CELSON MIRANDA DOS SANTOS FILHO
PLANEJAMENTO TÉCNICO E AVALIAÇÃO DE CUSTOS
PARA ORÇAMENTO EM CONSTRUÇÃO CIVIL
Salvador
2021
CELSON MIRANDA DOS SANTOS FILHO
PLANEJAMENTO TÉCNICO E AVALIAÇÃO DE CUSTOS
PARA ORÇAMENTO EM CONSTRUÇÃO CIVIL
Projeto apresentado ao Curso de Engenharia
Civil da Instituição Unime.
Orientador: Rafael Ribeiro
Salvador
2021
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CELSON MIRANDA DOS SANTOS FILHO
PLANEJAMENTO TÉCNICO E AVALIAÇÃO DE CUSTOS
PARA ORÇAMENTO EM CONSTRUÇÃO CIVIL
Projeto apresentado ao Curso de Engenharia
Civil da Instituição Unime.
Orientador: Rafael Ribeiro
BANCA EXAMINADORA
Prof(a). Titulação Nome do Professor(a)
---------------------------------------------------------------------------
Prof(a). Titulação Nome do Professor(a)
-----------------------------------------------------------------------------
Prof(a). Titulação Nome do Professor(a)
--------------------------------------------------------------------------------------
Salvador, dia de de 2021
4
Dedico este trabalho aos meus pais, cujos sacrifícios deram-me a chance de
estudar. Seu amor e esforços foram essenciais para conclusão deste curso.
5
AGRADECIMENTOS
Agradeço, primeiramente a Deus, condutor dos meus passos.
Aos meus professores; em especial, à orientadora/Tutora Bruna Souza pelos
ensinamentos e toda atenção e paciência; ao Professor Rafael Costa que me auxiliou
para a conclusão desse trabalho; ao Coordenador Mateus Souza , e todos os seus
colaboradores pela oportunidade de realização do curso.
Agradeço aos meus pais Dionisia Fontes e Celson Miranda pelo afeto e por
todo apoio nas minhas escolhas, à Carol minha irmã, pelos incentivos, a minha
namorada Guadalupe por todo carinho e dedicação.
E a todos os meus amigos que me deram apoio nesses cinco anos de
graduação.
6
“Você nunca sabe que resultados virão da sua
ação. Mas se você não fizer nada, não existirão
resultados. ”
(Mahatma Gandhi)
7
RESUMO
Sabe-se que o gerenciamento e planejamento é de extrema importância em muitos
setores, na construção civil devido a crescente competitividade do mercado recebeu
maior ênfase nos últimos anos e as empresas tem investido mais no setor de
orçamento de obras. Somente com o controle preciso de seus empreendimentos que
elas podem alcançar seus principais objetivos: prazo, custo, qualidade e lucro. Os
Autores dividem o planejamento em etapas, um planejamento ideal ocorre quando é
subdividido e explicado de acordo com o horizonte e grau de necessidade de
detalhamento, causando maior sucesso ao final do projeto. Planejar é desenvolver o
projeto no papel antes mesmo de inicia-lo. Isso traz segurança, evita erros, antecipa
futuros desvios, traz conhecimento profundo do projeto, segurança na tomada de
decisões. Uma vez com a orçamentação realizada, equipe técnica que irá executar a
obra deve estabelecer o controle dos custos que garanta com que o orçamento real e
inicial da obra permaneça o mais próximo possível. Gerir custos através das boas
técnicas fará com que o resultado final fique mais próximo do planejado. Portanto se
os processos para o controle de custos forem descuidados, a empresa terá perdas
financeiras, clientes descontentes, dentre outros problemas. Para o sucesso das
empresas no mercado atual é de extrema importância a implantação de um setor
responsável para orçar, pensar e planejar.
Palavras-chave: Planejamento de obra. Orçamentos. Construção civil. Custos.
8
ABSTRACT
It is known that management and planning is extremely important in many
sectors, in civil construction due to the growing competitiveness of the market received
more emphasis in recent years and companies have invested more in the construction
budget sector. Only with the precise control of your ventures that they can achieve their
main objectives: timeframe, cost, quality and profit. The Authors divide the planning
into stages, optimal planning occurs when it is subdivided and explained according to
the horizon and degree of need for detail, causing greater success at the end of the
project. To plan is to develop the project on paper even before starting it. This brings
security, avoids errors, anticipates future deviations, brings in-depth knowledge of the
project, security in decision-making. Once budgeting is done, The technical team that
will carry out the work must establish cost control that ensures that the real and initial
budget of the work remains as close as possible. Managing costs through good
techniques will bring the final result closer to what was planned. So if the processes
for controlling costs are sloppy, the company will have financial losses, unhappy
customers, among other problems. For the success of companies in the current
market, it is extremely important to implement a responsible sector to budget, think and
plan.
Keywords: Construction planning. Budgets. Construction. Costs.
9
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 – Ciclo de Planejamento
Figura 2 – Níveis de Planejamento LPS
Figura 3 - Curva ABC
10
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
BDI: Benefício e Despesas Indiretas
ABC: Custeio baseado em atividades
EAP: Estrutura Analítica de projeto
11
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO.......................................................................................................12
2 PLANEJAMENTO ORÇAMENTARIO...................................................................14
2.2 A INFLUÊNCIA DO PLANEJAMENTO NOS RESULTADOS OBTIDOS.................15
3 DEFINIÇÃO DE ETAPAS NO ORÇAMENTO.......................................................17
3.1 ORÇAMENTO X ESTIMATIVA.................................................................................19
3.2 ORÇAMENTO DISCRIMINADO OU ANALÍTICO.....................................................19
3.3 ORÇAMENTO SINTÉTICO.......................................................................................19
3.3.1 Custos....................................................................................................................19
3.3.2 Encargos Sociais...................................................................................................20
3.3.3 BDI.........................................................................................................................20
3.3.4 Despesas Tributarias.............................................................................................20
3.3.5 Lucro......................................................................................................................20
3.3.6 Curva ABC.............................................................................................................20
4 METODOLOGIAS DE ORÇAMENTOS........................................................... .....21
4.1 UTILIZAÇÃO DE SOFTWEARES PARA ORÇAMENTOS.......................................23
4.2 ELABORAÇÃO DO ORÇAMENTO..........................................................................23
4.3 EAP..........................................................................................................................23
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................................24
REFERÊNCIAS........................................................................................................25
12
1 INTRODUÇÃO
Ainda que seja um encargo bastante incerto fixar o custo exato de um
empreendimento, é possível criar orçamentos precisos, através da utilização de
informações confiáveis, critérios técnicos bem estabelecidos, e um bom julgamento
do orçamentista (MATTOS, 2006). As empresas de construção civil para manterem-
se competitivas no mercado, é preciso dar uma atenção especial ao planejamento,
acompanhamento e controle de custos de suas obras.
A gestão de custos é um importante conjunto de controle e determinação do
desempenho, qualificado para apontar como a empresa está sendo conduzida nas
questões financeiras. Para que a gestão dos custos seja eficaz, é preciso realizar a
comparação entre os custos que foram solicitados, em um determinado tempo, e os
custos que foram planejados para esse período. Significa dizer que a estimativa com
ênfase apenas na obtenção do custo total da obra não faz sentido no contexto de
gestão de custos (GONÇALVES; CEOTTO, 2014).
É de fundamental importância para as construtoras o desenvolvimento de
sistemas integrados que possibilitem a comparação do orçamento com o que de fato
foi realizado, juntamente com a definição do preço de venda e a tomada de decisões
vista à concorrência e com base nas informações mais próximos da realidade
(KNOLSEISEN, 2003). A realização de um planejamento prévio a uma obra tem como
intuito prever de forma correta todos os itens provenientes na execução da obra,
planejar o processo de estimar os custos do empreendimento, diminuindo chances de
riscos futuros em gastos com itens não previstos no orçamento
De acordo com Cabral (1988) os orçamentos de produto podem ser
classificados de varias maneiras, como por exemplo: quanto ao nível de
decomposição do produto, quanto à ordenação cronológica dentro do projeto, quanto
ao nível de detalhamento, quanto ao grau de decisão ou quanto à finalidade a que se
destina e quanto ao método de cálculo. Serão tratados neste trabalho três tipos de
orçamento: o orçamento convencional, amplamente utilizado no meio da construção
civil, o orçamento operacional, que possui um enfoque voltado para o momento em
13
que ocorre a produção e o orçamento por módulos, que divide a obra em subsistemas
físicos.
O objetivo deste trabalho é abordar, de forma teórica, os fundamentos do
processo de orçamentação e custos na construção civil. Demonstrando formas de
elaborar um orçamento assertivo e completo, trazendo estimativas e previsão de
custos do empreendimento. Os objetivos específicos são definir os fatores que
compõem o orçamento de uma obra; Analisar metodologias de orçamentos para obras
na construção civil, sendo eles: orçamento convencional; orçamento operacional e
orçamento por módulos; Verificar viabilidade inicial do projeto e se os produtos finais
gerados pelo planejamento do orçamento são eficazes.
O presente trabalho se trata de uma Revisão Bibliográfica sendo assim é uma
pesquisa qualitativa, descritiva e bibliográfica no contexto da produção do
conhecimento, do período de 1987 a 2014, com base em diversos artigos científicos
nacionais, pesquisas e revisão de literatura, que tratam do tema deste trabalho. O
trabalho foi realizado através de artigos em português e um em inglês, foram
pesquisados 36 artigos sendo 6 artigos com pouca relevância descartados e 30
utilizados. Utilizando-se de fontes como Scielo e Google acadêmico.
14
2. PLANEJAMENTO ORÇAMENTÁRIO
A construção civil é uma área de atuação que abrange uma grande
quantidade de fatores, o que torna o gerenciamento de uma obra um trabalho
complexo. Porem muitas obras ainda são realizadas sem garantia do
cumprimento do prazo, sem um planejamento prévio, e orçamento
antecipadamente estabelecidos Mattos (2010).
“Orçamento é o cálculo dos custos para executar uma obra ou um
empreendimento, e quanto mais detalhado, mais se aproximará do custo real.”
(SAMPAIO, 1989).
Para a realização de um projeto, é necessário prever quanto irá custar, e
em seguida verificar sua viabilidade. Mattos (2006) diz que a preocupação com
custos começa antes do início da obra, justamente na fase de orçamentação,
que envolve a descrição, identificação, quantificação, análise e precificação de
insumos que serão utilizados. Ainda de acordo com Mattos (2006) Um orçamento
é definido quando somado os custos diretos como material, mão-de-obra de
operários, equipamentos, material, além dos custos indiretos como taxas,
equipes de supervisão e apoio, despesas gerais e por fim adicionar a margem
de lucro chegando assim ao valor de venda do empreendimento.
É importante destacar que não se deve confundir estimativa de custo com
o orçamento de uma construção, segundo Dias (2003) a estimativa é um cálculo
para avaliação de um serviço não devendo ser utilizado em propostas comerciais
nem para fechar contratos, devendo ser utilizada somente em etapas iniciais de
um empreendimento, quando ainda não existem informações suficientes para
elaboração de um orçamento detalhado.
De acordo com o Instituto de Engenharia (2011) a estimativa de custo
equivale à avaliação de custo alcançada através da pesquisa de preço no
mercado após examinar os dados prévios de uma ideia de projeto em relação à
área a ser construída, quantidade de materiais e serviços envolvidos.
15
Um orçamento deve conter elementos, relação e quantidade de todos os
serviços e insumos; Composição analítica dos custos unitários dos serviços, com
indicação dos elementos a serem utilizados e respectivas produtividades, assim
como os custos unitários dos equipamentos e cálculo dos salários com encargos
sociais e complementares; Cálculo do BDI – Benefício e Despesas Indiretas;
Especificações técnicas dos serviços; Memorial descritivo da construção;
Cronograma físico-financeiro da obra; Planilha Orçamentária. (TISAKA, 2011).
Segundo Tisaka (2006), se os orçamentos não forem bem feitos e não
representarem a realidade da obra correm sérios riscos de trazerem
consequências indesejáveis como, atrasos ou paralisações de obra, baixa
qualidade dos serviços, ações judiciais, aditivos contratuais que podem levar a
prejuízos.
Figura 1 – Ciclo de Planejamento
Fonte: Laufer & Tucker (1987).
2.2 A INFLUÊNCIA DO PLANEJAMENTO NOS RESULTADOS OBTIDOS
De acordo com Mattos (2010) se o projeto não for planejado
antecipadamente pode gerar resultados negativos, além de deficiência do
planejamento pode trazer consequências desastrosas para uma obra e, para a
empresa que a executa. Um descuido em uma atividade pode provocar atrasos
e alteração de custos, além de colocar em risco o êxito do empreendimento.
Para Trauner (1990) as principais causas de atrasos na construção
civil são: Problemas no orçamento; Aumento do custo estimado para materiais e
equipamentos utilizados; Complexidade do projeto de gestão; Diminuição da
16
margem de lucros e aumento no custo total da obra. Segundo Trauner (1990),
o atraso pode ser gerado por um ou pela soma de vários fatores.
17
3. DEFINIÇÃO DE ETAPAS NO ORÇAMENTO
Existem várias maneiras de se construir um orçamento, e por
consequência várias maneiras de se analisar o processo de avaliação e controle.
(PADOVEZE, 2005). Para a formulação de um orçamento, é preciso, estudar a
documentação disponível, na qual contém as especificações do projeto, é feita
também a composição dos custos e a determinação do preço final. Mattos
(2006): Ainda de acordo com Mattos (2006) é possível esquematizar as etapas
da orçamentação em;
• Para Salvador Giammusso (1988), “Orçar uma obra ou um
empreendimento consiste em calcular Estudo das condicionantes, etapa
onde ocorre a Leitura e interpretação do projeto e especificações técnicas
• Composição de custos que auxilia e colabora para análise da
lucratividade do empreendimento e estabelece o preço de venda a fim de
garantir o retorno do investimento. Dentro na composição de custos se
deve fazer a Identificação dos serviços, Levantamento de quantitativos,
discriminação dos custos diretos, discriminação dos custos indiretos,
cotação de preços e definição de encargos sociais e trabalhistas.
• Fechamento do orçamento, nessa etapa ocorre a definição da
lucratividade, onde o construtor deve levar em conta fatores como riscos
do empreendimento, a concorrência, e o estado da economia atual.
o seu custo da forma mais detalhada possível, a fim de que o custo
calculado seja o mais próximo do real.” O orçamento deve conter os custos por
completo, desde a fase de projeto até a limpeza geral, incluindo encargos legais,
custos financeiros, supervisão dentre outros.
Quando se trada dos objetivos, o orçamento pode obter
informações sobre a viabilidade e desempenho financeiro do projeto. (VIANA,
Ricardo. 2005) constituir-se em um documento contratual, servindo de base para
o faturamento da empresa executora do projeto, e para restringir dúvidas ou
omissões quanto a pagamentos. (LIMMER, 1996) Permite a programação física
(cronograma) e financeira dos recursos necessários. (BERNARDI, José, 2005)
servir como referência na análise dos rendimentos obtidos dos recursos
18
empregados durante a execução da obra. (LIMMER, 1996) instrumento de
controle, informando coeficientes técnicos confiáveis, visando ao
aperfeiçoamento da capacidade técnica e da competitividade da empresa
executora no mercado. (LIMMER, 1996. p. 86) Segundo Goldman (2004), “O
orçamento detalhado da obra é, sem dúvida, a mais importante ferramenta para
o planejamento e acompanhamento dos custos de construção.”
Bernardes (2003) afirma que a precisão do planejamento deve
acompanhar o horizonte dos planos, devendo ser de maior detalhe de acordo
com a proximidade de sua realização. Sistemas de planejamentos muito
detalhados onde há uma grande imprecisão presente devem se tornar
ineficientes com facilidade. Para amenizar o impacto gerado pelo grau de
incerteza nos planos são utilizados buffers, que devem ser dimensionados de
acordo com os graus de incertezas.
O planejamento está dividido em três graus em sua hierarquia:
Estratégico: onde ocorre a definição dos objetivos em seu determinado período
de tempo, consiste no planejamento de longo prazo; O planejamento de longo
prazo ou planejamento mestre, conforme Coelho (2003) por muitas vezes é
realizado próximo ao início da execução da obra, nele são baseados muitos
fatores, desde os planos que serão realizados à partir dele ou previsão dos
gastos durante este período. Tático: são apontadas as restrições existentes e
as medidas à serem tomadas a fim de alcançar os objetivos, consiste no
planejamento de médio prazo; Nesta etapa, definem-se as tarefas de médio
prazo, visando a realização das ações necessárias por parte dos gerentes para
o sucesso de cada atividade, e em caso de não execução, sua reprogramação
(COELHO 2003). Operacional: delimita a sequência de ações necessárias para
obtenção dos resultados desejados, consiste no planejamento de curto prazo; O
planejamento de curto prazo é apontado por Ballard e Howell apud
(BERNERDES 2003) como o planejamento de maior detalhe, deve ser elaborado
de forma a eliminar a incerteza e para seu funcionamento necessita ser pensado
de forma executável, pensando-se na viabilidade que existe das atividades
previstas serem executadas.
Figura 2 – Níveis de Planejamento LPS
19
Fonte: Coelho (2003) adaptado de Ballard e Howell (1998)
3.1 ORÇAMENTO X ESTIMATIVA
A estimativa é interpretada como sendo um orçamento mal realizado,
quando na verdade é uma etapa preliminar no processo de gerenciamento do
custo. A diferença essencial entre uma estimativa e um orçamento é o nível de
detalhamento das informações disponíveis sobre o custo que se deseja avaliar
do empreendimento. Para Mônica Carvalho (2007), "Um orçamento, para ser
feito, exige um projeto detalhado, já uma estimativa pode ser feita a partir de
dados preliminares, não detalhados, sobre o empreendimento”
3.2 ORÇAMENTO DISCRIMINADO OU ANALÍTICO
Segundo Gonzáles (2007), o orçamento discriminado é composto por uma
relação de atividades ou serviços que serão executados na obra. Os preços
unitários de cada um destes serviços são obtidos por composições de custos, as
quais são, basicamente, "fórmulas" empíricas de preços, relacionando as
quantidades e preços unitários dos materiais, dos equipamentos e da mão-de-
obra necessários para executar uma determinada unidade do serviço. As
quantidades de serviços a serem executados são medidas ou determinadas
pelos projetos.
3.3 ORÇAMENTO SINTÉTICO
20
Orçamento sintético, chamado também de resumido, corresponde aos
principais itens da descriminação dos serviços, e seus respectivos preços totais.
Segundo Morethson (1999), o mesmo é utilizado em construtoras para noções
rápidas que não demandem análises de composições de custo e quantidades de
serviços. Também é utilizado para apresentação de propostas orçamentárias,
que mais interessa o custo total dos itens principais de forma precisa, sendo
necessário de antemão ser composto o orçamento detalhado.
3.3.1 Custos
O total da soma dos insumos incluindo mão de obra, materiais e
equipamentos necessários para a realização da obra ou serviço. É o gasto
relativo ao bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços.
estabelece-se no valor pago pelos insumos. (MUTTI, 2008) Uma das formas de
classificação dos custos é classificá-los como diretos ou indiretos. Sendo o direto
relacionado diretamente ao produto, através de uma medida de consumo, como
os serviços em obra, os materiais e equipamentos e o indireto é aquele que se
faz fundamental a presença de algum fator de divisão para a sua determinação,
podendo-se citar as instalações auxiliares, manutenção de obras, administração,
entre outras. (MUTTI, 2008).
3.3.2. Encargos sociais
Durante a orçamentação de um serviço, cabe ao construtor atribuir à hora
de cada insumo de mão de obra o custo que ele realmente representa para a
empresa. O custo de um operário para o empregador não se confunde com o
valor das horas trabalhadas. É um valor bastante superior. Isso porque não é só
o salário que constitui o ônus do empregador que arca com diversos encargos
sociais e trabalhistas impostos pela legislação e pelas convenções do
trabalho, que se somam ao salário-base ao qual o funcionário faz jus. (MATTOS,
2006). A composição dos encargos sociais varia conforme a área de atuação da
empresa, do local de serviço, da categoria profissional da mão de obra que
emprega e do tipo de contrato na carteira. Os encargos sociais são calculados
em função do regime de trabalho, sendo mensalista ou horista. (ÁVILA e
JUNGLES, 2006).
21
3.3.3 BDI
O Benefício de Despesas Indiretas, ou BDI, tem como objetivo calcular,
de forma expedita, o preço de uma obra ou serviço, em função dos custos diretos
orçados, de forma a garantir a margem de lucro desejado (MUTTI, 2008).
Segundo Ávila e Jungles, é importante lembrar que o BDI é composto
também pelos custos administrativos e financeiros da empresa em questão, do
lucro desejado, do risco do empreendimento e dos tributos ao qual o processo
está sujeito, concluindo que cada empresa deve ter seu próprio BDI,
considerando suas particularidades. O BDI é aplicado no custo direto, para a
obtenção do preço final de venda.
3.3.4 Despesas tributárias
É um dos componentes do BDI. Como toda atividade produtiva, a
construção é onerada por impostos, que são vários. A administração federal,
estadual e municipal - têm seus impostos que incidem sobre a obra. (MATTOS,
2006). Havendo inabilidade gerencial na avaliação da incidência dos tributos
sobre o faturamento e sobre o lucro, poderá ocorrer o pagamento de tributos em
valor superior ao efetivamente devido ou previsto, bem como o recebimento de
importâncias inferiores às esperadas, dado a incidência de recolhimento na fonte
(MUTTI, 2008).
3.3.5 Lucro
Faz parte do BDI. Lucro pode ser conceituado, do ponto de vista contábil
e de forma bastante simplificada, como a diferença entre as receitas e as
despesas. É o que entra menos o que sai. Lucro, portanto, é um valor absoluto,
expresso em unidades monetárias (MATTOS, 2006).
3.3.6 Curva ABC
A curva ABC se tornou uma ferramenta que auxilia o orçamentista e o
engenheiro a identificar os serviços e insumos que mais pesam na obra. Para a
elaboração de um cronograma é necessário à identificação dos insumos e/ou
serviços mais significativos do orçamento fazendo com que o gerente possa
melhorar o resultado de sua obra. Com isso pode-se priorizar a cotação de
22
preços, definir as negociações fundamentais com o intuito em função de delimitar
a representação de cada item tem no orçamento (MATTOS, 2006).
Figura 3 - Curva ABC
Fonte: [Link]
23
Para o orçamentista e para quem vai gerir a obra, é de suma importância
saber quais são os principais insumos, o total de cada insumo da obra e qual a
sua representatividade. Isso serve para priorizar as cotações de preços, definir
as negociações mais criteriosas, canalizar a energia dos responsáveis por
compras, etc. (MATTOS, 2006) A Curva ABC permite identificar aqueles itens
(matéria-prima, material auxiliar, material em processamento, produtos
acabados) que justificam atenção e tratamento adequados á sua administração,
para isso, divide os mesmos em três categorias. Classe A - Grupo de itens mais
importantes - representam de 50 a 70% do custo do empreendimento, engloba
de 10 a 20 itens; Classe B - Intermediário entre A e C - representam de 20 a 30%
do custo, possui 20 a 30 itens; Classe C - Grupo de itens menos importantes -
representam de 10 a 20% do custo.
4. METODOLOGIAS DE ORÇAMENTOS
Segundo Cabral (1988) os orçamentos de produto podem ser
classificados de diversas formas, como por exemplo: quanto ao nível de
separação do produto, quanto ao nível de detalhamento, quanto ao método de
cálculo à ordenação cronológica, quanto ao grau de decisão ou quanto à
finalidade.
Três tipos de orçamento: o orçamento convencional, amplamente utilizado no
meio da construção civil, o orçamento operacional, que possui uma visão voltada
para o momento em que ocorre a produção e o orçamento por módulos, que
divide a obra em subsistemas físicos.
O orçamento convencional frequentemente é o que mais se utiliza na
construção civil. Normalmente ele é elaborado seguindo padrões definidos por
bibliografias de apoio ou por programas computacionais (softwares) existentes
no mercado (BAZANELLI; DEMARZO; CONTE, 2003).
De acordo com Cabral (1988) o orçamento convencional é um orçamento
elaborado por quantificação direta podendo atender a várias finalidades, dividido
por partes, definitivo detalhado, preciso, e muito utilizado para apresentação de
licitações, propostas, para tomada de decisão e análise de alternativas, para
elaboração de projetos e execução. (CABRAL, 1988).
24
O orçamento operacional é definido por tratar, com fidelidade, o processo
de produção do edifício. É feito a partir da programação da obra determinando
as operações necessárias e essenciais para a execução do serviço. Assim, esse
tipo de orçamento segue a abordagem operacional por dividir os serviços de
acordo com as operações necessárias para a execução da obra (CABRAL, 1988;
ASHWORTH; SKITMORE, 2005).
O orçamento operacional utiliza como base uma visão operacional, que
tem como função essencial adaptar as informações fornecidas pelo orçamento
aos dados adquiridos em obra segundo o conceito de operação, ou seja, toda
tarefa executada por um mesmo tipo de mão-de-obra, de forma continuada, sem
interrupções, com o início e o fim bem estabelecidos. (CABRAL, 1988).
Resumidamente, o orçamento operacional tem uma ligação direta com o
momento em que os serviços da obra estão sendo executados, eles são
baseados em cada operação. Já no orçamento convencional, os custos são
atingidos em cada serviço. (CABRAL, 1988).
O orçamento por módulos é um modelo de orçamento proposto por
(ASSUMPÇÃO; FUGAZZA, 2005) e consiste num modelo para elaboração de
orçamento de obras de edifícios para incorporação, que divide a obra em
módulos ou subsistemas físicos de acordo com os ambientes construídos ou de
acordo com o momento em que eles são construídos. O objetivo dessa estrutura
de divisão por módulos é ajudar a apropriação dos custos levando em conta o
momento da construção. O nível mínimo de subdivisão deve ser decidido
primeiramente para nortear o processo de levantamento de quantidades que irá
sustentar o sistema (ASSUMPÇÃO; FUGAZZA, 2005).
O orçamento por módulos busca melhorar a estrutura dos dados, fazendo
os custos mais procuráveis e, com isso, eliminando uma das principais
deficiências do orçamento convencional, porem exige mais tempo de trabalho,
se comparado ao orçamento convencional. (ASSUMPÇÃO; FUGAZZA, 2005).
4.1 UTILIZAÇÃO DE SOFTWARES PARA ORÇAMENTOS
25
Para a elaboração de orçamentos algumas dessas ferramentas podem
ser utilizadas como forma de auxilio; AutoCad utilizado a partir dos projetos
arquitetônico e complementares, é utilizado para levantamento dos quantitativos,
através de medições de áreas e distâncias. Microsoft Excel, para o
desenvolvimento de todo o orçamento, da elaboração da curva ABC de insumos,
criação das tabelas dos quantitativos e para o cálculo das durações para o
planejamento. Microsoft Project - Programa auxiliar com recursos relacionados
a gestão de projetos.
4.2 ELABORAÇÃO DO ORÇAMENTO
O uso deste software se dá devido à sua facilidade de utilização e
familiaridade que possui com o programa. Para a elaboração de um orçamento,
são necessários três itens: Quantitativos de serviços; Consumo de insumos;
Preços unitários dos insumos. (PINI, 2010).
4.3 EAP
Para se planejar uma obra é preciso subdividi-la em partes menores. Esse
processo é chamado de decomposição. Por meio da decomposição, o todo - que
é a obra em seu escopo integral é progressivamente desmembrado em unidades
menores e mais simples de manejar. A estrutura hierarquizada que a
decomposição gera é chamada de Estrutura Analítica de projeto (EAP)
(MATTOS, 2010). A definição da EAP é essencial para a boa organização e a
garantia que o orçamento esteja englobando todos os elementos referentes à
obra. É importante garantir que todas as informações relevantes para o bom
desenvolvimento do orçamento estejam anotadas.
26
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O objetivo deste trabalho foi demonstrar a necessidade de fazer um
controle maior dos custos durante a execução de um empreendimento e,
apresentar um método prático e simples que auxilie a equipe técnica de
engenharia no controle dos custos de sua obra para mantê-los dentro do preço
previsto para os serviços mais críticos.
Um orçamento bem executado é fundamental para o controle de gastos.
Se seguidas as etapas e critérios de orçamentação, o orçamento permite estimar
de forma muito mais precisa o custo total de uma obra, e fornece subsídios para
executar os serviços de forma mais eficiente e econômica, trazendo às empresas
a potencialização dos lucros. A metodologia proposta, tende evitar o desperdício
de materiais e gastos adicionais com manutenções corretivas.
Com base nestas características, a metodologia apresenta a sua maior
funcionalidade que é minimizar as causas que acarretariam um custo mais alto
para o empreendimento, mantendo o custo real da construção o mais próximo
possível da meta estabelecida para o orçamento no planejamento do
empreendimento.
27
REFERÊNCIAS
ASHWORTH, A; SKITMORE, R. M. Accuracy in Estimating. In SKITMORE, M.;
MARSTON, V. Cost Modeling. 2 nd . ed. London: Taylor & Francis e-Library,
2005.
ASSUMPÇÃO, José F. P.; FUGAZZA, Antonio E. C. Execução de orçamento
CABRAL, Eduardo C. C. Proposta de metodologia de orçamento operacional
Edição. São Paulo: PINI, 2006.
MATTOS, A. D. (2010). Planejamento e controle de obras (1. ed.). São Paulo:
PINI.
MATTOS, Aldo Dórea. Como Preparar Orçamentos de Obras. 1ª Edição. São
Paulo: PINI, 2006.
PADOVEZE, Clóvis Luis. Planejamento orçamentário. São Paulo: Thomson,
2005.
para obras de edificação. 1988. 106 f. Tese (Mestrado em Engenharia) –
por módulos para obras de construção de edifícios.
SAMPAIO, F. M. Orçamento e custo da construção. Brasília: Hemus, 1989.
TISAKA, Maçahico. Orçamento na Construção Civil: Consultoria, Projeto e
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GONÇALVES, C. M.; CEOTTO, L. H. Custo Sem Susto: projetando por
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MATTOS, Aldo Dórea – Como preparar orçamentos de obras: dicas para
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