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Funções Essenciais à Justiça
FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA
CAPÍTULO IV
DAS FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA
As funções essenciais à Justiça abrangem o Ministério Público, a Advocacia Pública
(incluindo a Advocacia-Geral da União), a Defensoria Pública e a advocacia privada.
Seção I
Do Ministério Público
Art. 127. O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional
do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos
interesses sociais e individuais indisponíveis.
Obs.: o Ministério Público é formado pelo Ministério Público da União, o Ministério Público
Federal, o Ministério Público do Trabalho, o Ministério Público Militar, o Ministério
Público do Distrito Federal e Territórios e o Ministério Público dos Estados. É
importante destacar que esse rol é taxativo.
Conforme previsto no art. 127 da Constituição Federal, o Ministério Público tem o papel
de defender a ordem jurídica, o regime democrático e os interesses sociais e individuais
indisponíveis.
Art. 127. (...)
§ 1º São princípios institucionais do Ministério Público a unidade, a indivisibilidade e a
independência funcional.
Obs.: Princípio da Unidade: o Ministério Público está sob a direção única de um Procurador-
Geral. No MPU, tem-se o Procurador-Geral da República (PGR). No MPE, tem-se o
Procurador-Geral de Justiça (PGJ).
Princípio da Indivisibilidade: os membros do Ministério Público podem ser
substituídos sem prejuízo para a ação. Por exemplo, caso um membro do Ministério
Público venha a óbito durante o curso de uma ação, o processo não será arquivado,
sendo designado um substituto para dar continuidade ao caso. As substituições
não podem ser casuísticas, ou de natureza política, visto que é necessário observar
o princípio do promotor natural. Portanto, a substituição deve ser devidamente
justificada.
Art. 127. (...)
§ 2º Ao Ministério Público é assegurada autonomia funcional e administrativa, podendo,
observado o disposto no art. 169, propor ao Poder Legislativo a criação e extinção de seus
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cargos e serviços auxiliares, provendo-os por concurso público de provas ou de provas e
títulos, a política remuneratória e os planos de carreira; a lei disporá sobre sua organização
e funcionamento.
§ 3º O Ministério Público elaborará sua proposta orçamentária dentro dos limites
estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias.
§ 4º Se o Ministério Público não encaminhar a respectiva proposta orçamentária dentro
do prazo estabelecido na lei de diretrizes orçamentárias, o Poder Executivo considerará,
para fins de consolidação da proposta orçamentária anual, os valores aprovados na lei
orçamentária vigente, ajustados de acordo com os limites estipulados na forma do § 3º.
§ 5º Se a proposta orçamentária de que trata este artigo for encaminhada em desacordo
com os limites estipulados na forma do § 3º, o Poder Executivo procederá aos ajustes
necessários para fins de consolidação da proposta orçamentária anual.
§ 6º Durante a execução orçamentária do exercício, não poderá haver a realização de
despesas ou a assunção de obrigações que extrapolem os limites estabelecidos na lei de
diretrizes orçamentárias, exceto se previamente autorizadas, mediante a abertura de
créditos suplementares ou especiais.
Obs.: Princípio da Independência Funcional: o Ministério Público pode propor leis para criar
seus cargos, dispor sobre sua organização, elaborar a sua proposta orçamentária, entre
outros. Além disso, os membros do Ministério Público possuem as mesmas garantias
dos magistrados, como a vitaliciedade, a fim de assegurar a independência funcional.
Art. 128. O Ministério Público abrange:
I – o Ministério Público da União, que compreende:
a) o Ministério Público Federal;
b) o Ministério Público do Trabalho;
c) o Ministério Público Militar;
d) o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios;
II – os Ministérios Públicos dos Estados.
§ 1º O Ministério Público da União tem por chefe o Procurador-Geral da República,
nomeado pelo Presidente da República dentre integrantes da carreira, maiores de trinta e
cinco anos, após a aprovação de seu nome pela maioria absoluta dos membros do Senado
Federal, para mandato de dois anos, permitida a recondução.
Obs.: o PGR passa pela sabatina do Senado Federal, devendo ser aprovado pela maioria
absoluta dos senadores. O texto constitucional não exige a construção de uma lista
tríplice para a escolha do PGR. Além disso, seu mandato é de dois anos, permitida a
recondução, ou seja, é possível mais de uma recondução. Para cada nova recondução,
será realizada uma nova sabatina no Senado Federal.
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Art. 128. (...)
§ 2º A destituição do Procurador-Geral da República, por iniciativa do Presidente da
República, deverá ser precedida de autorização da maioria absoluta do Senado Federal.
Obs.: tanto a nomeação quanto a destituição do PGR deverá passar pelo controle do
Senado Federal.
Art. 128. (...)
§ 3º Os Ministérios Públicos dos Estados e o do Distrito Federal e Territórios formarão
lista tríplice dentre integrantes da carreira, na forma da lei respectiva, para escolha de seu
Procurador-Geral, que será nomeado pelo Chefe do Poder Executivo, para mandato de dois
anos, permitida uma recondução.
Obs.: o PGJ não passa pela sabatina da Assembleia Legislativa do Estado para sua nomeação.
A diferença em relação ao PGR está na formação da lista tríplice e na possibilidade
de uma única recondução.
Art. 128. (...)
§ 4º Os Procuradores-Gerais nos Estados e no Distrito Federal e Territórios poderão
ser destituídos por deliberação da maioria absoluta do Poder Legislativo, na forma da lei
complementar respectiva.
DA NOMEAÇÃO DO PGR E DO PGJ:
Competência Lista Tríplice Sabatina Mandato Recondução
Presidente da Sim (Senado –
PGR Não 2 anos Várias
República maioria absoluta)
PGJ Governador Sim Não 2 anos Uma
Da Destituição:
• PGR: exige a aprovação do Senado Federal, observando o quórum de maioria absoluta;
• PGJ: exige a aprovação da Assembleia Legislativa, também observando o quórum de
maioria absoluta.
DAS GARANTIAS:
Art. 128. (...)
§ 5º Leis complementares da União e dos Estados, cuja iniciativa é facultada aos
respectivos Procuradores-Gerais, estabelecerão a organização, as atribuições e o estatuto
de cada Ministério Público, observadas, relativamente a seus membros:
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I – as seguintes garantias:
a) vitaliciedade, após dois anos de exercício, não podendo perder o cargo senão por
sentença judicial transitada em julgado;
b) inamovibilidade, salvo por motivo de interesse público, mediante decisão do órgão
colegiado competente do Ministério Público, pelo voto da maioria absoluta de seus membros,
assegurada ampla defesa;
c) irredutibilidade de subsídio, fixado na forma do art. 39, § 4º, e ressalvado o disposto
nos arts. 37, X e XI, 150, II, 153, III, 153, § 2º, I;
Obs.: após o vitaliciamento, o membro do Ministério Público não poderá perder o cargo
em virtude de decisão de processo administrativo, ou do Conselho Nacional de
Justiça, apenas mediante sentença judicial transitada em julgado.
O membro do Ministério Público não poderá ser removido por motivo de interesse
público mediante decisão do Conselho Nacional de Justiça, mas sim do órgão
colegiado competente do Ministério Público. Assim, como regra, a remoção de ofício
não é permitida. No entanto, em casos excepcionais, pode ser admitida.
Art. 130-A. (...)
§ 2º Compete ao Conselho Nacional do Ministério Público o controle da atuação
administrativa e financeira do Ministério Público e do cumprimento dos deveres funcionais
de seus membros, cabendo lhe:
(...)
III – receber e conhecer das reclamações contra membros ou órgãos do Ministério
Público da União ou dos Estados, inclusive contra seus serviços auxiliares, sem prejuízo da
competência disciplinar e correicional da instituição, podendo avocar processos disciplinares
em curso, determinar a remoção ou a disponibilidade e aplicar outras sanções administrativas,
assegurada ampla defesa;
Excepcionalmente, o membro do Ministério Público poderá ser removido de ofício, por
motivo de interesse público, caso em que será observado o quórum de maioria absoluta do
órgão colegiado competente; ou por penalidade, que será aplicado pelo Conselho Nacional
do Ministério Público (CNMP).
A irredutibilidade do subsídio também é uma garantia dos membros do Ministério Público.
DAS VEDAÇÕES:
Art. 128. (...)
§ 5º Leis complementares da União e dos Estados, cuja iniciativa é facultada aos
respectivos Procuradores-Gerais, estabelecerão a organização, as atribuições e o estatuto
de cada Ministério Público, observadas, relativamente a seus membros:
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(...)
II – as seguintes vedações:
a) receber, a qualquer título e sob qualquer pretexto, honorários, percentagens ou
custas processuais;
b) exercer a advocacia;
c) participar de sociedade comercial, na forma da lei;
d) exercer, ainda que em disponibilidade, qualquer outra função pública, salvo uma de
magistério;
e) exercer atividade político-partidária;
f) receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas físicas,
entidades públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei.
§ 6º Aplica-se aos membros do Ministério Público o disposto no art. 95, parágrafo único, V.
Obs.: o membro do Ministério Público, após aposentar, não poderá advogar por um
período de três anos no tribunal no qual oficiava, evitando-se a prática do tráfico
de influência.
Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público:
I – promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei;
II – zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos
direitos assegurados nesta Constituição, promovendo as medidas necessárias a sua garantia;
III – promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio
público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos;
IV – promover a ação de inconstitucionalidade ou representação para fins de intervenção
da União e dos Estados, nos casos previstos nesta Constituição;
V – defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas;
VI – expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua competência,
requisitando informações e documentos para instruí-los, na forma da lei complementar
respectiva;
VII – exercer o controle externo da atividade policial, na forma da lei complementar
mencionada no artigo anterior;
VIII – requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial, indicados
os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais;
IX – exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que compatíveis com
sua finalidade, sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de
entidades públicas.
Obs.: a consultoria jurídica de entidades públicas é feita pela Advocacia-Geral da União.
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Art. 129. (...)
§ 1º – A legitimação do Ministério Público para as ações civis previstas neste artigo não
impede a de terceiros, nas mesmas hipóteses, segundo o disposto nesta Constituição e na lei.
§ 2º As funções do Ministério Público só podem ser exercidas por integrantes da carreira,
que deverão residir na comarca da respectiva lotação, salvo autorização do chefe da
instituição.
§ 3º O ingresso na carreira do Ministério Público far-se-á mediante concurso público
de provas e títulos, assegurada a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em sua
realização, exigindo-se do bacharel em direito, no mínimo, três anos de atividade jurídica
e observando-se, nas nomeações, a ordem de classificação.
Obs.: a atividade jurídica pode ser comprovada por meio do exercício da advocacia, da
docência de disciplinas relacionadas ao Direito em cursos de graduação, do exercício
de cargo privativo de bacharel em Direito, ou pós-graduação e mestrado relacionado
a alguma área do Direito.
Quanto à advocacia pública, a Advocacia-Geral da União realiza o assessoramento
jurídico do Chefe do Poder Executivo.
A Defensoria Pública atua em prol dos necessitados que não possuem condições
financeiras de arcar com um advogado privado.
Ademais, a Defensoria Pública possui os mesmos princípios do Ministério Público:
indivisibilidade, unidade e independência funcional. É vedado aos defensores públicos
exercer a advocacia privada fora da sua missão institucional.
�Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Concursos, de acordo com a aula
preparada e ministrada pelo professor Ricardo Blanco Xavier.
A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do conteúdo
ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição do estudo em vídeo pela leitura
exclusiva deste material.
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