Guia do Episódio de Cuidado
Câncer de Esôfago
O câncer de esôfago é uma doença frequentemente letal. Trataremos nesse pathway de dois tipos histológico mais comuns
que são o adenocarcinoma e o carcinoma escamoso ou espinocelular. Os tumores são também classificados pela posição do
tumor primário e estadiamento.
Concordamos com a posição da National Comprehensive Cancer Network (NCCN) de que a inclusão em estudos clínicos deve
ser considerada para todos os pacientes oncológicos.
I. ASSISTENCIAL
1. AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA INICIAL
1.1 A suspeita clínica de câncer de esôfago por sinais e sintomas – dificuldade de deglutição, linfonodopatia cervical,
sangramento digestivo, tosse ou rouquidão, anemia inexplicada, perda de peso, dor abdominal - ou por evidência de
espessamento da parede esofágica em exames de imagem, geralmente associado a fatores de risco como tabagismo e/ou
etilismo, deve desencadear investigação diagnóstica dirigida, incluindo:
Anamnese dirigida com histórico familiar e avaliação de fatores de risco.
Exame físico completo.
Exames laboratoriais incluindo perfil hepático, CEA, CA19-9, CA-125
TC tórax/ abdome total com contraste ou RNM de abdome com contraste
Endoscopia digestiva alta ou EcoEDA [ultrassom endoscópico] (conforme indicação), Broncoscopia (conforme indicação)
Biópsia para confirmação diagnóstica. Se exames evidenciarem doença metastática, preferência por biópsia do sítio a
distância.
2. ESTADIAMENTO
O estadiamento do câncer de esôfago deve incluir:
TC ou RNM de abdome total com contraste
TC de tórax sem/com contraste.
PET-CT para pacientes com doença localmente avançada candidatos a ressecção, neoadjuvância ou casos com
suspeita de foco secundário
Ultrassom endoscópico, se não houver evidência de doença metástatica
Considerar laparoscopia em casos de doença distal, se T3-T4 ou N+, e sem metástases à distância nos exames de
imagem
O estadiamento do câncer de esôfago é estabelecido pela AJCC 8a edição, e pode ser encontrado no apêndice A.
3. DOENÇA LOCALIZADA
Ressecção cirúrgica Seguimento sem tratamento adjuvante
cTIs ou cT1
Ressecção endoscópica
Seguimento sem tratamento adjuvante
T1-T2N0 (baixo
-Ressecção
risco, bem
endoscópica
diferenciado,
-Esofagectomia
<3cm)
Avaliação Quimiorradiotera
mutidisciplinar T2-T4 qqN pia pré-
(ciúrgico ou operatória* ou
não) definitiva
Escamoso
Quimiorradiotera
Stage I –IVA T4b qqN
pia definitiva
(locoregional,
exceto T4b ou
N3
irressecável) T1-T2N0 (baixo -Ressecção
risco, bem endoscópica
diferenciado, -Esofagectomia
<3cm)
Avaliação Quimiorradiotera
Adenocarcinom mutidisciplinar pia pré-
a (ciúrgico ou operatória* ou
T2-T4 qqN
não) Quimioterapia
perioperatória
Quimiorradiotera
T4b qqN pia ou
*Nivolumab adjuvante está indicado a todos pacientes Quimioterapia
com doença residual após quimiorradioterapia definitiva
neoadjuvante
4. DOENÇA METASTÁTICA
A escolha da terapia sistêmica para pacientes com doença metástatica deve levar em conta a idade, performance status,
comorbidades, sintomas associados ao tumor, carga tumoral, e aspectos logísticos entre outros.
Todos os pacientes com doença metástatica devem ter tumor testado para instabilidade microssatélite, amplificação HER-2, e
status PD-L1. Considerar, de acordo com acesso, testagem de Claudina 18.2 e NGS.
Platina e 5-FU associado
a anti-PD1 (preferencial
para pacientes PD-L1+),
• Paclitaxel +
oxaliplatina preferível se
Ramucirumabe
Adenocarcinoma
(preferido, se sem
exposição prévia a
taxano e MSS)
Doença
metastática, mDCF ou FLOT (em casos muito • Pembrolizumabe se MSI-
sem selecionados) associado a anti- H ou CPS>1 (preferido,
amplificação PD1 (preferencial para pacientes se MSI-H)
HER-2 PD-L1+)
• Irinotecano/FOLFIRI
• Docetaxel/Paclitaxel
Escamoso: Nivolumab e
Ipilimumab (casos selecionados) • Ramucirumabe
• TAS 102
Considerar Pembrolizumabe se MSI-H,ou se
CPS>1 não candidato a quimioterapia
FOLFOX /CAPOX +
Trastuzumabe ± anti-PD1 • Paclitaxel + Ramucirumabe
• Trastuzumabe deruxtecan
• Pembrolizumabe se MSI-H
(não exposto previamente)
• Irinotecano/FOLFIRI
Doença • Docetaxel/Paclitaxel
metastática, • Ramucirumabe
COM • TAS 102
amplificação
HER-2
CF ou XP + Trastuzumabe
± anti-PD1
5. ACOMPANHAMENTO APÓS TRATAMENTO CURATIVO
Anos 1-2 Anamnese, exame físico a cada 3-6 meses. CT tórax, abdome e pelve a cada 6-12
meses
Anos 3-5 Anamnese, exame físico, e CT tórax, abdome e pelve a cada 6-12 meses
Após ano 5 Individualizar acompanhamento
• Deve-se monitorar para deficiências nutricionais ([Link] vitamina B12 e ferro) nos pacientes que foram submetidos a
ressecção cirúrgica
• Para pacientes após ressecção endoscópica, realizar endoscopia digestiva alta a cada 6 meses por 1 ano, e anualmente
por 5 anos, pois este é um dos indivíduos com maior risco para apresentar novo adenocarcinoma gástrico.
6. CRITÉRIOS PARA AVALIAÇÃO DE SÍNDROMES DE PREDISPOSIÇÃO HEREDITÁRIA AO CÂNCER GÁSTRICO E DE
ESÔFAGO
Embora a maioria dos cânceres gástricos seja considerada esporádica, estima-se que 5% a 10% tenham um componente
familiar e 3% a 5% estejam associados a uma síndrome hereditária de predisposição ao câncer. Os adenocarcinomas de
esôfagos devem ser considerados para testagem germinativa.
Recomendamos a testagem germinativa e o encaminhamento ao serviço de oncogenética:
• Indivíduo com diagnóstico de câncer gástrico antes dos 40 anos
• Indivíduo com diagnóstico de câncer gástrico com menos de 50 anos com familiar de primeiro ou segundo grau
com câncer gástrico
• Indivíduo com diagnóstico de câncer gástrico em qualquer idade que tenha 2 ou mais parentes de primeiro ou
segundo grau com câncer gástrico
• Indivíduo com diagnóstico de câncer gástrico e câncer de mama com um diagnóstico antes dos 50 anos
• Indivíduo com câncer gástrico em qualquer idade e história familiar de câncer de mama em um parente de
primeiro ou segundo grau diagnosticado antes dos 50 anos
• Indivíduo com câncer gástrico em qualquer idade e história familiar de pólipos juvenis ou polipose
gastrointestinal
• Indivíduo com câncer gástrico em qualquer idade e história familiar de cânceres associados à síndrome de Lynch
(câncer colorretal, endometrial, do intestino delgado ou do trato urinário)
7. SÍNDROMES DE PREDISPOSIÇÃO HEREDITÁRIA AO CÂNCER GÁSTRICO E DE ESÔFAGO:
7.1 SÍNDROME CÂNCER GÁSTRICO HEREDITÁRIO DIFUSO
• Esta é uma síndrome autossômica dominante caracterizada pelo desenvolvimento de cânceres gástricos difusos
(células em anel de sinete) em uma idade jovem.
• Mutações truncadas em CDH1, o gene que codifica a E-caderina molecula de adesão celular, são encontrados
em 30% a 50% dos casos.
• O risco vitalício de câncer gástrico aos 80 anos é estimado em 67% para homens e 83% para mulheres.
• Idade média em diagnóstico de câncer gástrico é de 37 anos.
• As mulheres com mutações CDH1 correm maior risco de desenvolver carcinoma lobular da mama.
• Esses pacientes devem ser encaminhados para um centro com equipe multidisciplinar voltada para essa
condição.
7.1.1 O teste genético para mutações de CDH1 deve ser considerado quando qualquer um dos seguintes critérios:
• Dois casos de câncer gástrico em uma família, um câncer gástrico difuso (DGC) confirmado independentemente
da idade OU
• DGC diagnosticado antes dos 50 anos de idade sem histórico familiar OU
• História pessoal ou familiar de DGC e câncer de mama lobular, um diagnosticado antes dos 70 anos de idade OU
• Dois casos de câncer de mama lobular em membros da família antes dos 50 anos de idade OU
• DGC em qualquer idade em indivíduos de etnia Maori, ou com um ou história familiar de lábio leporino/fenda
palatina OU
• Câncer de mama lobular bilateral antes dos 70 anos
7.2 SÍNDROME DE LYNCH
• Síndrome de Lynch têm um risco de 1% a 13% de desenvolver câncer gástrico e o risco é maior em asiáticos em
comparação com parentes ocidentais. O câncer gástrico é o segundo câncer extracolônico mais comum nessas
pacientes, depois do câncer de endométrio.
7.3 SÍNDROME DE POLIPOSE JUVENIL
• Síndrome de polipose juvenil têm um risco de 21% de desenvolver câncer gástrico, sendo observado
principalmente em portadores da mutação SMAD4.
7.4 SÍNDROME DE PEUTZ-JEGHERS
• Síndrome de Peutz-Jeghers têm um risco de 29% de desenvolver câncer gástrico. Indivíduos com SPJ também
correm maior risco de outros tipos de câncer.
7.2 SÍNDROME DE POLIPOSE ADENOMATOSA FAMILIAR
• Polipose adenomatosa familiar têm um risco de câncer gástrico de 1% a 2% ao longo da vida. Indivíduos com
tais síndromes, também correm maior risco de outros tipos de câncer.
Apêndice A
Estadiamento pela AJCC 8th edition
A) Carcinoma do esôfago
1. Estadiamento do tumor primário
TX: tumor primário não avaliável;
T0: sem evidência de tumor primário;
Tis: carcinoma in situ;
T1a: tumor invade a lâmina própria ou muscular da mucosa;
T1b: tumor invade a submucosa;
T2: tumor invade a muscular própria;
T3: tumor invade adventícia;
T4a: tumor invade pleura, pericárdio, veias ázigos, diafragma ou peritônio;
T4b: tumor invade aorta, corpo vertebral ou via aérea;
2. Estadiamento linfonodal
NX: linfonodos regionais não podem ser avaliados;
N0: sem metástases linfonodais;
N1: metástases em um a dois linfonodos regionais;
N2: metástases em três a seis linfonodos regionais;
N3: metástases em sete ou mais linfonodos regionais;
3. Estadiamento da doença metástatica
MX: metástases à distância não podem ser avaliadas;
M0: ausência de metástases à distância;
M1: metástases à distância.
4. Agrupamento por estádios, simplificado
Escamoso: 0: cTiscN0M0; I: cT1-N0M0; II: cT2-cN0-1M0 ou cT3N0; III: cT3-cN1M0 ou cT1-3N2M0; IVA: cT4cN0-2M0 ou cN3; IVB:
qqTqqNM1
Adenocarcinoma:0: cTiscN0M0; I: cT1-N0M0; IIA: cT1-cN1M0; IIB:cT2cN0; III: cT2-cN1M0 ou cT3cN0-1M0 ou cT4acN0-1M0;
IVA: qqTcN2-3M0 ou cT4bqqNM0 ou ; IVB: qqTqqNM1
Apêndice B
Terapia baseada em fluorpirimidina
FOLFOX
● Oxaliplatina 85 mg/m2 IV em 2 horas no D1
● Leucovorin 400 mg/m2 IV em 2 horas no D1
● 5- Fluorouracil 2,400 mg/m2 IV infusão continua em 46 horas
● Repetir a cada 14 dias
FLOT
● Oxaliplatina 85 mg/m2 IV no D1
● Docetaxel 50 mg/m2 no D1
● Leucovorin 200 mg/m2 IV no D1
● 5- Fluorouracil 2,600 mg/m2 IV infusão continua em 46 horas
● Repetir a cada 14 dias
XELOX or CAPOX
● Capecitabina 1,500-1,800 mg/m2 VO em doses divididas 2x/dia no D1 até D14
● Oxaliplatina 85 mg/m2 IV em 2 horas no D1
● Repetir a cada 21 dias
FOLFIRI
● Irinotecano 180 mg/m2 IV em 90 minutos no D1
● Leucovorin 400 mg/m2 IV em 2 horas no D1
● 5-Fluorouracil 400 mg/m2 IV bolus no D1
● 5- Fluorouracil 2,400 mg/m2 IV infusão continua em 46 horas
● Repetir a cada 14 dias
DCF modificado
● Docetaxel 40 mg/m2 IV no D1
● Cisplatina 40 mg/m2 IV no D1
● 5- Fluorouracil 2,400 mg/m IV infusão continua em 46
● Repetir a cada 14 dias
Paclitaxel +Ramucirumabe
● Paclitaxel 80 mg/m2 IV no D1, D8 e D15
● Ramucirumabe 8 mg/m2 IV no D1 e D15
● Repetir a cada 28 dias
Pembrolizumabe
● Pembrolizumabe 200 mg ou 2 mg/kg IV no D1
● Repetir a cada 21 dias
Adicionar Trastuzumabe à quimioterapia de primeira linha em pacientes HER-2 positivos:
Trastuzumabe
● Trastuzumabe 8mg/kg IV D1 dose ataque, seguido de 6mg/kg IV D1
● Repetir a cada 21 dias
ou
● Trastuzumabe 6mg/kg IV D1 dose ataque, seguido de 4mg/kg IV D1
● Repetir a cada 14 dias
II. GLOSSÁRIO
RNM: Ressonância Magnética
TC: Tomografia
IV: Intravenoso
VO: Via Oral
III. HISTÓRICO DE REVISÕES
Atualização da Perspectiva genética (item 6) – Atualização do template
IV. Referências
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Código Elaborador: Revisor: Aprovador: Data de Data de
Documento: Roberto Juliana Todaro Giancarlo Colombo Elaboração: Aprovação:
CPTW331.2 Carmagnani 28/03/2023 19/12/2023
Pestana
Pedro Uson Data de
Fernando Moura atualização:
Janaína Pontes 19/12/2023