Noções de Contabilidade Analítica
Noções de Contabilidade Analítica
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Capítulo 1. Âmbito e Objectivos da Contabilidade de Gestão
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A Contabilidade de Gestão (ou interna);
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Contabilidade Financeira é o ramo da contabilidade que registra, classifica e resume todas as
transações financeiras de uma entidade, com o objetivo de fornecer informações úteis para
usuários externos, como:
- Investidores
- Credores
- Governo
- Fornecedor
Ela segue normas e princípios contábeis (como o IFRS ou Normas Contabilísticas Nacionais)
e gerpa demonstrações como:
- Balanço Patrimonial
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1. Identificação e classificação adequada dos custos: distinguir corretamente entre custos
diretos e indiretos, fixos e variáveis, para uma análise precisa da estrutura de custos da
organização.
2. Critérios rigorosos de imputação de custos: aplicar métodos adequados para a afetação
dos custos indiretos aos produtos ou centros de responsabilidade, tais como as bases de
repartição por horas-máquina, mão-de-obra direta ou área ocupada. 3. Sistema de
informação fiável: a contabilidade de gestão depende de dados exatos, atualizados e
comparáveis, provenientes de diversas áreas da empresa (produção, finanças, recursos
humanos, etc.).
3. Periodicidade e tempestividade: as informações devem ser fornecidas com regularidade e
em tempo útil, para que a gestão possa reagir de forma imediata às variações e desvios.
4. Integração com os restantes sistemas de gestão: a contabilidade de gestão deve estar
articulada com o planeamento estratégico, a contabilidade geral e os sistemas de controlo
interno. Cumprir estes requisitos assegura que a contabilidade de gestão seja não apenas
um instrumento de registo, mas também uma ferramenta analítica e preditiva, essencial
ao sucesso organizacional
A Contabilidade Geral, também conhecida como contabilidade financeira, tem como objetivo
principal o registo sistemático das operações patrimoniais e financeiras da empresa,
obedecendo a princípios e normas legais. Todavia, quando se trata de apoiar a gestão interna,
apresenta diversas limitações. Entre as principais insuficiências destacam-se:
• A contabilidade geral foca-se em fatos passados, não oferecendo uma visão prospetiva
necessária à tomada de decisão.
• Os resultados são apresentados de forma global sem identificar o desempenho de
produtos, departamentos ou centros de custo.
• Incapacidade de apoio à decisão pois não fornece informações suficientes para
decisões estratégicas como definição de preços, análise de rentabilidade.
• Rigidez normativa: segue o Plano Geral de Contabilidade e princípios contabilísticos
geralmente aceites, o que limita a flexibilidade necessária à gestão interna.
• Foco no utilizador externo: destina-se sobretudo acionistas, credores e autoridades
fiscais, e não à administração da empresa. Deste modo, torna-se indispensável a
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existência da Contabilidade Analítica e de Gestão, que complementa a Contabilidade
Geral com informações adaptadas às necessidades internas da organização.
• Planeamento (planning);
• Organização (organization);
• Recrutamento (staffing);
• Direção (deading);
• Controlo (controlling).
propostos.
Em esquema, temos:
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De acordo com o esquema, as decisões devem ser tomadas pela gestão
destas decisões se desenvolvem e são revistos, são necessárias decisões adicionais para rever
os planos e modificar as fases estabelecidas pelo controlo de operações. As inter-relações
entre as funções de planeamento e controlo de gestão devem ser vistas em círculo; a
contabilidade, por seu turno, fornece dados para apoio da gestão que desempenha as funções
de planeamento e de controlo.
Muitas vezes olha-se a gestão numa perspectiva essencialmente técnica e a sua formação tem
esta vertente em primeira linha. A gestão pressupõe o conhecimento e a intervenção em todas
as dimensões do negócio ou da actividade em que actua. No entanto, não deve omitir os
aspectos éticos. As acções têm que ser desenvolvidas com responsabilidade social e ética.
Deve ser fomentado o intercâmbio de ideias e opiniões entre os intervenientes das diversas
áreas da empresa.
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recebidos ou pagos. Os proveitos/rendimentos e os custos/gastos referentes a cada exercício
económico devem ser reconhecidos como resultados quando forem obtidos ou incorridos e
não quando forem recebidos ou pagos.
Esta última perspectiva esteve subjacente na contabilidade desde os primórdios. Então o que
era importante era saber se o comerciante tinha ou não bens destinados a serem
transaccionados no mesmo estádio em que foram adquiridos, agora designados por
mercadorias. À época, a procura era bastante superior à oferta, pelo que o comerciante ou
tinha mercadorias ou tinha dinheiro. O crédito era uma operação muito pontual e só praticado
por alguns cambistas, precursores das instituições bancárias. O comerciante não tinha, em
geral, problemas com a depreciação ou perda de valor das mercadorias como acontece nos
dias de hoje.
Função Principal: Ele padroniza como as contas devem ser nomeadas e organizadas (Ativo,
Passivo, Receitas, Despesas, etc.). Ele serve principalmente para atender às exigências legais,
fiscais e para gerar relatórios financeiros externos (aqueles que você mostra ao governo ou a
bancos).
Característica
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Objetivo Principal: Relatório Externo, Conformidade Legal e Fiscal.
Embora a Contabilidade Analítica seja flexível, ela precisa "conversar" com o PGC-A para
que os dados sejam úteis e auditáveis.
1. As Contas de Despesa: Quando a empresa paga a conta de luz (uma despesa), esse valor
entra em uma conta específica do PGC-A (ex: Conta de Energia Elétrica)
2. A Análise Interna: A Contabilidade Analítica pega esse valor total da conta de luz e o
divide. Ela pergunta: "Quanto dessa energia foi consumida pela Máquina A que faz o
Produto X, e quanto foi consumido pelo escritório?
3. A Alocação: A Contabilidade Analítica usa seus próprios métodos (como o ABC que
discutimos) para alocar o custo da energia para os produtos ou centros de custo corretos.
Espero que esta distinção entre a regra externa (PGC-A) e a ferramenta interna (Analítica).
Vimos que a Contabilidade Geral tem por objecto o controlo das relações com terceiros, a
revelação das variações patrimoniais e o apuramento do resultado global.
A denominada Contabilidade Industrial tem por objecto o apuramento e análise dos custos
industriais (classificação e imputação dos gastos industriais de acordo com os critérios e
sistemas seguidos na empresa, de modo a obterem-se dados que sirvam para o controlo da
gestão industrial).
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A Contabilidade Industrial trata da determinação e análise dos custos industriais ou fabris (os
que têm lugar na fábrica), nomeadamente:
dados (ou pré-fixados) pela Direcção determinados objectivos a atingir, os quais constituem o
padrão ou «standard» que há-de servir para comparação com os valores reais, os desvios
apurados deverão ser analisados sempre que atinjam valores que estão para além dos limites
definidos pela empresa; com base no valor das matérias-primas utilizadas e nos gastos com a
sua transformação (relativos à área fabril), a Contabilidade Interna pode apurar o custo
unitário dos produtos fabricados e eventualmente compará-los com custos definidos .
A Contabilidade Analítica abrange, por sua sua vez, todos os aspectos referentes
Contabilidade de Custos ou Interna e ainda todos os gastos e rendimentos respeitantes às
restantes áreas da empresa (comercial, aprovisionamento e administrativa).
Objetivos da Classe 9:
A contabilidade geral (financeira) e a analítica (gestão) devem estar integradas para garantir
coerência e utilidade dos dados.
Articulação:
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Exemplo: Despesa com matéria-prima (Classe 6) → é distribuída nos centros de custo na
Classe 9.
Ou seja, não existe separação entre quem toma as decisões e quem controla se essas decisões
estão corretas. Tudo acontece dentro do mesmo grupo.
Pontos-chave:
- Mais agilidade: As decisões são tomadas mais rapidamente, pois não há dois órgãos
diferentes.
- Menos controle independente: Pode haver risco de falta de imparcialidade, já que quem
executa também fiscaliza.
Exemplo prático:
É como se uma escola tivesse apenas uma direção que cuida de tudo — desde planejar o ano
letivo até verificar se os professores estão cumprindo seus horários. Não haveria uma
inspeção externa separada.
A empresa é vista como um sistema integrado, composto por subsistemas que interagem para
gerar valor.
Cada subsistema contribui para o custo total e pode ser analisado separadamente na Classe 9.
Vantagens:
• Redução de erros
• Rapidez na apuração de custos
• Melhor tomada de decisão
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2.5. Plano de Contas da Contabilidade Analítica
Em Angola, a adoção de um plano de contas analítico implica que a empresa defina códigos,
denominações e critérios de alocação que permitam a registar, em paralelo à contabilidade
financeira, os custos diretos e indiretos, atribuindo-os a centros de responsabilidade ou a
unidades de produção. Conforme exposto por Almeida, Miranda, Nogueira, Silva e Pinheiro
(2014), na obra “Plano Geral de Contabilidade Angolano – Explicado”, o plano contempla a
classe 9 que, entre outras sub-contas, pode incluir “Centros de Gastos”, “Produção”,
“Inventários”, “Resultados Analíticos”, etc. Esta estrutura permite que a empresa monitorize,
analise e controle os custos internos com maior precisão, suportando decisões de gestão como
fixação de preços, avaliação de desempenho e otimização de processos.
Além da estrutura formal, o plano de contas analítico deve ser adaptado à realidade
empresarial angolana, considerando fatores como a moeda nacional (Kwanza), as
particularidades fiscais, o ambiente macroeconómico (inflação, variação cambial) e as
características sectoriais (produção, prestação de serviços, industriais). A implementação
exige que a nomenclatura das contas permita uma fácil ligação entre a contabilidade geral e a
analítica, promovendo, por exemplo, que cada conta da contabilidade analítica tenha
correspondência ou reflexo no plano de contas geral (Ispsn, s.d.). A empresa deve também
desenvolver um manual de contas ou de procedimentos para garantir uniformidade na
codificação, facilitar a interpretação dos relatórios e assegurar a comparabilidade entre
períodos, conforme orienta o Decreto n.º 82/01 (República de Angola, 2001).
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2.6. Âmbito e Movimentação das Contas
No que se refere à movimentação das contas da contabilidade analítica, a prática exige que
cada lançamento analítico seja suportado por documentação apropriada, codificado de acordo
com o plano de contas definido, e registado de forma a permitir a atribuição de custos a
centros de responsabilidade ou unidades de produção (Almeida et al., 2014). Por exemplo,
uma empresa industrial angolana que utiliza matérias-primas deverá debitar a conta
correspondente a “Matérias-primas – Centro de Produção A” (classe 9) e creditar a conta de
“Fornecimentos e serviços externos” (classe 6 da contabilidade geral), assegurando a ligação
entre contabilidade geral e analítica (Almeida et al., 2014). Esta integração facilita o
apuramento de custos completos por produto ou serviço e, simultaneamente, o reporte
externo conforme o PGC.
Além disso, a empresa deve definir critérios claros de imputação de custos indiretos — como
horas-máquina, metros quadrados ou volume de produção — e efetuar mensalmente ou
periodicamente a distribuição desses custos pelos centros de custo identificados.
MÉTODOS DE CUSTEIO
91 - Reclassificação de Gastos
92 - Periodização de Gastos
Esta conta foi criada para permitir o apuramento dos gastos da forma mais correta possível.
É creditada mensalmente pelo débito da conta 94 — Centros de Gastos (custos fabris, gastos
com pessoal) ou da conta 90 — Resultados Analíticos (gastos financeiros e amortizações) (1).
A conta é debitada por contrapartida das contas da Classe 6 (sistema monista) ou da conta 90
— Contas Reflectidas (sistema dualista). O saldo é regularizado, normalmente no final do
ano, por contrapartida da conta 97 — Diferenças de Incorporação.
94 - Centros de Gastos
É debitada por contrapartida das contas da Classe 6 (sistema monista) ou da conta 90 (sistema
dualista), e também da conta 92 — Periodização de Gastos. É creditada pelo débito da conta
95 — Gastos de Produção ou da conta 96 — Resultados Analíticos (gastos não industriais).
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95 - Gastos de Produção
A conta é debitada pelos consumos de matérias-primas e pela atividade dos centros fabris,
por contrapartida das contas 93 - Existências e 94 - Centros de Gastos, respetivamente.
96 - Desvios
97 - Diferenças de Incorporação
98 - Resultados Analíticos
Esta conta tem como finalidade apresentar os resultados de acordo com as opções de gestão
da empresa, detalhando-os por produtos, atividades, zonas de venda, mercados, etc.
Os outros aspetos do plano de contas da contabilidade analítica dizem respeito aos elementos
complementares que asseguram o seu bom funcionamento e a sua adequação à realidade de
cada empresa. No contexto angolano, onde o Plano Geral de Contabilidade (PGC)
estabelece a base normativa para o registo das operações contabilísticas (Decreto Presidencial
n.º 82/01, de 16 de Novembro), o plano de contas deve ser visto como um instrumento
dinâmico, sujeito a adaptações consoante o crescimento organizacional, a complexidade das
operações e as exigências legais ou fiscais.
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Segundo Almeida, Miranda, Nogueira, Silva e Pinheiro (2014), o plano de contas não deve
limitar-se a uma lista de contas, mas sim refletir a estrutura organizacional e operacional
da empresa, permitindo que os gestores compreendam de forma clara os resultados internos
de cada atividade, centro de custo ou produto. Nesse sentido, é essencial que as empresas em
Angola desenvolvam subcontas e códigos adicionais que detalhem os custos e proveitos
conforme os sectores — como indústria, comércio ou serviços — respeitando, contudo, os
princípios do PGC.
1. Empresas Industriais
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• Mantêm estoques diversificados, compostos por matérias-primas, produtos em
elaboração e produtos acabados.
• Os custos de produção são representativos no patrimônio, especialmente nas contas de
estoques e imobilizado.
• As depreciações do ativo imobilizado são relevantes, pois os equipamentos sofrem
desgaste contínuo com o uso.
2. Empresas Comercias
As empresas comerciais têm como principal função intermediar a relação entre produtores e
consumidores. Elas compram mercadorias para revenda, sem modificar suas características.
Diferenças patrimoniais:
• Apresentam estoques simples, compostos apenas por mercadorias para revenda (sem
transformação).
• O ativo imobilizado é menor que o da indústria — normalmente composto por
prateleiras, balcões, veículos de entrega e equipamentos de informática.
• O capital de giro (disponibilidades e contas a receber) tem papel fundamental, já que
as operações envolvem compra e venda contínua.
• O passivo circulante também é expressivo, pois há necessidade constante de crédito
junto a fornecedores.
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• O capital humano é o principal recurso, embora não apareça contabilmente como
ativo.
• O capital de giro e as contas a receber têm grande importância, pois o pagamento
pelo serviço muitas vezes ocorre após sua execução.
Uma empresa pode ser entendida como um sistema composto por vários subsistemas
interligados, que visam a criação de valor através da produção e comercialização de bens ou
serviços.
Subsistemas de Produção
Subsistemas de Custos
O subsistema de custos tem como função identificar, medir e controlar os custos associados à
produção. A Contabilidade de Gestão utiliza diferentes métodos de apuramento de custos, tais
como custos diretos, indiretos, fixos e variáveis. O conhecimento detalhado dos custos
permite uma melhor definição dos preços e uma gestão mais eficaz dos recursos.
A dinâmica empresarial é marcada por diversos fluxos que envolvem recursos económicos e
financeiros. Estes fluxos devem ser compreendidos e controlados para garantir a
sustentabilidade e o crescimento da organização.
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Fluxos Empresariais
Conceitos Económico-Financeiros
A hierarquia dos custos representa a forma como os custos são classificados e organizados
segundo o seu comportamento, natureza e relação com o processo produtivo. Essa estrutura
hierárquica tem como objetivo facilitar a análise, o controlo e a tomada de decisões dentro da
contabilidade de gestão.
Segundo Eliseu Martins (2018), a hierarquia dos custos pode ser entendida como um sistema
que agrupa os custos em níveis, de modo a identificar quais deles estão diretamente
relacionados com a produção e quais resultam de atividades de apoio. Essa hierarquia
contribui para o entendimento do fluxo de gastos e para a avaliação da eficiência das
operações empresariais.
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2) Custos de Lote ou de Série: referem-se aos custos incorridos sempre que se inicia uma
nova série ou lote de produção. Incluem custos de preparação de máquinas e de
transporte interno.
3) Custos de Suporte de Produto: são os custos necessários para manter a existência de
um determinado produto na empresa, como o custo de design, publicidade específica
e armazenamento.
4) Custos de Suporte à Instalação ou à Empresa: representam custos de carácter geral e
contínuo, relacionados ao funcionamento da organização como um todo, tais como
manutenção de edifícios, direção administrativa e energia geral.
A hierarquia dos custos permite à gestão identificar em que nível os recursos estão a ser
consumidos e onde é possível reduzir desperdícios, contribuindo para uma análise mais
precisa da rentabilidade.
A classificação dos custos em custos dos produtos e custos dos períodos é fundamental para
distinguir os gastos que são capitalizados como ativos (ou seja, incorporados no valor dos
produtos) daqueles que são reconhecidos diretamente como despesa no resultado do
exercício.
De acordo com José Carlos Marion (2021), os custos dos produtos (também chamados de
custos inventariáveis) são aqueles que participam do processo produtivo e são atribuídos aos
bens fabricados ou aos serviços prestados. Esses custos somente são reconhecidos como
despesa quando o produto é vendido, momento em que passam a integrar o Custo das
Mercadorias Vendidas (CMV) ou o Custo dos Serviços Prestados (CSP). Exemplos:
matérias-primas, salários da mão de obra direta, depreciação das máquinas de produção.
Já os custos dos períodos (também denominados custos não inventariáveis) são aqueles que
não se relacionam diretamente com o processo produtivo, sendo reconhecidos como despesas
do período em que ocorrem. Incluem despesas administrativas, comerciais, financeiras e de
distribuição.
Segundo João Carvalho (2019), o tratamento das informações contabilísticas envolve três
fases principais:
Nesta fase, são identificadas todas as operações financeiras e económicas da empresa, como
compras, vendas, pagamentos e custos operacionais. Cada transação é classificada conforme
o seu tipo (ativo, passivo, custo, despesa ou receita).
Os dados são registados nos livros contabilísticos e processados segundo o Plano Geral de
Contabilidade (PGC), de modo a garantir uniformidade e rigor técnico. Essa etapa inclui a
aplicação de princípios contabilísticos, como o da competência e o do custo histórico.
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Além disso, na contabilidade de gestão, o tratamento da informação vai além do mero registo,
envolve análises comparativas, projeções e relatórios internos, que orientam decisões sobre
investimentos, redução de custos e melhoria da performance empresarial.
Na prática, os restantes encargos que compõem os custos industriais são repartidos sobre as
bases convencionais.
Para entender melhor essa classificação, é importante diferenciar custos fixos e custos
variáveis. Custos fixos são aqueles que permanecem constantes independentemente do
volume de produção, como aluguel, salários de funcionários administrativos e despesas de
manutenção. Em contrapartida, os custos variáveis, como a matéria-prima, mudam de acordo
com o nível de atividade da empresa. Essa distinção é essencial para a gestão financeira, pois
ajuda na formação de preços e no controle orçamentário.
O custo total de produção de um item pode ser impactado significativamente pela variação no
preço da matéria-prima. A seguir, apresentamos alguns pontos importantes sobre como esses
custos são calculados:
Volume de Produção: Quanto maior a produção, maior o custo total com matéria-prima.
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Gestão de Estoque: A eficiência na gestão de estoque pode auxiliar na redução de custos
variáveis, evitando desperdícios.
Com base nas notas de recepção e guias de saída o armazém registadas as entradas e saídas
nas fichas de «stocks», apenas em quantidades. A contabilização em quantidades e valor e
reservada à Contabilidade, como sabemos.
Convém referir que, segundo o esquema implantado na empresa, o armazém deve elaborar
notas de entrada (notas de recepção) e notas de saída (requisições feitas pelas diversas
secções).
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Tal como o nome indica, o primeiro é caracterizado pelo facto de se inventários serem feitos
de tempos a tempos e cuja valorização vai servir para se apurar o valor das existências
consumidas ou vendidas (existência inicia + compras – existência final = custos das
existências vendidas e consumidas). O funcionamento da contabilidade analítica pressupõe
que se utilize o investimento permanente, a fim de que a gestão dos «stocks» seja feia de
modo adequado e que se conheça o consumos dos produtos fabricados.
321 — Matérias-primas
Quando a empresa trabalha com o sistema de custeio variável há certas naturezas que não
devem ser consideradas (caso dos gastos de Armazém e do próprio Serviço de Compras).
Estes gastos não variam com o volume de artigos movimentados, pelo que têm a natureza de
fixos. Quando trabalhamos com o sistema de custos totais, em que os custos dos produtos
abrangem todos os gastos de fabricação, quer sejam fixos quer variáveis, os gastos de
armazenamento devem ser imputados às matérias(produtos) que passa por armazém. Há
assim, necessidade de definir critérios para a sua repartição de modo que esta seja a mais
equitativa possível, nunca esquecendo os gastos administrativos causados por esta repartição.
O critério mais válido é o que resulta da conjugação da área o volume ocupado e do tempo de
armazenagem, critério este que é seguido por empresas que armazenam produtos de outrem
(armazéns portuários, transitários, etc…) em que o preço fixado atende aos dias e ao espaço.
No entanto, tal critério é de aplicação difícil nas empresas, porquanto exige tarefas
administrativas bastante morosas (cálculo de produto a produto do tempo de permanência em
armazém, por exemplo). Daí que se estabeleçam critérios mais funcionais como sejam a
imputação em função de:
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Métodos de Valorimetria
3. Valor Realizável Líquido: O valor das existências é determinado pelo valor que se espera
obter com a venda das existências, deduzidos os custos de venda.
Custo de Aquisição
- Preço de compra
- Custos de transporte
- Custos de seguro
Custo de Produção
- Custo de matérias-primas
- Custo de mão-de-obra
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O valor realizável líquido é determinado pelo valor que se espera obter com a venda das
existências, deduzidos os custos de venda. Isso inclui:
- Preço de venda
- Custos de venda
PGC e Valorimetria
Em resumo, o PGC estabelece as diretrizes para a valorização das existências, que pode ser
feita pelo custo de aquisição, custo de produção ou valor realizável líquido. A valorimetria
das existências é um processo importante para as empresas, pois afeta o resultado e o balanço
patrimonial.
Os gastos da área fabril que não respeitam às matérias-primas e à mão-de obra direta, são
englobados nos gastos gerais de fabrico. De um modo geral, trata-se de gastos comuns a toda
a produção da fábrica pelo que existem dificuldades na sua repartição.
Os gastos gerais de fabrico têm vindo a assumir uma importância crescente nos gastos de
produção em consequência de diversos factores. O desenvolvimento continuado da
tecnologia, materializado numa automatização crescente, normalmente reduz os gastos da
mão-de-obra directa e aumenta o investimento em equipamento produtivo e respectivo
pessoal de supervisão para a eficiente utilização do mesmo. Nas últimas décadas, os gastos de
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energia aumentaram de forma significativa, embora haja indústrias onde estes aumentos não
tiveram um peso relevante nos gastos gerais de fabrico.
Tradicionalmente, a análise e controlo dos gastos gerais de fabrico tem o uma importância
menor entre os três grandes componentes do custo de produção.
Contudo, as mudanças operadas no ambiente interno e externo das empresas têm promovido
uma atenção maior neste grupo de gastos e o desenvolvimento de
sistemas para o seu registo e para responder as crescentes exigências por parte da gestão.
Nos sistemas clássicos de contabilidade analítica os gastos gerais de fabrico incluíam todos
aqueles custos de produção que nem eram as matérias nem a mão-de-obra directa, ou seja
todos os gastos indirectos de produção que não podiam identificar-se, de forma prática, com
unidades específicas de produção e, por isso, não podiam ser incluídas nos custos específicos
de produção do mesmo modo que as referidas matérias e mão-de-obra directa.
Também tem sido habitual subdividir os gastos gerais de fabrico em materiais indirectos,
mão-de-obra indirecta e outros custos de produção indirectos. Por outro lado, a distinção
entre gastos gerais de fabrico e gastos de administração geral é, por seu turno, de interesse
para a gestão no processo de tomada de decisão. Os gastos de administração geral incluem os
gastos de «marketing», venda e distribuição, bem como os gastos administrativos, os quais
não são considerados no sistema de custeio da produção por diversas razões.
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de fabrico respeitam a:
- Matérias indirectas
Através do tratamento das requisições dos materiais por parte da informática, o custo das
matérias indiretas não apresenta dificuldades. Trata-se apenas de codificar e introduzir, para
cada requisitante (utente) cada referência e respectiva quantidade saída, para o computador
proceder à leitura do preço unitário no ficheiro-mestre e fazer o cálculo do consumo.
- Mão-de-obra indirecta
Esta natureza de gastos é determinada pelos registos dos tempos aplicados pelos
trabalhadores indirectos em cada departamento ou centro de gastos, o que implica a
codificação do número do operário e do centro em que esteve afec-to. O cálculo do custo
obtém-se mediante leitura do custo hora (indirecta) de cada trabalhador e que faz parte do seu
ficheiro mestre na Informática.
- Energia eléctrica
Para além dos gastos da área fabril, as empresas dispõem de estruturas de carácter comercial,
administrativa e financeira, cujos gastos há também necessidade em calcular. Esta resulta
fundamentalmente da óptica de um controlo, uma vez que aqueles não são objecto de
imputação ao custo dos produtos, conforme dispõe o SNC.
Assim, não se compreendem as referências de alguns autores quanto à imputação dos gastos
não industriais pelos produtos e/ou serviços produzidos, porquanto as melhorias introduzidas
na informação contabilística não têm qualquer significado económico. Pelo contrário, podem
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vir a ter consequências negativas nos resultados de um período para outro, nem sempre
perceptíveis pelos utentes da informação.
As diversas naturezas dos gastos por natureza terão assim que ser seg-
- Departamento Comercial
- Remunerações do pessoal
- Encargos sociais
- Despesas de representação
- Electricidade
- Rendas
(°) Entre estas, as de natureza variável (comissões, transportes) são imputados directamente
aos produtos vendidos.
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