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Neurofisiologia do Sono e Ritmos Biológicos

O sono é um estado ativo e vital, regulado pelo cérebro, que desempenha funções essenciais como a restauração celular e a consolidação da memória. Os ritmos circadianos, controlados pelo núcleo supraquiasmático, organizam processos fisiológicos e comportamentais em ciclos de aproximadamente 24 horas, influenciados por fatores externos como luz e temperatura. Distúrbios do sono podem resultar em consequências significativas para a saúde mental e física, refletindo a importância do sono na vida humana.

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Neurofisiologia do Sono e Ritmos Biológicos

O sono é um estado ativo e vital, regulado pelo cérebro, que desempenha funções essenciais como a restauração celular e a consolidação da memória. Os ritmos circadianos, controlados pelo núcleo supraquiasmático, organizam processos fisiológicos e comportamentais em ciclos de aproximadamente 24 horas, influenciados por fatores externos como luz e temperatura. Distúrbios do sono podem resultar em consequências significativas para a saúde mental e física, refletindo a importância do sono na vida humana.

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Neurofisiologia do

sono e ritmos biológicos


Neurofisiologia do Sono
Dormir é uma das atividades mais básicas e misteriosas do ser
humano. Passamos um terço da vida dormindo, e ainda assim,
durante muito tempo, a ciência não sabia exatamente por que
dormimos.

Hoje, entendemos que o sono não é apenas um momento de pausa,


mas sim um estado ativo, profundamente regulado pelo cérebro, com
funções vitais para a mente e o corpo.

Antigamente se pensava que o sono era uma ausência de atividade


c e r e b r a l , m a s n a v e r d a d e o c é r e b r o tr a b a l h a i n t e n s a m e n t e ,
reorganizando memórias, restaurando energia e ajustando processos
corporais. É um momento de recalibração do organismo.
Neurofisiologia do Sono
: estado neurofisiológico cíclico, com alterações previsíveis na
atividade cerebral, no metabolismo, na respiração e no tônus
muscular.

Teoria da restauração: o sono permite reparo celular e equilíbrio


metabólico.
Teoria da consolidação da memória: durante o sono, especialmente o
REM, o cérebro reorganiza informações e consolida memórias.

• enquanto o corpo descansa, as sinapses são ‘limpas’,


experiências são reorganizadas e memórias são fortalecidas.
Neurofisiologia do Sono
: oscilações naturais dos processos biológicos que se
repetem em intervalos regulares, sejam diários, sazonais ou anuais.

Eles representam a maneira como o corpo organiza o tempo


internamente, ajustando processos fisiológicos e comportamentais
para acompanhar os ciclos do ambiente.

O sono não é só um fenômeno biológico, mas também algo que afeta


o comportamento, o humor, a atenção e até a regulação emocional.

• dormir mal altera o córtex pré-frontal, reduz a empatia, aumenta


a impulsividade, e isso se reflete diretamente na clínica.
Neurofisiologia do Sono
: ciclos de cerca de 24h que regulam processos
fisiológicos, hormonais e comportamentais.

Circadiano vem do latim circa diem , ‘cerca de um dia’. É o nosso


compasso biológico. Ele organiza quando sentimos sono, fome,
disposição, temperatura e até o pico de atenção.

> ciclo sono-vigília;


> temperatura corporal;
> secreção hormonal;
> pressão arterial e frequência cardíaca...
Neurofisiologia do Sono
( ): pequeno núcleo localizado no
hipotálamo; centro primário de regulação dos ritmos circadianos.
Neurofisiologia do Sono
O núcleo supraquiasmático é um pequeno grupo de neurônios
localizados no hipotálamo, logo acima do quiasma óptico — por isso o
nome supraquiasmático.

Apesar do tamanho (cerca de 20 mil neurônios em humanos), ele tem


uma função gigantesca: atuar como o relógio mestre do corpo,
coordenando todos os ritmos biológicos de aproximadamente 24
horas.

• neurônios que oscilam em atividade elétrica e expressão gênica


ao longo do dia, mesmo sem estímulos externos.

Essas oscilações determinam o tempo interno do organismo e enviam


sinais para outras estruturas cerebrais e órgãos periféricos, que
possuem seus próprios “relógios locais”.
Neurofisiologia do Sono
(“doadores de tempo”): os sincronizadores - estímulos
externos que alinham o relógio interno.

Luz: o mais poderoso (especialmente solar); sinaliza ao corpo quando


é dia e quando é noite, afetando a produção de hormônios como a
melatonina e o cortisol.

Temperatura: as mudanças naturais na temperatura entre o dia e a


noite também funcionam como um sinal para o relógio biológico.

Alimentação: os horários regulares das refeições ajudam a sincronizar


o metabolismo com o ciclo de 24 horas.
Neurofisiologia do Sono
Exercício: a atividade física, quando feita nos horários corretos, pode
reforçar o ritmo circadiano.

Interação social: os horários de trabalho, escola e outras interações


s o c i a i s ta m b é m a tu a m c o m o z e i t g e b e r s , e s p e c i a l m e n t e e m
ambientes modernos.

> regulação do sono-vigília: os zeitgebers sincronizam o ciclo de


sono e vigília, ajudando a garantir que você se sinta alerta
durante o dia e sonolento à noite.

Uma desregulação dos zeitgebers pode afetar a saúde mental,


levando a problemas como distúrbios de humor; associada a jet lag
(mudança de fuso horário), trabalho noturno (a luz artificial e a
inversão do ciclo claro-escuro confundem o relógio biológico) e uso
de telas à noite.
Neurofisiologia do Sono
Neurofisiologia do Sono

: hormônio produzido pela glândula pineal, que regula o


ritmo circadiano e o início do sono.

Sua produção aumenta à noite, com a ausência de luz


(principalmente luz azul).

A escuridão é detectada pela retina, o sinal chega ao núcleo


supraquiasmático (NSQ) e a glândula pineal libera melatonina.

> quando há luz, a liberação é inibida.

Efeitos: Induz sonolência, reduz temperatura corporal e prepara o


corpo para dormir.
Neurofisiologia do Sono
: neurotransmissor marcador do cansaço; inibe a atividade
de neurônios estimulantes, facilitando o sono.

> durante o dia, a adenosina se acumula no cérebro, sinalizando


fadiga; à noite, é “limpa” durante o sono.

: regulação do humor, apetite, temperatura e ciclo sono-


vigília.

> durante o dia níveis altos de serotonina ajudam a manter o


estado de alerta e bem-estar.
> à noite a serotonina é precursora da melatonina — sem
serotonina, não há melatonina suficiente.
Neurofisiologia do Sono
( ): mantém o estado de vigília e a motivação para
estar acordado.

> estimula o córtex e o tronco encefálico a permanecerem ativos.


> a ausência de hipocretina associa-se à narcolepsia, distúrbio do
sono em que a pessoa adormece repentinamente durante o dia.

Além da liberação dos hormônios que influenciam o ciclo sono-vigília,


o sono tem 2 fases: NREM e REM.

O sono é organizado em ciclos que se repetem a cada 90 minutos.


Começamos pelo sono NREM e depois entramos no REM. Essas fases
se alternam cerca de 4 a 6 vezes por noite.
Neurofisiologia do Sono

> cérebro mais lento, corpo relaxado, pouca atividade mental.

: o corpo começa a relaxar, mas ainda temos consciência


parcial; um som ou toque leve ainda pode nos despertar.
: ocupa cerca de 50% da noite; o cérebro começa a bloquear
estímulos externos graças aos fusos do sono - pequenas explosões
elétricas que protegem o sono de interrupções (mais
hiperpolarizações).
(antes 3 e 4): o sono profundo, quando o corpo realmente se
repara; ocorre liberação de hormônio do crescimento GH
(metabolismo, crescimento de tecidos), restauração muscular e
fortalecimento imunológico.
Neurofisiologia do Sono

(rapid eye movement): movimentos oculares rápidos.

> cérebro ativo, corpo paralisado e sonhos vívidos.


> consolidação da memória e regulação emocional.

O cérebro acorda dentro do sonho. A atividade cerebral se assemelha


à vigília, mas o corpo está paralisado; o palco dos sonhos vívidos e da
consolidação emocional.
Neurofisiologia do Sono

Em cada fase do sono, ao despertarmos, podemos ter reações


específicas.

N1: sono leve, início da transição; distúrbios associados à insônia.


N2: sono intermediário; bloqueio de estímulos externos - acordar com
facilidade; distúrbios associados a sono superficial, sem sensação de
descanso.
N3: sono profundo; repouso máximo e liberação do GH; distúrbios
prejudicam a fase restauradora do sono.
REM: distúrbios associados à consolidação da memória e regulação
emocional.
Neurofisiologia do Sono

- ligar e desligar a consciência.


Tálamo - bloqueio da passagem de estímulos (dormimos sem
acordar com barulhos).
- controla temperatura, fome e o ritmo circadiano, e
abriga o núcleo supraquiasmático (relógio mestre do corpo) e
neurônios produtores de orexina.
- ativado durante o sono REM.
- essas estruturas ficam ativas, mas a
medula bloqueia comandos.
Neurofisiologia do Sono

(CID-11)

7A00 – Insônia crônica


7A01 – Insônia de curta duração
7A20 – Narcolepsia
7A21 – Hipersonia idiopática
7A40-7A4Z – Distúrbios respiratórios relacionados ao sono
7A60-7A6Z – Transtornos do ritmo circadiano sono-vigília
7A80-7A8Z – Distúrbios de movimento relacionados ao sono
7B00-7B0Z – Parassonias
Neurofisiologia do Sono

Os transtornos do sono têm causas multifatoriais:

> genética;
> desequilíbrio neuroquímico;
> doenças neurológicas;
> doenças endócrinas;
> estresse crônico;
> uso abusivo de substâncias;
> efeitos colaterais de medicamentos;
> rotina irregular.
Neurofisiologia do Sono

: déficits de atenção, memória, tempo de reação, raciocínio


lento.

: irritabilidade, labilidade afetiva, ansiedade, maior


vulnerabilidade à depressão.

: impulsividade, desmotivação, erros no


trabalho/estudo, baixo autocontrole.

: isolamento, conflitos interpessoais, prejuízos no desempenho


acadêmico e profissional

: aumento de cortisol, imunossupressão, maior risco de


obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares.
Materiais para estudos
Universidade Estadual Paulista. Departamento de Fisiologia — “Ritmos biológicos”.
Disponível em: [Link]

Cleveland Clinic. “Circadian Rhythm”.


Disponível em: [Link]

National Center for Biotechnology Information. Patel, AK. “Physiology, Sleep Stages”.
Disponível em: [Link]

Cleveland Clinic. “Sleep basics”.


Disponível em: [Link]

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