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Organização da Administração Pública 2024

A aula aborda a estrutura e organização da Administração Pública, destacando as diferenças entre entidades políticas e administrativas, além dos conceitos de centralização, descentralização e desconcentração. A centralização refere-se à execução direta das tarefas pelo Estado, enquanto a descentralização envolve a delegação de atividades a outras entidades, e a desconcentração se refere à segmentação de competências dentro da mesma pessoa jurídica. O documento também inclui questões comentadas para auxiliar na compreensão dos temas abordados.
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Organização da Administração Pública 2024

A aula aborda a estrutura e organização da Administração Pública, destacando as diferenças entre entidades políticas e administrativas, além dos conceitos de centralização, descentralização e desconcentração. A centralização refere-se à execução direta das tarefas pelo Estado, enquanto a descentralização envolve a delegação de atividades a outras entidades, e a desconcentração se refere à segmentação de competências dentro da mesma pessoa jurídica. O documento também inclui questões comentadas para auxiliar na compreensão dos temas abordados.
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Aula 04

Prefeitura de Lins-SP / ISS-Lins-SP


(Fiscal da Receita Tributária) Direito
Administrativo - 2024 (Pós Edital)

Autor:
Antonio Daud

15 de Março de 2024

28565773850 - Leandro Fernandes


Antonio Daud
Aula 04

Índice
1) Administração Pública - Conceito
..............................................................................................................................................................................................3

2) Centralização, Descentralização, Concentração e Desconcentração


..............................................................................................................................................................................................6

3) Órgãos Públicos
..............................................................................................................................................................................................
13

4) Administração Direta e Indireta


..............................................................................................................................................................................................
28

5) Autarquias
..............................................................................................................................................................................................
31

6) Fundações Públicas - Fundações Governamentais


..............................................................................................................................................................................................
50

7) Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista


..............................................................................................................................................................................................
60

8) Questões Comentadas - Organização Administrativa - Vunesp + FCC


..............................................................................................................................................................................................
100

9) Lista de Questões - Organização Administrativa - Vunesp + FCC


..............................................................................................................................................................................................
163

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Aula 04

INTRODUÇÃO
Olá amigos!

Nesta aula, começaremos a estudar as formas por meio das quais a Administração Pública se
estrutura e se organiza juridicamente para alcançar seus objetivos.

O ordenamento jurídico estabelece deveres bastante diversificados ao Estado, como segurança


pública, prestação jurisdicional, saúde, educação, exploração de petróleo etc.

Dadas as particularidades de cada um destes temas, fazem-se necessárias diferentes estruturas


administrativas, cada uma indicada para certo tipo de atividade.

Dentro deste contexto, estudaremos a organização administrativa do Estado, as similitudes e


diferenças de cada espécie de estrutura, com foco em concurso público.

Avante!

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ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (CONCEITO)


No início do nosso curso, distinguimos as expressões “governo” e “administração pública”, no
intuito de registrar que o direito administrativo cuida eminentemente da “administração pública”.

A atuação do governo1, enquanto função política ou de governo, é objeto de estudo do direito


constitucional.

Pois bem! Aqui também é importante deixar clara a diferença “entidades políticas” e “entidades
administrativas”, já que o nosso grande foco de estudo são os órgãos e entidades de natureza
administrativa (que compõem a Administração Pública). ==126341==

Entidades políticas (ou entes federados ou pessoas políticas) são pessoas jurídicas de direito
público interno dotadas de competências de natureza política, legislativa e administrativa. São a
União, os estados, o Distrito Federal e os milhares de municípios brasileiros.

O elemento marcante das entidades políticas consiste na sua autonomia política, isto é, na
capacidade das entidades políticas de legislarem e se auto-organizarem.

Com base na capacidade de legislarem, as entidades políticas detêm competência para


regulamentarem determinados assuntos previstos no texto constitucional.

Então, por exemplo, os municípios detêm competência para legislarem sobre assuntos de
interesse local (CF, art. 30, I), ao passo que é a União quem deve legislar a respeito de direito do
trabalho e direito civil (CF, art. 22, I).

A capacidade de auto-organização consiste na autorização para que as entidades políticas editem


Constituições próprias (no caso dos estados - CF, art. 25) ou leis orgânicas (no caso dos municípios
e do DF - CF, arts. 29 e 32).

1
Conceituamos “Governo” como a estrutura que dirige o Estado, estabelecendo diretrizes e políticas
públicas (função política).

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políticas
autonomia
política
Entidades políticas competências legislativas

administrativas

Por outro lado, as entidades e os órgãos administrativos são desprovidos de autonomia política.
Em razão disto, não possuem capacidade de legislarem ou de se auto-organizarem. Ou seja:

Entidades políticas → autonomia política

Órgãos e entidades administrativos → sem autonomia política

Apesar de não possuírem competências de natureza política ou legislativa, as entidades


administrativas detêm competências administrativas, ou seja, destinadas à execução das leis.

Em síntese:

Entidades
competências administrativas
administrativas

Assim, enquanto o ente político pode inovar o ordenamento jurídico, legislando a respeito de
determinado assunto (nos limites definidos pela Constituição Federal), o órgão ou a entidade
administrativa limitam-se a executar os ditames legais.

Nesse sentido, o ente político ao editar lei sobre determinado assunto, no exercício de sua
competência legislativa, poderia até mesmo criar uma entidade administrativa para executá-la.
Este é o conceito de descentralização, que estudaremos mais adiante.

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CENTRALIZAÇÃO, DESCENTRALIZAÇÃO E
DESCONCENTRAÇÃO
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTÍSSIMA

Para organizar o exercício da função administrativa, o Estado se socorre basicamente dos


mecanismos de centralização, descentralização e desconcentração.

Consoante leciona José dos Santos Carvalho Filho1, a centralização é a situação em que o Estado
executa diretamente suas tarefas, ou seja, por intermédio de órgãos e agentes administrativos
subordinados à mesma pessoa política. Em outras palavras, trata-se da execução de tarefas pela
administração direta.

A respeito da centralização, vejam a questão abaixo:

CEBRASPE/ TCE-PA – Auxiliar Técnico de Controle Externo - Área Administrativa - 2016


A centralização consiste na execução das tarefas administrativas pelo próprio Estado, por meio de órgãos
internos integrantes da administração direta.
Gabarito (C)

Adiante veremos que, enquanto a Administração Direta é composta de órgãos internos, a


Administração Indireta se compõe de pessoas jurídicas, também denominadas de entidades.

Já pela descentralização administrativa, o Estado executa suas tarefas indiretamente, isto é,


delega a outras entidades. A partir da descentralização, as atividades não são executadas pelos
órgãos do próprio ente político (administração direta), mas por entidades pertencentes à
administração indireta ou a particulares prestadores de serviços públicos.

Consoante salienta Marcelo Alexandrino, na descentralização, portanto, temos duas pessoas


jurídicas diferentes:

(i) o próprio ente político – isto é, União, estados, DF ou municípios – e

(ii) a pessoa jurídica que irá executar a atividade.

1
FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 473

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Pessoa
jurídica A

Ente político Descentralização


(U, E/DF, M)

Pessoa
jurídica B

O envolvimento de duas pessoas na descentralização foi cobrado na questão abaixo:

CEBRASPE/ TCE-PA – Auxiliar Técnico de Controle Externo


A descentralização administrativa pressupõe a transferência, pelo Estado, da execução de atividades
administrativas a determinada pessoa, sempre que o justificar o princípio da eficiência.
Gabarito (C)

A descentralização pode se dar mediante outorga ou delegação.

A descentralização mediante outorga (ou descentralização por serviços ou funcional ou técnica)


se dá quando o Estado, mediante lei, cria uma entidade (ou autoriza sua criação) e transfere a ela
determinado serviço público.

É o que ocorre com as entidades da administração indireta (em especial, autarquias, fundações
públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista).

Apesar de controverso na doutrina, Di Pietro e Marcelo Alexandrino2 ressaltam que, na


descentralização por serviços, a administração central cria entidades da Administração Indireta e
transfere a elas a titularidade e a execução de serviços públicos.

Além disso, é importante registrar que a descentralização mediante outorga, em geral, se dá com
prazo indeterminado.

2
ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo Descomplicado. 25ª ed. p. 28

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Exemplo: a União editou uma lei para criar o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social),
enquanto pessoa jurídica pertencente à administração indireta.

A descentralização mediante outorga decorre do princípio da especialidade, em razão do qual


atribui-se a uma entidade criada especificamente para aquela finalidade uma parcela das
competências do Estado. Em tese, ao se especializar em um nicho de serviços, a entidade poderia
ter um melhor desempenho do que se o ente político prestasse todo e qualquer serviço público.

----

Por sua vez, a descentralização mediante delegação (ou descentralização por colaboração) ocorre
quando o Estado, mediante ato ou contrato (e não via lei), transfere a um particular a execução
de determinado serviço público. A descentralização mediante delegação ocorre por prazo
determinado, como regra geral

Exemplo: a União delegou à empresa de telefonia XPTO, mediante contrato, a prestação


de serviços públicos de telefonia fixa.

A delegação mediante ato unilateral consiste na autorização para prestação de serviços públicos,
sendo que podem ser beneficiários de tal ato pessoas jurídicas ou físicas. Dada a natureza de ato
administrativo, a autorização pode ser revogada a qualquer tempo.

A delegação mediante contrato, a seu turno, representa a concessão e a permissão de serviços


públicos.

Sintetizando as diferenças entre as duas formas de descentralização,

via Lei
Descentralização

a entidades da Administração Indireta


por outorga ou
transfere a titularidade e a execução
serviços do serviço
regra: prazo indeterminado
ex.: INSS, Dnit, Petrobras

via Ato ou Contrato


A particulares
por delegação ou
transfere apenas a execução do
colaboração serviço
regra: prazo determinado
ex.: serviço público de telefonia fixa

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Outra diferença entre descentralização mediante outorga e delegação, consoante apontado por
Marcelo Alexandrino3, consiste na amplitude do controle que a administração direta exerce em
cada um dos casos.

No caso da descentralização mediante outorga (administração indireta), temos o controle


finalístico (ou tutela administrativa), de espectro bastante reduzido.

Já no caso de descentralização mediante delegação (particulares), há uma série de controles que


o poder concedente exerce sobre o particular, incluindo prerrogativas como a alteração unilateral
das condições de execução da delegação, a intervenção imediata na delegação para ulterior
apuração de irregularidades e mesmo a decretação de caducidade (extinção unilateral da
delegação motivada por prestação inadequada do serviço delegado).
==126341==

----

Qualquer que seja a modalidade adotada, na descentralização não há subordinação. Assim, não
há que se falar em poder hierárquico entre a administração direta e a indireta ou entre o ente
político e um particular prestador de serviços públicos.

No caso da descentralização mediante outorga (administração indireta) há mera vinculação entre


a administração direta e a entidade da administração indireta.

Para finalizar o assunto descentralização, destaco uma última modalidade, atualmente sem grande
relevância prática.

Trata-se da descentralização territorial ou geográfica, que consiste na possibilidade de criação de


território federal, nos termos previstos no texto constitucional4.

Os territórios federais são pessoas jurídicas de direito público que, caso criados, passam a fazer
parte da administração pública federal. São chamados de autarquias territoriais e possuem
atribuições administrativas genéricas e heterogêneas (diferentemente das autarquias
convencionais, que possuem atribuições específicas).

Estudadas as principais modalidades de descentralização, agora vamos passar à desconcentração


administrativa.

3
ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo Descomplicado. 25ª ed. p. 28
4
CF, art. 18, § 2º Os Territórios Federais integram a União, e sua criação, transformação em Estado ou
reintegração ao Estado de origem serão reguladas em lei complementar.

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Na desconcentração o Estado se desmembra em órgãos para propiciar melhoria na sua


organização estrutural. Ou seja, dentro de uma mesma pessoa jurídica, um feixe de competências
é segmentado e atribuído a um órgão.

Órgão
A

Pessoa Jurídica X

Órgão
B

Desconcentração

Exemplos: o Ministério da Economia e seus órgãos, como a Esaf, a Secretaria do Tesouro


Nacional e a Receita Federal (todos órgãos subordinados à União); os tribunais; as casas
legislativas.

Quanto aos exemplos, vejam a questão abaixo:

CEBRASPE/ TRE-MT - Analista Judiciário – Área Judiciária (adaptada)


Os ministérios, órgãos integrantes da administração direta, não possuem personalidade jurídica própria.
Gabarito (C)

A exata noção de desconcentração parte da ideia de órgão público. Este conceito será detalhado
mais à frente, mas já podemos adiantar que consistem em círculos de atribuições repartidos no
interior da personalidade estatal5 sem personalidade jurídica própria.

Entidade → pessoa jurídica

Órgão → ente sem personalidade jurídica própria

5
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. Ed. Malheiros. 26ª ed. P. 69

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Vejam como as bancas podem tentar confundir os conceitos de desconcentração e


descentralização:

CEBRASPE/ PC-PE - Delegado de Polícia (adaptada)


Desconcentração é a distribuição de competências de uma pessoa física ou jurídica para outra, ao passo que
descentralização é a distribuição de competências dentro de uma mesma pessoa jurídica, em razão da sua
organização hierárquica.
Gabarito (E)

Diferentemente do que ocorre na descentralização, na desconcentração há hierarquia, ou seja, há


subordinação entre os órgãos.

Atenção! A desconcentração é observada tanto na administração direta (na criação de


órgãos) como nas entidades da administração indireta (na ramificação em órgãos,
departamentos, setores, unidades etc).

Assim, poderemos ter, por exemplo, administração descentralizada desconcentrada (entidade da


administração indireta subdividida em órgãos e departamentos) e administração centralizada
desconcentrada (órgão da administração direta).

A este respeito, vejam a questão abaixo:

FCC/ ALESE – Técnico Legislativo (adaptada)


Os órgãos públicos são unidades de atuação integrantes apenas da estrutura da Administração direta, haja
vista que as unidades de atuação integrantes da estrutura da Administração indireta denominam-se
entidades.
Gabarito (E)

Para não confundirmos a terminologia referente à “descentralização” e “desconcentração”, segue


um mnemônico clássico (que toma por base a descentralização por serviços):

desCEntralização → Cria Entidade

desCOncentração → Cria Órgão

E agora uma breve comparação entre os dois institutos:

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Descentralização Desconcentração

• atribuição de competências a entidades • atribuição de competências a órgãos


(personalidade jurídica própria) (sem personalidade jurídica própria)
• sem subordinação ao ente político • subordinação entre os órgãos
• modalidades
• pode se dar tanto dentro da
• outorga (via Lei): administração indireta administração direta como no interior
• delegação (via Ato ou Contrato): das entidades da indireta
particulares
• territorial: territórios federais

A partir do estudo das noções de centralização, descentralização e desconcentração, vamos


abordar os conceitos de administração direta e indireta.

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ÓRGÃOS PÚBLICOS
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA

Órgãos públicos, sejam na administração direta ou na indireta, resultam de um processo de


desconcentração, em que a pessoa jurídica se desmembra em unidades internas para propiciar
melhoria na sua organização estrutural. Ou seja, dentro de uma mesma pessoa jurídica, um feixe
de competências é segmentado e atribuído a um órgão.

Segundo Hely Lopes Meirelles, órgãos públicos são "centros de competência instituídos para o
desempenho de funções estatais, através de seus agentes, cuja atuação é imputada à pessoa
jurídica a que pertencem".

Conceito interessante é também apresentado por Celso Antônio Bandeira de Mello, segundo o
qual órgão público consiste em círculos de atribuições repartidos no interior da personalidade
estatal1.

No plano da legislação federal, é importante destacarmos as definições constantes da Lei


9.784/1999:

Lei 9.784/1999, art. 1º, §2º, I - órgão - a unidade de atuação integrante da estrutura da
Administração direta e da estrutura da Administração indireta;

II - entidade - a unidade de atuação dotada de personalidade jurídica;

Retomando os exemplos anteriores:

Exemplos de órgãos públicos: o Ministério da Economia e seus órgãos, como a Secretaria


do Tesouro Nacional e a Receita Federal; o Tribunal de Contas da União; a Câmara dos
Deputados; o Superior Tribunal de Justiça; o Ministério Público.

O elemento mais marcante do conceito de órgão público consiste na ausência de personalidade


jurídica própria. São centros de competência despersonalizados.

Vejamos a seguir algumas repercussões da falta de personalidade jurídica própria.

1) Impossibilidade de serem parte em contratos administrativos

1
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. Ed. Malheiros. 26ª ed. P. 69

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Como não possuem personalidade própria, os órgãos não celebram contratos administrativos em
nome próprio.

Imaginem o seguinte exemplo: o Ministério da Economia celebra um contrato


administrativo para aquisição de computadores. Em decorrência da falta de
personalidade própria do Ministério da Economia (enquanto órgão público), temos que,
juridicamente, o contrato administrativo foi celebrado pela pessoa jurídica a que o órgão
pertence (neste caso, a União), por intermédio daquele órgão.

Apesar de não possuírem capacidade para celebração de contratos administrativos, os órgãos


detêm capacidade para celebrarem, em nome próprio, contratos de gestão, para ampliação de
sua autonomia, consoante regra constitucional inserida pela EC 19/98:

CF, art. 37, § 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades
da administração direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado
entre seus administradores e o poder público, que tenha por objeto a fixação de metas de
desempenho para o órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre:

I - o prazo de duração do contrato;

II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações e


responsabilidade dos dirigentes;

III - a remuneração do pessoal.

Além disso, é importante destacar que os órgãos possuem CNPJ, já que a inscrição na base de
dados do CNPJ não é exclusiva dos entes dotados de personalidade própria.

2) Ausência de patrimônio próprio

Os órgãos públicos não possuem patrimônio próprio. Os bens por eles utilizados são de
propriedade da pessoa jurídica a que pertencem.

Imaginem os bens imóveis e a frota de veículos utilizados pela Receita Federal. Todos
estes bens são de propriedade da União, que é a pessoa jurídica a que o órgão pertence.

3) Falta de capacidade processual

Outra decorrência da ausência de personalidade própria, é que, em regra, os órgãos não detêm
capacidade para serem judicialmente acionados para responder por danos causados por seus

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agentes no exercício de suas atribuições. A atuação dos órgãos é imputada à pessoa jurídica a que
pertencem e, portanto, é a pessoa jurídica quem deverá figurar como parte em um processo
judicial, como regra geral. Como será detalhado mais à frente, como regra, os órgãos não possuem
capacidade processual.

Dito isto, passemos a analisar as teorias que explicam como a atuação de um agente público e de
um órgão público é atribuída ao Estado.

Teorias do órgão, do mandato e da representação

Sabemos que o Estado, enquanto pessoa jurídica, atua por intermédio de agentes públicos
(pessoas físicas). Assim, é importante conhecer a teoria do órgão e as demais teorias que buscam
explicar como a conduta destes agentes públicos vincula o Estado.

➢ Teoria do mandato

O mandato, no direito privado, consiste em um contrato, por meio do qual uma pessoa (o
mandante) delega poderes a outra pessoa (mandatário), para que esta realize atos em nome
daquela. O instrumento do mandato é chamado de procuração2.

Assim, pela teoria do mandato, o agente público seria um mandatário da pessoa jurídica, agindo
em nome e sob responsabilidade da pessoa jurídica.

Esta teoria foi criticada principalmente por não explicar como o Estado (que não tem vontade
própria) outorga o mandato ao agente público.

➢ Teoria da representação

Traçando um paralelo com o direito civil, temos que a representação é instrumento usualmente
utilizado para suprir uma incapacidade civil, como a menoridade. Nestes casos, o menor é
representado por alguém plenamente capaz, um tutor ou um curador.

Trazendo este conceito para o direito administrativo, percebemos que a teoria da representação
informa que o agente público é um representante do Estado, atuando como um tutor ou curador
do Estado.

2
Código Civil, art. 653. Opera-se o mandato quando alguém recebe de outrem poderes para, em seu
nome, praticar atos ou administrar interesses. A procuração é o instrumento do mandato.

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Esta teoria também é bastante criticada, neste caso por equiparar a pessoa jurídica a um incapaz
e por pressupor que o Estado confere representantes a si mesmo, diferentemente do que, de fato,
ocorre em uma tutela ou curatela.

➢ Teoria do órgão ou da imputação volitiva

Aqui temos a teoria amplamente aceita no direito administrativo brasileiro e utilizada, atualmente,
para explicar a relação entre os atos dos agentes públicos e a responsabilidade do Estado.

A teoria do órgão, também chamada de teoria da imputação volitiva, foi desenvolvida pelo alemão
Otto Gierke e afirma que a pessoa jurídica manifesta sua vontade por meio dos órgãos. Em outras
palavras, esta teoria parte do pressuposto de que o órgão é parte integrante do Estado.

Assim, como os agentes compõem o órgão público, quando o agente manifesta sua vontade, é
como se o próprio Estado o fizesse.

Dessa forma, a ideia da representação, defendida pela teoria anterior, é substituída pela
imputação da vontade do agente ao Estado.

Como leciona Maria Sylvia Zanella Di Pietro3 esta teoria é utilizada para justificar a validade dos
atos praticados por funcionário de fato4. Ou seja, o ato do funcionário é ato do órgão e, portanto,
imputável à Administração.

Além disso, a doutrina aponta limites à teoria da imputação. Di Pietro aponta que, para a
ocorrência da imputação, deve-se ter, ao menos, aparência de legitimidade. Não havendo
aparência de que o agente atua em nome do poder público, sua conduta não será imputada ao
Estado.

Assim, não se imputa ao Estado a conduta da pessoa que assume o exercício de função pública
por sua conta própria, quer dolosamente (como o usurpador de função5), quer de boa-fé, para
desempenhar função em momentos de emergência.

Aproveito para lembrar que:

O usurpador é aquele que não é agente público, nem nunca recebeu nenhuma forma de
investidura em cargo, emprego ou função. Apesar disso, ele “finge” agir em nome do
Estado.

3
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. eBook. P. 18412
4
Funcionário de fato consiste no agente público cuja investidura no cargo encontra-se eivada de vício.
5

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Pela gravidade, a usurpação de função pública foi definida como crime, tipificado no art.
328 do Código Penal.

Em síntese:

agente público é mandatário


do mandato
(procurador) da pessoa jurídica

agente público é representante


Teoria da representação
do Estado (tutor ou curador)

a conduta dos agentes públicos


do órgão
é imputada ao Estado

Considerando a prevalência da teoria do órgão, vejam a questão a seguir:

CEBRASPE/ TC-DF - Procurador


A atuação do órgão público é imputada à pessoa jurídica a que esse órgão pertence.
Gabarito (C)

Criação e Extinção

A criação e a extinção de órgãos dependem de ato legislativo. Adiante veremos que a


criação/extinção de órgãos do legislativo demandam resolução legislativa e para os demais
poderes, lei (em sentido estrito).

A) Como regra geral (isto é, para órgãos do Executivo, do Judiciário, do MP e dos tribunais
de contas), exige-se lei (em sentido estrito) para a criação e extinção de órgãos:

CF, art. 48. Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da República, não
exigida esta para o especificado nos arts. 49, 51 e 52, dispor sobre todas as matérias de
competência da União, especialmente sobre: (..)

XI – criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública;

Além disso, tratando-se de órgãos do Poder Executivo, a iniciativa desta lei cabe ao Chefe do
Poder Executivo:

CF, art. 61, § 1º São de iniciativa privativa do Presidente da República as leis que: (..)

II - disponham sobre:

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e) criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública, observado o


disposto no art. 84, VI;

Notem que, apesar de o dispositivo constitucional acima se referir ao Executivo Federal, sua
aplicação é obrigatória, por simetria, a todos os entes federativos, consoante tem entendido o
STF6.

A este respeito lembro que não se pode criar ou extinguir órgãos mediante decreto:

CF, art. 84, VI – dispor, mediante decreto, sobre:

a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento


de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos;

B) Especificamente para a criação e extinção de órgãos do Poder Legislativo, a Constituição


exigiu simples Resoluções Legislativas de cada Casa, por meio do disposto nos arts. 51, IV, e 52,
XIII, da Constituição Federal.

Lei

Iniciativa = chefe
Regra geral do Executivo,
presidente do
Criação e Tribunal ou chefe
extinção de do MP
órgãos
Órgão do
Poder Ato de cada Casa
Legislativo

6
STF - ADI: 1275 SP, Relator: Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Data de Julgamento: 16/05/2007,
Tribunal Pleno.

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Classificações

Quanto à estrutura, os órgãos podem ser:

Possuem apenas um centro de competências.


Não existem outros órgãos em sua estrutura
Simples ou
interna (não possuem subdivisões internas).
Unitários
Exemplo: órgãos não subdivididos internamente
(raro).
Órgãos Formados por mais de um centro de
competência.
Possuem outros órgãos em sua estrutura
interna.
Compostos
Exemplos: Ministério da Economia, ao ser
composto por diversas secretarias, como o
Tesouro Nacional e a Receita Federal.

Já quanto à atuação funcional, os órgãos podem ser:

Compostos por um único agente.


Singulares ou As decisões do órgão dependem da vontade
de um único agente.
Unipessoais
Exemplo: Presidência da República.
Órgãos Compostos por múltiplos agentes públicos.
Suas decisões exigem manifestação conjunta
Colegiados ou dos vários membros.
Pluripessoais
Exemplo: CARF – Conselho Administrativo
de Recursos Fiscais.

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Quanto a esta classificação, Carvalho Filho7 denomina-os como órgãos de “representação


unitária” e de “representação plúrima”.

Ainda quanto a esta classificação, Di Pietro lembra que existe pensamento diverso, segundo o
qual os órgãos seriam divididos em burocráticos e colegiados. Os órgãos burocráticos seriam
aqueles formados por uma só pessoa física ou por várias ordenadas verticalmente
(hierarquicamente). Já os órgãos colegiados são aqueles formados por várias pessoas físicas
ordenadas horizontalmente (sem relação de hierarquia), havendo entre elas mera coligação ou
coordenação.

De acordo com José dos Santos Carvalho Filho8, quanto à situação estrutural:

detêm funções de comando


Diretivos e direção
Órgãos
incumbidos das funções
Subordinados rotineiras de execução

Por fim, quanto à posição hierárquica:

7
FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 17
8
Op. cit

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Previstos no próprio texto constitucional.


Sem subordinação a qualquer outro órgão.
Independentes ou Seus titulares são agentes políticos.
Primários Exemplos: Presidência da República, Câmara dos
Deputados, Tribunal de Contas da União,
tribunais do Poder Judiciário

Imediatamente abaixo dos órgãos


independentes.
Possuem ampla autonomia administrativa,
financeira e técnica.
Autônomos Participam da formulação de políticas
públicas.
==126341==

Exemplos: Ministérios e Secretarias estuais


e municipais.

Órgãos
Possuem atribuições de direção e decisão,
mas estão subordinados a uma chefia mais
alta.
Não possuem autonomia administrativa ou
Superiores financeira.

Exemplos: Coordenadorias, Procuradorias,


Gabinetes, Secretarias-Gerais

Possuem atribuições de mera execução,


com reduzido poder decisório.
Subordinados a vários níveis hierárquicos.
Subalternos
Exemplos: repartições de pessoal, de
protocolo.

Sintetizando as principais classificações comentadas, temos o seguinte diagrama:

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Capacidade processual

Como já adiantado anteriormente, em decorrência da ausência de personalidade jurídica própria,


em regra, os órgãos não detêm capacidade para serem judicialmente acionados para responder
por danos causados por seus agentes. Em outras palavras, como regra, os órgãos não possuem
capacidade processual. O particular deve acionar a pessoa jurídica a que o órgão pertence.

No entanto, a jurisprudência vem reconhecendo, excepcionalmente, capacidade processual


especial a alguns órgãos públicos em determinadas situações.

Portanto, órgãos públicos não podem ser acionados diretamente perante o Judiciário,
exceto órgãos específicos dotados de capacidade processual especial.

Adiante passemos ao estudo destas principais exceções!

➢ Órgãos independentes e autônomos: defesa de suas prerrogativas


Esta capacidade processual de caráter excepcional é reconhecida a órgãos independentes e
autônomos (mas não aos superiores e subalternos), como a Presidência da República, que pode
realizar defesa judicial de suas prerrogativas, sobretudo no bojo de mandados de segurança.
Nesse sentido, considerando-se as câmaras de vereadores órgãos independentes e autônomos,
temos a SUM-525 do STJ, atribuindo a elas a “personalidade judiciária” o que se equivale à
capacidade processual:

A Câmara de Vereadores não possui personalidade jurídica, apenas personalidade


judiciária, somente podendo demandar em juízo para defender os seus direitos
institucionais.

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➢ Defesa dos direitos dos consumidores


Outra situação em que a legislação confere capacidade processual aos órgãos diz respeito às
ações de defesa dos consumidores:

CDC, art. 82. Para os fins do art. 81, parágrafo único, são legitimados concorrentemente
[defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das vítimas]:

III - as entidades e órgãos da Administração Pública, direta ou indireta, ainda que sem
personalidade jurídica, especificamente destinados à defesa dos interesses e direitos
protegidos por este código;

Nestes casos, portanto, mesmo não possuindo personalidade jurídica, órgãos públicos incumbidos
da defesa das relações de consumo poderão ingressas com ações judiciais.

órgãos não possuem


Regra geral
capacidade processual

Capacidade
processual órgãos independentes e
autônomos
Exceções
órgãos de defesa dos
consumidores

Síntese das principais características dos órgãos públicos

Sintetizando os principais aspectos estudados nesta seção, a doutrina 9 aponta características


gerais dos órgãos públicos, a saber:

9
A exemplo de ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo Descomplicado. 25ª ed. p.
134-135

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ou pessoa política (U, E/DF, M) ou


integram a estrutura de uma
administrativa (autarquia, fundação
pessoa jurídica pública, EP, SEM)
não possuem personalidade
jurídica

criação e extinção mediante LEI

não possuem patrimônio próprio


Características dos diferentemente do que ocorre na
ÓRGÃOS resultado da desconcentração descentralização, na desconcentração há
hierarquia
podem firmar contratos de
gestão

alguns possuem autonomia


gerencial, orçamentária e
financeira

alguns possuem capacidade


processual

Contrato de Gestão e Contrato de Desempenho


INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA

Pouco acima, comentamos que mesmo os órgãos (desprovidos de personalidade própria) podem
celebrar contratos de gestão, comprometendo-se com o alcance de determinados resultados e
prazos.

Assim sendo, antes de passar aos comentários sobre as entidades da administração direta, vamos
aqui abrir um parêntese para detalharmos um pouco mais os referidos “contratos de gestão”, bem
como os “contratos de desempenho”, criados em dezembro de 2019, a partir da lei 13.934/2019.

Em ambos os “contratos”, o fundamento constitucional é o mesmo (CF, art. 37, § 8º - transcrito logo
abaixo), de onde já percebemos que tais instrumentos buscam ampliar os resultados alcançados
pelos entes públicos (princípio da eficiência) e, em contrapartida, confere a tais entes maior
autonomia administrativa:

CF, art. 37, § 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades
da administração direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado
entre seus administradores e o poder público, que tenha por objeto a fixação de metas de
desempenho para o órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre (EC 19/1998):

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I - o prazo de duração do contrato;

II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações e


responsabilidade dos dirigentes;

III - a remuneração do pessoal.

Adiante passaremos a comentar estes dois instrumentos.

➢ Contrato de Gestão

O contrato de gestão a que se refere o texto constitucional transcrito acima é firmado entre o
poder público e outros entes pertencentes à Administração Pública, sejam órgãos da própria
administração direta, sejam entidades descentralizadas.

Este contrato de gestão resulta na ampliação da autonomia de órgãos e entidades da


Administração Pública, especificamente a autonomia gerencial, orçamentária e financeira (a
chamada “autonomia GOF”).

Mas a ampliação da autonomia tem, como contrapartida, a fixação de metas de desempenho para
o ente público.

Reparem que, por um lado, são reduzidos os controles sobre as atividades-meio (orçamento,
finanças e práticas gerenciais) e, por outro, são intensificados os controles sobre os resultados
(desempenho) destas organizações públicas.

Além disso, caso o contrato de gestão seja celebrado com uma autarquia ou com uma fundação
pública, esta receberá a qualificação de agência executiva (Lei 9.649/1998, art. 51), como
detalharemos mais adiante.

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Ampliação da autonomia Gerencial,


Orçamentária e Financeira

Contrato de Gestão com Fixação de metas de desempenho


órgãos e entidades públicas para o ente público
(CF, art. 37, §8º)

Se celebrado com Autarquias ou “Agência


Fundações, são qualificadas como executiva”

Antes de comentar o “contrato de desempenho”, lembro que existe uma outra modalidade de
“contrato de gestão”, o qual é celebrado com entes privados (e não com entes públicos) e possui
como fundamento a Lei 9.637/1998 (e não a Lei 9.649/1998 ou o art. 37, §8º, da CF).

----

Agora sim, vamos à nova figura, criada em dezembro de 2019 pela Lei 13.934.

➢ Contrato de Desempenho

O contrato de desempenho, assim como o contrato de gestão, busca assegurar o


comprometimento dos entes públicos com o alcance de resultados (princípio da eficiência).

O ente público que o celebra se compromete a: (i) apresentar desempenho superior na prestação
de serviços, (ii) melhor qualidade dos produtos gerados e (iii) trabalhar com prazos garantidos.

Em contrapartida, tal ente público passa a usufruir de maior autonomia administrativa,


especialmente quanto à (i) celebração de contratos, (ii) realização de despesas de pequeno vulto
com limites diferenciados e (iii) estabelecimento de banco de horas em favor de seus servidores.

Tal contrato faz surgir uma verdade relação de supervisão entre dois entes públicos, o que inspirou
a terminologia adotada pelo legislador: ente supervisor e ente supervisionado.

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Fechado o parêntese, agora sim passemos às entidades da administração indireta, as quais


resultam da descentralização.

Tudo bem até aqui?! =)


Tome um fôlego! Adiante iremos comentar trechos bem importante da aula.

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ADMINISTRAÇÃO DIRETA E ADMINISTRAÇÃO INDIRETA


INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTÍSSIMA

Mais à frente, iremos nos aprofundar nestes conceitos, mas é importante já distinguirmos, em
linhas gerais, as expressões “Administração Direta” e “Administração Indireta” e, ainda, situarmos
as entidades paraestatais neste cenário.

Administração Direta consiste no conjunto de órgãos públicos que integram as pessoas políticas
(União, estados/Distrito Federal e Municípios), aos quais foi atribuída a competência para o
exercício, de forma centralizada, das atividades administrativas do Estado. Segundo leciona
Carvalho Filho1, na Administração Direta “a Administração Pública é, ao mesmo tempo, a titular e
a executora do serviço público”.

A Administração Indireta, por sua vez, consiste no o conjunto de pessoas administrativas que,
vinculadas à respectiva Administração Direta, têm o objetivo de desempenhar as atividades
administrativas de forma descentralizada.

Considerando o que dispõe o DL 200/1967, a Administração Indireta brasileira é composta


por2:

- Autarquias

- Fundações públicas (ou seja, fundações instituídas pelo poder público)

- Sociedades de Economia Mista - SEM

- Empresas Públicas - EP

1
Segundo MADEIRA, José Maria Pinheiro citado por FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito
Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 475
2
Há doutrinadores, como Di Pietro, que defendam que as subsidiárias de estatais também fariam parte
da Administração Pública.

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O mnemônico “F-A-S-E” ajuda-nos a memorizar as espécies de entidades descentralizadas:


(Fundação pública, Autarquia, Sociedade de economia mista, Empresa pública).

Além destas 4 espécies, há autores que acrescentam ainda os “consórcios públicos”, criados em
2005, por meio da Lei 11.1073.

O conceito de administração indireta foi cobrado na questão a seguir:

CEBRASPE/ Prefeitura de São Paulo – SP (adaptada)


A administração indireta compreende as pessoas administrativas que, vinculadas à respectiva administração
direta, desempenham atividades administrativas de forma descentralizada.
Gabarito (C) ==126341==

Antes de avançar, é importante comentarmos a situação das entidades paraestatais.

Pela etimologia da palavra (‘para’4 + ‘estatal’) já podemos perceber que são entidades que se
colocam ao lado do Estado, ou seja, estão fora da Administração Pública (em sentido formal) mas
colaboram com o Estado no desempenho de atividades de interesse público. Em outras palavras,
tais entidades não pertencem à Administração Pública, mas desempenham atividades de interesse
público.

Marçal Justen Filho define entidade paraestatal como sendo

uma pessoa jurídica de direito privado criada por lei para, atuando sem submissão à
Administração Pública, promover o atendimento de necessidades assistenciais e
educacionais de certas atividades ou categorias profissionais, que arcam com sua
manutenção mediante contribuições compulsórias.

Tais entidades compõem o chamado terceiro setor, já que o Estado é considerado o primeiro
setor e o mercado compõe o segundo setor.

Segundo Di Pietro o conceito de entidades paraestatais compreende:

✓ Serviços sociais autônomos (também conhecidos como “Sistema S”, a exemplo de Sesi, Sesc, Senat)
✓ Entidades de apoio5

3
Em razão de os consórcios possuírem personalidade jurídica própria e do disposto na Lei 11.107/2005,
art. 6º, § 1º.
4
“para” tem significado de “ao lado”, assim como em “paramédicos”, “paramilitar”.
5
Segundo Di Pietro, são pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, instituídas por
servidores públicos, porem em nome próprio, sob forma de fundação, associação ou cooperativa, para

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✓ Organizações Sociais (OS)6


✓ Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip)7
✓ Organizações da Sociedade Civil (OSC) 8

Apesar de não integrarem a Administração Pública, tais entidades são objeto de estudo do direito
administrativo, em razão da proximidade com o Estado e do interesse público nos serviços por
elas prestados.

Tais entidades serão objeto de estudo em aula específica, mas já é importante frisar que elas não
pertencem à Administração Pública. Este é o teor da questão abaixo:

CEBRASPE/ TCE-PB – Auditor de Contas Públicas (adaptada)


As entidades que integram a administração pública indireta incluem as organizações sociais, os serviços
sociais autônomos e as entidades paraestatais.
Gabarito (E)

a prestação, em caráter privado, de serviços sociais não exclusivos do Estado, mantendo vínculo jurídico
com entidades da administração, em regra por meio de convênio.
6
Entidades criadas por particulares que celebraram contrato de gestão com o poder público para
prestar serviço de natureza social.
7
Entidades criadas por particulares que celebraram termo de parceria com o poder público para prestar
serviço de natureza social.
8
Entidades disciplinadas pela Lei 13.019/2014, podendo ser entidade sem fins lucrativos, cooperativas
ou organizações religiosas.

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Autarquias
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA

Como há pouco comentamos, as autarquias são entidades dotadas de personalidade jurídica de


direito público, com autonomia administrativa, para a prestação descentralizada de serviços
públicos.
José Cretella Júnior, citado por Di Pietro, relembra que a palavra ‘autarquia’ é formada por dois
termos ‘autós’ (=próprio) e ‘arquia’ (=comando, governo, direção), etimologicamente, tendo
significado de “comando próprio, direção própria, autogoverno”.
Segundo Maria Sylvia Zanella Di Pietro1, autarquia é

Pessoa jurídica de direito público, criada por lei, com capacidade de autoadministração,
para o desempenho de serviço público descentralizado, mediante controle administrativo
exercido nos limites da lei.

De acordo com José dos Santos Carvalho Filho2, consistem na

Pessoa jurídica de direito público, integrante da Administração Indireta, criada por lei para
desempenhar funções que, despidas de caráter econômico, sejam próprias e típicas do
Estado.

Segundo Diogo de Figueiredo Moreira Neto3, a autarquia é

uma entidade estatal da administração indireta, criada por lei, com personalidade de
direito público, descentralizada funcionalmente, para desempenhar competências
administrativas próprias e específicas, para tanto dotada de autonomia patrimonial,
administrativa e financeira.

O mesmo autor destaca três elementos essenciais deste conceito:

instituição por lei

personalidade de direito
Autarquias
público

autonomia para prosseguir necessariamente, hão de ser


os fins a ela cometidos fins próprios do Estado

1
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. eBook. P. 14761
2
FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 490
3
NETO, Diogo de Figueiredo Moreira. Curso de Direito Administrativo. GenMétodo. 16ª ed. Item 72

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No direito positivo, é importante destacarmos a definição contida no Decreto-Lei 200/1967, o qual


é primariamente aplicável ao Executivo Federal:

DL 200/1967, art. 5º Para os fins desta lei, considera-se:

I - Autarquia - o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio
e receita próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, que
requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira
descentralizada.

Do conceito acima, reparem que a especialização na prestação de serviços típicos é outro


elemento marcante das autarquias. Por este motivo parte da doutrina chega a dizer que são a
“personificação de um serviço” retirado da administração centralizada4.
A natureza jurídica das autarquias e sua liberdade administrativa foram cobradas na questão
abaixo:
CEBRASPE/ STM - Técnico Judiciário – Área Administrativa – 2018
As autarquias são pessoas jurídicas criadas por lei e possuem liberdade administrativa, não sendo
subordinadas a órgãos estatais.
Gabarito (C)

Como as atividades desempenhadas pelas autarquias são típicas da administração pública, a


legislação confere a elas uma série de prerrogativas, próprias do regime jurídico-administrativo,
as quais iremos detalhar nos próximos tópicos.

Criação e Extinção
A criação e, por simetria, a extinção de autarquias somente pode ocorrer mediante lei específica:

CF, art. 37, XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a
instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à
lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua atuação;

Portanto, diferentemente das demais entidades da administração indireta, as autarquias são


diretamente criadas por lei. Para as demais entidades, a lei apenas autorização sua criação.
Relembrando:

4
A exemplo de ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo Descomplicado. 25ª ed. p.
44-45

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Autarquias lei específica CRIA a entidade


Criação de entidades
da Administração
Indireta Demais lei específica AUTORIZA a
entidades criação da entidade

Assim, a personalidade da autarquia inicia-se juntamente com a vigência da lei que a criou. Por
ser de direito público, não lhe são exigidos registros dos atos constitutivos em cartórios de pessoas
jurídicas, tampouco em juntas comerciais, diferentemente das entidades de direito privado.
A respeito do assunto, vejam a questão abaixo:
CEBRASPE/ TRT - 7ª Região - Técnico Judiciário
A União, por intermédio do Ministério do Trabalho e Emprego, pretende criar uma autarquia para a execução
de determinadas atividades administrativas típicas.
Nessa situação hipotética, a autarquia deverá ser criada por
a) lei complementar.
b) portaria ministerial.
c) decreto presidencial.
d) lei ordinária específica.
Gabarito (D)

Além disso, friso que, tratando-se de autarquia do Poder Executivo, a iniciativa da lei é reservada
ao chefe do Poder Executivo (CF, art. 61, §1º, II, ‘e’).

Natureza Jurídica
Como entidade, a autarquia tem personalidade jurídica diversa do ente que a criou. Em outras
palavras, a autarquia é uma pessoa jurídica diferente do ente político que a criou (apesar de
também personalidade de direito público, como veremos à frente).
Em decorrência de sua personalidade própria, a autarquia é sujeita de direito e obrigações, possui
patrimônio próprio e capacidade processual.

Regime Jurídico
Como são pessoas jurídicas de direito público, isto significa dizer que o regime jurídico aplicável
a tais entidades é o regime jurídico público (também chamado de “regime jurídico-
administrativo”), fortemente marcado pelos princípios da supremacia do interesse público e da
indisponibilidade do interesse público, e não pelas regras de direito privado.

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Espécies de autarquias
A doutrina e a jurisprudência têm entendido que o termo “autarquia” constitui um gênero, que
comporta várias espécies, da seguinte forma:

ADMINISTRATIVAS Autarquias comuns

Agências reguladoras e outras


ESPECIAIS
autarquias especiais
Fundações públicas, como a
Autarquias FUNDACIONAIS
Funasa.
Conselhos Profissionais, como
CORPORATIVAS
CRO, CRM, CREA.

TERRITORIAIS Territórios federais

As autarquias administrativas (ou comuns) são aquelas que não apresentam particularidades e,
portanto, se encaixam no conceito constante do DL 200/1967.

Exemplo: INSS – Instituto Nacional do Seguro Social.

As autarquias especiais (ou sob regime especial) consistem nas autarquias que possuem uma ou
outra peculiaridade que as diferem das “administrativas”. Como exemplo, temos as Agências
Reguladoras, que possuem um regime diferenciado de nomeação e destituição de seus dirigentes.

Exemplos: Sudam – Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia5 e Agências


reguladoras, como Anatel e Aneel.

Já que estamos falando sobre “agência reguladora”, vou aproveitar para diferenciar esta
expressão do conceito de “agência executiva”.

Diferentemente das “agências reguladoras”, as “agências executivas” consistem nas


autarquias e fundações que celebram contrato de gestão6 com o poder público, para a
melhoria da eficiência e redução de custos.

Dessa forma, se uma “autarquia comum” celebra contrato de gestão com o poder central,
esta receberá a qualificação de “agência executiva”.

5
LC 124/2007, art. 1º - Fica instituída a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia - SUDAM,
de natureza autárquica especial, (..)
6
CF, art. 37, § 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da
administração direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato [de gestão], a ser firmado entre
seus administradores e o poder público, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para
o órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre:

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Exemplo de Agência Executiva é o Inmetro, na qualidade de autarquia federal, que celebrou


contrato de gestão.

As autarquias fundacionais (ou fundações autárquicas) são as fundações públicas instituídas sob
regime de direito público, estudadas mais adiante nesta aula. Diferentemente das autarquias (que
são “serviço público personificado”), as fundações se caracterizam por serem um patrimônio
personalizado.

Exemplo: Funasa – Fundação Nacional de Saúde.

Por sua vez, as autarquias corporativas são definidas pelo Prof. Diogo Moreira como aquelas que
exercem, com total autonomia em relação à entidade política matriz, atividades de regulação e
fiscalização profissional, por delegação legal.

Exemplos: CREA, CRM, Ordem dos Advogados do Brasil - OAB7 e tantas outras.

Por fim, não podemos nos esquecer de que os territórios federais8, quando criados, assumem a
forma de autarquias territoriais.
Há, ainda, quem inclua nesta classificação, as autarquias consorciais (ou interfederativas) como
sendo os consórcios públicos com personalidade de direito público9, previstos na Lei 11.107/2005,
os quais constituem-se na forma de associações públicas.

Outras classificações
Outra classificação importante é apresentada pela doutrina, a exemplo de José dos Santos
Carvalho Filho10, quando ao objetivo da atuação da autarquia, a saber:

7
Segundo parte da doutrina, como NETO, Diogo de Figueiredo Moreira. Curso de Direito Administrativo.
GenMétodo. 16ª ed. Item 72. FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª
ed. Atlas. P. 495
8
CF, art. 18, § 2º Os Territórios Federais integram a União, e sua criação, transformação em Estado ou
reintegração ao Estado de origem serão reguladas em lei complementar.
9
Código Civil, art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno: (..) IV - as autarquias, inclusive
as associações públicas;
10
FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 494-495

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destinadas a auxiliar regiões ou categorias sociais


ASSISTENCIAIS
específicas. Ex.: Incra, Sudam, Sudene.

PREVIDENCIÁRIAS voltadas à previdência social oficial. Ex: INSS.

CULTURAIS dirigidas à eduação e ao ensino. Ex: UFRJ.

PROFISSIONAIS ou destinadas à inscrição de certos profissionais e


Autarquias
CORPORATIVAS fiscalização de suas atividades. Ex: CREA, CRM, OAB.
exercem controle sobre prestação de serviços públicos
DE CONTROLE
ou na área econômica. Ex: Agências reguladoras
são os consórcios públicos de direito público,
ASSOCIATIVAS
destinados à cooperação entre entes federados
formam a categoria residual. Destinam-se às várias
ADMINISTRATIVAS
atividades administrativas. Ex: Inmetro.

Atividades desenvolvidas
A grande finalidade da existência das autarquias consiste na prestação de serviços. Assim,
percebam que, idealmente, as autarquias não se destinam à exploração de atividade econômica,
como pode ocorrer com as estatais.
Além disso, não é todo e qualquer serviço que pode ser prestado pelas autarquias, mas,
idealmente, apenas aqueles serviços típicos do Estado:

DL 200/1967, art. 5º Para os fins desta lei, considera-se:

I - Autarquia - o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio
e receita próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, que
requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira
descentralizada.

Neste tópico vamos aproveitar para detalhar a natureza da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil)
no contexto da organização administrativa.
Apesar da discussão na doutrina11 e de decisão anterior do Tribunal de Contas da União (TCU)12,
em abril de 2023 o STF firmou entendimento de que a OAB possui natureza jurídica própria, de
modo que não seria uma autarquia e também não faz parte da Administração Pública indireta.
Ainda para o STF, a criação da OAB não foi fruto da atuação estatal, sendo que as anuidades
cobradas dos advogados não possuem natureza tributária e, portanto, a OAB não precisa prestar

11
A exemplo de NETO, Diogo de Figueiredo Moreira. Curso de Direito Administrativo. GenMétodo. 16ª
ed. Item 72
12
Acórdão 2.573/2018-Plenário.

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contas de seus recursos e também não precisa realizar concursos públicos para ingresso em seus
cargos. Naquela assentada, foi firmada a seguinte tese:

O Conselho Federal e os Conselhos Seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil não estão
obrigados a prestar contas ao Tribunal de Contas da União nem a qualquer outra entidade
externa.

STF/RE 1182189.

Pessoal
A redação atualmente vigente da Constituição exige regime único de pessoal para as autarquias,
assim como para as fundações públicas e para a administração direta:
==126341==

CF, art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no âmbito de
sua competência, regime jurídico único e planos de carreira para os servidores da
administração pública direta, das autarquias e das fundações públicas.

Lembro que este dispositivo chegou a ser alterado pela EC 19/199813, no sentido de extinguir o
regime único de pessoal, no entanto a nova redação teve sua eficácia suspensa pelo STF, no bojo
da ADI 2.135-4.
Vejam a questão abaixo a respeito:
FCC/ DPE-ES - Defensor Público (adaptada)
O regime jurídico constitucional e legal vigente aplicável às entidades da administração indireta dispõe que
estão sujeitos ao regime jurídico único os servidores da administração pública direta, das autarquias e
fundações públicas.
Gabarito (C)

Mas o que significa “regime jurídico único” para o pessoal?


Isto significa que, para cada esfera da federação, os entes públicos devem adotar um único regime
para os órgãos e entidades de direito público (administração direta, autarquias e fundações
públicas).
Portanto, o dispositivo constitucional veda que a administração direta federal, por exemplo, tenha
agentes públicos sob regime estatutário (servidores públicos) e, concomitantemente, sob regime
celetista (empregados públicos).
E, em regra, o regime adotado, inclusive para autarquias, é o estatutário.

13
CF, art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão conselho de política de
administração e remuneração de pessoal, integrado por servidores designados pelos respectivos Poderes.
(redação com eficácia suspensa, dada pela EC 19/98)

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Seguindo adiante, é importante mencionar, como regra geral, que as autarquias14, assim como os
órgãos e entidades públicos em geral, devem realizar concurso público prévio à investidura em
cargos ou empregos públicos:

CF, art. 37, II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia
em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a
complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações
para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração;

Atos e Contratos
Por estarem submetidos ao regime de direito público, os agentes pertencentes às autarquias
praticam atos administrativos, ou seja, declarações unilaterais de vontade, sujeitos a regime de
direito público.
Pelo mesmo motivo, os contratos celebrados pelas autarquias são qualificados como contratos
administrativos, em relação aos quais a legislação estabelece uma superioridade da Administração
Pública sobre os particulares contratados.
A respeito da celebração de contratos, é oportuno destacar que as autarquias estão submetidas
ao mandamento constitucional da licitação, como regra geral, para selecionar empresas para
fornecerem bens ou prestarem serviços ao poder público:

CF, art. 37, XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços,
compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que
assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam
obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da lei,
o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis
à garantia do cumprimento das obrigações.

Orçamento
O texto constitucional estabelece que, anualmente, devem ser elaborados orçamentos, na forma
de leis, para que sejam fixadas despesas e previstas receitas para o ano seguinte.
Assim, as despesas e receitas de uma autarquia federal, por exemplo, são fixadas e previstas no
orçamento da União daquele exercício.
Além disso, é importante saber que o orçamento anual compreende três partes (CF, art. 165, §5º):
o orçamento fiscal, o orçamento de investimento das estatais e o orçamento da seguridade social.

Em qual destes orçamentos estão listadas as receitas e despesas das autarquias?

14
Inclusive os Conselhos Profissionais (STF MS 28469 e Acórdão TCU 814/2003-Plenário, entre outros)

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Assim como ocorre, em geral, para a Administração Direta o orçamento das autarquias integra o
orçamento fiscal.

Patrimônio
A autarquia possui patrimônio próprio, em geral formado a partir da transferência de bens do
ente federativo que a criou.
Além disso, os bens da autarquia são considerados bens públicos15, assim como os bens da
administração direta.
Dessa forma, os bens das autarquias, como públicos, estão sujeitos aos privilégios e restrições
próprios do regime jurídico-administrativo, o qual impõe algumas características:

não podem ser adquiridos mediante


IMPRESCRITIBILIDADE
usucapião

não podem ser objeto de penhora


IMPENHORABILIDADE (execução judicial contra autarquias se
sujeita ao regime de precatórios)

BENS PÚBLICOS INALIENABILIDADE


A alienação, quando possível, se sujeita
(ou ALIENABILIDADE a uma série de restrições
CONDICIONADA)

É exceção e exige autorização


legislativa.
ALIENAÇÃO DE BENS
IMÓVEIS
Em regra: precedida de licitação

Imunidade Tributária
As autarquias gozam de imunidade tributária, de sorte que não podem ser cobrados impostos de
autarquias, em relação ao seu patrimônio, renda ou serviços prestados pelas autarquias:

CF, art. 150, § 2º A vedação do inciso VI, "a"16, é extensiva às autarquias e às fundações
instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos
serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes.

Esta é a chamada imunidade tributária recíproca, que impede que um ente político cobre impostos
de outro ente, e é extensível às autarquias e fundações criadas pelos entes.

15
Código Civil, art. 98. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de
direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem.
16
CF, art. 150. “.. é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios”, VI - instituir
impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;

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Pela literalidade do dispositivo constitucional, a imunidade alcança apenas impostos, de modo


que continuam devidos taxas, contribuições de melhoria, empréstimos compulsórios e
contribuições especiais.

Nomeação e Exoneração de dirigentes


A nomeação e exoneração de dirigentes de autarquias seguem as regras previstas na lei que criou
a entidade.
Mas, como regra geral, tanto a nomeação quanto a exoneração dos dirigentes de autarquia são
competências privativas do Chefe do Poder Executivo (CF, art. 84, XXV).
Para nomeação destes dirigentes, em casos específicos pode-se estabelecer, como exigência,
aprovação legislativa prévia.
Na esfera federal, a Constituição autoriza17 que lei estabeleça outros casos em que a nomeação
será precedida de aprovação prévia pelo Senado Federal. É o que ocorre para agências
reguladoras federais, como no caso da Anatel18.
Para as outras esferas, o STF tem entendido mais recentemente que são restritas as hipóteses em
que se pode submeter a nomeação ao crivo do Poder Legislativo, somente podendo ocorrer em
casos pontuais:

(..) 4. Nos termos da jurisprudência mais recente desta Suprema Corte, as Constituições
estaduais não podem estabelecer regras que prevejam a submissão das nomeações de
dirigentes de autarquias e fundações públicas à prévia aprovação da Assembleia
Legislativa, sob pena de violação da separação de poderes (art. 2º, CF).

STF/ADI 6775. Publicação: 17/11/2021

O que também não se admite é a autorização legislativa para a exoneração de dirigentes de


autarquias, inclusive de agências reguladoras19, ou mesmo que o próprio poder legislativo destitua
dirigente de autarquia do Executivo20 (isto é, a exoneração sem a participação direta do próprio
Executivo):

17
CF, art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: (..) III - aprovar previamente, por voto
secreto, após argüição pública, a escolha de:
a) Magistrados, nos casos estabelecidos nesta Constituição;
b) Ministros do Tribunal de Contas da União indicados pelo Presidente da República;
c) Governador de Território;
d) Presidente e diretores do banco central;
e) Procurador-Geral da República;
f) titulares de outros cargos que a lei determinar;
18
Lei 9.472/1997, art. 23. Os conselheiros serão brasileiros, de reputação ilibada, formação universitária
e elevado conceito no campo de sua especialidade, devendo ser escolhidos pelo Presidente da República
e por ele nomeados, após aprovação pelo Senado Federal, nos termos da alínea f do inciso III do
art. 52 da Constituição Federal.
19
ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo Descomplicado. 25ª ed. p. 56
20
STF - ADI: 1949 RS, Relator: Min. DIAS TOFFOLI, Data de Julgamento: 17/09/2014

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2. São inconstitucionais as disposições que amarram a destituição dos dirigentes da agência


reguladora estadual somente à decisão da Assembleia Legislativa. (..) 3. Ressalte-se,
ademais, que conquanto seja necessária a participação do chefe do Executivo, a
exoneração dos conselheiros das agências reguladoras também não pode ficar a critério
discricionário desse Poder. Tal fato poderia subverter a própria natureza da autarquia
especial, destinada à regulação e à fiscalização dos serviços públicos prestados no âmbito
do ente político, tendo a lei lhe conferido certo grau de autonomia.

Juízo competente
As causas comuns envolvendo autarquias federais são julgadas pela justiça federal, nos termos do
seguinte dispositivo constitucional:

CF, art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:

I - as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem


interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência,
as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho;

Nos processos envolvendo autarquias estaduais e municipais, a Justiça Estadual será o foro judicial
competente.
Mas reparem o seguinte:

No âmbito federal, tratando-se de uma lide entre um servidor estatutário e a autarquia,


a justiça federal seria o juízo competente.

Aproveito para adiantar que esta regra também vale para os chamados “agentes públicos
contratados por tempo determinado para atender à necessidade temporária de excepcional
interesse público” (CF, art. 37, inciso IX). Para o STF21, estes agentes temporários possuem vínculo
de natureza jurídico-administrativa com o poder público (e não trabalhista).

Por outro lado, se estivéssemos diante de uma autarquia municipal, cujo regime de
pessoal é o celetista, a mesma ação deveria ser proposta perante a Justiça do Trabalho 22
(pois o vínculo de trabalho é celetista).

Privilégios processuais
Quando alguém aciona judicialmente um órgão da administração direta, entram em cena os
chamados privilégios processuais da Fazenda Pública em juízo.

21
STF - RE 573.202/AM, Relator: Min. Ricardo Lewandowski, Data de Julgamento: 21/08/2008
(repercussão geral)
22
CF, art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar:
I as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público externo e da
administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;

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O mesmo ocorrerá quando se aciona judicialmente uma autarquia. Ou seja, a autarquia goza dos
mesmos privilégios processuais conferidos à Fazenda Pública.
A seguir vamos comentar alguns destes privilégios.
➢ Prazo em dobro para todas as manifestações processuais das autarquias, exceto se houver outro
prazo específico aplicável:

CPC, art. 183. A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas
autarquias e fundações de direito público gozarão de prazo em dobro para todas as suas
manifestações processuais, cuja contagem terá início a partir da intimação pessoal.

➢ Dispensa de preparo e de depósito prévio, para a interposição de recursos:

CPC, art. 1007, § 1º São dispensados de preparo, inclusive porte de remessa e de retorno,
os recursos interpostos pelo Ministério Público, pela União, pelo Distrito Federal, pelos
Estados, pelos Municípios, e respectivas autarquias, e pelos que gozam de isenção legal.

Lei 9.494/1997, art. 1º-A. Estão dispensadas de depósito prévio, para interposição de
recurso, as pessoas jurídicas de direito público federais, estaduais, distritais e municipais.

➢ Dispensa de exibição de procuração, pelos procuradores do quadro de pessoal das autarquias:

CPC, art. 287, parágrafo único. Dispensa-se a juntada da procuração:

I - no caso previsto no art. 104;

II - se a parte estiver representada pela Defensoria Pública;

III - se a representação decorrer diretamente de norma prevista na Constituição Federal ou


em lei.

➢ submetem-se ao regime de precatórios (CF, art. 100), como regra geral, dado que seus bens são
impenhoráveis

➢ sentença proferida contra autarquias está sujeita ao duplo grau de jurisdição obrigatório, não
produzindo efeito até que seja confirmada pelo tribunal

CPC, art. 496. Está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois
de confirmada pelo tribunal, a sentença:

I - proferida contra a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas


autarquias e fundações de direito público;

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II - que julgar procedentes, no todo ou em parte, os embargos à execução fiscal.

Em relação ao regime de precatórios, vale destacar entendimento do STF23, em sede de repercussão geral
reconhecida, de que tal regime não se aplica aos Conselhos Profissionais (como o Crea, CRM, CRO etc):

Os pagamentos devidos, em razão de pronunciamento judicial, pelos Conselhos de


Fiscalização não se submetem ao regime de precatórios

Responsabilidade Civil
Assim como ocorre em relação à administração direta, as autarquias respondem objetivamente
pelos prejuízos causados por seus agentes a particulares:

CF, art. 37, § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras
de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade,
causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de
dolo ou culpa.

A responsabilidade objetiva é aquela que não exige comprovação da existência de culpa ou dolo
na conduta estatal (ou seja, dispensa o elemento subjetivo da conduta – culpa ou dolo).
Além de ser objetiva, a responsabilidade das autarquias é primária ou direta, ou seja, a própria
autarquia é que deve ser acionada judicialmente para reparação dos danos. Assim, a administração
direta somente seria acionada, por dívidas da autarquia, de modo subsidiário.
Imaginem o seguinte exemplo: um servidor do Dnit (autarquia federal), no exercício de suas
atribuições e dirigindo veículo da entidade, provoca um acidente que causa um dano de R$ 100
mil a um particular.
Como a responsabilidade é objetiva, para responsabilizar a autarquia, o particular não necessita
provar que o agente público agiu com dolo ou culpa (a responsabilidade é objetiva).
Além disso, o particular somente poderia cobrar aquela dívida da União (administração direta a
qual a entidade se vincula) caso a autarquia não possua condições patrimoniais e orçamentárias
de indenizar a integralidade do valor da condenação.

23
STF – tema 877 - RE: 938837 SP - SÃO PAULO, Relator: Min. EDSON FACHIN, Data de Julgamento:
19/04/2017, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJe-216 25-09-2017

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Autarquias sob Regime Especial


Autarquias sob regime especial são entidades dotadas de uma independência ainda maior do que
as demais.
Esta maior independência é conferida pela lei e resultado de determinados mecanismos que
conferem maior isolamento à entidade para que esta tome suas decisões da maneira mais
imparcial possível. Entre estes mecanismos destaca-se a nomeação diferenciada dos dirigentes
destas autarquias.
Como exemplos de autarquias sob regime especial são as agências reguladoras, o Banco Central24
e a CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
Pela importância em provas, vamos tratar das agências reguladoras separadamente no tópico a
seguir.

➢ Agências reguladoras
Segundo Maria Sylvia Zanella Di Pietro25, há dois tipos de agências reguladoras no direito
brasileiro:
a) aquelas que exercem típico poder de polícia, com a imposição de limitações
administrativas, fiscalização e repressão: como é o caso da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância
Sanitária), da Ana (Agência Nacional das Águas) e da ANS (Agência Nacional de Saúde Pública
Suplementar)
b) as que regulam e controlam as atividades que foram objeto de concessão, permissão ou
autorização de serviço público (telecomunicações, energia elétrica, transportes etc) ou de
concessão para exploração de bem público (petróleo, rodovias etc): é o caso da Anatel (Agência
Nacional de Telecomunicações), da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), da ANP (Agência
Nacional de Petróleo). Da delegação contratual dos serviços públicos resultam poderes para a
Administração concedente, os quais são exercidos pelas agências reguladoras.
Em síntese:

que exercem típico poder de polícia

Agências
reguladoras
que regulam e controlam a prestação de
serviços públicos delegados ou a exploração
de bem público em regime de concessão

24
Há quem enquadre o Banco Central como uma “agência reguladora” do sistema financeiro.
25
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. eBook. P.
16220

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Este segundo grupo representa a grande novidade no direito brasileiro, fazendo parte do grande
modelo estatal de delegação de serviços públicos associada à regulação dos setores econômicos
por meio de entidades criadas especificamente para tal atividade. Nesse sentido, é por meio das
agências que o Estado fortalece seu papel como agente regulador do mercado, intervindo de
modo indireto nas atividades econômicas.
De toda forma, em ambos os casos, para se reduzirem as interferências políticas nesta regulação,
foram criadas as agências reguladoras, na forma de autarquias especiais, na ideia de que esta
“separação” do poder central iria lhes conferir maior autonomia técnica.
A doutrina, a exemplo de Diogo de Figueiredo Moreira Neto, elenca importantes aspectos de
atuação das agências reguladoras:
1) autonomia política dos dirigentes, a serem nomeados pelo Chefe do Poder Executivo, mas sob aprovação
do Poder Legislativo, com mandatos estáveis, durante um prazo determinado

Durante o prazo do mandato, os dirigentes possuem estabilidade, não podendo ser livremente
exonerados. Neste período, eles somente poderão ser desligados da Agência nos casos
expressamente previstos em lei.

2) independência normativa, necessária para disciplinar, de forma autônoma, os serviços públicos e as


atividades econômicas que estão submetidos à sua regulação e controle

Como já havíamos adiantado, a independência normativa das agências reguladoras é condição


essencial para que a regulação seja bem-sucedida. Para Diogo de Figueiredo Moreira Neto,

essa competência normativa atribuída às agências reguladoras é a chave de uma desejada


atuação célere e flexível para a solução, em abstrato e em concreto, de questões em que
predomine a escolha técnica, distanciada e isolada das disputas partidarizadas e dos
complexos debates congressuais em que preponderam as escolhas abstratas político-
administrativas.

É importante ressaltar que uma das formas de a agência exercer seu poder normativo consiste nos
chamados regulamentos autorizados. Tais regulamentos fazem parte do fenômeno da
deslegalização, em que ocorre a regulamentação de assuntos de natureza técnica por meio de
diplomas infralegais, no sentido de completar a regulamentação legal.

3) autonomia gerencial, orçamentária e financeira

A respeito da autonomia financeira atribuída às agências reguladoras, Marçal Justen Filho26 leciona
que

o modelo de agências reguladoras comporta a atribuição de autonomia financeira, por


meio de garantia de receitas vinculadas. Isso significaria a possibilidade de manutenção de

26
FILHO, Marçal Justen. Curso de Direito Administrativo. 13ª ed. p. 590

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sua estrutura e de seu funcionamento sem dependência de disputas políticas sobre a


distribuição de verbas orçamentárias.

4) autonomia técnico-decisória, com predomínio da discricionariedade técnica sobre a discricionariedade


político-administrativa

A este respeito, Carvalho Filho destaca que autonomia decisória significa que os conflitos
administrativos se desencadeiam e se dirimem através dos próprios órgãos da autarquia. Em
outras palavras, o poder revisional exaure-se no âmbito interno, sendo inviável juridicamente
eventual recurso dirigido a órgãos ou autoridades da pessoa federativa à qual está vinculada a
autarquia.
Di Pietro chega a falar que a agência “pode dirimir conflitos em última instância administrativa”,
demonstrando sua autonomia decisória.
Por outro lado, questiona-se sobre a possibilidade de interposição do chamado “recurso
hierárquico impróprio”27 perante a administração direta. Ou seja, poderia um particular se insurgir
contra a decisão da agência e submeter o caso à autoridade da administração direta?
Apesar de receber duras críticas doutrinárias, o parecer AGU 51/2006, aprovado pelo Presidente
da República com força vinculante na Administração Federal28, entendeu cabível a interposição de
recurso hierárquico impróprio em face das decisões proferidas pelas agências reguladoras para o
respectivo Ministério.
Em linhas gerais, o mencionado parecer fixou o entendimento de que cabe recurso hierárquico
impróprio das decisões proferidas pelas agências caso (i) ultrapassem os limites de competência
definidos em lei ou (ii) violem as políticas públicas do setor.
Por outro lado, não caberá recurso se a decisão da agência envolver matéria finalística (isto é,
competência regulatória) e estiver em consonância com a política pública do setor.
Antes de avançar, é importante ressaltar que a maior autonomia das agências reguladoras,
segundo destaca Maria Sylvia Zanella Di Pietro29, só existe em relação ao Poder Executivo. Isto
porque a atuação das agências reguladoras pode ser objeto de apreciação pelo Poder Judiciário
ou pelo Poder Legislativo, inclusive perante os Tribunais de Contas.
Além disso, em relação ao Executivo, as agências reguladoras continuam sob o controle finalístico
da administração direta:

27
O recurso hierárquico próprio é aquele em que a autoridade superior está na mesma estrutura da
autoridade que proferiu a decisão. O recurso hierárquico impróprio é aquele em que a autoridade superior
encontra-se em outra estrutura.
28
LC 73/1993, art. 40, § 1º O parecer aprovado e publicado juntamente com o despacho presidencial
vincula a Administração Federal, cujos órgãos e entidades ficam obrigados a lhe dar fiel cumprimento.
29
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. eBook. P.
16220

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CEBRASPE/ TC-DF – Auditor de Controle Externo


Uma agência reguladora está sujeita ao controle finalístico do ministério correspondente à sua área de
atuação.
Gabarito (C)

No plano positivo, ganha destaque a Lei 13.848, de junho de 2019, considerada uma “lei geral
das agências reguladoras federais”. Nos termos de seu art. 3º, sua natureza especial é
caracterizada pelo seguinte:

ausência de tutela ou de subordinação


hierárquica

regime especial
autonomia funcional, decisória,
das agências
reguladoras
administrativa e financeira

investidura a termo de seus dirigentes e


estabilidade durante os mandatos

Apesar desta regra legal, reparem que independência administrativa e ausência de subordinação
hierárquica são inerentes a toda e qualquer autarquia.
A Lei 13.848 trouxe, também, regras interessantes quanto ao processo decisório no âmbito das
agências reguladoras. Primeiramente, destaco que o processo de decisão referente a regulação
terá caráter colegiado (devendo ser fruto da discussão e deliberação por mais de um agente
público) - art. 7º.
Além disso, para assegurar a transparência da atuação destas agências, a lei exige que as reuniões
deliberativas do conselho diretor ou da diretoria colegiada da agência sejam públicas e gravadas
em meio eletrônico (art. 8º).
E, ainda, suas decisões sejam devidamente motivadas, inclusive a respeito da edição ou não de
atos normativos. Assim, o art. 5º da Lei 13.848 prevê que a agência reguladora indique os
pressupostos de fato e de direito que determinarem suas decisões.
A Lei 13.848 positivou, ainda, a legitimidade das agências para celebração de TAC – Termo de
Ajustamento de Conduta (art. 32), com pessoas físicas ou jurídicas sujeitas à sua competência.
----
Além desta “lei geral”, cada agência reguladora possui sua regulamentação específica, a exemplo
da Lei 9.472/1997, que criou a Anatel, nos seguintes termos:

Lei 9.472/1997, art. 8° Fica criada a Agência Nacional de Telecomunicações, entidade


integrante da Administração Pública Federal indireta, submetida a regime autárquico

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especial e vinculada ao Ministério das Comunicações, com a função de órgão regulador das
telecomunicações, com sede no Distrito Federal, podendo estabelecer unidades regionais.

(..)

§ 2º A natureza de autarquia especial conferida à Agência é caracterizada por


independência administrativa, ausência de subordinação hierárquica, mandato fixo e
estabilidade de seus dirigentes e autonomia financeira.

Portanto, os mecanismos que verdadeiramente tornam especial o regime da Anatel consistem no


mandato fixo30 na estabilidade de seus dirigentes e na autonomia financeira.
Some-se a esta proteção conferida aos dirigentes, a exigência de aprovação legislativa prévia pelo
Senado Federal, como no caso da Anatel31.
A respeito destas características especiais das agências reguladoras, vejam a questão abaixo:
CEBRASPE/ TJ-CE – Juiz Substituto
São traços distintivos do regime jurídico especial das agências reguladoras: a investidura especial de seus
dirigentes; o mandato por prazo determinado; e o período de quarentena após o término do mandato
diretivo.
Gabarito (C)

Ainda quanto às agências reguladoras, é importante destacar que apenas duas agências gozam
de estatura constitucional: a Anatel (CF, art. 21, XI) e a ANP (CF, art. 177, §2º, III). As demais
agências possuem fundamento exclusivo nas respectivas leis criadoras e no art. 2º da Lei
13.848/2019.
----
Sintetizando os principais aspectos estudados nesta seção, temos o seguinte quadro:

30
Lei 9.472/1997, art. 24. O mandato dos membros do Conselho Diretor será de cinco anos.
Art. 25. Os mandatos dos primeiros membros do Conselho Diretor serão de três, quatro, cinco, seis e
sete anos, a serem estabelecidos no decreto de nomeação.
31
Lei 9.472/1997, art. 23. Os conselheiros serão brasileiros, de reputação ilibada, formação universitária
e elevado conceito no campo de sua especialidade, devendo ser escolhidos pelo Presidente da República
e por ele nomeados, após aprovação pelo Senado Federal, nos termos da alínea f do inciso III do
art. 52 da Constituição Federal.

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FUNDAÇÕES PÚBLICAS
INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXÍSSIMA

Antes de estudar as “fundações públicas”, lembro que poderemos ter Fundações no âmbito
público (fundações públicas) ou no privado (fundações privadas).

Assim, a “fundação”, enquanto pessoa jurídica, é caracterizada pela atribuição de personalidade


jurídica a um patrimônio preordenado a certo fim social. José dos Santos Carvalho Filho1 assim
ressalta os três elementos principais do conceito de fundação:

que lhe transfere bens


figura do
e lhe confere
instituidor personalidade jurídica
finalidade social
Fundações
da entidade
ausência de fins
lucrativos

A partir destes três elementos, o mesmo autor deixa claro que a figura do instituidor é o único
elemento que irá diferenciar as fundações públicas das fundações privadas:

instituídas por pessoas da


Privadas
iniciativa privada
Fundações
quando o Estado tiver sido
Públicas
o instituidor

As fundações privadas não fazem parte da Administração Pública, tão-somente as fundações


públicas, que são aquelas instituídas pelo Poder Público.

E, segundo Maria Sylvia Zanella Di Pietro2, fundação pública é aquela

instituída pelo Poder Público com o patrimônio, total ou parcialmente público, dotado de
personalidade jurídica, de direito público ou privado, e destinado, por lei, ao desempenho
de atividades do Estado na ordem social, com capacidade de autoadministração e
mediante controle da Administração Pública, nos limites da lei.

1
FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 540
2
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. eBook. P. 14918

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Percebam o seguinte: enquanto as autarquias consistem na personificação de um serviço público,


as fundações consistem na personificação do patrimônio.

No setor público, poderemos ter fundações de direito privado ou de direito público. Ou seja, o
Estado pode instituir (i) fundações públicas de direito público e (ii) fundações públicas de direito
privado.

São exemplos de fundações públicas:

➢ Fundação Nacional da Saúde (Funasa): fundação pública de direito público


➢ Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq): fundação pública de direito
privado

A seguir comentaremos as principais características das fundações públicas, já ressaltando a


existência de grandes divergências doutrinárias quanto a esta espécie de entidade.

Uma destas divergências consiste na natureza destas entidades, na medida em que o Decreto-Lei
200/1967, previa a existência apenas de fundações públicas de direito privado:

DL 200, art. 5º, IV - Fundação Pública - a entidade dotada de personalidade jurídica de


direito privado, sem fins lucrativos, criada em virtude de autorização legislativa, para o
desenvolvimento de atividades que não exijam execução por órgãos ou entidades de
direito público, com autonomia administrativa, patrimônio próprio gerido pelos
respectivos órgãos de direção, e funcionamento custeado por recursos da União e de
outras fontes.

Criação e Extinção

A criação e a extinção de fundações públicas também dependem de lei:

CF, art. 37, XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a
instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo
à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua atuação;

Pela literalidade deste dispositivo constitucional, lei específica iria autorizar a criação de fundação
pública.

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No entanto, a doutrina tem entendido que as fundações públicas de direito público seguem o
mesmo regime das autarquias, inclusive quanto à sua criação. Na verdade, tais fundações são
chamadas de “autarquias fundacionais” ou “fundações autárquicas”.

De acordo com tal entendimento, portanto, teríamos as seguintes situações:

direito
lei específica CRIA a entidade
público
fundação pública de
direito lei específica AUTORIZA a
privado criação da entidade

==126341==

Assim, a personalidade da fundação de direito público inicia-se juntamente com a vigência da lei
que a criou, não lhe sendo exigidos registros dos atos constitutivos em cartórios de pessoas
jurídicas.

Por outro lado, tratando-se de fundação de direito privado, a personalidade jurídica teria início
apenas com a inscrição de seus atos constitutivos.

Atividades desenvolvidas

Vimos que a atuação das fundações se relaciona a atividades de interesse público de ordem social.

Por outro lado, a partir da EC 19/98, a Constituição passou a exigir, em sua parte final, que lei
complementar estabeleça as áreas em que as fundações públicas poderiam atuar:

CF, art. 37, XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a
instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo
à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua atuação;

Esta lei complementar não foi editada até o momento.

É oportuno lembrar que, para as fundações privadas (instituídas por particulares), suas possíveis
finalidades constam do parágrafo único do art. 62 do Código Civil3.

3
CC, art. 62, parágrafo único. A fundação somente poderá constituir-se para fins de:
I – assistência social; II – cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico;
III – educação; IV – saúde; V – segurança alimentar e nutricional;

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Regime Jurídico

O regime jurídico aplicável às fundações irá depender essencialmente de sua natureza: se de


direito público ou privado.

Sendo de direito público, a fundação pública será submetida ao regime jurídico-administrativo.

A controvérsia surge quando estamos diante das fundações públicas de direito privado.

José dos Santos Carvalho Filho4 fala que a lei lhes criou um regime especial ou regime híbrido,
recebendo

em parte (quanto à constituição e ao registro) recebem o influxo de normas de direito


privado e noutra parte incidirão normas de direito público, normas que, diga-se de
passagem, visarão a adequar as entidades à sua situação especial de pessoa da
Administração Indireta

Quanto a estas normas de direito público aplicáveis às fundações públicas de direito privado,
Maria Sylvia Zanella Di Pietro5 e Marcelo Alexandrino6 destacam o seguinte:

✓ subordinam-se à fiscalização, controle e gestão financeira, o que inclui fiscalização pelo Tribunal de
Contas e controle administrativo, exercido pelo Poder Executivo
✓ equiparação dos seus empregados aos servidores públicos para fins previstos no art. 37 da
Constituição, inclusive quanto à acumulação de cargos e para fins de improbidade administrativa
✓ submissão à Lei 8.666/1993, nas licitações e contratos
✓ imunidade tributária referente ao imposto sobre o patrimônio, a renda ou serviços vinculados a suas
finalidades essenciais ou às delas decorrentes (CF, art. 150, §2º)
✓ não podem desempenhar atividades que exijam o exercício de poder de império (como atos
decorrentes do poder de polícia e outros atos imperativos ou autoexecutórios)
✓ não têm poder normativo
✓ seus bens são enquadrados como privados, mas aqueles que estiverem sendo diretamente
empregados na prestação de serviços públicos podem, por força do princípio da continuidade dos
serviços públicos, estar sujeitos a regras de direito público, tais como a impenhorabilidade

VI – defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do desenvolvimento sustentável;


VII – pesquisa científica, desenvolvimento de tecnologias alternativas, modernização de sistemas de
gestão, produção e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos; VIII – promoção
da ética, da cidadania, da democracia e dos direitos humanos; IX – atividades religiosas;
4
FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 549
5
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. eBook. P. 15031
6
ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo Descomplicado. 25ª ed. p. 69-70

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✓ não gozam dos privilégios processuais outorgados à Fazenda Pública


✓ não estão sujeitas ao regime de precatórios judiciários, previsto no art. 100 da Constituição

Pessoal

Aqui também será necessário diferenciarmos as Fundações Públicas de direito público daquelas
que possuem personalidade de direito privado.

O pessoal das fundações públicas de direito privado sujeita-se ao regime trabalhista comum,
previsto na CLT7.

Por outro lado, ao pessoal das fundações públicas de direito público, da mesma forma que as
autarquias, aplica-se o regime jurídico único, podendo ser estatutário.

Em qualquer dos casos (direito público ou privado), José dos Santos Carvalho Filho8 entende que
aplicam-se aos funcionários das fundações públicas as restrições de nível constitucional, como, por
exemplo, a vedação à acumulação de cargos e empregos9 e a necessidade de prévia aprovação
em concurso público de provas ou de provas e títulos antes da contratação10.

Atos e Contratos

Também aqui teremos distinções entre as fundações públicas de direito público e privado.

As fundações de direito público, assim como as autarquias, praticam atos administrativos, como
regra geral. Seus contratos também são, em regra, regidos pelo regime administrativo.

As fundações públicas de direito privado, no entanto, praticam atos de direito privado, como regra
geral.

7
STF – RE 716.378 e ADI 4247
8
FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 550-551
9
CF, art. 37, XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias,
fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades
controladas, direta ou indiretamente, pelo poder público
10
CF, art. 37, II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso
público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou
emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei
de livre nomeação e exoneração

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José dos Santos Carvalho Filho11 leciona que somente serão considerados atos administrativos
aqueles praticados pelas fundações de direito privado quando estas atuarem no exercício de
função delegada pelo poder público.

Já em relação aos contratos, a Lei 8.666/1993 estendeu suas disposições indistintamente às


“fundações públicas”:

Lei 8.666/1993, art. 1º, parágrafo único. Subordinam-se ao regime desta Lei, além dos
órgãos da administração direta, os fundos especiais, as autarquias, as fundações públicas,
as empresas públicas, as sociedades de economia mista e demais entidades controladas
direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios.

Dessa forma, as fundações públicas, de direito privado e público, também deverão realizar
licitação e terão seus contratos regidos pelas disposições da Lei 8.666/1993.

Patrimônio

Aqui também será necessário diferenciarmos as Fundações Públicas de direito público daquelas
que possuem personalidade de direito privado.

Os bens das fundações públicas de direito público, da mesma forma que as autarquias, são
caracterizados como bens públicos.

Por outro lado, as fundações públicas de direito privado têm seu patrimônio constituído de bens
privados.

José dos Santos Carvalho Filho12 pontua que a lei autorizadora da criação da fundação poderá
criar “restrições e impedimentos quanto à gestão dos bens fundacionais”, as quais deverão se
obedecidas pelos dirigentes. Não havendo tal restrição, o poder de gestão de seus bens é da
própria fundação.

De forma mais específica, Maria Sylvia Zanella Di Pietro13 registra que os bens das fundações
públicas de direito privado “não são juridicamente classificados corno bens públicos, mas aqueles
que estiverem sendo diretamente empregados na prestação de serviços públicos podem, por
força do princípio da continuidade dos serviços públicos, estar sujeitos a regras de direito público,
tais como a impenhorabilidade”.

11
FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 553
12
FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 550
13
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. eBook. P.
15067

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Imunidade Tributária

As fundações públicas, sejam de direito público ou privado, gozam de imunidade tributária, de


sorte que não podem ser cobrados impostos destas fundações, em relação ao seu patrimônio,
renda ou serviços prestados:

CF, art. 150, § 2º A vedação do inciso VI, "a"14, é extensiva às autarquias e às fundações
instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos
serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes.

Esta é a chamada imunidade tributária recíproca, também dirigidas às fundações público criadas
pelos entes federativos.

Foro Judicial competente

Para as fundações públicas de direito público, dada a semelhança com as autarquias15, não há
dúvidas de que se submetem, na esfera federal, à justiça federal16 para as causas comuns.

Já no que se refere às fundações públicas de direito privado, embora existam controvérsias, a


doutrina majoritária entende que estas se submetem, nas causas comuns, à justiça estadual. De
acordo com tal entendimento, portanto, as causas envolvendo as fundações públicas de direito
privado em nível federal seriam apreciadas pela justiça estadual.

Responsabilidade Civil

As fundações públicas, indistintamente, respondem objetivamente pelos prejuízos causados por


seus agentes a particulares (CF, art. 37, §6º):

CF, art. 37, § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras
de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade,
causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de
dolo ou culpa.

14
CF, art. 150. “.. é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios”, VI - instituir
impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;
15
CF, art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: I - as causas em que a União, entidade
autárquica ou (..), exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e
à Justiça do Trabalho;
16
A exemplo do que decidiu o STF no RE 215.741/SE.

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Tal entendimento decorre da conclusão de que, sejam de direito público ou de direito privado, as
fundações públicas executam atividades de caráter social, as quais são verdadeiros “serviços
públicos”.

Lembro que a responsabilidade objetiva é aquela que não exige comprovação da existência de
culpa ou dolo na conduta estatal (ou seja, dispensa o elemento subjetivo da conduta – culpa ou
dolo).

Além de ser objetiva, a responsabilidade das fundações é primária, ou seja, a própria entidade é
que deve ser acionada judicialmente para reparação dos danos, sendo que o ente instituidor
somente seria acionado, por dívidas da fundação, de modo subsidiário.

Controle

José dos Santos Carvalho Filho17 leciona que as fundações públicas, assim como toda entidade da
Administração Indireta, sujeitam-se ao controle exercido pela Administração Direta, sendo:

1) controle político: decorre da relação de confiança entre os órgãos de controle e os dirigentes da


entidade controlada (estes são indicados e nomeados por aqueles)
2) controle administrativo (tutela ou supervisão ministerial): a Administração Direta fiscaliza se a
fundação está desenvolvendo atividade consonante com os fins para os quais foi instituída

Além disso, tais entidades estão sujeitas ao controle financeiro, exercido pelo Tribunal de Contas,
tendo a entidade o encargo de oferecer sua prestação de contas para apreciação por aquele
Colegiado18 (arts. 70 e 71, II, da CF).

Além destas formas de controle da atuação das fundações e, obviamente, do controle judicial de
seus atos, pela importância do tema incluímos uma seção específica para abordarmos o controle
que o Ministério Público exerce sobre as fundações.

Controle do Ministério Público

Para as fundações instituídas pelos particulares (fundações privadas), o Ministério Público (MP)
exerce o chamado controle fundacional:

17
FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 550
18
CF, art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do
Tribunal de Contas da União, ao qual compete: (..) II - julgar as contas dos administradores e demais
responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da administração direta e indireta, incluídas as
fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público federal, e as contas daqueles que
derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público

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CCB, art. 66. Velará pelas fundações o Ministério Público do Estado onde situadas.

Parte da doutrina, como Di Pietro e Carvalho Filho, entendem que tal controle é desnecessário
para as fundações públicas (sejam de direito público ou privado), na medida em que estas já estão
submetidas a várias outras formas de controle, como detalhado no tópico anterior.

Neste caso, o MP continua sendo competente para atuar sobre as fundações quando houver
indícios de irregularidade, como ocorre para qualquer entidade da Administração, mas não exerce
a função de velar prevista no Código Civil (art. 66).

Para as fundações públicas, portanto, o Ministério Público não exerce a curatela das fundações,
mas continua sendo parte legítima para fiscalizar sua atuação.

A par desta diferença quanto à natureza do controle exercido pelo MP sobre as fundações
públicas, é importante destacar entendimento do STF de que o Ministério Público Federal (MPF)
deverá velar pelas fundações federais de direito público:

(..) 5. Por excesso, na medida em que, por outro lado, a circunstância de serem sediadas
ou funcionarem no Distrito Federal evidentemente não é bastante nem para incorporá-las
à Administração Pública da União - sejam elas fundações de direito privado ou fundações
públicas, como as instituídas pelo Distrito Federal -, nem para submetê-las à Justiça
Federal. 6. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 66 do Código Civil, sem
prejuízo, da atribuição ao Ministério Público Federal da veladura pelas fundações federais
de direito público, funcionem, ou não, no Distrito Federal ou nos eventuais Territórios.

STF - ADI: 2794 DF, Relator: SEPÚLVEDA PERTENCE, Data de Julgamento: 14/12/2006,
Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJ 30-03-2007 PP-00068 EMENT VOL-02270-02 PP-
00334 LEXSTF v. 29, n. 340, 2007, p. 56-73

Assim, de acordo com tal entendimento, as fundações públicas federais estariam sob competência
do MPF.

E as fundações privadas e as fundações públicas estaduais e municipais estariam sob jurisdição


dos Ministérios Públicos Estaduais e do Distrito Federal.

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Como vimos, as fundações públicas de direito público seguem o mesmo regime das autarquias.

Já em relação às fundações públicas de direito privado, podemos sintetizar suas principais


características na seguinte figura:

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EMPRESAS PÚBLICAS E SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA


INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA

As Empresas Públicas (EP) e as Sociedades de Economia Mista (SEM), na categoria de empresas


estatais, inicialmente surgiram a partir da ideia do Estado-empresário, em que o Estado deveria
suprir lacunas na atuação do setor produtivo. Trata-se da intervenção direta do Estado nas
atividades econômicas.

Sob esta visão, o Estado não deveria se limitar a regular o setor privado, mas, em determinados
casos, atuar diretamente como agente econômico, produtor de bens e prestador de serviços.

Para realizar tais atividades, o Estado-empresário constitui empresas, que, em geral, assumem a
forma de Empresas Públicas (EP) e as Sociedades de Economia Mista (SEM).

Atualmente não há mais dúvidas de que tais entidades, embora de natureza muito semelhante às
empresas constituídas por particulares, fazem parte da Administração Pública Indireta, conforme
já mencionava em 1967 o Decreto-Lei 200 para o âmbito federal:

Art. 4° A Administração Federal compreende: (..)

II - A Administração Indireta, que compreende as seguintes categorias de entidades,


dotadas de personalidade jurídica própria: (..)

b) Emprêsas Públicas;

c) Sociedades de Economia Mista.

Antes de prosseguir, é importante destacar que, embora tenham sido concebidas inicialmente
para a exploração de atividade econômica, em sentido estrito (Estado-empresário), atualmente
temos EP e SEM utilizadas também para a prestação de serviços públicos.

Dito de outra forma, atualmente temos estatais (EP e SEM) que exploram atividades econômicas
(sentido estrito), como a Petrobras, por exemplo, e estatais que prestam serviços públicos, a
exemplo dos Correios (empresa pública que presta o serviço postal) e das estatais que prestam o
serviço público de distribuição de energia elétrica (como a Cemig – sociedade de economia mista).

Mas a exploração de atividades econômicas não deveria ser restrita à iniciativa


privada (segundo setor)?

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De fato, de acordo com nossa Constituição, a exploração de atividade econômica pelo Estado
(Estado-empresário) não deve ser a regra. Isto deve ocorrer, em caráter excepcional, em apenas
três situações básicas:

a) casos constitucionalmente previstos


b) relevante interesse coletivo
c) imperativos da segurança nacional.

Vejam a literalidade do artigo 173 da CF:

CF, art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de
atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da
segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei.

A respeito dos “casos previstos nesta Constituição”, a doutrina aponta principalmente as situações
em que a União detém monopólio da atividade, nos termos do art. 177 da Constituição1.

casos previstos na CF

exploração direta de
atividade econômica pelo Relevante Interesse Coletivo - RIC
Estado

Imperativo de Segurança Nacional - ISN

1
Art. 177. Constituem monopólio da União:
I - a pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos;
II - a refinação do petróleo nacional ou estrangeiro;
III - a importação e exportação dos produtos e derivados básicos resultantes das atividades previstas
nos incisos anteriores;
IV - o transporte marítimo do petróleo bruto de origem nacional ou de derivados básicos de petróleo
produzidos no País, bem assim o transporte, por meio de conduto, de petróleo bruto, seus derivados e
gás natural de qualquer origem;
V - a pesquisa, a lavra, o enriquecimento, o reprocessamento, a industrialização e o comércio de minérios
e minerais nucleares e seus derivados, com exceção dos radioisótopos cuja produção, comercialização e
utilização poderão ser autorizadas sob regime de permissão, conforme as alíneas b e c do inciso XXIII
do caput do art. 21 desta Constituição Federal

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Mais adiante veremos que a atividade desempenhada pela estatal (se serviço público ou se
atividade econômica em sentido estrito) será determinante nas prerrogativas atribuídas a estas
empresas.

E, por falar nisso, vou abrir um parêntese para melhor diferenciarmos a exploração de atividade
econômica da prestação de serviços públicos.

Para tanto, esquematizando as lições de Marcelo Alexandrino2, temos que:

Desempenhadas apenas por pessoas de direito


público (indelegáveis a particulares), pois
exclusivas do Estado decorrem do poder de império. Não são
exploráveis com intuito lucrativo. Ex: prestação
Atividades jurisdicional e defesa das fronteiras.
não
econômicas Atividades pertinentes aos direitos sociais.
de interesse social, Podem ser prestadas pelo Estado e também
sem intuito de lucro por particulares (sem fins lucrativos), a exemplo
de entidades do terceiro setor.
atividades
públicas ou
Atividades produtivas (indústria e comércio) e
privadas
atividades econômicas serviços privados com finalidade lucrativa.
(sentido estrito) Em regra, desempenhadas pela iniciativa
privada e, excepcionalmente, pelo Estado.
Atividades
econômicas serviços públicos Serviços públicos que podem ser explorados
(sentido amplo) em regime empresarial (intuito lucrativo), pelo
passíveis de Estado ou pela iniciativa privada.
exploração com Ex: serviços de telefonia, fornecimento de
intuito de lucro energia elétrica e transporte coletivo.

A respeito das “atividades econômicas em sentido amplo”, acima, lembro que o próprio STF
reconheceu que este é “gênero que compreende duas espécies, o serviço público e a atividade
econômica em sentido estrito”3.

----

Dito isto, friso que as estatais poderão tanto explorar “atividades econômicas”, em sentido estrito,
quanto prestar serviços públicos.

Este é, portanto, o cenário geral em que se inserem as empresas públicas e as sociedades de


economia mista.

2
ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo Descomplicado. 25ª ed. p. 74-75
3
STF - ADPF: 46 DF, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Data de Julgamento: 05/08/2009.

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Adiante veremos as características comuns a estas duas espécies e, mais à frente, as três diferenças
entre elas.

Mas onde encontro as regras aplicáveis a estas estatais?

Ambas estatais, EP e SEM, atualmente possuem um estatuto próprio, estabelecido pela Lei 13.303,
de junho de 2016. Esta Lei é conhecida como “Lei das Estatais” e foi editada com fundamento no
artigo 173, §1º, do texto constitucional4.

Vejam seu primeiro dispositivo:

Lei 13.303/2016, art. 1o Esta Lei dispõe sobre o estatuto jurídico da empresa pública, da
sociedade de economia mista e de suas subsidiárias, abrangendo toda e qualquer empresa
pública e sociedade de economia mista da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios que explore atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou
de prestação de serviços, ainda que a atividade econômica esteja sujeita ao regime de
monopólio da União ou seja de prestação de serviços públicos.

Percebam que a Lei das Estatais é um diploma aplicável em âmbito nacional, ou seja, aplica-se às
estatais federais, estaduais, distritais e municipais.

Além disso, a Lei das Estatais é aplicável tanto às estatais que exploram atividade econômica (em
sentido estrito) como àquelas que prestam serviços públicos com finalidade lucrativa.

A respeito da aplicação da Lei das Estatais para EP/SEM que prestam serviços públicos, Marcelo
Alexandrino5 ressalta que o diploma não é aplicável a estatais que prestam serviços públicos sem
finalidade lucrativa, a exemplo da Ebserh - Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (empresa
pública que visa à prestação de serviços médico-hospitalares e apoio a instituições públicas de
ensino).

Dito de outra forma:

4
Art. 173, § 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de
economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou
comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre:
I - sua função social e formas de fiscalização pelo Estado e pela sociedade;
II - a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e
obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários;
III - licitação e contratação de obras, serviços, compras e alienações, observados os princípios da
administração pública;
IV - a constituição e o funcionamento dos conselhos de administração e fiscal, com a participação de
acionistas minoritários;
V - os mandatos, a avaliação de desempenho e a responsabilidade dos administradores.
5
ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo Descomplicado. 25ª ed. p. 79-80

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a lei das estatais é aplicável, segundo tal entendimento, àquelas estatais que (i) exploram
atividade econômica em sentido estrito e que (ii) prestam serviços públicos com finalidade
lucrativa.

Definições

Segundo o art. 3º da Lei 13.303/2016, empresa pública é

a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com criação autorizada por
lei e com patrimônio próprio, cujo capital social é integralmente detido pela União, pelos
Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios.

Como exemplos de empresas públicas, temos: Caixa Econômica Federal, a Infraero, a Conab
(Companhia Nacional de Abastecimento), a Empresa Brasileira de Correios, o BNDES (Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e a Codesp (Companhia Docas do Estado de
São Paulo).

E, segundo o art. 4º da Lei 13.303/2016, Sociedade de Economia Mista é

a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com criação autorizada por
lei, sob a forma de sociedade anônima, cujas ações com direito a voto pertençam em sua
maioria à União, aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios ou a entidade da
administração indireta.

Como exemplos de sociedades de economia mista, temos o Banco do Brasil e a Petrobras.

Mais adiante, iremos detalhar as semelhanças e as distinções entre empresa pública e sociedade
de economia mista, mas já aproveito para comparar os dois conceitos que acabamos de estudar:

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empresa pública sociedade de economia mista

personalidade de direito privado personalidade de direito privado

criação autorizada por lei criação autorizada por lei

capital social é integralmente ações com direito a voto pertencem


detido por ente federativo ou por na maioria a ente federativo ou a
entidade da administração indireta entidade da administração indireta

forma de sociedade anônima

Subsidiárias

As subsidiárias de EP e SEM também são regidas pela Lei das Estatais. É muito comum que
EP/SEM se socorram da criação de outras empresas, chamadas de “subsidiárias”, para melhor
organizarem suas operações. Como exemplo, temos a Transpetro (subsidiárias da Petrobras) e as
várias subsidiárias do Banco do Brasil.

As subsidiárias são assim definidas no Decreto 8.945/2016, que regulamentou a Lei das Estatais
no âmbito federal:

Decreto 8.945/2016, art. 2º, IV - subsidiária - empresa estatal cuja maioria das ações com
direito a voto pertença direta ou indiretamente a empresa pública ou a sociedade de
economia mista;

As subsidiárias possuem personalidade jurídica própria, diferente da pessoa jurídica que a


controle.

Há divergência doutrinária quanto à inclusão das subsidiárias de EP e SEM como parte ou não da
Administração Indireta, havendo doutrinadores que defendem que estas não integram a
Administração pelo fato de não terem sido mencionadas no DL 200/1967 (como Matheus Carvalho
e Marcelo Alexandrino) e outros que defendem sua inclusão (como José dos Santos Carvalho Filho
e Maria Sylvia Zanella Di Pietro) .

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Criação e Extinção

A criação de EP e SEM depende de duas providências: (i) autorização em lei específica e (ii) registro
dos seus atos constitutivos:

CF, art. 37, XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a
instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo
à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua atuação;

A expressão “lei específica” significa que o ente político (U, E/DF e M) deverá editar uma lei
ordinária com conteúdo específico, autorizando a criação da entidade e, até mesmo, já prevendo
diretrizes para seu funcionamento.

Uma vez autorizada a criação da EP/SEM, mediante lei específica, caberá ao Poder Executivo
tomar uma providência adicional, para, de maneira concreta, fazer surgir a entidade.

Assim, a existência jurídica da estatal, assim como a aquisição de sua personalidade jurídica,
somente ocorre após o registro dos seus atos constitutivos, por exemplo, na junta comercial, nos
termos exigidos pelo Código Civil6.

Em atenção ao princípio da simetria das formas jurídicas7, a extinção de EP/SEM também


dependerá de dois atos: (i) autorização legislativa mediante lei + (ii) ato do Poder Executivo.

Vistas acima as exigências para criação e extinção de EP e SEM, é preciso conheceremos, ainda,
as regras para que estas empresas criem e vendam subsidiárias.

Nesse sentido, a Constituição exige “autorização legislativa”, tanto para a criação de subsidiárias
quanto para a participação de EP/SEM em empresas já existentes:

CF, art. 37, XX - depende de autorização legislativa, em cada caso, a criação de subsidiárias
das entidades mencionadas no inciso anterior, assim como a participação de qualquer
delas em empresa privada;

Então se a estatal desejar abrir 10 subsidiárias, serão necessárias 10 autorizações


legislativas?

6
Código Civil, art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a
inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou
aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato
constitutivo.
7
STF - ADI 2295. Rel. Min. Marco Aurélio. Julgamento: 15/06/2016

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Não é bem assim!

Na verdade, o STF firmou entendimento8 de que a própria lei que criou a EP/SEM poderá “se
adiantar” e já autorizar que a estatal que está tendo sua criação autorizada, futuramente crie
subsidiárias:

2. É dispensável a autorização legislativa para a criação de empresas subsidiárias, desde


que haja previsão para esse fim na própria lei que instituiu a empresa de economia mista
matriz, tendo em vista que a lei criadora é a própria medida autorizadora.

Assim, a lei que autorizou a criação da sociedade de economia mista X, já pode autorizá-la a criar
as subsidiárias, legitimando a criação futura das subsidiárias X1, X2 e X3, por exemplo.

Dessa forma, dizemos que a autorização legal para criação de subsidiárias pode ser genérica.

Tal entendimento foi adotado no Decreto 8.945/2016, que regulamentou a Lei das Estatais no
nível federal:

Decreto 8.945/2016, art. 6o A constituição de subsidiária, inclusive sediada no exterior ou


por meio de aquisição ou assunção de controle acionário majoritário, dependerá de prévia
autorização legal, que poderá estar prevista apenas na lei de criação da empresa pública
ou da sociedade de economia mista controladora.

Art. 7o Na hipótese de a autorização legislativa para a constituição de subsidiária ser


genérica, o Conselho de Administração da empresa estatal terá de autorizar, de forma
individualizada, a constituição de cada subsidiária.

Em junho de 2019, o STF9 considerou que a venda de subsidiárias de estatais não requer
autorização legislativa ou a realização de licitação.

8
STF - ADI 1649. Rel. Maurício Corrêa, Julgamento: 24/03/2004
9
STF - ADI 5624. Rel. Ricardo Lewandowski. Julgamento: 6/6/2019

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Portanto, a despeito da necessidade de lei para criação e extinção de subsidiárias, a venda destas
empresas não requer a edição de uma lei (e nem mesmo de licitação).

Tal entendimento, no entanto, não vale para a alienação das empresas-matrizes, as quais
continuam requerendo prévia autorização legislativa. Isto é, a alienação do controle acionário de
uma empresa pública ou de uma sociedade de economia requer tanto autorização por meio de lei
como prévia licitação.

Este é o entendimento a que chegou o Supremo em meados de 2019:

1 - A alienação do controle acionário de empresas públicas e sociedade de economia mista


matriz exige autorização legislativa e licitação.

2 - A exigência de autorização legislativa, todavia, não se aplica a alienação do controle de


suas subsidiárias e controladas. Nesse caso, a operação pode ser realizada sem a
necessidade de licitação, desde que siga procedimento que observe os princípios da
administração pública, respeitada, sempre, a exigência de necessária competitividade.

Alienação de Autorização legislativa Licitação


EP ou SEM SIM SIM
Subsidiária NÃO NÃO

Além disso, em relação à autorização legislativa para alienação de EP e SEM, segundo o STF (ADI
6241 - fevereiro/2021), esta poderá ser genérica. O governo poderia, por exemplo, criar um
“programa de privatizações” por meio de lei, sem que as estatais a serem privatizadas constem
do texto da lei.

Em síntese, enquanto a criação das estatais exige autorização em lei específica, em aparente
conflito com o princípio da simetria, o STF entende que sua extinção poderia ser viabilizada por
“lei genérica”.

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Atividades desenvolvidas

Como já havíamos adiantado anteriormente, embora tenham sido concebidas inicialmente para a
exploração de atividade econômica, em sentido estrito (Estado-empresário), atualmente temos EP
e SEM utilizadas também para a prestação de serviços públicos.

Ou seja: empresas públicas e sociedades de economia mista podem explorar atividades


econômicas (sentido estrito), como a Petrobras, por exemplo, ou prestar serviços públicos, a
exemplo das estatais que prestam o serviço público de distribuição de energia elétrica (a exemplo
da Cemig – sociedade de economia mista) e do serviço postal10 (Correios).

A respeito das estatais que se dedicam a prestar serviços públicos, é importante reforçar que estas
continuam tendo personalidade jurídica de direito privado.

Dito isto, vamos passar a estudar o regime jurídica aplicável a estas empresas.

Regime Jurídico

Como regra geral, o regime jurídico aplicável será essencialmente de direito privado.

Dizemos “essencialmente” já que haverá a derrogação parcial de tal regime por normas de direito
público, falando-se, assim, em regime jurídico híbrido, ou seja, parcialmente de direito público e
parcialmente de direito privado.

Consoante leciona Maria Sylvia Zanella Di Pietro11, o regime aplicável “será sempre o direito
privado, a não ser que se esteja na presença de norma expressa de direito público”.

Esta derrogação parcial do direito privado pelas normas expressas de direito público, segundo a
autora, destina-se a manter a vinculação com o ente político que instituiu a empresa, do contrário
a empresa deixaria de atuar como instrumento do Estado.

De forma mais contundente Marcelo Alexandrino12 preceitua que

não é demasiado ressaltar que nenhuma entidade integrante da administração pública


formal, seja qual for a sua área de atuação, estará, jamais, sujeita integralmente ao regime
jurídico de direito privado. É verdade que o fato de as empresas públicas e sociedades de
economia mista serem sempre dotadas de personalidade jurídica de direito privado enseja,

10
STF - ADPF: 46 DF, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Data de Julgamento: 05/08/2009
11
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. eBook. P.
15402
12
ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo Descomplicado. 25ª ed. p. 96

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na sua organização e no seu funcionamento, um influxo maior de normas de direito


privado, o que leva a doutrina a afirmar que elas são entidades submetidas a um regime
jurídico híbrido - parte público e parte privado.

Vimos acima, portanto, o regime jurídico geralmente aplicável. Agora vamos estudar alguns
detalhes desta questão, considerando a natureza das atividades desenvolvidas pela estatal.

De modo mais aprofundado, o mesmo autor13 leciona que, a partir da possibilidade de EP/SEM
ou explorarem atividade econômica (sentido estrito) ou prestarem serviços públicos, a doutrina
clássica preceitua que o regime jurídico irá depender da atividade desenvolvida.

Assim, se exerce atividade econômica em sentido estrito, a EP/SEM sujeita-se essencialmente a


normas de direito privado. No entanto, se presta serviços públicos, será aplicável regime jurídico
essencialmente de direito público.

Exemplo desta diferenciação é vista no próprio texto constitucional, ao prever que as estatais
exploradoras de atividade econômica devem seguir o mesmo regime das empresas privadas,
como regra geral, “inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e
tributários”:

CF, art. 173, § 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade
de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção
ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre: (..)

II - a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos
direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários;

A par desta distinção, o legislador previu que as regras da Lei das Estatais são aplicadas
indistintamente tanto às estatais exploradoras de atividade econômica como àquelas que prestam
serviços públicos de natureza econômica.

No plano positivo, portanto, houve a unificação de determinadas regras a ambas as categorias de


estatais. Assim, temas como transparência (art. 8º), gestão de riscos e controle interno (art. 9º),
funcionamento e composição do conselho de administração (art. 16-22), licitações e contratações

13
Op. Cit. p. 134-137

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com terceiros (arts. 28-84), todos contemplados no texto da Lei 13.303/2016, são indistintamente
aplicáveis a ambas as categorias de EP/SEM.

De toda forma, indo além das regras estatuídas na Lei das Estatais, temos o seguinte:

regime jurídico essencialmente


atividade econômica
privado, derrogado pontualmente
em sentido estrito pelas normas de direito público
EP e SEM atuando em
regime jurídico marcado pela
Serviços Públicos maior incidência das normas de
direito público

Controle exercido sobre EP e SEM

Vimos que EP e SEM estão submetidas ao regime jurídico híbrido, composto parcialmente por
normas do direito privado e parcialmente de direito público.

Nesse sentido, os instrumentos de controle a que estão submetidas estas entidades são parte
destas normas do direito público.

Assim, como ocorre em toda entidade da Administração Indireta, as estatais estão sujeitas à
supervisão ministerial (ou controle ou tutela). Por meio deste instrumento, a Administração Direta
faz o controle finalístico da atuação da entidade, isto é, se os resultados alcançados pela entidade
estão de acordo com a finalidade que ensejou sua criação.

Este controle não significa que a entidade está subordinada à Administração Direta ou que esta
tem ascensão hierárquica sobre aquela. Em outras palavras, na relação entre Administração Direta
e Indireta não há subordinação, mas mera vinculação, de sorte que não reduz a autonomia
administrativa das estatais. Nesse sentido dispõe expressamente a Lei das Estatais:

Lei 13.303/2016, art. 89. O exercício da supervisão por vinculação da empresa pública ou
da sociedade de economia mista, pelo órgão a que se vincula, não pode ensejar a redução
ou a supressão da autonomia conferida pela lei específica que autorizou a criação da
entidade supervisionada ou da autonomia inerente a sua natureza, nem autoriza a
ingerência do supervisor em sua administração e funcionamento, devendo a supervisão ser
exercida nos limites da legislação aplicável.

Em outro giro, não podemos nos esquecer de que EP e SEM, assim como os demais entes
públicos, estão sujeitos ao controle exercido pelo Poder Legislativo (com o auxílio dos Tribunais
de Contas) e pelo Poder Judiciário.

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Dessa forma, assim como os demais órgãos e entidades administrativas, as estatais sujeitam-se ao
Controle Externo.

Pessoal

Os agentes públicos em geral pertencentes à EP e à SEM são considerados empregados públicos


(e não “servidores públicos” propriamente ditos), vez que são regidos pela CLT (Consolidação das
Leis do Trabalho) e não por estatuto.

A exceção a esta regra fica por conta de alguns dirigentes das estatais (como alguns diretores e
membros de conselho), que não possuem vínculo regido pela CLT. Nestes casos específicos, a
prestação de serviços à estatal por parte do dirigente decorre de uma previsão no estatuto da
empresa, por isto se diz que eles possuem um vínculo estatutário de trabalho. Reparem que aqui
não estamos falando do vínculo estatutário dos servidores públicos propriamente ditos (como
aqueles regidos pela Lei federal 8.112/1990), mas de um vínculo cuja previsão encontra-se no
estatuto da empresa. Portanto, apesar do mesmo nome (estatutário), teremos regras distintas para
estes dirigentes.

Além disso, as estatais são igualmente submetidas ao mandamento constitucional do concurso


público. Este é o teor da SUM-231 do TCU:

SÚMULA Nº 231

A exigência de concurso público para admissão de pessoal se estende a toda a


Administração Indireta, nela compreendidas as Autarquias, as Fundações instituídas e
mantidas pelo Poder Público, as Sociedades de Economia Mista, as Empresas Públicas e,
ainda, as demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, mesmo que
visem a objetivos estritamente econômicos, em regime de competitividade com a iniciativa
privada

Como o vínculo é celetista, a Justiça do Trabalho será competente para julgamento das ações
entre empregados públicos e as respectivas empresas.

Além disso, como são empregados de pessoas jurídicas de direito privado, tem-se entendido que
eles não são detentores da estabilidade a que se refere o art. 41 da CF 14. Este é o entendimento
majoritário no TST:

14
CF, art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo de
provimento efetivo em virtude de concurso público.

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SUM-390, II - Ao empregado de empresa pública ou de sociedade de economia mista, ainda


que admitido mediante aprovação em concurso público, não é garantida a estabilidade
prevista no art. 41 da CF/1988.

----

Embora em geral possam ser demitidos, discute-se a necessidade de motivação do ato de


demissão desses empregados.

O assunto é polêmico e suscita acalorados debates a respeito.

Tomando por base a jurisprudência, lembro que o STF chegou a entender, em julgamento
proferido em 201315, que, de forma geral, dependia de motivação a dispensa de empregado
público de estatal que presta serviço público. Por outro lado, se a estatal explorasse atividade
econômica em sentido estrito, não haveria que se exigir a motivação da demissão.

Tal entendimento, no entanto, foi revisto em outubro de 201816. O STF buscou restringir os efeitos
de sua decisão apenas ao caso dos Correios (e não mais a todas as estatais prestadoras de serviços
públicos). A partir de então, fixou-se a seguinte tese pelo STF:

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos - ECT tem o dever jurídico de motivar, em ato
formal, a demissão de seus empregados

No plano doutrinário, vale destacar entendimentos de que tal demissão, ainda que não exija a instauração
de um processo administrativo, deve ser motivada, na medida em que afeta direitos dos empregados
públicos.

Apesar de ser uma discussão ainda em evolução, é importante levar o atual entendimento do STF para a
prova.

----

Para finalizar este tópico, é importante comentarmos quanto à sujeição das estatais ao teto
remuneratório do serviço público:

CF, art. 37, XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos
públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de
mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie

15
RE 589.998-RG/PI, com repercussão geral, 21/3/2013
16
RE 589.998-RG/PI, com repercussão geral, 10/10/2018, com publicação em 5/12/2018

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remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de


qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos
Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o
subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador
no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito
do Poder Legislativo e o subsidio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a
noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos
Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite
aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos;

A partir da leitura do dispositivo constitucional, reparem que tal limite alcança (i) os órgãos da
administração direta, (ii) as autarquias e (iii) as fundações públicas, ou seja à “administração direta,
autárquica e fundacional”.

Em relação às estatais, no entanto, o §9º a seguir prevê que a sujeição ao teto somente ocorrerá
caso elas sejam dependentes de recursos orçamentários para custeio de suas despesas correntes
(são as chamadas “estatais dependentes”).

Caso a estatal não dependa de recursos provenientes do orçamento para suas despesas correntes,
elas não se sujeitarão ao teto remuneratório. Ou seja, os empregados das estatais não
dependentes poderão receber remuneração superior ao subsídio dos ministros do STF:

CF, art. 37, § 9º O disposto no inciso XI aplica-se às empresas públicas e às sociedades de


economia mista, e suas subsidiárias, que receberem recursos da União, dos Estados, do
Distrito Federal ou dos Municípios para pagamento de despesas de pessoal ou de custeio
em geral.

Em síntese:

Dependentes
Devem obediência ao teto
(recebem recursos remuneratório
EP, SEM e para custeio em geral)
subsidiárias Remuneração dos
Não dependentes empregados pode
extrapolar o teto

Nesse sentido, vejam a seguinte questão:

FCC/ DPE-ES - Defensor Público (adaptada)

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O regime jurídico constitucional e legal vigente aplicável às entidades da administração indireta dispõe que
a remuneração dos empregados das empresas estatais que se dediquem à atividade econômica em sentido
estrito não está sujeita ao teto remuneratório constitucional.
Gabarito (E)

Licitações e contratos

As estatais, como regra geral, estão sujeitas ao dever de realizar uma licitação para selecionarem
um fornecedor:

CF, art. 37, XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços,
compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que
assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam
obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da lei,
o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis
à garantia do cumprimento das obrigações.

No entanto, mesmo antes da Lei 13.303/2016, a Constituição já sinalizava pela possibilidade de


estabelecimento de um regime diferenciado, quando a estatal se dedicasse à exploração de
atividade econômica:

CF, art. 173, § 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade
de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção
ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre: (..)

III - licitação e contratação de obras, serviços, compras e alienações, observados os


princípios da administração pública;

Assim, fazendo uso desta possibilidade, a Lei 13.303/2016 estabeleceu, tanto para estatais que
exploram atividade econômica como para as que prestam serviços públicos, novas regras
licitatórias, muito similares àquelas já existentes para os entes públicos em geral.

Apesar disso, é importante destacar que as estatais estão dispensadas de realizar licitação
previamente à celebração de contratos relacionados diretamente com suas atividades-fim:

Lei 13.303/2016, art. 28, § 3º São as empresas públicas e as sociedades de economia mista
dispensadas da observância dos dispositivos deste Capítulo [CAPÍTULO I - DAS LICITAÇÕES]
nas seguintes situações:

I - comercialização, prestação ou execução, de forma direta, pelas empresas mencionadas


no caput, de produtos, serviços ou obras especificamente relacionados com seus
respectivos objetos sociais;

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Em relação aos contratos celebrados pelas estatais com terceiros, a Lei 13.303/2016 representou
significativa mudança em relação ao regime adotado pela Lei 8.666/1993 (que àquela época era
aplicável aos demais entes públicos). A Lei 13.303 restringiu os poderes do ente público em
relação ao particular, retirando a possibilidade de que sejam incluídas cláusulas exorbitantes nos
respectivos contratos.

Assim, parte da doutrina vem entendendo que os contratos das estatais mais se assemelham a
“contratos de direito privado da administração pública” do que a “contratos administrativos”.

Patrimônio

Os bens de EP e SEM são considerados bens privados17, dada sua personalidade de direito
privado.

Além disso, como tem entendido o STF18, as estatais não estarão sujeitas ao regime de precatório,
previsto no art. 100 da CF. Lembro que, para facilitar, quando se falar em ‘precatório’, mentalize
a imagem de uma fila de pessoas que têm valores a receber do Estado.

No entanto, haverá algumas particularidades – criadas a partir da jurisprudência do STF – a


depender da atividade prestada pela estatal.

Caso a EP/SEM se dedique à prestação de serviços públicos, os bens diretamente relacionados à


prestação dos serviços receberão tratamento similar àquele deferido aos bens públicos, a exemplo
da impenhorabilidade.

Esta conclusão decorre do seguinte raciocínio: se o serviço público depende daquele bem para
continuar sendo prestado, aquele bem deveria receber do ordenamento jurídico uma proteção
especial. Percebam, portanto, que é uma decorrência do princípio da continuidade dos serviços
públicos (e não da natureza jurídica do bem – que é de direito privado).

Mas, dentro do conjunto de estatais prestadoras de serviços públicos, haverá outra diferenciação
para aquelas que prestam serviço essencial, próprio do Estado, em regime não concorrencial (isto
é, sem competir com empresas privadas).

Para este subconjunto de EP e SEM, todos os bens, direta ou indiretamente relacionados à


prestação dos serviços, gozarão de proteção similar àquela conferida aos bens públicos. Por este

17
Código Civil, art. 98. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de
direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem.
18
STF RE 851711/DF. Rel. Min. Marco Aurélio. 12/12/2017.

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motivo, bens de tais empresas não podem ser penhorados para satisfazer a uma dívida da
empresa. As dívidas destas empresas seguirão o regime de precatório.

Portanto, como regra, será aplicável “regime de precatório às sociedades de economia mista
prestadoras de serviço público próprio do Estado e de natureza não concorrencial”, como no caso
do serviço postal prestado pelos Correios19.

Para concluir este tópico, lembro que estas exceções consistem no fenômeno que parte da
doutrina tem chamado de “autarquização das empresas estatais”, por meio do qual são estendidas
algumas das prerrogativas do direito público a estatais que se enquadrem em determinadas
situações.

Compilando estas três diferentes situações, temos o seguinte quadro-esquemático:

Imunidade tributária e privilégios fiscais

Quando estudamos as autarquias e fundações, vimos que elas são destinatárias da imunidade
tributária recíproca, prevista no texto constitucional20.

19
STF - RE: 220906 DF, Relator: Min. MAURÍCIO CORRÊA, Data de Julgamento: 16/11/2000.
20
CF, art. 150. “.. é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios”, VI - instituir
impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;

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Já em relação às empresas públicas e sociedades de economia mista, teremos duas situações


distintas, a depender da atividade desenvolvida.

Primeiramente, é preciso destacar que o texto constitucional não atribui expressamente às estatais
qualquer tratamento diferenciado. Pelo contrário, o constituinte previu uma limitação à concessão
de benefícios ou privilégios fiscais às estatais, da seguinte forma:

CF, art. 173, § 2º As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão
gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado.

Apesar disto, o Supremo vem entendendo21 que estatais que se dedicam à prestação de serviços
públicos têm direito à imunidade tributária recíproca:

I. - As empresas públicas prestadoras de serviço público distinguem-se das que exercem


atividade econômica. A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos é prestadora de serviço
público de prestação obrigatória e exclusiva do Estado, motivo por que está abrangida pela
imunidade tributária recíproca: C.F., art. 150, VI, a. II. - R.E. conhecido em parte e, nessa
parte, provido.

Por outro lado, se a estatal se volta à exploração de atividade econômica, não haveria que se falar
em imunidade tributária recíproca.

Portanto, de acordo com entendimento firmado pelo STF:

a imunidade tributária alcança apenas as estatais prestadoras de serviços públicos.

Além disso, vimos que o art. 173, §2º, da CF, impõe limitação à concessão de benefícios ou
privilégios fiscais às estatais, de forma ampla. Tal medida busca evitar que o legislador imponha
tratamento privilegiado às estatais, o que certamente iria prejudicar a competição destas estatais
com empresas privadas.

Assim, o Constituinte previu que privilégios fiscais (tributários) somente podem ser concedidos às
estatais caso também sejam estendidos às empresas privadas.

Interpretando tal dispositivo constitucional, a jurisprudência e a doutrina passaram a delimitar seu


alcance, afirmando que a norma seria aplicável apenas em relação às estatais exploradoras de
atividade econômica em sentido estrito.

21
A exemplo do RE: 407099 RS, Relator: CARLOS VELLOSO, Data de Julgamento: 22/06/2004

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Assim, poderiam ser estabelecidos privilégios fiscais em favor das estatais prestadoras de serviços
públicos, uma vez que estas não atuam em regime de concorrência com o mercado, não havendo
prejuízos à livre concorrência.

Em síntese:

Não fazem jus à imunidade tributária


atividade econômica em
recíproca ou a privilégios fiscais não
EP e SEM sentido estrito extensivos ao setor privado
atuando em Fazem jus à imunidade tributária
Serviços Públicos recíproca e a privilégios fiscais não
extensivos ao setor privado

Nomeação e Exoneração de dirigentes

Diferentemente do que estudamos em relação às autarquias, a nomeação de dirigentes de


empresas públicas ou sociedades de economia mista não pode estar condicionada à aprovação
legislativa prévia. Este é o entendimento a que chegou o STF neste julgado:

1. Esta Corte em oportunidades anteriores definiu que a aprovação, pelo Legislativo, da


indicação dos Presidentes das entidades da Administração Pública Indireta restringe-se às
autarquias e fundações públicas, dela excluídas as sociedades de economia mista e as
empresas públicas. Precedentes. (..)

5. A intromissão do Poder Legislativo no processo de provimento das diretorias das


empresas estatais colide com o princípio da harmonia e interdependência entre os
poderes. A escolha dos dirigentes dessas empresas é matéria inserida no âmbito do regime
estrutural de cada uma delas.

STF - ADI: 1642 MG, Relator: Min. EROS GRAU, Data de Julgamento: 3/4/2008

Responsabilidade Civil

Aqui também a natureza da responsabilidade irá depender das atividades desenvolvidas pela
estatal.

Caso a estatal seja prestadora de serviços públicos, responderá objetivamente pelos prejuízos
causados por seus agentes a particulares:

CF, art. 37, § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras
de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade,
causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de
dolo ou culpa.

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Lembro que a responsabilidade objetiva é aquela que não exige comprovação da existência de
culpa ou dolo na conduta estatal (ou seja, dispensa o elemento subjetivo da conduta – culpa ou
dolo).

Por outro lado, caso seja a estatal exploradora de atividade econômica em sentido estrito, sua
responsabilidade perante terceiros será subjetiva. Estas somente se obrigam a indenizar o
particular quando este provar a existência de culpa na atuação estatal.

Em resumo:

atividade econômica responsabilidade


EP e SEM em sentido estrito SUBJETIVA

atuando em responsabilidade
Serviços Públicos
OBJETIVA

Por último, vale mencionar que o ente federativo (U, E/DF, M) que instituiu a estatal é responsável
subsidiário pelas dívidas da empresa (e não solidário). Isto significa dizer que, “somente se o
patrimônio dessas entidades for insuficiente para solver os débitos”, os credores poderão cobrar
seus créditos da pessoa federativa que controlar a estatal.

Falência

Qualquer que seja a atividade desenvolvida, empresas públicas e sociedades de economia mista
não se sujeitam à falência. A Lei de Falências exclui, expressamente, as estatais do seu alcance:

Lei 11.101/2005, art. 2º Esta Lei não se aplica a:

I – empresa pública e sociedade de economia mista;

Estudadas as características comuns à EP e SEM, a partir de agora, vamos estudar as três


diferenças básicas. Assunto importantíssimo em prova!

incidência deste assunto em prova:

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Composição do capital

O capital das sociedades de economia mista é misto, devendo ser composto de parcela pública e
outra privada. Ou seja, parte das ações de uma sociedade de economia mista estará sob
propriedade de particulares. O que se exige é que a maioria do capital votante pertença ao ente
federativo:

Lei 13.303/2016, art. 4º Sociedade de economia mista (..) cujas ações com direito a voto
pertençam em sua maioria à União, aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios ou a
entidade da administração indireta.

Já para as empresas públicas, o capital deve ser integralmente público. Ou seja, 100% das ações
ou quotas de uma empresa pública deverão pertencer a uma ou mais pessoas federativas (U, E/DF,
M):

Lei 13.303/2016, art. 3º, Empresa pública (..) cujo capital social é integralmente detido pela
União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios

Apesar de ser integralmente público, admite-se que o capital de EP esteja também sob
propriedade de outros entes da Administração Pública, desde que a maioria do capital votante
esteja sob propriedade do ente federativo:

Lei 13.303/2016, art. 3º, parágrafo único. Desde que a maioria do capital votante
permaneça em propriedade da União, do Estado, do Distrito Federal ou do Município,
será admitida, no capital da empresa pública, a participação de outras pessoas jurídicas
de direito público interno, bem como de entidades da administração indireta da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

Diante disso, percebam que as empresas públicas podem ser unipessoais, quando o capital
pertence exclusivamente à pessoa instituidora, ou pluripessoais, quando, além do capital
dominante da pessoa criadora, se associam recursos de outras pessoas administrativas.

Como exemplo de empresa pública pluripessoal, temos a Dataprev, empresa pública federal, cuja
composição acionária está dividida entre a União (51%) e o INSS (49%).

Não se admite, no entanto, a presença de pessoas da iniciativa privada no capital de empresa


pública.

Esta distinção foi cobrada na questão abaixo:

CEBRASPE/ TRE-MT - Analista Judiciário – Área Judiciária (adaptada)

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O capital social das sociedades de economia mista deve ser integralmente público, e a participação do Estado
no capital social das empresas públicas deve ser majoritária.
Gabarito (E)

Forma Jurídica

As Sociedades de Economia Mista (SEM) devem sempre ser constituídas sob a forma de sociedade
anônima (S/A):

Lei 13.303/2016, art. 5º A sociedade de economia mista será constituída sob a forma de
sociedade anônima e, ressalvado o disposto nesta Lei, estará sujeita ao regime previsto na
Lei nº 6.40422, de 15 de dezembro de 1976.

Já as Empresas Públicas (EP) podem ser constituídas sob qualquer das formas admitidas no nosso
ordenamento jurídico, como por exemplo sociedade limitada – Ltda e sociedade por ações – S/A.

Em síntese:

Sociedades de Economia Mista → sociedade anônima (S/A)

Empresas Públicas → qualquer das formas admitidas em direito

Especificamente para o nível federal existe uma recomendação para que se adote a forma de S/A
também para empresas públicas:

Decreto 8.945/2016, art. 11. A empresa pública adotará, preferencialmente, a forma de


sociedade anônima, que será obrigatória para as suas subsidiárias.

Juízo competente

Em se tratando de empresas públicas e de sociedades de economia mista de nível estadual ou


municipal, não há qualquer particularidade: o juízo competente para ambas será a justiça estadual
comum.

Situação particular surgirá quanto às estatais da esfera federal.

As causas comuns envolvendo empresas públicas federais são julgadas pela justiça federal, nos
termos do seguinte dispositivo constitucional:

22
A Lei 6.404/1976 é chamada de “Lei das Sociedades por Ações” ou “Lei das SA”.

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CF, art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:

I - as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem


interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência,
as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho;

Já nos processos envolvendo sociedades de economia mista federais, a Justiça Estadual será o
foro judicial competente23.

Portanto, quanto ao juízo competente de EP/SEM podemos sintetizar da seguinte forma:

Regra: justiça estadual (comum)

Exceção: empresas públicas federais (causas julgadas pela justiça federal)

Este assunto foi cobrado na questão a seguir:

Auditor Federal de Controle Externo – Auditoria de Obras Públicas


Ação judicial cuja parte autora seja um cidadão comum que requeira indenização por danos materiais e
morais contra empresa pública federal será processada na justiça federal.
Gabarito (C)

Mas relembro que:

Qualquer ação que verse sobre o vínculo entre os empregados públicos e a estatal, deverá
ser proposta perante a Justiça do Trabalho24.

23
STF - Súmula 556. É competente a Justiça Comum para julgar as causas em que é parte sociedade de
economia mista.
24
CF, art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar:
I as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público externo e da
administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;

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Abaixo vamos sintetizar as características comuns entre empresas públicas (EP) e sociedades de
economia mista (SEM):

EP e SEM – características comuns


Criação autorizada em lei específica (CF, 37, XIX)
Personalidade jurídica de direito privado
Exigência de concurso público para contratação de pessoal
Pessoal é regido pela CLT (empregados públicos)
Empregados não detém estabilidade no emprego
Não sujeitas aos tetos constitucionais de remuneração, exceto se
receber recursos orçamentários para pagamento de despesas de
pessoal ou de custeio em geral
Sujeitas ao controle exercido pelos Tribunais de Contas

Agora passemos às principais diferenças do regime jurídico das estatais, a depender do seu objeto
de atuação:

Exploradoras de atividade econômico em


Prestadoras de serviços públicos
sentido estrito
Atividade sujeita predominantemente ao Atividade sujeita predominantemente ao
regime de direito privado regime de direito público
Não têm direito à imunidade tributária Imunidade tributária recíproca
Não podem ser destinatárias de privilégio
fiscal, salvo se houver monopólio ou extensível Podem ser destinatárias de privilégio fiscal
ao setor privado

Por fim, as três diferenças entre EP e SEM:

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empresa pública sociedade de economia mista

Constituída sob qualquer forma Sempre constituída sob a forma


admitida (Ltda, S/A...) de sociedade anônima (S/A)

Capital social integralmente


Capital social misto
público

Empresa pública federal: foro Foro processual será a justiça


processual é a justiça federal estadual

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RESUMO
Entidades políticas → pessoas jurídicas de direito público interno dotadas de autonomia política.
Consistem nos entes federados (ou pessoas políticas): União, estados, Distrito Federal e
municípios.

Entidades administrativas e órgãos administrativos → desprovidos de autonomia política. Isto é,


não possuem capacidade de legislarem ou de se auto-organizarem. Possuem competências de
natureza administrativa.

----

Centralização → Estado executa diretamente suas tarefas, por meio da administração direta.

Descentralização → Estado executa suas tarefas indiretamente, isto é, delega a outras pessoas
jurídicas.

Modalidades:

via Lei
a entidades da Administração Indireta
Descentralização
Modalidades de

por outorga ou serviços


transfere a titularidade e a execução do serviço
ex.: INSS, Dnit, Petrobras

via Ato ou Contrato


a particulares
por delegação ou colaboração
transfere apenas a execução do serviço
ex.: serviço público de telefonia fixa

criação dos territórios federais


territorial ou geográfica atribuição de competências administrativas genéricas

Desconcentração → dentro de uma mesma pessoa jurídica, Estado se desmembra em órgãos para
propiciar melhoria na sua organização estrutural. Ocorre tanto na administração direta como nas
entidades da administração indireta.

Entidades paraestatais → não pertencem à Administração Pública, mas desempenham atividades


de interesse público. Terceiro setor.

Administração Direta → conjunto de órgãos que integram as pessoas políticas, aos quais foi
atribuída a competência para o exercício, de forma centralizada, das atividades administrativas do
Estado.

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Órgãos Públicos → "centros de competência instituídos para o desempenho de funções estatais,


através de seus agentes”. Sua atuação é imputada à pessoa jurídica a que pertencem (teoria do
órgão, de origem alemã).

Classificações dos órgãos públicos


✓ Simples ou Unitários: não possuem subdivisões internas. Apenas um
centro de competências.
Quanto à estrutura
✓ Compostos: mais de um centro de competência. Possuem outros órgãos
em sua estrutura interna.
✓ Singulares ou unipessoais ou Unitários: decisões dependem da vontade
Quanto à atuação de um único agente.
funcional ✓ Colegiados ou Pluripessoais ou Plúrimos: decisões dependem da vontade
de múltiplos agentes. ==126341==

✓ Independentes ou Primários: Previstos no próprio texto constitucional.


Sem subordinação a qualquer outro órgão. Seus titulares são agentes
políticos.
✓ Autônomos: Imediatamente abaixo dos órgãos independentes. Possuem
Quanto à posição ampla autonomia administrativa, financeira e técnica.
hierárquica ✓ Superiores: Possuem atribuições de direção e decisão, mas estão
subordinados a uma chefia mais alta. Não possuem autonomia
administrativa ou financeira.
✓ Subalternos: Possuem atribuições de mera execução, com reduzido
poder decisório. Subordinados a vários níveis hierárquicos.
Quanto à situação ✓ Diretivos: detêm funções de comando e direção
estrutural ✓ Subordinados: incumbidos das funções rotineiras de execução

Características dos órgãos públicos


✓ integram a estrutura da pessoa jurídica a que pertencem
o ou pessoa política (U, E/DF, M)
o ou administrativa (autarquia, fundação pública, EP, SEM ou fundação)
✓ não possuem personalidade jurídica

✓ criação e extinção mediante LEI

✓ resultado da desconcentração (hierarquia)


✓ alguns possuem autonomia gerencial, orçamentária e financeira
✓ alguns possuem, em caráter excepcional, capacidade processual

Administração Indireta → a conjunto de pessoas administrativas que, vinculadas à respectiva


Administração Direta, têm o objetivo de desempenhar as atividades administrativas de forma
descentralizada.

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→ resulta da descentralização por serviços (isto é, mediante outorga)

→ não há hierarquia com a Administração Direta (mera vinculação)

Autarquia
✓ pessoa jurídica de direito público
✓ prestam serviço típico de Estado - não exploram atividade econômica
✓ criação e extinção mediante lei específica
✓ segue regime único de pessoal (predominantemente estatuário)
✓ responsabilidade civil é objetiva e direta
✓ bens públicos (imprescritibilidade, impenhorabilidade e inalienabilidade)
✓ goza de imunidade tributária
✓ juízo competente será a justiça federal para as autarquias federais
✓ goza de privilégios processuais
✓ agências reguladoras: autarquias sob regime especial, com estabilidade dos dirigentes

Fundação Pública
✓ patrimônio personalizado. Atividades com interesse social.
✓ regime jurídico de direito público ou híbrido (essencialmente privado)
✓ possuem imunidade tributária recíproca
✓ responsabilidade civil objetiva
✓ sujeitas à fiscalização exercida pelos Tribunais de Contas
✓ fundações públicas de direito público:
o criadas por lei
o regime único de pessoal
o bens públicos
✓ fundações públicas de direito privado:
o lei específica apenas autoriza a criação
o regime celetista
o bens privados. Se diretamente utilizados na prestação de serviços públicos: possuem
algumas prerrogativas próprias de bens públicos

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Empresa Pública e Sociedade de Economia Mista


✓ criação autorizada em lei específica. Necessário registro dos atos constitutivos.
✓ personalidade jurídica de direito privado
✓ podem prestar serviços públicos ou explorar atividade econômica em sentido estrito
✓ exigência de concurso público para contratação de pessoal
✓ Pessoal é regido pela CLT (empregados públicos)
✓ empregados não detém estabilidade no emprego
✓ não sujeitas aos tetos constitucionais de remuneração, exceto se receber recursos
orçamentários para pagamento de despesas de pessoal ou de custeio em geral
✓ sujeitas ao controle exercido pelos Tribunais de Contas
✓ Prestadoras de serviços públicos:
o Atividade sujeita predominantemente ao regime de direito público
o Imunidade tributária recíproca
o Podem ser destinatárias de privilégio fiscal
o Responsabilidade objetiva pelas ações de seus agentes nesta condição
✓ Sociedade de Economia Mista
o Sempre Sociedade Anônima (S/A)
o Capital social é misto
o Foro processual = justiça estadual
✓ Empresa Pública
o Constituída sob qualquer das formas admitidas em direito
o Capital social integralmente público
o Empresa pública federal: foro processual = justiça federal

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MAPAS

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QUESTÕES COMENTADAS

Administração Indireta

1. Vunesp/PC-SP – Investigador - 2023

Considere que a Secretaria de Segurança Pública está estudando fazer um acordo de


colaboração com entidade integrante da Administração Indireta de outro ente federativo para
obter a licença de uso de software capaz de realizar o mapeamento criminal, de acordo com a
incidência de delitos ocorridos em diversas partes da cidade. Em reunião, foi exposto que a
referida entidade possui personalidade jurídica de direito privado e que o seu capital social é
integralmente pertencente à Administração Direta.

Com base na situação hipotética, pode-se concluir que se trata de uma

(A) sociedade de economia mista.

(B) organização social.

(C) fundação pública.

(D) empresa pública.

(E) autarquia.

Comentários

A letra (A) está incorreta, já que, apesar de ser uma entidade com personalidade jurídica de
direito privado, a sociedade de economia mista tem capital social misto (a parte majoritária com
direito a voto é composta por capital público, já a parte minoritária com direito a voto é
composta por capital privado).
A letra (B) está incorreta, porque as organizações sociais fazem parte do terceiro setor, o que se
contrapõe à posição de administração indireta citada no enunciado.
A letra (C) está incorreta, a fundação pública de direito privado possui patrimônio próprio
(privado) gerido pelos respectivos órgãos de direção.
A letra (D) está correta, a empresa pública possui personalidade jurídica de direito privado e seu
capital social pertence integralmente à administração pública.
Por fim, a letra (E) está incorreta, já que a autarquia possui personalidade jurídica de direito
público.

Gabarito (D)

2. VUNESP/PREFEITURA DE PIRACICABA-SP - Escriturário - 2023

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Com relação à administração direta, é correto afirmar que


A) desempenha suas atividades administrativas por meio da desconcentração.
B) os seus órgãos podem ser sujeitos de direitos e obrigações.
C) a descentralização administrativa cria outro órgão pertencente à administração direta.
D) as secretarias municipais estão subordinadas à administração indireta.
Comentários:
A letra (A) está correta. De fato, a desconcentração (diferentemente da descentralização) é
característica da administração direta, visto que resulta no desempenho de atividades
administrativas sem a transferência destas atividades para outras pessoas jurídicas.
A letra (B) está incorreta. Como os órgãos públicos não possuem personalidade jurídica própria,
eles não são sujeitos de direitos e obrigações. Assim, eles não podem ter direitos ou obrigações
em nome próprio.
A letra (C) está incorreta, visto que a alternativa confundiu descentralização com desconcentração
administrativa. É por meio da desconcentração que são criados outros órgãos públicos.
A letra (D) está incorreta, visto que as secretarias municipais são exemplos de órgãos públicos da
administração direta do município, de modo que não pertencem à Administração Indireta, muito
menos se subordinam a ela.
Gabarito (A)

3. VUNESP/UNICAMP-SP - Técnico em Administração - 2023


As autarquias e fundações públicas possuem como características compartilhadas:
A) tutela administrativa.
B) personalidade de direito público ou privado.
C) isenção de custas processuais.
D) exercício de atividades de utilidade pública.
E) nomeação e exoneração dos dirigentes por meio de conselho administrativo.
Comentários:
A questão quer saber as características comuns a autarquias e fundações públicas, sendo que a
única delas está na letra (A). Na verdade, todas as entidades da administração indireta se
sujeitam à tutela administrativa, que consiste na sujeição a controles exercidos pela
administração direta.
A letra (B) está incorreta, visto que as autarquias sempre possuirão personalidade de direito
público, ao passo que as fundações podem ser de direito público ou privado.
A letra (C) está incorreta, pois as fundações públicas de direito privado não estão isentas de
custas processuais. Apenas as autarquias e as fundações públicas de direito público possuem
este privilégio processual.

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Antonio Daud
Aula 04

A letra (D) está incorreta, na medida em que as autarquias desempenham atividades típicas de
Estado (e não atividades de utilidade pública).
A letra (E) está incorreta. Os dirigentes de autarquias e fundações públicas em regra são
nomeados e exonerados pelo Chefe do Executivo.
Gabarito (A)

4. VUNESP - AFTM (Pref Sorocaba)/Pref Sorocaba/2022


Fulano, auditor fiscal, participou de reunião na qual ouviu Beltrano, procurador municipal, afirmar
que a “Administração Pública municipal pode ser considerada como o conjunto de órgãos,
pessoas jurídicas e agentes municipais que o ordenamento jurídico brasileiro identifica como
administração pública”. Fulano, porém, não concorda com essa opinião, pois sempre pensou a
Administração Pública como “o conjunto de atividades que costumam ser consideradas próprias
da função administrativa, tais como as atividades de intervenção na propriedade privada,
fomento, prestação de serviços públicos e o exercício do poder de polícia”.
Acerca da polêmica instaurada na reunião, é correto afirmar que
a) o procurador municipal está correto, pois o seu pensamento coincide com a noção de
Administração Pública em sentido material, sendo essa a única visão compatível com o
ordenamento brasileiro.
b) ambos estão corretos, pois estão trabalhando com noções amplamente aceitas de
Administração Pública no Direito Administrativo brasileiro, respectivamente, a noção de
Administração Pública em sentido subjetivo e de Administração Pública em sentido formal.
c) o procurador municipal está correto, pois o seu pensamento coincide com a noção de
Administração Pública em sentido objetivo, sendo essa a única visão compatível com o
ordenamento brasileiro.
d) ambos estão corretos, pois estão trabalhando com noções amplamente aceitas de
Administração Pública no Direito Administrativo brasileiro, respectivamente, a noção de
Administração Pública em sentido subjetivo e de Administração Pública em sentido objetivo.
e) o auditor fiscal está correto, pois o seu pensamento coincide com a noção de Administração
Pública em sentido orgânico, sendo essa a única visão compatível com o ordenamento brasileiro.
Comentários:
Interessante questão que traz à tona a classificação de administração pública em sentido formal e
material. Nesse contexto, a classificação trazida pelo Auditor Fiscal é a em sentido formal,
também conhecida como subjetiva, ou orgânica. Essa definição retrata, conforme expõe a
questão, a faceta da administração pública relacionada aos seus órgãos, entidades e agentes
públicos que a compõem. A referida classificação responde a pergunta: “quem é a Administração
Pública”.
O procurador municipal, por sua vez, assenta a classificação da administração pública em sentido
material, também conhecida como objetiva. Conforme expôs a questão, esse sentido da
administração expõem as suas principais atividades exercidas a fim de promover o interesse
público, quais sejam: fomento, intervenção, serviço público e exercício do poder de polícia.
Responde a pergunta: “o que faz a Administração Pública”.

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Aula 04

Cabe destacar que ambas as teorias são amplamente aceitas no Direito Administrativo, cada uma
com suas perspectivas, de modo que a alternativa (D) está correta, enquanto que as alternativas
(A), (B), (C) e (E) estão erradas.
Gabarito (D)

5. VUNESP - APrev (PERUÍBEPREV)/PERUÍBEPREV/Administrativo/2022


Entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, criada em
virtude de autorização legislativa, para o desenvolvimento de atividades que não exijam
execução por órgãos ou entidades de direito público, com autonomia administrativa, patrimônio
próprio gerido pelos respectivos órgãos de direção, e funcionamento custeado por recursos da
União e de outras fontes.
É correto afirmar que o enunciado se refere ao conceito de
a) sociedade de economia mista.
b) administração indireta.
c) fundação pública.
d) empresa pública.
e) autarquia.
Comentários:
Questão literal que dispõe acerca de características de uma entidade pública, questionando ao
candidato a qual se refere. Nesse sentido, trata-se da literalidade da definição de fundação
pública prevista no Decreto-Lei 200/67. Logo, pode-se afirmar que o enunciado retrata a
fundação pública, especificamente de direito privado, de sorte que a alternativa (C) está correta.
Art. 5º Para os fins desta lei, considera-se:
IV - Fundação Pública - a entidade dotada de personalidade jurídica de direito
privado, sem fins lucrativos, criada em virtude de autorização legislativa, para o
desenvolvimento de atividades que não exijam execução por órgãos ou
entidades de direito público, com autonomia administrativa, patrimônio próprio
gerido pelos respectivos órgãos de direção, e funcionamento custeado por
recursos da União e de outras fontes.
Lembre-se que as fundações públicas também podem ser de direito público, também
conhecidas como fundações autárquicas.
A alternativa (A) está incorreta. segundo o art. 4º da Lei 13.303/2016, Sociedade de Economia
Mista é
Art. 4º - a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com
criação autorizada por lei, sob a forma de sociedade anônima, cujas ações com
direito a voto pertençam em sua maioria à União, aos Estados, ao Distrito
Federal, aos Municípios ou a entidade da administração indireta.
Do mesmo modo, a alternativa (B) está incorreta, pois a administração indireta é um conjunto de
entidades que possuem personalidade jurídica própria e executam atividades públicas ou de

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Aula 04

exploração de atividade econômica, mas não necessariamente são criadas por autorização
legislativa e podem ser dotadas de personalidade jurídica de direito público ou privado.
A alternativa (D) também está incorreta. Segundo o art. 3º da Lei 13.303/2016, empresa pública
é
Art. 3º - a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com
criação autorizada por lei e com patrimônio próprio, cujo capital social é
integralmente detido pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos
Municípios.
Finalmente, a alternativa (E) está incorreta. Segundo Maria Sylvia Zanella Di Pietro, autarquia é:
Pessoa jurídica de direito público, criada por lei, com capacidade de
autoadministração, para o desempenho de serviço público descentralizado,
mediante controle administrativo exercido nos limites da lei.

Gabarito (C)

6. VUNESP - APrev (PERUÍBEPREV)/PERUÍBEPREV/Financeira e Investimentos/2022


O secretário de assistência e desenvolvimento social, ao tomar posse da sua pasta, percebeu que
a prática vigente anterior à sua entrada era de centralização das atividades na máquina pública.
Com o intuito de ampliar as vagas de abrigos para moradores de rua, ele propôs que parte
desses serviços fossem prestados por organizações sem fins lucrativos com experiência nessa
atividade. Essa prática administrativa de delegação de um serviço público é denominada
a) descentralização, na medida em que se estimula a sinergia entre órgãos de uma mesma área
de atuação sob o mesmo formato jurídico.
b) desconcentração, em função da delegação das atividades a organizações da sociedade civil
sem fins lucrativos.
c) descentralização, pois se trata de uma transferência de atribuições a pessoas jurídicas diversas.
d) distribuição na prestação dos serviços públicos, em busca da maximização dos recursos diretos
e indiretos disponíveis.
e) flexibilização dos serviços públicos, ao trazer as organizações da sociedade civil para ofertar
mais vagas nos abrigos.
Comentários:
A questão visa diferenciar os conceitos de descentralização e desconcentração, assim como se
adentrar nas classificações de cada um dos conceitos.
Conforme dispõe Carvalho Filho, na descentralização administrativa, o Estado executa suas
tarefas indiretamente, isto é, delega a outras entidades. A partir da descentralização, as
atividades não são executadas pelos órgãos do próprio ente político, e sim por entidades
pertencentes à administração indireta ou a particulares prestadores de serviços públicos. Nessa
toada, já se pode concluir que a alternativa (C) está correta e que a alternativa (A) está incorreta.
Noutro giro, na desconcentração o Estado se desmembra em órgãos para propiciar melhoria na
sua organização estrutural. Esses órgãos, conforme dispõe Celso Antônio Bandeira de Mello,
consistem em círculos de atribuições repartidos no interior da personalidade estatal sem

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Aula 04

personalidade jurídica própria. Portanto, dado que a delegação foi realizada com outra entidade,
com personalidade jurídica própria, a alternativa (B) está incorreta.
Por fim, como a prática administrativa de delegação de um serviço público elencada no
enunciado não é denominada “flexibilização”, tampouco “distribuição”. Logo, as alternativas (D)
e (E) estão erradas.
Gabarito (C)

7. VUNESP - Tec Leg (CMSJC)/CM SJC/2022


A Câmara Municipal recebeu projeto de lei do poder executivo que tem por finalidade criar uma
entidade que será responsável por fiscalizar os serviços públicos concedidos do Município. A
proposição estipula que essa pessoa jurídica será criada por lei, dotada de personalidade jurídica
de direito público e se submeterá a um regime jurídico especial, pois o termo do mandato de
seus dirigentes não coincidirá com os do Chefe do Poder Executivo, bem como que a entidade
gozará de autonomia funcional, decisória, administrativa e financeira. Caso um Vereador consulte
um Técnico Legislativo para saber de que tipo de entidade integrante da administração indireta a
proposta está se referindo, é correto afirmar que se trata de uma
a) agência reguladora.
b) fundação pública.
c) empresa pública.
d) agência executiva.
e) sociedade de economia mista.
Comentários:
Questão de nível médio que traz algumas características de uma entidade pública a fim de que o
candidato descubra de qual se trata. Já lhes adianto que a alternativa (A) está correta, visto que o
enunciado dispõe sobre as principais peculiaridades das agências reguladoras. Cabe citar esses
principais atributos, segundo a doutrina de Diogo de Figueiredo Moreira Neto:
1) autonomia política dos dirigentes, a serem nomeados pelo Chefe do Poder
Executivo, mas sob aprovação do Poder Legislativo, com mandatos estáveis,
durante um prazo determinado.
2) independência normativa, necessária para disciplinar, de forma autônoma, os
serviços públicos e as atividades econômicas que estão submetidos à sua
regulação e controle
3) autonomia técnico-decisória, com predomínio da discricionariedade técnica
sobre a discricionariedade político-administrativa.
4) autonomia gerencial, orçamentária e financeira
A alternativa (B), por sua vez, está incorreta. Cabe citar a conceituação de fundação pública,
segundo Maria Sylvia Zanella Di Pietro:
Fundação pública é aquela instituída pelo Poder Público com o patrimônio, total
ou parcialmente público, dotado de personalidade jurídica, de direito público ou
privado, e destinado, por lei, ao desempenho de atividades do Estado na ordem

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Aula 04

social, com capacidade de autoadministração e mediante controle da


Administração Pública, nos limites da lei.
A alternativa (C) também está errada. Cabe citar o conceito legal de empresa pública, previsto na
Lei das Estatais:
Entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com criação
autorizada por lei e com patrimônio próprio, cujo capital social é integralmente
detido pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios.
A alternativa (D) está incorreta. Diferentemente das agências reguladoras, as agências executivas
consistem nas autarquias e fundações que celebram contrato de gestão com o poder público,
para a melhoria da eficiência e redução de custos. Cabe citar a previsão constitucional do tema:
CF, art. 37, § 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e
entidades da administração direta e indireta poderá ser ampliada mediante
contrato [de gestão], a ser firmado entre seus administradores e o poder público,
que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou
entidade, cabendo à lei dispor sobre (...)
Por fim, a alternativa (E) está equivocada. Vamos citar o conceito de Sociedade de Economia
Mista para fins de revisão:
Entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com criação
autorizada por lei, sob a forma de sociedade anônima, cujas ações com direito a
voto pertençam em sua maioria à União, aos Estados, ao Distrito Federal, aos
Municípios ou a entidade da administração indireta.

Gabarito (A)

8. VUNESP - Prefeitura de Várzea Paulista - SP - Agente de Gestão - Assistente Administrativo -


2021

A administração pública pode ser dividida em dois tipos: direta e indireta. A direta é
desempenhada
A por pessoas jurídicas, empresas privadas, organizações e fundações.
B pelos poderes bancários, empresariais e grupos privados.
C por entidades com personalidade jurídica própria, patrimônio e autonomia administrativa.
D por autarquias, empresas públicas e sociedades de economia mista.
E pelos poderes da união, estados, Distrito Federal e municípios.
Comentários:
A alternativa (E) está correta, pois é a única alternativa que menciona apenas entes da
administração direta.
A alternativa (A) está incorreta, pois menciona pessoas jurídicas que nem fazem parte da
Administração Pública, como as empresas privadas.

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No mesmo sentido a alternativa (B) está incorreta, visto que tais grupos não fazem parte da
Administração Pública.
A alternativa (C) está incorreta, pois menciona entidades da administração indireta, isto é,
entidades com personalidade jurídica própria. Por fim , a alternativa (D) está igualmente
incorreta, ao mencionar entidades da administração indireta.

Gabarito (E)

9. VUNESP - Prefeitura de Ribeirão Preto - SP - Agente de Administração- 2021

Toda entidade pública ou privada criada pela pessoa política, mas que não se confunde com a
pessoa jurídica pública matriz criadora, forma a administração pública
A direta.
B indireta.
C funcional.
D material.
E orgânica.
Comentários:
O enunciado descreve o conceito de administração pública indireta, mencionada na alternativa
(B). Isto porque fala-se em ‘entidade’ que é ‘criada pela pessoa política’, isto é, pela União, pelos
Estados, DF ou municípios.

Gabarito (B)

10. VUNESP - 2020 - Prefeitura de Morro Agudo - SP - Fiscal de Tributos

A respeito das entidades que podem compor a Administração Pública, é correto afirmar que as
A autarquias são órgãos públicos criados por lei.
B autarquias estão sujeitas ao controle hierárquico do ente que as criou.
C fundações públicas poderão ter natureza de direito privado.
D empresas públicas deverão ser constituídas pela forma de sociedade anônima.
E empresas estatais são criadas por meio de lei específica, sendo desnecessário o registro dos
atos constitutivos.
Comentários:
A letra (A) está incorreta, pois as autarquias são entidades - e não órgãos públicos.
A letra (B) está incorreta. Muito embora exista um controle exercido pela administração direta
sobre as entidades da administração indireta, não se trata de controle hierárquico (ou por
subordinação), mas sim de controle por vinculação (ou finalístico).

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A letra (C) está correta, pois a jurisprudência do STF admite a existência de fundações públicas
tanto de direito público como de direito privado.

A letra (D) está incorreta, em razão do verbo "deverão". Isto porque, diferentemente das
sociedades de economia mista, as empresas públicas podem ser constituídas sob quaisquer das
formas admitidas em direito (S/A, Ltda, Comandita etc):

==126341==

A letra (E) está incorreta. Ao contrário, as estatais de modo geral têm sua criação apenas
autorizada em lei (CF, art. 37, XIX) e, ademais, exige-se o registro dos atos constitutivos na junta
comercial a fim de que a personalidade passe a existir.

Gabarito (C)

11. VUNESP - 2019 - Prefeitura de Dois Córregos - SP - Fiscal de Tributos

A Administração Pública pode se organizar de diferentes formas, visando sempre o atendimento


ao interesse público. A esse respeito, é correto afirmar que
A os órgãos públicos são entidades dotadas de personalidade jurídica própria e criados por meio
de ato do Chefe do Poder ao qual pertencem.
B as entidades paraestatais integram a chamada Administração Indireta, possuindo vinculação
finalística ao seu ente instituidor
C A Administração Indireta se constitui a partir do fenômeno da desconcentração de
competências a partir do seu núcleo central localizado no Chefe do Poder Executivo.
D as sociedades de economia mista têm sua criação autorizada por lei e devem ser organizadas
necessariamente sob a forma de sociedades anônimas.

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E as empresas públicas são entidades paraestatais e integram o orçamento fiscal no ente que as
instituir
Comentários:
A letra (A) está incorreta, na medida em que os órgãos públicos não possuem personalidade
própria e, em regra, devem ser criados por meio de lei (e não por ato do próprio poder).
A letra (B) está incorreta, pois as paraestatais (a exemplo do Sesc, Sesi, Senai, Sest, das
organizações da sociedade civil) não integram a Administração Pública, nem direta ou indireta.
Tais entidades são particulares, que atuam ao lado do Estado, em atividades sociais.
A letra (C) está incorreta, na medida em que a administração indireta deriva do fenômeno da
descentralização (e não desconcentração), mais especificamente da descentralização por serviços.
A letra (D) está correta. De fato, as estatais têm sua criação apenas autorizada por meio de lei
(CF, art. 37, XIX):

Além disso, as sociedades de economia mista devem, necessariamente, ser constituídas por meio
de S/A.
A letra (E) está incorreta, pois as empresas públicas são entidades administrativas, que pertencem
à Administração, diferentemente das paraestatais.

Gabarito (D)

12. VUNESP – TJRO/2019

O ente personalizado, integrante da Administração Pública indireta, cuja criação é autorizada por
lei, mas adquire existência jurídica após o registro dos seus estatutos, é
a) agência executiva.
b) fundação de direito privado.
c) autarquia.
d) serviço social autônomo.
e) agência reguladora.
Comentários:
O enunciado menciona uma característica de entidade da administração indireta com
personalidade de direito privado, qual seja, a necessidade de registro de seu ato constitutivo

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como condição para início da personalidade. Em outras palavras, para tais entidades, não basta a
edição de lei, faz-se necessário o registro do ato constitutivo, consoante se interpreta a partir do
inciso XIX do art. 37 da CF:

Art. 37, XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada
a instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e de
fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua
atuação;

Assim, a letra (b) está correta. A este respeito, é importante destacar entendimento doutrinário
de que as fundações públicas com personalidade de direito público seguiriam a mesma regra das
autarquias, isto é, criação direta por meio de lei.
Passemos às demais!
A letra (a) está incorreta. A expressão "agência executiva" não designa uma nova modalidade de
pessoa jurídica, trata-se de qualificação que pode ser atribuída a autarquia ou fundação pública
que celebrarem contrato de gestão com o poder central.
A letra (c) está incorreta, uma vez que a autarquia deve ser criada diretamente por meio de lei
específica.
A letra (d) está incorreta porquanto os serviços sociais autônomos não fazem parte da
administração pública.
A letra (e) está incorreta. As agências reguladoras, em geral, são entidades autárquicas, de sorte
que sua criação resulta diretamente da publicação da lei.

Gabarito (B)

13. VUNESP – PGM Rio Preto/2019

Dentre as definições a seguir, assinale aquela que melhor conceitua a autarquia.


a) É entidade integrante da Administração Pública, criada ou não por lei, com personalidade
jurídica de Direito Público ou Privado, patrimônio e receitas próprios, para executar atividades
típicas da Administração Pública, podendo ou não ser dotada de gestão administrativa e
financeira descentralizada.
b) É entidade integrante da Administração Pública direta, criada por lei, com personalidade
jurídica de Direito Público, sem patrimônio próprio, para executar atividades típicas da
Administração Pública, que requeira, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa
descentralizada.
c) É entidade integrante da Administração Pública indireta, com personalidade jurídica de Direito
Privado, patrimônio e receitas próprios, para executar, descentralizadamente, atividades
estabelecidas por lei.
d) É entidade integrante da Administração Pública indireta, criada por lei, com personalidade
jurídica de Direito Público, patrimônio e receitas próprios, para executar atividades típicas da

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Administração Pública, que requeira, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e
financeira descentralizada.
e) É entidade integrante da Administração Pública indireta, criada por lei, com personalidade
jurídica de Direito Público, patrimônio e receitas próprios, para executar atividades típicas da
Administração Pública, caracterizada pela ausência de controle, de tutela ou de subordinação
hierárquica e pela autonomia funcional, decisória, administrativa e financeira.
Comentários:
Nosso gabarito está na letra (d), pois apresenta redação compatível com a alínea “a” do inciso II
do art. 4º e com o inciso I do art. 5º, ambos do decreto-lei 200/1967:

Art. 4° A Administração Federal compreende:

II - A Administração Indireta, que compreende as seguintes categorias de


entidades, dotadas de personalidade jurídica própria:

a) Autarquias;

Art. 5º Para os fins desta lei, considera-se:

I - Autarquia - o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica,


patrimônio e receita próprios, para executar atividades típicas da Administração
Pública, que requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e
financeira descentralizada.

Reparem que tais dispositivos legais mencionam importantes características das autarquias, a
saber: o fato de pertencer à administração indireta; personalidade de direito público; criação
direta por meio de lei; execução de atividades típicas do Estado; gestão administrativa e
financeira descentralizada (serviço público personificado).
Quanto à letra (E), incorreta, destaco que não há "ausência de controle ou de tutela". Apesar de
não haver "hierarquia", as autarquias estão sim submetidas a controle administrativo, exercido
nos limites da lei, mediante controle finalístico (também chamado de controle por vinculação ou
supervisão ministerial), em que não há subordinação. Pelo mesmo motivo, a "autonomia
decisória" das autarquias é limitada, na medida em que está sujeita aos mecanismos de controle
previstos em lei.

Gabarito (D)

14. Vunesp/Pref. Campinas - Auditor Fiscal - 2019

Em matéria de organização administrativa brasileira, a descentralização administrativa


a) consiste na distribuição de competências e responsabilidade dentro de uma mesma pessoa,
deixando de existir a subordinação.
b) se dá mediante o deslocamento de competência para uma nova pessoa, sem a subordinação
hierárquica, embora haja o controle e a fiscalização do Poder Público.

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c) se dá por meio da transferência de competência, apenas, para as pessoas da Administração


indireta, que possuam personalidade jurídica própria.
d) é espécie inadmissível no ordenamento jurídico pátrio.
e) consiste na distribuição de competências e responsabilidades dentro de uma mesma pessoa,
mantendo-se a hierarquia.
Comentário
As letras (A) e (E) estão incorretas, visto que a descentralização envolve mais de uma pessoa
jurídica.
A letra (B) está correta, ao mencionar corretamente a atribuição de competências a outra pessoa
jurídica e a inexistência de subordinação, embora exista o controle por vinculação.
A letra (C) está incorreta. A descentralização pode resultar no surgimento de novas entidades
administrativas (descentralização por outorga), mas também pode resultar na atribuição de
atividades a particulares (descentralização por delegação):

A letra (D) está incorreta, na medida em que a descentralização é admissível e, inclusive,


largamente adotada no ordenamento jurídico pátrio.

Gabarito (B)

15. VUNESP/ISS Guarulhos – Inspetor – 2019

A respeito das autarquias, assinale a alternativa correta.


(A) A autarquia é uma pessoa jurídica de direito privado, criada por lei.
(B) A autarquia é instituída diretamente pela lei e sua personalidade jurídica tem início com a
vigência da lei criadora.
(C) A criação de autarquias decorre do processo de desconcentração administrativa, integrando
essas entidades à estrutura orgânica da Administração Direta.

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(D) As autarquias se sujeitam, via de regra, à responsabilidade civil subjetiva.


(E) As autarquias não se submetem ao regime dos precatórios ou da Requisição de Pequeno
Valor (RPV).
Comentário
A letra (A) está incorreta, porquanto autarquia é pessoa jurídica de direito público.
A letra (B) está correta. As autarquias são pessoas jurídicas de direito público e, dessa forma, são
criadas diretamente por lei específica, adquirindo personalidade jurídica com a vigência da sua lei
de criação. Relembrando o que dispõe o art. 37, XIX, da CF:

A letra (C) está incorreta, na medida em que a criação de entidades da administração indireta
decorre de descentralização administrativa.
A letra (D) está incorreta. Como regra geral, a responsabilidade civil das autarquias será objetiva:

CF, art. 37, § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado


prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes,
nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o
responsável nos casos de dolo ou culpa.

A letra (E) está incorreta. Como regra geral, as autarquias estão sujeitas ao regime de precatórios.
Tratando-se, no entanto, de débitos de pequeno valor, utiliza-se o regime de Requisição de
Pequeno Valor (RPV).

Gabarito (B)

16. VUNESP - Procurador Jurídico (UNIFAI)/2019

Suponha que lei autoriza a criação de pessoa jurídica de direito privado para integrar a
Administração Pública Indireta, que deverá ter o seu capital integralizado exclusivamente por
entidades componentes da Administração e poderá funcionar sob qualquer espécie societária.
Considerando a situação hipotética, é correto afirmar que a lei autorizou a criação de uma
a) autarquia.
b) fundação pública de direito privado.
c) sociedade de economia mista.
d) empresa pública.
e) sociedade de propósito específico.

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Comentários:
A letra (a) está incorreta, uma vez que a autarquia é criada por lei específica para desempenhar
atividade típica da Administração Pública. Assim, a lei não autoriza sua criação como descrito no
enunciado da questão. Relembrando o que se depreende a partir do art. 37, XIX, da CF:

A letra (b) está incorreta, dado que a fundação pública é a personificação de patrimônio e não
pode funcionar sob qualquer espécie societária, devendo assumir forma de pessoa jurídica sem
finalidade lucrativa.

A letra (c) está incorreta, pois, nos termos do art. 4º da lei 13.303/2016 a sociedade de economia
mista deverá ter capital majoritário da Administração Pública (e não em exclusividade), bem
como ser constituída sempre sob a forma de S.A.:

Art. 4º Sociedade de economia mista é a entidade dotada de personalidade


jurídica de direito privado, com criação autorizada por lei, sob a forma de
sociedade anônima, cujas ações com direito a voto pertençam em sua maioria à
União, aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios ou a entidade da
administração indireta.

A letra (d) está correta. Ao mencionar (i) capital exclusivamente público e (ii) funcionar sob
qualquer espécie societária, terá lugar a empresa pública, inclusive tomando por base o disposto
no art. 3º da lei 13.303/2016:

Art. 3º Empresa pública é a entidade dotada de personalidade jurídica de direito


privado, com criação autorizada por lei e com patrimônio próprio, cujo capital
social é integralmente detido pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou
pelos Municípios.

Parágrafo único. Desde que a maioria do capital votante permaneça em


propriedade da União, do Estado, do Distrito Federal ou do Município, será
admitida, no capital da empresa pública, a participação de outras pessoas
jurídicas de direito público interno, bem como de entidades da administração
indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

Pelas mesmas razões expostas acima, a letra (e) está incorreta, visto que a SPE é um modelo de
organização empresarial, no qual cria-se uma pessoa jurídica que terá outras empresas como
sócias.

Gabarito (D)

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Aula 04

17. VUNESP - Analista (Pref Itapevi) /Gestão Pública/2019

A Administração Pública pode ser classificada como direta e indireta. Assinale a alternativa cujas
organizações pertencem à Administração Pública indireta.
a) Organizações da sociedade civil de interesse público, autarquias e empresas.
b) Empresas de economia mista, fundações, organizações não governamentais e organizações da
sociedade civil de interesse público.
c) Autarquias, empresas públicas e fundações públicas.
d) Institutos, fundações, empresas públicas e organizações da sociedade civil de interesse
público.
e) Empresas públicas, autarquias e organizações da sociedade civil de interesse público.
Comentários:
A letra (a) está incorreta, pois as organizações da sociedade civil de interesse público (OSCIP)
fazem parte do chamado terceiro setor ou paraestatais. Tais entidades não fazem parte da
Administração Pública, colocando-se ao lado do Estado, em colaboração.
A letra (b) está incorreta, uma vez que as organizações não governamentais e organizações da
sociedade civil de interesse público fazem parte do chamado terceiro setor ou paraestatais.
A letra (c) está correta, segundo o art. 4º do inciso II do decreto-lei 200/1967:

Art. 4º, II - A Administração Indireta, que compreende as seguintes categorias de


entidades, dotadas de personalidade jurídica própria:

a) Autarquias;

b) Emprêsas Públicas;

c) Sociedades de Economia Mista.

d) fundações públicas.

Novamente, as letras (d) e (e) estão incorretas, visto que as organizações da sociedade civil de
interesse público fazem parte do chamado terceiro setor ou paraestatais.

Gabarito (C)

18. VUNESP - Profissional de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (UNICAMP)/Profissional para


Assuntos Administrativos/Administração/2019

Assinale a alternativa correta.


a) As sociedades de economia mista possuem personalidade jurídica de direito público e
integram a administração pública direta.

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Aula 04

b) As empresas públicas possuem personalidade jurídica de direito público e integram a


administração pública direta e indireta.
c) As fundações não possuem personalidade jurídica e integram a administração pública direta.
d) As empresas públicas possuem personalidade jurídica de direito público e privado e integram
exclusivamente a administração pública direta.
e) As autarquias possuem personalidade jurídica de direito público e integram a administração
pública indireta.
Comentários:
A letra (a) está incorreta, uma vez que as sociedades de economia mista possuem personalidade
jurídica de direito privado, pertencendo à administração pública indireta:

Art. 4º Sociedade de economia mista é a entidade dotada de personalidade


jurídica de direito privado, com criação autorizada por lei, sob a forma de
sociedade anônima, cujas ações com direito a voto pertençam em sua maioria à
União, aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios ou a entidade da
administração indireta.

As letras (b) e (d) estão incorretas, pois a empresa pública possui personalidade jurídica de direito
privado e assim como as demais empresas estatais pertencem à administração pública indireta:

Art. 3º Empresa pública é a entidade dotada de personalidade jurídica de direito


privado, com criação autorizada por lei e com patrimônio próprio, cujo capital
social é integralmente detido pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou
pelos Municípios.

A letra (c) está incorreta. As fundações públicas, assim como as empresas públicas e as
sociedades de economia mista, integram a administração pública indireta e, ademais, possuem
personalidade jurídica própria.
A letra (e) está correta, dada a personalidade jurídica de direito público das autarquias. Em
síntese:

Entidade Personalidade Atividade

Autarquia Direito público atividades típicas do Estado

Fundação Direito público ou privado atividades de interesse social

Sociedade de Economia Mista atividade econômica

e Direito privado ou

Empresa Pública serviços públicos

Gabarito (E)

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19. VUNESP - Procurador Jurídico (CM Serrana) /2019

A respeito da desconcentração, é correto afirmar que


a) é sinônimo de descentralização, porém ocorre na Administração Indireta.
b) consiste na Administração Direta deslocar, distribuir ou transferir a prestação do serviço para a
Administração Indireta.
c) foi vedada em recente decisão do Supremo Tribunal Federal com repercussão geral.
d) consiste na Administração Direta deslocar, distribuir ou transferir a prestação do serviço para o
particular.
e) se trata de forma de repartição interna da competência atribuída à entidade estatal e dela
decorre a criação de órgãos públicos.
Comentários:
A letra (a) está incorreta. Pode-se dizer que ambas possuem como semelhança o fato de
tratarem da distribuição de competência. Ocorre que, na descentralização, a distribuição é
externa (outra pessoa jurídica) e na desconcentração é interna (dando origem aos órgãos
públicos), não podendo ser tratadas como sinônimo.
A letra (b) está incorreta, pois, considerando que na desconcentração a distribuição de
competência é interna, ou seja, dentro da mesma pessoa jurídica. A afirmativa apresentou
situação que pode ser classificada como descentralização.
A letra (c) está incorreta, uma vez que não houve tal decisão por parte do Supremo.
A letra (d) está incorreta. O exposto na afirmativa trata-se da chamada descentralização por
colaboração, que, nas palavras de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, “é a que se verifica quando, por
meio de contrato ou ato administrativo unilateral, se transfere a execução de determinado serviço
público a pessoa jurídica de direito privado, previamente existente, conservando o Poder Público
a titularidade do serviço.”1
A letra (e) está correta, pois na desconcentração existe a distribuição interna de competência de
uma mesma pessoa jurídica.
Aproveito para trazer breve comparação entre os dois institutos:

1
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 27. ed. São Paulo: Atlas, 2014. p. 485.

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Gabarito (E)

20. VUNESP - Controlador Interno (UNIFAI) /2019

A Administração Pública pode exercer as suas funções de maneiras diversas, definidas de acordo
com as especificidades de cada atribuição conferida ao Estado. A respeito do tema, assinale a
alternativa correta.
a) A atividade administrativa pode ser exercida mediante descentralização, que ocorre quando a
própria entidade pública, por meio dos seus órgãos e agentes, desempenha as suas atribuições.
b) A descentralização administrativa pode ocorrer mediante delegação ou colaboração, hipótese
em que se transfere a titularidade da competência administrativa para entidade pública criada
por lei.
c) Na descentralização administrativa, em função do princípio do interesse público, forma-se uma
relação de hierarquia entre a autoridade delegante e a autoridade a quem é delegada a
competência administrativa.
d) Ocorre a desconcentração administrativa quando uma entidade pública distribui as suas
atribuições no âmbito da sua própria estrutura, com o objetivo de tornar mais eficiente a
execução da função pública.
e) Os conceitos de desconcentração e descentralização administrativa são tratados pela doutrina
como sinônimos, referindo-se ambos a situação em que a Administração cria uma entidade
específica para desempenhar funções públicas.
Comentários:
A letra (a) está incorreta, sendo a explicação apresentada cabível a desconcentração, pois é
quando ocorre a distribuição interna de competência.
A letra (b) está incorreta. Na descentralização por colaboração (também chamada de delegação),
a titularidade da competência administrativa não é transferida. Di Pietro leciona que a
desconcentração “é a que se verifica quando, por meio de contrato ou ato administrativo
unilateral, se transfere a execução de determinado serviço público a pessoa jurídica de direito
privado, previamente existente, conservando o Poder Público a titularidade do serviço.”2
2
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 27. ed. São Paulo: Atlas, 2014. p. 485.

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A letra (c) está incorreta, uma vez que na descentralização não há hierarquia. Neste caso, a
administração indireta terá suas atividades controladas em decorrência do princípio da tutela ou
controle.
A letra (d) está correta. É nesse sentido que Di Pietro explica que “Isso é feito para
descongestionar, desconcentrar, tirar do centro um volume grande de atribuições, para permitir
seu mais adequado e racional desempenho.”3
A letra (e) está incorreta, pois a doutrina não trata os referidos conceitos como sinônimos, sendo
que a criação de entidade administrativa ocorre na descentralização, enquanto na
desconcentração há a criação de órgãos públicos, dentro da mesma estrutura administrativa.

Gabarito (D)

Agências reguladoras

21. VUNESP - Câmara Municipal de São José dos Campos - SP - Técnico Legislativo- 2022

A Câmara Municipal recebeu projeto de lei do poder executivo que tem por finalidade criar uma
entidade que será responsável por fiscalizar os serviços públicos concedidos do Município. A
proposição estipula que essa pessoa jurídica será criada por lei, dotada de personalidade jurídica
de direito público e se submeterá a um regime jurídico especial, pois o termo do mandato de
seus dirigentes não coincidirão com os do Chefe do Poder Executivo, bem como que a entidade
gozará de autonomia funcional, decisória, administrativa e financeira. Caso um Vereador consulte
um Técnico Legislativo para saber de que tipo de entidade integrante da administração indireta a
proposta está se referindo, é correto afirmar que se trata de uma
A agência reguladora.
B fundação pública.
C empresa pública.
D agência executiva.
E sociedade de economia mista.
Comentários:
A questão mencionou características de uma agência reguladora, ao mencionar que é uma (i)
pessoa de direito público, (ii) que se submete a regras especiais, (iii) cujos dirigentes terão
mandatos, (iv) que a entidade gozará de autonomia funcional, decisória, administrativa e
financeira e que (v) a entidade dedica-se a fiscalizar serviços públicos concedidos. Portanto, a
alternativa (A) está correta.
A alternativa (B) está incorreta, pois as fundações em geral dedicam-se a atividades de interesse
social (não à fiscalização de serviços públicos concedidos). Além disso, fundações públicas
podem ser de direito público ou privado, sendo que seus dirigentes em geral não gozam de
prerrogativas especiais.
3
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 27. ed. São Paulo: Atlas, 2014. p. 481.

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As alternativas (C) e (E) estão incorretas, pois as estatais são pessoas jurídicas de direito privado.
A alternativa (D) está incorreta, pois “agências executivas” constituem autarquias ou fundações
públicas que celebram contrato de gestão com a administração direta, aspecto que não foi
mencionado no enunciado.

Gabarito (A)

22. VUNESP - Analista Legislativo (CM Serrana) /2019

Com relação às agências reguladoras, o mandato dos seus Conselheiros e dos seus Diretores
a) terá o prazo fixado na lei de criação de cada Agência.
b) será de 2 (dois) anos, prorrogável pelo mesmo prazo.
c) será por tempo indeterminado.
d) não poderá exceder o tempo máximo de 5 (cinco) anos.
e) vigorará pelo prazo certo a ser estabelecido por Decreto Federal.
Comentários:
Um dos instrumentos que a legislação utiliza para conferir maior autonomia técnico-decisória às
agências reguladoras é justamente o mandato por prazo fixo de seus dirigentes. Nesse sentido, a
letra (a) está correta, nos termos do art. 6º da Lei 9.986/2000 (que dispõe sobre a gestão de
recursos humanos das Agências Reguladoras e dá outras providências.):

Art. 6o O mandato dos Conselheiros e dos Diretores terá o prazo fixado na lei de
criação de cada Agência.

Gabarito (A)

Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista

23. VUNESP/Prefeitura de São Roque – Advogado – 2020

A respeito da Administração Indireta, assinale a alternativa correta.


a) A venda de subsidiárias de empresas públicas deve ser precedida de autorização legislativa.
b) Será considerada como sociedade de economia mista toda sociedade empresária que conte
com a participação da Administração e de entidades privadas na composição do capital social.
c) As fundações públicas possuem natureza jurídica de direito privado e sua criação prescinde
autorização legislativa.
d) O estatuto da empresa pública deverá observar regras de governança corporativa, de
transparência e de estruturas, práticas de gestão de riscos e de controle interno.

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e) A agência reguladora não precisa indicar os pressupostos de fato e de direito que motivam a
expedição de seus atos normativos.
Comentários
A letra (A) está incorreta. Em 2019, o STF firmou entendimento de que é necessária autorização
legislativa e licitação prévia para a alienação do controle acionário das empresas públicas e
sociedades de economia mista, o que não se aplica à alienação de suas subsidiárias:

"A alienação do controle acionário das empresas públicas e sociedades de


economia mista matrizes exige autorização legislativa e também licitação. A
exigência de autorização não se aplica a alienação das subsidiárias e controladas.
Neste caso, a operação pode ser feita sem licitação, respeitados os princípios da
Administração". Reclamação 34.560, Sergipe - Brasília, 06 de junho de 2019.
Ministro Edson Fachin Relator

A letra (B) está incorreta. Se não houver autorização legal para sua criação, o controle acionário
pelo poder público e a forma de S.A., não estaremos diante de uma SEM (mas de outra forma de
atuação estatal). Ou seja, o fato de ter participação da administração pública na sociedade
empresária não garante que esta seja uma sociedade de economia mista.
A letra (C) está incorreta. Fundação pública é uma entidade da Administração Pública indireta,
que pode adquirir personalidade jurídica de direito público ou privado. Além disso, sempre
haverá a necessidade de uma lei, sendo que, no caso da fundação pública, a criação é feita por
lei, já nas fundações privadas, a criação é autorizada por lei.
A letra (D) está correta. Segundo a Lei 13.303/2016:

Art. 6º - O estatuto da empresa pública, da sociedade de economia mista e de


suas subsidiárias deverá observar regras de governança corporativa, de
transparência e de estruturas, práticas de gestão de riscos e de controle interno,
composição da administração e, havendo acionistas, mecanismos para sua
proteção, todos constantes desta Lei.

A letra (E) contraria a doutrina em geral e, especificamente, o que diz a Lei 13.848/2019 - Lei
Geral das Agências Reguladoras Federais - em seu artigo 5º:

Art. 5º A agência reguladora deverá indicar os pressupostos de fato e de direito


que determinarem suas decisões, inclusive a respeito da edição ou não de atos
normativos.

Gabarito (D)

24. VUNESP/EBSERH - Advogado – 2020

A respeito do regime jurídico aplicável às empresas públicas, assinale a alternativa correta.


a) As empresas públicas exploradoras de atividade econômica são dispensadas da obrigação de
realizar licitação para contratar.

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b) O pessoal das empresas públicas rege-se pela Consolidação das Leis do Trabalho ou por
estatuto próprio.
c) As empresas públicas que explorem atividade econômica não se submetem aos princípios da
Administração Pública.
d) As empresas públicas federais submetem-se ao controle administrativo denominado
supervisão ministerial.
e) O Poder Judiciário pode exercer controle interno de atos, atividades e omissões de empresas
públicas, por meio de ações judiciais.
Comentários:
A letra (A) está incorreta. Ao contrário, a regra geral aplicável a todas as empresas públicas (se
exploradoras de atividade econômica ou prestadoras de serviços públicos) é a realização de
licitação.
A letra (B) está incorreta, pois seu pessoal é regido pela CLT (e não por estatuto).
A letra (C) está incorreta, porquanto inexiste tal exceção. Os princípios da Administração Pública
aplicam-se a todos os entes públicos:

CF/88, Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e,
também, ao seguinte:

A letra (D) está correta. A supervisão ministerial (ou controle finalístico ou por vinculação),
exercida pela administração direta sobre as entidades descentralizadas, alcança também as
estatais.
A letra (E) está incorreta, porquanto o Judiciário exerce o controle externo da atuação das
estatais, bem como da Administração em geral, porquanto trata-se de um poder fiscalizando
outro (controle externo).

Gabarito (D)

25. Vunesp/Pref. Campinas - Auditor Fiscal - 2019

As empresas públicas e sociedade de economia mista:


a) são pessoas jurídicas de direito privado, integrantes da Administração indireta, sujeitas ao
princípio constitucional da prévia nomeação por concurso público para o provimento do seu
quadro de pessoal.
b) são entidades da Administração indireta, instituídas pelo poder público, mediante
personificação de um patrimônio, para o desempenho de atividades sociais.
c) são pessoas jurídicas de direito público integrantes da Administração indireta que possuem
capital público e privado.

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d) embora integrantes da Administração direta, tais empresas seguem o regime jurídico próprio
das empresas privadas.
e) são pessoas jurídicas de direito público integrantes da Administração direta e seus
empregados são contratados pelo Regime Geral de Previdência Social.
Comentário
A letra (A) está correta. As estatais, de fato, são pessoas de direito privado, cujos empregados
devem ser contratados mediante prévio concurso público.
A letra (B) está incorreta. Esta “personificação de um patrimônio” é característica das fundações
públicas – e não das estatais. Além disso, as estatais não desempenham atividades de interesse
social, pois se destinam à explorarem atividade econômica (sentido estrito) ou prestarem serviços
públicos.
A letra (C) está incorreta. Primeiramente, notem que ambas possuem personalidade de direito
privado. Por outro lado, o capital das sociedades da economia mista é, de fato, misto (público e
privado), ao passo que o capital das empresas públicas deve ser exclusivamente público.
A letra (D) está incorreta, pois são integrantes da administração indireta
A letra (E) está incorreta, porquanto pertencem à administração indireta e possuem natureza de
direito privado.

Gabarito (A)

26. VUNESP - Encarregado do Setor de Licitação (UNIFAI) /2019

Suponha que um Município pretenda instituir, vinculada a sua estrutura, uma pessoa jurídica
responsável pela elaboração de projetos de infraestrutura, razão pela qual opta por criar uma
empresa pública com tal propósito. Para tanto, observa que tais entidades são dotadas de certas
particularidades, que deverão ser obedecidas no seu processo de constituição e funcionamento.
A respeito do assunto, é correto afirmar que
a) a criação da empresa pública depende de autorização legal, devendo ter o seu capital social
integralizado exclusivamente por entidades componentes da Administração Pública direta ou
indireta.
b) por estar submetida a um regime jurídico de direito privado, a empresa pública pode efetuar,
em regra, contratações de pessoal sem a prévia realização de concurso público.
c) a empresa pública deverá ser criada por lei, que conterá todos as disposições necessárias para
o seu funcionamento.
d) a empresa pública estará hierarquicamente submetida à Administração Direta, sendo o
processo de criação de entidades na administração indireta denominado de “desconcentração
administrativa”.
e) a empresa pública estará sujeita a um regime de direito privado, podendo ter o seu capital
social integralizado por particulares.
Comentários:

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A letra (a) está de acordo com o previsto no parágrafo único do art. 3º da lei 13.303/2016:

Art. 3º Empresa pública é a entidade dotada de personalidade jurídica de direito


privado, com criação autorizada por lei e com patrimônio próprio, cujo capital
social é integralmente detido pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou
pelos Municípios.

Parágrafo único. Desde que a maioria do capital votante permaneça em


propriedade da União, do Estado, do Distrito Federal ou do Município, será
admitida, no capital da empresa pública, a participação de outras pessoas
jurídicas de direito público interno, bem como de entidades da administração
indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

A letra (b) é contrária ao disposto no inciso II do art. 37 da Constituição Federal:

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da


União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e,
também, ao seguinte:

II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em


concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a
complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as
nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e
exoneração;

As estatais também se sujeitam ao mandamento constitucional do concurso público.


A letra (c) está incorreta, uma vez que a criação de empresa pública dependerá de autorização
legal prévia, vez que não é diretamente criada por lei, nos termos do § 1º do art. 2º da lei
13.303/2016:

Art. 2º A exploração de atividade econômica pelo Estado será exercida por meio
de empresa pública, de sociedade de economia mista e de suas subsidiárias.

§ 1º A constituição de empresa pública ou de sociedade de economia mista


dependerá de prévia autorização legal que indique, de forma clara, relevante
interesse coletivo ou imperativo de segurança nacional, nos termos do caput do
art. 173 da Constituição Federal.

A letra (d) está incorreta, dado que a desconcentração cria órgãos da administração direta ou
indireta. Para a criação de pessoas jurídicas da Administração Indireta ocorre a descentralização.
Assim, as empresas públicas submetem-se ao poder de tutela e não se submete
hierarquicamente a Administração Direta.
A letra (e) está incorreta, visto que a empresa pública deverá ter seu capital integralmente
pertencente à Administração Pública, direta ou indireta.

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Gabarito (A)

27. FCC/AL-AP – Analista Legislativo - 2020

Acerca das fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, a Constituição Federal de 1988
dispõe:
a) Compete ao Tribunal de Contas julgar as contas dos administradores e demais responsáveis
por dinheiros, bens e valores públicos da administração direta e indireta, excluídas as fundações,
que possuem conselho fiscal para esse fim.
b) Aplica-se as imunidades tributárias, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços
vinculados às suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes.
c) Somente por lei específica poderá ser criada autarquia e fundação, e autorizada a instituição de
empresa pública e de sociedade de economia mista, cabendo à lei complementar, neste último
caso, definir as áreas de sua atuação.
d) A proibição de acumulação remunerada de cargos, empregos e funções públicas aplica-se
apenas às fundações de direito público e não às de direito privado.
e) O afastamento eleitoral previsto no art. 38 da Constituição Federal de 1988 não se aplica aos
servidores públicos da administração fundacional, apenas aos que atuam na administração direta
e autárquica.
Comentários:
Questão que cobrou temas variados do Direito Administrativo, com certa predominância das
regras relativas à organização administrativa. Vamos lá!
A letra (A) está incorreta. A competência dos Tribunais de Contas de julgar as contas dos
administradores e demais responsáveis também é extensiva às fundações e sociedades instituídas
e mantidas pelo Poder Público federal, ao contrário do que diz a questão:

Art. 71, II - julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por


dinheiros, bens e valores públicos da administração direta e indireta, incluídas as
fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público federal, e as
contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de
que resulte prejuízo ao erário público;

A letra (B) está correta. A Constituição Federal em seu artigo 150 estabelece algumas limitações
ao poder de tributar dos entes federados. Dentre elas, está a vedação de instituírem impostos ao
patrimônio, à renda e aos serviços vinculados às finalidades essenciais ou às delas decorrentes de
partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das
instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos (imunidade recíproca):

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado


à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...)

VI - instituir impostos sobre: (...)

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c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações,


das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de
assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; (...)

§ 4º - As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem


somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades
essenciais das entidades nelas mencionadas.

A letra (C) está duplamente incorreta. A partir da literalidade da CF, podemos perceber que as
fundações também têm sua instituição autorizada por lei, assim como sociedades de economia
mista e empresas públicas. Além disso, a definição das áreas de atuação por meio de lei
complementar cabe às fundações:

Art. 37, XIX - somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada
a instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e de
fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua
atuação;

A letra (D) está incorreta, pois a vedação da acumulação remunerada de cargos públicos também
compreende empregos e funções, e abrange autarquias, fundações, empresas públicas,
sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas, direta ou
indiretamente, pelo poder público (CF, art. 37, XVII).
A letra (E) está incorreta. O afastamento eleitoral devido neste artigo refere-se a servidores
públicos da administração direta, autárquica e fundacional:

Art. 38. Ao servidor público da administração direta, autárquica e fundacional, no


exercício de mandato eletivo, aplicam-se as seguintes disposições:

I - tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou distrital, ficará afastado de


seu cargo, emprego ou função;

Gabarito (B)

28. FCC/Câmara de Fortaleza - Agente - 2019

O Estado X pretende criar uma entidade da Administração Indireta, para desempenho de


funções tipicamente estatais. Sabe-se que a existência legal da referida entidade não depende
de inscrição de seus atos constitutivos no registro civil de pessoas jurídicas ou na junta comercial.
Diante de tais características, tal entidade é uma
(A) empresa pública.
(B) autarquia.
(C) sociedade de economia mista.
(D) fundação de direito privado.

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(E) empresa privada paraestatal.


Comentários:
O enunciado mencionou duas características marcantes das autarquias: (1) desempenho de
atividade típica do Estado e (2) criação “automática” pela lei (CF, art. 37, XIX).
Assim, aproveito para diferenciar tais aspectos entre as entidades descentralizadas:

Entidade Personalidade Lei Atividade(s)

Autarquia Direito público Cria atividades típicas do Estado

Direito público Cria


atividades de interesse
Fundação Pública
social
Direito privado Autoriza

Sociedade de Economia
atividade econômica
Mista
Direito privado Autoriza ou
e
serviços públicos
Empresa Pública

Gabarito (B)

29. FCC/Pref. S.J. Rio Preto – Auditor Fiscal - 2019

A descentralização no âmbito da Administração pública opera-se de várias formas, sendo um de


seus exemplos a
(A) criação de órgãos no âmbito da estrutura da Administração, com plexo de atribuições
específicas e dotados de autonomia funcional.
(B) delegação de serviços públicos a particulares, mediante permissão ou concessão, como
modalidade de descentralização por colaboração.
(C) instituição, por lei, de empresas públicas sujeitas ao regime jurídico de direito privado,
exclusivamente em relação às obrigações fiscais.
(D) instituição de autarquias, como expressão da especialização da atuação da Administração,
que podem possuir natureza pública ou privada, conforme previsto na lei instituidora.
(E) criação de organizações sociais, instituídas mediante contrato de gestão, para atuarem como
delegatárias na prestação de serviços públicos ou atividades de interesse público.
Comentários:
A letra (A) está incorreta. A criação de órgãos é exemplo de desconcentração – e não
descentralização.

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A letra (B) está correta. De fato, a delegação da prestação de serviços públicos a particulares é
exemplo de descentralização por colaboração (ou “descentralização mediante delegação” ou
“delegação negocial”).
A letra (C) está incorreta. A instituição de empresas públicas, de fato, é exemplo de
descentralização. No entanto, as empresas públicas têm sua criação apenas autorizada por lei
(CF, art. 37, XIX). Além disso, se exploram atividades econômicas, sujeitam-se ao regime
essencialmente privado não apenas em relação às obrigações fiscais (tributárias), mas também
quanto às obrigações civis, comerciais e trabalhistas:

CF, art. 173, §1º, II - a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas,
inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e
tributários;

A letra (D) está incorreta, porquanto as autarquias sempre possuirão personalidade de direito
público.
A letra (E) está incorreta por várias razões. Primeiramente, notem que a Administração Pública
não cria “organizações sociais”. O que faz o poder público é atribuir tal qualificação a uma
entidade privada (criada por particulares) que já existe. Pelo mesmo raciocínio, a rigor, é incorreto
dizer que uma OS é “instituída” mediante contrato de gestão – visto que o contrato apenas
formaliza a parceria com o poder público e a OS. Além disso, consoante leciona Maria Sylvia
Zanella Di Pietro, a celebração do contrato de gestão não ocorre para que elas possam atuarem
como delegatárias de serviços públicos – mas sim para fomentar a realização de atividades de
interesse público.

Gabarito (B)

30. FCC/Metrô-SP – Analista – Administração - 2019

Vide a seguinte norma, extraída do Decreto-lei no 200/1967, que ainda hoje baliza vários dos
institutos da Administração Pública brasileira:
“Art. 10. A execução das atividades da Administração Federal deverá ser amplamente I .
§ 1o A II será posta em prática em três planos principais:
a) dentro dos quadros da Administração Federal, distinguindo-se claramente o nível de direção
do de execução;
b) da Administração Federal para a das unidades federadas, quando estejam devidamente
aparelhadas e mediante convênio;
c) da Administração Federal para a órbita privada, mediante contratos ou concessões”.
Preenchem correta e respectivamente as lacunas I e II do texto acima:
(A) privatizada e privatização
(B) securitizada e securitização
(C) descentralizada e descentralização

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(D) desconcentrada e desconcentração


(E) terceirizada e terceirização

Comentários:

A questão exige conhecimento quanto à literalidade do disposto no DL 200/167, que dispõe


sobre a organização da administração federal:

DL 200/1967, art. 10. A execução das atividades da Administração Federal


deverá ser amplamente descentralizada.

§ 1º A descentralização será posta em prática em três planos principais:

a) dentro dos quadros da Administração Federal, distinguindo-se claramente o


nível de direção do de execução;

b) da Administração Federal para a das unidades federadas, quando estejam


devidamente aparelhadas e mediante convênio;

c) da Administração Federal para a órbita privada, mediante contratos ou


concessões.

Para que a regra acima seja bem compreendida temos que lembrar que o DL 200/1967 busca
impedir o crescimento desmesurado da máquina administrativa, dispondo que o poder público
se concentre nas tarefas de planejamento, coordenação, supervisão e controle.
Portanto, a Administração Pública federal deverá descentralizar parte de suas atividades, seja
para outras entidades federais, para entes estaduais ou municipais, bem como para empresas
privadas.

Gabarito (C)

31. FCC/TRF-3 - Técnico Judiciário - 2019

Para maior especialização na execução de atividades de sua competência, os entes políticos


podem promover a criação de entidades descentralizadas, que comporão a chamada
Administração Indireta. No tocante à Administração Indireta,
(A) a empresa pública é entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com
patrimônio próprio e capital exclusivamente estatal, devendo revestir-se obrigatoriamente da
forma de sociedade anônima.
(B) as entidades da Administração Indireta que sejam dotadas de personalidade jurídica de
direito privado, em vista da maior flexibilidade do seu regime jurídico, são dispensadas de fazer
licitação para realizar suas contratações.
(C) somente por lei federal poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa
pública, de sociedade de economia mista e de fundação, seja qual for o ente político envolvido.

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(D) a empresa pública, a sociedade de economia mista e as respectivas subsidiárias, que


explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de
serviços, estão sujeitas a regime de licitação e contratação pública idêntico ao aplicável aos
órgãos da Administração Direta e às entidades de direito público, como as autarquias.
(E) a vedação constitucional à acumulação de cargos, empregos e funções públicas abrange
também as autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista, suas
subsidiárias e sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo poder público.
Comentários:
A letra (A) está incorreta. Diferentemente da sociedade de economia mista, a empresa pública
admite qualquer forma jurídica, não havendo obrigatoriedade de ser constituída sob a forma de
“sociedade anônima”.
A letra (B) está incorreta. Mesmo as entidades públicas de direito privado (como as estatais e as
fundações públicas de direito privado) estão obrigadas a licitar. O detalhe é que as empresas
estatais (empresa pública e sociedade de economia mista) seguem um conjunto de regras
licitatórias diverso daquele aplicável aos demais entes públicos, especificamente previsto na Lei
13.303/2016, razão pela qual a letra (D) também está incorreta.
A letra (C) está incorreta. Nos termos do art. 37, XIX, da Constituição, a lei deve autorizar ou criar
entidades da administração indireta. Como cada ente federativo possui autonomia política e
administrativa, não se exige lei federal para a criação de entidades de outros entes federativos.
Assim, exige-se lei federal apenas no âmbito federal. Em âmbito estadual ou municipal, cada
ente político irá editar a própria lei de criação ou autorização para criar.
Por fim, a letra (E) está de acordo com o seguinte preceito constitucional:

CF, art. 37, XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e


abrange autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia
mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo
poder público

Gabarito (E)

32. FCC/DETRAN-SP – Oficial de Trânsito – 2019

A Administração pública de determinado estado da federação está estruturada de forma


descentralizada. Isso significa que
a) foi editada lei específica criando empresas públicas e sociedades de economia mista, que
podem prestar serviços públicos mas não integram a Administração indireta por possuírem
natureza jurídica de direito privado.
b) a Administração pública delegou integralmente suas competências e atribuições para os entes
que integram a Administração indireta.
c) foram constituídas pessoas jurídicas, integrantes da Administração indireta, às quais foram
conferidas atribuições originalmente de competência da Administração central.

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d) foram criadas autarquias, fundações e empresas públicas, pessoas jurídicas dotadas de


personalidade jurídica própria e com natureza jurídica de direito público.
e) a Administração pública foi autorizada por lei ou decreto a criar, mediante lei específica,
autarquias, pessoas jurídicas de direito público que executam serviços públicos.
Comentários:
A letra (A) está incorreta. As empresas públicas e sociedades de economia mista não são
diretamente criadas por lei específica - há mera autorização para criação. A efetiva criação
depende de uma segunda providência, que consiste no registro do seu ato constitutivo. Além
disso, as estatais compõem sim a administração indireta.
A letra (B) está incorreta. A descentralização não significa “delegação integral” de atribuições.
Se, por exemplo, uma autarquia é criada para prestar determinados serviços típicos do Estado, a
administração direta continua tendo atribuição de supervisionar aquela entidade, para se
assegurar a adequação das atividades desempenhadas.
Além disso, a descentralização de atividades da administração direta pode se dar para a
administração indireta (por meio da “outorga”) ou para particulares (por meio de “delegação”).
Assim, a criação de entidades descentralizadas a rigor não decorre de “delegação”.
A letra (C) está correta. O Constituinte conferiu uma série de competências ao ente federativo, o
qual poderá atribuí-las a entidades descentralizadas. Assim, atribuições originariamente da
administração direta (ou central) são descentralizadas para a administração indireta.
A letra (D) está incorreta. As empresas públicas possuem personalidade de direito privado,
enquanto as fundações públicas podem possuir personalidade de direito público ou privado.
Por fim, a letra (E) está incorreta. O “decreto” não é figura apta para criar ou autorizar a criação
de entidades – é exigida lei formal. Além disso, a autarquia é diretamente criada pela lei – não
havendo que se falar em “autorização” para criação.

Gabarito (C)

33. FCC/ DPE-RS - Defensor Público - 2018

Acerca da desconcentração e descentralização, é correto afirmar:


a) A descentralização se consubstancia na transferência de poderes e atribuições para um sujeito
de direito distinto e autônomo.
b) A criação de uma autarquia se consubstancia em uma desconcentração.
c) Ocorre descentralização quando há criação de um Ministério pelo Presidente da República,
atribuindo-lhe parcela de competência que, até então, era sua.
d) Na desconcentração nunca haverá a criação de novos órgãos públicos.
e) A distribuição interna de competências é hipótese de descentralização.
Comentários:

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A letra (a) está correta. Como decorrência da descentralização, são atribuídas competências a
outra pessoa jurídica (outro sujeito). Além disso, sabemos que não há hierarquia ou subordinação
entre a entidade para a qual foram descentralizadas as atribuições e o poder central. No caso da
descentralização por serviços, pode-se falar em mera vinculação.
A letra (b) está incorreta, pois a criação de entidades da administração indireta se consubstancia
em descentralização.
A letra (c) está incorreta. Ministérios são órgãos da União, não dotados de personalidade jurídica
própria, de sorte que sua criação decorre do fenômeno da desconcentração.
A letra (d) está incorreta. Pelo contrário, a desconcentração resulta justamente na criação de
órgãos públicos.
A letra (e) está incorreta. A distribuição interna de competências, isto é, dentro de uma mesma
pessoa jurídica, é hipótese de desconcentração.

Gabarito (A)

34. FCC/ DPE-AM – Assistente Técnico de Defensoria – Assistente Técnico Administrativo – 2018

Considere que determinado Município do Estado do Amazonas entendeu por bem criar
estruturas despersonalizadas e regionalizadas, integrantes de sua Secretaria da Saúde, destinadas
à dispensação de medicamentos à população. A decisão considerou a grande dimensão
territorial e densidade demográfica da urbe, o que permitiu concluir que a partição de
competências racionalizaria e tornaria mais adequada a prestação do serviço público de saúde à
população. As repartições regionalizadas em questão são exemplo de
a) desconcentração, sendo que os órgãos criados, a despeito de integrarem a estrutura da
Administração direta, respondem pessoalmente por seus atos, podendo, como regra, figurar no
polo passivo de ações.
b) desconcentração, técnica por meio da qual a Administração cria órgãos destituídos de
personalidade jurídica, que compõem a hierarquia da Administração direta.
c) descentralização, técnica por meio da qual a Administração cria órgãos com personalidade
jurídica própria, que passam integrar sua Administração indireta.
d) relação desenvolvida com o denominado terceiro setor, que passa a integrar a Administração,
gerindo equipamentos públicos.
e) descentralização, técnica por meio da qual a Administração cria pessoas jurídicas com
personalidade jurídica própria, mas subordinadas hierarquicamente à Administração central.
Comentários:
Foram criadas “estruturas despersonalizadas”, de onde já percebemos que estamos diante da
técnica da desconcentração. Com isto já eliminamos as letras (c), (d) e (e).
Além disso, os órgãos públicos, em regra, não detêm capacidade processual, não figurando no
polo passivo de ações. Quem responde judicialmente pelas ações dos órgãos é a pessoa jurídica
a que pertencem. Dessa forma, a letra (a) afigura-se incorreta.

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Por fim, a letra (b) está correta, já que os órgãos estão dispostos hierarquicamente dentro da
estrutura da pessoa jurídica a que pertencem, diferentemente das entidades, que estão ligadas
por meros lações de vinculação com a Administração Direta.

Gabarito (B)

35. FCC/ TRF - 5ª REGIÃO - Analista Judiciário – Área Administrativa – 2017

A estruturação da Administração pública em Administração direta e indireta traz implicações para


o exercício das atividades que devem ser disponibilizadas aos administrados, direta ou
indiretamente. Para tanto,
a) as pessoas jurídicas que integram a Administração indireta são dotadas dos mesmos poderes
típicos da Administração indireta, a exemplo do poder de polícia, com a peculiaridade de que
todos os aspectos de seu exercício devem estar expressamente previstos em lei.
b) a Administração central remanesce exercendo o poder hierárquico sobre as pessoas jurídicas
que integram a Administração indireta, como forma de garantir o alinhamento do escopo
institucional desses entes com as diretrizes do Poder Executivo.
c) o poder normativo inerente ao Chefe do Poder Executivo não pode ser delegado aos entes
que integram a Administração indireta, independentemente da matéria ou da natureza jurídica
dos mesmos, por se tratar de competência exclusiva.
d) os entes que integram a Administração pública indireta ficam adstritos ao escopo institucional
previsto nas leis ou atos que os instituíram, cabendo à Administração Central o acompanhamento
dessa atuação, no regular exercício do poder de tutela, que não implica, contudo, ascendência
hierárquica sobre os mesmos, salvo expressa disposição nesse sentido.
e) a discricionariedade, inerente à atuação da Administração pública direta, não se estende aos
entes que integram a Administração pública indireta, cuja atuação deve vir prevista em lei, à
exceção das agências reguladoras, que exercem poder normativo autônomo.
Comentários:
A letra (a) está incorreta. Não é correto afirmar que genericamente que as entidades “são
dotadas dos mesmos poderes típicos da Administração indireta”. O poder de polícia, por
exemplo, é característico de pessoas jurídicas de direito público, havendo certas restrições à sua
delegação a pessoas jurídicas de direito privado.
A letra (b) está incorreta e a letra (d), correta. O princípio da tutela ou do controle prevê a
existência de uma supervisão, exercida pela administração direta sobre as entidades, nos limites
da lei, e voltada a aspectos finalísticos. Este controle não significa que a administração direta
tenha laços de hierarquia sobre as entidades descentralizadas.
A letra (c) está incorreta. Em geral não há óbices a que se delegue o poder normativo a
entidades da administração indireta. Temos, como exemplo, diversos atos normativos do Banco
Central (autarquia federal), de observância obrigatória pelas instituições financeiras.
A letra (d) está correta e prevê os contornos do princípio da tutela ou do controle. Esta
supervisão é exercida pela administração direta nos limites da lei e está ligada a aspectos

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finalísticos. Este controle não significa que a administração direta tenha laços de hierarquia sobre
as entidades da administração indireta.
A letra (e) está incorreta. A administração indireta também goza de discricionariedade para
exercer parte de suas atribuições. Apesar de estarem sob a tutela (ou controle) da administração
direta, as entidades gozam de autonomia administrativa, não se podendo cogitar que todos os
contornos de sua atuação sejam previstos em lei.

Gabarito (D)

36. FCC/ TRE-SP - Analista Judiciário – Área Administrativa – 2017

A Administração pública, quando se organiza de forma descentralizada, contempla a criação de


pessoas jurídicas, com competências próprias, que desempenham funções originariamente de
atribuição da Administração direta. Essas pessoas jurídicas,
a) quando constituídas sob a forma de autarquias, podem ter natureza jurídica de direito público
ou privado, podendo prestar serviços públicos com os mesmos poderes e prerrogativas que a
Administração direta.
b) podem ter natureza jurídica de direito privado ou público, mas não estão habilitadas a
desempenhar os poderes típicos da Administração direta.
c) desempenham todos os poderes atribuídos à Administração direta, à exceção do poder de
polícia, em qualquer de suas vertentes, privativo da Administração direta, por envolver limitação
de direitos individuais.
d) quando constituídas sob a forma de autarquias, possuem natureza jurídica de direito público,
podendo exercer poder de polícia na forma e limites que lhe tiverem sido atribuídos pela lei de
criação.
e) terão natureza jurídica de direito privado quando se tratar de empresas estatais, mas seus bens
estão sujeitos a regime jurídico de direito público, o que também se aplica no que concerne aos
poderes da Administração, que desempenham integralmente, especialmente poder de polícia.
Comentários:
A letra (a) está incorreta, na medida em que as autarquias sempre terão personalidade de direito
público.
A letra (b) está incorreta, já que as autarquias desempenham atividades típicas de Estado, de
sorte que “estão habilitadas a desempenhar os poderes típicos da Administração direta”.
A letra (c) está incorreta. O poder de polícia é inerente às pessoas jurídicas de direito público,
inclusive àquelas pertencentes à administração indireta.
A letra (d) está correta. De fato, enquanto pessoas jurídicas de direito público, as autarquias
podem exercer poder de polícia.
A letra (e) está duplamente incorreta. Primeiramente, sabemos que os bens das estatais em regra
seguem o regime jurídico de direito privado. Excepcionalmente, os bens poderão seguir regime
público quando a estatal for prestadora de serviço público. Além disso, pessoas de direito
privado, ainda que integrantes da administração pública, não desempenham integralmente

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poder de polícia. O STJ tem entendido que apenas algumas fases do poder de polícia poderiam
ser desempenhadas pelas estatais.

Gabarito (D)

37. FCC/ AL-MS – Agente de Apoio Legislativo - 2016

Determinado ente federado pretende descentralizar serviço público de sua competência


transferindo-o para pessoa jurídica de direito público. Para tanto,
a) deverá criar por lei específica autarquia, que passará a integrar a Administração indireta do
Estado.
b) poderá instituir autarquia ou empresa pública, ambas por lei autorizativa, devendo, no entanto,
motivar sua decisão.
c) deverá instituir por lei autarquia, que passará integrar a Administração direta do Estado.
d) poderá instituir autarquia, empresa pública ou sociedade de economia mista, a primeira por
lei, as demais por atos próprios, após a edição de lei autorizativa da instituição.
e) deverá criar por lei geral autarquia, que passará a integrar a Administração indireta do Estado.
Comentários:
Como a entidade deverá ter personalidade de direito público, para prestação de serviço público,
estamos diante de uma autarquia, a qual é diretamente criada mediante lei específica.
Relembrando:

Para não gerar polêmica, em nenhuma das alternativas foi mencionada a possibilidade da criação
de fundação pública de direito público. No entanto, é fácil perceber que a alternativa correta é a
letra (a), já que autarquia faz parte da administração indireta, além do que empresas públicas e
sociedades de economia mista são pessoas de direito privado.

Gabarito (A)

38. FCC/ TCE-SP – Auxiliar da Fiscalização Financeira II - 2015

O conceito de Administração pública pode ser estabelecido a partir do critério objetivo ou


subjetivo. Conforme esclarece Maria Sylvia Zanella di Pietro, pode-se definir Administração
Pública, em sentido subjetivo, como o conjunto de órgãos e pessoas jurídicas aos quais a lei
atribui o exercício da função administrativa do Estado. Nesse contexto, a atividade de
organização da Administração pública pode compreender a

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a) extinção de órgãos públicos, como medida de reorganização administrativa e redução de


custos, por ato do Chefe do Executivo.
b) criação de órgãos públicos, independentemente de lei, como expressão da desconcentração
administrativa.
c) instituição, por lei específica, de empresa pública, como expressão da desconcentração por
serviços.
d) extinção de cargos públicos, quando vagos, por ato do Chefe do Executivo, como medida de
organização e funcionamento da Administração.
e) delegação de serviço público a sociedade de economia mista, como expressão de
desconcentração funcional.
Comentários:
A letra (A) está incorreta. Não se admite a criação ou a extinção de órgãos por meio de decreto.
Relembrando as possibilidades de utilização do decreto autônomo (Constituição Federal, art. 84,
VI):

Com base neste mesmo diagrama, é possível concluir que a letra (D) está correta, já que é
possível promover a extinção de cargos públicos vagos mediante decreto.
A letra (B) está incorreta, pois a criação e a extinção de órgãos dependem de lei:

CF, art. 48. Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da


República, não exigida esta para o especificado nos arts. 49, 51 e 52, dispor
sobre todas as matérias de competência da União, especialmente sobre: (..)

XI – criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública;

A letra (C) está incorreta. De fato, a instituição de empresa pública requer autorização em lei
específica. No entanto, é expressão de descentralização administrativa.
A letra (E) está incorreta, pois a delegação de serviço público a entidade da administração
indireta decorre da descentralização administrativa.

Gabarito (D)

39. FCC/ TCE-CE – Conselheiro Substituto (Auditor) – 2015

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Conforme esclarece Maria Sylvia Zanella di Pietro, em sentido objetivo, a Administração Pública
abrange as atividades exercidas pelas pessoas jurídicas, órgãos e agentes incumbidos de atender
concretamente às necessidades coletivas; corresponde à função administrativa, atribuída
preferencialmente aos órgãos do Poder Executivo (In: Direito Administrativo, Atlas, 18. ed., p.
59).
Para o exercício da função administrativa, afigura-se necessária a distribuição de competências, o
que é feito mediante descentralização ou desconcentração, correspondendo esta última à
a) transferência de competências de uma pessoa jurídica para outra.
b) distribuição de competências dentro de uma mesma pessoa jurídica.
c) criação de entidade autônoma para exercício da atividade destacada.
d) delegação de competências do ente central para os entes federados.
e) fixação de competências entre diferentes entes, emanada diretamente da Constituição
Federal.
Comentários:
A desconcentração consiste na distribuição interna de competências, isto é, no interior de uma
mesma pessoa jurídica. Quando se fala em delegar atribuições a outra pessoa jurídica, seja um
particular, seja um ente público, estaremos diante da descentralização.

Gabarito (B)

40. FCC/ TRT - 15ª Região (SP) - Analista Judiciário – Área Judiciária - Oficial de Justiça Avaliador
Federal

As pessoas jurídicas que integram a Administração indireta, independentemente de sua natureza


jurídica, submetem-se aos princípios que regem a Administração pública. No que se refere à
relação com a Administração direta,
a) os entes que integram a Administração indireta possuem personalidade jurídica própria e são
dotados de autogestão e autoadministração, não obstante possa haver dependência financeira.
b) os atos editados pelas pessoas jurídicas de direito público que integram a Administração
indireta sujeitam-se à anulação ou revogação pela Administração Central, de ofício ou a pedido,
como expressão do poder de tutela.
c) as empresas estatais submetidas ao regime jurídico de direito privado não se sujeitam ao
poder de tutela da Administração central, sendo independentes administrativa, orçamentária e
financeiramente.
d) as organizações sociais e as organizações da sociedade civil de interesse público, quando
integrantes da Administração indireta, submetem-se ao poder de tutela da Administração central
e, portanto, ao controle finalístico exercido pela mesma, possibilitando o desfazimento de atos
que violem a legalidade.

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e) as autarquias, como pessoas jurídicas de direito público, admitem a revisão de seus atos
diretamente pela Administração central, desde que seja constatado vício de legalidade ou desvio
de finalidade, como decorrência lógica do poder de tutela.
Comentários:
A letra (a) está correta. Os entes públicos necessitam de recursos financeiros para exercer suas
atividades. Caso não possuam receitas próprias (o que ocorre com as autarquias, fundações e
estatais não dependentes), a entidade deverá receber recursos públicos provenientes do
orçamento. Nestes casos, fica clara a dependência financeira em relação ao poder central. No
entanto, em virtude de sua autonomia administrativa, em regra é a entidade quem decidirá a
forma de aplicar tais recursos.
A letra (b) está incorreta. Como regra, a Administração Central não controla a legalidade ou a
conveniência dos atos administrativos praticados pelas entidades a ela vinculadas. Como
detalhado no item (E), o chamado “recurso hierárquico impróprio” é hipótese excepcional.
A letra (c) está incorreta, pois as estatais também se sujeitam à tutela (ou controle) da
administração direta. No âmbito federal, o Decreto-Lei 200/1967 dispõe expressamente nesse
sentido:

DL 200, art. 19. Todo e qualquer órgão da Administração Federal, direta ou


indireta, está sujeito à supervisão do Ministro de Estado competente, excetuados
unicamente os órgãos mencionados no art. 32, que estão submetidos à
supervisão direta do Presidente da República.

Além disso, as estatais nem sempre serão independentes orçamentária e financeiramente.


A letra (d) está incorreta, pois OS e OSCIP não pertencem à Administração Indireta.
A letra (e) está incorreta. As autarquias, como entidades da administração indireta, não estão
subordinadas hierarquicamente à administração direta, pois gozam de autonomia administrativa.
No entanto, estão sujeitas ao poder de tutela (ou controle) exercido pela administração direta,
quanto à finalidade de sua atuação. Assim, em regra, não há revisão dos atos autárquicos pela
administração central. Excepcionalmente, no entanto, a lei poderá prever a possibilidade de se
recorrer à administração central contra uma decisão da autarquia (recurso hierárquico impróprio).
Percebam, assim, que o erro da afirmativa é mencionar que pode haver revisão direta dos atos
autárquicos pela administração direta e que isto é uma decorrência do princípio da tutela,
quando na verdade isto é uma situação excepcional que somente ocorrerá quando houver
previsão legal.

Gabarito (C)

41. FCC/ DPE-RS – Analista – Economia - 2017

A organização administrativa estruturada em administração direta e indireta pressupõe a


existência de pessoas jurídicas com personalidade jurídica e competências próprias, que
possuem características comuns, a exemplo

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a) da necessidade de serem criadas por lei, na qual estarão previstas todas as competências,
obrigações e escopo de atuação, não dependendo de outros atos para serem formalmente
instituídas.
b) da submissão a regime jurídico de direito privado, ainda que possam contar com participação
pública em sua formação, como os consórcios públicos, as sociedades de economia mista, as
fundações e as autarquias especiais.
c) da submissão a regime celetista ou estatutário, à semelhança do que se admite para a
Administração direta, que conta com a dualidade de regimes jurídicos para seus servidores.
d) do controle externo a que se submetem, tal qual o exercido pelo Poder Judiciário e pelos
Tribunais de Contas, estes últimos que analisam critérios de legalidade dos atos e negócios da
Administração, mas também examinam aspectos de economicidade.
e) do regime de execução próprio, sujeito a expedição de precatórios a serem pagos em ordem
cronológica, respeitados os débitos de pequeno valor, dotados de preferência, a fim de aplicação
do princípio da isonomia em relação aos credores.
Comentários:
A letra (a) está incorreta. O surgimento de autarquias, de fato, não depende de outros atos para
a instituição formal da pessoa jurídica. No entanto, para as demais entidades (que são de direito
privado), uma vez autorizada a criação, mediante lei específica, caberá ao Poder Executivo tomar
uma providência adicional, para, de maneira concreta, fazer surgir a entidade. Assim, a existência
jurídica das demais entidades, assim como a aquisição de sua personalidade jurídica, somente
ocorrem após o registro dos seus atos constitutivos, por exemplo, na junta comercial, nos termos
exigidos pelo Código Civil4.
Relembrando:

A letra (b) está incorreta. A administração direta, as autarquias, as fundações públicas de direito
público e os consórcios que assumirem personalidade de direito público seguem regime jurídico
de direito público. Nos demais casos, fala-se, na verdade, em regime jurídico híbrido, na medida
em que não será integralmente privado.
A letra (c) está incorreta, pois a administração direta, as autarquias e as fundações de direito
público estão submetidas a regime jurídico único para seu pessoal:

CF, art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no


âmbito de sua competência, regime jurídico único e planos de carreira para os
4
Código Civil, art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a
inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou
aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato
constitutivo.

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servidores da administração pública direta, das autarquias e das fundações


públicas.

A letra (d) está correta. De fato, todos os entes públicos, sejam da administração direta ou da
indireta, sujeitam-se ao controle de seus atos, exercido pelo Poder Judiciário e pelo Legislativo,
com auxílio dos Tribunais de Contas.
A letra (e) está incorreta. A sujeição ao regime de precatórios não é uma característica de toda a
administração indireta. As estatais, por exemplo, não se sujeitam ao regime de precatórios, como
regra geral. Segundo o STF5, somente será aplicável “regime de precatório às sociedades de
economia mista prestadoras de serviço público próprio do Estado e de natureza não
concorrencial”, como no caso do serviço postal prestado pelos Correios6.

Gabarito (D)

42. FCC/ ARTESP – Especialista em Regulação de Transporte III – Direito - 2017

A Administração pública direta contrata seus servidores


a) por meio de concurso público, para ocupação de cargos e empregos públicos, a depender da
política pública em vigor na época da contratação.
b) por meio de concurso público, submetendo-se os aprovados e nomeados à existência de
recursos financeiros para pagamento.
c) para empregos públicos para as chamadas funções meio, e cargos públicos para funções de
confiança e os demais casos.
d) pelo mesmo processo formal que os dispensa, com instauração de processo administrativo,
célere e informal, diferindo-se os pagamentos iniciais para fase posterior à efetivação dos
funcionários.
e) por meio de concurso público, para ocupação de cargos públicos efetivos, admitindo-se o livre
provimento para ocupação de funções de confiança com as finalidades de chefia, direção e
assessoramento.
Comentários:
Questão que mesclou assuntos de “organização administrativa” e de “agentes públicos”.
A letra (a) está incorreta, na medida em que a administração direta está submetida ao regime
jurídico único (Constituição Federal, art. 39). Assim, ou o ente público adota regime estatuário
(cargo público) ou adota regime celetista (emprego público) para todo seu pessoal. O erro da
questão é pressupor que o ente público poderia alternar, ora escolhendo um regime, ora
escolhendo outro, de acordo com a “política pública em vigor na época da contratação”.
A letra (b) está incorreta. Juridicamente não existe esta submissão dos servidores (aprovados e
nomeados) à existência de recursos para pagamento.

5
STF - AgR RE: 852302/AL, Relator: Min. DIAS TOFFOLI, Data de Julgamento: 15/12/2015.
6
STF - RE: 220906 DF, Relator: Min. MAURÍCIO CORRÊA, Data de Julgamento: 16/11/2000.

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A letra (c) está incorreta, pois não existe a diferenciação de regime jurídico entre área meio e área
fim.
A letra (d) está incorreta. A demissão de servidores públicos requer a instauração de
procedimento formal. Além disso, não há diferimento (adiamento) do pagamento das primeiras
remunerações do servidor.
A letra (e) está correta, no que diz respeito à administração direta. Adotando regime estatutário,
ela preencherá seus cargos com servidores concursados, à exceção daqueles de livre nomeação e
exoneração:

CF, art. 37, II - a investidura em cargo ou emprego público depende de


aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de
acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma
prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em
lei de livre nomeação e exoneração;

Gabarito (E)

43. FCC/ TRE-SP - Técnico Judiciário – Área Administrativa - 2017

O controle exercido pela Administração direta sobre a Administração indireta denomina-se


a) poder de tutela e permite a substituição de atos praticados pelos entes que integram a
Administração indireta que não estejam condizentes com o ordenamento jurídico.
b) poder de revisão dos atos, decorrente da análise de mérito do resultado, bem como em
relação aos estatutos ou legislação que criaram os entes que integram a Administração indireta.
c) controle finalístico, pois a Administração direta constitui a instância final de apreciação, para
fins de aprovação ou homologação, dos atos e recursos praticados e interpostos no âmbito da
Administração indireta.
d) poder de tutela, que não pressupõe hierarquia, mas apenas controle finalístico, que analisa a
aderência da atuação dos entes que integram a Administração indireta aos atos ou leis que os
constituíram.
e) poder de autotutela, tendo em vista que a Administração indireta integra a Administração
direta e, como tal, compreende a revisão dos atos praticados pelos entes que a compõem
quando não guardarem fundamento com o escopo institucional previsto em seus atos
constitutivos.
Comentários:
O controle exercido pela Administração direta sobre a Administração indireta decorre do
princípio da tutela ou controle. Este controle, que tem conteúdo finalístico, não desnatura a
autonomia administrativa que as entidades possuem, tampouco caracteriza a existência de
subordinação perante a administração direta.
As letras (a) e (b) estão incorretas. Como regra geral, não há possibilidade de a administração
direta desfazer atos das entidades e os substituir pela sua própria vontade. Inexiste hierarquia
nesta relação.

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A letra (c) está incorreta, já que a Administração direta não é uma instância final de aprovação ou
homologação dos atos praticado pelas entidades.
A letra (d), por sua vez, está correta. A tutela tem conteúdo finalístico, ou seja, se presta a analisar
se a finalidade da atuação da entidade está de acordo com os atos e leis que a constituíram.
A letra (e) está incorreta. A tutela não se confunde com a autotutela, que é o poder por meio da
qual a Administração poderá rever seus próprios atos, anulando aqueles contrários à ordem
jurídica ou revogando aqueles inconvenientes ou inoportunos. Relembrando:

Princípio da tutela → controle finalístico das entidades da


administração indireta

Princípio da autotutela → controle dos próprios atos da administração


pública

Gabarito (D)

44. FCC/ ALESE – Técnico Legislativo – Técnico – Administrativo – 2018

No que concerne aos órgãos públicos, é correto afirmar:


a) A criação e extinção dos órgãos públicos independem de lei.
b) No desempenho das atividades inerentes a sua competência, os órgãos públicos atuam em
nome da pessoa jurídica de que fazem parte.
c) Os órgãos públicos têm personalidade jurídica própria.
d) A regra geral é a de que os órgãos públicos detêm capacidade processual.
e) Os órgãos públicos são unidades de atuação integrantes apenas da estrutura da Administração
direta, haja vista que as unidades de atuação integrantes da estrutura da Administração indireta
denominam-se entidades.
Comentários:
A letra (a) está incorreta, na medida em que a criação de órgãos públicos depende da
manifestação do Congresso Nacional, o qual se pronunciará na forma de uma lei:

CF, art. 48. Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da


República, não exigida esta para o especificado nos arts. 49, 51 e 52, dispor
sobre todas as matérias de competência da União, especialmente sobre: (..)

XI – criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública;

A letra (b) está correta. Os órgãos públicos são entes despersonificados e, como tal, sua atuação
é imputada à pessoa jurídica a que pertencem. Segundo a teoria do órgão, também chamada de

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teoria da imputação volitiva, desenvolvida pelo alemão Otto Gierke, a pessoa jurídica manifesta
sua vontade por meio dos órgãos e seus agentes.
A letra (c) está incorreta. Diferentemente das entidades, órgãos públicos não possuem
personalidade própria.
A letra (d) está incorreta. Pelo contrário, a regra geral é de que os órgãos públicos não detêm
capacidade para serem partes em processos judiciais (capacidade processual). No entanto, em
casos excepcionais eles poderão figurar como parte em processos, sobretudo tratando-se de
órgãos independentes e autônomos.
A letra (e) está incorreta, na medida em que poderemos ter órgãos públicos também na
subdivisão interna das entidades descentralizadas.

Gabarito (B)

45. FCC/ TRT - 24ª REGIÃO (MS) - Analista Judiciário – Área Administrativa – 2017

Quanto à estrutura, os órgãos públicos podem ser classificados em simples, também


denominados de unitários, e compostos. Acerca do tema, considere:
I. São constituídos por um único centro de atribuições.
II. Possuem subdivisões internas.
III. São exemplos de tais órgãos, as Secretarias de Estado.
IV. São exemplos de tais órgãos, os Ministérios.
No que concerne às características e exemplos de órgãos simples ou unitários, está correto o
que se afirma APENAS em
a) I e IV.
b) I e II.
c) II e III.
d) IV.
e) I.
Comentários:
A questão exigiu o conhecimento da classificação dos órgãos quanto à sua estrutura.
Relembrando:

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Como os órgãos unitários são constituídos por apenas um centro de competências, não
possuindo subdivisões internas, temos que o item I está correto e o item II, incorreto.
Além disso, Secretarias de Estado e Ministérios são órgãos bastante grandes, recheados de
subdivisões internas (subsecretarias, departamentos, diretorias etc), de sorte que é possível
concluir que são órgãos compostos. Portanto, os itens III e IV estão incorretos.

Gabarito (E)

46. FCC/ TRT - 6ª Região (PE) - Técnico Judiciário – Área Administrativa - 2018

Na hipótese de a Administração pública estadual pretender descentralizar serviço de sua


competência para atribuí-lo a pessoa jurídica ainda inexistente, sujeita a regime jurídico
administrativo e com personalidade de direito público,
a) deve criar por lei específica autarquia, que passará a integrar a Administração pública indireta
estadual.
b) deve obter autorização legislativa para criar autarquia, que integrará a Administração pública
direta.
c) pode criar autarquia ou empresa pública, a primeira instituída por lei e a segunda pelo registro
de seus atos constitutivos, ambas integrantes da Administração pública indireta.
d) pode escolher entre criar autarquia, empresa pública ou sociedade de economia mista, todas
por lei específica, a última por lei complementar e as três integrantes da Administração pública
indireta.
e) deve criar por lei específica autarquia, que passará a integrar a Administração pública direta
estadual juntamente com o ente instituidor.
Comentários:
Trata-se de descentralização de atividade típica da administração direta a pessoa jurídica de
direito público. Nesse sentido, temos que nos lembrar das autarquias, que são diretamente
criadas por lei específica e integram a administração indireta do ente estadual.

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Reparem que a letra (c), incorreta, peca ao afirmar que é necessário o registro dos atos
constitutivos das autarquias. Diferentemente das demais entidades, a criação de autarquias
dispensa qualquer providência adicional por parte do ente instituidor.
Por fim, a letra (d) está incorreta, em razão de que empresa pública e sociedade de economia
mista são pessoas de direito privado. Além disso, não se exige lei complementar para criação de
entidades públicas. A lei complementar é exigida para a definição das áreas de atuação das
fundações públicas:

CF, art. 37, XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia e
autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e
de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de
sua atuação;

Gabarito (A)

47. FCC/ ALESE – Técnico Legislativo – Técnico Administrativo – 2018

Considere: Y é empresa pública federal e Z é sociedade de economia mista, também de âmbito


federal. Levando em conta as características de tais entidades,
a) ambas poderão revestir-se de qualquer das formas admitidas em direito.
b) Y deve, obrigatoriamente, estar estruturada sob a forma de sociedade anônima.
c) ambas admitem a presença de pessoas da iniciativa privada em seu capital.
d) apenas a empresa Y apresenta a característica da vinculação aos fins definidos na lei
instituidora.
e) o capital de Z poderá ser formado da conjugação de recursos oriundos das pessoas de direito
público ou de outras pessoas administrativas, de um lado, e de recursos da iniciativa privada, de
outro.
Comentários:
As letras (a) e (b) estão incorretas. Somente as empresas públicas poderão se revestir de qualquer
das formas admitidas em direito. Assim, Z, enquanto sociedade de economia mista, é quem
deverá obrigatoriamente estar estruturada sob a forma de sociedade anônima.
A letra (c) está incorreta. Apenas as sociedades de economia mista admitem capital de
particulares. As empresas públicas devem pertencer integralmente a entes públicos e o controle
pertencer diretamente ao ente político.
A letra (d) está incorreta. Enquanto entidades da administração indireta, ambas se vinculam aos
fins definidos na lei instituidora (princípio da organização legal do serviço público).
A letra (e) está correta. O capital das sociedades de economia mista é misto, devendo ser
composto de parcela pública e outra privada. Ou seja, parte das ações de uma sociedade de
economia mista poderá estar sob propriedade de particulares. Na parcela pública, admite-se a
presença de capital pertencente a entidades da administração indireta, exigindo-se que a maioria
do capital votante pertença ao ente federativo:

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Lei 13.303/2016, art. 4º Sociedade de economia mista (..) cujas ações com direito
a voto pertençam em sua maioria à União, aos Estados, ao Distrito Federal, aos
Municípios ou a entidade da administração indireta.

Gabarito (E)

48. FCC/ DPE-AM – analista em Gestão Especializado de Defensoria – Administração – 2018

As entidades integrantes da Administração pública possuem diferentes características e


contornos jurídicos, muitos atrelados à própria finalidade por elas desempenhada e ao objeto
cometido a cada uma. Nesse sentido, as
a) fundações possuem necessariamente personalidade de direito público, não se submetendo às
regras do Código Civil.
b) autarquias podem ser constituídas com personalidade de direito público ou privado, a
depender da atividade desempenhada.
c) sociedades de economia mista, mesmo quando atuam em regime de competição no mercado,
integram a Administração indireta.
d) empresas públicas se submetem integralmente ao regime jurídico de direito público, seja na
atividade meio ou na atividade fim.
e) organizações sociais, quando vinculadas ao poder público mediante contrato de gestão
passam a integrar a Administração indireta.
Comentários:
A letra (a) está duplamente incorreta. As fundações públicas podem assumir personalidade de
direito público ou privado. Além disso, quando assumirem personalidade de direito privado, elas
seguirão as regras do Código Civil naquilo que tal regime não for derrogado por regras do
direito público.
A letra (b) está incorreta, pois autarquias sempre possuirão personalidade de direito público.
A letra (c) está correta. Empresas públicas e Sociedades de Economia mista sempre integração a
Administração Pública, pouco importando a atividade desenvolvida.
A letra (d) está incorreta. Empresas públicas não se submetem integralmente ao regime público.
Na verdade, seu regime é híbrido, podendo prevalecer as regras de direito público quando a
estatal se dedicar à prestação de serviços públicos.
A letra (e) está incorreta. Organizações sociais são entidades paraestatais, não integrantes da
Administração Pública.

Gabarito (C)

49. FCC/ TRE-PR - Analista Judiciário – Área Judiciária - 2017

No que se refere aos entes que integram a Administração pública indireta e o controle externo a
que estão sujeitos,

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a) todos se submetem ao controle exercido pelos Tribunais de Contas, mas os dirigentes das
autarquias e fundações sujeitam-se também pessoalmente à imposição de multa, o que não se
aplica aos dirigentes de pessoas jurídicas de direito privado.
b) as empresas públicas sujeitam-se integralmente ao mesmo nível e extensão de controle que as
autarquias, o que não se aplica às sociedades de economia mista, que se sujeitam apenas a
controle finalístico de resultados pelos órgãos de controle externo.
c) somente o Judiciário pode analisar integralmente os atos e negócios realizados pelas pessoas
jurídicas, restando o exame da conduta dos administradores aos Tribunais de Contas.
d) seus dirigentes não se sujeitam a responsabilização pessoal ou sanção individualizada perante
os Tribunais de Contas ou Poder Judiciário, possibilidade restrita aos gestores da Administração
direta.
e) seus dirigentes podem ser sancionados pelos Tribunais de Contas, com imposição de multa,
caso infrinjam dispositivo normativo que assim comine, independentemente da imputação de
responsabilidade e consequências às pessoas jurídicas que representam.
Comentários:
A letra (a) está incorreta, pois os dirigentes das estatais também se sujeitam pessoalmente à
imposição de multa. Lembrem-se dos vários presidentes de estatais federais, como Petrobras e
Banco do Brasil, que já receberam multas do Tribunal de Contas da União. Na verdade, toda
pessoa física responsável por atos de gestão é alcançada pela jurisdição dos tribunais de contas,
podendo resultar na aplicação de multa a elas. Pelo mesmo raciocínio, a letra (e) está correta.
A letra (b) está incorreta, pois as sociedades de economia mista estão igualmente sujeitas ao
controle exercido pelos Tribunais de Contas.
A letra (c) está incorreta, pois os Tribunais de Contas também podem analisar integralmente atos
e negócios realizados pelas pessoas jurídicas. Exemplo disto é quando um Tribunal de Contas
analisa o edital de uma licitação ou o contrato celebrado por um ente público.
Por fim, a letra (d) está incorreta. Os dirigentes das entidades também podem ser
individualmente responsabilizados perante o Judiciário ou perante Tribunais de Contas, quando
sua conduta pessoal contribuir para o cometimento de ilegalidades.

Gabarito (E)

50. FCC/ TCE-CE – Analista de Controle Externo – Atividade Jurídica - 2015

O governador do Estado Y entendeu pela necessidade de instituição de uma pessoa jurídica de


direito privado, com capital exclusivamente público, que realizasse a prestação de serviços, nos
moldes da iniciativa privada, de interesse da coletividade local, cuja autorização para sua criação
se realizasse por lei específica. Tais características são próprias das
a) empresas públicas.
b) sociedades de economia mista.
c) autarquias.

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d) organizações sociais.
e) fundações públicas
Comentários:
Como o enunciado falou em (i) pessoa de direito privado, (ii) prestação de serviços nos moldes
da iniciativa privada, (iii) autorização para criação mediante lei e (iv) capital exclusivamente
público, estamos diante de uma empresa pública.

Gabarito (A)

51. FCC/ ALESE – Técnico Legislativo – Técnico Administrativo – 2018

Considere:
I. Desempenham serviço público descentralizado.
II. Sujeitam-se a controle administrativo exercido nos limites da lei.
III. Respondem diretamente pelos seus atos, ou seja, apenas no caso de exaustão de seus
recursos é que irromperá responsabilidade do Estado.
IV. Não detêm capacidade de autoadministração, haja vista que tal função é considerada
exclusiva do Estado.
No que concerne às características das autarquias, está correto o que consta em
a) I, II, III e IV.
b) I, II e IV, apenas.
c) II e III, apenas.
d) I, II e III, apenas.
e) III e IV, apenas.
Comentários:
Apenas os itens I, II e III mencionam características das autarquias.
Em relação ao item III, notem que, além de ser objetiva, a responsabilidade das autarquias é
primária ou direta. Isto significa que a própria autarquia é que deve ser acionada judicialmente
para reparação dos danos, sendo que a administração direta somente seria acionada, por dívidas
da autarquia, de modo subsidiário.
O item IV contraria uma das principais características das autarquias, que é sua capacidade de
autoadministração. Na verdade, segundo José Cretella Júnior a palavra ‘autarquia’ é formada por
dois termos ‘autós’ (=próprio) e ‘arquia’ (=comando, governo, direção), etimologicamente, tendo
significado de “comando próprio, direção própria, autogoverno”.

Gabarito (D)

52. FCC/ PGE-TO - Procurador do Estado - 2018

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O Governo do Estado pretende instituir uma entidade dedicada a prestar serviços relacionados
ao turismo no Estado e encaminha à Assembleia Legislativa o respectivo projeto de lei
autorizativa. Sabe-se que tal entidade terá capital social dividido em quotas. O Governo estadual
criará uma
a) sociedade de economia mista.
b) autarquia.
c) fundação de direito privado.
d) associação pública.
e) empresa pública.
Comentários:
Vejam as seguintes características da entidade a ser criada:
1) dedicar-se-á à prestação de serviços
2) criada, após autorização prevista em lei
3) capital da entidade é dividido em quotas
A partir da informação (2), já sabemos que não se trata de autarquia, na medida em que a
autarquia é diretamente criada a partir de lei específica.
A partir da informação (3), sabemos que a entidade é uma empresa, pois se falou em “capital
social”. Além disso, como seu capital será dividido em “quotas”, concluímos que não se trata de
uma sociedade anônima (que tem o capital dividido em “ações”). Portanto, estamos diante de
uma empresa pública, que pode assumir qualquer das formas admitidas em direito.

Gabarito (E)

53. FCC/ ARTESP – Especialista em Regulação de Transporte I – Direito – 2017

Maria Sylvia Zanella di Pietro conceitua agência reguladora, em sentido amplo como sendo
qualquer órgão da Administração Direta ou entidade da Administração Indireta com função de
regular a matéria específica que lhe está afeta (in: Direito Administrativo, Atlas, 18. ed., p. 414).
Mais adiante, cita o magistério de Calixto Salomão Filho, que destaca que a regulação, em
sentido amplo, engloba toda a forma de organização da atividade econômica através do Estado,
seja a intervenção através da concessão de serviço público ou o exercício do poder de polícia (p.
415). Nesse sentido, de acordo com o ordenamento jurídico pátrio,
a) apenas as agências reguladoras que exercem poder de polícia possuem poder normativo,
sempre limitado a aspectos técnicos de sua área de atuação.
b) as agências reguladoras que controlam as atividades objeto de concessão de serviço público
desempenham, nos termos da lei que as institui, atribuições de poder concedente.
c) as agências reguladoras constituídas sob a forma de autarquias de regime especial gozam de
autonomia e suas decisões não são passíveis de controle pelo Poder Judiciário.

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d) apenas as agências reguladoras previstas na Constituição Federal gozam de autonomia


administrativa e orçamentária – financeira, que inclui mandato para seus dirigentes.
e) as agências reguladoras não integram o Poder Executivo, possuindo natureza de entes
autônomos e soberanos, sujeitos, apenas, ao controle do Poder Legislativo e Tribunal de
Contas.
Comentários:
Questão que se baseou fortemente nas lições de Maria Sylvia Zanella Di Pietro7, a qual detalha as
duas espécies de agências reguladoras, a existência de agências com sede constitucional e os
limites de sua autonomia.
A letra (a) está incorreta. A função de regulação das agências reguladoras em grande parte é
exercida por meio da expedição de atos normativos, que condicionam a atividade econômica
privada, e da fiscalização da prestação de serviços por parte dos particulares. Não existe esta
correlação direta entre poder de polícia e poder normativo. É possível que agências que atuam
exercendo um dever inerente ao Poder Concedente (e não com fundamento no poder de polícia)
possuam poder normativo. A agência reguladora terá poder normativo quando sua lei
instituidora a conferir.
A letra (b) está correta. Quando a União (Poder Concedente) concede a um particular a prestação
de um serviço público, como a distribuição de energia elétrica, por exemplo, e ao mesmo tempo
submete à Aneel a fiscalização da prestação deste serviço, é possível perceber que a agência
exerce funções inerentes ao Poder Concedente.
Nesse sentido, destaca Alexandre Santos de Aragão8 que

O fundamento da atividade fiscalizatória poderá, no entanto, variar segundo a


agência seja

(a) reguladora do serviço público, caso em que será um dever inerente ao Poder
Concedente,

(b) reguladora da exploração privada de monopólio ou bem público, quando o


fundamento da fiscalização é contratual, ou

(c) reguladora de atividade econômica privada, em que a natureza da fiscalização


é oriunda do poder de polícia exercido pela agência, poder de polícia este que
pode ser clássico ou econômico.

A letra (c) está incorreta, pois as decisões das agências reguladoras, assim como toda decisão
administrativa, estão sujeitas ao controle judicial.

7
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. eBook. P.
16255
8
ARAGÃO, Alexandre Santos de. Agências Reguladoras e a evolução do direito administrativo
econômico. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 317.

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Aula 04

A letra (d) está incorreta. Não são apenas as agências reguladoras de status constitucional que
possuem tais prerrogativas. A Aneel, por exemplo, não possui previsão constitucional e é dotada
de tais prerrogativas. Na verdade, esta maior autonomia administrativa e financeira e o mandato
fixo de seus dirigentes é o que caracteriza, principalmente, o regime especial a que estão
submetidas.
A letra (e) está incorreta. As agências reguladoras integram sim o Poder Executivo, além do que
não são entes soberanos. Apesar de serem dotadas de maior autonomia, continuam sujeitas ao
controle finalístico exercido pela Administração Direta, além do controle do Poder Judiciário e do
Poder Legislativo, por meio dos Tribunais de Contas.

Gabarito (B)

54. FCC/ PGE-MT - Procurador do Estado – 2016

O Estado X pretende criar estrutura administrativa destinada a zelar pelo patrimônio ambiental
estadual e atuar no exercício de fiscalização de atividades potencialmente causadoras de dano ao
meio ambiente. Sabe-se que tal estrutura terá personalidade jurídica própria e será dirigida por
um colegiado, com mandato fixo, sendo que suas decisões de caráter técnico não estarão
sujeitas à revisão de mérito pelas autoridades da Administração Direta. Sabe-se também que os
bens a ela pertencentes serão considerados bens públicos. Considerando-se as características
acima mencionadas, pretende-se criar uma
a) agência reguladora, pessoa de direito público, cuja criação se dará diretamente por lei.
b) agência executiva, órgão diretamente vinculado ao Poder Executivo, cuja criação se dará
diretamente por lei.
c) associação pública, pessoa de direito privado, cuja criação será autorizada por lei e se efetivará
com a inscrição de seus atos constitutivos no registro competente.
d) agência executiva, entidade autárquica de regime especial, estabelecido mediante assinatura
de contrato de gestão.
e) fundação pública, pessoa de direito privado, cuja criação será autorizada por lei e se efetivará
com a inscrição de seus atos constitutivos no registro competente.
Comentários:
Questão interessante que cobrou características das agências reguladoras. Como a entidade irá
possuir atribuições de fiscalização e seus bens serão considerados bens públicos, sabemos que
estamos diante de uma pessoa jurídica de direito público.
Ao mencionar o caráter técnico de suas decisões, o mandato fixo de seus dirigentes e a
impossibilidade de revisão de mérito de suas decisões, o enunciado denota a maior autonomia,
característica marcante das agências reguladoras.

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Nesse sentido, não podemos confundi-las com “agências executivas”, que consistem nas
autarquias e fundações que celebram contrato de gestão9 com o poder público, para a melhoria
da eficiência e redução de custos.

Gabarito (A)

55. FCC/ PGE-MT – Analista – Bacharel em Direito – 2016

O Estado do Mato Grosso deseja instituir uma fundação. Nesse caso, a Constituição Federal
exige que a autorização de sua instituição e a definição das áreas de sua atuação,
respectivamente, devem ser estabelecidas mediante
a) lei específica e lei complementar.
b) lei complementar e lei específica.
c) lei específica e lei específica.
d) lei complementar e lei complementar.
e) lei específica e lei delegada.
Comentários:
A questão versou sobre o inciso XIX abaixo:

CF, art. 37, XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia e
autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e
de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de
sua atuação;

Vejam que sua criação depende de autorização em lei específica, ao passo que a definição das
áreas de sua atuação exige lei complementar.

Gabarito (A)

56. FCC/ TRT - 6ª Região (PE) – Juiz do Trabalho Substituto – 2015

Uma fundação pública que tem como finalidade a pesquisa e desenvolvimento de medicamentos
e tratamentos na área de saúde pública apresentou ao Ministério da Saúde um plano estratégico
de reestruturação e desenvolvimento institucional, objetivando a ampliação de sua autonomia.
De acordo com as disposições constitucionais e legais aplicáveis, a referida fundação poderá
a) ser declarada, por Portaria do Ministro da Saúde, fundação de apoio e amparo à pesquisa, que
poderá celebrar contratos de gestão para prestação de serviços à Administração pública, com
dispensa de licitação.

9
CF, art. 37, § 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da
administração direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato [de gestão], a ser firmado entre
seus administradores e o poder público, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para
o órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre:

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b) ter a sua autonomia ampliada mediante a edição de lei específica, que altere sua natureza para
agência reguladora ou agência executiva.
c) ter sua natureza alterada mediante atribuição de qualificação, por decreto governamental, de
fundação de apoio à pesquisa, passando a caracterizar-se como fundação privada.
d) ser alçada à categoria de agência reguladora, mediante a adequação de seus estatutos para
refletir o grau de autonomia compatível com tal categorização.
e) celebrar contrato de gestão com o Ministério da Saúde, com a fixação de metas de
desempenho, recebendo, por ato do Presidente da República, a qualificação de agência
executiva.
Comentários:
As “agências executivas” consistem nas autarquias e fundações que celebram contrato de gestão
com o poder público, para a melhoria da eficiência e redução de custos:

CF, art. 37, § 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e


entidades da administração direta e indireta poderá ser ampliada mediante
contrato [de gestão], a ser firmado entre seus administradores e o poder público,
que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou
entidade, cabendo à lei dispor sobre:

Dessa forma, se uma “fundação” celebra contrato de gestão com o poder central, esta receberá
a qualificação de “agência executiva”.
De modo mais detalhado, na Lei 9.649/1998, temos a competência do Presidente da República
para qualificar tal entidade como “agência executiva”:

Lei 9.649/1998, art. 51. O Poder Executivo poderá qualificar como Agência
Executiva a autarquia ou fundação que tenha cumprido os seguintes requisitos:

I - ter um plano estratégico de reestruturação e de desenvolvimento institucional


em andamento;

II - ter celebrado Contrato de Gestão com o respectivo Ministério supervisor.

§ 1º A qualificação como Agência Executiva será feita em ato do Presidente da


República.

Gabarito (E)

Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista

57. FCC/SPPREV – Técnico - 2019

A Administração pública de determinado ente federado está reorganizando sua estrutura,


abrangendo a Administração indireta. Nesse campo, promoveu levantamento das empresas

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estatais existentes no ente federado e decidiu por extinguir aquelas que não tivessem mais
finalidade social aderente à linha de governo, bem como as deficitárias. Para tanto,
(A) deverá liquidar todas as despesas da empresa e alienar seu patrimônio antes de solicitar
autorização legislativa para decretar a extinção da mesma.
(B) será necessária prévia realização de licitação para eventual identificação de interessados na
aquisição do capital social da empresa, sendo autorizada a extinção apenas diante da inexistência
de licitantes.
(C) deverá editar ato de mesma natureza do que promoveu a criação da empresa, ou seja,
decreto ou lei.
(D) será necessária autorização legislativa, inclusive para, por exemplo, indicar o destino de seu
patrimônio, caso não pretenda que reverta à Administração central.
(E) poderá providenciar o encerramento das atividades na mesma linha aplicada às empresas
privadas, não sendo necessária autorização prévia, exigida apenas para a instituição das referidas
pessoas jurídicas.
Comentários:
Questão versando sobre a jurisprudência do STF, especificamente sobre o entendimento firmado
no bojo da ADI 5624, de junho de 201910. Naquela oportunidade, entendeu o STF que: i) a
alienação do controle acionário de empresas públicas e sociedades de economia mista exige
autorização legislativa e licitação; e ii) a exigência de autorização legislativa, todavia, não se
aplica à alienação do controle de suas subsidiárias e controladas.
A alternativa (A) está incorreta, pois a “liquidação” deve ocorrer somente após autorizada, por
meio de lei, a extinção da empresa. O direito empresarial nos ensina que a “liquidação” não é a
primeira etapa do processo de encerramento de uma empresa11, pois somente poderá ocorrer
após ter ocorrido a autorização para sua “dissolução”.
A alternativa (B) está incorreta. A licitação e a autorização legislativa são exigências que não se
confundem. A extinção dependerá de autorização legislativa - e não de licitantes interessados na
aquisição.
A alternativa (C) está incorreta. Assim como a autorização para a criação da empresa dependeu
de lei (e não de decreto), sua extinção também o dependerá.
A alternativa (D), por sua vez, está correta ao retratar corretamente a necessidade de autorização
prévia à alienação. Além disso, a lei autorizativa indicará, caso necessário, o destino do
patrimônio remanescente.
A alternativa (E) está incorreta, visto ser exigida autorização legislativa para a extinção de estatais.

Gabarito (D)

10
STF - ADI 5624. Rel. Ricardo Lewandowski. Julgamento: 6/6/2019
11
De acordo com a Lei 6.404, o processo de encerramento da empresa passa pela sequência de etapas
de dissolução, liquidação e, ao final, a extinção da personalidade jurídica.

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58. FCC/SPPREV – Técnico - 2019

As empresas estatais criadas pelos entes federados


(A) são regidas pelo direito privado, porque constituídas na forma prevista na legislação civil, não
se sujeitando a controle externo dos Tribunais de Contas.
(B) são sujeitas ao regime jurídico típico das empresas privadas, o que não afasta a possibilidade
de controle finalístico de seus atos pela Administração direta e de controle pelas Cortes de
Contas.
(C) dependem de prévia autorização legislativa para definição de seu escopo de atuação e
regime jurídico aplicável, público ou privado.
(D) podem ter personalidade jurídica de direito público ou privado, característica que não
interfere na impenhorabilidade do patrimônio das mesmas.
(E) sujeitam-se ao princípio da obrigatoriedade de licitação, à semelhança das autarquias e sob o
mesmo regime legal, aplicável a todos os entes que integram a Administração indireta.
Comentários:
A alternativa (A) está incorreta. Atualmente é pacífico o entendimento de que as empresas
estatais sujeitam-se ao controle externo exercido pelo tribunais de contas. Exemplo disso são as
inúmeras auditorias que o Tribunal de Contas da União (TCU) realiza sobre a Petrobras e sobre o
BNDES.
A alternativa (B), por sua vez, está correta. As estatais sujeitam-se ao regime essencialmente de
direito privado, o que não afasta sua sujeição ao (i) controle finalístico exercido pela
administração direta, tampouco ao (ii) controle externo exercido pelos tribunais de contas.
A alternativa (C) está incorreta, visto que o regime jurídico das estatais será essencialmente de
direito privado. Consoante leciona Maria Sylvia Zanella Di Pietro12, o regime aplicável “será
sempre o direito privado, a não ser que se esteja na presença de norma expressa de direito
público”.
A alternativa (D) está incorreta. Ao contrário, as estatais sempre possuirão personalidade de
direito privado.
A alternativa (E) está incorreta. Apesar de se sujeitarem ao dever de licitar, as estatais seguem um
regime legal próprio, previsto na Lei 13.303/2016. Em outras palavras, as estatais não seguem
diretamente as regras licitatórias constantes da Lei 8.666/1993.

Gabarito (B)

59. FCC/ TRT - 15ª Região (SP) - Técnico Judiciário – Área Administrativa – 2018

A constituição de uma pessoa jurídica para integrar a Administração indireta depende

12
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. Ed. GenMétodo. 31ª ed. 2018. eBook. P.
15402

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a) de autorização legislativa para instituição, no caso das sociedades de economia mista, cujo
regime jurídico típico de direito privado não afasta a necessidade de se submeter a determinadas
regras e princípios aplicáveis às pessoas jurídicas de direito público.
b) de lei para criação do ente, quando se tratar de empresas estatais de natureza jurídica típica
de direito privado, independente do objeto social, não se lhes aplicando o regime jurídico de
direito público.
c) de lei autorizativa, no caso das autarquias, seguida de afetação de patrimônio e arquivamento
de atos constitutivos segundo a legislação civil vigente.
d) do arquivamento dos atos constitutivos no caso das autarquias, seguido de edição de Decreto
homologatório pelo Chefe do Executivo.
e) de lei autorizativa para criação de qualquer ente, independentemente da natureza jurídica,
fazendo constar como anexo do ato normativo os atos constitutivos da pessoa jurídica.
Comentários:
A letra (a) está correta. De fato, as sociedades de economia mista têm sua criação apenas
autorizada em lei. Além disso, o regime destas empresas não é integralmente privado. Mesmo
quando exploram atividade econômica em sentido estrito, estarão sujeitas a regras e princípios
de direito público, falando-se, portanto, em regime jurídico híbrido.
A letra (b) está incorreta. Em se tratando de estatais, a lei não cria diretamente a entidade,
apenas autoriza sua criação. Além disso, caso a estatal se dedique à prestação de serviços
públicos, seu regime jurídico será prevalentemente público.
As letras (c), (d) e (e) estão incorretas. No caso de autarquias, a lei já é suficiente para promover
sua criação, não dependendo de inscrição dos atos perante registros públicos. Relembrando:

Gabarito (A)

60. FCC/ TRT - 2ª REGIÃO (SP) - Analista Judiciário – Área Judiciária - 2018

O diretor executivo de uma sociedade de economia mista exploradora de atividade econômica


a) emite ato administrativo sempre que determina ou autoriza uma contratação, precedida ou
não de licitação.
b) tem sua atuação sujeita a controle externo exercido pelo Tribunal de Contas, que não detém
poderes para sustar os contratos administrativos que aquele subscrever em nome da empresa.
c) submete-se a concurso público para provimento do cargo efetivo que ocupa, que exige vínculo
estatutário.

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d) sujeita-se aos princípios que regem a Administração pública, mas não se enquadra no conceito
de agente público para fins de configuração de ato de improbidade administrativa.
e) está sujeito a controle externo e interno, em razão das funções que exerce em pessoa jurídica
de direito público, mas não incide em responsabilização por infração disciplinar ou por ato de
improbidade.
Comentários:
Questão interessante, que cobrou detalhes sobre regras aplicáveis às estatais, muitas das quais
serão abordadas futuramente no nosso curso.
A letra (a) está incorreta. O dirigente de uma estatal apenas pratica “ato administrativo” quando
atuar sob regime de direito público (em geral nas suas atividade-meio). Ao atuar sob o regime de
direito privado, não há a emissão de atos administrativos. Dessa forma, quando o dirigente do
Banco do Brasil, por exemplo, autoriza a celebração de um contrato de seguro com um cliente,
ele não está emitindo um ato administrativo.
A letra (b) está correta. As estatais sujeitam-se ao controle exercido pelo Tribunal de Contas. No
entanto, em regra os Tribunais de Contas não têm o poder para determinar a um ente público a
sustação de contratos administrativos. Tratando-se de contrato, é o Congresso Nacional quem
poderá promover a sustação:

CF, art. 71, § 1º No caso de contrato, o ato de sustação será adotado


diretamente pelo Congresso Nacional, que solicitará, de imediato, ao Poder
Executivo as medidas cabíveis.

A letra (c) está incorreta. O regime de pessoal das sociedades de economia mista não é
estatuário, e sim celetista.
A letra (d) está incorreta, pois o dirigente da estatal, ainda que seja exploradora de atividade
econômica, é enquadrado no conceito de “agente público”, detalhado em aula futura deste
curso.
A letra (e) está incorreta, pois a estatal é pessoa de direito privado. Além disso, o dirigente da
estatal está sim sujeito à responsabilização caso comete alguma infração disciplinar e também
caso cometa ato de improbidade administrativa.

Gabarito (B)

61. FCC/ TRT - 6ª Região (PE) - Analista Judiciário – Oficial de Justiça Avaliador Federal – 2018

A criação de uma empresa estatal deve


a) observar a legislação civil e comercial aplicável à criação de empresas, exceto com relação ao
capital, que nos primeiros seis meses deve pertencer integralmente ao ente público que a criou.
b) ser precedida de autorização legislativa, o que a predicará com regime jurídico de direito
público, inclusive quanto a seus bens e obrigatoriedade de submissão a licitação para todos os
ajustes e contratos que celebrar.

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c) ser autorizada em audiência pública a ser realizada para o setor econômico em que vai atuar,
de forma a serem colhidas eventuais impugnações quanto à concorrência desleal.
d) observar a legislação aplicável para instituição de empresas privadas, sem prejuízo de ter sido
previamente autorizada em lei, podendo ser prestadora de serviços públicos ou exploradora de
atividade econômica.
e) ser feita por meio de lei, da qual constarão, como anexo, os atos constitutivos que deverão ser
levados a registro para regular funcionamento, e deverão prever o setor de atuação e o regime
jurídico de exploração da atividade.
Comentários:
A letra (a) está incorreta, pois não existe esta obrigação legal de o capital pertencer “nos
primeiros seis meses (..) ao ente público que a criou”. No caso das sociedades de economia
mista, o capital será formado também por recursos de particulares. No caso de empresas
públicas, será integralmente público.
A letra (b) está incorreta, pois as estatais, em regra, não seguem regime de direito público. Caso
se dediquem à exploração de atividade econômica em sentido estrito, seguirão regime
essencialmente de direito privado. Além disso, as estatais estão dispensadas de realizar licitação
previamente à celebração de contratos relacionados diretamente com suas atividades-fim:

Lei 13.303/2016, art. 28, § 3º São as empresas públicas e as sociedades de


economia mista dispensadas da observância dos dispositivos deste Capítulo
[CAPÍTULO I - DAS LICITAÇÕES] nas seguintes situações:

I - comercialização, prestação ou execução, de forma direta, pelas empresas


mencionadas no caput, de produtos, serviços ou obras especificamente
relacionados com seus respectivos objetos sociais;

A letra (c) está incorreta. A criação da estatal depende de autorização proveniente do Poder
Legislativo, na forma de lei. A audiência pública não é meio hábil para autorizar a instituição de
uma estatal.
A letra (d) está correta. A personalidade jurídica das estatais não surge automaticamente com a
publicação da lei específica. Assim como ocorre com as empresas privadas, é necessário inscrever
os atos constitutivos da estatal em um registro, a exemplo da Junta Comercial.
A letra (e) está incorreta. No caso das estatais, a lei apenas autoriza sua criação. Em um segundo
momento é que são elaborados seus atos constitutivos e, posteriormente, estes são devidamente
inscritos em um registro.

Gabarito (D)

62. FCC/ TST - Técnico Judiciário – Área Administrativa - 2017

Determinado Estado da Federação tem investido em diversos projetos de parceria com a


iniciativa privada para obras de infraestrutura, a fim de associar a expertise tecnológica e
operacional do mercado, com a desoneração dos cofres públicos dos investimentos necessários e

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para promover a criação de novos empregos. Em razão disso, a Administração pública pretende
criar uma pessoa jurídica integrante de sua Administração indireta, cuja finalidade institucional
seja o desenvolvimento e acompanhamento de diversos projetos, realização de estudos,
estruturação de sistema de garantias, bem como outras providências específicas em matéria de
parcerias. Essa solução poderia ser implementada mediante a
a) instituição de uma autarquia, cuja criação deve ser devidamente autorizada por lei e cuja
gestão pode admitir o regime jurídico de direito privado conforme o escopo de sua atuação, a
exemplo do caso descrito.
b) criação de uma empresa pública, pessoa jurídica de direito público, em razão da constituição
de seu capital social, mas que atua no mercado em regime de paridade com a iniciativa privada,
conferindo a agilidade necessária pela Administração pública.
c) instituição de uma empresa estatal, cujo regime jurídico é próprio das empresas privadas,
fazendo constar da finalidade institucional as atividades pretendidas pela Administração.
d) criação, por lei, de uma autarquia que, em razão de sua natureza jurídica de direito público,
terá atuação regida pelo direito público, ainda que seu escopo seja típico de atuação da iniciativa
privada, como pretendido pela Administração pública.
e) instituição de uma sociedade de economia mista, pessoa jurídica de direito privado, cujo
controle do capital pertence integralmente ao ente que a instituiu, sujeita ao regime de
competição de mercado, independentemente de seu objeto social e finalidade institucional.
Comentários:
A letra (a) está incorreta, pois autarquias sempre seguirão regime de direito público. Além disso,
a criação da autarquia se dá diretamente com a publicação da lei específica. Por fim, a autarquia
se volta à execução de atividades típicas do Estado, o que não ocorre no caso descrito.
A letra (b) está incorreta, pois empresa pública é pessoa de direito privado. Além disso, é
questionável esta “paridade com a iniciativa privada”, na medida em que o regime jurídico
aplicável é híbrido, em regra. Ou seja, o regime próprio das empresas privadas é parcialmente
derrogado por normas de direito público, reduzindo a agilidade destas empresas.
A letra (c) está correta. Quando exploradoras de atividade econômica, as estatais seguem regime
jurídico próprio das empresas privadas:

CF, art. 173, § 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da


sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade
econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços,
dispondo sobre: (..)

II - a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto


aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários;

A letra (d) está incorreta. As autarquias não podem se dedicar a atividades típicas da iniciativa
privada, mas a atividades típicas do Estado.
A letra (e) está incorreta. A estatal estará sujeita ao regime de competição apenas quando seu
objeto social consistir na exploração de atividade econômica. Em outras palavras: nem sempre a

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estatal estará sujeita ao regime de competição de mercado, pois também pode se dedicar à
prestação de serviço público, inclusive em regime de monopólio.

Gabarito (C)

63. FCC/ DPE-RS - Técnico – Área Administrativa - 2017

Uma empresa pública é proprietária de dois galpões onde armazenava o maquinário utilizado nas
obras que realizava. Esse maquinário, com o passar do tempo, foi substituído por itens mais
modernos, de forma que a empresa se desfez desses bens. Os galpões, dessa forma, ficaram
vazios, o que levou a direção da empresa a decidir alienar os imóveis para investimento do
capital. Enquanto tramitava o processo interno para autorização da alienação, os referidos bens
foram penhorados em ações judiciais que tramitavam para recebimento de dívidas não pagas. A
empresa
a) pode impor ao juízo a impenhorabilidade de seus bens, tendo em vista que se trata de
empresa pública integrante da Administração direta e, como tal, prestante ao desempenho de
serviços públicos.
b) pode prosseguir com o processo de autorização da alienação, tendo em vista que, em razão
da impenhorabilidade de seus bens, a penhora lavrada é nula e não produz efeitos.
c) não possui fundamento para alegar a impenhorabilidade de seus bens, em face de se tratar de
pessoa jurídica de direito privado e dos galpões estarem sem qualquer afetação à prestação de
serviços públicos.
d) tem personalidade jurídica de direito privado, mas seus bens sujeitam-se a regime jurídico de
direito público, como forma de tutelar o erário público, tendo em vista que o ente público
criador da empresa é seu acionista majoritário.
e) tem personalidade jurídica de direito público, mas seus bens sujeitam-se a regime jurídico
híbrido, de forma que são impenhoráveis quando afetados à prestação de serviços públicos ou a
alguma outra atividade de interesse público.
Comentários:
A questão aborda a natureza dos bens de uma empresa pública. A este respeito, lembro que
serão impenhoráveis os bens de estatais que prestam serviços públicos, somente se (i) estiverem
diretamente ligados à prestação dos serviços ou (ii) se tratar de serviço essencial, próprio do
Estado, em regime não concorrencial.
Em relação ao enunciado, apesar de não ter ficado claro se a estatal é ou não prestadora de
serviço público, sabemos que os galpões estão vazios, de sorte que não são utilizados
diretamente em prestação de serviço público. Ou seja, não há afetação destes à prestação de
serviços públicos. Além disso, não se mencionou ser o caso de serviço essencial. Portanto, os
galpões são bens penhoráveis.
A letra (a) está incorreta. A estatal integra a administração indireta. Além disso, tais bens da
estatal não possuirão privilégios do regime de bens públicos.
Pelo mesmo raciocínio, a letra (b) está incorreta e a letra (c), correta.

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A letra (d) está incorreta, pois a sujeição dos bens das estatais a regime público é medida
excepcional, que não ocorre no presente caso.
A letra (e) está incorreta, pois empresa pública é pessoa de direito privado.

Gabarito (C)

64. FCC/ SEGEP-MA – Auditor Fiscal da Receita Estadual – Administração Tributaria – 2016

São exemplos de empresa pública e sociedade de economia mista, respectivamente:


a) Banco do Brasil S.A. e Caixa Econômica Federal.
b) Agência Nacional de Energia Elétrica e Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.
c) Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e Caixa Econômica Federal.
d) Companhia Nacional de Abastecimento e Banco do Brasil S.A.
e) Banco do Brasil S.A. e Companhia Nacional de Abastecimento.
Comentários:
Classificando as entidades acima por meio de uma tabela, temos o seguinte:

Banco do Brasil: sociedade de


(A) Caixa Econômica Federal: empresa pública
economia mista (SEM)
Agência Nacional de Energia Elétrica: Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos:
(B)
Autarquia empresa pública
Empresa Brasileira de Correios:
(C) Caixa Econômica Federal: empresa pública
empresa pública
Companhia Nacional de
Banco do Brasil: sociedade de economia mista
(D) Abastecimento (Conab): empresa
(SEM)
pública
Banco do Brasil: sociedade de Companhia Nacional de Abastecimento
(E)
economia mista (SEM) (Conab): empresa pública

Gabarito (D)

65. FCC/ SEGEP-MA – Procurador do Estado – 2016

Uma empresa pública e uma sociedade de economia mista, ambas dedicadas à atividade
bancária e controladas pelo mesmo ente político, decidem, por seus órgãos deliberativos
competentes, promover conjuntamente a criação de uma outra entidade, voltada a prestar
serviços de tecnologia da informação necessários à automação de suas respectivas
atividades-fim. A previsão é de que tal entidade contará com a participação de capital privado
em sua composição acionária. Em vista de tais características, é certo tratar-se de

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a) parceria público-privada, na modalidade de concessão administrativa, em que as empresas


que promoveram a criação da nova entidade serão usuárias dos serviços por ela prestados.
b) consórcio público, na modalidade de direito privado, sendo que será constituído por contrato
cuja celebração dependerá da prévia subscrição de protocolo de intenções pelas entidades
partícipes.
c) sociedade em comandita por ações, sendo que as empresas estatais figurarão como sócios
comanditados e os eventuais acionistas privados serão os sócios comanditários.
d) agência executiva, visto que se trata de entidade com a finalidade específica de executar
tarefas de forma descentralizada.
e) sociedade subsidiária, sendo que sua criação depende de prévia autorização legislativa.
Comentários:
Como estamos diante da criação de uma outra empresa, por iniciativa de entidades
administrativas (e não do próprio ente federativo), trata-se de subsidiária de EP e de SEM.
A este respeito, a Constituição exige “autorização legislativa”, tanto para a criação de
subsidiárias quanto para a participação de EP/SEM em empresas já existentes:

CF, art. 37, XX - depende de autorização legislativa, em cada caso, a criação de


subsidiárias das entidades mencionadas no inciso anterior, assim como a
participação de qualquer delas em empresa privada;

Nesse sentido, aproveito para lembrar que o STF firmou entendimento13 de que a própria lei que
criou a EP/SEM poderá “se adiantar” e já autorizar que a estatal que está tendo sua criação
autorizada, futuramente crie subsidiárias:

2. É dispensável a autorização legislativa para a criação de empresas subsidiárias,


desde que haja previsão para esse fim na própria lei que instituiu a empresa de
economia mista matriz, tendo em vista que a lei criadora é a própria medida
autorizadora.

Gabarito (E)

13
STF - ADI: 1649 DF, Relator: MAURÍCIO CORRÊA, Data de Julgamento: 24/03/2004, Tribunal Pleno,
Data de Publicação: DJ 28-05-2004 PP-00003 EMENT VOL-02153-02 PP-00204

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LISTA DAS QUESTÕES COMENTADAS


1. Vunesp/PC-SP – Investigador - 2023

Considere que a Secretaria de Segurança Pública está estudando fazer um acordo de


colaboração com entidade integrante da Administração Indireta de outro ente federativo para
obter a licença de uso de software capaz de realizar o mapeamento criminal, de acordo com a
incidência de delitos ocorridos em diversas partes da cidade. Em reunião, foi exposto que a
referida entidade possui personalidade jurídica de direito privado e que o seu capital social é
integralmente pertencente à Administração Direta.

Com base na situação hipotética, pode-se concluir que se trata de uma

(A) sociedade de economia mista.

(B) organização social.

(C) fundação pública.

(D) empresa pública.

(E) autarquia.

2. VUNESP/PREFEITURA DE PIRACICABA-SP - Escriturário - 2023


Com relação à administração direta, é correto afirmar que
A) desempenha suas atividades administrativas por meio da desconcentração.
B) os seus órgãos podem ser sujeitos de direitos e obrigações.
C) a descentralização administrativa cria outro órgão pertencente à administração direta.
D) as secretarias municipais estão subordinadas à administração indireta.
3. VUNESP/UNICAMP-SP - Técnico em Administração - 2023
As autarquias e fundações públicas possuem como características compartilhadas:
A) tutela administrativa.
B) personalidade de direito público ou privado.
C) isenção de custas processuais.
D) exercício de atividades de utilidade pública.
E) nomeação e exoneração dos dirigentes por meio de conselho administrativo.
4. VUNESP - AFTM (Pref Sorocaba)/Pref Sorocaba/2022

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Fulano, auditor fiscal, participou de reunião na qual ouviu Beltrano, procurador municipal, afirmar
que a “Administração Pública municipal pode ser considerada como o conjunto de órgãos,
pessoas jurídicas e agentes municipais que o ordenamento jurídico brasileiro identifica como
administração pública”. Fulano, porém, não concorda com essa opinião, pois sempre pensou a
Administração Pública como “o conjunto de atividades que costumam ser consideradas próprias
da função administrativa, tais como as atividades de intervenção na propriedade privada,
fomento, prestação de serviços públicos e o exercício do poder de polícia”.
Acerca da polêmica instaurada na reunião, é correto afirmar que
a) o procurador municipal está correto, pois o seu pensamento coincide com a noção de
Administração Pública em sentido material, sendo essa a única visão compatível com o
ordenamento brasileiro.
b) ambos estão corretos, pois estão trabalhando com noções amplamente aceitas de
Administração Pública no Direito Administrativo brasileiro, respectivamente, a noção de
Administração Pública em sentido subjetivo e de Administração Pública em sentido formal.
c) o procurador municipal está correto, pois o seu pensamento coincide com a noção de
Administração Pública em sentido objetivo, sendo essa a única visão compatível com o
ordenamento brasileiro.
d) ambos estão corretos, pois estão trabalhando com noções amplamente aceitas de
Administração Pública no Direito Administrativo brasileiro, respectivamente, a noção de
Administração Pública em sentido subjetivo e de Administração Pública em sentido objetivo.
e) o auditor fiscal está correto, pois o seu pensamento coincide com a noção de Administração
Pública em sentido orgânico, sendo essa a única visão compatível com o ordenamento brasileiro.
5. VUNESP - APrev (PERUÍBEPREV)/PERUÍBEPREV/Administrativo/2022
Entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, criada em
virtude de autorização legislativa, para o desenvolvimento de atividades que não exijam
execução por órgãos ou entidades de direito público, com autonomia administrativa, patrimônio
próprio gerido pelos respectivos órgãos de direção, e funcionamento custeado por recursos da
União e de outras fontes.
É correto afirmar que o enunciado se refere ao conceito de
a) sociedade de economia mista.
b) administração indireta.
c) fundação pública.
d) empresa pública.
e) autarquia.
6. VUNESP - APrev (PERUÍBEPREV)/PERUÍBEPREV/Financeira e Investimentos/2022
O secretário de assistência e desenvolvimento social, ao tomar posse da sua pasta, percebeu que
a prática vigente anterior à sua entrada era de centralização das atividades na máquina pública.
Com o intuito de ampliar as vagas de abrigos para moradores de rua, ele propôs que parte
desses serviços fossem prestados por organizações sem fins lucrativos com experiência nessa
atividade. Essa prática administrativa de delegação de um serviço público é denominada

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a) descentralização, na medida em que se estimula a sinergia entre órgãos de uma mesma área
de atuação sob o mesmo formato jurídico.
b) desconcentração, em função da delegação das atividades a organizações da sociedade civil
sem fins lucrativos.
c) descentralização, pois se trata de uma transferência de atribuições a pessoas jurídicas diversas.
d) distribuição na prestação dos serviços públicos, em busca da maximização dos recursos diretos
e indiretos disponíveis.
e) flexibilização dos serviços públicos, ao trazer as organizações da sociedade civil para ofertar
mais vagas nos abrigos.
7. VUNESP - Tec Leg (CMSJC)/CM SJC/2022
A Câmara Municipal recebeu projeto de lei do poder executivo que tem por finalidade criar uma
entidade que será responsável por fiscalizar os serviços públicos concedidos do Município. A
proposição estipula que essa pessoa jurídica será criada por lei, dotada de personalidade jurídica
de direito público e se submeterá a um regime jurídico especial, pois o termo do mandato de
seus dirigentes não coincidirá com os do Chefe do Poder Executivo, bem como que a entidade
gozará de autonomia funcional, decisória, administrativa e financeira. Caso um Vereador consulte
um Técnico Legislativo para saber de que tipo de entidade integrante da administração indireta a
proposta está se referindo, é correto afirmar que se trata de uma
a) agência reguladora.
b) fundação pública.
c) empresa pública.
d) agência executiva.
e) sociedade de economia mista.
8. VUNESP - Prefeitura de Várzea Paulista - SP - Agente de Gestão - Assistente
Administrativo - 2021
A administração pública pode ser dividida em dois tipos: direta e indireta. A direta é
desempenhada
A por pessoas jurídicas, empresas privadas, organizações e fundações.
B pelos poderes bancários, empresariais e grupos privados.
C por entidades com personalidade jurídica própria, patrimônio e autonomia administrativa.
D por autarquias, empresas públicas e sociedades de economia mista.
E pelos poderes da união, estados, Distrito Federal e municípios.
9. VUNESP - Prefeitura de Ribeirão Preto - SP - Agente de Administração- 2021
Toda entidade pública ou privada criada pela pessoa política, mas que não se confunde com a
pessoa jurídica pública matriz criadora, forma a administração pública
A direta.
B indireta.

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C funcional.
D material.
E orgânica.
10. VUNESP - 2020 - Prefeitura de Morro Agudo - SP - Fiscal de Tributos
A respeito das entidades que podem compor a Administração Pública, é correto afirmar que as
A autarquias são órgãos públicos criados por lei.
B autarquias estão sujeitas ao controle hierárquico do ente que as criou.
C fundações públicas poderão ter natureza de direito privado.
D empresas públicas deverão ser constituídas pela forma de sociedade anônima.
E empresas estatais são criadas por meio de lei específica, sendo desnecessário o registro dos
atos constitutivos.
11. VUNESP - 2019 - Prefeitura de Dois Córregos - SP - Fiscal de Tributos
A Administração Pública pode se organizar de diferentes formas, visando sempre o atendimento
ao interesse público. A esse respeito, é correto afirmar que
A os órgãos públicos são entidades dotadas de personalidade jurídica própria e criados por meio
de ato do Chefe do Poder ao qual pertencem.
B as entidades paraestatais integram a chamada Administração Indireta, possuindo vinculação
finalística ao seu ente instituidor
C A Administração Indireta se constitui a partir do fenômeno da desconcentração de
competências a partir do seu núcleo central localizado no Chefe do Poder Executivo.
D as sociedades de economia mista têm sua criação autorizada por lei e devem ser organizadas
necessariamente sob a forma de sociedades anônimas.
E as empresas públicas são entidades paraestatais e integram o orçamento fiscal no ente que as
instituir
12. VUNESP – TJRO/2019
O ente personalizado, integrante da Administração Pública indireta, cuja criação é autorizada por
lei, mas adquire existência jurídica após o registro dos seus estatutos, é
a) agência executiva.
b) fundação de direito privado.
c) autarquia.
d) serviço social autônomo.
e) agência reguladora.
13. VUNESP – PGM Rio Preto/2019
Dentre as definições a seguir, assinale aquela que melhor conceitua a autarquia.

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a) É entidade integrante da Administração Pública, criada ou não por lei, com personalidade
jurídica de Direito Público ou Privado, patrimônio e receitas próprios, para executar atividades
típicas da Administração Pública, podendo ou não ser dotada de gestão administrativa e
financeira descentralizada.
b) É entidade integrante da Administração Pública direta, criada por lei, com personalidade
jurídica de Direito Público, sem patrimônio próprio, para executar atividades típicas da
Administração Pública, que requeira, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa
descentralizada.
c) É entidade integrante da Administração Pública indireta, com personalidade jurídica de Direito
Privado, patrimônio e receitas próprios, para executar, descentralizadamente, atividades
estabelecidas por lei.
d) É entidade integrante da Administração Pública indireta, criada por lei, com personalidade
jurídica de Direito Público, patrimônio e receitas próprios, para executar atividades típicas da
==126341==

Administração Pública, que requeira, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e
financeira descentralizada.
e) É entidade integrante da Administração Pública indireta, criada por lei, com personalidade
jurídica de Direito Público, patrimônio e receitas próprios, para executar atividades típicas da
Administração Pública, caracterizada pela ausência de controle, de tutela ou de subordinação
hierárquica e pela autonomia funcional, decisória, administrativa e financeira.
14. Vunesp/Pref. Campinas - Auditor Fiscal - 2019
Em matéria de organização administrativa brasileira, a descentralização administrativa
a) consiste na distribuição de competências e responsabilidade dentro de uma mesma pessoa,
deixando de existir a subordinação.
b) se dá mediante o deslocamento de competência para uma nova pessoa, sem a subordinação
hierárquica, embora haja o controle e a fiscalização do Poder Público.
c) se dá por meio da transferência de competência, apenas, para as pessoas da Administração
indireta, que possuam personalidade jurídica própria.
d) é espécie inadmissível no ordenamento jurídico pátrio.
e) consiste na distribuição de competências e responsabilidades dentro de uma mesma pessoa,
mantendo-se a hierarquia.
15. VUNESP/ISS Guarulhos – Inspetor – 2019
A respeito das autarquias, assinale a alternativa correta.
(A) A autarquia é uma pessoa jurídica de direito privado, criada por lei.
(B) A autarquia é instituída diretamente pela lei e sua personalidade jurídica tem início com a
vigência da lei criadora.
(C) A criação de autarquias decorre do processo de desconcentração administrativa, integrando
essas entidades à estrutura orgânica da Administração Direta.
(D) As autarquias se sujeitam, via de regra, à responsabilidade civil subjetiva.

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(E) As autarquias não se submetem ao regime dos precatórios ou da Requisição de Pequeno


Valor (RPV).
16. VUNESP - Procurador Jurídico (UNIFAI)/2019
Suponha que lei autoriza a criação de pessoa jurídica de direito privado para integrar a
Administração Pública Indireta, que deverá ter o seu capital integralizado exclusivamente por
entidades componentes da Administração e poderá funcionar sob qualquer espécie societária.
Considerando a situação hipotética, é correto afirmar que a lei autorizou a criação de uma
a) autarquia.
b) fundação pública de direito privado.
c) sociedade de economia mista.
d) empresa pública.
e) sociedade de propósito específico.
17. VUNESP - Analista (Pref Itapevi) /Gestão Pública/2019
A Administração Pública pode ser classificada como direta e indireta. Assinale a alternativa cujas
organizações pertencem à Administração Pública indireta.
a) Organizações da sociedade civil de interesse público, autarquias e empresas.
b) Empresas de economia mista, fundações, organizações não governamentais e organizações da
sociedade civil de interesse público.
c) Autarquias, empresas públicas e fundações públicas.
d) Institutos, fundações, empresas públicas e organizações da sociedade civil de interesse
público.
e) Empresas públicas, autarquias e organizações da sociedade civil de interesse público.
18. VUNESP - Profissional de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (UNICAMP)/Profissional
para Assuntos Administrativos/Administração/2019
Assinale a alternativa correta.
a) As sociedades de economia mista possuem personalidade jurídica de direito público e
integram a administração pública direta.
b) As empresas públicas possuem personalidade jurídica de direito público e integram a
administração pública direta e indireta.
c) As fundações não possuem personalidade jurídica e integram a administração pública direta.
d) As empresas públicas possuem personalidade jurídica de direito público e privado e integram
exclusivamente a administração pública direta.
e) As autarquias possuem personalidade jurídica de direito público e integram a administração
pública indireta.
19. VUNESP - Procurador Jurídico (CM Serrana) /2019

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A respeito da desconcentração, é correto afirmar que


a) é sinônimo de descentralização, porém ocorre na Administração Indireta.
b) consiste na Administração Direta deslocar, distribuir ou transferir a prestação do serviço para a
Administração Indireta.
c) foi vedada em recente decisão do Supremo Tribunal Federal com repercussão geral.
d) consiste na Administração Direta deslocar, distribuir ou transferir a prestação do serviço para o
particular.
e) se trata de forma de repartição interna da competência atribuída à entidade estatal e dela
decorre a criação de órgãos públicos.
20. VUNESP - Controlador Interno (UNIFAI) /2019
A Administração Pública pode exercer as suas funções de maneiras diversas, definidas de acordo
com as especificidades de cada atribuição conferida ao Estado. A respeito do tema, assinale a
alternativa correta.
a) A atividade administrativa pode ser exercida mediante descentralização, que ocorre quando a
própria entidade pública, por meio dos seus órgãos e agentes, desempenha as suas atribuições.
b) A descentralização administrativa pode ocorrer mediante delegação ou colaboração, hipótese
em que se transfere a titularidade da competência administrativa para entidade pública criada
por lei.
c) Na descentralização administrativa, em função do princípio do interesse público, forma-se uma
relação de hierarquia entre a autoridade delegante e a autoridade a quem é delegada a
competência administrativa.
d) Ocorre a desconcentração administrativa quando uma entidade pública distribui as suas
atribuições no âmbito da sua própria estrutura, com o objetivo de tornar mais eficiente a
execução da função pública.
e) Os conceitos de desconcentração e descentralização administrativa são tratados pela doutrina
como sinônimos, referindo-se ambos a situação em que a Administração cria uma entidade
específica para desempenhar funções públicas.
21. VUNESP - Câmara Municipal de São José dos Campos - SP - Técnico Legislativo- 2022
A Câmara Municipal recebeu projeto de lei do poder executivo que tem por finalidade criar uma
entidade que será responsável por fiscalizar os serviços públicos concedidos do Município. A
proposição estipula que essa pessoa jurídica será criada por lei, dotada de personalidade jurídica
de direito público e se submeterá a um regime jurídico especial, pois o termo do mandato de
seus dirigentes não coincidirão com os do Chefe do Poder Executivo, bem como que a entidade
gozará de autonomia funcional, decisória, administrativa e financeira. Caso um Vereador consulte
um Técnico Legislativo para saber de que tipo de entidade integrante da administração indireta a
proposta está se referindo, é correto afirmar que se trata de uma
A agência reguladora.
B fundação pública.

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C empresa pública.
D agência executiva.
E sociedade de economia mista.
22. VUNESP - Analista Legislativo (CM Serrana) /2019
Com relação às agências reguladoras, o mandato dos seus Conselheiros e dos seus Diretores
a) terá o prazo fixado na lei de criação de cada Agência.
b) será de 2 (dois) anos, prorrogável pelo mesmo prazo.
c) será por tempo indeterminado.
d) não poderá exceder o tempo máximo de 5 (cinco) anos.
e) vigorará pelo prazo certo a ser estabelecido por Decreto Federal.
23. VUNESP/Prefeitura de São Roque – Advogado – 2020
A respeito da Administração Indireta, assinale a alternativa correta.
a) A venda de subsidiárias de empresas públicas deve ser precedida de autorização legislativa.
b) Será considerada como sociedade de economia mista toda sociedade empresária que conte
com a participação da Administração e de entidades privadas na composição do capital social.
c) As fundações públicas possuem natureza jurídica de direito privado e sua criação prescinde
autorização legislativa.
d) O estatuto da empresa pública deverá observar regras de governança corporativa, de
transparência e de estruturas, práticas de gestão de riscos e de controle interno.
e) A agência reguladora não precisa indicar os pressupostos de fato e de direito que motivam a
expedição de seus atos normativos.
24. VUNESP/EBSERH - Advogado – 2020
A respeito do regime jurídico aplicável às empresas públicas, assinale a alternativa correta.
a) As empresas públicas exploradoras de atividade econômica são dispensadas da obrigação de
realizar licitação para contratar.
b) O pessoal das empresas públicas rege-se pela Consolidação das Leis do Trabalho ou por
estatuto próprio.
c) As empresas públicas que explorem atividade econômica não se submetem aos princípios da
Administração Pública.
d) As empresas públicas federais submetem-se ao controle administrativo denominado
supervisão ministerial.
e) O Poder Judiciário pode exercer controle interno de atos, atividades e omissões de empresas
públicas, por meio de ações judiciais.
25. Vunesp/Pref. Campinas - Auditor Fiscal - 2019

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As empresas públicas e sociedade de economia mista:


a) são pessoas jurídicas de direito privado, integrantes da Administração indireta, sujeitas ao
princípio constitucional da prévia nomeação por concurso público para o provimento do seu
quadro de pessoal.
b) são entidades da Administração indireta, instituídas pelo poder público, mediante
personificação de um patrimônio, para o desempenho de atividades sociais.
c) são pessoas jurídicas de direito público integrantes da Administração indireta que possuem
capital público e privado.
d) embora integrantes da Administração direta, tais empresas seguem o regime jurídico próprio
das empresas privadas.
e) são pessoas jurídicas de direito público integrantes da Administração direta e seus
empregados são contratados pelo Regime Geral de Previdência Social.
26. VUNESP - Encarregado do Setor de Licitação (UNIFAI) /2019
Suponha que um Município pretenda instituir, vinculada a sua estrutura, uma pessoa jurídica
responsável pela elaboração de projetos de infraestrutura, razão pela qual opta por criar uma
empresa pública com tal propósito. Para tanto, observa que tais entidades são dotadas de certas
particularidades, que deverão ser obedecidas no seu processo de constituição e funcionamento.
A respeito do assunto, é correto afirmar que
a) a criação da empresa pública depende de autorização legal, devendo ter o seu capital social
integralizado exclusivamente por entidades componentes da Administração Pública direta ou
indireta.
b) por estar submetida a um regime jurídico de direito privado, a empresa pública pode efetuar,
em regra, contratações de pessoal sem a prévia realização de concurso público.
c) a empresa pública deverá ser criada por lei, que conterá todos as disposições necessárias para
o seu funcionamento.
d) a empresa pública estará hierarquicamente submetida à Administração Direta, sendo o
processo de criação de entidades na administração indireta denominado de “desconcentração
administrativa”.
e) a empresa pública estará sujeita a um regime de direito privado, podendo ter o seu capital
social integralizado por particulares.
27. FCC/AL-AP – Analista Legislativo - 2020
Acerca das fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, a Constituição Federal de 1988
dispõe:
a) Compete ao Tribunal de Contas julgar as contas dos administradores e demais responsáveis
por dinheiros, bens e valores públicos da administração direta e indireta, excluídas as fundações,
que possuem conselho fiscal para esse fim.
b) Aplica-se as imunidades tributárias, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços
vinculados às suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes.

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c) Somente por lei específica poderá ser criada autarquia e fundação, e autorizada a instituição de
empresa pública e de sociedade de economia mista, cabendo à lei complementar, neste último
caso, definir as áreas de sua atuação.
d) A proibição de acumulação remunerada de cargos, empregos e funções públicas aplica-se
apenas às fundações de direito público e não às de direito privado.
e) O afastamento eleitoral previsto no art. 38 da Constituição Federal de 1988 não se aplica aos
servidores públicos da administração fundacional, apenas aos que atuam na administração direta
e autárquica.
28. FCC/Câmara de Fortaleza - Agente - 2019
O Estado X pretende criar uma entidade da Administração Indireta, para desempenho de
funções tipicamente estatais. Sabe-se que a existência legal da referida entidade não depende
de inscrição de seus atos constitutivos no registro civil de pessoas jurídicas ou na junta comercial.
Diante de tais características, tal entidade é uma
(A) empresa pública.
(B) autarquia.
(C) sociedade de economia mista.
(D) fundação de direito privado.
(E) empresa privada paraestatal.
29. FCC/Pref. S.J. Rio Preto – Auditor Fiscal - 2019
A descentralização no âmbito da Administração pública opera-se de várias formas, sendo um de
seus exemplos a
(A) criação de órgãos no âmbito da estrutura da Administração, com plexo de atribuições
específicas e dotados de autonomia funcional.
(B) delegação de serviços públicos a particulares, mediante permissão ou concessão, como
modalidade de descentralização por colaboração.
(C) instituição, por lei, de empresas públicas sujeitas ao regime jurídico de direito privado,
exclusivamente em relação às obrigações fiscais.
(D) instituição de autarquias, como expressão da especialização da atuação da Administração,
que podem possuir natureza pública ou privada, conforme previsto na lei instituidora.
(E) criação de organizações sociais, instituídas mediante contrato de gestão, para atuarem como
delegatárias na prestação de serviços públicos ou atividades de interesse público.
30. FCC/Metrô-SP – Analista – Administração - 2019
Vide a seguinte norma, extraída do Decreto-lei no 200/1967, que ainda hoje baliza vários dos
institutos da Administração Pública brasileira:
“Art. 10. A execução das atividades da Administração Federal deverá ser amplamente I .
§ 1o A II será posta em prática em três planos principais:

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a) dentro dos quadros da Administração Federal, distinguindo-se claramente o nível de direção


do de execução;
b) da Administração Federal para a das unidades federadas, quando estejam devidamente
aparelhadas e mediante convênio;
c) da Administração Federal para a órbita privada, mediante contratos ou concessões”.
Preenchem correta e respectivamente as lacunas I e II do texto acima:
(A) privatizada e privatização
(B) securitizada e securitização
(C) descentralizada e descentralização
(D) desconcentrada e desconcentração
(E) terceirizada e terceirização
31. FCC/TRF-3 - Técnico Judiciário - 2019
Para maior especialização na execução de atividades de sua competência, os entes políticos
podem promover a criação de entidades descentralizadas, que comporão a chamada
Administração Indireta. No tocante à Administração Indireta,
(A) a empresa pública é entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com
patrimônio próprio e capital exclusivamente estatal, devendo revestir-se obrigatoriamente da
forma de sociedade anônima.
(B) as entidades da Administração Indireta que sejam dotadas de personalidade jurídica de
direito privado, em vista da maior flexibilidade do seu regime jurídico, são dispensadas de fazer
licitação para realizar suas contratações.
(C) somente por lei federal poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa
pública, de sociedade de economia mista e de fundação, seja qual for o ente político envolvido.
(D) a empresa pública, a sociedade de economia mista e as respectivas subsidiárias, que
explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de
serviços, estão sujeitas a regime de licitação e contratação pública idêntico ao aplicável aos
órgãos da Administração Direta e às entidades de direito público, como as autarquias.
(E) a vedação constitucional à acumulação de cargos, empregos e funções públicas abrange
também as autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista, suas
subsidiárias e sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo poder público.
32. FCC/DETRAN-SP – Oficial de Trânsito – 2019
A Administração pública de determinado estado da federação está estruturada de forma
descentralizada. Isso significa que
a) foi editada lei específica criando empresas públicas e sociedades de economia mista, que
podem prestar serviços públicos mas não integram a Administração indireta por possuírem
natureza jurídica de direito privado.

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b) a Administração pública delegou integralmente suas competências e atribuições para os entes


que integram a Administração indireta.
c) foram constituídas pessoas jurídicas, integrantes da Administração indireta, às quais foram
conferidas atribuições originalmente de competência da Administração central.
d) foram criadas autarquias, fundações e empresas públicas, pessoas jurídicas dotadas de
personalidade jurídica própria e com natureza jurídica de direito público.
e) a Administração pública foi autorizada por lei ou decreto a criar, mediante lei específica,
autarquias, pessoas jurídicas de direito público que executam serviços públicos.
33. FCC/ DPE-RS - Defensor Público - 2018
Acerca da desconcentração e descentralização, é correto afirmar:
a) A descentralização se consubstancia na transferência de poderes e atribuições para um sujeito
de direito distinto e autônomo.
b) A criação de uma autarquia se consubstancia em uma desconcentração.
c) Ocorre descentralização quando há criação de um Ministério pelo Presidente da República,
atribuindo-lhe parcela de competência que, até então, era sua.
d) Na desconcentração nunca haverá a criação de novos órgãos públicos.
e) A distribuição interna de competências é hipótese de descentralização.
34. FCC/ DPE-AM – Assistente Técnico de Defensoria – Assistente Técnico Administrativo –
2018
Considere que determinado Município do Estado do Amazonas entendeu por bem criar
estruturas despersonalizadas e regionalizadas, integrantes de sua Secretaria da Saúde, destinadas
à dispensação de medicamentos à população. A decisão considerou a grande dimensão
territorial e densidade demográfica da urbe, o que permitiu concluir que a partição de
competências racionalizaria e tornaria mais adequada a prestação do serviço público de saúde à
população. As repartições regionalizadas em questão são exemplo de
a) desconcentração, sendo que os órgãos criados, a despeito de integrarem a estrutura da
Administração direta, respondem pessoalmente por seus atos, podendo, como regra, figurar no
polo passivo de ações.
b) desconcentração, técnica por meio da qual a Administração cria órgãos destituídos de
personalidade jurídica, que compõem a hierarquia da Administração direta.
c) descentralização, técnica por meio da qual a Administração cria órgãos com personalidade
jurídica própria, que passam integrar sua Administração indireta.
d) relação desenvolvida com o denominado terceiro setor, que passa a integrar a Administração,
gerindo equipamentos públicos.
e) descentralização, técnica por meio da qual a Administração cria pessoas jurídicas com
personalidade jurídica própria, mas subordinadas hierarquicamente à Administração central.
35. FCC/ TRF - 5ª REGIÃO - Analista Judiciário – Área Administrativa – 2017

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Aula 04

A estruturação da Administração pública em Administração direta e indireta traz implicações para


o exercício das atividades que devem ser disponibilizadas aos administrados, direta ou
indiretamente. Para tanto,
a) as pessoas jurídicas que integram a Administração indireta são dotadas dos mesmos poderes
típicos da Administração indireta, a exemplo do poder de polícia, com a peculiaridade de que
todos os aspectos de seu exercício devem estar expressamente previstos em lei.
b) a Administração central remanesce exercendo o poder hierárquico sobre as pessoas jurídicas
que integram a Administração indireta, como forma de garantir o alinhamento do escopo
institucional desses entes com as diretrizes do Poder Executivo.
c) o poder normativo inerente ao Chefe do Poder Executivo não pode ser delegado aos entes
que integram a Administração indireta, independentemente da matéria ou da natureza jurídica
dos mesmos, por se tratar de competência exclusiva.
d) os entes que integram a Administração pública indireta ficam adstritos ao escopo institucional
previsto nas leis ou atos que os instituíram, cabendo à Administração Central o acompanhamento
dessa atuação, no regular exercício do poder de tutela, que não implica, contudo, ascendência
hierárquica sobre os mesmos, salvo expressa disposição nesse sentido.
e) a discricionariedade, inerente à atuação da Administração pública direta, não se estende aos
entes que integram a Administração pública indireta, cuja atuação deve vir prevista em lei, à
exceção das agências reguladoras, que exercem poder normativo autônomo.
36. FCC/ TRE-SP - Analista Judiciário – Área Administrativa – 2017
A Administração pública, quando se organiza de forma descentralizada, contempla a criação de
pessoas jurídicas, com competências próprias, que desempenham funções originariamente de
atribuição da Administração direta. Essas pessoas jurídicas,
a) quando constituídas sob a forma de autarquias, podem ter natureza jurídica de direito público
ou privado, podendo prestar serviços públicos com os mesmos poderes e prerrogativas que a
Administração direta.
b) podem ter natureza jurídica de direito privado ou público, mas não estão habilitadas a
desempenhar os poderes típicos da Administração direta.
c) desempenham todos os poderes atribuídos à Administração direta, à exceção do poder de
polícia, em qualquer de suas vertentes, privativo da Administração direta, por envolver limitação
de direitos individuais.
d) quando constituídas sob a forma de autarquias, possuem natureza jurídica de direito público,
podendo exercer poder de polícia na forma e limites que lhe tiverem sido atribuídos pela lei de
criação.
e) terão natureza jurídica de direito privado quando se tratar de empresas estatais, mas seus bens
estão sujeitos a regime jurídico de direito público, o que também se aplica no que concerne aos
poderes da Administração, que desempenham integralmente, especialmente poder de polícia.
37. FCC/ AL-MS – Agente de Apoio Legislativo - 2016
Determinado ente federado pretende descentralizar serviço público de sua competência
transferindo-o para pessoa jurídica de direito público. Para tanto,

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Aula 04

a) deverá criar por lei específica autarquia, que passará a integrar a Administração indireta do
Estado.
b) poderá instituir autarquia ou empresa pública, ambas por lei autorizativa, devendo, no entanto,
motivar sua decisão.
c) deverá instituir por lei autarquia, que passará integrar a Administração direta do Estado.
d) poderá instituir autarquia, empresa pública ou sociedade de economia mista, a primeira por
lei, as demais por atos próprios, após a edição de lei autorizativa da instituição.
e) deverá criar por lei geral autarquia, que passará a integrar a Administração indireta do Estado.
38. FCC/ TCE-SP – Auxiliar da Fiscalização Financeira II - 2015
O conceito de Administração pública pode ser estabelecido a partir do critério objetivo ou
subjetivo. Conforme esclarece Maria Sylvia Zanella di Pietro, pode-se definir Administração
Pública, em sentido subjetivo, como o conjunto de órgãos e pessoas jurídicas aos quais a lei
atribui o exercício da função administrativa do Estado. Nesse contexto, a atividade de
organização da Administração pública pode compreender a
a) extinção de órgãos públicos, como medida de reorganização administrativa e redução de
custos, por ato do Chefe do Executivo.
b) criação de órgãos públicos, independentemente de lei, como expressão da desconcentração
administrativa.
c) instituição, por lei específica, de empresa pública, como expressão da desconcentração por
serviços.
d) extinção de cargos públicos, quando vagos, por ato do Chefe do Executivo, como medida de
organização e funcionamento da Administração.
e) delegação de serviço público a sociedade de economia mista, como expressão de
desconcentração funcional.
39. FCC/ TCE-CE – Conselheiro Substituto (Auditor) – 2015
Conforme esclarece Maria Sylvia Zanella di Pietro, em sentido objetivo, a Administração Pública
abrange as atividades exercidas pelas pessoas jurídicas, órgãos e agentes incumbidos de atender
concretamente às necessidades coletivas; corresponde à função administrativa, atribuída
preferencialmente aos órgãos do Poder Executivo (In: Direito Administrativo, Atlas, 18. ed., p.
59).
Para o exercício da função administrativa, afigura-se necessária a distribuição de competências, o
que é feito mediante descentralização ou desconcentração, correspondendo esta última à
a) transferência de competências de uma pessoa jurídica para outra.
b) distribuição de competências dentro de uma mesma pessoa jurídica.
c) criação de entidade autônoma para exercício da atividade destacada.
d) delegação de competências do ente central para os entes federados.

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e) fixação de competências entre diferentes entes, emanada diretamente da Constituição


Federal.
40. FCC/ TRT - 15ª Região (SP) - Analista Judiciário – Área Judiciária - Oficial de Justiça
Avaliador Federal
As pessoas jurídicas que integram a Administração indireta, independentemente de sua natureza
jurídica, submetem-se aos princípios que regem a Administração pública. No que se refere à
relação com a Administração direta,
a) os entes que integram a Administração indireta possuem personalidade jurídica própria e são
dotados de autogestão e autoadministração, não obstante possa haver dependência financeira.
b) os atos editados pelas pessoas jurídicas de direito público que integram a Administração
indireta sujeitam-se à anulação ou revogação pela Administração Central, de ofício ou a pedido,
como expressão do poder de tutela.
c) as empresas estatais submetidas ao regime jurídico de direito privado não se sujeitam ao
poder de tutela da Administração central, sendo independentes administrativa, orçamentária e
financeiramente.
d) as organizações sociais e as organizações da sociedade civil de interesse público, quando
integrantes da Administração indireta, submetem-se ao poder de tutela da Administração central
e, portanto, ao controle finalístico exercido pela mesma, possibilitando o desfazimento de atos
que violem a legalidade.
e) as autarquias, como pessoas jurídicas de direito público, admitem a revisão de seus atos
diretamente pela Administração central, desde que seja constatado vício de legalidade ou desvio
de finalidade, como decorrência lógica do poder de tutela.
41. FCC/ DPE-RS – Analista – Economia - 2017
A organização administrativa estruturada em administração direta e indireta pressupõe a
existência de pessoas jurídicas com personalidade jurídica e competências próprias, que
possuem características comuns, a exemplo
a) da necessidade de serem criadas por lei, na qual estarão previstas todas as competências,
obrigações e escopo de atuação, não dependendo de outros atos para serem formalmente
instituídas.
b) da submissão a regime jurídico de direito privado, ainda que possam contar com participação
pública em sua formação, como os consórcios públicos, as sociedades de economia mista, as
fundações e as autarquias especiais.
c) da submissão a regime celetista ou estatutário, à semelhança do que se admite para a
Administração direta, que conta com a dualidade de regimes jurídicos para seus servidores.
d) do controle externo a que se submetem, tal qual o exercido pelo Poder Judiciário e pelos
Tribunais de Contas, estes últimos que analisam critérios de legalidade dos atos e negócios da
Administração, mas também examinam aspectos de economicidade.
e) do regime de execução próprio, sujeito a expedição de precatórios a serem pagos em ordem
cronológica, respeitados os débitos de pequeno valor, dotados de preferência, a fim de aplicação
do princípio da isonomia em relação aos credores.

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42. FCC/ ARTESP – Especialista em Regulação de Transporte III – Direito - 2017


A Administração pública direta contrata seus servidores
a) por meio de concurso público, para ocupação de cargos e empregos públicos, a depender da
política pública em vigor na época da contratação.
b) por meio de concurso público, submetendo-se os aprovados e nomeados à existência de
recursos financeiros para pagamento.
c) para empregos públicos para as chamadas funções meio, e cargos públicos para funções de
confiança e os demais casos.
d) pelo mesmo processo formal que os dispensa, com instauração de processo administrativo,
célere e informal, diferindo-se os pagamentos iniciais para fase posterior à efetivação dos
funcionários.
e) por meio de concurso público, para ocupação de cargos públicos efetivos, admitindo-se o livre
provimento para ocupação de funções de confiança com as finalidades de chefia, direção e
assessoramento.
43. FCC/ TRE-SP - Técnico Judiciário – Área Administrativa - 2017
O controle exercido pela Administração direta sobre a Administração indireta denomina-se
a) poder de tutela e permite a substituição de atos praticados pelos entes que integram a
Administração indireta que não estejam condizentes com o ordenamento jurídico.
b) poder de revisão dos atos, decorrente da análise de mérito do resultado, bem como em
relação aos estatutos ou legislação que criaram os entes que integram a Administração indireta.
c) controle finalístico, pois a Administração direta constitui a instância final de apreciação, para
fins de aprovação ou homologação, dos atos e recursos praticados e interpostos no âmbito da
Administração indireta.
d) poder de tutela, que não pressupõe hierarquia, mas apenas controle finalístico, que analisa a
aderência da atuação dos entes que integram a Administração indireta aos atos ou leis que os
constituíram.
e) poder de autotutela, tendo em vista que a Administração indireta integra a Administração
direta e, como tal, compreende a revisão dos atos praticados pelos entes que a compõem
quando não guardarem fundamento com o escopo institucional previsto em seus atos
constitutivos.
44. FCC/ ALESE – Técnico Legislativo – Técnico – Administrativo – 2018
No que concerne aos órgãos públicos, é correto afirmar:
a) A criação e extinção dos órgãos públicos independem de lei.
b) No desempenho das atividades inerentes a sua competência, os órgãos públicos atuam em
nome da pessoa jurídica de que fazem parte.
c) Os órgãos públicos têm personalidade jurídica própria.
d) A regra geral é a de que os órgãos públicos detêm capacidade processual.

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e) Os órgãos públicos são unidades de atuação integrantes apenas da estrutura da Administração


direta, haja vista que as unidades de atuação integrantes da estrutura da Administração indireta
denominam-se entidades.
45. FCC/ TRT - 24ª REGIÃO (MS) - Analista Judiciário – Área Administrativa – 2017
Quanto à estrutura, os órgãos públicos podem ser classificados em simples, também
denominados de unitários, e compostos. Acerca do tema, considere:
I. São constituídos por um único centro de atribuições.
II. Possuem subdivisões internas.
III. São exemplos de tais órgãos, as Secretarias de Estado.
IV. São exemplos de tais órgãos, os Ministérios.
No que concerne às características e exemplos de órgãos simples ou unitários, está correto o
que se afirma APENAS em
a) I e IV.
b) I e II.
c) II e III.
d) IV.
e) I.
46. FCC/ TRT - 6ª Região (PE) - Técnico Judiciário – Área Administrativa - 2018
Na hipótese de a Administração pública estadual pretender descentralizar serviço de sua
competência para atribuí-lo a pessoa jurídica ainda inexistente, sujeita a regime jurídico
administrativo e com personalidade de direito público,
a) deve criar por lei específica autarquia, que passará a integrar a Administração pública indireta
estadual.
b) deve obter autorização legislativa para criar autarquia, que integrará a Administração pública
direta.
c) pode criar autarquia ou empresa pública, a primeira instituída por lei e a segunda pelo registro
de seus atos constitutivos, ambas integrantes da Administração pública indireta.
d) pode escolher entre criar autarquia, empresa pública ou sociedade de economia mista, todas
por lei específica, a última por lei complementar e as três integrantes da Administração pública
indireta.
e) deve criar por lei específica autarquia, que passará a integrar a Administração pública direta
estadual juntamente com o ente instituidor.
47. FCC/ ALESE – Técnico Legislativo – Técnico Administrativo – 2018
Considere: Y é empresa pública federal e Z é sociedade de economia mista, também de âmbito
federal. Levando em conta as características de tais entidades,
a) ambas poderão revestir-se de qualquer das formas admitidas em direito.

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b) Y deve, obrigatoriamente, estar estruturada sob a forma de sociedade anônima.


c) ambas admitem a presença de pessoas da iniciativa privada em seu capital.
d) apenas a empresa Y apresenta a característica da vinculação aos fins definidos na lei
instituidora.
e) o capital de Z poderá ser formado da conjugação de recursos oriundos das pessoas de direito
público ou de outras pessoas administrativas, de um lado, e de recursos da iniciativa privada, de
outro.
48. FCC/ DPE-AM – analista em Gestão Especializado de Defensoria – Administração – 2018
As entidades integrantes da Administração pública possuem diferentes características e
contornos jurídicos, muitos atrelados à própria finalidade por elas desempenhada e ao objeto
cometido a cada uma. Nesse sentido, as
a) fundações possuem necessariamente personalidade de direito público, não se submetendo às
regras do Código Civil.
b) autarquias podem ser constituídas com personalidade de direito público ou privado, a
depender da atividade desempenhada.
c) sociedades de economia mista, mesmo quando atuam em regime de competição no mercado,
integram a Administração indireta.
d) empresas públicas se submetem integralmente ao regime jurídico de direito público, seja na
atividade meio ou na atividade fim.
e) organizações sociais, quando vinculadas ao poder público mediante contrato de gestão
passam a integrar a Administração indireta.
49. FCC/ TRE-PR - Analista Judiciário – Área Judiciária - 2017
No que se refere aos entes que integram a Administração pública indireta e o controle externo a
que estão sujeitos,
a) todos se submetem ao controle exercido pelos Tribunais de Contas, mas os dirigentes das
autarquias e fundações sujeitam-se também pessoalmente à imposição de multa, o que não se
aplica aos dirigentes de pessoas jurídicas de direito privado.
b) as empresas públicas sujeitam-se integralmente ao mesmo nível e extensão de controle que as
autarquias, o que não se aplica às sociedades de economia mista, que se sujeitam apenas a
controle finalístico de resultados pelos órgãos de controle externo.
c) somente o Judiciário pode analisar integralmente os atos e negócios realizados pelas pessoas
jurídicas, restando o exame da conduta dos administradores aos Tribunais de Contas.
d) seus dirigentes não se sujeitam a responsabilização pessoal ou sanção individualizada perante
os Tribunais de Contas ou Poder Judiciário, possibilidade restrita aos gestores da Administração
direta.
e) seus dirigentes podem ser sancionados pelos Tribunais de Contas, com imposição de multa,
caso infrinjam dispositivo normativo que assim comine, independentemente da imputação de
responsabilidade e consequências às pessoas jurídicas que representam.

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50. FCC/ TCE-CE – Analista de Controle Externo – Atividade Jurídica - 2015


O governador do Estado Y entendeu pela necessidade de instituição de uma pessoa jurídica de
direito privado, com capital exclusivamente público, que realizasse a prestação de serviços, nos
moldes da iniciativa privada, de interesse da coletividade local, cuja autorização para sua criação
se realizasse por lei específica. Tais características são próprias das
a) empresas públicas.
b) sociedades de economia mista.
c) autarquias.
d) organizações sociais.
e) fundações públicas
51. FCC/ ALESE – Técnico Legislativo – Técnico Administrativo – 2018
Considere:
I. Desempenham serviço público descentralizado.
II. Sujeitam-se a controle administrativo exercido nos limites da lei.
III. Respondem diretamente pelos seus atos, ou seja, apenas no caso de exaustão de seus
recursos é que irromperá responsabilidade do Estado.
IV. Não detêm capacidade de autoadministração, haja vista que tal função é considerada
exclusiva do Estado.
No que concerne às características das autarquias, está correto o que consta em
a) I, II, III e IV.
b) I, II e IV, apenas.
c) II e III, apenas.
d) I, II e III, apenas.
e) III e IV, apenas.
52. FCC/ PGE-TO - Procurador do Estado - 2018
O Governo do Estado pretende instituir uma entidade dedicada a prestar serviços relacionados
ao turismo no Estado e encaminha à Assembleia Legislativa o respectivo projeto de lei
autorizativa. Sabe-se que tal entidade terá capital social dividido em quotas. O Governo estadual
criará uma
a) sociedade de economia mista.
b) autarquia.
c) fundação de direito privado.
d) associação pública.
e) empresa pública.

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53. FCC/ ARTESP – Especialista em Regulação de Transporte I – Direito – 2017


Maria Sylvia Zanella di Pietro conceitua agência reguladora, em sentido amplo como sendo
qualquer órgão da Administração Direta ou entidade da Administração Indireta com função de
regular a matéria específica que lhe está afeta (in: Direito Administrativo, Atlas, 18. ed., p. 414).
Mais adiante, cita o magistério de Calixto Salomão Filho, que destaca que a regulação, em
sentido amplo, engloba toda a forma de organização da atividade econômica através do Estado,
seja a intervenção através da concessão de serviço público ou o exercício do poder de polícia (p.
415). Nesse sentido, de acordo com o ordenamento jurídico pátrio,
a) apenas as agências reguladoras que exercem poder de polícia possuem poder normativo,
sempre limitado a aspectos técnicos de sua área de atuação.
b) as agências reguladoras que controlam as atividades objeto de concessão de serviço público
desempenham, nos termos da lei que as institui, atribuições de poder concedente.
c) as agências reguladoras constituídas sob a forma de autarquias de regime especial gozam de
autonomia e suas decisões não são passíveis de controle pelo Poder Judiciário.
d) apenas as agências reguladoras previstas na Constituição Federal gozam de autonomia
administrativa e orçamentária – financeira, que inclui mandato para seus dirigentes.
e) as agências reguladoras não integram o Poder Executivo, possuindo natureza de entes
autônomos e soberanos, sujeitos, apenas, ao controle do Poder Legislativo e Tribunal de
Contas.
54. FCC/ PGE-MT - Procurador do Estado – 2016
O Estado X pretende criar estrutura administrativa destinada a zelar pelo patrimônio ambiental
estadual e atuar no exercício de fiscalização de atividades potencialmente causadoras de dano ao
meio ambiente. Sabe-se que tal estrutura terá personalidade jurídica própria e será dirigida por
um colegiado, com mandato fixo, sendo que suas decisões de caráter técnico não estarão
sujeitas à revisão de mérito pelas autoridades da Administração Direta. Sabe-se também que os
bens a ela pertencentes serão considerados bens públicos. Considerando-se as características
acima mencionadas, pretende-se criar uma
a) agência reguladora, pessoa de direito público, cuja criação se dará diretamente por lei.
b) agência executiva, órgão diretamente vinculado ao Poder Executivo, cuja criação se dará
diretamente por lei.
c) associação pública, pessoa de direito privado, cuja criação será autorizada por lei e se efetivará
com a inscrição de seus atos constitutivos no registro competente.
d) agência executiva, entidade autárquica de regime especial, estabelecido mediante assinatura
de contrato de gestão.
e) fundação pública, pessoa de direito privado, cuja criação será autorizada por lei e se efetivará
com a inscrição de seus atos constitutivos no registro competente.
55. FCC/ PGE-MT – Analista – Bacharel em Direito – 2016
O Estado do Mato Grosso deseja instituir uma fundação. Nesse caso, a Constituição Federal
exige que a autorização de sua instituição e a definição das áreas de sua atuação,
respectivamente, devem ser estabelecidas mediante

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a) lei específica e lei complementar.


b) lei complementar e lei específica.
c) lei específica e lei específica.
d) lei complementar e lei complementar.
e) lei específica e lei delegada.
56. FCC/ TRT - 6ª Região (PE) – Juiz do Trabalho Substituto – 2015
Uma fundação pública que tem como finalidade a pesquisa e desenvolvimento de medicamentos
e tratamentos na área de saúde pública apresentou ao Ministério da Saúde um plano estratégico
de reestruturação e desenvolvimento institucional, objetivando a ampliação de sua autonomia.
De acordo com as disposições constitucionais e legais aplicáveis, a referida fundação poderá
a) ser declarada, por Portaria do Ministro da Saúde, fundação de apoio e amparo à pesquisa, que
poderá celebrar contratos de gestão para prestação de serviços à Administração pública, com
dispensa de licitação.
b) ter a sua autonomia ampliada mediante a edição de lei específica, que altere sua natureza para
agência reguladora ou agência executiva.
c) ter sua natureza alterada mediante atribuição de qualificação, por decreto governamental, de
fundação de apoio à pesquisa, passando a caracterizar-se como fundação privada.
d) ser alçada à categoria de agência reguladora, mediante a adequação de seus estatutos para
refletir o grau de autonomia compatível com tal categorização.
e) celebrar contrato de gestão com o Ministério da Saúde, com a fixação de metas de
desempenho, recebendo, por ato do Presidente da República, a qualificação de agência
executiva.
57. FCC/SPPREV – Técnico - 2019
A Administração pública de determinado ente federado está reorganizando sua estrutura,
abrangendo a Administração indireta. Nesse campo, promoveu levantamento das empresas
estatais existentes no ente federado e decidiu por extinguir aquelas que não tivessem mais
finalidade social aderente à linha de governo, bem como as deficitárias. Para tanto,
(A) deverá liquidar todas as despesas da empresa e alienar seu patrimônio antes de solicitar
autorização legislativa para decretar a extinção da mesma.
(B) será necessária prévia realização de licitação para eventual identificação de interessados na
aquisição do capital social da empresa, sendo autorizada a extinção apenas diante da inexistência
de licitantes.
(C) deverá editar ato de mesma natureza do que promoveu a criação da empresa, ou seja,
decreto ou lei.
(D) será necessária autorização legislativa, inclusive para, por exemplo, indicar o destino de seu
patrimônio, caso não pretenda que reverta à Administração central.

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(E) poderá providenciar o encerramento das atividades na mesma linha aplicada às empresas
privadas, não sendo necessária autorização prévia, exigida apenas para a instituição das referidas
pessoas jurídicas.
58. FCC/SPPREV – Técnico - 2019
As empresas estatais criadas pelos entes federados
(A) são regidas pelo direito privado, porque constituídas na forma prevista na legislação civil, não
se sujeitando a controle externo dos Tribunais de Contas.
(B) são sujeitas ao regime jurídico típico das empresas privadas, o que não afasta a possibilidade
de controle finalístico de seus atos pela Administração direta e de controle pelas Cortes de
Contas.
(C) dependem de prévia autorização legislativa para definição de seu escopo de atuação e
regime jurídico aplicável, público ou privado.
(D) podem ter personalidade jurídica de direito público ou privado, característica que não
interfere na impenhorabilidade do patrimônio das mesmas.
(E) sujeitam-se ao princípio da obrigatoriedade de licitação, à semelhança das autarquias e sob o
mesmo regime legal, aplicável a todos os entes que integram a Administração indireta.
59. FCC/ TRT - 15ª Região (SP) - Técnico Judiciário – Área Administrativa – 2018
A constituição de uma pessoa jurídica para integrar a Administração indireta depende
a) de autorização legislativa para instituição, no caso das sociedades de economia mista, cujo
regime jurídico típico de direito privado não afasta a necessidade de se submeter a determinadas
regras e princípios aplicáveis às pessoas jurídicas de direito público.
b) de lei para criação do ente, quando se tratar de empresas estatais de natureza jurídica típica
de direito privado, independente do objeto social, não se lhes aplicando o regime jurídico de
direito público.
c) de lei autorizativa, no caso das autarquias, seguida de afetação de patrimônio e arquivamento
de atos constitutivos segundo a legislação civil vigente.
d) do arquivamento dos atos constitutivos no caso das autarquias, seguido de edição de Decreto
homologatório pelo Chefe do Executivo.
e) de lei autorizativa para criação de qualquer ente, independentemente da natureza jurídica,
fazendo constar como anexo do ato normativo os atos constitutivos da pessoa jurídica.
60. FCC/ TRT - 2ª REGIÃO (SP) - Analista Judiciário – Área Judiciária - 2018
O diretor executivo de uma sociedade de economia mista exploradora de atividade econômica
a) emite ato administrativo sempre que determina ou autoriza uma contratação, precedida ou
não de licitação.
b) tem sua atuação sujeita a controle externo exercido pelo Tribunal de Contas, que não detém
poderes para sustar os contratos administrativos que aquele subscrever em nome da empresa.

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c) submete-se a concurso público para provimento do cargo efetivo que ocupa, que exige vínculo
estatutário.
d) sujeita-se aos princípios que regem a Administração pública, mas não se enquadra no conceito
de agente público para fins de configuração de ato de improbidade administrativa.
e) está sujeito a controle externo e interno, em razão das funções que exerce em pessoa jurídica
de direito público, mas não incide em responsabilização por infração disciplinar ou por ato de
improbidade.
61. FCC/ TRT - 6ª Região (PE) - Analista Judiciário – Oficial de Justiça Avaliador Federal –
2018
A criação de uma empresa estatal deve
a) observar a legislação civil e comercial aplicável à criação de empresas, exceto com relação ao
capital, que nos primeiros seis meses deve pertencer integralmente ao ente público que a criou.
b) ser precedida de autorização legislativa, o que a predicará com regime jurídico de direito
público, inclusive quanto a seus bens e obrigatoriedade de submissão a licitação para todos os
ajustes e contratos que celebrar.
c) ser autorizada em audiência pública a ser realizada para o setor econômico em que vai atuar,
de forma a serem colhidas eventuais impugnações quanto à concorrência desleal.
d) observar a legislação aplicável para instituição de empresas privadas, sem prejuízo de ter sido
previamente autorizada em lei, podendo ser prestadora de serviços públicos ou exploradora de
atividade econômica.
e) ser feita por meio de lei, da qual constarão, como anexo, os atos constitutivos que deverão ser
levados a registro para regular funcionamento, e deverão prever o setor de atuação e o regime
jurídico de exploração da atividade.
62. FCC/ TST - Técnico Judiciário – Área Administrativa - 2017
Determinado Estado da Federação tem investido em diversos projetos de parceria com a
iniciativa privada para obras de infraestrutura, a fim de associar a expertise tecnológica e
operacional do mercado, com a desoneração dos cofres públicos dos investimentos necessários e
para promover a criação de novos empregos. Em razão disso, a Administração pública pretende
criar uma pessoa jurídica integrante de sua Administração indireta, cuja finalidade institucional
seja o desenvolvimento e acompanhamento de diversos projetos, realização de estudos,
estruturação de sistema de garantias, bem como outras providências específicas em matéria de
parcerias. Essa solução poderia ser implementada mediante a
a) instituição de uma autarquia, cuja criação deve ser devidamente autorizada por lei e cuja
gestão pode admitir o regime jurídico de direito privado conforme o escopo de sua atuação, a
exemplo do caso descrito.
b) criação de uma empresa pública, pessoa jurídica de direito público, em razão da constituição
de seu capital social, mas que atua no mercado em regime de paridade com a iniciativa privada,
conferindo a agilidade necessária pela Administração pública.
c) instituição de uma empresa estatal, cujo regime jurídico é próprio das empresas privadas,
fazendo constar da finalidade institucional as atividades pretendidas pela Administração.

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d) criação, por lei, de uma autarquia que, em razão de sua natureza jurídica de direito público,
terá atuação regida pelo direito público, ainda que seu escopo seja típico de atuação da iniciativa
privada, como pretendido pela Administração pública.
e) instituição de uma sociedade de economia mista, pessoa jurídica de direito privado, cujo
controle do capital pertence integralmente ao ente que a instituiu, sujeita ao regime de
competição de mercado, independentemente de seu objeto social e finalidade institucional.
63. FCC/ DPE-RS - Técnico – Área Administrativa - 2017
Uma empresa pública é proprietária de dois galpões onde armazenava o maquinário utilizado nas
obras que realizava. Esse maquinário, com o passar do tempo, foi substituído por itens mais
modernos, de forma que a empresa se desfez desses bens. Os galpões, dessa forma, ficaram
vazios, o que levou a direção da empresa a decidir alienar os imóveis para investimento do
capital. Enquanto tramitava o processo interno para autorização da alienação, os referidos bens
foram penhorados em ações judiciais que tramitavam para recebimento de dívidas não pagas. A
empresa
a) pode impor ao juízo a impenhorabilidade de seus bens, tendo em vista que se trata de
empresa pública integrante da Administração direta e, como tal, prestante ao desempenho de
serviços públicos.
b) pode prosseguir com o processo de autorização da alienação, tendo em vista que, em razão
da impenhorabilidade de seus bens, a penhora lavrada é nula e não produz efeitos.
c) não possui fundamento para alegar a impenhorabilidade de seus bens, em face de se tratar de
pessoa jurídica de direito privado e dos galpões estarem sem qualquer afetação à prestação de
serviços públicos.
d) tem personalidade jurídica de direito privado, mas seus bens sujeitam-se a regime jurídico de
direito público, como forma de tutelar o erário público, tendo em vista que o ente público
criador da empresa é seu acionista majoritário.
e) tem personalidade jurídica de direito público, mas seus bens sujeitam-se a regime jurídico
híbrido, de forma que são impenhoráveis quando afetados à prestação de serviços públicos ou a
alguma outra atividade de interesse público.
64. FCC/ SEGEP-MA – Auditor Fiscal da Receita Estadual – Administração Tributaria – 2016
São exemplos de empresa pública e sociedade de economia mista, respectivamente:
a) Banco do Brasil S.A. e Caixa Econômica Federal.
b) Agência Nacional de Energia Elétrica e Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.
c) Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e Caixa Econômica Federal.
d) Companhia Nacional de Abastecimento e Banco do Brasil S.A.
e) Banco do Brasil S.A. e Companhia Nacional de Abastecimento.
65. FCC/ SEGEP-MA – Procurador do Estado – 2016
Uma empresa pública e uma sociedade de economia mista, ambas dedicadas à atividade
bancária e controladas pelo mesmo ente político, decidem, por seus órgãos deliberativos

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competentes, promover conjuntamente a criação de uma outra entidade, voltada a prestar


serviços de tecnologia da informação necessários à automação de suas respectivas
atividades-fim. A previsão é de que tal entidade contará com a participação de capital privado
em sua composição acionária. Em vista de tais características, é certo tratar-se de
a) parceria público-privada, na modalidade de concessão administrativa, em que as empresas
que promoveram a criação da nova entidade serão usuárias dos serviços por ela prestados.
b) consórcio público, na modalidade de direito privado, sendo que será constituído por contrato
cuja celebração dependerá da prévia subscrição de protocolo de intenções pelas entidades
partícipes.
c) sociedade em comandita por ações, sendo que as empresas estatais figurarão como sócios
comanditados e os eventuais acionistas privados serão os sócios comanditários.
d) agência executiva, visto que se trata de entidade com a finalidade específica de executar
tarefas de forma descentralizada.
e) sociedade subsidiária, sendo que sua criação depende de prévia autorização legislativa.

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GABARITOS
23. D 45. C
1. D 24. 46.
D A
2. A 25. 47.
A E
3. A 26. 48.
A C
4. D 27. 49.
B E
5. C 28. 50.
B A
6. C 29. 51.
B D
7. A 30. 52.
C E
8. E 31. 53.
E B
9. B 32. 54.
C A
10. C 33. 55.
A A
11. D 34. 56.
B E
12. B 35. 57.
D D
13. D 36. 58.
D B
14. B 37. 59.
A A
15. B 38. 60.
D B
16. D 39. 61.
B D
17. C 40. 62.
C C
18. E 41. 63.
D C
19. E 42. 64.
E D
20. D 43. 65.
D E
21. A 44. B
22. A

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