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Reflexões sobre amor e luto

Eun-ha e Min-jun compartilham um momento de conexão emocional, onde ele a encoraja a não se esconder e a ser verdadeira. Após a morte da avó de Eun-ha, ela enfrenta o luto e a proposta de seus pais de vender a floricultura, que representa memórias e a vida da avó. O silêncio e a presença de Min-jun durante o funeral revelam que o amor muitas vezes se manifesta na companhia silenciosa em momentos difíceis.

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Reflexões sobre amor e luto

Eun-ha e Min-jun compartilham um momento de conexão emocional, onde ele a encoraja a não se esconder e a ser verdadeira. Após a morte da avó de Eun-ha, ela enfrenta o luto e a proposta de seus pais de vender a floricultura, que representa memórias e a vida da avó. O silêncio e a presença de Min-jun durante o funeral revelam que o amor muitas vezes se manifesta na companhia silenciosa em momentos difíceis.

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Ele olhou para ela de canto, com um sorriso de quem entrega uma travessura.

— Mas a outra metade só queria ver se você ia me impedir.

Eun-ha suspirou, fingindo indignação.

— Então eu sou uma espécie de… teste?

— Não, nada disso. — ele balançou a cabeça, divertido. — Você é mais como…

uma prova final de Letras. Daquelas que a gente não sabe se passou ou não até o professor

entregar o resultado semanas depois.

Ela riu, balançando a cabeça.

— Que comparação horrível.

— Horrível, mas verdadeira. — retrucou ele, com o mesmo sorriso.

Pararam no cruzamento, à espera do sinal abrir. As luzes vermelhas refletiam no

asfalto molhado. Nesse instante, Min-jun virou o rosto para ela, e a expressão leve deu

lugar a algo mais sério.

— Promete uma coisa?

— O quê?

— Não precisa virar alguém falante. Nem mudar quem você é. — disse com

firmeza. — Só não se esconda de mim de novo.

Eun-ha sentiu um nó se desfazer dentro dela. Sorriu, simples e desprendida.

— Prometo.

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O sinal abriu. Atravessaram a rua, e, pela primeira vez em muito tempo, Eun-ha

sentiu que não havia nada preso dentro dela. Tinha falado, tinha escutado, tinha rido. Era

como se uma porta tivesse se aberto — e não precisava ser escancarada. Bastava estar

entreaberta para deixar entrar e sair o ar.

Do lado de fora, a cidade continuava caótica, cheia de buzinas e vozes. Mas, ao lado

de Min-jun, tudo parecia encontrar lugar.

E assim terminaram a noite: caminhando juntos, sem pressa, compartilhando piadas

tolas e confidências sérias, misturando risos e silêncios.

Mas havia, finalmente, a sensação de que ambos, depois de tanto tempo, estavam

caminhando na mesma direção.

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Capítulo 8 – O adeus

Se a semana anterior foi incrível, a semana que se inicia era terrível. O trem para

Gwangju parecia mais lento do que de costume. Talvez fosse apenas impressão de Eun-

ha, porque dentro dela tudo se movia rápido demais: lembranças, ausências.

Min-jun a acompanhava em silêncio. Não tentou consolar com frases prontas;

apenas ficou ao lado, como quem entende que o luto não precisa de explicações, mas de

presença.

Quando chegaram, a cidade parecia igual, mas não era. As ruas, as casas, até o ar da

manhã carregavam uma falta irreparável.

A floricultura estava fechada. A mesma porta de madeira que sempre tilintava com

a campainha agora permanecia imóvel. Ao passar por ela, Eun-ha parou. Encostou os

dedos na maçaneta fria e, por um instante, imaginou a avó no balcão, cortando ramos,

ajeitando vasos como se fossem joias delicadas. Mas a imagem se desfez rápido. O lugar

estava mudo.

O funeral reuniu vizinhos antigos, conhecidos de longa data, senhoras que vinham

à loja há décadas. Todos falavam sobre a bondade dela, sobre sua calma, sobre como

cuidava das flores como quem cuidava de gente.

Eun-ha quase não falou. As lágrimas escorriam, mas eram discretas, silenciosas.

Sentia que qualquer palavra que tentasse dizer quebraria o pouco de equilíbrio que ainda

restava.

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Min-jun segurou sua mão durante a cerimônia. Não disse nada. E, naquele silêncio

compartilhado, Eun-ha compreendeu: às vezes o amor não está na fala, mas em

permanecer junto quando tudo parece se desfazer. E este amor é o mais raro.

À noite, depois que os convidados partiram, Eun-ha ouviu os pais conversando

com um tom prático demais para um momento de luto.

— Manter a floricultura não faz sentido — disse o pai, firme. — É trabalho demais,

e ninguém vai cuidar.

— Concordo — acrescentou a mãe. — Podemos vender. A casa antiga também.

Eun-ha precisa terminar a faculdade, ter futuro em Seul. Não pode se prender a isso.

As palavras caíram sobre ela como pedras.


Vender? Fechar as portas como se fossem apenas madeira e vidro?

Para os pais, talvez fosse apenas um negócio pequeno. Para ela, era memória, era

permanência, era a prova de que a vida simples da avó tinha florescido no coração de

tantas pessoas.

No quarto, sozinha, Eun-ha sentou-se diante da mesa onde ainda havia algumas

flores murchas em um vaso. O cheiro fraco lembrava-lhe a rotina de antes: abrir a loja

cedo, arrumar os buquês, ouvir a avó dizer que cada flor, mesmo imperfeita, tinha seu

valor.

O que mais espantava Eun-ha não era apenas a fragilidade repentina da avó, mas a

velocidade com que tudo acontecia. Era como se o tempo tivesse escolhido acelerar

justamente quando mais precisava ser lento.

Dias que antes pareciam longos agora escorriam entre os dedos.

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