AO JUÍZO DA 1ª VARA DO TRABALHO DE FLORIANÓPOLIS
PROCESSO: 0000936-90.2025.5.12.0001
JOSELMA AZEVEDO DOS SANTOS, já qualificado nos autos que
move em face de M.S SERVICE; HOSPITAL DE CARIDADE e HOSPITAL
BAÍA SUL, vem ao Juízo apresentar RÉPLICA ÀS CONTESTAÇÕES, nos
autos do processo supracitado, conforme razões abaixo.
LEGITIMIDADE PASSIVA DA SEGUNDA e TERCEIRA RECLAMADAS.
A segunda reclamada, ‘HOSPITAL DE CARIDADE’, argumenta, em síntese, que
é ilegítima para constar no polo passivo considerando que o vínculo empregatício e as
obrigações trabalhistas ocorrem com a primeira reclamada, ‘MS SERVICE’.
De imediato, não merece prosperar as alegações de defesa.
A reclamante e a MS SERVICE prestavam serviços para a segunda e terceira
reclamadas. Nesse cenário, como tomadora dos serviços e principal beneficiária das
atividades da trabalhadora, tem por responsabilidade o dever de fiscalização – não só
das atividades desempenhadas pela reclamante, mas igualmente pelos direitos dos
trabalhadores.
Além disso, a reclamada mantém a responsabilidade e, por consequência,
a legitimidade passiva, por força do próprio contrato de cessão (id. e2de14e):
Ou seja, não deve e não há qualquer prejuízo perante terceiros, sobretudo
direitos trabalhistas. Por tal razão, a segunda reclamada deve permanecer no polo
passivo frente a responsabilidade solidária desta.
No mesmo sentido, a manutenção da legitimidade passiva da terceira
reclamada, ‘HOSPITAL BAÍA SUL’, posto que a reclamante atuou diretamente com a
terceira reclamada, tal qual descreve a segunda reclamada em sua contestação - com
o adendo de que sempre desenvolveu suas atividades nos locais de ambas as
empresas.
Sendo assim, a segunda e terceira reclamadas possuem legitimidade passiva
para constar na lide trabalhista.
PEDIDO DE GRATUIDADE DA JUSTIÇA PELA SEGUNDA RECLAMADA. IMPOSSIBILIDADE.
DOCUMENTO APRESENTADO OBSOLETO E NÃO ATUALIZADO.
A segunda reclamada pugna pela gratuidade da justiça, contudo, o pedido não
merece prosperar.
Ocorre que as alegações e documentos não são recentes, com balancetes dos
anos de 2021 e 2022, ou seja, não aptos a comprovarem a atual situação econômica da
reclamada – que inclusive repassou, por meio de cessão, responsabilidades e custos para
terceiros.
Sendo assim, a realidade financeira definitivamente não é mais a mesma,
passados quase cinco anos e comprovado pela própria reclamada que não arca com
custos operacionais, por exemplo, como o de limpeza e conservação, há de se observar
atualmente a realidade fática da reclamada.
Cumpre ainda informar que a segunda e terceira reclamada fazem parte do
mesmo grupo econômico, fazendo parte da ‘Holding Hospital Care’ – um grande
conglomerado de hospitais privados, clínicas, empresas de exames de diferentes níveis de
complexidade e que movimenta mensalmente milhares de reais.
Ausente documentos técnicos e recentes aptos a comprovar a hipossuficiência
econômica, não faz jus à justiça gratuita requerida.
LIMITAÇÃO DOS VALORES DOS PEDIDOS. VALORES ESTIMADOS
Há entendimento firme em diversos Tribunais Trabalhistas e no TST de que os valores
da inicial são apenas estimativas, frente a complexidade dos direitos que se busca e o valor
não limita o montante arbitrado.
Necessário observar, sempre, que a questão não pode ser analisada
isoladamente, pois deve ser ponderada e considerada os princípios da informalidade e
simplicidade que orientam a lógica processual trabalhista.
Portanto, os valores devem ser considerados apenas estimativas, das pretensões
deduzidas na inicial, posto, inclusive, que o juiz pode corrigido, de ofício e por arbitramento,
“quando verificar que não corresponde ao conteúdo patrimonial em discussão ou ao
proveito econômico perseguido pelo autor” (art. 292, §3º, CPC).
Assim sendo, requer que os valores sejam apenas considerados estimativos.
RESPONSABILIDADE DA SEGUNDA e TERCEIRA RECLAMADAS
Com alegações semelhantes ao tema prejudicial de mérito, em evidente
defesa genérica, as reclamadas argumentam não possuir responsabilidade jurídica no
caso concreto, todavia, não lhe assiste qualquer razão.
Os tomadores de serviços, como principal beneficiário das atividades
desempenhadas pela reclamada, possui a obrigação de fiscalizar a atuação e
cumprimento das obrigações trabalhistas do seu contratado, bem como verificar a
capacidade econômica da terceirizada de arcar com os custos.
As verbas inadimplidas pela primeira reclamada transfere a responsabilidade
subsidiária à tomadora de serviços, frente à culpa in vigilando, além de ser a principal
beneficiária dos serviços prestados pela reclamante.
As tomadoras dos serviços, possuem ingerência direta, tanto no contrato
entre as reclamadas, quanto nas atividades da empregada, além de observar,
minimamente, que seus prestadores de serviços sejam pagos.
Tomadores de serviços, como já dito e firmado por entendimento doutrinário
e jurisprudencial, são os principais beneficiários das atividades desempenhadas pela
reclamante, o que lhe aufere a obrigação de fiscalizar a atuação e cumprimento das
obrigações trabalhistas do seu contratado, bem como verificar a capacidade
econômica da primeira reclamada de arcar com os custos.
As verbas inadimplidas pela primeira reclamada transfere a responsabilidade
subsidiária à tomadora de serviços, frente à culpa in vigilando, além de ser a principal
beneficiária dos serviços prestados pela reclamante. O inadimplemento das obrigações
trabalhistas pelo empregador, por si só, autoriza a responsabilidade subsidiária do
tomador de serviços pelos créditos trabalhistas inadimplidos.
Há de se apontar que (i) há inadimplência de meses no pagamento do FGTS;
(ii) há atraso de meses no pagamento das verbas rescisórias; (iii) havia faltas de alguns
funcionários por falta de pagamento de vale-transporte; (iv) há dezenas de ações
semelhantes; (v) há conhecimento prévio e contínuo das inadimplências trabalhistas
pela tomadora de serviços.
Notadamente, quanto ao ônus de prova da fiscalização do adimplemento
das obrigações contratuais trabalhistas no curso do contrato, cabe ao tomador do
serviço, ou seja, segunda e terceira reclamadas, o que não restou comprovado.
Reitero a Súmula 331, incisos IV e VI do TST:
IV - O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do
empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos
serviços quanto àquelas obrigações, desde que haja participado da
relação processual e conste também do título executivo judicial (...)
VI – A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange todas
as verbas decorrentes da condenação referentes ao período da
prestação laboral.
Por tais argumentos, é que a segunda e terceira reclamadas devem ser
responsabilizadas subsidiariamente.
CONTESTAÇÕES GENÉRICAS. REPETIÇÃO. APLICAÇÃO DE REVELIA
Sabidamente não se admite em nosso ordenamento jurídico uma
contestação genérica, sendo que os réus devem alegar toda matéria de defesa,
expondo razões de direito e de fato.
Ocorre que as contestações apresentadas pelas segunda e terceira
reclamadas são genéricas e repetidas conforme se verifica em diversas ações
trabalhistas recentes (0000911-72.2025.5.12.0035; 0000876-78.2025.5.12.0014; 0000843-
52.2025.5.12.0026 e 0000834-90.2025.5.12.0026).
Além disso, a defesa genérica não rebate os pontos específicos como a
relação contratual, as multas legais e mora salarial, por exemplo.
No que se refere à alegação de IDONEIDADE FINANCEIRA, vemos que, ao
contrário do que afirma a segunda reclamada, há evidente prejuízo financeiro à
reclamante, que foi dispensada e sequer recebeu salário, FGTS ou verbas rescisórias.
Observando o contrato anexo à contestação, vemos que havia obrigação
de observar e comunicar por escrito quaisquer irregularidades observadas, inclusive,
inadimplências trabalhistas:
Desse modo, tal obrigação contratual e legal já fere de morte as alegações
sobre OBRIGAÇÕES PERSONALÍSSIMAS.
A segunda reclamada impugna genericamente, ainda, o contrato de
trabalho bem como data de admissão, função, salário e jornada, todavia, a
impugnação genérica não pode solver documentos legais, como a CTPS Digital, Extrato
de FGTS e TRCT – todos documentos emitidos por banco de dados governamentais.
Assim sendo, não merece atenção ou guarida alegação tão descabida
No que se refere às MULTAS DOS ARTS. 467 E 477 DA CLT, a responsabilidade
subsidiária alcança todos os direitos trabalhistas e penalidades dela adjacentes, posto
que a negligência ou omissão deliberada acarretou os prejuízos já alegados e
comprovados por meio de documentos anexos à inicial.
A mesma lógica se aplica aos argumentos sobre DIFERENÇAS SALARIAIS,
ADICIONAL DE INSALUBRIDADE e FGTS.
Como já dito em outras oportunidades: cansativo ler e contra-argumentar
generalidades.
Ainda sobre o FGTS, o ônus da prova é do empregado, todavia, há
documentação comprovando que há inadimplência pelo empregador – ao contrário
do que tenta fazer crer a segunda reclamada.
No que diz respeito a GRATUIDADE DA JUSTIÇA, não há declaração de
hipossuficiência nos autos porque há comprovantes de dispensa, desemprego (CTPS),
extratos bancários e comprovante da inadimplência da empresa reclamada.
Chega a ser um devaneio das reclamadas gastar pouco mais de uma
página e argumentar que não há documentação apta a comprovar a situação de
miserabilidade da reclamante.
Dessa forma, pugna pelo provimento integral da exordial.
ADICIONAL DE INSALUBRIDADE
A contestante aponta que “auxiliares de serviços gerais não executam
trabalho em contato direto com pacientes em isolamento”, não merecendo, portanto,
o grau máximo de insalubridade. Vejamos que no contrato de prestação de serviços,
diz exatamente o contrário:
Como se pode comprovar contratualmente, todos os empregados, inclusive
a reclamante, atuavam de forma contínua, exclusiva e permanente com pacientes nos
dois hospitais, inclusive nos setores de UTI, como se demonstra acima.
Será que os pacientes da UTI se levantavam e saiam de suas macas para que
as profissionais de limpeza realizassem seu trabalho? Obviamente não é plausível.
Salienta-se que o ônus da entrega de EPI’s é das reclamadas - o que não foi
demonstrado até o momento.
PRODUÇÃO DE PROVAS
Pugna, desde já, pela produção de prova testemunhal e pericial como meios
de instrução probatórias para elucidar a lide. Requer, ainda, seja intimada a
empregada Michely (RH da empresa) a ser intimada pelo Whatsapp (98) 98340-5454.
Dessa forma, pugna pelo provimento integral da exordial.
Aguarda deferimento.
Florianópolis/SC, 09 de janeiro de 2026
Marley Sidnei Luiz
OAB/SC 60.597