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Noções e Regras de Cálculo Integral

O documento aborda conceitos fundamentais de cálculo integral, incluindo a definição de integral, regras de integração e o teorema fundamental do cálculo. Ele detalha o processo de cálculo de áreas sob curvas e apresenta técnicas básicas de integração, como substituição e partes. Além disso, inclui exercícios práticos para aplicação dos conceitos discutidos.
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Noções e Regras de Cálculo Integral

O documento aborda conceitos fundamentais de cálculo integral, incluindo a definição de integral, regras de integração e o teorema fundamental do cálculo. Ele detalha o processo de cálculo de áreas sob curvas e apresenta técnicas básicas de integração, como substituição e partes. Além disso, inclui exercícios práticos para aplicação dos conceitos discutidos.
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Universidade Federal de Rondonópolis

Instituto de Ciências Exatas e Naturais

Professora Vitória Rodrigues

INTEGRAIS
1

Sumário
1 NOÇÕES DE CÁLCULO INTEGRAL 2
1.1 Área . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
1.2 A integral definida . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
1.2.1 Partição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
1.2.2 Norma . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
1.2.3 Soma de Riemann . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
1.3 Função integrável . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
1.4 O cálculo da integral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
1.5 Integral Indefinida ou Primitiva de uma função . . . . . . . . . . . . . . . 6

2 REGRAS DE INTEGRAÇÃO/PRIMITIVAÇÃO 7
2.1 Primitivas Imediatas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
2.2 Propriedades da Integral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9

3 TEOREMA FUNDAMENTAL DO CÁLCULO 10

4 EXERCÍCIOS - Regras de Integração 14

5 TECNICAS BÁSICAS DE INTEGRAÇÃO 15


5.1 Integração por substituição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
5.2 Integração por partes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
5.2.1 Integração por partes de integrais definidas . . . . . . . . . . . . . 17

6 EXERCÍCIOS - técnicas de integração 18

7 APLICAÇÕES 19
7.1 Áreas sob curvas de oferta/demanda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
7.1.1 Função Demanda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
7.1.2 Função Oferta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
7.1.3 Equilíbrio de Mercado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
7.1.4 Excedente do Consumidor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
7.1.5 Excedente do Produtor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
7.1.6 Resumo: . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24

8 EXERCÍCIOS - aplicação 24
2

1 NOÇÕES DE CÁLCULO INTEGRAL


1.1 Área
Historicamente, foi da necessidade de calcular áreas de figuras planas cujos contornos
não são segmentos de reta que brotou a noção de integral.
Por exemplo, consideremos o problema de calcular a área A da região sob o gráfico
da função f : [a, b] → R, em que f (x) ≥ 0.

Admitindo conhecida uma noção intuitiva de área de uma figura plana e, ainda, que
a área de um retângulo de base b e altura h é b · h, vamos descrever um processo para
determinar a área A.
Seja f (x) constante e igual a k em [a, b], ou seja, f (x) = k.

Dessa forma, a área procurada seria a área de um retângulo e teríamos:

A = k · (b − a)

Não sendo f (x) constante, dividimos o intervalo [a, b] em subintervalos suficientemente


pequenos para que neles f (x) possa ser considerada constante com uma boa aproximação.
3

Em cada subintervalo podemos calcular, aproximadamente, a área sob o gráfico, calcu-


lando a área do pequeno retângulo que fica determinado quando supomos f (x) constante;
a área procurada será, aproximadamente, a soma das áreas destes retângulos.

Vamos descrever mais precisamente o procedimento acima relatado.


A divisão de [a, b] em subintervalos é feita intercalando-se pontos x1 , x2 , ..., xn entre a
e b, como segue:

a = x0 < x1 < x2 < ... < xi−1 < xi < ... < xn−1 < xn = b

Os n subintervalos em que [a, b] fica dividido têm comprimentos ∆i x = xi − xi−1 , com


i = 1, 2, ..., n. Escolhemos x̄i ∈ [xi−1 , xi ] e supomos f (x) constante e igual a f (xi ) em
[xi−1 , xi ], i = 1, 2, ..., n. Graficamente, temos:
4

A área A é aproximadamente a soma das áreas dos retângulos, e escrevemos:


X
n
A∼
= f (x̄i )∆i x
i=1

A soma que aparece no 2º membro da igualdade anterior se aproxima


mais e mais da área procurada à medida que dividimos mais e mais [a, b], não
deixando nenhum subintervalo grande demais.

Definição: De um modo geral, se f é uma função contínua definida em [a, b], o número
X
n
do qual as somas f (x̄i )∆i x se aproximam arbitrariamente à medida que todos os ∆i x
i=1
se tornam simultaneamente pequenos é chamado integral de f em [a, b] e é representado
por Z b
f (x)dx
a

Assim, podemos dizer que, sendo ∆i x pequeno, com i = 1, 2, ...n, temos a igualdade
aproximada:
Z b Xn
f (x)dx =∼ f (x̄i )∆i
a i=1

No caso da área A que estávamos calculando, podemos escrever:


Z b
A= f (x)dx
a

1.2 A integral definida


1.2.1 Partição
Uma partição de [a, b] é um conjunto ℘ = {x0 , x1 , x2 , ..., xi−1 , xi , ..., xn } com
xi ∈ [a, b], e i = 1, 2, ..., n e a = x0 < x1 < x2 < ... < xi−1 < xi < ... < xn−1 < xn = b

1.2.2 Norma
Chamamos norma da partição ℘ o número µ, máximo do conjunto {∆1 x, ∆2 x, ..., ∆i x, ..., ∆n x}
em que ∆i x = xi − xi−1 , com i = 1, 2, ...n.

1.2.3 Soma de Riemann


Sendo xi escolhido arbitrariamente no intervalo [xi−1 , xi ], i = 1, 2, ...n, a soma f (x¯1 )∆1 x+
f (x¯2 )∆2 x + ... + f (x̄i )∆i x + ... + f (x¯n )∆n x ou seja,

X
n
f (xi )∆i x
i=1

se chama soma de Riemann de f em [a, b] relativa à partição ℘ e à escolha feita dos x̄i .
5

1.3 Função integrável


Sob certas condições bem gerais, que estabeleceremos a seguir, as somas de Riemann se
aproximam arbitrariamente de um número fixo I, quando a norma µ da partição ℘ se
torna cada vez menor, independentemente das escolhas dos xi .
Quando isto ocorre, dizemos que a função f é integrável em [a, b] e I é a integral de
f em [a, b].

Teorema 1:
Se f é contínua em [a, b], então f é integrável em [a, b].

1.4 O cálculo da integral


Vamos agora procurar um processo para calcular a integral de f em [a, b] sem termos que
recorrer à definição. Z b
Consideremos f contínua e não negativa em [a, b]. O número f (x)dx representa
a
a área A sob o gráfico de f (x) no intervalo [a, b].
Z b
A= f (x)dx
a
6

Teorema 2:
Z x

Se A(x) = f (t)dt, então A (x) = f (x).
a
Z b
Para calcular f (x)dx, podemos procurar uma função como A(x), tal que A(a) = 0
a Z b

e A (x) = f (x), e teremos: A(b) = f (x)dx.
a

Este procedimento pode ser simplificado se atentarmos para o seguinte teorema.



Teorema 3: Se F (x) é uma função qualquer que satisfaz a condição F (x) = f (x) em
[a, b], f contínua em [a, b], então

F (x) = A(x) + c
Z x
em que c é uma constante e A(x) = f (x)dx
a

Demonstração: De fato, mostramos que A (x) = f (x) e sabemos por hipótese que

F (x) = f (x); segue que a derivada de função F (x) − A(x) é nula em [a, b] e então
F (x) − A(x) é constante, ou seja, F (x) − A(x) = c

Sendo, então, F (x) tal que F (x) = f (x), temos:

F (b) = A(b) + c
F (a) = A(a) + c = 0 + c = c
Logo, F (b) = A(b) − F (a) e então A(b) = F (b) − F (a).
Z b
Resumindo, o procedimento para determinar f (x)dx, em que f é uma função
a
contínua em [a, b] deve ser o seguinte:

a) procuramos uma função F (x) tal que F (x) = f (x)
Z b
b) vale que f (x)dx = F (b) − F (a).
a

Observação: Na justificativa do procedimento acima, utilizamos como hipótese o fato


de f ser não negativa em [a, b]; caso f (x) < 0, uma pequena alteração nos argumentos
levaria à mesma conclusão, de modo que a única exigência efetiva para f é a continuidade
em [a, b].

1.5 Integral Indefinida ou Primitiva de uma função



Uma função F satisfazendo a condição F (x) = f (x) é chamada primitiva de f ou,
ainda, integral indefinida de f . Se F é uma primitiva de f , então F (x) + c, em que
c é uma
Z constante, também é. De modo geral, representamos uma primitiva genérica de
f por f (x)dx.

x3 x3 x3
EXEMPLO 1: Se f (x) = x2 , são primitivas de f as funções , + 1, + 5 ou,
3 3 3
7

x3
de modo geral, + c, e escrevemos:
3
Z Z
x3
f (x)dx = x2 dx = +c
3

EXEMPLO 2. Para toda constante k, F (x) = 2x + k é primitiva, em R, de


f (x) = 2, pois,
′ ′
f (x) = (2x + k) = 2
para todo x.
Sendo F uma primitiva de f em I, então, para toda constante k, F (x) + k é, também,
primitiva de f .

Outros exemplos:
Z Z
3. dx = 1dx = x + c
Z
5 x6
4. x dx = +c
6
Z Z
1 1
5. dx = x−2 dx = · x−2+1 = −x−1 + c
x 2 −2 + 1
Z
6. ex dx = ex + c
Z
Observação: O domínio da função f que ocorre em f (x)dx deverá ser sempre um
intervalo; nos casos em que o domínio não for mencionado, ficará implícito que se trata
de um intervalo.

2 REGRAS DE INTEGRAÇÃO/PRIMITIVAÇÃO
1. Seja n um número real fixo, tem-se:
(a) Para n ̸= −1 Z
xn+1
xn dx = +c
n+1

(b) Para n = −1 e x > 0


Z Z
n
x dx = x−1 dx = ln x + c

2. Seja α um real fixo, α ̸= 0, temos que:


Z
1
eαx dx = eαx + c
α
8

2.1 Primitivas Imediatas


1. Sejam α ̸= 0 e k constantes reais. Das fórmulas de derivação já vistas seguem as
seguintes de primitivação:
Z
(a) c dx = cx + k
Z
xα+1
(b) xα dx = + k (α ̸= −1)
α+1
Z
(c) ex dx = ex + k
Z
1
(d) dx = ln x + k (x > 0)
x
Z
1
(e) dx = ln(−x) + k (x < 0)
x
Z
1
(f) dx = ln |x| + k
x
Z
(g) cos x dx = sin x + k
Z
(h) sin x dx = − cos x + k
Z
(i) sec2 x dx = tan x + k
Z
(j) sec x tan x dx = sec x + k
Z
(k) sec x dx = ln | sec x + tan x| + k
Z
(l) tan x dx = − ln | cos x| + k
Z
1
(m) dx = arc tg x + k
1 + x2
Z
1
(n) √ dx = arc sen x + k
1 − x2
9

2.2 Propriedades da Integral


Como consequência de propriedades conhecidas para as derivadas, temos ainda o seguinte
teorema:

1. Teorema. Sejam f , g funções integráveis em [a, b] e c uma constante. Então:

(a) f + g é integrável em [a, b] e:


Z b Z b Z b
= [f (x) + g(x)]dx = f (x)dx + g(x)dx
a a a

A integral da soma é a soma das integrais.


(b) k · f é integrável em [a, b], k ̸= 0 e
Z b Z b
kf (x) = k f (x)dx
a a

A integral de uma constante vezes uma função, é igual a constante multiplicada


pela integral da função.
(c) Se f (x) ≥ 0 em [a, b], então:
Z b
f (x)dx ≥ 0
a

(d) Se c ∈ ]a, b[, ou seja, (a < c < b) e f é integrável em [a, c] e em [c, b] então:
Z b Z c Z b
f (x)dx = f (x)dx + f (x)dx
a a c

(e) Para todo x em [a, b], se f (x) ≥ g(x), então:


Z b Z b
f (x)dx ≥ g(x)dx
a a

(f) Se a > b, então:


Z b Z b
f (x)dx = − f (x)dx
a a

(g) Se a = b, então:
Z b
f (x)dx = 0
a

Segue alguns exemplos:


Z Z Z
3 3 x4
1. (x + cos x)dx = x dx + cos x dx = + sin x + c
4
10

Z Z
x4
2. 5x dx = 5 ·
3
+c x3 dx = 5 ·
4
Z Z Z
x2
3. (3x + 7)dx = 3x dx + 7 dx = 3 · + 7x + c
2
Z Z Z Z
x3 3x2
4. (x + 3x − 2)dx = x dx + 3xdx − 2dx =
2 2
+ − 2x + c
3 2
Z
x3 x2
5. (x2 − 5x + 3)dx = −5· + 3x + c
3 2

3 TEOREMA FUNDAMENTAL DO CÁLCULO


Se f for integrável em [a, b] e se F for uma primitiva de f em [a, b], então
Z b
f (x)dx = F (b) − F (a)
a
h ia
A diferença F (b) − F (a) será indicada por F (x) assim, tem-se:
b
Z b h ia
f (x)dx = F (x) = F (b) − F (a)
a b

Z 2
EXEMPLO 1. Calcule x2 dx.
1

Solução
A primitiva F é dada por:
1
F (x) = x3
3
Assim, calculamos F(1) e F(2):
1 3 1
• F (a) = F (1) = ·1 =
3 3
1 8
• F (b) = F (2) = · 23 =
3 3
Por fim, calculamos a diferença F (b) − F (a), resultando em:
8 1 7
F (b) − F (a) = − =
3 3 3
Z 2
7
Ou seja, x2 dx =
1 3
Z 3
EXEMPLO 2. Calcule 4 dx.
−1

Solução A primitiva F é dada por:


F (x) = 4x
Assim, calculamos F(-1) e F(3):
11

• F (a) = F (−1) = 4(−1) = −4

• F (b) = F (3) = 4(3) = 12

Por fim, calculamos a diferença F (b) − F (a), resultando em:

F (b) − F (a) = 12 − (−4) = 12 + 4 = 16


Z 3
Ou seja, 4 dx = 16.
−1
Z 2
EXEMPLO 3. Calcule (x3 + 3x − 1) dx.
0
Solução
Z " #2
2 4 2
x 3x
(x3 + 3x − 1) dx = + −x
0 4 2
" 0
# " #
2 4
3 · (2) 2
04 3 · (0)2
= + −2 − + −0
4 2 4 2
| {z }
ZERO
" #
16 12
= + −2
4 2
= 4+6−2=8

Z 2
1
EXEMPLO 4. Calcule dx.
1 x2
Solução
Z 2 Z 2
1
dx = x−2 dx
1 x2 1
" #2
1
= −
x
" #1 " #
1 1
= − − −
2 1
" #
1 1
=− −
2 1
1
=
2

EXEMPLO 5. (CÁLCULO DE ÁREA)


Calcule a área sob o gráfico de f (x) = x2 − 5x + 9, sendo 1 < x < 4.
12

Z 4
Solução A área A será igual a f (x)dx.
Z b 1
x3 x2
Logo, F (x) = (x2 − 5x + 9)dx = − 5 + 9x e então, sendo a = 1 e b = 4:
a 3 2
Z 4
F (x) = (x2 − 5x + 9)dx
1
= F (b) − F (a)
= F (4) − F (1)
" # " #
43 42 13 12
= − 5 + 9(4) − − 5 + 9(1)
3 2 3 2
" # " #
64 80 1 5
= − + 36 − − +9
3 2 3 2
52 41 21
= − =
3 6 2
Z π
8
EXEMPLO 6. Calcule sin 2x
0
Solução
Z π
" # π8
8 1
sin 2x = − cos 2x
0 2
0
Sabendo que:
π  π  √
2
• cos 2 = cos =
8 4 2
• cos 2(0) = cos(0) = 1
13

Temos:
" # π8 " √ # " #
1 1 2 1
− cos 2x = − · − − ·1
2 2 2 2
0

2 1
=− +
4√ 2
2− 2
=
4
14

4 EXERCÍCIOS - Regras de Integração


1. Determine primitivas para as funções:

(a) f (x) = x (d) f (x) = sin x + 3 cos x

(b) f (x) = 3
1 (e) f (x) = −x5 + 3
x x3 + 1
(c) f (x) = x3 − 2x + 7 (f) f (x) =
7

2. Determine as integrais indefinidas indicadas:


Z Z
(a) 10 dx (e) (4x + 3)dx
Z Z
2
(b) x 5 dx (f) x(2x + 2)dx
Z Z
√ √
(c) 5
x dx (g) (2 + 4
x ) dx
Z Z
(d) (x3 − 4x2 − 2x + 1)dx (h) x2 − x3 dx

3. Calcule as integrais definidas:


Z 1 Z 1
(a) x dx (e) x7 dx
0 −1
Z 3 Z 2
(b) x2 dx (f) (x2 − 3x + 5) dx
1 0
Z 1 Z 2
(c) 7 dx (g) (x2 + 3x − 3) dx
−1 0
Z 1 Z 1
(d) (x + 3) dx (h) (2x + 3) dx
0 1

4. Calcule a área sob o gráfico de f entre x = a e x = b.

(a) f (x) = 4 − x2 e [a, b] = [−2, 2]


(b) f (x) = x2 + 7 e [a, b] = [0, 3]
15

5 TECNICAS BÁSICAS DE INTEGRAÇÃO


5.1 Integração por substituição
Teorema. Seja f contínua num intervalo I e sejam a e b dois reais quaisquer em I. Seja

g : [c, d] → I, com g contínua em [c, d], tal que g(c) = a e g(d) = b. Nestas condições:
Z b Z d

f (x)dx = f [g(u) · g (u)]du
a c


De um modo geral, se f (x) pode ser escrita na forma g(u) · u , em que u = u(x), então
uma primitiva de f (x) será obtida tomando-se uma primitiva de g(u) e substituindo u
por u(x), ou seja:

Z 1
EXEMPLO 1. Calcule (x − 1)10 dx
0
Solução:
Façamos x − 1 = u, ou seja, x = u + 1.
 ′
 x = u + 1 ⇒ dx = (u + 1) = du
x=0 ⇒ u = −1

x=1 ⇒u=0

Z Z " #0
1 1 11
u
(x − 1)10 dx = (u)10 du =
0 0 11
−1
11
0 (−1)11
= −
11 11
(−1) 1
=0− =
11 11
16

Z 1 √
EXEMPLO 2. Calcule ( 2x − 1)dx.
1
2
Solução:
1 1
Façamos u = 2x − 1 ou x = u + .
 2 2
 1
 x= u+ 1 1

 ⇒ dx = du
2 2 2
1

 x= ⇒u=0

 2
x=1 ⇒u=1
Z 1 Z
√ 1 √ 1
( 2x − 1)dx = u du
1
0 2
2
Z
1 1 √
= u du
2 0
" #1
1 2√ 3
= · u
2 3
" #0 " #
1 √
2 3 √
2 3
= · 1 − 0
2 3 3
" #
1 √
2 3
= · 1 −0
2 3
1 2 2
= · =
2 3 6
1
=
3

5.2 Integração por partes


Suponhamos f e g definidas e deriváveis num mesmo intervalo I. Temos:
′ ′ ′
[f (x) · g(x)] = f (x)g(x) + f (x)g (x)
ou
′ ′ ′
f (x)g (x) = [f (x)g(x)] −f (x)g(x)

Supondo, então, que f (x)g(x) admita primitiva em I e observando que f (x) · g(x) é
′ ′
uma primitiva de[f (x)g(x)] , então f (x)g (x) também admitirá primitiva em I e:
Z Z
′ ′
f (x)g (x)dx = f (x)g(x) − f (x)g(x)dx

que é a regra de integração por partes.


′ ′
Fazendo u = f (x) e ν = g(x) teremos du = f (x)dx e dν = g (x)dx, o que nos permite
escrever a regra acima na seguinte forma usual:
Z Z
u dν = u ν − ν du
17

Z
Suponha, agora, que se tenha que calcular α(x) · β(x) dx. Se você perceber que,
multiplicando a derivada de uma das funções do integrando por uma primitiva da outra,
chegase a uma função que possui primitiva imediata, então aplique a regra de integração
por partes.
Z
EXEMPLO 1. Calcule x · cos x dx.
A derivada de x é 1; sen x é uma primitiva de cos x. Como 1 · sen x tem primitiva
imediata, a regra de integração por partes resolve o problema. Portanto:

Z Z

|{z} | {z x} dx = f (x)g(x) −
x cos f (x)g(x)dx
f g′
Z
= x sen x 1 · sen x dx

= x sen x + cos x + k

5.2.1
Integração por partes de integrais definidas
Z 5
EXEMPLO 2. Calcule xe−x dx.
0
Solução

definimos u = x e dv = e−x dx
u=x du = dx
dν = e−x dx ν = −e−x .
Agora, integramos por partes:
Z 5 Z 5
−x
xedx = u dν
0 0
h i5 Z 5
= uν − ν du
0 0
h i5 Z 5
−x
= − xe − −e−x dx
0 0
h i5
−x −x
= − xe − e
0
h i5
= − e−x (x + 1)
0
−5
= −e (6) + e (1) 0

= −6e−5 + 1
18

6 EXERCÍCIOS - técnicas de integração


Os exercícios a seguir são exemplos resolvidos do livro ”Um curso de Cálculo (Hamilton
Luiz Guidorizzi)” - seções 12.2 e 12.3 do capítulo 12.

1. Resolva as integrais usando a técnica de integração por substituição:


Z
(a) e3x dx
Z
(b) (2x + 1)3 dx
Z
x
(c) ; dx
1 + x2
Z
1
(d) dx
3x + 2
2. Calcule as integrais usando a técnica de integração por partes
Z
(a) arc tan x dx
Z
(b) x2 sen x dx
Z
(c) cos2 x dx
Z
(d) sen3 x dx
19

7 APLICAÇÕES
7.1 Áreas sob curvas de oferta/demanda
7.1.1 Função Demanda
A demanda de uma mercadoria é dada pela quantidade que os consumidores desejam
adquirir num certo período de tempo. A demanda depende de uma série de fatores, dos
quais podemos citar: o preço da mercadoria, a renda do consumidor, o preço de outras
mercadorias que têm alguma relação com ela, os hábitos e os gostos do consumidor e o
efeito que a propaganda provoca no mercado consumidor. A demanda de uma mercadoria
é, portanto, a resultante da ação conjunta ou combinada de todas essas variáveis.
Quando queremos saber, por exemplo, o que ocorre com a demanda de uma mercado-
ria se o preço da mesma aumentar, devemos supor que todas as demais variáveis que
influenciam a demanda permanecem inalteradas, de modo que a variação da demanda
dependa exclusivamente da variação do preço.
Uma função que relaciona o preço unitário e a quantidade demandada de uma mer-
cadoria é chamada de função de demanda.
O gráfico da função de demanda é chamado curva de demanda. Quando se traça um
esboço de uma curva de demanda é costume usar o eixo vertical para representar o preço
e o eixo horizontal para representar a quantidade (figura abaixo).

Como seria de se esperar, a função de demanda é decrescente (à medida que o preço


aumenta, a quantidade procurada diminui; quando o preço diminui, a quantidade procu-
rada aumenta).

7.1.2 Função Oferta


A oferta também pode ser expressa por uma função que relaciona o preço e a quantidade
ofertada de uma mercadoria, descrevendo o comportamento do produtor. Como no caso
da demanda, quando se considera apenas o preço como determinante da quantidade
que é ofertada de uma mercadoria, estamos supondo que os demais fatores permanecem
constantes.
Uma função que relaciona o preço unitário e a quantidade ofertada de uma mercadoria
é chamada de função de oferta.
20

O gráfico da função de oferta é chamado de curva de oferta e a figura abaixo mostra


um esboço dela quando as circunstâncias são normais. A função de oferta é crescente,
pois à medida que o preço aumenta, a quantidade ofertada também aumenta; quando o
preço diminui, a quantidade ofertada diminui.

7.1.3 Equilíbrio de Mercado


O chamado equilíbrio de mercado prevalece quando a quantidade demandada é igual
à quantidade produzida. A quantidade produzida (ou demandada) num equilíbrio de
mercado é chamada de quantidade de equilíbrio e o preço correspondente é chamado
de preço de equilíbrio. O equilíbrio de mercado corresponde ao ponto no qual a curva
de demanda e a curva de oferta se interceptam.
Na figura abaixo temos um esboço de uma curva de demanda (D) e uma curva de
oferta (S) e (qE , pE ) é o ponto de equilíbrio.

A função de demanda p = D(q) também pode ser encarada como a taxa de variação
da quantia total A(q) que os consumidores estão dispostos a gastar para comprar q
unidades (quantia total paga ao preço máximo) em relação à q, isto é,

dA
D(q) =
dq
Integrando ambos os membros dessa equação obtemos:
Z q0 Z q0
dA
D(q)dq = dq = A(q0 ) − A(0) = A(q0 )
0 0 dq
21

Logo, a quantia total que os consumidores estão dispostos a gastar para adquirir q0
unidades de um produto é dada por:
Z q0
A(q0 ) = D(q)dq
0

Em termos geométricos, A(q0 ) é a área sob a curva de demanda entre q = 0 e


q = q0 .

7.1.4 Excedente do Consumidor


Uma vez conhecido o preço p0 de um produto, o número de unidades adquiridas pelos
consumidores é dado pela função de demanda. A quantia gasta pelos consumidores para
adquirir q0 unidades do produto ao preço p0 é, portanto, p0 · q0 .
Em uma economia competitiva, a quantia total que os consumidores gastam com um
produto geralmente é menor do que a que estariam dispostos a gastar.
A diferença entre as duas quantias pode ser considerada uma poupança do consumidor
e é conhecida como excedente do consumidor (EC).

Quantia total que o consumidor está disposto a gastar para adquirir q0 unidades
menos (-) Quantia gasta pelo consumidor para adquirir q0 unidades é igual a (=) Exce-
dente do consumidor.
Logo, se q0 unidades de um produto são vendidas por um preço unitário p0 e p = D(q)
é a função de demanda do produto, então, o excedentedo consumidor é dado por:
Z q0
EC = D(q)dq − p0 · q0
0
22

EXEMPLO: Dada a função de demanda

p = D(q) = −0.3q 2 + 90,

e sabendo que o preço de mercado é

p0 = 60,

determinamos a quantidade demandada q0 resolvendo:

D(q0 ) = 60.
−0.3q02 + 90 = 60
−0.3q02 = −30
(q0 )2 = 100
q0 = 10.

Usamos então a fórmula do excedente do consumidor:


Z q0
EC = D(q) dq − p0 q0 .
0

Calculamos a integral:
Z
(−0.3q 2 + 90) dq = −0.1q 3 + 90q.

Aplicando os limites:
Z 10 h i10
(−0.3q 2 + 90) dq = − 0.1q 3 + 90q = (−0.1 · 1000 + 90 · 10) − 0.
0 0

= (−100 + 900) = 800.


Agora calculamos o termo do preço de mercado:

p0 q0 = 60 · 10 = 600.

Finalmente, o excedente do consumidor:

EC = 800 − 600 = 200.

EC = 200
23

7.1.5 Excedente do Produtor


O excedente do produtor é o equivalente para o produtor do excedente do consum-
idor. A função de oferta p = S(q) representa o preço unitário que os produtores estão
dispostos a aceitar para fornecer q0 unidades de um produto. Os produtores que estavam
dispostos a aceitar um preço unitário menor que p0 = S(q0 ) pelo produto se beneficiam
do fato de que o preço é p0 .
O excedente do produtor é a diferença entre a quantia recebida pelo produtor e a
quantia que ele estaria disposto a aceitar.

Se q0 unidades de um produto são vendidas a um preço p0 e p = S(q) é a função de


oferta, então, o excedente do produtor é dado por:
Z q0
EP = p0 · q0 − S(q)dq
0

EXEMPLO: Se p = 0,3q 2 + 30 é a função de oferta de um produto S(p), determine


o excedente do produtor para o nível de produção q0 = 4.
Dada a função de oferta
p = S(q) = 0,3q 2 + 30,
e o nível de produção
q0 = 4,
o excedente do produtor é calculado pela fórmula:
Z q0
EP = p0 · q0 − S(q) dq.
0

Primeiro calculamos p0 = S(q0 ):

p0 = S(4) = 0.3(42 ) + 30 = 0.3 · 16 + 30 = 4.8 + 30 = 34.8.

Agora calculamos a integral:


Z
(0.3q 2 + 30) dq = 0.1q 3 + 30q.

Aplicando os limites:
Z 4 h i4
(0.3q 2 + 30) dq = 0.1q 3 + 30q = (0.1 · 43 + 30 · 4) − 0.
0 0
24

= 6.4 + 120 = 126.4.


Usando a fórmula: Z 4
EP = p0 q0 − S(q) dq
0

EP = 34.8 · 4 − 126.4

EP = 139.2 − 126.4 = 12.8.

EP = 12,8
Portanto, o excedente do produtor é:

12,8 .

7.1.6 Resumo:
• O excedente do consumidor (EC) mede o ganho do consumidor por pagar um
preço menor do que ele estaria disposto a pagar;
EC = área entre a curva de demanda e o preço de mercado

• O excedente do produtor (EP) mede o ganho do produtor por receber um preço


maior do que o mínimo que ele estaria disposto a aceitar.
EP = área entre a curva de oferta e o preço de mercado

8 EXERCÍCIOS - aplicação
1. As funções de demanda e de oferta para um determinado bem são dadas, respecti-
q q + 50
vamente, por p = − + 50 e p = Ache o preço e a quantidade de equilíbrio.
2 3
2. A função de demanda de um produto é p = 4(25 − q 2 ) reais por unidade. Determine
a quantia total que os consumidores estão dispostos a gastar para adquirir três
unidades do produto.

3. Encontre o excedente do consumidor para a função de demanda p = 50 − 0, 06q 2


em um nível de vendas de 20 unidades.

4. Se a função de oferta de um produto é p = q 2 + 4q + 4 e o preço unitário de mercado


é p0 = 25, determine o excedente do produtor.

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