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A Jornada de Eun-ha em Gwangju

No capítulo 5, Eun-ha reflete sobre suas inseguranças enquanto viaja de trem para Gwangju, carregando um livro presenteado por Min-jun, que a inspira a confrontar suas palavras não ditas. Ao chegar, ela se depara com a deterioração das flores na casa da avó, simbolizando a fragilidade da vida e a importância de expressar seus sentimentos. A narrativa explora temas de coragem, silêncio e a necessidade de conexão emocional.

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A Jornada de Eun-ha em Gwangju

No capítulo 5, Eun-ha reflete sobre suas inseguranças enquanto viaja de trem para Gwangju, carregando um livro presenteado por Min-jun, que a inspira a confrontar suas palavras não ditas. Ao chegar, ela se depara com a deterioração das flores na casa da avó, simbolizando a fragilidade da vida e a importância de expressar seus sentimentos. A narrativa explora temas de coragem, silêncio e a necessidade de conexão emocional.

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apítulo 5 – O girassol que não desbotou

Na manhã seguinte, Eun-ha acordou antes do despertador. A cidade já estava

desperta: buzinas, passos, motores. O barulho parecia ainda mais agressivo do que de

costume, como se lembrasse a cada instante que Seul nunca esperava por ninguém.

No quarto, arrumou a mochila com poucas roupas, o caderno de anotações e o

livro que Min-jun lhe dera na véspera. Hesitou antes de guardá-lo. Passou os dedos sobre

a capa, como se buscasse ali um fragmento de coragem, e só então o colocou entre as

roupas.

No trem para Gwangju, escolheu um assento perto da janela. A paisagem passava

rápida demais: prédios ficando para trás, campos aparecendo, colinas que pareciam acenar

de longe. Encostou a testa no vidro, mas logo retirou o livro da mochila e o abriu.

As primeiras páginas estavam cheias de pequenas anotações de Min-jun,

comentários à margem, palavras circuladas. Era como se ele estivesse ao seu lado, guiando

o olhar dela.

Um trecho chamava atenção: “As palavras são sementes. Enquanto guardadas, são apenas

promessa. Mas quando ditas, florescem e tocam o mundo.”

Eun-ha fechou o livro por um instante, deixando os olhos vagarem pela paisagem.

Pensou em quantas sementes guardava dentro de si, presas ao solo do silêncio. O

quanto já poderia ter florescido se tivesse tido coragem de dar-lhes voz.

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Percebeu que guardar não era o mesmo que permanecer. Permanecer era permitir

que algo tomasse forma fora de si, mesmo que imperfeito.

Voltou ao livro e leu mais um trecho sublinhado por Min-jun: “O que não é

pronunciado, morre consigo; o que é dito, encontra caminho para além de quem o disse.”

Sentiu o coração apertar. Talvez fosse esse o motivo de Min-jun insistir tanto: não

porque precisasse ouvir para si, mas porque sabia que, se ela não falasse, perderia até o

que carregava dentro.

A cada página, a viagem parecia mais longa e mais curta ao mesmo tempo. Longa,

porque a urgência crescia dentro dela. Curta, porque as palavras a aproximavam daquilo

que sempre temeu enfrentar: a necessidade de falar antes que fosse tarde.

Quando o trem chegou, o ar de Gwangju pareceu diferente. Não havia a pressa


ensurdecedora de Seul. Era um silêncio mais próximo, mais humano, mas que naquela vez

não trouxe conforto: trouxe apreensão.

Caminhou até a casa da avó, e o simples ato de atravessar a rua já lhe trouxe uma

lembrança: a varanda onde tantas vezes sentara para ouvir histórias, o cheiro de chá recém-

feito, a presença serena que parecia nunca mudar. Mas agora, ao se aproximar, sentiu o

coração apertar.

As flores diante da porta estavam menos vivas. Algumas já com as pétalas murchas,

caídas ao chão, como se refletissem a ausência de mãos que costumavam regá-las. Eun-ha

ajoelhou-se por um instante e passou os dedos sobre uma delas, ainda úmida de orvalho.

Parecia um retrato delicado da própria avó: bonita mesmo no enfraquecimento, ainda

oferecendo algo, mesmo quando parecia esgotada.

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Inspirou fundo antes de girar a maçaneta. O cheiro da casa a envolveu de imediato:

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