Prova de Vestibular 2017: Linguagens e Códigos
Prova de Vestibular 2017: Linguagens e Códigos
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Nome do candidato
25.06.2017 | manhã
QUESTÃO 01 carioca e em muitas e muitas manifestações negras atuais,
estará reconhecendo e querendo fazer “Quilombo de negro
Leia a placa.
hoje / sem mato para refúgio. / Quilombo com outro nome, /
outra forma e mesma voz / libertária de homem. / Quilombo
de quilombola / renascendo na seiva / sangrenta / da história”.
“Valeu, Zumbi!”, como bem disse na letra da música “Negros
de Luz”, do Ilê Aiyê, o compositor Edson Carvalho (Xuxu).
(J.C. Silva. Vozes quilombolas: uma poética brasileira [online].
Salvador: EDUFBA, 2004. Adaptado)
QUESTÃO 02
([Link]
(B) a cultura quilombola é a expressão verdadeira da identi-
dade brasileira, porque seus valores foram disseminados
e incorporados à sociedade como um todo.
A função da linguagem predominante na placa é a
(C) a sociedade quilombola tem costumes muito específicos,
(A) metalinguística, por meio da qual são criticados os usuá- retratados com fidelidade nos livros de história, tendo
rios do banheiro. assim sua legitimidade garantida com o reconhecimento
de heróis que travaram batalhas em defesa do seu povo
(B) fática, por meio da qual são estabelecidas as regras aos oprimido.
usuários do banheiro.
(D) a cultura dos povos quilombolas faz parte da história
(C) apelativa, por meio da qual são dadas orientações aos
recente do país, o que justifica o fato de haver pouca
usuários do banheiro.
alusão a seus costumes, tradições e luta nos livros de
(D) emotiva, por meio da qual são tecidos comentários aos história.
usuários do banheiro.
(E) a sociedade brasileira estigmatiza as conquistas dos
(E) referencial, por meio da qual são dadas ordens aos povos quilombolas, o que de certa forma se justifica pelo
usuários do banheiro. papel cultural pouco relevante que têm na história do
país.
Oliveira Silveira apresentou a edição definitiva de seu Ao afirmar que “este poema é um quilombo”, Oliveira Silveira
Poema Sobre Palmares depois de quinze anos de elaboração, concebe sua poética como arte
e após análise do texto e sugestões do poeta Cuti. Ele a
publicou um ano antes das comemorações “da natimorta (A) da resistência.
abolição”, certamente para mostrar o “quilombo vivo em
(B) da submissão.
pleno centenário”. E este “quilombo vivo” está atuando para
denunciar que “Falsificaram os livros de história, / trocaram
(C) do radicalismo.
os heróis (...) botaram fogo nos documentos / do tráfico e
do crime / e então ficamos sendo os que não vieram (...) (D) da utopia.
Ficamos sendo estas ruínas / em autorreconstrução”. Mas,
para se contrapor a tamanha violência perpetrada ao povo de (E) do desencanto.
origem africana no Brasil, o poeta não esmorece no final do
seu poema. Ele até afirma que “este poema é um quilombo”
e que a luta continua em muitos nomes e lugares, inclusive o
lugar literário, como Oliveira Silveira bem ocupou. E o poema
também é para o “irmão guerreiro / do Palmar” que, ao
reconhecer as forças dos tambores que ressoam na pajelança
e carimbó, nos terreiros de Mina do Maranhão, no Xangô de
Recife, no Candomblé da Bahia, no batuque e macumba
3 INSP1701 | 001-Caderno-01-Manhã
Leia o texto para responder às questões de números 04 e 05. QUESTÃO 06
Leia a charge.
Já afirmava certo sábio que o ovo é o que mais importa,
não passando a galinha de um mero pretexto da Natureza
para produzir outro ovo. O tal sábio, que, pelo visto, nada
tinha de galináceo, também não tinha nada de humano.
Eu talvez tenha a tendência de humanizar as coisas. Mas
imagino o alvoroçado cacarejo de uma franguinha nova ao
botar o primeiro ovo: “Enfim! Já sou mulher!”
(Mario Quintana, “O ovo”. Da preguiça como método de trabalho, 2013)
Em A literatura brasileira através dos textos, Massaud Moisés Na charge, há uma crítica implícita a quem
afirma, em relação à poética de Mario Quintana, que este
“ficaria o poeta das coisas simples, do cotidiano banal pleno (A) respeita plenamente os locais públicos.
de ressonâncias”. Analisando o texto de Quintana, essa ideia
(B) infringe as normas ortográficas.
se comprova com a
(C) fica lendo frases em muros e paredes.
(A) aceitação racional da condição humana como um ser da
Natureza, da mesma forma que o são outros animais, por (D) estimula a escrita em prédios públicos.
exemplo, os galináceos.
(E) desconhece o valor dos artistas populares.
(B) comparação inusitada feita entre a franguinha e a mulher,
corroborando a discussão do poeta sobre a importância
do ovo, seu objeto de reflexão.
Leia o texto para responder às questões de números 07 e 08.
(C) exposição da afirmação do sábio com a qual ele estabe-
lece uma contra-argumentação, ainda que o poeta reco-
nheça sua incapacidade de humanizar as coisas. A raposa e o corvo
(D) constatação do poeta de que é preciso, como preceitua- Estava o corvo num galho com um queijo no bico. A raposa,
do nas considerações do sábio, caminhar para a humani- quando viu, começou a pensar num jeito de conseguir o pitéu.
zação a fim de entender a Natureza. Olhou para cima e disse:
– Como você é bonito, amigo. Que penas lindas e que
(E) zoomorfização da mulher que, comparada a uma gali- cores! Será que a sua voz é tão bonita quanto você? Se for,
nha, perde sua condição humana e social, sendo descrita você deve ser o rei dos passarinhos!
como mero objeto da Natureza.
O corvo ficou todo prosa e, para soltar a voz, abriu o bico.
E lá veio o queijo direto para a boca da raposa.
(Fábula de Esopo recontada por: William J. Bennett (org.), O livro das
QUESTÃO 05 virtudes. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995)
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QUESTÃO 08 QUESTÃO 09
Na frase – E lá veio o queijo direto para a boca da raposa. –, Considerando-se as informações apresentadas, o seu con-
a conjunção “E” estabelece com a frase anterior relação de texto de produção e de circulação, conclui-se que o texto da
sentido de Folha é
(A) conclusão. (A) uma crônica, em que se apresentam, com bom humor e
parcialidade, os acertos e erros na busca de energia nos
(B) ênfase.
dias de hoje.
(C) oposição.
(B) um relato, em que se expõem, com humor e imparciali-
(D) causa. dade, as perspectivas de adoção de tecnologias energé-
ticas sustentáveis.
(E) comparação.
(C) um editorial, em que se discutem opções de energia
adotadas no Brasil, destacando a ascensão das energias
sustentáveis.
Leia o texto para responder às questões de números 09 a 11.
(D) uma notícia, em que se detalham aspectos relevantes
Estocar vento e luz relacionados ao potencial energético do Brasil na con-
temporaneidade.
A cultura no setor elétrico se formou na abundância de
(E) uma reportagem, em que se discutem objetivamente fa-
recursos hídricos, fonte renovável que fez da matriz nacional
tos da controversa disputa brasileira por energia susten-
uma das mais limpas do planeta. Só regrediu, em matéria
tável.
ambiental, com a crise de 2001, quando nos agarramos às
poluidoras termelétricas.
Desde então, as energias alternativas decolaram. Hoje,
os parques eólicos somam uma capacidade instalada QUESTÃO 10
equivalente à potência de uma central hidrelétrica como a
É correto afirmar que a citação das ideias do físico José
controversa Belo Monte.
Goldemberg
Algo comparável deve acontecer com a eletricidade
obtida da luz solar por painéis fotovoltaicos. Neste ano, ela (A) contradiz a tese do texto, segundo a qual o ingresso do
alcançará a marca de 1 GW implantado, o que fará o Brasil Brasil num grupo seleto de exploração de energia solar
ingressar num clube com não mais que duas dezenas de está por acontecer.
países.
(B) corrobora a tese do texto, segundo a qual as energias
São quase 10 mil conjuntos de placas disseminados pelo
solar e eólica podem gerar economia de energia de
país, quase 80% em telhados residenciais. Se a novidade
fontes hídricas.
se espalhar pelos tetos de galpões industriais e comerciais,
o potencial de investimento é de R$ 6,8 bilhões, estima a (C) refuta a tese do texto, segundo a qual o futuro das ener-
associação do setor, ABSolar. gias sustentáveis ainda está indefinido no Brasil, por falta
Há projetos para instalar até 5 GW nos próximos anos, de investimento.
mas a crise econômica, que arrefeceu a demanda por
(D) enfatiza a tese do texto, segundo a qual energias alterna-
energia, levou o governo a suspender o leilão de 2016 para
tivas são incapazes de suplantar o potencial energético
novas usinas solares e eólicas.
das termelétricas.
O caderno especial da Folha [28/04/2017] traz um artigo
do físico José Goldemberg chamando a atenção para a (E) reformula a tese do texto, segundo a qual a crise eco-
necessidade de otimizar o fornecimento de eletricidade não nômica responde pela suspensão de leilões de usinas
só com base no preço – quesito em que hidrelétricas ainda solares e eólicas.
são campeãs – mas também na sustentabilidade, em que
brilham a solar e a eólica.
Não deixaria de ser, aliás, uma maneira de estocarmos
QUESTÃO 11
vento e luz na forma de água, poupando-a nos reservatórios
das hidrelétricas. A passagem do texto em que o termo destacado expressa um
argumento do autor para reforçar uma ideia é:
(Folha de [Link], 01.05.2017. Adaptado)
(A) São quase 10 mil conjuntos de placas disseminados pelo
país...
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QUESTÃO 12 QUESTÃO 13
Observe a obra do renascentista Leonardo da Vinci, “A última Analisando-se o tratamento dado ao tema pelo eu lírico,
ceia”. conclui-se que o poema
([Link] (D) reconhece que o Piauí não pode responder por um proble-
ma que não é só desse estado.
A apreciação dos aspectos estéticos dessa obra permite
(E) comenta um problema havido no Piauí, incitando o
afirmar, com correção, que ela representa valores culturais
estado a dar-lhe solução.
do Renascimento, que são:
Leia o poema de Ferreira Gullar para responder às questões (D) social, expressa com elementos formais concretistas.
de números 13 e 14.
(E) de saúde, expressa com elementos formais clássicos.
Poema Brasileiro
Leia o texto para responder às questões de números 15 a 17.
No Piauí de cada 100 crianças que nascem
78 morrem antes de completar 8 anos de idade “A internet transformou a humanidade de muitas maneiras,
deixou muitas coisas mais fáceis e eficientes. No entanto, esta-
No Piauí mos mais sozinhos e desconectados do que nunca. A geração
de cada 100 crianças que nascem atual tem um tremendo desafio emocional e tecnológico para
78 morrem antes de completar 8 anos de idade superar”, diz Orkut Büyükkökten, criador da antiga rede social e
que agora tem uma nova plataforma, chamada Hello.
No Piauí O engenheiro turco defende que atualmente vivemos em
uma “cultura do narcisismo” e estamos “cercados de espe-
de cada 100 crianças
lhos, que refletem não verdadeiramente como nos sentimos,
que nascem
mas o que queremos que o mundo veja em nós”. É a “era da
78 morrem curtida”, em que buscamos passar a impressão de grande
antes alegria e satisfação para nos encaixarmos.
de completar “Nós passamos impressões falsas de nós mesmos e ten-
8 anos de idade tamos provar que estamos ótimos. Estamos nos tornando
mais e mais inseguros e isolados à medida que gastamos
Antes de completar 8 anos de idade nosso tempo online. Não podemos nos esquecer de que ser
Antes de completar 8 anos de idade amado não é ser venerado através de uma tela”, avalia.
Antes de completar 8 anos de idade Outro problema das redes sociais de hoje em dia é a
Antes de completar 8 anos de idade brecha que elas dão para o avanço do extremismo, já que os
radicais se veem representados por outros com o mesmo pen-
(Ferreira Gullar. Toda poesia. Rio de Janeiro: José Olympio, 2010) samento e podem “sair do armário”. Para Orkut, há sim espaço
para muito ódio nas plataformas, ainda mais com o avanço
de racismo, homofobia e xenofobia pelo mundo. “Extremismo
sempre esteve por perto, mas agora é mais fácil ficar exposto
a isso”, afirma.
(Gabriel F. Ribeiro. Uol. Tecnologia.
[Link] 05.05.2017. Adaptado)
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QUESTÃO 15 QUESTÃO 18
De acordo com o criador do Orkut, a vida nas redes sociais Leia o texto.
atualmente caracteriza-se por
Negócio seguinte. Três reis magrinhos ouviram um plá de
(A) mascarar a realidade e, além disso, dar vazão ao extre- que tinha nascido um Guri. Viram o cometa no Oriente e tal e
mismo. se flagraram que o Guri tinha pintado por lá. Os profetas, que
não eram de dar cascata, já tinham dicado o troço: em Belém
(B) fortalecer a autoestima em tempos de avanço do extre-
da Judeia vai nascer o Salvador, e tá falado. Os três magrinhos
mismo.
se mandaram. Mas deram o maior fora. Em vez de irem direto
(C) disseminar a insegurança, ainda que coíba o extremismo. para Belém, como mandava o catálogo, resolveram dar uma
incerta no velho Herodes, em Jerusalém. Pra quê! Chegaram
(D) tornar as relações mais justas, mas nem sempre
lá de boca aberta e entregaram toda a trama. Perguntaram:
agradáveis.
“Onde está o rei que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no
(E) visar à cisão de cada um, que assim se identifica com o Oriente e viemos adorá-lo”. Quer dizer, pegou mal. Muito mal.
extremismo. O velho Herodes, que era um oligão, ficou grilado. Que rei era
aquele? Ele é que era o dono da praça. Mas comeu em boca
e disse: “Joia. Onde é que esse guri vai se apresentar? Em
QUESTÃO 16 que canal? Quem é o empresário? Tem baixo elétrico? Quero
saber tudo”. Os magrinhos disseram que iam flagrar o Guri e
O texto corresponde a partes de entrevista de Orkut
na volta dicavam tudo para o coroa.
Büyükkökten ao UOL Tecnologia. Nesse gênero textual-
-discursivo, um recurso ao tratamento da informação é (Luís Fernando Veríssimo, “A História, mais ou menos”. Em: O nariz e
outras crônicas. São Paulo: Ática, 1995. Adaptado)
(A) a aproximação do ponto de vista do entrevistado ao do
meio de comunicação. O texto relata a passagem bíblica do nascimento de Jesus
(B) a releitura crítica feita pelo entrevistador a partir da fala Cristo. Para fazê-lo, recorre a uma linguagem
do entrevistado. (A) carregada de duplo sentido, o que acarreta o efeito de
(C) o entendimento livre do entrevistador em relação à fala humor do modo de contar.
do entrevistado. (B) repleta de gírias e quebras sintáticas, o que compromete
(D) o cuidado para se eliminarem incoerências da fala do en- o modo de contar.
trevistado.
(C) permeada pela informalidade, com a intenção de moder-
(E) a transcrição da fala do entrevistado como forma de nizar o modo de contar.
crédito às informações.
(D) tradicional e rebuscada, o que dá um ar solene ao modo
de contar.
QUESTÃO 17 (E) marcada pelo emprego de termos que acentuam os
preconceitos com o modo de contar.
De acordo com Büyükkökten, “A internet transformou a hu-
manidade de muitas maneiras, deixou muitas coisas mais
fáceis e eficientes.” A ideia expressa por essa frase se com-
prova na sociedade de hoje com QUESTÃO 19
Leia a tira.
(A) a perspectiva de ascensão social graças a manifestações
de comentários antiéticos.
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Leia o texto para responder às questões de números 20 a 22. QUESTÃO 21
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Leia trecho do conto de Machado de Assis para responder às QUESTÃO 24
questões de números 23 e 24.
Assinale a alternativa que contém o sentido da oração
Ah! se mestre Romão pudesse seria um grande destacada em – A mulher, que tinha então vinte e um anos,
compositor. Parece que há duas sortes de vocação, as que e morreu com vinte e três, –, e que traz exemplo com o
têm língua e as que a não têm. As primeiras realizam-se; mesmo tipo de oração, em trecho adaptado do editorial
as últimas representam uma luta constante e estéril entre o “Trump, cem dias” (Folha de [Link], 29.04.2017).
impulso interior e a ausência de um modo de comunicação
(A) Restrição: Trump pôde constatar, nesse breve período,
com os homens. Romão era destas. Tinha a vocação íntima
que o país não é seu grupo empresarial e que as fun-
da música; trazia dentro de si muitas óperas e missas, um
ções de um presidente da República não coincidem com
mundo de harmonias novas e originais, que não alcançava
as de um CEO.
exprimir e pôr no papel. Esta era a causa única da tristeza
de mestre Romão. Naturalmente o vulgo não atinava com
(B) Explicação: O voluntarismo e o estilo personalista
ela; uns diziam isto, outros aquilo: doença, falta de dinheiro,
de Trump, que suscitaram até temores de um ímpeto
algum desgosto antigo; mas a verdade é esta: – a causa
autocrático, viram-se cerceados pela Justiça e pela
da melancolia de mestre Romão era não poder compor,
política institucional.
não possuir o meio de traduzir o que sentia. Não é que não
rabiscasse muito papel e não interrogasse o cravo, durante (C) Comparação: O escrutínio dos mandatários em seus
horas; mas tudo lhe saía informe, sem ideia nem harmonia. primeiros cem dias de governo tem origem na gestão de
Nos últimos tempos tinha até vergonha da vizinhança, e não Roosevelt, que adotou uma série inédita de medidas
tentava mais nada. no início dos anos 1930.
E, entretanto, se pudesse, acabaria ao menos uma certa
peça, um canto esponsalício, começado três dias depois (D) Finalidade: Ao chegar à Casa Branca, Trump deu início
de casado, em 1789. A mulher, que tinha então vinte e um a uma maratona de assinatura de decretos, em ritmo
anos, e morreu com vinte e três, não era muito bonita, nem frenético, que tinham o objetivo de anular medidas
pouco, mas extremamente simpática, e amava-o tanto como tomadas pelo democrata Barack Obama.
ele a ela. Três dias depois de casado, mestre Romão sentiu
em si alguma coisa parecida com inspiração. Ideou então (E) Oposição: Nem tudo ocorreu como Trump pensou.
o canto esponsalício, e quis compô-lo; mas a inspiração A Justiça suspendeu decretos de sua gestão, ainda sen-
não pôde sair. Como um pássaro que acaba de ser preso, e do iniciada, que impediam a entrada de imigrantes
forceja por transpor as paredes da gaiola, abaixo, acima, oriundos de países com maioria muçulmana.
impaciente, aterrado, assim batia a inspiração do nosso
músico, encerrada nele sem poder sair, sem achar uma
porta, nada. Algumas notas chegaram a ligar-se; ele escre- QUESTÃO 25
veu-as; obra de uma folha de papel, não mais. Teimou no Observe a manchete:
dia seguinte, dez dias depois, vinte vezes durante o tempo
de casado. Quando a mulher morreu, ele releu essas
primeiras notas conjugais, e ficou ainda mais triste, por não
ter podido fixar no papel a sensação de felicidade extinta.
(Machado de Assis, “Cantiga de Esponsais”. Em: Histórias sem Data.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira/INL, 1975) ([Link])
Na teoria musical, as notas de uma composição são classificadas de acordo com o tempo de duração da emissão de seu
som. São utilizados símbolos para representar os tempos de cada nota, sendo os principais apresentados a seguir:
As notas possuem um tempo relativo para orientar os músicos quanto à sua duração ao se executar uma música. Por exemplo,
tomando a semínima como referência para 1 tempo, cada uma das notas teria a duração conforme apresentado na tabela
seguinte:
Tempo relativo das notas musicais
tempo relativo 4 2 1
Nas partituras, há a indicação de uma dessas notas musicais como referência, associada a um número, indicando a quantida-
de de vezes que essa nota deve ser tocada por minuto. Por exemplo, se o tempo indicado em uma partitura é , então,
nessa música, ao se tocar a semínima 120 vezes, deve-se transcorrer exatamente um minuto. E, a partir do tempo relativo,
podem-se determinar o tempo das demais notas e o número de vezes que cada uma deve ser executada.
QUESTÃO 26
Analisando os números presentes na tabela referente ao tempo relativo das notas, da esquerda para a direta temos uma
sequência finita decrescente que pode ser classificada como uma progressão
QUESTÃO 27
Uma composição musical, cujo tempo é de , tem um trecho com duração de 5 segundos composto por uma sequência
ininterrupta de notas do tipo colcheia. Dessa forma, o número total de notas do tipo colcheia presentes nesse trecho é igual a
(A) 12.
(B) 8.
(C) 4.
(D) 16.
(E) 32.
INSP1701 | 001-Caderno-01-Manhã 10
QUESTÃO 28
Uma instituição de caridade promove, todo mês, a venda de pizzas individuais semiprontas, de três sabores: muçarela, cala-
bresa ou frango.
Atualmente, a instituição vende mensalmente 1 000 pizzas individuais, obtendo um lucro de R$ 1.218,00. Um colaborador
dessa instituição decidiu levantar os custos para analisar se o lucro obtido com as vendas poderia ser melhorado. Os dados
levantados foram os seguintes:
Muçarela 40 R$ 2,13
Calabresa 25 R$ 1,20
Frango 35 R$ 1,80
Como todas as pizzas são vendidas a R$ 3,00, o colaborador percebeu que o tipo mais vendido (muçarela) é também aquele
que oferece o menor lucro por unidade vendida. Então, a instituição decidiu não vender mais a pizza de muçarela, ficando
apenas com os outros dois sabores: frango e calabresa.
Sabendo que pode ocorrer uma redução no número total de pizzas vendidas, mas assumindo que o número de pizzas de
calabresa e frango vendidas se distribuirá proporcionalmente aos dados presentes na tabela, considerando apenas esses dois
sabores, então, para que o novo lucro seja igual ou superior ao obtido atualmente, o número total de pizzas vendidas poderá
sofrer uma redução de, no máximo,
(A) 19%.
(B) 13%.
(C) 10%.
(D) 22%.
(E) 16%.
Para residências, é possível trocar lâmpadas fluorescentes por lâmpadas de LED de luminosidade equivalente utilizando a
seguinte tabela:
QUESTÃO 29
Fernando decidiu comprar um par de lâmpadas tubulares de LED, que custou R$ 45,00, para substituir o par de lâmpadas
tubulares fluorescentes da cozinha de sua casa. O vendedor que o atendeu disse que, em 90 dias, ele teria o retorno de seu
investimento com a economia gerada pelas lâmpadas de LED.
Dado que 1 kW, ou seja 1 000 W, custa R$ 0,50, é correto concluir que, para a fala do vendedor ser verdadeira, é necessário
que esse par de lâmpadas funcione diariamente, em média, por um período de tempo de, aproximadamente,
(A) 12 horas.
(B) 17 horas e 30 minutos.
(C) 3 horas.
(D) 8 horas e 30 minutos.
(E) 22 horas.
11 INSP1701 | 001-Caderno-01-Manhã
QUESTÃO 30 R A S C U N H O
Na casa de Airton, todas as lâmpadas eram fluorescentes
convencionais de 15 W ou 20 W e foram substituídas por
lâmpadas bulbo de LED equivalentes. Com isso, ao deixar
todas as lâmpadas acesas durante uma hora, o consumo de
energia baixou de 580 W para 264 W. Dessa forma, é correto
afirmar que a razão entre o número de lâmpadas bulbo de
LED de 7 W e 9 W presentes na casa de Airton é igual a
(A)
(B)
(C)
(D)
(E)
QUESTÃO 31
(A) 30.
(B) 60.
(C) 90.
(D) 10.
(E) 50.
QUESTÃO 33
(A) 250.
(B) 220.
(C) 280.
(D) 180.
(E) 320.
13 INSP1701 | 001-Caderno-01-Manhã
Leia o texto para responder às questões de números 34 e 35. R A S C U N H O
(FORA DE ESCALA)
QUESTÃO 34
(A) zP = 6 e zQ = 8.
(B) zP = 4 e zQ = 6.
(C) zP = 4 e zQ = 7.
(D) zP = 8 e zQ = 9.
(E) zP = 6 e zQ = 7.
INSP1701 | 001-Caderno-01-Manhã 14
QUESTÃO 35 R A S C U N H O
Essa empresa adesiva toda a superfície lateral externa do
produto. Para tanto, é feito um molde para recortar os adesi-
vos que corresponde a planificação da área lateral do suporte.
O formato desse molde é
(A)
(B)
(C)
(D)
(E)
15 INSP1701 | 001-Caderno-01-Manhã
Leia o texto para responder às questões de números 36 e 37. QUESTÃO 37
Em uma edição da revista AERO da Boeing, há um artigo Considere o instante em que o Boeing MD-11 se inclina com
demonstrando o ângulo recomendado para a decolagem de angulação máxima para atingir 35 pés de altitude e, ao alcan-
todos os aviões da Boeing. A seguir, temos a ilustração de um çar tal altitude, aumenta sua angulação para 25° até atingir
dos aviões da empresa: 400 pés de altitude, conforme apresentado no esquema a
seguir:
O avião da Boeing, modelo MD-11, durante o procedimento (A) está entre 400 e 600.
inicial de decolagem, deve realizar uma inclinação de 7° a 10°,
até atingir 35 pés de altitude. Após atingir essa marca, o avião (B) é inferior a 400.
é capaz de mudar sua inclinação para até 25°, mantendo-a
até atingir, no mínimo, 400 pés de altitude. (C) está entre 600 e 800.
QUESTÃO 36
(A)
(B)
(C)
(D)
(E)
INSP1701 | 001-Caderno-01-Manhã 16
QUESTÃO 38 R A S C U N H O
O Rock in Rio é um festival de música que reúne diversas
bandas de todo o mundo. Sua primeira edição, em 1985,
aconteceu na cidade do Rio de Janeiro e, em 2017, ocorrerá
a sétima edição do evento em território brasileiro. O preço do
ingresso mais barato para o evento em cada uma das edi-
ções brasileiras é apresentado no gráfico a seguir:
(FORA DE ESCALA)
([Link]. Adaptado)
(A)
(B)
(C)
(D)
(E)
17 INSP1701 | 001-Caderno-01-Manhã
QUESTÃO 39 Uma maneira para calcular a magnitude (M) de um sismo na
escala Richter se baseia na distância (D) entre o epicentro do
A depreciação de veículos é o valor anual que um carro perde sismo e a estação de medição, dada em quilômetros, e na
ao longo dos anos. A taxa de depreciação corresponde ao amplitude (A) das ondas S, dada em milímetros. Essa relação
percentual do valor do carro que foi reduzido após um ano. é descrita pela seguinte fórmula:
A partir do valor atual V0 do carro e da sua taxa anual k de
depreciação, é possível estimar sua depreciação D após n M = log A + 2,76 · log D – 2,48
anos por meio da função D(n) = V0 · k · (1 – k)n–1, para n ≥ 1. Além disso, a energia sísmica liberada (E), dada em erg, está
A tabela a seguir apresenta os valores da taxa de deprecia- relacionada com a magnitude (M) de um sismo, sendo descri-
ção de um veículo de determinada marca durante os últimos ta pela seguinte fórmula:
4 anos, sempre calculados no primeiro dia do ano. log E = 11,8 + 1,5 · M
Ano Taxa de depreciação
2013 10,0%
QUESTÃO 40
2014 9,3%
Observe o sismograma obtido em uma estação de medição,
2015 10,3% localizada a 200 km do epicentro do sismo:
2016 10,4%
(A) 9 anos.
(B) 7 anos.
(C) 11 anos.
(D) 13 anos.
(E) 15 anos.
QUESTÃO 41
INSP1701 | 001-Caderno-01-Manhã 18
Leia o texto para responder às questões de números 42 e 43.
Um pesquisador está testando a efetividade de um sistema de irrigação por gotejamento para uma determinada espécie de
planta ainda em fase de germinação. Para tanto, ele montou dois canteiros com diferentes medidas, em metros, no formato de
trapézios retângulos, um com três e o outro com cinco pontos de gotejamento conforme ilustrado a seguir:
Os canteiros I e II devem ser diariamente irrigados, respectivamente, com 5 e 10 litros de água por metro quadrado de área
superficial, distribuídos igualmente nos pontos de gotejamento. Considere, nos seus cálculos, que 1 mL de água corresponde
a 20 gotas.
QUESTÃO 42 R A S C U N H O
Cada ponto de gotejamento do canteiro I tem uma vazão de
50 gotas de água por minuto. Portanto, o tempo necessário
para a irrigação diária desse canteiro é de
QUESTÃO 43
19 INSP1701 | 001-Caderno-01-Manhã
QUESTÃO 44 R A S C U N H O
Um arquiteto projetou uma área de lazer que terá duas pisci-
nas circulares acopladas por meio de uma pequena platafor-
ma de madeira. As piscinas possuirão diferentes diâmetros e
profundidades, conforme esquema a seguir:
(A) 51 m3.
(B) 88 m3.
(C) 65 m3.
(D) 76 m3.
(E) 85 m3.
QUESTÃO 45
(A) R$ 200,00.
(B) R$ 150,00.
(C) R$ 290,00.
(D) R$ 75,00.
(E) R$ 10,00.
INSP1701 | 001-Caderno-01-Manhã 20
QUESTÃO 46 QUESTÃO 47
As mulheres recebem menos que os homens em um gran- Automóveis do Brasil terão placas
de número de cargos. A igualdade salarial entre homens e do Mercosul a partir de 2017
mulheres ainda está longe de ser uma realidade. O gráfico a
De acordo com a Resolução 590/2016 do Conselho Na-
seguir ilustra a diferença salarial, em reais, para cinco áreas
cional de Trânsito (CONTRAN), todos os veículos em território
de atuação:
nacional deverão ter placas de identificação no padrão Merca-
do Comum do Sul (Mercosul) até 2020. [...] Atualmente com
três letras e quatro números, a nova placa inverterá essa or-
dem e possuirá quatro letras e três números, dispostos agora
de forma aleatória (com o último caractere sendo sempre
numérico para não interferir nos rodízios municipais).
([Link] Adaptado)
R A S C U N H O QUESTÃO 48
21 INSP1701 | 001-Caderno-01-Manhã
Leia o texto para responder às questões de números 49 e 50. R A S C U N H O
QUESTÃO 49
23 INSP1701 | 001-Caderno-01-Manhã
processo seletivo
Vestibular – 2º SEMESTRE LETIVO DE 2017
Você recebeu este caderno de redação, contendo dois temas a serem desenvolvidos, e duas folhas de
redação para transcrição dos textos definitivos.
Confira seus dados impressos na capa deste caderno e nas folhas de redação.
Quando for permitido abrir o caderno, verifique se está completo ou se apresenta imperfeições. Caso haja algum problema, informe
ao fiscal da sala.
As folhas de redação deverão ser assinadas apenas nos locais indicados; qualquer identificação ou marca feita pelo candidato no corpo
deste caderno ou no verso das folhas de redação, que possa permitir sua identificação, acarretará a atribuição de nota zero à redação.
É vedado, em qualquer parte do material recebido, o uso de corretor de texto, de caneta marca-texto ou de qualquer outro material similar.
Redija os textos definitivos com caneta de tinta azul ou preta. Os rascunhos não serão considerados na correção. A ilegibilidade da letra
acarretará prejuízo à nota do candidato.
A duração da prova de redação é de 2 horas e 15 minutos, já incluído o tempo para a transcrição dos textos definitivos.
Só será permitida a saída definitiva da sala e do prédio após transcorridas 2 horas do início da prova.
Deverão permanecer em cada uma das salas de prova os 3 últimos candidatos, até que o último deles entregue sua prova, assinando
termo respectivo.
Ao sair, você entregará ao fiscal as duas folhas de redação e este caderno.
Até que você saia do prédio, todas as proibições e orientações continuam válidas.
Nome do candidato
ausente
Assinatura do candidato
25.06.2017 | tarde
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processo seletivo
Vestibular – 2º SEMESTRE LETIVO DE 2017
Texto 1
Se até pouco tempo atrás os pais penavam para encontrar a dose ideal de televisão e videogame na vida das crianças,
hoje eles ainda precisam incluir tablet, celular e computador na mesa de negociações.
Definitivamente é impossível imaginar uma infância livre da influência dos equipamentos eletrônicos. Por isso, os limites
recomendados de utilização dessas tecnologias não param de ser revistos, bem como a maneira com que os pequenos de-
veriam interagir com as telas.
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançou em novembro último um guia, intitulado Manual de Saúde de Crianças
e Adolescentes na Era Digital. A presidente do Departamento de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento da SBP,
Liubiana Arantes Regazoni, afirma: “O ideal é que o contato com eletrônicos não aconteça antes dos dois anos, sobretudo nas
duas horas que antecedem o sono e durante as refeições”.
(Chloé Pinheiro. “Tecnologia na infância: qual o limite?”. Saúde. [Link] 14.02.2017. Adaptado)
Texto 2
O uso de dispositivos tecnológicos por crianças e jovens está longe de ser prejudicial. Se bem orientado, pode estimular a
criatividade, o raciocínio lógico, a colaboração, a capacidade de pesquisa e outras competências valiosas para o mundo con-
temporâneo. No entanto, é preciso moderação. O aumento da dependência de eletrônicos tem preocupado pais e educadores
do mundo todo.
O fato de que boa parte das tarefas cotidianas envolve cada vez mais tecnologia torna difícil definir esse equilíbrio. As
crianças usam tecnologias na escola e em casa para fazer os deveres. Depois, vão para os jogos e as mensagens digitais
– muitas vezes, sem nem sair do quarto. Até que, em alguns casos, o hábito se transforma em dependência. Entre crianças
e jovens, as consequências do uso excessivo de eletrônicos se percebem em problemas tanto físicos (tendinites, sobrepeso
etc.), como mentais e emocionais (isolamento social, dificuldade de concentração, transtornos do sono etc.), com reflexo
também nos resultados escolares.
(Andrea Ramal. “O que falta às crianças e jovens viciados em tecnologia?”. G1. [Link] 11.01.2017. Adaptado)
Texto 3
Um grupo de cientistas publicou uma carta aberta questionando a preocupação relacionada ao tempo que as crianças
passam diante de uma tela. Assinada por 81 pesquisadores de diversas áreas – que vão da educação e da psicologia ao
Direito – de universidades renomadas, como Columbia, Berkeley, Harvard e Oxford, ela contesta a falta de evidências sóli-
das sobre o real impacto da tecnologia na vida das crianças.
Para os autores da carta, a saúde e o bem-estar infantil são um tema complexo afetado por muitos fatores, como o am-
biente familiar e o nível socioeconômico. Todos eles têm mais impacto na saúde e no bem-estar do que o tempo de exposi-
ção das crianças à tecnologia. Por isso, focar simplesmente nesse tempo é uma abordagem inapropriada. “As tecnologias
digitais são parte da vida das nossas crianças, necessárias no século XXI”, escreveram os pesquisadores.
(Tatiana Dias. “Telas demais fazem mal para as crianças? Não há conclusão sobre isso”. Nexo. [Link] 09.01.2017. Adaptado)
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva uma dissertação, empregando a norma-
-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
H O
U N
S C
R A
Texto 1
Foi um post de Facebook que levantou a questão e esquentou o debate sobre as tradicionais marchinhas que reproduzem
preconceitos sociais.
Ao ver o bloco do qual participa reproduzir tais representações, neste ano, o músico Thiago França resolveu fazer algo a
respeito: “Estou oficializando através desse comunicado. A gente não vai tocar ‘O Teu Cabelo Não Nega’. O verso ‘mas como
a cor não pega, mulata’ é racismo demais pro meu gosto”, postou Thiago.
Para o músico Marcos Frederico, compositor de diversas marchinhas, é preciso lembrar a história dessas canções para
repensá-las hoje. “Essas marchinhas construíram o repertório do Carnaval. Fizeram a alegria de muita gente, sem que as pes-
soas achassem que elas ofendiam. Se estamos fazendo marchinha é porque ouvimos muito essas canções históricas. Mas
as sociedades evoluem e, com isso, surgem os questionamentos. É válido começar a repensar sobre isso porque a sociedade
mudou”, aponta.
(Joyce Athiê. “Olha a cabeleira do Zezé deixa ele ser o que quiser”. O tempo. [Link] 06.02.2017. Adaptado)
Texto 2
As marchinhas clássicas, como “Maria Sapatão” (1980), “Cabeleira do Zezé” (1963) e “Índio quer apito” (1960), foram
banidas por alguns blocos no Carnaval carioca por terem seu conteúdo considerado ofensivo.
Na disputa entre os que são a favor ou contra o banimento das canções tidas como preconceituosas, o historiador da
música popular brasileira, Carlos Didier, é um dos que acham que o movimento de remover as marchinhas dos blocos é uma
forma de censura. “Banir não resolve. Criticar as canções ajuda mais do que banir”, diz Didier. Para ele, a cobrança que incide
sobre canções do passado segundo ideias do presente não faz sentido.
(Juliana Domingos de Lima. “As marchinhas clássicas em xeque. E o debate sobre o Carnaval ‘politicamente correto’”. Nexo.
[Link] 10.02.2017. Adaptado)
Texto 3
“O teu cabelo não nega, mulata / Porque és mulata na cor / Mas como a cor não pega, mulata / Mulata, eu quero o teu
amor”.
Os versos de “O teu cabelo não nega” são, de fato, indefensavelmente racistas. Qualquer cidadão minimamente cons-
ciente entende que tais versos são uma ofensa à população negra se analisados friamente. Mas a questão do banimento é
complexa. Primeiro porque, na prática, é inútil banir o canto da tradicional marchinha. Não há decisão ou mesmo decreto que
possam impedir um folião de começar a cantar os versos de “O teu cabelo não nega” e de esses versos ganharem espontâneo
coro popular, porque, letra à parte, a melodia e o ritmo da marchinha são sedutores. Não é à toa que a música é cantada no
Carnaval há 85 anos.
A questão primordial talvez seja refletir sobre o conteúdo ofensivo dessas letras escritas em outras épocas, sob outros
padrões éticos, morais e sociais.
(Mauro Ferreira. “Banir marchinhas incorretas é inútil, mas é preciso refletir sobre as letras”. G1. [Link] 01.02.2017. Adaptado)
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva uma dissertação, empregando a norma-
-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
H O
U N
S C
R A