Sífilis
a doença de mil faces
Prof. Dr. Lucas Aragão Souza
2025
AGENTE ETIOLÓGICO DA SÍFILIS
Treponema pallidum subspecies pallidum, uma bactéria
Gram-negativa, pertencente da família Spirochataceae;
(PEELING, 2017; CARROLL; RADOLF, 2016)
TRANSMISSÃO DA SÍFILIS
Transmissão via parenteral, sexual, vertical.
(PEELING, 2017; STOLTEY, 2016)
PATOGÊNESE E ASPECTOS CLÍNICOS
DA SÍFILIS
• A sífilis, de acordo com a via de transmissão, é classificada em adquirida
ou congênita.
• Sífilis adquirida classificação por tempo: menor de um ano (sífilis recente),
e maior de um ano (sífilis tardia); longos períodos de latência (sífilis latente)
• Sífilis adquirida classificação por fase: primária, secundária, terciária;
neurosífilis
ASPECTOS CLÍNICOS DA SÍFILIS
SÍFILIS ADQUIRIDA
PRIMÁRIA
• Replicação das espiroquetas nas microlesões provenientes do atrito sexual >
reação inflamatória local > mácula > pápula de cor rósea > ulceração
• Úlcera superficial com base limpa, sem secreção, bordas endurecidas
• Perda tecidual > perda de sensibilidade local > indolor = fator que pode fazer
o agravo passar despercebido e assim não receber tratamento
(WATTS, 2016; CARLSON, 2011)
SÍFILIS ADQUIRIDA PRIMÁRIA
Figure 2 Second visit, 13 days post
the initial presentation.
(a) Worsening lesions on penis.
Multiple 4–5 mm ulcerative
lesions on indurated and
erythematous base.
(b) Painless oral ulcer, first
presentation. Five mm ulceration
with jagged borders over an
erythematous base.
Figure 1 Initial presentation. Multiple
2– 3 mm papules and punched out
ulcerations on an erythematous
base
SÍFILIS ADQUIRIDA PRIMÁRIA
Figure 3 Third visit, 19 days
post the initial visit; 4–5 mm
ulcerative lesions with
circumferential spread of
indurated erythematous
base
• Por volta de quatro a dez semanas sem tratamento ocorre o desaparecimento da lesão ulcerativa sem
deixar cicatriz
SÍFILIS ADQUIRIDA SECUNDÁRIA
• Cerca de seis meses após a remissão do cancro duro, ocorrem as manifestações da fase
secundária da sífilis;
• Estudos alertam da capacidade de mimetização nessa fase, por conta das diversas morfologias
clínicas e histológicas que as lesões cutâneas podem apresentar;
• As lesões apresentam-se de forma superficial, não pruriginosa, podendo estar em toda a
extensão do corpo com aspecto que varia entre macular, maculopapular, folicular e pustular,
hipo e/ou hipercrômicas.
• Alguns sintomas podem surgir como cefaléia, febre, inapetência, linfadenopatia generalizada,
alopécia difusa, erupção e exantema, afetando as regiões palmares e plantares.
(PEELING, 2017; STOLTEY, 2016)
SÍFILIS ADQUIRIDA SECUNDÁRIA
Erythematous papules at the upper back and Syphilis presenting as acneiform eruptions on
upper chest of a 55-year-old homosexual male. the face could be erroneously diagnosed as
The lesions may be mistaken for papular acne. pustular acne.
(Domantay-postol, 2015)
SÍFILIS ADQUIRIDA SECUNDÁRIA
Non-scaly, ill-defined,
erythematous macular
eruptions (roseola syphilica)
on the chest and back of a
27-year-old heterosexual
male resembling viral
exanthem.
(Domantay-postol, 2015)
SÍFILIS ADQUIRIDA SECUNDÁRIA
Large, erythematous, scaly confluent
plaques on the scalp. Similar circular
lesions cross the frontal hair-line and
are indistinguishable from psoriasis.
(Domantay-postol, 2015)
SÍFILIS ADQUIRIDA SECUNDÁRIA
(A, B) Papulosquamous lesions on palms and soles are evident and may
resemble target lesions of erythema multiforme.
(Domantay-postol, 2015)
SÍFILIS ADQUIRIDA
TERCIÁRIA
• De dois a quarenta anos sem tratamento > sífilis pode evoluir para sua fase
terciária;
• Manifestações severas em sistema ósseo, cardiovascular e nervoso, e lesões
com extenso acometimento de pele (gomas) e nodulares, caracterizadas por
úlceras perfurantes com drenagem de material necrótico;
• Atualmente mais comum em indivíduos sem acesso à serviços de saúde.
(WATTS, 2016; CARLSON, 2011)
SÍFILIS ADQUIRIDA TERCIÁRIA
A) Skin Gumma Syphilis
B) B) Skin Gumma Syphilis after Treatment
(COWAN, 2015)
NEUROSÍFILIS
• Video
SÍFILIS GESTACIONAL
E CONGÊNITA
• A sífilis é transmissível de mãe para filho durante a gestação por via
transplacentária
• Rastreio de sífilis é obrigatório nas consultas de pré-natal,
❖ na primeira consulta de pré-natal;
❖ no terceiro trimestre
❖ e na hora do parto
• É preciso melhorar a cobertura do pré-natal no Brasil, para que todas as
gestantes sejam testadas para sífilis.
(WATTS, 2016; CARLSON, 2011)
SÍFILIS GESTACIONAL E CONGÊNITA
• Para que se interrompa a cadeia de transmissão da sífilis é imprescindível
que a(s) parceria(s) sexual(is) das pessoas infectadas (principalmente
gestantes) sejam rastreadas, tratadas e notificadas.
• Entende-se como parcerias sexuais, para fins de comunicação, as pessoas
que o indivíduo infectado tenha se relacionado sexualmente nos últimos 6 a
12 meses
(WATTS, 2016; CARLSON, 2011)
SÍFILIS CONGÊNITA
A principal preocupação
relacionada à sífilis é com
o efeito que
ela possui sobre os
recém-nascidos
• Risco eminente de
morte
• Graves efeitos de
malformação que
podem interferir
irreversivelmente na
qualidade de vida
• dessas crianças
• Fase recente com sinais aparentes no bebê logo após o nascimento ou até os dois anos de vida.
• Fase tardia com sinais aparentes após os dois anos de vida
• Condiloma plano; pênfigo palmo plantar e outras lesões cutâneas;
• Deficiências visual, auditiva, cognitiva;
• Hepatoesplenomegalia; alterações ósseas como fissura orificial e em ossos longos; meningite
assintomática/sintomática;
MANEJO DA(S) PARCERIA(S) SEXUAL(IS)
Comunicação por Cartão
MANEJO DA(S) PARCERIA(S) SEXUAL(IS)
• Em situações da parceria sexual não comparecer à unidade de saúde no prazo de 15 dias,
ou do caso índice não querer entregar o cartão (mas forneça os dados de identificação da
parceria), deve-se realizar a comunicação por meio de correspondência ou outros meios
de comunicação como telefone e e-mail
• Caso o profissional de saúde tenha o endereço da parceria sexual e todas as formas de
comunicação anteriormente apresentadas não forem efetivas, pode-se optar pela
comunicação por busca-ativa, que consiste em ir pessoalmente à residência da pessoa
para marcar a consulta.
• As parcerias sexuais de gestantes com sífilis e as gestantes parceiras de pessoas com
sífilis que não responderem às tentativas de comunicação, devem ser priorizadas
para busca ativa
DIAGNÓSTICO DA SÍFILIS
• Diagnóstico por detecção direta = por ser dependente de um
aparato laboratorial e equipe qualificada, são raramente utilizados
na prática.
• Diagnóstico por exames sorológicos = Os exames que utilizam
sorologia podem ser categorizados como Testes Treponêmicos
(TT) e Testes Não treponêmicos (TNT),
DIAGNÓSTICO
DA SÍFILIS - TESTE TREPONÊMICO (TT)
• Não distinguem sífilis ativa de infecção passada e
por isso precisam ser utilizados juntamente com
um TNT.
• O teste rápido é de baixo custo, exige do
indivíduo basicamente um furo no dedo para
obtenção da amostra de sangue, não necessita
de estrutura/equipamento laboratorial e a
execução e interpretação são simples, fazendo
necessário um breve treinamento prévio para
realizá-los, sendo que o resultado requer 20
minutos para ficar pronto
DIAGNÓSTICO DA SÍFILIS -
TESTE NÃO TREPONÊMICO (TNT)
• O VDRL é um teste qualitativo de
floculação microscópica da proteína
cardiolipina que pode ser quantificado por
meio de diluições em série do soro,
plasma ou líquido cefalorraquidiano para
determinar o título de anticorpos
presentes nas amostras
RASTREAMENTO DAS POPULAÇÕES-CHAVE
TRATAMENTO E
PREVENÇÃO
DA SÍFILIS
EPIDEMIOLOGIA DA SÍFILIS