Princípios de direito processual civil:
Constitucionais; gerais estruturantes do processo civil (vertentes dos
estruturantes)
Constitucionais:
Direito de acesso aos tribunais – o nosso ordenamento jurídico reconhece o
acesso ao direito e tutela jurisdicional efetiva (art. 20.º CRP e 16.º)
Direito de ação – a todos os cidadãos é reconhecido o direito de resolver os
seus conflitos de interesses mediante meios processuais adequados e com
recurso a um tribunal. A tutela dos cidadãos só pode ser impedida num caso:
caso da recusa da petição inicial pela secretaria. A secretaria não é o juiz, ou
seja, a secretaria não pode pronunciar-se materialmente sobre o que vem
escrito na petição inicial. No entanto, cabe à secretaria fazer um controlo
formal. Existem determinadas situações em que a secretaria pode recusar
receber a petição inicial (art. 558.º CPC).
Direito de defesa – é o reverso do direito de ação. Conhecimento efetivo do
processo que foi instalado. Citação (art. 227.º CPC). Se uma das coisas deste
artigo não estiver cumprida, a citação é nula. É necessário ser concebido ao
réu um prazo suficientemente amplo para apresentar a sua defesa – 30 dias
para contestação – no entanto, o prazo de contestação pode ser prorrogado a
pedido do réu (números 4 e 5 do mesmo artigo) e, muito importante, existem
as chamadas dilações. Quando a carta for recebida por outra pessoa, o prazo
dos 30 dias só começa a contar 5 dias depois da receção da carta registada. É
necessário que seja moderada a rigidez das preclusões decorrentes da falta de
apresentação da defesa. Nota: se a citação for feita por edital, constitui uma
exceção
Princípio da proibição da denegação de justiça e insuficiência
económica – os processos judiciais envolvem algumas despesas, encargos
económicos – taxa de justiça, honorários, custas de parte, pagar ao perito –
tudo isto vai dificultar em muito o processo e o acesso aos tribunais pelas
pessoas que não têm meios económicos para tal. Então, a CRP vem assegurar
que ninguém pode ser privado do acesso aos tribunais por motivos
económicos. Para isso, existe a lei do apoio judiciário (Lei 34/2004). Esta lei
comtempla um sistema de proteção jurídica e, atualmente, existem 3
modalidades da proteção jurídica: o apoio judiciário, a consulta jurídica e a
informação jurídica ou serviços de formação jurídica. O autor, para propor uma
ação inicial, é necessário pagar a taxa de justiça e comprovar que a pagou ou,
em alternativa, juntar um documento o ao processo, documento esse que é o
comprovativo de concessão de apoio judiciário ou o pedido de apoio judiciário,
mesmo que ele não tenha sido deferido ainda. Caso não o faça, a secretaria
tem dever de recusar a PI e se esta não recusar a PI, poderá ser determinado
pelo juiz o desentranhamento do processo. O réu também tem que pagar taxa
de justiça quando vai contestar a ação. Caso não a pague, ele é notificado pela
secretaria para pagar no prazo de 10 dias. Se mesmo assim não a pagar, o juiz
vai notificar para pagar e, se desta feita não pagar, a contestação é
desentranhada do processo.
Direito a um processo equitativo – o princípio da equidade assegura que a
jurisdição deverá ser acessível a todas as pessoas de forma equitativa. Por
exemplo, cada pessoa tem direito a um advogado. Princípio da
independência e imparcialidade dos tribunais – a independência dos
tribunais é assegurada pela inamovibilidade dos juízes e irresponsabilidade dos
juízes. Os juízes têm de estar em dedicação exclusiva, ou seja, não podem ser
remunerados por qualquer trabalho que façam. Sistema de impedimentos,
escusas e suspeições (art. 115.º CPC).
Direito ao contraditório – ambas as partes têm o direito de participar
ativamente no desenvolvimento do processo. Plano da alegação dos factos: os
factos alegados por uma parte podem sempre ser contraditados pela outra
parte. No plano da proposição da ação, as partes têm de ter os mesmos meios
disponíveis. Quanto à admissibilidade da prova, aplica-se a mesma coisa. Plano
da discussão de questões de direito: ambas as partes têm o direito de poder
discutir questões de direito.
Princípio da igualdade de armas: manifestação do princípio da igualdade
das partes perante o tribunal. No entanto, no atual CPC de 2013, há uma ligeira
desigualdade quando uma das partes é o Ministério Público.
Princípio da licitude da prova: são inadmissíveis as provas admitidas por
meios ilícitos, designadamente através da violação de direitos fundamentais.
Princípio da comparência pessoal: em alguns casos, a comparência pessoal
é obrigatória e indispensável, por exemplo, nos processos de adoção, mas, de
uma forma geral, a comparência de uma das partes não é obrigatória. Ou seja,
muitas vezes as partes fazem-se representar pelos seus advogados. No
entanto, há determinados tipos de atos que as partes têm de estar presentes.
Por exemplo, quando são requeridas as declarações de parte e os depoimentos
de parte.
Princípio da fundamentação da decisão – art. 205.º CRP. O princípio serve
para as partes poderem reconhecer quais as razões de facto e quais as razões
de direito que levaram um juiz a decidir em certo sentido. Estre princípio não é
só relevante no momento da sentença, mas sim também noutras decisões
interlocutórias.
Princípio da publicidade - existe para garantir a transparência da função
jurisdicional: as audiências são públicas. Porém, em alguns casos, o tribunal
pode afastar esta publicidade (art. 606.º CPC). Este direito de publicidade é
também extensivo ao acesso ao processo, ou seja, nós podemos consultar os
processos e pedir cópias ou certidões dos mesmos.
Direito a uma decisão em prazo razoável – uma decisão que demora muito
a ser tomada não é boa, e o CC assim o diz no art. 2.º/1. O prazo tem em conta
tudo até ao termo deste processo. Este princípio vem também definido no art.
6.º in fine. Prazos: art. 156.º e 607.º CPC
Princípio da legalidade da decisão – art. 203.º CRP. O juiz deve indicar as
normas que mobiliza na sua decisão assim como a sua interpretação. O juiz
não está vinculado às alegações das partes em matéria de direito