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Noções de Contabilidade Analítica

O documento aborda a contabilidade analítica e de gestão, destacando sua importância para a tomada de decisões internas nas organizações. Ele explora a evolução da contabilidade, suas divisões, características, objetivos e insuficiências em relação à contabilidade financeira. Além disso, discute os requisitos necessários para uma contabilidade eficaz e a inter-relação entre gestão e contabilidade no suporte ao planejamento e controle organizacional.
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Noções de Contabilidade Analítica

O documento aborda a contabilidade analítica e de gestão, destacando sua importância para a tomada de decisões internas nas organizações. Ele explora a evolução da contabilidade, suas divisões, características, objetivos e insuficiências em relação à contabilidade financeira. Além disso, discute os requisitos necessários para uma contabilidade eficaz e a inter-relação entre gestão e contabilidade no suporte ao planejamento e controle organizacional.
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Faculdade de Ciências Económicas e Empresarias

Licenciatura em Contabilidade e Finanças

NOÇÕES GERAIS DE CONTABILIDADE

CASO DE ESTUDO: CONTABILIDADE ANÁLITICA

Docente: Evaristo da Luz


Luanda,2025

Integrantes do Grupo

Domingos Moisés Sanders Livongue

Isabel Quiece Francisco Maiambi

João Alirio Macosso Alexandre

Joseph Francisco da Cruz Chagas

Leandro Wagner de Jesus Caica

Samuel de Jesus Gaspar

Sandra Cristina Raimundo Bandeira

Yanessa Catila Francisco Pedro

Wami Milane Afonso Alfredo


INDICE
INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 1

Capítulo 1. Âmbito e Objectivos da Contabilidade de Gestão ................................................ 2

1.1. Evolução da Designação da Disciplina ...................................................................... 2

1.2. Divisões da Contabilidade ........................................................................................ 2

1.3. Características da Contabilidade Analítica e de Gestão .......................................... 3

1.4. Objectivos da Contabilidade Analítica e de Gestão ................................................. 3

1.5. Requisitos da Contabilidade analítica e de Gestão .................................................. 4

1.6. Insuficiências da Contabilidade Geral ...................................................................... 5

1.7. Processo Gestivo e a Contabilidade de Gestão ........................................................ 6

1.8. Contabilidade de Gestão e Plano Geral de Contabilidade ........................................... 8

Capítulo 2. Definição de uma Classe - Classe 9 ...................................................................... 10

2.1. Articulação das Contas da Contabilidade Geral e Analítica ....................................... 10

2.2. Sistemas Monistas e Dualistas..................................................................................... 11

2.3. Sistemas de Contas e Informática ............................................................................... 12

2.4. Que Sistema de Contas Escolher ................................................................................. 12

2.5. Plano de Contas da Contabilidade Analítica ............................................................... 13

2.6. Âmbito e Movimentação das Contas .......................................................................... 14

2.7. Outros Aspectos do Plano de Contas .......................................................................... 15

Capítulo 3. Conceitos Fundamentais da Contabilidade de Gestão ....................................... 16

3.1. Tipos de Empresas e Diferenças Patrimoniais ............................................................ 16

3.2. Empresa como Sistema. Subsistemas de Produção e Custos ..................................... 18

3.3. Fluxos da Empresa e Conceitos Económico-financeiros ............................................. 18

3.4. Hierarquia dos Custos .................................................................................................. 19

3.5. Custos dos Produtos e Custos dos Períodos ............................................................... 20

3.6. Tratamento das Informações Contabilísticas ............................................................. 21


Capítulo 4. Componentes do Custo de Produção .................................................................. 22

4.1. Matérias e Planeamento dos Consumos ..................................................................... 22

4.2. Aquisição, Recepção e Controlo das Matérias em Armazém ..................................... 22

4.3. Contabilização, Valorização das Entradas e Saídas..................................................... 23

4.4. P.G.C e a Valorimetria das Existências ........................................................................ 25

4.5. Mão-de-Obras, Gastos Gerais de Fabrico, Custos Não Industriais............................. 27


INTRODUÇÃO

1
Capítulo 1. Âmbito e Objectivos da Contabilidade de Gestão

1.1. Evolução da Designação da Disciplina

A aceleração do ritmo de mudança do ambiente em que as organizações empresariais operam,


registada a partir das últimas décadas do século XX, teve importantes repercussões no
sistema de informação empresarial, particularmente nos sistemas de informação
contabilístico. Deste processo resultou o alargamento do âmbito e dos objetivos associados à
Contabilidade. No início do século XX, o progresso económico e o consequente
desenvolvimento do tecido empresarial e dos mercados financeiros fazem surgir a distinção
entre o proprietário e o gestor. A necessidade dos proprietários e credores controlarem,
respetivamente, a gestão dos seus investimentos e a cobrabilidade dos seus créditos, leva ao
aperfeiçoamento dos sistemas de informação contabilístico, particularmente da Contabilidade
Financeira. Surgem entidades reguladoras e são impostos princípios e normas gerais para o
tratamento e apresentação da informação. Neste contexto, o apuramento do custo dos
produtos, particularmente para efeitos de valorização dos stocks, torna-se um imperativo.
Esta informação era fornecida ao exterior e, simultaneamente utilizadas pelos gestores,
especialmente para efeitos de controlo à posterior.

Progressivamente, uma multiplicidade de fatores, que podem ser sintetizados na


complexidade e imprevisibilidade do ambiente externo à organização, na globalização e
internacionalização das economias, no desenvolvimento dos mercados de capitais, na
crescente agressividade concorrencial, no encurtamento do ciclo de vida dos produtos e na
transformação da cadeia de valor, vêm revelar as inúmeras insuficiências da Contabilidade
Financeira na satisfação das necessidades de informação de todos os utilizadores, impondo-se
a urgência de criar um subsistema de informação particularmente desenhado em função das
necessidades de informação dos utilizadores internos. É então que a Contabilidade de Custos
sofre um impulso sem paralelo, levando ao aparecimento de uma série de estudos que vêm
impor novos desenvolvimentos, e de onde se destaca o trabalho publicado, em 1987, por
Johnson e Kaplan, “Relevance Lost: The rise and fall of Management Accounting”.

1.2. Divisões da Contabilidade

Quanto a natureza da informação a contabilidade divide - se em:

2
A Contabilidade de Gestão (ou interna);

Contabilidade Analítica, também conhecida como Contabilidade de Custos ou Contabilidade


Gerencial, é o ramo da contabilidade que registra e analisa os custos e despesas internas de
uma empresa.

1.3. Características da Contabilidade Analítica e de Gestão

1. Uso interno: É voltada para a gestão interna da empresa, auxiliando na tomada de


decisões.
2. Não é obrigatória por lei: Diferente da contabilidade financeira, a analítica é opcional,
mas altamente recomendada.
3. Flexibilidade: Pode ser adaptada conforme a estrutura, necessidade e tipo de atividade
da empresa.
4. Baseada em centros de custo: Organiza e analisa despesas por departamentos, produtos,
processos ou serviços.
5. Detalhamento dos custos: Permite separar custos diretos (ligados à produção) e indiretos
(administrativos, por exemplo).
6. Complementa a contabilidade financeira: Trabalha junto com a contabilidade geral para
oferecer uma visão completa da empresa.
7. Foco em controle e eficiência: Ajuda a melhorar a rentabilidade e reduzir desperdícios.

1.4. Objectivos da Contabilidade Analítica e de Gestão

• Determinar o custo de produtos, serviços ou atividades: Saber quanto custa produzir,


oferecer ou manter um serviço.
• Controlar e reduzir gastos: Identifica onde estão os maiores custos e como reduzi-los.
• Apoiar a tomada de decisões: Fornece dados úteis para decisões estratégicas.
• Ajudar na definição de preços de venda: Baseia o preço de venda no custo real de
produção.
• Avaliar a eficiência dos setores: Mostra quais áreas são mais lucrativas ou geram mais
custos.
• Planear orçamento: Ajuda a criar e acompanhar o cumprimento de metas financeiras.

A Contabilidade Financeira (ou Externo)

3
Contabilidade Financeira é o ramo da contabilidade que registra, classifica e resume todas as
transações financeiras de uma entidade, com o objetivo de fornecer informações úteis para
usuários externos, como:

- Investidores

- Credores

- Governo

- Fornecedor

Ela segue normas e princípios contábeis (como o IFRS ou Normas Contabilísticas Nacionais)
e gerpa demonstrações como:

- Balanço Patrimonial

- Demonstração de Resultados (ou DRE)

- Demonstração de Fluxos de Caixa

Comparação entre Contabilidade Geral e Contabilidade Analítica


Critérios de Comparação Contabilidade Geral Contabilidade Analítica
Perante a Lei Obrigatória Facultativa
Visão da Empresa Global Pormenorizada
Horizontes Passados Presentes – Futuros
Natureza dos mov. observados Externos Internos
Documentos básicos Externos Externos e internos
Classificação de encargos Por natureza Por destino
Objetivo Financeiro Económico
Regras Rígidas e normativas Flexíveis e evolutivas
Utilizadores Terceiros e a Direção Todos os responsáveis
Natureza da informação Precisa – certificada – formal Rápida – pertinente – aproximativa

1.5. Requisitos da Contabilidade analítica e de Gestão

Os requisitos da contabilidade analítica e tem como função essencial fornecer informações


úteis à administração para apoiar o planeamento, o controlo e a tomada de decisões. Para que
esta cumpra o seu papel de forma eficaz, é necessário observar um conjunto de requisitos
fundamentais que garantem a fiabilidade e relevância das informações produzidas. Os
principais requisitos incluem:

4
1. Identificação e classificação adequada dos custos: distinguir corretamente entre custos
diretos e indiretos, fixos e variáveis, para uma análise precisa da estrutura de custos da
organização.
2. Critérios rigorosos de imputação de custos: aplicar métodos adequados para a afetação
dos custos indiretos aos produtos ou centros de responsabilidade, tais como as bases de
repartição por horas-máquina, mão-de-obra direta ou área ocupada. 3. Sistema de
informação fiável: a contabilidade de gestão depende de dados exatos, atualizados e
comparáveis, provenientes de diversas áreas da empresa (produção, finanças, recursos
humanos, etc.).
3. Periodicidade e tempestividade: as informações devem ser fornecidas com regularidade e
em tempo útil, para que a gestão possa reagir de forma imediata às variações e desvios.
4. Integração com os restantes sistemas de gestão: a contabilidade de gestão deve estar
articulada com o planeamento estratégico, a contabilidade geral e os sistemas de controlo
interno. Cumprir estes requisitos assegura que a contabilidade de gestão seja não apenas
um instrumento de registo, mas também uma ferramenta analítica e preditiva, essencial
ao sucesso organizacional

1.6. Insuficiências da Contabilidade Geral

A Contabilidade Geral, também conhecida como contabilidade financeira, tem como objetivo
principal o registo sistemático das operações patrimoniais e financeiras da empresa,
obedecendo a princípios e normas legais. Todavia, quando se trata de apoiar a gestão interna,
apresenta diversas limitações. Entre as principais insuficiências destacam-se:

• A contabilidade geral foca-se em fatos passados, não oferecendo uma visão prospetiva
necessária à tomada de decisão.
• Os resultados são apresentados de forma global sem identificar o desempenho de
produtos, departamentos ou centros de custo.
• Incapacidade de apoio à decisão pois não fornece informações suficientes para
decisões estratégicas como definição de preços, análise de rentabilidade.
• Rigidez normativa: segue o Plano Geral de Contabilidade e princípios contabilísticos
geralmente aceites, o que limita a flexibilidade necessária à gestão interna.
• Foco no utilizador externo: destina-se sobretudo acionistas, credores e autoridades
fiscais, e não à administração da empresa. Deste modo, torna-se indispensável a

5
existência da Contabilidade Analítica e de Gestão, que complementa a Contabilidade
Geral com informações adaptadas às necessidades internas da organização.

1.7. Processo Gestivo e a Contabilidade de Gestão

O desenvolvimento do processo de gestão numa organização envolve as seguintes funções:

• Planeamento (planning);
• Organização (organization);
• Recrutamento (staffing);
• Direção (deading);
• Controlo (controlling).

O planeamento é o processo de selecção de objectivos para uso dos recursos de uma


organização e desenvolvimento dos caminhos para atingir esses objectivos.

A organização é a função que prepara os meios materiais e humanos indispensáveis à


realização dos objectivos fixados.

O recrutamento respeita à selecção, colocação, avaliação e desenvolvimento dos recursos


humanos que ocupam os papéis na estrutura organizacional.

A direcção abrange a orientação e supervisão da actividade do pessoal de mento dos


objectivos e planos da organização.

Os dados indispensáveis ao planeamento e ao controlo são trabalhados

preferencialmente na contabilidade interna ou de gestão, esta considerada como

um subsistema do Sistema de Informação para Gestão, cuja informação abrange

não só elementos históricos, mas também elementos estimados ou básicos.

As decisões, por seu turno, necessitam de ser tomadas mediante selecção

entre planos alternativos e salvaguardando os gastos correntes dentro dos limites

propostos.

Em esquema, temos:

6
De acordo com o esquema, as decisões devem ser tomadas pela gestão

através do planeamento e selecção das operações. À medida que os resultados

destas decisões se desenvolvem e são revistos, são necessárias decisões adicionais para rever
os planos e modificar as fases estabelecidas pelo controlo de operações. As inter-relações
entre as funções de planeamento e controlo de gestão devem ser vistas em círculo; a
contabilidade, por seu turno, fornece dados para apoio da gestão que desempenha as funções
de planeamento e de controlo.

Muitas vezes olha-se a gestão numa perspectiva essencialmente técnica e a sua formação tem
esta vertente em primeira linha. A gestão pressupõe o conhecimento e a intervenção em todas
as dimensões do negócio ou da actividade em que actua. No entanto, não deve omitir os
aspectos éticos. As acções têm que ser desenvolvidas com responsabilidade social e ética.
Deve ser fomentado o intercâmbio de ideias e opiniões entre os intervenientes das diversas
áreas da empresa.

A contabilidade, considerada um subsistema do sistema de informação para a gestão, deve ser


desenhada de modo a proporcionar informação adequada e em tempo útil aos diversos
destinatários. Estes podem ser internos (directores, chefes de departamento, ...) e externos
(accionistas, financiadores, sindicatos, clientes, fornecedores, administração fiscal, ...). A
contabilidade tem, assim, que se organizar no sentido de poder fornecer de modo sistemático
informações a todo um conjunto de destinatários com formação e expectativas diferenciadas.

Ora, os decisores na empresa devem tomar medidas apoiadas em informações devidamente


estruturadas. É à contabilidade que cabe tal tarefa. A partir dos dados retirados de
documentos que circulam diariamente pela empresa, há que os organizar, tratar e resumir de
molde a que possam ser úteis para os decisores. Entre os resumos em que aparecem as
informações produzidas pela contabilidade destacam-se as demonstrações financeiras cujo
objectivo segundo o IASB (International Accounting Standards Board) é "proporcionar
informações sobre a posição financeira, do desempenho e das alterações da posição
financeira de uma empresa que seja útil para um vasto leque de utilizadores na tomada de
decisões económicas".

De acordo com a base de acréscimo, um dos pressupostos subjacentes à preparação das


demonstrações financeiras, os efeitos das transacções e outros acontecimentos são
reconhecidos quando ocorrem e não quando os respectivos montantes de dinheiro são

7
recebidos ou pagos. Os proveitos/rendimentos e os custos/gastos referentes a cada exercício
económico devem ser reconhecidos como resultados quando forem obtidos ou incorridos e
não quando forem recebidos ou pagos.

Esta última perspectiva esteve subjacente na contabilidade desde os primórdios. Então o que
era importante era saber se o comerciante tinha ou não bens destinados a serem
transaccionados no mesmo estádio em que foram adquiridos, agora designados por
mercadorias. À época, a procura era bastante superior à oferta, pelo que o comerciante ou
tinha mercadorias ou tinha dinheiro. O crédito era uma operação muito pontual e só praticado
por alguns cambistas, precursores das instituições bancárias. O comerciante não tinha, em
geral, problemas com a depreciação ou perda de valor das mercadorias como acontece nos
dias de hoje.

1.8. Contabilidade de Gestão e Plano Geral de Contabilidade

PGC-A fornece a estrutura obrigatória e padronizada para registrar os fatos financeiros em


Angola. A Contabilidade Analítica é o motor de análise que se constrói sobre esses registros
básicos do PGC-A, adicionando camadas de detalhe e metodologia (como o ABC) para
ajudar a gestão a tomar decisões mais inteligentes sobre preços, produção e eficiência, sem
quebrar as regras fiscais e legais impostas pelo Plano Geral. É como o livro de regras oficial
para registrar as finanças de uma empresa em Angola.

Função Principal: Ele padroniza como as contas devem ser nomeadas e organizadas (Ativo,
Passivo, Receitas, Despesas, etc.). Ele serve principalmente para atender às exigências legais,
fiscais e para gerar relatórios financeiros externos (aqueles que você mostra ao governo ou a
bancos).

Foco: É essencialmente voltado para a Contabilidade Financeira.

Onde a Contabilidade Analítica se Encaixa?

A Contabilidade Analítica (ou de Custos) é uma ferramenta de gestão interna. Ela se


preocupa com os detalhes de como o dinheiro é gasto dentro da produção ou prestação de
serviço.

A relação é de complementaridade, mas com focos diferentes:

Característica

Contabilidade Financeira (Regida pelo PGC-A)

8
Objetivo Principal: Relatório Externo, Conformidade Legal e Fiscal.

Regras: Estritamente definida pelo PGC-A.

Foco do Custo: O custo total do produto (para o balanço).

Contabilidade Analítica (Custos)

Objetivo principal: A composição detalhada do custo (mão de obra, material, rateios


complexos). Suporte à Decisão Interna, Precificação, Controle de Processos.

Regas: Flexível, adaptada às necessidades da gestão da empresa.

A Integração com o PGC-A

Embora a Contabilidade Analítica seja flexível, ela precisa "conversar" com o PGC-A para
que os dados sejam úteis e auditáveis.

Como isso acontece na prática, de forma simples:

1. As Contas de Despesa: Quando a empresa paga a conta de luz (uma despesa), esse valor
entra em uma conta específica do PGC-A (ex: Conta de Energia Elétrica)
2. A Análise Interna: A Contabilidade Analítica pega esse valor total da conta de luz e o
divide. Ela pergunta: "Quanto dessa energia foi consumida pela Máquina A que faz o
Produto X, e quanto foi consumido pelo escritório?
3. A Alocação: A Contabilidade Analítica usa seus próprios métodos (como o ABC que
discutimos) para alocar o custo da energia para os produtos ou centros de custo corretos.

PGC-A fornece a estrutura obrigatória e padronizada para registrar os fatos

Espero que esta distinção entre a regra externa (PGC-A) e a ferramenta interna (Analítica).

Contabilidade Geral e Contabilidade Analítica

Vimos que a Contabilidade Geral tem por objecto o controlo das relações com terceiros, a
revelação das variações patrimoniais e o apuramento do resultado global.

A denominada Contabilidade Industrial tem por objecto o apuramento e análise dos custos
industriais (classificação e imputação dos gastos industriais de acordo com os critérios e
sistemas seguidos na empresa, de modo a obterem-se dados que sirvam para o controlo da
gestão industrial).

9
A Contabilidade Industrial trata da determinação e análise dos custos industriais ou fabris (os
que têm lugar na fábrica), nomeadamente:

dados (ou pré-fixados) pela Direcção determinados objectivos a atingir, os quais constituem o
padrão ou «standard» que há-de servir para comparação com os valores reais, os desvios
apurados deverão ser analisados sempre que atinjam valores que estão para além dos limites
definidos pela empresa; com base no valor das matérias-primas utilizadas e nos gastos com a
sua transformação (relativos à área fabril), a Contabilidade Interna pode apurar o custo
unitário dos produtos fabricados e eventualmente compará-los com custos definidos .

A Contabilidade Analítica abrange, por sua sua vez, todos os aspectos referentes
Contabilidade de Custos ou Interna e ainda todos os gastos e rendimentos respeitantes às
restantes áreas da empresa (comercial, aprovisionamento e administrativa).

Capítulo 2. Definição de uma Classe - Classe 9


A Classe 9 do Plano Geral de Contabilidade Angolano é dedicada à Contabilidade Analítica
ou de Gestão. Esta classe não afeta diretamente os resultados contabilísticos da empresa, mas
é essencial para o controlo interno, tomada de decisões e análise de desempenho. Ela permite
apurar custos, margens, rentabilidade por produto, serviço ou centro de responsabilidade.

Objetivos da Classe 9:

• Apurar o custo real dos produtos ou serviços


• Controlar os gastos por centro de custo
• Avaliar a eficiência operacional
• Apoiar decisões estratégicas e operacionais

2.1. Articulação das Contas da Contabilidade Geral e Analítica

A contabilidade geral (financeira) e a analítica (gestão) devem estar integradas para garantir
coerência e utilidade dos dados.

Contabilidade Geral: Regista fatos financeiros com base legal e fiscal.

Contabilidade Analítica: Reclassifica e detalha esses dados para fins internos.

Articulação:

Os lançamentos da contabilidade geral alimentam a analítica.

10
Exemplo: Despesa com matéria-prima (Classe 6) → é distribuída nos centros de custo na
Classe 9.

Ferramentas como ERP permitem essa integração automática.

2.2. Sistemas Monistas e Dualistas

Na estrutura de governança das sociedades comerciais, especialmente as sociedades


anônimas, surgem dois modelos principais de administração e fiscalização: o sistema monista
e o sistema dualista.

O sistema monista: é uma forma de organização da administração das empresas onde um


único órgão, chamado normalmente de Conselho de Administração, é responsável tanto por
gerir quanto por fiscalizar a empresa.

Ou seja, não existe separação entre quem toma as decisões e quem controla se essas decisões
estão corretas. Tudo acontece dentro do mesmo grupo.

Pontos-chave:

- Uma só estrutura: A direção e o controle estão unidos.

- Mais agilidade: As decisões são tomadas mais rapidamente, pois não há dois órgãos
diferentes.

- Menos custos: Reduz-se a necessidade de criar outro órgão só para fiscalizar.

- Menos controle independente: Pode haver risco de falta de imparcialidade, já que quem
executa também fiscaliza.

Exemplo prático:

É como se uma escola tivesse apenas uma direção que cuida de tudo — desde planejar o ano
letivo até verificar se os professores estão cumprindo seus horários. Não haveria uma
inspeção externa separada.

A empresa é vista como um sistema integrado, composto por subsistemas que interagem para
gerar valor.

Subsistemas de Produção de Custos:

Subsistema de Aprovisionamento: Custos de compra e transporte


11
Subsistema de Produção: Mão de obra, energia, manutenção

Subsistema de Distribuição: Logística, marketing, vendas

Subsistema Administrativo: Gestão, contabilidade, RH

Cada subsistema contribui para o custo total e pode ser analisado separadamente na Classe 9.

2.3. Sistemas de Contas e Informática

Os sistemas informáticos de contabilidade são essenciais para automatizar e integrar os dados


da Classe 9.

Tipos de Sistemas: ERP (Enterprise Resource Planning): Integra contabilidade geral e


analítica, produção, vendas, RH

Sistemas de BI (Business Intelligence): Análise de dados, dashboards, relatórios

Software específico de contabilidade: Primavera, PHC, SAP, QuickBooks

Vantagens:

• Redução de erros
• Rapidez na apuração de custos
• Melhor tomada de decisão

2.4. Que Sistema de Contas Escolher

A escolha depende do tamanho da empresa, complexidade das operações e objetivos de


gestão.

Critérios para Escolha:

• Critério Sistema Simples Sistema Integrado (ERP)


• Tamanho da empresa: Pequenas médias e grandes
• Complexidade: Baixa alta
• Necessidade de controle: Básico Avançado
• Integração de setores: Limitada Total
• Custo Baixo: Médio/Alto

12
2.5. Plano de Contas da Contabilidade Analítica

O plano de contas para a contabilidade analítica constitui um instrumento fundamental para a


gestão interna das entidades empresariais, especialmente no contexto angolano, onde o Plano
Geral de Contabilidade Angolano (PGC) consagra a classe 9 para esta finalidade (Decreto n.º
82/01, de 16 de Novembro) (República de Angola, 2001). Esta classe é facultativa,
dependendo da necessidade da empresa e da ponderação custo/benefício da sua
implementação (República de Angola, 2001; Almeida et al., 2014). Assim, o plano de contas
analítico deve apresentar uma estrutura compatível com o plano de contas da contabilidade
geral — classes 1 a 8 —, ao mesmo tempo que oferece um nível de detalhamento adicional
voltado para centros de custos, produtos, serviços e processos internos.

Em Angola, a adoção de um plano de contas analítico implica que a empresa defina códigos,
denominações e critérios de alocação que permitam a registar, em paralelo à contabilidade
financeira, os custos diretos e indiretos, atribuindo-os a centros de responsabilidade ou a
unidades de produção. Conforme exposto por Almeida, Miranda, Nogueira, Silva e Pinheiro
(2014), na obra “Plano Geral de Contabilidade Angolano – Explicado”, o plano contempla a
classe 9 que, entre outras sub-contas, pode incluir “Centros de Gastos”, “Produção”,
“Inventários”, “Resultados Analíticos”, etc. Esta estrutura permite que a empresa monitorize,
analise e controle os custos internos com maior precisão, suportando decisões de gestão como
fixação de preços, avaliação de desempenho e otimização de processos.

Além da estrutura formal, o plano de contas analítico deve ser adaptado à realidade
empresarial angolana, considerando fatores como a moeda nacional (Kwanza), as
particularidades fiscais, o ambiente macroeconómico (inflação, variação cambial) e as
características sectoriais (produção, prestação de serviços, industriais). A implementação
exige que a nomenclatura das contas permita uma fácil ligação entre a contabilidade geral e a
analítica, promovendo, por exemplo, que cada conta da contabilidade analítica tenha
correspondência ou reflexo no plano de contas geral (Ispsn, s.d.). A empresa deve também
desenvolver um manual de contas ou de procedimentos para garantir uniformidade na
codificação, facilitar a interpretação dos relatórios e assegurar a comparabilidade entre
períodos, conforme orienta o Decreto n.º 82/01 (República de Angola, 2001).

13
2.6. Âmbito e Movimentação das Contas

No que se refere à movimentação das contas da contabilidade analítica, a prática exige que
cada lançamento analítico seja suportado por documentação apropriada, codificado de acordo
com o plano de contas definido, e registado de forma a permitir a atribuição de custos a
centros de responsabilidade ou unidades de produção (Almeida et al., 2014). Por exemplo,
uma empresa industrial angolana que utiliza matérias-primas deverá debitar a conta
correspondente a “Matérias-primas – Centro de Produção A” (classe 9) e creditar a conta de
“Fornecimentos e serviços externos” (classe 6 da contabilidade geral), assegurando a ligação
entre contabilidade geral e analítica (Almeida et al., 2014). Esta integração facilita o
apuramento de custos completos por produto ou serviço e, simultaneamente, o reporte
externo conforme o PGC.

Além disso, a empresa deve definir critérios claros de imputação de custos indiretos — como
horas-máquina, metros quadrados ou volume de produção — e efetuar mensalmente ou
periodicamente a distribuição desses custos pelos centros de custo identificados.

MÉTODOS DE CUSTEIO

91 - Reclassificação de Gastos

O objetivo desta conta é reclassificar gastos e rendimentos da Contabilidade Geral, de acordo


com as opções de gestão da empresa.

92 - Periodização de Gastos

Esta conta foi criada para permitir o apuramento dos gastos da forma mais correta possível.

É creditada mensalmente pelo débito da conta 94 — Centros de Gastos (custos fabris, gastos
com pessoal) ou da conta 90 — Resultados Analíticos (gastos financeiros e amortizações) (1).

A conta é debitada por contrapartida das contas da Classe 6 (sistema monista) ou da conta 90
— Contas Reflectidas (sistema dualista). O saldo é regularizado, normalmente no final do
ano, por contrapartida da conta 97 — Diferenças de Incorporação.

94 - Centros de Gastos

As subcontas desta conta permitem distribuir os gastos de funcionamento pelos segmentos


organizacionais definidos no organigrama.

É debitada por contrapartida das contas da Classe 6 (sistema monista) ou da conta 90 (sistema
dualista), e também da conta 92 — Periodização de Gastos. É creditada pelo débito da conta
95 — Gastos de Produção ou da conta 96 — Resultados Analíticos (gastos não industriais).

14
95 - Gastos de Produção

A conta é debitada pelos consumos de matérias-primas e pela atividade dos centros fabris,
por contrapartida das contas 93 - Existências e 94 - Centros de Gastos, respetivamente.

É creditada por contrapartida da conta 93 — Existências, pelos custos da produção terminada.

O seu saldo corresponde ao valor da produção em curso de fabrico.

96 - Desvios

Esta conta é utilizada apenas no custeio básico

97 - Diferenças de Incorporação

Os movimentos nesta conta referem-se à regularização dos saldos das subcontas de 92 —


Periodização de Gastos e de Inventários. O saldo da conta é transferido para 98 — Resultados
Analíticos.

98 - Resultados Analíticos

Esta conta tem como finalidade apresentar os resultados de acordo com as opções de gestão
da empresa, detalhando-os por produtos, atividades, zonas de venda, mercados, etc.

É debitada por contrapartida da conta 93 — Existências (produção vendida) e da conta 94 —


Centros de Gastos (gastos não industriais).

É creditada por contrapartida das contas da classe de Rendimentos e ganhos (sistema


monista) ou da conta 90 — Contas Reflectidas (sistema dualista). Tanto os saldos das contas
96 — Desvios e 97 — Diferenças de Incorporação, como os valores de outras contas de
Resultados (1), são transferidos para esta conta.

2.7. Outros Aspectos do Plano de Contas

Os outros aspetos do plano de contas da contabilidade analítica dizem respeito aos elementos
complementares que asseguram o seu bom funcionamento e a sua adequação à realidade de
cada empresa. No contexto angolano, onde o Plano Geral de Contabilidade (PGC)
estabelece a base normativa para o registo das operações contabilísticas (Decreto Presidencial
n.º 82/01, de 16 de Novembro), o plano de contas deve ser visto como um instrumento
dinâmico, sujeito a adaptações consoante o crescimento organizacional, a complexidade das
operações e as exigências legais ou fiscais.

15
Segundo Almeida, Miranda, Nogueira, Silva e Pinheiro (2014), o plano de contas não deve
limitar-se a uma lista de contas, mas sim refletir a estrutura organizacional e operacional
da empresa, permitindo que os gestores compreendam de forma clara os resultados internos
de cada atividade, centro de custo ou produto. Nesse sentido, é essencial que as empresas em
Angola desenvolvam subcontas e códigos adicionais que detalhem os custos e proveitos
conforme os sectores — como indústria, comércio ou serviços — respeitando, contudo, os
princípios do PGC.

Outro aspeto importante está relacionado com a integração tecnológica e a automatização


dos sistemas contabilísticos. A contabilidade analítica moderna em Angola tende a ser
integrada a softwares de gestão, permitindo que o plano de contas seja operado de forma
digital, assegurando a compatibilidade entre a contabilidade geral e a contabilidade de gestão
(Ispsn, s.d.). Essa integração facilita a reconciliação dos saldos, a elaboração de relatórios
analíticos e o controlo interno das operações, reduzindo erros e assegurando maior
transparência dos dados financeiros.

Capítulo 3. Conceitos Fundamentais da Contabilidade de Gestão

3.1. Tipos de Empresas e Diferenças Patrimoniais

As empresas podem ser classificadas segundo a natureza de suas atividades. Entre as


principais categorias estão as empresas industriais, comerciais e prestadoras de serviços.
Cada uma possui características próprias quanto ao seu funcionamento, objetivo e forma de
gerar valor.

1. Empresas Industriais

As empresas industriais são responsáveis pela transformação de matérias-primas em


produtos acabados, destinados ao consumo ou utilização em outros processos produtivos.
Elas fazem parte do sector secundário da economia e atuam em processos de manufatura,
montagem e controle de qualidade. O controle de custos de produção, gestão de estoques
e eficiência operacional são factores essenciais para a competitividade e sustentabilidade
das empresas industriais. As empresas industriais possuem as seguintes diferenças
patrimoniais:

• Possuem ativo imobilizado elevado (máquinas, equipamentos, instalações,


ferramentas, galpões industriais etc.).

16
• Mantêm estoques diversificados, compostos por matérias-primas, produtos em
elaboração e produtos acabados.
• Os custos de produção são representativos no patrimônio, especialmente nas contas de
estoques e imobilizado.
• As depreciações do ativo imobilizado são relevantes, pois os equipamentos sofrem
desgaste contínuo com o uso.

O patrimônio das empresas industriais é fortemente composto por bens de produção e


estoques, refletindo o investimento na transformação de matérias-primas em produtos

2. Empresas Comercias

As empresas comerciais têm como principal função intermediar a relação entre produtores e
consumidores. Elas compram mercadorias para revenda, sem modificar suas características.
Diferenças patrimoniais:

• Apresentam estoques simples, compostos apenas por mercadorias para revenda (sem
transformação).
• O ativo imobilizado é menor que o da indústria — normalmente composto por
prateleiras, balcões, veículos de entrega e equipamentos de informática.
• O capital de giro (disponibilidades e contas a receber) tem papel fundamental, já que
as operações envolvem compra e venda contínua.
• O passivo circulante também é expressivo, pois há necessidade constante de crédito
junto a fornecedores.

O patrimônio das empresas comerciais concentra-se em estoques de mercadorias e capital de


giro, com menor investimento em máquinas ou equipamentos.

3. Empresas Prestadoras de Serviços

As empresas prestadoras de serviços caracterizam-se por oferecer atividades intangíveis, ou


seja, não produzem bens físicos, mas agregam valor através de conhecimento, experiência ou
trabalho humano. Exemplos: escolas, hospitais, empresas de transporte, consultorias e
escritórios profissionais. Diferenças patrimoniais

• Ativo imobilizado pode ser reduzido, exceto quando o serviço depende de


equipamentos específicos (como clínicas, gráficas, empresas de transporte, etc.).

17
• O capital humano é o principal recurso, embora não apareça contabilmente como
ativo.
• O capital de giro e as contas a receber têm grande importância, pois o pagamento
pelo serviço muitas vezes ocorre após sua execução.

O patrimônio das empresas de serviços é formado essencialmente por ativos circulantes e


intangíveis, com menor peso em estoques e bens materiais

3.2. Empresa como Sistema. Subsistemas de Produção e Custos

Uma empresa pode ser entendida como um sistema composto por vários subsistemas
interligados, que visam a criação de valor através da produção e comercialização de bens ou
serviços.

Empresa como Sistema

O conceito de empresa como sistema implica a existência de entradas (inputs), processos de


transformação e saídas (outputs). Os inputs incluem recursos humanos, matérias-primas,
capital e tecnologia, enquanto os outputs são os produtos ou serviços oferecidos ao mercado.

Subsistemas de Produção

O subsistema de produção é responsável pela transformação dos inputs em outputs. Este


processo envolve várias fases, como aprovisionamento, processamento, controlo de qualidade
e distribuição. A eficiência deste subsistema é fundamental para a competitividade da
empresa.

Subsistemas de Custos

O subsistema de custos tem como função identificar, medir e controlar os custos associados à
produção. A Contabilidade de Gestão utiliza diferentes métodos de apuramento de custos, tais
como custos diretos, indiretos, fixos e variáveis. O conhecimento detalhado dos custos
permite uma melhor definição dos preços e uma gestão mais eficaz dos recursos.

3.3. Fluxos da Empresa e Conceitos Económico-financeiros

A dinâmica empresarial é marcada por diversos fluxos que envolvem recursos económicos e
financeiros. Estes fluxos devem ser compreendidos e controlados para garantir a
sustentabilidade e o crescimento da organização.

18
Fluxos Empresariais

• Fluxo de Materiais: Refere-se à movimentação física de matérias-primas, produtos em


elaboração e produtos acabados.
• Fluxo de Informação: Abrange o registo, processamento e comunicação de dados
relevantes para a gestão.
• Fluxo Financeiro: Diz respeito às entradas e saídas de dinheiro, incluindo
recebimentos de clientes e pagamentos a fornecedores

Conceitos Económico-Financeiros

Entre os principais conceitos económico-financeiros, destacam-se:

• Receita: Valor total obtido com a venda de bens ou serviços.


• Custo: Despesa incorrida na produção dos bens ou serviços.
• Lucro: Diferença positiva entre receitas e custos.
• Investimento: Aplicação de recursos com o objetivo de obter retorno futuro.
• Rentabilidade: Relação entre o lucro obtido e o capital investido.

3.4. Hierarquia dos Custos

A hierarquia dos custos representa a forma como os custos são classificados e organizados
segundo o seu comportamento, natureza e relação com o processo produtivo. Essa estrutura
hierárquica tem como objetivo facilitar a análise, o controlo e a tomada de decisões dentro da
contabilidade de gestão.

Segundo Eliseu Martins (2018), a hierarquia dos custos pode ser entendida como um sistema
que agrupa os custos em níveis, de modo a identificar quais deles estão diretamente
relacionados com a produção e quais resultam de atividades de apoio. Essa hierarquia
contribui para o entendimento do fluxo de gastos e para a avaliação da eficiência das
operações empresariais.

De forma geral, a hierarquia dos custos é estruturada em quatro níveis principais:

1) Custos de Unidade de Produção: são os custos diretamente associados à fabricação de


um produto ou à prestação de um serviço. Incluem matérias-primas, mão de obra
direta e custos de fabrico variáveis. Exemplo: tecido utilizado na confecção de
lençóis.

19
2) Custos de Lote ou de Série: referem-se aos custos incorridos sempre que se inicia uma
nova série ou lote de produção. Incluem custos de preparação de máquinas e de
transporte interno.
3) Custos de Suporte de Produto: são os custos necessários para manter a existência de
um determinado produto na empresa, como o custo de design, publicidade específica
e armazenamento.
4) Custos de Suporte à Instalação ou à Empresa: representam custos de carácter geral e
contínuo, relacionados ao funcionamento da organização como um todo, tais como
manutenção de edifícios, direção administrativa e energia geral.

A hierarquia dos custos permite à gestão identificar em que nível os recursos estão a ser
consumidos e onde é possível reduzir desperdícios, contribuindo para uma análise mais
precisa da rentabilidade.

3.5. Custos dos Produtos e Custos dos Períodos

A classificação dos custos em custos dos produtos e custos dos períodos é fundamental para
distinguir os gastos que são capitalizados como ativos (ou seja, incorporados no valor dos
produtos) daqueles que são reconhecidos diretamente como despesa no resultado do
exercício.

De acordo com José Carlos Marion (2021), os custos dos produtos (também chamados de
custos inventariáveis) são aqueles que participam do processo produtivo e são atribuídos aos
bens fabricados ou aos serviços prestados. Esses custos somente são reconhecidos como
despesa quando o produto é vendido, momento em que passam a integrar o Custo das
Mercadorias Vendidas (CMV) ou o Custo dos Serviços Prestados (CSP). Exemplos:
matérias-primas, salários da mão de obra direta, depreciação das máquinas de produção.

Já os custos dos períodos (também denominados custos não inventariáveis) são aqueles que
não se relacionam diretamente com o processo produtivo, sendo reconhecidos como despesas
do período em que ocorrem. Incluem despesas administrativas, comerciais, financeiras e de
distribuição.

Exemplo: salários do pessoal administrativo, despesas com publicidade e energia do


escritório.

A principal diferença entre eles está na temporalidade do reconhecimento contábil:

• Os custos dos produtos são ativados até o momento da venda;


20
• Os custos dos períodos são lançados diretamente no resultado do exercício.

Essa distinção é essencial para a análise da rentabilidade, formação do preço de venda e


planeamento orçamental, permitindo que os gestores compreendam o impacto real de cada
tipo de custo nas demonstrações financeiras.

3.6. Tratamento das Informações Contabilísticas

O tratamento das informações contabilísticas consiste no conjunto de procedimentos


utilizados para recolher, classificar, registar, analisar e interpretar os dados financeiros e
económicos de uma empresa, de forma a transformá-los em informações úteis à gestão e à
tomada de decisão.

Segundo João Carvalho (2019), o tratamento das informações contabilísticas envolve três
fases principais:

1) Recolha e Classificação dos Dados:

Nesta fase, são identificadas todas as operações financeiras e económicas da empresa, como
compras, vendas, pagamentos e custos operacionais. Cada transação é classificada conforme
o seu tipo (ativo, passivo, custo, despesa ou receita).

2) Registo e Processamento Contábil:

Os dados são registados nos livros contabilísticos e processados segundo o Plano Geral de
Contabilidade (PGC), de modo a garantir uniformidade e rigor técnico. Essa etapa inclui a
aplicação de princípios contabilísticos, como o da competência e o do custo histórico.

3) Análise e Comunicação das Informações:

Após o processamento, as informações são interpretadas para apoiar decisões estratégicas,


tais como o controlo de custos, a avaliação de desempenho e o planeamento financeiro. Os
resultados são apresentados por meio de relatórios, demonstrações financeiras e indicadores
de gestão.

Um tratamento adequado das informações contabilísticas assegura transparência, fiabilidade e


utilidade dos dados, contribuindo para a eficiência operacional e o cumprimento das
obrigações legais e fiscais da empresa.

21
Além disso, na contabilidade de gestão, o tratamento da informação vai além do mero registo,
envolve análises comparativas, projeções e relatórios internos, que orientam decisões sobre
investimentos, redução de custos e melhoria da performance empresarial.

Capítulo 4. Componentes do Custo de Produção


A contabilidade tradicional interessa-se principalmente na análise de custos directos.

Na prática, os restantes encargos que compõem os custos industriais são repartidos sobre as
bases convencionais.

A evolução das tecnologias de produção põe em causa a pertinência do sistema de chaves de


repartição e de certas unidades de obra utilizadas, particularmente a Mão-de-Obra-Directa
(M.O.D.).

4.1. Matérias e Planeamento dos Consumos

A matéria-prima é classificada como um custo variável na contabilidade. Isso ocorre porque


seu valor está diretamente relacionado à quantidade de produtos fabricados. Assim, à medida
que a produção aumenta, o custo com a matéria-prima também aumenta, e vice-versa. Por
exemplo, se uma empresa fabrica 100 unidades de um produto, o custo da matéria-prima será
proporcional a essa quantidade; se a produção aumenta para 200 unidades, o custo da
matéria-prima duplicará.

Para entender melhor essa classificação, é importante diferenciar custos fixos e custos
variáveis. Custos fixos são aqueles que permanecem constantes independentemente do
volume de produção, como aluguel, salários de funcionários administrativos e despesas de
manutenção. Em contrapartida, os custos variáveis, como a matéria-prima, mudam de acordo
com o nível de atividade da empresa. Essa distinção é essencial para a gestão financeira, pois
ajuda na formação de preços e no controle orçamentário.

O custo total de produção de um item pode ser impactado significativamente pela variação no
preço da matéria-prima. A seguir, apresentamos alguns pontos importantes sobre como esses
custos são calculados:

Volume de Produção: Quanto maior a produção, maior o custo total com matéria-prima.

Flutuação de Preços: O mercado de matérias-primas pode apresentar variações de preço que


afetam diretamente os custos.

22
Gestão de Estoque: A eficiência na gestão de estoque pode auxiliar na redução de custos
variáveis, evitando desperdícios.

4.2. Aquisição, Recepção e Controlo das Matérias em Armazém

4.2.1. Aquisição e recepção das matérias

O Departamento de Compras e Aprovisionamentos perante as listas de materiais (ou


matérias) a consumir e das quantidades existentes nos armazéns respectivos, desenvolve as
diligências (consultas, encomendas, ...) junto dos fornecedores (preço, prazo de entrega,
forma de pagamento, ...) com vista a que a fábrica e não tenha ruptura de laboração por falta
de materiais ou matérias-primas.

Após a encomenda, a secção de Recepção de Materiais (localizada normalmente junto ao


armazém) recepciona as matérias, verifica a quantidade e a qualidade pela cópia da nota de
encomenda (aquando da emissão desta uma das cópias deve ser remetida à Recepção de
Matérias) e guia de remessa elabora a nota de recepção que envia ao Departamento de
Compras e Aprovisionamentos. Este confere as facturas dos fornecedores pela nota de
recepção e por outras informações que envia para a escrituração (Contabilidade) e para
pagamento (Tesouraria).

4.2.2. Controlo das matérias em armazém

Com base nas notas de recepção e guias de saída o armazém registadas as entradas e saídas
nas fichas de «stocks», apenas em quantidades. A contabilização em quantidades e valor e
reservada à Contabilidade, como sabemos.

Convém referir que, segundo o esquema implantado na empresa, o armazém deve elaborar
notas de entrada (notas de recepção) e notas de saída (requisições feitas pelas diversas
secções).

As notas de entrada e saída podem apresentar o seguinte desenho:

4.3. Contabilização, Valorização das Entradas e Saídas

Na contabilização e controlo das existências podem utilizar-se dois sistemas: inventário


intermitente e inventário permanente.

23
Tal como o nome indica, o primeiro é caracterizado pelo facto de se inventários serem feitos
de tempos a tempos e cuja valorização vai servir para se apurar o valor das existências
consumidas ou vendidas (existência inicia + compras – existência final = custos das
existências vendidas e consumidas). O funcionamento da contabilidade analítica pressupõe
que se utilize o investimento permanente, a fim de que a gestão dos «stocks» seja feia de
modo adequado e que se conheça o consumos dos produtos fabricados.

O SNC integra na Classe 3 — Inventários e activos biológicos, as contas 31 — Compras e


33 — Matérias-primas, Subsidiárias e de Consumo, esta última desdobrada nas seguintes
subcontas:

321 — Matérias-primas

332 — Matérias subsidiárias

333 — Embalagens de consumo

334 — Materiais diversos

335 — Matérias em trânsito

339 — Perdas por imparidade acumuladas

De acordo com o previsto na NCRF 18 — Inventários, os custos de compra de inventários


incluem o preço de compra, direitos de importação e outros impostos (que não sejam os
subsequentemente recuperáveis das entidades fiscais pela entidade), e custos de transporte,
manuseamento e outros directamente atribuíveis à aquisição de bens acabados, de materiais e
de serviço. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes deduzem-se na
determinação dos custos de compra.

Quando a empresa trabalha com o sistema de custeio variável há certas naturezas que não
devem ser consideradas (caso dos gastos de Armazém e do próprio Serviço de Compras).

A imputação de gastos de armazenagem apresenta algumas particularidades que merecem ser


referidas. As operações de armazenagem das matérias e/ou produtos acarretam determinados
gastos, tais como:

— vencimentos do fiel e auxiliares de armazém e respectivos encargos sociais;

— amortizações do edifício e equipamentos;


24
— conservação do edifício e equipamentos;

— Consumos (água, electricidade, ...);

— Seguros (incêndio e roubo);

Estes gastos não variam com o volume de artigos movimentados, pelo que têm a natureza de
fixos. Quando trabalhamos com o sistema de custos totais, em que os custos dos produtos
abrangem todos os gastos de fabricação, quer sejam fixos quer variáveis, os gastos de
armazenamento devem ser imputados às matérias(produtos) que passa por armazém. Há
assim, necessidade de definir critérios para a sua repartição de modo que esta seja a mais
equitativa possível, nunca esquecendo os gastos administrativos causados por esta repartição.

O critério mais válido é o que resulta da conjugação da área o volume ocupado e do tempo de
armazenagem, critério este que é seguido por empresas que armazenam produtos de outrem
(armazéns portuários, transitários, etc…) em que o preço fixado atende aos dias e ao espaço.

No entanto, tal critério é de aplicação difícil nas empresas, porquanto exige tarefas
administrativas bastante morosas (cálculo de produto a produto do tempo de permanência em
armazém, por exemplo). Daí que se estabeleçam critérios mais funcionais como sejam a
imputação em função de:

— Quantidades de matérias (produtos) entradas(os) e saídas(os) de armazém;

— Valores de matérias (produtos) entradas(os) e saídas(os) de armazém

4.4. P.G.C e a Valorimetria das Existências

O Plano Geral de Contabilidade (PGC) é um conjunto de normas e procedimentos que


orientam a elaboração e apresentação das demonstrações financeiras de uma empresa. No
contexto angolano, o PGC estabelece as diretrizes para a contabilização e valorização das
existências.

Valorimetria das Existências

A valorimetria das existências refere-se ao processo de determinar o valor das existências de


uma empresa, incluindo matérias-primas, produtos em curso e produtos acabados. O PGC
estabelece que as existências devem ser valorizadas ao custo de aquisição ou produção, ou ao
valor realizável líquido, dos dois o menor.

25
Métodos de Valorimetria

Existem vários métodos de valorimetria das existências, incluindo:

1. Custo de Aquisição: O valor das existências é determinado pelo custo de aquisição,


incluindo o preço de compra e outros custos diretamente relacionados.

2. Custo de Produção: O valor das existências é determinado pelo custo de produção,


incluindo o custo de matérias-primas, mão-de-obra e outros custos indiretos.

3. Valor Realizável Líquido: O valor das existências é determinado pelo valor que se espera
obter com a venda das existências, deduzidos os custos de venda.

Custo de Aquisição

O custo de aquisição inclui:

- Preço de compra

- Custos de transporte

- Custos de seguro

- Outros custos diretamente relacionados

Custo de Produção

O custo de produção inclui:

- Custo de matérias-primas

- Custo de mão-de-obra

- Custos indiretos de produção

- Outros custos diretamente relacionados

Valor Realizável Líquido

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O valor realizável líquido é determinado pelo valor que se espera obter com a venda das
existências, deduzidos os custos de venda. Isso inclui:

- Preço de venda

- Custos de venda

- Outros custos diretamente relacionados

PGC e Valorimetria

O PGC estabelece que as empresas devem:

- Manter um sistema de contabilidade que permita a valorização correta das existências.

- Realizar inventários periódicos para determinar o valor das existências.

- Divulgar informações sobre a valorimetria das existências nas demonstrações financeiras.

Em resumo, o PGC estabelece as diretrizes para a valorização das existências, que pode ser
feita pelo custo de aquisição, custo de produção ou valor realizável líquido. A valorimetria
das existências é um processo importante para as empresas, pois afeta o resultado e o balanço
patrimonial.

4.5. Mão-de-Obras, Gastos Gerais de Fabrico, Custos Não Industriais

4. OS GASTOS GERAIS DE FABRICO

4.1. Tipos de gastos

Os gastos da área fabril que não respeitam às matérias-primas e à mão-de obra direta, são
englobados nos gastos gerais de fabrico. De um modo geral, trata-se de gastos comuns a toda
a produção da fábrica pelo que existem dificuldades na sua repartição.

Os gastos gerais de fabrico têm vindo a assumir uma importância crescente nos gastos de
produção em consequência de diversos factores. O desenvolvimento continuado da
tecnologia, materializado numa automatização crescente, normalmente reduz os gastos da
mão-de-obra directa e aumenta o investimento em equipamento produtivo e respectivo
pessoal de supervisão para a eficiente utilização do mesmo. Nas últimas décadas, os gastos de

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energia aumentaram de forma significativa, embora haja indústrias onde estes aumentos não
tiveram um peso relevante nos gastos gerais de fabrico.

Tradicionalmente, a análise e controlo dos gastos gerais de fabrico tem o uma importância
menor entre os três grandes componentes do custo de produção.

Contudo, as mudanças operadas no ambiente interno e externo das empresas têm promovido
uma atenção maior neste grupo de gastos e o desenvolvimento de

sistemas para o seu registo e para responder as crescentes exigências por parte da gestão.

Nos sistemas clássicos de contabilidade analítica os gastos gerais de fabrico incluíam todos
aqueles custos de produção que nem eram as matérias nem a mão-de-obra directa, ou seja
todos os gastos indirectos de produção que não podiam identificar-se, de forma prática, com
unidades específicas de produção e, por isso, não podiam ser incluídas nos custos específicos
de produção do mesmo modo que as referidas matérias e mão-de-obra directa.

Também tem sido habitual subdividir os gastos gerais de fabrico em materiais indirectos,
mão-de-obra indirecta e outros custos de produção indirectos. Por outro lado, a distinção
entre gastos gerais de fabrico e gastos de administração geral é, por seu turno, de interesse
para a gestão no processo de tomada de decisão. Os gastos de administração geral incluem os
gastos de «marketing», venda e distribuição, bem como os gastos administrativos, os quais
não são considerados no sistema de custeio da produção por diversas razões.

Os procedimentos relativos ao sistema de acumulação e distribuição dos dados referentes aos


gastos gerais de fabrico são baseados em conceitos simples, mas podem assumir variantes
significativas na classificação elou codificação dos respectivos documentos de suporte. É
assim fundamental que se definam previamente os objectivos e os mapas do sistema de
controlo dos gastos gerais de fabrico antes de se decidir sobre os procedimentos para recolha
e tratamento dos respectivos dados de suporte.

Em termos genéricos, as diferentes naturezas de gastos são classificadas, para além do


previsto na classe de gastos, nas contas da classe 9 (ou a própria conta de Gastos Gerais de
Fabrico ou contas de Centros de Gastos).

Em seguida, tais gastos são imputados à produção em fabrico, diária ou mensalmente,


seguindo-se o cálculo dos produtos acabados ou vendidos à medi da que estes dão entrada em
armazém ou são expedidos para os clientes.

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de fabrico respeitam a:

As fontes mais importantes das naturezas que integram os gastos gerais

- Matérias indirectas

Através do tratamento das requisições dos materiais por parte da informática, o custo das
matérias indiretas não apresenta dificuldades. Trata-se apenas de codificar e introduzir, para
cada requisitante (utente) cada referência e respectiva quantidade saída, para o computador
proceder à leitura do preço unitário no ficheiro-mestre e fazer o cálculo do consumo.

- Mão-de-obra indirecta

Esta natureza de gastos é determinada pelos registos dos tempos aplicados pelos
trabalhadores indirectos em cada departamento ou centro de gastos, o que implica a
codificação do número do operário e do centro em que esteve afec-to. O cálculo do custo
obtém-se mediante leitura do custo hora (indirecta) de cada trabalhador e que faz parte do seu
ficheiro mestre na Informática.

- Energia eléctrica

Em muitas empresas, esta natureza tem ocupado um lugar de destaque na composição do


total do custo de produção. Para efeitos de cálculo dos gastos gerais de fabrico é fundamental
que o fornecedor remeta mensalmente a respectiva factura.

OS CUSTOS NÃO INDUSTRIAIS

Para além dos gastos da área fabril, as empresas dispõem de estruturas de carácter comercial,
administrativa e financeira, cujos gastos há também necessidade em calcular. Esta resulta
fundamentalmente da óptica de um controlo, uma vez que aqueles não são objecto de
imputação ao custo dos produtos, conforme dispõe o SNC.

Note-se, aliás, que se existem já dificuldades de conseguir critérios adequados para a


imputação dos gastos indirectos da fábrica, para os gastos ligados às funções administrativa,
comercial e financeira, os problemas são ainda acrescidos devido à ausência de relação
directa com as quantidades produzidas e/ou vendidas.

Assim, não se compreendem as referências de alguns autores quanto à imputação dos gastos
não industriais pelos produtos e/ou serviços produzidos, porquanto as melhorias introduzidas
na informação contabilística não têm qualquer significado económico. Pelo contrário, podem

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vir a ter consequências negativas nos resultados de um período para outro, nem sempre
perceptíveis pelos utentes da informação.

As diversas naturezas dos gastos por natureza terão assim que ser seg-

mentadas pelas funções da empresa - distribuição e administrativa - a fim de ser viável o


preenchimento da demonstração de resultados por funções. Entre tais naturezas, destacam-se:

- Departamento Comercial

- Remunerações do pessoal

- Encargos sociais

- Despesas de representação

- Electricidade

- Rendas

- Amortizações dos equipamentos

(°) Entre estas, as de natureza variável (comissões, transportes) são imputados directamente
aos produtos vendidos.

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