Aula 01
TJ-CE - Língua Portuguesa
Autor:
Equipe Português Estratégia
Concursos, Felipe Luccas
09 de Dezembro de 2024
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Aula 01
Índice
1) Noções iniciais de Classes de Palavras I
..............................................................................................................................................................................................3
2) Classes variáveis e invariáveis
..............................................................................................................................................................................................4
3) Substantivo
..............................................................................................................................................................................................5
4) Adjetivo
..............................................................................................................................................................................................
12
5) Expressões com Substantivo e Adjetivo
..............................................................................................................................................................................................
16
6) Advérbio
..............................................................................................................................................................................................
21
7) Artigo
..............................................................................................................................................................................................
27
8) Numeral
..............................................................................................................................................................................................
29
9) Interjeição
..............................................................................................................................................................................................
31
10) Palavras especiais
..............................................................................................................................................................................................
32
11) Questões Comentadas - Substantivo - FCC
..............................................................................................................................................................................................
36
12) Questões Comentadas - Adjetivo - FCC
..............................................................................................................................................................................................
38
13) Questões Comentadas - Expressões com Substantivos e Adjetivos - FCC
..............................................................................................................................................................................................
42
14) Questões Comentadas - Advérbio - FCC
..............................................................................................................................................................................................
43
15) Questões Comentadas - Artigo - FCC
..............................................................................................................................................................................................
46
16) Lista de Questões - Substantivo - FCC
..............................................................................................................................................................................................
47
17) Lista de Questões - Adjetivo - FCC
..............................................................................................................................................................................................
49
18) Lista de Questões - Expressões com Substantivo e Adjetivo - FCC
..............................................................................................................................................................................................
53
19) Lista de Questões - Advérbio - FCC
..............................................................................................................................................................................................
55
20) Lista de Questões - Artigo - FCC
..............................................................................................................................................................................................
57
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NOÇÕES INICIAIS
Olá, pessoal!
Vamos dar início ao estudo das Classes de Palavras.
Ressalto que essa aula é fundamental para entendermos análises sintáticas e semânticas mais elaboradas.
Se você não entende o uso das classes de palavras, fica muito mais difícil aprender Sintaxe e Interpretar
textos, por exemplo.
Atualmente, as palavras da Língua Portuguesa são classificadas dentro de dez classes gramaticais, conforme
reconhecidas pela maioria dos gramáticos: Substantivo, Adjetivo, Advérbio, Verbo, Conjunção, Interjeição,
Preposição, Artigo, Numeral e Pronome.
Uma palavra é enquadrada numa classe pelas suas características, embora existam muitas palavras que não
são enquadradas nas classes tradicionais, pois não funcionam exatamente como nenhuma delas. Um
exemplo são o que denominamos de "palavras denotativas": parecem advérbios, mas não fazem o que o
advérbio faz, isto é, não modificam verbo, adjetivos ou outro advérbio.
Há também uma estreita relação entre a classe da palavra e sua função sintática. Por exemplo, a palavra
“hoje” é um advérbio de tempo, da classe dos advérbios. Qual é sua função sintática? É expressão de uma
circunstância de tempo, um adjunto adverbial de tempo.
Além disso, estudaremos que um conjunto de palavras pode equivaler a uma classe gramatical e, assim,
substituir essa palavra sem prejuízo à correção ou ao sentido. Esses conjuntos são chamados de locuções e
serão classificadas de acordo com a classe que substituem. Por exemplo, podemos ter uma pessoa “corajosa”
(adjetivo) ou uma pessoa “com coragem” (locução adjetiva).
Não se desespere! Traremos detalhes sobre isso e faremos muitas questões...
Grande abraço e ótimos estudos!
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CLASSES VARIÁVEIS X CLASSES INVARIÁVEIS
Algumas classes são variáveis, seguem regras de concordância, ou seja, flexionam-se em número
e gênero, como o substantivo, o adjetivo, o pronome, o numeral e o verbo.
Outras classes permanecem invariáveis, sem flexão, sem concordância, como advérbios,
conjunções e preposições.
“João é bonito, Joana é feia e seus filhos são medianos”
“João anda apressadamente e Joana, lentamente”.
Na primeira sentença há concordância de gênero e número. Isso porque “bonito” é adjetivo,
“seus” é pronome e “filhos” é substantivo, todas classes variáveis. No segundo, o termo
“lentamente” não varia, porque é advérbio, uma classe invariável.
A diferença é simples, mas deve ser lembrada sempre que formos estudar cada uma das classes
de palavras, ok?!
Resumindo....
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SUBSTANTIVOS
O substantivo é a classe que dá nome a seres, coisas, sentimentos, qualidades, ações (homem, gato, carro,
mesa, beleza, inteligência, estudo...). Em suma, é o nome das coisas em geral, é a palavra que nomeia tudo
o que percebemos.
É uma classe variável, pois se flexiona em gênero, número e grau: um gato, dois gatos, três gatas, quatro
gatinhas, cinco gatonas...
Classificação dos substantivos
Relembremos rapidamente as classificações dos substantivos.
CLASSIFICAÇÃO DEFINIÇÃO EXEMPLOS
PRIMITIVO Não se origina de outra palavra da pedra, mulher, felicidade
língua e, portanto, não traz afixos
(prefixo ou sufixo).
DERIVADO Deriva de uma palavra primitiva, pedreiro, mulherão, infelicidade
traz afixos (sufixos ou prefixos).
SIMPLES É constituído por uma única homem, pombo, arco
palavra, possui apenas um
radical.
COMPOSTO É constituído por mais de uma homem-bomba, pombo-
palavra, possui mais de um correio, arco-íris
radical.
COMUM Designa uma espécie ou um ser mulher, cidade, cigarro
qualquer representativo de uma.
PRÓPRIO Designa um indivíduo específico Maria, Paris, Malboro
da espécie.
CONCRETO Designa um ser que existe por si pedra, menino, carro, Deus, fada
só, de existência autônoma e
concreta, seja material, espiritual,
real ou imaginário.
ABSTRATO Designa ação, estado, criação, coragem, liberalismo
sentimento, qualidade, conceito.
COLETIVOS Designa uma pluralidade de seres tropa (soldados),
da mesma espécie. cardume (peixes),
frota (veículos).
A classificação de um substantivo não é fixa e absoluta, depende do contexto. Observe:
Ex: Judas foi um apóstolo (Próprio) x O amigo revelou-se um judas (Comum => traidor)
Os substantivos ainda podem ser classificados de acordo com a sua flexão de gênero (masculino/ feminino).
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BIFORMES Mudam de forma para indicar lobo x loba
gêneros diferentes. capitão x capitã
boi x vaca
UNIFORMES São os que possuem apenas uma o estudante / a estudante
forma para indicar ambos os o artista famoso/ a artista
gêneros. famosa
Os substantivos uniformes ainda subdividem-se em:
EPICENOS Referem-se a animais que só têm A águia, A cobra, O gavião.
um gênero para designar tanto o A variação de gênero se dá com
masculino quanto o feminino. acréscimo de “macho/fêmea”: a
cobra macho, o gavião fêmea...
SOBRECOMUNS Referem-se a pessoas de ambos A criança, O cônjuge, O carrasco,
os sexos. A pessoa, A vítima.
COMUNS DE DOIS GÊNEROS Apresentam uma forma única O chefe, A chefe, O cliente, A
para masculino e feminino e a cliente, O suicida, A suicida.
distinção é feita pelo “artigo” (ou
outro determinante, como
pronome, numeral...).
Formação de substantivos
Para reconhecer um substantivo, ajuda muito saber como podem ser formados e quais são suas principais
terminações.
Quanto à sua formação, os substantivos podem ser classificados em primitivos e derivados:
Os primitivos são a forma original daquele substantivo, sem afixos: pedra, fogo, terra, chuva.
Os derivados se originam dos primitivos, com acréscimo de afixos (prefixos ou sufixos): pedreiro, fogareiro,
terrestre, chuvisco. Esse processo é chamado de derivação sufixal e ocorre também com verbos que recebem
sufixos substantivadores:
pescar => pescaria; filmar => filmagem;
matar => matador; militar => militância;
dissolver => dissolução; corromper => corrupção.
Há também o processo inverso, chamado derivação regressiva, em que um substantivo abstrato indicativo
de ação é formado por uma redução:
Cantar => canto Almoçar => almoço
Além disso, destaco que substantivos podem surgir por processos de nominalização de outras classes. Os
verbos têm formas nominais:
Verbo Fazer: gerúndio (fazendo), infinitivo (fazer) e particípio (feito).
Ex: Feito é melhor que perfeito.
Mesmo não fazendo perfeito, o fazer é melhor que não o fazer.
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Note que o artigo tem o poder de substantivar qualquer classe:
Ex: O fazer é melhor que o esperar. (verbo “fazer” foi substantivado pelo artigo “o”)
Esse processo acima possibilitado pelo artigo se chama “derivação imprópria”, pois utiliza uma palavra de
uma classe em outra classe, da qual não é “própria”, ou seja, à qual não pertence.
Conhecer esses mecanismos ajuda a ‘reconhecer’ os substantivos nas questões de prova.
(CRMV-DF / AGENT ADMINISTRATIVO / 2022)
É a infelicidade como algo real e concreto, alguma coisa que podemos acompanhar com os olhos ali,
desfilando pelas ruas, um ser que podemos tocar ao estender a mão.
Analise a afirmativa a seguir:
A palavra “ser” (linha 6) está empregada como substantivo.
Comentários:
Lembre-se da regra: o artigo ("um") tem o poder de substantivar qualquer classe: "ser", a princípio é verbo.
Questão correta.
Flexão dos substantivos
Como vimos, o substantivo é a palavra que se flexiona em gênero e número.
Os substantivos podem ser simples, formados por apenas uma palavra, ou, mais tecnicamente, um só radical;
ou compostos, formados por mais de uma palavra ou radical.
Em geral, os substantivos simples normalmente têm seu plural formado com mero acréscimo da letra /S/:
Carro(s), Menina(s), Pó(s)...
Contudo, também podem ter outras terminações:
Reitores, Males, Xadrezes, Caracteres, Cônsules, Reais, Animais, Faróis, Fuzis, Répteis, Projéteis.
Palavras como “ônix” e “tórax” não vão ao plural.
Outras palavras, por sua vez, só são usadas no plural: núpcias, fezes, férias, arredores, costas...
De modo geral, palavras terminadas em “ão” basicamente recebem o /S/ de plural (mãos, irmãos, órgãos)
ou fazem plural em “es” (capelães, capitães, escrivães, sacristães, tabeliães, catalães, alemães).
Contudo, há palavras que admitem duas e até três formas de plural:
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Charlatão: charlatões — charlatães Vilão: vilãos — vilões — vilães
Corrimão: corrimãos — corrimões Aldeão: aldeãos — aldeões — aldeães
Cortesão: cortesãos — cortesões Ancião: anciãos — anciões — anciães
Anão: anãos— anões Ermitão: ermitãos — ermitões — ermitães
Guardião: guardiões — guardiães Cirurgião: — cirurgiões— cirurgiães
Refrão: refrãos — refrães Vulcão: vulcãos — vulcões
Sacristão: sacristãos — sacristães Zangão: zangãos — zangões
Plural dos substantivos compostos
A regra geral é “quem varia varia; quem não varia não varia”. O que isso significa na prática?
Significa que se o termo é formado por classes variáveis, como substantivos, adjetivos, numerais e pronomes
(exceto o verbo), ambos variam.
Ex: Substantivo + Substantivo: Couve-flor => Couves-flores
Numeral + Substantivo: Quarta-feira => Quartas-feiras
Adjetivo + Substantivo: Baixo-relevo => Baixos-relevos
Por consequência, as classes invariáveis (e os verbos) não variam em número:
Ex: Verbo + Substantivo: Beija-flor => Beija-flores
Advérbio + Adjetivo: Alto-falante => Alto-falantes
Interjeição + Substantivo: Ave-maria => Ave-marias
Essa é a regra geral. Contudo, há exceções quando falamos em plural de nomes compostos. Vamos ver as
mais importantes e que caem com mais frequência em sua prova:
Quando o segundo substantivo especifica o primeiro
Na composição de dois substantivos, se o segundo especificar o primeiro por uma relação de tipo,
semelhança ou finalidade, é mais comum que o segundo termo, por ser delimitador, não varie, fique no
singular. Contudo, é também correto flexionar os dois!
Ou seja, nesses casos são corretas as duas formas!
banhos-maria OU banhos-marias
pombos-correio OU pombos-correios
salários-família OU salários-famílias
Note que o “pombo” tem a finalidade de ser correio, o “peixe” parece uma espada e assim por diante...
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Estrutura “substantivo + preposição + substantivo”
Se a estrutura for “substantivo+preposição+substantivo”, apenas o primeiro item da composição se
flexiona:
Ex: Pé de moleque => Pés de moleque
Mão de obra => Mãos de obra
Pôr do sol => Pores do sol ( “pôr” é visto de forma substantivada, não verbo)
Guarda (verbo) x Guarda (substantivo)
Em "Guarda-chuva" e "Guarda-roupa", "guarda" é verbo e por isso somente o segundo item
se flexiona: Guarda-chuvas e Guarda-roupas.
Em "Guarda-noturno", "Guarda-florestal" e "Guarda-civil", “guarda” é substantivo, ou seja,
o próprio sujeito, o homem. Por isso, nesse caso, como temos substantivo + adjetivo, os
dois termos são flexionados: Guardas-florestais, Guardas-civis e Guardas-noturnos.
Lembre-se ainda que o plural de “mal-estar” é “mal-estares”, pois "estar", nesse caso, é sua forma
substantivada (e não verbo). Assim, como temos a estrutura "advérbio + substantivo", o segundo termo é
flexionado.
Por outro lado, "louva-a-deus" não varia.
Para finalizar, lembre-se que o plural de “arco-íris” é “arcos-íris”.
(CÂMARA DE LAGOA DE ITAENGA-PE / 2022)
Os substantivos terminados em -ão presentes no excerto “Através da arte o ser humano expressa ideias,
emoções, percepções e sensações.” (6º parágrafo) fazem plural apenas com a terminação em - ões, como se
contata. Assinale a alternativa em que o vocábulo abaixo admite só duas possibilidades de formação de
plural:
A) aldeão.
B) ermitão.
C) tabelião.
D) capelão.
E) charlatão.
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Comentários:
A questão pede o substantivo que admite plural de duas formas diferentes. De acordo com o VOLP
(Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa), capelão (capelães) possui apenas uma forma de plural; já
ermitão (ermitãos, ermitões e ermitães), aldeão (aldeãos, aldeões e aldeães) e tabelião (tabeliães, tabeliões
e tabeliãos) possuem três formas de plural. Assim, por exclusão, temos "charlatão", que apresenta apenas
suas formas de plural (charlatães e charlatões). Portanto, gabarito Letra E.
(TRF 1ª REGIÃO / 2017) Haveria prejuízo gramatical para o texto caso a palavra “procedimentos-padrão”
fosse alterada para procedimentos-padrões.
Comentários:
Não haveria prejuízo para o texto caso se efetuasse a referida troca, pois há duas regras válidas: flexionar os
dois substantivos pela regra geral, ou flexionar somente o primeiro pela regra específica de delimitação por
tipo/finalidade/semelhança. Questão incorreta. ==2c2861==
Grau do Substantivo
O substantivo também pode variar em grau, aumentativo e diminutivo.
É importante lembrar que o diminutivo/aumentativo pode ter valores discursivos de afetividade e de
depreciação irônica.
Ex: Olha o cachorrinho que eu trouxe para você. (afetividade)
Queridinho, devolva o que roubou. (depreciativo; irônico)
Há diversos outros sufixos de grau do substantivo. Vejamos também seus valores no discurso:
Ex: Então... O sabichão aí se enganou de novo? (ironia)
Não trabalho tanto para dar dinheiro àquele padreco! (depreciação)
O Porsche é um carrão! (admiração)
Kiko, não se misture com essa gentalha! (desprezo)
O plural do diminutivo se faz apenas com o acréscimo de "ZINHOS" ou "ZITOS" ao plural da palavra, cortando-
se o /S/. Assim:
animalzinho = animais + zinhos => animaizinhos
coraçãozinho = corações + zinhos => coraçõezinhos
florzinha = flores + zinhas => florezinhas
papelzinho = papéis + zinhos => papeizinhos
pazinha = pazes + zinhas => pazezinhas
Em alguns casos, são aceitas como corretas duas formas. É o caso de:
colherzinha OU colherinha
florzinha OU florinha
pastorzinho OU pastorinho
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(PREF. FRECHEIRINHA (CE) / PROFESSOR / 2021)
Está errado o aumentativo de um dos substantivos. Assinale-o
A) amigo – amigalhão.
B) gato – gatarrão.
C) ladrão – ladravaz.
D) mão – manopla.
E) pata – pataca.
Comentários:
O aumentativo de "pata" é feito com o sufixo -orra, ou seja, é "patorra". Os demais aumentativos estão
corretos. Gabarito: Letra E.
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ADJETIVO
O adjetivo é a classe variável que se refere ao substantivo ou termo de valor substantivo (como pronomes),
para atribuir a ele alguma qualificação, condição ou estado, restringindo ou especificando seu sentido.
É classe variável, que “orbita” em torno do substantivo e concorda com ele em gênero e número.
Ex: homens maus, mulheres simples, céus azuis, casas arruinadas.
O adjetivo pode também ser substantivado:
“Céu azul” => “O azul do céu”.
É comum também substituir o adjetivo por “locução” ou “oração” adjetiva:
Ex: “Cidadão inglês”x “Cidadão da Inglaterra” x “Cidadão que é nativo da Inglaterra”.
Classificação dos adjetivos
CLASSIFICAÇÃO DEFINIÇÃO EXEMPLOS
SIMPLES Possui apenas um radical. Estilo literário.
COMPOSTO Possui mais de um radical. Estilo lítero-musical.
PRIMITIVO Forma original, não derivado de Homem bom.
outra palavra.
DERIVADO É formado a partir de outra Ele é bondoso.
palavra.
EXPLICATIVO Indica característica inerente e Homem mortal.
geral do ser.
RESTRITIVO Indica característica que não é Homem valente.
própria do ser.
GENTÍLICO Relativos a povos e raças. israelita
PÁTRIO Relativos a cidades, estados, israelense
países e continentes.
Vejamos alguns exemplos de adjetivos pátrios, atenção à formação:
/ês/: português, inglês, francês, camaronês, norueguês
/ano/: goiano, americano, africano, angolano, mexicano
/ense/: estadunidense, fluminense, amazonense
/ão/, /eiro/: afegão, alemão, catalão, brasileiro, mineiro
/ol/, /eta/, /ita/, /tico/: espanhol, mongol, lisboeta, vietnamita, asiático
/ino/, /eu/, /enho/: argentino londrino, europeu, judeu, panamenho, costa-riquenho
Cuidado: esses adjetivos são grafados com letras minúsculas.
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Como apresentado na tabela, os adjetivos chamados de “uniformes” têm uma só forma para masculino ou
feminino e normalmente são os terminados em /a/, /e/, /ar/, /or/, /s/, /z/ ou /m/:
Ex: hipócrita, homicida, asteca, agrícola, cosmopolita
árabe, breve, doce, constante, pedinte, cearense
superior, exemplar, ímpar
simples, reles, feliz, feroz, ruim, comum
Flexão dos adjetivos compostos
No plural dos adjetivos compostos, como luso-americanos, afro-brasileiras, obras político-sociais, a primeira
parte do composto é reduzida e somente o segundo item da composição vai para o plural.
Essa é a regra para o plural dos adjetivos compostos em geral. Contudo, vejamos algumas exceções que são
recorrentes em sua prova:
Adjetivo composto formado por “adjetivo + substantivo”
Se houver um substantivo na composição do adjetivo composto (adjetivo + substantivo), nenhuma das
partes vai variar:
Ex: amarelo-ouro => camisa amarelo-ouro; camisas amarelo-ouro
verde-oliva => parede verde-oliva; paredes verde-oliva
Adjetivos compostos invariáveis
Alguns adjetivos, no entanto, são sempre invariáveis. Vejamos:
azul-marinho => camisa azul-marinho; camisas azul-marinho
azul-celeste => parede azul-celeste; paredes azul-celeste
zero-quilômetro => caminhonete zero-quilômetro; caminhonetes zero-quilômetro
Valor objetivo (fato) x Valor subjetivo (opinião)
Os adjetivos podem ter valor subjetivo, quando expressam opinião; ou podem ter valor objetivo, quando
atestam qualidade que é fato e não depende de interpretação.
Os adjetivos opinativos, por serem marca de expressão de uma opinião, são acessórios, podem ser retirados,
sem prejuízo gramatical.
Adjetivos opinativos X Adjetivos objetivos
carro bonito carro preto
turista animado turista japonês
TJ-CE - Língua Portuguesa 13
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Os adjetivos chamados “de relação” são objetivos e, por isso, não aceitam variação de grau e não podem
ser deslocados livremente, posicionando-se normalmente após o substantivo.
São derivados de substantivos e estabelecem com o substantivo uma relação de tempo, espaço, matéria,
finalidade, propriedade, procedência etc.
Tais adjetivos indicam uma categorização “técnica”, “objetiva” e tornam mais preciso o conceito expresso
pelo substantivo, restringindo seu significado.
O gramático Celso Cunha dá os seguintes exemplos:
Nota mensal => nota relativa ao mês
Movimento estudantil => movimento feito por estudantes
Casa paterna => casa onde habitam os pais
Vinho português => vinho proveniente de Portugal
Observe que não podemos escrever “português vinho” nem “vinho muito português”. Ser “português” é
==2c2861==
uma categorização objetiva do vinho, não expressa opinião.
Essas características vão nos ajudar em questões sobre a inversão da ordem “substantivo + adjetivo”,
estudada adiante.
(PREF. MANAUS / 2022)
O artigo 9º do Estatuto do Idoso diz:
“É obrigação do Estado, garantir à pessoa idosa a proteção à vida e à saúde, mediante efetivação de políticas
sociais públicas que permitam um envelhecimento saudável e em condições dignas.”
Entre os cinco adjetivos sublinhados, aqueles que mostram valor de opinião, são
(A) saudável / dignas.
(B) idosa / sociais.
(C) públicas / dignas.
(D) sociais / públicas.
(E) idosa / saudável.
Comentários:
Aqui, "idoso" é um adjetivo meramente classificatório, objetivo, não tem "julgamento" embutido, não traz
subjetividade, valoração. Só a título de curiosidade:
"Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), idoso é todo indivíduo com 60 anos ou mais. O mesmo
entendimento está presente na Política Nacional do Idoso (instituída pela lei federal 8.842), de 1994, e no
Estatuto do Idoso (lei 10.741), de 2003."
O mesmo vale para "sociais e públicas" que apenas descrevem objetivamente a função das políticas. Uma
política pode ser social, ser econômica, ser fiscal. Tudo isso é objetivo.
Por outro lado, "saudável" e "dignas" são adjetivos valorativos, indicam julgamento, opinião. Pode-se de
discutir o que é mais ou menos saudável ou digno para cada pessoa. Gabarito letra A.
(TCE PB / 2018)
TJ-CE - Língua Portuguesa 14
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Aula 01
Maus hábitos cotidianos muitas vezes são, na verdade, práticas antiéticas e até ilegais, que devem, sim, ser
combatidas.
Os termos “antiéticas”, “ilegais” e “combatidas” qualificam a palavra “práticas”.
Comentários:
“antiéticas” e “ilegais” qualificam sim o substantivo “práticas”. Contudo, “combatidas” é um verbo numa
frase em voz passiva: “devem ser combatidas” (ver aula de verbos), não é um adjetivo. Questão incorreta.
TJ-CE - Língua Portuguesa 15
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ORDEM DA EXPRESSÃO NOMINAL “SUBSTANTIVO +
ADJETIVO”
Agora veremos o efeito da troca de ordem em algumas palavras.
Uma expressão formada por substantivo + adjetivo é uma expressão nominal (ou sintagma nominal), porque
o núcleo é um nome (substantivo). A ordem “natural” do sintagma é essa. Quando trocamos essa ordem,
poderemos ter 3 casos:
1) Não muda nem a classe nem o sentido.
Ex: Cão bom x Bom cão
(Sub. + Adj.) (Adj. + Sub.)
2) Muda o sentido sem mudar as classes.
Ex: Candidato pobre x Pobre candidato
(Sub. + Adj.) (Adj. + Sub.)
Mudança no sentido: "pobre" é um adjetivo objetivo relativo a recursos financeiros. Na segunda expressão,
"pobre" significa coitado, digno de pena.
Vejam os pares principais que se encaixam nesse segundo caso.
simples questão (mera questão) único sabor (não há outro, só um)
questão simples (não complexa) sabor único (sabor inigualável)
grande homem (grandeza moral) alto funcionário (patente)
homem grande (grandeza física) funcionário alto (altura física)
3) Muda a classe, e muda necessariamente o sentido.
Ex: alemão comunista x comunista alemão
(Sub. + Adj.) (Sub. + Adj.)
Mudança no sentido: "Alemão", no segundo sintagma, se tornou característica, especificação, do
substantivo comunista, ou seja, um comunista nascido na Alemanha. No primeiro caso, temos um alemão
que é "comunista" (em oposição, por exemplo, a um alemão guitarrista, turista, generoso).
Sempre que houver essa alteração morfológica, ou seja, troca de classes, haverá mudança de
sentido, porque muda o foco, ainda que pareça coincidir bastante o sentido.
Esse critério salva sua pele em questões em que fica difícil enxergar a sutil mudança semântica
que ocorre.
TJ-CE - Língua Portuguesa 16
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Aula 01
Lembre-se da famosa frase de Machado de Assis:
“não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor”.
No primeiro caso, temos “um autor que veio a falecer”. No segundo, temos um “defunto que
passou a escrever”.
Em alguns casos, pode ser difícil detectar quem é o substantivo (Ex: sábio religioso), então a gramática nos
diz que a tendência lógica é considerar o primeiro termo substantivo e o segundo adjetivo.
Locuções Adjetivas
Como mencionei, locuções são grupos de palavras que equivalem a uma só.
As locuções adjetivas são formadas geralmente de preposição+substantivo e substituem um adjetivo.
==2c2861==
Essas locuções funcionam como um adjetivo, qualificam um substantivo, e desempenham normalmente uma
função chamada adjunto adnominal.
Ex: Homem covarde => Homem sem coragem
Cara angelical => Cara de anjo
Alguns exemplos de outras locuções e seus adjetivos correspondentes:
de irmão fraternal de frente frontal
de paixão passional de porco suíno ou porcino
de trás traseiro de terra telúrico, terrestre ou terreno
de lua lunar ou selênico de velho senil
de macaco simiesco, símio ou macacal de vento eólico
de mestre magistral de vidro vítreo ou hialino
de monge monacal de aluno discente
de neve níveo ou nival de visão óptico
Grau dos adjetivos
Basicamente, qualidades podem ser comparadas e intensificadas pela via da flexão de grau comparativo
(mais belo, menos belo ou tão belo quanto) e superlativo (muito belo, tão belo, belíssimo).
Vejamos a divisão que cai em prova:
Comparativo:
O grau comparativo pode ser de superioridade, inferioridade ou igualdade.
Ex: Sou mais/menos ágil (do) que você => grau comparativo de superioridade/inferioridade
TJ-CE - Língua Portuguesa 17
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Aula 01
Sou tão ágil quanto/como você. => comparativo de igualdade
Perceba que o elemento "do" é facultativo nas estruturas comparativas.
Algumas palavras têm sua forma comparativa terminada em /or/. No latim, essa terminação significava
“mais”, por essa razão o “mais” não aparece nessas formas: “melhor”, “pior”, “maior”, “menor”, “superior”.
Por suprimir essa palavra, a gramática o chama de comparativo sintético.
Temos que conhecer também o grau superlativo, que expressa uma qualidade em grau muito elevado.
Divide-se em relativo e absoluto:
Superlativo relativo:
Ex: Sou o melhor do mundo.
Senna é o melhor do Brasil!
Gradua uma qualidade/característica (“bom”) em relação a outros seres que também têm ou podem ter
aquela qualidade, ou seja, em relação à totalidade (o mundo todo).
Superlativo absoluto:
Indica que um ser tem uma determinada qualidade em elevado grau. Não se relaciona ou compara a outro
ser. Pode ocorrer com:
1. uso de advérbios de intensidade (absoluto analítico): “sou muito esforçado” e
2. de sufixos (absoluto sintético):
difícil => dificílimo; comum => comuníssimo;
bom => ótimo; magro => macérrimo.
Assim, quando as Bancas falam em variação do adjetivo em grau, querem dizer que o adjetivo está sofrendo
algum processo de intensificação, ou seja, terá seu sentido intensificado, por um advérbio (tão bonito), por
um sufixo (caríssimo) ou por um substantivo (enxaqueca monstro), por exemplo.
Para esquematizar, vejamos um quadro resumo:
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Normal Alto
Superioridade Mais alto
GRAU DOS
Comparativo Inferioridade Menos alto
ADJETIVOS
Tão alto
Igualdade
quanto/como
Superioridade
o mais alto
Relativo
Inferioridade
o menos alto
Superlativo
Sintético
Altíssimo
Absoluto
Analítico
muito alto
(TRT 9ª Região / 2022)
Alterada a ordem do adjetivo na expressão, observa-se, de modo mais significativo, a mudança de sentido
em:
A) necessária reflexão.
B) interesses alheios.
C) vantagens fantásticas.
D) verdadeiro produto.
E) falsas notícias.
Comentários:
A única alternativa em que se observa mudança de sentido é na letra (D): "verdadeiro produto" tem o sentido
de "produto certo", "o melhor produto" (superior aos concorrentes); já "produto verdadeiro" denota que é
genuíno, original, não falsificado.
As demais alternativas não apresentam mudança de sentido quando há troca de posição da palavra.
Portanto, gabarito Letra (D).
(PGE-PE / ANALISTA JUDICIÁRIO / 2019)
A própria palavra “crise” é bem mais a expressão de um movimento do espírito que de um juízo fundado em
argumentos extraídos da razão ou da experiência.
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Aula 01
Os sentidos e a correção gramatical do texto seriam mantidos se fosse inserido o vocábulo do imediatamente
após a palavra “espírito”.
Comentários:
Sim, nas estruturas comparativas, o “do” é facultativo.
A própria palavra “crise” é bem mais a expressão de um movimento do espírito (do) que de um juízo fundado
em argumentos extraídos da razão ou da experiência. Questão correta.
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ADVÉRBIO
O advérbio é classe invariável que se refere essencialmente ao verbo, indicando a circunstância
em que uma ação foi praticada, como “tempo, lugar, modo...” .
Porém, o advérbio também pode modificar adjetivos (você é muito linda), outros advérbios (você
dança extremamente mal) e até mesmo orações inteiras (Infelizmente, o Brasil não vai bem).
Quando modifica adjetivos e advérbios, o advérbio tem função de intensificar/acentuar o
sentido.
Quando se refere a uma oração inteira, normalmente indica uma opinião sobre o conteúdo
daquela oração.
Apesar de invariável, existe um advérbio que aceita variação, é o advérbio TODO:
Ex: Chegou todo sujo e a esposa o recebeu toda paciente.
Usados em interrogativas, onde, como, quando, por que são advérbios interrogativos, justamente
porque expressam circunstâncias como lugar, modo, tempo e causa, respectivamente.
Vejamos esse uso nas interrogativas diretas (com ?) e indiretas (sem ?).
Onde você mora? => Ignoro onde você mora.
Quando teremos prova? => Não sei quando teremos prova.
Como organizaram tudo? => Perguntei-lhes como organizaram tudo.
Por que tantos desistem? => Não disseram por que tantos desistem.
Rigorosamente, “por que” é considerada uma locução adverbial interrogativa de causa.
(DPE-RS / 2022)
Nessa sociedade líquido-moderna de hiperconsumidores, o desejo satisfeito pelo consumo gera
a sensação de algo ultrapassado; o fim de um consumo significa a vontade de iniciar qualquer
outro. Nessa vida de hiperconsumo e para o hiperconsumo, a pessoa natural fica tentada com a
gratificação própria imediata, mas, ao mesmo tempo, os cérebros não conseguem compreender
o impacto cumulativo em um nível coletivo. Assim, um desejo satisfeito torna-se quase tão
prazeroso e excitante quanto uma flor murcha ou uma garrafa de plástico vazia.
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No último período do quarto parágrafo, o vocábulo “Assim” é um advérbio que se refere ao
modo como um desejo satisfeito torna-se prazeroso e excitante.
Comentários:
O vocábulo “Assim” é um advérbio que se refere ao modo como um desejo satisfeito DEIXA DE
SER prazeroso e excitante.
Leia novamente: Assim, um desejo satisfeito torna-se quase tão prazeroso e excitante quanto
uma flor murcha ou uma garrafa de plástico vazia. (ou seja, não há prazer mais). Questão
incorreta.
Circunstâncias adverbiais (valor semântico)
Quando uma ação for praticada, ou melhor, quando um verbo for conjugado, podemos
perguntar como, onde, quando, por que aquele verbo foi praticado.
As respostas serão circunstâncias adverbiais, que podem ser expressas por advérbios, expressões
com mais de uma palavra (as locuções adverbiais) e até orações (chamadas por isso de “orações
adverbiais”). Veja:
Ex: Estudo sempre (“advérbio” de tempo).
Estudo a todo momento. (“locução adverbial” de tempo).
Estudo sempre que posso. (“oração adverbial” de tempo).
Vejamos algumas circunstâncias muito cobradas:
Dúvida: talvez, porventura, possivelmente, provavelmente, quiçá, casualmente,
mesmo, por certo.
Intensidade: muito, demais, pouco, tão, bastante, mais, menos, demasiado,
quanto, quão, tanto, assaz, que (= quão), tudo, nada, todo, quase,
extremamente, intensamente, grandemente, bem...
Negação: não, nem, nunca, jamais, de modo algum, de forma nenhuma,
tampouco, de jeito nenhum.
Afirmação: sim, certamente, realmente, decerto, efetivamente, certo,
decididamente, deveras, indubitavelmente, com certeza.
Lugar: aqui, antes, dentro, ali, adiante, fora, acolá, atrás, além, lá, detrás, aquém,
cá, acima, onde, perto, aí, abaixo, aonde, longe, debaixo, algures (em algum
lugar), defronte, nenhures (em nenhum lugar), adentro, afora, alhures (em outro
lugar), embaixo, externamente, a distância, à distância de, de longe, de perto,
em cima, à direita, à esquerda, ao lado, em volta.
Tempo: hoje, logo, primeiro, ontem, tarde, outrora, amanhã, cedo, dantes,
depois, ainda, antigamente, antes, doravante, nunca, então, ora, jamais, agora,
sempre, já, enfim, afinal, amiúde (frequentemente), breve, constantemente,
entrementes, imediatamente, primeiramente, provisoriamente, sucessivamente,
às vezes, à tarde, à noite, de manhã, de repente, de vez em quando, de quando
em quando, a qualquer momento, de tempos em tempos, em breve, hoje em
dia.
TJ-CE - Língua Portuguesa 22
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Aula 01
Modo: bem, mal, assim, adrede (de propósito), melhor, pior, depressa, acinte (de
propósito), debalde (em vão), devagar, calmamente, tristemente,
propositadamente, pacientemente, amorosamente, docemente,
escandalosamente, bondosamente, generosamente.
às pressas, às claras, às cegas, à toa, à vontade, às escondidas, aos poucos, desse
jeito, desse modo, dessa maneira, em geral, frente a frente, lado a lado, a pé, de
cor, em vão...
Essa lista é apenas ilustrativa, mas não há como decorar o valor de cada advérbio, pois só o
contexto dirá seu valor semântico.
Na sentença “nunca mais quero ser eliminado”, o advérbio “mais” tem sentido de tempo. Já na
sentença “cheguei mais rápido”, o advérbio traz ideia de intensidade/comparação.
Não decore, busque o sentido global, no contexto!!!
A terminação “-mente” é típica dos advérbios de modo, contudo pode ser omitida na primeira
palavra quando temos dois advérbios modificando o mesmo verbo:
Ex: Ele fala rapidamente. Ele fala claramente => Ele fala rápida e claramente.
Atenção! O “rápida” continua sendo advérbio. Não é adjetivo, pois não dá qualidade, mas sim
modifica um verbo, dando a ele circunstância (de modo rápido).
Advérbio com “aparência” de adjetivo
O adjetivo é classe variável, mas pode aparecer invariável se referindo a um verbo; nesse caso,
dizemos que ele tem “valor ou função de advérbio”.
Ex: A cerveja que desce redondo...
Para você ter certeza de que se trata de um advérbio, tente mudar o gênero ou número do
substantivo para ver se atrai alguma concordância...
Ex: As cervejas que descem redondo...
Confirmado, a palavra em negrito é um advérbio e, portanto, permanece invariável.
(TCE-PB / AGENTE DOCUMENTAÇÃO / 2018)
Quando nos referimos à supremacia de um fenômeno sobre outro, temos logo a impressão de
que se está falando em superioridade.
O vocábulo “logo” tem o sentido adverbial de imediatamente.
Comentários:
Exato. A impressão vem imediatamente após a referência à supremacia...Correta!
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PALAVRAS E EXPRESSÕES DENOTATIVAS
São palavras/expressões que parecem advérbios, muitas vezes até são classificadas como tal, mas
não o são exatamente, porque não se referem a verbo, advérbio ou adjetivo.
Adianto que é uma polêmica gramatical: as listas variam entre as gramáticas, alguns listam certas
palavras denotativas como advérbios.... Porém, há algumas informações claras que precisamos
saber e que caem em prova.
O sentido é a parte mais importante!
Vamos aos exemplos:
Designação: eis
Ex: Eis o filho do homem.
Explicação/Retificação: isto é, por exemplo, ou seja, a saber, qual seja, aliás, digo,
ou antes, quer dizer etc. Essas expressões devem ser isoladas por vírgulas.
Ex: Comprei uma ferramenta, isto é, um martelo.
Vire à direita, ou melhor, à esquerda, aliás, melhor ir reto mesmo.
Expletiva ou de realce: é que (ser+que), cá, lá, não, mas, é porque etc. (CAI
DEMAIS!)
A característica principal das palavras denotativas expletivas é: podem ser retiradas,
sem prejuízo sintático ou semântico. Sua função é apenas dar ênfase.
Ex: São os pais que bancam sua faculdade, mas têm lá seus arrependimentos.
Eu é que faço as regras.
Quanto não vale um diamante desses?
Vão-se os anéis, ficam os dedos.
Ele riu-se e tremeu-se por dentro.
Não me venha com historinhas!
Reforço que a retirada dessas expressões não altera o sentido nem causa erro
gramatical, apenas há uma perda de realce/ênfase.
Situação: então, mas, se, agora, afinal etc.
São verdadeiros marcadores discursivos, expressões que introduzem, situam um
comentário, muito comuns na linguagem falada.
Ex: Afinal, quem é você?
Então, você vai ao cinema ou não?
Mas quem é essa pessoa que insiste em me ligar?
TJ-CE - Língua Portuguesa 24
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Observem que “afinal e então” não têm sentido de tempo, tampouco o “mas” tem
sentido de oposição; tais expressões apenas introduzem/situam uma fala.
Exclusão: somente, só, salvo, exceto, senão, sequer, apenas etc.
Ex: Só frutos do mar estão à venda, exceto lagosta, que ninguém compra.
Todos morreram, salvo um.
Inclusão: até, ainda, mesmo, também, inclusive etc.
Ex: Qualquer pessoa, até/mesmo/ainda o mais ignorante, sabe isso!
João é bombeiro, lutador também...
A posição da palavra pode determinar sua classe e seu sentido, de acordo com a “parte” da
==2c2861==
frase que está sendo modificada pela palavra. Compare:
Só João fuma charutos. (palavra denotativa de exclusão)
João só fuma charutos. (advérbio de exclusão)
João fuma charutos só. (adjetivo)
No primeiro caso, “só” restringe “João”, excluindo outras pessoas: apenas João faz isso, mais
ninguém. Trata-se de palavra denotativa de exclusão; no segundo, “só” restringe o verbo
“fumar”, então João só pratica essa ação, apenas fuma, não faz outra coisa. Trata-se de advérbio
de exclusão; no terceiro, “só” indica que João fuma “sozinho”. Trata-se de adjetivo.
Essa é a lógica que deve ser aplicada às questões, especialmente quando a Banca pede
“deslocamento” de palavras.
(PREF. SÃO JOSÉ DO RIO PRETO-SP / 2021)
Expressão expletiva ou de realce: é uma expressão que não exerce função sintática.
(Adaptado de: BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa, 2009)
Constitui uma expressão expletiva a expressão sublinhada em:
(A) Conheço-o desde menino, e sempre esteve para morrer (5º parágrafo)
(B) Espantei-me que o atingisse a morte de alguém tão distante de nossa convivência (3]
parágrafo)
(C) Esta cólica é que é o diabo, se eu fosse mulher ainda estava explicado (6º parágrafo)
(D) Foi operado de apendicite quando ainda criança e até hoje se vangloria (9º parágrafo)
(E) consta que de uns dias para cá está de namoro sério com uma jovem (14º parágrafo)
Comentários:
Expressão expletiva é aquela que pode ser retirada sem prejuízo ao sentido ou à correção. É
utilizada como recurso estilístico, de ênfase, realce. Aqui a banca cobra a expressão expletiva
TJ-CE - Língua Portuguesa 25
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mais típica: a locução "ser+que":
Esta cólica é que é o diabo, se eu fosse mulher ainda estava explicado
Esta cólica é o diabo, se eu fosse mulher ainda estava explicado.
Gabarito letra C.
(PRF / POLICIAL / 2019)
Mas e antes dos sensores, como é que se fazia? Imagino que algum funcionário trepava na
antena mais alta no topo do maior arranha-céu e, ao constatar a falência da luz solar, acionava um
interruptor, e a cidade toda se iluminava.
A correção gramatical e os sentidos do texto seriam mantidos caso se suprimisse o trecho “é
que”, em “como é que se fazia”.
Comentários:
A expressão “é que” é expletiva, foi usada apenas para realce, ênfase. Portanto, pode ser
retirada sem qualquer prejuízo sintático ou semântico:
“como é que se fazia”
“como se fazia” (como era feito). Questão correta.
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ARTIGO
O artigo é classe variável em gênero e número que acompanha substantivos, indicando se o substantivo é
masculino ou feminino, singular ou plural, definido ou indefinido.
Por sempre estar modificando um substantivo, sempre exerce a função de adjunto adnominal. Pode ocorrer
aglutinado com preposições (em e de): “no”, “na”, “dos”, “das”.
O artigo definido (o, os, a, as) se refere a um substantivo de forma precisa, familiar: “o carro”, “a casa”,
nesse caso, indicando que aquele “carro” ou aquela “casa” são conhecidos ou já foram mencionadas no
texto.
Ex: Na porta havia um policial parado. Assim que me viu, o policial sacou sua arma.
Observe que na segunda referência ao policial, ele já é conhecido, já foi mencionado, é aquele que estava
parado na porta. Isso justifica o uso do artigo definido, no sentido de familiaridade.
Por essa razão, a ausência do artigo deixa o enunciado indefinido, mais genérico:
Ex: Não dou ouvidos ao político (com artigo definido: político específico, definido)
Não dou ouvidos a político (sem artigo definido: qualquer político, em geral)
O artigo definido diante de um substantivo indica que este é familiar, conhecido ou que já foi mencionado.
Por essa razão, quando tratamos de um nome em sentido geral, sem especificar, não deve haver artigo e,
consequentemente, não haverá crase (artigo “a”+ preposição “a”).
Por outro lado, se um termo já trouxer determinantes que o especifiquem, não poderemos considerá-lo
genérico, então deve-se usar artigo definido.
Esse fato explica várias regras de crase, como diante da palavra casa e de alguns nomes de lugares
(topônimos) que não trazem artigo (Portugal, Roma, Atenas, Curitiba, Minas Gerais, Copacabana).
Observe:
Ex: Estou em casa (sem artigo).
Estou na casa de mamãe (a casa é determinada, então deve ter artigo definido).
Pelo mesmo raciocínio, temos:
Ex: Vou a Paris (sem artigo).
Vou à Paris dos meus sonhos (“Paris” está determinada => artigo definido)
Após o pronome indefinido “todo”, o artigo definido indica “completude”, “inteireza”:
Ex: Toda casa precisa de reforma. (todas as casas, qualquer casa, casas em geral)
Toda a casa precisa de reforma. (a casa inteira)
Por sua vez, o artigo indefinido (um, uns, uma, umas) se refere ao substantivo de forma vaga, inespecífica:
“um carro qualquer”
“uma casa entre aquelas”
Pode também expressa intensificação:“ela tem uma força!”
Ou ainda aproximação: “ela deve ter uns 57 anos”.
TJ-CE - Língua Portuguesa 27
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Aula 01
Assim como os definidos, também pode ocorrer aglutinado com preposições (em e de): “duns”, “dumas”,
“nuns”, “numas”.
Por outro lado, o artigo, ao lado de substantivo comum no singular, também pode ser usado para
universalizar uma espécie, no sentido de “todo”:
“o (todo) homem é criativo”
“o (todo) brasileiro é passivo”
“a (toda) mulher sofre com o machismo”
“uma (toda) mulher deve ser respeitada”
“uma empresa deve ser lucrativa” (toda/qualquer empresa).
==2c2861==
(TJ-PB / 2022)
“As intervenções autorizadas são a minoria, apesar de a gravidez nessa idade apresentar alto risco à saúde
da gestante e de o aborto legal ser previsto em lei nos casos de estupro, o que automaticamente inclui
meninas engravidadas antes de completar 14 anos.”
No período acima, há
A) cinco artigos.
B) seis artigos.
C) sete artigos.
D) oito artigos.
Comentários:
São artigos, os termos sublinhados:
“As intervenções autorizadas são a minoria, apesar de a gravidez nessa idade apresentar alto risco à saúde
da gestante e de o aborto legal ser previsto em lei nos casos de estupro, o que automaticamente inclui
meninas engravidadas antes de completar 14 anos.”.
Apenas um comentário sobre "à saúde": quando há o fenômeno da crase é porque temos um "a" preposição
e um "a" artigo.
Gabarito: Letra (C).
(PRF / POLICIAL / 2019)
Mas e antes dos sensores, como é que se fazia? Imagino que algum funcionário trepava na antena mais alta
no topo do maior arranha-céu e, ao constatar a falência da luz solar, acionava um interruptor, e a cidade
toda se iluminava.
A substituição da locução “a cidade toda” por toda cidade preservaria os sentidos e a correção gramatical do
período.
Comentários:
O artigo faz toda a diferença no sentido:
“a cidade toda”— a cidade inteira, a cidade por completo.
“toda cidade”— todas as cidades, qualquer cidade. Questão incorreta.
TJ-CE - Língua Portuguesa 28
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Aula 01
NUMERAL
O numeral é mais um termo variável que se refere ao substantivo, indicando quantidade, ordem, sequência
e posição.
Como sabemos, ter “papel adjetivo é referir-se a substantivo”. Então, podemos ter numerais substantivos e
adjetivos.
Ex: Duas meninas chegaram [numeral adjetivo, pois acompanha um substantivo], eu conheço as
duas [numeral substantivo, pois substitui o substantivo "meninas"].
Os numerais são classificados em:
Ordinais: primeiro lugar, segunda comunhão, terceiras intenções... septuagésimo quarto,
sexagésimo quinto...
==2c2861==
Cardinais: um cão, duas alunas, três pessoas...
Fracionários: um terço, dois terços, quatro vinte avos...
Multiplicativos: o dobro, o triplo, cabine dupla, duplo carpado...
“Último, penúltimo, antepenúltimo, derradeiro, posterior, anterior” são considerados meros adjetivos, não
numerais.
Os numerais também podem sofrer derivação imprópria e funcionar como adjetivos em casos como:
“Este é um artigo de primeira/primeiríssima qualidade.”
“Teu clube é de segunda categoria.”
Substantivos que expressam quantidade exata de seres/objetos são chamados de “numerais coletivos” ou
“substantivos coletivos numéricos”:
a) par, dezena, década, dúzia, vintena, centena, centúria, grosa, milheiro, milhar...
b) século, biênio, triênio, quadriênio, lustro ou quinquênio, década ou decênio, milênio, centenário
(anos); tríduo e novena (dias); bimestre, trimestre, semestre (meses).
Então, palavras como “milhão, bilhão, trilhão” podem ser classificadas como substantivos ou numerais.
Flexionam-se em gênero os numerais cardinais um, dois e as centenas a partir de duzentos (um, uma, dois,
duas, duzentos, duzentas, trezentos, trezentas...).
Por fim, acrescento que “ambos” e “zero” são considerados numerais.
(CÂMARA TABOÃO DA SERRA-SP / 2022)
Assinale a alternativa que apresenta um numeral:
TJ-CE - Língua Portuguesa 29
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Aula 01
A) Eu estava triste, até que um certo alguém cruzou o meu caminho.
B) Uma boa educação é importante para formar o caráter do indivíduo.
C) Foi um presente te encontrar!
D) Fui à livraria e comprei somente um livro, embora eu quisesse comprar mais.
E) Hoje faz um lindo dia!
Comentários:
Questão trata da diferença entre numeral e artigo indefinido. Quando há nítida indicação de quantidade, o
termo é numeral; já, se há sentido de indeterminação, é um artigo indefinido. Assim, a única alternativa que
traz o sentido de quantidade, ou seja, que é um numeral é a Letra (D). Gabarito: Letra (D).
TJ-CE - Língua Portuguesa 30
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Aula 01
INTERJEIÇÃO
Interjeição é classe gramatical invariável que expressa emoções e estados de espírito. Servem também para
fazer convencimento e normalmente sintetizam uma frase exclamatória (Puxa!) ou apelativa (Cuidado!):
Olá! Oba! Nossa! Cruzes! Ai! Ui! Ah! Putz! Oxalá! Tomara! Pudera! Tchau!
Não reproduzo aqui as tradicionais listas de interjeições e seus sentidos, porque não vale a pena decorar.
A lista é infinita, então é preciso verificar no contexto qual emoção é transmitida pela interjeição.
As locuções interjetivas são grupos de palavras que equivalem a uma interjeição, como: Meu Deus! Ora
bolas! Valha-me Deus!
Qualquer expressão exclamativa que expresse uma emoção, numa frase independente, com
inflexão de apelo, pode funcionar como interjeição.
Lembre-se dos palavrões, que são interjeições por excelência e variam de sentido em cada
contexto.
(CRMV-MA / 2022)
Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e
delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz
magnífico.
Considerando as ideias, os sentidos e os aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item.
No texto, o termo “oh!” (linha 11), pertencente à classe das interjeições, exprime surpresa e admiração por
parte do autor.
Comentários:
De fato, "oh" é uma interjeição, mas não exprime surpresa, apenas admiração. Portanto, questão incorreta.
TJ-CE - Língua Portuguesa 31
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Aula 01
PALAVRAS ESPECIAIS
Como vimos ao longo dessa aula, certas palavras podem apresentar mais de uma classificação morfológica
ou sentido. Sistematizaremos aqui as principais funções de algumas delas, muito cobradas em prova.
O a é uma vogal.
Substantivo O o é uma letra redonda.
A menina comeu as balas.
O menino comeu os bolos.
Artigo
definido João não ama Maria. Ele a odeia!
João não ama Mário. Ele o odeia!
Pronome *Entre as camisas, comprei a que estava mais barata.
oblíquo átono
*Entre as camisas, comprei a de menor preço.
O, A, Os, As
*Entre os ternos, comprei o que estava mais barato.
Pronome *Entre os ternos, comprei o de menor preço.
demonstrativo
Fui reprovado algumas vezes, o que me fez valorizar a
aprovação.
João finge que é generoso, mas não o é!
Preposição Ele se referiu a João.
Você está disposto a sacrifícios?
Faz compras a prazo.
Advérbio: Você só reclama.
modifica verbo Só bebe vinho fino. (exclusão/restrição)
Palavra Só você reclama.
Só
denotativa (exclusão/restrição)
Estou só/estamos sós.
Adjetivo
(=sozinho)
TJ-CE - Língua Portuguesa 32
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Aula 01
Fui até a última parte.
Preposição
(limite tempo/espaço)
Palavra Até o padre riu de mim.
Até
denotativa (inclusão/reforço)
Ele até riu de mim.
Advérbio
(inclusão/reforço)
Sentido de tempo Depois de tanto tempo, você ainda não entendeu.
Valor enfático Cheguei ainda agora.
Sentido de adição Ela cuida de sete filhos e ainda faz faculdade de
Ainda medicina.
= (Além disso)
Sentido de ressalva Ele vive atrasado, se ainda fosse competente, não o
= (Ao menos) demitiria.
Sentido de oposição
Seu filho só faz bobagem e você ainda o recompensa.
= (Apesar disso)
(TRT 4ª Região / 2022)
Aonde o homem ia, o peixinho o acompanhava a trote, que nem um cachorrinho. (1º parágrafo)
Considerando o contexto, os termos sublinhados constituem, respectivamente,
A) um pronome, um artigo, um artigo e uma preposição.
B) uma preposição, um pronome, um pronome e um artigo.
C) um pronome, um pronome, um pronome e um artigo.
D) um artigo, um artigo, um artigo e uma preposição.
E) um artigo, um artigo, um pronome e uma preposição.
Comentário
Vejamos cada uma das ocorrências em separado
o homem ia = artigo
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Aula 01
o peixinho = artigo
o acompanhava = pronome oblíquo
a trote = preposição. Gabarito letra E.
(PREF. PIRACICABA-SP / PROFESSOR / 2020)
Os termos destacados na frase “A rede pública carece de profissionais satisfatoriamente qualificados até
para o mais básico, como o ensino de ciências; o que dizer então de alunos com gama tão variada de
dificuldades.” expressam, respectivamente, circunstância de
a) dúvida e de afirmação. b) tempo e de modo.
c) inclusão e de intensidade. d) intensidade e de modo.
e) inclusão e de negação.
==2c2861==
Comentário
"até/inclusive" para o mais básico (sentido de inclusão); "mais básico" - aqui "mais" intensifica o adjetivo
"básico". Gabarito letra C.
Eu mesma cozinho. (reforçativo=própria, em pessoa)
Pronome Elas falam do mesmo modo (comparativo =exata, duas
demonstrativo entidades, duas coisas iguais)
Somos da mesma cidade. (especificativo=aquela/tal
cidade; há apenas uma entidade)
Palavra
Todos morreram, mesmo a mãe. (inclusão)
denotativa
Mesmo
Advérbio de
Ele canta mesmo! (=de fato)
afirmação
Preposição
Mesmo cansado, não desisto. (sentido concessivo)
acidental
Locução Mesmo que eu falhe, não desanimarei.
concessiva (sentido concessivo)
Evite usar “o mesmo” retomando pessoas/objetos, como se fosse “ele”, em construções como:
Ex: O suspeito chegou ao local. O mesmo fugiu dos policiais sem que os mesmos pudessem
perceber. (troque por “ele” e “eles”)
Contudo, é correto usar “o mesmo”, invariável, quando significa “a mesma coisa/o mesmo fato”.
TJ-CE - Língua Portuguesa 34
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Ex: Todos têm dificuldade com essa matéria, o mesmo ocorrerá com você. (a mesma coisa
ocorrerá com você, isso também ocorrerá com você)
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QUESTÕES COMENTADAS - SUBSTANTIVO - FCC
1. (FCC / TRT 4ª REGIÃO / 2022)
Recordo ainda... e nada mais me importa…
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre, de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta...
Mas veio um vento de desesperança
Soprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança...
==2c2861==
Estrada afora após segui... Mas, ai,
Embora idade e senso eu aparente,
Não vos iluda o velho que aqui vai:
Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino... acreditai…
Que envelheceu, um dia, de repente!...
(QUINTANA, Mario. Melhores poemas. São Paulo: Global, 2005)
Verifica-se rima (ou seja, coincidência final de sons) entre palavras de mesma classe gramatical
(A) em importa / porta (1ª estrofe) e em mansa / lembrança (1ª estrofe).
(B) em desesperança / criança (2ª estrofe) e em morta / torta (2ª estrofe).
(C) em desesperança / criança (2ª estrofe) e em ai / vai (3ª estrofe).
(D) em mansa / lembrança (1ª estrofe) e em morta / torta (2ª estrofe).
(E) em ai / vai (3ª estrofe) e em novamente / repente (4ª estrofe).
Comentários:
Indiquemos as classes:
(A) em importa / porta (verbo/substantivo) e em mansa / lembrança (adjetivo/substantivo).
(B) em desesperança / criança (substantivo/substantivo) e em morta / torta (adjetivo/adjetivo).
(C) em desesperança / criança (substantivo/substantivo) e em ai / vai (interjeição/verbo).
(D) em mansa / lembrança (adjetivo/substantivo) e em morta / torta (adjetivo/adjetivo).
(E) em ai / vai (interjeição/verbo) e em novamente / repente (advérbio/substantivo).
Gabarito letra B.
TJ-CE - Língua Portuguesa 36
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2. (FCC / CÂMARA FORTALEZA - CE / CONSULTOR TÉCNICO / 2019)
Em e menos ainda o inexplicável de alguns casos. (1° parágrafo) e Um, por exemplo, um rapaz bronco e vilão,
(1° parágrafo), os termos sublinhados constituem
A) substantivo e adjetivo, respectivamente.
B) substantivos.
C) adjetivos.
D) adjetivo e substantivo, respectivamente.
E) advérbio e adjetivo, respectivamente.
Comentários:
Questão direta.
O artigo masculino "o" acaba por substantivar "inexplicável". Já "bronco" é uma característica, portanto, um
adjetivo. Gabarito letra A.
TJ-CE - Língua Portuguesa 37
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QUESTÕES COMENTADAS - ADJETIVO - FCC
1. (FCC/TRT 18/2023)
Atenção: Leia a crônica “A casadeira”, de Carlos Drummond de Andrade, para responder à
questão.
Testemunhei ontem, na loja de Copacabana, um acontecimento banal e maravilhoso. A senhora
sentou-se na banqueta e cruzou elegantemente as pernas. O vendedor, agachado, calçou-lhe o
par de sapatos. Ela se ergueu, ensaiou alguns passos airosos em frente do espelho, mirou-se,
remirou-se, voltou à banqueta. O sapato foi substituído por outro. Seguiu-se na mesma
autocontemplação, e o novo par de sapatos foi experimentado, e nova verificação especular.
Isso, infinitas vezes. No semblante do vendedor, nem cansaço, nem impaciência. Explica-se: a
cliente não refugava os sapatos experimentados. Adquiria-os todos. Adquiriu dozes pares, se
bem contei.
− Ela está fazendo sua reforma de base? − perguntei a outro vendedor, que sorriu e esclareceu:
− A de base e a civil. Vai se casar pela terceira vez.
− Coitada... Vocação de viúva.
− Não é isso, senhor. Os dois primeiros maridos estão vivos. É casadeira, sabe como é?
Não me pareceu que, para casar pela terceira vez, ela tivesse necessidade de tanto calçamento.
Oito ou nove pares seriam talvez para irmãs de pé igual ao seu, que ficaram em casa? Hipótese
boba, que formulei e repeli incontinente. Ninguém neste mundo tem pé igual ao de ninguém,
nem sequer ao de si mesmo, quanto mais ao da irmã. Daí avancei para outra hipótese mais
plausível. Aquela senhora, na aparência normal, devia ter pés suplementares, Deus me perdoe, e
usava-os dois de cada vez, recolhendo os demais mediante uma organização anatômica (ou
eletrônica) absolutamente inédita. Observei-a com atenção e zelo científico, na expectativa de
movimento menos controlado, que denunciasse o segredo. Nada disso. Até onde se podia
perceber, eram apenas duas pernas, e bem agradáveis, terminando em dois exclusivos pés, de
esbelto formato.
Assim, a coleção era mesmo para casar − e fiquei conjeturando que o casamento é uma rara
coisa, exigindo a todo instante que a mulher troque de sapato, não se sabe bem para quê − a
menos que os vá perdendo no afã de atirá-los sobre o marido, e eles (não o marido) sumam pela
janela do apartamento.
A senhora pagou − não em dinheiro ou cheque, mas com um sorriso que mandava receber num
lugar bastante acreditado, pois já reparei que as maiores compras são sempre pagas nele, e aos
comerciantes agrada-lhes o sistema. As caixas de sapato adquiridas foram transportadas para o
carro, estacionado em frente à loja. Mentiria se dissesse que eram doze carros monumentais, com
doze motoristas louros, de olhos azuis. Não. Era um carro só, simplesinho, sem motorista, nem
precisava dele, pois logo se percebeu sua natureza de teleguiado. Sem manobra, flechou no
espaço e sumiu, levando a noiva e seus doze pares de França, perdão! de sapatos. Eu preveni
que o caso era banal e maravilhoso.
(Adaptado de: ANDRADE, Carlos Drummond de. Cadeira de balanço. São Paulo: Companhia das Letras, 2020)
TJ-CE - Língua Portuguesa 38
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O termo que qualifica o substantivo na expressão acontecimento banal tem sentido oposto
àquele que qualifica o substantivo em:
A) rara coisa.
B) nova verificação.
C) zelo científico.
D) aparência normal.
E) exclusivos pés.
Comentário:
“banal” indica que o evento acontece de forma corriqueira, frequente. É o contrário de “rara
coisa.” Gabarito: A
2. (FCC / TRT 4ª REGIÃO / 2022)
Recordo ainda... e nada mais me importa…
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre, de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta...
Mas veio um vento de desesperança
Soprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança...
Estrada afora após segui... Mas, ai,
Embora idade e senso eu aparente,
Não vos iluda o velho que aqui vai:
Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino... acreditai…
Que envelheceu, um dia, de repente!...
(QUINTANA, Mario. Melhores poemas. São Paulo: Global, 2005)
Verifica-se rima (ou seja, coincidência final de sons) entre palavras de mesma classe gramatical
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A) em importa / porta (1ª estrofe) e em mansa / lembrança (1ª estrofe).
B) em desesperança / criança (2ª estrofe) e em morta / torta (2ª estrofe).
C) em desesperança / criança (2ª estrofe) e em ai / vai (3ª estrofe).
D) em mansa / lembrança (1ª estrofe) e em morta / torta (2ª estrofe).
E) em ai / vai (3ª estrofe) e em novamente / repente (4ª estrofe).
Comentários:
Indiquemos as classes:
A) em importa / porta (verbo/substantivo) e em mansa / lembrança (adjetivo/substantivo).
B) em desesperança / criança (substantivo/substantivo) e em morta / torta (adjetivo/adjetivo).
C) em desesperança / criança (substantivo/substantivo) e em ai / vai (interjeição/verbo).
==2c2861==
D) em mansa / lembrança (adjetivo/substantivo) e em morta / torta (adjetivo/adjetivo).
E) em ai / vai (interjeição/verbo) e em novamente / repente (advérbio/substantivo).
Gabarito letra B.
3. (FCC / PREF. RECIFE - PE / ASSISTENTE DE GESTÃO PÚBLICA / 2019)
Considerando a função que exercem no contexto, pode-se afirmar que pertencem à mesma
classe de palavras ambos os vocábulos sublinhados em:
A) Mais da metade dos seres humanos hoje vivem em cidades, e esse número deve aumentar
para 70% até 2050.
B) Em termos econômicos, os resultados da urbanização foram notáveis.
C) Padrões insustentáveis de consumo, degradação ambiental e desigualdade persistente são
alguns dos problemas das cidades modernas.
D) Preferem discorrer sobre como as cidades vão se adaptar à era da digitalização....
E) Além disso, a tecnologia vai permitir uma melhora na governança.
Comentários:
Questão direta de reconhecimento das classes, vamos indicá-las:
A) Mais da metade dos seres humanos (adjetivo) hoje vivem em cidades (substantivo), e esse
número deve aumentar para 70% até 2050.
B) Em termos econômicos (adjetivo), os resultados da urbanização foram notáveis (adjetivo).
C) Padrões (substantivo) insustentáveis de consumo, degradação ambiental e desigualdade
persistente são alguns dos problemas das cidades modernas (adjetivo).
D) Preferem discorrer sobre como as cidades vão (verbo) se adaptar à era (substantivo) da
digitalização....
E) Além (advérbio) disso, a tecnologia vai permitir uma (artigo indefinido) melhora na governança.
Gabarito letra B.
TJ-CE - Língua Portuguesa 40
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4. (FCC / SABESP / TÉCNICO MÉDIO / 2019)
A questão de central importância para os filósofos iônicos era a composição do cosmo. Qual
é a substância que compõe o Universo? A resposta de Tales é que tudo é água. É provável que, à
parte a possível influência das culturas do Oriente Médio, ao escolher a água como substância
fundamental da Natureza, Tales tinha se inspirado em suas qualidades únicas de mutação; a água
é continuamente reciclada dos céus para a terra e oceanos, transformando-se de líquida para
vapor, representando, assim, a dinâmica intrínseca dos processos naturais. Mais ainda, assim
como nós e a maioria das formas de vida dependemos da água para existir, o próprio Universo
exibia a mesma dependência, já que também era considerado por Tales como um organismo
vivo.
(Adaptado de: GLEISER, Marcelo. A dança do universo: dos mitos de criação ao Bing Bang. São Paulo: Companhia
das Letras, 2006, p. 40-42)
O adjetivo em central importância (2° parágrafo) apresenta o mesmo sentido que o adjetivo em
A) homem prático (1° parágrafo).
B) excelente colheita (1° parágrafo).
C) substância fundamental (2° parágrafo).
D) possível influência (2° parágrafo).
E) dinâmica intrínseca (2° parágrafo).
Comentários:
Primeiro, identificamos que o adjetivo em "central importância" é "central" e tem o sentido de
principal, fundamental - o que nos leva à alternativa correta, Letra C.
Nas demais alternativas, o adjetivo qualifica o substantivo, mas não há a carga opinativa do autor.
Gabarito letra C.
TJ-CE - Língua Portuguesa 41
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QUESTÕES COMENTADAS - EXPRESSÕES COM SUBSTANTIVO E
ADJETIVO - FCC
1. (FCC / METRÔ-SP / MÉDICO / 2019)
O substantivo está posposto ao termo que o qualifica na expressão sublinhada em:
A) Sofria daquele tipo de tristeza mórbida (1º parágrafo)
B) Para ele, o fim do ano era sempre uma época dura (1º parágrafo)
C) Que secreto desígnio haveria atrás daquilo (5º parágrafo)
D) No seu caso havia uma razão óbvia para isso (1º parágrafo)
E) como ele, a mãe era uma mulher amargurada (2º parágrafo).
Comentários:
A questão pede a alternativa que contenha "adjetivo + substantivo".
Para facilitar, vamos identificar os substantivos nas alternativas: (A) "tristeza"; (B) "época"; (C)
"desígnio"; (D) "razão"; e "(E) "mulher". Note que "tristeza", "época", "razão" e "mulher" estão
antepostos ao adjetivo, ou seja, vêm antes. Por isso, o gabarito é a expressão "secreto desígnio".
Gabarito: Letra C.
TJ-CE - Língua Portuguesa 42
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QUESTÕES COMENTADAS - ADVÉRBIO - FCC
1. (FCC /TRT 18/2023)
Atenção: Leia o trecho do romance “Esaú e Jacó”, de Machado de Assis, para responder à
questão.
Visões e reminiscências iam assim comendo o tempo e o espaço ao conselheiro Aires, a ponto de
lhe fazerem esquecer o pedido de Natividade; mas não o esqueceu de todo, e as palavras
trocadas há pouco surdiam-lhe das pedras da rua. Considerou que não perdia muito em estudar
os rapazes. Chegou a apanhar uma hipótese, espécie de andorinha, que avoaça entre árvores,
abaixo e acima, pousa aqui, pousa ali, arranca de novo um surto e toda se despeja em
movimentos. Tal foi a hipótese vaga e colorida, a saber, que se os gêmeos tivessem nascido dele
talvez não divergissem tanto nem nada, graças ao equilíbrio do seu espírito. A alma do velho
entrou a ramalhar não sei que desejos retrospectivos, e a rever essa hipótese, ele pai, estes
meninos seus, toda a andorinha que se dispersava num farfalhar calado de gestos.
(Adaptado de: ASSIS, Machado de. Esaú e Jacó. São Paulo: Companhia das Letras, 2012)
É invariável quanto a gênero e a número o termo sublinhado em:
A) Chegou a apanhar uma hipótese.
B) as palavras trocadas há pouco surdiam-lhe das pedras da rua.
C) se os gêmeos tivessem nascido dele talvez não divergissem.
D) arranca de novo um surto e toda se despeja em movimentos.
E) Tal foi a hipótese vaga e colorida.
Comentário:
Por definição, o advérbio é a classe invariável que modifica verbo, adjetivo ou outro advérbio.
“Talvez” é um advérbio de dúvida; portanto, é invariável.
“hipótese” e “vaga” são substantivos, portanto variam em gênero, número e grau.
“surdiam” é verbo, portanto varia em modo, tempo, número e pessoa.
“toda” é advérbio, invariável. Contudo, alguns gramáticos admitem sua flexão, por exceção
expressa. Gabarito: C
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2. (FCC / TRE-PR / ANALISTA JUDICIÁRIO / 2017 - Adaptada)
Ainda que, ao longo do século 20 − e mesmo no início do 21 − , o termo “república” tenha sido
utilizado na autodenominação de regimes políticos autoritários, de modo geral a ideia
contemporânea de república aproxima-se da de democracia, posto que está associada à
soberania popular, exercida por meio da participação em eleições regulares, livres, competitivas e
extensivas a todos os postos politicamente relevantes.
Julgue o item a seguir:
O emprego da palavra politicamente exemplifica a ocorrência de advérbio com valor restritivo.
Comentários:
A banca usou uma linguagem excessivamente técnica, mas pergunta se “politicamente” possui
valor restritivo. Sim, “politicamente relevantes” é o mesmo que “relevantes” do ponto de vista
político, isto é, é relevante numa esfera restrita: a política; então, “politicamente” restringe sim o
adjetivo ‘relevante’, particularizando seu significado e reduzindo seu alcance a uma esfera
==2c2861==
específica. Questão correta.
3. (FCC / SEGEP-MA / ANALISTA AMBIENTAL / 2016)
− O senhor deve conhecer muito a Geografia... A frase em que o vocábulo “muito” está
empregado com o mesmo sentido e a mesma função que os verificados na construção acima é:
A) Houve, durante a divulgação dos vencedores da prova de atletismo, muito alvoroço.
B) Com muito cansaço, o maratonista reduziu o ritmo nos momentos finais da corrida.
C) Segundo os repórteres, deram os gritos da torcida muito incentivo aos atletas nacionais.
D) As nadadoras encantaram muito o público com a precisão de seus movimentos.
E) A ginasta deixou de fazer na prova final muito daquilo que havia praticado nos treinos.
Comentários:
Aqui, seguimos uma análise muito parecida com “mais”. “Muito” é advérbio quando modifica
verbo (trabalho muito), adjetivo (muito bonita) ou advérbio (muito provavelmente). Quando
acompanha um substantivo ou um termo de valor substantivo, indicando quantidade vaga,
“muito” é apenas pronome indefinido: tenho muito tempo livre. Vejamos então a classificação
nas alternativas:
A) Houve, durante a divulgação dos vencedores da prova de atletismo, muito alvoroço.
Acompanha substantivo “alvoroço”, é pronome indefinido.
B) Com muito cansaço, o maratonista reduziu o ritmo nos momentos finais da corrida.
Acompanha substantivo “cansaço”, é pronome indefinido.
C) Segundo os repórteres, deram os gritos da torcida muito incentivo aos atletas nacionais.
Acompanha substantivo “incentivo”, é pronome indefinido.
D) As nadadoras encantaram muito o público com a precisão de seus movimentos.
Modifica o verbo “encantaram”, então funciona como advérbio.
E) A ginasta deixou de fazer na prova final muito daquilo que havia praticado nos treinos.
TJ-CE - Língua Portuguesa 44
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Acompanha pronome substantivo “aquilo”, é pronome indefinido. Gabarito letra D.
TJ-CE - Língua Portuguesa 45
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QUESTÕES COMENTADAS - ARTIGO - FCC
1. (FCC / ALESE / TÉCNICO LEGISLATIVO / 2018)
A alternativa em que os elementos destacados pertencem à mesma classe de palavras é:
A) muito aguado / de forma fingida.
B) tão apagado / alguém lento.
C) Eu vou de camelo / ou seja.
D) qualquer coisa / Famoso por fazer parte.
E) um manteiga-derretida / lá corre o seguinte “agá”.
Comentários:
“Um” é artigo indefinido; “o” é artigo definido, ambos modificam um substantivo e concordam
com ele em gênero e número, ambos pertencem à classe dos artigos. Gabarito letra E.
Vejamos as demais:
A) muito (advérbio) aguado / de forma (substantivo) fingida.
B) tão (advérbio) apagado / alguém (pronome indefinido) lento.
C) Eu vou de (preposição) camelo / ou (conjunção) seja.
D) qualquer (pronome indefinido) coisa / Famoso por (preposição) fazer parte.
TJ-CE - Língua Portuguesa 46
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LISTA DE QUESTÕES - SUBSTANTIVO - FCC
1. (FCC / CÂMARA FORTALEZA - CE / CONSULTOR TÉCNICO / 2019)
Em e menos ainda o inexplicável de alguns casos. (1° parágrafo) e Um, por exemplo, um rapaz
bronco e vilão, (1° parágrafo), os termos sublinhados constituem
A) substantivo e adjetivo, respectivamente.
B) substantivos.
C) adjetivos.
D) adjetivo e substantivo, respectivamente.
E) advérbio e adjetivo, respectivamente.
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GABARITO
1. LETRA A
==2c2861==
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LISTA DE QUESTÕES - ADJETIVO - FCC
1. (FCC/TRT 18/2023)
Atenção: Leia a crônica “A casadeira”, de Carlos Drummond de Andrade, para responder à
questão.
Testemunhei ontem, na loja de Copacabana, um acontecimento banal e maravilhoso. A senhora
sentou-se na banqueta e cruzou elegantemente as pernas. O vendedor, agachado, calçou-lhe o
par de sapatos. Ela se ergueu, ensaiou alguns passos airosos em frente do espelho, mirou-se,
remirou-se, voltou à banqueta. O sapato foi substituído por outro. Seguiu-se na mesma
autocontemplação, e o novo par de sapatos foi experimentado, e nova verificação especular.
Isso, infinitas vezes. No semblante do vendedor, nem cansaço, nem impaciência. Explica-se: a
cliente não refugava os sapatos experimentados. Adquiria-os todos. Adquiriu dozes pares, se
bem contei.
− Ela está fazendo sua reforma de base? − perguntei a outro vendedor, que sorriu e esclareceu:
− A de base e a civil. Vai se casar pela terceira vez.
− Coitada... Vocação de viúva.
− Não é isso, senhor. Os dois primeiros maridos estão vivos. É casadeira, sabe como é?
Não me pareceu que, para casar pela terceira vez, ela tivesse necessidade de tanto calçamento.
Oito ou nove pares seriam talvez para irmãs de pé igual ao seu, que ficaram em casa? Hipótese
boba, que formulei e repeli incontinente. Ninguém neste mundo tem pé igual ao de ninguém,
nem sequer ao de si mesmo, quanto mais ao da irmã. Daí avancei para outra hipótese mais
plausível. Aquela senhora, na aparência normal, devia ter pés suplementares, Deus me perdoe, e
usava-os dois de cada vez, recolhendo os demais mediante uma organização anatômica (ou
eletrônica) absolutamente inédita. Observei-a com atenção e zelo científico, na expectativa de
movimento menos controlado, que denunciasse o segredo. Nada disso. Até onde se podia
perceber, eram apenas duas pernas, e bem agradáveis, terminando em dois exclusivos pés, de
esbelto formato.
Assim, a coleção era mesmo para casar − e fiquei conjeturando que o casamento é uma rara
coisa, exigindo a todo instante que a mulher troque de sapato, não se sabe bem para quê − a
menos que os vá perdendo no afã de atirá-los sobre o marido, e eles (não o marido) sumam pela
janela do apartamento.
A senhora pagou − não em dinheiro ou cheque, mas com um sorriso que mandava receber num
lugar bastante acreditado, pois já reparei que as maiores compras são sempre pagas nele, e aos
comerciantes agrada-lhes o sistema. As caixas de sapato adquiridas foram transportadas para o
carro, estacionado em frente à loja. Mentiria se dissesse que eram doze carros monumentais, com
doze motoristas louros, de olhos azuis. Não. Era um carro só, simplesinho, sem motorista, nem
precisava dele, pois logo se percebeu sua natureza de teleguiado. Sem manobra, flechou no
espaço e sumiu, levando a noiva e seus doze pares de França, perdão! de sapatos. Eu preveni
que o caso era banal e maravilhoso.
(Adaptado de: ANDRADE, Carlos Drummond de. Cadeira de balanço. São Paulo: Companhia das Letras, 2020)
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O termo que qualifica o substantivo na expressão acontecimento banal tem sentido oposto
àquele que qualifica o substantivo em:
A) rara coisa.
B) nova verificação.
C) zelo científico.
D) aparência normal.
E) exclusivos pés.
2. (FCC / TRT 4ª REGIÃO / 2022)
==2c2861==
Recordo ainda... e nada mais me importa…
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre, de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta...
Mas veio um vento de desesperança
Soprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança...
Estrada afora após segui... Mas, ai,
Embora idade e senso eu aparente,
Não vos iluda o velho que aqui vai:
Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino... acreditai…
Que envelheceu, um dia, de repente!...
(QUINTANA, Mario. Melhores poemas. São Paulo: Global, 2005)
Verifica-se rima (ou seja, coincidência final de sons) entre palavras de mesma classe gramatical
A) em importa / porta (1ª estrofe) e em mansa / lembrança (1ª estrofe).
B) em desesperança / criança (2ª estrofe) e em morta / torta (2ª estrofe).
C) em desesperança / criança (2ª estrofe) e em ai / vai (3ª estrofe).
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D) em mansa / lembrança (1ª estrofe) e em morta / torta (2ª estrofe).
E) em ai / vai (3ª estrofe) e em novamente / repente (4ª estrofe).
3. (FCC / PREF. RECIFE - PE / ASSISTENTE DE GESTÃO PÚBLICA / 2019)
Considerando a função que exercem no contexto, pode-se afirmar que pertencem à mesma
classe de palavras ambos os vocábulos sublinhados em:
A) Mais da metade dos seres humanos hoje vivem em cidades, e esse número deve aumentar
para 70% até 2050.
B) Em termos econômicos, os resultados da urbanização foram notáveis.
C) Padrões insustentáveis de consumo, degradação ambiental e desigualdade persistente são
alguns dos problemas das cidades modernas.
D) Preferem discorrer sobre como as cidades vão se adaptar à era da digitalização....
E) Além disso, a tecnologia vai permitir uma melhora na governança.
4. (FCC / SABESP / TÉCNICO MÉDIO / 2019)
A questão de central importância para os filósofos iônicos era a composição do cosmo. Qual
é a substância que compõe o Universo? A resposta de Tales é que tudo é água. É provável que, à
parte a possível influência das culturas do Oriente Médio, ao escolher a água como substância
fundamental da Natureza, Tales tinha se inspirado em suas qualidades únicas de mutação; a água
é continuamente reciclada dos céus para a terra e oceanos, transformando-se de líquida para
vapor, representando, assim, a dinâmica intrínseca dos processos naturais. Mais ainda, assim
como nós e a maioria das formas de vida dependemos da água para existir, o próprio Universo
exibia a mesma dependência, já que também era considerado por Tales como um organismo
vivo.
(Adaptado de: GLEISER, Marcelo. A dança do universo: dos mitos de criação ao Bing Bang. São Paulo: Companhia
das Letras, 2006, p. 40-42)
O adjetivo em central importância (2° parágrafo) apresenta o mesmo sentido que o adjetivo em
A) homem prático (1° parágrafo).
B) excelente colheita (1° parágrafo).
C) substância fundamental (2° parágrafo).
D) possível influência (2° parágrafo).
E) dinâmica intrínseca (2° parágrafo).
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GABARITO
1. LETRA A
2. LETRA B
3. LETRA B
4. LETRA C
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LISTA DE QUESTÕES - EXPRESSÕES COM SUBSTANTIVO E
ADJETIVO - FCC
1. (FCC / METRÔ-SP / MÉDICO / 2019)
O substantivo está posposto ao termo que o qualifica na expressão sublinhada em:
A) Sofria daquele tipo de tristeza mórbida (1º parágrafo)
B) Para ele, o fim do ano era sempre uma época dura (1º parágrafo)
C) Que secreto desígnio haveria atrás daquilo (5º parágrafo)
D) No seu caso havia uma razão óbvia para isso (1º parágrafo)
E) como ele, a mãe era uma mulher amargurada (2º parágrafo).
TJ-CE - Língua Portuguesa 53
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GABARITO
1. LETRA C
==2c2861==
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LISTA DE QUESTÕES - ADVÉRBIO - FCC
1. (FCC /TRT 18/2023)
Atenção: Leia o trecho do romance “Esaú e Jacó”, de Machado de Assis, para responder à
questão.
Visões e reminiscências iam assim comendo o tempo e o espaço ao conselheiro Aires, a ponto de
lhe fazerem esquecer o pedido de Natividade; mas não o esqueceu de todo, e as palavras
trocadas há pouco surdiam-lhe das pedras da rua. Considerou que não perdia muito em estudar
os rapazes. Chegou a apanhar uma hipótese, espécie de andorinha, que avoaça entre árvores,
abaixo e acima, pousa aqui, pousa ali, arranca de novo um surto e toda se despeja em
movimentos. Tal foi a hipótese vaga e colorida, a saber, que se os gêmeos tivessem nascido dele
==2c2861==
talvez não divergissem tanto nem nada, graças ao equilíbrio do seu espírito. A alma do velho
entrou a ramalhar não sei que desejos retrospectivos, e a rever essa hipótese, ele pai, estes
meninos seus, toda a andorinha que se dispersava num farfalhar calado de gestos.
(Adaptado de: ASSIS, Machado de. Esaú e Jacó. São Paulo: Companhia das Letras, 2012)
É invariável quanto a gênero e a número o termo sublinhado em:
A) Chegou a apanhar uma hipótese.
B) as palavras trocadas há pouco surdiam-lhe das pedras da rua.
C) se os gêmeos tivessem nascido dele talvez não divergissem.
D) arranca de novo um surto e toda se despeja em movimentos.
E) Tal foi a hipótese vaga e colorida.
2. (FCC / TRE-PR / ANALISTA JUDICIÁRIO / 2017 - Adaptada)
Ainda que, ao longo do século 20 − e mesmo no início do 21 − , o termo “república” tenha sido
utilizado na autodenominação de regimes políticos autoritários, de modo geral a ideia
contemporânea de república aproxima-se da de democracia, posto que está associada à
soberania popular, exercida por meio da participação em eleições regulares, livres, competitivas e
extensivas a todos os postos politicamente relevantes.
Julgue o item a seguir:
O emprego da palavra politicamente exemplifica a ocorrência de advérbio com valor restritivo.
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3. (FCC / SEGEP-MA / ANALISTA AMBIENTAL / 2016)
− O senhor deve conhecer muito a Geografia... A frase em que o vocábulo “muito” está
empregado com o mesmo sentido e a mesma função que os verificados na construção acima é:
A) Houve, durante a divulgação dos vencedores da prova de atletismo, muito alvoroço.
B) Com muito cansaço, o maratonista reduziu o ritmo nos momentos finais da corrida.
C) Segundo os repórteres, deram os gritos da torcida muito incentivo aos atletas nacionais.
D) As nadadoras encantaram muito o público com a precisão de seus movimentos.
E) A ginasta deixou de fazer na prova final muito daquilo que havia praticado nos treinos.
GABARITO
1. LETRA C
2. CORRETA
3. LETRA D
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LISTA DE QUESTÕES - ARTIGO - FCC
1. (FCC / ALESE / TÉCNICO LEGISLATIVO / 2018)
A alternativa em que os elementos destacados pertencem à mesma classe de palavras é:
A) muito aguado / de forma fingida.
B) tão apagado / alguém lento.
C) Eu vou de camelo / ou seja.
D) qualquer coisa / Famoso por fazer parte.
E) um manteiga-derretida / lá corre o seguinte “agá”.
==2c2861==
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GABARITO
1. LETRA E
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