A CONTABILIDADE COMO FERRAMENTA NO AUXÍLIO
DA TOMADA DE DECISÕES DAS MICROEMPRESAS
Júnior Alves da Silva1
Rafael Pereira dos Santos2
Alex Santos Almeida3
Diego Silva Souza4
Ciências Contábeis
ciências humanas e sociais
ISSN IMPRESSO 1980-1785
ISSN ELETRÔNICO 2316-3143
RESUMO
A par do conhecimento de que as microempresas têm participação significativa no
Produto Interno Bruto (PIB) do país e que elas já estão entre as principais geradoras de
riqueza no comércio brasileiro, este artigo busca analisar a relevância dos relatórios
contábeis para auxílio das microempresas na tomada de decisão, para tanto, traz à
baila pressupostos que corroboram a contabilidade como uma ferramenta importan-
te para empresa, pois, por meio dela, o empresário pode tomar decisões com mais
segurança. Nesse sentido, a metodologia aplicada deu-se sob uma análise qualitativa,
utilizando pesquisas em livros e revistas eletrônicas. Tem como justificativa a necessi-
dade de demonstrar como a contabilidade pode ser utilizada na tomada de decisões
das empresas, contribuindo assim com sua sobrevivência no mercado bastante com-
petitivo. Diante dessa necessidade, surge a problemática sobre como a contabilidade
pode melhorar na tomada de decisão das microempresas. Nessa perspectiva, com o
auxílio das demonstrações contábeis, é possível a empresa, por meio dos seus ges-
tores, traçar um planejamento profícuo em suas deliberações. As análises realizadas
apontam que as ferramentas contábeis possibilitam ao empresário controle do seu
patrimônio e da vida financeira da sua empresa, auxiliando nas tomadas de decisões.
PALAVRAS-CHAVE
Contabilidade. Microempresa. Tomada de Decisão.
Ciências Humanas e Sociais | Aracaju | v. 7 | n.2 | p. 59-70 | Abril 2022 | [Link]
60 | Cadernos de Graduação
ABSTRACT
Along with the knowledge that it participates in the country’s Gross Domestic Product
(GDP) as the main generators of wealth in Brazilian commerce, this article seeks to
survey them from executive reports to help micro-enterprises in decision making, for
that, brings to the global dance that confirms accounting as important for the company,
because, through it, the entrepreneur can make decisions with more security. In this
sense, an applied methodology was carried out under a qualitative analysis, using rese-
arch in electronic books and magazines. Its justification is the need to demonstrate how
accounting can be used in corporate decision-making, as well as its survival in the func-
tional market. From this need, the problem arises about how accounting can improve
decision-making in micro-enterprises. In this, with the help of accounting accounts, it
is possible for the company, through its managers, to draw up a fruitful planning in its
deliberations. The possibilities offered point out that the financial tools give the owner
control of his assets and the life of his company, helping in decision making.
KEYWORDS
Accounting. Micro enterprise. Decision making.
1 INTRODUÇÃO
No Brasil, a maioria dos empreendimentos em funcionamento são constituídos
de microempresas, nesse sentido, essas empresas são grandes geradoras de empre-
gos e riquezas, contribuindo de maneira significativa para o aumento do Produto
Interno Bruto do país (PIB).
No entanto, apesar dessas empresas possuírem grande importância na eco-
nomia, um fator relevante é a permanência delas no atual cenário econômico, pois
o número de empresas que são construídas a cada ano é consideravelmente alto,
mas o fato delas não contarem com um sistema de gestão eficaz, leva a falência nos
primeiros anos. Atualmente, a sobrevivência de microempresas constitui um desafio
constante em face da existência de diversas barreiras, como a necessidade de auto-
preservação, de manter-se atualizada em um mercado bastante competitivo, em que
a velocidade das informações é fundamental para tomada de decisões.
Nesse contexto, a não utilização da contabilidade como ferramenta no auxílio
da gestão resulta no fechamento dessas empresas, em decorrência do descontrole
financeiro, contábil e gerencial, tornando-as alvo fácil, diante da crescente concor-
rência, sendo, dessa forma, uma questão preocupante, pois o fechamento de uma
entidade torna-se um grave problema social, causando e elevando o nível de de-
semprego e, em consequência, afetando sobremaneira a economia nacional. Nessa
perspectiva, os micros empresários deixam de se beneficiar das informações geradas
da contabilidade que sejam capazes de auxiliar na gestão do negócio.
Ciências Humanas e Sociais | Aracaju | v. 7 | n.2 | p. 59-70 | Abril 2022 | [Link]
Cadernos de Graduação | 61
Ao levar como embasamento a Lei n° 9.317 (BRASIL, 1996) para empresas op-
tantes pelo regime de tributação baseado no regime Simples Nacional, tendo em
vista a possibilidade de dispensa de procedimentos contábeis, percebe-se a prá-
tica de processos opostos aos princípios contábeis, relacionados à elaboração de
demonstrações financeiras e demais relatórios gerenciais. Essa prática, dificulta as
tomadas de decisões administrativas, pois pode gerar perdas financeiras para as
empresas, além de reduzir seus lucros e dificultar o contexto da real situação na
qual determinada empresa se encontra.
Baseando-se no exposto foi desenvolvida esta pesquisa com o objetivo geral
de observar e analisar a relevância dos relatórios contábeis para o auxílio das mi-
croempresas nas resoluções delas. Para isso, traçou-se como objetivos específicos:
evidenciar o conceito de microempresa e suas características; demonstrar a escritu-
ração contábil por meio dos livros diário e razão; e, por fim, apresentar as principais
ferramentas da contabilidade no auxílio à tomada de decisão.
Por conseguinte, esta pesquisa desenvolvida no âmbito do trabalho de conclu-
são de curso de Bacharel em Ciências Contábeis, tem como justificativa demonstrar
como a contabilidade pode auxiliar as empresas por meio de suas ferramentas, visto
que o ciclo de vida das empresas vem diminuindo a cada ano.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
Segundo informações apontadas pelo Serviço de Apoio à Micro e Pequenas
Empresas (SEBRAE, 2019, on-line):
A microempresa será a sociedade empresária, a sociedade
simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o
empresário, devidamente registrados nos órgãos competentes,
que aufira em cada ano calendário, a receita bruta igual ou
inferior a R$ 360.000,00.
De acordo com essa definição, apontamos que as
microempresas estão determinadas a auferirem um
faturamento anual de até trezentos mil reais. No entanto,
segundo o SEBRAE existe também a classificação com base no
número de empregados.
Para tanto, o Quadro 1 a seguir ilustra um resumo acerca da classificação das
empresas brasileiras, tendo por base alguns aspectos a saber:
Quadro 1 – Classificação do porte de empresas baseado no número de empregados
Porte/ Segmento Indústria Comércio e Serviços
Microempresa Até 19 empregados Até 9 empregados
Empresa de Pequeno Porte De 20 a 99 De 10 a 49
Ciências Humanas e Sociais | Aracaju | v. 7 | n.2 | p. 59-70 | Abril 2022 | [Link]
62 | Cadernos de Graduação
Porte/ Segmento Indústria Comércio e Serviços
Média De 100 a 400 De 50 a 99
Grandes 500 ou mais 100 ou mais
Fonte: Produzido pelos Autores (2019), com base em Bueno (2017).
Pode-se afirmar que à luz dos dados apresentados no Quadro 1, a figura de
microempresa se destaca por ser de empreendimentos, nesse sentido, tem uma rele-
vante importância para a economia do país. Em contrapartida, há uma preocupação
com existência dela, pois, muitas das vezes, essas empresas são geridas pelos próprios
sócios, sendo assim, observa-se uma falta de planejamento na gestão financeira.
Outro ponto importante é tributação dessas empresas, das quais no Brasil há
um excesso expressivo de impostos e obrigações acessórias às quais essas micro-
empresas estão obrigadas. A Constituição Federal, em seu artigo 179, determina um
tratamento diferenciado à microempresa, visto que, a finalidade é simplificar os pro-
cessos dessas empresas:
Art. 179 - A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios
dispensarão às microempresas e as empresas de pequeno
porte, assim definidas em lei, tratamento jurídicos diferenciado,
visando a incentivá-las pela simplificação de suas obrigações
administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias ou pela
eliminação ou redução desta por meio de lei (BRASIL, 1988,
on-line).
Neste aspecto, com a finalidade de facilitar os procedimentos tributários das
microempresas, o Governo Federal editou a Lei Complementar 123 (BRASIL, 2006) em
que simplifica os processos de apuração e recolhimento dos impostos, o que trouxe
benefício para microempresas optantes pelo Simples Nacional, conforme pode-se ver
na transcrição a seguir:
Art. 27. As microempresas e empresas de pequeno porte
optantes pelo Simples Nacional poderão, opcionalmente,
adotar contabilidade simplificada para os registros e controles
das operações realizadas, conforme regulamentação do
Comitê Gestor. (BRASIL, 2006, on-line).
Assim, tornando-se opcional, a escrituração contábil para as microempresas
não pode apenas se limitar a atender somente às exigências do fisco, ela deve pro-
mover o respaldo por meio dos benefícios acompanhados da contabilidade, no pro-
cesso de gestão da empresa. Nesse seguimento, para Marion (2015), a Contabilidade
não deve ser feita, visando basicamente atender às exigências do governo, mas o que
é muito mais importante, auxiliar as pessoas a tomarem decisões.
Ciências Humanas e Sociais | Aracaju | v. 7 | n.2 | p. 59-70 | Abril 2022 | [Link]
Cadernos de Graduação | 63
A transparência de informações contábeis é um princípio fundamental que to-
dos os envolvidos na gestão empresarial devem defender. Sendo assim, a Contabili-
dade, ferramenta relevante para essa transparência, funciona como um eficaz meio
de demonstrar os resultados, sejam eles financeiros ou sociais, cuja mensuração tor-
na-se de grande importância para o empresário.
2.1 A CONTABILIDADE COMO FERRAMENTA DE GESTÃO
A contabilidade é uma ferramenta de grande importância para a ciência social
e, por esse ângulo, necessária para toda e qualquer empresa, independente do seu
porte, segmento e da sua forma de tributação.
Para Marion (2015, p. 30) o conceito da contabilidade “é um instrumento que
fornece o máximo de informações úteis para a tomada de decisões dentro e fora da
empresa”. A partir da contabilidade, o usuário dispõe de parâmetros para definir suas
metas, tomando decisões precisas que auxilie no crescimento da empresa. Nesse
caso, Ferrari (2013, p. 1) diz que: “a contabilidade é a ciência que tem por objetivo o
controle do patrimônio das entidades, fornecendo-lhes as informações necessárias”.
Sob esse prisma, a escrituração contábil é o primeiro registro dos fatos con-
tábeis, pois somente a partir dela é que se desenvolvem as demais ferramentas de
demonstração e de análise, nesse sentido, sua finalidade é de fornecer ao empresário
informações sobre o patrimônio dele, nessa acepção, percebemos a importância da
escrituração contábil nos processos de controle financeiro.
Além disso, o livro diário também faz parte das técnicas contábeis, uma vez
que ele registra todos os procedimentos que envolvam o patrimônio da empresa no
decorrer de um período. Como também o livro razão tem grande importância no pro-
cesso decisório da empresa, pois, com seu auxílio, possibilita um controle individual
das contas registradas no livro diário.
Montoto (2011) define o livro razão como o principal, pois registra todos os fatos
contábeis. Por ser sistemático atribui os registros por espécie ou qualidade. Nesse as-
pecto, escrituração: registro em livros especiais e em linguagem própria, com obser-
vância dos princípios e convenções geralmente aceitos, de todos os fatos que influem
na composição do patrimônio.
Em princípio, por meio da Contabilidade, a empresa sabe sua rentabilidade e lu-
cratividade, desse modo, por meio do balanço patrimonial os usuários da informação
compreende os valores de seus ativos e passivos, com essa ótica a demonstração do
resultado mostra as receitas, custos e despesas da empresa, diante do disposto apresen-
tado, sob esse prisma, o papel da contabilidade torna-se perceptível, pois, a maioria dos
relatórios são técnicos, o que dificulta o compreensão do empresário, então, nesse caso,
a contabilidade tem como papel fundamental auxiliar no processo decisório da empresa.
Nesse aspecto, Ferronato (2015) conceitua duas demonstrações, afirmando
que o Balanço Patrimonial evidencia a posição financeira da empresa no final de cada
ano. Por sua parte, a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) mostra a situa-
Ciências Humanas e Sociais | Aracaju | v. 7 | n.2 | p. 59-70 | Abril 2022 | [Link]
64 | Cadernos de Graduação
ção econômica dos pequenos negócios, mais precisamente, ela evidencia o resultado
apurado no decurso de um determinado prazo. Ao valer-se de que toda e qualquer
empresa tem por finalidade dar lucro, a partir destas demonstrações, o empresário se
beneficiará de forma clara com os resultados da empresa.
Desse modo, o Balanço Patrimonial é constituído por ativo e passivo, em que o
ativo representa os bens e os direitos, ou seja, pode ser entendo como valor pelo qual
a empresa tem direito, desse modo as contas do ativo estão conjuntas de acordo com
o grau de liquidez.
No ‘ativo’, as contas representativas dos bens e dos direitos
serão dispostas em ordem decrescente de grau de liquidez
dos elementos nelas registrados, em dois grandes grupos:
Ativo Circulante e Ativo Não Circulante. Grau de liquidez é
o maior ou menor prazo no qual bens e direitos podem ser
transformados em dinheiro. Grau de liquidez é o maior ou
menor prazo no qual bens e direitos podem ser transformados
em dinheiro. (RIBEIRO, 2013, p. 403).
O Passivo corresponde às obrigações devidas pela empresa, obedecendo ao
grau de exigibilidade, segundo Marion (2015) passivo significa as obrigações exigíveis
da empresa, ou seja, as dívidas que serão cobradas, reclamadas a partir da data de seu
vencimento. É denominado também passivo exigível, buscando, neste caso, dar mais
ênfase ao aspecto exigibilidade.
Bem como o Patrimônio Líquido representa o total dos recursos que o em-
presário aplicou na empresa, além das parcelas de lucros retidos, Marion (2015) vai
mais além, pois, para ele, toda empresa necessita de uma quantia inicial de recursos
(normalmente dinheiro) para efetuar suas primeiras aquisições, seus primeiros pa-
gamentos etc. Os proprietários, então, concedem suas poupanças com o objetivo
de proporcionar à empresa os meios necessários ao início do negócio. Essa quantia
inicial concedida pelos proprietários denomina-se, contabilmente, capital social, que
poderá ser aumentado a qualquer momento.
Outrossim, a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) é uma demonstra-
ção que evidencia a formação do resultado líquido em um período, confrontando as
receitas, custos e despesas. Dessa forma, segundo Ribeiro (2013, p. 416), “a DRE é um
relatório contábil destinado a evidenciar a composição do resultado formado num
determinado período de operações da empresa”.
A DRE apresenta uma síntese financeira dos resultados operacionais e não ope-
racionais de uma empresa em determinado período. No entanto, são elaboradas anu-
almente para fins legais de divulgação e, de modo geral, são feitas mensalmente para
fins administrativos e trimestralmente para fins fiscais.
Segundo Ferrari (2013, p. 731):
Ciências Humanas e Sociais | Aracaju | v. 7 | n.2 | p. 59-70 | Abril 2022 | [Link]
Cadernos de Graduação | 65
A DRE é a demonstração contábil (ou relatório financeiro)
que evidencia a situação econômica de uma entidade,
por meio da apuração de seu resultado (lucro ou
prejuízo), que é traduzido na diferença entre o valor total
das receitas realizadas e das despesas incorridas num
determinado período (normalmente de 1 ano), segundo
o regime de competência.
3 DISCUSSÕES
A importância das ferramentas contábeis no controle para as microempresas
é especificamente vital para análise econômica e financeira, pois com o auxílio das
ferramentas da contabilidade, os gestores desenvolvem um plano estratégico para o
negócio, driblando, nesse sentido, as concorrências e prejuízos, e com isso, a empre-
sa passa a trilhar o caminho mais curto para alcançar os objetivos planejados.
O fluxo de caixa também é um relatório essencial para controle financeiro da em-
presa, é nesse tipo de controle que se obtém entradas e saídas de caixa, por meio da
qual a empresa terá capacidade de verificar os pagamentos por determinado período,
analisando se há possibilidade de investimentos e qual a melhor data para se planejar de-
terminada compra, sendo também um orientador da empresa para tomadas de decisão.
Para Silva (2016, p. 37), “o fluxo de caixa é uma ferramenta que controla a movi-
mentação financeira (as entradas e saídas de recursos financeiros) de uma empresa,
em um período determinado”. Logo, o fluxo de caixa é um recurso fundamental para
os gestores saberem com precisão qual a situação financeira da empresa e, com base
no resultado, decidir os caminhos a seguir. Ainda na perspectiva do autor supracitado,
o fluxo de caixa tem função significativa para o processo decisório do empresário.
Diante desse contexto, fica evidente a importância do fluxo de caixa para as
empresas, sobretudo tendo em vista ser uma ferramenta utilizada basicamente para
analisar o saldo disponível da empresa, onde foram gastos os recursos e para qual
finalidade. Sendo assim, o fluxo de caixa nada mais é do que uma ferramenta fun-
damental de controle.
Entretanto, outra ferramenta bastante importante para o empresário é a análise
e gestão o preço de venda, pois, em um mercado bastante competitivo, há uma rele-
vante necessidade de a empresa saber o valor dos seus produtos ou serviços, embu-
tindo no preço todo o custo ocorrido na venda do produto ou do serviço. Além disso,
um fator importante a ser analisado é o ponto de equilíbrio, pois:
Ponto de Equilíbrio é o valor ou quantidade que a empresa
precisa vender para cobrir os gastos da empresa, de maneira
geral. Ou seja, significa a receita bruta com vendas necessária
para que a empresa consiga suprir, ao menos, os seus custos e
despesas variáveis, bem como os seus custos e despesas fixas.
(ALVES, 2013, p. 75).
Ciências Humanas e Sociais | Aracaju | v. 7 | n.2 | p. 59-70 | Abril 2022 | [Link]
66 | Cadernos de Graduação
Outra ferramenta expressiva é o Planejamento tributário, nesse contexto, a per-
feita gestão fiscal alcança à redução de custos, ocasionam reflexos positivos na situa-
ção financeira e econômica da empresa. Desse modo, é sabido que a tributação é um
dos principais itens na composição do preço final de qualquer produto, para tanto,
o autor destaca a importância do planejamento tributário para competitividade da
empresa, um fator crucial para estratégia do negócio.
Contudo, há sempre dois lados em uma mesma moeda e no Planejamento Tri-
butário não é diferente, se o contribuinte pretende diminuir seus encargos tributários,
poderá fazer de duas formas: a forma legal, a qual podemos chamar de elisão fiscal
ou economia legal, ou da forma ilegal, que vai de encontro à moral e à ética, a que
chamamos de sonegação fiscal.
Pode-se já no significado da palavra, tomando como exemplo a elisão fiscal, ter
uma noção básica do que se trata, tendo em vista que trata de eliminação, de forma
mais direta afirma-se que ela é a forma lícita de fazer com que a carga tributária da
entidade seja reduzida, geralmente isso é obtido por meio de brechas encontradas na
legislação, que faz com que o empresário com a ajuda do profissional da área con-
tábil faça com que a obrigação tributária reduza, com a certeza de que está fazendo
a coisa correta, à luz da legislação e da ética, tendo em vista que quando se trata de
‘Leis Brasileiras’ a coisa não é tão fácil, a interpretação por muitas das vezes é confusa
ou dúbia, mais um motivo para ter ao lado um profissional, para que o mesmo analise
o real cenário e com ética e lisura faça toda a manobra legal.
Já a forma ilegal, e desaconselhável, é a tão falada ‘sonegação fiscal’, que se
dá, por exemplo, quando o empresário realiza uma venda e não emite a devida nota
fiscal de venda/saída, ou emite uma “meia” (grifo nosso) nota, ou seja, não informa
fidedignamente todas as informações sobre quantidade de mercadoria e de preço,
nesse sentido, o empresário deve informar sobre aquela transação, quando ocorre a
apropriação indébita, que consiste no não recolhimento de tributos descontados de
terceiros, a exemplo do Imposto de Renda Retido na Fonte, da Contribuição Sindical
ou de parte do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) retido na folha de pagamen-
to do funcionário, dentre outros tributos.
No que corresponde aos índices financeiros e econômicos, pode-se dizer são
ferramentas importantes para a gestão da empresa, são, portanto, utilizados para me-
dir a posição econômica e financeira. Os Índices ou Indicadores Financeiros trata-se
de mecanismos e métricas para coleta e geração de informações financeiras, sob uma
determinada situação. No caso de um empreendimento, os indicadores servem para
demonstrar o quão saudável é este determinado negócio.
Esses indicadores têm um papel fundamental e de suma importância, que é for-
necer informações precisas e de grande valia. Dizer que determinada empresa vendeu
determinada quantidade de itens não significa, necessariamente, alguma coisa, a me-
nos que sejam utilizados os índices financeiros e por meio deles provado a real situação
da empresa. Tomando a supra situação como exemplo, se a referida análise demonstra
que as vendas resultam em lucro e liquidez, isso quer dizer que a empresa está “saudá-
vel” (grifo nosso), já se essas vendas forem a prazo ou fizerem parte de um quadro de
Ciências Humanas e Sociais | Aracaju | v. 7 | n.2 | p. 59-70 | Abril 2022 | [Link]
Cadernos de Graduação | 67
inadimplência, o resultado dá indícios de que empresa precisa de mudanças urgentes.
Com isso, pode-se ver o quão importante são os indicadores financeiros. Por
conseguinte, por meio deles é que se pode fazer com que os negócios atinjam seus
objetivos estratégicos e que sejam realizadas as mudanças necessárias para chagar
até o objetivo, além de permitir o acompanhamento de determinada situação de ma-
neira precisa e relevante. Para Marion (2015, p. 24), “os índices são relações que se es-
tabelecem entre duas grandezas; facilitam sensivelmente o trabalho do analista, uma
vez que a apreciação de certas relações ou percentuais é mais significativa (relevante)
que a observação de montantes por si só”.
Em relação ao índice de liquidez, Alves (2013) o define como sendo um instru-
mento que mede a capacidade de pagamento da empresa, diante disso, os índices
de Liquidez medem a capacidade de a empresa fazer frente às dívidas registradas no
curto prazo no passivo circulante.
O índice de endividamento é uma ferramenta altamente significativa, pois exi-
ge a necessidade da empresa saber a qualidade do seu endividamento, que muitas
vezes para começar as atividades da empresa, o empresário precisa adquirir capital
de terceiros, ou seja, a empresa passa por uma alavancagem financeira, nesse caso, a
empresa utiliza capital de terceiros para investimento, podendo trazer bons retornos
e consequentemente uma boa rentabilidade.
Outro ponto importante ao analisar os índices de endividamento se dá na ob-
servação de onde os recursos estão sendo aplicados. As empresas que adquirem ca-
pital de terceiros para fazerem frente as dívidas são aquelas que têm maiores possi-
bilidades de irem à falência, dessa forma, ao ser evitado em momento de crise, com
auxílio desta ferramenta, a empresa poderá traçar um bom planejamento, evitando,
assim, o fechamento da empresa.
Outrossim, existem também os índices de rentabilidade e lucratividade, que são
indicadores quantitativos, a partir da demonstração do resultado (DRE) e do balanço
patrimonial. Logo, a necessidade de utilizar indicadores de rentabilidade e indicadores
de lucratividade se dá no fato de que apenas analisar o lucro líquido de uma companhia
pode não refletir verdadeiro e total potencial econômico e financeiro da empresa.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A representatividade das microempresas no cenário econômico no Brasil é bas-
tante satisfatória, elas representam cerca de 27% na participação do PIB, um resultado
que vem crescendo nos últimos anos.
Em contrapartida, mesmo sabendo que a falta da contabilidade como auxílio no
processo decisório da microempresa é de fundamental importância para o processo
de desenvolvimento social e econômico dela, o índice de mortalidade dessas empre-
sas ainda permanece alto, o que faz com que várias empresas cheguem à falência.
Neste estudo, percebeu-se a relevância dos relatórios contábeis para auxílio na
tomada de decisões das microempresas. Para isso, fica evidente que, para ser con-
Ciências Humanas e Sociais | Aracaju | v. 7 | n.2 | p. 59-70 | Abril 2022 | [Link]
68 | Cadernos de Graduação
siderada microempresa, sua receita bruta tem que ser igual ou inferior a trezentos
e sessenta mil reais, ou também pelo quantitativo de funcionários. Com isso, foram
elencadas algumas ferramentas que, ao serem aplicadas na microempresa, tornam-
-se de vital importância na tomada de decisão e no planejamento.
Com o auxílio do livro diário que tem por finalidade fornecer ao empresário
informações do seu patrimônio, a escrituração contábil é uma peça importante na
elaboração de uma contabilidade, como também o livro razão, onde demonstra
tudo que foi registrado no diário por conta e período. Com a crescente concorrên-
cia o empresário que mantém uma contabilidade eficiente sempre estará à frente
no mercado bastante competitivo.
Logo, baseando-se no exposto, afirma-se a importância do auxílio da contabi-
lidade na tomada decisão das microempresas. Pois, mediante o subsídio das ferra-
mentas contábeis, o empresário obtém um controle financeiro das movimentações
ocorridas pela empresa, possibilitando uma melhor análise para fazer novos investi-
mentos, servindo então de orientação para tomada de decisões.
Do mesmo modo, na formação e gestão do preço de venda, a contabilidade é
uma peça-chave para o empresário, pois por meio disso, há a possibilidade de saber
qual preço adotar para seu produto ou serviço. Em um mercado bastante competiti-
vo, esta ferramenta tem grande utilidade para empresa.
Nessa perspectiva, fica evidente a relevância da contabilidade para as microem-
presas, sendo fator essencial na formação de uma instituição e no desenvolvimento
de qualquer empreendimento, por menor que ele seja. Nesse sentido, apesar da não
obrigatoriedade da escrituração contábil concedida pela Receita Federal, ainda fica
evidente que, com o auxílio da contabilidade e por meio das suas demonstrações e
ferramentas, os benefícios gerados na administração financeira das microempresas
são bastante satisfatórios por possuírem grande importância à economia, contribuin-
do assim para existência em um mercando bastante competitivo, demonstrando seus
resultados, evitando prejuízos econômicos e financeiros.
REFERÊNCIAS
ALVES, Revson Vasconcelos. Contabilidade gerencial. São Paulo: Atlas, 2013.
BRASIL. Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Disponível em:
[Link] Acesso em: 1 set. 2018.
BRASIL. Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Disponível em: [Link]
[Link]/ccivil_03/LEIS/[Link]. Acesso em: 1 set. 2018.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em:
[Link]
Acesso em: 1 set. 2018.
Ciências Humanas e Sociais | Aracaju | v. 7 | n.2 | p. 59-70 | Abril 2022 | [Link]
Cadernos de Graduação | 69
BUENO. Jefferson Reis. Qual a receita bruta e o número de empregados para
MEI, ME e EPP? 2017. Disponível em: [Link]
empregados-receita-bruta-para-mei-me-epp/. Acesso em: 1 set. 2018.
FERRARI, Luiz. Contabilidade geral teoria e mais de 1.000 questões. Niterói:
Impetus, 2013.
FERRONATO, Airto João. Gestão contábil-financeira de micro e pequenas e
empresas. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2015.
MARION, José Carlos. Contabilidade básica. São Paulo: Atlas, 2015.
MONTOTO, Eugenio. Contabilidade geral esquematizado. São Paulo: Saraiva, 2011.
RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade geral fácil. São Paulo: Saraiva, 2013.
SEBRAE – Serviço de Apoio a Micro e Pequenas Empresas. Entenda as diferenças
entre microempresa, pequena empresa e MEI. 2019. Disponível em: http://
[Link]/sites/PortalSebrae/artigos/entenda-as-diferencas-entre-
microempresa-pequena-empresa-e-mei,03f5438af1c92410VgnVCM100000b272010
aRCRD. Acesso em: 1 set. 2019.
SILVA, Edson Cordeiro da. Como administrar o fluxo de caixa das empresas. São
Paulo: Atlas, 2016.
Ciências Humanas e Sociais | Aracaju | v. 7 | n.2 | p. 59-70 | Abril 2022 | [Link]
70 | Cadernos de Graduação
Data do recebimento: 10 de setembro de 2021
Data da avaliação: 23 de novembro de 2021
Data de aceite: 12 de dezembro de 2021
1 Graduado em Ciências Contábeis pela Universidade Tiradentes; e-mail: junior_alves_ja@[Link].
2 Graduado em Ciências Contábeis pela Universidade Tiradentes; e-mail: [Link]@[Link].
3 Mestrando em Contabilidade(FUCAPE), Pós -Graduado em Finanças Empresariais e Controladoria pela
Universidade Tiradentes, Bacharel em CIÊNCIAS CONTÁBEIS pela Universidade Tiradentes (2003). Ocupa
atualmente o cargo de Analista Judiciário - Contabilidade no Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe, Professor
de Graduação do Curso Ciências Contábeis na Universidade Tiradentes, Professor de Pós-Graduação do
Curso Auditoria e Controladoria da Universidade Tiradentes, Professor de pós-Graduação do Curso Auditoria
Governamental e Contabilidade Pública- FANESE, Professor de Pós -Graduação do Curso Auditoria Contábil na
Faculdade Amadeus, Professor de Pós -Graduação do Curso Gestão Pública na Faculdade São Luis, Membro
da Comissão de estudo da contabilidade aplicada ao setor público do Conselho regional de Contabilidade de
Sergipe -CECASP, Professor de Curso Preparatório para Concursos, membro da Comissão de Estudos sobre
Contabilidade Pública do CRCSE e Conselheiro do Conselho Regional de Contabilidade.
E-mail: alxalmeida2004@[Link]
4 Doutorando em Ciências da Propriedade Intelectual pelo PPGPI-UFS, Mestre em Ciências Ambientais pelo
PROF-CIAMB UFS (2018), Graduado em Engenharia Civil pela Universidade Tiradentes (2017), Graduado em
Ciências Contábeis pela Universidade Tiradentes (2009), possui Especialização latu sensu em: Gestão de
Recursos Hídricos e Meio Ambiente (2021), Matemática Financeira e Estatística (2022) e em Gestão Fiscal e
Planejamento Tributário (2011). Atualmente é Professor da Universidade Tiradentes lotado na Coordenação de
Ciências Contábeis, membro do Núcleo Docente Estruturante dos Cursos de Ciências Contábeis (Presencial e
EAD) e Coordenador Pedagógico de Ciências Contábeis (Presencial e EAD). E-mail: souza_ds@[Link]
Ciências Humanas e Sociais | Aracaju | v. 7 | n.2 | p. 59-70 | Abril 2022 | [Link]