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Observação na Piscina: Conflito Social

O texto descreve uma residência luxuosa na Lagoa Rodrigo de Freitas, contrastando com a favela próxima. Durante um dia ensolarado, a dona da casa observa uma mulher estranha se aproximar da piscina e coletar água, o que provoca um sentimento de desconforto. O marido, testemunhando a cena, decide vender a casa, refletindo a tensão entre as classes sociais.

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Observação na Piscina: Conflito Social

O texto descreve uma residência luxuosa na Lagoa Rodrigo de Freitas, contrastando com a favela próxima. Durante um dia ensolarado, a dona da casa observa uma mulher estranha se aproximar da piscina e coletar água, o que provoca um sentimento de desconforto. O marido, testemunhando a cena, decide vender a casa, refletindo a tensão entre as classes sociais.

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PISCINA

Era uma esplêndida residência, na Lagoa Rodrigo de Freitas, cercada de


jardins e, tendo ao lado, uma bela piscina. Pena que a favela, com seus barracos
grotescos se alastrando pela encosta do morro, comprometesse tanto a paisagem.
Diariamente desfilavam diante do portão aquelas mulheres silenciosas e
magras, lata d’água na cabeça. De vez em quando surgia sobre a grade a carinha
de uma criança, olhos grandes e atentos, espiando o jardim. Outras vezes eram as
próprias mulheres que se detinham e ficavam olhando.
Naquela manhã de sábado ele tomava seu gim-tônico no terraço, e a mulher
um banho de sol, estirada de maiô à beira da piscina, quando perceberam que
alguém os observava pelo portão entreaberto.
Era um ser encardido, cujos trapos em forma de saia não bastavam para
defini-la como mulher. Segurava uma lata na mão, e estava parada, à espreita,
silenciosa como um bicho. Por um instante as duas mulheres se olharam,
separadas pela piscina.
De súbito pareceu à dona de casa que a estranha criatura se esgueirava,
portão adentro, sem tirar dela os olhos. Ergue-se um pouco, apoiando-se no
cotovelo, e viu com terror que ela se aproximava lentamente: já atingia a piscina,
agachava-se junto à borda de azulejos, sempre a olhá-la, em desafio, e agora colhia
água com a lata. Depois, sem uma palavra, iniciou uma cautelosa retirada, meio de
lado, equilibrando a lata na cabeça – e em pouco sumia-se pelo portão.
Lá no terraço o marido, fascinado, assistiu a toda a cena. Não durou mais
de um ou dois minutos, mas lhe pareceu sinistra como os instantes tensos de
silêncio e de paz que antecedem um combate. Não teve dúvida: na semana seguinte
vendeu a casa.
Fernando Sabino. A mulher do vizinho, Rio de Janeiro, 1976.

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