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Chão da Escola: Espaço Pedagógico Eficaz

O estudo analisa a importância do ambiente escolar, especialmente o chão da escola, como um espaço pedagógico que impacta positivamente o aprendizado dos alunos. A pesquisa enfatiza que um ambiente bem estruturado e organizado pode estimular a interação social e o engajamento dos estudantes, promovendo atividades lúdicas e colaborativas. Assim, o espaço escolar deve ser visto não apenas como infraestrutura, mas como um local que favorece a aprendizagem e as relações sociais.
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Chão da Escola: Espaço Pedagógico Eficaz

O estudo analisa a importância do ambiente escolar, especialmente o chão da escola, como um espaço pedagógico que impacta positivamente o aprendizado dos alunos. A pesquisa enfatiza que um ambiente bem estruturado e organizado pode estimular a interação social e o engajamento dos estudantes, promovendo atividades lúdicas e colaborativas. Assim, o espaço escolar deve ser visto não apenas como infraestrutura, mas como um local que favorece a aprendizagem e as relações sociais.
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DIÁLOGOS POSSÍVEIS

ISSN 2447-9047
VOLUME 24, Nº 1 – JAN/JUN 2025
Pág: 36-52

O CHÃO DA ESCOLA COMO ESPAÇO PEDAGÓGICO: UMA ANÁLISE


MULTIDISCIPLINAR

THE SCHOOL FLOOR AS A PEDAGOGICAL SPACE: A MULTIDISCIPLINARY


ANALYSIS

Gilmar Barbosa dos Santos Filho1


Edeson dos Anjos Silva2
Rogério Drago3

Resumo

Este estudo intitulado “O Chão da Escola como Espaço Pedagógico: Uma Análise
Multidisciplinar” demonstra como o ambiente escolar é essencial para o desenvolvimento dos
alunos, visto que eles passam a maior parte do tempo nesse local. Portanto, é imprescindível que
o ambiente seja organizado e planejado de forma adequada. Um ambiente pedagógico bem
estruturado tem um impacto positivo no processo de ensino-aprendizagem, refletindo no
desempenho dos alunos tanto dentro quanto fora da escola. Por essa razão, o presente estudo se
propõe a investigar o uso do espaço do chão da escola como um ambiente pedagógico, explorando
como essa abordagem pode beneficiar a aprendizagem dos alunos. Além disso, é analisado como
o design desse espaço pode ser adaptado para promover o engajamento e o aprendizado desses
indivíduos, por meio de atividades lúdicas, colaborativas e personalizadas. Assim, é crucial
enfatizar que o espaço escolar não deve ser apenas uma infraestrutura física, mas sim um local
onde a aprendizagem é produzida e as relações sociais são estabelecidas, capaz de estimular
ideias, despertar o interesse pela aprendizagem e proporcionar um ambiente alegre, agradável e
confortável para os alunos.

Palavras Chave: Chão da escola. Espaço pedagógico. Ensino aprendizagem.

Abstract
The school environment is essential for the development of students, since they spend most of
their time there. Therefore, it is essential that the environment is properly organized and planned.
A well-structured pedagogical environment has a positive impact on the teaching-learning
process, reflecting on students' performance both inside and outside the school. For this reason,
the study aims to investigate the use of school floor space as a pedagogical environment, exploring
how this approach can benefit students' learning. In addition, it is analyzed how the design of this
space can be adapted to promote student engagement and learning, through playful, collaborative
and personalized activities. Thus, it is crucial to emphasize that the school space should not be
just a physical infrastructure, but a place where learning is produced and social relations are
established, capable of stimulating ideas, interest in learning and providing a cheerful, pleasant

1
Mestrando em Letras pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC). E-mail: gilmarbfilho02@[Link]
2
Doutorando em Educação pela Universidade Federal do Espírito Santos (UFES). E-mail:
[Link]@[Link]
3
Pós-Doutorado em Educação PPGE – UFES. Professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E-mail:
[Link]@[Link]
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and comfortable environment for students.

Keywords: School floor. Pedagogical space. Teaching learning.

INICIANDO O DIÁLOGO…
Este estudo procura desvelar o quanto é importante e fundamental um ambiente escolar adequado
à aprendizagem, visto que se refere ao local de convívio diário onde os estudantes, na maioria,
passam seu tempo. Dessa maneira, quando a criança ou o adolescente tem a oportunidade de estar
em um espaço organizado e planejado, haverá o estímulo positivo, muitas vezes, em seu processo
de ensino de aprendizagem e desenvolvimento, dado que, reflete essencialmente no seu
aproveitamento e desempenho tanto dentro, quanto fora do âmbito escolar.
Sendo assim, é necessário estabelecer pontes que conectam o fazer pedagógico e a infraestrutura
escolar, para que bons desempenhos sejam notáveis no percurso educacional desse aluno.
Segundo Lima, Pinto e Nascimento (2010) a escola motiva nos alunos múltiplos interesses sócio-
educativos, uma vez que, a estrutura física das instituições instiga não somente as habilidades
cognitivas e motoras, como a interação em meio aos alunos, a fim de avivar o convívio social
entre eles.
Ademais, ressaltam que o espaço da escola não deve ser visto apenas em seu sentido enquanto
infraestrutura, mas que seja um lugar onde ocorra a produção de aprendizagem e as relações
sociais se estabeleçam. Desse modo: “o espaço tem que gerar ideias, sentimentos, movimentos no
sentido da busca do conhecimento. Tem que despertar interesse em aprender, além de ser alegre,
aprazível e confortável” (FUNDESCOLA/MEC, 2006, s/p).
Por essa razão, o presente estudo possui como objetivo investigar como o chão da escola pode ser
usado como espaço pedagógico e de que modo essa abordagem pode beneficiar a aprendizagem
dos estudantes. Para tanto, será necessário investigar como a utilização do chão da escola
enquanto espaço pedagógico pode influenciar a interação social entre os estudantes; analisar de
que forma o design do espaço do chão da escola pode ser adaptado para promover o aprendizado
e o engajamento do alunado e examinar como o desenvolvimento de atividades lúdicas,
colaborativas e personalizadas propicia a aprendizagem significativa dos discentes.
Este estudo de revisão de literatura tem como aportes teóricos pesquisadores que discutem em
suas pesquisas a respeito do espaço escolar no sentido de infraestrutura e enquanto âmbito
pedagógico, como apontam Bassedas (1999) e Cunha (2013) ao afirmarem que a escola deve ser
um ambiente harmonioso para as relações humanas e, em detrimento disso, reflete de forma
positiva no processo de ensino aprendizagem do estudante e em toda sua construção escolar, em
estimular as suas destrezas, inquietá-lo diante as provocações, ampliar os elos de comunicação e
suas relações sociais.
Ao seguir esse pressuposto, fundamenta-se a proposta desta pesquisa em buscar compreender que
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o chão da escola é um espaço pedagógico influente e relevante, embora seja subestimado, visto
que pode contribuir significativamente para a aprendizagem dos estudantes.
A falta de boas condições de infraestrutura de uma escola pode interferir de forma direta nos
resultados do processo de ensino-aprendizagem do educando, visto que, é primordial que este
espaço oferte à sua comunidade um ambiente acolhedor, dinâmico e que, principalmente, seja um
lugar em que o aluno tenha a liberdade de partilhar as suas experiências, vivências, aprender com
a escuta do outro e estabelecer pontes para um ensino efetivo e de qualidade.
Nesse sentido, vale destacar a importância de traçar estratégias para conceber o chão da escola
como um espaço pedagógico, a título de exemplo, a realização de oficinas e jogos atrelados aos
conteúdos da disciplina em que o professor desenvolve em suas aulas, pois quando há a interação
e engajamento de toda a turma, os empecilhos são minimizados e a sala de aula passa a ser
concebida como um lugar em que é possível vivenciar diversos universos seja passear pelos
biomas brasileiros, a formação de palavras da língua portuguesa, gírias e expressões em inglês e
uma infinidade de conteúdos em que é possível transitar mediante propostas que possibilitem (re)
construir o chão da escola, enquanto espaço físico e de aprendizagem. Portanto, para corroborar
com essa análise, Beltrame e Moura (2009, p.14) expõem que:

É importante pensar no conforto do ambiente em relação ao espaço físico de cada escola.


Elementos como acústica, temperatura, distribuição da mobília em sala de aula, pátio
escolar, biblioteca, quadra e outros são relevantes para formação do aluno. Os fatores
externos podem contribuir ou retardar o processo de ensino-aprendizagem dependendo
da natureza de cada elemento.

Ao seguir essa linha de raciocínio, compreende-se que a infraestrutura escolar é essencial para
estimular e viabilizar o aprendizado do educando, bem como favorecer as interações, como
salienta Neto et al. (2013). À vista disso, podemos inferir que quando a escola propõe-se a
reconstruir o seu chão, seja em melhorias quanto à infraestrutura ou ao traçar estratégias
pedagógicas para alcançar um aproveitamento da aprendizagem de qualidade, logo é possível
constatar que o cenário onde havia questões de mau comportamento, desinteresse, frustração, falta
de vontade em se dedicar aos estudos, dentre outros aspectos que estavam associados a esta
relação dialógica aluno-aprendizagem alcança níveis significativos de progresso tais como
melhora no rendimento, foco, concentração, interação e bom comportamento são os reflexos das
intervenções realizadas no chão da escola que, agora, se torna um espaço pedagógico
multidisciplinar.

DESVELANDO O AMBIENTE ESCOLAR

Cada escola apresenta uma estrutura física diferente e, por essa razão, é possível adaptar estes
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lugares consoantes às necessidades educativas que cada espaço apresenta. Ao seguir essa ótica,
estar em uma escola que nos traz a sensação de bem-estar e acolhimento é propício tanto aos
professores, quanto aos estudantes, visto que se o espaço for pequeno, com pouca iluminação e
não acolhedor é possível gerar "apatia, agressividade, nervosismo e uma sensação de incômodo
nas crianças" (BASSEDAS, p. 106, 1999).
Por essa lógica, o espaço pedagógico deve ser um ambiente escolar harmonioso para as relações
humanas presentes naquele contexto, visto que, é essencial vislumbrar esse termo para além do
que compõem a sua infraestrutura, como paredes, cadeiras, mesas e materiais, mas concebê-lo
como um lugar que "estimula destrezas, provoca interrogações e comunica com as crianças.
Tornando-se, a par dos seus materiais constituintes, fortes recursos educativos" (CUNHA, p.5,
2013).
Nessa linha de pensamento, é primordial que o espaço pedagógico seja organizado em virtude de
oferecer acolhimento e segurança como condição básica para garantir uma escola que contemple
todas essas características e possa repercutir de forma positiva na vida dos estudantes. Dessa
maneira, o chão da escola deve ser o lugar onde todos os sujeitos que constituem este espaço possa
desempenhar seus respectivos papéis, sejam eles: o trabalho em equipe, ensinar, auxiliar,
conduzir, preparar refeições, realizar determinadas tarefas, dentre outras ações que ao se
integrarem constituem o chão da escola onde estamos inseridos.
À vista disso, quando há um espaço que estimula e apoia o crescimento e desenvolvimento das
crianças, a construção de aprendizagens é significativa e caminha em uma crescente, pois o
ambiente fala com as crianças e os adultos, transmitindo-lhes recordações, sensações, causa-lhes
segurança ou inquietação, desafiando e provocando, mas nunca lhes é indiferente (IGLESIAS,
1996). Por este motivo é fundamental adequar o espaço para as crianças que ali estão inseridas,
segundo as suas necessidades e interesses, pois dessa maneira haverá a diversidade presente neste
lugar ao proporcionar trocas de experiências e descobertas.
Sendo assim, o Ministério da Educação (BRASIL, 1997, p.89) declara que a escola seja um
"espaço vivo, onde a cidadania possa ser exercida a cada momento e, desse modo, seja aprendida,
fazendo com que os jovens se apropriem do espaço escolar e reforcem os laços de identificação
com a escola" para que dessa maneira o processo de ensino-aprendizagem seja pujante, dinâmico
e benéfico.
O chão da escola pode ser um espaço pedagógico valioso e subestimado, mas que tem como
função principal contribuir significativamente para a aprendizagem dos estudantes como, por
exemplo, colocar em prática, nas aulas, oficinas comuns, nas quais os estudantes têm a
oportunidade de trabalhar em equipe, brincar, jogar e aprender de forma lúdica e interativa neste
contexto. Além disso, há a possibilidade de não se restringir apenas à sala de aula, mas aos
corredores, o pátio e a quadra da escola. Pois, dessa maneira, é assim que concebemos uma
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definição mais próxima do que é o chão da escola, dado que, é entender que este chão permeia
um espaço que pode ser amplo, diverso, que permite os estudantes e o professor a se deslocarem
para outros espaços em um, ao utilizar a criatividade durante essa reconstrução do que é a escola,
enquanto espaço físico.
Por conseguinte, é fundamental analisar que através dessas propostas a ideia principal é promover
a diversidade e estimular as relações entre os estudantes e os professores, pois dessa forma, as
crianças aprendem a estabelecer suas relações, conviver com outros grupos e de outras idades e
também, não restringir ao alunado, mas entender aos professores, para "ampliar cada vez mais o
leque de possibilidades e propostas" (BASSEDAS, p. 106, 1999). Portanto, o chão da escola pode
ser usado para atividades físicas, jogos educacionais, locais de ação individual e em conjunto,
para que dessa maneira seja possível reconstruí-la como um espaço pedagógico centrado em
múltiplos saberes.

PERCURSO METODOLÓGICO

Considerando os ensinamentos de Boccato (2006, p. 266) a pesquisa bibliográfica:

“[...] busca a resolução de um problema (hipótese) por meio de referenciais teóricos


publicados, analisando e discutindo as várias contribuições científicas. Esse tipo de
pesquisa trará subsídios para o conhecimento sobre o que foi pesquisado, como e sob
que enfoque e/ou perspectivas foi tratado o assunto apresentado na literatura científica”.

Portanto, esse estudo se classifica como pesquisa bibliográfica de natureza qualitativa. Dessa
forma, esta pesquisa foi feita com base em um levantamento de periódicos nos últimos dez anos
(2013 a 2023) sobre o que estudiosos compreendem a respeito do chão da escola como um espaço
pedagógico, entendendo como estes espaços escolares se organizam para ofertarem uma educação
de qualidade e como aplicam as novas abordagens e metodologias para a construção do ensino-
aprendizagem eficaz mediante as necessidades e dificuldades presentes nestes âmbitos.
Nesse sentido, é fundamental realizar leituras pertinentes para a obtenção de informações e dados
relevantes para cada etapa da pesquisa, como direciona Salvador (1986):

a) Leitura exploratória: é realizada no início da pesquisa, com o objetivo de identificar os


principais temas e conceitos relacionados ao assunto em questão. Essa leitura é mais rápida e
superficial, visando uma visão geral do tema.

b) Leitura seletiva: é realizada após a leitura exploratória, quando já se tem uma ideia mais clara
do tema e dos principais conceitos envolvidos. Nessa etapa, o pesquisador busca informações
mais específicas, selecionando trechos de textos que sejam relevantes para o seu trabalho.
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c) Leitura analítica: é a leitura mais aprofundada e detalhada, realizada quando se quer


compreender de forma mais precisa um conceito ou trecho de texto. Nessa etapa, o pesquisador
realiza uma análise crítica do que foi lido, buscando entender melhor as ideias e argumentos
apresentados.
Então, após a realização dessas leituras, foi realizado o levantamento de informações relevantes
para a construção dessa pesquisa, investigando sobre o assunto pesquisado e as conclusões a
respeito do que as literaturas escolhidas apresentaram, pois dessa forma, houve contribuição no
desenvolvimento da pesquisa, elaboração do tema e no referencial teórico "para entender e
conhecer melhor o fenômeno em estudo" (SOUSA; OLIVEIRA; ALVES, 2021, p. 5).

O CHÃO DA ESCOLA ENQUANTO ESPAÇO PEDAGÓGICO: A INTERAÇÃO


SOCIAL ENTRE OS ESTUDANTES

A escola deve ser concebida como um espaço político-pedagógico (MENDONÇA;


ALBUQUERQUE, 2021) que está para além do que é preconizado em termos estruturais e
organizacionais, pois é fundamental refletir este espaço como um lugar em que são construídas as
relações humanas, onde há partilhas de saberes, vivências, afetos e, em especial da liberdade.
Nesse sentido é essencial que cada escola consiga vislumbrar e compreender as suas dificuldades,
atribuições e que consigam reconstruir a sua práxis mediante as necessidades identificadas, a fim
de se constituir uma "práxis transformadora, emancipatória" (MENDONÇA; ALBUQUERQUE,
2021, p. 23). A escola enquanto espaço pedagógico pode influenciar a interação social entre os
estudantes desde que exista a colaboração entre os seres que a concebem, tais como os/as
estudantes, educadores (as), famílias, gestores e demais funcionários e transformá-la.
A realização de novas intervenções pedagógicas no chão da escola é uma tarefa árdua e complexa,
mas que deve ser adotada pelos educadores tanto no âmbito escolar, quanto fora dela, visto que a
ideia de mudança, como propunha Paulo Freire é difícil, embora não impossível (FREIRE, 2007).
O chão da escola requer um comprometimento social, educativo e político com os sujeitos
constituintes desse espaço para oferecê-los a possibilidade de uma vida digna, decente, cujos
possam exercer sua cidadania de maneira responsável, ativa e consciente. Por essa ótica, as
transformações desses seres se dão através, principalmente, dos educadores e educadoras ao agir
de forma ética e pedagógica nos ambientes escolares "como agentes impulsionadores da
transformação individual e coletiva desses seres humanos que buscam na sala de aula, exatamente,
esse caminho que pode direcioná-los para uma vida mais digna e com cidadania" (MENDONÇA;
ALBUQUERQUE, 2021, p. 24).
A prática da dialogicidade nas escolas é fundamental para promover um ambiente de
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aprendizagem saudável e efetivo. Conforme aponta Paulo Freire, "o diálogo é uma necessidade
existencial" (1983, p.74). Ao promover o diálogo, os educadores podem ajudar os alunos a
desenvolver habilidades de pensamento crítico e aprimorar suas habilidades de comunicação.

É preciso e até urgente que a escola se vá tornando um espaço acolhedor e multiplicador


de certos gostos democráticos como o de ouvir os outros, não por puro favor mas por
dever, o de respeitá-los, o da tolerância, o do acatamento às decisões tomadas pela
maioria a que não falte contudo o direito de quem diverge de exprimir sua contrariedade.
O gosto da pergunta, da crítica, do debate (FREIRE, 1993, p.89).

Além disso, como assinala Bakhtin (2011), que a dialogicidade permite que diferentes vozes e
perspectivas sejam ouvidas e valorizadas. O diálogo é uma das formas que constituem a
linguagem. A interação deve ser constituída antes mesmo da formação individual daquele
indivíduo, pois é dentro deste diálogo que surgem os aspectos discursivos como: a linguagem,
sentido de texto e a significação das palavras. Essa abordagem pode ajudar a promover a
diversidade e a inclusão na sala de aula, permitindo que todos os alunos se sintam valorizados e
respeitados, dado que "o papel do educador é o de dialogar com os alunos, ajudando os mesmos
a desvelar o mundo, descobrirem coisas novas, aproximarem-se curiosamente perante o
conhecimento" (PRESTES; RODRIGUES, 2015, p.7). Em função disso, Segundo Arendt (2014):

Na medida em que a criança não tem familiaridade com o mundo, deve-se introduzi-la
aos poucos a ele; na medida em que ela é nova, deve-se cuidar para que essa coisa nova
chegue à fruição em relação ao mundo como ele é. Em todo caso, todavia, o educador
está aqui em relação ao jovem como representante de um mundo pelo qual deve assumir
a responsabilidade, embora não o tenha feito e ainda que secreta ou abertamente possa
querer que ele fosse diferente do que é (p. 239).

Não obstante, para que a prática da dialogicidade seja eficaz, é importante que os educadores
estejam abertos ao diálogo e sejam capazes de ouvir os alunos. Ao criar um ambiente de diálogo
aberto e honesto, os educadores podem ajudar a cultivar a empatia e a compreensão mútua entre
eles, promovendo um ambiente de aprendizagem mais colaborativo e produtivo.
Diante dessas questões é fundamental colocar em prática alguns aspectos indispensáveis em nosso
atuar docente, "como paciência pedagógica, atitude política, capacidade de intervenção e
compreensão" (MENDONÇA; ALBUQUERQUE, 2021, p. 27) para que consigamos provocar as
mudanças e transformações necessárias frente a esses dilemas do chão da escola voltados à
interação social entre os estudantes. À vista disso, a escola deve ser o lugar dessas discussões, ao
promover um diálogo crítico e reflexivo, pois não sabemos de tudo e este deve ser um lugar de
(re) construção diária, um espaço onde se ensina e é ensinado; há a troca de vivências e
experiências que acontecem no chão da escola e além dos seus muros, pois são "as infinitas
possibilidades de troca de saberes que se concretizam pelo diálogo através da interação humana”
(MENDONÇA; ALBUQUERQUE, 2021, p. 28).
Nesse liame é fundamental que o professor observe as vozes que são proferidas no chão da escola,
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dado que, “há muitas vozes silenciadas! E há outras vozes sem ecos, ou seja, com som pouco
claro, apenas rumor” (ORRÚ, 2017, p. 77). Quando refletimos a respeito da relação que os
estudantes têm com a escola, notamos que está além das especificidades da disciplina que o
professor ministra em sala de aula, mas conseguimos vislumbrar as singularidades que estão
imbricadas nessa relação dialógica entre o fazer pedagógico e o envolvimento dos estudantes para
com o espaço escolar, pois o estar na escola perpassa a sala de aula diária, se dá em todo o
ambiente educacional em que estes sujeitos ocupam, sendo que “a aprendizagem se re-inventa
sempre, pois não está confinada a um local apropriado (escola) para se aprender, ao contrário, ela
se arranja nos diversos espaços de aprendizagem (todos os locais)” (ORRÚ, 2017, p. 65). Por essa
razão, que nós, enquanto educadores, devemos compreender a tamanha multiplicidade de vozes
propagadas no chão da escola que muitas vezes não ecoam, apenas habitam ali, sem propulsão e
cabe a nós, redirecionar o olhar também a elas, pois a aprendizagem não precisa ser
necessariamente composta em caixinhas, organizadas, mas deve estar voltada à realidade das
turmas que se fazem presentes nestes lugares. A despeito disso é essencial oportunizar outras
vivências, outras formas de se aprender que contemplem as singularidades dos alunos que
compõem as turmas, até por que:

A aprendizagem não é algo formalmente organizada, mas sim constituída por vivências,
por processos providos com a presença de um outro (o professor, o colega, o familiar, o
amigo, o desconhecido...) e também conosco mesmos, sem a presença física de outrem
(ORRÚ, 2017, p. 65).

Por isso, é necessário que o educador amplie seu horizonte desde a elaboração do planejamento
até a condução da aula, pois o fazer pedagógico não deve ser limitado e habitualmente retornar ao
que é tradicional e simplista. Em razão disso, é fundamental dispor aos estudantes o momento de
escuta, de acolhida, de valorizar as experiências que eles já possuem, pois “sabe-se que ao
ingressar na escola, o aluno possui um saber espontâneo, adquirido nas experiências vividas em
diferentes situações e espaços sociais” (SFORNI; GALUCH, 2006, p.6).
Assim sendo, é imprescindível ouvir, acolher e amplificar as múltiplas vozes que estão presentes
dentro da sala de aula, pois ainda existem vozes que não ecoam porque são silenciadas. Escutar é
um dos pilares fundamentais para que se constitua a inclusão, pois é no ouvir as diversas vozes
que o professor aprende a conviver com as diferenças; com a pluralidade; a entender a
singularidade do Outro4; de perceber que cada estudante tem uma realidade, experiências,
vivências e um saber já existente para que quando todos esses aspectos estiverem intrínsecos

4
De acordo com Orrú (2017), o termo "Outro" é utilizado para se referir àquele que é diferente de nós e
que, muitas vezes, é excluído ou marginalizado pela sociedade. Para a autora, é importante considerar o
"Outro" como sujeito de direitos e respeitar suas diferenças, buscando promover a inclusão e a igualdade
social. Nesse sentido, Orrú destaca a importância da educação inclusiva como meio de valorizar a
diversidade e promover a cidadania plena para todos os indivíduos.
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ocorra à transformação dentro e fora da sala de aula, para que todos aprendam a incluir; auxiliar;
ouvir com atenção; falar com prudência e a vislumbrar outras perspectivas de saber e de mundo
diante as conjunturas existentes na sociedade e, assim, ainda mesmo crianças ou pré-adolescentes
já conceberam o senso crítico, visto que:
É no social que a inclusão se constitui, em meio às diferenças que a todo tempo se
diferenciam e não se institucionalizam. E é no espaço provocado pela inclusão que a
aprendizagem permanente e duradoura se torna possível não apenas para alguns, mas
sim para todos, sem ilusões de padrões uniformes, porém disforme em sua incompletude.
A inclusão provoca um outro espaço que não se encontra nas extremidades da ponte ou
das fronteiras, mas no entremeio, nas entrelinhas. (ORRÚ, 2017, p. 75).

Vale ressaltar também que o processo de inclusão não acontece apenas dentro da sala de aula, mas
fora dela também, visto que a criança percorre por todo o espaço escolar. Então, se os atores que
constituem a escola não se capacitarem para a acolhida dos estudantes, todas essas construções
não serão eficazes, pois o alunado necessita se sentir pertencente ao espaço, em razão de que “[...]
quando exigem comportamentos modelados, nada mais são do que instituições que satisfazem a
tendência da domesticação, do controle social, da fabricação do homo que não deve importunar a
sociedade, o Estado” (ORRÚ, 2017, p. 76).
E, em razão disso, na próxima seção, levantam-se algumas reflexões sobre o design escolar como
promoção do aprendizado e engajamento do alunado.

O DESIGN DO ESPAÇO ESCOLAR COMO PROMOÇÃO DO APRENDIZADO E


ENGAJAMENTO DO ALUNADO

A estrutura física da escola atua de maneira relevante no bem-estar e desempenho educacional do


sujeito, pois estes espaços educativos são incumbidos de diversos aspectos, como significados,
estímulos, conteúdos e valores do currículo (FRAGO; ESCOLANO, 2001) que de tal maneira
estabelecem suas normas e regras para atuarem neste ambiente.
Ao refletir a escola como eixo motriz no processo de ensino-aprendizagem dos estudantes, vale
ponderar a respeito da qualidade da infraestrutura que uma escola pode oferecer aos educandos.
Além disso, destacam-se outros indicadores pertinentes na composição de escola de qualidade,
como "a organização e gestão da escola, proposta pedagógica, qualidade do corpo docente, perfil
do aluno, até mesmo o tamanho das turmas, da escola e seus equipamentos" (FURLANI;
CARDOSO, 2020, p. 2). Portanto, é imprescindível compreender a relação dialógica entre a
arquitetura escola e o processo de ensino-aprendizagem dos estudantes para vislumbrarmos a
percepção deles quanto aos ambientes escolares que acessaram ou que estão inseridos, para que
dessa maneira suceda a promoção do aprendizado e engajamento do alunado frente às questões
discutidas.
Desse modo, a arquitetura escolar pode ser concebida como objeto facilitador da aprendizagem,
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dado que a partir da proposta pedagógica da escola e sua organização, a edificação escolar é um
elemento substancial para que os estudantes estejam engajados no processo de ensino-
aprendizagem. Vale ressaltar que recentemente há algumas transformações no ambiente físico das
escolas que se ampliam até as salas de aula ao abranger concepções pedagógicas que se deslocam
do que é preconizado tradicionalmente e, parte dessas mudanças, ocorrem onde estes espaços dão
um enfoque no aluno, o trazendo para o centro da aprendizagem e não somente como o sujeito
integrante que compõe a sala de aula.
De acordo com Barrett et al. (2019), é possível adotar uma abordagem centrada no aluno, a qual
argumenta que o professor, o espaço físico e a pedagogia, quando trabalhados em conjunto, podem
auxiliar o aluno a ultrapassar seu nível atual de desenvolvimento e alcançar um nível mais
avançado de habilidade. Diante dessas proposições, Campos (2020) dialoga a respeito da
arquitetura das escolas, visto que os espaços que apresentam
[...] uma arquitetura seriamente considerada são escolas que, além de alcançarem a
segurança, tornam-se ambientes amigáveis que motivam os alunos a aprender, os apoiam
em seu crescimento emocional e promovem compromissos sociais com a comunidade
(p. 9-10, tradução minha) 5.

Logo, quando a escola possui um ambiente amistoso e motivador de aprendizagem, os educandos


se engajam neste processo e passam a enxergar estes espaços com novos olhares e,
consequentemente, isso refletirá em seu desempenho, ao garantir a aprendizagem efetiva.
Um projeto escolar bem sucedido é definido por um ambiente que inclui luz natural de qualidade,
apoiada por iluminação artificial adequada; espaços de aprendizado móveis e autodirigidos,
projetados com o aluno como foco central; sistemas de ventilação natural; controle térmico e de
temperatura para garantir o conforto; uso ideal de cores no ambiente de aprendizagem; nível
apropriado de estímulos visuais; espaços flexíveis; boa acústica; e a minimização de sistemas
mecânicos complexos (RIBA, 2016).
Dessa maneira, podemos relacionar a aprendizagem com a neurociência sobre a maneira que o
cérebro humano associa as percepções e ações quando imbricados em três princípios separados:
da naturalidade, individualização e nível de estímulo (BARRET; BARRET, 2010). Características
fundamentais como conforto, temperatura, cor, luz, dentre outros fatores são responsáveis por
instigar a concentração da criança na sala de aula. É válido observar que esses aspectos refletem
nas condições do processo de ensino-aprendizagem do aluno, pois não somente a infraestrutura é
importante, quanto à disposição do ambiente em que se encontra, como a forma que a sala está
organizada, os materiais, se dispõe de recursos tecnológicos, as cores das paredes, o tipo de
assento, mesa, quadro, se há ventilação adequada, ou seja, esses aspectos devem ser analisados de

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"Taking into account the "educational" value of architecture can mark a future path to reinforce the
proactive dimension of resilience. Schools with seriously considered architecture are schools that, in
addition to achieving safety, become friendly environments that motivate students to learn, support their
emotional growth, and promote social commitments to the community" (CAMPOS, 2020, p. 9-10).
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maneira aprofundada a fim de entender o bem estar dos sujeitos que ocupam estes espaços, visto
que, deve ser um lugar centrado na criança. Portanto, se ela não está confortável e disposta nesse
ambiente, consequentemente, a sua aprendizagem não será eficaz.
Nesse sentido, Byers et al. (2018) através de uma pesquisa de Innovative Learning Environments
(ILEs), verificaram o efeito que diferentes layouts de sala de aula podem apresentar e constataram
que

Enquanto salas de aula convencionais possuem barreiras espaciais, layout rígido das
carteiras enfileiradas e didática centrada no professor. ILEs são espaços que removem
essas características, possibilitam espaços com layout policêntrico, com muitos pontos
focais, aliando ao uso de tecnologias digitais (FURLANI; CARDOSO, 2020, p. 6).

Portanto, em síntese, nota-se que há transformações significativas em escolas que utilizam os


layouts espaciais e isso reflete na postura que os estudantes podem conceber diante essas
modificações nos espaços em que atuam, embora, vale ressaltar que são mudanças pouco
significativas, conforme aponta Byers et al (2018) em sua análise, mas é relevante notar que
mesmo diante de um resultado mínimo, ainda assim, há um impacto que aos poucos pode ser
considerado como um progresso na educação e na maneira que vislumbramos as formas
organizacionais desses espaços pedagógicos para a promoção de uma aprendizagem ativa e
colaborativa.
Em função disso, salienta-se a respeito de abordagens tecnológicas no chão da escola e a
influência no aprendizado, visto que, com o advento da pandemia, o mundo adotou o formato de
ensino remoto e/ou híbrido para dar continuidade aos estudos dos educandos ao redor do mundo
diante o Coronavírus. Assim sendo, alguns estudos postulam alguns desafios do século XXI que
envolvem as pedagogias aliadas à tecnologia, tal como, aprendizagem híbrida ou a sala de aula
invertida, para garantir a interação eficaz entre alunos e professores. Por conseguinte, quanto ao
ensino híbrido, ou blended learning, ou aprendizagem mista, tem se tornado uma opção cada vez
mais popular em instituições de ensino.
Como afirma Graham (2020, p. 288), "o blended learning é uma combinação estratégica e
intencional de diferentes modalidades de aprendizado, incluindo instrução presencial e online". A
combinação dessas modalidades pode permitir maior flexibilidade, personalização e eficácia no
processo de ensino-aprendizagem (TUCKER, 2012). Além disso, a tecnologia tem um papel
fundamental no blended learning, permitindo que os alunos acessem recursos educacionais online
e interajam com os colegas e professores de forma síncrona e assíncrona (PICCIANO, 2017).
Em síntese, algumas pesquisas apontam como ambientes alicerçados na tecnologia podem
garantir a promoção do aprendizado e engajamento dos educandos. Para isso é necessário que
enquanto educadores, consigamos ir além do que está proposto diante ao nosso campo de visão,
pois muitas vezes visualizamos as salas de aula com diferentes organizações ou um ambiente
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escolar pintado com cores vibrantes, com uma árvore dentro desse lugar, por exemplo, mas todos
esses aspectos não sustentam a ideia de que os sujeitos que constituem esses espaços estarão
engajados e voltados a um ensino - aprendizagem eficaz.
Às vezes, a dialogicidade entre o físico e o virtual podem garantir propostas pedagógicas que
assustem e descontrole o que já estamos acostumados, mas que na maioria das vezes é o que os
estudantes precisam e que nós professores também, para experienciar estar fora da nossa zona de
conforto para que haja o aproveitamento de todos os seres presentes no chão da escola.
Nesse seguimento, são propostas análises a respeito do desenvolvimento de atividades lúdicas,
colaborativas e personalizadas para a aprendizagem significativa dos discentes.

O DESENVOLVIMENTO DE ATIVIDADES LÚDICAS, COLABORATIVAS E


PERSONALIZADAS PARA A APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA DOS DISCENTES

A prática docente envolve a construção de práticas pedagógicas por meio de experiências e


possíveis acontecimentos da vida. Para cumprir essa prática, muitas vezes os professores adotam
o uso de jogos e atividades desenvolvidas por eles mesmos em suas aulas. Essas ferramentas são
uma jornada de autodescoberta e uma abordagem inovadora dentro do ambiente educacional, pois
fogem dos métodos convencionais e contemplam todos os alunos. Essas atividades representam
uma forma de desenvolver práticas pedagógicas que promovam uma aprendizagem significativa
para os alunos.

Todavia, é fundamental que o educador seja auxiliado a refletir sobre sua prática, a
organizar suas próprias teorias, a compreender as origens de suas crenças para que possa
tornar-se pesquisador de sua ação, um profissional reflexivo que, melhorando o seu
trabalho em sala de aula, recrie constantemente sua prática. (CAPELLINI; MENDES,
2007, p.116.)

Portanto, constata-se que é necessário partir de experiências para alcançar os objetivos essenciais
na prática pedagógica. Nesse sentido, é crucial estabelecer uma conexão entre teoria e a prática,
bem como estimular os estudantes a avistarem o aprendizado por meio de diferentes perspectivas.
É fundamental mostrar-lhes que o domínio das estruturas linguísticas é importante, porém não
devem se limitar apenas a elas. Dessa forma, é possível construir a base necessária para que os
alunos descubram que diversos saberes estão ao seu alcance, e que não é algo inatingível. A busca
por uma educação igualitária depende de um relacionamento mútuo entre professores, alunos e
escola.
Nesse ínterim, a busca por diversos saberes podem ser desbravadas pelas metodologias ativas,
que são abordagens educacionais centradas no aluno, que coloca o estudante no papel ativo de
construção do conhecimento. Essa metodologia envolve atividades práticas, debates, trabalhos
em grupo, projetos e outras formas de aprendizado que estimulam a participação e a colaboração
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dos alunos. Em vez de apenas receber informações, os estudantes são encorajados a pensar
criticamente e a aplicar o que aprenderam em situações reais, desenvolvendo habilidades
importantes como a resolução de problemas e a tomada de decisões.
Para que essas habilidades sejam aprimoradas é essencial que os educadores atuem de forma
colaborativa com os estudantes dialogando com as propostas pedagógicas ofertadas pela escola,
sobretudo isso requer transformações significativas no currículo destes espaços, engajamento e
envolvimento dos professores para que os alunos sejam estimulados a fim de atuarem de forma
veemente nas novas configurações de planejamento pedagógico, além da organização destes
espaços.
Vale ressaltar que a aprendizagem se torna mais significativa a partir do momento em que há uma
relação intrínseca entre professor e aluno no desempenho dessas tarefas, visto que, quando o
educador promove a escuta ativa e reflexiva dos estudantes para buscar compreender como eles
pensam e vislumbram os conceitos e conteúdos apreendidos na escola parte do princípio de
consultar o que os motivam, o que eles podem contribuir e quando há a partilha dessas
experiências, todos esses aspectos são peças fundamentais na construção de um ensino-
aprendizagem sólido, afável e que valoriza o escutar, sugerir, opinar e questionar, pois a escola
deve ser o local onde fomenta os estudantes a se tornarem seres autônomos, conscientes e críticos.
Nesse bojo, vale salientar a respeito do papel do professor mediante a essa aprendizagem
significativa, visto que, "se um professor une a competência intelectual, a emocional e a ética
causa um profundo impacto nos alunos" (MORAN, 2008, p.2), pois só o desenvolvimento de
atividades lúdicas e colaborativas não são suficientes para despertar o interesse nos estudantes,
mas é necessário que estes aspectos estejam alinhados ao perfil do professor para que o êxito no
processo de ensino-aprendizagem seja alcançado. Para tanto, técnicas de comunicação, a
valorização dos estudantes durante o processo de pré e pós planejamento são características
fundamentais que repercutem de forma positiva no chão da escola. Outrossim, vale salientar que
os alunos também demonstram interesse e engajamento nas aulas quando o professor busca trazer
novidades, que inove em suas técnicas e métodos no processo de condução de ensino-
aprendizagem.
Em decorrência disso, observa-se que não existe uma receita pronta para lidar com a forma de
proporcionar uma educação de qualidade aos educandos, há estratégias pedagógicas que podem
ser utilizadas no espaço escolar a fim de promover um ensino-aprendizagem que esteja além de
estruturas fixas e enrijecidas, como por exemplo, apenas o uso do quadro e livro didático, mas é
fundamental avistar novas formas de aprender e ensinar, como foi discutido ao longo deste estudo.
ALGUMAS CONSIDERAÇÕES POSSÍVEIS

Mediante o exposto, o chão da escola deve ser vislumbrado como espaço pedagógico, no sentido
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em que a educação neste lugar seja construído de forma acolhedora, afetiva e que possibilite o
alunado a compreendê-lo para além de suas estruturas físicas, com o propósito de enxergar toda
a sua multiplicidade que pode ser concebida a partir da práxis que for desenvolvida, a fim de
proporcionar aos estudantes a condução de um processo de ensino, aprendizagem e
desenvolvimento que abrange a pesquisa, o pensamento crítico, o uso de tecnologias, a
valorização da cultura, da arte, do cinema, dentre outros aspectos que sejam relevantes para a sua
formação, pois é dessa maneira que o chão da escola se torna um espaço multidisciplinar.
A multidisciplinaridade neste chão escolar deve ser visto como ponte para o sucesso pedagógico,
pois é dessa forma que a aprendizagem também se torna significativa, a partir do momento em
que o seio educacional desempenha uma comunicação acolhedora, aberta e afetuosa. Um lugar
onde os educadores demonstram a valorização pelos conhecimentos que os estudantes possuem e
que vão adquirir ao longo de sua trajetória educacional, que incentivam e buscam estabelecer
conexões entre a teoria e a prática para que desse modo o processo de ensino-aprendizagem tenha
êxito.
Em suma, conclui-se por ora podemos considerar que o chão da escola não deve ser uma estrutura
enrijecida ou imutável, mas sim, mutável e volátil onde possibilita que os seres constituintes
destes espaços os ressignifique, explorem novos contextos, cotidianos e histórias para que dessa
maneira, construam saberes com base em suas vivências, pois é pertinente vislumbrar que a escola
é uma das múltiplas extensões do saber e que através dela há outros que podem ser desbravados
para que haja a promoção de um espaço pedagógico pujante e plural.

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