Ciência Política para Administração
Ciência Política para Administração
POLÍTICA
PARA
O CURSO DE ADMINISTRAÇÃO
Ailton Guimarães
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Mestre em Economia de Empresas pela UCB - Universidade Católica de Brasília; Especialista em Finanças
pela UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina e Especialista em Controladoria pela Faculdade
Tibiriçá/SP.
SUMÁRIO
CAPITULO I
1. Introdução
O estudo da ciência política permite-nos conhecer o exercício e organização do poder em uma
sociedade. Além disso, através desta ciência social, podemos ver como acontece a distribuição e transferência
de poder em processos de tomada de decisão.
Estes processos de distribuição e transferência de poder envolvem, normalmente, interesses contraditórios, e a
ciência política é o veículo apropriado para entendermos estes processos.
A ciência política faz parte das ciências humanas, pois analisa o Estado, a soberania, a hegemonia, os
regimes políticos, os governos, as linhas históricas destas partes da política nos países desde a antiguidade até
hoje e a influência que têm sobre a sociedade incluindo as Relações internacionais. É frequentemente um
exemplo aplicado na Teoria dos jogos e sob este prisma podemos avaliar os ganhos - como o lucro privado de
pessoas ou das empresas ou da sociedade (o desenvolvimento econômico) - e as perdas - como o
empobrecimento de pessoas ou da sociedade (Corrupção política) - como resultados de uma luta ou de um jogo
em que existem regras não explícitas que a pesquisa deve explicitar.
A ciência política tem relação com diversos campos do conhecimento, como os sistemas políticos,
ideologia, teoria dos jogos, economia política, geopolítica, análise de políticas públicas, relações internacionais,
análise de relações exteriores, estudos de administração pública e governo, processo legislativo e outros.
2. Definição
O termo ciência política foi cunhado em 1880 por Herbert Baxter Adams, professor de História da
Universidade John Hopkins. Significa o estudo da política.
Mas o que é política?
Segundo Dias (2011), a definição do termo política foi dada pelos gregos. Este povo vivia em cidades
ou estados conhecidos como polis. Do termo polis vem os adjetivos "politiké" (política em geral) e "politikós"
(dos cidadãos, pertencente aos cidadãos).
Ainda segundo Dias, o termo política é usado também para representar uma atividade ou conjunto de
atividades que tem como referência a polis ou, em outras palavras, o Estado.
Max Weber, citado por Dias (2011), diz que o conceito da palavra política é bastante amplo e
abrangente. O termo pode ser usado para indicar a política de desconto de um banco, política de greve de um
sindicato, política da diretoria de uma associação e, até, da política de uma esposa para controlar o marido. Para
Weber, política é o conjunto de esforços feitos com vistas a participar ou influenciar a divisão do poder.
Política também significa a arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou
Estados. Nesse sentido temos a política interna - aplicação desta ciência aos negócios internos da nação - e
política externa - referente aos negócios externos.
2.1 Outros significados
No sentido mais simples, política representa a arte de guiar ou influenciar o modo de governo pela
organização de um partido político, pela influência da opinião pública, pela aliciação de eleitores.
Para Hobbes, política consiste nos meios adequados à obtenção de qualquer vantagem. Já Rousseau,
ensina que política é o conjunto dos meios que permitem alcançar os efeitos desejados. Enquanto que para
Maquiavel, política é a arte de conquistar, manter e exercer o poder, o governo.
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Política pode ser ainda a orientação ou a atitude de um governo em relação a certos assuntos e
problemas de interesse público: política financeira, política educacional, política social, política do café com
leite.
Dos diversos significados podemos inferir que política pode ser entendida como tudo aquilo que
acontece nas relações sociais e que envolve poder. Sendo assim, os conceitos mais apropriados para o nosso
curso são:
1) Política é a arte ou ciência da organização, direção e administração de nações e Estados;
2) Política é o conjunto de esforços feitos com vistas a participar ou influenciar a divisão do poder.
Dessa forma, podemos relacionar a política e suas aplicações nos negócios privados (empresas) e
reescrever: Política significa a arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados e
empresas.
e) Aquisição de legitimidade: A legitimidade é o meio pelo qual os líderes de um sistema político procuram
transformar sua influência em autoridade. A legitimidade pode ser conseguida por meio da força, mas também
por meio da convicção.
f) Desenvolvimento de uma ideologia: Ideologia é um conjunto de doutrinas (princípios). Nos sistemas
políticos, normalmente os líderes procuram desenvolver ou adotar uma ideologia para legitimar sua liderança.
g) Impacto de outros sistemas políticos: O comportamento de um sistema político é, em geral, influenciado pela
existência de outros sistemas políticos.
h) Influência da mudança: O comportamento de um sistema político é, em geral, influenciado pela existência de
outros sistemas políticos.
4.1 Os sofistas
Os primeiros mestres ou especialmente o primeiro grupo de pensadores políticos foram os sofistas.
Sofística era originalmente o termo dado às técnicas ensinadas por um grupo altamente respeitado de
professores retóricos na Grécia antiga. Protágoras, Górgias e Prodico foram os principais expoentes deste grupo
de pensadores que defendia a ideia de que o homem é a medida de todas as coisas e que cada indivíduo podia
definir, de acordo com suas crenças, o que era direito.
Esta ideia expressa o sentido de que o ser humano não deve adequar-se aos padrões estabelecidos sem
contestação, mas sim moldar-se segundo a sua liberdade.
Os sofistas são considerados os primeiros advogados do mundo, pois cobravam de seus clientes
(discípulos) para efetuar suas defesas, dada sua alta capacidade de argumentação.
4.2 Platão
Platão é considerado um dos primeiros filósofos políticos. As ideias de Platão sugerem que as pessoas
devem se sujeitar a um governo composto dos melhores indivíduos.
Platão considerava que a política como a arte de tornar os homens mais justos e virtuosos.
Sua obra mais importante é “A república” (Escreveu também “O político e As leis”) onde defende que a
autoridade governamental tem que estar associada à cultura e ao conhecimento mais amplo, e que o filosofo
deve ser o homem de Estado.
4.3 Aristóteles
Aristóteles foi discípulo de Platão. Entretanto, difere bastante do mestre no que diz respeito ao método e
os pontos de vista sobre o sistema político.
Aristóteles defendeu a ideia de que a ciência política tem como principal objetivo a busca do bem estar
comum. Neste sentido, o Estado é o meio adequado para satisfazer as necessidades intelectuais e morais dos
homens. Somente através do Estado o homem poderia alcançar seus fins essenciais. Para ele o homem era um
animal político (zoon politikón). Fora da vida social o homem seria considerado uma besta.
Para Aristóteles cada indivíduo teria sua função no Estado segundo suas aptidões. Assim, os homens
aptos para governar seriam aqueles dotados de altas condições espirituais. Os que tinham somente vigor físico e
pouca cultura não poderiam governar. Desta forma a escravidão seria útil e benéfica para todos.
Segundo Aristóteles há uma diferença clara entre Estado e governo. O Estado é representado pelo total
dos cidadãos, enquanto o governo é o exercício daqueles que, ocupando os postos públicos e detendo o poder,
ordenam e regulam a vida dos outros.
5. Maquiavel
Além dos clássicos gregos muitos autores contribuíram para o desenvolvimento da ciência política. No
entanto, cabe destacar os ensinamentos Nicolau Maquiavel.
A partir de sua obra “O Príncipe” a política passa a ser entendida como um conjunto de técnicas, táticas
e estratégias em função do poder.
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6. Karl Marx
Marx também dá uma importante contribuição à teoria política com sua visão materialista da história.
Para Marx, os fatores econômicos determinam as mudanças na vida das pessoas.
7. Os contratualistas
Hobbes, Locke e Rousseau também são importantes fontes de estudo de política, principalmente no que
se refere a constituição do Estado.
Bibliografia
Dias, Reinaldo. Ciência Política. São Paulo: Editora Atlas, 1ª ed. 2011.
“Se você deseja uma descrição de nossa era, eis aqui uma: a civilização dos meios sem os fins; opulenta
em meios para além de qualquer outra época, e quase para além das necessidades humanas, mas esbanjando-os
e utilizando-os mal porque não possui nenhum ideal soberano; um vasto corpo com uma alma esquálida.” R. W.
Livingston, 1880-1960 - Escritor inglês
O conhecimento e a prática da ciência política nos dias atuais é imprescindível e insubstituível. Nenhum
profissional deveria se abster, sob qualquer justificativa, de exercer os seus deveres de cidadãos em todos os
instantes de sua vida. E, mais importante ainda, nenhum profissional, por mais preparado que seja, deveria
assumir uma posição de liderança se não a conhecesse e a dominasse em profundidade.
A ausência desse conhecimento e de sua prática no dia-a-dia de suas atividades é a responsável pelo
avanço dos maus políticos e das políticas governamentais comprovadamente equivocadas.
Eis alguns dos motivos:
1 - O homem é um ser eminentemente político. Portanto, o profissional que não se ocupa do estudo e da prática
da ciência política, já tomou a decisão política de que gostaria de ter-se poupado: serve a classe política
dominante e contribui para a proliferação e avanço de pseudo líderes – governantes despreparados, populistas e
corruptos.
2 - A intervenção dos governantes em todos os campos das atividades humanas. Nesse caso, quando tremendos
poderes se concentram nas mãos de alguns poucos políticos e nenhum profissional é capaz de compreender as
consequências desastrosas dessa tendência, a sociedade está prestes à mergulhar num sistema ditatorial sem que
ao menos percebam. [...]
3 - A maioria absoluta dos brasileiros jamais leu ou estudou a constituição de seu país. São cidadãos cegos e
fáceis de serem manipulados. Eles não sabem quais são os seus verdadeiros deveres e direitos constitucionais.
E, por não saberem quais são eles, se tornam cidadãos de terceira categoria e sujeitos a serem influenciados e
governados por políticos corruptos, despreparados, mentirosos e populistas.
4 - O Brasil está enterrando rápida e sorrateiramente todos os seus valores, se é que eles existiram algum dia ao
longo de sua história republicana. A avaliação internacional do povo brasileiro, na questão de ser capaz de
perceber a corrupção, e de se insurgir contra ela, chega a ser constrangedora e vergonhosa para homens e
mulheres com princípios éticos e morais. [...]
5 - É um erro muito comum entre os cidadãos de acreditar que aqueles que fazem mais barulho ao se lamentar a
favor do público sejam os mais preocupados com o seu bem-estar. Na verdade, a maioria deles se vale da causa
alheia para defender, proteger e manter os seus interesses pessoais e mesquinhos. R. Hooker, teólogo anglicano,
1554-1600, “Of the Laws of Ecclesiastical Polity”, I, 1, escreveu: “Quem tenta convencer uma multidão de que
ela não está sendo tão bem governada como deveria, nunca deixará de ter ouvintes atentos e favoráveis.”
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6 - Aqui, vale lembrar as sábias palavras do político alemão e o grande líder da resistência alemã ao nazismo,
Konrad Adenauer, 1876-1967, “É muito importante que a tarefa da oposição seja exercida por um grande
partido, fixado em bases democráticas”… Considero que uma boa oposição num parlamento seja uma
necessidade absoluta; sem uma oposição realmente boa, cria-se acescência e esterilidade. Infelizmente, no
Brasil não há oposição e, mais triste ainda, o Congresso Nacional se tornou um grande balcão de negócios e
Brasília, um grande shopping center de barganhas políticas fétidas.
À luz dessas considerações, qual o caminho proposto às empresas e aos seus profissionais?
Primeiro – Colocar os holofotes sobre os reais problemas do país que são bem diferentes dos comumente
propalados pelos governantes na televisão. Estamos muito mal colocados no ranking de desenvolvimento
humano e qualidade de vida e assistimos passivamente a deterioração, obsolescência e desindustrialização do
país, enquanto outros países estão se desenvolvendo rapidamente.
Segundo – Promover a valorização da educação e do conhecimento em todos os níveis sociais como únicas
fontes de emancipação da mente. Quem leu a entrevista dada pelo reitor da Universidade de São Paulo à revista
Veja, 27 de outubro de 2010, deve ter ficado assombrado como algumas de suas afirmações: “Nossas
universidades ainda são medievais perto das novas exigências;” “O ensino superior no Brasil está hoje em nível
semelhante ao dos Estados Unidos um século atrás,” entre tantas outras.
Terceiro – Empresários e executivos deveriam promover em suas empresas cursos sobre a ciência política, a
fim de afastar de seu meio a ignorância, a influência de líderes sindicais corruptos, autoritários, truculentos e
sem nenhum compromisso com a democracia.
Quarto – Empresários e executivos não deveriam ficar passivos diante dos discursos demagógicos de líderes
políticos e sindicais que pregam um socialismo barato e de fachada. E, além disso, atribuem todos os males da
sociedade moderna ao capitalismo. É bom frisar, não existe desenvolvimento, progresso, inovação e
sustentabilidade sem riqueza. [...]
Quinto – Promover a competição entre todos os setores da economia é vital para o desenvolvimento do país. A
sociedade não pode continuar pagando impostos para pagar salários e benefícios a uma classe de profissionais
que pouco contribui para o aprimoramento das instituições públicas e dos serviços que prestam. Estão
aparelhando o estado e inchando a máquina do governo e ela se apresenta cada vez mais ineficiente. Mas
poucos falam contra esse desmando. Continuamos como nos dias do jurista Rui Barbosa a procurar os cargos
para os homens e não os homens para os cargos.
O melhor exemplo que encontrei na história foi dado pelo general Robert Wood Johnson, ex-chefe 021
Officer da Johnson & Johnson, que diante dos problemas que assolavam os Estados Unidos em seus dias,
implementou em sua organização, na década de quarenta, um programa de consciência e preparo político para
todos os seus colaboradores. A sua premissa era: “No man in business can be successful unless he has some
knowledge of practical politics.” (Nenhum homem poder ser bem sucedido no mundo dos negócios a menos
que tenha algum conhecimento prático de política)
O homem e a máquina
Cristiane Mano - São Paulo – Revista Exame – Edição 1.005 – 30.11.2011. pág. 48
Mesmo para os padrões brasileiros, poucas vezes na história os políticos causaram tanta repulsa — mais
do que justificada, diga-se — quanto agora. A sequência de escândalos de corrupção já derrubou cinco
ministros da presidente Dilma Rousseff, o sexto está cada vez mais enrolado em suas próprias mentiras e,
agora, a bolsa de apostas se sofisticou — especula-se não somente quais os próximos da lista mas também a
ordem com que seguirão para o cadafalso.
Brasília nunca mereceu tanto a alcunha de ilha da fantasia, um lugar onde uma minoria parece conspirar
diariamente para sugar o dinheiro de quem trabalha. Tudo, lá, opera a favor do “malfeito”, para usar uma
expressão cara à presidente. Temos quase 40 ministérios. Quase 1 milhão de pessoas trabalham para o governo
federal, das quais 20.000 são apadrinhadas nos chamados “cargos de confiança”.
O orçamento do governo federal é de invejáveis 2 trilhões de reais, o que faz do mandatário brasileiro
uma das pessoas que mais movimentam recursos em todo o mundo. Essa montanha de dinheiro circulando num
ambiente de pouca transparência, em meio a um sistema político sedento por recursos, só podia dar no que deu.
O Brasil é o 69º país mais corrupto da atualidade, segundo um ranking elaborado pela ONG
Transparência Internacional. Temos uma das maiores cargas tributárias do mundo — sem que isso se
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materialize em serviços públicos de padrão digno. No relatório mais recente do Banco Mundial, divulgado em
julho, o Brasil aparece na posição 136 entre 142 nações analisadas no quesito de qualidade de gastos do
governo.
O orçamento trilionário do governo é incapaz de financiar uma infraestrutura compatível com o tamanho
de nossa economia. A máquina pública brasileira suga muito e devolve pouco, dando um exemplo de
improdutividade e ineficiência que extrapola os limites das repartições, impõe travas ao crescimento e não serve
o cidadão.
Mais de 15 anos atrás, o Brasil conseguiu vencer a instabilidade econômica, com as consequências que
todos nós conhecemos. Agora, parece ser consenso que um novo salto do país só será possível se conseguirmos
vencer o enorme desafio da melhoria da gestão pública. “O Brasil que estabilizou a moeda e voltou a crescer se
vê obrigado, agora, a se tornar mais eficiente”, diz o cientista político Murillo de Aragão.
Hoje, o rosto que melhor personifica essa busca é o do empresário Jorge Gerdau Johannpeter. Durante
56 anos de trabalho na iniciativa privada, Gerdau ajudou a construir o 12º maior grupo empresarial brasileiro,
um conjunto de empresas ligadas à área siderúrgica espalhadas hoje por 14 países, com 45 000 funcionários e
um faturamento global de 37 bilhões de reais.
Sua trajetória e sua estatura como homem de negócios o colocaram na categoria de ministeriável.
Recusou todos os convites. No último deles, porém, a conversa tomou um rumo diferente. O diálogo se deu em
novembro do ano passado, num encontro a portas fechadas com Dilma, no escritório do governo de transição
no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília.
Durante a reunião, Gerdau rabiscou o esboço do modelo que poderia levá-lo à equipe da presidente. De
acordo com o modelo, Gerdau seria parte de uma espécie de conselho consultivo para projetos de melhoria da
gestão pública. “Anotei algumas ideias e ela pediu para ficar com o papel”, diz.
Ali surgiu o embrião do que se tornou, em maio deste ano, a Câmara de Políticas de Gestão,
Desempenho e Competitividade. Presidida por Gerdau, a câmara é formada por representantes do governo e do
setor privado. De um lado, estão quatro ministros — Gleisi Hoffmann, da Casa Civil, Guido Mantega, da
Fazenda, Miriam Belchior, do Planejamento, e Fernando Pimentel, do Desenvolvimento.
De outro, o ex-presidente da Petrobras Henri Philippe Reischtul, o presidente da Suzano Papel e
Celulose, Antônio Maciel Neto, e o empresário Abílio Diniz, presidente do conselho de administração do
Grupo Pão de Açúcar. Nenhum deles recebe remuneração pelo trabalho.
Há pouca coisa que une a rotina do Gerdau empresário à do Gerdau que circula por Brasília. À frente
dos negócios, suas decisões significavam execução. No governo é diferente. À frente da câmara, Gerdau não
tem autoridade para mudar o que bem entender.
Não pode demitir quem se recusar a seguir os planos ou premiar os melhores desempenhos nem tem
mandato para decidir livremente o escopo de atuação do grupo. O foco do trabalho da câmara foi definido por
Dilma ainda em 2010 e se concentrou nos ministérios da Saúde e dos Transportes, na Infraero e nos Correios.
Até agora, o grupo realizou sete reuniões oficiais no Palácio do Planalto — mas Jorge Gerdau já
participou de quase uma centena de encontros com ministros e secretários de governo para discutir a
importância e a necessidade de mudanças. Algumas medidas práticas, que contaram com o apoio de
consultorias como McKinsey, Accenture e o INDG, do especialista em gestão Vicente Falconi, já começam a
sair do papel.
Uma das metas mais ambiciosas está nos Correios — entre aumento de receita e corte de custos, os
ganhos previstos são de 1,5 bilhão de reais por ano. Os resultados, segundo os planos da câmara, começarão a
aparecer em 18 meses. Outro projeto busca formas de reduzir a burocracia para licitação e execução de obras
em rodovias e ferrovias.
“É um modelo inédito de cooperação que nos permite perseguir metas objetivas”, diz a ministra Gleisi
Hoffmann, uma das principais interlocutoras de Gerdau no governo. “A presidente Dilma tem acompanhado de
perto os resultados.”
Hoje, a câmara vale mais pelo simbolismo do que pelos resultados. Numa visão otimista, ela seria, antes
de mais nada, o reconhecimento de que mudanças precisam ser feitas, o primeiro passo para a ação. Não é
pouca coisa, mas também não é garantia de nada.
“No Brasil, o governo federal é o reino da rigidez”, diz o economista Raul Velloso, especialista em
contas públicas. “Executar mudanças expressivas nesse contexto é um trabalho heroico.” É evidente que
Gerdau sabe disso. A máquina que ele quer ajudar a trabalhar tem, sim, funcionários comprometidos.
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Mas também está impregnada de gente que, por interesses pessoais ou políticos, prefere que as coisas
continuem exatamente como estão. E elas vão resistir. Gerdau sabe, ainda, que o sucesso de seu grupo depende
da entrega de resultados nos próximos meses e anos — e do impacto que eles provocarão na opinião pública e,
consequentemente, no meio político.
“A burocracia é lenta. Exige paciência, insistência”, diz Gerdau. “Mas os resultados são tão grandes e
tão fantásticos que vale a pena insistir. Esse movimento pode mudar o Brasil."
Em 2007, estudos para a reestruturação do sistema de Previdência Social apontaram ganhos de até 50
bilhões de reais em quatro anos — num projeto que incluía um amplo esforço para acabar com as fraudes na
área. A proposta esbarrou em alas mais resistentes do governo e nunca foi levada adiante.
Um ano depois, outro projeto propôs a redução de 2 bilhões de reais de custos em diversos ministérios,
numa ação coordenada pela pasta do Planejamento. A meta também nunca foi atingida. “Temos uma tradição
de ministérios encastelados, que funcionam sob a lógica de um jogo de poder extremamente complexo”, diz
Aragão.
Tradução: para não perder apoio no Congresso, os presidentes costumam simplesmente deixar na gaveta
os projetos que confrontem a base aliada, instalada em ministérios loteados. Dilma fugirá dessa armadilha?
Uma conjunção de fatores, acredita Gerdau, pode tornar o momento atual mais favorável a mudanças.
Um deles, que facilitou o avanço da conversa com a presidente no final do ano passado, é a proximidade entre
os dois. Ambos se conheceram nos anos 80, quando Dilma ocupou a Secretaria Municipal da Fazenda de Porto
Alegre, no governo de Alceu Collares.
Mas foi entre 2003 e 2010, período em que ela presidiu o conselho de administração da Petrobras (do
qual Gerdau faz parte desde 2001), que os dois encontraram afinidades. “Tivemos uma relação muito próxima.
As reuniões eram mensais e duravam até 7 horas. Percebemos que tínhamos opiniões convergentes sobre temas
de gestão”, diz Gerdau.
O relacionamento evoluiu para um contato frequente — hoje, eles se falam pelo menos uma vez por
semana, pessoalmente ou por telefone. “Ela quer saber o tempo todo como está o andamento dos projetos, quais
são as dificuldades e está sempre pronta para resolver”, afirma Gerdau.
Um dos exemplos mais recentes diz respeito à burocracia na contratação de consultorias envolvidas nos
projetos — que quase sempre esbarram em lentos e ineficientes processos de licitação.
Segundo Gerdau, ao perceber o problema, Dilma decidiu fechar os contratos de maneira centralizada na
Presidência, num processo que exigiu um trâmite já aprovado na Procuradoria-Geral da União. “Há uma
evolução cultural em torno do tema da gestão pública”, diz o empresário. “Noto que as portas estão abertas para
avançar.”
Para os políticos, as portas se abrem na medida em que os votos se multiplicam. E esse talvez seja o
maior dos trunfos de Gerdau e seus companheiros. O choque de gestão promovido em Minas Gerais fez com
que Aécio Neves fosse eleito por duas vezes governador do estado e ainda fizesse seu sucessor, Antônio
Anastasia.
Em Pernambuco, outro estado a perseguir metas de eficiência, Eduardo Campos reelegeu-se com mais
de 80% dos votos válidos. É o que Jorge Gerdau chama de “contrato inteligente”. “Com resultados assim,
alguns começam a ver esses projetos como oportunidade, não como ameaça”, diz o conselheiro Antônio Maciel
Neto, presidente da Suzano.
Confiança mútua é fundamental para a lógica de interação desenvolvida por Gerdau. Nos projetos
estaduais e municipais, tornou-se praxe o acompanhamento dos resultados das mudanças — conduzido sempre
por um grupo de empresários envolvidos em suas metas desde o início.
É o que acontece há cerca de cinco anos em Pernambuco. As reuniões no estado ocorrem três vezes por
ano e reúnem seis empresários, entre os quais o próprio Gerdau.
“Prestamos contas dos resultados e aprendemos a acompanhar de perto o que acontece aqui dentro”, diz o
governador Eduardo Campos, que conseguiu dobrar a capacidade de investimento apenas com uma gestão mais
eficiente. Na câmara, a função dos conselheiros é reproduzir a mesma cultura de acompanhamento.
Os projetos pioneiros escolhidos por Dilma visam obter resultados rápidos, de modo a encorajar novas
iniciativas. Além disso, também vão aliviar situações emergenciais. Um deles, conduzido com a ajuda da
consultoria Accenture, busca reduzir o tempo de embarque e desembarque de passageiros no aeroporto de
Guarulhos, em São Paulo.
As medidas ainda estão sendo estudadas, mas deverão incluir alterações óbvias, como direcionar
passageiros barrados pelo detector de metais para uma fila separada, em vez de fazê-los atrasar a passagem dos
demais. Os primeiros resultados são esperados para dezembro.
Juntamente com a consultoria McKinsey, a câmara vem trabalhando na criação de uma nova
metodologia de acompanhamento de projetos do governo. A ideia é impor uma padronização das informações
prestadas e uma regularidade de prestação de contas em cerca de dez projetos prioritários, como a execução de
obras para a Copa do Mundo de 2014.
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O modelo é a delivery unit, criada pelo ex-premiê britânico Tony Blair no início dos anos 2000. Até
2002, entre 20% e 25% dos pacientes ingleses passavam mais de 4 horas nos prontos-socorros em hospitais e
centros de saúde — um percentual considerado alto demais.
Os projetos de definição de prioridades fizeram esse patamar baixar para apenas 4% em 2005. Os
ganhos chegaram a 44 milhões de libras por ano. Nas mãos do novo primeiro-ministro, David Cameron, a
unidade foi fechada no ano passado, o que evidencia outro desafio da gestão pública — a continuidade.
O verdadeiro teste
Quais as chances de Gerdau e seu time liderarem uma mudança cultural em Brasília? O lamentável
histórico brasileiro no terreno da gestão pública sugere cautela. Gerdau estima que um trabalho abrangente
realizado em todos os ministérios possa trazer ganhos de até 80 bilhões de reais nos próximos anos, mas ele
próprio admite que, por ora, seu escopo de trabalho é tímido.
Para alguns analistas, a Câmara poderá ter bons resultados em projetos isolados, mas o teste definitivo
só viria depois de enfrentar áreas mais pantanosas. É o caso do Ministério dos Transportes, em que as metas são
diminuir em até 70% o tempo de execução das obras do governo federal e cortar o desperdício de recursos em
30% num prazo de 24 meses.
Além da burocracia, a mudança nessa área deverá esbarrar em outros males arraigados. Boa parte da
cúpula do ministério foi demitida em julho após denúncias de superfaturamento e recebimento de propina.
Quem se dispuser a enfrentar os bandos que dominam feudos inteiros do governo terá de desmontar práticas
consolidadas no país desde a redemocratização.
Conseguirá Dilma trilhar um caminho diferente de seus antecessores na luta por apoio da classe
política? O Brasil está pronto para virar uma página e dar um salto na administração do dinheiro público?
Gerdau diz acreditar que sim — e a imensa maioria dos brasileiros espera que ele esteja certo. “Sabemos que
vai demorar”, diz Gerdau. “Mas para persistir é preciso manter o idealismo.”
Com reportagem de Alexa Salomão e Luiza Dalmazo.
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CAPITULO II
1. Introdução
No capítulo 1 iniciamos nosso curso de Ciência política, conhecendo
primeiramente a origem e o significado da palavra política. Embora no contexto atual,
quando ouvimos esta palavra geralmente fazemos uma associação negativa, ela significa a
arte da organização, direção e administração de nações, Estados e também das empresas.
Desta forma, a sua ligação com o poder é indiscutível.
A ciência política por sua vez é o estudo da política e, consequentemente sobre o
poder.
Segundo Bonavides (2010), ciência política, em sentido amplo, é o estudo dos acontecimentos, das
instituições e das ideias políticas tanto no passado, quanto no presente e possibilidades futuras.
A evolução desta ciência que tem fortes vínculos com a filosofia, direito constitucional, história,
psicologia, sociologia e, principalmente com a economia, vem da Grécia Antiga, uma sociedade baseada na
escravidão mas também um modelo de democracia. Platão, em sua obra “A República”, já fazia referências à
especialização do trabalho e da produção.
A ciência política atravessou diversas fases, passando de uma posição mais filosófica a outra mais
materialista e naturalista. Esta última, fundamentada pelo positivismo, movimento com raízes históricas na
Revolução Industrial.
Mas foi na Grécia que surgiram os primeiros pensadores políticos, com destaque para Platão e
Aristóteles.
Além destes, não podemos esquecer o italiano Maquiavel, que ao rejeitar a tradição idealista de Platão e
Aristóteles mostra outro sentido para a política e o poder.
Vejamos a seguir um pouco mais sobre estes pensadores e a evolução do pensamento político.
A vida política na Grécia antiga tinha como uma de suas principais características a realização das
assembleias onde todos os membros da polis podiam participar. Entretanto, somente aqueles que estivessem
habilitados a disputar o cargo de rei poderiam opinar. Estar habilitado significava possuir alguns recursos
políticos tais como terras e o apoio de outros membros importantes da polis.
Fato interessante era que, apesar de permitir a expressão das opiniões, a assembleia não decidia nada.
Era um lugar de discussão, não de deliberação. Essa cabia unicamente ao rei decidir.
Apesar disso, este procedimento mostra que os antigos gregos consideravam a participação dos cidadãos
como fator fundamental de sustentação do poder político, e não no uso, ou ameaça do uso, da força estatal em
si.
Na verdade, a visão política dos gregos acerca da cidadania e da responsabilidade do indivíduo para com
o Estado se apoiava, principalmente, mas não exclusivamente, na noção da integração voluntária do cidadão ao
processo de tomada de decisões políticas e na sua respectiva execução responsável por parte daqueles cidadãos
encarregados da administração política da cidade-estado (a polis).
O poder de coerção do Estado, ainda que reconhecido e aceito como algo necessário, ocupava um lugar
de menor importância na escala de valores políticos da civilização grega.
Platão acreditava que a alma depois da morte reencarnava em outro corpo, mas a alma que se ocupava
com a filosofia e com o Bem, esta era privilegiada com a morte do corpo. A ela era concedida o privilégio de
passar o resto de seus tempos em companhia dos deuses.
Por meio da relação de sua alma com a Alma do Mundo, o homem tem acesso ao mundo das Ideias e
aspira ao conhecimento e às ideias do Bem e da Justiça. A partir da contemplação do mundo das Ideias, o
Demiurgo (divindade responsável pela criação do universo), tal como Platão descreveu, organizou o mundo
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sensível. Não se trata de uma criação ex nihilo, isto é, do nada, como no caso do Deus judaico-cristão, pois o
Demiurgo não criou a matéria nem é a fonte da racionalidade das Ideias por ele contempladas.
A ação do homem se restringe ao mundo material; no mundo das Ideias o homem não pode transformar
nada. Pois, se é perfeito, não pode ser mais perfeito.
2.2 Aristóteles
Aristóteles, discípulo de Platão, preocupou-se mais em analisar as diferentes formas de estado
(monarquia, aristocracia, governo constitucional, tirania, oligarquia, democracia). Esta posição contrastava com
a do seu mestre que defendia, como vimos, a ideia de uma classe dominante de "reis filósofos".
Analisadas sob a ótica do pensamento econômico, as posições defendidas pelos dois mostram que,
enquanto Platão tinha desenhado um modelo de sociedade com base na propriedade comum de recursos,
Aristóteles via este modelo como um anátema (maldição). Para ele um modelo baseado na propriedade privada
seria mais apropriado, mas o dinheiro serviria somente como um meio de troca, nada mais do que isto.
Aristóteles escreveu certa vez: "É claramente melhor que a propriedade seja privada, mas o uso dela em comum
deve ser incentivada pelo legislador".
Ele desaprovava a usura e o lucro através do monopólio.
4. Maquiavel
É reconhecido como fundador do pensamento e da ciência política moderna, pelo fato de haver escrito
sobre o Estado e o governo como realmente são e não como deveriam ser. Platão imaginava a sociedade ideal
como sendo aquele em que a propriedade fosse comum a todos.
De forma diferente, Aristóteles acreditava na sociedade baseada na propriedade privada. Os pensadores
que o precederam eram idealistas, orientados por crenças religiosas medievais. Maquiavel inverteu estas
lógicas. Para ele, não havia meios que os fins não justificassem nem códigos morais que não pudessem ser
transgredidos, nem princípios religiosos que reprimissem o governante. Surge então o termo razão de Estado,
que tem o seguinte significado:
O governante deve se valer de qualquer meio, independente de tal estratégia ser moralmente aceita ou
não para garantir a integridade do Estado. De outra forma, caso o Estado não seja capaz de impor suas ordens
de modo irresistível, é impossível garantir a ordem pública e qualquer progresso moral, econômico ou civil.
Vem daí as famosas palavras de Maquiavel: “os fins justificam os meios”.
Maquiavel entrou para a política aos 29 anos de idade no cargo de Secretário da Segunda Chancelaria. Nesse
cargo, ele observou o comportamento de grandes nomes da época e os adicionou aos conceitos da antiguidade
clássica que estudou para fundamentar suas ideias.
O Príncipe, publicado em 1532, é sua obra mais conhecida. Nela, defendeu a centralização do poder
político, mas não propriamente o absolutismo, já que acreditava na república como forma de governo.
Suas ideias foram desenvolvidas em uma época em que a Itália estava dividida em diversos pequenos
Estados, entre repúblicas, reinos, ducados, além dos Estados da Igreja. Esta divisão levava a constantes disputas
de poder entre esses territórios, a ponto de os governantes contratarem os serviços de mercenários com o intuito
de obter conquistas territoriais. É neste cenário, que Maquiavel defende a unificação como forma de acabar ou
minimizar os conflitos.
Entretanto, uma leitura apressada das suas obras pode levar-nos a entendê-lo como um defensor da falta
de ética na política, em que os fins justificam os meios e não como uma estrategista. É o que nos revela alguns
estudos recentes sobre sua obra, que admitem a interpretação errônea do seu pensamento ao vincular o adjetivo
maquiavélico, criado a partir do seu nome, aos conceitos de esperteza, astúcia e até maldade.
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- Estado absoluto: preserva a ordem de privilégios aristocráticos (mantendo sob controle as populações rurais),
incorpora a burguesia e subordina o proletariado incipiente.
4.2.2 Pensamentos sobre a natureza humana
- Racionalidade instrumental: busca o êxito, sem se importar com valores éticos.
- Cálculo de custo/benefício: teme o castigo.
- Homem possui capacidades: força, astúcia e coragem.
- Homem é vil, mas é capaz de atos de virtude.
- Mas não se trata da virtude cristã.
- O homem não muda.
4.2.3 Pensamentos sobre a Política
- Política: é mostrada como esfera autônoma da vida social.
- Não é pensada a partir da ética, nem da religião e nem da filosofia: rompe com os antigos e com os cristãos
passa a ser campo de estudo independente.
- A vida política tem regras e dinâmica independentes de considerações privadas, morais, filosóficas ou
religiosas.
- Política é a esfera do poder por excelência.
- Política é a atividade constitutiva da existência coletiva: tem prioridade sobre todas as demais esferas.
- Política é a forma de conciliar a natureza humana com a marcha inevitável da história: envolve fortuna e virtu.
- Fortuna: contingência própria das coisas políticas: não é manifestação de Deus ou Providência Divina.
- Virtu: qualidades como a força de caráter, a coragem militar, a habilidade no cálculo, a astúcia, a
inflexibilidade no trato dos adversários. Pode desafiar e mudar a fortuna: papel do homem na história
4.2.4 Pensamentos sobre o Estado
- O Estado: está além do bem e do mal: o Estado é.
- Estado: regulariza as relações entre os homens, utilizando o que eles têm de bom e evitando o que eles têm de
mal.
- Tanto na política interna quanto nas relações externas, o Estado é o fim: e os fins justificam os meios. Daí a
ideia de “razão de Estado”: existem motivos mais elevados que se sobrepõem a quaisquer outras considerações,
inclusive à própria lei.
- A tirania é uma resposta prática a um problema prático.
Bibliografia
Dias, Reinaldo. Ciência Política. São Paulo: Editora Atlas, 1ª ed. 2011.
Bonavides, Paulo. Ciência política. São Paulo: Editora Malheiros, 17ª. ed. 2010.
Weffort, Francisco C. Os clássicos da política. São Paulo. Editora Ática. 2006.
[Link]
[Link]
As reflexões sobre a política não foram as mesmas depois dos escritos de Nicolau Maquiavel (1469-
1527). Nascido em Florença, cidade italiana que vivia a plena efervescência do Humanismo renascentista,
Maquiavel foi um homem dedicado ao exercício da administração pública, com o objetivo maior de
fortalecimento do papel do Estado na condução da sociedade.
Durante toda sua vida, o pensador florentino, acertadamente considerado o fundador da Ciência Política,
foi um homem prático, que analisava a política com racionalidade. Nos seus escritos, desnudou as intenções
políticas dos homens em sua crueza, com toda sua grandiosidade e mesquinhez.
Em 1512, a república que servia com tanto zelo foi derrubada e os Médici retornaram ao poder. O
dedicado servidor público Maquiavel foi preso e torturado, acusado de traição pela família Médici.
Sem o cargo público que tanto prezava, Maquiavel recolheu-se a uma pequena fazenda de sua
propriedade, em San Casciano, e dedicou-se com afinco ao seu segundo maior prazer: escrever.
Nos catorze anos seguintes, Maquiavel vai produzir uma significativa obra, que engloba escrito
históricos e obras literárias. Mas é com o livro seminal O Príncipe que ele encontrará a imortalidade.
Na sua obra O Príncipe, Maquiavel tem a preocupação de aconselhar os governantes não só em obter o
poder mas, principalmente, em como mantê-lo. Para tanto, lança mão de dois conceitos principais: Fortuna e
Virtù.
Para Maquiavel, a Fortuna seria o conjunto dos acontecimentos, os fatos que ocorriam no contexto
social em que o governante vivia. Já a Virtù representa a série de qualidades pessoais do príncipe que
possibilita o discernimento necessário para conquistar e manter o poder.
Após essa rápida análise dos conceitos maquiavelianos, vamos nos debruçar nos últimos acontecimentos
que assolam a nossa república.
Desde o final dos anos 70 que se processa no Brasil uma mudança significativa na política nacional. Há
o surgimento de um novo sindicalismo, que teve como base o ABC paulista. Também houve um profundo
envolvimento da Igreja Católica nas questões sociais, culminando na articulação do Movimento dos Sem Terra
(MST). A expansão do ensino universitário possibilitou a difusão de um conhecimento científico uniforme em
todo o país.
Surgiram no Brasil milhares de núcleos urbanos que passaram a abrigar setores de classe média sedentos
por mudanças sociais e políticas. Foi dentro desse processo de alteração do cenário nacional que se deu a
Fortuna de Lula.
Aproveitando as profundas modificações ocorridas nos últimos 25 anos, Lula soube, como nenhum outro líder
político brasileiro do século XX, capitalizar as transformações e ser o seu principal representante.
Eis a sua Virtù! O líder operário de baixa escolaridade fundou um partido que se distanciou da prática
política do Partido Comunista, sensibilizou setores intelectualizados da classe média com seu socialismo
moderado, mobilizou segmentos dos trabalhadores com o seu sindicalismo de resultados e galvanizou setores
desorganizados da sociedade com sua retórica salvacionista.
Na sua trajetória política, Lula percebeu como poucos a oportunidade de chegar ao poder sem provocar
a ira dos setores mais conservadores. Ao ganhar as eleições em 2002, apresentou-se como um moderado que
iria minimizar o sofrimento dos excluídos sem causar rupturas.
Durante o seu mandato, o modelo econômico tão criticado por setores radicais do PT permaneceu no
mesmo itinerário traçado pelo antecessor Fernando Henrique Cardoso.
35
A onda de crescimento econômico que atingiu a América Latina, deu margem para que políticas
públicas favoráveis aos setores populares fossem implantadas. Salário mínimo de R$ 350,00 é o maior em
poder aquisitivo desde 1979.
Mesmo após meses de bombardeio de seu governo, com a consequente perda de principais auxiliares na
construção da sua trajetória, Lula demonstra uma força política inigualável.
18
Os partidos de oposição, principalmente PSDB e PFL, não têm demonstrado Virtù suficiente para
desbancar o prestígio que permeia o candidato Lula. Talvez isso se dê porque ainda está muito vivo na memória
da maioria da população os oito anos do governo FHC.
O desafio para Lula é enorme. Nem Nicolau Maquiavel arriscaria prever se o Governo Lula propiciará,
até outubro próximo, a Fortuna tão necessária para que o candidato Lula continue exercendo a sua Virtù.
Lúcio Flávio Vasconcelos é Graduado em História pela UFPB, tem Mestrado e Doutorado em História
pela Universidade de São Paulo (USP). É professor do Departamento de História da UFPB e também Professor
Orientador do Programa de Pós-Graduação em Sociologia (PPGS), do Centro de Ciências Humanas, Letras e
Artes da UFPB. Publicou os livros História Política do Sendero Luminoso (1998), Guardiões da Ordem (2001)
e América Latina: Entre a Civilização e Barbárie (2005), todos lançados pela UFPB. Atualmente é debatedor no
programa Conexão Master.
Fortuna e virtù
Cláudia Vassallo - Revista Exame | 18/11/2010
Maquiavel e as lições do príncipe: só sorte não basta
Em seu magistral o príncipe, o pensador Florentino Nicolau Maquiavel defende que o líder precisa de
dois atributos para triunfar: fortuna e virtù - sorte (algo fora do controle dos mortais) e competência. Fortuna é
algo que aparentemente não faltará à presidente eleita, Dilma Rousseff, que a partir de 1o de janeiro assume a
liderança do país.
O Brasil vive hoje um momento que, se não é perfeito como alguns gostam de propagar, traz enormes
oportunidades de construção do futuro. O momento histórico nos favorece de diversas maneiras. Mas talvez
nada nos abra uma janela tão grande para o crescimento e o desenvolvimento quanto a transformação
demográfica pela qual passaremos nos próximos 20 anos - um processo que começa agora e que envolverá o
amadurecimento em massa e o ápice da capacidade produtiva da maioria da população brasileira. O chamado
"bônus demográfico" chegará a seu pico em 2022, quando se estima que haverá quatro cidadãos inativos -
crianças e velhos, sobretudo para cada dez economicamente ativos. Viveremos, então, um período de carga
máxima de nossa capacidade de produção e de consumo. As consequências e as oportunidades geradas por essa
transformação para o país e para quem faz negócios são brutais. E é sobre elas que se debruça a reportagem de
capa desta edição, assinada pelo repórter Nicholas Vital. Um estudo assinado pelos professores Cássio Turra e
Bemardo Queiroz, da Universidade Federal de Minas Gerais, mostra que apenas o fenômeno demográfico gera
um potencial de crescimento do PIB brasileiro de 2,5% anuais até 2030. Trata-se de um cenário, esperamos
improvável. Pressupõe que, num espaço de duas décadas, nada seja feito para modernizar o país e tomar sua
economia mais dinâmica e mais pujante. O que os professores Queiroz e Turra estão dizendo é que, ainda que
tudo dê absolutamente errado, seguiremos em frente. Por pura sorte. Agora é torcer para que a presidente Dilma
e seus sucessores emprestem altas doses de sua própria virtù à enorme e efêmera fortuna derramada sobre o
Brasil dos próximos 20 anos.
Está em curso um fenômeno novo para o país: o amadurecimento em massa da população. Mas é preciso
correr, pois a janela de oportunidades tem data para fechar.
Ronaldos e Giseles à parte, a maioria dos mortais segue um roteiro de vida semelhante. Primeiro
experimentamos as delícias da infância e da adolescência. Depois, chega a hora de começar a trabalhar, um
momento marcado por muito esforço e pouco dinheiro. Com o tempo, as oportunidades vão surgindo e o
desafio é conseguir garantir um descanso tranquilo no período final. E assim passamos de geração em geração.
Também os países seguem uma trajetória semelhante, com graus diferentes de sucesso. Numa fase inicial,
nações jovens têm uma fatia grande da população abaixo da idade de trabalho. Com o tempo, as crianças
crescem e começam a trabalhar. É um período ideal para aproveitar o impulso e crescer. Depois vem a fase do
envelhecimento, em que o ímpeto econômico se esvaece. Se tudo der certo nesse caminho, haverá, então,
riqueza suficiente para financiar o sossego dos idosos.
O Brasil já foi uma nação jovem. E seremos, no futuro, um país velho. A boa notícia é que estamos —
agora — no auge do período produtivo. Encontra-se em curso um fenômeno demográfico e social novo para o
19
país: o amadurecimento em massa da população. O crescimento populacional vertiginoso ficou para trás. Após
crescer geometricamente por dois séculos, o número de brasileiros aumenta cada vez menos e não deve
ultrapassar a marca de 220 milhões. Ao mesmo tempo, com expectativa de vida de 73 anos, o país tem hoje
dois terços da população entre 15 e 64 anos — a faixa etária considerada economicamente mais produtiva. A
proporção dos que estão em idade de produzir vai continuar a crescer até 2022, quando atingirá um pico de
71%. A previsão é que nessa data o número de brasileiros em idade ativa passe dos atuais 130 milhões para 147
milhões. As chances de negócios abertas por essa transformação silenciosa são enormes. “Se em dez anos não
abrirmos 100 milhões de novas contas, é porque algo deu errado”, diz Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente
do Bradesco. Segundo estimativa da Federação Brasileira de Bancos, o número de agências bancárias no país
deve crescer 50% na próxima década, o que significa a criação de cerca de 150 000 postos de trabalho. O
crescimento no setor bancário é apenas um exemplo do salto esperado em inúmeros mercados na próxima
década.
“Essa é uma chance única na história de qualquer país”, disse a EXAME Ronald Lee, diretor do
departamento de demografia e economia da Universidade de Berkeley e membro da Comissão Americana para
Estudos do Envelhecimento. A chance a que Lee se refere é batizada pelos especialistas de bônus demográfico
— a fase com o máximo possível de gente trabalhando. Uma projeção realizada pelos professores Cássio Turra
e Bernardo Queiroz, da Universidade Federal de Minas Gerais, mostra que o Brasil tem um potencial de
crescimento de 2,5% ao ano gerado exclusivamente pelo bônus demográfico. Outra conta, feita por Marcelo
Neri, pesquisador do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, sugere um aumento de até 2,7%
ao ano na renda média dos brasileiros em função do bônus e do aumento da escolaridade, iniciado nos anos 90.
No cenário elaborado por Turra e Queiroz, o Brasil, se crescer apenas à média anual de 2,5% propiciada pelo
bônus demográfico, chegará a 2030 com um produto interno bruto de 3,3 trilhões de dólares, 50% maior que o
atual. Mas o país tem crescido mais que isso — e os economistas avaliam que será possível manter um ritmo de
4,5%. Isso elevaria, no mesmo prazo, o PIB para 4,8 trilhões de dólares, o suficiente para alcançar um padrão
de renda equivalente ao que Portugal tem atualmente. Numa hipótese mais otimista, de o bônus ser aproveitado
para impulsionar reformas mais profundas, em duas décadas o Brasil atingiria o nível de renda per capita atual
da Espanha e teria um PIB de 7 trilhões de dólares. “Os brasileiros estão diante de uma oportunidade de ouro,
mas ela é temporária. Após duas décadas, o envelhecimento da população inverterá a curva e fará a proporção
de inativos subir. Por isso, para tirar o máximo proveito até lá, o Brasil deve investir fortemente nas novas
gerações, em especial provendo boa educação básica”, diz Lee. O recado é claro: temos mais 20 anos para fazer
a lição de casa, modernizando a economia e melhorando a qualidade da educação, e, assim, nos tornar uma
nação rica. Caso contrário, estaremos no pior dos mundos. Corremos o risco de envelhecer sem ter conseguido
integrar o clube dos desenvolvidos — e aí será muito mais difícil chegar lá.
O bônus tem como origem uma guinada no comportamento das famílias brasileiras. Desde meados dos
anos 60, tem havido uma queda progressiva no tamanho das famílias. A média de filhos por mulher, que era de
seis há meio século, caiu até chegar a menos de dois hoje. A presidente eleita Dilma Rousseff — de quem se
espera um conjunto de políticas para aproveitar ao máximo o bônus demográfico — é um exemplo da nova
mulher brasileira. Teve apenas uma filha, a qual, por sua vez, recentemente lhe deu o primeiro neto. A idade
média da população, antes inferior a 20 anos, atualmente está próxima de 29 — e vai continuar a crescer. A
pirâmide demográfica mudou de forma e agora é uma figura cada vez mais arredondada. No ponto atual, a
maioria dos que eram jovens nas décadas anteriores ainda não chegou à terceira idade e constitui uma inédita
geração de brasileiros mais maduros e que estão no auge de sua carreira profissional. O resultado é que a
proporção entre pessoas que não trabalham e as que são ocupadas caiu de mais de sete inativos (seja criança,
seja idoso) para cada grupo de dez trabalhadores, há 20 anos, para menos de cinco para dez. No auge do bônus,
em 2022, essa proporção será de quatro para dez. Quando há menos gente que precisa ser sustentada, a
abundância de população em idade ativa dinamiza a economia e gera recursos adicionais que podem ser
revertidos em poupança e investimento. Isso reforça o crescimento econômico e gera oportunidades em
inúmeros mercados.
A mudança do perfil demográfico da população brasileira deve fazer com que alguns setores da
economia experimentem um ritmo de crescimento acelerado na próxima década, o que pode colocar o Brasil
entre os líderes globais em vários segmentos. Os cosméticos são um bom exemplo. Hoje, o Brasil é o terceiro
maior mercado de produtos de perfumaria e beleza do mundo, atrás de Estados Unidos e Japão. Caso a
estimativa de crescimento do setor se confirme — 9,6% ao ano, de acordo com uma estimativa feita pela
consultoria Euromonitor a pedido de EXAME —, o mercado brasileiro de cosméticos deverá chegar a 108
20
bilhões de dólares em 2020, quase o dobro do observado atualmente nos Estados Unidos. “Nossos
consumidores, em sua maioria, são maduros”, diz José Vicente Marino, vice-presidente de negócios da Natura,
a maior empresa de cosméticos do país. “Boa parte de nosso crescimento nos últimos anos já pode ser atribuída
ao bônus. ” O envelhecimento da população também deve impulsionar o segmento de serviços médicos, que
inclui gastos com consultas, exames e hospitais. Hoje, os brasileiros gastam pouco mais de 56 bilhões de
dólares, montante que deve alcançar 112 bilhões em 2020, mais do que o gasto atual da Alemanha, em torno de
90 bilhões de dólares. O gasto com educação, segundo as projeções da Euromonitor, também deve dobrar na
próxima década, de 91 bilhões de dólares para 182 bilhões.
Para as empresas, um dado central é o perfil do brasileiro médio daqui a uma década, quando o bônus
demográfico estiver empurrando o país com força máxima. Muito provavelmente, será próximo ao de Ana Rita
Mazza Menani. Aos 33 anos de idade, casada, com dois filhos, formada em comunicação social, ela e o marido,
Rogério, têm uma pequena gráfica em Monte Alto, no interior paulista. Juntos eles dispõem de uma renda em
torno de 8 000 reais por mês. Moram numa casa confortável e, na garagem, têm dois carros e duas motos.
Dentro de casa, não faltam eletrodomésticos, móveis e computador. Os filhos, de 7 e 13 anos, estudam em
escola particular, fazem aulas de inglês, artes, música e esportes. “Investimos cerca de 25% da renda familiar na
educação deles”, diz Ana Rita. “Se tivéssemos mais filhos, seria difícil manter o padrão. As pessoas da minha
geração não têm condições de ter mais que um ou dois filhos.” Embora muito tenha se falado sobre o
crescimento na base da pirâmide, o exemplo de Ana Rita ilustra que a ascensão econômica em curso no país
legará uma estrutura social com preponderância das classes média e alta. Nessa nova sociedade, algumas
tendências comportamentais começam a ser detectadas. A importância crescente dada à educação dos filhos é
uma delas. O desenvolvimento esperado para as próximas décadas está atrelado a fortes investimentos em
educação e formação de mão de obra qualificada — uma das consequências diretas do bônus. “Saímos da
baixíssima escolaridade para um nível menos ruim, e isso já está jogando a favor do desenvolvimento há um
tempo”, afirma Neri, da FGV. “Nosso retrato provavelmente seria bem pior se não fosse isso. O que precisamos
fazer é avançar com mais ambição no setor de educação, para não desperdiçar o bônus.”
Essa necessidade faz com que as escolas constituam um mercado que evidentemente está entre os que
mais proliferam atualmente no Brasil. De acordo com a Euromonitor, esse setor deve crescer quase 10% ao ano
no Brasil até 2020, quando alcançará 400 bilhões de reais. A expansão tem atraído investidores estrangeiros
principalmente para atuar no ensino superior. O grupo americano DeVry chegou ao país há três anos. Instalou-
se na Região Nordeste e já conta com 14 000 alunos em suas quatro unidades. “Enxergamos uma grande
oportunidade no mercado brasileiro de educação”, diz Carlos Filgueiras, presidente do braço local do DeVry.
“O potencial de crescimento é muito grande. Hoje, apenas 30% dos jovens brasileiros entre 18 e 22 anos estão
na faculdade. Na Grécia, o índice é de mais de 90%.” De acordo com ele, o efeito do bônus já é perceptível,
mas poderá ser mais intenso porque as classes C e D estão começando a ter acesso às universidades. “Isso deve
impulsionar o setor nos próximos anos”, diz.
diz Antônio Carlos Ferreira, diretor de incorporações da Gafisa, uma das maiores construtoras do país. Em
2007, as famílias tinham, em média, 3,1 pessoas. Em 2030, prevê-se que haverá apenas 2,4 pessoas por
residência. O operador logístico mineiro Lando Tavares, de 34 anos, comprou seu primeiro apartamento há
aproximadamente um mês. Casado há quatro anos e pai de uma menina de 2 anos, ele aproveitou um aumento
salarial e a oferta abundante de crédito para financiar em 25 anos um imóvel avaliado em 100 000 reais. Os
Tavares representam a nova família brasileira — pequena e mais preocupada com a qualidade de vida.
Uma população mais velha traz também mudanças em termos de objetos de desejo. Um segmento
crescente é o formado por homens e mulheres maduros e com dinheiro para gastar. O envelhecimento costuma
tornar os consumidores mais exigentes. Para as montadoras de automóveis, isso deve produzir uma alteração na
demanda. A participação de veículos maiores e mais equipados deverá crescer consideravelmente nos próximos
anos, com alta nas vendas de sedãs médios e modelos de luxo. “Eles devem tomar parte do mercado dos
populares”, afirma Stephan Keese, sócio da consultoria especializada Roland Berger. “As pessoas mais velhas
geralmente têm mais dinheiro e compram produtos melhores.” Atualmente, os veículos compactos respondem
por 69% do mercado brasileiro, ante 15% dos sedãs médios. Em 2020, a participação dos populares deve cair
para 63%, enquanto a dos médios subirá para 20%. O mercado de carros de luxo também deve dobrar, para
mais de 50 000 unidades por ano. “Nos Estados Unidos e na Europa, os carros básicos são mais completos
porque são desenvolvidos para uma população mais velha e exigente”, diz Keese. Essa é justamente a aposta
que a marca japonesa Nissan fez recentemente para se expandir no Brasil. Instalada no país no final dos anos
90, a Nissan lançou em 2007 o modelo Sentra, aquele que “não tem cara de tiozão”. O sedã, que custa a partir
de 55 000 reais, obviamente não tem como público-alvo os jovens. A intenção foi chamar a atenção dos homens
maduros, os potenciais consumidores. “Quando chegamos ao Brasil, já sabíamos da tendência de
envelhecimento da população. Tínhamos certeza de que o segmento cresceria”, afirma Murilo Moreno, diretor
de marketing da Nissan. “O tíquete médio vem subindo. Os carros de luxo estarão cada vez mais presentes nas
ruas.”
população muito jovem.” O estudo mostra que, durante a transição, a massa local de trabalhadores cresceu a um
ritmo de 2,4% ao ano, enquanto o crescimento total da população era de 1,6%.
A Coreia do Sul lançou as bases de seu sucesso antes mesmo de chegar ao bônus. Devastado pela guerra
dos anos 50, o país passou a investir em educação e fez uma série de reformas para que sua economia
deslanchasse. Mais tarde, em meados dos anos 80, quando chegou ao período de transição demográfica, já
estava devidamente preparado. Em três décadas, os sul-coreanos multiplicaram por 8 sua renda per capita, para
perto de 20 000 dólares, o dobro da brasileira, e entraram para o clube dos países ricos. Atualmente, quem
melhor está aproveitando a transição demográfica é a China. Graças às políticas draconianas de controle de
natalidade introduzidas pelo governo na década de 70, o país tem colhido os frutos de uma estrutura etária que,
por ora, é favorável — há, desde os anos 90, cada vez menos crianças e cada vez mais adultos aptos a produzir.
Todos os anos, milhões de chineses entram para o mercado de trabalho e engrossam o já enorme contingente de
mão de obra local. Dar emprego a tanta gente é um desafio, mas o país tem conseguido dar conta. Com custo
baixo para produzir quase tudo, a enorme população chinesa é o motor que move a segunda maior economia do
mundo. Estima-se que o bônus tenha sido responsável por até 30% do crescimento do PIB da China na última
década. Além disso, o fenômeno ajudou a tirar da pobreza cerca de 400 milhões de pessoas nos últimos 30
anos. Assim como o Brasil, a China ainda tem cerca de 20 anos de bônus demográfico pela frente. Mas há uma
nítida diferença em como a oportunidade é encarada lá e aqui. “No Brasil, ainda não caiu a ficha de que
estamos diante de uma janela temporária”, diz Rogério Rizzi de Oliveira, sócio da empresa de consultoria
Monitor Group. “Os chineses correm para manter o crescimento acima de 10% porque sabem que isso só
poderá ser feito num prazo curto. Nós, aqui, também precisamos apertar o passo.”
Os desafios para que o Brasil aproveite ao máximo sua janela de oportunidades, porém, ainda são
muitos. Não temos uma economia com a modernidade e a eficiência necessárias para gerar crescimento
econômico de alta qualidade. “O próximo governo precisará trabalhar muito para que possamos dar um salto.
Do contrário, corremos o risco de desperdiçar parte do bônus”, afirma Rubens Ricúpero, ex-ministro da
Fazenda e diretor da Faculdade de Economia da Fundação Armando Alvares Penteado, em São Paulo. Temos
as próximas duas décadas para alcançar um padrão de país rico — depois, a janela de oportunidades irá
gradualmente se fechar. Se a transição não for devidamente aproveitada, a sociedade brasileira estará de frente
para um novo e dramático quadro por volta de 2040: o de uma nação de idosos que não melhoraram
suficientemente seu padrão de vida e, pior, sem recursos para sustentar a velhice. O alerta sobre esse cenário
sombrio é dado hoje pelos países europeus, onde os sistemas de seguridade e manutenção do bem-estar social
estão em crise. Isso está ocorrendo mesmo em lugares que alcançaram altos níveis de renda per capita, como
França, Reino Unido e Itália, e, de forma pior, nos que não enriqueceram tanto, como Grécia, Portugal e
Polônia. Uma questão difícil de ser enfrentada é a da saúde. “O custo para tratar um idoso é muito maior que o
de um jovem”, afirma o economista Paulo Tafner, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.
“Até 2040, o gasto brasileiro com saúde vai se multiplicar por 3.” Caso o país não se prepare adequadamente, o
já deficiente sistema público de saúde entrará em colapso. O mesmo impacto se dá nas contas da deficitária
Previdência Social. “É preciso reconhecer que o país não está preparado para ter 30 milhões ou 40 milhões de
idosos, como deve acontecer nas próximas décadas”, diz Carlos Eduardo Gabas, ministro da Previdência. Para
Ronald Lee, de Berkeley, o Brasil terá de reavaliar seu sistema de aposentadoria, que ele considera
provavelmente o mais generoso do mundo em relação ao nível de renda per capita. “Não há dúvida de que há
muitos idosos pobres que precisam das pensões, mas eu suspeito que haja muita gente recebendo mais do que
precisa”, afirma Lee. “O modelo atual não será sustentável no futuro.” O custo da Previdência em relação ao
PIB já é duas vezes maior que nos Estados Unidos, e a idade média do brasileiro ainda é inferior à dos
americanos. São questões que deveriam estar na ordem do dia. Não estão. Fazendo um paralelo com o que o
pensador florentino Nicolau Maquiavel dizia do Príncipe, é preciso ter virtù e fortuna — competência e sorte —
para triunfar. Tudo indica que a sorte agora está do lado do Brasil. Falta mostrar virtù para aproveitar ao
máximo a janela de oportunidades. São 20 anos — e o relógio está correndo.
Nicolau Maquiavel, cinco séculos depois de ter moldado o pensamento e a ciência política moderna,
está mais atual do que nunca.
23
Nicolau Maquiavel, cinco séculos depois de ter moldado o pensamento e a ciência política moderna,
está mais atual do que nunca. Não apenas devido aos seus ensinamentos sempre úteis aos Príncipes de plantão,
mas também ao que tem a dizer aos banqueiros e investidores nestes momentos de crise internacional. Imagine
se, por um capricho da história, o pensador florentino fosse vivo e virasse consultor dos maiores bancos
privados. Na semana passada, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander divulgaram lucros menores que o esperado
no primeiro semestre (leia mais aqui). O que o filósofo diria aos bancos diante da queda da atividade econômica
e do crescimento da inadimplência nos últimos meses? Que façam muitas provisões contra os calotes – e de
uma só vez.
Banqueiros, como os demais empresários, buscam o maior lucro para o capital investido, correndo o
menor risco possível. Os acionistas das instituições financeiras, como os investidores das outras empresas,
também exigem lucros e dividendos polpudos. Em qualquer lugar do mundo, os bancos vivem da confiança do
público em sua solidez, pois todos operam alavancados (emprestam bem mais do que o patrimônio contábil) e
nenhum abarrota caixas-fortes gigantes com dinheiro suficiente para devolver aos clientes de uma só vez, se
necessário. Quando a economia vai bem, lucros elevados mostram que o dinheiro dos acionistas e dos
investidores está sendo bem utilizado nos financiamentos à produção e na prestação de serviços. Naturalmente,
quando os bancos têm retornos financeiros muito superiores aos das empresas dos outros setores, industriais e
comerciantes costumam reclamar bastante.
Mas e quando a economia vai mal? Bancos com lucros minguados são alvo de desconfiança, perdem
clientes e são criticados por emprestar menos e exigir mais garantias. Nessas horas, os banqueiros mais
conservadores reforçam a liquidez e aumentam suas provisões contra perdas, mesmo que isso leve a lucros
menores. É bom que seja assim, diria Maquiavel. É preciso fazer todo o mal de uma só vez a fim de que,
provado em menos tempo, pareça menos amargo. E quando voltarem a fazer o bem, que o façam aos poucos,
para que seja melhor saboreado. Só não podem ficar parados e perder o bonde do crescimento no segundo
semestre. Se as carteiras de crédito voltarem a crescer de forma responsável, com os juros mais baixos e de
acordo com a capacidade de pagamento das empresas e das famílias, todos ganharão mais no longo prazo.
Embarcar em farras de crédito, como se viu nos Estados Unidos e na Europa até 2008, não é uma boa
estratégia.
CAPITULO III
1. Introdução
Nas notas de aulas anteriores conhecemos o significado de política (a arte da organização, direção e
administração de nações, Estados e também das empresas), os seus o objetos de estudo – sugeridos pela
UNESCO - e a evolução Histórica do pensamento político.
Aprendemos como Maquiavel e Marx, entre outros pensadores, construíram caminhos alternativos para
o entendimento deste conceito tão importante em nossas vidas.
Max Weber, citado por Dias (2011), afirma que quem faz política, não importa o motivo, aspira ao poder.
Então, vamos conhecer um pouco sobre este que é um dos mais importantes processos sociais das sociedades
humanas, segundo Dias (2011).
2. O que é poder?
Das diversas definições para a palavra poder, uma tem o apoio da maior parte dos especialistas no
estudo das ciências sociais: poder é a capacidade de interferir no comportamento das pessoas.
A existência do poder implica uma relação social que pode ocorrer entre duas ou mais pessoas, ou duas
ou mais organizações. Segundo Fleiner Gerster, citado por Dias (2011), o poder é derivado, de um lado, da
força e a superioridade de uma parte e, do outro lado, da dependência ou fraqueza da outra parte. Neste sentido,
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o indivíduo encontra-se sob o poder de outro quando a sua conduta não é decidida por ele mesmo, mas depende
de um a decisão tomada pelo outro.
Já Friedrich, citado por Dias (2011), ensina que o poder é, de certa forma, a capacidade de obrigar
alguém a fazer ou não alguma coisa. Entretanto, argumenta que a origem do poder relacional é consensual e
cooperativa, sendo muito importante para um líder a aquisição deste poder originado no consenso.
É difícil não acharmos uma relação de poder em nossas vidas. Ela ocorre, em diferentes intensidades,
em praticamente todas as relações sociais. Além de variar em intensidade, também existem diversos tipos de
poderes. No entanto, apesar desta diversidade, podemos estabelecer uma hierarquia entre os poderes, tendo o
poder político o lugar de maior destaque.
Esta prevalência do poder político sobre os outros poderes é primordial para estabelecer a necessária
convivência social. Baseado nisto, aceitamos ou legitimamos até o uso do poder com o fim da dominação de
um grupo sobre outro.
Um ponto interessante diz respeito ao exercício do poder, pois apesar dele ser feito por pessoas, não
deve ser confundido com elas. É o que chamamos despersonalização do poder.
Como processo social, o exercício do poder está fortemente ligado a cultura dos grupos sociais.
Significa dizer que se um grupo privilegia o uso da força física, o poder naquela comunidade terá como
principal componente a força física. Se os indivíduos valorizarem a divindade, então os sacerdotes terão
maiores possibilidades de exercer o poder.
Aristóteles em livro Política aponta três tipos de poder: o poder paterno (entre pais e filhos); despótico
(entre o senhor e seus escravos) e o político (entre governante e governado).
Norberto Bobbio, citado por Dias (2011) também aponta três tipos de poder: o econômico, o ideológico
e o político. Segundo aquele autor, o poder econômico é aquele que para ser exercido depende da posse de
bens.
O poder ideológico é baseado nas ideias. Ele é exercido quando alguém consegue alterar o
comportamento de outra pessoa, utilizando somente ideias. O poder político é fundamentado na posse de
instrumentos com os quais se exerce a força física ou a coação.
Para Max Weber, poder significa toda probabilidade de impor a própria vontade em uma relação social,
ainda que exista resistência.
Para Dias (2011), o poder é legitimo quando aqueles que não o tem, aceitam e o obedecem.
3. De onde vem o poder?
Existem diversas fontes de poder, sendo a força e a autoridade as principais no que se refere a conquista
e legitimidade do poder. Em geral, elas não aparecem isoladas, coexistindo em diferentes graus para formar o
poder do agente que o exerce.
A força, como fonte de poder, surge quando um agente usa ou ameaça de coerção física outro agente. Essa
coerção física pode é expressa pelo usa de armas ou até mesmo pelo porte físico.
É característica dos Estados o uso da força para promover a coerção física. Para tanto os Estados
possuem os meios necessários como polícia e forças armadas (aeronáutica, exército e marinha)
Outra fonte de poder, a autoridade, pode ser definida como um direito de decidir sobre o comportamento
de outrem.
Max Weber estudou e identificou três tipos de autoridade: a burocrática, também denominada racional; a
tradicional e a carismática.
A primeira, a autoridade burocrática ou racional, é baseada no cargo ou posição formalmente
constituída. Neste caso, a lei ou as regras escritas determinam como será o exercício da autoridade. Exemplos:
juiz, delegado, funcionário público.
A autoridade tradicional é aquela constituída segundo a crença, as normas e tradições sagradas. As
pessoas obedecem devido à tradição. Exemplos: rei, príncipe, padre, marido, pai, etc.
A autoridade carismática é baseada nas qualidades pessoais excepcionais do indivíduo, o líder. As
pessoas respeitam a autoridade do líder pelo carisma e isto é importante para a estabilidade da organização ou
sociedade. Exemplos: Cristo, Napoleão, Gandhi, Martin Luther King, Peron, Fidel Castro, etc.
I - a personalidade, que é o conjunto de características pessoais de uma pessoa (inteligência, conduta moral,
etc.);
II - a propriedade ou riqueza, que é o conjunto de bens que uma pessoa possui, e
III - a organização ou as organizações (escola, associação, igreja, etc.) da qual participa.
4. O poder político
Todo grupo que possui um padrão permanente de relações humanas que envolva de maneira
significativa, poder, governo ou autoridade, necessita de um poder que o estruture e o mantenha coeso. É o
poder político.
Este poder tem algumas peculiaridades, como a possibilidade recorrer à força para que sejam alcançados
os fins pretendidos.
O poder político é diferentemente exercido pelo líder e pelo governante. O primeiro usa capacidade de
convencimento para modificar o comportamento de seus seguidores, enquanto o segundo exerce o poder
político de maneira mais formal, em decorrência das leis e normas que legitimam sua autoridade.
Importante registrar que os indivíduos se submetem ao poder político, obedecendo-o, por acreditarem na
legitimidade.
7. As elites e o poder
Denominamos elite uma categoria de pessoas que se destacam em um setor ou atividade social. No
campo político a elite representa quem exerce o poder. Em um sistema político a elite governante é quem detém
o poder político, existem outras elites que lhe dão sustentação e apoio tais como igrejas, sindicatos, associações,
e outros grupos.
Outro autor, Wright Mills, desenvolveu sua teoria das elites, partindo da ideia de que o homem comum é
aquele cujos poderes são limitados pelo mundo cotidiano e sendo assim é movido por forças que não estão no
seu controle. Por outro lado, a elite é composta por homens que se encontram em posições tais que lhe
permitem ocupar posições estratégicas dentro da sociedade, concentrando poder, riqueza e prestigio.
Bibliografia
Dias, Reinaldo. Ciência Política. São Paulo: Editora Atlas, 1ª ed. 2011.
Há uma frase de Margaret Thatcher, que diz: “O poder é como ser uma dama: Se você tem que dizer às
pessoas que você é, você não é”.
Pessoalmente, acho que o estudo do poder fascinante. A definição no dicionário de poder é “uma pessoa ou
coisa que possua ou exerça autoridade ou influência”. Então, em essência, quando usamos o poder, estamos
utilizando a nossa autoridade para conseguir alguma coisa.
Todo mundo tem poder. Todos. E, eu não acredito que o poder é uma coisa ruim. A questão é que tipo
de poder uma pessoa tem e como alguém usa esse poder.
Aqui estão alguns dos tipos mais comuns de poder encontrados no ambiente de trabalho:
O poder coercitivo está associado com pessoas que estão em uma posição para punir outros. As pessoas
temem as consequências de não fazer o que foi pedido deles;
Poder de conexão é baseado em quem você conhece. Esta pessoa conhece, e tem peso na opinião de
outras pessoas poderosas dentro da organização;
Poder da expertise vem da experiência de uma pessoa (duh!). Isto é normalmente uma pessoa com uma
habilidade aclamada ou valorizada;
Uma pessoa que tem acesso a informações valiosas ou importantes possui o poder da informação;
O poder legítimo vem da posição que uma pessoa detém. Isto está relacionado com o título de uma
pessoa e responsabilidades de trabalho. Você também poderá ouvir isso se referir como poder
posicional;
As pessoas que são bem-queridas e respeitadas podem ter o poder da referência.
Poder da recompensa está baseado na capacidade de uma pessoa dar recompensas. Estas recompensas
podem vir na forma de missões de trabalho, horários, salários ou benefícios.
Agora, pare de ser modesto e pensar sobre si mesmo … Eu não tenho nenhum poder. Como você pode ver,
existem muitas maneiras diferentes que o poder pode se manifestar. E por essa razão, é importante perceber que
o poder existe em todos nós. É possível também que você tem diferentes tipos de poder com diferentes grupos
ou situações.
Agora, os dois maiores erros que vejo as pessoas fazerem do uso do poder, são:
1) Tentando usar o poder que elas não têm, e
2) Usando o tipo errado de poder para alcançar resultados.
Para ajudar a identificar sua “zona de poder”, tome um momento e pense sobre como você tenta
influenciar a ação dos outros. Você pode usar as descrições acima, como uma pseudo auto avaliação. Avalie-se
numa escala de 1-5 em cada um dos diferentes tipos de poder. Com 1 sendo nenhuma de suas características e 5
sendo bastante característico.
Este pode ser um exercício (desculpe o trocadilho) poderoso. Se você é honesto consigo mesmo, eu espero que
você encontre um resultado útil. Não só pela maneira como você tende a usar o poder, mas na maneira como os
outros usam o poder com você.
O Poder nas Empresas e Demais Organizações - o perigo representado por pessoas que tentam resistir às
mudanças. Elias Alves - 28/04/2012.
[Link]
representado-por-npessoas-que-tentam-resistir-as-mudancas
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Um bom líder sempre pensa, planeja e age de maneira que seus funcionários e clientes sintam que
necessitam da empresa e dele. Isto lhe garantirá a fidelidade dos funcionários e dos clientes.
Existem vários tipos de poderes. O político, o do pensamento (positivo ou negativo), o do chefe de uma
tribo, o do líder religioso, o de mercado, etc. Mas o poder que será o tema de uma série de artigos a partir deste
é o que deve ser exercido por líderes de organizações sociais - empresas, escolas, associações, igrejas, etc. Todo
poder é limitado. Para que uma pessoa ou um grupo exerça poderes, é preciso, no mínimo, existir pessoas sobre
as quais os poderes devem ser exercidos. As pessoas que detêm poderes precisam também da existência de um
conjunto de estruturas, estratégias e informações confiáveis para conseguir seus objetivos. Portanto, não existe
poder ilimitado nem independente. O poder é a capacidade de uma pessoa ou um grupo exercer influências
sobre outras pessoas ou grupos, mas isto só é possível depois que o detentor do poder conseguir identificar as
motivações das pessoas a serem influenciadas. Para isto ele precisa primeiro identificar as fontes de seu poder.
agir em determinadas situações. O líder é aquele que frequentemente dá a palavra final, a palavra que define
uma decisão.
Interesses em jogo
Em se tratando de poder, o que se verifica claramente no âmbito da política também ocorre nas
empresas. Como o poder se move de um departamento para outro e de uma pessoa para outra segundo as
exigências das forças de mercado e as características pessoais, obviamente entram em jogo os interesses
pessoais.
Durante um período pré-eleitoral, os partidos políticos se unem em coalizões para fortalecer as
possibilidades de eleição de seus representantes. No entanto, o que mais caracteriza as negociações políticas é o
conjunto de interesses comuns dos partidos e pessoais de seus integrantes. Numa empresa, as coalizões para
obtenção de poder ocorrem também por interesses pessoais e comuns, e surge outra coalizão a partir do
momento em que alguém demonstra outro interesse diferente. O que se verifica ao final de tudo isto é que cada
coalizão sempre se configura de forma bem diferente de todas as outras.
acostumados a uma rotina que lhes garante um poder que não corem correr o risco de perder. Em muitas dessas
situações, os chefes chegam a impor obstáculos contra quaisquer sinais de inovações e criatividade
demonstrados por seus próprios funcionários, e muitos destes até são demitidos sob a alegação de necessidade
de cortes nos gastos da empresa, inaptidão para as funções, etc.
Despersonalização
As burocracias determinam regras para os cargos, não para os ocupantes dos cargos. Isto faz com que os
funcionários sejam conhecidos por seus próprios colegas pelos cargos que ocupam - diretor disto, gerente
daquilo, etc. - e não por seus nomes. Existem situações, felizmente raras, em que os funcionários são
conhecidos apenas pelos números das matrículas.
Dizem que há quem goste dessa impessoalidade. Acredito que haja pessoas acostumadas a ela, mas
"acostumar-se a algo" não é o mesmo que "gostar de algo". Creio que as únicas pessoas que poderiam de fato
gostar disto seriam aquelas que se beneficiam através de favoritismos e corrupção. O público e os funcionários
honestos - que felizmente existem - não querem tratamento impessoal. Querem e têm o direito de serem
tratados como pessoas, não querem um tratamento padronizado. Se você perguntar sobre isto a um líder de um
departamento de marketing, e se teste for sincero, será isto que ele lhe dirá como resposta.
CAPITULO IV
O que veremos neste capítulo:
Concepção e evolução de Estado.
O Estado Moderno.
Teorias sobre a origem do Estado.
Burocracia.
Burocracia e poder.
A estrutura burocrática das empresas capitalistas.
1. Introdução
Um sistema político, entendido como qualquer padrão permanente de relações humanas que implique de
maneira significativa, em poder, governo ou autoridade precisa de um poder que o coordene, necessita de um
poder que o estruture e o mantenha coeso. Esse poder é o poder político que na hierarquia dos poderes ocupa o
lugar mais alto.
Política, sistema político, poder, autoridade, sociedade e Estado são conceitos fortemente entrelaçados e
sendo assim, não há como deixar em segundo plano o estudo de nenhum deles.
O objetivo deste capítulo é mostrar o significado da palavra Estado, sua concepção e evolução. Também
veremos a composição da estrutura necessária para o funcionamento do Estado, a burocracia.
Em seguida, estudaremos a burocracia nas empresas, pois ela não é uma exclusividade do Estado.
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2. O conceito de Estado
Segundo Dias (2011), a palavra Estado surgiu para representar a situação ou condição de poder na
sociedade política.
No dicionário Houaiss a palavra Estado teve origem no século XIII e designa o conjunto das instituições
(governo, forças armadas, funcionalismo público etc.) que controlam e administram uma nação.
O jurista italiano Norberto Bobbio, acrescenta que a primeira vez que a palavra foi utilizada, com o seu
sentido contemporâneo, foi no livro O Príncipe, de Nicolau Maquiavel.
O Estado, fenômeno histórico presente desde a Antiguidade em diversas regiões do planeta, constitui um
conjunto de instituições por meio das quais o poder da sociedade se organiza. Essa organização independe de
parentesco, não tem personalidade, é vinculada somente à corporação política que forma o povo organizado e
serve para justificar o poder político.
Neste sentido, podemos entender que o Estado é o aparato necessário para que se possa exercer o poder.
Em resumo, no dizer de Dias (2011):
“O Estado constitui uma sociedade politicamente organizada em um lugar e tempo determinado, onde vigora
determinada ordem de convivência, com um poder soberano, único e exclusivo. [...].”
3. A concepção do Estado
O conceito de Estado tal como o utilizado atualmente, e que é utilizado por organizações internacionais
para identificar seus membros (como ONU e a OEA), tem sua origem no século XVI, com a formação do
Estado moderno, em sua forma absolutista.
Ao longo da história, o Estado moderno foi se adaptando a diferentes situações, evoluindo desde as formas
absolutistas às democráticas. Hoje, como forma de sociedade, se apresenta como uma corporação de caráter
territorial fundamentada pela solidariedade do povo, com autonomia, independência e soberania.
Segundo Duverger, citado por Dias (2011), o Estado é uma comunidade humana em que os governantes
são mais bem organizados, sendo este fato decorrente de três pontos:
1) o Estado possui a organização política mais complexa, tanto no que se refere à repartição de tarefas como à
hierarquia dos órgãos;
2) no Estado encontramos um sistema de sanções organizadas que permitem aos governantes reprimir a
desobediência e estabelecer a organização da sociedade;
3) o Estado dispõe de maior material para fazer executar suas decisões (exercito, policia, forças armadas, etc.)
do que qualquer outra comunidade.
5. O Estado moderno
Para conseguir o poder absoluto de seus territórios e a centralização do poder os príncipes
empreenderam várias lutas contra o império e a igreja. Este conjunto de lutas foi a condição básica para o
surgimento do Estado moderno.
Vencidos o império e a Igreja, os príncipes conseguiram concentrar o poder em suas mão, sendo que os
principais fatores que possibilitaram esta concentração de poder foram:
I) a criação de um exército, cujos membros dependiam de pagamento;
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II) formação de uma estrutura composta de funcionários permanentes com competências bem definidas,
economicamente dependente e organizada em hierarquia. A burocracia.
III) a criação de um sistema de tributos em contraposição ao sistema de contribuição voluntária da nobreza.
IV) Implantação de uma única ordem jurídica em todo território.
Além destes fatores citados como importantes para o surgimento do Estado moderno não devemos
esquecer:
- a adoção do direito romano que trouxe o conceito da propriedade privada;
- a reforma protestante que propiciou a ruptura com o poder da igreja, reforçando desta forma o poder do
Estado; e
- o desenvolvimento do capitalismo fruto da ascensão da burguesia.
A primeira forma de Estado moderno que surge é o Estado absolutista, definido como o monopólio da
força sobre três planos:
a) jurídico – somente o Estado poderia produzir normas jurídicas;
b) político – caberia unicamente ao príncipe legislar e administrar; e
c) sociológico – o príncipe possui um novo instrumento operacional, uma máquina que atua de maneira racional
e eficiente.
- A fragilidade e parcialidade da Teoria Clássica (Taylor e Fayol) e da Teoria das Relações Humanas (Diversos
– grande depressão);
- A necessidade um modelo de organização racional aplicável não somente à fábrica, mas a todas as formas de
organização, principalmente às empresas;
- O tamanho e complexidade crescentes das empresas.
O conceito central da Teoria da Burocracia é a autoridade legal, racional ou burocrática. Os
subordinados aceitam as ordens dos superiores como justificadas, porque concordam com um conjunto de
preceitos ou normas que consideram legítimos e dos quais deriva o comando.
A obediência não é devida a alguma pessoa em si, mas a um conjunto de regulamentos legais
previamente estabelecidos.
O aparato administrativo que corresponde à dominação legal é a burocracia. A posição dos funcionários
(burocratas) é definida por regras impessoais e escritas, que delineiam de forma racional a hierarquia os direitos
e deveres inerentes a cada posição, os métodos de recrutamento e seleção, etc.
A burocracia é a organização típica da sociedade moderna democrática e das grandes empresas. Através
do “contrato” ou instrumento representativo da relação de autoridade dentro da empresa capitalista, as relações
de hierarquia nela passam a constituir esquemas de autoridade legal.
Weber notou a proliferação de organizações de grande porte que adotaram o tipo burocrático de
organização, concentrando os meios de administração no topo da hierarquia e utilizando regras racionais e
impessoais, visando à máxima eficiência.
Características da Burocracia
- Caráter legal das normas e regulamento.
- Caráter formal das comunicações.
- Caráter racional e divisão do trabalho.
- Impessoalidade nas relações.
- Hierarquia da autoridade.
- Rotinas e procedimentos padronizados.
- Competência técnica e meritocracia.
- Especialização da administração.
- Profissionalização dos participantes.
Vantagens da Burocracia
Para Weber, comparar os mecanismos burocráticos com outras organizações é como comparar a
produção da máquina com modos não mecânicos de produção. Assim, as vantagens da burocracia são:
- Racionalidade em relação ao alcance dos objetivos da organização;
- Precisão na definição do cargo e na operação;
- Rapidez nas decisões;
- Unicidade de interpretação;
- Uniformidade de rotinas e procedimentos;
- Continuidade da organização através da substituição do pessoal afastado;
- Redução do atrito entre as pessoas;
- Subordinação dos mais novos aos mais antigos
- Confiabilidade.
Nessas condições, o trabalho é profissionalizado, o nepotismo é evitado e as condições de trabalho
favorecem a moralidade econômica e dificultam a corrupção.
A equidade das normas burocráticas assegura a cooperação entre grande número de pessoas, que
cumprem as regras organizacionais, porque os fins alcançados pela estrutura total são altamente valorizados.
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Bibliografia
Dias, Reinaldo. Ciência Política. São Paulo: Editora Atlas, 1ª ed. 2011.
CAPITULO V
O que veremos neste capítulo:
Retrospectiva.
Política, poder e Administração.
Liderança e poder.
Dependência, a chave do poder
Táticas de poder
O poder em ação, o comportamento político.
1. Retrospectiva
Política, sistema político, poder e autoridade são conceitos fortemente entrelaçados e tem importância
equivalentes.
Relacionar esses conceitos com o mundo empresarial não é difícil visto que em uma empresa temos
relações de poder, autoridade e, por que não dizer, de política.
Nas notas de aulas anteriores estudamos todos esses conceitos, começando pela política e seus primeiros
pensadores na Grécia.
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Da política passamos para o sistema político padrão permanente de relações humanas onde coexistem
poder, governo e autoridade.
É difícil não acharmos uma relação de poder em nossas vidas. Ela ocorre, em diferentes intensidades,
em praticamente todas as relações sociais. Além de variar em intensidade, também existem diversos tipos de
poderes. No entanto, apesar desta diversidade, podemos estabelecer uma hierarquia entre os poderes, tendo o
poder político o lugar de maior destaque.
É um fenômeno intrigante, complexo e oculto. Está presente nos setores públicos e privados com fins
lucrativos ou não, em situações de trabalho voluntário e trabalho remunerado. Cada tipo de organização difere
em termos de objetivo, quadro de pessoal e outras variáveis, mas os problemas de poder organizacional são
muitas vezes da própria sobrevivência individual e estão presentes em cada uma delas.
Para Robbins (2002), poder é um processo natural em qualquer grupo ou organização. Ele tem origem
na força ou na autoridade.
A força, como fonte de poder, surge quando um agente usa ou ameaça de coerção física outro agente. É
uma característica dos Estados.
A outra fonte de poder, a autoridade, pode ser definida como um direito de decidir sobre o
comportamento de outrem. Max Weber identificou três tipos de autoridade: a burocrática; a tradicional e a
carismática.
O estudo da política, do poder e da autoridade inicialmente acontece naquela instituição que
conhecemos como Estado. Entretanto, podemos encontrar estes conceitos também nas organizações privadas.
Quando utilizado de maneira equilibrada o poder pode trazer benefícios para a empresa, devendo o
gestor decidir a forma mais adequada de exercê-lo, sem ser autoritário e inflexível, mas com firmeza, pois como
escreveu Maquiavel, “O homem que tenta ser bom o tempo todo está fadado à ruína entre os inúmeros outros
que não são bons”.
Quanto ao foco da influência, a liderança é explicada basicamente pela relação líder - liderado. Já o
exercício do poder, para ser entendido corretamente, precisa considerar todos os efeitos, diretos e indiretos,
verticais e horizontais.
Quanto à importância da origem e conquista, a preocupação sobre a liderança tem foco no estilo do
líder. Com relação ao poder, a preocupação é com as táticas de conquistas e da submissão.
5. Táticas de poder
O bom exercício do poder é importante, mas como fazê-lo com eficiência?
A maneira como os agentes influenciam os outros, as táticas de poder, são os caminhos para o sucesso,
ou não, do exercício do poder.
Segundo Robbins (2002), as táticas ou estratégias mais importantes para conquistar e exercer são sete.
Vejamos cada uma delas e seu respectivo significado.
1) Razão - argumentação racional e lógica de ideias.
2) Amabilidade - promoção de um clima amigável por meio de uma postura humilde.
3) Coalização - Obtenção de apoio do grupo para suas ideias.
4) Negociação - oferecimento de benefícios ou favores para resolver um conflito.
5) Afirmação - abordagem forte e direta para exigência do cumprimento de obediência.
6) Autoridades superiores - faculdade de conseguir apoio dos superiores para suas ideias.
7) Sanções - utilização de recompensas, punições, promessas e ameaças para motivar.
Os administrados utilizam essas táticas ou estratégias de poder em dois planos:
I - com relação aos subordinados
II - com relação aos seus superiores
Em ambos os casos, a razão, segundo Robbins (2002), é o meio mais efetivo para exercer o poder.
O uso da estratégia adequada depende, em geral, do objetivo a ser atingido, da expectativa quanto ao
resultado pretendido e da cultura organizacional.
Fatores individuais:
– capacidade de automonitoramento
- necessidade de poder
- investimento na organização
- conformidade
- expectativa de sucesso
Fatores organizacionais
- Alocação de recursos
- oportunidades de promoção
- sistema de avaliação de desempenho pouco claro
- pressão por alto desempenho
- abordagem de soma zero
Bibliografia
Robbins, Stephen P. Comportamento Organizacional. Tradução técnica: Reynaldo Marcondes. São Paulo:
Prentice Hall, 9ª ed. 2002.
Exercício de fixação
O informe oficial quase fez parecer que foi voluntário. Jon S. Corzine, líder do Goldman Sachs, decidiu
declinar do cargo de presidente. Na verdade, Corzine foi expulso por um golpe orquestrado pelo comitê
executivo da empresa, formado por cinco poderosos executivos. A maneira como Corzine perdeu o emprego é
um bom exemplo do papel do poder e da política dentro das organizações.
Corzine foi nomeado presidente do Goldman em 1994. A empresa, na época, lutava contra prejuízos no
setor de tesouraria e a perda súbita de vários parceiros importantes. Corzine tomou o controle, estabilizou a
empresa e ajudou a levantar o moral e a lucratividade. Mas diversos incidentes ocorridos em 1998, solaparam
seu poder.
Primeiro, os sócios resolveram abrir o capital da empresa. Isto resultaria em um enorme ganho para
todos eles. Mas os investidores fogem das empresas que se dedicam as operações de tesouraria, por causa da
imprevisibilidade desse setor. Os bancos de investimentos, tem ganhos mais estáveis que provem de comissões
sobre administração de fundos e subscrições. Como o Goldman tinha ambas as funções, o comitê todo-
poderoso dos cinco executivos decidiu apresentar a empresa aos investidores como um banco de investimentos.
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O problema era que Corzine tinha suas raízes voltadas para as operações de tesouraria. Líder natural, com um
estilo dissimulado e desorganizado, ele era visto pela comunidade financeira como ligado a área de
comercialização de títulos. Em comparação, o braço direito dele, Henry Paulson, que por sinal era membro do
comitê executivo, vinha do lado do banco de investimentos. Reservado, educado e extremamente organizado,
Paulson se ajustava perfeitamente à imagem que a empresa pretendia passar para a comunidade financeira.
Em segundo lugar, em agosto e setembro de 1998, o Goldman teve um prejuízo de U$$ 500 milhões no
setor de tesouraria. O fato aconteceu alguns meses antes da empresa fazer sua oferta pública. Isto reforçou os
problemas com o negócio de comercialização de títulos e prejudicou a imagem de Corzine.
Terceiro, um dos principais apoiadores de Corzine, o vice-presidente Roy Zuckerberg, deixou o comitê
executivo no final de novembro.
Por fim, Corzine e Paulson nunca foram muito próximos. Seus históricos e estilos eram muito
diferentes, gerando um relacionamento muitas vezes conflitante. Com Corzine perdendo seu apoio e a
percepção de que Paulson seria um líder mais adequado para o processo de abertura de capital da empresa,
parecia ter chegado o momento de Paulson dar seu golpe. E foi o que ele fez.
Em 11 de janeiro de 1999, a empresa divulgou um comunicado oficial dizendo que Corzine estava
deixando seu posto e o comitê executivo, dissolvido, fora substituído por um comitê gestor de 15 executivos
liderado por Paulson.
Adaptado do livro Comportamento organizacional, 9a. edição, 2002, páginas 340 e 341. Editora Prentice Hall.
CAPITULO VI
O que veremos neste capítulo:
Introdução. Teorias contratualistas.
Economia Política.
Poder político e o poder econômico.
Intervenção do Estado na economia.
1. Introdução
Depois de conhecermos um pouco mais sobre o poder, estudando como ele se desenvolve nas empresas
voltemos nosso foco para a política, em especial a Economia Política ou, dito de outra forma, o estudo da
influência política na economia.
Para entendermos melhor este tema vamos recordar um pouco das teorias contratualistas.
Contratual ismo é a ideia de que o Estado é o produto da decisão racional dos homens destinada a resolver os
conflitos gerados pelo seu instinto antissocial ou para solucionar os problemas advindos da convivência.
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Os principais autores desta ideia são: Thomas Hobbes, John Locke e Jean-Jacques Rousseau. Suas
teorias têm os seguintes pontos em comum:
i) Através do contrato social, os indivíduos decidem viver em uma sociedade regida por leis, tendo o Estado
como instrumento de solução de conflitos;
ii) há diferentes tipos de Estado: o absolutista (Hobbes), liberal (Locke) e democrático (Rousseau).
Thomas Hobbes defendeu a ideia de que o ser humano é antissocial e sua conduta é motivada pelo egoísmo.
Para ele, os pactos sociais poderiam ser mantidos desde que existisse um governo forte, pois o temor ao castigo
induziriam os indivíduos a conviver em sociedade.
John Locke acreditava que as pessoas são livres e iguais e sendo assim, os poderes do Estado deveriam
ser suficientes para garantir o cumprimento das regras de forma a assegurar que as pessoas conseguissem
desfrutar seus direitos e as suas liberdades. Desta forma, o Estado deveria providenciar:
a) as regras (legislação);
b) difundir o conhecimento (educação);
c) garantir o cumprimento das regras (segurança); e
d) punir o não cumprimento (justiça).
Rousseau defendeu a ideia de que as pessoas são livres, iguais e boas, e as sociedades é que as
corrompem. Entretanto, existem inúmeras necessidades que precisam ser satisfeitas e neste sentido, o Estado,
constituído segundo a vontade de todos, seria o instrumento essencial da vontade geral expressa por meio de lei.
Além das teorias contratualistas, outros autores contribuíram para tentar explicar a necessidade da
existência do Estado. Um dos mais importantes foi Karl Marx. Ele acreditava que o Estado representava a
organização de classe do poder político, que defende e garante a dominação de uma classe (a burguesia) sobre a
outra (o proletariado). Para Marx, como o Estado pertencia a todos então, os meios de produção deveriam
pertencer ao Estado e não aos particulares (propriedade privada).
2. Economia Política
Economia política foi um termo criado por Antonie de Montchrétien em 1615, e utilizado para o estudo
das relações de produção, especialmente entre as três classes principais da sociedade: capitalistas, proletários e
latifundiários.
Adam Smith, um dos adeptos da economia política, propôs a teoria do valor-trabalho, segundo a qual o
trabalho é a fonte real do valor.
No final do século XIX, o termo economia política foi paulatinamente trocado pelo economia, usado por
aqueles que buscavam abandonar a visão classista da sociedade, repensando-a pelo enfoque matemático,
axiomático e valorizador dos estudos econômicos atuais e que concebiam o valor originado na utilidade que o
bem gerava no indivíduo.
Atualmente o termo economia política é utilizado comumente para referir-se a estudos interdisciplinares
que se apoiam na economia, sociologia, direito e ciências políticas para entender como as instituições e os
contornos políticos influenciam a conduta dos mercados.
Dentro da ciência política, o termo se refere principalmente às teorias liberais e marxistas, que estudam
as relações entre a economia e o poder político.
Este poder tem influência sobre todos os outros poderes, exercendo uma ação dinamizadora sobre o conjunto da
sociedade, incluindo sobre os poderes político, mediático e os grupos de pressão.
Trata-se de um poder fundamentado na propriedade privada e por isso dizemos que estamos no chamado
domínio dos direitos absolutos, pois é inerente ao ser humano, não sendo permissível que sobre o mesmo se
sobreponha outro qualquer direito de propriedade.
A lei atribui o mais amplo conteúdo ao direito de propriedade privada: o direito de possuir, usufruir e
decidir sobre o seu destino.
A questão de saber qual a relação entre o poder político e o poder econômico está intimamente ligada à
natureza do regime e da política econômica.
Buscando extremos na ilustração, diríamos que, num regime de economia baseada na propriedade
coletiva dos meios de produção e da direção centralizada da economia, o poder econômico pertence ao povo,
que o exerce através da classe política, das cooperativas, dos sindicatos, dos órgãos de gestão das empresas,
onde participam diretamente, e de uma série de outros meios e mecanismos populares de gestão da economia,
próprios dos sistemas de economia centralmente dirigida. Aqui o poder econômico privado não teria espaço
para se afirmar.
Diversamente, em um regime cuja economia é baseada na propriedade privada e nas leis do mercado, o
poder econômico pertence a quem tem a propriedade desses bens.
Os principais atores do poder econômico são, pois, os que detêm a propriedade dos principais e mais
importantes bens da economia.
Nas economias de mercado, o alcance e a dimensão deste poder são determinados pelo papel econômico
do Estado, cuja maior ou menor intervenção na economia depende do regime econômico respectivo. Este pode
ser mais ou menos liberal, consoante a tendência ideológica de quem exerce o poder político em cada momento
histórico.
Modernamente, e independentemente da coloração ideológica de quem exerce o poder político, os
Estados não prescindem de uma intervenção reguladora da economia, tendente a suprir as lacunas do poder
econômico privado e evitar as crises que o liberalismo econômico nefasto potência. Exemplo de liberalismo
nefasto e das suas consequências (trágicas) foi a recente crise financeira e económica mundial.
Pelas razões acima apontadas, faz todo o sentido que, nas economias emergentes, sobretudo as que têm
históricos de colonização, o poder econômico privado com influência decisiva sobre o conjunto da sociedade
seja nacional, pois ele constitui o poder real - podendo determinar o curso do poder político - e é uma forma de
contribuir para a afirmação da soberania nacional e para a independência econômica efetiva.
Pelas mesmas razões, no jogo entre o poder político e o poder econômico, o Estado tem a
responsabilidade de garantir o equilíbrio entre ambos, dando efetividade aos princípios da liberdade de
iniciativa econômica privada e da orientação e regulação públicas da economia.
aumento da participação do Estado na Economia, e foi com isto que surgiu a intervenção do Estado na
economia.
A intervenção do Estado na economia vem justamente com o aparecimento da macroeconomia, isto é,
um estudo econômico que versa sobre a economia como um todo e não localizado, como na teoria dos preços,
da famosa competição perfeita. Nestas mesmas condições, o Estado passou de mero coordenador das atividades
nacionais gerais, a uma situação de capitalista de Estado, investindo, poupando, decidindo como deve ser a
economia, enfim, intervindo na estrutura econômica, de tal maneira que os ajustes econômicos eram
coordenados pela intervenção do Estado, através de medidas próprias.
E a crise de 1929 teve fim. Alguns países progrediram e se fomentou neste processo de acumulação e
concentração, a divisão de países terceiro-mundistas, periféricos, ou, subdesenvolvidos; mas, isto decorrente de
uma economia dominadora, imperialista, onde predominam e fortificam-se os poderosos na economia.
Para que o Estado agisse com eficiência na estrutura de mercado, KEYNES observou que o sistema econômico
não se autor reajusta por si só, ao considerar que, nem sempre a produção global encontra sua procura efetiva e
isto faz com que, alguém trace melhor o caminho que a economia deve percorrer.
A partir de então os países, desenvolvidos ou em desenvolvimento, adotaram medidas que visavam
maior ou menor intervenção do Estado na economia de forma a cumprir com eficiência as funções do Estado.
E é neste contexto que a economia está totalmente vinculada aos princípios do Estado como instituição, quer se
trate de capitalismo, ou, de socialismo, o Estado já tem bem definido, em seus caminhos a seguir em sua
estratégia de planejamento.
As funções do Estado seriam de procurar conseguir o máximo bem-estar econômico e social possíveis,
para toda a sociedade. Para tanto, ele dispõe de vários instrumentos como a política fiscal e a política
monetária, além da importante contribuição que pode prestar ao desenvolvimento econômico mediante a
investigação científica e a divulgação dos seus resultados.
porque, dentro da ampla coalizão que elegeu Dilma, as forças políticas ligadas ao capital rejeitam medidas mais
contundentes, tais como imposto sobre grandes fortunas ou redução da jornada de trabalho para 40 horas
semanais. Singer não descarta tais mudanças, mas acredita que dependeriam de uma alteração na atual
correlação de forças.
O professor da FFLCH chama atenção para a complexidade da situação: no interior da composição
vencedora, o antagonismo entre de um lado os trabalhadores organizados, e de outro lado “o que restou do
capital industrial nacional”, pode ser superado quando se trata de combater a atual política cambial, com a
finalidade de preservar empregos e barrar a desindustrialização. “Mexer na política cambial significa um
confronto com o setor dominante do capital, que é o capital financeiro. Para enfrentar este bloco é preciso
reunir muita força e, portanto, vai haver necessidade de unir esses setores, porque o poder do capital financeiro
é muito grande”.
Na sua opinião, a vitória de Dilma confirma suas teses sobre o lulismo, fenômeno que expressa um
realinhamento do eleitorado e o advento de uma nova e duradoura agenda política para o Brasil: “Existe uma
nova maioria, articulada em torno da ideia de combate à pobreza sem ruptura da ordem”. A nova maioria pode
incluir interesses muito amplos: desde os setores mais pobres até setores do próprio capital financeiro, “à
medida que você mantém, por exemplo, uma taxa de juros relativamente alta”. Contudo, o núcleo dessa vasta
composição social, precisa ele, “é formado pelos interessados no processo de distribuição de renda por meio de
maior intervenção estatal, que tem um sentido antineoliberal”.
O governo Lula, diz, mudou a agenda, que deixou de ser a diminuição do Estado e ampliação do
mercado, para ser uma agenda de combate à pobreza: “O que me leva a achar que não está correto o diagnóstico
de que o governo Lula aprofunda o neoliberalismo”. Singer pensa que a oposição não tem como fugir da nova
pauta fixada pelo realinhamento, o que explica as promessas feitas pelo candidato José Serra no segundo turno,
tais como aumento do salário-mínimo e ampliação do Bolsa Família.
A entrevista foi concedida a Pedro Estevam da Rocha Pomar e Kamila el Hage.
Bibliografia
Queiroz, Francisco. As relações entre o poder político e o poder econômico.
[Link]
as_relacoes_entre_o_poder_politico_e_o_poder_economico. 2010-06-04 11:30:00
Entrevista André Singer: Governo Dilma tende à continuidade e ao equilíbrio, sem ruptura.
[Link]
“Os países que preservaram instituições estatais conseguiram resistir às pressões neoliberais e priorizar
desenvolvimento, geração de emprego e combate à pobreza. No Brasil, o Poder Político não está submetido ao
Poder Econômico.”
'Banco público impede submissão da política ao poder econômico'
A decisão do [então] primeiro ministro da Grécia de submeter o próximo pacote de “ajuda” da Europa
ao seu país a uma consulta popular desencadeou uma queda espetacular das cotações nas bolsas de valores no
mundo inteiro, colocando em foco a profunda contradição entre o Poder Político e o Poder Econômico nos
países capitalistas democráticos, que hoje são a grande maioria das nações. Uma decisão que deveria ser normal
em qualquer democracia – a de consultar o povo, do qual o governo, isto é, o Poder Político, é o representante –
acaba de provocar pânico entre os donos do capital financeiro, que hoje detém a hegemonia do poder.
A mesma contradição é a fonte da motivação essencial do movimento hoje mundial dos Indignados, que
desde 15 de outubro promove a ocupação das praças centrais dos distritos financeiros de 951 cidades em 82
países. O que os Indignados demandam, acima de tudo, é que a democracia formal, vigente nestes países, se
torne real, ou seja, que o Poder Político eleito pelo povo de fato o represente, em vez de executar políticas que
43
beneficiam exclusivamente a classe que exerce o Poder. O que evidencia a contradição de interesses entre a
maioria do povo – os 99% que os ocupantes de Wall Street almejam representar – e o 1% que constitui a elite
do Poder.
A contradição entre Poder Político e Poder Econômico se explica pela origem de um e outro Poder. Em
democracias, o Poder Político é exercido pelos eleitos pela maioria dos cidadãos, que é necessariamente
constituída por trabalhadores não proprietários de meios de produção social, boa parte dos quais ganha a vida
como assalariados de empresas capitalistas; ao passo que, no capitalismo, o Poder é exercido pelos capitalistas,
mas não por todos por igual.
Os empresários da economia real, isto é, cujas empresas produzem bens e serviços que atendem
necessidades humanas, dependem de crédito tanto para financiar vendas a prazo quanto para investir em
matérias primas, maquinário, instalações etc., na medida em que a demanda por sua produção se expande; o
crédito é concedido por bancos, fundos de investimento e outros intermediários financeiros. A renda não gasta
pelas famílias, empresas e governos é depositada nestes intermediários, que a redistribuem na forma de
empréstimos aos governos, empresas e famílias cujos gastos superam sua renda.
Os bancos, fundos etc., que são empresas capitalistas, visam maximizar seus próprios lucros,
emprestando a juros maiores do que pagam aos depositantes e aplicando parte dos depósitos que lhes são
confiados em títulos de propriedade de firmas (ações) ou de débito emitidos por governos e empresas.
Commodities, ações de novas empresas e cotas de fundos de investimento são transacionados em leilões diários
nas bolsas de valores e suas cotações flutuam ao sabor das oscilações de oferta e demanda pelos mesmos.
A maior parte dos participantes nestes leilões são especuladores, que procuram adivinhar em que ativos
irão se concentrar as preferências da maioria para adquiri-los antes que se valorizem e quais ativos serão
vendidos, para vendê-los antes que se desvalorizem. Obviamente, uma parte dos especuladores faz antecipações
erradas e, por isso, perde dinheiro para os seus felizes competidores, cujas apostas anteciparam o futuro
corretamente.
Trata-se de um jogo de apostas, mas que afeta o andamento da economia real. Se o otimismo prevalecer
nas bolsas de valores, os especuladores comprarão ações e títulos de crédito, cujas cotações subirão, o que
permitirá aos empresários obter mais facilmente dinheiro para expandir suas atividades; o crescimento da
produção da economia real confirmará as expectativas otimistas dos detentores do dinheiro depositado neles
pelos poupadores, levando-os a reiterar as compras de títulos e assim por diante. O resultado será a formação de
uma típica bolha de valorização de ativos, cujo efeito será acelerar a expansão das atividades econômicas, até
que elas esbarrem em pontos de estrangulamento, que impedirão a continuação do crescimento.
Os pontos de estrangulamento são constituídos por recursos indispensáveis à produção e à distribuição,
que exigem tempo para serem multiplicados, como, por exemplo, a produção e distribuição de energia elétrica,
os meios de comunicação e de transporte, a mão de obra com escolaridade acima da fundamental etc. Os pontos
de estrangulamento elevam o custo de produção e distribuição de bens e serviços, suscitando círculos viciosos
de elevação de preços e salários, que resultam em inflação cada vez maior, contra a qual o Poder Político é
forçado a agir, reduzindo a disponibilidade de crédito e o gasto público.
O mero anúncio destas medidas de “austeridade” basta para que as expectativas dos especuladores
financeiros se invertam, passando de otimistas a pessimistas, pois eles sabem que elas reduzirão a demanda por
títulos nas bolsas, fazendo com que suas cotações desabem.
Inflação e renda
Em suma, o Poder Político é induzido a conter a inflação atendendo ao interesse dos capitais financeiros,
que temem a desvalorização da moeda, ocasionada pela subida dos preços. A inflação exige a ampliação da
oferta de moeda, que é a “mercadoria” que os intermediários financeiros transacionam. Sua desvalorização
prejudica diretamente bancos e fundos, cujos capitais são constituídos, em sua maior parte, por tesouros em
forma da moeda corrente do país. Na verdade, a inflação prejudica também todos que dependem de rendas
fixas, entre os quais estão também os trabalhadores informais, que estão excluídos de normas contratuais ou
legais que reajustam rendas ou depósitos automaticamente por índices periódicos de inflação. Esta circunstância
permite aos porta-vozes dos interesses financeiros proclamarem que é necessário paralisar o crescimento
econômico tão logo pressões inflacionárias se fazem sentir, porque a inflação é o mais cruel dos impostos, pois
pune os mais pobres. Na realidade, pune os mais pobres e os mais ricos, sendo óbvio que os últimos podem
suportar perdas muito melhor que os primeiros.
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A experiência histórica do final do século passado mostra que realmente inflação elevada e persistente
pode prejudicar seriamente o funcionamento dos mercados e, quando atinge o limite da hiperinflação, tornar
impossível o prosseguimento do desenvolvimento econômico; uma vez atingido este estágio, a estabilização
dos preços exige o encolhimento da demanda efetiva total por bens e serviços, com efeitos negativos para a
economia real, prejudicada pela dificuldade de vender com lucro suas mercadorias.
Como governo algum se arrisca a lançar a economia em hiperinflação, as fases de crescimento rápido
são abortadas pelo Poder Político mediante políticas de estabilização que se caracterizam pela elevação das
taxas reais de juros, proporcionando grandes lucros aos capitais financeiros.
Isso comprova mais uma vez que, no capitalismo contemporâneo, o Poder Político não pode deixar de praticar
políticas, que em nome do interesse geral, de fato priorizam o capital financeiro, reforçando a hegemonia deste
sobre o Poder Econômico. Convém observar que, se a intermediação financeira fosse atribuição exclusiva de
bancos públicos, a estabilização dos preços em vez de concentrar a renda, como acontece hoje, reforçaria a
participação do Poder Político na renda nacional, possibilitando-lhe ampliar políticas redistributivas e deste
modo tornar a distribuição da renda mais justa.
Aqui reside o caráter contraditório do relacionamento entre Poder Político e Poder Econômico. Os
governos desejam em geral que haja prosperidade; embora esta possa beneficiar todas as classes, o excedente
econômico assim gerado sempre é apropriado pelos capitalistas. Os trabalhadores só se beneficiam pelo
aumento do emprego, que viabiliza em alguma medida as campanhas sindicais por melhoras salariais. Só que
estas somente são obtidas após muita luta contra a resistência patronal, ao passo que a apropriação do excedente
pelos donos e administradores dos capitais é imediata: sendo as mercadorias produzidas pelos trabalhadores
propriedade dos capitalistas, o lucro a mais decorrente do maior volume de vendas é deles. O que os
trabalhadores podem receber a mais será pelas horas extras eventualmente trabalhadas, o que explica a forte
concentração da renda que ocorre sempre quando o crescimento econômico perdura.
Para se contrapor à concentração da renda, governos comprometidos com os interesses e aspirações das
classes trabalhadoras podem tributar os ganhos extraordinários dos capitalistas e aplicar a receita pública
adicional em políticas redistributivas. Políticas como estas, no entanto, provocam a desconfiança dos
operadores financeiros, que reduzirão suas aplicações na economia nacional, lançando-a em crise. Sabedores
disso, governos de esquerda evitam ferir a confiança do capital financeiro, o que explica sua frequente
conversão ao neoliberalismo.
No capitalismo contemporâneo, o Poder Econômico, ao contrário do Poder Político, deixou de ser
nacional para se tornar global, sendo dominado por um limitado número de gigantescas transnacionais
financeiras. Estes capitais tomam em geral a forma de bancos demasiado grandes para que os governos possam
correr o risco de deixá-los quebrar. Eles estão interligados por interesses financeiros, o que lhes permite
atropelar o Poder Político de países que não se submetem aos seus desejos.
O Poder Econômico privado conseguiu monopolizar a distribuição do dinheiro internacionalmente
aceito, a moeda “forte”, representada principalmente pelo dólar, graças à influência que exerce sobre
instituições multilaterais como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial (Bird) e a
Organização Mundial do Comércio (OMC), o que lhe permite impor sua vontade ao Poder Político de nações
que não têm o status de superpotências, como está claro no caso da Grécia e de mais uma série de outros países
que simplesmente perderam a confiança do Poder Econômico global, de que sejam capazes de honrar suas
dívidas externas. Para reconquistar esta confiança, estão sendo obrigados a aplicar políticas econômicas de
austeridade que lançam suas economias nacionais em longas e profundas crises.
Bancos públicos
A voga do neoliberalismo que assolou o mundo nos últimos 32 anos fez com que muitos países
vendessem seus bancos públicos a capitais privados, o que tornou seus governos inteiramente dependentes dos
intermediários financeiros privados. Estes governos, para reter a confiança das finanças capitalistas, foram
obrigados a equilibrar seus orçamentos, procurando reduzir seus déficits e conter o crescimento da dívida
pública. Além disso, tiveram de priorizar o combate à inflação, reduzindo a despesa pública e o ritmo do
crescimento econômico.
O efeito destas políticas foi reduzir a demanda por mão de obra das empresas, ampliando o desemprego,
enfraquecendo os sindicatos e suas lutas por melhores salários e condições de trabalho. A contenção da despesa
pública debilitou as políticas redistributivas e os sistemas públicos de saúde, educação e previdência, que estão
sendo em parte privatizados.
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Os países que preservaram seus bancos públicos e os ampliaram de acordo com as necessidades
puderam resistir às pressões neoliberais e continuar priorizando o desenvolvimento e o combate à pobreza,
ampliando e aperfeiçoando suas políticas sociais e mantendo a expansão do emprego, de modo a evitar o
desemprego em massa, sobretudo o de longa duração.
Atualmente, os países que optaram por esta alternativa se encontram em sua maior parte na Ásia e na
América Latina e constituem as economias emergentes que mais crescem no mundo e menos são afetadas pelas
crises produzidas pela especulação financeira desregulamentada. Nestes países, entre os quais se encontra
felizmente o nosso, o Poder Político não está submetido ao Poder Econômico.
Na América do Norte e na Europa o peso do legado neoliberal subordina o Poder Político à ideologia e
aos interesses do Poder Econômico. Daí resulta o marasmo econômico, a persistência do desemprego em massa
e da pobreza, com o aumento inegável da desigualdade socioeconômica. Nos países do Primeiro Mundo, os
sacrifícios impostos à classe trabalhadora e, em especial, à juventude estão suscitando o surgimento de uma
nova esquerda, que diferentemente da velha esquerda não pauta a conquista do poder como ponto de partida
para a reversão de uma situação insuportável.
A rebelião dos Indignados tem por alvo a restauração da autenticidade democrática por meio da
indispensável subordinação dos interesses da minoria privilegiada à vontade da maioria. Para tanto, ela terá de
revelar os liames políticos e econômicos que amarram os representantes eleitos ao Poder Econômico, que retira
sua força de uma globalização dominada pelo capital financeiro e que impede que o Poder Político, limitado ao
âmbito nacional, possa cumprir suas plataformas eleitorais.
Obviamente, para restaurar a autenticidade democrática e a supremacia do Poder Político, será
necessário desenvolver, ao lado do capitalismo, uma economia em que o capital seja propriedade coletiva dos
trabalhadores que o utilizam, como sempre foi em toda longa história da humanidade que precedeu a Revolução
Industrial.
Esta “outra economia” já está sendo desenvolvida em numerosos países e terá como resultado a diversificação
do Poder Econômico, tornando-o em boa parte afinado com as necessidades e desejos dos que hoje são
explorados e alienados.
*Paul Singer é secretário nacional de Economia Solidária do ministério do Trabalho.
Com uma população de 6,3 milhões de habitantes e um PIB cem vezes menor que o brasileiro, o
Paraguai está habituado a viver suas tragédias de forma subterrânea, longe das atenções mundiais. Dificilmente
o desastre ocorrido na sexta-feira, em Curuguaty, próximo da fronteira com o Brasil, fugirá dessa regra. O
episódio em que morreram 18 pessoas, sendo 11 militantes sem-terra e sete policiais, merecia um destino
diferente do esquecimento. Serviria como advertência do que pode ocorrer quando se entrecruzam concentração
de renda e um Estado débil.
Na manhã de sexta-feira, o grupo especial de operações da polícia paraguaia, uma espécie de Bope
local, foi deslocado para a fazenda de um ex-senador do Partido Colorado, Blás Riquelme. A propriedade está
ocupada há alguns anos por cerca de 500 famílias. Foram recebidos à bala e devolveram o fogo. Entre os
mortos, estava o comandante do grupo policial. O confronto gerou uma crise institucional: caiu o ministro do
Interior e o chefe da polícia, a oposição tenta articular um pedido de impeachment contra o presidente Fernando
Lugo e os ruralistas irão promover um "tratoraço" na segunda-feira.
Liderança histórica na área de direitos humanos do país, o advogado Martín Almada lembra que a
tragédia de Curuguaty faz parte da herança que o país recebeu da ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989).
O ditador, que morreu exilado no Brasil em 2006, estruturou seu poder distribuindo terras fiscais do Estado de
maneira discricionária, gerando um caos fundiário. A prática continuou, em menor escala, nos governos
seguintes, até 2003.
"É neste contexto que a propriedade de Riquelme se situa", afirma Almada. O que aconteceu no
Paraguai foi uma reforma agrária às avessas: em 1991, 1,5% dos proprietários controlavam 81,3% da
superfície. Com o advento da soja, a concentração não diminuiu. Segundo dados da coordenadoria nacional de
direitos humanos do Paraguai, em 2008 2% das propriedades somavam 78% das terras.
A soja e o gado empurraram o Paraguai adiante, e o país chegou a registrar taxas chinesas de
crescimento, como os 15,4% de expansão do PIB em 2010. Os dólares entraram no país, mas não nos cofres
públicos: o Paraguai é o paraíso do Estado mínimo. Segundo dados do Banco Central local, a carga tributária
atual é de 13% sobre o PIB, a mais baixa da América do Sul. O imposto de renda da pessoa jurídica só foi
criado em 2004. O de pessoa física, a depender do Congresso, só começará a ser cobrado a partir do próximo
ano.
No Paraguai, o Estado provedor não existe. As pessoas estão habituadas a cada um cuidar de si. De
acordo com um levantamento da Cepal divulgado no ano passado, 69% dos lares paraguaios não contam
atualmente com nenhum mecanismo de proteção social, nem mesmo de previdência contributiva. É o mais alto
percentual entre os 13 países pesquisados, em uma pesquisa que não inclui o Brasil. Um terço da população está
abaixo da linha de pobreza.
Foi neste contexto que o então bispo católico Fernando Lugo iniciou a irresistível arrancada que o
levaria à Presidência em 2008. Sem estrutura partidária, ganhou ao catalisar as esperanças de desenvolvimento
social e reforma agrária, tema de não pouca importância em um país com 40% da população no campo.
Em seus quatro anos de governo, o resultado da gestão de Lugo parece apagado. O presidente tornou-se
foco de atenções por suas vicissitudes pessoais, como filhos do tempo de celibato reconhecidos tardiamente e a
batalha contra um linfoma. Seu maior sucesso administrativo foi conseguir do Brasil a renegociação da venda
da energia elétrica de Itaipu. O aumento de 200% na energia gerada pelo Paraguai por si só representou um
acréscimo de 1% no PIB local. Do ponto de vista político, disciplinou o Exército, ao reformular a cúpula da
instituição.
Sem maioria no Congresso, Lugo viu o seu projeto paraguaio de Bolsa Família, o "Tekoporá", ser
podado pelo Legislativo. O programa pagava 83 mil benefícios em 2011, muito aquém do que se previa. A
estratégia de tocar um programa de reforma agrária com a compra de terras não funcionou. Os conflitos rurais,
que caíram entre 2008 e 2010, voltaram a crescer no ano passado. Sem ter o que oferecer aos movimentos
organizados, Lugo não os atende e não os reprime.
A anemia do Estado no Paraguai faz com que o poder público vá perdendo o seu poder mediador em
meio a conflitos. É uma tendência que tende a se agravar, segundo Almada. "Lugo parece temer o mesmo
destino que Manuel Zelaya teve em Honduras, que caiu em 2009 em um golpe patrocinado pelas forças
políticas", comentou.
Para os próximos anos, na opinião de Almada, episódios de violência devem se repetir. "A pobreza no Paraguai
é explosiva", comentou. O esgarçamento institucional em um país com uma fronteira terrestre notoriamente de
baixo controle policial com o Brasil não deve ser uma questão menor para Brasília.
Um incipiente movimento insurgente, o Exército do Povo Paraguaio, tenta se estruturar desde o governo
anterior a Lugo. Sua cúpula está presa, mas o governo não conseguiu romper a cadeia de comando da
organização. De acordo com o que o próprio adido da Polícia Federal no Paraguai afirmou no ano passado, as
principais organizações criminosas brasileiras estão presentes no país vizinho.
Não há qualquer evidência de que a ponta mais radicalizada da insurgência paraguaia se conectou com o
submundo brasileiro, mas cabe em relação a esta hipótese funesta lembrar a frase do escritor francês Victor
Hugo: "Nada é mais poderoso quando a uma ideia chega seu tempo".
Imagine que há duas décadas uma Alemanha recém-unificada resolvesse dominar a Europa, como a
Alemanha previamente unificada havia tentado sem sucesso meio século antes. Dessa vez, ela usaria dinheiro
em vez de armas. Não há evidência para essa teoria de conspiração. Mas, se houvesse, as coisas poderiam ter
acontecido mais ou menos como aconteceram.
O que se segue é uma breve história do euro. As frases em itálico foram inventadas para amparar a
teoria conspiratória. Mas os fatos estão inalterados.
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Em meados de 1992, a experiência europeia com o câmbio semifixo estava sob pressão principalmente por
causa da decisão do Bundesbank (o banco central alemão) de elevar os juros acentuadamente. Os termos
generosos da unificação alemã haviam sobrevalorizado fortemente o marco alemão-oriental, causando inflação.
Esses juros altos trouxeram uma enxurrada de dinheiro para a Alemanha. Como outras moedas
europeias estavam atreladas ao marco, elas também subiram, afetando a capacidade dos países de competir nos
mercados mundiais. Para manter esse atrelamento, esses países precisaram elevar seus juros quando suas
economias já estavam fracas, piorando suas situações domésticas.
Especuladores concluíram que o atrelamento cambial não poderia durar. Enormes vendas de liras
italianas e libras esterlinas forçaram os governos a queimarem divisas para sustentar suas moedas.
Em setembro, Grã-Bretanha e Itália abandonaram o atrelamento cambial. Suas moedas se depreciaram
rapidamente. Outros foram atrás. Os britânicos culparam os alemães por seus juros altos. "Acusações
tendenciosas de responsabilidade não vêm ao caso", respondeu o então chanceler alemão, Helmut Kohl.
Para muitos europeus, a lição a tirar disso foi que as moedas comuns precisavam ser rígidas, para evitar
qualquer ataque especulativo a uma moeda fraca.
A Europa já havia decidido no Tratado de Maastricht, assinado naquele ano, a buscar um caminho para
a união monetária. As regras não previam qualquer mecanismo real de implantação, mas não havia forma de
um país deixar a zona do euro.
É concebível que a Alemanha tenha aprendido três coisas com a experiência de 1992. Primeiro, que sem
um câmbio fixo suas empresas exportadoras enfrentariam o risco de desvalorizações competitivas periódicas no
resto da Europa. Segundo, que a união monetária poderia ajudar as exportações se o valor do euro fosse
mantido baixo por causa de economias menos competitivas.
Finalmente, se a Alemanha adotasse uma política de juros baixos, os bancos poderiam abrir a torneira do
crédito e criar um boom europeu financiado por dívidas. Isso causaria desequilíbrios. No fim das contas, países
profundamente endividados enfrentariam uma crise, a qual só poderia ser solucionada se eles aquiescessem às
políticas alemãs e cedessem uma grande parte da soberania nacional.
Em julho de 1992, o Bundesbank elevou sua taxa básica de juros em 75 pontos, para 8,75%. Ao longo
dos anos, ele cortaria rapidamente os juros. Quando o euro foi lançado, a taxa estava em 2,5%.
Com o tempo, as exportações alemãs dispararam, enquanto seus vizinhos europeus usavam dinheiro
emprestado para comprar produtos alemães. Os bancos alemães ajudaram a financiar bolhas imobiliárias na
periferia.
O momento crítico da crise pode ter sido quando os bancos irlandeses quebraram, no começo de 2009.
Se o governo irlandês tivesse dito que iria garantir os depósitos, mas que empréstimos feitos aos bancos
poderiam deixar de ser pagos, os bancos alemães estariam em apuros e provavelmente precisariam ser
resgatados pelo governo da Alemanha.
Em vez disso, o governo irlandês garantiu as obrigações bancárias -algo que ele não conseguiu bancar.
A Irlanda é que precisou ser resgatada. A receita alemã para a Irlanda, como logo mais seria para outros países,
foi a austeridade. Nos últimos anos, houve repetidas crises, com a Alemanha parecendo ser rígida até ceder na
última hora e evitar um desastre, sem fazer nada que permitisse que as economias problemáticas crescessem.
O fim do jogo talvez esteja próximo. Países com problemas podem permanecer na zona do euro,
enfrentando vários anos de recessão. Ou podem abandonar o euro, talvez atraindo uma catástrofe, mas tendo
mais liberdade para desvalorizar suas moedas. Ou eles podem entregar sua soberania e aceitar a liderança alemã
sobre uma Europa unificada. Aí a Alemanha irá resgatá-los.
Se a Europa não aceitar a oferta, e o euro se desintegrar, é difícil saber como será. Mas um novo marco
alemão sem dúvida seria muito mais forte do que o euro é agora, tornando a vida bem mais difícil para os
exportadores alemães. Isso leva alguns europeus a pensarem que a Alemanha está blefando e que ela irá
continuar pagando a conta mesmo se não conseguir o que deseja.
O euro deveria selar a integração e a prosperidade europeias, assegurando que nunca mais o continente
iria iniciar uma guerra mundial. Em vez disso, ele gerou ódio, recessão e ressentimento. Os gregos e outros
veem nisso uma conspiração alemã. Os alemães veem uma conspiração para obrigá-los a pagar pelos pecados
alheios.
Se isso escapar ao controle, a economia mundial pode ser a perdedora, independentemente de alguma
conspiração ter realmente existido.
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CAPITULO VII
O que veremos neste capítulo
História da Teoria dos jogos. Conceitos. Importância.
Teoria da escolha Racional.
O poder do eleitor.
Teoria das votações.
Teorema do eleitor mediano.
O jogo do apadrinhamento.
1. Introdução
A Teoria dos Jogos surgiu como um campo da Matemática aplicada e desde 1944, quando o matemático
húngaro John Von Neumann e o economista alemão Oskar Morgenstern lançaram o livro Teoria dos Jogos e
Comportamento Econômico (The Theory of Games and Economic Behavior), é usada como ferramenta em
estudos de estratégia.
Segundo Ferguson (1988), a Teoria dos Jogos tem como objetivo geral avaliar o comportamento
racional em situações nas quais os resultados dependem da interação das ações dos agentes envolvidos.
A aplicação da teoria dos jogos à ciência política levou ao desenvolvimento de modelos teóricos que
permitem avaliar o comportamento dos agentes (jogadores) - eleitores, estados, grupos de interesses e políticos
- envolvidos em diversas situações.
Apesar de ser considerada um marco no estudo da teoria dos jogos, a obra mostrou-se bastante restritiva
ao concentrar o foco na análise dos jogos de soma zero, algo pouco aplicado na maioria das situações de
interação entre indivíduos ou entre organizações.
A partir de 1950, o matemático John F. Nash Jr, o economista John C. Harsanyi e o matemático e
economista Reinhard Selten, avançaram no estudo da Teoria dos Jogos ao apresentarem ferramentas teóricas
que possibilitaram a análise de uma maior variedade de modelos de interação.
A contribuição de Nash foi de suma importância para a análise de uma classe muito maior de jogos. Ele
mostrou o equilíbrio para jogos que não fossem de soma zero. Este conceito ficou conhecido como equilíbrio de
Nash, situação em que a jogada de um agente será sempre a melhor resposta a estratégia de outro agente.
Em 1965 Selten publicou um artigo cujo conteúdo principal é o modelo equilíbrio perfeito em subjogos.
A partir deste conceito, Selten, diz que uma estratégia para ser ótima ter que levar em consideração todos os
possíveis desdobramentos do processo de interação estratégica.
A contribuição de Selten foi significativa, principalmente para a análise daqueles jogos que envolvem
ameaças e compromissos, pois permitiu avaliar quais compromissos ou ameaças poderiam ser cumpridas.
Não devemos esquecer de Robert J. Aumann, matemático cujos estudos possibilitaram entender que as relações
entre indivíduos ou organizações tem uma boa chance de durar por tempo indeterminado. Esta ideia está
vinculada as premissas de cooperação, tempo de realização dos ganhos e respeito a um contrato.
Como exemplos de situações que podem ser estudadas a partir da contribuição de Aumann podemos
citar a formação de cartéis. Nesta estrutura de mercado as empresas abrem mão de parte da sua oferta para que
o preço de mercado se eleve, mas existirá sempre a tentação de que uma ou todas empresas aumentem suas
ofertas e, consequentemente, seus lucros decretando o fim do cartel.
Finalmente citamos o trabalho de Thomas C. Schelling, The Strategy of Conflit. Neste livro Schelling,
aplicando os preceitos da Teoria dos Jogos, mostra que uma forma convincente para anular uma ameaça é
tornar a resposta a mesma imprevisível. Se o agente ameaçador não pode prever a reação a sua agressão, então
seus riscos de perda aumentam de modo que ele irá preferir cessar a ameaça.
Outra contribuição importante de Schelling foi a ideia do ponto focal. Este conceito mostra que mesmo
em um ambiente em que há dificuldade de comunicação a coordenação entre os indivíduos pode levar a um
bom resultado para todos.
3. Conceitos
Como sabemos a Teoria dos Jogos é o estudo que descreve as relações de conflito e de cooperação entre
agentes inteligentes e racionais. Estas relações são análogas a um jogo ao qual definimos como uma
representação formal que possibilita a avaliação das interações entre aqueles agentes. Um jogo possui os
seguintes elementos:
1) Agentes: Também chamado de jogadores podem ser quaisquer Indivíduos que tenha capacidade de decidir
(pessoa física, empresas, governo, sindicato, partido políticos, etc.);
2) Estratégia: plano completo de ação, o que fazer em cada possível situação. Estratégia implica escolha e
equilíbrio das opções apresentadas;
3) Interação: ação de cada agente afeta de alguma forma os demais envolvidos na situação;
4) Racionalidade: Suposição de que os agentes buscam a maximização de sua utilidade;
5) Pagamentos (payoffs) definidos para cada jogador.
6. O poder do eleitor
Distâncias, pesos ou volumes são exemplos básicos de medições que podemos fazer com facilidade.
Para tal usa-se um termo de comparação, metro, quilograma ou litro, conforme os casos.
Existem porém, outras coisas que mesmo não sendo tão fáceis de medir, medimos diariamente com o auxílio de
aparelhos mais complicados. Neste segundo caso, temos as temperaturas ou a intensidade de um terremoto.
Um ponto em comum desses dois tipos de medições é fato de serem medidas absolutas, ou seja, uma vez
fixada uma escala, um objeto ou acontecimento pode tomar um valor qualquer dentro da escala.
Mas quando se trata de medir o poder, a situação é mais complicada, pois não devemos utilizar uma
medida absoluta dado que o poder de alguém só pode, quanto muito, ser comparado com o de outra pessoa ou
grupo.
Em se tratando de um eleitor, uma boa maneira de avaliar seu poder, a capacidade de influenciar o
resultado de uma eleição, é considerar que seu voto tem peso (poder) relativo, isto quer dizer que: "O índice de
poder de um eleitor é a razão entre o seu poder e a soma dos poderes de todos os outros eleitores".
Esse sistema foi criticado pelo Marquês de Condorcet, que propôs um método de comparação par-a-par
que ele tinha desenvolvido. Ele também escreveu sobre o paradoxo de Condorcet, que chamou de
intransitividade das preferências da maioria.
Por estas contribuições, Condorcet e Borda são usualmente creditados como os precursores nos estudos
sobre sistemas de votações.
De acordo com a figura, um eleitor que tem uma posição ideológica representada pelo índice 0,5 está
exatamente na posição intermediaria entre as posições ideológicas de esquerda e de direita.
Supondo que os eleitores estão distribuídos uniformemente entre as posições ideológicas seus votos não
estão concentrados em nenhuma posição ideológica. Sob essas premissas o comportamento dos eleitores poder
ser representado como a seguir.
9. O jogo do apadrinhamento
Um outro jogo político importante estudado pela Teoria dos Jogos na análise política é jogo do
apadrinhamento.
Considere, a seguinte situação: dois candidatos, um da situação e outro da oposição, estão decidindo se
se comprometem ou não em oferecer empregos a seus cabos eleitorais.
Os candidatos sabem que oferecer empregos a seus cabos eleitorais faz com que eles trabalhem mais e
aumentem suas chances de vencer a eleição. Mas sabem também, que os eleitores não aprovam esse tipo de
procedimento.
Uma vez feita a promessa ela será cumprida, pois se o candidato não honrar o compromisso terá
dificuldade na próxima eleição.
O candidato da oposição precisa mais deste procedimento, tendo em vista que o candidato da situação
conta com as obras realizadas no seu governo.
Esse jogo, com as escolhas e seus respectivos percentuais de recompensas, pode ser representado da
seguinte forma:
De acordo com a representação da Figura 2, qual a melhor estratégia (escolha) para os candidatos
(jogadores)?
Para o candidato da situação a opção Promete é melhor quando o candidato da oposição escolhe
Promete, pois ele consegue 50% (1) dos votos contra apenas 20% se não prometer (3) e também quando o
candidato da situação escolhe Não promete e ele consegue 60% dos votos (2) contra 40% se não prometer (4).
Para o candidato da oposição a opção Promete é melhor quando o candidato da situação escolhe
Promete, pois ele consegue 50% (1) dos votos contra 40% se não prometer (2) e também quando o candidato da
oposição escolhe Não promete e ele consegue 80% dos votos (3) contra 60% se não prometer (4).
Então, prometer empregos (Promete) é a melhor opção para qualquer jogador.
Bibliografia
Fiani, Ronaldo. Teoria dos Jogos com aplicações em Economia, Administração e Ciências Sociais. Rio de
janeiro: Editora Elsevier, 2ª ed. 2006.
Suas teses ajudam a compreender os princípios que regem os conflitos e como se consegue convencer
adversários a cooperar entre si. As teorias do judeu ortodoxo de 79 anos têm aplicação prática na economia, na
diplomacia, em política e até em religião. Aumann começou a se interessar pelo assunto na década de 50,
depois de conhecer John Nash - vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 1994 - e de receber a missão de
desenvolver estratégias de defesa para os Estados Unidos em plena Guerra Fria. Aumann nasceu na Alemanha e
sua família emigrou para os Estados Unidos em 1938, para fugir do nazismo. Um de seus filhos morreu na
primeira guerra do Líbano, em 1982. Aumann, que vem ao Brasil no próximo dia 9 para uma série de palestras,
concedeu a seguinte entrevista a VEJA, de sua sala na Universidade Hebraica de Jerusalém.
O fato de sua vida ter sido marcada por dramas de guerras determinou seu interesse pelo tema?
Sim, você está certo. A II Guerra Mundial e o constante estado de conflito em Israel, que se estende
desde 1922, certamente me influenciaram. A convivência constante com guerras despertou em mim grande
interesse pelo mecanismo das lutas armadas. Eu me considero um homem de paz. Mas a forma como os outros
homens de paz querem acabar com as guerras não é eficiente. Eu quero paz, mas de um jeito diferente. O
estudo da economia e da Teoria dos Jogos me ensinou que as coisas nem sempre são o que parecem. O
funcionamento dessas ciências é mais complexo e tem relação com a maneira com que as ações de um
indivíduo afetam outras pessoas. Essa interação depende de uma rede intrincada de participantes ou, como
costumo chamar, jogadores. Por isso, não basta querer a paz para consegui-la. É preciso entender como esse
desejo afeta outras pessoas. Dizer “eu quero paz” pode não trazer paz, mas guerra. Para minimizar as surpresas
é preciso calcular com muito cuidado como uma ação leva a outras.
De que maneira a Teoria dos Jogos pode ajudar a evitar ou solucionar guerras?
É preciso identificar os elementos comuns a diferentes situações de conflito. Em diversos conflitos
atuais, há uma tentativa de resolver o problema tomando medidas para agradar à outra parte. Há quem pense
que atender às demandas do adversário pode trazer a paz. Basta usar raciocínio lógico e analisar a história para
ver que isso não é verdade. O senso comum diz que a II Guerra Mundial foi causada por Adolf Hitler. Há
alguma verdade nisso, porque foi ele quem ordenou a invasão da Polônia em setembro de 1939. Mas o papel
desempenhado pelo primeiro-ministro inglês Neville Chamberlain é frequentemente negligenciado. É
impressionante ler os jornais daquele tempo e perceber quanto a retórica de Chamberlain era similar ao que
ouvimos hoje em dia na diplomacia: “Nós temos de conseguir a paz, temos de entender o outro lado, temos de
fazer concessões…”.
Se fazer concessões não ajuda, que tipo de incentivo pode acabar com um conflito?
É preciso dizer na mesa de negociação: “Não vamos aceitar essas demandas e, se vocês insistirem nelas,
vamos revidar com violência”. Há dois tipos de incentivo: a cenoura e o porrete. Theodore Roosevelt dizia para
falar com suavidade, mas ter sempre à mão um porrete. Se Chamberlain tivesse dito a Hitler em 1938 em
Munique que não aceitaria certas demandas, Hitler teria de recuar, porque não estava ainda preparado para a
guerra. Na crise dos mísseis de Cuba, em 1962, o presidente americano John Kennedy deixou claro aos russos
que, se os mísseis não fossem retirados da ilha, os Estados Unidos agiriam. Com isso, Kennedy conseguiu a
paz. (…)
Essa é a maneira correta de tratar o Irã em relação aos seus planos de construir um arsenal nuclear?
No caso do Irã, não fico muito preocupado. Mesmo que o governo iraniano consiga construir a bomba
atômica, duvido que ele a utilize. Obviamente, isso daria ao Irã um bom poder de barganha, o que não é nada
agradável. Não acredito que faria uso dessa arma, no entanto, porque Estados Unidos e Israel têm capacidade
para responder a um ataque com um poder muito superior. É um pouco a lógica da Guerra Fria. O problema
com o Irã não é o regime dos aiatolás querer utilizar a bomba, mas essa tecnologia cair nas mãos de grupos
terroristas como a Al Qaeda, que não tem endereço. O que mantinha o equilíbrio durante a Guerra Fria é que
um lado podia destruir o outro. A Al Qaeda não é um inimigo convencional com um país, uma capital e um
povo. Ela pode atacar e não sofre retaliações.
Software que modela comportamento humano pode fazer previsões, derrotar rivais e transformar
negociações.
Para um homem que alega falta de expertise na área, Bruce Bueno de Mesquita, um acadêmico na
Universidade de Nova York, fez algumas previsões políticas impressionantemente precisas.
Em maio de 2010 ele previu que o presidente do Egito, Hosni Mubarak, cairia de poder dentro de um
ano. Nove meses depois Mubarak fugiram para o Cairo em meio a protestos de rua em massa. Em fevereiro de
2008 o Sr. Bueno de Mesquita previu que o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, seria deixar o cargo até
o final do verão. Ele tinha ido embora antes de Setembro.
Cinco anos antes da morte do aiatolá iraniano Khomeini, em 1989, o Sr. Bueno de Mesquita havia
indicado corretamente seu sucessor, e, desde então, tem feito centenas de previsões como consultor tanto para
governos estrangeiros e do Departamento de Estado Americano, do Pentágono e as agências de inteligência.
Qual é o segredo do seu sucesso? "Eu não tenho ideias, o jogo faz", diz ele.
O "Jogo" do Sr. Bueno de Mesquita é um modelo de computador desenvolvido por ele e que usa um
ramo da matemática chamado teoria dos jogos, que é frequentemente usada por economistas para descrever
como eventos vão se desenrolar e como pessoas e organizações agem no que eles consideram ser o seu melhor
interesse.
Valores numéricos são usados para representar objetivos, motivações e influência de "players (jogadores)"-
negociadores, líderes empresariais, partidos políticos e organizações de todos os matizes, e, em alguns casos,
seus funcionários e torcedores. O modelo de computador, em seguida, considera as opções em aberto para os
diversos agentes, determina a seu provável curso de ação, avalia sua capacidade de influenciar os outros e,
portanto, prevê o curso dos acontecimentos.
A influência de Mubarak, por exemplo, esgotou-se quando os cortes na ajuda americana ameaçou sua
capacidade de manter capangas no exército e forças de segurança felizes. Então percebeu que os funcionários
insatisfeitos estariam menos dispostos a usar a violência para acabar com os protestos de rua.
Mesquita & Roundell, empresa do Sr. Bueno de Mesquita, é apenas um dos vários equipamentos de consultoria
que executam simulações de computador, para escritórios de advocacia, empresas e governos. A maioria dos
conselhos para tomada de decisão é sobre política, no sentido mais amplo da palavra, a melhor forma de
antecipar um julgamento, influenciar um júri, ganhar o apoio dos acionistas ou atrair eleitores indecisos para
uma coalizão política e fazer concessões legislativas.
Mas a alimentação de software com bons dados sobre todos os atores envolvidos é especialmente
complicada em assuntos políticos. Reinier van Oosten, uma empresa holandesa que usa os modelos de
negociações políticas e em comércio de instituições da União Europeia, observa que as previsões não se
concretizam quando as pessoas inesperadamente cedem à emoções "não-racionais", como o ódio, em vez de
perseguir o que é, aparentemente, seus melhores interesses. Classificando as motivações das pessoas é muito
mais fácil, principalmente quando o dinheiro é o objeto principal. Assim, a modelagem do comportamento
usando a teoria dos jogos está se mostrando particularmente útil quando aplicada à economia.
Siga o dinheiro
A Modelagem de leilões provou ser especialmente bem sucedida, diz Robert Aumann, um acadêmico da
Universidade Hebraica de Jerusalém, que recebeu o prêmio Nobel de Economia em 2005 por seu trabalho em
teoria dos jogos. Lances, sendo quantificados, facilitam a análise e previsão de como a resposta correta pode ser
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muito lucrativa. Empresas de consultoria estão contribuindo para ajudar clientes a tornar os leilões mais
rentáveis ou torná-los menos onerosos. Em um leilão online em 2006, do espectro de radiofrequências licenças
pela Federal Communications Commission dos Estados Unidos, Paul Milgrom, consultor e professor da
Universidade Stanford, utilizou seu software de teoria dos jogos para ajudar um consórcio de licitantes. O
resultado foi um triunfo.
Quando o leilão começou, o software Dr Milgrom rastreaou as propostas dos concorrentes para estimar
seus orçamentos para as 1132 licenças em oferta. Decisivamente, o software estimou os valores secretos dos
licitantes em licenças específicas e determinou que certas licenças grandes estavam sendo supervalorizados. E
direcionou clientes do Dr Milgrom para obter um conjunto de licenças menos caras. Dois de seus clientes, a
Time Warner e a Comcast, pagaram cerca de um terço menos do que seus concorrentes, economizando quase
US $ 1,2 bilhão.
Avanços na teoria dos jogos tem acontecido rapidamente nos últimos anos e tornou evidente que não
fazer uma análise adequada pode ser caro, diz Sergio Hart, um colega do Dr. Aumann da Universidade
Hebraica. Por exemplo, há alguns anos o governo de Israel adicionou uma torção nova para um leilão de
refinaria de petróleo. Para incentivar lances maiores, o governo ofereceu um prêmio de US$ 12 milhões ao
segundo lance mais alto. Foi um erro caro. Sem o incentivo, o lance mais alto teria sido cerca de US $ 12
milhões superior, uma análise mostrou que os participantes fizeram ofertas baixas porque o perdedor iria ficar
rico. Combine essa quantia com o pagamento de prémios, e as perdas do governo somaram cerca de US$ 24
milhões. A conclusão, então, é "não é possível saber qual é a solução" sem a ajuda de um software de
modelagem, diz Brad Miller, modelador sênior da Charles River Associates, uma consultoria em Boston. A
empresa projeta software de teoria dos jogos para modelar leilões industriais e a plotagem de fusões e
aquisições corporativas.
"O uso de modelagem faz com que os clientes empresariais fiquem mais inclinados a adotar estratégias
de longo prazo." Software não é sempre necessário. Um estudante da Universidade Hebraica, por exemplo,
demonstrou a perda de US $ 24 milhões do governo israelense usando papel e caneta. Ele levou cerca de dois
dias, no entanto, de acordo com um professor lá. Software, naturalmente, é muito mais rápido. Mas a coleta e
tratamento dos dados necessários requer e treinamento. Reinier van Oosten, a consultoria holandesa, geralmente
cobra €20,000-70,000 ($28,000-100,000) para resolver um problema utilizando o seu software, chamado
DCSim, porque ele deve primeiro realizar longas entrevistas com especialistas. Seus clientes incluem órgãos
governamentais na Holanda e no estrangeiro, e grandes empresas, incluindo IBM, um gigante de computador, e
ABN AMRO, um banco holandês.
PA Consulting, uma empresa britânica, desenha modelos sob medida para ajudar seus clientes a resolver
problemas específicos em áreas tão diversas como fármacos, energia de combustíveis fósseis e a produção de
programas de televisão. Agências do governo britânico contrataram a PA Consulting para construir modelos
para testar esquemas regulatórios e das regras de zoneamento. Para dar um exemplo simples: se dois astutos
vendedores de sorvetes compartilham uma longa praia, eles montaram seus estandes no meio da praia, explica
Stephen Black, um modelador na sede da empresa em Londres. Infelizmente para os clientes potenciais nos
extremos da praia, cada vendedor impede o outro de deslocalizar-no outro ponto que seria mais perto de mais
pessoas. Ao introduzir um terceiro vendedor, no entanto, o equilíbrio é quebrado com uma sequência de
realocações e mudanças de preços. O uso de modelagem faz com que os clientes empresariais fiquem mais
inclinados a adotar estratégias de longo prazo, o Dr. diz Black.
Mas o software da teoria dos jogos também pode trabalhar bem fora da esfera da economia. Em 2007,
militares dos Estados Unidos forneceram ao Sr. Bueno de Mesquita, informações para capacitá-lo a modelar o
impacto político de mover um porta-aviões próximo à Coréia do Norte (ele não revela os resultados). O
software de teoria dos jogos pode até mesmo ajudar a localizar o esconderijo de um terrorista. Para executar
simulações, Guillermo Owen da Naval Postgraduate School em Monterrey, Califórnia, utiliza dados de
inteligência da Força Aérea dos EUA para estimar em uma escala de 100 pontos a importância que um homem
atribui a seus gostos (pesca, por exemplo) e as prioridades (restantes ocultos ou, em maior risco de descoberta,
recrutamento de homens-bomba). Tais fatores determinam onde e como os terroristas decidem viver. Attaches
desempenhou um papel importante para encontrar o esconderijo de Osama bin Laden em Abbottabad,
Paquistão, diz Owen.
Juntamente com a corrida armamentista, a modelagem de software está cada vez mais elaborada, há
também os esforços para desenvolver um software que pode ajudar na negociação e mediação. Duas décadas
atrás Clara Ponsatí, um acadêmico espanhol, veio com uma ideia inteligente enquanto meditava sobre o
processo de paz israelense-palestino. Como os negociadores em todos os lugares sabem, a primeira equipe a
revelar tudo o que ele está disposto a sacrificar (ou pagar) perde considerável poder de negociação. Mas se
nenhum dos lados revela as concessões que está disposto a fazer, as negociações podem entrar em colapso. Em
um artigo publicado em 1992, o Dr. Ponsatí descreveu como o software poderia ser projetado para quebrar este
impasse.
A ideia do Dr Ponsatí era que se um mediador humano não era confiável, acessível e disponível, para
conduzir as negociações, um computador poderia fazer o trabalho em seu lugar. Para a negociação as partes
dariam as informações confidenciais sobre suas posições para o software após cada rodada de negociações.
Uma vez que as posições de ambos os lados já não eram mutuamente exclusivas, o software poderia decidir a
diferença e propor um acordo. Dr Ponsatí, agora chefe do Instituto de Análises Econômicas da Universidade
Autônoma de Barcelona, diz que tais "máquinas de mediação" poderia lubrificar as negociações destravando
informações que poderiam ser retidas por um adversário ou mediador humano.
Barry O'Neill, um teórico do jogo na Universidade da Califórnia, Los Angeles, descreve como um
software criado recentemente pode facilitar acordos de divórcio. Ao marido e mulher são dados um número de
pontos que eles secretamente alocam para os bens domésticos que desejam. A esposa poderá informar ao
software que a sua avaliação do carro da família é, digamos, 15 pontos. Se o marido coloca o valor do carro em
10 pontos, não pode depois alegar que ele merece mais o carro do que ela.
Exercício de fixação
2) Considere uma eleição entre três candidatos, A, B, e C, que disputam um cargo político na cidade
Alfabetagama. Se um eleitor prefere o candidato A ao B e o B ao C, representamos sua preferência como A, B
ou C. A tabela a seguir mostra os tipos e quantidade dos eleitores, assim como suas respectivas preferências.
Marie Jean Nicolas Caritat, Marques de Condorcet (1743-1794), filósofo, matemático foi um dos precursores
dos cientistas políticos modernos. Defendia a educação pública gratuita e igual para todos, igualdade de direitos
para homens e mulheres, assim como indivíduos de todas as raças. Como matemático, deixou contribuições
importantes em cálculo integral. Preso pela revolução francesa em 1794, foi encontrado morto em sua cela em
28/03/1794.
3) Plinio, o jovem, advogado romano do século 1 d.C., presidia o Senado Romano quando lhe foi apresentado o
seguinte caso: Um Senador, Afranius Dexter, foi encontrado morto. A morte poderia ter sido suicídio ou
assassinato pelas mãos de um de seus serviçais. O Senado foi convocado para decidir o destino desses serviçais.
Os Senadores tinham três opções - Absolvição (A), banimento (B) ou execução (E). A tabela a seguir mostra os
tipos de decisão e o percentual de Senadores simpatizante de cada veredito. Havia duas possibilidades de
condução da votação. Votar as propostas duas a duas ou em uma única vez. Plinio que era a favor da absolvição
deveria optar por qual delas? Porque? Como Plinio poderia perder o caso, mesmo se o Senado escolhesse a sua
opção favorita? (Demonstre).
4) O Conselho Monetário Nacional (CMN) é o órgão normativo do Sistema Financeiro Nacional. O CMN é
composto somente por 3 membros: o Ministro da Fazenda (MF), que é o presidente do Conselho, o Ministro de
Orçamento e Gestão (MOG), e o Presidente do Banco Central do Brasil (PBC). Sendo o órgão deliberativo
máximo do Sistema Financeiro Nacional, compete ao CMN adaptar o volume dos meios de pagamentos às reais
necessidades da economia nacional e seu processo de desenvolvimento. Para isto o CMN pode autorizar a
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emissão de papel-moeda. Suponha que este mês o CMN irá se reunir para decidir sobre o volume adequado de
papel-moeda para a atual fase da economia brasileira. Existem somente três políticas em pauta: Elevar (E),
Manter (M) ou Reduzir (R) o volume de papel-moeda. Os membros do CMN têm as seguintes preferências:
a) MF: E > M, M > R, não R > E
b) MOG:M > R, R > E, não E > M
c) PBC: R > E, E > M, não M > R
4.1 Dadas as preferências acima, podemos garantir que os membros do CMN são racionais?
4.2 Suponha que a preferência do Conselho Monetário Nacional (CMN) é definida por maioria de votos entre
os 3 membros. Inicialmente vota-se somente entre as políticas E e M. Qual a preferida pelo CMN?
4.3 Agora vota-se somente entre as políticas E e R. Qual a preferida pelo CMN?
4.4 Por fim, vota-se somente entre as políticas M e R. Qual a preferida pelo CMN?
4.5 De acordo com os resultados de 2.3; 2.4 e 2.5, podemos dizer que o CMN é ra5ional? Por que?