II CONGRESO IBEROAMERICANO AJICEDE VALENCIA, 28-29 NOVIEMBRE
2019
DESAFIOS DA INDÚSTRIA 4.0: INTEGRAÇÃO DA LITERATURA POR MEIO
DO TEMAC
Ari Melo MARIANO (Universidade de Brasília), arimariano@[Link] Patrik MOTA
(Universidade de Brasília), patricktatagiba@[Link]
Marcos LOPES (Universidade de Brasília), [Link]@[Link] Tiago Eny RELIM
(Universidade de Brasília), tiagohumanita@[Link]
Palabras clave:
Indústria 4.0; Obstáculos; Revisão da Literatura; Temac; Brasil.
Área temática proposta
ORGANIZACIÓN DE EMPRESAS.
Área temática alternativa
OTROS (Realidades específicas)
314
DESAFIOS DA INDÚSTRIA 4.0: INTEGRAÇÃO DA LITERATURA POR MEIO
DO TEMAC
1. Introdução
De acordo com Brynjolfsson e Mcafee (2014), estas tecnologias estão se tornando
mais sofisticadas e integradas e, consequentemente, transformando a sociedade e a
economia global
Schwab (2016), afirma que a quarta revolução industrial transforma basicamente os
três pilares - físico, digital e biológico - tendo impacto na economia, negócios, sociedade,
indivíduo e governo. E diferentemente das revoluções industriais que ocorreram ao longo da
história e que foram diagnosticadas anos após seu acontecimento, a quarta revolução
industrial é a primeira em que seus conceitos, impactos e resultados são mensurados ao
mesmo tempo em que ela ocorre, sendo prevista como tendência para um modelo de
produção industrial (Hermann, Pentek & Otto, 2016).
Da mesma maneira que a mecanização, eletrificação e informatização marcaram as
três últimas revoluções industriais, respectivamente, a digitalização, é a palavra chave que
digitalização como a palavra do século, onde ela está presente em todos os segmentos da
sociedade atual, desde a produção até as relações sociais. Azevedo (2017) afirma que a
transformação digital é parte de um grande processo tecnológico e está intrinsicamente
ligado à aplicação da tecnologia digital em todos os aspectos sociais.
Mas, ao se tratar de transformação digital é importante destacar, que segundo Khan
(2016), não existe até então uma definição clara e amplamente aceita na literatura,
resultando em uma grande confusão entre os conceitos
digital, digitalização e transformação digital. O termo digital está ligado ao processo de
conversão de informação analógica para o formato digital, em que o exemplo disto seria
converter uma foto em papel para o meio digital. A digitalização está vinculada ao empenho
de tecnologias especificas para a transformação dos processos físicos em virtuais. Então,
ainda segundo Khan (2016), a transformação digital seria o resultado da digitalização, em
que não só consistiria em inovações tecnológicas, mas também em novas formas de tornar
os negócios mais eficientes e competitivos.
Porém, estes avanços rumo a indústria 4.0 não são vividos de maneira paralela entre
os países. No Brasil, pesquisas tem sido realizadas nos últimos anos com o intuito de
esclarecer os desafios quanto esta nova era (da Silva, Kovaleski, & Pagani, 2019;
Nascimento, Alencastro, Quelhas, Caiado, Garza- Reyes, Rocha-Lona & Tortorella, 2019;
Frank, Dalenogare, & Ayala, 2019; Tortorella, Vergara, Garza-Reyes & Sawhney, 2020).
Porém, em comum aos estudos nacionais e internacionais, existem fatores
primordiais para a concretização da Industria 4.0. Assim, este estudo busca responder:
Quais os desafios para a implementação da Indústria 4.0?
Este trabalho se justifica socialmente, pois a cada revolução industrial ocorrida
impactou na sociedade, ocasionando mudanças sociais severas, principalmente nas
questões empregatícias, sobre o papel do ser humano na sociedade e qualidade de vida.
Adicionalmente questões relacionadas ao custo de transição da tecnologia, meio-ambiente
315
e competitividade, segurança da informação e privacidade estão diretamente relacionadas a
era 4.0.
Deste modo, o objetivo desta pesquisa é integrar as contribuições da literatura sobre
os desafios para a Industria 4.0. Este trabalho segue com a apresentação dos métodos,
seguido dos resultados, implicações e conclusões.
2. Métodos
Esta pesquisa é do tipo exploratória com abordagem quantitativa, por meio da Teoria do
Enfoque Metaanalítico, de Mariano e Rocha (2017) ([Link]) . De acordo
com Mariano e Rocha (2017), temos o
TEMAC estruturado em três etapas, descritas a seguir:
a. Preparação da pesquisa (múltiplas bases de dados) - essa etapa consiste em
definir as palavras-chave e as strings de pesquisa, o campo espaço-tempo, as bases de
dados que serão utilizadas e as áreas de conhecimento que são mais pertinentes;
b. Apresentação e interrelação dos dados - apesar dessa etapa ser mais aberta aos
critérios de seleção do pesquisador, algumas analises são mais frequentes nos estudos
utilizando o TEMAC, estas são: análise das revistas com maior relevância; análise das
revistas que mais publicam sobre o assunto; a evolução do tema ano a ano; os trabalhos
mais citados; os autores que mais publicam frente aqueles que mais citados; países que
mais publicaram; conferencias que mais contribuíram; universidades que mais publicaram;
agências que mais financiaram o campo que tangencia o tema de pesquisa; áreas do
conhecimento que mais publicaram; frequência de palavras-chave. Vale ressaltar que cada
fator de análise apresentado é pautado em um princípio ou lei bibliométrica;
c. Detalhamento, modelo integrador e validação por evidências é nessa etapa que
ocorre as análises mais minuciosas e onde as duas últimas etapas convergem para um
modelo integrador, consolidado por evidências geradas pelas análises dos cruzamentos de
dados das diferentes fontes utilizadas. Ela consiste em: seleção dos principais autores que
servirão de insumo para a pesquisa em fomento; evidências das principais abordagens e
das linhas de pesquisa sobre a temática escolhida.
O Tema indústria 4.0 é um assunto muito recente, onde sua primeira menção foi em 2011
na Feira de Hannover, na Alemanha, com isso foi definido que o campo do espaço-tempo
da pesquisa seria de 2011 até 2017, ou seja, de 7 anos. Foram realizadas buscas nas
bases de dados Google Scholar, Scopus e Web of Science. As áreas do conhecimento
selecionadas foram: Engineering Industrial, Engineering Manufacturing, Management,
Business, Transportation e Transportation Science Technology. Os resultados apontaram
497 artigos em Web of Science, 1695 em Scopus e 980 em Google Scholar.
3. Resultados, Conclusões e Implicações
A indústria 4.0 é uma expressão que surgiu em 2011 na Feira de Hannover, na
Alemanha, que se propagou rapidamente por toda Europa. De acordo com Kagermann,
Helbig, Hellinger & Wahlster (2013), seus fundamentos estão intrinsicamente ligados aos
316
sistemas cyber-físicos. Além disso, segundo os trabalhos dos autores Kang (2016); Shrouf,
Ordieres & Miragliotta (2014) e Zawadzki e Zywicki (2016) a indústria 4.0 vem sendo
atrelado também aos conceitos de smart factory, Internet of Things, Additive Manufacturing
e Rapid Prototyping/Hybrid Prototyping. Porém a Industria 4.0 é
resultado de um processo industrial progressivo. A figura 1 apresenta a evolução da
Pode-se perceber que diferente da terceira revolução industrial, essa nova revolução
não se estrutura na conexão unilateral, mas busca criar uma rede integrada e dinâmica de
máquinas, propriedades, ativos e sistemas de informações em toda a cadeia de valor e em
todo ciclo de vida do produto.
utiliza são: Sistemas Ciber-físicos (CPS), Internet Industrial, Internet das Coisas (IoT),
Internet dos Serviços (IoS) e Fabricas Inteligentes. Já os estudos de Azevedo (2017)
apontam a IoT, Machine to Machine (M2M), Cyber Physical Systems (CPS), Protocolo Ipv6,
Big Data e Analytics, Cloud Computing e Fog Computing, RFID e QR Code, Comunicação
5g e Machine Learning como os pilares da manufatura avançada.
Mas para Hermann, Pentek e Otto (2016) a indústria 4.0 se estrutura em quatro
componentes fundamentais, que são: Cyber-Physical Systems (CPS), Internet of Things
(IOT), Internet of Services (IOS) e Smart Factory. De forma que, estes autores consideram a
comunicação máquina para máquina (M2M) e os Produtos Inteligentes como subprodutos
da indústria 4.0. Onde o M2M seria um facilitador da IOT e os Produtos Inteligentes seriam
subcomponentes dos sistemas Cyber-Physical. Da mesma maneira, eles desconsideram o
papel do Big Data e Analytics e da computação em nuvem, por acreditarem que seriam
serviços de dados que utilizariam os dados gerados pelas indústrias 4.0, e com isso
estariam mais para componentes independentes do que para componentes fundamentais
da indústria 4.0.
Por outro lado, Lee, Kao e Yang (2014) parte do princípio de que na Indústria 4.0 as
máquinas estão conectadas como uma comunidade colaborativa, gerando grande
quantidade de dados, sendo assim, requer a utilização de ferramentas de previsão
avançada, como inteligência artificial e aprendizagem de máquinas. Mas para que isso
ocorra é de fundamental importância o uso de ferramentas para gerenciar big data, de forma
a alcançar a transparência e a produtividade por toda indústria. Reforçando este ponto, os
trabalhos de Fiaschetti, Pietrabissa e Priscoli (2015) e de Wang, Wan Li & Zhang (2016)
também tratam da relevância do uso das novas Tecnologias da Informação e da Ciência
dos Dados, destacando a questões de segurança digital, como chave para o sucesso na
nova perspectiva da indústria 4.0.
De Carli & Delamaro (2007), explicam que do mesmo modo que suas equivalentes
no projeto do produto, as ferramentas de visualização da produção estão acelerando os
ciclos de obtenção do produto, reduzindo custos de produção e aumentando a eficiência
das plantas produtivas. Essas ferramentas orientadas ao processo são usadas para simular
desde layouts de chão-de-fábrica até operações em máquina e interações do homem com
as máquinas.
Desta forma e após ter sido realizado uma revisão sistêmica da literatura pela
317
metodologia TEMAC, foi possível apontar os principais fatores da indústria
4.0 como Cyber-Physical Systems (CPS), Internet of Things (IOT), Additive
Manufacturing, Digital Manufacture (Simulation), Smart Factory, Big Data e Analytics, Cloud
Computing, Digital Security e Advanced Robotics (Sistemas Ciberfísico, Internet das
Coisas, Manufatura Aditiva, Manufatura Digital ou
Simulação, Fabricas Inteligentes, Analise de Grandes quantidades de Dados, Computação
em Nuvem, Segurança Digital e Robótica Avançada).
As principais contribuições podem observadas na figura 2:
[Figura 2]
Deste modo pode-se perceber que a Industria 4.0 está sedimentada em 9 pilares,
que possuem componentes fundamentais e obstáculos. As análises apresentaram
componentes fundamentais (Figura 2) e principais obstáculos (Figura 3) para a
implementação da Industria 4.0.
[Figura 3]
[Figura 4]
Ambos os fatores são desafiantes, sendo que os componentes fundamentais (Figura
3) requerem trabalho técnico e os obstáculos (figura 4) articulação político- social.
Deste modo pode-se perceber que a Industria 4.0 é uma construção que deve ser
implementada em diferentes frentes de trabalho. Adicionalmente, questões políticas
relacionadas a transição devem ser trabalhadas, assim como incentivos, legislações, ou
seja, um esforço conjunto de muitos atores, pois a Industria 4.0 transcende a área
organizacional e envolve a sociedade como todo, fazendo-os repensar a relação entre
sociedade e tecnologia. Deste modo, o problema da pesquisa de responder quais os
desafios para a implementação da Indústria 4.0 foi respondido por meio da figura 3 e 4, fruto
das contribuições dos autores na literatura e o objetivo de integrar as contribuições da
literatura sobre os desafios para a Industria 4.0 foi alcançado. Para futuras linhas sugere-se
um estudo de modelagem para calcular os fatores que mais influenciam as iniciativas de
sucesso.
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Figura 1 - Linha do tempo das revoluções industriais
Fonte: própria
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Figura 2 Pilares da Industria 4.0
Fonte: própria
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Figura 3 Componentes principais dos 9 pilares
Fonte: Própria
Figura 3 Obstáculos da Industria 4.0
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Fonte: Própria
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