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Encontros e Desabrochos de Emoções

Eun-ha visita sua avó doente, refletindo sobre o amor não expresso e a urgência de se comunicar. A avó compartilha sabedoria sobre a coragem de se abrir, comparando isso ao desabrochar das flores. A conversa se torna um momento de conexão emocional, onde Eun-ha revela suas inseguranças e a avó a encoraja a não esconder seus sentimentos.

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Encontros e Desabrochos de Emoções

Eun-ha visita sua avó doente, refletindo sobre o amor não expresso e a urgência de se comunicar. A avó compartilha sabedoria sobre a coragem de se abrir, comparando isso ao desabrochar das flores. A conversa se torna um momento de conexão emocional, onde Eun-ha revela suas inseguranças e a avó a encoraja a não esconder seus sentimentos.

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mistura de chá verde, madeira antiga e o perfume das flores que ainda resistiam.

Um cheiro

de permanência, que agora parecia ameaçado.

Na cozinha, encontrou a mãe mexendo em panelas, mas sem a firmeza de outros

tempos. Os movimentos eram automáticos, quase um disfarce para a preocupação.

— Ela está no quarto — disse em voz baixa, como quem teme que a própria fala

pudesse quebrar o fio frágil que mantinha a avó desperta.

Eun-ha apenas assentiu.

Atravessou o corredor com passos lentos, sentindo o ranger do piso de madeira

sob seus pés. Cada passo parecia aumentar o nó que carregava no peito: o medo de não

ter dito o suficiente, o medo de chegar tarde demais, o medo de que todo o amor que

sempre guardara no silêncio fosse agora tarde para ser pronunciado.

A porta estava apenas encostada. Empurrou-a devagar.

O quarto estava em meia-luz. As cortinas filtravam o sol da tarde, deixando entrar

apenas um brilho suave. A avó estava deitada, coberta até o peito, os olhos semicerrados.

O rosto parecia menor, como se o tempo tivesse se apressado sobre ela nos últimos dias.

Mas, ao perceber a presença da neta, abriu os olhos e sorriu.

Um sorriso frágil, cansado, mas ainda inteiro.

Eun-ha sentiu as pernas vacilarem. Aproximou-se, segurou a mão da avó, e foi nesse

gesto simples que entendeu: havia coisas que não podiam esperar mais para serem ditas.

Porque mesmo o mais belo dos sorrisos, um dia, também se cala.

25

Eun-ha se sentou devagar na beira da cama, segurando a mão da avó. A pele parecia

fina como papel, mas o calor ainda estava lá, firme, como uma raiz que resiste mesmo em

solo fraco.

— Você veio… — disse a avó, com voz fraca mas alegre. — Já vale o dia.

Eun-ha sorriu, tentando esconder o nó na garganta.

— Senti tanta saudade, vó.

A avó respirou fundo, fechando os olhos por um instante, como se cada palavra

exigisse cuidado. Depois falou, quase em tom de confidência:

— Sabe o que mais aprendi cuidando das flores? Que nenhuma delas foi feita para

durar em silêncio eterno. Elas desabrocham quando chega a hora, sem pedir licença. Se
tentam ficar fechadas demais, apodrecem antes de mostrar a cor.

Eun-ha não respondeu, mas apertou sua mão com força.

— É preciso coragem até para as coisas mais simples — continuou a avó. — Uma

flor se abre mesmo sabendo que a chuva pode machucá-la. E ainda assim, abre. Porque

permanecer fechada seria perder a chance de ser o que é.

Os olhos de Eun-ha se encheram de lágrimas.

— Tenho medo, vó.

A avó abriu os olhos devagar e sorriu, cansada mas serena.

— O medo nunca vai embora. Mas a vida não espera até ele sumir. A gente segue

mesmo com ele.

26

Um silêncio suave se espalhou pelo quarto. Dessa vez, não era distância: era

repouso, era presença. Eun-ha inclinou-se até encostar a cabeça no ombro da avó. E

entendeu que aquelas frases simples, ditas sem pressa, eram uma herança que não se

guardava em cadernos, mas no coração.

Respirou fundo, quase sem coragem.

— Vó… acho que eu sou assim. — A voz saiu baixa, mas verdadeira. — Me fecho

demais.

A avó virou lentamente o rosto para olhá-la. Não havia julgamento em seus olhos,

apenas uma ternura paciente.

— Tenho tantas coisas aqui dentro… — Eun-ha levou a mão ao peito. — Mas

quase nunca consigo dizer. Nem para as pessoas que mais gosto.

As lágrimas começaram a se acumular, e ela não as conteve.

— Tem um garoto, vó… o Min-jun. Somos só amigos… — sorriu de leve, como

quem se denuncia sem querer — … mas ele me deixou um livro. E eu… eu não sei

explicar. Quando leio, parece que ele está comigo. Ele fala tão fácil, sabe? Como se a

palavra fosse natural. E eu… eu nunca consigo acompanhar.

Eun-ha chorou em silêncio. A avó apertou sua mão com a pouca força que tinha.

— Esse garoto… se ele gosta de você, vai esperar. Mas até o coração mais paciente precisa

sentir um gesto, uma palavra, algo que diga: “estou aqui também”. Não esconda o que foi

feito para existir.

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