0% acharam este documento útil (0 voto)
4 visualizações17 páginas

Vivendo a Transgeneridade na Arte

O trabalho aborda a transgeneridade e a vivência de pessoas transgênero, destacando a disforia de gênero e a luta por representatividade. A pesquisa inclui a análise de autores e artistas transgêneros que inspiraram a performance, além de discutir a falta de visibilidade e os desafios enfrentados pela comunidade. A performance, intitulada 'Cicatriz', explora a aceitação e a dor associadas ao corpo, simbolizando a luta interna de se sentir diferente em relação ao gênero atribuído ao nascimento.

Enviado por

nicolaucvilela
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
4 visualizações17 páginas

Vivendo a Transgeneridade na Arte

O trabalho aborda a transgeneridade e a vivência de pessoas transgênero, destacando a disforia de gênero e a luta por representatividade. A pesquisa inclui a análise de autores e artistas transgêneros que inspiraram a performance, além de discutir a falta de visibilidade e os desafios enfrentados pela comunidade. A performance, intitulada 'Cicatriz', explora a aceitação e a dor associadas ao corpo, simbolizando a luta interna de se sentir diferente em relação ao gênero atribuído ao nascimento.

Enviado por

nicolaucvilela
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

“Cicatriz”

Nicolau Vilela
ACD 1º ANO
Resumo
Este trabalho tem como tema a transgeneridade, como é viver como uma pessoa
transgênero no dia-a-dia.
Na primeira parte apresento um resumo de autores e artistas que me serviram de
inspiração para o trabalho devido à forma que abordaram o meu tema.
Na segunda parte falo sobre o processo de trabalho e complemento a performance
em si.

2
Indice

Resumo ……………………………………………………………………………………………………2
Introdução …………………………………………………………………………………………………4
Estado da Arte …………………………………………………………………………………………....4
Artistas e a sua Prática Artística ………………………………………………………………………..6
Temática …………………………………………………………………………………………………..8
Titulo ….……………………………………………………………………………………………………8
Conceito ..…………………………………………………………………………………………………8
Sinopse ……………………………………………………………………………………………………9
Metodologia ……………………..………………………………………………………………………..9
Planificação, Materiais e Processos ……….…………………………………………………………10
Conclusão ……………………………………………………………………………………………….11
Bibliografia ..……………………..………………………………………………………………………11
Anexos …………….……………..………………………………………………………………………12

3
Introdução
A proposta de trabalho consistia na realização de uma performance, esta poderia ser
uma performance ao vivo, uma vídeo-performance ou uma foto-performance sendo o
tema de livre escolha. Contudo era essencial que o tema fosse pessoal, criando uma
ligação direta com o verdadeiro propósito da performance enquanto arte. Para além da
performance também tínhamos de entregar um portfólio relacionado à mesma.
O tema escolhido para o trabalho foi a transgeneridade, tendo como subtema a
disforia de gênero e corpo numa forma geral. Como um homem transgênero, a escolha
do tema torna-se auto explicativa, é algo que experiencio no quotidiano, diretamente na
pele.
Ao realizar pesquisas sobre o tema, deparei-me com pouca variedade de pessoas
transgênero a abordar o tema no ambito da performance, esta ausensia não existe
devido á inexistência de pessoas transgênero mas sim á falta de espaço e visibilidade,
são abafadas por pessoas cisgênero em artigos sobre um cenário que eles não vivem.
As dificuldades diárias vão além da falta de representatividade, incluem o ódio, a
falta de respeito, a apatia, entre outras formas de violência. No entanto, o principal
objetivo do meu trabalho é virar-me para a própria pessoa transgênero, dando-nos voz
para falar sobre quem somos e como nos [Link] falar sobre a sensação
constante de não pertencer a comunidades nem na sociedade em geral, do resultado
de um corpo que se torna uma “prisão”, bem como o medo e a presente disforia de
gênero.
Assim, tentei focar-me na pesquisa de experiências reais de pessoas transgénero,
explorar situações que passaram, opiniões e perspetivas.

1ª Parte
Estado da Arte
Para os autores relacionados ao tema fiz questão de dar preferência às pessoas
transgénero, como referi anteriormente, tive alguma dificuldade em encontrar artigos
que fossem escritos por autores transgénero. A principal razão do porquê priorizar
pessoas transgênero nas pesquisas não é só para dar visibilidade, mas também
mostrar experiências reais, de pessoas reais, com histórias reais que sentem a causa
diretamente na pele, assim acabam por ser as melhores pessoas para falarem do
mesmo.
Os autores abaixo falam do tema de uma forma mais abrangente, na minha
performance o intuito é o sentimento do “corpo errado”, a ideia do “ser-não ser” que
Lanz refere.
Letícia Lanz [1], psicanalista, economista e palestrante, mostra situação, que a
nossa sociedade coloca as pessoas transgênero devido ao medo, desrespeito, rejeição

4
e repúdio. “É preciso ter em conta, sempre, que a maior parte da população
transgênera está condenada a ser um não-ser e a passar a vida inteira no armário.”
(Lanz, 2016, p.214)
O medo “prende” uma pessoa e neste caso o medo não é só por reações menos
positivas ou comentários maldosos, mas sim pela própria vida muitas vezes. A
estimativa de vida de uma pessoa transgênero é bem mais baixa que uma pessoa
cisgênero, pela taxa de suicido e homicídio.
Além disso, a autora, como mulher transgênero, faz um desabafo
As pessoas transgêneras querem apenas existir, viver e trabalhar como gente
absolutamente comum. Sua maior e mais importante reivindicação, senão a
única, é serem compreendidas e aceitas pela sociedade como uma pessoa
qualquer, sem o implacável julgamento do olhar da sociedade.” (Lanz, 2016,
p.218)

Susan Stryker [2], professora, historiadora, autora e cineasta, fala sobre a própria
experiência como mulher transgênero na sociedade moderna. A autora afirma que, em
temas sobre sexualidade, os palestrantes eram homossexuais e a preocupação em ter
essas pessoas a falar sobre os próprios temas estava lá, assim representavam
diretamente a comunidade, mas quando o tema era gênero, não havia a mesma
preocupação com a representatividade e visibilidade.
Para Stryker (2021) “Da minha perspectiva, com uma identidade transexual recém
reivindicada, todos eles pareciam um pouco a mesma coisa: pessoas não-transgênero.
(p.01)
Como falei de experiência própria ao pesquisar sobre o tema, tanto em autores
como em artistas, o facto da sociedade dar voz a pessoas não transgênero, as
oportunidades para nós já são escassas e quando as temos muitas vezes perdemo-las
para pessoas que não são (neste caso) apropriadas para falar sobre, assim, muitas
vezes acaba por criar desinformação e falsas ideias para a cabeça de quem é menos
instruído no tema, estes acreditar e espalham, tornando a comunidade, já odiada, mais.
Edith Modesto [3], professora universitária, pesquisadora e escritora, fala sobre a
sensação de não pertencer a um lugar devido à transgeneridade, como referi na
introdução, infelizmente faz parte da experiência de uma pessoa transgênero a
isolação, neste caso devido à falta de um grupo onde sentimos que pertencemos
completamente.
Para Modesto (2013), diz que
Acrescentamos que, a nosso ver, as pessoas transgêneras, atualmente, são
“quase sujeitos”, pois ocupam um lugar virtual de “quase presença” aquela de
pessoas ainda sem direito a um nome registrado, a uma carteira de identidade,
uma possibilidade de aspectualização tensiva. (p.56)

5
Dando o meu exemplo, nunca me senti 100% integrado em grupos com mulheres e
com os outros homens sinto-me sempre de parte, inconscientemente isolo-me com
medo de não ser “igual”.
A autora fala também na problematização da barreira transfóbica que a sociedade
planta contra pessoas transgênero, clamando-as como doentes, afastando-as, assim
criando um isolamento entre as pessoas “doentes” que devem ser tratados e os
“saudáveis”, no ponto de vista da sociedade transfóbica. “A transgeneridade está sendo
inventada discursivamente como patologia, pois, atualmente, as pessoas transgêneras
são consideradas doentes.” (Modesto, 2013, p.62)
Concluindo, Nita Bhatt [4] e Julie Gentile [5], professoras universitárias junto com
Jesse Cannella, estudante de medicina, falam sobre os desafios e barreiras que
pessoas transgênero passam no sistema de saúde para obterem gender affirming
care*. As intervenções médicas salvam vidas e isso não é debatível, e neste caso não
é diferente, a saúde mental de uma pessoa transgênero é relevantemente mais
degradante do que uma pessoa cisgênero pelo fato de ser transgênero e é provada
melhorar bastante após ajuda médica. Esta ajuda podem ser consultas com um
psicólogo para analisar a saúde mental em geral, tratamentos hormonais ou até
cirurgias aos caracteres sexuais, primários e/ou secundários.
(*Gender affirming care (Em português, cuidados relacionados à transição.) Inclui cuidados de saúde
mental, cuidados médicos e serviços sociais que, neste caso, ajudam uma pessoa transgênero a fazer a
transição do gênero que lhe foi atribuído à nascença para o que se identifica.)

Artistas e sua Prática Artística


Os artistas escolhidos não falam diretamente no tópico específico que eu falo na
minha performance, contudo acredito que os artistas transgênero partilham muito mais
que só uma identidade, as emoções e vivências, e na sua arte estás características
estão sempre presentes.
Del LaGrace Volcano [6] é um fotógrafo americano que, com as suas obras,
pretende chocar a sociedade.
Volcano nasceu intersexo, mas foi designado e criado como mulher desde que
nasceu e assim viveu os primeiros 37 anos da sua vida. Em 1995 começou a viver
abertamente como intersexo e eventualmente adotou a identidade de não-binário.
Volcano formou-se em San Francisco Art Institute em 1981 e posteriormente fez um
mestrado em Estudos Fotográficos na University of Derby, no Reino Unido, em 1992.
Nos seus trabalhos ao longo dos anos exploram o âmbito de gênero e sexualidade,
sempre a provocar as normas sociais e estereótipos de gênero e sexualidade na
época.
Alguns dos seus trabalhos mais conhecidos e prestigiados, “The Drag King Book"
(1999) [7] e “LoveBites” (1991) [8].

6
Volcano, mesmo não estando ligado diretamente ao tema, tem a sua conexão, este
viveu anos numa identidade onde não se sentia completo nem confortável, na pele de
uma pessoa que era, nunca foi.
Nando Messias [9] desenvolveu uma carreira na área da arte performativa, teatro e
dança. Decidiu entrar na área devido à falta de espaço para pessoas transgênero,
assim junto com o seu talento e criatividade inabalável, decidiu embarcar no mundo
performativo, não só por vontade própria mas para dar espaço e visibilidade a uma
minoria. Nas suas performances, os temas de críticas ao gênero, visibilidade e
violência estão, normalmente, sempre presentes. Messias mostra o corpo como um
território político e poético, muitas vezes colocado em situações de exposição e
vulnerabilidade.
Nando durante a sua carreira, que até hoje permanece ativa, fez performances em
locais prestigiados como o Royal Court, The Gate, Hayward Gallery, V&A, Tate Britain,
Roundhouse, Royal Vauxhall Tavern e ICA, entre outros locais no Reino Unido e
internacionalmente.
Anohni [10], vocalista da banda Anohni and the Johnsons, antiga Anthony and the
Johnsons antes da transição da vocalista. Esta escreveu vários álbuns, como I Am A
Bird Now relacionados à sua identidade e vulnerabilidade.
Em 2023, o single Why Am I Alive Now? De Anonhi and the Johnsons foi lançado
para o público, o videoclipe foi dirigido pela atriz transgênero Hunter Schafer. Esta
música expõe as dificuldades de viver em uma sociedade, que somente pelo gênero,
nos odeia. Assim, no videoclipe, vemos três mulheres que são completamente
diferentes, mas partilham uma característica, são transgênero e criam uma irmandade.
Laura Jane Grace [11], cantora punk rock americana, principal fundadora da banda
Against Me! A cantora assumiu-se transgênero em 2012, no pico da banda, dois anos
depois lançou o álbum Transgender Dysphoria Blues, onde marcou uma altura decisiva
para a visibilidade trans no rock mainstream. O álbum é centrado no tema da disforia
de gênero, identidade e autenticidade que são visíveis nas suas músicas, como True
Trans Soul Rebel. No final da música, Grace canta “Well, you should've been a mother/
You should've been a wife/ You should've been gone from here years ago/ You should
be living a different life”, no minha situação é o oposto, contudo a estrofe acerta como
uma facada, o que eu “perco” por não ter “nascido um homem”?
Como a vida, a partir do momento que chegamos à conclusão do que somos, muda
completamente, já era diferente, sempre foi, mas ao ter uma resposta temos uma
dúvida respondida mas uma “dor” permanente, uma que me faz pensar o que seria
diferente, como tudo seria melhor.
Robin Skinner, mais conhecido como Cavetown, é um cantor britânico transgênero.
Robin cresceu em Cambridge e estudou no Parkside Community College desde 2010
até 2015, e em Hills Road Sixth Form College em 2015 até 2017. O cantor sempre teve

7
uma conexão com a música, a sua mãe era professora de música e o seu pai era
maestro, assim teve contacto com o ambiente musical desde muito novo.
No seu primeiro lançamento em 15 de Agosto de 2015, This Is Home, tornou-se uma
das suas músicas mais populares. Já para a minha performance esta música em
específico traz algumas das pautas que refiro, nomeadamente a disforia de gênero. A
música representa bastante bem a minha ideia para a performance e como quero
apresentar o conceito, contudo tem algumas partes que gostaria de desconstruir. No
refrão temos uma estrofe muito forte, “I'll cut my hair /To make you stare/ I'll hide my
chest and I'll/ Figure out a way to get us out of here”. Neste refrão interpretado como se
o cantor, Robin estivesse a falar com o seu verdadeiro “eu”, ele diz que vai cortar o
cabelo e esconder o peito, depois refere que é para alguém , esse alguém é ele
mesmo, assim, o “us” é o verdadeiro Robin.

2ª Parte
Temática
Na minha performance pretendo explorar a vivência da transgeneridade, criando
maior foco na disforia de gênero e na sensação constante do “corpo errado”.

Título
“Cicatriz”

Conceito
Nas seis fotografias apresentadas retrata uma pessoa que, simultaneamente,
mostra-se e esconde-se. É um processo complicado e demorado a aceitação e, se, se
chegar lá, nunca se chega a 100%, muitas vezes é mais fácil esconder, pelo menos
parece, guardar a sete chaves, não pensar nisso e ignorar sempre que vem à
conversa, sempre com a ideia que “é uma fase”, mas nunca foi. Ao ver as cicatrizes no
peito que representam o procedimento cirúrgico, mastectomia, pretendem passar a
agonia, a dor e a tristeza, emoções que frequentemente ligadas ao “corpo errado”, que
por mais que eu possa moldar o corpo para tentar ser como os outros homens, nunca
me vou sentir igual a eles.
A série de fotografias cria uma narrativa e pode ser vista de duas formas diferentes.
Se começarmos pela “#1”, o cenário que nos deparamos é uma pessoa agoniada com
o corpo onde nasceu, um corpo que não lhe pertence completamente, estica a

8
camisola que esconde o peito com o intuito de o mostrar, revelar que, independemente,
ele é quem diz ser e não o que o corpo apresenta.
Se decidirmos ver a obra ao contrário, começando do pela “#6” a história é contada
pelo fim, assim tem outro significado. A camisola esticada e “aberta”, representa o
mostrar e viver como quem é, e com o decorrer da narrativa começa a esconder-se.
A ideia original era ser interpretada começando pela “primeira”, mas com o
desenvolvimento do trabalho apercebi-me que com uma só performance conseguia
facilmente representar os dois extremos. A prisão e a libertação. Dois extremos que
representam bem as vivências de milhares de pessoas transgênero.
Assim, com as cicatrizes desenhadas no peito, estas simboliza a transgeneridade
mas também que independentemente se estamos escondidos ou “fora do armário”,
somos sempre transgênero e o sentimento não desaparece, vai “assombrar-nos” a
vida, desde o primeiro momento que finalmente conseguimos colocar um nome no
sentimento imensurável que temos, até estarmos em tratamento hormonal e já
“passamos” como pessoas cisgenero. A sensação de sermos sempre diferentes não
muda por muito que nós nos moldamos para tentar.

Sinopse
A performance começa pela fotografia “#1”, onde tem uma pessoa a olhar para o
horizonte sem nenhum pensamento específico, segura os braços perto do peito,
fechados. Na fotografia seguinte, já vemos uma diferença, ele estica a camisola que
veste e revela duas grandes cicatrizes roxas no peito enquanto as olha atentamente.
Na terceira fotografia conseguimos ver algumas semelhanças com a anterior, contudo a
pessoa olha diretamente para a câmera. A fotografia “#4” é praticamente igual à
segunda, nota-se algumas diferenças na pose, diferenças mínimas. Na imagem
seguinte conseguimos ver a pessoa ainda a esticar a roupa do peito e olha diretamente
para o mesmo. Por fim, na última imagem a pessoa está encolhida com os braços num
abraço a si próprio.

Metodologia
Ao ser apresentada a proposta, estive algum tempo a pesquisar e fazer um
brainstorming do que poderia fazer.
Ao pesquisar ideias a primeira que me veio à cabeça foi sobre a transgeneridade,
não só porque era um tema adequado mas também porque duvidava que seria
repetido. Fiquei ainda mais duas semanas após a introdução da proposta para avaliar
ideias mas decidi ficar com a primeira para o tema.

9
Já com o tema definido tive grandes dificuldades em encontrar inspirações que
viessem ao encontro do que eu imaginava, eu não queria fazer nada muito glamouroso
nem romantizado, pelo contrário, mas também não queria nada muito chocante nem
“violento”, a minha ideia era ser algo simples e direto, algo que contraria de certa forma
as artes performativas, mas queria pelo simples motivo de que sinto que durante os
meus 18 anos de vida, por muito que explicasse como me sentia e descrevesse tinha
sempre a sensação de falta de empatia e compreensão, sempre no tema da
transgeneridade, assim queria colocar em uma matéria visual que mostrasse como é a
minha vida, moldada e limada, mas grosso modo, o que ela é.
Ao começar realmente pesquisas mais extensas e profundas, deparei-me com
autores que partilhavam opiniões idênticas às minhas, não para a performance em si
mas para algumas das razões por eu escolher o tema e mantê-lo mesmo ele ser um
tema difícil de falar e sensível. A autora que mais me inspirou foi Letícia Lanz com a
sua expressão “ser um não-ser”, não só porque concordo com as ideias dela no artigo
que li, mas também porque me identifico totalmente com a afirmação.
Já nos artistas acredito que todos tiveram a sua parte na minha performance, alguns
no visual, alguns no conceito e outros puramente na forma que pensam e mostram as
ideias. “This Is Home” de Cavetown foi a música que mais ouvi durante o planeamento
do trabalho e desenvolvimento dele, a letra da música é bastante forte quando a
ouvimos atentamente, ajudou-me a compreender como explicar melhor a situação e o
cenário dela.
O local escolhido foi proposital, o intuito era manter-me em casa, criar um ambiente
intimista e pessoal para o espectador, já que a performance é sobre isso mesmo e o
tema puxa ainda mais para o lado pessoal, decidi que o fundo deveria acompanhar
tudo.O cenário faz então parte da minha casa para dar o ar de confortável e de uma
casa mesmo.

Planificação, Materiais e Processos


O processo da performance foi variando devido a dificuldades que eu tive de
desenhar e fotografar, então sofreu modificação já na sua fase final.
A primeira parte do processo de fotografia foi gravar testes em vídeo para estudar
poses, ambientes, ângulos de câmera, planos e movimentos. Após alguns testes feitos
decidi que seria mais natural gravar-me a fazer os movimentos e depois escolher
frames do vídeo para a performance.
No final escolhi seis frames, cada um tinha uma diferença importante para criar uma
narrativa com seguimento coerente.
Após ter a fotografias selecionadas, utilizei o Adobe Photoshop para editar, não quis
fazer grande edições até porque a ideia no início era fazer com que eu estivesse a

10
rasgar o meu peito, esta ideia inicial foi a minha favorita mas ao testar cheguei á
conclusão que não iria conseguir desenhar como imaginava, assim parti para a
segunda ideia, digitalizar rasgões de folhas de papel e colocá-los no meu peito, acabei
por testar este ideias mas senti que ficava muito forçado, e deixava a imagem muito
realista pois o papel era real, assim fui para a terceira e última ideia, desenhar os
“rasgões” como cicatrizes, as cicatrizes que ficam depois de uma das cirurgias mais
performar em homens transgênero, a dupla mastectomia.
Assim mantive essa ideia e depois acabei por deixar as fotografias em preto e
branco, com o princípio de fazer o olhar focar nas cicatrizes e não em tudo o que está
ao seu redor.

Conclusão
Em conclusão esta performance como uma forma de explorar e expor, não era um
tema que escondia ou tinha necessariamente medo de falar mas não falava muito
abertamente, e a performance ajudou-me a ter mais proximidade e honestidade comigo
mesmo acerca do mesmo.

Bibliografia
Modesto, E. (2013). Transgeneridade: um complexo desafio. Via Atlântica, 14(2), 49-65.
Lanz, L. (2016). Ser uma pessoa transgênera é ser um não-ser. Revista Periódicus, 1(5), 205-220.
Stryker, S. (2021). Saberes (des)sujeitados: uma introdução aos estudos transgênero. Ponto Urbe.
Revista do núcleo de antropologia urbana da USP, (28).
Bhatt, N., Cannella, J., & Gentile, J. P. (2022). Gender-affirming care for transgender patients.
Innovations in clinical neuroscience, 19(4-6), 23.
Del LaGrace Volcano: Corpus Queer -Bodies of Resistance 1980-2018 (Museum of Contemporary Art
Skopje) Del LaGrace Volcano: Corpus Queer -Bodies of Resistance 1980-2018
Any Answers: Del LaGrace Volcano Any Answers: Del LaGrace Volcano - 1854 Photography
Halberstam, J. “Jack”, & Volcano, D. L. (1999). The Drag King Book. Serpent’s Tail
Volcano, D. L. (1991). LoveBites: Photographs by Del LaGrace Volcano. GMP Publishers
Nando Messias Nando Messias
Anohni Anohni
Anohni (Antony and the Johnsons). (2005) I Am A Bird Now [Álbum]. Secretly Canadian.
Anohni (Antony and the Johnsons). (2023) Why Am I Alive Now? Em On My Back Was A Bridge For
You To Cross [Álbum]. Secretly Canadian.
Grace in the Wreckage Grace in the Wreckage - Philadelphia Gay News
Against Me! (2014) True Trans Soul Rebel. Em Transgender Dysphoria Blues [Álbum]. Total Treble
Music.
Cavetown Cavetown Wiki

11
Anexos

[1]

[2]

12
[3]

[4]

13
[5]

[6]

14
[7]

[8]

15
[9]

[10]

16
[11]

[12]

17

Você também pode gostar