0% acharam este documento útil (0 voto)
2 visualizações3 páginas

Avanços da Avaliação Psicológica no Brasil

O editorial discute a importância da Avaliação Psicológica na formação e atuação de profissionais da Psicologia, destacando a necessidade de integração de conhecimentos e constante atualização. O Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica (IBAP) tem promovido avanços significativos na área nos últimos 25 anos, realizando ações como congressos e publicações que fortalecem a prática e a pesquisa. Além disso, o texto aborda desafios atuais, como a adaptação às tecnologias e a promoção de justiça social na avaliação psicológica.

Enviado por

aureorios
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
2 visualizações3 páginas

Avanços da Avaliação Psicológica no Brasil

O editorial discute a importância da Avaliação Psicológica na formação e atuação de profissionais da Psicologia, destacando a necessidade de integração de conhecimentos e constante atualização. O Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica (IBAP) tem promovido avanços significativos na área nos últimos 25 anos, realizando ações como congressos e publicações que fortalecem a prática e a pesquisa. Além disso, o texto aborda desafios atuais, como a adaptação às tecnologias e a promoção de justiça social na avaliação psicológica.

Enviado por

aureorios
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Oliveira & Silva

Avaliação Psicológica, 2022, 21(3) Avaliação Psicológica


[Link] ISSN 2175-3431 (versão on-line)

Editorial
Karina da Silva Oliveira
Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte-MG, Brasil
Mônia Aparecida da Silva
Universidade Federal de São João del Rei, São João del Rei-MG, Brasil

A Avaliação Psicológica é, indiscutivelmente, uma das áreas mais transversais na formação e na atuação de profis-
sionais da Psicologia. Isto porque, é por meio do emprego de estratégias como da observação, da entrevista (em suas
variadas formas), dos testes psicológicos e daqueles não exclusivos da psicologia, e do encontro de saberes estruturados
em forma de relatórios e de demais documentos técnicos, que as informações sobre o funcionamento de um indivíduo,
ou grupo de indivíduos, ou mesmo a estrutura de um construto, são acessados. Desta forma, nota-se que tanto o fazer
psicológico, quanto a construção do conhecimento psicológico perpassam por ações típicas de processos avaliativos.
Além disso, a avaliação psicológica é uma especialidade da multiplicidade, em que diferentes conhecimentos precisam
ser integrados, tanto da psicologia, quanto de outras especialidades profissionais. Sendo assim, o saber da área é muito
abrangente, demandando dos profissionais constante atualização e dedicação aos estudos.
Ciente deste caráter transversal, sobretudo, no que tange à realidade nacional, o Instituto Brasileiro de Avaliação
Psicológica (IBAP) foi organizado visando promover o desenvolvimento da área, tendo como alvo alcançar critérios
científicos mais elevados. Com isso, a área de avaliação psicológica foi uma das que mais avançou e se qualificou na
psicologia brasileira nas últimas décadas (Faiad et al., 2019). Desde 1997, tem sido foco de atuação do IBAP ações
voltadas ao refinamento dos processos de validação de técnicas e de procedimentos avaliativos, além de iniciativas
voltadas para o fortalecimento da prática de avaliação psicológica no Brasil. Ao longo destes 25 anos de existência,
a missão do IBAP tem sido praticada através da construção de espaços de comunicação científica de alta qualidade,
como o Congresso Brasileiro de Avaliação Psicológica, que em 2023 estará em sua 11ª edição. Os congressos são
reconhecidamente espaços de convivência, troca de conhecimentos, e um momento que oportuniza parcerias en-
tre pesquisadores, promove a divulgação da ciência nacional e a internacionalização. Na mesma direção, a Revista
Avaliação Psicológica, um periódico oficial do IBAP, não apenas é um meio de comunicação relevante dos achados
em avaliação psicológica, mas favorece a divulgação das atualizações e dos refinamentos requeridos e necessários à
uma ciência que avança em frente aos inúmeros desafios experimentados. São também ações do IBAP a condução
da Jornada de Avaliação Psicológica que está em sua segunda edição, e a coleção IBAP de livros que conta com obras
importantes que colaboram com a interface entre a pesquisa e a prática profissional.
Cabe destacar que o IBAP não realiza estas ações de forma isolada, desde seu início, busca desenvolver relacio-
namentos colaborativos com diferentes entidades da área da Psicologia e da avaliação psicológica, assim como, com o
Sistema Conselhos. Ao longo destas décadas de parcerias tem-se o envolvimento do IBAP na organização e no contínuo
refinamento dos critérios de avaliação dos testes psicológicos. Paralelo ao grande avanço da psicometria nas últimas
décadas, que agregou maior rigor à construção dos instrumentos, o IBAP fortaleceu ações para ampliar a qualidade dos
processos avaliativos e legislar sobre o uso de diferentes instrumentos e sobre os procedimentos envolvidos na avaliação
psicológica. Durante a pandemia da COVID-19, o IBAP colaborou com o processo de esclarecimento e de orientações
ao enfrentamento dos desafios tocantes à área. Também se destaca o envolvimento do IBAP nas ações de enfrentamento
da decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 3481, que dá acesso
amplo aos conteúdos dos testes psicológicos a não psicólogos.
Estas ações e processos desenvolvidos pelo IBAP nos últimos 25 anos têm sido conduzidas por gerações de
pesquisadores e de profissionais que são referência na formação de muitos estudantes, no âmbito da graduação e
pós-graduação brasileira, nos setores público e privado. Em nossa formação, tivemos o privilégio de conviver e de
aprender com pesquisadores cujas histórias profissionais e acadêmicas são comprometidas com a área e se alinham
aos valores e à missão defendidos pelo IBAP. Muitos deles são professores doutores que se envolveram na organiza-
ção do instituto. Por meio da filiação como sócios do IBAP, podemos acompanhar de forma próxima a atuação desse
sólido instituto, bem como participar ativamente de muitas iniciativas para o fortalecimento da área de avaliação
psicológica no Brasil. Desta forma, entendemos ser um privilégio colaborar com este processo e com este legado.

Disponível em [Link] Avaliação Psicológica, 2022, 21(3), pp. 251-370 . A


Conforme exposto, foram incontáveis as conquistas e ações realizadas desde a fundação do IBAP. Mas também é
necessário ponderar que existem desafios que envolvem questões atuais e emergentes que podem, e devem, ser assu-
midas pelas novas gerações de pesquisadores da área enquanto pauta de debates, reflexões e propostas resolutivas. Neste
sentido, gostaríamos de elencar alguns destes desafios.
O ensino da avaliação psicológica, embora não seja um desafio específico das novas gerações, tendo em vista que
permeou e permeia os diferentes momentos históricos da área, é um tema relevante para os profissionais que estão
iniciando suas trajetórias e que deve ser foco de zelo e cuidado. Isto porque, é necessário que a formação de novos
profissionais aponte para valores científicos e éticos que são inegociáveis no exercício da profissão (Noronha & Santos,
2021). Na mesma direção, é relevante que, desde os primeiros contatos com a avaliação psicológica, os estudantes sejam
apresentados ao caráter processual e integrativo desta prática, em um raciocínio científico e pautado nas evidências mais
recentes e relevantes, não somente voltados às qualidades psicométricas dos testes, mas também sobre a qualidade da
integração teórica entre as diferentes áreas da atuação psicológica (Bonstein, 2016).
Outro desafio que deve ser entendido como foco desta geração refere-se à relação irrevogável entre a avaliação
psicológica, as tecnologias e as práticas remotas. Tradicionalmente, as avaliações eram realizadas em espaços presen-
ciais, com emprego de técnicas apresentadas em formato de lápis e papel (Primi, 2018). Entretanto, em decorrência
da pandemia da COVID-19, o contexto remoto e a intensificação do uso das tecnologias implicaram em mudanças
na condução das atividades avaliativas que precisaram ser rapidamente adaptadas (Zanini et al., 2021). Diante disso,
questões importantes emergiram, como a necessidade da investigação da equivalência dos diferentes formatos de apre-
sentação dos testes, isto é, lápis e papel e aplicação informatizada, ou ainda, aplicação remota (CFP, 2018). Para além
disso, nota-se que a relação entre a avaliação psicológica e o uso das tecnologias certamente trará alterações e exigirá
adaptações, notadamente, no trabalho de pesquisadores e de professores das disciplinas de avaliação psicológica. Além
disso, diretrizes devem ser reforçadas em face às adaptações dos profissionais da psicologia à prática remota de trabalho
no contexto pós pandêmico. Com a flexibilização de algumas práticas ao formato remoto pelos órgãos oficiais, como o
Sistema Conselhos, regulamentações para a condução da avaliação psicológica de maneira ética e segura são necessárias
para a prática, ensino e supervisão à distância (Marasca et al., 2020).
Ainda, é necessário refletir sobre os desafios relacionados à justiça social na condução de processos avaliativos
e no desenvolvimento das técnicas de avaliação. Conforme apontado por Bueno e Peixoto (2018) a área possui um
relevante compromisso com a sociedade, que fica evidenciado nos impactos decorrentes da participação em proces-
sos avaliativos. Neste sentido, o contínuo compromisso em garantir e promover os Direitos Humanos deve ser foco
das ações fomentadas pela área. Destaca-se neste contexto, a necessidade de estudos que contemplem adaptações a
populações com deficiências físicas e visuais (por exemplo), e a defesa de que as normas dos instrumentos psicoló-
gicos não fundamentem discursos preconceituosos ou negligenciem populações específicas, dentre outras questões
(Campos et al., 2022).
Por fim, um último desafio precisa ser destacado: as adaptações necessárias para a diminuição dos impactos da
Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3481. Desde 2003, em função da Resolução CFP 02/2003 (posteriormente
revogada pela Resolução CFP 09/2018), a comercialização dos testes psicológicos era restrita aos profissionais da psico-
logia. Esta resolução tinha como objetivo proteger a sociedade e a validade das técnicas. Entretanto, a partir de 2022, esta
restrição deixou de ter valor, de modo que não psicólogos podem ter acesso irrestrito às técnicas de avaliação psicoló-
gica. Diante deste cenário, é urgente que, enquanto área, venhamos a propor estratégias que cumpram os objetivos das
referidas resoluções, isto é, de proteger a sociedade e a validade dos testes, paralelamente ao cumprimento das normas
impostas pelo julgamento da ADI 3481 (Zanini et al., 2021).
Ao celebrar os 25 anos de história do IBAP, reconhecemos o árduo e zeloso trabalho deste instituto, representado
pelos profissionais que colaboraram em nossa formação e pavimentaram caminhos importantes para o avanço da área. A
reflexão sobre o presente e o futuro, com suas vitórias e desafios, reforça a nossa responsabilidade, enquanto professores
e pesquisadores da área, em contribuir com a história da avaliação psicológica brasileira. Para concluir, idealmente, a
dedicação à área de avaliação psicológica deve fomentar a busca incessante da profundidade teórica, da prática qualifica-
da e ética, capaz de promover os direitos humanos e combater o preconceito, a discriminação e as diferentes formas de
opressão. Que possamos, juntos com o IBAP, utilizar a avaliação psicológica para transformar vidas de maneira positiva.

Referências

Bornstein, R. F. (2016). Evidence-Based Psychological Assessment. Journal of Personality Assessment, 99(4), 435-445. [Link]
0223891.2016.1236343 10.1080/00223891.2016.1236343

B . Avaliação Psicológica, 2022, 21(3), pp. 251-370


Campos, C.R., Oliveira, K.S., & Chueri, M.S.F. (2022). Avaliação psicológica inclusiva: diferenças do processo de avaliação psicológica
tradicional. In C.R. Campos, & M.S.F. Chueri (orgs). Avaliação Psicológica Inclusiva: contexto clínico (p. 17-30). Editora Artesã.
Faiad, C., Pasquali, L., & Oliveira, K. L. (2019). Histórico da avaliação Psicológica no mundo. In M. N. Baptista, M. Muniz, C. T. Reppold,
C. H. S. S., Nunes, L. F., Carvalho, R. Primi, A. P. P. Noronha., A. G. Seabra., S. M. Weschler., C. S. Hutz., & L. Pasquali (Orgs.),
Compêndio de Avaliação Psicológica (pp.111-121). Vozes.
Marasca, A. R., Yates, D. B., Schneider, A. M. D. A., Feijó, L. P., & Bandeira, D. R. (2020). Avaliação psicológica online: considerações a
partir da pandemia do novo coronavírus (COVID-19) para a prática e o ensino no contexto a distância. Estudos de Psicologia (Campinas),
[Link]://[Link]/10.1590/1982-0275202037e200085
Noronha, A. P. P., & Santos, A. A. A. (2021). Histórico da formação em Avaliação Psicológica no Brasil. In K.L. Oliveira, M. Muniz, T.H.
Lima, D.S. Zanini, & A.A.A. Santos (orgs.) Formação e estratégias de ensino em Avaliação Psicológica (p. 13-20). Vozes.
Resolução CFP n. 011/2018. Regulamenta a prestação de serviços psicológicos realizados por meios de tecnologias da informação e da comunicação e revoga a
Resolução CFP nº 11/2012. Recuperado de [Link]
Zanini, D. S., Reppold, C. T., & Faiad, C. (2021). Do lápis e papel à modalidade remota: considerações sobre a avaliação psicológica em
tempos de pandemia. Em K. L. Oliveira, M. Muniz, T. H. Lima, D. S. Zanini & A. A. A. Santos (Orgs.), Formação e estratégias de ensino
em Avaliação Psicológica. Vetor.
Zanini, D. S., Reppold, C. T., Muniz, M., Noronha, A. P. P., & Rueda, F. J. M. (2021). Por Que Regulamentar o Uso e Acesso aos Testes
Psicológicos? Avaliação Psicológica, 20(3), 390-399. [Link]

Como citar este artigo

Oliveira, K. S. & Silva, M. A. (2022). Editorial. Avaliação Psicológica, 21(3). [Link]

Avaliação Psicológica, 2022, 21(3), pp. 251-370 . C

Você também pode gostar