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EXCELENTISSIMO(A) SENHOR(A) DOUTOR(A) JUIZ(A) DE DIREITO DO ___
JUIZADO ESPECIAL CIVEL DA REGIONAL DA LEOPOLDINA.
ALICE PINTO TEIXEIRA, brasileira, solteira, bancária,
portadora do documento de Registro Geral n.º 230529760 DIC/RJ e do CPF/MF n.º
124.912.637-18, residente e domiciliada na Rua João Rêgo, nº 89, Casa 33 - Olaria
- Rio de Janeiro/RJ, CEP 21.073-160, e com endereço eletrônico
alicecp2@[Link], vem com todo respeito e acatamento perante Vossa
Excelência, por meio de seus advogados em cumprimento legal do art. 106, I do
NCPC/2015, com procuração e endereço anexo, com fundamento na legislação
vigente e com suporte na pacífica jurisprudência dos tribunais, propor a presente
AÇÃO INDENIZATÓRIA
em face da CNOVA COMÉRCIO ELETRÔNICO S/A (PONTO FRIO), pessoa
jurídica de direito privado, instituição inscrita no CNPJ/MF sob nº 07.170.938/0001-
07, situada na Rua João Pessoa, nº. 83, Centro, São Caetano do Sul/SP CEP
09.520-010, e com endereço eletrônico [Link]@[Link],
representada por seu diretor regional ou equivalente, pelas razões de fato e de
direito a seguir delineados:
Av. Franklin Roosevelt, nº 39, Sala 1413, Centro – Rio de Janeiro – RJ – CEP 20.021-120
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I – PRELIMINARMENTE
I.1 - DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA
1. A Parte Autora requer que lhe seja deferida o Beneplácito da Justiça Gratuita
(Lei nº. 1.060, de 05 de Fevereiro de 1950) por ser pobre no sentido legal, não
possuindo condições de arcar com os ônus das custas e demais despesas de um
processo judicial.
2. Ressalta-se, que apesar de ser assistida, por patronos particulares, tal fato
não altera a sua condição financeira de carência e a Lei nº 1.060/1950 não traz
qualquer menção à impossibilidade de advogado particular patrocinar indivíduo
beneficiado com gratuidade de justiça, pelo contrário, conforme expresso no § 4°
do art. 5°: "Será preferido para a defesa da causa o advogado que o interessado
indicar e que declare aceitar o encargo".
3. Assim, indica como advogados, os signatários do presente petitório,
constituídos pela procuração anexa, que aceitaram o encargo, consoante o § 4º, do
artigo 5º, da Lei nº. 1.060, de 05 de fevereiro de 1950.
4. Outrossim, em favor da pessoa física milita a presunção juris tantum de
incapacidade econômica, nos termos do art. 4°, § 1°, da Lei nº 1.060/1950.
II – DOS FATOS
5. A Autora efetuou uma compra de um guarda-roupa de 03 (três) portas
espelhadas Toronto Móveis Europa – Ártico, no valor de R$ 1.198,90 (Hum mil
cento e noventa e oito reais e noventa centavos), no último dia 25/06/2018 através
do site [Link], ora Ré.
6. O pagamento foi através de boleto bancário, no valor total pago de R$
1.367,90 (Hum mil trezentos e sessenta e sete reais e noventa centavos) sendo o
valor de R$ 1.198,90 (Hum mil cento e noventa e oito reais e noventa centavos),
referente ao valor do produto, e R$ 169,00 (Cento e sessenta e nove reais)
referente ao frete, totalizando o valor pago de R$ 1.367,90 (Hum mil trezentos e
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sessenta e sete reais e noventa centavos) no dia do vencimento em 27/06/2018,
conforme comprovante de pagamento anexo.
7. Entre os dias 25 ou 26/06/2018, não recordando exatamente a data, mas foi
um desses dois dias apresentados, a Autora ligou para o SAC da Ré, sendo gerado
o protocolo do atendimento de número 180626002575, para confirmar os dados do
boleto bancário para pagamento, e certificar se estava tudo correto antes de efetuar
o referido pagamento.
8. Nesta ligação a Autora foi informada pela atendente que ao verificar o
sistema interno da Ré, estava tudo correto com a compra e que poderia prosseguir
com o pagamento do boleto bancário.
9. Diante a confirmação por parte da preposta da Ré, a Autora efetuou o
pagamento do boleto bancário no dia 27/06/2018 e no dia 28/06/2018, a mesma
recebeu a mensagem de confirmação do pagamento pelo aplicativo da Ré, e
também por e-mail informando que eles receberam o pagamento do boleto
bancário e que o pedido foi encaminhado para o setor de entrega.
10. Diante de tais afirmações, a Autora criou expectativas e já reservou espaço
em sua casa para recepcionar o referido produto, uma vez que se desfez do antigo
móvel, deixando suas roupas em caixas até a chegada do novo guarda-roupa.
11. Contudo, para surpresa da Autora, na data de 10/07/2018, a Ré enviou 02
(dois) e-mails informando que o fornecedor cancelou o seu pedido, sob a alegação
de que o valor do produto estava em desacordo com a realidade, e que o valor
correto seria R$ 2.299,90 (Dois mil duzentos e noventa e nove reais e noventa
centavos), ou seja, uma diferença de valor de R$ 1.101,00 (Hum mil cento e um
reais).
12. A entrega estava prevista para 10/08/2018.
13. A Ré informou em um dos e-mails que seria feito o estorno do valor pago em
conta corrente no prazo de 10 (dez) dias.
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14. Ao entrar em contato novamente com o SAC da Ré, na data de 10/07/2018
por volta das 17h50m, foi informada que o pedido foi cancelado, pois o produto não
estava em promoção, e a Atendente ao perceber o descontentamento e indignação
com a informação dada a Autora, de forma arbitrária transferiu sua ligação para o
setor de Televendas, sem sequer informar ou concluir o atendimento de maneira
correta, qualificando o péssimo atendimento da preposta da Ré.
15. Nesta ligação não foi informado número de protocolo.
16. Contudo, após esse desgaste e contratempo, no dia 20/07/2018 a Autora
realizou o novo pedido através do aplicativo da Ré conforme orientado pelo
preposto da mesma, referente ao mesmo produto objeto desta lide, que
anteriormente foi cancelado arbitrariamente pelo fornecedor/parceiro da Ré, onde a
mesma se prontificou a resolver o caso de forma amigável, entregando o produto
da forma pactuado em 22/08/2018.
17. Vale ressaltar que a nova compra foi realizada conforme orientação do
atendente Edgar da central de relacionamentos do Ponto Frio - Reclame aqui, uma
vez que para solucionar o problema da primeira compra foram gerados 02 (dois)
cupons (um referente ao valor que a Autora já havia pagado e outro referente à
diferença do valor original do produto + frete).
18. No mesmo dia que a Ré liberou os cupons, a Autora realizou o pedido, ora
compra, através do aplicativo da própria Ré utilizando os referidos cupons gerados
no pagamento.
19. Mesmo sendo um vale gerado pela própria Ré, o pagamento somente foi
aprovado 04 (quatro) dias após a compra, ou seja, 24/07/2018.
20. No dia 25/07/2018 a Autora recebeu um e-mail informando que o pedido
havia sido recebido pela transportadora e a nota já havia sido emitida, incluindo um
código de rastreio para a entrega do produto, acreditando que dessa vez tudo
estaria resolvido.
21. Porém, infelizmente não!!!!
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22. Desde então, a Autora gerou mais ansiedade, pois a data de previsão de
entrega tanto no aplicativo (o mesmo que foi feito a compra), como no site da Ré,
informava a entrega até 22/08/2018, e que o pedido se encontrava em preparação
e que a nota ainda seria emitida.
23. Chegado o dia de 23/08/2018, após não ter recebido o produto conforme o
previsto no site e no aplicativo, inconformada pelo descaso e desrespeito da Ré a
Autora entrou em contato com o SAC do Ponto Frio 4003-8388, às 08h13m, o
ATENDENTE ELETRÔNICO após digitar o CPF da Autora informou que o pedido
ainda está em preparação e que ainda não foi emitida a nota fiscal e que a previsão
para entrega foi alterado para o dia 01/09/2018.
24. Não acreditando no ocorrido, a Autora solicitou imediatamente o
atendimento humano, e sob protocolo de atendimento 180823003278, foi atendida
pela preposta Ane que confirmou as mesmas informações passadas pelo
atendimento eletrônico o que nada poderia ser alterado.
25. A Autora informou para a atendente todos os problemas gerados desde o
primeiro pedido, e também sobre a divergência de informações quanto a data de
entrega e emissão da nota fiscal do novo pedido (uma vez que tanto o site quanto o
aplicativo ainda informam data de entrega para 22/08/2018), e solicitou no
momento do atendimento que a mesma registrasse uma reclamação pois uma vez
que informava a data no site/aplicativo a mesma deveria ser cumprida.
26. Contudo a preposta retornou a afirmar que a data correta é 01/09/2018 e
que ela não poderia fazer o registro da reclamação pois no sistema dela ainda
estava dentro do prazo, e que a Autora teria que aguardar o prazo.
27. Vale lembrar que os problemas gerados pela Ré decorrem desde o primeiro
pedido feito em 25/06/2018, e desde então sempre existe uma divergência atrás da
outra.
28. Indignada com tamanha falta de respeito para com a Autora e seus direitos
de Consumidora, a mesma busca ajuda ao Poder Judiciário para que seu dilema
seja sanado na forma da Lei.
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III - DO DIREITO
III. 1 - DA RELAÇÃO DE CONSUMO
29. No caso em tela, ainda que a Ré terceirize seu serviço, ela é totalmente
responsável pelo serviço prestado pelos seus prepostos, uma vez que a própria Ré
quem indica seus prestadores de serviços e os mesmos CUMPRE conforme
determinação de suas orientações.
30. Nota-se que a relação jurídica estabelecida entre as partes é de consumo,
inserindo-se a Autora no conceito de consumidora, previsto no artigo 2º, da Lei nº
8.078/90, e a Ré no conceito de fornecedor-prestadora de serviços, nos termos do
artigo 3º, § 2º, da mesma Lei nº 8.078/90.
31. Dessa forma, sujeitam-se as partes à aplicação das normas do Código de
Defesa do Consumidor, assim como aqueles elencados no artigo 12 do CDC c/c o
art. 14 também do diploma consumerista, o fornecedor de serviço responde pelos
danos que porventura os seus serviços vierem a causar, independentemente de
culpa.
32. Ora no caso em tela, a Autora adquiriu um produto para ser usado, e a Ré
após o devido pagamento efetuado, informa o cancelamento do produto por erro de
informações acerca do valor a menor apresentada em seu site eletrônico, por culpa
exclusiva da Ré, onde não é justo que a Autora sofra consequências por culpa da
falha de prestação serviço exclusiva da Ré, e ainda, ser informada que diante da
falha na informação acerca do valor a menor, o qual a parte Autora não teria como
saber que estava supostamente fora da realidade de comércio.
33. Cumpre ressaltar os direitos básicos do consumidor, estabelecidos no art.
06º, inciso VI do CDC:
“Art. 6º – São direitos básicos do consumidor: VI – a efetiva
prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais,
coletivos e difusos.”
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34. O caso em comento trata da má prestação de serviço por parte da empresa
Ré, que descumpriu com deveres das práticas comerciais e contratuais de boa-fé,
de prestar corretamente informações e serviços adequados e eficientes ao
consumidor, bem como honrar a entrega do produto conforme acordado.
35. Portanto, é imprescindível a aplicação de normas que procuram restabelecer
o equilíbrio contratual, ora deturpado pela Ré, conforme se destaca o art. 4º,
incisos I, III e VI do CDC:
“Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por
objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o
respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus
interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem
como a transparência e harmonia das relações de consumo,
atendidos os seguintes princípios:
I – reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado
de consumo;
III – harmonização dos interesses dos participantes das relações de
consumo e compatibilização da proteção do consumidor com a
necessidade de desenvolvimento econômico e tecnológico, de
modo a viabilizar os princípios nos quais se funda a ordem
econômica, sempre com base na boa-fé e equilíbrio nas relações
entre consumidores e fornecedores;
VI – coibição e repressão eficientes de todos os abusos praticados
no mercado de consumo, inclusive a concorrência desleal e
utilização indevida de inventos e criações industriais das marcas e
nomes comerciais e signos distintivos, que possam causar prejuízos
aos consumidores.”
36. Importa destacar que, a responsabilidade da parte Ré, pelos danos
causados ao consumidor, é OBJETIVA, não sendo, portanto necessária à
demonstração da culpa do Réu na prestação de tais serviços, conforme redação da
Lei 8.078/90 art. 14 do CDC:
“Art. 14 – O fornecedor de serviços responde
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INDEPENDENTEMENTE DA EXISTÊNCIA DE CULPA, pela
reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos
relativos à prestação dos serviços, bem como por informações
insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.”
37. Desse modo, resta patente a obrigação da parte Ré perante o serviço
defeituoso prestado a Autora que gerou danos a partir do desrespeito ao
consumidor, motivo pelo qual se faz necessário dar procedência ao presente
pedido.
III.2 - DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA
38. Tendo em vista a existência de uma relação de consumo, e verificada a
verossimilhança das alegações formuladas pela parte Autora em sua exordial, bem
como sua condição de hipossuficiência em relação à parte Ré, impõem a aplicação
da regra da inversão “ope judice” do ônus da prova, a teor do art. 6º, VIII do
diploma consumerista.
39. Saliente-se que a inversão legal do ônus da prova deve operar-se na
sentença, ou seja, é regra de julgamento, não havendo qualquer violação ao
contraditório e ampla defesa constitucionais.
40. Tal conclusão encontra guarida no enunciado 9.1.2 do encontro dos
Juízes de Juizados e Turmas Recursais do Estado do Rio de Janeiro, que leciona
ser desnecessária a advertência, pelo Juiz.
III.3 – DA RESPONSABILIDADE DA RÉ
41. De acordo com o art. 30, do Código de Defesa do Consumidor:
"Art. 30. Toda informação ou publicidade, suficientemente precisa,
veiculada por qualquer forma ou meio de comunicação com relação
a produtos e serviços oferecidos ou apresentados, obriga o
fornecedor que a fizer veicular ou dela se utilizar e integra o
contrato que vier a ser celebrado.”
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42. Neste sentido, resta claro que, a desproporção entre o preço real de
mercado e o preço ofertado ao consumidor NÃO DESCARACTERIZA
EXCLUDENTE DE DESCUMPRIMENTO DA OFERTA, uma vez que esta vincula o
fornecedor, cabendo ao mesmo a obrigação de fornecer o produto pela proposta
veiculada.
43. Isto porque, tratava-se de produto dentro dos parâmetros de mercado, o
que torna-se impossível a Autora distinguir o preço ofertado como supostamente
abaixo de mercado, conforme alegado pelo fornecedor, a promoção do conceito de
preço vil, pois, as regras ordinárias da experiência revelam a existência de
múltiplas hipóteses das chamadas ofertas relâmpago, até mesmo como forma de
assegurar o permanente atrativo consumerista nos sítios eletrônicos das empresas
participantes de diversos tipos de promoção.
44. Além disso, a Autora comprova o pagamento integral do valor do produto
(valor anunciado), conforme documentos anexos. E, ainda, a empresa Ré não
veiculou na internet que o preço da propaganda anteriormente divulgada estava
errado, aceitando o pagamento e somente na hora de efetuar a entrega do produto
é que foi verificado o suposto erro perante o fornecedor.
45. Cumpre mencionar ainda a impossibilidade de rescisão do contrato
unilateral e superveniente, sem que presentes os elementos autorizativos da
desconstituição dos atos jurídicos contratuais no território consumerista, e dentro
desse liame jurídico, a Ré de forma a tentar sanar o caso amigavelmente dispôs à
Autora o direito de receber seu produto como outrora pactuado, sendo mais uma
vez a Autora a ser prejudicada em não receber o produto dentro do prazo
estabelecido.
46. Ressalte-se que, o art. 35, inciso I, do CDC determina o direito do Autor
de exigir o cumprimento da obrigação nos termos da oferta, vejamos:
“Art. 35. Se o fornecedor de produtos ou serviços recusar
cumprimento à oferta, apresentação ou publicidade, o consumidor
poderá, alternativamente e à sua livre escolha:
I - exigir o cumprimento forçado da obrigação, nos termos da oferta,
apresentação ou publicidade;
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47. Ademais, cabe mencionar que a Autora cumpriu todas as exigências
para aquisição do produto anunciado, bem como para entrega do mesmo.
48. Cumpre ainda mencionar o risco do negócio ou atividade que constitui
base da responsabilidade objetiva do Código de Defesa do consumidor e se
coaduna com os demais princípios que informam o microssistema dos Juizados
Especiais Cíveis a fim de proteger a parte mais frágil da relação de consumo, no
caso a Autora.
49. Ressalte-se que, na relação de consumo, a responsabilidade do
fornecedor é OBJETIVA E INTEGRAL PELOS DANOS CAUSADOS A
CONSUMIDORA.
50. Assim, tal risco não pode ser transferido ao consumidor, bem como não
se pode conceber que a empresa Ré jogue a culpa e responsabilidade para o
consumidor, no caso a Autora, para que a mesmo suporte o prejuízo pela compra
frustrada, por um “erro” cometido pela empresa Ré.
51. É nítido o direito da Autora em adquirir o produto pelo preço anunciado E
POR ELA PAGO, bem como compensação pelos danos morais suportados.
III.4 - DO DANO MORAL
52. A Autora encontra-se amplamente respaldada pela legislação pátria,
mormente no que tange ao que dispõe a Constituição da República de 1988 em
seu artigo 5ª, inciso X.
53. Desta feita faz-se necessário que a Ré respeite os princípios do equilíbrio e
transparência, bem como o da boa fé que regem as relações de consumo e estão
preconizadas no artigo 4º, III do CDC, pois, ao que parece tais princípios foram
totalmente esquecido por esta, visto que somente após a Autora buscar e informar
a Ré que iria buscar seus direitos foi que se preocupou com o pleito da Autora, não
se importando em restabelecer o bom convívio por ela solicitado.
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54. Importante destacar que o serviço prestado pela Ré é falho e não atinge a
segurança que se pode esperar nas relações de consumo, violando por completo o
artigo 14, § 1º do CDC, bem como trata-se de uma Reponsabilidade Objetiva da
Ré, demonstrando assim a total incompetência em prestar seus serviços de
maneira satisfatória, o qual deve responder independentemente da existência de
culpa pela reparação dos danos causados a Autora, ora consumidora.
55. Sobre o caso em questão, a nossa jurisprudência pátria tem se manifestado
no seguinte sentido:
1ª Ementa Juiz(a) PAULO ROBERTO SAMPAIO JANGUTTA -
Julgamento: 04/03/2016 - CAPITAL 5 TURMA RECURSAL DOS JUI ESP
CIVEIS PODER JUDICIÁRIO JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS TURMA
RECURSAL DA COMARCA DA CAPITAL RECURSO Nº 0006073-
95.2015.8.19.0021 Recorrente: Crislene Pereira Rodrigues Nóbrega
Recorrido: Via Varejo S.A VOTO - Contrato de compra e venda. Alegação
da Autora de que no dia 11/12/2014 adquiriu na loja da Ré um fogão, no
valor de R$364,00, com previsão de entrega para até o dia 06/01/2015.
Afirma que o produto não foi entregue até a presente data. Sustenta que
entrou em contato com a Ré, sem, contudo, obter êxito. Pleito de entrega
do produto e de indenização de dano moral. Sentença às f.21/23 que julga
procedentes os pedidos, para: 1- condenar a Ré a proceder à entrega do
produto na residência da Autora, no prazo de 15 dias, sob pena de multa
única no valor de R$1.000,00, a ser convertida em perdas e danos, em
caso de descumprimento da decisão e; 2- condenar a Ré a pagar à Autora
a quantia de R$1.200,00, a título de indenização de dano moral. Recurso
da Autora pleiteando a majoração do quantum indenizatório. Relação de
Consumo. Responsabilidade Objetiva. Verossimilhança nas alegações da
Recorrente, com base no número de protocolo informado na inicial e na
nota fiscal de f.10, que atesta a aquisição do produto em 11/12/2014 e o
prazo de entrega pactuado para o dia 06/01/2015. Recorrida que não se
desincumbiu de provar o fato modificativo, impeditivo ou extintivo do direito
da Autora, sendo que não juntou qualquer documento capaz de elidir as
alegações autorais, ou excluir sua responsabilidade objetiva, por evidente
defeito na prestação de serviço, em conformidade com o disposto no § 3º
do art. 14, da Lei 8078/90, ou mesmo, na forma do art. 333, II, do CPC.
Recorrida que não comprovou ter entregado o produto adquirido no prazo
pactuado. Falha caracterizada. Constituição Estadual que dispõe em seu
Artigo 63 - O consumidor tem direito à proteção do Estado. Parágrafo
único - A proteção far-se-á, entre outras medidas criadas em lei, através
de: I- criação de organismos de defesa do consumidor. II- desestímulo à
propaganda enganosa, ao atraso na entrega de mercadorias e ao abuso
na fixação de preços. Entrega do produto que se impõe. Lesão de ordem
moral configurada, na medida em que a Recorrente teve frustrada sua
legítima expectativa de receber o produto adquirido no prazo pactuado.
Dever de indenizar. Arbitramento que se mais mostra justo no valor de R$
5.000,00 (cinco mil reais), como forma de compensar a Recorrente e servir
de desestímulo para que a Recorrida atue de modo lesivo aos
consumidores. FACE AO EXPOSTO, VOTO NO SENTIDO DE DAR
PROVIMENTO AO RECURSO DA AUTORA, PARA MAJORAR O
VALOR DA INDENIZAÇÃO DE DANO MORAL À QUANTIA DE R$
5.000,00 (CINCO MIL REAIS), ACRESCIDA DE JUROS DE 1% AO MÊS,
CONTADOS DA SENTENÇA, DEVIDAMENTE CORRIGIDA À ÉPOCA
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DO PAGAMENTO. Rio de Janeiro, 03 de março de 2016. PAULO
ROBERTO SAMPAIO JANGUTTA Juiz de Direito Relator 0006073-
95.2015.8.19.0021 kd 0006073-95.2015.8.19.0021. (Grifo nosso).
56. Diante disso, dispensa prova em concreto, visto que consiste em presunção
absoluta. Sendo assim, não há dúvidas que o presente caso trata-se de dano puro,
”in re ipsa” sendo desnecessária sua demonstração em juízo, porquanto decorrente
do próprio ato ilícito indenizável.
57. Na mesma baila é o entendimento doutrinário do Professor Sérgio Cavalieri
Filho (in Programa de Responsabilidade Civil, 2ª ed., Malheiros, 2000, p. 79/80)
(...)Em outras palavras, o dano moral existe in re ipsa; deriva
inexoravelmente do próprio fato ofensivo, de tal modo que, provada a
ofensa, ipso facto está demonstrado o dano moral à guias de uma
presunção natural, uma presunção hominis ou facti, que decorre das
regras de experiência comum. (...)
58. Outrossim, a indenização que ora se pleiteia tem cunho não meramente
compensatório, mas também e principalmente punitivo, nos exatos termos do que
vem sendo adotado por nossos Colendos Tribunais de todo o país, como forma de
coibir tamanho desrespeito ao consumidor, parte fraca da relação e que, por isso
mesmo merece tratamento protecionista. E já dizia o Ilustre Rui Barbosa “(...) tratar
igualmente os iguais e desigualmente os desiguais na medida em que eles se
desigualam”.
59. Deste modo, por arrebatadores que são os entendimentos no sentido de
acolher a reparação, por via de indenização, do dano moral, nada mais resta a
Autora acreditar na procedência do pedido, pelos imensos erros provocados pela
Ré e ainda causando a cada dia situação protelatória para com o pactuado entre as
partes, agravando as expectativas da Autora em obter o produto que foi
devidamente pago de forma justa e correta, onde a Ré já ultrapassa mais de 02
meses a entrega do produto.
III.5 - DA OBRIGAÇÃO DE FAZER
60. Ora no caso em tela, a Autora não recebeu seu produto conforme acordado
em compra perante a Ré, demonstrado que deveria ser entregue até a data de
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23/08/2018, o que não ocorreu, e sendo postergado SEM justificativa plausível,
onde a maior prejudicada somente foi a Autora.
61. Assim, com base nos Arts. 12 e 18 do CDC, a Ré independentemente da
existência de culpa, será responsável pela reparação dos danos causados
aos consumidores por defeitos decorrentes da entrega com produtos
impróprios ou inadequados ao consumo/utilização, ou até mesmo a sua não
entrega.
62. Diante disso, requer a Autora PELA ENTREGA DO PRODUTO COM
MÁXIMA CELERIDADE.
V - DO PEDIDO
Por tudo exposto, serve a presente Ação, para requerer a V. Exa., se digne:
a) Sejam concedidos os benefícios da JUSTIÇA GRATUITA, nos termos da Lei
nº 1.060/1950;
b) CITAÇÃO da Ré no endereço inicialmente indicado, quanto a presente
ação, para que, perante esse Juízo, apresentem a defesa que tiver, dentro do
prazo legal, sob pena de confissão quanto à matéria de fato ou pena de revelia;
c) A aplicação da inversão do ônus da prova como dispõe o artigo 6º, inciso
VIII, da Lei nº. 8.078/1990 (Código de Defesa do Consumidor), ante a
hipossuficiência técnica do consumidor e a verossimilhança das alegações;
d) Condenar a Ré, ao pagamento de uma indenização, de cunho
compensatório e punitivo, pelos danos morais causados a Autora, que deverá ser
equivalente a R$ 20.000,00 (Vinte mil reais);
e) Condenar a Ré ao cumprimento da Obrigação de Fazer, que é A
ENTREGA DO PRODUTO COM MÁXIMA CELERIDADE, que não foi entregue e
Av. Franklin Roosevelt, nº 39, Sala 1413, Centro – Rio de Janeiro – RJ – CEP 20.021-120
+55 21 4109-9800 [Link]
Sócios:
Hamilton Novais
Juliana Pizarro
Gisele Moura
que a Autora dentro o tempo hábil e acordado entre as partes, uma vez que a
Autora necessita do produto.
f) Ainda, condenar a Ré ao pagamento das custas processuais que a demanda
por ventura ocasionar e ainda as verbas sucumbenciais e honorários advocatícios,
nos termos do art. 85 do CPC/2015, e ainda, incluir na esperada condenação da
Ré, a incidência juros e correção monetária na forma da lei em vigor, desde sua
citação;
Requer que sejam as futuras intimações/publicações feitas em nome do Dr.
HAMILTON NOVAIS JUNIOR, Dra. GISELE ESPINDOLA DE MOURA, brasileiros,
solteiros, advogados, regularmente inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil
Seccional Rio de Janeiro – OAB/RJ, sob os números 181.873 e 178.174, ambos
com endereço profissional na Avenida Franklin Roosevelt, nº 39, Sala 1.413 –
Edifício Portugal, Rio de Janeiro/RJ, CEP 20.021-120, com endereço eletrônico
[Link]@[Link] e [Link]@[Link], anotando-se o nome
destes patronos no sistema eletrônico do TJRJ, telefones: (21) 99447-8144 e (21)
98335-3286 anotando-se o nome destes patronos no sistema eletrônico do TJRJ, a
fim de se evitar eventuais nulidades.
Protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente
documental e testemunhal.
Dá-se à causa o valor de R$ 20.000,00 (Vinte mil reais), para todos os efeitos de
direito e alçada, equivalente ao valor da indenização pretendida pela Autora –
desde a citação da Ré.
Nestes termos,
Pede deferimento.
Rio de Janeiro, 24 de agosto de 2018.
HAMILTON NOVAIS JUNIOR GISELE ESPINDOLA DE MOURA
OAB/RJ 181.873 OAB/RJ 178.174
Av. Franklin Roosevelt, nº 39, Sala 1413, Centro – Rio de Janeiro – RJ – CEP 20.021-120
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