoários correspondem aos demais animais, que
apresentam cavidade digestória, tecidos diferenciados e
digestão extracelular.
Filogenia dos animais baseada no desenvolvimento de cavida-
de digestória e tecidos diferenciados.
Poríferos
Demais animais
Ancestral dos
animais
Metazoa
Eumetazoa
Folhetos embrionários
Os eumetazoários são divididos em dois grupos, de acordo
com o número de folhetos embrionários que desenvolvem. Os
animais que formam dois folhetos embrionários, ectoderme
e endoderme, são denominados diblásticos ou diploblásticos.
Dos nove principais filos animais que estudaremos, apenas
os cnidários são diblásticos. Os demais filos têm três folhetos
embrionários (ectoderme, mesoderme e endoderme), por
isso são designados animais triblásticos ou triploblásticos.
Celoma
Entre os animais triblásticos, existem aqueles que não
têm cavidade celomática, conhecidos como acelomados (do
grego a, negação), que é a condição observada nos platel-
mintos (vermes chatos).
Em alguns animais triblásticos, a cavidade corporal é re-
vestida pela mesoderme e pela endoderme. Essa cavidade
é considerada um celoma falso, por isso recebe o nome de
blastoceloma, ou pseudoceloma (do grego pseudo, falso).
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Questão 632
632
Biologia • Frente 3
Os animais que apresentam essa organização são chamados blastocelomados,
ou pseudocelomados. Entre os diversos filos
blastocelomados, estudaremos apenas os nematódeos.
Os animais triblásticos, em sua maioria, têm uma cavidade corporal, o
celoma (do grego koilos, oco), totalmente revestida
por tecidos de origem mesodérmica. Nesses casos, os animais são chamados
de celomados, a exemplo dos moluscos, anelíde-
os, artrópodes, equinodermos e cordados.
Representação esquemática das cavidades corporais nos animais
triblásticos.
Acelomado
Pseudocelomado
Celomado
Mesoderme
Mesoderme
Mesoderme
Ectoderme
Ectoderme
Endoderme
Endoderme
Pseudoceloma
Celoma
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
Destino do blastóporo
No desenvolvimento dos animais, o blastóporo, orifício que surge na
gastrulação, pode ter dois destinos. Os animais
nos quais o blastóporo origina a boca são designados protostômios (do
grego protos, primeiro, e stoma, boca), a exemplo
de nematódeos, moluscos, anelídeos e artrópodes. Em alguns animais, o
blastóporo não origina a boca nem o ânus e, ainda
assim, são protostômios.
O blastóporo também pode originar o ânus, tendo a boca como origem
secundária. Nesse caso, os animais são chamados
deuterostômios (do grego deuteros, segundo), como os equinodermos e os
cordados.
Blastóporo
Classificação dos animais de acordo com as aberturas do tubo digestório
formadas a partir do blastóporo.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Parazoários
Poríferos
Eumetazoários
Diblásticos
Cnidários
Triblásticos
Acelomados
Platelmintos
Pseudocelomados
Nematódeos
Celomados
Moluscos
Anelídeos
Artrópodes
Equinodermos
Cordados
Classificação embrionária dos animais. É importante mencionar que existem
classificações mais antigas que colocam como protostômios
também os platelmintos e os cnidários. De fato, nesses animais, o
blastóporo origina a boca. Contudo, para a classificação embriológica,
é redundante classificá-los como protostômios, uma vez que, neles, a boca
é a única abertura do tubo digestório.
Protostômios
Deuterostômios
Animais deuterostômios
Formação do ânus
Equinodermos, cordados
Formação da boca
Animais protostômios
Nematódeos, moluscos,
anelídeos, artrópodes
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Questão 633
633
Biologia • Frente 3
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Questão 1
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Questão 2
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Questão 3
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Questão 4
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Questão 5
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Questão 6
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Questão 634
634
Biologia • Frente 3
Assinale o tipo de ovo quanto à distribuição do vitelo no pato e no
cavalo, respectivamente, destacados na música.
A
Centrolécito e oligolécito
B
Heterolécito e centrolécito
C
Oligocécito e isolécito
D
Telolécito e isolécito
E
Telolécito e telolécito
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Questão 1
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Questão 2
2 UFRGS 2023 Em um artigo publicado na revista eLife
(2020), pesquisadores marcaram células embrionárias com
diferentes sondas fluorescentes, a fim de rastrear o processo
de diferenciação celular. As células do endoderma embrioná-
rio foram marcadas com uma sonda fluorescente vermelha;
já as células do mesoderma e do ectoderma foram marcadas
com sondas azul e verde, respectivamente. Com relação aos
resultados observados nos animais adultos, assinale a alter-
nativa correta.
A
As células do sistema nervoso estavam marcadas com a
sonda verde.
B
As células musculares estavam marcadas com a son-
da vermelha.
C
As células do epitélio do sistema digestório estavam mar-
cadas com a sonda azul.
D
As células ósseas estavam marcadas com a sonda verde.
E
As células do sangue estavam marcadas com a son-
da vermelha.
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Questão 3
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=======
Questão 2
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=======
Questão 1
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Questão 2
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Questão 4
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Questão 8
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Os recifes de corais constituem ecossistemas que abrigam cerca de 25% das
espécies marinhas, tendo grande importância
ecológica. A maior extensão de recifes do mundo forma a Grande Barreira
de Corais, na costa da Austrália, com mais de dois mil
quilômetros de comprimento. Atualmente, esses ecossistemas estão
ameaçados por um fenômeno chamado branqueamento de
corais, que pode levar à morte desses animais. Os diversos corais que
formam os recifes são animais invertebrados do filo
dos cnidários. Nesses recifes de corais, vivem também esponjas e vermes
achatados denominados platelmintos.
Poríferos, cnidários e platelmintos
C4 | H14
C8 | H28
AULA
Biologia • Frente 3
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Questão 635
635
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Questão 3
3
Poríferos
Os representantes do filo Porifera (do latim poros, pas-
sagem, e ferre, o portador de) são popularmente chamados
de esponjas. São animais de vida livre que habitam exclu-
sivamente o meio aquático. A maioria dos representantes
do filo é marinha. Esses animais são desprovidos de cavida-
de digestória e tecidos verdadeiros (diferenciados). Na fase
adulta, todos os poríferos são sésseis, ou seja, vivem fixos a
um substrato.
O corpo de um porífero é repleto de poros por meio dos
quais a água entra no animal. Os poríferos removem partí-
culas alimentares da água à medida que ela passa por seu
corpo, por isso são classificados como filtradores. A maioria
das esponjas é assimétrica, mas existem representantes com
simetria radial.
Organização corporal e fisiologia
A organização básica do corpo de um porífero apresenta
parede corporal com poros, uma cavidade chamada átrio,
ou espongiocele, e uma abertura maior chamada ósculo.
A água entra pelos poros, banha a espongiocele e flui para
fora do organismo por meio do ósculo. Existem espécies de
esponjas nas quais pode haver mais de um ósculo.
Apesar da ausência de tecidos diferenciados, o corpo das
esponjas contém tipos celulares especializados em determi-
nadas funções. Os pinacócitos são células de revestimento
presentes na camada corporal mais externa. Os porócitos,
células em forma de tubo, formam os poros que se esten-
dem pela parede corporal. Os coanócitos, células flageladas
dotadas de projeções ao redor do flagelo (“colar”), revestem
a espongiocele. O batimento dos flagelos dos coanócitos
mantém o fluxo de água nos poríferos. Essas células retêm
partículas de alimento presentes na água, as fagocitam e as
digerem em seu interior.
As camadas celulares são separadas por uma região ge-
latinosa conhecida como meso-hilo. Nessa região, existem
células denominadas amebócitos, que podem receber partí-
culas alimentares dos coanócitos e digerí-las. Além disso, es-
sas células se deslocam pelo meso-hilo usando pseudópodes
e são totipotentes, ou seja, possuem grande capacidade de
diferenciação celular e podem originar qualquer tipo de célula
do corpo de uma esponja. Os amebócitos estão relacionados à
formação dos gametas e de células que produzem os elemen-
tos de sustentação, os espongioblastos e os escleroblastos.
Os espongioblastos produzem fibras mais flexíveis cons-
tituídas pela proteína espongina, encontradas, por exemplo,
nas esponjas-de-banho. Os escleroblastos produzem elemen-
tos mais rígidos, as espículas, que podem ser calcárias ou
silicosas, a exemplo das encontradas nas esponjas-de-vidro.
Amebócito
Amebócito
Coanócito
Colar
Pinacócito
Espículas
Flagelo
Partículas de alimento
Fagocitose das partículas
de alimento
Fluxo de água
Átrio
Ósculo
Representação esquemática da organização corporal de uma
esponja e detalhes dos coanócitos.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
Meso-hilo
Poros
A nutrição dos poríferos ocorre por meio da digestão
intracelular realizada pelos coanócitos e amebócitos. A dis-
tribuição de substâncias, como os nutrientes provenientes da
digestão, é feita com o deslocamento dos amebócitos pelo
meso-hilo e por difusão entre as células. A difusão através
da superfície corporal é a responsável pela obtenção do
O2 e pela eliminação de resíduos metabólicos, como CO2 e
NH3 (amônia).
====PAGE 134====
AULA 3: Poríferos, cnidários e platelmintos
Biologia • Frente 3
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Questão 636
636
Saiba mais
De acordo com a complexidade corporal, os porífe-
ros podem ser classificados em três tipos morfológicos.
As esponjas asconoides têm a estrutura mais simples:
a parede corporal é relativamente fina, e o átrio, bas-
tante amplo. No tipo siconoide, forma de complexida-
de intermediária, a parede corporal possui dobras que
aumentam a área de sua superfície e a quantidade de
coanócitos, resultando em intensificação do fluxo de água
na esponja. Nos poríferos leuconoides, esponjas de es-
trutura mais complexa, a parede do corpo é bastante
espessa e o átrio é reduzido, podendo até mesmo es-
tar ausente; a parede é dotada de câmaras repletas de
coanócitos, resultando em um fluxo de água ainda mais
intenso. Esse é o tipo morfológico mais frequente.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Asconoide
Siconoide
Leuconoide
Coanócitos
H2O
H2O
H2O
H2O
Representação esquemática dos tipos morfológicos nos poríferos.
Reprodução assexuada
Os poríferos exibem alto potencial de regeneração. Isso
se deve ao reduzido grau de complexidade desses animais e à
presença dos amebócitos, já que são células totipotentes. Na
regeneração, fragmentos do corpo de uma esponja podem
originar animais completos, geneticamente idênticos entre si.
Outra forma de reprodução assexuada realizada por po-
ríferos é o brotamento, em que uma esponja materna exibe
intensa proliferação e diferenciação celular em uma área do
corpo, gerando um broto. O broto pode se desprender do or-
ganismo que o originou, resultando em esponjas que vivem
isoladas. Caso não ocorra a separação do broto do organismo
materno, forma-se uma colônia de poríferos.
Representação esquemática do processo de brota-
mento em poríferos.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Indivíduos isolados
Colônia
Com
desprendimento
do broto
Sem
desprendimento
do broto
Broto
Existem esponjas dulcícolas, ou seja, que vivem na água
doce, capazes de produzir gêmulas, estruturas de resistência
à seca e ao frio.
As gêmulas são formadas por um envoltório protetor e
em seu interior são encontrados os arqueócitos, um tipo de
amebócito. Em condições favoráveis, ocorre liberação dos
arqueócitos e, a partir deles, poríferos completos, genetica-
mente idênticos, são formados.
Reprodução sexuada
A maioria das espécies é hermafrodita ou monoica, isto
é, um indivíduo produz tanto gametas masculinos (esperma-
tozoides) quanto femininos (óvulos). Também há espécies
dioicas, nas quais os sexos são separados.
Em quase todas as esponjas monoicas, o hermafrodi-
tismo é sequencial: atuam primeiro como um sexo e depois
como outro. Esse fenômeno evita a autofecundação, aumen-
tando a variabilidade genética nas populações.
Os gametas são gerados a partir de amebócitos. Os
espermatozoides são liberados no átrio, saem pelo ósculo
e, quando entram pelos poros de uma esponja que gerou
um óvulo, pode haver fecundação interna no meso-hilo.
Também pode haver fecundação externa, na água, fora
do animal.
O zigoto resultante da fecundação origina uma larva
(ou seja, há desenvolvimento indireto). A larva é flagelada,
o que favorece a dispersão, e quando ela se estabelece no
substrato, desenvolve-se em um adulto séssil.
Estabelecimento da
larva no substrato
Desenvolvimento
do adulto séssil
Esponjas
adultas
Óvulo
Larva
Espermatozoides
Liberação de larva
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Representação esquemática da reprodução sexuada nos poríferos.
Cnidários
O filo Cnidaria (antigamente conhecido como filo dos ce-
lenterados) corresponde a uma das linhagens mais antigas
dos animais eumetazoários. Com base em análises de DNA,
estima-se que surgiram há aproximadamente 680 milhões de
anos. Os representantes desse filo são aquáticos de maioria
marinha, isolados ou coloniais, diblásticos e apresentam si-
metria radial. Nos cnidários, além do sistema digestório, tam-
bém é encontrado um sistema nervoso difuso.
====PAGE 135====
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=======
Questão 637
637
Organização corporal e fisiologia
Há dois tipos morfológicos: polipoide, os pólipos, e
medusoide, as medusas. Os pólipos são formas cilíndricas,
sésseis ou com capacidade de locomoção limitada. Hidras,
corais e anêmonas têm essa forma.
As medusas, forma típica das águas-vivas, exibem as-
pecto similar a um sino, com a boca voltada para baixo. Elas
nadam livremente, muitas vezes por meio da jatopropulsão:
o animal contrai o corpo e expulsa água pela boca, deslocan-
do-se na direção oposta.
Cavidade
gastrovascular
Cavidade gastrovascular
Epiderme
Gastroderme
Mesogleia
Boca
Boca
Tentáculo
Tentáculo
Medusa
Pólipo
B
A
Representação esquemática das formas de pólipo (A) e medusa (B)
vistas em corte, evidenciando as camadas do corpo dos cnidários.
A boca é a única abertura do tubo digestório dos cnidá-
rios; portanto, trata-se de um tubo digestório incompleto.
A parede do corpo dos cnidários possui duas camadas
celulares: a epiderme, mais externa, e a gastroderme, mais
interna. Entre elas, existe uma camada gelatinosa, chamada
mesogleia, que contém células dispersas.
A epiderme possui diferentes tipos de células que desem-
penham funções específicas, como as células mioepiteliais,
ligadas à movimentação, as células sensoriais, responsáveis
pela captação de estímulos ambientais, entre outras. Além
dessas, os cnidócitos são as células típicas dos cnidários e
merecem maior destaque.
Presentes majoritariamente na epiderme dos tentáculos,
os cnidócitos são importantes para a defesa do animal e a
captura de presas. Derivados do cnidoblasto, eles apresentam
uma cnida: uma cápsula contendo um filamento enrolado e
substâncias urticantes. O tipo mais comum de cnida é o nema-
tocisto. Uma projeção chamada cnidocílio, ao ser estimulada
pelo toque ou por certas substâncias, dispara o nematocisto.
Esse disparo leva à liberação do filamento, frequentemente
penetrante, e da substância urticante, que pode paralisar ou
matar a presa. Em seres humanos, pode causar lesões seme-
lhantes a queimaduras. Essa característica está ligada ao nome
do filo, pois, em grego, knide significa “urtiga”.
Representação esquemática da estrutura e do funcionamen-
to de um cnidócito. Uma vez disparado, o cnidócito dege-
nera, e novos cnidócitos são formados por diferenciação de
células intersticiais.
Filamento (enrolado)
Hidra
Filamento
Corpo da presa
Descarga do
filamento
Cnidócito
Cnidocílio
Nematocisto
Tentáculo
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
A gastroderme é a camada que reveste a cavidade
gastrovascular. Os cnidários são principalmente preda-
dores e usam seus tentáculos na captura de presas e na
condução do alimento ao interior da cavidade digestória,
onde a digestão começa por meio da ação de enzimas di-
gestivas liberadas pelas células glandulares da gastroder-
me. As células do revestimento da cavidade absorvem os
produtos dessa digestão e completam o processo digesti-
vo em seu interior; dessa forma, a digestão dos cnidários
é extracelular e intracelular.
Não há um sistema circulatório nos cnidários, mas
ocorre distribuição de substâncias por meio da cavidade
gastrovascular e por difusão entre as células. Também não
existem estruturas especializadas na excreção; dessa for-
ma, a eliminação de resíduos metabólicos, como a amônia,
ocorre por difusão através da superfície do corpo. Também
por difusão são feitas as trocas gasosas, uma vez que nos
cnidários não há um sistema respiratório. Esse processo
pode ser denominado respiração cutânea.
O sistema nervoso observado nos cnidários é difuso,
e consiste em uma rede de células nervosas que se espa-
lham pela mesogleia. Nesse sistema nervoso não existem
centros de controle das atividades, como um cérebro, mas
a rede difusa de células nervosas está ligada a receptores
sensoriais distribuídos por todo o corpo, permitindo ao
cnidário detectar e responder a estímulos vindos de todas
as direções.
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Questão 638
638
Rede difusa de
neurônios
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Representação esquemática do sistema nervoso difuso
dos cnidários.
Hidrozoários
Um dos representantes do táxon Hydrozoa é a hidra, um cnidário polipoide
de água doce. As hidras são animais monoicos
com desenvolvimento direto e podem se reproduzir assexuadamente, por
brotamento.
Outro representante dessa classe é a caravela-portuguesa (Physalia
physalis). Esses hidrozoários são tradicionalmente
definidos como uma colônia de pólipos especializados. Nela, há um grande
pólipo que armazena gases, responsável pela flutu-
ação. Há pólipos com outras funções, como aqueles que atuam na obtenção
de alimento e os que produzem gametas. Por fim,
há os pólipos que formam longos tentáculos, importantes para a defesa da
colônia.
A maioria dos hidrozoários alterna entre as formas polipoide e medusoide
ao longo de seu ciclo de vida, como pode ser
observado nos representantes do gênero Obelia sp. Esse ciclo é chamado de
alternância de gerações (ou metagênese), embora
seja bastante diferente da alternância de gerações das plantas. Nele, a
fase polipoide realiza reprodução assexuada, originando
medusas. A forma medusoide se reproduz sexuadamente, resultando na forma
polipoide do ciclo.
Reprodução
sexuada
Zigoto
Larva plânula
(ciliada)
Fixação da larva ao substrato.
Óvulo
Reprodução
assexuada
(brotamento)
Brotamento
de medusa
Pólipo
reprodutivo
Pólipo em
desenvolvimento
Fecundação
Meiose
Colônia de
pólipos
Pólipo maduro
Pólipo alimentar
Gônada
Espermatozoides
Medusa
Representação esquemática
do ciclo de vida da Obelia sp.
Nesse ciclo, a fecundação é
externa e, em razão da pre-
sença de um estágio larval, o
desenvolvimento é indireto.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Cifozoários
No táxon Scyphozoa, a maioria dos animais passa grande parte da vida sob
a forma medusoide, ao contrário dos
hidrozoários, nos quais a forma polipoide é predominante. Nesse grupo,
também ocorre ciclo com alternância de
gerações. O estágio polipoide origina a fase de medusa por meio de um
tipo de reprodução assexuada chamado estrobilização,
que consiste na divisão transversal do pólipo, resultando na liberação de
formas medusoides. No ciclo com metagênese da
Aurelia sp., por exemplo, o desenvolvimento é indireto, já que ocorre
formação da larva plânula, e a fecundação é interna,
uma vez que o encontro dos gametas acontece no interior do corpo da
medusa fêmea.
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639
Águas-vivas do gênero Aurelia (medem cerca de
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Questão 10
10 cm de diâmetro).
aabeele/[Link]
Cubozoários
O corpo dos animais do táxon Cubozoa apresenta o es-
tágio medusoide com formato semelhante ao de um cubo. A
vespa-do-mar (Chironex fleckeri), cubozoário encontrado na
costa australiana, é considerada um dos animais mais mor-
tais, pois sua toxina pode levar um humano adulto à morte
em alguns minutos. O ciclo de vida envolve alternância de
gerações, com a forma medusoide predominante, e o desen-
volvimento é indireto.
Auscape/UIG/Shutterstock
Vespa-do-mar (Chironex fleckeri, chega a medir 3 m de
comprimento), cubozoário extremamente venenoso.
Antozoários
Os corais e as anêmonas-do-mar são os principais re-
presentantes do táxon Anthozoa. Nos antozoários, ocorre
apenas a forma polipoide. Existem representantes que vivem
isolados e aqueles que podem formar colônias, a exemplo de
muitos corais. É bastante comum os corais se reproduzirem
assexuadamente por brotamento.
David Havel/[Link]
Anêmona-do-mar (Bunodosoma caissarum, mede cerca de
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Questão 10
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Questão 640
640
Platelmintos
Entre os animais que vamos estudar, com exceção dos
poríferos e cnidários, todos pertencem ao táxon monofilético
Bilateria, isto é, animais que apresentam simetria bilateral.
Essa característica define nos animais dois eixos corpóreos:
anteroposterior e dorsoventral. Além disso, nos animais bi-
latérios é possível verificar, como regra geral, a concentração
de órgãos sensoriais na região anterior do corpo, caracteri-
zando a cefalização.
Essa novidade evolutiva permite ao organismo captar
grande quantidade de informações do ambiente e responder
rapidamente aos estímulos recebidos, ações que podem ser
bastante vantajosas no deslocamento ativo do animal na ex-
ploração ambiente.
Os representantes do filo Platyhelminthes (do grego
platys, achatado, e helminthós, verme) apresentam corpo
achatado dorsoventralmente. Por isso, são, em geral, de-
signados como vermes achatados. Podem ser de vida livre,
como as planárias, encontradas em ambientes aquáticos e
terrestres úmidos. Também existem platelmintos parasitas,
como a tênia e o esquistossomo.
Atenção!
A palavra “verme” não possui valor taxonômico.
Trata-se de um termo que se refere a animais com cor-
pos alongados e relativamente finos.
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Questão 641
641
mada de fissão binária. Nesse processo, um indivíduo sofre
constrição próxima à região mediana do corpo, separando
as extremidades anterior e posterior. Em decorrência da alta
capacidade de regeneração, cada extremidade regenera a
parte faltante, resultando na formação de planárias geneti-
camente iguais.
CORES FANTASIA
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
Representação esquemática da reprodução assexuada em planárias.
As planárias são monoicas ou hermafroditas. No ato de re-
produção, uma planária encosta o seu poro genital no poro ge-
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Questão 1
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Questão 2
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Questão 3
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Questão 1
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Questão 2
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Questão 4
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Questão 642
642
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Questão 1
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Questão 8
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Questão 4
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Questão 1
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Questão 2
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Questão 4
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Questão 8
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Questão 5
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Questão 6
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Questão 2
2 UFJF/Pism-MG 2022 “As alterações provocadas pelo aque-
cimento global comprometem diversos ecossistemas naturais.
Dentre os mais severamente atingidos estão os recifes de corais,
pois o aumento da concentração de gás carbônico eleva a (X) e
a temperatura da água. Isto ocasiona a morte das (Y) associadas
aos pólipos dos corais, que sem essa associação perdem gran-
de parte do seu suprimento nutritivo e tendem à morte. Este
fenômeno, denominado (Z) dos corais, afeta negativamente as
relações ecológicas e reduz drasticamente a biodiversidade nos
recifesde corais em diversas partes do planeta.”
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Questão 643
643
Assinale a alternativa CORRETA que se refere às letras X, Y e
Z destacadas no texto.
A
Acidez, esponjas, escurecimento.
B
Turbidez, esponjas, branqueamento.
C
Acidez, algas, branqueamento.
D
Turbidez, algas, branqueamento.
E
Acidez, algas, escurecimento
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Questão 3
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Questão 2
2 m de altura.
O átrio ou espongiocele é uma cavidade interna presente
no corpo das esponjas, que é delimitada por células flage-
ladas chamadas:
A
pinacócitos.
B
cnidócitos
C
coanócitos.
D
umbrelas
E
plânulas.
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Questão 4
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Xxxx
C5 | H15, H18 e H20
AULA
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Questão 11
11
Biologia • Frente 3
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Questão 644
644
Os animais de corpo vermiforme são muito importantes nos ecossistemas em
que vivem, pois na decomposição da
matéria orgânica, contribuindo para a reciclagem de nutrientes no solo.
Além disso, eles também são importantes na cadeia
alimentar, servindo de alimento para outros animais, como pássaros e
peixes. Diversos animais de corpo vermiforme tam-
bém causam doenças em humanos, mas estudaremos isso em outra
oportunidade.
C4 | H14
C8 | H28 e H29
AULA
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Questão 4
4
Nematódeos
Os nematódeos (do grego nema, fio), antigamente de-
nominados nematelmintos, são os representantes do filo
Nematoda, animais dotados de corpo alongado e cilíndrico.
Possuem ampla distribuição, sendo a maioria das espé-
cies de vida livre encontradas tanto no ambiente aquático
quanto no meio terrestre.
Nesse grupo, há representantes parasitas, como a lom-
briga e o ancilóstomo, cujo hospedeiro é a espécie humana.
São triblásticos, blastocelomados, protostômios e apresen-
tam simetria bilateral. Esses vermes possuem sistemas ner-
voso, digestório e excretor. Os sistemas circulatório e respira-
tório estão ausentes.
Organização corporal e fisiologia
Os nematódeos apresentam tubo digestório completo,
isto é, com duas aberturas: a boca, responsável pela obten-
ção de alimento, e o ânus, que atua na eliminação dos resí-
duos da digestão. Trata-se de uma característica vantajosa,
pois a passagem unidirecional dos alimentos favorece o
fornecimento de nutrientes de maneira contínua quando
comparado ao tubo digestório incompleto. A digestão do ali-
mento ocorre apenas fora das células do animal, caracteri-
zando uma digestão extracelular.
A distribuição de nutrientes e de outras substâncias
pode ocorrer por difusão entre as células do corpo ou por
meio da movimentação do líquido que preenche o blasto-
celoma, ou pseudoceloma. Além disso, o líquido blastocelo-
mático é um elemento de sustentação, pois funciona como
um esqueleto hidrostático. As trocas gasosas ocorrem por
difusão através da superfície do corpo, caracterizando uma
respiração cutânea.
É comum os nematódeos parasitas apresentarem ao
redor do corpo um envoltório, chamado cutícula, mais es-
pesso que nos demais representantes do filo. A presença
dessa estrutura confere a esses animais proteção contra
as defesas do hospedeiro. Entretanto, essa cutícula mais
espessa configura-se como um obstáculo à ocorrência das
trocas gasosas pela superfície corporal. Nessa situação, os
vermes parasitas realizam fermentação lática como pro-
cesso de obtenção de energia.
A presença de cutícula coloca os nematódeos no grupo
chamado Ecdysozoa (ecdisozoários). Esse grupo inclui oito
filos de animais que trocam seu revestimento externo à me-
dida que crescem, processo chamado de muda ou ecdise. Os
dois mais diversos filos de animais ecdisozoários são os ne-
matódeos e os artrópodes.
A eliminação de resíduos nitrogenados (amônia) pode
ocorrer por difusão através da superfície corporal. Todavia,
existem células especializadas na excreção, chamadas de re-
netes, que formam dois canais dispostos longitudinalmente
no corpo do animal. Na região anterior do corpo, esses canais
podem se unir por meio de um canal transversal associado
a um poro excretor. Essa organização do sistema excretor é
chamada de tubos em H.
O sistema nervoso
consiste em um gânglio
nervoso em forma de
anel que circunda o tubo
digestório na altura da fa-
ringe. Desse anel partem
dois cordões nervosos,
um dorsal e outro ventral,
longitudinalmente dispos-
tos no corpo no animal. Em
geral, os nematódeos são
dioicos com dimorfismo
sexual, realizam fecunda-
ção interna e apresentam
desenvolvimento indireto.
Representação esquemática do
sistema excretor nos nematódeos.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Poro
excretor
Tubos
em H
Nematódeos, anelídeos e moluscos
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Questão 645
645
Anelídeos
O filo Annelida (do latim annelus, anel) contém repre-
sentantes vermiformes, cujo corpo cilíndrico é formado por
anéis unidos ao longo do eixo anteroposterior. Cada anel re-
presenta um segmento, ou metâmero, por isso os anelídeos
são chamados de animais segmentados ou metamerizados.
Uma das principais vantagens da metameria é a segmenta-
ção da musculatura, que permite ao animal realizar grande
variedade de movimentos. A metameria também é observa-
da nos artrópodes e nos cordados.
Os anelídeos são majoritariamente animais de vida li-
vre que habitam os meios aquático (tanto marinho quanto
dulcícola) e terrestre úmido. Também há representantes
parasitas. São animais triblásticos, celomados, protostô-
mios e de simetria bilateral. Eles têm sistemas digestório,
nervoso, excretor e circulatório, além de especializações
ligadas às trocas gasosas.
Organização corporal e fisiologia
A minhoca é o animal geralmente utilizado como modelo
no estudo dos anelídeos, por ser um animal comum e bas-
tante conhecido.
O tubo digestório dos anelídeos é completo e a diges-
tão é extracelular. O sistema digestório apresenta regiões
diferenciadas, como faringe, esôfago, papo, moela e in-
testino com tiflossole. No papo, o alimento é armazenado
e amolecido; a moela é uma região musculosa importante
para a trituração do alimento; e o tiflossole corresponde a
uma dobra da parede intestinal que aumenta a superfície
de absorção dos nutrientes.
O sistema circulatório é fechado e dotado de dois vasos
sanguíneos principais, um dorsal e um ventral, ligados pelos
corações. No sangue dos anelídeos pode ser encontrado o
pigmento respiratório hemoglobina.
As trocas gasosas nas minhocas, assim como nas san-
guessugas, são feitas por respiração cutânea. A epiderme
secreta uma cutícula muito fina e permeável que permite
a troca de gases. Além disso, o revestimento corporal dos
anelídeos é ricamente vascularizado e úmido. Existem cé-
lulas especializadas na epiderme que produzem um muco
que contribui para a manutenção dessa umidade. Em ane-
lídeos do grupo dos poliquetos, a respiração pode ocorrer
por meio de brânquias.
A excreção ocorre por meio dos metanefrídios (nefrí-
dios). Nos anelídeos, é encontrado um par de metanefrídios
por segmento corporal. Essas estruturas têm uma abertura
ciliada, chamada nefróstoma, voltada para o celoma do ani-
mal. O líquido celomático com excretas é recolhido e, ao lon-
go dos metanefrídios, substâncias são reabsorvidas e voltam
para o sangue. Os resíduos metabólicos são eliminados por
meio de um orifício chamado nefridióporo.
Nos anelídeos é observado um sistema nervoso ganglionar
ventral, dotado de gânglios cerebrais e de um anel nervoso que
circunda o tubo digestório na região anteriordo corpo. Dessa
região, partem cordões nervosos ventrais, com um par de gân-
glios por segmento. Dos gânglios, partem nervos que se co-
nectam a outras estruturas do organismo, como os músculos.
e corr
p
d
g
necta
responde a
Vaso sanguíneo
dorsal
Vaso sanguíneo
ventral
Nefridióporo
Tiflossole
Nefróstoma
Faringe
Gânglio
Gânglios
cerebrais
Esôfago
Papo
Metanefrídio
Ânus
IntesƟno
Moela
Cordão nervoso
Corações
Anel nervoso
Boca
Representação da anatomia
interna de uma minhoca,
mostrando órgãos dos sis-
temas nervoso, circulatório,
digestório e excretor.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
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=========================================================================
=======
Questão 646
646
Tradicionalmente, o filo dos anelídeos é dividido
em três táxons: Oligochaeta (oligoquetos), Hirudinea ou
Achaeta (hirudíneos ou aquetos) e Polychaeta (poliquetos).
O principal critério utilizado nessa classificação é a presença
e a quantidade de cerdas quitinosas na superfície do corpo
do animal. Essas cerdas, quando presentes, podem ser em-
pregadas na locomoção e no acasalamento.
Oliquetos
A minhoca é um representante dos oligoquetos. Trata-se
um anelídeo de vida livre que habita o meio terrestre úmido.
Esses animais apresentam poucas cerdas no corpo, carac-
terística da qual deriva o nome do grupo (do grego oligos,
pouco, e chaité, pelo longo, cerda). Outro exemplo de oligo-
queto é o minhocuçu, animal que pode atingir três metros
de comprimento.
As minhocas são importantes para a aeração e a
fertilização do solo. Esses animais são detritívoros e abrem
túneis no solo, o que facilita a entrada e a circulação de ar
e a infiltração de água. As fezes das minhocas são ricas em
nutrientes, adubam o solo e constituem parte do húmus, ma-
téria rica em sais minerais importantes para as plantas.
Minhoca (Eisenia fetida,
mede cerca de 5 cm de
comprimento), um ane-
lídeo oligoqueto.
galitsin/[Link]
Quanto à reprodução, as minhocas são animais monoi-
cos que realizam fecundação cruzada e externa. Na época
reprodutiva, as minhocas encontram um parceiro sexual,
emparelham o corpo e trocam espermatozoides. Próximo
à região anterior do corpo, há uma estrutura glandular
chamada clitelo, que produz o casulo, um envoltório mucoso
que recebe os óvulos.
O casulo desliza em direção à extremidade anterior do cor-
po e, no caminho, recebe os espermatozoides fornecidos pela
outra minhoca. Nele ocorre a fecundação e a formação dos
ovos. O casulo com ovos é liberado e de cada ovo eclode uma
pequena minhoca, caracterizando o desenvolvimento direto.
Clitelo
Casulo
Liberação de óvulos
União de óvulos e espermatozoides
Liberação do casulo já com ovos
Troca de espermatozoides
Representação esquemática da reprodução de minhocas.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
Hirudíneos
As sanguessugas são os representantes mais conhecidos de hirudíneos.
Encontrados principalmente na água doce, esses
anelídeos não apresentam cerdas sobre o corpo, recebendo também, por
isso, o nome aqueta (do grego a, ausência, e chaité,
pelo longo, cerda).
====PAGE 145====
AULA 4: Nematódeos, anelídeos e moluscos
Biologia • Frente 3
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=======
Questão 647
647
As sanguessugas são ectoparasitas e se alimentam do
sangue de vertebrados, incluindo seres humanos. Apresen-
tam uma ventosa oral e uma ventosa anal, estruturas que
atuam na locomoção do animal e na fixação em hospedeiros.
Além da ventosa, a boca desses animais apresenta lâ-
minas que cortam a pele dos hospedeiros. Contudo, o
hospedeiro geralmente não sente dor, porque a saliva das
sanguessugas contém um poderoso anestésico, além de um
anticoagulante, a hirudina, que permite ao animal se alimen-
tar de grandes volumes de sangue – às vezes, mais de dez
vezes seu peso corporal.
Até meados do século XIX, as sanguessugas eram utiliza-
das em uma prática médica chamada sangria, aplicada, por
exemplo, em pacientes hipertensos. Acreditava-se que as do-
enças seriam removidas do organismo por meio da retirada
do sangue. Atualmente, esses animais são usados no trata-
mento de hematomas e inchaços pós-cirúrgicos, e é possível
produzir hirudina por meio da técnica do DNA recombinante,
com a finalidade de usar o composto em pacientes nos quais
se deseja evitar ou controlar a coagulação sanguínea.
Sanguessuga (Hirudo medicinalis, mede cerca de 10 cm
de comprimento).
Martin Pelanek/[Link]
Quanto à reprodução, as sanguessugas são monoicas,
realizam fecundação cruzada e externa e apresentam desen-
volvimento direto.
Poliquetos
Os poliquetos são anelídeos majoritariamente aquáticos,
sobretudo marinhos, e correspondem à classe mais diversa
dos anelídeos. Esses animais possuem muitas cerdas (do grego
polys, muitos, e chaité, pelo longo, cerda) associadas a expan-
sões laterais que partem de cada segmento corporal, os pa-
rapódios, que podem auxiliar a locomoção dos poliquetos e,
devido à grande quantidade de vasos sanguíneos, atuar como
superfície de trocas gasosas (respiração branquial).
A região da cabeça é diferenciada e dotada de estruturas
sensoriais, como olhos, tentáculos, palpos etc. Há poliquetos
que se deslocam no ambiente, chamados de errantes, e exis-
tem também os poliquetos sésseis, denominados tubícolas,
que vivem em tubos construídos por eles mesmos.
Vojce/[Link]
Branchiomma luctuosum (mede até 10 cm de compri-
mento), um poliqueto tubícula.
Verme-de-fogo (Hermodice carunculata, mede cerca
de 30 cm de comprimento), um poliqueto errante.
Allexxandar/[Link]
Com relação à reprodução, a maioria dos poliquetos é
dioica, com fecundação externa e desenvolvimento indireto
devido à presença de larva trocófora. A presença da larva
trocófora é uma das características que marcam o próximo
parentesco evolutivo entre moluscos e anelídeos.
Moluscos
O filo Mollusca (do latim mollis, mole), com mais de
=========================================================================
=======
Questão 100
====PAGE 146====
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=======
Questão 648
648
Organização do corpo e fisiologia
O corpo de um molusco é tipicamente organizado em
três regiões: a cabeça, geralmente dotada de estruturas sen-
soriais, como tentáculos e olhos; o pé muscular, importante
para a locomoção; e a massa visceral, região em que se loca-
liza a maioria dos órgãos internos.
A concha é secretada pelo manto, uma dobra especiali-
zada do epitélio dorsal, que pode formar uma câmara cha-
mada cavidade do manto ou cavidade palial. Nessa cavidade,
podem ser encontradas as estruturas respiratórias, o ânus e
os poros excretores. Os moluscos têm tubo digestório com-
pleto e realizam digestão extracelular. Na massa visceral, é
encontrado o hepatopâncreas, ou glândula digestiva, que
desemboca no estômago responsável pela secreção de en-
zimas digestivas. Todos os moluscos apresentam sistema
circulatório, que pode ser aberto (como em gastrópodes e
bivalves) ou fechado (como em cefalópodes).
Em animais de circulação aberta, também chamada
de lacunar, um fluido denominado hemolinfa é bombea-
do pelo coração por meio de vasos até atingir cavidades
localizadas entre os órgãos. Nessas cavidades, chamadas
lacunas ou hemoceles, acontecem as trocas entre a hemo-
linfa e as células do corpo. A pressão e a velocidade da cir-
culação são relativamente baixas, o que explica, em parte,
o menor porte e a menor taxa metabólica de animais com
sistema circulatório aberto, em comparação com animais
de sistema circulatório fechado.
No sistema circulatório fechado, o fluido, denomina-
do sangue, está confinado no interior de vasos, que se in-
filtram nos órgãos, permitindo trocas com os tecidos. Na
circulação fechada, a pressão e a velocidade da circulação
são maiores em comparação à circulação aberta, o que
resulta em maior aporte de O2 e nutrientes às células. As-
sim, o porte e a taxa metabólica do organismo podem ser
maiores quando o animal tem circulação fechada.
Em certos moluscos, o fluido circulatório contém pro-
teínas chamadas pigmentos respiratórios, que aumentam
a quantidade de O2 transportada na circulação. Um exem-
plo é a hemocianina, pigmento azulado associado a áto-
mos de cobre encontrado nos cefalópodes.
Coração
Coração
Lacunas ou
hemoceles
Vasos de
menor calibre
Hemolinfa
circulante
Sangue
circulante
Representação
esquemática
comparativa
da circulação
aberta (A) e
da circulação
fechada (B).
As estruturas respiratórias variam de acordo com o hábitat
do animal. Nos moluscos terrestres, a cavidade do manto é bas-
tante vascularizada, úmida e permeável, e funciona como um pul-
mão rudimentar. Alguns moluscos terrestres, como determinadas
espécies de lesmas, realizam também a respiração cutânea. No
meio aquático, existem moluscos que têm respiração pulmonar e
outros que apresentam brânquias na cavidade do manto.
As estruturas especializadas na excreção são os meta-
nefrídios ou, simplesmente, nefrídios. Essas estruturas re-
colhem os resíduos metabólicos diretamente do celoma e
os eliminam por um poro excretor, geralmente localizado na
cavidade do manto.
O sistema nervoso dos moluscos é constituído de gânglios
cerebrais, localizados na região anterior, que se conectam por
meio de cordões nervosos a outros gânglios em outras regiões
do organismo, como o pé e a massa visceral. O sistema nervoso
é especialmente desenvolvido nos polvos e nas lulas.
Representação esquemática da organização corporal (em corte)
de um molusco, usando um caramujo aquático como modelo.
Nos moluscos terrestres, a cavidade do manto funciona como
um pulmão rudimentar.
Massa visceral
Pé
Cabeça
Metanefrídio
Ânus
Coração
Gânglios
cerebrais
Brânquia
Boca
Concha
Manto
Estômago
Glândula
digesƟva
Gônada
Gastrópodes
Lesmas, caracóis e caramujos pertencem ao táxon Gas-
tropoda. Podem apresentar uma concha única espiralada ou
não apresentar concha. Na boca desses moluscos existe uma
estrutura raspadora conhecida como rádula.
Lesma terrestre, molusco gastrópode desprovido de concha.
MMCez/[Link]
A
B
B
====PAGE 147====
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Questão 649
649
Boca
Rádula
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Amadeu Blasco/[Link]
Representação da rádula em detalhes. A rádula é formada de
dezenas de dentículos constituídos por quitina.
Em geral, os gastrópodes são monoicos (hermafroditas)
e realizam fecundação cruzada e interna. A troca de gametas
ocorre por meio do poro genital. Os gastrópodes terres-
tres apresentam desenvolvimento direto, enquanto os ma-
rinhos exibem majoritariamente desenvolvimento indireto,
com formação da larva trocófora.
Bivalves
Os bivalves, do táxon Bivalvia, antigamente chamados de
pelecípodes, são representados por ostras, mexilhões, maris-
cos e vieiras. A concha desses moluscos é composta de duas
peças (valvas) articuladas, que podem abrir e fechar. São ex-
clusivamente aquáticos, geralmente sedentários, a cabeça é
reduzida ou ausente, e a boca não tem rádula.
Os bivalves são animais filtradores e se alimentam principal-
mente de microalgas do fitoplâncton. A cavidade do manto dos
bivalves apresenta brânquias que atuam nas trocas gasosas e na
retenção de partículas alimentares que, posteriormente, são en-
caminhadas à boca. A água entra na cavidade do manto pelo sifão
inalante, passa sobre as brânquias, que retêm o alimento em sus-
pensão, e sai da cavidade pelo sifão exalante, levando fezes, excre-
tas e, eventualmente, gametas. Por serem filtradores, os bivalves
podem acumular poluentes do ambiente aquático e transmiti-los
ao restante da cadeia alimentar.
Em geral, os bivalves são dioicos e lançam seus gametas
na água. A fecundação pode ocorrer na água ou na cavidade
do manto da fêmea. Exibem desenvolvimento indireto, no qual
há a formação de uma larva ciliada, chamada de trocófora, que
nada ativamente e pode se desenvolver em outra forma larval,
chamada véliger, na qual há formação do pé e da concha.
produção é decorrente de um mecanismo de defesa do
bivalve: quando uma partícula estranha, como um grão
de areia, se instala entre a concha e o manto, o animal
mobiliza seu manto e envolve a partícula com camadas
de nácar (substância brilhante usada na produção da
concha), resultando na formação das pérolas.
Ostra com pérolas. Note que há algumas pérolas expostas e
outras ainda cobertas pelo manto.
Snow At Night/[Link]
Cefalópodes
Os animais do táxon Cephalopoda são moluscos aquá-
ticos, exclusivamente marinhos, predadores e bastante
ativos, podendo ou não apresentar concha. As lulas têm
concha reduzida e interna, enquanto os náutilos têm concha
externa. Já os polvos são cefalópodes desprovidos de con-
cha. O pé dos cefalópodes parte da cabeça e é modificado
em tentáculos com ventosas, que atuam na locomoção e na
captura de presas. Mesmo nos representantes sem concha,
a massa visceral dos cefalópodes é coberta pelo manto.
A locomoção ativa e rápida dos cefalópodes envolve
um mecanismo propulsor, por meio do qual a água que
entra na cavidade do manto é expulsa fortemente pelo si-
fão exalante.
No final do intestino, podem apresentar uma glândula
de tinta que libera um líquido escuro na água quando o ce-
falópode se sente ameaçado, despistando um possível pre-
dador. A boca é dotada de bico córneo, usado para morder
as presas, e de rádula, usada na raspagem da carne.
Os cefalópodes têm órgãos sensoriais e cérebro de-
senvolvidos, que conferem a eles capacidade de aprendi-
zagem e grande complexidade comportamental. Quanto à
reprodução, são animais dioicos; o macho deposita seus
espermatozoides na cavidade do manto da fêmea, onde a
fecundação em geral ocorre. Não são observados estágios
larvais; dessa forma, exibem desenvolvimento direto.
Saiba mais
Produção de pérolas
Algumas espécies de bivalves têm grande importân-
cia comercial por serem capazes de produzir pérolas. Essa
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Questão 650
650
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Questão 1
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Questão 2
2 UEG-GO 2024 Leia e analise o recorte da história em quadrinhos a
seguir.
Compreende-se que a anisaquíase é
A
prevenida mediante o não consumo de produtos do mar, visto que a inspeção
visual de parasitas é um método ineficaz.
B
uma zoonose emergente por não ser viável a obtenção de produtos do mar,
principalmente para consumo cru, sem risco
à saúde.
C
de difícil profilaxia pela inexistência de um método diagnóstico
aplicável a seres humanos aparentemente saudáveis.
D
motivo de recente declínio na internacionalização da culinária baseada no
consumo de peixes crus ou malcozidos.
E
combatida por meio da popularização da culinária baseada no consumo de
produtos do mar crus ou malcozidos.
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Questão 3
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Questão 1
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Questão 2
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Questão 4
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Questão 8
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Questão 4
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Questão 651
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Questão 16
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Questão 2
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Questão 4
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Questão 4
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As parasitoses helmínticas são infecções causadas por vermes que
geralmente vivem no intestino. Esses vermes podem
ser de diferentes tipos, como lombrigas, ancilostomídeos, tricurídeos e
tênias. Esses parasitas entram no nosso corpo de
várias maneiras, como por meio de alimentos e água contaminados ou até
mesmo pelo contato com solo infectado. Uma
vez dentro do corpo, eles podem causar uma série de sintomas, desde dores
abdominais e diarreia até anemia e desnutrição
As parasitoses helmínticas são um problema de saúde pública, mas com
cuidados simples e tratamento adequado, é
possível evitá-las e tratá-las de forma eficaz.
Verminoses
C3 | H12
C4 | H14
C8 | H30
AULA
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Questão 5
5
Biologia • Frente 3
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Questão 653
653
Verminoses causadas por platelmintos
As doenças causadas por vermes são denominadas verminoses. No Brasil,
elas têm grande importância, por atingirem uma
parcela considerável da população. Dados de 2018 dão conta de que,
naquele ano, 36% da população era afetada por vermi-
noses. Entre as crianças, esse número era de 55%.
Teníase
Os agentes etiológicos da teníase são a Taenia solium e a Taenia
saginata. Os adultos das tênias vivem, sobretudo, no
intestino de vertebrados, como os seres humanos. As tênias são
popularmente denominadas solitárias, uma vez que, normal-
mente, é observado apenas um indivíduo no intestino da pessoa infectada,
pois uma tênia pode liberar substâncias que inibem
o desenvolvimento de outros indivíduos.
Nesses vermes, a região anterior do corpo, chamada de escólex, tem
ventosas que o parasita usa para se prender à parede intes-
tinal do hospedeiro. Além de ventosas, a T. solium apresenta fileiras de
ganchos, que também contribuem com a fixação do parasita
no hospedeiro. Após o escólex, encontra-se o colo, região muito ativa
responsável pela formação de unidades chamadas proglótides
ou proglotes. O surgimento das proglótides ocorre por meio de uma forma
de reprodução assexuada chamada estrobilização.
As proglótides recém-formadas são pequenas e imaturas. Com o
desenvolvimento dessas unidades, seu tamanho aumen-
ta e as estruturas reprodutoras, tanto masculinas quanto femininas,
amadurecem, originando proglótides maduras. Dessa for-
ma, as tênias são monoicas. A reprodução ocorre por autofecundação e as
unidades repletas de ovos embrionados (o embrião
das tênias é conhecido como hexacanto) são chamadas de proglótides
grávidas. As proglótides com ovos se desprendem do
corpo da tênia e são eliminadas para o ambiente junto com as fezes do
indivíduo contaminado. Por dia, uma tênia pode liberar
até dez proglótides, cada uma contendo cerca de 80 mil ovos.
Escólex
Ganchos
Autofecundação nas
proglótides maduras
Proglótides
grávidas
Proglótides
imaturas
Ventosas
Taenia saginata
Taenia solium
Colo
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Representação esquemática da
organização corporal das tênias.
No ambiente, os ovos embrionados podem ser ingeridos pelos hospedeiros
intermediários (abrigam a forma larval do parasita)
das tênias. No ciclo da teníase, os suínos são os hospedeiros
intermediários da T. solium e os bovinos são os hospedeiros interme-
diários da T. saginata, enquanto o ser humano é o hospedeiro definitivo
(onde ocorre a reprodução sexuada do parasita) de ambas
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AULA 5: Verminoses
Biologia • Frente 3
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Questão 654
654
as espécies. Por apresentarem hospedeiros de espécies diferentes em seu
ciclo de vida, as tênias são parasitas heteroxênicos. Esses
vermes são desprovidos de sistema digestório e absorvem nutrientes de
seus hospedeiros diretamente pela superfície corporal.
No intestino do hospedeiro intermediário, a larva oncosfera é liberada
dos ovos ingeridos, perfura a parede intestinal,
atinge a circulação sanguínea e se aloja em tecidos bastante oxigenados,
sobretudo tecidos musculares, onde se desenvolve
em larva cisticerco, popularmente conhecida como “canjiquinha” por causa
de seu aspecto esférico e esbranquiçado.
A transmissão da teníase à espécie humana ocorre por meio da ingestão de
carne de boi ou de porco crua ou malcozida e
contaminada com cisticercos ativos. Uma vez no intestino delgado, o
cisticerco libera o escólex, que se fixa na parede intestinal,
dando início ao desenvolvimento do novo verme.
Representação esquemática do ci-
clo da teníase causada pela Taenia
solium. No ciclo da teníase causada
pela Taenia saginata, o hospedeiro
intermediário é um bovino.
Hospedeiro
intermediário
(porco)
Hospedeiro
definitivo
(ser humano)
Cisticercos na
musculatura
Ingestão de carne contaminada
por cisticercos
Tênia adulta
Cisticerco everte
o escólex e inicia
a formação de
uma nova tênia
Ingestão
de alimento
contaminado por
ovos de tênia
Ovo liberado
pela proglótide
Proglótide grávida
liberada com
as fezes
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Existem casos de teníase nos quais nenhum sintoma é
apresentado pelo indivíduo infectado, porém existem situa-
ções nas quais a pessoa pode ter dores abdominais, náuseas,
diarreia, perda de peso, aumento do apetite, fraqueza, defi-
ciências nutricionais e insônia.
A profilaxia da teníase é feita por meio das seguintes
medidas: saneamento básico, tratamentos dos doentes, co-
zimento adequado das carnes bovina e suína (o cozimento
adequado mata os cisticercos), inspeção sanitária em frigo-
ríficos e açougues e cuidados com a alimentação fornecida a
bovinos e suínos.
Cisticercose
A cisticercose acomete o ser humano quando ovos pro-
duzidos pela Taenia solium são ingeridos por um indivíduo
e as larvas cisticerco se instalam nos tecidos do organismo.
Nessa doença, a espécie humana atua como hospedeiro in-
termediário acidental da T. solium, uma vez que a tendência
é de que o ciclo do verme seja interrompido. Os ovos podem
ser ingeridos por meio do consumo de água ou de alimentos
contaminados. É comum ocorrer autoinfestação em pesso-
as contaminadas com a T. solium.
Os sintomas apresentados dependem do tecido no qual
os cisticercos se instalaram. Caso as larvas se instalem em te-
cidos musculares, podem surgir dores nos músculos. O cisti-
cerco pode se instalar no músculo cardíaco, causando lesões
no coração. Olhos também podem ser afetados, podendo
resultar em cegueira. O caso mais grave é chamado de neu-
rocisticercose, no qual os cisticercos se alojam em estruturas
do sistema nervoso central, como o cérebro, resultando em
dores de cabeça, desmaios e convulsões.
As medidas profiláticas que devem ser adotadas para evi-
tarmos a transmissão da cisticercose humana são: saneamen-
to básico, tratamento das pessoas infectadas pela T. solium,
higiene pessoal, higiene alimentar e consumo de água tratada.
Esquistossomíase
A esquistossomíase, ou esquistossomose, conhecida popu-
larmente como barriga d’água, é causada pelo verme platelmin-
to Schistosoma mansoni. Como visto anteriormente, trata-se de
uma espécie dioica com dimorfismo sexual. O macho apresenta o
canal ginecóforo, no qual a fêmea se aloja durante a reprodução.
No ciclo da esquistossomíase, a espécie humana atua
como hospedeiro definitivo do S. mansoni. Os esquistossomos
adultos alojam-se, sobretudo, no sistema porta-hepático (va-
sos sanguíneos localizados entre fígado e intestino), causan-
do náuseas, vômitos, diarreias, lesões no fígado, hemorragias
intestinais e, principalmente, acúmulo de líquido na cavidade
abdominal (ascite). Desse sintoma decorre o nome popular da
doença, barriga-d’água.
O acasalamento no sistema porta-hepático resulta na for-
mação de ovos que a fêmea deposita em vasos sanguíneos. Es-
ses vasos rompem e os ovos atingem a cavidade intestinal e são
eliminados para o ambiente por meio das fezes. Uma fêmea do
verme pode produzir em torno de 300 ovos por dia.
Os ovos do esquistossomo eclodem ao atingir o meio aquá-
tico, liberando uma larva ciliada chamada miracídio. Essa larva
infecta o hospedeiro intermediário do esquistossomo, um ca-
ramujo de água doce, pertencente à família dos planorbídeos
e ao gênero Biomphalaria. No caramujo, a larva miracídio, por
meio de reprodução assexuada, origina um tipo de larva dotada
de cauda, a cercária. Uma única larva miracídio pode gerar em
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AULA 5: Verminoses
Biologia • Frente 3
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Questão 655
655
torno de 200 mil cercárias. Essas larvas deixam o caramujo e nadam até
entrarem em contato com uma pessoa, penetrando-a ativa-
mente pela pele ou por mucosas, resultando em intensa coceira.
Popularmente, os corpos de água conhecidos por possuírem grande
quantidade de cercárias são chamados de “lagoas de coceira”.
Representação esquemática do ciclo do Schistosoma mansoni. Por apresentar
hospedeiros
de espécies diferentes em seu ciclo de vida, os esquistossomos são
parasitas heteroxênicos.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Hospedeiro
definitivo
(ser humano)
Fezes contaminadas
Hospedeiro intermediário
(caramujo planorbídeo)
Larvas
cercárias
Penetração ativa
na pele humana,
provocando coceira
Larva ciliada
(miracídio)
Ovos na água
Ovos lançados
no intestino
Reprodução no sistema
porta-hepático
No organismo humano, as cercárias perdem a cauda, originam vermes jovens
que migram para o sistema porta-hepáti-
co e se desenvolvem em indivíduos adultos, completando o ciclo.
A profilaxia adotada para a esquistossomíase consiste, principalmente, no
tratamento das pessoas contaminadas, sanea-
mento básico, controle da população do hospedeiro intermediário e não
nadar em águas suspeitas.
Saiba mais
Ao longo da evolução, características que favorecem a vida parasitária
foram selecionadas nos parasitas. Os esquistos-
somos, por exemplo, contêm proteínas semelhantes às presentes no
hospedeiro. Assim, evitam seu reconhecimento pelos
sistemas de defesa dos seres humanos e dos caramujos. Os esquistossomos
também liberam substâncias que manipulam
as defesas dos hospedeiros, estratégia que permite a sobrevivência dos
vermes no corpo humano por mais de 40 anos.
Verminoses causadas por nematódeos
Ascaridíase
Os seres humanos são hospedeiros de pelo menos 50 espécies de nematódeos
parasitas. Entre essas espécies, o agente
etiológico da ascaridíase, pertencente à espécie Ascaris lumbricoides
(lombriga), é aquele que acomete o maior número de
pessoas. As estimativas indicam que por volta de um bilhão de pessoas ao
redor do mundo sejam afetadas por esse verme.
Nos humanos, as lombrigas adultas alojam-se no intestino delgado, onde
ocorre a reprodução. Uma fêmea coloca até
mil ovos por dia, que são lançados no ambiente por meio das fezes da
pessoa doente. Os ovos podem contaminar água, solo,
alimentos, mãos e utensílios. O Ascaris lumbricoides tem apenas o ser
humano como hospedeiro ao longo do seu ciclo de vida.
Portanto, é um parasita monoxênico.
A transmissão ocorre por meio da ingestão dos ovos do verme, sobretudo
por meio do consumo de água e de alimentos conta-
minados. É comum acontecer a autoinfestação, quando uma pessoa infectada
ingere ovos produzidos pelas lombrigas que habitam o
próprio intestino. No tubo digestório, a casca do ovo é digerida e uma
larva é liberada. As larvas perfuram a parede intestinal, chegam
à circulação sanguínea e então passam pelo fígado e pelo coração, até que
atingem os pulmões. Após alguns dias, elas rompem os
alvéolos e percorrem, então, bronquíolos, brônquios, traqueia, laringe e
chegam à faringe, onde são deglutidas. Todo esse processo é
importante para a maturação das larvas, que, quando alcançam o intestino
delgado, se desenvolvem em vermes adultos. Por conta
da passagem das larvas da lombriga pelo coração e pelo pulmão, seu ciclo
pode ser chamado de ciclo cardiopulmonar.
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AULA 5: Verminoses
Biologia • Frente 3
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Questão 656
656
Ascaris lumbricoides
adultos no
intestino delgado
Fezes
Larvas liberadas no
intestino delgado que
perfuram a parede
intestinal, atingindo
o sangue.
No ambiente,
os ovos fertilizados, sob
condições adequadas
(ambiente úmido,
quente e sombreado),
tornam-se embrionados.
Larvas migram
até os pulmões.
Deglutição dos ovos
embrionados
Representação esquemática do ci-
clo de vida do Ascaris lumbricoides,
verme causador da ascaridíase.
CORES
FANTASIA
ELEMENTOS
FORA DE
PROPORÇÃO
Em decorrência da passagem das larvas pelo sistema
respiratório, a pessoa contaminada pode apresentar tosse,
expectoração com larvas, pneumonia larval, bronquite, le-
sões pulmonares e asfixia. A presença da lombriga adulta no
intestino delgado pode resultar em sintomas como dor ab-
dominal, diarreia, náusea, vômito, deficiências nutricionais e,
em casos mais graves, obstrução intestinal em razão da gran-
de quantidade de indivíduos parasitando o órgão. Apesar dos
sintomas apresentados, existem muitos casos nos quais a
ascaridíase é assintomática.
As medidas profiláticas para a ascaridíase envolvem sa-
neamento básico, tratamento dos doentes, higiene pessoal e
alimentar e consumo de água tratada.
Ancilostomíase
Duas espécies de nematódeos podem atuar como agen-
tes etiológicos da ancilostomose: Ancylostoma duodenale e
Necator americanus. Essa verminose também é conhecida
como ancilostomose, amarelão, mal da terra, opilação ou do-
ença do Jeca Tatu; quando causada pelo Necator americanus,
pode ser chamada de necatoríase.
Os agentes causadores da ancilostomose têm apenas o
ser humano como hospedeiro ao longo do seu ciclo de vida,
portanto são parasitas monoxênicos. No corpo humano, os
vermes adultos habitam o intestino delgado, provocando le-
sões na parede intestinal e, consequentemente, hemorragias.
Esses parasitas são hematófagos e se alimentam do sangue de
seu hospedeiro. A boca desses animais está adaptada à hema-
tofagia, uma vez que apresenta estruturas (dentes ou placas)
usadas na fixação à parede intestinal e na retirada de sangue.
O acasalamento acontece no intestino delgado da pes-
soa contaminada e os ovos colocados pela fêmea são lan-
çados no ambiente por meio das fezes. Os ovos eclodem, e
as larvas são liberadas no solo. Em condições favoráveis, as
larvas podem permanecer até um mês no ambiente. Quando
entram em contato com um hospedeiro, as larvas o pene-
tram ativamente através da pele, mais frequentemente pela
sola dos pés.
Elas são levadas pela corrente sanguínea ao coração e
depois aos pulmões, onde rompem os alvéolos, chegam aos
brônquios, passam pela traqueia, atingem a laringe, chegam.
à faringe e são deglutidas. Ao chegarem ao intestino delgado,
desenvolvem-se em vermes adultos. Esse ciclo, assim como o
ciclo da espécie Ascaris lumbricoides, também pode ser cha-
mado de cardiopulmonar.
No intestino delgado,
as larvas se desenvolvem
em indivíduos adultos.
Ovo eliminado
nas fezes
Eclosão
Pela circulação
sanguínea, as larvas
chegam ao coração e
depois aos pulmões, onde
rompem os alvéolos.
As larvas são deglutidas
ao chegar à faringe.
Larva
no
solo
Penetração da larva
através da pele
CORES FANTASIA
ELEMENTOS FORA
DE PROPORÇÃO
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AULA 5: Verminoses
Biologia • Frente 3
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Questão 657
657
A ancilostomíase, assim como a ascaridíase, pode resul-
tar em problemas respiratórios em decorrência da passagem
das larvas pelos pulmões. Pelo fato de os vermes adultos vi-
verem no intestino delgado, podem também ocorrer sintomas
intestinais, como dor abdominal, náusea e vômito. Por causa
do hábito hematófago dos agentes causadores, a ancilostomo-
se pode levar ao surgimento de sintomas mais característicos,
como diarreia sanguinolenta, anemia, fraqueza e palidez.
A profilaxia para a ancilostomíase consiste, basicamente,
no tratamento dos doentes, no saneamento básico e na
proteção da pele, principalmente na região dos pés por
meio do uso de calçados.
Filaríase
Também chamada filariose ou, em estágios mais avan-
çados, de elefantíase, essa verminose tem como agente
etiológico o nematódeo da espécie Wuchereria bancrofti,
conhecido como filária. O macho adulto atinge até 4 cm de
comprimento enquanto a fêmea adulta mede até 10 cm
de comprimento. Apesar dessas medidas, ambos são bastan-
te delgados, tendo entre 0,24 mm e 0,30 mm de diâmetro.
Os vermes adultos (filárias) alojam-se nos vasos linfáticos
dos braços, das mamas, da bolsa escrotal e, sobretudo, das
pernas. A presença de filárias leva à obstrução dos vasos lin-
fáticos, o que prejudica o recolhimento do excesso de fluido
intersticial e a circulação da linfa, provocando edema (incha-
ço) da região afetada.
A reprodução sexuada das filárias ocorre no interior dos
vasos linfáticos e resulta na formação de ovos que, quando
eclodem, liberam as microfilárias, formas com aproximada-
mente, 0,25 milímetro de comprimento. As microfilárias pas-
sam para a circulação sanguínea e podem ser sugadas pelas
fêmeas hematófagas do mosquito pertencente ao gênero
Culex. No ciclo da Wuchereria bancrofti, o ser humano é o hos-
pedeiro definitivo e o mosquito é o hospedeiro intermediário.
Por apresentar hospedeiros de espécies distintas em seu
ciclo de vida, Wuchereria bancrofti é um parasita heteroxê-
nico. No organismo do mosquito, as microfilárias originam
larvas infectantes que são transmitidas ao ser humano por
meio da picada do inseto. No corpo humano, as larvas mi-
gram para os vasos linfáticos e se desenvolvem em adultos.
A profilaxia para a filariose envolve o tratamento dos in-
fectados, o combate ao mosquito transmissor, o uso de repe-
lentes e de mosquiteiros, a instalação de telas em janelas e
o controle do desmatamento. O tratamento dos doentes no
início da infecção previne o surgimento de lesões mais graves
e, até mesmo, de possíveis amputações.
Oxiuríase
O agente etiológico dessa doença, também chamada
de enterobíase ou enterobiose, é o nematódeo da espécie
Enterobius vermicularis. As fêmeas adultas atingem aproxi-
madamente 1 cm de comprimento, e os machos, cerca de
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AULA 5: Verminoses
Biologia • Frente 3
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Questão 2
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Questão 3
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Questão 4
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Questão 5
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Biologia • Frente 3
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Questão 659
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Questão 6
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Questão 1
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Questão 2
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Questão 3
3
Adaptado de: AMABIS, José Mariano; MARTHO, Gilberto Rodrigues. Biologia
dos organismos. 2 a ed. Volume 2. Editora Moderna: São Paulo, 2004.
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Questão 4
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Questão 8
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Questão 16
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Questão 1
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Questão 699
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Questão 2
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Questão 701
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Questão 3
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Questão 4