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Fábulas: Jabuti, Raposa, Onça e Bode

O documento apresenta três fábulas: 'O Jabuti e a Raposa', onde o jabuti engana a raposa; 'A Onça e o Bode', que narra a rivalidade entre a onça e o bode pela posse de uma casa; e 'A Menina que Queria a Lua', onde um pai tenta realizar o desejo impossível da filha de ter a lua só para ela. Cada história traz lições sobre esperteza, amizade e a busca por sonhos. A última fábula, 'O Sapo e o Veado', menciona a competição entre dois animais por uma moça.
Direitos autorais
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Fábulas: Jabuti, Raposa, Onça e Bode

O documento apresenta três fábulas: 'O Jabuti e a Raposa', onde o jabuti engana a raposa; 'A Onça e o Bode', que narra a rivalidade entre a onça e o bode pela posse de uma casa; e 'A Menina que Queria a Lua', onde um pai tenta realizar o desejo impossível da filha de ter a lua só para ela. Cada história traz lições sobre esperteza, amizade e a busca por sonhos. A última fábula, 'O Sapo e o Veado', menciona a competição entre dois animais por uma moça.
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1. O Jabuti e a Raposa Tudo calado. O jabuti chamou segunda vez.

Tudo
calado.
Jabuti meteu-se pela sua toca adentro, assoprou
Só saíam moscas do fundo da toca.
na flauta, e pôs-se a dançar:
O jabuti abriu a boca da toca, e disse:
“Tin, tin, tin,
— Esta diaba já morreu!
Olô, olô, olô”
O Jabuti puxou-a para fora:
Veio a raposa, e gritou por ele:
— Eu bem te tinha dito, raposa! Tu não eras
— Ó jabuti!
forte o suficiente para medires forças comigo! O
O jabuti respondeu:
jabuti deixou-a ficar e foi-se embora.
— Oi! Vamos, raposa! Quem vai adiante?
A raposa disse: Fonte: [Link]

— Tu, jabuti!
— Está bom, raposa. Quantos anos são
precisos?
A raposa respondeu:
— Dois anos.
Então a raposa fechou o jabuti no fundo da toca.
Depois que acabou de o fechar, disse:
— Adeus, jabuti, vou-me embora.
De ano em ano, vinha falar com o jabuti;
chegava à boca da toca, e chamava por ele:
— Ó jabuti!
O jabuti respondia:
— Ó raposa! Já estarão amarelas as frutas do
taperebá?
A raposa respondia:
— Ainda não, jabuti; agora os taperebazeiros
estão apenas em flor. Adeus, jabuti, ainda me
vou desta vez.
Quando foi o tempo do jabuti sair, a raposa
veio, chegou à boca da toca, e chamou.
O jabuti perguntou:
— Já estão amarelas as frutas do taperebá?
A raposa respondeu:
— Agora, sim, jabuti. Agora em verdade já estão
embaixo da árvore grande uma porção delas.
O jabuti saiu e disse:
— Entra agora, raposa!
A raposa respondeu:
— Quantos anos são precisos, jabuti?
O jabuti respondeu:
— Quatro anos, raposa.
O jabuti meteu a raposa no fundo da toca e foi-
se embora.
Um ano depois o jabuti voltou para falar com a
raposa, chegou à boca da toca e chamou:
— Ó raposa!
A raposa respondeu:
— Já estarão amarelos os ananases, jabuti?
O jabuti respondeu:
— Ora! Ainda não estão, raposa. Ainda andam
agora a roçar. Eu vou-me embora! Adeus, amiga
raposa.
Dois anos depois, o jabuti voltou e chamou:
— Ó raposa!
2. A Onça e o Bode — Amigo bode, quando você me vir franzir o
couro da testa, eu estou com raiva, tome
Uma onça queria fazer uma casa e achou um
sentido!
lugar onde tirou o mato para ali fazer a sua
casa. — Eu, amiga onça, quando você me vir balançar
as minhas barbinhas ali nas goteiras e dar um
O bode, que também andava com vontade de
espirro, você fuja, que eu não estou de
fazer uma casa, foi procurar um lugar, e,
brincadeira.
chegando no que a onça tinha aberto espaço no
mato, disse: Depois a onça saiu, dizendo que ia buscar de
comer. Lá, por longe de casa, pegou um grande
— Bravo! Que belo lugar para levantar a minha
bode e, para fazer medo ao seu companheiro,
casa!
matou-o, e entrou com ele pela casa adentro.
O bode cortou logo umas palhas e fixou naquele Atirou-o no chão e disse:
lugar. Depois se foi embora.
— Está aqui, amigo bode, esfole e trate para
No dia seguinte, a onça lá chegando e vendo as nós comer.
palhas, disse:
O bode, quando viu aquilo, disse lá consigo:
— Oh! Quem me está ajudando?! Bravo, é Deus “Quando este, que era tão grande, você matou,
que está me ajudando! quanto mais a mim!”

Começou a armar todas as palhas, e foi-se. No outro dia ele disse à onça:

O bode, quando veio de novo, admirou-se e — Agora, amiga onça, quem vai buscar de
disse: comer sou eu.

— Oh! Quem está me ajudando?! É Deus que E largou-se. Chegando longe, avistou uma onça
está me protegendo. bem grande e gorda, disfarçou e pôs-se a tirar
cipós no mato. A onça veio chegando, e, vendo
Botou logo a armação do telhado na casa, e foi- aquilo, disse:
se.
— Amigo bode, para que tanto cipó?
Vindo a onça, ainda mais se espantou, e botou
as ripas e os enchimentos e retirou-se. — Para quê?! O negócio é sério, trate de si… O
mundo está para acabar, e é com dilúvio…
O bode veio, e levantou a casa e foi-se. A onça — O que está dizendo, amigo bode?
veio e cobriu. O bode veio e tapou. Assim foram,
cada um por sua vez, aprontando a casa. — É verdade. E você, se quiser escapar, venha
Finalizada, veio a onça, fez a sua cama e meteu- se amarrar, que eu já me vou.
se dentro. Logo depois chegou o bode, e, vendo
A onça foi, e escolheu um pau bem alto e
a outra, disse:
grosso, pedindo ao bode para que a amarrasse.
— Não, amiga, esta casa é minha, porque fui eu O bode amarrou-a perfeitamente e, quando a
quem fixei as palhas, armei o telhado, levantei, viu bem segura, meteu-lhe o cacete, até matá-
e tapei. la. Depois arrastou-a.

— Não, amigo, respondeu a onça, a casa é Chegou em casa, largou-a no chão, dizendo:
minha, porque fui eu que retirei o mato do
— Está aqui. Se quiser esfole e trate.
lugar, botei as travessas, as ripas, os
enchimentos, e o cobri. A onça ficou espantada e com medo. Ambos
temiam um ao outro.
Depois de um tempo, a onça, que estava com
vontade de comer o bode, disse: Certo dia, o bode estava tomando ar fresco e
olhou para a onça, ela estava com o couro da
— Mas não haja briga, amigo bode, nós dois
testa franzido. Ele teve receio, abalou as barbas
podemos ficar morando na casa.
e largou um espirro. Logo correram cada um
O bode aceitou, mas com muito medo. O bode para seu lado.
armou a sua rede bem longe da onça. No outro
E ainda hoje correm de medo um do outro…
dia a onça disse:
Fonte: [Link]
- Mas filha, a lua não pode ser só tua, ela é de
toda a gente que gosta de a admirar

como nós estamos agora a fazer.

- Eu queria só para mim, é tão linda Papá!

- Íris ela esta tão alta, como é que o Papá


chegaria lá?

- Com uma escada, com uma escada


chegarias…

2. A menina que queria a lua - Íris, com uma escada?

Numa certa noite como em muitas outras, Íris e Com uma escada eu nunca conseguiria, e a
o seu pai António, sentavam-se no nossa é muito pequena.

alpendre de sua casa e deslumbravam-se com a - Pedes outra escada ao Sr. Justino, o vizinho…
noite salpicada de estrelas que se
- Eu não vou agora pedir uma escada ao Sr.
expunham por cima deles. Íris amorfadava cada Justino.
uma delas com os seus olhos de
- Por favor Papá!
devorar o mundo e guardava na sua cabeça
O seu olhar esbugalhado, quase envolto em
para mais tarde as contemplar nos seus
lágrimas para acentuar o seu desejo,
sonhos.
fizeram derreter o coração deste pai que se viu
Em absoluto silencio a admiração em redor envolto numa tarefa para demonstrar o
daquele céu tão iluminado fazia a pequena
amor que tinha pela sua filha, porque pedidos
menina a divagar em desejos porque, as impossíveis não existem, existem sim, é
estrelas ela guardava religiosamente debaixo
empenhos fúteis.
da sua alçada, mas o seu desejo era maior que
- Espera aqui por mim e não saias daí…
suas mãos, ela queria mais…
- Vais dar-ma?
- Papá eu queria te pedir uma coisa!
- Vou ver se posso!
Dito em plena melancolia como só uma criança
sabe pedir, o pai já adivinhava Levantou-se e pousou suavemente a sua filha,
despedindo-se com um leve toque nas
um pedido impossível que teria de tentar
concretizar para deleite da luz de seus olhos. suas tranças. A mãe acercava-se á porta
olhando a silhueta do marido a dirigir-se para
- Diz minha linda.
a garagem.
Tudo o que pedires o Papá te dará.
-Mamã, Mamã! O Papá vai dar-me a lua!
- O céu hoje esta tão lindo, não está?
Íris correu para a sua mãe em tamanha alegria
- Sim, tantas luzinhas que se estendem por todo
abraçando-a pela sua cintura
o lado…
enquanto os olhos da mãe deixavam cair uma
- Papá. Dá-me a lua.
pequena lágrima que prontamente
Quero a lua só para mim…
secou com as mangas da camisola.
Aquele pedido deixou-o estático, a sua mente
Um chiar intenso rasgava o silêncio daquela
elaborava atalhos para fugir de tamanho
noite, era António que carregava uma
trabalho, como iria ele desencantar outro
escada de alumínio que com grande maneio
pedido para que a sua filha esquecesse a lua.
esticou e encostou à fachada de sua
casa. Cláudia olhava-o com esperança de ouvir - Preciso de escadas, não conhece quem as
a justificação para aquilo, mas a sua tenha?

curiosidade obrigou-a a perguntar: O vizinho já se interrogava se António tinha


perdido o juízo ou se estava a dormir e que
- António o que vais fazer com essa escada?
tudo aquilo não passava de um sonho.
- Vou dar o maior presente que jamais poderia
dar à minha filha. - Bem, tem o Torcato, o Belmiro, o Seixas, o
Andrade, o Chico, o Rui da vinha, o
- Mas não és capaz!
Júlio…
Já as costas voltadas de António se despediam
dos comentários de sua mulher, António percorrera toda a sua rua e pedia o
mesmo a todos, uma escada a maior que
Cláudia incrédula agarrava-se à pequena miúda
e seguia a sombra de seu marido que possuísse. Toda a noite António desgarrado
trepava as escadas com afinco e apoiava
se embrenhava na escuridão em direcção da
casa do vizinho. A casa do Sr. Justino era as outras com bastante cuidado, uma após
outra e após outra e após outra.
pegada à sua, por isso de imediato a campainha
soou alarmando o seu dono. Nesta jornada sem fim já uma pequena
multidão se aglomerava em torno de sua casa
Um velho bonacheirão acercou-se à porta e
admirado com a presença de olhando para o céu que já parecia tão próximo
com o avançar de tantas escadas.
António aquela hora perguntou-lhe assustado:
A sua rua não chegava para alcançar a altura
- António aconteceu alguma coisa, homem?
em escadas, São Coronado era pequeno
- Boa noite Justino, desculpe chateá-lo a esta
para tanta ânsia de escadas toda a Trofa ele
hora mas precisava de um favor seu…se
calcorreou em demanda de escadas, e
fosse possível.
escadas e mais escadas, chegava a casa e
- Desembuche, homem… encavalitava até ao seu objectivo, já sentia

- Empresta-me a sua escada, por um momento. o atropelo da multidão que clamava o seu
nome, incentivando o seu desejo.
- Vens pedir uma escada a esta hora da noite?
Íris olhava com sua mãe a escalada que talvez
- Sim eu sei que é um pouco estranho mas a fosse a ultima para António.
minha filha quer a lua e eu quero dar-lha!
- O Papá demora tanto tempo a chegar lá…
Resmungando pelo caminho, Justino lá
emprestou a sua escada que se encontrava na - Filha, a lua está muito longe, não te
preocupes, em breve ele chega.
sua oficina.
António exausto, descia a pouco e pouco a
António correu até casa e escalou a sua escada que instalou até à pérola desejada
enquanto amparava o peso da escada de
por sua filha, ao tocar no solo soltou um grito de
Justino que batia incessantemente nos degraus, triunfo:
António abriu a escada e apoiou os
- Consegui, eu consegui querida!
pés em cima da escada pousada e equilibrou-a,
mas precisava de mais, só duas não A pequena arregalou seus olhos cor de avelã e
iluminou-se com um sorriso que atingiu
chegavam para atingir o seu objectivo. Desceu
a toda à pressa e olhou fixamente para toda a multidão que se acotovelava no seu
jardim.
Justino que o seguira, incrédulo no trabalho do
vizinho. - Dá-ma Papá!

- Eu não consigo trazer-ta…


- Consegues, consegues…

O pobre pai sentiu-se derrotado com as palavras


de sua filha, cruzou um triste olhar

com o de Cláudia que a segurava em seus


braços, num rápido movimento Cláudia

pousou a sua filha no chão do alpendre e entrou


de rompante em casa, António olhava

à sua volta e milhares de caras fixavam-se em


si; o espanto do seu feito revelavase

em suas faces. Cláudia sai esbaforida de casa e


corre em direcção de António

acercando-se dele com vários novelos de lã do


seu tricot, suavemente afaga as suas

mãos e repousa um beijo na sua testa.

Decidido sobe uma ultima vez as ultimantes


escadas, que se perfilhavam às milhares

sob o olhar ansioso de Íris que aguardava que


seu pai regressasse de tão difícil tarefa.

António chega esbaforido à lua e rodeia o


planeta com um delicado fio que aperta

suavemente o branco angélico que brilha sobre


nós, desce apressadamente dando nós

nos novelos que se finam em desenrrolos de


quilómetros. Chegado ao chão com uma

ponta de fio que não tinha fim, dirige-se à sua


filha e amarra o fino fio em seu pulso…

- Aqui tens o que te prometi!

A lua, é toda tua…

Íris não conseguiu conter duas pequenas


lágrimas que se soltaram enquanto abraçava

seus pais envoltos num rufar de palmas que


acordaram toda uma cidade adormecida.
3. O Sapo e o Veado O veado ficou muito alegre e casou-se com a
mesma moça.
Carla Irusta
Fonte: [Link]
Certa vez, um sapo e um veado queriam ambos
casar com uma moça. 4. O Discípulo, de Oscar Wilde

Para decidirem a questão, fizeram uma aposta. Quando Narciso morreu o lago de seu prazer
Havia duas estradas; então, o veado disse que mudou de uma taça de águas doces para uma
aquele que chegasse primeiro ao fim delas, se taça de lágrimas salgadas, e as oréades vieram
casaria com a moça. Quando ele cantasse, o chorando pela mata com a esperança de cantar
sapo deveria responder. Ficou tudo combinado e e dar conforto ao lago.
cada qual seguiu por sua estrada. E quando elas viram que o lago havia mudado
O veado estava muito alegre, julgando ser ele de uma taça de águas doces para uma taça de
quem ganhava a aposta. No entanto, o sapo, lágrimas salgadas, elas soltaram as verdes
muito sabido, reuniu todos os sapos, um atrás tranças de seus cabelos e clamaram: “Nós
do outro, em toda a extensão do caminho. Ele entendemos você chorar assim por Narciso, tão
ordenou que aquele que ouvisse o veado cantar belo ele era.”
e estivesse mais perto dele, respondesse. E foi “E Narciso era belo?”, disse o lago.
se colocar lá no fim da estrada.
“Quem pode sabê-lo melhor que você?”,
Os sapos todos ficaram alertas e quando o responderam as oréades. “Por nós ele mal
veado cantava: passava, mas você ele procurava, e deitava em
— Laculê, laculê, laculê suas margens e olhava para você, e no espelho
de suas águas ele refletia sua própria beleza.”
O sapo que estava mais perto respondia:
E o lago respondeu, “Mas eu amava Narciso
— Gulugubango, bango lê. porque, quando ele deitava em minhas margens
O veado corria, corria e voltava a gritar: e olhava para mim, no espelho de seus olhos eu
via minha própria beleza refletida”.
— Laculê, laculê, laculê.
Fonte: [Link]
agora-mesmo/
O sapo que estava mais perto respondia:

— Gulugubango, bango lê.

O veado ficava desesperado e corria ainda mais,


dizendo:

— Agora ele não ouve.

Tornava a cantar a mesma coisa e o sapo


respondiam.

Quando o veado chegou no fim da estrada, já


encontrou o sapo e foi este que se casou com a
moça.

O veado ficou desesperado e disse:

— Aquele sapo me paga.

E quando foi na noite do casamento, encheu um


poço, que tinha no quintal do sapo, de água
fervendo.

Quando foi de madrugada, o sapo viu que moça


estava dormindo, saiu da cama devagarinho e
correu para dentro do poço. Quando foi caindo
dentro, não disse mais nem “ai Jesus!”. E
morreu logo.
5. O jabuti e a onça 6. O pescador

Havia um homem que era pescador e tinha uma


Uma vez a onça ouviu o jabuti tocar a sua gaita
filha. Um dia, ele foi pescar e achou uma joia no
debicando outra onça e veio ter com o jabuti e
mar, muito bonita. Ele voltou para casa muito
perguntou-lhe:
alegre e disse à filha: “Minha filha, eu vou dar
— Como tocas tão bem a tua gaita? esta joia de presente ao rei.” A filha disse que
ele não desse, e antes guardasse, mas o velho
O jabuti respondeu: “Eu toco assim a minha não a ouviu e levou a joia ao rei.
gaita: o osso do veado é a minha gaita, ih! Ih!”
Este recebeu a joia e disse ao velho que (sob
A onça tornou: “A modo que não foi assim que pena de morte) queria que ele lhe levasse sua
eu te ouvi tocar!” filha ao palácio: nem de noite, nem de dia, nem
O jabuti respondeu: “Arreda-te mais para lá um a pé́, nem a cavalo, nem nua, nem vestida. O
pouco, de longe te há de parecer mais bonito.” velho pescador voltou para casa muito triste, o
que vendo a filha, perguntou-lhe o que tinha.
O jabuti procurou um buraco, pôs-se na soleira
da porta, e tocou na gaita: “o osso da onça é a Então, o pai respondeu que estava triste porque
minha gaita, ih! Ih!” o rei tinha-lhe ordenado que ele a levasse, nem
de dia, nem de noite, nem a pé́, nem a cavalo e
Quando a onça ouviu, correu para o pegar. O nem nua, nem vestida. A moça disse ao pai que
jabuti meteu-se pelo buraco a dentro. descansasse, que ficava tudo por conta dela, e
A onça meteu a mãos pelo buraco, e apenas lhe pediu que lhe desse uma porção de algodão e
agarrou a perna. saiu montada no carneirinho.

O jabuti deu uma risada, e disse: “Pensavas que Quando chegaram no palácio, o rei ficou muito
agarravas a minha perna e agarraste a raiz do contente e satisfeito, porque o velho tinha
pau!” cumprido o que havia ordenado sob pena de
morte. A moça ficou no palácio e o rei disse-lhe
A onça disse-lhe: “Deixa-te estar!” que ela podia escolher e levar para casa a coisa
Largou então a perna do jabuti. de que mais lhe agradasse dali.
O jabuti riu-se uma segunda vez, e disse: Na ocasião do jantar, a moça deitou um bocado
— De fato era a minha própria perna. de dormideira no copo de vinho do rei e chamou
os criados e mandou preparar uma carruagem.
A grande tola da onça esperou ali, tanto Quando o rei tomou o vinho, deu-lhe logo muito
esperou, até que morreu. sono e foi dormir. A carruagem já estava
Fonte: [Link] preparada e a moça mandou os criados botarem
comentados/ o rei dentro e largou-se para casa.

Quando o rei acordou da dormideira, achou-se


na casa do velho pescador, deitado em uma
cama e com a cabeça no colo da moça. O rei
ficou muito espantado e perguntou o que queria
dizer aquilo. Ela então respondeu que ele tinha
dito que podia trazer do palácio aquilo que mais
lhe agradasse e do que mais ela se agradou foi
dele. O rei ficou muito contente de ver a
sabedoria da rapariga e casou-se com ela,
havendo muita festa no reino.
Fonte: [Link]
comentados/
7. O Menino e o Padre (com moral da
história)

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8. Perplexidade, de Maria Judite de
Um padre andava pelo sertão e, certa vez, com Carvalho
muita sede, aproximou-se de uma cabana e
Cartas Abertas
chamou por alguém de dentro.
A criança estava perplexa. Tinha os olhos
Veio então lhe atender um menino muito
maiores e mais brilhantes do que nos outros
pequeno.
dias, e um risquinho novo, vertical, entre as
– Bom dia meu filho, você não tem por aí uma
sobrancelhas breves.
aguinha aqui para o padre?
– Não percebo, disse.
– Água tem não senhor, aqui só tem um pote
cheio de garapa (caldo de cana) de açúcar, se o Em frente da televisão, os pais. Olhar para o
senhor quiser… – disse o menino. pequeno écran era a maneira de olharem um
para o outro. Mas nessa noite, nem isso. Ela
– Serve, vá buscar. – pediu-lhe o padre.
fazia tricô, ele tinha o jornal aberto. Mas tricô e
E o menino trouxe a garapa dentro de uma jornal eram álibis. Nessa noite recusavam
cabaça (recipientes para armazenamento de mesmo o écran onde os seus olhares se
água feito de fruto em forma de vaso). O padre confundiam. A menina, porém, ainda não tinha
bebeu bastante e o menino ofereceu mais. Meio idade para fingimentos tão adultos e subtis, e,
desconfiado, mas, como estava com muita sentada no chão, olhava de frente, com toda a
sede, o padre aceitou. sua alma. E então o olhar grande a rugazinha e
aquilo de não perceber.
Depois de beber, o padre curioso perguntou ao
menino: – Não percebo, repetiu.

– Me diga uma coisa, sua mãe não vai brigar O que é que não percebes? disse a mãe por
com você por causa dessa garapa? dizer, no fim da carreira, aproveitando a deixa
para rasgar o silêncio ruidoso em que alguém
– Briga não senhor. Ela não quer mais essa
espancava alguém com requintes de malvadez.
garapa, porque tinha uma barata morta dentro
do pote. – Isto, por exemplo.
– Isto o quê?
Surpreso e revoltado, o padre atirou a cabaça
– Sei lá. A vida, disse a criança com seriedade.
no chão e está quebrou-se em mil pedaços, e
exclamou: O pai dobrou o jornal, quis saber qual era o
problema que preocupava tanto a filha de oito
– Moleque danado, por que não me avisou
anos, tão subitamente. Como de costume
antes?
preparava-se para lhe explicar todos os
O menino olhou desesperado para o padre, e problemas, os de aritmética e os outros.
então disse em tom de lamento:
– Tudo o que nos dizem para não fazermos é
– Agora sim eu vou levar uma surra das mentira.
grandes, o senhor acaba de quebrar a cabaça – Não percebo.
que a vovó usa para fazer xixi dentro! – Ora, tanta coisa. Tudo. Tenho pensado muito
e… dizem-nos para não matar, para não bater.
Fonte: [Link]
Até não beber álcool, porque faz mal. E depois a
televisão… nos filmes, nos anúncios… Como é a
vida, afinal? Quando a linda moça chegou à casa, a mãe
– A mão largou o tricô e engoliu em seco. O pai reclamou da demora.
respirou fundo como quem se prepara para uma – Peço-lhe perdão, minha mãe – disse a
corrida difícil. pobrezinha -, por ter demorado tanto.
– Ora vejamos, disse ele olhando para o teto em E, dizendo essas palavras, saíram-lhe da boca
busca de inspiração. A vida… duas rosas, duas pérolas e dois enormes
Mas não era tão fácil como isso falar do diamantes.
desrespeito, do desamor, do absurdo que ele – O que é isso? – disse a mãe espantada -, acho
aceitara como normal e que a filha, aos oito que estou vendo pérolas e diamantes saindo da
anos, recusava. sua boca. De onde é que vem isso, filha? Era a
– A vida…, repetiu. primeira vez que a chamava de filha.
As agulhas do tricô tinham recomeçado a A pobre menina contou-lhe honestamente tudo
esvoaçar como pássaros de asas cortadas. o que tinha acontecido, não sem pôr para fora
uma infinidade de diamantes.
Fonte: [Link]
agora-mesmo/
– Nossa! – disse a mãe -, tenho de mandar
minha filha até a fonte.
– Filha, venha cá, venha ver o que está saindo
9. As Fadas
da boca de sua irmã quando ela fala; quer ter o
Era uma vez uma viúva que tinha duas filhas. mesmo dom? Pois basta ir à fonte, e, quando
uma pobre mulher lhe pedir água, atenda-a
A mais velha se parecia tanto com ela, no educadamente.
humor e de rosto, que quem a via, enxergava a
própria mãe. Mãe e filha eram tão – Só me faltava essa! – respondeu a mal-
desagradáveis e orgulhosas que ninguém as educada- Ter de ir até a fonte!
suportava. – Estou mandando que você vá – retrucou a
mãe -, e já.
A filha mais nova, que era o retrato do pai, pela
doçura e pela educação, era, ainda por cima, a Ela foi, mas reclamando. Levou o mais bonito
mais linda moça que já se viu. jarro de prata da casa.

Como queremos bem, naturalmente, a quem se Mal chegou à fonte, viu sair do bosque uma
parece conosco, essa mãe era louca pela filha dama magnificamente vestida, que veio lhe
mais velha. E tinha, ao mesmo tempo, uma pedir água.
tremenda antipatia pela mais nova, que comia Era a mesma fada que tinha aparecido para a
na cozinha e trabalhava sem parar como se irmã, mas que surgia agora disfarçada de
fosse uma criada. princesa, para ver até onde ia a educação
Tinha a pobrezinha, entre outras coisas, de ir, daquela moça.
duas vezes por dia, buscar água a meia légua – Será que foi para lhe dar de beber que eu vim
de casa, com uma enorme moringa, que voltava aqui? – disse a grosseira e orgulhosa. – Se foi,
cheia e pesada. tenho até um jarro de prata para a madame!
Um dia, nessa fonte, lhe apareceu uma pobre Tome, beba no jarro, se quiser.
velhinha, pedindo água: – Você é muito mal-educada – disse a fada, sem
– Pois não, boa senhora – disse a linda moça. ficar brava.

E, enxaguando a moringa, tirou água da mais – Pois muito bem! Já que é tão pouco cortês, seu
bela parte da fonte, dando-lhe de beber com as dom será o de soltar pela boca, a cada palavra
próprias mãos, para auxiliá-la. que disser, uma cobra ou um sapo.

A boa velhinha bebeu e disse: Quando a mãe a viu chegar, logo lhe disse:

– Você é tão bonita, tão boa, tão educada, que – E então, filha?
não posso deixar de lhe dar um dom. Na – Então, mãe! – respondeu a mal-educada,
verdade, essa mulher era uma fada, que tinha soltando pela boca duas cobras e dois sapos.
tomado a forma de uma pobre camponesa para
ver até onde ia a educação daquela jovem. – Meu Deus! – gritou a mãe -, o que é isso? A
culpa é da sua irmã, ela me paga. E
– A cada palavra que falar – continuou a fada -, imediatamente ela foi atrás da mais nova para
de sua boca sairão uma flor ou uma pedra espancá-la.
preciosa.
A pobrezinha fugiu e foi se esconder na floresta empregada preparou as macaxeiras e a mulher
mais próxima. ceou com café́.
O filho do rei, que estava voltando da caça, Nisto caiu um pé́ d’água muito forte. A
encontrou-a e, vendo como era linda,
empregada estava tirando os pratos da mesa,
perguntou-lhe o que fazia ali tão sozinha e por
que estava chorando. quando o dono da casa foi entrando pela porta
a dentro. A mulher foi vendo o marido e
– Ai de mim, senhor, foi minha mãe que me dizendo:
expulsou de casa.
Oh, marido! Com esta chuva tão grossa você
O filho do rei, vendo sair de sua boca cinco ou
veio tão enxuto!?” Ao que ele respondeu: “Se a
seis pérolas e outros tantos diamantes, pediu-
lhe que lhe dissesse de onde vinha aquilo. chuva fosse tão grossa como a tapioca que vós
almoçastes, eu viria tão ensopado como o
Ela lhe contou toda a sua aventura. O filho do capão que vós jantastes; mas como ela foi fina
rei apaixonou-se por ela e, considerando que tal
como os beijus que vós merendastes, eu vim
dom valia mais do que qualquer dote, levou-a
ao palácio do rei, seu pai, onde se casou com tão enxuto como a macaxeira que vós ceastes.”
ela. A mulher teve uma grande vergonha e deixou-
se de dengos.
Quanto à irmã, a mãe ficou tão irada contra ela
que a expulsou de casa. Fonte: [Link]
E a infeliz, depois de muito andar sem encontrar comentados/

ninguém que a abrigasse, acabou morrendo


num canto do bosque.
Fonte: [Link]
fadas

História da numeração

A história da numeração pode dar o pontapé


10. A mulher dengosa inicial ao trabalho. O surgimento do nosso
sistema de numeração e das numerações de
outros povos é bastante interessante e
Era uma vez um homem casado com uma possibilita desenvolver um trabalho
mulher muito dengosa, que fingia não querer interdisciplinar, principalmente com a história e
comer nada diante do marido. O marido foi a geografia. As histórias relacionadas às
reparando naquelas afetações da mulher, e frações, geometria e medidas também
quando foi num dia ele lhe disse que ia fazer propiciam uma abordagem histórica bem rica.
uma viagem de muitos dias. Saiu, e em vez de No que se refere à numeração, de acordo com
partir para longe, escondeu-se por detrás da Imenes, tudo indica que foram os pastores, com
cozinha, numa pilastra. o uso de pedrinhas, que realizaram as primeiras
contagens. De manhã, quando as ovelhas saiam
A mulher, quando se viu sozinha, disse para a
para o pastoreio, o pastor separava uma
empregada: “Faz aí uma tapioca bem grossa,
pedrinha para cada animal e formava um
que eu quero almoçar.” A empregada fez e a
montinho com elas.
mulher bateu tudo, que nem deixou farelo.

Mais tarde ela disse à empregada: “Me mata aí


um capão e me ensopa bem ensopado para eu
jantar.” A empregada preparou o capão, e a
mulher devorou todo ele e nem deixou farelo.

Mais tarde a mulher mandou fazer uns beijus


muito fininhos para merendar. A empregada os
aprontou e ela os comeu. Depois, já de noite,
No final, do dia, conforme retornava cada
ela disse à empregada: “Prepara-me aí umas
animal, o pastor retirava uma pedrinha do
macaxeiras bem enxutas para eu cear.” A
montinho. A sobra de pedrinhas era sinal de que
alguns animais não haviam voltado e a falta de
alguma poderia indicar a que o rebanho teria
aumentado.

Imenes enfatiza que a origem da palavra


cálculo vem da palavra latina calculus, que
significa pedrinha e que, provavelmente, a
origem da palavra calcular seja: contar
com pedrinhas.

Além de pedras o homem utilizou outros


recursos para auxiliá-lo nas contagens, tais
como, marcas em ossos ou madeira e nós em
A numeração egípcia
cordas. Também o corpo humano foi usado com
esse propósito; tanto é verdade que a palavra A civilização egípcia desenvolveu-se às
dígito, do latim dígitus que significa dedo, é margens do Rio Nilo onde, ainda hoje, é o Egito.
utilizada até hoje como sinônimo de algarismo. A grandiosidade das pirâmides, templos e
Para contar grandes quantidades, o homem monumentos egípcios, bem como a vida e a
sentiu a necessidade de criar um sistema de cultura desse povo, sempre despertaram a
numeração. Assim, de acordo com Imenes, curiosidade da humanidade. Os egípcios
vários povos, como os Egípcios (4.500 a.C a 300 embalsamavam os mortos, pois acreditavam
a.C) e os Romanos (500 a.C a numa vida após a morte; também colocavam
500 d.C), criaram sistemas nos túmulos objetos de valor da pessoa falecida.
numéricos, cada qual com
De acordo com Guelli, a decifração dos
características próprias. O
hieróglifos (inscrições em monumentos e
período em que essas
tumbas) permitiu que os cientistas
civilizações floresceram pode
descobrissem que os egípcios utilizavam sete
provocar discussões na sala de
números-chave representados por sete figuras.
aula a respeito do calendário
Qualquer outro número era escrito combinando-
cristão, utilizado por nós, e sobre
se os números-chave, sendo que a ordem em
fatos ocorridos nos anos anteriores e posteriores
que os símbolos eram escritos não tinha
ao nascimento de Jesus. Cabe esclarecer que,
importância. Eles contavam, como nós hoje,
no calendário cristão, os anos são contados
formando grupos de dez; sendo assim, o
tendo como referência o ano do nascimento de
sistema egípcio antigo tinha base dez.
Cristo. Assim sendo, neste calendário não há
ano zero e o ano 1 é o primeiro ano da era
cristã. Os anos anteriores ao nascimento de
Jesus trazem a abreviação a.C. e os anos
posteriores levam a indicação d.C.

Gutierre sugere que o professor trabalhe


com mapas geográficos e com uma linha Para trabalhar com o sistema de numeração
de tempo para situar os alunos no tempo e egípcio, SÃO PAULO sugere que o professor,
no espaço. Segundo a autora, a como atividade introdutória, instigue a turma a
experiência de convidar a turma de alunos descobrir o funcionamento dessa numeração a
para realizar uma viagem pelo tempo e partir da análise de inscrições egípcias e de
pelo espaço é fator de entusiasmo e as algumas pistas. Os exemplos abaixo dão uma
“paradas” em diferentes locais da ideia da proposta:
antiguidade favorece a abordagem de
diferentes assuntos.
não criaram símbolos novos para pois
utilizaram as letras do alfabeto.

No princípio, de acordo com Mori; Onaga, os


símbolos romanos estiveram associados ao
registro da contagem de votos em eleições, que
era feito com o uso de traços. Para os números
de um a quatro eram utilizados um, dois, três ou
quatro traços; o cinco era escrito com cinco
traços cortados por outro inclinado e o dez era
formado por cinco traços cortados por dois
inclinados.

A partir da descoberta das leis do sistema


egípcio, os alunos podem aventurar-se a
representar outras quantidades utilizando o
Com o passar do tempo, a fim de facilitar a
método e, até mesmo, estabelecer relações
leitura e escrita dos números, os símbolos
entre os sistemas egípcio e decimal.
romanos foram sendo modificados e
simplificados. Imenes destaca que, para muitos
especialistas, o cinco romano (V), por exemplo,
pode ter-se originado da figura de uma mão
aberta.

Assim como proposto no sistema egípcio, os


alunos podem tentar descobrir as regras de
formação dos números romanos a partir da
análise de alguns números.

A numeração romana

Assim como os egípcios, os romanos também


criaram seu próprio sistema de numeração que Dicas e questionamentos do professor auxiliarão
é ainda utilizado nos dias de hoje. A civilização a perceber as leis do sistema:
romana, conforme destaca Guelli, foi a mais  são utilizados apenas 7 símbolos com os
importante de todas as civilizações antigas. seguintes valores:
Tinha como centro a cidade de Roma e seus I–5 V–5 X – 10 L – 50 C–
habitantes enfrentaram todos os tipos de 100 D – 500 M – 1000
guerras. As batalhas eram travadas na
conquista de outros povos ou na defesa aos  cada símbolo pode ser repetido, no
ataques dos inimigos. Os romanos conseguiram máximo, três vezes, com exceção do V, L
aumentar seu território, conquistando a e D;
Península Itálica e o restante da Europa, o norte  somam-se os valores de dois símbolos
da África e uma parte da Ásia. quando o da direita vale igual ou menos
O sistema romano também tem base dez e que o da esquerda;
se parece muito com o egípcio. Aliás, os  subtraem-se os valores de dois símbolos
romanos foram muitos espertos na quando o da direita vale mais que o da
invenção de sua numeração pois, além da esquerda (o I só pode preceder o V ou X,
praticidade e eficiência do seu sistema, o X só pode preceder o L ou C e o C só
pode preceder o D ou M).
Jogo dos números romanos Segundo Imenes, a origem do nosso sistema é
muito antiga. Surgiu na Ásia, no vale do Rio
Para este jogo é necessário providenciar, para
Indo, onde é o Paquistão hoje, local que era
cada grupo de 4 alunos, 5 cartas de cada um
habitado pela civilização hindu. O povo hindu
dos sete símbolos da numeração romana; serão,
desenvolveu-se há mais de quatro mil anos e
no total, 35 cartas. As cartas são embaralhadas
suas ruínas revelaram uma civilização bastante
e cada aluno do grupo toma 5 cartas para si. O
avançada, cuja população construiu casas com
objetivo do jogo é formar um número com cinco
tijolos de barro, organizou povoados com ruas
ou menos cartas e apresentá-lo ao grupo.
calçadas, fornecimento de água e canalização
Assim, cada jogador analisa suas cartas e
de esgotos. Porém, por volta de 1500 a.C. esse
organiza-as sobre a mesa dispondo-as à sua
povo desapareceu, muito provavelmente devido
frente, de forma a mostrar o maior número
às invasões sofridas.
romano que conseguir.
Os hindus criaram um sistema posicional,
de base dez, que utiliza apenas os
símbolos 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9. Os
árabes entraram em contato com o
sistema numérico, adotaram-no e o
levaram à Europa através de suas invasões
àquele continente.
Todos os jogadores deverão ler em voz alta seus
números e aquele que apresentar o maior
número é o vencedor da rodada. As cartas são Segundo Guelli, um
embaralhadas novamente e outras rodadas brilhante matemático árabe,
semelhantes ocorrem. Combina-se, chamado Al-Khowarizmi,
antecipadamente, qual será o número total de escreveu um livro
rodadas. explicando como funcionava
a numeração dos hindus e,
A numeração indo-arábica dessa forma, revelou ao
Não foram somente as civilizações egípcia e mundo a grande
romana que criaram sistemas de numeração descoberta. Do nome desse
próprios. Outros povos também o fizeram e os árabe originou-se da palavra latina algorismus e
diferentes sistemas criados apresentavam dessa o nome “algarismo” usado para designar
vantagens e desvantagens. A civilização os signos numéricos.
babilônia, que há mais de 4000 anos habitava a Depois de conhecer a história da nossa
Mesopotâmia (hoje região próxima ao Iraque), numeração, os alunos poderão analisar alguns
inventou um sistema numérico de base números para observar as características do
sessenta que nos influencia ainda hoje na sistema (valor absoluto e valor relativo, leitura,
divisão da hora em 60 minutos, do minuto em escrita, etc.). Atividades que solicitem a escrita
60 segundos e da circunferência em 360 graus de um mesmo número nos sistemas egípcio,
(TELECURSO). romano e decimal, tal como a que segue,
favorecerão a comparação das diferentes
numerações.

Porém, nenhum dos sistemas numéricos


existentes era suficientemente eficiente. Foi
necessário o aparecimento de outro que Como atividade extra, o professor poderá propor
facilitasse os cálculos e o registro dos números. aos alunos que, em grupos, criem um sistema
O tal sistema pretendido foi criado pelos hindus de numeração próprio (símbolos,
e divulgado ao mundo pelos árabes; chama- funcionamento, características) e depois o
se sistema de numeração decimal ou indo- expliquem aos colegas.
arábico e é utilizado por nós até hoje.
O nascimento da geometria e das frações desenhavam um símbolo oval sobre o
denominador. As outras frações que não tinham
Outra história interessante a ser contada aos
numerador 1 eram obtidas através da soma das
alunos é a que relata o nascimento da
frações unitárias e, por isso, o cálculo com
geometria. Segundo Mori; Onaga, há mais de
frações tornava-se muito difícil.
4500 anos, no antigo Egito, a geometria surgiu
devido aos problemas de medição de terras.

Para escrever, por exemplo, um número maior


que 111 e menor que 112 sem usar frações,
O Rio Nilo, que banha o Egito, transbordava na passou-se por um longo período até o
época das cheias e, a cada inundação, destruía surgimento de uma ideia tremendamente
as cercas usadas para a demarcação dos fantástica e simples: colocar uma vírgula no fim
terrenos. Quando as águas baixavam, os de um número natural e continuar escrevendo
egípcios dividiam novamente os terrenos algarismos também depois da vírgula. Conforme
utilizando as medidas tiradas antes da destacam Imenes, Jakubovic e Lellis, usando-se
enchente. Naquela época, os egípcios já a lógica do sistema de numeração decimal, a
utilizavam triângulos para marcar cantos retos. posição seguinte à vírgula tem o valor da
posição das unidades dividido por 10; ou seja, é
Os gregos, que aprenderam geometria com os a casa dos décimos. A escrita dos números
egípcios, também ajudaram a desenvolve-la; naturais podia avançar o quanto quisesse, pelas
aliás, foram eles que deram o nome dezenas, centenas, milhares, etc. e a vírgula
“geometria” sendo que geo significa terra permitiu que se avançasse, também, no sentido
e metria tem o significado de medida. A história oposto.
dos egípcios e a demarcação de suas terras
devido às cheias do Rio Nilo também justifica a Medidas
criação das medidas de comprimento e das No que se refere às medições de terras, os
frações. próprios egípcios tinham outras formas para
Machado relata que os agricultores do Egito medir pequenas extensões. Eles utilizavam o
tinham que pagar impostos ao faraó pela cúbito ou côvado (distância do cotovelo até a
extensão de terra que possuíam. Por causa ponta do dedo médio) e até construíram
disso, os agrimensores do faraó mediam as bastões com comprimento igual a 1 cúbito para
terras com cordas constituídas de nós auxiliar na tarefa. O uso de bastões facilitava
igualmente espaçados; a distância de um nó a também o desenvolvimento do comércio.
outro era a unidade de medida. Ao esticar as
cordas mediam grandes distâncias observando-
se quantas vezes a unidade de medida cabia no
comprimento a ser medido.

De acordo com Mori; Onaga, ao medir as


terras com as cordas, os egípcios nem
sempre encontravam um número inteiro Outros povos também tinham seus padrões de
como resultado, ou seja, muitas vezes a medida: eram utilizados palmos, polegadas, pé,
medida não podia ser representada por um jardas, etc., medidas essas originadas do corpo
número natural porque a unidade de humano. Porém, conforme o mundo se
medida não cabia exatamente no desenvolvia e as relações comerciais entre os
comprimento que estava sendo medido. povos ia aumentando, a existência de diferentes
Então, eles sentiram a necessidade de padrões criava confusões, pois haviam cúbitos,
criar um número que representasse uma palmos, pés, etc., de diferentes tamanhos. Foi
parte ou uma porção da unidade: a fração. então que os homens sentiram a necessidade
da existência de uma unidade padrão de
Guelli enfatiza que os egípcios utilizavam medida.
apenas frações com numerador igual a 1
(frações unitárias) sendo que, para escrevê-las,
De acordo com o Telecurso 2000, no final do
século XVIII um grupo de cientistas reuniu-se na Então, em algum momento da história, os
França e escolheu o metro como medida homens chegaram a pensar que o ano durasse
padrão. O metro foi reconhecido 360 dias e, mesmo depois de concluírem que
internacionalmente e, a partir dessa data, esse fato não era verdadeiro, resolveram
passaram a existir instrumentos com a medida manter o número 360 para algumas medidas.
do metro no mundo todo. Assim, a invenção do grau foi um feito dos
babilônios. Numa abordagem introdutória sobre
Toledo; Toledo (1997) esclarecem que a
ângulos é interessante associá-los a giros de
palavra metro vem do grego, metron, e
volta inteira, meia volta e um quarto de volta,
significa medida. Segundo os autores “o
tendo como referência o próprio corpo. A
metro é um múltiplo do comprimento de
história contada anteriormente justifica o
onda do gás criptônio, presente na
motivo pelo qual são associados a esses giros
atmosfera. Esse comprimento de onda
os ângulos de 360º, 180º e 90º,
pode ser obtido em qualquer país e é
respectivamente.
fixo”.

Os alunos podem sentir na própria pele a


confusão que o uso das unidades de medida
antigas causava a partir de atividades em que
sejam convidados a medir a largura ou
comprimento da sala com pés ou passos; o
comprimento da classe com polegadas ou
palmos e a largura do quadro com jardas ou
cúbitos. Na comparação dos resultados obtidos
ficará claro que as medidas encontradas variam
de pessoa para pessoa. Certamente, o estudo
do metro, de seus múltiplos e submúltiplos
ficará bem mais atrativo após a realização de
atividades semelhantes às sugeridas e do
conhecimento dos fatos históricos relacionados
ao surgimento das medidas.

Origem do ângulo

Uma última história que será abordada neste


artigo refere-se a origem do ângulo. Ledur;
Enriconi; Woff relatam o seguinte: “Houve um
tempo em que os antigos acreditavam que o Sol
girava em torno da terra numa órbita circular e
levava 360 dias para dar uma volta completa.
Assim, a cada dia de órbita percorrida
correspondia a 1 grau, isto é, 1/360 da
circunferência. Esta unidade passou a ser a
unidade de medida de um ângulo e se
denominava grau (1°). Hoje sabemos que a
Terra é que gira em torno do Sol, a órbita não é
circular, mas elíptica, no entanto, o sistema
sexagesimal dos babilônios foi mantida”.

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