Noções e Regras de Cálculo Integral
Noções e Regras de Cálculo Integral
INTEGRAIS
1
Sumário
1 NOÇÕES DE CÁLCULO INTEGRAL 2
1.1 Área . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
1.2 A integral definida . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
1.2.1 Partição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
1.2.2 Norma . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
1.2.3 Soma de Riemann . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
1.3 Função integrável . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
1.4 O cálculo da integral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
1.5 Integral Indefinida ou Primitiva de uma função . . . . . . . . . . . . . . . 6
2 REGRAS DE INTEGRAÇÃO/PRIMITIVAÇÃO 7
2.1 Primitivas Imediatas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
2.2 Propriedades da Integral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
7 APLICAÇÕES 19
7.1 Áreas sob curvas de oferta/demanda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
7.1.1 Função Demanda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
7.1.2 Função Oferta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
7.1.3 Equilíbrio de Mercado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
7.1.4 Excedente do Consumidor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
7.1.5 Excedente do Produtor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
7.1.6 Resumo: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
8 EXERCÍCIOS - aplicação 24
2
Admitindo conhecida uma noção intuitiva de área de uma figura plana e, ainda, que
a área de um retângulo de base b e altura h é b · h, vamos descrever um processo para
determinar a área A.
Seja f (x) constante e igual a k em [a, b], ou seja, f (x) = k.
A = k · (b − a)
a = x0 < x1 < x2 < ... < xi−1 < xi < ... < xn−1 < xn = b
Definição: De um modo geral, se f é uma função contínua definida em [a, b], o número
X
n
do qual as somas f (x̄i )∆i x se aproximam arbitrariamente à medida que todos os ∆i x
i=1
se tornam simultaneamente pequenos é chamado integral de f em [a, b] e é representado
por Z b
f (x)dx
a
Assim, podemos dizer que, sendo ∆i x pequeno, com i = 1, 2, ...n, temos a igualdade
aproximada:
Z b Xn
f (x)dx =∼ f (x̄i )∆i
a i=1
1.2.2 Norma
Chamamos norma da partição ℘ o número µ, máximo do conjunto {∆1 x, ∆2 x, ..., ∆i x, ..., ∆n x}
em que ∆i x = xi − xi−1 , com i = 1, 2, ...n.
X
n
f (xi )∆i x
i=1
se chama soma de Riemann de f em [a, b] relativa à partição ℘ e à escolha feita dos x̄i .
5
Teorema 1:
Se f é contínua em [a, b], então f é integrável em [a, b].
Teorema 2:
Z x
′
Se A(x) = f (t)dt, então A (x) = f (x).
a
Z b
Para calcular f (x)dx, podemos procurar uma função como A(x), tal que A(a) = 0
a Z b
′
e A (x) = f (x), e teremos: A(b) = f (x)dx.
a
F (x) = A(x) + c
Z x
em que c é uma constante e A(x) = f (x)dx
a
′
Demonstração: De fato, mostramos que A (x) = f (x) e sabemos por hipótese que
′
F (x) = f (x); segue que a derivada de função F (x) − A(x) é nula em [a, b] e então
F (x) − A(x) é constante, ou seja, F (x) − A(x) = c
′
Sendo, então, F (x) tal que F (x) = f (x), temos:
F (b) = A(b) + c
F (a) = A(a) + c = 0 + c = c
Logo, F (b) = A(b) − F (a) e então A(b) = F (b) − F (a).
Z b
Resumindo, o procedimento para determinar f (x)dx, em que f é uma função
a
contínua em [a, b] deve ser o seguinte:
′
a) procuramos uma função F (x) tal que F (x) = f (x)
Z b
b) vale que f (x)dx = F (b) − F (a).
a
x3 x3 x3
EXEMPLO 1: Se f (x) = x2 , são primitivas de f as funções , + 1, + 5 ou,
3 3 3
7
x3
de modo geral, + c, e escrevemos:
3
Z Z
x3
f (x)dx = x2 dx = +c
3
Outros exemplos:
Z Z
3. dx = 1dx = x + c
Z
5 x6
4. x dx = +c
6
Z Z
1 1
5. dx = x−2 dx = · x−2+1 = −x−1 + c
x 2 −2 + 1
Z
6. ex dx = ex + c
Z
Observação: O domínio da função f que ocorre em f (x)dx deverá ser sempre um
intervalo; nos casos em que o domínio não for mencionado, ficará implícito que se trata
de um intervalo.
2 REGRAS DE INTEGRAÇÃO/PRIMITIVAÇÃO
1. Seja n um número real fixo, tem-se:
(a) Para n ̸= −1 Z
xn+1
xn dx = +c
n+1
(d) Se c ∈ ]a, b[, ou seja, (a < c < b) e f é integrável em [a, c] e em [c, b] então:
Z b Z c Z b
f (x)dx = f (x)dx + f (x)dx
a a c
(g) Se a = b, então:
Z b
f (x)dx = 0
a
Z Z
x4
2. 5x dx = 5 ·
3
+c x3 dx = 5 ·
4
Z Z Z
x2
3. (3x + 7)dx = 3x dx + 7 dx = 3 · + 7x + c
2
Z Z Z Z
x3 3x2
4. (x + 3x − 2)dx = x dx + 3xdx − 2dx =
2 2
+ − 2x + c
3 2
Z
x3 x2
5. (x2 − 5x + 3)dx = −5· + 3x + c
3 2
Z 2
EXEMPLO 1. Calcule x2 dx.
1
Solução
A primitiva F é dada por:
1
F (x) = x3
3
Assim, calculamos F(1) e F(2):
1 3 1
• F (a) = F (1) = ·1 =
3 3
1 8
• F (b) = F (2) = · 23 =
3 3
Por fim, calculamos a diferença F (b) − F (a), resultando em:
8 1 7
F (b) − F (a) = − =
3 3 3
Z 2
7
Ou seja, x2 dx =
1 3
Z 3
EXEMPLO 2. Calcule 4 dx.
−1
Z 2
1
EXEMPLO 4. Calcule dx.
1 x2
Solução
Z 2 Z 2
1
dx = x−2 dx
1 x2 1
" #2
1
= −
x
" #1 " #
1 1
= − − −
2 1
" #
1 1
=− −
2 1
1
=
2
Z 4
Solução A área A será igual a f (x)dx.
Z b 1
x3 x2
Logo, F (x) = (x2 − 5x + 9)dx = − 5 + 9x e então, sendo a = 1 e b = 4:
a 3 2
Z 4
F (x) = (x2 − 5x + 9)dx
1
= F (b) − F (a)
= F (4) − F (1)
" # " #
43 42 13 12
= − 5 + 9(4) − − 5 + 9(1)
3 2 3 2
" # " #
64 80 1 5
= − + 36 − − +9
3 2 3 2
52 41 21
= − =
3 6 2
Z π
8
EXEMPLO 6. Calcule sin 2x
0
Solução
Z π
" # π8
8 1
sin 2x = − cos 2x
0 2
0
Sabendo que:
π π √
2
• cos 2 = cos =
8 4 2
• cos 2(0) = cos(0) = 1
13
Temos:
" # π8 " √ # " #
1 1 2 1
− cos 2x = − · − − ·1
2 2 2 2
0
√
2 1
=− +
4√ 2
2− 2
=
4
14
(b) f (x) = 3
1 (e) f (x) = −x5 + 3
x x3 + 1
(c) f (x) = x3 − 2x + 7 (f) f (x) =
7
′
De um modo geral, se f (x) pode ser escrita na forma g(u) · u , em que u = u(x), então
uma primitiva de f (x) será obtida tomando-se uma primitiva de g(u) e substituindo u
por u(x), ou seja:
Z 1
EXEMPLO 1. Calcule (x − 1)10 dx
0
Solução:
Façamos x − 1 = u, ou seja, x = u + 1.
′
x = u + 1 ⇒ dx = (u + 1) = du
x=0 ⇒ u = −1
x=1 ⇒u=0
Z Z " #0
1 1 11
u
(x − 1)10 dx = (u)10 du =
0 0 11
−1
11
0 (−1)11
= −
11 11
(−1) 1
=0− =
11 11
16
Z 1 √
EXEMPLO 2. Calcule ( 2x − 1)dx.
1
2
Solução:
1 1
Façamos u = 2x − 1 ou x = u + .
2 2
1
x= u+ 1 1
⇒ dx = du
2 2 2
1
x= ⇒u=0
2
x=1 ⇒u=1
Z 1 Z
√ 1 √ 1
( 2x − 1)dx = u du
1
0 2
2
Z
1 1 √
= u du
2 0
" #1
1 2√ 3
= · u
2 3
" #0 " #
1 √
2 3 √
2 3
= · 1 − 0
2 3 3
" #
1 √
2 3
= · 1 −0
2 3
1 2 2
= · =
2 3 6
1
=
3
Z
Suponha, agora, que se tenha que calcular α(x) · β(x) dx. Se você perceber que,
multiplicando a derivada de uma das funções do integrando por uma primitiva da outra,
chegase a uma função que possui primitiva imediata, então aplique a regra de integração
por partes.
Z
EXEMPLO 1. Calcule x · cos x dx.
A derivada de x é 1; sen x é uma primitiva de cos x. Como 1 · sen x tem primitiva
imediata, a regra de integração por partes resolve o problema. Portanto:
Z Z
′
|{z} | {z x} dx = f (x)g(x) −
x cos f (x)g(x)dx
f g′
Z
= x sen x 1 · sen x dx
= x sen x + cos x + k
5.2.1
Integração por partes de integrais definidas
Z 5
EXEMPLO 2. Calcule xe−x dx.
0
Solução
definimos u = x e dv = e−x dx
u=x du = dx
dν = e−x dx ν = −e−x .
Agora, integramos por partes:
Z 5 Z 5
−x
xedx = u dν
0 0
h i5 Z 5
= uν − ν du
0 0
h i5 Z 5
−x
= − xe − −e−x dx
0 0
h i5
−x −x
= − xe − e
0
h i5
= − e−x (x + 1)
0
−5
= −e (6) + e (1) 0
= −6e−5 + 1
18
7 APLICAÇÕES
7.1 Áreas sob curvas de oferta/demanda
7.1.1 Função Demanda
A demanda de uma mercadoria é dada pela quantidade que os consumidores desejam
adquirir num certo período de tempo. A demanda depende de uma série de fatores, dos
quais podemos citar: o preço da mercadoria, a renda do consumidor, o preço de outras
mercadorias que têm alguma relação com ela, os hábitos e os gostos do consumidor e o
efeito que a propaganda provoca no mercado consumidor. A demanda de uma mercadoria
é, portanto, a resultante da ação conjunta ou combinada de todas essas variáveis.
Quando queremos saber, por exemplo, o que ocorre com a demanda de uma mercado-
ria se o preço da mesma aumentar, devemos supor que todas as demais variáveis que
influenciam a demanda permanecem inalteradas, de modo que a variação da demanda
dependa exclusivamente da variação do preço.
Uma função que relaciona o preço unitário e a quantidade demandada de uma mer-
cadoria é chamada de função de demanda.
O gráfico da função de demanda é chamado curva de demanda. Quando se traça um
esboço de uma curva de demanda é costume usar o eixo vertical para representar o preço
e o eixo horizontal para representar a quantidade (figura abaixo).
A função de demanda p = D(q) também pode ser encarada como a taxa de variação
da quantia total A(q) que os consumidores estão dispostos a gastar para comprar q
unidades (quantia total paga ao preço máximo) em relação à q, isto é,
dA
D(q) =
dq
Integrando ambos os membros dessa equação obtemos:
Z q0 Z q0
dA
D(q)dq = dq = A(q0 ) − A(0) = A(q0 )
0 0 dq
21
Logo, a quantia total que os consumidores estão dispostos a gastar para adquirir q0
unidades de um produto é dada por:
Z q0
A(q0 ) = D(q)dq
0
Quantia total que o consumidor está disposto a gastar para adquirir q0 unidades
menos (-) Quantia gasta pelo consumidor para adquirir q0 unidades é igual a (=) Exce-
dente do consumidor.
Logo, se q0 unidades de um produto são vendidas por um preço unitário p0 e p = D(q)
é a função de demanda do produto, então, o excedentedo consumidor é dado por:
Z q0
EC = D(q)dq − p0 · q0
0
22
p0 = 60,
D(q0 ) = 60.
−0.3q02 + 90 = 60
−0.3q02 = −30
(q0 )2 = 100
q0 = 10.
Calculamos a integral:
Z
(−0.3q 2 + 90) dq = −0.1q 3 + 90q.
Aplicando os limites:
Z 10 h i10
(−0.3q 2 + 90) dq = − 0.1q 3 + 90q = (−0.1 · 1000 + 90 · 10) − 0.
0 0
p0 q0 = 60 · 10 = 600.
EC = 200
23
Aplicando os limites:
Z 4 h i4
(0.3q 2 + 30) dq = 0.1q 3 + 30q = (0.1 · 43 + 30 · 4) − 0.
0 0
24
EP = 34.8 · 4 − 126.4
EP = 12,8
Portanto, o excedente do produtor é:
12,8 .
7.1.6 Resumo:
• O excedente do consumidor (EC) mede o ganho do consumidor por pagar um
preço menor do que ele estaria disposto a pagar;
EC = área entre a curva de demanda e o preço de mercado
8 EXERCÍCIOS - aplicação
1. As funções de demanda e de oferta para um determinado bem são dadas, respecti-
q q + 50
vamente, por p = − + 50 e p = Ache o preço e a quantidade de equilíbrio.
2 3
2. A função de demanda de um produto é p = 4(25 − q 2 ) reais por unidade. Determine
a quantia total que os consumidores estão dispostos a gastar para adquirir três
unidades do produto.