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Estudo Histórico sobre o Chá

O documento é um estudo sobre o chá, abordando sua história e introdução na Europa, destacando a importância do comércio entre os países orientais e ocidentais. O autor menciona a influência de exploradores como Marco Polo e a introdução do chá na Europa pelos holandeses e jesuítas. Além disso, discute a evolução do consumo de chá e sua literatura associada entre os séculos XVI e XVII.

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Estudo Histórico sobre o Chá

O documento é um estudo sobre o chá, abordando sua história e introdução na Europa, destacando a importância do comércio entre os países orientais e ocidentais. O autor menciona a influência de exploradores como Marco Polo e a introdução do chá na Europa pelos holandeses e jesuítas. Além disso, discute a evolução do consumo de chá e sua literatura associada entre os séculos XVI e XVII.

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AL ANO LISTO EANIER DE %CEDO

BREVE ESTUDO

À IIA DO CHÁ
'

THESE INAUGURAL

LISBOA
l'OMRAPHIA NOVA MINERVA
150, Bua Nova da Palma, 1
,135

104 7113.

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No2 N. 2, .• c.

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BREVE ESTUDO
ACERCA

DO CHÁ


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LISBOA

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ACfie tDO CHÁ


THERE INAUGURAL
AP DEFENDIDA PIUM AESCOLA [Link] PENSADA

POR

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ALUNO AUGUSTO 101811 DE IlÁCEDO

JULHO DE 1879

LISBOA
r‘POG RAPHIA NOVA MINERVA
• 100, Rua Nova da Palma, 454

18'71,
COMPRA

dl,>18444ti

ESCOLÁ MEDICO-CIMICA. H1,190;


DIRECTOR
Dr. boiou de Camela
--
PROFESSORES

Dr. ?Imas de Daralho.......„ Anatomia deneriptiva.


Dama Augusta Kolb" Physiologia.
Dr. Pairo Bramiam de Cosa Alfange Mataria'medica.
Jose Amuro de Arames Num Pathologia Miaram
Anuro Ima Barbosa Medicina aparataria.
Joaquim %guio da Silva Parlas, doenças das puerperas e
recem-naseidos.
Dr. Manoel Moam da Mama Me Patrologia medira.
•Dr. Canos Ias figueira Clinica medica
Mama Beato do Sousa Clinica cirurgica
José Durrg da firmara Cabral Anatomia palhologie.a.
loa Batom da Silva Amado Medicina legal eaeno
m pabhea
José Tema do Soma Manás Pathologia geral.
Unam Ima VifelVA Lera 'harmonia.

SUBSTITUTOS
sego NEMa sacai.°

td !ateima de gmedo
I.* Rep.. 1::=a1;strátne;":P.X .

DEMONSTRADOR
Moho Rolo de linceranhaa

SECRETAR/0
Bramiam Augusto <Minn Beijam

e4=1:d'acsonraesspp'Z'Osfqbess.d(We=ner:I=da?.'2)
»Teu pae

Em testemunho de gratidão, amisade epro-


fundo respeito.

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A Ex... Sr.'

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Érn testemunho de amisade ede perdurava] reco-


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O AUCTOR.
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Soubeiran (Léon)—Nouveau Dictionnaire des falsifi-
carmos et dos allérations—Paris, 187).
Zoller — Art. no jornal Tio Lancei — Laudos, 1871.
ANTES DE 1
,111NOIPIAR
3

Este trabalho é, em parte, uma condensação,


em parte uma .traducção, e em parte uma trans-
cripção. Cabia-lhe perfeitamente, por epigraphe, o
seguinte verso de Bocage:

.
Pilha aqui, pilha ali, vozea anelares.

Apesar de tudo isto, émuito provavel que esteja


cheio de erros e'neste caso desculpamo'-nos com
as seguintes palavras de La Bruyère:
Celui qui na retnplir nu devoir dons il fie
pesa s'exempler, est digne d'excuse dano les fastios
qu'il pourra commegre..
• Bosquejo historio°

O chá énatural da parte oriental da Asia, sendo na


China e no Japão objecto da mais esmerada cultura e
um dos artigos mais importantes do commercio d'aquel-
les poises.
Houve auctores, que discutiram muito seriamente
para provar que aChina era conhecida dos Romanos e
nos seus Éclaircissements quelques plantes impar!ai-
tement 'eonnues eles Arabes et deu botanistes modernes,
publicados em 1612, Joncquet prova victoriosamente
(diz elle) que ochá foi servido na [(lesa dos Romanos
enão está longe de acreditar que os Gregos tomaram
conhecimento desta substancia no cerco de Traia.
Qualquer que seja ovalor d'estas opiniões, que en-
tregamos ao exame erudito dos investigadores d'ori-
gens, écerto que ochá foi conhecido desde amais re-
moto antiguidade .na China, depois no Japão e que
d'estes paizes passou para a Pérsia epara as lndias.
Na Europa foram os RUSSOS os primeiros, que musa-
ram recebendo-o dos Tortures, mas foi somente, quando
2

pela descoberta do cabo dá Boa-Esperança, os Portu-


guezes abriram áEuropa °ocidental ocaminho das In-
dias, que ochá foi conhecido nas regiões do °ocidente
da Europa.
A China era então opaiz longinquo das maravilhas.
Hoje, apesar de ser mais conhecida, áainda aterra da
curiosidade; mas n'essa epocha ninguem a via senão
atravez d'uns maravilhoso prisma, cujas cóses eram
ainda exaggeradas pela narração de cada viajante. No
seculo mu, um d'esses espiritos ousados que a neces-
sidade incessante de descOnmentos impelle para mun-
dos desconhecidos, Marco-Polo, tendo partido de Ve-
neza, atravessou aAsia, tornou-se um õrincipe poderoso
da nação Turista epenetrou na China, onde viveu du-
rante vinte annos, ecuja lingua estudou. Regressando
patria, consagrou asua velhice aescrever.a narração
das suas viagens epublicou as Maranilhas,do estando.
Foi considerado como um louco e o seu livro canso
obra d'um visionario. Era todavia oquadro, uns pouco
exaggerado pela sua imaginação, da historia dos povos
do extremo Oriente e dos costumes ehinezes. O chá
é perfeitamente descripto n'este livro e preconisado
com enthusiasmo.
...Na Europa, os Hollandezes foram os primeiros que
introduziram o uso do chá, por que o seu commercio
com os Chinezes eJaponezes fez-lhes reconhecer as qua-
lidades d'esta planta. Os primeiros negociantes que re-
gressaram do Japão trouxeram algumas libras de chá;
provou-se olicor que produzia esta folha torrada, não
agradou e esta primeira tentativa ficou sem elreito.
Depois em 1671 uns medico celebre, Tulpius; »sul
d'Amsterdans, louvou as boas qualidades do chá. Ele
1667, Souquêt, medico francez occupou-se da mesma
substancia eein 1678, Bontekoe, medico do Eleitor de
Brandebourg, elogiou sainbeni as virtudes do chá n'u-
ma dissertação, que teve grande exilo.
Foram os missionarias jesuitas que .trouxeram aFran-
ça as primeiras amostras de chá; opadre Rieci, chefe
3

das missões fez conhecer as propriedades d'esta planta


nas suas cartas sobre aChina, publicadas em 1600 pou-
co mais ou menos. Uma especulação singular ia tomai-o
mais conhecido na Europa. Foi na seculo sou que se
principiou a aprecial-o n'esta parte do velho Mundo,
graças aos negociantes Hollandezes. Em 1605 aCom-
panhia das Indias hollandezas, sabendo que os Chine-
ses e os Japoneses usavam como bebida ordinaria da
infusão duros planta aromatica, pensou que estes po-
vos acceitariam em troca uma planta europeu, cujas
propriedadrs maravilhosas eram exaltadas por todos os
medicas da epoclia eque passava na Ilollanda por ser
uma panacea universal. A Companhia expediu para Ma-
cau epara Yedo um gi ande numero de sacras de salva
e borragem, que foram trocadas por trez vezes oseu
peso de excellente chá, obtendo assim átroco de unia
mercadoria que só lhes custava adespesa de transporte,
um penem commercial que era vendido depois por 30
a 100 francos cada libra. Infelizmente para aespecu-
lação da Companhia hollandeza, os Chineses eos Ja-
poneses nilo apreciaram por muito tempo os aromas
da salva, mas no entanto ochá ficara conhecido na Eu-
sopa eoseu uso tinha-se diffundido bastante.
«Er, France, diz o Padre Rodes, que escrevia aio
1003, on commence àconnaltre te the, par te moyen de
messieurs les Ifollanclais, qui l'apportent de Chins et
uendent à Polis 80 fr. la livre te poita ont acheté datte
papo-te huit ou dix sous. Et encore, voise urdi-
reaa,rul qu'il est devo ou gáté. '
«Fui eu l'honneur de ruir 11v Trend nombre de per-
rotules d'illustre eondition et d'excellent Write, qui. ene
sereent avec profit et Uld ont eu ta bontê de vouloir que
je teor dise te que mon experience de írente-neuf ano
in'avait appris de ceue pktnte..
Em 1634, ocapitão Wessel, da Companhia das urdias,
formada em Inglaterra desde 1599, penetrou na China
econseguiu estabelecer com Cantão relações commer-
ciaes que ogenio inglez e os recursos da Coranbia
deviam tornar tão uteis para aInglaterra etão desas-
trosas para a politica do imperio do Meio. Desde en-
tão aperfida Albion soube excitar nos Chinezes apai-
xão do opio, que cresce em rabundancia nas suas pos-
sessões das Indias eobrigou-os atomar oveneno mais
embrutecedor, que oOriente pôde achar nas plantas em
troca da folha mais aromatica emais benefica, que existe
na Asia. Em 1661 valia em Inglaterra cada libra de
chá 56 shillings. Um bill de 1660, annullado em 1689, .
fazia pagar um imposto de 6 pences por cada gallon
de chá, que se vendia nas tabernas, eassim se explica
por que, em meio secai°, se consummiram só 180,000
libras de chá num Inglaterra. N'esta epoclia era pouco
conhecida ainda amaneira de preparar ochá; conta-se
que tendo-o algum inundado de presente alord Macau-
lay, oseu cosia/loiro fizera ferver ochá, atirara fóra a
infusão eservira as folhas como se foram espinafres, o
que muito maravilhou os convivas pela extravagancia
dos gostos chinezes.
Todavia, desde esta epocha, ochá oceupou aatten-
ção do mundo sabia e teve oque se pôde chamar a
sua littetatura. E' na llollanda, que se encontram prin-
cipalmente trabalhos interessantes sobre este assumpto; •
1600 a1700 não appareceram menos de vinte tra-
tados escriptos eia, todas as linguas sobre ochá. Cite-
mos as, observações colhidas desde 1610 pelo sabia me-
dico hollandez Nicolau Tulpius. aDissemtio patas 1/lese
do illustre Linneu, opequeno tratadodeJoncqueL(1657)
que lhe chamava herra divino, aobra de Cornelius Bon-
tekoe sobre a Excellente boisson da Thé (1678), que
foi traduzida em todas as linguas epropagada em diver-
sos paizes pelos numerosos agentes da Companhia hol-
landeza das Indias. Em França ochá teve lambem os
seus apologistas; uns como Morisset na sua Apologie
da the (1648), viam n'esta planta apanacea universal
por tanto tempo procurada edenominavam-n'a pechlin,
abebida amada dos deuses, Theophilas bibaculun) (4684).
Souquet, Geoffroy, Lémery eAndry eram tombem apo-
5

logistas do chá çI657). Em Inglaterra Sydenham ena


Àfiemanha Efinuiller concorreram para popularisar esta
bebida contra aqual se haviam insurgido debalde Boer-
toava e Van-Swieten. Outros pelo contrario compara-
vam os efTeitos do chá com oabuso 'do tabaco, então
anathematisado edesde 1635 Paul Simon fulminava na
llollanda estas duas plantas em um livro, que mandou
publicar. Pagou, o teimoso medico de Luiz fuv, que
abraçava aopiniáo dos antigos ainda mais fortemente
do que Thomas Diafoirns proscrevia ochá e declarava
que oseu uso ennegrecia os dentes eos fazia calar e
citava em alvejo desta asserção abocca da maior parte
dos hollandezes. Ecomo fica sempre alguma coisa d'uma
opinião, quando ella vem de pessoa auctorisada, repe-
tiu-se desde então, que ouso do chá estacava oesmalte
dos dentes; Trousseau, Cloquet ePeligot combateram
este ridiculo preconceito.
Em 1636 começou, pelos representantes da Ilollanda,
essa serie d'embaixadas enviadas ácusta de grandes
despezas pelas potencias europeus. Os relatorios de cada
uma deltas fallavam do chá eas quantidades, que d'elle
traziam, derramaram cada vez leais na Europa ogosto
d'esta bebida, que devia dentro em ponco tempo tor-
nar-se um objecto de primeira necessidade. À Russia
negociava com aChins pelas snas provincias occiden-
taes havia muito tempo, quando Pedro, oGrande, enviou
duas embaixadas áPekin para regularisar as relações
dos dois paizes. A embaixada de ,,17StO obteve que o
embaixador moscovita pudesse habitar na capital do
teleste imporia ealém d'isto alcançou previlegios, que
os Russos teem sempre sabido conservar, não ferindo
preconceito algum esubmettendo-se ao cerimonial chi-
une.
11

llr'eacrípção botanica e cultura do chá

Os botanicas deram o nome de thea ehinensis ao ar-


busto indignos da China, rujas folhas, depois de secam
econvenientemente preparadas, fornecem todas as va-
riedades de chi, que o commercio nos oferece com
diferentes nomes.
O chá —em lingua mandarim tocha eem japonez
tsjeo — cresce naturalmente na China, onde oseu uso
easua cultura parecem remontar ás origens mais re-
motas d'estes povos.
«Na provincia de Fo-kien, chamain ás folhas dos ar-
bustos bohy esamlá, lhe; nas outras chá. ri nome thé,
usado oro Fo-kien, é rustico tna linguagem polida de
Nankin, diz-se, dia. Quasi todos oápovos da Europa
seguiram o riso rustatot porém, nós adoptamos opo-
lido, seguido na eórte eno resto do Imperio,» (J. 1. de
Andrade.— Carros escriptas da Judia e- da China nos
annos de 1815 a 1835—Lisboa, I8i3).
O chá foi transportado para oJapão, provavelmente
quando este Imperio foi conquistado pelas antigas dy-
7

nastias dos Itlings. O chá cresce no Japão desde tem-


pos immemoriaes como no seu paiz natal. Outras ten-
tativas d'acelimação feitas em grande escala no Brazil,
pelos Inglezes no alto Assam e pelos Hollandezes em
Java fortes coroadas de excellentes resultados; hoje
o chã d'estas trea proveniencias entra em grande ante-
tidade no consistem, mas pela sua qualidade éinferior
ao que se colhe nas velhas collMas da China ou nas
plantações Japonezas.
Muitos arbustos da China e do Japão fornecem esta
preciosa substancia. Limes, referia as diversas quali-
dades de chá, que no seu tempo existiam no commercio,
a duas especies distinctas, que. denominava thea bebeu
eama viridis. Depois do sabia sueco, outros botanicos
erraram muitas especies novas, mas hoje admitte-se,
que todas ellas, que afinal só differein pelo esmero das
suas petalas, são apenas variedades d'uma sé emesma
especie, thea chinensis, Sfinson, da familia das Teres-
[Link] de De Candolle, Aurantiaceas de fructo
capsular de A. L. de Jussieu, Theaceas de de Mirbel.
E' ao subis viajante Kaempfer, que se devem as pri-
meiras sucções exactas sobre esta planta, designada va-
gamente como uma herva por Leinschotten, omittida
por Tournefort na sua classificação ecollocada no seu
verdadeiro togar, segundo Kaempfer, por Desfontaines,
Ventenat, de Jussieu, Richard ede Mirbel. Caia clas-
sificação offerecia algumas dilliculdades pelas variações,
que se produzem, sob certas influencias : na planta
cujos orgãos foliaceos apresentam ditersas particulari-
dades notaveis. Assim Wein estudo rnicrographico feito
por de Mirbel e Payen, descobrin-se unta estructui`a
propria das folhas persistentes eque se encontra nas
do !hm viridis, quando chegam ao seu completo desen-
volvimento. Os dois sabios já citados viram uns corpos
que atravessavam u parenchyma, (ruma das faces do
limbo para aoutra eque offereoiam oaspecto de cel-
lulas cylindroides irregulares, estendendo numerosas
ramificações sob aepiderme de cada uma das duas fa-
ces das folhas do thea viridis. «Desenhámos, diz Payen,
estes orgãos singulares com uma amphficação de 500
diametros, assim como glandulas especiaes dissemina-
das em grande numero nas mesmas folhas eque con-
tem aseccreção da preciosa essencia, causa primitiva
do aroma do chá.» (T. xxit das MCmoikes de rAcademie
deu &dances).
As cellulas epidennicas variam de dimensões segun-
do a edade; tias folhas medianamente desenvolvidas,
estas cellulas são pequenas eum pouco angulares; nas
folhas velhas as adulas epidermicas são muito mais
largas eassuas paredes apresentam-se mais distinctas.
Os stomatos que se observam principalmente na face
inferior da folha, são bastante numerosos, pequenos e
constituidos por duas cellulas reniforines, que deixam
entre si uma abertura muito notavel. As cellulas epi-
dermicas, que se vêem em volta dos stomatos, são .
muito allongadas ecurvas, como as do proprio stomato.
Os peões, que se observam principahnente.ná pagina
inferior ala folha são curtos, ponteagudos eindivisos,
mas ordinariamente são quebrados i'muita abundantes
nas folhas mais novas, os peitos são mais raros nas
folhas de mais edade ealgumas vezes chegam mesmo
afaltar quasi completamente.
Caracteres do 6/eu chinensis. O chá é um arbusto
sempre verde, de crescimento muito lento; asua altura
varia de 1%50 a8 e 10 metros esú attinge oseu com-
pleto desenvolvimento no fim de 6aéannos. As folhas,
são alternas, sustentadas por peciolos curtos, de cdr verde
muito intensa, ovaes, oblongae, pordeagudas, finamente
dentadas; teem de comprimento 6 a 10 centimetros e
de largura 25 a30 millimetres. As folhas, quando no-
vas, são flexiveis. Judies, Transparentes ebastante do-
ces; quando envelhecem tarnam-se amargas, duras e
quebradiças. Constituem o principal e quasi ounico
producto do arbusto, mas este producto 8amais rica
das colheitas para quem ocultiva efornece unia das
bebidas aromaticas mais salutares. Apesar de haver nas
9

folhas um aroma pouco pronunciado, o exame micro-


scopico mostra, como já dissemos, que n'ellas existem
glandulas, que conteem um oleo essencial, cujo pode-
roso aroma se desenvolve pelas preparações, aque são
submettidas as folhas antes de serem entregues ao com-
moreis sob onome de chá verde ou de chá preto.
As flores teem algumas analogia com as nossassro-
sas silvestres. São solharias, ou reunidas ern pequenos
feixes na axilla das folhas superiores e estão sobre
pedunculos muito curtos. O calice, que tern 5 divi-
sões quasi completamente distinctas, ovaes, é curto;
a carona, muito maior do que ocalice, compõe-se de
3, O a9petalas arredondadas elargas; os estantes são
em 'minero indeterminado, algumas vezes mais de 200
e dispostos em muitas Xeries, inserindo-se no usaria.
As flores continuain aabrir pelo inverno adoente. Se-
gundo Kaeinpfer picam muito vivamente alingua enão
podem ser tornadas em infusão, nein de qualquer outro
modo.
O ovado triangular, livre, arredondado, é encimado
por um estylete dividido em 3 estygmas illiformes. O
folcl.° éunta capsula de 3 sentas redondos, contendo
cada um um grão ala volume d'uina avelã e mais ra-
ras vezes dois. Esta semente dá um oleo de que os
chinezes se servem para a illuminação epara acasi-
nha, mas que parece muito desagradavel eproduz nata-
soas aos Europeus.
A madeira, dura, fibrosa, d'unt perde muito pallido,
esbata ursa cheiro, quando éfresca. Está coberta Wenn
casca delgada, 111111I0 adhereute, de c& cinzenta [Link]
no caule etirando para verde na extremidade dos ra-
mos; araiz énegra, lenhosa edividida, parece-se com
ado [Link].
A divisão tão profunda; que existe entre os chás pra-
tos eos chás verdes, as differenças d'aspecfo, de Ar-
as ede gosto, que caracterisam as diversos especies
commerciaes. tinham feito'pensar ao principio que exis-
tiam numerosas variedades d'arbuslos de chá, ou pelo
ao

menos duas especies perfeitamente determinadas: a


que produz os chás verdes eaque dá os chás prelos.
áfas as observações de Siebold, que foram confirmadas
por Fortune, provaram que todas as variedades de chá
commerciaes provinham diurna só emesma planta, Thea
chinensis, modificada pelo clima, pelo solo epeio cul-
tivo. A epocha da colheita das folhas, os diferentes mo-
dos de as preparar e principalmente aedade deltas
modificam tombem aqualidade do chá.
As folhas mais novas produzem o melhor chá. Os
chás escolhidos compõem-se das folhas mais novas,
sendo preciso tirar grande numero de plantas para po-
der obter um peso por pouco consideravel que seja
d'estas folhas; isto explica opreço elevadissimo desta •
qualidade de chá. Emquanto que o mesmo peso de
folhas velhas ou perfeitamente desefivolvidas, éprodu-
zido por uns numero de plantas comparativamente pe-
queno. ZifIler prova que aedade das folhas de chá pede
avaliar-se pelo exame chimica das cinzas, que cilas dei-
xam depois de queimadas. Á maneira que as folhas vão
crescendo, apotassa eoacido phosphorico vão dimi-
nuindo, tanto absoluta corno relativamente, evão aug-
montando acal e asities. Na exame practico do chá ha
portanto uma regra muito simples ede grande valor:
o bom chá contém muita potassa eacido phosphorico
juntamente com pequena quantidade de cal esulca, com
o'mau chá acontece ocontrario. •
Tendo recebido uns esplendido especimen de chá vindo
do liimalaya eenviado por uni amigo do Baráo Liebig,
Zoller fez aanalyse chimica (Lesse chá eobteve os se-
guintes resultados. Em 100 partes de chá havia 4,95
partes de materias soluveis e5,63 de cinzas.
As cinzas continham em • 100 partes:
Potassa 39,22
Soda 0,65
álagnesia 6,47
46,34
46,34
Cal 4,24
Oxydo de ferro 4,38
Protoxydo de maganas 1,03
Ando phosphorico 14,55
Ando sulfunco vestigids
Chloro 0,81
&fica 4,35
Acido carbonico 24,30
Total 100,00
Estes numeras mostram muito claramente agrande
quantidade de potassa edorido phosphorico existente
no chá eadiminuta proporção de cal esilica.
Züller fez tambem uma infusão d'este excellente es-
pecimen de chá eachou algumas particularidades inte-
ressantes. Fez uma infusão de 100 grammas de folhas
em 3 litros d'agua distillada aferver durante um quarto
de hora edepois decantou oliquido. Então lançou so-
bre as folhas outros 3 litros d'agua aferver e deixou
ficar durante um quarto de hora. 0s6 litros de infusão
foram evaporados até áseccura eoresides enxugado
a 100° centigrados e pesado. Este residas seres che-
gava ater 36,26 ./o do peso das falhas de chá empre-
gadas. Deve obserarar-se que na operação acima dos-
cripta, as folhas não podiam ter sido perfeitamente
exhadstas de mataria soluvel e que por consequencia a
quantidade real de ingeria [Link] folhas deve ter
sido ainda maior do que aexperiencia indica.
As folhas de chá no seu estado ordinario ou sagras
ao ar conteem 5;38 partes ./0 de substancia azotada.
A quantidade de draina nas ralhas Ode 4,94 ./o. Com-
[Link] aanalyse das folhas de chá no estado ardina-
rio com 'a analyse das folhas exhaustas pela agua a
ferver. Depois da-extracção, apercentagem de potassa
nas cinzas éde 7,34 emquanto que antes da extracção
éde 39.22; isto mostra como aanalyse das cinzas pôde
ser empregada como criterio para reconhecer se as tu-
tz

lhas de chá são frescas ou já usadas. Uma coisa inte-


ressante é que . a maior parte da substancia azotada,
que existe no chá, nãoiconsiste na theina. Péligot mos-
trou que essa outra meteria azotada éuma substancia
similhante ácaseína. O chá éportanto, até certo ponto,
um alimento eZoller demonstrou que 100 partes de chá
do Ilimalaya contéetn além de 4,94 partes de theina,
13,7 partes de caseina do Péligot.
Os terrenos cbnsiderados como mais favoraveis áve-
getação productiva do chá, encontram-se na China nas
collinas situadas entre o 45° parando e oequador e
mais particularmente ainda desde o25° ao 33° grau de
latitude, onde as temperaturas estivaes de julho eagosto
osculam entre 33 e 38 graus, einquanto que durante
os rnezes mais frios d'inverno o thermemetro pôde
descer a. zero. Na China tent-se podido observar que
os terrenos baixos e homidos, as planicies mal esgo-
tadas, que convém écultura do arroz, são muito dos-
favoraveis á vegetação do chá. Este arbusto exige ao
mesmo tempo um ar habitualmente 'tumido esiso solo
comparativamente tenro, leve, arenoso, mas bastante
fertil para dispensar ricos estrumes ecompensar pelo
alimento abundante fornecido it planta, aenfraqueci-
mento, que não pode deixar de produzir acolheita re-
petida das folhas. Nos ésenão esEepcionalmente ecom
milita prudencia que nesta cultura se pode empregar
as irrigações. Se aagua eahumidade -são indispensa-
seis em certas epochas para obom resultado da plan-
tação, deve-se esperai-as somente dos phenomenos use-
boticas, nevoeiros echuvas, que se reproduzem com
bastante regularidade nos paizes previlegiadns para a •
cultura do chá. Tem-se citado, éverdade, os bellos•re-
sultados obtidos nas plantações do districto de Ilwity-
chow, estabelecidos em planicie, peCto da hidade de
Tun-che, mas importa fazer notar, que ha colhas pro-
ximo d'estas plantações florescentes, atravessadas além
disso por siso rio de margens escarpadissimas eque
tem 5ou 6metros de largura, offerecendo este rio as-
.
13

sim uso meio natural de saneamento ou d'exgoto es-


pontaneo das aguas subterraneas.
Na China as chuvas abundantes começam quasi no
fim do meu d'abril e reproduzem-se com intervallos
muito approximados até ao Isaca de junho. Não é pre-
cisamente senão na epocha ele que o ar se carrega de
vapores aquosos que devem ser colhidos os primeiros
gommos eas folhas novas ainda cobertas d'um ligeiro
duvet,—destinadas para a preparação do chá pélco, o
mais estimado,—porque então aplanta não está exposta
aseccar nas suas extremidades delgadas: Além d'isso
as chuvas, com as Toes se deve contar, cabem den-
tro de pouco tempo com bastante abundancia para fa-
vorecer o. desabrochar eodesenvolvimento das segun-
das folhas, que fornecem amaior emais importante
parte da colheita.
O arbusto do chá cresce naturalmente em todas as
provincias do lmperio Chinez eattinge seio cultivo o
seis maior desenvolvimento, mas só pela cultura se pó-
de extrahir deite productos deliciosos eabundantes.
As propriedades numerosas, mas de pouca extensão,
de 2 a á hectares pouco mais ou menos, em que se
cultiva o chá nas províncias do norte da China, apre-
sentam quasi todas um terreno muito feriu!, ligeiramente
arenoso, em declive, hem exposto ao sol, a uma tem-
peratura média e tanto quanto possivel na visinhança
d'agui corrente. Cada proprietario reserva sobre opro-
dueto da sua pequena plantação apqrte'necessaria para
o consummo da familia; o resto édestinado ávenda.
A classe dos pequenos cultivadores na China tem CQII-
servado costumes patriarchaes; nota-se em todos os
trabalhos agricolas a direcção suprema imprimida ao
grimpo dos trabalhadores, homens, mulheres ecreanças,
pelo chefe venerado. eavó. tiá cooperação activa de
uma familia inteirivnos trabalhos rnraes eao preço mo-
dica do alimento, composto principalmente de arroz.
peixe e de plantas alimentares (abobaras, tuberculos,
fructas) que se deve attribuir abarateza da mão d'obra.
inn

Na região montanhosa de Fo-kien (paiz feliz) a600


ou 900 metros acima do nivel do mar, encontram-se
os districtos principaes de chá prelo, donde vem a
maior parte dos productos consummidos em Inglaterra,
Ilollanda, Belgica eFrança. A temperatura do districto
de Foo-chow-soo, nesta região, áintermedia áde Hong-
kong ao sul eáde Shang-hai ao norte; atemperatura
vária de 30 a 36°,6 do thermometro centigrado nos
mezes de junho ejulho eescuna de 33 a35 graus mo
intervallo pie separa os mezes de agosto a janeiro.
Comprehende-se sem difficuldade que, nas colhas de
Po-kien, situadas ao sul, a planta, vegetando em um
clima mais quente, chegue auma maior altura e que
assino os arbustos de chá preto perto de Foo-chow se-
jam mais altos que os dos districlos de,chi verde do
norte. •
A final estas disnineNíes entre as regiões de chá
verde eas de chá preto baseam-se apenas rios proces-
sos locaes do fabrico, por que depois de longas incer-
tezas ede numerosas controversias, está hoje assente,
segundo os melhores anelares eos viajantes mais acre.
ditados, que asálims especies de productos, tão differen-
tes em quanto á sua acção na economia animal, são
obtidas nas melhores propriedades chinezas com folhas
da mesma planta, designada pelos botanicos sob ono-
me de thed viridis ou Men chinensis.
Depois de terem descoberto as propriedades da fo-
lha do chá, os Chinezes multiplicaram immensamenne
o arbusto, que aproduz esouberam corrigir aunifor-
midade extremamenne grande da producçãó natural,
donde-lime muitas qualidades diferentes por meio de cer-
tas preparações.
Occupemo-nos agora da cultura do chá.
a, Para as plantações deve-se escolher um terreno uru
pouco em declive, corno já dissemos, leve, que não te-
nha pedras, bem exposto ao sol, a uma temperatura
média eproximo de afina corrente. Depois de se ter ca-
vado a terra profundamente, abrem-se covas de um
55

quarto de metro de profundidade, distantes umas das


outras 1 ou 2 metros pouco mais, ou menos e 'nestas
covas collocam-se 6 a 10 sementes, que são cobertas
dum adubo appropriado e acaba-se de encher com
terra sem a apertar demasiadpinente. A sementeira
deve ser regada com o maior cuidado e se foi feita
em localidades onde não ha agua, esta é ahi levada
por engenhosos apparelhos para manter uma humi-
dade conveniente no terreno, chegando algumas vezes
a ser transportada aagua ás costas de homens. Ogrão
devo ser empregado na epocha precisa da sua matura-
ção, em janeiro ou fevereiro; se se conservar por mais
tempo, ooleo que existe na semente tonta-se raticida
eogermen morre. Um grão apenas dos dez que foram
semeados corresponde aos cuidados da cultura; épor
isso que somente •num pequeno numero de provincias
se fazem estas sementeiras; em quasi toda aparte se
aproveitam os rebentos, que apparecem naturalmente
proximo dos pês de chá, ou que nascem das raizes.
Depois não ha outros cuidadoS que ter com aplanta-
ção anão ser arrancar as servas parasitas earrendar
asuperficie do solo.
Antes de colher as folhas espera-se que unia vegeta-
ção de 3 anuas tenha dado ao arbusto a força sutil-
ciente. Semeado ou plantado, oarbusto da no terceiro
anno aprimeira colheita, que tom fisgar metas vezes
cada armo, principiando no meado d'abril ;E' sesta apa-
che que se effectua esta importante colheita nas nume-
rosas propriedades dos districlos de chá verde, nas pro-
ximidades de Ning-po..As primeiras folhas estão cober-
tas d'unta especie de discos esbranquiçado; são estas que
dão odai mais fino emais perfumado. As folhas fioraes
são as mais coloridas, mais tenras emais estimadas. Este
primeiro produto Ode tal modo superior pela delicadeza
do seu aroma, que fi•reservado para um commercio ex-
cepcional ou para ser afferecido ás pessoas eminentes do
Imperio. E' conhecido pela denominação de hyson junior,
que indi4a o estado dos foliolos ainda novos, emprega-
06

dos para o preparar. Explicar-se-ha facilmente o alto


preço e araridade do hyson peior se se attender As
circumsiancias da colheita. Com effeito, ato só os gora-
mos cl'um pequeno volume produzem pouco enecessi-
tam d'uma mão d'obra, dispendiosa, mas ainda, tirando
assim aos arbustos urna quantidade notavel da sua seiva
ascendente, antes que os orgãos foliaceos estejam lias.
toste desenvolVidos para tirar da atmosphera uma parte
do seu alimento, enfraquece-se aplanta eapréducção
total diminue. Todavia, quando as chuvas vem atempo,
quando a terra é atéia d'isso bastante fertil para for-
necer em abrindancia uma seiva nova, o mal érepara-
do em pouco tempo ;avegetação retoma oseu curso
com vigor edesde os primeiros dias de maio uma rica
folhagem de côr verde-escura adorna as plantaçães e
fornece urna colheita mais abundante, duplamente pro-
ductiva porque o chá que ella fornece éd'uma quali-
dade melhor ed'uni preço mais elevado que odas duas
colheitas seguintes. 'Nesta occasião aflor do arbusto
está secos; as capsulas, que conteem as sementes não
Irem atiingidn senão metade do seu volume, esão co-
lhidas com as primeiras folhas, cinjo peso irrigam
rani uni pouco sem prejudiear aqualidade do produ-
elq,. As terceiras equartas folhas são ainda mais de-
senvolvidas, mas o ser, aroma émenos suave eosabor
menos agradavel.
Ha trez epochas para acolheita tias folhas, aprima-
vera, oestio eo°atolem. Estas colheitas tantas veze
repetidas exgotam aseiva do vegetal esuspendem em
parte o seu crescimento. Moiras vezes cortam-se os seus
ramos superiores para que oarbusto não adquira unia
aliara que torne dillIcil acolheita. Quando os ramos não
forniam côpa, pratica-se dos 7 aos 40 anosa o corte
ao uivei do solo ealgumas vezes fambem se faz omesmo
quando por ser otronco já muito velho, se quer obter
das suas raizes rebentos mais vigorosos. Uma plantação
bem tratada, convenientemente adubada eem boa expo-
sição, pode durar 30 a40 annos. Cada arbustadá 3a4
17

libras de chá por asno. Passados os primeiros 10 asnos.


as folhas tornam-se muito adstringentes e servem so-
mente para outros usos, para tingir certos pannos, etc.
Os Brasileiros eos Inglezes no alto Assam empre-
gam quasi omolhado de cultura, que acabamos de des-
crever; oJapão tem um modo differente de cultivar o
chá; as suas plantações não são em tapadas nem jar-
dins particulares. Neste pais todos os campos são cerca-
dos d'uma sebe de arbustos de chá, dispostos de ma-
neira que asua sombra não prejudique as searas. Os
cuidados que teem os Japonezes com aplanta em quanto
énova, limitam-se apenas aprotegeka contra as her-
vas damninhas Aos 3 unos principia a colheita, que
se faz como na China 3 ou 4vezes por asso. Até aos
10 armas oarbusto não chega senão áaltura de I a2
metros edá poucas folhas; corta-se então, eimmediata-
mente apparecem muitos evigorosos rebentos, que pro-
duzem abundantes colheitas durante ato longo periodo.
Tem-se por muitas vezes querido acclimar na Eu-
ropa o arbusto do chã. Depois de muitas tentativas in-
fructuosas, Linneu aconselhou semear os grãos frescos
em vasos cheios de terra efoi ocapitão sueco Eckberg
oprimeiro que em 1763, seguindo os conselhos do gran-
de naturalista, conseguiu trazer para Gothenbourg nu-
merosos pés de chá: mas até haja não leni sido possis
vel esperar resultados industriaes da sua acclimação
na &rapa.
sA respeita da introdução do chá 11b Brazil (diz o
dr. Coelho Rangel na sua Mese sustentada em 1871 no
Rio de Janeiro) oque sabemos Oque foi odr. DOMilj-
gos Vaudelli, illustrado professor de Coimbra, quais
'primeiro teve essa idéa, usos apuar das continuas ad-
moestações do illustrado professor de sciencias nata-
raes, ninguem se ocupou Com esse tão grande ramo
de commercio, até .que em 4812, o chefe de divisão
Luiz de Abreu, mandou vir directamente da China al-
gumas sementes, que vingaram e" produziram o ver-
dadeiro chá.»
4
IS

O chá cultiva-se no Brazil em muitas proVinclas. No


Maranhão viu A. Durand (repetidor de botanica na Es-
cola de Grignon) plantações, que apresentavam um
bailo aspecto e notou, como Mr. Liantaud, uma cir.
cumstancia importante relativa ás regas. »Os cultiva-
dores, que tive occasião de vê'', diz A. Durand, 111,0 re-
gam as plantas de chá, senão quando são muito novas;
mais tarde as regas sã[Link] prejudiciaes; dizem enes
com razão, que n'essa epocha aagua provoca uma ve-
getação excessivamente luxuriante ácusta da qualidade
das folhas.»
M. Liautaud introduziu acultura do chá na Algeria
eos seus ensaios deram bons resultados.
Ensaiou-se a cultura do chá em França, nas proxi-
midades d'Angers, mas o arbusto n'estas localidades
produz poucas folhas eas seinentes não chegam aama-
durecer ide modo que não pode multiplicar-se de se-
mente.
Nas possessões inglezas da India eem Java, posses-
são hollandeza, as plantações de chá dão-se perfeita-
mente. Os Inglezes Lêem procurado pôr em practica no
alto Assam os melliodos de cultura ede preparação
mais elogiados na China e já podem tirar das suas
plantações uma grande parte do chá que consommem,
Todavia, quer seja do, solo, quer seja d'um modo de
preparação defeituoso, os chás, que se colhem no alto
Assam não tecia asuavidade, nem ariqueza d'aromas
das que vem da Japão eprincipalmente do Celeste Im-
pem..
Além d'isso, ochá deve amaior parte das suas qua-
lidades as preparações a que o sujeitam eosegredo
d'essas preparações não é ainda perfeitamente co-
nhecido. Os processos, que vamos descrever são os
unicos, que os Europeus Conhecem cisura inodo geral.
Os Chinezes Icem sabido esconder ao olhar indiscreló
dos barbaros as suas manipulações roais delicadas;
nunca lhes revelaram, que flores ou que perfumes MIS.
tiram com ochá para lhe augmentar aacção evariai'
49

de mil usados o sabor easuavidade das folhas talvez


.
pouco aromaticas. Torrando as folhas colhidas numa
das arvores de chá, que existem em alguns jardins, ob-
tem-se um chá tão bom como os de especie ordinaria,
que vem do Brazil ou do Assam, mas que não se appro-
xima dá qualidades mais mediocres, que são ,e4pedi-
das de Cantão ou de Shang-hai.
Alguns jornaes em 1875 disseram, que se ia ensaiar
aacclimação do chá na Sicilia. Dizia-se que anatureza
do solo n'este paiz era amesma que ado Japão eque
as condições chmatologicas d'estas duas regiões eram
identicas. A pedido do governo italiano, o consul
do Japão enviou uma grande quantidade de semen-
tes do arbusto do chá e ao mesmo tempo forneceu as
instrucções mais minuciosas sobre omodo de cultura.
Os iniciadores da empraza dizem que a Sicilia não é
ounico paiz, cujo clima parece favoravel á cultura do
chá ;a Ilespanha eaGracia estariam no mesmo caso.
Na ilha de S. Miguel existem algumas plantações de
chá, que teem dado bom resultado. Ainda ha pouco
tempo se lia em um jornal de Lisboa oseguinte: ,Di-
zem de S. Miguel, que começou ali acolheita de chá
e que na Sociedade de Agricultura de Ponta Délgada
proseguem as experiencias para oaperfeiçoamento da
sua manipulação. (Diario de Noticiar do 28 de maio de
1879)-
Colheita e torrefacçao do chil

O sol dá A folha do chá as mais preciosas qualida-


des. As folhas, que 'rebentam ásombra conteem aro-
mas menos ricos eapresentam menor desenvolvimento
do que as que foram sempre acariciadas pelos raios do
sol.
«Le the (diz M. Bruce, director das magnificas piau-
tacões e manufacturas de chá, fundadas pela Compa-
nhia das Indias no alto Assam), qui se Mit avec leu
palites pousados á l'ombre est notablement patear àca-
lai dom les retalha ont relléchi loa rayons
Aléns desta primeira distincção, ha outra muito maior,
que provém da colheita e da preparação das folhas e
que faz dividir os chás em duas classes principaes; o
doi verde e ochá preta.
Quando na primavera as folhas novas impacientes dos
primeiros raios do sol fazem rebentar o envolucro se-
doso, que as protegia contra o frio do inverno, édia
de festa na China; avida renasce nos campos eaco-
lheita do chá vae começar. Os quatro primeiros dias
d'abril são consagrados aos deuses protectores da agri-
21

cultura; queimam-se perfumes nos pagodes. No quinto


dia, oChin-Ming, um sol radioso se eleva no horisonte.
Antes que os seus primeiros ardores tenham devorado
as parolas irisadas, que anoite suspendeu nos gommos
novos, principia acolheita. As plantações são invadidas
por um grande numero de pessoas. Cada uma d'ellas
tem ácinta lun cabaz suspenso ao pescoço por nina larga
•correia. Com uma das mãos segurava oramo ecom a
outra colhem as folhas uma por uma. tendo cuidado de
deixar uma pequenina parte da folha adherente aó pe-
dolo, para que se possam produzir novos rebentos.
Esta primeira apanha é para fabricar ochá verde; a
colheita faz-se muito devagar.
A colheita do chá preto faz-se cem uma rapidez pro-
digiosa ;ao espectador custa aseguir asua marcha e
a distinguir as folhas colhidas. A pessoa empregada
'neste serviço apanha-as com ambas as mãos, aprovei-
tando-se para isto do pollex edo indicador; recolhe-as
na patina da mão elança-as, quando tem amão cheia,
'num cabaz collocado ao pé da arvore. As mãos mo-
vem-se nos ramos para adireita epara aesquerda, fa-
zendo ouvir um ruido continuo, similhante ao trabalho
dos insectos, quando andam construindo as suas gale-
rias; um trabalhador habil pôde colher até til libras de
folhas por dia.
Segundo alguns viajantes, os chinezes sabem ensinar
os macacos a fazer acolheila sobre as arvores de chá,
que crescem em legares alcantiladcts. Nous manos
d'autant plus portes à douter de kr véracité de co fait,
dizem MM. Pelletier, que la China ne possède aucun &-
divida de Ia rara simiana, teu rnagols da papo rendant
sans doam tear presence "'adile..
Ha no Japão uma montanha perto de Udsi, que tem
fama pela qualidadq, do seu chá. Está cercada por uma
dupla cintura de sebes efossos. As arvores, que abi
crescem produzem ochá que bade servir para os dois
imperadores. Ha guardas que vigiam as arvores de dia
e de noite para mie lhes não aconteça algum mal; pra-
42

tegernin'as contra o attaque dos insectos ou contra ou-


tro qualquer ingidente. A colheita feita por adolescen-
tes com menos de 15 asnos eem toda asua candura;
rine se abstem de todo oalimento, que possa alterar a
suavidade do seu halito eque trazem luvas para não
impressionar pelo contacto dos seus dedos afolha deli-
cada. J. I. de Andrade nas suas Cartas diz que isto
não é verdade; tambem me parece.
O chá destinado para amesa do imperador do Ceies- •
te-Imperio não écolhido com menos cuidado na mon-
tanha onde, desde o principio do mundo, desabrocham
os gommos, que devem distillar os aromas dignos do
primo do Sol. Segundo Schort, Stauton, etc., só as vir-
gehs são consideradas sufficientemente puras para co-
lher as folhas que bem de fornecer odivino licôr can-
tado pelo imperador poeta.
Na occasiáo da primeira colheita, as folhas para o
chá preto estia ainda em botão. Os portamos colhidos
nos mais altos ramos forinecem ochi hysson; as folhas
mais delicadas, cuidadosamente enroladas ern globulos
Irão de coinpor ochá poluem: as que estão ainda cobertas
(Bom ligeiro desce dão opckoe de pentes brancas, que
aarvore só produz quando tem seis anuas. Alguns
dias depois d'esta primeira colheita tem legar aapa-
nha do pekoe preto.
No meu de maio, as folhas que rebentaram desde a
primeira colheita e que se desenvolveram suflielente-
mente, dão ochá souchong. A terceira lera lagar no fim
de junho eproduz ochá congo. Dá-se onome de botica
ao chá tirado das ultimas colheita, que são as peores;
este é composto das folhas mais velhas emais cena-
coo. «Leu ~tiles se succèdent Ireis feia par eu, diz.
Mr. Bruce, de vinga eu vinga pura, parce que, arfa
cheque recebe, l'arbre pousse de nouveaux bourgeons et
de nouvelles (mines. Plus les récoltes soai rapprochées,
c'eshd-dire, pias loa pudica sont cueillies tendres et ¡no-
na, pitu lethé est estime. La premiere receite printawike
and mie= que ia monde, et aárn de suite.•
23

No Brazil acolheita de ordinario efeita por mulhe-


res ou creanças da raça negra e regulada de maneira
que as folhas tenham rebentado nas plantas em que a
apanha se fez ha maus tempo, no momento em que se
acaba de -colher as folhas das ultimas arvores. Faz-se
a mesma distincção que na China entre as qualidades
de chá produzidas pelas folhas iram desenvolvimento
mais ou menos adiantado.
A torrefacção, que o chá deve soffrer para desenvol-
ver inteiramente os seus principies aromaticos, sue
ainda determinar de (nu mode mais profundo as dis-
tincções estabelecidas pela colheita entre as differentes
qualidades de chá. E' aoperaçáo mais importante da arte
de preparar ochá edeve ser dirigida por pessoas babeis,
que são as inibas, que conhecem todos os processos.
A tomfacção deve principiar mesmo no proprio dia
da colheita das folhas, por que ademora d'algumas horas
seria suficiente para que se estabelecesse uma especie
de fermentação no massa epara que as folhas aque-
cessem oque lhes faria perder oaroma. Antigamente
julgava-se que para desembaraçar ochá do seu proprio
acre, se mergulhavam as folhas em agua aferver du-
rante meio minuto, mas Louis Ilebert diz que isto nrio
verdade.
Em cada uma das trez epochas da colheita, ao mes-
mo tempo' que se effeetua aapanha das folhas, os tra-
balhos de preparação começam econtinpain na ordem
seguinte: As folhas empilhadas em eilstos de bambú e
sie junco são trazidas para as oficinas, onde se faz a
torrefacçáo, estabelecidas debaixo de alpendres de C0116-
trueçtio ligeira: 'Nestas officinas ha pequenos taboleiros
de folha de ferro, (sir Robert Fortune diz que em algu-
mas localidades os taboleiros são de cobre) dispostos
em numero de 2, 3, hsim mais, ao lado uns dos outros
e eollocados sobre um mesmo forno horisontal donde.
recebem aehanuna, que se estende debaixo do fundo
de todos os tabuleiros, antes de se dirigir para uma cha-
miné vertical por onde o fumo sabe para oar livre.
as

Nas partes posterior elateraes de cada taboleiro eleva-se


uma especie de guarda (guérite) de tijolos, que isola
as operações efacilita otrabalho, permittindo subtrahir
áacção do calor, de quando em quando, uma parte das
folhas, que são levadas para cima das pai edes inclina-
das emenos aquecidas da guérite. fim só operaria esta
encarregado de tornar conta 110 fogo de maneira que elle
seja tão regular quanto possivel, emanto que deante
de cada tabuleiro sua dos operados dirige aacção do,
fogo sobre as falhas, mexendo-as continuamente com a
mão, ou, quando a temperatura émuito elevada, por
meio de uma pequena vassoura de varinhas de bamba.
Consegue-se assim renovar todas as superficies em
contacto com ofundo ecom as paredes dos taboleiros
de maneira que todas as folhas experimentam gradual-
mente um aquecimento regular e reacções similhantes,
por que épreciso que dentro de cinco minutos pouco mais
ou menos os primeiros effeitos ateia se tenham regu-
larmente produzido, isto e, que as folhas se tenham sue-
cessivarnente crispado á primeira impressão do calor,
depois amollecido sob a influencia do vapor aquoso,
que cilas, desenvolvem e que lhes penetra os tecidos.
Extrahe-se assim parcialmente os suecos da planta eé
então que com ofim de desenvolver estes effeilos, sem
deixar persistir por demasiado tempo aacção do fogo,
cada operaria, no momento opportuno, retirarei° do seu
taboleiro as folhas amollecidas, as estende sobre uma
mesa formada de hastes de bamba ou sobre grandes
esteiras collocadas sobre mesas.
Collocam-se em redor da mesa troa ou quatro traba-
lhadores de modo que cada um possa enrolar na pal-
ma da rirão as folhas ou enrolal-as uma auma com os
dedos para as especies de qualidade superior ;aper-
tam-as eestendem-as alternativamente, facilitando as-
sim aexsudação, a mistura dos liquidas eaevapora-
çaii ao ar ambiente, que • gradualmente concentra os
suecos eprepara adeseccação ultima.
No fim de cinco minutos ou um pouco mais sovaram-
55

Mente estiver humido, ovolume das folhas fica redu-


zido de dois terços ou de Ira quartos. Depois são joei-
radas antes de serem estendidas ao ar. O tempo um
pouco coberto é favoravel, emquanto que sob um sol
ardente, a deseccação demasiadamente rapida, apode-
rando-se duma parte dos suecos contidos nas cellulas
do parenchyma, mantém desegnalmente ahumidade in-
terior. Em algumas localidades fazem esfriar as folhas
por meio de grandes leqnes Depois procede-se ao se-
gundo aquecimento das folhas meio seccas; tornam-se
acollocar nos tabuleiros ecada operaria retoma oseu
togar; um accendendo ofogo edirigindo-o com cuidado;
os outros, agitando continuamente as folhos com amão,
depois com a pequena vassoura de ramos de bambú;
lançando-as depois sobre os planos inclinados, que es-
tão em volta dos taboleiros. Toda aoperação compre-
hende o duplo aquecimento e a exposição intermedia
ao ar livre edura em média 1hora, segundo as infor-
mações tomadas por um sabia eespirituoso botanico
inglez, sim Robert Fortnue, elo muitas dás propriedades
especiaes, que elle visitou.
Na segunda torrefacção aquecem-se menos os taba-
leiras e ourolam-se mais as folhas.
Para os CiláS mais estimados, cada folha deve ser,
dia-se, enrolada separadamente, einquanto que para
[Link]-orainarios enrolam-se muitas ao mesmo tempo.
Depois de terminada a deseccação submettem-se os
productos auma crivagem, que tein'por fim eliminar
opó eclassificar os chás.
Estas ditterentes manipulações levam muito tampa;
são delicadás, dolorosas emuitas vezes perigosas para
aquelles, que as têem de fazer, por estarem expostos a
queimarent-se nos taboleiros aquecidos ao rubro, com
as mãos corroidas [lar queimaduras envenenadas pelo
liquido viscoso, que transada da folha, sendo obrigados
.a protegerem-se por um panno embebido 'numa essen-
cio contra as emanações acres edeletérias, que extinta a
folha ainda verde em contacto canta laboleiro ardente.
5
26

Não podemos entrar 'numa deseripção minuciosa


d'estas operações, porque muitas 'relias são ainda cdm-
pletamente desconhecidas dos Europeus, ese aartilhe-
ria franceza que abriu as portas de Pekin não revelou
todos os segredos da China, Mem estes de ser ainda
por muito tempo apanagio dos preparadores do Thisée,
chá sagrado, reservado para as ceremonias religiosas,
cnjo fabrico tão longo e tão complicado, que só um
torrefactor emerito, tendo conqnistado o botão d'oiro
nos laboratorios imperiaes, poderia enumerar °descre-
ver lues manipulações.
A torrefacção menos completa e a deseccação do
chá verde exige ainda operações mais minuciosas e
mais delicadas do que apreparação do chá preto.
Os chás que apresentam tolhas mais pequenas são
os mais estimados, aquelles rujas folhas são maiores e
mais desegnaes em volume Mem menos valor. Todos
os chás destinados á exportação são omitidos em cai-
xas envernizadas, forradas de laminas de chumbo, d'es-
tantas, de folhas seccas ou de papel pintado. Estas cai-
xas são além d'isso revestidas de esteiras de bambu
ou cobertas de pelle. As caixas revestidas de pelle vão
para aRussia eos chãs, que ellas contéem, designam-se
pelo nome de chás de caravana.
O chá de ruir esverdeada pouco carregada éde qua-
lidade superior e geralmente reservado para o com-
moreis interno; édesignado pelo nome de isaou-tsing
(chá seco em tabuleiros).
Uma ligeira modificação nos processos de prepara-
ção da sal producto um pouco menos delicado, que
d'ordinario se não exporta anão ser que as caravanas
olevem para aRussia. Chama-se hongtsing, este pro-
dueto intermedio, que corresponde a uma mistura de
chá verde ede chá preto. -
Quanto aos chás pretos são em grande parte desti-
nados áexportação por mar. AS folhas do chá preto,
em vez de serem rapidamente submettidas á desece-
ção, são depois do primeiro aquecimento, enroladas,
27

manipuladas mais cuidadosamente do que se se tratasse


do chá verde. São depois expostas ao ar durante 2 ou
3 dias esofirem assim uma maceração das mais salu-
tares. Aquecidas com todo o cuidado, as folhas do chá
preto adquirem gradualmente as suas propriedades e
chegam mais lentamente ao termo util da deseccação.
Está provado pelo exame mais minucioso e feito
com amaior attencção, que os Chinezes aromatisam a
folha do chá com fibres e plantas estranhas; [Link]
reconhecido apresença das flóres da Oleei fragrante, da
Canzelüa sesanqua, do jasmineiro d'Arabia, da cannel-
leira. da larangelra, da magnolia, do anis estreitado e
além destes ha ainda outroS aromas muito subtis para
serem surprehendidos pelas investigações da sciencia.
Mas em que occasião eporque processos se misturam
alguns d'estes aromas? Se ofuturo revelar este segre-
do talvez que um dia os chás do Brasil e«Assam pos-
sam rivalisar com os productos chinezes.
A c& uniforme do chá verde édevida a uma mis-
tura de sulfata de cal ed'indigo; esta mistura deve ser
empregada na ultima torrefacção eem quantidade, muito
diminuta; é,aunira materia corante cuja presença não
éconsiderada como falsificação.
Taes são as diversas preparações, que transformam
ochá em objecto de commercio.
IV

Chá verde e chá preto; variedades

O numero de especies de chá, que existem no com-


recreio émuito consideravel e em cada uma d'ellas
ha muitas variedades; mas, como já sabemos, todas
essas especies evariedades commerciaes derivam d'uma
só especie botanica, ateu chinensis, de Sirnson.
As qualidades dos diversos chás commerciaes de-
pendem do terreno, da exposição do arbusto, da sua
cultura, da edade das folhas, do tempo que durou a
torrefacção eda arte porque foram preparadas.
Commercialmente tem-se dividido ochá em dois gru-
pos: I.. ocha verde; 2.° ochá prelo. Estes dividem-se
em muitas variedades. Segundo anomenclatura extra-
hida de um manuscripto chim pelo chimico Klaproth
contam-se pelo menos cincoenta eseis variedades; cada
variedade éseguida de um ou muitos epithetos, que
indicam alocalidade da sua proveniencia, asua fôrma,
cfir epropriedades.
O chá verde tem uma cor verei° ou cinzenta mais on
menos glauca; asua infusão éloira, tem sabor aroma-
tico, um pouco acre. O chá preto tem e& mais ou me-
nos escura, asua infusão é de cór mais carregada; é
menos aromatico do que overde, mas émais doce.
Obtem-se ochá verde por uma deseccacão rapida, que
deixa ás folhas um pouco da sua cru: natural. O chá
preto éproduzido por uma dessecação lenta, que mo-
difica asua cór eenfraquece as suas propriedades.
Segundo M. lloussaye as variedades de chá preto
pódetn classificar-se assim: Chá Pekoe, ou pak-ho, ou
paho ou prkao oupelcin, que é omais fino eo mais aro-
malico etombem omais caro dos chás pretos, Pelcoe d'As-
sant, Pekoe alaranjado, Hung-muey ou Pekoe negro,
Congo ou tioong foo ou Completa, Pouchong ou Paou-
choco ou Padrea, Olong ou lias-long, Souchong ou
Seaowchung, Ning-yong, Campoy ou kien-pogy. Copo'
ou Shwangche, Bohea ou Wooe ou Bois, ou Bote.
Entre os chás verdes distingem-se as variedades
commerciaes seguintes, começando pelas mais estima-
das: Hysson ou Hyson ou He-chun, Hysonguntor ou
Ywtseen, Hyson-schoulang uss Têhulan, Hyson-skin, Pol-
nora ou Gunpowder ou Choo-cha, Impolal ou Peseta
(esta variedade de chá éinteiramente difTerenle'do ver-
dadeiro chá imperial, destinado ácárie de Pekin eque
não existe no commercio), Pelouro ou Polor, Malte ou
do Paraguay, Tonkay ou Tun-ke ou Songlo. Esta ul-
tima variedade corresponde ao bohea dos chás pretos.
Ila na China districtos de chá verde e districtos de
chá preto, distincOes fundadas principahhente em pro-
cessos locaes de fabrico.
As differentes variedades de chá verde epreto das-
sificarn-se segundo a riqueza e delicadeza dos seus
aromas. O gosto, que preside aesta classificação éum
guia seguro para oestomago. A sciencia mostrou, que
os ch(s mais agradaveis ao paladar são sambem os
mais ricos em prinapios assimilaveis. O chá verde es-
colhido, torrado ereduzido aperolas com mais cuidado
do que os outros, ésuperior ao chá preto na quantida-
de ena qualidade do aroma.
40

As principaes variedades ou qualidades de chá verde


slio as seguintes:
1.° O chá Hysson ou Hyson ou Hayswen ou Riso&
ou .115-chun — a fina tlôr da primavera—colhido no
Chin-Ming, no quinto dia d'abril, é omais estimado.
Apresenta-se em folhas compridas, estreitas, carnudas,
de cór verde-cinzenta, cobertas de pello muito fino, en-
roladas longitudinalmente em espiral, pesadas e faceio
de quebrar. A cór algumas vezes éverde sombria um
pouco azulada, o cheiro suave e aromatico, o sabor
adstringente. A infusão é limpida, de c& amarella ci-
trina eperfume agradavel. Na infusão as folhas abrem,
se se lhes der tempo suificiente e abandonam quasi
48./0 de princípios soluveis. As folhas depois de aber-
tas téem de 3 a 5 centimetros de comprimento e 1
centimetro emeio a2 centimetros de largura euma
ciór mais verde. E' de todos os chás verdes omais ge-
ralmente estimado.
2.° O chá Hyson :Pudor ou Tut-seen— antes da chu-
va—é formado por pequeninas folhas, verde-amarei-
todas, delicadas, bem crispadas, colhidas antes de cho-
ver; ogosto delicado d'esie chá, que é rarissimo, é
acompanhado do perfume de violeta. E' muito caro.
Tem 52 0/o de mataria soluvel. Na China offerece-se
de presente ás pessoas eminentes do imperio.
3.° O chá Schoulang, Chuleia, .Schulan, Tehulan,
que se parece inteiramente pelos seus caracteres phy-
sicos epelas propriedades da sua infusão coin o chá
hyson ou hayswen, mas cujo aroma émuito mais suave
eque édevido, segundo Letteroy, á ti& da Olea 110-
grana. Este chá só se prepara em alguns cantões eé
pouco conhecido no eommercio; dá 46 ,/o de meteria
soluvel.
4.° 0 chá Polcora ou Gun-powder,, que os Chineses
chamam tombem chá Pérola e Choo-chei divide-se em
duas qualidades: o chá poisara ardinas-ia eocha im-
perial. Tanto um como ooutro são formados pelo hy-
son depois de muito escolhido. No chá palrara, as fio-
31.

lhas antes de serem enroladas, têem sido divididas em


muitos fragmentos. Tem o aspecto de pequeninas bo-
las muito compactas, pesadas e de cór verde tirando
para negro. A infusão élimpida everde-doirada.
5.° O chá Peroba ou Imperial é formado por folhas
enoladas longitudinalmente, depois dobradas no seu
tidr da largura, disposição esta que lhe dá um aspecto-
gloubuloso (perola) e que o torna menos accessivel á
humidade. os grãos d' este chá são muito mais volumo-
sos do que os do chá pokora. As perolas são de côr
verde prateada e tem sabor agradavel. O aroma é
muito suave.
O chá Imperial, que não tem nada de comua= com
aquelle que êcolhido por virgens nos jardins do Im-
perador, éformado de grãos muito miadas emais per-
feitos do que os do chá palrara. O chá Imperial éo
que mais raras vezes se vende na Europa, porque
reservado na China para oImperador eos grandes do
Imperio; este chá épreparado com os botões apenas
abertos.
Os globulos dos chás Polvora e Imperial devem ser
regulares esem pó. Tanto 510 como outro communicam
âagua unia bella rAr verde doirada quando a sua ir,.
fusão é completa e abandonam lentamente 32 0/0 de
[Link].
6.° O chá Hysokskin, ou de refugo, é formado dos
detritos de todas as folhas do chá hyson;que não pó-
deis entrar nas primeiras qualidades. Como não éob-
jecto, depois da escolha, de nenhuma outra preparo•.
ção nem de nenhuma addicção de perfume, tem um
gosto ferruginoso e évendido por preço barato aos
habitantes dos portos. Compõe-se de folhas amarellas
escuras, apenas enroladas, misturadas muitas vezes
com grãos de chá. 0-cheiro équasi nullo. A infusão é
amarello-escura, um pouco turva, de 43./0 de me-
terias soluveis.
7.° O cimo Tonkay, [Link] ou Songlo, chá muito in-
ferior, éo bohea dos chás verdes, resulta da ultima
31
- •
colheita da estaçáo. Fôrma mais dos 'is das importa-
ções de chás verdes pelo commercio inglez, que omis-
tura com 'Mias qualidades; ás quaes communica mui-
tas vezes um máu gosto. Compõe-se de folhas largaé,
amarelladas, mal enroladas; tem cheiro assaz forte. A
infusão amarello-carregada, é clara, de sabor aspero.
Possue apenas 43 0/0 de principio; soluveis.
Dando oprimeiro togar aos chás verdes fomos con-
tra aopinião ordinaria, que Ihep prefere os chás pre-
tos por causa da sua doçura e das suas propriedades
menos excitantes. lias estas qualidades dos chás pre-
tos resultam d'elles terem perdido uma parte da sua
riqueza aromatica. 'Numa boa mistura ohyson ou oim-
perial deve communicar aos chás pretos as qualida-
des qua lhes faltam.
As principaes variedades de cheio pretos são as se-
guintes:
Nd' O ehd Pekoe, Pakko, Pak-ho, Pelcao ou Pekin. É
omais fino, o mais aromatico eomais caro dos chás
pretos. E' consumido principalmente na Bussia e
omito apreciado rio França. Os Inglezes empregam-n'o
muito pouco. uns:marn porém uma pequena quantidade
d'elle com outros chás pretos para os perfumar. É for-
mado pela primeira colheita das folhas do arbusto, que
ainda estão cobertas (rum durei muito fino. As folhas
são muito alongadas, de c& negra prateada esedosas;
nas suas extremidades lia betas cinzentas, pretas e
brancas. Este chá tem cheiro forte esuave, que lhe é
communicado em parte pela Olea flagram, cujos grãos
se acuam frequenteinente no pehoe. Esta mistura dá á
infusão um gosto de avelã muito pronunciado. A is-
fusão tem uma bella côr doirada e abandona 48 0/0 de
maiorias soluveis.
Vem ainda da China mais duas espécies de pekoe
muito estimadas que são:
2.. Chá peleoe alaranjado. E' muito miudo, de c&
negra carregada, misturado com amarello ctir de laranja;
tem cheiro agradavel ainda que não parece natural.
33
• •-
Este chá misturado com ocango vende-se em Londres
sob a denominação assaz conhecida de howgua
tare, lia outra especie de Pekoe muito estimado que é
opekoe prelo.
3.° Chd Pehoe d'Assam. Este chá não tem relação
alguma com o pekoe da China senão asimilhança da
forma, que conseguem dar-lhe. As folhas são mais largas
emais compridas do que as do pekoe chinez. A ihfusão
tem um ,sabor eperfume multo inferiores aos de in-
fusão de pekoe, que vem do Celeste-lmperio, eque se
designa geralmente pelo nome de pekoe de pontas ',rol,- •
cas. A infusão do pekoe d'Assarn dá 34 de meterias
soluveis.
4.° O chá. Congo, Koong- jeca ou Camphon fórma a
base do consumo diario da China, que o denomina'
assiduidade, perseeeranca. Na Bussia dà-se-lhe o nome
de chá de familia. Este chá colhe se immediatamente
depois do pekoe nas arvores, que Icem mais de dez
anus. As suas folhas são miadas, curtas, delgadas, de
cór negra acinzentada; tem muito sabor edeixa na in-
fusão, que é bastante clara, 45 Ve de meterias solto
seis; ogosto éamargo edos mais agradavels.
5.° O chá Souehong ou Seaowehung o,e Bony gosa
entre os Chinezes, que odenominaram opecie pequeno
erara, de nina grande reputação. A sua folha, um
pouco mais larga do que 'a do congo, êdelgada emui-
tas vezes quebrada, emal enrolada longitudinalmente;
tenu cor escura. E' omais forte dos chás prelos. O
cheiro e o sabor são mais fracos do que os das duas •
especies antecedentes. Ainfusão clara, doirada, dum se-.
bor doce, contém 46 °A, de partes soltareis.
Appareceu. ha pouco tempo, diz Chevallier, por via
do comunercio hollandez, um novo produto. o cha
Jaca, que offerece nas maus especies superiores. quali-
dades pelo menes correspondentes ás dos chãs sou-
ehong (Chalin).
6.° O chá Pouehong ou Paowchung, mutilo estimado.
dos Jesuitas, [Link] lhe fez dar onome de Padrea, chá'
e,
34,

dos Padres, lenr uma delicadezé d'aroma muito digna


com effeito, de ser apreciada por cites, que eram en-
tendedores de tudo. Contéin só 40 °/0 de maiorias as-
laveis e o seu pemleno volume exige o emprego de
uma quantidade maior do que aordinaria. Tem as to. •
lhas largas, compridas e bem enroladas, misturadas
com grande quantidade de peciolos. O cheiro émuito
suave,,a infusão éverde uni pouco embreada.
7.° O chá Eska, Woo-e ou Bani-boa. Outrora to-
dos os chás pretos eram designados por este nome,
que deriva do nome dom cantão da provinda de Fo-
kien, d'onde elle provêm principalmente. Hoje só esta
especie conservou esta designação, pela qual se indica
ochá mais cominam, mais barato eo mais desacredi-
tado de todos.
Fabrica-se com folhas de todas as arvores, ás quaes se
mistura, em pequena quantidade, folhas do verdadeiro
chá. Apresenta folhas largas, deseguaes, de cór escuro-
clara eesverdeada, sempre in isturadas com põe pequenos
fragmentos de peciolos. A infw-ão 0avermelhada, pouco
sapida, tendo algumas vezes gosto a fumo; deposita
uma especie de sedimento negro. Este chá vende-se
em Cantão, o seu baixo preço abre-lhe os mercados da
Europa. Forma com as cascas de cacau abase das be.
bidas da população pobre dinglaterra eda Ilollanda-
Este chá épouco conhecido em França.
Tem-se dito algumas vezes, que não vem para aEu-
ropa unia caixa de chá, que não tenha passado pri-
meiro pelo bule dos mandarins. Elo éevidentemente
falso. em relação aos chás finos de proveniencia certa,
usas não se poderia affirmar, que os chás bohea não te-
nham sido recolhidos nas cosinhas do Celesie-Imperio.
Na enumeração destas differentes especies de chás,
omittimos muitas, que são secundarias. Nas infusões
raras vezes se emprega uina só especie, procura-se
d'ordinario completar as qualidades de uma pelas pro-
priedades da outra. O hyson. de sabor penetrante, as-
socia-se em pequena quantidade ao souchong, ao pekoe,
35

ao congo, misturados em proporções diferentes ea


;nfusáo devida a estas misturas dá amais salutar e
aromatica das bebidas.
Mas ápreciso saber preparar o chá edisso nos co.
capotemos 'noutro lagar.
Composição dali:1;10a.

Os chimicos, que se teem °ocupado do estudo do


chá, principalmente PéligOt, Oudry eMulder, concordam
-todos em admitiir 'nesta snbstancia, como resultado das
suas numerosas onalyses, os seguistes elementos:
Um eles essencial, acido galhico, tannino, gomma,
albumina, lenhoso, maioria corante, um alcaloide des-
coberto por Oudry em 1827, que elle reconheceu ser
identico á cofoina eque denominou theina, soes obti-
dos pela calcinação, chlorophylla, cera, resina e além
disto uma substançia azotada alimenticia descoberta
por Péligot eque lhe chamou caseína. _
Comparando as duas especies commerciaes, Mnlder
achou em 100 partes de chá os seguintes resultados:
37

Chá il. Chi» Chá de ,Tava

111005' Con!o_ Roma Congo

Oleo emendai 0,79 0,60 0,98 0,65


Chlorophylla 2,22 1,84 3,24 4,98
Cara 0,28 0,00 0,32 ,0,00
testes 2,72 3,64 168 244
Gomam 856 7,28 12,20 11,08
Tannino 17,80 12,88 47,36 14,80
Theina 0,43 0,46 0,60 • ,-
listaria estrado» 22,80 20,60 21,68 18,68
Matarias »rant» 23,60 19,12 20,36 19,88
Albumina ' 3,00 2,80 3,68 1,28
Cellulose 17,08 28,32 18,20 27.09
CITIL. (matos» mineraes) 5,56 5,24 4,76 •5,36

3. Slenhouse achou uma quantidade dupla de theicea


assim obteve em 100 partes de chá:

Hynnon
Tookay 45
1
8
Congo 1,08
Assam 1,27

Péligot, por outro processo, achou ',meros ainda


mais elevados que Stenlionse; para 100 parles de chá
obteve os resultados seguintes:

Chá polvora 0,81


3,00
H; sson • !,79

Mistura de partes eguaes,de

Souehong, polvora, hysson, imperial, palma 2,93

Segundo PéligotT a albumina, que se encontra na


analyse seria uma especie de casei» eaproporção d'esta
materia junta coin ada Chelpa seria tal, que ochá con-
teria até 6'lio, 5 doaste,
38

Segundo Péligot, aquem se devem estudos interes-


santes sobre acomposição chimica do chá, os chás pre-
tos conteem, em media, 10 eos chás verdes 8 °/0
d'agua. Péligot achou, que 100 partes dos chás abaixo
indicados, conteem em partes soluveis na agua afer-
ver:

oa?do"» „ijUark,
Souehong fino 15,7 40,3
» o .....,..., 48,0 40,7
Souchong ordinario ' . • 44,8 373
40,3 36,0
Pek;ê • 31,3
18",4 34,5
Pekoé alaranjado ,48,7 44,8
O 40,8 42,8
Pouehong 12,8 39,0
Congo .36,8
Bohéa 39,8
Assam 41,7

Chl.•

USO suo Mal. enfiado
/Chá poliora .
.48,554,9
• • 50.2 48,9
4 Imperial
• ' .03.1 39,6
5 HYl 106 4,7
4 ,7
!.9 4
43,8
4 0
48,9 434
j 1
8%:‹nl'
aT!fig
.?
o 45,9 42,3
. Hysson Junior 54$ 47,4
Hysson skin 43$ 39,8
Tonkay 40,2 18,4

Queimando 100 portes de chá, Péligot obteve a


quantidades seguintes de cinzas:

Souehong ' 50
Polvora • 5,11M6dia 51
/
4
1
. Pekoe •.. •
, 5,3

Ás cinzas teem meia cór um potico avermelhado, de-


vida auma pequena quantidade d'ondo de ferro, que
39

provém, sem duvida, em parte, dos vasos de ferro em-


pregados na torrefacção da folha. As cinzas eonteem,
além d'isso, sulfatos, phosphatos echtoretos alcalinos e
uma pequena quantidade de odieis. Segundo Chevallier,
as cinzas das folhas de chá não conteem amais pe-
quena quantidade de cobre; mas alguns auctores ad-
mittem a presença d'um sal de cobre ao qual ochá
verde deveria a sua céu'. O doutor Glinther diz ter
achado muito manganea evestígios de cobre no chá preto
e no chá verde, em que elle admitte apreexistencia
d'este metal, como acontece em muitos vegetaes.
Péligot notou, que os chás não falsificados não conti-
nham saes de cobre nem outras materias obrantes estra-
nhas, anão ser indigo junto auma pequena quantidade
sulfato de cal eisto tens sido conlirinado por todos os
chimicos.
O chá submettido âacção da agua aferver deve sem-
pre dividir-se em (luas partes: uma soluvel eoutra in-
soluvel. Na primeira ficam ooleo essencial, o tannino,
agomma, atheina, amateria extractiva eos saes; na
segurada, a chlorophylla, acéra, a valeria coroam, a
resina, aalbumina eoresiduo lenhoso.
A infusão de chá apresenta uma cear, que varia
entre oamarela° claro eoescuro carregado conforme
épreparada com chá verde ou com chá preto, ah infu-
são benj concentrada equente élimpida, mas depois
de fria torna-se turva; resulta isto de não ser soluvel
na agua fria o tannato de theina (MoMschott).
Os elementos mais iÉnportantes do Chá SãO ooleo es.
sencial, a theina ea substancia azotada.
1.° Ao oleo essencial (essencia de chá) cuja propor-
ção é mais consideravel no chá verde, do que no chá
prelo, attribuern Itabuteau eMarvaud aexcitação cere-
bral ecirculatoria, que tão facilmente éproduzida pela
primeira variedade de chá. Este oleo éacausa princi-
pal do sabor do chá, que difere essencialmente do do
café apesar da identidade da cabina eda 1/reina (Mo-
eschott).
40

8.° A Iheina êum alcaloide identico áeafeina, que


Ilunge tinha descoberto no café em 1830. A theina foi
achada por Oudry em 1827 no chá, pensando este chi-
mico ter descoberto nua corpo novo. Jobst e3Iulder,
em 1838, mostraram que aOmina eacalcino são um
eomesmo corpo. Em 1840 3Iartius descobriu a mes-
ma substancia no guarana, polpa do Paullinia
da familia das sapiodaceas. Stenhouse, ela 1813, extra-
hiu-a do chá do Paraguay emostrou que ella existe-
tanto nos caules efolhas como nos frutos do cafezeiro.
A composição exacta da theina foi determinada por
Pfaff e Liehig em 1832. Os seus compostos eas suas
reacções forais estudadas suecessivamente por Stenlion-
se, Nicliolson, Péligot, Rochleder e Ilerzog, que foi o
primeiro que estabeleceu a natureza alcalina d'esta
substancia.
Streeker endim, em 1861, obteve syntlieticamente a
theina partindo da theobromina efixou os nossos co-
nhecimentos sobre averdadeira nalm•eza deste alca-
loide. A iboina corresponde áformula C811 1°Az•O' ou
C'IN(C11 3)Az ,O.
Preparação. A theina pode extrabir-se do chá, do
caro, do guarani, e do chá do Paraguay. Ila 6
prodossus para a tirar do chá ou do café. Apresou-
taremos apenas o processo empregado por Oudry:
Ptielmse eia infusão 13 t/2 partes de chá em 200 par-
tes d'agua fria, na qual se tem dissolvido 3 parles de
sal marinho. No fim de 24 horas, evapora-se o liquido
até secear, trata-se oresiduo pelo alem! a 01°, eva •
poroso de novo, faz-se dissolver oextracto alcoolico
na agua edigerir asolução com magnesia pera. O li-
quido depois de filtrado eevaporado até certo grau de
concentiação deposita crystaes de theina.
Para se reconhecer apresença da ',bailia no chá, faz-
se uso do processo seguinte: ferve-se as folhas suspei-
tas durante alguns MililitOS. Evapora-se ainfosão,-tra-
ta-se depois aquente oresido° pela ammonia. Confor-
me este residuo tomar, ou não uma cór vermelha-escura
Li

póde-se affirmar apresença, ou ausencia da tbeina nas


folhas suspeitas.
Propriedades. A theina crystallisa na sua solução
aquosa em finas agulhas sedosas ebrancas, contendo
8,4 1molecula digna de crystallisação, que ellas
não perderh completamente senão a 150°. Estas agu-
lhas são muito compridas ebrilhantes, irradiam todas
d'um mesmo ponto erepresenta cada uma um prisma
de seis faces. São inodoras eteem sabor amargo. A
theina funde a 171° e sublima-se sem alteração a.
185°. Uma parte pôde, todavia, alterar-se n'esta!ope-
ração, se atheina não ébem pura ese seãopera sobre
massas um pouco consideraveis. A theina dissolve-se a
frio na agua eno alcool, em menor quantidade no doer;
ésoluvel em 98 partes d'agna quente, eon 37 d'alcool
eem 191 d'ethero aagua aferver dissolve-a abundan-
temente easolução saturada fôrma unia massa semi-
liquida pelo esfriamento. Crystallisada no alcool ou no
enleio, atbeina éanhydra. Este alealoide arde seno dei-
xar resida°. A densidade da theina crystallisada é de
1,23 a19°.
Reacções. Pela acção do calor atheina evolve methyl-
amina, mundo está unida aum acido orgânico, que lhe
possa fornecer hydrogenio(Payen, Personne). Desenvolve
egualmente methylamina, quando éfervida com potassa
(Wurtz), .ou quando é aquecida com loydrato barytico
(Strecker). Forma-se ao mesmo tempo, beste ultimo
caso, um novo alcaloide, atheidina CR-P'Az‘0, cujo sul-
fato se deposita em crystaes, quando se concentra o
quido depois de o ter desembaraçado da baryta pelo
acido sulfurico e deixando depois arrefecer. Segundo
Strecker a theidina fôrma-se pela equação seguinte,
ellEll°Az'O'±IP0.--CO'+ C711 l'A z'0.
Thai. Theidina
O acido asolico concentrada em (Munição com athei-
na desenvolve vapores nitrosos edá um liquido amarello,
que toma uma cór purpurea pela addição d'uona gotta
d'ammonia. Se aebullição continuar, liquododeseóra-se,
7
42
--
deixa de se tornar pnrpureo pela addição da ammonia
edeposita pela evaporação crystaes brancos, que ficam
nadando 'numa agua mãe carregada d'um sal de me-
thylamina. A substancia crystallisada recebeu ao prin-
cipio o nome de cholestrophania. Mais tarde Gerhardt
suppoz, que acholestrophania era identica ao ando di-
methvl-parabanico, mija formula éC.(C11 1) ,Az ,(P. Stre-
cker Yériticon, que asuppésição de Gerhardt correspon-
dia áverdade. Strecker tratando oparabanatodiargen-
.tico bem seer° P?Ag ,Az ,0 pelo ladeio de methylo obteve
opark bana to dimethylico em laminas largas identiras pela
sua composição epropriedades, com os crysmes de cho-
lestrophania.
Aquecida com cal sujada, a theina desenvolve arn-
moniaco e deixa uma mistura de carbonato potassico,
de carbonato SOdiC0 ede cyaneto de sadio. Esta reac-
ção distingue claramente atheina da piperina, da mor-
phina, da -quinina e da cinchonina, que não dão cya-
neto de sadio, quando são submettidas aum tratamento
similhante. A theina combina-se com os acidas eforma
saes bem definidos.
Como já dissemos, atheina éidentica ácafeina com
aqual se confunde pela sua composição chimica, pelos
seus, caracteres pliysicos epelos seus effeitos physiolo-
icos. Este ultimo ponto tem sido estudado ultimamente
por Marvaud e Babuteau com todo o rigor scientifico.
A theina exista em proporçães muito variáveis nas
diversas espades de chá, que se encontrané no com-
mordo, e isto explica os resultados differentes, que os
chimicos teem obtido nas suas analyses. Conhecemos
já aanalyse de Moldei:: Stenhonse avalia aquantidade
de theina contida em 100 partes de chá em 0,55 até
1.27; Péligot encontrou 2.34 a3emesmo 5,40 no chá
hayswen: além disto, existe no chá uma graude quan-
tidade de caseina, que lhe augmenta as propriedades
nutritivas.
Segundo Houssaye ha em 100 partes de chá as se-
guintes quantidades d'azote:
43

ár.
Pekao 6.58
Chá perola ou polvora 6.62
Long-chong 6,15
Pekao de Assam 5,10

Esta quantidade d'azote é considerarei emaior do


que a, que. contém qualquer dos vegetaes analysados
até hoje.
Quando se esgota a folha do chá dos seus principios
solareis ese faz evaporar ainfusão, obtem-se um resi-
duo,_que tem 4,3 a4,7 d'azote a/a, quantidade que re-
presenta 6,5 a 7,4 de theina em 100 partes de chá.
Pelo arrefecimento, ainfusão, de chá turva-se eapre-
senta em suspensão um pó acinzentado, formado por
uma combinação de theina ede (anilina, soluvel na agua
quente e insoluvel na agua fria; esta conibinação éin-
sipida, apesar de ser formada de duas inaterias muito
sapidas, uma adstringente, que éotannino eaoutra
amarga, atheina (Chevallier).
A infusão, separada por filtração, d'este composto in-
solarei (tannino e theina) dá com o sob-acetato de
chumbo, um precipitado amarello-escuro muito abun-
dante, que encerra em combinação com ooxydo de
chumbo, toda amateria corante, todo oLeonino eum
acido. .
A infusão de chá verde contém menos materia cé-
rante do que ade chá preto, mas fornoce .mais suba-
toadas precipitáveis pelo sob-acetato de chumbo; ochá
verde, ainda que provém do mesmo arbusto, éprepa-
rado com uma folha mais nova epor conseguinte me-
nos lenhosa ;émais compacte, mais denso emais secou
do que ochá preto. Em resumo, os principias, que con-
tém as infusões crestas duas especies de chá, são os
meninos, mas existem-em proporções um pouco diffe-
rentes ecomo estas proporções são menores no chá
preto do que no chá verde, este émais activo.
VI

fiação physiologioa do ohá

1° Acção geral abre aeconomia. «L'infusion de Md,


diz Nlichel Lévy., flane singulièrement le gont par Ia
psesse de na somar, par la sei iate de son arome, et par
Ou sentiment d'astringence for! agrêable. Une faia inge-
rde, elle determine das phenomenes inunediats et secondai-
res ;les prendera, das nu esfanique, ne diffèrcut pas de
mar que produit l'ingestion de reais donde: acedere:-
11bn da pauis, rechauffement general, augmentation d'd-
nergie vilota, aptitude pias grande nua monvements de
Ia via animais et de ia use organique, et si la boisson a
614 prise es quantite notable, une sorte de ferre qui se
resma te pias souvent par une crise andara/e.
Mas depois de desapparecerem estes effeitos devidos
ao caloria, manifestam-se os effeitos proprios do chá.
Esta bebida tem duas acções principaes unta, sobre o
systems nervoso, sobre acirculação e,a respiração; ou-
tra, sobre a nutrição. Vamos estudai-as em separado.
2° Acção sobre o system nervoso. Apenas se dissi-
param os effe¡tos produzidos pelo calorico, iminediata.
tia

mente se manifesta aacção do chã por uma estimula-


ção agradavel, acompanhada d'um sentimento de bem-
estar; al'individu se seus laurelsce de vivre, diz Marvaud,
les facultes de l'esprit s'epenouissent, et une quietude desce
et agreable s'empare de notre gire; tout seara ici-bas, on
aime mima chacun de se hetes ou do ses convives, on
perdesse facilement les teres de seu senadables, comine
ou oublie volontieres ses propos (estes. Ou perde te si-
lence et l'on ignore seu malheurs, ses contrarietés pré-
antes ou pessées.
Foi isto que indicou perfeitamente 5. Moleschott: Le
lhe, diz elle, augmente Ia force de s'occupor deu impree-
sions refiles. Ii dispose à une meditation pensive, et,
ataignt une pias grande vivacite tens te mouvement das
idees, l'attention sem.& phis facilement sur au objet,di.
termine. Ou éprouve nu sentiment de bisa-gire et de
Quieto: factivité creatrice de cerceais prend un essor
qui se mainiient duns les linates imposées à l'attentioa,
au lieu de s'égarer à ia poursuile d'idees étaingerm.
Reunis autuar da thé, les hommes instruas serosas por-
lés à entrelenir une conversation reglée, àapprofendir
ies questiono, et la gaieté calme que te the provoque les
conclua d'ordiSaire à dos residiras satisfaisants.»
De ordinario ochá não determina cephalalgf a nem
mias estar, todavia em certas pessoas muito impres-
sionareis, manifesta-se um quadro de symptomas, de-
sagradareis, que foram indicados perfeitamente por
Lettson. Uma bora depois da ingestão do Chá, succe-
dem ás sensações agradareis, que foram mencionadas,
perturbações do systems nervoso, que dão togar abo-
céjos, agacements, irritabilidade insolita, picadas no epi-
gastro, palpitações, tremor nos membros eum senti-
mento de tristeza geral. A estes symptomas podem
ainda juntar-se uma insomnia insupportavel euma ex-
citação forte eprolonpda do systems nervoso, a que
se segue cansaço ecephalalgia.
Moleschott eãlarvaud attribuem ao eles volatil do
chá os principaes effeitos, que esta bebida determina
46

do lado do encephalo. Tem-se notado que éochá ver-


de, que produz os effeifos cerebraes mais intensos, e
aanalyse chimica explica este facto, mostrando que é
exactamente 'nessa especie, que existe muito maior
quantidade do essencia aromalica do que no chá pre-
to; esta diferença na quantidade do oleo essencial re-
&fila dos processos de torrefacção.
Qual é opapel da theina no chá?
E' uma questão, que forneceu aum celebre chimico
allemão, Alfred Nlitscherlich, occasião d'urna curiosa
Mernoria. Ate ápublicação d'este trabalho, os homens
que fazem auctoridade na sciencia, tinham opiniões
diversas sabre o papel da Moina. Uns consideravam.
na como desprovida de propriedades alimentares; ou-
tros, corno podendo exercer influencia na nutrição pela
dose consideravel de azoto, que ella contém. Payen
estava muito disposto acrer com os primeiros, que
esta substancia crystalliszda, que se sublima pelo ca-
lor aum certo grau, não podia reunir as condições,
que se encontram nas substancias azotadas, proprias
para aalimentação.
Taes eram as duas opiniões mais difundidas sobre
atheina quando A. élilschelich fez saber que esta subs-
tancia oferecia propriedades toxicas econcluiu das ex-
pertencias por elle emprehendidas que atbeina pode
causar amorte, mesmo administrada era pequenas do-
ses, determinando já convulsões da medulla espuma já
uma asphyxia, já amo paralysia consecutiva. As doses,
n'esle caso. são com efeito acoisa importante; segun-
do um velho adagio: Dieu a faia ici-bas tona par pai.*
et mesures. E' necessario ver todavia se as doses jus-
tificam aconclusão de A. 4litscherlich pelo menos no
que possa interessar ohomem.
O chimico allemão estudou os efeitos da theina em
quatro animaes muito diferentes: uma rã, uma louca,
um pombo pequeno e um grande coelho. Basta exa-
minar as condições da experiencia feita n'este ulti-
mo animal, menos afastado do homem do que os ou-
47

tros. A dose da tbeina, 4 decigrammas, administrada


em pequenas bolas de miólo de pão eque produziu
a morte dom grande coelho no Dm de 14 horas e40
minutos, representa, segundo a media das atialyses,
pelo menos 20 grammas de chá, isto é, uma quanti-
dade, que empregada na practica habitual dos con-
sumidores de chá, teria produzido pelo menos 6cha-
venas de inflisão aromatica, Admittamos que atotali-
dade da theina, abandonando o parencliyina, passou
para asolução, que constitue abebida; mesmo 'neste
caso, se se pude comparar oóoelho com ohomem, ;A-
tendendo ás diferenças de volume ede peso, chegar-
se-ha forçosamente auma consequencia das mais Ivan-
quillisadoras para os amadores de chá. Se énecessa-
rio para envenenar um pequeno animal, que pesa 1
kilo (e havia de ser um grande coelho) 4decigrammax
de theina, que correspondem a120 grammas de chã e
a6 chavenas de infusão, seria necessario para envene-
nar uni homem do peso atedio de 70 kilos, 1400 grana-
mas de chã secco, que correspondein a420 chavenas
ou 21 litros de itgusiicii mas 'neste caso deveria, mes-
mo supprimindo aarção da theina, applicar-se aques-
tão áagua quente, que seria muito suficiente para
determinar amorte. Deve pois, alfastar-se toda apro-
babilidade d'envenenamento subias para ohomem pela
theina. .
Uma objecção mais importante seria aque se fun-
dasse çtn certos efeitos dos vunenos insidiosos, lenta-
mente accumulados na economia, eque formam no fim
de mitos asnos a dose necessaria para determinar •
um envenenamento rapido. Tons São OS efeitos reaes
emuitas leoas observados das lentas intoxicaçóes na-
tia-umas. Para ochá não se conhece nada de similhan-
te; os meios de demonstração experimental não falta-
riam todavia se não eif Portugal ou em França, pelo
menos nos paizes, que consomem quantidades enor-
mes de chá, como aInglaterra eprincipalmente aChi-
na. Por consequencia, se atheina êum veneno em do-
48

sou suficientes, não, éda familia d'aquelles, que trem a


funesta propriedade de se accumular em os nossos or-
gãos.
Do Journal de Thérapeutique (4875) de A. Gubler
traduzimos oseguinte: O relator (Dr. Hughes Bennett)
indica, que os principaes efeitos physiologicos observa-
das na rã, no rato eno coelho depois da administra-
ção da theina são os seguintes:
I.° Ent fraca dose atheina produz excitação cere-
bral euma perda parcial da sensibilidade;
2.° Em dose forte, os efeitos são os mesmos, mas
mais violentos ealém d'isso apparece um verdadeiro
(Mano;
3.° A acção da theina exerce-se sobre os cordões
posteriores da tnedulla eos nervos sensitivos periphe-
ricos que ella parafusa, não sendo attacados os cordões
anteriores eos nervos motores periphericos.
Esta acção sobre amedulla tem uma grande analo-
gia com a da strychnina; ha, todavia, uma diferença,
que os nervos sensitivos peripherico sestando paralysa-
dos pela theina. ma excitação dos tegamentos não afil e-
cta amedulla enão provoca convulsões. Estas seriam
espontaneas eteriam asua origem na propria medulla;
4.° A tlfeina não produz paralysia muscular;
5.° A theina excita aprincipio arespiração, mas pou-
co depois embaraça-a;
6.° A theina principia por accelerar os movimentos
do coração emais tardo retarda-os;
7.° Os mesmos efeitos se observam lambem sobre
os vasos capillares ;excita asua contractilidade, depois
paralysa-os, como'indica astase do sangue.
Notou-se tampem, que a theina era sialogoga, que
produzia ahypercrinia intestinal conn'tenesmo especial,
que contrahia oorifício pupillar eque fazia baixar a
temperatura immediatamente depois da sua adminis-
tração, para aelevar depois.
Apresentemos agora os efeitos d'anlagonismo obser-
vados pela commissão ingleza:
49

Entre a theina eotneconatu de morphina.—Com do-


ses um pouco fortes, oantagonismo épouco notavel.
Injectando simultaneamente os dois venenos, pode-se,
é verdade, modificar os symptomas toxicos, mas os
animaes sucumbem sempre.
E se está bens demonstrado, que omeconado de mor-
phina retarda aapparição das convillsées telanicas, ca-
racteristicas da acção da theina, éjusto dizer, mie em
compensação atheina não parece modificar os effeitos
physiologicos do ineconato de morphina.
Pelo contrario, quando as doses são pouco elevadas,
os limites da acção antidota são menos estreitos epô-
de vér-se, por troo vezes, atheina salvar avida d'a-
nimaes envenenados pelo meconato de morphina. Em-
fim, no caso d'envenenamento por este agente com re-
sultado funesto, os seus effeitos physiologicos foram
muitas vezes assignalados (marques) pelos da thuina.
Antagonismo entre ainfusão de chá eomeconato de
morphina. O cão que acaba de soffrer ainjecção hy-
podennica de meconato de morphina, vomita quasi sem-
pre ainfusãó de chá, que se lhe faz ingerir no estoma-
go, por isso as experiencias tentadas para elucidar esta
questão dão resultados pouco salisfactorios. Resulta to-
davia d'um pequeno numero d'ensaios, que ainfusão
de chá impede oestupor ou dissipa ocoma produzi-
dos pela morphina. 'Num caso ein que ainfusão foi
conservada, ocão curou-se.
«Sabe-se, diz Marvaud, que atheina, 'cujos effeilos
physiologicos são identicos aos da calcina (como vimos
em rãs) actlia sobre amedulla espinal, cujo apparelho
sensitivo-motor cila excilá, não tendo acção alguma so-
bre ocerebro (não éd'esta opinião acommissão in-
gleza, cujos observaçées são mais modernas). Temos
pois, de concluir d'[Link]ções, que ainfluencia
do chá sobre osystema nervoso édevida áessencia
aromatica eátheina, que esta bebida contém; ápri-
meira correspondem aexcitação cerebral mais ou me-
nos viva ea insomnia; asegunda produz aactividade
8
50

nos movimentos eotremor dos membros, phenomenos,


que apparecem depois da ingestão d'uma forte infu-
são de chá. »
3.. Acção sobre a circulação, respiração ecalorifica-
pão. Marvand nota o facto seguinte, já indicado por E.
Smith, que, entquanto que ocafé determina anemia e
seecura da peite, ochá pelo contrario favorece atrans-
piração cubano, "e attribue esta diferença "Facção á
essencia aromatica, que contém a infusão de chã em
quantidade consideravel esuja acção sobre o appare-
lho circulatorio, perfeitamente comparavel áda catou-
na, predomina sobre os efeitos da 'bebia emanifesta-
se por uma acceleração das pulsaçhes do coração, pelo
augmento d'amplitude das oscillaçães epela diminuição
da tensão arterial. E' isto oque se pode deduzir do
exame comparativo dos diferentes traçados sphygmo-
graphicos, que fdarvaud colheu 'num certo numero d'in-
dividuos depois da ingestão (rum forte infuso de chá.
A respiração émuito influenciada pelo chá, como já
tinha demonstrado E. Smith; as inspirações augmen-
tem de frequencia ed'extensão esubineitendo os indi-
vidnos aunta dose bastante grande de infusão de chá
verde, pode produzir-se ema oppressão penosa euma
sensação d'angustia na região precordial; perturbações
que se devem attilbuir, segundo Alarvaud, áacção do
ales 'adota eque não se observam sob ainfluencia do
chá preto.
.Quanto ao resfriamento peripberico (notado por E.
Smith epor Marcam». que se observa depois da in-
gestão do infuso de chá átemperatura ordinaria, ex-
plica-se primeiro pelo augmento da expiração pulmo-
nar eda transpiração cutanea, que se produz sob ain-
fluencia frigorifica da theina, cuja acção sobre ocalor
organico éperfeitamente comparavel áda cafeina
As Acção sobre a nutrição. O chá excita adigestão;
acalma este sentimento de tensão ede plenitude, que
ha na região estomacal depois de unta refeição indiges-
„ta ou copiosa. Estes efeitos são devidos muito prova-
51

velmente á essencia aromatica do chá, que, angmen-


Laudo aseccreção das glandulas digestivas, ámaneira
dos oleos volateis, que existem nas diversas especiarias
empregadas na alimentação (mostarda, pimenta, casei-
Ia. etc.) favorece adissolução e aabsorpção dos ali-
mentos.
O chá tomado em doses excessivas pode perturbar
adigestão, porque precipita pelo seu acido tannico os
corpos alhuminosos dissolvidos (Aloleschott).
Ha unia questão, que tem occupado os physiologis-
tas eos hygienistas eque é: saber se ainfusão de chá
éuma bebida alimentar.
Depois de se ter estudado aacção da infusão de chá
sobre osystema nervoso, pode admittir-se perfeitamen-
te que excitando os centros nervosos possa ir actuar
indirectamente sobre anutrição; mas, ainda assim, esta
acção deve ser passageira emomentanea.
Para estudar aacção do chá sobre anutrição,Rabu-
teus emprehenden uma experiencia sobre si mesmo,
em abril de 1870. Esta experiencia foi dividida em trez
periodos, nos quaés elle seguiu um regimen identico,
mas no segundo penedo tornou, trez vezes por dia, de
manhã, ao meio dia eánoite, uma infusão de 5grato-
mas de chá hyson. Os resultados d'esta experiencia fo-
ram os seguintes:

Medias diarias Medias da Pulso


orinaa prai
porlodo, sehz dvi 1416r.. flagr.,98 74
3• pariodo, sob aInfluencia de •
45 graniam de chá por dia 1145 gr. 13 gr.,64 31.
3.4 penado, sem chá 4046 gr. 23 gr.,03 68

Vá-se que: 1.' ochá fez diminuir a quantidade diu-


rea; 2° énvvits pouco diuretico; 3° diminue o pulso e
atemperatura. Vffise poís, continua Rabuteau, que as
propriedades do chá são analogas ás do café; mas, no-
ta-se egualmente que differem muito das que lhe attri-
buia uma sciencia pouco séria, que dizia, pe esta sub-

stancia activava consideravelmente aexcreção urinaria


eacirculação. Rabuteau attribue os"effeitos diureticos,
observados depois da ingestão dom infuso de chá á
agua, que lhe serve de vehiculo eum pouco sambem
essencia, que esta infusão contém em pequena quan-
tidade. <Não negarei, diz Rabuteau, que esta substan-
cia produza, no principio, uma certa acceleração de
poiso, mas direi que este effeito se manifesta egual-
mente depois da ingestão de qualquer bebida quente,
Mas attribue-se, com razão, ao chá apropriedade d'ex-
citar ligeiramente osystema nervoso ed'activar adia-
phorese, sendo aexcitação do systema nervoso devida
menos átheina do que ao oleo essencial, eadiapho-
rese aeste oleo eâagua quente.»
Houve tempo, em que ochá era considerado como
substancia nutritiva pelos chimicos, mas isso foi quan-
do azotado era synonimo de nutritivo. Depois obser-
vou-se que, pare areparação do corpo, não são os ele-
mentos chirnicps, mas os principios alimentares que
importa considerar. A theina não merece este ultimo
nome porque passa para aurina com prodigiosa rapi-
dez. E' mesmo aesta rapidez d'eliminação, que ochá
deve oser diuretico, propriedade, que éauxiliada po-
derosamente pelo efeito da agua quente da infusão
(Nloleschoff). •
Por outro lado, Michel Lévy insiste com razão sobre
aalimentação substancial dos Inglezes esobre oali-
mento abundante de que elles fazem uso, apesar das
enormes quantidades de chá, que ingeres. Segundo
Fonssagrives. os Inglezes, Ilollandezes eRussos fazem
grande uso do chá, para com elle supprirem ovinho,
que lhes falta na sua alimentação. Além disso, aesti-
mulação activa, que o chá imprime as funcções do es-
tomago émuito propria para tornar as digestões mais
perfeitas epara excitar aforça de calorificação interior,
pela qual oorganismo resiste áacção dos climas frios.
Os Inglezes consomem o chá nas suas refeições como
bebida ordinaria eeste uso está tão difundido em In-
53

glaterra, que esta bebida faz parte da ração regulamen-


tar dos hospitaes.
Nos hospitaes militares ingleses de Vania ede Sculari,
Michel Lévy viu servir chá em duas refeições cada
dia; os doentes, os convalescentes ingleses tomam-n'o
de manhã eánoite com pão, mas arefeição interino-
dia, ojantar (entre meio dia e Ihora) consta (Puma
ração cie carne ede legumes equivalente em quantida-
de aos alimentos, que recebem os soldados franceses
nas duas refeições regulamentares diarias no hospital.
Eis-ahi pormie Ponssagrives, acceitando as ideas do
Michel Lévy admifie que ale lhe agir Nen pluldt à ti,
(se de condiment, c'esl-à.dire de sobstance stimulant Coa-
tomou et exallant loa facullFs digestires, qu'à Urre (ra-
mela proprenmnr dit.>
Se, como demonstrou Péligot, um litro de infusão de
chá (20 frammas) com assacar fornece 31%65 de ma-
terias solidas, estas não contém senão .0%3 d'azole; é
pois difficil attribuir áquantidade, d'azate contida na
infusão de chá os effeitos principaes, que esta substancia
produz corno substancia alimentar.
Mas, além da excitação, que ochá determina no sys.
tema nervoso, está hoje demonstrado, que elle repre-
senta um certo papel corna .alimento economisador e
que torna mais lento o movimento de desassimilação.
E' isto oque-resulta dos trabalhos eniprehendidos por
Schultz (de Berlim), que foram confirmados pelas cope-
riencias de Marvaud, nas (times se propoz•demonstrar
opoder antidesassimilador d'esta bebida.
Do que fica exposto com referencia á acção physio-
logica do chá pode concluir-se que elle é'í I° excitante
do systema nervoso ou agente dynamico; 2° modera-
dor do movimento de desnutrição ou agente economi-
nadar ou antidesassimilador; 3° alimento plastico ou
reparador em pequeníssimo grau, por conter uma
certa quantidade, muito diminuta, de principias azotados
assimilaveis.
VII

Acção therapeutica e hygienica [Link]á

Como bebida tonica e estimulante o chá, sendo tu-


mido ilegais d'uma refeição abundante, é de grande
utilidade por favorecer a elaboração dos alimentos e
tornar adigestão mais prompta efacil; assim, todas as
vezes que se quizer levantar as forças digestivas com
oauxilio d'alguina bebida levemente estimulante, èao
chá que se deve dar apreferencia. Os individnos, que
teem oestomago fraco, delicado ou dyspeptico suppor-
tam muito melhor o chá, que ocafé.
A certos individuos repugna d'uma maneira insup-
portavel o usp do chá. ;Assim, em pequenas doses
n'estes individuos e em altas doses n'aquelles, que o
toleram, elle produzirá lima agitaçao excessiva, soni-
aias instipportaveis, movimentos convulsivos dos men,
bros, uma especie d'embringuez, etc.
O uso prolongado do chá ou o seu abuso acaba por
ser nocivo áeconomia, occasionando gastralgias, dela).
litando o estomago ecompromettendo mais ou menos
as funcções deste orgito, não só pela confina excita.
ção, que o chá produz sobre ele, mas lambem por
causa da acção irritante, que sobre oestomago produz
o rubrico, que quasi sempre acompanha ern excesso
esta bebida. Sabemos que na China os grandes bebe-
dores de chá, em geral, são magros efracos; ora ries-
les individrios asensibilidade deprime-se, aestimula-
ção já não irradia do centro para aperipheria econ-
centrada quasi toda no estomago, acaba por depaupe-
rar aenergia d'esta sincera. O uso prolongado do chá
ainda apresenta outros inconvenientes relativos já á
enervação que elle produz; já ás diversas formas de
dyspepsia, que muitas vezes são aconsequenoia do seu
abuso.
Em doses moderadas, o chá convém as pessoas gor-
das, aos velhos, que acham no seu aroma suave oul-
timo prazer dos sentidos ena estimulação de algumas
horas aillusão da força; aos individuos de um tempe-
ramento lymphatico, que preferem o repouso ao azar-
cicio eao trabalho; ás pessoas predispostas para as affec-
ções asthmaticas, catara haes e rhoinnaticas eque vi-
vem em me clima frio ehirmido; as mulheres gravi-
das, que digerem mal eque apresentam todos os synn-
ptomas inherentes ágravidez; ernlian convém atodas as
pessoas sujeitas a flatulencias, ,vomilos viscosos, etc.
Pelo chá pôde-se muitas vezes coinbater os fintastes
habitua da embriaguez. Os indivíduos, que abusam das
bebidas espirituosas, notam que as suas faáuldades
digestivas enfraquecem e portanto se interromperem
por algnm tempo as suas libações habituaes, cahirão
necessariamente n'um estado de prostração physica e •
moral peior ainda que aexcitação alcoolica; ora n'es-
les casos, o chá torna-se, por assim dizer, um sueca-
daneo do alcool, sem produzir aacção prejudicial desta
liquido; reanima osysterna nervoso, dá ao estomago o
seu poder digestivo esubstituo ahypochondria por uma
exaltação, que não apresenta os inconvenientes da em-
briaguez.
o uso do chá énocivo ás pessoas dotadas d'um tom-
56

peramento nervoso, principalmente ás mulheres exces-


sivamente impressionaveis, aos individuos fracos e de
uma constituição seeca, que se não quiserem abster-se ,
do uso d'esta bebida, farão bem em corrigir a activi-
dade dos seus principios com uma pequena quantidade
de leite.
O chá preto, como menos excitante, deve ser prefe-
rido pelos .convalescentes, porque os seus elreilos re-
duzem-se a uma ligeira estimulação cerebral, a uma
refocillação gastrica e a uma expansão favoravel das
forças do CenLro para a peripheria, emquanto que o
chá verde exerce, sendo prolongado o seu uso, uma
acção especial sobre o system nervoso, caracterisada
por spasmos, palpitações, treino,' muscular, insomnia,
debilidade, emaciação. Notam-se principalmente estes
symplomas, diz Payen, nas pessoas, que usam raras
vezes do chá verde; algumas ate neto podem costa- ,
mar-se .a elle, einquanto que em outras ohabito faz
cessar gradualmente estes accidentes. Nas pessoas sus-
ceptíveis, o chá verde, tomado noite, agita eper-
turba osomou; de ordinario, ochá preto não produz
este pliencenenn..
Segundo Fonssagrives, só se deve empregar o chá
verde quando, para satisfaier a uma indicação [hera-
peutica, para combater, por exemplo, una estado de
somnolencia, se entender que éMil desenvolver esta
especie de erethismo nervoso.
O uso habitual do chá, introduzindo no organismo
uma grande quantidade d'agua, tende pôr isso inesmo
a dirninnir aplasticidade do sangue epode até certo
ponto, livrar as pessoas, que se dão muito aos praze-
res da mesa, dos attaques de gotta, das areias edas
doenças inflamnratorias.
Como exemplo da feliz influencia alimentar do chá,
éaChina, que se apresenta em primeira linha. Toda-
via. é preciso 1150 nOS preoecupannoS excessivamente
com as apparencias. Teso-se procurado explicar oem-
bonpoint tão geral entre os Chineses pelo uso cens-
57

tante do arroz edo chá. E' na sua alimentação com-


plicadissima, que está averdadeira origem desta obe-
sidade caracteristica. O chá tem súmente por efeito
favorecel-a, excitando, sustentando continuamente a
acção digestiva dos orgãos.
Apesar de se ter attribuido ao chá um grande nu-
mero de propriedades maravilhosas, esta bebida êem-
pregada em therapeutica, quasi exclusivamente, para
combater os accidentes da indigestão e é principal-
mente ainfuséo muito pouco concentrada (4 grammas
por litro), que dá melhor resultado; oque foz com que
alguns medicou attribuissem ao vehiculo, aagua quente
cora assacar, os bons efeitos, que se observam geral-
mente depois da sua administração.
O uso do chá impõe-se nos paizes humidos até
ás pessoas, que onão podiam sepportar, como opro-
va o exemplo de certos Francezes estabelecidos em
Inglaterra. Para se defender na China das influencias
nocivas do clima, énecessario introduzir na alimenta-
ção o uso continuo das infusões de chá edas racções
snitleientemente nutritivas. O chá com o calor ninfa-
canto eas agradaveis sensações, que derrama em toda
aeconomia, produz unia excitação geral, que auxilia as
forças digestivas, augmenta a energia do organismo e
oppõe uma resistencia salutar áacção debilitante das
influencias palndosas.
Em resumo, alguns andores leen) precontsado ochá
em diversas doenças:
I.° Como excitante geral do syslema nervoso contra
oestupor eocoma, que acompanham as febres graves
e adynamicas (Aladin Salsa), contra aembriaguez al-
roolica eonarcotismo thebaico (Graves, Jalnes, Sewel,
ele.)
E' empregado lambem- vantajosamente em certas
intoxicações profundas, eé tini antidoto preferivel ao
café contra os venenos estupefacientes eos narcolico-
acres, taes como oopio, as solanaceas virosas, otabaco,
adedaleira.
9
58

Fonssagrives, seguindo oexemplo de Boerhaave, que


empregava o chá em todas as formas graves de va-
riola com phlyctenas, tendendo para se ulcerarem, faz
uso .constante d'esta bebida na febre typboide com
forma adynamica e augmenta a dose até obter uma
estimulação sulliciente.
2.° Como diuretico ochá tem sido empregado com
bom resultado nos doentes, cujas urinas são raras e
carregadas, na golfa, areias ena hydropisia (Gubler).
3.° Como sedonte do system vascular foi prescripto,
â maneira da digitalis, em certas doenças febris ein-
flammatorias (Percival ePereira).
4.° Corno estimulante diffusiro esudorífico tens sido
empregado em certos estados morbidos em que con-
vêm provocar uma sudação abundante.
5.° Como adstringente tem sido aconselhado ochá
nas diarrheas, dysentherias, etc. N'uma epidemia do
,diarrhea chronrca, que dizimou os loucos de Bicêtre,
o chá foi applicado com grandes vantagens (Leu-
ret).
Extrahimos das Cartas escrínio da Mia eda China
por José tonado de Andrade oseguinte relativamente
áacção therapentica do chá:
«Os medicos mais acreditados, diz Andrade, que
viajaram no Japão e os que [mem conheciinento da
China e se deram aobservar as virtudes do chá, di-
zem:-0 chá livra de obstrucçães, purifica osangue e
faz expulsar as particulas tartarosas, origem do calculo
e da gela; recreia o espirito, impede asomnolencia,
ajuda adigestão ede ao sangue afluidez precisa, isto
é, desenvolve as meterias, que obstam ao seu movi-
'mento. As partes oleosas e balsamicas contidas em
suas folhas fazem expellir os soes acres; origem de
mortiferas enfermidades.—
«Centos de milhões de chineses, japonezes e torta-
ros consideram ochá couro genero da primeira neces-
.sidade. Para avaliar o uso, que se faz (refle em nosso
tempo, bastará dizer, que se exportam de Cantão an-
59

nnalmente mais de 40 milhões de arraseis. Os ingle-


ses no fim do semi.) passado consumiam 3 milhões
de arreteis, agora consomem mais do dobro,.
.0- judicioso Brotero, coufiando eu, alguns .medicos
seus amigos não acredita as immensas virtudes, que
outros dizem ler o chá; comando escrevem—NãO se
lhe pôde negar apropriedade de alegrar, alentar eavi-
var os espiritos. Estas circumstancias parecem indicar
no chá um principio activo, penetrante ecapaz de ex-
citar promptamente aacção dos nervos: nas constituições
summamente irritaveis, esta acção chega atal gráu, que
motiva sensações assaz incommodas eaffecções sopas-
medicas; enas menos irritaveis causa immediatamente
um certo prazer esatisfação.—
»—Confesso, diz oDr. Leitson, não ter assaz expe-
riencia, nem talentos, para ponderar todas as grada-
ções no vario temperamento da especie humana, aque
pôde ser util on nocivo onas d'esta bebida; direi ah-
mente, que urna grande quantidade de chá saras ve-
zes pode ser proveitosa, anão ser applicada como me-
dicamento, ou depois. de grande fadiga; rine não se
deve tornar muito quente, eque os cl:as finos são tidos
por mais nocivos do que és ordinarios: essenciatmente
os verdes.» (José lgnacio de Andrade—Cartas escriptas
da Judia eda China nos unamos de 1815 a I835—Lis-
boa, 1813). -
Terminaremos este capitulo com as seguintes pala-
vras de Michel Lévy: «Le the trompe la faint' par ta
earexcitation passagere de ressonam; si les Chinois es
usent largement, c'est quito y pnisent une stimulation
flecessaire dans es elimal dons les ehaleurs etiervent et
eit pullutent les (onero d'intoxicalion paludique. Si len
Anulais et les lio//andais s'en gorgent, c'est qu'ils vi-
vera plonges perpéluellement does une atmosphere braf-
meuse, froide et ltumidtueest qu'ils ont les ehairs
getes et Imanes, te caraelere lourd et phlegmalique. Les
grua mangeurs ont besoin d'un stimulant paul .I Monne
.
Idear. de !cure dignam; es general, as premam da
60
--
M•, non guand ils ont (aba, mais panei (eters estomaes
repus languisseut soes te poids das alimenta.
Pôde saborear-se, jamais exprimir adoce tranquili-
dade, que se fica devendo aunta chavena de bom chá
(Imperador Kien-bóng).


VIII

Modo de preparar a infusão do chá

Quais nimbai'« et geei progrès, dizem Md. Pelle-


tier, si une clame expresse da traite de Pékin stipulait
qu'un des habites professears duna te Celeste-Empire Mi •
tierait nos jeunes beautès àrara difficile de Mire les hon.
Peara d'une table àthè. entes, les maitresses de maison
offrent axe San; de gr.» les delicate porcelaine pleine de
delicie?uai aromes, que jantais si charmant sourire na
s'épanouit aux levem de la Chinoise la plus epgageante.
Mais pour doser ei pré[Link] quel manque de
savoir?
aos Chineses (diz Andrade nas suas (Cartas) desve-
lam-se muito no preparo do chá; nem toda alenha
serve, nem todo obarro éproprio para ferver aagua
esó os bules de certas proviecias prestam para 'nel-
les se fazer asua infusão.-Dar chá com polidez n'este
imperio é uma arte de mais, entre as que servem ao
regalo da vida; tem preceitos e regras, que entram
na ordem da boa educação.
Na Japão, continua o mesmo auctor, usam desta
64

bebida preparada de outro modo: não se contentam com


ainfusão: as folhas são reduzidas apó; vem ámesa
em pequeno cofre e-cada um lança em sua chavena a
porção conveniente ao seu gosto. Os pobres costumam
ferver as folhas para extrahir d'ellas toda asua virtu-
de.,
Na China, o vaso de bronze ora que ferve aagua,
que fiado ser lançada sobre o chá, não serve para
mais nada. No Japão, todos os vasos, que servem para
conservar ou para preparar ochá, são considerados
como sagrados esão legados de geração em geração
corno os Lares da casa. Julga-se feliz afamilia, que,
apresentando o liquido em charenas fabricadas em
Micko, [Link] fazer sahir d'um bule feito no tempo
das primeiras dynastias; não poderia apresentar me-
lhores nem mais honrosas provas de nobreza.
Os bules ou chaleiras de gorara, que foram fervi-
dos durante muito tempo em uma infusão de chá, os
bules de prata ou os de metal inglez são considerados
por Pelletier como os melhores, assim como as caixas
forradas de chumbo são as unicas, que garantem a,
conservação do chá, que énecessario ter sempre res-
guardado da humidade elonge de qualquer substancia
odorifera.
O congo éna China ochá ordinario das classes mé-
dias e abastadas. O bebeu serve para opovo epara
operarias, que em parte alguma do mundo são mais
miseraveis do que na China. Os mandarins eas elas•
ses elevadas da sociedade atanaza usam das primeiras
-espades; o melhor, que é formado das folhas mais
novas, mais miudas edo duvet que as cobre, essa.k
tomado pelos hanistas. As folhas d'estes chio asão
muito friaveis eencheras bule de uma especiArde pé
que os Chinezes não separam do liquido, pelo cdn . tra-
rio tomam a infusão assim, como na Arabia, e em
todo o Oriente se toma a infusão de café com opio
que serviu para afazer.
Lançado 'nessas admiraveis chavenas, que .um ge-
63

nio parece ter creado para fazer scintillar oliquido


quente, o chá é tomado sem assucar e achavena é
cuidadosamente coberta com o pires para não arrefe-
cer epara ficar impregnada do perfume de ',cabê até que
se torne aencher. Depois das refeiçães, em cada visita
que recebem ou que vão fazer, quasi acada instante
do dia, os Chinezes absorvem assim pura quantidade
prodigiosa de chavenas de chá d'uma força que sol-o
faria regeilar como nocivo ésaude. E' acole uso, que
os Chinezes devem aforça de digestão, que permitiu
ao seu estoinago absorver sem inconveuiente esem
perigo uma grande massa d'alimento etornar assimi-
lavei aparte niais consideravel d'ella.
.Nas festas de familia, o Chá sagrado épreparada
d'uma maneira especial eofferecido segundo orito, no
altar domestico. Os Chinezes escolhem com omaior
cuidado aagua para fazer o chá de modo, que seja a
mais pura e a mais clara. A agua de neve eade
certas fontes são muito afamadas. As aguas, que con-
tém substancias estranhas fazem perder o gosto ao
chá e não dissolvem completamente os seus elemen-
tos, é por isso que na Clima se deixa ferver aagua
durante uni certo tempo para que aebullição amodi-
fique.
Os RUSSOS, acujos estomagos o chá restitue ocalor
perdido nas longas step!eo geladas, Icem omaior cui-
dado em preparar ainfusão; para que atemperatura
da agua seja mais elevada, lançam no bulea agua do
somovar, que éuma especie de chaleira, onde ha um
rescaldo em que ha brasas. Uma chaleira ordinaria e
uma tampada d'alcool podem entre nós produzir omes-
mo effeito. Na Russia amistura éformada de muitas
especies de chá preto, tomadas eia quantidade propor-
cional segundo os seus aromas. Em Inglaterra, amaior
parte da população usa db machona edo congo, mui-
tas vezes reduzidos apó para brutais força á
são. Em França junto-se ao Olá prèto uma certa quan-
tidade de 'chá verde, uma quinta parte, efaz-se entrar
64

opeckde em toda aboa mistura por causa das suas qua-


lidades aromaticas.
«Uma das primeiras condiçlies para se obter uma ex-
cellente preparação de chá, éempregar uma agua de
boa qualidade; as aguas muito salitrosas ou carregadas
de saes fazem sempre mau chá.
As aguas de Lisboa são muito abundantes 'naquellas
substancias, oque as torna unproprias para fazer bani
chá. As melhores são as da Bica de Campolide de Bai-
xe, fora de portas, eada ultima ou 9. bica do Chafa-
riz do lado do nascente ou do Arsenal do Exer-
cito, e, finalmente, são menos más as nossas antigas
aguas livres fornecidas pela Companhia das Aguas até
altura do Largo das duas Egrejas, porque (rabi para
baixo vem misturadas, somente no verão, com as do
Chafariz edo Chafariz da Praia, que teem
quasi todas tantos ates como as das Alcaçarias.
E' forçoso confessar que as aguas que nos fornece a
Companhia durante oinverno em toda acidade emes-
mo no verão, do uivei do Chafariz do Carmo, inclusivê
para cima, são muito sogriveis para fazer bom chá,
se não se desprezarem as outras regras, que passa-
mos aexpor.
Devemos ainda dizer de passagem que as aguas de
Cintra são das melhores para este fim, por isso que
teem muito poucos sues.
Quando se trata de fazer ainfusão das folhas do chá
deve-se ter cuidado de primeiramente lavar hem obule
com agua bem quente, deitar depois aquantidade ne-
cessaria de folhas de chá, efinalmente, lançar sobre
alias toda aagua precisa em completo estado de fer-
vura, enão pôr as folhas aabrir em pouca agua, como
se usa vulgarmente. A agua muito fervida não épro-
pria para lazer uma boa infusão de chá, omesmo acon-
tece se ella não estiver em ebullição quando se deitar
sobre as folhas. Posto assim ochá com toda aagua ne-
essaria abafa-se bem obule durante 20 a25 minutos.
Q bule quando não está em uso, deve ser gtlatdado em
6fl

legar onde não haja cheiro algum de substâncias ali-


mentares ou de outras qnaesquer. Os melhores bules
são'os de barro de Macau cliantado Chin-clão. que se
usam na dona. Agudo que serve achá verde nunca
se deve empregar piá fazer chá preto e vice-versa,
ainda que seja muito belo lavado.
O assucar deve ser sempre do mais branco emelhor
,ainda se fór em pedra ou pilé; deve conservar-se em
latas bem fechadas para ião adquirir cheiro das outras
substancias, oque será facilmente comniunicado ao chá,
que com'elle fôr adoçado.
Para que as folhas de clã conservem oseu aroma e
não ganhem cheiro estranho, oque com tarda facilida-
de acontece, devem ser guardadas era vasos de vidro
hermeticamente fechados coro rolhas esmerilhadas, ou,
melhor ainda, em caixas proprias forradas de estanho,
como se usa na China, as quaes se vendem na Casa
Chinesa na Bua do Oiro..
Em geral, quando se faz uso do chá preto, deve-se
deitar maior porção d'elle, do que de chá verde, por
isso que aquelle émais fraco do que este.
Para obter ainfusão, emprega-se cerca de 20 grani-
mas de chá sobre oqual se deita 1litro (lagoa a fer-
ver. Nas Mesmas condiçfles, o chá verde dá aesta in-
fusão, que representa 6chavenas pouco mais ou menos,
6 grammas de meterias dissolvidas, emquanto que o
souchoug dá apenas P',55. A maior quantidade de
principies satureis cedidos áagira pelo clã vErde, de-
ve exercer uma certa influencia nos effeitos mais ener-
gleos d'este chá sobre aeconomia.
As primeiras partes d'esta infusão São mais aroma-
tiras, menos coradas eInenos adstringentes, que as
que se obtém depois d'uma maceração mais longa, de
10 a20 minutos por exemplo; além d'este espaço de
tempo, manifesta-se um sabor ligeiramente amargo. A
adstringencia augmenta relativamente aos outros ele-
mentos do Sabor, quando depois de ler decantado todo
o liquido livre, se lança sobre oresiduo das folhsi uma
10
60

nova quantidade de agua aferver, ordinariamente me-


nor que aprimeira.
Se se fizer ferver amistura d'agua ede chá, aads,
tringencia, ogosto amargo eum cheiro afeno, tor-
nam-se mais pronunciados ámedida que oaroma de.
licado, oprimeiro .perfume tão agradarei desappare-
ce quasi completamente.
Se se quizer servir militas chavenas de chá conse-
cutivamente, despeja-se obule até ao meio esubstitue-
se oliquido tirado, por outra quantidade d'agua afor- •
ver, que tem tempo d'extraliir das folhas todos os seus
aromas emquanto que se vão (ousando as primeiras
chuvosas. Mas não se deve extrahir pela agua afer-
ver toda a quantidade dos productos soluveis ida to-
fita de chá, porque assim não se obtém senão uma
infusão amarga, adstringente esobrecarregada de loa-
uma.
O vaso em que ferve aagua para ochá, deve ser
exclusivamente consagrado aeste uso eoaceio que os
Chinezes teem em tudo que diz respeito âpreparação '
da sua bebida favorita, (leve ser praticado nos outros

Preparado d'este medo, o chá tem uma bella côr


doirada um pouco escura, sabor &ice eao mbsmo tem-
po adstringente, milito agradavel.
Em França eem Inglaterra junta-se-lhe assucar eo
mesmo se faz em Portugal equando se tonta ao almo-
ço écostume juntar-lhe leite: 'neste casoS um alimento
dos mais nutritivos. A addição de rhum, de kirsch, de
agua-ardente modificam as propriedades do chá efor-
nain-o mais agradavel acertos paladares.
Certos povos barbaros descobrirain u,m processo cu-
rioso para fazer servir ochá isa alimentação, •aprovei-
tando os principios mais alibiles da planta elivranlo-
se da acção demasiadamente energica neste caso do
principio. essencial. .Le the, diz Victor Jaequemont,
cisai à Cachemyr par earscanes as &areis de la Tac-
teei disoin ei da ThiGet,... On ie pdpare aveo das
67

lait, [Link], da sel et sei alcali amar — Ea fossa-


roer, on Igit bottilltr les 'Cuides pendam une heure ou
deus, puis Os In. Leve, retos accommode cm (cuides
enfites avec do (marre rance, de ia chair de chNre ha-
dee, Não se pude duvidar das propriedades nutriti-
vas d'esta mistura, desprovida de aroma delicado, mas
todo oEuropeu será da opinião do espirituoso viajan-
to, quando elle termina dizendo: .Cesi un rapo& dê-
testable.»
«Num dei tê ertt communissinzo in China ascite sono
Ia domina:Ione degli hien. Se ne conoscecano dite specie
principalt: il mo-ciai ali in palrem, eIie-ciai otê ia
Lis dinastia degli luen arma oloidiili de'atercati do-
lo si cambiara il tê. coi cas,oiii de'nomadi dei N. E.,
elle [tirano sempre grandi amatori di questa becanda.
([Link], Sur insage da thê en Chiste, Journ. Arial.
XII. 82).
O que fica iranscripto vem citado tto. Comandaria
ai Viaggi di Merco Polo descritti da Ruetiemoes di Pira
VENEZIA 111 DCCCXLVII .
Falsificações do chá

O chá éum dos productos, que mais vezes éfalsifi-


,cado, umas vezes pelos Chinezes,'e outras pelos Euro-
peus. Estas falsificações consistem principalmente na
coloração artificial d'este producto, ou na substituição
de folhas estranhas ás que odevem constituir.
Tem-se encontrado o châ misturado com as folhas
de ameixieira silvestre, do freixo, sabugueiro, espi-
nheiro. salgueiro, choupo, castanheiro da India, cere-
jeira brava, roseira brava, loureiro, diversos olmeiros
e bem assim as de militas outras plantas adstringen-
tes, coradas de verde com os saes de cobre ou de ne-
gro com opau de Campeche.
A coloração verde com os sues de cobre reconhe-
ce-se pelo ammoniaco liquido, diluido com egual peso
de agua distillada, que produz acós azul, ou pela agua
saturado de acido sulfhydrico, que ennegrece as folhas;
ou melhor ainda calcinando 1parle de chá com 3par-
tes de azotato de potassa, obtendo-se em residuo que
será solvido em agua acidulado; osoluto filtrado será
69

depois submettido aos reagentes dos saes de cobre


(eyaneto amarello, amrobniaco, potassa, acido sulfhy-
drico).
As folhas de chá coradas pelo pau de Campeche,
humedecidas eesfregadas sobre papel branco, deixam
manchas negras, azuladas, que avermelham com um
acido; o infuso das folhas coradas pelo Mesmo lenho
tombem de um negro azulado, avermelhando pela ad-
diçào de acido sulfurico.
Segundo Stanislas Martin, ochá forma como soluto
de sulfato de quinina, uma combinação insoluvel, que
permitte distinguir o chá misturado com folhas estra-
nhas de outro sem mistura. O infuso do chá de boa
qualidade contém muito tannino, apresenta sedimento
abundante quando se lhe deita algumas gottas de so-
luto aquoso de sulfato de quinina, emquanto que este
mesmo sedimento é quasi solto para ochá falsificado.
Não êraro encontrar-se o chá de boa qualidade mis-
turado com folhas de chd, que já serviram; esta fraude
reconhece-se pela falta de sabor, cór ed'aroma. Em
18 ,13 havia só em Londres oito fabricas do chá d'esta
especie, sem contar algumas estabelecidas em outras
partes do Reino-Unido.
Segundo Riegel, o chá é algumas vezes falsificado
com as folhas do epitobilan angiestifolium, planta que
não contém theina. Riegel proplie que se empregue
n'este caso o reagente, que Stenhousa recqmntienda
como caracteristico da theina eque consiste em fazer
ferver, durante alguns minutos, a substancia que se
quer experimentar com R ou 3 vezes o seu peso de
acido nitrico, em evaporar até áseccura eaquecer o
residuo com ammonia; se houver theina produz-se uma
materia vermelha analoga ao murexide, (antigo purpu-
rato d'ammoniacosle Prout),
Os chás corados com chromato de chumbo reconhe- •
cem-se por este processo: colloea-se em um vidro de
ensaio umm certa quantidade das folhas suspeitas eco-
bre-se com acido tétrico. Deixa-se ficar durante 3. ou
70

O horas, depois ,decanta-se o liquido, espreme-se 00


folhas para lhes tirar oacido e faz-se evaporar até á
serrara. Trata-se oresiduo pela agua distillada een-
saia-se o soluto pelo iodelo de potassio, que deve dar
una precipitado ainarello, soluvel n'um excesso de rea-
gente; pelo chromato de potassa, que dá tombem um
precipitado ainarello, soluvel na potassa; pelo sulfato
de sbda mi pelo ando &Musico, que fornece um preci-
pitado branco, que ennegrere em contacto com oacido
sulfhydrico ou com os sulfurelos alcalinos; pela potassa,
que dá uai precipitado branco, soluvel n'uni excesso
de reagente. Calcinando ou mesmo fazendo ferver ou.,
aras folhas com ama solução de potassa caustica, de..
compõe-se o ("bromam de chumbo e obtem-se chro-
mato de potassa soluvei, que se ensaia peles reagentes
do chromo.
Uma sophisticação do chá praticada pelos proprios
Chineses, consiste erh reunir com gomma, sob aforma
de fragmentos opó do chá. Chamam lie rea (chá falso)
a esta especie de chá emisiuram-na d'ordinario com
outras qualidades inferiores.
Emprega-se tambem, diz-se, os ercrementos dos bi-
chos de seda para falsificar o dá e principalmente a
esperte chamada ganpowder.
O chá verde este mais sujeito ás falsificaçães do que
o preto. Segundo Sir John P. Davis, o chá prelo e
principalmente as variedades congo esouchong são as
mais puras, emquanto que as qualidades aromatieas
como o pekoe, o eludem, o black gowpowder eochi
verde são quasi sempre falsificados.
Aqui aoresdnamos o resumo que o Dr. Léon Sou-
beiras extrahiu de uma importante Itlemoria publicada
nas Chemical News por M. Alfred O. Afluo, public anw •
Igst de SheMeld. , •
«Junta-se ao chá meterias mineraes para lhe augmen-
tar o peso ou ovolume, taco mio ferro magndiro e
limalha de ferro, ora mwerias siliciosas (aeeta, fragmen-
tos de quartzo, etc.) As &abstendes ferruginosas,
71

existem algumas vezes em quantidade de 7a8./0 no chá


e principalmente ocapo .teu (chá formado de detritos
de folhas adherentes por meio de gomma eformando
pequenas massas brilhantes) reconhecem-se facilmente
.collocando sobre unia folha de papel fino um certo
peso de Chá, por exemplo 40 grarninas, efazenda pas-
sar algumas vezes debaixo do papel um magnete ou
um electro-magnete (os negociantes conhecem perfeita.
mente o emprego do iman para revelar apresença do s
minerios impeticas do •chá), que separa tudo oqu e
pode ser enxabido: então põe se aferver em agua dia
rente alguns minutos asubstancia magnetica para se--
parar todas as partes organicas, Inc podessem ter
vindo com elle; decanta-se aagua eo residuo épe-
sado e examinado ao mirrosropio. consiste em oxydo
magnetico eem ferro Monica de c& negra corno azavi-'
che eem que, quasi sempre, se pôde ver facetas. .
E' rarissimo encontrar no chá ferro metallic0; teria
facil reconhecedo por meio do acido nitrico pouco con-
centrado, que odissolve produzindo vapores rutilantes
e,qtto não tem acção sabre o ferro litand ou ooxydo
de ferro.
Para ler certeza de que ochá contem Inaterias sili-
ciosas, énecessario incinerar n'urna capsular de platina
2 ou 3 grammas do chá suspeito etomar o peso das
cinzas, que, n'um chá palro, varia de 5,24 a6,00 ./o
E' necessario ter visto primeiro se não havia'materias-
inagnelicos.
Para conhecer aquantidade de'silica. que foi junta-
da', faz-se ferver acinza com agua efiltre-se oliquido
(a proporção de meteria soluvel das cinzas éum bani
reitoria da eddrção de folhas já usadas); tonta-se o re-
siduo, que ficou sobre o nitro e ferve-se com acido
chlorhydreco concentrado, que não attaca asilica sob a
forma de quartzo ou de siliceto; esta érecolhida sobre
urra filtro, lava se e, depois de incinerada, pesa-se. O
cini,.que ter poro não contem sezão 0,30 ./0 de sillea
quando muito. (Wilson).
70

Não éraro encontrar no chá fragmentos de quartzo


assaz volumosos, que deixam no fundo do vaso que
contém a infusão, um deposito de areia consideravel.
Encontra-se no commercto chá, que contém maiorias
inorganicas, éfrequente lambem observar, que ba quem
lhe junte malerias organicas com oIhn de lhe augmen-
tar o peso eovolume; assim, tem-se reconhecido no
chá a presença de [olhas estranhas, de folhas de chá
cansado por uma primeira infusão, etc.
As folhas de chá, que tem sido já empregadas para
fazer urna infusão eque depois foram enxugadas, per-
deram ume quantidade notavel de tanino, gemina,
theina emateria corante.
Diversos processos Icem sido apresentados para o
doseamento do tannino doíchá, mas amaior parte Wel-
les dão resultados pouco satisfatorios. M. Allen prefere
o processo imaginado por M, Fletcher, que éomais
simplea e dá indicações sulficientes. Dissolve-se 5
grammas de acetato de chumbo em 1litro d'agua e
filtra-se oliquido algum tempo depois; por outro lado
prepara-se uni liquido reagente pela dissolução de 5
willigrammu de ferricyaneto de potassio puro em 5
centímetros cobices d'agua, ao qual se junta nuns quan-
tidade egual d'uma solução concentrada d'ammonia;
uma gota deste liquido reagente permitte descobrir a
presença de 1milligramma de tannino em 100 centi-
•metros cobices d'agua. Vara se poder ter confiança
'nestes reagentes, opera-se primeiro adiluição de 40
centimetros cubicos da solução plumbica em cerca de
100 centímetros cobices d'agua aferver elança-se no
liquido, por meio d'uma Intrezte, 10 Centímetros cubi-
cas croma solução de termino puro ao 100% (1 de tan-
ino para 100 d'agna). Toma se 1centimetro, pouco
mais ou menos, do liquido assim obtido edeixa-se ca-
hir gotta agolta atravez d'um filtro 'num pires de por-
cellana, que contém oreagente do ferricyaneto. Se não
se obtem cbr rosada, junta-se uma pequena quanlida-
pe de tannino, mistura-se-lhe parte da solução pium-
.
73

bica, filtra-se uma pequena quantidade de liquido e


vê-se se ac& rosada apparece; 'neste caso aoperação
tem sido bem dirigida erepete-se aexperiencia jun-
tando duma só vez todo ovolume de solução lannica'
empregado da primeira vez. Subtrahindo do total do
liquido aquantidade que se lançou da burette, obtem.
se aquantidade de termino empregada.
Quando se pretende achar aquantidade de lanai»
d'um chá, ferve-se grammas de chá reduzido apó
muito fino em cerca de 80 centimetros cobices d'agua
durante meia hora; passa-se oliquido atrasei de cassa
iavulto fina, as partes solidas são recoliridas' em um ba-
lão efervidas outra vez, mas durante Ihora com a
mesma quantidade d'agua. topete-se a operação até
que o liquido se elo apresente córado eesteja reduzi-
do ama volume de 050 centireetros 'cubicos. O liquido
está então preparado para aexperiencia, que exige
apenas alguns talentos. A quantidade de solução de chá
que énecessario juntar a100 centimetros cubicos d'a-
gua para que unta gotta dê acoloração rosada com o
ferricyaneto de potassio, conhece-se subtrahindo ovo-
lume de liquido empregado d'aquelle que estava na ba-
nir/e. Se se tiver adoptado todos os pesos evolumes
acima indicados, 105 divididos pelo numero de cena.
metros colaços de solução de chá empregados, dará a
proporção de !emano que existe na amostra, tigre abai-
lição prolongada não tem acção pronunciada sobre o.
poder preripitante do chá epode assim recoehecer-se a
presença do tannino, mesmo girando haja menos de

A pesrpriza da quantidade de máteria insolarei' forne-


ce indicaçóes preciosas para provar aexistencia ou a
ausencia do chá causado ou usado; esta quantidade não
varia sensivelmente para as diversas espectes de chá e
é, em media, de 72 0/0 para ochá verde, ede 75 8/0
para ochá preto. E' essencial operar sobre ochá 'te-
'Jazido apó, por que assim esgota-se mais completa.
mente aamostra sobre que se actua.
gomma acha-se na infusão, que se faz evaporar
ate apresentar consistencia de xarOpe; trata-se pelo
•alcool, que determina um precipitado; este secca-se,
pesa-se, incinera-se epesa-se outra vez. A perda de
peso indica agomma; se eri0 se incinerar, os algaris-
mos serão muito elevados pela presença de matarias
mineraes.
[Ia vantagem em determinar aquantidade de cinzas
soluvels, que aincineração deixou, principalmente se
se procurar reconhecer apresença de folhas estranhas
ou de chá cansado enão se deve•deisar de verificar a
proporção das cinzas soluveis e insoluyeis como foi
indicado por te. .I. A. Wanklyn.
Para adquirir certeza de que foram misturadas com
ochá folhas estranhas, mistura que se poderá presu-
mir se aquantidade de residuo, que deixou aincine-
ração, émuito grande epassa de '5,CO a6,3A a/o, que
éo algarismo medio dado pela incineração do chá, vale
mais recorrer aos caracteres botanicos emicroscopicos.
Para isso deita-se uma pequena quantidade d'agua la-
pida sobre ochá para abrir as folhas edepois esten-
dem-se estas entre dois vidres delgados, oque permih-
tirá reconhecer as disposiçães das nervuras, os recortes
da margem do limbo, afôrma dos;stomatos, aausen-
eia ou apresença de pellos, etc. As nervuras prima-
rias das folhas do chá formam uma serie de alisas bem
•definidas, caracter que não existe no maior numero das
folhas empregadas para psophisticação; por outro la-
do, estas nervuras terminam bruscamente apequena
distancia do bordo do limbo; as folhas de ciiá apre-
sentaih no vertice ,um nó distincto que fórma como
que una ponto. A forma dos recortes, que são, não em
dente de serra, mas um pouco recurvados, serve tara-
bem para as caracterisar. Emitiu afôrma padicular
dos ~natos que se observam na face inferior e que
são constituidos por duas rellulas reniformes, filtre olfe-
rocem entre si uma abertura bem distincto, e prin-
cipahnente a Viria das cellulas muito alongadas e
75

curvas como as dos stomatos, que ficam intermedios


aestes orgãos, fornecem lambem bons caracteres dis-
tinctivos. Poderá lambem untar-se peitos curtos, pon-
teagudos eindivisos, amaior parte das vezes quebra-
dos, que se acham principalmente nas folhasmais no-
vas.
Tem-se procurado dar ao chá mais força juntando-
•lhe maiorias estranhas tanqicas, toes como eachit, lie
Ma, sere de ferro salvada, e talvez mesmo carbonatos
alcalinos.
A adtliçãci de maiorias tannicas será indicada pela
proporção anormal emaior de t(nnino, que se poderá
reconhecer por meio do acetato de chumbo, segundo o
processo já indicado. As infusões concentradas de chá
poro, á excepção d'algumas espertes da india, ficam
quasi claras quando esfriam, emmianto que; ao ha so-
phisttçação pelo cedo'', estas soluções tornam-se ra-
pidamente turvas pelo arrefecimento. Em alguns Casos,
o„sabor fortemente adstringente do chá basta para fa-
zer desconfiar; muitas vezes poder-se ha achar, ao mi-
croscopio, os crystaes aciculares do cada. Além (Visto,
pode-se adquirir acerteza da presença do melai fazen-
do comparativamente infundir 4gramma de chá puro
e 1gramma de chá suspeito em 100 centimetros cu-
bicas d'agua etratando aquente por um ligeiro exces-
so d'acetato neutro de chumbo. Forma-se um precipita-
do que se separa por filtração. 20 [Link]
de infusão de chá puro, addirionados d'algumas patina
de nitrato de prata e aquecidos lentamente, apre.
sentam urna leve trirvação, acinzentada, formada po r
prata metallica reduzida. A solução, (ide contém each,
(2%) dá um precipitado abundante, escuro, eo liqvi.
do toma unia cór distinctamente ainarellada. Quando o
«meu éem proporção mais ciinsideravel, o liquido se-
parada do precipitado prumbico, toma uma côr verde
clara, quando se lhe junta uma gotta de perchlnreto de
de ferro, emquanto que asolução de chá puro torna-
se somente um polaco avermelhada. Pelo repouso, ochá
76

sophisticado dá um precipitado cinzento ou verde côr


d'azeitona, ao passo que asolução de chá paro não ex-
perimenta alteração alguma.
- O lie tem éformado de restos de folhas de chá ede'
outras folhas, misturadas com argila, areia, ',doeria de
ferro, eestas substancias adherem umas ás outras por
meio da gomma ou da tocata; o lie teu reconhece-se
.pela irregularidade das suas massas e pelo seu peso
mais conáideravel. Projectado na agua quente, olie teu
não se desaggrega ao principio enão apresenta folhas
nem partes de folhas abertas, mas cahe no fundo e
quando se desagghega, fôrma um residas pesado, com
aspecto d'areia etendo apparencia repugnante. Por oo.
tro lado, aproporção de cinzas que deixa asua inci-
neração chega frequentemente de 30 a40 .10. A agua
iodada permittirá reconhecer facilmente apresença da
ferida; mas épreferivel acidificar asolução [Link]
állfuriCo, descoral-a por um perinanganato etratar de-
pois pelo iodo, que lia-de dar acôr violeta caracteris-
Oca.
O capo- teu tem sempre misturadas substancias are-
nosas emagneticas eencerra muitas vezes materias
tannicas estranhas. Contém era muitos casos 15 a20 Vo •
de gomma edá muitas vezes menos cinzas do que o
chá puro, de que apenas são soluveis O 5.
Os soes de ferro soluveis, que se junta algumas ve-
zes ao chá para lhe dar uma apparencia de força, for-
necendo uma infusão mais carregada, são reconhecidos
facilmente pelo processo seguinte,. agita-se atrio ochá
reduzido apó com acido aufiro diluido, decanta-se,
filtra-se eensaia-sei) tiqsido pleo fen'icyanelo de putas-
sio. Como aaddição feita éados saes ferrosos lata ha
que recear por este processo ser induzido em erro pe-
lo phosphato forniu, que existe naturalmente nas fo- •
lhas de chá.
Os carbonatos alcalinos, que teem sido algumas vezes
addicionados ao chá cansado para obter uma infusão
de côr mais carregada, são indicados pela quantidade
77

maior das cinzas elambem pela §ria maior riqueza em


alcali. Como resulta das experiencias de Goller ede
Wigner, que aquantidade d'alcali (calculada como KãO)
varia de 1,36 a1,89 Vo do peso dos chás puros, se
se encontrar uma quantidade maior, haverá grande pro-
babilidade de sophisticação.
Os chás verdes apparecem, para assim dizer, quasi
:sempre adulterados (magica/és, faced) no cornmercio eu-
ropeu para terem oaspecto particular, qué oconsto
rnidor exige eque afolha não offerece naturalmente.
Não éraro lambem encontrar chás pretos de qualida,
de inferior, que foram transformados em chãs verdes
de primeira qualidade pela maguilloge. Reconhecer-se-
ha que ochã foi colorido artificialmenle recolhendo as
particulas, que se destacam da sua superficie pela ac-
ção da agua quente eexaminando ao microscopio ose-
dimento, que cilas formam no liciáido pelo repouso.
Muitas vezes este deposito apresenta uina côr pronun-
ciadamente esverdeada, devida âpresença de azul de
Prussla ou de indigo.
O indigo reconhece-se facilmente ao microscopio pe-
la irregularidade de seus fragmentos, pela sua lentura
granulosa. pela côr azul esverdeada eprincipalmente
por que asolução de potassa não lhe altera acôr
temperatura ordinária. Por sistro lado oindigo ébiso-
luvel na agua, nos acidosdiluidos, no alcool eno elher.
álistorado com asolução de potassa esubmetfidd àdis-
filiação, ojudio moda de cor, decompõe-se n'um li-
quide escuro arnarellado; tratado pelo ehloreto de cal,
este liquido toma uma bella côr azul violeta; b iudigo
dissolve-se em um liquido aìiil no acido sulfurico;
descorado pelo chiara; aquecido 'num tubo fôrma va-
pores côr de violeta.
O(leni de Prussio reconhece-se no campo do micros-
copio pela fôrma angulosa dos seus fragmentos eprin-
cipalmente pela côr azul brilhante etransparente; a
acção do solutá de potassa, que lhe faz tomar uma
cor vermelha escura suja, fornece um caracter mais se-
gare; acôr azul reapparecerá pela acção do acido sol-
tarias dilnido. Este processo, que peru- sitie reconhecer
pequenas quantidades de azul de Prussia no campo do
microscopio, poste ser substitindo pelo segninte: Terna-
se áonças de chá, que se agita durante alguns minutos
ent agna quente, decanta-se o liquido edeixa-se em
repouso para depositar as meterias corantes; separa-se
este resides eserra se; reconhece-se oazul de Proa-
aia pela sua insolubilidade na agua, alem] eacidos di-
hiatos; o acido sulfurico concentraste fôrma com elle
uma massa pastosa branca, que toma ac& azul pela
addicção d'agua; oacido nitrice decompee-nín; oacido
chlorhydrico concentrado rouba-lhe uma parte do seu
ferro: não édescorado pelo cubro; os alcalis transfor-
mam-o em ferrocyanetossnluveis, com producção dom
precipitado díoxydo de ferro.
E' bem não confiar absolntamente na côr escura, que
torna osedimento em contacto (Fuma solução de potas-
sa. A porção. que ficou sem se dissolver depois do tra-
tamento pelo *ali epelo acido chlorhydrico (com que
se acidifica aSOillÇ50 depois de filtrada) lava-se, inci-
nera-se efunde-se com carbonato alcalino; asilica pro-
veniente da presença da sseatite 00 d'outros silicatos
magnesianos será separada de producto pela dissolução
no acido chlorhydrico fraco ou pela ammnnia e(o:Ma-
to díammonia eo liquido filtrgdo dará um precipitado
de phnsphato asnmoniace-magnesiano pelo phospbato
de soda.
O autuam dé ral, oarreara', de cobre eowaren° de
ehrosno.'descobrem-se facilmente.
A presença da turram éindicada pelo exame mi-
croscnpico, que faz vir as suas cellulas amarellas, lar-
gas echeias de grãos de remia. A acção dos alcalis,
que lhe dão uma côr escura, aacção do indo que eu-
negrece acorrasou actuando sobre gsua fecula ; per-
minem lambem distinguila das outras meterias co-
rantes »arenas, que não contém substancia amyla-
cea. Diz-se que aeurcuma tem sido reconhecida 'no
79

chá por muitos observadores, mas 51. Alies não a


encontrou nunca; ameteria corante amarella era quasi
sempre uma substancia ferruginosa.
O kaolino será indicado pela incineração, que dos-
trôo a curonna e oazul dá Permeia edeixa um re-
siduo branco, que será tratado pelo acido chlorhydri-
co diluido para dissolver aalumina eooxydo de ferro
'e deixar intacta asilica; aalmnina eooxydo de ferro
são precipitados do liquido pela ammonia.
O coper eraè multas vezes corado pela graphita ou
plonnmOna. Esta substancia reconhece-se pelo seu as-
pecto negro, lustroso enielallico.
Ao microscopio apresenta-se sob aforma de nume-
rosas particulas negras; poderá lambem dar ao chã
uma COr negra eformará pelo repouso um deposito es-
coro, brilhante. •
Para conhecer aquantidade de lenhoso, que está mais.
ou menos misturado com meteria corante einaterias
albinninoides, Allen trata um peso determinado de chá
pela agua a ferver, até que esta se não apresente co-
rada, achando por este processo que aproporção era
de 0.503 a 0,519 para os chás verdes ede 0,587 a
0,608 para os chás pretos.
As folhas de chi já usadas, eseccas outra vez, ser-
vem para fazer elia preto e chá verde; a primeira
d'estas sophisticacries éleais facil de conhecer. Estas
folhas estão enroladas com menos [Link]•idade 'do que
as folhas que ainda não serviram, porque estio aggla-
ficadas nas suas superficies eapresentam partes acha-
tadas. Toem lambem Jun aspecto lustroso devido á
gornina. Pode-se pela analyse reconhecer, que aquan-
tidade de tannino está milito diminuida, emquaido que
a do lenhoso eda gomina éomito maior da que ordi-
nariamente.
Com effeito, em vez de 0,30 a0,40 não se acha mais
do que 0,007 a0,0079 de tannino, emquanto que a
quantidade de lenhoso será de 0,798 a0,091 em vez
de 0,468 a0,448 eada gemina será de 0,116 a0,905
80

em vez de 0,059 a0,063. áluitas vezes juntam ao chá,


que já serviu. cacliii esulfato de ferro para peculiar a
falis de [anuiu° (Ilassall).
-Uma amostra de chá preto superior analysado, de-
pois esgotado pela agua quente etornado aanalysar,
deu os seguintes resultados:

Humidade 9,3 44,1


Malárias insolam, (lenhosa) 58,7 87,5
Gomou HW 3,8
Taunino 45,4 303

Como se vê, no chá esgotado a mataria insoluvel


está augnientada quasi na proporção de 0,30, eniqualito
que agomosa eolamúria estão muito diminuidos. Mas
como os chás feitos de folhas já servidas são sempre
engonanados, d'ahi resulta que no seu exame anta-se
muita gomma emuito lenhoso (Allen).
A pesquiza da theina não parece ser util, ,segundo
Allen, para a descoberta das falsificações do chá, já -
pela quantidade differente, que existe nas diversas es-
pecies de Chá eque varia de 1,0 a5,0 0/0, já por que
a theina e os seus soes sáo facilmente decoinponiveis
mesmo na solução e por consequencia não se pode
tirar d'este estudo resultados, que provem o que se
quer.
As diversas especies de chá estão sujeitas afalsill-
CactieS especiaes eanatureza dessas falsificações deve
influir na escolha do processo de investigação, que se
deve empregar de preferencia. Os capes troa, lie teas e
o chá poisara são quasi as unicas especies falsificadas
com misturas de materias umgueairaa, silica ou com.
productos, que contém estas substancias. Nestes chás
observam-se algumas vezes assina como nos chás pre-
tos, ~lerias adstringentes estranhas. Os caper teta, OS
Chás poleara eos chás ordinarios são muitas vezes fal-
sificados com chá já usado.
ai

Qnasi todas as espades contém folhas estranhas.


Emfim os chás pretos são moitas vezes maquill¢s (co.
rados artificialmente) para apresentarem oaspecto do
chá polvora.

II
X

Commercio do chá

O chá produzido annualmente na China è consu-


mido em grande parte n'este vasto linperio, determi-
nando um movimento commercial considerarei entre os
cultivadores das regiões, que especialmente se dedicam
áproduccão d'este genero, eas outras provindas d'este
grande paia. Mas ocommercio mais importante faz-se
entre os agricultores e os mercadores Chinezes, que
exportam ochá para as outras partes do mundo. E' ne-
cessaria dizer, que os productores eos consumidores
Chinezes não empregariam para seu uso certos chás,
que elles nos destinam eque offerecein as falsas ap-
parencias de qualidades superiores.
Carla asso quando chega aoccasião de fazerem as suas
acquisições, os mercadores de chá vão ás pequenas
cidades das provincias productoras, compram os produ-
elos obtidos pelos agricultores ou pelos sacerdotes cultiva-
dores (os templos Chinezes são [minas vezes os centros
do cominercio das explorações agrícolas). A maior parte
das propriedades são de extensão muito mediocre para'
83

' produzir um lote, ou para empregar otermo chinez, um


eliop, que representa 600 caixas de cada especie. E'
necessario, pois que onegociante se dirija a um certo
numero de prodoetores. Realisadas as compras, omar-
cador manda despejar as caixas ecombina as d'iversas
expedes, para obter certas qualidades distinctas de chá,
reunida os productos, rine offerecem entre si as maio-
res analogias. Muitas vezes mesmo altera estes produ-
elos por manipulações, algumas das tildes icem por
fim juntar as folhas suecas, substancias corantes ou
erystallinas. Para fazer ido, omercador dispõe ff um
atelier complelo;,é por consequencia, ao mesmo tempo,
sob um certo ponto de vista, negociante epreparador
de Chi. Cada chop formado d'estas misturas recebe um
nome, que designa a qualidade e por conseguinte o
valor comparativo do chá, que elle contém. As caixas
são então entregues acooties etransportadas assim as
cosias de homens até aos rios, que communicam com
as cidades, onde as espera ocominarei° europeu. Cada
coube nas leva senão uma caixa, quando ochá éde
qualidade -superior. Esta caixa vae collocada sobre os
hombros por meio de duas hastes de bamba, que faci-
litam o transporte, enunca deve ser posta no chão; por
isso quando ocoolie para nas estalagens da estrada,
deve suspendel-a ao longo d'uma parede por meio ainda
•dos bambas, que lhe serviram para a transporfar.
Comprende-se facilmente que despezas, eque demora
devem causar este meio de transporte. Entre os paizes
predadores e as grandes cidades de exportação, Mas
corno Cantão ou Shanghai í tem-se calculado que adu-
ração dos transportes varia de 1meu a6 semanas. A
qualidade do chá não soffre de modo algum, com estas
longas viagens por terra, e sabe-se, que os chás tão
justamente estimados sob onome de chãs de caravana
só chegam áRussia depois d'um trajecto, que exige 2
annos de marcha. As transacções, ás quaes o chá dá
lugar entre aRussia ea China na feira de Novgorod,
representam em media por asno um valor de 35 milhões,
85
--
isto é, mais do terço da sornma produzida pela reunião
das operações d'esta feira. Parece certo, finalmente, que
em consequencia da multiplicidade de pessoas, pelas
'Irdes o chá tem de passar até chegar aos consumi-
dores europeris. estes tem do o pagar 10 ou 15 vezes
mais caro, do que elle custa nas propriedades chino-
nas.
Infelizmente ao lado d'alguns productos d'urn gosto
delicado, os mercadores de chá vendem muitas vezes
preparações falsificadas. Abusam assim da superiori-
dade reconhecida da China, como psiu produclor de chá,
porque as culturas d'eda planta na India ingleza, fiva
e Brasil não toem por einquanto uma importancia
muito grande. Exposições de terrena menos favoraveis,
uma mão d'obra mais dispendiosa omenos perfeita, não
permitiam ainda aestas localidades produzir chás, que
se possam comparar pelo preço epelas qualidades com
os pradarias chinezes. Os especimens de chás das posses-
sões inglezas nas lndias Orierdaes, eque figuraram na
Exposição Universal de 1855, tinham sido preparados se-
gundo os methodos chinezes, mas conservavam ainda
um cheiro e sabor herbaceos, muita differentes das
qualidades aromaticas e suaves do verdadeiro chá da
China. Segundo Papou, os chás apresentados na Expo-
siçáo Universal de 1855 pela Sociedade hollandeza de
commercio evindos de lava, eos que foram enviados
do Brazil sob dez formas commerciaes diferentes, não
eram de modo algum comparaveis pelo seu aroma aos
productos chinezes. Só estes ultimas merecem fixar a
attenção. E' relativamente aos chás da China, que a
sciencia tem um verdadeiro interesse em procurar co-
nhecer as propriedades d'estas preparações, assim como
em vigiar edenunciar as suas falsificações.
Como já se disse, as numerosas variedades commer-
ciaes de co pedem reduzir-se a2classes: chás verdes
echás pretos. Os primeiros, mesmo quando teein sido
preparados nas melhores condições possiveis eOxerw
pios de toda a, sophisticação ou mistura de substancias
85

insalubres, são naturalmente dotados de propriedades


mais activas sobre oorganismo que não permittefn acer-
tas pessoas fazer d'elles uso habitual. Amaior parle dos
consumidores misturam 'em certas proporções os chás
pretos corn os chás verdes, tanto como fim de evitar aex-
citação demasiadamente grande, produzida por estes ul-
Aimos, como para obter um aroma misto, geralmente,
inalo agradavel. Pode-se estabelecer, em these geral,
que no consumo habitual, o emprego do chá preto é
preferivel ao do chá verde, por isso não dose admirar
vér a importancia predominante da introducção dos
chás pretos em todos os paizes do mundo. A differen-
ça seda maior ainda e a repulsão mais viva, se se
soubesse melhor, aque falsificações estão sujeitas cer-
tas especies de chis verdes, emquanto que os chás
prelos estão longe de offerecer similhantes probáhili-
dades de alteração. Os Chinezes, aeste respeito, deram,
• ha minto tempo, oexemplo aos falsificadores de chás
nos differentes paizes; éafinal, éforça confessal-o, com
•o litn de satisfazer, como &les mesmos odizem, ogosto
dos barbaras estrangeiros eao mesmo tempo, isto não
confessam elles, para augmentar os seus proprios inth-
ressoo, que se entregam a practicas condemnaveis; é
n'uma palavra para dar aos seus productos apparen-
cias exierioros mais favoraveis`if venda, que elles in-
ventaram certas misturas emanipulações especiaes'.
Não éde admirar, que conhecendo ajusta fama dos
chás verdes de primeira qualidade, reservados para os
personagens do Imperio Chinez. o publico tenha dado
a preferencia aos productos dotados J'essa c& verde
e que bintim aexaggeração da côr se tenha tomado
da, parte dos Chinezes primeiro, depois da parte d'al-
guns especuladores Empena. ;em meio de facilitar a
venda, lisongeando ogosto do pnblico. Nada ha mais
facil do que obter esta côr tão procurado. Os proces-
sos empregados são muito simples. São de duas espe-
nies, conforme se quer tornar mais viva acôr verde,
ou se quer além d'isso dar aapparenzia do durei as-
86

branquiçado, indicio da presença dos gommos novos,


que fazem reconhecer os chás de qualidade superior.
À cor verde e algumas vezes verde azulada, obti-
nha-se antigamente por meio do azul d'indigo ou do
amarello de curcuma. A mistura d'estas duas cores
produzia o verde mais ou menos intenso, com um re-
flexo az dado, se o indige dominava. Desde adesco-
berta do azul de Prussia, esta cor mineral substituiu
completamente oindigo na coloração de chá na China,
eamaior parte dos chás verdes recebem esta tinctura
(Warington). Na sua notavel Menearia sobre acompo-
sição chimica do chá de qualidades diversas e das in-
fusões, que se obtém com elle, Miga declara além
d'isso j que nem ooxydo de cobre, nem os sues d'este
metal fazem parte das meterias corantes, usadas na
China para tingir os chás verdes. Quanto áapparen-
bia de davet simulando oaspecto das folhas novas e
dos gommos, éella produzida pelo sulfato de cal (gesso) •
pulverisado. Estas mesmas substancias teem sido em-
pregadas em França e Inglaterra, e muito provavel-
mente cai outros paizes, para dar aos chás deteriora-
dos, por diversas causas accidentees, aapparencia do
chá verde normal.
Os chás pretos inalo geralmente usados, principal-
mente o congo e ó 'houchong estão exemptos d'estas
misturas fraudulentas, segundo aopinião da Commis-
são sanilaria de LondreS. Todavia, mesmo alguns chás
d'esta classe, tons crise opeho eavariedade chamada
poleora, tem sido algumas vezes corados pela plumba-
gina (graphita). Outros confere pôs de chá, ou d'ou-
tras folhas agglomeradas por meio de gomma: Pareceu
evidente á Commissão sanitaria, que importações çon-
sideraveis de falsos chás, preparados na China, são des-
tinadas afalsificar os chás verdes em Londres;
A commissão sanitaria de Londres, que publico os
resultados de suas analyses einvestigações experimen-
taes Jnicrographicas, no jornal de medicina ecirurgia
intitulado The Lancei, resumiu as suas conclusões so-
87
--
bre este ponto, emittindo ovoto: 1.. _que se diminuis-
•se odireito sobre os chás pretos, para augmentar o
seu consumo epor isso mesmo, restringir ouso dos
chás verdes, que estão sujeitos afalsificações mais nu-
merosas emais insalubres; 2.. que todos os chás re-
conhecidos como falsos ou como defraudados fossem
apprehendidos na alfandega equeimados, ou destruidos
Por um meio qualquer.
Deprehende se do que fica dito, que os chás verdes
estão muitas vezes falsificados eque só entre os de
qualidade superior, muito raros entre nós, se podem
achar productos puros.
Apesar d'estas alterações muito proprias para in-
quietar os consumidores, ochá tens-se tornado objec-
to dum commercio cada vez mais activo. As importa-
ções de chá ern Inglaterra, gradualmente augmentadas,
elevaram-se, segundo os registos do consulado britan-
nico de Cantão, em 1844, a23,637,000 kilos, 1/ 4 d'es-
ta quantidade foram consumidos na Grti•Bretanha. Em
1858 as importações chegaram a34,234,000 kilos. Os
documentos provenientes da mesma origem dizem, que
durante oanuo de 4843, as expedições totaes para os
diversos paizes, pelos navios inglezes eamericanos, se
elevaram a 74,719,557 kilos; se se juntar os Omilhões
de kilos suportados por Kialffita edestinados ao com-
mercio da Russia, renonhecer-se-ha que oImper.» do
Meio exportou 83 milhões de kilos de chá, represen-
tando mais de 166 milhões de francos pagos aos mer-
cadores chinezes, eum valor, que excede 1,666 milhões
nos logares de consumo pagos nos diferentes paizes
do globo.
A importancia d'este commercio é, na realidade, mui-
to maior ainda, porque não foram nella comprehendi-
das, nem as exportações directas para os paizes da
Asia Central, aCochinchina, Toukin, Siso, oAfghanis-
tan, nem as numerosas importações efectuadas em to-
dos os paizes sem declarações officiaes, com ofim de-
vitu os direitos de entrada. Em todo ocaso pode dizer-
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s, eque o chá éna China oobjecto do commercio mais


importante, já no interior do Imperio, já no exterior •
O commercio dos Estados Unidos com aChina só ser
desenvolveu depois da guerra da Independencia, teria
sido limite maior, se a Companhia Ingleza das Urdias
não tivesse tirado aos Americanos as importações do
Canada ese aconcorrencia dos Hollandezes se não ti-
vesse novamente manifestado.
Emquanto áRussia, as importações dos chás chilre-
aos elevaram-se desde 1823 a 2,132,042 Mios; gra-
dualmente augmentadas desde então, 'em 1836 anin-
giram 9,370,026 leiloo, comprehendendo as importa-
ções por °dessa:, hoje as importações excedem esta
quantnlade, que, extrahida dos registos da alfandega,
não podia comprehender as numerosas introducções
effectuadas sem declaração, coar ofim d'evitar os direi-
tos. A extensão consideravel do commercio geral da •
Russia com aChina edas importações de chá, que formam
asua base principal, édevida não só áqualidade supe-
rior das,variedades de chás, que alimentam estas inr-
portações pela Tarlaria chineza, mas lambem ás rela-
ções excepcionalmente amigaveis, estabelecidas entre
os dois Imperíos, desde aepocba das embaixadas em
Rekin de lobrandsrldes em 1693 ed'Ismailof em 1719,.
enviadas por Pedro, oGrande: sabe-se (1110 desde então
os Russos cultivaram com grande cardado estas rela-
ções sympaillicas, que lhes teem assegurado previle-
pios, que nenhum outro privo cónsegniu obter até hoje.
O transporte até Hijni-Novgorod, dos chás edas di- •
versas mercadorias vendidas em Kiaktdo faz-se por
terra epelos rios. Esta ultima via exige trez estios
muno curtos, porque durante os intervallos anavega-
ção nos canaes enos rios está Interrompida pelo gélo.
iria commercio internacional do chá, aRussia occupa
osegundo topar Ira mais de meio secular o primeiro
togar pertence áInglaterra, onde o desenvolvimento
(reste commercio tem feito progressos mais rapidos
ainda. Em Inglaterra, o consumo do chá émais coa- •
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sideravel do que em qualquer outro paiz, exceptuando


oChina. Apesar dos obstaculos, que todas as relações
internacionaes encontram na China, ocominarei° niari-
timo dos Estados-Unidos conserva oterceiro Jogar, re-
lativamente as exportações de chá pelo porto de Cantão;
essas exportações chegaram a9 milhões de kilos em
1840, os registos do consulado britanico elevam-n'as a
7,169.000 kilos em 1848; segundo os estudos (1859)
de JIM. Isidore Heddee•Ecl. Renard, A. Haussmann e
N. Rondot, delegados commerciaes addidos álegação
da França na China, as exportações por navios ameri-
nos elevaram-se em 1815 a20,757,256 kilos.
A restauração da casa de Nassa'', restituindo áHol.
landa asua productiva colonia de Java, etornando aabrir-
lhe ao mesmo tempo as relações com aChina, parecia
dever 'offerecer-lhe occasião favoravel para um grande
commercio•sobre os chás exportados de Cantão, se os
Inglezes náo tivessem, em prejuizo da Hollanda, ano-
nopotisado este commercio. Todavia, segundo um do-
.aumento emanado do ministerio das finanças da Hol-
landa, oCCIISUITI) do chá neste paio ter-se-ha elevado
a 450,000 kilogrammas em 1810; as exportações do
porto de Canta° com omesmo destino são avaliadas
em 1,059,000 kilogrammas em 1844 pelo consulado
britanieo. Sabe-se além disto, que moo parte notavel ,
do chá consumido pela Hollanda, vem das culturas de
sua colonia de lava.
A França, sob oponto de vista do commercio, assim
como do consumo das differentes asparias de chá, oc-
cupa apenas oquinto legar. Os dados precisos publi-
cados nos registos das alfandegas náo podem deixar
duvida alguma sobre este ponto. As importações, repre-
sentando amedia annual do commél-cio geral durante
um periodo de-10 annos, de 1827 a 1836, eram de
351.793 kilos; durante o penedo decanal seguinte, as
importações desceram a263,470 kilos; foram ainda
tatu pouco reduzidas de 1817 a1856 e amedia d'es-
les 40 annos nos excedeu 237,367 kilos. Os dois an-
13
90

nos seguintes 1857 e 1858 apresentam uma media an-


nual maior mesmo do que ado 1.° penado 422,603
kdos, representando pelo menos um valor de francos
2,535,618. De 233,768 kilos, algarismo que attingia o
consumo em França no atine de 1857. elle elevou-se a
262,538 Silos ou 13 °//, durante oanuo de 1852.
O chã ocrupa, nos paizes especialmente produclores,
numerosas populações de operarias, tanto no interior
da China como no mundo inteiro..
Em Portugal, amedia da importação do chá no guin-
quennio de 1866 a 1870 regulou por 215:449 kilo.
grammas. Descontando 784 exportados, restam para
consumo do paia 214,665 kilogrammas, que dr:o para
cada habitante aquota de 56 grammas.
(Relataria da Direcção geral de Condoerei° e Indus-
tria, /873).
PROPOSIOES

Anatomia. A bacia masculina differe da feminina.


Physiologia. À euntractilidade muscular eaexci-
tabilidade dos nervos [notares são duas propriedades
distinctas.
Materia medica. O %Dior methodo de adminis-
trar os medicamentos éohypodermico.
Pathologia interna. A psoriasis é a manifesta-
ção de ama diathese.
Pathologia externa. A mobilidade anormal na
continuidade de um osso é.sytnptenla pathognomonico
de fractura.
Medicina operatoria. No tratamento dos aneu-
rismas, trela compressão, preferimos acompressão di-
gital.
Anatomia pathologioa. A malignidade das neo-
plasás depende da mobilidade dos elementos can ,
lares.
Obstetricia. Para a dilatação do collo do ulmo
preferimos aesponja preparada.
Eygiene. Não • se pôde reprovar em absoluto os
casamentos consanguineos.

Visto [Link]

J. Ferraz de Macedo. Thomaz de Carvalho.


jURY
els ilimetrieeirkes eexeelleyttissilmee eelLkeres:

PRES/[Link]

be neebo

VOGAES

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