Sepse
É uma disfução orgânica secundária a resposta exacerbada
a um processo infeccioso
infecção: processo inflamatório local induzido por algum microorganismo
bacteremia: infecção detectável na corrente sanguínea
sepse: disfunção orgânica secundária a resposta exacerbada a processo
infeccioso
choque séptico: “sepse + choque”; necessidade de vasopressores e lactato
>2mmol/L (> 18mg/dL)
Fisiopatologia
Risco aumentado para progressão
para sepse:
Infecção nosocomial (patógenos
complexos e resistentes +
paciente suscetível);
Bacteremia (calafrios + tremores
+ mal estar + pico febril → colher
hemocultura);
Da mesma forma que no choque, um fator
DM, obesidade;
causal (no caso da sepse, uma infeccção,
leva a metabolismo anaeróbio (que pode Imunossupressão;
gerar acidose metabólica- lactato → ácido
lático) e a lesão tecidual, que induz PAC (maior risco para evoluir
inflamação (por isquemia) e ão orgânica; A para sepse)
acidose metabólica pode também induzir
lesão tecidual e a inflamação, ainda mais
hipotensão e agravar o estado de choque
Diagnóstico
Manifestações clínico-laboratoriais
Sepse 1
manifestações gerais do choque
taquicardia, taquipneia, hipotensão, elevação de lactato, pele fria,
livedo reticular
marcadores infecciosos
PCR,VHS, procalcitonina, nitrito na uina, febre, hipotermia, leucocitose
com desvio à esquerda, leucopenia
manifestações localizatórias do foco
pulmonar (PAC)
urinário (pielonefrite)
pele (gangrena de Fournier, erisipela)
TGI (apendicite, diverticulite)
SNC (meningite)
osteomolecular (osteomielite, artrite séptica, é diabético, úlcera de
pressão)
Etiologias da sepse e manifestações clínicas
Pneumonia tosse, dispneia, expectoração purulenta
dor abdominal, diarreia, presença de
Infecção do TGI
sangue e pus nas fezes
Infecção de cateteres e dispositivos tunelite, saída de secreção purulenta ostial
disúria, urgência miccional, dor
Infecção do trato urinário
suprapúbica, dor em flancos
hiperemia e dor local, saída de secreção
Infecção de pele e partes moles
purulenta
Infecção de articulações hiperemia e dor local, bloqueio articular
hiperemia de ferida operatória, saída de
Infecção de sítio cirúrgico
secreção purulenta
Sepse 2
NEWS: 4 pontos ou mais
SIRS: 2 pontos ou mais (pode ser secundária a várias condições,como traumas,
queimaduras, pancreatite e infecções)
qSOFA (não é útil para o diagnóstico, mas para identificar um grupo de pacientes com
infecção e alto risco para óbito ou maior tempo de permanência na UTI)
Os scores NEWS e SIRS são mais sensíveis que o qSOFA para o diagnóstico de sepse
Sepse 3
Diagnóstico Definitivo
Sepse: infecção + SOFA ≥2
Choque Séptico: necessidade de vasopressores e lactato >2mmol/L (18mg/dL)
Manejo
→ Investigação e exames iniciais:
exames gerais
gasometria + lactato
cultura de todos os sítios possíveis:
urina
2 hemoculturas
aspirado traqueal
acessos venosos
úlceras de pressão
→ Tratamento
cuidado geral do paciente grave
Sepse 4
Monitorização invasiva em tempo real da pressão arterial, através da cateterização da artéria
radial ou femoral
→ Controle da infecção
Antibioticoterapia
precoce (idealmente em até 1 hora)
espectro amplo até culturas se:
→ regime de Antibioticoterapia nos últimos 3 meses
→ internação (> 48h) nos últimos 3 meses
→ paciente institucionalizado
germes comunitários
Foco Tratamento
B-lactamico + inibidor Blactamase OU
Pulmonar
cefalosporina 3a geração + macrolídeos
cefalosporina 3a geração OU quinolona
Abdominal
urinária + metronidazol
Sistema Nervoso Central Cefalosporina 3a geração + ampicilina
Oxacilina OU vancomicina ou linezolida ou
Pele
teicoplanina
quinolona urinária OU Cefalosporina 3a
Geniturinário
geração + aminoglicosídeo
Sepse 5
Resolução do foco infeccioso
Tratamento cirurgico do foco pode ser necessario em alguns casos
→ Manejo Hemodinâmico
1. Ressuscitação volêmica
metas:
normotensão (PAM > 65 mmHg)
diurese > 0,5 mL/kg/h
não induzir congestão pulmonar
tipos de fluidos
cristaloides (Ringer Lactato, soro fisiológico)
coloides (albumina)
Ringer Lactato: mais
alcalose metabólica
(lactato é metabolizado em
bicarbonato no fígado).
SF: mais acidose
hiperclorêmica e mais IRA.
Dose inicial: 30mL/kg ao longo de 1-3h
Fluidotolerância/fluidorresponsividade
→ Ventilação Espontânea:
Leg raise (aumento do DC em 10%)
Sepse 6
A manobra induz a chegada de sangue dos membros inferiores para o coração.
Necessário ECG para avaliação
Avaliação da veia cava inferior
<1,5 cm ou colapso >50% = hipovolemia
>2,5 cm = provável hipervolemia
VCI colapsando, tendo o paciente, em
VCI bastante dilatada, não havendo
hipovolemia, necessidade de administração
necessidade de administração de volume, o
de volume
que poderia induzir congestão
→ Ventilação Mecânica
Avaliação da VCI
variação >12%
Delta PP>12%
Avaliação da pressão de pulso (PAS - PAD)
Sepse 7
Maior pressão de pulso - menor pressão de pulso → PP média (média da PP em 3
pressões médias )
2. Vasopressores
Iniciados em até, no máximo, 1h de hipotensão persistente
Início em acesso periférico → transição para o acesso central
Aumentar de 5/5 minutos até a dose desejada
noradrenalina (1ª escolha)
→ ação agonista a1 e b1 (fraco)
→ efeitos adversos: taquiarritmias e vasoconstrição periférica (>0,5
ug/kg/min)
vasopressina (ADH)
→ agonista V1 (vasoconstrição)
→ 2ª droga (pós nora)
→ efeitos adversos: vasoconstrição periférica em doses elevadas,
oligo/anúria, bradicardia
adrenalina
→ indicações: 1ª escolha em choque anafilático, bradicardia intensa
associada
→ efeitos adversos: isquemia visceral, aumento do lactato, taquiarritmia
dopamina
→ precursora da noradrenalina
→ receptores dopa, beta e alfa
→ indicações: bradicardia sinusal intensa associada, 1ª escolha se
bradiarritmia
→ efeitos adversos: taquiarritmia
3. Outros
corticoterapia
Sepse 8
“insuficiência adrenal relativa”
indicação: nora >0,25 ug/kg/min
hidrocortisona 200mg/dia
bicarbonato de sódio
pH ,7,1 e BIC <7mEq/L
pH <7,2 e IRA associada
Sepse 9